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e-vilacondense 004 MAIO 2013

HISTÓRIA O MUNDO QUE NÓS PERDEMOS 3

PATRIMÓNIO EPÍGRAFE DE GUILHABREU

“UM OLHAR SOBRE VILA DO CONDE” POR EDUARDO PINTO


e-vilacondense 004 MAIO 2013

CAPA Fotografia de Rafael da Silva Sá Título Vida sob o mosteiro Local Margem sul do rio Ave Abril 2013

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CONTEÚDO

003 EDITORIAL OLHAR SOBRE 005 “UM VILA DO CONDE” 009 013

POR EDUARDO PINTO

CRÓNICAS DA CIDADE E DO MUNDO HISTÓRIA

005

O MUNDO QUE NÓS PERDEMOS 3

025 IMANCOWORK PARA 033 INVENTÁRIAR PRESERVAR ESPÓLIO DO MOSTEIRO DE SANTA CLARA FOTOVILA

049 055 GCV

CONCURSO FOTOGRAFIA

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GINÁSIO CLUBE VILACONDENSE

071 ARQUEOLOGIA VILA DO 091 QUANDO CONDE FOI MORADA EPÍGRAFE DE GUILHABREU

109

DE UM ARCEBISPO NOS 100 ANOS DA MORTE DE D. MANUEL BAPTISTA DA CUNHA AGENDA CULTURAL MAIO

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091


EDITORIAL No mês em que o Ginásio Clube Vilacondense completa cinquenta anos de existência, demos, nesta edição da revista e-vilacondense, oportunidade a Eduardo Pinto, presidente da instituição, de expressar o seu olhar sobre a cidade de Vila do Conde, olhar esse que se prende e confunde com a história do Ginásio Vilacondense. Por este mesmo motivo, o do aniversário, a associação destacada é o Ginásio Clube Vilacondense; aproveitamos para dar a conhecer um pouco da história e do invejável palmarés da associação, assim como o seu papel dinamizador da nossa cidade. Aproveitamos também nesta edição para refletir sobre o país e a cidade; nas “Crónicas da cidade e do mundo” do mês de maio, António Colónia faz uma reflexão sobre o estado governativo do país e evoca o abraço das gentes da cidade ao Mosteiro de Santa Clara, uma ação levada a cabo no mês de abril pela Câmara Municipal de Vila do Conde com o intuito de chamar a

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atenção para o estado de decadên em que o monumento se encont Relacionado ainda com este tema do Mosteiro, Mónica Sousa e Valquí Sousa realizam um inventário des salientando todos os elementos únic e originais existentes no monumen e que correm o risco de desaparec levando desse modo à anulação parte da história nacional e municipa Continuamos ainda a dar a conhec a o mundo que perdemos; desta v a investigação de Hélder Guimarã recai sobre a população e socieda de Vila do Conde, sobre o mo como as gentes da cidade viviam trabalhavam no século XVIII. Por s vez, Mónica Sousa leva-nos, com o s artigo de investigação, até Guilhabr e apresenta-nos informações sob a epígrafe desta freguesia de Vila Conde. A empresa a que damos relevo mês de maio chama-se Imancow e destaca-se pelo conceito inovad que personifica. Pretende ser u


ncia tra. a, o íria ste, cos nto cer, de al. cer vez ães ade odo m e sua seu reu bre do

no work dor um

espaço de trabalho, partilha e discussão de ideias e conhecimentos, promovendo interdisciplinaridade e multiculturalidade. Não podemos deixar também de referir o nosso já conhecido concurso de fotografia, Fotovila, que nesta edição desafiará os fotógrafos, amadores ou não, de Vila do Conde a percorrerem as freguesias e captarem os encantos que estas possuem. Por último, damos a conhecer uma figura ilustre da terra, o arcebispo Manuel Baptista da Cunha, cujo centenário da morte se assinala no décimo terceiro dia deste mês de maio. Num artigo da autoria de Hélder Guimarães ficamos não só a conhecer o homem e a posição que ocupou na hierarquia da Igreja católica, mas também a sua ligação à cidade de Vila do Conde e a razão para a evocação desta efeméride. É esta a e-vilacondense do mês de maio. Esperamos que, através da sua leitura, fique a conhecer melhor Vila do Conde.

Alexandre Maia Diretor e-vilacondense alexandre.maia@lexart.com.pt


“UM OLHA

Festiv

Vila do Conde reúne uma das melhores ofertas desportivas, não só na sua sede como também nas suas freguesias. Fruto do investimento em equipamentos desportivos resulta seguramente grande performance desportiva, a mim compete falar sobre o Ginásio Clube Vilacondense como parte desta simbiose. Em termos sociais o GVC muito tem contribuído para o desenvolvimento cultural e desportivo dos Vilacondenses, dezenas de atletas de Vila do Conde entraram na faculdade ao abrigo do estatuto de alta competição e hoje integram centros de alto rendimento com as regalias inerentes; não esqueço também colégios particulares de nomeada reputação que recrutam os nossos atletas e assim eles podem usufruir de uma outra qualidade de ensino. 005 e-vilacondense


AR SOBRE VILA DO CONDE” POR EDUARDO PINTO

PRESIDENTE DO GINÁSIO CLUBE VILACONDENSE

val de Ginástica realizado em 24 de maio de 1970 no ringue do ex Ténis (Parque de Campismo)


Realço aquilo que considero turismo desportivo: a organização em 1994 do campeonato do mundo de trampolins, que foi a primeira prova desportiva feita no nosso pavilhão; o campeonato da Europa em 1998; em 2001 o campeonato da Europa de Karaté e finalmente em 2009 o campeonato da Europa de Acrobática. Estas quatro grandes competições trouxeram milhares de forasteiros dos quatro cantos do mundo a Vila do Conde, a nossa cidade ficou mundialmente conhecida! É frequente nas diversas épocas do ano me cruzar com norte americanos, soviéticos, japoneses etc, que nos passaram a visitar com regularidade e sempre com elogios à nossa cidade que também os recebeu. Às competições que atrás referi, foi-lhes atribuída a nota de “excelente” pelos júris internacionais. Através dos seus atletas ao serviço da Seleção Nacional o GCV tem mais de meia centena de títulos mundiais e Europeus. Quanto a títulos nacionais, regionais e distritais estamos a falar de milhares! Neste momento o GCV tem cerca de 800 atletas distribuídos pelas suas diversas secções.

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CRÓNICAS DA CIDADE E POR ANTÓNIO COLÓNIA Licenciado em Ciências da Comunicação

25 DE ABRIL Há 39 anos, Portugal começou a escrever um capítulo, em que respeito, deveres e direitos do seu povo eram o Tema. No entanto, estamos a viver tempos em que os deveres se sobrepõem aos direitos, uma vez mais. De quando em vez, ligamos a televisão e reparamos que em vários canais se discute o aumento de tudo aquilo que estamos fartos de ver aumentar. Não existem, ou pelo menos existem muito poucos, sacerdotes do positivismo e sucesso; existem sim, profetas da desgraça, cuja palavra de ordem é Austeridade, acompanhada de acenos e mais umas quantas demagogias. Existem também aqueles que, dada a fadiga do cargo que ocupam, já não têm o discernimento de outros tempos. Falo do caso muito particular do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, que retirou ao governo a responsabilidade do atual estado económico do país. Concordar com tal opinião seria no mínimo incoerente, mas ouvi-la do Presidente da República torna-se desencorajador para a maioria da população que tem vivido tempos exageradamente difíceis. Cavaco Silva referiu, aquando das comemorações do 25 de Abril, que o memorando da Troika foi mal desenhado. Pois bem, o governo verdadeiramente viveu o dia da Liberdade da melhor forma possível! De facto, a descoordenação da política de Passos Coelho bem como o mau trabalho de Vítor Gaspar, passam ao lado do líder português, cuja verdadeira mensagem que passou, foi a de total desrespeito pelo esforço feito pelos contribuintes. O mesmo líder que defende que os portugueses já não podem 009 e-vilacondense

aguentar mais desempreg Se Cavaco Silva est apoiando as suas medida só poderá piorar até have voltar a ficar incerto. Ou vai continuar a ver um de discursar aos portugu e perseverança, fá-lo aq


E DO MUNDO

go, fome e austeridade. tá do lado do governo, as, prevejo que a situação er novas eleições, e o clima u seja, até 2015, Portugal presidente que em vez ueses, palavras de apoio queles que dia após dia

enterram o país. Será que a União Europeia vai continuar a olhar para a má política de gestão orçamental, de braços cruzados, ou será que se vai cansar da apatia governamental e entrar com ainda mais força? Talvez continuem. Portugal está a ser seguramente um bom entretenimento, em que o povo é apenas figurante.


MOSTEIRO DE SANTA CLARA

Vila do Conde é uma terra com fortes tradições, e como tantas outras defende não só a sua cidade como vive intensamente o futebol em Portugal. Numa época em que a disputa do campeonato está mais acesa que nunca, não poderia deixar de salientar um facto curioso, mas já lá chego. Tive mais uma prova da capacidade da minha cidade em defender o que é seu, no mês passado. Como foi do conhecimento público, houve um abraço ao Mosteiro de Santa Clara, que contou 011 e-vilacondense

com todos aqueles que defendida. Achei que a importância, mas que nã Um Monumento que tant cultural, deixado ao aba defendessem de tal form ter sido deixado neste projetos que poderiam capazes de não só de o re um uso importante uma ve


queriam ver esta causa iniciativa foi de grande ão deveria ser necessária. to tem de histórico como andono, precisaria que o ma, porque nunca deveria estado. Já ouvi vários dignificar o Mosteiro e eabilitar como de lhe dar ez que se poria ao serviço

da cidade e de quem nela habita. Nessa manhã, do abraço ao Mosteiro, ecrãs e colunas difundiram a ação, mas quase ou nenhum eco se obteve do outro lado. O governo português está alienado e prefere não ver televisão ou ler jornais. É essa a ideia com que fico! Como é possível isto acontecer? Será que os 341 Km que nos distam da capital têm algo a ver com essa apatia? Penso que sim, acho que não, e chego agora à curiosidade. Basta recuar uns anos, e fazer a conta aos estádios do Euro 2004. O que o estado português gastou no estádio do Algarve dava para reabilitar duas vezes o nosso Mosteiro. Não quero ser egoísta, afinal, o entretenimento é importante, e eu adoro futebol. Mas será um edifício que é utilizado uma dúzia de vezes por ano (e estou a ser generoso), mais importante que o Património Nacional? Outro exemplo bem mais perto é o Estádio do Bessa, utilizado desde então pelo Boavista, um clube da 2ª divisão nacional... Acho que seria muito mais inteligente ter refletido sobre isso, apenas um pouco mais. Contudo, também sei que é apanágio do português negligenciar o que verdadeiramente importa, se isso contribuir para encher o bolso com mais um ou dois euros. Pois, mas falamos de milhões. Milhões que foram gastos, digo eu, em vão, e que eram tão necessários na requalificação histórica e patrimonial do país. Faço minhas as palavras do Eng.º Mário de Almeida, “Se houver alguma tragédia, o Presidente da República e o primeiro-ministro serão responsabilizados, não só institucionalmente como pessoalmente”. Espero que não cheguemos a esse ponto, pois não haverá abraço que nos valha.


O MUNDO QUE NÓS PERDEMOS 3

População e Sociedade em terras do Ave no perí POR HÉLDER GUIMARÃES Mestre em História Contemporânea

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HISTÓRIA

íodo pombalino

Saber quantos eram e como se distribuíam os vilacondenses na segunda metade do século XVIII, isto é, antes de se perder o mundo do Antigo Regime, continua a ser uma grande incógnita. Na época não existia o Registo Civil, pelo que a população era ciosamente controlada pelo clero que, à luz das disposições Tridentinas, eram obrigados a registar os baptizados, matrimónios e óbitos em livros próprios e que ora se encontram nos Arquivos Distritais. Mas a fonte que temos estudado dá-nos alguns traços sobre população e organização social dos que habitavam estas terras no período pombalino. É nesse mundo que, mais uma vez vos convidamos a entrar:


QUANTOS ERAM OS HABITANTES DESTAS TERRAS DO AVE EM 1758

1 CAPELA, José Viriato, “As freguesias do Distrito de Braga nas Memórias Paroquiais de 1758”, entrada Fogos e Moradores.

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Desde cedo avisamos que uma coisa é certa neste estudo sobre a quantificação da população: não é possível contabilizar, com rigor, a população residente no futuro concelho de Vila do Conde. Este é um dado adquirido para esta e outras localidades, como muito bem constata José Viriato Capela no estudo global que efetuou para o distrito de Braga, com base nos mesmos inquéritos paroquiais, e com o qual encontrámos muitas semelhanças: os párocos referem, muitas vezes, a população total, resultado das somas de parcelas de população de confissão (7 aos 14 anos), sem contabilizar crianças de peito e, muitas vezes, velhos (provavelmente por não terem capacidade para receber os sacramentos). Assim, reconhece o autor que “só é possível de distinguir plenamente quando eles são fixados com precisão ou pelo recurso ao contexto e contraposição às demais situações referenciadas, quando os párocos descriminam o maior número de situações.” 1 Ora, não sendo uma constante ao longo das memórias, assumiremos os termos fogo, morador ou vizinho, como uma única realidade. Desta realidade, só o pároco de S. João Evangelista de Mindelo não transmite uma visão clara sobre os fogos existentes na freguesia. De uma forma geral, podemos observar que a freguesia mais

populosa do futuro concelho é, como seria de esperar, Vila do Conde, com 1078 fogos. Muito longe dela ficava a Vila da Azurara, com 256 fogos. Vairão vinha em terceiro lugar com 183 fogos. Junqueira e Outeiro seguiam-se com uma população que variava entre os 150 e 183 fogos. As freguesias menos populosas eram Formariz e Santagões, com 14 e 15 fogos, respetivamente. Apesar de não ser possível fazer uma análise profunda e exata, dada a pouca fiabilidade dos números apresentados pelos párocos, podemos, contudo, observar algumas tendências que confirmaram escolhas no futuro: em primeiro lugar, podemos afirmar que o papel demográfico de Vila do Conde, como principal centro populacional do futuro concelho é já evidente em 1758. O número de fogos contabilizados na Vila corresponde a 27,2% de total de fogos de todo o concelho. Muito atrás dela ficava Azurara, a segunda localidade mais importante do futuro concelho, cabendo-lhe apenas 6,5% do total de fogos do concelho. E, se hoje podemos notar que, a grande maioria da população reside nos centros urbanos constituído pela cidade de Vila do Conde, Azurara, Árvore e Touguinha, em 1758, o peso dessas freguesias seria já de quase 42% do número total de fogos existentes no espaço do futuro concelho. Vila do


Conde e o espaço circundante constituía um pólo de atração populacional. Naturalmente que as dinâmicas políticas e de ordenamento do território eram diferentes: Vila do Conde estava por si, enquanto as demais freguesias a norte do Ave respondiam a Barcelos e as do Sul à Maia. E, se tivermos em conta o período áureo do porto do Ave, antes do assoreamento da barra, depreenderemos das palavras do Prior Camelo Falcão, que Vila do Conde experimentava um período de decadência demográfica: “falta de moradores, e ruas inteiras, como é a dos Ferreiros, só constituída numa total ruína.” Quanto ao ordenamento do território de Vila do Conde, refere o Prior, para além do pólo de ocupação em redor da Matriz, as aldeias de Regufe, Areia (zona de Santa Catarina), 017 e-vilacondense

Portas Fronhas, Pêga e Casal do Monte. Não existem referências à ocupação dos areais que hoje constituem as Caxinas e Poça da Barca 2. Falamos, pois, de um aglomerado populacional que era densamente povoado nas proximidades das margens do rio Ave, mas prudentemente longe dos perigos do Oceano. Mesmo em comparação com outras sedes de concelho ou vilas importantes da região, Vila do Conde tinha mais fogos ou moradores do que Barcelos (742 vizinhos), Esposende (183 vizinhos), Póvoa de Varzim (435 vizinhos) ou Águas Santas (490 vizinhos). Aliás, no espaço do futuro distrito do Porto, Vila do Conde só ficava atrás da Urbe Portucalense e Santa Marinha (Gaia) 3. Assim, mais uma vez confirmamos que o Antigo Regime não fez justiça a Vila do Conde. Independentemente dos destinos políticos de Vila do Conde, esta


afirmava-se no futuro espaço concelhio, como pólo de atração populacional e o único aglomerado populacional capaz de servir como sede de concelho. A escolha de Vila do Conde como sede de um grande concelho, resulta da desagregação de terras ancestralmente poderosas e com ascendente sobre o território, como era o caso da Maia e de Barcelos. Em segundo lugar, e tendo em conta que apenas Vila do Conde e Azurara tinham o título de Vila, espaços relativamente urbanizados, a grande maioria da população vivia em espaços rurais. Estamos perante uma sociedade ruralizada, que vive e trabalha a agricultura e a pecuária e dela retira o seu sustento. Inserese, assim, no cenário do Portugal de setecentos.

