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ANÁLISE E PROGRAMAÇÃO CULTURAL agosto de 2018


ÍNDICE Introdução Primera parte: Análise 1. De lixão a parque

2. A experiência do Parque Sitié 3. O festival como acelerador da tranformação urbana 4. Primeiras oficinas e criação da equipe 5. Festival! 6. Sucesso?

Segunda parte: Programação cultural 7. Organização e estrutura

8. Transformação física 9. Programa de atividades 10. Divulgação 11. O Parque Fazendinha como caso de estudo

Equipe e patrocinadores

Foto da capa: André del Casalle

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INTRODUÇÃO Jardim Colombo, localizada no complexo de Paraisópolis, zona sul de São Paulo, é uma comunidade vibrante e dinâmica, porém com diversas carências fundamentais. A paisagem é dominada pelos resíduos sólidos deixados nas ruas pelos moradores, por falta de solução melhor. O córrego, que cruza todo o espaço, está poluído e em diversos momentos passa por baixo de moradias, causando problemas de enchentes e de saúde aos moradores. A comunidade tem cerca de 15 mil habitantes, sem nenhuma centralidade ou espaço de encontro e lazer, a não ser um terreno abandonado de aproximadamente 1000m² conhecido como Fazendinha, devido à criação de animais no passado. Nos últimos anos o espaço se tornou um grande depósito de resíduos e entulho. No final de 2017, porém, a história começou a mudar: os moradores do Colombo e organizações próximas deram início a uma mobilização para remover os resíduos e o entulho do terreno e transformá-lo num parque - o Parque Fazendinha. A iniciativa foi inspirada pelo relato de Mauro Quintanilha, fundador e idealizador do Parque Sitiê (Rio de Janeiro), que apresentou o caso carioca aos moradores do Jd. Colombo e mostrou que é possível converter um ponto viciado de descarte de lixo e entulho em um espaço público para a comunidade. Em 2017 o Arq.Futuro se tornou parceiro do projeto Parque Fazendinha, apoiando e acompanhando as lideranças comunitárias em seu diálogo com diversos órgãos do Poder Público para que se execute a urbanização do bairro, que tem como eixo estruturante a criação de um parque linear margeando o córrego do Colombo, além de auxiliar na criação de estruturas de governança para as associações da sociedade civil locais atuarem de forma transparente, perene e representativa na comunidade. Depois de muitos meses sem mudanças significativas no Jardim Colombo ou no terreno da Fazendinha, era essencial gerar um estímulo a fim de conscientizar os moradores da importância de cuidar deste terreno. Assim surgiu o Fazendinhando, I Festival de Artes do Colombo, como catalisador da mudança física e perceptiva do espaço. Neste documento serão relatados os processos de idealização do projeto, estruturação até a realização do Festival e seus resultados imediatos. A ideia é que este relatório seja atualizado paralelamente de acordo com a evolução do projeto. Jardim Colombo e seu entorno

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PRIMERA PARTE

ANÁLISE


1. DE LIXÃO A PARQUE A parceria com Arq.Futuro, iniciada em 2017, catalisou a transformação do Jardim Colombo. Influenciados pelo Parque Sitiê, projeto do qual também eram parceiros, viram na Fazendinha o potencial para a criação de um Parque. Após apresentar o projeto à comunidade, com um desenho prévio do parque, foi dado o primeiro passo em dezembro de 2017 com a remoção de 40 caminhões de resíduos. Em seguida, foram intensificadas as conversas sobre como adaptar esse local, atualmente o único espaço aberto na comunidade, para que pudesse ser usado pelos moradores como uma centralidade e um espaço de lazer. Havia vários desafios: a declividade do terreno, o resíduo remanescente, a falta de vegetação, e também a escassez de recursos e mão de obra para dar continuidade à qualificação do Fazendinha e fazer sua manutenção no dia a dia. Além disso, havia um problema maior: como incentivar os moradores a cuidarem daquele espaço, e não voltarem a usá-lo como ponto de descarte? Como promover e valorizar a atitude dos moradores que cuidam e mudar o comportamento daqueles que não se importam? A solução encontrada foi realizar no Fazendinha um festival de artes, permitindo a todos os habitantes do Colombo enxergarem aquele local de uma nova maneira, percebendo o potencial do terreno para lazer e fruição. Assim foi desenvolvido o projeto do Fazendinhando – I Festival de Artes do Colombo.

Imagem dos primeiros mutirões

Nas duas últimas semanas que antecederam o Festival foram realizados novos mutirões, já promovendo mudanças no terreno como a criação de espaços planos para a instalação plataformas de paletes em diversos níveis nos quais seriam realizadas as oficinas e atividades no dia do evento, além de barreiras de contenção com o uso de pneus e cimento, pintura de paredes e criação de jardins verticais. Estas mudanças já ativaram a curiosidade dos moradores que passavam por ali, além de terem iniciado um processo de fortalecimento da comunidade, com a formação de um grupo de moradores - cada vez maior - à frente da transformação do terreno. No dia do Festival a mudança de percepção em relação ao espaço era clara entre os moradores. As montanhas de lixo e entulho agora recebiam oficinas, jardins, shows e crianças brincando. E assim, um parque foi criado, que serviu para mostrar aos moradores que aquele lixão tem potencial para ser um espaço público de qualidade.

Imagem dos primeiros mutirões

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Imagem dos primeiros mutir천es

Imagem dos primeiros mutir천es

Imagem dos primeiros mutir천es

Imagem dos primeiros mutir천es

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2. A EXPERIÊNCIA DO PARQUE SITIÉ “Eu tinha vergonha de morar ali. Antes de chegar à minha casa, tinha que passar por esse lixão. Eu não me sentia bem ali, queria ir embora. Conversando com um vizinho, ele me incentivou a começar a limpeza”, lembra Mauro Quintanilha, músico, morador do Morro do Vidigal e presidente do Parque Sitiê. Nessa comunidade, localizada entre as praias do Leblon e São Cristóvão, no Rio, por mais de duas décadas, uma área de aproximadamente 8.500 m² virou depósito de lixo, acumulando aproximadamente 16 mil toneladas de eletrodomésticos defeituosos, entulho, restos de comida e até carcaças de animais mortos. Esse cenário começou a mudar quando Mauro Quintanilha e o amigo Paulo César Almeida, também vizinho do lixão, resolveram limpar o local por conta própria. O trabalho de limpeza começou a ter o apoio dos demais moradores a partir da criação de uma horta comunitária. Toda vez que alguém despejava lixo do espaço, Mauro e Paulo ofereciam uma verdura da horta, mostrando assim que aquele lugar não era um depósito de lixo. Foram quase seis anos até a conclusão da limpeza e a criação do Parque Sitiê.

