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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 34 • 19 Fevereiro 2015 • Preço 1 cêntimo

Ecologia está na moda na região

Págs. 12, 13, 14,15 e 16

Curado da Hepatite C dáo seu testemunho

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A nova vida de João de Carvalho

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Dossier: Águas

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Valor Local

Acordo com a Cartágua sem fim à vista ontinua num impasse a relação entre a Câmara do Cartaxo e a Cartágua. Numa das últimas reuniões do executivo municipal, o presidente da autarquia, Pedro Ribeiro, reforçou o de sempre – a Câmara continua em negociações com a concessionária para chegar a um acordo quanto ao tarifário. Em dezembro último, e na sequência do protelar desta questão, desde que o atual executivo tomou posse em 2013, a autarquia aprovou um aumento 1,66 por cento de acordo com a atualização do Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), contra os 6,89 por cento propostos pela concessionária. Na reunião, Pedro Ribeiro salientou que a concessionária pediu tempo para analisar o parecer que a Câmara encomendou e que aponta para valores mais baixos do que os negociados entre a Cartágua e o anterior executivo que previa aumentos de cinco por cento ao ano durante seis anos. Esse

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parecer ao qual o Valor Local teve acesso e do qual já demos conta na edição de março de 2015, referia, entre outras questões, que o contrato firmado entre o executivo de Paulo Varanda e a Cartágua não observava “as boas práticas e os princípios de partilha de risco de uma concessão de acordo com os riscos do mercado, da procura, financeiros, de construção e de exploração”. O parecer referia também que “o anterior executivo atuou sempre no sentido de manter o parceiro privado indemne de qualquer risco ou perda relativamente ao equilíbrio financeiro subjacente à sua proposta de preço”. Também em reunião de Câmara, Pedro Ribeiro apontou o dedo ao seu antecessor acusando-o de usar outros fóruns que não a autarquia, nomeadamente, a comunicação social, para atacar a atual gestão, sobretudo nesta matéria. “Gostaria de o confrontar olhos nos olhos com este assunto”. O autarca referiu-se ainda às

obras de saneamento de que o concelho carece, que estão no contrato com a Cartágua, mas que ainda não foram concretizadas, com o concelho do Cartaxo a aparecer a par de cerca de 40 outras localidades do país, no relatório do Tribunal de Justiça Europeu relativo ao não cumprimento da diretiva quadro da água. No caso do concelho do Cartaxo, estamos a falar da construção da ETAR de Pontével, e da ampliação da ETAR de Valada, que compreenderá o encaminhamento das águas residuais de Casais Lagartos e Vale da Pedra. O presidente da Câmara referiu que está a ser articulada com a Cartágua uma candidatura ao Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) tendo em vista estas obras. Já em 2013, altura em que a ERSAR deu luz verde ao processo que terminou no aditamento ao contrato negociado entre a Cartá-

gua e Paulo Varanda, a entidade apresentava sérias reservas sobre as obras a fazer, e em que parcelas de responsabilidade seriam fi-

nanciadas pela Cartágua ou pela Câmara; e de que modo os fundos estruturais vão entrar nesse financiamento. Sem esquecer que

Pedro Ribeiro faz ponto da situação

a solução de reequilíbrio preconizada e mantida em stand by desde então assentava no aumento do tarifário e na redução da retribuição à Câmara em menos 6,9 milhões de euros. Com o atual quadro a manter-se na relação entre a autarquia e a Cartágua, não será expectável que a empresa assuma de imediato as obras que o concelho tem de cumprir. A ERSAR foi perentória na recomendação do aumento da melhoria dos níveis de serviço, com a disponibilização à população as obras em falta. O Valor Local contactou a Cartágua que continua disponível apenas para responder por escrito às nossas questões, sendo que das várias perguntas que enviámos acerca deste longo braço de ferro, apenas se limitou a dizer que “continuam a decorrer reuniões (que nunca foram interrompidas) com o município, para chegar a um consenso que satisfaça as partes.”

Salvaterra de Magos inaugura sistema de água que pretende fazer face ao manganês o passado dia seis de fevereiro, foram inauguradas as novas obras de abastecimento de água da empresa intermunicipal “Águas do Ribatejo” (AR) no município de Salvaterra de Magos, com capacidade para fazer face às incrustações de manganês, uma das principais dores de cabeça da empresa e dos consumidores. No total foram investidos cinco milhões nesta obra. Presente na jornada de inaugurações da AR que também passou pelos concelhos de Almeirim e de Coruche, esteve o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, que não escondeu ser um adepto do modelo de organização da Águas do Ribatejo, que gostaria de ver replicado noutras zonas do país, conforme adiantou ao Valor Local. A obra no concelho de Salvaterra de Magos no abastecimento de

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água compreendeu “a construção de três estações de tratamento, diversas captações e reservatórios de água, e mais de duas dezenas e meia de quilómetros de condutas adutoras”, referiu o presidente da autarquia, Hélder Esménio, vincando “o esforço e as melhorias” operados. O presidente da Câmara não quis perder a

oportunidade da presença do governante para focar as questões do assoreamento da Vala Real, que condiciona as atividades das empresas de recreio náutico do concelho, bem como o da poluição provocada pelas suiniculturas na albufeira da Barragem de Magos, apesar de possuir um plano de ordenamento e salvaguarda. O

Momento do descerrar da placa

autarca sugeriu neste âmbito a possibilidade de uma candidatura a fundos comunitários para aquela paisagem. Carlos Martins reportando-se às obras da AR saudou “a convergência” obtida pela empresa, que se comprova pela “qualidade dos equipamentos” apresentados. Referindo-se à sensibilidade do setor das águas em Portugal, colocou o acento tónico nos custos da energia, incentivando a AR a avançar para a certificação energética das suas instalações. O governante considerou que a AR é um bom exemplo da aplicação dos dinheiros públicos e dos fundos comunitários, desafiando a empresa a abrir as portas à entrada de outros municípios. “Este modelo concilia a visão empresarial na sua gestão com o espírito de quem presta um serviço público imprescindível aos cida-

dãos e às empresas.”, disse o governante. Durante a cerimónia protocolar em Almeirim, Carlos Martins anunciou a aprovação de duas candidaturas no âmbito do Poseur Portugal 2020 no valor de cerca de 10 milhões de euros que vai permitir construir sistemas de saneamento nas freguesias rurais do concelho de Torres Novas. O presidente da AR agradeceu a confiança depositada pela presidente da Comissão Diretiva do POVT, que financiou as obras inauguradas em cerca de 85 por cento. Helena Pinheiro de Azevedo, que gere também o atual programa comunitário Poseur Portugal 2020 esteve presente nas inaugurações onde ouviu elogios dos autarcas e do Secretário de Estado. “Em seis anos a Águas do Ribatejo concretizou mais de 100 mi-

lhões de euros de obras financiadas por fundos comunitários. Fomos das entidades que executaram maior volume de investimento no país”, destacou Francisco Oliveira. O investimento de mais de 5 milhões de euros nas obras inauguradas visa melhorar o abastecimento de água a mais de 50 mil pessoas eliminando metais como o arsénio, ferro ou manganês, melhorando a desinfeção com cloro e estabilizando o PH. Francisco Oliveira, presidente da AR revelou que a empresa tem atualmente níveis de cumprimento de “quase 100%” na qualidade da água para consumo. “Hoje podemos afirmar que bebemos água segura e de qualidade e que os tempos de falhas no abastecimento serão cada vez menores porque reforçamos a capacidade de reserva para 48 horas”, disse.

Estrutura de missão para resolver conflitos entre municípios e concessionárias Estado está a tentar reverter o processo que deu origem à fusão dos sistemas de águas e saneamento em alta em cinco grandes agrupamentos no país. Vários municípios da nossa região fazem agora parte do grupo Águas de Lisboa e Vale do Tejo quando antes estavam adstritos à Águas do Oeste como Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos. O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, referiu ao Valor Local, à margem da inauguração dos novos

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sistemas de água de Salvaterra e Coruche, que o modelo da Águas do Ribatejo é um dos que funciona melhor no país, e que o caminho do setor poderia ir no sentido de replicar este modelo, que recordese beneficia de uma exploração da alta e da baixa pela mesma empresa, ao contrário do que sucede noutros. Carlos Martins acredita que a verticalização serviu para resolver alguns problemas de empresas associadas da Águas de Portugal, no

caso da nossa região – (a Águas do Oeste), mas “que não resolve a falta de equilíbrio do setor, nem proporciona as economias de escala anunciadas”. Questionado sobre as dívidas dos municípios à Águas de Portugal, o governante referiu que estão a ser pagas. “Este problema já foi mais gravoso do que hoje em dia”. O secretário de Estado do Ambiente não assume como possível a reversão de contratos estabelecidos em baixa com concessionárias pri-

vadas, de que temos exemplo na região as empresas “Águas da Azambuja” (Aquapor) “Cartágua” (Aqualia); e “Águas de Alenquer” (Aquapor). “Esses municípios optaram por esse modelo de gestão. A sugestão que demos à ERSAR foi no sentido de ser construída uma estrutura de missão para acompanhar as mudanças que queremos operar na baixa, no sentido de dar conselhos, arbitrar conflitos entre os municípios e as concessionárias”.

Carlos Martins quer reverter verticalização


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Escolas de Azambuja aderem ao programa “Heróis da Fruta” uatro escolas do concelho de Azambuja aderem ao programa da Associação Portuguesa contra a Obesidade Infantil (APCOI). Intitulada “Hinos da Fruta Lanche Escolar Saudável” a iniciativa convida cada escola a criar uma canção, um “hino da fruta”. Este ano participam 52 mil 832 alunos de todo o país. Nesta divertida competição nacional, as crianças partilham a cantar as lições que aprenderam ao longo do projeto sobre a importância dos hábitos saudáveis e convidam os adultos para votar no “Hino da Fruta” da turma ou da escola. No final serão votados os melhores hinos, cuja votação é aberta a todo o público e decorre até às 23h59 do dia 10 de março no site www.heroisdafruta.com. Vão ser apurados 80 hinos finalistas: os 3 mais votados, bem como o mais

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partilhado de cada distrito ou região autónoma. Aderiram ao projeto quatro escolas do concelho de Azambuja, num total aproximado de centena e meia de crianças: Escola Boavida Canada, Escola Básica Professor Inocêncio Carrilho Lopes, Jardim de Infância do Centro Escolar de Alcoentre e Escola Básica de Vale do Brejo. Para o presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luís de Sousa, “a parceria do município com o projeto Heróis da Fruta tem uma importante finalidade: promover a implementação no nosso concelho da maior iniciativa gratuita de educação para a saúde em Portugal que nas últimas edições aumentou o consumo de fruta das crianças que nela participaram em mais de 42 por cento”. O mentor do projeto “Heróis da Fruta – Lanche Escolar

Saudável”, Mário Silva, presidente e fundador da APCOI lembrou que “este ano cada voto nos hinos da fruta será convertido num donativo para a «Missão 1 Quilo de Ajuda», um fundo social criado pela APCOI que permitirá a distribuição gratuita de cabazes semanais nas escolas para apoiar a inclusão de fruta no lanche escolar dos alunos mais carenciados do país”. Mário Silva, acrescentou ainda que “todas as pessoas que votarem nos hinos da fruta ficarão também habilitadas a ganhar fantásticos prémios. São mais de duas mil experiências à escolha para parques aquáticos, zoológicos, museus, aquários, centros de ciência viva e parques de diversões. Além disso, há um super prémio para quem mais votar: uma viagem de sonho aos Açores”.

Incentivar hábitos saudáveis nas crianças é objetivo

Salvaterra homenageia os parodiantes de Lisboa o âmbito da realização do “Mês da Enguia” o município de Salvaterra vai homenagear os fundadores dos parodiantes de Lisboa. O grupo que esteve fortemente ligado à vila através da Cabana dos Parodiantes, sente-se “honrado” com esta decisão por parte do executivo de Salvaterra de Magos. Vítor Figueira que faz parte da equipa dos Novos Parodiantes, destacou ao Valor Local a importância que Salvaterra teve para o grupo e recorda que a Cabana foi fundada pelos antigos elementos que depois a cederam aos irmãos

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Andrade “ e que se manteve sempre como referência”. “Aliás creio que ainda hoje param excursões para saborearem os famosos Barretes de Salvaterra que são uma especialidade da casa”. Vítor Figueira destaca mesmo que este tipo de iniciativas possui um valor acrescentado para a memória do grupo. Há jovens que vão descobrindo os “Novos Parodiantes” através das novas tecnologias “ e isso é importante também na descoberta de novos valores”. Por outro lado salienta que há cada vez mais jovens a interessarem-se pelos “Novos Parodiantes”

nomeadamente através do caso de uma rádio online, levada a cabo por dois adolescentes que têm na sua grelha os programas do grupo. Todavia, os tempos não são fáceis. Embora o grupo disponibilize os seus programas nas rádios locais de forma gratuita, existe alguma dificuldade em encontrar patrocínios. Ainda assim salienta que os Parodiantes estão bem de saúde e para continuar. Os Novos Parodiantes estão também ligados, tal como o antigo grupo, aos “Rebuçados Dr. Bayard”, cuja parceria já dura há mais de 50 anos. Conta Vítor Figueira que

tudo começou com um telefonema de Álvaro Matias, o proprietário de uma pequena mercearia em Lisboa. Na altura os rebuçados eram embrulhados à mão, mas pouco tempo depois de se iniciar a campanha publicitária com os “parodiantes” o proprietário foi obrigado a comprar uma máquina para o fazer, tantas eram as encomendas e o sucesso daqueles rebuçados que ainda hoje fazem parte da história deste grupo. A exposição estará patente a partir do dia 4 de março até dia 15 de maio no edifício do Cais da Vala em Salvaterra de Magos.

foto: cabanadosparodiantes.com

O programa que marcou a rádio


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Sociedade

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Um dos primeiros doentes tratados com medicamento inovador

Paulo Rosa venceu a Hepatite C ¢ Sílvia Agostinho aulo Rosa sobreviveu à hepatite C e conta agora a sua história. O relatório médico de cura completa chegou há dias a sua casa, como um presente que parecia impossível ainda há algum tempo atrás. Com 41 anos, reside em Vila Franca de Xira e não hesitou em contar à nossa reportagem o seu percurso, apesar do estigma associado a esta doença. Paulo Rosa foi um dos que após intensas negociações do anterior governo com a farmacêutica Gilead Science, no início de 2015, teve acesso ao medicamento milagroso que consegue taxas de sucesso de mais de 90 por cento. Sem ele, Paulo acha que não tinha chegado a 2016. Com uma cirrose no fígado, diagnosticada em 2012, cada dia que passava sem uma cura era como uma sombra no horizonte. Mas tudo começou em 1995, quando descobriu a doença, que se manteve silenciosa até 2012. Paulo Rosa confessa que quando soube do diagnóstico, não ligou muito, continuou a beber, embora não fosse viciado, e a fazer a sua vida normal. O diagnóstico que lhe tinha sido dado ficou como que secretamente arrumado numa prateleira distante da sua memória. “Na altura, não havia

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medicamentos tão eficazes como hoje, davam origem a queda de cabelo, e a outros sintomas, e não apresentavam resultados”. Como não tinha lesões no fígado, optou por não fazer qualquer tratamento. Também não sabe como apanhou a doença, embora confesse que nunca foi “um anjo”. Depois de 12 anos, o silêncio da hepatite c foi quebrado, e começaram a surgir os primeiros sintomas – “Sentia um extremo cansaço e sonolência, se num dia conseguia subir com facilidade umas escadas, no outro dia era impossível”. Quando a doença começou a manifestar-se sob a forma de cirrose hepática, “a velocidade com que tudo aconteceu foi estonteante com uma degradação persistente do meu estado de saúde”. Até ver agravado o seu estado, Paulo fazia análises com regularidade mas não apresentava alterações, o que o ia deixando mais ou menos sossegado. “Fui negligente, confesso”, refere quando se lhe pergunta se não podia ter travado a tempo a evolução da doença. Junto do médico que sempre o seguiu, o gastroenterologista Rui Tato Marinho, estava indicado para ser dos primeiros 100 que em Portugal receberiam o tratamento combinado da Gilead (sofosbuvir e o ledipasvir + sofosbu-

vir), mas nunca mais chegava a hora. Viver com uma doença sabendo que há uma cura à mão, mas que devido a questões burocráticas não lhe era acessível, “é uma experiência que não há palavras que a descrevam”. Chegou a fazer contas, e sem o acordo do Estado, teria de pagar algo como 28 mil euros por mês pelos medicamentos. Ao mesmo tempo, também já estava para entrar na lista de espera para transplante de fígado. Desde 2012, que “o médico ia-me dando a esperança de que estava para breve a compra do medicamento, mas nada acontecia. Eu e o Carlos (o homem que no Parlamento pediu a Paulo Macedo para não o deixar morrer e que foi a cara do movimento que em 2015 levou finalmente a que o Governo conseguisse negociar com a Gilead) comentávamos que já não íamos conseguir sobreviver mais do que uns escassos meses, tal o nosso estado de saúde, mas nada nos restava a não ser a fé”. “Ambos temos filhas da mesma idade, as pessoas que estavam a viver aquela situação apoiaram-se imenso, e ainda hoje nos encontramos”. Em todo este processo, Paulo Rosa é da opinião de que o anterior Governo fez tudo o que podia

Hoje em dia faz questão de dizer que ultrapassou a doença para ajudar os doentes, só que “o conhecimento das coisas não chegava ao Poder. Se não fosse a incansável comunicação social e a ação de todos nós nas ruas, e no Parlamento, não se tinha conseguido nada”. Quando a seis de fevereiro, o Governo conseguiu estabelecer um acordo com a farmacêutica, obteve o preço mais baixo da Europa. O medicamento era vendido a 43 mil euros, e Paulo Macedo fechou negócio por menos de metade. “Foi uma alegria imensa”, quando

soube da notícia. Após o anúncio do Governo, Paulo Rosa esperou um mês pela sua vez. As melhorias operadas pelo tratamento, apareceram logo nas primeiras semanas, e os efeitos secundários foram suportáveis. Ao fim de um mês já não tinha o vírus. Tomou o medicamento entre maio e outubro. Paulo Rosa vai agora fazer parte de um estudo do Hospital de Santa Maria, que não hesitou em integrar “pois tudo o que for em prol de outros doentes é importante”.

