Issuu on Google+

#08/MAGAZINE


Pr贸ximo tema/Next issue:

TEMA LIVRE/ FREE SUBJECT Deadline: 20/04/09


A WOOF!MAGAZINE é uma publicação bimestral da WOOF!DESIGN São Paulo - SP - Brasil www.woofmagazine.net Todos os artigos aqui escritos são de responsabilidade de seus autores, sendo assim não refletem totalmente à opinião da revista. É expressamente proibido a reprodução parcial ou total de textos e imagens por qualquer meio, sem prévia autorização do editor da revista. Para colaborar envie e-mail para: submit@woofmagazine.net WOOF!MAGAZINE® é marca registrada.


EDITORIAL editor-chefe/publisher Eduardo Burger - e.burger@gmail.com co-editor/publisher Sandro Bueno - spbueno@gmail.com revisor/revisor Geraldo Escudero - gmescudero@gmail.com

COLABORAÇÃO Claudio Parentela / Rafael Carrieri / Pierre C. Cortes / Ricardo Comanche / Serezha Komarov / Drika Araújo / Rafael Sapareli / Sandro Bueno / Caroline Schamall / M árcio Brodt / Naomi Meno / Arturo Pizá M / Juan Casal / Caroline Deroyer / Nihal 82 / Eduardo Burger / Carlos Asencio / Gotazkaen Estúdio / Richard Hill / Tobias Fonseca / Fernando Herenu / Emílio Dossi / Wiliam Feitosa / André Moraes

AGRADECIMENTOS André Moraes Caroline Schamall Ricardo Comanche Eduardo Burger Rafael Saparelli Sandro Bueno Márcio Brodt Drika Araújo Gilvan Bernado


Claudio Parentela Born in Catanzaro(1962-Italy) where he lives and works. Claudio Parentela is an illustrator, painter, photographer, mail artist, cartoonist, collagist and journalist free lance. Active since many years in the international underground scene. He has collaborated&he collaborates with many, many zines, magazines of contemporary art, literary and of comics in Italy and in the world...& on the paper and on the web.


For contacts: CLAUDIO PARENTELA VIA F.CRISPI N.79 88100 CATANZARO-ITALY Tel.Num&FAX.:+39 0961744087 Mob.:+39 3293778628 E-Mail: claudio.parentela@alice.it claudioparentela@gmail.com My Web Sites: http://www.claudioparentela.net http://claudioparentela.altervista.org http://parentelacla.altervista.org/ http://www.myspace.com/claudioparentela My Art Bogs: http://theextrafinger.blogspot.com http://foggygrizzly.blogspot.com http://ladylambandpopsy.blogsome.com/ http://cparentela.livejournal.com/ http://elvisinh.blogspot.com/ http://thethermostatandthegreendragoon.blogspot.com/ http://diabeticdew555.blogspot.com http://cosmiccrystalsdirtypigs.blogspot.com/ http://coward33sneeze15.blogspot.com/ http://variationsinnortherndegradations.blogspot.com/


a loira do BanHeiro por - Rafael Carrieri ilustração - Eduardo Burger


17

Um dia, na terceira aula, logo depois do intervalo eu decidi: agora vou encarar a loira do banheiro. Era uma aula de Geografia com a professora Arlete, uma senhora gente fina que sempre liberava pra ir ao banheiro, tomar água, assoar o nariz ou qualquer outra desculpa que nos tirasse daquele marasmo. Levantei a mão e esperei ela me notar. Uns 15 segundos depois ela perguntou: -- O que foi menino? -- Posso ir ao banheiro? -- Respondi com cara de quem tá passando mal. A resposta dela foi positiva, então levantei e saí. No corredor fui pensando como agiria: “Bom, não posso usar o banheiro desse andar, senão todos vão me ouvir. Vou descer para o pátio, que está vazio”. Aquela escadaria nunca foi tão longa. Três andares de tensão, medo, coragem, frio na barriga, dor de barriga, mas eu estava decidido que esse era o dia, dia de me tornar o primeiro moleque da 3ª série a enfrentar a loira do banheiro. No último lance da escada, um bedel; tento passar correndo, mas ele me segura pelo braço. -- Onde o senhor vai todo apressadinho assim? -- No banheiro, seu Dorval! -- Pra que a pressa? Vai devagar pra não cair na escada. Respondi que sim com a cabeça e continuei minha cruzada para o banheiro do pátio. O pátio estava vazio, um clima sombrio com pombas comendo restos de comida, um apito distante vindo da quadra e mais nada. Entrei no banheiro, parei em frente ao espelho, relembrei a fórmula: “três descargas, três chutes fortes na privada e três palavrões cabeludos.” Virei para a porta de um dos banheiros, tenso, meio tremendo abri e entrei. Hesitei, cogitei sair dali e espalhar um boato de que tinha feito e pronto. Mas não eu precisava tentar. Três descargas, três chutes dos mais fortes, três palavrões e nada. Mais uma vez, Três descargas, três chutes, três palavrões e nada. Virei as costas, estava saindo, puto da vida, quando de repente, ouço uma voz. Parei estático, sem respirar e a voz disse: -- Ow, muleque, pára de brincadeira e pega o papel higiênico pra mim.