Em terceiro lugar e enquanto podemos verificar que Vila do Conde seguia a sua marcha triunfal para se transformar na sede de um concelho que lhe faria jus à sua grandeza populacional, em sentido diametralmente oposto, as freguesias de Formariz e Santagões, contabilizando, juntas, 0,8% do total de fogos ou casas, perdessem o seu estatuto autonómico. O Liberalismo não se compadeceu de costumes antigos, nem liberdades arcaicas. Não podendo ter os recursos demográficos necessários para assegurar a existência de uma comunidade autónoma, o caminho foi a agregação com outras freguesias vizinhas, demograficamente mais poderosas. Estranho fado que hoje se vai repetindo!

2 Lembramos, ainda que o único reconhecimento jurisdicional é do tipo eclesiástico, quando em 1ª 944, a Paróquia de Nosso Senhor dos Navegantes de Caxinas se separou da Paróquia de S. João Baptista de Vila do Conde 3. CAPELA, José Viriato. “As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758”, ver quadro Dimensão das paróquias pelo número de fogos segundo as Memórias Paroquiais de 1758.


SOCIEDADE Quanto ao desenho da sociedade, antes é preciso compreender os traços gerais da sociedade do Antigo Regime. Era uma sociedade baseada no berço e no privilégio. Isto é: muito dificilmente um nobre perderia esse estatuto uma vez adquirido. E, tendo-o adquirido, esse direito nobilitava as gerações vindouras 4. Outra noção que importa reter é a concepção tripartida das funções sociais desempenhadas pelos membros de cada ordem: ao clero, primeira das ordens, competia rezar e auxiliar o monarca a administrar o território, tarefa que também era partilhada com a nobreza, a quem primordialmente, competia combater; resta-nos o Terceiro Estado, genericamente designado por povo, a quem competia trabalhar e sustentar os demais membros da sociedade. O Terceiro Estado era composto pela Burguesia e por aquilo que Fernão Lopes designava por “arraia miúda”, uma mescla de camponeses, artífices, etc.. A Burguesia, ligada, sobretudo ao comércio era o grupo onde era mais fácil ascender na escala social: muitos burgueses conseguiam, através do título académico, ingressar na carreira da nobreza de toga, aquela que mais diretamente lidava com as questões da administração do território. E assim, se verificarmos os nomes descritos nas memórias 5, as pessoas ilustres que encontramos são, 019 e-vilacondense

sobretudo gente de muita qualidade ligada às leis e à administração da justiça quer no Reino, quer no espaço colonial. Encontramos, também gente ligada às Ordens Religiosas, mas muito poucas referências ao Alto Clero Secular (Bispos, Arcebispos ou Cardeais), exceto no caso de D. Frei João de Moreira, natural de Vilar do Pinheiro. Mas mesmo este Bispo de Cabo Verde era um frade relegado para uma sé colonial e, portanto, menos prestigiada que outras do Reino. Então, se temos tantas casas setecentistas que ostentam orgulhosamente os seus brasões pelo Centro Histórico da Vila e nas quintas senhoriais que povoam o espaço rural do actual concelho de Vila do Conde, qual seria a real importância destas famílias? Praticamente estava resumida à escala local, ao constituir as listas para reger a Câmara. A grande nobreza, que tinha influência na condução dos destinos do Reino e do Império, não estava em Vila do Conde. Estava junto do Rei, na Corte, porque a sociedade era essencialmente de Corte, e a Corte estava em Lisboa. Isto é: se todo o privilégio brotava da figura do Monarca, de que valeria a um nobre residir em Vila do Conde, se quisesse ascender na escala social? Era na Corte que se encontravam os privilégios e onde o Rei podia controlar os seus nobres e distribuir benesses 6.


4 Lembramos, contudo, que nessa época o Marquês de Pombal encetava contra as mais poderosas famílias do Reino, os Távoras e os Aveiro, um processo letal que levaria à extinção do título nobiliárquico e morte por acusação de envolvimento no atentado à pessoa do Rei D. José I e ao mesmo tempo se declarava “nobre” a profissão de mercador. No entanto, este processo deve ser entendido como a elevação do Despotismo Régio e a submissão das ordens sociais ao poder do Estado encarnado no Monarca. 5. Ver quadro “Pessoas Ilustres” 6. ELIAS:1995, 130


Vila do Conde, para a alta nobreza significava a província, o desterro, o esquecimento. Aliás, refere o Pároco de Árvore que na terra existiam duas quintase nenhum dos seus proprietários nelas fixara morada: José de Lima vivia em Vila do Conde e Manuel Eleutério Monteiro residia no Porto. De nada servia a Árvore, como afirmava o Pároco nas Memórias Paroquiais, ter sido o “berço glorioso de famílias nobres”, nem ao Pároco de Retorta julgar possuir o paço medieval do conde Soeiro Mendes, então em ruínas e transformado em coberto para os animais. Estas pequenas terras ficavam muito longe dos centros de decisão e, portanto, estavam transformadas em memórias de outros mundos perdidos. Lisboa ficava longe e a elite nacional estava em Lisboa, não esquecida na província. Quis a distância da corte que estas terras criassem a sua própria elite, não composta de nobres cujos feitos do passado há muito se tinham diluído no próprio sangue. A força estava no povo que trabalhava para o seu sustento e, com isso, promoviam as suas terras. Notava o Pároco de Aveleda: “Não há memória de que desta freguesia houvesse, ou dela saísse homem insignes em virtudes, Letras ou armas; mas os moradores sempre foram, e são gente corrida lavradores e oficiais.” O Pároco de Vilar de Pinheiro também notava que: “quase todos os moradores se

dão ao trabalho, e ofícios de pedreiro, que há bons mestres, e carpinteiros, e alguns saem a ganhar a vida para o Alem Tejo, Lisboa, e partes da América, e os mais se ocupam na cultura das terras, no que são incansáveis, não perdoando nem temendo o mais árduo trabalho indo procurar os estrumes para a cultura das suas terras ao lugar de Azurara, e Vila do Conde (…) e também ao lugar de Matosinhos (…) e também ao mar.” E conclui: “de resto são inúteis para [o] militar pela brandura dos ânimos, que procede da rusticidade dos mantimentos pois só usam de pão vulgo broa fabricado do milhão e de caldos de hortalice, e coube galega adubada de unto, o qual usam o comum três vezes em dia, e de carne de toucinho, e do vinho verde, e alguns legumes.” Certamente que a dieta dos habitantes do futuro concelho de Vila do Conde não era um manjar da Corte de Lisboa, mas destas terras saiu muita gente para trabalhar esse mundo fora. E aqui residia o grande valor das gentes das terras do Ave - o trabalho! E, pensamos que a caraterística laboriosa das nossas gentes não se perdeu no tempo. No mundo que nós perdemos, era apanágio não se trabalhar. Por isso, recordemos pelo tempo as palavras do Abade de Vilar de Pinheiro: “quase todos os moradores se dão ao trabalho”. E ainda bem que alguém trabalhava! e-vilacondense 022


PESSOAS ILUSTRES: Arcos: nada. | Árvore: Dom Aníbal Sernige, fidalgo da Casa Rea, Prior da Colegiada de Cedofeita (Porto). O Pároco refere, ainda, duas quintas cujos senhores eram Paulo José de Lima por sua mulher D. Maria Escolástica de Vasconcelos e Manuel Eleutério Monteiro, na qual havia nascido sua tia D. Maria Jacinta abadessa do mosteiro de Vairão. | Aveleda: nada. | Azurara: Benta de Matos (Abadessa do Mosteiro de Vairão); Frei Manuel da Silveira, Dominicano, doutor em Teologia pela U. de Coimbra; Pe. António José, oratoriano, Lente de Teologia, e examinador Sinodal; Frei António da Silveira, dominicano, Lente de Teologia; Frei Francisco de Azurara, religioso capucho que foi Lente de Teologia, Provedor Geral em Roma; D. Maria Monteira, da casa de Farelhães. Bagunte: Rev. Manuel Manuel Gomes Ferreira, Desembargador da Relação do Porto. | Canidelo: nada. | Ferreiró: nada. | Formariz: nada. | Fornelo: nada. | Gião: nada. | Guilhabreu: nada. | Junqueira: nada. | Labruge: nada. | Macieira: nada. | Malta: nada. | Mindelo: nada. | Modivas: nada. | Mosteiró: nada. | Outeiro: nada. | Parada: nada. | Retorta: Soeiro Mendes da Maia (morara no lugar da Torre, “fidalgo dos grandes do seu tempo, e as paredes do seu paço estão hoje servindo de cortes de gado”). | Rio Mau: nada. | Santagões: nada. | Tougues: nada. | Touguinha: nada. | Touguinhó: nada. | Vairão: nada. | Vila Chã: nada. | Vila do Conde: Padre António de Mariz e Faria, oratoriano, conhecido no Porto por o “Agudo”, Mestre em Filosofia e

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Teologia, Abade de Rio Padre Frei Brás do pregador, superior de Definidor da Província Fr Conventos do Algarve, celebrado no Convento de Xabregas, em 1742, fundador do Seminário Piedade de Mesão Frio, Outubro de 1757; Dout Sá, colegial de São Pedr Conde às cortes de 1673 Desembargador da Rela Suplicação, chanceler n dos Estados), Juiz da In das três Ordens, Deputa ficou sepultado à porta Conde; Doutor António Cavaleiro da Ordem de Pedro, Procurador de V de 1679, Desembargado Suplicação e Agravos do tendo falecido em Lisbo da Saúde; Doutor Luís M Boas, Lente em Coimb Relação do Porto e Su Baía que segundo o Prior Letras e documentos”, t e sepultado em S. Crist de Barros, Desembargad Suplicação e Senado da faleceu; Doutor Manuel d


Tinto, grande pregador; Rosário, Franciscano, e conventos, Custódio ranciscana, Visitador dos Presidente do Capítulo de Santa Maria de Jesus , Missionário Apostólico o de Nossa Senhora da onde faleceu em 19 de tor Manuel Carneiro de ro, Procurador de Vila do 3, Lente na Universidade, ação do Porto e Casa da na Baía (onde foi regente nconfidência, Chanceler ado da Junta da Cruzada, a da Matriz de Vila do Carneiro Barbosa de Sá, e Cristo, colegial de São Vila do Conde às cortes or da Relação do Porto, o Conselho do Ultramar, oa jazendo em S. Bento Machado de Barros Vilas bra, Desembargador da uplicação, chanceler na r “encheu de exemplares terá falecido em Lisboa tóvão; Doutor Francisco dor na Relação do Porto, a Câmara do Porto, onde da Costa Morim, Ministro

no Reino e Brasil Desembargador no Porto e Suplicação, onde faleceu; Doutor Vitoriano da Costa Oliveira, Cavaleiro da Ordem de Cristo, desempenhando cargos no Reino e em Goa, Desembargador no Porto (corregedor da Casa de Propriedade) onde faleceu com “nome universal de recto e benfeitor”; Doutor Francisco Lopes da Silva, Desembargador da Relação da Baía, onde faleceu; Inácio de Oliveira, desembargador na Relação de Goa; João Pinheiro, desembargador na Relação de Goa; Doutor Manuel Ferreira de Amorim Medela, Lente da Universidade de Coimbra, e Juiz de Fora de Vila do Conde; Doutor Bento António dos Reis Pereira, ministro no Reino e Brasil, Desembargador da Relação e Suplicação; Doutor António Rodrigues da Silva, ministro no Reino e Brasil, Desembargador na Relação e Baía e Porto; Doutor Manuel Rodrigues Trovão, Lente de Medicina em Coimbra, “raro nos inventos dela, e literatura de sua profissão”; João Folgueira –Gaio, fidalgo da Casa Real e Mestre de Campo de Infantaria; Miguel Leitão Machado, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Sargento Mor de Infantaria. | Vilar: nada. | Vilar de Pinheiro: D. Frei João de Moreira, Bispo de Cabo Verde – Tendo sido nomeado em 1742, sagrado no mesmo ano, só tomou posse da Diocese a 29 de maio de 1744, tendo aí falecido em 13 de agosto de 1747. Em 1758 ainda viviam em Vilar de Pinheiro uma sua irmã e cunhado, e três sobrinhos.

BIBLIOGRAFIA


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IO DO MOSTEIRO DE SANTA CLARA INVENTARIAR PARA PRESERVAR Parte I POR MÓNICA SOUSA E VALQUÍRIA COSTA Licenciadas em História-variante Arqueologia FLUP


INTRODUÇÃO O presente trabalho surge pela nossa motivação em não deixar “cair nas brumas do esquecimento” o que outrora foi o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. Perante o estado de degradação com que nos deparámos na última visita ao Mosteiro, em novembro de 2012, decidimos que deveríamos, enquanto profissionais e cidadãs ativas, partilhar a informação que possuímos sobre o seu espólio.

Em 2003, no âmbito do nosso estágio profissional, procedemos à inventariação do espólio existente no Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde. Esse trabalho serve-nos, agora, de documento orientador para este trabalho, mais aprofundado e pormenorizado, que o “e-Vilacondense” se propõe publicar.

1. MIRANDA, Marta, “Vila do Conde - Cidades e Vilas de Portugal”, Editorial Presença, 1998.3. BARROCA, Mário Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), p.6. 2. FERREIRA, Monsenhor José Augusto, “ Vila do Conde e o seu Alfoz – Origem e Monumentos”, p. 15. 3. Esta lei foi motivada por queixas de alguns ricos homens do reino a D. Dinis, acusando os Conventos de enriquecerem à custa das heranças recebidas dos que entravam nas Ordens e nelas morriam.

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1. O MOSTEIRO DE SANTA CLARA: DA FUNDAÇÃO À ATUALIDADE O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde foi fundado por D. Afonso Sanches (filho bastardo de D. Dinis) e sua esposa, D. Teresa Martins, pela carta régia de sete de Maio de 1318. Segundo Monsenhor José A. Ferreira, D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins terão passado por Vila do Conde quando regressavam de uma romaria a S. Tiago de Compostela e, “ou por [devoção] imitação da Rainha Santa Isabel, que no ano anterior tinha fundado em Coimbra o Mosteiro de Santa Clara, ou por devoção e sympathia para com esta Ordem (...), edificou e dotou n’esta sua villa outro Mosteiro da mesma Ordem” 2. No entanto, parece que D. Dinis

envolveu-se bastante na origem e proteção do dito Mosteiro, quanto mais não fosse para mostrar à Rainha D. Isabel a sua autoridade e poder. De facto, o auxílio prestado por D. Dinis ao seu filho bastardo foi precioso: a três de Janeiro de 1319, el-rei dispensa o Mosteiro de Vila do Conde do cumprimento de uma lei por ele mesmo decretada, lei essa que proibia aos Conventos adquirirem bens de raiz e ficarem com as heranças dos que neles entrassem 3. Por isso, o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde foi uma das casas monásticas mais famosas entre as maiores e mais ricas da Península.


