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ZEN KIDS

M A R Ç O / A B R I L

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E D I Ç Ã O 1 9

FAMÍLIA| EDUCAÇÃO| BEM-ESTAR

Medos e Incertezas o lado não cor-de-rosa da gravidez

A Importância dos Avós na vida das crianças

W W W . Z E N - K I D S . O R G


Nr. 19 | Março / Abril de 2018 DIRECTORA E EDITORA Sara Morgado revista@zen-kids.org DIRECÇÃO COMERCIAL comercial@zen-kids.org

COLABORADORES Telma Anselmo; Cátia Lopes; Cila Nunes; Inês Oliveira Martins

IMAGENS Pixabay, Photl

PERIODICIDADE Bimensal

SUBSCRIÇÕES revista@zen-kids.org projetozenkids@gmail.com

www.zen-kids.org 2710-632 Sintra

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CONTEÚDO NÚMERO 19

NESTA EDIÇÃO Editorial                                                         6

Agenda                                                            8 A importância dos avós na vida das crianças                                                             10

Motivação                                                                                  22

No na Vivi - Única Mixing Cultures                          26

A Relação                                                                                   40

Relaxamento para Crianças                       48

Medos e incertezas - o lado não cor-derosa da gravidez                                            16


SARA MORGADO

EDITORIAL “Crónica de uma vida anunciada” ou “Viver em presença” A vida começa quando sinto o sol a tocar as minhas mãos e o meu corpo. Quando sinto e vejo a caneta a criar formas de letras numa folha de papel. Quando o som de uma música ao longe, entra nos meus ouvidos. Quando o vento agita os cabelos. Aí, quando realmente sou capaz de sentir isso, sinto-me viva. Quando a passagem do sol para a sombra acontece, porque as nuvens caminham no céu, eu noto esse acontecimento. A vida acontece quando me permito sentir tudo o que os meus olhos têm à sua frente. Tudo o que os meus ouvidos captam do que se passa em meu redor. Quando o toque das minhas mãos no meu casaco se diferencia do toque das minhas mãos nas minhas calças- E eu noto isso. Quando a sede chega e cada golo de água me permite sentir e desfrutar   

desse elemento. Possa eu poder contemplar. Os dias, os meses, os anos. Não na sua passagem. Mas na sua existência. Porque apenas sinto o que está a acontecer…agora. Que descoberta é esta?...Que acontece quando páro e me conecto com o que está dentro de mim e fora de mim. Sem nada querer fazer. Sem a lugar nenhum querer ir. Por vezes sinto (eureka!), como se tivesse a chave de um tesouro meu, que descobri. E depois vejo-me envolvida, noutros momentos, em falta de presença no momento presente. A querer chegar a algum lado. E aí a humildade torna-se o único caminho, para me trazer de volta a mim e à percepção de que, em certos momentos, também há turbilhões cá dentro. E sento-me com eles, escutando-os e permanecendo nessa consciência. Que nestes meses, a vida seja vivida, com total presença, é o meu desejo para todos vocês!

Sara


Março Abril

AGENDA

MARÇO / ABRIL

10 15 O Principezinho| Teatro da Trindade| 10 Março a 29 Abril| Sexta-18h;Sábado e Domingo-11h30;15h30

7 Pedrito Coelho Sarilhos na Horta| 11h | 3 aos 9 anos| Auditório da Igreja do Sagrado Coração de Jesus Linda-a-Velha

24 Oficina de Filhosofia: Porque é que gostas de mim?| 11h | 6 a 10 anos| Livraria Bertrand Chiado

21 Hospital da Bonecada| 21 a 29 Abril| 9h às 21h30| Centro Colombo

LISBOA UM BOM MÊS!

26 Páscoa na Quinta| 26 de Março a 6 de Abril| 10h às 18h| Quinta Pedagógica Armando Villar

22 Gardensketching| 14h30| Fundação Calouste Gulbenkian


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A importância dos Avós na Vida das Crianças Ser família é um todo em que os avós também estão presentes e que, portanto, devem estar envolvidos, ainda que haja a consciência do papel de cada parte.

