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Nยบ 16 Editora Real Maio, 1958

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Olá, leitores! A revista mais polêmica da atualidade lançou mais uma edição cheia de novidades. A Avesso desta quinzena destaca, majoritariamente, as áreas de cultura e esporte. Aqui você encontrará opiniões abalizadas e totalmente imparciais sobre fatos e notícias, com o nosso habitual teor de sarcasmo em doses pequenas e quase imperceptíveis. Na ala de esportes, uma mega cobertura a respeito do grande evento que está por vir: a Copa do Mundo da Suécia; matéria com a tenista brasileira Maria Esther Bueno; crônica de Danilo Pimpão, com suas previsões a respeito do esporte no Brasil. Na esfera cultural, o leitor terá oportunidade de acompanhar a matéria sobre a nossa “querida” Miss Adalgisa e suas peripécias em Long Beach; uma entrevista com o ator mais sisudo dos espetáculos brasileiros, Oscarito; uma dissertação a respeito da recente(e polêmica) obra de Jorge Amado, “Gabriela, Cravo e Canela”. Esperamos que todos os leitores desfrutem de mais uma edição da “Avesso”. Até a próxima!

Índice Mais uma vez amado

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Carta do Leitor

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Oscarito, o REI da chanchada

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Programação Cultural

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Suécia em Festa

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Pés pelas Mãos, Nunca Mais!

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Miss, Brasil?

União Estável

O Desencanto de Wimbledon

Tabela de Jogos

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Interagindo

com o

Leitor... Prezados Sr. da Redação da Revista Avesso

À Revista Avesso

É com desgosto que me dirijo a vocês, pessoas que considero de tão boa índole moral para expor meu profundo desprezo pela forma imoral como foi tratada a questão da sexualidade dos adolescentes que frequentam a praia de Copacabana. A meu ver é um disparate darmos de frente pelas ruas com meninos e meninas semidespidos. Não sou conservadora, apenas prezo pela moral e bons costumes nas gerações futuras, afinal, se não pormos um freio neste trem de obscenidade que está prestes a descarrilar, meu Deus! Onde este mundo vai parar?

Venho por meio desta deixar o meu posicionamento quanto à carta de um amigo leitor postada no mês de dezembro do ano passado. Deixo claro que sua tentativa de desmoralizar a Revista, por sua vez tão acessível e democrática ao ponto de publicar tamanho absurdo, foi uma prática infeliz. Não acredito que a revista seja esquerdista. Em minha opinião, sua visão é na verdade, tão prática e verdadeira que deixa às claras o redemoinho de desilusões, a farsa e os interesses escusos de nossos “estimados” governantes. Isso não é comunismo, esquerdismo ou outra coisa do tipo. Infelizmente, é verdade pura!

Adalgiza Rodrigues, Copacabana, RJ.

Adalberto Campos, Florianópolis, SC.

A Danilo Pimpão Amigos da Direção da revista Avesso Meus cumprimentos pela crônica apresentada na revista de janeiro sobre a lanchonete Bob´s. Sou frequentadora assídua do estabelecimento em Copacabana, desde sua inauguração, em 1952, e não havia pensado na questão explorada pela revista. Além de oferecer um cardápio delicioso, mas pouco saudável, a presença do Bob´s aqui em nossa terra pode ter função bem menos ingênua da que parece. Ah, sensacionais também são as demais crônicas sobre nosso modo carioca de ser. Abraço! Anita Aguiar, Urca, RJ.

Gostaria de saber o que aconteceu com a seção “Biodiversidade Brasileira”, da Giovanna Fernandes, que tratava da proteção de nossa fauna e flora. Era interessante e triste ver que muito do que temos de natureza vem sendo extinto. Tenho um filho de oito anos que se interessa muito pelo assunto, mas há três edições não vemos mais a seção. O que aconteceu? Posso entender a ausência como uma retaliação pelo excesso de denúncias de atos impunes ao nosso meio? Considero a mesma uma grandiosa perda. Joaquim Soares, Centro, SP.

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E

mais

uma vez,

AMADO! Por Giovanna Fernandes

Sensual, forasteira e com jeito moleca, Gabriela só chega em agosto mas já dá sinais de que veio para ficar. A nova personagem de Jorge Amado, que cheira mais a pimenta que canela, delineia nova fase da polêmica trajetória literária do autor que seduz agora pela espontaneidade e desenvoltura de personagens muito a frente de nosso tempo.

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otável pela beleza exuberante de um litoral extenso, cujo clima e solo outrora favoreceram o surgimento de vastas plantações de cacau, componente indispensável para o luxo e a miséria da região, Ilhéus, musa inspiradora de Jorge Amado assiste este ano à publicação de mais uma história do exmenino grapiúna, que com propriedade de quem viu de perto as contradições da terra, torna a relatar as belezas e pecados da cidade onde estreou os primeiros passos. Arriscandose na mistura

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extremamente inovadora que, como ninguém sabe, leva cravo, canela, cacau, muita pimenta e azeite de dendê acrescentados ao Sol, areia branca, misticismo e, é claro, a boemia litorânea, o autor traz às prateleiras em agosto Gabriela, Cravo e Canela, título que dá vida à exótica e serelepe Gabriela, mais um de seus emblemáticos e, provavelmente, eternos personagens...para desespero das mulheres e deleite do público masculino!


