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ARMARINHO

SALVADOR DOMINGO 1/5/2011

PEDRO FERNANDES

ENTREVISTA Carlos Miele, estilista Divulgação

“NÃO VEJO COMO DIVULGAR MODA SEM SAIR DAQUI” PEDRO FERNANDES

Há cerca de oito anos, Carlos Miele deixou as semanas de moda brasileiras e aportou na New York Fashion Week. Para ele, divulgar seu trabalho no exterior era o meio de entrar no fechado círculo da moda internacional. Hoje, personalidades como Rihanna, Beyoncé e J Lo desfilam seus modelos pelos red carpets do mundo. Esta semana, a segunda loja da marca foi aberta na cidade, no Salvador Shopping, e o estilista falou com exclusividade à coluna.

Você está desfilando fora do País há uns oito anos. Sua inspiração ainda parte daqui? Continuo vendo a vida através do Brasil, da minha vida brasileira. Nasci aqui e, embora tenha algumas influências europeias, por ser descendente de italianos, as minhas referências continuam ligadas ao País.

Como você consegue equacionar a produção de moda para o mercado externo e para o Brasil ao mesmo tempo? O sentido da criação é o mesmo? Tenho percebido que as pessoas querem cada vez mais mostrar personalidade. As pessoas valorizam isso cada vez mais. E o que vale para o Brasil também vale lá fora. Lá, eles são encantados pela cultura brasileira. Acho que por conta do fato de nossa autoestima estar crescendo. Estamos menos preconceituosos com a cultura po-

No mês passado, a Arezzo recebeu muitas críticas por conta do uso de pele de animais em uma coleção. Qual a sua posição em relação ao uso de peles de animais? Se você souber a procedência, acho que não há problema. Um animal de cativeiro é um animal como outro qualquer, como uma galinha. Não consigo ver a diferença entre uma vaca, um coelho ou uma raposa criados em cativeiro. O cuidado tem que ser com a vida selvagem.

pular, que é tão viva na música, nas artes visuais, na religião. Ao contrário das outras culturas, que estão vivendo do passado. Ao que você acha que se deve essa mudança de visão? Acho que se deve à economia brasileira, que está muito visada no exterior. O mundo quer vir para cá. Isso mudou a nossa autoestima. Acho que a presença do Lula também ajudou a elite brasileira, especialmente do sul do País, se render à realidade.

Se fala mais em sustentabilidade, em uso de produtos eco-friendly. Mas a questão do consumo responsável ainda é deixada à margem. Por isso sou contra tendências. Acho que a roupa tem que ter durabilidade. Meu guarda-roupa tem calças de décadas, casacos que eram do meu avô. É preciso saber o que comprar. Informações como procedência, respeito ao meio ambiente, se a empresa não usou mão de obra escrava, têm que ser exigências do consumidor.

Seu mercado principal está lá fora ou aqui?

Se você souber a procedência da pele, não há problema. Animal de cativeiro é como outro qualquer

Ainda não. Cada vez mais a comunidade da moda está se concentrando em Paris e Nova York. Não vejo como divulgar a moda do Brasil sem sair daqui.

Por enquanto é aqui. Já temos lojas na China e nos Estados Unidos. Vendemos para 27 países, mas queremos expandir para outros mercados. Você disse à Istoé, em 2003, que o Brasil não estava dentro do circuito internacional. Acha que mudou algo de lá para cá?

PRESENTES PARA ELAS Perfumes clássicos e glamourosos Sua mãe tem personalidade marcante, um gosto diferenciado e adora compor um visual elegante? Uma sugestão de presente são os perfumes importados. Vão, então, algumas dicas. Para as contemporâneas: Play for Her – R$ 173 (30 ml) – ou Dance with Givenchy (R$ 99). Para as mães poderosas: Ange ou Demon Le Secret – R$ 185 (30 ml). Para as românticas, é indicado o L’eau Kenzo Amour – R$ 169 (70ml). As mamães mais clássicas, certamente se identificarão com o J’Adore (R$ 410).