por - Pierre C Cortes ilustração - Eduardo Burger

O edifício Santo Antônio era antigo, feio e já estava bastante deteriorado. Ainda assim, os apartamentos tinham uma boa área útil, o condomínio era barato e a localização era excelente. E o melhor: José tinha condições financeiras para pagar o aluguel. Um verdadeiro achado em pleno centro da cidade de São Paulo. José era um sujeito agitado, falante, tinha hábitos noturnos e gostava muito de estar numa roda de amigos para beber cerveja e jogar conversa fora. Acordava cedo todos os dias e voltava tarde. Não conhecia ninguém no prédio, exceto o Sr. Andrade, o zelador do edifício há mais de 25 anos. O apartamento de José era o 83 e ficava localizado no penúltimo andar. Havia um corredor imenso e muito pouco iluminado que dava para o elevador. O silêncio no local era profundo. Pelo pouco que ele sabia, a grande maioria dos moradores era constituída por pessoas de avançada idade e que mal saíam dos apartamentos. Isso tudo, na verdade, não fazia a menor diferença. José estava bastante satisfeito com a nova moradia. A decoração do apartamento era muito simples: um sofá pequeno, alguns almofadões coloridos e confortáveis espalhados pelo chão, um televisor, aparelho de som, de DVD, cama de casal, quadros com temáticas surrealistas, muitos livros e centenas de títulos em CDs e DVDs acomodados em uma estante grande. No lugar de fogão e geladeira, ele optou por um miniforno e um frigobar, que era especificamente usado para comportar latinhas de cerveja. Havia duas araras longas em vez do tradicional guarda-roupa. Numa sexta-feira qualquer José decide reunir um grupo de amigos para apresentar a nova residência a fim de jogar conversa fora, beber, ouvir música de boa qualidade. Era importante confraternizar. E assim o fez Contaram piadas, riram, beberam, falaram alto. Mais do que isso, fizeram muito barulho.


Por volta das 5 horas o pessoal foi se retirando. Tinha sido uma bela e divertida noitada. Certamente o edifício Santo Antônio não seria mais o mesmo. Uma agitação como aquela não deveria acontecer há muito tempo por lá. José estava exausto. Sonolento e um pouco bêbado. Estirou-se no chão da sala mesmo, e segundos depois, estava mergulhado em sono profundo. Por volta das 7 horas, o sono de José foi bruscamente interrompido. O interfone velho e sujo dispara violentamente. Ele acorda sem nada entender. Levanta-se com dificuldades e caminha vagarosamente pela sala com um único objetivo em mente: atender o maldito interfone e conseqüentemente se livrar do barulho, que lhe parecia infernal. Ao atender, ouviu uma voz velha, fina e estridente, que falava em tom ameaçador: Meu nome é Carmem. Sou uma senhora de idade, moradora do apartamento 73. O barulho desta noite perturbou meu sono e não consegui dormir a noite inteira. Uma falta de respeito. Antes que José abruptamente.

falasse

alguma

coisa,

o

interfone

foi

desligado

Ele então percebeu que havia cometido um erro. Deveria ter controlado melhor o barulho, uma vez que o silêncio no prédio era imenso. Partiu em direção ao quarto, porém antes de entrar, o interfone disparou mais uma vez. Mais desperto, ele correu para atender. E que isso não aconteça mais. -- disse novamente a Sra. Carmem, em tom ainda mais ríspido do que da primeira vez. Novamente o interfone foi desligado de maneira súbita, sem que José pudesse elaborar qualquer pedido de desculpas. Caminhando mais uma vez em direção ao quarto, ele decidiu ir pessoalmente ao apartamento 73 para se desculpar. Não faria isso naquele exato momento, pois além de muito cedo, necessitava dormir um pouco e se refazer da noitada. Deitou-se, mas teve dificuldades em pegar no sono, ouvia barulhos a


