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Valor Local

Jornal Valor Local • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 6 • 24 Outubro 2013 • Preço 1 cêntimo

Zona Industrial de Aveiras; 20 anos à espera de empresas

Págs. 8, 9 e 10

Rua do Carril sofre com faltas de água durante o verão. Cartágua desconhece situação Pág. 5

Luís de Sousa traz Herculano Valada para a sua equipa

Pág. 11


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www.ACISMA.org

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Medidas para o Desenvolvimento Regional Regime de Contabilidade Os novos desafios de Desenvolvimento Regional e Ordenamento do Território exigem propostas articuladas e sustentáveis que aproveitem os recursos disponíveis e garantam os valores sociais, culturais e ambientais. A Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas considera fundamental a promoção da coesão económica, social, territorial e de igualdade de oportunidades em todo o território nacional, dando cumprimento ao desígnio constitucional de – Unidade e Coesão Nacional (Unidade do Estado). Assim propõe: 1. Que o Orçamento de Estado para 2014 contemple, desde já, medidas concretas e precisas que vão ao encontro da urgente necessidade de dar resposta à grave situação que vive o sector empresarial e produtivo do interior do País. 2. Que o Quadro Estratégico Europeu – QEC 2014/2020 defina uma verdadeira Estratégia de Desenvolvimento Regional e disponibilize meios humanos, técnicos e financeiros suficientes para a sua concretização. Nesta matéria devem inverter-se todas as políticas centralistas, até agora praticadas, porque atrofiadoras do Desenvolvimento Regional. 3. Que na definição e aplicação do Programa de Desenvolvimento Regional a definir tenham participação directa, todos os agentes do Desenvolvimento Regional, designadamente os representantes das MPME. 4. Que o Programa de Desenvolvimento Regional, no âmbito do futuro Quadro de Fundos 2014/2020, seja dotado, no mínimo, com 50% do volume de fundos destinados a investimento empresarial das micro, pequenas e médias empresas, dado a sua clara hegemonia no tecido empresarial nacional (mais de 90%). 5. Que sejam aprovados benefícios fiscais para micro, pequenas e médias empresas em regime de interioridade - definidas nos termos do Decreto-Lei nº 372/2007, de 6 de Novembro – que exerçam, directamente e a título principal, uma actividade económica de natureza agrícola, industrial, comercial ou de prestação de serviços nas áreas do interior, designadamente: a) Isentando por cinco (5) anos a taxa de IRC, previstas no Código do IRC, no caso de instalação de novas entidades, cuja actividade principal se situe nas áreas do interior; b) Reduzindo para 15% a taxa de IRC para as entidades já em actividade, cuja actividade principal de situe nas áreas do interior; c) Permitindo reintegrações e amortizações relativas a despesas de investimento até 500 mil euros, com exclusão das respeitantes à aquisição de terrenos e de veículos ligeiros de passageiros, dos sujeitos passivos de IRC que exerçam a sua actividade principal no interior podem ser deduzidas, para efeitos de determinação do lucro tributável, com a majoração de 30%;

Ficha técnica:

Valor Local, Jornal de informação regional, sede de redacção e administração: Quinta da Mina 2050-273 Azambuja; telefones: 263 418 263; 263 047 625, 96 197 13 23 correio electrónico: valorlocal@gmail.com; Site: www.valorlocal.pt.vu • Propriedade e editor: Associação Comércio e Indústria do Município de Azambuja (ACISMA); Quinta da Mina 2050-273 Azambuja. NIPC 502 648 724 • correio electrónico: adm.valorlocal@gmail.com • Director: Miguel António Rodrigues CP 3351 • Colaboradores: Sílvia Agostinho CO-1198, Vera Galamba CP 6781, José Machado Pereira, Daniel Claro, Rui Alves Veloso, Miguel Ouro, Nuno Vicente • Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida: valorlocal@gmail.com • Fotografia: José Júlio Cachado • Serviços administrativos e publicidade: Sandra Seabra, Miguel Nabeto, correio electrónico: valorlocal.comercial@gmail.com • N.º de Registo ERC: 126362, Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga • Tiragem: 4000 exemplares

d) Possibilitando que encargos sociais obrigatórios suportados pela entidade empregadora relativos à criação líquida de postos de trabalho, por tempo indeterminado, nas áreas do interior sejam deduzidos, para efeitos de determinação do lucro tributável, com uma majoração de 50% uma única vez por trabalhador admitido nessa entidade, nos termos do artigo 58º do Código do IRC; e) Admitindo que os prejuízos fiscais apurados em determinado exercício nos termos do Código do IRC sejam deduzidos aos lucros tributáveis, havendo-os, de um ou mais dos exercícios posteriores; f) Dando a possibilidade aos sujeitos passivo de usufruir dos benefícios fiscais previstos no número anterior desde que cumpram cumulativamente as seguintes condições: - A determinação de que o lucro tributável seja efectuado com recurso a métodos directos de avaliação; - Tenham a situação tributária regularizada; - Não resultem de cisão efectuada nos últimos dois anos anteriores ao usufruto dos benefícios. g) Delimitando as áreas do interior são delimitadas de acordo com critérios que atendam, preferencialmente, à baixa densidade populacional, ao índice de compensação ou carência fiscal e à desigualdade de oportunidades sociais, economias e culturais; h) Definindo critérios e a delimitação das áreas territoriais beneficiárias, nos termos do número anterior, bem como todas as normas regulamentares necessárias à boa execução do presente artigo, são estabelecidas por Portaria do Ministério das Finanças; i) Determinando que os benefícios fiscais previstos não sejam cumulativos com outros benefícios de idêntica natureza, sem prejuízo de possibilidade de opção por regime mais favorável que seja aplicável. 6. Que as entidades empregadoras fiquem isentas, durante o período de três (3) anos de contrato, do pagamento das respectivas contribuições para a segurança social relativas à criação líquida de postos de trabalho, sem termo, nas áreas beneficiárias. 7. Que a isenção, do ponto anterior, seja alargada aos primeiros cinco (5) anos para as empresas criadas por jovens empresários. 8. Que fiquem isentas do IMI por cinco (5) anos na aquisição de imobiliários para funcionamento da empresa. 9. Ficam isentas do pagamento de imposto municipal IMT as aquisições: a) Por jovens com idade compreendida entre os 18 e os 35 anos de idade, de prédio ou fracção autónoma de prédio urbano situado nas áreas beneficiárias, destinado exclusivamente a primeira habitação própria permanente, desde que o valor sobre o qual incidira o imposto não ultrapasse os valores máximos de habitação a custos controlados acrescidos de 50%; b) De prédios ou fracções autónomas de prédios urbanos, desde que situados nas áreas beneficiárias e afectos à actividade das empresas; c) As aquisições previstas nas alíneas a) e b) só se verificam se as aquisições forem devidamente participadas à repartição de finanças da área onde estiverem situados os imóveis a adquirir, mediante declaração de que conste não ter o declarante aproveitado anteriormente de idêntico benefício. 10. Que seja criada uma linha de crédito especial (a juros e condições adequadas) para a instalação de micro, pequenas e médias empresas nas áreas beneficiárias do interior do País. O crédito, sob a forma de empréstimo reembolsável, é concedido pelas instituições autorizadas a conceder crédito, até ao limite a estabelecer. O Estado suporta uma bonificação de 50% sobre os juros devidos, à taxa legal de referência para o cálculo de bonificações. Os empréstimos beneficiam de um período de carência até dois (2) anos e o seu prazo total é de dez (10) anos.

de Caixa em sede de IVA

O Decreto-Lei n.º 71 de 30 de Maio, aprovou o Regime de Caixa em sede de IVA, devendo as entidades aderirem a este novo regime até 31/10/2013, a vigorar a partir de 01/01/2014. Ao optar por este regime, ficará obrigado a permanecer no mesmo, pelo menos, dois anos consecutivos sem que haja qualquer tipo de infracção fiscal que a existir significará a passagem imediata ao Regime Geral. Para aderir ao Regime de IVA de Caixa, não será possível ter qualquer dívida ou infracção para com a Autoridade Tributária e/ou Segurança Social. Este novo regime permite às empresas enquadradas procederem à entrega do IVA da sua facturação após o recebimento da mesma. De igual modo, o IVA até aqui dedutível (de fornecimentos e serviços) só poderá ser deduzido na data da liquidação, mas desde que tenham na sua posse o Recibo do respectivo fornecedor, não sendo suficiente o documento de transferência bancária, o documento do envio de cheque ou qualquer de qualquer outro meio de pagamento. No 12.º mês posterior à data de emissão da factura, se a mesma não estiver liquidada na sua totalidade, terá que liquidar o IVA à Autoridade Tributária, o mesmo acontecendo com as facturas com IVA dedutível. Alterações a efectuar em caso de adesão ao novo regime Alteração do programa de facturação, com a criação de nova(s) série(s) de facturas e recibos com a seguinte menção: “IVA-REGIME DE CAIXA”; Alteração ao ficheiro SAFT-PT; Os Recibos devem ser datados, numerados sequencialmente conter os seguintes elementos: Preço Líquido de IVA, taxa ou taxas de IVA aplicáveis e o montante do IVA liquidado; Número de Contribuinte do emitente e do adquirente; Número e Série de factura a que respeita o pagamento; menção “IVA_REGIME DE CAIXA”; Os Recibos emitidos devem ser comunicados mensalmente à Autoridade Tributária. (Fonte: CIFRAGESTE-CONTABILIDADE, LD.ª)