Rosas francesas para a mamãe

Lindo, leve e solto

A partir de flores cultivadas na França, o Boticário criou as edições do Floratta in Rose Belle e in Rose Amour para o Dia das Mães

A Natura acaba de lançar o Natura Plant Liso e Solto, kit composto por produtos que prometem deixar o cabelo mais maleáveis

O Boticário / Divulgação

Fragrâncias especiais e hidratantes Desodorantes, loções hidratantes e sabonetes tornam mais especiais os momentos de cuidados das mamães. A Hydratta tornará mais especial o dia dedicado a elas ao sugerir diversas opções de produtos. A lista começa com desodorantes, que oferecem o bem-estar necessário para o dia a dia. Nos formatos roll-on ou aerosol, as fragrâncias delicadas e femininas vão cair no gosto das mamães. As versões Proteção Aveludada, Proteção Delicada e Proteção Envolvente são a pedida. www.hydratta.com.br

Natura / Divulgação

GINÁSTICA COM MAIS CONFORTO E TECNOLOGIA

Linha de bikes para mulheres esportivas

Dior lança máscara giratória para cílios

DOCES LEMBRANÇAS PARA A MAIS QUERIDA

Quer estimular a malhação da mamãe? A Bicicleta Híbrida Matrix H5X possui assento em 45 graus, encosto e descansos para os braços e TV de LCD 15" como opcional (johnsonhealthtech.com.br)

Sua mãe tem espírito aventureiro e gosta de dar umas pedaladas nos finais de semana? Uma boa dica para presenteá-la no Dia das Mães é a Linha Mobilidade de bicicletas Caloi, ideal para a cidade, os passeios

Dior traz ao Brasil a sua primeira máscara para cílios giratória. Todos os truques dos mais renomados maquiadores dos desfiles Dior foram reunidos em um só produto: máscara para cílios 360 Diorshow. Com uma

A Chocolates Lindt lançou no mercado uma caixa dourada com bombons sortidos nos sabores chocolate meio amargo, branco, ao leite e ao leite e pedaços de avelã. Valor sugerido: R$ 57

em família nos finais de semana e pequenos percursos. Elas têm itens diferenciados como guidão mais alto, selim macio e suspensão, para um pedalar mais confortável. Os preços variam de R$ 499 a R$ 999.

TELEVISÃO

O casamento, ainda

Danuza Leão Escritora e cronista

Se houvesse um programa de TV tipo perguntas e respostas para falar sobre qualquer detalhe do casamento de William e Kate, eu me candidataria. Tem sido um tal bombardeio de notícias, que me considero uma expert no assunto. As TVs mostraram todos os casamentos, desde o da mãe da atual rainha, como também aqueles de que já havíamos esquecido. Alguém lembrava do da princesa Margaret com o fotógrafo Armstrong Jones? Do da princesa Ann com o capitão Philips? Esses, e todos os outros, acabaram em divórcio, menos o do irmão mais moço do príncipe Charles, Edward, que ninguém nem lembrava que existia. Na última semana, devo ter visto o casamento de Diana

umas 250 vezes, e me pergunto se, na época, alguém achou bonito seu vestido. Era horrendo, e a noiva, gorduchinha, nem sombra da mulher radiosa que viria a se tornar. Mas de tudo o que eu vi, o que mais me espantou foi a entrevista de um namorado de Diana, Charles Ewitt, que merece o título de o cafajeste do século. Com o maior cinismo, ele contou como o romance havia começado, detalhes da relação amorosa dos dois e até a mãe dele deu o ar de sua graça – ele tinha a quem sair. Os dois falaram de Diana como não se fala de nenhuma mulher; nenhuma, muito menos de uma princesa real. Ok, Diana era estilosa e tonta, e ainda casada, confessou, também pela TV, não só que tinha tido um caso como que, na época, era apaixonada por ele; em suas próprias palavras, "I adored him". Nós, pobres mortais de um país descoberto há apenas 511 anos, temos como norma não escrita, mas obedecida pela maioria, que desses assuntos não se fala publicamente;

simples rotação do anel decorado com a logomarca Dior, o pincel de hélice gira e, sozinho, sem esforço, recria as técnicas conhecidas apenas por profissionais. Produto tem preço sugerido de R$ 160.

