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Valor Local ACISMA - Associação de Comércio e Indústria do Município de Azambuja - Abril 2013 - Distribuição gratuita

Alcoentre contorna crise com prisões

Álvaro Pedro teme vitória do PSD em Alenquer Pág. 9

Lei das freguesias enche de dúvidas autarcas e população Pág. 10

Entrevista com presidente da Caixa Agrícola de Azambuja Pág. 4

GREAT OCEAN MEDICAL CARE, LDA

Págs. 6 e 7

Lg. dos Combatentes, nº10 - Aveiras de Cima * Rua da República, n.º 18 - Cartaxo * Telefone:263 475 712 Fax: 243790688 * Telefone: 243 702 976 E-mail :greatmedicalcare@gmail.com 20 ANOS A CUIDAR DE SI E DA SUA FAMÍLIA


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www.ACISMA.org

Valor Local

Um olhar sobre a vida económica de Azambuja crise actual veio acentuar as dificuldades do tecido empresarial concelhio. Na realidade as dificuldades resultantes da desestruturação da economia portuguesa acentuaram as nossas, dado que o concelho de Azambuja foi direccionado em termos de planeamento para investimentos fundamentalmente na área da logística que em termos de emprego qualificado e influência directa na economia local trazem pouco valor acrescentado. Em primeiro lugar e apesar do que dizemos acima, o desenvolvimento económica passa por procurar manter as unidades já implantadas levando em conta os factores de competitividade resultantes de zonas logísticas de elevado potencial como o Poceirão. Mas não basta. É fundamental

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num novo olhar sobre o concelho e as suas potencialidades, tornálo atractivo através da definição de áreas industriais que, partindo das boas acessibilidades que temos, atraiam investimento nacional ou estrangeiro, sobretudo ao nível de pequenas e médias empresas de bens transaccionáveis. Necessário é, igualmente, um olhar renovado sobre a Lezíria do Tejo, para o seu potencial agrícola que pode também suportar a criação de unidades agro-industriais e para a sua mais-valia na correcta definição de políticas de fomento do Turismo rural e cultural de qualidade, tal como toda a zona do Alto Concelho. Na nossa opinião, o trabalho sazonal é justificável em sectores que produzem com esse carácter de sazonalidade e que subsidia-

riamente podem assim contribuir para o emprego local. Agora temos de ser claros… a estruturação económica concelhia não pode assentar no emprego sazonal quer do ponto de vista industrial quer do ponto de vista comercial ou até social. A autarquia tem um papel importante a vários níveis: na definição correcta, em termos de ordenamento do território, de políticas de urbanismo industrial e habitacional que vertidas na revisão do Plano Director Municipal traduzam esse novo olhar sobre o concelho que falamos acima; na inventariação, protecção e fomento das mais-valias locais; numa utilização das taxas municipais com critérios não apenas de arrecadar receitas mas instrumentalizando-as como factor de competitividade em rela-

Como está a aderir ao novo sistema de facturação? Otília Colaço, proprietária de Peixaria em Alcoentre Tem corrido bem, mas as pessoas dispensam completamente a factura. Dizem que não vale a pena dar o nome e o número de contribuinte. Mas como sou obrigada a emitir o ticket, imagine a quantidade de papel que acumulo por dia. A nível informático funciona bem, mas este sistema causa muita desconfiança.

Rafael Carvalho, prop. de Óptica em Azambuja As pessoas pedem sempre factura, mas, antes, também pediam, porque neste ramo, os produtos ópticos entram no IRS. A facturação já existia e continua. Quanto ao sistema julgo que ainda não está a 100 por cento.

Vai ser mais fácil licenciar lojas e negócios projecto “Licenciamento Zero” que pretende funcionar como balão de oxigénio para os comerciantes parece que vai mesmo sair da gaveta. É que a Agência para a Modernização Administrativa já deu luz verde para que, em breve, seja possível a quem quiser, a título de exemplo, abrir um restaurante, um pequeno hotel, um supermercado ou um bar o possa fazer, a partir de dois de Maio, dispensando as dezenas de licenças obrigatórias que até aqui atrasavam os processos de criação de novos negócios.

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“Licenciamento zero” é um projecto do anterior governo de José Sócrates, em que através do preenchimento de um simples formulário online passa a ser possível requerer as autorizações necessárias e abrir o estabelecimento praticamente no dia seguinte. A agência considera este como um projecto “emblemático” para o país, “que permitirá estimular a economia e contribuir para a dinamização do tecido empresarial português. A ACISMA, numa primeira interpre-

tação, à nova lei, “é por princípio, favorável a todas as iniciativas que visem a simplificação burocrática do exercício da actividade económica. Neste sentido, já tivemos duas reuniões com a Câmara Municipal de Azambuja tendo em vista a recolha de opiniões para a melhor operacionalização sistema de licenciamento. Aguardamos assim, pelo desenvolvimento prático da iniciativa para nos pronunciarmos em definitivo e estabelecermos o nosso próprio plano de colaboração”.

Valor Local - Espaço Informativo da ACISMA Associação de Comércio e Indústria do Município de Azambuja. Colaboradores: Conteúdos: Sílvia Agostinho, Miguel António Rodrigues, Rui Alves Veloso, José Machado Pereira, Milton Almeida, Vera Galamba, Daniel Claro Serviços administrativos e procedimentos: Sandra Seabra. Telefone e Fax : 263418263 • TLM 962696007 • Email: valorlocal@gmail.com Boletim de distribuição gratuita no comércio Impressão: Gráfica do Minho

ção aos concelhos vizinhos e finalmente no estabelecimento de um plano que em conjugação com o comércio local, inverta a tendência de um concelho onde muita “gente passa e quase ninguém vem ou compra” e onde as boas acessibilidades são “portas de saída”, para um concelho onde se possa viver, trabalhar e comprar. Projectos para o futuro A saída para a crise está neste momento dependente de muitos factores, na sua esmagadora maioria independentes dos nossos desejos ou capacidades locais. Não obstante há que assumir que a ACISMA cometeu erros próprios que poderiam e deveriam ter sido evitados. E se é verdade que, na substância, não poderíamos ter feito muito mais em relação à influência que a crise financeira, económica e social, teve no concelho, poderíamos ter sido mais activos na informação aos associados sobre a dimensão

dessa crise. A excessiva viragem da associação para a formação profissional (importante para a qualificação dos recursos humanos do concelho) levou a descurarmos outras áreas de actuação tão importantes como aquela. Importa agora não apenas conhecer esse erro mas rectifica-lo imediatamente e é isso que estamos a fazer, não com a brevidade que desejaríamos mas com sustentabilidade. Nesse sentido durante o mês de Maio, com apoio de parceiros do concelho (incluindo a própria Câmara) e de concelhos limítrofes, apresentaremos um conjunto de novidades com um impacto muito específico entre os quais: um espaço físico de informação e apoio às empresas e com um enfoque especial nos micro e pequenos empresários onde poderão obter apoio para quase tudo relacionado com a sua actividade, desde uma simples carta até conselhos técnicos mais elaborados; um cartão direccionado para serviços de saúde (e outros

que se mostrem úteis) de qualidade, gratuito para os associados, com um custo muito reduzido para familiares de associados e colaboradores e ainda uma iniciativa de grande alcance – ainda em fase de estudo e com a colaboração de vários parceiros - na área da formação profissional que se traduzirá num instrumento de valorização do concelho num contexto regional. Valor Local O projecto de um veículo de informação, atempado e de qualidade, para todos os agentes empresariais do nosso concelho e do no nosso espaço regional, era uma velha aspiração da ACISMA. O Valor Local será um meio de informação, patrocinado pelos nossos parceiros, com uma equipa de gente competente e que com periodicidade regular divulgará empresas, empresários e noticias sobre a sociedade e a economia local e regional.


