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A Arte de Memorizar Vocabulário Inglês e de Outros Idiomas Luis Lopes

Copyright © 2015 Luis Lopes. Todos os direitos reservados.


Índice Prefácio 1. Introdução 2. Viagem Encantadora Estendendo a Lista 3. Os Segredos da Memória Infalível Associando Dois Objetos Criando Arquivos Excelentes As Regras de Ouro 4. O Mundo das Ideias Abstratas Substantivos Abstratos Verbos Adjetivos Advérbios e Outras


Palavras 5. Recordando Sons Desconhecidos Encontrando Sons Semelhantes A Arte de Soletrar com o Método das Letras Vivas O Método dos Pedaços Lidando Com Acentos 6. O Fantástico Dicionário Mental Multilíngue Arquivo Mnemônico de Idiomas Os Gêneros Inconfundíveis Juntando Tudo e Aplicando o Sistema Um Bocadinho de Gramática Vantagens do Sistema


7. Mais Dicas e Técnicas de Aprendizagem Onde Começar Hábitos Para Uma Aprendizagem Eficiente Utilizando Flashcards Utilizando o Seizum – Master your flashcards Palavras Finais


Prefácio Obrigado e parabéns por ter escolhido este livro. Ele vai dar-lhe importantes conhecimentos sobre a arte da memória, ou mnemotécnica, que tem sido utilizada desde tempos antigos, para ultrapassar as aparentes limitações da memória natural. Iremos mais especificamente descrever técnicas para aplicar estes, e outros métodos desenvolvidos pelo autor, na aprendizagem de vocabulário estrangeiro, usando principalmente o idioma Inglês para demonstrações práticas. Se tem dificuldade em memorizar palavras estrangeiras, ou acha que os métodos tradicionais são demasiado cansativos, verá que seguindo as instruções aqui contidas, não só


conseguirá aumentar extraordinariamente a sua capacidade de retenção, como também vai tornar o processo de aprendizagem mais fácil e agradável. Talvez já tenha ouvido falar de mnemotécnica e tentou aplicá-la, mas ficou desiludido ou achou que era de aplicação limitada. Foi este o meu caso, e depois de ter finalmente conseguido ultrapassar todas as barreiras, e desenvolvido um sistema prático e eficaz para aprender Alemão, resolvi escrever este livro para partilhar estes segredos consigo, para que possa aprender todos os idiomas que quiser. Este é um livro moderno de mnemotécnica. Além de técnicas tradicionais, novos métodos e sistemas foram desenvolvidos tendo as vistas as necessidades atuais do estudante de idiomas estrangeiros, e do Inglês em particular. Além disso, este livro


ensina-lhe como tirar vantagem de tecnologias em uso, combinando-as com a mnemotécnica, para que consiga resultados superiores. O objetivo deste livro é de ir além de exemplos fáceis, e de abordar os aspectos práticos, frequentemente ignorados em tratados de mnemotécnica, que lhe permitirão fazer uso de segredos da antiguidade no mundo moderno, para adquirir uma memória verdadeiramente extraordinária, que lhe permitirá absorver vocabulário Inglês, e inclusive outros idiomas que desejar aprender. Claro que para se tornar fluente num idioma precisa muito mais do que vocabulário. É necessário aprender como utilizar a palavra certa num determinado contexto, aprender a pronunciar e escutar corretamente cada


palavra, e é essencial ter um conhecimento das regras gramaticais. No entanto, de nenhuma utilidade serão estes passos adicionais, se não se conseguir lembrar das palavras estrangeiras! Afinal de contas, palavras são a base de qualquer idioma. Neste livro, vou descrever um sistema que lhe vai permitir adquirir um vocabulário base de dez mil palavras, e como continuar utilizando o sistema para ir expandindo o seu vocabulário ainda mais além, na medida que vai fazendo uso do idioma no decorrer das suas atividades. Não se esqueça que este é um manual prático. Se o ler apenas como se tratasse de uma novela, vai aumentar os seus conhecimentos, mas não vai tirar deles benefícios palpáveis. Por isso, peço-lhe que ponha em uso as técnicas e o sistema aqui expostos. Se o fizer, vai entrar num grupo de elite.


Será possuidor de uma memória extraordinária para línguas.


1. Introdução Ontem fui encontrar-me com uma amiga numa estação de metro em Berlim. Caminhamos juntos até um bar com estilo antigo, com alguma areia de praia espalhada pelo chão. Em várias paredes haviam pequenos cartazes antigos, que para minha surpresa estavam todos em Português. Alguns deles pareciam ser publicidade de filmes que iriam na altura estrear em cinemas Brasileiros... Lembro-me ainda das duas bebidas que tomei, do que a minha amiga vestia, do que fizemos, e de modo geral, sobre o que conversamos. Para isso não tive que fazer esforço nenhum para memorizar estes detalhes, tudo aconteceu de forma automática. Grande coisa, dirão vocês, isto


acontece com toda a gente! Não tentarei explicar aqui porquê, deixando essa tarefa à psicólogos e especialistas nesta matéria. Também é de conhecimento geral que toda a informação registada durante o curso da nossa existência fica gravada no nosso subconsciente, pelo que quando se fala de “boa memória” refere-se à facilidade de trazer esta informação ao nosso consciente. É nesses termos gerais que basearemos a nossa discussão, para não perdermos tempo com tecnicalidades. Quero apenas distinguir os dois modos de gravação de dados na nossa memória. Existe aquele que acontece naturalmente e de forma automática, como todos sabemos, e outro que é feito de maneira consciente, através de exercícios variados, como repetições. Também isso, todos nós temos conhecimento, pois que já na escola


primária fomos obrigados a memorizar o alfabeto e a tabela de multiplicações. É neste processo voluntário de guardar informação no cérebro, que nos iremos concentrar neste livro. No entanto, em vez métodos fastidiosos, usaremos a mnemotécnica. A invenção da mnemotécnica é atribuída à Simonides, um poeta Grego, que prosperou por volta de 500 A.C. A essência do seu método consistia em criar um edifício mental com vários compartimentos organizados de forma conhecida. A informação que se desejava recordar era colocada através de imagens mentais, em compartimentos deste edifício, conhecido como palácio de memória ou palácio mental. Foram inventados vários outros métodos mais tarde, muitos deles tendo como base o sistema de Simonides.


Mas não é intenção minha descrever aqui a interessante história da mnemotécnica. Pretendo apenas realçar o seguinte: Usando as técnicas da mnemotécnica é possível conseguir uma memória verdadeiramente extraordinária, que pode até parecer à muitos, sobrenatural. No entanto, esta memória não é automática. Toda a informação que deseja recordar, tem de ser de certa forma “arquivada” seguindo um processo mental, que pode consistir simplesmente em recordar uma palavra ou frase chave, ou em associações mentais mais complexas. Tendo isto em mente ajuda a evitar desapontamentos. Quando aprendi a técnica de memorizar uma lista de palavras que me eram lidas em voz alta uma só vez, consegui impressionar várias pessoas que pensavam que eu era possuidor de uma memória


fantástica. No entanto, isto estava muito longe da verdade. Eu irei descrever este método neste livro, mas como poderá ver, isto não é um processo automático, e o método não se adapta de maneira evidente à qualquer tipo de informação. Não tendo conhecimento de métodos mais avançados, não sabia como recordar fórmulas e outras matérias, que tive de continuar a memorizar, com bastante desagrado, usando os métodos tradicionais de repetições. A dificuldade que existe em aplicar uma determinada técnica mnemotécnica à vários assuntos ou matérias, é em minha opinião, a principal razão que leva a mnemotécnica a não ser tão popular e amplamente divulgada como se seria de esperar. Mais tarde fui a busca de mais conhecimentos de mnemotécnica, desta vez com maior interesse na


aprendizagem de línguas, que sempre foi uma paixão minha. Não estando satisfeito por completo com as limitações, ou dificuldades em aplicar estes conhecimentos na prática, ampliei estas técnicas e princípios, com ideias que fui experimentando. Neste livro irei partilhar consigo conhecimentos, ideias, e técnicas que adquiri e desenvolvi, para que possa fazer uso deles na aprendizagem do idioma Inglês. Naturalmente que os métodos expostos vão estender-se à outras línguas estrangeiras. Escrevi este livro tendo em conta dois grupos de pessoas. Um deles já tem conhecimentos básicos de mnemotécnica, e deseja aprender técnicas especificas para memorizar vocabulário Inglês, ou de outras línguas estrangeiras. O outro, são pessoas que nunca ouviram falar de mnemotécnica, ou não têm ainda os


conhecimentos básicos. Se pertence ao segundo grupo, estou verdadeiramente excitado por ser o primeiro a dar-lhe uma introdução ao mundo maravilhoso da mnemotécnica. Se pertence ao primeiro grupo, eu entendo perfeitamente a sua situação, e terei muito prazer em ajudar-lhe a ampliar os seus conhecimentos. Seja qual for o seu nível de conhecimento, aconselho todos a lerem este livro por completo, do principio ao fim. Se já tiver conhecimento de alguma matéria, poderá fazer uma leitura rápida. Em particular, devem todos prestar bastante atenção ao capítulo 3, onde descrevo em detalhe como se deve proceder para fazer boas associações mentais. Como indica o título deste livro, não é minha intenção cobrir todos os tópicos de mnemotécnica, mas sim fornecer os conhecimentos que vão permitir-lhe


aprender vocabulário Inglês de forma mais eficiente e agradável. Dito tudo isto, prepare a sua chávena de chá ou café, e vamos juntos iniciar a nossa jornada, no universo fascinante que é a arte de memorizar.


2. Viagem Encantadora Estava eu excitado por ter chegado finalmente no Brasil! Saí do aeroporto em São Paulo e dirigi-me à paragem de autocarro (ônibus) onde dois rapazes simpáticos me indicaram onde deveria esperar. Cheguei depois à uma estação ferroviária, onde iria apanhar o “metrô”, que me levou próximo do apartamento onde fiquei hospedado. Como tinha fome resolvi sair logo à procura de uma loja. Parei num pequeno bar para pedir direções à dois senhores que também foram muito simpáticos. Estava todo mundo de bom humor porque o Brasil tinha acabado de vencer um jogo importante na copa do mundo de 2014...


Mas voltaremos a falar de viagens daqui a pouco, caros amigos e amigas. Por enquanto passaremos à nossa primeira lição, que é um princípio básico na arte de memorizar. É provavelmente a técnica mais conhecida da mnemotécnica, tendo inclusive, feito parte de alguns programas de televisão. Em resumo, consiste em utilizar lugares de um itinerário familiar, que por associação mental, nos permitirão recordar listas de coisas. Vou descrever no próximo capítulo em detalhe como se deve proceder para fazer esta associação, pois que os seus princípios são a base fundamental de toda a mnemotécnica. Por enquanto vamos concentrar-nos na elaboração da nossa lista. Como exemplo, poderia recordar-se de uma jornada que percorria frequentemente na sua infância, para ir à escola. A sua casa, que é o começo


desta jornada, seria o primeiro lugar. A partir daí, pode reviver na sua mente esta jornada, e ir tomando nota de lugares, ou pontos de referência, dos quais se recorda neste percurso, na mesma ordem em que os vai encontrando nessa viagem mental. Assim, saindo de casa vai andando e lembra-se que no caminho encontra uma paragem de autocarro. Caminhando mais adiante, encontra uma praça, e a seguir um hospital, e assim sucessivamente. O que poderia então dar origem à uma lista como esta: De Casa para à Escola 0 - Casa 1 - Paragem de autocarro 2 - Praça 3 - Hospital 4 - Escola Primária Maria Joana 5 - Estação Policial


6 - Supermercado ... 19 - Minha Escola A lista de lugares, que de agora em diante chamaremos de “arquivo topográfico”, é uma lista pessoal, que serve somente à si, pois que poderá recordar-se sempre destes lugares, na sua ordem usual e inversa, sem qualquer esforço mental. E como que por magia, isto vai permitir-lhe recordar igualmente, coisas com a mesma facilidade, simplesmente pelo facto de estarem associadas à estes lugares! Para isso, é importante que seja sempre capaz de visualizar cada um destes locais claramente. Na elaboração desta lista deve por isso ser específico. A escola, por exemplo, trata-se de uma escola particular, não de uma escola qualquer. Deve inclusive, mencionar o nome da escola na sua lista, por exemplo “Escola


Primária Maria Joana”. Embora possa elaborar uma lista baseada num itinerário de ida e volta, não deve nunca utilizar caminhos cruzados, e deve também evitar passar duas vezes na mesma rua, mesmo que seja do outro lado. Isto ajudará a evitar confusões. Não importa que os locais sejam adjacentes, podem estar mesmo ao lado um do outro. No entanto, apenas recomendo usar locais adjacentes se estiver sempre perfeitamente claro na nossa mente qual deles aparece primeiro no nosso itinerário. Se houver alguma sombra de dúvida, escolha apenas um destes dois lugares adjacentes, e continue a sua seleção mais adiante. Outro pormenor igualmente importante, é evitar locais similares. Se tiver sete paragens de autocarro (ônibus) na sua lista, por exemplo, provavelmente será difícil distinguir entre elas. No entanto,


pode ter por exemplo vários bares, ou lojas, desde que tenham nomes diferentes, e representem uma distinta imagem mental. No exemplo acima, a escola primária tem uma imagem bastante diferente da “minha escola”, que é o ponto final.


