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niverso niversitário

JOGOS - HISTÓRIAS - CULTURA - DICAS - TIRINHAS - CRÔNICAS


Sumário

Equipe Clara Matoso

Jovem aprendiz carioca apaixonada pelo mar e suas maravilhas, também curte uma boa dose de tecnologia e histórias do passado. Otome de coração, Japão é meu tudo.

Marcos Coelho

Apaixonado por videogames. Viciado em séries e único fã de Arquivo X que eu conheço. Ouço música todos os dias. Faço piadas muito engraçadas, ao menos eu acho que são.

Pedro Salvino

Hiperativo. Discípulo de Mestre yoda e Humberto Gessinger. Passa seu tempo livre tentando ser bom em algum instrumento. Daquelas pessoas que pensam de mais e não dizem uma vírgula.

Rosana Faria

Cultura como forma de expressão........................1 Vida de universitário..............................................4 Pet o melhor amigo do universitário....................6 A ascensão e queda de Pokémon-Go...................7 Estudantes que a universidade não enxerga........8 Ensaio fotográfico.............................................10 DIY: Vans de renda...........................................18

Mineira de coração, 19 anos. Caiu de paraquedas no curso de Comunicação Social-Jornalismo e está amando. Escorpiana, porém o ascendente em peixes sempre falou mais alto.

“Que minha loucura seja perdoada”.................19

Scarlet Freitas

Casos de suscesso.............................................22

Mineira, 19 anos. Não sei se gosto mais de ler, escrever ou fotografar. Passo metade do dia criando sonhos e outra metade lutando para realizá-los.

Quando a arte toma as ruas..............................21

Victor Zanola

Mineiro, colecionando sonhos há 19 anos, apaixonado pelo jornalismo desde o início da adolescência e como um bom geminiano também adoro observar os fatos.

Editorial Queremos que essa revista seja um manual esclarecedor e descontraído para que os jovens não se percam pelos Campus e muito menos pela vida. Deixando os longe de preocupações desnecessárias, mostrando os primeiros passos para resoluções de problemas mais graves e abrindo caminho para que possam desfrutar de toda empolgação, energia e criatividade que vem junto com a aprovação no curso desejado.

Expediente:

Diagramação: Rosana Faria, Scarlet Freitas e Victor Zanola / Recursos gráficos: Freepick Fotografias: Scarlet Freitas, Rosana Faria Matérias: Clara Matoso, Marcos Coelho, Pedro Salvino, Rosana Faria, Scarlet Freitas e Victor Zanola


arte como forma de expressão S

eja nas cores do muros de uma cidade cinza, nas exposições em grandes galerias, nos discos, nos concertos musicais, nos teatros ou nas praças...A arte está a todo lugar! Nas maaioria das vezes nos passam uma bela mensagem, empressam a opinião

de um grupo ou fazem algum tipo de denuncia social. É algo que nos encanta e enriquece ao mesmo tempo. Tem para todos os gostos e para todos os bolsos, porém a maior gratificação de um artista e saber que o espetaculo foi apreciado e a mensagem foi captada.

Música

Já dizia Cora Coralina, “não morre aquele que deixou na terra a melodia de seu cântico na música de seus versos”. Sim, a música é uma arte capaz de influenciar na vida de qualquer um, tendo o poder de alegrar, entristecer e até mesmo enfurecer seus ouvintes. Wanderlei Geraldo Silva começou na música aos 11 anos, hoje é professor e maestro, para ele a música transmite aos

Foto: Jéssica Barros

ouvintes sentimentos. Já para os músicos a sensação é de liberdade, é poder pôr pra fora todo o sentimento que estava guardado dentro de si. Wanderlei explica como expressa seus sentimentos através da música, “ao executar uma obra, todos os sentimentos ficam aflorados, é através destes sentimentos que vemos o resultado final, o estado emocional influencia muito em uma interpretação boa”.

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Pintura

Scarlet Freitas

“Comecei com os lápis escolares e hoje me dedico à pintura à óleo.” É assim que Rafael AFA Vasquez descreve sua história, a história de uma criança que se interessou pelas reproduções de quadros nos livros didáticos e hoje organiza suas próprias exposições. Rafael é o criador da Exposição “Solidão programada”, seus quadros já foram expostos em vários locais de São João Del Rei.Para criar os quadros que serão expostos Rafael convidou alguns amigos para posar para uma foto e a partir delas realizar pinturas à óleo da maneira tradicional. Uma das técnicas que ele utiliza é pintar várias camadas uma sobre a

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outra até atingir o nível de realismo O artista utiliza sua obra para denunciar um grande mal da sociedade atual: A solidão eo isolamento gerados pela dependência de aparelhos eletrônicos. A exposição tenta mostrar que do mesmo modo que os gagets do momento são programados para se tornar obsoletos em questão de poucos meses, nós somos programamos para nos afastarmos cada vez mais daquilo que é real e tangível.