Posição da ACISMA sobre possível fecho das Finanças O anunciado encerramento da Repartição de Finanças de Azambuja é uma decisão governamental com efeitos muito duros e sem retorno para a economia local e para a competitividade do concelho, numa perspectiva de desenvolvimento regional. Para além dos inevitáveis efeitos no comércio de proximidade, a ausência de serviços públicos básicos fará com que, do ponto de vista económico e social, a atractividade do concelho em termos de investimento e de fixação de população, diminua de uma forma irreversível. A ACISMA, consciente da necessidade de resistir por todos os meios a esta decisão, reuniu-se com o Presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Luis de Sousa, no passado dia 15 de Outubro e vai reunir igualmente com a Presidente da Junta de Freguesia de Azambuja e das outras Juntas de Freguesia do concelho.  A ACISMA, desenvolverá ao mesmo tempo diligências junto da Secretaria de Estado da tutela e procurará ser recebida por todos os grupos parlamentares da Assembleia da República, aos quais foi solicitada audiência. Do mesmo modo declara o seu apoio a todas as formas de luta que, organizadamente, se oponham a este encerramento.


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Sociedade

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População defende manutenção das finanças em Azambuja Câmara já disponibilizou edifício a título gratuito. Em causa a deslocalização do serviço para Alenquer. erca de 40 pessoas estiveram presentes na manifestação contra o possível encerramento da repartição de finanças de Azambuja, no dia 15 de Outubro. Marcou, ainda presença o presidente da Câmara, Luís de Sousa. Em causa está a possível transferência do serviço para o concelho de Alenquer. O serviço de finanças de Azambuja está fixado no concelho há 181 anos. Para muitos significaria um retrocesso a vários níveis. Na organização desta manifestação esteve Armando Martins que em conjunto com a população demonstrou a sua revolta. Para muitos, sobretudo os mais velhos (e quando se está a falar de um concelho rural) é imprescindível terem um local onde se dirigirem com alguma facilidade. Este é também o sentimento de

assuntos relacionados com as finanças”, desabafou. Joana Coelho disse à nossa reportagem que o serviço de Azambuja regista todos os dias uma grande fluidez com atendimento às empresas e particulares. “Há quem venha de outras

zonas do país resolver assuntos em empresas da zona e depois passa aqui nas finanças, ou por outro lado quem trabalha fora e ao fim do dia vem até cá”. Questionada sobre a capacidade da repartição de finanças de Alenquer (para onde os serviços serão transferidos segundo documento dado a conhecer pelo Sindicato dos Impostos), refere que em termos físicos duvida, mas que a nível do quadro de pessoal e seu consequente apetrechamento, lança um “talvez”, sublinhando, contudo: “O que importa são os nossos contribuintes e a manutenção deste serviço”. A ordem da Troika ao Governo português vai no sentido de se fechar um número considerável de serviços de finanças locais, particularmente os que possuem um menor número de trabalha-

dores, como o de Azambuja apenas emprega 12 pessoas está na calha em conjunto com mais três do distrito de Lisboa. Acresce a essa circunstância a renda do edifício que o Estado tem de pagar a um particular. Neste sentido, o presidente da autarquia já mostrou disponibilidade para dispensar instalações a título gratuito em frente à Pastelaria Favorita. “Trata-se de um espaço do tamanho deste, com todas as condições, a semana passada enviei um mail ao secretário de Estado a manifestar essa vontade. A ACISMA também concorda com esse espaço, mas estamos à espera de uma resposta”. Desde 2011, que a Câmara tem enviado ofícios ao ministério das Finanças sobre esta possibilidade, mas sem resposta.

mate, cada uma foi sujeita a um controle de qualidade feito pelos técnicos de laboratório. De acordo com as palavras de António Bernardo é desejável que o tomate chegue à fase da sua transformação com o maior índice de água possível, e menos de matéria seca, “pois dessa forma temos de pagar menos por esse produto, já que vai exigir menos gastos de energia para que lhe seja retirada a água”. “Por isso, os produtores têm mais interesse em cortar a rega para que o tomate fique mais seco e com isso poderem cobrar um preço mais elevado”, definiu assim a forma como funciona em parte os interesses deste mercado. É quase da tradição, durante as férias escolares há a campanha

do tomate na Sugalidal e muitos jovens estudantes da zona, com mais de 16 anos, aproveitam esta altura para amealharem mais uns trocos que lhes permita também ajudar a pagar os estudos. É o caso de Filipe Almeida, de 22 anos, que trabalha na Sugalidal há seis campanhas. Estuda engenharia informática, e consegue tirar um vencimento “interessante” em cada um dos meses da cam-

panha. “Há que aproveitar bem estas alturas, principalmente estudantes como eu”, A história repete-se : Miguel Apolinário de 22 anos está a estudar engenharia agrária, e não se importava de vir exercer a sua futura profissão para esta fábrica, por enquanto, e como é perto de casa e oferece “uma boa remuneração” é procurada desde há seis anos pelo trabalhador nesta época do ano.

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Joana Coelho, delegada sindical e funcionária da repartição de finanças de Azambuja, que também se apressou a desmistificar a ideia de que a internet, hoje, resolve tudo. “Há quem não consiga aceder ao portal das finanças, que por sua

vez nem sempre está operacional. Há quem não possua internet em casa, ou mesmo quem já não a consiga pagar. O país não está assim tão informatizado e por outro lado nem sempre há disponibilidade financeira para se pagar a quem nos resolva os

Do Campo até à fábrica

Um dia na Sugalidal oi no final da década de 50 que começou a trabalhar na fábrica de tomate, hoje designada por Sugalidal. Antigamente, havia menos máquinas e por cada secção da máquina de enlatamento, onde antes, trabalhavam cinco mulheres, hoje laboram, no máximo duas. Maria Adelaide trabalhou na fábrica em causa até meados da década de 70, e no dia da iniciativa “Ser produtor de Tomate II” do projeto “Viver na Lezíria”, pôde constatar “ as enormes diferenças” passadas três décadas e meia. Ainda se lembra de quando os campos eram “invadidos” por trabalhadores que vinham para as campanhas, oriundos de outras regiões do país. O trabalho na transformação industrial também absorvia mulheres que vinham de

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locais “como Vendas Novas, Montemor-o-Novo”, recorda. Maria Adelaide lembra as alturas em que o produto saltava das embalagens devido a problemas na máquina – “Ficávamos todas salpicadas”, refere. Também se lembra do senhor Vieira, encarregado geral, “que sabia o nome de todas as trabalhadoras, tinha uma inteligência impressionante”. Hoje a Sugalidal, encontra-se entre os principais líderes de mercado na industrialização de concentrado de tomate e colocou as mais recentes tecnologias ao serviço de todo o processo, desde os campos até à fábrica. O engenheiro agrónomo António Bernardo conduziu os cerca de 25 elementos participantes – na iniciativa do “Viver na Lezíria”, criado por Anabela

Cruces – por uma plantação de tomate. A colheita deste ano sofreu alguns reveses, devido ao desequilíbrio de temperaturas registado durante a última estação, nomeadamente, o calor excessivo acima dos 40 graus em alguns dias do Verão, o que causou irregularidades nas culturas, “com tomate a apresentar características ocas, praticamente esterilizado. Chegava aos tanques e boiava, não ia para o fundo como é suposto”, referiu António Bernardo. A Sugalidal na altura das campanhas labora 24 horas por dia, através de uma articulação minuciosa com as associações de produtores. Já nas instalações da fábrica, a nossa reportagem assistiu à chegada de duas carradas de to-

Terra Velhinha Terra Velhinha é um grupo do facebook que pretende celebrar o passado de Azambuja e da sua região, rever os seus familiares, relembrar velhos amigos, situações ou lugares, e quem sabe até proporcionar reencontros, já que o reencontro com a memória do passado, esse está aqui assegurado. Privilegiamos e relacionamos as pessoas das fotos com as pessoas que estão inscritas no grupo Terra Velhinha, são elas que contribuem para a obtenção do conhecimento das raízes da comunidade Azambujense. Solicite a sua adesão online ao grupo Terra Velhinha, ou através dum membro, e partilhe connosco as suas memórias fotográficas ou documentais. Todas as fontes conhecidas serão mencionadas, assim como todas as publicações. Disponibilizamos serviços de digitalização fotográfica inteiramente grátis, que serão entregues ao proprietário em CD digital juntamente com as originais, para que possa publicá-las na Terra Velhinha e reviver com os seus amigos a sua história. A Terra Velhinha é de todos os que a queiram viver e reviver!

