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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 50 • Junho 2017 • Preço 1 cêntimo

Valor Local Teatro amador na região e a luta pela sobrevivência

Elementos da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima descrevem cenário de guerra em Pedrógão

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São quatro companhias de teatro amador da região. Apresentam diferenças entre si, mas em todas subsiste a paixão pelo palco. As suas dificuldades, as suas realizações neste trabalho em, que fomos descobrir o talento de atores, encenadores, e dramaturgos, e algumas críticas ao poder local e não só.

Os sonhos dos jovens chefs da Escola Profissional de Salvaterra

Destaque na 12, 13, 14

Candidato da CDU à Câmara de Azambuja

Política na 17

David Mendes repete linhas de força de há 4 anos para as eleições

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Julgado de Paz em Arruda dos Vinhos rruda dos Vinhos tem desde o dia seis de junho um julgado de Paz. O espaço foi inaugurado pela ministra da justiça Francisca Van Dunem e fica situado numa ala mais recuada da loja do Cidadão em Arruda dos Vinhos. André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda, destacou a importância deste espaço, ao mesmo tempo que lembrou que com este nova valência, os arrudenses poderão evitar idas ao tribunal de Vila Franca de Xira como acontecia até aqui. O autarca considerou esta obra como “uma boa notícia” explicando que pela primeira vez “vamos ter no concelho de Arruda, na era do Portugal moderno e democrático, um verdadeiro tribunal” que irá “administrar a justiça em nome do povo”. Para o presidente da Câmara, esta solução permite uma justiça mais rápida, “acessível e mais barata aos cidadãos”, referiu ao jornal “Chafariz de Arruda”. Para André Rijo, estes julgados destacam-se pela “busca incessante pela pacificação social” o que nem sempre é possível em tribunal, salientando por isso este como um dia muito positivo para Arruda Todavia, o autarca salienta que estas “boas notícias deram muito trabalho, e são resultado de muito esforço”, vincando que para tal

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Inauguração com a presença da ministra e do presidente da CimOeste contribuíram os colegas autarcas do Oeste. A sede dos julgados de Paz na região é no município do

Bombarral. Este é um “grande objetivo intermunicipal” até porque se trata de um projeto piloto lançado

pelo Governo e que escolheu o Oeste para o pontapé de saída. Esta é aliás uma matéria onde o

ministério da Justiça garante um acompanhamento rigoroso. Francisca Van Dunem, ministra da Jus-

tiça salientou que este passo foi muito importante e um bom dia “para o Oeste”.


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Junta de Azambuja promove largada de toiros no largo da Câmara junta de freguesia de Azambuja vai deslocar as largadas de toiros da Várzea do Valverde para o Largo da Câmara. Com esta iniciativa a junta pretende, não só descentralizar, como trazer para o miolo da vila algo que “é tão querido aos azambujenses”. Segundo Inês Louro, presidente da Junta ao Valor Local, esta ideia “tem como objetivo ajudar também o comércio local” e deixar na sociedade que “não é preciso aguardar um ano pela próxima Feira de Maio para assistir aos toiros.” Inês Louro esclarece ainda que esta ideia tem subjacente o facto de querer encadear uma série de iniciativas na vila, “para que as pessoas não tenham de contar 365 dias desde o último dia da feira e possam contar apenas quatro meses até que cheguem as festas da Freguesia para que voltem a ter as largadas, e depois mais dois meses até ao Festival do Torricado que acontece em novembro”. As largadas vão ter lugar então na praça do município no sábado e no domingo, pelas 21h30. Ainda este mês, a junta de freguesia vai lançar uma linha de merchandising com vários produtos, como canetas, tapetes de rato,

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Autarca inspirou-se na imagem do Cavalo Ruço para lançamento da marca

azulejos entre outros objetos, e que vai ter como fio condutor o Cavalo Ruço. A iniciativa de lançamento está marcada para o próximo dia 30 de junho na junta de freguesia, sendo que os objetos se-

rão comercializados, posteriormente, na junta e no posto e turismo. Há negociações para alargar a venda a outros locais. A linha de merchandising nasce depois do painel alusivo ao fado

da autoria de Paulo José Vidal que foi de resto o fundador do Centro Hípico Lebreiro de Azambuja. Inês Louro lembra as ligações ao Ribatejo do povo de Azambuja e também ao fado, destacando o

que significou aquele fado que posteriormente já deu origem a um outro fado “o Toiro Listão”, cantado por exemplo por Manuel Jorge de Oliveira, que é precisamente o toiro que matou o Cavalo

Ruço. Estes são aspetos da tipicidade azambujense e ribatejana que a presidente da junta quer espelhar na linha de produtos que irá comercializar.


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Quinta dos Gatos, Azambuja

Proliferação de ratos e ninhos de cegonhas prejudicam moradores s moradores num prédio na Quinta dos Gatos na Rua Pedro Salema em Azambuja estão preocupados com o crescente número de ratazanas nas zonas envolventes do prédio. A situação foi abordada recentemente numa reunião de condomínio, cujas conclusões deverão ser entregues à Câmara Municipal, à qual os condóminos deverão pedir ajuda. O mesmo prédio em um outro problema. As suas chaminés são um local preferencial para as cegonhas nidificarem. São mais de uma dezena de cegonhas que há vários anos fazem ali os seus ninhos, contudo o problema agudizou-se nos últimos meses. Alguns moradores ouvidos pelo Valor Local, realçaram que só em outubro, altura em que as cegonhas migram, os ninhos poderão ser desfeitos e que para tal a GNR através do Serviço de Proteção da Natureza terá de autorizar. Este é um assunto que tem sido complicado para os moradores, tanto mais que aqueles que moram ao nível do último piso, já sentem o impacto na limpeza

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São visiveis vários ninhos no topo do edifício

das suas casas, recordando que com as chaminés tapadas o

fumo não sai e aumenta em casa o monóxido de carbono.

A situação está longe de ser resolvida, e por isso nos próximos

dias os moradores preparam-se para alertar novamente as auto-

ridades locais, tendo a esperança que isso se resolva.

Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra avança para auditoria F

ace às dificuldades de tesouraria que atravessa, a Santa Casa da Misericórdia de Salvaterra de Magos, depois de finalmente ter conseguido pagar cerca de mês e meio de ordenados em atraso aos funcionários no total de 55 mil euros através da Segurança Social, prepara-se para requerer uma auditoria, e ao mesmo tempo, enquadrar a dívida no valor de 300 mil euros numa instituição bancária que possa retirar a IPSS da situação aflitiva em que se encontra, no sentido de nego-

ciar com os seus fornecedores os pagamentos, atendendo às dificuldades de tesouraria. Esta decisão foi dada a conhecer pelo presidente da Câmara de Salvaterra de Magos, Hélder Esménio, no decurso da última reunião do executivo. O presidente da autarquia em reunião com a mesa da Santa Casa também ficou a saber que a partir do momento em que o cenário de crise financeira passou a ser do domínio público que “apenas dois utentes saíram mantendo-se os

restantes 63 idosos”. Uma das soluções que também está em cima da mesa prende-se com a possibilidade de venda de um terreno que a instituição possui no Mexieiro, localizado no concelho, que tem estado na posse de vários rendeiros. Se conseguir vender tal poderá significar algum encaixe financeiro. A Santa Casa tem 48 trabalhadores, sendo que 38 chegaram a pedir a suspensão do contrato antes da Segurança Social ter avançado com o pagamento acima mencionado.

A auditoria que terá “a ajuda da União das Misericórdias será realizada a nível financeiro, dos recursos humanos, e aos aspetos do funcionamento da instituição”. A Câmara que já ocupa instalações da Santa Casa no antigo hospital para albergar os militares da GNR através do pagamento anual de uma renda de cinco mil euros, deixou no ar a possibilidade de poder vir a alugar algumas casas propriedade da instituição para os médicos estrangeiros que prestam serviço no concelho.

Câmara quer “medalhar” cérebros azambujenses

Autarquia de Azambuja garante piscinas já este Verão apesar dos atrasos

semelhança de outros anos, em 2017 o dia do município, quinta feira da espiga, não foi o escolhido para homenagear ilustres azambujenses. Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja, diz que o dia coincidiu este ano com a abertura da Feira de Maio, pelo que não foi possível fazê-lo. Ainda sem data marcada garante que quer “distinguir” algumas pessoas que contribuem para a ciência, seja em Portugal seja no estrangeiro. “Há pessoas, nomeadamente jovens que queríamos homenagear aqui no nosso concelho” refere o autarca. Apesar do seu percurso não são conhecidos pela generalidade de população. Luís de Sousa aponta a cerimónia para o mês de setembro: “São cientistas do concelho de Azambuja” e garante que os homenageados não sabem desta intenção. Sem querer adiantar quem serão, revela apenas que um é voluntário em países de crise, e um outro é um cientista reputado no estrageiro.

s obras de recuperação das piscinas continuam a bom ritmo. Quem o garante é o presidente da Câmara de Azambuja, Luís de Sousa que salienta que tudo deverá estar pronto até ao fim de agosto, ou seja já nos últimos tempos de verão. Em declarações ao Valor Local, Luís de Sousa salientou que nas últimas semanas foram descobertos alguns problemas “em alguns equipamentos e maquinaria que se estavam a degradar”. Nesse sentido o autarca revela que foi necessário lançar “uma espécie de ‘apêndice’ ao concurso no valor de 50 mil euros e agora já está tudo a andar”. Luís de Sousa garante que esta “surpresa” não deverá impedir o avanço das obras nem atrasar a abertura do espaço. As piscinas de Azambuja estão encerradas desde 2010 e a intervenção em curso incide na climatização e ventilação, nomeadamente, da rede de águas e mecânicas. Esta recuperação tinha um orçamento de 300 mil euros, passa agora a 350 mil, tendo em conta a necessidade de substituir algum equipamento.

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Presidente da República de visita à região

Marcelo Rebelo de Sousa visitou CERCI e Feira Nacional da Agricultura arcelo Rebelo de Sousa visitou a região duas vezes em menos de um mês. Primeiro o chefe de Estado esteve em Azambuja numa visita à CERCI – Flor da Vida e depois esteve de visita à Feira Nacional da Agricultura (FNA). Marcelo visitou o certame no passado dia 13. O chefe de Estado fez questão de falar com a grande maioria dos expositores e dos visitantes que o abordaram para tirar as famosas “selfies”. Marcelo visitou o certame sem pressas, ao mesmo tempo que ia ouvindo algumas queixas ou pedidos para que o setor seja olhado de outra forma. Acompanhado dos responsáveis do CNEMA e do ministro Capoulas dos Santos, e de Francisco Silva da Confagri/Crédito Agrícola, Marcelo tomou contacto com o que de melhor se faz na agricultura nacional. Sobre o certame, o Presidente da República frisou que a “agricultura é um setor de futuro” e considerou a FNA 2017 “um grande evento que tem sido um sucesso ano após ano”. O governante teve, ainda, marcada uma visita ao acampamento da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, em Casais da Lagoa, de apoio aos peregrinos que rumavam a Fátima por altura da visita papal, que acabou por ser desmarcada.

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Chefe de Estado vistou Cerci de Azambuja e deixou promessa de regressar O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa poderá estar na Feira de maio de Azambuja em 2018. A garantia foi dada pelo próprio depois de ter sido convidado por Luís de Sousa, presidente da Câmara de Azambuja e pelos utentes da

Cerci – Azambuja para estar presente na edição do certame deste ano. O convite foi feito no passado dia 5 de maio durante uma visita às novas instalações da instituição que cuida de pessoas com deficiência. Marcelo Rebelo de Sousa, amigo de longa data de Virgínia Estorninho, histórica do PSD que vive em Azambuja, conhece bem a região. Aliás Marcelo foi o único presidente da República a visitar este concelho duas vezes em dois anos seguidos. O ano passado no centenário da aviação militar em Vila Nova da Rainha e agora na Cerci a convite de Virgínia Estorninho O Presidente da República não se esqueceu do convite da velha amiga que lhe falou do trabalho da instituição, e resolveu mesmo aparecer, embora numa visita não oficial. O Presidente da Republica não se fez rogado e com a sua habitual simpatia, cumprimentou demoradamente os utentes da CERCI, e também os seus funcionários, ao mesmo tempo que ia dando acenos para a rua onde estavam muitos populares à espera só para o ver. Já na instituição, descerrou uma placa comemorativa e visitou as novas instalações inauguradas no início do ano. Lá dentro, Marcelo conversou, fez bordados, passou a ferro, perdeu-se num sem número de conversas com os utentes que corresponderam positivamente aos desafios do professor. Marcelo deixou palavras de carinho, ao mesmo tempo que ia tentando dar um pouco de si aos que apenas lhe pediam um sorriso ou uma fotografia. Já mesmo ao pôr-do-sol no terraço da instituição, Marcelo afirmou-se inspirado pelo momento, agradecendo a hospitalidade

De visita à feira da agricultura

dos azambujenses. Marcelo agradeceu o convite, e agradeceu também ele à Cerci “pela obra que está a fazer todos os dias”. O Presidente salientou que esta é uma obra que já tem muitos anos “que é cada vez mais difícil, mas é cada vez mais bonita, pelo número de pessoas que atinge, pelo número de colaboradores que envolve, pela dedicação diária, e pela luta contra as dificuldades que têm estas instituições, nomeadamente, ao nível financeiro”. Marcelo Rebelo de Sousa mostrou saber das dificuldades inerentes à manutenção diária de uma casa como a CERCI de Azambuja “e o que custa fazer com que sobreviva às vezes em anos de crise, muito complicados, com financiamentos que

O presidente conversou com vários utentes da Cerci não chega ou chega tarde e com apertos de coração muito gran-

des”. O Presidente da República seguiu depois para um jantar

azambujense oferecido pela amiga Virgínia Estorninho.