Teatro

Marlon de Paula

Como diz Amir Haddad, ator e diretor, e grande defensor do teatro de rua, “O sonho do teatro não é se eternizar, mas falar com clareza, emoção, beleza, poesia e compreensão para o cidadão do seu tempo”. A arte da interpretação teve sua origem no século VI a.C., na Grécia. Já no Brasil, suas primeiras manifestações foram através dos jesuítas, no processo de catequização dos índios e colonos, mesmo que o intuito fosse apenas e religioso. Para Rafaela Oliveira, estudante de teatro, UFSJ, as suas impressões não são diferentes de Ademir. Pois ela diz que o ato de

interpretar “traz em si, a liberdade, a sintonia, o movimento, ele carrega várias características contigo. Além de ser um grande auxílio para o desenvolvimento de uma pessoa”. É algo que implica entrega, para que o público absorva a mensagem transmitida e que a partir daquela cena ele consiga tirar aprendizados e ampliar suas ideias. Segundo a estudante, quando uma peça teatral traz uma crítica à sociedade, a comunidade é capaz de se identificar com a aquela realidade, e por consequência se impactar mais. Assim, o teatro é capaz de não só entreter, mas de proporcionar momentos de crescimento pessoal, emoção e entrega mútua. Texto: Rosana Faria, Scarlet Freitas e Victor Zanola

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Vida de Universitário

assar em uma universidade talvez seja um dos momentos mais importante e especial da vida de uma pessoa. Ver que os anos de esforço nos estudos deram certos é muito prazeroso, mas se engana quem pensa que com a conquista da tão sonhada vaga na faculdade os problemas acabaram, na verdade uma série de perrengues estão por vir. Mas não, não se preocupem sempre tem um veterano bonzinho pronto pra te ajudar.

em tudo tanto no seu tempo de estudo quanto no seu tempo com as contas pra pagar, nas coisas que você tem que fazer pra comer e organizar também o psicológico, porque tudo muda.” Quando a saudade da família aperta “Quando a saudade aperta uma simples ligação resolve.” Afirma Tales que nunca foi tão dependente dos pais e que vê nos amigos um meio de disfarçar a saudade.

Quando as atividades do dia-a-dia acumulam com as tarefas da faculdade A solução para ele é priorizar a faculdade. “Se eu tenho alguma atividade da faculdade durante a semana e tiver que fazer alguma das atividades da casa (lavar roupas, fazer compras), eu deixo isso de lado resolvo Morar Sozinho o problema da faculdade primeiro ou então “Foi um passo decisivo que eu tomei parte do problema da faculdade pra depois porque eu queria isso, queria sair de casa, fazer as coisas da casa”. queria viver e fazer faculdade em um lugar que não fosse minha cidade. Minha adaptação Expectativa para o término do curso e a aqui nas primeiras duas semanas foi muito divolta para cidade natal fícil, porque você fica longe dos seus amigos, Pelo jeito estar no último semestre do longe dos seus familiares, você está sozinho e curso é uma mistura de alegria e insegurança. tem que se virar.” “É uma sensação terrível, porque você não Assim Tales Henrique Fernandes, é estudante, nem trabalhador, não vai ser estudante do último período do curso de nenhum nem outro, então fica a expectativa de Engenharia elétrica da UFSJ, classifica sua arrumar emprego que é muito difícil. E junto atitude de sair da cidade natal, Belo Horizonte, com isso tem o processo de voltar pra casa e vir estudar tão longe da família. Para ele as que é doloroso, já que você acostuma com um duas primeiras semanas foram as mais difíceis estilo de vida completamente diferente.” já que não conhecia a cidade e desconhecia os direitos e deveres dos alunos dentro da Mensagem para os calouros nas horas de faculdade. angústia e desespero “Foquem sempre nos estudos o resto O maior desafio de morar sozinho deixa pra quando puder resolver. Se for Para o estudante a organização é o preciso procurem ajuda psicológica através segredo pra quem mora sozinho e também o da assistente estudantil aqui da faculdade ou maior desafio. “Você tem que ser organizado simplesmente procure os amigos.”