Valor Local

Sociedade

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Viveiros de Aveiras de Baixo podem ressuscitar O espaço foi revisitado pela nossa reportagem. Ficámos a saber que há projectos para a revitalização dos Viveiros, mas que teimam em sair da gaveta até que o Governo dê luz verde. oram muitas as gerações que trabalharam nos “Viveiros de Aveiras de Baixo”. Noutros tempos, ali cresciam várias espécies de árvores e de plantas que depois eram transportadas para outros concelhos. Nos viveiros eram também desenvolvidas actividades de aquicultura. Aquela que foi há muitos anos a principal fonte de rendimento de uma população, está hoje ao abandono e sem qualquer solução à vista por parte do Estado, que através do Ministério da Agricultura, teima em manter em “stand by” um local para onde a autarquia azambujense garante ter planos. A Semana da Primavera Biológica, que decorreu durante o mês de Março, foi o mote para o Valor Local visitar o espaço que passa o resto do ano encerrado e sem qualquer tipo de manutenção. O local escolhido para esta celebração, para além de simbólico para a população local, é também uma fonte de recordações para os mais velhos e uma fonte de conhecimento para os mais novos tomarem o pulso à agricultura biológica, ou simplesmente ficarem a saber que os legumes não nascem nas prateleiras dos supermercados. O espaço, como referimos, está abandonado há pelo menos sete anos, altura em que o Estado passou para Alcácer do Sal, a plantação de árvores e acabou com os viveiros onde se fazia a piscicultura. Esta última, uma actividade que se juntou mais tarde à plantação de árvores, tornando-

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se, por isso, mais uma fonte de rendimento. Os tanques de piscicultura (criação de peixes) estão igualmente ao abandono. O mato que os envolve é suficientemente alto (ver foto) para não deixar ver onde estão. Uma armadilha a céu aberto, mas que, felizmente, está vedada à população, pela vedação, que a separa da estrada nacional 366. Silvino Lúcio, vereador da Câmara Municipal de Azambuja, diz ao Valor Local que o espaço em causa está no planos da autarquia não só para ser um centro de interpretação, mas também como espaço didáctico para os mais novos, mas adverte que tal “não é prioridade já para amanhã, mas será para os próximos tempos”. Apenas parte dos muitos hectares que os viveiros ocupam poderão ser aproveitados. Actividades ao ar livre, hortas biológicas e até um espaço de turismo, são hipóteses que estão em cima da mesa. Hipóteses atrasadas com a queda do anterior governo, e que por enquanto não mereceram qualquer desenvolvimento do actual. Mas o projecto que tem como base um outro semelhante feito em Vila Nova de Gaia, tem outras ambições, que inclui a criação de ciclovias, vias para BTT, e de espaços pedonais para fomentar a prática do lazer e desporto, bem como, um parque para caravanas ou a utilização dos tanques, outrora, usados para a criação de peixes, para acções de demonstração de como isso se fazia junto das escolas.

Mais à frente, nas Mata das Virtudes, existe um edifício do Estado que também não está a ser utilizado, com sinais evidentes de abandono e degradação. O autarca lamenta o facto, pois, actualmente, a Direcção Regional de Agricultura encontra-se em Santarém “num espaço privado e a pagar renda”. Pedro Fragoeiro, engenheiro ambiental da Câmara Municipal de Azambuja, contou igualmente ao Valor Local, que o espaço dos viveiros como está não tem qualquer problema ambiental associado. O grande desafio é mesmo o impacto ambiental que o local causa na passagem pela Estrada Nacional a caminho de Aveiras de Baixo. Para o técnico, a futura valorização do espaço com o projecto que a autarquia já possui, é uma grande mais-valia, até porque o impacto visual e didáctico na for-

Raquel Lúcio guarda memórias frescas do local mação das gerações mais tornase “muito importante” no futuro. População não esquece Durante anos, os Viveiros de Aveiras de Baixo deram emprego a muita gente. Pessoas da freguesia e não só. Muitos viviam do trabalho naquele espaço. Foram os casos, a título de exemplo, dos avós do presidente de câmara de Azambuja, Joaquim Ramos, que muitas vezes confidenciou ter

brincado por aquelas bandas Aos 80 anos, Raquel Lúcio guarda ainda memórias frescas do local. Dos tempos de juventude, lembra-se que aos 20 anos “plantava árvores, e fazia fardos de árvores para fora”. Raquel Lúcio recorda que foram várias as gerações que trabalharam ali, muitas até anteriores aos seus pais. Também António Vitorino Valada, se lembra dos tempos em que trabalhou nos viveiros: “Estive lá 5 anos”. Joaquim começou como

Silvino Lúcio aponta para o local escondido pela vegetação

Começou ainda menino a trabalhar nos viveiros

“aguadeiro” e depois com o passar do tempo começou “a ganhar como homem”, até porque quando entrou para os viveiros ainda era criança. Naquele tempo lembra que “como aguadeiro ganhava doze escudos por dia” e depois passou “a ganhar 20”, frisando o facto de na altura nem sempre se trabalhar a semana toda. Mais tarde, cinco anos depois, Joaquim seguiu outro caminho, mas ainda guarda lembranças do local.


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Entrevista

Valor Local

Presidente da Caixa Agrícola de Azambuja assegura:

“Não vão fechar caixas agrícolas no concelho” Francisco João Silva é o rosto da Caixa Agrícola no concelho de Azambuja. O banco com mais clientes no município, de acordo com as suas palavras. Engenheiro agrónomo, superintende a estrutura nacional que reúne as caixas agrícolas de Portugal. Nesta entrevista, fala da crise e promete que o seu banco estará sempre ao lado dos clientes. Valor Local - A Caixa Agrícola é a entidade bancária mais antiga do país e do concelho de azambuja. Como classifica a relação com as pessoas e o trajecto até aqui? Francisco João Silva - As Caixas Agrícolas não são as entidades bancárias mais antigas, são das mais antigas. Actualmente existe uma caixa – a de Elvas que foi fundada ainda no tempo da Monarquia. No entanto, a data que está convencionada como início das actuais Caixas Agrícolas está num Decreto de 1911 do governo provisório da Primeira República. No concelho de Azambuja, a Caixa Agrícola é a mais antiga instituição bancária, foi fundada em 1927 e é também a mais enraizada no tecido económico e social do Concelho. As Caixas Agrícolas como cooperativas de crédito regem-se por um conjunto de princípios de que saliento a confiança, a governação democrática, a resiliência (capacidade de resistir a conjunturas difíceis como a actual), a proximidade, o compromisso social e a solidariedade. Princípios estes que sendo palavras e ideias, são na prática diária concretizados na Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Azambuja, a que acrescem conceitos de rigor, responsabilidade e profissionalismo. No conjugar destes factores, os resultados estão à vista e a Caixa Agrícola hoje detém mais de cinquenta por cento dos depósitos a prazo gerados no concelho. Este tem sido o trajecto que temos imprimido e que será no futuro desenvolvido e aprofundado. Estamos junto dos associados, dos clientes e das suas empresas, colaborando na resolução dos seus problemas. Considera que o concelho de Azambuja é um bom exemplo a nível nacional, para os clientes do Crédito Agrícola? O concelho de Azambuja, apesar da débil actividade económica das suas PME’s, e das grandes, na sua quase totalidade, terem a sede social fora do concelho, mesmo assim a Caixa Agrícola é o “banco do concelho”. É crescentemente procurado nos seus mais diversos serviços pela população. Temos cinco balcões no concelho de ponta a ponta, e diversas máquinas Multibanco em locais importantes. Estamos convencidos de que prestamos um bom serviço, que

