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Valor Local Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 40 • 26 Agosto 2016 • Preço 1 cêntimo

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Exclusivo

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Bombeiros da região heróis Bronca no Olival no filme dos incêndios de Manique

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Restaurante da Barragem de Magos em hasta pública

Barragem não pode servir para banhos lguns locais ribeirinhos do concelho de Salvaterra de Magos têm sido alvo de requalificação paisagística. “A aposta é conseguir vender os espaços junto ao Tejo como locais de visitação e de lazer”, dá conta o presidente da Câmara, Hélder Esménio. Na barragem de Magos foi criado um parque de merendas e dotou-se o espaço de sanitários públicos, fazendo ainda uma divisão entre a zona de lazer e a da circulação automóvel. Em breve será também lançada uma nova hasta pública do restaurante da barragem. Numa das últimas reuniões de Câmara de julho, o vereador do

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Bloco de Esquerda, Luís Gomes, salientava “um cenário imaginável com wc’s fechados, serviço desastroso, falta regular e sistemática de produtos”, aliada “à suspeita de subconcessão das infraestruturas” no que toca ao restaurante. No entender do vereador, a Câmara Municipal deveria ter articulado no sentido de prestar mais apoio ao empresário que segundo Luís Gomes se queixou de que “a autarquia não estava a cumprir face ao prometido”. Durante a reunião foi enfatizado por Hélder Esménio que o empresário não fizera as obras referentes à proteção do parque infantil a que se somavam duas

Bico da Goiva depois da intervenção rendas em atraso em desacordo com o que se encontra escrito no caderno de encargos. Quanto à suspeita de subconcessão referiu “não haver provas disso”. Dias mais tarde após a reunião, Hélder Esménio, ao Valor Local, referiu que já chegou uma informação da concessionária de que pretendia “rescindir por situações pessoais”. O autarca refere que a Câmara tem desencadeado todos os esforços para trazer o máximo de dignidade possível ao espaço da barragem em articulação com a União de Freguesias de Salvaterra/Foros, nomeadamente, com campanhas de limpeza e colocação de equipamen-

tos destinados ao usufruir do espaço, enquanto não sai da gaveta o famigerado Plano de Ordenamento da Barragem de Magos. A prática de desportos náuticos de que muito se tem falado está completamente fora de hipótese, “ por força da lei”. Mais recentemente “convidámos a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) a ir ao local que ficou de fazer um estudo para se perceber se a poluição corresponde a vestígios antigos que ficaram atolados no fundo, ou se estamos a falar de novas descargas resultantes da agricultura, até porque há centenas de valetas a drenar para

aquela albufeira” dá conta o autarca, salvaguardando que a barragem quando foi feita previa exatamente essa atividade, pelo que “não podemos interditar a agricultura”. Em curso estará uma caracterização técnica dos sedimentos da barragem por parte das entidades competentes. Zonas junto ao Tejo beneficiadas Já na zona ribeirinha entre Salvaterra e o Escaroupim, “foram valorizados os locais junto às margens, onde as pessoas já iam ver o rio”, com operações de “limpeza e desmatação”. “Começou no

Bico da Goiva onde a população não chegava há 50 anos”. Houve ainda uma intervenção no parque de merendas e restantes estruturas de apoio da Praia Doce, desde estacionamento, casas de banho, com colocação de elementos dos bombeiros na época de verão, bem como de um funcionário em permanência. Seguiram-se o cais da Palhota e a zona da Pinheiroca. No Escaroupim, “fizemos a recuperação da casa avieira, bem como reabilitação das construções que lhe são contíguas”. Um dos projetos nesta zona contempla ainda a transformação da antiga escola primária em museu do rio.

Centro Cultural Azambujense recebe instrumentos Centro Cultural Azambujense e a sua banda receberam donativos de uma empresa e da junta de freguesia de Azambuja. A YKK Portugal, no vizinho concelho de Alenquer, foi sensível ao apelo da coletividade e fez a oferta de alguns instrumentos (foto) para a ampliação do naipe de percussões. A junta fez a oferta de um novo bombo que vai passar a marcar o compasso

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nas atuações da banda composta maioritariamente por jovens. Para os responsáveis da coletividade é uma ajuda bem-vinda até porque custear instrumentos não é algo barato. “Uma tuba pode chegar aos cinco mil euros”, diz-nos a presidente do centro cultural, Fátima Rafael. O vice presidente Jorge Almeida acrescenta que “não há instrumentos de qualidade e baratos”.

Um flautim ou um clarinete, que são dos mais baratos, mesmo se forem comprados com uma menor qualidade, “vão custar no mínimo 500 ou 700 euros.” Fátima Rafael refere que a angariação dessas verbas passa por “peditórios nas ruas”, mas também “escrevemos cartas a algumas empresas e entidades a pedir apoios”. Nuno Vicente

Azambuja e Salvaterra de Magos assinam primeiros contratos para a Regeneração Urbana s dois municípios assinaram, no dia 10 de agosto em Vila Nova de Milfontes com a Autoridade de Gestão do Alentejo 2020, dois contratos tendo em vista obras de regeneração urbana que arrancarão a breve trecho. No caso de Salvaterra, foi assinado o contrato para a obra do Pátio das Coletividades (anti-

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go Hotel Jackson) na Glória do Ribatejo, edifício recentemente permutado com a união de freguesias. No caso de Azambuja, trata-se de 19 mil euros, 162 mil financiados pelo Portugal 2020 a aplicar no edifício onde funciona a divisão do urbanismo (que acolherá futuramente o arquivo) e no edifício do Posto de Turismo. Luís

de Sousa, presidente da Câmara, refere que no âmbito deste Planos de Ação da Regeneração Urbana (PARU) estão no horizonte, ainda, durante este mandato, as obras de recuperação do antigo arquivo na Rua dos Campinos, onde em tempos foi também o quartel da GNR, o Largo de Palmela e a rua Engenheiro Moniz

da Maia. Este pacote de obras será também entretanto submetido à entidade gestora do Portugal 2020. No total foram 30 os municípios da região Alentejo e Ribatejo que assinaram os respetivos contratos PARU, com um investimento total de 22,7 milhões de euros e um cofinanciamento FEDER de 19,3

milhões de euros, sendo o primeiro Programa Operacional Regional a assinar os mesmos. “Visando a operacionalização das políticas públicas, e tendo sempre presente a salvaguarda do princípio da coesão territorial, a Autoridade de Gestão do Alentejo 2020, constituiu-se como a primeira no país, a proceder à abertura, em

dezembro de 2015, do concurso para a apresentação de Planos de Ação de base territorial, para os Centros Urbanos Complementares, incidente nos centros históricos, zonas ribeirinhas ou zonas industriais abandonadas, dentro de uma Área de Reabilitação (ARU)”, refere aquela entidade em comunicado de imprensa.


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Bombeiros da região foram heróis no filme dos incêndios ¢ Miguel A. Rodrigues s meses de julho e agosto foram dos mais quentes dos últimos anos. Isso só aumenta o risco de fogos, tanto nas matas como em meio urbano. No geral e na região do Ribatejo, não existiram grandes sustos, com a exceção do fogo que assolaram a freguesia de Glória do Ribatejo, em Salvaterra de Magos, no passado dia 19 de agosto. Todavia, os fogos que devastaram o norte do país e a região autónoma da Madeira geraram também uma onda de solidariedade entre as populações e os seus corpos de bombeiros, que se deslocaram de vários concelhos, alguns muito distantes dos locais onde decorriam os fogos, para ajudar no combate às chamas Da região, e apenas a título de exemplo, partiram para o norte e para a Madeira corpos de bombeiros de Azambuja, Alcoentre, Póvoa de Santa Iria, Arruda dos Vinhos e Vila Franca de Xira. Todos com o propósito de ajudar no combate às chamas deram o seu melhor para que o fogo fosse dominado minimizando o risco de perda de vidas humanas ou materiais, o que em alguns casos não foi possível. A situação atípica deste verão gerou também uma onda de solidariedade. Se noutros anos as populações já auxiliavam os seus bombeiros com algum tipo de bebidas nestas horas mais complicadas, este ano a onda de solidariedade ficou bem maior e ganhou mais mediatismo com a entrega de águas por um casal a centenas de automobilistas que aguardavam a reabertura de uma autoestrada no norte do país. Pela região é difícil de contabilizar a entrega de paletes de águas aos soldados da paz. Sabe-se por exemplo que os bombeiros de Benavente já lutam com a falta de espaço para armazenar os donativos feitos pelos populares, mas não são caso único. Em Vila Franca de Xira, foram às dezenas as entregas de águas por parte da população e de empresas, passando-se o mesmo em Póvoa de Santa Iria, Salvaterra e Alenquer. Em Azambuja, um popular decidiu também dar o seu contributo. Mário Viana ficou sensibilizado e ofereceu também ele uma palete de águas aos bombeiros de Azambuja, declarando ao Valor Local que depois de entregar as1100 garrafas de água apelou nas redes sociais para que outros fizessem o mesmo, algo que veio a acontecer e que deixou este habitante de Azambuja “bastante satisfeito”. Aliás um pouco por toda a parte várias instituições, particulares, e

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empresas auxiliaram nos momentos mais difíceis Neste leque está por exemplo a delegação da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima que “aliviou” os bombeiros da região assegurando o transporte de doentes não urgentes. Ao todo fez quase oitenta serviços, libertando os soldados da paz para a batalha dos fogos. Para além disto e aproveitando a sua localização estratégica a meio do concelho de Azambuja, a delegação fez ainda de ponto de recolha de donativos, nomeadamente, águas, distribuindo essas garrafas depois pelas corporações de Azambuja e até do Cartaxo. Corporações do Ribatejo combatem fogos no Norte e na Região da Madeira Azambuja e Alcoentre foram apenas dois dos muitos corpos de bombeiros que se envolveram no combate às chamas este verão que ainda não acabou. As temperaturas altas e o vento forte aliados à falta de limpeza das matas foram apenas o rastilho para toda a situação já sobejamente conhecida. Pedro Botas, bombeiro de segunda dos voluntários de Azambuja, descreveu os cenários onde esteve como angustiantes. Neste verão, Pedro Botas, 28 anos, e a equipa que partiu de Azambuja rumaram ao norte do país. Ponte de Lima, Caminha, Sever do Vouga e Vila Meã foram os destinos deste grupo integrado noutro grupo de Lisboa. Pedro Botas refere que o cenário mais complicado foi em Sever do Vouga – Albergaria-a-Velha. Explica que quando a equipa chegou “havia três frentes de fogo distintas e já com dois ou três quilómetros”. “O fogo estava completamente descontrolado”, refere. O cenário não era muito diferente do que já tinha presenciado, todavia com casas em perigo e as populações aflitas, o empenho teve de ser mais do que redobrado. Pedro Botas diz que conseguiram salvar as casas e refere que embora a prioridade tivesse sido apagar o fogo, foi necessário haver alguma sensibilidade, pois “ é preferível deixar arder um ou dois pinheiros e salvar as habitações das famílias” vinca. Ao todo foram três dias no combate às chamas sem vir a casa. Pedro Botas refere que nunca conseguiu descansar. “Vaise dormindo, pois temos sempre aquela adrenalina de que a qualquer momento seremos acordados”. Todavia e desta vez assegura que a equipa de cinco elementos que partiu de Azambuja rumo ao norte

