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SALVADOR DOMINGO 17/7/2011

SALVADOR DOMINGO 17/7/2011

#172 / DOMINGO, 17 DE JULHO DE 2011 REVISTA SEMANAL DO GRUPO A TARDE

EDGARD NAVARRO A MODA DO VINIL VESTIDOS «

Campeões de

VENDAS

O aquecimento do mercado alavanca a carreira de corretores de imóveis como José Alberto Vasconcelos

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SALVADOR DOMINGO 17/7/2011

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T

orres não param de subir nos horizontes da cidade e, com elas, sobe a procura pelos imóveis. Dos feitos sob medida para uma classe C ascendente (na qual se encontra o maior volume de vendas) até os espaçosos duplex de sete dígitos, Salvador vive um momento bastante aquecido para o mercado. Só no ano passado, foram lançadas 14.619 novas unidades. Dessas, 12.879 já foram vendidas. Embora quem fique com grande parte dos lucros sejam as incorporadoras, na basedapirâmideestãooscorretoresimobiliários, intermediários entre quem quer vender e quem quer comprar. Como eles defendem, não são meros vendedores, mas consultores, especialistas numa das transações financeiras mais importantes que uma pessoa pode realizar: a compra de um imóvel. Nada mais justo que a responsabilidade seja bem-remunerada.

BOOM

A casa é sua

Com o mercado de imóveis aquecido, os corretores ganham espaço e a demanda por profissionais qualificados e bem-remunerados não para de crescer Texto PEDRO FERNANDES pfernandes@grupoatarde.com.br

Nicole Rangel, corretora campeã de vendas de imóveis de alto luxo

O boom imobiliário e as comissões – que variam de 1,05% do valor da transação (no caso da venda de um imóvel novo) até 5% (de um usado) – atraíram muita gente para a atividade. Em 2007, o número de profissionais inscritos no Conselho Regional de Corretores Imobiliários da Bahia (Creci-BA) era de 5.180. Hoje já chega a 10.380. A maioria está trabalhando nos estandes de vendas de lançamentos. Durante as solenidades de entregas de carteiras do Creci, que acontecem a cada dois meses, representantes de incorporadoras e imobiliárias esperam praticamente na porta os corretores recém-formados para contrataçãoimediata.Atéquemjáestava aposentado quis tomar para si a parte que lhe cabe. Eduardo Mendes, 66, eco-

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FERNANDO VIVAS / AG. A TARDE

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orres não param de subir nos horizontes da cidade e, com elas, sobe a procura pelos imóveis. Dos feitos sob medida para uma classe C ascendente (na qual se encontra o maior volume de vendas) até os espaçosos duplex de sete dígitos, Salvador vive um momento bastante aquecido para o mercado. Só no ano passado, foram lançadas 14.619 novas unidades. Dessas, 12.879 já foram vendidas. Embora quem fique com grande parte dos lucros sejam as incorporadoras, na basedapirâmideestãooscorretoresimobiliários, intermediários entre quem quer vender e quem quer comprar. Como eles defendem, não são meros vendedores, mas consultores, especialistas numa das transações financeiras mais importantes que uma pessoa pode realizar: a compra de um imóvel. Nada mais justo que a responsabilidade seja bem-remunerada.

BOOM

A casa é sua

Com o mercado de imóveis aquecido, os corretores ganham espaço e a demanda por profissionais qualificados e bem-remunerados não para de crescer Texto PEDRO FERNANDES pfernandes@grupoatarde.com.br

Nicole Rangel, corretora campeã de vendas de imóveis de alto luxo

O boom imobiliário e as comissões – que variam de 1,05% do valor da transação (no caso da venda de um imóvel novo) até 5% (de um usado) – atraíram muita gente para a atividade. Em 2007, o número de profissionais inscritos no Conselho Regional de Corretores Imobiliários da Bahia (Creci-BA) era de 5.180. Hoje já chega a 10.380. A maioria está trabalhando nos estandes de vendas de lançamentos. Durante as solenidades de entregas de carteiras do Creci, que acontecem a cada dois meses, representantes de incorporadoras e imobiliárias esperam praticamente na porta os corretores recém-formados para contrataçãoimediata.Atéquemjáestava aposentado quis tomar para si a parte que lhe cabe. Eduardo Mendes, 66, eco-