Parque Sitié com Mauro Quintanilha

Como fruto dessa força-tarefa da comunidade, e com o apoio do Arq.Futuro e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Parque Sitiê ganhou um conselho e um estatuto, que organiza atividades de trabalho, permite planejamento de longo prazo e torna o parque apto a receber investimentos para manutenção e regularização. O parque foi reconhecido como a primeira “agrofloresta” do Rio de Janeiro pela Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal, denominação dada a locais onde trechos de mata nativa se alternam com terrenos cultivados. O Sitiê começou a funcionar também como Ágora Digital – um espaço para diálogos públicos e deliberação sobre questões da comunidade – e intensificou suas atividades de design e artes por meio de seu coletivo. Em 2014, o Sitiê foi premiado nos Estados Unidos pelo SEED (Design Socioeconômico e Ambiental, sigla em inglês), organização que promove iniciativas que combinam design e interesse comunitário. Este projeto enfatizou que terrenos abandonados dentro de comunidades também têm potencial para se tornarem espaços públicos de qualidade. Então, por quê não repetir essa experiência? Muralha de pneus.

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3. O FESTIVAL COMO ACELERADOR DA TRANSFORMAÇÃO URBANA A ideia de organizar um festival surgiu da necessidade de executar algum tipo de projeto cultural no Jardim Colombo em um prazo inferior a dois meses, tendo em conta o tempo limitado de alguns colaboradores e aproveitando o período de férias das universidades. A princípio, se tratava de propor uma programação cultural para o bairro que servisse para mostrar aos moradores o terreno da Fazendinha e seu potencial como espaço público. Desta forma, logo após o início das conversas, foi proposta a ideia de organizar o I Festival de Artes e Participação do Jardim Colombo para podermos sonhar juntos o futuro parque da comunidade. A organização do festival foi baseada em três objetivos: 1. Fortalecimento da comunidade: Apesar de ser uma comunidade, se detectou que atualmente o Jardim Colombo não contava com um sentimento comunitário forte. Através da organização do festival, foi feita uma tentativa de envolver ativamente o máximo de moradores possível para fortalecer o sentimento de pertencimento.

Parque Sitié com Mauro Quintanilha

2. A arte como fonte individual de inspiração: Como festival de artes, um dos objetivos principais consistia em expor aos moradores experiências artísticas com as quais a comunidade não está acostumada. Essa ideia nasce da convicção de que a arte contribui para a introspecção individual e o crescimento da pessoa. 3. Coleção de ideias para o futuro parque Fazendinha: Para conseguir que o futuro do Parque Fazendinha funcione, é imprescindível que a comunidade se aproprie do espaço durante todo o processo de transformação. Para dar o primeiro passo, um dos objetivos principais do festival era coletar o máximo de ideias possíveis e começar a desenhar o parque a partir delas. Para atingir esses objetivos, desde o início da organização foi dada importância tanto à transformação física do terreno da Fazendinha - que precisava ser habilitada para o dia do festival - quanto à transformação emocional dos moradores e dos participantes. O 1º Festival de Arte do Jardim Colombo só poderia aspirar a ser um sucesso se conseguisse gerar um sentimento de emoção entre a comunidade.

Parque Sitié com Mauro Quintanilha

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4. PRIMEIRAS OFICINAS E CRIAÇÃO DA EQUIPE O Fazendinhando começou a tomar forma no início de junho deste ano, com a chegada de Antonio Moya, estudante do mestrado em Planejamento Urbano do MIT, ao Arq.Futuro. Idealizador do projeto de promover um festival de artes tratando a cultura como infra-estrutura em comunidades carentes, este foi o grande impulso para iniciar a transformação do terreno, em um prazo curtíssimo. Paralelamente, o time de voluntários do Arq.Futuro cresceu, e junto aos voluntários do Colombo, o grupo passou a se reunir regularmente e promover uma série de oficinas comunitárias para levantar ideias dos moradores sobre possíveis usos para o local e iniciar a adaptação do terreno para eles. Foram feitas oficinas de elaboração de cartazes para divulgar o festival, de mobiliário urbano com paletes reaproveitados, de paisagismo e estabilização do solo, de produção de vasos com materiais descartados e de fotografia, sempre em paralelo com novos mutirões de limpeza do terreno. Todo esse trabalho foi idealizado e realizado de forma coletiva e através de um processo participativo, envolvendo cada vez mais moradores, que ministraram as oficinas, participaram delas, contribuíram com ferramentas e materiais, com seu conhecimento e mão de obra. Dessa forma, o Parque Fazendinha está sendo desenvolvido desde sua origem pela comunidade: é uma criação de todos. Paralelamente, foram buscados patrocínios para tornar o festival possível. Qualquer contribuição era bem-vinda, desde dinheiro até paletes ou plantas para transformar a Fazendinha. O projeto foi apresentado para dezenas de pessoas e organizações e rapidamente começou a ganhar apoio. Ao mesmo tempo, foi divulgado - dentro e fora da comunidade - através das redes sociais e de um site criado especificamente para anunciar o festival: https://parquefazendinha.wixsite.com/festival

Desenho da imagem

No dia 22 de junho, foi realizada a primeira oficina com os alunos do Projeto Viver para desenhar os cartazes de divulgação do festival. Este foi o primeiro impulso dado dentro da comunidade em relação ao evento. As crianças visitaram o terreno da Fazendinha para conhecer sua história e algumas seções do córrego. Juntos, pensamos em algumas ideias para melhorar esses espaços na comunidade e sonhar com o que ele poderia ser, baseado no que já foi. Depois de finalizados, os desenhos foram colados nos muros e paredes ao longo da comunidade para que as crianças procurassem o que haviam feito, criando desde o início uma relação com o festival, e para que a divulgação do evento contemplasse uma área maior.

