Revista do Colégio Militar nº 234

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Revista “O COLÉGIO MILITAR”

maio/agosto 2014

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Alegoria ao Colégio Militar



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FICHA TÉCNICA: PUBLICAÇÃO QUADRIMESTRAL: N.º 234 A revista O Colégio Militar é publicada até ao final do mês seguinte ao período temporal a que se refere. E-mail: revista@colegiomilitar.pt

ÍNDICE

3.º período: maio-agosto 2014

ISBN: 0871-3936 NÚMERO DE EXEMPLARES: 1200 ADMINISTRAÇÃO: Colégio Militar DIRETOR: Aluno n.º 196 – Nuno Miguel Lopes Raposo REDATOR-CHEFE: Aluno n.º 135 – Artur Miguel Freire Nascimento REDATORES: 12.o ANO: 196, 498 10.o ANO: 415 9.o ANO: 115, 158, 252, 291 5.o ANO: 29, 249, 318, 360 COORDENADOR PRINCIPAL: Professora Graça Paulo

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EDITORIAL

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COMEMORAÇÕES

10 ATIVIDADES ESCOLARES 19 ESPAÇO CIÊNCIA 23 NOTÍCIAS

REVISÃO LITERÁRIA E ORTOGRÁFICA (COMISSÃO DE REVISÃO): Grupo de Português

33 ARTE E CULTURA

APOIO: Professora Ana Cristina Reis Miguel Ferreira Tenente Catarina Amaro

DESIGN E EXECUÇÃO GRÁFICA: Sersilito-Empresa Gráfica, Lda. www.sersilito.pt

FOTOS: Renato Oliveira Ateliê Sérgio Garcia Leonel Tomaz Outros

DEPÓSITO LEGAL N.o 108931/97

36 EVENTOS DESPORTIVOS 41 TRADIÇÕES E MEMÓRIAS 47 RENDER DA GUARDA

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Editorial Caríssimos leitores, Chega agora ao fim um ano letivo que perdurará por longos anos na memória de todos em resultado das transformações estruturais impostas ao Colégio Militar que revolucionaram os alicerces desta instituição, dando início a uma nova realidade, muito diferente da que conhecíamos, “cheia de novos problemas, cheia de novos desafios e, acima de tudo, cheia de novas oportunidades”. Findos estes nove meses, estou certo de que fomos capazes de aproveitar os aspetos positivos desta reforma, porque todas as reformas os têm, para impulsionar o Colégio Militar para um patamar acima daquele em que se encontrava, como consequência de vários anos de declínio que marcam o passado recente da instituição. Contudo, o ano lectivo que se aproxima promete ser tanto ou mais exigente que o que agora termina, pois embora tenha sido desenvolvido muito trabalho no sentido de adaptar o Colégio Militar a esta nova realidade, ficou ainda muito por fazer e vai, com esse propósito, ser exigido um esforço hercúleo a toda a família colegial, nomeadamente aos futuros graduados.

Um coro de vozes, em que também se incluiu a minha, defendeu, no início do ano letivo, que a reforma não era a desejada e muito menos fora implementada de forma adequada, contudo a realidade do Colégio Militar mudou e é necessário ganhar consciência de que, neste momento, é preferível direcionar os esforços para a construção de um Colégio Melhor, do que para tentar impedir uma mudança irreversível. Diz um provérbio chinês que quando o vento sopra forte, uns se abrigam enquanto outros constroem moinhos de vento. Julgo que é sensato seguir as passadas de todos aqueles que descortinam oportunidades em cada dificuldade, porque se não se aproveita a tempestade para construir uma escola melhor, então contribui-se ativamente para o seu fim, porque toda e qualquer instituição, por muito grande e antiga que seja, que fique parada no tempo, definha e acaba por morrer. A toda a família colegial, desejo as maiores felicidades na continuação desta epopeia que é o Colégio Militar. 196 – Raposo

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COMEMORAÇÕES CERIMÓNIA DE ENCERRAMENTO DO ANO LETIVO 2013/14 ALOCUÇÃO DO EX.MO DIRETOR DO COLÉGIO MILITAR

ções, cientes da responsabilidade que herdamos e que nos cumpre perpetuar. Cumprimos um ano especialmente relevante nos 211 anos de história do Colégio Militar. Hoje vivemos num quadro pedagógico e funcional caracterizado pelos seguintes desígnios : • Interiorizou-se o conceito de Aluno do Colégio Militar como o somatório de Alunas e Alunos pela adoção do ensino Misto; • Integrámos no nosso projeto educativo o 1º Ciclo do Ensino Básico. • Introduzimos a opção do regime de frequência Interno-Externo para os alunos masculinos. • Implementámos a função de Coordenador Pedagógico. Acreditamos que nesta reconfiguração do projeto educativo poderemos ser um Colégio com mais valor. O universo e o perfil de alunos a frequentar o Colégio Militar alargou-se. A atratividade do Colégio Militar terá tendência a aumentar, permitindo admitir mais e melhores alunos.

Dirijo estas palavras a toda comunidade educativa do Colégio Militar. Aos antigos alunos, representados pelo Exmo Dr António Reffoios a quem agradeço a presença que muito nos honra. Aos Pais e Encarregados de Educação a quem dirijo igualmente uma saudação especial na pessoa do Exmo Senhor Engenheiro Afonso Lopes, Aos estimados Professores, Oficiais, Sargentos, Praças e Funcionários Civis do Colégio Militar, Aos Alunos, Minhas Senhoras e meus Senhores, Cumpre-se hoje mais um ciclo, neste caso o fim das atividades escolares do ano letivo 2013/2014 no Colégio Militar. De partida para uns, de continuidade para outros. A transmissão do Guião do Colégio determina esse momento de continuidade que se vem repetindo ao longo de geraRevista “O Colégio Militar” • maio | agosto 2014

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Temos consciência de que tudo só tem sido possível pela ação de toda a comunidade colegial, que tudo tem feito para, hoje, podermos dizer que cumprimos o nosso


COMEMORAÇÕES alunos mais novos. Tiveram um ano para perceber que o Colégio Militar tem sabido encontrar as adequadas respostas para os desafios que nos foram lançados. O Colégio irá continuar a atravessar um momento marcado pelo processo de Reestruturação dos Estabelecimentos Militares de Ensino, nas suas diferentes dimensões. O próximo ano letivo ficará marcado pela admissão de um novo efetivo de alunos em sentido crescente e pelo acolhimento das alunas do Instituto de Odivelas que optarem por se matricular no Colégio Militar. Aos Alunos e a toda a comunidade educativa cabe a responsabilidade e o dever de as receber com a dignidade e distinção própria que deve caracterizar o Menino da Luz. dever e que acreditamos no futuro. Neste momento, o meu reconhecimento ao vosso esforço, dedicação e profissionalismo.

Caros Alunos, O vosso sucesso escolar dependeu, em grande parte, do vosso trabalho, pelo que, àqueles que o obtiveram, o nosso reconhecimento e o orgulho de todos. Faço votos para que continuem, porque esse é o caminho certo do sucesso e do futuro. Aos que não conseguiram os seus objetivos ou se sintam menos realizados durante o presente ano letivo, importa que meditem e reorientem o vosso entendimento e dedicação para que voltem com mais vontade de trabalhar e recuperar o tempo e as oportunidades perdidas para alcançarem o desejado sucesso. Aos Alunos, que pelo primeiro ano frequentaram o Colégio Militar, dou-vos os parabéns pela vossa entrega e pela capacidade que tiveram em se adaptarem ao Colégio Militar e terem acreditado que este é o caminho que pretendem trilhar. Façam-no sempre com o idealismo, a dedicação e o trabalho de quem já é parte integrante do valor do Colégio Militar.

Formulo os votos sinceros que, tal como o curso que agora termina, saibam articular este processo na construção de um mentalidade adaptada à atual realidade do Colégio Militar. No início do próximo ano letivo, cá vos esperamos no Estágio de Graduados, onde teremos oportunidade de falar sobre o novo ano letivo que irá de certeza pôr à prova a vossa maturidade, compreensão e tolerância face aos desafios que temos pela frente, que não serão poucos, nem fáceis. Espero de vós o elevado sentido de responsabilidade e que saibam responder à confiança que em vós irá ser depositada. Ser graduado é crescer em acelerado.