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Como tradição literária, incansavelmente Jorge Amado chama a atenção para os problemas sociais aflorados nos lugares onde passou sua vida na juventude. Ilhéus possui, sem dúvida, a ambiência favorita! Vinte e cinco anos após a publicação de Cacau (1933), primeiro romance a ter como pano de fundo a terra do cacau, orgulho brasileiro no que diz respeito a disputas por poder, riqueza, exploração, miséria e vadiagem, Jorge Amado, em retribuição, volta-se pela trecentésima vez – desculpem a hipérbole! – à cidade para contar a história de Gabriela, uma retirante nordestina levada de uma feira para trabalhar na cozinha de um bar de Ilhéus. Com seu jeito simples e beleza provocante a moça desperta a cobiça dos homens da cidade, dentre eles a do sírio Nacib, seu patrão, que inebriado pelo tempero e sensualidade da mestiça a agraciava com os mais sortidos cortejos.

Mulher boa na cama e na cozinha, Gabriela desperta a inveja das ilheenses e enlouquece os homens que frequentam o Vesúvio.

Seduzida pela nova realidade, Gabriela casa-se com Nacib. Entretanto, não prescinde do espírito rústico e aventureiro que a incita a frequentar outras camas. Mulher boa na cama e na cozinha, Gabriela desperta a inveja das ilheenses e enlouquece os homens que frequentam o Vesúvio se negando, portanto, a se subjugar à rotina do casamento: é dona de sua própria vontade e rapidamente se rende aos prazeres de uma vida libertina, conduta que entra em choque com as pretensões de Nacib e o conservadorismo machista de sua

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época. Enquanto crítica social, Gabriela, Cravo e Canela preserva a ambiência cotidiana da Ilhéus dos anos 20, trazendo à tona as transformações nos costumes da engessada sociedade patriarcal baiana. O romance enfatiza ainda a modernização político-econômica que germinava na cidade ao relatar as peripécias do idealista Mundinho Falcão no enfrentamento dos governantes locais para trazer desenvolvimento a Ilhéus. Eis aí o tempero essencial que qualifica e apimenta a história: um misto da sensualidade tropical de Gabriela e seu ideal de liberdade, aliados à coragem, perseverança e heroísmo do sofredor e festivo povo baiano, ademais, do brasileiro num cenário extremo de adversidades. Mas combinemos: o entusiasmo do autor baiano tem a ver com o aclamado e embriagante ideário progressista atualmente enaltecido nos quatro cantos do país. Ludibriado pelo nacional-desenvolvimentismo do vislumbrado JK – que busca modernizar a carroça à moda estrangeira – Jorge Amado inaugura no


por exílios e fugas decorrentes de suas petulantes e inflamadas publicações em épocas de militância política afiada junto ao Partido Comunista Brasileiro – de quem, como se vê, tem se distanciado. Mas lhe rende o crédito de nunca ter se visto intimidado frente ao ritual de ameaças e perseguições que sofrera, como a queima de exemplares seus na Salvador e da invasão de sua casa do Rio de Janeiro pela polícia, eventos que nem tampouco o afastou de premiações pelo seu modo de ser literário o qual, é bem certo, soube desagradar os que se punham na trincheira ideológica oposta, mas que também lhe rendeu premiações de porte como os Prêmios Graça Aranha, em 1936, e a mais alta condecoração concedida pelo governo soviético, o Stalin da Paz, em Moscou, há sete anos.

“ ”

Sensualidade e coragem apimentam Gabriela.

novo texto uma fase que, embora não rompa efetivamente com a denúncia social sem efeitos, abraça com ênfase a disputa entre o atraso e o quimérico progresso exaltado em um país que se lança sem armas próprias ao que chamam de desenvolvimento. Curioso nisso tudo é a bajulação ao progresso partir também daquele que desde os vinte anos já marchava pela causa comunista. Nada contra a tal modernização, óbvio. Na verdade, já era hora! Mas reconhecemos o papel fundamental da bagagem adquirida na velha aliança para a composição de uma literatura crítica e verossímil, cuja linguagem coloquial, espontânea e de fácil entendimento atinge o público em geral, inclusive a grande massa semianalfabeta que, condenada a uma vida enredada em privações, mal se acostuma com os vocábulos rebuscados dos exímios literários os quais, como se bem sabe, quase ninguém entende. Preso diversas vezes e perseguido pelo conteúdo “subversivo” de seus textos, Jorge Amado dá indícios de que cansou da vida animada

Depois da afamada trilogia Subterrâneos da Liberdade, que relata a luta dos revolucionários junto ao PCB contra a ditadura do Estado Novo, Jorge Amado espera surpreender este ano com a publicação de leitura inovadora, quase desvinculada de sua usual trajetória e que, como apregoa, retrata as transformações socioculturais de nosso tempo com foco nas conquistas da mulher brasileira numa sociedade hostil a ela e carregada de preceitos morais hipócritas. Está no espírito livre e desapegado de Gabriela a ruptura com a servidão doméstica que ainda hoje impera? Jorge Amado adora mexer em vespeiro... Mais uma travessura do ex-menino grapiúna! Sendo assim, eis a polêmica: apologia à depravação ou mostra da realidade social que vagarosa, como tudo no Brasil, dá liberdade e autonomia para se pensar, agir e falar? Sem mais, o romance fresquinho finalizado este mês na calma Petrópolis, RJ, merece gasto de tempo para ser lido, amado ou repudiado. Está dada a dica, aguarde, confira e mais uma vez divirta-se com o odiado e, por vezes, amado Jorge! •

