__MAIN_TEXT__

Page 1

Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 47 • Março 2017 • Preço 1 cêntimo

No Bairro da Ónia, Azambuja

Biosurfit empregará 150 pessoas até 2019

Valor Local

Sociedade na 3

Azambuja:

Desafio às escolas

“Como posso poupar água e proteger o ambiente”

12, 13 e 14

Abortou projeto para único acelerador de logística do sul da Europa

Política na 19

Bombeiros de Benavente contam histórias de partos

Sociedade na 5


2 Sociedade

Valor Local

Março 2017

Obras nas piscinas de Azambuja decorrem a bom ritmo or estes dias as piscinas de Azambuja apresentam-se em fase de estaleiro. Os trabalhos para a sua recuperação e devolução à população, tantos anos passados desde o seu encerramento, vão de vento em popa, e o Valor Local fez a visita guiada com o presidente da autarquia Luís de Sousa ao local. Esta intervenção vai incidir na parte relacionada com a climatização e ventilação, nomeadamente, da rede de águas e mecânicas. Com o prazo de conclusão de 120 dias, esta obra tem um custo aproximado de cerca de 300 mil euros e estará pronta por alturas do início do Verão. “Trata-se de um passo importante para nós todos”, referiu Luís de Sousa, presidente da Câmara. Durante os últimos quatro anos muitas foram as soluções de que se falou para colocar o complexo municipal de piscinas a funcionar, e com valores muito mais elevados na ordem do milhão de euros, que remontam ao tempo de Joaquim Ramos no anterior mandato. Luís de Sousa chegou a dar conta de um possível enquadramento financeiro pela União Europeia com a submissão de

P

Tudo estará pronto no verão um projeto da escola secundária e da Santa Casa da Misericórdia de Azambuja. Neste momento, todo o financiamento é camarário. A Santa Casa deu o terreno. Uma piscina no exterior está também nos objetivos da Câmara bem como a possível construção de um tanque para crianças e bebés. “Dependerá da disponibilidade orçamental da Câmara, são

ideias que podemos vir a dar corpo no futuro”. Quando questionado sobre o tempo que demorou a concretizar a obra tendo em conta que o orçamento até é razoável para a intervenção, Luís de Sousa enfatiza que as dificuldades económicas sentidas durante os primeiros anos assim o determinaram. “Durante dois anos tivemos de cum-

prir compromissos e marcar passo muito devagarinho. O nosso orçamento já nos permite investir”, refere e exemplifica – “Neste sentido temos, ainda, outras obras a destacar como as duas salas do pré-escolar em Aveiras de Cima; a casa mortuária em Casal de Além, entre outras”. As piscinas municipais de Azambuja fecharam as portas em

2010. De acordo com dados da autarquia, o complexo teve 20572 utilizações durante a sua última época desportiva, entre setembro de 2009 e junho daquele ano. O desafio doravante prende-se com a rentabilidade do equipamento para que o esforço de hoje não vá por água abaixo. Luís de Sousa dá conta dos estudos que a autarquia está a fazer

no que respeita a possíveis taxas a fixar, mas de uma coisa tem a certeza “não queremos ter lucros, mas vamos ter de respeitar algumas regras, e não deixar, como antes, que o número de utilizações não pagas coloque em causa a estabilidade financeira relativa a este equipamento”. “Teremos de pagar alguma coisa, nem que seja um valor mínimo. Não podemos franquear as utilizações como antigamente, porque quando vamos às piscinas de outros municípios também pagamos”. Contudo a revitalização das piscinas já vai conhecer algumas soluções economizadores a nível do aquecimento da água, com a substituição pelo gás natural e pelos painéis solares. “Estamos a analisar com os nossos técnicos financeiros todos os encargos que a reabertura das piscinas vai acarretar desde os consumos, passando pela manutenção até aos postos de trabalho”. Adjacente às piscinas, encontram-se os campos de ténis cuja recuperação sofrerá também obras com a colocação de novo pavimento. A obra será lançada depois da assembleia municipal de abril.


Valor Local

Março 2017

Sociedade 3

Com sede no Bairro da Ónia, Azambuja

Biosurfit empregará 150 pessoas até 2019 Biosurfit, empresa que se apresenta na vanguarda das análises clínicas e biotecnologia, já deu início à construção das suas novas instalações no Bairro Ónia em Azambuja. Ao todo e após a conclusão das obras, prevista para finais de 2017, deverão estar a trabalhar diariamente 100 pessoas em Azambuja, provenientes das atuais instalações em Lisboa. Um número que de acordo com João Fonseca Garcia, CEO da empresa, ao Valor Local, poderá vir a aumentar tendo em conta as diversas áreas da empresa desde a produção passando pela parte administrativa, investigação, desenvolvimento e vendas. Até 2019 mais 50 pessoas juntar-se-ão, segundo o que prevê o administrador, à centena atualmente existente. O investimento em Azambuja é de 10 milhões de euros com o apoio da União Europeia. O acompanhamento por parte do município ao longo deste processo salienta, ainda, “tem sido bom”. Esta é uma empresa que produz e comercializa produtos de análises ao sangue que com uma pequena gota permite resultados precisos em poucos minutos. A decisão de mudança de instala-

A

ções para a Azambuja permite, segundo João Fonseca Garcia, “um crescimento da nossa atividade em todas as vertentes” com a aposta reforçada em novos testes de diagnóstico. (“No médio prazo com o foco nos painéis de parâmetros lipídicos, metabólicos e cardíacos)”, exemplifica. Estes novos produtos complementam a atual oferta da Biosurfit. Nesta fase a empresa tem cerca de 500 equipamentos em clientes, prevendo “mais do que duplicar esse número até ao final de 2017”. Recentemente o mercado das análises clínicas e consequente revelação de resultados em poucos minutos ficou abalado com a queda da Theranos e do império da americana que o construiu, Elizabeth Holmes, tendo em conta que a mesma terá ocultado partes da verdade do seu negócio. Neste aspeto João Fonseca Garcia refere que a Theranos “é provavelmente um caso de estudo de como não se deve atuar no sector da saúde” pois “a referida empresa atuou sem aprovações das autoridades competentes e sem controlo externo de performance.” Já a Biosurfit conta com mais de 11 anos de atividade “em conformidade com as autoridades de saú-

Equipa que estará diariamente em Azambuja de, sendo auditada regularmente por entidades de referência como a TUV Rheinland e o Infarmed, sem qualquer não-conformidade.” “Os nossos produtos têm demonstrado em todos os níveis uma elevada performance e fiabilidade, comparáveis ao que hoje existem nas análises convencionais. A elevada qualidade dos nossos produtos tem sido demonstrada a nível internacionais por variadas entidades e especia-

listas de referência mundial”, acrescenta. Afirmando que o foco da empresa é maioritariamente internacional com a canalização das vendas em 90 por cento para o exterior, refere que o “valor acrescentado” dos equipamentos fornecidos pela Biosurfit já é reconhecido em termos de “maior comparticipação do Estado” em diversos países no mundo (por exemplo, Holanda, Suíça, países nórdicos, EUA).

Sendo que Portugal “ainda não é um bom exemplo neste domínio”. Os valores de reembolso “chegam a ser menos de um terço dos valores praticados noutros países, e existe também um grande protecionismo por parte dos laboratórios convencionais.” “Em todo o caso, o nosso negócio é global e mesmo que Portugal fosse um grande caso de sucesso, seria sempre uma pequena fracção do volume de negócios da Biosurfit.

Nesta área os licenciamentos e questões relacionadas são ainda “extremamente lentos e exigentes” tendo em conta “o grande foco em performance e fiabilidade”. Por isso a Biosurfit demorou mais de 10 anos até iniciar “verdadeiramente a sua atividade comercial”. A empresa tem hoje 26 famílias de patentes e já investiu cerca de 30 milhões de euros para poder tornar “este sonho numa realidade.”


4 Sociedade

Valor Local

Março 2017

Câmara de Vila Franca de Xira anuncia 100 quilómetros de ciclovias Câmara Municipal de Vila Franca de Xira apresentou a 10 de março, a rede de 100 quilómetros de ciclovia que pretende implantar no concelho. O projeto virá complementar os 13 quilómetros já existentes, implementados principalmente junto à beira-rio, pretendendo-se agora alargar esta rede a todo o território, incluindo a malha urbana. A primeira fase de implantação compreende os anos de 2017 e 2018, num investimento que ronda os sete milhões de euros, com apoio de fundos comunitários, correspondente a 44,5 quilómetros. Com os 13 quilómetros existentes, o concelho ficará, nesta fase, com um total de 57,5 quilómetros cicláveis. Os trabalhos da primeira fase correspondem a: 34 quilómetros em aglomerados urbanos de todo o concelho; 8,5 quilómetros na Estrada Nacional 10, entre Alverca e Póvoa de Santa Iria – Será um conceito de via completamente renovado para receber circulação pedonal, ciclável e rodoviária; dois quilómetros de uma nova ciclovia ribeirinha, a “Ciclovia do Tejo”, integrada num novo Parque Urbano (“Moinhos da Póvoa”), que ligará o Concelho de Vila Franca de Xira ao concelho de Loures. De acordo com o Presidente da

A

O projeto virá complementar os 13 quilómetros já existentes junto à beira-rio

Câmara Municipal, Alberto Mesquita, “ a nova rede de ciclovias traduz a continuação da aposta em melhorar a qualidade de vida dos munícipes, neste caso aliando a mobilidade à sustentabilidade ambiental”. O vice-presidente da autarquia, Fernando Paulo Ferreira, juntou - “Trata-se de um

ambicioso plano de desenvolvimento de rede de ciclovias em condições de conforto e adaptado à natureza das nossas vias”. Uma das maiores adversidades neste projeto refere-se à dificuldade de negociação com a Infraestuturas de Portugal no que se refere às estradas nacionais. Mas neste

aspeto, o vice-presidente lembrou que a lei dá privilégio “em primeiro lugar ao peão, seguindo-se o ciclista e só depois os carros”. Se os primeiros troços têm uma função primordialmente de lazer e atividade física, os próximos pretende-se que tenham ainda uma função utilitária. Ou seja, a

nova rede servirá também para deslocações diárias, passando a coexistir com o automóvel nas idas para o emprego; para a escola ou outros interfaces de transporte. Para além de interligar todo o concelho, a nova rede permitirá também a ligação aos municípios

a sul (Loures e Lisboa – Parque das Nações) e a norte (Alenquer). Alberto Mesquita defendeu que “a implementação destas formas de mobilidade suave são essenciais para a preservação do meio ambiente e consequentemente para o bem-estar e saúde de toda a população”.

Abrigada

ARS descarta extensão de saúde na “Casa dos Silveiras” Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo visitou, recentemente, as prováveis instalações para a nova extensão de saúde de Abrigada mas rapidamente mudou de ideias face ao estado de degra-

O

dação do edifício “Casa dos Silveiras” inicialmente destacado para a função. José Manuel Catarino, deputado da CDU na Assembleia Municipal de Alenquer, referiu que a visita incluiu ainda uma deslocação a Olhalvo com o

mesmo objetivo de avaliação de condições de um edifício para o efeito. Em Abrigada “ficaram estupefactos com a falta de condições tendo em conta que no local são servidos cerca de seis mil utentes”.

Sendo que o edifício de que se falava há algum tempo “se apresenta de tal modo que os responsáveis da ARS não conseguiram entrar lá dentro com medo que aquilo lhes caísse em cima”. Por isso, segundo o deputado da Co-

missão de Saúde da Assembleia Municipal, “rapidamente perceberam que seria mais cara a recuperação do imóvel do que a construção de um novo”. Durante a visita foi visto um terreno que a Câmara chegou a disponibilizar nas

proximidades de uma cooperativa de habitação ali existente e à frente da central da PT. Segundo os responsáveis “terá todas as condições para receber uma futura extensão de saúde, dadas as boas condições do terreno”.