Estendendo a Lista Visto que esta lista nos servirá de arquivo mental, é evidente que quanto mais comprida for melhor. Será bastante útil que tenha pelo menos cem lugares, e para isso podemos juntar vários itinerários, que vamos juntar, organizados de tal forma que nos seja fácil recordar a sua ordem. Por exemplo: Arquivo Topográfico - De casa à escola (40 lugares de 0 á 39) - Casa da Suzana à discoteca (30 lugares de 40 á 69) - Do hotel à torre Eiffel (30 lugares de 70 á 99) Devo mencionar um aspecto prático, que até agora vi sempre ser ignorado. Elaborar uma lista de até cem lugares


não é fácil para todos. Em tempos antigos era mais comum as pessoas caminharem e apreciarem os pontos de interesse nas suas jornadas. Já em tempos modernos, vivemos em correria e pouca atenção prestamos aos nossos arredores. Provavelmente nos recordamos de pontos bastante salientes, tais como uma grande catedral, um centro comercial (shopping), ou um restaurante exótico. Mas as ruas principais de cidades grandes estão cheias de pequenas lojas, cafés e bares, que pela sua semelhança, não sobressaem na nossa mente. E embora nos possamos recordar de vários deles, não temos uma imagem clara dos locais, ou da ordem em que ocorrem no nosso itinerário. Por outro lado, muitas ruas de zonas suburbanas, estão cheias de casas desconhecidas, que nos parecem


demasiado similar para servir de qualquer uso para os nossos propósitos. De maneira que, ao tentarmos criar a nossa lista, mesmo que uma determinada jornada cobrir um percurso longo, nos lembramos apenas, para nosso desapontamento, de talvez não mais do que dez lugares! O uso frequente de meios de transporte, tais como o metropolitano, que não nos permite sequer ver os locais ao longo do nosso percurso, não ajuda nada. Como fazer então para elaborar uma lista de cem lugares? Felizmente tem este livro e vou partilhar consigo algumas dicas para lhe ajudar. Primeiro, a ideia mais óbvia: já que não nos recordamos de locais suficientes, vamos então à busca de mais. Esta é a altura de aproveitar um dia lindo, e sair para conhecer melhor a sua localidade, ou talvez até locais mais distantes. Leve consigo um bloco


de notas e um lápis no seu passeio, ou se preferir, o seu smartphone. Assim que for andando, vá tomando nota dos lugares que acha que irá recordar-se facilmente, levando em conta as advertências anteriormente mencionadas. Quando regressar a casa, veja quais dos locais se consegue recordar na ordem correta, eliminando da sua lista aqueles que escapam a memória ou que criam confusões. Adicionalmente, pode também tirar vantagens de viagens que fez noutras cidades, ou até mesmo países estrangeiros. Como nem todos podem fazer uma viajem internacional apenas com o fim de criar um arquivo topográfico, iremos usar uma técnica um bocado diferente. Se porventura não conhecemos bem nenhum itinerário de maneira a colher vários pontos para a nossa lista, usaremos apenas aqueles que facilmente nos ocorrem à


memória, na sua ordem cronológica, mesmo que estejam distante, e não façam parte de uma só caminhada. Isto é, não se tratará de um itinerário propriamente dito, no sentido geográfico, mas sim no sentido cronológico. Como exemplo, recordando-me da viagem que descrevia no início deste capítulo, poderia obter a seguinte lista de lugares: - Aeroporto de São Paulo - Estação ferroviária - Metropolitano (dentro do metro) - Linha férrea - Estação de metro perto da hospedagem - Entrada do apartamento - Elevador - Bar local - loja Para que não tenha uma lista


demasiado fragmentada, recomendo que tenha pelo menos dez locais em cada jornada. Também será mais conveniente que o número de locais em cada jornada sejam múltiplos de dez, isto é 10, 20, 30, 40 ou 50. Para recordar-se da ordem das jornadas, de modo a conhecer a sequência exata dos cem lugares, poderá organizar a lista de maneira cronológica, por distância, favoritismo, ou uma combinação destas, conforme lhe beneficiar mais. Tendo dado estas explicações detalhadas, creio que está agora pronto para elaborar o seu próprio arquivo topográfico. Dedique algum tempo para esta tarefa importante antes de prosseguir. Ficarei aguardando por si no próximo capítulo, onde revelarei os princípios fundamentais da mnemotécnica e como usar esta lista para recordar-se facilmente de cem palavras!


3. Os Segredos da Memória Infalível Quando aprendi pela primeira vez, ainda adolescente, o método de recordar uma lista de palavras, sem precisar de repetição nenhuma, fiquei verdadeiramente entusiasmado com o potencial da mnemotécnica! Antes de aprendermos a recordar palavras estrangeiras, é importante saber como recordar uma lista de palavras na nossa língua materna. Vamos pois começar pela descrição deste método. Primeiro crie uma lista completamente arbitrária de nomes de objetos. Se tiver dificuldade em criar esta lista de cabeça, pode recorrer à um dicionário,


ou vá anotando palavras de um ou mais textos, tendo o cuidado de selecionar somente objetos físicos. Quer isto dizer que palavras tais como “cadeira”, “árvore”, “mar”, “nariz”, “martelo”, e “carro”, servem para a nossa lista. Mas palavras abstratas, como por exemplo verbos, adjetivos, advérbios, e substantivos não físicos, devem ser excluídas da nossa primeira lista. Por isso, não vamos incluir palavras tais como “comer”, “absurdo”, “rápido”, “conhecimento”, ou “consequentemente”. Uma vez criada esta lista, que pode numerá-la de 0 à 99, ou de um 1 à 100, de acordo com o seu arquivo topográfico, pode começar a guardar estas palavras na sua memória. Para isso, faça uma associação entre a palavra em questão e o respetivo lugar no seu arquivo topográfico, seguindo a mesma ordem. Esta associação deve


usar detalhes específicos do objeto e do local onde o queremos arquivar, usando de preferência uma cena pouco comum e ridícula ou absurda, de forma a criar uma imagem mental viva e clara. Por exemplo, se a primeira palavra for “cadeira” e o primeiro lugar no meu arquivo topográfico for “casa”, posso imaginar a seguinte cena: sempre que abro a porta da minha casa, me deparo com uma cadeira gigantesca, muito mais alta que a própria casa. E este sendo o meu lugar favorito salto para cima da cadeira, e fico sentado nela, admirando a vista que me proporciona este ponto elevado. Se a segunda palavra for “árvore”, e desejo arquivá-la no lugar “paragem de autocarro”, posso imaginar o seguinte: na paragem de autocarro tem uma árvore enorme, para onde todos


sobem e ficam pendurados a espera do autocarro, enquanto se deliciam com os seus frutos. Como alternativa, posso imaginar que alguém deitou um feijão mágico no chão, e de imediato cresceu uma árvore tão grande que impedia a entrada para o autocarro. Ou ainda: estava eu prestes a entrar para o autocarro, quando tropecei num objeto e caí no chão, onde notei que havia uma minúscula macieira, e inclusive alguns frutos desta árvore tinham caído para o chão. Para associar “mar” ao local “praça”, imagino que no meio da praça tem um mar em miniatura, com ondas enormes, onde vários surfistas se divertem. Depois imagino que no “hospital” tem um médico com um “nariz” enorme que cheirando os pacientes consegue fazer um diagnóstico imediato. Para ligar “martelo” à “escola”, vejo na minha mente que tem na minha escola um


novo professor que com um martelo mágico, implanta conhecimentos martelando livros na cabeça dos alunos... e assim vou procedendo, para colocar na minha mente, cada palavra no seu respectivo lugar no meu arquivo topográfico. Como é evidente nestes exemplos, estas associações não precisam de ter muita lógica. A verdade é que o facto de estas ideias serem absurdas, ajuda a reter os objetos na memória, desde que a imagem seja clara na nossa mente. É muito importante visualizar as cenas que inventamos, como se cada uma fosse um vídeo projetado na nossa tela mental, e não simplesmente pensar nelas. Naturalmente, é preferível imaginar cenas positivas, alegres, ou engraçadas, de modo a criar sempre memórias agradáveis. Mas chega de teoria. Está na hora de


pôr esta técnica em prática, para que possa convencer-se da sua eficácia. Peça à alguém que lhe leia a sua lista em voz alta, dando-lhe alguns segundos de pausa, para que tenha tempo de fazer a associação. Se não quiser ainda revelar o seu segredo, pode dizer que precisa de alguns segundos para arquivar a palavra na sua memória, que é em efeito, o que está a fazer. Claro que também pode ler a lista sozinho, mas se assim fizer, use um cronômetro ou relógio. Se estiver a perder demasiado tempo a fazer uma associação, provavelmente está a tentar usar demasiada lógica. Lembrese que está dentro de um mundo maravilhoso criado por si, e que você é o diretor. As regras normais do universo podem ser alteradas conforme quiser, para que possa criar uma cena que lhe ajudará a recordar o


objeto desejado. Não permita que a lógica paralise a sua criatividade, e liberte a sua imaginação. Verá então, que as possibilidades de associações, são na realidade, infinitas! Para lembrar-se das palavras, na sua ordem, basta percorrer o itinerário mentalmente. No meu exemplo, começando pelo ponto de partida, casa, lembro-me da cena que imediatamente me traz à memória a primeira palavra: cadeira. E assim sucessivamente, vou-me recordando das restantes palavras, na sua ordem exata: árvore, mar, nariz, martelo, até chegar ao fim do meu percurso onde encontrarei a palavra final. Se porventura não se conseguir lembrar da cena que visualizou num determinado local, ou se ela não estiver suficientemente clara a ponto de trazer à memória o objeto que lá foi


arquivado, passe para o seguinte local. Esta é uma das vantagens que este método tem sobre o método das repetições. Esquecendo um dos objetos na série, por vezes faz-nos também esquecer de vários outros elementos que vêm a seguir, por ter sido criado uma espécie de cadeia ou corrente entre os elementos da lista. Já no nosso arquivo topográfico, cada elemento ocupa um lugar completamente independente. Brevemente discutiremos em detalhe como assegurar-se que as suas associações não lhe vão escapar da memória.


Associando Dois Objetos Depois de ter memorizado a sua lista de cem palavras, pode fazer uso delas para recordar outra lista de palavras, sem ter de as associar diretamente ao seu arquivo topográfico. Em vez disso, usará as palavras da lista original como gavetas, onde irá arquivar a nova lista. Para isso, terá simplesmente de associar os dois pares de objetos correspondentes. Como a associação de dois objetos é de importância particular na aprendizagem de vocábulos estrangeiros, vamos ver alguns exemplos. Digamos que o primeiro objeto da nova lista é “computador”. A palavra gaveta correspondente é “cadeira”, visto ser esta a palavra arquivada no primeiro local do nosso arquivo topográfico. Para associar as duas


palavras, a técnica é exatamente a mesma que usamos até agora. A única diferença, é que se tratam de dois objetos, em vez de um objeto e um local. A nova associação que fizermos não deve estar ligada ao local da palavra gaveta. Ela pode ser feita em qualquer lugar imaginário, que sirva a ideia que criamos. Por exemplo, podemos imaginar que existe uma cadeira que ao sentarmos nela, aparecem automaticamente um teclado e uma tela, que nos permite configurar por completo o tipo de cadeira, e brincar com um jogo de computador. Ou melhor ainda, uma rapariga sentada por cima de um computador, brinca com uma cadeira e um teclado. Para associar “livro” com “árvore” imagino que existe uma árvore, que em troca de estórias lidas de um livro, oferece toda a variedade e quantidade de frutos como recompensa. A seguir,


posso associar a terceira palavra exemplo, “cortina”, com a terceira palavra na minha lista original, “mar”, imaginando que tem um barco que consegue repelir as enormes ondas de uma grande tempestade, usando cortinas que cobrem a embarcação. Ou que alguém usa cortinas como asa delta, para sobrevoar o mar, rumo à uma ilha maravilhosa. E assim por diante, criamos todos os pares mnemônicos na nossa mente. Se eu quiser saber que palavra está arquivada em determinada gaveta, basta pensar nela e a cena associada me traz à memória o objeto desejado. O reverso também acontece, isto é, pensando na palavra arquivada, consigo logo ver em que gaveta está. Se quiser lembrar-me da lista inteira, desde a primeira palavra à última, terei de usar o arquivo topográfico para obter a série de palavras que


utilizei como gavetas, e a partir delas, obtenho cada palavra da nova lista, na ordem correta.


Criando Arquivos Excelentes Quando se trata de associações mnemônicas, eu não creio que existam associações certas ou erradas, mas sim ligações fortes ou fracas. O nosso arquivo mental mnemônico, não é digital (arquivado, ou não arquivado), mas sim analógico (arquivo fraco, ou arquivo forte). Como analogia do último caso, pense numa gravação que faz com um microfone, talvez no seu computador ou smartphone. Se falar perto do microfone, em voz alta, numa sala silenciosa, quando tocar a sua gravação, poderá ouvi-la com bastante nitidez. Por outro lado, se estiver muito distante do microfone, ou numa sala muito ruidosa, não terá uma boa gravação, e quando a for reproduzir, não conseguirá ouvir a sua voz, ou não irá perceber aquilo que falou.