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OSCARITO O REI DA CHANCHADA Por Yuri Pereira

Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Dias, mais conhecido como Oscarito, tem muita fama pelo Brasil devido as suas atuações em produções cinematográficas chamadas chanchadas. Suas atuações cômicas e suas caras e bocas são os principais chamativos dos filmes da Atlântida. Com 51 anos, é ator, comediante e compositor. De família circense, ele tem a alma da comédia. É consagrado além dos filmes por trabalhos em Teatro de Revista.

Quando começou seu interesse por essa arte da comédia, a arte de atuar? Na verdade nasci no meio da arte, venho de uma família circense, temos 400 anos de tradição no circo. Já na minha infância comecei a trabalhar nisso. Fiz de tudo, fui palhaço, trapezista, acrobata. Foi no circo onde comecei a atuar, aos cinco anos participei de uma adaptação do romance O Guarani. No meio de tanta arte, seria impossível seguir outro caminho, as artes e o entretenimento já vieram comigo no sangue, é bem que um dom. Além do Circo, e sua carreira de ator, o que mais já fez?

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Trabalhei em muitos meios, mas todos relacionados à arte. Já compus e componho músicas, trilhas sonoras para filmes, inclusive os quais eu mesmo atuo. Também já fui violinista em salas de projeção na época do cinema mudo, sabe? Porém o que me identifico e amo mesmo é a comédia. Gosto de parodiar, de satirizar, de tirar sarro de pessoas e de outras produções. E sobre trabalhar em filmes, como posso dizer, sérios e decentes, pretende? Bem, meus trabalhos são sérios, mas se quis se referir a produções fora da comédia, já atuei, já trabalhei como galã e já trabalhei nos Teatros de Revista. Nossas chanchadas são trabalhos


sérios, bem feitos, a diferença é que temos a intenção de entreter, divertir e fazer rir.

qualidades em cena se completam, ele é hilário e é também uma grande pessoa.

Bem, sobre os filmes da Atlântida, a que você atribui o sucesso desse cinema fora dos padrões americanos? Acho que os filmes da Atlântida conseguiram sucesso e publico por abordar temas mais comuns, temas do cotidiano. O que a gente representa, atrai as pessoas, pois fazem a maioria se identificar. Queremos um cinema democrático, que agrade a maioria, seja bem acessível, nada para elites industriais. Fazemos cinema para o povo. São temas bem brasileiros, carnavalescos, utilizamos marchas e sambas em nossas trilhas, tudo que faça o povo se sentir vivendo no filme. Também trabalhamos com muita alegria e humor, satirizando e parodiando sucessos do cinema estrangeiro. Fazem um cinema mais acessível, por isso a baixa qualidade técnica das filmagens, cenários e figurino? Bem, a qualidade técnica é o de menos, temos nossas limita-

E essa ideia de parodiar filmes de Hollywood, não conseguem criar algo a partir do zero? A graça é exatamente a paródia, em pegarmos a ideia americana e trazer para realidade brasileira, fazendo do nosso jeito, engraçado, cômico, usamos a chanchada para uma fuga da formalidade do cinema estrangeiro, precisamos de obras carnavalescas, com a verdadeira cara do Brasil.

ções, tornam nossas obras mais baratas, entretanto fazemos tudo com profissionalismo e amor. Quando o conteúdo, o enredo é bom, a técnica é o de menos. Se conseguirmos divertir as pessoas e levar alegria, nosso objetivo é alcançado. O elenco também é sempre repetido, inclusive, em quase todos os filmes tem sempre a mesma dupla, formada por você e Grande Otelo, como é a relação

de vocês, há alguma disputa entre os dois? Nossa relação não poderia ser melhor, além de ser meu parceiro nas produções, somos grandes amigos fora das filmagens também. Acho que temos uma grande sincronia, nos entendemos muito bem nas cenas. É maravilhoso trabalhar com uma pessoa como ele. Tudo que fazemos juntos é pura diversão. Não há disputa alguma, nossas

E sobre a Vera Cruz, por que não conseguiram sucesso como a Atlântida, seus filmes eram ruins? Os filmes da Vera Cruz passaram por muitos problemas, as obras eram muito boas, mas enfrentaram concorrência com o cinema exterior, tiveram problemas com a distribuição, e as qualidades técnicas que aplicaram nas produções, não tiveram retorno em bilheteria. Bem, acho

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que faltou sorte, pois tinham muita competência com toda a indústria cinematográfica que estruturaram, porém não conseguiram retorno. Pretende trabalhar fora da comédia, em outros filmes além de chanchadas? Não, não. Minha vida é a comédia, é o que amo fazer. Gosto de fazer as pessoas rirem, gargalharem, meu sangue é cômico, minha alma é de palhaço. Já não me vejo em outra área, sem ser a comédia, vou fazê-la para o resto da vida. Já recebeu propostas para fazer cinema em Hollywood ou na Europa?

