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Copyright©2017 por Hariet Wondracek Krüger Todos os direitos reservados por: A. D. Santos Editora Al. Júlia da Costa, 215 80410-070 Curitiba – Paraná – Brasil +55(41)3207-8585 www.adsantos.com.br editora@adsantos.com.br

Capa:  APS Editoração:   Manoel Menezes Coordenação editorial:   Priscila Laranjeira Impressão e acabamento:  Gráfica

Conselho Editorial: Reginaldo P. Moraes, Dr.; Gleyds Domingues, Dra.; Antônio Renato Gusso, Dr.; Sandra de Fátima Gusso, Dra.; Priscila R. A. Laranjeira, Editorial; André Portes Santos, Diretoria; Adelson Damasceno Santos, Diretoria; Adelson Damasceno Santos Jr., Diretoria. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) KRÜGER, Hariet Wondracek A teologia que vem dos palcos evangélicos / Hariet Wondracek Krüger – A.D. Santos Editora, Curitiba, 2017. 224 páginas. ISBN – 978.85.7459-462-0 1. Bíblia, Teologia

1ª edição: dezembro de 2017. Proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios a não ser em citações breves, com indicação da fonte.

Edição e Distribuição:

CDD: 220


Agradecimentos

Às Faculdades Batista do Paraná, pela oportunidade

de crescimento acadêmico e teológico, através dos professores que ministraram suas aulas conscientes da influência do seu ensino junto aos mestrandos. Ao meu orientador, Dr. Antônio Renato Gusso, que sempre se mostrou sábio e acessível em suas intervenções e correções, aliando experiência com rigor acadêmico, muito importantes para a efetivação deste conteúdo. À Faculdade Batista Pioneira, pelo privilégio de exercício do ministério do ensino teológico, e pelo apoio demonstrado de várias formas pela direção e alunos, em trocas, experiências e convívio cristão. À minha família, que tantas vezes renunciou à presença da esposa e mãe para que a mesma pudesse finalizar pesquisas, aulas e trabalhos, pelo apoio e compreensão. Acima de tudo, agradeço a Deus por ter providenciado vida, saúde, recursos e inspiração na tarefa de pensar, organizar e concluir este trabalho.

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Prefácio

O palco ocupa um espaço especial em qualquer lugar,

pois é para lá que se dirigem os olhares e as atenções tanto da plateia (dos que apenas assistem) como de uma comunidade (dos que também participam). Ocupar o espaço do palco é de uma responsabilidade quase imensurável. Quantos querem estar lá! Mas, quão poucos sabem como portar-se quando ali estão. As motivações de estar nos palcos são as mais variadas possíveis. Algumas sinceras, outras nem tanto. Às vezes, mesmo sendo sinceras, erradas em seu propósito. Discernir de forma plena as motivações de cada um que ocupa um palco, somente Deus é capaz. Mas alguns parâmetros podem ser estabelecidos para ajudar a orientar sobre isto. A professora Hariet Wondracek Krüger oferece-nos um excelente percurso histórico do desenvolvimento deste tema. Desde “os palcos” usados por Jesus, passando pela Igreja Primitiva, os pais da Igreja, a Reforma Protestante, os pietistas, os avivamentos, até chegar aos movimentos dos dias atuais. A autora também analisa cuidadosamente os aspectos que têm influenciado os palcos das igrejas, especialmente o tipo de hermenêutica bíblica utilizada nos mesmos. Ela também chama a atenção que é dos palcos que se difunde a teologia crida, “consumida” e vivida pelos ouvintes. Finaliza, então, com excelentes aplicações de quais devem ser os propósitos bíblicos de se ocupar um palco, com ênfase em adorar ao Deus v


vivo, interpretar corretamente as Escrituras e glorificar o nome de Jesus Cristo. Assim como estar num palco é de uma enorme responsabilidade, fazer uma análise como a deste livro não é menos complexa ou de menor responsabilidade. Para isso, é preciso reunir um conjunto de conhecimentos e competências. A professora Hariet tem um grande trânsito nas áreas eclesiástica, musical, teológica e sociológica, que a habilita a chegar às conclusões apresentadas neste livro. Pessoalmente, tive o privilégio de ser aluno da Hariet durante minha formação teológica e ministerial e, hoje, ser seu colega na formação de outros tantos que ocuparão os palcos mundo a fora. Sou testemunha do seu zelo, tanto em ocupar o palco com responsabilidade, quanto em preparar criteriosamente aqueles que o Senhor colocou em suas mãos como alunos. Desejo que esta obra possa edificar a vida e o ministério de cada um dos seus leitores, assim como edificou a mim. Uma ótima leitura a todos. Dr. Claiton André Kunz