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ao longo do dia que lhe permitem realizar as atividades que não são exclusivas do horário de aula/trabalho. Eu, por exemplo, utilizo diversas vezes meu horário livre no almoço para adiantar trabalhos da faculdade ou estudar para provas”, conclui Lucas.

Trabalho e estudo Lucas Almeida, estudante do 4° período do curso de Jornalismo da UFSJ, divide sua vida acadêmica com a profissão de vendedor. Segundo ele manter o ânimo para conseguir levar as duas rotinas sem falhar em nenhuma delas é o maior desafio quando se trabalha e estuda. “Por ser muito cansativa a jornada, e levar embora o seu dia todo, conseguir ter ânimo para realizar todas as atividades é um dos grandes desafios”, diz o estudante. Quando trabalhar e estudar se faz necessário é preciso saber mesclar as duas jornadas. Lucas vê seu trabalho como um ponto positivo, já que sua profissão ajuda a desinibi-lo no contato com público, o que é essencial no Jornalismo, uma vez que está sempre tendo que lidar com pessoas.

Restaurante Universitário Na maioria das Universidades Federais Existem os Restaurantes Universitários e na UFSJ ele fica no Campus Tancredo de Almeida Neves (CTAN). Com o preço de R$2,75 a maioria dos alunos que frequentam o ambiente acham justo o valor cobrado pela alimentação. “O preço cobrado é justo, eu acredito que existe um custo-benefício em relação ao R.U da UFSJ. As opções são bem variadas, as comidas saborosas e um ambiente bem cuidado”. Diz o estudante de Teatro da UFSJ Kauê Rocha. O R. U. é realmente a melhor opção? Segundo Kauê a comida é muito boa na maioria das vezes, porém já comeu em dias que o feijão estava queimado, o arroz muito duro e a carne bem dura. Mas destaca o bom atendimento, as diferentes opções de guarnições e a limpeza.

Qual priorizar? Claro que os estudos sempre devem ter uma atenção maior. Mas, se têm o compromisso com a empresa, com as funções que se deve exercer dentro dela, por isso a melhor opção é conciliar os dois e saber seus limites, não deixando que um interfira no E sim, o R. U. é a melhor opção para outro. Assim, deve haver uma programação para que a rotina dos dois não se coincida e as quem está dentro da Universidade, “pra mim, que passo o dia em projetos na faculdade e aula tarefas acumulem. à noite o Restaurante Universitário é a melhor “O importante, nesses casos, é se opção. Prefiro almoçar e jantar a comer um programar e descobrir quais são suas ‘brechas’ salgado na cantina, me deixa mais disposto”. Texto: Victor Zanola

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Pet, o melhor amigo do universitário

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uitos jovens ao se mudarem para a cidade onde farão universidade, além de dividirem sua casa com outros universitários, costumam ter também seus animais de estimação, deles ou de seus novos amigos que acabam sendo adotados como de toda a casa. Seja um cão, gato, hamster ou outro, é sempre bom ter a companhia de um animalzinho, que além da companhia, ajuda a aliviar os momentos que a saudade de casa é mais forte. Porém, cada espécie possui suas necessidades diferentes, por isso fique atento antes de optar por qual escolherá. Desta forma, a convivência se tornará pacífica e o bem estar do animal também. Os cães, por exemplo, são animais extremamente sociais, se portando como se todo seu círculo de convivência fosse sua matilha. Por isso, é necessário que alguém imponha seus limites dentro da casa, para

Scarlet Freitas

evitar momentos de estresse ao animal e ao dono. Além disso, eles precisam de se exercitar regularmente, então tenha sempre disponível algum tempo para brincar e passear. Além de ser bom para o cão, quem sabe você também não faz aquela caminhada que vive adiando?Já os gatos são mais autônomos e independentes, e diferentemente dos cães veem seus donos como iguais e não numa hierarquia. Mas isso não quer dizer que não precisem de cuidados e atenção, gatos devem receber sempre estímulos do dono quanto a certos comportamentos e para seu bom desenvolvimento. Mas antes de qualquer escolha, esteja sempre atento à sua disposição de tempo, dinheiro ou espaço antes de adotar qualquer bichinho, todos merecem atenção, amor e carinho de seus donos. O abandono de animais é crime previsto pelo artigo 164 do código penal, podendo gerar multa ou detenção. Texto: Pedro Salvino

