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DOM

SALVADOR 9/10/2011

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EDITORA-COORDENADORA: SIMONE RIBEIRO / DOISMAIS@GRUPOATARDE.COM.BR Divulgação

ARMARINHO AS PULSEIRAS SHAMBALLA, INSPIRADAS NOS TERÇOS USADOS PELOS BUDISTAS, SÃO A FEBRE DO MOMENTO NAS JOALHERIAS 8

SETE DIAS BAHIA SEDIA A EDIÇÃO 2012 DO DISPUTADO SALON DU CHOCOLAT 3

Imax /Divulgação

Menina, eu sou é homem ESTILO A androginia está presente nas passarelas e vai ditar as regras para quem pretende estar em sintonia com as tendências do mundo fashion

PEDRO FERNANDES

O clima de Salvador ainda não se decidiu se já chegamos na primavera ou se continuamos na estação chuvosa, mas o mercado de moda já está se preparando para as coleções do inverno de 2012. De olho nas semanas de moda internacionais, fabricantes e lojistas já estão atentos às formas, tecidos e cores que vão aparecer na metade do ano que vem. Uma das apostas de grifes como Paul Smith, Dolce&Gabbana, Balmain e Louis Vuitton é a adoção de peças tradicionalmente masculinas pelo guarda-roupa feminino. O visual sugerido é o andrógino experimentado nos anos de 1970, com muita alfaiataria na silhueta em y, nos ombros largos dos anos 1980, e na estética grunge largadinha dos anos 1990. “As propostas andróginas apresentam-se sofisticadas através dos tecidos, das padronagens e das formas inspiradas na alfaiataria masculina. Destaque para blazers amplos, calças retas e largas, pregas, camisas com listas, além de punhos alongados e golas rígidas”, explica a consultora em negócios e desenvolvimento de produtos em moda Lilian Tozzato. Para o inverno, ela destaca tons neutros como o preto, branco, tons de cinza, cáqui e verde. Isso para um estilo mais clássico, que pode servir tanto para o trabalho quanto para um coquetel, a depender dos acessórios escolhidos. Se não quiser mergulhar no visual totalmente masculino dá para usar uma sandália de salto para fazer uma contraposição ou usar uma peça (blazer ou calça de sarja com pregas) de cada vez. Para uma versão mais jovem a inspiração são cores vibrantes dos anos 1980. Dá para usar o blazer do namorado sobre vestidinhos e saias, cardigãs com cotoveleiras, supensórios e gravatinhas. É o que garante a estilista e consultora de moda Denise Moraes. “Sapatinhos oxford continuam sendo muito vendidos”, complementa.

Verão

E já dá para começar a usar tudo isso a partir de agora, mesmo com o verão batendo à porta, é só adaptar o visual com tecidos mais frescos e de cores mais claras. Paletó de linho sobre camisa de seda, por exemplo, vai muito bem. Nas temporadas de verão 2012 internacionais, que aca-

PEÇAS-CHAVE Escolha a que mais combina com seu estilo Alfaiataria

Forro em cor contrastante

BLAZER

Modelo mais largo, estilo boyfriend

Sem colarinho

Punho dobrado com forro aparente

Voile de algodão Cintura alta

Silhueta trapézio

CALÇA

Em sarja de algodão, modelo não esconde as formas

CAMISAS

Inspiração na camisaria masculina

Vinco

Boca afunilada

ACESSÓRIO Sapatos oxford ou mocassim

CORES Do Clássico Ao Jovem NEUTRAS

“As propostas apresentam-se sofisticadas pelos tecidos e padronagens” LILIAN TOZZATO, consultora

CORINGAS

VIBRANTES

baram de acontecer, o que se viu foram muitos looks branco total ou em tons clarinhos de azul, bege e rosa, como mostrou Ralph Lauren em Nova York, com seus ternos de três peças (paletó, colete e shortinho no lugar das calças). Em Paris, Givenchy trouxe os mesmos tons em looks monocromáticos. Em Londres, em desfile rea-

lizado em 18 de setembro, Paul Smith, que adora cores fortes, insiste no color blocking, a mistura de diferentes cores marcantes em uma mesma produção. Nos pés, os mocassins ultracoloridos também ajudam a compor o look inspirado no guarda-roupa deles. LEIA MAIS NA PÁGINA 5

Paul Smith apresenta look com cores fortes


2 Em (Meta)Morfoseando, Luísa Meirelles dá um salto firme rumo à afirmação musical 4

SALVADOR DOMINGO 9/10/2011

MÚSICA A cantora, violonista e compositora faz primeiro show hoje, às 17 horas, no Teatro Gamboa Nova