ainda conseguiu pernoitar em algumas residenciais. Mas nem sempre costuma ser assim, já que é hábito ficarem junto aos carros de combate a incêndios. Pedro Botas refere que estes incêndios se propagaram de uma forma inexplicável por causa da falta de limpeza das matas. Conta que “havia alturas em que estávamos a tentar apagar o fogo com água, mas mais parecia que andávamos a regar com gasolina, tal era a manta de folhas velhas e lixo no terreno”. Houve, segundo o bombeiro, momentos de mais aflição, nomeadamente, quando a determinada altura tiveram de se retirar da limpeza de um local, pois o fogo aproximava-se muito depressa. “Pior foi quando um grupo de bombeiros de Azambuja ficou cercado pelas chamas”, refere Pedro Botas resignado. “Faz parte”. Já Rui Garcia, bombeiro de Alcoentre, fez parte de uma equipa que ajudou no combate às chamas na ilha da Madeira. Com 40 anos de idade e 25 de bombeiro, esta foi a sua primeira experiência fora do continente. Foi difícil, tendo em conta as condições do terreno e até do próprio combate em si. Ao todo foram cinco dias fora de casa e três dias de combate intenso ao fogo, sempre com material sapador e na frente das chamas. Rui Garcia salienta que foi algo importante, vincando igualmente que nunca faltou água ou refeições aos bombeiros. Durante os dias em que esteve no combate às chamas, o bombeiro diz ter tido pouco contacto com os populares, apesar de ter estado no Funchal, na Calheta e em Santa Cruz. Sentiu-se angustiado com a situação vivida na ilha, sobretudo tendo em conta que muitas pessoas perderam as suas casas. A ida para a ilha fez-se em voos militares. Rui Garcia foi o único bombeiro de Alcoentre e conseguiu ir “matando as saudades da família através do telefone”. Foram cinco dias de muito trabalho “braçal” já que o trabalho de sapador se faz com ancinhos, enxadas e pás. Tudo de forma manual e com 20 litros de água às costas só para as primeiras impressões. As noites foram passadas no quartel do exército, o RG3. O cenário, conta Rui Garcia, indiciava quase uma guerra: “As camaratas dos militares estavam transformadas em enfermarias, os hospitais foram evacuados. Quando recebemos a missão tentámos fazer o nosso melhor”. Foram dias difíceis, e só quem está no terreno é que sabe. Rui Garcia conta que entre os bombeiros, estes também se questionavam sobre a “fal-

ta de meios aéreos”, sobretudo em alguns locais onde podiam fazer a diferença. Ao nível de comando na Madeira, a estratégia “é diferente da do continente”, mas Rui não refere se é melhor ou pior do que cá. “Penso que têm de melhorar muitos aspetos no meu ponto de vista”,

referindo ter a perceção de que a dada altura os bombeiros do Funchal “entraram em modo de exaustão e ficaram completamente desgastados.” Ao Valor Local, o bombeiro que agradeceu à população da Madeira pelo carinho e ajuda aos soldados da paz, lamentou o facto de

muitos terem pensado que teria estado de férias na Madeira: “Chegaram a perguntar se as férias tinham sido boas. Eu disse que não. Foi mesmo trabalho de manhã à noite”, e sem arrependimentos Rui Garcia salienta: “Se acontecer outra oportunidade certamente que irei de novo”.

Pedro Botas combateu no Norte

Rui Garcia aceitou o desafio de ir para a Madeira


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Bronca no olival de Manique Torrebela acusada de despedir sem fundamento empresa espanhola contratada para fazer a plantação. ¢

Sílvia Agostinho empresa espanhola ligada ao setor da agricultura, Camponuevo Tecnicas Agricolas, saíu em maio último do projeto do olival situado entre as freguesias de Manique do Intendente e Alcoentre. A empresa que desde o início do projeto, em 2013, se manteve na linha da frente no contacto com os interlocutores locais e outras empresas foi contratada pela administração da Torrebela. Depois de no ano passado o projeto ter sido notícia como sendo o maior do género na Europa, (com a previsão de chegar até aos 2200 hectares nos próximos anos, com capacidade de exportação para vários países correspondendo a cerca de cinco mil toneladas de azeite produzidas), os rostos da Camponuevo no nosso país, em declarações exclusivas ao Valor Local, referem que desde maio que foram “impedidos unilateralmente e sem qualquer fundamento de exercer a sua atividade na Torrebela”. A Camponuevo, através do seu responsável Oscar Orihuela, reforça ainda que foi “impedida de aceder aos locais onde tinha frentes de trabalho com base em decisão comunica-

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da pela gerência da empresa proprietária daquele espaço agrário”. Para além disso, acusa a Torrebela de ter retido máquinas propriedade da empresa de Córdoba no espaço em questão. Os responsáveis da Camponuevo alegam que ao longo da sua estadia no projeto da Torrebela colocaram o seu saber ao serviço do que lhes foi pedido, sendo que os “diferentes trabalhos executados mereceram dos diretos e legítimos interessados não só a aprovação como palavras de elogio”, bem como de “outros convidados com máxima responsabilidade no setor agrícola”. A empresa lamenta ter sido afastada depois de ter tido “sucesso”. Neste momento a empresa de Córdoba, Espanha, refere que o diferendo com a Torrebela já está nas mãos dos advogados. A saída da empresa precipitou também o despedimento de trabalhadores que tinham sido contratados pela Camponuevo. Em agosto de 2015 aquando de uma reportagem no local pelo Valor Local estavam a trabalhar no olival cerca de 80 pessoas. “Esta decisão com que a Componuevo se deparou por vontade inesperada

e infundamentada da empresa proprietária da denominada Quinta da Torrebela gerou naturalmente a reafectação de meios humanos da nossa parte, e a novo enquadramento laboral dos mesmos”. Segundo apurámos muitos trabalhadores terão sido encaminhados para o fundo de desemprego. Dívidas a fornecedores locais Segundo o que o Valor Local conseguiu apurar, diversos fornecedores locais ter-se-ão queixado do facto de não estarem a ser cumpridos os pagamentos devidos por parte do projeto do olival. Neste aspeto, a Camponuevo podendo ser a responsável por esse facto refere que “esta matéria constitui um dos muitos efeitos colaterais provocados pela decisão da proprietária da denominada Quinta da Torrebela, sendo um dos assuntos- entre vários - que está entregue aos nossos advogados”. “Adicionalmente esclarecemos que os nossos fornecedores têm conhecimento a quem cabe a responsabilidade do que lhes é devido”, refere a empresa dando a entender que não lhe

Empresa espanhola já se encontra a agir judicialmente contra a Torrebela cabe essa incumbência. O Valor Local contactou a Torrebela, que através de um dos seus responsáveis, Nuno Albuquerque, refere que não é devedor de quaisquer valores à Camponuevo. O Valor Local enviou uma série de questões sobre este processo com a Camponuevo mas a Torrebela preferiu fazer apenas uma peque-

na declaração referindo que por um lado não deve valores à Camponuevo, e por outro que o projeto do olival prossegue o seu curso normal, salientando, ainda, que “as declarações da Camponuevo apenas responsabilizam quem as prestou”. Ainda em declarações ao nosso jornal, a empresa espanhola subli-

Parque das Tílias sem água Parque das Tílias em Alenquer recentemente ampliado esteve vários dias sem água na charca existente no local. O espelho de água é resultante de nascentes naturais que brotam no local. Uma situação entretanto corrigida, mas que não deixou de ser alvo de comentários nas redes sociais, com alguns munícipes a lamentarem o facto de as obras com o objetivo de dotar o espaço de condições mais aprazíveis, terem significado o desaparecimento do charco. De acordo com o vice-presidente da Câmara, Rui Costa, com a ampliação da represa, “acabou por se notar mais cada perda de caudal, nomeadamente, quando a EPAL aumenta as captações neste aquífero”. Será de esperar que após uma reunião tida com a EPAL se mantenha o fluxo de água que impeça a charca de voltar a secar.

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Marinhais

Nova Fonte dos Ramalhais reaberta esde o final do mês de julho que já corre água na Fonte dos Ramalhais, freguesia de Marinhais, depois da requalificação de que foi alvo após muitos anos de inatividade. O local é simbólico para a população. Também conhecida como “Fonte do Furo”, resulta de prospeções de urânio que se fizeram neste local. A zona é rica em lençóis freáticos devido à proximidade do Paul de Magos. Durante a inauguração, vários populares relembraram histórias da sua vida envolvendo aquele ex-libris local. Como foi o caso de Estela que “quando tinha 10 anos, (já foi há 58 anos), e dávamos de beber aqui a uma bezerrinha. Muitos chegavam a perguntar se a água era boa, e nós dizíamos que sim”. Jacinto Rego também tem memórias – “quan-

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do o furo era noutro local. Havia também mais do que um bebedouro. Foi um bom trabalho. Parabéns à Câmara e aos seus trabalhadores”. Também não deixou de lembrar quando em tempos, o local era para ganhar outra vida “quando, do outro lado da estrada, se pensou na construção de um restaurante e de umas bombas de gasolina”, mas a obra não foi em frente, permanecendo no local apenas as paredes em alvenaria. Já José Magriço lembrou quando em 1966, “um homem que andava a vender castanhas numa camioneta, despistou-se porque adormeceu, e partiu o aqueduto, e os dois marcos que ali existiam, e as castanhas caíram lá para dentro”. A história de João Filipe, por seu turno, é esta – “Os meus pais faziam muito arroz no Paul, eu passava muitas

vezes por aqui. Num desses dias, a Volta a Portugal atravessaria esta estrada. Um dos ciclistas que passou, parou e veio aqui buscar água. Muitos miúdos ficaram entusiasmados. Ele deu uma palmada nas costas de uma dessas crianças e exclamou que um ciclista tem de beber muita água. Entretanto arrancou”. Para os autarcas esta foi uma inauguração há muito desejada, e uma espécie de “marco neste mandato”. Fátima Gregório, presidente da junta de Marinhais, lembrou que já desde o seu primeiro mandato a população lhe pedia a recuperação da fonte. O presidente do município de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, focou o facto desta remodelação se inserir num plano mais vasto de recuperação do património de Marinhais.

População satisfeita com nova obra

nha que semanalmente os seus representantes estão em Alcoentre não só porque “ a Quinta da Torrebela tem equipamento nosso retido ilegitimamente” mas também porque nesta fase tem de “acompanhar assuntos pendentes bem como a evolução de processos judiciais e inerentes custos daí recorrentes”.


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CEO do Ano é de Azambuja edro Mateus, de 28 anos, de Azambuja venceu o concurso de gestor de topo do ano de uma das mais conhecidas empresas de recursos humanos, a Adecco. A concorrência não era pouca dado que o desafio foi lançado a 50 agências da empresa. No total concorreram 54 600 jovens em todo o mundo, que podiam ou não estar ligados à Adecco, sendo que Pedro Mateus foi o vencedor a nível nacional, competindo com 573 portugueses. A terminar um mestrado em Gestão, Pedro Mateus refere ao Valor Local que a experiência foi “fantástica” por lhe permitir adquirir várias competências no que se refere à componente da liderança, processos de decisão, conhecimento do mercado. O jovem gestor está a fazer um estágio no departamento financeiro da Adecco, e não esconde que tomou o gosto por esta experiência, e quem sabe no futuro poderá mesmo vir a ser o CEO da empresa em Portugal. Para já a próxima etapa passa por uma ida à Suíça, onde o diretor geral da Adecco escolherá o vencedor deste concurso no âmbito dos 50 apurados por cada um dos países. Um dos seus principais desafios durante a competição baseou-se

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no conhecimento do mercado, que confessa não era o seu forte. A empresa tem como uma das principais áreas o trabalho temporário e o recrutamento. “Uma das principais dificuldades da Adecco baseia-se em encontrar as pessoas certas para determinado trabalho. Há emprego disponível mas como as exigências dos clientes são por vezes demasiado específicas torna-se difícil encontrar o perfil de trabalhador certo”, constata. Uma das sugestões que deu durante as reuniões de trabalho, durante o concurso, relacionava-se com a hipótese da Adecco ter uma carteira de candidatos pronta a satisfazer as necessidades dos clientes. Nesse sentido, “procurei aconselhar uma aproximação também junto das universidades, tendo em conta que a marca Adecco ainda não é muito conhecida”. “Muitas vezes confundem-nos com a empresa das reclamações”, reflete. O mercado das agências de trabalho temporário aos olhos da opinião pública nem sempre é bem visto, e Pedro Mateus confessa que antes de ingressar na Adecco também ia com essa ideia, contudo refere que no caso da empresa onde estagia, “há um respeito pela legalidade, em que os compromissos monetários são

Pedro Mateus já experimentou várias áreas cumpridos”, mas “de facto há quem esteja no mercado para espremer as margens comprometendo o cliente”, conclui. Sobre as razões de ter sido escolhido como CEO do ano em Portugal, Pedro Mateus considera que as suas principais qualida-

des vão desde a atração pelos desafios e pelas novidades, mas também o sentido de humor. “O resto tem de perguntar a quem me escolheu”, graceja. Com uma experiência multifacetada, o CEO do ano já esteve na força aérea, deu aulas numa escola básica,

trabalhou na Sugal em Azambuja, e frequentou um estágio na hotelaria – “Gosto de experimentar várias áreas”. Desde março a trabalhar numa empresa que liga de perto com o público-alvo dos desempregados, Pedro Mateus não hesita em

avançar com uma posição bem definida sobre uma parte desta realidade – “Por vezes quem está desempregado não se mostra ativo. Há quem não compareça a entrevistas previamente marcadas e prefira ir usufruindo do fundo de desemprego.”