“Esta entrevista vai também neste sentido de poder elucidar outros infetados com Hepatite C aqui do concelho de Vila Franca de Xira, para não facilitarem, porque como não tem sintomas, as pessoas vão deixando andar.” Contudo, “a Hepatite C mata mais do que a Sida.” Desde a assinatura do protocolo em fevereiro de 2015 até ao final do ano, até 5322 pessoas iniciaram tratamento. Segundo Infarmed, apenas 32 não ficaram curadas.

Azambuja

Gaiola de 4.100 euros não resulta na apanha de pombos

á há vários anos que o município de Azambuja luta para tentar erradicar o crescente aparecimento de pombos, situação acerca da qual o Valor Local tem dado eco. A prova disso foi a aquisição de uma gaiola por 4.100 euros no ano de 2008 pelo antigo vereador José Manuel Pratas. Pelo preço, quase que estaríamos na presença de uma verdadeira “gaiola dourada”. Uma teoria que ganha mais força, se juntarmos a isto a fraca eficácia conseguida com a sua aquisição. O Valor Local sabe que a gaiola, com cerca de um metro quadrado de área, não terá apanhado mais do que meia dúzia de pombos, e que a sua ineficácia terá levado o muni-

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cípio de então a colocar esta armadilha de lado. Segundo destacou ao Valor Local, o antigo vereador que não soube precisar o valor gasto, a compra daquela gaiola terá sido mais uma tentativa para eliminar os pombos que ameaçavam e que ainda ameaçam a Igreja de Aveiras de Baixo. De facto e segundo José Manuel Pratas, na altura, a aquisição desta gaiola parecia um bom método, que de resto terá sido recomendado por algumas juntas de freguesia, onde teria funcionado “mais ou menos bem”. Todavia em Azambuja, o processo foi diferente. Refere o antigo vereador que para funcionar em ple-

no, teria de ter um funcionário municipal em permanência para retirar os pombos recolhidos.

Esclarece José Manuel Pratas, que o conceito desta gaiola seria atrair os pombos através da colo-

A “Gaiola Dourada” da câmara de Azambuja

cação de milho no seu interior, contudo e rapidamente o interior da gaiola ficava entupido, daí a necessidade da presença de um funcionário da câmara o que salienta, seria bastante difícil. O ex-autarca que refere que a aquisição foi decidida com o aval do presidente de Câmara de então, Joaquim Ramos. A solução como se viu foi rapidamente abandonada, e o combate a estas aves abrandaria de seguida. Ainda recentemente, Silvino Lúcio, vereador e vice-presidente da Câmara de Azambuja, confirmou ao Valor Local que o município está a perder o combate à proliferação de pombos. Esta é de resto uma realidade que

se alastra a muitas outras localidades e que é de difícil resolução. Os medicamentos para causar a infertilidade das aves são caros e a utilização de milho roxo é proibida. Passados quase 9 anos após a compra desta gaiola quase dourada, tendo em conta o rácio eficácia/ preço, os problemas mantêmse. Azambuja e Aveiras de Baixo continuam a ser locais preocupantes para as autoridades, que também recebem queixas de agricultores que, de vez em quando, veem as suas plantações dizimadas pelos pombos. Quanto à gaiola, o Valor Local sabe que ainda se encontra nas instalações municipais, mas completamente obsoleta.


Sociedade

6 Fez-se luz em Manique do Intendente Câmara Municipal de Azambuja já repôs a iluminação pública na Praça dos Imperadores em Manique do Intendente. José Avelino, presidente da União de Freguesias, salienta que a iluminação apenas funcionou pouco tempo depois de ser inaugurada, no primeiro mandato de Joaquim Ramos. Avelino vinca que a humidade e a má instalação das luzes que iluminavam as fachadas da Casa da Câmara e da sede da Junta, foi o bastante para fazer com que a instalação “nunca tivesse funcionado devidamente”, e que esta era uma velha reivindicação até mesmo do seu antecessor, hoje vereador na Câmara de Azambuja, Herculano Valada. Com esta recuperação, que era uma promessa do município, estão agora mais visíveis à noite alguns monumentos locais, que também beneficiaram de alguma manutenção. São os casos do pelourinho e do Palácio Pina Manique. Também os semáforos que estão colocados na vila foram intervencionados. Os mesmos têm agora iluminação led, que é mais eficaz e mais barata. Luis de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, em declarações ao Valor Local, salienta que o total de investimento rondou os 30 mil euros. Para o autarca, esta foi uma empreitada importante, tendo em conta também a necessidade de valorizar os edifícios e os monumentos em causa.

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Novos médicos em Azambuja crónica falta de médicos no concelho de Azambuja continua a ser um problema, mas para já há uma nova empresa de colocação de clínicos que conseguiu de certa forma colmatar algumas lacunas no centro de saúde de Azambuja e nas extensões de Aveiras de Cima, e Alcoentre. O presidente da Câmara, Luís de Sousa, refere que o novo clínico que presta serviço em Alcoentre “tem estado a agradar à população”. O médico passa os dias de terça e sexta no local, e esta será uma solução razoável para os interesses da freguesia, se se revelar duradoura, dado que no passado poucos foram os clínicos colocados através de empresas contratualizadas pela ARS-LVT que ficaram a trabalhar nas unidades de saúde do concelho. A junta de freguesia de Alcoentre e a população levaram a cabo várias iniciativas, no ano passado, tendo em conta esta carência. Em Aveiras de Cima, cinco médicos recrutados pela empresa vão prestando serviço na extensão de segunda a sexta-feira, bem como três dias por semana em Azambuja, onde a maioria do corpo clínico é residente. Estão para já suprimidas algumas necessidades. Durante o último ano, o presidente da autarquia chegou a dar conta de que cerca de 9 mil utentes do concelho não tinham médico de família. Foi aberto concurso direto pela ARS-LVT para Azambuja no início deste ano, mas segundo Luis de Sousa o concelho não terá conseguido captar clínicos por esta via.

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Nova esquadra da PSP em Vila Franca de Xira Câmara Municipal de Vila Franca de Xira já deu “luz verde” para a adjudicação e a minuta de contrato para a construção da nova esquadra da PSP local. O primeiro passado foi dado em julho do ano passado, depois do compromisso assumido pela antiga ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues. A empreitada agora adjudicada terá um valor de perto de 400 mil euros e deverá estar pronta em 180 dias. O novo edifício, que vai nascer nas antigas instalações da GNR de Vila Franca de Xira, será adaptado às exigências modernas de modo a servir melhor a comunidade e dará, segundo a ministra da altura, aos, “ 45 homens e mulheres da PSP de Vila franca de Xira, mais e melhores condições para zelar pela segurança de pessoas e bens”, sendo que o mesmo edifício poderá receber mais efetivos, estando também preparado para dar uma especial atenção, às pessoas com deficiências motoras. O protocolo assinado com o governo em julho permite que o município avance com a obra, havendo o compromisso do ministério da administração interna em ressarcir a Câmara Municipal. Esta é de resto uma obra importante para as forças de segurança, dado que já há vários anos lutam com a falta de condições da atual esquadra situada no piso térreo dos SMAS da cidade. A saída da GNR da localidade, possibilitou a libertação do espaço, que agora acolherá a PSP.

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Almeida Grandella, Aveiras de Cima

Exposição “A Cidade e o Cidadão” ¢

Miguel A. Rodrigues junta de Freguesia de Aveiras de Cima inaugurou no dia 13 de fevereiro a exposição itinerante dedicada a Almeida Grandella, figura maior da vida portuguesa do fim do século XIX, início do século XX, que nasceu, em 1853, na localidade de Aveiras de Cima, tendo rumado aos 10 anos com a família para a capital do país. Homem dos bastidores da política na altura, foi figura cimeira enquanto benemérito e empresário. Os célebres armazéns Grandella consumidos pelo incêndio do Chiado são talvez a sua obra mais conhecida que esta exposição também evoca. Foi de forma emocionada que o presidente da junta de Aveiras de Cima, António Torrão, abriu a exposição com o título: “A Cidade e o Cidadão”, que esteve anteriormente na freguesia de São Domingos de Benfica em Lisboa. Depois de Aveiras de Cima, vai estar ainda em Alcoentre/Tagarro, Foz do Arelho e Nadadouro. Esta mostra relata a vida de Grandella, a política e as empresas, a marca que deixou na educação, nomeadamente, com a construção de escolas. Também realce para freguesia de São Domingos de Benfica onde Grandella deixou construído um bairro para os trabalhadores das suas fábricas, e

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onde hoje se estreitam laços de vizinhança. Grandella, um conhecido republicano e maçon, ficou em sérias dificuldades financeiras depois de não ter acompanhado o aumento de preços durante a guerra. Isto mesmo foi contado por um dos seus bisnetos presentes na inauguração desta mostra em Aveiras de Cima. Miguel Corrêa Monteiro, que referiu que a atitude do seu familiar valeu-lhe o início do fim do império que mais tarde viria a culminar com uma divisão fami-

liar, por causa da doação a um dos filhos de ações dos ditos armazéns. Foi ainda o homem que na sombra com Afonso Costa esteve na origem da importante Lei da Separação da Igreja e do Estado. Aliás, Miguel Corrêa Monteiro, destacou ainda o caráter do bisavô, quando numa viagem de comboio, preferiu viajar em terceira classe, e colocar os filhos na primeira, gracejando com o facto de tal ser um privilégio dos homens ricos.

Miguel Corrêa Monteiro salientou ainda que possui mais de cem livros de História novos para doar à Biblioteca Municipal Almeida Grandella, mas “à boa maneira portuguesa”, ainda está à espera que alguém os vá buscar”. Assim o bisneto de Grandella, comprometeu-se a colocar os livros na mala do carro, para quando ele ou o primo Pessoa e Costa, passarem por Aveiras de Cima, os deixarem na biblioteca de modo a enriquecer o espólio. A exposição vai estar patente até 11 de março.

Autarcas e descendentes de Grandella na inauguração

Falhas na iluminação pública em Benavente presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho, diz estar a articular com a EDP a resolução da falta de iluminação pública em alguns locais do concelho, nomeadamente, na Avenida “O Século”, Rua dos Bombeiros Voluntários, Jardim do Arneiro dos Corvos, Rua da Associação Comercial de Lisboa, entre outros locais de Samora Correia, enumerados num comunicado do Partido Socialista que denuncia a

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falta de ação da maioria CDU nesta matéria. O presidente da Câmara salienta que as falhas na iluminação pública não são da responsabilidade da autarquia, mas da EDP que deverá ser contactada pelos munícipes sempre que se verifique alguma anomalia, “sendo que a empresa tem um prazo para repor a normalidade”. O presidente reconhece que a situação na Rua dos Bombeiros Voluntários de Samora Cor-

reia e Praça Carlos Gaspar foi de mais difícil resolução porquanto ardeu um poste de transformação, com as dificuldades inerentes à sua reposição, o que obrigou a uma operação de outra envergadura. O autarca refere que no âmbito do Portugal 2020, os municípios da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo aderiram ao programa de eficiência energética que preconiza a substituição das lâmpadas

tradicionais por lâmpadas led. “Adquirimos cerca de 600 armaduras led com a EDP a operar a essa substituição numa primeira fase nas zonas antigas de Benavente e Samora”. O município está a aferir dos benefícios em termos de custos de energia. A Câmara investiu até à data 90 mil euros nas 600 armaduras. O concelho terá necessidade de 9 mil armaduras. “O investimento pode chegar aos dois milhões de euros”.

Rua dos Bombeiros Voluntários é uma das que apresenta mais problemas


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Em Foco

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A Nova Vida de João Carvalho Regresso à Câmara de Vila Franca poderá estar para breve

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Miguel A. Rodrigues fastado há mais de um ano da exposição pública e mediática, o ator João de Carvalho vive uma nova fase da sua vida. Quase irreconhecível, e quase a completar 61 anos, João de Carvalho está hoje visivelmente mais magro e com hábitos de vida completamente diferentes dos que tinha há dois anos atrás. O ator que suspendeu o mandato autárquico como vereador na Câmara de Vila Franca de Xira, após a morte da esposa, em 2014, está muito diferente física e psicologicamente, ao ponto de muitas pessoas não o reconhecerem no imediato. O ator escolheu o passeio ribeirinho de Alhandra para receber o Valor Local para uma conversa sobre o atual momento da sua vida. Sem papas na língua, o ator, afável como sempre, falou do passado doloroso, depois da morte da esposa em abril de 2014 e o impacto que teve na sua vida pessoal e profissional. Com menos 34 quilos, João de Carvalho é agora um adepto fervoroso do ginásio, que frequenta várias vezes por semana. O ator refere que está a revelar-se importante esta fase da sua vida, já que devido à morte da esposa, a tristeza levou-o a chegar aos 104 quilos. O ator salienta que já anterior-