O Outono acabava de chegar e no ar já havia o cheiro a terra molhada. As primeiras folhas dos plátanos haviam caído e pintado as ruas em tons de amarelo, dourados, castanhos e laranja. De mochila às costas lá ia eu pela rua habitual, entre passos largos e pulos de alegria, pois a minha avó tinha dado uma moeda, para provar as primeiras castanhas da época. Era assim na altura do outono, comprar um cartucho de castanhas para comer pelo caminho até chegar a casa da minha avó. Depois do dia de escola havia o lanche, cuidadosamente preparado pelas mãos da avó, com o que mais gostava. Depois dos trabalhos de casa feitos, que em nada se compara à sobrecarga dos tempos atuais, ía   

brincar. Ai! Como brincava….recordo-me de Ser criança, livre nas minhas brincadeiras dando asas à imaginação. A paciência, inerente a uma avó, era tanta que permitia fazer vestidos para as minhas bonecas, usar ervas aromáticas dos seus canteiros, carinhosamente cuidados, para inventar refeições mirabolantes. Nas pausas letivas, para além de passar o dia em casa dos meus avós pedia aos meus pais para também passar a noite, contra a vontade deles, mas lá de vez em quando cediam. Sobretudo se o meu avô estava presente, pois ao serão havia histórias certamente. Não por não gostar de estar em minha casa com os meus pais, mas por sentir aquela disponibilidade, paciência, permissão e


Que os pais tenham consciência da importância do tempo passado entre avós e netos e que a ligação que existe entre avós e netos é especial.


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até uma certa cumplicidade por parte dos avós nas traquinices. O acordar era delicioso! O cheiro a torradas, que atravessava a casa, feitas pela minha avó no lume de chão era o meu pequeno almoço favorito. De seguida íamos ao minimercado da Vila e lá me comprava algo para adoçar a boca. A tarde que antecedia a Ceia de Natal era passada na cozinha, onde preparávamos juntas as filhoses, arroz doce e bolos. São muitos os momentos que guardo carinhosamente passados com os meus avós, sobretudo com os meus avós maternos. Que todas as crianças tivessem a sorte que tive pelos momentos que vivi, pelas alegrias que vivi e todo o Amor que recebi, tanto dos meus pais como dos meus avós. Nos dias de hoje, devido à longa carreira profissional que os avós têm, não lhes é possível viver mais e em pleno o seu papel de avós. No entanto, cabe também aos pais perceber o papel fundamental que os avós têm na vida dos netos. Que embora, não tenham a disponibilidade de outrora, continuam a ter mais tempo, mais paciência e sabedoria que nós pais ainda não temos. Que os pais tenham a consciência da importância do tempo passado entre avós e netos. Que a ligação que existe entre avós e netos é especial. Os avós costumam desenvolver uma cumplicidade muito grande com os netos, sem carregar a função primordial de educar, acabam por incentivar os bons costumes através de exemplos que a maturidade lhes confere. Importa referir que foram feitos alguns   

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estudos sobre importância dos avós na vida dos netos. Saliento um estudo em Berlim pela Agência Berlin Aging Study, com um grupo de 500 avós que veio revelar que os avós que tomam conta dos netos com regularidade, vivem, efetivamente mais anos. Acredito que aos pais custe não ter os filhos por perto, mas lembrem-se o quão importante é para o casal, para os avós e seus netos. Ser família é um todo em que os avós também estão presentes e que, portanto, devem estar envolvidos, ainda que haja a consciência do papel de cada parte. Com os avós tudo é mais sereno, sem tantas pressas, sem rotinas. Mesmo com aqueles avós que ainda trabalham, conseguem criar momentos extraordinariamente belos. E é este equilíbrio entre estas três gerações, avós, pais e netos que contribuem para Seres também equilibrados, pelo que cada parte deve ter consciência do seu papel para que não haja sobreposições nem desvalorizações na responsabilidade de cada um. Pesquisas comprovam que o equilíbrio emocional da criança também depende de conhecer a sua história, nomeadamente saber de onde vem, o que futuramente, irá permitir compreender-se melhor. Creio que muitos pais evitam deixar os filhos com os avós, não só porque gostam de os ter por perto, como se acham que são muito melhores cuidadores. Mas não se esqueçam que os vossos pais, foram-no para vocês. As divergências irão sempre acontecer, no 


Recorde-se dos momentos felizes que vocĂŞ mesmo passou ao lado dos seus avĂłs(...)