Arruda inaugura circuito pedonal A

vila de Arruda dos Vinhos inaugurou no passado dia 14 de agosto a primeira ciclovia e circuito pedonal Hermano Ferreira. Esta é uma obra que fica localizada junto à Urbanização Casal do Telheiro, e surge na sequência de uma série de outras iniciativas previstas pelo executivo da Câmara. Segundo uma nota do município de Arruda dos Vinhos, esta é uma

obra que está no enquadramento traçado pelo município nomeadamente no que toca “à política de aposta no desporto e na mobilidade sustentada”. Este é um espaço dedicado à prática desportiva e foi apadrinhado por Hermano Ferreira, um atleta natural do Concelho. Em breve, segundo o município, “este troço da ciclovia e Circuito Pedonal Hermano Ferreira deverá

ser alargado até ao futuro Parque Urbano e à Ciclovia e Circuito Pedonal Prof. José Lourenço” que foi inaugurado no ano passado. Esta obra está integrada na requalificação da zona envolvente da Urbanização do Casal do Telheiro e contemplou também a instalação “de quatro equipamentos de manutenção, um ringue, churrasqueiras e a relocalização do parque infantil”.

Azambuja quer apoio do Estado para a praia do Tejo s projetos sugeridos pela oposição e pelas juntas de freguesia do concelho de Azambuja no final de 2015, no âmbito do que se designou chamar de Orçamento Participativo, estão na sua maioria concluídos, ou em fase de conclusão. Em fase de projeto está a ciclovia sugerida pelo executivo da junta de Azambuja que terá um custo de 110 mil euros, mas mais dificil será a intervenção na Praia do Tejo, sugerida pelo vereador da CDU, David Mendes. Ao Valor Local, o presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, refere que espera ter em breve a visita do secretário de Estado do

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Ambiente ao concelho para ver in loco de que maneira se pode intervir naquele território, que recorde-se já esteve em tempos concessionado constituindo-se como um espaço de lazer, mas os sucessivos atos de vandalismo condenaram à extinção qualquer tipo de atividade de recreio no local. “No âmbito do Portugal 2020, não é possível termos apoio, pelo que vamos pedir ao secretário de Estado alguma ajuda para intervirmos ali”. Seria intenção da Câmara “fazer uma limpeza, colocar areia, recuperar a casa existente, e dar de novo dignidade ao espaço”. Uma das intervenções pedidas,

neste caso pelo vereador da CDU, prendia-se ainda com a limpeza do esteiro que foi feita, mas rapidamente o curso de água foi novamente invadido por jacintos. A Câmara projeta agora uma intervenção maior, “até à vala”. Uma empresa adjudicada pela Câmara está a fazer o projeto de forma a tornar o curso de água navegável, com a inclusão, ainda, de pesqueiros. Foi também falada por David Mendes a agilização da limpeza de valetas e bermas, e a construção de uma “espécie de multiusos” para Manique do Intendente, onde o mercado diário pudesse coabitar com outros eventos. Algumas ações de limpeza

têm sido assumidas pela Câmara, outras pela Estradas de Portugal, embora sem a celeridade que a população gostaria. Luís de Sousa refere que pediu mais intervenção da Estradas de Portugal.As obras do mercado de Manique ainda estão em curso. Quanto à proposta da Coligação Pelo Futuro de custeamento dos manuais de Português e de Matemática para os alunos do 1º ciclo do concelho, a Câmara avançou para já com a aquisição de livros de fichas para os alunos do 1º ano. No que toca às propostas elencadas pelas juntas de freguesia do concelho de Azambuja, e come-

çando pela casa mortuária para Casais de Além (Vila Nova de São Pedro) as obras vão-se iniciar em setembro, tratando-se de um edifício construído de raíz, no valor de 70 mil euros. A recuperação do coreto de Alcoentre e da envolvente já foi terminada e custou 30 mil euros. No que respeita à recuperação de parques infantis em Aveiras de Baixo, a Câmara interveio para já na sede de freguesia, estando em vista a recuperação de outro em Casais da Lagoa. A substituição do telhado no mercado de Aveiras de Cima está em concurso. A reparação dos acessos ao cemitério de Vale do Paraíso está concluída faltando apenas

a pavimentação. Ao Valor Local, Luís de Sousa refere que vai novamente pedir sugestões aos vereadores e presidentes de junta para o orçamento do próximo ano. Está novamente fora de hipótese avançar-se para o Orçamento Participativo aberto a toda a população. O presidente da Câmara diz que se começou a trabalhar no regulamento, mas que não se conseguiu, de novo agilizar, no sentido de poder a ser implantado. “Fizemos um esboço, mas penso que os senhores presidentes de junta e as suas populações conseguem também perceber quais as carências, e que obras são necessárias”.


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Desporto

Bombeiros de Alcoentre vão levar a cabo Trail Running Vindimas iniciativa que conta com o apoio da Junta de Alcoentre e Câmara de Azambuja, tem como objetivos “a angariação de fundos destinados à formação dos jovens bombeiros da associação” e ao mesmo tempo “dar a conhecer o belíssimo território da freguesia de Alcoentre, área de atuação do corpo de bombeiros, e proporcionar uma atividade física saudável, de contacto com a natureza a todos os participantes”, segundo uma nota daquela coorporação enviada à nossa redação. A mesma nota dá conta que outro dos objetivos passa pela possibiliddade dos participantes e acompanhantes adquirirem produtos agrícolas produzidos na

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freguesia, numa iniciativa que contará com a atuação de grupos culturais do concelho de Azambuja. O Trail e a Caminhada Trail percorrem trilhos e caminhos na Freguesia de Alcoentre, no concelho de Azambuja, com as distâncias aproximadas de 21 quilómetros e oito quilómetros respetivamente. De acordo com os bombeiros, vão ser percorridos diversos percursos com graus de dificuldades variados. Desde pisos com asfalto ou empedrado, até terra batida, passando por carreiros com pedra, e uma travessia de riachos. Haverá também percursos com declives acentuados e travessia de pinhais, circundando

lagos e represas entre outros. A organização contará com Marco Borges como padrinho desta primeira edição. Conhecido no meio do “Trail Running”, é membro do grupo de corrida “Tartarugas Solidárias”. As inscrições são limitadas a 300 participantes. Possuem um custo inicial de 10 euros e 8 euros para o trail e caminhada respetivamente, e devem ser efetuadas através do site bvalcoentre.wix.com/bvalcoentre. Neste primeiro ano a organização vai oferecer almoço a todos os participantes, bem como um Kit de participação que incluirá bens doados pelos agentes económicos locais, concelhios e nacionais.

Prova desenrola-se na freguesia

Estão aí os 10 Quilómetros de Tagarro s ruas da localidade de Tagarro preparam-se para receber a sua já tradicional corrida de 10 quilómetros. A prova terá lugar no dia 27 de agosto, com partida às 18h00, e esta 13ª edição vota a contemplar os amantes do pedestrianismo com uma caminhada de 5 quilómetros. Este evento desportivo realizase num percurso com 5 mil metros de extensão, marcados pelo cenário típico da aldeia de Tagarro e pela beleza da paisagem natural envolvente. Os participantes na caminhada cumprirão uma volta única enquanto

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os atletas da corrida farão duas voltas. Podem correr estes 10 quilómetros de Tagarro atletas de ambos os sexos, federados ou não e maiores de idade, que serão integrados como juniores – 18 e 19 anos, como seniores – dos 20 aos 39 anos, e ainda em cinco escalões de veteranos – a partir dos 40 anos de idade. A organização assegura dois abastecimentos de água e anuncia troféus para os três primeiros classificados de cada escalão e também para os que chegarem ao pódio na classificação geral feminina e masculina. Refira-se que a prova está

certificada pela Comissão Nacional de Estrada e Corta-Mato da Federação Portuguesa de Atletismo. A caminhada, por seu lado, terá um abastecimento de água, não tem qualquer caráter competitivo e está aberta a todos os interessados. Entretanto, a Associação 10 Kms de Tagarro convida a população da localidade que queira voluntariar-se para colaborar na organização a realizar uma caminhada de reconhecimento e confraternização, no mesmo percurso, pelas 10h30 do dia da prova – 27 de agosto.

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Pastelaria Papa Tudo com espaço renovado á quatro anos que a pastelaria Papa Tudo em Azambuja faz parte da rotina de muitos. São clientes do bairro e não só, que procuram todos os dias o pão fresco ou os bolos para o pequeno-almoço ou mesmo para um lanche. É assim de segunda a sábado logo pelas sete da manha e até às oito da noite com a exceção do sábado porque nes-

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se dia a Papa Tudo encerra por volta das cinco horas da tarde. Situada a meia dúzia de metros do Centro de Saúde, a Pastelaria Papa Tudo aposta no atendimento personalizado e na simpatia, tendo para cada cliente um produto à sua medida. Prova disso são os bolos caseiros. Podem ser comprados à fatia e levados para casa, por exemplo, de for-

ma sortida, pois a qualidade dos mesmos está à vista numa vitrina que faz “crescer água na boca” aos mais e até aos menos gulosos. Aliás este “ é o único local onde se podem comer bolos de sobremesa e não só à fatia. Temos também um menu de café mais pastel de nata a apenas a um euro”, defende António Ventanei-

Teresa Amendoeira e a Raquel Bronze dão as boas vindas

ra, um dos gerentes do espaço. Por tudo isto, explica que o principal critério da escolha dos produtos vendidos na pastelaria Papa Tudo é a qualidade e a prová-lo está o facto de o estabelecimento manter os seus clientes. Todos os dias o pão caseiro, os bolos e as tostas de vários sabores fazem as honras da casa, com destaque para a “Tosta De-

lícia” composta por pasta de frango, tomate, presunto e mostarda “que é a nossa coqueluche”. Para além desta especialidade o destaque vai também para as habituais tostas de delícias do mar, atum e de galinha “não existindo pela região tostas da qualidade destas”, garante António Ventaneira. O segredo reside em alguns ingredientes

que fazem destas umas tostas especiais, o mesmo se passa com as bifanas que a Pastelaria Papa Tudo disponibiliza aos seus clientes. António Ventaneira salienta também as refeições leves que proporciona: “Todos os dias temos um prato de peixe ou de carne diferente” deixando aos clientes a opção de escolha.