procuramos que seja melhor a cada dia. No concelho, segundo sei, a Caixa tem uma maior percentagem de depósitos e clientes em Aveiras de Cima. Na sua opinião por que é que isso acontece? Aveiras de Cima é um bom balcão e conjuntamente com Azambuja são os mais importantes da Caixa Agrícola. Aveiras pela sua estrutura social tem uma maior capacidade de poupança. Lamentavelmente, levaram-nos o aeroporto, que teria tido grande impacto social e económico na região, e sobretudo em Aveiras. Temos que repensar e desenvolver uma nova estratégia para a economia do nosso Concelho. Numa altura, em que foi anunciado o encerramento de alguns balcões do Crédito Agrícola, a Caixa de Azambuja mantém intocável o seu património. Sei entretanto que existirão novidades na rede de balcões da instituição, e que não está previsto encerrar qualquer um deles. Confirma esta situação? As Caixas Agrícolas em Portugal não prevêem fechar balcões, um dos seus princípios é o de proximidade e também de solidariedade. A aposta é estarmos junto da população, mesmo que tal tenha alguns custos em certas circunstâncias. Aqui as Caixas Agrícolas são totalmente diferentes dos outros bancos, que privilegiam o lucro e os dividendos, afinal uma lógica capitalista pura, que é a sua matriz. E já agora quer adiantar que novidades terá o Credito Agrícola em Azambuja? Para além da nossa actividade normal estamos a preparar um Programa que designamos por “CA PME+”, dada a importância que as pequenas e médias empresas têm no tecido empresarial e social português e também no nosso concelho. Este programa será estratégico para o futuro. Em breve faremos o seu lançamento. O Concelho de Azambuja precisa de privilegiar o seu desenvolvimento económico em PME’s e as entidades oficiais do município têm que ter esta prioridade no seu cardápio. Nós, Caixa Agrícola de Azambuja, estamos preparados e a afinar os instrumentos de financiamento para podermos responder positivamente aos desafios. O nosso marketing é desenvolvido

localmente por nós e a nível nacional, em cooperação com a Caixa Central. Como é que a Caixa Agrícola tem procurado competir com outros bancos que apresentam estratégias de Marketing mais agressivas e modernas, tendo em linha de conta a necessidade de captação de novos clientes? Ou a Caixa Agrícola pretende manter-se como um banco mais ligado à ruralidade e aos agricultores? A Caixa Agrícola é cada vez mais um banco universal, aberta a todas as actividades e a projectos de investimentos viáveis e como se diz agora sustentáveis. A Agricultura é a nossa origem, será sempre uma nossa prioridade, agora alargada às mais diversas actividades económicas e operações financeiras. O concelho de Azambuja ainda é um bom município para investir, e qual é o papel do Crédito Agrícola no fomento desse investimento no município? O concelho de Azambuja é indiscutivelmente um bom município para investir, no entanto tem de passar da potencialidade existente à realidade. A Caixa Agrícola assumirá as suas responsabilidades, fazemos votos para que os outros agentes do processo também se cheguem à frente, tenham ideias e capacidade de as concretizar. Iniciativas como a Avinho ou Feira de Maio são importantes para o fomento da economia do município. Contudo muita gente refere que isso não chega. Na sua opinião, o que falta em Azambuja para atrair mais investimento e fomentar a economia local? Todas as iniciativas são válidas e recomendáveis. O desenvolvimento é feito pelas pessoas e pelas empresas e estas têm papel determinante na criação de postos de trabalho. Em Azambuja falta uma estratégia liderante por parte das autoridades locais, que se devem focalizar em investir e desenvolver pelo menos duas zonas industriais e de serviços para as PME’s, disponibilizando terrenos infra-estruturados e fazendo a sua promoção. Só assim teremos um tecido empresarial e social no futuro equilibrado que possa gerar riqueza no concelho, fomentando o emprego, o consumo e o comércio local e isto é, a meu ver, uma exigência face à nossa localização geo-es-

tratégica no País. O nível de solvabilidade da caixa foi considerado um dos melhores em Portugal. Apesar disso a solidez da instituição é auditada frequentemente pela Troika, à semelhança de outras entidades bancárias. Manter este índice está a ser difícil? Na Zona Euro (para quem tem o Euro como moeda), a auditoria e a supervisão dos bancos é cada vez mais rigorosa e minuciosa sendo que todas as instituições bancárias são permanentemente monitorizadas e periodicamente auditadas. Em Portugal, com a execução em curso de um Programa de ajustamento financeiro e desempenhando os bancos um papel central na actividade económica e financeira do País é natural que a Troika procure acompanhar e conhecer em pormenor o desempenho dos nossos bancos. As Caixas Agrícolas têm tido, nas diversas avaliações, o melhor reconhecimento por parte da Troika. A Caixa Agrícola de Azambuja fechou o Exercício de 2012 com um rácio de solvabilidade de 20,27%, subindo em relação ao ano anterior, quando o Banco de Portugal exige pelo menos 10,00% e há muitos dos chamados grandes bancos, que têm tido algumas dificuldades e feito esforços adicionais para cumprir. Tudo isto acontece porque os nossos associados e clientes têm confiança na Caixa Agrícola e também pela qualidade da Administração e Gestão que a equipa, que tenho a honra de presidir, tem vindo a desenvolver. Como presidente da FENACAM que representa mais de 120 agências, quais são as principais dificuldades apresentadas à vossa federação? Estamos a falar de crédito mal parado, dificuldades de financiamento? A FENACAM é a Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola, portanto o órgão político-institucional de representação das Caixas Agrícolas portuguesas a nível interno e externo, junto das mais diversas autoridades e instituições. As Caixas Agrícolas portuguesas comemoraram em 2011 o seu primeiro Centenário e a Caixa Agrícola de Azambuja, por mim representada, foi eleita pelas restantes Caixas para presidir à Federação Nacional, no ano do centenário. É uma honra e um facto histórico assinalável na vida destas instituições.

Francisco João Silva é presidente da Confragri e Fenacam Hoje existem em Portugal 89 Caixas Agrícolas, 84 das quais fazem parte do sistema integrado, a caixa central e mais de 700 balcões distribuídos pelo Continente e Açores. A federação, com a minha presidência tem apostado na qualidade da representação e da diversidade de serviços que presta às associadas de que realço os serviços de auditoria, técnicos, produção documental, entre outros, que são importantes serviços para as Caixas Agrícolas portuguesas. A federação não trata de financiamentos, estes estão na esfera das Caixas Agrícolas e da Caixa Central. Numa altura difícil para as famílias, e em que estas perguntam como se vai sair da crise, será importante perguntar-lhe sem pedir-lhe que faça futurologia, como é que o país poderá estar depois da Troika? O país tem de ter futuro, tendo de se reequilibrar, deixarmo-nos de conversa, trabalhar, fomentar a economia a criação de empresas e postos de trabalho, fomentar as exportações e o consumo interno e deixarmo-nos de aventuras. A conversa por mais simpática e interessante que possa parecer, não resolve questões como o emprego, a crise económica, a criação de riqueza e sem economia não há hipóteses de suportar as políticas sociais. Depois da entrada em vigor do euro, os bancos dos países centrais e dos países periféricos da zona Euro compraram e alavancaram com base em imensa dívida. Quando começaram a va-

riar as percentagens de juro, muitos bancos viram-se em risco de insolvência, não será por isso esta uma crise mais do sistema bancário do que do uma crise de dívida soberana e dos países, e como tal estão 10 milhões de portugueses a pagar pela cavalgada dos bancos neste tema? O Euro muito criticado, hoje, por algumas pessoas, digamos que com certo oportunismo, tem criado condições para que Portugal tenha atingido nalgumas áreas o desenvolvimento que hoje tem conseguido e um aspecto pouco falado, mas fundamental, que é o da inflação se ter mantido a níveis equilibrados e razoáveis. A gestão bancária é cada vez mais exigente nos mais diversos aspectos e cada vez tem mais rigorosos acompanhamentos de monitorização por parte das autoridades de supervisão. Os portugueses hoje têm alguns tristes exemplos, por desleixo de supervisão, incompetência das monitorizações, e o escândalo de alguns responsáveis terem sido premiados, e a justiça continuar inconsequente. Qual é o seu olhar sobre o caso BPN? Era mesmo necessário estarmos todos a pagar esta factura? O BPN é a vergonha do sistema financeiro português, tudo o que foi feito e lhe diz respeito é o exemplo de tudo o que não deve e pode ser feito. O país aguarda conhecer as responsabilidades, penalizar os prevaricadores e suportar mais esta factura.


