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Valdir Cimino

O Papel do Educador na Era da Interdependência Como incrementar as relações entre educadores e alunos por meio de uma comunicação ética e solidária

São Paulo 2007


Copyright © Valdir Cimino, 2006 Proibida a reprodução no todo ou em parte, por qualquer meio, sem autorização do editor. Direitos exclusivos da edição em língua portuguesa no Brasil por

Rua Dr. Andrade Pertence, 121/125 - Vila Olímpia CEP 04549-020 - São Paulo - SP E-mail: clioeditora@clioeditora.com.br www.clioeditora.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Cimino, Valdir O papel do educador na era da interdependência: como incrementar as relações entre educadores e alunos por meio de uma comunicação ética e solidária / Valdir Cimino. — São Paulo: Clio Editora, 2007. Bibliografia 1. Aprendizagem 2. Comunicação na educação 3. Ensino 4. Inovações tecnológicas 5. Interdisciplinaridade na educação 6. Professores e estudantes I. Título. 06-9290

CDD-371.1023

Índice para catálogo sistemático: 1. Educadores e alunos: Interdependência: Comunicação ética e solidária: Educação 371.1023

ISBN: 978-85-86234-78-1 Projeto gráfico e editoração: AGA Estúdio Preparação e revisão: Ana Luiza Couto Capa: Paulo Zilberman


Dedico este trabalho a Deus, a minha família, a minha causa, a todos os alunos que, desde 1999, me ofereceram a oportunidade de juntos construirmos um caminho para o conhecimento ético. Especial agradecimento a minhas orien­ tadoras da vida – Tereza Emerici Cimino, Claudia Santoro, Maria Helena Gouveia, Marilena Flores e as irmãs Maria Inês e Silvia Sarzana. Agradeço também à Fundação Armando Álvares Penteado pela oportunidade de atua­ li­zação constante de meus conhecimentos, a todos os professores e colegas de curso e de trabalho.

“Todas as crianças são artistas, o problema é permanecerem artistas quando adultas.” Pablo Picasso


apresentação Este livro apresenta o papel do educador na era da inter­dis­ ci­plinaridade. Sua elaboração baseou-se no avanço tecnológico no setor das comunicações, considerando-se, também, as relações hu­ma­nas entre professores e alunos ao longo da construção do conhecimento e de uma comunicação ética e solidária. O método utilizado foi o de pesquisa em diversas fontes bibliográficas e webgráficas, bem como a aplicação de um ques­ tionário a respeito da diversidade na era do conhecimento, de amostragem estratificada e com observação direta, bem como a análise documental com abordagem qualitativa e quan­titativa, a um público da graduação de cursos de Relações Públicas, Rádio e TV, Administração de Empresas e Psicologia de quatro instituições de ensino.


prefácio Valdir Cimino consegue, neste livro, ultrapassar as barreiras da ideologia e colocar a educação no pódio em que deveria ter sempre estado: suprapartidária, acima das diferenças. Mais que isso, a educação deve aproveitar e beneficiar-se das diferenças. Por isso mesmo, o autor percorre pensadores marxistas, calvinistas, liberais, para apresentar uma idéia, surpreendente pela simplicidade. E a idéia é esta: o educador depende do aprendiz como depende de si mesmo e de todas as outras pessoas do mundo, que de algum modo o influenciaram, tãosomente por existirem. A interdependência, explorada há séculos pelos budistas, alcançou o Ocidente apenas em 1947, com pesquisadores como Adorno e Horkheimer. Diz Cimino: “É como na Física: uma partícula existe por causa da existência de todas as outras”. A pesquisa de Valdir Cimino, neste livro, embasa um aper­ feiçoamento da teoria de aprendizagem significativa com pos­­sibilidade de concretude educacional, prática, pragmática e conectada com a realidade. Debatendo assimilação de conceitos e formação de conceitos, renega a velha pregação da transmissão de informação como base da educação e renova a pedagogia com a noção de complexidade que passa pela interdependência, que resulta na transformação da informação em conhecimento. Aprender significa aprender a usar os agentes de construção do conhecimento, que a sociedade desenvolve continuamente, na forma de tecnologia, inclusive. E é preciso identificar o jovem como um agente privilegiado para a mudança. O novo não deve assustar, mas surpreender. 5


Por isso, o trinômio Educação-Ciência-Tecnologia (preconizado já em 1967 por John Kenneth Galbraith, no livro O novo Estado industrial) continua na ordem do dia. Aí está o principal desafio do educador neste momento da história: selecionar os elementos e valores mais adequados para a construção do senso crítico individual e social, como a emoção, o prazer, a solidariedade, o respeito à diversidade. Confirma-se, portanto, que a família, a escola e a sociedade formam o conjunto educador de maior qualidade, porque desempenham cada qual o seu papel na construção de um ser humano mais competente, mais equilibrado e, portanto, feliz.  Gabriel Chalita


sumário Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 Capítulo 1 – O conceito de interdependência . . . . . . . . . . . . 13 O ano da ruptura – 1947 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 A educação dependente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 O ano do controle – 1948 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Capítulo 2 – Aprendizagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A construção do conhecimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Funções cognitivas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A aprendizagem significativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A teoria da aprendizagem de Ausubel . . . . . . . . . . . . . . . . A teoria da aprendizagem de Joseph Novak . . . . . . . . . . . . O método das cinco perguntas de D. Bob Gowin . . . . . . . . A pesquisa internacional e sua contribuição . . . . . . . . . . . . . . As revoluções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A escrita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Era industrial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Evolução dos meios de comunicação . . . . . . . . . . . . . . . . . O século XX . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Indústria cultural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A televisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A televisão no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A tecnologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Internet . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O acesso à tecnologia no Brasil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A globalização e a identidade regional . . . . . . . . . . . . . . . . Conhecimento: a chave do desenvolvimento humano . . . . . . . . A universidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A escola do futuro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo 3 – O perfil do aluno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Hábitos do aluno de graduação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Meios utilizados para receber informações . . . . . . . . . . . . . . A influência da TV . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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A construção de uma crítica individual: a família e o tempo de decisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . As tribos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os pais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Jovem: um agente de mudança . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Breve perfil educacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Diversidade e desigualdade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Radiografia social brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo 4 – O professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Relação empresa-cliente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A vocação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Novos modelos educacionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O profissional do século XXI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Perfil do educador no século XXI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O método andragógico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Atualização e aperfeiçoamento constante . . . . . . . . . . . . . . O professor: o indivíduo e seus valores . . . . . . . . . . . . . . . . . A mídia: o corpo fala . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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Capítulo 5 – A tecnologia a serviço da educação . . . . . . . . . Resultado da pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Proposta de aplicabilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Sistema de gerenciamento de conteúdo em websites . . . . . . . . .

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Capítulo 6 – Case: o site do professor Valdir Cimino . . . . . Aspecto institucional – professor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos pedagógicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Pasta do aluno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conteúdo metodológico da matéria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Programação das aulas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Aspectos andragógicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Outros aspectos andragógicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Atualização da web – www.123pronto.com.br . . . . . . . . . . .

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Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Anexo I – Pesquisa: O respeito à diversidade da era do conhecimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Anexo II – Instruções para navegação no site 123 Pronto!, do professor Valdir Cimino . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Referências bibliográficas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Webgrafia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Bibliografia complementar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

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introdução “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” (Cora Coralina) O objetivo geral desta obra é traçar um paralelo sobre o avanço da tecnologia no setor das comunicações e as relações humanas entre professores e alunos, no resgate de valores essenciais para construção de uma comunicação mais ética e solidária. “A sala de aula é a oficina do amanhã. Estas, que antes chegavam aos poucos, capazes de serem assimiladas, comentadas e, portanto, mantidas nas lembranças, foram literalmente ‘atropeladas’ por um avanço notável dos meios de comunicação que nos traz de toda parte, a cada segundo, uma infinidade imensa de saberes. O rádio, a televisão, os vídeos, mas ainda muito mais expressivamente a Internet, fizeram com que as informações ganhassem uma nova dimensão e incomensurável volume, alterando de forma substancial o papel da escola e a função do professor.” 1 Apesar da crescente utilização de ferramentas tecnológicas para a formação de seus alunos e o aparecimento de cursos a distância, o professor é necessário em todo o processo, pois, se a escola deve participar do desenvolvimento de um adulto criativo e responsável, que possua visão crítica, que aceite a diversidade e que ainda tenha habilidades específicas (o curso 1 ANTUNES, 2001, p. 7.

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propriamente dito), então nenhum computador será capaz de substituir o contato humano e a transmissão dos valores que esse relacionamento proporciona. “Cada vez mais a sala de aula precisa ir assumindo novas feições, deixando de ser um espaço de recepção de conhecimentos, para transformar-se em verdadeira ‘academia de ginástica’ onde se exercita o cérebro a receber estímulos e desenvolver inteligências.”2 Como objetivos específicos, o trabalho foca a mobilização dos conhecimentos prévios como item fundamental para a interpretação dos conhecimentos transmitidos pela escola, pautada em uma releitura deles, a partir de novas informações combinadas com a lembrança de outras previamente adquiridas, e demonstrar que não interessa ao adulto apenas a aquisição dos conhecimentos escolares e o respectivo uso limitado apenas em situações escolares. A aprendizagem que se busca é a de conhecimentos que possam ser utilizados em diferentes contextos de suas vidas. Neste livro, levanta-se a hipótese do incentivo da transparência nas relações humanas, ou seja, da transformação da aprendizagem em um processo de transmissão de valores práticos, por parte do educador; uma reformulação da linguagem na construção do conhecimento, seja pela diversidade do egresso, por meio da tecnologia, de sua postura para criar visão crítica, seja, principalmente, por meio de seus valores pessoais. Além disso, sugere a aplicabilidade do software 123 pronto! como uma ferramenta para o desenvolvimento da aprendizagem ganha x ganha, em que professor e egresso poderão planejar em conjunto o conhecimento a ser adquirido. “Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo.”3 2 Idem, p. 11-12. 3 WITTGENSTEIN apud ALVES, 2002, s.p.

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Introdução

Considerando sua finalidade didática, além de toda pesquisa realizada em fontes bibliográficas e principalmente webgráficas, foi realizada uma pesquisa – “O respeito à diversidade na era do conhecimento” – de amostragem estratificada, por meio de questionários (survey – pesquisa ampla), com observação direta. Esse método de coleta de dados baseia-se na atuação de observadores treinados para obter determinados tipos de informações sobre resultados, processos, impactos etc. Também foi realizada uma análise documental. A pesquisa foi realizada entre o segundo semestre de 1999 e o primeiro semestre de 2003, e sua base da amostra é formada por alunos de graduação das seguintes instituições: FAAP (em 1999): Relações Públicas (56); Rádio e TV (122) – total: 178; FAAP (2º semestre 2003): Relações Públicas (55); Rádio e TV (17) – total: 72; Fundação Cásper Líbero (2º semestre 2003): Relações Públicas (22); PUC (2º semestre 2003): Administração de Empresas (22); Faculdade São Marcos (2º semestre 2003): Psicologia (18); total geral: 312. O Capítulo 1 trata da inter­depen­dência, o que é e como se define no contexto educacional atual. O Capítulo 2 aborda a aprendizagem, com o objetivo de proporcionar ao leitor uma reflexão sobre as transformações dos processos de aprendizagem por meio de um conceito histórico da evolução dos meios de comunicação, incluindo, entre outros fatores, a distribuição da informação e interatividade em relação à construção do conhecimento. No Capítulo 3 procurou-se apresentar o perfil do aluno; uma pesquisa realizada com graduandos de algumas instituições proporcionou uma amostra cujos resultados possibilitaram verificar como pensa esse público, quais são suas expectativas, relações familiares e sociais e, conseqüentemente, qual é a posição do educador na construção do futuro desses alunos e da sociedade como um todo. 11


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No Capítulo 4 estuda-se um contraponto: o perfil do professor, ou como adotado neste livro, o educador, seu papel de educar, e o profissional do século XXI, com sua necessidade de atualização e aperfeiçoamento contínuo. O Capítulo 5 apresenta a tecnologia a serviço da educação e o resultado da pesquisa realizada com uma proposta de aplicabilidade, trazendo também um case. Após analisar ponto a ponto os resultados da pesquisa, a união de esforços por parte dos educadores, da instituição e dos alunos, pode-se iniciar um movimento de construção de um novo relacionamento da educação com a tecnologia, em que o aluno, ao ganhar informação e conviver diretamente com a prática da comunicação, participa do processo como multiplicador, por meio de sua natureza interdependente, da interação saudável e dinâmica da busca incessante de conhecimento.

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capítulo 1 O conceito de interdependência O ano da ruptura – 1947 O que é interdependência? Como defini-la no contexto educacional atual? A interdependência é conhecida e discutida há séculos pelos budistas, mas, em termos de civilização ocidental, sua história não é tão longa. Em termos ocidentais, o ano de 1947 é o marco inicial desse estudo e tal escolha não ocorreu de forma aleatória, pois esse período, conhecido como pós-guerra, foi intenso e cheio de acontecimentos e definições que poderão esclarecer a idéia de interdependência. Os acontecimentos dessa época influenciam até hoje, e são marcados, principalmente, pela transição da sociedade pós-industrial para a sociedade da informação. Foi em 1947 que Adorno e Horkheimer criaram o conceito de indústria cultural,1 tão importante para aqueles que lidam com a informação. A cultura, produzida em escala e, por isso mesmo, de baixo custo e padronizada, valorizava o importante sistema produtivo, o que sujeitava o homem ao desenvolvimento da técnica, desencadeando o consumo exagerado de produtos semiculturalizados, valorizando o princípio do prazer em detrimento do princípio da realidade – realidade, por exemplo, que 1 ADORNO; HORKHEIMER.

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se manifestava no new look, lançado por Dior na moda americana, manifestando a necessidade de a mulher ser mais feminina depois de tanto tempo convivendo com a simplicidade e deselegância da guerra. Os anos 1950 significaram o despertar da valorização da beleza feminina praticada até hoje. Foi exatamente nesse período que os Estados Unidos conseguiram impor sua dominação econômica. Do ponto de vista geofísico, eles não sofreram com a guerra, suas cidades não foram bombardeadas, tiveram um número relativamente baixo de soldados mortos em combate, deram asilo a muitos cientistas europeus que trabalharam no desenvolvimento de novos produtos, como o transistor, que revolucionou a empresa eletrônica e os meios de comunicação como são entendidos atualmente. Pode-se afirmar que todas as informações são mediatizadas,2 e precisam fazer parte de um sistema de informação que una as pessoas em uma rede dependente, mas que veja nessa dependência relações mais intensas, que abrigam outras, e novas relações, como a da interdependência. Cheios de dinheiro e donos da indústria bélica que manteve a guerra, e que manteria muitas outras, como o faz até hoje, os EUA conseguiram impor o dólar na reconstrução da Europa, deflagrando a Guerra Fria como estratégia para frear o comunismo. Em 1947, pôde-se assistir à divisão do mundo em dois blocos distintos: o democrático e o comunista, origem do que se chama e se assiste no cinema como “perigo vermelho”, dando início à corrida armamentista e nuclear, que terminou apenas com a queda do Muro de Berlim, em 1989, quarenta anos depois. Assim, a procura de soluções para os problemas ou de respostas para as coisas que não são entendidas faz movimentar a roda em nome da tecnologia e da globalização, um pensamento 2 PIAGET, 1973. p. 7-16. Acesso em: 21 abr. 2004.