Um espaço moderno e acolhedor

Grau de Prova prepara novo ano letivo com a mesma exigência de sempre undada em 2011 a Escola de Línguas Grau de Prova faz um balanço positivo de toda a sua atividade. Em entrevista ao “Negócios Com Valor” a responsável, Ana Gaudêncio, sublinha que nestes cinco anos a procura da oferta formativa tem aumentado “abrangendo maioritariamente pessoas do concelho do Cartaxo, bem como dos concelhos de Azambuja e Santarém, e até mesmo de Lisboa”. Por outro lado admite que o aumento da concorrência “tem contribuído para nos fortalecer enquanto estabelecimento de ensino de referência no concelho do Cartaxo”. Ana Gaudêncio vinca, por outro lado, a imagem que tem conseguido construir, muito “graças à satisfação de alunos e pais” sendo que a escola aposta em turmas reduzidas com cerca de seis ou sete alunos, sendo esse um “fator essencial para uma boa aprendizagem”. “A individualização de ensino e a diferenciação pedagógica também têm um grande peso para obtermos bons resultados”. “Por isso, esses são outros fatores que muito valorizamos”, enfatiza. Já a pensar no ano letivo que agora se inicia, Ana Gaudêncio garante que a reconhecida quali-

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dade da escola será para manter. Ao “Negócios Com Valor” lembra a existência de cursos de línguas anuais e intensivos, bem como “o programa de sala aberta, e as explicações individuais” Por outro lado destaca também a importância do acompanhamento de trabalhos de final de curso e a ocupação de tempos livres bem como a “preparação para exames finais do ensino básico e secundário, assim como para os exames da Universidade de Cambridge”. A exigência da Escola Grau de Prova estende-se naturalmente aos professores, sendo estes “credenciados em Inglês, Francês, Espanhol e Alemão” e como é de “pequenino que se torce o pepino” lembra que “a partir dos três anos, as crianças, jovens e adultos que queiram especializarse numa dessas línguas podem inscrever-se na Grau de Prova, onde podem encontrar um horário flexível e compatível com as outras atividades que possam ter”. Nos últimos anos o número de alunos triplicou, e “este é um aspeto que queremos manter”, refere Ana Gaudêncio que salienta a procura por parte de empresas que querem dar alguma formação aos seus funcionários em línguas como inglês, Francês ou Espa-

nhol. Todavia o grande foco são na maioria os mais jovens, para os quais a escola tem um plano de atividades que inclui visitas de estudo em Portugal e no estrangeiro. Mais uma vez, este ano, os alunos da Escola Grau de Prova poderão visitar Londres por altura do Natal e da Páscoa, para além de

visitas a museus e outras instituições culturais em território nacional. Todavia Ana Gaudêncio diz que a instituição que dirige tem uma especial atenção para os alunos com mais dificuldades, daí que saliente que conta com uma professora com formação em Educação Especial e Reabilitação Psicomotrocionista, “a qual, com as

suas terapias percetivo-motoras, promove o desenvolvimento motor, cognitivo e afetivo das crianças”. “Desta forma, conseguimos detetar e trabalhar comportamentos de hiperatividade ou mesmo de défice de atenção ou concentração. Contamos com estratégias que ajudam na dificuldade das aprendizagens bem como em problemas comportamentais e re-

Aprendizagem e diversão são ingredientes de sucesso

lacionais”. Com uma diversidade tão evidente de alunos e atividades, Ana Gaudêncio salienta a importância da escola ter um horário flexível, nomeadamente “horários matinais e pós-laborais como opções, de segunda a sábado”. São horários que servem prioritariamente os adultos que procuram os cursos de línguas.


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Ambições e frustrações dos nossos atletas São jovens atletas a dar os primeiros passos ou então já com um palmarés apreciável. Depois de mais uns Jogos Olímpicos, fomos saber quais as principais dificuldades, sonhos e ambições de vários atletas da região nas mais diversas modalidades. ¢ Sílvia Agostinho avid Varela era suplente da seleção de canoagem que esteve nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O atleta do Alhandra Sporting Club teve os primeiros contactos com a modalidade há oito anos trás. Hoje com 22 anos, e depois de ter terminado uma licenciatura em Geografia conta que quando chegou ao clube pensava em praticar windsurf mas foi-lhe aconselhado experimentar vela para ganhar técnica e canoagem para conseguir mais força. Optou pela segunda, e de lá para cá tem conseguido vários bons resultados no país e lá fora. Mais recentemente foi vice-campeão universitário mundial. Ganhou a taça de Portugal sub 23, tendo sido ainda vice-campeão nacional de K2 em conjunto com o seu colega Fábio Cameira. Por tudo isto não ter estado nos JO deixa “um gosto amargo, mas foram opções do treinador”. “Espero que para Tóquio as coisas sejam diferentes”, deixa no ar. O Alhandra Sporting Clube apesar de ter tradição na modalidade

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Treinador e atletas falam das dificuldades sentidas no Tejo não se compara aos clubes do norte do país que têm outro poderio a nível dos seus clubes. “Basta dizer que no nosso caso somos nós que temos de adquirir os caiaques, em que cada um fica em média a 2 mil euros, e tem de ser o atleta a suportar esse encargo. Quando nos clubes do norte são os mesmos que adquirem o material ou são apoiados por patrocinadores”, acrescenta Mauro Almeida, treinador de júniores do clube alhandrense. Em Alhandra, há barcos a competir com mais de 20 anos. Com as pagaias acontece o mesmo. Em Alhandra, o atleta tem de pagar 400 euros por este instrumento. “Não é de estranhar os clubes do norte terem mais apoio porque o movimento associativo nem sempre é tão forte como aqui no concelho de Vila Franca,

onde os apoios têm de dar para todos. Em Ponte de Lima, só existe o clube de canoagem e o clube de futebol”. A lei do mecenato também mudou, “ e isso dificulta o aparecimento de mais patrocinadores”. Normalmente a federação apoia nas deslocações e nos estágios. O Alhandra consegue algumas fontes de receita com a marina, as aulas de canoagem e em breve com um ginásio que vai ser aberto ao público. Mesmo assim vitórias não têm faltado, e Henrique Cerqueira é outro dos exemplos. Com 18 anos, diz que o seu interesse pelos desportos náuticos começou pela vela, mas depressa achou que “era uma grande seca”. Esteve um ano sem se dedicar a nenhuma atividade deste género, até que decidiu experimentar a

canoagem, porque um primo já a praticava. “Gostei logo, isto é giro”, refere brincalhão. Desde os 13 anos que se dedica a remar nos rios do país e também lá fora. Já conseguiu um segundo lugar numa taça de Portugal, e foi também campeão nacional de mar. A sua apetência são as provas longas, nomeadamente as maratonas, em que os canoístas têm de fazer um percurso de 30 quilómetros, “que dura mais ou menos o mesmo tempo das maratonas de atletismo, ou seja duas horas e 10 minutos em média”. No estrangeiro foi quinto no Campeonato da Europa de Maratonas. Ultimamente, conta, que não tem conseguido muitos pódios, mas também porque começou agora a disputar campeonatos lá fora, onde o nível de competição não tem nada a ver com

o que se pratica no nosso país. “Foi um choque engraçado ao chegar lá e ver que os atletas são muito mais altos e robustos do que nós”, refere. David Varela acrescenta: “São autênticos armários”. As condições de treino para os atletas do Alhandra Sporting Club também já foram melhores no Tejo, desde que surgiu o passeio ribeirinho que a natureza do rio se alterou – “Antes não tinha remoinhos, a água não corria de forma tão forte, e não havia tantas inundações. Mesmo durante a construção do passadiço, as condições de treino pioraram porque os barcos começaram a ‘meter’ muita pedra”, observa Mauro Almeida, que conclui – “A prática desportiva, nesse aspeto piorou. Não temos o melhor rio para treinar, mas a dificuldade

cria o engenho e a resiliência”. Para os pais que querem iniciar os filhos ainda muito jovens nesta atividade, o Tejo também assusta – “Não temos um rio baixinho e lisinho. Miúdos com 10 anos vão desistindo até porque os pais têm medo”. Desistir não faz parte dos planos dos atletas do Alhandra que sonham em ir melhorando na modalidade. As provas longas que são da preferência de Henrique Cerqueira não são tão apoiadas como as mais rápidas, “talvez por não serem disciplinas olímpicas”, “mas o meu objetivo passa por amanhã ser melhor do que aquilo que sou hoje”. Ambos os atletas gostavam de ter mais apoios porque não deixam de ser importantes para a evolução da modalidade dos respetivos percursos.


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Novos equipamentos precisam-se

Campeã de ginástica artística à espera do salto seguinte um dos desportos que mais atenção consegue chamar sempre que de quatro em quatro anos acontecem os Jogos Olímpicos pela espetacularidade dos exercícios que os ginastas conseguem fazer com o corpo. Lara Cintra atleta do Grupo Desportivo de Azambuja (GDA) , 13 anos, é uma das promessas do clube nesta altura, tendo conseguido ser primeira, recentemente, no solo e nas paralelas assimétricas no escalão júnior, no Campeonato Nacional de Ginástica Artística Divisão Base, disputado em Anadia. Apesar de todas as dificuldades, o GDA tem conseguido demonstrar o talento das suas atletas nas várias competições. O equipamento não ajuda. Não há um fosso, e as paralelas foram improvisadas pelos técnicos, mas nada que obstaculizasse Lara Cintra de para o ano já fazer parte da primeira divisão. No horizonte estará a passagem à divisão de elite . A atleta, segundo as treinadoras Inês Grazina e Natacha Correia, consegue fazer o pleno nas quatro vertentes da ginástica artística, o designado all around: cavalo, solo, argolas e barras. “Algo que é muito difícil de alcançar, mas a Lara está à vontade nos quatro aparelhos. Alguns atletas apenas se conseguem distinguir em um ou dois aparelhos”, afirma Inês Grazina. A atleta do Carregado afirma gostar de desafios e do perigo, e o gosto pela ginástica começou quando via na televisão as façanhas de outras atletas. Tímida, não traça muitos planos para o futuro, apenas diz que gostaria de ser uma das melhores de Portugal. O Grupo Desportivo de Azambuja é das poucas coletividades na re-

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gião que possui a componente da ginástica artística, apenas em Lisboa existem alguns ginásios vocacionados para a modalidade. “Temos quarenta meninas a praticarem ginástica artística, damos aulas de ginástica para bebés, e quem sabe daqui a uns anos poderão optar pela modalidade”, dá a conhecer Natacha Correia evidenciando o trabalho de base que o clube está a realizar. Há atletas desta modalidade que treinam diariamente como é o caso de Lara Cintra, outras duas ou três vezes por semana. O desafio da atleta ir agora para um campeonato mais competitivo também reforça a preocupação das treinadoras com os equipamentos. Natacha Correia diz mesmo que quando for em época de campeonatos vão ter de ir com a atleta ao Porto, porque não arriscam uma das componentes de um salto num cavalo sem fosso, como o existente no ginásio. “Podemos dizer que somos dos piores ginásios do país, por isso as nossas vitórias baseiam-se muito na criatividade”. O GDA já chegou a recolher colchões abandonados ao pé de caixotes, hoje nem tanto. Mas na memória das treinadoras ainda está quando improvisaram uma mesa de salto com uma marquesa de fisioterapia virada ao contrário com colchões por cima. Nas paralelas também valeu o designado espírito do desenrasca – “ Os nossos técnicos montaramnas em duas semanas. As oficiais custam quatro mil euros, estas foram 200 euros, produzidas com banzos de aço, e muito menos flexíveis do que as normais”. As lacunas são gritantes, e as treinadoras confessam que “há evoluções

nos exercícios que por questões de segurança não podemos treinar aqui”. Quanto à atleta parte com motivação para o novo desafio de passar para a primeira divisão. Não será fácil conciliar com os estudos, “o que nem sempre é fácil” , mas é uma questão de “hábito”. Lara Cintra chegou a estar, no início da sua chegada ao GDA, simultaneamente na Associação Desportiva do Carregado onde deu os primeiros passos na modalidade. “Treinava duas horas aqui, mais hora e meia lá. Chegava a casa e ainda tinha aulas de explicação. Acumulava também com natação e a música”, refere Lara para demonstrar que capacidade de desmultiplicação em várias tarefas não lhe falta. Na sua vida atlética, os pais têm sido fundamentais. “São inexcedíveis quando se trata de arranjarem apoios para a Lara na sua atividade desde rifas passando por bater à porta de empresas e particulares”, enfatizam as treinadoras. A ginástica mundial feminina vive novamente um momento apoteótico com o aparecimento da super medalhada Simon Biles, e as treinadoras opinam que o nosso país também poderia pensar em investir nesta modalidade, porque talentos não faltam. No caso do GDA “temos evoluído aos poucos, apesar do apoio da autarquia, mas os encargos são elevados”. “Na região de Lisboa não podemos dizer que exista um ginásio extraordinário. A modalidade está muito limitada a nível nacional. Seria importante fazer-se não só um investimento público como aparecerem empresas e particulares a apoiarem os atletas”.