Centro Qualifica da Escola Profissional de Salvaterra quer constituir a maior comissão de antigos alunos do país o dia 16 de março, o Centro Qualifica da Escola Profissional de Salvaterra de Magos (EPSM) apresentou a Comissão dos Antigos Alunos do Centro Qualifica, entidade que vai envolver todos os adultos que terminaram o ensino básico e secundário nos últimos 10 anos na EPSM (Centro RVCC, CNO, CQEP e Centro Qualifica). O grupo vai ser liderado por Ana Rego (Presidente); António Silva (Vice-presidente para a área da educação, formação e cultura); José Manuel Geada (Vicepresidente para a gestão de eventos), Maria do Carmo Almeida (Tesoureira) e António

N

Mendes Baião (Secretário). A Comissão está já a trabalhar no primeiro encontro anual, agendado para o próximo mês de abril. Apesar de não quererem, para já, divulgar o plano de atividades previsto para 2017, percebeu-se que o grupo “está empenhado em contribuir para que mais adultos apostem na educação e formação, seguindo o exemplo de centenas de pessoas que conseguiram, nos últimos 10 anos, melhorar as suas qualificações no Centro Qualifica da Escola Profissional de Salvaterra de Magos”, refere o estabelecimento de ensino em nota de imprensa.

Aproveitando esta cerimónia, o Centro Qualifica da EPSM assinou protocolos de cooperação institucional com a Junta de Freguesia de Marinhais; Junta de Freguesia de Muge e União de Freguesias de Glória e Granho. No final, foi iniciado o processo de básico e secundário para mais de uma centena de adultos na Escola Profissional de Salvaterra de Magos.

Escola Profissional de Salvaterra certificou várias centenas de adultos nos últimos 10 anos


Valor Local

Março 2017

Sociedade 5

Bombeiros de Benavente contam histórias de partos na ambulância iz que pertence à mobília tantos são os anos que já leva de serviço no corpo de Bombeiros Voluntários de Benavente. Tinha 17 anos quando começou a frequentar a associação e a fazer os seus primeiros serviços. Hoje com 47 anos já soma quatro partos no currículo. Um desses implicou a sua própria irmã, igualmente pertencente a esta família dos bombeiros de Benavente. Foi há dois anos atrás e uma emoção ainda maior do que nas vezes anteriores, dados os laços familiares. A irmã só deveria ter a criança dali a duas semanas mas quis o destino que tivesse de dar à luz em plena ambulância mesmo à porta de casa. Lina Cardoso ainda se lembra bem desse dia. Era um sábado e estava de serviço ao INEM com o seu marido, igualmente bombeiro na associação, pelo que o parto foi totalmente em família. “Lembro-me que começou a sentir umas dores, e que ela nem queria ir para o hospital de ambulância. Pensava que quando chegasse o dia podia ir tranquilamente de automóvel, mas entrou em trabalho de parto muito rapidamente e dirige-me para a casa dela em poucos minutos”. Mária Craveiro, hoje com 35 anos, ainda se lembra bem do dia em que deu à luz à segunda filha. Num parto totalmente diferente do primeiro, em que a sua primogénita, Margarida, nasceu no hospital e várias horas depois de ter começado a sentir as primeiras dores. No parto da Francisca, “rebentaram as águas e mesmo não querendo ir de ambulância, lá tive de ligar o 112”, lembra-se. Naqueles minutos de grande aflição era importante não fazer demasiada força. Nesses minutos não houve tempo para pensar em quase nada, até porque foi por pouco que “ela não nasceu no hall de entrada”.

D

Foram episódios marcantes referem os bombeiros e os pais

Assim que se sentou na maca teve imediatamente a noção de que ia dar à luz. O marido Nuno Feliciano, 36 anos, teve a perceção umas horas antes do parto de que a mulher estava prestes a ter a criança antes do dia previsto, quando de manhã começou a sentir contrações de oito em oito minutos. “Ligou-se para uma enfermeira nossa conhecida que disse logo para a minha mulher se despachar porque não passaria daquele dia”. Mária Craveiro diz que o inesperado da situação deu azo a que “todos na vila tivessem ficado a saber do ocorrido”. No momento de dar à luz, a família ainda apanhou um pequeno susto quando o bebé não chorou após os pri-

meiros segundos de vida neste mundo. “Foram uns 30 segundos assustadores”. Mária Craveiro foi assistida no Hospital de Vila Franca de Xira, onde ainda permaneceu durante três dias. No local muitos eram os que comentavam as incidências do parto. Para Lina Cardoso, a conclusão, quando se lhe pergunta qual o balanço que faz desta experiência de ajudar no parto de uma familiar, é só uma: “Fiquei feliz por ter sido a minha sobrinha” Este corpo de bombeiros recebe formação a contar com este tipo de eventualidades, mas de todas as quatro vezes que teve de intervir num parto “há sempre algo diferente e aprende-se qualquer

coisa nova”. Um desses partos, recorda-se, teve lugar às 20h30 ao km 30 da A10. Nesse caso teve obrigatoriamente de parar a ambulância na autoestrada. Mas o mais inusitado deu-se com o nascimento inesperado de um bebé na sanita em que a mãe não conseguiu controlar de todo a situação. Miguel Fidalgo é outro dos soldados da paz que apesar de jovem já interveio em dois partos ao longo da sua carreira no corpo de bombeiros de Benavente. O último foi em 2014 em Foros de Salvaterra, fora do concelho de Benavente. “Íamos a caminho de Santarém quando ao chegarmos à zona de Muge tivemos de encostar e fazer o parto. Éramos

dois homens a ajudar a senhora. Lembro-me que fui buscar o kit de partos e mal voltei costas já tinha acontecido”. Já a primeira vez que fez um parto foi quando tinha 17 anos e não tem dúvidas em considerar que foi a parturiente que o ajudou, “até porque já ia no oitavo filho”. Naturalmente que “me encontrava muito assustado”, até porque “a formação que tinha na altura era outra”. Apesar de “ter sido gratificante não é uma coisa bonita de se ver”, refere para ilustrar a situação. Com a segunda mãe que assistiu é com regularidade que é visitado pela mesma e pelo seu filho, o Martim – “Foi um momento marcante para ela”, enfatiza para dar a conhe-

cer os laços de amizade que se mantêm até hoje. Para este bombeiro episódios como estes em que uma vida é trazida ao mundo pelas mãos destes homens torna-se algo muito compensador tendo em conta os outros episódios mais negros e dramáticos com que estes homens e mulheres se deparam no seu dia-a-dia nos casos em que a vida humana é destruída. Lina Cardoso refere que as suas quatro experiências “serão para sempre inesquecíveis, principalmente o nascimento da sobrinha”. Algumas dessas crianças continua a vê-las, com alguma regularidade, por Benavente, e mantém contato com os familiares.

Caso Pingo Doce do Carregado: Câmara de Alenquer continua de mãos atadas perante a IP Pingo Doce do Carregado continua a laborar sem licença de utilização. Mais de dois meses depois desde a sua abertura, a Câmara de Alenquer, (decorridos os prazos para o efeito), prepara-se no sentido de fazer aplicar uma que pode ir dos 1500 aos 250 mil euros ao grupo Jerónimo Martins, no sentido também de se oficiar o encerramento do espaço. O Valor Local tentou perceber se a coima acabou ou não por ser

O

aplicada (a data para o fazer era o dia 15 de março) e qual o valor, mas não foi possível chegar a fala com a autarquia até à hora do fecho desta edição, para confirmar este facto. Os acessos à superfície comercial estão na base da polémica tendo em conta as dificuldades que oferecem à circulação com uma passagem muito exígua para os pesados, nomeadamente. Em reunião de assembleia municipal, o presidente da Câ-

mara, Pedro Folgado, voltou a reforçar a tese de que pouco poderá fazer no que respeita às acessibilidades, “já que a Infraestruturas de Portugal continua a alegar que tudo se encontra em conformidade e em condições legais”. Por mais de uma vez, o autarca já se encontrou com os responsáveis da empresa do Estado que continuam a reiterar o mesmo. A Câmara deu a conhecer algumas sugestões para se melhorar a circulação

no local, “mas ainda não sabemos se foram acatadas”. “A IP é soberana porque argumenta que a estrada é nacional. Não temos outra hipótese a não ser conformarmo-nos com a obra, pois alegam que está Os acessos à superfície comercial tudo salvaguardaestão na base da polémica do”.


6 Saúde

Valor Local

Março 2017

Dia Mundial da Tuberculose

Números no distrito de Santarém atingem mínimos históricos o dia 23 de março, assinalase o Dia Mundial da Tuberculose, e o Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria leva a efeito uma sessão de apresentação acerca da evolução da doença no distrito de Santarém. O médico pneumologista José Miguel Carvalho do ACES Lezíria salienta ao Valor Local que a tendência é de descida generalizada nas últimas décadas, sendo que no ano de 2016 a incidência da doença, tantas vezes eternizada na literatura mundial dos últimos séculos pelos mais diversos autores, corresponde atualmente a um rácio de 12,9 por cada 100 mil habitantes no distrito. A incidência em Santarém tem sido sempre menor do que a média nacional. Nos dados referentes a 2015, a taxa de cura foi de 96 por cento, registaram-se 56 casos, sendo cinco de óbito. Para o clínico “a doença ainda deve ser encarada como grave embora seja curável”. Neste sentido é importante estar atento aos primeiros sintomas, embora a nível mundial nos países mais desfavorecidos ainda se assista a quadros calamitosos, e onde ainda se morre, em grande escala, por tuberculose. No distrito os óbitos registados em 2015 diziam respeito a pacientes que apresentavam ainda outros quadros clínicos com a presença de doenças como o cancro, a sida, e insuficiências renais. Em outros tempos evitava-se pronunciar o nome da doença, tal como hoje

N

Para o clínico a doença ainda deve ser encarada como grave embora seja curável acontece para o cancro, e por isso dizia-se que “se tinha um mal nos pulmões ou uma fraqueza nos pulmões”, evoca José Miguel Carvalho. Facilmente confundida com a

pneumonia a nível de alguns sintomas como a tosse, catarro, cansaço e febre, tem contudo uma evolução mais lenta. A pneumonia tem uma natureza mais agressiva, em que ao fim de alguns dias “ou o quadro se complica ainda mais ou o organismo consegue reagir e recuperar”. “As pessoas com tuberculose podem andar meses ou anos sem que se apercebam da presença da doença”, refere o clínico que alerta para a presença de alguns sintomas mais específicos, como “a permanência de uma febre baixa mais ao fim do dia; e com sudorese noturna”, bem como “uma tosse e expetoração arrastadas, ou mais carregadas do que o habitual no caso dos doentes com complicações brônquicas”. Apesar do estigma ainda existir

relativamente à tuberculose, esta é curável, embora o tratamento seja longo, cerca de seis meses. Nestes casos é importante o envolvimento dos familiares até para despiste da doença, “porque existe algum risco de contágio embora não seja predominante”. “Contudo a partir do momento em que a doença é diagnosticada numa fase inicial, o risco de contágio diminui”. Durante o tempo do tratamento, o doente é acompanhado na consulta de tuberculose no Centro de Diagnóstico Pneumológico de Santarém, com o objetivo de que “se sinta próximo do serviço, com um canal aberto para esclarecimento das suas dúvidas”. No gráfico que é dado a conhecer pelo ACES Lezíria e que estudou a evolução da doença no

distrito desde 1961, é possível verificar que só naquele ano foram detetados 700 casos de tuberculose. A doença foi evoluindo favoravelmente apenas com alguns picos na década de 70 correspondendo à descolonização de África, e às vagas de retornados, e na década de 80 correspondendo a fenómenos, ao que tudo indica, de toxicodependência e aparecimento dos primeiros casos VIH Sida, doença que anda muitas vezes de braço dado com a tuberculose, numa tendência que também foi nacional. De há 17 anos para cá que os números andam abaixo dos 100 casos por ano. Embora podendo atingir todos os estratos sociais, a transmissão da doença é mais fácil “nos idosos e onde as condições sociais se apresentam

mais degradadas, mas pode revelar-se transversal a todos os estratos”. Há 30 anos “tínhamos picos nos adultos jovens, o que era preocupante, contudo hoje isso esbateu-se”. No caso do distrito de Santarém, a prevalência da doença é reduzida, “e não temos nenhuma zona de incidência elevada, ou seja sem valor estatístico relevante”. Atualmente, o plano nacional de vacinas não obriga à toma da vacina da BCG para todas as crianças, mas apenas para as que possam apresentar um risco acrescido de poderem contrair a doença, resultante de uma nova diretiva da Direção Geral de Saúde, e porque “a incidência da doença é já muito reduzida a nível nacional”.