Uma ligação mnemônica fraca pode durar alguns minutos, talvez até algumas horas no mesmo dia, graças a nossa memória natural. Isto quer dizer que se criar uma ligação fraca durante a memorização da lista de palavras, poderá lembrar-se mesmo assim, do objeto no mesmo dia. Porém, no dia seguinte, ou dias depois, terá dificuldade em recordar-se do objeto. Por vezes, essa ligação é tão fraca, que nem mesmo logo a seguir de ter memorizado a lista, consegue lembrarse do objeto. Por outro lado, quando faz uma ligação forte, ela pode durar vários dias, semanas, ou até mesmo para sempre! Depois de ter efetuado o exercício de memorizar listas de palavras, já deve se ter convencido da eficácia deste sistema. Também deve ter notado que quando não se consegue lembrar de uma determinada palavra, ao consultar


a lista, a cena que tinha imaginado acaba por vir à memória. E provavelmente irá notar que a razão de se ter esquecido do objeto em questão, é porque esta cena em particular, não foi tão boa quanto as outras. Noutras palavras, tinha criado uma ligação fraca. Como proceder, então, para criarmos sempre ligações fortes, de maneira a termos um arquivo mental excelente? Na minha experiência, notei os aspectos comuns às boas associações. Listei estes pontos, e decidi chamá-los de “regras de ouro para ligações fortes”. Embora eles não sejam precisamente novos, organizando os princípios mnemotécnicos desta forma, ajudou-me a identificar claramente o que tornava uma certa ligação fraca. E toda a vez que segui com perfeição estes princípios, notei que me lembrava infalivelmente da informação


arquivada. Vou partilhar consigo estas regras, na esperança que lhe sejam úteis, como têm sido à mim, para criar memórias robustas, capazes de sobreviver o teste do tempo.


As Regras de Ouro Em cada cena de associação mnemônica, deve seguir-se sempre as seguintes regras, para criar uma ligação forte. Regra 1 : a associação deve envolver sempre um aspecto ou pormenor específico à cada objeto a ser associado. Regra 2 : os pormenores usados na associação, têm de ser de tal forma concretos, que podem ser visualizados. Regra 3 : as associações devem ser fora do comum, ridículas, ou absurdas.

Em vez de adicionar mais detalhes,


vou esclarecer estas regras mediante exemplos. Suponhamos que as duas palavras a serem associadas sejam “elefante” e “tapete”. Uma cena possível é “um elefante viajando num tapete voador”. A nossa intuição pode dizer-nos que esta ligação é boa. Vamos examiná-la mais de perto, à luz das regras de ouro. Nota-se imediatamente que é uma cena não usual, portanto a regra 3 está satisfeita. Os pormenores da associação são os seguintes: - um elefante que viaja - um tapete que voa Estes dois pormenores estão claramente visíveis na nossa imagem mental, portanto a regra 2 está satisfeita.


Agora vamos analisá-los cuidadosamente em função da regra 1. Voar é um aspecto específico à um tapete voador. É certo que tapetes voadores pertencem ao mundo da fantasia, mas no nosso universo imaginário o mundo das lendas e fantasias são bem-vindos, desde que façam parte dos nossos conhecimentos ou experiência adquirida em livros, filmes, ou outros meios. Como gostei muito do filme “Aladim” de Disney, a ideia de um tapete voador me é bastante familiar. Portanto, serve para satisfazer a regra 1. Mas essa regra aplica-se aos dois objetos, por isso temos de ver também o pormenor relacionado com o elefante. Viajar não é um aspecto específico à um elefante. Qualquer outro animal ou pessoa podia estar por cima do tapete. Por isso, a regra 1 não está completamente satisfeita. Quando digo


“específico”, não me refiro a algo necessariamente único, mas sim alguma caraterística que poderíamos usar para descrever o objeto em questão. Por exemplo, um elefante tem uma tromba, é de grande tamanho, tem dentes de marfim, tem orelhas grandes, tem cauda e é cinzento. Isto são exemplos de detalhes que podem ser visualizados. Esta não deixa de ser uma ligação forte, visto que quase todos elementos das regras foram satisfeitos. No entanto, podemos torná-la ainda mais forte, adicionando um aspecto que seja mais específico á um elefante. Se não fizermos isto, mais tarde poderemos ter dificuldade em recordar o que é que está por cima do tapete voador. Assim, posso imaginar uma variação desta cena: um elefante fictício que conheço também de filmes Disney, o


Dumbo, que consegue voar graças ás suas orelhas enormes, faz uma corrida aérea com um tapete voador. Vendo que o elefante esta quase a alcançar a meta, o tapete enrola-se nas suas orelhas, para o impedir de continuar a voar. Voar com as orelhas é um detalhe específico ao Dumbo, logo isto me faz lembrar do elefante voador. Um tapete pode ser enrolado, e associamos este pormenor específico às orelhas do elefante. Assim, os dois pormenores ficam associados, e ao pensar no elefante recordo-me da cena que me traz à memória o tapete. Do mesmo modo, pensando no tapete igualmente me faz lembrar das orelhas que me fazem lembrar do elefante. Assim, tapete e elefante ficam associados com sucesso. Lembre-se sempre que a regra 3 é geral, mas as regras 1 e 2 têm de ser verificadas para os dois objetos a


serem associados. Como outro exemplo, vamos associar as palavras “sal” e “sapato”. Imediatamente imaginamos um homem que punha sal no seu sapato antes de o comer. É fácil ver que a regra 3 está satisfeita. O sal é usado para melhorar o sabor de algo que se come (pormenor específico, regra 1). Como o ato de salgar a comida é visualizado (regra 2), estão satisfeitas as regras 1 e 2 para o sal. No entanto, não existe nesta cena nenhum pormenor específico ao sapato, quebrando assim a primeira regra de ouro. Se tivéssemos que recordar esta associação semanas depois poderíamos ter dificuldades, pensando “sei que ele salgou algo ridículo, mas não me consigo lembrar que objeto foi!”. Assim, para tornar a ligação ainda


mais forte, podemos usar uma cena alternativa: estava um grupo de amigos a jantar mas faltava sal na mesa. Um homem tirou o seu sapato, onde guarda sempre um bocado de sal. Como o sapato não cheirava bem, todos puseram uma mola no nariz enquanto punham o sal do sapato nas suas refeições. Temos assim dois pormenores específicos ao sapato: o cheiro, e o uso alternativo como recipiente. E para tornar o primeiro claramente visível, imaginamos os amigos com molas para cobrir o nariz. Conseguimos satisfazer também as regras de ouro 1 e 2 para os dois objetos! É verdade que criar cenas que consigam satisfazer todas estas regras é mais difícil. Por vezes pode parecernos que é impossível arranjar dois pormenores específicos e criar uma associação entre eles. Mas isto nos


força a imaginar algo completamente absurdo, o que satisfaz automaticamente a terceira regra de ouro. O nosso objetivo é treinar a nossa imaginação para que ela crie logo de imediato, cenas que satisfaçam sempre estas regras. Quero aproveitar o último exemplo para acrescentar um outro ponto. Devemos sempre tentar envolver todos os nossos sentidos durante a visualização. Assim, procuraremos também ouvir os sons e sentir os cheiros que aparecem na nossa cena. No entanto, isto deve servir apenas de catalizador do processo de gravação mental. De acordo com a regra 2, os pormenores essenciais devem ser sempre visíveis. E isto nos leva naturalmente para o tema seguinte.


4. O Mundo das Ideias Abstratas Até agora só lidamos com objetos físicos. Memorizar palavras ou ideias abstratas usando mnemotécnica é consideravelmente mais difícil. E apesar disto, ou por esta razão, este tópico importante é frequentemente ignorado, ou discutido com muita brevidade, em livros e artigos de mnemotécnica. E é precisamente por isso que resolvi dedicar este capítulo à este tema. Você verá que com um pouco mais de imaginação, é possível mnemonizar conceitos abstratos! Quando me refiro à palavras abstratas, quero dizer todas as palavras que não são representadas de maneira distinta e inequívoca por uma imagem mental.


Por exemplo, palavras como “instrumento” ou “acessório” podem perfeitamente referir-se à objetos físicos. Mas por representarem uma categoria ampla de objetos, não existe uma imagem mental clara e única. Palavras ideais para a mnemotécnica, são aquelas que representam objetos no mundo físico, que poderiam ser identificadas corretamente por qualquer pessoa, apenas vendo a imagem de um desenho ou fotografia. No entanto, a maior parte do nosso vocabulário não se encontra nessa categoria ideal. Por isso teremos de recorrer a uma estratégia para conseguirmos visualizar estas palavras. Utilizando cenas que indiretamente nos fazem lembrar das palavras que desejamos recordar, torna-se possível guardá-las na nossa memória com a mnemotécnica. Veremos mais de perto como fazer isso


com vรกrias categorias de palavras.


Substantivos Abstratos Quando se trata de substantivos abstratos, deve procurar uma imagem que lhe faça lembrar da palavra desejada, de acordo com a sua experiência. Por exemplo, a palavra “ideia” pode ser representada por uma lâmpada por cima de uma cabeça. A palavra “pergunta” por um ponto de interrogação. De um modo geral, a primeira imagem que nos vem à cabeça quando pensamos na palavra abstrata, é a que devemos utilizar. No entanto, é importante ter também em conta a palavra com a qual pretendemos associar. Como exemplo, vamos associar as palavras “loira” e “cúmplice”. A primeira loira atraente que vier em mente serve para a nossa cena mental, que pode ser a seguinte: Uma loira atraente assalta um banco. Quando


estava prestes a entrar no carro para escapar, um polícia tenta detê-la. Com um olhar e sorriso encantadores, ela aponta para uma inocente velhinha de bengala que por coincidência caminhava ao lado, dizendo “prenda esta velha, ela é a minha cúmplice”. E sem hesitar, o policia põe algemas na velha, e deixa a loira ir-se embora. Vamos também associar as palavras “galo” e “dor”. Para isso imaginamos o seguinte: Um galo do tamanho de uma pessoa, põe-se a dar bicadas nos ombros de um homem. Quando o homem reclamou da dor que sentiu, o galo arrependeu-se, e resolveu massagear os ombros do homem para aliviar a dor. Já me aconteceu várias vezes recordar-me bem da cena que imaginei, e mesmo assim não conseguir extrair dela a palavra


abstrata. Por isso é que é necessário enfatizar a palavra, criando diálogos pequenos com realce na palavra, e acrescentando um detalhe adicional à cena, como fizemos no último exemplo. E como vamos saber através da nossa cena, de que se trata da palavra “dor” e não “pessoa” ou “homem”, por exemplo? A nossa memória normalmente consegue lembrar-se que há uma palavra abstrata retratada pela imagem. Mas se tivermos uma memória muito fraca podemos indicar este facto utilizando um sinal na nossa visualização. Por exemplo, podemos sempre adotar a técnica de tornar os objetos protagonistas transparentes, como se fossem feitos de vidro. Assim, no exemplo anterior, o homem seria transparente, visto que ele serve apenas de objeto auxiliar para transmitirmos a ideia de “dor”. Se


tiver uma cena em que usa um violino para representar um instrumento, tome o cuidado de usar um violino de vidro na sua história, para que fique claro que ele está representando um instrumento, e não o violino em si. Pode inclusive imaginar que o violino cai, espalhando cacos no chão.


Verbos Alguns verbos são evidentemente mais fáceis de memorizar que outros. É muito fácil imaginar uma cena com alguém a “correr”, “nadar”, “comer” ou a “dormir”. Visualizar cenas com verbos tais como “apreciar”, “desenvolver”, “adaptar”, “absorver”, ou “acomodar” requer mais imaginação. No entanto, devemos proceder da mesma maneira, procurando imaginar uma cena em que a ação indicada pelo verbo se desenrole o mais nitidamente possível. Como exemplo, eu tive de associar as palavras “absorver” e “motocicleta (mota)”. Quando penso em absorver, naturalmente me ocorre na mente a imagem de uma esponja, por isso ela me pareceu ser a imagem ideal para representar o verbo. Assim, procurei pormenores específicos que


permitissem associar esponja com mota, de acordo com a primeira regra de ouro. Uma pessoa lavando uma mota iria servir, mas é demasiado comum para seguir a terceira regra de ouro, e além disso não mostra claramente o ato de absorver, podendo erroneamente induzir-me a pensar que a palavra em questão se tratasse do verbo “lavar”. A cena que imaginei então, foi a seguinte: alguém conduzia uma mota que tinha atrás do escape uma enorme esponja, que conseguia absorver o fumo da mota, como se fosse um líquido. Outro exemplo real demonstrando a associação de “laço”, “táxi” e “acomodar”. Para recordar esta associação imaginei a seguinte cena: o condutor de um táxi queria acomodar várias pessoas dentro do seu táxi. Como elas não iriam caber lá dentro


ele usou um laço grande para as enlaçar e apertar de tal maneira que as conseguiu acomodar dentro do táxi. Se quisermos acrescentar um sinal nas nossas cenas para indicar que estamos retratando um verbo, podemos utilizar sempre o vento. Assim, na cena anterior, podemos visualizar as pessoas presas no laço, sendo arrastadas pelo vento, e o taxista segurando o laço e a esforçar-se para as conseguir pôr dentro do táxi.