LUCIANO AGUIAR

Quem conhece a jovem cantora e compositora Luísa Meirelles, que faz hoje, às 17 horas, o seu primeiro show, (Meta)Morfoseando, no Teatro Gamboa Nova, sabe o que é uma entrega artística. Aos 20 anos, aluna do curso de canto da Escola de Música da Ufba, professora do curso livre da Emus, boa violonista e com algumas canções e músicas instrumentais embaixo do braço, ela dá um salto firme rumo à afirmação musical. (Meta)Morfoseando, que, segundo Luísa, tem a ver com a transformação de sua identidade musical, ”com o estar em processo”, fica em cartaz por três domingos, encerrando temporada no dia 23. “Mostro, agora, onde eu estou, o meu caminho, aquilo que eu já fiz e o que estou fazendo. É um show bem misturado. Tem de músicas simples, de quando eu era mais nova, como Maior Bem e Verbo Amar, em clima pop rock, a músicas que fiz por agora, bem mais experimentais”, explica a cantora. Apesar do forte lado de intérprete, Luísa dá um passo corajoso ao mostrar prioritariamente, no show, a sua lavra composicional. Das 13 músicas do repertório, dez são dela, distribuídas em uma boa variedade de gêneros, como samba (Um Canto e Sambinha), ijexá (Minhas Gerais, que, segundo Luísa, é mistura de Minas com Bahia), funk (O Menino da Casa Amarela), bossa (Manhã), pop rock, sem contar alguns temas instrumentais,nosquaiselapromete bons improvisos vocais. A artista faz questão de dizer que haverá uma música em ho-

Instituto Cervantes promove ciclo de cinema fantástico todas as quintas

Kiki Meirelles / Divulgação

menagem ao lendário Sexteto do Beco, grupo baiano dos anos 70 e 80,que,entreoutros,eraformado por Aderbal Duarte, professor de violão de Luísa, e Sérgio Souto, com quem ela já trabalhou. Uma das músicas do repertório, Flora, é assinada pelo pai de Luísa, o contrabaixista, arranjador e, também, compositor Ataualba Meirelles, que assina a direção musical do show. “Eu o chamei porque acho que ele iria entender o que eu queria passar, e ele é uma das minhas influências também”, diz Luísa. Por falar em influência, a cantora também admite se inspirar paradoxalmente em Janes Joplin e Dalva de Oliveira, por conta do canto visceral das duas, mesmo tendo sido de gêneros tão distintos. “É muito verdadeiro o que elas passam. É a verdade da alma”, declara. Para essa primeira empreitada, além do pai, Luísa vem acompanhada de Márcio Dhiniz (bateria), Joander Cruz (sax alto, tenor, soprano e flauta), André Santana (piano e sanfona) e ainda recebe convidados especiais.

DA REDAÇÃO

(META)MORFOSEANDO, COM LUÍSA MEIRELLES / DOMINGOS, ÀS 17H, ATÉ O DIA 23 / TEATRO GAMBOA NOVA / R. GAMBOA DE CIMA, 3 (71-3329-2418) / R$ 10 E R$ 5

Uma das músicas do repertório, Flora, é assinada pelo pai de Luísa, o compositor Ataualba Meirelles

GRÁTIS

Das 13 músicas do repertório apresentado pela artista, dez são de sua autoria

O Instituto Cervantes Salvador exibe, até o dia 27, sempre às 19 horas, o Ciclo de Cinema Fantástico e Terror Espanhol Sobressalto. A entrada é franca e poltronas limitadas. Na primeira exibição, dia 13, será apresentado o curta Perturbado, do diretor Santiago Segura. Dentro da programação da noite, está previsto também o média-metragem de Nemesio Sobrevilla, El Sexto Sentido, de 1929. Já no dia 20, o Cervantes exibirá Manos, de 2001, do diretor Lino Varela. O segundo filme da noite, o longa La Zona, é dirigido pelo mexicano Rodrigo Plá. No dia 27, a noite começa com o curta de Koldo Serra, El Tren de las Brujas, de 2003. O segundo filme da noite transformou-se em clássico e ainda ganhou um remake dos norte-americanos. REC, produzido na Espanha em 2007, com direção de Paco Plaza y Jaume Balagueró. E, na semana de encerramento do ciclo, dia 30, a primeira exibição é Brasil, curta-metragem realizado em 2001 pelo diretor Javier Gutiérrez, que conta a história de um operário chamado Otto, que descobre a traição da mulher e planeja uma grande vingança. E encerrando o ciclo o longa de animação, De Profundis, de 2007. Era uma vez uma casa no meio do mar, onde uma mulher esperava tocando violoncelo melancolicamente. Aguardava seu amado, um pintor que sempre quis ser marinheiro para navegar entre as medusas, as estrelas do mar e os peixes de mil cores que sonhava em seus quadros.

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SALVADOR DOMINGO 9/10/2011

ESTILO Quando as mulheres começaram a luta por seus direitos na Paris dos anos 1920, Chanel tratou de vesti-las para a batalha e a liberdade chegou ao guarda-roupa feminino