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A ascensão e queda de Pokémon-Go Desde a popularização dos smartphones, o mundo dos games se dividiu. Quando um jogo é lançado para celular, a quantidade de pessoas potencialmente impactadas pelo lançamento é muito maior do que para consoles ou para computador. No entanto, a menor capacidade de processamento e desempenho aliado às peculiaridades da jogatina via touchscreen afastam a maioria dos jogadores tradicionais do mundo mobile. Lançado em julho de 2016, Pokemon GO veio com a intenção de mudar isso. Trazendo uma franquia consagrada nos consoles portáteis, na TV e nos diversos produtos que utilizam a marca, a Niantic em parceria com a Nintendo e a Pokémon Company utilizou o poder da realidade aumentada para transmitir a sensação aos jogadores de que são verdadeiros treinadores Pokémon em jornada. O jogo funciona através de um mapa virtual mostrado na tela do celular que é guiado pelo GPS do aparelho, o usuário se desloca pela cidade e tenta encontrar o máximo de monstrinhos que conseguir. A realidade aumentada se dá na forma em que os Pokémons aparecem, mesclados a realidade mostrada pela câmera do smartphone e o modo de capturá-los é através do contínuo lançamento de “pokébolas”. Se jogar no celular não é unanimidade, a presença dele no cotidiano das pessoas já se tornou obrigatória. Uma série de jogos de renome, conceito interessante e alto número de pessoas que utilizam o telefone móvel garantiu ao Pokémon GO o sucesso imediato após o seu lançamento. Crítica e público se derreteram pela possibilidade de procurar os monstrinhos de bolso pelas ruas e rapidamente o aplicativo se tornou o mais baixado tanto da loja virtual do iOS quanto do Android. A vida de milhões de pessoas ao redor do mundo foi impactada. Locais que são “Pokéstops”, um lugar pré definido que o aventureiro consegue alguns itens, se amontoaram de pessoas ao redor

do globo. Várias pessoas viram no aplicativo um incentivo para andar por suas cidades o que fez que além de tirar várias pessoas do sedentarismo também as fez conhecer, ou revisitar, vários pontos turísticos em suas comunidades. Entretanto vários incidentes foram relacionados ao jogo, os mais comuns deles eram: invasão de propriedade privada, acidentes envolvendo carros e até assassinato foi ligado à brincadeira. Apesar de todo o alvoroço causado pelo app, o furor durou apenas nas semanas iniciais e aos poucos o aplicativo foi perdendo usuários e sua comunidade ativa se tornando mais escassa. Quedas de interesse em jogos de celular por parte de seus usuários são muito comuns, como o lançamento de Pokémon GO foi algo sem precedentes é normal que o declínio de engajamento também seja. A falta de recursos presentes nos jogos da série principal como batalha entre treinadores e para capturar pokémons, troca de monstrinhos entre outros faz com que as pessoas enjoem rápido pela monotonia de sempre repetir a mesma ação que é a de lançar pokebolas. Muitos desistiram do jogo pela dificuldade de conseguir itens e pela franquia de dados. “Um dos motivos que me fez desistir de jogar foi ser inviável colocar R$10,00 todo mês para usar o 3G do celular e também por ter poucos pokestops na cidade onde moro e os poucos ainda estão longe da minha casa” conta Gabriel, de 19 anos. Para outros, no entanto em que o sonho de ser um treinador Pokémon vem de infância a animação com o jogo continua, como para Danielle de 22 anos: “Eu sempre acompanhei os jogos de Pokémon, além de assistir a série quando era mais nova. Quem sempre acompanhou Pokémon continuou jogando e comigo não foi diferente. A Niantic vem implementando eventos, desafios e atendendo alguns desejos dos jogadores, o que faz com que a vontade de jogar se mantenha. Por mais que o jogo tenha seus defeitos e melhorias precisam ser feitas vale a pena a Texto: Marcos Coelho

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Estudantes que a universidade não enxerga Como o ambiente universitário pode ser capaz de excluir a singularidade dos alunos