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Já sim, mas não saio do Brasil, quero continuar aqui fazendo o que gosto, eu levo o cinema mais como paixão que como ofício. Minha diversão é entreter o povo brasileiro, fazer carnaval. Então podemos esperar próximas produções da Atlântida, e sempre com Grande Otelo, certo? Vamos continuar com nossas produções, sempre será uma honra trabalhar com Grande Otelo, espero ainda trabalharmos muito, ainda levarmos muitos risos e diversão às pessoas. •


Miss,

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Brasil

Por Vitor Roque

Atual Miss Brasil exibe péssima forma em concurso de beleza internacional

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o último final de semana aconteceu em Long Beach, E.U.A., o concurso Miss Universo. Mas a representante brasileira Adalgisa Colombo ficou longe de trazer o título para casa. Deselegante e fora do padrão, a modelo foi desclassificada na primeira eliminatória do concurso, logo após o desfile em roupas de banho. Os jurados ficaram estarrecidos com a ousadia da brasileira que, apresentando conduta julgada “inadequada” pelos organizadores do evento, desfilou com um maiô que deixava à mostra todos seus defeitos: celulites, varizes e estrias sobravam nas coxas roliças de Adalgisa. Sua barriga também saltava sobre os elásticos da minúscula peça. Mesmo antes do concurso era claro que a brasileira não seguia os padrões de beleza da maioria. As modelos altas e de silhueta esguia predominavam no “resort” onde ficaram hospedadas as concorrentes. Para prejudicar ainda mais o desempenho de Adalgisa em Long Beach, a participante chegou à cidade dois dias depois do resto das modelos sob o discurso de que estava no Brasil se “recuperando do carnaval”. Tal comportamento

alarmou os jurados sobre o que estava por vir. A estada da modelo foi conturbada. Adalgisa foi perseguida por fotógrafos e organizadores do evento vinte e quatro horas por dia no hotel onde ficou instalada. A modelo se mostrou irritada com a presença dos repórteres. Tentou, por exemplo, tomar Sol à beira da piscina, mas assim que tirou o vestido e mostrou seu corpo acima do peso para as lentes dos fotógrafos, risadas ofensivas foram ouvidas do outro lado da piscina. Depois desse incidente, Adalgisa permaneceu em sua suíte saindo apenas para as reuniões do concurso. Toda essa agitação em torno da péssima forma da modelo deu início a especulações sobre sua dieta e rotina de exercícios. Nos registros da suíte de Adalgisa constavam doces e bebidas alcoólicas, para a felicidade dos repórteres internacionais, que publicaram notícias agressivas nos jornais locais. Na noite do concurso, apesar exaustão provocada pelos três dias sob o foco dos jornalistas, Adalgisa chegou confiante ao auditório. Porém, em vão. Suas concorrentes eram “muito mais belas”, como disse um dos

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jurados no fim do evento. Debateu-se, então, nos dias seguintes sobre as possibilidades de alguém tão fora dos padrões de beleza ser eleita Miss Brasil. Seria o padrão de beleza brasileiro diferente ou a condição de modelo de Adalgisa não passa de um grande equivoco? A análise a respeito das misses brasileiras dos últimos cinco anos e as misses americanas mostra que ouve mudança do padrão internacional de beleza: a mulher ideal emagreceu, ganhou altura e perdeu a silhueta. No Brasil essa mudança ainda não aconteceu, a mulher ideal continua com o corpo violão, ainda bem! •

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Programação Cultural O Museu de Arte Moderna do Rio exibe a partir de Domingo uma retrospectiva da trajetória de Tarsila do Amaral. Com os principais quadros da artista, o conceito da exposição é apresentar de forma sintética e impactante o desenvolvimento das obras de Tarsila e suas mudanças, relacionando-as com sua vida particular e contexto social de cada época.

Tom Jobim e Vinicius de Morais, expoentes da Bossa Nova, apresentam no dia 28/05 o show do disco “Canção do Amor Demais”, o primeiro do gênero. Com participação de Elizeth Cardoso e João Gilberto, o disco irá surpreender a geração embalada pelo rock’n’roll estrangeiro.

Na próxima sexta-feira acontece a estreia do filme O Grande Momento, de Roberto Santos. Estrelado por Gianfrancesco Guarnieri e Miriam Pérsia, o longa vem sendo criticado desde sua pré-estreia em São Paulo por intelectuais que participaram do evento. Com uma proposta realista e denunciativa o filme segue o padrão do Cinema Novo na precariedade da produção, é o que dizem.

