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Valor Local

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 27 • 24 Julho 2015 • Preço 1 cêntimo

Págs. 12, 13, 14 e 15

Os segredos do Sucesso da Orivárzea Pág. 7

Entidade de Turismo do Alentejo/Ribatejo Pág. 15 é “elefante em loja de vidros” “Burlões” dos purificadores de água tentaram vender aparelho ao presidente da Câmara de Benavente Pág. 18


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Arlindo, o mestre da fanfarra dos Bombeiros de Azambuja rlindo Freitas, natural de Torres Novas, e residente em Azambuja há 44 anos, é uma figura marcante na vida da corporação local. Integra a fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Azambuja há 30 anos. Nasceu em Torres Novas e acabou por vir para a Azambuja devido ao seu trabalho na Ogma. “Houve uma altura na minha vida, em que decidi que queria casar, e após tomar essa decisão fui à procura de casas, mas devido aos altíssimos preços em Alverca, vim até Azambuja onde as rendas eram bem mais baratas”. Após mudar-se para Azambuja, casou no dia 24 de maio, (era altura de Feira de Maio), e até hoje continua a viver neste concelho. Dividido entre Azambuja e Torres Novas, Arlindo tem o coração em Azambuja mas leva sempre no pensamento a sua terra natal, onde cresceu e viveu durante bastantes anos. Em Azambuja, esteve envolvido em várias associações tais como o Clube Azambujense, onde fez parte da direção e passado algum tempo veio para a Associação de Bombeiros Voluntários de Azambuja onde já era sócio. Foi diretor e ainda bombeiro. Antes, ainda, de ter estado nes-

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tas duas associações, Arlindo Freitas tentou fazer uma equipa de basquetebol em Azambuja devido à sua “garra” neste desporto. Conta que jogava em Torres Novas e que quis também jogar no concelho de Azambuja. Acabou por arranjar um campo e uma equipa que viriam a aca-

bar pouco tempo depois, devido a complicações financeiras e logísticas. Atualmente, Arlindo Freitas está reformado mas não deixa de ajudar os bombeiros de Azambuja onde já está há quase 35 anos, e na fanfarra há 30. Admitiu ao Valor Local, que há al-

guns tempos atrás andava “desanimado com a fanfarra” pois com “o surgimento das novas tecnologias e com tantas atividades diferentes promovidas na vila”, as pessoas começaram a deixar “a fanfarra para trás”. Havia poucos interessados e tornava-se difícil irem atuar aos lo-

O elemento da fanfarra passa em revista as suas recordações

cais onde eram convidados. Diz-nos ainda que foi falar com o presidente da direção para se vir embora: “Isto andava bastante fraco e a juventude estava a desiludir-me, mas acabei por ficar”. Na opinião de Arlindo “a fanfarra é bastante didática para os jovens, pois funciona como um entretenimento; e ao virem para aqui têm de ganhar uma certa responsabilidade. É bom para os pais pois eles sabem que as crianças saem da escola e estão nos bombeiros”. Sem esquecer tudo o que fez nesta associação, falou-nos ainda da sua experiência enquanto bombeiro. Foi diretor e ajudava sempre naquilo que era preciso, principalmente a conduzir os veículos, mas a verdade é que não o podia fazer, porque não estava no quadro dos bombeiros, então passou para o quadro auxiliar. Recentemente, o atual comandante disse a Arlindo Freitas que deveria arranjar uma farda, pois está há tantos anos a servir a associação de Bombeiros Voluntários de Azambuja, e nunca teve direito a uma: “A verdade é que eu não a queria, pois não tive antes e não era agora que deveria ter uma farda, mas aca-

baram por me persuadir a isso”. Ao longo dos anos em que esteve nos bombeiros, conheceu sete comandantes, incluindo o atual, dezenas de diretores, e dezenas de bombeiros, e conclui que viveu a vida dos bombeiros de Azambuja “de uma forma muito intensa”. Na opinião de Arlindo Freitas, a fanfarra vai ter sempre seguidores fiéis que vão querer dar continuidade a este grupo, entre eles destaca Fernando Coração, que quando Arlindo queria sair da fanfarra foi ao seu encontro e persuadiu-o a continuar, “tendo sido um grande apoio”. Em muitos locais, as fanfarras estão “em vias de extinção”, mas em Azambuja os jovens acabam por ir para o Corpo de Bombeiros e a fanfarra continua a ter seguidores. Esta atividade não é barata, no entanto, os membros da fanfarra não pagam qualquer mensalidade. Para além de todas estas atividades, Arlindo é também um grande sportinguista e até possuí um museu em Torres Novas, chamado “Toca do Leão”. “Sou sócio do Sporting há 32 anos, e em Torres Novas tenho uma casa com uma garagem, onde festeja as vitórias do clube”.

Pragas de pombos preocupam Câmara de Azambuja Câmara Municipal de Azambuja está preocupada com o aumento da população de pombos no município. Para já, segundo o vice-presidente da autarquia, Silvino Lúcio, os grandes focos situam-se na sede de concelho, em Aveiras de Baixo e Aveiras de Cima, talvez por ser nestas localidades que a columbofilia criou mais raízes. O vice-presidente acredita que os pombais e a tradição da columbofilia têm atraído nos últimos anos mais pombos, ave que se caracteriza pela sua grande facilidade em reproduzir-se. O autarca esclarece que a Câmara pouco

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mais pode fazer do que monitorizar a situação, já que existem regras e leis que protegem estes animais. Houve, no entanto, algumas tentativas no passado para se minimizar o impacto. A aquisição de uma gaiola especial, que se revelou inócua, foi apenas uma tentativa, já que a solução ideal passaria pela compra de uma ração especial que quando ingerida impede a reprodução destas aves. Contudo, os resultados não são imediatos, e por outro é um encargo financeiro que a autarquia não está em condições de assumir.

Nos últimos meses, o jardim municipal de Azambuja, tem-se tornado num local de eleição para estas aves muitas vezes alimentadas por vários munícipes, prática desaconselhada pela autarquia. O autarca salienta que é “giro” para as crianças dar milho aos pombos, algo comum em Lisboa, “mas depressa os responsáveis começaram a perceber o efeito negativo com a conspurcação dos locais públicos pelos dejetos destas aves”. No município já se deu o caso de alguns particulares pedirem a ajuda da delegação de saúde tendo em conta os detritos deixados nas

habitações, mas também a agricultura sofre os prejuízos. O vicepresidente esclarece que soube do caso de “um bando de pombos que quase dizimou uma cultura de milho.” Silvino Lúcio esclarece que os praticantes de columbofilia têm os seus pombos guardados e controlados; e por isso em nada contribuem para esta situação, todavia refere que a realidade em causa comum a outras localidades está a ser acompanhada. O autarca pede à população para que “evite dar pão ou milho aos pombos” para que a situação não se agrave.

Pombos fazem do jardim municipal o seu poiso

Meio milhão de euros gastos na retirada de amianto das escolas de Vila Franca Câmara Municipal de Vila Franca de Xira conseguiu substituir em todas as escolas da sua responsabilidade os revestimentos de amianto. Ao todo foram 13 os edifícios intervencionados pela autarquia, que tinha um plano de quatro anos, mas que acabou por o fazer em metade do tempo.

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Em declarações ao Valor Local, o vereador com o pelouro da Educação, Fernando Paulo Ferreira, destacou que nesta altura o município está a intervir nas últimas “oito escolas que ainda tinham coberturas de amianto”. De acordo com o vice-presidente, as intervenções que tiveram como alvo as escolas do pré-escolar e

do primeiro ciclo, deixaram de fora as “as denominadas EB 2-3 e as Secundárias” que segundo Fernando Paulo Ferreira, são da responsabilidade do Ministério da Educação. A esse propósito, o autarca lamentou a falta de “agilidade” do ministério, que devia ter seguido o exemplo da Câmara de Vila

Franca de Xira. Ao todo o município gastou cerca de meio milhão de euros em todo este processo, mas o vice-presidente preferiu reforçar “o bem-estar da comunidade escolar em detrimento das verbas, que embora avultadas, foram as necessárias neste processo”. Fernando Paulo Ferreira vincou,

igualmente, a participação de todos os agentes da comunidade escolar, referindo a envolvência, por exemplo, das associações de pais, com as quais, salienta, nunca ter tido nenhum “tipo de atritos”, o que significa que “o processo foi pacífico.” Sobre as escolas não intervencionadas por parte da autarquia e

que são da responsabilidade governamental, Fernando Paulo Ferreira, salienta que tem continuado a pressionar o Ministério da Educação. O vice-presidente lembra o anúncio do plano nacional do Governo para a substituição das coberturas de amianto, e salienta que não se interveio em nenhuma escola do concelho.


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Aumento dos mortos na estrada em 10,3 por cento em 2015 m Portugal, e na nossa região, o consumo de álcool e a condução com a utilização de aparelhos móveis, dominam as causas de acidentes mortais e isso é uma preocupação das autoridades. Já no que toca ao presente ano e tendo em conta que ainda estamos a meio de 2015, “infelizmente tem-se vindo a assistir a um aumento do número de vítimas mortais face a igual período de 2014, que neste momento se situa nos 10,3%. É um fenómeno recente e transeuropeu”, vinca Fernando Pedro Moutinho, vice-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) ao Valor Local. O responsável acrescenta que “vários países da Europa, mesmo os que estão conotados como tendo as melhores práticas em matéria de segurança rodoviária, estão a registar a mesma tendência”. O vice-presidente afiança ainda que o fenómeno é recente, mas está a ser acompanhado e monitorizado diariamente pela ANSR, “não sendo ainda possível avançar com causas para esta situação, pese embora existirem alguns indícios que poderão ter a sua importância, como seja o caso do aumento do consumo de combustíveis, indiciando uma maior circulação de veículos e, concomitantemente, uma maior exposição ao risco, ou ainda um aumento do número de vendas

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de veículos”. Quanto a causas, o responsável vinca como o principal fator “o comportamento humano”. “Todos os estudos conhecidos vão no sentido de que mais de 90% dos acidentes rodoviários têm como causa precisamente a incúria e a negligência dos automobilistas. Fernando Pedro Moutinho salienta contudo que os dados disponíveis indicam que desde 2012 que se tem registado “uma diminuição do número de condutores mortos em acidentes de viação com uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) superior ao máximo permitido por lei”. Reportando-se ao ano passado salienta também que a “percentagem desses condutores foi de 26,6%, valor que corresponde a quase um terço do total dos condutores mortos”. Todavia vinca que o mais preocupante é “que deste universo de condutores, 80% tinha uma TAS superior a 1,20 g/l, o que já constitui crime. Não obstante, e como já se disse, a tendência registada vai no sentido da diminuição do número de condutores que conduzem sob a influência do álcool” e por isso evidencia que tal é sintoma “de uma maior consciência para o perigo deste tipo de comportamento, fruto quer de campanhas e ações de sensibilização, quer do incremento da fiscalização”. Já no que toca ao uso indevido

ANSR considera que se está perante um fenómeno que não é só de Portugal do telemóvel “existem diversos estudos que destacam o risco deste comportamento, afirmando até que a utilização em modo de conversação pode potenciar em quatro vezes a ocorrência de um acidente, mas enviar ou receber sms’s aumenta esse risco para 10 vezes”. O responsável sustenta também

que no que toca ao número de vítimas mortais, existem dados que confirmam “que desde 2001 que se tem vindo a assistir a uma tendência sustentada de diminuição do número de vítimas mortais, tanto assim que em 2008 Portugal recebeu um prémio atribuído pelo ETSC – European Transport Safety Council, pelo trabalho de-

senvolvido na redução do número de mortos resultantes de acidentes rodoviários” Todavia Fernando Pedro Moutinho vinca quem em 2001, registaram-se 1466 vítimas mortais, em 2014 esse número foi de 482. De acordo com o responsável o comportamento da sociedade civil tem sido determinante para

ajudar a inverter algumas tendências e a alterar comportamentos, por isso e para além da existência de ações e projetos nesta área, defende igualmente “a elaboração de documentos estruturantes, como seja o caso da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária ou da alteração ao Código da Estrada”.

tendo em conta um eficiente alinhamento de faróis “e toda a iluminação exterior da viatura que proporciona essa visibilidade”. E embora não existam dados oficiais ao nível nacional sobre a inspeção de veículos, obrigatória por lei, o que é certo, é que segundo a Autoridade Nacional

Segurança Rodoviária (ANSR), há dados que apontam para uma maior consciência dos condutores. Já no que toca à NUMIL, Nuno Barroso destaca uma queda de 1% no período homólogo relativo ao primeiro semestre de 2014 para 2015.

Vá de férias em segurança om as férias em mente, muitos portugueses colocam-se rumo aos seus destinos para um merecido descanso, normalmente, as viagens são longas e a segurança não deve ser deixada ao acaso. A pensar nisso, e nesta altura de férias, há cuidados a ter relativamente

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à segurança do veículo e dos seus ocupantes. Por um lado, o cuidado no respeito das regras de trânsito, e por outro lado deve-se ter em conta o estado da viatura que se vai utilizar na viagem. Nuno Barroso, gerente da Numil – Centro de Inspeções em

Azambuja, vinca a repetição de alguns conselhos básicos. O responsável destaca entre outros aspetos da viatura: o correto alinhamento da direção, e a travagem, neste último caso tendo em atenção a eficiência e o equilíbrio do veículo; “onde incluo o extremo cuidado com o

rasto dos pneus mas também a inexistência de qualquer danificação por pequena que seja na estrutura dos mesmos”. Há, no entanto, outros fatores importantes como a visibilidade do veículo, nomeadamente ao nível das luzes “para podermos ver outros e sermos bem vistos”

Universidade das Gerações em Arruda dos Vinhos município de Arruda dos Vinho quer abrir em outubro próximo a Universidades das Gerações. O projeto da autarquia destinado a pessoas acima dos 50 anos, quer ser agregador e por isso vai incluir cidadãos de todo o concelho. Segundo André Rijo, presidente da Câmara ao Valor Local, a ideia é “abrir esta Universidade das Gerações no dia do Idoso”. Até ao momento, garante que as reuniões com os futuros professores estão a decorrer dentro do calendário previsto “e portanto este

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projeto tem tudo para dar certo”. Este é um conceito que “é semelhante ao que vai acontecendo um pouco por esse país fora com a implantação das denominadas universidades séniores”. Todavia salienta que considera o nome escolhido mais abrangente, sendo que também se trata de uma iniciativa exclusivamente municipal. De acordo com o autarca, a Universidade das Gerações ficará situada no Pavilhão Multiusos de Arruda dos Vinhos. Há salas disponíveis para este projeto, desde

logo uma ala dedicada à informática e outras duas salas para lecionar matérias, como as línguas ou a História, para além da “nave que dá igualmente para atividades físicas”. O autarca vinca também as disciplinas ligadas às artes e ofícios, como por exemplo, o artesanato ou os bordados, que têm sido um sucesso em termos de procura noutros projetos semelhantes. A Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos assegura também transporte. André Rijo diz que existe alocado à atividade um autocarro

de 27 lugares para as deslocações das pessoas para a sede de concelho. O autarca vinca que o custo do transporte já está associado aos pagamentos que os séniores farão para integrar esta iniciativa. Ao todo, explica que o valor inicial é de 10 euros, e depois três euros por disciplina para todo o ano letivo. André Rijo destaca que para o sucesso desta iniciativa vão contribuir não só as juntas de freguesia, como também as associações e coletividades locais.