Câmara de Azambuja inicia recuperação Junta Azambuja promove Férias Seniores de ar condicionado nas escolas ncarregados de Educação e professores de algumas escolas do concelho de Azambuja têm reclamado nas redes sociais e junto da autarquia contra a ausência de ar condicionado em alguns estabelecimentos de ensino. Este é um assunto que deriva, segundo Luís de Sousa, presidente da Câmara, da falta de manutenção dos equipamentos, mas que tal já está a ser tratado O autarca garantiu ao Valor Local que já foi lançado um concurso para resolver a situação, e sublinha que “estas coisas têm procedimentos e não podem ser feitas de um dia para o outro” e explica que até a manutenção tem de ser feita por concurso. Salienta ainda que o contrato com a anterior empresa acabou e por isso “levou um pouco mais de tempo”. Luís de Sousa salienta que na semana passada, um técnico da câmara deu uma volta pelos estabelecimentos de ensino com os representantes da empresa “para que os responsáveis os conhecessem” e assim ser mais fácil entrar nas escolas e recuperar os equipamentos. A autarquia vai intervir nos Centros Escolares de Alcoentre, e Boavida Canada em Azambuja, mas também nos outros estabelecimentos de ensino. As manutenções começaram no passado dia 19, segundo o presidente da Câmara de Azambuja, vincando que o assunto está ser tratado.

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Junta de Freguesia de Azambuja volta a promover as Férias Seniores. Trata-se da segunda edição desta iniciativa que é destinada aos residentes na freguesia com mais de 55 anos. De acordo com Inês Louro, presidente da junta, este ano vão ser duas semanas de festa para os seniores. Ao passo que no ano passado foi apenas uma semana. A autarca refere que todos os dias vão haver atividades diversificadas. Os seniores rumam ao destino que lhes é proposto e regressam a Azambuja no final do dia. Os participantes vão acompanhados por técnicos de desporto e recebem da junta um pack com fruta e água, bem como um boné da Caixa de Crédito Agrícola de Azambuja que também apoia a iniciativa. O percurso este ano volta a ser diversificado, “desde museus a quintas passando pelas praias e pelo campo”. “Tudo fora do concelho, para que os mais velhos possam ter contato com outras realidades”., refere a autarca. A junta vai fretar um autocarro, mas Inês Louro adianta que se existirem mais inscrições, haverá mais autocarros. O fim das Férias Seniores será em Setúbal com uma sardinhada para os participantes.

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Escola Profissional Salvaterra

Jovens Chefs sonham com lugar ao sol entre tachos e panelas esde 1994, altura da sua fundação, que a Escola Profissional de Salvaterra de Magos, tem mostrado a sua vocação para os cursos relacionados com a restauração e a hotelaria. Alunos de vários pontos da região têm ingressado nesta vertente e experimentado os cursos de “Cozinha/Pastelaria, Restaurante/Bar” desta escola, da qual já saíram alguns valores hoje a trabalhar em alguns dos mais conhecidos restaurantes e hotéis de Portugal. Outros são jovens chefs integrados em cozinhas de alguns dos nomes mais badalados do mundo da culinária como Gordon Ramsay, Ljubomir Stanisic, entre outros. Inês Matias, 11º ano, está neste curso por influência dos pais que gerem atualmente um restaurante. No dia da nossa reportagem, junto com vários colegas confecionava o almoço destinado a alguns convidados da escola. Uma vez por semana a componente prática do curso é aplicada com uma aula na cozinha. Alguns alunos confecionam entradas, outros o prato principal, e há quem se encarregue das sobremesas. Inês Matias encontrava-se a confecionar uma Salada Caprese que leva mozarela, tomate e molho pesto. Entradas é também a especialidade da colega Joana Marques, do 11º ano, que, confessa-nos, gostaria de ingressar mais tarde na Escola Superior de Turismo do Estoril. Não é muito de bolos mas naquele dia calhou-lhe a confeção de

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brownie de chá verde. Na cozinha da escola profissional poucos têm veia para os doces. João Ribeiro, 11º ano, também prefere a confeção dos pratos principais e das entradas. Tal como a colega Inês os pais também possuem um estabelecimento de restauração, e por isso sonha um dia em ter também o seu restaurante. No futuro, Inês Matias não se vê como pasteleira, mas como cozinheira, talvez com um restaurante seu, ou a arriscar numa viagem ao estrangeiro para ganhar experiência. A sua especialidade de eleição é a carne de porco à alentejana. No curso tem apendido vários tipos de técnicas italianas e francesas. Mais recentemente experimentou fazer legumes cocotte. Sobre a proliferação de programas de tv que por vezes evidenciam uma visão glamorosa do mundo da cozinha, é da opinião de que estão longe de “mostrar a realidade das pessoas que trabalham nesta área”, e do “que é passar um dia inteiro num restaurante com muito calor no meio de uma grande azáfama por exemplo”, e “como já tivemos a experiência em alguns dias de estágio”. Dimitar, 18 anos, é um jovem búlgaro que veio para Portugal ainda criança, e cultiva a paixão pela cozinha dos dois países, sendo que os ingredientes são bastante diferentes entre si – “Aqui é mais usado o azeite, o alho, a cebola, no meu país os pratos são mais à base de óleo, manteiga e banha e

Alunos do curso de empregado de mesa

Inês Matias gostaria de obter mais conhecimentos no estrangeiro

João Ribeiro e Dimitar e o sonho da cozinha

muita carne, algo menos saudável para a saúde, embora adore a cozinha búlgara”. E entre os pratos daquela região dos balcãs elege uma moussaka que ao contrário da grega leva batata ao invés de beringela com uma mistura de ovos, iogurte e farinha na cobertura que depois vai a tostar no forno. Uma delícia que um dia espera apresentar aos seus colegas de curso. Dimitar diz que não se vê a fazer outra coisa na vida a não ser entre tachos e panelas, e admira o seu “vizinho” sérvio Ljubomir Stanisic. Confessa não perder o programa “Papa-Léguas” que dá no canal de televisão por cabo 24 Kitchen. Mas os pratos portugueses também enchem de satisfação este jovem aprendiz e o bacalhau no forno, o bacalhu à zé do pipo ou até o humilde bife à casa estão entre os seus preferidos. É a fazer parte da equipa de cozinha de um cruzeiro que Dimitar imagina o seu futuro. Para já sabe que nem sempre a profissão é bem remunerada mas quando “existe

uma grande paixão penso que o dinheiro não é assim tão importante”. Sílvia Fernandes, coordenadora pedagógica dos cursos da escola profissional, refere à nossa reportagem que “os programas de televisão são excelentes para despertar o interesse dos jovens para a cozinha, mas, muitas vezes, mostram apenas essa parte mais glamorosa da profissão, à exceção do mais recente Pesadelo na Cozinha”. É por isso que, “desde o momento da seleção dos candidatos e da sua admissão nos cursos, que os alertamos para a realidade e exigência da profissão de cozinheiro”. A chef Noélia Costa, professora na escola, corrobora essa necessidade de desmistificar o mundo de sonho mostrado pela televisão, ao mesmo tempo que constata o impacto do programa da TVI apresentado pelo chef Ljubomir. Apesar de fazer parte da indústria há muitos anos, confessa que ficou surpreendida “com os casos extremos que pudemos ver

Joana Marques é uma entusiasta das entradas

na televisão” em que abundava a falta de higiene a todos os níveis. Mas há também o lado oposto, e no geral a evolução da cozinha portuguesa “é muito grande” e a todos os níveis promissora, e isso é também um desafio para a escola. Neste aspeto, Sílvia Fernandes salienta que o futuro passa por criar “ainda mais parcerias com as empresas, no sentido de trazer também os seus profissionais à escola” para que os alunos possam enriquecer os seus conhecimentos e ficar a par das “últimas tendências no mundo da cozinha através de workshops técnicos e masterclasses”. Até à data, a escola também já deu ao mundo da cozinha as suas pequenas estrelas que hoje estão a dar cartas em vários palcos e Sílvia Fernandes destaca alguns desses nomes como Luís Machado (responsável técnico pela revista Teleculinária) Bruno Póvoas (chefe de cozinha do restaurante Hemingway, em Cascais), Patrícia Rego (chefe de cozinha no restaurante Madame Petisca, conhecido pela melhor vista sobre Lisboa), Bruno Augusto (chefe de cozinha no Hotel Ritz), Ricardo Pereira (chefe de cozinha do restaurante Alma, de Henrique Sá Pessoa), bem como João Mateus e Fábio Cardoso (chefes juniores no bistrô e restaurante 100 Maneiras, de Ljubomir Stanisic). Nos estabelecimentos galardoados com estrela pelo Guia Michelin “encontramos o nosso António Simões, chefe de secção no L’And Vineyards, e ainda Fábio Santos, chefe de cozinha no restaurante Fortaleza do Guincho”. De referir que, na região, “podemos encontrar ainda Plínio

Alves como chefe de cozinha do restaurante Santo Gula, em Santo Estêvão, ou João Rufino, na Petiscaria Santinho, em Samora Correia”. Há quem tenha rumado lá fora, e tenha conhecido o sucesso como Lázaro Glória, no restaurante Mandarim Oriental, do grupo Hilton; David Abreu, no grupo Ritz/Carlton; e João Baião, no restaurante Petrus de Gordon Ramsay. “Já temos uma marca nacional”, diz a este respeito, a chef Noélia Costa “No fundo trata-se de transformar em pedras preciosas estes alunos que chegam à escola com muitas capacidades”. O curso de empregado de mesa é outra das vertentes deste curso e os jovens que escolheram a escola profissional de Salvaterra para uma carreira, no futuro, nesta área pareceram-nos bem conscientes do seu papel, como a Vânia Descalço, 11º ano, que sabe que um bom empregado de mesa deve ser “discreto, educado, simpático e responsável” e não esconde que adoraria um dia fazer parte da equipa de um Epic Sana, ou de um Ritz, hotéis de cinco estrelas. Para o colega Pedro Bexiga, também do 11º ano, este curso pode significar uma boa oportunidade um dia mais tarde, e para já está a “revelar-se como muito interessante para nós todos”. Para o formador João Branco, esta é uma área cada vez mais desafiante até porque tem de acompanhar a evolução do serviço de cozinha que neste momento em Portugal atingiu um patamar mais elevado – “O empregado não se pode limitar apenas a servir pratos tem de ser um bom conhecedor de vinhos e dominar a técnica do serviço”.


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Operacionais da região no incêndio de Pedrogão Grande

“Parecia um cenário de guerra” Miguel António Rodrigues Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) de Aveiras de Cima foi das primeiras instituições da região a chegar a Pedrogão Grande no passado sábado, 17 de junho. De Aveiras partiram três elementos coordenados por Paulo Silva. Andre Torrão e Valter Almeida completaram a equipa que viveu momentos que jamais esquecerão e partilham à nossa reportagem a experiência e a dor de uma população que perdeu tudo. A saída do quartel de Aveiras de Cima deu-se por volta das 10 horas da noite de sábado. Os socorristas em causa já viram de tudo, mas não estavam à espera de um cenário tão dantesco como aquele que encontraram, apesar de pelo cominho se irem atualizando com as notícias. “Parecia um cenário de guerra”, recorda Paulo Silva ao Valor Local, salientando que por muito preparado que se esteja, aquilo que encontrou no terreno acabaria por deixar marcas. A equipa esteve baseada primeiro na localidade de Avelar, depois em Castanheira de Pêra, onde pernoitou no quartel dos bombeiros locais. Depois passou para Vilar, onde coordenou cerca de 30 evacuações de várias casas com uma equipa de dez homens e mulheres e uma viatura do INEM. Foi quando tomou em mãos a equipa que se apercebeu da “grande necessidade de evacuação das aldeias”. Paulo Silva fala naquilo que considerou ser uma “excelente coordenação” entre as forças no teatro de operações. Lamenta apesar disso que as comunicações tenham falhado, nomeadamente no sistema do SIRESP que só trabalhava parcialmente. No caso da CVP, refere Paulo Silva, o sistema próprio de comunicações, esteve à altura das ne-

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cessidades no terreno, embora admita alguma ansiedade nas comunicações para fora, sobretudo através do telemóvel. “Foi difícil para a família, nomeadamente para quem tem crianças e que ouvia nas notícias situações perturbadoras e não nos conseguia contatar”. A falta de comunicações que limitou o uso do GPS e dos telemóveis, nomeadamente, às equipas que vieram de fora, deu algumas dores de cabeça aos socorristas, todavia “a nossa formação, que é sempre importante, deu-nos ferramentas, nomeadamente, no que toca às cartas militares”. Paulo Silva e a equipa usaram cartas militares para conseguir chegar ao terreno. Muitas das aldeias não tinham acessos “decentes” num cenário destes e por isso, na ausência de comunicações eletrónicas, “a velha carta” acabou por ser uma ferramenta para chegar ao destino. No terreno as dificuldades foram muitas. Mas mais difícil foi para os bombeiros locais. Paulo Silva diz que foi sobretudo penoso para os bombeiros de Castanheira de Pêra terem de socorrer pessoas conhecidas, amigos e familiares e testemunharem a tragédia de pessoas tão próximas. O operacional reforça o carinho dos colegas, de todos os elementos no terreno e claro da população “que foi muito querida e correspondeu às nossas solicitações”. Situações dramáticas vividas nas aldeias Apesar do carinho manifestado pelas populações, a missão da equipa de Paulo Silva era a de evacuar as habitações em risco. Foram muitas: cerca de trinta as pessoas evacuadas de várias aldeias pela sua equipa.