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Oficina de mobiliário

Nesta oficina aprendemos da mão do marceneiro Guga (Luiz Augusto) a manusear e reaproveitar paletes reciclados, um material fácil de se encontrar e que, com um pouco de criatividade e inspiração, pode ser transformado em incríveis móveis e peças de decoração. Além de economizar na mobília, reaproveitamos este material, originalmente feito à base de madeira certificada. Como em todo processo de reaproveitamento de materiais, o primeiro passo foi higienizá-los e lixar as partes que apresentarem defeitos, restos de tinta ou lascas. Com os paletes prontos para serem usados, começamos a montar nosso mobiliário. Mão na madeira, para decorar a Fazendinha!

Decoração de vasos de plantas

No dia 08 de Julho aprendemos com a Gorete, moradora de Jardim Colombo, suas técnicas para decorar vasos de plantas com toalhas e materiais reciclados. Para quem ama cuidar de flores e jardins foi sem dúvidas um dos trabalhos mais belos e criativos. Além de reaproveitar materiais que seriam descartados sem uso algum, é possível transformar jardins ou vielas, deixando-as mais convidativas, charmosas e vivas.

Oficina de paisagismo

Esta oficina, realizada por Mauro Quintanilha, idealizador e realizador do Parque SItiê, faz parte de um processo contínuo que foi iniciado em 11 de julho e acompanhará todo o desenvolvimento do parque. Ela se inicia com a construção de barreiras de contenção feitas em cimento e pneus, que mais pra frente serão transformadas em vasos, hortas ou até espaços de estar. A primeira barreira foi terminada para o festival e já causou uma transformação física e, mais importante, perceptiva do terreno, dando uma outra cara à chegada ao local. No dia do festival esses pneus foram pintados por crianças junto à Gorete, e plantas foram distribuídas, criando uma parede bonita e viva ao longo do espaço.

Oficina de fotografia

A oficina de fotografia promoveu o despertar da curiosidade e da sensibilidade fotográfica. O grupo percorreu a comunidade, captando aquilo que é considerado a essência através do olhar de uma criança ou de um jovem que cresceu naquele lugar mas que muitas vezes, pela rotina do dia a dia, deixa passar despercebido certos elementos e momentos, que são a riqueza do local. Além disso, os participantes aprenderam algumas técnicas básicas de fotografia e realizaram tarefas para aguçar os sentidos e exercitarem a capacidade de observação.

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Intervenção artística

Os grafiteiros Jefferson Serafim dos Santos e Rodolpho Viera (@jozéjeff e @ rdo_samp, @lapizartsp) foram convidados a realizar um mural na rua em frente à União dos Moradores com temas do festival: “Utilizamos o tema sustentável, para dialogar com os moradores. O projeto visa transformar o antigo lixão em um parque com muito verde e áreas de lazer para todos. Já foram retirados inúmeros caminhões com lixo mas ainda tem muito trabalho a ser feito, contribua de alguma forma, vamos transformar lixões em áreas verdes e preservá-las sempre. A luta por um lugar melhor não pode parar!!” A parede, branca e sem vida, foi transformada em um lindo mural, com elementos que conversam com a Fazendinha como crianças, flores, árvores e brincadeiras, desenhados em cores vibrantes. A importância deste projeto está não só na vida que foi trazida à rua, mas na conexão entre os espaços que começou a ser criada.

Mutirões: limpeza e preparação do terreno

Apesar dos mutirões de dezembro de 2017, que encheram 40 caminhões de lixo, o terreno se encontrava bastante sujo novamente. Nas semanas que precederam o festival foram realizados novos mutirões diários com voluntários até o dia do festival enquanto, simultaneamente, as estruturas para receber as atividades eram montadas. Durante este processo o envolvimento dos moradores foi crescendo cada vez mais, seja ajudando efetivamente na retirada do lixo, ou cedendo água, vassouras e baldes, entre outros materiais, e dessa forma, cada vez mais o projeto foi ganhando visibilidade.

Ester e Veronica apresentando a Fazendinha a um grupo de crianças do Projeto Viver

Crescimento da equipe

Fazendinhando foi atraíndo pouco a pouco um numeroso grupo de voluntários jovens, dispostos a entregar-se ao máximo para que o festival fosse um êxito. O entusiasmo com que cada colaborador apresentava o projeto a outras pessoas - desde amigos e conhecidos até instituições - gerava tanto interesse que cada vez mais pessoas queriam se juntar ao desafio. O resultado foi a criação de uma equipe de cerca de 30 jovens, entre 20 e 40 anos, trabalhando ativamente no projeto. Agora, semanas após a furacão que foi o dia 22 de julho, a equipe de colaboradores continua ativa e disposta a fazer da Fazendinha um parque de qualidade para o Jardim Colombo.

Um dos cartazes para anunciar o festival

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Foto de equipe da oficina de desenho da imagem

Banco construido com paletes

Oficina de mobiliรกrio com Guga

Mais bancos!

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Oficina de decoração de vasos para plantas com Gorete

Os vasos estão tomando forma!

Coletando pneus...

Primeiros trabalhos da intervenção paisagística

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Colocando os primeiros pneus na Fazendinha

Fernanda e Barbara instalam uma horta vertical

Resultado da primeira intervenção antes do festival.

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O sistema de pneus se reproduz para fazer uma escada.

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André del Casalle ensina fotografia

Os os artistas Jozé Jeff e Rdo Samp pintam um mural na frente da União de Moradores

as crianças de Jardim Colombo aprendem rápido!

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O resultado é excelente!

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Uma semana antes do festival...

Ester e Fernanda coletam lixo e entulho

A forรงa de Paulo foi essencial para limpar a Fazendinha

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A equipe cresce e os trabalhos avanรงam mais rรกpido.

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Quemando madeira velha.

