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Jornal Regional • Periodicidade Mensal • Director: Miguel António Rodrigues • Edição nº 61 • 17 Maio 2018 • Preço 1 cêntimo

Valor Local Bairros Sociais A Luta pela Inclusão Destaque na 12 , 13, 14, 15 e 16

Feira de Maio com novo espaço de lazer junto aos pavilhões Eventos na 10

Quercus exige que autarcas de Benavente paguem por erros e omissões urbanísticas Ambiente na 23

Centenas em homenagem emotiva às vítimas da EN3

Sociedade na 3


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ARPIA comemora 26 anos com o objectivo da ampliação das suas instalações 24 de Abril de 1992, um grupo de três pessoas constituíram uma Associação denominada “Comissão de Reformados Pensionistas e Idosos de Alverca”, mas só em 22 de Março de 2007, por iniciativa de Eduarda Castanheira e Adriano Gabriel, a associação foi legalizada e alterou a sua denominação social para “Associação de Reformados Pensionistas e Idosos de Alverca- ARPIA”. A partir dessa data muitas tem sido as actividades desenvolvidas, como os jogos tradicionais, ginástica, pintura, artesanato, passeios recreativos para sócios, flores de papel e sempre uma presença assídua nas iniciativas da Câmara Municipal com destaque para a Passerelle de Ouro, Festa da Flor e Xira Infantil e da Junta de Freguesia como a Festa do Arroz Doce, e o Maio Cultural A cerimónia do 26º aniversário decorreu no passado dia 28 de Abril e contou com a presença

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da Secretária de Estado para a Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, da deputada Maria da Luz Rosinha, do Presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Alberto Mesquita, do anterior e actual Presidente da Junta de Freguesia de Alverca, Afonso Costa e Carlos Gonçalves, que foram recebidos ao som do “Grupo de Cavaquinhos da ARPIA”. No início da sessão de boas vindas a presidente da Direcção, Eduarda Castanheira, fez um relato das inúmeras actividades da associação assim das dificuldades existentes como a falta de espaço para a organização de eventos desta natureza e para a criação de novas valências para os associados e apelou aos sócios uma maior participação nas actividades diárias da ARPIA. A deputada Maria da Luz Rosinha convidou a associação a visitar a Assembleia da Repúbli-

Coletividade assinalou mais um aniversário a pensar nos projetos para o futuro

ca, convite que foi de imediato aceite por todos. Por sua vez, Alberto Mesquita, informou que tem mantido conversações com o gabinete do

Secretário de Estada da Defesa Nacional para que em breve a ARPIA possa ampliar as suas instalações para a vivenda ao lado onde anteriormente funcio-

nou o CEBI. Proposta que foi recebida com bastante satisfação pelos presentes. Após o almoço e a entrega dos troféus aos vencedores do tor-

neio da sueca, a tarde continuou animada com a actuação do fadista Zé Marquês e baile com o Duo “Aço K”. A. Lourenço

Azambuja: PSD exige limpeza na Socasa Vegetação vai crescendo a olhos vistos na Socasa

m comunicado, o PSD de Azambuja atira culpas ao município na questão da limpeza do espaço público do Bairro da Socasa que se “apresenta degradado e nalgumas situações até com sinais de desleixo por parte da Junta de Freguesia e da Câmara de Azambuja” porque não asseguram o corte regular da relva e vegetação existente. “A falta de dinheiro já não pode ser desculpa. A Câmara tem cerca de cinco milhões de euros em depósitos bancários e a Junta de Fre-

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guesia também está a ‘nadar’ em dinheiro”, refere o comunicado Na última reunião da Assembleia Municipal, o PSD defendeu uma intervenção global no Bairro da Socasa com várias ações, nomeadamente: substituição da iluminação pública; colocação de novas caixas de correio e novas papeleiras; marcação dos espaços de estacionamento; arranjo das várias zonas verdes; e intervenção regular de limpeza e corte de vegetação na entrada sul e no lado virado para a “Manga”.

Em resposta o presidente da Câmara referiu que a “ideia do PSD até era boa”, mas alegou que quem “quem tem de fazer as obras é a Cooperativa da Socasa”, demitindo-se para já de outras responsabilidades. Já Inês Louro, ao Valor Local, referiu que não é da sua jurisdição o arranjo dos espaços verdes no espaço urbano, mas da Câmara. “Admito que a limpeza tenha ficado comprometida na Socasa porque tivemos uma máquina varredoura avariada durante duas a três semanas”. Já

Inaugurado o novo lar da Santa Casa de Azambuja oi inaugurada a nova extensão do lar da Santa Casa da Misericórdia de Azambuja que passa, nesta altura, a dispor de 72 camas. São mais 23 camas face a uma lista de espera que não para de aumentar. No dia 27 de abril, data da inauguração, marcou presença em Azambuja o ministro da Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva que se regozijou com a obra feita que teve um custo de um milhão 90 mil euros. “Falta agora o mais difícil: Assegurar a qualidade e o equilíbrio sustentável que é algo muito exigente e até supera a fase da

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construção”. O ministro que prefere usar a palavra lar à designação oficial – Estrutura Residencial para Idosos desejou boa sorte para o futuro da instituição. Manuel Cruz Ferreira, provedor da Santa Casa, salientou os demais projetos em andamento por parte da instituição, que neste momento e no que diz respeito à valência para crianças contempla creche, jardim infantil, ATL, e Clube Jovem num total de 350 crianças. Na componente de idosos, vê então a sua oferta subir de 49 para 72 camas, e no que respeita ao apoio aos mais carenciados contempla o serviço de cantina social

com refeições servidas a várias famílias bem como a entrega de produtos alimentares provenientes do Banco Alimentar contra a Fome. O abrigo do peregrino é outro dos equipamentos da instituição. Com capacidade para 12 pessoas tem sido um sucesso tendo em conta que a vila é atravessada pelos Caminhos de Santiago. Segue-se o sonho da Unidade de Cuidados Continuados a implementar no local onde funcionou em tempos o hospital local. O orçamento é de um milhão e 500 mil euros no total de 40 camas, mas para já a Santa Casa não dispõe de verba para tal.

Nova valência vem fazer face à lista de espera

quanto à manga refere que fez uma limpeza junto à mesma em março. “Acredito que não esteja assim tão mau em tão pouco tempo”. Quanto a insistir com a Câmara para assumir as suas responsabilidades neste âmbito prefere para já não tecer considerações. A autarca refere ainda que já investiu os 54 mil euros que a Câmara transferiu que estavam destinados à componente da limpeza urbana com a aquisição das varredouras, material diverso, e máquina de monda térmica.


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Centenas em homenagem emotiva às vítimas da EN3 entenas de voluntários juntaram-se a mais de uma centena de outras pessoas numa cerimónia de homenagem às vítimas da estrada nacional 3 entre o Carregado e Azambuja no dia 15 de maio, dia das famílias. O objetivo de dispor garrafões com velas acesas no seu interior de forma a formar um grande cordão iluminado ao longo da via foi alcançado. Com a ajuda de vários grupos de voluntários o momento carregado de simbolismo aconteceu. Depois e no parque de merendas de Vila Nova da Rainha, pretendeu-se de forma simbólica recordar, por um lado as vítimas, e por outro a perigosidade daquela via que já tem da parte do governo uma luz verde para implantar duas rotundas. Joaquim Ramos, antigo presidente da Câmara de Azambuja, tomou a palavra para pedir um minuto de silêncio e para recordar os objetivos da plataforma, que pretende mais segurança para aquela via. Para homenagear as vítimas, foi colocada um conjunto artístico, composto por um carro vermelho, cortado ao meio, da autoria de José Carlos Matos. Foram os familiares de quem perdeu a vida ou viu a sua qualidade de vida diminuída após um acidente quem descerrou o conjunto. Muitas foram as lágrimas que caracterizaram aquele momento. Entre os que quiseram prestar homenagem estavam alguns elementos de um clube motard do Carregado. Para Jorge Rodrigues, daquele grupo, esta é uma estrada complicada e há algum tempo atrás um colega motard teve ali um acidente grave. Mais semáforos, mais controle da velocidade e um separador central podiam fazer a diferença nesta via. Armando Martins foi um dos voluntários que esteve envolvido nesta ação. Em outras ocasiões também manifestou o seu lado

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Escultura que fechou o momento que juntou autarcas e populações cívico ao ter lutado por uma rotunda na entrada de Azambuja face ao número de acidentes. Desde a primeira hora que respondeu à chamada da plataforma e também andou a colocar garrafões ao longo da Nacional 3. O espírito entre os voluntários foi “espetacular”, e nem o facto de o vento ter apagado parte das velas dentro dos garrafões no início da iniciativa desmoralizou todos os que quiseram colaborar. Quanto à sinistralidade, o morador coloca o acento tónico não apenas nos acidentes rodoviários, mas no facto de muitos trabalhadores saírem da Avipronto ou da Modis ainda de noite e circularem sem colete refletor, “o que é um perigo”. Sandra Seabra, também voluntária, acredita ser importante “continuar a sensibilizar cada vez mais as pessoas para os perigos desta estra-

da” e ao mesmo tempo “manifestar toda a solidariedade às famílias, e as homenagens que possamos fazer às vítimas”. Balde de água fria com Infraestruturas de Portugal O presidente da Câmara Municipal de Azambuja não está contente com o caderno de encargos apresentado pela IP à autarquia quanto às melhorias na Nacional 3 que são reivindicadas pela população. Em declarações ao Valor Local, Luís de Sousa, refere que foi contactado por aquele organismo do Estado, no dia da iniciativa da plataforma, para que seja a Câmara a financiar as obras que venham a surgir relacionadas com mais postes de iluminação e passeios. “Tenho tantos passeios para arranjar no concelho. Não posso estar a as-

sumir essa despesa que é do Estado, e retirar verbas das estradas municipais para algo que não tem de ser a Câmara a fazer”. O

autarca garante que apena se comprometeu em ajudar ao financiamento de alguns aspetos como as rotundas, na ordem dos

50 por cento, ou tentar a comparticipação dessas obras junto das empresas, e refere que tem uma reunião agendada com a SONAE nesse sentido. “A Estradas de Portugal está a tentar atirar o barro à parede, mas o barro já caiu no chão”, ilustra para se demitir de responsabilidades que no seu entender são do Estado. No fecho desta edição, fomos informados de nova reunião entre o município e a IP. Segundo o que apurámos as negociações com a Câmara de Alenquer correram melhor, havendo o compromisso quanto à colocação de uns semáforos na zona do Carregado, e ao pagamento de metade do valor de uma rotunda a construir. A autarquia de Alenquer ao que tudo indica assumirá o custo do arranjo da estrada que liga à Central do Carregado. Recordese que a Nacional 3 passa numa escassa zona de território naquele município em comparação com Azambuja, com mais quilómetros de estrada. Já no final de 2016, a IP anunciou investimentos nesta via, mas acabou, por, já, na altura, dar o dito por não dito frustrando expetativas de autarcas e população.


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Alberto Mesquita

“Plataforma Logística da Castanheira cada vez mais cobiçada” pesar das vozes críticas, a atual logística “é bem-vinda a Vila Franca de Xira”. Alberto Mesquita, presidente da Câmara Municipal, salientou ao Valor Local que este setor é uma “inevitabilidade” e que, nesta altura, a plataforma logística está a ser cada vez mais procurada, lembrando que o Grupo Jerónimo Martins, proprietário do Pingo Doce, já adquiriu alguns lotes de terreno e que “em breve deverá começar as suas obras”. Há também uma outra empresa que atualmente está sedeada na Póvoa de Santa Iria, que se encontra a “fazer as malas” para ser alojada naquele plataforma logística, “e outras virão”. “Porque estamos numa zona muito central no que toca ao país, pelo que de certeza muitas empresas se sedearão ali”. O autarca vinca: “A logística não é a do passado. É uma logística em que os produtos são armazenados em plataformas e exportados para todo o mundo. Antes a logística eram camiões e pouco mais do que isso”. É por isso que diz que as grandes empresas “que queiram vir para o concelho” e que cumpram o planeamento que está definido “são todas bem-vindas”.

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Alberto Mesquita refere, por outro lado, que existe por parte do município incentivo para que as empresas possam ser deslocadas dentro do concelho para a Plataforma Logística da Castanheira do Ribatejo. Autarca recorda os últimos dias da Mague Todavia, para trás ficam décadas de um concelho altamente industrializado com indústrias pesadas e que resultavam num panorama económico completamente diferente. Casos como o da antiga MAGUE, que recentemente ganhou um memorial em Alverca, são exemplos que nos tempos correntes dificilmente se repetirão. Alberto Mesquita, que à época foi também ele um trabalhador e membro da comissão de trabalhadores da empresa, salienta que os últimos dias de laboração da MAGUE foram emocionalmente complicados. O autarca lembra outros tempos em que a luta sindical em Vila Franca de Xira era elevada. Com a consciência que esse tipo de empresas não regressará a Vila Franca, o autarca lembra os tempos de lutas sindicais, com “uma comissão de

Autarca prefere valorizar a logistica a desprezá-la trabalhadores com várias tendências políticas, o que mesmo assim nunca nos demoveu do nosso objetivo que era manter a MAGUE a funcionar”. Trinta anos depois, Alberto Mesquita lamenta não ter existido “a ajuda ou o apoio governamental para se evitar o fecho da empresa”, vincando que se isso tives-

se acontecido “estaria a laborar ainda nos dias de hoje”. Para o edil, um dos momentos mais difíceis prendeu-se com o debate final com a população. “Estive muito envolvido nisso e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e não foi possível. Foi uma grande mágoa” refere, lembrando a “grande” car-

teira de clientes que existia. Com a MAGUE pelo caminho, Alberto Mesquita aponta o dedo ao governo à época liderado por Cavaco Silva, e refere que a falta de apoio por parte do Estado “foi um erro” à semelhança de outras decisões até ao nível europeu. Alberto Mesquita refere que no

seu entender há uma nova indústria a emergir. “Hoje já se fala na desindustrialização”. No caso do concelho de Vila Franca de Xira “existe uma capacidade interessante ao nível industrial, mas o que é um facto é que as grandes indústrias ligadas à metalomecânica perderam-se”.