Os fundadores, na Carta de Fundação do de uma Igreja de uma só nave Mosteiro (1318), afirmam que o Mosteiro se latina e abside poligonal. T destinava a “molheres filhasdalgo pobres” 4. No claustro de arcos em ogiva. O entanto, não era totalmente excluída a entrada ainda com reminiscências d de fidalgas ricas, mas apenas quando o número pela existência de ameias, só das pobres não fosse suficiente. Se, por ventura, de volta perfeita, apesar de nem umas nem outras quisessem entrar, aceitar- florida, janelas ogivais e por se-iam outras mulheres, desde que fossem assentes em colunas trabal dotadas de virtude e e bens, de modo c a que “o mosteiro seja honrado e d 5. avantajado” s Contudo, o Mosteiro A de Santa Clara foi i predominantemente 1 ocupado por a elementos das d famílias nobres d das províncias do o Norte de Portugal. d Além disso, a c riqueza do mosteiro I provinha também c Vista interior da Rosácea. dos impostos que e cobrava sobre toda a circulação e pesca realizada comunica ao Papa Leão X a n no Rio Ave. O mosteiro exerceu, ainda, sobre a reforma: a temida “Observân localidade, poder jurídico até ao reinado de D. bula do Papa Leão X, em 15 João III 6. de Vila do Conde, liderada Quanto ao edifício, verifica-se que há pouca Joana de Meneses, manifesta documentação sobre o primitivo Mosteiro de sendo por isso transfer Santa Clara: nada se sabe acerca do seu traçado conventos. Em sua substitu inicial, nem do volume da sua construção. mais disciplinadas, vindas d No entanto, segundo alguma informação de Entre estas estava D. Isabel d Joaquim Pacheco é possível avançar com uma ser eleita como a nova abade reconstrução da primitiva Igreja 7. Tratar-se-ia 4.“Carta de Fundação do Mosteiro”, de 1318, Arquivo Municipal de Vila do Conde. 5. Idem. 6. MIRANDA, Marta, “Cidades e Vilas de Portugal – Vila do Conde”, Editorial Presença, Lisboa, 1998, p. 24. 7. “Boletim Cultural da Câmara Municipal de Vila do Conde”, Nova Série, nº 11 (Junho/1993), pp. 37-40.

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e, com planta de cruz Talvez houvesse um O estilo é gótico mas do românico, visíveis ólida silharia e arcos e ter já uma rosácea rtas com arquivoltas lhadas, aparentando estas últimas mais com o estilo gótico. Com o decorrer dos anos, a Igreja foi sofrendo alterações. A primeira intervenção data de 1526, a pedido da abadessa D. Isabel de Castro. A vinda desta abadessa para o Mosteiro de Vila do Conde é bastante curiosa. D. Manuel I, pretendendo corrigir os costumes e moral das freiras, necessidade de uma ncia”, autorizada pela 517. Algumas freiras as pela abadessa D. am o seu desagrado, ridas para outros uição chegam outras do Mosteiro de Beja. de Castro, que viria a essa. Vista interior da Igreja.


Túmulo de D. Afonso Sanches

A ação de D. Isabel de Castro foi bastante empreendedora: apercebendo-se que o coro existente ocupava muito espaço, inicia obras para o reduzir, compensando o espaço perdido com a construção de um novo coro, sobreposto ao já existente - o Coro Alto. O teto deste coro, todo forrado com caixotins de madeira do século XVI e decorado com diversos motivos, constitui um magnífico exemplar do trabalho de talha, encontrando-se ainda hoje em bom estado de conservação. Foi também esta mesma abadessa que, observando o estado de degradação da galilé onde se encontravam os túmulos dos fundadores, ordenou a construção da Capela da Conceição, também conhecida por

Capela dos Fundadores, num gracioso estilo manuelino, traduzindo o carácter desta vila piscatória. Todos os túmulos que se encontravam na dita galilé foram transferidos para o interior da Igreja, ficando os dos fundadores – D. Afonso Sanches e D: Teresa Martins - na nova Capela da Conceição. Figura jacente de D. Afonso Sanches, filho bastardo de D. Dinis é representada por um cavaleiro com espada e a seus pés um leão, símbolo de força. A figura jacente de D. Teresa, neta do rei D. Sancho, está vestida de religiosa com um livro de orações e é representada com um cordeiro a seus pés, símbolo de humildade. Arcas tumulares laterais.

Túmulo D. Teresa Martins.

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Depois destas obras de 1526, o Mosteiro parece ter caído em esquecimento, e as agressividades do tempo foram-se fazendo notar: o Mosteiro caiu em estado de degradação. Em finais do século XVII há notícia de um pedido de auxílio, por parte da abadessa de então, D. Mariana de S. Paulo (1694 -1697), nas obras que considerava necessárias realizar para que o Mosteiro não ruísse. Esse pedido, dirigido ao Monarca, autoridades eclesiásticas e familiares das freiras internas, não obtém resultados. Seria preciso mais um século para que essas obras se concretizassem: a vinte e oito de Junho de 1778 começam os trabalhos de recuperação por iniciativa da abadessa D. Luísa de Azevedo.

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Ao que parece, estas obras foram subsidiadas por seu pai, Leonardo de Azevedo que, no ano anterior (1777), recebera duas valiosas heranças e, para satisfazer a vontade de sua filha e de mais duas que também eram internas do Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde, cedeu uma das heranças para financiar as obras. Mais do que recuperar o velho Mosteiro, é construído um edifício totalmente novo e monumental: foram gastos mais de setenta e cinco contos, elevada quantia para a época! Trata-se de uma construção imponente, voltada para o rio Ave. A fachada sul tem um estilo clássico: está dividida em cinco corpos, separados por grossas pilastras, tendo cinquenta e uma janelas distribuídas


pelos três andares do edifício. A parte central é rematada por um frontão decorado com um escudo e com as armas reais, sendo encabeçado por uma figura de Santa Clara à frente de um elefante, cujo marfim simboliza a pureza e castidade. Os acrotérios são decorados por grandes vasos. Este majestoso edifício ainda hoje marca a paisagem de Vila do Conde. Estas obras foram várias vezes interrompidas. Com as invasões napoleónicas, as obras pararam, pois o Mosteiro teve de pagar um pesado imposto de guerra. Em 1816 os trabalhos são retomados, para serem novamente suspensos em 1825, com as revoluções liberais. Com a vitória dos Liberais seguemse medidas radicais que vão penalizar

os mosteiros e conventos de Portugal. A 4 de Abril de 1861 (Regeneração) é emitida a Lei de Desamortização dos bens das freiras e igrejas. Muitos mosteiros caem na miséria e pobreza. O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde possuía muitos bens que eram facilmente vendidos e a maior parte das internas eram filhas de ricas famílias do norte de Portugal. No entanto, essas vendas foram depauperando o espólio do mosteiro e à medida que as freiras faleciam os seus bens iam desaparecendo. Com a morte da última freira, D. Augusta do Nascimento (Meneses), a 21 de maio de 1893, o Mosteiro também se extinguia. Mosteiro de Santa Clara no início do séc. XX


paredes que formam a cruz latina da planta medieval, (...) tinham-se multiplicado ao acaso, sem nenhuma ordem ou escrúpulo estético, os mais variados, desairosos e grosseiros edifícios. Unidos, aglomerados de encontro às naves e à abside, dominavam a majestosa Igreja (...). Das numerosas construções Postal com os reclusos da Correção em exercícios - 1907 acessórias naquele sítio acumuladas em diversas Em 1902 o Mosteiro foi transformado em Casa da Correção idades, pouco mais restava quando se do Distrito do Porto, cujo nome foi iniciaram as obras da restauração, do alterado para “Escola Industrial da que algumas ruínas quase informes e vários montes de pedras e caliça, Missão dos Salesianos”. Não há notícia de nenhuma outra que os destroços da vizinha casa intervenção até 1929-32, altura do capítulo haviam avolumado. Ali em que a Direção dos Edifícios também, em frente desta última, um e Monumentos Nacionais decide arruinado lanço de arcos abatidos. (...) restaurar o Mosteiro de Vila do Muitas das janelas (...) que iluminavam Conde, inserindo-o num plano de o templo, tinham sido vandalicamente recuperação e enaltecimento do substituídas por desairosos janelões “património artístico, histórico retangulares, ao gosto do século Pela XVII. A tão violenta e generalizada e espiritual da Nação” 8. descrição feita por D. João de Castro proscrição escaparam apenas as da Capela dos Fundadores (...) porque um 9 e por fotografias da época, o estado em que o Mosteiro se encontrava era dos casebres construídos em redor do lastimável. Eis como o referido autor templo (...) ocultou completamente as descreve o estado em que a Igreja se elegantes janelas ali abertas no século XVI, tornando portanto inútil a sua encontrava: “Exteriormente, em redor das substituição. 10” 8“Boletim da Direção Geral do Edifícios e Monumentos Nacionais”, nº 14, dezembro de 1938, p. 27. 9. Idem 10. O aqueduto - Monumento Nacional, Dec. 16-06-1910, DG 136 de 23 junho de 1910, incluído na Zona Especial de Proteção da Igreja de Santa Clara. Inicialmente formado por 999 arcos, com cerca de 4 Km, é o segundo aqueduto mais extenso de Portugal. Este canal artificial foi construído entre 1705 e 1714, desde o Convento de Santa Clara até à nascente (Terroso, Póvoa de Varzim), com o objetivo de abastecer de água o Mosteiro de forma regular através da sua arcatura. Cf. www.igespar.pt

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Vista do Mosteiro de Santa Clara antes das obras de 1929-32.

Os jornais da época vão relatando o difícil avançar das obras: “Foi reduzido a dois o número de operários que ainda se conservam nas obras do restauro da Egreja de Santa Clara e é de prever que só para princípios do próximo ano económico elas prossigam mais ativamente porque foi de facto de se ter esgotado verba orçamental que originou a quasi geral paralisação de agora. (…) 11” A intervenção realizada pela Direção dos Edifícios e Monumentos Nacionais acabou por se tornar alvo de fortes críticas, uma vez que, com o objetivo de recuperar a imagem original do primitivo edifício, acabou por destruir outras obras e intervenções de importante valor cultural realizadas ao longo dos séculos. Durante anos o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde foi perdendo o

seu esplendor e, outrora um dos mais ricos da Península Ibérica, tornou-se um “conventinho pobre” 12. No início de 2003, quando fizemos o primeiro trabalho sobre o Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde, estávamos longe de imaginar que aquele local iria tornar-se naquilo que vídeos e reportagens que se encontram atualmente na internet documentam: um edifício completamente em ruínas. Naquele ano previa-se o encerramento do centro educativo e a transformação do Mosteiro numa pousada. Por esse motivo, o centro educativo foi transferido para um novo espaço. Contudo, as negociações arrastaram-se e o projeto acabou por não se concretizar. O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde caiu definitivamente no abandono, até hoje (e, não sabemos, até quando?).

11. “O Democrático”, ano XVIII, nº 850, janeiro de 1931. 12. NEVES, Joaquim Pacheco, “O Mosteiro de Santa Clara de Vila do Conde”, Edição da Câmara Municipal de Vila do Conde, 1982, p.131.

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MOSTEIRO SANTA CLARA EM 2003

MOSTEIRO SANTA CLARA EM 2013


A tristeza e receio que a população sente em relação ao estado e futuro do Mosteiro tem gerado ações sensibilizadoras, com o intuito de alertar o Estado para uma urgente intervenção de recuperação. A mais recente iniciativa, decorreu no dia 18 de abril (Dia Internacional dos Monumentos e Sítios), com “Um abraço pelo Mosteiro de Santa Clara”, iniciativa que, através da realização de um cordão humano em torno do Mosteiro, procurou agir em prol da sua dignificação e requalificação.

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Poema a Santa Clara Estes ares Dai-nos ventos regulares, de feição. Estes mares, estes ares Clareai. Santa Clara, dai-nos sol. Se baixar a cerração, Alumiai Meus olhos na cerração. Estes montes e horizontes Clareai. Santa Clara, no mau tempo Sustentai Nossas asas. A salvo de árvores, casas, E penedos, nossas asas Governai. Santa Clara, clareai. Afastai Todo risco. Por amor de S. Francisco, Vosso mestre, nosso pai, Santa Clara, todo risco Dissipai. Santa Clara, clareai. Autor Desconhecido


TEMA MAIO

“PELAS FREGUESIAS”

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REGULAMENTO 1. Tema Livre nos procedimentos técnicos a empregar, deverá obedecer a um tema genérico “Vila do Conde” e ao sub-tema do mês, definido na revista e-vilacondense, registando qualquer pormenor, situação ou acontecimento, desde que ocorridos dentro do concelho de Vila do Conde. 2. Obras O número máximo de fotografias a apresentar por concorrente é uma. A dimensão mínima é 21cm por 30cm, sendo requisito a orientação vertical. 3. Prazos e formas de entrega Os trabalhos deverão ser enviados através de e-mail para o endereço fotovila@vilacondense.pt até ao dia 15 de cada mês. O e-mail deverá conter os seguintes dados. - Nome do fotógrafo; - Título da fotografia; - Local da fotografia; - Data da fotografia (mês e ano) 4. Prémios 1º Prémio - Utilização da fotografia como capa da revista e-vilacondense com os devidos créditos do autor. 2º e 3º Prémio - Publicação da fotografia na revista e-vilacondense com os devidos créditos do autor. 5. Juri O juri sera composto por todos os utilizadores do nosso site (www. vilacondense.pt), através da atribuição de uma classificação (rating) a cada fotografia. Os premiados serão os trabalhos que obtiveram a classificação mais alta até ao dia 25 de cada mês. Os trabalhos premiados ficam propriedade do Vilacondense - Roteiro Online, o qual se reserva o direito de os poder utilizar no nosso site www.vilacondense. pt e na revista e-vilacondense sempre que entenda conveniente, referindo sempre os respetivos direitos autorais. Quaisquer informações adicionais podem ser solicitadas através do e-mail fotovila@vilacondense.pt.


PREMIADOS ABRIL 1º LUGAR Rafael da Silva Sá Título Vida sob o mosteiro Local Margem sul do rio Ave Abril 2013

2º LUGAR

J. Augusto Sousa Título Jardins em flor... Local Praça da República Abril 2013

3º LUGAR Tiago Filipe Ferreira Título Árvore Local Rua Doutor Elias de Aguiar Abril 2013 e-vilacondense 052


Bruno AraĂşjo

JoĂŁo Rosmaninho

Tiago Peixoto 053 e-vilacondense

Rafaela Bessa

Marta


Jorge Domingues

a Pereira

Jo達o Videira

Bruna

Carlota Albuquerque


GINÁSIO CLUBE VILACONDE 50 ANOS DE EMOÇÕES 1963

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ENSE - GCV 3 - 2013


“Como seria a vida se não tivéssemos coragem para arriscar?” Vincent Van Gogh A História do Ginásio Clube Vilacondense começou a ser escrita na década de 60 do século XX. A 12 de maio de 1963 nascia o Ginásio Clube Vilacondense, desenvolvendo desde a sua fundação uma intensa e multifacetada atividade desportiva. A revista e-vilacondense do mês de maio pretende assinalar os mais significativos momentos e ações do vasto historial deste Clube que recebeu a medalha de mérito municipal (20 de novembro de 1982) e a medalha de bons serviços públicos. É ainda considerado

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Clube de Utilidade Pública desde 3 de Abril de 1984. Ao longo dos tempos, o Ginásio teve a capacidade de se reinventar e adaptar às novas realidades, complementando a sua visão jovial sobre o desporto com a vontade dos seus atletas, treinadores e dirigentes. Na atualidade, o Ginásio tem-se afirmado de forma sólida nas competições desportivas nacionais e internacionais. Cada atleta tem uma voz e o seu sucesso é o resultado de toda uma estrutura bem delineada e afinada.


1ª Equipa de Futebol - De pé da esq. para a dir.: Jorge Correia, Jaime Naia, António Naia, Romeu C. Reis, Jorge Ramos, António C. Amorim, António Laranja; em baixo: José L. Faria, José Moreira, Álvaro Carvalho, José Maria Ferreira e António F. Ferraz

A década de 60 foi paradigmática, se por um lado o mundo vivia profundas mudanças sociais e culturais, em Portugal estávamos no período do Estado Novo. Para fazer frente ao marasmo cultural e desportivo em que os jovens se encontravam, um grupo de aventureiros fundou o Ginásio, que escolheu o branco como cor do clube em honra dos seus heróis Di Stefano e Gento. Os primeiros corpos dirigentes eleitos foram: José Luís de Faria e Silva, Presidente; Jorge Manuel da Silva Correia, Tesoureiro; Jorge Henrique Soares Ramos, Diretor da Secção

de Hóquei em Patins; Álvaro José Machado Carvalho, Diretor da Secção de Futebol e António Romeu Azevedo da Cunha Reis, Diretor da Secção de Atletismo. Nos dias seguintes novos sócios foram engrossando as fileiras do Clube até aos dias de hoje. A primeira sede do Clube foi emprestada, seguindo-se a cerimónia inaugural a 26 de Maio de 1963, com direito a discursos solenes e corte de uma fita simbólica pelo Presidente. O programa comemorativo teve início no dia anterior com um jogo de futebol no campo da Avenida.