A CVP de Aveiras na catástrofe de Pedrógão

As velhas cartas fizeram o serviço da tecnologia

O cenário foi dramático. Paulo Silva recorda que muitas das pessoas não queriam abandonar as suas casas: “São fruto de uma vida de trabalho, temos de entender isso”, mas a perigosidade causada pela proximidade e velocidade do fogo obrigou muitas vezes a medidas mais musculadas. A estratégia foi sempre “abordar as pessoas calmamente e chamá-las à razão e isso nem sempre foi fácil”. A equipa de Paulo Silva “bateu a pé as ruas das aldeias e tentou trazer as pessoas para um ponto de encontro”. Depois esses populares eram recolhidos pelas viaturas. O operacional revela que a formação em psicologia dada pela CVP é importante, “mas o bom senso também o é”. Paulo Silva vinca, entretanto, os momentos de receio e pânico encontrados nas pessoas que teve de evacuar. O facto de irem para fora de casa, incertas quanto a

um regresso aos seus lares e em que condições encontrariam as suas casas quando regressassem, ou se voltariam a ver os seus pertences, teve um peso muito significativo em toda a situação à qual se junta a carga dramática vivida. “Notava-se muito a sensação de impotência por parte das pessoas” refere o socorrista que lembra que esta sensação se estendeu também aos operacionais no terreno. “As pessoas quando nos viam desvalorizavam, queriam era ver carros de bombeiros para apagar o fogo, e nós tínhamos de dizer que já vinham aí. Sabendo nós que estavam a colmatar outras situações, e que viriam mas mais tarde. Foi muito difícil… muito”. Barricado em Casa As pessoas evacuadas no incêndio de Pedrogão Grande tinham uma média idades entre os 50 e

os 80 anos. São pessoas que moram muitas vezes isoladas, sendo que a única coisa que possuem na vida, são as suas casas e os seus terrenos. A falta de mobilidade física e o isolamento foram questões que levaram a que muitos resistissem à ajuda. Foi o caso de um homem, amputado das pernas, que se terá recusado a sair de casa. Paulo Silva diz que os relatos dos vizinhos eram contraditórios, fazendo aumentar por vezes a confusão no terreno: “Um vizinho dizia que não estava em casa, e outro referia o seu contrário, e que o homem ainda permanecia na habitação”. O socorrista diz que nesta altura teve de arriscar e por isso pediu apoio à GNR “que esteve sempre connosco e nunca questionou os nossos pedidos”. A GNR acabaria por arrombar a porta e a CVP conseguiria assim retirar o idoso à força pois não queria sair de casa. Mas a CVP tinha a razão do seu lado - “Pouco depois de o retirarmos, o fogo passou por cima da sua casa, e foi uma sorte”, refere o socorrista que tão cedo não apagará da memória este incêndio.

viatura da Proteção Civil não tinha condições técnicas. José Torres, comandante da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima, salientou ao Valor Local o empenho dos seus socorristas. José Torres que tinha uma ideia do que os seus homens iam encontrar desejou-lhes boa sorte, e relembrou que deviam “ter em atenção as questões de segurança”. Por outro lado, agradeceu ao Valor Local a difusão da notícia sobre os donativos para as populações. Em poucos minutos, a notícia do nosso jornal deu frutos e começaram a chegar inúmeros donativos de vários pontos da região ao quartel da Cruz Vermelha. A esta iniciativa juntou-se depois a Câmara de Azambuja que recolheu uma quantidade significativa de alimentos e águas. Aliás José Torres vinca que utilizou o transporte da Câmara para fazer chegar a Pedrogão os donativos. O comandante vinca no entanto que a Cruz Vermelha continua a receber donativos, cujo IBAN aui deixamos IBAN PT50 0010 0000 3631 9110 0017 4.

CVP de Aveiras ativa na tragédia

Aveiras de Cima, através da Cruz Vermelha, Azambuja e Alcoentre têm ajudado ao combate às chamas no grande incêndio de Pedrogão. Eifel Garcia, comandante dos voluntários de Alcoentre, está desde domingo a ajudar a combater as chamas. O operacional já esteve em várias localidades e não tem ainda, segundo familiares contatados pelo Valor Local, data para regressar a casa. Dos bombeiros de Azambuja, partiu hoje uma comitiva de quatro elementos para combater as chamas naquela região do país.

Para além desta equipa, a CVP responsável pelas missões de socorro tem também uma grande responsabilidade na logística do teatro de operações. De Aveiras partiu também um camião frigorífico e pedido emprestado a uma empresa do Carregado. A equipa composta por Jorge Ferreira, Marco Teles, e Nélson Santos, acabou por desmobilizar, no entanto, a viatura que teria como missão acolher os cadáveres, já que a

Corporações da Região no Terreno


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Azambuja organizou Jornadas de Investimento Câmara de Azambuja organizou, no passado dia 14, as “Jornadas de Investimento – Oportunidade: Azambuja”. O evento teve lugar no auditório do centro paroquial da vila e reuniu, durante toda a tarde, mais de uma centena de participantes. Estas jornadas decorreram em dois painéis, num total de uma dezena de comunicações. Nas palavras de abertura, o presidente da Câmara – Luís de Sousa, fez uma breve caracterização do município e evidenciou a aposta da autarquia na área da Educação. O primeiro painel abriu com a intervenção da geógrafa Romana Rocha, em representação da equipa de revisão do Plano Diretor Municipal, que salientou a oportunidade das jornadas enquanto espaço para troca de pontos de vista sobre o caminho de desenvolvimento local a seguir. O segundo orador foi o presidente da Caixa de Crédito Agrícola de Azambuja, Francisco João Silva, que além de apresentar a sua instituição como “um banco moderno com respostas para todas as necessidades particulares e empresariais” anunciou a disponibilidade de 20 milhões de euros para financiamento de boas ideias e projetos que reúnam as condi-

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Jornadas tiveram a participação de vários agentes da comunidade

ções para tal. João Fonseca, fundador da empresa Biosurfit cuja unidade produtiva se encontra em construção na vila de Azambuja, partilhou a sua experiência de

como uma necessidade do dia-adia deu origem a um projeto de ponta na área médica, e a um negócio já internacionalizado e avaliado em largos milhões de euros.

Estas jornadas também deram voz a uma jovem empreendedora natural de Alcoentre. Rita Narciso deu a conhecer a sua start-up “We Park”, vencedora na categoria mo-

bilidade do concurso “Acredita Portugal”. A concluir o painel inicial foi apresentada uma parceria entre o município e o Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas que

implementará o programa “Azambuja Empreende”. A iniciativa completou-se com um segundo painel de comunicações aberto pelo departamento de recursos humanos do grupo Sonae, que deixou uma panorâmica sobre a realidade das unidades existentes no concelho de Azambuja e que representam um total de cerca de 730 postos de trabalho. Por fim, tiveram lugar as intervenções das diretoras dos três agrupamentos de escolas do concelho – Sílvia Purificação, do Alto de Azambuja, Teresa Valente, de Vale-Aveiras, e Madalena Tavares, de Azambuja. As três professoras aproveitaram a oportunidade para darem a conhecer a realidade das suas comunidades educativas e a oferta quer académica quer de integração social que oferecem aos seus alunos. No encerramento, o presidente Luís de Sousa considerou que o objetivo de debater as potencialidades socioeconómicas do concelho tinha sido alcançado. “A partir de uma partilha de conhecimento e experiências de vários agentes locais e de investidores procura-se definir ainda melhor linhas orientadoras de desenvolvimento e crescimento para o concelho.”

Cartaxo: Pontapé de saída para a venda de terrenos no Valley Park epois de um longo imbróglio foi dado o pontapé de saída para a venda dos lotes do Valley Park, Cartaxo, com a apresentação das condições de comercialização da Área de Localização Empresarial do Falcão, numa cerimónia em que esteve presente o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, no dia 31 de maio. No total, este parque de negócios tem uma área global de 30,6 hectares, dos quais 106,078 m2 são área loteável, constituindo 119 lotes. Para o ministro da Economia, a ALE do Falcão – Valleypark “é um bom exemplo do bom momento que o Cartaxo vive”, referindo a capacidade quer da sociedade gestora e dos seus parceiros institucionais, quer da autarquia, em retomarem o projeto, “em particular do presidente da câmara Municipal “em persistir e insistir” na sua viabilidade. Destacando as características de localização e as vantagens competitivas do Valleypark, o ministro lançou “o repto aos empresários” para que avaliem as oportunidades “de terem as vossas empresas instaladas em áreas empresariais que permitem partilha de recursos e possibilidades de expansão no

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futuro”. Pedro Ribeiro, presidente da Câmara Municipal do Cartaxo, considerou a sessão como “um marco que terá a maior relevância no futuro do concelho e da região”, considerando que a possibilidade de “finalmente podermos iniciar a comercialização desta área de localização empresarial, é talvez a notícia mais importante para o Cartaxo nos últimos 20 ou 30 anos”. Para o autarca esta localização pode ser considerada como “apetecível” por se “encontrar próxima da A1, a poucos quilómetros da capital, e estando sobre a abrangência dos fundos estruturais na região Alentejo.” “Este é um dos dias mais importantes deste mandato – resolver os enormes problemas que esta área enfrentava em 2013, pela sua complexidade, foi um dos maiores desafios que enfrentámos – chegámos aqui depois de muito trabalho árduo, de negociação, de procura de soluções”, reconhecendo que “este não é um caminho que se possa fazer sozinho”, o autarca agradeceu aos “parceiros que se juntaram ao município e à administração da Valleypark na procura de soluções”. Lembrou ainda o papel dos seus antecessores, afirmou a

“importância de o nó da A1 ter sido sempre pensado”, por Paulo Caldas e José Eduardo Carvalho “como fator que permitiria a criação da área de localização empresarial”. Entre as dificuldades “encontradas no início do mandato”, o autarca destacou as infraestruturas por terminar e o risco de se perderem os fundos comunitários que representavam uma perda de dois milhões de euros, e o facto de o contrato para aquisição dos terrenos ter sido assinado sem aprovação da Assembleia Municipal, o que o inviabilizava ou a situação de quase insolvência da sociedade gestora e o conflito acionista com litigância judicial. Pedro Ribeiro agradeceu aos técnicos autárquicos e a todas as instituições que “uniram esforços para resolver nestes três anos os problemas encontrados – a Câmara Municipal terminou as obras das infraestruturas inacabadas, resolveram-se os problemas jurídicos com a aquisição dos terrenos e encontrou-se um grupo de investidores que adquiriu os créditos da sociedade à banca”. Elogiou ainda a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Alentejo, na pessoa do seu presidente Roberto Pereira Grilo, ao ter

Um dia histórico para o concelho, segundo o presidente da Câmara permitido a criação de uma moldura que pudesse enquadrar o acesso aos fundos sem ter de os devolver. O presidente do Conselho de Administração da Valleypark, José Eduardo Carvalho, destacou a importância competitiva da Área de Localização Empresarial, no que se refere ao seu “modelo e legislação de licenciamento e tramitação administrativa de instalação de empresas”. Dando um exemplo hipotético, José Eduardo Carvalho explicou

as características “ímpares do modelo em que este parque se insere”, referindo-se ao facto a ALE do Falcão – Valleypark ser gerida por uma sociedade acreditada pelo ministério da Economia, que lhe “outorgou um alvará concedendo autorização para instalar empresas de determinados CAE” e lhe delegou competências em matéria de licenciamento, assumindo o Ministério da Economia, um papel fiscalizador e sancionatório do cumprimento do alvará concedido. A sociedade gestora é também respon-

sável pela garantia da qualidade urbanística e de infraestruturas do parque, e fornecerá às empresas ali instaladas serviços de apoio e gestão de serviços como a segurança ou os espaços verdes. A comercialização dos lotes que “finalmente se vai poder iniciar”, foi possível pelo recente registo do plano de pormenor do loteamento, assim como pelo facto de a sociedade gestora ter visto os seus créditos à banca adquiridos por um grupo de investidores que “vai dinamizar o projeto”.


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Economia 9

Zona Industrial de Vale Tripeiro à espera do rejuvenescimento No âmbito do nosso destaque de maio sobre as zonas industriais em suspenso, apresentamos a segunda parte deste trabalho que não nos foi possível inserir no jornal da edição passada, relativamente à Zona Industrial de Vale Tripeiro, no concelho de Benavente. As suas fragilidades e as potencialidades que ainda guarda pelos principais atores políticos. zona industrial de Vale Tripeiro conserva no seu espaço alguns serviços de logística e de empresas de vários tipos, mas com o novo PDM em discussão o município pretende criar novas áreas tidas como mais promissoras e com novas infraestruturas para os empresários que procurem o concelho. Já esta localização entre a vila de Benavente e a cidade de Samora Correia já conheceu melhores dias. Também aqui a vegetação vai florescendo nas áreas limítrofes, e de acordo com a oposição no município este deveria ser um espaço a tomar em linha de conta de futuro e fazer-se a devida manutenção

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e limpeza. Nas palavras do vereador do PSD na autarquia, Ricardo Oliveira, esta zona industrial a par da vizinha da Murteira, continua “a guardar um grande potencial pela proximidade a Lisboa tendo em conta também as excelentes vias de acesso”. Contudo salvaguarda que “isso por si só não é o suficiente, porque o presidente da Câmara deverá ter uma verdadeira atitude de diplomacia económica” que “não tem existido”. Esta é uma acusação do também candidato à Câmara que elege “a captação de investimento” como um dos pilares da sua candidatura. Sendo “completa-

Área empresarial já conheceu melhores dias segundo a oposição

mente diferente chegar a uma zona industrial com boa aparência, com os passeios bem cuidados, com uma decoração apelativa, e com boa iluminação” em comparação com o que existe no Vale Tripeiro. O Partido Socialista, em resposta ao nosso jornal,