Construção do quartel da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima com Luz verde da sede nacional amos já abrir o buraco e colocar a primeira pedra” foi desta forma que José Torres comandante e presidente da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima se dirigiu aos socorristas e funcionários daquela casa depois da visita do presidente da Cruz Vermelha Nacional, Francisco George. O responsável máximo da CVP tinha acabado de garantir há poucos minutos o seu apoio total para que a construção do novo quartel da delegação de Aveiras de Cima pudesse finalmente avançar. Em declarações exclusivas ao Valor Local, o antigo diretor nacional de saúde sublinhou a importância da construção do novo equipamento, tendo em conta as atuais condições do quartel. Francisco George salienta que “o processo vai avançar de imediato”, ao mesmo tempo que as atuais instalações vão ser colocadas à venda. “Há o acordo desde já para irmos em frente na construção desta sede que vai acolher mais meios de socorro”, referiu o presidente

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da Cruz Vermelha Nacional que vincou a necessidade de esta delegação estar bem equipada, dado a sua proximidade à autoestrada do norte. Francisco George reconheceu que as atuais instalações “estão a

atingir o limite de utilização. Vamos rapidamente partir para outras”. O presidente da nacional ficou convencido com o projeto apresentado em Aveiras de Cima, e deu como prazo final da constru-

ção cerca de um ano e meio, acreditando que no final de 2019 o novo edifício será uma realidade “a funcionar com mais equipamento e mais pessoal”. O projeto que estará então concluído em finais de 2019, já tem

custos estimados. Segundo a CVP de Aveiras de Cima, o valor situa-se entre os 650 e os 750 mil euros, sendo que a delegação já tem meios financeiros para isso e conta também com a ajuda da população de Aveiras de Cima.

A família da Cruz Vermelha de Aveiras de Cima satisfeita por ver o sonho bem encaminhado

Francisco George mostrou-se entusiasmado com o projeto, e frisou várias vezes a necessidade de existir uma fiscalização da obra ao longo das várias fases. Para o responsável é preciso acompanhar todo o processo, até para que não existam derrapagens, e que a construção possa corresponder às necessidades da CVP local. O presidente disponibilizou-se pessoalmente para ir acompanhando o projeto, ao mesmo tempo que colocou à disposição, os meios da Cruz Vermelha Nacional, sempre que estes sejam necessários. Todavia, o novo edifício também precisa de arranjos exteriores. Sobre esta questão Luís de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja, comprometeuse a ajudar a delegação, reconhecendo que o terreno para onde irá o novo quartel da CVP é o mais indicado para a instituição. Já António Torrão, presidente da Junta de Aveiras de Cima, mostrou-se também agradado com a disponibilidade de Francisco George.


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Rumo à Rússia

Jornada de Hélder Batista ao rubro na Europa artiu no dia cinco de Maio de Alenquer rumo à Rússia… de bicicleta. Com toda a convicção do mundo, Hélder Batista, anda por estes dias, a pedalar pelo centro da Europa. Já passou todo o território nacional e Espanha, e no dia que a nossa reportagem o contactou, andava por terras próximas de Bordéus. O objetivo, recorde-se, é chegar à Rússia a tempo do encontro de futebol entre a seleção nacional e Marrocos, que se disputará a 19 de junho. O objetivo deste aventureiro não é apenas o da superação pessoal mas também angariar fundos para a Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro (Acreditar). As etapas têm sido duras, mas Hélder Batista já sabia que não ia ser fácil. Contudo a sua condição física tem estado à altura. Tem procurado ficar sempre por pequenas vilas quando toca a pernoitar. Le Meuret era a paragem quando lhe telefonámos. O ciclista já é uma sensação pelas terras por onde andou, e a comunidade emigrante portuguesa em França tem acarinhado Hélder Batista ao

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longo do seu percurso. “Ora me pagam almoços, ora me pagam cafés”, ri-se. No facebook, tem partilhado fotografias e vídeos desta travessia., “embora o tempo seja pouco para transformar este percurso em algo turístico porque também há que descansar, comer, e lavar a roupa”. Os locais também têm apreciado a jornada de Hélder, como foi o caso de uma proprietária de um hotel que lhe fez um desconto porque o parque de campismo local não tinha condições. “Trata-se de um hotel rural de duas estrelas que me fez um desconto fabuloso. Tem sido surpreendente a adesão destas pessoas aqui na zona basca francesa. Até já sabiam da minha aventura. Não sei se leram nos jornais, ou viram nas notícias”. Todo este acolhimento está a dar grande energia a este aventureiro, que trabalha no município de Alenquer, e que faz esta jornada de forma solitária. Hélder Batista já teve algumas peripécias. Ao entrar numa ciclovia partiu o encaixe do atrelado. Teve de subir os Pirinéus quase com a mochila às costas para não

Paragem em Bordéus sobrecarregar o material. “Cheguei tardíssimo. A Decathlon ainda estava aberta porque muitos portugueses avisaram para que

se esperasse por mim. Era completamente de noite quando entrei na cidade. A polícia escoltou-me até ao meu destino. Foi muito en-

graçado ter a polícia espanhola a abrir caminho para que eu pudesse chegar ao destino. Nesse dia pernoitei num albergue para pere-

grinos do Caminho de Santiago”, apesar de ser uma espécie de outsider. O espírito está a ser incrível e estes momentos “vão ficar para sempre” garante o ciclista. Falta um mês para chegar ao destino, mas Hélder Batista diz estar dentro dos timings, até se encontra um pouco mais adiantado no percurso, face às suas iniciais previsões. O percurso entre Portugal e Espanha é dos mais duros, e a próxima dificuldade será em Frankfurt na Alemanha que será “sempre a subir”. A sua condição física está bem e recomenda-se. Apesar de nunca ter feito um percurso com este grau de dificuldade, e tão longo, as muitas maratonas que ainda tem para cumprir em cima da bicicleta não se afiguram como intransponíveis. “Com certeza que no dia 19 lá estarei ao pé da seleção”. Todos os dias Hélder pedala cerca de sete a oito horas. Depois “é descansar, descansar, descansar”, elucida. A família assiste a todo o percurso à distância. Não deixa de estar apreensiva, “mas tenta compreender o máximo possível”.


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Vila Nova da Rainha em êxtase com o regresso das suas festas 18 anos depois s festas de Vila Nova da Rainha, concelho de Azambuja, regressam 18 anos depois e em força. O certame que decorre a 29 e 30 de junho e 1 de julho, é assim um regresso aos festejos em honra de Santa Marta, figura que está na igreja local e que carece de um restauro. Ora, esse restauro é dispendioso e por isso, refere o presidente da junta, as receitas apuradas nas festas, serão para fazer face às mesmas. Mário Parruca salienta ao Valor Local que as iniciativas como as Fogaças e as Carvalhadas, únicas no concelho de Azambuja, serão uma das principais fontes de financiamento da imagem de Santa Marta. Uma imagem muito antiga e que estava guardada na Igreja, e que foi recentemente descoberta pelo Padre Paulo Pires. As festas de Vila Nova da Rainha, como tantas outras em Portugal, juntam o sagrado ao profano. E se no domingo há lugar a uma procissão pelas ruas da vila, que já foi a “Terra das Três Mentiras”, os restantes dias serão de festas e muita afición. Alias, Mário Parruca, e a secretária da junta, Paula Grazina, referem ao Valor Local, que para esta ini-

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Voluntárias que têm estado a colaborar na execução das flores

Mário Parruca e Paula Grazina salientam apoio da população ciativa tem sido fundamental o apoio da população e do comércio em geral. Dezoito anos depois, marca também o regresso das largadas de toiros na vila, sendo que a última foi em 1989, segundo os autarcas locais. “Estão todos a colaborar até o comércio” refere o presidente da junta que destacou o empenho dos comerciantes da vila, numa iniciativa importante para a freguesia, ao mesmo tempo que salienta que os restantes populares têm tam-

bém colaborado noutras missões “não menos importantes”. Uma delas é a manufatura de flores em papel. Paula Grazina destaca que estas vão embelezar o adro da igreja, e que não tem sido difícil, antes pelo contrário, mobilizar a população. “Colocámos uma mensagem no Facebook, com a hora e o dia, e as senhoras apareceram”, refere, salientando o número crescente em cada encontro para fazer flores em papel. Aliás a secretária, refere que a

adesão tem sido muito importante. Refere por exemplo as dádivas para as rifas ou para a quermesse, reforçando Mário Parruca, com as dádivas para as Fogaças e Carvalhadas, enquanto apontava para uma sala cheia de ofertas “muitas delas ainda com o preço e a estrear” como foi o caso de um conjunto de copos, prontinhos para etiquetar e numerar pelas voluntárias nos próximos dias. Outro aspeto importante e que está a movimentar a curiosidade e

expetativa das pessoas, são as largadas de toiros. Há 30 anos que não se fazia uma largada nas ruas de Vila Nova. As últimas tentativas ficaram-se por algumas picarias em ambiente controlado que embora gerassem algum interesse, ficaram naturalmente aquém das largadas de outros tempos. Neste caso, refere Mário Parruca, tem existido por parte da Câmara Municipal de Azambuja, um apoio logístico muito significativo. Numa primeira fase, os funcionários da

junta com apoio da Câmara têm vindo a colocar os “cachorros” – (locais onde se encaixam as tronqueiras no chão), mas a partir do momento em que se inicia a Feira de Maio em Azambuja, a população vai ajudar e fazer horas extras para que no final de junho, tudo esteja a postos para que as largadas regressem à vila. Numa primeira fase, estas serão apenas num pequeno trajeto, mas no futuro, refere o autarca, as largadas poderão vir a crescer até onde se faziam originalmente. O presidente da junta enfatiza ainda o apoio do município, como a cedência de tronqueiras que são utilizadas na Feira de Maio. Mário Parruca refere mesmo que tem tido o cuidado de medir as tronqueiras, fazendo-as posteriormente corresponder aos locais da sua freguesia onde melhor se encaixam, para não haver a necessidade de as cortar, criando, nesse caso, “prejuízo ao município”. A juntar aos aspetos religiosos e profanos, há ainda comes e bebes, com algumas tasquinhas na entrada norte da vila e uma mostra de atividades económicas e artesanato no pavilhão do União Desporto e Recreio de Vila Nova da Rainha.


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Grande Guerra em exposição na Escola Secundária Damião de Goes s cem anos da I Guerra Mundial também passam por um espaço de exposições na Escola Secundária Damião de Goes, em Alenquer. Em articulação com a Liga de Combatentes procedeu-se a uma recolha de utensílios e objetos que atestam a passagem de antigos combatentes do concelho pelo cenário da Grande Guerra. Ao mesmo tempo a exposição conta com ilustrações da participação portuguesa neste conflito bélico que terminou em 1918, e que durou quatro anos. Armindo Silva, presidente do Núcleo de Vila Franca da Liga de Combatentes, evidencia alguns objetos e fotografias como a passagem do General Gomes da Costa às trincheiras. O embarque das tropas para França foi capa de revistas ilustradas portuguesas da época. Pormenores como a venda de capacetes miniatura no âmbito do 9 de abril, data da batalha de La

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Lys, acontecimento de má memória para as tropas portuguesas, estão também em destaque. Nesse dia e às mãos dos alemães, milhares de soldados portugueses morreram no campo de batalha. Numa das fotos vê-se o grupo 9 de abril, criado em Vila Franca e Alenquer, no pós guerra, de homenagem aos que faleceram na batalha de má memória. Numa foto estão junto à extinta fábrica do arroz em Vila Franca de Xira. Sepultados em La Lys ainda estão 1831 combatentes de acordo com o presidente do núcleo. Noutra foto vê-se a partida de um combatente para a Grande Guerra. O espólio presente é oficial e encontra-se online no que respeita às capas de revista. Quanto aos objetos patentes, Maria do Céu Duarte, da Casa do Albardeiro, reuniu o espólio fornecido por quem respondeu à chamada. Um postal enviado de França, um pequeno dicionário de português

francês, uma caderneta militar, uma capa de um livro, uns binóculos usados na guerra, uma telha e balas vindas do campo de batalha estão entre o espólio. Em novembro assinala-se o armistício que significa o fim da guerra e até lá espera-se reunir mais documentação, nomeadamente, sobre a participação em África, onde também se desenrolou este conflito. “Não se fala muito porque dava mais jeito à época falar-se do que acontecia na Europa, até porque havia territórios africanos que eram portugueses. Mas houve mais mortes, a maioria por doenças tropicais”, refere Armindo Silva. Muitos jovens dos concelhos de Alenquer ou de Vila Franca de Xira, à época, e que viviam bastante isolados foram convocados para uma guerra lá fora, quando “nem conheciam Lisboa”, “outros nem sabiam escrever e pediam a colegas mais letrados para terem essa incumbên-

Vários são os pormenores possíveis de acompanhar nesta exposição cia quando queriam enviar uma carta aos familiares. “O que se nota é que as famílias que descendem desses soldados sentem or-

gulho pela participação dos seus antepassados porque honraram a pátria”, diz o presidente do Núcleo. Para o núcleo, e para os antigos

combatentes, há “um carinho” por estes homens e pela sua jornada numa guerra distante mas tão presente ao mesmo tempo.

Milhares são esperados em mais um Cruzeiro Religioso do Tejo Cruzeiro Religioso e Cultural do Tejo vai voltar a descer o rio entre os dias 30 de maio e 24 de junho. Esta é já a sexta edição que tem como objetivo principal ligar o rio Tejo desde Malpica do Tejo / Vila Velha de Ródão ao estuário do Tejo (Oeiras). Este cruzeiro é composto por embarcações típicas do Tejo, como o tradicional picoto e a bateira, que transportam a imagem de Nossa Senhora dos Avieiros e do Tejo em peregrinação fluvial às comunidades ribeirinhas e às aldeias avieiras, nas margens do Tejo.