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entanto podem ser evitadas. A solução não passa por privar os netos dos seus avós mas sim aceitar também a posição e papel dos avós. Deixo algumas dicas: - Dizer aos avós que não os autorizam dar doces, é quase como dizer a uma criança que Afinal o Pai Natal não existe. O fato de comer num dia doces, em que estão juntos, não vai morrer por isso. Tranquilos! - Fazer uma lista para deixar nos avós com o que deve ou não fazer é passar um atestado de incompetência. Certamente se fosse consigo não iria gostar. - Se envolver mais os avós na vida dos netos, eles conhecerão melhor as suas rotinas e personalidades. Logo ajuda ambas as partes facilitando em muito a vida das crianças, dos pais e avós. - É importante desde logo que o papel de cada qual seja bem definido. Os pais precisam aceitar a sabedoria dos avós, assim como eles devem respeitar a autoridade dos pais. - Quando houver desacordo ou mesmo desentendimento, respire fundo e falem sem a criança estar presente. O diálogo é  

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importante assim como o saber ouvir. Isso garante uma convivência pacífica e saudável entre todos. -Se a criança costuma ficar todos os dias na casa dos avós, aí os limites devem ser falados desde o inicio e tornar claras as regras, tanto para as crianças como para os avós. Naturalmente o convívio diário com os netos, pode dar azo a que os avós se sintam mais livres para aplicar os seus próprios métodos, e claro que cria aborrecimento aos pais. Mas uma vez mais, aconselho a uma boa conversa para conseguirem chegar a um consenso. Recordem-se que o importante aqui é a criança. Não há vencedores nem perdedores. - A autoridade dos pais é sempre maior, mas, se eles dependem de outras pessoas para cuidar dos filhos, têm que aceitar que a influência externa é inevitável. Recorde-se dos momentos felizes que você mesmo passou ao lado dos seus avós fazendo tudo aquilo que lhe era proibido pelos pais e que, no entanto, não lhe fizeram mal nenhum. Aproveite para deixar os seus filhos com os avós um fim de semana e vá relaxar. O tempo para si mesmo é importante bem como para o casal. Cátia Isabel Carvalho Lopes www.sermaisemelhor.com Terapeuta e Mestre de Reiki| Terapeuta de Bowen| Terapeuta dos Florais de Bach| Instrutora de Meditação e Relaxamento para Crianças


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Medos e Incertezas O LADO NÃO COR-DE-ROSA DA GRAVIDEZ Surgem as primeiras alterações do corpo que se desenvolve para se adaptar e receber o novo ser, ao mesmo tempo o cérebro também se tenta adaptar para acompanhar a aceitação, mas inicia-se uma luta feroz, por vezes.

O momento mágico e encantado que é preciso aproveitar porque pode não voltar a acontecer, afinal pode não ser assim tão cor-de-rosa. Pode ser antes um período bastante conturbado, de alterações, adaptações e surpresas menos agradáveis. No meu caso a experiência não está a ser muito colorida, talvez apresente umas tonalidades mais acinzentadas, variando em alguns momentos entre o branco e o negro.. Apesar de ter sido um processo pensado e planeado os últimos meses têm sido um pouco complicados.

As dúvidas são muitas, o medo do insucesso na tarefa que se aproxima, a educação de uma criança, a dependência nos próximos 18, 20, 30 anos. O medo da falta de liberdade das limitações que um filho nos pode vir a causar enquanto indivíduo e ser individual que provavelmente


Todas estas quest천es para mim s찾o de extrema import창ncia, mas sobre elas n찾o se fala muito ou nada.


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ou em parte deixamos de ser. Todas estas questões para mim são de extrema importância, mas sobre elas não se fala muito ou nada. Contudo acredito que sejam transversais à maioria dos futuros pais, mas a sua abordagem não é aconselhada porque isso faria deles, de nós, egoístas e más pessoas, criticáveis pela sociedade e pela família. É mais fácil criar expectativas e ir compensar o cérebro distraindo-o com o enxoval, o quarto, o carrinho, na tentativa de o entusiasmo esconder sentimentos menos próprios. Mas quando olhamos para o orçamento que é necessário para tudo isso, dá vontade de voltar ao tempo dos nossos avós. Talvez os nove meses seja demasiado tempo, dá para pensar e analisar tudo muito ao pormenor, às vezes isso não é positivo, seis meses seriam mais que suficientes. Ao mesmo tempo que o corpo muda aparecem os efeitos colaterais, enjoos, insónias, muito sono, cansaço generalizado sem se ter feito grande coisa, mau humor, quase bipolaridade, pernas inchadas, apetites vorazes por uma porcaria qualquer que nem tem grande beneficio, a água que é preciso beber, os suplementos, as consultas, as 

"Ao mesmo tempo que o corpo muda aparecem os efeitos colaterais (...)" análises, os cuidados extra nos primeiros 3 meses, as visitas muito muito frequentes à casa de banho, sejam elas de dia de noite, ou em viagem, os óleos, os cremes, as estrias, o controlo do peso, as manchas na pele, os legumes bem lavados, a carne bem passada, nada de

excessos nem mesmo com a fruta, devo ter-me esquecido de alguma coisa. Não há cérebro que aguente tanta informação sem que a ansiedade se faça sentir e a frustração. Depois surge a auto-estima, o amor próprio, é preciso manter o bom aspeto afinal é só uma 


"Temos de continuar lindas e maravilhosas mesmo com a roupa a deixar de servir(..)"