Caros Alunos Finalistas, A comunidade educativa acreditou em vós. Souberam dizer presente. Cumpriram. Chegou a hora da partida após terem desempenhado a vossa missão como Alunos e como

Aos que vão ingressar no 12.º Ano, desejo-vos as maiores felicidades e sucesso neste momento que tanto desejaram e que irão assumir, em toda a sua plenitude, a condição de Finalistas. Peço-vos que reflitam sobre a importância das responsabilidades que ides assumir como Alunos Graduados, com particular significado no exemplo e na orientação dos 5

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COMEMORAÇÕES Meninos da Luz. Momento de alegria e nostalgia. Os anos escolares que ultrapassaram com êxito foram uma vitória a que aliaram o vosso desempenho como graduados na sua etapa final. Foi-vos pedido para materializarem as vossas intenções em ações, e que passassem a exercer responsabilidades que, como todos sabemos, são por vezes demasiado exigentes para jovens como vós, nomeadamente ajudar-nos a formar as novas gerações. Foi um percurso de encontros e desencontros, de dificuldades mas também de grandes alegrias, mas foi sobretudo um percurso em que, seguramente, todos procuram fazer o melhor para vós e para o Colégio Militar, cientes de que nem sempre foi possível encontrar as soluções ideais. Mas, no final, importa relevar neste dia que o amor ao Colégio Militar, o vosso idealismo, a compreensão e a tolerância permitiram alcançar os objetivos a que nos propusemos. Permitam-me, que vos deixe aqui o meu apreço, na pessoa do Comandante de Batalhão, aluno 196, Nuno Raposo, por todo o vosso esforço em prol do Colégio Militar. Agradecemos tudo o que fizeram de forma consciente pelo Colégio como

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alunos. Desejo-vos tudo de bom na vossa vida futura, junto das vossas famílias, das vossas opções académicas e profissionais, mas também dos amigos para a vida que tendes ao vosso lado neste preciso momento. Pelo excelente trabalho e pelo momento particular em que desempenharam as funções de graduados, o Colégio Militar não vos esquecerá e sei que também não esquecerão esta vossa Casa. Mantenham o vosso espírito de Meninos da Luz, sejam felizes e voltem sempre. Este Colégio faz parte de vós e dos vossos corações. Parabéns a todos. Termino, desejando a todos umas boas férias e que as mesmas vos tragam o alento e a motivação necessária para o início de um novo ano escolar. Aos que ainda têm exames nacionais, peço-vos um esforço final. Porque esses resultados serão também os nossos resultados. Todos seremos poucos para a grande obra iniciada há duzentos de onze anos pelo venerado fundador Marechal Teixeira Rebello no respeito pelo espírito e génese do lema do Colégio Militar: “SERVIR”. Tenho dito!


COMEMORAÇÕES nal. Contudo, para além da relevância pessoal, são ainda extremamente importantes para a avaliação do Colégio Militar enquanto escola que é. Assim sendo, exigem de nós um esforço redobrado: primeiro, por deles depender o futuro de cada um de nós e, segundo, por deles depender também o futuro do Colégio. O desleixo e a preguiça já fizeram muito mal ao nosso Colégio. Acabemos com eles, apostemos antes no empenho e no trabalho árduo de alunos, professores, oficiais e encarregados de educação e o sucesso será uma questão de tempo! Chegado este período de reflexão, e por não estar, de todo, satisfeito com muito do que presenciei ao longo deste ano que hoje termina, sinto-me na obrigação de vos dizer que estou desiludido e desapontado com o nosso trabalho. Estou desiludido não com os erros que cometemos, porque somos humanos e errar faz parte da nossa condição, mas com tudo o que, por preguiça ou desleixo, deixámos por fazer. Pais e Encarregados de Educação, no início do ano letivo congratulei-vos pela escolha consciente e assertiva que

Exmo. Coronel Tirocinado, Director do Colégio Militar, Oficiais, Docentes, Sargentos, Praças e Funcionários Civis, Exmos. Convidados, Pais e Encarregados de Educação, Minhas Senhoras e Meus Senhores, Condiscípulos, Findo mais um ano letivo, este, em particular marcado por profundas reformas no quotidiano dos Meninos da Luz e da comunidade colegial, é tempo de refletir sobre tudo o que de bom e de mau foi feito para que o ano que se aproxima traga maior estabilidade, eficiência e sucesso. Porém, e apesar de o ano estar no fim, muitos de nós estão ainda em condições de provar o nosso valor enquanto individualidades e, consequentemente, de ajudar o Colégio que tão veementemente afirmamos defender. Os Exames Nacionais assumem uma importância extrema para o futuro de cada um de nós, já que condicionam a entrada na faculdade e, consequentemente, a nossa vida profissio-

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COMEMORAÇÕES Professores e Oficiais, no início do ano letivo pedi-vos que exigissem o máximo dos vossos alunos e que excluíssem a palavra “desleixo” tanto do vosso como, principalmente, do dicionário dos vossos discípulos, mesmo que isso vos custasse uma reputação menos boa perante eles. Hoje, nove meses depois, não só estou certo de que mantivestes a mesma atitude ociosa que até então tínheis adotado como também estou certo de que sois os causadores maiores da instabilidade nesta Casa. Depois de, em janeiro de 2013, me ter dirigido aos poucos que tiveram disponibilidade para assistir à Récita, afirmando que era tempo para pôr fim às intrigas e divergências que têm vindo a corromper o Colégio por dentro e de unir forças, julguei que as palavras proferidas na Abertura Solene fossem suficientes para que compreendêsseis a importância e a necessidade do trabalho conjunto... porém, enganei-me. Hoje, nove meses depois, tenho perfeita noção de que não sois nem nunca ireis ser capazes de abdicar dos vossos interesses pessoais em prol do bem coletivo! Assim sendo, pergunto-me… Como podemos nós ambicionar um Colégio forte, um Colégio ao nível da sua áurea História de 211 anos, se não somos capazes de resolver os atritos que comprometem o sistema?

fizestes ao optar pelo projecto educativo do Colégio Militar e pedi-vos que apoiasseis os vossos filhos nas boas e, principalmente, nas más situações, já que a família é um pilar fundamental na educação de qualquer criança e jovem adulto. A todos os que se interessaram e se envolveram na dinâmica do nosso Colégio, que souberam identificar os problemas dos vossos educandos e deram o melhor que puderam e souberam para os resolver, estou-vos profundamente grato! O vosso esforço e a vossa dedicação tornou-nos muito mais Fortes! Contudo, hoje, nove meses depois, sinto-me também triste pelo abandono a que são votados muitos dos nossos alunos. O Colégio Militar e a família colegial não substituem, em caso algum, o amor, o carinho e a atenção de um pai e de uma mãe. Só em comunhão com a família seremos capazes de formar cidadãos plenos de consciência, prontos a Servir Portugal.

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Por fim, e por vos considerar a Pedra Angular desta Casa, dirijo-me a vós, alunos. Nestas últimas palavras como Comandante de Batalhão, não posso deixar de felicitar os muitos que se contentaram com o pouco que tinham, os muitos que não foram capazes de abandonar a sua zona de conforto, os muitos que, por desleixo ou preguiça, não ambicionaram ser melhores. Parabéns! Continuai assim e sereis exatamente aquilo que sempre ambicionastes – cidadãos comuns, livres de qualquer preocupação ou responsabilidade, enfim, fareis parte da imensidão de fracos que a História tende sempre a esquecer! Por outro lado, é com gosto que congratulo todos os que atingiram os objetivos a que se propuseram, todos os que sonharam ser melhores e que, pelo esforço, pelo trabalho árduo e pela dedicação, o conseguiram. O sonho e a ambição são a base do futuro! O Colégio precisa de vós, dos vossos sonhos, da vossa capacidade e da vossa força! Finalistas, hoje é o primeiro dia do resto das vossas vidas! Termina aqui, nestes centenários claustros que viram crescer e morrer centenas de Meninos da Luz, sob a cúpula


COMEMORAÇÕES e o zimbório onde já figuram o capote e a barretina, este longo percurso de oito anos, iniciado por muitos, concluído por poucos. Ainda envergo a farda cor-de-pinhão que me acompanhou desde tenra idade e já a saudade me assola o coração. Saudade das brincadeiras de camarata, dos desfiles na Avenida, dos jogos de futebol e das patuscadas da Escolta, saudade dos momentos de alegria que partilhei convosco, saudade dos momentos de tristeza que me ajudastes a ultrapassar, saudade de vós e do Colégio… Mas hoje, por muito que nos custe, é o fim… o fim de um ciclo de oito anos que marcou profundamente as nossas vidas, o fim de um ciclo de oito anos que jamais esqueceremos… Todavia, por muito que o dia de hoje fique recordado como o dia do fim, é também um dia de inicio e de passagem do testemunho. Início de uma nova realidade, início de uma nova vida fora destes frios muros e passagem do testemunho aos próximos graduados, a quem vai ser exigida uma capacidade de adaptação profunda à nova realidade colegial.

É a vós, futuros finalistas, que me dirijo por último, falando-vos da mesma forma que falei aos meus graduados na Abertura Solene. O ano letivo que se aproxima reserva-vos inúmeros obstáculos e só tendo por base o bom senso e o Código de Honra sereis capazes de os ultrapassar. Gostava que interiorizásseis as palavras de Lichtenberg: “Quando os comandantes perdem a vergonha, os comandados perdem o respeito.” E nada pior há que perder o respeito dos comandados porque quando isso acontece, deixamos, simplesmente, de ser líderes e tornamo-nos ditadores. Termino, recorrendo mais uma vez às palavras de John F. Kennedy, desta vez, aquando do lançamento aos americanos do desafio de levar um homem à Lua e trazê-lo de volta a Terra em segurança, dizendo-vos que nós escolhemos ser uma das melhores escolas do país, não por ser fácil, mas por ser difícil! Tudo está ao nosso alcance desde que risquemos a palavra impossível do nosso dicionário! Muito Obrigado. Façam o favor de ser Felizes! 196 – Raposo

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Nota: Os Alunos inscritos neste Quadro de Honra obtiveram no período, Comportamento BOM ou MUITO BOM e média igual ou superior a 14 valores (ou 140 pontos) sem qualquer classificação inferior a 10 valores (ou 100 pontos).