Valor Local

Negócios com Valor

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“Padaria da Arrifana” a caminho da exportação Com oito milhões de bolos vendidos, a marca está presente nos principais supermercados portugueses e caminha a passos largos para a internacionalização. om um lucro 900 mil euros no ano passado, a panificadora “Padaria da Arrifana”, já é um exemplo de empreendedorismo e inovação. Situada na aldeia da Arrifana, freguesia de Manique do Intendente, concelho de Azambuja, esta marca que aos poucos vai ganhando quota de mercado e solidez tem vindo a crescer, e nos últimos anos posi-

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cionou-se nas grandes cadeias de supermercados do país. Presente de norte a sul na casa dos portugueses através do Continente, Intermarché, Minipreço, Pingo Doce e em pequenos supermercados, a Padaria da Arrifana vendou no ano passado quase oito milhões de bolos, o que em média dá quase um bolo por português.

Equipa da Padaria da Arrifana

Fernando Aires e Tânia Braz são o rosto desta pequena fábrica que luta no dia-a-dia com a falta de espaço físico para crescer, factor que se constitui como um obstáculo sempre que a empresa quer dar vazão ao crescente número de encomendas que, mesmo apesar da crise, continua a receber. O negócio que cresce há sete anos consecutivos foi herdado do pai de Fernando Aires. Na altura, era uma pequena padaria de bairro. Fernando ainda tentou a venda de pão, mas depressa chegou à conclusão de que o modelo de negócio se iria esgotar. As localidades à volta da Arrifana e algumas escolas já tinham fornecedor e era com alguma dificuldade que escoava o pão produzido na Padaria da Arrifana. Fernando lembra que foi, atrás, de um balcão, num bar em Manique do Intendente, que começou a nascer o gosto pelos bolos, e onde descobriu que a aposta nos bolos secos poderia ser um bom

negócio, pois é um produto com mais durabilidade “para vender nas lojas e supermercados”. O empresário acrescenta que nunca pensou em fazer pastelaria fresca, que considera ser uma área de negócio que se encontra “em decadência e cada vez mais fraquinha”. Mas dos bolos secos, rapidamente se passou, na Padaria da Arrifana, para os “folhados”, também muito procurados pelos portugueses, “que cada vez mais compram este tipo de pastelaria, não só pela durabilidade e gosto, como também pelo preço que apresenta”. Com 23 funcionários, e um ambiente familiar, a Panificadora “Padaria de Arrifana” tem tudo para ser um exemplo de sucesso, e nem mesmo o facto de estar situada numa aldeia no topo norte do concelho de Azambuja, é motivo para Fernando Aires querer mudar para outro local. Neste aspecto, o jovem empreendedor, queixa-se

Empresário mostra produtos que estão à venda nos supermercados apenas da qualidade das estradas, que não são tão boas, quanto os acessos a outros locais do concelho de Azambuja. Com a “bagagem” adquirida na venda para a grande distribuição, a empresa diz estar agora preparada para dar o passo decisivo para a exportação. “Só o grupo Sonae, tem 176 lojas, e um potencial de negócio brutal” refere Fernando Aires. Exportar o produto feito na Arrifa-

na e mostra-lo à Europa é o objectivo numa fase inicial. Depois a aposta será para os Estados Unidos e PALOPS (Países de Língua Oficial Portuguesa). É para isso que o casal trabalha diariamente. A empresa está agora a trabalhar numa nova embalagem, que torne o produto mais apetecível, e que possa ser vendida nas lojas gourmet em toda a Europa. Ideias que trouxeram de feiras e encontros onde participam com frequência.


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Destaque

Valor Local

Cadeias ainda mexem com Ec Longe dos tempos áureos de outrora, o comércio, os serviços e os níveis de emprego de Alcoentre ainda beneficiam dos bons ventos proporcionados pela existência de dois estabelecimentos prisionais na freguesia.

Bairro da Aldeia pensado para habitação social

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entrada em vigor de um despacho do Ministério da Justiça de 1997 que passou a dar liberdade aos guardas prisionais para poderem passar a residir a uma distância de 50 quilómetros das respectivas cadeias, levou a uma espécie de debandada daqueles profissionais das antigas casas de função. Na freguesia de Alcoentre, muitas das antigas residências permanecem ao deus dará, com bairros que já podiam ter sido aproveitados para habitação social, mas que continuam a ser percorridos pelas marcas do tempo. No mesmo sentido, o comércio da

vila já conheceu melhores dias, quando os funcionários das prisões, antes da entrada em vigor do despacho, tinham de residir, obrigatoriamente, nas zonas, imediatamente, limítrofes às cadeias, e faziam, por isso, as suas compras nas lojas de Alcoentre. Alguns anos passados, Alcoentre ressente-se da circunstância em causa, agravada também pela crise económica do país, mas mesmo assim há quem destaque que a vila ainda possui algum comércio, nomeadamente, 52 lojas, de acordo com Jorge Fazendas, antigo trabalhador da prisão de Vale de Ju-

Casa do director abandonada deus, onde esteve durante 37 anos, que comenta: “Se não fossem os estabelecimentos prisionais, a vida das pessoas da freguesia seria pior, porque não existe agricultura em Alcoentre”, isto tendo em conta que “os guardas prisionais são bem remunerados”, não obstante “ a vida de perigo que levam”. No estabelecimento de Vale Judeus, num total de 200 trabalhadores, metade é oriunda da região, com forte incidência na freguesia e no concelho de Azambuja, por isso Ana Marques, proprietária de um café na vila, salienta que a existên-

cia das duas prisões contribui para que “haja menos desemprego” – “Trabalha muita gente na cozinha, nos escritórios e também na própria segurança das prisões que são daqui”. Quanto ao seu estabelecimento comercial, diz não sentir “grande movimento” pois encontrase ainda relativamente distante da prisão de Alcoentre, o mesmo raciocínio é partilhado por Otília Colaço, proprietária de uma peixaria próxima: “Quando os guardas prisionais residiam nos bairros, notava-se que a loja ‘mexia mais’.” O presidente da junta, Francisco Morgado, que trabalhou na prisão

de Alcoentre, durante 34 anos, refere que até à altura do despacho do Ministério da Justiça, “haveria cerca de 50 casas para o estabelecimento de Alcoentre e umas 70 para o de Vale de Judeus”, mas após 1997, “as pessoas passaram a usar o subsídio para se fixar em casas próprias no Cartaxo, Rio Maior ou nas Caldas da Rainha”. Em conclusão, “o número de população residente baixou drasticamente”, e com o passar dos anos, as habitações, outrora, dos guardas prisionais entraram em velocidade cruzeiro rumo à degradação. Na parte de cima da vila, junto a

uma encosta que vai dar a uma pequena ermida, encontra-se o Bairro da Aldeia, pertencente ao estabelecimento de Alcoentre, que já motivou o interesse da Câmara Municipal de Azambuja para a sua conversão em moradias de habitação social, mas Luís de Sousa, vicepresidente do município, diz que, hoje, já não sabe se valerá a pena – “A Câmara tem tentado ao longo dos anos negociar estas casas junto do Ministério da Justiça, mas hoje a maioria delas está em tão mau estado, que duvido que possa ser bom negócio para a Câmara, a sua recuperação. Possivelmente, o

Directores reconhecem importância dos estabelecimentos para a comunidade á seis anos que Orlando Carvalho está à frente da direcção do Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus. Esta cadeia conta com uma população prisional de 500 reclusos, entre os mais conhecidos, está o famoso Rei Ghob ou Francisco Leitão a cumprir pena pelo triplo homicídio de Carqueja, no concelho da Lourinhã. Orlando Carvalho classifica como “muito exigente” a tarefa de lidar diariamente com reclusos condenados a penas de prisão longas, acusados de crimes que vão do tráfico de droga ao homicídio. “O nível etário dos presos também é um pouco superior à média nacional nos outros estabelecimentos do tipo, por isso torna-se ainda mais exigente a nível da habitabilidade e das condições de re-