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MARCO AURÉLIO MARTINS / AG. A TARDE

nomista, poderia aproveitar essa fase para curtir os netos, mas resolveu voltar quando a atividade começou a entrar em alta. Nos anos 1980 ele tinha uma imobiliária, onde trabalhou por oito anos, até se afastar do negócio. Em 2007, foi contratado pela Brito & Amoedo, considerada líder nasregiõesNorteeNordestee,noanopassado, foi o corretor que mais vendeu seus lançamentos. Geralmente, apartamentos de classe média, na faixa dos R$ 300 mil. O segredo para ser um bom corretor, além de uma boa formação geral e experiência, é conhecer profundamente o produto que vende. Segundo o raciocínio de Eduardo,essessãoospilaresparaganhara confiança do cliente. Diante da importância do negócio, o comprador dificilmente vai confiar as economias a alguém que fale errado ou que não saiba esclarecer de pronto qualquer dúvida. Eduardo não cita valores. Números de vendas lhe fogem misteriosamente à memória. Prefere falar do quanto a atividade é custosa. Para ele, a comissão já foi melhor. “Os ganhos só são bons por conta do volume de novos empreendimentos”. No passado, segundo Eduardo, as empresas investiam mais em publicidade, o que tornava a venda mais fácil. Hoje, incorporadoras e imobiliárias têm no corretor o principal instrumento. É ele que tem que correr atrás. “O corretor tem que estar 24 horas no ar e ser sempre otimista”. E é com otimismo que ele segue por cinco meses sem vender uma única unidade. “Não modifiquei em nada a maneira de trabalhar. No entanto, em 2011, meu desempenho não está sendo nem parecido com o do ano passado”. Ele atribui a fase à retração das incorporadoras. “Mas ainda há muitos empreendimentos no forno”. Para sobreviver às épocas de vacas magras, “o importante é ser prudente”.

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RAUL SPINASSÉ/ AG. A TARDE

“Ainda há muitos imóveis a serem entregues e vai haver um boom de usados. Vamos aumentar a equipe de avulsos. dos consumidores O usado não entra em crise. investem de R$ 50 mil a Desde o fim do ano, não há R$ 100 mil. 5% a mais do que em 2008 lançamentos, mas o mercado avulsonãopara”,dizNicole.Neles, a comissão é até melhor. A imobiliária fica com 5% do valor da venda e corretor fica com 30% do montante. Mas não adianta entrar nessa só pela grana. A demanda existe e conseguir emprego é fácil. Difícil é ser bem-sucedido, criar uma rede de contatos sólida e forjar uma cartela de clientes satisfeitos. “O boca a boca é muito importante. Hoje, não cabe fazer bico, tratar a atividade como segundo emprego. Como consultor, você tem que oferecer o produto certo para a necessidade do cliente. É preciso passar credibilidade e o cliente propaga isso”. Nicole nunca exerceu seu trabalho fora da proteção do ambiente corporativo. Para ela, trabalhar numa empresa de grande porte é melhor por conta da credibilidade e estrutura.Masháaquelesqueviramnaatividade a oportunidade de uma vida sem patrãoenãotrocamaindependênciapelas facilidades oferecidas por nenhum departamento jurídico ou de marketing.

24%

Aposentado, Eduardo voltou à corretagem pelo bom momento do mercado

38,8% dos baianos gastam entre R$ 150 mil e R$ 250 mil na hora de comprar um imóvel

ALTO LUXO Também corretora campeã de vendas, Nicole Rangel, 34, concorda com Eduardo. “O principal é saber administrar o que se ganha, porque essa é uma atividade inconstante”. Formada em relações públicas e pós-graduada em marketing, ela resolveu desistir da área de comunicação. “Estava trabalhando, mas não me realizava profissionalmente. Por conta do boom, meu pai, que é corretor, me convenceu”. Há quatro anos, ela trabalha na imobiliária Ponto 4 & Coelho da Fonseca.