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mudança do ensino médio para o ensino uma tendência a enxergar os processos universitário é um momento de transição pessoais de forma negativa, voltados para entre a adolêscencia e o começo da fase o passado. Já Segundo Batista & Oliveira, adulta. Nessa etapa ocorrem modificações Ansiedade difere do medo, que é um psicossociais na vida do estudante, que passa sinal similar; contudo, naquele o perigo é a ter mais responsabilidades, descobertas, externo, real, de origem não-conflituosa. Já cobranças e consequentemente na ansiedade a ameaça sentida mais problemas e inseguranças. é interna, vaga ou de origem “Talvez, eu Essa vulnerabilidade advém conflituosa; é um sentimento precisasse das atividades acadêmicas que acompanha uma sensação apenas me , carreira profissional, e o eminente de perigo, advertindo reconhecer estabelecimento de novos as pessoas de que existe algo a como indivíduo vínculos afetivos, como novas temer. que sou.” amizades e namoros. A Universo Universitário Na maioria das vezes conversou com a Jéssyca esses desafios podem ser determinantes Ingrid Coutinho Resende, estudante da para que o aluno apresente transtornos UFSJ, que nos contou sua experiência psicológicos que atrapalhem seu desempenho como universitária, seus problemas com na universidade. Entre os mais citados estão: a ansiedade e as medidas de apoio e dos depressão e ansiedade. A depressão envolve professores e da instituição.

1. Como o ambiente universitário pode ser capaz de excluir a singularidade dos alunos, não os reconhecendo como indivíduos únicos? Na verdade não, como na minha família ninguém havia cursado o ensino superior ninguém pensava na possibilidade de eu fazê-lo, então, foi uma surpresa quando noticiei que havia sido aprovada. 2. Como você percebeu que estava enfrentando esse dilema? No início da graduação sabia que tinha algo errado, mas no início pensei que pudesse ser pelo fato de eu ter estudado em escola pública e não em privadas como a maioria dos meus colegas, culpei erroneamente a minha base. Com o tempo percebi que o problema era realmente eu, minhas médias eram baixas e atividades simples, como leituras, eram torturantes. Então, fui procurar ajuda psicológica.

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3. Há uma diferença de como você lidava e de como lida atualmente com a vida universitária? Como, por exemplo, perca de média e excesso de trabalhos. Sim, com apoio, procuro me compreender melhor. Agora eu sei minhas limitações e tento dominá-las levando minha vida acadêmica de maneira não tão convencional, apesar de minhas médias não terem se modificado tanto, tenho menos crises de ansiedade generalisada e não sinto mais que frequentar as aulas é uma tortura. 4. Você acredita que há uma responsabilidade por parte dos professores e da própria universidade. E se sim, você recebeu auxílio? Não sei se a universidade ou professores diretamente são responsáveis em si, mas me senti desamparada. O curso de psicologia oferece um atendimento psicológico no denominado SPA, o qual frequentei por um ano, mas que não me fez sentir acolhida pela universidade. Na função de desenvolver indivíduos que tenham sensibilidade suficiente para fazer a diferença na sociedade, a mesma sensibilidade não ocorre para com os alunos; algumas vezes fui reprovada por falta justificadas pela crise, no qual não tive como recorrer. 5. Você acredita que o seu curso em específico contribuiu significamente para você desenvolver esse quadro? Não sei dizer especificamente, mas como na sua maioria são unidades bimestrais e da área criativa, sinto dificuldade de me adequar. As matérias são muito corridas, os conteúdos são muito autônomos e poucas matérias nas quais os professores apresentam o próprio conteúdo. Há uma pressão muito grande por nossa produção que acaba diminuindo a qualidade criativa e aumentando o nível de estresse. 6. Você conhece outras pessoas na universidade que também passam por algum tipo de situação como a sua? Sim, conheço diversas pessoas que têm Transtorno de ansiedade, depressão, dislexia, TDAH que são potencializadas pela exposição ao estresse exessivo, além das pessoas que antes não apresentavam nada e com o decorrer da graduação que desenvolvem problemas de saúde causados pelo ritmo de seus cursos. 7. Como você fez\faz para se sentir menos vulnerável quando é exposta a algum empecilho na universidade? E na sua vida pessoal? Hoje, consigo raciocinar mais friamente, sei das minhas limitações. Quando estou em crise de ansiedade tenho a consciência de que vai passar. Quanto ao déficit de atenção, eu tento encontrar outras maneiras de absorver os conteúdos, mesmo com minhas médias insatisfatórias, consigo lidar com isso a maior parte do tempo. 8. O que você gostaria de dizer para as pessoas que estão passando por alguma espécie de transtorno causado pelo meio acadêmico? cada caso é muito singular. Independente de todo o tratamento que realizei, percebi a mudança no momento em que um professor viu potencial e estimulou, tudo aquilo que tentei suprimir por soar anormal aos demais. Desde desse momento, segui o meu modo particular de absorver e produzir, a qualidade acadêmica melhorou muito. Texto: Rosana Faria