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mente tinha perdido peso: “Toda a gente pensava que estava doente, mas não era verdade. Aliás foi uma perda de peso muito rápida, mas acompanhada pelo doutor Póvoa”, conhecido médico das dietas dos famosos. João de Carvalho assume de resto que a morte da esposa levou-o a entrar de alguma forma em depressão, confidenciando ao Valor Local, que a companhia eleita terá sido muitas vezes: a televisão. Reconhece por isso que “é importante gostarmos de nós próprios”. O aparecimento de uma amiga que o incentivou a sair do estado a que chegou, foi determinante para a mudança: “Ganhei um pouco mais de amor-próprio por mim e saí do sofá. Foi o que fiz. Ganhei coragem para fazer outras coisas, embora nunca tenha deixado de ser ator e de trabalhar”, refere João de Carvalho, que por mais de uma vez, pediu desculpa por se apresentar na entrevista em fato de treino, após mais uma ida ao ginásio. João de Carvalho diz que se lembra da esposa todos os dias e cita mesmo Álvaro de Campos quando o poeta diz existirem dois momentos na vida “o dia em que nasceste e o dia em que morreste”. Contudo e embora reservado quanto à vida pessoal, salienta a importância que os filhos têm para

si, mas sobretudo a neta “que é a luz dos meus olhos, e por quem tenho uma grande paixão”. O ator refere que se encontra bem de saúde, e que se sente com energia para trabalhar, e até voltar ao lugar de vereador na Câmara de Vila Franca de Xira, o que nos confidencia mais à frente. Contudo, para quem está habituado a ver João de Carvalho mais forte e a imitar Vasco Santana, a primeira impressão é de alguma estranheza. O próprio ator reconhece esse impacto no público, o mesmo público que quase não queria acreditar quando o viu ao fim de muitos meses num programa da manhã na RTP 1. Essa primeira aparição em televisão levou muitas pessoas a questionar sobre o estado de saúde do ator, que de resto continua no teatro e a trabalhar com o pai, sobrinho e colegas de profissão numa peça que está a percorrer o país. João de Carvalho que não se cansa de agradecer à amiga que o incentivou “a sair do sofá” garante que é hoje “um homem renovado” e que vai manter-se como está “durante muito mais tempo”. “Até porque estou hoje a fazer exercício e isso é para manter”, volta a destacar. Aliás o ator que tem hoje uma imagem física diferente apresenta-se em público envergando ainda um novo penteado: um

rabo-de-cavalo – “Os meus filhos gostavam muito que o cortasse”, não esconde. O ator diz que é a sua nova imagem de marca, até porque, refere, ser importante “as pessoas distinguirem-se umas das outras”. O regresso às lides políticas Por duas vezes João de Carvalho encabeçou as listas do PSD de Vila Franca de Xira à Câmara Municipal, mas foi da segunda vez, que assumiu o pelouro da Cultura, a convite da antiga presidente de Câmara, Maria da Luz Rosinha, que terminou o mandato em 2013. Antes das eleições, a presidente retirou os pelouros à coligação, alegando falta de confiança politica. Sobre este episódio, João de Carvalho, refere que existiram culpas e intransigências de ambas as partes, vincando o bom entendimento até pessoal com a anterior presidente da Câmara e atual deputada do PS na Assembleia da República. João de Carvalho que se assume com independente, liderou de novo a lista do PSD nas eleições de 2013, mas acabaria por perder para o PS, e para o seu candidato, Alberto Mesquita. O ator que está fora da Câmara desde abril de 2014, confidencia

ao Valor Local que suspendeu o mandato devido ao falecimento da esposa. “Não podia ter sido de outra maneira”, explica-se, acrescentando que pondera um regresso ao lugar de vereador. João de Carvalho não aponta datas para o regresso à vida política, nem sequer se pondera voltar a ser cabeça de lista, mas salienta ter “muita vontade de fazer coisas”, embora os cidadãos “se sintam cada vez mais desacreditados”, e isso “vê-se pelos números da abstenção”. “Temos de pensar mais nas pessoas. Não sou adepto do PODEMOS ou do SYRIZA, mas acho que o indivíduo faz a diferença”, salienta João de Carvalho que diz ir acompanhando a atual política cultural do município. Sobre a o seu antigo pelouro, o ator perfilha da ideia de que continuam a acontecer coisas na cena cultural no concelho de Vila Franca de Xira, onde aliás continua a residir. Tem acompanhado algumas atividades culturais, mas aqui ou ali, ao longo desta entrevista, lá vai apontando o dedo à atuação do responsável do pelouro, Fernando Paulo Ferreira, de quem diz ser amigo, mas a quem acusa de não sair muito do gabinete. Para o ator, a Cultura no concelho de Vila Franca de Xira “está a ser desacompanhada”, referindo que

o vereador desta pasta deve acompanhar as iniciativas com os seus funcionários e colaboradores. Por outro lado, refere a importância do vereador da Cultura “ter as portas abertas para quem trabalha consigo e isso é essencial para que as coisas aconteçam. Não é necessário que os nossos funcionários marquem reuniões através de agenda para falarem connosco, basta bater à porta, e é isso que faz o relacionamento das pessoas”. Por estar ordem de razões não tem dúvidas em constatar que é também esta forma de atuar que “faz falta neste momento na Câmara de Vila Franca”. “E isto não tem nada a ver com a amizade que tenho com o Fernando Paulo”, avisa. No que toca ao Ministério da Cultura, João de Carvalho considerao uma mais-valia. O ator diz conhecer bem João Soares e vinca que “se lhe derem condições para trabalhar, fará um bom trabalho”. O ator espera que o Governo esteja em vigor os quatro anos da legislatura “para bem deste país, porque precisamos de sarar, caso contrário continuamos a perpetuar aquela história de sermos um povo de bananas governado por sacanas”. Veja esta entrevista em vídeo na íntegra em www.valorlocal.pt


Eventos

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Valor Local

Mês da Enguia reforça expetativas para mais uma edição Mês da Enguia em Salvaterra de Magos assinala este ano 20 edições de um certame que já faz parte do calendário dos amantes daquele peixe do rio. O certame volta a oferecer o pacote: “enguias cozinhadas com mestria” nos 18 restaurantes aderentes (mais dois do que no ano passado) mais atividades no pavilhão do Inatel com a Feira de Artesanato e de Produtos Regionais bem como as exposições patentes em vários locais do concelho. Os passeios no Tejo e a visita à falcoaria complementam o programa que se estende de um de março a três de abril. Ensopado de enguia, caldeirada de enguias, arroz de feijão com enguias fritas, torricado de enguias, entre outros pratos, vão estar na carta dos restaurantes. A Câmara aconselhou as unidades de restauração aderentes a “aprovisionarem com antecedência a enguia, para não acontecer como no primeiro fim-de-semana da edição do ano passado em que não havia peixe suficiente para responder às enchentes que se verificaram nos nossos restaurantes”. Em simultâneo com o Mês da Enguia, o município promove várias exposições na vila de Salvaterra.

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São elas: “Salvaterra de Magos, memórias de uma vila real” na galeria de exposições da falcoaria; “Embarcações Tradicionais do Tejo” no edifício do Cais da Vala; “Os Parodiantes, os barretes e a rádio em Portugal” no Celeiro da Vala; “Tradição e contemporaneidade, vidro da marinha grande” na Capela Real de Salvaterra. Em Marinhais ficará patente no Mercado da Cultura, a exposição “112 anos do comboio em Marinhais”. Cerca de uma centena de produtores locais e regionais vão estar presentes na feira de artesanato que “um dia mais tarde a autarquia gostaria que ganhasse um caráter nacional”, referiu o presidente da autarquia, Hélder Esménio. Tal como nas últimas edições, um programa de televisão vai ter emissão ao vivo durante várias horas a partir da vila de Salvaterra enfatizando o Mês da Enguia.

Alentejo e Ribatejo manifestou o seu mal-estar com a nova organização das regiões de turismo que o Governo está a idealizar. No novo figurino, o turismo passa para a alçada das comissões coordenadoras regionais, as CCDR’s. “Já conheci mais de 20 e tal secre-

tários de Estado e sempre que muda o Governo devem pensar que o país não tem mais problemas a não ser no Turismo. Não é assim que se consolidam os destinos turísticos no país. Lá fora não se assiste a mexidas nas estruturas sempre que entra um novo Go-

verno”. O presidente da Câmara de Salvaterra, Hélder Esménio, também não vê com bons olhos a mudança, até porque é da opinião de que a atual entidade tem trabalhado em prol da região. Ceia da Silva foi mais longe ao re-

ferir-se à provável medida do Governo e à tomada de posição que não hesitou em mostrar, apesar de também já ter sido eleito do Partido Socialista como deputado – “Certos vírus que estão cada vez mais fortes têm de ser combatidos com antibióticos logo de início”.

Presidente da Entidade Regional de Turismo classifica de disparate a nova proposta do Governo para o setor Presente na apresentação pública do Mês da Enguia, o presidente da Entidade Regional de Turismo do

As várias iguarias confecionadas com a Rainha do Tejo

Reforçar o Sável como marca do concelho de Vila Franca de Xira concelho de Vila Franca de Xira recebe mais uma vez, durante o mês de março, a campanha do “Mês do Sável”. Esta edição conta já com a colaboração de 26 restaurantes, mais dois

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que no ano anterior e é a primeira vez que se realiza enquanto “marca” do concelho de Vila Franca de Xira. Assim, e segundo o município ao Valor Local, “esperamos credibili-

zar ainda mais a iniciativa enquanto recurso identitário do concelho” acrescentando que tal é “recurso assente quer na vertente histórica, social e económica; quer na tradição de ‘bem comer’

Campanha do Sável conta com novos atrativos este ano

em Vila Franca de Xira”. Para o município vilafranquense, “as expectativas são muito positivas” destacando a promoção do evento dentro e fora de portas o que se traduz no facto “de a cam-

panha ganhar cada vez mais adeptos ao longo do tempo”. Sendo a gastronomia do concelho de Vila Franca de Xira um dos seus pontos fortes, nomeadamente em termos de atração turística, refere a Câmara que “os restaurantes parceiros têm sabido concretizar uma campanha que pretende fazer jus aos nossos melhores sabores e qualidades de bem-receber”. Por outro lado, o município tem vindo a trabalhar com outros agentes turísticos, “quer na área da hotelaria e alojamento, quer com pastelarias, espaços de visita e outros que proporcionam a quem vem a Vila Franca, além de degustar o sável, outras boas experiências no nosso território”. Durante a campanha do Mês do Sável, o visitante mediante a apresentação da fatura dos restaurantes pode usufruir de vários descontos: estadias em unidades hoteleiras, provas de vinhos, aulas de equitação, visitas ao Evoa, e degustação de doces tradicionais. Ainda no que toca à campanha do Sável, o município diz incentivar à inovação “e até à apresen-

tação de receitas alternativas, para além da original” e essa é uma aposta que tem dado frutos, pois “os restaurantes têm-se mostrado recetivos e há registo de muitos bons exemplos disso”. Já no que toca às doses servidas, o município refere um aumento de 11 por cento em 2015 face ao ano de 2014, e “esperamos que, este ano, este número venha a crescer novamente”. Foram servidas no ano passado 6100 doses. Sendo esta uma iniciativa dedicada aos sabores do Tejo, o município decidiu também incluir a realização do “II Fórum Ibérico do Tejo” que decorre nos dias 19 e 20 de março. Esta é uma parceria com a Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça (AIDIA). A iniciativa conta de resto com a presença de especialistas de Portugal e de Espanha e visa debater as questões relacionadas com a revitalização e sustentabilidade do Tejo “ao nível da economia, da cultura e do ambiente”, acrescentando que “o fórum procurará dar ainda passos para a concretização de uma Confraria do Tejo”.


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Economia

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Azambuja

Balanço positivo do Gabinete de Apoio ao Empreendedor naugurado em dezembro último, o Gabinete de Apoio e Informação à Empresa e ao Empreendedor (GAEE) tem sido “uma maisvalia no concelho de Azambuja.” Segundo Daniel Claro, porta-Voz da Associação Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA), entidade que gere o gabinete através de um protocolo celebrado com a Câmara de Azambuja, o balanço é positivo. O responsável salienta que “até ao final do mês de janeiro tinham sido efetuados cerca de trinta atendimentos”. Por outro lado, Daniel Claro vinca que com a abertura deste espaço situado no Centro Comercial Atrium em Azambuja, houve também “mais de duas dezenas de inscrições” para o curso de aplicação de produtos fitofarmacêuticos, uma das formações ministradas até à data, tendo aumentado também a venda de “livros de reclamações que passam a estar disponíveis no gabinete para os empresários e empresas do concelho”. Com cerca de trinta atendimentos efetuados neste espaço, Daniel

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Claro esclarece que na maior parte das vezes os pedidos de aconselhamento estão relacionados com os passos necessários para a “criação de empresas e para a abertura de novos espaços comerciais”. Ainda assim, o aconselhamento do GAEE vai mais longe do que a criação de empresas. Segundo o porta-voz da associação, é possível encontrar todo o tipo de respostas sobre o mundo empresarial no GAEE ”mesmo aquelas que não caibam no seu âmbito” vincando que “nesses casos aquilo que fazemos é identificar as entidades que podem ter capacidade de resposta às dúvidas ou procedimentos e ajudar a empresa ou empresário a ter acesso à informação incluindo se necessário a marcação de entrevistas ou reuniões”. Todavia para dar respostas às empresas e aos futuros empresários, o GAEE tem como colaboradores, profissionais em várias áreas, mas refere que estando “em fase de organização de uma estrutura de aconselhamento estratégico” e

tendo em conta a recolha e tratamento de informação sobre o concelho nas áreas da competência do Gabinete, “convidamos todos os que tiverem disponibilidade e vontade de pensar estrategicamente o nosso concelho para uma mais ativa colaboração com o GAEE dentro das suas áreas de conhecimento”. Os fundos comunitários são outra matéria à qual o GAEE está atento. Sobre esse assunto, Daniel Claro anuncia que existe por parte deste gabinete alguma prioridade na informação às empresas, e que nesse sentido salienta que “a partir da próxima semana começará a ser distribuída a nossa primeira newsletter”. Por outro lado, refere que a existência de ações de formação no âmbito dos produtos fitofarmacêuticos levará ainda “a que possamos avançar com candidaturas nesta área que vamos propor às juntas de Freguesia, em contactos que iniciaremos em breve, para além de outras iniciativas. Estamos ainda a refletir sobre as respostas que no campo das tecnolo-

gias de informação possamos dar aos microempresários locais”. Nos projetos para o futuro estão igualmente workshops ou seminários “estando o GAEE a preparar duas ações: Uma no âmbito do tu-

rismo de proximidade e outra sobre o novo Orçamento de Estado”. Noutro campo, o GAEE anuncia também um plano, que deverá “arrancar depois da Feira de Maio de pequenas sessões, com dez pes-

Alguns dos elementos da equipa do GAEE

soas de cada vez, sobre temas sectoriais ligados à atividade económica” nomeadamente “as relações com a banca ou como fazer um plano de negócios, e como estabelecer um plano de marketing”.


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Valor Local


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Cultura

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“Pintar e Cantar dos Reis” em Alenquer quer ser património da Unesco

stá em curso por parte da Câmara de Alenquer uma candidatura da tradição do “Pintar e Cantar dos Reis” a património cultural imaterial da Unesco. Trata-se de uma manifestação cultural única no nosso país, que conhece apenas umas ligeiras nuances numa freguesia do Cadaval. Por se tratar de um acontecimento quase ancestral, datado de há vários séculos, corporizando um fenómeno característico das comunidades locais de várias freguesias do concelho, a autarquia acredita que a consagração a património da humanidade possa ser uma realidade, apesar de se assistir a uma cada vez maior pulverização de candidaturas um pouco por todo o mundo. O trabalho nesta candidatura tem vindo a ser feito desde 2013, com o registo escrito, fotográfico, e fílmico do acontecimento, tentando também cimentar a tradição em locais onde a mesma já se estava a perder. As novas gerações de “reiseiros” já começam a despontar, até porque o rejuvenescimento da tradição é um fator que a Unesco considera neste tipo de candidaturas. A autarquia conta com a parceria de uma cooperativa cultural neste projeto. Entre alguns dos elementos tidos como interessantes neste trabalho de pesquisa que está a ser efetuado, destaca-se por exemplo um dicionário com a simbologia usada no Pintar dos Reis, que permite por exemplo “saber se em determinada casa mora ou não uma rapariga casadoira”, destaca Rui Costa, vereador da Cultura. A tradição está “muito ligada à Serra de Monte-

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junto”, e isso também está a ser destacado na produção do material de registo em curso, e como se conseguiu fazer perdurar este ritualismo através das várias gerações. “A preservação da identidade e cultura da tradição oral desta celebração aliada à autenticidade do povo alenquerense” são segundo a autarquia ingredientes suficientes para levar a bom porto esta candidatura. O município vai agora compilar numa obra as dezenas de entrevistas que foram feitas aos elementos das comunidades que participam na tradição, bem como a produção de pequenos filmes documentários. Ao mesmo tempo aquele património deverá ser declarado de interesse municipal, em reunião da assembleia municipal. O desafio será depois lançado junto da Assembleia da República. Uma vez o “Pintar e Cantar dos Reis” registado na Direção Geral do Património e da Cultura, como se prevê, o município pode avançar para a candidatura mundial. Os objetivos da qualificação deste património são para além do interesse público, a possibilidade de lhe dar notoriedade, promover a inclusão e a coesão social dos atores que estão no terreno, recuperar a tradição nos locais onde a mesma já não se encontra tão ativa, e a produção em si dos registos documentais em curso. “Esta candidatura cumpre todos os requisitos para passar à fase de análise por parte da Unesco”, refere o vereador, que acrescenta – “Já fizemos esse estudo com a empresa, e temos boas possibilidades, ao contrário de outras que estão logo rejeitadas

à partida por não reunirem as condições”. Até agosto toda a informação estará compilada, que deve ser apresentada em setembro. “Sabemos que a qualificação pela Unesco se acontecer não será assim tão rápida, porque existe um movimento exagerado a nível mundial de candidaturas, e neste momento sabemos que há 14 meses de espera de tempo de análise naquela estrutura”: A Câmara refere que a notoriedade que aquele património almeja não terá de ser necessariamente acompanhado por um incremento do Turismo, de modo a que não ocorra um desvirtuar da tradição, “que deverá ser mantida e valorizada”.