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CP recua e repõe comboios na Linha do Norte ¢

Miguel A. Rodrigues insistência da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira para que a CP (Comboios de Portugal) voltasse a repor alguns comboios na linha do norte, levou a que a empresa “pedisse desculpa ao município”. Estas foram as palavras de Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca, que em reunião de câmara, assegurou que a empresa iria repor alguns comboios a circular. Em causa está o horário de Verão da CP, que suprimiu algumas ligações, e que deixou os utentes e autarquias preocupados com a falta de ligações, que até aqui estavam asseguradas. Segundo Alberto Mesquita, em causa estão pelo menos alguns dos horários que serviam as cinco estações ferroviárias existentes no concelho e não só. As mesmas composições passarão também a servir as populações de Azambuja, que na maioria se desloca para Lisboa. De acordo com o autarca voltarão a realizarse percursos até Alcântara-Terra, facilitando assim também o transbordo para comboios das linhas

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de Sintra e de Cascais. Alberto Mesquita destaca que manteve várias diligências com a CP, e que tem um email, no qual a empresa se compromete a repor os comboios retirados a 14 de junho de circulação. Em resposta a Alberto Mesquita, que destacou mais ligações para a Gare do Oriente, o vereador comunista Nuno Libório criticou a ausência de ligações suficientes para quem trabalha de noite e que isso prejudica “a classe trabalhadora”. Desta negociação, também beneficiam os utentes da estação de Azambuja. Este assunto foi abordado em reunião do executivo de Azambuja. A Coligação pelo Futuro da Nossa Terra pediu à Câmara mais intervenção junto da empresa, comparando a sua atuação com a do município vizinho. Em reunião de Câmara, Luís de Sousa referiu que falou com uma das pessoas que trabalha na estação azambujense, não adiantando outras démarches. Contactado pelo Valor Local depois do anúncio pela Câmara de Vila Franca, referiu que também ele

solicitou o agendamento de uma reunião com a administração da CP. O autarca pensa que ainda há margem para melhorar um pouco mais a vida dos utentes da estação de Azambuja, e vai pedir a alteração de um horário para uma das composições com destino a Lisboa, tendo em conta um desfasamento com uma outra que sai da Castanheira, e assim possibilitar um maior número de ligações a Lisboa e às outras linhas. Segundo a informação prestada ao município de Vila Franca a que o Valor Local teve acesso, a CP vai agora proceder a um maior desfasamento entre a oferta urbana e a oferta regional. Ao todo a empresa compromete-se com uma diferença de 25 minutos entre ambas, nos dias úteis e no sentido Azambuja/Lisboa-Santa Apolónia, entre as horas de ponta e no fim de serviço, sábados, domingos e feriados oficiais. Neste contexto, informa: “Será alterado o minuto de partida de Azambuja do comboio urbano, que passa do minuto 35 para o minuto 5 e que corresponde ao minuto 21 em Vila Franca. Quan-

Municípios esperam que seja reposta a normalidade to ao regional, este mantém o horário atual, “ou seja, passa ao minuto 47 na estação de Vila Franca de Xira” e assegura que “deste modo, conseguimos melhorar a mobilidade no troço Azambuja/Lisboa-Oriente, através das sinergias criadas entre a oferta Urbana e a Regional”; No mesmo documento, a CP garante a reposição do último com-

boio da família AlcântaraTerra/Castanheira do Ribatejo e reposição do último comboio em sentido inverso com partida de Castanheira do Ribatejo às 0:09; A CP destaca entretanto uma paragem comercial na Póvoa de Santa Iria dos comboios regionais Lisboa-Santa Apolónia com destino ao Entroncamento Tomar.

A pensar no verão, a empresa destaca a Introdução de 3 novos comboios com partida de Azambuja às 7:35, 8:35 e às 9:35 e chegada a Alcântara-Terra às 8:39, 9:39 e 10:39, respetivamente e a introdução de três novos comboios com partida de Alcântara-Terra às 17:37, 18:37 e às 19:37 e chegada a Azambuja às 18:45, 19:45 e 20:45.

Omissão de socorro: Relações tensas entre o atual comandante dos bombeiros de Azambuja e o antigo ¢

Miguel A. Rodrigues antigo comandante dos bombeiros de Azambuja e atual Comandante Municipal Operacional de Azambuja, Pedro Cardoso, está em rota de colisão com o atual comandante dos voluntários locais. Pedro Cardoso acusa Armando Baptista de ser o responsável pela ausência de socorro, numa situação que envolveu a sua esposa. Pedro Cardoso que serviu a associação durante 17 anos, enviou uma missiva aos vários responsáveis pelo socorro, entre os quais a Autoridade Nacional de Proteção Civil, a Liga dos Bombeiros e a autarquia de Azambuja, na qual dá conta do caso. Segundo o próprio, num documento a que o Valor Local teve acesso, a situação reporta-se ao dia 30 de junho pelas 22h39, altura em que terá sido feita uma chamada para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) a pedir uma ambulância para a prestação de socorro a uma cidadã de 57 anos, neste caso a sua esposa. Foi o filho do casal, que integra o corpo de bombeiros local, que (depois de ter obtido licença por parte de Armando Baptista para abandonar uma reunião que decorria, na altura, na associação

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humanitária), ligou para o CODU, já em casa, junto da sua mãe, O filho do casal fez a primeira avaliação, segundo o relatório de Pedro Cardoso, e depois de contactar o CODU foi informado de que o socorro seria efetuado. Ao mesmo tempo, terá telefonado para a central dos Bombeiros a informar dos seus procedimentos. Aguardaria pela ambulância de Azambuja, já que tinha a indicação de que a mesma iria a caminho, convencido que estava de que a qualquer momento chegaria então um veículo dos bombeiros locais. Todavia, o telefonista terá dito que “o pedido tinha acabado de ser rejeitado, pois havia sido dito pelos bombeiros de Azambuja ao CODU que o corpo de bombeiros não tinha viatura disponível”. Todavia e em conversa à parte de colega para colega, o operador da central terá confidenciado que “o comandante tinha dado ordem para rejeitar qualquer serviço enquanto decorresse a dita reunião”. A caminho, estaria de resto já uma ambulância dos bombeiros da Castanheira, que efetuou o transporte da esposa do atual Comandante Operacional Municipal de Azambuja para Vila Franca. A sua situação de saúde agravara-

se entretanto, tendo recebido pulseira laranja na triagem. Esteve algumas horas em observação, mas entretanto regressou a casa. O Valor Local sabe que na informação trocada entre o corpo de bombeiros e os organismos superiores que superintendem os soldados da paz no país, que o operador que recebeu a chamada do CODU referiu que apesar de haver mais bombeiros na instituição naquele momento, a equipa de saúde estava fora em serviço, “e que quando assim é a responsabilidade na coordenação dos meios de emergência é do INEM”. Ao Valor Local, o comandante dos Bombeiros de Azambuja, Armando Batista garante que “não existiu qualquer ordem no sentido de impedir a saída de viaturas nesse sentido, e que mais de 30 bombeiros presentes nesse mesmo dia na reunião de Comando/Corpo Ativo podem atestar isso mesmo”. O comandante dos bombeiros confirma que autorizou o filho de Pedro Cardoso a atender uma chamada particular e a ausentarse; e garante que que no imediato foram colocados “todos os meios do Corpo de Bombeiros à disposição, disponibilizando-me eu próprio para o que fosse necessário, o que foi recusado pelo mesmo

argumentando que, primeiro, quereria atestar da gravidade da situação”. Esclarece Armando Baptista que “o bombeiro em causa decidiu ligar 112 do INEM/CODU e não para os bombeiros locais”. De imediato o “INEM efetuou uma chamada telefónica para este corpo de bombeiros tendo sido informado pelo Operador de Central, de que a equipa de saúde estava empenhada num serviço que estava a decorrer no terreno, registado pelo Comando Distrital, de acordo com o procedimento legal do Sistema Integrado de Emergência Médica”. Por isso adianta Armando Baptista, o INEM decidiu ativar a Cruz Vermelha de Aveiras e do Carregado. Mas segundo o mesmo, o socorro foi, antes, dado pelos bombeiros da Castanheira por naquele preciso momento terem disponibilidade ime-

diata Por outro lado, Armando Baptista salienta que de imediato expôs “a situação à Direção Nacional de Bombeiros e ao senhor Comandante Distrital de Operações de Socorro de Lisboa, para averiguação dos factos, com a disponibili-

zação de toda a documentação que atesta a veracidade dos factos, estando disposto a provar a inocência e sobretudo a defesa do bom nome, honra do Corpo de Bombeiros de Azambuja, e dos homens e mulheres que o servem”.

As duas partes contradizem-se


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Cimpor em Alhandra expande-se para novos mercados Cimpor de Alhandra espera um crescimento da faturação para este ano. A empresa que viu cair no mercado nacional as suas vendas, apostou tudo na exportação para o norte de África, nomeadamente, para a Argélia, África Ocidental e América Latina, considerados mercados emergentes. A taxa de exportação está a compreender “bons resultados”, segundo adiantou ao Valor Local, Luís Fernandes diretor da Cimpor - Portugal. É por isso que o administrador refere que em 2014, o mercado bateu no fundo, mas espera que a empresa venha a recuperar entretanto. Segundo Luís Fernandes, a fábrica de Alhandra “dada a sua localização e a proximidade em relação aos principais portos, está muito vocacionada para a exportação” tendo elevado essa fasquia em 2014. Para este ano, o administrador espera manter o mesmo índice de faturação e produção, sendo

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que atualmente reconhece que o mercado nacional está a dar sinais positivos, embora saliente ser difícil o mercado voltar aos números verificados em 2001. Todavia a empresa tenta manterse junto da comunidade praticando também ações relacionadas com a responsabilidade social da mesma. São conhecidas as suas piscinas na vila de Alhandra, aliás das mais antigas daquele concelho, e “a importância que a fábrica tem para aquela região, não só devido aos postos de trabalho como também devido às suas políticas ambientais”. Luís Fernandes salienta que a fábrica tem tentado minimizar o impacto ambiental na comunidade. O administrador vinca: “A empresa tem estado na linha da frente dos investimentos ambientais em todas a fábricas”. Mais recentemente com o foco da legionella em Vila Franca de Xira, a Cimpor passou ao lado da polémica. Luis Fernandes re-

fere que a empresa esteve sempre atenta e serena “até porque temos poucos equipamentos eventuais potenciadores de um foco de legionella”. Alberto Mesquita, presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, destacou igualmente a importân-

cia da fábrica para o concelho. O autarca lembrou que no passado “tínhamos uma Cimpor que criava problemas ambientais muito graves para a vila de Alhandra, como se recordam”. “Entretanto a empresa adotou filtros de manga e outros, que permitiram que

hoje já se vejam os telhados com a sua cor natural, porque no passado só se via uma película cinzenta”, referiu. Mário Cantiga, presidente da União de Freguesias de Alhandra, Calhandriz e São João dos Montes, também concorda. O

autarca destaca que a convivência entre a empresa e as populações nem sempre foi pacífica, mas refere que nos dias de hoje, “a má vizinhança está ultrapassada”, preferindo referir os “benefícios” que a empresa também traz à região e à sua freguesia.

Responsáveis garantem que má convivência está ultrapassada

EDP investe 517 milhões nas redes até 2019 oi aprovado pela Direção Geral de Energia e Geologia o Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Distribuição (PDIRD) para o período entre 2015 e 2019. Este plano prevê investimentos na ordem dos 517

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milhões de euros pela EDP nas linhas de alta e média tensão. Este investimento corresponde a aposta em quatro vetores estratégicos (Segurança da Rede, Qualidade de Serviço Técnico, Eficiência da Rede e Eficiência Ope-

racional) e tem em conta as mais recentes previsões ao nível da atividade económica, garantindo também a manutenção do trajeto de melhoria contínua dos indicadores da qualidade de serviço, com foco na redução das assime-

trias entre as diferentes zonas do país. O Plano prevê a construção de 21 novas subestações e de cerca de 1200 quilómetros de rede de alta e média tensão, estando prevista a implementação de soluções ino-

vadoras no âmbito do projeto de redes inteligentes InovGrid. A EDP Distribuição, concessionária da rede de distribuição de alta e média tensão e das redes de baixa tensão dos 278 municípios continentais poderá assim “con-

solidar os resultados ao nível da melhoria da qualidade de serviço obtidos na última década, que se concretizam em 99,9% de fiabilidade da rede elétrica de distribuição”, refere a empresa em comunicado.

Alenquer sem dinheiro da União Europeia para investir na Saúde presidente da Câmara de Alenquer não está muito satisfeito com a distribuição das verbas dos fundos estruturais ao seu município, principalmente no que à saúde diz respeito. Em reunião de Assembleia Municipal, Pedro Folgado, mostrou-se contra o mapeamento

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desenhado pelo Mais Centro e Oestecim no que a esta área diz respeito, até porque outros municípios da área Oeste vão ser contemplados, nomeadamente, Alcobaça com dois centros de saúde, Caldas da Rainha e Cadaval com um para cada. “Com surpresa verificámos que

o município de Alenquer não seria contemplado com projetos. Já mostrei o meu desagrado na Oestecim. Ficámos indignados”, demonstrou, acrescentando – “Sei que o mapeamento está a ser reformulado, mas desconheço ainda se vamos ser incluídos ou não. Disponibilizámos um es-

paço em Abrigada para a reconstrução do centro de saúde, e esperamos que a situação seja corrigida, pois temos dado conta das condições sub-humanas das nossas extensões de saúde”. O município tem mais razões para sorrir no que se refere à Educação com a atribuição de 1

milhão 800 mil euros que servirão para requalificar escolas do concelho, sendo que a Câmara vai avaliar quais as intervenções mais importantes neste âmbito. Neste quadro, o Mais Centro dedicou uma verba de 19 milhões aos concelhos que fazem parte da comunidade intermunicipal,

sendo que três milhões foram absorvidos pelo Estado. A Cultura é também parente pobre neste concelho no que ao Portugal 2020 diz respeito. “Como não temos monumentos nacionais, apenas de interesse nacional, não obteremos financiamento”.

Olival de Alcoentre deve chegar aos 1000 hectares em 2016 olival que cresce a olhos vistos no alto do concelho de Azambuja emprega atualmente 80 portugueses e 10 espanhóis. Já foram plantados 450 hectares, espera-se chegar aos 700 até final do ano, e em 2016 deverá

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atingir mais de 1000 hectares, tornando-se na maior exploração do género na Península Ibérica. Estas intenções foram dadas a conhecer junto do presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, recentemente. O azeite será todo para

exportação. “Estive a ver também dois projetos para a construção de um lagar que vão desenvolver”, refere ao Valor Local. O projeto espanhol prevê ainda a construção de uma rotunda de acesso à quinta e Luís de Sousa sabe que estão

em negociações com a Estradas de Portugal. O olival está a ser plantado pela empresa Vilanueva SLU depois destes terrenos terem sido comprados pela Torrebela. Um grupo de empresários árabes ligados à Câmara de Comércio

Luso-Árabe esteve também recentemente reunido com o presidente da Câmara de Azambuja tendo em vista a possibilidade de concretização de negócios no concelho, nomeadamente, no ninho de empresas previsto. Os empresários es-

tão ligados ao ramo industrial e “a aproximação deu-se também junto dos proprietários da Torrebela na componente da caça e na parte do olival cuja instalação se encontra em fase de plantação”.