Adjetivos Para memorizar um adjectivo vamos procurar sempre associá-lo à algo físico. Tal como antes, se houver algum objeto que imediatamente nos ocorre à mente, devemos usá-lo. Por exemplo, a palavra “delicioso” imediatamente me faz pensar em bolo. Vamos associar as palavras “táxi”, “anel” e “abrupto”. Usando o sentido figurado do adjetivo abrupto, podemos atribui-lo ao táxi numa cena como esta: um táxi que transportava a Megan Fox, tinha um enorme anel dourado, adornando o para-choque da frente. Quando o motorista fez uma paragem abrupta a inércia lançou a Megan para fora do táxi, mas ela conseguiu segurar-se no anel do carro, evitando assim que a paragem abrupta a deixase cair.


Tal como fizemos com os verbos e substantivos abstratos, podemos usar um artifício que nos ajude a lembrar de que a palavra se trata de um adjetivo. Para isso acrescentaremos sempre açúcar nas nossas cenas. No nosso último exemplo podemos imaginar que enquanto a Megan esta agarrada ao anel, cai-lhe por cima um monte de açúcar, e ela resolve provar um bocado. Aproveito comentar que uma imagem mental com uma pessoa que acha atraente tem tendência em gravar-se mais facilmente na memória. Pode tirar vantagem deste facto, principalmente quando tiver que lidar com associações mais difíceis.


Advérbios e Outras Palavras Os advérbios e as restantes categorias de palavras usualmente apresentam o maior desafio. No entanto as técnicas são as mesmas que até agora utilizamos. Um exemplo é sempre melhor que mais teoria, e vamos assim associar as palavras “noite” e “acima”. Para isso podemos utilizar qualquer objeto que possamos utilizar como uma espécie de recipiente para a palavra “acima”. O ideal seria que um dos objetos a serem associados servisse de recipiente, senão, qualquer outro objeto serve. Por exemplo, podemos imaginar uma linda mulher vestida com uma roupa extravagante a caminhar pela cidade numa manhã cheia de sol, e todos a volta dela olhavam estupefactos, porque acima dela tinha uma estrela que a


acompanhava fazendo que sobre ela caĂ­sse uma noite que a envolvia numa escuridĂŁo que a acompanhava onde quer que ela fosse.


5. Recordando Sons Desconhecidos Finalmente chegamos ao capítulo que provavelmente muitos leitores ansiavam! Chegou a hora de aprendermos a recordar palavras estrangeiras. Se você leu fielmente todos os capítulos até chegar aqui, parabéns! A sua perseverança e dedicação serão recompensadas, pois que você tem agora os conhecimentos fundamentais de mnemotécnica que lhe queria transmitir antes de entrar a fundo neste tópico fascinante. Se porventura saltou para este capítulo porque já tinha conhecimentos básicos adquiridos noutras fontes, não se


preocupe. Faremos uma abordagem completa do assunto, e se não compreender algo ou encontrar alguma lacuna, poderá consultar os capítulos anteriores mais tarde. Existem vários métodos para lidar com palavras estrangeiras. Quase todas as línguas Europeias têm várias palavras de grafia similar ou até mesmo iguais, e não é necessário utilizar nenhum método para as recordar. Basta simplesmente aplicar as regras de pronúncia da nova língua. Por exemplo “banana” é escrita exatamente da mesma forma em Inglês e Português, havendo apenas uma ligeira variação de pronúncia. A palavra Portuguesa “importante” é simplesmente “important” em Inglês. Uma vez aprendidas, estas palavras fixam-se automaticamente na memória. Se escolher o vocabulário que vai aprender é sempre bom acrescentar


uma boa dose destas palavras. Não só elas servem de encorajamento, misturando palavras familiares com palavras desconhecidas na mesma frase, ajuda-nos a aprender naturalmente a nova palavra através do contexto e uma associação natural. Aqui estão mais alguns exemplos, que demonstram como o seu vocabulário Inglês pode ser enriquecido quase que instantaneamente: Universo - universe Fantástico - fantastic Delicioso - delicious Consequência - consequence Conversa - conversation Incrível - incredible Bola - ball Estratégia - strategy Hotel - hotel Parque - park


É necessário fazer uma advertência. Aprenda estas palavras de fontes fiáveis e tome cuidado com os falsos cognatos, também chamados de falsos conhecidos ou falsos amigos. Não faz mal tentar adivinhar desde que procure imediatamente confirmação. Existe uma história, aparentemente real, de um rapaz que tomado de uma autoconfiança falsa na sua habilidade de falar Inglês, devido as semelhanças que acabamos de observar, pensou que a tradução de “constipação” (resfriado) fosse “constipation”. E neste caso isto até não é de todo incorreto, pois que no Português Europeu um significado menos comum de “constipação” é prisão de ventre. Já no Inglês este último significado é o único, pelo menos num contexto farmacêutico. Assim, o jovem falando somente Inglês, pediu numa farmácia um medicamento para “constipation”, que lhe foi entregue. Não preciso


acrescentar que o alívio que ele teve não era exatamente do tipo que estava a espera... Existem ainda palavras não tão idênticas, mas com suficientes semelhanças de som. Por exemplo, a palavra Inglesa “cat” não está muito longe da correspondente palavra Portuguesa “gato”. Se essa semelhança não lhe é evidente, remova a última vogal de gato e compare os sons de “gat” e “cat”. Além de nos permitir uma memorização praticamente instantânea, podemos usar este facto para empregar uma outra técnica que consiste em procurar uma palavra intermediária de sentido semelhante. No entanto, a analogia fonética é mais empregada num método que consiste em converter o som estrangeiro em uma ou mais palavras “chave” na nossa língua, que a associamos com o seu significado. Esta é sem dúvida a


técnica mais conhecida no mundo da mnemotécnica. Como exemplo do método da palavra chave, tomemos a palavra Inglesa “apologize” (pronúncia parecida com “apolojaiz”). Imediatamente extraímos dela os sons “polo” e “jazz”. Assim, inventamos uma cena para associar estas duas palavras chave ao seu significado que é “desculpar-se” ou “pedir desculpa”: Tal como na história “o flautista de Hamelin”, uma fila enorme de carros da marca Polo eram atraídos por um artista, sempre que ele tocava Jazz. No fim, ele tinha sempre de “desculpar-se” aos donos dos carros. Outro exemplo do método da palavra chave. Vamos associar “book” (pronunciado “buk”) à sua tradução que é livro. Para isso, usamos a palavra de som semelhante, “bosque”,


na seguinte visualização: Uma rapariga que adorava livros, vivia num bosque mágico onde crescia um livro em cada ramo de todas árvores.


Encontrando Sons Semelhantes Torna-se claro que o desafio é encontrar uma ou mais palavras com som suficientemente parecidos, para que as possamos usar como palavras chave. E é curioso que sempre que li sobre este método, nunca vi mencionado esta dificuldade. Mas eu prometi não ignorar os aspetos práticos, por isso vou oferecer algumas dicas para ultrapassar isto. Uma técnica que ajuda é ler várias vezes a palavra inglesa, se possível, em voz alta. Rapidamente vai encontrar palavras com sons semelhantes. Quando se tratam de palavras mais compridas, por vezes teremos de usar duas ou mesmo mais palavras, como no nosso primeiro exemplo.


Uma razão que me levava a encontrar mais dificuldade do que necessário é o meu perfeccionismo. Se tem o mesmo problema, esta é uma daquelas ocasiões em que o perfeccionismo deve dar lugar ao pragmatismo. Não fique a procura da palavra perfeita. É sempre preferível ter uma palavra um bocado parecida do que não ter palavra nenhuma. Mais tarde veremos como combinar a mnemotécnica com o método mais tradicional de cartões relâmpago, para compensar por eventuais deficiências nas nossas palavras chave. E tirando vantagem da nossa era de tecnologia mais avançada vou revelar um segredo que lhe pode ajudar a encontrar palavras chave: reconhecimento automático de fala! Como deve saber, esta tecnologia nos permite dar instruções aos nossos computadores e “smartphones” falando


para eles. Como exemplo, se você usar um motor de busca que suporte a fala, clique no ícone ou botão do microfone para pesquisar por voz. Fale a palavra Inglesa com a melhor pronúncia possível. Se tiver dois dispositivos, por exemplo um computador e um smartphone, pode usar o som de um dicionário digital próximo do microfone. Como o software está configurado para reconhecer palavras em Português ele vai tentar encontrar na sua enorme lista de palavras, as que mais se aproximam do som em Inglês que acabou de falar. Missão cumprida! Muitas vezes o resultado será uma frase, e não uma palavra única. Terá então que tentar adaptar essa frase na sua imagem mental, ou pode ser que lhe ajude a pensar numa palavra melhor. Experimente, pode até achar divertido. Por vezes, apesar de todas as técnicas


indicadas acima, pode acontecer que não conseguimos encontrar nenhuma palavra chave. A propósito, aproveito mencionar que a tarefa se torna mais fácil quando se conhece várias línguas. Por isso, se conhece outro idioma além do Português, não tenha receio de misturar palavras Portuguesas com estrangeiras, também funciona! Senão, como último recurso, podemos utilizar uma outra técnica, que também nos vai ajudar a soletrar palavras difíceis.


A Arte de Soletrar com o Método das Letras Vivas O Inglês é notável por ter uma escrita bastante irregular, em contraste com o Português, que segue um padrão tão fácil que nos permite escrever qualquer palavra mesmo que a escutamos pela primeira vez. Para ultrapassar esta dificuldade vamos utilizar uma técnica que nos vai permitir memorizar qualquer palavra integralmente, letra por letra. Este método também pode ser usado quando não conseguimos encontrar uma palavra chave. No entanto, por ser de execução mais complexa e consumir mais tempo, recomendo utilizar somente quando for absolutamente necessário. Quando desenvolvi este método, queria utilizá-lo para substituir o método da palavra chave, mas tive de reconhecer que o tempo e


complexidade não compensam na maior parte das vezes. Apesar disto, resolvi partilhar esta técnica consigo, para que a tenha disponível na sua caixa de ferramentas de memória. Na sua essência, o método consiste em criar uma história que estabelece uma associação sucessiva entre as letras. Para atingir este objetivo, precisamos primeiro aprender uma tabela que nos permite representar qualquer letra com uma imagem fácil de associar. Claro que pode escolher outras palavras que lhe agradem, mas tenha o cuidado de evitar palavras que podem confundirse com as da tabela que apresento no capítulo seguinte. Tabela das Letras Vivas A - Abacate B - Banana


C - Cavalo D - Diamante E - Elefante F - Fantasma G - Girafa H - Hotel I - Ilha J - Jornal K - Ketchup L - Lâmina M - Manteiga N - Nuvem


O - Orelha P - Pipoca Q - Quadro R - Relรณgio S - Sapato T - Tigela U - Uniforme V - Vassoura W - Welwitcha X - Xadrez Y - Yamaha Z - Zebra


Para lembrar-se desta tabela basta usar um bocado de imaginação. Pode por exemplo ver na sua mente o edifício de um hotel em forma de “H”, ou uma vassoura dupla que é feita com “V” de cima para baixo. Mas na verdade, estas palavras podem-se aprender facilmente notando que todas elas começam com a letra que são supostas representar. Por isso, pode simplesmente usar a sua memória natural. E se quiser tornar o processo mais rápido e eficaz, pode utilizar cartões relâmpago. Esta parece ser uma boa altura para introduzir o tópico de cartões relâmpago e software relacionado. Se ainda não sabe do que se tratam, estes cartões (conhecidos como “flashcards” em Inglês) usam-se bastante para memorizar coisas que pretendemos


recordar, escrevendo-se a pergunta na frente e a resposta no lado de trás de um cartão. O processo consiste em ver a parte da frente do cartão e quando não conseguimos nos lembrar da resposta, revela-se a parte de trás e passa-se para o próximo cartão. Depois de várias repetições, as respostas eventualmente se fixam na nossa memória. Este método é tão popular que existe uma enorme quantidade de software e web-sites dedicados a usarem a versão digital, com as vantagens que computadores e dispositivos móveis oferecem. Quando quis usar certos aplicativos de flashcards no Windows 10, fiquei desapontado por descobrir que eles não me permitiam usar ficheiros comuns como cartões relâmpago. Felizmente tem um aplicativo novo


com essa funcionalidade: Seizum Master your flashcards ou simplesmente Seizum. Seizum permite usar ficheiros Word, Excel ou de texto, e automaticamente detecta quais os cartões que precisam ser repetidos, quando se tenta digitar uma resposta. Se quiser, pode encontrá-lo na loja da Microsoft no seu computador com Windows 10, ou usar outro software que lhe agrade, pois existem vários grátis. Também pode até usar papel, embora isto não seja muito ecológico! E depois deste desvio, passemos a utilização da tabela. Vamos supor que queira recordar-se da palavra “sudden” (súbito ou repentino) com exatidão. Começando com a primeira letra, “S”, vamos substituí-la pela imagem correspondente, “sapato”. Fazemos o mesmo com as outras