Com as treinadoras Natacha Correia e Inês Grazina

A atleta a preparar o salto

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João Esteves é dos melhores da sua idade na velocidade em Portugal em 17 anos e um talento especial para as provas de velocidade no atletismo. Mas tudo começou de forma tímida quando há três anos numa competição de mega sprint enquadrada no projeto de desporto escolar. Ficou em último mas mesmo assim, o treinador José Santos descortinou nele algumas capacidades que devidamente trabalhadas poderiam levar João Esteves a outro patamar. “Reparei no João porque era muito rápido, embora corresse mal tecnicamente, e estivesse um pouco gordinho. Achei que com o treino poderia sair dali qualquer coisa”, recorda. Era uma espécie de diamante em bruto que tem sido lapidado desde então. João Esteves só se vê a correr atrás deste sonho de correr, cada vez mais e melhor, de preferência. Para já esteve presente no campeonato mundial de júniores, onde ficou em 15º na estafeta de 4/100m. “Da idade dele é o melhor neste momento em 100 metros no nosso país”, acrescenta José Santos. João Esteves integra uma equipa de atletismo ligada à Escola Secundária Damião de Goes, em Alenquer, projeto do professor/treinador José Santos. Os treinos não

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podem ser descurados e como tal confessa que se aplica bastante. Na época de inverno treina seis vezes por semana, cerca de duas a três horas por dia. Mas não tem dúvidas de que lá fora se treina muito mais, “por isso é que no estrangeiro é uma modalidade profissional e cá ainda é amadora”. Nas competições nacionais João Esteves já foi vice-campeão nacional de 100 metros em juvenis,, e um outro terceiro lugar em 60 metros júniores/pista coberta. Dois anos depois conseguiu ser campeão nacional de mega sprint após a tentativa frustrada da primeira vez que correu. O recorde de João Vicente nos 100 metros é de 10 segundos e 66 centésimos. O recorde nacional que é também europeu pertence a Francis Obikwelu: 9 segundos 86 centésimos. (A título de curiosidade o recorde do mundo que pertence a Usain Bolt é de 9 segundos 58 centésimos). Quanto ao João: “Tem todas as condições para evoluir, pois é muito rápido e muito determinado. Possivelmente até pode vir a evoluir para outras distâncias”. Neste aspeto, o atleta concorda - “Se o meu treinador disser que devo correr os 1000 metros, eu confio nele”.

Atleta e treinador sonham voar mais alto Desde que Obikwelu terminou a carreira que Portugal não voltou à ribalta no atletismo nas provas de velocidade, contudo José Santos salvaguarda que a modalidade evoluiu muito no país, com boas marcas, mas também continuou a evoluir no estrangeiro. A escola Damião de Goes em Alenquer tem cerca de 10 atletas no ranking dos melhores do ano em Portugal, “até tivemos um que foi o 5º melhor da Europa nos 100 metros, isto nos escalões juvenis

e júniores”. Para dar o salto em frente, seria necessário arrancar-se o quanto antes com o projeto do centro de treino de atletismo previsto para o exterior do pavilhão municipal, e que foi um dos vencedores do Orçamento Participativo, edição de 2014. A obra tem de estar pronta de acordo com o regulamento da Câmara de Alenquer até ao fim de 2016, mas com o passar dos meses ainda não se vê sinais de que possa vir a iniciar-se. José

Santos que foi o proponente deste investimento orçado em 60 mil euros, está muito preocupado com os atrasos. A obra é complexa. Compreende pistas e uma caixa de salto. As reuniões com a Câmara têm-se sucedido mas o desalento já se apoderou de atletas e treinador - “Tal como está projetado este centro seria fabuloso. Muita gente já começa a colocar em dúvida se será ou não uma realidade. Porque ganhámos em outubro de 2014, e já passaram

quase dois anos”, refere, desabafando - “O vereador da Câmara ligado a este projeto é muito acessível e empenhado mas nada foi feito no terreno. A Câmara alegou questões técnicas. Eu próprio aleguei algumas soluções, mas depois viu-se que não podia ser. Mas o projeto já se encontra reformulado desde o início do ano, e como tal pronto a arrancar”. José Santos reforça o tom de tristeza bem como João: “Se não estiver feito em dezembro vamos para lá acampar todos os dias”. A possibilidade de poder vir a contar uma estrutura deste tipo em que as condições de treino podiam ser melhoradas substancialmente, sem que os atletas tenham, muitas vezes, de se deslocarem de Alenquer até Lisboa, “criou uma expetativa enorme”. “Já não será para os alunos que participaram ativamente no projeto para que esta ideia fosse uma das vencedoras do Orçamento Participativo, porque com todos estes atrasos, alguns até já terminaram o ensino secundário, mas será para os vindouros” . José Santos faz questão de sublinhar que “não estamos a falar de algo muito caro”. “Sobretudo seria uma instalação fantástica”.

Equitador João Netto Bacatelo

Promessa para as Olímpiadas de Pequim oão Netto Bacatelo é visto como uma das grandes promessas do hipismo. O equitador de Benavente tem 20 anos, e aponta baterias para os próximos Jogos Olímpicos de Pequim. Tudo começou quando tinha cerca de oito anos e começou a montar a cavalo no Centro Hípico do Zambujeiro e Santo Estevão. O equitador sente que falta ao hipismo em Portugal uma dimensão mais popular, de modo a não ser considerado tão elitista, e faz o contraponto com um país onde esteve recentemente a fazer um estágio para o campeonato da Europa, a Dinamarca, “onde o ambiente em torno deste desporto é outro mundo, completamente diferente”. Ao longo do seu percurso na modalidade, Bacatelo foi acabando por ter os seus próprios cavalos. “Um animal com uma personalidade muito própria”, destaca. “Todos os cavalos são diferentes e a relação que temos de estabelecer com eles para andar na alta competição tem de ser muito especial, e muito familiar”. Um dos segredos da sua relação com estes animais “é estar atento a todos os

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pormenores do dia-a-dia” durante o tempo em que convive com os seus cavalos – “Perceber se estão bem, se estão satisfeitos com o que os rodeia. Se estão a comer bem o feno e a beber a sua água. Porque um cavalo também pode ter dias sim ou dias não”. O equitador tem três cavalos a competir atualmente, sendo que a égua Benny, cega de um olho, tem sido o seu principal talismã em muitos campeonatos disputados e com a qual já ganhou várias provas de CCE (Concurso Completo de Equitação) que compreende ensino, raide, e saltos obstáculos. “Tenho uma relação muito especial com ela, porque é da criação do meu pai. Nasceu na nossa casa. Ficou cega quando apanhou um vírus no campo em pequenina. Ainda chamámos o veterinário, foi operada mas não havia mais nada a fazer”. Quando questionado sobre o porquê de Portugal não ter mais medalhas no hipismo nos Jogos Olímpicos, refere que esta é daquelas questões que lhe fazem recorrentemente, mas de difícil resposta. “Temos bons cavaleiros em Portugal, mas falta dar o passo

Bacatelo numa das competições em que participa seguinte para que surjam mais patrocínios para apoiar o mundo equestre”. O equitador mais uma vez contraria a tese de que os atletas desta modalidade não precisam de apoios porque são naturalmente pessoas endinheiradas – “Temos casos de pessoas que começam do zero, e que precisam de mais apoios para evoluírem. Que não possuem cavalos próprios, muitas vezes, recorrendo a centros equestres”. Por outro lado,

preparar um cavalo para os Jogos Olímpicos exige no mínimo oito a dez anos, não se compadecendo portanto com os ciclos de quatro anos das Olimpíadas. Recentemente, João Netto Bacatelo foi convidado a integrar a modalidade de hipismo pelo Benfica, o que significa “uma grande responsabilidade” para si. “O clube dá-nos outra visibilidade, e embora não patrocine diretamente os atletas, conseguimos mais apoios

através dos patrocinadores contratualizados como a Emirates, Adidas, Repsol”. O dia-a-dia do atleta passa sempre pelo mundo dos cavalos, e neste sentido refere que chega todos os dias por volta das nove da manhã aos estábulos. “Trabalho os meus três cavalos durante a manhã. Ao fim da tarde dou mais um passeio com eles para descontrair. De dois em dois dias faço saltos”. A sua rotina é esta mas

em breve vai ingressar numa licenciatura em Agronomia. Lá fora o ritmo de preparação e competitividade de um cavaleiro não é comparável ao de Portugal com os equitadores a dedicaremse em exclusivo às diversas vertentes das modalidades equestres. “Para ser sincero eles trabalham muitíssimo mais do que nós. Quando pensamos que cá estamos a dar 100 por cento, chegamos lá fora e vemos que dão 300 por cento”. Basicamente, “vivem de manhã à noite para os cavalos”. No nosso país, “os atletas têm outras profissões”. João Netto Bacatelo vai mais longe e é da opinião que “o atleta estrangeiro é mais exigente consigo mesmo e não deixa para amanhã o que pode fazer hoje”. Estar presente em Pequim daqui a quatro anos é “uma meta difícil”, “até porque para conseguirmos a classificação temos de sair do nosso país, e isso ainda demora algum tempo, com a disputa de várias provas na Europa, o que acarreta um grande esforço financeiro”. A federação não promove “grandes apoios”, ao contrário do que se passa lá fora.


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Márcio Neves, o triatleta resistente

Correr, nadar e pedalar durante mais de nove horas

esde sempre ligado à prática desportiva, Márcio Neves, de Marinhais, entregou-se a várias modalidades antes de chegar ao triatlo em 2007. Como muitos outros triatletas, não esconde que foram, em parte, as várias vitórias de Vanessa Fernandes que despertaram em si a vontade de experimentar. O atleta especializou-se no triatlo de longa distância. Já venceu diversas competições, inclusive um campeonato mundial de longa distância, e na base do sucesso está o facto de ser consistente nos três segmentos- natação, ciclismo e corrida. Uma das vantagens na sua carreira enquanto atleta deveu-se ao facto de paralelamente ser militar, e com isso beneficiar do treino físico inerente à sua profissão. O primeiro triatlo foi em Pedrógão Grande, “ e a pensar do princípio ao fim que nunca mais repetiria aquela experiência”, ri-se. Demorou uma hora e 33 minutos. Hoje consegue acabar numa hora. “Só no segmento de natação demorei 18 minutos mas hoje já consigo fazer em nove minutos”. Era uma prova de triatlo sprint, mas a sua

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grande paixão viria a ser o triatlo longo. “Não comecei logo a ganhar pódios, em 2008 fiquei satisfeito com um quinto lugar que consegui numa prova.” O triatlo longo contempla 1900 metros de natação, 90 quilómetros de ciclismo e 21 quilómetros de atletismo. Márcio Neves é um dos especialistas nacionais nesta modalidade assim como na de Ironman (que passar por um circuito cujo ponto alto é o campeonato do mundo no Hawai) que são 3800 metros a nadar, 180 quilómetros a pedalar e mais 42 de atletismo. “Apenas dois ou três atletas em Portugal vivem em exclusivo do triatlo longo”, acrescenta. O Havai é um dos palcos privilegiados do Ironman, “onde até pessoas com idades de 70 ou 80 anos participam, não é só para homens de ferro”, enfatiza. O seu recorde pessoal no Ironman é de 9 horas e 8 minutos. (O recorde do mundo foi fixado recentemente em 7 horas e 35 minutos) Em 2012, Márcio Neves foi campeão do mundo, escalão 25-29 anos, e em média treinava 30 horas semanais. De modo a rentabilizar da melhor for-

Numa das ocasiões em que representou Portugal ma possível o dia para essa preparação saía de Marinhais todos os dias de bicicleta em direção ao Entroncamento onde trabalhava (demorava duas horas) e na hora de almoço aproveitava ainda para ir dar umas braçadas na piscina municipal ou para correr. Quando chegava a casa “ainda ia correr mais o meu irmão (igualmente praticante da modalidade) durante mais uma hora e meia, duas ho-

ras”. Contudo, isso só foi possível também graças ao apoio da família – “Apenas tendo por trás uma grande mulher que goste e que nos dê força”. “Não fica chateada por eu não poder ajudar mais em casa”, ri-se. Apenas o amor pelo desporto é que move os atletas de triatlo, não sendo à semelhança de outros desportos suficientemente rentável. Os patrocínios são sempre es-

senciais e na maioria dos casos quando chegam para financiar os custos “já é algo positivo”. “Quando estive no Havai, tive o apoio da Caixa Agrícola de Marinhais que deu para pagar a estadia”. Depois disso conseguiu mais apoios que o ajudaram a financiar os custos de material desportivo. Entretanto teve uma lesão pelo meio no joelho, dedicou-se mais à natação. “Com isso ganhei mais velocidade

perdendo na resistência, o que me possibilitou disputar os campeonatos nacionais nas distâncias mais curtas”. Foi campeão nacional no escalão 30-34 anos. Márcio Neves dedica-se também em especial, e nos últimos tempos, à disputa de provas em águas abertas já que devido à lesão no joelho tem de recervar algum cuidado com os esforços que possam danificar ainda mais a cartilagem. Mas como o bichinho das distâncias longas ainda permanece em si, avança – “Um dia quando estiver mais perto dos 40 sou capaz de perder a cabeça e ir de novo a um Ironman”. Portugal tem atletas ao mais alto nível no triatlo longo, contudo esta é uma vertente que não entra nos Jogos Olímpicos. “Possivelmente por ser uma prova de nove horas, demasiado longa, possa ser considerada pouco atrativa”. Mas Márcio Neves não tem dúvidas de que o Ironman é uma prova com um alto nível de adesão, espetacular para quem vê e para quem participa- “Andei sete anos a ver a prova só na internet, uma vez lá foi como estar a viver um sonho. A moldura humana é fenomenal”.