A tradição que é única no país De norte a sul do país, na noite de 5 para 6 de janeiro, cantamse os Reis de porta em porta, mantendo viva uma tradição antiga. Mas em algumas terras do concelho de Alenquer, antes de se cantarem, pintam-se, nas paredes das casas, símbolos e desejos de felicidades para o ano que começa e é aqui que reside a verdadeira originalidade. Os reiseiros, assim se chamam os que cumprem este ritual, dividem-se em dois grupos: o primeiro, munido de lanternas, pincéis e tintas, marca o trajeto com pinturas, servindo-se de um código em que as cores vermelha

e azul desempenham um papel importante. Os desenhos compõem-se de corações e vasos floridos, estrelas, símbolos de profissões - como uma balança ou um martelo - a sigla «B.R.», que quer dizer «Bons Reis» e ainda a data. O segundo grupo, após o apontador cantar a solo, entoa melodias e deixa votos de felicidades para o ano novo. A tradição mantém-se viva, com ligeiras variantes, em lugares como Catém, Casal Monteiro, Ota, Abrigada, Olhalvo, Pocariça, Mata e Penafirme, Cabanas de Torres e Paúla, cobrindo cerca de um terço da área do concelho. Mas há memória de se terem pintado e cantado os Reis em Meca, Espiçandeira, Cana-

dos, Bogarréus, Fiandal, Bairro, Estribeiro, Valverde, Calçada, Pereiro, Aldeia Gavinha e Penedos. Muito se recolheu, estudou e registou sobre esta tradição, entre as décadas de 1960 e 1980, por estudiosos da etnografia local e não só - através de trabalhos divulgados em publicações, designadamente na coletânea “O Concelho de Alenquer – Subsídios para um roteiro de Arte e Etnografia”, de António de Oliveira, António Guapo e José Eduardo Martins, no “Cancioneiro Popular Português”, de Michel Giacometti e por via de uma exposição, no âmbito da Associação de Defesa do Património de Alenquer.

Tradição com séculos

Pintar e cantar os reis em terras de Alenquer odos os anos, na madrugada do dia seis de Janeiro, nalgumas aldeias de Alenquer, ocorre o estranho e complexo ritual de “pintar e cantar os Reis”. Esta velhíssima tradição, ainda hoje bem viva, ocorre em algumas aldeias e casais da área subserrana do concelho: Meca; Catém, Casal Monteiro, Penafirme, Olhalvo, Penedos, Abrigada, Ota. Nessa noite, nestas aldeias, tudo se inicia com os desenhos que grupos de rapazes vão fazendo, às portas das casas das suas aldeias, deixando com símbolos e letras, desejos de felicidade, para o ano que começa. Este grupo de “pintores reiseiros”, dois ou três elementos, vai marcar com os seus desenhos e pinturas, o trajeto do grupo mais nu-

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meroso, dos cantores que os seguem. Cantam eles, velhas e ingénuas histórias, da mítica viagem dos Reis Magos a caminho de Belém, para visitarem o Deus Menino. Completa-se assim, este velho e complexo ritual dos Reis, neste concelho. As melodias cantadas nesta mágica noite, apresentam de lugar para lugar, algumas diferenças. No entanto, todas elas obedecem à mesma estrutura: os cânticos iniciam-se sempre com um “solo” do “Apontador”, que invoca as Almas. Seguem-se as vozes do “Coro” que canta a narração mais ou menos completa da viagem dos Magos. Tudo acaba com “graças à Virgem e ao Menino” e, já no fim, surge o

pedido de “alguma coisa”, para os “pintores “ e “cantores”. A tarefa dos pintores na noite de Reis é bastante complexa. Com uma lanterna, pincéis e caldeiras com tinta vermelha e azul, o grupo vai visitar todas as casas da aldeia. Os desenhos e pinturas, são feitas naquelas duas cores. O vermelho traduz a ideia da vida e de alegria. O azul simboliza a tristeza. Numa casa onde haja luto, apenas o azul se utiliza. Junto de cada porta, o pintor deixa para os moradores, na sua complexa simbologia, uma mensagem com votos de felicidade para o ano que começa. Pinta corações floridos ou vasos de flores, para representar o lar visitado. A estes pictogramas, acrescenta os símbolos dos filhos do ca-

sal que ali mora. Um losango, a “pinta” dos ouros nas cartas de jogar, representa o filho varão. Um pequeno coração simboliza a filha do casal. Estes desenhos, colocados dentro dos vasos ou dos corações floridos, representam a composição das famílias. Se a filha está na idade casadoira, o pequeno coração que a representa, é desenhado no exterior do símbolo do lar: vaso ou coração floridos. Se na casa visitada mora um casal de recém-casados, o pintor desenha dois corações floridos com os ramos entrelaçados. A este núcleo central da “pintura”, acrescenta o pintor, algumas siglas e palavras: BONS REIS, BR, BRM, BR VR, a que se junta a in-

dicação do ano da celebração. Estes “desenhos falantes” completam-se com círculos cruzados, estrelas de cinco ou seis pontas, e por vezes com símbolos alusivos às profissões dos moradores. Nalguns lugares, os pintores servem-se de moldes para os desenhos. Na Ota, as pinturas dos Reis são diferentes. De acordo com a tradição, no domingo seguinte ao dia de Reis, ”os reiseiros” fazem um peditório. Dos donativos recolhidos uma parte destina-se à celebração de uma missa por alma dos defuntos e outra, para uma “patuscada”, como eles dizem. Michel Giacometti, o conhecido etnomusicólogo, no seu valioso “Cancioneiro Popular Português” a

Rodrigues Guapo propósito desta tradição alenquerense, escreveu: “Pela noite fora grupos de homens cantam às portas, com um cerimonial de origem remota”. Sobre a antiguidade desta festividade cíclica de Alenquer, poderemos noutra ocasião, formular a nossa opinião.


Destaque

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Ecologia está na moda na região

Do setor das águas aos resíduos, passando pelas medidas das autarquias na defesa do seu ambiente e dos recursos naturais, fazemos a radiografia de vários setores e das suas preocupações ecológicas. ¢ Sílvia Agostinho principal desafio do país quanto ao cumprimento dos parâmetros ambientais no que respeita à qualidade da água passa essencialmente por fazer cumprir a Diretiva Quadro da Água, que resulta num manancial de leis

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emitidas pela União Europeia. Na nossa região, como aliás no resto do país, a qualidade da água que bebemos apresenta níveis de qualidade muito exigentes, e é bastante segura. No concelho de Azambuja, e de Vila Franca de Xira a água que sai das torneiras rece-

beu o selo de qualidade da ERSAR. Os avanços que se conseguiram são assinaláveis quando pensamos no que era a falta de tratamento da água há mais anos atrás, ou quando o saneamento básico era coisa para os grandes centros urbanos.

Tomando como exemplo, em primeiro lugar, a empresa intermunicipal Águas do Ribatejo (AR) que entre outros concelhos serve os de Benavente e Salvaterra de Magos, os objetivos depois de alcançados os níveis de segurança desejáveis, passam, neste momento,

Valor Local de acordo com o presidente da empresa, Francisco Oliveira, por aumentar a capacidade de reserva para dois dias, reduzir os tempos de interrupção no abastecimento e reduzir as perdas de água para níveis de 20% até 2020. “Nesse sentido foi feito um investimento de mais de 40 milhões de euros nos sete concelhos onde garantimos a água para 150 mil consumidores”, reforça. Foram também construídas estações de tratamento para eliminar os ditos metais pesados em excesso como o manganês, arsénio, ferro, permitindo a estabilização do PH da água e proceder a uma desinfeção com recurso ao cloro de modo a eliminar riscos de contaminação. A sensibilização ambiental também faz parte da política da empresa que neste aspeto, tem promovido uma “aposta clara na formação e sensibilização dos nossos colaboradores para aumentar os níveis de eficiência, ao mesmo tempo que com a colaboração da Quercus tem promovido campanhas de sensibilização para o uso eficiente da água e redução das perdas que em 2009 eram superiores a 50 por cento.” Francisco Oliveira que já leva um percurso de vários mandatos como autarca em Coruche, um concelho ribatejano, longe dos principais centros urbanos, ainda se lembra bem de como era a vida dos seus munícipes, particularmente os que não residiam na

sede de concelho, quando falar em esgotos era algo mais ou menos distante. As fossas séticas iam cumprindo esse papel. Antes da entrada da Águas do Ribatejo neste território, “não tínhamos uma única ETAR, todo o esgoto ia para o rio sem tratamento. Hoje temos 10 etar’s em funcionamento e construímos 60 quilómetros de nova rede de saneamento básico, equipando todas as freguesias e lugares com sistemas modernos e eficazes de tratamento de águas residuais”. Foi um investimento de 25 milhões de euros que só foi possível “porque estamos na AR”. Nos restantes concelhos, a empresa investiu 70 milhões de euros no tratamento de esgotos permitindo aliviar os espelhos de água das bacias do Tejo e Almonda de uma enorme carga poluente. A própria Quercus reconhece que neste aspeto o país conheceu um salto assinalável. Ao Valor Local, o ambientalista Luís Alegre reconhece que o facto de nem todos os cidadãos terem vontade de fazerem as ligações às redes de esgotos é um problema. A maioria evita devido ao facto de este serviço ter um custo. “A fiscalização em si já é deficiente, mas no que respeita à intervenção das autarquias para reverter e corrigir as situações detetadas/reportadas a situação é tão ou mais preocupante, pois aqui mistura-se a negligência com a reduzida ou nula eficácia dos meios e procedimentos legais ao


Valor Local

Destaque

Francisco Oliveira dá conta dos avanços da empresa dispor”. Esta é também uma realidade sentida pelas empresas que operam neste campo, como a Águas de Azambuja, que não esconde ser difícil convencer os consumidores a ligarem-se aos sistemas públicos de drenagem de águas residuais. A empresa chegou a ter 900 casos deste tipo em finais de 2014, mas agora adianta que em articulação com o município tem conseguido proceder ao “levantamento das situações e invertê-las de forma gradual mas consistente”. Este é também um problema sentido no concelho de Vila Franca de Xira, mas apenas nas suas freguesias mais rurais, onde a população é menos sensível à mudança. O vereador da Câmara Municipal e presidente dos Serviços Municipa-

lizados de Águas e Saneamento (SMAS), António Oliveira, explica que “com calma” tem sido possível sensibilizar os munícipes. Existindo ainda o compromisso do atual executivo de acabar com a realidade do que resta das fossas séticas ainda neste mandato. Os níveis de saneamento neste município chegam aos 99,8 por cento. A Águas do Ribatejo para terminar com esta resistência da população decidiu eliminar esse custo, e por isso “isenta os munícipes do pagamento da ligação, assumindo esse custo para que não seja mais um encargo para as famílias”. Colocar a tecnologia e o knowhow apreendido nos últimos anos ao serviço das populações e da defesa do ambiente são objetivos que estão no horizonte destas empresas. A Águas de Azambuja re-

fere que “a melhoria de eficiência dos sistemas de abastecimento de água, através do controlo da água não faturada (perdas de água) e do uso eficiente de energia, são objetivos estratégicos da empresa, contribuindo assim para melhoria do desempenho ambiental e uso eficiente dos recursos naturais”. “Temos equipas jovens e motivadas para estar sempre na linha da frente. Estamos envolvidos em vários processos de investigação nesta área envolvendo os melhores parceiros. A AR integra a Parceria Portuguesa para a Água e está a desenvolver com entidades nacionais e internacionais investigações na área da captação de água, planos de segurança no saneamento, telegestão e redução de perdas”, preconiza por seu turno o presidente da Águas do Riba-

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António Oliveira orgulha-se da eficiência dos SMAS tejo. A telemetria é também uma ferramenta que está a ser levada a efeito no concelho de Vila Franca de Xira, coberto já em 50 por cento, onde através de antenas instaladas nos reservatórios é possível fazer uma radiografia dos consumos e das perdas de água. Este concelho tem neste momento um nível de perdas a rondar os 18 por cento, o que António Oliveira considera quase como “um feito”, e desafia outros sistemas a apresentarem um resultado tão eficaz. Os SMAS de Vila Franca de Xira preparam-se para investir só em 2016, três milhões de euros em obra. Sendo que à data está a decorrer uma importante empreitada na Póvoa de Santa Iria que vai permitir aumentar a capacidade de armazenamento para dois dias

nos reservatórios que servem as freguesias da Póvoa, Vialonga, Alverca, e Forte da Casa. A Quercus preconiza que apesar dos avanços, há ainda no país empresas e autarquias que não cumprem a lei no que se refere ao tratamento dos efluentes urbanos. O Tejo e a sua poluição sobretudo a norte de Santarém é uma preocupação, e como tal faz sentido apostar-se na monitorização das massas de água de modo a aferir a sua qualidade ecológica, ao mesmo tempo que devem ser inventariadas e classificadas todas as fontes poluidoras, cumpridos os caudais ecológicos, e reforçada a fiscalização. O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, ao Valor Local evidencia que neste momento o grupo de trabalho forma-

do para estudar um plano de ações para futura intervenção no Tejo e nas suas fontes poluidoras acabou de ser constituído, e a seu tempo tomará as medidas que forem necessárias. O governante rejeita a ideia de que quando se fala em questões do Tejo, o nosso país seja subserviente aos interesses de Espanha. O Governo prepara-se ainda no que toca à gestão da água para aprovar o plano nacional para aquele recurso em março, bem como os planos de gestão das bacias hidrográficas e das zonas inundadas. Carlos Martins não esconde que o país tem uma má relação com os seus instrumentos – “Há sempre muitas teias de areia em pastas e pastinhas”. “O objetivo é que todas as entidades sejam mobilizadas para fazer melhor”.