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ATIVIDADES ESCOLARES VISITAS DE ESTUDO CASTELO DE S. JORGE

El-rei D. Afonso Henriques, Que por aqui passou, Era um conquistador. Neste castelo lutou E Portugal ganhou.

HISTÓRIA QUE DEIXOU QUEM POR AQUI PASSOU

Arqueiros e guerreiros nas muralhas Prontos para lutar, Já com os arcos nas seteiras Para a cidade conquistar. Prontos para portas arrombar E a bandeira hastear, Contra as armas marchar, marchar E a Pátria honrar! 29 – Martins

Vou contar a minha visita de estudo ao Castelo de S. Jorge. Quando chegámos, vimos um pequeno teatro sobre D. Afonso Henriques e a sua mãe, D. Teresa. Pouco depois, o primeiro rei de Portugal mostrou-nos o castelo e explicou-nos o quão difícil fora conquistá-lo. Pudemos admirar também a sua incrível espada. Mais tarde, visitámos ainda a Sé de Lisboa. Por fim, entrámos no autocarro que nos levou de regresso ao Colégio. Gostei tanto desta visita que queria voltar a fazê-la! 249 – Coutinho 11

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ATIVIDADES ESCOLARES No dia 29 de abril, o 5º B e o 5º C fizeram uma visita de estudo ao Castelo de S.Jorge. O autocarro deixou-nos perto da Sé de Lisboa e subimos a pé até ao castelo. Após esperarmos um pouco, apareceu “D. Afonso Henriques” que nos falou sobre a História de Portugal. Depois, pediu-nos que fingíssemos ser guerreiros do seu exército, pois íamos conquistar a cidade de Lisboa aos Mouros. Mais tarde, demos a volta às muralhas e, por fim, passámos pelo museu e pela loja, onde comprámos pequenas lembranças, recordações daquele dia tão bem passado. 318 – Vicente Gostei muito desta visita de estudo.Foi uma experiência inesquecível! Parámos junto da Sé de Lisboa e depois subimos a pé até ao Castelo de S. Jorge. Durante o percurso, passámos por muitos turistas. Quando chegámos, vimos um senhor mascarado de D. Afonso Henriques e uma senhora mascarada de sua mãe, D. Teresa, que nos falaram de conquistas e de batalhas. Aprendemos muitas coisas, por exemplo, que a torre principal do castelo é a torre de menagem. Por fim, fomos ao museu. Antes de regressarmos ao Colégio, visitámos ainda a Sé de Lisboa (construída em estilo românico). Foi um dia que sempre irei recordar com muito agrado. 360 – Cordeiro

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ATIVIDADES ESCOLARES

VISITA DE ESTUDO AO MOSTEIRO DOS JERÓNIMOS PARA ASSITIR À REPRESENTAÇÃO DO AUTO DA BARCA DO INFERNO de Gil Vicente

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s alunos do 9º ano foram assistir à representação do Auto da Barca do Inferno no Mosteiro dos Jerónimos, acompanhados pelas Diretoras de Turma, professoras Isabel Branco e Anabela Anunciada, e pela docente de Português, professora Susana Pereira. O espetáculo decorreu nos Claustros do Mosteiro, percorreu-o quase na totalidade. Foi bastante dinâmico, permitindo a interação dos atores com os alunos. Foi uma representação adaptada, com algumas atualizações que agradaram bastante ao público: o cenário era composto por dois escadotes, que representavam as Barcas; as personagens cantavam certos trechos com variações mais ritmadas, o que prendeu o público até ao fim.

«Gostei muito de assistir à representação da peça, pois tivemos oportunidade de adquirir conhecimentos e divertirmo-nos, principalmente com as personagens Diabo, Fidalgo e Joane, o Parvo.» 115 – Figueiras

«Achei que foi uma boa oportunidade para aprofundar os meus conhecimentos sobre a obra.» 158 – Ferreira «Foi uma tarde bem passada e foi útil ver ao vivo aquilo que tínhamos estudado em aula. As personagens de que mais gostei foram o Parvo e o Diabo, porque tinham intervenções mais críticas.» 291 – Silva «Gostei muito. Foi muito interessante ver uma maneira diferente de passar a mensagem do Auto da Barca do Inferno.» 252 – Pereira 13

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ATIVIDADES ESCOLARES

CONCURSO EPAL / MUSEU DA ÁGUA

O desafio seria produzir um manual de boas práticas (em casa e na escola) que poderia ser apresentado em suporte físico ou suporte virtual. Após sensibilização ao tema da água e no âmbito do programa da disciplina de Geografia, que aborda, no grande tema “Ambiente e Sociedade”, os problemas na Hidrosfera, os alunos realizaram a calendarização e a organização do projeto. O trabalho foi realizado em suporte digital, através da criação de um site.

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s alunos do 9º Ano participaram na 17ª edição do Concurso Águas Livres, promovido pela EPAL, subordinado ao tema “O uso eficiente da Água – Manual de boas Práticas”. O concurso destinou-se às escolas do ensino básico da cidade de Lisboa e pretendeu mobilizar cerca de 300 escolas públicas e privadas abastecidas pela EPAL, sensibilizando-as para a temática da água.

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ATIVIDADES ESCOLARES O trabalho efetuado pela turma do 9º B foi o vencedor do 1º prémio da categoria do 3º ciclo. O prémio atribuído consistiu num cheque com o valor correspondente a um mês de consumo de água do Colégio Militar. No dia 6 de junho, pelas 10H30, na Sala de Armas do Colégio Militar, decorreu a cerimónia de entrega do referido prémio pelo júri do concurso da EPAL. O trabalho concretizado pela turma correspondeu às expetativas dos alunos, que pretenderam, com a adesão a este concurso, divulgar boas práticas de utilização da água e contribuir para uma utilização racional dos recursos hídricos. Se tivermos em conta a água que diariamente usamos nas mais diversas atividades na nossa vida, na escola e em casa, e tomarmos algumas medidas para o seu uso equilibrado, estaremos a salvaguardar este precioso recurso e a contribuir para um futuro desenvolvimento ambiental sustentável. Visitem o site: www.cmturma9b.wix.com/aguaessenciavida Professora Cesaltina de Sousa

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ATIVIDADES ESCOLARES

LIDERANÇA E VALORIZAÇÃO PESSOAL Da teoria à prática desafiando limites

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o longo do ano letivo, os alunos do 10.º ano integraram o Projeto de Liderança e Valorização Pessoal (LVP) e, no decurso do tempo letivo semanal dedicado ao desenvolvimento de atividades neste âmbito, puderam identificar, discutir e explorar diversas competências socioafetivas, atitudinais e procedimentais no âmbito da liderança. Procurou-se sempre aliar a teoria à prática

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ATIVIDADES ESCOLARES e contribuir para a valorização individual, explorando as valências de cada um que tornavam o grupo mais coeso. Foram diversas as atividades organizadas e muitos os desafios que os obrigaram a “sair das zonas de conforto”. É já no 11.º ano que alguns destes alunos serão Graduados. Ao fim de um ano de trabalho, era chegada a hora de se confrontarem com uma realidade mais vasta e aplicar alguns dos conhecimentos adquiridos. Assim, o dia 11 de junho de 2014 foi dedicado à exploração das competências atrás referidas relacionadas com a liderança e a valorização pessoal e interpessoal através de atividades de natureza diversa (rappel, escalada, orientação, prova de situação, prova de reflexão e jogos tradicionais/gincana), correspondendo ao repto lançado pelo Senhor Comandante do Corpo de Alunos. Em conjunto com a Coordenação do Projeto, os alunos do 10.º ano dedicaram-se ativamente à organização de algumas das atividades e definiram metas e formas de atuação junto dos seus camaradas mais novos. Equipas obrigatoriamente formadas por alunos dos 7.º e 8.º anos de escolaridade, lideradas pelos alunos do