Valor Local

Março 2017

Política 7

Ainda não há fumo branco no PS Azambuja indefinição perdura no PS de Azambuja quanto ao candidato à Câmara nas eleições autárquicas deste ano.

A

Luís de Sousa instado pelo PS nacional a levar consigo o atual vice-presidente

Por um lado o atual presidente da Câmara Luís de Sousa tem o apoio do partido a nível nacional, sob determinadas condições, e por outro Silvino Lúcio venceu as eleições internas na concelhia. O processo tornou-se complicado e por esse motivo a FAUL (Federação da Área Urbana de Lisboa do PS) teve a necessidade de intervir e mediar toda a situação, assim como, a coordenadora autárquica nacional, Maria da Luz Rosinha. O dia 15 de março estava apontado como o dia do desenlace mas o processo permanece em águas de bacalhau. Pela primeira

vez, o presidente da Câmara, Luís de Sousa, fala a um órgão de comunicação social sobre este assunto. O autarca não esconde o quanto este processo o tem agastado. Luís de Sousa estará a ser aconselhado pelo PS nacional a levar Silvino Lúcio nas listas, e a retirar das mesmas o nome do atual presidente da Assembleia Municipal de Azambuja, António José Matos que não colhe o apoio de vários elementos da concelhia. As relações entre Sousa e Silvino atingiram um estado de degradação durante as últimas semanas, em que o fantasma da retirada de pelouros andou no ar. À nossa reportagem Luís de Sousa não consegue prever como será se o seu atual vice-presidente tiver mesmo de ir nas listas, até porque “as coisas chegaram a um ponto em que estão a ser mediadas pela FAUL”

através de três elemento daquela estrutura, para além dos próprios presidente e vice-presidente. Nesta mediação Sousa só exige que a FAUL trate Azambuja como os outros concelhos PS do país. Luís de Sousa lamenta que a concelhia tenha mostrado pouca abertura para o nome de Matos, “até porque era um sinal de renovação” para que “não sejam sempre os mesmos a concorrer”. Já quanto a Silvino diz que não encarou como uma escolha possível também em nome dessa dita renovação. Expectante quanto ao fim destes acontecimentos pouco abonatórios para as expetativas eleitorais do Partido Socialista no concelho, o atual presidente demonstra ter a noção de que neste momento pouco depende de si e que as decisões estarão no patamar a nível nacional. O mesmo é válido para Silvino Lúcio que che-

gou a marcar uma conferência de imprensa para se apresentar como candidato à Câmara, mas acabou por não o fazer após a tomada de conhecimento dessa intenção por parte da FAUL. Durante este mandato chegou-se a apontar para uma possível renúncia ao cargo, que acabou por não se concretizar, mas Luís de Sousa refere que chegou a pensar nisso. Instado quanto ao facto de poder ou não renunciar a meio do próximo mandato se for o seu nome a ir para a frente nas eleições, e caso volte a vencer, o atual presidente vincou perentoriamente e reforçou que não pretende desistir, a não ser em caso de doença. Um dos receios de parte dos militantes prendia-se com a possibilidade de desistir e deixar a presidência para Matos que até há poucos anos militava no PSD.

nas listas do PSD, (posição que repetiu em consecutivos atos eleitorais desde as autárquicas

de 2001) assumiria o lugar de número um, mas tal acaba assim por não se concretizar.

Helena de Jesus é a candidata do PSD à Câmara de Vila Franca atual vereadora da Coligação Novo Rumo vai ser a candidata do PSD à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. O Valor Local está em condições

A

de avançar que o nome de Helena de Jesus será homologado na próxima quinta-feira numa reunião da concelhia laranja de Vila Franca. Helena de Jesus tem ganho ter-

reno nos últimos quatro anos como vereadora na oposição junto a Rui Rei, que ao contrário do que se esperava, até há bem pouco tempo, não encabeçará nenhuma lista. Esta candidatura junta-se à de Regina Janeiro da CDU; e à de Alberto Mesquita, atual presidente da Câmara, que se recandidata pelo PS. Entretanto o PSD volta a concorrer coligado com o CDS/PP nestas eleições depois de terem ido separados em 2013. Fica a faltar o candidato do Bloco de Esquerda que ainda não é conhecido. Rui Rei é o cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira

Helena Jesus encabeça a lista da Coligação Novo Rumo

O atual vereador do PSD na Câmara é o cabeça de lista à Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira. Pela primeira vez em muitos anos, Rui Rei não faz parte das

CDS-PP debate “Azambuja Ruralidade no século XXI” concelhia de Azambuja do CDS-PP leva a cabo no dia 8 de abril um debate em torno do tema “Azambuja - Ruralidade no século XXI” que compreenderá durante a manhã uma visita à Quinta de Vale de Fornos para uma prova de vinhos, e às explorações de leite e de tomate para indústria do grupo SOGEPOC (Grupo Ortigão

A

Costa). A abertura para o espaço de debate a ter lugar no auditório do Valverde a partir das 14h30 antecede as boas vindas por parte do presidente da concelhia, José Carlos Matos. O debate será moderado por Patrícia Fonseca, eleita pelo CDS na Assembleia da República, e nele estarão presentes Pedro Monteiro, da Quinta de Vale de

Fornos; Filipe Sepúlveda do Grupo Sogepoc; António Ribeiro, da Quinta do Lezirão; Adolfo Henriques, da Granja dos Moínhos; e Nuno Albuquerque, da Quinta da Torrebela. No encerramento estará a presidente do partido Assunção Cristas, e o presidente da distrital João Gonçalves Pereira.

listas à Câmara, tendo-se chegado, mesmo, a falar que seria desta que o eterno número dois


8 Política

Valor Local

Março 2017

Coligação apresenta Hugo Duarte para a junta de freguesia de Aveiras de Cima ugo Duarte é o candidato da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra à junta de freguesia de Aveiras de Cima, depois de já terá apresentado Rui Corça como candidato à Câmara no final de 2016, e Luís Otero como o nome escolhido para o desafio para a junta de freguesia de Azambuja. Hugo Duarte tem 39 anos e é conhecido em Aveiras de Cima pelo seu trabalho na área social. Está ligado à Casa do Pombal “A Mãe” e à CPM/Pastoral Familiar da Paróquia de Aveiras de Cima. Durante 10 anos, Hugo Duarte foi chefe do Agrupamento de Escuteiros de Aveiras. Em nota de imprensa da Coligação, Hugo Duarte refere que os jovens da “sua terra” serão uma das suas apostas, e para isso até evoca um dos slogans do movimento escutista – “Deixar o mundo um pouco melhor do que

H

Coligação aposta em nome ligados às instituições de solidariedade social da freguesia o encontrei”. Não querendo entrar em polémicas até diz que é amigo de António Torrão (CDU), atual presidente da junta. “O

que me interessa é que se faça mais e melhor por Aveiras de Cima”. Ainda na mesma nota de im-

prensa enviada ao Valor local, a Coligação faz ainda um balanço da atividade do seu candidato à Câmara que por estes dias tam-

bém andou pela freguesia de Aveiras de Cima em contactos institucionais com empresas e associações, onde ouviu quei-

xas acerca do papel da Câmara e a sua relação com a freguesia: “Quanto mais ouço mais certezas tenho: Aveiras de Cima não tem tido a atenção que merece por parte da Câmara”. E nesse aspeto encontram-se “os problemas que se arrastam há anos”. A estrutura de campanha entretanto também já está definida e será liderada pelo antigo presidente do PSD/Azambuja, Luís Fonseca. O mandatário financeiro da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra também já foi nomeado cabendo ao deputado municipal Sérgio Ezequiel: “Vamos cumprir a lei e isso quer dizer que não vamos gastar mais do que o permitido e que as nossas contas vão ser transparentes e públicas, como fizemos no passado e sem reparos do Tribunal Constitucional”, garante Rui Corça.

Apresentação da candidatura de Ernesto Ferreira à Câmara de Alenquer pela CDU CDU apresentou no dia 14 de março Ernesto Ferreira como candidato à presidência da Câmara de Alenquer. O atual vereador em substituição na Câmara de Vila Franca tem origens no Bairro em Abrigada, tendo desempenhado funções como membro da assembleia de freguesia. Para o candidato, o único resultado esperado é a vitória, num concelho dominado há décadas pelo Partido Socialista. Ernesto Ferreira, que integra a direção regional de Lisboa do PCP, confessou que se sentiu “surpreendido” com o convite do seu

A

partido para abraçar uma candidatura ao município alenquerense, mas ao mesmo tempo diz ter ficado “feliz” com o mesmo. Sindicalista ligado à Tudor, Ernesto Ferreira, 60 anos, é também conhecido por esta vertente da sua vida, sendo membro da comissão de trabalhadores daquela empresa. É ainda coordenador da Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa. Integra a direção do Sindicato das Industrias Elétricas do Sul e Ilhas e a Direcção Nacional da FIQUIMETAL, sendo atualmente presidente do

Conselho Fiscalizador da União dos Sindicatos de Lisboa. O candidato referiu durante a sua apresentação que, neste momento, o seu objetivo passa pelo contacto com a população, associações e IPSS’s. Sem querer tecer comentários acerca do atual mandato do PS na Câmara de Alenquer, mostrou a sua preocupação face ao facto de no concelho “se pagar da água mais cara do país”. Os restantes candidatos à Câmara serão anunciados em breve segundo a CDU bem como os candidatos às juntas de freguesia.

Candidato tem ligações a Abrigada

Regina Janeiro apresenta-se aos militantes da CDU de Vila Franca CDU de Vila Franca de Xira apresentou aos militantes e simpatizantes comunistas a sua candidata à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Regina Janeiro cresceu em Vila Franca, e regressa doze anos depois de ter estado como vereadora na Câmara do Barreiro. A apresentação decorreu no dia 18 de março na Rua do Chave d´Ouro, depois da iniciativa ter estado marcada para o Largo da Câmara. Segundo apurou o Valor Local, a mudança de local prendeu-se com a realização de uma pequena feira de artesanato que já estava prevista para o local. Todavia a CDU entupiu parcialmente o início da chamada Rua

A

do Chave d´Ouro com esta iniciativa, tendo em conta o número de militantes presentes com vontade

de conhecer a candidata que promete uma relação mais estreita com as associações e com os

trabalhadores do município entre outros. Na sua curta mensagem de apre-

A candidata abraça agora o desafio de retirar a Câmara ao PS

sentação, Regina Janeiro lembrou o estado em que se encontra o comércio da cidade de Vila Franca de Xira, destacando a titulo de exemplo o Vila Franca Centro, este edificado nos últimos mandatos de Daniel Branco, (último presidente comunista eleito no concelho), e que agora se encontra encerrado. Regina Janeiro vincou por outro lado que poderia continuar no município do Barreiro como vereadora, cargo no qual esteve 12 anos. “Seria um orgulho caminhar de novo ao lado da Sofia Martins. Estaria ao seu lado com o mesmo empenhamento e compromisso com que estive ao lado do presidente Carlos Humberto”.