Nicole começou como corretora de lançamentos, trabalhando em estandes de vendas.Ficounessaposiçãopordoisanose passou a se destacar, porque, além de vender no estande, possuía uma rede de contatos pessoais da qual lançava mão para aumentar o volume de negócios. Depois, foi promovida a coordenadora de projetos. No cargo, ficava responsável pelo trabalho de outros corretores em um produto específico. Logo, foi chamada a assumiragerênciadeumaequipee,maistarde,deumaoutra,especializadaapenasem imóveis de luxo (a partir de R$ 800 mil) e alto luxo (a partir de R$ 2 milhões). Este ano, embora a ADEMI-BA preveja um crescimento de 30% de novos empreendimentos, os grandes lançamentos ainda não aconteceram. O mercado se retraiu nos primeiros seis meses por conta da alta de juros e da inflação e deixou para o segundo semestre os lançamentos. Assim, as atenções se voltaram para os usados.

INDEPENDÊNCIA

Valéria Campos atua de forma independente, com imóveis usados, e tem uma clientela fiel

Todaaestruturacorporativadaqualprecisa Valéria Campos, 49, não passa de um pequeno home office e da trilha sonora constante das ondas da Praia do Buracão, no Rio Vermelho. É lá que ela trabalha, quando não está correndo de um lado para o outro para mostrar apartamentos aos clientes ou providenciar documentos para a venda. Sua cota de ambientes corporativos já se exauriu em trabalhos como o de secretária no Polo Petroquímico e na Petro-


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MARCO AURÉLIO MARTINS / AG. A TARDE

nomista, poderia aproveitar essa fase para curtir os netos, mas resolveu voltar quando a atividade começou a entrar em alta. Nos anos 1980 ele tinha uma imobiliária, onde trabalhou por oito anos, até se afastar do negócio. Em 2007, foi contratado pela Brito & Amoedo, considerada líder nasregiõesNorteeNordestee,noanopassado, foi o corretor que mais vendeu seus lançamentos. Geralmente, apartamentos de classe média, na faixa dos R$ 300 mil. O segredo para ser um bom corretor, além de uma boa formação geral e experiência, é conhecer profundamente o produto que vende. Segundo o raciocínio de Eduardo,essessãoospilaresparaganhara confiança do cliente. Diante da importância do negócio, o comprador dificilmente vai confiar as economias a alguém que fale errado ou que não saiba esclarecer de pronto qualquer dúvida. Eduardo não cita valores. Números de vendas lhe fogem misteriosamente à memória. Prefere falar do quanto a atividade é custosa. Para ele, a comissão já foi melhor. “Os ganhos só são bons por conta do volume de novos empreendimentos”. No passado, segundo Eduardo, as empresas investiam mais em publicidade, o que tornava a venda mais fácil. Hoje, incorporadoras e imobiliárias têm no corretor o principal instrumento. É ele que tem que correr atrás. “O corretor tem que estar 24 horas no ar e ser sempre otimista”. E é com otimismo que ele segue por cinco meses sem vender uma única unidade. “Não modifiquei em nada a maneira de trabalhar. No entanto, em 2011, meu desempenho não está sendo nem parecido com o do ano passado”. Ele atribui a fase à retração das incorporadoras. “Mas ainda há muitos empreendimentos no forno”. Para sobreviver às épocas de vacas magras, “o importante é ser prudente”.

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RAUL SPINASSÉ/ AG. A TARDE

“Ainda há muitos imóveis a serem entregues e vai haver um boom de usados. Vamos aumentar a equipe de avulsos. dos consumidores O usado não entra em crise. investem de R$ 50 mil a Desde o fim do ano, não há R$ 100 mil. 5% a mais do que em 2008 lançamentos, mas o mercado avulsonãopara”,dizNicole.Neles, a comissão é até melhor. A imobiliária fica com 5% do valor da venda e corretor fica com 30% do montante. Mas não adianta entrar nessa só pela grana. A demanda existe e conseguir emprego é fácil. Difícil é ser bem-sucedido, criar uma rede de contatos sólida e forjar uma cartela de clientes satisfeitos. “O boca a boca é muito importante. Hoje, não cabe fazer bico, tratar a atividade como segundo emprego. Como consultor, você tem que oferecer o produto certo para a necessidade do cliente. É preciso passar credibilidade e o cliente propaga isso”. Nicole nunca exerceu seu trabalho fora da proteção do ambiente corporativo. Para ela, trabalhar numa empresa de grande porte é melhor por conta da credibilidade e estrutura.Masháaquelesqueviramnaatividade a oportunidade de uma vida sem patrãoenãotrocamaindependênciapelas facilidades oferecidas por nenhum departamento jurídico ou de marketing.