Praça do Mercado Diário 1971

Viveiros da Sugal 1959


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Rua do Carril entre Azambuja e Cartaxo

Falta de água nas torneiras desespera população s habitantes de um dos lados da Rua do Carril, em Casais das Comeiras, freguesia de Aveiras de Cima, e Casais Penedos, Pontével, no Cartaxo, servida no abastecimento e saneamento pela empresa Cartágua viu-se a contas, durante os últimos meses de Verão, com as já habituais interrupções no fornecimento de água. A população da rua em causa desespera por uma solução do problema. A partir da tarde é impossível tomar banhos, pois o caudal fraqueja em muito, retornando já pela noite dentro, sem que a população perceba o que se passa. No caso de Ana Maria Sebastião já lhe foi referido que, actualmente, a canalização não consegue fazer face aos caudais necessários para abastecer a população, até tendo em conta o aumento que se verificou do número de habitantes. A solução passaria por novas obras. “Normalmente, depois das seis horas da tarde não consigo ter água, o meu marido por vezes opta por tomar banho no quintal com água do poço através da mangueira. Dou por mim, a desejar que cheguem as 10 horas da

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Lado direito da rua é o afectado noite quando, regra geral, a água volta a correr nas torneiras”, desabafa. A moradora até possui painéis solares cuja utilização não consegue optimizar tendo em conta a realidade de todos os verões. “Os trabalhadores da Cartágua andam sempre por aqui, mas até hoje não conseguiram resol-

ver nada”. Proprietária de um snack-bar em Casais Penedos, Emília Costa, também desespera com as faltas de água e diz mesmo que na altura das eleições autárquicas “a coisa melhorou um pouco”. Para além disso, recorda-se que durante a gestão municipal das águas,

quando pretendia despejar a fossa bastava-lhe, simplesmente, contactar os serviços, e rapidamente tinha o assunto resolvido, mas, nesta altura, a Cartágua exige-lhe o pagamento de uma caução de 80 euros mediante deslocação pessoal às instalações da empresa, no Cartaxo, para o fa-

zer. Tendo em conta as faltas de água, o que lhe vale, e tendo em conta o seu estabelecimento, é um depósito de água de 100 litros. “O meu filho pede-me para que reclame constantemente junto da empresa, porque há dias em que não se consegue tomar banho, mas só nos dizem que andam a tentar remediar a situação, que ainda é do tempo da gestão da Câmara Municipal do Cartaxo”, refere. Este caso da Rua do Carril (parte de Azambuja) era pouco conhecido por parte do presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa, que apenas teve conhecimento durante a campanha eleitoral – “Pretendo reunir-me com a Cartágua para chegarmos a um entendimento sobre a situação, pois foime referido pelas pessoas que não conseguem disparar os esquentadores tal a ausência de pressão de água”. Também o recém-eleito presidente da junta de freguesia de Aveiras de Cima, António Torrão, era desconhecedor do caso. “O caso apenas me foi relatado durante a campanha. Trata-se de algo complicado que espero que seja resolvido”. Questionada pelo Valor Local

acerca do estado de coisas na Rua do Carril, a empresa responde: “Na nossa base de dados de intervenções na rede de abastecimento, em 2013, não tivemos que proceder a quaisquer intervenções na rede de abastecimento, devido a rupturas nos locais assinalados. Por outro lado, verificámos todas as reclamações que constam na nossa base de dados, sendo que nenhumas destas reclamações dizem respeito a cortes de água, falta de pressão na rede ou a rupturas nos locais por vós assinalados. Contudo, poderá acontecer que os contratos em causa sejam referentes a utilizadores a quem lhes tenha sido cortado o abastecimento por falta de pagamento”. A Cartágua que tem a concessão da água e saneamento do concelho do Cartaxo, e desta zona limítrofe entre os dois municípios, para os próximos 28 anos, já realizou investimento que ultrapassa os dois milhões e 800 mil euros. Tem ainda uma candidatura apresentada a fundos comunitários no valor de oito milhões de euros. Fica-se à espera das cenas dos próximos capítulos quanto a Rua do Carril.

Grupo “Viver na Lezíria” conhece Coudelaria da Quinta do Pilar o dia 19 de Outubro, o projecto Viver na Lezíria, levou a cabo mais uma iniciativa desta vez dedicada à criação de cavalos, com uma deslocação à Quinta do Pilar, à coudelaria de Henrique Abecassis, em Aveiras de Baixo, criador de cavalos puro sangue lusitano. Apesar do mau tempo que se fez sentir durante o fim-de-semana, e do trabalho que isso implica numa

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Grupo interagiu com os cavalos

quinta como a Quinta do Pilar (depois de uma noite de temporal), a comitiva liderada por Anabela Cruces, mentora do projecto “Viver na Lezíria”, foi recebida “de forma excepcional pelos técnicos desta coudelaria.” O engenheiro Tiago Abecasis partilhou com o grupo o seu dia-a-dia, como produtor de cavalos purosangue lusitano. “Ficámos a saber

muito mais sobre esta raça e de todo o esforço, empenho, emoção que são necessários para o sucesso desta actividade”, refere Anabela Cruces que dá os “parabéns a todos os técnicos envolvidos na Quinta do Pilar que não se pouparam a esforços para que tudo estivesse perfeito.” “Todo o espaço é magnífico e o ambiente que se respira na Quinta

do Pilar depressa transportou os participantes para um mundo mágico”. “A presença e a proximidade dos animais, a forma como interagiram connosco provocaram no grupo emoções que dificilmente se descrevem por palavras.”, dá conta. “Foram canduras honestas, desinteressadas, que nos permitiram vivenciar momentos especiais”, reflecte.

“Casa Tejo e Vinhos” em Valada do Ribatejo om um conceito centrado no “Turismo de Natureza”; na gastronomia local e na cultura avieira, foi inaugurada no dia 20 de Setembro, a “Casa Tejo e Vinhos”, em Valada do Ribatejo, Cartaxo, num projecto da Ollem Turismo Fluvial. Madalena Viana, da Ollem, em

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declarações ao Valor Local referiu que a criação deste espaço surgiu da necessidade de logo após os passeios de barcos, os turistas poderem descansar um pouco, “fazendo uma prova de vinhos e provarem um pouco da gastronomia da região”. “Achei que era simpática esta associação entre o

turismo fluvial e os vinhos, a qual teve uma boa adesão por parte dos ´Vinhos do Tejo´”. No mesmo local, funciona também um espaço dedicado aos avieiros do Tejo, “dado que a nossa principal rota é essa”, refere Madalena Viana. Foi adquirido um espaço, onde a

parte debaixo é dedicada aos vinhos e a de cima a provas de vinho e almoços. Segundo Madalena Viana, “o projecto é pioneiro na região do Ribatejo e vai permitir não só dignificar os produtos turísticos associados como oferecer um conjunto de serviços e vantagens competitivas.”

Vinhos do Tejo em destaque em Valada


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Negócios com Valor

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Sentidos Dinâmicos

Elevar os padrões da formação é objectivo ecorreu nas Caldas da Rainha, a 12 de Outubro, mais um encontro anual de parceiros do grupo Sentidos Dinâmicos, gerido pelo empresário Sobreiro Duarte. Esta que é uma das empresas líder de mercado na certificação de competências e formação de motoristas quer apostar cada vez mais na formação e cimentar em última análise a segurança nas estradas e transporte de bens e pessoas. Uma das ideias que transpirou deste encontro foi a de se lançar uma academia de formadores de modo a se elevar ainda mais alto a fasquia da segurança e da formação dos motoristas. Sobreiro Duarte realçou a este propósito que a maioria dos formadores, nesta área, em Portugal, são pouco especializados e que baseiam os seus ensinamentos na performance do “desenrasca” com as necessárias implicações negativas que tal acarreta. Sobreiro Duarte reforçou que é

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preciso incutir uma cultura de valores, motivação, envolvimento, sentido prático. Por outro lado importa distribuir a formação ao longo dos anos, pois “a necessidade de actualização é recorrente”, vincou. A este propósito, José Correia, dos transportes Costa e Melo, parceiro do grupo Sentidos Dinâmicos, pôde atestar que ao recorrer à formação conseguiu interessantes economias a nível dos combustíveis, “na ordem dos dois a três por cento”. “Na minha empresa temos melhorado em muito em termos de formação e de aproveitamento de recursos”, referiu. Afirmar Caldas da Rainha como uma das capitais da segurança é também uma das premissas do grupo que conta com 148 formadores em todo o país. No arranque do encontro, esteve presente o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Tinta Ferreira, que em conjunto com Sobreiro Duarte, distinguiu Alves da Costa,

personalidade incontornável na área da formação automóvel, porquanto, autor desde a década de 50 de manuais de código da estrada, mecânica e testes. Tendo publicado até à data 5 milhões de livros. A componente da formação nesta área é então uma das tónicas quando se debatem as questões do sector, e segundo um estudo apresentado por Patrícia Neves, coordenadora geral do grupo Sentidos Dinâmicos, a formação deverá ter uma orientação para a prática e para o saber fazer. O mesmo se passa no que respeita à importância da condução defensiva com a colocação dos instrutores a realizarem exercícios práticos específicos, como condução em piso molhado, derrapagens, controle do veículo. “Também queremos aplicar estas regras junto de jovens encartados, com carta há menos de três anos”, sugeriu o formador João Costa.