Todavia explicou que “a vontade de ajudar e de construir o futuro de Vila Franca de Xira, falou mais alto e tornou-se inevitável” a sua candidatura. Ainda sobre Vila Franca de Xira, Regina Janeiro referiu que a Câmara Municipal e as juntas de freguesia deverão construir uma rede de interação para a “resolução de problemas e aspirações das populações”; e salientou mesmo que a CDU propoem-se a “continuar a lutar pela reposição das freguesias”. “Este é um concelho com 11 freguesias e 11 identidades” salientou a candidata que tem andado pelo concelho nos últimos dias em contato com as populações.


Valor Local

Março 2017

Ambiente 9

Coligação acusa Luís de Sousa de se ter rebaixado perante a SUMA Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra ficou indignada com a rábula apresentada pela Triaza, empresa de Tratamento de Resíduos Industriais de Azambuja no dia da sua inauguração em que recorrendo à ironia procurou desmistificar os receios relativamente ao aterro de resíduos industriais não perigosos localizado na Quinta da Queijeira. Nessa rábula, um detetive dava conta de descobertas macabras, (nomeadamente os possíveis crimes ambientais) sobre a empresa, rapidamente refutadas e desvalorizadas pelo seu chefe. Maria João Canilho e António Jorge Lopes da coligação consideraram a rábula filmada pela reportagem do Valor Local como “uma falta de respeito para com os eleitos locais”. Contudo Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, acabou por ser o alvo principal da intervenção (que até se fez acompanhar pela projeção da pequena filmagem feita pelo nosso jornal no dia da inauguração). A oposição de centro-direita não gostou do facto de o presidente da autarquia, na altura dos discursos, se ter identificado com o conteúdo da rábula e ter desabafado que também ele tinha sido alvo de “alguns inspe-

A

Luís de Sousa acusado de alinhar com a empresa de resíduos

tores” durante o processo quer culminou com a inauguração do aterro. “O senhor está a borrifarse para os eleitos e a agacharse perante os poderes instalados (neste caso a empresa proprietária do aterro- a SUMA). Isto não é admissível. Não podemos encarar assim os destinos

do concelho de Azambuja”, referiram os autarcas da Coligação. Na resposta, o presidente da Câmara alegou que ainda tinha o direito de dizer o que sentia, e que quando o fez não foi com a intenção de “ofender ninguém”. Garantindo ainda que está disponível para dar a conhecer o

aterro a quem assim o desejar. “Se ficaram feridos com as minhas palavras, desde já peço desculpa, não me caem os parentes na lama”, enfatizou. Jorge Lopes contrata-atacou – “Não tinha de se colar à rábula mas sacudi-la”. Neste aspeto, o presidente da Câmara referiu

que o vereador também tem “telhados de vidro” e “rabos-de-palha” aludindo ao caso Luís Simões, considerando ainda que não se rebaixou ao ter falado daquela forma no dia da inauguração do aterro. O vereador da CDU, David Mendes saiu de certa forma em defesa do executivo

PS ao referir que as culpas quanto aos prejuízos e ao processo do aterro não podem ser imputados a Luís de Sousa e restante elenco, mas ao anterior liderado por Joaquim Ramos. Considerando até aquele tipo de rábulas banais em inaugurações de empresas do género.

Salvaterra à espera de resposta quanto às supostas descargas de lamas existência de um suposto depósito a céu aberto de lamas contaminadas da Portucel na Medronheira na Glória do Ribatejo tem deixado em estado de alerta

A

as populações da União de Freguesias da Glória e Granho. O assunto tem sido levado a reunião de Câmara pelo Bloco de Esquerda que fala em camiões de

uma empresa de Sintra que deveriam transportar resíduos tratados da empresa Ambitrevo de Coruche mas ao que parece “foram desviados diretamente para os re-

Hélder Esménio prefere esperar pelas conclusões da investigação

feridos terrenos na Glória do Ribatejo”. Por se tratar de um possível crime ambiental, a Câmara Municipal, de acordo com o presidente da autarquia, Hélder Esménio, ao Valor Local organizou “um dossier com 300 páginas” entregue às autoridades. O autarca prefere para já não falar em lamas até que seja apurada por completo a

veracidade ou não desses factos. Até porque “prefiro responder ao histerismo com informação”. A empresa transportadora foi contactada bem como a fabricante desses supostos compostos deixados na Medronheira, Glória. Foi dado conta do ocorrido junto do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas e da Agência Portuguesa do Ambiente. Hélder

Esménio refere ainda a possibilidade de se “tratarem de cinzas resultantes da queima e não de lamas”. (A queima de sobrantes é permitida). O Valor Local questionou se a própria Câmara não disporia de técnicos para dar essa resposta, mas Esménio referiu que aguarda pelas autoridades do setor, “até porque não sou engenheiro do ambiente nem polícia”.


10 Publicidade

Valor Local

Marรงo 2017


Valor Local

Março 2017

Dossier Águas 11

Sensibilização ambiental para a Poupança da Água

Empresas dão a conhecer as suas atividades o âmbito do Dia Mundial da Água, 22 de março, o nosso jornal lançou um desafio de criatividade junto das nossas escolas. Ao mesmo tempo questionámos junto das diferentes empresas e sistemas municipais ligados ao abastecimento e saneamento acerca da sua política e atividade no que se refere à sensibilização ambiental. No caso do concelho de Vila Franca de Xira, os Serviços Municipais de Águas e Saneamento (SMAS), as principais campanhas, nos últimos anos, têm sido dirigidas essencialmente ao público em idade escolar do ensino básico e pré-escolar com informação sobre comportamentos a ter em casa e na escola. Anualmente os SMAS destinam uma parcela de 10 mil euros do seu orçamento para a sensibilização ambiental. António Oliveira, presidente dos SMAS, refere que regularmente são também elaborados folhetos de sensibilização à população em geral sobre a qualidade da água da torneira e sobre a necessidade de poupança na sua utilização. Assim, todos os anos, os técnicos dos SMAS, fazem uso de jogos didáticos (“Água na Natureza”, “O Ciclo da Água”, “Bingo da Água”, “Vamos Poupar Água”, “Loto da Água”, “Jogo de Mimica”), “e ensinam a poupança da água e a necessidade da preservação da sua qualidade”. Sempre que solicitadas, são efetuadas visitas a reservatórios e a estações elevatórias por parte das escolas. “Gostaríamos de destacar as comemorações do Dia Mundial da Água, em 2016, junto de escolas dos 9 Agrupamentos do concelho de Vila Franca de Xira, em que foi

N

desenvolvida uma atividade destinada aos alunos do 4.º ano, que constou da apresentação de um espetáculo de magia, didático, interativo e divertido, com mensagens de alerta sobre a importância da poupança da água, das vantagens do seu consumo e dos efeitos da poluição, que abrangeu mais de mil crianças do nosso concelho.” Como nota ainda, fora deste público-alvo, em 2016, integrada na iniciativa do município de comemoração do “Dia Mundial da Água” e “Dia Mundial da Floresta”, na Quinta Municipal do Sobralinho, foi realizada uma atividade relacionada com a distribuição e controlo da qualidade da água de consumo – “Mini laboratório de análises de água”, direcionado à população idosa do concelho, incluindo esclarecimento de questões relacionadas com a distribuição, tratamento e qualidade da água de consumo. A poupança de água começa nas próprias empresas de distribuição e neste sentido os SMAS referem que “têm procurado agir dentro dos parâmetros de um controlo ativo de perdas, com uma atuação proativa e sustentável na sua redução.” No que concerne às perdas, nos últimos três anos, têm sido efetuados investimentos a nível de recursos humanos e de equipamentos adequados, visando “uma monitorização contínua dos caudais mínimos noturnos com vista à sua análise e identificação de eventuais perdas reais”. A nível da gestão de perdas aparentes (aquelas que decorrem de volumes não contabilizados) são desenvolvidas as seguintes ações: identificação de situações de ligações ilícitas, quer nos contadores,

quer nos hidrantes e bocas de incêndio, com vista ao seu mapeamento e eliminação; gestão do parque de contadores, pela identificação de contadores parados, avariados e em fim de vida, que origina a submedição de consumos; controlo das estimativas atribuídas, por uma análise aos agregados familiares e tipo de atividade desenvolvida; implementação de um sistema de faturação mais fiável, e diminuição de imprecisões nas leituras com consequentes alertas sempre que ocorram desvios no sistema de faturação. Já para a concessionária “Águas da Azambuja” a melhoria do ambiente é transversal a todas as atividades desenvolvidas pela ADAZ e pelo grupo empresarial onde se insere, “que é um dos principais operadores do ciclo urbano da água em Portugal e desempenha “um papel crucial nesse domínio, sendo responsável pelo abastecimento de água e saneamento num universo de 1,3 milhões de habitantes e contando com a participação de 1084 colaboradores”, refere a diretora da Águas da Azambuja, Isabel Pires. Nesse sentido a sensibilização ambiental começa no seio de cada empresa do grupo, com “o envolvimento de todos os colaboradores na melhoria contínua das suas atividades”, em prol de “um objetivo comum de promover a eficiência na operação dos sistemas, contribuindo para a sustentabilidade ambiental e para a qualidade de vida das populações”, refere. Junto das escolas a empresa perspetiva desenvolver durante o ano de 2017, ações de divulgação da sua atividade e de promoção de boas práticas no âmbito do uso eficiente

da água. No que concerne às perdas de água, este é considerado como um objetivo “estratégico” da Águas da Azambuja que tem apostado de “forma contínua e sustentada e que se traduz em ganhos de eficiência ambiental”. No ano de 2016 atingiu um dos melhores resultados ao nível da eficiência hídrica, com uma percentagem de perdas de 21,9 por cento, que corresponde a uma redução de perdas de 125 266 m3 face ao ano anterior. Para o ano de 2017 a Águas da Azambuja previu uma verba de cerca de 0,3% dos seus gastos em fornecimento e serviços externos, para o desenvolvimento das ações de divulgação. No que respeita à empresa intermunicipal Águas do Ribatejo (AR), esta refere que a educação/sensibilização ambiental começa desde logo no combate às perdas de água que à data da entrada em funcionamento da empresa era de 52 por cento e hoje anda na ordem dos 34 por cento. “Sensibilizámos os clientes e consumidores para o uso eficiente da água promovendo ações em parceria com a Quercus, a Deco, os agrupamentos de escolas e os municípios que integram a AR”, refere o presidente da estrutura, Francisco Oliveira. “Com estas ações chegámos a mais de 15 mil famílias por via das crianças e jovens nas escolas e jardins de infância, mas também

dos alunos das universidades, politécnicos e das universidades seniores da região”, acrescenta, enfatizando ainda o papel dos meios de comunicação social presentes nos vários concelhos da AR. No caso da presença junto das escolas, foram promovidas campanhas diversificadas, e dezenas de visitas a estações de tratamento de água (ETA), estações de tratamento de águas residuais (ETAR) e “ao nosso laboratório para que os alunos conheçam os processos envolvidos no ciclo da água”. A AR promoveu vários concursos de desenho, fotografia, vídeo, trabalhos manuais, artes plásticas nas escolas da região em parceria com os professores e outros agentes educativos e com a colaboração da Quercus. No combate às perdas de água, a substituição de mais de 45 mil contadores e a otimização dos recur-

sos para controlo e monitorização permitiram reduzir para 34 por cento: “Assumimos o compromisso de reduzir as perdas para 20 por cento até 2020. Faltam apenas três anos, mas tudo faremos para conseguir”. Quanto à fatia do orçamento destinada para estas ações de sensibilização, a AR prefere não fazer essa contabilização até porque “também teríamos de somar o tempo despendido pelos nossos recursos humanos e isso tem um custo”. “Todavia estes valores são vistos por nós como um investimento com retorno porque os comportamentos de clientes e consumidores informados, atentos e responsáveis irão traduzir-se em poupanças significativas na área financeira, mas também na pegada ambiental, que é muito valorizada pela AR.” O Valor Local contactou ainda o sistema multimunicipal Águas de Lisboa e Vale do Tejo que preferiu não responder às questões alegando com o facto de se encontrar em fase de mudanças na sua estrutura com a passagem para a Águas do Tejo Atlântico e a inclusão de alguns destes concelhos na mesma. Contactámos ainda a Cartágua-Águas do Cartaxo mas não recebemos qualquer resposta.