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O Segredos do Sucesso da Orivárzea

Jorge Parreira dá a conhecer a estratégia da Orivárzea ¢

Sílvia Agostinho udo começou em 1997. A Orivárzea, no concelho de Salvaterra de Magos, nasceu do sonho de tornar o arroz ribatejano uma espécie de chancela. Hoje em dia, é uma das empresas mais respeitadas no país, e a maior produtora deste cereal, embora prefira não dar grande importância à quota de mercado que possui, assim o afiança, à nossa reportagem, o diretor comercial da empresa, Jorge Parreira. Com 41 acionistas e nove aderentes nos concelhos de Salvaterra, Benavente, Azambuja, Coruche e Vila Franca de Xira é um dos principais produtores do país, e Jorge Parreira não esconde que o objetivo inicial se focou na mudança de paradigma do arroz em Portugal, “ou até mesmo em termos mundiais, com muita modéstia”, pois “em todo o mundo, o arroz vale pelo preço e nós dissemos que no nosso caso tinha de ser diferente”. “Diferenciamos o nosso produto pela origem, dado que é oriundo de apenas uma região. O embalamento é feito por nós, somos amigos do ambiente, a produção é quase biológica. E por fim, temos a certificação alimentar a nível da qualidade e segurança na qual fomos pioneiros”. A produção estende-se por 5300 hectares, 30 mil toneladas por ano. A verdade é que nem tudo foi fácil, primeiramente a empresa quis ombrear com os grandes produtores, alguns multinacionais, que “iam buscar o arroz lá fora a pre-

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ços muito competitivos”, e o caminho foi o da diferenciação: “Deixámos de trabalhar 24 horas por dia, para passar a trabalhar oito para uma produção de 150 mil toneladas.” Mas esta diferenciação ainda tinha de ser afinada. A empresa entrou com preços mais altos nas prateleiras dos supermercados; posteriormente percebeu que a estratégia não podia passar por aí, até porque estamos a falar de um bem de primeira necessidade, e em que a generalidade dos consumidores olha não apenas à qualidade. Por outro lado, o povo português há muito que se acostumara ao mais previsível arroz agulha, quando a marca faz do carolino o seu principal baluarte. “O nosso cliente tipo tinha poder de compra, era informado; dava importância à certificação e à qualidade do produto, se assim podemos dizer. Mas sempre que colocávamos o arroz em promoção, as vendas disparavam, vimos que tínhamos muito mais a ganhar se baixássemos os preços definitivamente”, abandonando por consequência o catálogo de produto de nicho. Mas voltamos a falar em quota de mercado, e Jorge Parreira prefere evitar o tema – “Não é um assunto ao qual dê uma importância fundamental na nossa estratégia, não sei nem me preocupo, nem a administração”, refere e ilustra – “Até porque não estamos em todas as cadeias de distribuição, apenas nas nove maiores, e nos cashs nacionais de produtos alimentares, não esta-

mos nos discounts. Estamos a crescer em todos e em alguns a Orivárzea é líder”. E enfatiza – “Em 2014 crescemos dois milhões de quilos. O volume de negócios foi de 18 milhões de euros”. Cinquenta por cento do arroz consumido no país é proveniente do estrangeiro, e Jorge Parreira não tem dúvidas em afirmar que muito desse produto importado passa por negociações na base do “vale tudo” com prejuízos evidentes para o consumidor. “Há preços no mercado que eu não consigo ter à porta da fábrica”. No que se refere às marcas brancas, a Orivárzea estabeleceu um acordo com a cadeia Intermarché e também com a Makro, numa lógica de diferenciação de produto, apanágio da empresa. Sobretudo alcançou a obrigação de ver inscrita nas embalagens a proveniência do produto, algo que se revelou de difícil negociação com outras grandes cadeias de hipermercados. “Aliás fomos a primeira empresa, não só a nível do arroz, a inscrever a sua origem”, neste caso quando ainda numa fase inicial a Orivárzea trabalhou com os hipermercados Carrefour, empresa que entretanto abandonou o país. A estratégia da Orivárzea, a dada altura, também colidiu de frente com a grande distribuição: “Deixámos cair esse trabalho com as marcas próprias dos supermercados, até porque percebemos que podiam facilmente implantar-se no mercado, e preferimos trabalhar,

Empresa tem campos em seis concelhos antes, com as nossas, porque não fazia sentido”, desvenda e vai mais além – “Chegaram-nos a pedir para embaratecer custos, e fazer um produto inferior, mas esse não era o nosso caminho”. E a Orivárzea também tem conseguido bater o pé nas negociações com os grandes senhores dos hipermercados: “Hoje somos o único grande produtor que negoceia com a grande distribuição, estabelecendo preços que não se conseguia antes. Lembro-me que na primeira reunião onde estive, quando anunciei um preço superior para o carolino em comparação com o agulha ficaram a olhar para mim!”, enfatiza tendo em conta que durante muito tempo quase só se ouvia falar no agulha. “Mas experimente fazer um arroz de tomate com carolino, e verá a diferença, porque o agulha não tem sabor”. Embora a empresa também produza esta variedade, para além do aromático. A comprovar a qualidade dos seus arrozes, está a adoção por parte dos grandes chefs portugueses deste produto, “sem que a empresa lhes pague para isso, simplesmente fazem-nos esse favor de usarem o nosso arroz e de o divulgarem”. A inovação é uma palavra que tem acompanhado a vida desta empresa, e a aposta será, a curto prazo, na venda de arroz congelado, pronto a cozinhar, nas variedades de grelos, tomate, cenoura, entre outras. Em conversa com um chef, este disse a Jorge Par-

reira que o arroz perdia para a massa no tempo de confeção, e a Orivárzea está à partida apostada em ganhar esta espécie de campeonato. A Iglo testou este mercado, mas sem sucesso, depressa abandonando a ideia. O Continente também. A Orivárzea quer aproveitar o insucesso dos ante-

cessores, e está a testar fortemente o seu novo produto. Só para arranjar o parceiro nesta nova aposta demorou um ano, e o diretor comercial confessa que já provou o “arroz de tomate congelado que tem o mesmo sabor e cheiro do arroz acabado de cozinhar”.

À conquista do país do arroz uem diria que um país como o nosso poderia um dia vender para o principal consumidor de arroz no mundo, e segundo produtor mundial – a China. A Orivárzea que já está presente em países como a Suíça, a Polónia e Bélgica, ensaia as primeiras aproximações ao mercado oriental com a sua nova coqueluche – o baby rice, um arroz concebido para a alimentação infantil, completamente livre de pesticidas e de metais pesados, e que nasceu de uma simples conversa entre o diretor comercial da empresa e o engenheiro do departamento de qualidade. “Já se sabe que os chineses gostam de dar aos filhos o melhor possível”, constata. O baby rice está a abrir mercados. A gama “Bom Sucesso” da Orivárzea também já está presente em Macau e Hong Kong por exemplo, e na restante China aguarda por fechar um protocolo nesse sentido entre o governo português e o chinês. Mas tudo aponta no bom sentido – “Posso dizer que ainda há pouco tempo estive a fechar um negócio para dez milhões de quilos só com o parceiro da cidade de Cantão. No nosso país é exatamente essa quantidade que consumimos”, enfatiza não escondendo que a Orivárzea tem um mundo de conquistas pela frente. Para além disso, está em cerca de 15 países. Pequenas vitórias de uma empresa que não vai além dos 30 colaboradores. Jorge Parreira não esconde que todos os dias tem solicitações para vender arroz, mas “a política é de cautela”, até porque “a aposta é na valorização da matéria-prima”, apanágio desde sempre da empresa.

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Economia

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Valor Local

Municípios alavancam empreendedorismo apoio aos projetos empresariais estão na ordem do dia na agenda dos vários municípios. Entre a crise, para uns, e a retoma, para outros, a palavra empreendedorismo veio para ficar e neste aspeto através de meios próprios com gabinetes de apoio ao investidor, ou com recurso a parceiros da comunidade como instituições bancárias ou associações empresariais, as autarquias têm-se tentado esforçar por promover a atividade económica. No caso do concelho de Azambuja foi assinado recentemente um protocolo com a Associação Comércio Indústria e Serviços do Município de Azambuja tendo em vista a abertura de um gabinete de apoio ao empresário (ver caixa). Mas há poucos meses atrás foi apresentada com alguma pompa e circunstância a empresa BETA-I que pretende implementar no concelho um acelerador de logística. Foi ainda nomeado um gestor da inovação no concelho, Rui Pinto, que de acordo com o presidente da autarquia está a contactar com empresas no exterior para se instalarem no futuro ninho de empresas no Páteo do Valverde. Também está a promover uma aproximação junto das escolas secundárias do concelho e dos estudantes universitários de Azambuja.

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Confeitaria Nacional vai instalar-se em Salvaterra de Magos Em Salvaterra de Magos, o presidente da autarquia, Hélder Esménio, dá a conhecer que foi implementada uma taxa de derrama de zero por cento para as pequenas empresas. Através do pelouro do Desenvolvimento Económico e do Empreendedorismo foram promovidas “visitas a empresários através do vereador Francisco Naia”. A Câmara tem vindo a criar uma bolsa de armazéns, “porque os empresários queixam-se da falta de terrenos e de imobiliário onde possam criar os seus negócios”. Neste âmbito, em Muge foram atribuídos cinco armazéns, que estavam na propriedade da banca, abandonados, à Confeitaria Nacional. “Esta notícia (anunciada pela primeira vez nesta entrevista) já é decorrente da ação de termos fundado um gabinete de apoio ao empresário, que não recebe os investidores nas horas que convêm ao município, mas o contrário. Temos

feito um grande acompanhamento, e assim tudo correu bem com a confeitaria, que já comprou os pavilhões”. “Estabelecemos pontes também entre a empresa e a nossa escola profissional que conta com cursos de pastelaria. Possivelmente os alunos poderão vir a ter aulas na confeitaria uma vez instalada no concelho”. Foi ainda levado a cabo um estudo de caracterização económica das empresas instaladas no concelho. O novo gabinete de apoio ao empreendedorismo encetou, também, debates acerca dos fundos comunitários para os empresários dos ramos comercial, agrícola e industrial. Um dos parceiros da Câmara nos projetos tem sido a Nersant. O autarca atribui ainda uma especial importância à Feira de Magos como montra do setor agroindustrial no concelho Câmara de Vila Franca privilegia ação do gabinete de apoio ao investidor

No caso do concelho de Vila Franca de Xira é destacado que se conseguiu um conjunto de ações e iniciativas que compreendem “a edição de publicações, a implementação de sistemas de informação dinâmicos, a realização de estudos de suporte”, bem como “ações de atração de investimento, sem esquecer o contacto direto com as empresas, o contacto com organizações, entidades públicas e privadas externas, a dinamização de ambientes de negócios, a organização de eventos dirigidos, a promoção da visibilidade, a partilha de informação, entre muitos outros”. O Gabinete de Apoio ao Investidor local procura disponibilizar, quer ao tecido empresarial do concelho quer ainda ao potencial investimento, “um conjunto vasto de serviços e competências por forma a apoiar eficazmente o desenvolvimento económico do concelho numa lógica de simplificação de processos.” No que se refere ao comércio dito tradicional, que segundo muitos tem vindo a perder fôlego na sede de concelho, a Câmara Municipal refere a importância de alguns eventos de caráter turístico, cultural e desportivo (este ano, realce para a Volta a Portugal em Bicicleta), bem como as Campanhas de Gastronomia, o Colete Encarnado, a Feira de Outubro e a promoção

turística. Neste momento, a ACIS tem em curso um projeto de modernização para o comércio – no âmbito da medida “Comércio Investe” – que tem também desde o seu início contado com a colaboração da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. A medida “Comércio Investe” destina-se à promoção da inovação de processo, organizacional e de marketing nas empresas do setor do comércio, “sendo por isso relevante todo o alcance, quer em termos de dinamização quer em termos de modernização, que este projeto da ACIS pretende atingir”, refere a autarquia. No que se refere à regeneração urbana e as potencialidades do aproveitamento de espaços, refere o município que “uma das hipóteses que está a ser estudada é a de uma potencial utilização de espaços devolutos para a criação estruturas para alojamento de ‘start-ups’ ou para incubação de empresas Alenquer diversifica espaços de apoio ao empreendedor Já em Alenquer, foi recentemente inaugurado mais um gabinete de apoio ao empresário desta vez na freguesia da Merceana, na fronteira com os concelhos de Torres Vedras e do Cadaval. Uma vez por semana, um técnico da Câmara estará disponível nas instalações

Autarcas esforçam-se por atrair empreendedores para os seus concelhos do gabinete local, edifício do polo da biblioteca da Merceana, onde prestará apoio aos empreendedores locais que se queiram iniciar num negócio. Em 2014, a Câmara abriu um espaço a funcionar nos mesmos moldes no Carregado que suscitou “interesse e curiosidade” por parte de alguns munícipes interessados em abrir o seu próprio negócio. Numa segunda fase, a Câmara prevê criar ainda na Merceana, no mesmo espaço, uma área de cowork onde empreendedores em início de carreira possam partilhar alguns recursos à sua disposição como acesso à internet, fotocopiadora, entre outros acessórios. Um espaço equivalente será também criado na vila de Alenquer e com os mesmos fins, em princípio no

edifício do pavilhão municipal numa zona independente das normais atividades realizadas naquele equipamento. O presidente da Câmara espera que estas ideias saiam logo que possível do papel. Por seu lado, o vereador com o pelouro do Planeamento Estratégico, (e ainda em matéria de empreendedorismo), Paulo Franco, fez notar que o Portal de Negócios da autarquia já recebeu cerca de 250 inscrições de empresas, desde a sua criação em fevereiro, o que se afigura “como muito positivo”, tendo permitido uma “boa sinergia de interesses entre empresários, e até alguma empregabilidade de indivíduos que submeteram os seus currículos a essas empresas”. “Tenho conhecimento de pelo menos duas pessoas que

conseguiram emprego através do nosso portal”, revelou. Em marcha também está a criação de um curso superior nível 5 de “Viticultura e Enologia”, a decorrer na Escola Secundária Damião de Goes, promovido pela Escola Superior Agrária de Santarém; e que se pode revelar como uma maisvalia para os jovens do concelho. “Este protocolo implica estágios em quintas e sociedades agrícolas do concelho”. Algo que pode significar a possibilidade de um futuro emprego para os 25 frequentadores do curso, que para se candidatarem deverão ter concluído o 12º ano e terem mais de 23 anos. Na próxima edição vamos conhecer o empreendedorismo nos concelhos de Cartaxo, Arruda dos Vinhos e Benavente.

Gabinete de Apoio ao Empreendedor em Azambuja: Aproximação às pequenas e médias empresas Câmara Municipal de Azambuja e a Associação Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA) assinaram um protocolo que visa a instalação de um gabinete de apoio ao empresário que funcionará no Centro Comercial Atrium, “a partir do final do final de agosto, inícios de setembro”, segundo referiu a associação. A ACISMA aguarda apenas pela formalização do contrato de arrendamento nas próximas semanas. O projeto há muito ambicionado deverá sair do papel com a criação de uma estrutura onde para além de uma administrativa, técnicos prestarão informações aos empreendedores do concelho fornecendo-lhes as ferramentas necessárias tendo em vista os seus negócios, mormente, no que toca aos fundos comunitários. O porta-voz da associação, Daniel Claro, vincou, na altura dos discursos, que apesar de grandes empresas nacionais estarem presentes no concelho, é ao médio e pequeno empresário que urge apoiar, pois no caso das maiores, a margem de intervenção do município é diminuta quando se pensa numa estratégia para o concelho. Ajudar a florescer negócios é pois o mote deste gabinete que “acima de tudo deve ser proativo e não reativo”, frisou. Para além de informação prestada in loco, este gabinete já pensou em formas de ir também ao encontro do empresariado e por isso promoverá debates, sessões de esclarecimento, entre outros. Uma associação industrial do Oeste, escolhida por ser a que a nível da região possui maior traquejo nestas questões, também servirá de apoio à estrutura de Azambuja. Será criada ainda uma plataforma informática online que permitirá que todas as empresas fiquem ligadas ao gabinete. O porta-voz da associação fez questão de esclarecer perante os presentes que todo o processo referente a este gabinete será o mais transparente possível com a criação de uma conta bancária que lhe ficará adstrita e escrutínio constante às suas contas, bem como a produção de relatórios periódicos acerca do seu funcionamento numa lógica de “constante avaliação” do trabalho do mesmo. Depois da assinatura do protocolo entre o presidente da Câmara, Luís de Sousa, e o presidente da ACISMA, Carlos Henriques, foi entregue um cheque no valor de 6500 euros tendo em vista as primeiras despesas ligadas à implantação da estrutura em causa. O presidente da autarquia afirmou a sua “alegria” por finalmente ver o projeto a ganhar pernas, “pois desde há algum tempo que temos vindo a falar do mesmo”. O concelho possui cerca de 369 empresas, e 3714 empregos pelo que a mais-valia do gabinete está à vista. “Desde 2010 até agora, muitas encerraram, outras pediram a insolvência, e por isso está na altura de avançar com o projeto”. Também o vereador da oposição CDU, David Mendes, presente na cerimónia deixou votos para que o projeto possa ser bem-sucedido, lamentando apenas que a sua criação não tivesse acontecido mais cedo – “Comecei a falar disto em 2001, e hoje poderíamos ter algo de excecional a nível da nossa economia, esperemos apenas que a implantação do gabinete não seja tardia”.