1ª Equipa de Hóquei em Patins - De pé, da esq. para a direita: José A. Maia, Eduardo Pinto, José Manuel Carvalho e José Luís Faria; em baixo: Romeu Cunha Reis, Jorge Ramos, José Moreira e Jorge Correia.

Formaram-se as equipas de Futebol e de Hóquei em Patins. A primeira grande modalidade foi o futebol com vitórias em torneios e em jogos singulares, estas vitórias permitiram conquistar as três primeiras taças para o Clube. Uma das vitórias a destacar ocorreu a 25 de outubro de 1964, contra estudantes do Liceu e da Escola Comercial da Póvoa de Varzim. Neste jogo estrearam-se bola e camisolas novas ao preço de 35$00 cada e com números a vermelho colocados sem custos adicionais. Na primeira ação promocional do Clube estas camisolas foram expostas assim,

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como as três taças conquistadas, juntamente com cinco medalhas ganhas por sócios e a fotografia da equipa que as envergava. Além deste sucesso futebolístico, outras modalidades iam-se praticando, de acordo com a vontade dos sócios e disponibilidades do Clube. O primeiro jogo de hóquei em patins foi disputado no recinto do Clube Desportivo da Póvoa contra esta equipa, tendo o Clube Vilacondense perdido. Outras modalidades praticadas foram a corrida, o ciclismo, o culturismo, o voleibol, o ténis de mesa, torneios de tiro e de pesca no Rio Ave.


Além deste sucesso futebolístico outras modalidades iam-se praticando, de acordo com a vontade dos sócios e disponibilidades do Clube. O primeiro jogo de hóquei em patins foi disputado no recinto do Clube Desportivo da Póvoa contra esta equipa, tendo o Clube Vilacondense perdido. Outras modalidades praticadas foram a corrida, o ciclismo, o culturismo, o voleibol, o ténis de mesa, torneios de tiro e de pesca no Rio Ave. A secção de voleibol foi criada a 15 de julho de 1966. Criou-se também a secção de Damas e Xadrez e a de Campismo. A canoagem teve muito sucesso animando o Rio Ave

com várias provas. A afirmação dos atletas do Ginásio Clube teve como consequência o importante papel do Ginásio na Formação da Federação Portuguesa de Canoagem, da qual fazem parte dos corpos gerentes vários vilacondenses. Os primeiros contactos com a Federação Portuguesa de Ginástica datam de 13 de maio de 1966, seguindo-se vários outros até à formação de quatro classes de ginástica num total de 112 alunos. O 1º Sarau de Ginástica decorreu a 22 de março de 1969 no quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila do Conde, situado no largo Dr. Cunha Reis.

1ª Sarau de Ginástica no Quartel dos B. V. V. C.


A nível cultural o Ginásio desenvolveu uma atividade também relevante: formaram uma biblioteca; promoveram uma conferência sobre o teatro vicentino; editaram o boletim “O Ginásio” em maio de 1966 com ecos positivos na comunicação social da época; realizaram um sarau recreativo a 14 de Maio de 1967 e que encheu por completo o Circulo Católico d´os Operários, foi a primeira grande manifestação pública do clube com a representação teatral de uma comédia de Molière, canções e ilusionismo; realizaram dois saraus de ginástica – em março e julho nos terrenos do ex-parque de campismo;

a 11 de maio de 1969 o Dr. Orlando Taipa proferiu uma conferência subordinada ao tema: “Aspetos socioeconómicos do Desporto em Portugal”, integrada no programa que assinalou o 6º aniversário do Clube; em agosto trouxeram a Vila do Conde o T.U.P – Teatro Universitário do Porto; o ano de 1970 é marcante para a História do Clube com a realização da primeira homenagem nacional a José Régio. A experiência cultural adquirida ao longo dos tempos aliou-se à atitude visionária das várias gerações de atletas, treinadores e dirigentes que passaram pelo Clube. O passo seguinte seria a

O Parque de Jogos na época e onde ocorreu a fundação do GCV

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Há três meses a promover Vila do Conde

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Peça de Teatro realizada no CCO A partir da esquerda: Romeu C. Reis, António Laranka, Plácido Pontes, José Carlos Pedrosa e José Maria Ferreira

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legalização do Clube, as primeiras diligências efetuam-se a 11 de setembro de 1968 através do contacto com a Delegação da Direção-Geral dos Desportos no Porto. A 12 de outubro realizase nas instalações do Rancho das Rendilheiras da Praça uma Assembleia Geral composta por Sócios Maiores. A 16 de dezembro de 1969 é publicado o Despacho Ministerial que aprova os estatutos do Clube. O Ginásio Clube Vilacondense foi-se adaptando às mudanças dos tempos, muitas das primeiras atividades extinguiram-se, outras apareceram mantendo o Clube no coração de todos os Vilacondenses.

Atualmente as secções do Ginásio são: Karaté, Ginástica (Acrobática, Trampolins, dança), Voleibol, Ténis, Damas, Slot Raci e Atletismo que continuam engrandecer o nome de Vila do Conde em todo o país e estrangeiro. Neste momento o GCV tem cerca de 800 atletas distribuídos pelas suas secções enfrentando os desafios desportivos da actualidade. Do passado ficam as vitórias, o “Know-how” adquirido ao longo dos anos, acompanhando a evolução do desporto nacional e internacional. Estas características acrescentam valor à instituição, dão outro sabor aos triunfos alcançados e contribuem para o sucesso da organização.


TÍTULOS CAMPEONATOS 1986 Campeonato da Europa de trampolins Juniores em Mielac, Polónia -> Jorge Moreira ganhou a medalha de Bronze por equipas 1987 Campeonato da Europa de Trampolins, em Braga, Portugal -> Jorge Pereira sagrou-se campeão da Europa ganhando a primeira medalha de ouro da ginástica portuguesa 1989 Campeonato da Europa de Trampolins, na Dinamarca -> Jorge Moreira e Jorge Pereira sagraram-se campeões Europeus por equipas 1990 Campeonato do Mundo de Duplo Trampolim em Essen, Alemanha -> Jorge Moreira sagrou-se vice-campeão Mundial Campeonato do Mundo de Duplo Trampolim por grupo de idades em Dilenburgo, Alemanha -> Jorge Moreira sagrou-se campeão Mundial 1991 Campeonato da Europa de Trampolins, Polónia -> Jorge Pereira sagrou-se campeão da Europa

Jorge Pereir

1992 Campeonato do Mundo de Trampolins em Auckland, Nova Zelândia -> Jorge Pereira sagrou-se campeão do Mundo Campeonato da Europa de Trampolins de juniores em Deinze, Bélgica -> Nuno Lopes e Hugo Paulo sagraram-se campeões da Europa por equipas 1993 Campeonato da europa de Trampolins na Suiça -> Jorge Pereira sagrou-se campeão da Europa 065 e-vilacondense


S EUROPEUS E MUNDIAIS 1994 Campeonato do Mundo de Trampolins no Proto, Portugal -> Jorge Pereira sagrou-se campeão do Mundo 1996 Campeonato do Mundo de Trampolins em Vancouver, Canadá -> Hugo Paulo ganha a Medalha de Bronze por equipas Jogos Mundiais de Trampolins por grupos de idades em Kamloops, Canadá -> Hugo Paulo sagra-se vice-campeão Europeu Campeonato Europeu de Shotokan (ESKA) em Loures, Portugal -> Pedro Silva, Igor Terroso e Carlos Fernandes ganham a medalha de Bronze em kata equipa júnior 1997 Campeonato da Europa de Trampolins em Eindhoven, Holanda -> Hugo Paulo sagra-se vice-campeão Europeu

ra - 1990

Campeonato Europeu de Shotokan (ESKA) em Viena, Áustria Pedro Silva, Igor Terroso e Carlos Fernandes ganham a medalha de Bronze em kata júnior e sagram-se vicecampeões Europeus em kumite júnior

1998 Campeonato da Europa de Trampolins em Dessau, Alemanha -> Marta Ferreira, Raquel Pinto e Sónia Oliveira sagram-se campeãs Europeias por equipa -> Hugo Paulo sagra-se campeão Europeu por equipa Campeonato da Europa de Juniores de Trampolins em Vila do Conde, Portugal -> Sónia Oliveira sagra-se vice-campeã Europeia


1999 Campeonato do Mundo de Trampolins em Vancouver, Canadá -> Marta Ferreira, Raquel Pinto e Sónia Oliveira sagram-se campeãs Mundiais por equipa, obtendo o primeiro título mundial feminino Campeonato Europeu de Karate Tradicional (ETKF) em Lodz, Polónia -> Tozé Lopes sagra-se campeão Europeu 2000 Campeonato da Europa de Trampolins em Eindhoven, Holanda -> Diogo Faria sagra-se campeão Europeu por equipa Campeonato da Europa de Juniores de Trampolins em Eindhoven, Holanda -> António lapa sagra-se campeão Europeu por equipa 2001 Campeonato do Mundo de Trampolins em Odense, Dinamarca -> Diogo Faria sagra-se campeão Mundial por equipa -> Marta Ferreira e Raquel Pinto sagram-se vice-campeãs Mundiais por equipa World Games Akita Japan -> Diogo Faria obteve a medalha de Prata Campeonato Europeu de Karate Tradicional (ETKF) em Vila do Conde, Portugal -> Delilah G. sagra-se campeã Europeia em Kumite cadetes, e ganha a medalha de Bronze em Fukugo cadetes -> Ilda C. ganha a medalha de Bronze em Fukugo júnior -> Fernanda S. ganha a medalha de Bronze em Kumite sénior Campeonato Europeu de Shotokan (ESKA) em Viena, Áustria -> Delilah G. e Ilda C. ganham a medalha de Bronze em kumite júnior 2002 Campeonato do Europa de Trampolins em St. Petersburgo, Rússia -> Diogo Faria sagra-se campeão Europeu por equipa Campeonato do Mundo de Karate Tradicional (ITKF) em Belgrado, Jugoslávia -> Delilah G ganhou a medalha de Bronze em Kumite júnior e sénior 067 e-vilacondense


Campeonato Europeu de Karate Fudokan (ESTKF) em Oradea, Roménia -> Delilah Gonçalves e José Oliveira sagraram-se vice-campeões em Enbu -> Ilda, Gisela e Delilah sagraram-se vice-campeãs em Kata equipa -> Pedro Silva e José Oliveira ganharam a medalha de Bronze em Enbu -> Delilah Gonçalves ganhou a medalha de Bronze em Kumite júnior e sénior 2003 Campeonato Europeu de Karate Tradicional (ETKF) em Vilnius, Lituânia -> Pedro Silva e Tozé Lopes ganharam a medalha de Bronze em Kumite 2004 Campeonato Europeu de Karate Fudokan (ESTKF) em Praga, Republica Checa -> Filipa Festa sagrou-se campeã Europeia em Kumite e ganhou a medalha de Bronze em Kata ind. e equipa pré-infantil -> Diogo Assis sagrou-se campeão Europeu em Kata infantil -> Bruno V, Francisco R, Rui M ganharam a medalha de Bronze em Kata equipa pré-infantil -> Rui Morais sagrou-se campeão Europeu em Kumite pré-infantil -> João Oliveira e Barbara Ferreira ganharam a medalha de Bronze em Enbu infantil -> Joel Pinto sagrou-se campeão Europeu em Kata infantil -> Dinis Morim, Joel Pinto, Diogo Assis sagraram-se vice-campeões Europeus em Kata iniciados -> Luísa Silva ganhou a medalha de Bronze em Kumite iniciados -> Diogo Assis e Joel Pinto sagraram-se vice-campeões Europeus em Enbu iniciados -> Luís Viana, João Sarmento, Francisco L. sagraram-se vice-campeões Europeus em Kata juvenis -> Joana Assis ganhou a medalha de Bronze em Kumite juvenil, -> Luís Viana, Carlos C., Francisco Leal sagraram-se vice-campeões Europeus em Enbu juvenis -> César Moura ganhou a medalha de Bronze em Kata sénior -> Vítor Fins, César Moura e Fernando Silva sagraram-se vice-campeões Europeus em Kata sénior -> César Moura, Fernando Silva sagraram-se vice-campeões Europeus em Enbu Sénior


Campeonato do Mundo de Karate Tradicional (ITKF) em Davos, Suiça -> Tozé Lopes, José Oliveira e Marco Silva ganharam a medalha de Bronze em Kata 2005 Campeonato do Mundo de Trampolins em Eindhoven, Holanda -> Marta Ferreira sagra-se sagrou-se campeã Europeia em equipa Campeonato Europeu de Karate Fudokan (ESTKF) em Belgrado, Jugoslávia -> Pedro Silva sagrou-se vice-campeão europeu em Kumite Campeonato do Mundo de Fudokan em Veneza, Itália -> Pedro, Marco e Vitor sagraram-se vice-campeões Mundiais -> Pedro, sagrou-se vice-campeão Mundial individual e Oliveira -> Marco e Tozé ganharam a medalha de Bronze em kata 2011 Campeonato do Mundo por idades de Trampolins em Birmingham, Inglaterra -> Pedro Ferreira ganhou a medalha de Bronze 2012 Campeonato da Europa de Trampolins em St. Petersburgo, Rússia -> Tiago Lopes sagrou-se vice-campeão Europeu por equipa Campeonato da Europa de Juniores de Trampolins em St. Petersburgo, Rússia -> Diogo Costa sagra-se campeão Europeu por equipa e vice-campeão individual GINÁSIO CLUBE VILACONDENSE - GCV Morada Rua da igreja, 16 4480-754 Vila do Conde Telefone / Fax 252 633 362 / 252 645 316 Site http://gcvilacondense.com E-mail gcv@netcabo.pt Estámos também no 069 e-vilacondense


ARQUEOLOGIA A EPÍGRAFE DE GUILHABREU

EPIGRAFIA DO CONCELHO DE VILA DO CONDE – estu POR MÓNICA SOUSA Licenciada em História-variante Arqueologia Pós-graduada em História da Educação

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecime na vida de minhas retinas tão fatigada Nunca me esquecerei que no meio do cam tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho no meio do caminho tinha uma pedra Carlos Drummond de Andrade

1. Agradeço à Dr.ª Lurdes Adriano, da Biblioteca Municipal Rocha Peixoto da Póvoa de Varzim, o acesso ao acervo docu a realização deste trabalho e posteriores sobre a Epigrafia.