Diretor da Faculdade Batista Pioneira Professor do Mestrado da FABAPAR

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Prefácio

O Palco sempre foi local de grande influência no

Cristianismo, seja para o bem ou para mal. Nele são apresentadas canções, dramas, pregações, testemunhos, momentos de adoração, performances de milagres e outras atividades que, de uma ou outra forma, revelam a teologia do grupo e dos indivíduos que nele atuam. Assim, em uma época como a atual, onde as teologias se confundem, se mesclam e até mesmo se dissolvem umas nas outras, estava mais do que na hora de ser feito um estudo sério a respeito de sua história, influência, utilidade, importância, objetivos e, também, perigo. A Professora Hariet Wondracek Krüger, com toda a sua experiência de teóloga, musicista, socióloga e docente na área de louvor e adoração por cerca de três décadas, finalmente realizou este trabalho que estava faltando, e o fez com grande demonstração de capacidade. Em três capítulos muito bem estruturados ela nos apresenta a teologia que vem dos palcos evangélicos e busca critérios para avaliar o quão bíblica esta teologia tem sido. Para realizar a tarefa a que se propôs, a professora Hariet selecionou três critérios básicos que foram norteadores de seu conteúdo. Os critérios, que também deram títulos aos capítulos do seu trabalho, são os seguintes: O critério da avaliação histórica do palco cristão; O critério da avaliação das influências sociológicas; e, por fim, o critério da avaliação bíblica das funções do palco. Ainda que ela não tenha defendido que estes tenham que ser os únicos critérios para a avaliação do assunto, com vii


certeza, os que foram propostos se mostraram válidos e ajudaram a entender a questão e os problemas atuais do palco cristão. O palco cristão é uma realidade que se desenvolve e se sofistica cada vez mais, acompanhando os modernos meios de comunicação, como este livro mostra ele tem sido utilizado desde o início do Cristianismo, inclusive pelo próprio Cristo, o que mostra que o palco em si não é portador de valor intrínseco, mas, sim, um instrumento que precisa ser bem utilizado. Pelo levantamento da pesquisadora, no Brasil da atualidade, ele não tem sido utilizado como deveria ser, pois ela conclui que as adaptações criadas e apresentadas no palco, com a intenção clara de agradar determinadas plateias, nem sempre tem conseguido, ao mesmo tempo em que adula o seu público, se manter fiel aos princípios bíblicos, o que mostra que o assunto precisa ser tratado com cuidado e atenção. A leitura é, ao mesmo tempo, agradável e importante. Assim, convido a todos os que estão envolvidos com o palco evangélico, pregadores, cantores, dirigentes de cultos, artistas cristãos, etc., a que conheçam esta obra. Que aproveitem sua leitura aprazível e que analisem a atuação própria e dos demais envolvidos com a temática, para verificar se o Palco Evangélico onde atuam está ou não cumprindo a sua missão, como dele se espera. Tenham uma ótima leitura! Prof. Dr. Antônio Renato Gusso Faculdades Batista do Paraná Pró-Reitor

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Resumo

A TEOLOGIA

QUE VEM DOS PALCOS EVANGÉLICOS: em busca de critérios para a avaliação dos ensinos bíblicos apresentados ao público tem por finalidade a investigação das interpretações bíblicas propagadas através dos palcos evangélicos, considerando-as como expressão pública da reflexão dos principais conceitos a respeito de Deus e seu Filho Jesus Cristo, que interferem na prática da fé pessoal e comunitária, tanto em celebrações e eventos esporádicos como nos cultos realizados nos templos. O palco é considerado o lugar visível e audível para o grupo humano a quem se dirige, sendo, portanto, de tamanho e recurso variável, servindo de referência para as pessoas que o observam. Portanto, exerce papel de influência e liderança bem acentuado em todos os momentos da história do Cristianismo. Sua ocorrência é percebida em toda a Bíblia, porém neste conteúdo refere-se aos lugares utilizados a partir do ministério de Jesus até os períodos históricos subsequentes, em que se percebe bons e maus exemplos da utilização dos palcos em relação à teologia. O século XX é analisado juntamente com as modificações da área sociológica, já que traz consigo a crescente substituição das certezas do modernismo pela instabilidade do pós-modernismo. O palco passa a ser considerado como lugar de apresentação, já que pode estar acompanhado de novas tecnologias da área da comunicação. Para a teologia, é considerado em muitas ocasiões, como o lugar em que as verdades bíblicas ix


devem ser adaptadas ao que a plateia deseja ouvir, para que esta possa crescer numericamente. Na atualidade, o palco evangélico continua a propagar uma teologia pragmática e materialista em vários casos, sendo analisado a partir da doutrina propagada normalmente por igrejas neopentecostais, cujos cultos são frequentemente editados e transmitidos em programas de televisão. A influência desta teologia se reflete nos palcos dos shows gospel, adaptados com efeitos de som, luz e multimídias que transmitam, através de seus signos, o poder, a alegria e o sucesso desejado pelas pessoas. A teologia cristã pode ser expressa e difundida nos palcos evangélicos através de todos os recursos, estilos e tecnologias disponíveis. Porém, deve-se atentar para as funções do palco evangélico na busca da teologia bíblica acima dos padrões sociológicos. Sua primeira função é adorar ao único e soberano Deus, reconhecendo sua grandeza, sua autoridade e seu senhorio. A Palavra divina deve ser interpretada no palco com fidelidade, contando a história da salvação e buscando falar à plateia a respeito da vontade de Deus. A glória deve ser exclusivamente dada ao nome de Jesus Cristo, refletida através da comunhão da igreja, da consagração dos talentos artísticos e da proclamação da realidade do futuro eterno com Deus. Através da análise histórica do papel do palco na teologia cristã, da observação dos ensinamentos bíblicos dos palcos evangélicos atuais e da definição das funções destes na divulgação da teologia acima dos padrões sociológicos seculares pretende-se ajudar a perceber critérios de análise das verdades bíblicas que deverão fazer parte dos palcos evangélicos cristãos.

