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Escritora e ilustradora: Elizabeth Shaw

Editora: Caminho


Era uma vez um pastor que vivia nas montanhas. Tinha um c茫o-pastor, que se chamava Piloto e o ajudava a guardar as ovelhas. Enquanto o pastor se sentava a fazer meias, cachec贸is, camisolas e cobertores, o Piloto tomava conta do rebanho.


Quando alguma ovelha se afastava do rebanho, o pastor pegava num apito de madeira e dava uma apitadela curta. Esse era o sinal, para que o Piloto corresse atrรกs da ovelha e a trouxesse para perto das outras. Nessa altura, o Piloto sentia-se muito importante.


Quando chegava ao fim do dia, o pastor dava uma apitadela longa e isso significava que o Piloto tinha de reunir as ovelhas todas e conduzilas para o redil. À medida que elas lå entravam, o pastor contava-as para ver se não faltava nenhuma.


Todas as ovelhas eram brancas, menos uma. Havia uma ovelhinha preta no rebanho. Essa ovelhinha comportava-se, muitas vezes, de maneira diferente das outras. Muitas vezes, parecia mesmo que tinha a cabeça cheia de ideias diferentes e quem mais se queixava disso, era o cão Piloto, pois não conseguia controlá-la.


Sim, porque o Piloto gostava de ordem e disciplina no rebanho. Muitas vezes lhe dizia que um dia conseguiria fazer com que o dono a vendesse, depois da tosquia.


Um dia, estava o rebanho a pastar nas montanhas, rebentou uma grande tempestade, com granizo, vento e neve. O pastor correu imediatamente para a sua cabana a abrigar-se, seguido do c達o Piloto. O senhor acendeu depois um belo fogo, para secar a sua roupa e estendeu-se a descansar, juntamente com o c達o.


As ovelhas ficaram no campo sozinhas. No meio da tempestade, sentiram-se perdidas sem as indicações do Piloto. Tomando conta da situação, a ovelhinha preta disse logo que deveriam abrigar-se e pediu-lhes para a seguirem, pois conhecia uma ótima gruta, ali perto.


As ovelhas entraram na gruta, conduzidas pela ovelhinha preta, que lhes aconselhou a manteremse juntinhas, para aquecerem mais depressa. O rebanho assim fez, atĂŠ clarear o dia.


Na manhã seguinte já tinha parado de nevar. Até onde a vista alcançava, estava tudo branquinho, devido ao nevão que fizera. O pastor saíu da cabana, seguido do Piloto, observou tudo à sua volta e exclamou: - Encontrar ovelhas hoje, é como tentar encontrar um gelado branco no Pólo Norte!


- Sou um mau pastor, queixou-se ele. Descansei, abandonei o rebanho e agora perdi todas as minhas ovelhas! - E como é que elas se vão arranjar sem mim? – perguntou também o Piloto.


Andaram, andaram e, ao longe no cimo da colina, viram uma manchinha negra. - Piloto! – gritou o pastor. - Talvez seja a nossa ovelhinha preta! Correram rapidamente. E era mesmo ela, que tinha vindo à entrada da gruta espreitar. Dentro da gruta estavam todas as ovelhinhas brancas, escondidas, sãs e salvas. Ufffffff, suspirou de alívio o pastor.


O pastor ficou muito feliz! - Minha ovelhinha preta, disse ele carinhosamente. - Se não fosses tu, se calhar eu não encontrava mais o meu rebanho. - Bem, ela talvez seja útil como sinal, já que não serve para mais nada, resmungou o Piloto ciumento, com todo o carinho do dono.


O sol apareceu e a neve foi derretendo. O pastor pegou na ovelhinha preta ao colo e assim desceu pela encosta abaixo. - Eu sempre disse que tu eras uma ovelhinha que dava muito jeito, dizia o pastor, fazendo festas Ă  ovelha.


Quando chegou à altura da tosquia, o pastor meteu a lã em sacos. Fez dez sacos de lã branca e um saco de lã preta. Nessa altura, o cão Piloto sugeriu ao dono vender a ovelhinha preta. - Nada disso! Respondeu o seu dono. - Tenho uma ideia muito boa!


- Agora já poderei fazer as minhas malhas com lindos padrões, a preto e branco! Concluiu ele. Assim fez: muitas meias, cachecóis e cobertores com desenhos, a preto e branco. Depois foi vendêlos ao mercado e fez um ótimo negócio! Com esse dinheiro, comprou mais algumas ovelhas e carneiros pretos.


Em breve tinha um rebanho de ovelhas e carneiros, pretos, brancos e malhados. Eram todos diferentes e, ainda bem, porque

agora ĂŠ que eram todos iguais!


A ovelhinha preta