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gravidez e existe desde que o Homem existe. Temos de continuar lindas e maravilhosas mesmo com a roupa a deixar de servir, até a identidade se vai perdendo, um dia no centro de saúde até nome deixei de ter, era a grávida. No Natal deixei de existir, em grande parte dos casos, os presentes eram para o bebé. Situação que me fez lembrar quando nos aniversários ainda há quem ofereça pequenos electrodomésticos e utensílios de cozinha, que têm como finalidade servir a família, mas de repente a mulher é a personificação da casa. A minha questão é será que isto se vai alterar ou piorar? Porque é que ninguém me disse que iria ser assim, provavelmente não iria mudar a minha decisão, mas não era apanhada de surpresa.   Obrigada mãe. No fundo acho que todas as mulheres desejam que as outras passem pelo mesmo, para não se sentirem sozinhas, é a sua pequena vingança. Será isto a normalidade e o meu sistema imunitário que também deve estar em curto circuito faz-me ser dramática? Vou ter de esperar para comprovar se é como todas dizem: Agora é assim mas depois compensa tudo. E quando vem o depois? Sempre que abordo o tema com alguém é sempre a mesma conversa simpática, é a melhor experiência que me aconteceu, mudou a minha vida. Para melhor ou para pior?

Acredito acima de tudo que cada caso é um caso e cada casal tentará fazer o melhor que sabe. Vou ficar à espera, estou nas 27 semanas e logo se vê.

A minha questão é será que isto se vai alterar ou piorar? Porque é que ninguém me disse que iria ser assim, provavelmente não iria mudar a minha decisão, mas não era apanhada de surpresa.

Cila Nunes


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MOTIVAÇÃO MOTIVAÇÃO É O IMPULSO INTERNO QUE NOS LEVA À AÇÃO Desde sempre somos movidos por uma força interior que nos impulsiona a agirmos nas várias fases da nossa vida. Estarmos motivados é um caminho desafiante e para o conseguirmos temos de ter recursos para atingirmos o objetivo. Sem dúvida vamos encontrar obstáculos pelo caminho e vão existir altos e baixos que nos vão tentar desviar do caminho, mas tudo começa com pequenos passos até chegarmos à meta, basta para isso dar o primeiro passo. Acreditar que é possível.  

A motivação tem de ser trabalhada, é necessário encontrar estratégias para nos motivarmos ou motivar quem nos rodeia. Pessoas motivadas atingem o sucesso, seja ele escolar, profissional ou pessoal. A motivação é essencial para o desenvolvimento do ser humano. É muito importante ter motivação para estudar, para fazer exercício físico, para trabalhar. A motivação pode acontecer através de uma força interior, ou seja, cada pessoa tem a capacidade de se motivar ou desmotivar, também chamada de auto-motivação, ou


motivação intrínseca. Há também a motivação extrínseca, que é aquela gerada pelo ambiente que a pessoa vive, o que ocorre na vida dessa pessoa tem influência na sua motivação. Como conseguir motivação? Ser positivo Apesar dos obstáculos encontre o lado positivo de cada situação, veja a vida com sentido de humor, acredite que tudo é possível. Se não der certo da forma como idealizou, pode sempre tentar ser diferente e pensar diferente. Definir objetivos Saber onde quer chegar e o que quer atingir. Ter os objetivos definidos ajuda a manter-se motivado. Seja criativo Sonhe, imagine, veja para lá do que a sua mente pode alcançar. Supere-se você consegue! Tenha autoconfiança Acredite em si. Não duvide das suas capacidades. Querer é poder!

“Pessoas com metas triunfam porque sabem para onde vão” Earl Nightingale


“A vida começa no final da sua zona de conforto” Neale Donald Walsch Disciplina Seja organizado e não perca tempo com assuntos que não são importantes para atingir o seu objetivo.