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Sumário Agradecimentos______________________________________ iii Prefácio______________________________________________v Prefácio____________________________________________ vii Resumo_____________________________________________ ix Introdução__________________________________________ 13 Capítulo 1 O critério da avaliação histórica do palco cristão___________ 1.1 O Palco no Novo Testamento______________________ 1.1.1 Os ensinos de Jesus para as multidões____________ 1.1.2 O palco da Igreja Primitiva____________________ 1.2 O palco no desenvolvimento do Cristianismo_________ 1.2.1 O culto dos patriarcas da igreja_________________ 1.2.2 A igreja oficializada__________________________ 1.3 O palco nas reformas protestantes___________________ 1.3.1 Antecedentes históricos_______________________ 1.3.2 A Reforma de Martinho Lutero (1483-1546)______ 1.3.3 A reforma de João Calvino (1509-1564)__________ 1.3.4 O pietismo e as igrejas livres____________________ 1.4 O palco evangélico dos séculos XVIII e XIX__________ 1.4.1 Os Irmãos Wesley e o Metodismo_______________ 1.4.2 Os avivamentos nos Estados Unidos_____________ 1.5 As inovações nos palcos dos cultos do século XX_______ 1.5.1 As inovações nos meios de comunicação__________ 1.5.2 Os movimentos neopentecostais ________________

29 30 30 39 44 44 46 49 49 52 55 58 60 61 63 70 71 79

Capítulo 2 O critério da avaliação das influências sociológicas ________ 83 2.1 As influências sociológicas na interpretação das Escrituras nos palcos evangélicos______________________ 84 xi


2.1.1 Desilusão__________________________________ 86 2.1.2 Pluralismo_________________________________ 88 2.1.3 Individualismo______________________________ 90 2.1.4. Experiencialismo____________________________ 91 2.1.5 Consumismo _______________________________ 93 2.2 Os palcos difusores da teologia evangélica atual________ 96 2.2.1 O palco das igrejas neopentecostais______________ 97 2.2.2 O palco dos programas de televisão_____________ 106 2.2.3 O palco dos shows gospel_____________________ 116 2.2.4 O palco das igrejas evangélicas tradicionais_______ 128 Capítulo 3 O critério da avaliação bíblica das funções do palco_______ 3.1 Adorar ao único Deus___________________________ 3.1.1 Reconhecendo a ilimitada grandeza divina_______ 3.1.2 Curvando-se em obediência diante da autoridade divina________________________________ 3.1.3 Prestando-lhe serviço como servos fiéis__________ 3.2 Interpretar a Palavra de Deus com fidelidade_________ 3.2.1 Contando a história da salvação________________ 3.2.2 Proclamando a mensagem de Deus através de profecias bíblicas______________________________ 3.3 Glorificar o nome de Jesus Cristo__________________ 3.3.1 Promovendo a comunhão da igreja_____________ 3.3.2 Consagrando os talentos artísticos______________ 3.3.3 Anunciando a realidade do futuro eterno com Deus______________________________________

139 141 143 148 154 158 160 166 174 177 188 196

Conclusão_________________________________________ 203 Referências________________________________________ 211

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Introdução

Diariamente as pessoas deparam com mensagens

vindas de movimentos chamados “evangélicos”, originados por líderes carismáticos, auxiliados por meios de comunicação poderosos e artistas cristãos famosos. Suas interpretações bíblicas variam conforme a necessidade do momento e do público alvo, fazendo com que a sociedade atual confunda a mensagem cristã com a seleção predileta de promessas que preencham seus desejos pessoais de sucesso, cura e prosperidade financeira. Diante deste quadro, várias igrejas estão à procura de métodos e planos de crescimento, que respondam as perguntas da sociedade, através da atualização de estilos de pregação, culto, música e ministério diversificados. Em todos estes casos, o palco, físico ou virtual, é um dos poderosos meios de propagação da teologia cristã atual, provavelmente como o principal influenciador da hermenêutica bíblica deste tempo. A palavra “teologia” será utilizada neste conteúdo como Teo-logos, ou “conhecimento de Deus”, e como esta se relaciona à prática da vida diária.1 A teologia é uma bela ciência, que mexe com o coração e a razão, mas que também pode levar ao desespero ou à petulância, já que é assustadora em sua “profundidade abissal”, ao aproximar-se da realidade humana em busca da verdade, alvo maior de todas as ciências.2 A palavra “teologia” pode ser decomposta em dois termos, respectivamente theos (Deus) e logos (palavra) e significa “dis1 2

AMORESE, Rubem, 2004, p. 17. BARTH, Karl, 1996, p. 193.