Opinião

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A autoestima ganha com o Europeu, perdeu-se nos fogos florestais ortugal ganhou autoestima por ter vencido o Euro2016. Mas se a seleção não jogou um futebol vistoso, é certo que mesmo jogando “poucochinho” conseguiu os seus objetivos e levou a que muitos críticos se calassem perante um triunfo único e numa primeira análise, sem hipótese de repetição pelo menos nos próximos anos. Com isto, vieram outras vitórias no desporto, nomeadamente nas camadas jovens e noutras modalidades, que aproveitaram e “surfaram” na onda que varria Portugal e as comunidades espalhadas pelo mundo. Parecia que tinha passado a crise. Parecia que com a vitória de Portugal acabava o desemprego, os meses de espera para uma cirurgia num hospital, que as reformas e os ordenados já chegavam para as encomendas. Até nem houve greves nem manifestações dos professores e restantes trabalhadores com esta prenda que a seleção deu ao país. Todavia toda a autoestima que

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Miguel António Rodrigues

Portugal ganhou com o Europeu perdeu-se nos meses seguintes. Julho e Agosto foram dos mais quentes dos últimos anos, e depressa os portugueses se aperceberam que os problemas eram os mesmos e até com uma “geringonça” mais ou menos oleada o país continuaria a marcar passo. Já nem menciono o caso dos Secretários de Estado terem viajado à conta da Galp para verem um jo-

guito do Europeu, porque isso comparado com o que veio a seguir é “brincadeira de crianças” (expressão usada pelo antigo primeiro-ministro José Sócrates sobre o pagamento da dívida de Portugal). E o que se seguiu foi quase o inferno, se é que não o foi mesmo para as populações na Ilha da Madeira ou no norte do país que se viram privadas das suas casas.

Não há memória, dizem os mais velhos, de fogos assim. Mas no nosso passado recente há memórias de sucessivos alertas para a limpeza das florestas e muitas delas propriedade do Estado. Todos os anos repetem-se apelos, campanhas e discutem-se argumentos para justificar a área ardida. O abandono da agricultura é sem dúvida uma das razões, mas a falta de legislação mais assertiva

para obrigar os particulares a limparem as matas também. Defende-se legislação para o “Zé Povinho” mas depois o próprio Estado não faz o que lhe compete: limpar ou deixar os municípios limpar o que é seu. O Governo já defende que os terrenos abandonados passem para domínio municipal. Mas será que essa posse será alargada aos terrenos que o Estado não cuida?

Com isto tudo, culpam-se as estratégias dos bombeiros. Com isto tudo culpam-se as populações que não cuidam das suas terras e que muitas das vezes pouco mais têm do que um terreno herdado e sem condições financeiras de fazer a sua limpeza. Sendo que agora também se defende que os incendiários paguem os prejuízos. Mas neste último caso até me parece que foi mais um desabafo da ministra, depois de confrontada com a realidade no terreno. Com tudo isto, Portugal uniu-se. Chegaram centenas de milhares de litros de águas aos bombeiros de norte a sul do país. O povo percebeu a importância e o apoio a estes homens, na sua maioria voluntários e que fazem “das tripas coração” todos os anos para salvar bens e pessoas. Isto foi este ano. Para o próximo como será?

Educação - as mudanças na avaliação dos alunos aros leitores, devido a compromissos com uma instituição de ensino, não me foi possível apresentar a minha habitual crónica, durante um longo período de tempo. Volto agora ao vosso “convívio” apresentando-vos uma crónica de opinião, necessariamente subjetiva, sobre as mudanças na avaliação dos alunos, decretadas pelo ME e, que espero, constitua mais um subsídio para a reflexão que se impõe, por parte de todos os interessados, nomeadamente os agentes educativos. Sobre o assunto em título, defendo que devem existir três (e não dois) momentos de avaliação: a avaliação contínua, a aferição e o exame: 1. A Avaliação contínua: consiste, no meu ponto de vista, na avaliação que o professor faz à prestação de cada aluno no decorrer de todo o ano letivo e a todo o momento, essencialmente, em quatro parâmetros: a) Comportamento em aula (respeito pelo professor) e na interação com os colegas; b) Acatamento das prerrogativas/regras estabelecidas pelo(s) professor(es) e das ordens comportamentais/disciplinares emanadas da direção escolar;

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c) Interesse pelas matérias ministradas (atenção e participação/ interação nas aulas); d) Empenho e dedicação em superar as dificuldades. Defendo que, se objetiva através da avaliação contínua do desempenho dos alunos, promover uma intervenção atempada junto dos mesmos, com vista à sua recuperação, em qualquer um dos diferentes parâmetros atrás referenciados, visando a promoção da igualdade de oportunidades para todos. 2. A aferição tem, naturalmente, objetivos intra-escolares (dentro das escolas), como seja, o acompanhamento do desenvolvimento curricular nas diferentes áreas disciplinares, obtendo informação detalhada através da aferição (verificação do atingimento de padrões pré-estabelecidos - notação -) do desempenho dos alunos, no final de cada ano letivo dos anos de provas de aferição e, a promoção de uma intervenção global atempada. São, quanto a mim, um excelente instrumento de monitorização do desempenho da própria escola, que complementarmente à avaliação contínua, permitirlhes-á a análise/ponderação e a eventual procura/estudo de novos

caminhos pedagógicos/didáticos e/ou programáticos. 3.O Exame, é obviamente uma avaliação externa à escola (emanada do ME - exames nacionais ), e conta sobretudo para a avaliação final de cada ciclo escolar do aluno. Pretende-se, na minha opinião, o seguinte: a) Introduzir maior rigor no sistema educativo, como forma de mobilizar todos os agentes educativos; escola, professores, alunos, encarregados de educação e pais, a participarem em uma discussão alargada para a deteção de eventuais deficiências/insuficiências detetadas pela avaliação externa e que obstaculizam a uma melhor performance da escola, através da ponderação dos fatores que conduziram a essa situação e, encontrar formas de os debelar ou minorar em prol (benefício) dos alunos; b) Mas também, e assumo sem qualquer constrangimento, promover a discriminação (positiva/negativa), proporcionando a segregação (separação) entre os bons e os maus alunos, i.e., os que seguem para o ensino superior e os que ficam pelo ensino secundário, quando ficam; c) Reconhecendo que há manifestamente interesse por parte de to-

dos os governantes em promover o ranking das escolas para se ufanarem dos resultados obtidos, através de dados meramente estatísticos) de que é exemplo «o decréscimo do abandono escolar», não deixo, contudo, de defender o novo método de avaliação. Poderá portanto inferir-se da minha opinião que, a avaliação contínua, a aferição interna e o exame nacional, se complementam, sobretudo quando está em causa o superior interesse do aluno e de todos os agentes “honestos” participantes no ensino (preocupados não só com os rankings, mas sobretudo com o sucesso dos alunos), não sendo, por consequência, incompatíveis as três avaliações, antes pelo contrário. Aliás, a aferição deveria desde logo proporcionar indicadores paramétricos e outros, aos alunos e professores, com vista à obtenção de melhores resultados nos exames nacionais (diminuição do insucesso escolar e subsequente abandono). O que é preocupante, na minha ótica, é o facto de os alunos passarem por dois ciclos de estudos sem qualquer avaliação externa (exame) que certifique se, desen-

volveram ou não, as aprendizagens/competências definidas globalmente (a nível nacional), para cada um dos ciclos. Relembro que a proposta do novo governo é: aferição nos 2º. 5º. e 8º anos e exame apenas no 9º. ano de escolaridade. Por consequência, e ao contrário do que preconiza o ME, prospetivo que, os exames deveriam ocorrer em dois momentos, nos 6º. e 9º. anos e não apenas em um momento ( 9º. ano) concordando que, as provas de aferição se realizem em três momentos longo do ensino básico, i.e. nos 2º., 5º. e 8º. anos. Os exames nacionais, têm o condão de evitarem, sobretudo, o efeito de halo (interferência na avaliação devido a simpatia) e o efeito de horn (interferência na avaliação devido a antipatia), mais comum na aferição, entre outros eventuais efeitos, mas não a subjetividade que estará sempre presente em qualquer avaliação, seja ela qual for. Julgo ser importante perceber que, a matemática e o português, não são tudo, são efetivamente parte importante de um todo multidisciplinar mas, sublinho, não são tudo! É igualmente importante

Augusto Moita aferir outras áreas de estudo, tais como; o estudo do meio, as ciências, a história, as línguas estrangeira, a informática e a formação cívica (para quando esta disciplina com caráter obrigatório no ensino secundário), entre outras de enorme importância. Para concluir, desejar que o novo sistema de avaliação se torne uma realidade consistente, promovendo o sucesso dos alunos e o prestígio dos professores e das escolas, para o engrandecimento do País. Pena foi, que o assunto não tivesse sido alvo de uma discussão alargada a todos os agentes envolvidos no ensino, nem que para tanto, se prorrogasse o tempo de aplicação. Enfim… coisas de políticos! A próxima crónica versará o tema «Recrutamento, seleção e a avaliação de professores». Até lá e boas leituras!


Valor Local

Opinião

A excelência no desporto

ão me apetece falar sobre Desporto. Eu sei que, inflamado pela chama olímpica, o ValorLocal tem, nesta edição, por tema, o Desporto e a sua prática pelas camadas mais novas. Não me apetece e não sei falar sobre Desporto. Só gosto de assistir aos Jogos Olímpicos e não é a tudo, como alguns amigos que se pespegaram o dia inteiro no sofá, perdendo assim alguns preciosos dias de férias, a ver tudo quanto era prova na RTP 1. Eu confesso que não me interessa nada a vela, o remo, o judo e tantas outras modalidades. Nem sequer o futebol olímpico, que só vi porque Portugal entrava. Aliás, creio que nem assisti a todos os jogos, pois tinha-me regalado há pouco tempo com o Cristiano Ronaldo, o Sanches, o Rui Patrício e sobretudo com o Pepe – indiscutivelmente o melhor jogador da selecção no Campeonato da Europa. E nenhum deles, e mais alguns, estava lá... Eu gosto mesmo é do atletismo, especialmente as corridas até aos mil e quinhentos metros, e a ginástica artística. Não quero com isto dizer que não reconheço igual mérito a um vencedor olímpico dos cem metros e ao medalha de ouro do lançamento do dardo. Mas o nome de

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Usain Bolt toda a gente conhece e sabe escreve e agora sejam sinceros : quantos se lembram da nacionalidade e do nome do grandalhão que ganhou o lançamento do dardo? Muito poucos. Só os que se interessam mesmo

pela modalidade ou a praticam. Mas o mérito é igual : são os melhores do Mundo na sua área e às vezes não se imagina o que está por trás disso. As horas e horas díárias, ao longo de anos, em que se aperfei-

çoa a técnica e a forma de roubar um centésimo de segundo aos cem metros ou acrescentar uns centímetros à viagem dum dardo. Sabem porque razão a generalidade das corridas de fundo – dos mil e quinhentos metros para

15 cima – são ganhos por etíopes e quenianos? Acham que os Governos respectivos aplicam dinheiro para manter atletas? Na Etiópia e no Quénia? Claro que não. São as aldeias, quando não mesmo as tribos – a etnia, não a tribo em sentido primitivo – que financiam estes atletas. Há milhares de etíopes e quenianos cuja vida é treinar a corrida. Suportados e alimentados pelas respectivas comunidades. O vígésimo tempo nos dez mil metros de etíopes e quenianos (vinte lugares, vinte) é mais curto que o melhor tempo europeu! E é assim que, quer no atletismo, quer em qualquer outra modalidade desportiva ou, direi mesmo, em qualquer manifestação humana, atingir a excelência não é um golpe de asa, um sopro de sorte, uma habilidade para. Tem por trás muitos meses e anos de trabalho diário, sacrifício, renúncias. Obriga também a que haja alguém, o Governo, uma Instituição, uma Comunidade, que esteja disponível para suportar os custos do atleta – que a coisa já não vai lá com treinos diários depois de sair da fábrica, como a Aurora Cunha fazia. Parece-me que está aqui explicada a razão do fracasso da nossa

Joaquim Ramos participação nos Jogos Olímpicos. Temos que admiti-lo : ficou abaixo das piores previsões. Uma medalha de bronze, uma? Obviamente que não se concretizaram, ao longo dos anos, nenhuma das condições necessárias à feitura de campeões. Nem os sucessivos Governos tiverem políticas consistentes de fomento do desporto de alta competição. Muitos menos as grandes instituições desportivas dedicaram suficiente atenção a outras modalidades que não o futebol. Sim, o Benfica, o Sporting, o F.C. do Porto tratam as outras modalidades desportivas com migalhas do futebol. Nem a Comunidade, isto é, nós, os Portugueses, nos mobilizámos em torno dos nossos atletas como as aldeias da Etiópia e do Quénia. Só lhes ligamos nos Jogos Olímpicos. E esses são de quatro em quatro anos.