palavras, usando uma cadeia de associações que começa com a primeira letra e a letra a seguir, e assim sucessivamente. O primeiro objeto terá uma associação dupla, pois que também nos deve fazer lembrar da ideia que corresponde á palavra inteira, neste caso, “súbito”. Eu usei a seguinte cena: Uma mulher andava descalça na rua e sentiu algo súbito nos pés dela, que foram cobertos com sapatos. Como os sapatos não combinavam com o vestido, ela despiu-se na rua e vestiu um uniforme. Um homem que passava na rua gostou tanto do uniforme que ofereceu-lhe um diamante para o comprar. Mas ela tirou do bolso um diamante ainda maior e negou a oferta, dizendo que ela preferia uma boleia (carona) para casa. Imediatamente apareceu outro homem montado num elefante que lhe ofereceu uma boleia,


e a mulher imediatamente saltou para cima. Tomado de um sentimento de ciúme, o primeiro homem foi atrás deles, mas eles desapareceram rapidamente numa nuvem. Esta cena foi escrita de imediato, sem parar para pensar, e exatamente isso que deve fazer. Qualquer história ridícula serve, não se preocupe em tentar encontrar associações perfeitas, caso contrário, irá perder demasiado tempo. As desvantagens deste método são óbvias: a cena é tão comprida conforme a palavra que se pretende recordar, e como é feita em cadeia, se a memória nos falhar com uma palavra (letra), é bastante provável que todas as restantes palavras também não venham à memória. Além disso, é fácil que as estórias se confundam, devido aos protagonistas comuns. Por outro


lado, este método permite associações rápidas pois que as estórias aparecem quase que automaticamente, e claro, nos permite lembrar com exatidão como soletrar a palavra em questão. Outra vantagem importante é que esta técnica nos obriga a prestar atenção à cada letra da palavra. E como a experiência e a psicologia nos ensinam, a atenção é de grande importância no processo de gravação de memórias. Este método pode e deve ser usado conjuntamente com o método da palavra-chave, quando possível. Por exemplo, na cena anterior, podemos visualizar a mulher descalça levando um par de sandálias que nos serve de palavra chave que nos faz recordar de sudden, enquanto que a história nos indica exatamente como se deve soletrar a palavra. Depois de ter recorrido à cena algumas vezes para


escrever a palavra, vai dar conta que já não precisa dela, pois que vai conseguir lembrar-se com facilidade de como se soletra a palavra em questão. A magia ter-se-á realizado, e a palavra Inglesa estará bem retida na sua memória de longo prazo.


O Método dos Pedaços Se não gostou muito da última técnica, ficará contente ao saber que criei outra que serve o mesmo propósito. O método consiste em tirar sílabas ou “pedacinhos” do início de palavras conhecidas e juntando-as, constituindo assim a palavra que queremos recordar. Vamos usar como exemplo a palavra Inglesa para cogumelo, que é “mushroom”. Analisando em detalhe a grafia, vamos procurar o máximo de letras comuns no vocabulário Português que tenham uma sequência exatamente igual. Sem consultar um dicionário, a primeira que me vem à cabeça é “música” (3 primeiras letras), claro, levando em conta que o Inglês não usa acentos, exceto com estrangeirismos. Tendo arrancado este pedaço da palavra, ficamos com o


fragmento “hroom”. Como não consigo pensar em nenhuma palavra Portuguesa que comece com “hr” tenho de usar somente o “h”, como na palavra “hipopótamo”, sobrando assim “room”. Como esta é uma palavra Inglesa muito conhecida eu podia utilizá-la na sua totalidade, e menciono isto para realçar que neste método pode misturar fragmentos de várias línguas. Isto significa que quanto mais palavras estrangeiras aprender, mais fácil se torna a aplicação deste método! Para completar o nosso exemplo vamos assumir que a leitora ou o leitor não conhece ainda a palavra Inglesa “room”, que quer dizer sala ou quarto. Extraio assim o próximo pedaço, que são as letras “ro”, iniciais da palavra “rolo”. Isto nos deixa somente com “om”, que são as letras iniciais de “ombro”.


Temos assim os seguintes pedaços: mus(música) + h(hipopótamo) + ro(rolo) + om(ombro), ou um total de quatro fragmentos. Compare com o total de 8 letras que existem na palavra “mushroom”! Mas ainda não terminamos. Temos agora que indicar quantas letras cada palavra Portuguesa contribui na constituição de “mushroom”. Para isso, vamos atribuir as seguintes caraterísticas às nossas palavras, de acordo com o número de letras das quais precisamos extrair: 1 - Uma perna 2 - Duas pernas 3 - Duas pernas e uma bengala 4 - Quatro pernas

Se tiver cinco letras ou mais, sugiro


que utilize o método da palavra chave. Agora podemos construir a nossa cena mental: imagine que tem um cogumelo mágico a tocar uma música tão bonita, que do instrumento salta uma nota musical sólida com duas pernas e uma bengala. A nota está com fome e quer comer o cogumelo. Mas um hipopótamo que estava a dançar com a sua única perna, decide impedir a nota. Já estava a nota musical a levantar a sua bengala contra o hipopótamo, quando aparece um rolo de duas pernas que disse que quem iria levar o cogumelo era ele, pois que era um ingrediente indispensável á sua pizza. Chateado com o barulho, um ombro de duas pernas que também estava a curtir a música do cogumelo, decidiu dar um encontrão á todos os confusionistas. No fim da história, os protagonistas podem aparecer em fila, de acordo com a sua ordem ortográfica, e pode também tentar visualizar a ortografia


Inglesa por cima deles. Depois de ter recorrido à esta cena algumas vezes para recordar-se da grafia da palavra estrangeira, vai dar conta que rapidamente vai deixar de precisar dela. O facto de ter sido inclinado a prestar atenção às letras através deste exercício mental agradável, e muito melhor do que repetições, terá certamente contribuído para este sucesso.


Lidando Com Acentos Para terminar, vou abordar o tópico de acentos, pois que apesar de eles não serem usados na língua Inglesa, será de utilidade quando quiser aprender outros idiomas. Isto faz-se com maior facilidade usando o método dos pedaços que acabei de descrever, ou com a técnica das letras vivas. Como já deve ter adivinhado, o método consiste em atribuir caraterísticas aos personagens da nossa cena mental. Por exemplo, podemos representar o trema (usado no Português Brasileiro antes do acordo ortográfico) presente em certas palavras Alemãs, tais como “ursprünglich”, com dois olhos exageradamente grandes. Os acentos na palavra Checa “osvětlení”, podem ser representados por um chapéu invertido e uma antena (de inseto). No


método das letras vivas, seria o elefante a usar o chapéu. No método dos pedaços, ou da palavra chave, ponha a ornamentação sobre o protagonista para lhe fazer lembrar que leva os acentos indicados. As regras do idioma serão de ajuda para indicar onde deve colocar cada acento.


6. O Fantástico Dicionário Mental Multilíngue Prepare-se para o capítulo mais excitante deste livro. Com os conhecimentos adquiridos nas páginas anteriores, podemos agora aprender um sistema que nos vai permitir alcançar o extraordinário: reter na nossa mente um dicionário com traduções para dez mil palavras Portuguesas, não só em Inglês, mas em todos os idiomas que quisermos dominar! Este sistema reúne as técnicas aprendidas para que possa adquirir vocabulário estrangeiro de uma forma sistemática, organizada e eficaz.


Embora é possível aprender novo vocabulário através de repetições, cartões relâmpago (flashcards), ou usando o método mnemotécnico da palavra chave por si só, é preferível guardar as palavras aprendidas num arquivo mental organizado. Da mesma forma que lhe é mais fácil encontrar ficheiros no seu computador se eles estiverem organizados em pastas relevantes, também nos vai ser mais fácil encontrar a tradução de uma palavra se ela estiver corretamente organizada num dicionário mental. E é precisamente isto que vamos fazer: cada palavra que aprendermos terá um número e lugar único no nosso arquivo mental. Além de lhe ajudar a tornar-se num verdadeiro poliglota, este sistema vai lhe dotar de um talento aparentemente sobrenatural. Você poderá entregar a sua lista de palavras à qualquer pessoa


e pedir um número aleatório da lista. Ouvindo o número, poderá dizer não só a palavra Portuguesa à que corresponde, mas também todas as traduções nos idiomas que aprendeu! Para realizar este prodígio, teremos que preparar o nosso Arquivo Mnemônico de Idiomas (AMI). Antes de o fazermos, é necessário aumentar os nossos conhecimentos de mnemotécnica.

A Metamorfose dos Números Todos sabemos que palavras são de um modo geral mais fáceis de recordar do que números. Por isso, uma das antigas técnicas de mnemotécnica consiste em transformar números em consoantes, com as quais podemos criar palavras. Desta maneira, pode-se obter o número aplicando o processo inverso.


Para executar esta técnica vamos aprender uma tabela, que é baseada na semelhança dos sons de certas consoantes, que são agrupadas para representarem um determinado algarismo. Existem tabelas diferentes no mundo da mnemotécnica, que naturalmente diferem em vários idiomas, devido à diferença de sons. A tabela seguinte foi preparada levando em conta leitores que falam Português Europeu ou similar, como de Angola ou Moçambique, e claro, leitores Brasileiros. Tabela Mnemônica Para Números

Algarismo Sons de Consoantes

0

s, z, ç, sa, se, si, so, su, za, ze, zi, zo, zu, ça, ce, ci, ço, çu


1

t, d, ta, te, ti, to, tu, da, de, di, do, du

2

n, na, ne, ni, no, nu

3

m, ma, me, mi, mo, mu

4

r, ra, re, ri, ro, ru

5

l, la, le, li, lo, lu

6

ch, j, x, ja, je, ji, jo, ju, cha, che, chi, cho, chu, xa, xe, xi, xo, xu, ge, gi

7

c, g, k, q, ca, co, cu, ga,


go, gu, qua, que, qui, quo

8

f, v, fa, fe, fi, fo, fu, va, ve, vi, vo, vu

9

b, p, ba, be, bi, bo, bu, pa, pe, pi, po, pu

Volto a realçar que o som é o mais importante na conversão. Vamos por exemplo analisar a letra “c”. Por si só, seguida de outra consoante ou quando soa como “k” tal como na palavra “cão”, tem o valor de 7. Mas quando toma o som de “s” como em “aceso” é convertida para 0. Já quando se junta um “h” que muda o som para “x” tal como na palavra “chamar”, o valor é 6. Para nos recordarmos desta tabela


podemos recorrer à nossa imaginação como temos feito até agora. Também podemos empregar cartões relâmpago em conjunto. Aqui estão alguns auxílios mnemônicos para cada um destes sons e os algarismos correspondentes: 0 - Zero começa com “z” 1 - O número um é parecido com um “t” 2 - O “n” tem duas pernas 3 - O “m” parece um três virado 4 - Um retângulo começa com “r”. Um retângulo tem quatro lados 5 - Língua começa com “l”. Um rapaz põe cinco dedos em cada ouvido e usa a sua língua para fazer la-la-lala-la


6 - Colocando um “c” por cima de um “h” o número a que mais fica parecido é seis 7 - Cabelo começa com “c”. Se em cada dia cresce um cabelo, numa semana tem-se sete cabelos 8 - Um oito parece um fio enrolado. Fio começa com “f” 9 - Se endireitarmos o traço de um nove, ele se parece com um “p” invertido, e depois de virado para baixo fica um “b”

Vejamos alguns exemplos de conversão de palavras para números: Paraíso → p r s → 940 Nuvem → n v m → 283


Calção → ca l ç → 750 Janela → j n l → 625 redondo → r d n d → 4121 quando → q n d → 721 sozinho → s z n → 002 gabinete → ga b n t → 7921 gente → ge n t → 621 possuir → p s s r → 9004 andorrano → n d r r n → 21442 chupeta → ch p t → 691 água → gu → 7


E como conversão inversa: 947 → p/b r c/k/q → parque 8203 → f/v n s/z/ç m → fauna sumo

É fácil notar que todas as palavras podem ser convertidas para um número, porém nem todos os números se podem converter para uma palavra Portuguesa inteira, isto é, por vezes é necessário usar mais de uma palavra. Na próxima vez que quiser recordar-se de um número de telefone, data de aniversário, conta bancária, ou qualquer outra sequência de algarismos, já sabe o que fazer. Converta o número para uma ou mais palavras e faça uma associação com o objeto ou ideia em questão.