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umental e que se revelou fundamental para


A EPIGRAFIA Parafraseando José D´Encarnação as epígrafes “perpetuam memórias duns e outros”, cabe aos epigrafistas “fazerem falar as pedras” 2. Etimologicamente Epigrafia é a escrita (grafia) sobre (epi) determinado suporte. A Epigrafia é genericamente apresentada como a ciência que se ocupa das inscrições feitas nas superfícies de materiais duros: pedra, bronze, cerâmica. As inscrições são quase sempre contemporâneas dos acontecimentos a que dizem respeito. Assim, a Epigrafia estuda a forma de vivência das sociedades em determinado momento e os acontecimentos históricos que as sociedades queriam que perdurassem no tempo e fossem públicos. Através da Epigrafia os acontecimentos transformam-se em conhecimento histórico. Inicialmente a Epigrafia debruçou o seu estudo sobre as inscrições clássicas – latinas e gregas - e só paulatinamente alargou o seu espetro para o período Medieval e épocas posteriores. Em 1914 René Cagnat definia Epigrafia como a "ciência das inscrições" (CAG-NAT R. 1914, p. XIII), esquecendo-se, no entanto, de precisar o que entendia por "inscrição". Contemplou nos seus estudos inscrições gravadas ou esculpidas em suportes pétreos, metálicos e cerâmicos, desde as inscrições monumentais até aos 073 e-vilacondense

simples epitáfios e às inscrições em objetos de uso quotidiano e personalizado (instrumentam), e aos letreiros em telhas e em tijolos. Desta forma induzimos o que Cagnat entendia por “inscrição”. A definição de Cagnat seria a adotada por Cordeiro de Sousa, que nos seus Apontamentos de Epigrafia Portuguesa começava por esclarecer: "A Epigrafia é, como se sabe, a ciência das inscrições." (SOUSA J.M.C. 1928, p. 7 (da 3. ed., de 1983) 3. Em 1952, Jean Mallon define Epigrafia, tendo como base a realização de uma comparação com o conceito de Paleografia. Assim, ambos os conceitos são atribuídos consoante o método de escrita e suporte. Seriam documentos epigráficos todos os documentos escritos, excetuando aqueles que eram em papiro ou pergaminho e que fossem escritos utilizando o material “tinta” (que passariam para o domínio da Paleografia). Jean Mallon e Raymond Bloch alertam para a debilidade da fronteira entre a Epigrafia e a Paleografia 4. O padre Avelino de Jesus Costa apresenta a seguinte definição: “A epigrafia é, etimologicamente, a ciência que estuda as epigrafes ou inscrições, isto é, os textos gravados em matéria duradoira (pedra, ardósia, metal, cerâmica, vidro, estuque, mosaico…)” 5. A Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira refere "...a Epigrafia ocupa-se dos


Epígrafe da Igreja de Santa Clara, século XVII, capela dos Fundadores

documentos gravados a cinzel e buril sobre cobre, mármore, pedra e outras matérias duras, que foram os primeiros registos de factos e sucessos da Humanidade..." 6. Assim, quando formulada a partir dos registos clássicos, constatase que a definição do conceito de Epigrafia (ciência) e de Epígrafe (seu objeto de estudo) é usualmente feita tendo em conta o suporte ou matéria-prima ou conjugando esses aspetos com a técnica de escrita. A Epigrafia dedicar-se-ia ao estudo dos textos registados em materiais duros e perenes, enquanto que a Paleografia debruçar-se-ia sobre

os textos registados em materiais flexíveis e perecíveis. A primeira grava ou esculpe os seus textos, a segunda utiliza a tinta ou outras matérias colorantes para os registar 7. Esta definição (influenciada pelos estudos de Epigrafia Clássica) coloca problemas quando avançamos no tempo e chegamos à Idade Média. A multiplicação do número de documentos é acompanhada igualmente de uma diversificação dos suportes da escrita começando a surgir problemas na delimitação do que é objeto de estudo da Epigrafia e o que compete à Paleografia 8.

2. D'ENCARNAÇÃO, José - “Epigrafia - As Pedras que Falam”, 2ª Edição, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010. 3. BARROCA, Mário - Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), p.6. 4. Idem. 5. COSTA, Avelino de Jesus da – Apontamentos de Epigrafia, I, edição Coimbra, 1954. 6. Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira 1935-60, s.v. "Epigrafia", vol. IX, p. 873. 7. BARROCA, Mário - Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), p.11. 8. Idem.


Reconhece-se desta forma que os conceitos de Epígrafe e de Epigrafia continuam a suscitar reflexões críticas e debate. Contudo, é de realçar que ao longo dos tempos mudou a forma de encarar a Epigrafia, foi-lhe outorgada o reconhecimento de documento cultural e monumental por parte de historiadores, arqueólogos, paleógrafos e epigrafistas. Segundo os estudos de Mário Barroca, a criação de uma inscrição ocorre segundo as seguintes etapas 9: -Encomenda e encomendadores; -Autor do Texto; -Minuta e Ordinatio – a minuta é o texto criado pelo autor em bruto sem paginação e abreviaturas e que é fornecido a uma oficina gráfica ou à pessoa que o vai gravar, o ordinator era aquele que dava forma ao texto definindo o seu aspeto paleográfico, era o responsável pela transformação do texto da minuta em texto epigráfico. -Execução – o executor da inscrição era o lapicida (que tinha como função gravar os carateres que tinham sido desenhados no suporte pelo paginador). -Matéria-prima do suporte da inscrição. No território português, as inscrições gregas não apresentam grandes quantitativos e a mais importante está situada no Santuário

de Panóias, existem também inscrições celtibéricas, assim como muçulmanas e muitas inscrições das épocas romana, medieval e moderna. Os maiores quantitativos são apresentados pelas inscrições em Latim e em Língua Portuguesa. Para uma melhor compreensão da terminologia apresentada é redigido um breve GLOSSÁRIO sobre Epigrafia 10. Anepígrafo – monumento destinado a ter inscrição. Mas que atualmente a não tem, ou porque nunca foi gravada ou porque desapareceu. Ara (altar) – monumento votivo ou funerário constituído por capitel (trabalhado e com fóculo), fuste e base. A inscrição vem no fuste. Campo epigráfico - superfície (preparada ou não) onde se gravou o texto. Ductus – palavra latina que exprime o modo como as letras são traçadas. O estudo do ductos permite detetar cópias ou acrescentos posteriores. Epígrafe - o mesmo que inscrição. Utiliza-se para designar o texto propriamente dito ou o monumento epigráfico no seu conjunto. Epigrafia – ciência que estuda as inscrições em materiais duradouros - pedra, metal, cerâmica, etc. O epigrafista não deve limitar-se à

9. BARROCA, Mário - Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422), pp. 81-138. 10. D´ENCARNAÇÃO, José – Introdução ao estudo da epigrafia latina, Instituto de Arqueologia, Faculdade de Letras de Coimbra, 1997, pp. 7-9.

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decifração, mas deve fazer a integração histórica dos textos. Estela – monumento funerário de pouca espessura, sensivelmente mais alto que largo, destinado a ser enterrada na vertical. Fóculo (foculus) – pequena cavidade existente no capitel das aras, para as libações. Instrumentum – palavra latina com que se designa, em epigrafia, o conjunto de objetos utilitários (lucernas, ânforas, lingotes de metal, etc). Lapicida – etimologicamente é o que corta a pedra. Designa o operário que grava o texto. Linhas auxiliares ou de pauta – linhas traçadas previamente no campo epigráfico para regular a altura das letras e obter melhor efeito estético. Podem ser ténues ou terem sido mantidas ostensivamente com finalidade decorativa. Miliário – monumento epigráfico em forma de coluna, destinado a ser colocado à beira das estradas, para marcar distâncias em milhas. Nexo – duas ou mais letras com traços comuns, o nexo usa-se com efeitos decorativos ou para poupar espaço. Oficina epigráfica – local de onde saíram monumentos epigráficos semelhantes na tipologia, no material usado, no modo de gravação e no formulário. Ordinator (paginador) – operário encarregado de fazer a distribuição 077 e-vilacondense

do texto no espaço epigráfico. Paleografia – ciência que estuda a evolução cronológica do traçado dos carateres. Sigla – forma de escrever uma palavra apenas pela letra inicial. Distingue-se da abreviatura constituída por mais que uma letra. Tipos de letra – nas inscrições as letras são geralmente capitais (maiúsculas). O património epigráfico pressupõe uma análise cuidada e exaustiva. Ser epigrafista, é ter a capacidade de recorrer a um documento original e não se limitar apenas à sua tradução e interpretação. É ser um historiador confrontado com uma fonte histórica, onde se esforça por explorá-la na sua totalidade. Uma vez lido o texto, há que tentar compreendê-lo - o documento ganha sentido e as informações transmitidas aprofundam a nossa visão sobre a sociedade em estudo. Um dos principais desafios para os epigrafistas é que as palavras não contêm todas as letras, são normalmente abreviaturas, sendo necessário descobrir os enigmas por detrás destas letras. Estas abreviaturas dependem de regras conhecidas e que permitem dar sentido às palavras e aos textos. Na análise epigráfica uma boa fotografia é fundamental para a leitura do texto de modo a serem bem visíveis os sulcos das letras. Para eliminação de líquenes, há que recorrer a técnicos especializados,


para que não se deteriore o suporte. Não se devem avivar as letras com giz, carvão ou de qualquer outro modo pois podem induzir em erros de leitura. Aconselha-se a fotografia com luz artificial. Convém que todos os pormenores, e sobretudo o texto, se distingam e deve procurar-se uma iluminação homogénea. Devido à patina que os materiais apresentam e ao possível contato superficial com substâncias colorantes, a fotografia, para efeitos de estudo e publicação deverá ser a preto e branco 11. As inscrições votivas são dedicadas a divindades; as monumentais destinadas a figurar num monumento; as funerárias em honra de um defunto; as honoríficas quando homenageiam uma personagem. Há contudo textos simultaneamente funerários 11. Cf. D´ENCARNAÇÃO, José.

e votivos, funerários e honoríficos, honoríficos e monumentais. As inscrições funerárias latinas mais completas contêm os seguintes dados: invocação aos deuses; identificação do defunto; idade que morreu; identificação da(s) pessoa(s) que erigiram a memória; seguida de F(aciendum) C(uravit ou uraverunt) (mandou ou mandaram fazer); fórmula final: “aqui jaz” (H.S.E.) e o voto “que a terra te seja leve!” (S.T.T.L). As inscrições votivas latinas também seguem um esquema habitual: nome da divindade acompanhado de S(acrum), consagrado; motivo da dedicatória (ex-voto, ex iussu, pro salutem); fórmula final consacratória: A.L.V.S., A.L.P., V.S.L.M. ou equivalente. Nas inscrições honoríficas à identificação


do homenageado acrescenta-se a menção dos cargos que ocupou, elogia-se porventura a sua atuação e refere-se o motivo da homenagem. Os dedicantes identificam-se também, e explicitam por vezes como obtiveram fundos para a homenagem (por exemplo: aere collato, por subscrição pública). As inscrições monumentais referem circunstâncias da construção do monumento, data, personalidades relacionadas, e porventura a divindade a que foi consagrado. A época clássica produziu quantitativamente mais epígrafes do que na época medieval. Relativamente ao período clássico as epígrafes assumem um papel bastante importante enquanto

fonte histórica visto os vestígios arqueológicos serem frequentemente ténues enquanto para os períodos posteriores abundarem outras fontes de informação escritas permitindo fazer um melhor enquadramento histórico. O estudo de uma epígrafe deve incluir os seguintes dados: -Tipologia (ara, estela, placa, pedestal, miliário) -Material (calcário, mármore, granito, bronze) -Local do achado (lugar, freguesia, concelho) -Paradeiro -Número de inventário (caso exista)

No concelho de Vila do Conde encontramos os seguintes tipos de inscrições epigráficas: - Inscrições votivas 12 (Modivas e Guilhabreu) - Inscrições comemorativas (Vairão, Rio Mau, Igreja Matriz de Vila do Conde) - Inscrições monumentais (Misericórdia de Azurara, Capela de N. Sra. do Socorro, Igreja do Mosteiro de Santa Clara) - Inscrições funerárias (Claustro Igreja de Santa Clara, Misericórdia de Azurara)

12. Voto é “desejo”, “aspiração”, ex-voto é etimologicamente “desejo que deixou de ser” porque se concretizou, ou seja, o dedicante expôs um desejo à divindade, comprometendo-se a erigir-lhe um altar em ação de graças, a divindade acedeu à sua prece e o dedicante cumpriu o prometido. 13. SILVA, Armando Coelho – Organizações gentilícias entre Leça e Ave, comunicação apresentada no Colóquio de História Regional e Local comemorativo do milénio do Mosteiro de Santo Tirso realizado em 17-18 de Março de 1979, Portugalia, Nova Série, I, Porto, 1980, p. 79-90, nº 2; EE VIII 110. 14. Idem.

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CONTEXTO HISTÓRICO-GEOGRÁFICO: A área compreendida entre os vales do Ave/Vizela, o vale do Leça/Serra da Agrela e seus prolongamentos, e o mar, abrangendo quase a totalidade dos concelhos de Matosinhos, Vila do Conde, Maia, Santo Tirso e uma pequena margem do concelho de Paços de Ferreira formam uma unidade geo-histórica propícia, desde tempos remotos, à atividade agro-pecuária e marítima. O mar, o Rio Ave e o seu afluente Este marcam a morfologia deste concelho que apresenta inúmeros

testemunhos arqueológicos. Com vestígios de ocupação desde a Préhistória são consideráveis as estações megalíticas e os achados da Idade do Bronze, manifestando-se na Idade do Ferro já com um expressivo foco de densidade humana 13. Em Vila do Conde estão identificados povoados como a Cividade de Bagunte, o Castro de Argifonso em Arcos, os Castro de Labruje e o Castro de São Paio em Labruje, o Castro de Retorta e o Castro de Boi em Vilarinho 14. Castro de Bagunte


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O fenómeno do megalitismo parece ter ocorrido sobretudo na parte Sul do Rio Ave (Azurara, Labruje, Macieira, Modivas, Guilhabreu, Tougues, Vilar e Canidelo). Abundam os testemunhos arqueológicos relativamente ao período da cultura castreja 15.

Pontas de sílex, Mamoa de Guilhabreu

A cultura romana inicia-se com a campanha militar do general Décimo Júnio Bruto em 138 - 136 a. C. que atingiu o rio Minho e que provavelmente foi o responsável pelo incêndio da Cividade de Terroso e pelo ocultamento de tesouros como o de Laúndos e da Estela 16. A mutação social e organizativa do mundo indígena culmina com a reorganização do território por Augusto, aquando da criação das três capitais conventuais Bracara Augusta,

Lucus Augusti e Asturica Augusta, esta reorganização do território provocará alterações fisionómicas da paisagem - aumento das áreas de cultivo e das rotas de comércio, nas alterações arquitetónicas denotando-se, arqueologicamente, uma aumento das linhas de muralha, o aparecimento de elementos ao nível do simbolismo indicando alterações sociais, como as estátuas de Guerreiro Galaico 17. Entre o espólio encontrado na Cividade de Bagunte destacam-se as cerâmicas Sigillatas, os dólios 18, uma lucerna, contas de pasta vítrea, um pequeno anel em bronze, um colar e uma bracelete. Podemos ainda detetar ocupações romanas em Formariz, Caxinas, Argivai, Quintela, Touguinhó (junto à Igreja) e Mosteiró. O povoamento da região sobreviveu à desintegração do mundo romano provocada pelas investidas bárbaras, e os povoados mais importantes do Alto Império continuaram a ser ocupados. Razões económicas e de segurança das populações poderão ter levado ao abandono de alguns dos povoados.

15. O castro de S. Paio é um caso paradigmático, devido à sua localização geográfica entre a terra e o mar. A Cividade de Bagunte é o maior Castro do concelho, apresenta um excelente horizonte visual até à Foz do Rio Ave, Cividade de Terroso na Póvoa de Varzim e Castro de Alvarelhos. 16. A espessa camada de cinzas e carvões, intermédia do perfil estratigráfico, que cobre a superfície do núcleo superior da Cividade de Terroso, poderá testemunhar o eventual ataque do cônsul nesta sua passagem. Esta incursão deverá ter sido responsável pelo início de uma nova etapa, estabelecendo doravante relações mais sistemáticas com o mundo romano. Permaneceram vivos elementos de tradição indígena no interior de esquema inovadores trazidos pelos romanos. Cf Catálogo Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim, p. 37. 17. PINHO, Jorge Manuel - O Iº Milénio a.C. e o estabelecimento rural romano na vertente fluvial do Ave, Dinâmicas de estabelecimento sob o ponto de vista geo-espacial, 2009, p.70. Tese de Mestrado em Pré-história e Arqueologia. 18. Os dólios serviam para armazenar líquidos e cereais.

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O CASO DE GUILHABREU

Guilhabreu é uma terra de cheiros - a terra, a erva, a milho, a pinheiro e eucalipto… é terra “mui antiga” como atesta a mamoa de Guilhabreu, estudada por Elisero Pinto e Afonso do Paço em 1952. Do seu espólio

fazia parte micrólitos trapezoidais, facas de sílex, pontas de seta, machados de pedra polida, partes de uma mó manual, contas de colar e um conjunto de cerâmica campaniforme 19.