Rubens e Barão constroem outra escada de pneus

Instalação da plataforma central para o festival

As plataformas se multiplicam!

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Reunião pré-festival

Erika Moura, Globeleza, também colabora com o trabalho

Rodolpho termina detalhes antes do festival

Uma equipe sensacional! (e muitos estão faltando na foto...)

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5. FESTIVAL!

Oficina de Origami: Simultaneamente às outras atividades, Laura Souza coordenou essa oficina ensinando crianças a fazer diversos tipos de origami às crianças.

O grande dia do projeto foi 22 de julho. Toda a equipe de organizadores e voluntários chegou cedo para deixar tudo bem preparado antes das 10 horas de atividades planejadas para aquele dia. A manhã - de um domingo - começou calmamente e, pouco a pouco, os vizinhos do Jardim Colombo foram chegando para participarem das oficinas, jogos e apresentações.

Oficina de Pintura de Vasos: Com os vasos já feitos no dia 8 de julho, o foco desta oficina foi, com um grupo de aproximadamente 30 crianças, pintá-los e espalhá-los pelo parque, além de pintar a barreira de pneus feita no projeto de paisagismo. O resultado dessa oficina foi muito bom, e mudou completamente a percepção do espaço, agora com cores e plantas por todo o terreno.

O festival foi dividido em três blocos principais: 1. Manhã - Fazendinha: A primeira parte se resume nas oficinas realizadas no terreno da Fazendinha, das 10h às 13h. Oficina de Reciclagem: Realizada por Rafael Rodrigues, da empresa Recicleiros que atua no desenvolvimento de soluções para a gestão sustentável de resíduos sólidos. Com cerca de 30 pessoas, na maioria crianças, Rafael iniciou a discussão questionando o público o que é lixo e por que um resíduo deve ou não ser descartado ou reciclado. Ao longo da oficina, falou sobre tipos de descarte, reciclagem e criação de composteiras para resíduos orgânicos. Oficina Fazendinhando - Processo Participativo: Liderada por Breno Eitel, da Terceira Margem, junto a Vania Ribeiro Silva e Alexandra Oliveira, essa oficina foi dividida em três partes: um varal de ideias no qual os participantes penduravam seus desenhos com desejos para o Parque Fazendinha em uma planta em branco; um mural de post-its, onde cada ideia era colada sobre o desenho do terreno; e por último, uma maquete na qual colocavam em massinhas ideias e sonhos para o espaço. Oficina de Horta Comuntária: Bárbara Cordovani, da A Especiarista, liderou esta oficina com o objetivo de montar, junto com a comunidade, um espaço coletivo para o cultivo de espécies medicinais e culinárias. Mostrou cuidados básicos com as plantas, do plantio até a colheita, passando por usos, curiosidades, histórias e lendas que envolvem esse universo de conhecimento. Ensinou também como reutilizar embalagens e resíduos como canteiros e vasos para o cultivo das espécies, contribuindo com as demais oficinas para a revitalização do espaço e sua ocupação pelos moradores locais. Oficina de Mural Coletivo: com os grafiteiros Jozé Jeff e Rodolpho Viera (@jozéjeff e @rdo_samp, @lapizartsp), esta oficina durou toda a manhã, com crianças de todas as idades pintando e dando vida a um muro branco na entrada do terreno. O sucesso foi tanto que a pintura extrapolou os limites da parede e se espalhou por todo o corredor de acesso à Fazendinha, criando uma nova cara e identidade ao local.

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2. Tarde - Rua Boa Esperança/Creche: A segunda parte foi realizada na Rua Boa Esperança. Após realizar um almoço para 300 pessoas em uma grande mesa na rua, começaram as atividades, das 14h às 18h. Apresentação de Karatê: O grupo, com cerca de 20 jovens, realizou uma performance com diversos passos e movimentos. O público, em volta, acompanhou e se divertiu junto com os alunos. Teatro na Rua: A companhia de teatro Cia Contraponto ofereceu na Rua Boa Esperança a obra “O Jogador de Basquete”, de Israel Horowitz, um drama cômico que fala da relação pai e filho e da violência. A realização da peça na rua foi um importante ponto para a interação da platéia e para a própria vida na rua se tornar parte da história. Apresentação de Capoeira: Os grupos de capoeira locais ofereceram um show vibrante para fechar a sessão da tarde do festival. 3. Noite - Fazendinha: Para fechar o festival, foi realizado o Concerto Fazendinha com 5 grupos musicais de Jardim Colombo e Grajaú: Almas Errantes (Jardim Colombo), Mmoneis (Grajaú), Natural Style (Jardim Colombo), Balzeira (Jardim Colombo), Denise Alves (Grajaú). Os shows aconteceram na plataforma maior, no centro do terreno, com o público em volta, nas outras plataformas, no corredor e nas casas. Inacreditavelmente, o lixão havia se tornado um local ideal para shows de música! O festival foi possível graças também à colaboração das moradoras de Jardim Colombo, responsáveis pela preparação do café da manhã, pipoca, algodão doce, almoço comunitário para mais de 200 pessoas e um bolo gigante que encerrou o dia com um sabor doce. No total, estima-se que cerca de 400 moradores da comunidade participaram ao longo do dia. E foi apenas o primeiro festival!

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Instalação do banner do festival

Oficina de origami com Laura Souza

Pula-pula para os mais pequenos

Oficina de reciclagem com Rafael Rodrigues

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Oficina de horta com Barbara Cordovani

Pintando vasos de plantas

Maquete participativa com Terceira Margem

Mural coletivo com os artistas JozĂŠ Jeff e Rdo Samp

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Preparando o almoço comunitário

Almoço comunitário

Algodão doce para todos!

Apresentação de karate

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O Jogador de Basquete, apresentação de teatro na Rua por Cia Contraponto

O público assiste ao teatro com interesse

Preparando o show de música

Um fechamento espetacular para o primeiro festival de Jardim Colombo!