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O ensaio visa retratar os sentimentos que alguns estudantes adquirem na universidade de vido a pressĂŁo, conflitos e aumento da responsabildades. Fotos: Scarlet Freitas e rosana faria Modelo: Clara Mattoso

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Rosana Faria

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Scarlet Freitas


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DIY-Vans de Renda Materiais: -Um par de tênis liso -Cola -Pincel -Renda

Paso a passo:

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DIY /Ftos via: Pinterest - Reprodução: Scarlet Freitas


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a adolescência é quando fazemos nossas maiores loucuras. É nessa fase da vida que agimos muitas vezes sem pensar, agimos com o coração, por impulso, por tudo, menos pela razão. Essas ações podem resultar em duas coisas: uma incrível sensação de liberdade ou em um arrependimento que se instala e deixa uma grande bagunça em nossas mentes. Essa é a lógica da vida: Esquecemos o medo e paramos de pensar nas consequências por apenas um segundo e somos obrigados a conviver com o peso da nossa consciência por tempo indeterminado. Pode durar alguns minutos, horas, semanas, meses, anos ou então ficarem marcadas até o fim da nossa existência. Mas por mais insanas que sejam essas ações um dia elas se transformarão em boas histórias e aprendizados.

Seja o frio na barriga diante da confirmação de uma mensagem que em hipótese alguma deveria ser enviada. A vontade de sumir após aquele beijo que nunca deveria ter acontecido. Ou então o completo desespero, aqueles parecidos com o clímax de um filme de terror, que invadem nosso corpo após decisões que jamais deveriam ser tomadas… Tudo isso vai contribuir para que você se torne uma pessoa cada vez mais sabia e ainda render boas risadas com os amigos, conversas interessante e até muitas horas de histórias com seus filhos e netos. Reunimos algumas histórias, enviadas por leitores nas redes sociais, nas quais eles compartilham alguma loucura feita quando jovem.

Bom. Eu tinha uns 16/17 anos. Fui dormir na casa de uma amiga e lá por umas 3 da manhã um guri que ela ficava e cuidava de uma lan house ligou pra ela ir ver ele. Pulamos a janela e fomos até o centro a pé. (Uns 4km).Chegamos lá tinha ele e um amigo. Bebemos um monte, fizemos algumas loucuras até que minha amiga resolveu sair. Saiu e veio um outro amigo. Ficou eu e os dois guris. Fiquei com um deles e transei no banheiro da lan house. E o outro lá bebendo. Minha amiga sumiu e já tava quase na hora dos pais dela ir trabalhar. Fiz os dois me levarem pra casa. Todos bêbados, na rua... o outro guri me acompanhou até em casa. Disparou o alarme de um posto de gasolina, corremos com medo. Cheguei e a janela estava trancada, me desesperei e fui pra casa. B. P - Rio Grande do Sul

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Uma vez eu estava com um romance de verão, e começou aquela chuva gostosa num dia bem quente em São Paulo, em plena luz do dia, debaixo de chuva mesmo, estávamos em uma fábrica que foi implodida no bairro onde morávamos, fizemos um sexo daqueles de ficar na lembrança dos dois! Rs beijinhos. P. M – São Paulo

No início do ano, curti um carnaval muito louco junto com meus amigos em itabirito, na volta pra BH estávamos bem chapados e me lembrei que tinha uma cachoeira não muito longe da cidade onde estávamos , já era madrugada encaramos a trilha chegamos a tal cachoeira , dormimos quatro pessoas dentro de um carro apertado , um em cada banco e um no porta malas, quando acordei com sol batendo no rosto foi a melhor sensação do mundo , acordar e já ir pulando na água kkk foi louco. V.O- Minas Gerais