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cursar sobre Deus”. Desta forma, para o Cristianismo, “a teologia representa a reflexão a respeito do Deus a quem os cristãos louvam e adoram.”3 Por outro lado, somos colocados em alerta para a dificuldade desta tarefa, pois é interpretada por pessoas falíveis e pecadoras, que exercem a função de vigias contra o “engano teológico”, que nada mais é do que “aquela verdade relativa que pretende ser absoluta e colocar-se no lugar da verdade de Deus”.4 Esta consideração justifica plenamente o estudo da teologia que é propagada nos palcos evangélicos, que deverá ser seguida pelos cristãos que observam e ouvem seus ensinamentos e veem suas práticas, adicionando seus valores e ideais às suas próprias vidas. A palavra “palco” será utilizada dentro do conceito de espaço destinado à visualização do público, executado sobre uma altura diferenciada do piso da plateia, que permita boa audição.5 Na verdade, torna-se um lugar de privilégio e poder, pois, além de ser um lugar dramático, permite ao artista ou líder que se crie uma nova realidade, a partir de certos sinais (também chamados de signos), articulados e planejados, que definem sua importância e, de forma simbólica, sua filosofia de vida. Estes sinais são arranjados através de luzes, figurinos, cenários, músicas, coreografias que, junto com o próprio espaço, representam seu objetivo.6 A importância do palco já era bem conhecida na Grécia na época do filósofo Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.), que formulou uma série de parâmetros a serem apresentados através de tragédias ou comédias, com linhas de argumentação que 3

MCGRATH, Alister E., 2005, p. 175.

5

GLOSSÁRIO de palco. Disponível em <http://www.ctac.gov.br/teatro/sosgloss. htlm>

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6

BARTH, Karl, 1996, p. 197.

LIMA, Evelyn Furquin Werneck, 2006, p. 85.


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duraram vários séculos.7 Nos 300 anos anteriores ao nascimento de Cristo sua influência dramática havia diminuído, embora crescesse de forma diferente em cidades como Ale�xandria e Pérgamo, dando lugar aos estudos práticos e à crítica textual.8 Ao mesmo tempo, sob o pensamento romano, eram as preocupações retóricas que dominavam o conteúdo das apresentações no palco. Desta forma, o poeta, o historiador e o orador eram avaliados pela sua capacidade retórica.9 Em outras palavras, o que era exigido e avaliado no palco era se o ator ou orador era convincente em sua argumentação, através da clareza de suas ideias, defendidas com segurança e convicção. Durante a chamada Era Romana, os espaços destinados a cultos eram frequentemente imponentes. Pedras caras, esculpidas artisticamente e decoradas com cores vivas eram presenças tradicionais dentro do espaço urbano. Havia lugar para expressões diversas, com coros e encenações de ritos, visando atrair as multidões que deveriam observar as festividades. Nos palcos eram encenadas histórias de deuses, com gestual elaborado acompanhado de música e danças. Não era obrigatória nenhuma religião, mas qualquer que fosse, deveria atrair a atenção e cativar as pessoas.10 O palco que será abordado refere-se, portanto, ao lugar físico, visível pelas pessoas, normalmente utilizado pelas igrejas cristãs como uma plataforma elevada, em templos que representam basicamente seu estilo, que pode variar do bem tradicional ao informal ou contemporâneo. É nele que o pastor entrega a mensagem, os artistas do ministério de música lideram, a reunião conjunta dos cristãos é dirigida. Todos os sinais 7

CARLSON, Marvin, 1997, p. 13.

9

CARLSON, Marvin, 1997, p. 22.

8

CARLSON, Marvin, 1997, p. 18.

10 HURTADO, Larry W., 2011, p. 25-26.


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servem para demonstrar os conceitos da fé cristã do grupo que se encontra sobre o palco, que muitas vezes são reproduzidos pelos meios de comunicação em massa. Estes, que incluem a televisão, a internet e os shows artísticos, serão considerados grandes e abrangentes palcos, com crescente poder de influência, retratando frequentemente os valores e filosofia de vida dos movimentos eclesiásticos ou para-eclesiásticos, considerados evangélicos, como um todo. Com relação ao termo “evangélico”, é preciso reconhecer que se refere a uma teia complexa e múltipla, alvo de diversos estudos na área das ciências da religião. Desta forma, baseados na síntese elaborada por Magali do Nascimento Cunha, nos limitaremos aos palcos evangélicos relacionados aos grupos protestantes históricos de migração ou missão (luteranos, congregacionais, batistas e metodistas), aos pentecostais históricos (Assembleia de Deus e Igreja do Evangelho Quadrangular), e aos grupos e comunidades neopentecostais, geralmente formadoras de igrejas independentes.11 Ligando os principais conceitos que aliam a teologia como forma de discurso em relação a Deus ao palco utilizado para a sua propagação efetiva entre a sociedade humana, pode-se perceber a relevância do assunto na formação do pensamento cristão do homem atual. A teologia, ainda mais quando vista dentro da área da teologia prática, não deixa de ser uma ciência que entra em diálogo com as ciências sociais, desempenhando um papel importante de troca e assessoramento com as mesmas.12 Como se pode avaliar a teologia divulgada através dos palcos evangélicos atuais, através de critérios que objetivem a correta interpretação das verdades bíblicas? 11 CUNHA, Magali do Nascimento, 2007, p.14-15.

12 HOCH, Lothar Carlos. O lugar da Teologia Prática como disciplina teológica. In: SCHNEIDER-HARPPRECHT, Christoph, 1998, p. 31.