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Segundo José Gaspar, da organização, esta iniciativa que vai atravessar 28 concelhos, tem como objetivos “reforçar a identidade das comunidades, aproximando-as através da partilha cultural e religiosa” bem como “aproximar as comunidades do rio Tejo para usufruírem da sua riqueza” lembrando que outro dos propósitos é transformar as “comunidades ribeirinhas em elementos divulgadores das potencialidades do rio na área do turismo sustentável e da cultura a ele associada”. As expetativas passam por conse-

guir a participação das comunidades, tendo o Tejo como elemento unificador, sobretudo porque se trata de uma enorme extensão de rio. Ao todo, refere José Gaspar, são 220 quilómetros. Este é um percurso longo, e que se espera que à semelhança de anos anteriores volte a despertar o interesse das comunidades por onde vai passando. O responsável salienta que à medida que o “Cruzeiro” vai entrando pelas localidades, mais embarcações e mais pessoas se juntam ao cortejo. Só no ano passado, refere o orga-

nizador, participaram 240 embarcações. Um número já muito significativo e que diz muito da devoção a esta santa padroeira dos avieiros. José Gaspar salienta entretanto que tudo está articulado com as autoridades e até com a EDP. Para descer o Tejo, as embarcações precisam de água para navegar. O organizador explica que há uma boa articulação com a elétrica nacional para encher à medidas que os barcos se vão aproximando de algumas zonas do Tejo, de modo a existir quota suficiente.

Expetativas da organização são altas para a sexta edição

Este é um cruzeiro que acaba por ser bastante emotivo. Lembra José Gaspar que em Amieira do Tejo, no ano passado, houve um grande número de pessoas a assistir. E lembra que um senhor com cerca de 80 anos ao ver chegar a imagem ao porto “com a emoção atirou-se ao rio”. Conta José Gaspar que no fim de tudo o idoso confidenciou-lhe que “há mais de 30 anos que não ia ao rio”. O organizador lembra que esta emoção está relacionada com o facto de há mais de 70 anos não se descer o Tejo, destacando que

com a construção das barragens, essa dificuldade aumentou nos últimos anos para as embarcações maiores. Este é um evento que junta centena de pessoas todos os anos, e que tem a duração de quase um mês, durante o qual fazem-se paragens diárias e pernoitas dos peregrinos em aldeias. Avieiros e comunidades ribeirinhas ao longo do Tejo juntam-se em cerimónias religiosas e eventos culturais organizados pelas autarquias, escolas, e várias associações, bem como algumas entidades privadas.


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Saúde 9

Associação de Transplantados quer desmistificar preconceitos undada no início deste ano, a Associação Portuguesa de Transplantados – Lifewinner vai ao longo de 2018 dar-se a conhecer um pouco por todo o país, nomeadamente, também em Azambuja durante uma ação do Programa de Atividade Física para Todos em novembro. Uma das dirigentes da associação é Mabilde Fonseca, moradora no concelho. Os membros desta associação composta para já por doadores, transplantados, e seus familiares tem como objetivo desmistificar a questão da transplantação em Portugal ainda envolta em alguns mitos e preconceitos, apesar de reconhecerem que no nosso país a medicina está ao nível do melhor que se faz lá fora e a lei “também ela soube estar ao nível da medicina e dos doentes”, referem à nossa reportagem os dirigentes da associação. No nosso país, e em caso de morte de um indivíduo, a ciência tem carta branca para recolher os órgãos. Para que tal não aconteça teria de ser manifestado ainda em vida pelo próprio indivíduo. Como normalmente isso não acontece, “são muitas as possibilidades de salvar vidas através dos órgãos de outras pessoas que acabaram por falecer.” Para o presidente da associação, Pedro Paulino, um dos objetivos passa por fornecer mais informação. Inês Lopes, também da associação, acrescenta que “ainda falta fazer muita coisa nesta área”, apesar de sermos dos países com mais transplantes efetuados e com níveis de sucesso. “O apoio psicológico tem de ser mais trabalhado e é nesse sentido que também surgimos”, refere. Um dos passos na área da transplantação e segundo o que está a ser efetuado tem a ver com a criação de novas normas que potenciem a doação de órgãos, numa “lógica altruísta” e desde que não implique riscos para a saúde por parte dos portugueses. “Qualquer pessoa pode ser dadora, desde que seja saudável, e não corra riscos de sofrer de insuficiência hepática no futuro. Todos os testes são feitos nesse sentido”; assegura Inês Lopes. A associação assume-se como ambiciosa quanto à possibilidade de um indivíduo doar livremente um rim (único tipo de transplante em que é possível existir

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um dador vivo) a alguém desconhecido. “É uma barreira a ultrapassar”, reconhecem. “É algo de um grande altruísmo, sem dúvida, mas essa é uma campanha que está a surgir nos hospitais. Embora reconheça que possa levar anos”, diz Pedro Paulino. Antes há que quebrar dúvidas e tabus, e neste aspeto Mabilde Fonseca que doou um rim ao irmão, lembra-se de ter ouvido todo o tipo de comentários como: “Olha que vais deixar a tua filha órfã”. Mabilde reunia todas as condições para ser dadora, e embora reconheça que o pós-operatório é feito de algumas dores, o que mais lhe custou foi a ignorância e o desconhecimento por parte de quem a tentou desmotivar da ideia de salvar a vida do irmão. O tráfico de órgãos de que tanto se fala noutros países parece ser uma realidade inexiste em Portugal segundo os dirigentes da Lifewinner – “Podemos dizer que somos um paraíso nesse aspeto. A malha também é demasiado fina, porque no meu caso, a minha irmã para me doar o rim, teve de passar por uma comissão de ética, e declarar que não teria quaisquer proveitos com a doação, nomeadamente, a nível de futuras heranças, por exemplo”, refere Inês Lopes. No caso de Mabilde Fonseca, o irmão chegou a receber um rim por parte de um dador cadáver. É esta a designação sempre que são aproveitados órgãos por parte de pessoas que faleceram. Contudo ao fim de dez anos, e de alguns excessos e poucos cuidados com a saúde, acabou por voltar a sofrer de insuficiência renal. Mabilde quis ser dadora, embora o irmão recusasse de início. Tudo se passou na Suíça, há dois anos, e onde o irmão está emigrado. Se tivesse sido em Portugal, onde teve lugar o primeiro transplante, dificilmente teria tido a sorte de receber um segundo, tendo em conta os excessos cometidos. Na Suíça, a preparação para a doação implicou cerca de 20 a 30 exames ao longo de 15 dias. O mais difícil reforça, foi mesmo, ter ouvido comentários como “vais ficar deficiente”, ou “vais morrer ou ficar doente” por parte de conhecidos, e colegas. “Mas fiz, tinha de o fazer”. “O acompanhamento na

Suíça foi extraordinário”, acrescenta ainda, mas não deixa de reforçar que “a mentalidade portuguesa é muito fechada”. “Se fosse uma operação de alto risco e com uma taxa de insucesso grande não se faria à escala que hoje em dia se faz”, suscita Inês Lopes.

saudável, optou-se pela minha irmã”, conta. Hoje a irmã de Inês Lopes encontra-se bem, e o irmão de Mabilde Fonseca também. Acabou por aprender a lição no segundo transplante e tem mantido, segundo a mesma, uma vida mais regrada. Alimentação ade-

aspeto inerente ao facto de que para isso é preciso que outro ser humano tenha de morrer primeiro é “penoso”, diz Inês Lopes. “Mas vamos pensar assim, se a pessoa que morreu não cedesse os órgãos, estaria morta na mesma. A infelicidade mantém-se. Os entes

tavelmente há uns tempos atrás faleceu um pugilista. Os seus órgãos contudo deram para salvar a vida de sete pessoas, quando já nada mais havia a fazer para salvar aquela vida”. A associação tem na sua página em lifewinner.pt um inquérito con-

Membros da associação vão dar a conhecer a Lifewinner

“Há décadas que se fazem estas cirurgias”. No caso desta recetora, após a cirurgia, ainda enfrentou várias crises renais no pós-operatório ao longo de um ano. A operação foi realizada no ano passado, mas neste momento, encontra-se em franca recuperação. Inês Lopes não chegou a estar em lista de espera. O transplante esteve desde sempre no horizonte. Quando chegou ao nível de insuficiência renal terminal apresentou a irmã e um tio como dadores vivos. “O meu tio apresentava maior compatibilidade, mas como os exames comprovaram que podia, um dia mais tarde, sofrer de algum tipo de problemas nos rins, embora naquele momento fosse

quada e exercício físico são essenciais na recuperação de um transplantado. Já Pedro Paulino, espera que a mulher possa ser recetora de um rim. Faz hemodiálise, neste momento, três vezes por semana. Encontra-se inscrita em dois centros de transplantação – “Já lhe foi dada a hipótese de recorrer a um familiar, mas por opção dela não quer envolver familiares. Há que ter esperança de que um dia será contemplada. A média de tempo de espera são de cinco a sete anos. Ela já espera há seis. Esperamos que seja em breve”. Estar entre a vida e a morte é condição de quem espera por um transplante em muitos casos. O

queridos sentem sempre pena e dor. Mas se isso se puder transformar em ajuda ao próximo, porque os órgãos que estão dentro de um corpo morto ainda estão bons, penso que é positivo. Se alguém que me é próximo morreu, esses órgãos podem ficar no corpo de outra pessoa. Posso sentir uma dor infinita, mas se calhar posso ajudar os familiares dessa pessoa a não terem de passar por aquilo que eu estou a passar”, exemplifica. “Custa sim que alguém tenha de morrer para que eu possa viver, mas temos de naturalizar a situação, porque uma pessoa pode ser dadora de vários órgãos e salvar várias vidas”. Pedro Paulino acrescenta – “Lamen-

fidencial onde se podem inscrever todos os transplantados para se apurarem estatísticas “que podem ser importantes para o trabalho da nossa associação no sentido de poder providenciar apoio psicológico ou jurídico, porque muitos destes doentes não têm noção dos seus direitos”, refere o presidente da mesma. No próximo ano, a associação pretende dar a conhecer números relativamente a este levantamento. Este será o primeiro questionário abrangente quanto aos vários órgãos doados. Para quem tenha dúvidas sobre transplantação, a associação tem também um corpo clínico associado para todo o tipo de esclarecimentos.


10 Eventos

Valor Local

Maio 2018

Feira de Maio com novo espaço de lazer junto aos pavilhões Vila de Azambuja prepara-se para receber mais uma edição da Feira de Maio. Trata-se de uma edição com algumas novidades, em que o município de Azambuja vai investir mais do que tem vindo a ser hábito nos últimos anos. Em declarações ao Valor Local, Luís de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Azambuja e assumido aficionado, esclarece que em 2018 haverá um novo figurino no Campo da Feira. Trata-se da entrada sul da vila, e que acaba por ser o cartão de visita de todo o certame que se vai desenrolar de 24 a 28 de maio. Segundo o presidente da Câmara de Azambuja, o espaço do atual Campo da Feira vai sofrer algumas alterações, que serão feitas a pensar no bem estar dos visitantes. Desde logo, o recinto vai ser alargado e para além do espaço habitual para o artesanato e empresas, existirá também um local que ficará entre a Praça das Freguesias e o Pavilhão do Artesanato que funcionará como local de lazer, apresentações gastronómicas e outras iniciativas. Este será um espaço que poderá ser coberto, e terá para além de mesas e cadei-

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De 24 a 28 de maio acontece a mais castiça das feiras ras, um local que poderá funcionar como um pequeno auditório. Luís de Sousa esclarece que à semelhança do que já aconteceu com a Ávinho em Aveiras de Cima, este espaço também renovado, trará maior conforto, tanto aos visitantes como aos expositores, vincando que tal será uma mais valia para as famílias que vi-

sitam a feira e para os momentos em que não acontecem largadas de toiros na rua. Tendo em conta o facto do turismo estar a crescer no país, o autarca acredita que Azambuja também poderá vir a beneficiar dessa questão emergente. Já se nota um aumento de procura durante o ano, segundo o edil, e por isso es-

pera que a requalificação do posto de turismo e a revitalização do esteiro venham a ajudar ainda mais um pouco. Conforme já tinha dito em primeira mão ao Valor Local, o Barco Varino “Vala Real” poderá vir ser substituído por uma nova embarcação, tal é o seu estado. Essa é uma mais valia que o autarca diz ser

urgente explorar e se possível para o próximo ano, altura em que diz esperar que a revitalização do esteiro já esteja concluída e que possa receber mais embarcações, não só na Feira de Maio, mas também ao longo do ano. O autarca refere que a edição da Feira de Maio de 2018 não passa só pelos cinco dias de largadas de toiros. O edil lembra os concertos com Raquel Tavares e Virgul, que prometem trazer muitos mais forasteiros à festa. A feira começa como habitualmente à quinta-feira dia 24, sendo que o dia forte durante a semana é a sexta-feira com a largada de toiros noturna, seguida da distribuição gratuita de sardinhas pão e vinho e com as sessões de fado vadio no Largo dos Pescadores e Largo de Santo António. O domingo é o dia do Campino, com uma homenagem a Bernardo da Conceição Afonso. Na reta final das festividades, a manhã de segunda-feira, 28 de maio, traz às ruas de Azambuja centenas de alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico com o projeto de multi-atividades designado “Feira na Vila”. A derradeira tarde despede-se com a entrega de diplomas

e prémios e, ainda, a última largada de toiros. À meia-noite, um espetáculo de fogo-de-artifício dará por encerrada a Feira de Maio 2018. “Sei que vou ser recebida com o maior carinho do mundo” A cavaleira tauromáquica Ana Rita vai atuar pela primeira vez na corrida da Feira de Maio em Azambuja. A corrida que decorre a 27 de maio conta igualmente com as atuações de Marcos Bastinhas, Jacobo Botero. Os toiros são da ganadaria Silva Herculano e pegam os forcados de Azambuja e do Ribatejo. No seu facebook, Ana Rita salienta o fato de a atuação decorrer na sua terra. Primeiro porque regressa a tourear em Portugal e depois por ser em Azambuja. Salienta que sabe que será “bem recebida com o maior carinho do mundo” por parte das gentes do seu concelho, vincado que nesse dia estará perto de todos os que lhe querem bem. Posto isto a cavaleira diz que este será um dia importante e espera “contar com todos” na praça de touros de Azambuja.