Fui conhecer SP. Sou do interior do RS, bem do interior mesmo, nunca tinha ido para maior metrópole do Brasil. E lá fui pra casa de uma amiga. E conheci meu ex-marido. Eu fiquei louco por ele, ele mexeu de uma forma que vocês nem imaginam. E eu fazia tudo por ele. Ai, um belo dia, minha ex-sogra pegou nós dois dando uns pegas na cama e fez uma má interpretação. Fiquei morrendo de vergonha, e como estava morando com ela, saí da casa dela, sem dinheiro nenhum, querendo voltar pro Rio Grande do Sul. Voltei pro RS, mas morrendo de amor pelo boy, com saudade, sofria e tudo mais. E ele sofrendo por mim lá. No meio da minha saí de carona, do interior do RS e voltei para SP. Quatro dias de viagem, com gente que nem conhecia, 1.600 km percorridos pra rever meu amor. Passei por umas situações meio desnecessárias nessa viagem, mas valeu a pena. Chegando lá ele me pediu uma prova de amor: que eu abandonasse minha casa, minha família e fosse morar com ele, que ele queria casar comigo. Que eu fiz? Lá fui eu de novo! Fiquei um ano casado com ele, trabalhando como bobo pra dar tudo pra ele, pra meus cunhados, sobrinha e pra sogrinha (que ainda é meu amor eterno). Mas no dia que estávamos completando 2 anos de namoro (1 morando juntos) ele acabou com a minha vida, com meu psicológico. Eu nasci mulher, sou trans, e havia voltado a minha feminilidade quase extinta por ele. Voltei a ser Thaís. E ele se tornou meu maior medo. Enquanto estava calmo, era o mais lindo príncipe. Mas se ficasse com ciúme de mim, virava o demônio na terra. E nesse dia, dia 15 de julho deste ano, ele me deu a pior surra que ele podia me dar. Não morri, graças a minha cunhada, porque era o que ele queria. Voltei, após dois meses, pro RS, e ele ainda me persegue. Sempre fui de fazer loucuras, mas acho que essa foi a maior. Nunca imaginei abandonar meus pais por alguém e fiz isso por ele. Mas que minha loucura seja perdoada, pois o motivo dela foi o mais sublime sentimento, o amor. L.C.S Rio Grande do Sul

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Texto: Scarlet Freitas e Victor Zanola


Quando a arte toma as ruas

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mudança de cor no semáforo é o sinal que eles recebem: Quando fica vermelho e os carros começam parar, eles entram em cena, os artistas de rua. Malabaristas e músicos ganham a vida se divertindo e divertindo aqueles que estão ao seu redor, tanto pedestres quanto motoristas. Fazem malabares, tocam ou cantam músicas, ganham a atenção tanto de motoristas como de pedestres, que às vezes param para assistir ao espetáculo. As apresentações acontecem quase todo todo dia, mais comumente no cruzamento conhecido como Sinal do Dom Bosco. Chegando a ganhar até duzentos reais por dia, eles garantem que o prazer de se apresentar é o que os incentiva todo dia. “É legal ver que as pessoas gostam, quando estou tocando e uma pessoa fica surpresa, e sorri pra mim, eu acho que isso ilumina a minha apresentação.” conta a artista Lucimélia Romão, estudante de Teatro na Universidade Federal de São João del Rei que toca Sanfona no sinal nos fins de semana. “A alegria das pessoas é um gás para mim também.” completa. Ela começou a se apresentar quando precisou

SJDR invisível

de dinheiro para assistir a apresentação de um amigo em Juiz de Fora. Um amigo teve a ideia, e lá se foram. Tocando Asa Branca, centavo por centavo eles fizeram por onde e no fim não só conseguiram o dinheiro para a viagem, mas também a carreira dela nas ruas de São João. Uma das maiores características dos artistas de rua, comenta Gilson, é a união entre eles. “Tem isso também, a galera é muito unida, os artistas de rua em geral.” Khalifa completa: “Eu ajudo ele, ele me ajuda, tem vezes que está sem gasolina para fazer os malabares dele…” referindo-se aos malabares com fogo do amigo. Mas nem tudo são flores, e a rua sempre tem algum perigo espreitando. Lucimélia Romão já teve problemas com quem queria aproveitar-se de sua apresentação para ganhar dinheiro fácil e Gilson já foi assaltado depois de uma apresentação. “Rua é sempre rua né?” comenta Lucimélia. Mas no fim, a essência da apresentação não é abalada, e apesar dos perigos e das dificuldades, eles estão sempre lá para compartilhar seu talento com os transeuntes. Texto: Clara Mattoso

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Casos de suscesso Provavelmente você já ouviu falar muita gente difamando nossa geração por aí. Seja em algum texto pela internet tentando nos convencer de que os jovens são um bando de preguiçosos que não sabem o que é trabalho duro, empatia e nem amor verdadeiro. Os adultos que não se cansam de dizer que “essa juventude está perdida” ou algum familiar que sempre faz questão de contar longas