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um tanto marxista.3 A desmitificação da informática e sua crescente capacidade de armazenamento de dados estabeleceram uma cumplicidade com o trabalho do homem, incapaz nesse aspecto. Naturalmente, a necessidade da máquina se expandiu para além dos limites dos sistemas corporativos e atingiu todos os segmentos possíveis da sociedade, no lar, na escola, na cultura e na arte. A convergência é o resultado da soma de informática, telecomunicação e conteúdo. Dá-se início ao que se entende como revolução tecnológica, que excluiu aquele que não estava preparado e exclui, ainda hoje, aquele que não tem acesso às informações convergentes. Sendo o homem incapaz de armazenar em sua memória toda a informação do mundo, criando por isso a tecnologia, torna-se fácil perceber que ele não pode saber toda a verdade sobre todas as coisas do mundo. Antes é preciso ter uma visão crítica e entender que mudanças político-socioculturais originam novas linguagens, que se devem respeitar. É necessário procurar entendê-las como diferentes em suas posições, suas crenças e verdades. As pessoas são desiguais, mas nada são umas sem as outras, são partes diferentes do mesmo todo; por isso, precisam quebrar as barreiras do preconceito e das distâncias. É como na Física: uma partícula existe por causa da existência de todas as outras (teoria de Bootstrap). Como diz o Dalai Lama,4 as pessoas têm origem dependente. Cada ser é um acontecimento, o resultado da junção de vários outros acontecimentos. Cada ser vive a herança de causas e condições sem personalidade vindas do passado, cuja natureza é dar origem a tantos outros acontecimentos, que, desde o início, estão fadados a nunca existirem em si, pois são o resultado da qualidade dos relacionamentos vividos até 3 SAVIANI, acesso em 24 abr. 2004: Marx, em carta a Engels datada de 8 de outubro de 1858, dizia que “a verdadeira missão da sociedade burguesa é criar o mercado mundial”. 4 DALAI LAMA, acesso em 25 nov. 2003.

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aquele exato momento: a exata expressão dos desejos, em que os valores são manifestados e define-se a qualidade do passado. Pensar diferente disso, ou melhor, ter a ilusão de que os pensamentos, desejos e sentimentos são frutos de pensamentos racionais e livres, é ideologia.5 É preciso ter coragem para quebrar o sonho da independência e aceitar que se é causa e efeito, e que mesmo assim, interdependente, cada ser é diferente, pois cada qual inventa seu próprio jeito de lidar com seu momento, influenciado, cheio de passado, e por isso mesmo cheio de preocupações futuras, mas vivendo num exercício constante de razão e liberdade. Viver com razão é ter certeza da própria identidade, é ter capacidade para definir o que satisfaz e o que fazer com o acaso.

A educação dependente Imaginando-se o aluno como elemento central, a missão do educador não se limita à distribuição de informação, mas abrange também o desenvolvimento de um modo de fazer que o aluno, de posse da informação, a transforme em conhecimento e aprenda a transformar a realidade. Para entender a questão, é preciso compreender a natureza interdisciplinar desse indivíduo, que, antes de ser aluno, é filho de vários acontecimentos advindos da existência anterior de seus pais e da junção de variáveis que os fizeram se casar e ter filhos. Dessa forma, é possível entender quando os pais, iludidos e donos que são de seus filhos, os incentivam e os iludem para que sejam independentes, ou seja, aquilo que não foram; ou, ainda, que o sejam antes de todos os outros, pois, afinal, a concorrência é grande. Se de um lado estão os pais, do outro lado encontra-se a influência da mídia, principalmente da televisão, que no mundo 5 ADORNO; HORKHEIMER, idem.

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moderno tem ajudado em muito a “acalmar os ânimos” das crianças – os alunos do futuro. A mídia transmite um número sem fim de informações, que, talvez, o indivíduo, naquele momento, não tenha capacidade para transformar. Assim, ele é transformado pela indústria, e vem carregado de mitos e verdades virtuais. Esse aluno, enfim, vem para os bancos da universidade sabendo muito mais de informática do que os “velhos” professores, que foram excluídos e precisam, dia após dia, qualificar-se tecnicamente, mesmo após anos de sacrifício e estudos humanísticos. O quadro da Educação, nesse contexto, ainda deve conviver com as diferenças que o aluno traz consigo em relação ao uso de seus símbolos rituais, advindos de sua matriz social, e da linguagem própria de sua “tribo”, ou melhor, de sua cultura.

O ano do controle – 1948 Em 1948 registram-se dois acontecimentos importantes para a continuidade desse estudo, sobre a linguagem e suas palavras, no estabelecimento da verdade ou da mentira. O primeiro acontecimento eleva a cibernética ao nível de ciência por Norbert Wiener, o pai da cibernética, que, baseado em Platão, denomina-a ciência que estuda as comunicações e os sistemas de controle não só nos organismos vivos, mas também nas máquinas. Essa definição de cibernética remete à citação de George Orwell, que em 1948 escreveu seu mais célebre livro, 1984, que traz no próprio título as contradições possíveis da linguagem encontradas em seu conteúdo. Invertidos os dois últimos dígitos, 1984 se transforma em 1948. 17


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De acordo com Orwell,6 a linguagem política “destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável, bem como a imprimir ao vento uma aparência de solidez”. Em 1984, a liberdade individual é aniquilada pelo controle permanente do Estado através de câmeras em todos os lugares possíveis e mensagens emitidas pelo Grande Irmão, personagem onipresente que tem o poder da linguagem, apresenta a mentira como a verdade, para manter o status quo e a passividade para controle da sociedade. Maior exemplo de interdependência não existe! Nem mesmo George Orwell poderia acreditar que seu Big Brother se tornaria programa de TV, com grande índice de audiência.

6 Informação disponível no site: ww.espacoadademico.com.br/013/13res_perisse.htm. Acesso em: 16 fev. 2004

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capítulo 2 Aprendizagem O objetivo é fazer uma reflexão sobre as transformações dos processos de aprendizagem, por meio de um contexto histórico da evolução dos meios de comunicação e da contradição revolucionária que a tecnologia abarca quando se faz referência à troca, no sentido da distribuição da informação para geração do conhecimento e interatividade que ela oferece. Olhar a aprendizagem pelo ângulo do comportamento humano, que está constantemente em “ação de troca” de produtos e serviços, faz que necessariamente se adote uma orientação mercantilista, tornando-se oportuno citar Philip Kotler,1 que, em sua definição de marketing, explica que “Marketing é a atividade dirigida para a satisfação das necessidades e desejos, através dos processos de troca”. Dessa forma, pode-se concluir que a aprendizagem é uma “troca de informação” e, portanto, pode ser entendida como um produto que gera satisfação, pois, através dela, “...nos tornamos capazes de fazer algo que nunca fomos capazes de fazer, de percebermos novamente o mundo e nossa relação com ele e ampliarmos nossa capacidade de criar”.2 Este livro não se aprofunda na explicação médico-científica da satisfação, isto é, as alterações realizadas no organismo humano por meio da ação de neurotransmissores, como a dopamina na base dos impulsos motivacionais para a sensação 1 KOTLER, 2000, s.p. 2 Idem.

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de prazer e bem-estar. Nesse sentido, deve-se entender a motivação como um processo de controle do ambiente, em que o comportamento rejeita os acontecimentos nocivos, aproxima os úteis e é reflexo de necessidades internas daquilo que se deseja fazer. Apenas como ilustração, nos últimos dez anos pesquisas comprovam que as conexões neurais do sistema nervoso humano crescem e se modificam em resposta a estimulações e experiências em ambientes enriquecedores, influenciando nas funções cognitivas e da memória.3 Para entender a informação, apropriando-se da teoria de Claude Shannon, que explica a estrutura clássica dada em faculdades de comunicação, em que, para haver troca de informação, precisa-se de um transmissor que emita uma mensagem para um receptor através de um canal de comunicação de sinais, com a possibilidade de ser modificada pela interferência de um ruído qualquer. Nesse aspecto, acrescenta-se a esse processo uma visão evolucionista, no sentido de que o receptor, pelo desenvolvimento dos canais de comunicação, transformase também em emissor e, assim, sucessivamente. Se o foco é um produto que se pode criar, manipular e distribuir para gerar algum tipo de manifestação do consumidor, pode-se compreender que a aprendizagem tem mesmo uma natureza interdependente. Prova disso está nas explicações de David Ausubel,4 que, baseado nas considerações de Piaget, desenvolveu a Teoria da Aprendizagem Significativa, na qual explica que a aprendizagem acontece quando uma nova informação interage com o que está disponível na estrutura cognitiva do indivíduo, isto é, com o conhecimento já existente no aprendiz.

3 PIAGET, 1973, p. 7-16. 4 Joseph Novak e D. Bob Gowin trabalham na mesma linha de Ausubel.

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A construção do conhecimento ”Um conjunto de coordenadas da posição de um navio ou o mapa do oceano são informações, a habilidade para utilizar essas coordenadas e o mapa na definição de uma rota para o navio é conhecimento. As coordenadas e o mapa são as ‘matérias-primas’ para se planejar a rota do navio”.5 Este livro se mantém fiel à epistemologia de Jean Piaget,6 pois não tenciona questionar quanto às teorias clássicas sobre o conhecimento, mesmo porque, segundo o filósofo alemão Kant,7 a ciência evolui sem parar. As velhas estruturas são reorganizadas e, sem contradizê-las, aparecem as novas. Segue orientado por meio da teoria a partir da qual o desenvolvimento do conhecimento é um processo da embriogênese (contexto biológico e psicológico), e depende de uma estrutura inter­disciplinar para chegar a seu efetivo. A aprendizagem só o é quando transformada em co­nhe­cimento, ou seja, o indivíduo recebe do contexto social uma informação, regida ou não por paradigmas distintos de diferentes sociedades; para assimilar esse novo fato, acontecimento ou objeto, ele precisa alterar suas estruturas cognitivas no sentido de acomodar essa nova informação em meio a tantas outras já existentes para ficar em equilíbrio. A ação prática e equilibrada dessa alteração por um determinado período é o que constrói o conhecimento. Para Piaget, o conhecimento é “assimilação da realidade”, resultado da interação entre o sujeito e o mundo, em que o sujeito possui uma história pessoal e não é passivo, porque constrói, elabora seu mundo de acordo com sua capacidade de cognição e meio social onde vive. 5 CRAWFORD, s.d, s.p. 6 PIAGET, ibidem. 7 Informação disponível em: //c:\docume~\cçaidoa\cpmfog~1\tempo\aoi47pcm.htm. Acesso em: 25 jan. 2004.

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A seguir, a estrutura da epistemologia de Piaget. Figura 2.1 Teoria do Conhecimento – Estrutura da epistemologia de Piaget

VALIDADE (matemática) LÓGICA CIÊNCIA (formaliza (domínio) etapas) (cibernética) RELAÇÃO ENTRE O SUJEITO E O OBJETO COGNITIVO

FATO

PSICOLOGIA

FUNÇÃO

Fonte: Adaptado de Piaget, 1973.8

Sendo o conhecimento um processo da passagem de um estado inferior para um superior, necessariamente esse processo traz, para análise, questões de fato e de validade. A compreensão de que o conhecimento deve ser interdisciplinar, isto é, que se realiza por meio de uma regra colaborativa, explica que, ao mesmo tempo que a relação entre sujeito e objeto precisa ser formalizada pelo uso da lógica, os fatos têm reconhecimento a partir das funções cognitivas, que atribuem a eles significados e uma variedade de interpretações. A ciência, por meio da matemática e da cibernética, garante a ligação entre uma e outra.

Funções cognitivas É preciso entender os possíveis acontecimentos em meio a esse processo, que interferem positiva ou negativamente nos resultados da construção do conhecimento. Essas interferências estão ligadas principalmente às funções cognitivas do 8 PIAGET, ibidem.

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indivíduo, que compreendem as capacidades da inteligência humana com relação à linguagem, raciocínio (organização de idéias), percepção (abstração), coordenação motora, autoconhecimento e julgamento (formação de conceitos). O que deve ser entendido é que a variedade de conhecimentos anteriores existentes frente à nova informação é fruto de outra variedade de conhecimentos e assim por diante. Dessa forma, a relação de causa e efeito é garantida pela memória genética, que, segundo o Dalai Lama, é uma expressão verdadeira do passado, que difere do momento presente por meio do tempo; o tempo deve ser entendido como uma interface entre passado e futuro. Ao longo do livro será abordada a evolução dos meios da comunicação, em que se percebe que a memória já não é mais considerada uma capacidade fundamental para o conhecimento. Voltando ao conceito de interdependência, tem-se à frente uma análise da qualidade do resultado da construção do conhecimento de cada indivíduo. De forma pragmática, uma memória preexistente é conservada como verdadeira, pois é resultado de uma experiência prática. Se uma nova informação coloca em perigo o “já sabido”, pode-se criar um preconceito ou ainda grandes guerras, principalmente se este “já sabido” vier de uma origem divina. Uma revelação divina existe sem ser aleatória; portanto, é regida por uma lei, uma ordem e um pensamento regulador até se chegar a Deus. Mas, se o acaso for verdadeiro, isto é, for considerado válido como a lógica exige, o caos será criado, contrário à lei e à ordem; portanto, não se terá em que acreditar. Por outro lado, se a verdade preexistente e a realidade são diferentes, surge uma incerteza, uma dúvida, que estimula o querer buscar adquirir novos conhecimentos para superá-la, e ao mesmo tempo estimula a percepção da própria ignorância. A filósofa brasileira Marilena Chauí ensina que “Ignorar é não saber alguma coisa. Na incerteza, descobrimos que somos ignorantes, que há 23


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falhas naquilo que acreditamos durante muito tempo e nos serviu como referência para pensar e agir”.9 Talvez aqui se possa explicar a origem da expressão: na luz do conhecimento! a) A verdade Se existe a verdade, existe o contraponto, que é a mentira, diferente da imaginação. Se na mentira encontra-se uma irrealidade, ou uma invencionice, mesmo a imaginação sendo algo inexistente é ainda uma elaboração do possível, seja na solução de problemas, seja na suposição do futuro, com a possibilidade de transformar-se em algo inteligente e inovador. A verdade está relacionada com a linguagem, que é dada por meio das palavras, e as palavras possuem o poder de transformar a realidade, ou melhor, de criar realidades falsas, mitos ou proposições divinas. É aqui que se fecha o ciclo da análise da qualidade do conhecimento em função da estrutura cognitiva, pois depende da capacidade de crítica individual de questionar, julgar e examinar detalhadamente cada verdade sem preconceito, sem medo das incertezas, mas com o espírito de quem deseja o conhecimento e o respeita. b) Estratégias metacognitivas do pensamento A metacognição é o conhecimento que se tem sobre como a pessoa se percebe, relembra, pensa e age. Ou seja, é o que se sabe sobre o que se sabe. As estratégias básicas da metacognição residem na conexão de novas informações para formar o conhecimento, na seleção deliberada de estratégias de pensamento e no planejamento, monitoramento e avaliação dos processos de pensamento. Por isso, o desenvolvimento de habilidades metacognitivas e de auto-aprendizagem tem se demonstrado bastante eficaz, tendo-se em vista o objetivo de “aprender a aprender” e “aprender a pensar”. 9 CHAUÍ, 2003, p. 88.