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Valor Local

Desporto

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André Rodrigues, treinador de futsal do Benfica

“É mais fácil sermos reconhecidos fora de Azambuja” ndré Rodrigues, 30 anos, é treinador no escalão de juniores C - iniciados do Sport Lisboa e Benfica em futsal, bem como coordenador da mesma modalidade no Grupo Desportivo de Azambuja, e conta ao nosso jornal que o futsal está desde sempre presente na sua vida. “A partir do momento, em que na EBI de Azambuja foram pintadas as linhas do campo polidesportivo ao ar livre, que o contacto com o futsal foi permanente, no 5 contra 5 nos duelos inter-turmas; ou nas finais dos intervalos das aulas”, recorda-se. Mas não tem dúvidas: “Não fui, nem sou um excecional executante em qualquer uma das modalidades que pratiquei ou pratico, mas em todas sempre me dediquei e empenhei ao máximo, é a minha maneira de estar perante o desporto”. A carreira de treinador começou com um convite do atual treinador do Unidos Pinheirense, Pedro Henriques – na altura seu treinador no escalão de juniores e coordenador da escolinha “Mini Craques” – que aceitou de imediato. Para trás ficava uma carreira como atleta. Enquanto jogador representou o União Desporto e Recreio. “Infelizmente nesses anos enquanto jogador federado não conquistei nenhum troféu, contudo ganhei muito enquanto homem: companheirismo e espírito de equipa que são sentimen-

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tos que me marcarão para o resto da vida”. Como treinador, “felizmente também tenho tido muitas alegrias, representei o União Desporto e Recreio/ Escolinha ‘Os Minis-Craques’ entre os anos de 2003 e 2006. No ano de 2006 aceitei o convite, que muito me honrou, do mister António João Alves, e até ao presente, colaboro com o Grupo Desportivo de Azambuja. Fui treinador de escalões de competição: iniciados e juvenis, e atualmente sou treinador e coordenador dos escalões de petizes, traquinas, benjamins e infantis”. No clube da sua terra, conseguiu três subidas de divisão e um quase título, vice-campeão de juvenis na época de 2009/2010. Na época 2010/2011, deu um salto na sua carreira ao aceitar o convite para fazer parte da equipa técnica de juvenis do Sporting Clube de Portugal. “Ao tricampeonato do Distrital da AF Lisboa, juntámos na época 2012/2013, o título de campeão nacional”, recorda-se. “O último desafio que aceitei, e que me continua a dar muitas lutas, é o de treinar uma equipa do Sport Lisboa e Benfica, sendo que na época passada, fui vice-campeão nacional de juvenis e esta época, vice-campeão de iniciados. Fui também, na época 2013/2014, selecionador de Sub18 da AF Lisboa, tendo colaborado na estruturação da respetiva seleção nacional”, dá conta.

Quando se lhe pergunta como é que conseguiu dar o salto de Azambuja para um clube grande, diz que não é assim tão difícil obter-se reconhecimento pelo trabalho desenvolvido. “Não querendo ferir suscetibilidades, mas julgo que é mais fácil sermos reconhecidos por parte de quem não é nosso conterrâneo. Infelizmente esta é a realidade com a qual me tenho debatido ao longo destes anos”, não tem dúvidas e sugere a seguinte questão: “Quantos habitantes do município de Azambuja sabem que nos últimos cinco anos colocámos três jogadores em clubes de dimensão nacional como o Benfica ou o Sporting? Esses mesmos habitantes sabem que atualmente existem quatro azambujenses que fazem parte dos quadros técnicos do Futsal do Sport Lisboa e Benfica? Não trabalho para o reconhecimento público, trabalho pelo gosto que tenho em fazer o que faço, mas valoriza-se tanta coisa, por vezes de dimensão inferior ao do percurso de alguns dos nossos concidadãos”. E não tem dúvidas: “Esse salto de gigante GDA para o Sporting CP deu-se pelo tal reconhecimento do trabalho realizado com a equipa de juvenis na época 2009/2010”. Licenciado em Ciências do Desporto, refere que é atribuída cada vez maior importância ao conhecimento científico e académico, “sendo isso visível quando os trei-

nadores se fazem rodear dos melhores académicos ou quando decidem investir na aquisição própria de conhecimentos”. “Ser-se licenciado num contexto desportivo é uma vantagem? Sim, sobretudo quando trabalhamos com objetivos e responsabilidades na conquista de títulos nacionais”, refere e prossegue: “Segundo a minha experiência existem duas grandes vantagens: conhecimento metodológico e fisiológico, quero com isto dizer que estamos mais aptos a criar exercícios, unidades de treino e ciclos de trabalho mais organizados e contextualizados com a realidade individual (técnica e morfológica) de cada jogador, sem nunca por em causa o fator de unidade da equipa”. Mas acima de tudo ser treinador é também “ termos a humildade de estarmos abertos à aprendizagem social, à capacidade da gestão do recurso (ser) humano, e sobretudo a inteligência técnico-tática em analisar o jogo em todos os momentos”. Quanto a planos para o futuro refere que passam por ser campeão Distrital de Juniores C em representação do Sport Lisboa e Benfica, e no contexto do Grupo Desportivo de Azambuja, potenciar o aumento do número de atletas e de adeptos da modalidade. A modalidade que está em expansão, e que envolve já patrocínios de alguma monta conta a ní-

O gosto pela modalidade começou na escola vel local e regional com “iniciativas de louvar”, como é o caso do AZB Fair Play que promove encontros entre as várias equipas e escolas de futsal. Esta iniciativa já movimenta mais de 100 atletas praticantes de futsal. “A nível regional estamos inseridos na maior associação de futebol do país, que nos últimos anos tem dominado não só o número de títulos conquistados pelas seu clubes filiados, bem como pelo número de atletas inscritos”. Final-

mente a nível nacional, “temos campeonatos cada vez mais competitivos, com cada vez mais organização e profissionalização, por parte do clubes e da Federação Portuguesa de Futebol. Acredito que façam falta duas coisas para que o futsal se coloque como a maior modalidade desportiva, depois do futebol: títulos internacionais, por parte dos clubes e da seleção nacional, e a aceitação do futsal como modalidade olímpica.”

Ginástica Desportiva de Azambuja precisa de paralelas assimétricas uatro pódios e dois títulos no campeonato nacional da modalidade, foi o resultado alcançado pelo Gydafit do Grupo Desportivo de Azambuja (GDA) nos recentes

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campeonatos nacionais de categoria base, em ginástica desportiva. Estes resultados, no entanto, não deixam totalmente satisfeitas as

A equipa de ginástica do GDA

cerca de 40 atletas entre os dois e os 16 anos e as técnicas que diariamente as acompanham. A razão dessa insatisfação, está na falta de material oficial de treino, que traria

muitos benefícios e certamente faria com que as atletas conseguissem melhores resultados. Como todos os pequenos clubes, o GDA, não tem uma situação financeira desafogada; e como tal não pode por si só, fazer face a todas as despesas, mesmo quando são de extrema necessidade, como é o caso do material de treino da ginástica desportiva. Falamos por exemplo de umas paralelas assimétricas oficiais, pois as atuais nas quais as atletas treinam, foram construídas pela sec-

ção e por muito boas que sejam, não se comparam às das competições. Curiosamente um dos títulos nacionais alcançados, assim como um vice campeonato, foram na disciplina de paralelas assimétricas. “Isto deixa uma interrogação, quais seriam os resultados alcançados, se estas atletas tivessem as mesmas condições de treino das suas adversárias?”, questionam os responsáveis do clube. Para tentar melhorar as condições de trabalho, o GDA e o Gydafit,

lançaram uma campanha para aquisição de umas paralelas assimétricas oficiais, assim, como uma base de apoio para a treinadora auxiliar alguns dos exercícios. Esse material, tem um custo de cerca de quatro mil euros e a partir de um euro, qualquer pessoa pode ajudar. Nos donativos acima de cinco euros o Gydafit oferece em troca uma experiência nas suas atividades, que vão desde uma aula de grupo, a uma aula individual, passando por uma avaliação física ou uma sessão de reiki.


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Valor Local


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Ambiente

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Quercus desconcertada com aterro na Quinta da Queijeira em Azambuja associação ambientalista Quercus diz-se desconcertada com o aterro de resíduos não perigosos a ser instalado na Quinta da Queijeira a poucos metros da entrada norte de Azambuja. Rui Berkemeier, especialista em resíduos da associação, tem dificuldades em perceber como a Moto-Engil que venceu o concurso para gerir os resíduos a nível nacional, como empresa integrante do consórcio SUMA, se permite a uma solução como esta. Rui Berkemeier faz questão de frisar que a União Europeia aponta metas para a reciclagem, e que esta decisão vai contra as mais modernas políticas para os resíduos, nomeadamente, o recurso à compostagem como deveria ser o caso de parte do que será encaminhado para este aterro. “Faz-me imensa confusão que uma empresa como a Moto-Engil com a responsabilidade que tem esteja a apostar neste tipo de solução”. O presidente da autarquia de Azambuja, Luís de Sousa, afirmou mais uma vez que já não está nas suas mãos mudar o quadro em causa, dado que apesar de a Câmara ter revogado, em reunião do executivo, a declaração de interesse público, os organismos do Estado nada apontaram quanto ao prosseguimento das intenções da

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SUMA/Zubareia, mesmo depois do não do órgão autárquico. Esta foi aliás uma questão que havia sido suscitada pelo vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra (CPFNT), Jorge Lopes, nas últimas sessões de Câmara, que pediu para que o município juridicamente tentasse de facto provar a todo o custo que a revogação ainda pode ter consequências. “Só podemos intervir se a empresa entrar em incumprimento com as regras”, suscita o presidente da Câmara. Luís de Sousa referiu ao Valor Local que vai in loco a um aterro idêntico do grupo em Leiria para tentar aferir dos propalados maus cheiros. “Tal como São Tomé quero ver para crer que não há cheiros, como a empresa me referiu”. O Valor Local questionou o autarca se uma visita de horas, num dia específico, marcada antecipadamente, não poderá levar a que a empresa tente mostrar o mais idílico dos cenários, mas Luís de Sousa é da opinião de que haverá honestidade por parte da SUMA. Quanto aos resíduos já é sabido que vêm para Azambuja os relacionados com as obras de construção civil (vulgo entulhos); resíduos de produção primária de horticultura e agricultura; resíduos de processamento alimentar, plásti-

“O ministério do Ambiente está a ter nesta matéria um comportamento inaceitável e incompreensível” “Tal como São Tomé quero ver para crer que não há cheiros, como a empresa me referiu”. “Faz-me imensa confusão que uma empresa como a Moto-Engil com a responsabilidade que tem esteja a apostar neste tipo de solução”.

Ambientalista diz que o aterro vai contra o que a União Europeia dita

“Quando a Moto-Engil estiver a gerir os resíduos nacionais não pode vir com essa lógica, seria o suicídio. Vamos entrar em contacto com a empresa para saber o que pretende” cos, restos da atividade agrícola; resíduos da atividade transformadora relacionada com o processamento do tomate; restos de produtos sem especificações. Mais uma vez, o autarca não vê grandes problemas neste aterro, “até porque os buracos originados pela extração de areias terão de ser tapados; ao fim de oito anos o aterro será selado e construída uma zona arborizada”. Recorde-se que a Câmara também vai partilhar parte dos lucros neste negócio, cerca de cinco por cento. Só que até lá e pelo menos a julgar pelo quadro pintado pela Quercus, poderão existir muitos reveses para o município. “O ministério do Ambiente está a ter nesta matéria um comportamento inaceitável e incompreensível”, não tem dúvidas em atirar, o ambientalista. Rui Berkemeier explica que os resíduos não perigosos quando entram em aterro originam gases

com efeito de estufa, “originando poluição atmosférica e maus cheiros”; bem como “contaminação das águas subterrâneas”. Berkemeier volta à carga – “Quando a Moto-Engil estiver a gerir os resíduos nacionais não pode vir com essa lógica, seria o suicídio. Vamos entrar em contacto com a empresa para saber o que pretende”. Como se o quadro não fosse por si só “preocupante”, a associação refere que este tipo de aterros deve situar-se a pelo menos dois quilómetros das habitações mais próximas. Segundo um documento da CPFNT essa distância é de apenas 300 metros. Até no que se refere à falta de estudo de impacte ambiental que no caso deste aterro não foi providenciado por se tratar de uma exploração pequena, o ambientalista não é parco em palavras – “Por vezes são feitos com base em grandes aldrabices, porque é pago

por quem quer a obra, feito à maneira do freguês”. Por seu lado, “a CCDR ao passar licença para este aterro é co-responsável por Portugal não atingir as metas, é com esses pequenos projetos que depois temos grandes problemas a nível nacional”. Este tipo de aterros apesar de todos os cuidados a nível da sua manutenção podem a qualquer momento descambar em termos ambientais – “Mesmo com terra por cima, os gases são libertados.

Por mais cuidado que se possa ter na colocação da tela para proteção dos lençóis de água, pode-se dar um erro ou outro e a mesma ser rompida”. Por tudo isto conclui – “A autarquia de Azambuja nunca deveria ter permitido a colocação de resíduos no aterro”. O Valor Local tentou por várias vezes obter declarações sobre o assunto junto da Mota-Engil, mas o gabinete de comunicação disse-nos por mais de uma vez que não há disponibilidade para prestar declarações.