Destaque

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Qualificação do Canhão Cársico da Ota

Câmara de Alenquer assume que diálogo vai ser longo com comissão de baldios ntre os principais problemas ambientais do concelho de Alenquer, encontram-se as pedreiras que laboram na zona da Ota. Este setor não vive atualmente o auge que já conseguiu, sendo que algumas pedreiras ficaram entretanto desativadas. Ao longo dos vários anos, a Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do concelho de Alenquer (ALAMBI) alertou por diversas ocasiões para o perigo desta atividade. Atualmente, o Canhão Cársico da Ota poderá avançar para área protegida, o que também pode chocar com a laboração das pedreiras, que ocupam cerca de 500 hectares. A vereadora com o pelouro do Ambiente na Câmara de Alenquer, Dora Pereira, acredita que a coexistência de ambas as realidades pode ser possível, pelo que a autarquia está a trabalhar no projeto da paisagem protegida de âmbito local. A Câmara está apostada numa tarefa que para muitos será muito difícil ao querer “conseguir reunir consensos” neste aspeto “com a comissão de baldios de Ota”. “Sabemos que esta comissão está habituada a explorar a área e a ter alguma rentabilidade, se a Câmara quiser avançar com uma área protegida, pode tornar-se facilmente numa persona non grata. Pelo que tudo isto tem de ser muito bem explicado e trabalhado”. “Estamos a falar de um território sem lei”, não tem dúvidas em constatar de uma forma perentória, por seu turno, Francisco Hen-

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riques da Alambi, que evidencia a existência de planos ambientais de recuperação paisagística para os territórios das pedreiras, em causa mas que ficaram na gaveta, e quando tinham sido captadas verbas para as intervenções previstas. Por isso, “as pedreiras vão continuando a trabalhar à margem sem muita preocupação em repor a terra vegetal ou recuperar a paisagem.” “A Câmara não tem sido muito lesta a acompanhar esta situação”, até porque “partilha responsabilidades com a Direção Geral da Economia”, e existem “documentos com força de lei”. Posto isto não tem dúvidas em concluir – “os estudos de impacte ambiental são apenas uma forma de dar a ganhar dinheiro aos gabinetes”. Quanto à questão de as pedreiras e a sua laboração poderem chocar com a classificação em curso do canhão cársico, refere que labora no local uma pedreira de 100 hectares, que produz mais terra do que brita, pouco rentável, e que atira a terra “pelos outeiros do canhão abaixo”. Ainda nesta temática, a Alambi salienta que “na Carapinha, há outra situação curiosa, em que foi retirada a terra vegetal com a execução de um depósito enorme”. Esse depósito deveria voltar à pedreira para servir para coberto vegetal. A ideia nos estudos de impacte ambiental não é fazer daquilo um depósito definitivo”. Dora Pereira tem a perceção acerca destes factos, e salienta que é dever dos empresários que

explorem as pedreiras o pagamento à priori de uma caução na CCDR para aquele tipo de casos, ou nos que impliquem o abandono da atividade, como também aconteceu no concelho. “Quem explorava faliu, o terreno permanece à espera de ser recuperado. A Câmara gostaria de intervir na sua reconversão, talvez até com recurso ao Portugal 2020, e com a colaboração desses proprietários”. Para já não há pedidos para novas pedreiras no concelho. Ainda noutro ponto sensível do concelho, a poluição na Ribeira do Sarra, no Carregado, Francisco Henriques exprime a sua “perplexidade” face ao estado de coisas – “Nesta altura, as indústrias do concelho já deveriam ter ultrapassado os problemas com os seus efluentes através de unidades credenciadas como as ETAR”. “Sabemos que nesta fase ainda há empresas que se estão a dotar de Estações de Tratamento de Águas Residuais Industriais”. Até porque nesta altura “as ribeiras do Oeste já deveriam, de acordo, com o preconizado pelos vários instrumentos estarem classificadas como de boa qualidade, e a maioria apresenta apenas uma classificação razoável”. Desde há anos, que no município se luta contra esta questão. Depois de muitas entidades terem empurrado o problema, parece que se começa a ver uma luz ao fundo do túnel, até porque estamos a falar de maus cheiros que afetam diariamente a qualidade de vida da população de um bair-

População da Ota convive há vários anos com as pedreiras ro inteiro, para além do próprio desastre ecológico em si, que deteriora a qualidade da água. No início do mês o presidente da Câmara, Pedro Folgado, levou a questão ao secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, que deu a garantia do seu empenho pessoal nesta questão. São apontadas como possíveis fontes poluidoras as empresas Nally, Europastry do complexo Ota Park, antiga Knorr, mas poderão existir outros fatores ou agentes na origem da poluição. Da reunião que manteve com o governante ficou o compromisso para apuramento de responsabilidades, mas o foco incidiu fundamentalmente na determinação dos procedimentos legais indispensáveis para a aplicação concreta e objetiva das medidas necessárias para o término das descargas poluentes. Para o efeito, a Agência Portuguesa do Ambiente e a Inspeção-Geral da Agricultu-

ra, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) emitirão as respetivas notificações e a Câmara proporá o melhor trajeto e solução técnica. Seguidamente, os proprietários do empreendimento onde foram encontrados os focos de poluição serão intimados para implementar, a breve trecho, as soluções enunciadas. Ao Valor Local, a vereadora do Ambiente, Dora Pereia, referiu que 50 empresas vão ser alvo deste aturado exercício, embora nem todas possam ser consideradas à partida suspeitas, pois também estão incluídas fábricas que apenas possuem desconformidades a nível não ambiental .Também a empresa onde se procede à lavagem de pesados, que numa reportagem do Valor Local junto da população, foi apontada como um dos principais focos - para além das empresas do Ota Park e de uma empresa ligada ao fa-

brico de móveis na zona do Intermarché do Carregado - vai ser alvo desta inspeção. Nesta fase, explica a vereadora, está ser finalizado um relatório para se avançar com as notificações, “tendo em vista as alterações de uso” da atividade das empresas. Sendo que “muitas vão ter de se apetrechar tecnicamente”, conforme será ditado pela Agência Portuguesa do Ambiente, que não tem primado por apresentar resultados com a rapidez que se esperava. “Foram realizadas análises há um ano atrás também em colaboração com a IGAMAOT mas até hoje não sabemos dos resultados”. A responsável adianta mesmo que os técnicos da autarquia têm sido incansáveis na recolha de todas as amostras possíveis mas que é difícil obter respostas por parte das entidades que fiscalizam e que têm o poder sobre as questões ambientais.

Mudança de mentalidade chega também a algumas empresas ada vez mais o respeito pelas questões ambientais faz parte da gestão das empresas. Nos últimos anos, tiveram de se adaptar à legislação em vigor, mas principalmente a uma espécie de novo léxico ambiental, de que são exemplo as expressões: biodegradável, economia verde, efeito de estufa, sustentabilidade. O setor da produção avícola foi ao longo de décadas visto como um dos especialmente problemáticos, e ainda hoje há instalações que não possuem condições. Muitos aviários tiveram de ser encerrados por não cumprirem a legislação. Há mais de 20 anos, pululavam pelo território este tipo de empresas, com muita mão-de-obra feminina, onde os animais eram tratados sem higiene e segurança. Quando se começou a falar no respeito ambiental que tinha de existir nos aviários e nos outros tipos de explorações animais, isso foi tido

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como algo ridículo por parte de quem andava neste setor, mas hoje o paradigma mudou. Fernando Correia, empresário do grupo Interaves, com sede no concelho de Alenquer, que produz cerca de 1 milhão e meio de frangos por semana, realça que muitas foram as transformações neste âmbito que o setor atravessou desde a criação da sua marca há 30 anos atrás. Só quem teve visão para a importância do respeito pelo meio ambiente conseguiu sobreviver neste setor, cuja competitividade também se consegue ver através da pegada ecológica deixada pela atividade das empresas. Para o empresário, o bem-estar animal está na base de tudo, e o ambiente em que os animais são criados também contribui para tal. Hoje em dia uma exploração com mais de 40 mil aves está sujeita “a condições muito específicas”, que envolvem “várias licenças ambien-

tais”. A empresa pauta-se por cumprir os critérios relacionados com “o correto tratamento dos efluentes”, e vai mais além no que respeita “à adoção das ditas energias renováveis na sua laboração”. O empresário orgulha-se de cumprir na íntegra as diretivas comunitárias, “muito exigentes desde os procedimentos, até ao controle das emissões atmosféricas, e efluentes”. “Temos uma ETAR que custou uma fortuna”; realça. A Interaves foi a primeira empresa a ser certificada em Portugal no domínio da avicultura, recebendo a visita de várias auditorias externas que passam pelo ministério do Ambiente, mas também dos próprios clientes, sobretudo de países para onde o produto é exportado. Ao mesmo tempo, o empresário refere que as suas explorações têm sido alvo de elogios por parte da intransigente associação ANIMAL de Londres, uma das mais

combativas quando em causa está o bem-estar dos animais que mais tarde servirão para a nossa alimentação. “O próprio consumidor está cada vez mais exigente, quer saber da segurança daquilo que consome, e quem não cumpre as regras não tem decididamente lugar neste mercado”. “Quem não progrediu nesta matéria ficou para trás”. A legislação “é muito apertada, sou consumidor e acho isso bem. Há um conjunto de valores que contribuem para o bem-estar animal, e o nosso departamento técnico de engenheiros também procura alcançar sempre as melhores soluções”. Energias renováveis chegaram ao mercado A eficiência energética foi outro dos conceitos que a Revolução Ecológica trouxe para os nossos dias, e uma das empresas da nossa re-

gião que também surgiu associada à consciencialização ambiental e à necessidade de poupança dos recursos naturais é a Sem Ir que fornece equipamentos destinados a baixar os consumos de energia. José Eduardo, diretor da empresa, não tem dúvidas de que os clientes estão cada vez mais exigentes quanto às suas preocupações ambientais, quer o residencial quer o industrial. “Hoje com estas tecnologias ligadas a área da produção de energia renovável, que de certa forma concorrem com as energias de origem fóssil, o ambiente associado ao custo é um tema interessante”, refere e sentencia: “Sinto que estamos a fazer de forma rápida uma aculturação transversal e geracional, como países com grande desenvolvimento nestas matérias já iniciaram há quase duas décadas e Portugal começa a posicionar- se na linha da frente.” A Sem Ir explica que para conse-

guir equilibrar as preocupações ambientais com as de eficiência energética procura desenvolver soluções integradas com amplitude nos dois polos. Em muitas casas, a empresa tem conseguido, neste contexto, e só a título de exemplo, “retirar o uso de diesel e gás propano, a favor da instalação de bombas de calor hidro, articuladas com sistema solar e um sistema biomassa a (pellets)” “Os materiais e equipamentos selecionados e oferecidos aos nossos clientes, cumprem bem as normas europeias em defesa do meio ambiente. As nossas políticas de desenvolvimento das soluções têm por base o acordo de Quioto em muitos casos e agora ratificado por Paris 2015.” “A empresa trabalha para estar na linha da frente, não olhando a esforços, quer na pesquisa ou na participação nos maiores certames internacionais.”, conclui.


Valor Local

Destaque

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Vila Franca de Xira tenta suavizar impacto das indústrias com aposta no Ambiente poluição provocada pela Cimpor é talvez um dos temas mais preocupantes em termos de questões ambientais no concelho de Vila Franca de Xira. Sendo um problema antigo e recorrente o aumento das partículas no ar, o denominado clínquer. A Comissão de Acompanhamento de Produção de Alhandra da Cimpor esteve reunida recentemente com a empresa que acabou por não responder cabalmente perante o problema. Como tal Fernando Paulo Ferreira, vereador do Ambiente, realça ao Valor Local que a autarquia enviou a questão para a Agência Portuguesa do Ambiente, à qual compete fiscalizar estes casos. O vereador refere ainda que o presidente da Câmara já efetuou diligências também junto do secretário de Estado do Ambiente para que verifique a situação urgentemente. Este por ser um concelho urbano e escolhido por muitas empresas e indústrias para a sua laboração nas últimas décadas tem segundo a Câmara redobrado a atenção do município

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para a sensibilização ambiental nas suas várias vertentes, e de certa forma suavizar o impacto negativo que as fábricas provocam do ponto de vista ambiental. Prova disso, segundo a autarquia, foi a aposta na fruição do rio pelos munícipes através dos vários parques ribeirinhos. “Estar a população privada de fruir do rio, enquanto espaço de lazer, é hoje algo impensável”, refere Fernando Paulo Ferreira. “Todo o investimento realizado na criação dos muitos parques urbanos e jardins públicos, espaços que, há poucos anos, não se imaginavam possíveis, tem alterado radicalmente a relação das pessoas com o espaço público. Os parques e caminhos ribeirinhos, com cerca de 10 quilómetros de extensão, são disso exemplo.” O autarca realça ainda o projeto das hortas urbanas como exemplo de experiências sustentáveis em que o cidadão é parte integrante da mudança. “Temos já mais de 200 hortas urbanas no concelho, devidamente enquadradas em espaços verdes públicos.”

Destaca ainda o passo que foi dado com a aquisição de terrenos na Mata do Paraíso em Vialonga “para os proteger do apetite da construção”. Quanto aos projetos para o futuro no que respeita a este município destaca-se a criação do Parque Urbano Ribeirinho Moinhos da Póvoa, na Póvoa de Santa Iria (que prepara uma ligação pedonal e ciclável desde

o Parque das Nações); a expansão do Parque Urbano de Santa Sofia, em Vila Franca de Xira; a transformação da Nacional 10 numa grande avenida urbana, na Póvoa de Santa Iria e em Alverca do Ribatejo, com arborização e espaços seguros e confortáveis para a circulação pedonal e ciclável. No âmbito do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável que

Câmara de Vila Franca pondera meter ação em tribunal por causa da legionella surto de legionella que assolou o concelho de Vila Franca de Xira em novembro de 2015, em que se chegou a alegar, numa fase inicial, a falta de eficiência da Câmara no que toca à limpeza das condutas de água, é um assunto que segundo Fernando Paulo Ferreira não está esquecido. Recentemente houve uma visita de autarcas da Assembleia Municipal à empresa que está sob os holofotes nesta matéria, a Adubos de Portugal (ADP), onde foi detetada a presença da bactéria legionella numa das suas torres de arrefecimento, mas houve poucas respostas da ADP O vereador enfatiza: “O município não baixou, nem vai baixar os braços nesta matéria. Sempre tivemos uma postura ativa, nomeadamente facultando todos os meios de informação e apoio aos cidadãos que legitimamente buscam por justiça”. Sendo que “o município deposita a sua confiança nos tribunais para o apuramento de toda a verdade. Mais de um ano depois, aguarda-se que o Ministério Público apresente as suas conclusões do caso, após o que o Município não descarta a possibilidade de interpor também uma ação, mediante a acusação que vier a ser deduzida, a fim de ser ressarcido pelos danos de que o Concelho foi alvo.” Trata-se de uma “averiguação complexa”, no entanto, “é necessário, por respeito às vítimas, que a Justiça conclua rapidamente este processo.” “Este grave acontecimento de saúde pública deve exigir das respetivas entidades um reforço da prevenção e avaliação regular de potenciais agentes de poluição, de modo a evitar um novo caso como este”, conclui. Para já e num protocolo com a delegação de Vila Franca de Xira da Ordem dos Advogados para aconselhamento jurídico às vítimas, foram disponibilizados para o efeito 30 advogados que atenderam perto de 200 pessoas, grande parte das quais apresentaram queixas-crime no Ministério Público.

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Cimpor continua a dar problemas

“estamos a elaborar, temos o objetivo de lançar a Rede de Ciclovias do Concelho e a instalação de bicicletas partilháveis.” Já na componente da energia, o município quer “lançar projetos e investimentos para o reforço e a melhoria da eficiência energética nos edifícios/equipamentos municipais.” Estas ações decorrem em paralelo com “um grande reforço de

investimento que vimos a realizar na área dos resíduos sólidos urbanos, com o alargamento da rede de ilhas ecológicas, contentores e viaturas, o que tem vindo a melhorar a realidade, eficiência e eficácia da recolha urbana (e seletiva) de resíduos, um desafio muito importante que se coloca à sociedade atual, e a todos os Municípios em particular.”, conclui


Destaque

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Valor Local

CLC garante segurança total proliferação de várias indústrias e principalmente a presença há mais de uma década da Companhia Logística de Combustíveis na freguesia de Aveiras de Cima levou a Câmara de Azambuja a eleger que se implante no concelho um laboratório da qualidade do ar, num projeto que está a ser articulado com a Universidade de Aveiro. O Valor Local solicitou uma entrevista junto do administrador da empresa, José Sepodes, para esclarecer as várias questões relacionadas com a presença da CLC no concelho. Contudo, José Sepodes apenas acedeu a responder por escrito às nossas questões, apesar da nossa insistência para uma reportagem no local. Valor Local - Muito se tem especulado nos últimos anos acerca dos cheiros a gás provenientes da CLC, facto que tem deixado a população de Aveiras de Cima apreensiva. Gostaria que nos elucidasse sobre se há razões para preocupação e porquê? José Sepodes - Por questões de segurança, é legalmente obrigatória a injeção no GPL( Gases de Petróleo Liquefeitos), o vulgar gás de garrafa distribuído ao publico, de uma substancia que confira “cheiro ao gás”, para que qualquer fuga seja facilmente detetada. Essa substancia, vulgarmente conhecida como Odorizante, não existente no produto refinado e é adicionada ao GPL nas instalações da CLC. Quando se efetua a mudança do reservatório de odorizante há inevitavelmente libertações de muito pequenas quantidades para a atmosfera que, pelas características do produto, é olfativamente percetível na zona onde esta operação é efetuada e obviamente que, dependendo da direção do vento nesse momento, pode ser percetível noutros locais circundantes. Mas as concentrações são extremamente baixas, nada tendo a população a temer.