Esqueça essa história de querer entender tudo. Em vez disso, viva divirta-se! Não analise, celebre” Osho

Zona de conforto Por vezes a rotina pode desmotivarnos. Fazermos coisas diferentes abre novos caminhos, temos novas ideias e aprendemos novos temas. Seja curioso, viaje, estude, percorra novos caminhos. Celebrar Mesmo as pequenas vitórias devem ser celebradas. Não espere por grandes acontecimentos para celebrar, a vida é feita de pequenos momentos.

Estas são algumas ideias para se motivar. Cada um de nós pode e deve encontrar outras para aumentar a lista da motivação. Somos responsáveis por tornar a nossa vida melhor e das pessoas que nos rodeiam. A vida não espera por nós por isso não percam a viagem! Façam diferente, sejam diferentes!

Telma Anselmo


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NO NA VIVI - VAMOS VIVER! expressão de celebração e esperança em crioulo guineense Guiné Bissau: uma terra que parece perdida no tempo, ainda. Uma terra de contrastes. De gargalhadas e choros. De danças e gritos. De sorrisos sinceros e olhares afligidos. Um paraíso na Terra, um poço de aflição! Um calor ofegante a cada dia do ano, onde o único momento em que o corpo sente um alívio de temperatura é ao fim do dia, no lusco-fusco. Mas aí são os mosquitos que atacam. O repelente parece não ser suficiente e à medida que o tempo passa, nós habituamo-nos a eles - aos mosquitos! - e eles a nós.  O calor é uma grande característica da Guiné-Bissau. São precisos 3 dias de habituação corporal, onde o tempo passa e nós não nos mexemos, não temos força. Nem física nem psicológica.  Precisamos de uma aguardente de cana para “apagar o fogo” – expressão guineense que se utiliza para aguentarmos aquilo que precisamos de enfrentar.  Aquilo que vemos, mata-nos por dentro. Mas é aqui que a nossa vida começa a ter um sentido! É neste momento, quando a mutualidade de sentimentos é estabelecida, entre nós e eles, que a minha vida começa a ter um sentido! 

Perceber que se cada um, com um mínimo gesto, consegue ajudar um outro, tudo seria mais simples e, no final, todos seriam mais felizes – que na realidade é esse o objetivo em comum, de todos! É a reciprocidade, daquilo que está ao alcance de cada um, que traria harmonia no mundo! Nós vamos lá e levamos/damos aquilo que está ao nosso alcance para ajudar Vidas que só precisam de uma oportunidade. Eles

                            


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...mas os sorrisos são tão alegres, as cores fortes dos tecidos que vestem as mulheres (...)

recebem-nos, com tudo o que têm, para nos sentirmos bem. Aqui trocam-se ideias, visões, conhecimentos. Eles ensinam-nos a precisar de pouco. Nós ensinamos a valorizar o pouco que têm. Aqui, na Guiné, as ruas são áridas, o verde é escasso, o lixo é característica integrante da paisagem, os cheiros são intensos, a água não é um bem adquirido… mas os sorrisos são tão alegres, as cores fortes dos tecidos que vestem as mulheres, a energia da música que está dentro de cada gene, as mangas apanhadas da árvore e os cajus em fruto para saciar a fome e a sede… com tudo isto tenho um misto de sensações dentro de mim! É lindo, mas é tão triste. A pobreza é triste quando comparada à riqueza desnecessária em um outro lado do mundo. O desequilíbrio que existe, isso sim, é triste. Em prol desse desequilíbrio, surgiu a Única, com a intenção de equilibrar a harmonia! Há 4 anos que existe a “ÚNICA Mixing Cultures – ONGD. Sediada em Sintra e em Bissau, com delegacia em Inglaterra, Bélgica, Peru e São Tomé e Príncipe, dedica-se ao diálogo entre diferentes culturas com o objetivo de contribuir para o Desenvolvimento através de ações ligadas à Música, Educação, Formação e promoção da harmonia e igualdade. Tem como principal objetivo promover o diálogo de culturas entre países modernos e países em vias de desenvolvimento. Uma troca bilateral estimuladora de pontes e relações entre

A pobreza é triste quando comparada à riqueza desnecessária em um outro lado do mundo.