Tinta Ferreira à esquerda e Sobreiro Duarte à direita homenagearam Alves da Costa

Numil – Centro de Inspeções

Vinte anos na segurança automóvel NUMIL, empresa vocacionada para a inspecção automóvel, em Azambuja tem ao longo dos últimos anos, contribuído para a segurança rodoviária da região. Com 9 postos de trabalho, a empresa do grupo J. Barroso, liderada por Nuno Barroso, tem feito um esforço significativo para proporcionar melhores condições de trabalho aos funcionários e aos clientes que todos os dias procuram a empresa para inspecionar as suas viaturas.

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Há 20 anos, a NUMIL abria as suas portas junto à Estrada Nacional 3. Há 10 anos a empresa mudou-se de armas e bagagens para umas novas instalações. Mas mesmo com casa nova, a empresa tem lutado com algumas dificuldades. A instalação do novo edifício, no Centro Empresarial da Rainha, tem sido benéfica, pese embora os acessos em frente ao complexo da NUMIL estarem degradados há vários anos.

Nuno Barroso aposta na fidelização do cliente

Segundo Nuno Barroso essa é uma matéria que tem vindo a ser discutida. A responsabilidade seria em primeira instância da Câmara Municipal de Azambuja, mas confessa que nunca percebeu “muito bem a quem pertenceria esta manutenção, que não tem acontecido, nos últimos anos, nos acessos a todas as empresas”, refere Nuno Barroso, que lamenta que não se tenha verificado, nos últimos anos, a fixação de mais empresas, como era expectativa há 14 anos. Ainda assim de 2003 a 2009, a empresa cresceu “bastante”. Conseguiu serviços que permitem todo o tipo de inspecções. Houve no entanto um retrocesso que levou à dispensa de dois funcionários há dois anos, e à redução de algumas despesas de funcionamento. Todavia e mesmo tendo em conta o carácter obrigatório das inspecções, o negócio tem decaído desde 2009. Nuno Barroso diz que em causa está a actual conjuntura do país. Algo ao qual este sector não é alheio, destacando que em média o centro da Numil em Azambuja “perde 1200 carros por ano”, uma média de 100 carros por mês. Por tudo isto, Nuno Barroso considera que as actuais instalações estão agora sobredimensionadas. “Com algumas intervenções, hoje o negócio estaria melhor”. Aliás nos últimos anos tem-se verificado um número muito significativo de veículos sem seguro, sem inspecção ou imposto de circulação, o que é totalmente contrário à lei, co-

locando em última análise a segurança nas estradas em risco. O parque automóvel tem vindo a diminuir, “muitas pessoas até têm dois carros, mas optam por encostar um em casa, para evitar as despesas de combustível, seguro ou inspecção já que estes itens são obrigatórios, desde que o veículo circule”. Caso contrário a viatura paga apenas o IUC. Ainda assim a empresa tem conseguido fidelizar alguns clientes. Algo difícil neste ramo de negócio, já que para além de existirem outros centros de inspecção, o que vende é a fiscalização de um veículo. Nuno Barroso fala num tratamento mais personalizado junto dos clientes com o objectivo de fidelizar novos automobilistas que

ali se dirijam. O Centro de Inspecções da Numil tem também uma perspectiva de prevenção junto dos clientes, que, contudo está a diminuir, noutros casos, segundo informações que chegam através das oficinas. No capítulo dos erros detectados nos automóveis, a empresa aponta como maior causa de chumbo

nas inspeções: as luzes, depois a emissões de gases e por fim tudo o que está relacionado com a suspensão. Questões que estão relacionadas com a crise, e com algum “desleixo” a que os proprietários se vão “habituando” neste contexto em que os veículos só vão às oficinas reparar o mínimo para passar na inspecção.


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Destaque

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20 anos depois

Zona industrial de Aveiras-Alco Vários terrenos permanecem à espera de comprador, mas a existência de um único loteador apenas oferece resistências. Poucas perspectivas para a zona industrial passadas duas décadas. Sílvia Agostinho Miguel António Rodrigues

mplantada desde meados da década de 90 na via que liga Aveiras de Cima a Alcoentre, a denominada zona industrial de Aveiras de Cima é dominada quase em exclusivo pela Companhia Logística de Combustíveis (CLC) que em 1993 abandonou a zona de Cabo Ruivo, em Lisboa, para se fixar no concelho, devido à Expo 98. A zona industrial poderia significar algo mais na captação de empresas, devido à proximidade com a autoestrada, mas tal acabou por não se concretizar. E hoje são muitos os terrenos que se encontram para venda a preços baixos, porque o aeroporto da Ota também acabou por não se consumar. António Varela da empresa Renit é o único proprietário dos terrenos situados ao longo de alguns quilómetros entre Aveiras de Cima e Alcoentre. No início, com preços fortemente especulativos, tendo em conta o desenvolvimento que o

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novo aeroporto deixava antever, hoje, vendidos a preços mais baixos. Recentemente, o proprietário da empresa Jodel, ligada aos produtos químicos, José Ferreira comprou mais um hectare – “por 500 mil euros”, que considera como tendo sido uma “aquisição barata”. Localizada na zona industrial desde 2000, devido às ligações a Aveiras de Cima por parte do seu proprietário, a empresa emprega 300 pessoas oriundas sobretudo da vila de Aveiras de Cima, mas também de Azambuja, Ota e Cartaxo. O empresário revela que decidiu construir a unidade de Aveiras depois de constatar que a Jodel já não conseguiria crescer fisicamente em Odivelas, onde se situa a sede. “Aqui havia mais disponibilidade de terrenos, só existia a CLC. Comprei, inicialmente, uma zona de 10 hectares, possuo actualmente cerca de 120 mil m2 no total. No início os terrenos tinham preços mais altos, hoje passa-se o inverso”. Para si, o balanço é fran-

camente positivo, pois a proximidade à A1 torna-se um factor importante quando tem de fazer deslocações frequentes entre Odivelas e Aveiras de Cima todos os dias. A Jodel é líder de mercado na sua área, produz as marcas próprias de hipermercados, e exporta para Espanha, França e países africanos. Quanto à CLC, à época, a transferência da empresa para o Vale da Ameixoeira em Aveiras de Cima, tornou-se polémica. A proximidade com as populações e o desconhecimento sobre as matérias que aí iam ser tratadas, levou a contestações e a receios por parte dos habitantes. Ainda hoje, muitos populares se queixam do cheiro a gás, algo que as entidades oficiais atribuem ao produto que é adicionado às bilhas para que se detecte uma possível fuga, já que o gás não tem cheiro. Todavia, a CLC que foi a primeira empresa a fixar-se nesta zona, tem hoje protocolos com várias entidades de socorro, como os Bom-

beiros de Alcoentre e Azambuja e os núcleos da Cruz Vermelha. O convívio com a população tornouse pacífico, até tendo em conta os postos de trabalho criados. O Valor Local tentou fazer um balanço sobre a estadia da empresa no concelho de Azambuja, mas a mesma não se mostrou interessada em colaborar. Câmara de Azambuja viu defraudadas expectativas A localização privilegiada junto à principal auto-estrada do país deixava antever um futuro risonho para os interesses económicos do concelho, com mais empresas e mais postos de trabalho. O antigo presidente do município, Joaquim Ramos, confirma esse antigo desiderato – “Tínhamos grandes esperanças nesse loteamento, até porque o proprietário – uma única empresa de facto – vinha trabalhando connosco de uma forma muito entusiástica e já com uma carteira de clientes potenciais muito significa-

tiva”, refere, adiantando que na altura até já estava prevista “a construção dos acessos bem como uma melhoria substancial da EN366”. O loteamento foi entregue, aprovado pelos serviços, foram pagas as taxas e licenças que “deram para cima de um milhão de euros e numa parte o promotor” ainda construíu as infra-estruturas. No entanto, o «estado de coisas» viria a sofrer mais um revés com o famigerado projecto TGV LisboaPorto e as medidas restritivas “que apanharam em cheio toda a área de loteamento” e fizeram com que a área em causa perdesse mais uma vez o comboio do desenvolvimento. Joaquim Ramos comenta que não foi possível “fazer mais nada”; entretanto as medidas foram levantadas, mas tendo em conta o contexto de crise económica, é difícil encontrar quem queira avançar. Ramos revela que manteve contacto com o promotor mas que o mesmo foi “viver e desenvolver os seus projectos para o Brasil,