Festival do Arroz Carolino na zona ribeirinha de Benavente espera atrair mais visitantes e 18 a 20 de maio, o concelho de Benavente recebe mais uma edição do Festival do Arroz Carolino e das Lezírias Ribatejanas. Depois de no ano passado ter estado na cidade de Samora Correia, desta vez o festival desenrola-se Organização e entidade de turismo junto à zona ri- deram a conhecer a segunda edição beirinha da sede de concelho em Benavente. Pedro Abrunhosa, no dia 18, Aurea, dia 19, e Carolina Deslandes, dia 20, são as figuras topo de cartaz. O principal protagonista será o arroz e há que o provar nas mais diversas configurações: com tomate, rúcula e parmesão; à valenciana; com alheira de caça e laranja; com moelas cremosas de pica no chão, entre muitas outras especialidades, conforme mostra a organização no seu site em festivaldoarrozcarolino.pt Carlos Coutinho, presidente da autarquia, em conferência de empresa, mostrou estar confiante no sucesso do evento tendo em conta o cenário da paisagem ribeirinha que no seu entender reúne os ingredientes para ser um sucesso. “Fizemos uma aposta forte no cartaz musical, e por outro lado estamos hoje mais preparados do que no ano passado”. Entre as mudanças no figurino do certame estará “uma melhor organização da praça do arroz” e “a colocação de mais um restaurante” no recinto que passa a ter dois restaurantes. Ceia da Silva, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, saudou os esforços do município. Neste concelho e nos que fazem parte da região importa, agora, na sua opinião consolidar “a oferta de alojamento” sem o qual não há turismo. E neste aspeto saudou a recente certificação da biosfera obtida por uma unidade local. Durante os dias do festival também haverá animação, showcooking, área infantil,artesanato. As entradas são livres. Durante a apresentação do festival foi ainda dada a conhecer a confraria do arroz carolino que deu a mostrar o seu traje. O chef Maria Lino confecionou para os presentes, um carolino de bacalhau, abrindo desde logo o apetite para o que se vai seguir durante o festival.

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Valor Local

Maio 2018

Eventos 11

Mercado Oitocentista de Arruda assinala o pós invasões francesas sob o signo da Resistência rruda dos Vinhos prepara-se para receber entre os dias 1 e 3 de junho, mais uma edição do Mercado Oitocentista. Esta é uma iniciativa organizada pela Câmara Municipal que tem como base uma criação histórica das vivências do século XIX com mostra de costumes, artes, ofícios e gastronomia. O certame que decorre nas ruas da vila, conta também com a venda de produtos, recriando os mercados e as vendas como eram feitos nessa altura. Os forasteiros têm assim a oportunidade de ver a recriação um mercado rural e da vida quotidiana numa pequena vila rural, abordando histórias, temas e personagens, habitualmente presentes nestes mercados. A V edição do Mercado Oitocentista propõe-se a fazer uma viagem no tempo, ao ano de 1818. E tem como tema “A Resistência”. Sendo que este certame tem como objetivo também a “luta pela nossa identidade, e das gentes desta vila rural às portas da capital” segundo uma nota do município. A recriação recua à altura em que está em curso um cenário político instável, na “ressaca” dos danos causados pelas Invasões Francesas, que passaram pelo território

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do concelho, que deixaram as populações assoladas pela fome e pela destruição. O certame que tem vindo a conquistar cada vez mais visitantes, conta com variadas recriações históricas, onde surgem figurantes vestidos à época, onde se inclui também o presidente da Câmara de Arruda, André Rijo, que não deixa de participar vestido a rigor. As recriações são feitas por grupos de animadores locais que representam nas ruas, ao longo dos três dias, do Mercado Oitocentista. Nestas representações estão patentes as vivências e acontecimentos marcantes na história do concelho. André Rijo, presidente da Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, salienta ao Valor Local que esta iniciativa tem algum impacto no setor da restauração. Todavia ao nível económico, o mesmo abrange outros setores, destacando por exemplo “o incremento da atividade dos artesãos para além da dos lojistas”. “Há toda uma logística que alimenta este mercado, nomeadamente as questões relacionadas com as confecções do vestuário e dos artigos alusivos à dinâmica do mercado”.

O presidente da Câmara numa das anteriores edições trajando à época Todavia e embora nem tudo seja “made in Arruda dos Vinhos” André Rijo diz que grande parte desses artigos são de produção local, e isso acaba por ter influência nas dinâmicas económicas locais de um evento que já vai para a quinta

edição, e que segundo o presidente da Câmara tem vindo a crescer no número de visitantes. Este é um evento que tem vindo a ganhar muita dinâmica com muitos visitantes ao fim de semana. O presidente da Câmara salienta que

o mesmo tem também o objetivo de valorizar “o nosso património enraizado naquela que é a conceção macro do Mercado Oitocentista” lembrando o envolvimento das associações e das escolas do concelho e da restante comunidade

“que criam também raízes e dinâmica comunitária que envolvem o movimento associativo e os grupos cénicos que fazem deste um evento de recriação histórica único no nosso concelho e que tem um potencial enorme”.

Feira Nacional da Agricultura com transporte gratuito da estação da CP para o CNEMA Feira Nacional da Agricultura que se realiza no CNEMA em Santarém, tem como tema principal este ano “Olival e Azeite”. Trata-se de mais uma edição, neste caso a 55ª à qual se junta a 65ª da Feira do Ribatejo. A iniciativa que se desenrola entre os dias dois e 10 de junho contará este ano na abertura como tem vindo a ser hábito, com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República. A novidade este ano prende-se com a disponibilização gratuita de um autocarro, decorado com o tema da edição, de forma gratuita e que fará a ligação entre a estação da CP e a Quinta das Cegonhas, CNEMA Luis Mira, administrador do CNEMA, fala numa feira com muitas novidades, desde logo com a presença de dois comissários europeus, que estarão presentes na primeira edição do congresso World Olive Oil Summit, que engloba o Congresso Nacional de Azeite e que se realiza a 7 e 8 de junho. Luis Mira fala que esta temática

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O azeite será o protagonista desta edição tem o objetivo de destacar “o dinamismo de um sector que tem vindo a assumir nos últimos anos uma importância económica crescente”, não só por uma maior e melhor produção, “mas também pelo reconhecimento das qualidades do azeite e au-

mento do seu consumo”. Sendo o azeite e o olival o destaque de 2018, a entrada principal da Feira Nacional de Agricultura, vai estar decorada com várias oliveiras “de modo a elucidar os visitantes sobre as diferenças de alguns exemplares e

também sobre vários tipos de azeitona”. O certame que este ano volta a apostar na música dos Xutos e Pontapés, e David Antunes, apresenta também Matias Damásio Kura e HMB, como propostas para todo o tipo de públi-

co. Mas as novidades não ficam por aqui. Luís Mira fala numa rede de transportes gratuitos, com vista a trazer as pessoas da cidade até ao Centro Nacional de Exposições. Os autocarros vão estar devida-

mente assinalados, assim como as suas paragens, e essa é outra mais-valia nesta rede da Boa Viagem, que fará a interligação, por exemplo, como o comboio na estação da CP local. No local do certame, as novidades também são significativas. Para além de um novo recinto para atividades equestres, o palco onde se desenrolam os concertos ficará virado para norte de modo a que a inclinação de terreno acabe por ser um anfiteatro quase natural, onde os espetadores até se podem sentar na relva. A administração do CNEMA refere, por outro lado, o “significativo esforço financeiro” nomeadamente para criar condições de algum conforto aos visitantes. Numa visita feita no autocarro promocional da feira, a administração fez questão de apresentar a criação de mais sombras no local. Nesta altura estão ainda a ser colocados alguns postes que vão suportar lonas, de modo a garantir sombra aos visitantes na zona da restauração.


12 Destaque

Valor Local

Bairros Sociais

A Luta pela Inclusão

Sílvia Agostinho inda é tido como inserido numa área problemática em Azambuja, mas o bairro do Plano Especial de Realojamento (PER) situado em plena Quinta da Mina já vai respirando outros ares. Há uns anos apenas se ia lá com alguma escolta policial. Mesmo assim a sensação que fica quando se chega ao bairro é a de que se entrou um pouco num mundo pa-

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Vítor Salinas com vereadora do município a começar mais um dia de trabalho no bairro

ralelo. Apesar do aspeto degradado, em alguns aspetos, o bairro tem conseguido manter-se limpo. Todos os dias, um cidadão através de um programa de apoio ao qual recorreu com o apoio do município tem levado a cabo a tarefa de varrer as ruas. A população reconhece que a tarefa está a ser bem desempenhada. Vivem no bairro vários cidadãos de etnia cigana, e a convivência com os demais mora-

dores embora nem sempre seja fácil, já foi pior asseguram-nos. Vítor Salinas, 62 anos, é quem tem a seu cargo a limpeza diária da rua que separa os dois blocos. Nos últimos tempos também arranjou uns tímidos canteiros de flores que despontam a meio da calçada outrora suja. “Sempre adorei flores”, confidencia-nos. Uma espécie de garagem no famigerado sexto bloco onde antes se acumulava lixo

de todo o tipo a olhos vistos temse mantido limpa mas nem sempre é fácil. Permanecem os grafitis neste sexto bloco onde famílias de etnia cigana vão vivendo à espera de obras. Vítor Salinas frequenta um contrato emprego-inserção. Diz que começa todos os dias às sete e meia da manhã porque não consegue dormir mais. Também vive no bairro há muitos anos. “Há algum tempo que andava atrás da doutora Fátima (técnica de Ação Social da Câmara de Azambuja) para me arranjar uma ocupação. Fiquei contente. Estou a gostar da experiência. O bairro está totalmente diferente a nível de muita coisa. Por vezes os miúdos fazem lixo, mas como são crianças…”, refere à nossa reportagem o habitante do bairro que salienta, ainda, que também cuida da limpeza noutros locais da Quinta da Mina aos quais não se encontra obrigado no âmbito do contrato. Antes, Vítor Salinas vendia roupa nas feiras. A mulher está doente e abandonou a antiga atividade. Aufere atualmente neste contrato 528 euros. Vítor que veio do Alto da Torres como muitos outros moradores, necessitaria, nesta altura, de obras na sua casa, nomeadamente, a colocação de algumas portas. A maioria das habitações das casas habitadas por elementos da etnia cigana do bairro carece de portas e janelas. Diz-se que no início do bairro serviram para fogueiras. Hoje, e segundo este morador as coisas estão mais pacíficas – “Se eu não a ofender a senhora também não me ofende. Mas se eu a ofender claro que reage mal. Por isso só arranja confusões quem quer”, considera. Quanto às rendas diz que consegue pagar todos os meses. São 10 euros. No final do ano acaba o contrato-programa que espera ver renovado. A vereadora da Ação Social do município, Sílvia Vítor, refere que a aproximação aos membros da etnia e restante população do bairro tem dado os seus frutos. A abordagem junto de algumas pessoas é afável, mas os pedidos são também cada vez mais exigentes. Cátia, por exemplo, tem o marido na prisão. Há possibilidade de sair em breve com pulseira. Gostaria de ter uma casa nova no bairro mas enfrenta algumas desconfianças por parte dos moradores. A frequentar um curso de logística em Aveiras de Cima, diz que se dá bem com as pessoas do bairro mas confessa que há sempre quem a olhe de lado. “É uma moça doce, gosto do jeito dela, mas se a espicaçam…”, atalha, entretanto, a vereadora. No dia seguinte ao da nossa reportagem, diz Cátia que gostaria de se dirigir ao gabinete de Sílvia Vítor para ver o que se pode fazer para que o marido regresse a casa. O

Maio 2018 O famijerado sexto bloco grita por uma intervenção

juiz não dá liberdade se as condições se mantiverem. Mora no denominado sexto bloco, onde as paredes estão riscadas, não há portas no interior das habitações, e a degradação é evidente. Também moradora no bairro desde a primeira hora, Maria da Conceição que habita nos blocos opostos, refere que nunca teve conflitos de maior com as pessoas de etnia. “Isto agora está melhorzinho. Temos aí esse senhor (Vítor Salinas) a limpar as ruas todos os dias. Anda por cá também uma senhora a limpar as escadas” acrescenta para se referir à melhoria na componente da limpeza na Quinta da Mina. Lembra que na altura em que teve de abandonar o Bairro da Liberdade possuía casa, mas “o Benavente obrigou as pessoas a virem para o PER”. A casa onde mora tem precisado de arranjos, mas a Câmara correspondeu – “O senhor presidente Luís de Sousa mandou arranjar o poliban. Não tenho nada de mal a dizer.” No fundo “moro aqui há 20 anos, e já tive momentos mais felizes e outros mais infelizes como se morasse noutro lado qualquer”. Sobre os conflitos de que muito se fala neste bairro, alega que “quando assim é o truque é ignorar” mas também confessa – “Há momentos e momentos. Temos de ter respeito por nós e por eles”, revela. Atualmente vive com 400 euros da pensão de viuvez do marido. As rendas estão em atraso mas diz que vai começar a pagar. Também inserida num contratoprograma, Filomena Conceição, 57 anos, está encarregue da limpeza dos espaços comuns nos prédios. Já residiu em Manique mas a vida deu voltas e veio parar ao bairro social em 2013 – “Não conseguia pagar a renda onde estava e vim para cá. Não foi fácil ter vindo para aqui. Apenas conhecia

o bairro de passagem. Fui-me abaixo.”, recorda-se. A auferir 557 euros por mês, tem uma filha a acabar os estudos na faculdade. Trata-se de um grande esforço para esta moradora ainda a braços com uma depressão crónica. O facto de ter encontrado esta ocupação tem sido positiva para conseguir algum bem-estar, embora, confesse, que preferisse andar a varrer ruas. “Mentalmente é importante”, diz, embora confesse que o momento atual não esteja a correr bem porque a filha foi a uma entrevista de emprego e não conseguiu ficar. Para quem vive no fio da navalha quanto a rendimentos foi algo que teve o seu impacto. Apesar de tudo tem a renda em dia. Vive numa casa onde a sala foi convertida em quarto para a filha para que “pudesse ter mais privacidade”. “Cheguei a ir ver outra casa aqui no bairro, era maior, mas estava demasiado degradada, com muitos vidros partidos…” Seguimos agora rumo ao sexto bloco, que mais parece um prédio próprio de um cenário de guerra. A comunidade cigana instalou-se ao longo dos vários andares, e embora as marcas de vandalismo sejam profundas, os vários cantos e recantos das habitações apresentam-se limpos e tudo devidamente arrumado. Entre as mulheres desta etnia há o cultivo pelo asseio na casa. Um dos exemplos paradigmáticos é o da casa da sogra de Núria, ambas de etnia cigana. Não há janelas nem portas mas “as paredes foram pintadas”. “Está tudo limpo. Se você tivesse visto esta casa toda cheia de porcaria. A minha sogra esfregou e limpou tudo. Não tem água nem luz. Tem de comer na minha casa, mas dorme aqui com os netos. O prédio já não cheira mal como há uns tempos atrás”, diz Núria com convicção. Questionamos a vereadora sobre