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6. SUCESSO? A celebração do I Festival de Artes do Jardim Colombo gerou um sentimento agridoce entre todos aqueles que trabalharam duro para torná-lo possível. De vários pontos de vista, Fazendinhando teve um êxito ressonante: em pouco menos de dois meses o terreno, até então usado como despejo de resíduos, foi transformado e habilitado para acomodar todos os tipos de atividades. Ao ver crianças e jovens correrem entre as plataformas preparadas para o festival - até hoje, semanas após o festival - supõe-se que a transformação não foi somente simbólica, mas também real e eficaz. A participação da comunidade também foi muito significativa, tanto no dia do evento como nas semanas que o precederam, com a incorporação progressiva de vizinhos nas diferentes oficinas e mutirões organizados.

Um mês e meio depois, o show se tornou realidade!

Do ponto de vista emocional, organizadores e participante concordaram que o festival conseguiu plantar uma semente muito importante dentro da comunidade. Pela primeira vez em muitos anos, moradores sentiram que aquele lugar, abandonado há tanto, poderia converter-se em um lindo parque à serviço deles. O entusiasmo gerado nos dias que antecederam o festival fez com que todas as pessoas envolvidas dessem o melhor de si para tornar aquele domingo, 22 de julho, um momento inesquecível para a comunidade. Então, por que é arriscado falar em sucesso? Se o festival atingiu seus objetivos e até superou muitas das expectativas geradas, quais foram suas limitações? A resposta para essas perguntas requer um entendimento da realidade de uma comunidade como o Jardim Colombo. Os desafios enfrentados em um projeto de urbanismo como este são complexos ou, em muitos casos, impraticáveis. Efetivamente, temos o direito de pensar que todo esse processo teve um grande impacto na vida das pessoas envolvidas, tanto dentro quanto fora da comunidade, mas pensar que um evento pontual como o Fazendinhando pode converter-se em um ponto de inflexão na vida da comunidade como um todo seria ingênuo e prejudicial. Possivelmente, o enfoque adequado seria entender o festival não como o final de um projeto comunitário, mas como o início de uma grande transformação física e emocional que pode ocorrer no Jardim Colombo. Neste momento, é imprescindível aproveitar o entusiasmo gerado e as trocas que ocorreram durante o mês de julho para dar impulso a todo o processo. Somente através de um esforço coletivo das pessoas envolvidas até agora e de futuros colaboradores do projeto que, previsivelmente, aparecerão durante os próximos meses, será possível gerar um impacto real na comunidade. Neste sentido, quando recordarmos o I Festival de Artes do Jardim Colombo como o evento que desencadeou um processo de profunda transformação na comunidade, poderemos dizer com orgulho que o Fazendinhando foi realmente um êxito.

A equipe resistiu até o último minuto

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SEGUNDA PARTE

PROGRAMAÇÃO CULTURAL


INTRODUÇÃO A segunda parte deste documento aponta uma série de propostas pensadas para servir como diretriz durante os próximos meses. Para certificar que o Fazendinhando se consolide como um projeto de impacto profundo na vida da comunidade do Jardim Colombo, é necessário manter viva a dinâmica que tornou o festival possível. Como documento de trabalho, as propostas apresentadas aqui são orientativas, e podem ser complementadas durante o percurso do projeto com outras ideias. Em essência, todo o processo tem que estar baseado em dois pilares: a transformação física constante do espaço, e o seu uso regular. Se o projeto for executado sem que ele seja usado pela comunidade durante o processo, o futuro parque estaria perdendo grande parte do seu potencial e não estaria cumprindo todo o seu propósito. Por outro lado, se as atividades não forem acompanhadas de um excelente preparo do terreno para proporcionar aos moradores boas condições de uso, o Parque Fazendinha nunca completaria sua transformação. Os próximos capítulos descrevem qual será o processo planejado para alcançar tanto a transformação física como a criação de um programa cultural de importância no Jardim Colombo. Também haverá um capítulo dedicado à questão de divulgação para maximizar o alcance do projeto e aumentar o interesse dentro e fora da comunidade.

Oficina de arte ministrada pelo coletivo Lapizart

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COLABORADORES EXTERNOS

7. ORGANIZAÇÃO E ESTRUTURA O projeto Fazendinhando gerou muita emoção entre as pessoas envolvidas até agora. Como foi explicado na primeira parte deste documento, a rede de colaboradores foi crescendo desde a primeira semana de junho, e atualmente conta com um grupo de cerca de 30 pessoas, tanto do Jardim Colombo quanto de fora da comunidade, dispostas a continuarem contribuindo para que o projeto seja um êxito. Um primeiro passo fundamental consiste em entender bem o potencial dessa rede de colaboradores. O papel de diretora do projeto pertence a Ester Carro, como arquiteta e líder comunitária do Jardim Colombo. A partir daí, se propõe desenhar um diagrama da equipe por círculos e funções. As pessoas com maior envolvimento e disponibilidade ficarão próximos a Ester no diagrama, em um primeiro círculo. Depois, será desenhado um segundo círculo com membros com disponibilidade para desenvolver atividades concretas durante o projeto. A rede de colaboradores pode ir aumentando em função da incorporação de novos participantes. É importante determinar quais funções poderão ser desempenhadas por cada um dos membros da equipe. Os mais próximos ao círculo central terão funções de coordenação e direção, enquanto os membros mais distantes terão tarefas mais específicas. Quanto mais claras estiverem as funções de cada membro, mais efetivo será o trabalho e mais rápida será a consolidação do projeto.

COORDENADORES DE OFICINAS

EQUIPE PRINCIPAL

DIRETORA

Podem surgir círculos secundários que tenham certa independência, de forma que nem todas as decisões tenham que passar sempre pela direção principal do projeto. Quanto mais autonomia e independência o projeto gere, mais profunda será a transformação na comunidade.