10.º ano, interagiram de forma harmoniosa, em sã competição, com objetivos bem definidos, ultrapassando fragilidades individuais e eventuais divergências de forma a responderem aos desafios (alguns difíceis) que lhes iam sendo lançados. Os alunos puderam comunicar abertamente e de forma assertiva e fundamentada, vencer alguns medos, discutir opções, efetuar escolhas, superar-se a si próprios e contribuir ativamente, de forma motivada, empenhada, organizada, respeitadora e ordeira, para o sucesso da equipa a que pertenciam. A expetativa de todos os que tornaram esta complexa atividade possível (alunos do 10.º ano, Comandante do Corpo de Alunos e demais Oficiais, Coordenação do Projeto de Psicologia Educacional e Vocacional, Diretores de Turma, Sargentos, Praças e todos quantos pertencem à entidade que tão bem nos acolheu em Mafra – a Escola das Armas) é a de que esta possa perdurar como um momento feliz e que integre o lote de “bons velhos tempos” da vida dos nossos alunos. Professor Rui Vieira Farinha Coordenador do Projeto de Liderança e Valorização Pessoal do CM (iniciado no ano letivo 2013/2014)

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ATIVIDADES ESCOLARES

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ESPAÇO CIÊNCIA Matemático GOMES TEIXEIRA

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ue futuro, em matemática, se pode esperar para um jovem que, embora aplicado nos estudos, confessa que, das disciplinas da área científica, do ensino secundário, a que mais chamou a sua atenção “foi a Física, por explicar fenómenos que via diariamente. Às matemáticas não tinha afeto nem aversão. Estudei-as e bem, apenas para cumprir o meu dever escolar”? Era de prever que nada de notável se passaria na sua carreira académica, independentemente do curso escolhido quando, na entrada para a universidade, não demonstra qualquer preferência pelo curso de teologia ou direito como era desejo do pai, nem pelo de matemáticas como opinava um primo que acompanhou os seus estudos secundários. O que dissemos, anteriormente, aplica-se a Francisco Gomes Teixeira (1851-1936), nascido a 28 de janeiro, na aldeia de S. Cosmado, no distrito de Viseu. Filho de Manuel Gomes Teixeira, comerciante, e de D. Maria Madalena Machado, herdou dos seus progenitores a reputação de integridade moral. Fez os primeiros estudos, Instrução Primária, em S. Cosmado. Seguiu depois para Lamego, ficando em casa de seu primo, o médico Francisco Maria de Carvalho. Frequentou, no colégio do Padre Roseira, as disciplinas para a carreira eclesiástica, que o pai ambicionava para ele, enquanto o primo, que lhe ensinava geometria, ao verificar os progressos que ele ia fazendo nesta matéria, pressentiu em Francisco Gomes Teixeira uma aptidão excecional para a matemática, pelo que o convenceu a fazer, em Coimbra, os exames necessários para a conclusão do curso liceal completo (ciências e letras).

Retrato de Francisco Gomes Teixeira da autoria de Albel de Moura

Chegada a altura de decidir o seu futuro universitário, ao ser interrogado sobre qual a sua escolha entre a carreira eclesiástica pretendida por o seu pai e o curso de matemáticas que o primo considerava ser o adequado para ele, respondeu que não tinha preferência por qualquer delas, pelo que decidiram tirar à sorte. Foi assim, como diz o próprio Gomes Teixeira, que em 1869, “aos 17 anos fui para a Universidade de Coimbra com o plano de, se pudesse vencer o curso de Matemática, seguir a Engenharia militar”, o que mostra que, nessa altura, o jovem universitário ainda não pensava que o seu futuro fosse ser matemático. O ponto de viragem do seu pensamento é relatado pelo próprio quando afirma que “um dos meus professores, o Dr. Torres Coelho, depois de me chamar duas vezes à lição, foi dizer ao Dr. Filipe de Quental, em casa de quem eu estava, que lhe parecia ser eu o melhor aluno do curso. Sabedor disso sentiu-se esti19

mulado. Esse facto decidiu das minhas predileções definitivas. Consagrei-me desde então, com absoluto exclusivismo, às matemáticas”. De tal modo o fez que logo no final desse ano letivo foi distinguido em Álgebra e Geometria Analítica, com a menção de mérito, “prémio”, que era a segunda mais elevada só não obtendo a primeira, ”partido”, como o seu professor propusera, porque a Congregação da Faculdade se opôs por não ser costume atribuir-se essa distinção a alunos do 1.° ano do curso. No entanto, essa menção honrosa foi-lhe conferida no final do 2.º e 3.º anos do curso. Nos 4.º e 5.º anos mereceu novamente a menção de “prémio”. Concluiu o curso de matemáticas com a informação de «Muito bom, por unanimidade, com 20 valores». Logo no 2.º ano publica o seu primeiro trabalho “Desenvolvimento das funções em frações contínuas”. O manuscrito desse trabalho foi mostrado ao prof. Doutor Rodrigo Ribeiro de Sousa Pinto, catedrático de matemática e diretor do observatório astronómico de Coimbra, pai de um condiscípulo de Gomes Teixeira que, depois de o ler, aconselhou a sua publicação. Gomes Teixeira assim fez, e enviou um exemplar do trabalho a Daniel Augusto da Silva (1814-1878), considerado, na altura, o maior matemático português vivo. Este respondeu-lhe prontamente com palavras de apreço que deram a Gomes Teixeira outro grande incentivo para persistir na sua formação matemática. No 3.º ano do curso, publica “Aplicação das frações contínuas à determinação das raízes das equações”, que apresenta, em 1 de maio, à Academia das Ciências de Lisboa.

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ESPAÇO CIÊNCIA

Foto do estudante universitário Francisco Gomes Teixeira

Em 1875, com 24 anos de idade, conclui o doutoramento com a classificação de «Muito bom, por unanimidade, com 20 valores», apresentando como tese de doutoramento o trabalho intitulado “Integração das equações às derivadas parciais de 2.ª ordem”. No ano seguinte, a 30 de junho, por proposta assinada, entre outros por Daniel Augusto da Silva, é eleito sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. O título da sua candidatura é a sua tese de doutoramento. Ainda no ano de 1876, é nomeado professor substituto, após concurso onde apresenta uma dissertação intitulada “Sobre o emprego dos eixos coordenados oblíquos na mecânica analítica”. Em 1880, é nomeado professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, mantendo-se nesta situação até 1883, data em que, a seu pedido, é transferido para a Academia Politécnica do Porto da qual foi nomeado diretor, cessando essas funções em 1911 para ser investido como reitor da recém-criada Universidade do Porto, na altura em que a Academia Politécnica é transformada em Faculdade de Ciências da nova universidade.

Gomes Teixeira não descansou sobre os brilhantes êxitos conseguidos nos primeiros anos da sua carreira. Ao longo da sua vida publicou uma vasta lista de trabalhos científicos constituída por cerca de 300 títulos, entre os quais se destacam o Curso de análise infinitesimal - Cálculo Diferencial (um volume), Curso de Análise infinitesimal - Cálculo integral, (dois volumes), o trabalho “Sobre o desenvolvimento das funções em série” que apresentou no concurso aberto em 1893, pela Academia Real das Ciências de Madrid, que não foi admitido por estar redigido em português, mas do qual os elementos do júri tomaram conhecimento decidindo atribuir-lhe um prémio extra concurso. Em 1897, concorreu de novo ao prémio da Academia das Ciências de Madrid com o “Tratado de las curvas especiales notables, tanto planas como alabeadas” (Tratado das curvas especiais notáveis, tanto planas como torsas), tendo ganho o prémio ex-aequo com Gino Loria (1862-1954). É considerada uma obra clássica de grande qualidade científica e histórica com impacto internacional, tendo sido reeditada em 1971, em Nova Iorque, e em 1995, em Paris. Francisco Gomes Teixeira, ciente do pouco conhecimento que a comunidade científica internacional tinha da matemática que se fazia em Portugal, funda, em 1877, o “Jornal de Ciências Matemáticas e Astronómicas” que se publica até 1904, altura em que Gomes Teixeira o substitui pelos “Anais Científicos da Academia Politécnica do Porto” com o objetivo de que esta publicação fosse mais abrangente do que a anterior, embora a maioria dos seus artigos continuasse a ser de índole matemática, e tivesse uma feição internacional para melhor combater aquilo que ele considerava ser “o nefasto, o isolamento da ciência portuguesa”.

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Colaboram nestes Anais, vários cientistas estrangeiros e portugueses. De entre estes, é de citar Fernando de Almeida de Vasconcellos (1874-1944), que foi aluno do Colégio Militar de 1884 a 1889 com o n.º 56, onde adquiriu as bases de uma sólida formação matemática que o tornaram no primeiro “Menino da Luz” que foi um matemático internacionalmente conceituado. Gomes Teixeira apercebeu-se do valor de Fernando de Vasconcellos, ao qual recorreu para realizar um programa que considerava ser de grande importância para a reposição de uma verdade científica. Vejamos como as coisas se passaram. Nas afirmações proferidas por Gomes Teixeira no “Elogio Histórico de Daniel Augusto da Silva”, lido na Academia das Ciências de Lisboa, em sessão pública de 2 de junho de 1916 e publicado no volume Panegíricos e Conferências, onde cita uma carta que Daniel da Silva lhe dirigiu em 1877, na qual este ilustre matemático se lamentava por a correção de um erro existente na Statica de Möbius publicada, em 1837, ser atribuída a Darboux quando ele próprio já o tinha feito antes na sua “Memória sobre a rotação das forças em torno dos pontos de aplicação” apresentada à Academia das Ciências de Lisboa, em 1850, e que enviara a quase todas as academias do mundo. Ciente desta injustiça, Gomes Teixeira diz o seguinte: Tomei por isso a liberdade de lhe aconselhar que escrevesse um resumo em francês da parte essencial da sua Memória. Eu procuraria obter a sua publicação no mesmo lugar em que apareceu o trabalho de Darboux (...). Infelizmente, poucos meses depois, a morte, roubando-o quase inesperadamente à ciência, veio destruir este projecto.