Terrenos à espera de dono junto da CLC

Angola e Moçambique”. A empresa do promotor, António Varela, Renit (Construção e Obras Públicas SA) mantem escritórios em Lisboa, e apesar de diversos contactos para chegarmos à fala com a sua administração foi demonstrada total indisponibilidade. Certo é que com alguma facilidade se podem encontrar diversificados anúncios de venda de terrenos na zona industrial de Aveiras de Cima nos sítios da internet concebidos para o efeito; através de diferentes imobiliárias, sintoma da paralisia que afecta todo o processo. Há, por exemplo, um terreno com 14 mil metros quadrados à venda por 650 mil euros com projecto para armazém ou nave única. “Óptimo investimento para qualquer indústria ligeira ou pesada, logística de transporte ou para empresas de distribuição de combustíveis”, pode ler-se no anúncio. Outro exemplo – “Área de 16200 m2 na zona industrial de Aveiras, perto do parque de combustíveis da CLC. Ideal para implementação de em-


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Destaque

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oentre cada vez mais “fantasma” presa. Excelente oportunidade de negócio” Ou ainda – e por 850 mil euros, 14 mil e quatro m2 de terreno industrial também junto “ao parque de distribuição de combustíveis da CLC”. Por um milhão e 421 mil euros, e também à venda: 40 mil 600 m2 terreno industrial “com moradia térrea que pode ser recuperada, situada às portas da autoestrada e em zona industrial”. O novo presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa pretende fomentar a ocupação da Zona Industrial Aveiras-Alcoentre, tentando captar possíveis interessados, que ao manifestarem o seu interesse em se fixarem no concelho são encaminhados para a zona em causa. O local é bem servido de acessos, mas o facto de grande parte dos terrenos estarem nas mãos de um único investidor, não facilita a sua ocupação por outras empresas. Ao nosso jornal, o presidente da Câmara de Azambuja considera esta uma questão importante para o desenvolvimento da região em termos económicos, e reconhece a dificuldade das empresas no contacto com o proprietário desses terrenos. “Até porque já me disse-

ram que está no Brasil”, refere, acrescentando que os terrenos estão agora a ser geridos por um banco, e que as dificuldades de comunicação entre “as respectivas entidades não têm sido muito fáceis.” Nos próximos dias, Luís de Sousa conta reunir-se com um investidor asiático “que quer investir em Portugal”. Segundo o autarca, trata-se de uma fábrica de chinelos que poderá representar alguns postos de trabalho. Quanto a benefícios para fixar empresas nesta zona industrial, Luís de Sousa prefere não se adiantar. O autarca lembra que em tempos a Câmara disponibilizou “algumas benesses para quem se fixasse no alto do concelho, mas isso não resultou”, sobretudo devido aos acessos que deixam a desejar. Já o presidente da Junta de Freguesia de Aveiras de Cima lamenta que a grande maioria dos terrenos esteja nas nãos de um único proprietário. O autarca salienta que essa é uma luta de vários anos, e que tem tido como consequência a inviabilização de negócios de outras empresas por falta de espaço. Para além da falta de espaço An-

tónio Torrão aponta também o dedo à forma de como a Câmara Municipal de Azambuja tem gerido todo este processo. Com menos de 5 empresas de média dimensão, a zona Industrial de Aveiras – Alcoentre tem tido dificuldades para se impor. Há mesmo casos de empresas que já encerraram as portas. Um dos casos mais flagrantes prende-se com um armazém de logística que está selado pela empresa de segurança “Securitas” que fica paredes meias com a Jodel. Segundo António Torrão, o edifício em causa era propriedade da empresa que geria os supermercados “Carrefour”. Ora essa empresa foi entretanto vendida e como consequência os armazéns foram desactivados. A zona Industrial de Aveiras – Alcoentre foi criada pelo antigo presidente da Câmara João Benavente. O antigo autarca explicou ao Valor Local que o objectivo daquele espaço “era a fixação de empresas aproveitando os acessos, nomeadamente a Auto-Estrada do Norte. Todavia este é um processo que começou mais ou menos bem, mas que nos últimos tempos

Antigo armazém do Carrefour está selado tem estado a “meio gás”. Foi no início dos anos 90 que a zona industrial se começou a desenhar. João Benavente lembra que o objectivo era dar continuidade á zona industrial de Azambuja.

Os tempos não são propícios a grandes investimentos mas a inviabilização de alguns prováveis bons negócios por parte da empresa proprietária, devido às dificuldades de comunicação, e quem sabe

à espera de melhores dias que permitam um novo inflacionar de preços, também acabam por deixar aquela zona industrial cada vez mais ao abandono, quase fantasma.


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Destaque

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ACISMA indica possíveis caminhos Associação de Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja (ACISMA) entende esta problemática de dois pontos de vista: os relacionados com a natureza especulativa e os de natureza estrutural. Daniel Claro, porta-voz da associação, no que concerne à questão especulativa refere que “não custa perceber que a indefinição de décadas no tocante à implantação do novo aeroporto de Lisboa, conjugada com as medidas restritivas que se foram mantendo, alimentou o processo com a expectativa por parte dos proprietários de se gerarem mais-valias bastante interessantes no caso da construção da propalada cidade aeroportuária”. Sendo assim, seria de todo o interesse, no ponto de vista da associação, que os “proprietários dos terrenos esclarecessem por completo esta questão!” Mas a política da autarquia para estas questões, ao longo dos anos, também merece alguns reparos, desde logo a existência de um Plano Director Municipal (PDM) que define a logística e o turismo como os dois vectores fundamentais do desenvolvimento, mas que “atirou aquele eixo territorial (o eixo Aveiras de

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Cima/Alcoentre) para um limbo”. Por outro lado o PROTOVT (Plano Regional de Ordenamento do Território do Oeste e Vale do Tejo) define como “prioritário para a im-

noactividade aquela via” com mais custos de densidade rodoviária; que hoje se conhecem e alienando a possibilidade de, em devido tempo, que outras opções

rio tem uma influência determinante. Sendo certo que é legítimo ao proprietário tentar obter com o investimento as maiores mais-valias possíveis, não é menos certo

atrás, por parte do Estado, de terrenos da Colónia Penal de Alcoentre situados na mesma zona deveria ter sido discutida pela Câmara Municipal, dando assim, no

“No estado em que se encontra não podemos chamar de zona industrial mesmo que fantasma” plantação da Logística, o eixo Vila Nova da Rainha/Azambuja, ao longo da Estrada Nacional 3”. Uma circunstância no entender da ACISMA “incompreensível”, até porque conduziu a um “uso intensivo e com carácter quase de mo-

em termos industriais pudessem ter sido encontradas A Acisma prossegue na sua consideração sobre este tema – “Evidentemente que o facto de a maior parte dos terrenos estarem nas mãos de um único proprietá-

que o silêncio e a falta de soluções por parte dos poderes públicos e nomeadamente da Câmara Municipal de Azambuja não contribuiu para a inversão do problema”. Entende a Acisma que “a colocação à venda, há alguns anos

mínimo, sinais claros ao proprietário do terreno de querer intervir naquele território numa perspectiva de desenvolvimento”. “No estado em que se encontra, nem sequer podemos chamar o local de ‘Zona Industrial’ mesmo

que… ‘fantasma’! Uma verdadeira zona industrial necessita de um projecto e de uma dinâmica que não estão presentes naquele território, com a agravante de que as condições económicas e financeiras que o país atravessa não favorecem atitudes passivas de esperar para ver, aguardemos pois, por parte do novo executivo camarário uma atitude mais assertiva nesta matéria!” Por fim salienta algumas mais valias que o concelho, e em particular esta zona industrial, ainda tem para oferecer – “ O município hoje tem conhecimento instalado no campo da formação profissional e da educação, que, em articulação com empresas e associações empresariais de dimensão nacional, pode servir de base ao estabelecimento de um plano de aproximação ao investidor, nomeadamente de pequena e média dimensão, demonstrando que a localização territorial – mais ou menos a meio do território nacional – e as condições ambientais e educacionais são um bom ponto de partida para a implantação de indústrias de bens transaccionáveis que, consensualmente, constituem hoje uma prioridade do desenvolvimento económico sustentado.”