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pessoas ou instituições de ambos os lados, permitindo um enriquecimento cultural e sensibilidade comunitária do lado dos países desenvolvidos e, simultaneamente, canalizando recursos e conhecimento para o lado dos países em vias de desenvolvimento. Na base da ÚNICA estáa relação entre Portugal e Guiné-Bissau que usamos como exemplo para outros projetos entre outros países, como é já o caso do voluntariado no Peru”. “NO NA VIVI" é um projeto que começou em 2014 com a implementação de um serviço de emergência que faculta gratuitamente paracetamol em situações de emergência de febres altas em crianças com menos de 5 anos de idade. Apesar de raro, o paludismo pode ser fatal em crianças desta faixa etária. Este serviço mantém-se em funcionamento e os pais de crianças que estejam inscritas num dos 12 Jardins de Infância que têm protocolo com a nossa ONG, podem contactar a ÚNICA para beneficiarem do serviço. Entre Dezembro de 2015 e Janeiro de 2016 a ÚNICA entregou caixas de primeiros socorros a estes Jardins de Infância e reuniu-se com 

Na base da ÚNICA está a relação entre Portugal e Guiné-Bissau que usamos como exemplo para outros projetos entre outros países, como é já o caso do voluntariado no Peru”.

os seus diretores para identificar potenciais linhas de ação para o desenvolvimento das suas instituições.Os materiais que a ÚNICA entrega nestes jardins de infância foram angariados em Portugal numa parceria com a ÉTER – Produção Cultural, promovendo uma campanha

de angariação em escolas do ensino secundário, outras instituições e público em geral. Em 2016 surgiu também o projeto Madrinha Única que visa garantir a integração escolar de crianças que não têm essa possibilidade. Já 77 crianças têm a anuidade escolar


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A Única comprometese a retribuir com notícias sobre essas crianças, o seu percurso e aproveitamento nos jardins-de-infância.

garantida com as doações de voluntários. A Única compromete-se a retribuir com notícias sobre essas crianças, o seu percurso e aproveitamento nos jardins-de-infância. A Única promove cursos e workshops aos educadores de infância, de Expressão Dramática, Jogos Teatrais, Meditação, noções básicas de Primeiros Socorros, técnicos de Som e Luz, implementa atividades, como o Cantinho da Brincadeira, o Cantinho da Leitura e o Cantinho da Meditação nos jardins-deinfância, contribuindo para a aprendizagem e desenvolvimento global das crianças e para o importante trabalho de todos os educadores.  Em prol da ONGD surge o projeto musical UNO – United Music for a United World, é esta a mensagem que promove a partir de uma 

mistura de géneros musicais. Voz e ritmos africanos unidos com sons eletrónicos europeus. Um encontro afro-electrónico clamando por união no mundo. Um dos temas, ONE, canta a mensagem “somos um” em onze línguas diferentes. Existe também a Única – Mixing Colors, uma marca de roupas e produtos que surgem da mistura de materiais Guineenses e ideias Portuguesas, promovendo a união entre os dois países. Na aquisição dos produtos, uma percentagem reverte a favor da ONGD, promovendo assim o aumento de sorrisos na GuinéBissau. A Única – Mixing Cultures participa na Transformação do Mundo. A ONU propõe 17 objetivos de desenvolvimento sustentável ate 2030, entre os quais, erradicar a 

A Única promove cursos e workshops aos educadores de infância,(...) e implementa atividades (...)


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pobreza, erradicar a fome, saúde de qualidade, igualdade de géneros, energias renováveis e acessíveis, entre outros… a Única participa diretamente no 4º objetivo: Educação de Qualidade!

Não, não é de um dia para o outro que se melhora ou se resolve o que está mal, sim com gestos e atitudes diárias, com mensagens que podemos passar e educação consciente. Talvez já não estejamos aqui para ver essas melhorias pelas quais lutamos, mas estão os outros, as crianças de hoje, que não deixam de ser uma parte de nós. À primeira vista, a Guiné-Bissau parece não ter esperança alguma, mas é no olhar de cada criança que ao receber um livro e ao transportar a sua cadeira de plástico diariamente para a escola, que, afinal, a esperança não morreu. O futuro está ali, na vontade admirável de cada educador e de cada criança em ensinar e aprender.

É aqui, quando as vontades ultrapassam os ditos obstáculos, que a nossa vida começa a fazer sentido. Está nas mãos de cada um, o potencial de um maior equilíbrio no mundo!