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De facto, o limiar olfativo da substancia é de 0,4 ppb ou seja, a existência de 0,4 mg do produto num metro cúbico de ar é detetável. Este valor está muito abaixo do valor limite de exposição que é cerca de 50 vezes superior! Toda esta informação consta da ficha de segurança do produto que qualquer cidadão interessado pode solicitar à CLC. A CLC emprega quantas pessoas, e quantas destas são do concelho de Azambuja ou de outros concelhos limítrofes? Na CLC trabalham diariamente cerca de 140 pessoas das quais 57 da CLC e as restantes de empresas prestadoras de serviços nas áreas de manutenção, enchimento de garrafas de gás, segurança, limpeza, etc. Na CLC cerca de 45% das pessoas vivem nos concelhos da Azambuja, Cartaxo e Vila Franca de Xira e nas empresas prestadoras de serviços, a grande maioria das pessoas vive nos concelhos de Azambuja e Cartaxo. Quais os investimentos que a CLC pretende vir a efetuar no médio/longo prazo em Aveiras de Cima, e se isso pode significar mais postos de trabalho? O plano de investimentos anuais da CLC para os próximos anos

José Sepodes

Os depósitos da CLC está vocacionado para a substituição e melhoria de sistemas e equipamentos chave já existentes e para o cumprimento de conformidades legais, com o objetivo de manter em condições de segurança, operacionalidade e eficiência a atual capacidade instalada. Estes investimentos não significarão mais postos de trabalho. Muito se tem falado na questão do transporte de pesados e dos seus impactes e na necessidade de uma faixa de desaceleração de acesso à empresa por parte dos camiões. Até que ponto esta situação é também preocupante para a CLC e o que pretende vir a fazer para dirimir esta questão? No ano passado, a CLC iniciou contatos com responsáveis pelas Estradas de Portugal (EP) para que pudesse ser avaliada no local a resolução de uma série de questões que nos preocupam e que envolvem diretamente este organismo. Nesse sentido, têm sido mantidos contactos com as Infraestruturas de Portugal (organismo que integra a EP desde Julho de 2015) no sentido de serem implementadas melhorias de segurança rodoviária, que entre outras, incluam o processo de faixas de aceleração/desaceleração nas ligações rodoviárias entre a EN 366 e a

CLC. A responsabilidade de garantir as melhores condições de segurança rodoviária na zona, compete à entidade atrás referenciada. Sabemos que ao longo dos anos, a empresa tem tentado envolver-se no apoio à comunidade, gostaria que nos falasse um pouco dos projetos que a CLC patrocina? A CLC está efetivamente envolvida há muitos anos em projetos de apoio à comunidade envolvente, dos quais destacamos: Protocolo com o Agrupamento de Escolas de Vale Aveiras (AEVA) de Atribuição de bolsas de estudo CLC, abrangendo os alunos que transitaram do 3º Ciclo do AEVA para o ensino secundário e mais tarde, deste para o ensino universitário; Protocolos com os Bombeiros de Azambuja e Alcoentre apoiando estas instituições a manter um melhor apoio na resposta a situações de emergência; Protocolo com a Casa de Pombal “A Mãe” para apoio a crianças desfavorecidas acolhidas por aquela instituição; Protocolo com a Câmara de Azambuja de atribuição de bolsas de mérito, abrangendo os alunos que transitaram do ensino secundário para o ensino universitário; Apoio pontual a instituições de solidariedade social, designadamente no apoio a crianças e idosos,

destacando-se em 2016 a entrega de uma nova ambulância ao núcleo de Aveiras de Cima da Cruz Vermelha Portuguesa. Qual o envolvimento que a CLC pretende vir a assumir, financeiramente/tecnicamente no novo projeto da autarquia para um laboratório da qualidade do ar? A CLC só se irá pronunciar sobre este assunto depois de conhecer no detalhe este projeto. Não seria expectável que a vossa empresa já possuísse um equipamento deste género? Com que frequência são feitas análises à qualidade do ar por parte da CLC? A CLC cumpre integralmente todos os requisitos legais que abrangem a sua atividade. Se existissem nas nossas instalações processos produtivos que implicassem a monitorização da qualidade do ar, obviamente que seria feito. Mas não é o caso. Anualmente são efetuadas medições aos efluentes gasosos das chaminés do enchimento de garrafas de gás. Os valores obtidos estão dentro dos limites legais em vigor. São ainda feitas medições em contínuo dos Compostos Orgânicos Voláteis (COV) provenientes das ilhas de enchimento e que são recuperados numa das duas unidades de recuperação de vapor com leitura

das emissões gasosas que estão sempre dentro dos limites legais. A CLC é periodicamente inspecionada por entidades estatais que controlam estes parâmetros e nunca houve qualquer problema. A que normas de segurança, a CLC obedece na sua atividade diária? A CLC, para além de ser uma instalação critica nacional é também uma instalação SEVESO de nível superior de perigosidade, e como tal abrangida pelo decreto lei 150/ 2015 de 5 de agosto. Decorrente da aplicação desse diploma, está disponível no site da internet (www.clc.pt) e para consulta ao público um resumo das medidas de prevenção de acidentes graves que estão instaladas e implementadas na empresa. Pode também ser consultado o Plano de Emergência Externo no site da Autoridade Nacional de Proteção Civil. Os planos de emergência interno e o relatório de segurança são dois documentos fundamentais que definem de forma clara e detalhada todas as medidas de prevenção e mitigação de acidentes implementadas na CLC. Brigadas de Emergência internas, exercícios e simulacros, processos de gestão de todas as modificações, autorizações de trabalho, instrumentação de controlo do mais alto nível, sistemas de gestão de alarmes modernos, são apenas alguns exemplos dos muitos que poderiam ser dados. Não devem subsistir dúvidas da importância que a CLC dá à segurança dos seus colaboradores, das suas instalações e da comunidade envolvente. O aumento dos combustíveis por parte do atual Governo pode levar em última instância um abrandamento da atividade da CLC, devido à provável contração nos consumos? Uma eventual contração nos consumos motivará um abrandamento que tem sempre algum impacto na atividade da CLC.

Valorsul arruma na gaveta ampliação do aterro do Mata da Cruz

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sofrer um processo interno de reorganização devido à fusão no setor dos resíduos, a Valorsul que opera na área da gestão e tratamento dos resíduos urbanos de municípios da região como Azambuja, Alenquer, e Vila Franca de Xira refere que atualmente a sua política passa por cumprir as várias exigências que atualmente o setor enfrenta, nomeadamente as diretivas emanadas pela União Europeia, Neste aspeto, refere que o setor tem de ser cada vez mais exigente, e por isso no caso da Valorsul é necessário dar cumprimento à meta nacional de redução da produção de resíduos em 10 por cento (tendo como ano de referência 2012), alcançar 49 quilos/capita por ano,

42 por cento de mínimo de preparação para reutilização e reciclagem e reduzir a deposição de resíduos urbanos em aterro para 10 por cento. Sendo assim, a Valorsul reforça ao nosso jornal que os municípios servidos pela empresa têm já um “desempenho ambiental assinalável, mas ainda temos um longo caminho pela frente” . A utilização do aterro vai ser minimizada em todo o país, inclusive pela Valorsul. Também a diminuição da deposição em aterro, deverá descer para os 10 por cento até 2020. No caso concreto de Mato da Cruz, no concelho de Vila Franca de Xira, segundo a empresa, “é cada vez menor a quantidade de resíduos depositados neste local, não estando

prevista qualquer ampliação nos próximos anos”. Alternativas para o futuro ainda estão em fase de estudo. Quanto ao Aterro do Oeste, “continua em pleno funcionamento.” A empresa refere ainda que as várias campanhas de educação e sensibilização ambiental, destinadas a vários públicos, como sejam as escolas, eventos, empresas ou instituições são para continuar, nomeadamente, o Programa Ecovalor, que vai já na sua 15.ª edição, dedicado em exclusivo à comunidade escolar e que é feito em parceria com os 19 municípios da área de intervenção da Valorsul. O secretário de estado do Ambiente, Carlos Martins, tem uma opinião muito própria em matéria de

resíduos, e ao Valor Local refere que a solução aterro sanitário não deveria ser tida como tão descabida como acontece, “até porque um

aterro bem operado não oferece problemas, e tomara muitos países no mundo terem aterros com desempenhos ambientais como os

Reduzir a deposição em aterro é objetivo

nossos”. E por isso não tem dúvidas em ir mais longe: “Não temos capacidade para encaminharmos apenas 10 por cento do que é produzido a nível nacional. Esquecemo-nos do nosso contexto, dada a nossa estrutura de povoamento, não tão acentuadamente urbana como no resto da Europa, e isso tem custos enormes a nível de recolha e de operação destes sistemas”, refere e prossegue – “Soluções que podem ser muito boas no centro da Europa, não quer dizer que também sejam as melhores para nós”. Contudo assinala, que este é uma área onde já se conseguiram sucessos assinaláveis, nomeadamente, “algo fantástico como acabar com as lixeiras em cinco anos”.


Valor Local

Negócios com Valor

Pequenos arranjos em casa de idosos com fracos recursos uis Costa é conhecido em Azambuja pelo trabalho de reparações domésticas que tem desenvolvido, em regime de voluntariado junto dos mais velhos. Desde há algum tempo que se tem dedicado a ajudar idosos de fracos recursos, de forma gratuita. Uma tarefa que diz realizar com gosto, sobretudo porque tem conhecimento de casos “gritantes” na freguesia. O projeto surgiu primeiro em 2013 e depois sofreu um interregno. Agora Luis Costa quer voltar à iniciativa e tentar ajudar na medida das suas possibilidades aqueles que têm mais dificuldades. Ao Valor Local, salienta que esta iniciativa dedica-se apenas aos que não têm recursos para pagar a um técnico para instalar um autoclismo, reparar uma tomada elétrica, proceder à substituição de uma fechadura, ou quaisquer outros trabalhos a nível de manutenção. Todavia, Luís Costa diz que, neste caso, oferece o seu conhecimento e mão-de-obra, já que os materiais

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têm de ser suportados pelos idosos, pois confessa não ter possibilidade financeira de os oferecer. Luís Costa diz que esta é uma missão que encara com responsabilidade, salientando que quer contribuir para a comunidade, mas sobretudo ajudar aqueles que mais precisam. No futuro, gostaria de ver crescer este projeto, arrecadando patrocínios para aquisição de material e assim as reparações poderiam ficar a custo zero para os que mais precisam. Contudo e apesar da boa vontade, nem todas as portas se abrem com a rapidez que uma ideias destas precisa. Luís Costa vinca que já pediu uma reunião à Junta de Freguesia de Azambuja e que aguarda um contato positivo por parte da presidente da autarquia Inês Louro. De acordo com Luís Costa, é necessário, no caso da junta de Azambuja, que sejam identificados os idosos com fracos recursos. À medida que vão precisando de

ajuda em pequenas reparações, a junta contata-o para esses mesmos trabalhos, acreditando que essa ligação possa abrir um canal de confiança com os idosos, que muitas vezes desconfiam de quem os aborda. O mesmo se passa por exemplo relativamente ao Centro de Dia e Lar da igreja. Todavia neste caso, Luis Costa refere que em 2016 ainda não encetou qualquer contato. Costa vinca que na maioria das vezes as reparações são baratas, e que as pessoas por desconhecimento ou por falta de dinheiro deixam que as situações se arrastem por anos, podendo levar a proble-

mas de segurança, no caso de uma tomada elétrica, ou a problemas estruturais de uma casa, por exemplo: um telhado com infiltrações. Para o profissio-

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nal, o desconhecimento e a impossibilidade física de muitos dos idosos, que ainda vivem em suas casas, leva a que situações

simples se arrastem por anos, citando como exemplo a simples mudança de uma tomada ou a reparação de uma dobradiça de uma porta. Esta é a primeira fase de um projeto, que vai começar na vila de Azambuja, mas que Luís Costa quer ver alargado a outras localidades, o que segundo refere, depende da informação que for passada aos mais idosos. Costa desafia de resto a que mais pessoas se possam juntar a esta iniciativa que é voluntária, “pois as ajudas são sempre poucas e temos tanto terreno pela frente” acrescentando que “certas realidades são muito importantes para que se tenha a noção da solidariedade e cidadania”. Por último, Luis Costa diz que todos os que se juntem à iniciativa são bem vindos e que podem contatá-lo pelo email: danoticias@hotmail.com.

permitiu ir de encontro ao formato de “fitness” no qual acreditamos” De acordo com Nuno Barroso, o novo figurino do espaço permite agora a diminuição no uso das máquinas de musculação, com prioridade para um treino “mais funcional com uso do peso do corpo, provando ser mais eficiente nos resultados com treinos muito mais rápidos”, o que vai também de encontro às expetativas dos clientes e na adesão das pessoas ao exercício. Este novo layout possibilitou tam-

bém a criação de um espaço único no Gym Atrium, dedicado à saúde e lazer que tem como objetivo dar uma resposta no sentido de que “um estilo de vida saudável vai para além do exercício físico”. A formula de “Comer bem (e não pouco) + Treinar bem (e não muito) = RESULTADOS” é aquela que “acreditamos e quisemos dar sequência com alguns produtos pré e pós treino que temos à disposição dos nossos clientes num espaço do ginásio decorado com imenso bom gosto” vinca.

Gymatrium com novas soluções na área da saúde e do bem estar entrar no 11º ano de atividade, o Gym Atrium, que se situa no Centro Comercial de Azambuja. optou por fazer mu-

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danças. Segundo Nuno Barroso, proprietário daquele espaço, a mudança que se sente ao nível de todo o espaço, resulta da vontade

em mudar. esclarecendo que a gerência “desejava ter um espaço mais arejado, espaçoso e dinâmico e isso foi conseguido”. “Quería-

mos também preparar o Gym Atrium para a próxima década”; e por isso acrescenta que foi um sinal no sentido de dizer que acreditamos e muito naquilo que temos para oferecer”. Com uma cada vez maior exigência por parte dos clientes, explica que estes “estão informados e aspiram a ter mais, nem que seja porque veem algo novo noutros locais ou na Internet. O Gymatrium procura ir de encontro à satisfação dos que frequentam o nosso espaço”. “Esta mudança


Opinião

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Valor Local

Dois conceitos de ambiente á, em Portugal, uma tremenda confusão sobre o conteúdo e as metodologias daquilo a que se estabeleceu chamar “ defesa e preservação do ambiente “. Conceito que tem sido quase exclusivamente utilizado como pretexto para o objectivo fundamental da administração pública portuguesa : impedir qualquer processo de desenvolvimento, boicotar qualquer iniciativa ou projecto, pela chatice que uma eventual aprovação comporta em termos futuros e pelo “ cagaço “ do que a Comunicação Social e a opinião pública dirão, em tempos de extremismos ecológicos. E, no entanto, os conceitos de ambiente e de desenvolvimento estão estritamente correlacionados. Porque há, de facto, dois tipos de preocupações ambientais. Um primeiro tipo abarca apenas o universo do ambiente natural, a natureza tal como foi criada ou evoluiu naturalmente, a fauna e a flora características dum determinado sistema, a qualidade do ar e da água e qualifica a beleza da paisagem pela ausência de intervenção humana. É o Ambiente versão passarinho, pegada de dinossauro e mosquito. Esta é a chamada visão contemplativa e estática do conceito de Ambiente, da qual o Homem e as suas actividades são banidos, considerados intrusos e malfeito-

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res. Para estes ambientalistas, preservar significa não fazer nem deixar fazer, proibir qualquer intervenção, manter os sistemas intocados, tal como eram no princípio da Criação. É a visão da administração pública portuguesa, infiltrada por fundamentalistas ecológicos formados

Eu Cidadão

omeço esta rubrica no Valor Local, porque além de jornalista, também sou cidadão. Recentemente estive internado no hospital de Vila Franca de Xira, e considero que um jornalista é jornalista em qualquer situação. É assim com os bombeiros, com os polícias e até com os médicos e enfermeiros, e por isso não poderia deixar de escrever um pouco sobre a experiência que passei. Muito se tem falado e escrito sobre os nossos centros de saúde e os nossos hospitais. Essa é uma realidade que ainda está longe de ser compreendida pelos cidadãos, com os quais a comunicação nem sempre é a melhor e que leva muitas vezes a deficientes interpretações, exageros e até situações desconfortáveis. Neste início do ano estive por duas vezes hospitalizado em Vila Franca de Xira. Não foi o bastante para compreender toda a organização, mas deu-me uma outra perspetiva sobre a organização hospitalar e deixou a nu muita falta de comunicação entre os médicos e os doentes. Sem prejuízo de escrever do ponto de vista apenas de um utente, já que não tenho conhecimentos médicos para me pronunciar de