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Uma pessoa “pensadora” é capaz de mudar seu com­por­ tamento, determinar quando é necessário usar estratégias metacognitivas, selecionar estratégias para definir uma situaçãoproblema e pesquisar soluções alternativas, medir sua busca por informações para limitar o tempo e a energia despendidos, monitorar, controlar e julgar o pensamento e avaliar e decidir quando um problema é solucionado com um grau satisfatório.

A aprendizagem significativa A aprendizagem é dita significativa quando uma nova informação (conceito, idéia e proposição) adquire significados para o aprendiz por meio de uma espécie de ancoragem em aspectos relevantes da estrutura cognitiva preexistente do indivíduo, ou seja, em conceitos, idéias, proposições já existentes em sua estrutura de conhecimentos (ou de significados) com determinado grau de clareza, estabilidade e diferenciação. Esses aspectos relevantes da estrutura cognitiva que servem de ancoradouro para a nova informação são chamados “subsunçores”. O termo “ancorar”, no entanto, apesar de útil como uma primeira idéia do que é aprendizagem significativa, não dá uma imagem da dinâmica do processo. Na aprendizagem significativa há uma interação entre o novo conhecimento e o já existente, na qual ambos se modificam. À medida que o conhecimento prévio serve de base para a atribuição de significados à nova informação, ele também se modifica, ou seja, os subsunçores vão adquirindo novos significados, se tornando mais diferenciados, mais estáveis. Novos subsunçores vão se formando e vão interagindo. A estrutura cognitiva está constantemente se reestruturando durante a aprendizagem significativa. O processo é dinâmico e o conhecimento vai se construindo. Na aprendizagem significativa, o novo conhecimento nun­ca é internalizado de maneira literal, porque no momento em que passa a ter significado para o aprendiz entra em cena o com25


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ponente idiossincrático da significação. Aprender significativamente implica atribuir significado, que têm sempre componentes pessoais. Aprendizagem sem atribuição de significados pessoais, sem relação com o conhecimento preexistente, é mecânica, não significativa. Na aprendizagem mecânica, o novo conhecimento é armazenado de maneira arbitrária e literal na mente do indivíduo. Isso não significa que esse conhecimento é armazenado em um vácuo cognitivo, mas significa que ele não interage significativamente com a estrutura cognitiva preexistente, não adquire significado. Durante um certo período, a pessoa é, inclusive, capaz de reproduzir o que foi aprendido mecanicamente, mas isso não significa nada para ela. No curso da aprendizagem significativa, os conceitos que interagem com o novo conhecimento e que servem de base para a atribuição de novos significados também se modificam em função dessa interação, ou seja, vão adquirindo novos significados e se diferenciando progressivamente. Imagine-se o conceito de “conservação”; sua aquisição diferenciada em ciências é progressiva: à medida que o aprendiz aprende significativamente o que é conservação da energia, conservação da carga elétrica, conservação da quantidade de movimento, o subsunçor “conservação” se torna cada vez mais elaborado e diferenciado, e também capaz de servir de âncora para a atribuição de significados a novos conhecimentos. Esse processo característico da dinâmica da estrutura cognitiva chama-se diferenciação progressiva. Outro processo que ocorre no curso da aprendizagem significativa é o estabelecimento de relações entre idéias, conceitos e proposições já estabelecidas na estrutura cognitiva, isto é, relações entre subsunçores. Elementos existentes na estrutura cognitiva com determinado grau de clareza, estabilidade e diferenciação são percebidos como relacionados, adquirindo novos significados e levando a uma reorganização da estrutura cognitiva. É o que ocorreria, por exemplo, se o aluno tivesse conceitos de campo elétrico e mag26


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nético claros e estáveis na estrutura cognitiva, os percebesse intimamente relacionados e reorganizasse seus significados de modo a vê-los como manifestações de um conceito mais abrangente, o de campo eletromagnético. Essa recombinação de elementos, ou seja, essa reorganização cognitiva, é um tipo de relação significativa, que é referida como reconciliação integrativa. A reconciliação integrativa e a diferenciação progressiva são dois processos relacionados que ocorrem no curso da aprendizagem significativa. Toda aprendizagem que resultar em reconciliação integrativa resultará também em diferenciação progressiva adicional de conceitos e proposições. A reconciliação integrativa é uma forma de diferenciação progressiva da estrutura cognitiva. É um processo cujo resultado é o explícito delineamento de diferenças e similaridades entre idéias relacionadas. Pode-se considerar que a teoria atual da aprendizagem significativa teve origem no trabalho do psicólogo educacional americano David Ausubel,10 que, em 1963, publicou The psychology of meaningful verbal learning, uma das obras que iniciaram a revolução cognitiva na Psicologia Educa­ cional. Definindo o que se deve entender por aprendizagem significativa, em oposição à aprendizagem mecânica ou memorística, Ausubel defende que há princípios gerais de aprendizagem significativa que podem ser integrados numa teoria geral. Pretende, desse modo, fornecer aos professores uma ferramenta lógica para que eles possam descobrir estratégias de ensino mais eficazes ou para que possam efetuar boas escolhas entre aquelas de que tomam consciência em sua formação e em sua prática.

10 AUSUBEL, acesso em: 20 abr. 2004.

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A teoria da aprendizagem de Ausubel Ausubel11 propõe que os conhecimentos prévios dos alunos sejam valorizados para que eles possam construir estruturas mentais utilizando, como meio, mapas conceituais que permitem descobrir e redescobrir outros conhecimentos, caracterizando, assim, uma aprendizagem prazerosa e eficaz. O autor remete claramente à Psicologia Clássica, em que os princípios psicológicos eram extrapolados, de forma indiscriminada, da pesquisa sobre a aprendizagem animal e automática — considera-se um psicólogo educacional na acepção atual do termo e não simplesmente psicólogo. Argumenta também que é possível desenvolver uma Teoria da Aprendizagem Significativa alicerçada em princípios. Um desses princípios, que ainda hoje continua a ser um farol que ilumina a teoria, é o seguinte: o fator mais importante de que depende a aprendizagem de um aluno é aquilo que ele já sabe, ou seja, aquilo que está incorporado em sua estrutura cognitiva. Para ele, a aprendizagem significativa, como incorporação substantiva, não meramente memorística de um novo conhecimento numa estrutura cognitiva prévia, está em oposição à aprendizagem mecânica, rotineira ou automática. Mas oposição não significa dicotomia, pois, tal como realça o citado autor, toda a aprendizagem em sala de aula pode se localizar ao longo de duas dimensões independentes, que são dois contínuos: aprendizagem mecânica – aprendizagem significativa – e aprendizagem por recepção – aprendizagem por descoberta. Isso significa que tanto a aprendizagem por recepção quanto a aprendizagem por descoberta podem ser mecânicas ou significativas. Será ou não significativa a aprendizagem resultante de uma tarefa de um aluno, não importa como ele é confrontado com aquilo que vai aprender (se o que vai aprender lhe é proporcio11 Idem.

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nado numa forma acabada ou numa forma por descobrir mais ou menos autonomamente) consoante se verifiquem ou não as duas condições seguintes: que a tarefa de aprendizagem seja potencialmente significativa e que ele se empenhe psicologicamente de modo ativo na tarefa, de maneira a relacionar as novas idéias às idéias que já possui em sua estrutura de conhecimento prévia. Saliente-se que a tarefa só será potencialmente significativa para cada aluno se disser respeito a algo lógico e plausível ou sensível e se o aluno dispuser de conceitos adequados, em sua estrutura cognitiva, para transformar o significado lógico do assunto a aprender em significado psicológico, conceitos esses que se designam por subçunsores. A maioria da aprendizagem significativa ocorre por assimilação de conceitos, isto é, por interação dos novos conceitos com os subçunsores existentes, mas Ausubel também se debruçou sobre a formação dos conceitos, processo pelo qual um recém-nascido cria os primeiros subçunsores ao descobrir os atributos resultantes das diversas classes de estímulos recebidos. É importante colocar que Ausubel, além de remeter aos teóricos cognitivistas da chamada pedagogia por descoberta, ao valorizar igualmente a chamada aprendizagem por recepção ativa e significativa também remete aos defensores de certas teorias do processamento da informação ao afirmar que a aprendizagem é muito mais do que uma simples condução dos estímulos entrados na memória sensorial para a memória a curto prazo, e desta para a memória a longo prazo. A informação é processada de maneira conceptual, formando-se primeiro o núcleo representativo do conceito e, depois disso, sua representação verbal.12 12 Idem.

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A teoria da aprendizagem de Joseph Novak Joseph Novak, biólogo de formação, desde cedo se dedi­ cou ao tema da educação científica, quando ainda era assistente em Botânica e fa­zia investigação na área da fisiologia das plantas. Por diversas vezes reconheceu a influência marcante que teve o trabalho de Ausubel em Psico­lo­gia Edu­ca­ cional.13 Da colaboração entre Ausubel e Novak nasceu uma segunda edição, revista, da obra básica da Teoria da Aprendizagem Significativa. A partir de então, Ausubel abandonou o grupo com o qual trabalhava, mas continuou a trabalhar na Teoria da Aprendizagem Significativa, e tem sido Joseph Novak, professor da Universidade de Cornell, o reconhecido dina­mi­ za­dor – com seus discípulos, muitos dos quais foram seus alunos de pós-graduação ou participantes de seus seminários –, a levar adiante a tarefa de aperfeiçoar a Teoria da Apren­ dizagem Significativa. A proposta de Novak é mais ampla e ambiciosa do que a de Ausubel, já que defende uma Teoria da Educação que integra a Teoria da Aprendizagem Significativa. Sua teoria centra-se na idéia de que a educação é um conjunto de experiências cognitivas, afetivas e psicomotoras que, quando guiadas pela Teoria da Aprendizagem Significativa, conduzirão ao engrandecimento (empowerment) do educando, preparando-o para lidar com um mundo em mudança. Acrescentando um quinto “lugar-comum” – a avaliação – aos quatro propostos por Schwab – o aprendiz, o professor, o currículo e a matriz social –, e tão fundamental como esses, Novak aproxima-se muito das idéias modernas resultantes das ciências da cognição de que o pensamento é ao 13 Idem.

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mes­mo tempo ativo e sensitivo, ou seja, que pensamento, sen­timentos e ações se combinam para formar o significado das experiências.14 Durante o desenvolvimento de um projeto de ensino audiotutorial nos anos 1970, Novak e seus colaboradores tiveram a idéia de introduzir os chamados mapas conceptuais ou mapas de conceitos, uma das grandes contribuições para o desenvolvimento da Teoria da Aprendizagem Significativa. Confrontado com um enorme conjunto de gravações efetuadas com os alunos envolvidos nesse projeto e com a necessidade de interpretar seu conteúdo e discernir os padrões de mudança na compreensão conceptual desses alunos, Novak e seu grupo de pesquisa começaram a representar as estruturas cognitivas deles e as mudanças nelas operadas por meio de mapas hierarquizados de conceitos e proposições. Os primeiros mapas conceptuais foram construídos a partir de transcrições de entrevistas com alunos e, posteriormente, foram introduzidos nas salas de aula para serem produzidos pelos próprios alunos, de modo a “externalizar” suas estruturas cognitivas. Logo de início foi notório que os mapas dos estudantes “instruídos” eram mais ricos do que os dos estudantes pouco “instruídos”. O desenvolvimento das tecnologias da informação nos últimos vinte anos impulsionou significativamente a utilização de mapas de conceitos. Existem atualmente diversos produtos comerciais e não comerciais que permitem construir, partilhar e discutir colaborativamente mapas de conceitos.

14 Ausubel; Novak; Hanesian, acesso em: 15 fev. 2004.

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O método das cinco perguntas de D. Bob Gowin D. Bob Gowin, tal como Novak, é hoje professor emérito da Universidade de Cornell. Em sua tese de doutoramento, em Filosofia da Ciência, empenhou-se em compreender a estrutura e o processo de criação do conhecimento científico. Percebendo que os alunos de ciências saíam dos laboratórios com pouca ou nenhuma consciência do que tinham estado a fazer seguindo protocolos experimentais do tipo receita e sem terem aprendido significativamente aquilo que se pretendia que aprendessem, Gowin começou por desenvolver o chamado método das cinco perguntas, que se destina também a “desempacotar” o conhecimento apresentado, por exemplo, num artigo científico ou capítulo de um livro. Essas perguntas são as seguintes:15 • Qual é a questão determinante do trabalho? • Quais são os conceitos-chave? • Que métodos foram utilizados para responder à questãochave? • Quais são os principais juízos cognitivos no trabalho? • Que juízos de valor foram feitos no trabalho? Trata-se, sem dúvida, de questões importantes que tanto apóiam o estudante no laboratório como o ajudam a tornar claro o conteúdo dos artigos, por vezes obscuros, com que tem de trabalhar. Para Gowin, a aprendizagem, como processo de pesquisa individual e idiossincrática, distingue-se do ensino, um ato social, e deverá ser encarada como uma estrutura em que a interação entre acontecimentos, conceitos e fatos desempenha um papel decisivo. No processo de ensino-aprendizagem, o professor e o aluno estão, pois, intimamente envolvidos num compartilhar de significados a respeito dos conhecimentos 15 Gowin, 1981, p. 88.

