Skip to main content

Revista Abigraf 259

Page 109

Memória

Setor gráfico se despede de Manoel Carlos de Camargo

Em 23 de abril, vinte dias depois de completar 50 anos, faleceu em São Paulo Manoel Carlos Martins de Camargo, diretor industrial da gráfica Bandeirantes.

Foto: Roberto Loffel

M

ais novo dos três filhos de Mário de Camargo, funda­ dor da gráfica, Mané, como era chamado por todos, começou o tra­ balhar na empresa em 1987, aos 25 anos, cuidando do atendimento das principais contas da Bandeirantes. Mesmo sem formação acadêmica na área, Mané herdou do pai uma sensibilida­ de rara para as questões industriais, o que o levou ao comando da produção quando, em 1992, Mário de Camargo promoveu a divisão do grupo com os filhos. O pa­triar­ ca ficou com a unidade de Campinas, An­ tonio de Pádua Camargo com o birô de pré-​­i mpressão e Mário César de Camar­ go e Mané com a planta de São Bernardo do Campo (depois transferida para Gua­ ru­l hos). “O Mané tinha uma capacidade es­p e­c ial para captar informações técni­ cas, para entender o fun­c io­na­men­to dos equipamentos”, lembra Mário César, dire­ tor da Bandeirantes. O empresário conta que, entre as vá­r ias mudanças provocadas pela rees­tru­tu­ra­ção, ao assumir a produção Mané imprimiu um ritmo mais dinâmico à atua­li­za­ção tecnológica do parque fabril. “Ele gostava de manter o pioneirismo que carrega o nome Bandeirantes, não se preo­ cu­pan­do muito com o mercado. Às vezes dava certo, outras não”. Em uma dessa in­ vestidas, perseguindo a alta qualidade na reprodução da cor, apostou na possibilida­ de de imprimir com li­nea­tu­ras mais finas através da tecnologia waterless. Porém, o alto custo inviabilizou o processo. Num outro momento, seu fee­ling foi preciso. “Estávamos em uma feira em Mi­ lão, em 1994, e o Mané conversava com

um dos gráficos que admirei, Wilson Si­v ie­ ro, na época na Hamburg. Naquela conver­ sa eles decidiram que de­ve­r ía­mos comprar uma linha de lombada quadrada com cola PUR , algo in­ci­pien­te no Brasil. Deu certís­ simo e hoje é padrão de mercado. Ele era assim, sempre atrás de uma nova técnica, um novo substrato, algo que pudesse se transformar num di­fe­ren­cial para nós”. Amigos de longa data como Luiz Nei ­A rias, vice-​­presidente da IBF, lembram o convívio com Mané. “Além do carinho que dedicava à família, Mané deixou o reconhe­ cimento de toda a indústria gráfica devido ao seu conhecimento técnico e pro­f is­sio­ na­l is­mo”. “Mané era muito justo, correto, um gráfico que sabia exatamente o que es­ tava fazendo”, afirma Noel Garcia Filho, representante do setor de papel. Atuan­do em ­­áreas complementares, o respeito foi a linha mestra para os 25 anos em que Mané e Mário César trabalharam juntos. A leal­d a­de foi a marca dessa rela­ ção. “O Mané foi o sócio, irmão e compa­ nheiro mais leal que tive na minha vida. Ele

era transparente, incapaz de simular emo­ ções ou sentimentos”. O grande mote para os irmãos, nas palavras de Mário César, era o fazer gráfico. “Nunca discutimos so­ bre dinheiro, partilha de lucros. Po­d ía­mos discordar sobre muitas coisas, e o Mané era muito firme em suas ideias, quando punha uma coisa na cabeça era difícil tirar, mas nunca brigamos por questões financeiras. Ele foi o melhor sócio que eu poderia ter”. Mané sofria de atrofia de múltiplos sis­ temas, desordem neurológica degenerati­ va. Há dois anos, quando precisou parar de dirigir por conta da doen­ça, a esposa, Sil­ via Regina Portescheller de Camargo, pas­ sou a levá-lo à gráfica, assumindo gradati­ vamente a área de compras, da qual Mané também cuidava. O casal teve dois filhos: Pedro, 23 anos, formado em Administra­ ção, trabalha na Artex/Coteminas, e Vitor, 20 anos, que está cursando Tecnologia em Produção Gráfica na Escola Senai Theo­bal­ do De Nigris e es­ta­g ian­do na Bandeiran­ tes. Mário César acumula agora a diretoria co­mer­cial e in­dus­trial da gráfica. maio /junho 2012 REVISTA ABIGRAF

109


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Revista Abigraf 259 by Abigraf - Issuu