Objetos vários, Mamoa de Guilhabreu

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Em Vila Boa, apareceu também um tesouro monetário 20. A “villa” romana do Paiço está localizada do lado nascente da estrada que liga Guilhabreu a Canidelo, num pequeno cabeço no lugar de Vila Boa. A villa datável do século IV possuía mosaicos, colunas, e incluiria uma necrópole, algo raro em Portugal 21. Em 1893, terá sido encontrada uma ara cujo estudo epigráfico será realizado neste trabalho juntamente com outras duas aras anepigrafadas. Em 986 surge na documentação ex-

istente “uilla uiliaredi” ou “uilliabredi”. Em documento de 991, a paróquia aparece citada: “eglesia uogauolum sancto martino que est fundata in uila uilaredi”. No século XI aparecem documentados dois lugares de Guilhabreu: “Villa Viliabrey inter villa Parada et villa Fraxes subtus castro Alvarelio território portugalensis discurrente rivulo Labrugia prope lotore maris.” 22 As “Inquirições” de 1258 falam de “Guilavreu” e em 1262 no “Censual do Cabido da Sé do Porto” de “Guylhoureu”. Em 1542, no mesmo Censual foi registado “Guilhabreu”.

Esquema de uma Villa Romana

19. GOMES, Paulino (coordenação geral) – Vila do Conde, espraiada entre pinhais, rio e mar, Anégia Editores, p.17. 20. O alargamento de mercados consumidores e a produção artesanal ao longo do século I d. C. incrementaram o comércio. 21. GOMES, Paulino (coordenação geral) – Vila do Conde, espraiada entre pinhais, rio e mar, Anégia Editores, p.64. A necrópole terá sido descoberta da década de 1960, sendo composta por uma espécie de corredor com 6 nichos contendo urnas de cerâmica destinadas às cinzas dos defuntos. O local encontra-se atulhado e desconhece-se o paradeiro do seu espólio. 22. GOMES, Paulino (coordenação geral) – Vila do Conde, espraiada entre pinhais, rio e mar, Anégia Editores, p.34.


FICHA DE INVENTÁRIO DA EPÍGRAFE DE GUILHABREU

1 - IDENTIFICAÇÃO: Distrito – Porto Concelho – Vila do Conde 23 Freguesia – Guilhabreu (código geográfico nacional: 1316117 RF 190) Lugar do Achado – Vila Boa Tipo de Inscrição – Ara funerária Material – granito Dimensões 24 - 98 x 44 x 34. Descrição – Inscrição funerária encontrada em contexto arqueológico de int Boa, em 1893 25 2 - DESCRIÇÃO: Bloco de granito constituído por três corpos, sendo o superior moldurado - existência de duas volutas e um fóculo bem delimitado, fuste e base simples. A função do fóculo era a de receber as essências que o devoto ali queimaria em honra da divindade (foculus = pequeno fogo). Ara de granito local grosseiramente trabalhado. Campo epigráfico, com medidas de 54.5X 34. Letras profundas, caraterizando-se em alguns casos por ter um desenho incoerente, 4-10. Altura das letras: 10-4,5. Letras cursivas e capitais. O campo epigráfico - 60 x 35 confunde-se com o corpo intermédio. Esta epígrafe foi alvo de diversas interpretações devido ao facto do seu texto não se inserir em nenhum paralelo conhecido e ainda devido à regravação, sendo necessário

uma grande prudência na Vasconcelos alerta para e como Martins Sarmento. A no Museu Nacional de A com o número de inventári réplica em gesso no Muse Guimarães 26. Leite de Vas a possível datação: ”Para te a inscrição é provavelmente pois os espécimes que possu datam pouco mais ou meno Vasconcelos faz ainda uma à sua origem, não terá (como é referido na Portug de Vila-Boa, freguesia de terá sido encontrada ao pla

23. No concelho vizinho da Póvoa de Varzim, em 1912 foram encontradas duas aras no Alto da Vinha, freguesia de B dificultam a sua leitura e interpretação. Cf. CENTENO, Rui; COELHO, Armando (coordenação) - Catálogo do Museu M Póvoa de Varzim - núcleo de Arqueologia. 24. As medições apresentadas em todo o trabalho são em centímetros. São as dimensões máximas, apresentadas da espessura. Usa-se fita métrica e régua para obter os alinhamentos, nomeadamente em monumentos de formato irregu elementos decorativos também devem ser medidos. 25. Segundo Jorge Manuel Pinho do espólio recolhido neste sítio destacam-se a ara funerária de “Guidões” – Guilha nenhuma informação resulta deste sítio, nem o respetivo mobiliário fúnebre. Cf. PINHO, Jorge Manuel - O Iº Milénio a. na vertente fluvial do Ave. Dinâmicas de estabelecimento sob o ponto de vista geo-espacial. Tese de Mestrado em Pré I- inventário dos sítios. Em 1906 Leite de Vasconcelos refere: ”Com as aras não se encontrou mais nada; junto poré enterradas ficava um cemitério romano de incerenação, cujo espólio o Ver. Sousa Maia, Abbade de Canidello, ofereceu lib para o Museu Ethnológico.” Cf. VASCONCELOS, Leite de, O Arqueólogo Português. 26. Cf. GUIMARÃES (O), Catálogo do Museu Arqueológico, Revista de Guimarães, v. XVIII, Porto, 1901, p. 68, nº LVIII; 27. VASCONCELOS, Leite de – O Arqueólogo português, v. XI, 1906, Lisboa. p. 373.

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teresse no lugar de Vila

a sua leitura. Leite de esta dificuldade, assim Atualmente encontra-se Arqueologia, em Lisboa, io E 6165, existindo uma eu Martins Sarmento em sconcelos escreve sobre erminar acrescentarei que e do séc. IV da era Christã, uímos de epigrafhia uncial os de então.” 27 Leite de a correção relativamente aparecido em Guidões gália) mas perto do lugar Guilhabreu, em 1893, e antarem uma videira.

Beiriz. Regravações do texto também Municipal de Etnografia e História da

a seguinte ordem: altura x largura x ular. No caso das aras quando houver

abreu. Em termos morfo-tipológicos .C. e o estabelecimento rural romano é-história e Arqueologia, 2009, anexo ém, do campo em que ellas estavam beralmente ao Dr. Felix Alves Pereira


3 - LEITURA: 28 A leitura de uma epígrafe deve de Arqueologia (fundador e primeiro ser feita de cima para baixo e diretor deste Museu) em Lisboa, e foi da esquerda para a direita. Esta feita uma réplica em gesso para o inscrição foi enviada por Leite de Museu Martins Sarmento. Vasconcelos para o Museu Nacional Vidal Madruga 29 Ex |(castello) U/liain/ca(rum?) · Lan/asus / Mebdi / ex |(castello) Fi(duenearum?) / an(norum) LXX Variantes - U/lia In/ca · Lav/asus / Mebsi Leite de Vasconcelos 30 Exiu/ litin/ca lana/sus, /Mebsi/exi fi (lius)/ / na(norum) LXX Armando de Mattos 31 EX C(ENTVRIA) (?) VLIA INCA, LANASVS MEBSI EX C(ENTURIA) (?) FABIA (?) NA(NORVM) SEPTVAGINTA Armando Coelho Ferreira da Silva 32 Ex U (castro/castello) U/liain/ca (rum?). Lan/asus/Mebdi/ex U (castro/ Castelo) Fi (duenearum?) / an (norum) LXX. 4 - TRADUÇÃO: Lanasus, filho de Mebdus, do castro dos Fidueneae (?), falecido aos 70 anos, (aqui é sepultado). Os habitantes do castro dos Ulaincae (erigiram-lhe este monumento). 28. A leitura pressupõe a interpretação, com desdobramento de siglas e abreviaturas e a reconstituição do que falta. Há regras que devem ser seguidas: o texto epigrafado é dado em maiúsculas (V sempre V mesmo que tenha valor de U); o desdobramento das siglas e abreviaturas é feito entre parênteses curvos e em itálico; colocam-se entre parênteses retos e sempre em maiúsculas os carateres que supomos terem sido gravados e que atualmente, já não se veem; debaixo das letras incompletas no texto, mas reconstituíveis com maior ou menor dúvida, põe-se um ponto; quando uma reconstituição parece duvidosa assinala-se:?; quando se desconhecem as letras ou linhas em falta, indica-se: […]; 29. http://eda-bea.es/pub/record_card_1.php?page=949&rec=25456 30. VASCONCELOS, Leite de – Bibliographia Portugália – notícias epigráficas, O Arqueólogo português, v. XI, 1906, Lisboa. pp. 371-373. 31. MATTOS - Douro Litoral 1944-47, Junta de Providência do Douro Litoral, Boletim da Comissão Provincial de Etnografia e História, segunda serie, Porto, p. 63. 32. SILVA, Armando Coelho – Organizações gentilícias entre Leça e Ave, comunicação apresentada no Colóquio de História Regional e Local comemorativo do milénio do Mosteiro de Santo Tirso realizado em 17-18 de Março de 1979, Portvgalia, Nova Série, I, Porto, 1980, p. 83.

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5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: - ALBERTOS FIRMAT (M.L.), inventário dos sítios, Faculdade de Organizaciones suprafamiliares en la Letras da Universidade de Lisboa, Hispania antiqua, Departamento de 2009. Prehistoria y Arquologia, Valladolid, - SILVA, A. C. Ferreira 1975, p. 33; Perduraciones indígenas Organizações gentilícias entre Leça e en la Galicia romana: los castros, Ave, Portvgalia, Nova Série, I, Porto, las divindades y las organizaciones 1980, p. 79-90, nº 2; EE VIII 110. gentilícias en la epigrafia, Actas - VASCONCELOS, Leite de – del Coloquio Internacional sobre el Bibliographia Portugália – notícias Bimilenário de Lugo, 1977, p. 22. epigráficas, O Arqueólogo português, - CARDOZO (M), catálogo do Museu v. XI, 1906, Lisboa. pp. 371-373. de Martins Sarmento, 2ª edição, 6 - LEVANTAMENTO EPIGRÁFICO: Guimarães, 1972, p. 107, nº 65. - GUIMARÃES (O), Catálogo do Museu Arqueológico, Revista de Guimarães, v. XVIII, Porto, 1901, p. 68, nº LVIII; -HUBNER (E), Ephemeris Epigrafia, V. VIII, p. 398, nº 110. - MARTINEZ, Sonia María Garcia - Francisco Martins Sarmento: la semblanza de un epigrafista del Mundo Romano, Revista de Guimarães, Volume Especial, I, Guimarães, 1999, p.9. - MATTOS - Douro Litoral 1944-47, Junta de Providência do Douro Litoral, Boletim da Comissão Provincial de Etnografia e História, segunda serie, Porto, p. 63. - PINHO, Jorge Manuel - O Iº Milénio a.C. e o estabelecimento rural romano na vertente fluvial do Ave. Dinâmicas de estabelecimento sob o ponto de vista geo-espacial. Tese de Mestrado em Pré-História e Arqueologia, 2009, anexo I-


PATRIMÓNIO EDIFICADO E CULTURAL Do património edificado desta freguesia destacam-se as Capelas de S. Lázaro e Senhora da Amparo, Aqueduto e Cruzeiro de Santa Eufémia e a Igreja da S. Martinho erigida em 1883 sobre a estrutura de uma igreja mais antiga. Ao nível da arquitetura civil referência para a existência de várias quintas, quase todas com capela privada. Guilhabreu foi reitoria da mitra e comenda da Ordem de Cristo no antigo concelho da Maia. Passou para o concelho de Vila do Conde, por Decreto em 1870. São de destacar as seguintes coletividades: Associação Desportiva Cultural e Recreativa de Guilhabreu, Associação Desportiva e Cultural de Antigos e Atuais Alunos de Guilhabreu, Auto Moto Clube de Guilhabreu e Associação Cultural do Rancho Folclórico Sº Martinho de Guilhabreu. Em 2013 realizouse em Guilhabreu o 1º Troféu Júnior de BTT, organizado pela Comissão de Pais da Escola de Ciclismo BravusCuras da União Ciclista de Vila do Conde.

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QUANDO VILA DO CONDE FOI MORADA DE UM ARCEBISPO NOS 100 ANOS DA MORTE DE D. MANUEL BAPTISTA DA CUNHA POR HÉLDER GUIMARÃES Mestre em História Contemporânea

Na manhã do dia 13 de maio de 1913 morria Manuel Baptista da Cunha, Arcebispo de Braga e Primaz das Hespanhas. Morreu em Vila do Conde, no palacete no que é hoje a rua Bento de Freitas, no seu desterro de Vila do Conde. O que fazia o Prelado tão longe da sua sede episcopal? O que terá feito o Arcebispo de tão grave para ter sido expulso de Braga? Porque escolheu Vila do Conde para viver? Ao longo deste artigo procuraremos dar resposta a estas questões, em que faremos alusão ao centenário da República e àqueles conturbados em que a Igreja e o Estado andaram desavindos.

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A INSTAURAÇÃO DA REPÚBLICA EM PORTUGAL: um pesadelo para a Igreja Católica Em 1910 caiu o velho regime monárquico. Caiu perante a passividade dos velhos poderes, do descrédito dos partidos do Rotativismo, do desprestígio da Coroa. De facto, desde a subida do Rei D. Carlos ao trono, em 1889, que a Monarquia incorria no desprestígio nacional. Ou seja, nunca um Rei fora tão culpabilizado pela situação do Reino como o fora D. Carlos, ainda que nem sempre se pudesse imputar-lhe culpa. Senão vejamos: tinha D. Luís (pai de D. Carlos) falecido quando, de repente, estoura uma crise diplomática internacional em que Portugal se vê enxovalhado pela sua tradicional aliada – a Inglaterra. Foi a célebre questão do mapa cor-de-rosa. A desproporção de forças fez com que Portugal recuasse na questão e o Rei foi o catalisador da ira nacional, acusado de conivência com os primos ingleses 1. A estas questões juntava-se outra mais delicada: tratava-se dos adiantamentos à Casa Real. A Carta Constitucional previa que a Nação pagasse ao Rei e à família Real uma espécie de salário, conhecida por lista civil. Como essa lista civil não era actualizada há várias décadas, os sucessivos Governos, receosos da opinião pública, não tinham coragem para a aumentar e, por isso, iam concedendo adiantamentos desse pagamento para suprir as necessidades da Coroa, o que equivaleria a que um patrão adiantasse o salário do trabalhador durante vários meses ou anos. E esta situação provocava escândalo social, porque, de facto, a Família Real era rica e tinha vastas propriedades. Quem aproveitou 093 e-vilacondense

o descontentamento de uma popu vez mais pobre foi o Partido R Português. Um dos líderes re mais brilhantes foi Afonso Costa que proferiu na Câmara dos De propósito desta questão dos adia à Casa Real, a célebre frase que o “Por muito menos crimes do que o por D. Carlos I, rolou no cad França, a cabeça de Luís XVI!” 2. profetizaram os acontecimentos fevereiro de 1908, o regicídio do R e do Príncipe Real, D. Luís Filipe ao trono o jovem D. Manuel II, reinado foi o epílogo do regime M A República chegou a 5 de outub E foi comunicada ao país por telég em Vila do Conde ela chegou n outubro e foi largamente fest luminárias e bandas de música 3. Relativamente às confronta a Igreja, estas começaram log instauração do regime republ termos inteletuais, Igreja e encontravam-se em campos o quando os republicanos se tornara da política nacional transformar inteletual numa disputa sem p na História de Portugal. R as célebres Conferências De do Casino Lisbonense, em 187 atitude retrógrada a Igreja foi ap Antero de Quental como uma da decadência dos povos peninsu forma como influenciava neg a sociedade Portuguesa. Grande


ulação cada Republicano epublicanos a, o mesmo eputados, a antamentos o eternizou: os cometidos dafalso, em E assim, se s do 1 de Rei D. Carlos e. Ascendeu mas o seu Monárquico. bro de 1910. grafo. Aliás, no dia 9 de tejada com . ações com go após a licano. Em República opostos. E am senhores ram o ódio precedentes Recordemos emocráticas 71, onde a pontada, por as causas da ulares, pela gativamente e parte das

1. Os Braganças eram aparentados com o então falecido Príncipe Alberto, marido da Rainha Vitória. 2. DIÁRIO DA CÂMARA DOS SENHORES DEPUTADOS, Sessão de 20 de novembro de 1906 3. GUIMARÃES: 2008, 136.


conferências realizadas ou anunciadas enunciavam um princípio básico de progresso: a separação da Igreja e do Estado. Por esta e outras razões é que as Conferências foram proibidas 4. Aliás, uma das críticas apontadas às elites políticas do liberalismo foi a de não ter conseguido formar um clero liberal pois, em grande, medida, os sacerdotes ainda pregavam

dos púlpitos suspirados anseios de regresso um regime absoluto, em pleno desacordo com a ordem constitucional vigente 5. E, portanto, uma das primeiras leis aprovadas pela jovem e, diremos até, inocente República é, precisamente, a Lei de Separação da Igreja e do Estado.