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veiculados pelo material educativo. O currículo, o professor e o aluno são, portanto, elementos indissociáveis e que se influenciam mutuamente. Na seqüência do método das cinco perguntas, Gowin criou um dos importantes artefatos da Teoria da Aprendizagem Signi­ ficativa: o “V do conhecimento”, também conhecido como “V epistemológico”, “V heurístico” ou “V de Gowin”. Trata-se de um instrumento que se enquadra perfeitamente no paradigma construtivista atual e que, quando convenientemente usado, pode contribuir de modo decisivo para facilitar a aprendizagem significativa da ciência. Orientado pelo “V” e pelo professor, o aluno é envolvido numa teia construtivista em que concepções e metodologias, reflexão e ação, interagem dialeticamente. Com efeito, ao basear-se nesse instrumento, o aluno é “obrigado” a: • Ter presente, a todo o momento, o objeto e o problema em estudo, não trabalhando “às cegas”. • Refletir sobre os conceitos e relações entre conceitos (teorias, princípios e leis) necessários para a pesquisa e enriquecer esse quadro conceitual, a partir do qual vai pesquisar os objetos/acontecimentos que servem de base a seu estudo. • Utilizar esse quadro conceitual para atribuir significado aos registros efetuados. • Utilizar as teorias para reorganizar e transformar os dados em conclusões. • Interpretar as conclusões com base nas teorias. • Enriquecer seus conceitos e aprimorar suas teorias com base nas observações e conclusões. • Formular juízos cognitivos e de valor acerca do trabalho efetuado com base nas teorias. 33


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A pesquisa internacional e sua contribuição Há alguns anos a Teoria da Aprendizagem Significativa e os instrumentos e metodologias nela fundamentados têm sido trabalhados no nível da pesquisa educacional e discutidos em encontros internacionais de pesquisadores e de professores. Esse fato tem permitido, por um lado, aperfeiçoar, fundamentar e consolidar seu núcleo duro; por outro, testar sua aplicabilidade e eficiência e disseminá-la. Não é por acaso que, por exemplo, Learning how to learn16 está traduzido em sete idiomas: português, espanhol, italiano, chinês, tailandês, japonês e árabe. Nos EUA, por exemplo, a investigação com e sobre mapas de conceitos está amplamente documentada. Uma pesquisa na base de dados ERIC17 sobre concept mapping origina centenas de registros, incluindo dois digests específicos sobre mapas de conceitos. Além dos mapas conceptuais e do V do conhecimento, também outros organizadores gráficos, guiados pela Teoria da Aprendizagem Significativa, como os labograms, os círculos de conceitos e as redes semânticas,18 têm sido objeto de pesquisa e desenvolvimento. Nas décadas de 1980 e 1990 realizaram-se quatro seminários internacionais promovidos por Novak, nos quais foram apresentadas investigações de muitos países, estando uma parte substancial das contribuições acessível na Internet.19 A Teoria da Aprendizagem Significativa tem inspirado trabalhos nas áreas de metacognição, resolução de problemas, mudança conceptual, misconceptions, representações e modelos mentais, avaliação, história e filosofia da ciência etc., em praticamente todas as disciplinas científicas. 16 Disponível em: ww.dbweb.liv.ac.uk/itsnpsc/ab/learning-theories.pdf. Acesso em: 15 fev. 2004. 17 Disponível em: http://www.askeric.org/Eric. Acesso em: 06 mar. 2004. 18 Disponível em: http://www.15degreelab.com Acesso em: 06 mar. 2004. 19 Disponível em: http://www2.ucsc.edu/mlrg/mlrgarticles.html. Acesso em: 06 mar. 2004.

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Aqui, destacamos apenas o trabalho de um grande grupo de professores das mais variadas áreas e níveis de ensino, que têm trocado experiências de pesquisas e ações ao longo dos anos. A esse grupo pertencem apenas investigadores e professores dos países ibéricos e ibero-americanos. Por razões de afinidades lingüísticas e culturais, esse grupo se tornou independente e tem realizado seus próprios encontros, tendo se reunido pela primeira vez na Universidade de Cornell, em 1992, na forma de seminário orientado por Novak e Marco Moreira, durante 15 dias. Em 1996 e em 2000 realizaram-se o segundo e o terceiro encontros, respectivamente, na Espanha e em Portugal. Alguns elementos do grupo estiveram na origem de um programa internacional de doutoramento em ensino das ciências, na Universidade de Burgos, organizado em colaboração conjunta com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com um forte componente da Teoria da Aprendizagem Significativa.

As revoluções Se a aprendizagem é um produto que se expressa por meio da linguagem do conhecimento e resulta da junção e digestão da informação com o meio ambiente, e se esse produto deve ser armazenado e transformado em uma nova informação para fluir e gerar novos conhecimentos, tal processo, o da aprendizagem, foi o que deu origem às revoluções da humanidade. As revoluções em si estão ligadas à transmissão de conhecimentos, e uma após a outra resultaram nas grandes invenções e descobertas dos fenômenos tecnológicos, não necessariamente refletidos no campo social, mas todos os produtos das necessidades e desejos do homem. 35


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Nesse sentido, a fruição do conhecimento é o que vale. Inicia-se o entendimento da evolução da linguagem, ou melhor, dos meios de transmissão das informações que se confundem com a forma de expressão e comunicação do ser humano, de acordo com seu tempo.

A escrita Antes, a oralidade era o modo de transmissão dos conhecimentos utilizado pelo homem, assim como os dedos eram a medida de cálculo, explicando porque até hoje vivese num sistema decimal (10 dedos). Nessa época, apenas os sentidos dos seres vivos trabalhavam para o processamento da informação, isto é, a memória. Com tantas informações, como guardar os tantos conhecimentos possíveis? A escrita proporcionou ao ser humano guardar e perpetuar a história, primeiramente por meio de desenhos entalhados em pedra, ossos ou argila, até a invenção do alfabeto e novos suportes, como o papiro, pergaminho e, posteriormente, o papel. Aliás, o papel surgiu de uma necessidade, uma invenção encomendada como um produto por um imperador chinês em 105 d.C. Primeiramente, era fabricado com matéria vegetal (cânhamo) e, posteriormente, em tecido (algodão); apenas em 1860 foi desenvolvido o papel à base de madeira-celulose (principalmente o eucalipto). Mesmo com a escrita, a transmissão do conhecimento era precária e elitista, pois a documentação era lenta e trabalhosa. Assim, o homem passou a procurar novas formas para melhorar esse processo. Dessa procura surgiu a imprensa, em 1450, por Gutenberg. Foi uma grande revolução tecnológica na multiplicação do conhecimento – as sociedades eram pré-letradas e a dominação se fazia pela ignorância. Com a escrita, o poder ficou com a Igreja – a Bíblia foi o primeiro livro publicado à base de caracteres móveis. 36


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Nesse caminho histórico, é importante citar o Renas­ centismo como marco do pensamento intelectual. Com as grandes expedições oceânicas, o homem conquistou novos povos e, portanto, novas informações, o que o levou a construir a partir de seu próprio esforço, seu prestígio e fortuna, rompendo com a fé cristã e ocasionando a decadência da Igreja. A investigação da natureza como fonte de vida e prazer dá vazão ao desenvolvimento dos métodos experimentais e da matemática. A ciência, como domínio teórico desse desenvolvimento e conquista de conhecimento, inventa o conceito de progresso na melhoria das condições de vida de toda a humanidade. Os iluministas não sabiam que o desenvolvimento da técnica, à luz da razão, resultaria em uma forma de dominação dessa mesma técnica sobre o homem, pois a razão instrumental, tecnocientífica, criou o princípio do mercado, reforçando a linha orientadora de interdependência. Assim se entende a razão por meio de seu princípio de causalidade, transformando o conceito de progresso em acúmulo e rentabilidade.

Era industrial Na última metade do século XVIII marcou-se a era da produção. A Revolução Industrial substituiu a ferramenta pela máquina e globalizou a produção, a partir da invenção da máquina a vapor. Os navios e as locomotivas aumentaram a circulação de mercadorias, já que no período anterior as rotas comerciais já estavam traçadas, e seus resultados ampliaram o mercado consumidor com a produção em série e o aparecimento de um comércio monetário. A Revolução Francesa, embalada pelas idéias iluministas, e a independência americana liberaram o mercado da ação do Estado, momento em que o cidadão se realizou pela luta contra a tirania, contra o Estado. 37


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Da máquina a vapor ao cinema de Lumière, pôde-se assistir ao aparecimento de inúmeras formas para a transmissão da informação, como a calculadora mecânica, a fotografia, o telégrafo e o telefone, além das novas formas de energia, a elétrica e à base de petróleo. Mas foi no século XIX que surgiram os grandes complexos industriais, as multinacionais e o desenvolvimento da tecnologia no processo produtivo, além da expansão dos meios de comunicação e de transporte em escala planetária, marcado pelo desenvolvimento das linguagens eletrônicas – afinal, a noção de consumo vai sempre contra o analfabetismo. Marx, filósofo alemão, já dizia em 1858 que “...a verdadeira missão da sociedade burguesa é criar o mercado mundial”.20 No campo social, a sociedade foi dividida em duas classes caracterizadas pelo capitalismo: o empresário, dono do capital e dos meios de produção, e o proletariado, que troca sua força de trabalho por salário. Nesse aspecto, a revolução colocou por terra as idéias renascentistas de bem-estar – as condições de vida na época eram péssimas: baixos salários com longas jornadas de trabalho, também para mulheres e crianças, pois não existiam leis trabalhistas; mão-de-obra barata em razão do êxodo rural e da urbanização desorganizada, fazendo surgir cortiços e os primeiros movimentos operários. Repensando o princípio darwinista de seleção natural na área social, só os aptos sobrevivem! Os não aptos, então, padecem à mercê da evolução e realizam a decadência do capitalismo na visão celular da exclusão tecnológica.

Evolução dos meios de comunicação A informação na prática é o produto da comunicação; portanto, deve-se discorrer sobre os recursos utilizados para seu 20 Mapa do fim da fome, 2004.

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registro. Já que está claro que o homem é incapaz de absorver em velocidade, quantidade e de forma adequada as informações pela memória, deve-se substituí-la pela tecnologia, que gera e reproduz a informação, assim como a armazena e veicula, claro, sempre a seu comando.21 A preocupação está no tempo e em sua relação com a economia de mercado. A quantidade circulante acaba fazendo da informação um produto de vida curta, sendo necessária uma evolução simultânea dos meios de transmissão. Os fluxos excessivos e intensos de informação entregues ao mercado, além de planejados, decretam a falência diária das certezas; portanto, exige-se criatividade para a geração de algo novo e que satisfaça todos os dias. Esse pensamento existencialista do “finito”, transformou a informação em transitória e temporal; por isso mesmo, com urgência para encontrar o sentido de si mesma antes de seu esquecimento, porque é descartável. A semelhança entre a visão da informação e o problema do idoso é imensa: a obsolescência e o descaso. É contraditório imaginar que são exatamente a informação e o idoso que mantêm em sintonia todas as partes do todo da vida humana, em total interdependência.

O século XX Historicamente, pode-se citar o advento da indústria cultural como o momento-chave para o início do que se pode entender como massificação, isto é, a banalização da expressão intelectual e artística, assim como a vulgarização do conhecimento. Antes dela, remonta-se a interdependência ao período a partir da virada do século XX. Os 25 primeiros anos represen21 PAIVA, 2004.

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tam uma revolução sem precedentes no campo técnico-científico. Abordaremos, aqui, apenas algumas fases. No transporte, destaca-se Santos Dumont, que voou pela primeira vez com o 14 Bis. Henry Ford começou a produzir em escala o automóvel – e isso para não citar os desdobramentos dessas invenções. As guerras foram, tanto para Santos Dumont quanto para Ford, o motivo de sua desgraça e glória. Dumont se suicidou culpando-se por considerar que seu invento era usado pelo homem matar o próprio homem; Ford sucumbiu aos apelos da Segunda Guerra Mundial e entrou na indústria bélica, introduzindo inovações na técnica e na gestão; implantou a venda a prazo e a exportação. Hoje, a Ford é uma das maiores empresas do mundo. Houve ainda o descobrimento do sistema binário e a criação da psicanálise, ligados sobremaneira pela informática. Da descoberta que desencadeou a construção do primeiro computador em 1946, o ENIAC, aos 50 anos subseqüentes até os dias de hoje, representou-se a criação natural de um tecido social que se multiplicou na visão celular. A informática foi penetrando em todos os sistemas possíveis: administrativo, econômico ou de comunicação. Sua entrada nas empresas enredou alguns poucos que entendiam sua linguagem, e eles se transformaram rapidamente em donos da informação. Por conseqüência, os poucos letrados que a revoluç��o industrial criou estavam fadados a serem empurrados do centro da célula para a margem da sociedade, definindo, assim, a visão de exclusão tecnológica. A aldeia global pensada por McLuhan de seu lado técnico-científico estava acontecendo, com seu ápice na criação da Internet e em seu uso popular já nos anos 1990. Pelo lado da psicanálise, Freud, um pessimista, nos brindou com a inconsciência. Desde então, vive-se com a ilusão de que se tem o controle de nossas funções cognitivas, pois, segundo a psicanálise, cada ser tem em seu inconsciente a força 40


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dos desejos e das paixões que determinam o comportamento. O que se sabe é que muitas as pessoas agem diferentemente de como pensam. Esse pensamento influencia as ciências sociais e humanas e corrobora a idéia da informação descartável; conseqüentemente, da verdadeira massificação. Soma-se a isso o imaginário coletivo de que o computador nunca erra e de que a máquina se sobrepõe ao homem no sentido de reter informações. Ter informação é sinônimo de poder; com isso, criam-se conhecimentos controlados de interesses e movimentos que reforçam as classes dominantes. Poucos sabem que o computador, quando se popularizou, já estava em sua quarta geração. Inúmeros filmes abordaram esse imaginário. Tanto em 2003 – Uma odisséia no espaço até Matrix, as pessoas são oprimidas pela máquina; em Blade Runner e AI (Inteligência Artificial), as pessoas convivem com as máquinas de igual para igual. Com isso, aprende-se que é melhor dominar a linguagem das máquinas para não ser dominado por ela. Mas quem pode aprender? Para fechar o ciclo dos primeiros 25 anos do século XX, não se pode esquecer a primeira transmissão radiofônica do mundo, uma evolução do Código Morse descoberto quase há 100 anos. O rádio transformou os processos de transmissão da informação, ou melhor, a linguagem. A oralidade volta a fazer parte de vida das pessoas, que agora podem estar em suas casas, junto a seus familiares apenas com um aparelho de recebimento das ondas, que, depois, tornou-se portátil, levando essa experiência para todos os lugares. A principal característica desse meio é a utilização do imaginário do ouvinte. Não se precisava saber ler ou escrever: apenas construir a realidade por meio do que se ouvia, como efeitos sonoros, histórias, notícias etc. 41


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Uma discussão ética sempre em pauta é a da força massificadora dos meios de comunicação em detrimento da verdade que envolve seus conteúdos: a informação em estado bruto. Em 1938, na véspera do Dia das Bruxas, na cidade de Nova Jersey, Orson Welles, funcionário da Rádio CBS, representou uma peça de radioteatro que provocou pânico em três cidades norte-americanas. A peça, chamada A guerra dos mundos, era uma adaptação de uma obra de ficção, e foi contada para mais de 6 milhões de pessoas na forma de linguagem jornalística – portanto, em uma linguagem em que o ouvinte estava habituado a acreditar – e informava a invasão da Terra pelos marcianos. Mais de meio milhão de pessoas acreditaram no perigo imediato e provocaram sobrecarga nas linhas telefônicas, congestionamentos e fuga em massa das cidades. Como a recepção do sinal radiofônico era coletiva, característica da época, quando ainda não existia o transistor, o rádio incentivava conversas paralelas, trocas de informação e emoção, o que aumentou a veracidade dos fatos. Portanto, o rádio é o primeiro meio que confirma a informação como um produto de massa, e o fato de que conhecimento gerado pode ser controlado.