Androginia na moda foi meio de obter igualdade PEDRO FERNANDES

Foram necessários alguns milênios desde quando Zeus, temendo a força dos andróginos (seres metade homem, metade mulher), os separou e os condenou a buscar um ao outro pela eternidade. Só alguém com a esperteza heróica de Mademoiselle Chanel para juntá-los uma outra vez em um só corpo. Mulher de mente liberal, vanguardista, ela primeiro libertou as mulheres dos espartilhos e lhes deu uma silhueta mais retilínea e mais móvel. Lá no início dos anos 1920, quando as vanguardas fervilhavam em Paris e as primeiras mulhers proclamavam sua independência, e já lutavam por direitos como o voto, mademoiselle estava lá para vesti-las para a batalha. As más línguas comentavam já não haver mulheres, apenas meninos criados por Chanel. Dali por diante, com as bases lançadas pelo tailleur feminino

passou a haver mais liberdade para o guarda-roupa das mulheres. As calças, que até a década de 1910 eram usadas apenas na privacidade do quarto, como roupa de dormir, foram conquistando pouco a pouco a luz do dia. Nos anos 1930, na forma de pantalonas facilmente confundíveis com saias, elas já são admitidas como roupa chique, pa-

As calças, que até a década de 1910 eram usadas só na privacidade do quarto, como roupa de dormir, foram conquistando a luz do dia INDEPENDENTE

Com formas retas e simples, Chanel mudou a silhueta feminina e deu-lhe mobilidade. Ela lançou as bases para a fusão do guarda-roupa masculino e feminino com seus tailleurs

ra se usar em festas. Claro, sempre entre as mais antenadas e liberais. Logo as calças tornam-se corriqueiras. Variações que marcavam mais a silhueta, como a cigarrete, viram hits durante os anos 1950 e 1960.

Cabelos

No campo da beleza, as mulheres também se sentem livres para abdicar dos cabelos longos e experimentar o visual “joãozinho”, estimuladas por mulheres como a modelo Twiggy e Mia Farrow, em o Bebê de Rosemary (1968), de Polanski. É uma época em que grande parte do mundo ocidental vive a revolução sexual e o acirramento dos ideais feministas. A pílula proporcionou à mulher o controle sobre seu corpo, sobre a hora de engravidar, e permitiu que elas entrassem mais fortemente no mercado de trabalho, onde teriam que enfrentar todo tipo de machismo. Vestir as calças, e até o terno, se tornou uma arma de afirmação de igualdade de direitos. Nos anos seguintes, a alta-moda fará a fusão completa entre os guarda-roupas, pelas mãos de Yves Saint-Laurent. Em 1975, o estilista francês coloca nas passarelas e nas ruas le smoking, uma versão feminina do traje de gala dos homens, eternizada em editorial para a Vogue, fotografado por Helmut Newton. O ensaio, como a co-

leção, tem todo um apelo andrógino e erótico. Em uma das imagens, duas mulheres, uma trajando smoking, flertam de maneira sensual.

BOA MOÇA

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A beleza de menino de Emma Watson é aproveitada em recente comercial da Lancôme. Terninho rosa e short de renda emprestam fragilidade ao look masculino

AMBÍGUA

Em meados dos anos 1990, modelos voluptuosas dão lugar àquelas de aparência mais esguia e angulosa. Kate Moss viria a se tornar a mulher símbolo dessa geração ambígua

2010

Como os meninos

Já nos anos 1980, a silhueta vai se masculinizar ainda mais, com ternos mais amplos de ombreiras bem marcadas. A diferença é que, em vez das cores sóbrias, tons vibrantes são os eleitos. Todas as revoluções já haviam acontecido e era agora o momento de aproveitar a liberdade para cometer excesso. Os nomes que vão fazer a festa desses anos são Jean Paul Gaultier, Azzedine Alaïa e a japonesa recém chegada a Paris Rei Kawakubo, com sua grife de nome sugestivo, Comme des Garçons (Como Meninos). Nos anos 1990, especialmente a partir da difusão da estética grunge, roupas largas, largadas e cabelos longos e sujos para garotos e garotas borram outra vez os limites entre os gêneros. Modelos voluptuosas como Linda Evangelista são substituídas por meninas magras e de rosto anguloso. Kate Moss e sua beleza indefinida vem representar o espírito dessa época. Substituiu-se na década seguinte essa ambiguidade por uma estética assexuada. Em nossos dias, a ambiguidade de modelos como Andrej Pejic e Lea T. apontam para um resgate da androginia na moda.

1990

CONCEITUAL

A cantora jamaicana Grace Jones testa os limites entre os gêneros e os da estranheza. As enormes ombreiras da capa de Nightclubbers, de 1981, logo seriam copiadas comercialmente

1980

NERVOSA

Diane Keaton, depois de ser vestida por Ralph Lauren em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de 1977, ficaria conhecida fora das telas por seu gosto por ternos e gravatas

UM SÉCULO DE ANDROGINIA

1970

Moda e cultura pop aproximam e fundem os gêneros

MENININHO

Em Bom Dia, Tristeza, de 1958, Jean Seberg radicaliza o estilo à la garçon. Além das roupas de menino, aparece com os cabelos curtíssimos

1930

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1960

1950 1920

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OUSADA

A atriz alemã Marlene Dietrich foi a primeira mulher a se vestir como um homem no cinema. Com o filme Marrocos, de 1930, causou escândalo entre os conservadores

TOP MODEL

A inglesa Twiggy é considerada a primeira top model. Durante os anos sessenta, emprestou sua aparência de menino para dezenas de produtos. De bonecas a cílios postiços


Menina, eu sou é homem