4. SARAIVA e LOPES: 1996, 803-804 5. NETO: 1998, 229 6. MIRANDA: 1997, 23 7. MIRANDA: 1997, 105 8. MIRANDA: 1997, 166 9. Partido que se sentava à esquerda no hemiciclo parlamentar. O Partido Republicano, quando teve assento nas Cortes Monárquicas, sentava-se na extrema-esquerda. 10. datada de 3 de fevereiro 1899, confirmada por Breve de 28 de maio. 11. A VOZ DE SANTO ANTÓNIO, nrº 8 de Agosto de 1899, p. 226.

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MANUEL, ARCEBISPO E SENHOR (PROSCRITO) DE BRAGA, PRIMAZ DAS HESPANHAS… Como se pode verificar, o 5 de Outubro de 1910 inaugura um novo capítulo nas tensas relações entre a Igreja e o Estado, que se vinham verificando desde a implantação do Liberalismo Constitucional. Porém, nunca se havia decretado, nem em textos legislativos mais radicais, a separação entre a Igreja e o Estado: Constituição de 1822 (art. 17º) 6, a Carta Constitucional de 1826 (art. 6º) 7 e mesmo a Constituição “Setembrista” de 1838 (art. 3º) 8, determinavam, com força de lei constitucional, que a Religião oficial do Estado era a Religião Católica. Aliás, bem ficava ao Estado reconhecer esta oficialidade da Religião, uma vez que nunca renunciou ao privilégio histórico, regalista, de nomear os bispos, como de resto aconteceu com D. Manuel Baptista da Cunha, também ele proposto por um Governo, como adiante se verificará. E nem mesmo a laica República, em virtude da Lei de Separação, o fez. Assim, importava ao clero uma certa subalternização aos novos poderes. Não importava muito à hierarquia Católica que tipo de regime vigorava em Portugal, desde que o fizesse a contento! A hierarquia encontrava-se, assim, numa posição extremamente difícil. E as tramas políticas acabarão por

apanhar D. Manuel Baptista da Cunha, cujo processo culminará no processo de expulsão da “sua” cidade. Segundo a “Voz de Santo António” o prelado nasceu em 1843, em Paradela (freguesia de Pinhel), concelho de Águeda. Formou-se em Direito em 1869 e assumiu funções docentes no Seminário de Aveiro. A partir de 1888, foi nomeado Vigário Geral do Patriarcado, tendo recebido a dignidade arquiepiscopal a 1 de julho desse ano, como Arcebispo de Mitilene. Provavelmente era um prelado afecto ao Partido Progressista 9. Assim se compreende a sua nomeação, por Carta Régia 10, para Arcebispo de Braga, a segunda prelazia do país, aquando da vacatura da sede bracarense, por morte do Arcebispo José de Freitas Honorato 11. Vigorava o XXIII Governo Constitucional, liderado por José Luciano de Castro (Progressista). É no contexto das supostas boas relações entre o Ministério Progressista e o Prelado, que o Governo propõe a Roma a criação de D. Manuel Baptista da Cunha como Cardeal Nacional. Só a queda deste Governo, substituído por outro Regenerador liderado por Hintze Ribeiro, fez com que a nomeação não produzisse efeito em Roma.


Implantada a República em 1910, a atitude do Arcebispo foi, de ummodo geral, apaziguadora esubmissa ao novo regime. Senão vejamos o processo que culminou com a expulsão do distrito do Arcebispo D. Manuel Baptista da Cunha: a 11 de outubro de 1910, o Arcebispo apresentou cumprimentos a Manuel Monteiro, novo Governador Civil do distrito de Braga, visita que foi retribuída pelo Governador no dia seguinte; a 18 de outubro, e após ter protestado a Afonso Costa a sua adesão ao novo regime, o Arcebispo, expeliu uma Portaria em que se ordena aos sacerdotes da Arquidiocese que se abstivessem de fazer política nas suas homilias, desejando que “Da religiosidade e patriotismo do Clero do Nosso Arcebispado esperamos não nos vermos forçados para o futuro a reiterar estas advertencias que a todos no momento actual muito interessa praticar. 12” O Arcebispo, pela experiência que tinha do meio político Lisboeta, conhecia, com certeza, o conteúdo programático dos republicanos. E aí evidenciou toda a cautela necessária para que um ou outro clérigo mais exacerbado (e, por isso, politicamente ignorante) não cometesse o erro que os republicanos esperavam, para acusar a Igreja de deslealdade. Daí a ordem e “advertências que a todos no momento actual muito

interessa praticar”. D. Manuel sabia que negociações mais importantes para a Igreja adviriam deste caminho político e era necessária toda a força para as negociar no futuro. Entretanto, adensaram-se, por culpa do Governo de Lisboa, as nuvens da crise com a Igreja: No dia 20 de outubro, são expulsas de Braga as Congregações Religiosas e encerrados os colégios nas mãos da Igreja: Colégio do Espírito Santo, Seminário de Montariol, Colégio de S. Tomás de Aquino, Colégio do Sagrado Coração de Maria e o Colégio Inglês são extintos, e as respetivas ordens expulsas do país; A estes decretos seguir-se-iam os decretos de abolição dos dias santificados (26 de outubro) e lei do divórcio civil (3 de novembro); No dia 16 de novembro, o clero bracarense começa a demonstrar alguma indisciplina em relação à ordem do Arcebispo de 18 de outubro, fazendo circular um abaixo-assinado contra o Governador Civil; no dia 24 de dezembro de 1910, o Episcopado Português aprova o texto da Pastoral Coletiva, em que denunciavam as opções políticas da jovem República Portuguesa, e ordenava a leitura nas Eucaristias de todas as Paróquias do país. O texto exortava os católicos a não cooperarem com as instituições que estivessem em rutura com os valores religiosos defendidos há pela Igreja Católica.

12. Portaria. Commercio do Minho. Braga. Nº 5615 (29/10/1910), p.1. cit. por SOUSA: 2010, 198.

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Praça José Régio, 168 4480-718 Vila do Conde 252 645 983


O Governo Provisório responde asperamente à Pastoral recusando o Beneplácito 13 e prometendo a expulsão, se a leitura da Pastoral não fosse imediatamente interrompida. Esta, foi a desculpa para um novo pacote legislativo que feria profundamente a Igreja, não obstante o acatamento da ordem do ministro pelo Prelado Bracarense a 5 de março de 1911; Entretanto o Governo Provisório decretou, em 18 de fevereiro de 1911, o Registo Civil, retirando ao clero o registo Paroquial, pelo qual há séculos a Igreja ia controlando a população. E a 20 de abril de 1911 era aprovada a Lei de Separação da Igreja do Estado. Muito

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sumariamente, que dizia esta Lei? Ela consagrava a separação da Igreja e do Estado Português, afirmando-se pela primeira vez, mesmo antes da aprovação do texto constitucional que enquadrou a I República, que o Estado Português não professava nenhuma religião oficial de Estado. Mas isto não era tudo: a Lei estabelecia que os bens eclesiásticos (móveis ou imóveis) seriam nacionalizados e todos os templos construídos passariam, para a posse do Estado . Proibia os clérigos de se imiscuírem na política . Estabelecia as Corporações de Culto, que estavam praticamente tutelados pelas autoridades locais e, para as quais, estavam impedidos de participar os ministros do culto . Como muito bem afirma Rui Ramos, e como resumo, “Competia aos ateus dirigir o culto Católico” . Criava a Comissão das Pensões Eclesiásticas, isto é, os sacerdotes da Igreja Católica “bemcomportados” passariam a receber um salário do Estado, tentando-se assim, subtrair à influência da hierarquia da Igreja Católica o seu próprio clero. Proibiam-se sinais religiosos, toques de sinos, secularmente enraizados na cultura da grande maioria dos portugueses. Neste ponto, e ainda que o Arcebispo tivesse uma posição oficialmente


e aparentemente conciliadora, a questão azeda por completo, com a ingerência direta de Roma sobre a questão portuguesa: o papa Pio X publicou a Carta Encíclica “Iamdudum” de 24 de maio de 1911, na qual foi apresentado ao mundo as vicissitudes que o novo Governo Republicano infligia à Igreja Católica, nomeadamente aos Bispos do Porto e de Beja “homens ilustres pela sua integridade e pelas suas vidas e pelos seus serviços ao país e à Igreja, que foram afastados das suas sés e despojados das suas honras.” Depois, considerava o pontífice que apesar de toda a complacência, o Governo Português tinha aprovado o “vicioso e pernicioso” decreto de Separação, que não passava um vil ataque à liberdade religiosa em Portugal. O papa, não reclamando para a Igreja Católica o monopólio da fé, considerava, contudo, que o decreto promovia a “redução da Igreja” pela “espoliação da sua propriedade, e a sua submissão ao Estado pela opressão em tudo o que concerne ao seu poder sagrado e espírito.” A Encíclica elencava as

más relações entre a Igreja e o Estado Português, desde outubro de 1910, denunciava ao mundo a servidão imposta à Igreja e o desprezo pelos tratados internacionais. Continha, ainda, uma importante exortação final ao clero português para que este abandonasse uma postura apaziguadora. Ora, era precisamente essa postura que D. Manuel Baptista da Cunha havia assumido. E esta atitude ficou irremediavelmente comprometida pela Encíclica da Santa Sé, que condenou a falta de liberdade do Episcopado Português, nomeadamente no que tocava à difusão da Pastoral Coletiva. Em virtude do magistério petrino, exacerbaram-se as posições, nomeadamente no que concerne à aplicação dos dispositivos legais da Lei de Separação e o sexagenário Arcebispo acabou desterrado do distrito de Braga em fevereiro de 1912, quando se proibiram as Comissões Cultuais . Acabava, desta forma, proscrito o senhor da “sua” cidade, a cidade dos Arcebispos . Não voltaria a ela em vida!

13. O Beneplácito era uma antiga prerrogativa dos monarcas portugueses, pela qual nenhuma ordem eclesiástica podia ser difundida no Reino sem o consentimento real. A República, ainda que laica, usará esta prerrogativa legal, para impedir os ataques da Igreja. Cf. art. 181º da Lei de Separação 14. Pela Concordata de 1940 foi revogado o artigo 62º da lei, exceto no que tocava às Igrejas classificadas como . Monumento Nacional, reservando-se a posse à Nação e o usufruto à Igreja. Por esse motivo, as Igreja Matriz e Santa Clara, em Vila do Conde, pertencem ao Estado Português. 15. Cf. art. 48º. 16. Art. 23º 17. Art. 26º 18. RAMOS: 1998, 356 19. SOUSA: 2010, 209 20. Os Arcebispos de Braga, em todos os documentos, ostentavam honorificamente o título de Arcebispo e Senhor de Braga, Primaz das Hespanhas”.


VILA DO CONDE: O DESTINO FINAL DE UMA ALMA ATORMENTADA Em Vila do Conde, por seu turno, a implantação da República foi feita de uma forma relativamente pacífica. Era Prior Monsenhor José Augusto Ferreira, eminente membro da Academia de História e cónego na Sé Bracarense. O seu prestígio inteletual era grande e o sacerdote colocou-se ao serviço da sua comunidade, tendo divulgado o património vilacondense 21, nomeadamente com a publicação de “Vila do Conde e o seu alfoz” e “Os Túmulos de Santa Clara”, obras que ainda hoje se consideram de referência para o estudo do património local. Mais tarde, serenados os tempos conturbados da República Velha, serão convenientemente assinalados com uma homenagem, realizada em 1926 e promovida pelo poder político local. A estância do Arcebispo em Vila do Conde é contada, em primeira pessoa, por Mons. José Augusto Ferreira nos “Fastos Episcopais da Igreja Primacial de Braga”. Em fevereiro de 1912, o Arcebispo, expulso de Braga, retirase para sua casa, em Águeda. Só mais, tarde, em dezembro é que o Arcebispo retoma a ideia de se instalar em Vila do Conde. A instalação na Vila tinha duas grandes vantagens: primeiro e embora não fizesse parte do distrito de Braga, de onde o Prelado havia sido desterrado durante dois anos, Vila do Conde ficava no limite sul 101 e-vilacondense

da Arquidiocese que, nessa época abarcava os distritos de Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Porto (a norte do Rio Ave). Portanto, não se poderia dizer que o pastor não estivesse entre o seu rebanho: Vila do Conde, que era da Arquidiocese de Braga, pertencia ao distrito do Porto, onde não existia proibição de o Arcebispo residir. Por outro lado, a Igreja Matriz de Vila do Conde era e é, de entre as Igrejas Paroquiais da Arquidiocese, uma das maiores e mais dignas. Portanto, o Arcebispo concretizou o seu plano de aproximação à Arquidiocese. “O Ave”, na sua edição de 22 de dezembro, fez alusão à chegada do Arcebispo: “Chegou a esta Villa na passada quintafeira, onde vem passar algum tempo, o Rev.mo Senhor D. Manuel Baptista da Cunha. Como se ignorasse o dia da sua chegada, foi sua Rev.ma esperado na estação do Caminho-de-Ferro, pelos nossos amigos Mgr. Conego Prior José Augusto Ferreira, Dr. Elias Luiz d’Aguiar, P.e Manoel Pereira, P.e Manoel Lima, João Baptista Pacheco, Thadeu Pereira Neves e Antonio Carvalho d’Almeida Gomes.” 22 Foi sem festa que o Arcebispo regressou ao território da Arquidiocese, mas não deixamos de notar que o periódico refere que o Arcebispo visitava Vila do Conde para “passar algum tempo”. Este equívoco é desfeito pelo “Correio do Ave”, que elucida esta questão noticiando que


Festa de 5 de outubro 1911

“S. Ex.ª está cumprindo a punição que lhe cominou o governo da República, só não podendo residir dentro do distrito de Braga; e por isso vem aqui fixar morada no antigo palacete do comendador Melo, hoje pertencente ao Comendador Bento Luiz d’Aguiar.”23 Aparentemente é de uma forma fria que a maioria dos periódicos vilacondenses acolhem o Arcebispo de Braga. É certo que a chegada do Arcebispo a Vila do Conde coincide com mais uma investida da Póvoa de Varzim para a anexação das Caxinas

e Poça da Barca 24 e a Vila andava em alvoroço por conta desta situação 25. Os poderes políticos instituídos, representados por Francisco Baltazar do Couto (Presidente da Comissão Administrativa da Câmara) 26 e João Canavarro (Administrador do Concelho e Diretor da Casa Correcional do Norte), comprometidos com o poder republicano, naturalmente não quiseram receber oficialmente um proscrito da República. Foi, pois, recatada a sua chegada. No entanto, importa verificar se a

21. É graças à sua ação que hoje existem os vitrais policromados da Igreja Matriz. A ele se deve a influência que levou à classificação como Património Nacional das Igrejas Matriz e de Santa Clara. 22. O AVE, número 318, de 22 de dezembro de 1912, p. 3 23. O CORREIO DO AVE, nr.º 190, de 22 de dezembro de 1912, p. 3 24. Episódio que se repetiu em cada período constitucional e que, em breve esperamos contar nas páginas do e-vilacondense, porque o assunto assume, hoje, novo interesse. 25. A REPÚBLICA, nr.º 98, de 22 de dezembro de 1912, p. 2 26. Tinha, no entanto, razões Francisco Baltazar do Couto para não comparecer pessoalmente à recepção ao Arcebispo, uma vez que se encontrava doente (cf. A República, nr.º 98, de 22 de dezembro de 1912, p. 2) e veio a falecer em 16 de janeiro de 1913 (cf. A República, nr. 102 de 19 de janeiro de 1913, p.1)


Festa de 5 de outubro 1911 - Um dos carros que figurou no cortejo cívico

presença do Arcebispo em Vila do Conde foi motivo de transtorno para a ordem pública. Avizinhava-se o período quaresmal que encerrava com as Solenidades da Semana Santa e Páscoa. Segundo Amadeu de Sousa, na Páscoa de 1912, e em clima de visível protesto contra as atitudes do Governo da República, não se realizaram em Braga os tradicionais cortejos Pascais 27. Um ano mais tarde, em março de 1913, e com o Arcebispo a residir em Vila do Conde, noticiava-se em “A Republica”, muito despreocupadamente, que se havia realizado em Quinta-Feira Santa “sem incidentes, a Procissão de Endoenças” 28. Mais: ecoava-se pelo jornal “O Ave” uma informação da Administração do Concelho que, por sua vez, satisfazia