Uma das maiores unidades do espaço encontra-se à venda

por seu turno vai mais longe e aponta – “A zona industrial de Vale Tripeiro, tal como a zona industrial da Murteira, encontra-se com aspeto abandonado e inestético, pouco atrativo para investidores e empresários, fruto do desmazelo da política CDU” e por isso “o estado de abandono agravou-se e é visível.” No entender do vereador do PSD, o espaço industrial nos últimos anos não recebeu “nenhum grande investimento”. As grandes empresas existentes como “a Sugalidal, João de Deus, e Silvex, só a título de exemplo, já cá estão há mutos anos”. Para prosseguir o caminho da captação de investimento, Ricardo Oliveira considera fundamentais os contactos com as associações empresariais e com as câmaras de comércio, “mais do que porventura atuar na derrama ou no IMI que correspondem a descidas mínimas”. “O concelho de Benavente beneficia da sua excelente localização e vias de acesso às principais autoestradas do país, bem como da sua proximidade a Lisboa. Os terrenos face a Lisboa estão a um bom preço. Esses são os principais fatores de atração dos investidores/empresários, e a au-

tarquia tem sido passiva em matéria de captação de investimentos”, diz, por seu turno, o PS, pela voz do seu líder local Pedro Pereira. O presidente da Câmara Municipal de Benavente, Carlos Coutinho, contraria o raciocínio da oposição e argumenta “não é à toa que o município está no pódio dos concelhos do distrito de Santarém no que se refere a exportações e a investimentos fruto de uma política de captação de empresas que já dura há muitos anos”, sendo que o emprego qualificado nas empresas do concelho “também aumentou”. “Estive a verificar e apenas numa temos 150 técnicos qualificados”, demonstra. Para Vale Tripeiro, “a reabilitação deste espaço está na nossa agenda a nível dos pavimentos e passeios de forma a qualificar o espaço envolvente e dar outra dimensão às empresas presentes”. Até porque continua “a ser um espaço que é mostrado aos empresários tal como outros”. A zona de acesso à autoestrada na Nacional 118, no novo PDM, perspetiva-se como a nova zona de investimento para o município que reforça a importância das vias de comunicação como uma

das mais-valias do concelho, continuando a ser constantemente procurado por novas empresas. Sobre esta nova possibilidade de zona industrial, o Partido Socialista refere que o PDM para a mesma “está atrasado devido às incorreções detetadas pela CCDR e Quercus” O Valor Local ouviu uma das empresas instaladas no local, a Trignoláxia que ocupa um espaço de 3000m2, ligada ao fabrico de produtos em plástico para a área industrial. Fixou-se em 2014, e antes estava sedeada em Cascais, desde 2010. A empresa considera que a localização no concelho tornou-se interessante devido à “disponibilidade de infraestruturas rodoviárias que nos aproxima dos nossos clientes e permite aumentar significativamente as nossas vendas em Espanha”. Sobre o facto de existirem críticas devido à má conservação e manutenção dos espaços circundantes, a empresa refere que tal diz respeito sobretudo a armazéns não ocupados não se aplicando no seu caso. Tendo em conta a laboração de mais empresas no local, a Trignoláxia estabeleceu ligações comerciais com outras aí sedeadas como uma de transportes e outra de empilhadores.


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Victor Mendes, lançamento de livros e de um vinho no Colete Encarnado 2017

Contagem decrescente para a festa maior de Vila Franca ila Franca de Xira recebe a 30 de junho mais uma edição do Colete Encarnado. A festa maior da cidade continua a renovar tradições e este ano ao completar 85 anos de vida, são lançados dois livros e um vinho entre muitas outras iniciativas. Vila Franca é de resto um ponto de encontro obrigatório no Colete Encarnado. Nesta festa juntamse amigos que só se encontram

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uma vez por ano, conhecem-se novas pessoas e fazem-se amizades. O Colete Encarnado de 2017 promete inovar, mas mantém as largadas de toiros e o jantar de tertúlias que já se tornaram uma tradição assim como a distribuição do caldo verde e das sardinhas assadas, o fado vadio e claro a corrida de toiros à portuguesa.

Incluindo no Colete Encarnado, o município de Vila Franca volta a apostar igualmente na Semana da Cultura Tauromáquica. Este ano e como em anos anteriores, a Semana da Cultura Tauromáquica que decorre de 23 a 29 de junho, volta a elevar a tauromaquia. São várias as manifestações que decorrem na semana que antecede o Colete Encarnado. Para

além de novilhadas, treino de forcados, existem ainda os colóquios e a exposição “Victor Mendes, Toureiro Universal”. Esta é uma exposição com inauguração marcada para o dia 24 de junho no Celeiro da Patriarcal em Vila Franca de xira e que tem como objeto prestar homenagem ao matador de toiros que embora tivesse nascido em Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos, foi viver muito cedo para Vila Franca de Xira com os pais. Aliás a 13 de maio de 1992, o município atribuiu-lhe o título de “Filho Adotivo de Vila Franca de Xira”. Todavia esta é uma festa que já tem um peso importante na economia e na mediatização da mesma. As autoridades estão atentas por isso a possíveis atos de vandalismo por parte dos chamados grupos “antitaurinos”. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, desvaloriza a questão, e prefere salientar que em democracia “nem todos podem gostar de tudo”, mas adverte que os atos de vandalismo “são condenáveis”; não querendo adiantar pormenores sobre de que forma será montada e se haverá segurança reforçada. Uma opinião secundada por Victor Mendes que prefere não ali-

O campino homenageado em 2017 mentar debates sobre os que são contra a festa brava. Colete Encarnado lança livros A festa do Colete Encarnado completa 85 anos. Para o comemorar, o município de Vila Franca de Xira vai lançar dois livros. De acordo com o presidente da Câmara Alberto Mesquita, são referentes à festa maior de Vila Franca, um com fotografias e outro com os cartazes de uma festa que começou para ajudar os bombeiros da cidade a angariarem fundos. Outro dos livros em destaque, será lançado pelos Forcados de Vila Franca de Xira que comemoram também os 85 anos do grupo. Um documento para recordar o passado e projetar o futuro do grupo de Vila Franca. Campino homenageado deixa descendentes à festa Casimiro Diogo será o campino homenageado este ano no Colete Encarnado. Descendente da família Perilhão, José Diogo, de 70 anos, tem muitas histórias para contar dos anos de vida dura que leva como campino e como homem. Homem afável e reconhecido pe-

los seus pares, Casimiro Diogo passou pela escola da vida e bebeu dos conhecimentos dos mais velhos. Aos oitos anos começou a trabalhar no campo ao lado do pai que era maioral das éguas e vacas da Casa Agrícola Lopes e Lima. Até aos 18 anos trabalhou com o pai, graduava gado nos campos de Vila Franca de Xira. Ajudava em tudo com bois e éguas. Ficou livre da tropa e procurou emprego na Casa Agrícola Oliveira e Irmãos, onde começou a arte de desbastar os equídeos. Passou pela casa agrícola António José Teixeira e posteriormente pela Herdade da Portucale, em Santo Estevão concelho de Benavente, onde se reformou. Dos muitos marcos na história do concelho que presenciou, lembra em especial quando se fardou de campino na inauguração da Ponte de Vila Franca. Mas Casimiro Diogo deixa descendentes à arte da campinagem. Que o diga o neto Diogo Reis com 18 anos de idade. Diogo Reis é estudante na Escola Agrícola de Vendas Novas e garante que quer seguir a carreira do avô. Aliás vai estar a seu lado aquando da homenagem na tarde de sábado do Colete Encarnado.

Tertúlia “Alhandra A Toireira” faz 25 anos vila aficionada de Alhandra recebe este fim-de-semana, 23 e 24 de junho, as comemorações dos 25 anos da Tertúlia “Alhandra a Toireira”. A iniciativa que coincide com a Semana da Cultura Tauromáquica e o Colete Encarnado, tem como ponto alto a chegada da Rainha Dona Maria ao cais de Alhandra, dado que a vila foi em tempos um ponto muito forte no que toca à tauromaquia nacional. Vítor Silva, presidente da tertúlia, salientou ao Valor Local que a associação tanto aposta na formação ao nível da arte tauromáquica como nas questões mais lúdicas. Para além de apresentação de alguns livros, o presidente destaca os encontros, no fundo, as reuniões sobre os vários aspetos da vida tauromáquica. Vítor Silva salienta que a coletividade espelha os outros tempos de Alhandra e embora reconheça a existência de uma Alhandra muito aficionada, diz não haver condições no momento para a implantação de uma praça de toiros, embora isso já tivesse sido discutido no passado. Sobre as comemorações dos 25 anos, o presidente da coletividade destaca o espetáculo equestre a dia 23 de junho e a homenagem ao antigo cavaleiro alhandrense Rufino Apolinário.

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José Manuel Santos, o jornalista aficionado osé Manuel Santos é um vilafranquense apaixonado pelo Colete Encarnado. Aos 50 anos diz que ainda faz os seus planos de férias a contar com o fim-desemana da festa maior de Vila Franca de Xira. No entanto, José Manuel Santos não é apenas um aficionado, é também jornalista e enquanto tal viveu muitas emoções dentro da Festa Brava, ou não tivesse sido a “cara” das transmissões da TVI das corridas do Campo Pequeno às quintas – feiras. A experiência, conta o jornalista, “foi muito boa enquanto durou”. Ao todo foram 15 anos desde 1999 até 2014. O jornalista considera que o canal conseguiu inovar “e revolucionar as transmissões das corridas”, até porque a equipa composta por si e por Joaquim Grave dava uma outra perspetiva ao espetador que não conhecia “os termos técnicos daquela arte.” O segredo para José Manuel Santos é comunicar de forma acessível a todos; e “explicar algumas questões mais técnicas aos leigos que gostam da festa brava”. Recorda o jornalista, agora editor

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do programa “Diário da Manhã”, que o desafio foi lançado pela equipa do Campo Pequeno durante uma simples reportagem. Daí até José Eduardo Moniz, à época diretor geral da TVI “dar o ok à transmissão, foi um pulinho”. Primeiro foi uma “Corrida TVI” e depois juntaram-se outras experiências que levaram aquele canal de televisão muitas vezes a trocar as novelas pelas corridas de toiros “mesmo assumindo algum prejuízo quanto a isso”, refere José Manuel Santos salientando as receitas publicitárias e as audiências. Mas o jornalista não se fica só pelas corridas. Antes da TVI o vilafranquense esteve na TDM em Macau. Foram “dois anos de muitas saudades das pessoas, saudades da família e do Colete Encarnado”. José Manuel Santos que tenta não perder o certame anual de Vila Franca, desvenda que em alguns momentos quando sabia mais ou menos a que horas estavam os toiros na rua, telefonava à sua mãe e pedia-lhe para colocar o telefone na janela “só para ouvir o ambiente de Vila Franca”.

Quando fazia os comentários com Joaquim Grave Este é aliás, ainda, o espírito da festa para o jornalista que sempre que pode “dá uma ou outra indicação sobre bons momentos do Colete Encarnado para uma boa reportagem na TVI”. O Colete Encarnado também serve para confraternizar com os velhos amigos que só “conseguimos ver uma vez por ano”. Para o jornalista, não é possível escolher um momento alto desta festa

- “Gosto de tudo no Colete Encarnado”, refere, concordando que “uma festa destas sem uma marradinha e sem prejuízo para os mais afoitos, dá sempre outra cor à mesma”. Aliás, o jornalista confessa que uma das coisas que gosta de fazer “é ver no youtube as marradinhas dos Açores”. Salienta que perde algumas horas com isso, ao mesmo tempo que tem como

passatempo as danças de salão. Ainda assim, a tauromaquia e a festa brava são uma paixão forte. Diz não ter saudades das corridas de toiros, mas refere que quando lhe apetece paga o bilhete e vai à praça. José Manuel Santos lamenta, no entanto, aquilo que considera como “excesso de conservadorismo” em nome da tradição da Festa Brava. O jornalista refere

que ainda existem muitas limitações para a transmissão de corridas nas televisões e que as “barreiras” que são criadas chegam a limitar os movimentos dos profissionais da área. Mas para José Manuel Santos o Colete Encarnado é mais importante e embora viva a festa e em especial as largadas de toiros, reconhece que prefere ficar do lado de fora das tronqueiras.


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Teatro amador na região e a luta pela sobrevivência

Novos e velhos valores do Teatro da Biblioteca

São quatro companhias de teatro amador da região. Apresentam diferenças entre si, mas em todas subsiste a paixão pelo palco. As suas dificuldades, as suas realizações neste trabalho em, que fomos descobrir o talento de atores, encenadores, e dramaturgos, e algumas críticas ao poder local e não só. Sílvia Agostinho Nuno Filipe m 1989 começou para um pequeno grupo de vizinhos e amigos o sonho do teatro na La-

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brugeira, concelho de Alenquer, e a partir dessa altura até aos dias de hoje nunca mais o pano deixou de subir para ver os espetáculos destes atores na coletividade que acolhe este projeto, o