todo instante, que pareciam vir justamente do apartamento da velha ranzinza. Certamente, todo aquele ruído produzido por ela, era uma espécie de vingança contra o barulho que José fizera na noite anterior. O relógio marcava 15h10 quando José finalmente despertou. Ele estava com uma tremenda dor de cabeça. Tomou rapidamente um banho quente, se vestiu e comeu um sanduíche. Na seqüência dirigiu-se ao andar de baixo, com o objetivo de falar com a velha. Sabia que seria muito mal recepcionado, mas de qualquer forma sentia que não deveria mesmo ter feito tanto barulho. Estava arrependido. A porta do apartamento 73 era bem velha e tinha um aspecto desagradável. O cheiro daquele andar era também estranho e exalava a mofo. José parou e tocou a campanhia. Aguardou alguns segundos sem resposta. Tocou mais uma vez. Nada. Por fim, fez a terceira e última tentativa. Parecia não haver viva alma no apartamento. Provavelmente a velha tinha ido dormir um pouco, deduziu e decidiu procurar o Sr. Andrade com o objetivo de relatar o ocorrido. E foi exatamente isso que fez. Sr. Andrade, o senhor conhece a moradora do apartamento 73? -- indagou José. 73? -- retrucou o Sr. Andrade, demonstrando estranhamento. Isso. O nome dela é Carmem. Acontece que ela está um pouco nervosa por causa do barulho que... O Sr. Andrade interrompe José. Deve ter alguma coisa errada. A Sra. Carmem do 73 faleceu há mais de 10 anos. A família decidiu não mexer mais no apartamento. Não há ninguém lá. José sem nada compreender ouviu a história. Pensativo e perplexo, voltou para seu apartamento. Arrancou o interfone da parede. Morou no Edifício Santo Antônio por mais quatro anos e nunca mais fez barulho à noite. Nunca mais.


Le petit prince

FOTOS: Ricardo Comanche CONCEPÇÃO E DIREÇÃO: Eduardo Burger MAKEUP: Drika Araújo PRODUÇÃO: Rafael Sapareli e Sandro Bueno MODELOS: Rafael Sapareli, Caroline Schamall e Márcio Brodt RETOQUE: Eduardo Burger AGRADECIMENTOS: Gilvan Bernado


41

MAKING OF FOTOS: SANDRO BUENO


#42


43

SEREZHA KOMAROV

Moscow, Москва, Russian Federation - http://prelost.livejournal.com/profile


#56


57

NAOMi MENO

LONDRES - http://www.naomimeno.com


#72


Arturo PizA M VERACRUZ, D.F., MEXICO - http://www.apiza.com


#78


79

JUAN CASAL BUENOS AIRES, ARGENTINA - http://www.1par.tv


#84

CAROLINE DEROYER Belgium - http://www.carolined.be/blog


85


#92

Nihal82 Itรกlia - http://nihal82.deviantar t.com/


93


#100

EDUARDO BURGER S達o paulo, brasil - http://www.flickr.com/eduardoburger


101


103


#104

Carlos Asen Palme de Mallorca, Spain - www.flickr.com/photos/chensio


ncio

105


107


#108

CACO MARTIN

C anary Islands, SPAIN - www.myspace.com/cacomar tin


109


#110

Gotazkaen estudio Fotos: Diana Figuer oa - Belém, Par á, Brasil. www.gotazkaen.com Ilustrações: Daniel Zuil - Belém, Par á, Brasil. www.gotazkaen.com