O futuro está ali, na vontade admirável de cada educador e de cada criança em ensinar e aprender. Inês Oliveira Martins


LUGARES PARA VISITAR EM FAMÍLIA

BORBOLETÁRIO - CASCAIS

NOMADIC

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Situado no Parque Urbano da Quinta de Rana, O Borboletário dedica-se à criação de borboletas, sendo possível observar todas as fases do seu ciclo de vida. Assim, todos os visitantes poderão observar os ovos, as lagartas, as crisálidas e as borboletas. O Borboletário tem no seu interior um jardim, permitindo a observação das borboletas a voar livremente o que faz as delícias de pequenos e graúdos. Para além deste jardim existe ainda um laboratório que se dedica à criação das fases anteriores. Este é assim um espaço que permite a observação mas também a aprendizagem de tudo o que diz respeito a estes seres. As visitas podem ser livres ou guiadas, tendo estas últimas o acompanhamento de um monitor e a duração de cerca de 50 minutos, sendo necessária marcação prévia. Existem ainda ateliês pedagógicos que decorrem ao longo do ano lectivo direccionados para 1º e 2º ciclo e jardins-deinfância. E porque não terminar a visita a desenhar estes seres? Valor visita livre: Gratuito Visitas guiadas: 3,50 €/pessoa Ateliês pedagógicos: 3,50 €/pessoa

lizes e f s o ment o m m Viva mília! a f m e

Imagem :Cascais.pt


porque LER É O MELHOR REMÉDIO


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Famílias Felizes sem Segredos MARIA JOSÉ DE SILVEIRA NÚNCIO Estratégias de Coaching Familiar

A Pitada Do Pai Os Opostos

RUI MARQUES

SUSAN HOOD E JAY FLECK

Muitas receitas e dicas do autor do blogue " A Pitada do pai"

Um livro que desperta para a importância de conhecer os opostos para conhecer os conceitos

As coisas maravilhosas que tu vais fazer

Vive a Tua Luz

EMILY WINFIELD MARTIN

INÊS NUNES PIMENTEL

Bestseller do New York Times, este livro é uma celebração do amor e relação dos pais para com os filhos

"O mundo precisa da luz única que só tu tens." Histórias, exercícios, mantras e afirmações.


SHOPPING IDEIASÂ

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MINI BY LUNA

LITTLE CLOUD

VIOLETA COR DE ROSA

LIFE IN A BAG

PIUPIUCHICK

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Hora de Dormir A CAMA NA ÁRVORE ERWIN MOSER

SPOONFUL | ISSUE 08


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Contos

A casa do ursinho Matias era uma árvore na margem de um lago. Morava lá há muito tempo, e dantes já pertencera a um texugo. Era uma casa muito aconchegada, que, além do mais, tinha três quartos confortáveis por debaixo da terra, entre as raízes da árvore. Assim, era fresquinha no Verão e quente no Inverno. Certo dia, Matias recebeu visitas da Austrália! Era Curtis, o coala com quem ele se correspondia há muitos anos. Curtis ficou alojado num dos quartos debaixo da terra e achou tudo muito interessante. Havia muitas coisas que eram completamente diferentes da Austrália. Todos os dias, Matias ia dar uma volta com ele para lhe mostrar as redondezas. Davam longos passeios pelo bosque e casa mas conversavam com todos os animais que lá viviam.

A floresta agradou particularmente a Curtis, que apreciava o cheiro penetrante das bétulas e dos abetos. Uma vez, subiram a um monte e fizeram uma breve visita à família dos ursos castanhos. Depois foram visitar, mais acima, as marmotas, com quem Curtis simpatizou especialmente. Quando se estava a aproximar o dia da partida, Matias quis fazer-lhe uma surpresa especial. No penúltimo dia de estadia de Curtis, Matias desmanchou a sua cama e montou-a entre os ramos da árvore. Curtis ajudou-o e não parava de perguntar a Matias o que estava a fazer, mas Matias guardou segredo e não disse nada. À noite, colocou na árvore dois recipientes com mel e pendurou uma lanterna na copa. Em seguida, convidou Curtis a subir e a deitar-se na cama ao lado dele. Cobriram-se e ficaram à espera. Passado pouco tempo, começaram a chegar as primeiras borboletas. A luz e o cheiro doce do mel tinham-nas atraído. Matias e Curtis observavam, quietos e em silêncio, as maravilhosas borboletas. Foi uma bela surpresa. O coala nunca tinha visto tantas borboletas e tão de perto!


