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SALVADOR DOMINGO 31/5/2009 21

31/5/2009

“Penso em música 24 horas”

DE CIMA PARA BAIXO Coturno Ellus R$ 369 Tênis Ellus R$ 289 Tênis Puma para Authentic Feet R$ 199,99 Tênis Converse para Authentic Feet R$ 149,99 Jeans e cinto Ellus R$ 449 e R$ 98

Há dois anos, antes de ter a ideia de criar o Fantasmão, Edicarlos da Conceição Santos, 26, pai de duas filhas de 8 e 9 anos, cada uma de uma mãe diferente, tinha acabado de sair do Parangolé por divergências criativas. Ninguém acreditava que ele fosse voltar. Era só um cantor contratado que chegara da cidade de Catu para fazer testes em bandas de pagode em Salvador. “Cheguei a ganhar uma vez R$ 15 de cachê”, conta. Quando resolveu reaparecer e falou o nome de seu novo grupo, todo mundo riu. Mas emplacou canções com letras que vão na contramão do que estamos acostumados a ouvir. Sem tchecas, xanas e alegorias pouco sutis à genitália feminina, elas falam de problemas sociais, de bairros periféricos e do orgulho de ser negro. Comparando ao show de sua primeira banda ainda em Catu, aos 14 anos, a troça não foi nada. Ele não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Cola das letras das músicas nas mãos. Até o pai, Jonas, reconhece. “A festa foi péssima. Tudo desentoado. Mas eles tinham boa vontade”. Foi ele que, a despeito das flagrantes limitações do grupo, correu atrás de amigos que pudessem ajudar a desenvolver o talento que acreditava que o filho tinha. Montar a primeira banda veio de um arroubo. Desistiu de ir fazer o teste no time da Catuense e anunciou que iria montar uma banda. “Arranjou uns meninos que não tocavam nada e ficou ensaiando aqui no quintal de casa. Era horrível, e os vizinhos reclamavam muito”, conta a mãe, Schirley. Logo tiveram que ir ensaiar num sítio fora da cidade, pois os vizinhos não os queriam por perto. Certa vez, quando voltava a pé de um ensaio, Eddye foi abordado pela polícia. Estava com um aparelho de CD nas

mãos e os policiais suspeitaram. Para provar que não tinha roubado, pediu carona à viatura para mostrar a nota fiscal. Hoje, não passa mais por esse tipo de situação. Já tem um rosto conhecido, mesmo para quem possa não conhecê-lo de fato. Ao voltar de mais uma viagem, no saguão do aeroporto de Salvador, causou frisson entre os que aguardavam no desembarque. Um homem que passava perguntou: “É o cantor do Natiruts?”. Descontados os mal-entendidos, a verdade é que Eddye já precisa evitar andar em shoppings por conta de fãs exaltadas. “Longe do palco, fico todo por fora”. Fato é que de perto há algo que falta para quem o viu primeiro em cima do palco. O jeito de se vestir no estilo negro do Harlem repetia-se em casa. A voz rouca e expressiva e os cabelos desalinhados em dreadlocks ainda estão lá. É algo na atitude que deixa clara a separação entre o performer e o cara que durante a entrevista olha pouco nos olhos e é cuidadoso com as palavras. Não é que ele esteja fugindo, ou fingindo, é que no palco a timidez não dá o ar da graça. Curiosamente, quando tem outdoor de um novo show nas ruas, ele pega o carro e vai correndo ver como cada um deles ficou. É isso que faz de Eddye o próprio Fantasmão. Não só por ser quem estampa as publicidades, mas por elaborar conceitos, sonoridades e as estratégias de crescimento. Sabe que o que ganhar agora precisa ser investido na banda. Por isso não é seduzido por impulsos de consumo ou apelos de quem acha que ele está rico. “O povo pede dinheiro até para minha mãe. Mas eu procuro ter pé no chão. Meu maior sonho é ter uma casa com um estúdio. Penso em música 24 horas”. PEDRO FERNANDES

Camisetas Colcci R$ 159 (estampa caveira), R$ 129 (estampa grafite) Coturno Ellus R$ 369

BELEZA Jardel Ribeiro (8716-2423) AGRADECIMENTOS Ao Studio 4 (8818-5590) e a Bruno Winycius

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ONDE COMPRAR Authentic Feet (71-3878-7440), Bilbao (71-3331-0314), Colcci (71-3878-2551), Ellus (71-3450-1746), Levi’s (71-3450-9645)


"Penso em música 24h"