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Considerando esta questão como principal foco de abordagem, dois tipos de análise foram realizados. A primeiro foi de ordem bibliográfica, na consulta a autores reconhecidos como estudiosos da área de culto, adoração e hermenêutica bíblica. Dentre os escritores brasileiros, além de outros, serão citados com frequência o Dr. Augustus Nicodemus Lopes, o Pr. Rubem Amorese e o Dr. Russell Shedd. São teólogos importantes que, inseridos no contexto evangélico brasileiro, têm revelado claramente suas opiniões a respeito da teologia evangélica divulgada nos palcos através de livros, blogs, artigos e conferências, comparando-a com os valores do pós-modernismo vigente na sociedade ocidental. Dentre os autores estrangeiros consultados, o musicólogo e teólogo americano Dr. Donald Hustad é um dos mais respeitados no mundo. Muitas de suas opiniões vão contra as tendências atuais em relação a estilos de culto, porém sua indiscutível autoridade no assunto se reflete em seus livros, em análises musicais e sociológicas dos cultos, amparadas por firme fundamentação bíblica. Na mesma linha, encontra-se Marva Down, teóloga e escritora americana, conhecida mundialmente através de vários livros e conferências, em firme análise dos significados bíblicos de culto e adoração. John Stott, teólogo inglês bem conhecido no Brasil, com dezenas de livros traduzidos para o português, também será frequente referência para este trabalho, pois seu profundo conhecimento teológico é explicado com palavras simples e esquemas bem estruturados em suas obras. Outro teólogo que será citado com frequência é Karl Barth, através da obra “Dádiva e louvor”, composta de artigos selecionados traduzidos para o português. Todos os textos bíblicos utilizados são extraídos da Bíblia em português, na versão NVI (Nova Versão Internacional).


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O segundo tipo de pesquisa feito foi o registro descritivo de fenômenos do palco evangélico atual. Desta forma, foram observados vídeos e clipes da internet, que são parte de shows gospel de artistas conhecidos no Brasil, bem como de cultos e programas de igrejas neopentecostais que utilizam seus palcos para divulgação de milagres e de promessas de prosperidade. Foi realizada também a análise de algumas das letras das canções mais conhecidas, divulgadas em programações midiáticas que reuniram milhares de pessoas, comparando-as com os valores coincidentes dos objetivos da sociedade ocidental secular. Este livro está dividido em três capítulos, que visam auxiliar a avaliação de conceitos teológicos divulgados através de ministérios que envolvem o palco. No primeiro capítulo foi feita a pesquisa bibliográfica a respeito do papel do palco na história do Cristianismo, visando encontrar exemplos que, contextualizados devidamente, contribuirão para a análise da teologia que vem dos palcos evangélicos atuais. Serão analisados os textos dos evangelhos a partir dos ensinos de Jesus junto às multidões, e os escritos bíblicos relacionados à Igreja Primitivae suas práticas de culto. A fundamentação bíblica do uso de lugares em evidência para as explicações teológicas que o povo deveria compreender será enfatizada. Os lugares em que Jesus subiu para falar ao povo como a praia, a sinagoga, o templo ou o monte formam um quadro da simplicidade e funcionalidade dos palcos utilizados pelo Mestre, que, através de palavras simples e histórias fáceis, retiradas do cotidiano das pessoas, ensinou claramente a entender o que era a vontade do Pai, mesmo contra os valores divulgados pelas autoridades religiosas e políticas da época. Também serão estudadas as ocasiões em que houve exposição pública da Palavra, através dos apóstolos que lideraram a Igreja Primitiva. Cheios do Espírito Santo,


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formaram um grupo que comunicou aos primeiros cristãos a doutrina cristã, em palcos de diversos tamanhos, porém firmes e claros quanto à consciência da transmissão do Evangelho na sua integridade. Fontes bibliográficas serviram de base para o estudo da utilização dos palcos no desenvolvimento do Cristianismo, até o final da Idade Média. Será abordada a preocupação dos chamados “pais da Igreja” na formação do canon bíblico e os critérios doutrinários utilizados. Em seguida, será estudada a prática da igreja cristã oficializada, em que o palco foi utilizado para afastar a doutrina bíblica do povo, através do uso de apresentações musicais artísticas inacessíveis, de práticas místicas e uso do latim, língua incompreensível para a plateia, junto com recursos grandiosos de pompa e luxo que simbolizaram a força política e coerciva da igreja romana medieval, separada da congregação. A visão panorâmica da história do Cristianismo também abordará a utilização do palco para a explanação da doutrina bíblica e liderança das igrejas protestantes, através das reformas de Lutero e Calvino. A volta da participação ativa do povo através de hinos assimilados facilmente, a leitura da Bíblia e sua prática na vida diária através da língua do povo foram elementos decisivos para a propagação do protestantismo pela Europa. Dezenas de anos depois, o movimento pietista ajudou a formar as chamadas “igrejas livres”, que enfatizavam a experiência com o Espírito Santo e a devoção pessoal. O palco utilizado na época era muito simples, e visava a participação de todos, voltado para a vida devocional e de comunhão entre os cristãos. Em seguida, a pesquisa histórica abordará os movimentos evangelicais dos séculos XVII e XIX, iniciados pelo metodismo propagado pelos irmãos Wesley. Na Europa, palcos