A RELAÇÃO


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A vida acontece em relação. Relação com pessoas, relação com a vida, relação connosco e relação com elementos deste mundo. Sendo que estamos sempre em relação, conhecermo-nos também pode passar por conhecer a forma como nos relacionamos com todos esses “outros”. Quem somos e como somos quando estamos numa relação? Todas as pessoas que conhecemos e a forma como as percepcionamos são um reflexo de alguma parte de nós. Consciente ou inconsciente. Tal acontece pelo facto de que o funcionamento que temos leva-nos a procurar determinadas pessoas com determinadas características; mas também pela semelhança que o ser humano tem ao nível de sentimentos, pensamentos e comportamentos, com os quais nos identificamos em tantas situações da nossa vida interna e externa. Assim, o que nos mostram os nossos relacionamentos sobre nós próprios?

“O encontro de duas personalidades é como o contacto de duas substâncias químicas: se houver reacção, ambas se transformam” Carl Jung Os nossos relacionamentos mostram-nos os nossos lados mais sombrios, mas também os nossos lados mais luminosos. Na relação experienciamos dor, medo, apego. Mas experienciamos também alegria, gratidão, partilha, bondade e empatia. Quando há correspondência, ou um sentimento de ressonância, evoca-se em nós algo semelhante a uma experiência de “casa”, sendo essa uma dinâmica que vai surgindo como fruto do que está dentro de


“Não atraímos o que queremos, mas o somos" James Lane Allen


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nós e fora de nós, mas também entre o passado e o presente, entre o que fomos, o que somos e o que desejamos ser. Todas as relações, mesmo as mais difíceis, constituem “dádivas” para nos ajudarem a encontrar bloqueios e novos caminhos, que poderíamos não descobrir sozinhos. Por isso, muitas vezes, as relações problemáticas, de qualquer tipo existem para nos permitir o processamento das nossas feridas. As relações aceleram de facto o processo de transformação. Assim, gostaria de partilhar convosco um texto que muito aprecio, de Bert Hellinger. O nome do mesmo é " A Festa". "Uma pessoa põe-se a caminho. Olhando à sua frente, vê, ao longe, a casa que lhe pertence. Caminha até lá e, ao chegar, abre a porta e entra num espaço preparado para uma festa. A essa festa comparecem todos aqueles que foram importantes na sua vida. Cada um que vem traz algo, permanece algum tempo e parte. Assim, eles vêm para a festa e cada um traz um presente, cujo preço integral já pagou, de uma forma ou de outra: a mãe, o pai, os irmãos, o avô, uma avó, um outro avô, a outra avó, os tios e as tias; todos os que um dia cederam lugar para si, todos os que cuidaram de si, incluído os vizinhos, talvez os professores, os amigos e outros. Todos os que foram importantes na sua vida e os que ainda são importantes. E cada um que vem, traz algo, permanece algum tempo e parte. Assim como os pensamentos vêm, trazem algo, permanecem algum tempo e partem.

Assim como os desejos ou sofrimentos vêm, trazem algo, permanecem algum tempo e partem. Assim como a vida vem, traz-nos algo, permanece algum tempo e parte. Terminada a festa, aquela pessoa fica em casa, cheia de presentes, e com ela só permanecem aqueles a quem convém ficar ainda algum tempo. Ela vai à janela, olha para fora e vê outras casas. Sabe que um dia haverá nelas também uma festa: ela comparecerá, levará algo, ficará algum tempo e partirá. Nós também estamos aqui numa festa: trouxemos algo, tomamos algo, ficamos ainda algum tempo e partimos." No final de tudo isto, deixo-vos uma pergunta para reflexão, afinal, o que é a relação? Sara Morgado


QUARTOS DE CRIANÇA


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EXERCÍCIOS SIMPLES, MOMENTOS ESPECIAIS! POR ZEN KIDS Há momentos em que o nosso coração

Por tudo isso fazer parte de nós, é

está feliz.

também importante para nós.

O que faz o vosso coração sentir-se

Às vezes há coisas que pensamos e

feliz?

vivemos que nos deixam tristes ou

Agora que pensaram numa coisa que

que não gostamos de viver. Mas se

faz o vosso coração sentir-se feliz,

nesse momento colocarmos as mãos

vamos colocar as mãos no nosso

no nosso coração e nos lembrarmos

coração e guardar aquilo que

de algo que nos deixa muito feliz,

pensámos, nele.

percebemos que há coisas que nos

Vamos lá!

deixam tristes, mas também há coisas

No nosso coração estão todas as

que nos deixam felizes, e podemos

coisas que vivemos e que sentimos.

voltar a elas sempre que quisermos.


PRÓXIMA EDIÇÃO MAIO / JUNHO

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Família| Educação| Bem-estar

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