Indústria cultural O conceito de indústria cultural apareceu no pós-guerra, em meio a uma Alemanha destruída e necessitada de desenvolvimento. Horkheimer e Adorno cunharam esse conceito afirmando que a cultura, entendida como a gênese de um povo, se manifesta por meio de obras de arte e de pensamento, que são o verdadeiro exercício da liberdade – portanto, devem ser acessadas por todas as pessoas. Numa visão crítica da indústria, afirmam que as mudanças sociais só se realizariam quando a cultura e a política tivessem como objetivo o bem-estar do ser humano. 42


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A ruptura é ilusória, pois produzir arte em escala e a custos baixos significaria necessariamente levar uma arte, portanto uma informação, de forma padronizada, o que reforça a lógica tecnocientífica do princípio do mercado. Assim, a corrida se deu para desenvolver cada vez mais os meios de transmissão dessa cultura de massa, que deveria transmitir a informação ao maior número de pessoas possível ao mesmo tempo. Nessa era do descartável, o tempo começou a ficar escasso. Se o tempo é a noção da passagem do passado para o futuro, que se manifesta apenas no átimo do presente, e considerando-se que a aprendizagem é reter uma informação no presente para gerar um conhecimento futuro, questiona-se o papel da televisão e da Internet como as principais ferramentas de informação dessa cultura de massa. Por falar em cultura de massa, que se caracteriza principalmente pela reprodução em alta escala, devem-se estipular as diferenças entre cultura popular e erudita. A popular, mais simples e tradicionalista, reproduz o mundo como ele é por meio das manifestações da tradição do povo. O artista e o público dessa arte se confundem e criam ritos, mitos e lendas (folclore). Já a arte erudita, mais complexa nas relações entre forma e conteúdo, busca novas significações por meio de novos meios de expressão. As informações chegam de maneira mais rápida e, portanto, são descartáveis, aumentando as incertezas e a exigência da criatividade, e o público é o consumidor de algo que, na verdade, já passou. Essa relação caracteriza também a informação como um produto cultural, repetitivo, descartável e falso, que perde seu poder de crítica e é massificado.

A televisão No período entreguerras aparece uma América forte, ao passo que a Europa começa a reconstruir sua humanidade, mesmo com o aparecimento do fascismo. Nessa época, os norteamericanos assistiram a um desenvolvimento sem precedentes, 43


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porque sua economia funcionou à base da indústria bélica, desaguando no potencial armamentista da Segunda Guerra Mundial. O sentimento nacionalista cresceu e marcou o povo americano, nomeando o preconceito e a intolerância de patriotismo e desenvolvimento. Por amor à pátria, o povo trabalhava arduamente, e só compreendeu as contradições do desenvolvimento frente aos problemas de gestão política ou da economia de mercado quando em 1929, iniciou-se um período de grande depressão em razão da quebra da Bolsa de Nova York. Mesmo assim, as pesquisas americanas para o desenvolvimento da televisão aconteceram de forma que em 1939, em total recuperação, os Estados Unidos apresentaram a primeira transmissão totalmente eletrônica. Na época, não se imaginava a utilização da publicidade como fonte de recursos, já que, no início, a televisão, assim como o rádio, era vista como fonte de informação a serviço da comunidade e da educação; por isso, a TV era mantida pelos recursos da venda de aparelhos receptores e por patrocinadores. Com a Segunda Guerra Mundial, a produção de aparelhos estagnou-se, recuperando-se no final da década de 1940, com a produção de mais de 12 milhões de aparelhos e o surgimento da primeira cadeia de TV a cabo em 1948, acontecimento que deve ter influenciado a imaginação de George Orwell. O período do pós-guerra é conhecido como a era pós-industrial ou do conhecimento, para uma sociedade baseada na produção de serviços, símbolos e informação, com grande foco na estética. Os anos 1950 marcaram o auge da prosperidade financeira, embalada pela vitória dos aliados. Os norteamericanos queriam o novo. O desenvolvimento das comunicações e a popularização da televisão trouxeram para o alcance das pessoas o sentido do glamour, do luxo e do prazer, que determinava a busca pelo conforto, melhores condições de moradia e, particularmente, consumo. A mulher, influen44


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ciada pela beleza de Marilyn Monroe e Brigite Bardot, pela ingenuidade e pela sensualidade e pelo conservadorismo do casamento, devia ser linda, boa dona de casa, esposa e mãe, ajudada pelos aspiradores de pó, máquinas de lavar e outros eletrodomésticos. A década de 1960 trouxe uma geração de jovens filhos do baby boom, que provocaram grandes mudanças comportamentais. De certa maneira, influenciados pelo rock’and’roll de Elvis Presley, pelos jeans e motocicletas, os jovens começaram a sair às ruas e a ter personalidade própria, o que, somado aos avanços tecnológicos das viagens espaciais e da velocidade, criou um comportamento revolucionário com aspecto mais popular e, ao mesmo tempo, fugaz. Se a conclusão anterior era de que tudo possui seu oposto, esse sentimento de liberdade acionou uma avalancha de novos produtos específicos para os jovens, como a minissaia e o psicodélico, inspirados também nas “viagens” que as drogas proporcionavam. Esse movimento contra a sociedade de consumo atinge seu auge crítico com o aparecimento da pop arte. Rompe-se definitivamente a relação entre forma e conteúdo, quando Andy Warhol transforma uma lata de sopa Campbell em arte. Entende-se, na prática, a natureza interdependente dos fenômenos quando se lembra que a ruptura com o sistema oficial e o início dos movimentos underground foram a resposta popular ao início da guerra do Vietnã, sem falar da construção do muro de Berlim. O movimento hippie difundia as palavras de ordem “paz e amor” e abarcava o desejo da liberdade de expressão e sexual, principalmente das mulheres. O homem foi à Lua, assim como foi ao inferno com os rituais alucinógenos e a aparente liberdade para o amor, música e sexo em Woodstock (aparente porque a liberação sexual consagrada nessa época é mantida ainda hoje com pílulas, camisinha e AZT), sem contar a indústria fonográfica. 45


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A televisão acompanhou a história todo o tempo. Assistiuse em pretro-e-branco ao homem pisando na Lua e se pôde acompanhar Jimmy Hendrix quebrando sua guitarra. A televisão construiu um princípio “democrático cultural” em volta de si, mas que, na prática, representou apenas, e mais uma vez, uma revolução tecnológica. Criaram-se, desde então, mercadorias televisivas padronizadas, que congelaram a estrutura social, dando oportunidade e legitimidade à produção cultural e, mais recentemente, à globalização e sua noção de universalidade plena. Conclui-se também, e principalmente, que a televisão reforça o princípio do mercado vendendo informação. Coincidência ou interdependência, foi nos 1970 que a sociedade de consumo aplaudiu o boom da publicidade e das grandes corporações midiáticas, votou influenciada pela comunicação partidária e ainda se divertiu com os jogos eletrônicos mitificados no cinema com Tommy. A televisão continua tendo o poder de trazer as pessoas para si como um ímã, porque há algum tempo a informação pode também ser vista. É construída uma relação diferente com o que é transmitido, pois agora não se exige nem mesmo o imaginário. A TV traz a informação absolutamente pronta, e para entender sua mensagem não é preciso saber mais do que ligá-la na tomada. Por isso mesmo, está no centro da sociedade, fazendo parte dos processos de aprendizagem. Depois da tv por assinatura, ela pôde emitir um sem-número de informações 24 horas por dia. Voltando à discussão ética dos meios de comunicação, pode-se citar um caso recente do SBT no envolvimento com falsos integrantes do PCC. Orson Welles talvez não tenha pedido desculpas, mas o Sr. Augusto Liberato (Gugu), apresentador da emissora que levou a fraude ao ar, pediu desculpas em rede nacional. Bernard Golberg, autor do livro intitulado Bias, que 46


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significa ser, em última instância, parcial, apresenta a TV norte-americana como “mentirosa”, quando afirma que as notícias veiculadas pela CBS, uma das maiores redes de televisão mundial, escondem os reais problemas da humanidade em nome da manutenção do equilíbrio das minorias e em defesa à ação de ativistas. Existem rumores de que a distorção da verdade deflagrou a guerra contra o Iraque e rotulou como duvidosa a cobertura da guerra pelo Canal Fox, de propriedade da família Bush.

A televisão no Brasil Em 1950, Francisco de Assis Chateaubriand inaugurou a TV Tupi, primeira emissora de televisão brasileira. Inventou a telenovela, revelou uma geração inteira de atores e atrizes, mostrou o primeiro beijo na boca e foi dona de alguns programas conhecidos até hoje, como Sítio do Pica-pau Amarelo, O Céu é o Limite e Repórter Esso, repetição na tela do sucesso do rádio e que ficou 18 anos no ar. Durante muito tempo, ela foi a líder absoluta, dividindo o mercado com várias emissoras concorrentes, principalmente a Rede Globo. A história da Rede Globo é marcada por acontecimentos importantes, daí seu reconhecimento como uma das maiores emissoras em audiência, atrás apenas da NBC, ABC e CBS, colocando no ar 100% de produção própria, característica única no mundo. Filha da revolução, ela entrou no ar em 1965 no Canal 4, Rio de Janeiro, com concessão outorgada por Juscelino Kubitschek, e aos poucos se expandiu para todo o Brasil, cobrindo hoje 99,84% do território nacional, com 118 emissoras, entre próprias e afiliadas. Conhecida como a rede do regime, teve o apoio do Estado e a proteção de vários governos militares, com investimentos em publicidade. Mesmo com a proibição constitucional da entrada de investimentos de capital estrangeiro na organização e produção intelectual dos meios de comunicação, a Rede Globo 47


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de Roberto Marinho teve a participação do grupo americano Time-Life na construção de seu império. Além do apoio financeiro, realizou intercâmbios administrativos, artísticos e técnicos, enviando e trazendo profissionais da Time-Life de Nova York, que a fez determinar um padrão de qualidade e terminar os anos 1960 e entrar no século XXI em primeiro lugar no mercado televisivo brasileiro.

A tecnologia Para uma continuidade deste estudo, é importante se posicionar quanto ao pensamento orientador deste trabalho sobre a tecnologia e seus processos, manter-se neutro com relação aos pensadores da tecnologia e acreditar que nem a visão positivista nem a negativista poderão um dia superar uma a outra. Nesse ponto, o leitor encontra-se diante de um sistema em que a visão dos tecnófilos, ou integrados, coloca a tecnologia a serviço do homem, associada exclusivamente à eficiência.22 Já a linha contrária, a dos tecnófobos, ou, parafraseando Marcelo Araújo Franco e Carmem Sanches Sampaio,23 os apocalípticos, nas palavras de Umberto Eco, colocam a tecnologia como um sistema cultural de cunho elitista, que controla todas as formas da vida social. A primeira acredita em mudanças sociais positivas, pois, sendo a tecnologia uma ferramenta para auxiliar na performance do indivíduo, a questão recai então, sobre as habilidades para usá-la – a técnica (do grego tekhnè24), já que a evolução e o processo de aprendizagem das novas tecnologias são inexoráveis. 22 NASSIF, s.d. 23 LINGUAGENS, acesso em: 15 mar. 2004. 24 Foi utilizado o termo “técnica” para abranger áreas tão díspares como a dança, a economia, as atividades esportivas ou mesmo objetos, instrumentos e máquinas. Tekhnè é um conceito filosófico que visa descrever as artes práticas, o saber fazer humano. LEMOS, 2002, p.28.

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A segunda linha, segundo Lucian Sfez,25 acredita que a tecnologia é mais do que uma simples ferramenta para transformar-se em um discurso dominador, negando qualquer possibilidade de mudança social, tornando o homem um objeto da máquina. A visão de interdependência não ignora essa dicotomia. É possível conhecer a origem das mudanças nas relações interpessoais a partir da incorporação da técnica no dia-a-dia dos indivíduos, e pode-se observar ao longo deste trabalho que a história confirma um número maior de revoluções tecnológicas e menos sociais, fazendo aparecer, de forma natural, o que os autores chamam de exclusão ou “desemprego estrutural” (ou tecnológico). Neste sentido, acredita-se que a exclusão pode ser superada. De acordo com Pierre Lévy: Cada novo sistema de comunicação fabrica seus excluídos. Não havia iletrados antes da invenção da escrita. A impressão e a televisão introduziram a divisão entre aqueles que publicam ou estão na mídia e os outros. Como já observei, estima-se que apenas pouco mais de 20% dos seres humanos possui um telefone. Nenhum desses fatos constitui um argumento sério contra a escrita, a impressão, a televisão ou o telefone. O fato de que haja analfabetos ou pessoas sem telefone não nos leva a condenar a escrita ou aos telecomunicações – pelo contrário, somos estimulados a desenvolver a educação primária e a estender as redes telefônicas. Deveria ocorrer o mesmo com o ciberespaço.26

25 O índice de desenvolvimento humano de 2003 mostra se houve desenvolvimento. Relatório do Desenvolvimento Humano 2003. Informação disponível no site: http://www. onu-brasil.org.br/. Acesso em: 15 mar. 2004. 26 LÉVY, 1999, p. 237.

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Entende-se que o objetivo da tecnologia, mais es­pe­ci­ ficamente daquela ligada à informática, está por acabar definitivamente com o sistema retrógrado da era industrial, em que o capital e, portanto, o saber, e por conseqüência o poder, estão nas mãos de poucos. Se por meio da rede de computadores se podem e devem distribuir informações as mais variadas possíveis, para que o indivíduo possa interagir com ela em seu processo de aprendizagem, deve-se compreender que a construção do conhecimento é interdisciplinar, ou seja, o esforço é o de associar competências e de entender que agora o trabalho é complementar ao do outro. Algumas grandes mudanças podem ser desencadeadas por pequenos detalhes.