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Política

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Herculano Valada não teme retirada da confiança política

“Estou-me marimbando para isso” epois de quase 20 anos à frente da Junta de Freguesia de Manique do Intendente, eleito nas listas da CDU, Herculano Valada, alinha agora ao lado do Partido Socialista na Câmara Municipal de Azambuja. O agora vereador que foi número dois na lista da CDU a seguir a David Mendes vota a partir de agora ao lado do PS, o que faz com que o executivo liderado por Luís de Sousa consiga maioria na Câmara Municipal de Azambuja. Ao Valor Local, Herculano Valada, ainda sem pelouros definidos, destaca que aceitou um acordo com o PS pela sua fre-

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guesia, e por algumas obras que foram prometidas como foi o caso do mercado diário da localidade. Herculano Valada garante que o assunto foi abordado nas reuniões da CDU, mas a sua decisão foi “pessoal”, justificando-se com a circunstância de ter sido eleito como independente. Quanto ao futuro, Herculano Valada, garante que vai dar o seu melhor: “Isto é tudo novo para mim. Até aqui as minhas preocupações eram apenas com a minha freguesia”. Herculano valada diz-se desiludido com a CDU. Considera o antigo presidente da Junta de Freguesia de Mani-

que do Intendente que, não teve por parte da CDU “a consideração merecida”. O vereador recusa comparações com o caso de Angélica da Conceição que ocorreu no fim dos anos 90. Na altura a vereadora eleita nas listas da CDU também aceitou pelouros de João Benavente, deixando António José Rodrigues sozinho a representar os comunistas. Questionado sobre uma retirada da confiança por parte da CDU, Herculano Valada responde, como se diz na gíria – curto e grosso: “Estou-me marimbando para isso!”. Em conversa com o Valor Local,

Herculano Valada que em tempos foi um crítico de Joaquim Ramos, disse ter aceitado este convite pela amizade que o une a Luís de Sousa. Caso a situação se passasse com Joaquim Ramos, Herculano garante, que estaria fora de questão esta sua

opção. Herculano Valada participou esta segunda-feira na primeira reunião do executivo da Câmara Municipal de Azambuja. Uma sessão marcada pela ausência de António Amaral, que devia ter participado como vereador, mas

que devido a doença, foi substituído por Ana Maria Ferreira. Também David Mendes da CDU esteve ausente. O cabeça de lista da CDU, eleito vereador, suspendeu o mandato por 30 dias, e fez-se representar pela número três da lista, Mara Oliveira.

Azambuja na lista dos municípios que demoram mais de 90 dias a pagar aos fornecedores Direcção –Geral das Autarquias Locais publicou os seus habituais resultados de fim de trimestre no que se refere ao prazo médio de pagamento das dívidas a fornecedores por parte dos municípios. Desta vez a lista dá conta das autarquias que demoram mais de 90 dias a pagar aos fornecedores.(A média não inclui os serviços que não efectuaram o reporte da informação de base necessária ao apuramento do prazo médio de pagamento). Azambuja não tem razões para sorrir já que no final de Setembro último demorava, em média, 317 dias a pagar a quem deve. O número até aumentou em relação ao trimestre terminado em Junho último quando registava 296 dias. A tendência do município tem vindo a piorar já que no final de 2012, o prazo médio era de 291 e no final de 2011- 241 dias. Nesta contabilidade dos municípios que pagam a mais de 90 dias, foram apurados 123 dos 308 municípios portugueses. Azambuja é a 31ª autarquia que demora mais tempo a pagar, se bem que longe dos 1900 dias do município de Porto Santo (primeiro da lista) e numa comparação regional – os 801 dias do município de Santarém. O vizinho concelho do Cartaxo também ocupa por assim dizer o grupo dianteiro, pois é o 19º da lista “negra”. O Cartaxo demora 425 dias, bem longe dos ainda assim preocupantes mas menos pessimistas 255 dias do último trimestre de 2011. De lá para cá, o Cartaxo quase que duplicou o número de dias no espaço de um ano com 470 dias, em finais de 2012, tendo encurtado ligeiramente as contas segundo este último estudo apresentado. O Valor Local pediu um comentário ao presidente do município sobre esta matéria, assim como, o que pretende efectuar de modo a fazer diminuir os prazos nos próximos meses, mas até ao fecho desta edição não foi possível. Luís de Sousa apenas referiu que está a avaliar a questão com o seu departamento financeiro. Se formos olhar para a região, registe-se a boa performance do município de Alenquer, que conseguiu reduzir significativamente os prazos de pagamento. O município alenquerense no final de 2012 pagava a 266 dias, e neste momento já paga abaixo dos 90 dias, um esforço conseguido nos últimos meses do executivo do anterior presidente da Câmara, Jorge Riso. Municípios como Almeirim, Cadaval, Salvaterra de Magos, Benavente, Vila Franca de Xira continuam longe desta lista, com prazos de pagamento abaixo dos 90 dias.

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Ramos processa Câmara de Azambuja antigo presidente da Câmara Municipal de Azambuja, Joaquim Ramos, vai levar a autarquia que liderou nos últimos 12 anos à barra do tribunal. O antigo presidente considera que a autarquia lhe deve dinheiros dos ordenados que não recebeu enquanto esteve hospitalizado, entre Abril e Setembro deste ano. Em causa, segundo Joaquim Ramos estão os vencimentos que na sua opinião lhe são devidos, contudo, e segundo os serviços da autarquia, a verba em causa deveria ser paga pela Segurança Social. Este é um braço de ferro que a Câmara tem mantido com a Segurança Social, e para o qual não tem havido qualquer desfecho positivo. Parte do parecer dos serviços jurídicos da autarquia, aos quais o Valor Local teve acesso, datado de 13 de Setembro, dá mesmo conta de que a “Câmara fez bem em suspender o pagamento”. Todavia o ex-presidente da Câmara de Azambuja considera que não está a ser bem tratado pelo município. Ainda antes das eleições, Joaquim Ramos foi mesmo a uma reunião pública do executivo onde expôs o seu caso. Na altura, o agora presidente de câmara, Luís de Sousa terá sido apanhado de surpresa, já que o próprio estava a acompanhar o desenrolar do processo, em conjunto com Joaquim Ramos.

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Herculano Valada (segundo a contar da direita) já votou ao lado do PS


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Opinião/Pesquisa

Razões da Crise uito se tem escrito, nestes últimos meses, sobre a crise financeira, económica e social que se abateu sobre Portugal e muita discussão e turbulência política têm sido originadas pelas, em minha opinião, desastrosas medidas adotadas pelo Governo e afins para a debelar. Insiste-se há mais de dois anos num conjunto de medidas que, sob o titulo de “austeridade”, mais não têm feito do que empobrecer o País, dificultado a vida das empresas e das instituições, alargando as manchas de miséria e desespero que já se vislumbravam, junto de vastíssimas camadas da população – os desempregados, os velhos que vivem com pensões de miséria, os funcionários públicos, os micro e

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mini empresários que fecham a porta. E sem que se veja qualquer resultado prático sobre os objetivos que se pretendiam atingir – antes pelo contrário, tudo quanto é deficit interno ou externo aumenta, medidas orçamentais irrealistas vão dando lugar a sucessivos aumentos de impostos. Estamos num ciclo vicioso do qual ninguém vê saída, para alem dos que aplicam a “receita”. Tudo isto é verdade e eu não quero aqui armar em Medina Carreira – ou seja, dizer que está tudo mal sem dar pistas para que melhore, mas penso que para debelarmos estruturalmente esta crise, que vai durar anos, é preciso procurar as suas causas profundas, sair das fronteiras de Portugal e encontrar

as suas razões finais. Tenho meditado muito sobre isto – até porque tenho tempo de sobra – e creio que existem basicamente duas razões de ordem geral para que a Europa e particularmente as suas economias mais débeis tenham chegado à situação de crise generalizada a que chegaram. A primeira razão é de ordem universal e tem que ver com a liberalização do comércio e dos movimentos de capitais. A liberalização do comércio a nível mundial tornou concorrenciais os bens e serviços, independentemente do país onde são produzidos. O que passa a contar é o custo e a qualidade. Mas para haver uma verdadeira concorrência tem que haver igualdade de circunstâncias. Alguém

Joaquim Ramos Economista, antigo presidente da Câmara de Azambuja acha que o custo de produção de qualquer bem é igual na Alemanha e na India? Começa assim o despovoamento empresarial da Europa e das economias mais desenvolvidas, com custos mais elevados. As grandes empresas internacionais deixam as Espanhas, as Franças, algumas Américas e vão de malas aviadas para a China, a India, a América Latina, onde os salários e outros custos são dezenas de vezes mais baixos. A liberalização do comércio deveria ter sido um processo evolutivo e ser acompanhado a par e passo pela harmonização dos custos de produção fundamentais : salários, condições de trabalho, energia, transportes. Exigiria a existência e funcionamento dum Organismo

O primeiro acordo de trabalho agrícola de Azambuja o contexto social e económico emergente com a implantação da República em 1910, surgiu o primeiro acordo de trabalho agrícola, celebrado entre trabalhadores rurais e proprietários agrícolas, classe social da aristocracia local republicana que pela primeira vez se envolveu e participou ativamente nas questões políticas nacionais e locais. Se na vertente intelectual o concelho de Azambuja viu nesse ano de 1911 eleito por Luanda um seu concidadão natural de Maçussa para a Assembleia Constituinte da República, o eng.º agrónomo João Camilo Rodrigues, quase a raiar a tradição medieval da mão de obra rural servil, ficava institucionalizada de vez e por muitos anos, a nostálgica «praça dos homens», ou «praça da jorna», como o documento