Entrada que dá acesso ao aterro em Azambuja


Destaque

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Valor Local

É preciso Salvar o Tejo! A poluição e o assoreamento não são problemas novos, mas a consciência de que o Tejo não poderá continuar a ser um eterno moribundo ligado à máquina começa a despertar. Neste trabalho ouvimos as autarquias, os ecologistas, os avieiros e outros protagonistas que lançam um grito de alerta para a necessidade de todos acordarmos para um dos mais importantes recursos ambientais do país. ¢ Sílvia Agostinho ¢ Miguel A. Rodrigues avegar no Rio Tejo entre Valada do Ribatejo e Vila Nova da Rainha não é uma tarefa fácil. Com o encerramento

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de dois estaleiros de extração de areias a norte de Azambuja, a navegabilidade no rio tornouse mais difícil. O Tejo foi ficando assoreado e hoje existem locais onde, com a maré cheia, o rio

não tem mais de um metro e meio de profundidade. A poluição ainda é gritante, apesar das novas etar’s terem suprimido parte do problema, e de se terem adotado boas práticas am-

Vala poluída e palmeiras dizimadas, o retrato do desconsolo em Azambuja

bientais na agricultura praticada à beira rio. Mas o Tejo não deixou de ser o esgoto de alguns malfeitores. A viagem do Valor Local começa a bordo do barco dos bom-

beiros de Azambuja, numa reportagem, onde tentamos perceber quais as dificuldades impostas pelo assoreamento e a poluição, e o que sobra das possibilidades turísticas e eco-

nómicas associadas ao rio Tejo. O cais do Palácio das Obras Novas, em Azambuja, já teve melhores dias. A vegetação por cortar inunda o local, e o lodo é por demais evidente. O porto

Escaroupim, Salvaterra de Magos, um dos locais mais visitados do Tejo

“O meu sonho é ir à Feira de Maio de Azambuja de barco” ara os avieiros da aldeia do Porto da Palha, no concelho de Azambuja, a nostalgia fala mais alto, e as memórias de quando o rio era um gigante saudável que abraçava e dava sustento a todas as comunidades ribeirinhas fazem denotar um misto de emoção e de algum desgosto pelo atual estado de coisas. E se o esteiro de Azambuja se tornasse navegável, “era mais uma estrada que tínhamos para ir à vila buscar mantimentos e para mostrar aos turistas a bonita Vala Real”, é assim que fala o avieiro João Lobo. “Era um espetáculo ir de barco com alguns turistas às festas de Azambuja. Seria um grande orgulho para todos nós. A mágoa de não termos isso é muito grande, até porque na vala de Salvaterra é possível.” João Lobo, avieiro com 56 anos de idade, viveu até aos 12 anos na aldeia vizinha da Palhota, e depois mudou-se para o Porto

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da Palha onde viveu a sua juventude. Apesar de denotar que o Tejo se encontra catastrófico para cima de Santarém, mais a sul houve melhorias a partir do momento em que os municípios adotaram as denominadas estações de tratamento de águas residuais, e se atacou a poluição no Alviela e no Trancão. Pescase mais, e faz-se algum negócio com a venda de peixe, “pois o sável voltou 20 anos depois”, mas podia estar melhor. As descargas poluidoras da central de Almaraz às portas da localidade raiana de Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, e os transvases do Tejo, têm estado na agenda dos vários intervenientes dos grupos ecologistas e começa agora a ser objeto de atenção por parte dos partidos políticos. Mas outras indústrias ao longo do rio também se constituem como um foco de poluição. “Quando isso acontece pescamos lixo. Não sei se é originada pelos espanhóis, se pelos

portugueses”, diz, por seu turno, o avieiro Emílio Lobo. Este é um cenário que se tem vindo a repetir nos últimos 10 anos. “Parecem borras de café!”. Quando o negrume de mais uma descarga poluente invade o rio, assiste-se a todo um cenário de pesadelo – “Mais parece que estamos a navegar no meio de uma massa, tal a espessura das águas que invade os nossos oleados. Quando chegamos à aldeia temos de lavar as nossas redes empapadas de sujidade com as mangueiras”, diz João Lobo. As autoridades vêm recolher água para as análises, mas Emídio Lobo acrescenta que se olha para a realidade em causa como “um facto consumado”. A Agência Portuguesa do Ambiente “está mais interessada em passar multas sempre que temos a tentação de intervir nas margens”. Neste caso, mostrou-nos um ponto da aldeia que está literalmente “preso por arames”

para que um dos pequenos pontos de ancoragem dos barcos não desapareça. Tendo em conta que os transvases espanhóis podem ser um dos principais motivos dos desníveis de caudais verificados no rio, João Lobo diz que “há dias em Alpiarça onde se pode atravessar as duas margens de carro ou de trator”. E dentro de seis a sete anos, a pesca poderá ficar seriamente comprometida. “As pessoas comem, hoje, mais peixe do que antigamente. A lampreia do Tejo tem muita qualidade bem como o sável. Há mais pescadores, mas com as descargas de poluição destrói-se tudo, principalmente quando ocorrem durante a pesca sazonal. Uma coisa destas no século XXI é uma tristeza. Este rio merecia mais e podia dar ainda mais riqueza a todos até em postos de trabalho, com a vinda de jovens para a pesca no rio”, constata João Lobo que trabalha com vários revendedores.

Emílio Lobo aponta para o mouchão onde gostaria de voltar a levar turistas

João Lobo sonha com uma Vala Real limpa


Valor Local serve ainda assim muitas embarcações que arriscam navegar na Vala Real. Hélder Santos, segundo Comandante dos Bombeiros de Azambuja, e o bombeiro Fernando Coração, guiaram o Valor Local Tejo adentro. Num facto, todos parecem concordar, a paisagem é de “cortar a respiração”. Aqui e ali, o Tejo vai desvendando alguns traços da sua beleza. A fauna ribatejana é mais do que diversificada e o seu aproveitamento seria uma mais-valia, caso o barco “Vala Real” não estivesse à espera de uma grande reparação. Até lá, o tempo vai passando e a paisagem vai mudando. Dificilmente se poderia dizer que alguma vez os mouchões foram frequentados por milhares de turistas como aconteceu no passado. Uma das preocupações são mesmo os bancos de areia que se vão acumulando aos poucos no rio e que obrigam, neste caso, os bombeiros a fazerem grandes desvios para não “encalharem” o barco. À saída da Vala, e já a entrar no Tejo, verificamos profundidades de 15 e de 12 metros. E em contraste, verificamos também através da sonda que ajuda a perceber o fundo do rio, que existem locais com metro e meio e cinco metros. Esta é uma situação que se ve-

rificou ao longo de todo o percurso entre Vila Nova da Rainha e Valada do Ribatejo. A sonda é uma mais-valia, caso contrário qualquer embarcação facilmente pode encalhar. Todavia, um dos locais mais preocupantes situa-se junto à praia da Casa Branca em Azambuja. O local que de praia, hoje, só tem, mesmo, o nome, regista profundidades onde não se consegue mais de 70 centímetros com maré cheia, o que se constitui como um risco para as embarcações maiores e para quem não conhece “as manhas” do Tejo, referiram os bombeiros. Hélder Santos assegurou mesmo que os bombeiros já tiveram de acudir a barcos encalhados no Tejo, pois o aventureirismo neste rio normalmente acaba daquela maneira. A mesma sonda dá indicações das irregularidades do fundo do Tejo, do lixo acumulado, e dos poucos cardumes de peixe que fomos encontrando pelo caminho. Aliás, os Bombeiros de Azambuja também apontam como fatores de perigosidade as constantes redes de pesca colocadas no rio. A maioria são ilegais e apenas sinalizadas por garrafões azuis ou brancos, e nunca por bóias, como deveria ser o caso. Outra das dificuldades prendese com a má visibilidade no rio Tejo. As águas são turvas e no

Destaque caso de um salvamento, as dificuldades são evidentes. Ainda assim, os Bombeiros de Azambuja querem reativar o núcleo de mergulho. Para já, o mesmo contra com três elementos, o comandante do corpo de bombeiros, Armando Baptista, Hélder Santos, o segundo comandante, e o bombeiro Fernando Coração O rio está subaproveitado por todos os motivos explanados, e para além disso poucos são os locais no que respeita ao concelho de Azambuja que dão acesso ao rio. A única exceção é o “Porto da Palha” na aldeia avieira do Lezirão, que ainda recentemente recebeu o Cruzeiro do Tejo. Na memória, ficam as constantes viagens do Barco Vala Real, que há meia dúzia de anos, percorria o Tejo com os turistas nacionais e estrangeiros. Os dias de hoje são de resto uma miragem do passado. Apenas alguns barcos turísticos se vão atrevendo a mostrar o que resta da beleza selvagem aos turistas, com saídas de Valada, no Cartaxo, ou de Salvaterra, na aldeia do Escaroupim. Nesta reportagem, e com o Tejo em evidência, a Praia Doce de Salvaterra de Magos foi uma agradável surpresa. Dezenas de pessoas aproveitavam o fim de tarde de um dia de semana para se banharem no rio.

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O rio ainda vai proporcionando momentos de grande beleza

Os novos fins de tarde na Praia Doce


Destaque

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Há vontade dos municípios em estarem mais perto do Rio autarquia de Salvaterra de Magos decidiu assumir a tarefa que parecia impossível de devolver um pouco da Praia Doce aos salvaterrenses. As ações de limpeza tiveram lugar, as margens foram restabelecidas com areia, e o Tejo minimamente limpo até uma distância aceitável da praia. Por tudo isto, muitos têm sido os habitantes do concelho que em finais de tarde ou ao fim de semana decidiram acolher o local como uma espécie de hot spot inesperado do momento no concelho. O Valor Local comprovou numa sexta-feira ao fim da tarde que algumas dezenas de pessoas descansavam no novo areal do concelho. O presidente da Câmara, Hélder Esménio, afirma-se “bastante surpreendido com a adesão.” Na valorização do Tejo, a autarquia tem vindo a encetar algumas obras como a recuperação da escola primária que está na entrada da aldeia avieira com a sua ampliação e a futura criação no espaço de um museu do rio, bem como a construção de sanitários públicos no Escaroupim, “pois recebemos centenas de pessoas todas as semanas”. A autarquia limpou os valados até à boca da Vala com “um apontamento muito especial no Bico da Goiva que tem correspondido às expetativas da população, onde a paisagem é lindíssima e que se encontrava inacessível há várias décadas” O autarca salienta que “não andou a desmatar as margens mas a cuidar, nomeadamente, na Pinheiroca, mas sobretudo na Praia Doce”. Muito frequentada há décadas atrás quando a população não tinha posses para ir às praias marítimas. O leito do rio foi limpo onde as profundidades são baixas, com a colaboração dos bombeiros, que também estão a vigiar o espaço. Embora ressalve que foi colocada

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uma placa a indicar que “a zona não é vigiada”. A ideia de intervir no espaço era somente para o devolver aos pescadores, mas entretanto os entusiastas dos piqueniques foram pedindo para que a praia fosse recuperada, e assim foi. Nesta praia estão a ser recuperados sanitários, e foi colocado um parque de merendas. Será criado ainda um palco para pequenos acontecimentos culturais que possam animar o local. A Câmara tem também um funcionário na praia de modo a se evitar “possíveis vandalismos”. No que toca ao concelho de Vila Franca de Xira, a autarquia tem tentado tirar o maior partido possível do barco Varino “Liberdade” que várias vezes por semana faz viagens entre Valada e o Parque das Nações. Alberto Mesquita, presidente da autarquia, refere que o barco foi adquirido pela autarquia em 1988, depois de um período em que esteve inativo. As visitas dão para se contemplar as aves, os mouchões, e “toda a beleza do Tejo”. O barco constituise como um núcleo museológico e em 2014, “foi um dos melhores anos em passeios, cerca de 100”. Até aos 12 anos, não se paga bilhete, nas outras idades o preço é de seis euros, com valores especiais para grupos. O varino tem capacidade para 40 pessoas. Manter esta embarcação custa “milhares de euros” em manutenções por ano, refere o presidente do município. A autarquia gostaria de ver o Tejo navegável de novo do ponto de vista económico, e espera que os Governos possam olhar para essa necessidade. “O assoreamento é um problema complicado não só para a náutica de recreio mas também para o transporte de mercadorias que está esquecido, e que

Fim de tarde na praia de Valada economicamente seria essencial, pois as nossas vias estão saturadas de trânsito de veículos pesados”, assegura. “O secretário de Estado dos Transportes mostrou interesse, desassorear o rio é difícil mas é um trabalho que está a ser feito, e nos próprios queremos desassorear as marinas de Vila Franca e de Alhandra”. Uma tarefa muito vasta “que tem esbarrado em alguma burocracia e é difícil não esmorecermos”, confessa e sentencia – “São obras de muitos anos mas penso que há uma intenção clara de se começar a olhar para o rio. Temos de prosseguir o caminho de limpeza do Tejo iniciado com a construção das etar’s. Estou expectante para que o Tejo esteja na agenda política no futuro, porque para norte em Abrantes ou Santarém vivem-se situações muito críticas”.

Presidente da Câmara de Vila Franca fala num dos melhores anos de sempre do barco varino

A autarquia que criou um passeio ribeirinho que atravessa várias freguesias do concelho prepara-se agora para em concertação com Alenquer ligar a Vala do Carregado ao concelho vizinho, “e para isso vamos fazer uma candidatura intermunicipal, e queremos ligar também a Póvoa de Santa Iria ao Parque das Nações”. “Estamos a trabalhar em conjunto com os técnicos de Alenquer, Loures e Lisboa”. No território do município de Azambuja, a Câmara espera vir a concretizar uma limpeza na vala do esteiro, tendo efetuado uma

candidatura aos fundos europeus nesse sentido. O desejo é que esta vala se torne navegável nas horas de maré cheia através do barco ”Vala Real” que em tempos fez essas mesmas viagens. O projeto tem um orçamento que varia entre os 300 mil e os 400 mil euros com financiamento em 80 por cento da União Europeia. Na envolvente ao palácio e na denominada Casa Branca, não há projetos para algo mais profundo, a Câmara pensa apenas em fazer “uma limpeza dos locais”. Luís de Sousa lamenta que o concessionário que chegou a explorar a

Praia do Tejo não tenha tido a melhor sorte e que o edifício tenha sido vandalizado entretanto. “ A Câmara deveria ter pagado a alguém para tomar conta do espaço”. O autarca é definitivo – “Não há projetos para já, não quer dizer que um dia com disponibilidade financeira não haja de novo”. O presidente da Câmara também não tem informação acerca de um estaleiro inativo na fronteira entre os concelhos de Azambuja e Cartaxo. O Valor Local também enviou um conjunto de questões ao município do Cartaxo mas não obtivemos resposta até o fecho desta edição.

O Tejo e os avieiros: um manancial turístico por descobrir esde que esta comunidade ribeirinha se começou a abrir mais ao exterior que frequentemente os turistas fazem escala por umas horas nas aldeias avieiras do Tejo para conhecer os seus costumes e para apreciar uma refeição em que o peixe é o artista principal. Assim acontece em Azambuja, no Cartaxo e noutras rio acima. João Serrano é um dos rostos da candidatura avieira a património imaterial nacional, um processo já longo, cujo dossier foi recentemente remetido à Direção Geral do Património Cultural; e que pode dar um impulso importante ao turismo ribeirinho. “Vamos aguardar com serenidade”. A decisão deve acontecer ainda durante este ano. A poluição no Tejo é também uma preocupação para esta candidatura, “pois prejudica não só as comunidades ribeirinhas, e da Lezíria, mas também a economia do próprio país”. “Os avieiros estão disponíveis para de uma forma prática ajudarem as entidades competentes, nada está perdido”. João Serrano também corrobora as declarações dos avieiros do Porto da Palha que enfrentam jorros de poluição no Tejo. “Cheguei a testemunhar no início de maio no Cruzeiro do Tejo um cheiro de tal forma nauseabundo na zona da barragem do Fratel (no limite entre o distrito de Castelo Branco e o distrito de Portalegre) como se naquele local laborassem pocilgas, o que não acontece. Os próprios funcionários da barragem afirmaram que tiveram de abrir as janelas para fazer corrente de ar porque não suportavam o cheiro nauseabundo do Tejo”. A degradação deste ecossistema deixa mais longe por consequência o sonho turístico para o Tejo. A candidatura avieira lamenta ainda que as verbas que estavam destinadas ao projeto submetido ao Provere, braço dos fundos europeus para valorização dos recursos endógenos, tenham sido transportadas para outros projetos. “Andámos a trabalhar e ninguém nos disse nada, tudo isto foi posto de parte. Lutámos tanto pelos projetos e não fomos avisados”. Este projeto previa, entre outros, a recuperação das aldeias avieiras do Tejo. João Serrano sustenta que nem tudo é negativo pois o apoio das Câmaras é “mais proativo do que anteriormente”. “Entendem claramente que a valorização das aldeias pode significar mais riqueza, e isso está patente no delinear de projetos por parte das comunidades intermunicipais da Lezíria e do Médio Tejo. No meio de tanta depressão, há otimismo e razões para acreditar”.