Cultura

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Valor Local

Benavente

Novas descobertas na Garroncheira stá em curso mais uma campanha arqueológica na Garroncheira em Benavente. O local possui fornos romanos datados do século I, e o objetivo, neste momento, é apurar se houve atividade da olaria até à primeira metade do século III. Clementino Amaro, arqueólogo responsável pelas escavações, que se prolongarão até 2018, reflete que está em causa o conhecimento da produção de ânforas, e do ciclo de transporte de peixe pelo Sorraia até Lisboa onde depois seria tratado e vendido. Os fornos da Garroncheira foram postos a descoberto nos anos 60 do século XX, “na altura em que andaram a construir o canal de

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Salvaterra, que passa a cerca de 50 metros daquele património arqueológico”. Durante a escavação de terras pelas máquinas, o talude foi cortado, e com isso também um dos fornos romanos, na altura ainda desconhecidos. Os fornos começaram a ser estudados nos anos 80 quando Joaquim Parracho, homem da terra, levou o arqueólogo para os conhecer. Desde 1987, sucederam-se três campanhas. “Estamos a desenvolver, desde 2015, uma campanha para deteção dos locais de despejo das peças rejeitadas desses fornos, e o eventual surgimento de novos, que nos possa dar uma ideia do contexto da olaria ro-

mana nesta zona do Vale do Tejo”. Esta região caracteriza-se como propícia ao aparecimento deste tipo de vestígios relacionados com a olaria dadas as características aluvionares e estuarinas dos terrenos, “que favorecem a existência do barro”, refere Clementino Amaro. Por outro lado, “a proliferação de matas fornece combustível para os fornos”. O facto de haver uma via navegável para o transporte de preparados de peixe completa o leque das condições necessárias à atividade da olaria. Para além das ânforas, era também fabricada louça doméstica como panelas, pequenas vasilhas, e restantes apetrechos necessá-

rios para uma cozinha nestes fornos. Na Garroncheira, como resultado das mais recentes escavações, e tendo em conta as normais inundações próprias do Ribatejo, foi descoberto um conjunto de ânforas “que pela sua disposição no terreno dão-nos a ideia de que funcionavam como dreno à passagem de águas. Embora isto não seja ainda uma certeza”, ressalva. Para já e após várias campanhas no terreno ao longo das últimas décadas, a Garroncheira caracteriza-se “claramente pela consolidação de uma longa atividade económica” que deverá ter funcionado durante 200 anos. “O que é

Escavações a decorrerem algo significativo para uma região, e que destaca a função do rio Sor-

raia no contexto romano na comercialização de produtos”.

Rui Jardim é promessa do toureio apeado omo qualquer outra localidade no Ribatejo, Azambuja é uma vila aficionada e onde muitos dos que nela habitam desejam uma vida no meio dos toiros. Para ajudar a cumprir esse sonho, existe em Azambuja uma escola de toureio, que faz parte da Poisada do Campino, e que conta com uma dúzia de alunos, entre os seis e os 20 anos. Um desses jovens que ambiciona ser toureiro, chama-se Rui Jardim que tem sido apontado como uma das mais jovens promessas do toureio apeado, que segundo muitos sofre uma crise de novos valores. Quem olha para o toureiro, não imagina que há cerca de dois meses sofreu um acidente de viação que o fez passar uns tempos numa cama de hospital, mas que não foi grave, pois segundo o mesmo, passados alguns dias já

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estava de regresso aos treinos, pois o gosto pelo toureio é tanto que as dores passaram depressa. Esse gosto pela tauromaquia, diznos, foi surgindo de uma forma natural. Como azambujense tinha nos seus amigos muitos que queriam ser toureiros ou forcados; e aos acompanhar o“bichinho” foi crescendo vendo os toiros na Feira de Maio e participando em algumas atividades (vacadas), que as coletividades faziam num espaço gerido pelo seu pai. Um dia, juntou-se com dois amigos e resolveram, como ele diz, “de um momento para o outro” entrar para a escola de toureio de Azambuja. Entretanto, a escola de toureio de Azambuja sofre um interregno, mas Rui não para. Da Quinta da Fonte Pinheiro, também em Azambuja, recebe um convite para ajudar a preparar os cavalos para

tourear, ao mesmo tempo que vai para Vila Franca de Xira para a Escola de Toureio José Falcão e assim se mantém no ativo até à

reabertura da escola de Azambuja. Confessa que quando enfrentou o primeiro toiro, uma rês de José

Rui Jardim em ação

Dias, em Azambuja no dia 11 de dezembro de 2011, “havia algum nervoso”. Afinal estar à frente de um animal de carne e osso numa praça, “não é o mesmo que enfrentar uma tourinha num salão, mas com o passar do tempo, os nervos vão desaparecendo”. Já apanhou alguns sustos, e uma vez ao espetar o segundo par de bandarilhas num novilho Ortigão Costa, foi colhido, tendo perdido mesmo os sentidos, mas tudo não passou de um susto e recompôsse para acabar de lidar o novilho. Para este jovem de 19 anos, que tem como ídolos Henrique Ponce, El Juli e Victor Mendes, os toiros preferidos para qualquer toureiro, são aqueles que se se mexem mais, até podem ter menos qualidade, “mas um toiro de qualidade, que não se mexa, não serve de nada.”

Numa altura onde existe uma batalha que utiliza principalmente a comunicação social e as redes sociais e que opõe os anti taurinos aos taurinos, o jovem novilheiro diz que além do factor da cultura e tradição, o mundo da tauromaquia, “também gera bastantes empregos, e tem de se respeitar os gostos de cada um. Uns gostam, outros não, mas por si só o mundo da festa não vai acabar.” Para cumprir um dia o sonho de ser matador, Rui Jardim terá de ir para Espanha, onde segundo o mesmo a tauromaquia encontra a sua plenitude, e “no final da faena se vê a verdade do toureiro.” Enquanto isso não acontece, Rui, vai ficando por Azambuja. Diz que nas últimas edições da Feira de Maio passa mais tempo dedicado à sua profissão de bombeiro do que nas largadas.

Exposições no Palácio do Infantado s memórias do incêndio que assolou o Palácio do Infantado há 40 anos atrás é apenas um dos momentos evocados na exposição dedicada a um dos ex-libris de Samora Correia, inaugurada no primeiro dia das festas, a 18 de agosto. “Palácio do Infantado – Uma Casa com História” quer relembrar a importância que este edifício já teve na história da Monarquia, e da República, até aos dias de hoje. A exposição que conta a história do edifício nos tempos em que recebia celebrações da família real, passando por outro género de eventos, coloca o acento tónico no calamitoso incêndio. Podem ser visionados os relatos de quem viveu à época aquele momento. O Palácio do Infantado viria a ser completamente recuperado até 1984, “pelos funcionários da Câmara com os nossos parcos recursos”, deu conta, durante a inauguração, a

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vereadora com o pelouro da Cultura, Ana Carla Gonçalves. Um dos pontos altos foi também a exposição dedicada a Sérgio Perilhão, figura da terra que faleceu em 2015. Ligado ao movimento associativo, dedicou-se à observação e estudo do mundo da campinagem. “Trabalhou especialmente na reconstrução das nossas raí-

zes, e do nosso fundo identitário, recuperando a genuinidade das gentes da nossa terra”, referiu a vereadora que quis prestar homenagem “às singelezas” apuradas pelo trabalho de Perilhão. Na exposição, podem ser vistos, entre outros objetos, uma máquina de escrever que usou, e apontamentos sobre campinos. A autarquia

O fogo que consumiu o edifício

aproveitou a ocasião para lançar também o livro “Campinos – Apontamentos de Sérgio Perilhão”. Ao longo da sua vida foram surgindo as oportunidades de registar os momentos, as histórias e as pessoas que partilhavam consigo essa grande paixão pelo campo, pelas lides de toiros e pela sua terra, Samora Correia.

A homenagem à figura da terra


Valor Local

Acisma

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Novas regras da rotulagem omo deve ser prestada a informação sobre as substâncias ou produtos suscetíveis de provocar alergias ou intolerâncias, em géneros alimentícios não pré-embalados? É essencial, e cada vez mais importante, que o consumidor tenha conhecimento de toda a informação sobre o(s) produto(s) alimentar(es) que adquire/consome. O Regulamento (UE) nº 1169/2011 de 25 de outubro do Parlamento Europeu, aprovou as novas regras de rotulagem dos alimentos e tem como objetivo informar sobre a composição dos alimentos, de forma a ajudar os consumidores a fazerem escolhas alimentares mais informadas, bem como um consumo mais adequado e saudável. Uma das principais alterações que o Regulamento (UE) nº 1169/2011 veio implementar prende-se com a inclusão na lista de ingredientes, das substâncias que podem provocar alergias o;os géneros alimentícios fornecidos por estabelecimentos de restauração coletiva, os pré-embalados no próprio estabelecimento para venda direta;os géneros alimentícios embalados nos pontos de venda a pedido do comprador. Ou seja: a) No caso dos géneros alimentícios não pré-embalados para venda aos estabelecimentos de restauração coletiva, sem pré-embalagem, as menções obrigatórias e facultativas e bem assim a informação relativa às substâncias ou produtos suscetíveis de provocar alergias ou intolerâncias deverá constar no respetivo documento de acompanhamento ou etiqueta;b) No caso dos géneros alimentícios fornecidos em estabelecimentos de restauração coletiva, as menções obrigatórias e facultativas e bem assim a informação relativa às substâncias ou produtos suscetíveis de provocar alergias ou intolerâncias (sendo que neste caso a informação deve estar disponível em qualquer suporte de informação que permita a sua fácil apreensão pelo consumidor), podem não estar imediatamente disponíveis em qualquer suporte, mas nesse caso deverá ser indicada, de modo bem visível, a forma como esta informação pode ser obtida;c) No caso dos géneros alimentícios embalados nos pontos de venda a pedido do comprador, as menções obrigatórias e facultativas e bem assim a informação relativa às substâncias ou produtos suscetíveis de provocar alergias ou intolerâncias (sendo que neste caso a informação deve estar disponível em qualquer suporte de informação junto do género alimentício), podem não estar imediatamente disponíveis em qualquer suporte, mas nesse caso deverá ser indicada, de modo bem visível, a forma como esta informação pode ser obtida; d) No caso dos géneros alimentícios