24%

Aposentado, Eduardo voltou à corretagem pelo bom momento do mercado

38,8% dos baianos gastam entre R$ 150 mil e R$ 250 mil na hora de comprar um imóvel

ALTO LUXO Também corretora campeã de vendas, Nicole Rangel, 34, concorda com Eduardo. “O principal é saber administrar o que se ganha, porque essa é uma atividade inconstante”. Formada em relações públicas e pós-graduada em marketing, ela resolveu desistir da área de comunicação. “Estava trabalhando, mas não me realizava profissionalmente. Por conta do boom, meu pai, que é corretor, me convenceu”. Há quatro anos, ela trabalha na imobiliária Ponto 4 & Coelho da Fonseca.

Nicole começou como corretora de lançamentos, trabalhando em estandes de vendas.Ficounessaposiçãopordoisanose passou a se destacar, porque, além de vender no estande, possuía uma rede de contatos pessoais da qual lançava mão para aumentar o volume de negócios. Depois, foi promovida a coordenadora de projetos. No cargo, ficava responsável pelo trabalho de outros corretores em um produto específico. Logo, foi chamada a assumiragerênciadeumaequipee,maistarde,deumaoutra,especializadaapenasem imóveis de luxo (a partir de R$ 800 mil) e alto luxo (a partir de R$ 2 milhões). Este ano, embora a ADEMI-BA preveja um crescimento de 30% de novos empreendimentos, os grandes lançamentos ainda não aconteceram. O mercado se retraiu nos primeiros seis meses por conta da alta de juros e da inflação e deixou para o segundo semestre os lançamentos. Assim, as atenções se voltaram para os usados.

INDEPENDÊNCIA

Valéria Campos atua de forma independente, com imóveis usados, e tem uma clientela fiel

Todaaestruturacorporativadaqualprecisa Valéria Campos, 49, não passa de um pequeno home office e da trilha sonora constante das ondas da Praia do Buracão, no Rio Vermelho. É lá que ela trabalha, quando não está correndo de um lado para o outro para mostrar apartamentos aos clientes ou providenciar documentos para a venda. Sua cota de ambientes corporativos já se exauriu em trabalhos como o de secretária no Polo Petroquímico e na Petro-


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24,45%

11,65%

dos imóveis comercializados estão na Pituba, Iguatemi Caminho das Árvores, Pitubaville, Aquarius, Costa Azul, Stiep, Itaigara, Armação, Alto do Parque, Jardim de Alah

bras, onde ficou por 10 anos. Com 17 anos de corretagem, ela diz que nunca deu um plantão sequer em estande de vendas e nunca entrou numa imobiliária. “Se eu trabalhasse numa imobiliária, achoqueperderiatodootrabalhosensível, de ouvir, de entender o que as pessoas precisam. Não se trata apenas de paredes. A parte humana desse trabalho é mais importante”. Sem contar o fato de que não precisa dividir seus 5% com ninguém. Valéria, que atua no mercado de usados e tem como clientes artistas, psicólogos, médicos e estrangeiros, conta que já deixou de realizar vendas porque viu que aquele não seria o melhor para a cliente. “Percebi que ela ainda era muito apegada à casa, que seria vendida por conta de uma separação”. Valéria sugeriu, então, que fizesse um financiamento e comprasse a parte do ex-marido. Não ganhou comissão, mas recebeu a indicação para outro trabalho, e para outro e outro. Talvez por ter entrado no ramo meio por acaso, por conta dos pedidos de amigos, sua relação com a clientela tenha um caráter amistoso. O primeiro imóvel que vendeu foi o de um vizinho, que lhe entregou as chaves e pediu que ela saísse mostrando o apartamento. Depois, veio o de uma amiga. Só aí, ela se tocou que poderia fazer disso uma profissão. Desde então, não parou. A corretora

abrangem bairros como Brotas, Acupe, Alto de Brotas, Bonocô, Horto, Luis Anselmo, Matatu, Pitangueiras, Vasco da Gama e Vila Laura.