C

outra forma, acrescento que das duas vezes que procurei o hospital sempre fui bem atendido. Médicos, enfermeiros e auxiliares, sempre procuraram dar-me o melhor tratamento. Mas vamos a factos. Uma consulta de rotina no hospital de Vila Franca de Xira acabaria por se transformar em 8 dias de internamento. Neste caso o profissionalismo e a dedicação da médica que me acompanha noutra patologia, levou a que tivesse de me dirigir minutos depois às urgências por uma questão que não restava relacionada com o problema que me tinha levado ao hospital. O que é facto é que entrei com um quadro de oxigénio baixo e uma potencial pneumonia. E é aqui que as coisas mais se complicam. É aqui que a falta de comunicação começa com os doentes. Depois de algumas horas de espera no S.O. (Serviço de Observação) e de alguns exames, finalmente vinha a má notícia de que teria de ser internado. Todavia, só depois de alguma insistência é que me disseram qual o meu estado de saúde e de que mal padecia. Esta falta de comunicação leva por isso a situações mal com-

nas verdadeiras “ madrassas” que são as associações de defesa do ambiente tradicionais. Em meu entender, tem sido esta visão extremista e inflexível uma das principais causas da degradação ambiental a que temos assistido, ao longo de décadas, em diversas regiões do País. Apenas porque tor-

na o campo fértil para a arbitrariedade e a subjectividade das decisões. Mas há outra visão, que pouco a pouco vai ganhando espaço e que, espero, venha a constituir a corrente fundamental do pensamento ecológico. É uma filosofia que aborda o Ambiente como um

sistema do qual o Homem, as suas actividades e necessidades, são uma componente fundamental – por consequência, é um conceito dinâmico, em permanente evolução e para o qual o objectivo supremo, em vez de deixar tudo intocado e imutável, é garantir que a inevitável evolução dos sistemas tem em atenção e respeita os múltiplos factores do conceito de Ambiente: a manutenção e melhoria da qualidade do ar e da água, potável ou não, doce ou salgada, a biodiversidade, o uso racional dos recursos naturais e das fontes de energia. Mas tudo isto acompanhando as alterações necessárias determinadas pelo progresso e pela melhoria da qualidade de vida das pessoas, que são parte integrante de qualquer ambiente, urbano ou rural. Para esta visão de equilíbrio ambiental, que considero ser a correcta, vir a ser dominante e a informar as decisões que se tomam aos mais diversos níveis da administração, é necessária uma profunda alteração na mentalidade dos respectivos agentes. Sei do que estou a falar. Se a gestão ambiental fosse abordada duma forma sistémica e abrangente, seriam desnecessários os diversos processos PIN que proliferam por Portugal fora, e que têm sido responsáveis pelos maiores

preendidas por parte dos doentes. Não custava muito dizer por exemplo, que teria de ficar sem comer por algumas horas devido a análises, ou certamente não custaria muito informar que ainda não tinham chegado os exames, e que estavam bastante demorados. Se era assim no meu caso, imagino nos casos de doentes com patologias bem piores do que as minhas. Acredito que os médicos não se lembrem disso e que até façam cara feia quando perguntamos qualquer coisa. As pessoas quando estão debilitadas, nem sempre têm o discernimento da boa educação, não foi o meu caso, mas confesso que por duas vezes apeteceu-me assinar um termo de responsabilidade e abandonar o hospital. Não sei se há muitos doentes atribuídos apenas a um médico ou se os médicos não têm paciência para falar com os doentes. Mas o que é certo, é que os hospitais, ou se calhar até as faculdades, têm de investir mais na necessidade de uma melhor e mais frequente comunicação entre médicos e doentes. Contudo os profissionais do hospital de Vila Franca de Xira têm uma

especial simpatia com os doentes, nomeadamente os enfermeiros que estabelecem uma relação mais direta com os doentes em internamento. Foi isto mesmo que constatei durante os 8 dias em que estive no hospital. Certamente que outros leitores se reveem nesta mesma situação. Já que os enfermeiros para além de cumprirem as ordens dos médicos, têm também uma faceta de apoio psicológico e até de conforto junto daqueles que estão mais debilitados. Esta é sem dúvida uma grande mais-valia dos profissionais daquele hospital, que os levam a superar muitas das limitações de um edifício que embora novo, já apresenta problemas. A simples ida de um doente à radiologia ou para fazer outro qualquer exame representa um desafio. As portas pesadas e mal dimensionadas para passar uma cadeira de rodas leva muitas vezes os auxiliares a fazerem verdadeiras manobras para conseguirem passar. E esta é uma dificuldade que aumenta quando estamos a falar do transporte de um doente numa cama. As portas abrem com dificuldade, e é necessário um esforço físico

para apenas um auxiliar as abrir. Ultrapassado este desafio, os auxiliares deparam-se também com cenários de desorganização, ao ponto de as auxiliares irem buscar o mesmo doente duas vezes para o mesmo exame. Contudo, a boa vontade e simpatia dos técnicos, médicos, auxiliares e enfermeiros, acaba por ultrapassar com algum jeito todas as situações. Como diria uma técnica “não há hospitais perfeitos, mas o de Vila Franca de Xira está muito bom”. Esta é de facto uma realidade que contrasta apenas com as urgências, mas ainda assim, o internamento é acompanhado quase em permanência pelos enfermeiros e auxiliares, já que pelo que me deu a parecer, os médicos acompanham dia a dia a evolução dos doentes através do relatório feito pelos enfermeiros ou através dos sistemas informáticos. É claro que funciona, mas para quem está angustiado e sem saber o que o espera, sobretudo no caso de pessoas com mais idade, uma palavra ou uma visita do médico mais regular, faz sempre a diferença. Contudo e como digo, há situações que pecam apenas pela falta de comunicação com o utente.

Joaquim Ramos atentados ambientais cometidos no nosso País, quer na Costa quer no Interior.. Era simples : de acordo com um normativo racional, um projecto, mesmo alterando o ambiente local, garantia um saldo ambiental positivo e era aprovável; não o garantia e era liminarmente reprovado. Sei do que estou a falar. A administração pública portuguesa gosta de rigidez e inflexibilidade porque elas geram a necessidade das excepções e a discricionariedade dos diversos poderes. Sei do que estou a falar. Ao longo de décadas e, particularmente durante os anos em que fui Autarca, porque lidei quotidianamente com situações destas, assisti na nossa terra à degradação de vastas áreas do Concelho, particularmente do sistema hidrográfico do Tejo e da Lezíria, à conta das proibições e recusas de intervenção em nome do tal conceito estático e retrógado de defesa do Ambiente.

Miguel António Rodrigues Para concluir, as instalações de internamento apresentam bons níveis de conforto. Quartos duplos ou simples e com wc incluído, o que é uma grande mais-valia, nomeadamente no que toca aos doentes com o mínimo de independência. Contudo as instalações não são ilimitadas e é claro que nos corredores do piso 3, chegaram a existir camas nos corredores, algo muito mas frequente no hospital antigo, mas ainda assim, muito longe do caos que se verificou no passado dia 4 de janeiro, onde até o S.O. chegou a estar complemente cheio, quase sem espaço para que os médicos circulassem. Posto isto, mantenho apenas a ideia da necessidade de mais comunicação entre os médicos e doentes.


Valor Local

Opinião

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Consciência e sensibilização ambiental este momento, em que continuamos a assistir a inúmeros desastres ambientais que ocorrem em todo o Mundo, será importante olhar para os erros cometidos, reflectir, e sobretudo, tomar opções rumo a um futuro mais sustentável do Planeta. Infelizmente, mais de quatro décadas passadas desde o momento em que as questões ambientais e de respeito pela Natureza tomaram uma dimensão mundial, o caminho percorrido não tem ido no bom sentido e a nossa capacidade de conhecer e respeitar os limites da sustentabilidade do Planeta não tem progredido tanto quanto o necessário. Em Portugal, para além da insustentabilidade financeira de muitos dos projectos desenvolvidos nos últimos anos, os custos ambientais dos mesmos têm

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sido demasiado significativos: quer a construção de estradas com pouco tráfego atravessando áreas sensíveis do ponto de vista ecológico e que estimulam o uso do automóvel com a consequente poluição; quer a construção de barragens com um rendimento muito limitado mas que destruíram um património natural único; quer a implantação de urbanizações e empreendimentos em zonas de solos produtivos ou ecologicamente relevantes, como áreas da Reserva Ecológica Nacional, Reserva Agrícola Nacional ou Rede Natura 2000. Num cenário de crise económica nacional e internacional, que tem acabado por relegar as questões ambientais para segundo plano, é importante não esquecer que continuamos a viver uma crise

ambiental, com problemas tão graves como o aquecimento global, a perda de biodiversidade, o crescimento exponencial da população humana ou a alteração dos seus padrões de consumo. Ignorar estes problemas que têm reflexos directos do ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista social e económico, e adiar decisões que necessitam de ser tomadas urgentemente, não irá resolver as questões, mas sim agravá-las futuramente, com as consequências para todo o Planeta e naturalmente para a espécie humana também. Neste sentido, o trabalho de mobilização da sociedade portuguesa para as questões ambientais é fundamental, e sendo certo que vivemos hoje em dia numa sociedade bastante mais sensi-

bilizada para as temáticas ambientais, é essencial que as pessoas se mantenham realmente proactivas e se envolvam enquanto cidadãos na defesa dos recursos naturais. A Quercus, enquanto Organização Não-Governamental de Ambiente, através do desenvolvimento da sua actividade e dos projectos de Educação Ambiental para a Sustentabilidade em particular, está certamente disponível para dar o seu contributo na superação desses desafios e colaborar para que os temas relacionados com o Ambiente estejam na ordem do dia e na linha da frente das prioridades nacionais. Dado que uma das características da Quercus é a sua descentralização, através dos 18 Núcleos Regionais espalhados um pouco por todo o país, incluindo

as regiões autónomas dos Açores e da Madeira, tem sido possível acompanhar a realidade ambiental nacional e realizar atividades de sensibilização um pouco por todo o país. Esta importante característica tem permitido alargar de forma significativa o âmbito de acção da Associação, fazendo com que se consiga chegar com uma relativa proximidade à população nacional, independentemente da sua distribuição geográfica. Em qualquer uma das áreas de trabalho da Quercus, o tema da Educação Ambiental para a Sustentabilidade tem sido um eixo fundamental das suas acções, na medida em que o seu trabalho não se resume a um trabalho técnico, fechado ou isolado mas é sim, de permanente intervenção junto da sociedade, através

Nuno Sequeira* de acções dirigidas aos mais variados sectores da sociedade e escalões etários. Espera-se pois, que com a colaboração de todos, a sociedade portuguesa possa continuar desperta para as questões ambientais e que os próximos vinte anos revelem uma geração que já estará a colher os frutos do trabalho desenvolvido nas últimas duas décadas e que possa continuar a educar e a sensibilizar para um melhor futuro do nosso planeta. * Vogal da Direcção Nacional da Quercus

Um negócio que não é da China anhar dinheiro com o Imobiliário, sem vender, sem comprar, nem mediar e sem ter que existir imóveis. Imagine que está desempregado, à procura de um primeiro trabalho, ou trabalha e quer realizar mais alguns euros, para fazer face à gestão da crise. Mas não quer “pagar” para trabalhar. Gosta da mediação imobiliária, mas não gosta do modo operandis, nem da relação dos franchisados, nessa área, que parecem mais estar a revender o franchising do que a ter uma relação de trabalho com um prestador de serviços ou colaborador normal. Entende que “apenas”, tem de prestar o serviço, ser pago por isso e a empresa é que terá de

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investir na promoção dos “seus” produtos, e não o colaborador. Entende assim, mas continua a gostar de trabalhar no ramo, e, por “acaso”, encontra um “organização”, na Net. Não tem lojas para promover os produtos, apenas um escritório para receber e reunir com os “colaboradores”. Efetua “gratuitamente” a formação aos novos elementos “colaboradores da organização”, e, desde logo, convida-os a prospecionar o mercado, nomeadamente o da sua zona habitacional, e claro, a fazerem contratos, fotografias, etc. Para promoção dos produtos imobiliários existe uma plataforma na World Web Wide, que interage com outros Sites, e assim

o imóvel aparece promovido em vários locais da Net. Até aqui o negócio vai indo. Se for vendido o colaborador, recebe 60 por cento da percentagem do valor da angariação e mediação (normalmente 60 por cento de 5 por cento do valor do imóvel). “Se vender”, não esquecer. No entanto, venda ou não venda, tem de pagar por mês 100.00€ (cem euros), à “organização”, para uso da plataforma informática de divulgação e promoção do produto imobiliário. Suponha que neste momento, nesta hipotética “organização”, existem cerca de 200 “colaboradores”, pagantes, ora significa que anualmente a “organização” (só com estes colaboradores), fatura 240.000,00€

(duzentos e quarenta mil euros), (com fatura, sem fatura, IVA não IVA?). Não se contabilizam, aqui, naturalmente, os eventuais 40%, produto da percentagem a que terá direito (dos 5 por cento da comissão de mediação na venda de algum imóvel). É um negócio que não é da “China”, mas parece, sem imóvel nenhum para vender, ou mediar, esta suposta “organização fatura em comparação com o “esquema” de funcionamento, isto é, se fossem transaccionados imóveis, auferia 40 por cento, dos 5 por cento da comissão de mediação, isto é 40 por cento do negócio em que a comissão seria de 600.000,00€ (seiscentos mil euros), resultava em 240.000,00€

de faturação para a “organização”, pois o “colaborador” receberia 60 por cento do valor, isto é 360.000,00€ (trezentos sessenta mil euros), o que significaria que teria mediado na transacção de 12.000.000,00 € (doze milhões de euros, (5 por cento de 12.000 Milhões de euros, são 600.000€ ). Mas isto, pode ser real ou não. O que é certo é que a “organização” recebe sempre (mesmo que não se venda nada), e o “colaborador” paga pelo menos 1.200,00 € mil e duzentos euros anuais, a somar a cerca de 2.100,00€, aproximadamente, à Segurança Social, (senão for isento), entre outras despesas. É obvio que são cenários hipotéticos, nem nós acredita-

José João Canavilhas* mos que exista tal situação. A crise poderá criar-nos caminhos fáceis de encontra soluções para resolver “os nossos” problemas, mas quando ela, arrasta outros como nós, para a vereda sem fim ou o abismo que não termina, é imoral, é um “outro canibalismo”, para não ir mais além… * Jurista


Acisma

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Valor Local

Lei do Tabaco - Novas Alterações o passado dia 26 de agosto de 2015 foi publicada a Lei nº 109/2015 que introduz alterações à Lei n.º 37/2007, de 14 de agosto, republicando-a, e reforçando normas para a proteção dos cidadãos da exposição involuntária ao fumo do tabaco, e transpondo a Diretiva 2014/40/EU, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 3 de abril de 2014. As novas alterações entraram em vigor em 1 de janeiro de 2016, mas a proibição total de fumar em espaços públicos fechados só se torna efetiva a 1 de janeiro de 2021, bem como as embalagens rotuladas de acordo com a lei anterior podem continuar a ser comercializadas até 20 de maio de 2017, desde que produzidas ou importadas antes do próximo dia 20 de maio. A par de diversas alterações, o novo diploma veio alargar a proibição de fumar a outros espaços públicos fechados que não constavam na anterior lei, designadamente os casinos, bingos, salas de jogo e outro tipo de recintos destinados a espetáculos de natureza não artística, nos termos da nova redação da alínea l) do artigo 4.º. A nova lei mantém, no entanto, no artigo 5.º algumas exceções para certos espaços públicos, permitindo a criação de salas exclusiva-