A Internet Com estes dois maravilhosos instrumentos, fixo em um ponto do globo, o homem estenderá a todo ele as faculdades visual e auditiva. A ubiqüidade deixará de ser uma utopia para tornar-se perfeita realidade. Então, por toda a parte à superfície da Terra, se cruzarão fios condutores, encarregados de importantíssima missão: serão eles ductos misteriosos que conduzirão, até o observador, as impressões recebidas pelos órgãos artificiais, que o gênio humano soube transportar a todas as distâncias. E, do mesmo modo que a complexidade dos filamentos nervosos pode dar a idéia da perfeição superior de um animal, esses filamentos metálicos, nervos de uma outra natureza, testemunharão por sem dúvida o grau de civilização do grande organismo que se chama – a humanidade.27

27 PAIVA, acesso em: 13 fev. 2004.

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Paiva, um físico português pouco conhecido na história, entusiasmado com a invenção de telefone, sugeriu que, um dia, imagens fossem transportadas junto com a voz, através de redes, imitando um sistema nervoso. Ele é reconhecido como o grande pensador da televisão, mas ao se analisar profundamente suas palavras percebe-se que, de fato, ele pensava em algo muito maior do que a distribuição de informação a distância para uma massa de espectadores.28 Seu pensamento confirmou-se pelo lado tecnológico e se confirma a cada dia com o surgimento de novos intercâmbios e relações interpessoais, mas coloca em xeque as questões da humanidade, isto é, até que ponto as questões tecnocientíficas, discutidas desde a Revolução Industrial, excluem o indivíduo do controle de sua vida e sociedade. É oportuno lembrar que, em 1997, o computador Deep Blue ganhou sua primeira partida de xadrez do campeão mundial Kasparov. A Internet, assim como o papel, surgiu como um produto para satisfazer a necessidade da alta cúpula americana, em meio à Guerra Fria, de defender a integridade da transmissão de informações confidenciais e fundamentais para a segurança do país e seus aliados. A idéia era distribuir a informação de modo que ela estivesse em todos os lugares ao mesmo tempo, fosse modificada automaticamente em todos esses lugares e continuasse estabelecendo conexões como um todo, mesmo que um ataque inimigo pudesse romper a conectividade de um desses lugares. A rede mundial de computadores, de produto acadêmico para assegurar a segurança nacional de um país à maior revolução da tecnologia, como também seu entendimento como um desafio para a sociedade do século XXI, tem uma história recente. Oficialmente, apenas em 1990 os Estados Unidos iniciaram a expansão da rede para a população em geral. No Brasil, ela tornouse pública somente em 1995, e em menos de 10 anos tornou-se indispensável. As mídias passaram a ter seu correspondente na 28 Vannuchi, Lobato, Novaes, 2003.

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rede: através dela, os bancos e empresas privadas transformaram seu relacionamento com os clientes, e o próprio governo percebeu a Internet como um canal direto com seus contribuintes – veja-se o sucesso que tem sido a entrega da declaração de imposto de renda via web. A educação, por sua vez, foi afetada pela ação dessa enxurrada de informações que a Internet é capaz de distribuir ao mesmo tempo e a grandes distâncias, pois agora, o processo de aprendizagem torna-se interdependente da motivação que o aluno tem para apreender a informação, e estabelecer com ela uma relação de troca para o desenvolvimento de aptidões e conhecimento29.

O acesso à tecnologia no Brasil Segundo o Mapa da Exclusão Digital30 processado pela Fundação Getúlio Vargas e publicado em abril de 2003, no Brasil o impacto da ação tecnológica digital na condição de vida dos indivíduos estabelece relações positivas, desde que tenha o seguinte desenho: Figura 2.2. Impacto da tecnologia digital

CAPITAL DIGITAL GERAÇÃO DE RENDA

SUAVIZAR O CONSUMO

(educação e trabalho) (amortecer choques e alavancar oportunidades) EFEITO DIRETO NO BEM-ESTAR (pessoas ativas e cidadãs)

29 Dávila, acesso em: 18 mar. 2002. 30 Mapa da Exclusão Digital, acesso em: 13 nov. 2003.

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Analisar o sentido inverso das setas é entender a origem da exclusão, ou seja, a distância a que a periferia está do centro celular do sistema tecnológico. O retrato dos incluídos digitais domiciliares no Brasil que está no PNAD de 2001 informa que 12,46% da população brasileira dispunha de acesso em seus lares a computador e 8,31%, à Internet. Esses índices, quando analisados por gênero, não apresentam diferença entre homens e mulheres com relação ao acesso a computador e Internet, ao passo que os divorciados apresentam a maior taxa de acesso (16,7%) e os solteiros (9,7%), a menor.31 Os três melhores estados em inclusão digital doméstica são: Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro. Já no quesito inclusão digital na escola, o Distrito Federal perde lugar no pódio para o Paraná. No item escolaridade, aqueles com nível superior incompleto possuem uma participação de 35,2% de acesso à Internet domiciliar, sendo que 6,3% da população encontra-se nesse nível. Segundo o estudo, a melhor forma de combater o apartheid digital em longo prazo é investir diretamente nas escolas, de modo que os alunos possam ter acesso desde cedo às novas tecnologias.

A globalização e a identidade regional A cultura global caracteriza-se pela diversidade, e essa diversificação de valores e opiniões exige respeito às diferenças e elege o diálogo como forma de comunicação desse entrosamento mundial. Dessa forma, não cabe mais, no mundo globalizado, o preconceito ou a força, pois só o faz quem não tem argumento para suas idéias. 31 Informação disponível no site: http://www2.fgv.br/ibre/cps/mapa_exclusao/apresentacao/ apresentacao.htm. Acesso em: 13 nov. 2003

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No mesmo tempo em que a globalização amplia a possibilidade de reconhecimento das diferenças, alguns críticos debatem a contraditória manifestação cultural que ela abarca, pois, na busca do máximo possível de diversidade, invade os contextos locais e os conecta ao processo de globalização, acabando por padronizar sua expressão cultural por meio do imaginário igualitário universal, aprofundando, portanto, as desigualdades em escala planetária. A tecnologia, por meio da globalização, cria novas culturas de realidade fragmentada, isto é, toma emprestadas várias partes de idéias e abordagens locais já testadas e novas tendências e modas e as conecta, dando origem ao que Robertson chama de “glocalização”.32 Com efeito, deve-se compreender que o produto do século XXI será um misto de influências e a justa combinação de lógicas globais com as regionais. Analisando essa realidade no processo de produção globalizado, pode-se encontrar grande variedade de produtos à procura do diferente. Quando encontrados, são produzidos em escala, mas, por serem descartáveis – pois, como visto, o mercado exige essa rapidez –, são colocados no mercado com estoques baixos. Essa transitoriedade exige do novo profissional criatividade, multiconhecimento e treinamento constante, com vistas à liderança participativa. Ele nem precisa estar propriamente na empresa, pois hoje existem tarefas que podem ser realizadas de casa para o escritório (teletrabalho). Assiste-se a uma inversão da relação de consumo como é conhecida. Com a produção a estoques mais baixos, pois a cada momento algo novo é transformado em artigo para consumo que substitui o anterior, percebe-se que a capacidade de produção ultrapassa muito a capacidade de absorção desses mesmos produtos pela base consumista, o que cria exce32 As três dimensões temporais: certeza da incerteza. Informação disponível no site: http:// angelfire.com/sk/holgonsi/index.tempo1.html. Acesso em: 13 nov. 2003.

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dentes e problemas para um mercado em movimento. Dessa forma, entende-se que a função dos agentes do mercado, ou melhor, do marketing, é ampliar e capacitar a base de consumidores com ações de inclusão e desenvolvimento auto-sustentável. É necessária uma educação baseada em valores em todas as áreas de atividade, na educação formal, no sentido de aprender a selecionar as informações e a transformá-las em conhecimento produtivo. Não se podem confundir as conseqüências sociais do efeito da globalização com as características do mercado e da cultura local e seus fatores de exclusão. Não é devido à globalização, por exemplo, que um aluno com poder aquisitivo das classes mais abastadas, após estudar nos melhores colégios, acabe por conseguir vaga em uma universidade gratuita.

Conhecimento: a chave do desenvolvimento humano Kofi Annan, ex-secretário geral da ONU, disse um dia que o conhecimento será a chave do desenvolvimento humano. Nessa oportunidade, deixava claro em seu discurso33 que o significado do desenvolvimento humano estava na qualidade do futuro resultante ou interdependente das atitudes do presente, sendo que essas atitudes só poderiam ser tomadas por meio do conhecimento, que, nesse sentido, era o de preservar a sobrevivência humana de caráter planetário. A água, a energia, a agricultura, a biodiversidade e a saúde são percebidas como elementos principais, a serem objeto do conhecimento – portanto, de debates e resultados –; para isso, uma série de ações em cadeia deveria ser realizada, chegando até o indivíduo e sua responsabilidade como parte de um todo. 33 ALVES, acesso em: 13 nov. 2003.

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A água, por exemplo, é responsável por mais de 3 milhões de pessoas doentes todos os anos pela falta de saneamento básico. A energia não chega a mais de 2 bilhões de pessoas, deixando-as ignorantes e oprimindo-as, dada sua incapacidade para fazer escolhas. A agricultura deveria crescer adequadamente para alimentar o número de bocas famintas e necessitadas; afinal, o corpo é um produto da educação e a biodiversidade deveria ser preservada para o equilíbrio da própria vida humana, assim como deveriam ser combatidas as práticas insustentáveis e predatórias contra a natureza. A saúde, por sua vez, que é afunilada pelo resultado dessa precariedade, deveria ter condições de criar um meio ambiente seguro e saudável. O conhecimento se dá no momento do encaixe da nova informação dentro do todo conhecido. Portanto, quanto mais informações o indivíduo recebe, maior o número de interligações possíveis de se criar e, portanto, maior a capacidade de satisfazer suas necessidades e desejos, além da sobrevivência. Dominar os meios de reter o maior número de informações possíveis e ter habilidades para controlar a tecnologia não significa ter capacidade para transformar a informação, o conhecimento, em bem-estar social. A chave está em construir o conhecimento com a inclusão de informações positivas para criar uma realidade mais justa e sem incoerências, com respeito à diversidade. O objetivo deve ser “viver e realizar-se”, e viver em interdependência, em que a justiça e o crescimento mútuo sejam a essência da organização, é uma visão revolucionária, perto de quem acha ainda que justiça é simplesmente “cobrar mais dos ricos”.34 O sentido colaborativo que a interdependência traz para as relações interpessoais as torna dinâmicas e criativas na busca do conhecimento. 34 BALL, acesso em: 10 nov. 2003.

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Por um lado, a tecnologia exerce sua função de ferramenta tecnocientífica para possibilitar a transmissão e a retenção do maior número de informações possível, com os avanços tecnológicos provando a perfeição de seu exercício. De outro lado, a tecnologia ligada às funções cognitivas apresenta o educador não mais como um agente de transmissão de informações, visto que existem outros meios mais eficazes, mas o compreende, nesse contexto, como o responsável pela visão revolucionária que envolve o encanto da possibilidade, coisa que a máquina não é capaz de fazer, porque ela não compreende a incerteza.

A universidade A Unesco35 defende que a aprendizagem é para a vida toda, e esse preceito deve ser seguido adequadamente, pois o mercado de trabalho não aceita mais profissionais apenas titulados, isto é, parte-se do princípio de que só o diploma não garante o acesso completo ao conhecimento; dessa forma, a avaliação continuada é uma exigência do mundo globalizado,36 focando o trinômio Educação-Ciência-Tecnologia. Esse triângulo foi concebido pelo economista canadense John Kenneth Galbraith, em seu livro O novo estado industrial (1967), com o que ele chamou de tecnoestrutura. Na análise do desenvolvimento de grandes empresas industriais, elas, a partir de um corpo de pessoas capacitadas e demais elementos especializados, detêm o poder de tomar as decisões, porque têm em mãos as informações necessárias para tanto. Por outro lado, quando se fala em Brasil, Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação do governo Lula, destacou, em uma entrevista, que a universidade perdeu algumas características fundamentais: 35 UNESCO, acesso em: 16 fev. 2004. 36 SILVA, 2003.

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• N  ão é mais vanguarda e precisa voltar a ser (conhecimentos são gerados fora dela). • N  ão tem mais o monopólio da distribuição do saber (quem navega bem na internet aprende sem ir à faculdade). • J á não garante o emprego para seus alunos (a escolaridade não é mais uma exigência, e sim uma qualidade). • Deixou de ter ligação com o povo. • O  desafio maior da educação no Brasil é criar uma base para o trinômio Educação-Ciência-Tecnologia, e sistematizar a criação do conhecimento. Com essa realidade e com a globalização influenciando tudo e todos, assiste-se a uma valorização sem precedentes do capital humano, diferente da lógica instrumental do princípio de economia de mercado, herdada desde a revolução industrial. Essa nova ética social, que pretende uma sociedade mais justa no convívio com o transitório, ressalta a importância da criatividade, que é hoje uma das qualidades mais valorizadas. A educação, base do triângulo, deve ensinar como as necessidades do capital podem ser adaptadas para as práticas empreendedoras, criando ambientes de trabalho livres e motivadores.

A escola do futuro Se o futuro é o resultado de ações no presente, conclui-se que o papel da escola é o de desvendar as novas formas de comunicação, primeiro para que não se percam as linguagens mínimas de saber ler, escrever, lidar com os números e resolver problemas, e depois para satisfazer uma necessidade do mercado por pessoas que saibam as linguagens mais específicas, como planejar, ser capaz de gerenciar crises e ter posição crítica sobre a informação recebida. 58


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A educação para o século XXI representa uma mudança no conceito da origem da informação, pois a aprendizagem está em todos os lugares e situações. Como diz o educador mineiro Antônio Carlos Gomes da Costa, todos os espaços da vida cotidiana se articulam na formação de seus cidadãos. Segundo Gilberto Dimenstein, cinemas, teatros, exposições, museus e centros culturais serão fortes núcleos educativos para a formação do público.37 A próxima fase deste livro, traz uma análise sobre as habilidades do uso da técnica dos agentes da construção do conhecimento para que a informação possa, independente de ainda ser um produto, criar um caminho repleto de possibilidades, como bifurcações, nas quais decisões devem ser tomadas com livre-arbítrio, mesmo que seja contraditório e que represente uma ruptura. É o desafio da educação na era da tecnologia, e é o papel do educador na era da interdependência.