Arquivo Mnemônico de Idiomas Para podermos recordar até dez mil palavras podemos simplesmente converter cada número de 1 até 10000 numa palavra e usar cada palavra como gaveta, como já aprendemos. No entanto, a criação desta tabela iria levar demasiado tempo. Por isso, proponho uma solução alternativa. Vamos aprender uma tabela de 100 palavras. Todas as palavras desta tabela podem combinar-se com as outras e entre si, o que nos vai dar 100 x 100 = 10000 gavetas! Para podermos facilmente representar uma sequência de números, vamos começar a nossa tabela com 00. O que é necessário ter sempre em mente, é que as palavras desta tabela indicam apenas os dois primeiros algarismos


do número que representam. Todos os algarismos seguintes, caso existam, devem ser ignorados. Para lembrar-se da tabela pode utilizar o seu arquivo topográfico de cem lugares, que criou anteriormente. Ela também é fácil de recordar se tentar converter o número correspondente numa palavra. Tabela de Duplos Dígitos 00 - osso 01 - satélite 02 - sino 03 - semente 04 - seringa 05 - selo


06 - seixo 07 - saco 08 - asfalto 09 - sapo 10 - taça 11 - tatuagem 12 - tenda 13 - tamarindo 14 - torta 15 - televisão 16 - tijolo 17 - deque


18 - tofu 19 - tapete 20 - anis 21 - nata 22 - nenê 23 - nhambu 24 - nariz 25 - anel 26 - anjo 27 - âncora 28 - navio 29 - napa


30 - massa 31 - moto 32 - montanha 33 - mamadeira 34 - muralha 35 - mala 36 - machado 37 - maquete 38 - mĂłvel 39 - mapa 40 - rosa 41 - rato


42 - rinoceronte 43 - remo 44 - arrecadação 45 - relva 46 - argila 47 - régua 48 - árvore 49 - raposa 50 - lasanha 51 - leite 52 - linha 53 - limão


54 - loura 55 - lulu 56 - loja 57 - leque 58 - alface 59 - lรกpis 60 - jasmim 61 - jade 62 - chinelo 63 - chama 64 - jardim 65 - chaleira


66 - jujuba 67 - jacarĂŠ 68 - chave 69 - chapĂŠu 70 - gasosa 71 - gato 72 - canoa 73 - camelo 74 - corda 75 - coleira 76 - caju 77 - caco


78 - cave 79 - cabo 80 - vaso 81 - fato 82 - vinho 83 - vampira 84 - famoso 85 - viola 86 - fecho-ecler 87 - vaca 88 - vovĂ´ 89 - vapor


90 - passaporte 91 - pato 92 - pente 93 - puma 94 - pirata 95 - pelo 96 - apache 97 - boca 98 - pavĂŁo 99 - papa

Esta tabela tem uma mistura de PortuguĂŞs Europeu e Brasileiro. Por


exemplo nhambu é uma ave Brasileira e fecho-ecler ou simplesmente fecho, é conhecido no Brasil como zíper. O que importa é que se habitue a usar a grafia certa quando fizer a conversão da imagem mental para os correspondentes dígitos e vice-versa. Tendo em conta que as diferenças são pouquíssimas, estou certo que esta será uma tarefa fácil.

Organização do Dicionário Mental Multilíngue E agora estamos preparados para criar o Dicionário Mental Multilíngue ou Arquivo Mnemônico de Idiomas. O arquivo contém dez mil gavetas, numeradas de 0000 até 9999. Cada gaveta vai ter como rótulo uma palavra única no nosso idioma principal, neste caso o Português. Estas palavras ou rótulos, servirão de índice para as respetivas traduções em todos os


idiomas que aprendermos. Cada gaveta vai conter várias pastas que correspondem aos vários idiomas do nosso dicionário. Estas pastas vão conter a tradução da palavra-rótulo, no idioma correspondente. Por vezes um determinado vocábulo pode pertencer à mais de uma classe de palavras, por exemplo, adjetivo ou substantivo, tendo por consequência mais que um significado e naturalmente mais de uma tradução correspondente. Nestes casos, cada pasta associada à esta palavra terá por sua vez subpastas correspondentes à cada uma dessas traduções, que vão conter a tradução para cada classe de palavra. Vamos ver um exemplo de uma representação gráfica desta estrutura, para o caso mais simples em que existe apenas uma classe de palavra para o nosso vocábulo:


Ou um caso mais complexo em que o vocรกbulo pode ser adjetivo ou substantivo:

Vamos ver um exemplo prรกtico para o caso mais simples:


E um exemplo prĂĄtico para o segundo caso:

Devido a similaridade de sons neste exemplo provavelmente muitos poderĂŁo optar em arquivar apenas uma classe de palavras. Vejamos outro exemplo do mesmo tipo:


Este último exemplo é interessante porque no Inglês, assim como no Português, a mesma palavra (adhesive) é usada tanto para o adjetivo como para o substantivo. Já em alguns idiomas, existem palavras diferentes, como pode constatar. Note que só precisa usar subpastas quando for necessário para o idioma em questão. As gavetas criam-se juntando as palavras dos correspondentes números da tabela de duplos dígitos. Por exemplo: 0000 = osso + osso


1260 = tenda + jasmim 9224 = pente + nariz 9999 = papa + papa

Como pastas utilizamos o nosso arquivo topográfico. Por exemplo, eu uso o primeiro lugar do meu arquivo topográfico como pasta para o Alemão. A ordem não importa, e pode ir usando mais lugares quando quiser aprender idiomas adicionais, até ao limite do arquivo topográfico, que inicialmente suporta até cem idiomas! Se estiver excecionalmente entusiasmado em aprender ainda mais idiomas, basta simplesmente aumentar o seu arquivo topográfico... Se for necessário, use a técnica de atribuição de caraterísticas aos seus lugares, para identificarem que idioma representam. Porém, quase todas as pessoas não vão


requerer este passo adicional. E como vamos proceder para criar subpastas dentro das pastas, quando for necessário? Para isso utilizamos a técnica do palácio mental. Em cada lugar no seu arquivo topográfico, que corresponde á um determinado idioma, identifique no mínimo dois objetos que possa utilizar como subpastas. Para evitar confusões, tome o cuidado de evitar objetos que estejam numa das tabelas expostas. Por exemplo, para o meu primeiro lugar, casa, eu utilizo o sofá e o candeeiro como subpastas. Se quiser adotar maior rigor, ou se achar útil, pode reservar cada objeto para uma determinada classe de palavras; por exemplo, a mesa só para verbos e o sofá apenas para adjetivos. Quando precisar de mais de duas categorias, basta escolher outro objeto. Se na realidade não existem objetos


adequados no seu lugar topográfico, pode usar um objeto inventado. Como já concordamos antes, no mundo da sua imaginação quem manda é você!

Preparação da Lista de Palavras Como qualquer dicionário de dois ou mais idiomas, tem de haver uma correspondência entre o vocábulo estrangeiro e o da língua materna. Isto quer dizer, que para ter todas as gavetas do seu arquivo prontas para uso, vai ter de as rotular ou etiquetar, ou seja, terá de memorizar dez mil palavras Portuguesas, que lhe servirão de índice para o seu dicionário mental multilíngue. Mas fique descansado, pois vai fazê-lo de forma gradual. Será preferível que as palavras sejam organizadas alfabeticamente, tal como num dicionário. Por exemplo, a sua lista pode ter palavras como as


seguintes: 0000 – abacaxi 0001 – abade 0002 – abafar 0003 – abaixo 0004 – abalar 0005 – abanar 0006 – abandonar 0007 – abarcar 0008 – abastecer 0009 – abater Além dos benefícios de uma melhor organização, uma das vantagens de ter a lista em ordem alfabética é que se por acaso nos esquecermos da palavra que pertence à uma determinada gaveta, podemos consultar as palavras adjacentes, que nos vão dar uma ideia sobre as letras iniciais da palavra esquecida. Já me aconteceu ter dificuldade em recordar-me de uma determinada palavra, apesar de


conseguir visualizar a imagem mental. Graças à organização alfabética, conseguia segundos depois, voltar a lembrar-me dela. Em teoria podia também agrupar as palavras por temas, mas isso seria pouco vantajoso. A organização alfabética é ainda importante porque certamente terá na sua lista palavras sinônimas, que poderão ter imagens mentais idênticas. O índice alfabético vai ajudar-lhe a distinguir e a identificar as palavras que correspondem à cenas mentais similares, especialmente quando se tratarem de palavras abstratas. A primeira coisa a fazer seria obter uma lista de dez mil palavras comuns, que serviriam de índice para todos os idiomas que aprendermos. Procure encontrar de preferência uma lista em formato digital. Deste modo pode


colar a lista numa planilha, organizá-la alfabeticamente, e usar o programa para numerar essas palavras de automaticamente. Se por acaso já domina o idioma Inglês tão bem quanto o Português, sugiro que utilize palavras Inglesas como índice para o seu arquivo, pois que é muito mais fácil encontrar listas de palavras em Inglês. Outra alternativa é pedir à uma pessoa amiga que fale o Inglês para procurar listas de palavras frequentes em Inglês. Depois de traduzir a lista, poderá então arranjá-la em ordem alfabética do vocabulário Português.

Arquivo de Trabalho e Arquivo Permanente Na prática, muitos terão dificuldades em preparar uma lista de dez mil palavras em pouco tempo. E mesmo


que o faça, ou que tenha já uma lista disponível, vai eventualmente depararse com uma palavra nova que não conste desta lista. Por isso recomendo que todos organizem a sua lista e arquivo mental como descrevo a seguir, o que lhe vai permitir utilizar este sistema imediatamente e tirar dele maior benefício. Note que com arquivo, refiro-me à um conjunto de gavetas. O seu arquivo mental vai ser dividido em duas partes. Reserve os primeiros 1000 números, isto é, de 0000 à 0999 para o seu arquivo de trabalho, onde as gavetas podem ser rotuladas em ordem aleatória. Os restantes 9000 números (de 1000 à 9999) serão dedicados ao seu arquivo permanente , de ordem alfabética. Por exemplo, podia organizar a sua lista ou palavras-rótulo da seguinte maneira:


Lista de Trabalho 0000 – ultrapassar 0001 – mesa 0002 – avião 0003 – lembrar ... 0998 – cadeira 0999 – sobremesa Lista Permanente 1000 – abacaxi 1001 – abafar 1002 – abalar ... 9998 – zebra 9999 – zumbido O seu arquivo de trabalho é de certa forma temporário. Imagine que cada gaveta tem um rótulo escrito a lápis, que pode apagar e mudar sempre que quiser. Neste arquivo você irá rotular


até 1000 gavetas em ordem aleatória, com palavras dos idiomas que está a aprender no momento. Em vez de criar essa lista de palavras-rótulo em avanço, você pode e deve ir acrescentando gradualmente os rótulos das palavras Portuguesas que correspondem aos novos vocábulos estrangeiros que está a aprender. Vamos supor que esteja a fazer um curso de Inglês numa escola ou online e lhe acabaram de ensinar a tradução Inglesa para as palavras morango, cozinha, e janela. Para não se esquecer delas vai rotular as três primeiras gavetas do seu arquivo de trabalho que estiverem disponíveis. E imediatamente vai armazenar na pasta para o Inglês nas respetivas gavetas, os vocábulos que aprendeu (strawberry, kitchen, window). Em breve vou explicar em detalhe como fazer isto.


Como vai levar algum tempo até preencher por completo o seu arquivo de trabalho, dedique pelo menos alguns minutos todos os dias para ir criando a sua lista permanente de palavras, que estará organizada em ordem alfabética. Para isso, pode usar um dicionário, donde irá escolher palavras de uso comum. Não se preocupe ainda em adicionar a tradução. É mais importante ter primeiro todos os números do seu arquivo permanente atribuídos à uma palavra Portuguesa (rótulo) porque quando lhe aparecer uma palavra Inglesa que pretende recordar, vai ter já o número da gaveta onde ela deve ser armazenada. Também não precisa ainda rotular as gavetas no seu arquivo permanente mental, basta apenas ir anotando os números das palavras em ficheiros no seu computador, de preferência num formato que possa ser lido por um aplicativo de flashcards,


como por exemplo o Seizum. Quando tiver preenchido o seu arquivo de trabalho, parabéns, você aprendeu 1000 palavras! Você pode ainda continuar a usar o seu arquivo de trabalho para palavras adicionais que ainda não tenham um número dedicado no arquivo permanente. Para isso, descarte as palavras que já não precisa manter mnemonizadas por já as conhecer muito bem, e reuse essas gavetas (números) para colocar outro rótulo (palavra Portuguesa) onde irá armazenar o novo vocábulo Inglês que lhe interessa. Um sinal perfeito de que pode reutilizar uma determinada gaveta do seu arquivo de trabalho, é quando já nem se recorda ou necessita da cena mental que usou para guardar a tradução, mas conhece instantaneamente a tradução Inglesa.


Isto significa que a palavra Inglesa já está na sua memória de longo prazo, e o ficheiro no seu arquivo de trabalho já não tem mais utilidade nenhuma. Entretanto, vai continuar estendendo a sua lista permanente até ela estar concluída! Quando chegar a este ponto pode ir começando a colocar esses rótulos no seu arquivo permanente mental, e simultaneamente ir gravando as traduções Inglesas nas respetivas gavetas.

Rotulando as Gavetas Até aqui já ficou claro que as suas listas de palavras, são também os rótulos ou etiquetas que irá gravar nas gavetas do seu arquivo de trabalho e nas gavetas do seu arquivo permanente. Para efetuar esta gravação, vai fazer uma associação mnemônica entre a palavra-rótulo e o


número da gaveta. Por exemplo, para colocar o rótulo “cômico” na gaveta com o número 1260 (tenda + jasmim), faz uma associação tripla entre “tenda”, “jasmim” e “cômico”. Como já aprendemos como se faz uma associação tripla, vou apenas abordar dois pontos pertinentes: 1) Quando houver uma gaveta com duplos dígitos repetidos como em 6868 (chave + chave), torne isso claro na sua cena, fazendo com que a imagem representante do duplo digito apareça duas vezes. Por exemplo, se a palavra-rótulo para 6868 fosse “cama”, podia imaginar alguém a usar duas chaves especiais. Com uma chave abria o quarto, e com a outra chave trancava os olhos antes de se deitar na cama para dormir. 2) Durante a associação tripla, procure


dar ênfase ao primeiro duplo dígito, de maneira a preservar a ordem, uma vez que todos os duplos dígitos serão associados duas vezes, por exemplo 1260 (tenda + jasmim) e 6012 (jasmim + tenda). Isto pode ser feito dando um tamanho muito maior ao primeiro duplo dígito, ou fazendo com que ele apareça primeiro na cena que for imaginada. Para demonstrar o segundo ponto, compare as seguintes cenas, que dão exemplo de como colar ou gravar os rótulos “cômico” e “pulseira” nas gavetas 1260 e 6012 respetivamente: 1260 – cômico: numa tenda enorme tinha uma pequena jasmim, que um cômico tentava fazer rir com piadas sobre flores 6012 – pulseira: num jardim uma jasmim gigantesca oculta uma


pequena tenda onde uma mulher procura a sua pulseira Embora seja possível que as duas cenas venham à memória, com qualquer um destes números, o importante é que vai conseguir facilmente distinguir entre elas.

