Memória
Setor gráfico se despede de Manoel Carlos de Camargo
Em 23 de abril, vinte dias depois de completar 50 anos, faleceu em São Paulo Manoel Carlos Martins de Camargo, diretor industrial da gráfica Bandeirantes.
Foto: Roberto Loffel
M
ais novo dos três filhos de Mário de Camargo, funda dor da gráfica, Mané, como era chamado por todos, começou o tra balhar na empresa em 1987, aos 25 anos, cuidando do atendimento das principais contas da Bandeirantes. Mesmo sem formação acadêmica na área, Mané herdou do pai uma sensibilida de rara para as questões industriais, o que o levou ao comando da produção quando, em 1992, Mário de Camargo promoveu a divisão do grupo com os filhos. O patriar ca ficou com a unidade de Campinas, An tonio de Pádua Camargo com o birô de pré-i mpressão e Mário César de Camar go e Mané com a planta de São Bernardo do Campo (depois transferida para Gua rul hos). “O Mané tinha uma capacidade esp ec ial para captar informações técni cas, para entender o func ionamento dos equipamentos”, lembra Mário César, dire tor da Bandeirantes. O empresário conta que, entre as vár ias mudanças provocadas pela reestruturação, ao assumir a produção Mané imprimiu um ritmo mais dinâmico à atualização tecnológica do parque fabril. “Ele gostava de manter o pioneirismo que carrega o nome Bandeirantes, não se preo cupando muito com o mercado. Às vezes dava certo, outras não”. Em uma dessa in vestidas, perseguindo a alta qualidade na reprodução da cor, apostou na possibilida de de imprimir com lineaturas mais finas através da tecnologia waterless. Porém, o alto custo inviabilizou o processo. Num outro momento, seu feeling foi preciso. “Estávamos em uma feira em Mi lão, em 1994, e o Mané conversava com
um dos gráficos que admirei, Wilson Siv ie ro, na época na Hamburg. Naquela conver sa eles decidiram que dever íamos comprar uma linha de lombada quadrada com cola PUR , algo incipiente no Brasil. Deu certís simo e hoje é padrão de mercado. Ele era assim, sempre atrás de uma nova técnica, um novo substrato, algo que pudesse se transformar num diferencial para nós”. Amigos de longa data como Luiz Nei A rias, vice-presidente da IBF, lembram o convívio com Mané. “Além do carinho que dedicava à família, Mané deixou o reconhe cimento de toda a indústria gráfica devido ao seu conhecimento técnico e prof issio nal ismo”. “Mané era muito justo, correto, um gráfico que sabia exatamente o que es tava fazendo”, afirma Noel Garcia Filho, representante do setor de papel. Atuando em áreas complementares, o respeito foi a linha mestra para os 25 anos em que Mané e Mário César trabalharam juntos. A leald ade foi a marca dessa rela ção. “O Mané foi o sócio, irmão e compa nheiro mais leal que tive na minha vida. Ele
era transparente, incapaz de simular emo ções ou sentimentos”. O grande mote para os irmãos, nas palavras de Mário César, era o fazer gráfico. “Nunca discutimos so bre dinheiro, partilha de lucros. Pod íamos discordar sobre muitas coisas, e o Mané era muito firme em suas ideias, quando punha uma coisa na cabeça era difícil tirar, mas nunca brigamos por questões financeiras. Ele foi o melhor sócio que eu poderia ter”. Mané sofria de atrofia de múltiplos sis temas, desordem neurológica degenerati va. Há dois anos, quando precisou parar de dirigir por conta da doença, a esposa, Sil via Regina Portescheller de Camargo, pas sou a levá-lo à gráfica, assumindo gradati vamente a área de compras, da qual Mané também cuidava. O casal teve dois filhos: Pedro, 23 anos, formado em Administra ção, trabalha na Artex/Coteminas, e Vitor, 20 anos, que está cursando Tecnologia em Produção Gráfica na Escola Senai Theobal do De Nigris e estag iando na Bandeiran tes. Mário César acumula agora a diretoria comercial e industrial da gráfica. maio /junho 2012 REVISTA ABIGRAF
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