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A Luta dos ambientalistas:

Chegar ao Comissário Europeu do Ambiente m breve todas as organizações ambientalistas ao longo do Tejo vão definir ações futuras em defesa do rio, até porque “nos últimos dois meses” este curso de água tem sofrido mais do que nunca com “as fábricas”. “Isso é mais evidente agora porque os caudais são menores”, refere Manuel João Sá do Movimento Ecologista de Vale de Santarém, que com o Movimento Ar Puro (Rio Maior) e a Eco-Cartaxo se uniram em defesa do Rio Maior/Vala Real, um dos afluentes do Tejo. A ida conjunta de vários movimentos às instâncias europeias deverá ser o próximo passo, face à inércia reinante. “O Tejo está transformado numa autêntica desgraça, é um esgoto a céu aberto, e isto não pode continuar assim”, defende o ecologista que centra atenções na Central de Almaraz que “tem graves problemas”, e esse assunto “não é só de Portugal, mas também de Espanha, e de todos os movimentos ecologistas dos dois países”. Mas igualmente preocupante é a laboração de “suiniculturas e outras indústrias que funcionam à margem da legalidade no nosso país”. Manuel João Sá coloca mesmo o acento tónico na união de esforços – “As associações ambientalistas

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dos dois países já não puxam cada uma a brasa à sua sardinha, olham para o Tejo como um todo.” No contacto com as populações ribeirinhas, o sentimento é de “abandono e de tristeza”. “As pessoas sentem-se incapazes de fazerem as suas vidas de outrora. Significa a morte de atividades”. Longe vai também a memória de quando “bebia a água do Tejo que hoje está negra”. “Pescava, tomava banho e hoje essa é uma realidade impossível”. Por esta ordem de razões, “temos de encarar a colocação desta questão à União Europeia, ao comissário do ambiente, e deputados portugueses na Europa dada a evidência e a gravidade do caso. Temos de por a questão ao nível mais elevado que conseguirmos. Vivemos uma situação de calamidade pública no Tejo”. Regularização dos caudais cada vez mais longínqua O Movimento Pró-Tejo, uma plataforma que integra várias associações ambientalistas, constata que a grande questão se prende com a inexistência de caudais ecológicos nos dois países de acordo com parâmetros científicos (indica-

dores físico-químicos, biológicos, hidromorfológicos). E a regularização dos caudais ecológicos não será feita nos tempos mais próximos já que o Plano de Gestão da Bacia Hidrográfica do Tejo 20152021, em fase de participação pública, não os contempla. Algo que entra em dissonância com o preconizado pela União Europeia (UE) através da diretiva quadro da água. “Se Portugal fizesse o estudo científico para os caudais ecológicos, teria outra margem de argumentação sempre que se queixasse à UE do incumprimento espanhol”, refere Paulo Constantino daquele movimento. Vai continuar a vigorar a Convenção de Albufeira, onde “os caudais definidos resultaram de uma decisão política” Em termos práticos, o que tem acontecido é que Espanha abre as comportas em função das suas necessidades – ora com abundantes caudais, ora em escassez, grosso modo. Paulo Constantino dá conta que o ministério do Ambiente poucas vezes responde aos apelos lançados pela plataforma. Na opinião do ambientalista, Portugal “tem-se sujeitado ao que Espanha quer”, porque “os caudais estão muito abaixo do desejável”.

Candidatura avieira acusa Entidade Regional de Turismo de ser como “um elefante em loja de vidros” m 2005 foi lançada a candidatura avieira a património nacional. De lá para cá, os seus proponentes têm desencadeado uma série de iniciativas com vista a esse objetivo, desde seminários, contactos com as comunidades, trabalhos científicos, e projetos variados. Mais recentemente lançou-se a ideia de uma candidatura a património da Unesco. No meio de tudo isto, João Serrano afirma-se chocado com a atitude da Entidade Regional de Turismo do Alentejo que passou a gerir também o Ribatejo que na sua opinião quer retirar a liderança deste projeto ao Instituto Politécnico de Santarém que trabalha no terreno há precisamente uma década. “A Entidade quer ficar com o projeto e coordená-lo, dizem que têm o conhecimento do seu lado, derivado aos seus projetos no Alentejo para o cante e para o chocalho”. O tom de indignação sobe – “Mas e o nosso trabalho fica onde? Ficamos para trás novamente?”, e alerta – “Todos devem fazer parte do projeto”. João Serrano explica que a entidade quer “por os seus especialistas no terreno, aproveitar tudo o que já foi feito, e simplesmente serem eles a coordenar. Não é assim que se trabalha”. Diz mesmo que os próprios avieiros “não estão a gostar do rumo que isto está a tomar, e quando perdemos os principais atores, o espírito da candidatura também se perde. Corremos o risco de a candidatura se descaracterizar por completo”. E vinca novamente – “Os avieiros não estão mesmo nada satisfeitos”. João Serrano sustenta que a candidatura não é só de duas ou três pessoas do Ribatejo e por isso exige respeito aos senhores da entidade de turismo. “Há muito trabalho feito no terreno, e a continuidade deve ser assegurada. O facto de o Alentejo querer vir agora assumir o controle disto é do pior regionalismo que existe. Temos competências técnicas e a responsabilidade legítima de querermos levar por diante as duas candidaturas”. Por tudo isto não tem dúvidas – “Estão a assumir uma atitude que mais parece um elefante numa loja de vidros.” Numa reunião que houve entre a candidatura e a entidade, a atitude foi de tal modo perentória que “afirmaram preto no branco que queriam coordenar a candidatura porque têm dinheiro e técnicos”. A intenção é clara: “Politicamente querem tirar os proveitos deste projeto, os ribatejanos têm de ser respeitados, não nos retirem a nossa identidade”. Por isso aconselha a entidade a parar para pensar, reiterando que não há mal entendidos com a mesma. “É tudo uma questão de se respeitar o nosso Know How e as pessoas que durante tantos anos deram a sua alma a este projeto”. O Valor Local pediu uma entrevista à Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo na pessoa do seu presidente, Ceia da Silva, para abordagem das questões do Tejo tendo o turismo como mote, incluindo as críticas de João Serrano, mas não nos foi dada qualquer resposta a demonstrar interesse ou a falta dele.

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“Portugal deveria fazer estudos científicos acerca dos caudais e fazer vingar tal na Convenção de Albufeira”. Se o estado de coisas continuar assim, “a fauna e a flora

do Tejo extinguir-se-ão” não só em Portugal como em Espanha. “Os caudais são retidos para fins hidroelétricos e o fator económico vai prevalecendo”, conclui.

O Valor Local enviou um conjunto de questões ao ministério do Ambiente, mas até ao fecho desta edição não recebemos as respostas.

Várias entidades exigem que se olhe para o rio de frente


Opinião: Consumo

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Valor Local

Seguros, indemnizações e empresas de seguros como devedores relapsos e contumazes… ma dada seguradora, em lugar de conceder a indemnização emergente de uma incapacidade permanente claramente reconhecida, a que se obrigara, andou com inúmeros rodeios, adoptou um sem número de artifícios para se eximir às obrigações decorrentes do contrato que firmara. Perante a necessidade de recurso à versão gravada das modificações introduzidas no contrato, recusou-se inclusivamente a entregar os registos. O contrato que diziam ter sido modificado pelo telefone (de 36 para 6 meses as prestações a deslocar para a entidade bancária com a qual o consumidor celebrara um contrato de crédito à habitação) não conferia. A convicção do consumidor era a de que o número de prestações cobertas se contava por 36, que não pelas 6 a que aludira a seguradora, numa distorção abominável em proveito próprio e, consequentemente, em detrimento do beneficiário do seguro. O consumidor teve de recorrer ao tribunal, o que o obriga a maiores encargos e à morosidade decorrente das delongas do procedimento judicial e dos próprios autos para ver reconhecidos os

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seus direitos e aliviada a sua bolsa. Situações destas ocorrem com inusitada frequência, seja qual for a modalidade do seguro. Teremos de suportar isto sem reacção? Tratar-se-á de uma fatalidade insusceptível de superação? Decididamente, não! Ora, perante uma tal factualidade, parece simples a solução. Ao

menos, para quem não sofre de imediato os efeitos de uma situação conflitual como a presente. Ora, veja-se o que diz a lei em vigor. A Lei das Práticas Comerciais Desleais, que é dela que se trata, na alínea d) do seu artigo 12, considera, nestes termos, tal prática – a do recurso a expedientes para protelar o pagamento da indemnização - como agressiva:

“Práticas comerciais consideradas agressivas em qualquer circunstância São consideradas agressivas, em qualquer circunstância, as seguintes práticas comerciais: Obrigar o consumidor, que pretenda solicitar indemnização ao abrigo de uma apólice de seguro, a apresentar documentos que, de acordo com os critérios de razoabilidade, não possam ser consi-

derados relevantes para estabelecer a validade do pedido, ou deixar sistematicamente sem resposta a correspondência pertinente, com o objectivo de dissuadir o consumidor do exercício dos seus direitos contratuais; Eis-nos, por conseguinte, perante um ilícito de mera ordenação social que há que denunciar consequentemente, a fim de pressionar a própria seguradora a cumprir

Mário Frota* as obrigações a seu cargo, uma vez apuradas e definidas as suas responsabilidades no caso. É à Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), antigo Instituto de Seguros de Portugal, que deve ser denunciada a situação. Tal prática inscreve-se na moldura dos ilícitos de mera ordenação social passível de coima e de sanções acessórias, se for o caso. A coima aplicável é susceptível de atingir, no seu limite máximo, 44 891,81€. Se a indemnização for de imediato, em resultado da acção da ASF, satisfeita, terá o seguradodemandante de desistir da acção por inutilidade superveniente da lide. Convém é estabelecer que fiquem a cargo da Seguradora as custas processuais e os mais encargos que, por virtude de contumácia própria, o consumidor houve de suportar a sua esfera patrimonial. * Presidente da apDC – associação portuguesa de DIREITO DO CONSUMO - Coimbra

Segredos da Justiça

A prescrição das facturas da água, da luz e dos telemóveis Lei dos Serviços Públicos Essenciais (Lei n.º 23/96, de 26 de julho), que já foi objecto de várias alterações, criou no ordenamento jurídico alguns mecanismos destinados a proteger o utente de vários serviços públicos, nomeadamente quanto ao fornecimento de água, de energia eléctrica, de gás natural e de comunicações electrónicas (vulgo telemóveis e internet), bem como à recolha e tratamento de águas residuais e à gestão de resíduos sólidos urbanos. A principal garantia que foi estabelecida para a defesa dos direitos do consumidor consta do artigo 10.º/1 da Lei dos Serviços Públicos Essenciais: “O direito ao recebimento do preço do serviço prestado prescreve no prazo de seis meses após a sua

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prestação”. Assim, caso a empresa prestadora do serviço não envie ao consumidor a factura pela prestação do seu serviço no mencionado prazo de seis meses, o consumidor pode legitimamente arguir a prescrição e negar-se ao pagamento do valor constante da factura. A prescrição ocorre pelo simples decurso do prazo respetivo (neste caso, seis meses após a prestação do serviço) e tem por efeito a extinção das obrigações pelo facto de não ser exigido o seu cumprimento nas condições e lapso de tempo determinados na lei (cfr. artigo 304.º do Código Civil). Sublinhe-se que, em regra, as prescrições são extintivas, ou seja, o mero decurso do prazo extingue o direito, sendo que a

prescrição interrompe-se pela citação ou notificação judicial de qualquer acto que exprima, direta ou indiretamente, a intenção de exercer o direito, seja qual for o processo a que o acto pertence e ainda que o tribunal seja incompetente, de acordo com o disposto no artigo 323.º/1 do Código Civil. A prescrição é ainda interrompida pelo reconhecimento do direito, efectuado perante o respetivo titular por aquele contra quem o direito pode ser exercido, sendo certo que o reconhecimento tácito só é relevante quando resulte de factos que inequivocamente o exprimam (cfr. artigo 325.º/1 e 2 do Código Civil). O facto do direito ao recebimento do preço do serviço prestado ter prescrito não significa que os ju-

ros devidos também tenham prescrito. Na verdade, a extinção do crédito do preço pelo serviço prestado por prescrição não implica a extinção do crédito dos juros de mora vencidos até à referida extinção, porquanto os juros convencionais ou legais prescrevem no prazo de cinco anos nos termos do artigo 310.º/d) do Código Civil. Portanto, como mera hipotése, seria possível à empresa prestadora de serviços não receber o preço por causa da prescrição mas mesmo assim demandar o consumidor pelos juros de mora devidos, uma vez que o prazo de prescrição destes é superior aos seis meses definidos no artigo 10.º/1 da Lei dos Serviços Públicos Essenciais. É também por causa deste tipo

António Jorge Lopes Advogado

de hipóteses que o artigo 10.º/4 da mencionada lei estabelece uma outra garantia para a salvaguarda dos direitos do consumidor: “O prazo para a propositura da acção ou da injunção pelo prestador de serviços é de seis meses, contados após a prestação do serviço ou do pagamento inicial, consoante os casos”. Ou seja, não obstante o prazo de prescrição pelos juros devidos ser superior, esta norma estabelece a caducidade do direito de acção por parte da empresa prestadora de serviços caso esta não accione judicialmente o consumidor no prazo de seis meses a contar da prestação do serviço (e aqui o prazo corre em simultâneo com o prazo definido no n.º 1) ou do pagamento inicial (situação em que parte ou o todo do

capital devido foi pago e ainda se encontra em dívida o remanescente do capital e ou os juros de mora devidos). Apesar da dimensão (e das muitas artimanhas) das empresas abrangidas pela Lei dos Serviços Públicos Essenciais, a minha experiência profissional permiteme afirmar que o consumidor não está totalmente desprotegido e que consegue fazer valer com sucesso os seus direitos, nomeadamente através das duas garantias analisadas prescrição e caducidade do direito de ação.


Valor Local

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Dossier: Águas

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Valor Local

Oposição deverá chumbar aditamento ao contrato das Águas de Azambuja em assembleia municipal mbora não o admita abertamente, a oposição está desiludida com o relatório produzido pela Comissão de Acompanhamento do contrato de concessão entre a “Águas da Azambuja” e a Câmara, que considera que há todos os motivos para que seja pedido o reequilíbrio financeiro do contrato, justificando-se os 21 por cento de aumento nos serviços de águas e saneamento. Esta comissão refere mesmo que os pedidos da Aquapor são “inequívocos”, vai mais longe e aconselha a que esses aumentos sejam o mais depressa possível aprovados pelos órgãos autárquicos, reconhecendo ainda que a concessionária cedeu em muitos itens desde que o processo se iniciou em 2012. O relatório que confortou as hostes socialistas não agradou à oposição que votou contra em reunião de Câmara a proposta de aditamento ao contrato, no dia 20 de julho. A proposta foi aprovada com os votos a favor do PS e do vereador Herculano Valada, eleito pela CDU mas que vota ao lado do partido da rosa. O facto de fazer parte desta comissão o deputado da CDU António Nobre, que assinou o relatório da comissão, não deixará de significar um baralhar dos dados ten-

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do em vista a votação na próxima assembleia municipal, dia 30 de julho, onde o PS não tem maioria absoluta, mas que decerto explorará politicamente a condição do deputado/membro da comissão, que de resto foi bastante simpática para com a concessionária no documento produzido ao qual o Valor Local teve acesso. Luís de Sousa dá uma achega quanto à posição de Nobre – “Se não votar a favor não estará a ser coerente, pois assinou o relatório”, afirmou ao Valor Local. Em declarações ao nosso jornal António Nobre confessa que “votará em consonância com o que for determinado pelos militantes da CDU”, o que indicia a julgar pelo voto contra de David Mendes que o aditamento também receberá o chumbo daquela força política no órgão deliberativo. Apesar de integrar a comissão continua a “achar” que a privatização da baixa no concelho “foi gravosa e continua a ser gravosa”, e prefere não tecer mais comentários acerca do destino do aditamento ao contrato, refugiando-se no facto de ser membro da comissão. O vereador David Mendes da CDU votou a proposta desfavoravelmente e enumerou durante a

reunião do executivo uma série de elementos contra as pretensões da concessionária, nomeadamente “o parecer demolidor da ERSAR” e o “não cumprimento da recomendação tarifária”. O Valor Local perguntou a David Mendes se o convite a António Nobre para fazer parte da comissão não se estará a revelar, agora, como uma espécie de presente envenenado: “Pode levantar alguns problemas a António Nobre, mas não vão conseguir dividir a CDU, vamos decidir em conjunto, e o deputado vai com certeza votar de acordo com o que for decidido pelo partido”, apesar de o mesmo ter assinado o relatório da comissão. Nem tudo deverão ser favas contadas para a empresa concessionária e para a Câmara, “porque a ERSAR ainda não deu parecer positivo, e o documento ainda tem de ir a Tribunal de Contas, pelo que pode acontecer um volte face”, exprime David Mendes. “A empresa tem andado a chantagear a Câmara que também quis ‘dançar’ com as vontades da concessionária e agora temos este lindo serviço”. David Mendes é da opinião de que “os tribunais existem para alguma coisa, e em última instância vão aferir da legitimidade de todo o processo”. “Se