H

clusão”, aproveita para acrescentar. Na sua opinião, este estabelecimento continua a ser potencializador da economia local, não só pelos postos de trabalho que gere, pois metade dos funcionários é oriunda da região, especialmente, da freguesia de Alcoentre, mas também porque acaba por, de uma forma ou de outra, dinamizar o comércio local. “Nem todos os trabalhadores do EP tomam, por exemplo, as suas refeições nos restaurantes da zona, mas uma parte o efectua, e isso acaba por ser benéfico”, refere a este propósito. Também António Leitão, director da cadeia de Alcoentre, partilha da mesma opinião, “embora a realidade actual seja diferente da de há 20 ou 30 anos atrás quando o estabe-

lecimento prisional se apresentava como um dos principais empregadores da região, freguesia de Alcoentre e povoações próximas,

continua a ser o principal polo dinamizador do comércio local, assim como de outros serviços, tendo em conta o elevado número de pes-

Estabelecimento Prisional de Vale de Judeus emprega 100 pessoas da região

soas que aqui trabalha, bem como aquelas que se deslocam a Alcoentre para visitar os reclusos”. Nesta cadeia, 85 por cento dos trabalhadores, residem na região. Este EP emprega no total 240 pessoas. Nos dois estabelecimentos, os reclusos podem optar ou não pelo trabalho ou estudo. Em Vale de Judeus, têm à sua disposição actividades de formação profissional com trabalho para uma empresa de montagem de acessórios para caixilharia e outra relacionada com artigos informáticos. Recebem uma remuneração, em que metade é canalizada para um fundo de apoio à inserção e outra fica retida na conta pessoal de cada recluso. Actividades culturais e desportivas estão ainda ao dispor daquela população

prisional. No estabelecimento de Alcoentre, a principal actividade económica relaciona-se com a produção e comercialização do vinho “Chão de Urze”, projecto Hortas Solidárias, limpezas de área florestal, trabalhos de serralharia e de reparação automóvel nas oficinas, para além de protocolos de cedência de reclusos com as juntas de freguesia de Alcoentre, de Asseiceira, no concelho de Rio Maior, e Escola de Pontével. Este EP alienou recentemente 290 hectares à ESTAMO, empresa do Estado que promove a compra e venda de terrenos a privados e vice-versa, e que segundo se fala na vila, serviu para o proprietário actual da Torre Bela acertar os limites daquela vasta propriedade.


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Destaque 7 Um dos últimos moradores

conomia Local

bairro de Vale de Judeus, está, neste momento, com outras condições para ali conseguirmos recuperar alguns blocos para o fim da habitação social”. Embora o cenário, neste bairro, seja desolador, com a escola primária onde estudavam os filhos dos guardas a apresentar um aspecto visual como se tivesse sido abandonada de repente, conservando, antes, evidentes traços de degradação com a chuva a cair pelas paredes e telhados encharcando o que há anos atrás foram salas de aula. Antes havia até um bar a funcionar no bairro de Vale de Judeus, mas hoje a maioria dos blocos está desabitada. Poucas famílias resistiram neste bairro. Na vila, um dos moradores que preferiu não se identificar, lamenta pois a opção que o despacho veio permitir, dado que “as casas estão todas devolutas e a melhor man-

são de Alcoentre destinada ao director está desocupada e também degradada”. Em Alcoentre, o facto de os dois directores terem optado por não ficar a residir nas moradias destinadas aos portadores daquele cargo, não passa despercebida à população, principalmente, no caso de Orlando Carvalho, director do Estabelecimento Prisional (EP) de Vale de Judeus, que vem todos os dias de Coimbra para Alcoentre com direito a motorista. Sobre esta situação, o mesmo, perante a questão colocada pelo Valor Local, preferiu não comentar. Do ponto de vista sociológico, há quem refira que a vinda dos estabelecimentos prisionais para a terra, também influenciou positivamente a forma como as pessoas lidam com agentes da autoridade e com forasteiros. “As duas prisões foram uma mais-valia para esta ‘aldeiazinha’, senão hoje seríamos

Evidentes sinais de abandono da antiga escola

uma espécie de Casais de Brito ou algo do género”, compara José Luís Silva que trabalhou em Vale de Judeus de 1986 a 1990. Descreve como “gira” a sua passagem por aquele tipo de trabalho ligado, no seu caso, ao sistema agro-pecuário da prisão, e refere que chegou a tomar contacto com alguns presos conhecidos como o jogador Venâncio, do Sporting, preso, na altura, por tráfico de droga. “Estão lá 500 homens cada um com o seu feitio, e isso torna-se engraçado”. Questionado se a frequência de visitas aos estabelecimentos prisionais, nomeadamente, o de Alcoentre, por se encontrar no centro da vila, afecta positivamente o comércio ou os cafés, refere que, actualmente, isso traz poucos benefícios práticos – “Há pouco vagar e pouco dinheiro. As pessoas trazem o pequeno-almoço dentro do saquinho e comem dentro do carro”.

atural de Santarém e reformado da prisão de Alcoentre, onde trabalhou durante 22 anos, Lucas dos Santos enfrenta um processo de despejo por parte do Ministério da Justiça. Tem poucos dias para abandonar uma das casas do Bairro da Aldeia, mas refere que não tem como pagar uma renda de casa das mais baratas. “Se pagar 250 euros fico sem comer. Ganho 800 euros de reforma para mim e para a minha mulher e quase 300 são para medicamentos, exames e viagens a médicos”, diz. A habitação onde vive tem sofrido ao longo dos anos diversas intervenções e melhoramentos, caso contrário estaria praticamente a ruir como outras do mesmo bairro. Lucas dos Santos que quer continuar a residir ali, não se importa de pagar uma renda, desde que não ultrapasse “os 50 euros”. A Câmara de Azambuja também declarou que o idoso não possui condições para sair da residência em causa. Os filhos do idoso também não podem ajudar financeiramente. Lucas dos Santos enfrenta processo de despejo

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Pesquisa/Opinião

Valor Local

As tensões sociais locais e a Colónia Penitenciária ão andaremos muito afastados da ideia consensual que vê hoje no Estabelecimento Prisional de Alcoentre uma infraestrutura muito peculiar de desenvolvimento local, sobretudo pelo emprego que gera e pela “população” dos seus funcionários que trazem à Freguesia uma dinâmica que sem aquele e sem estes não existiria. Uma instituição de reclusão é também um fator social de inclusão. Mas nem sempre foi esta a perspetiva local e aqui já a história tem uma análise sociológica a trabalhar, colocando os atores sociais a falar na no espaço e no tempo. Na época em que foi instituída, a Colónia Penitenciária de Alcoentre gerou uma série de apreensões coletivas e tensões sociais bem visíveis nas preocupações dos homens de 1930/1940. Corria o ano de 1935, quando, pela primeira vez as forças vivas locais fazem eco dessa tensão que se estava a viver em Alcoentre. Dêmos então a vez e a voz a esses atores: De há anos para cá que o problema penal e prisional vem sendo estudado pelos mais notáveis criminalistas, no sentido do aproveitamento e da reeducação do delinquente. Pretende-se que os criminosos não se conservem inativos enquanto estão cumprindo a pena a que foram condenados, ao mesmo tempo que se lhes vão fazendo despertar qualidades e sentimentos humanos de carácter e de moral, que eles possuíam adormecidos ou que neles estavam deformados ou corrompidos, de forma a transformar-se a prisão numa espécie de escola de reeducação pelo trabalho em regime de internato, obrigatoriamente frequentada