SMAS de Vila Franca debatem perdas de água s Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento de Vila franca de Xira (SMAS) debateram no dia 22 de março a problemática das perdas de água. A iniciativa que decorreu na “Fábrica das Palavras” contou com a presença do Secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins e de representantes de várias entidades do setor, como é o caso da EPAL. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, fez uma alusão ao trabalho levado a cabo pelo município, vincando igualmente os desafios que este setor encerra em Vila Franca a par das melhorias já feitas no serviço, que vão desde a recolha de resíduos, passando pela aquisição de novas viaturas e inauguração de reservatórios, bem

O

como a melhoria da rede. Alberto Mesquita salientou a preocupação com as perdas de água que afetam o meio ambiente, por um lado, e por outro a própria gestão da empresa, vincando também como exemplo o uso fraudulento de bocas-de-incêndio bem como outras situações. Carlos Martins, Secretário de Estado do Ambiente, destacou o trabalho desenvolvido por Vila Franca de Xira, esclarecendo que a questão das perdas de água é um assunto nacional que também preocupa o governo. As ruturas e as perdas de água que afetam a questão comercial constituem-se também como uma fonte de preocupação para os peritos convidados para esta conferência. Sendo também os tarifários

outra preocupação, desta feita expressa por João Nuno Mendes presidente da Águas de Portugal, que neste sentido enfatizou a questão da aglomeração dos mu-

nicípios, como sendo “algo que poderia fazer o setor mais competitivo”. José Manuel Sardinha, presidente da EPAL, fez também uma rese-

Entidades do setor atentas ao desafio de minimizar as perdas

nha referente às perdas de água. O responsável recordou o ano de 2004, altura em que o ano foi de alguma seca no país, em que as reservas de água não chegavam para abastecer Lisboa e os concelhos limítrofes, o que levou que fosse criado um programa de redução de perdas que veio a dar frutos nos últimos anos. O exemplo vivido em Lisboa acaba por ser também aplicável a outras zonas do país. A falta de um cadastro das canalizações também contribui para que seja difícil encontrar as ruturas, algo que está na agenda das concessionárias. António Oliveira, presidente dos SMAS de Vila Franca de Xira, destacou também a preocupação da empresa em reduzir as perdas, tem do sido aliás esse o mote de

toda a conferência, para assinalar o Dia Mundial da Água. O responsável disse que a empresa está alerta e que teve, em alguns locais do concelho, de desativar bocasde-incêndio. A esse propósito referiu que era hábito em locais mais inacessíveis existir abastecimento de água por parte de camiões. “Tal representava uma perca significativa de águas em termos económicos e ambientais”, concluiu. No âmbito desta iniciativa, foi ainda apresentada uma aplicação de telemóvel que já se encontra disponível aos clientes dos SMAS de Vila Franca para comunicação de leituras e de anomalias; gestão de dados do contrato ou consulta de faturas. Miguel A. Rodrigues


12 Destaque

Valor Local

Marรงo 2017


Marรงo 2017

Valor Local

Destaque 13


14 Destaque

Valor Local

Marรงo 2017


Marรงo 2017

Valor Local

Publicidade 15


16 Opinião

Valor Local

Editorial mês de março marca o virar de mais uma página no Valor Local. Neste mês, o nosso jornal estreia uma nova imagem e prepara-se para novos desafios que

O

se avizinham. Março fica também marcado pela autonomização deste projeto que passa a pertencer à equipa que o fundou e que nele tem trabalhado

Miguel António Rodrigues

afincadamente todos os dias. Algo que só é possível com a entrega de todos os colaboradores e parceiros: desde o pequeno comércio às grandes empresas.

O Valor Local que assinala no próximo mês quatro anos é hoje um produto reconhecido pela sua credibilidade editorial em todos os 8 concelhos onde se move. Algo só

No dia mundial dos direitos do consumidor

Deixem de ser “ursos”... Não “embarquem” em concursos ue se não tome à letra os termos, mas a advertência que traduzem… A propósito dos 760, 100, 200... e de outros tantos embustes que por aí campeiam... Determinados “concursos” constituem hábeis meios para enredar os consumidores em tramas mais ou menos astuciosas que redundam em prejuízos assinaláveis para a bolsa de cada um e todos, que não obviamente para os seus promotores. Tais meios artificiosamente urdidos resultam se os consumidores forem acríticos, inocentes, crédulos, em suma, se se esquecerem

Q

que é preciso desconfiar sempre de “galinha gorda por pouco dinheiro”! Para despertar em todos e em cada um uma certa reserva perante as ofertas fantásticas com que certos malandrins tendem a seduzir-nos (e ninguém escapa aos rodeios de gente sem escrúpulo que vagueia pelo mercado para “perdição das almas”…), e em vésperas de Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, eis uns versos por nós feitos em determinada ocasião em que as pessoas faziam centenas de quilómetros atrás de uma máquina fotográfica qual prémio para a compra por

Março 2017

bom dinheiro de um frustrante (ou “furado”) cartão turístico ou de férias… Houve gente a deslocar-se de Viseu a Leiria à “cata” do sugestivo “prémio”… Ou de Pombal a Cascais… As coisas, porém, refinaram-se. Mas os métodos negociais assentes proverbialmente em estrutural desonestidade dos promotores persistem com acrescidos riscos para as pessoas mais vulneráveis. Daí as precauções de que importa nos rodeemos. Fiquem, pois, os versos. E que a lição aproveite a todos e cada um.

“Néscios” sempre tereis...

Nestas questões de concursos Coisas estranhas acontecem São fortunas prós percursos E os “prémios” desaparecem. Férias na “estranja” e ao sol Miragem de lugares distantes Voga tudo em arrebol Nas promessas dos farsantes. Não se deixe defraudar Pondere, reflicta, meça; Emoção solta no ar Fá-lo perder a cabeça. Dar algo, ninguém lhe dá

possível tendo em conta o trabalho que elevou este projeto à categoria de regional, apostando nas grandes reportagens e em temas próprios produzidos pela nossa equipa de jornalistas e colaboradores. É nesse sentido que o Valor Local vai continuar a inovar. Em busca pela credibilização das notícias e na produção de vários eventos como aquele que vamos realizar em Salvaterra de Magos no início de maio. Com a entrada em março também o Valor Local se associou ao Dia Mundial da Água, assinalado no dia 22. Inovámos e lançámos um desafio às escolas do primeiro ciclo de Alcoentre, Alverca, Cartaxo e Foros de Salvaterra. O desafio foi lançado aos alunos para escreverem uma redação e pintarem um desenho relacionado com a poupança da água. Neste capítulo, todos sem exceção se empenharam. Professoras, alunos e até diretores de agrupamentos deram o seu contributo. No fim e depois de avaliado pela nossa redação, concluímos que o desenho mais representativo para ir na capa do jornal foi o de Foros de Salvaterra. Mas este será um desafio a repetir no futuro e com algumas inovações já para o ano, com outras escolas convidadas e outros concelhos da nossa área de abrangência que por questões de logística não constaram para já desta edição. Este foi um concurso didático e sem objetivos competitivos, dando possibilidade às crianças de, por um lado usarem a sua criativida-

de, e por outro aprenderem com o tema. Esta iniciativa que terá uma cerimónia de entrega de diplomas meramente simbólica em Salvaterra de Magos, contará ainda com a apresentação de um pequeno vídeo didático feito para as crianças e a presença do secretário de estado do Ambiente. Ao mesmo tempo contamos com a componente de reflexão sobre este tema tão importante na vida das nossas populações como o do custo da água e saneamento. E por isso agradecemos desde já o contributo do engenheiro Faria de Oliveira e do Professor Rui Godinho, apenas dois exemplos de personalidades máximas neste setor. Desde o seu início que o nosso jornal se comprometeu de forma séria e aprofundada em dar as notícias sobre esta área tão contestada, de forma livre, independente, estudada, e objetiva com o objetivo de lutar pela máxima transparência dos seus atores, acima das normais jogadas políticas, das quais também damos naturalmente conta, intrinsecamente ligadas aos ditos negócios das águas. Não deixando contudo de perguntar, questionar e exigir sempre junto de quem deve prestar contas públicas à população.

Mário Frota*

Fortuna é resistir… Reaja, então, vá lá Não se deixe extorquir! Reflicta, pondere bem Se quiser comprar as “férias”. Procure, saiba também Qu’ inda há empresas sérias. Não entregue o mealheiro Ao primeiro que apareça Olhe que o «trapaceiro» Lhe dá “cabo” da cabeça! Não se deixe enganar… Pondere, reflicta, meça! É que importa desvendar O logro, peça por peça…

Do prémio, já nada resta … Os valores muito acrescidos O contrato já só presta P’ ra deixar todos tolhidos. Do consumidor com sorte A sujeito consumido, Proclame-se aqui a morte De sistema tão delido. É que o conto do vigário Tem mil e uma versões Esta vem por formulário Das Américas aos trambolhões!” * Presidente da apDC – associação portuguesa de direito do consumo


Valor Local

Março 2017

O Justo e o Pecador Porquê pagar impostos? Este pequeno artigo obrigou-me a fazer um exercício de reflexão que se revelou muito importante para contextualizar o que é justo e injusto no setor das águas. Para isso comecei por perguntar a mim mesmo: porque é que a fuga aos impostos é grave? É grave porque todos nós, enquanto cidadãos, estabelecemos um contrato com o Estado: nós pagamos impostos e, em contrapartida, o Estado garante a nossa segurança (através da polícia e do exército), providencia a nossa educação, cuidados de saúde, mobilidade (estradas, ferrovias, transportes públicos, portos, aeroportos) e justiça. Enfim, investe o nosso dinheiro em bens, serviços e infraestruturas de interesse público que nós, enquanto indivíduos, isoladamente, não temos a capacidade para o fazer. Acontece que, quem não paga os impostos também usufrui desses serviços. Também viaja nas estradas, recorre aos tribunais, confia nas forças de segurança para sua proteção, etc. Usufrui mas não paga. E isso é injusto para quem paga. Pior ainda, quem paga está a pagar mais, porque as despesas, que podiam ser partilhadas por todos, são cobertas somente pelos impostos daqueles que cumprem a Lei. Ou seja, paga o justo pelo pecador. Porquê pagar a água? Ora, com a água, a situação é muito semelhante. Para levar água potável às nossas casas é preciso construir barragens, estações de trata-

Opinião 17 Diogo Faria de Oliveira*

mento e condutas. Milhares de quilómetros de condutas. Em rigor, são 106 mil quilómetros de condutas. O equivalente a 2,7 voltas ao mundo pelo equador. Estas condutas levam água a 5,3 milhões de casas. Mas existem 754 mil casas que, embora tenham rede de água à porta, não estão ligadas (589 mil no caso do saneamento). Ao todo, são cerca de 15 mil km de redes de água (7 mil km de saneamento) que não estão a ser utilizados. No entanto, foram investidos milhares de milhões de euros nestas redes, que agora têm custos de manutenção elevados. E quem é que paga esses custos? Paga quem está ligado às redes, paga o justo pelo pecador. Acresce que, a recolha do lixo é cobrada através da fatura de água. E a recolha do lixo é “cega” a quem paga, ou não, a água: todos os contentores são despejados diariamente e lavados periodicamente. E mais uma vez, paga o justo pelo pecador. Mas onde é que está o pecado? E aqui impõe-se uma outra pergunta: qual é o mal de beber água de um poço ou de um furo ou de ter uma fossa sética? Bem, se não houver redes públicas, não há grandes alternativas, mas estes casos já são raros, porque a cobertura da rede pública de água atinge os 96% no continente. Mas nos casos onde há redes públicas, a sua utilização é obri-