José Alberto Vasconcelos preferiu abrir sua própria corretora

ONDE ESTUDAR Total Duração: 10 meses Turmas: matutinas Valor: R$ 2.600 www.sejatotal.com.br Instituto Espaço Novo Duração: 32 semanas letivas Turmas: matutinas, vespertinas e noturnas Valor: R$ 2.200 (matutino e vespertino) e R$ 2.400 (noturno) www.institutoespaco novo.com.br/

conta que o tempo máximo que já ficou sem fechar um negócio foram dois meses. Apesar de também não falar em valores, ela admite que já vendeu sete apartamentos este ano. Em 2010, foram doze. Apesar disso, Valéria diz que ainda não está rica. “Nem é o meu objetivo. Quero viver bem, sair tranquila do mercado”. Para isso, trabalha de domingo a domingo e aproveita o bom momento do mercado. Como recompensa, há dois anos, tirou dois meses inteiros de férias na Europa. No próximo ano, quando completa três anos sem parar de trabalhar, planeja uma temporada de três meses.

ALUGUEL Quem não está preocupado com as idas e vindas do mercado é José Alberto de Vasconcelos, 57, idade de “quem não pode mais errar”. Em vez de ficar preocupado com o quanto vai vender este mês, ele resolveu apostar na corretagem, que embora não seja o mais lucrativo em curto prazo, é o mais seguro. Mas sua história de sucesso no mercado imobiliário não começa por aí. E sim, em 1977, quando um amigo do Colégio Central apareceu perguntado se ele queria trabalhar como corretor. Naquela época, ele ainda cursava geologia, mas quase quebrava pedra pa-

mais afinco ao trabalho como corretor. Logo, estava ganhando bastante dinheiro e atuando em empresas maiores, até que, em 1984, decidiu abrir um negócio com outros dois sócios. Com o singelo nome de Novo Endereço, a imobiliária vingou até 1998, quando a sociedade se desfez e ele resolveucolocaroseunomeestampadona fachada. Hoje, trabalham para ele 8 corretores e 25 funcionários. FERNANDO VIVAS / AG. A TARDE Apesar de continuar com as vendas, geralmente em valores que oscilam entre ra fazer render a mesada, que só dava para R$ 100 mil e R$ 600 mil, o grande negócio o transporte e para o lanche. O pai, desda José Alberto Imóveis é a administração confiado como um bom filho da cidade do imobiliária. Pode não ser a atividade mais Morro do Chapéu, foi contra. Achava que lucrativa, mas é muito sólida e constante. corretagem era coisa de quem não “tinha Dessa forma, ele não precisa ficar depedado para nada”. dente das oscilações do mercado. “Apesar Então começou a trabalhar escondido de segura, não é uma tarefa fácil ficar entre da família. Dizia que ia sair, mas dava plano inquilino e o proprietário, porque um tão. Certa vez fez uma boa venda e preciquer sempre mais e outro quer sempre mesava justificar o dinheiro que receberia. Renos”. Cerca de mil imóveis estão atualmensolveu contar tudo ao pai, que só permitiu te sob os cuidados da empresa. que ele continuasse se não larO conselho de José Alberto pagasse a faculdade. Com seis ra quem quer abraçar essa meses de trabalho, comcarreira é o da especializaprou o carro do dono da ção. Já com uma trajetóimobiliária. ria consolidada, ele inQuando João Alberveste agora num curso estão em Alphaville, Boca do to se formou, acontede direito. “É uma proRio, Nova Boca do Rio, Imbuí, Jaguaribe, Paralela, ceu o previsível. Sem esfissão rentável, mas se o Patamares e Pituaçu paço na sua área, ele corretor não se especialiFonte: Ademi passou a se dedicar com zar, vai se dar mal”.