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improvisados foram utilizados para abordar grande número de pessoas, através de pregações vibrantes e música sacra ins�pirada em estilos populares, acompanhada por um solista que a dirigia e ensinava. O movimento dava ênfase a vida correta e métodos doutrinários, resultando na formação da Igreja Metodista. Um pouco mais tarde, a América do Norte foi alcançada com os mesmos movimentos evangelicais, que transformaram o palco cristão no principal veículo de expansão do Evangelho por várias décadas. A linguagem utilizada era expressiva e facilmente compreendida pelas pessoas da plateia, embora estudiosos avaliem o período como redutor qualitativo da teologia transmitida através das mensagens faladas e cantadas. O século XX será tratado inserido no capítulo histórico, porém como um divisor de práticas de culto, considerando-se que junto com as conquistas da ciência, trouxe a incerteza das promessas não cumpridas do Modernismo e do Racionalismo. Para as práticas de palco, os meios de comunicação foram grandes modificadores, pois desde os primeiros anos do referido século o rádio passou a ser utilizado como propagador de ideais socioeconômicos, aumentando a velocidade da informação e dos estilos de vida social. Grandes palcos evangélicos foram utilizados para apresentações diversas em programas especiais retransmitidos, que logo foram aumentando sua influência através da indústria fonográfica. Neste momento, surgem as alternativas de pregação, culto e música que podem ser levados para dentro dos lares, através de discos e fitas gravadas. Quando a televisão passou a transmitir também programas evangélicos, o palco finalmente se transformou em show, com público-alvo definido anteriormente, que não era obrigado a participar ativamente dos mesmos. Em meio a todas estas transformações, os movimentos pentecostais e neopentecostais influenciaram de forma nítida a teologia


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dos palcos, através dos cultos para grandes auditórios, recheados de emocionalismo, milagres e expressões inusitadas de pregação e música. O estudo histórico da influência do palco para a teologia evangélica terá como objetivo analisar as formas de sua utilização para edificação da igreja, evangelismo, testemunho e adoração comunitária, em momentos em que foi efetiva e funcional, bem como alguns dos fatores em que contribuiu significativamente para o crescimento da ignorância em relação à Palavra de Deus. A partir da metade do século XX é possível perceber que a teologia dos palcos se amoldou às necessidades e valores do pós-modernismo, que substituiu a certeza das fórmulas prontas e das soluções infalíveis para os problemas da vida e do mundo, pregadas pelo Modernismo, por técnicas experimentais de crescimento numérico e estilos de culto e música que visassem o agrado do público. O capítulo 2 estudará o palco evangélico atual a partir do quadro sociológico vigente do século XXI, que influencia a interpretação teológica e as práticas do palco evangélico a partir destas características. Este fenômeno será visto como crescente em intensidade e abrangência, graças aos meios de comunicação e marketing utilizados que visam preencher os itens considerados indispensáveis ao ator social contemporâneo. Serão abordadas as principais características presentes na sociedade atual, que se tornam marcantes nas formas de interpretar e selecionar o que será aceito como Evangelho pelas pessoas em geral. Desta forma, as principais influências sentidas na interpretação das Escrituras do ponto de vista da pós-modernidade começam com a desilusão com as próprias promessas da igreja e do que Deus pode realizar pelo ser humano. Nada do que foi prometido durante os séculos em que o racionalismo e a


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modernidade reinaram como certezas absolutas foi cumprido. Guerras, diferenças sociais, miséria, doenças e inseguranças em todas as áreas humanas são sinalizadas através de sociólogos e filósofos da atualidade. A desilusão trouxe a marca do pluralismo, que prega a filosofia de que nada é absoluto, e depende de escolha pessoal, a partir de múltiplas opções, todas do mesmo valor. Na área religiosa trouxe a busca sociológica por crenças e fé de acordo com a melhor oferta, sendo nenhuma considerada melhor que a outra. Depois da desilusão e do pluralismo, será abordado o individualismo como a terceira marca sociológica atual, que prega que o indivíduo deve ser seu próprio árbitro no que se refere a preferências, gostos e comportamentos. A interpretação dos ensinos bíblicos também deve ser avaliada sob este prisma. Entretanto, a quarta marca sociológica que se faz presente na teologia que vem dos palcos é o experiencialismo. A experiência pessoal deve ser marcante, e a partir dela é que os conceitos espirituais são formados. Desta forma, novas sensações são procuradas em cada plateia evangélica, com palcos recheados de novos e diferentes recursos que estejam atentos ao que as pessoas esperam sentir. O consumismo será abordado como a quinta marca sociológica moldadora da teologia difundida através dos palcos evangélicos. Por ser uma das marcas mais discutidas por políticos, filósofos e movimentos sociais alternativos como sinal do capitalismo, da ganância e da consequente diferença socioeconômica entre os povos, tem também sofrido acusações dentro do próprio protestantismo. Entretanto, a marca está presente na busca da plateia pelo que agrada, e que em pouco tempo se entendia, e faz buscar outra sensação ou outro tipo de bênção, que também logo será consumido e esquecido.