Esquema para projetar a estrutura da equipe

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8. TRANSFORMAÇÃO FÍSICA O principal objetivo do projeto Fazendinhando é, como já indicado, a criação de um parque para a comunidade na área da Fazendinha, como o único espaço atualmente aberto no Jardim Colombo com potencial para se tornar uma praça. Portanto, o projeto e a criação de um parque continuam sendo a principal prioridade e devem começar o quanto antes. Manutenção do parque Uma das primeiras ações deve ser a contratação de Paulo, morador do Jardim Colombo, para manter o trabalho realizado antes e durante o festival no melhor estado possível. Paulo ficará encarregado de monitorar que os vizinhos da zona não continuem jogando lixo e entulho na Fazendinha. Juntamente a Paulo, a equipe técnica poderá designar outros “guardiões” da Fazendinha para cuidar do parque e transmitir aos demais vizinhos a importância de manter esse espaço comunitário no melhor estado possível. Trabalhos de paisagismo A partir da experiência de Mauro Quintanilha, continuarão os trabalhos de consolidação da parte inferior da Fazendinha com pneus reciclados, terra e concreto. Em um período de 3 ou 4 semanas, a plataforma inferior poderá ser equipada para hospedar algumas das atividades. Supervisão técnica Além disso, com urgência, um engenheiro deve ser contratado para estudar o terreno e determinar suas possibilidades e limitações. O profissional deve acompanhar o processo de transformação do parque desde o projeto até a conclusão, para garantir que todo o projeto seja executado de acordo com as condições de segurança. Limpeza do terreno Uma vez determinadas as condições do solo, a Fazendinha deve ser completamente limpa. Atualmente existem camadas de entulho e lixo de espessura desconhecida, que podem até ultrapassar um metro de profundidade. Dependendo do que for determinado após a inspeção técnica, será decidido se será necessário remover qualquer solo remanescente ou se será suficiente limpar as primeiras camadas e cobrir com novo solo posteriormente. Se esse for o caso, precisará conseguir terra para cobrir toda a superfície. A Rede Papel Solidário se disponibiliza a providenciar o financiamento de uma limpeza completa da Fazendinha a partir de um orçamento preciso do processo com a contratação de moradores da comunidade.

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Desenho do parque Paralelamente aos passos anteriores, propõe-se que as arquitetas Ester Carro e Veronica Vacaro projetem uma primeira proposta para o parque a partir das idéias coletadas durante a oficina de processo participativo do Fazendinhando. Este primeiro desenho deve ser apresentado durante um evento público na Fazendinha aos moradores da comunidade para ouvir suas opiniões e críticas. Mais tarde, as arquitetas, juntamente a Mauro Quintanilha, desenharão o projeto final do parque, que será executado pelo próprio paisagista e pelos vizinhos do Jardim Colombo contratados para as obras. Intervenção coletiva no parque Algumas das atividades descritas na próxima seção consistem em envolver a comunidade na transformação física da Fazendinha. Por exemplo, através de oficinas de hortas comunitárias ou mobiliário urbano, alguns dos elementos detalhados no projeto do parque serão produzidos instalados coletivamente. Outras intervenções físicas Algumas outras intervenções podem ser realizadas no entorno do parque simultaneamente. Se sugere instalar Jardins Verticais e sistemas de captação de água pluvial. Criação de uma agenda constante Como se detalha no próximo item, a transformação física tem que ser acompanhada de uma programação de atividades da Fazendinha. Idealmente, pelo menos uma vez por semana deve ser realizada um tipo de atividade envolvendo a comunidade para encorajar a ideia de que o parque permanece vivo. Essas atividades podem ser simultâneas às próprias obras de transformação física, de modo que o desenho terá que prever os espaços apropriados. Auto-Sustentabilidade Manter um parque em bom estado é caro. Como último objetivo, a longo prazo, algum tipo de financiamento deve ser promovido - por exemplo, com parte do dinheiro arrecadado durante as oficinas ou eventos na Fazendinha. O dinheiro arrecadado pode ser investido no próprio parque para reduzir a dependência de financiamento externo.

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Desenhos coletados na oficina participativa

Desenhos coletados na oficina participativa

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Atividades internas

9. PROGRAMA DE ATIVIDADES O Parque Fazendinha tem potencial para se tornar um projeto de referência se conseguir promover um programa de atividades de qualidade que envolva ativamente a comunidade. Propõe-se que este programa seja baseado em arte e cultura, com o objetivo de ampliar a conscientização dos moradores em torno de questões como a importância do cuidado com seu entorno e com o meio ambiente, o respeito ou o trabalho coletivo. Em suma, a programação cultural da Fazendinha deve ter como objetivo promover a cultura de paz entre os moradores do Jardim Colombo. Basicamente, existem dois grupos de atividades a serem realizadas. Por um lado, a Fazendinha deve ter uma programação interna, com eventos que sejam realizados na própria comunidade e no terreno do futuro parque. Por outro lado, convém, em paralelo, a existência de uma programação externa, para levar as experiências do projeto Fazendinhando a outras áreas de São Paulo, e assim tornar a comunidade mais conhecida e capaz de atrair mais facilmente a atenção e os recursos. Abaixo estão algumas das atividades propostas:

Regularização da União Esportiva: O futuro Parque Fazendinha é um projeto coordenado pela atual União Esportiva do Jardim Colombo. Portanto, essa associação deve ser regularizada o mais rápido possível, além de adaptar seus estatutos para expandir seu leque de atividades e até mesmo modificar seu nome para incluir conceitos como “cultura” ou “educação”. Esta associação será responsável pela emissão dos contratos correspondentes a todas as pessoas do Jardim Colombo que participarem da transformação da Fazendinha. Possíveis Atividades na Fazendinha: O Parque, mesmo durante sua transformação, deve promover uma diversidade de atividades culturais, esportivas e educativas para crianças, jovens, adultos e idosos, criando um espaço ativo constantemente. Convém que seja organizado um evento principal a cada mês para que o espírito do festival seja mantido. Eles serão complementados com eventos pontuais semanais (ao menos um, e idealmente dois ou três). As atividades na Fazendinha podem ser desde reuniões para conversar sobre algum tema até atividades mais elaboradas e organizadas como as descritas a seguir. Mutirões de limpeza: A limpeza da Fazendinha deve ser tratada como atividade comunitária; isto é, aproveitar a necessidade de limpar o espaço para criar vínculos na comunidade, com mutirões a cada duas ou três semanas. Aulas de arte contínuas: A Fazendinha poderá receber aula semanais coordenadas por especialistas de dentro e de fora da comunidade. Essas aulas podem ser pontuais ou podem ser organizadas na forma de cursos com um grupo constante de alunos durante um certo período. Com base na experiência do festival, alguns cursos possíveis seriam: aulas de fotografia com André Basquete, aulas de teatro com Elisa Fingermann e Paulo Faria, aulas de grafite e pintura com Jefferson dos Santos e Rodolpho Viera e aulas de dança com Joca. Além dessas, poderiam ter aulas de yoga e de artes marciais com professores do Projeto Viver. Oficinas pontuais: Para decorar a Fazendinha, propõe-se fazer oficinas de artesanato e decoração de vasos (com Gorete da Silva), origami (com Laura Souza), decoração de pneus (Vânia Caminhos e Alexandra da Silva), entre outros. Cinema na Fazendinha: Regularmente, quando o clima permitir, filmes podem ser projetados tanto para o público infantil quanto para o público em geral. Será necessário so-