homens, sobre seus romances, menos ainda, muito menos quando a mulher é casada. Foi demais. Esse Ewitt era um gentleman que frequentava a nobreza, cobrou uma grana para dar a tal entrevista e, não contente, tentou (não sei se conseguiu) vender as cartas que havia recebido de Diana por milhões de libras. No festival sobre os Windsor, que rendeu a semana toda, teve também a cena gravada – igualzinha às de nossos políticos re-

Kate é simpática; não é bonita – é bonitinha –, e vamos ver em que tipo de mulher vai se transformar quando desabrochar

cebendo dinheiro – de Sarah Ferguson, aquela ruiva que foi casada com o príncipe Edward, fechando um negócio de 500 mil libras para levar um grupo excuso a conhecer seu ex, o que facilitaria uma tenebrosa transação, quanta baixaria. Kate é simpática; não é bonita – é bonitinha –, e vamos ver em que tipo de mulher vai se transformar quando desabrochar. E é sincera: não esconde, em nenhum momento, o quanto está apaixonada, o quanto está feliz. Além da torcida normal, para que sejam muito felizes, vamos torcer também para que a casa real se livre dessa nuvem negra em que viveu anos – chamada, pela rainha, de annus horribillis; que os Windsor passem a se comportar como pessoas normais, que não lavam sua roupa suja em público, nem confessam suas traições pela TV. Para isso deve ajudar, e muito, o sangue de Kate, que não é azul, mas vermelho, como o de uma pessoa de carne e osso; como o de uma pessoa normal.

Canal Viva volta a exibir a minissérie Anos Dourados FOLHAPRESS E REDAÇÃO

Outro sucesso de Gilberto Braga (autor de Vale Tudo) volta a ser exibido no canal por assinatura Viva. Nesta segunda-feira vai ao ar, às 23 horas, Anos Dourados, que fez muito sucesso em 1986. A minissérie se passa na década de 1950, no Rio de Janeiro, quando o Brasil conquistou a Copa do Mundo, a TV chegou ao país e Juscelino Kubitschek se tornou presidente. Além disso, no universo da cultura, ainda surgiria a bossa nova. Anos Dourados usa esse contexto para narrar o amor entre os jovens Lurdinha (Malu Mader) e Marcos (Felipe Camargo). Os dois precisam lidar com o fato de os pais da moça, o doutor Carneiro (Cláudio Corrêa e Castro) e Celeste (Yara Amaral em excelente interpretação), não aceitarem o relacionamento: o jovem Marcos é filho de pais separados, e a sua mãe, Glória (Betty Faria), tem um caso com um homem casado. A minissérie já foi reapresen-

tada em três outras ocasiões. Duas delas na própria Globo: de 4 de outubro a 4 de novembro de 1988, no mesmo horário e na íntegra, em 20 capítulos; e em 1990, em um compacto realizado em dez capítulos. A terceira vez em que a minissérie foi reprisada foi em 2005, pelo canal pago Multishow, como parte das homenagens pelos 40 anos da TV Globo, em dez capítulos novamente. Por quase dez anos, Anos Dourados foi a minissérie de maior média de audiência dentre as que ocuparam a grade da Rede Globo. O tema de abertura da minissérie marcou época com a música homônima de Tom Jobim que, depois de um tempo, ganhou a linda letra de Chico Buarque. Anos Dourados deu espaço a toda uma geração de então jovens atores, que até hoje fazem sucesso na telinha. A minissérie, aliás, é cheia de curiosidades. A ex-mulher de Caetano Veloso, Paula Lavigne, por exemplo, compõe o elenco.


“NÃO VEJO COMO DIVULGAR MODA SEM SAIR DAQUI”