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Por Globe 2013

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Cogumelo contra o tráfico de pessoas

TE X To: CARMILL A FLOYD FOTOs: KIM NAYLOR

Fanta e as outras meninas do lar de Sompop cultivam e vendem um cogumelo popular. O dinheiro vai para a luta contra o tráfico de seres humanos!

Na noite anterior à partida, Fanta pode dormir com sua mãe pela primeira vez desde que era pequena. A mãe a abraça forte, sussurrando na escuridão. – Seja uma boa menina e dedique-se à escola. Não ande em companhias erradas. E tente não sentir muita saudade de mim. Crianças ricas certamente são competentes em muitas coisas, mas não sabem nada sobre como cultivar milho e arroz. Você é forte e pode fazer tudo! Na manhã seguinte, a mãe de Fanta a acorda ainda mais cedo que de costume, para que possam passar o máximo de tempo possível juntas, antes da partida. Duas meninas de outras aldeias já estão no carro de Ptu. Enquanto se afastam sacolejando pela estrada de terra esburacada, Fanta acena despedindo-se da família e amigos. Ao chegar ao lar seguro para meninas de Sompop, Fanta desfaz as malas, escolhe uma cama e aprende os nomes de suas novas amigas. À noite, ela adormece rapidamente. Saudade da mãe

Depois de alguns meses, Fanta sente-se em casa em Chiang Kong. Todas as meninas frequentam uma escola próxima ao lar e, durante os fins de semana e noites, adquirem conheci­ 82

mento extra sobre problemas comuns nas aldeias de montanha. Elas discutem drogas e álcool e doenças como HIV/AIDS. Aprendem sobre os direitos da criança e coisas práticas como, por exemplo, cozinhar e costurar. Fanta gosta, mas sente falta de sua família. – Fico preocupada com minha mãe. Ela precisa da minha ajuda nos campos de arroz. Mas preciso ir à escola, e ela me apoia, diz Fanta. Fanta encontrou seu pai mais uma vez após a primeira visita. Desta vez, ele não estava atrás de um vidro, e sim no pátio da prisão. Eles puderam se abraçar e conversar. – Amo meu pai e sinto falta dele, mas gostaria que ele nunca tivesse nos deixado. Eu acho errado o fato de os homens terem mais poder do que as mulheres na minha aldeia, diz Fanta. Meninos e meninas devem ser tratados igualmente. Se no futuro eu me casar, não vou concordar que meu marido tenha mais esposas. O pai de Fanta ainda ficará muitos anos na prisão. – Eu acho que a punição é muito dura, diz Fanta. As famílias que ficam aqui fora não conseguem se sustentar. Admiro minha mãe, que cuida tão bem de todos nós. Sem ela, não teríamos sobrevivido. 

Nos lares seguros de Sompop, todas as meninas ajudar a cozinhar, limpar a casa e lavar a roupa. – Até mesmo as tarefas tediosas tornam-se divertidas quando as fazemos em conjunto, afirma Fanta.

As meninas se ajudam mutuamente com dever de casa após o jantar.

Crianças que precisam de proteção Crianças como Fanta, pertencentes aos povos nativos no norte da Tailândia, Birmânia, Laos, Vietnã, Camboja e da província de Yunnan, na China, geralmente são pobres e não têm direitos. Existe um grande risco de que possam ser exploradas por traficantes de pessoas e forçadas a trabalhar na indústria do sexo, por exemplo. Algumas crianças precisam de proteção extra, como Fanta, que tem um dos pais na prisão. No lar, também moram meninas que têm: • pais e/ou irmãos que trabalham na indústria do sexo • abuso de drogas e/ou álcool na família • pais que estão gravemente doentes, por exemplo, com HIV/AIDS • vítimas de abuso sexual • fugiram de sua terra natal por causa da opressão e/ou pobreza e não têm permissão de residência.


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