Grupo Recreativo Flor de Maio. O grupo conhecido também como o teatro da biblioteca distingue-se por possuir várias faixas etárias, levando ao palco espetáculos dos grupos infantil, juvenil e adul-

to. Tanta variedade apenas numa aldeia seria difícil de adivinhar. Mas isto é também graças ao encenador Gualberto Silva desde sempre na génese do projeto, e que segundo algumas atrizes da

terra com quem falámos nunca deixou este teatro morrer apesar de hoje apenas contar com cerca de uma dúzia de atores para os três tipos de espetáculos. Duas das atrizes que fizeram história neste grupo fundado a partir de um curso de iniciação que durou de outubro de 1989 a fevereiro de 1990 partilham para esta reportagens momentos inolvidáveis em cena, e as memórias sucedem-se repetidamente, até que uma delas vai até sua casa buscar um álbum de fotografias que guarda desde os tempos em que andava nestas andanças. Vitória Costa e Clotilde Melo desistiram nos últimos anos, mas continuam a ajudar nas peças que ainda hoje vão sendo levadas ao palco com os poucos atores que ainda restam. Alguns são jovens ainda em idade escolar que descobriram o bichinho através de familiares mais velhos ligados a esta escola de cultura na aldeia, como a Leonor Filipe, neta de Gualberto Silva e a Maria Melo, sobrinha neta de Clotilde Melo ou o Bernardo Caetano. No caso das raparigas começaram nestas andanças quase que ainda gatinhavam na altura. O bichinho acompanha estes jovens que não perdem uma oportunidade para fazer parte desta casa da cultura local. Para Bernardo Caetano, “o teatro é uma cena que eu adoro e que quero para a minha vida!”. “E tem mesmo muito jeito”, concordam as senhoras da terra. “Os meus pais gostavam que eu fosse ator mas aconselham a que eu tire um curso. Vou agora para o 10º ano para Ciências. Ainda não sei o que vou fazer um dia mais tarde”… De geração em geração lá se vai transmitindo esta tradição da terra que já conheceu verdadeiros momentos sensação quando a pequena sala de espetáculos do Grupo Recreativo Flor de Maio se enchia com mais de 180 pessoas desejosas de assistir e aplaudir as peças que todos os anos eram apresentadas. Do repertório do grupo constam essencialmente peças clássicas como “A Casa de Bernarda Alba”; “A Sapateira Prodigiosa”; Guerras do Alecrim e da Manjerona”; “O Primo Bazílio”; “Auto da Índia”; entre outras. “Peças muito boas e muito bonitas”, assegura Clotilde Melo. Normalmente o grupo escolhe obras mais antigas que não implicam o pagamento de direitos de autor à Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) (numa sala com a lotação da Flor de Maio, e como amadores que são, o valor a cobrar é de 60 euros por sessão no caso de autores ainda protegidos por direitos) sempre

que levam à cena qualquer peça. Gualberto Silva, encenador e escritor de peças algumas das quais adaptadas por companhias no estrangeiro, tendo igualmente ganho um prémio em tempos da Secretaria de Estado da Cultura com a obra infantil – “Circo Fantasia, o Palhaço Teimoso”, dá conta que na maioria dos casos escolhe peças suas para os miúdos representarem – “Depois lá recebo uma cartinha da SPA mas digo que a peça é minha e faço o que eu quiser, e os senhores ficam muito chateados, mas pronto”. Para uma companhia amadora, que está longe de viver de qualquer tipo de lucros, há que recorrer à tradicional caixinha de oferendas que fica à porta para que o público possa contribuir, apesar de o bilhete ser gratuito. “Quando falamos de um espetáculo com os mais pequenos, toda a gente da família vem, mais o cão e o gato, e abrimos a caixa e somos capazes de ter lá 130 ou 140 euros; quando é com o grupo juvenil, chega aos 80, quando somos nós, os mais velhos, 50 ou 60 euros. Isto para os velhos já não vale a pena”, graceja Gualberto Silva. Apesar de ser uma questão complicada, o melhor é mesmo levar com otimismo e sentido de humor a falta de público. Depois há as saídas para outras localidades, dado que cada peça estreada por ano não chega à meia dúzia de representações. Por isso os intercâmbios são bem-vindos. O grupo desloca-se a concelhos vizinhos no Oeste como Torres Vedras, e mais longe até Peniche, Porto de Mós, ou Mafra. E à posteriori a visita é retribuída por grupos desses locais que vêm até à Labrugeira trazer as suas representações. O grupo já esteve em alguns dos principais palcos do teatro português em Lisboa onde tem recolhido elogios por parte de quem faz do teatro profissão. A escolha por obras maiores de autores clássicos como Lorca, Tcheckov, Marivaux, ou mesmo Gil Vicente traz um acréscimo de responsabilidade para um grupo que faz do teatro amador uma ocupação das horas vagas, mas esta é uma função levada muito a peito. E no caso de Clotilde Melo, que se retirou destas lides há 13 anos depois da morte de um filho, recorda-se que tinha sempre “bastantes nervos”. “Há que decorar o papel e fazermos o melhor que pudermos”, acrescenta Vitória Costa, que enfatiza – “A nossa idade era outra na altura dessas peças, tínhamos mais capacidade para decorar”. Foi atriz no “Primo Basílio” e in-


Valor Local

Junho 2017 terpretou o papel da criada Juliana, personagem malévola que trabalhava na casa das principais personagens desta obra de Eça de Queirós. “Quando morri em cena fiquei aflita porque tinha um gancho na cabeça e deitada sobre o sofá tive de me aguentar para não me mexer e o raio do gancho a fazer-me uma dor na cabeça”. Na Casa de Bernarda Alba, era a Bernarda, e interpretou também uma personagem masculina em “Guerras do Alecrim e da Manjerona”. Normalmente dava corpo às denominadas más da fita, mas graceja que não é má pessoa na vida real. Nunca sonhou ir mais longe e fazer do teatro profissão. Trabalhou sempre na adega cooperativa local como operária de enchimento. “Quando vinha do trabalho, chegava a casa, tomava banho, vestia o pijama e depois o fato de treino por cima, para que quando regressasse a casa me despisse e já estava a jeito para ir para a

cama”, conta para realçar o grau de exaustão que experienciava por ao mesmo tempo ter de conciliar o trabalho numa fábrica e a veia artística no grupo de teatro da Labrugeira. Mas era o que de mais extravagante fazia, não se assume como uma atriz de superstições – “Apenas me benzia e tomava um calicezinho com os colegas”, ri-se. “Vinho do Porto”, diz mais alto Clotilde Melo. Muitas brancas também sucederam a Vitória Costa – “Mas tentava que ninguém desse por isso. Não dou cavaco e siga! Tentamos sempre dar a volta”. O pai de Clotilde Melo também era ator no grupo, e quando lhe aconteceu uma branca, a mãe gritou da plateia – “Ah que se esqueceu do texto!”. “Quando uma pessoa vive, gosta e goza a personagem há outro ânimo”, defende Clotilde. Montar um espetáculo conseguese por vezes apenas com 200 euros recorrendo a muita recicla-

gem de figurinos e de decórs. Em setembro, haverá nova peça para se estrear, e no caso das crianças é mais difícil porque torna-se complicado concorrer com as novas tecnologias e com os horários escolares. “Temos uns textos antigos que vamos ensaiar dentro do universo maravilhoso, que já passou de moda, mas ao mesmo tempo nunca passa”, refere Gualberto Silva. “É pena as pessoas não aderirem ao teatro como gostaríamos, porque isto é muito saudável, é algo cultural, que treina a linguagem e a expressão”, acrescenta Clotilde Melo. Na relação com o poder político local, Gualberto Silva, tem uma opinião muito própria – “No movimento associativo só temos a ganhar em ficar o mais longe possível desse poder, embora não possamos dispensar os apoios. Mas só até um certo ponto. Não pretendemos ser alvo de favoritismo ou vistos como um grupo

Destaque 13

As memórias de Vitória quando deu corpo a uma das personagens

dependente desse poder”. O encenador participou no regulamento das coletividades levado a

cabo neste mandato, onde deixou algumas ideias para a Cultura no concelho, que na sua opi-

nião não se deve resumir apenas ao culto do Espírito Santo ou ao Alenquer, Presépio de Portugal.

Para os “Esteiros” a recuperação do Salvador Marques não é decisiva ascidos da Revolução dos Cravos, o grupo de teatro amador “Esteiros”, secção da Sociedade Euterpe Alhandrense, tem feito o seu caminho sempre na senda da cultura alternativa, centrada no realismo psicológico, baseado em textos de referência nacional e internacional. Hoje em dia fazem parte deste grupo cerca de sete atores, liderados por João Santos Lopes, encenador e ator, e que ao longo dos anos tem colecionado prémios, o mais recente – o Prémio de Teatro Mário Rui Gonçalves, atribuído pelo município de Vila Franca de Xira, que premiou a companhia no âmbito da peça “O Pelicano” de August Strindberg. Mas a primeira peça levada a palco, lembra o encenador, foi “A Traição do Padre Martinho” de Bernardo Santareno em 1975. O grupo continua a manter até aos dias de hoje “um teatro de

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questionamento e não de entretenimento” que procura responder às questões intemporais da natureza humana – “para onde vamos; de onde viemos, o amor, as paixões, o poder”. Apesar de herdarem o nome de uma obra neorrealista de Soeiro Pereira Gomes, o grupo não procurou ao longo dos anos ser uma montra da corrente literária. “Fizemos algumas peças do neorrealismo mas nunca procurámos muito ir por aí”, refere João Santos Lopes que faz parte do grupo desde os primeiros anos da década de 80. A longevidade de um grupo de teatro de autor tem na sua opinião uma explicação desde logo o facto de estar ligado a uma das maiores coletividades do concelho, “que nos permite ter um espaço para usar sem constrangimentos”; “ter um conjunto de atores e técnicos que amam o teatro, e a noção de

que isto é importante nas nossas vidas”. Desta companhia já saíram nomes como Maria João Luís, “que considero a melhor atriz portuguesa neste momento”; e Albano Jerónimo. Sobre a polémica que tem envolvido as companhias de teatro Inestética e Cegada, do concelho de Vila Franca de Xira, que desejariam mais apoios, considera que “é normal as companhias quererem mais dinheiro, e a autarquia tem a opinião de que os recursos são limitados. É uma questão de prioridades”. O grupo também recebe uma verba, e esse subsídio também tem por objetivo fazer multiplicar os espetáculos da companhia em outros pontos do concelho no âmbito do protocolo com a autarquia. Normalmente é estreada apenas uma peça por ano que depois roda pelas coletividades do concelho. Apesar de ser

Encenador junto ao décor da nova peça

um teatro com um cariz que joga mais com a subjetividade entende que isso não é um entrave junto dos diferentes tipos de população“Esse tipo de fosso já não sinto da mesma maneira que há 30 anos, quando se notava uma grande décalage a nível da compreensão do texto e da peça”. Hoje em dia, “há um público mais jovem que está sempre a aparecer, mas na faixa acima dos 30 o público é o mesmo de há muitos anos”. “Vejo muita gente mais nova interessada no teatro e em experimentar a representação”. Quanto aos que usam o teatro como uma futura rampa de lançamento para as telenovelas, considera normal, “até porque estamos a falar de uma companhia amadora onde é suposto haver alguma volatilidade, desde que trabalhem com profissionalismo e entrega não condeno outras aspirações”. Também nesta companhia teatral se procede a muita reciclagem de figurinos, e de cenários, mas há 30 anos era pior quando “o proje-

tor era feito com uma lata do Milo a servir de casquilho”. Na hora de escolher os textos há também a necessidade de escolher autores em que o pagamento dos direitos de autor não esteja presente, neste caso apenas as obras dos falecidos antes de 1947 (os direitos de autor encontram-se protegidos até 70 anos após o falecimento d autor). Por outro lado, e na generalidade do país as companhias só têm conseguido sobreviver “com três ou quatro atores em palco porque não há dinheiro para pagar a muita gente”. Numa companhia amadora João Santos Lopes é o único indivíduo remunerado porque a Sociedade Euterpe Alhandrense assim o determinou “apesar dessa decisão ter provocado alguma celeuma (ainda com o seu antecessor no cargo de encenador dos Esteiros) e de alguns atores terem saído”. Contudo refere trata-se de uma verba pouco significativa, e mais simbólica “que nem daria para pagar uma renda de casa, por exem-

plo”. Neste teatro o número de lugares para o público chega apenas a 40 cadeiras, o expectável para o público que costuma albergar quando os espetáculos são levadas à cena dentro de portas. Numa entrevista com uma companhia de teatro de Alhandra, o tema Teatro Salvador Marques teria de ser incontornável, e neste aspeto o encenador é taxativo – “A minha opinião é pública e conhecidaNão faz sentido recuperar o teatro mantendo a traça e todos os elementos quando não oferece condições para levar à cena peças nas devidas condições para o público, seria mais interessante a sua demolição e a fazer-se um novo com outras condições. A manter-se a traça: o palco acaba por não ter a profundidade, a boca de cena é pequena, a banda da Euterpe não cabe lá”. Por outro lado “quando se fala numa biblioteca para aquele espaço não faz sentido quando temos uma estrutura como a Fábrica das Palavras a escassos 20 minutos a pé”.