ESPAÇO CIÊNCIA Pensei então em redigir eu mesmo aquele resumo, mas, absorvido por outros trabalhos, fui adiando indefinidamente o cumprimento deste dever. Passados alguns anos, fui visitado no Porto por um filho de Daniel da Silva, o qual acabava de completar com distinção o curso da Escola Politécnica de Lisboa. Dizendo-me que tencionava concorrer a um lugar de professor desta Escola, aconselhei-o a tomar para assunto da sua dissertação o ramo da Mecânica de que seu Pai fora o principal fundador. Indiquei-lhe o programa: expor a Astática sob forma sistemática, acompanhando a exposição das notas históricas necessárias para se ver os papéis que Möbius, Daniel e Darboux representaram na sua fundação e organização, e de indicações sobre os métodos que os três geómetras seguiram para obter os teoremas que enunciaram. De novo porém a sorte nos foi adversa. O jovem candidato morreu pouco tempo depois.

isso seria um importante serviço feito à ciência e a Portugal, por fazer sair do esquecimento a já citada e importante monografia de Daniel da Silva” onde se prova que foi este e não Darboux o primeiro matemático a corrigir o erro existente na Statica de Möbius. A iniciativa de Gomes Teixeira alcançou o objetivo pretendido, pois é graças ao trabalho de Fernando de Vasconcellos, como ele afirma, que o papel de Daniel da Silva, na construção da Astática, começa a ser conhecido, tendo sido o seu nome mencionado em alguns trabalhos de Mecânica onde o tema é tratado. Com efeito, Botasso, distinto matemático italiano, que a morte levou prematuramente, num volume consagrado a este ramo da Mecânica faz ver, e põe em relevo de um modo cabal, o importante papel que o nosso geómetra desempenhou na sua construção. Os méritos de Francisco Gomes Teixeira como matemático, levaram a que fosse admitido em várias organizações científicas internacionais de

O programa que acabo de indicar, foi porém realizado mais tarde pelo Sr. Fernando de Vasconcellos, assistente na Universidade de Lisboa, numa memória escrita em francês, que foi publicada nos Annaes da Academia Polytechnica do Porto … De facto, numa conferência proferida na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 6 de abril de 1933, intitulada “Daniel Augusto da Silva et la constitution de l´astatique, Une prioritè des sciences mathematiques portugaises” (publicada em Archeion, Roma, vol. XVI, 1934, pgs. 73-92), o professor Fernando de Vasconcellos, afirma que se decidiu a fazer um trabalho sobre “la rotation des forces autour de leurs points d’application et d’equilibre astatique” por “Gomes Teixeira me ter afirmado que

Busto de Francisco Gomes Teixeira no patamar da Escadaria Nobre da Reitoria da Universidade do Porto

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renome, entre as quais se contam as sociedades de Matemática de Madrid, Moscovo e Cracóvia, as sociedades de Ciências Físicas e Naturais de Bordéus, das Ciências Naturais e Matemáticas de Cherburgo, Científica de Bruxelas, Boémia das Ciências, de Praga, Real das Ciências de Liège e António Alzate do México, e das Academias Real das Ciências de Lisboa, das Ciências de Praga, Imperial das Ciências de Halle, Real das Ciências e Artes de Barcelona, o «Circolo» Matemático de Palermo e a Associação Espanhola para o Progresso das Ciências. Foram-lhe ainda atribuídos dois doutoramentos honoris causa, um pela Universidade Central de Madrid, em 1922, e outro pela Universidade de Toulouse, em 1923. Foi também agraciado com a grã-cruz de Afonso XII, em 1919, com a comenda de S. Gregório Magno, em 1925, e com a grã-cruz de Isabel a Católica. Tudo isto contribuiu para que Gomes Teixeira conseguisse, ainda em vida, o que é raro, um prestígio ímpar no panorama nacional e, talvez por isso, teve uma participação na política, sendo eleito deputado pelo partido regenerador, de 1879 a 1884, sem que lhe fossem conhecidas grandes intervenções no Parlamento. É interessante assinalar, aqui, que outra grande figura da ciência, Isaac Newton (1643-1727), também teve uma passagem muito discreta pelo Parlamento de Londres. O enorme prestígio que este grande matemático alcançou a nível nacional está bem patente nas condecorações que lhe foram atribuídas (Legião de Honra em 1923 e a grã-cruz de Santiago pelo rei D. Carlos), na homenagem com a inauguração do seu busto, em bronze, num largo de S. Cosmado, em 1923, e na atribuição do nome de «Escolas do Dr. Gomes Teixeira», em 1924, às

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ESPAÇO CIÊNCIA escolas primárias de S. Cosmado. Foi nomeado reitor honorário da Universidade do Porto em 1918, homenageado pala academia portuense em 1921, e nomeado diretor honorário do Instituto de Investigação de História das Matemáticas, da Universidade do Porto, em 1927.

é exemplo o livro intitulado “História das Matemáticas em Portugal”, impresso em 1934, pouco depois da sua morte, e a escritos religiosos: “Santuários de Montanha”, “Apoteose de S. Francisco de Assis (sua vida e obra)”, “Uma Santa e uma sábia. Clara de Assis e Sofia Kovalewsky” e “Santo António de Lisboa (História, Tradição e Lenda)” Francisco Gomes Teixeira faleceu no Porto, no dia 8 de fevereiro de 1936. Os seus restos mortais foram levados para o salão da Biblioteca da Faculdade de Ciências do Porto, onde proferiram discursos vários professores das universidades do Porto, de Coimbra e de Lisboa, bem como um representante dos alunos da universidade do Porto e o presidente da câmara de Armamar. Como era seu desejo, está sepultado na Igreja Matriz de São Cosmado em sarcófago de granito, na parede lateral do lado do Evangelho, com a seguinte inscrição que ele próprio redigiu:

Existem em Portugal várias localidades com ruas ou praças com o nome do matemático: no Porto, a Praça dos Voluntários da Rainha, onde se situa a reitoria da universidade do Porto, passou a designar-se Praça de Gomes Teixeira e existe, ainda, nessa cidade, a Rua Professor Doutor Francisco Gomes Teixeira. Também com esse nome, existem ruas em Setúbal e em Carnaxide. Em Lisboa, existe a Rua Professor Gomes Teixeira, onde se situa a presidência do Conselho de Ministros. Francisco Gomes Teixeira manteve uma atividade intelectual notável até ao fim da sua vida, embora, nos últimos anos, tenha abandonado os estudos sobre Análise Matemática e se tenha dedicado à Geometria, a estudos históricos de que

pessoas que o motivaram e às quais ele soube corresponder, tais como: um pai que percebeu quão importante era ele continuar a sua formação escolar para além daquela que lhe foi fornecida na terra natal; um primo que, além de o acolher na sua casa, acompanhou o seu percurso escolar e pressentiu nele uma aptidão especial para a matemática; um dos seus professores do 1.º ano da faculdade que, publicamente, o considerou como o melhor aluno do curso. Finalmente, teve o estímulo do maior matemático português da época, que deu ao seu primeiro trabalho de matemática a atenção devida, incitando-o a prosseguir. Gomes Teixeira reagiu de modo positivo a todas estas motivações. Ele e Pedro Nunes (1502- 1578) foram, citando novamente o professor Nuno Crato, os dois matemáticos portugueses que obtiveram maior projeção internacional.

Seraphico Francisco Assissiensi Ataque Divo Antonio Olyssipponensi Hoc monumentum erexit Franciscus Gomes Teixeira Qui hi jacet.

Selos comemorativos dos 100 anos do nascimento do Professor Doutor Gomes Teixeira

Placa no sarcófago de granito da Igreja Matriz de São Cosmado, na parede lateral do lado do Evangelho, onde está sepultado Francisco Gomes Teixeira

Esta é a descrição sumária da biografia de um matemático que, no dizer do professor Nuno Crato, o foi por acaso. Mas é de acrescentar que, esse acaso, sendo um acontecimento feliz para a matemática em Portugal, aconteceu porque Francisco Gomes Teixeira encontrou, ao longo da sua vida académica,

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Referências Bibliográficas e Citiográficas gazeta.spm.pt/getArtigo?gid=113, artigo de Franco de Oliveira. cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/e27.html- Matemático por acaso, artigo de Nuno Crato VILHENA, Henrique de, O Professor Doutor Francisco Gomes Teixeira (Elogio, Notas, Notas de Biografia, Bibliografia, Documentos), Lisboa, 1935.