Proposta passou com os votos a favor apenas do PS e de Herculano Valada houver justiça em Portugal, o contrato inicial, assinado em 2009, pode ser considerado inválido pois foi feito de uma forma totalmente lesiva”. O vereador da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra António Jorge Lopes voltou a colocar o acento tónico não só no aumento de 21 por cento como também no que se espera para os serviços de caráter técnico que vão sofrer “aumentos brutais”. O vereador que foi um crítico feroz do nome de Cunha Marques, considerado um dos maiores especialistas do setor das águas a nível mundial, para a presidência desta comissão por ter

estado ligado à escolha da Aquapor para gerir as águas em Azambuja, não atribui, agora, grande significado ao relatório favorável elaborado por Miguel Carrinho, o atual presidente, cujo nome gerou vastos consensos. “Não há dúvidas nenhumas que Cunha Marques não era a melhor pessoa em termos de independência e autonomia, mas esta comissão cingiuse tão só à minuta do contrato, conforme diz a lei”, refere. Acerca da recomendação para que os aumentos entrem o mais depressa possível em vigor sob pena de a concessionária pedir novo reequilíbrio, dá a entender

que a concessionária tem sido especialmente oportunista – “Quiseram ganhar o concurso subestimando os custos com a Águas do Oeste e agora vêm pedir o reequilíbrio”. Jorge Lopes afasta contudo o cenário do envio da questão para Tribunal – “Temos é de gerar consensos, ganhar músculo negocial e com um chumbo na Assembleia Municipal, abre-se caminho para uma nova renegociação”. O vereador também não considera que o facto de António Nobre ter assinado o relatório entre em contradição com a sua condição de elemento de um partido que sempre se opôs ao negócio.

“Burlões” dos purificadores de água tentaram vender aparelho ao presidente da Câmara de Benavente ários clientes da Águas do Ribatejo (AR) assinaram contratos com empresas que, supostamente, garantem o tratamento da água para consumo em suas casas, alegando a “má qualidade da água abastecida pela AR e perigo para a saúde dos consumidores”. O esquema terá consistido tão somente em através de um processo químico transformar, grosso modo, a água da torneira em água destilada, mas muitos clientes da AR terão sido lesados em vários milhares de euros. Neste processo, até Carlos Coutinho, presidente da Câmara de Benavente, foi surpreendido na sua casa por uma “ofensiva” de uma empresa da zona do Montijo que está a levar a cabo este tipo de vendas. “A apresentação é feita de uma forma muito agressiva, e infelizmente muitos cidadãos aderiram de forma inconsciente. Pude comprovar o quão facilmente as pessoas podem ser induzidas em erro”, refere ao Valor Local, Carlos Coutinho. “Depois da apresentação que fize-

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ram na minha casa, acabei por me identificar como presidente de Câmara, disse-lhes que aquilo era um logro, e que estavam simplesmente a retirar os sais minerais essenciais da água”. Carlos Coutinho, disse ainda que o que a empresa em causa andava a fazer era “inaceitável”. Imediatamente, o também vicepresidente da empresa intermunicipal dá a conhecer que foi submetida a análise à água “purificada” por parte da AR. E concluiu-se que na sua apresentação, “os vendedores fazem experiências com recurso a reagentes para alterar a tonalidade, sabor e aspeto da água e provocar o assentamento dos sais minerais”. Toda a experiência e envolvência proporcionada pelas suas apresentações criam “um cenário de medo entre os consumidores e potenciais compradores dos equipamentos de purificação”. “Já sabíamos que estávamos perante um processo de osmose inversa, que consiste na retirada dos componentes minerais da

água (sódio, cálcio, magnésio), essenciais ao nosso sistema biológico, até porque o ser humano não necessita de beber água destilada”. O cenário tornou-se mais preocupante junto de alguns cidadãos do concelho portadores de doenças oncológicas ou outras igualmente graves; aos quais a empresa quis fazer uma correlação entre o seu estado de saúde e a necessidade de aquisição dos ditos purificadores. A AR através de comunicado alerta para o facto de se tratar de uma burla que já lesou até à data dezenas de cidadãos do concelho de Benavente, até porque, em causa, esta também o pagamento de mensalidades para alegada monitorização e controlo da qualidade da água e manutenção dos sistemas de purificação. Foram feitas queixas na GNR. Alguns contratos custam milhares de euros aos clientes e alguns já procuraram ajuda junto da Deco, e recorreram a advogados para tentar renunciar aos contratos. No final de 36 men-

salidades os encargos chegavam aos três mil euros. Quanto à empresa, esta “é conhecida no mercado, não se tratando de uma firma fictícia”. “A empresa é à partida fidedigna. Não tenho nada contra os purificadores, agora a mensagem que fizeram passar é que não é aceitável”, refere Coutinho. O Valor Local falou com Orlando Coutinho que foi uma das pessoas contactadas pela empresa. “Surpreenderam-me logo quando disseram que vinham da parte da empresa. Alegaram que queriam fazer análises, sempre com uma grande conversa, e muito bem-falantes”. E conta parte da encenação a que assistiu – “A demonstração foi sempre muito espalhafatosa, com um vendedor e um alegado médico a tirarem líquido e a meterem umas gotas de um produto, à medida, que iam comentando que a água da torneira estava péssima e imprópria para consumo. Ainda cheguei a beber água filtrada”. Orlando Coutinho para ter acesso a

água em condições tinha de pagar durante dois anos pela manutenção cerca de 66 euros por mês, mais 300 pelo aparelho. Quase de imediato, participou o facto à Águas do Ribatejo. Ainda assinou contrato, entretanto denunciado, com a empresa de purificadores. “Os meus familiares trataram de tudo, porque na sequência do episódio senti-me mal do coração e fui parar ao hospital”. O Valor Local contactou uma das

empresas visadas e alegadamente autora da burla, a Acquasul, responsável pela venda destes purificadores, que não se mostrou interessada em prestar declarações. A AR garante, mais uma vez, que a água que distribui é de boa qualidade e totalmente segura para consumo humano, como atestam as cerca de 10 mil análises realizadas anualmente segundo o Plano de Controlo de Qualidade da Água em curso.

Dezenas de pessoas terão sido lesadas


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Solidariedade

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Fundação Padre Tobias em Samora Correia

“Aqui não há lugar a cunhas!” riada em 1935, a Fundação Padre Tobias, benemérito local que nas primeiras décadas do século passado se dedicou a ajudar os mais pobres, tem sido uma das instituições do concelho de Benavente que tem dado um particular apoio às famílias que nos últimos anos se têm debatido com as consequências da crise económica. Rui Domingos, atual presidente desta instituição de Samora Correia, desde há 8 anos, conta que todos os dias são fornecidas cerca de 100 refeições preparadas no âmbito da cantina social, 28 agregados familiares no total. Não se regateiam apoios mas vinca que há por vezes quem por mau governo das suas finanças acabe por estender a mão à caridade. “Não podemos aceitar que nos digam que têm de ir ao cabeleireiro todas as semanas”, por exemplo, e nesses casos não tem dúvidas em ser mais assertivo, e dizer às pessoas para mudarem a forma como vivem”. “Por fatalidade, há mesmo quem precise; que outrora já teve um outro nível de vida, e procuramos ajudar como é evidente”, refere. A realçar que os utentes deste apoio na sua maioria conseguem “endireitar”, a sua vida e mais cedo ou mais tarde prescindem desta cantina social em causa. A média de permanência de um agregado familiar na cantina social é de cinco semanas. Com cerca de 132 colaboradores

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– incluindo os membros dos órgãos sociais, os técnicos, e todos os auxiliares, bem como um grupo de voluntários – refere que é frequente virem ter consigo a pedirlhe emprego na instituição, mas com a direção da fundação – “Não há cunhas!”. “Procuramos que isso não aconteça”. A instituição possui várias valências: Serviço de Apoio Domiciliário com assistência a cerca de 52 famílias; Centro de Dia com 48 utentes, e Lar de Idosos com 67 utentes. Para Rui Domingos, “a fundação empenha-se a cem por cento, bem como todos os seus funcionários, em conseguir dotar os mais idosos que tem a seu cargo dos melhores cuidados de saúde possíveis”, que nem sempre são acompanhado por alguns dos seus familiares – “Como em muitas outras instituições, há familiares que passam muito tempo sem visitarem os seus idosos, limitando-se a efetuar a transferência das mensalidades, e pouco mais do que isso”, refere lamentando a circunstância. As vagas em lar estão totalmente ocupadas e um dos próximos projetos passa pelo desenvolvimento de um projeto para lar em Samora Correia. No que se refere à resposta social para crianças, a instituição alberga 101 na creche e 125 no jardim-deinfância, e aguarda pacientemente pelo aval definitivo da Segurança Social de Santarém quanto à en-

trada em funcionamento da nova creche no Porto Alto, equipada para receber 108 crianças. “Não sabemos os motivos pelos quais isso ainda não aconteceu mas continuamos a insistir”. A falta de vagas em creche é uma preocupação de muitos pais deste concelho, pois são cada vez mais escassas, e neste âmbito a abertura da nova valência no Porto Alto surge como algo “imperioso” para a instituição, sob pena de muitos pais não terem onde deixar os filhos após as férias de verão. O setor privado no concelho tem preços superiores a 300 euros, enquanto no que toca ao abrigo dos acordos de cooperação entre a Segurança Social e a Fundação, e tendo em conta o IRS das famílias, a verba a despender varia entre os 75 e os 175 euros em função dos rendimentos. “A importantíssima questão da prevenção primária dos consumos de álcool e outras substâncias, a violência doméstica, a violência no namoro, o insucesso, absentismo e abandono escolar também estão na agenda desta instituição”, face ao avolumar de notícias que dão conta do aumento dos casos de insegurança na freguesia e para isso está a trabalhar com outros parceiros nomeadamente Conselho Local de Ação Social. Rui Domingos tece a sua apreciação sobre esta matéria – “O facto de muitos pais trabalharem em Lisboa

também propicia este tipo de comportamentos por parte dos mais jovens, que são deixados à sua mercê durante a maior parte do tempo. Convinha que tivéssemos um olhar mais frontal sobre esta matéria”. Possuidora de algum património imóvel degradado a necessitar de conservação e reabilitação na cidade de Samora, Rui Domingos refere que a sua recuperação não está para já nos planos da fundação, pois à partida não se afiguraria como rentável tendo em vista o

aluguer dessas casas e a possibilidade de daí advirem fundos para a instituição. As baixas rendas não permitiriam grandes gastos. Sendo que as casas do Bairro Padre Tobias foram entretanto vendidas. Para já vai mantendo as casas de renda que possui e pouco mais. Contudo, alerta que tem procurado ao longo dos anos proceder aos arranjos necessários nos vários imóveis, propriedade da instituição. “O edifício da Casa Paroquial foi alvo de uma intervenção em 2014, e vamos fazendo o pos-

sível nesse campo”. Um dos projetos a implantar em breve diz respeito a um intercâmbio com a possibilidade de jovens estrangeiros cumprirem uma espécie de voluntariado na associação. Chama-se “Projecto Casa Internacional Padre Tobias, no âmbito do Serviço de Voluntariado Europeu” e também promoverá o envio de jovens do concelho para outras instituições do género no estrangeiro – “Vamos procurar sensibilizá-los com ações nas escolas”, dá conta.

Instituição tem vários projetos em mãos

Contagem decrescente para a abertura do Lar de Vale do Paraíso ntrou na fase final a obra do Lar da Associação do Centro de Dia Para a 3ª Idade de Nossa Senhora do Paraíso em Vale do Paraíso, Azambuja. Segundo José Eduardo Pereira, presidente da associação, as novas instalações deverão ser inauguradas a 19 de setembro, sendo que até ao fim de agosto, todas as divisões serão mobila-

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das. Todavia este foi um processo moroso e difícil, já que segundo José Eduardo Pereira, instâncias como a Segurança Social não têm a agilidade suficientemente rápida para dar as respostas em devido tempo às IPSS’s. Refere o presidente que “por vezes até temos a impressão de que estamos na era da escrita

A casa está quase pronta

manual, sem sistemas informáticos e sem Internet” e explica que ao tratar da documentação do licenciamento “para obtermos os acordos, acabam por pedir a mesma informação duplicada para um departamento e para outro”. Por isso defende que embora haja questões a melhorar, “muito foi contudo feito pelo ministério da Segurança Social recentemente”. Neste âmbito, explica que para a construção deste equipamento que esteve suspensa três anos, contribuíu uma nova lei que deu

a possibilidade de “no mesmo espaço, conseguimos ficar com mais três camas rentabilizando o projeto”, ou seja “Nem tudo foi mau!”. Segundo o presidente da instituição, no início de Setembro, começam a entrar os primeiros utentes “sendo que este processo vai ter uma curva de subida que queremos que seja lenta para ficar concluída ate ao fim do ano”. No que toca ao quadro de pessoal, José Eduardo Pereira destaca que as auxiliares de ação direta estão em formação na ins-

tituição. Quanto a outros colaboradores, “temos um plano desenvolvido pelos recursos humanos já existentes, eventualmente poderemos vir a admitir mais um colaborador. Falta de momento contratar o enfermeiro, processo já em curso”. Este é um projeto que está a ser desenvolvido por uma empresa do concelho a Construaza, e tem um custo de 300 mil euros. José Eduardo Pereira salienta que para este projeto a instituição recorreu em parte a financiamento bancário e capitais próprios. To-

davia o presidente esclarece que embora aguarde com expetativas, “ainda não tivemos qualquer apoio do governo central para o processo já desenvolvido”. Quanto ao apoio da Câmara de Azambuja, este ainda não chegou, embora reconheça que existe alguma “sensibilidade para o projeto, mas ainda não recebemos qualquer apoio”. “Já fizemos um ofício a solicitar essa ajuda. Só queremos no mínimo, o mesmo tratamento que outras instituições de âmbito social tiveram da parte do município”.