14 Destaque

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“Área de Serviço” no Cartaxo

“Esta cidade tem muito sangue teatral” das companhias de teatro mais recentes da região. Começou a sua atividade em 2012 através de Frederico Corado que viu no Cartaxo o potencial para implantar um grupo baseado no teatro comunitário. Várias peças já foram levadas a palco, sempre com sucesso, e com muita adesão por parte da população do concelho desejosa de experimentar as artes de palco. Desde os mais jovens aos mais idosos, dar uma perninha no teatro da terra passou a ser quase um clássico para muitos que vêm na “Área de Serviço” um escape. É das poucas da região que consegue esgotar a capacidade da sala onde se apresenta, o Centro Cultural do Cartaxo com 327 lugares. O encenador Frederico Corado ficou a conhecer o Cartaxo enquanto palco para um projeto maior na área do teatro através do ator José Raposo, que durante alguns anos esteve ligado à cultura no concelho. Logo na primeira audição “houve imensa gente que quis participar e arrancar com o projeto”. “Sabia que havia muito sangue teatral por estes lados por existir um passado também com muitas companhias teatrais”. Veio viver para

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Vale da Pinta no concelho. Filho do cineasta Lauro António, conta que apesar de também ser realizador de cinema, a escolha pelo teatro foi natural, apesar de gostar de ambas as linguagens. Ainda com 15 dias de vida entrou num filme em que se tinha de arranjar um bebé “O principezinho com orelhas de burro” de António Macedo. “Eu fiz de principezinho”. A primeira peça pouco antes da constituição da Área de Serviço foi “O Marido Ideal” com 40 pessoas em palco, Sendo que apareceram cerca de 200 nos castings. Como é que se explica esta apetência – “Fizemos muita divulgação com cartazes na rua, aparece gente de todo o tipo, desde o reformado que está em casa e não tem nada para fazer, até à senhora que fez teatro quando era mais nova e agora quer voltar a fazer. Temos também o caso de quem fazia teatro noutras companhias que entretanto acabaram.” Depois seguiu-se o “Crime na Aldeia Velha”. Hoje a companhia conta com um elenco fixo de oito pessoas. Em média a companhia leva ao palco cinco peças por ano, “algo que não encontra paralelo em muitos locais do país

tendo em conta o número de pessoas em palco, a grandiosidade dos espetáculos, o ritmo, a assiduidade”. O encenador não esconde que no seu caso a ambição é grande – “Temos cenários grandiosos e guarda-roupa que nunca mais acaba”. Beneficiando de um público fiel que esgota a sala do CCC nos cinco dias em que os espetáculos são representados, e com um preço de bilheteira de cinco euros por pessoa, refere que consegue ter capacidade para pagar a logística, e os direitos de autor cobrados pela SPA. O elenco fixo ainda não é pago, mas confessa que esse será o próximo passo. A autonomia desta companhia teatral está patente no facto de não beneficiar nem de subsídios (“Todos sabemos da situação financeira da Câmara, nunca pedimos nada porque sabemos das dificuldades”) nem de patrocinadores. “Por isso a nossa autonomia é um exercício sufocante”, ilustra, e referindo-se à subsidiodependência da área acrescenta que “muitos alojam-se nessa possibilidade”. “No meu caso sei que se não conseguir pagar os custos não tenho peças”. “Critico a política de subsidiar apenas e só as que

Frederico Corado assume-se como um picuinhas nos bastidores

não têm capacidade para gerar receita que consiga colmatar os custos. As verbas deveriam ser para todos, e tal como se faz noutros países quando a peça já tiver superado a verba dada inicialmente, devolver-se-ia esse dinheiro que depois poderia ser canalizado para o dito teatro expe-

rimental” Na hora de escolher uma peça, a opção aqui também recai um pouco sobre os clássicos, nomeadamente os que versem sobre quotidianos que vão de encontro ao gosto do público, como os que abordam os dramas ou as comédias familiares na senda do

teatro de boulevard, a ruralidade, entre outros aspetos. E realça o sucesso que foi a representação recente de “Mar” de Miguel Torga (com 10 toneladas de areia em palco). A companhia tem ainda um repertório infantil que neste caso é levado a outros palcos para além do Cartaxo.

Teatro Paulo Claro

Público da Glória gosta de peças de intervenção e que façam pensar teatro na Glória do Ribatejo já tem tradição desde os anos 60. Existiu um teatro de marionetas entretanto extinto na década de 90. O nome do grupo vem de um jovem ator da terra que já ia fazendo furor no mundo do teatro em Portugal até que um acidente de viação lhe tirou a vida aos 29 anos na sequência de um atropelamento. Já nessa altura tinha fundado nesta aldeia do concelho de Salvaterra de Magos um grupo de teatro, os Rapazes da Aldeia que ganhou o seu nome após o seu desaparecimento, em 2001. A companhia conheceu alguns interregnos pelo meio, mas desde 2012 que mantém uma atividade regular, com novas caras em relação aos primeiros anos. Com frequência promove workshops com o objetivo de conseguir novos atores, onde aparecem “pessoas de todo o concelho”, refere Nuno Monteiro, presidente da assembleia geral da Associação Teatro Paulo Claro – Rapazes da Aldeia. Apesar da escassez de atores, do público esta companhia não se queixa. A população

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da Glória por norma é fiel às peças e comparece sempre em número satisfatório. Os espetáculos na Glória são apresentados na Casa do Povo, “a sala não tem muitas condições mas é o que se

arranja”. Em palco, as peças costumam levar 13 a 14 pessoas consoante as peças. Nuno Monteiro dá uma perninha na encenação mas na última peça recorreram ao encenador Nuno Crespo

do Cartaxo, “até porque sabemos que não temos conhecimentos e aptidão para encenar”. Depois da apresentação na Glória o grupo leva a conhecer a peça a outros locais do concelho como Salva-

Nuno Monteiro e Rui Pote dois dos rostos desta companhia

terra e Marinhais. Recentemente também estiveram na Benedita num encontro de teatro. Cada peça é representada cerca de cinco a seis vezes, e os ensaios duram em média três meses. A importância de Paulo Claro ainda hoje é lembrada pois “se não fosse ele o teatro tinha acabado na terra em 1992”. O futuro da companhia para já não se consegue prever até porque a atual direção vai cessar funções em breve. Para não fugir à regra, esta companhia também envereda pelos clássicos: Tchekov, Brecht, para “a SPA não nos bater à porta”, confessa. Um dos maiores sucessos do grupo baseou-se na representação de um texto de um autor alentejano que evocava a ditadura antes do 25 de abril. “As pessoas ficam admiradas com a nossa qualidade”. Quanto à logística conseguem montar um espetáculo a custo zero com a denominada prata da casa. O teatro de intervenção “que faça pensar” é o que mais agrada à população que não o de variedades. “Aqui tem de ser uma comédia mais in-

terventiva”, realça Rui Pote, um dos atores principais da companhia. Espaços no concelho onde a companhia se possa apresentar são poucos, e nem mesmo o recente Mercado da Cultura em Marinhais oferece condições a nível do palco para um espetáculo de teatro no entender dos responsáveis. Na Glória, vai surgir em breve o Espaço Jackson com o intuito de albergar todas as coletividades da freguesia. Existe alguma expetativa mas a companhia também não conhece para já como é que serão encaixadas as associações no seu interior. Rui Pote, 24 anos, é um dos nomes principais da companhia, e tem desempenhado o papel de protagonista nas diferentes peças, como “Os Malefícios do Tabaco” de Tchekov, mas também em “Oh atear do lume”, e “A Exceção e Regra”. Profissionalmente na vida trabalha numas estufas e também se dedica a peças de marionetas. Chegou a sonhar em ser ator a nível profissional, mas “seria muito difícil com um custo muito elevado”.


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Política 15 Ilustração Bruno Libano


16 Política

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Autárquicas Alenquer: Pedro Folgado não mexe na equipa à Câmara candidato do PS à Câmara Municipal de Alenquer, e atual presidente da autarquia, Pedro Folgado, repetiu os mesmos convites aos primeiros da lista de há quatro anos. Se ganhar as eleições, a equipa de vereadores vai manter-se com as recandidaturas de Rui Costa, Dora Pereira, Paulo Franco. Foram dados ainda a conhecer os nomes de Paula Vitorino, Cláudia Carvalho e José Honrado. Para Pedro Folgado só fazia sentido a continuidade pelo que decidiu formular os mesmos convites, “apesar de todos eles me terem posto à vontade para o caso de eu querer mudar de ideias e convidar outras pessoas”, até porque acreditamos que “um autarca não deve olhar para o seu ego e umbigo mas trabalhar para a população”. “O grau de compromisso e de empenho foi grande entre esta equipa e entendi que não devia mexer na mesma”, referiu perante uma plateia que praticamente lotou o auditório Damião de Goes, no dia 11 de junho, numa cerimónia que também deu a conhecer os cabeças de lista às freguesias e à assembleia municipal. No seu discurso, Pedro Folgado aproveitou para fazer o balanço de mandato, respondendo tam-

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bém aos críticos que acusam o atual executivo de não ter feito obra que se veja. Para o candidato tal não corresponde à verdade, mas a sua grande prioridade e sem especificar nomes do passado - (a autarquia foi sempre governada pelo PS) - foi a de pagar a dívida de grande monta deixada pelos antecessores, sendo que foram amortizados oito milhões de euros até à data, facto elogiado pelo secretário de Estado da Educação, e militante socialista, João Costa, que marcou presença nesta cerimónia. Mas também restabelecer a confiança dos fornecedores do município que andava pelas ruas da amargura no início do mandato. Além disso frisou o pagamento dos centros escolares de Vila Verde dos Francos e Cabanas de Torres, e o que considera ser “o sucesso do Orçamento Participativo”; as transferências de verbas (um milhão no total do mandato até ao momento) para as juntas de freguesia “Acabámos com o paradigma do desespero dos senhores presidentes de junta que nunca sabiam quando iam receber o dinheiro da Câmara”. Essencialmente, “quisemos durante estes quatro anos entender com rigor as capacidades e as fragilidades do

Candidato repete mesmo equipa de 2013

concelho e preparar o futuro”, pelo que “fazer obra pela obra; equipamento por equipamento não é significativo, e neste momento já dispomos de fundos para colocarmos em prática o Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano de Alenquer” que pretende redefinir os espaços públicos de Alenquer e do Carregado. Também o candidato à Assembleia Municipal José Lourenço fez um balanço de mandato e foi deixando algumas críticas em áreas

nas quais se deve melhorar, principalmente, no discurso, porque “a população já não tem paciência para a desculpa de que não há dinheiro por causa das dívidas”, e deixou o conselho para que o executivo tenha “mais contacto com a rua e com os pequenos problemas das pessoas”. Já os recados para os opositores políticos vieram da parte do mandatário da campanha, o antigo presidente da Câmara, Jorge Riso, que referindo-se a Pedro Folgado

e ao facto de o ter trazido para a política teceu o seguinte comentário - “Com ele acertei na mouche, com outros errei profundamente e sabem de quem estou a falar”. Para o antigo autarca, “o PS tem as melhores pessoas, e as melhores ideias, pelo que nem é necessário explorar as fragilidades dos adversários que são imensas”, bastando apenas “que se trabalhe e que se fale com o eleitorado”. O presidente da Federação Regional do Oeste do

PS, o alenquerense Nuno Inácio, por seu turno, aludiu ao conjunto de “banalidades e utopias” propostas pelos outros adversários e sem que se dê grandes explicações. “Não basta prometer cidades e urbanidades”. Já o presidente da concelhia socialista local, Fernando Silva apelou a alguma contenção da euforia por parte do PS, “até porque os nossos opositores políticos estão à espera de se mandar à nós à tripa forra”.

CDS Azambuja apresenta candidatos com a presença da líder do partido CDS-PP de Azambuja apresentou a 12 de junho oficialmente os seus candidatos à Assembleia Municipal, Câmara e Junta de Freguesia. O partido que não concorria sozinho no concelho de Azambuja desde 2005, apresenta-se agora a votos depois de uma cisão com o PSD local. Assim, o CDS escolheu a sua sede para dar a conhecer, na presença de Assunção Cristas, a líder do partido, José Carlos Matos, presidente da concelhia, como cabeça de Lista à Assembleia Municipal, Madalena Viana à Câmara, e Eva Pires à junta da sede de concelho. Visivelmente emocionado, José Carlos Matos salientou o esforço e o empenho de todos na candidatura que recorda “não será fácil”. Para o líder local, esta apresentação representou “um marco histórico para o CDS em Azambuja” porque “desde 2005 que não concorríamos às eleições autárquicas em listas próprias, e é com um enorme orgulho que vejo a mobilização de militantes e independentes que acreditam no nosso projeto”.

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Madalena Viana, a candidata à Câmara, salientou que não sendo “filha de Azambuja”, foi “adotada por esta terra há muitos anos”. A candidata disse acreditar na participação da sociedade civil na política e por isso como independente acredita que pode dar o seu contributo “para o desenvolvimento do nosso concelho”. Madalena Viana elencou uma série de ideias para o concelho, desde logo na Educação onde pretende adequar os cursos profissionais às necessidades dos jovens adultos, convidando os empresários a discutir o tema. Na saúde identificou a falta de médicos de família, referindo a necessidade de se insistir “com Lisboa para que esta necessidade melhore”. Entre outras medidas, Madalena Viana destaca o setor do turismo que bem conhece, já que explora uma empresa de passeios no tejo. A candidata lembra o investimento que foi feito no passado na “Casa Branca” mas que ficou pelo caminho. Ali foram gastos alguns milhares no início dos anos 2000 “mas sem que houvesse retorno”, defendendo também a re-

cuperação da Vala Real e do Palácio das Obras Novas. Eva Pires, candidata também independente à Junta de Azambuja, lembrou que há quatro anos integrou a lista da Coligação onde estava o CDS, entretanto aceitou o convite de José Carlos Matos para liderar mais um desa-

fio. Eva Pires lembrou a sua vida, “no campo” e o orgulho nas suas raízes. A candidata vincou estar disponível para apoiar socialmente, se for eleita presidente de junta, as famílias de Azambuja. Assunção Cristas, líder do CDS, que esteve em Azambuja para dar o seu apoio à candidatura, re-

Candidatos receberam incentivo de Cristas

conheceu que o caminho do partido não vai ser fácil. A líder do CDS diz que Azambuja “é um território de muitas oportunidades mas há coisas que podem ser melhoradas e ultrapassadas”. Cristas disse que encontrou nas candidaturas de Azambuja “vontade de resolver os problemas e

encontrar as oportunidades”. A líder do CDS refere que há linhas de orientação que unem as candidaturas de Azambuja à sua à Câmara Municipal de Lisboa e uma delas é o Rio Tejo e vinca que a aposta passa antes por aquilo que já existe nos territórios e na sua preservação.