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É NOTÍCIA

União EStável Por Jarbas Moreira

União Soviética e Estados Unidos continuam sua disputa particular em busca dos avanços tecnológicos

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assado o fim da Segunda Guerra Mundial, dizem as más línguas que o mundo anda tendendo para uma polarização. Esses pólos seriam a famigerada URSS e o todo poderoso Estados Unidos. Alguns acreditam que esses países estão numa espécie de guerra não declarada, buscando expandir suas áreas de influência e assumir o posto de líder global. Na opinião deste humilde jornalista, as coisas não são bem assim. É necessário entendermos que o mundo não gira em torno do dinheiro. Países de maior potencial financeiro têm como prioridade ajudar os mais necessitados, numa clara tentativa de balancear a distribuição de renda e a qualidade de vida. Feita essa ressalva, vamos ao que interessa. Não existe uma “corrida tecnológica”! EUA e URSS estão apenas exercendo seus respectivos papéis de potências e investindo na área da pesquisa e da tecnologia, em busca de avanços que possam ser úteis não só a eles como a todo mundo. Esses dois países têm plena consciência dos benefícios que ambos podem trazer a toda humanidade. É a famosa disputa sadia, aquela rivalidade que só faz bem para todos os envolvidos. Falando em termos práticos, temos avanços significativos na esfera soviética. O Sputnik III,

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recém lançado, mostra o progresso dos russos na questão espacial. Trata-se de um laboratório de estudo do campo magnético e do cinturão radiativo da Terra. Após o sucesso dos Sputnik I e II, a URSS mostra que continua firme e forte na área da pesquisa espacial. Já pelas bandas americanas, a área espacial também parece ser, coincidentemente, o alvo principal. A NASA, nome de um possível projeto de laboratório norte-americano para estudos e ações espaciais, surge como a grande “concorrente” dos centros de pesquisa soviéticos. Americanos buscam superar a expedição Sputnik II, que levou a cadela Laika para uma viagem espacial, com um audacioso plano de levar o homem para a lua, previsto para daqui há mais ou menos dez anos. Sinceramente, essa é uma das idéias mais fantasiosas que poderia existir e o comentário geral nos Estados Unidos é de que tal história não passa de uma fábula mal feita. Eu, que acredito em Papai Noel, dou meu voto de confiança para os ilustríssimos cientistas norte-americanos. A população mundial assiste essa bela disputa dos parceiros soviéticos e americanos, torcendo pra que a rivalidade entre eles continue assim: sadia, inteligente e sem segundas intenções(mesmo que, muitas vezes, essa relação se mostre um tanto quanto fria...). •


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SUÉCIAEM

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Por: Jarbas Moreira

A grande festa do futebol começa a dar seus primeiros

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aqui a dois meses, terá início a sexta edição da Copa do Mundo de Futebol, organizada pela FIFA, entidade responsável pelo controle do esporte em escala mundial. A Suécia, país-sede, mostra-se muito confiante na possibilidade de desempenhar um bom papel no evento, tanto pelo futebol quanto à organização, afinal, sediar um evento desse porte não é papel simples. A abertura da Copa será no dia 8 de junho e sua duração será de 22 dias, sendo a grande final no dia 29 de junho. Dezesseis seleções farão parte da competição, numa justa distribuição de equipes por continente: África-0

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participantes, desponta como uma das favoritas; Ásia – 0 participantes, grandes possibilidades de termos um time zebra/azarão(nunca se sabe); Américas – 4 participantes: Brasil,Argentina,Paraguai e México(estranhase a ausência do Uruguai, bicampeão mundial e semifinalista na última Copa, na Suíça); Europa – 12 participantes: Suécia,Alemanha Ocidental, Áustria, França,Tchecoslováquia, Hungria, União Soviética,Iugoslávia, Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia,País de Gales. Podemos perceber, de uma maneira bem sutil, que existe uma certa discrepância em relação ao número de seleções européias par-


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FESTA

s passos em terras escandinavas... e o Brasil com isso? ticipantes e o resto. Alguns chamam de eurocentrismo, mas é preferível se reter à questão óbvia: o maior continente em extensão tem o maior número de seleções, ora!(ou será que não??? Manter-me-ei neutro...) O formato de disputa será a mescla do formato de grupos com o formato de mata-mata. Serão constituídos quatro grupos de quatro equipes, onde todos deverão se enfrentar em turno único e os dois melhores times passarão à próxima fase. Em caso de empate, valerá a regra do saldo de gols. Persistindo o empate, a classificação para a fase seguinte será feita através de sorteio(justo, não?). Após essa eta-

pa, começa a fase de mata-mata, constituindose em quartas de final, semifinal e final. Um total de doze estádios foram selecionados para sediar os jogos,sendo cada um deles pertencente à cidades diferentes.São elas : Borås- Estádio Ryavallen,Eskilstuna - Estádio Tunavallen,Gotemburgo - Estádio Ullevi,Halmstad - Estádio ÖrjansVall,Helsingborg - Estádio Olympia,Malmö - Malmö Stadion ,Norrköping - Estádio Idrottsparken*,Örebro - Estádio Eyravallen,Sandviken - Estádio Jernvallen,Solna - Estádio Råsunda,Uddevalla - Estádio Rimnersvallen e Västerås - Estádio Arosvallen. Dentre os doze estádios, três

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foram construídos exclusivamente para o evento(Tunavallen,Ullevi e Malmo Stadion) e um foi ampliado pelo mesmo motivo(Idrottsparken). Vale lembrar que para chegar até a Copa do Mundo, as seleções devem passar por um classificatório. Essa fase pré-Copa é chamada de Eliminatórias e cada cotinente tem direito a um número determinado de vagas. A Europa(UEFA) tem direito a onze vagas, sendo duas delas automáticas, em função de abrigar o país sede e a atual campeã (Alemanha ocidental).Os demais continentes lutam por migal-

has, pois sobram 5 vagas para as Américas, África e Ásia. A América do Sul(CONMEBOL) tem direito a três vagas; América Central, do Norte e Caribe(CONCACAF) tem direito a uma vaga; África e Ásia, continentes de dimensões pequenas, adivinhem... uma vaga! Mas, quando a esmola é demais, o santo desconfia. A FIFA, a partir desse ano, ordenou que só poderia participar do evento as seleções que tivessem feito e vencido pelo menos um jogo antes da Copa, em função das inúmeras desistên-

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cias. Não deu outra: Israel, único sobrevivente da África/Ásia, perdeu sua vaga ao ser derrotado duas vezes pelo País de Gales.O mais curioso dessas eliminatórias foi a desistência das seleções árabes ao terem que enfrentar Israel, numa clara questão política que invade as quatro linha.