José Manuel Sena Neves Prof. de Matemática Aposentado do Colégio Militar


NOTÍCIAS DESPEDIDA DA TENENTE MELO

Chegaste cedo, tímida e sem conhecer Mas tinhas interesse em aprender Não para mostrar ou parecer Mas para conforto do teu ser.

Nunca evistaste ser verdadeira , sincera Nunca vendeste a alma por uma quimera És assim, uma espécie de diamante Que na sua dureza tem um brilho deslumbrante.

Encontraste pessoas, ambientes Palavras frias, palavras quentes E sem mostrar medo foste vencendo ventos, Tempestades. Inesquecíveis momentos.

Vais sair agora. Muito de ti ficará para sempre no Colégio Que na tua presença e trabalho sentiu esse privilégio Que se assume agora como sendo também teu A quem não deves nada, mas que muito te deu.

Mesmo com a insegurança do desconhecimento Nunca voltaste a cara a cada momento Avançaste, sabe lá Deus com que tormento, E cada obstáculo te dava mais alento.

Partes agora, mas apenas para mudar Porque eternamente na memória de muitos vais ficar Sempre, com um carinho especial De alguém tão dedicado, sério e leal.

Nunca disseste não a um amigo E muitos em ti encontraram um abrigo Alguém com quem se pode conversar Alguém em quem se pode confiar.

A tempo far-te-á sentir o Colégio cada dia mais diferente Mas na sua essência nada muda, ficarás sempre presente Na história desta secular instituição A quem agora pertences e te trará sempre no coração. Anónimo

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NOTÍCIAS

VISITA DE DELEGAÇÃO DO DUKE OF YORK’S MILITARY SCHOOL AO COLÉGIO MILITAR PARCERIA ENTRE O COLÉGIO MILITAR E O COLÉGIO INGLÊS THE DUKE OF YORK’S MILITARY SCHOOL

N

o sentido de se estabelecer uma parceria de colaboração entre o Colégio Militar e o Duke of York’s Military School, tivemos entre nós, entre 7 e 9 de maio de 2014, a visita do Diretor daquele prestigiado colégio inglês, Sr Chris Russell, acompanhado do Diretor Financeiro, Sr Scott-Kilvert. No primeiro dia da sua visita, estas duas entidades tiveram a oportunidade de jantar num restaurante típico, no Bairro Alto, de se aperceber do ambiente noturno de Lisboa, e de ter contacto pela primeira vez com o Fado, património imaterial da humanidade. O dia 8 de maio iniciou-se com as seguintes atividades: — receção no átrio principal do CM; — apresentação de cumprimentos no Gabinete do Exmo Diretor; — briefing sobre o CM no miniauditório; — visita aos museus: Museu Colegial, Museu de História Natural, Museu das Ciências; — uma passagem pelo claustro, com ida à capela, pelo Pavilhão Morais Sarmento e Pavilhão Gulbenkian; — visita ao 1º Ciclo; — p assagem pelas cavalariças e picadeiro, sala de Esgrima, ginásio e piscina; — ida ao Corpo de Alunos.

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NOTÍCIAS Os visitantes tiveram ainda a oportunidade de assistir ao desfile do Batalhão Colegial antecedido pela distribuição dos prémios “ Prestação Colegial” e de Esgrima. Após o almoço, no refeitório dos alunos, a delegação inglesa teve uma reunião de trabalho com a Direção do CM, na Sala dos Comandantes de Batalhão, onde foi desenhado o primeiro esboço de um futuro memorandum de entendimento com vista ao estabelecimento de uma parceria/ intercâmbio de alunos e professores/ instrutores de ambas as instituições de ensino. À tarde, houve a oportunidade de efetuar uma visita cultural ao Guincho e Cabo da Roca e o dia terminou com um jantar na Messe da Marinha em Cascais. O dia 9 marcou o regresso da delegação a Londres, transportando nas malas e nos corações o calor do acolhimento português e a vontade de voltar em breve. Esta ligação entre as duas instituições de ensino principiou por pequenos traços, alguns pitorescos. Tudo começou com a iniciativa do Sr Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do Colégio Militar, Sr Engº Afonso Lopes, quando decidiu procurar na Internet informação sobre colégios semelhantes ao CM, pelo mundo. Após peripécias de vária ordem, uma delegação da AAACM e da APEEACM deslocou-se às instalações do colégio inglês que passara também por um processo de reestruturação semelhante ao que tem sido experienciado pelo CM nos últimos tempos. Desenharam-se aí os primeiros passos para uma amizade que se pretende duradoura e profícua. Nas celebrações do 3 de Março (8 e 9 MAR14), uma delegação do colégio inglês esteve entre nós – Miss Allie e Sr T Coronel Steve Saunderson – tendo ficado maravilhada com a imponência e a dignidade das mesmas. 25

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NOTÍCIAS Com inúmeros aspetos em comum a nível do seu projeto educativo, as duas instituições foram fundadas no mesmo ano, 1803, e perseguem objetivos idênticos. Nesta futura parceria, ambas consideram poder colher amplas vantagens: — um melhor conhecimento e compreensão dos dois povos (com a aliança mais antiga da história) em futuras relações; — troca enriquecedora de experiências e saberes no que respeita à educação e liderança; — melhoria das técnicas usadas na instrução militar; — desenvolvimento da cidadania, da transmissão dos valores, através do contacto com culturas e hábitos diferentes; — compreensão da importância da tolerância nas sociedades modernas e evoluídas, da cooperação e compreensão mútua, contributos decisivos para a paz;

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— aprendizagem e treino do Português e do Inglês. Ambas as Direções trocaram entre si lembranças significativas das instituições que representam. Releva-se com particular atenção dos leitores uma requinta com duzentos e onze anos usada pelo exército britânico. Professor Pedro Ferreira


NOTÍCIAS

ALTAS ENTIDADES NO COLÉGIO MILITAR

ANO LETIVO 2013/2014

VISITA DE SUA EXª O MINISTRO DA DEFESA NACIONAL

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NOTÍCIAS VISITA DE SUA EXª O MINISTRO DA DEFESA DE MOÇAMBIQUE

VISITA DE SUA EXª A SECRETÁRIA DE ESTADO ADJUNTA E DA DEFESA

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NOTÍCIAS

PALESTRAS DE DIVULGAÇÃO DA ESCOLA NAVAL, ACADEMIA MILITAR, ACADEMIA DA FORÇA AÉREA E INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS POLICIAIS E SEGURANÇA INTERNA

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o âmbito da Instrução Militar, nos dias 07 e 09 de maio, o Auditório

do Colégio Militar foi palco de ações de divulgação da Academia Militar, da Escola Naval, da Academia da Força Aérea e do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna. Tendo como público-alvo os alunos do 11.º e 12.º anos de escolaridade, as palestras tiveram como objetivo dar a conhecer a realidade das Forças Armadas e das Forças de Segurança, divulgando ainda as suas ofertas formativas como forma de aferir e servir de incentivo na escolha profissional de cada aluno.

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NOTÍCIAS

PALESTRAS SOBRE O SUCESSO ESCOLAR

José Francisco de Almeida Pacheco, nascido a 10 de maio de 1951, é um educador, um pedagogo e um grande dinamizador da gestão democrática na Educação.

N

o dia 28 de maio de 2014, o Auditório do Colégio Militar foi palco de uma palestra intitulada “Aprender Ensinar Aprender”, ministrada pelo Professor José Pacheco. Esta palestra teve como destinatários os professores e os alunos do Colégio Militar. Apontou metodologias e estratégias para promover a motivação e o sucesso escolar e para sobrelevar a educação para o otimismo. Revista “O Colégio Militar” • maio | agosto 2014

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NOTÍCIAS

REUNIÃO DE DELEGADOS DE CURSO

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m 28 de maio, no âmbito da divulgação do Colégio Militar, a Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar, através da Comissão dos Delegados de Curso, visitou o Colégio. Do programa constavam a apresentação de cumprimentos, o desfile do Batalhão Colegial, o almoço, a visita às instalações, o briefing e o debate entre Antigos Alunos e Encarregados de Educação.

VISITA DOS PAIS DOS ALUNOS FINALISTAS

E

m 16 de maio, os Encarregados de Educação dos Alunos Finalistas visitaram o Colégio. A visita, de carácter lúdico, constitui-se como uma oportunidade de, provavelmente pela última vez, os EE reverem as instalações e as atividades que foram desenvolvidas pelos seus educandos ao longo dos oito anos que viveram nesta Casa.

Houve a apresentação de cumprimentos, visitas às instalações e atividades escolares, fotografia de grupo, desfile do Batalhão Colegial e almoço de confraternização. Obrigada pela confiança destes oito anos!

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NOTÍCIAS

ALUNOS DE ONTEM CURSO DE 1957-1964: 50 ANOS DE SAÍDA

CURSO DE 1967-1974: 40 ANOS DE SAÍDA

Em 09 de maio, por ocasião da comemoração dos 50 anos de saída, os “Meninos de ontem, Homens de hoje” regressaram a “Casa” com saudade.