Sobre o Futuro dos Serviços de Água e Saneamento em Portugal setor da água em Portugal atingiu uma situação de “maturidade”, devido a um conjunto de politicas desenvolvidas, principalmente nos últimos 30 anos, e à criação de capacidades e competências, algumas de excelência, o que permitiu que atingíssemos elevados níveis de cobertura de infraestruturas, de satisfação dos consumidores, e de desempenho das entidades gestoras de águas e saneamento, as quais hoje comparam bem a nível internacional. Os sucessos conseguidos materializaram-se numa reforma integrada e consistente do setor, com reflexos positivos na qualidade de vida dos cidadãos e nos indicadores de saúde pública (mortalidade infantil, por exemplo, onde nos si-

O

tuamos entre os melhores do mundo). Há, aliás, um reconhecimento internacional alargado da nossa evolução positiva: União Europeia, OCDE, Organizações das Nações Unidas, Banco Europeus de Investimentos, International Water Association (IWA), Conselho Mundial da Água. Há, no entanto, situações que carecem de atenção e resolução através da aplicação de estratégias coerentes e sustentáveis por parte dos vários intervenientes nas politicas do setor, a diferentes níveis, destacando-se a baixa “eficiência estrutural do sector”, privada ainda de escala adequada de organização, nomedamente dos serviços “em baixa” (serviços municipais), onde encontramos 76% de entidade gestoras

com menos de 20 000 clientes, das quais 33% com menos de 5000 clientes em abastecimento de água e 46% em saneamento de águas residuais1. Acresce que, no tocante ao saneamento de águas residuais onde a taxa de atendimento a nível nacional atinge sómente 80% da população – co-existe uma “zona de penumbra/sombra” em relação ao que se passa em 950 000 alojamentos que não estão cobertos pelos sistemas convencionais2. Soluções coletivas de pequeno e médio porte ou individuais? Promoção de incentivos para suscitar a ligação aos grandes sistemas de infraestruturas já instalados? A que custo? Haverá que manter os sistemas existentes – fruto dos enormes

avanços mencionados – não os deixando degradar, evitando assim passar o onus para a próxima geração. Contudo, a reestruturação do setor, que viveu recentemente um controverso processo de “agregações/fusões” dos sistemas multimunicipais - agora em reavaliação, através de “destaques” e incentivo à criação de “entidades intermunicipais” com escala – também passa pela adoção dos chamados “sistemas simples e simplificados” reformulando, se necessário, técnicamente e em dimensão, soluções convencionais já instaladas. Impõe-se, também, alargar a atenção do setor às “emergências” relacionadas com a drenagem e gestão das águas pluviais em ambiente de alterações climá-

gatória por lei. E essa obrigação ocorre por três boas razões: - A primeira, como já vimos, é uma razão de igualdade. Não é justo que uns paguem pelos serviços disponibilizados aos outros. - A segunda razão é de saúde pública. É que raramente a água de um poço, ou de um furo, é desinfetada e muito menos tratada. E ao beberem dessa água, as pessoas e os seus familiares podem incorrer em problemas de saúde. - E a terceira razão é de proteção do ambiente. É que, no caso dos furos, a exploração de lençóis freáticos pode levar a que a água subterrânea, que é de todos, venha a ter problemas. E no caso das fossas séticas, que muitas vezes são mantidas de forma incorreta, o seu extravasamento pode prejudicar terrenos e culturas agrícolas. É por tudo isto que a ligação às redes é obrigatória por lei. Se todos pagássemos, todos pagaríamos um bocadinho menos e a saúde pública e o ambiente agradeciam. * Perito independente, Presidente do Grupo de Apoio à Gestão do Plano Estratégico Nacional de Água e Saneamento de Águas Residuais, PENSAAR 2020

Rui Godinho*

ticas, cuja evidência de severas consequências sobre a gestão da água incidirão fortemente sobre o Sudoeste da Europa e Bacia do Mediterrâneo, onde nos localizamos3. Estão as nossas cidades a preparar-se estratégicamente para prevenir e/ou defrontar tais problemas? Em geral não estão, abundando intervenções inadequadas em zonas costeiras e ribeirinhas inundáveis, com um forte potencial de agravamento de riscos associados. Quanto à responsabilidade da gestão das águas pluviais, que se pretende entregar às entidadades gestoras dos serviços de água e saneamento, recomenda-se uma cuidada e integrada análise dos custos “incorridos” e “evitados” (reutilização em usos de “segun-

da linha). APDA – Água e Saneamento em Portugal: O Mercado e os Preços, 2016 2 APDA – Seminário sobre “Saneamento em Pequenos Agregados Populacionais e Populações Dispersas”. Assembleia Municipal de Oeiras, Novembro 2016 3 5º Relatorio do Painel Internacional sobre Alterações Climáticas. Conferência de Paris, Dezembro 2015 * Professor Associado da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Presidente da Assembleia Geral da APDA – Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas 1


18 Eventos

Valor Local

Março 2017

Ávinho com “Sete Saias” e “Os Azeitonas” veiras de Cima já se prepara para a denominada “festa do vinho mais castiça do país”. Tratase da décima terceira edição da Ávinho - Festa do Vinho e das Adegas, e acontece neste ano nos dias 7, 8 e 9 e de abril. O evento é uma organização da Câmara Municipal de Azambuja, junta de freguesia local, e “Associação Vila Museu do Vinho”. Por apenas 2,50 euros, o visitante adquire uma caneca de barro alusiva ao evento – que guardará como recordação – e tem acesso a provar, gratuitamente, todos os vinhos na dezena e meia de adegas privadas participantes na iniciativa. Os produtores abrem as suas portas e partilham alguns segredos do vinho ribatejano que produzem. Mas porque nem só de vinho se faz a festa, haverá várias barraquinhas com petiscos e doces nas ruas integradas no certame. A nível musical, a edição deste ano terá como cabeças de cartaz o conjunto feminino de música tradi-

A

cional “Sete Saias”, 6ª feira às 24h00, e o conhecido grupo “Os Azeitonas”, sábado também à meia-noite. Outro destaque em termos de animação vai para o fado amador itinerante pelas adegas, sexta a partir das 21h00, e ainda para o desfile etnográfico demonstrativo d’ “O Ciclo do Vinho”, às quatro da tarde de sábado. Outros atrativos da Ávinho são as varandas e fachadas enfeitadas sob o tema do vinho, fruto do envolvimento da população local, bem como a divulgação dos resultados do 35º Concurso de Vinhos do Concelho de Azambuja. Tratandose de uma “oportunidade para se conhecer os melhores brancos e tintos entre a cerca de meia centena de vinhos concorrentes”, refere o município em nota de imprensa. Todas as atividades da Ávinho têm entrada livre. O programa do evento arranca às 18h00 do dia 7 de abril, com a cerimónia da abertura oficial na Praça da República, seguindo-se as primeiras visitas às adegas com a

Não faltam os petiscos

tradicional oferta de febras (só neste dia), pão e vinho; e a animação de rua com bandinhas populares. O serão começa com o fado, nas adegas, e completa-se com a música das “Sete Saias”, no Palco da República.

Os vinhos da freguesia em destaque

No segundo dia, pelas 16h00, as ruas são invadidas pelos visitantes para ver passar os grupos e carros alegóricos que mostram as diversas fases d’ “O Ciclo do Vinho”. A noite musical será assegurada, a partir da meia-noite, pela atuação

do grupo “Os Azeitonas”. No último dia, domingo, as adegas reabrem as portas às três da tarde. Uma hora depois, o Largo da República volta a atrair as atenções, com a música popular da banda “Folk Tejo”, e às 18h00 tem lugar a

entrega de prémios do 35º Concurso de Vinhos do Município. Pelas 18h30, uma arruada da banda da Filarmónica Recreativa de Aveiras de Cima marcará o encerramento da décima segunda edição da Ávinho.

Mês da Enguia com mais de duas toneladas e meia de consumidas vigésima edição do “Mês da Enguia” no concelho de Salvaterra de Magos está a ser uma das melhores dos últimos anos. Segundo o município, em apenas 15 dias, já foram consumidas duas toneladas e meia de enguias. Ao todo aderiram a esta campanha 19 restaurantes espalhados pelo território municipal. A iniciativa que decorre até ao

A

dia 2 de abril, inclui também e para além da gastronomia, a habitual mostra de artesanato que é complementada com vários espetáculos culturais e acessíveis de forma gratuita ao público no pavilhão do Inatel local. Hélder Esménio, presidente da Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, faz de resto um balanço positivo e reforça que

mesmo com o certame a decorrer, tem existido muita procura: “Registamos uma afluência de muitos visitantes à feira do artesanato e a todas as exposições que montámos para enriquecer a parte gastronómica, que é a promoção da enguia e do rio”. Ao Valor Local, o autarca salienta que nesta altura “em, que se discute o rio Tejo e tudo o que a ele está associado, é se calhar

o momento mais importante para a divulgação do ‘Mês da Enguia’ na medida em que só há enguias se houver rio e só há enguias de qualidade se houver um rio com qualidade”, refere o autarca que reforça o trabalho levado a cabo pelos municípios ribeirinhos na “preocupação com as questões do ambiente”. Por todas as razões já aponta-

das, Esménio vinca que que o sucesso deste certame, cada vez mais importante para a promoção turística do concelho, também o é graças ao empenho das associações e coletividades locais, assim como a participação dos restaurantes. Acrescentando ainda que “nunca tivemos tantos restaurantes como hoje”. A escassos dias de acabar o evento, o autarca vinca também

a qualidade da enguia servida nos restaurantes do concelho. Esménio reforça que nem toda a enguia vem do Tejo, dada a procura: “Se calhar vem de outros locais, mas a enguia é de Portugal, do Tejo e de outros rios. Mas até hoje nunca faltaram enguias nos nossos restaurantes”. Reportagem completa em vídeo em www.valorlocal.pt

Março Mês do Sável com balanço positivo balanço da edição de 2017 de “Março Mês do Sável” em Vila Franca de Xira é “claramente positivo”, de acordo com o presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita. Esta é uma antiga campanha que convida a provar os melhores pratos confecionados com este típico peixe muito apreciado pelas populações ribeirinhas do Rio Tejo.

O

Alberto Mesquita salienta o empenho dos cerca de 30 restaurantes aderentes em todo o concelho e vinca que o fluxo de clientes “tem sido muito significativo”. O autarca refere ao Valor Local que a campanha “está a correr muito bem” e salienta que entre 2015 e 2016 “aumentámos em 44 por cento as doses que são servidas nos nossos restauran-

tes”. Alberto Mesquita faz as contas e contabiliza cerca de oito mil doses em 2016 nos restaurantes concelhios aderentes à campanha. O autarca considera o evento um sucesso destacando que no fimde-semana em que decorreu a Corrida das Lezírias “a cidade de Vila Franca de Xira estava repleta de pessoas que procuravam

os restaurantes”. Ao todo são cerca de 30 os restaurantes aderentes que fazem questão de mostrar as suas receitas de açorda de ovas com sável frito. Um prato bem regado com vinhos da região e bolinhos regionais. Esta é de resto uma iniciativa que só será bem-sucedida se mais pessoas vierem a Vila Franca de

Xira. Nesse sentido o presidente da Câmara salienta o empenho na promoção turística do concelho, quer seja através de campanhas publicitárias, quer através de obras como é o caso da recém anunciada ciclovia que vai ligar o município de Vila Franca de Xira a Loures. “Esta é uma estratégia que procura afirmar Vila Franca como

Túbaras e espargos selvagens à mesa em Santo Estevão proveitar o que a terra tem de melhor e transformar em diversas iguarias é o desafio que a Junta de Freguesia de Santo Estêvão, no concelho de Benavente, lançou para um conjunto de gastrónomos e restaurantes que confecionam até 30 de abril os petiscos e pratos com espargos e túbaras selvagens colhidos na charneca da da freguesia. O certame está a decorrer

A

desde o dia 18 de março. As túbaras são um tubérculo, tipo batata, mas com um sabor muito característico. Podem ser cozidas, fritas, grelhadas ou cozinhadas de cebolada. A junta da Freguesia desafia os estabelecimentos aderentes a incrementarem nas suas ementas pratos originais com este dois elementos e preparou demonstrações

de show-cooking ao ar livre (junto ao mercado da freguesia), que serão realizados por chefs convidados e que acontecerão sempre aos sábados de manhã, por ser o dia mais movimentado no centro da aldeia. O programa prevê ainda momentos de animação e a possibilidade de passeios e caminhadas pela freguesia.