E o Brasil? Falar de Brasil e de Copa é lugar comum para falar de choro, decepção, angústia e silêncio. Sim, meus caros, não vamos esquecer tão cedo a derrota na final da Copa de 1950, no famoso “Maracanazzo”. Digam-me: por que devemos ter otimismo numa seleção que, jogando em casa e com o apoio de seus aficionados, perdeu de virada para o Uruguai? Se o time com Zizinho,Friaça,Jair,Ademir e Nilton Santos não foi capaz de levantar a taça, por que deveríamos confiar em Didi,Zagallo,Garrincha e Zito?? Não é querer ser zeca pimenteira, mas acho que o Brasil deveria investir em outras frentes esportivas mais promissoras. O futebol, a longo prazo, deve ser facilmente superado por outras modalidades como o lançamento de dardos, o curling, a sinuca e o críquete, que está voltando aos seus áureos tempos. A novidade da vez é o guri Edson Arantes do Nascimento, popularmente conhecido como Pelé. Revelação do Santos, é o jogador mais jovem a disputar uma Copa do Mundo. A verdade é que não dá pra entender como um técnico, aliás, uma comissão técnica, consegue trabalhar por quatro anos e chegar à brilhante conclusão de levar um moleque de dezessete anos para uma Copa do Mundo, depositando todas as esperanças em um rapaz que nem tirar carteira de motorista pode ainda. Tratandose de Brasil, a gente nem estranha! Tudo é feito sempre às pressas, de qualquer jeito, as vezes até de má vontade. Por que achar que no futebol as coisas seriam diferentes? A insistência com a convocação do lateral Nilton Santos, remanescente do fracasso de 50, incomoda também. Um jogador com toda a carga negativa de uma copa dramática para os brasileiros pode não fazer bem aos mais


novos, que certamente sentirão o peso dobrado de jogar ao lado de um cara como esse. Apesar da experiência, Nilton não sabe tudo, não é uma enciclopédia e muito menos será lembrado como um dos grandes laterais da história da seleção brasileira. E tenho dito! Alguns dados interessantes: dos 22 jogadores convocados para disputar a Copa do Mundo da Suécia, 12 pertencem a times do Rio de Janeiro(1 do Fluminense, 3 do Vasco da Gama, 1 do Bangu, 4 do Botafogo e 3 do Flamengo) e os outros 10 são de equipes paulistas(2 do Corinthians, 1 da Portuguesa de Desportos, 3 do São Paulo,2 do Santos e 2 do Palmeiras). Esses dados demonstram o quão democrática essa seleção é, levando cada pedacinho do

Brasil para ser representado na grande festa! Afinal, todos os estados estao aí, não é mesmo? Segue a lista com os convocados: Goleiros: Castilho e Gilmar; Zagueiros: Bellini, Zózimo, Mauro e Orlando; Laterais: Djalma Santos, Nilton Santos, De Sordi e Oreco; Meias: Dino, Didi, Moacir e Zito; Atacantes: Pelé, Zagallo, Garrincha, Vavá, Dida, Pepe e Joel. Técnico: Vicente Feola. O Brasil caiu no grupo 4, junto com União Soviética, Inglaterra e Áustria. Grupo complicado que dificilmente dará brechas para a seleção avançar, mesmo contando com alguns jogadores consagrados em território nacional, pois todos nós sabemos que nossos campeonatos

não são parâmetro para medir qualidade em escala mundial.

Outros Destaques: As pedreiras: a Alemanha Ocidental pinta como uma das favoritas após manter o time campeão mundial de quatro anos antes. Apesar de envelhecidos, todos nós sabemos que ninguém desaprende a jogar bola. A Hungria vem com um time mais fraco do que aquele de Puskas e companhia, mas ainda sim possui uma bela equipe. A União Soviética, credenciada pela medalha de ouro nas Olimpíadas de 1956, aparece como forte candidata ao título. A Inglaterra, fundadora do futebol, não passa por um bom momento: uma tragédia aérea, quatro meses atrás, matou 3 jogadores chave do time britânico, todos pertencentes ao Manchester United, que formavam a base da atual seleção inglesa. Transmissão: Assim como na Copa anterior, a Copa do Mundo da Suécia também será transmitida. Infelizmente, para nós, o Sputnik lançado pelos soviéticos só servirá para os países europeus. O resto do mundo, ncluindo nós, só poderá ver a Copa através da compra dos Kinescópios de cada um dos jogos. A Emissora de televisão Tupi já manifestou interesse em comprar os kinescópios dos jogos, tranqüilizando a população brasileira(que tem acesso à tv, obviamente). Final: A grande final do evento será realizada em local diferente dos demais jogos. Prevista para o dia 29 de Junho, o último jogo será realizado no Estádio Rasunda, em Estocolmo, com capacidade para 50.000 espectadores. •

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O

Desencanto de

Wimbledon

Por Vitor Roque

Estherzinha, mais desconcentrada do que nunca, desapontou, outra vez, a torcida brasileira em Wimbledon.