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Serão apontados, em seguida, os principais tipos de palco que pertencem a igrejas ou grupos que amoldaram suas práticas de palco de acordo com os valores da sociedade ocidental pós-moderna. O primeiro palco a ser observado é o do culto neopentecostal. A propagação da teologia da prosperidade é a sua marca diferencial em relação às igrejas pentecostais tradicionais. O marketing destas igrejas não disfarça que a busca maior é o bem-estar pessoal, que envolve saúde, riqueza material, família feliz e poder para mudar qualquer situação. Seus pastores (bispos ou apóstolos) prometem bênçãos sem limites através de profecias proferidas em benefício daquele que tem fé, sacralizando templos, óleos, lugares e orações específicas. Na sequência, será avaliado o palco dos programas de televisão, que frequentemente são retransmissões de cultos que já aconteceram anteriormente, editados com os momentos mais promissores em termos de audiência, porém muito mais abrangentes em termos de plateia. Nos letreiros abaixo da cena principal passam rapidamente os endereços de outros templos da mesma linha, bem como os avisos a respeito das mais diversas campanhas em benefício de grupos específicos, que vão desde os desempregados até as moças solteiras que procuram marido. Grandes concentrações de pessoas apreciando palcos cheios de recursos, onde acontecem os milagres esperados, são retratadas como a solução para a vida de todos. Boa parte dos horários nobres de redes de televisão com canais abertos ao público encontram-se ocupados com tais programas. O terceiro palco observado será o dos shows gospel. Sua teologia é feita para impressionar, com músicas que possam movimentar a plateia, deixá-la animada através do som muito forte, efeitos de luz, ritmo marcante que segue geralmente algum estilo popular. A maioria dos palcos de shows evangélicos envolve cantores ou bandas que, através do tempo,


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tornam-se conhecidos, tendo suas composições repetidas nos cultos evangélicos em geral. Sob o argumento de investimento evangelístico, apresentam-se em ocasiões ou eventos especiais, que envolvem igrejas que fazem sacrifícios consideráveis para pagar os referidos cachês. Muitas reproduções de comportamento e sonorização nos palcos das igrejas tentam imitar seus artistas preferidos, influenciando o culto de forma em geral, e a teologia característica de seu próprio grupo evangélico. Finalmente, será analisado o palco das igrejas evangélicas tradicionais, que têm tentado se adaptar às demandas apresentadas midiaticamente pelos palcos anteriormente citados. A maioria dos cânticos executados em seus cultos se origina em alguma apresentação artística, vinda do ambiente de show, reproduzida com o intuito de agradar a grupos específicos. Jargões e posturas são imitados pelos líderes e pela congregação, algumas com evidente influência da teologia neopentecostal. Palcos foram aumentados, novos recursos audiovisuais são adquiridos em forma de multimídias e instrumentos eletrônicos. Serão analisados estes fenômenos que, junto com os diversos planos de crescimento e evangelismo, marcam a teologia dos palcos evangélicos tradicionais. Em todos os casos descritos neste capítulo percebem-se sinais da adaptação da teologia exposta nos palcos aos padrões sociológicos presentes na pós-modernidade. A parte final tem como objetivo apontar as funções do palco evangélico na busca da teologia bíblica acima dos padrões sociológicos. Não há dúvidas a respeito do fato de que o palco continua sendo um poderoso instrumento de formação de conceitos, pois, mais do que em qualquer outra época, está sendo utilizado por todos os movimentos sociais, políticos e religiosos, que contam com apoio de redes de comunicação de alta tecnologia, que vão desde as redes sociais virtuais


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aos recursos de som, luz e imagem. Os sinais representados em cada palco que tem como objetivo ser funcional em relação à teologia bíblica deve estar consciente de suas funções específicas, e estar respeitosamente comprometido a elas. Para tanto, sem desprezar as características sociológicas atuais, considerando suas pontes de comunicação, as funções do palco evangélico que deseja interpretar a teologia bíblica incluem a percepção fundamental de que seus valores e ensinamentos estarão acima de seus padrões, pois é um palco evangélico, que busca a teologia bíblica em sua prática. Desta forma, as funções do palco evangélico serão apontadas a partir de pesquisa bibliográfica, que remetem à própria teologia bíblica como condição para se tornar um ministério orientado pela Palavra e inspirado pelo Espírito Santo no compromisso de interpretar para o povo a vontade de Deus de forma correta. Dividido em três pontos, o terceiro capítulo argumentará que suas funções serão consideradas a partir da adoração ao único Deus, intepretação fiel de sua Palavra e glorificação do nome de Jesus Cristo como único caminho para o encontro do homem com Deus. Neste objetivo, “Adorar ao único Deus” fará uma análise da palavra “adoração” a partir de sua transliteração da língua hebraica, conforme a bibliografia consultada. Nela, adorar significa reconhecer o único Deus, Criador do Céu e da Terra, como essencialmente grande e incompreensível aos limitados olhos humanos. Não há como comparar um simples ser humano com o seu Criador, e o reconhecimento da imensa limitação humana relacionada à grandeza de Deus é o começo da adoração. Em seguida, será abordada a consequência do reconhecimento da grandeza de Deus, que trará ao ser humano a atitude de curvar-se diante de sua autoridade, considerando-