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acaba por legitimar. Em memória de todos quantos estiveram nesse leilão público onde era arrematada a força braçal de homens e mulheres azambujenses, único meio de sobrevivência possível, o texto do acordo e para memória futura, dizia assim: Proposta de Acordo Salarial entre Proprietários e Trabalhadores Rurais da Freguesia de Azambuja – 1911. Os lavradores e proprietários da freguesia de Azambuja apreciando e discutindo a proposta das reclamações da classe trabalhadora, apresentada pelo sr. Administrador do Concelho, desejando com a melhor vontade e justiça atendêlas, resolveu estabelecer os seguintes preços. Dos meses de Janeiro, Outubro, Novembro e Dezembro:

Homens – 400 reis; Mulheres – 200 reis; Rapazes de grade – 200 reis; Rapazes de charrua – 260 reis. Setembro, Fevereiro, Março e Agosto: Homens – 500 reis; Mulheres – 240 reis; Rapazes de grade – 220 reis; Rapazes de charrua – 280 reis. Abril, Maio, Junho e Julho: Homem – 600 reis; Mulheres - 260 reis; Rapazes de grade – 240 reis; Rapazes de charrua – 300 reis. Condições a estabelecer entre os lavradores e proprietários e os trabalhadores rurais: 1.ª – Os preços estabelecidos nestas, são para os dias inteiros da semana, isto é, a ferra da segunda feira é: de inverno às 10 horas e de verão às 9 horas, e a largada no campo ao sábado à uma

Valor Local supranacional que fizesse esse controlo, mas seria a única forma de tornar harmonioso o comércio a nível mundial e daria um contributo inestimável para a justiça social entre Povos. A segunda razão é mais doméstica, à escala europeia. É que dantes os Países tinham um instrumento fundamental para o seu equilíbrio económico e financeiro : o Câmbio, ou seja, a possibilidade de valorizar ou desvalorizar a sua moeda nacional em relação às outras. Com o Euro como moeda, todos os Países que aderiram perderam essa faculdade : o Câmbio do Euro é único e só pode ser “mexido” como instrumento financeiro face ao dólar, ao yen, etc. Não é difícil perceber que rara-

mente os interesses dos Países europeus vão no mesmo sentido e que são os poderosos, Alemanha à cabeça, que ditam as regras desse instrumento. Já pensaram como seria importante para Portugal, que tem nas exportações o motor do seu crescimento económico, poder desvalorizar a sua moeda ? Pois era, mas não pode e não foi criado nenhum mecanismo alternativo.

José Machado Pereira Historiador/Museólogo hora da tarde. No norte continua a não haver sábado. 2.ª – A praça é ao domingo das 10 horas às 3 horas da tarde. 3.ª – O costume estabelecido «molharua» continua a vigorar, e o trabalhador que a beber fica obrigado a comparecer no trabalho para que se contratou, sob pena de participação da falta à autoridade administrativa. 4.ª – É permitido tirar um dia na semana, excepto nas eiras e seus derivados. 5.ª – Os serviços de eira são feitos segundo o uso e costume até agora seguido. 6:ª – A poda à tesoura das vinhas, assim como o uso de todos os instrumentos mecânicos em costume nos nossos campos continuam a subsistir, por isso que não podem ser dispensados; e se o contrário

se exigir seria ir de encontro à liberdade de cada um proceder nas suas propriedades como entender. 7.ª – Os trabalhadores que pela sua idade (rapazes) que por falta de elementos para o trabalho, não possam faze-lo como se exige, serão sempre assalariados por preços convencionais combinados entre si e os capatazes ou faladores. Em cada dez homens de trabalho, é aceitável um velho sem cortes. 8.ª – Quando ao domingo depois de fechada a praça, se veja que todos os trabalhadores têm trabalho e que há ainda falta deles para os diversos serviços, os lavradores podem mandar procurar fora aqueles que lhes forem precisos. 9.ª – É proibido a todos os trabalhadores de qualquer classe que seja, a apresentarem-se em trabalho para que não tenham sido falados, sob pena de participação à autoridade administrativa. 10.ª – São permitidas as empreitadas entre patrões e trabalhadores. 11.ª – Os contratos mensais ou anuais que se fizerem entre lavradores e assalariados, serão sempre respeitados e completamente livres na sua organização amação. 12.ª – Os trabalhadores, na sua generalidade, que se apresentarem mais tarde do que a hora estipulada para a ferra do trabalho a

que se refere a condição 1.ª, só o podem fazer no dia seguinte ao nascer do sol. 13.ª – Fica exceptuado destas condições o serviço das eiras em que a debulha é feita a pé de gado e em que o contrato seja convencional entre patrão e trabalhadores. Em 18 de Junho de 1911 Assinado (pelos lavradores), João Augusto Cotrim de Carvalho; João Garcia da Maia Júlio Augusto de Carvalho; António Dias de Amaral; José Baptista; Eliseu José Rodrigues; Ildefonso Cotrim de Carvalho; José Canha; António Jacinto da Mota Vidal; António Cabral; Pedro Júlio Camelier Abreu Pelos rurais, José Dias; Sebastião Teixeira; João Miguel Canha; Carlos Ribeiro; João Dias; Francisco Ferreira Júnior; António Dias; Domingos dos Santos e Silva; António Inverno; José Pedro Pinto; Manuel de Deus Alfaiate; Ambrozino dos Santos


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Freguesia em destaque

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O Valor Local foi até à freguesia de Aveiras de Cima interrogar alguns cidadãos sobre as carências e os pontos a melhorar nas localidades onde residem. O presidente da junta diz de sua justiça e deixa também alguns recados e sugestões à Câmara de Azambuja. Fomos conhecer também o projecto das escolinhas da Casa do Benfica com o Aveiras Sport Clube. Luís Vidais

Rogério Ricardo

(Casais Vale do Brejo)

(Aveiras de Cima)

Precisamos que os esgotos sejam finalizados. Neste capítulo, as coisas deixam muito a desejar. A empresa que gere as águas e saneamento faz o que bem entende e nós temos de pagar os esgotos. Temos de nos deslocar a Azambuja e reclamar.

O ordenamento de trânsito é lamentável. É tudo à balda. Na rua principal estacionam os carros junto ao banco, dificultando o trânsito. Aveiras de Cima deveria ter mais passeios, e o Largo da República não tem qualquer beleza, só tem ferro. Anteriormente, estava melhor.

João Mata (Casais Vale do Brejo)

Francisco Costa (Aveiras de Cima)

Os esgotos não estão concretizados e estamos a pagar esse serviço nas facturas. Para reclamar, temos de nos deslocar à Águas da Azambuja, mas ainda, recentemente, lá estive e fui mal atendido. Recusaram entregar o livro de reclamações. Sou camionista e não posso estacionar na minha rua porque o sinal de proibição de cargas e descargas deveria indicar “excepto residentes”.

É preciso arrancar as laranjeiras no Largo da República e substituir por outro tipo de árvores que possa proporcionar mais sombra, porque não gosto da forma como este espaço se encontra. Não é bonito, tornando-se pouco apelativo. Concordo que a vila deveria ser corrigida a nível de trânsito, estacionamento.

O autarca responde:

António Torrão, presidente da junta de freguesia de Aveiras de Cima, compreende a insatisfação dos moradores de Casais do Vale do Brejo, mas aponta o dedo à Câmara Municipal de Azambuja e à empresa Águas da Azambuja que detém a exploração da rede de abastecimento e saneamento, aconselhando os fregueses afectados a reclamarem junto da empresa que gere aquelas questões, “pois não têm de pagar por aquilo de que não usufruem”. Trata-se de um subsistema enterrado há algum tempo que ainda não deu para verificar da sua capacidade, porque não se encontra em pleno funcionamento. No que se refere à necessidade de uma nova arborização no Largo da República, Torrão refere que tem sido confrontado com esta questão, mas como tem sido visto como “o presidente que anda sempre de motosserra” ainda não interveio, mas lança o convite à Câmara de Azambuja que proceda à retirada das árvores, até porque se situam junto à “Casa da Câmara”. Quanto às estruturas em ferro compreende a sua referência ao trabalho das vindimas, mas como o “espaço em causa é pequeno, e com o estacionamento em frente, perde visibilidade. Com certeza que as esculturas têm o seu valor, mas trata-se de uma grande salganhada para as dimensões do local”. No que se refere à necessidade de mais passeios, reflecte que tal é consequência das políticas do município para com a freguesia, contudo saúda as obras na Avenida 25 de Dezembro. “Talvez por ser ano de eleições, mas ainda bem, não nos importamos com isso. Temos é pena de não haver eleições todos os anos!”. E pede também para que algo seja feito nesse sentido na rua que vai dar à escola C+S. “Os miúdos circulam nas valetas”. “Sempre me disseram que essa obra estava condicionada pela Augi da Quinta do Mor, mas agora que esse processo chegou ao fim, peço para que arranContinua è