111


113


#118

Richard Hill MEXICO - http://rizhrd.deviantar t.com


131


#132

TOBIAS FONSECA Porto alegre, brasil - http://www.tobiasfonseca.com/


133


#134

fernando herenu argentina - http://www.flickr.com/photos/pulpocorporate


#138

Emilio DOSSI

Rio de janeir o, brasil - http://www.estudionove.com/emiliodossi/trabalhos.html


#142

William feitosa S達o paulo, bras il - wwwfn@hotmail.com


LENDA URBANA POR ANDRÉ MOR AES ILUSTR AÇÃO EDUARDO BUR GER


147 Segundo alguns dicionários e do próprio Wikipédia, “lendas urbanas”, são pequenas histórias de caráter fabuloso ou sensacionalista amplamente divulgadas e forma oral, por e-mails ou da imprensa e que constituem um tipo de folclore moderno. São frequentemente narradas como fossem fatos acontecidos a um “amigo de um amigo” ou de conhecimento público. Mas para mim, na verdade, uma lenda urbana nada mais é do que uma forma de chocar as pessoas com alguma história assombrosa ou catastrófica. Todos nós adoramos um sensacionalismo ou alguma coisa bizarra. Eu por exemplo adoro ver acidentes incríveis na TV em que pessoas saem vivas. Acho sensacional. Muitas dessas lendas já são bastante antigas, tendo sofrido algumas pequenas alterações ao longo dos anos. Muitas foram mesmo traduzidas e incorporadas a outras culturas. É o caso de, por exemplo, a história da loira do banheiro, lenda urbana brasileira que fala sobre o fantasma de uma garota jovem de pele muito branca, algodão no nariz e cabelos loiros que costuma ser vista em banheiros, onde teria se suicidado ou, em outras versões, sido assassinada. Será mais um caso para o Scooby Doo? As mais recentes lendas urbanas são com homens seduzidos e drogados em casas noturnas que, ao acordarem no dia seguinte, descobrem que tiveram um de seus rins cirurgicamente extraído por uma quadrilha especializada na venda de órgãos humanos para transplante. O filme Turistas fala desse assunto. Aliás, o Brasil ficou com uma imagem ótima depois dessa belíssima dissertação


cinematográfica sobre os hábitos stephen kingianos do nosso tão futebolístico e carnavalesco povo. As lendas urbanas, na verdade, são um prato cheio para o cinema e a literatura. Muitos filmes são baseados nelas. Alguns até se tornam verdadeiras Lendas Urbanas! Aliás, Se tivermos que coroar um rei das “lendas urbanas”, eu teria o meu indicado: Wes Craven! O cara criou nada mais nada menos do que toda a série de filmes A hora do pesadelo. Quem nunca se cagou de medo de Freddy Krugger quando criança? Eu acreditava muito naquilo tudo! Pra mim era real! Ou seja, no meu caso, trata-sede uma espécie de lenda urbana! Mas calma! Os “atributos” do meu indicado não param por ai! Wes Craven tem uma lista vasta de pérolas! Pânico, Vampiro no Brooklin, Shocker, Freddy vs. Jason e Premonição. Ele dirigiu até um episódio em Paris, eu te amo. É aquele do vampiro interpretado pelo Elijah Wood. Se a gente parar pra pensar não vão mais acabar as lendas urbanas que conhecemos... Mas em todo caso, aqui vai uma série de lendas urbanas incríveis: • Existe uma ilha misteriosa que ninguém sabe onde fica, e lá se encontram vivos Elvis Presley e Lady Diana. • Dizem que essa mesma ilha foi criada por Hitler, e ele viveu seus últimos dias lá. • Paul McCartney morreu em 1966 e foi substituído por um sósia, até hoje as pessoas acreditam ser o verdadeiro Beatle. • Os sanduíches do McDonalds são feitos de carne de minhoca. • O esgoto de Nova York é habitado pelo Godzilla. • Os três integrantes da banda Rush teriam Aids. • Andy Kaufman não morreu. Ele até hoje vive como Tony Clifton. • Elvis Presley foi abduzido por alienígenas.


• Jim Morrison não morreu e vive na mesma ilha que Presley e Diana. • A masturbação faz crescer pêlos e cria calos nas mãos. • Arrancar um cabelo branco faz nascer vários no lugar. • Matar formigas provoca diarréia. • Manga com leite também causa diarréia. • Meg White é um robô. • As canetas Bic Cristal seriam de origem extraterrestre e voltam sempre para o seu planeta de origem. Por isso que sempre anda sumindo canetas e a gente não acha nunca. • Tem um tridente do satanás dentro do boneco Fofão. • O homem nunca foi à Lua. • Todo o elenco dos famosos seriados mexicanos Chaves e Chapolin teria morrido em um acidente aéreo. • Roberto Carlos não tem perna mecânica. • Na sociedade secreta Bohemian Grove, da qual fazem parte os presidentes americanos Richard Nixon, George W. Bush e Ronald Regan, localizada na Califórnia, ocorre anualmente um sacrifício de uma criança menor de 3 anos de idade aos pés de uma coruja imensa, às margens de um grande lago.


Pr贸ximo tema/Next issue:

TEMA LIVRE/ FREE SUBJECT Deadline: 20/04/09



WOOF!MAGAZINE 08