Valor Local

Maio 2018 a possibilidade de a Câmara poder fazer obras neste bloco. A intervenção teria de ser profunda, mas a comunidade pede para que pelo menos as janelas e as portas possam ser colocadas. Havendo o compromisso de que não voltam a ser retiradas como em tempos aconteceu. Núria vai dizendo que as crianças por vezes é que vão estragando algumas coisas no prédio e não deixa de atirar – “A Câmara não quer saber!”. “Gostaria de fazer uma requalificação de todo o bloco mas o investimento ainda é considerável, porque passa por eletricidade, caixilharia, mobiliário, casas de banho em todos os apartamentos. Muita coisa mesmo. Nunca se fez nada ao longo dos anos e este bloco chegou ao nível de degradação total” confessa Sílvia Vítor. E não esconde – “Mais dia, menos dia, vamos ter de lidar com esta questão de frente, correndo o risco junto da demais população que questionará o sentido de darmos algo a estas pessoas, quando foram elas que destruíram. Será inevitável passar por esse juízo de valores.” Núria acrescenta – “No meu caso é mentira que alguma vez tenha dado cabo das janelas, já recebi a casa estragada e tenho feito melhorias aos poucos”, evidencia. Com orgulho refere – “Pus paredes meias de azulejo, pintei a casa toda com tinta de areia, coloquei algumas portas novas”. Leva-nos a conhecer a sua casa. Alguns eletrodomésticos vão pontuando a

habitação. Diz ter contrato da luz. Foi obrigada. Mas água não. A habitação possui uma área simpática não fosse o facto de não receber uma intervenção profunda há anos. Aqui também está tudo limpo e arrumado e é com satisfação que Núria evidencia que já tem uma sanita. “Faltam-me as portas agora!”. Com vários filhos, Núria que se casou ainda adolescente, está hoje na casa dos 20. Recebe o rendimento social de inserção bem como marido que gostaria de encontrar um trabalho. No seu caso, e como é da tradição cigana em que a mulher não trabalha sem ser junto com o marido, quer continuar em casa a cuidar dos filhos. Considera que a Câmara podia dar uma oportunidade à comunidade e fazer as obras no bloco, que já não cheira mal, e onde a própria comunidade tem feito algumas melhorias. “Pode vir à hora que quiser que temos sempre tudo arrumado”. “Este é um lado que as pessoas não conhecem”, diz a vereadora que gostaria que o estigma em relação aos habitantes de etnia do bairro fosse ultrapassado. “Pensámos na possibilidade de eles poderem mostrar a sua tradição e cultura nas escolas, e a Núria é uma das pessoas que está disponível”. Quando se fala nos casamentos e na festa que acontece entre pessoas da sua etnia, os olhos brilham. “Vamos todas arranjadas e bonitas. É lindo”. Com vários filhos na escola, diz que se

Destaque 13

Núria pede portas no interior da sua habitação ao município

portam bem. “Queremos que eles aprendam, que tenham uma vida diferente da nossa. Tenho gosto nisso. Gostava que o meu filho fosse até ao 12º ano”. Já no caso das filhas preferia que fossem donas de casa, como acontece normalmente entre as mulheres de etnia. Culturalmente, a evolução nesta comunidade tem dado poucos passos, mas a nível do vestuário, Núria diz que ao contrário das mulheres mais velhas sempre teve liberdade para se vestir como entende. É assim com as jovens da sua geração que tanto vestem calças como saias mais curtas. “Sou casada há 12 anos e nunca

vesti uma saia comprida. Já não é mal visto pelas pessoas mais velhas”, ilustra e até acrescenta que a sogra com 45 anos também já veste manga curta. “Somos felizes, contentamo-nos com o que temos”, refere Núria em jeito de conclusão nesta conversa. “Não tenho uma vida dura, vivo feliz, nada me falta, vou para onde quero, visto o que quero, e dou-me bem com o meu marido”. Núria despede-se, e não deixa de lembrar à vereadora – “Se você pusesse as portas, eu contentavame”. A responsável refere que é impossível fingir que esta realidade existe. “São pessoas indepen-

dentemente da sua etnia. São crianças que vivem em apartamentos sem as mínimas condições, embora limpos e arrumados. É necessário reunir consensos”, deixa escapar. A comunidade cigana está relativamente integrada “embora com algumas limitações” não deixa de notar. Contudo continua a ser importante pensar que se pode dar uma oportunidade a estas pessoas. Fátima Lourinho, técnica de ação social no município, refere que tem assistido a um esforço da comunidade cigana para se integrar, e no caso do homem, (já que à mulher está por enquanto reservado um

papel de assistência ao lar) uma tentativa de encontrar um emprego remunerado que vá para além do Rendimento Social de Inserção. A técnica diz que as entidades locais contudo não estão preparadas para aceitar um homem de etnia cigana, e fecham as portas. “Têm chegado ao gabinete de ação social pessoas com essa vontade e o município tem feito diligências em conformidade para as integrar no mercado de trabalho”. Estamos a falar de empregos na área fabril. Quando se fecham as portas “ficam revoltados e magoados”, não tem dúvidas em referir contrariamente ao que é propalado em relação ao que é voz corrente em relação às comunidades ciganas. “O Vítor, por exemplo, está a fazer um trabalho fantástico, talvez o pudesse fazer numa entidade empregadora”. O estigma “é muito grande, e este trabalho tem sido feito muito devagarinho”. Segundo a técnica o marido de Núria também tem manifestado vontade de encontrar um emprego mas não tem sido possível dado o preconceito. “Temos inclusivamente a viver aqui no bairro um rapaz cigano com o 12º ano com curso profissional de técnico de informática a quem não lhe dão emprego”. No que respeita ao valor das rendas em dívida neste bairro ronda os 300 mil euros. Sempre que os agregados não entregam a documentação necessária para se fazer esse cálculo, o valor é fixado no máximo, nos 300 euros, pelo


14 Destaque que algumas delas subiram exponencialmente tendo em conta esta premissa. “Temos vários acordos de pagamento. De uma maneira geral, as pessoas têm manifestado vontade de ir pagando a dívida”, refere Sílvia Vítor que rejeita os despejos “porque temos crianças em quase todos os agregados e

Valor Local essa é uma decisão difícil e não será com certeza a solução”. Fátima Lourinho estima que mais de 50 por cento dos agregados estejam a cumprir os acordos de pagamento. Quanto à necessidade de intervenção da Câmara em grande parte das casas do bairro social que não apenas o sexto bloco, Síl-

via Vítor refere que algumas pequenas obras têm sido efetuadas “embora não com a rapidez desejável devido à questão burocrática”. “As queixas estão mais relacionadas com os espaços comuns porque por norma as pessoas tentam resolver por si próprias as suas necessidades”, acrescenta

Fátima Lourinho. A inclusão social ainda tem um longo caminho em Azambuja e neste bairro em particular. Apesar de hoje o clima estar mais desanuviado, “podemos trabalhar ainda mais com as escolas, com a comunidade em geral, e com as famílias”, diz Sílvia Vítor que acredita

Maio 2018 que o preconceito e o estigma “não se resolvem de um dia para o outro”. “Vamos notando essa proximidade deles junto do município, e esse esforço de integração é visível. Porque ao não surgirmos aqui com escolta policial como acontecia antigamente, olham para nós de uma maneira mais po-

sitiva. É importante mostrarmos que somos pessoas como eles e que estamos aqui para colaborar. Se nos derem algo também receberão em troca alguma coisa”, refere a técnica concluindo- “É um trabalho que leva o seu tempo. Está a dar a flor para que um dia dê o fruto”.

ca mas também psiquiátrico”. “Ao fazermos este abaixo-assinado pensámos não só na nossa saúde mas também na deles, porque imagino que não estivessem nada bem a viverem como acumuladores”. Nesta altura, e segundo refere a vereadora Helena Neves, a família encontra-se institucionalizada. Ao que tudo indica, a mãe e o filho estão estáveis, e aparentemente não têm levantado problemas. Numa situação ideal e tendo em conta todos os contornos antigos o desejável, para os vários atores envolvidos, seria a sua permanência na instituição. Ainda no Bairro S. José, a moradora refere que a exclusão social vai-se sentindo. Na sua opinião podiam ser efetuadas diversas atividades para esta população. Embora reconheça que a intervenção

nos passeios e no estacionamento e a criação de uma pequena área de lazer central no interior do bairro por parte da autarquia tenha sido benéfica. Mas há mais por fazer como no pequeno caminho de terra batida de acesso à praça percorrido em parte por idosos que se transforma num “autêntico lamaçal sempre que chove”. “É um inferno”, consubstancia. A população do bairro queixase ainda de uma serração, foco de poluição sonora e da emissão de poeiras. O vereador Noel Caneira diz que está prevista uma intervenção no caminho de acesso à praça no interior do bairro junto à serração. Referindo ainda que está a decorrer uma intervenção nos pavimentos neste bairro, com a substituição da antiga betonilha existente há décadas até à Padre Cruz.

Salvaterra

Bairro da Terceira Idade em obras para receber novos moradores denominado Bairro da Terceira Idade, assim se chama o PER de Salvaterra de Magos, encontra-se em obras em algumas das suas casas. É habitado quase na totalidade por cidadãos com idade mais avançada e com carências económicas. A vereadora da Ação Social no município, Helena Neves, refere que tem sido efetuada uma intervenção profunda, com a recuperação da rede de esgotos, passando pelas próprias casas, pavimentos, e arranjos exteriores. Por outro lado, também se alterou o regulamento do bairro com a possibilidade de cidadãos mais jovens, em situação de carência, poderem aceder à habitação. Noel Caneira, vereador das Obras Municipais, refere que está a ser feita uma separação a nível do encaminhamento dos esgotos em grande parte das casas do bairro. As casas que não estão habitadas no bairro estão a sofrer reparações a nível dos azulejos, e casa de banho, com colocação de barras para pessoas com mobilidade reduzida. Doze casas foram reparadas desde 2014, e quatro dessas já foram entregues. Sempre que alguma casa fica vaga, a autarquia começa por demolir os quintais, muitos deles com anexos construídos ilegalmente em tempos, como galinheiros. “Dão um aspeto um pouco miserável ao bairro”, diz Noel Caneira, “Temos tentado acabar com isso para dar uma outra dignidade”, acrescenta Helena Neves. Todas as casas são de tipologia

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T1, pelo que albergam na sua maioria idosos que vivem sozinhos e um ou outro casal. (Investimento em novas tipologias de habitação com a construção de novas casas é algo que para já não está no horizonte). Sendo assim as relações de vizinhança são mais importantes. Encontramos Josefina Maia, de 57 anos, que veio para o bairro em janeiro. É abrangida pelo Rendimento Social de Inserção e já há algum tempo que aguardava por uma casa no bairro social. Antes vivia na Rua Padre Cruz em Salvaterra. Para si, a casa não podia ser melhor. Também a sua habitação foi antes alvo de intervenção. Gosta da vizinha Jaiminda Verde, 63 anos, com quem todos os dias vai dar as suas caminhadas acompanhadas pelos cães. No caso de Jaiminda veio para o bairro há 12 anos e foi “a melhor coisa” que lhe aconteceu. “Nunca tive uma casa que fosse minha e faço de conta que esta o é. Antes vivia na casa da minha sogra”. “Gosto muito de aqui estar. Dou-me bem com toda a gente”. Normalmente diz que não pede nada junto da Câmara para si. Apenas no outro dia disse ao vereador Noel Caneira para arranjar uma rampa para um cidadão que anda de cadeira de rodas e mais árvores para o bairro. No bairro vivem alguns homens sozinhos, que já não conseguem arranjar trabalho. A vereadora da Ação Social refere que existe um trabalho de acompanhamento por parte dos serviços da Câmara. “São pessoas. Algumas sem su-

No Bairro da terceira Idade os idosos têm necessidade de fortalecer os laços entre eles

porte familiar e que não têm possibilidades de viver noutro lado. Desenvolvemos várias atividades. Numa das ocasiões organizámos uma festinha com elas no sentido de incentivar o espírito de cooperação e vizinhança”. Vir ao bairro “conversar com estas pessoas frequentemente é das melhores coisas que podemos fazer, porque elas precisam, para não se sentirem tão sozinhas”. Bairro de S. José e o caso da família acumuladora Cátia Travessa vive com a avó no Bairro de S. José. Paredes meias com o Bairro da 3ª Idade, tem sido falado nos últimos anos tendo em conta o caso de uma família acumuladora. Apesar de várias ações da autarquia de limpeza da casa, o cenário teimou em repetir-se ao

longo dos anos, desde 2001. Cátia e a avó sofreram na pele com o caso, com os maus cheiros e a proliferação de animais (pombos, ratos, baratas) devido à acumulação de lixos e resíduos de todo o tipo. “Havia dias em que não conseguíamos sequer abrir uma janela”, refere. A população do bairro que pertence à paróquia organizou-se e através de um abaixo-assinado exigiu que se fizesse algo. A família acumuladora composta por mãe e filho, sendo que este sofre de problemas psiquiátricos, chegou a estar institucionalizada durante um ano mas regressou “e o caso piorou ainda mais” com todo o cenário idêntico a outras ocasiões. “É cíclico: a Câmara limpa e eles voltam a acumular”. Para Cátia Travessa estamos perante não apenas “um caso de saúde públi-