37 DIMENSTEIN, 2003.

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capítulo 3 O perfil do aluno “A Educação é um direito fundamental do ser humano. É a chave para o desenvolvimento sustentável, para a paz e a estabilidade no interior das nações e entre países, e, portanto, um meio indispensável para a efetiva participação nas sociedades e economias do século XXI, afetadas pela globalização. Assim, a necessidade básica de se garantir educação para todos pode e deve ter resposta com máxima urgência”.1 Este capítulo analisa a pesquisa realizada (vide anexo I) com graduandos de faculdades de Comunicação (FAAP) e Administração de Empresas (PUC, Fundação Cásper Líbero e São Marcos), denominada “O respeito à diversidade na era do conhecimento”. Dessa amostra destacam-se alguns resultados para que se possa perceber como pensam esses jovens estudantes, quais são suas expectativas, como são suas relações familiares e sociais e, por conseqüência, qual a posição do educador na construção do futuro, seja do aluno propriamente dito, seja da sociedade como um todo. A visão do conceito de interdependência reforçará o processo de humanização na educação a partir das percepções e possibilidades que o educador quiser investir em seu crescimento próprio e de seus alunos. O educador deverá estimular a criatividade empreendedora do aluno, pois está nas mãos desse aluno o futuro do mercado, do país e do mundo. 1 Compromisso de Dakar. UNESCO, 2004.

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O perfil do aluno

Hábitos do aluno de graduação Em primeiro lugar, no caso dos alunos da FAAP, deve-se entender que, segundo a diretoria, no último encontro do Plano de Desenvolvimento Institucional, ocorrido em 24 de abril de 2004, eles se situam no topo da pirâmide social do Brasil; portanto, são jovens com acesso a tecnologia, cinemas, teatros, exposições, museus e centros culturais, que, segundo Dimenstein, são e serão fortes núcleos educativos para a formação do indivíduo. Nas análises quantitativas, percebe-se que, em 70% dos casos, os estudos são financiados pelos pais dos alunos; 50% dos 312 alunos pesquisados estão no mercado de trabalho, mesmo como estagiários. O meio de comunicação principal para adquirir informações é a televisão, e a Rede Globo, a Cultura e o Canal Sony são os canais mais visitados. O seriado Friends apareceu como unanimidade em primeiro lugar, seguido do Jornal Nacional, da Rede Globo. A surpresa está na constatação de que esse público não tem o hábito de navegar na Internet para colher informações, apresentando somente 47% de penetração, abaixo do jornal, que chega a 59%. Gráfico 3.1. Freqüência de utilização: Como você lida com o microcomputador?

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência Gráfico 3.2. Situações em que mais utiliza o microcomputador:

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003. Gráfico 3.3. Local de acesso à internet:

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003.

Um fator crítico que vale a pena ser repensado é a motivação pela leitura: nos últimos doze meses, 31% dos alunos leram de dois a três livros, 18% leram mais de seis livros e 14% não leram nenhum livro. Quando questionados sobre título e nome do autor, somente 14% lembraram com objetividade. 62


O perfil do aluno Gráfico 3.4. Nos últimos 12 meses, quantos livros você leu exce­tuando-se os escolares?

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003. Gráfico 3.5. Lembrança do título

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003.

Meios utilizados para receber informações Daniel Greenberg, fundador da Sudbury Valley School, nos Estados Unidos, diz que a escola é o principal veículo para desenvolver algumas características no futuro adulto, como cria63


O Papel do Educador na Era da Interdependência

tividade, automotivação, independência, responsabilidade pelo que fazem, respeito à diversidade, habilidades sociais, de comunicação e políticas. No Brasil, segundo a professora Sandra Corazza, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, “a escola já não é a principal formadora intelectual da criança, em função do acesso à televisão, Internet, jogos e outros meios de informação”.2 Para o futuro se prevê a utilização do VTC – abreviatura de video-telephone-computer – uma mistura de celular, computador com acesso ultra-rápido à Internet, capaz de traduzir quatro idiomas e do tamanho de um livro de bolso com tela digital; compras poderão ser feitas com o m-commerce, comércio eletrônico móvel, isto é, será possível estar em todos os lugares comprando e pagando com cartão de crédito virtual. No Brasil, segundo previsões, a informatização dos órgãos públicos vencerá a burocracia e a lentidão. No campo do entretenimento, o som de CD será quase de absoluta fidelidade, e DVDs terão altíssima definição. A classe C terá acesso aos novos home theaters e a escola se tornará presente em todos os lugares. Nesse aspecto, o entretenimento e a escola estarão em total convergência, tornando a aprendizagem mais criativa e interessante. A maioria das pessoas ainda está distante do reconhecimento dos meios de comunicação e outras atividades informais, como cursos de teatro, música ou outras fontes ricas em informação como um outro lugar do saber, atuando junto com a escola para estimular a capacidade de pensar e se comunicar.3 Hoje, na realidade, luta-se contra desigualdades básicas, como a fome e a falta de educação, e a televisão participa do processo educacional, porém com vantagens, junto à família e à escola. 2 DIMENSTEIN, 2003. 3 BACCEGA, apud HAMBURGER & BUCCI, 2000, e LITTO, 2003, p. 16.

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O perfil do aluno

A influência da TV Com apenas 54 anos de Brasil, a televisão é hoje o principal meio de comunicação do país e o mais importante suporte de transmissão de informações em busca do conhecimento. Se ao mesmo tempo os brasileiros orgulham-se de ter uma das melhores emissoras do mundo fazendo esse papel, isto é, trazendo a informação pronta como se vê, solidificada e de fácil entendimento, é simples imaginar porque ela entrou tão radicalmente nos lares brasileiros. Com o perfil da população brasileira como visto, a televisão encontrou sua linguagem própria e que a diferenciou do rádio, único ponto de referência da época. Agora a informação pode ser vista, os atores ou jornalistas passaram a fazer parte da vida familiar, têm corpo, voz, fraquezas e falam frente a frente. Talvez seja essa intimidade a responsável por trazer a excelência na produção das novelas na televisão brasileira. O telespectador quer se sentir informado e quer aprender, mas quer principalmente se emocionar; se a televisão traz a informação pronta, conclui-se que se está à mercê dos autores da informação. Como há influências americanas na forma brasileira de fazer televisão, talvez o excesso de diversificação esteja ligado aos interesses do capital. Segundo a Unesco, o tempo gasto em frente à TV é praticamente igual ao tempo dedicado à escola. A TV está em todos os lares, independentemente da classe social, transformando-se muitas vezes até mesmo em babá eletrônica. Dessa forma, temse uma babá que pode inspirar hábitos nada saudáveis, como a diminuição de exercícios físicos e, por isso mesmo, o aumento do peso corporal médio da criança, diminuição da leitura e da capacidade crítica, representando menor desempenho escolar,4 e inibição da curiosidade, assim como tendência à imitação e aumento 4 ROSSETI, 2003.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

da atividade consumista e sexual precoce. Ao mesmo tempo, a TV pode transmitir informações positivas, como campanhas de prevenção e cidadania, desenvolver habilidades, como vocabulário e visão espacial, e trazer conteúdos que apresentam valores como cooperação e solidariedade. A televisão carrega dentro de si uma abordagem cultural, pois mostra o acontecido, aumentando o interesse pela arte, música ou ciências. Trabalha na construção de uma realidade que possibilita estabelecer uma relação entre os fatos e, portanto, fazer parte do processo educacional.5 Em um estudo sobre a violência e a televisão realizado pela Universidade de Michigan entre 1977 a 1979, 5.547 crianças de 6 a 10 anos foram entrevistadas para saber quais seus programas favoritos. Após 15 anos, 329 delas foram abordadas pelos pesquisadores, que concluíram que as crianças expostas a cenas violentas na época tornaram-se mais agressivas na idade adulta. Imagine o que será das crianças que acompanham as “pegadinhas” nas tardes de domingo ou que assistiram às cenas mais violentas da guerra do Iraque. A televisão e o personagem não vêem sozinhos a indústria cultural: soma-se a eles uma série de produtos que invadem o dia-a-dia6 e que tornam os espectadores impotentes, pois não se consegue obedecer e atender a tantos apelos, e por isso tornam as pessoas rebeldes e muitas vezes violentas.

A construção de uma crítica individual: a família e o tempo de decisão O senso crítico é o objetivo principal da educação. A indústria cultural, muitas vezes, com as pressões da moda e consumismo, tolhe a capacidade de os indivíduos emitirem suas opi5 ISTOÉ, 2003. 6 Idem.

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O perfil do aluno

niões e serem eles mesmos. É papel da escola, portanto, assim como da família e da tecnologia, em seu sentido mais amplo, a criação de um espaço necessário para o exercício de fazer conjecturas, de tentativa e erro e de aprendizado a respeito do que é melhor para si em harmonia com o outro. “O ser humano é o único que pode mudar a sua história, pois tem inteligência e criatividade. Basta acrescentar a motivação.”7 Gráfico 3.6. O papel da universidade na formação para o futuro – foco na profissão, educação, obtenção de um diploma e indispensável para o futuro estão na frente da ética.

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003.

Essa fala deve ser entendida como a célula propulsora da interdependência. Se a história é a lógica dos acontecimentos do passado no presente, qualquer transformação possível deve ser processada no momento da aprendizagem. Ou seja, no momento da apreensão da informação, do descobrimento das conexões possíveis e da escolha do melhor caminho. Esse momento é uma ação egoísta, pois só pode ser realizado pelo 7 TIBA, apud KANITZ, 2003.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

indivíduo, mas, por sua natureza interdependente, é influenciado por agentes externos, de acordo com seu maior ou menor grau de compreensão da realidade. Desde cedo as pessoas são levadas a funcionar no ritmo de seus pais, dos meios de comunicação, do trabalho e dos amigos encontrados ao longo da vida. O desafio é encontrar uma forma de conciliar tudo isso, porque a tecnologia presente em todas as relações impõe a impressão de que é preciso fazer alguma coisa, sempre. Tudo sugere velocidade com a lógica produtiva do funcionar. “O tempo”, como diz o cineasta Arnaldo Jabor,8 é uma invenção da produção e essa pressa acaba por tornar-se um véu escuro na percepção das relações de causa e efeito. Essa escuridão leva à perda do prazer, imprescindível para uma aprendizagem saudável, e essa perda é o que causa a impressão de que a vida passou rápido demais.

As tribos Para Michell Maffesoli, sociólogo francês, o mundo está modificando seu pensamento baseado no individualismo da modernidade, da razão e do progresso, para tornar-se tribal, isto é, uma volta aos princípios do prazer e da emoção, criando o que ele chama de “comunidades emocionais”, priorizando o compartilhamento das emoções, formada por relações coletivas de empatia. Segundo Maffesoli, o tribalismo pós-moderno é um movimento planetário, um novo paradigma cultural que se realiza na interação com o outro, marcado com um imaginário dionisíaco da consagração do prazer, entendendo prazer como um estado de satisfação e bem-estar. Essa nova cultura é marcada por uma estética que prioriza o sujeito, criando diversas tribos contemporâneas, como os religiosos, os esportivos, enfim, essas sociedades orgânicas que 8 Informação disponível no site www.geocities.com/cronista arnaldo/virao.htm. Acesso em: 9 nov. 2003.

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O perfil do aluno

possuem personalidade, costumes e comunicação próprios. Há, portanto, a cristalização de objetos em que a cultura se realiza e consubstancia a diversidade. Há quem ache que esse tribalismo corresponde a sociedades fechadas, avessas à integração, sendo orientadas pela busca do direito à diferença por meio do ressentimento e do rancor. Como visto, não há mais espaço para esse tipo de sentimento nas sociedades atuais, pois está sendo assistido um retorno, como acredita Maffesoli, ao humanismo. Nessa onda, o avanço da tecnologia, por mais paradoxal que possa parecer, exerce um papel muito importante, pois, como não conhece fronteira, acaba desvendando que a tribo muitas vezes está a distância, sendo o fator que potencializa as ações sociais e lúdicas de aproximação e compartilhamento de emoções, de convivência e formação comunitária no campo virtual. É o que se chama de cibercultura, que influenciou toda a geração dos anos 1990. Ela é simultânea e tribal, e nela o espaço-tempo está em profunda transformação, porque a história não é mais linear; portanto, é etérea. A mais nova tribo americana descoberta pelo mercado é formada pelos “tweens” (between+teen), ou seja, meninos e meninas entre 8 e 14 anos que são outsiders, isto é, muito velhos para serem crianças ou muito novos para serem adolescentes, correspondendo a um total de 25,8 milhões de pessoas consumindo anualmente cerca de U$ 35 bilhões. Imagina-se que 50% deles são filhos de pais separados, 10% já experimentaram maconha e mais da metade das contravenções cometidas por menores são por jovens nessa faixa etária. Ao contrário de outros adolescentes, eles escolhem sua comida e são mais ousados, sofisticados e bem informados, vêem menos televisão e 74% estão conectados à internet pelo menos uma vez por semana.9 9 DÁVILA, 2002.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Os pais Na abertura deste tópico são apresentados dois panoramas indispensáveis na vida de qualquer ser humano e que, conseqüentemente, o aluno traz de sua vivência com sua família. Gráfico 3.7. Missão ou propósito de vida

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003. Gráfico 3.8. O que você entende por cidadania

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003.

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O perfil do aluno

A morte trágica de um casal de namorados promoveu uma pesquisa, publicada na Revista da Folha,10 que revelou que 90% dos adolescentes entre 14 e 18 anos mentem para os pais e burlam a liberdade vigiada, aumentando a violência. Em contrapartida, outro estudo realizado recentemente com jovens de uma faixa etária mais ampla (de 15 a 24 anos) detectou que a juventude está mais longa; a permanência no convívio com a família dribla o medo da violência das ruas e do desemprego, vira o porto seguro; esses jovens apresentam um perfil mais conservador com relação às drogas e ao sexo, e defendem até o exame anti-dopping nas escolas. Com esse desenho, proporcionar bem-estar a todos exige sabedoria dos pais. Além da história familiar construída com anos de convivência, o pai e a mãe possuem vidas individuais, principalmente numa sociedade em que os dois trabalham fora; afinal, o brasileiro pode considerar que tem duas famílias: a dele e o governo, que, além dos impostos, o faz gastar com saúde, segurança, previdência privada, educação e, dependendo do caso, com alguns antidepressivos. Antes de entender um pouco sobre o educador, é importante fazer uma breve análise sobre a educação (formal e informal) como processo de aprendizado e o perfil da população brasileira, mais especificamente na faixa dos 15 aos 24 anos, segmento que abrange o aluno universitário, em sua maioria. Isso se fará necessário para compreender o quanto educador está comprometido com o resgate da paixão por sua profissão e na construção de uma sociedade mais alfabetizada e solidária.

10 REVISTA DA FOLHA, 2003.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Jovem: um agente de mudança A composição demográfica do Brasil nessa faixa etária teve um aumento expressivo nos últimos anos, e entende-se que esse crescimento é um fator de pressão em outras questões, como acesso a educação, saúde, previdência e empregos. Tabela 3.1 Composição demográfica Grupo etário

masculino

feminino

total

15 a 19 anos

9,0

8,9

17,9

20 a 24 anos

8,0

8,1

16,1

11

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2000 (em milhões).