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-se incapaz de ditar seus caminhos, e colocando-se abaixo da soberania divina. Ambos os conceitos estão acima dos valores sociológicos que determinam a centralização do homem como alvo da ação de Deus, dando-lhe autoridade para determinar seus próprios passos. Por outro lado, adorar o único Deus também significa prestar-lhe serviço, tal como servos prestam serviço a seu Senhor. Tudo o que for realizado no palco será considerado simples serviço de servo, e, muito mais do que animar ou ensinar pessoas a respeito de igrejas, templos ou campanhas, deverá ser ministério de obediência ao Senhor. A segunda grande função do palco evangélico é, através de sua teologia, buscar a interpretação fiel da Palavra de Deus. A Bíblia é a Palavra de Deus por excelência, e, para que suas verdades sejam conhecidas, o palco evangélico deverá estar inserido em sua função de contar a história da salvação humana através da ação amorosa de Deus. A Bíblia inteira trata deste assunto, e evidencia a inutilidade do homem sem Deus, sua incapacidade de salvar-se sozinho, seu estado de pecado, a necessidade de arrependimento e dependência da ação salvadora de Jesus, através de sua morte e ressurreição. A teologia bíblica aponta para o fato de que a bênção de Deus não significa salvação, pois esta vem através de Jesus, pela via do arrependimento humano. Em seguida, ainda relacionado à fidelidade de interpretação da Palavra de Deus, será analisado o significado da pala�vra, tanto através dos profetas bíblicos bem como em relação às profecias como dom espiritual dado à igreja cristã. Palcos evangélicos deverão interpretar as profecias divinas de acordo com a vontade de Deus, e de acordo com o que elas realmente significam, muito acima do desejo pessoal de satisfazer necessidades de pessoas. A profecia bíblica será analisada neste


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ponto como sendo a proclamação da vontade de Deus para a plateia. A função de glorificar o nome de Jesus Cristo em todas as suas atividades será o tema seguinte. Embora esta parte tenha semelhança com alguns jargões utilizados nos palcos, se for utilizada dentro do que a teologia bíblica recomenda, passa por pelo menos três atitudes. A primeira delas é promo�ver a comunhão da igreja, função que tem sido esquecida em muitos ministérios evangélicos de palco, ao optar por determinados trabalhos que priorizam atividades e música característica. Entretanto, a teologia bíblica é clara quando manda que a comunhão da igreja, entre seus membros e entre a liderança em si, seja o fator para que o Evangelho seja reconhecido pelo mundo. A consagração dos talentos artísticos para a glória de Jesus será abordada dentro das funções do palco evangélico. Artistas frequentemente são tentados a brilhar em benefício próprio, sem pensar que, acima de tudo, está sob serviço de proclamação dos planos do Senhor, que deve ser glorificado através de suas habilidades. Haverá referência ao fato de que a Bíblia não recomenda nenhum estilo de música ou pregação, porém é clara quanto à teologia que eles devem expressar, e que será expressa através de arte consagrada verdadeiramente a Deus. A teologia dos palcos evangélicos também tem a função que trata de glorificar o nome de Jesus através do prenúncio do futuro eterno com Deus. O universo inteiro aguarda sua salvação, e o final dos tempos deve fazer parte da mensagem apresentada através dos palcos evangélicos, na função de conscientizar as pessoas a respeito da volta de Jesus. A história deve ser contada por inteiro, interpretando a palavra com fidelidade e apontando para a glorificação do nome de Jesus, que fará


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parte do grande palco final, não mais como servo sofredor, mas como Senhor e Deus. O palco evangélico será considerado como elemento fundamental para a interpretação da teologia bíblica correta junto à sociedade, e a análise de critérios para discernir sua fidelidade é necessária para que não haja desvios de interpretação motivados por interesses ou ignorância humanos. O panorama histórico proposto mostrará as lições que os acontecimentos passados em tempos antigos poderão trazer, tanto no lado positivo como no negativo. Os cuidados com a interpretação da Bíblia durante os séculos serão avaliados, bem como seus resultados. A preocupação em amoldar a teologia bíblica com as filosofias sociológicas atuais e seculares faz o ministério que envolve o palco evangélico atual carente de novas reformas, que possam priorizar suas funções definidas na proclamação do único Deus que é digno de adoração, na profecia que esteja de acordo com sua Palavra, e que estejam atentas ao fim dos tempos, quando Cristo será mostrado ao universo como Senhor dos Senhores. Desta forma, através da visão panorâmica histórica do papel do palco para a teologia cristã e através da análise dos fenômenos sociológicos presentes na doutrina divulgada nos palcos evangélicos atuais abre-se a perspectiva da necessidade de definição de funções que para seus ministérios cumpram o papel de expressão fiel da teologia cristã, de acordo com a Bíblia. Os três ângulos a serem expostos acrescentarão critérios importantes para a avaliação da teologia ensinada, representada e divulgada nos palcos evangélicos do século XXI.

A Teologia que Vem dos Palcos Evangélicos  

Várias igrejas estão à procura de métodos e planos de crescimento, através da atualização de estilos de pregação, culto, música e ministério...

A Teologia que Vem dos Palcos Evangélicos  

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