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Freguesia em destaque

População não se identifica com as esculturas do largo quem com essa necessidade”. No que toca à sinalização, mais uma vez volta à carga - “Também se pede há anos uma nova postura de trânsito para a nossa freguesia”. No que concerne à preocupa-

ção do freguês João Mata quanto à sinalização na sua rua que o impede de deixar o transporte pesado junto à sua residência, dá a conhecer que, brevemente, essa questão será solucionada, “até porque não envolverá uma

verba avultada”. De resto, “toda a freguesia precisa de ser reequacionada do ponto de vista desse tipo de sinalização para as cargas e descargas”. Eleito há menos de um mês, António Torrão, pretende colocar

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Espaço onde os aveiricenses gostavam de ver um parque urbano em prática nos primeiros tempos do seu mandato, entre outros projectos, a construção de um parque infantil no Jardim Gomes Loureiro. “Uma zona que pode concentrar famílias”, também com máquinas de ma-

nutenção. “Estamos a arrumar a casa, embora os parques infantis não sejam competência das juntas, queremos arrancar com o projecto numa parceria com a Câmara Municipal de Azambuja”, num valor total de 40 mil eu-

ros. Entre as suas preocupações está também o parque urbano de Aveiras de Cima, na zona da Milhariça, sendo que vai pedir ao presidente da Câmara sobre a possibilidade desta obra.

Escolinhas do Benfica no Aveiras Sport Clube uma parceria entre a Casa do Benfica e o Aveiras Sport Clube vão nascer em breve as escolinhas de futebol, ao que tudo indica na próxima época, até porque importa dinamizar o novo campo relvado. Para já com escolinhas de futebol 7 e 11. Fernando Ribeiro da Casa do Benfica explica que associar uma marca como o Benfica ao clube da terra impulsionará ainda mais a adesão dos mais novos às escolinhas – (designação que

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se refere à formação nas idades mais jovens). “Os miúdos de Aveiras estão a jogar no Cartaxo, Pontével ou Vila Chã de Ourique, com a necessidade de deslocações por parte dos pais, ao proporcionarmos essa oportunidade em Aveiras juntamos o útil ao agradável”, refere puxando a brasa à sua sardinha – “Por outro lado, é diferente jogar numa escolinha do Benfica no Aveiras, do que só no Aveiras”.

Mas Fernando Ribeiro ressalta também a revitalização que está a ser operada no clube, nomeadamente, “através de um protocolo com a Câmara Municipal de Azambuja, na construção das bancadas”. No que se refere à Casa do Benfica que funciona na zona do mercado de Aveiras, dá conta do estímulo que o comércio naquela zona recebeu recentemente, “porque a junta de freguesia baixou as rendas”.

Fernando Ribeiro dá também a conhecer um dado curioso – “Quando o clube está na mó de cima a Casa do Benfica de Aveiras de Cima enche, quando se verifica o contrário aparecem menos adeptos. Ainda há dias fiquei a saber que os preços dos bilhetes para o próximo jogo do clube rondam os cinco euros. Estamos a passar uma fase menos positiva, logo querem encher a casa e por isso vende-se mais barato”.

Fernando Ribeiro dirige a Casa do Benfica


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Cultura/Tradições

Os rapazes das sortes o passado, quando se ia à inspecção a Azambuja, dizia-se que tínhamos ido às Sortes: E porquê? No fim da primeira Grande Guerra Mundial, (1918) até ao início da segunda (1941), quando se ia à inspecção, ficavam logo de fora de prestar serviço militar, os rapazes com deficiências físicas e ficavam apurados os que não as tinham e que podiam servir o serviço militar. Como naquele tempo não precisavam da quantidade de homens apurados para servir as guarnições das forças armadas, era feito um sorteio no dia da inspecção, para saber a quantidade por freguesia que ficavam fora de ir à tropa e foi daqui que saiu o nome: ir às sortes. Depois da Segunda Guerra Mundial, o sistema modificou-se e desde então os rapazes ou ficavam livres de prestar serviço por deficiências, como acima disse, ou ficavam de espera para o ano seguinte por determinadas doenças curáveis. Todos os outros ficavam apurados e não era feito o tal sorteio, mas na chamada para prestar o serviço militar, havia muitos que não iam e ficavam agregados aos Serviços Territoriais para que, se fosse necessário, estarem à disposição do Exército. Como sempre, também existia o compadrio de muitos serem livres da tropa a troco de dinheiro, favores ou presentes. O povo chamava-lhes rapazes das sortes, por hábito ou tradição e assim ficou por muitos anos. Os rapazes que faziam vinte anos no período de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro do ano em curso, tinham de ir à inspecção em Junho.

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Vou tentar resumir o acontecimento. Todos os pais faziam o possível para que os seus filhos estreassem nesse dia o seu fatinho novo, sapatos, camisa e até a roupa interior. Mas naquele tempo de miséria, por vezes eram os rapazes que compravam com esforço do seu trabalho a sua roupinha para aquele dia. Na véspera do dia da inspecção, iam às palmeiras, flores e até outras ornamentações, para enfeitar as carroças que os haviam de levar até a Azambuja, mas o foguetório já anunciava o evento. À noite, por tradição, o consagrado banho de todos juntos e nus, onde fosse possível ser feito, geralmente em tanques nas propriedades. Festa e mais festa, era a alegria da mocidade que se juntava para fazer a confraternização inesquecível da sua vida. No dia da inspecção, logo de manhã estava tudo a postos para a partida: havia mães que choravam, mas havia outras que resignadamente se continham para não abalar os filhos. Na carroça da frente, além de quem a conduzia, ia o da concertina (mais tarde apareceu o acordéon) e dois rapazes do grupo. Nas outras já iam três e o condutor da carroça. A titulo de curiosidade, no meu ano, 1951 foram cinco carroças, dado que éramos catorze rapazes da freguesia, Os foguetes não deixavam de estoirar à partida e lá íamos até Azambuja. Na hora da inspecção, dava graça ver numa sala todo o pessoal nu e um a um, íamos sen-

do chamados. A cada um que vinha, a pergunta: livre ou apurado? Uns tristes, outros contentes, mas todos resignados. Tinha de ser assim em dia de festa. Depois era o arranque até Vale do Paraíso, mas perto da entrada os foguetes começavam a estalar e o povo vinha-nos esperar para saber as novidades. Dava-se uma volta ao lugar e quando o cortejo terminava, muitas mães queriam saber se os seus filhos tinham sido apurados e quando sabiam, não continham as lágrimas e até alguns rapazes também. Os foguetes iam estoirando, a concertina começava a tocar e a animação começava por ser mais forte, a tristeza esquecida e já se cantava. À noite, sempre o esperado bailarico onde todos os rapazes, incluindo os mais pezudos, entravam na dança. Os que namoravam, tinham par garantido mas outros haviam que esperavam ocasião para dar uma gracinha de amor e por vezes a coisa pegava. Naquele tempo era uma honra ir à inspecção pois dizia-se que era a formação de homem adulto e já responsável pelas suas atitudes, o que hoje tristemente não acontece. Todas estas minhas memórias servem para demonstrar como hoje a vida é diferente. Até as inspecções que nos davam tantas alegrias e que faziam tantas amizades acabaram. Deixo-vos estas recordações e vejam a diferença O que era ontem, o que é hoje e o que pode ser amanhã. Romeu Pereira da Silva

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Grupo de Cavaquinhos anima eventos esde 2005 que o Grupo de Cavaquinhos do Rancho Folclórico Ceifeiras e Campinos de Azambuja anima os mais diversos eventos. Foi num dia de ensaio que falámos com uma das suas principais mentoras, Maria Júlia, e o formador musical António Catarino. O grupo constituído por cerca de 18 elementos, absorve muitos dos elementos do rancho, e na opinião de António Catarino esse trabalho de complementaridade é importante pois as temporadas de concertos de ranchos folclóricos não duram o ano inteiro e é preciso levar a cabo actividades também “durante o defeso”. Os elementos do grupo de cavaquinhos não possuem, na sua maioria, formação musical que lhes permita ler pautas. Pudemos verificar que tocam impecavelmente apenas de ouvido. Maria Júlia lembrase da forma como o músico Miguel Ouro, no início da formação, lhes ensinou como haveriam de decorar a canção “Ponha aqui o seu pezinho”. Os responsáveis fazem até à data um balanço positivo da existência da formação, sendo que a música tradicional portuguesa a música folclórica fazem um bom casamento.

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O ensaio dirigido por António Catarino


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Valor Local - Outubro 20\3  

Edição de Outubro do Jornal Valor Local

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