As reuniões já começaram depois do festival

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mente um projetor, uma tela e cadeiras para o público. Conversas de mulheres: A Fazendinha pode ser um lugar ideal para reunir grupos de vizinhos e discutir o papel das mulheres no Jardim Colombo e os desafios que enfrentam diariamente. Propõe-se que Ester Carro conduza tais conversas e que personalidades representativas como Erika Moura (Globeleza) sejam convidadas a participar. Criação de um símbolo: Através de uma convocação aberta para todos os moradores do Jardim Colombo, propõe-se abrir um concurso para desenhar um símbolo que represente a Fazendinha. Shows de música: Da mesma forma que o festival Fazendinhando terminou com shows de música, a plataforma central do parque pode ser usada para celebrar mais eventos musicais organizados por grupos locais. Contadores de histórias: Os habitantes mais antigos do Jardim Colombo têm muitas histórias para compartilhar com seus vizinhos mais jovens. Reunir grupos de moradores para discutir o passado, presente e futuro do Jardim Colombo pode se tornar uma boa prática para fortalecer a comunidade e fomentar a cultura de paz. Horta comunitária: Com a experiência de Bárbara Cordovani, a Fazendinha pode ser semeada com plantas adequadas à alimentação e saúde dos moradores do Jardim Colombo. Cursos de saúde emocional: Uma das grandes deficiências detectadas no Jardim Colombo é a falta de atenção psicológica com os moradores, cujos encargos emocionais dificultam a vida cotidiana. O Parque Fazendinha pode se tornar um lugar pioneiro em saúde emocional, com terapias em grupo lideradas por psicólogos com experiência em comunidades. Exposições: Os muros ao redor do Parque Fazendinha podem ser transformados em galerias de arte para expor tanto o trabalho de artistas locais quanto os desenhos resultantes das oficinas e aulas de arte realizadas.

Programa de rádio: Aproveitando a recente criação da Rádio Jardim Colombo com Alex Suares e André del Casalle, seria ideal transmitir um programa ao vivo da própria Fazendinha. Atuações: A plataforma central do futuro parque Fazendinha pode também ser palco para diversas performances artísticas, de dentro e fora da comunidade, com grupos de teatro, balé (por exemplo, Ballet Paraisópolis), orquestras (por exemplo, Orquestra Heliópolis), etc. Outros cursos: O projeto Fazendinhando pode aproveitar as parcerias estabelecidas para promover cursos (no próprio terreno da Fazendinha ou em outros espaços disponíveis no Jardim Colombo, como a Creche Girassol). Alguns dos cursos podem ser de capacitação, de marketing, ou de gestão de lideranças. O grupo Medialab São Paulo poderia coordenar alguns desses cursos.

Atividades Externas Amostra de Resultados Sugere-se que os resultados das oficinas e das aulas artísticas realizadas no Parque Fazendinha sejam exibidos em outros locais da cidade. Além do Jardim Colombo poder participar de eventos em outras comunidades e apresentar alguns dos melhores trabalhos ali produzidos, a mobilização para expor obras e apresentá-las em alguns centros culturais de São Paulo também seria interessante e motivador (por exemplo, no CCBB, MIS Museu da Imagem e do Som, etc). Atividades relacionadas à agenda cultural de São Paulo: Podem ser propostas atividades e oficinas relacionadas aos eventos culturais de São Paulo, criando uma conexão maior com a cidade e atraindo moradores não só da comunidade mas também das redondezas, como rodas de samba ou blocos no Carnaval, shows na Virada Cultural, cinema aberto na Mostra de Cinema, etc. Também podem ser organizados excursões de crianças para os museus mais populares da cidade.

Feira de livros: Uma ou duas vezes por ano, sugere-se realizar uma feira de troca de livros entre os moradores do Jardim Colombo. Pode-se considerar também doações ou patrocínios de fora para esses eventos.

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10. DIVULGAÇÃO Para maximizar a divulgação do projeto Fazendinhando, é importante traçar um plano de marketing com profissionais da área (se sugere Silvia Pedreira e pessoal da PUC São Paulo), que permita estruturar uma boa campanha de difusão e atribuir tarefas concretas aos colaboradores. As propostas seguintes podem estar contempladas neste plano. Site da Fazendinha Atualmente o projeto conta com um site criado especialmente para o festival. Em primeiro lugar, este site deve ser atualizado e reportar como foi o festival (aproveitando a análise deste documento). Em segundo lugar, deve-se criar um site específico onde seja compartilhado o projeto do Parque Fazendinha, seu projeto de transformação e a agenda cultura programada. Se sugere uma prestação de contas pública para que haja transparência em todo o processo, e para gerar credibilidade para futuros patrocinadores. Para criar o site, será pedida a ajuda da faculdade ESPM, que poderia produzí-lo como projeto de alguns alunos. Crowdfunding Recorrente A campanha preparada através da plataforma Benfeitoria aspira converter-se no principal meio de arrecadação de fundos para o projeto. Ela terá diferentes metas a serem atingidas para financiar as diferentes fases do projeto. Antes de torná-la pública, é importante certificar-se que já existem patrocinadores comprometidos como uma quantia mínima assegurada. Redes sociais Além do perfil de Instagram já existente, a Fazendinha deve ter uma página profissional de Facebook, onde os eventos serão anunciados, assim como um perfil de LinkedIn direcionado a um público mais empresarial. Junto ao projeto de arrecadação serão divulgadas as oficinas e atividades que serão realizadas no Parque para que o público de fora da comunidade possa participar. Divulgação boca a boca Dentro da comunidade, uma das maneiras mais efetivas de divulgar o projeto é ir pessoalmente às casas falar com entusiasmo sobre o futuro Parque Fazendinha. Para ser efetivo, convém escolher pontos estratégicos da comunidade para que os próprios moradores possam seguir falando sobre o projeto. Quanto mais avançado estiver o projeto, mais motivação será gerada entre os moradores. Newsletters Para manter os patrocinadores da campanha de Crowdfunding informados, convém que as pessoas encarregadas da comunicação enviem newsletters regularmente. Se propõe que tenham uma estrutura muito simples (um ou dois parágrafos com algumas fotos) para não demandar muito tempo de preparação.