Valor Local

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Política 17

Candidato da CDU à Câmara de Azambuja

David Mendes repete linhas de força de há 4 anos para as eleições candidato da CDU à Câmara Municipal de Azambuja, David Mendes, apresentou-se recentemente junto dos militantes. Os nomes que o acompanharão na lista à Câmara ainda não são conhecidos publicamente, mas alguns deles não serão de todo caras completamente novas porquanto, alguns, voltam a ser repetidos em relação a 2013. O candidato que já foi cabeça de lista em 2013, e segundo na lista do partido na eleição de 2001, volta a colocar o desenvolvimento económico e a atração de empresas como um dos alicerces da sua candidatura. Há quatro anos a CDU foi a segunda força mais votada, e paira, nesta altura, após um mandato desgastante para o PS, a questão sobre até onde esta força política poderá ir. Na opinião de David Mendes, a capacidade da Câmara para captar novas empresas, e fomentar a economia, não mudou desde 2013 apesar da criação de instrumentos à partida favoráveis ao incremento económico do concelho como a figura do gestor da inovação e do Gabinete de Atividades Económicas. “Muita parra e pouca uva”, refere, acrescentando – “O PS na Câmara de Azambuja sempre deu a ideia de que faz muito quando não faz”. Na sua opinião falta responsabilidade política nestas matérias “com um trabalho consequente, na alçada de um responsável do executivo”, e vai mais longe “um

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investidor quando apanha um homem daqueles (referindo-se ao gestor da inovação) vê-se logo que não tem articulação com o município”. O reforço das ligações com as juntas de freguesia é outra área que considera sensível na gestão do município bem como o dossier “Águas da Azambuja” que face a uma fórmula leonina desenhada no início do contrato não permitiu que os munícipes beneficiassem da descida das tarifas em alta, operada, nos últimos anos, com a fusão do setor. Tendo até cometido “algumas ilegalidades” no que toca à limpeza de fossas e à cobrança desse serviço. Para David Mendes, uma auditoria à concessionária seria esclarecedora mas foi recusada – “Possivelmente muita coisa desse negócio só se vai descobrir um dia quando a CDU ou eventualmente a Coligação forem poder neste concelho”. Sobre o facto de um deputado da CDU ter passado a fazer parte da comissão de acompanhamento do aditamento ao contrato das águas dá a sua posição: “Na altura acreditei que talvez tivesse sido uma boa opção ter recusado ou em contrapartida ter abdicado do mandato na assembleia. Contudo António Nobre achou que não seria necessário, que teria essa capacidade, talvez por ser advogado e conseguir colocar-se dos dois lados. Compreendi a sua posição”. O candidato refere que a sua po-

O reforço da economia do concelho é um dos objetivos

sição baseia-se “na imagem exterior dessa posição, pois não sabemos até que ponto é que as nossas atitudes se refletem na altura do voto”. O candidato faz ainda um balanço positivo do ponto de vista da ação da CDU nos órgãos autár-

quicos que permitiu “pela sua ação”, “baixar o IMI e travar significativamente o aumento da taxa de resíduos sólidos urbanos; fazer o pré-escolar público em Aveiras de Cima; bem como as obras do mercado de Manique, e da casa mortuária de Casal de

Além”. Sobre a ação da maioria socialista tece a seguinte consideração – “A Câmara não se pode preocupar mais com os problemas dos membros da autarquia e do município, e menos com os dos munícipes”. Quanto à oposição feita pela Coligação

Pelo Futuro da Nossa Terra é da opinião de que houve um excesso de instrumentalização dos vários dossiers “desde as águas passando pelas piscinas e terminado, por exemplo, nos RSU” que não abonou a favor do desenvolvimento do concelho.

presálias”. Rui Corça refere ainda que “as pessoas temem a Câmara” porque quando lhes é resolvida alguma necessidade básica pelo executivo imediatamente acenam com o seguinte aviso: ‘Agora veja lá se não se esquece de nós na altura do voto’.” Por outro lado, “há quem não hesite e me diga que não está satisfeito com o seu partido e me pergunte o que tenho eu para oferecer”, re-

ferindo-se à crise do PS Azambuja. Entretanto e em nota de imprensa enviadas às redações, a Coligação deu a conhecer os seus candidatos a mais duas assembleias de freguesia: Paulo Ferreira, por Vila Nova da Rainha, 53 anos e consultor de seguros; e Jorge Calado à de Vale do Paraíso. O candidato tem 41 anos e é técnico de eletromecânica.

Balanço do périplo pelas freguesias da Coligação

“As pessoas dizem-me que este foi o pior mandato de todos” candidato da Coligação Pelo Futuro da Nossa Terra (PSD, PPM e MPT) tem vindo a levar a efeito vários encontros em espaços de restauração, entre outros do concelho de Azambuja. Já foram até ao momento percorridas as diferentes freguesias do concelho. Rui Corça refere que o balanço é positivo tendo em conta que “por vezes duram mais de três horas com as pessoas ansiosas por

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mostrarem os seus problemas e os debaterem”. No entender do candidato, constata-se “que o nível de vida das pessoas do concelho regrediu porque as preocupações passaram a ser a manutenção dos esgotos, o abastecimento de água, os buracos e a falta de limpeza das ruas”, ou seja “o nível do debate está nas necessidades básicas do ser humano”. “O nosso concelho está cla-

ramente a andar para trás”, não tem dúvidas. O candidato nota que as preocupações das pessoas são semelhantes em todo o lado, “quer estejamos em Quebradas, Alcoentre, ou na sede de concelho”. Para além de que “é normal ouvir as pessoas dizerem que este mandato do PS foi o pior de sempre”. Se na vila de Azambuja é normal “as pessoas queixarem-se da lim-

peza urbana”, na ruralidade “falase do mau estado das bermas e dos caminhos quanto a esta matéria”. Sendo que se “chega ao ponto de existirem situações específicas em que a junta é impedida de intervir porque quer ser a Câmara a fazer esse serviço.” O candidato observa ainda que “a democracia neste concelho está doente”, porque “as pessoas sentem-se pressionadas receando re-


18 Opinião

Valor Local

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Universidade Sénior do Cartaxo na senda da excelência Augusto Moita

nquanto professor voluntário na USCTX – Universidade Sénior do Cartaxo: - I have a dream! (Eu tenho um sonho!). A frase que ficou imortalizada na história da luta antirracista nos EUA, foi proferida por Martin Luther King Jr., inspirou-me para escrever este artigo de opinião. E porquê? Porque o articulista também «tem um sonho», que julga ser naturalmente partilhado por todos os “stakeholders” da USCTX: dirigentes, professores, alunos, autarcas, fornecedores e demais agentes interessados; o de elevar e manter a USCTX no patamar de “Instituição de excelência”, na promoção do envelhecimento ativo e saudável da pessoa sénior. Para alcançar tal desiderato, penso ser primordial que todos, sem exceção, estejamos conscientes

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da MISSÃO, VISÃO e VALORES da Instituição que representamos com honorabilidade. Esta instituição, de economia social, deverá, segundo o meu ponto de vista, ter como MISSÃO: a promoção do envelhecimento ativo e saudável da população sénior, através da realização de atividades intelectual e socialmente estimulantes, objetivando a melhoria da qualidade de vida da pessoa sénior, proporcionandolhe, convívio, lazer e desenvolvimento cognitivo (aprendizagens, habilidades, novas competências, aculturação, comportamentos de interação e novas experiências), por forma a sentirem-se ainda úteis e quiçá, ainda capazes de interagirem em atividades sócio culturais. A VISÃO deverá ancorar-se no humanismo i.e., sem discrimina-

ção de raça, sexo, estatuto social, crença, ideologia política ou quaisquer outras formas discriminatórias e, expressar-se no mais profundo respeito pela dignidade da pessoa sénior, em tudo o que este encerra, manifestando-lhes em todos os momentos, o preito da gratidão pelo seu passado, suas vivências e seus contributos para o núcleo familiar e para a sociedade. Os VALORES deverão estar compaginados no acrónimo, “CHAMAR”: Comprometimento, Honorabilidade, Ação de voluntariado; Matriz social; Amor ao próximo; Resiliência. Face ao supracitado, e na senda da excelência, o que é necessário fazer? 1º. A manutenção de um bom clima organizacional, onde a motivação, a satisfação, o empenhamento, a disponibilida-

de, a competência e o estado de relacionamento entre os diversos atores da organização, constituam uma mais-valia para a Instituição; 2º. A avaliação da performance da USCTX e da prestação dos seus professores através de Inquéritos por questionário - satisfacionais (análise holística); 3º. A aposta na continuidade evolutiva da Instituição no que concerne à melhor oferta lúdica/prazerosa/gratificante, convivencial/humanista e de aprendizagens multidisciplinares. Naturalmente que, um bom clima organizacional, pressupõe a união de todos os “stakeholders”, onde as atitudes e os comportamentos desejáveis, tais como: a solidariedade, a lealdade, a honestidade, a frontalidade, o respeito, o trabalho em equipa e o espírito de missão, são impres-

Feira de Maio 2017 em Azambuja m primeiro lugar, quero dar os parabéns à Câmara Municipal e à Poisada do Campino, pela dignidade que deram à Praça de Toiros Dr. Ortigão Costa, tão bonita que ela estava. Tanto em pintura, como em limpeza, tudo muito bem arranjado e que

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bonita estava a capela. Em segundo lugar, quero dar os parabéns pela forma como decorreram as esperas, com toiros bem escolhidos, quase puros para o toureio a pé. Quanto à Feira de Maio em si, esta, meteu muitos muitos aficio-

nados a gostar das largadas, sardinha assada e do castiço fado vadiámos. Era também de ver janelas e varandas engalanadas, começando pelo meu vizinho, o Sr. Padre Paulo Pires que foi merecedor e premiado. Todos de parabéns.

cindíveis! Contudo, e há que assumi-lo, por vezes, existem conflitos nas organizações (módulo lecionado este ano letivo 2016/17, “Gestão de conflitos”, no âmbito da U/C Ciências Sociais e Humanas), porque somos seres humanos e naturalmente, dependemos de preditores de personalidade e das nossas perceções face a determinados assuntos/acontecimentos. O conflito, não é necessariamente algo de mau para a instituição que procura o atingimento da excelência, pelo contrário, deve ser encarado como um modo de proporcionar diálogo, gerar novas ideias, explorar sentimentos, alcançar novos valores e padrões, favorecendo a expressão individual e deste modo, alcançar decisões democraticamente mais eficazes e de verdadeiro interes-

se funcional para a vida da Instituição. Todavia, é indispensável, que sejamos empáticos, i.e., que nos coloquemos na posição do outro para melhor analisarmos os fatores que deverão ser ponderados, sua discussão e a consensualização das diversas opiniões/posições, até à obtenção de uma resolução final, dirimindo as diferenças, objetivando a excelência. Só unidos alcançaremos a “excelência”! Exploremos as sinergias internas! Os dirigentes passam e as Instituições permanecem!

António Salema “El Salamanca”

Quanto à corrida de toiros. Os artistas, nesta tarde de chuva, não puderam desenvolver todas as suas ganas para triunfar. Não fizeram mais do que cumprir a sua missão, e bem, obrigado pelo esforço feito. Estavam três quartos de casa, mas no decorrer da cor-

rida, a chuva ia e vinha. A banda de música, teve de se recolher e tocar debaixo das bancadas e o público desprevenido também o teve de fazer. Quanto à realidade, não faço crónica da mesma, como já disse em cima, faltou êxito derivado à chuva. Mas nem tudo foi mau para os refugiados debaixo das bancadas, pessoas que não se viam há bastante tempo reencontraram-se, serviu para matar saudades, como foi o caso deste cronista. No tempo ninguém manda. Só deus sabe e é ele que nos dá o bem e o mal. Manuel Jorge de Oliveira Agora, temos a homenagem a Manuel Jorge de Oliveira, nosso conterrâneo, pelos seus 40 anos de alternativa que será realizada no mesmo dia em que dará a alternativa ao seu discípulo Parreirita Cigano. Este crítico, vai oferecer uma foto dessa data para o museu do Campo Pequeno, assim como um programa da primeira Praça de Azambuja. Os azambujenses far-se-ão repre-

sentar em massa nesse dia, existindo inclusive um autocarro para o efeito. Ana Rita Avizinha-se uma grande temporada para a Cavaleira Ana Rita, que depois de ter iniciado a sua temporada em Espanha com duas corridas, lidando um toiro em cada uma, na primeira 13 de Maio – Santo Domingo de la Cazada – 1 touro x1 orelha. Tendo na segunda 16 de Maio– Villasequilla – 1 touro x 2 orelhas saído em ombros pela Puerta Grande. No passado dia 13 em El Tiemblo, foi a triunfadora da tarde, tento lidado dois toiros, cortado 4 orelhas e saído por la Puerta Grande. Ana Rita tem neste momento até final de Agosto 20 corridas agendadas, sendo 18 delas em Espanha, uma em França e uma em Portugal.