Armazenando Traduções Quando uma gaveta está rotulada, ela está pronta a receber quantas traduções quisermos. Para armazenar uma tradução, deve criar uma outra associação tripla entre o vocábulo estrangeiro e o número da gaveta (os dois duplos dígitos). Além disso, esta cena tem que estar claramente associada ao lugar do nosso arquivo topográfico que serve de pasta para o idioma desejado. Isto significa que o mesmo lugar topográfico será utilizado para todas as dez mil cenas do idioma


atribuído. Mas isto não causa confusões porque todas as cenas vão ser diferentes, elas simplesmente terão um local comum. Vamos ver um exemplo completo assumindo que atribuímos a palavrarótulo “vencer” à gaveta com o número 9224. Essa rotulagem poderia ter sido feita imaginando que existe uma competição que consiste em aspirar pentes gigantes com o nariz e para vencer o “atleta” tem de ser o primeiro a arrastar o pente para a meta. Vamos então armazenar as traduções para os três idiomas nos seus correspondentes lugares topográficos. Para seguir os exemplos que se seguem, tome nota dos detalhes realçados na seguinte tabela: Gaveta 9224 (pente + nariz): vencer


Pasta

Tradução Chave

Inglês: casa

win

vim

Finlandês: paragem de autocarro (ônibus)

voittaa

volta

Alemão: praça (mercado público)

siegen

seguem

Inglês: Numa casa tem um pente enorme e duas irmãs querem usá-lo para pentear o nariz. Elas põem-se a discutir gritando “o pente é meu, eu vim primeiro”. Finlandês: Na paragem de autocarro o cobrador está a tentar organizar a


fila de um modo interessante. Ele tem um pente enorme preso no nariz e quem conseguir tirá-lo fica em primeiro lugar, caso contrário, tem de dar a volta e ficar no fim da fila. Alemão: Na praça todos os vendedores vendiam só pentes gigantes. E ainda mais esquisito, tinha um cão que usava o seu nariz para cheirar cada pente. Não satisfeito com a mercadoria ele ia para a próxima bancada enquanto uma fila de cães seguem à sua trás. Note que a maioria dos exemplos são simples e apenas ilustrativos. Recomendo rever as regras de ouro, para que crie ligações fortes, tanto para os rótulos das gavetas, como para o conteúdo das pastas.

Utilizando as Subpastas do Palácio de Memória


Quando tivermos que armazenar traduções para classes distintas de palavras, vamos associar as respetivas palavras chave aos objetos que escolhemos para subpastas, dentro do palácio mental do lugar topográfico que serve de pasta para o idioma. Vamos demonstrar armazenando “adesivo” como adjetivo em Finlandês (tarttuva) na subpasta da gaveta número 0067. A gaveta já terá sido rotulada, por exemplo imaginando que tem um osso enorme que um pequeno jacaré quer comer mas não consegue porque está coberto com um adesivo. Como subpasta utilizamos o banco da paragem, na seguinte cena: Na paragem de autocarro tinha um enorme osso que atraiu um jacaré. O pessoal da paragem arrancou o banco e tentou usá-lo para afugentar o jacaré, mas ele disse que só se ia embora se levasse a tarte de uva que uma mulher trazia na


bolsa.


Os Gêneros Inconfundíveis Se comparar o idioma Inglês com outros, provavelmente vai chegar a conclusão de que é o mais fácil de se aprender. E uma das razões é que os substantivos Ingleses não têm um gênero gramatical. Isto é em contraste com idiomas como o Português, que como sabe, atribui um gênero à todos os substantivos. Por exemplo mesa e colher são femininos, enquanto tapete e avião são masculinos. Certos idiomas como o Alemão vão ainda mais longe e têm também palavras de gênero neutro. E como não é fácil identificar o gênero do substantivo, é de grande utilidade acrescentar este pormenor sempre que tivermos que armazenar um substantivo num idioma que use gêneros.


O método que vamos utilizar pode se aplicar à qualquer idioma. Ele consiste em acrescentar um determinado detalhe que nos indica o gênero do substantivo, à imagem que usamos para representar o vocábulo estrangeiro. Por exemplo, para indicar o feminino usamos um cabelo muito comprido. Lembra-se da história da Rapunzel? Não importa de que objeto se trata, mesmo que for por exemplo uma chávena de café, acrescente com a sua imaginação cabelos compridos, e imagine a chávena alisando os seus lindos e longos cabelos. Para o gênero masculino pode usar um bigode desmesuradamente grande, e similarmente, use uma cauda para o gênero neutro.


Juntando Tudo e Aplicando o Sistema Vamos descrever um cenário típico para que compreenda melhor a aplicação deste sistema. Vamos supor que esteja a ler um livro, ou aprendendo Inglês num aplicativo e se deparou com uma palavra Inglesa que quer recordar. Uma vez sabida a tradução Portuguesa irá procurar o número de pasta no seu arquivo permanente que tem os rótulos (palavras Portuguesas) em ordem alfabética. Caso o seu arquivo permanente ainda não estiver completo, ou se nele não constar a nova palavra, vai utilizar o seu arquivo de trabalho, localizando o primeiro número que ainda não foi utilizado, isto é, cuja gaveta ainda não foi rotulada com palavra nenhuma. Identificado o número, põe um rótulo


na correspondente gaveta, fazendo uma associação tripla com a palavra Portuguesa e as imagens representativas dos dois duplos dígitos. Tendo rotulado a gaveta, armazena o vocábulo Inglês na pasta ou subpasta correspondente, através de uma associação mnemônica. Quando quiser recordar-se de como se diz uma determinada palavra Portuguesa em Inglês, basta pensar nela, e virá na sua mente a cena associada com a sua gaveta. Por exemplo, pensando em adesivo lhe faz lembrar de osso e jacaré, que também lhe dá o número da gaveta: 0067. Imediatamente vai para a pasta para o Inglês, por exemplo “osso” + “jacaré” + “casa” onde encontra a tradução correspondente: adhesive. Também se quiser, pode percorrer o seu itinerário do arquivo topográfico, e ir encontrando todas as outras traduções,


bastando para isso que utilize as palavras mágicas “osso” e “jacaré” associadas à estes lugares, ou objetos dos respetivos palácios mentais. Mais tarde quando escutar a palavra Inglesa, por exemplo “win”, vai lembrar-se da palavra chave “vim” (vim primeiro!) que lhe faz recordar da cena das irmãs que lutavam em casa pelo pente para o nariz. Uma vez localizada a pasta (pente + nariz), lembra-se imediatamente da corrida de pentes com nariz que todos querem vencer. Além de ser o rótulo da gaveta, esta é também a tradução Portuguesa que procura. Já que tem a pasta, pode encontrar também a tradução de “win” noutros idiomas: pente + nariz + paragem lhe fazem lembrar de “voittaa” (Finlandês) e pente + nariz + praça de “siegen” (Alemão).


A princípio pode parecer um bocado complicado quando se descreve o sistema por palavras, mas posso dizer por experiência própria que quando as ligações mnemônicas estão bem feitas, o processo de utilizá-las para recordar as palavras leva apenas alguns segundos. E depois de serem usados algumas vezes a recordação é praticamente instantânea, isto é, não é mais necessário seguir estes processos mentais.


Um Bocadinho de Gramática Embora este livro seja sobre vocabulário, não podia deixar de tocar no assunto dos verbos irregulares do Inglês. Afinal, eles são indispensáveis para ter domínio do idioma, e as variações dos verbos são também palavras que precisa aprender. O “past tense” e “past participle” dos verbos regulares Ingleses formam-se adicionando o sufixo “ed”. Por exemplo walk, fica “walked”. Exemplos: I walked (eu caminhei), I had walked (eu tinha caminhado). Já outros verbos, adequadamente chamados “irregulares”, são rebeldes e não querem seguir regra nenhuma. Por exemplo: I go (eu vou), I went (eu fui), I had gone (eu tinha ido).


A solução é memorizar estas variações, ou melhor ainda, mnemonizar estas formas. Para isso, fazemos uso das subpastas que até agora têm sido utilizadas para memorizar traduções correspondentes à outras classes de palavras, tais como adjetivos ou substantivos. Da mesma forma, vamos empregar objetos do nosso palácio mental que fazem parte do local topográfico designado para o Inglês, para armazenar as diversas formas do verbo.


Vantagens do Sistema Já deve ter notado que para recordar uma tradução Inglesa necessita de duas cenas mentais: uma para a rotulagem da gaveta (com a palavra Portuguesa) e outra para armazenar a palavra Inglesa na respectiva pasta. Claro que poderia simplesmente fazer uma associação direta, como aprendemos anteriormente. Porquê então o trabalho adicional? Vou começar por indicar que pode usar este sistema para ir anotando mentalmente no seu arquivo de trabalho, palavras que você deseje aprender, no decurso do dia a dia. Sempre que estiver numa situação em que pense “como é mesmo que se diz isto em Inglês?” rotule uma gaveta no seu arquivo de trabalho com essa palavra. Quando tiver oportunidade de encontrar a palavra Inglesa


correspondente, vai poder armazená-la na pasta adequada dentro dessa gaveta. Também já expliquei anteriormente, que utilizando este sistema você terá a vantagem da organização alfabética, que lhe servirá para lembrar-se mais facilmente da palavra Portuguesa que corresponde à uma determinada cena mental, principalmente quando se tratam de palavras abstratas. Além disso, a rotulação da gaveta só precisa ser feita uma vez. Quando precisar aprender um outro idioma, só precisa de criar uma cena mental para armazenar a nova palavra estrangeira, isto é, não vai necessitar de associações adicionais. Se fizesse simplesmente associações diretas, elas estariam espalhadas na sua mente, e seria mais difícil encontrá-las. Mais complicado seria ainda se estivesse aprendendo vários


idiomas em simultâneo. As imagens mentais para a mesma palavra podiam confundir-se de tal forma que não iria saber com certeza á que idioma determinada cena corresponde. Como se não bastasse, as associações mais recentes teriam tendência em sobrescrever, e de certo modo, apagar as imagens que criou para a outra tradução. Outra vantagem deste sistema, é que vai ter um dicionário na sua memória, que pode revisar quando quiser, sem necessitar de anotações ou qualquer dispositivo externo. Pode ir revendo os seus arquivos quando está a caminhar, deitado na praia, ou numa fila no supermercado. Se sofre de insônias pode elicitar mentalmente as traduções armazenadas no seu dicionário multilíngue, deitado na cama de olhos fechados. Certamente muito mais útil do que contar


carneiros! Em conclusão, se estiver a aprender apenas o Inglês, ou um único idioma, este método lhe oferece vários benefícios, mesmo que não tenha intenção de um dia aprender outra língua. E se quer aprender outros idiomas mais tarde, ou até mesmo em simultâneo, verá que este sistema lhe vai oferecer resultados superiores. Dito isto, tenha a liberdade de o modificar ou adaptar, de forma a melhor satisfazer o seu uso pessoal.


7. Mais Dicas e Técnicas de Aprendizagem Quero terminar este livro oferecendo algumas dicas práticas para aprendizagem do Inglês, ou idiomas no geral, e mais algumas sugestões para utilização das técnicas que aprendeu. Vou também mostrar como fazer uso efetivo de uma tecnologia de aprendizagem combinada com a mnemotécnica. Sei que muitas vezes nos esquecemos de pôr em prática aquilo que já pode ser do nosso conhecimento. Por isso, partilho esta informação para que sirva também como um “check-list”, para verificar se está a seguir os passos


considerados importantes na aquisição de uma nova língua.


Onde Começar Então decidiu aprender Inglês. Existe tanta informação nova, onde começar? Com um bom curso, evidentemente. As opções que existem são inúmeras. Se gosta de escolas e tem os recursos financeiros, escolha uma boa escola que lhe ofereça várias oportunidades de exercitar os seus conhecimentos, principalmente, a possibilidade de conversar em Inglês. Um bom professor pode lhe ajudar a usar bem o idioma, a pronunciar bem as palavras e a esclarecer dúvidas de gramática. Mas não se esqueça que a verdadeira aprendizagem acontece fora da sala de aulas. Quando estiver em casa aplique o sistema que aprendeu para memorizar todas as palavras que não se lembra facilmente. Se é daquelas pessoas que preferem aprender sozinhas, ou que não dispõe


de tempo ou recursos financeiros para aulas, posso lhe assegurar que não precisa de ir á uma escola física. Tem muita gente que aprendeu e dominou idiomas por completo sem ter ido à escola nenhuma. O que apenas recomendo é que use algum material didático para guiar a sua aprendizagem inicial. Existem cursos online, aplicativos, livros com CD, enfim, uma infinidade de recursos para o autodidata, muitos deles completamente grátis.