Eventos

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Vila Chã prepara-se para a “Batalha de Ourique” ¢ Miguel A. Rodrigues freguesia de Vila Chã de Ourique, no concelho do Cartaxo, vai comemorar mais uma vez a “Batalha de Ourique”. A iniciativa que decorre nos dias 25 e 26 de julho conta com a organização do Centro Social Ouriquense e da junta de freguesia local. Vasco Sousa Casimiro, presidente da Junta, salienta “o orgulho que a localidade tem nestes festejos”, embora reconheça que há quem se interrogue se a batalha se desenrolou de facto neste local, mas “a junta e a população não têm quaisquer dúvidas”, refere. A batalha de Ourique deu-se a 25 de julho de 1139 e consumou-se como uma das vitórias mais saborosas de D. Afonso Henriques contra os Mouros. Contudo não é unânime a sua exata localização. Há quem defenda a localidade de Ourique no Alentejo; Ourique no distrito de Leiria ou ainda o Campo de Ourique em Lisboa, isto claro para além de Vila Chã, concelho do Cartaxo. É a pensar em mais uma edição, que a autarquia dá o passo em frente. Com um orçamento de apenas três mil euros, a organização espera receber “os mesmos milhares de visitantes” que se juntavam a estas festas “quando custavam quase dez vezes mais.” Vasco Sousa Casimiro salienta por isso o empenho de toda a comunidade na organização das mes-

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mas, já que os fatos e os artefactos usados nas recreações são feitos pelos populares e guardados no Centro Social Ouriquense que também se envolve nas comemorações “com muito empenho”. O presidente da junta esclarece, igualmente, que todo o trabalho de montagem do recinto está a ser feito “com a prata da casa”; ou seja sem recorrer a qualquer empresa de logística. Tal serve para manter os custos reduzidos, bem como o facto de as festas, neste ano de 2015, terem menos um dia, vincando que tal redução não se refletirá na qualidade dos espetáculos. Todavia, as comemorações da “Batalha de Ourique” vão ter novidades. Para além da habitual recreação histórica da batalha, o autarca destaca igualmente a “Marcha dos Cruzados”, que é composta por uma prova de orientação e de um “peddy paper”. Outro dos pontos altos é o “Torneio da Pedra” que terá duas edições. Uma delas entre as freguesias do Cartaxo que serão convidadas a participar. E vinca ainda o desfile da “Marcha Medieval” entre outras iniciativas. Um dos momentos musicais mais importantes, referese à atuação do “Grupo de Danças Medievais Chãs d’Ourik” formado no Centro Social Ouriquense, precisamente para estas festividades, entre muitos outros motivos de interesse.

O ambiente medieval em destaque (foto facebook Batalha de Ourique) Para além destas iniciativas, Vasco Casimiro destaca as vendas do Mercado Medieval. As coletividades da freguesia são convidadas a vender as suas frutas e legumes, bem como os famosos “co-

mes e bebes” cuja receita reverte depois para as respetivas associações. Para já, o presidente da junta reconhece que os festejos já ultrapassaram, os limites do concelho,

mas não quer um crescimento “desmesurado”. O autarca salienta que os festejos ainda não trazem turistas: “Acho que a iniciativa tem de ser ainda mais divulgada. Tem de haver um empenho maior, não

é que não tenha existido, mas deverá ser dado outro incentivo por parte da Câmara”, reconhecendo que “a breve prazo deverá ser feita uma aposta maior no marketing e na publicidade da festa”.

Presidente da junta desejava mais apoio da Câmara


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Cultura

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Vida e obra de Almeida Grandella em exposição em Aveiras de Cima e Alcoentre ecentemente, as juntas de freguesia de Alcoentre e Aveiras de Cima, no concelho de Azambuja, assinaram um protocolo com as juntas de freguesia de Nadadouro e Foz do Arelho, Caldas da Rainha, e também com a de São Domingos de Benfica, Lisboa, tendo em vista um conjunto de iniciativas para dar a conhecer a vida e a obra de Almeida Grandella, que nasceu em Aveiras de Cima, em 1853, e que criou os famosos armazéns Grandella, epicentro da vida comercial lisboeta até ao incêndio do Chiado em 1988. Grandella passou parte da vida em Lisboa, e viria a falecer na Foz do Arelho em 1934. Para já está pensada uma exposição itinerante que vai percorrer as cinco juntas de freguesia que começa em setembro deste ano e que vai até junho do ano que vem. António Torrão, presidente da junta de freguesia de Aveiras de Cima, terra natal de Grandella, conta que nesta exposição estará patente a relação do “grande comerciante português” com as localidades em causa, através de fotos da época mos-

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tradas em painéis com uma resenha da sua vida e obra. “Aveiras de Cima tem o grande privilégio de ter visto nascer este homem tão importante, só tenho pena de o concelho não o tratar como deveria e reconhecer-lhe a sua importância”, salienta Torrão. A preponderância desta figura espelha-se, a título de exemplo, no seu aguçado espírito comercial, pois Grandella é visto como uma espécie de pai do primeiro grande centro comercial do país, ao fundar os armazéns com o mesmo nome em 1891, inaugurando um modelo de vendas como existia nos grandes armazéns de Paris ou Londres. Este republicano, foi também um benemérito ao ter construído o bairro operário Grandella, em Lisboa, na freguesia em causa, dotado de creche e escola primária, destinado a alojar as famílias dos empregados e operários das suas fábricas de tecidos. Construíu duas escolas primárias no concelho de Azambuja, uma em Aveiras de Cima, sua terra natal a que deu o nome do seu pai, Francisco Maria de Almeida Grandella, outra em Tagarro, e

outras duas nas freguesias do concelho caldense. “A escola onde funciona o Centro Cultural Grandella em Aveiras foi precisamente onde nasceu”. Conhecido maçon, o homenageado ao mandar erigir esta escola, e ao contrário das restantes, não a dotou dos símbolos maçónicos, inscrevendo antes o nome do seu pai, ‘Dr. Francisco Maria de Almeida Grandella’.” No que toca à freguesia de Alcoentre, mais concretamente a localidade de Tagarro, “ainda subsiste alguma ligação à figura de Grandella”, refere o presidente da junta, António Loureiro. “A população encontrava-se desgostosa com o estado de degradação da escola, entretanto recuperada, embora neste momento esteja a ser explorada por uma entidade privada.” Na altura, esteve presente na inauguração, a 21 de agosto de 1910, um dos nomes grandes da I República, Afonso Costa. Para António Loureiro, a figura do homenageado está a “cair um pouco no esquecimento, pelo que será um momento oportuno para voltarmos a relembrá-la”.

A ideia de união de esforços entre as freguesias surgiu naturalmente até porque em todas elas é comum a organização de iniciativas que lembram o homem. “Fizemos uma conferência na junta a assinalar os 160 anos de Grandella com a presença de dois bisnetos e um trineto, e nessa altura tínhamos já uma relação com São Domingos de Benfica.Rapidamente se começaram a agilizar esforços”, conta Torrão. “Está a ser elaborado um trabalho gráfico importante através de historiadores que se pode apreciar na exposição que estará em primeiro lugar em São Domingos de Benfica, devendo chegar a Aveiras em Janeiro”. Logo de seguida deverá rumar a Alcoentre, onde os visitantes poderão conhecer mais alguns aspetos da vida de Grandella. Neste âmbito, o presidente da junta local, diz que através da troca de ideias entre as várias juntas, também ficou a saber que o homenageado participou em tertúlias republicanas, e pertenceu à maçonaria. Depois da exposição, a colaboração entre as várias freguesias

será para manter com mais iniciativas que lembram o filantro-

po, o republicano e o precursor do comércio moderno.

Escola Grandella em Tagarro

Escola Grandella em Aveiras de Cima


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Instantâneos

Terra Velhinha

Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Azambuja

Ciclistas em Palmela

Foto de Fernanda Mateus publicada por Miguel Ouro, 25/5/15 Segundo Miguel Ouro “Aqui vos deixo uma foto cedida pela amiga da Terra Velhinha Fernanda Mateus. Uma foto extraordinária que exemplifica de certo modo o que tem sido a nossa experiência da história através das fotos aqui na Terra Velhinha. O desporto, a modernidade, os jovens, e os antigos conterrâneos com as suas vestes do dia-a-dia ainda de outras indumentárias. Querem trajos, vestes? Aqui os têm, eram assim no dia-a-dia. Esta foto diz muito do que foi o nosso ecossistema sociocultural que se reflecte nos dias de hoje.”

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Nestes últimos dias a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Azambuja (AHBVA) e, em especial, a pessoa do Sr. Comandante desta instituição, Sr. Armando Baptista, têm sido visados em alguns órgãos de comunicação social locais, em notícias que em nada dignificam os fins e os propósitos que assumimos. Face à gravidade das acusações de que temos vindo a ser alvo, pretende este comunicado esclarecer, a uma só voz e de uma vez por todas, o que efetivamente ocorreu. As notícias veiculadas tiveram origem numa comunicação do Sr. Comandante Operacional Municipal, Sr. Pedro Cardoso, relatando à C.M.A. uma infelicidade familiar, nunca assumida como tal, à qual esta Associação não prestou socorro, tendo em consequência, alegadamente, incorrido num grave erro. O Sr. Comandante Operacional Municipal foi Comandante do Corpo de Bombeiros desta Associação desde 05.11.1996 até ao passado dia 01.10.2012. À data do seu pedido de demissão já existia, nas relações entre esta Direção, recém empossada, e o visado, uma clara quebra de confiança. Tal facto nunca foi ultrapassado pelo Sr. Comandante Operacional Municipal, que tem usado não só as funções que desempenha como igualmente a “ingenuidade” de alguns elementos do nosso corpo ativo, para constantemente se intrometer nos assuntos internos da nossa casa, prejudicando o seu funcionamento. Mas aqui obedece-se ao Sr. Comandante Armando Baptista entretanto nomeado e que, sem falsas modéstias, tem honrado o socorro e elevado a prestação da nossa instituição a limiares nunca atingidos com o anterior comando.

Fado Vadio

Foto de José Miguel Amador e publicação por Miguel Ouro, 25/5/15 Segundo António Pereira “Antigo Celeiro do Sr. Tropa, Março 1975 Jerónimo Ribeiro, José Miguel e António Rocha. A minha voz não morreu e um apelo ainda encerra, eu quero ter força e alma pra poder cantar sempre até morrer pro povo da minha terra. Por muitos e muitos Anos ainda te vamos ouvir cantar com muita alegria e saúde Zé Miguel um abraço.”

Não admitimos vozes externas, nem comandos alternativos. No dia e hora em causa o socorro foi solicitado através do 112 – Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) que fez todo o acompanhamento do processo, sem o nosso controlo, como aliás está contratualizado, é de lei, e procedimento normal e que o Senhor Comandante Operacional Municipal bem conhece. O centro de triagem do INEM quando contacta a unidade de socorro mais próxima, não identifica a pessoa a socorrer, mas apenas a situação. Face à proximidade da utente em questão, tudo o que foi dito no anterior parágrafo, poderia ter sido contornado com um simples telefonema para o corpo de bombeiros. Mas o membro do nosso corpo ativo que tinha a situação “em braços”, que é filho do Sr. Comandante Operacional Municipal, não quis ultrapassar o procedimento habitual e que está contemplado no sistema integrado de emergência médica.

Ficha técnica:

Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja Redação: Travessa da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CO-1198 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimedia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Publicidade: Eduardo Jorge Correio eletrónico: eduardojorge@valorlocal.pt Telefone: 932 446 322 Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 5000 exemplares

Apesar de conscientes de que nada de errado foi feito, mas face à comunicação do Sr. Comandante Operacional Municipal à C.M.A. com a qual desenvolvemos um importante protocolo nas áreas em que actuamos, não quisemos, ainda assim, deixar de averiguar internamente a situação. Pelo que apurámos, não existiu qualquer ordem no sentido da não aceitação deste ou outro serviço, existindo apenas uma indicação que estando a equipa de saúde empenhada num outro serviço/ocorrência, e sendo única, deverá sempre o Operador de Comunicações, informar o INEM desse facto, informando ainda que terá de confirmar a disponibilidade de meios humanos e materiais antes da aceitação do serviço, tendo em conta a urgência e a possível incapacidade de resposta. Desde o telefonema até ao momento em que o Bombeiro de 2ª Pedro Botas Cardoso saiu das instalações, existiu sempre uma total disponibilidade do Comandante Armando Baptista, bem como de todos os elementos presentes no quartel, de todos os meios disponíveis no Corpo de Bombeiros no acompanhamento e prestação de auxílio à resolução da situação que envolvia a Mãe deste Bombeiro. Conclui-se ainda que o Operador de Comunicações seguiu correctamente o protocolo do Sistema Integrado de Emergência Médica previsto em Lei, que atribui exclusivamente a coordenação dos meios de emergência médica ao INEM através do seu Centro de Orientação de Doentes Urgentes, na atribuição de meios (ambulâncias) a todas as situações, seguindo um algoritmo próprio que tem por base a celeridade, intervenção e qualidade da prestação do socorro às vítimas. Apesar de termos conhecimento de que a utente, esposa do Sr. Comandante Operacional Municipal, se encontra estável, não queremos terminar sem lhe desejar umas rápidas melhoras e dizer-lhe que pode sempre contar connosco, bem como toda a população que servimos, dentro do estrito cumprimento das regras que nos são impostas e dentro da razoabilidade e bom senso e capacidade de resposta que a urgência do caso nos imponha. A AHBVA é uma pessoa de bem onde todos os dias cada vez mais voluntários dão de si o seu melhor em prol dos outros e deverá merecer de todos o maior respeito pelo que representa, não podendo servir de meio para “joguetes” políticos ou outros. Uma vez que não somos infalíveis, teremos, com certeza, as nossas falhas que assumimos com toda a humildade e responsabilidade. Estamos convictos de que não é este o caso. Contudo, não podemos admitir e repudiamos veementemente quem usa os títulos e fardas para tomar atitudes de má-fé em relação à instituição que representamos, e cansados já de outras tentativas de contornos semelhantes que apenas servem para desgastar a instituição e quem com ela colabora, informamos que iremos tomar todas as medidas que sejam necessárias para evitar que actos como este se repitam no futuro. O Presidente da Direcção André Horta Salema O Comandante Armando Baptista


www.valorlocal.pt

Novos hipermercados Continente no Carregado e em Arruda dos Vinhos SONAE vai abrir um hipermercado em Alenquer. O local já está escolhido e promete ser uma mais-valia em termos de aproveitamento de espaço, já que a nova loja do Continente ficará situada nuns armazéns já existentes junto ao atual Lidl entre Alenquer e o Carregado. Pedro Folgado, presidente da Câmara Municipal de Alenquer, congratula-se com o facto desta nova unidade proporcionar novos postos de trabalho e reaproveitar uma estrutura até aqui em estado de abandono, mas agora com uma nova perspetiva. A nova loja do Continente terá a dimensão do hiper da Castanheira do Ribatejo, pois para além do supermercado contará com uma loja Worten e uma Modalfa. O município de Alenquer terá de aceitar a implantação de mais esta superfície comercial, pois a decisão do licenciamento da mesma cabe ao ministério da Economia, tendo em conta a livre concorrência. Esta é quinta grande superfície no concelho de Alenquer, que se junta ao Intermarché, Lidl, Pingo Doce e Pão de Açúcar. O município de Alenquer confirmou ao Valor Local que o pedido de informação prévia já deu entra-

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da nos serviços da câmara para pronúncia sobre a viabilidade de instalação da unidade comercial Continente no IC 2, com deliberação favorável em reunião pública do executivo. Segundo fonte municipal, caberá apenas ao município a pronúncia sobre questões de arquitetura, sendo que os serviços do município de Alenquer estão a analisar todos os processos. A nova loja irá abrir ao público até ao fim do ano de 2015.

Arruda dos Vinhos tem cerca de 13 mil e 400 habitantes e por isso, o presidente da Câmara Municipal “embora não seja especialista na matéria”, não entre-

vê que haja condições para que “todos os hipermercados possam sobreviver” Grosso modo, André Rijo considera “desnecessária” a instala-

ção de mais um hipermercado, todavia a decisão não está nas mãos da Câmara Municipal, mas sim na esfera do ministério da Economia que já deu luz verde.

À Câmara compete apenas dar parecer sobre a estrutura física, e sobre esse processo, o presidente da autarquia refere que já está em marcha.

Presidente da Câmara de Arruda dúvida da necessidade de mais um hipermercado O presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, André Rijo, não está convencido da necessidade de mais uma grande superfície no concelho. Arruda tem atualmente Intermarché, Lidl e Pingo Doce, mas parece que não ficará por aí, já que a Sonae pretende também implantar um “Continente” na localidade. André Rijo salienta que do ponto de vista do consumidor lhe parece que Arruda tem oferta suficiente para acomodar a procura registada, face ao número de residentes.

Reaproveitamento de edifícios existentes no Carregado para o Continente

Valor local edicao julho 2015  
Valor local edicao julho 2015  
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