23,67%

25

Sobram vagas no mercado Com a regulamentação da profissão, em 1978, os corretores reuniram-se nos conselhos regionais (Creci), entidadesquetêmcomofunçãofiscalizaro exercício da atividade. Assim, para se tornar um corretor é preciso fazer um curso de Técnico em Transações Imobiliárias. Na Bahia, hoje, só há três cursos autorizados pelo Conselho Estadual de Educação. É possível ainda optar por um curso de nível superior em Negócios Imobiliários. De acordo com Samuel Arthur Prado, presidente do Creci-Ba, o crescimento do número de profissionais, apesardevertiginoso,aindanãosupre a carência do mercado brasileiro. “Com 300 milhões de habitantes, os Estados Unidos têm hoje cerca de um milhão de corretores. O Brasil, com 200 milhões, tem apenas 220 mil. Destes, 100 mil se concentram no Estado de São Paulo”. Antes do boom, além de um número insuficiente, ainda existiam muitos clandestinos. A luta do conselho regional hoje é para estimular a especialização e combater a proliferação de profissionaisirregulares.Apuniçãopara uma empresa que facilita o exercício ilegal varia de simples advertência até suspensão da licença ou mesmo cancelamento definitivo. Por conta do déficit habitacional, que encontra-se em 5,5 milhões de moradias, Prado argumenta que deve demorar para que o mercado se estabilize. “Portanto, ainda haverá demanda por mais corretores e a profissão ficará em alta bastante tempo”. «


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SALVADOR DOMINGO 17/7/2011

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dos imóveis comercializados estão na Pituba, Iguatemi Caminho das Árvores, Pitubaville, Aquarius, Costa Azul, Stiep, Itaigara, Armação, Alto do Parque, Jardim de Alah

bras, onde ficou por 10 anos. Com 17 anos de corretagem, ela diz que nunca deu um plantão sequer em estande de vendas e nunca entrou numa imobiliária. “Se eu trabalhasse numa imobiliária, achoqueperderiatodootrabalhosensível, de ouvir, de entender o que as pessoas precisam. Não se trata apenas de paredes. A parte humana desse trabalho é mais importante”. Sem contar o fato de que não precisa dividir seus 5% com ninguém. Valéria, que atua no mercado de usados e tem como clientes artistas, psicólogos, médicos e estrangeiros, conta que já deixou de realizar vendas porque viu que aquele não seria o melhor para a cliente. “Percebi que ela ainda era muito apegada à casa, que seria vendida por conta de uma separação”. Valéria sugeriu, então, que fizesse um financiamento e comprasse a parte do ex-marido. Não ganhou comissão, mas recebeu a indicação para outro trabalho, e para outro e outro. Talvez por ter entrado no ramo meio por acaso, por conta dos pedidos de amigos, sua relação com a clientela tenha um caráter amistoso. O primeiro imóvel que vendeu foi o de um vizinho, que lhe entregou as chaves e pediu que ela saísse mostrando o apartamento. Depois, veio o de uma amiga. Só aí, ela se tocou que poderia fazer disso uma profissão. Desde então, não parou. A corretora

abrangem bairros como Brotas, Acupe, Alto de Brotas, Bonocô, Horto, Luis Anselmo, Matatu, Pitangueiras, Vasco da Gama e Vila Laura.

José Alberto Vasconcelos preferiu abrir sua própria corretora

ONDE ESTUDAR Total Duração: 10 meses Turmas: matutinas Valor: R$ 2.600 www.sejatotal.com.br Instituto Espaço Novo Duração: 32 semanas letivas Turmas: matutinas, vespertinas e noturnas Valor: R$ 2.200 (matutino e vespertino) e R$ 2.400 (noturno) www.institutoespaco novo.com.br/

conta que o tempo máximo que já ficou sem fechar um negócio foram dois meses. Apesar de também não falar em valores, ela admite que já vendeu sete apartamentos este ano. Em 2010, foram doze. Apesar disso, Valéria diz que ainda não está rica. “Nem é o meu objetivo. Quero viver bem, sair tranquila do mercado”. Para isso, trabalha de domingo a domingo e aproveita o bom momento do mercado. Como recompensa, há dois anos, tirou dois meses inteiros de férias na Europa. No próximo ano, quando completa três anos sem parar de trabalhar, planeja uma temporada de três meses.