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Metaforas e Parabolas Lda - Comu-

nicação Social e Publicidade; NIPC 514 207 426 Sede, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 3351 • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 10171 • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Joaquim António Ramos, Acácio Vasconcelos, Ana Bernardino, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Fotografia: José Júlio Cachado Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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Azambuja, um local com futuro para inovar e empreender município através do seu executivo aceitou em Janeiro de 2015, um programa intitulado “Construir o Futuro em torno da Inovação”. O programa tem como linhas de força, o estreitamento entre indústria, comunidade e educação. Este “triângulo” é fundamental para termos a inovação, como a chave, para uma melhor e maior qualidade de vida no Concelho. A inovação é a valorização das pessoas. Um dos passos que tem sido feito é focar a nossa atenção no desenvolvimento económico e nas formas de fixar empresas no nosso território. Estamos presentes em “spin-offs”, incubadoras, câmaras do comércio, associações empresariais, universidades, encontros com empresas inovadoras e criativas para explicar as condições favoráveis que Azambuja dispõe. Criámos uma moldura no site da câmara, com o título “investir e empreender” para que as potenciais empresas que queiram alocar as suas industrias no concelho, cheguem mais rápido a esta

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autarquia para desenvolver e facilitar projetos de promoção ao desenvolvimento. Criámos o programa “PICA”, Planear, Investir, Conhecer e Aprender. Um programa que liga industrias e escolas, através de workshops, idas de empresários às escolas e parcerias para estágios nas empresas do concelho. Colocámos à disposição da comunidade educativa diversos espaços para que os professores pudessem ter formações no âmbito do empreendedorismo com entidades parcei-

ras. “É preciso permitir a metamorfose. Para deixar de ser lagarta e voar como borboleta”, citação de Mara Chan. Azambuja. É uma região de Futuro. Temos o melhor capital humano e intelectual a trabalhar nas escolas. Fruto disso são os inúmeros projectos que saem todos os anos das escolas do Concelho. Uma autarquia que tenha uma gestão da inovação deve ser um facilitador para apoiar o tecido empresarial, no sentido de reforçar a sua capaci-

dade de inovar e internacionalizar. É nesse sentido que fizemos vários encontros com a comunidade empresarial para estreitar contactos, redes e de forma fundamental agilizar processos burocráticos. Tentamos ser uma fonte de inspiração nas conversas e encontros que temos com potenciais industriais ou investidores e sermos também actores na dinâmica empresarial, caminhando juntos. Estamos a trabalhar na criação e fixação de um novo ecossistema de empresas com

Opinião 19 Rui Pinto *

destaque para as empresas inovadoras e criativas. Empresas diferenciadoras e de elevada massa crítica. Estas empresas têm o poder transformacional de serem polos de inovação e desta forma trazerem outras empresas que garantam as condições favoráveis à investigação, desenvolvimento e inovação, na procura de talentos e neste “mix”, o aumento da competitividade local, onde toda a comunidade ganha. Empresas, munícipes, associações locais, etc. As câmaras munici-

pais devem ser um dos veículos que dinamizam diferentes sectores estratégicos, por conhecerem o tecido empresarial e o potencial local, de forma a complementar outros intervenientes com o AICEP, o IPAMEI, ou de forma regional, as CCDRs e CIMLVT, mas também com outras associações locais. Ainda temos uma outra dimensão que não pode ser descurada como a da valorização do conhecimento que é feita de forma brilhante nas nossas escolas. Estes diferentes atores irão conduzir a muitos bons resultados. Nesta forma de trabalho, os resultados não surgem em seis meses. Por vezes é necessário dar tempo, para ver os frutos da rede que se está a construir. Os alicerces desta estratégia têm de envolver as organizações e as pessoas. Acreditamos que em Azambuja, com a envolvência de todos, seremos uma terra de iniciativa com iniciativa. *inovaempre@cm-azambuja.pt


20 Desporto

Valor Local

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Associação Desportiva do Carregado com urgência em novas instalações Associação Desportiva do Carregado (ADC) vai ter de abandonar definitivamente o campo de jogos Lacerda Pinto Barreiros que a família Pinto Barreiros vinha reclamando para si desde há alguns anos com a devolução do terreno. A decisão do Supremo Tribunal de Justiça chegou entretanto, e a direção do clube em conjunto com o município de Alenquer organizou uma conferência de imprensa no início de junho para dar a conhecer o ponto de situação cuja solução passará pela disponibilização de um terreno na Guizanderia através de um contrato programa com a Câmara de Alenquer. Com uma ação de despejo por parte da família já há dois anos, Fernando Silva, presidente do clube, refere ao Valor Local que tem tentado encontrar uma solução, e culpa o município por também ser responsável pelo imbróglio criado, ainda no tempo de Álvaro Pedro, antigo presidente da Câmara, ao ter desafetado o terreno onde se encontra o campo de futebol da ADC de área agrícola para habitacional no PDM. Com a valorização do terreno, “o que vamos pagar em tribunal também fez au-

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mentar as custas do processo, na ordem dos 200 mil euros”. Em entrevista ao Valor Local, Luís Pinto Barreiros, em setembro de 2014, assumia a necessidade de devolução do campo inicialmente doado pela sua família mediante acordo verbal 50 anos antes. O herdeiro referia que chegaram a ser dadas outras soluções ao clube em terrenos ainda no Carregado que não foram aceites pelas sucessivas direções, “cada vez mais ambiciosas, tendo em conta que a dada altura até desejavam hipotecar o campo para realizar capital para o clube se manter na liga Vitalis”. Por outro lado, esclarece que quando o terreno foi doado pelo seu pai o objetivo era o fomento do desporto junto dos mais jovens, algo que se veio a perder nos últimos anos desde que o clube se profissionalizou “esquecendo os juvenis ou os iniciados”. Sobre o terreno na Guizanderia, Fernando Silva refere que confina com outro de um particular que está na disponibilidade de o doar para ali se instalar o novo complexo do clube, e assim aumentar a área. O clube tem de abandonar por ordem do tribunal a atual localização até fim do mês de junho

Clube tem de abandonar o campo em breve (foto ADC)

bem como as suas infraestruturas. “Temos de entregar a chave”, conforma-se Fernando Silva que espera que a família Pinto Barreiros seja compreensiva nesta fase e dê ao clube “um tempo para que as suas estruturas possam ser

movidas para outro local”. Sendo essencial “nesta altura que a Câmara dê o decisivo passo em frente” e assine o contrato-programa com o clube com um valor aprovado em assembleia municipal para que “a ADC leve a cabo

as obras”. O dirigente nesta altura apenas sabe que a Câmara continua em conversações com a família Pinto Barreiros para que possa fazer um compasso de espera tendo em conta o abandono por completo das instalações. Em

declarações ao Valor Local, a autarquia reafirma o seu comprometimento com o caso no sentido de se encontrar uma solução para o clube, que passará também pelo diálogo com a família Pinto Barreiros.


Valor Local

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Câmara de Salvaterra apela a intervenção urgente na Vala Real proveitando a presença do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, na iniciativa do jornal Valor Local levada a efeito no dia 2 de junho em Salvaterra de Magos, no âmbito do nosso concurso lançado a quatro escolas da região – “Como posso poupar água e proteger o ambiente”, a vice-presidente do município de Salvaterra, Helena Neves, exortou o governante a tomar medidas quanto à despoluição da Vala Real, tendo em conta a fruição daquele curso de água bem como toda a atividade económica gerada em torno: desde os passeios turísticos passando pela pesca até às provas aquáticas. A autarca relembrou que o estado da Vala Real não é compaginável com os recentes galardões entregues ao município, durante o mês de maio, pela Entidade de Turismo do Alentejo/Ribatejo: dois ligados à Falcoaria Real de Salvaterra de Magos – “Prémio Melhor Projeto Público 2016”; e “Prémio Especial ao Município de Salvaterra de Magos” pelo

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contributo para o sucesso da candidatura “Falcoaria, um Património Humano Vivo”, apresentada conjuntamente com a Associação Portuguesa de Falcoaria e a Universidade de Évora; e que culminou com a classificação desta prática de caça como Património Cultural Imaterial da Humanidade a um de dezembro de 2016. Tendo sido ainda atribuídos mais dois prémios a operadores do setor privado do concelho pela sua ação na dinamização das potencialidades de Salvaterra. Para a autarquia é urgente que se resolvam os problemas da Vala no sentido da consolidação urgente dos taludes que têm vindo a cair, bem como o seu desassoreamento. “Há barcos que já não conseguem navegar na Vala Real, há atividades económicas que já não conseguem ser efetuadas. É para nós determinante do ponto de vista económico e ambiental que este assunto seja resolvido com urgência”, referiu, enfatizando “que é urgente que seja devolvida a plena nave-

Autarca deixou vários recados a Carlos Martins

gabilidade nos 1500 metros de extensão de Vala Real, a mesma que os reis usaram desde tempos imemoriais”. Na resposta, o secretário de Es-

tado anunciou que está em preparação uma candidatura para um conjunto de intervenções hidráulicas no Tejo, em que as questões ligadas à Vala Real

também estarão acauteladas. Expressando que possui alguma expetativa para o que se pode vir a seguir no sentido da melhoria da qualidade da água, ao mes-

mo tempo que enfatizou o plano de fiscalização integrado em desenvolvimento bem como o encerramento de uma empresa poluidora recentemente.

Escola Básica da Quinta das Índias vence “Brigada do Amarelo” edição de 2017 da “Brigada do Amarelo” valeu um prémio de mil euros à Escola Básica da Quinta das Índias em Vialonga. A iniciativa foi promovida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e envolveu a Valorsul e a comunidade escolar dos concelhos que fazem parte desta estrutura. Só no concelho de Vila Franca, participaram cerca de oito mil alunos de 37 escolas daquele município, e que continuam a “ser cam-

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peãs na reciclagem”, como de resto afirmou Fernando Paulo Ferreira, vice-presidente do município. O vice-presidente salientou a importância didática desta iniciativa que em Vila Franca de Xira já assumiu um papel de destaque no setor da educação, lembrando que só a escola vencedora conseguiu recolher cinco toneladas e meia de material reciclável. Num discurso virado para os mais jovens, salientou que a Escola das

Índias foi aquela que recolheu mais plásticos e embalagens “e que ajudou o ambiente e a Valorsul que trata os plásticos e os recicla”. O responsável destacou, igualmente, o empenho dos professores e dos auxiliares nas escolas, que têm um papel importante na educação ambiental das crianças do concelho, tendo agradecido a todos inclusive aos encarregados de educação pelo empenho em casa.

Metas da reciclagem em Portugal estão a ficar pelo caminho s metas que o país fixou em matéria de reciclagem estão a falhar. Até 2020 haviam sido programados objetivos pelas diversas entidades que já não vão ser atingidos. O paradigma do depósito de lixos e resíduos nos ecopontos parece que não surtiu o efeito desejado e isto foi salientado por diversos responsáveis neste setor bem como ONG’s, e autarcas durante o Colóquio Ambiental da região Oeste decorrido em Alenquer. O futuro passará antes pela recolha porta-a-porta como já acontece em alguns municípios portugueses. Até 2020, o país teria de colocar apenas 35 por cento dos resíduos em aterro, o que não está a acontecer, e quando apenas 36 por cento dos materiais com potencial estão a ser reciclados quando a meta desejável seria de 50 por cento. O país teria de ter ganhos de cinco a seis por cento ano até 2020 para cumprir as metas o que não se afigura como possível. Ismael Gaspar, responsável da Empresa Geral do Fomento, sublinhou a necessidade de mais aposta nos sistemas de tratamento mecânico biológico mas também na necessidade dos produtores de embalagens poderem adaptar-se às novas exigências ambientais com a utilização de novos materiais. Já Rui Berkemeier, conhecido ambientalista na área dos resíduos, incentivou os presentes a criarem a mudança na forma como os municípios são compensados na adesão a mais iniciativas que vão de encontro às metas da reciclagem - “Pelo que sei a Sociedade Ponto Verde transfere para as empresas gestoras uma verba que depois é equitativamente distribuída pelos municípios, quando deveriam ser premiados os que promovem mais a reciclagem, e dou o caso de Alenquer que tentou fazer uma campanha junto do comércio local, mas depois esbarrou com dificuldades a jusante por parte da Valorsul quando foi necessário pedir meios de transporte e algum apoio logístico”.

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Ao todo os alunos das escolas do concelho de Vila Franca de Xira recolheram 45 mil toneladas de embalagens para reciclar, um número que tem vindo a aumentar de ano para ano. Esta já não é a primeira vez que a Escola Básica da Quinta das Índias em Vialonga vence este prémio. Um prémio contabilizado em mil euros para gastar naquele estabelecimento de ensino e que acrescenta “uma mais-valia na consciência ambiental, não só das crianças, mas também dos encarregados de educação, auxiliares e professores.”

Cheque de mil euros entregue à escola vencedora

Limpezas da Câmara de Salvaterra à beira rio geram dúvidas vereador do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Salvaterra de Magos, Luís Gomes, questionou o executivo acerca da legalidade das limpezas efetuadas nas zonas ribeirinhas do concelho, como Bico da Goiva, Pinheiroca, Praia Doce, e a existência de autorização superior para esses trabalhos bem como o necessário acompanhamento científico. “Suspeita-se que as ações da Câmara neste domínio possam estar a ser contraproducentes no sentido da destruição de ecossistemas de algumas espécies marinhas, e do desaparecimento do areal do Bico da Goiva” referiu. Hélder Esménio, presidente da autarquia, respondeu que as ações se têm limitado à remoção de canas e de silvas que impediam o acesso e a fruição desses locais ribeirinhos. Sendo que a própria Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem monitorizado as ações levadas a efeito pela Câmara. De acordo com o autarca, foi pedido ao secretário de Estado do Ambiente para que aja “no sentido do restabelecimento dos taludes da Vala Real entretanto apodrecidos” em função das marés vivas. Enquanto que no Bico da Goiva “foi solicitado à APA para que autorize a colocação de mais pedras” de forma a tornar mais compacto o relevo do local e evitar o desgaste por ação das águas. O vereador da oposição questionou, em conclusão, a abordagem da APA até porque segundo “alguns ambientalistas o arranque de alguma vegetação estará a colocar em causa determinados habitats e a procriação das espécies marinhas”.

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Valor Local

Entrega dos diplomas do Valor Local juntou 100 crianças em Salvaterra de Magos erminou com chave de ouro o concurso lançado pelo nosso jornal, na edição de março, - e que contemplava um desenho e uma composição sob o tema “Como posso poupar água e proteger o ambiente”- ao termos proporcionado uma manhã diferente a cerca de 100 crianças dos quartos anos das escolas participantes: Grau de Prova, concelho do Cartaxo; Básica de Alcoentre, concelho de Azambuja; Básica da Malva Rosa em Alverca, concelho de Vila Franca de Xira; e Básica do Estanqueiro, em Foros de Salvaterra, concelho de Salvaterra de Magos. No dia dois de junho foram entregues os diplomas de participação com a presença do secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, autarcas, representantes dos sistemas de águas, e convidados em geral, na Escola Profissional de Salvaterra de Magos, à qual agradecemos o apoio nesta nossa iniciativa. Para além da entrega dos diplomas, as crianças puderam disfrutar de outras atividades lúdicas e levar consigo para casa algumas ofertas do município anfitrião, Salvaterra de Magos, e da Águas do Ribatejo também com sede naquele concelho. Durante a sessão não faltaram momentos de sensibilização ambiental pela escola profissional, mas também pela artesã e animadora infantil Hélia Carvalho que através de uma linguagem acessível a crianças da faixa etária em questão elaborou o filme “Uma viagem pela água”. Deixamos aqui alguns dos instantâneos desta iniciativa a repetir no futuro.

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Valor Local

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Valor Local Edição junho 2017  

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