A

paulista Maria Esther Bueno, de apenas 19 anos, perdeu no mês passado o que seria o primeiro título brasileiro no campeonato de tênis de Wimbledon, na Inglaterra, o mais antigo torneiro de tênis do mundo e por isso considerado o de maior prestígio, ao lado da norteamericana Althea Gibson. Esta, porém, não foi a primeira derrota internacional em finais de Estherzinha, como é carinhosa-

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mente chamada. No ano passado, Esther chegou a final do Orange Bowl, nos Estados Unidos, e perdeu no último “game”. A principal promessa do tênis brasileiro, e uma das maiores do mundo, decepcionou mais uma vez o povo brasileiro. Esther chegou ao país na última semana e foi recebida com muito choro e tristeza, cumprimentada pelo presidente, Juscelino Kubitschek que repetia incansavelmente:

“Mas que decepção, Estherzinha” e vaiada pelo público no desembarque. Em uma conversa rápida com a revista Avesso, Esther contou histórias surpreendentes sobre o início de sua carreira como atleta profissional. Começou a jogar tênis aos cinco anos. Aos 11, disputou seu primeiro campeonato. Porém, foi aos 13 anos, no Aberto de tênis da Cidade de Curitiba, em 1953, Maria Esther foi sur-

preendida ao colocar os pés no saibro do clube curitibano. Do outro lado da rede, Ilse Ribeiro, já uma senhora de 41 anos, desafiava Estherzinha. “Eu confesso que me senti intimidada pela discrepância entre nossas idades, porém, sempre muito confiante, não me deixei abater pelas aparências. Pensei comigo mesma ao entrar em quadra: Essa senhora não tem chances.” disse Maria Esther. E sua bravura


não foi em vão. “Sai vitoriosa por 6 à 3 e 6 à 4, nesse dia. Essa vitória foi uma grande alegria para mim, como atleta, pois seguia de uma série de outras vitórias em torneios nacionais, e me sentia, naquele momento, a melhor jogadora, achava que ninguém poderia me vencer.” Essa conquista, logicamente, não foi o que alertou Esther do futuro caminho da carreira profissional. Pelo contrário, encheu-a de confiança, confiança tamanha que a tirou do pódio em Wimbledon. “Por mais que uma derrota seja desanimadora para o atleta, são com elas que criamos força para melhorar.” conclui Esther. Com seu jeito afobado de jogar, Esther irritou a todos que a assistiam em Wimbledon. Pelas dez horas de jogo na final, a tenista perdeu a força em seu saque, e começou a errar os movimentos devido a impaciência. Os espectadores, cansados de torcer, deixaram a arena de jogos antes que a partida se encerrasse. O campeonato não rendeu a Esther só o fracasso como também, sema-

nas de dores musculares. “Saí da partida acabada.” “Precisei de quase uma semana para me recuperar completamente.” “Durante o jogo sentia ta-

ional de tênis) aboliu a regra que jogadores, clubes, e treinadores impuseram em 1937, o “tie-break”. Que define: em caso de empate de 6 a 6, um

manha exaustão, sabia que já durava pra lá de 8 horas e meu corpo pedia para que parasse, apesar da vontade de conquistar o título, não controlei minha cabeça e perdi a concentração.” A partida durou tantas horas, pois a ITF, (federação internac-

novo “game”, de apenas sete pontos, é iniciado, acabando quando um jogador conferir vantagem de dois pontos. O presidente da ITF comentou a derrota da brasileira: “Maria Esther permanece lá, na quadra, sozinha, com o mundo aos seus

pés. Ela repete, ‘como é estranho, todas essas pessoas que eu não conheço estão me vaiando’”. “O problema de Maria Esther é sua impaciência e falta de determinação, definitivamente ela não nasceu para ser atleta.” “Seu jogo é limpo, e apesar da qualidade, ela não tem cabeça capaz de controlar sua irritação durante as partidas.” Com essa inesperada derrota, Estherzinha foi eleita a sétima pior jogadora de tênis do mundo em um evento, promovido pela ITF, que ocorreu em Londres dias atrás, que elege as dez piores da temporada de Grand Slams. O novo vice-campeonato vai para um vasto hall de troféus de segundo lugar de torneios nacionais que Maria Esther possui em sua casa. “Esse aqui vai ter um lugar especial.” afirma a campeã com lágrimas no rosto. Maria Esther agora se prepara para o Aberto de Roma que acontece em agosto. Preparemos-nos para mais uma decepção desta atleta inexperiente. •