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por todos aqueles que causaram dano grave ao Estado, à sociedade ou ao seu semelhante. Em 1931, sendo ministro da Justiça o Dr. Almeida Eusébio, o Governo da presidência do atual governador militar de Lisboa, Sr. General Domingos de Oliveira, decretou a criação, no continente, da primeira colónia penitenciária agrícola. Para tal fim o Governo expropriou em Alcoentre, por utilidade pública urgente, as vastas propriedades rústicas e urbanas que foram as quintas da Ribeira e do Paço, a fim de nelas ser instalada a referida Colónia Penitenciária Agrícola. A população da freguesia de Alcoentre, logo que teve conhecimento do decreto de expropriação, dirigiu ao Sr. Ministro da Justiça, por intermédio do Sr. Administrador do concelho, a representação seguinte: «(…) É que, Exmo. Sr., a parte dos terrenos pertencentes às duas quintas agora expropriadas, abrange uma área de muitas centenas de hectares, a qual se pode computar em metade da área total desta freguesia. Na dura faina de revolver esses vastos terrenos têm sido empregados sempre os braços fortes que agora serão atirados para uma inatividade forçada e para uma miséria dolorosa, se providências não forem tomadas para evitar semelhante mal. Perante V. Ex.ª, solicitar-lhe se digne fazer chegar ao conhecimento de Sua Ex.ª o Ministro da Justiça a situação aflitiva em que serão lançados numerosos habitantes desta vila, muitos dos quais são chefes de família, rogando que, para obstar a esse mal, nas nomeações a fazer para os diversos cargos da Colónia

José Machado Pereira Historiador/Museólogo

Penitenciária Agrícola desta vila, que não sejam de carácter técnico, seja dada preferência aos habitantes desta freguesia, quer se trate de nomeações vitalícias quer simplesmente de contratados, assalariados ou jornaleiros.» Esta representação foi prontamente atendida. O ministério da Justiça, pela extinta Inspeção e Administração Geral das Prisões, iniciou imediatamente a exploração agrícola

a seguir num ritmo cada vez mais lento, até que, em fins de 1933, paralisaram por completo. Esta paralisação das obras de adaptação, que veio a agravar a crise de trabalho no nosso concelho e, mui especialmente, na freguesia de Alcoentre, deve-se, principalmente, ao facto de a superintendência e administração das referidas obras ter passado do Ministério da Justiça para o das Obras Públicas. Devido

to, cuja solução não se compadece com delongas, pede providências ao Governo da Nação. Solicita, também, a intervenção da Direcção Geral das Prisões. A comissão, que se fazia acompanhar pelo Sr. Joaquim Boavida Canada, digníssimo administrador do concelho, era composta além desta entidade pelos srs. Dr. Afonso Guimarães, professor Alípio A. Lopes Oleastro, António de Lima Co-

da Colónia Penitenciária, dando, assim, trabalho a alguns assalariados e a muitos jornaleiros e satisfação aos desejos da população de Alcoentre. Iniciadas as obras de adaptação do chamado «Palácio» da Quinta do Paço a cadeia penitenciária, logo a seguir à publicação do decreto de expropriação, tiveram essas obras, de início, grande incremento tudo fazendo prever que num curto espaço de tempo estariam concluídas e a Colónia Penitenciária pronta a funcionar. Tal não sucedeu e as obras passaram, pouco depois,

a este facto, houve que proceder a novos estudos, fazer novos planos, elaborar novos projetos, os quais parece prometerem eternizar-se, não obstante as obras já realizadas continuarem a sofrer as consequências da sua já longa paralisação. Sabemos que há quem pense que da instalação e funcionamento da Colónia Penitenciária gravíssimos prejuízos resultarão para a vida e economia de Alcoentre. À paralisação das obras segue-se, agora, a quase paralisação da exploração agrícola. A população de Alcoentre, alarmada com este fac-

laço, Dr. Eduardo Mendes Frazão, Victorino Lopes, Filipe Maria Frazão, Domingos Luís Nobre, António Ribeiro, Jacinto Mendes Lopes, José Eugénio Colaço, José Parreira, etc. Sua Excelência recebeu com visível interesse e deferiu a petição dos comissionados, providenciando para que as obras recomeçassem dentro dum breve espaço de tempo. De facto, assim sucedeu. Foram concluídos com prontidão os novos projetos de adaptação e removidos com urgência todos os obstáculos

Gerir melhor as expetativas um exemplo das enormes contradições dos números – por mais objetivos que pareçam. O chumbo do Tribunal Constitucional a quatro normas do Orçamento do Estado para este ano cria óbvios problemas ao governo. Pode discutir-se se não foi o próprio governo que criou esses problemas ao não acautelar as eventuais inconstitucionalidades quando elaborou o orçamento. Mas há um facto. Para cumprir as metas orçamentais acordadas com a troika, ou seja, com os credores, será necessário encontrar medidas alternativas para tapar um “buraco” que, de acordo com os cálculos do próprio Ministério das Finanças, é de 1.326 milhões de euros. Seguramente a solução que for encontrada não irá agra-

É

dar a ninguém. Nem sequer ao próprio governo. Porque implicará mais austeridade. E austeridade, já se sabe, rima com impopularidade. Austeridade não é só aumentar impostos. Reduzir a despesa do Estado, na atual conjuntura, irá cavar uma das mais longas recessões da história do país. Com todos os dramas que isso implica... Este é o lado negativo da decisão Tribunal Constitucional. Mas os números são, muitas vezes, o que deles quisermos fazer. É uma lição que tenho aprendido ao longo dos anos. Mas se olharmos para a decisão do Constitucional também é um facto que a economia, em estado absolutamente deprimido, pode ganhar um novo fôlego de exatamente…

1.326 milhões de euros. A fatia de leão do problema decorre da obrigatoriedade de serem pagos os dois subsídios. Isso representa cerca de mil milhões de euros. Mil milhões a menos nos cofres públicos. Mas que vão (re)entrar nos bolsos dos pensionistas e trabalhadores do Estado. Ora isso significa mil milhões que, de mil e uma maneiras, podem (re)entrar na economia. Nas lojas. Nos restaurantes. Nas empresas em geral. E se as empresas vendem mais, tendem a produzir mais. Se produzem mais, tendem a contratar trabalhadores. Se contratam, ajudam a baixar o desemprego. Se houver menos desempregados há mais consumo. Se houver mais consumo, as empresas vendem mais. E se vendem

mais…. Este poderia ser o lado positivo da decisão do Tribunal Constitucional. Se, por um lado, o Estado tem de despender o dinheiro e isso cria um problema orçamental, por outro essa decisão faz com que fique disponível mais dinheiro para ser gasto pelas famílias. Os 1.326 milhões de euros podem assim ser vistos de uma forma positiva ou negativa. Tudo depende dos olhos de quem vê… Esta situação, para além de ilustrar muitas das subjetividades da economia, encerra outro problema. Um dos mais graves que o governo ainda não conseguiu resolver. A maioria dos trabalhadores do Estado com quem tenho falado diz-me coisas do género: “quando chegar a altura de paga-

que impediam a continuação das obras. O Ministério das obras Públicas concedeu uma verba de 1540 contos. Foi aberto concurso público e as obras foram já adjudicadas. E temos o prazer de informar os nossos leitores de que, ao começar a circular este número do nosso jornal, as obras de adaptação da Colónia Penitenciária de Alcoentre terão já recomeçado. Os habitantes de Alcoentre manifestam, por este facto, o seu maior reconhecimento ao senhor Doutor Duarte Pacheco. Ainda outro problema não menos importante, embora de efeitos mais longínquos, anda ligado ao funcionamento da Colónia. Referimo-nos ao futuro recrutamento dos seus funcionários, pessoal contratado, assalariados ou jornaleiros. Se não se desse preferência aos naturais de Alcoentre; se não se tivesse em conta a necessidade da sua colocação; se não se atendesse a que a área cultivada pela Colónia abrange aproximadamente metade da área total da freguesia; se no cultivo e tratamento desses vastos terrenos fossem exclusivamente empregados os futuros reclusos da Colónia; se não se compensasse de qualquer forma a inatividade forçada de grande parte da população de Alcoentre, então a Colónia transformar-se-ia num forte motivo de desgosto, causa e feito de ruína e miséria de uma das mais importantes povoações do nosso concelho. Mas estamos certos de que o Estado a tudo atenderá e de que resolverá este problema de forma a satisfazer as aspirações e a não ferir a vida e os legítimos interesses da população de Alcoentre