Em 16 de maio, por ocasião da comemoração dos seus 40 anos de saída, os alunos do Curso de 1967-1974 regressaram a “Casa”.

Foi um dia marcado pela partilha de memórias antigas, mas bem presentes no âmago de cada “Menino da Luz”.

Foi um dia bem passado, na companhia dos respetivos sucessores e demais alunos, partilhando memórias, emoções e saudades.

A Direção do Colégio desejou um dia bem passado na companhia dos respetivos sucessores e demais alunos.

CURSO DE 1943-1950: 70 ANOS DE ENTRADA

CURSO DE 1996-2004: 10 ANOS DE SAÍDA

Em 23 de maio, os alunos do Curso de 1943-1950 regressaram a “Casa”, por ocasião da comemoração dos seus 70 anos de entrada, um dia marcado pela partilha de memórias e singelos momentos de união entre companheiros de carteira e camarata, sempre juntos no entoar do Zacatraz.

Em 30 de maio, por ocasião da comemoração dos 10 anos de saída, os alunos do Curso de 1996-2004 regressaram a “Casa”.

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ARTE E CULTURA EXPOSIÇÃO DE TRABALHOS NO FINAL DO ANO LETIVO

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umprindo o plano anual de atividades, o encerramento do ano contemplou, mais uma vez, a exposição dos trabalhos escolares realizados durante o presente ano letivo. O grupo de “Artes e Tecnologias” apresentou alguns dos trabalhos realizados nas disciplinas de Expressão Plástica (1.º ciclo – Expressão não condicionada – “Interpretando Escher”), Educação Visual (2.º e 3.º ciclos – Design e Execução de candeeiros - “Novas Abordagens”), Educação Tecnológica (2.º e 3.º ciclos) e Geometria Descritiva (10.º e 11.º anos - Sinalética adequada às instalações de Equitação/Picadeiro).

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ARTE E CULTURA Colégio Militar como te venero Digo-te isto num tom honesto e sincero. Tu fizeste dos sonhos um sinónimo de concretização, E por isso és algo tão especial que guardo no meu coração. Quando te conheci era uma simples criança Rapidamente cresci, formei um curso, Conheci os cantos da casa que me deixaste de herança E agora, nostálgico, sinto o fim do meu percurso. Temo o pior, mas acredito no poder de uma criança, Por alguma razão acreditaste em nós chamando-nos curso esperança. Enquanto o eterno saber e o espírito perdurar, Podem vir as maiores adversidades, serás sempre o Colégio Militar.

498 - Sousa

A tristeza que sinto, É tão grande e dolorosa, Que me engano e minto, Fingindo uma felicidade estrondosa. Sofro quando em ti penso, Lembro-me de tudo o que passei, O meu coração pára neste momento, Nesta separação, que nunca pensei. As lágrimas correm-me pelo rosto, E com elas corre o sentimento que aqui ficou, Mas a tristeza nela contida o vento levou.

498 - Sousa

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ARTE E CULTURA

ALEGORIA AO COLÉGIO MILITAR Em primeiro lugar, gostaria que a descrição do quadro que apresento não reduzisse a imaginação de quem o observa. Por isso, estas notas devem ser lidas em último recurso.

Os ambicionados prémios de mérito literário e de aptidão física estão referenciados pelas medalhas representativas.

O quadro desenvolve-se dentro dos contornos do Guião Colegial.

No topo do quadro, abrindo a cúpula da capela, também com vitrais, alude-se aos “meninos da luz” que deixaram o nosso convívio.

Usa-se a representação das colunas construtivas do edifício para se estabelecer analogia com os pilares educativos.

A mesma homenagem é recordada pela chama da candeia que encima o quadro e que figura no Guião Colegial.

Os claustros, a fachada totalmente aberta, a capela e a sua cúpula constituem o cenário central.

No lado oposto, lembram-se os atuais ex-alunos.

Nos claustros, a tradicional cerimónia da receção aos novos alunos – “ratas” – é assinalada pelo fraternal abraço do aluno mais graduado ao “rata” mais jovem, perante a formação do corpo de alunos; presente, a veneranda e paternal figura do fundador do Colégio – Marechal António Teixeira Rebello – como integrada no Batalhão Colegial. A capela abre-se em vitrais coloridos representando algarismos que, pela sua colocação, permitem compor o número atribuído a qualquer aluno, cuja figura multifacetada se destaca. Conforme se referiu nas colunas da fachada Colegial representadas, estão inscritas qualidades que a Institução incute aos educandos: Valor; Lealdade; Mérito. Coroando esses pilares, salienta-se a insígnia – servir – como finalidade educativa no sentido de preparar cidadãos úteis, responsáveis e motivados para promover o bem na sociedade, em qualquer campo de atividade. Destacam-se, ainda, a divisa Colegial – Um por Todos, Todos por Um – e a tradicional saudação de confraternização – “Zacatraz”.

Exibe-se a barretina e o capote sobre a cruz que encima a cúpula da capela e que, tradicionalmente, são colocados pelos alunos finalistas no termo do curso colegial. No topo do quadro, em ambos os lados, representam-se duas pequenas colunas que suportam uma estilizada ponte interrompida. A coluna da esquerda contém a primeira letra do alfabeto grego – alfa (princípio) – e a outra, a última – omega (fim). Pretende-se significar uma vida, cujo percurso integra a passagem, como aluno, pelo Colégio Militar e que constitui o objetivo deste quadro. No corpo do pedestal, que suporta a figura venerável do fundador, estão gravadas as principais etapas da sua vida de militar. Finalmente, sobre a porta principal, louvam-se os alunos que com o seu mérito frequentaram o Colégio Militar e todos aqueles que contribuíram para o seu engrandecimento. Uma nota final. Um pintor célebre, ao ser questionado para descrever a sua obra, recusou observando que não era orador nem escritor, apenas pintor. Perdoem-me a ausência destas três virtudes José Villa de Freitas Ex-aluno 94 / 1942

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EVENTOS DESPORTIVOS ESGRIMA Aluno do CM consagra-se Vice-campeão Nacional de Iniciados

TCor Alves

N

os dias 10 e 11 de maio, decorreu em Viana do Castelo o Campeonato Nacional de Iniciados de Esgrima. Esta prova contou com a presença de 6 atiradores da Sala de Armas do CM.

Alf. Azevedo

Os nossos alunos tiveram uma prestação brilhante ao conquistarem 2 medalhas. Destacamos o aluno 192, Tomás Bastos, que se consagrou Vice-campeão Nacional de Espada Iniciados e a Medalha de Bronze do ex. 46, Miguel Fernandes. Os restantes atiradores do CM obtiveram as seguintes classificações: 10º, aluno 91, Zoio; 12º, aluno 504, Moutinho; 15º, aluno 68, Silva; 18º, aluno 223, Rapoula.

Aluno 298, Vaz, vence medalha de prata no Open CEESA

N

o dia 3 de maio, decorreu o 2º OPEN do Circulo de Esgrima da Escola Secundária da Amadora, que contou com a participação, no escalão de juniores, do aluno 298, André Vaz. Esta prova contou com a presença de 23 atiradores e o nosso aluno esteve brihante ao conquistar a Medalha de Prata. Parabéns ao aluno 298, André Vaz, por mais um resultado de grande relevo para a esgrima do Colégio Militar.

Finais do Desporto Escolar de Esgrima de 2014/2014.

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ecorreu no dia 14 de maio de 2014, no Polidesportivo da Escola Secundária da Amadora, a Final do Desporto Escolar de Esgrima de 2014/2014. A Sala de Armas do Colégio Militar esteve mais uma vez irrepreensível, ao ganhar 24 medalhas das 32 em disputa, tornando-se, assim, a sala de armas mais premiada em competição. Com estes resultados, os alunos do Colégio Militar venceram 7 dos 8 rankings Nacionais do Desporto Escolar. Este domínio individual espelhou-se nos prémios coletivos, pois permitiu à Sala de Armas do CM vencer os prémios Prestação de Espada e Florete do ano letivo 2013/2014. Parabéns à esgrima colegial pelo domínio completo das competições de desporto escolar.

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EVENTOS DESPORTIVOS CAMPEONATO EUROPEU DE ESGRIMA

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os últimos anos, a Esgrima tem assumido, no Colégio, um papel de grande preponderância, devido aos seus resultados a nível nacional e internacional. Este ano, a nível internacional, destacam-se três provas, em que os alunos do Colégio souberam representar as cores portuguesas. A primeira decorreu em França, onde os atiradores do Colégio (43, Afonso Almendra; 270, Gonçalo Alves; 298, André Vaz, e 591, Franciso Araújo) participaram numa prova universitária. Apesar da sua tenra idade, sendo os únicos portugueses e os mais novos em competição, prestigiaram Portugal com um esforçado 3º lugar na prova individual, aluno 298, Vaz, e com um honroso 4º lugar em equipas. Mais tarde, os alunos 270, Gonçalo Alves, 298, André Vaz, e 591, Francisco Araújo, participaram no Campeonato Europeu, realizado em Jerusalém. Ficaram muito perto de atingirem estatutos de Alto Rendimento. Por fim, o aluno 591, Francisco Araújo, marcou presença no Campeonato do Mundo em Plovdiv (Bulgária).