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para venda direta, os que foram acondicionados no estabelecimento onde são apresentados para venda ao consumidor final, as menções obrigatórias e facultativas e bem assim a informação relativa às substâncias ou produtos suscetíveis de provocar alergias ou intolerâncias, devem constar do rótulo ou etiqueta; e) No caso de venda à distancia de géneros alimentícios não pré embalados, as menções obrigatórias e facultativas devem ser fornecidas antes da conclusão da compra, no suporte de venda à distância ou através da indicação da forma como a informação pode ser obtida em local destacado desse suporte; a informação relativa às substâncias ou produtos suscetíveis de provocar alergias ou intolerâncias deve ser fornecida antes da conclusão da compra, no suporte de venda à distância ou através de afixação em local destacado desse suporte da forma como a informação pode ser obtida, bem como deve constar no momento da entrega, nos documentos de acompanhamento ou em etiqueta. Quanto aos alimentos não pré-embalados para venda aos estabe-

lecimentos de restauração coletiva, embalados no ponto de venda a pedido do comprador, vendidos à distância e alimentos pré-embalados para venda direta, têm que ter, além da indicação das menções facultativas e obrigatórias, acima referidas, também a informação relativa às condições especiais de utilização e conservação, ao modo de emprego, sempre que tal se aplique, e ao país de origem, quando se trate de carne fresca refrigerada e congelada, na forma indicada no diploma legal. Durante um período de 180 dias, a contar da data da entrada em vigor do presente decreto-lei, é permitida a comercialização de produtos não pré-embalados que estão não conformes com o Decreto-Lei n.º 26/2016, de 9 de junho, mas que estejam de acordo com o Decreto-Lei n.º 560/99, de 18 de dezembro, com a redação atual.Compete à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica a fiscalização e a instrução dos respetivos processos de contraordenação, bem como a aplicação das coimas e sanções acessórias por incumprimento do disposto no presente Decreto-Lei.Fonte: ASAE News


Saúde

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Valor Local

Hospital de Vila Franca de Xira com projeto novo para os cuidados intensivos Unidade de Cuidados Intensivos e Intermédios é uma das novas valências do Hospital de Vila Franca de Xira, desde a inauguração das novas instalações em 2013. O Valor Local quis saber quais os principais casos que chegam a este serviço, que tipo de acompanhamento é prestado e qual o posicionamento face aos desafios para o futuro. Um dos principais objetivos desta unidade especial, de acordo com o médico responsável por este serviço, João Gonçalves Pereira, consiste em implementar uma articulação entre a urgência, o internamento e os cuidados intensivos, “algo que ainda não existe da maneira como estamos a propor no nosso país”. Para isso o hospital necessitaria de juntar mais cinco médicos da área dos cuidados intensivos aos sete já existentes naquele hospital. O clínico refere que a ideia passa por tornar ainda mais dinâmica a circulação de doentes entre as três áreas acima descritas, “com a possibilidade de a urgência poder beneficiar do know how dos cuidados intensivos”, ou seja “podermos ter uma porta ainda mais clara e uma resposta ainda mais imediata a dar aos doentes graves com estratégias como as preconi-

A

zadas pela Direção Geral de Saúde – as vias verdes, e as próprias estratégias do hospital”. No fundo o que pretendemos é “tratar, orientar e cuidar precocemente o doente”.

Atualmente, o Hospital de Vila Franca de Xira dispõe de 12 camas nos cuidados de nível II ou intermédios e 8 no nível III ou intensivos, numa lógica de gestão integrada. O nosso país apresenta

um dos mais baixos rácios de camas nos cuidados intensivos. A maioria das situações de internamento, neste hospital, nos cuidados intensivos reportam-se a casos como os de bronquite crónica

Clínico perspetiva o futuro dos CI

agudizada, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, descompensação diabética, patologia isquémica coronária e sépsis. No geral é a população mais idosa, na casa dos 65 anos, a mais atingida por episódios daquele género, “mas também temos muitos casos acima dos 80 anos de idade”. No caso do trauma, o hospital não está indicado para receber o doente neurocrítico que é encaminhado para Lisboa, porque a unidade não possui neurocirurgia. Por vezes, o hospital tem-se surpreendido com a natureza de algumas ocorrências de trauma “como o caso de um homem que tentou parar uma carrinha, que não devia vir a mais de 10 quilómetros hora, e acabou espalmado contra um carro. Fez uma fratura das costelas e do baço. Digamos que foi um acidente caricato”. A média de internamento nos cuidados intensivos em Vila Franca de Xira é 3,4 dias, com uma taxa de ocupação a rondar em média os 80 por cento. “Temos tido capacidade para internar todos os doentes, dado o número de camas ser o suficiente”. Quando falamos em pessoas internadas em meio hospitalar, surge à cabeça a problemática das infeções hospitalares, e neste as-

peto João Gonçalves Pereira salienta que Portugal regista taxas baixas. “Andamos na média da União Europeia”, refere. A maioria destes episódios referem-se “ao facto de metermos tubos de toda a natureza dentro das pessoas”. “A utilização de antibióticos também facilita o aparecimento de infeções por agentes resistentes. Tentamos fazer uma utilização o mais restritiva e racional possível do uso desses fármacos”. Desafios dos Cuidados Intensivos Um dos desafios futuros desta área em Portugal passa por se tornar uma especialidade com autonomia própria, “deixando de ser uma subespecialidade”. Até junto da própria comunicada académica há que divulgar mais e incentivar à vinda de mais clínicos para esta área, “porque o conhecimento ainda é restrito”, e “por enquanto os jovens estudantes não a procuram”. “A população não conhece a medicina intensiva nem sabe o que ela faz, mas por exemplo o antigo presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, está vivo graças aos cuidados intensivos, depois de ter tido aquele acidente em África”

Projeto piloto na região

Centros de Saúde ainda sem dentistas s concelhos de Salvaterra de Magos, e Cartaxo pertencentes ao Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria, e os concelhos de Azambuja, Alenquer, Arruda dos Vinhos que fazem parte do Agrupamento de Centros de Saúde do Estuário do Tejo ainda não começaram a receber as primeiras consultas de saúde oral tendo em conta que fazem parte do projeto piloto do ministério da Saúde. O Valor Local contactou o gabinete de imprensa do ACES Lezíria que nos respondeu que “presentemente, estão a ser concluídas as obras de readaptação dos gabinetes de higiene oral estando os materiais a serem adquiridos centralmente”. Esta estrutura aguarda ainda pela colocação dos médicos dentistas. No que respeita ao

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ACES Estuário do Tejo não foi possível obter informação neste sentido, mas após o contacto do nosso jornal para os centros de saúde abrangidos ficámos a saber que as consultas ainda não estão a ser efetuadas. De acordo com um despacho publicado em Diário da República, a partir de dia 2 de julho arrancariam as experiências piloto, em alguns centros de saúde da Grande Lisboa e do Alentejo, para ampliar o Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral (PNPSO). Até 31 de dezembro deste ano, podem ter acesso a estas consultas de saúde oral os doentes portadores de diabetes, neoplasias, patologia cardíaca ou respiratória crónica, insuficiência renal em hemodiálise ou diálise peritoneal e

os transplantados, inscritos nos ACES onde decorrem as experiências piloto. Numa segunda fase, a partir de um de janeiro de 2017, pode o projeto ser alargado a todos os utentes inscritos nos referidos ACES, de forma faseada e progressiva, dependendo do encaminhamento pelo médico de família.

banho adjacente. O centro de saúde de Azambuja espera a chegada do médico especialista a todo o momento. Prevendo-se que possa ocorrer até final do mês de agosto. Já o presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, salienta que foi informado pelo agrupamento no âmbito de uma reunião na co-

munidade intermunicipal. “Não foi explicada a razão da opção por este concelho, talvez por termos uma lacuna a nível de médicos de família. Possivelmente quiseram de alguma forma compensar-nos, demonstrando que não há má vontade para com o nosso município”. Já o vice-presidente do município de Alenquer, com o pe-

louro da Saúde, Rui Costa salienta que não houve comunicação formal por parte da ARS-LVT “nem quaisquer outras informações relativas ao projeto”. Já a opção por Alenquer “prendeu-se com o facto de existir um consultório totalmente equipado para o efeito e fechado há já cinco anos”, adianta.

Autarquias dispõem de pouca informação O nosso jornal ouviu os presidentes de algumas autarquias abrangidas. No caso de Azambuja, o presidente da Câmara Luís de Sousa referiu ao nosso jornal que obteve a informação de que as salas já estão devidamente adaptadas, bem como uma casa de

Numa primeira fase apenas alguns grupos vão ser consultados


Valor Local

Terra Velhinha António Moreira

Foto de António Ribeiro e publicada por Miguel Ouro, 3/9/15

Instantâneos

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Tauromaquia Azambujense ¢

António Salema “El Salamanca”

Um caso - Ana Rita na Rita, Cavaleira Tauromáquica Portuguesa, com alternativa tirada a 5 de Agosto de 2011 na bonita vila alentejana do Redondo no decorrer da 47ª Corrida TV, tendo como Padrinho, o seu mestre, Manuel Jorge de Oliveira, numa corrida onde obteve um grande êxito, tendo essa alternativa sido mais tarde confirmada em Lisboa, no Campo Pequeno a 2 de Agosto de 2012. Em Portugal pouco se fala dela. Só se nota que é a vizinha Espanha que diz e bem alto que é a cavaleira Portuguesa “mas valiente”. Parece ser do tempo de Viriato e dos seus Lusitanos. Não toureia sem cobrar. É a sua vida. Mata a cavalo e de pé em terra, com a espada e a muleta na mão. Joga em todas as tardes e tem afición para viver a difícil arte. É assim, grande Ana Rita a Portuguesa do concelho de Azambuja.

A

Família de Ana Lopes

Foto de Ana Lopes e publicada por Ana Lopes, 1/9/15

Dois triunfadores. Em Espanha e no Campo Pequeno, ambos são Portugueses na Rita está fantástica a tourear e a matar. Leva já seis orelhas e três rabos e ainda a aguarda mais uma tarefa de corridas. Esperamos na próxima edição, trazer boas notícias de Espanha. O triunfador em Portugal foi Carlos Conceição “Parrerita Cigano”, no passado dia 4, no Campo Pequeno por ocasião da já tradicional Corrida do Emigrante. A crítica foi unânime na análise à sua lide, “o triunfador na noite” – foi a apreciação feita. Parece que está a aparecer um cavaleiro como há muito não se via. Aveiricense e Cartaxeiro. Ambos da Escola de Toureio do Azambujense Manuel Jorge de Oliveira. Ana Rita tem 20 corridas em Espanha, Parreirita, 8 em Portugal.

A

Retratos da nossa terra s antigas instalações do IVV do Carregado estão a ganhar nova vida. Um extenso mural que evoca figuras do imaginário local estão a ser pintadas por um artista convidado para o efeito. Quem passa não deixa de comparar ao quadro Guernica tal a profusão de elementos. Agora só falta mesmo limpar a extensa profusão de vegetação para que se possa admirar a obra na sua totalidade.

A Debulha na Eira

Foto de Silvino Lúcio e publicada por Miguel Ouro, 18/8/15

m 2014, Luís de Sousa dava o sinal de partida do grande prémio dos 10 Km de Tagarro. Dois anos passados e quando se está a chegar a mais uma iniciativa, Luís de Sousa prepara-se para dar de novo a partida com uma buzina de ar comprimido. A menos de um ano das eleições, Luís de Sousa afina as baterias pelo menos para que não lhe falte o ar pelo caminho.

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Dias de Festa

Publicada por Miguel Ouro, 18/8/15

Bombeiro José Gomes assinalou no passado dia 19 os seus 25 anos ao serviço dos Bombeiros Voluntários de Azambuja. Ao mesmo tempo, José Gomes comemorou neste dia também 50 anos de vida junto de mais de uma centena de amigos. José Gomes participa há vários anos na vida de algumas coletividades locais e desta forma assinalou o emblema de prata recebido recentemente das mãos do comandante Armando Baptista

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Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja Redação:Travessa

da Rainha, 6, Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 Diretor: Miguel António Rodrigues CP 3351- miguelrodrigues@valorlocal.pt Colaboradores: Sílvia Agostinho CP-10171 silvia-agostinho@valorlocal.pt, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt, Laura Costa lauracosta@valorlocal.pt, António Salema “El Salamanca”Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Serviços administrativos: ACISMA N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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