Rui Alves Veloso Editor Economia RTP

rem o subsídio em Novembro arranjam maneira de o ir buscar outra vez!”. Ou seja, muitos daqueles que podem vir a ter mais algum dinheiro disponível têm receio de o gastar. Noutras ocasiões os impostos aumentaram. Mas depois a situação estabilizou e as famílias acabaram por se adaptar à nova realidade e os níveis de consumo mantiveram-se mais ou menos inalterados. Mas agora as famílias não acreditam que a seguir a um novo imposto não venha outro imposto. Não acreditam que a seguir a um novo corte, a uma nova taxa, não venha outro novo corte, outra nova taxa. E enquanto as famílias - aquelas que ainda podem - não

virem o fundo ao “tacho da austeridade” vão continuar a acautelarse para os dias (ainda) mais difíceis que possam vir. É preciso que as famílias acreditem que o pior já foi feito para que readaptem os seus orçamentos à nova realidade. Não defendo que se criem ilusões. Esse foi um dos grandes erros do passado. Mas há uma gestão das expetativas que, na minha opinião, poderia e deveria ser feita de forma diferente e cujos resultados podem ser decisivos para o atenuar da crise. PS- Felicidades para este novo projeto editorial. É bom ver que ainda há coragem para arriscar nesta conjuntura difícil.


Valor Local

Política

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“PS ganha eleições se andar no terreno” Quase quatro anos depois de ter saído da Câmara de Alenquer, Álvaro Pedro revisita as memórias de 36 anos à frente do município. lvaro Pedro recebe-nos, num final de tarde, no jardim de sua casa na Abrigada, concelho de Alenquer, e desfia, ao longo de uma hora de conversa, algumas das suas principais memórias dos quase 36 anos em que esteve à frente da Câmara Municipal de Alenquer, pronunciando-se também sobre o actual momento do concelho e os candidatos às próximas eleições autárquicas. Em 2009, abandonou os destinos do município, aquando das autárquicas que deram a vitória ao seu braço direito, Jorge Riso. Expressa que, nos primeiros tempos, foilhe difícil acordar de manhã e perceber que já não iria, como de costume, trabalhar para a câmara. “Tive muitas saudades”, enfatiza, mas de vez em quando ainda passa pela autarquia para cumprimentar “a rapaziada” e não deixou de ser solicitado pela população sempre que anda na rua. “Há muita gente que me encontra e me agradece por aquilo que fiz, na resolução de problemas que tiveram, alguns dos quais já nem me lembro”, diz. As eleições autárquicas de 2013 aproximam-se a passos largos e o Partido Socialista já o contactou para ajudar na campanha para a freguesia de Abrigada, mas Álvaro Pedro recusou fazer parte de qualquer lista. Sobre a candidatura de Pedro Folgado, pelo PS, à Câmara de Alenquer, é da opinião de que o mesmo deveria procurar mais o contacto com os cidadãos do concelho – “Tem de aparecer, porque toda a gente me pergunta quem é o Pedro. De todas as vezes, em que fui candidato, corri as freguesias, onde falei com a malta toda”, sublinha. Conselho, que se-

Á

gundo Álvaro Pedro, foi bem acolhido pelo candidato. Quanto ao candidato do PSD, Nuno Coelho, que surge pela terceira vez na corrida, refere que não o deveria fazer, apesar de se dizer amigo do mesmo, mas quando lhe perguntamos se à terceira não será de vez, Álvaro Pedro deixa passar longos segundos e apressa-se a responder – “Não, se o PS fizer uma boa campanha”. Na sua memória, ainda está a anterior luta entre Jorge Riso e Luís Rema, quando em 2009, se discutiu qual dos seus vereadores deveria ser o candidato do PS, mas Álvaro Pedro refere que Rema disse logo que não estava disponível. Mas na sua opinião, o mandato de Riso, foi pontuado por grandes dificuldades, desde logo, devido à situação económica do país – “É impossível gerir uma câmara quando é preciso autorização para se comprar uma esferográfica”, ilustra, referindo-se à lei que impõe limites de endividamento às autarquias. “Eu não conseguiria governar a câmara com as actuais condicionantes”, diz. A dívida da Câmara Municipal de Alenquer é das mais faladas da região, em parte herdada do seu último mandato, mas Álvaro Pedro explica que esse facto está sobretudo relacionado com a construção das duas novas escolas, do Carregado e de Alenquer. A luta pelo aeroporto da Ota foi um dos casos mais marcantes do consulado de Álvaro Pedro, e na sua memória está bem presente o dia em que o Governo de José Sócrates anunciou a substituição do concelho de Alenquer pelo de Benavente, com a infra-estrutura (agora congelada) a passar para

o Campo de Tiro de Alcochete. “Há muitos culpados nessa história, a começar pelo presidente da República que não se devia ter metido no assunto, passando pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC). Sempre acreditei que o aeroporto vinha para Alenquer. No dia do anúncio tive uma sensação como de um balde de água fria a molhar-me da cabeça aos pés”, recorda, mas não culpa Sócrates que foi “dos que mais teimou para que o aeroporto viesse para cá”. Seguiram-se as famigeradas medidas de compensação que nunca saíram do papel. Um conjunto de promessas “que os autarcas sempre souberam que nunca seriam cumpridas”, revela. Mas também há “gratas recordações” dos seus 36 anos à frente da Câmara como a colocação de água canalizada em todo o concelho, os esgotos a 80 por cento, a piscina, a biblioteca e também a circunstância de ter trazido para o concelho a Matutano, a Casa da Moeda, os transportes Luís Simões e o Campera. “Foram 36 anos felizes mas complicados, quase não via o meu filho, porque saía de manhã e regressava à noite, e aos fins-de-semana andava pelas freguesias e colectividades”. Do seu mandato, recorda ainda o parque de diversões Lusolândia, que durante os anos 80, prometia criar 600 postos de trabalho, mas que também nunca saiu do papel. O empreendimento foi apontado para Alenquer e mais tarde para Azambuja, e o Ministério da Economia acabou por não dar o melhor seguimento ao caso, dado o imbróglio instalado com o surgi-

RETRATOS DA NOSSA TERRA

Onde pára o candeeiro? á meses que, segundo apurámos, um dos dois candeeiros da Igreja local está no estabelecimento prisional a ser recuperado. O outro está, segundo os populares, em parte incerta. Em jeito de desabafo, um popular perguntou mesmo se o candeeiro foi “passar férias ou está a cumprir pena”, ou ainda “a fazer um estágio para o programa ‘Querido Mudei a Casa’”.

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Sr ou Dr?, eis a questão om a saída de Miguel Relvas do Governo muito se tem especulado quanto ao seu grau académico. Enquanto se decide se continua ou não doutorado, na Câmara de Azambuja, alguém já o despromoveu.

C

A decisão sobre o aeroporto foi um balde de água fria mento de, aparentemente, dois parques em concelhos vizinhos. “Os empresários quando querem

instalar parques sondam todos os concelhos e vão por aquele que lhes der mais benesses, porque

procuram sempre ter as licenças e a água grátis, entre outros aspectos”.