Cátia Travessa gostava de ver um bairro mais inclusivo

Obras em curso numa das habitações


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Destaque 15

Povos, Vila Franca

Rancho da Alfarrobeira diz que é uma prova de resistência manter-se no bairro Rancho Folclórico da Alfarrobeira fica situado em pleno coração de um dos ditos bairros mais problemáticos do concelho de Vila Franca de Xira, Povos. A identidade do rancho está muito ligada a esta zona da cidade onde nasceu. Com coletividade aberta enfrenta diversas dificuldades. O material para dançar não é propriamente barato. Só umas meias custam 50 euros, enfatizam à nossa reportagem algumas pessoas com quem nos encontrámos na Boa Morte para esta reportagem. Foi no feriado municipal e neste dia o rancho atuaria no palco das comemorações levadas a cabo pelo município nesta zona da cidade. Os membros do grupo, trinta na sua totalidade, já pensaram numa mudança de sede para o interior de Vila Franca de Xira mas acabaram por chegar à conclusão que acabaria por não fazer sentido. Haveria aspetos positivos pois noutra localização podiam estar mais seguros e livres da pequena criminalidade que dizem sentir no bairro, mas perder-se-ia a essência deste rancho, que em conjunto com o dos avieiros são o símbolo do folclore na cidade sede de con-

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celho. “O rancho nasceu aqui mesmo na Alfarrobeira, perto da Boa Morte e de Povos. Se nascemos com o nome de Paula, não podemos ser chamadas de Maria, e o rancho é a mesma coisa”, concretiza Cristina Murteira, elemento do rancho. “Temos o sentimento de pertença ao bairro mas também sentimos necessidade que nos conheçam como um rancho de Vila Franca”, acrescenta Ana Trindade. É com orgulho que as duas mulheres referem que o maior espetáculo que o bairro recebe durante o ano é o festival de ranchos levado a cabo pelo grupo da Alfarrobeira. Inserido num bairro desfavorecido, os membros do rancho que na sua maioria vivem em Povos também dispõem de fracos recursos económicos. A Câmara de Vila Franca de Xira subsidia a coletividade mas segundo os seus membros tal tem-se revelado insuficiente, até tendo em conta que no protocolo com a Câmara são fixadas quatro atuações por ano, e o palco que a autarquia prepara não se tem apresentado nas melhores condições. Houve membros do rancho que danificaram calçado. “Hoje vamos estrear o novo palco

da Câmara. Vamos ver como corre, porque no antigo já não era possível fazermos o nosso trabalho da melhor forma. Uma criança no ano passado magoou-se e pelo que sei o rancho dos avieiros, este ano, já nem quer dançar. Porque o palco também devia ter uma coberta. Já era mais do que tempo! O rancho dos avieiros dança descalço e com a força do calor ficam com os pés em carne viva”, adianta Cristina Murteira. Falhas e pregos à mostra eram banais no outro palco. “Já dançámos sem condições nenhumas para a Câmara”. E continua – “Se um dia também desistirmos de dançar no senhor da Boa Morte que é uma tradição, mais ninguém vai quer. A sorte deles é que a população gosta desta tradição” diz outro dos elementos do rancho. “É isso mesmo. Ainda vamos papando alguns grupos”, usa esta expressão Cristina Murteira. Captar novos pares para os ranchos folclóricos é tarefa árdua e no caso do grupo da Alfarrobeira também não é algo simples. Vão entrar à partida novos elementos em breve vindos do Carregado. “Ou se gosta ou não se gosta, e quando não se gosta por mais que se

Fazem parte do rancho e pedem um novo olhar à autarquia para Povos

queira ensinar é impossível cativar alguém”. Nos projetos para o futuro, o rancho gostaria de encontrar novas instalações dentro do bairro, porque a atual sede fica num recanto escuro, tapado e isolado, “com muitos problemas e a abundância de comportamentos desviantes”. “O local onde se encontra a nossa

sede está muito à mão de semear por parte de quem quer praticar atividades ilícitas, e isso afeta-nos muito”, refere Rute Caetano. O cartão-de-visita não é o melhor, concordam os membros do rancho. “É mesmo muito difícil fazer o que quer que seja dentro do bairro”, mostra-se desolada Cristina Murteira, quando se fala nas ativi-

dades que o rancho podia desenvolver, até porque acaba por ser a única coletividade que ali existe. “Evitamos fazer festas e espetáculos. Já lá vai o tempo em que organizávamos bailes, e comemorações, porque nunca se sabe o que pode acontecer dada a mistura de grupos”, refere. Apenas o festival é levado a cabo e é tendo em con-


16 Destaque ta que se desenrola “num sítio privado, na escola primária de Povos, porque imagine o que seria se nos partissem o palco como já aconteceu. Teríamos de pagar tudo. E sendo ali na escola também é mais fácil chamar a polícia”. Por outro lado “arriscar outra localização também podia significar outro problema, como dar azo a que algumas pessoas do bairro se metem-se com os ranchos nossos convidados. Esse é o meu medo”, defende Ana Trindade. Por esta ordem de razões manterem-se em Povos é de facto uma “prova de resistência”. Os problemas e os desacatos segundo estas moradoras acontecem com todo o tipo de pessoas, como as ligadas à toxicodependência mas pode acontecer também com “um simples morador que naquele dia bebeu uns copitos a mais, mas que por regra

Valor Local não arranja confusões”, diz Cristina Murteira. Policiamento é então palavra de ordem. Quanto à ação das técnicas da Ação Social da Câmara referem que pouco ou nada vale o facto de existir um gabinete no bairro que tem como incumbência intervir socialmente em Povos. “Não se envolvem na comunidade. Se lhes batermos os pés, elas tremem. Não podem mostrar medo dentro de um bairro social”, sentencia Ana Trindade. Cristina Murteira vai mais longe – “Se formos lá com algum tipo de pedido ou reivindicação e usarmos da boa educação não resolvem nada, mas se formos lá à bruta como outros, aí já atuam”. E neste aspeto diz que “as técnicas têm a obrigação de trabalhar mais connosco, rancho folclórico, porque somos o único grupo com atividade dentro

do bairro. Se tivéssemos mais apoio podíamos fazer mais atividades, mas como temos medo e não sentimos essa ajuda, acabamos por não concretizar o que gostaríamos”. “Desviam-se dos focos de problemas, não os querem confrontar”, acrescenta Ana Trindade que acaba por realçar o facto de as técnicas recentemente terem desenvolvido atividades com a terceira idade mas que na sua opinião não chegam. “Temos ali muitos jovens e se a Câmara conseguisse proporcionar-lhes atividades para não andarem metidos em determinadas ocupações seria importante”, defende Cristina Murteira. Os filhos das mulheres do rancho vão andando pela coletividade, mas quanto aos demais não tem sido hábito dedicarem-se a atividades relacionadas com o folclore. A vereadora com o pelouro

da Ação Social, Helena de Jesus, contrapõe e diz que muitas são as iniciativas que se vão desenvolvendo no bairro e que este não está abandonado pelo município. A técnica Ana Carla Costa junta que funciona no bairro um centro comunitário onde são desenvolvidas ações junto da infância no sentido de encorajar o sucesso escolar. Estando ainda a trabalhar no local psicólogo, assistente social e animador sociocultural, pelo que não percebe a crítica dos moradores. “Povos está abrangido por um Contrato Local de Segurança e é inegável o seu sucesso”. Mas a exclusão “faz-se sentir” o que na opinião destas moradoras é “pena”, porque “o bairro tem muita gente que se podia aproveitar”. O bairro em tempos já foi mais unido com muitas festas e agora “não conseguimos fazer nada”. E na

Maio 2018 opinião de Ana Trindade o que prejudicou o espírito de Povos foi a compartimentação por grupos. “Juntaram o bairro da lata com o de Povos, mas ao invés de os integrarem na comunidade, separaram essas pessoas das outras. Criou-se uma divisória, no fundo. Misturar é o que faz sentido nem que fosse no meio de Vila Franca”. A sede da coletividade é outra das pechas. Em muitas ocasiões o grupo já pediu ajuda à Câmara para arranjar o telhado. Chove lá dentro “ao ponto de termos de chamar os bombeiros”. “Nas eleições prometem sempre obras mas depois nada se passa”, alude Cristina Murteira. A componente da eletricidade nestas ocasiões implica sempre ter de mudar tudo quando chove. “Somos um rancho pequeno, não temos força nem bens materiais

mas bastava que nos dessem um terreno abandonado que está lá no bairro e o material, que nós com as nossas forças e o nosso empenho fazíamos uma sede nova”, desabafa, cansada do estado de coisas, Cristina Murteira. Se isso acontecesse “nós como grupo poderíamos progredir e fazer mais alguma coisa”. “Nós temos estas ideias. Nunca lhes apresentámos estas propostas mas eles também têm olhos na cara”, finaliza Ana Trindade, que lembra ainda o espaço antes ocupado por uma outra coletividade que se encontra completamente encerrado, e que podia ser aproveitado pelo rancho. Este grupo sai quase todos os fins de semana para dançar um pouco por todo o país. Com poucos recursos levam o nome da terra e da cultura folclórica vilafranquense a outros pontos de Portugal.

População do Bairro Azul na Póvoa queixa-se de estigma injusto Moradores encontram-se expectantes quanto ao que se seguirá no bairro após as obras

Bairro surgirá de cara lavada em 2019 Bairro Azul na Póvoa de Santa Iria vai entrar em fase de estaleiro. Arrancam em julho as obras nos 82 fogos no valor um milhão 600 mil euros. Este bairro social que data da década de 90 necessita de obras mais ou menos profundas nas habitações e tudo se desenrolará em três fases ao longo de cerca de 15 meses. Depois de ter estado em cima da mesa o realojamento temporário durante as obras em monoblocos, a Câmara fez as contas e dados os gastos exorbitantes, cerca de 800 mil euros, decidiu que compensa mais pagar alojamento às famílias em residenciais, pensões, ou recorrer a outras habitações sociais no concelho. Se necessário e no caso do alojamento em pensões pagará ainda lavandaria e refeições. No caso dos habitantes do bairro que pretendam ficar alojados em casas de familiares ou amigos durante o tempo em que durarem os trabalhos, a Câmara também fornecerá um envelope financeiro de apoio às despesas. O bairro que foi gozando ao longo dos tempos de má fama, estará hoje melhor. É o que nos afian-

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çam os vários moradores com quem falámos. A imagem que passa não é a mais positiva e as notícias que têm vindo a lume sobre este bairro serão manifestamente exageradas segundo estas pessoas com quem falámos. Maria Albertina diz mesmo que viver aqui “é normal”. Há cinco anos vivia em Vialonga mas como pagava uma renda de 280 euros e não sobrava que chegasse para pagar a luz e a água, até tendo em conta que “o patrão não conseguia pagar o ordenado completo de uma só vez”, a solução foi vir para o bairro do PER. “Vi-me com uma grande dívida ao senhorio. Tive de recorrer à Câmara para me acudir e graças a Deus estou muito agradecida à autarquia”. Hoje encontra-se no fundo de desemprego porque está com alguns problemas de saúde. Esta moradora prefere não falar de quanto paga de renda atualmente no PER, mas será incomparavelmente menos do que o que pagava antes. “São dezasseis”, deixa escapar e com algum otimismo acrescenta – “Já dá para pôr o pão na mesa”. Quando se lhe pergunta sobre as ditas confusões no

bairro, diz que “isso se acontece é porque as pessoas querem”. “Mas para mim está ótimo. Nada funciona mal aqui”. Diz mesmo que não sente preconceito por parte de outras pessoas da Póvoa. “Sou bem acolhida em todo o lado”. A casa de Maria Albertina vai ser intervencionada numa segunda fase, pelo que para já não sabe para onde vai durante esse período. Obras na cozinha e na canalização são bastante necessárias. Quanto a pinturas refere que a própria deitou mãos à obra recentemente. “Para a renda que a gente paga não devíamos pedir muito. Há quem esteja sempre a pedir à Câmara,”, conclui deixando escapar uma gargalhada. Elias Martins é um jovem que veio do Brasil. Trabalha no atendimento telefónico num call center mas tem um curso de Antropologia, e também refere que a má fama do bairro é muito injusta. Veio para o Bairro Azul em 2013. Antes vivia na Loja Nova, Vila Franca de Xira. “Uma zona com poucos transportes, com pouca mobilidade”. As dificuldades económicas eram algumas. Mesmo hoje em dia e trabalhando não teria condições de pa-

gar uma renda fora do bairro. “O ordenado não dá para isso. Tenho uma filha que mora longe e todos os meses tenho de a ir buscar a Aveiro”. Oportunidades de emprego na sua área são quase impossíveis. Para que tal pudesse ser uma possibilidade teria de pagar um mestrado, o que não é barato, e tinha de continuar a trabalhar oito horas por dia no seu emprego. Por isso vive um dia de cada vez, e vai por enquanto manter-se no call center onde trabalha. “A minha filha vai entrar agora na escola primária, pelo que não posso fugir muito daquilo que tenho a nível de emprego”. Para Elias Martins o estigma relacionado com o bairro vai até ao ponto de não conseguir que lhe venham entregar encomendas ou a botija de gás. “Já me disseram que tinham ordens para não virem aqui. As empresas recusam-se a mandarem os empregados sozinhos”, diz, e acrescenta – “Por vezes saem notícias na comunicação social que empolam situações que não são verdade, e vêm à tona todos os preconceitos e mais alguns em relação a este bairro”. “Sei que em tempos o bairro já