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Danilo

Pimpão

Pés p

nunca F

inalmente vemos um rumo definitivo e vitorioso se encaminhando em nossa nação. A soberania do talento manual põe-se, no âmbito do esportes, em seu merecido lugar de destaque. Quatro anos atrás estávamos vivendo o frenesi causado pelo delírio da população brasileira, que acreditava ser possível vencer a Taça Jules Rimet de futebol mundial. Nada mais do que mera persistência característica dos nascidos em nosso chão, já que em 1950 tivemos a prova cabal de que não nascemos pra isso. Felizmente temos presenciado acontecimentos esportivos que mostram o verdadeiro talento de nossa nação e o único artifício capaz de nos colocar no rumo das vitórias mundiais: as mãos! Seja com Maria Esther Bueno no tênis de campo ou com Éder Jofre no boxe, vemos que

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os tupiniquins, no exercício de suas habilidades manuais, estão prestes a se sagrar os novos campeões esportivos, deixando claro que precisamos de uma vez por todas abandonar a paixão pelo jogo de pés dos ingleses. Éder Jofre, jovem pugilista paulistano, tem se destacado no boxe sul americano com sete vitórias consecutivas, sendo as últimas quatro conquistadas neste ano e todas por knock out. O atleta ainda este mês lutará pelo título da América do Sul, em Montevidéu, e já notamos superioridade em relação a seu rival Ruben Cáceres, o uruguaio. Coincidência? Apenas para os tolos que ainda não notaram a superioridade vizinha no futebol e nosso talento nato para os esportes dos membros superiores. Nossa querida garota Maria Esther Bueno,


pelas

mãos,

amais!

tenista, que vem de uma sequência notável encaminha-se para o tradicional torneio de Wimbledon como favorita ao título na disputa de duplas que acontecerá na grama sagrada da terra da Rainha. Curiosamente, Maria Esther está inscrita no torneio ao lado de Althea Gibson, natural dos Estados Unidos da América. Logo, o bom senso nos faz ver que se trata apenas de um caso descomunal de talento norte-americano nos esportes praticados com as mãos. Os ingleses da América não levarão muito tempo para perceber sua vocação para o futebol e então viverão um momento de desengano esportivo nos moldes do que vivemos hoje. A nação tropical brasileira em dez anos será a terra do tênis, do basquete, do boxe, do vôlei e do handball. Não demorará muito para que

os campos de futebol de várzea cedam lugar a quadras e vislumbro uma possível adaptação de nossos custosos estádios do “Vexame de 50” para a prática dos novos esportes da identidade nacional sessentista. Com certeza, com estes novos e corretos rumos desportivos brasileiros poderemos ter as alegrias de uma nação campeã e esquecer as loucuras que nos levaram ao Maracanaço. O Brasil será campeão mundial no Maracanã, sim! Mas só quando o estádio acompanhar esta vanguarda desportiva manual e se adaptar a prática de um esporte de tais características. Do contrário, poderemos sonhar até depois do ano dois mil e não conseguiremos tal feito. Meter os pés pelas mãos, nunca mais! •

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Tabela Copa do Mundo FIFA 1958 Primeira Fase Grupo A

Grupo B

Grupo C

Grupo D

8 de Junho 19hrs

8 de Junho 19hrs

8 de Junho 19hrs

8 de Junho 19hrs

8 de Junho 19hrs

8 de Junho 19hrs

8 de Junho 19hrs

Hungria x País de Gales

8 de Junho 19hrs

União Soviética x Inglaterra

11 de Junho 19hrs

11 de Junho 19hrs

11 de Junho 19hrs

11 de Junho 19hrs

11 de Junho 19hrs

11 de Junho 19hrs

11 de Junho 19hrs

11 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

15 de Junho 19hrs

Alemanha Ocidental x Argentina Irlanda do Norte x Tchacoslováquia Argentina x Irlanda do Norte Alemanha Ocidental x Tchecoslováquia Alemanha Ocidental x Irlanda Tchecoslováquia x Argentina

Iugoslávia x Escócia França x Paraguai

Iugoslávia x França Paraguai x Escócia França x Escócia

Paraguai x Iugoslávia

Quartas de Final 19 de Junho 19hrs

19 de Junho 19hrs

19 de Junho 19hrs

19 de Junho 19hrs

1° Grupo 1 x 2° Grupo 2

1° Grupo 2 x 2° Grupo 1

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1° Grupo 3 x 2° Grupo 4 1° Grupo 4 x 2° Grupo 3

Suécia x México

Brasil x Áustria

México x País de Gales

Brasil x Inglaterra

Suécia x Hungria

União Soviética x Áustria

Suécia x País de Gales

Brasil x União Soviética

México x Hungria

Áustria x Inglaterra

Semi Finais 24 de Junho 19hrs

Vecedor Quartas 1 x Vecedor Quartas 2

24 de Junho 19hrs

Vecedor Quartas 3 x Vecedor Quartas

Final

29 de Junho 19hrs

Vencedor Semis 1 x Vencedor Semis 2


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“Uso de ironia ou de sarcasmo para atacar alguma forma de comportamento humano.” “Técnica literária ou artística que ridiculariza um determinado tema (indivíduos, organizações, estados), geralmente como forma de intervenção política ou outra, com o objetivo de provocar ou evitar uma mudança.” “Modalidade literária que consiste na crítica a pessoas ou instituições.” “Poesia em que o autor mete a ridículo os vícios ou defeitos de uma época ou pessoa.”

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AVESSO