Hábitos Para Uma Aprendizagem Eficiente Quando sentir que já tem um conhecimento básico do Inglês, e sentir que o que mais lhe falta é um vocabulário amplo, comece a memorizar listas de palavras. Volto a lembrar que deve escolher palavras frequentes, ou da sua área específica de interesse. Equipado com o sistema que acabou de aprender, poderá progredir á uma velocidade muito superior à de outros estudantes. O único limite será aquele que decidir, ou que o tempo lhe permitir.

Aprenda Frases Mas você não quer falar como um dicionário. Sempre que aprender uma palavra nova, consulte a sua utilização. Se o seu dicionário não lhe oferecer


uma frase de exemplo, existem vários sites na Internet que têm essa funcionalidade. Por exemplo, na altura em que escrevi este livro, tanto macmillandictionary.com como sentence.yourdictionary.com apresentam exemplos de frases para várias palavras Inglesas.

Pronúncia E claro, aprenda também as regras de pronunciação, e a pronúncia da palavra nova, já que o Inglês tem muitas irregularidades. Para praticar a habilidade de escutar existem também vários sites que têm vídeos com legendas. Mas como o seu tempo já é curto, eu recomendo outra alternativa: filmes e séries. Se esses são passatempos usuais, aproveite para divertir-se e aprender ao mesmo tempo. Procure encontrar filmes e programas que têm legendas em


Português e áudio em Inglês. Quando o seu Inglês for mais aprofundado, troque para áudio em Inglês e legendas também em Inglês. Eventualmente, elimine as legendas por completo.

Leitura Outra atividade que não posso recomendar demasiadamente é a leitura. O ideal é quando já tem um vocabulário suficientemente bom, para que possa curtir o livro na maior parte do tempo, e ir consultando o dicionário apenas de vez em quando. Se quer um desafio e não se importa de tornar a sessão de leitura em estudo, proponho o seguinte: escolha um livro e sempre que encontrar uma palavra nova, consulte o dicionário e memorize a palavra usando o sistema que aprendeu, colocando-a no arquivo de trabalho do seu dicionário mental.


Um livro clássico que recomendo, por ser uma história interessante e com Inglês acessível para principiantes, é o romance de Jules Verne, Around the world in 80 days. Se comprar a versão Kindle você poderá também obter o livro em formato áudio. Naturalmente pode usar qualquer texto que lhe interesse para esse exercício, que não só vai enriquecer o seu vocabulário e conhecimento de expressões e coloquialismos, mas também melhorar a sua gramática e compreensão da estrutura de frases Inglesas.

Regularidade Decida o tempo mínimo que pode dedicar todos os dias e estude diariamente. Sim, todos os dias! É preferível dedicar quinze minutos todos os dias, do que duas horas por semana numa única sessão. Mas se por algum motivo não tiver aderido ao seu


plano (afinal, quem é perfeito?) pode sim compensar com uma maratona de aprendizagem. Uma sessão prolongada não funciona bem com repetições, mas usando as técnicas de mnemotécnica que tem em sua posse, você poderá conseguir o extraordinário e aprender dezenas de palavras num só dia, ou mais! Mesmo assim, recomendo que procure manter algum contato diário com o Inglês, através de filmes, música, ou revendo mentalmente o seu dicionário mental sempre que tiver alguns minutos livres; por exemplo, quando estiver a tomar um duche, ou a espera de algo.

Prática Finalmente, não se esqueça de falar! Não espere até aprender toda a sua lista de dez mil palavras, antes de tentar conversar em Inglês. Eu me


recordo que quando era adolescente tinha um colega e amigo de escola que também tinha muito interesse no Inglês. Nós decidimos que quando estivéssemos a caminhar iriamos conversar em Inglês o máximo possível. Claro que os erros eram muitos, e frequentemente adivinhávamos palavras, e misturávamos Inglês e Português. Mas este hábito ajudou-me a progredir bastante. Se não consegue arranjar ninguém com quem praticar, use a Internet! Existem sites específicos para a partilha de conhecimentos linguísticos, ou “language exchange sites”, como são chamados em Inglês. Nalguns desses sites você poderá encontrar pessoas com quem vai poder falar no Skype. Existem várias opções, as vezes você terá de pagar, ou poderá em troca, oferecer o seu tempo para conversar


na sua lĂ­ngua materna, o PortuguĂŞs.


Utilizando Flashcards Como já mencionei antes, o uso de flashcards é provavelmente o método mais comum usado para memorizar palavras, por vezes em conjunto com o sistema de repetição em intervalos (spaced repetition system ou SRS em Inglês). Tenho de reconhecer os méritos do SRS, pois muitos estudantes dizem ser muito bom para a aprendizagem de línguas. Se quiser experimentar, um aplicativo bastante popular é o Anki. Mas nem tudo é um mar de rosas. Se tiver uma lista muito grande de palavras, você vai ter de dedicar bastante tempo todos os dias. A regularidade é chave porque o algoritmo do software vai decidir quando é que deve repetir a apresentação de um determinado flashcard.


Comparação Com Mnemotécnica Em minha opinião, a mnemotécnica é superior ao uso de flashcards. Quando se segue as regras de ouro que aprendemos anteriormente para criar uma ligação suficientemente forte, a magia da mnemotécnica permite que a memória dure dias, semanas, meses ou até mesmo mais tempo. Se durante esse período, você utilizar o dispositivo mnemônico algumas vezes quando necessitar da palavra naturalmente, ela vai acabar por se fixar na sua memória a longo prazo. Isso quer dizer que não precisa perder tempo na tarefa tediosa de repetições.

Combinando as Técnicas A mnemotécnica não precisa estar em competição com flashcards. Por vezes


duas ferramentas em conjunto funcionam ainda melhor que individualmente. E o importante é que o estudante beneficie. Essencialmente você tem duas possibilidades. Uma delas é seguir as regras de ouro para assegurar-se que cada palavra que armazena no seu dicionário mental tem uma ligação forte, para que lá permaneça por muito tempo, sem necessitar de repetição, usando talvez um aplicativo como Seizum para praticar a ortografia. A outra alternativa é utilizar a primeira associação que lhe vier em mente, e passar de imediato para a palavra seguinte. É neste caso que recomendo o uso de flashcards. A minha teoria, baseada em experiência própria é a seguinte: quando você faz uma ligação mnemônica, mesmo que bastante fraca,


ela serve como uma ponte, que lhe permite atravessar o rio do esquecimento, para chegar até a memória desejada. Sempre que fizer esta jornada, isto é, sempre que revisitar a gravação através da sua cena mental, esta ponte torna-se cada vez mais forte. Eventualmente, ela acaba por se tornar tão boa quanto uma ligação forte. Os cartões relâmpago, ou flashcards, são ideais para esse tipo de revisões.


Utilizando o Seizum – Master your flashcards Como disse anteriormente pode usar o aplicativo de flashcards que quiser ou que estiver disponível no seu sistema. O Seizum pode ser encontrado na loja da Microsoft para o Windows 10, tendo apenas o preço de uma chávena de café, pelo menos quando este livro foi escrito. Deixo-lhe a si a tarefa de adaptar essas instruções ao seu aplicativo favorito.

Organização dos Ficheiros Recomendo que organize todos os rótulos das gavetas do seu dicionário mental, isto é, somente o número e a palavra Portuguesa, em grupos de ficheiro de texto (.txt). O Seizum também suporta tabelas em ficheiros Word ou planilhas do Excel. Eu prefiro


trabalhar com o Bloco de Notas (Notepad) do Windows porque é super rápido abrir cada ficheiro. Por exemplo, pode criar duas pastas no seu computador, uma para o seu arquivo de trabalho, e outra para o seu arquivo permanente. A pasta “arquivo de trabalho” vai ter cem ficheiros, cada um com dez palavras-rótulo. Isto significa que cada ficheiro vai ter dez flashcards, que é o número ideal para o Seizum. Por exemplo, o ficheiro palavras-etiqueta-000.txt vai conter palavras de 0000 até 0009, o ficheiro palavras-etiqueta-001.txt vai conter palavras de 0010 até 0019, e assim sucessivamente, até o último ficheiro palavras-etiqueta-099.txt, onde vamos pôr as palavras de 0990 até 0999. Dentro de cada ficheiro basta colocar o número e o nome da pasta, tendo o cuidado usar a tecla “Enter” para criar


uma nova linha, pois que o Seizum interpreta cada linha como um flashcard. Para separar a parte da frente e trás usamos letras separadoras. Isto pode ser um tab, o sinal menos (-), dois pontos (:) ou dois pontos duplos (::). Por exemplo, pode copiar e colar o seguinte texto no bloco de notas (notepad) e salvá-lo como palavrasetiqueta-000.txt e terá assim dez flashcards: 0000 : rápido 0001 : descansar 0002 : sucesso 0003 : amor 0004 : vida 0005 : saúde 0006 : engenheiro 0007 : falar 0008 : teclado 0009 : sapato


Se abrir este ficheiro com o Seizum irá ver que ele detetou os cartões, indicados na barra de baixo. Ele também mostra a parte de frente do cartão.


Dentro da pasta “arquivo de trabalho” onde acabou de criar os ficheiros de trabalho, crie também uma subpasta com o nome “Inglês”. A seguir copie dentro dela os ficheiros de trabalho. Faça o mesmo sempre que criar um


ficheiro novo. Edite cada ficheiro, e acrescente a tradução Inglesa para cada palavra, usando um separador suportado pelo Seizum. Por exemplo: rápido : quick descansar : rest sucesso : success amor : love vida : life saúde : health engenheiro : engineer falar : speak teclado : keyboard sapato : shoe Se quiser, pode mudar os nomes dos ficheiros, por exemplo em vez de palavras-etiqueta-000.txt, mude para palavras-000.txt. Também pode copiar e colar o texto acima para criar mais dez flashcards. O que fizemos foi criar grupos


separados de flashcards para as palavras rótulo com os respetivos números, e para as traduções. Também notou que usamos no computador a mesma estrutura de pastas que temos no nosso dicionário mental multilíngue. A organização sugerida deve também ser aplicada para a pasta que vai conter os ficheiros do arquivo permanente. Como serão 900 ficheiros de 10 palavras cada, poderá querer reparti-los em subpastas adicionais.

Usando os Flashcards O primeiro grupo de flashcards serve para nos ajudar a criar e verificar que gravamos os rótulos nas gavetas do nosso dicionário mental corretamente. Quando aparecer o primeiro número, por exemplo 0000, vamos convertê-lo em imagens, neste caso osso + osso. A


seguir viramos o cartão para ver que rótulo devemos criar. Tendo feito a associação mental, clique na seta para avançar para o próximo cartão, e siga o mesmo procedimento. Quando chegar ao fim, o Seizum vai lhe dizer que você dominou todos os cartões, porque é isto que o botão da seta assinala. Clique no botão para recomeçar de novo. Desta vez quando lhe aparecer o número da gaveta, recorde-se do rótulo correspondente e digite a resposta. Como pode ver na figura acima, o Seizum mostra a seta verde enquanto estiver digitando a resposta certa. Note que eu uso a versão Inglesa, mas o Seizum está disponível em Português. Se você errar a resposta o Seizum vai voltar a lhe mostrar o mesmo flashcard depois de ter chegado ao fim, e quando clicar no botão “fortalecer cartões”.


Se por acaso não se consegue lembrar da resposta, vire o cartão. Nessa altura vai se lembrar da cena mental que imaginou, caso contrário, significa que a cena que usou foi demasiado fraca. Aproveite para criar outra melhor e marque o cartão como “não dominado”. O procedimento que acabei de explicar deve também ser usado quando quiser armazenar as traduções. Isto é, leia primeiro as palavras a partir dos flashcards, armazenando cada palavra no seu dicionário mental. Quando tiver terminado, repita a sessão para testar se as gravou corretamente, e também para verificar que aprendeu bem a grafia. Veja na imagem seguinte como o Seizum me indica com uma seta laranja virada para baixo, que me esqueci de um “c” na palavra “success”.


Sempre que fizer este exercício, divida o seu tempo em duas partes: num período você irá rever os flashcards que aprendeu nos dias anteriores, e noutro irá aprender novos cartões. Claro que com o tempo limitado, irá


somente rever os cartões mais recentes, pois que os outros, com o auxílio da mnemotécnica, já os terá aprendido perfeitamente.


Palavras Finais Aprender um idioma requer tempo, paciência, perseverança, trabalho e dedicação. Não existe ainda nenhuma formula mágica que lhe permite aprender um idioma num só dia. Apesar disso, estou confiante de que as técnicas apresentadas nestas páginas, lhe vão permitir acelerar e tornar a sua aprendizagem mais agradável. O livro termina aqui, mas começa a sua jornada, onde vai usar a arte de memorizar vocabulário estrangeiro, para se tornar num mestre de línguas.

Luis lopes a arte de memorizar vocabulário inglês e de outros idiomas como absorver rapidamente list  
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