teve problemas, mas atualmente é calmíssimo. Nada justifica que uma empresa de gás não faça aqui o serviço normal”. Elias Martins faz parte da primeira fase e ao que tudo indica vai para uma pensão em Vila Franca. O maior trastorno será a acomodação dos seus pertences. A Câmara já terá um espaço acautelado para esta questão relacionada com os bens dos moradores. A vereadora com o pelouro da Ação Social, Helena de Jesus, refere que complementam as obras nas habitações: a do polidesportivo, recentemente inaugurado, e a das hortas urbanas, dois espaços que servem para fortalecer o sentimento comunitário no bairro. O mobiliário urbano será também requalificado. Toda a logística que se prende com a mudança por fases da população para fora das suas habitações durante um determinado período de tempo tem estado a correr “de forma muito pacífica”, refere. “As pessoas têm colaborado imenso com disponibilidade para aceitarem todas as sugestões que impliquem mudança no seu dia-a-dia”. Cerca de 30 fogos vão ser intervencionados

em cada uma das fases. “Foi o denominado plano B, porque era muito mais simples alojar toda a gente de uma vez em monoblocos. Assim, foi um esforço muito grande dos serviços”. Cada fase terá a duração de cinco semanas de obras mais duas para mudanças. O combate à exclusão social no bairro passa muito por esta requalificação a que se juntam os dois novos “vizinhos”: horta e polidesportivo. “Até porque as pessoas de fora do bairro são convidadas a virem às hortas bem como ao polidesportivo. Faz com que haja uma inclusão da população”. Quanto a comportamentos desviantes que ainda possam existir neste bairro diz que “essa ideia não é verdadeira”. “Acho que é algo que acontecia há uns anos, porque como vê a esta hora não está ninguém no bairro. As pessoas estão a trabalhar. De qualquer das formas temos um atendimento integrado nesse trabalho”. Ana Carla Costa, chefe de divisão do Desenvolvimento Social na autarquia, refere que todas as famílias são acompanhadas a nível social pelo município.


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Tauromaquia Azambujense

Instantâneos 19 Retratos da Nossa Terra

António Salema

Ana Rita em grande “El Salamanca” forma e finalmente no seu Concelho de Azambuja

or ocasião da feira de maio 2018, teremos um momento que é histórico. A apresentação perante o público do seu concelho de uma artista que é considerada em Espanha como a toureira mais valente. Tanto a tourear como a matar, seja a cavalo ou a pé. O cartel além de Ana Rita, conta com Marcos Bastinhas e Jacobo Botero, os forcados de Azambuja e do Ribatejo. Os toiros são da ganadaria de Silva Herculano. Para os azambujenses destaque para a presença do bandarilheiro Joaquim Oliveira, natural da vila e considerado pela crítica como um dos melhores bandarilheiros nacionais. Uma grande corrida, é o que se espera nesta grande feira.

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Manuel de Oliveira, alternativa para breve anuel de Oliveira está a preparar-se afincadamente para a sua alternativa. Onde será e quem irá apadrinhar? Isso está no segredo dos Deuses. Será Parreirita? Será Ana Rita ou será o pai Manuel Jorge de Oliveira o padrinho? Aguardemos por novidades em breve.

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Sevilha Abril 2018, Corrida Miura Feira de Sevilha é sempre uma saudade. Os cantares, os bailados, os toiros. Eu e um grupo de amigos reunimo-nos e combinámos ir a Sevilha para ir ver uma novilhada de um ganadero azambujense. Ficou tudo acertado e no dia indicado , partimos e lá fomos cantando e rindo pelo caminho. Quanto aos novilhos, saíam bem. Estiveram extraordinários nas varas a arrancaram-se de largo e sem levar a saída tapada por direito. Quanto à muleta, não foi fácil de analisar, os toureiros poderiam estar mais à altura da função. Mas viu-se bem. Corrida de toiros Miura em 22 de Abril Já não são os Miuras de antigamente, mas ainda são os toiros onde se veem os artistas. A corrida foi um mano a mano entre Escribano e Pepe Moral. Este último esteve por cima e saiu em ombros com o corte de duas orelhas. Foi uma corrida agradável, onde se viu tourear bem de capote, viu-se uma meia verónica belmontina, assim como bons moletazos com a muleta bem posta na cara do toiro. Foi uma corrida agradável, esta dos toiros Miura.

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olhar do leitor A. Sousa, chamou-nos a atenção para o crescimento desmesurado de mato nas “barbas” da GNR. Com efeito e bem perto de um terreno que foi alvo de um grande incêndio há pelo menos três anos, nota-se o “desleixo” de alguns proprietários. De um lado estão pinheiros que tocam e envolvem alguns cabos. Do outro, é notória a falta de limpeza de um terreno que confina com o posto da GNR e com algumas habitações. De facto e segundo o nosso leitor, a aplicação da lei que obriga a limpar o mato, ainda não chegou a estas bandas. Desconhece-se se existe algum processo em curso, mas a avaliar pelo andar das coisas, a lei está atrasada.

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leitor Vasco Jesus denuncia o estado em que se encontra o Parque Infantil Tágides, na Póvoa de Santa Iria. Para além dos equipamentos grafitados, alguns estão degradados como o da foto e constituem-se como perigosos para as crianças que frequentam este espaço. O leitor apela à União de Freguesias de Póvoa-Forte no sentido de uma intervenção ou à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.

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Opinião 21

O futuro do Rio, do Estuário e da Bacia Hidrográfica do Tejo

Luís Monteiro

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Rio Tejo é um fator de unidade e coesão entre Portugal e Espanha e marca de forma característica e indelével a paisagem natural e humana dos dois países ibéricos. No nosso País, as águas do Tejo estendem-se desde a Beira Baixa, em Vila Velha de Ródão, até à Área Metropolitana de Lisboa, que emerge em torno da envolvente ribeirinha do Estuário do Tejo, um dos maiores Estuários da Europa Ocidental e que divide a Grande Lisboa da Península de Setúbal. O Tejo confere vida, dinâmica e identidade a várias aldeias, vilas, cidades e concelhos. Ficamos impressionados com a descoberta de água num planeta distante, mas depois não tratamos daquela que está realmente perto de nós – a nossa água, o nosso Rio. Foi do Tejo que partiram as naus e as caravelas para os nossos Descobrimentos, que deram novos Mundos ao Mundo e permitiram a primeira globalização. Atualmente é o Tejo que continua a desempenhar um papel relevante no que concerne ao abastecimento de água às populações.

A preservação ambiental dos recursos naturais é fundamental, devendo constituir um compromisso assumido por todas e por todos, em defesa dos direitos e interesses das populações e na perspetiva da salvaguarda do ambiente. Sabemos que o Governo, através do Ministério do Ambiente, está atento aos problemas relativos ao Rio e empenhado na sua resolução. Desde a década de noventa do século vinte que são desenvolvidos inúmeros esforços para despoluir o Tejo, que enfrenta atualmente duas grandes ameaças: a poluição e o nível reduzido dos caudais de água.

No que concerne à poluição, esta é uma matéria substancialmente prejudicial para a vida do Rio e para as atividades que lhe estão associadas, bem como para os ecossistemas e para a sua biodiversidade. As descargas efetuadas pelas atividades económicas (de índole industrial) afetam drasticamente a capacidade de sobrevivência ambiental do Tejo, assim como a contaminação das águas decorrentes do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz, localizada junto ao Tejo, a 100 km de Portugal. Relativamente ao nível reduzido dos caudais de água importa relembrar que em Espanha a água

é retida em diversas barragens, o que afeta e tem influência direta nos reduzidos caudais, não cumprindo assim o acordo com Portugal, o qual se mostra contemplado na denominada Convenção de Albufeira. Existem também circunstâncias decorrentes das situações de seca, bem como dos transvases efetuados para tentar suprir as necessidades de água em inúmeras zonas onde ela é escassa, o que prejudica severamente a economia da pesca e das empresas piscatórias, conduzindo à escassez e ao desaparecimento de peixes. Em Vila Franca de Xira – o Concelho da Cidade, da Serra, da Lezíria e do Tejo - temos a cultura avieira e as suas manifestações etnográficas. O Município conserva, promove, valoriza e dinamiza as embarcações típicas e tradicionais do Tejo, simbolizadas através do Barco Varino Liberdade. A Câmara Municipal tem ainda a ambição e o objetivo de criar, em cooperação com outros Municípios, um percurso pedonal e ciclável entre a Vala do Carregado e o Parque das Nações.

Reabilitação urbana e bairros sociais ão vou escrever sobre Bairros Sociais. Trata-se de matéria de que, por formação e experiência profissional, tenho poucos conhecimentos. A única experiência que tive dessa realidade foi enquanto Autarca e os casos com que lidei, no Concelho, não são em número suficiente para que me permitam começar aqui a perorar sobre o tema. Assisti aos grandes movimentos migratórios que se começaram a desenhar nos anos cinquenta e depois se intensificaram nos anos sessenta e setenta e por aí fora, e que trouxeram do interior para o litoral, sobretudo para as agora chamadas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto, grande parte da nossa gente. Naturalmente que o primeiro sinal negativo desses movimentos foi o abandono do Interior do País, não só nas áreas rurais – onde era óbvio-, como também nas cidades e vilas que calhavam no meio de Portugal ou na raia espanhola. Mas, se a partida gerava esse problema, a chegada criava, também, um novo problema de igual envergadura: à volta das grandes metrópoles, onde havia empregos que não cheiravam mal nem deixavam os pés cheios de lama, começou a instalar-se uma multidão de provin-

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cianos recém-citadinos. Como resposta às suas exigências e com o apoio, primeiro da CGD, depois da restante Banca, proliferaram as urbanizações feitas à pressa que polvilhavam as áreas metropolitanas e criaram as grandes cidades que rodeiam hoje Lisboa e o Porto. Hoje, as grandes cidades portuguesas não são a histórica Bragança nem a gótica Santarém nem a abrasadora Beja. Hoje as grandes cidades portuguesas são Sintra, a Amadora, Oeiras, Odivelas, o eixo Vila Franca-Lisboa, Gaia, a Maia, Matosinhos, Valongo– precisamente as que resultaram da consolidação desse movimento emigratório. Mas mesmo a essas construções tipo Jota Pimenta, nem todos tinham acesso. E então começaram a aparecer, por todas as bordas das grandes cidades, habitações abarracadas, isoladas ou em bairro. Afinal isto tem mais a ver com Bairros Sociais do que eu pensava! É que grande parte da génese dos denominados Bairros Sociais teve origem na resposta das Autarquias Locais e do Poder Central à necessidade social e política de “acabar com as barracas”. Referi grande parte porque já havia experiências anteriores de construção

de Bairros Sociais, mesmo até antes do 25 de Abril. Eram os chamados Bairros Operários ou os que resultavam da iniciativa de grandes empresas nacionais, que construíam bairros em condições especiais e com razoável qualidade a custos baixos e com rendas fixadas em função do rendimento. Juntou-se-lhes o Estado e o Poder Local e, na verdade, hoje em dia, duma maneira geral, todas as pessoas têm uma casa onde viver. Parece que a batalha da habitação foi ganha por Portugal. Mas do que eu queria falar era dum outro fenómeno, mais recente, este sim, um sinal muito positivo, que se tem desenvolvido nas nossas vilas e cidades: a reabilitação urbana. Coincidiu com a migração interna antes referida, um fenómeno comum às grandes cidades e às vilas: com o aparecimento de todo o tipo de bairros, normalmente em altura, foi-se criando à volta uma outra cidade com características próprias, vida própria. E o interior das antigas cidades e vilas foi, pouco a pouco, morrendo: pouca gente, comércio incipiente, casas desabitadas, ruínas. As cidades deixaram de ser centros, passaram a ser coroas circulares: no meio, pouco havia.

Primeiro, porque a dimensão das casas era incompatível com as necessidades da vida moderna; depois, porque a maioria delas estava emaranhada numa teia de heranças intransponível. Começou a ser essencial tomar medidas para que os centros urbanos não fossem praticamente abandonados. Foi preciso esperar muito tempo, mas um conjunto de medidas ao nível da facilidade de licenciamento e de benefícios fiscais começou há poucos anos a surtir efeito e

Para o Município de Vila Franca de Xira, devolver o Rio às populações e às comunidades é uma prioridade, com obra realizada e projetos para o futuro. Não podemos esquecer, nem ignorar, a importância ambiental e económica associada ao Rio Tejo e que merece reconhecimento por parte de todas e de todos - das suas potencialidades, designadamente ao nível piscatório, turístico e desportivo, mas também em termos de coesão social e territorial das comunidades ribeirinhas. A agricultura, a indústria, a pesca, o turismo e o desporto podem e devem coexistir com o Rio Tejo mas de forma limpa e sustentável. O desassoreamento do Rio Tejo e a sua navegabilidade são fatores essenciais que permitirão um desenvolvimento ambiental, económico e social regional, sendo este, também, um assunto relevante, e que merece estar na agenda política e na ordem do dia. É fundamental, e deve constituir uma prioridade de ação, o desenvolvimento e a exploração do Rio Tejo de forma navegável através da sua

utilização como uma autoestrada fluvial. Os recursos que o Rio possui abrem perspetivas de exploração que podem transformar o futuro dos Concelhos localizados junto ao Tejo. A existência de uma Cultura e de uma Economia do Tejo deve ser devidamente valorizada e considerada pois a preservação ambiental deste Rio é essencial para maximizar as suas potencialidades. O Tejo tem de ser defendido, preservado, valorizado e promovido. O Rio Tejo não pode ser esquecido! Tem de permanecer vivo e dinâmico, como contributo essencial para a competitividade da economia, da coesão e do desenvolvimento dos territórios ribeirinhos. É demasiadamente importante para Portugal. Como disse Fernando Pessoa, “Pelo Tejo vai-se para o Mundo”.