Amor

Já não são criados tantos poemas atualmente. Nas músicas os belos versos de amor são substituídos por relatos de festas, noites de bebedeiras ou decepções amorosas. Na literatura os belos parágrafos que faziam os jovens viajar e os inspiravam a encontrar uma verdadeira paixão são poluídos com a presença de zumbis, vampiros, lobisomens e outros inúmeros clichês. Talvez não seja nossa culpa, ainda não fomos apresentados de fato ao amor e enquanto isso precisamos procurá-lo. Porém essa parece ser uma missão quase impossível, pode ser comparada a procurar uma agulha em um paieiro. Com tantas pessoas no mundo bate até uma certa preguiça quando pensamos que nosso par está lá em meio a essa multidão e que temos a missão de encontrá-lo. Bruna já passou por esse momento ela encontrou seu verdadeiro amor em um momento um pouco conturbado da sua vida. Na época não tinha a menor esperança de que isso daria certo mas decidiu dar uma chance a seu coração e hoje está mais feliz do que nunca ao lado de Jorge e de seus dois filhos. Ela trabalhava em uma boate, estava mal por ter acabado de sair de um relacionamento e queria muito abandonar o emprego. Após

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histórias enfatizando como tudo era melhor antigamente. Porém nós sabemos que isso é mentira os tempos passaram as coisas estão um pouco diferente mas isso não é motivo para diminuir as conquistas e o verdadeiro valor dos jovens atuais. Pensando nisso o Universo universitário foi atrás de casos de sucesso para acabar de vez com esse mito. aceitar o conselho de uma amiga, resolveu continuar trabalhando no local. Tudo seguia normal até que um dia comum de trabalho avistou um homem pelo qual se sentiu atraída desde de a primeira vez que o viu. Eles foram apresentados e resolveram conversar fora da boate. Jorge pediu o telefone de bruna, e sempre a ligava ou mandava mensagens convencê-la de que não era apenas mais um homem a fim de diversão. Bruna percebeu que ele era diferente e que mesmo não tendo muitas coisas em comum os dois se davam muito bem. Ela largou o emprego na boate e tudo que considerava errado para ficar com ele, pois percebeu que eram de mundos diferente. Ele abandonou um antigo relacionamento e escolheu ficar de vez com Bruna. Desde de o primeiro encontro jorge percebeu no olhar de Bruna, que ela era a mulher certa para ser sua esposa. Bruna enxerga o primeiro encontro dos dois como algo planejado por Deus: “Eu acredito que foi Deus q colocou ele ali só pra me tirar de lá, porque ele não era de curtir essas coisas e beber “O pedido de casamento veio no primeiro ano de namoro, hoje estão casados há 5 anos e possuem um filho.


Carreira

Todos enfrentamos problemas e dificuldades durante a graduação. Para o jovem universitário, conseguir uma forma de ganhar dinheiro por conta própria se torna uma necessidade. Afinal, uma dos maiores dilemas dos estudantes é decidir se paga uma coxinha ou o xerox. Mas não só o dinheiro se torna uma necessidade. O amadurecimento e a responsabilidade precisam ser amplamente exercitadas, pois a grande maioria sai da casa dos pais para estudar, e seja morando em república , seja morando sozinho, ele ou ela não mais os terá por perto para cuidar de sua rotina. Para Marcelo Alves, hoje no segundo ano de doutorado na UFF e também diretor da Vértice, uma start-up incubada na UFF, essa foi a realidade. Ele saiu de casa e foi estudar jornalismo na Universidade Federal de São João del Rei em 2009. “Acompanhei de perto todo o percurso de nascimento e estruturação, como a contratação de professores, compra de equipamentos e montagem de laboratórios.” conta ele. “O mercado apresenta “Muitos riem blogs, páginas nas mídias sociais, canais no Youtube – tudo isso exerce as técnicas do curso, gera portfólio e dá visibilidade”

complexidades enormes para os profissionais e acadêmicos de comunicação em geral. Para enfrentar esse cenário, é imprescindível que os alunos estejam antenados e saibam criar laços.” Para estudar, teve que sair da casa da família e procurar se inserir no mercado de trabalho. Mas apesar de tudo, Diz que vale a pena e que tudo que passou o ajudou a se tornar a pessoa que é. E para os que chegam, ele deixa suas recomendações: - O mercado apresenta complexidades enormes para os profissionais e acadêmicos de comunicação em geral. Para enfrentar esse cenário, é imprescindível que os alunos estejam antenados e saibam criar laços. Sugiro ler muita teoria da comunicação e da especialidade escolhida (nenhum profissional sério que admiro prescinde de base teórica sólida); praticar as habilidades o máximo possível .

“Existem inúmeras feiras, eventos, workshops, cursos – muitos deles gratuitos”

Texto: Clara Mattoso e Scarlet Freitas

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