Sabores selvagens em destaque Foto Deliciosa Paparoca

um destino de eleição. Um destino diferenciador”, lembrando que há um esforço para desmistificar “que Vila Franca fica longe de Lisboa”. “Fica a apenas a alguns minutos de distância de comboio”. Neste sentido as campanhas de gastronomia têm resultado para trazer pessoas ao concelho, aliadas aos equipamentos culturais e às várias iniciativas.


Valor Local

Março 2017

Economia 19

Com 200 postos de trabalho

Alliance Helthcare instala-se em Alverca Miguel A. Rodrigues distribuidora de medicamentos Alliance Healthcare mudou as suas instalações para Alverca do Ribatejo. A inauguração decorreu no passado dia 16 de março, e contou com a presença do ministro da saúde, Adalberto Campos Fernandes. A empresa que se deslocou da “Matinha” em Sintra para Alverca vai criar cerca de 200 postos de trabalho, já assegurados. Ao todo esta mudança representa um investimento de 7,5 milhões de euros nestas novas instalações que vai maximizar as entregas nas farmácias em todo o país, algo só possível tendo em conta os acessos que o concelho de Vila Franca de Xira possui, nomeadamente, em Alverca do Ribatejo, com a autoestrada do norte e os caminhosde-ferro. “Uma mais-valia reforçada” referiu Tiago Galvão, CEO da empresa em Portugal, durante o seu discurso. O responsável destacou, igual-

A

mente, a motivação da equipa exemplificando com o facto desta ter feito a mudança de instalações em 48 horas. Por outro lado, Tiago Galvão lembrou o apoio dado às farmácias “em tempos de crise”, destacando que em muitos dos casos “a ajuda deu resultados”, noutros “infelizmente não conseguimos”. Salientando também que a empresa faz de tudo para que o acesso aos medicamentos seja igual em Lisboa ou noutro ponto do país. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, salientou os bons acessos de Vila Franca para a fixação de empresas, em que para além da rodovia e da ferrovia, pode-se acrescentar “a pista da base aérea de Alverca” que na sua opinião poderá servir “para voos executivos”. Aliás esta opinião de Alberto Mesquita que tem sido transmitida em vários fóruns, foi também veiculada ao ministro da Saúde, ao alertar para a necessidade de otimizar as

A Alliance Healthcare é atualmente líder na distribuição farmacêutica pistas de Alverca, numa altura em que está escolhido o Montijo como solução complementar ao aeroporto da Portela. Adalberto Campos Fernandes enalteceu a escolha da empresa e o trabalho da mesma no tocante à distribuição de medicamentos, vincando a dinâmica no setor privado neste campo. O governante justificou a sua presença com o facto de o atual go-

verno “olhar para o setor de forma diferente”. “De uma forma que corta com uma tradição em que o sistema de saúde era visto como uma fonte de problemas, uma central de custos para a sociedade, ou uma preocupação de ordem social e política”, referiu. O governante acrescentou que Portugal está a atravessar “um bom momento em que o sentido da esperança, da recuperação do país, e da economia

dá todos os dias sinais de vida”. Por isso considera importante apoiar as empresas que criam valor e emprego “o que é uma obsessão política de qualquer governo que tenha como objetivo patriótico conduzir o país a um estado de liberdade económica”. A Alliance Healthcare é atualmente líder na distribuição farmacêutica e conta já com cerca de 430 trabalhadores aos quais se vão juntar

outros 200 postos de trabalho, garantindo o abastecimento diário a mais de duas mil farmácias e unidades de saúde do país. As novas instalações são em Alverca do Ribatejo, onde foi feito um investimento de cerca de 7,5 milhões de euros. A vinda da empresa para o território foi acompanhada pela Câmara Municipal, através do Gabinete de Apoio ao Investidor.

Abortada a implantação de um acelerador de logística em Azambuja oi anunciada em 2015 com alguma pompa e circunstância a implantação em Azambuja da empresa Beta –I e do seu acelerador de logística. Tratava-se do Loga que pretendia atrair startups nacionais e internacionais com foco na resolução de problemas e desafios das empresas de logística, sediadas na região. Na altura esta possível concretização foi notícia na imprensa nacional já que era apregoado como o primeiro acelerador de logística do sul da Europa. Passados quase dois anos, veio a público a notícia, na última reunião de Câmara, no âmbito de uma intervenção do gestor da inovação do município, Rui Pinto,

F

(que articulou a possível vinda da Beta –I) que o município decidiu abandonar, em parte o projeto, tendo em conta que os seus administradores pediam uma quantia de 25 mil euros para permanecer em Azambuja para o período de quatro meses do Loga. Rui Pinto confidenciou que o presidente da Câmara, Luís de Sousa, em conversa consigo questionou da mais-valia daquele apoio que teria à partida um interesse limitado. Foi decidido pela Câmara não avançar, e neste capítulo Rui Pinto fez também o mea culpa. O gestor da inovação disse ainda que depois deste episódio, os responsáveis da Beta-I quase que lhe

deixaram de falar porque “já tinham feito algum investimento”. O gestor da inovação que ao longo da reunião de Câmara foi pressionado exaustivamente pelo vereador da Coligação pelo Futuro da Nossa Terra, António Jorge Lopes, sobre a prestação de serviços que tem para com o município, nomeadamente, tendo em conta extratos da entrevista que deu ao Valor Local no final de 2015, haveria ainda de falar dos contactos com as empresas e seus resultados práticos. O vereador da oposição quis saber em que pé é que estava a vinda de algumas empresas para o concelho. Rui Pinto foi dando conta desses

contactos, mas as respostas pouco ou nada agradavam a Lopes que ia comentando – “Ou seja não tem nada para dizer”. Mas a gota de água deu-se quando reportou à parte da entrevista de Pinto ao nosso jornal em que este afirmava que o bilionário saudita que estivera no concelho de Azambuja, no verão de 2015, de visita a Frutalcarmo, olival de Manique, e Sugal tinha feito negócios. Jorge Lopes quis saber quais, mas o presidente da Câmara disse que não era assunto para aquele fórum público e que depois daria dados em privado. O vereador da oposição não se conteve – “Não pode ocultar informação a partir do momento em

que é pública e vem nos jornais, o gestor da inovação não tem de saber mais do que os vereadores”. Rui Pinto defendeu-se dando a entender que a sua figura desaparece a partir do momento em que os empresários começam a conversar, e que não estava nas suas mãos saber que negócios em concreto se passaram. Ainda sobre o bilionário saudita foi dito que o mesmo exigiu a presença de um auditor externo para poder começar a investir no concelho de Azambuja. Neste caso foi sondada a multinacional KMPG. Não se sabendo que tipo de démarches foram feitas a partir daqui e se seria a Câmara a pagar.

Rui Pinto

NERSANT lança novo concurso de ideias de negócio no projeto Ribatejo Empreende NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém, já tem inscrições abertas para o novo concurso de ideias de negócio no âmbito do projeto Ribatejo Empreende. O objetivo da iniciativa é atrair novas ideias de negócio e sediá-las no Ribatejo. Este é o segundo concurso dinamizado ao abrigo do projeto Ribatejo Empreende, e desta vez serão admitidas ideias de negócio nas áreas de “Agricultu-

A

ra, Agroindústria, Alimentação e Floresta”, “Património, Indústrias Culturais e Criativas e Turismo”, “Energia e Mobilidade Inteligente e Tecnologias ao serviço da Qualidade de Vida”, “Soluções Industriais Sustentáveis” e “Tecnologias e Serviços Especializados da Economia Social”. É objetivo deste concurso de ideias de negócio estimular a geração e o aproveitamento de ideias inovadoras, premiar os melhores projetos, e potenciar a

criação de novas empresas no Ribatejo, sobretudo em setores de alta e média-alta tecnologia, uso intensivo de conhecimento e indústrias culturais e criativas. O regulamento do concurso está disponível no portal da NERSANT “Sítio do Empreendedor” (http://sitiodoempreendedor.nersant.pt/), local onde os interessados podem desde já submeter a sua ideia de negócio ao concurso (até 14 de abril). Podem concorrer a este

concurso todas as pessoas individuais residentes em Portugal, possuidoras de uma ideia de negócio numa das áreas temáticas indicadas e que pretendam transformá-la numa nova iniciativa empresarial, sediando-a na região do Ribatejo. As candidaturas podem ser apresentadas por uma única pessoa ou por uma equipa. No âmbito deste concurso são atribuídos prémios às três ideias melhor classificadas na análise

do júri. Cada uma delas terá direito a pré-incubação física para desenvolvimento do projeto e incubação física (pós-início de atividade), em sistema de coworking reservado na Startup Santarém e a participar no NERSANT Business (caso o projeto se enquadre). Os três projetos vencedores recebem ainda prémios monetários (valor total de 15 mil euros) para a transformação da ideia de negócio em iniciativa empresarial.

De referir que este é o segundo concurso de ideias de negócio do Ribatejo Empreende, prevendo-se ainda, com o mesmo objetivo de estimular o empreendedorismo e a criação de empresas na região do Ribatejo, a realização de mais dois concursos de ideias de negócio. O Ribatejo Empreende é um projeto que está a ser dinamizado pela NERSANT com apoio do COMPETE 2020 no âmbito dos fundos comunitários.


20 Acisma

Valor Local

Março 2017

Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade da ACISMA - Associação, Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja

Concurso de ideias inovadoras para a criação de empresas ou de oportunidades de emprego Concurso de Ideias Inovadoras para a Criação de Empresas ou de Oportunidades de Emprego é uma iniciativa conjunta da ADRAL – Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo e a Caixa Central – Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, CRL. Este Concurso tem por objetivo financiar e premiar projetos que promovam ideias inovadoras (concretização do conceito fazer diferente com maior eficiência) com viabilidade económica, concedendo-lhes ainda a possibilidade de iniciar atividade num polo de incubação da ADRAL e recorrer aos serviços da mesma durante um ano, designadamente nas seguintes categorias: a) Marketing digital; b) Aplicações com a tecnologia de realidade aumentada/virtual; c) IoT – “Internet of things”. A quem se destina? O Concurso é dirigido ao público estudantil/ universitário, considerando-se como tal todas as pessoas que tenham concluído o ensino profissional com equivalência ao 12º ano, quer as que se encontrem matriculadas em estabelecimentos de ensino superior na data em que se inicia o período de apresentação de