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EVENTOS DESPORTIVOS

JOGO DE FUTEBOL ENTRE ALUNOS E SERVIDORES DO COLÉGIO

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o dia 29 de maio, chegou o jogo de futebol mais aguardado do ano. Alunos e servidores do Colégio defrontaram-se no campo de relva sintética. Foi um encontro entre “dois colossos da bola” que resultou num saudável convívio desportivo.

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EVENTOS DESPORTIVOS

EQUITAÇÃO

CNC – Taça ACCE

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m 12 de abril, na Herdade da Mata do Duque, em Sto. Estevão, decorreu a prova do Concurso Nacional Combinado da Taça ACCE.

O CCE é uma modalidade equestre olímpica em que se põe à prova o conjunto cavalo/cavaleiro em três provas das disciplinas de Ensino/Dressage, Obstáculos e Cross, salientando-se esta última pelo carácter fixo dos obstáculos e por ter uma velocidade mais elevada de galope, o que aumenta o grau de risco para os conjuntos. O Colégio Militar esteve representado nesta competição, no nível Iniciação, pelo aluno 99, Manuel Vasconcelos, montando Siviro (2.º lugar), e pelo aluno 41 , João Colarinha, montando Xadrez (5.º lugar).

CNC – Escola das Armas

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m 25 de abril, a Escola das Armas, em Mafra, organizou o seu I Concurso Nacional Combinado. O Colégio Militar esteve representado pelos alunos 41, João Colarinha (Xadrez), 99, Manuel Vasconcelos (Siviro), 93, Vasco Pereira (Quadrado), 269, Ricardo Lima (Caliburn) e 278, Vítor Gomes (Zangado). Com quatro alunos classificados entre os dez primeiros, a participação do Colégio foi um sucesso.

1.º Concurso Completo de Equitação do Núcleo Preparatório do Regimento de Apoio Militar de Emergência

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m 09 e 10 de maio, o Núcleo Preparatório do Regimento de Apoio Militar de Emergência, antiga Escola Prática de Cavalaria, em Abrantes, foi palco do 1.º Concurso Completo de Equitação (CCE). Realizou-se ainda uma prova de Obstáculos “Open” de 0,80m, 1,00m e 1,10m. A delegação do Colégio Militar foi constituída pelo Major Carlos Marques, montando “Boizone”, aluno 41, João Colarinha, montando “Xadrez”, aluno 269, Ricardo Lima, montando “Caliburn” e aluno 278 Vítor Gomes, montando “Zangado”. Todos os conjuntos participaram no nível Iniciação. A nível de classificação final, no CCE Iniciação, o aluno 278, Vítor Gomes, com “Zangado”, obteve a Medalha de Prata e o Major Carlos Marques, com “Boizone”, obteve a de Bronze.

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EVENTOS DESPORTIVOS XXXII Concurso Completo de Equitação

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m 17 de maio, o Regimento de Cavalaria 3, em Estremoz, realizou o seu XXXII Concurso Completo de Equitação. Este ano, para além das provas de Iniciação e Preliminar, ainda houve uma prova de obstáculos “Open”, classe 1,00m. A delegação do Colégio Militar foi constituída pelo Maj Carlos Marques, montando “Boizone”, aluno 41, João Colarinha, montando “Xadrez”, aluno 269, Ricardo Lima, montando “Caliburn” e aluno 278, Vítor Gomes, montando “Zangado”. Todos os conjuntos participaram no CCE Iniciação. Participaram ainda os alunos 10, Sebastião Carvalho e 150, António Carvalho, ambos montando “Armagnac”, na prova de obstáculos “Open”. A Medalha de Ouro foi para o conjunto Maj Marques e “Boizone”. O aluno 278, Vítor Gomes, com “Zangado”, conquistou o Bronze. No “Open”, obteve um merecido 4.º lugar o aluno 150, António Carvalho.

JUMPING

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o dia 7 de junho, decorreu, na Sociedade Hípica Portuguesa, mais um Jumping do Colégio Militar, evento que se realiza desde o longínquo ano de 1964. Para além das tradicionais provas para alunos, antigos alunos e parelhas entre ambos, o espetáculo contou com a presença da Classe de Volteio, que executou uma variedade de exercícios obrigatórios e livres, individualmente e em duplas, com combinações e variações, culminando com o desfraldar do Guião do Colégio Militar. As séries de volteio seguem um critério estético, em que são utilizadas as capacidades físicas específicas para a realização da técnica correta dos exercícios, em plena harmonia com a interpretação coreográfica. Na prova de obstáculos, a parelha vencedora era constituída pelo aluno 405, Ponte, e pelo antigo aluno 80, Ponte.

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TRADIÇÕES E MEMÓRIAS SPÉLIKING

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Spéliking ou Enterro das Cábulas é mais uma das várias tradições do nosso Colégio. Esta tradição assume uma enorme importância, pois consiste na passagem de testemunho do atual curso de finalistas (8º ano) para o futuro curso de finalistas (7º ano). O Spelly acontece na última noite do ano letivo. Os alunos mais velhos (7º e 8º anos) fazem o balanço do ano, queimam as cábulas de todos os alunos e, por fim, viram as camas dos cursos mais novos a ferros, isto é, enquanto eles dormem, os mais velhos entram nas camaratas e viram-lhes as camas. Ao contrário do que se pode pensar, estes momentos são profundamente marcantes para todos os Meninos da Luz, tanto para os finalistas como para os restantes alunos, pois está a chegar ao fim mais um ano. As memórias, que por alguma razão foram marcantes, ficarão bem guardadas.

única... Daí a nossa tão grande preocupação e tristeza. Termino, citando duas frases que, certamente, todos os alunos já ouviram e que considero importante preservar: “Só o vivido é compreendido” e “O Colégio vive-se de noite”. 415 - Vicente

Esta antiga tradição ilustra perfeitamente o quão importante é ser interno. Os alunos externos nunca terão esta vivência

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BAILE DE FINALISTAS

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TRADIÇÕES E MEMÓRIA

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m 13 de junho de 2014, realizou-se o Baile de Gala dos Alunos Finalistas do ano letivo 2013/2014, nos Claustros do Colégio Militar. Este evento permitiu reunir no CM os alunos finalistas com os seus familiares e amigos. A cerimónia foi presidida pelo Exmo Maj. Gen Cóias Ferreira, Diretor de Educação. O ambiente festivo que marcou a cerimónia foi acompanhado por um toque de luz e cor que

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proporcionou um atrativo momento de convívio e diversão. Por volta da meia-noite, os alunos finalistas, acompanhados pelas suas mães, abriram solenemente o baile ao som da música interpretada pela orquestra dirigida pelo Maestro Stefano Saturnini. A magia daquela quente noite de fim de Primavera era tal que o baile terminou quando já clareava.


TRADIÇÕES E MEMÓRIA

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O RENDER DA GUARDA E

ntre 01 de maio e 31 de agosto de 2014, deixaram o Colégio Militar vários Oficiais, Sargentos, Praças, Professores e outros Funcionários do Colégio, uns porque foram indigitados para outras funções e outros porque chegaram ao fim do seu percurso profissional. A todos, o Colégio Militar agradece penhoradamente todo o esforço, saber e competência que dedicaram ao cumprimento das suas missões específicas, bem como a generosidade e dedicação com que serviram o Colégio, ao longo do tempo em que nele permaneceram. Aos que entraram em serviço neste mesmo período, o Colégio Militar deseja-lhes os maiores sucessos pessoais e profissionais no cumprimento das suas funções.

OS QUE SAÍRAM OFICIAIS

SARGENTOS MILITARES

MILITARES

SARG.-CHEFE Vítor Manuel Madeira Abreu

TEN Susana Rodrigues Melo

PROFESSORES

FUNCIONÁRIOS CIVIS

CIVIS

E.B.S. Maria do Céu Amaral

E.B.S. Leopoldina Xavier

E.B.S. Maria Alexandra Silva

E.B.S. Júlio Vilela

ASS. OP. Ana Maria Garcia Mendes

ASS. OP. Catarina da Ascensão Bajanca Sardinha Correia

E.B.S. Armando Francisco

E.B.S. Luís Saldanha

ASS. OP. Francisco António Mimoso Almanso

ASS. TÉC. Virgílio Alves Correia

OS QUE ENTRARAM PRAÇAS

FUNCIONÁRIOS MILITARES

SOLD. Carina Raquel Santos Silva Alberto

SOLD. Cristina Margarida da Cruz Martins

CIVIS

SOLD. Ana Carina Raposo Dias

ASS. OP. Natália Grancho Mendes Machado

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ASS. OP. Deolinda Maria Alves Torres Nobre de Barros

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