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uma ordem do Governador Civil do Distrito do Porto, para que todos os Párocos que desejassem fazer sair o Compasso Pascal, deveriam obter licença daquela Administração do Concelho 29, em cumprimento da Lei de Separação. “O Correio do Ave”, impaciente, era um dos periódicos que defendia a aplicação total da Lei. Por isso, comentava-se numa notícia intitulada “Beati pauperes…”: “Vai para dois anos, pois está à porta uma páscoa mais e nós ainda recordamos a célebre questão do compasso desde que o sr. administrador actual vem sendo mal visto pelos centros concelhios afóra umas tres semanas de confraternização por ocasião da incursão de Paiva Couceiro em julho; vai para dois anos, íamos nós a dizer que o actual


administrador no momento solene da sua posse onde apareceu gente a dar co’um pau, de todas as cores que vemos desenhar-se neste rincão que pisamos, fez a promessa de cumprir e fazer executar a lei de Separação da Igreja e do Estado, incluindo organização das chamadas cultuais, neste concelho. Asseverou alto e bom som que nesse propósito ia envidar os seus bons esforços… Os democratas ouviram isto consoladoramente e viram então no sr. Canavarro o homem republicano, cioso e verídico detentor dos papiros da vera democracia. Só mais tarde caíram em si desiludidos! Pois bem! A mais de um ano de governo concelhio, perguntamos como é que vai sendo cumprida neste concelho esta lei de Separação?! Como?!...” 30 A questão da aplicação da Lei de Separação só parecia incomodar o alto clero, o Governo e os republicanos mais arreigados. As autoridades locais, mais conscientes das consequências que uma aplicação ipsis verbis da Lei poderiam trazer, pouco se importavam se Lei de Separação era integralmente cumprida ou não 31. Resumindo, se grande parte do país andava a ferro e fogo com as questões da Lei de Separação e em confrontos com a Igreja sobre a propriedade dos seus

bens, procissões, cultuais, tudo aquilo pelo qual o Arcebispo havia sido expulso da metrópole bracarense, as autoridades civis de Vila do Conde, guardavam, cuidadosamente e pragmaticamente, na gaveta os artigos mais perigosos da Lei de Separação. E, iam poupando, aos olhos de uma população maioritariamente católica e conservadora, a imagem da jovem e belicosa República. A este propósito num artigo publicado em “A República” afirmava-se que “à data da proclamação da República o concelho de Vila do Conde não era nem mais, nem menos reaccionário de que a quasi totalidade dos concelhos do distrito, de que a quasi totalidade dos concelhos d’este vasto norte devoto e conservador, onde a propaganda republicana raro penetrou a bater preconceitos e fanatismos e a prégar as verdades novas da democracia” 32. A população de Vila do Conde, essa, indiferente às grandes questões do regime, ia assistindo, maravilhada aos rituais que se iam celebrando na sua Matriz, ora transformada em Sede Episcopal. Assim se explica que as cerimónias da Semana Santa se tenham revestido de um grande brilho, tal como noticiava “O Ave”: “Na quinta-feira, 20 do corrente, sahiu a

27. SOUSA, 2010: 209 28. A REPÚBLICA, nr.º 110 de 23 de março de 1913, p. 1 29. O AVE, nr.º 331 de 23 de março de 1913, p. 3 30. O CORREIO DO AVE, nr.º 201 de 23 de março de 1913, pp. 2 e 3 31 Não devemos esquecer que o art. 4 da Lei de Separação previa que os préstitos religiosos deveriam ter a aprovação formal das autoridades civis. 32 A REPÚBLICA, nr.º 112 de 6 de abril de 1913, p. 1


procissão das Endoenças, pregando, após o recolhimento do préstito religioso, na Misericórdia, o estimado orador sagrado, rev. Manoel Rodrigues Ferreira, de Touguinhó. Na sexta-feira às 11horas, sahiu a procissão do Senhor Morto, que teve um grande acompanhamento de fiéis, havendo na egreja matriz, as costumadas e tocantes cerimonias dos mais anos, às quaes assistiu s. ex.ª Rev.ma D. Manuel Baptista da Cunha, arcebispo d’esta diocese 33.

A MORTE DO ARCEBISPO EM VILA DO CONDE A curta estância de D. Manuel Baptista da Cunha terminou, de forma trágica, no dia 13 de maio de 1913, pelas 10 horas 34. No palacete na Avenida Bento de Freitas morria o Arcebispo de Braga, Primaz das Hespanhas, vitimado por congestão cerebral. Segundo noticiou “A República”: “A morte do illustre prelado foi muito sentida nesta villa, onde ganhára, já affectos e sympathias, e de esse sentimento foram prova os seus funeraes concorridos.”35 Na hora da morte, muitas são, por vezes, as palavras vãs. “O Correio do Ave” fez um elogio muito alongado das capacidades de oratória e modéstia que lhe eram conhecidas, “A sua caridade era exemplaríssima, e sendo pouco dadas a exibições da sua pessoa tinha uma bondade recatada, nada espalhafatosa mas que os deserdados bem podem testemunhar que toda inteira lhe brotava da alma benfazeja para minorar a amargura dos tristes” 36. Esta imagem que nos é dada pelo periódico contrasta com a ideia de uma Igreja em guerra com o regime. Este era um homem bom para tempos bons. E os tempos eram desfavoráveis à bondade. Os demais membros do Episcopado português acorreram em peso aos funerais, que decorreram dos dias 14 e 16 de maio de 1913, na Igreja Matriz, mais uma vez, transformada em Sé Catedral no exílio. Os funerais são amplamente descritos em 33. O AVE, nr.º 332 de 30 de março de 1913, p. 3 34. O DEMOCRÁTICO, nr. 1 de 18 de maio de 1913, p. 2 35. A REPÚBLICA, nr.º 117 de 18 de maio de 1913, p. 3 36. O CORREIO DO AVE, nr.º 208 de 18 de maio de 1913, p. 2 37. O DEMOCRÁTICO, nr.º 2 de 25 de maio de 1913, p. 2

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“O Democrático”, qu corpo para a Matriz exéquias que decorr pelo Deão da Sé P Simões, e por todo Vários Prelados vier às exéquias, contand Bispos do Porto (o que proferiu a or Lamego e Viseu e Guarda e Algarve. Ao


Palacete na Avenida Bento de Freitas

ue refere a transladação do no dia 14, pela tarde, até às reram no dia 16, presididas Primaz, Dr. António Correia o Cabido da Sé Primacial. ram a Vila do Conde assistir do-se entre os presentes os célebre D. António Barroso, ração fúnebre), Portalegre, e os Arcebispos-Bispos da o todo, o periódico contou a

presença de 250 sacerdotes. O funeral organizouse em direção ao cemitério da Vila, onde chegou o corpo do Arcebispo, acompanhado por “uma extensa fila de cavalheiros d’esta vila e d’outras localidades, irmandades, seminaristas de Braga, cerca de cento e sessenta eclesiásticos, cónegos e prelados.” O funeral foi todo conduzido pelo Prior, Monsenhor José Augusto Ferreira, que tinha sido o obreiro e companheiro do Arcebispo no seu exílio de Vila do Conde. Finalmente foi inumado no jazigo da família Beiral 37.


UMA REFLEXÃO FINAL …

Uma reflexão final impõe-se sobre este texto que evoca o centenário da morte de D. Manuel Baptista da Cunha e os tempos conturbados da I República. Ele fala de como os destinos da condução política na fase mais dura do Republicanismo, conduziram um homem, tido como exemplar, para o exílio. Quis o destino 107 e-vilacondense

que nesta praia nortenha encontrasse a morte. No dia das exéquias, em Vila do Conde, reuniu-se a verdadeira oposição ao regime republicano. A Igreja teve sempre um poder considerável na sociedade portuguesa. Este foi um período excepcional em que as relações entre o Estado e a Igreja foram muito


tensas. A Igreja experimentou o que é ser perseguida. Isto, naturalmente, não deve ser motivo de regozijo! Fosse a Lei de Separação da Igreja e do Estado o que simplesmente enunciava, não estaríamos perante um texto legislativo intrinsecamente mau. A maldade do texto residia na violação sistemática do princípio da propriedade privada, tão caro à sociedade burguesa, e privava da liberdade de organização a Igreja Católica. Em suma, num país essencialmente católico e rural, as armas apontadas foram mal contadas. A hostilização do clero, sobretudo do mais moderado como era o caso de D. Manuel Baptista da Cunha, foi um erro crasso do novo regime: a Igreja tinha um grau de implantação no território português que era muito mais antiga (mesmo antes da fundação da nacionalidade) e mais forte do que o próprio Estado. Em última análise, os afrontamentos do período inicial da República justificaram, se tal se pode justificar, a adesão ao Estado Novo, ainda que Salazar tenha mantido o princípio da Separação da Igreja e do Estado. Quanto a D. Manuel Baptista da Cunha, recordamos a ideia de que era um homem bom em tempos maus. A sua passagem por Vila do Conde evoca o tempo em que a Igreja fez frente ao Governo e acabou punida

e humilhada. Mas esta humilhação custou caro à República, pois a imagem que genericamente se tem deste Arcebispo é que ele foi, de facto, um perseguido pela República. A sua vinda para Vila do Conde que não pertencendo ao Distrito de Braga, pertencia à Arquidiocese de Braga, foi o tempo em que, de facto, a Matriz de Vila do Conde foi Sé do exílio do Arcebispo. Pudemos, também, contemplar a serenidade das autoridades republicanas, mais interessadas em preservar a ordem pública em Vila do Conde, do que ofender uma grande maioria católica, em princípio hostil ao teor da Lei de Separação! Talvez por isso, anos mais tarde, viria a ser feita justiça a Vila do Conde, tendo sido nomeado um Arcebispo que era filho do concelho, natural de Arcos: D. António Bento Martins Júnior (1932-1963). Os restos mortais do Arcebispo ainda foram para Águeda, mas foram mais tarde transladados para o panteão dos Arcebispos, instalado numa das capelas laterais do claustro da Sé de Braga, a sua verdadeira catedral. Finalmente podia repousar entre os seus ancestrais e venerandos irmãos! Os momentos históricos que neste texto evocamos são a memória desses tempos difíceis. Vila do Conde, também foi palco da História. Faz este dia 13 de maio cem anos…

BIBLIOGRAFIA


AGENDA CULTURAL MAIO 2013 Dia 07, 14, 21 e 28 maio às 10h00 SONHO DE UMA VÉSPERA DE EXAME DE JOSÉ RÉGIO Teatro de Sombras

Centro de Documentação | Casa José Régio

Dia 29 a 31 maio - 10h

IRMÃOS ESFEROV Teatro Municipal 109 e-vilacondense


h00 / 15h00

VITE

Dia 10 maio às 21h30 “ROMEU E JULIETA”

DANCE REPUBLIC

Auditório Municipal

Dia 18 maio - 21h30

“Inacabado” Auditório Municipal

Dia 18 maio às21h30 CANTO NA PRIMAVERA Teatro Municipal


Dia 24 maio às 21h30 GALA DA PRIMAVERA Auditório municipal

Dia 24 maio - 21h30

UM OUTRO OLHAR Teatro Municipal

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Dia 12 maio Teatro Municipal CONCERTINHOS PARA PEQUENINOS

-> 16h00 | 5 aos 8 anos | -> 17h15 | 0 aos 4 anos

Dia 13 maio às 17h00 Dia 15 maio às 10h30 e às 18h00 Dia 17 maio às 10h30

AUDIÇÃO ESCOLAR Academia de Música S. Pio X

Salão de Festas do Centro Municipal de Juventudel


113 e-vilacondense


BIBLIOTECA MUNICIPAL JOSÉ RÉGIO Terças, quartas e quintas às 10h00

HORA DO CONTO O PATINHO FEIO Teatro de sombras

Dia 18 maio - 15h30 ENCONTROS AO SÀBADO

CASIMIRO TEIXEIRA

Dia 17 maio - 21h30

LANÇAMENTO DO LIVRO VIAGEM AO SOTÃO DAS MEMÓRIAS

31 maio - 21h30 Na última sexta marcamos encontro com…

ANA LUÍSA AMARAL


CINECLUBE DE VILA DO CONDE Sessões no Teatro Municipal às 16h00 e às 21h45

Dia 5 - M/12 | 71’

Dia 12 - M/12 | 105’

Dia 19 - M/16 | 111’

Dia 26 - M/16 | 137’

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É O AMOR - 11 DE MAIO UM FILME DE JOÃO CANIJO Sessões no Teatro Municipal às 16h00 e às 21h45

Neste filme, que é um misto de documentário e ficção, acompanhamos um grupo de mulheres das Caxinas, um bairro de pescadores em Vila do Conde, no seu dia-a-dia, no trabalho quotidiano e com a família, com a ajuda de uma atriz que se torna mais uma entre as mulheres das Caxinas.


EXPOSIÇÕES Dia 18 maio às 11h00

Inauguração da exposição

"VILA DO CONDE: MEMÓRIA E TERRITÓRIO" Centro de Memória

A exposição Memória e Território responde a um velho anseio dos Vila de apresentar numa única exposição uma súmula do que foi a ocupação do concelho ao longo dos séculos. Foi pensada para cumprir o duplo desígnio de apoiar os públicos que nos visit abordagem pedagógica ao território e de apresentar algumas das peças mais e nossa construção comum. A exposição propõe-se suscitar, por um lado, a curio os outros museus da rede que constitui o Museu Municipal e que aprofundam facetas aqui apresentadas.

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Dia 25 maio a 5 julho

“O MINAZ ESCOPO DA FAMÍLIA NÚNCIO” Auditório Municipal

acondenses, o o território do

tam, com uma eloquentes da osidade sobre m algumas das

Dia 06 a 31 maio

ÁLVARO CUNHAL – CENTENÁRIO DO NASCIMENTO Biblioteca José Régio


Dia 02 a 31 maio

SOLAR DOS VASCONCELOS Auditório Municipal

Dia 01 a 31 maio

JOSÉ RÉGIO E SEUS AMIGOS: AGUSTINA BESSA-LUÍS Casa José Régio

119 e-vilacondense

Dia 27 abril a 25 maio DEPÓSITO DE ARTEFA PERFORMATIVOS Centro de Memória

Dia 01 a 31 maio

RENDA DE BILROS TRADIÇÃO E MOD

Museu das Rendas de Bi


FACTOS

S DERNIDADE

ilros

Dia 25 maio a 5 julho

“A BICICLETA”

Biblioteca José Régio

Dia 20 abril a 8 setembro

“MAGIC CIRCLE” Centro de Memória


e-vilacondense www.vilacondense.pt

Diretor Alexandre Maia Editores Alexandre Maia - alexandre.maia@lexart.com.pt Hélder Guimarães - memorias@vilacondense.pt Grafismo Alexandre Maia Revisão Paula Miranda Colaboradores Textos Hélder Guimarães Mario Almeida Mónica Sousa Valquíria Costa António Colónia Fotografia Alexandre Maia (pág. 011, 033) Mónica Sousa (pág. 039, 040, 046, 047, 071, 074, 083, 086, 089, 090) Valquíria Costa (pág. 035, 037) GCV - Ginásio Clube Vilacondensen (pág. 005->008, 055->070) IMANcowork (pág. 025->032) Arquivo Câmara Municipal de Vila do Conde (pág. 045) Nelson D’aires (pág. 047) Dr. José Flores Gomes (pág. 038, 046) Casa Foto Guedes (pág. 041) A. Amaral Correêa (pág. 043) J. Adriano (pág. 102, 103) Publicidade publicidade@vilacondense.pt Notícias info@vilacondense.pt Agenda agenda@vilacondense.pt Propriedade Alexandre Maia | Vilacondense - Roteiro Online Sede: Apartado 170

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Revista e-vilacondense - Nº 004 Maio 2003 - "UM OLHAR SOBRE VILA DO CONDE" por Eduardo Pinto - HISTÓRIA O mundo que nós perdemos - ARQUEOL...

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