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mente destinadas a fumadores, desde que sejam cumpridos determinados requisitos, os quais apresentam agora uma redação mais clara e esclarecedora, designadamente: a) Estejam devidamente sinalizadas, com afixação de dísticos em locais visíveis; b) Tenham, na entrada, indicação visível sobre a lotação máxima permitida, a regulamentar por portaria a aprovar pelos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia, do ambiente e da saúde; c) Sejam separadas fisicamente das restantes instalações ou, no caso de se situarem no interior de edifícios, sejam totalmente compartimentadas de acordo com normas a regulamentar por portaria a aprovar pelos membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia, do ambiente e da saúde; d) Disponham de um sistema de ventilação para o exterior com extração de ar que permita a manutenção de uma pressão negativa de pelo menos 5 Pa (Pascal), medidos com pressostato diferencial, definido em função da lotação, dimensão e localização da sala e autónomo do sistema geral de climatização do edifício, a regulamentar por portaria a aprovar pe-

los membros do Governo responsáveis pelas áreas da economia, do ambiente e da saúde. Uma outra alteração a registar no que respeita às salas e recintos de espetáculos, aos recintos de diversão, aos recintos de feiras e exposições, aos conjuntos e grandes superfícies comerciais e estabelecimentos comerciais de venda ao público, aos empreendimentos turísticos, aos estabelecimentos de restauração e de bebidas, e aos aeroportos, estações ferroviárias e rodoviárias e gares marítimas e fluviais, nos quais podem ser reservados espaços para fumadores, é que estes têm de obedecer aos requisitos mencionados nas alíneas a) a d) atrás referidas, e não possuírem qualquer serviço, designadamente de bar e restauração. Saliente-se, ainda, que o acesso a estes locais passa a ser reservado a maiores de dezoito anos. No que concerne à sinalização, a nova lei diz-nos que os dísticos devem ser afixados ou colados de forma a serem dificilmente amovíveis, para além de serem visíveis a partir do exterior dos estabelecimentos. Como já atrás referido, foi instituído um período transitório para a entrada em vigor da proibição total de fumar nos estabelecimentos que, à data da publicação da lei,

tenham espaços destinados a fumadores ou se destinem exclusivamente a fumadores, ao abrigo das condições estabelecidas na Lei n. º 37/2007, de 14 de agosto, na sua redação original. Tais estabelecimentos podem manter a permissão de fumar total ou parcial, desde que cumpram os requisitos de ventilação anteriormente exigidos, sendo válida até 31 de dezembro de 2020. Uma outra alteração impor-

2017 os cigarros eletrónicos ou recargas, cujo fabrico ou importação em território nacional ocorra antes de 20 de novembro de 2016. De igual modo, são criadas novas normas para os produtos à base de plantas para fumar e à respetiva forma de comunicação dos ingredientes, sendo que se consagra, também, a possibilidade de, até 20 de maio de 2017, poderem ser comercializados os pro-

tante da nova lei, traduz-se na aplicação das regras relativas à proibição de fumar em determinados locais aos cigarros eletrónicos com nicotina. De resto, este produto, sobre o qual a legislação nacional era omissa, ganhou um novo conjunto de regras na lei, que visa regular todos os seus aspetos, incluindo composição, rotulagem e introdução no mercado. A este respeito refira-se a possibilidade de continuarem a ser comercializados até 20 de maio de

dutos à base e plantas para fumar, cujo a produção ou importação em território nacional ocorra antes de 20 de maio de 2016. Outra alteração trazida pelo novo diploma respeita à proibição de venda de produtos do tabaco, de produtos à base de plantas para fumar e de cigarros eletrónicos aos menores com idade inferior a 18 anos, passando a ser obrigatório a exibição de documento identificativo com fotografia, e a proibição de venda desses produtos através de

todas as técnicas de venda à distância, designadamente televenda e internet. Por fim, e não menos importante, a nova lei consagra novas regras relativas às advertências gerais e mensagens informativas nos produtos de tabaco e advertências de saúde combinadas para todos os produtos do tabaco para fumar, sendo a sua visibilidade assegurada pela fixação das dimensões ou áreas mínimas para todas as advertências de saúde, em função do tipo de produto e formato da embalagem. Neste sentido, a nova Lei publicada contém um anexo com 42 imagens fotográficas que deverão ser apostas, a cores, nos produtos do tabaco, cobrindo 65% de ambas as faces externas da embalagem. Por último, e quanto ao regime sancionatório, o montante das coimas mantém-se idêntico à anterior versão da lei, bem como as entidades fiscalizadoras, passando a competir ao inspetor-geral da ASAE e ao diretor-geral da Direção-Geral do Consumidor, conforme ao caso aplicável, a aplicação das respetivas coimas e sanções acessórias, que delas dão conhecimento à Direção-Geral da Saúde. (Fonte: ASAEnews nº 93 - janeiro 2016)


Valor Local

Política

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Protocolo Convento das Virtudes:

Junta de Aveiras de Baixo lamenta areia na engrenagem presidente da Junta de Freguesia de Aveiras de Baixo, Carlos Valada, não compreende a relutância da Câmara de Azambuja em entregar-lhe a chave do Convento das Virtudes com o objetivo da dinamização daquele espaço. Segundo o autarca, a junta tem condições para criar formas de rentabilidade do edifício, nomeadamente, através de eventos, tertúlias, entre outros, de forma a manter o convento aberto. Desde há um ano, que a freguesia tem vindo a promover esporadicamente algumas iniciativas, quase sempre com casa cheia. A Câmara ficou de fazer um protocolo tendo em vista atender o pedido do presidente da junta, mas, recentemente, o presidente do município, Luís de Sousa, terá ficado algo desmoralizado com a

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ideia ao perceber, nas suas palavras, que uma recente festa deu azo à queda de foguetes no telhado do edifício, acrescentando-lhe mais algumas mazelas de que o mesmo já sofria. Neste aspeto, e na última reunião de Câmara, Carlos Valada, informou que desde 2010, que o convento apresenta problemas de infiltrações, e como tal nem tudo será culpa dos ditos foguetes. O presidente da Câmara reiterou que para já as pretensões da junta serão algo a ver de futuro, porque no imediato há que fazer obras para dirimir os casos de humidade e de infiltrações. Luís de Sousa referiu ainda que não percebe as razões da junta para fazer deste assunto “um cavalo de batalha”. O autarca acrescentou que já pensou na colocação de um funcionário no lo-

cal de forma a dar uso ao Convento por parte de quem o queira visitar. O vereador da CDU, David Mendes, aproveitou a oportunidade para lançar o desafio, instando o presidente da junta a apresentar um programa detalhado de dinamização do Convento, “ para que nos convença da eficácia da sua proposta”. Contudo acrescentou que não sabe como na prática pode ser feita essa gestão, “quando a junta de Aveiras de Baixo é das que recebe menos verbas”. “Não sei se tem condições para pagar água, e luz, e se não será esta uma despesa a mais”. Presente na reunião, o presidente da Junta não disfarçou algum incómodo perante a forma inesperada como David Mendes lançou o repto.

Convento continua no alvo da polémica

PDM de Benavente e o novo aeroporto

Carlos Coutinho ainda à espera de decisão do Conselho de Ministros

Governo de António Costa quer reforçar a posição do Montijo como alternativa à Portela, à semelhança do que já vinha a ser defendido pelo Governo anterior. A solução para a construção de uma nova infraestrutura tal como anunciado em 2009, para o campo de Tiro de Alcochete, concelho de Benavente, já se sabe que vai ficar adiada sine die. O presidente do município de Benavente, Carlos Coutinho, refere ao Valor Local que este tema lhe traz alguma preocupação porquanto a execução do PDM está dependente do dossier do aeroporto e aguarda pela marcação de uma reunião com o Governo de modo a planear o futuro do concelho nesta matéria.

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“O anterior Governo disse-nos que mediante a conclusão do processo do Montijo, tão rápido quanto possível haveria de se pronunciar sobre a retificação do Plano Diretor Municipal do concelho de Benavente, mas continuamos a aguardar”. Neste momento, a autarquia está em contacto com a secretaria de Estado do Ordenamento do Território com vista a uma reunião com o ministro dos Transportes para a revisão do PDM em Conselho de Ministros. O aeroporto de Lisboa atingiu no ano passado 20,1 milhões de passageiros transportados. Este crescimento faz crer que em 2016 a Portela poderá ultrapassar a meta dos 22 milhões, tida como referência para a construção de

um novo aeroporto. A curto prazo, o Montijo está a ser equacionado, mas Carlos Coutinho não acredita que a solução possa ser tida em conta quando se fala no longo prazo. O presidente da Câmara elucida que não sente nenhum alívio se finalmente o Estado libertar o município dos constrangimentos que enfrenta, pois apesar de tudo Benavente sempre se mostrou favorável à infraestrutura aeronáutica. “Tudo o que se possa fazer neste momento no Montijo será transitório. Não é uma solução possível dentro de décadas”, refere o presidente da Câmara perante o facto de alguma imprensa nacional ter vindo a adiantar que a vida da Portela pode ser prolongada por

Câmara Benavente

PS diz que Ganhão bateu com a porta ntónio José Ganhão, presidente da Assembleia Municipal, abandonou o cargo no início do mês por questões de saúde, segundo fez saber o PCP em comunicado. O PS através de nota de imprens enviada às redações especula agora sobre as reais razões do afastamento do autarca que liderou durante mais de 30 anos os destinos da autarquia. Segundo o PS, o “histórico autarca” e antigo presidente da Câmara, “bateu com a porta em silêncio”, porque não estará satisfeito com a atual gestão do presidente da Câmara, Carlos Coutinho, que acompanhou Ganhão no executivo durante os últimos mandatos do mesmo. O PS fala em “convulsão interna” na CDU, e relembra ainda a saída de outros eleitos da maioria comunista na Assembleia Municioal, como a antiga vereadora Maria Gabriela. O Valor Local contactou António José Ganhão que perante a polémica se limita a dizer que se revê por completo no comunicado de imprensa do PCP. O nosso jornal também procurou uma reação de Carlos Coutinho, que até ao momento preferiu não comentar.

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António José Ganhão

mais 30 anos. O autarca lembra ainda que as posições adotadas por ambos os Governos vão na linha do que a Câmara sempre defendeu – “Não incluir a infraestrutura em PDM, face a possíveis indemnizações aos proprietários”. Isto apesar das providências cautelares da Quercus, e do próprio parecer da CCDR-LVT que levanta várias dúvidas quanto à não inclusão do equipamento no PDM. Desde junho que foi aprovado na Assembleia Municipal, o processo de revisão, enviado para a CCDR, aguardando desde então uma resolução do Conselho de Ministros. A solução do Montijo poderá servir como aeroporto complementar para albergar companhias aéreas

Presidente da autarquia ainda à espera de uma definição de baixo custo. Isto permitiria libertar o aeroporto principal tanto a nível de parqueamento de aero-

naves como de movimentos diários. Mas, por si só, é uma solução insuficiente.


Desporto

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Valor Local

BES exige pagamento de 370 mil euros ao Estrela Ouriquense Estrela Futebol Clube Ouriquense foi surpreendido há cerca de um mês com uma dívida vencida apresentada pelo Banco Espírito Santo (atual Novo Banco) no valor de 370 mil euros. A atual direção não tem condições para pagar este valor referente à contração de um empréstimo em 2007, por parte de uma das anteriores direções do clube, e que teve como intermediário o município, à época, liderado por Paulo Caldas. Ao Valor Local, Carlos Martins, presidente do Estrela refere que a sua direção foi “completamente apanhada de surpresa”, e neste momento está preocupada em reunir toda a documentação possível sobre este empréstimo, assumido em 2007, cujo valor ascendia aos 440 mil euros. A Câmara Municipal do Cartaxo, na altura, tomou a dianteira do processo assumindo esses pagamentos ao banco, que correspondiam a necessidades do clube como pagamento de dívidas fiscais. Na teoria, a Câmara usava essas amortizações junto do banco como se estivesse a fazer o pa-

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gamento dos normais subsídios à coletividade, que já estavam em dívida. O processo foi acompanhado ainda de uma carta de conforto. O clube como, à época, assinou uma livrança fica à partida em pior situação, e terá de assumir responsabilidade do pagamento da dívida. Este foi no entender do atual presidente da Câmara do Cartaxo, Pedro Ribeiro, um ato arriscado por parte do executivo de Paulo Caldas, que “quase se pode comparar ao que foi assumido com o Sport Lisboa e Cartaxo”. “O facto de o banco ter emprestado com esta facilidade 440 mil euros ao clube também explica bem o estado a que o BES chegou”. Pedro Ribeiro elucidou a Câmara que a autarquia não terá que arcar com a dívida, e isso mesmo já lhe foi garantido por quadros do BES. O caso assume especiais contornos estranhos porque desde 2010, que o BES deixou de cobrar os montantes em dívida, e Pedro Ribeiro até associou que a queda do banco e a necessidade de limpar os cantos à casa possa ter estado na origem da descoberta da dívida. A oposi-

ção PSD na autarquia quis saber até que ponto a Câmara no passado se substituiu ao clube neste processo junto da banca, e se neste aspeto não terá de assumir a dívida. Pedro Ribeiro deu conta de um uma declaração de Paulo Caldas, com contornos vagos, sem data, “que não vincula nada junto do atual BES ou da Câmara”, sendo que “o banco nunca mais notificou a Câmara para pagamento da verba desde 2010”. Carlos Martins que está a reunir a documentação necessária também não deixa de culpar a Câmara que na altura “se atravessou um bocadinho” neste assunto. O atual presidente da autarquia no seu entender está a acompanhar o clube, mas nota-se que “pretende tentar afastar a responsabilidade da Câmara neste problema”. O dirigente quer saber como o processo foi feito, e que garantias foram dadas. O Estrela conta ter todos os dados disponíveis dentro de uma ou duas semanas para depois falar com as partes envolvidas, nomeadamente, o anterior presidente da autarquia. A anterior direção,

BES veio exigir pagamento de dívida de 370 mil euros nas suas palavras, também já facilitou todos os documentos, e neste aspeto reforça que lhe parecem bastante plausíveis as declarações do seu antecessor

Carlos Albuquerque à Tejo Rádio Jornal em que refere que deve ser a Câmara a arcar com o imbróglio. Certo é que o clube não tem

condições para pagar o montante, e Carlos Martins diz mesmo que o Estrela apanhou uma espécie de balde de água fria com a carta do BES.


Valor Local

Instantâneos

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Retratos da nossa terra Tauromaquia Azambujense ¢

António Salema “El Salamanca”

Memórias I uma altura em que a festa está parada, Recordamos alguns factos e figuras que marcaram a tauromaquia da região, e vamos contar com uma história de um passado recente. Recuamos até 2003, onde na terceira corrida de abono da feira anual, os veterinários rejeitam todos os novilhos para aquela tarde de 23 de junho. Que fazer? Praça cheia, a corrida tem de acontecer, é então que surge a ideia de contactar a Casa Ortigão Costa, afinal a ganadaria estava em Elvas e são pouco mais de 10 quilómetros, mas seria possível montar um curro em tão poucas horas? Foi possível, saíram da Herdade de Alcobaça 6 novilhos-toiros, que acabaram pela sua classe, bravura e transmissão, por proporcionar aos toureiros e ao ganadero uma saída em ombros naquela quente tarde de verão extremeño.

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Memórias II omo os nossos leitores estão lembrados, na passada edição, começamos a recordar a figura de Georgino Rodrigues (O Falcão), conhecido aficionado Azambujense e contamos como ele ganhou essa alcunha para toda a vida. Vamos agora dar continuação à narrativa da vida dessa carismática figura. O Georgino, casou muito jovem. Tinha apenas 15 anos, os mesmos que tinha a sua esposa, e para inicio de vida foram morar para uma casa que ficava no número 6 da rua Victor Cordon, onde o Georgino montou uma oficina de correeiro e a sua esposa trabalhava na costura. Com o tempo chegaram os filhotes, um casalinho para alegrar a vida do casal. “O Falcão” era muito ativo na vida social e cultural de Azambuja, de fundador do Columbófilo, a elemento da banda de música, ele estava em todas e como grande aficionado que era, até se tornou empresário tauromáquico em parceria com o Senhor Orlando Salgado. Os dois montaram uma corrida para o regresso de Etelvino Laureano às praças depois de grave colhida. Homem envolvido com a sua terra e os seus, o Georgino fazia mover o povo, ora um dia que o Etelvino foi tourear a Vila Franca, “o Falcão” organizou uma excursão num comboio especial e levou a banda de música. Depois era ver o povo a seguir a banda desde a estação até à praça de toiros que acabou por esgotar e assistir ao triunfo do toureiro Azambujense. (Continua na próxima edição)

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enhor presidente, caros jornalistas. Depois de candidatar o chocalho e o fandango, o que acham de candidatar este lindo painel verde, era melhor vermelho, mas pronto… a património da humanidade?

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as horas de ócio, o vereador da Câmara de Vila franca de Xira é também um adepto do conhecido jogo Candy Crush Saga. A sua pontuação já é tão alta que foi declarado pajé do açúcar. Cuidado com a diabetes!

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-

273 Azambuja Redação: Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CP-10171 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimedia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt, António Salema “El Salamanca”Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 5000 exemplares


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Jornal Valor Local - Edição Fev - 2016  

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