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Freguesias

Valor Local

Populações temem a perda de serviços Nova lei das freguesias deixa apreensivos habitantes das freguesias de Manique, Maçussa e Vila Nova de São Pedro. s populações das freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro começam a habituar-se à ideia de que, em breve, as três juntas vão dar origem a uma só. A insatisfação é o sentimento dominante, mesmo na freguesia de Manique, a qual – e de acordo com a lei aprovada – será a sede das três, salvo decisão posterior da assembleia de freguesia em sentido contrário. Valor Local entrevistou alguns habitantes das três freguesias que, ainda, esperam por ser melhor esclarecidos sobre como vai ser colocada em prática e quais os efeitos da Lei 11ª de 2013 que estabelece a reorganização administrativa do território das freguesias. “As pessoas só se vão aperceber do que vai acontecer quando o sistema entrar em vigor, em especial as de Maçussa e de Vila Nova de São Pedro que serão as mais sacrificadas, até porque não sei se continuarão a funcionar serviços nas instalações das actuais jun-

A

tas”, refere António José Rodrigues, de Manique. Joaquim Henriques também de Manique junta: “No nosso caso até nem estamos mal, mas a Maçussa tem bons serviços e pelos vistos tem de vir para cá”. Há até quem vá mais longe nos desabafos, como são os casos de António Loureiro Santos e Armindo Jacinto Pinto – “Por que é que juntaram estas três e não fizeram o mesmo com Aveiras de Cima, e de Baixo com Vale Paraíso; ou Vila Nova da Rainha com Azambuja, porque aqui não faz sentido, pois estamos mais distantes”. Jacinto Pinto até diz preferir o concelho do Cartaxo: “Não me importava de ir para o Cartaxo, digoo francamente. Estamos a 28 quilómetros de Azambuja e a 13 do Cartaxo, a 26 quilómetros de Santarém e a 48 de Vila Franca de Xira, no caso de precisarmos de ir ao hospital”. Apesar de a sede estar, à partida, assegurada para Manique do Intendente, Herculano Martins, actual presidente daquela junta de

Maria do Rosário espera que os serviços se mantenham freguesia, não descarta a possibilidade de a mesma ser alterada para um dos outros dois territórios – “Pode aparecer quem depois queira mudar, a lei está feita de qualquer maneira, à Relvas”, sublinha. Mais à frente, em Maçussa, a população está satisfeita com os serviços que possui e até adianta estar melhor nesse âmbito, comparativamente, a Manique do Intendente, tendo em conta “a existência na

aldeia de uma bomba de combustível”, conforme realça Joaquim Luís, referindo também que “as pessoas estão revoltadas”. “Temos tudo como deve ser aqui na freguesia, a nível de deslocações temos autocarro para Manique mas vai ser tudo muito chato”, reforça, por seu turno, Casimiro Liberato. O actual presidente da junta, Nuno Gonçalves, teme essencialmente pelo futuro dos serviços da junta – “Pode-se aproveitar os equipamentos de todas as freguesias e com isso dar maior capacidade de resposta a todos os cidadãos”, comenta em tom de sugestão. Actualmente, Maçussa dispõe de um serviço de transporte que se destina a levar os habitantes ao médico a Pontével e a Manique, que o presidente espera que continue após a formalização no terreno das coordenadas da nova lei. Também em Vila Nova de São Pedro reina alguma apreensão. “Não sabemos se existirá alguma delegação, onde as pessoas possam continuar a tratar dos seus assuntos como até agora, porque há quem tenha mais dificuldades de deslocação”, diz Maria do Rosário, residente na freguesia.

Casimiro Liberato diz que a Maçussa está bem servida

Em Manique a população espera ser melhor esclarecida De acordo com o presidente daquela autarquia, Lúcio Costa, “a lei não é clara quanto a especificar se alguns serviços podem ou não continuar a ser feitos nas freguesias que vão ter de se agregar”. “Sei que vai surgir uma nova unidade orgânica com um novo número de contribuinte sob a designação de União das Freguesias de

Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa, mas ninguém sabe muito bem como vai ser. Votou-se favoravelmente na assembleia municipal a não extinção de qualquer freguesia, mas para o PSD de Azambuja e para o PSD nacional esta é a melhor solução, pois Azambuja ou Aveiras não podiam acabar”, refere.

Calendário da nova lei das freguesias: Como vai ser no terreno Quatro meses antes da realização das eleições autárquicas que ocorrerão em Outubro, como tal durante o mês de Junho, será eleita uma comissão instaladora à qual caberá promover as acções necessárias à instalação dos órgãos autárquicos da nova freguesia (segundo a lei a ser para já instalada em Manique do Intendente com a designação de União das Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa) bem como todos os demais actos preparatórios ligados à discriminação de bens, direitos e obrigações, bem como, responsabilidades legais, judiciais e contratuais a transferir para a nova junta. Após a realização das eleições autárquicas e no prazo de 90 dias a instalação dos órgãos que resultem das mesmas, a assembleia de freguesia delibera a localização da sede (que poderá continuar em Manique ou a opção por outra das duas localizações) A nova freguesia designada por União das Freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de São Pedro e Maçussa integrará o património mobiliário e imobiliário, os ativos e passivos, legais e contabilísticos; e assume todos os direitos, deveres e responsabilidades das juntas cessantes. O mesmo é válido para contratos de trabalho e demais vínculos laborais nos quais sejam parte as freguesias agregadas (o que de certa forma deixa antever que os serviços possam continuar a ser prestados nas instalações existentes, embora a lei não seja completamente clara sobre este tema).


Valor Local

Cultura e Tradições

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Ávinho com potencial exportador 15 Adegas estiveram presentes em mais uma festa do vinho e das adegas. Fomos conhecer a Vicapão que conseguiu exportar 18 mil litros de tinto para Angola.

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osé António Capão foi um dos produtores que esteve pre-

sente em mais uma edição da Avinho, que decorreu de 12 a 14

de Abril, em Aveiras de Cima. O produtor da freguesia começou a

Capão exportou 18 mil litros

Samora Correia arranca com calendário de festas A té dia seis de Maio, numa festa que começou a 26 de Abril, a cidade de Samora Correia dedica 11 dias à festa brava com largadas de touros diárias, demostração de toureio, corridas de touros, exposições, colóquios e espectáculos de música e dança. Este é um acontecimento, quase ao estilo 2 em 1, porque até 1 de Maio, realiza-se a VIII Semana Taurina, e de dois a seis, a Feira Anual de Samora. A organização é mais uma vez da Junta de Freguesia de Samora Correia, e segundo o seu presidente, Hélio Justino, “são dois eventos importantes que dão algum fôlego económico-comercial à localidade”. “Há um conjunto importante de visitantes e de locais que se deslocam a esta semana taurina”, incrementando por isso, os negócios de Samora, “so-

bretudo a restauração”. Todos os eventos possuem entrada grátis, excepto a corrida de Touros, que teve lugar a 28 de Abril. A junta de freguesia reservou um orçamento de 10 mil euros para a semana taurina e nove mil para a Feira Anual. Hélio Justino refere que procurou minimizar ao máximo o incómodo que eventos, como o da semana taurina, provocam na população, pois costumam prolongar-se por horas muito tardias. O autarca refere que o objectivo dos eventos não é a sua rentabilidade financeira, e diz que em 2012, “a relação directa entre despesa e receita rondou os 1500 euros”. Durante o mês de maio, o torricado estará também em destaque na cidade em causa, nos restaurantes da freguesia.

ser falado recentemente, por ter conseguido exportar uma boa parte do seu produto para Angola, nomeadamente 18 mil litros de vinho tinto, mas há perspectivas de aumentar a capacidade exportadora da empresa. “Vem cá este mês um representante de supermercados em Angola, e pode ser que exista hipó-

tese de se fazer negócio”, diz Capão, que vendeu os actuais 18 mil litros para a empresa onde o filho trabalha naquele país. Já no que diz respeito às vendas internas, refere que “andam um pouco baixas”, mas acredita que a Associação Vila Museu do Vinho e a própria Ávinho têm feito

pela divulgação do vinho da terra. Este ano a produção dos vinhos Vicapão “foi boa”, e entre as castas predominam a Trincadeira Preta, o Castelão, Tinta Roriz. A Ávinho contou como habitualmente com uma boa moldura humana, se assim podemos dizer, durante os três dias da festa.


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Valor Local - edição 1 - Abril 2013  

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