O

candidaturas, bem como todas aquelas que tenham obtido o grau académico de licenciado, mestre ou doutor nos dois anos imediatamente anteriores à referida data. Quais as distinções e prémios em disputa? Será distinguido e premiado, por categoria, o melhor projeto de entre as candidaturas aceites a concurso, em cada uma das três categorias indicadas atrás, o que inclui: A quantia de 1.250,00 € (mil duzentos e cinquenta euros) que será depositada em conta de depósito à ordem na titularidade do (s) proponente (s) da candidatura vencedora e que por este (s) for indicada, conta essa aberta em agência de Instituição de Crédito pertencente ao Sistema Integrado do Crédito Agrícola Mútuo à escolha do vencedor com o objeto de pagar o programa de incubação numa das incubadoras geridas pela ADRAL; Atribuição, após aprovação comercial e de risco, de condições preferenciais em linhas de financiamento, bem como outras condições casuísticas em produtos e serviços financeiros do Crédito Agrícola, em termos a definir pelas entidades pertencentes ao Grupo Crédito Agrícola que venham a contratar com a candidatura vencedora, sempre com integral respeito pela lei e re-

gulamentação aplicáveis; Um ano de incubação nas instalações de um polo de incubação da ADRAL, durante o qual o projeto iniciará a sua atividade nos termos do número 1 do artigo 2º (Ver Regulamento), cujo, prémio, adquire um valor económico correspondente a 700 € (setecentos euros); Elaboração pela ADRAL de um vídeo promocional do projeto, a ser divulgado na cerimónia de entrega de Prémios; Divulgação do premiado de cada categoria por órgão de comunicação nacional e regional. Como participar? O período de apresentação das candidaturas tem início às 0h00 do dia 1 de Março de 2017 e termina às 18h00 do dia 31 de Agosto de 2017, não sendo aceites, nem consideradas quaisquer candidaturas que sejam recebidas após a referida hora. A inscrição no concurso é gratuita e a candidatura deverá ser formalizada através de formulário próprio disponível no website do Crédito Agrícola (www.creditoagricola.pt/CAI) e do website da ADRAL (www.adral.pt). Fonte: www.adral.pt

Programa Qualifica destinado à educação e formação de adultos QUALIFICA é a estratégia do Governo para recuperar a educação de adultos, na sequência da interrupção do programa Novas Oportunidades, que se integra no Programa Nacional de Reformas, sendo encarada como prioritária. O programa pretende garantir que até 2020 metade da população ativa do país conclua o ensino secundário. Alcançar uma taxa de participação de adultos em atividades de aprendizagem ao longo da vida de 15%, alargada para 25% em 2025 é outro dos objetivos do programa. O governo pretende ver instalados cerca de 300 centros Qualifica no continente até ao final de 2017. Atualmente, existem 261 centros, 30 dos quais criados no ano passado. Este ano, será aberto concurso para mais 42. A ANQEP - Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional, após analisar a rede de necessidades do país, já lançou um AVISO de concurso para quem quiser abrir um Centro Qualifica. Podem inscrever-se neste programa todos os adultos que não disponham de qualificação de nível básico, secundário e/ou profissional, bem como os jovens que tenham abandonado a escola e não se encontrem a trabalhar ou a estudar. De acordo com o governo, este programa distingue-se dos anteriores por colocar mais ênfase na qualificação “com obrigato-

O

riedade de encaminhamento para formação certificada” ajustada às necessidades de cada formando. “Passa a existir uma lógica de complementaridade entre reconhecimento, validação e certificação de competências”, acrescenta. Para facilitar a informação, estará disponível uma plataforma tecnológica, o Portal Qualifica, onde podem ser igualmente consultados os serviços e instrumentos relacionados com o programa. O portal dirige-se a formandos, empregadores e agentes ligados à educação e formação de adultos, permitindo pesquisar a oferta existente, por zonas, recolher informação sobre o Sistema Nacional de Créditos e obter ou atualizar o Passaporte Qualifica, que registará a formação. O governo justifica a criação do programa com a quebra verificada na formação de adultos nos últimos anos: Em 2013/14, havia pouco mais de 39 mil inscritos, “um terço do número registado em 2000/01”. Os novos centros serão criados por concurso, em função das necessidades locais e regionais de qualificação. Consulte o Diploma que autoriza a criação e funcionamento dos Centros Qualifica: Despacho n.º 1971/2017 – Diário da República n.º 48/2017 Fonte: Portugal 2020


Março 2017

Valor Local

Instantâneos 21

Retratos da nossa terra Tauromaquia Azambujense

¢

António Salema “El Salamanca”

Feira de Olivenza ão me posso esquecer os tempos que foram passando, e como Olivenza é um encanto de coisas que me vou lembrando. Além de amizades, muitas outras coisas que nem sei de onde vieram, mas tudo ótimas recordações… Passemos aos toiros. A Feira de Olivenza teve três corridas e duas novilhadas, mas vamos focar a nossa atenção nas duas corridas das 5.30 da tarde de sábado dia 4 e domingo dia 5 de Março e que contaram in loco com vários aficionados da nossa região. No dia 4, era uma corrida que chamava a atenção de quem se deslocava à praça raiana, além de El Juli e Alejandro Talavante, reaparecia perante o seu público extremeño e após uma recuperação de cerca de ano e meio, devido a colhida, o matador António Ferrera (Ferrerita), que assim regressou na praça onde tirou alternativa vinte anos antes, na Feira de 1997. E neste regresso, Ferberita não se fez rogado, após cortar duas orelhas, sai em ombros juntamente com El Juli, o triunfador da tarde que cortara três orelhas. Talavante, o outro extremeño presente, cortou uma orelha e sai sob aplausos. Na corrida do dia 5, o público aguardava por Roca Rey, que dividia o cartel com Manzanares e Morante de Puebla e o certo é que o prodígio Peruano, não desiludiu juntamente com Manzanares saiu em ombros e ambos cortaram duas orelhas. Morante ficou-se pelo aplauso. E foram assim os momentos mais marcantes de Olivença 2017.

N

Jardim do Fontanário nos Casais da Lagoa, freguesia de Aveiras de Baixo, deu as boas vindas à Primavera, com os trabalhos realizados no projeto de Ocupação de Tempos Livres dos Casais da Lagoa. Por estes dias quem passa pelo local pode apreciar estes trabalhos

O

Manuel Jorge de Oliveira volta às arenas Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade; NIPC 514 207 426 Sede, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050-318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 10171 • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Joaquim António Ramos, Acácio Vasconcelos, Nélson Silva Lopes, Ana Bernardino, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: João Antunes • 960 06 23 75 • joaoantunes@valorlocal.pt • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt

anuel Jorge de Oliveira diz que vai voltar por um dia, e compreende-se o porquê. O objetivo é dar a alternativa a Parreirita Cigano. E nada mais natural que seja o seu mestre, aquelo que o viu crescer como toureiro a dar-lhe a alternativa. A corrida segundo se diz, será uma corrida de seis cavaleiros e terá lugar provavelmente em Junho. Que tudo corra bem a Parreirita. Entretanto e falando de Manuel Jorge de Oliveira, fala-se que o filho do mestre poderá em breve e agora que está recuperado da lesão sofrida no seu picadeiro, prestar provas para praticante a cavaleiro. Será a passagem de testemunho de Manuel Jorge para Manuel Oliveira. Vamos a ver, muita coisa se diz e vamos ver se os rumores se confirmam.

M


22 Negócios com Valor

Valor Local

Março 2017

Gerentes apostam num serviço de proximidade junto do cliente

Intermarché de Abrigada: Uma loja solidária e disponível pa a Intermaché de Abrigada, concelho de Alenquer, comemora este mês de março dezoito anos de existência. Ricardo Rodrigues e Carla Rodrigues são os rostos desta superfície comercial que aposta no tratamento personalizado junto dos seus clientes. Na família apenas desde 2002, o Intermaché acaba por ser tam-

O

bém um ponto de encontro da localidade, já que está aberto todos os dias e oferece uma série de serviços à população, desde a papelaria, ao cabeleireiro e à florista, passando naturalmente pela cafetaria e o pelo próprio supermercado. Ricardo e Carla têm gerido desde o ano passado esta loja que até aqui era gerida por outro fa-

miliar. “Temos feito algumas melhorias nesta unidade e tentado dar um conforto e um bom serviço ao nosso cliente”, referem. O Intermaché para além da galeria comercial dispõe ainda de um posto de combustível, agora certificado; a lavagem auto; e a lavandaria também automática que é uma mais-valia para aquela zona.

São muitas as pessoas de Abrigada e não só, nomeadamente de Ota e Olhalvo, que procuram esta superfície para as suas compras. O Intermaché oferece uma vasta gama de serviços “o que é bom para o cliente que encontra de tudo um pouco neste estabelecimento sem necessidade de andar à procura”, refere Ricardo Rodrigues.

O empresário refere que a fidelização dos clientes está relacionada “com a equipa”, com “os preços competitivos”, e “com a organização cuidada e a limpeza” da própria loja. Para além disso o Intermarché de Abrigada tem desempenhado também “um papel importante na comunidade local”. “Tentamos sempre aceder a pedidos” mais ou me-

nos especiais até porque “estamos cá para ajudar”. “Possuímos essa componente social, de proximidade e de preocupação com o meio onde estamos inseridos, e tentamos desenvolver esse papel junto das coletividades e associações”; exemplificando com os apoios dados nas suas iniciativas. “E isto faz com que nos aproximemos das pes-


Valor Local

Março 2017

ara o cliente soas, e tal é importante”, refere Ricardo Rodrigues, acrescentando: “É essencial que sintam que não estamos aqui só para fazer negócio, mas para retribuir a comunidade”. Neste capítulo ainda, o Intermaché já tem colaborado com algumas instituições locais, nomeadamente, com as escolas através das suas iniciativas ou com os bombeiros locais através de dádivas relacionadas com a sua atividade operacional. Com uma equipa de cerca de 30 pessoas, os gerentes procuram na sua atividade de gestão “dar também o exemplo” junto dos clientes e funcionários, assumindo outras tarefas para além da própria gestão, seja na padaria, ou na peixaria ou ainda no registo dos jogos da sorte, em que o objetivo passa por minimizar os períodos de espera dos clientes. Embora esta seja uma grande superfície, onde o contato personalizado é mais difícil, Carla e Ricardo tentam dar o seu contributo pessoal aos clientes. Esclarece o gerente: “Não nos escondemos de ninguém. O cliente conta com a nossa ajuda no que for preciso, e nesse aspeto acho que as pessoas acabam por dar algum valor a isso”. Quanto aos produtos expostos, o Intermarché de Abrigada procura ter uma grande preocupação com a qualidade nos perecíveis: quer nas frutas, em parte adquiridas a alguns produtores locais, quer no peixe e na carne. Refere o gerente que a gestão destas seções é muito importante. Todos os dias chegam produtos frescos à loja. As encomendas são diárias e têm como objetivo proporcionar ao cliente produtos frescos. Ricardo Rodrigues refere que a loja compra produtos a fornece-

dores locais e refere que “naquilo que possa significar uma mais-valia para a casa, estamos abertos a novas parcerias”. “Se tivermos aqui à porta de casa um produto de excelência que nos dá qualidade e um preço competitivo, por que razão não ajudar também esse produtor”. Há no entanto desafios que a loja tenta agora ganhar. Segundo Ricardo Rodrigues, o supermercado já tem uma secção de produtos sem glúten, e lactose. Todavia reconhece que ainda subsiste alguma falta de informação sobre estes produtos que têm tido uma grande procura nos últimos anos. Nos produtos sem lactose “dispomos de alguma oferta que poderá ser ainda mais complementada”. Nos produtos sem glúten, “debatemo-nos com algumas dificuldades em conseguir trabalhar com mais marcas”. Normalmente os existentes possuem valores elevados até porque os fornecedores também são escassos. O empresário que refere a importância de dar às pessoas aquilo que precisam localmente, confidenciou ao Negócios Com Valor que nesta altura está a procurar satisfazer uma pequena encomenda de uma mãe que procura para a sua filha chocolate sem lactose, “porque a menina tem dificuldades em perceber por que razão os irmãos podem comer e ela não” “É nisto que tentamos destacarnos, tentando satisfazer as necessidades específicas do cliente”, refere Ricardo Rodrigues que vinca que o “Inter” não pode “olhar só para a venda em massa. Se o cliente tem algum tipo de necessidade em específico, não há dificuldade nisso, pelo contrário”.

Negócios com Valor 23


Profile for Valor  Local

Valor local edição março 2017  

Valor local edição março 2017  

Advertisement