ALUGUEL Quem não está preocupado com as idas e vindas do mercado é José Alberto de Vasconcelos, 57, idade de “quem não pode mais errar”. Em vez de ficar preocupado com o quanto vai vender este mês, ele resolveu apostar na corretagem, que embora não seja o mais lucrativo em curto prazo, é o mais seguro. Mas sua história de sucesso no mercado imobiliário não começa por aí. E sim, em 1977, quando um amigo do Colégio Central apareceu perguntado se ele queria trabalhar como corretor. Naquela época, ele ainda cursava geologia, mas quase quebrava pedra pa-

mais afinco ao trabalho como corretor. Logo, estava ganhando bastante dinheiro e atuando em empresas maiores, até que, em 1984, decidiu abrir um negócio com outros dois sócios. Com o singelo nome de Novo Endereço, a imobiliária vingou até 1998, quando a sociedade se desfez e ele resolveucolocaroseunomeestampadona fachada. Hoje, trabalham para ele 8 corretores e 25 funcionários. FERNANDO VIVAS / AG. A TARDE Apesar de continuar com as vendas, geralmente em valores que oscilam entre ra fazer render a mesada, que só dava para R$ 100 mil e R$ 600 mil, o grande negócio o transporte e para o lanche. O pai, desda José Alberto Imóveis é a administração confiado como um bom filho da cidade do imobiliária. Pode não ser a atividade mais Morro do Chapéu, foi contra. Achava que lucrativa, mas é muito sólida e constante. corretagem era coisa de quem não “tinha Dessa forma, ele não precisa ficar depedado para nada”. dente das oscilações do mercado. “Apesar Então começou a trabalhar escondido de segura, não é uma tarefa fácil ficar entre da família. Dizia que ia sair, mas dava plano inquilino e o proprietário, porque um tão. Certa vez fez uma boa venda e preciquer sempre mais e outro quer sempre mesava justificar o dinheiro que receberia. Renos”. Cerca de mil imóveis estão atualmensolveu contar tudo ao pai, que só permitiu te sob os cuidados da empresa. que ele continuasse se não larO conselho de José Alberto pagasse a faculdade. Com seis ra quem quer abraçar essa meses de trabalho, comcarreira é o da especializaprou o carro do dono da ção. Já com uma trajetóimobiliária. ria consolidada, ele inQuando João Alberveste agora num curso estão em Alphaville, Boca do to se formou, acontede direito. “É uma proRio, Nova Boca do Rio, Imbuí, Jaguaribe, Paralela, ceu o previsível. Sem esfissão rentável, mas se o Patamares e Pituaçu paço na sua área, ele corretor não se especialiFonte: Ademi passou a se dedicar com zar, vai se dar mal”.

23,67%

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Sobram vagas no mercado Com a regulamentação da profissão, em 1978, os corretores reuniram-se nos conselhos regionais (Creci), entidadesquetêmcomofunçãofiscalizaro exercício da atividade. Assim, para se tornar um corretor é preciso fazer um curso de Técnico em Transações Imobiliárias. Na Bahia, hoje, só há três cursos autorizados pelo Conselho Estadual de Educação. É possível ainda optar por um curso de nível superior em Negócios Imobiliários. De acordo com Samuel Arthur Prado, presidente do Creci-Ba, o crescimento do número de profissionais, apesardevertiginoso,aindanãosupre a carência do mercado brasileiro. “Com 300 milhões de habitantes, os Estados Unidos têm hoje cerca de um milhão de corretores. O Brasil, com 200 milhões, tem apenas 220 mil. Destes, 100 mil se concentram no Estado de São Paulo”. Antes do boom, além de um número insuficiente, ainda existiam muitos clandestinos. A luta do conselho regional hoje é para estimular a especialização e combater a proliferação de profissionaisirregulares.Apuniçãopara uma empresa que facilita o exercício ilegal varia de simples advertência até suspensão da licença ou mesmo cancelamento definitivo. Por conta do déficit habitacional, que encontra-se em 5,5 milhões de moradias, Prado argumenta que deve demorar para que o mercado se estabilize. “Portanto, ainda haverá demanda por mais corretores e a profissão ficará em alta bastante tempo”. «


Campeões de vendas