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Cofrinhos Propõe-se começar uma divulgação nos comércios do entorno com o “cofrinho” para pequenas contribuições e para dar mais visibilidade ao projeto. Para distribuir os cofrinhos, é conveniente que uma pessoa próxima ao projeto seja encarregada de conversar com as lojas, a fim de transmitir o entusiasmo pelo projeto. Dessa forma, uma pessoa de confiança da comunidade deve ir regularmente a esses locais (uma vez por mês) para coletar e postar o dinheiro. Uma retribuição pode ser dada aos estabelecimentos que concordarem em participar (5% - 10%). Ester cofrinhos devem conter informações como a localização do Jardim Colombo, o site do projeto e a campanha de Crowdfunding. Parcerias Continuando com o espírito do festival, o projeto Fazendinhando não deve somente focar-se em conseguir financiamento econômico, mas também em gerar parcerias com pessoas e instituições que possam se interessar em cooperar com o projeto de qualquer forma. É necessário manter contato com os parceiros que já participaram no festival e novos por vir. Divulgação no entorno da comunidade Jardim Colombo está rodeado de bairros ricos. Fazendinhando pode ser uma boa oportunidade para mostrar aos seus moradores que a comunidade é um lugar com muito potencial e projetos fascinantes. É importante que pessoas da comunidade apresentem o projeto nas escolas próximas (Porto Seguro, Miguel de Cervantes e Santo Américo) e aos prédios e condomínios do entorno. Apresentações recorrentes Com a ajuda deste documento, o projeto pode ser apresentado em diferente contextos, incluindo instituições públicas (prefeitura, ministério público, SEHAB) para obter apoio institucional. Vídeos dos colaboradores A equipe de colaboradores do projeto Fazendinhando é ampla e diversificada. Poderia ser feito um vídeo com alguns dos colaboradores descrevendo o projeto do seu próprio ponto de vista para mostrar a diversidade da iniciativa. Vale também aproveitar o poder midiático de Erika Moura, Globeleza, nascida no Jardim Colombo. Convidar autoridades O projeto Fazendinhando pode gerar receita política. Durante os principais eventos que acontecerão na Fazendinha, pode ser interessante convidar personalidades e autoridades para estarem presentes (por exemplo, o subprefeito do Butantã ou Bruno Covas, morador do Morumbi). Venda de livros no parque Burle Marx Como funcionário do parque, Mauro Quintanilha poderia montar um posto de venda de livros doados (por exemplo, da Editora BEI). O dinheiro arrecadado financiaria o projeto Fazendinhando.

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11. O PARQUE FAZENDINHA COMO CASO DE ESTUDO Nas últimas décadas, diversos projetos de urbanismo e arquitetura social em comunidades latino-americanas se tornaram casos de referência estudados no mundo todo, e muitos desses projetos de transformação tiveram arte e cultura como base de seu sucesso. O exemplo mais representativo talvez seja a transformação das periferias de Medellín, que foi possível graças a uma estreita colaboração entre autoridades públicas e privadas e as comunidades envolvidas. Com a criação dos famosos parque-bibliotecas, o fortalecimento de organizações comunitárias, a qualificação dos espaços públicos e o investimento em infra-estruturas básicas, as periferias de Medellín são um lugar de paz e convivência. O projeto Fazendinhando tem potencial para se tornar também um caso de referência. O Jardim Colombo é, sem dúvida, uma comunidade com grandes desafios, e o alcance do projeto sempre será limitado. Porém, o festival de arte já plantou uma semente importante em uma parte de sua população, e o entusiasmo gerado entre os participantes é evidente. Com a participação da comunidade e a colaboração da rede de voluntários e parceiros gerada até hoje, Fazendinhando aspira converter-se em um centro cultural do Jardim Colombo, cujo êxito poderá ser reproduzido em contextos similares no futuro.

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EQUIPE

PATROCINADORES

Claudia Moreira Salles

COLABORADORES

AMIGOS DA FAZENDINHA

Ivanildo de Oliveira (União de Moradores) / Maria Silvia Pedreira (voluntária ArqFuturo) / Vladimir Santana (ArqFuturo) / Tatiana Fonseca (ArqFuturo) / Fernanda aidar (voluntária ArqFuturo) / Jozé Jeff & Rdosamp (artistas Jardim Colombo) / Rubens Costa e Erick Costa (voluntários Jardim Colombo) / Marcelo Graglia & Daniel Gatti (PUC-SP) / André del Casalle & Alex Suares (radio Jardim Colombo) / Elisa Fingermann & Paulo Faria (Cia Contraponto) / Laura Souza (Oficina de origami) / Terceira Margem (consultoria urbana e ambiental) / Vania Ribeiro Silva e Alexandra Oliveira (comunidade Porto Seguro) / Barbara Cordovani (horta comunitária) / Erika Moura (Globeleza) / Ricardo Vacaro (RL Higiene) / Tomas Alvim (ArqFuturo)

® MURAL & DESIGN

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Fazendinhando - Análise e Programação Cultural para o Parque Fazendinha  

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