Joaquim António Ramos

hoje assiste-se a um “boom” na reabilitação urbana que vai trazendo, directamente ou por arrastamento, gente e actividade aos centros urbanos das nossas vilas e cidades. Pode ser tema que não tenha a ver com Bairros Sociais, mas creio que o reviver dos nossos centros urbanos vai tornar as nossas vilas e cidades menos espartilhadas em bairros, sociais ou não. Vão ser mais vividas como um todo urbano que reconhecemos como patrimó-

nio comum. Porque também dentro de nós há fronteiras que é preciso derrubar, voltarmos a estar juntos nos jardins do centro, nos cafés do centro, poderá reforçar a nossa identidade enquanto comunidade.


22 Divulgação

Valor Local

Maio 2018

Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade da ACISMA - Associação, Comércio, Indústria e Serviços do Município de Azambuja

Candidaturas abertas na Portugal Inovação Social A Portugal Inovação Social tem, desde 9 de maio, candidaturas abertas para financiar projetos inovadores orientados para ganhos de eficiência na prestação de serviços públicos e na resolução de problemas sociais, nomeadamente na área da Inclusão Digital. São 5 milhões de euros que ficaram disponíveis para apoiar, através de Títulos de Impacto Social, a realização de projetos de inovação social que deverão atuar nas áreas da Inclusão Digital, Proteção Social, Emprego, Justiça ou Saúde. Os Títulos de Impacto Social destinam-se a apoiar projetos inovadores que respondam a problemas sociais prioritários

da competência da política pública, numa lógica de pagamento por resultados. O projeto é implementado por uma ou mais entidades privadas e financiado por um ou vários investidores sociais, propondo-se alcançar determinados resultados sociais mensuráveis, cujos indicadores e métricas devem ser previamente validados pela Entidade Pública responsável pela política setorial. Se os resultados contratualizados forem alcançados, os investidores sociais são integralmente reembolsados. A FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., enquanto

responsável por propor as ações necessárias à inclusão e literacia digital de cidadãos e organizações na Sociedade da Informação e do Conhecimento, é a Entidade Pública responsável pela validação prévia dos projetos na área da Inclusão Digital, pela emissão dos “Pareceres da entidade do setor público” e por integrar as parcerias nas candidaturas validadas. O AVISO estará aberto continuamente, até que seja esgotada a dotação de 5 milhões de euros. Mais informações nos websites da Portugal Inovação Social e do Balcão2020. Fonte: Portugal Inovação Social/INCoDe.2030

Reprogramação do Portugal 2020 reforça investimento nos Territórios O secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão admitiu um reforço na ordem dos 560 milhões de euros para investimentos nos Territórios, incluindo em Escolas e Mobilidade, no âmbito da reprogramação dos Fundos da União Europeia do Portugal 2020. "Temos um número que andará à volta dos 560 milhões de euros, é o número que está neste momento apontado, que não está definitivamente fechado, ainda estamos em acertos finais", para investimento territorial, afirmou à Lusa Nelson de Souza, após uma reunião com a ANMP - Associação Nacional de Municípios Portugueses. A União Europeia poderá aceitar a reprogramação da aplicação dos Fundos da União Europeia negociados até 2020, desde que o montante global não aumente, permitindo assim reforçar as dotações em determinadas áreas consideradas prioritárias em ter-

mos de investimento. No encontro, em que também participaram dirigentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), foi possível obter um consenso à volta de soluções que permitirão melhores resultados na segunda fase da aplicação do Portugal 2020 no domínio do investimento territorial. Para o secretário de Estado, mais do que a expressão financeira da reprogramação, o resultado aponta para a vontade de "querer responder a necessidades na área das infraestruturas escolares, infraestruturas de saúde, infraestruturas sociais, mas também de outros tipos de investimentos", nomeadamente na Política Urbana, da Reabilitação e da Mobilidade. O valor final da reprogramação depende apenas de pequenos ajustamentos dos serviços tutelados pelo ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques.

O presidente da ANMP, Manuel Machado, classificou o resultado da reunião como "francamente positivo" e, apesar do desejo de maior investimento, face às disponibilidades existentes congratulou-se com "o trabalho realizado". Além do reforço da dotação para intervir nas escolas e em vias de acesso a zonas empresariais, Manuel Machado apontou a importância de "ser revisitado um conjunto de procedimentos" que permitam simplificar o processo para "aceleração nas operações financiadas por fundos comunitários". O presidente da ANMP considerou que a reprogramação permitirá aumentar o investimento dos municípios, em benefício das populações dos territórios de baixa densidade, designadamente na regeneração urbana, ciclo urbano da água, Proteção Civil e Provere (Programas de Valorização de Recursos Endógenos). Fonte: www.portugal2020.pt

Ficha técnica: Valor Local jornal de informação regional Propriedade e editor: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade; NIPC 514 207 426 Sede, Redação e Administração: Rua Alexandre Vieira nº 8, 1º andar, 2050-318 Azambuja Telefones: 263 048 895 - 96 197 13 23 Correio eletrónico: valorlocal@valorlocal.pt; comercial@valorlocal.pt Site: www.valorlocal.pt Diretor: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt Redação: Miguel António Rodrigues • CP 2273A • miguelrodrigues@valorlocal.pt • 961 97 13 23; Sílvia Agostinho • CP 10171 • silvia-agostinho@valorlocal.pt • 934 09 67 83 Multimédia e projetos especiais: Nuno Filipe Vicente multimédia@valorlocal.pt Colunistas: Rui Alves Veloso, Augusto Moita, Acácio Vasconcelos, José João Canavilhas, António Salema “El Salamanca” Paginação, Grafismo e Montagem: Milton Almeida • paginacao@valorlocal.pt Cartoons: Bruno Libano Departamento comercial: Rui Ramos • comercial@valorlocal.pt Serviços administrativos: Metaforas e Parabolas Lda - Comunicação Social e Publicidade N.º de Registo ERC: 126362 Depósito legal: 359672/13 Impressão: Gráfica do Minho, Rua Cidade do Porto –Complexo Industrial Grunding, bloco 5, fracção D, 4710-306 Braga Tiragem média: 8000 exemplares Estatuto Editorial encontra-se disponível na página da internet www.valorlocal.pt


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Quercus exige que autarcas de Benavente paguem por erros e omissões urbanísticas á são conhecidas as acusações que impendem sobre o executivo camarário de Benavente, mandato 2013- 2017, no âmbito de um processo da Quercus junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Leiria. O atual presidente Carlos Coutinho, e os vereadores do executivo CDU que estiveram no anterior mandato, Ana Carla Gonçalves, Augusto Marques, Catarina Pinheiro Vale, Domingos dos Santos e Luís Semeano (PS), Ricardo Oliveira (PSD) são réus neste processo, a que se juntam António José Ganhão e Miguel Cardia, antigo presidente de Câmara e vereador respetivamente, nos mandatos de 2005 a 2013. Entre as acusações estão diversos atos nulos praticados a favor de empreendimentos turísticos na área do concelho, licenciamentos que careciam dos devidos trâmites burocráticos e portanto são considerados pela Quercus como ilegais, bem como a ausência de estudo de impacte ambiental para um projeto da Portucale para a Herdade da Vargem Fresca. Assim, e a título de exemplo, no caso do aldeamento turístico na Quinta de Santo Estevão, “La Varzea Polo e Country Club”, faltava a apresentação do parecer do Turismo de Portugal por parte do em-

J

Câmara de Benavente implicada em diversos processos pela Quercus presário Tiago Gallego, que segundo a acusação a que tivemos acesso, terá beneficiado de largas benesses municipais, desde isenções a prorrogações de prazos. Este projeto acima identificado também terá sido segundo os advogados aprovado “intencional-

mente e imediatamente antes da entrada em vigor” da aprovação das medidas restritivas do Novo Aeroporto de Lisboa. Corria o ano de 2008. Sendo neste caso apontado o dedo pela Quercus ao réu António José Ganhão. Outra das acusações refere-se à

regularização de construções clandestinas, vulgo pavilhões, por Tiago Gallego construídas sem licença municipal, tendo conseguido a legalização de forma irregular, dado que o regulamento municipal apenas o prevê para edificações com mais de cinco anos, o que

não era o caso. Ficou ainda isento do pagamento de 29 mil 447 euros em taxas municipais. O empresário que não tinha a sede de uma das suas empresas no concelho nem promovia postos de trabalho em número suficiente para usufruir de benesses terá segundo a acusação conseguido variadas benesses em desacordo com o que dizia o regulamento municipal. A autarquia, neste âmbito dos pavilhões, e segundo a Quercus deve promover a solicitação de pareceres ao Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Direção Geral de Agricultura e Pecuária de Lisboa e Vale do Tejo e à Agência Portuguesa do Ambiente. A Quercus exige que sejam declarados como nulos os atos que dispensam a apresentação de projetos de especialidades e seja condenada a Câmara a exigir à ré, S. Tiago II – Sociedade Agrícola SA, o valor de oito mil 681 euros a título de compensação urbanística e o valor de 38 mil 155 euros referente à taxa municipal de urbanização. Já no mandato de Coutinho, a Quercus exige que seja declarada nula a deliberação da Câmara que dispensou a Portucale de avaliação de impacte ambiental, e consequente alteração ao loteamento.

A Quercus pede que o município seja condenado a declarar a caducidade do alvará e a proceder à sua cassação. O projeto da Portucale para a Herdade da Vargem Fresca começou anos antes com o famoso caso do abate de sobreiros. O alvará 1/97 que previa diversos loteamentos é passível de provocar danos, no entender daquela associação ambientalista, irreparáveis no território. A maioria destes processos está relacionada com Tiago Gallego, o promotor imobiliário autor dos vários projetos, também arguido num outro processo que começará a ser julgado no tribunal de Santarém ainda este ano, em que são acusados António José Ganhão, Miguel Cardia, Vasco Feijão, técnico da divisão de Obras Particulares, por corrupção e prevaricação de titular de cargo político. Segundo a acusação, Tiago Gallego beneficiava de proteção e conluio com os autarcas visados, através de agilização de processos e procedimentos, e isenções várias. Nesta ação em que para além de Cardia e Ganhão, está incluído o executivo de 2013-2017, a Quercus pede para que os visados sejam condenados a suportar solidariamente os custos provocados pelos ilícitos a que deram origem.

Valorsul investe 55 milhões de euros na gestão de resíduos Valorsul está a levar a cabo um projeto para melhorar o serviço público de gestão de resíduos. A empresa fala num “forte investimento” focado na prestação de serviços nos 19 municípios de Lisboa Norte e do Oeste. Segundo uma nota da empresa, “até 2021 o plano de investimentos da empresa ascende a 55 milhões de euros e vem compensar a última meia década de contenção”. De acordo com a mesma nota enviada à nossa redação, este é um plano que terá uma aposta “forte” na reciclagem, “inclui 8100 contentores para reciclagem e

A

1500 novos locais de recolha seletiva; 28 viaturas para renovar e reforçar a recolha de recicláveis e ainda a remodelação dos dois centros de triagem”. Ao mesmo tempo a empresa salienta que o seu compromisso vai abranger também “uma nova unidade para compostagem de resíduos verdes e a instalação de painéis solares em cinco unidades da empresa”. Todavia todo o projeto assenta na sensibilização dos cidadãos. Esta é, para a Valorsul “imprescindível para que estes investimentos resultem num expressivo aumento da reciclagem” e nesse sentido

anuncia que nos próximos meses “haverá um grande investimento da empresa em comunicação, com diferentes estratégias para escolas, comércio, eventos e famílias”. Tendo em consideração o público alvo, a Valorsul, refere ainda que nesta altura estão testadas “formas inovadoras de incentivar e premiar os comportamentos de separação e reciclagem”. Trata-se da aplicação para telemóvel Recycle BinGo, que segundo a empresa, já alcançou cinco mil utilizadores num mês, e refere que este é o primeiro exemplo. Este é um jogo que dá

prémios a quem visita regularmente o seu ecoponto. A Valorsul é responsável pelo tratamento e valorização de resíduos urbanos dos municípios de Alcobaça, Alenquer, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Vila Franca de Xira servindo cerca de 1,6 milhões de habitantes. A Valorsul produz e exporta para a rede elétrica 2 por cento dos consumos domésticos nacionais, finaliza a nota de imprensa.

Empresa apresenta novidades no que se refere ao tratamento dos lixos

Aperto da malha em torno da Triaza perta-se a malha em redor do processo de licenciamento do aterro da Triaza/SUMA em Azambuja. O presidente da Câmara, Luís de Sousa, referiu que o Ministério Público já pediu à Câmara vários dossiers relacionados com o licenciamento da obra que recorde-se que aconteceu nos pri-

A

meiros meses do primeiro mandato do autarca. Luís de Sousa tem sido acusado pela oposição de ter dado o pontapé de saída para que um aterro de resíduos não perigosos se instalasse na Quinta da Queijeira em Azambuja, a escassos metros de habitações, em desconformidade com a lei. A co-

missão de Ambiente da Assembleia Municipal está também a analisar o processo e não quis salientar nenhum dado do que já teve oportunidade de ler até ter este processo concluído. O corte de sobreiros relativamente a este processo continua ainda na ordem do dia. O Valor Local deu

conta, na sua última edição, do facto de o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) ter desmentido o que ficou em ata assinada por responsáveis da empresa, Câmara, e proprietária do terreno. Na última reunião da assembleia municipal, o munícipe António Pires destacou a

área do terreno onde terá ocorrido o corte de sobreiros, dando ainda conta da intensificação dos enxames de moscas no local. De acordo com especialista na matéria, o Valor Local conseguiu apurar que no caso de ser declarado pelas entidades oficiais o corte de sobreiros, ao contrário do que está a

acontecer, a empresa poderia perder a licença para laborar no local para além do pagamento de uma coima. Recorde-se eu o Valor Local já mostrou a sua disponibilidade para sermos contactados pela empresa para prestar declarações mas até à data isso não aconteceu.


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Jornal valor local edição maio 2018  
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