O IBGE indica que, a partir dos anos 2000, esse segmento deixará de crescer, chegando a uma estimativa de 31,5 milhões de jovens em 2020. Paulo Tenani, PhD pelo Departamento de Economia da Universidade de Colúmbia/Nova York, argumenta que a educação é o único recurso para criar capital humano de qualidade, que, com investimentos e poupança, pode fazer um país crescer de forma sustentada.12 O ensino superior é o meio para desenvolver esse capital, o mais importante espaço de produção científica e tecnologia, processos essenciais para a criação, transferência a aplicação de conhecimento.13 Se o jovem é, por natureza, um agente de mudança, o Brasil precisa se preocupar com as mudanças que podem acontecer nos próximos vinte anos. Na mais recente pesquisa realizada sobre o retrato do jovem brasileiro, a socióloga Helena Abramo explica que o período de “juventude” termina com a capacidade que o indivíduo 11 IBGE, 2004. 12 NASSIF, s.d. 13 UNESCO, 2004.

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O perfil do aluno

adquire de cuidar de si mesmo, mas a pesquisa aponta também que a maior preocupação desse mesmo jovem é a falta de emprego e a violência,14 que por extensão ocasionam a falta de autoconfiança. As instituições de ensino superior precisam trazer para si o papel de desenvolver empreendedores, uma solução inteligente para o problema conjuntural da falta de oportunidade de trabalho. A educação começa no ensino básico e, dos 92% de matriculados que promovem a evolução da análise internacional do desenvolvimento humano, apenas 15% chegam à graduação, seja pela capacidade intelectual da população, seja porque a expansão da oferta de vagas é feita pela iniciativa privada, o que acentua a desigualdade. Em 2001, o ensino público era responsável por apenas 20% das matrículas, que por ironia são preenchidas com alunos de classes mais abastadas que podem estudar em ótimos colégios e passar no vestibular. O objetivo não é discutir políticas públicas, mas, analisando-se a experiência Europa, conclui-se que a solução para a educação no Brasil é investir na valorização do ensino público em todos os níveis, o que significa fazer um acordo que ultrapassa a questão partidária, independentemente do partido que estiver no poder. A linha mestra para a administração e os investimentos nesse campo deverá seguir uma orientação única, de longo prazo não podendo estar à mercê de interesses políticos e financeiros.

Breve perfil educacional A Unesco, entidade internacional ligada à ONU, tem por missão garantir a todos o acesso a uma educação de qualidade. Ela aponta algumas metas fundamentais para atingir esse objetivo. 14 VANNUCHI & VILAS, 2004. Pesquisa inédita que retrata a juventude brasileira.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Entre elas, pode-se citar a preocupação com a educação infantil e primária de boa qualidade e que as necessidades sejam satisfeitas de modo eqüitativo entre os povos. Uma das metas é atingir, até 2015, a melhoria de níveis de alfabetização de adultos, e até 2005 eliminar as disparidades de gênero e melhorar a qualidade da educação, em particular na alfabetização, aritmética e habilidades.15 O Brasil não conseguirá atingir essas metas, visto que a diferença por gênero se ampliou, principalmente na população jovem, colocando as mulheres em vantagem sobre os homens. Além disso, o Brasil é um dos países de maior incapacidade na leitura e operações matemáticas, segundo avaliação pela Unesco, o que o coloca à frente apenas de países como o Peru e a Indonésia. Por outro lado, a escolaridade da população brasileira, verificada pela média de estudo, apresentou melhorias entre 1991 e 2000. Tabela 4.2. Média de anos de estudo da população com 7 anos ou mais, por grupos etários.

Grupo etário

1991

2000

7 a 10

0,8

1,2

11 a 14

3,0

4,1

15 a 17

4,7

6,3

18 a 19

5,6

7,3

20 a 24

6,1

7,4

25 +

4,8

5,8

15 a 24

5,5

7,0 16

Fonte: IBGE, Censos Demográficos 1991 e 2000.

15 UNESCO, 2004. 16 IBGE, 2004.

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O perfil do aluno

No ano de 2000, mais de 18 milhões de jovens entre 15 a 24 anos estavam fora da escola e sem completar o ensino fundamental (cerca de 57%). O afastamento da escola é maior entre os homens e cresce com a faixa etária.

Diversidade e desigualdade Deve-se entender a diversidade não como diferenças raciais ou étnicas entre os povos; afinal, a miscigenação é fato – portanto, não existe mais lugar para esses questionamentos preconceituosos, mesmo que as diferenças entre brancos e nãobrancos sejam significativas. Deve-se direcionar o olhar para as diferenças culturais e sociais que alargam em muito a desigualdade, mesmo sendo o Brasil um país que, desde a época dos portugueses, escreve sua história no encontro de raças e culturas. Cultura, aqui, deve ser entendida por seu lado simbólico. A diversidade deveria ser incluída na lista da ONU como um dos elementos-chave para o desenvolvimento humano, pois deve ser encarada como um organismo vivo e plural, em que os indivíduos reconheçam sua identidade e suas habilidades e tornem-se fonte de expressão, dando corpo ao processo de troca de informações a caminho do conhecimento. A diversidade não deve ser preservada simplesmente, pois entende-se que assim ela não evolui, não interage, fica mitificada e estática, mas deve ser promovida, e é aqui que surge, mais uma vez, a função da escola. “Cabe a ela ser um espaço de descoberta de talentos e de estímulo à curiosidade. Cabe a ela apostar que qualquer um pode.”17

17 DIMENSTEIN, 2003.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Em 2003, o então presidente da França, Jacques Chirac, proibiu, nas escolas públicas da França o uso de véus, quipás e crucifixos, reflexo de uma realidade histórica concreta, portanto nova e desafiadora, e reagiu com a proibição autoritária, vangloriando-se de que, assim, estaria preservando o conceito de república. Na prática, porém, assistiu-se uma atitude padronizada, exemplo de intolerância e incapacidade de aceitar as diferentes formas de encarar o mundo. A escola não pode ser um local de pensamentos reacionários, mas sim um campo fértil para a participação, debates e relação direta com as inovações contemporâneas, que devem enriquecer o ambiente educacional.18 No recente estudo “Metrópoles, desigualdades sócio-espaciais e governança urbana”, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ficou claro que a troca de informações entre as classes sociais é fundamental para o desenvolvimento humano e para a promoção do aproveitamento escolar, pois amplia a noção de que não é a posição social que torna uma pessoa melhor, mas seus valores de vida e sua capacidade de abrir a mente para o novo.19

Radiografia social brasileira A Associação Nacional de Empresas de Pesquisas (ANEP),20 apresenta os dados com base no levantamento socioeconômico do IBGE–2000 para construção da pirâmide que divide o Brasil em termos de “classes sociais”.

18 SOARES, 2004. 19 BOLAN, 2004. 20 www.anep.org.br. Acesso em: 15 fev. 2004.

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O perfil do aluno Tabela 3.2. Classes sociais

Classe

Total Brasil (%)

A1

1%

A2

5%

B1

9%

B2

14%

C

36%

D

31%

E

4%

Fonte: ANEP, Levantamento socioeconômico do IBGE 2000.21

Como visto, 71% da população brasileira está entre as classes C e D, sem contar os 50 milhões de brasileiros que vivem na miséria.22 Se a distribuição de renda é diretamente proporcional à educação, encontram-se diferenças perversas quando estudado o caso brasileiro, que segundo o Banco Mundial, tem uma das cinco rendas mais concentradas do mundo.23 A renda dos 20% mais ricos é 32 vezes maior que a dos 20% mais pobres; pelo 3º Indicador Nacional de Alfa­ betismo Funcional (INAF),24 apenas 25% dos brasileiros entre 15 e 64 anos apresentam habilidades plenas de leitura e escrita; 8% da população nessa faixa etária é analfabeta absoluta, ao passo que 30% têm habilidades muito baixas e 37% podem ser considerados com nível básico de alfabetização.

21 IBGE, 2004. 22 BALL, 2004. 23 Matéria com Cristovam Buarque, Ministro da Educação do governo Lula. OESP, s/d. 24 SOARES, 2004.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

A boa notícia é que esses números se apresentam em queda se comparados aos números dos anos 1960, mas fato é que hoje 59% dos alunos da 4ª série do Ensino Fundamental não possuem habilidades suficientes de leitura compatível ao ano escolar, e 52% não conseguem fazer operações matemáticas simples, apesar dos índices altos de repetência – 25%.25 Segundo o PNUD 2003, o Brasil foi um dos países que apresentaram uma melhora na performance em sua avaliação, passando para da 73ª para a 65ª colocação no IDH, particularmente com os esforços na área da educação, com uma elevação de 80% para 92,9% na taxa de matrículas, ao passo que 21 países recuaram no relatório especialmente nas áreas sociais e econômicas.26 O educador, por sua natureza interdependente, tem responsabilidade sobre os desdobramentos da história de muitas outras pessoas. Dentro do processo vivo que é o sistema de troca de informação, ele pode, por meio de sua experiência, criar formas de estímulo e despertar a curiosidade para ver o conhecimento construir o futuro.

25 LINGUAGENS, 2004. 26 O índice de desenvolvimento humano de 2003 mostra se houve desenvolvimento. ÍNDICE, 2004.

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capítulo 4 O professor “Para que haja uma árvore florida, é preciso ha­ ver antes uma árvore; e, para haver um homem fe­ liz, é preciso haver em primeiro lugar um homem.” (Saint­Exupéry, A cidadela). Ser feliz é a mais ambiciosa aspiração do homem, e é por ela que o ser humano faz escolhas em sua vida. Não se tecerão neste livro analogias sobre felicidade, pois para isso deve­se entrar nas questões da moral, mas discute­se a capacidade do homem de fa­ zer essas escolhas para tornar­se autônomo e utilizar seus saberes para seu desenvolvimento como cidadão e construir uma sociedade mais igualitária. A liberdade é a principal capacidade do homem, que orientado por sua consciência, faz suas escolhas. A inteligência para ter essa responsabilidade necessita de um processo educativo, e a visão interdependente da educação ensina que ela só pode acon­ tecer no plural, ou seja, com a participação de vários agentes. Para uma avaliação da importância do binômio liberdade­ responsabilidade, Viktor Frankl, psicanalista judeu austríaco, que viveu anos no campo de concentração, afirma que: “Não existe uma coisa tal como a liberdade por si mesma. Liberdade é sempre precedida por res­ ponsabilidade; elas estão conectadas uma à outra. É um engano procurar a liberdade sem a atenção à responsabilidade.”1 1 FRANKL, apud GOLDBERG, 2002. Informação também disponível no site www.geocities.com/ Athens/Acropolis/6634/mentira.htm. Acesso em: 15 mar. 2004.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Relação empresa-cliente É vivenciando a realidade que o homem descobre suas capacidades. A experimentação de acontecimentos ou in­ formações é realizada em todos os lugares, por isso ele apren­ de, no seio familiar e na convivência com seus amigos – afinal, sua tribo –, que usa seus ícones e realiza seus rituais. Como a tecnologia cerca sua vida, ele experimenta a vida de todos os outros homens por meio da mídia, torna-se virtual e está em todos os lugares ao mesmo tempo. Muito cedo ele é solicitado a entrar em uma instituição de ensino superior e decidir sobre seu futuro profissional, e muitas vezes isso traz prejuízos pes­ soais de insegurança e sensação de perda de tempo. O professor, aqui chamado de educador, é mais um agente a fazer parte dessa prática educativa, que recebe esse homem, agora chamado aluno, em um quadro de perspectivas instáveis e dramáticas, pois no fundo os alunos precisam de explicações claras sobre o porquê do certo e do errado e, por se sentirem pou­ co seguros, acabam sendo críticos e problemáticos. Portanto, a relação professor-aluno deve (ou deveria) ser realizada de forma mais solidária e enriquecedora, em que ambos sejam objeto e sujeito da construção desse homem autônomo e cidadão. Apesar da visão mercantilista sobre a troca de informação, em que o educador representa a empresa e o aluno, o cliente, é responsável discutir as limitações da vida e incorporar um pen­ samento criativo e de aceitação das diferenças na descoberta das melhores condições de ser feliz. O educador-empresa não pode ser um agente que preserve a dominação, pois, como visto, preservar significa congelar o processo de aprendizagem, que nem pode se transformar apenas num discurso institucionalizado de poder de seu próprio ego. O educador, com seu grupo de alunos, deve buscar seu próprio ritmo, e juntos construírem seus conhecimentos com uma visão 80


O professor

ampla de mundo, sabendo que o bem, ou que a tão sonhada fe­ licidade, não é um padrão definido e definitivo, mas que o dife­ rente pode ser reflexo do novo, num sistema livre e dinâmico. Nesse sentido, o educador-empresa deve conhecer seu cliente (o aluno), pois sua característica orienta o educador a uma troca de informações dentro da realidade de mercado, isto é, daquele aluno em especial. Uma atitude facilitadora, por meio do diálogo diante da experiência pessoal de cada um, proporciona os meios para que os alunos possam optar de ma­ neira consciente e crítica sobre o verdadeiro valor de sua vida, e torná-los aptos no sentido darwiniano da palavra.

A vocação O termo “vocação” tem sido utilizado de maneira simplis­ ta, significando na maioria das vezes apenas a escolha da car­ reira profissional. A vocação, de uma forma mais ampla, e em uma visão antropológica, envolve as facetas da personalidade da pessoa, por meio de sua biografia de realização e de conhe­ cimento de si mesma. A vocação profissional, portanto, deve ser uma das escolhas desse “alguém”, que é único, que não se repete e que constrói valores que lhe permitem responder a quaisquer circunstâncias da vida à procura da satisfação de seus desejos e necessidades. Segundo Frankl, a busca da satisfação ou felicidade deve acontecer de maneira natural, ou seja, deve ser o resultado de um sentido maior, de uma causa que tenha significado e que transcenda a pessoa. Buscar um sentido para cada aconteci­ mento cotidiano naturalmente faz o homem agregar valor aos conhecimentos que constrói. Buscar o sentido ou uma causa talvez seja uma habilidade construída com o tempo, e é sobre ele que recai uma série de problemas, principalmente no imaginário sobre a escolha da 81


O Papel do Educador na Era da Interdependência

profissão. Em pesquisa realizada com alunos da graduação da USP em 1992, sob coordenação da Profª Drª Maria de Lourdes Ramos da Silva, apurou-se que uma porcentagem significativa de alunos não escolheria o mesmo curso se lhes fosse possível voltar ao momento do vestibular. A revista Veja, de 20/08/97, publicou que, dos alunos que entram na faculdade a cada ano, metade desiste do curso. Acredita-se que essa situação não se dê pela falta de infor­ mações ou opções. Soma-se a pressão familiar à forma atual de organização do trabalho: ambos têm exigido uma definição profissional cada vez mais precoce, e faltam a esse indivíduo posicionamento e critérios para tomar tal decisão.

Novos modelos educacionais O profissional do século XXI Diversos autores e pesquisadores trabalham com o tema das características do profissional do terceiro milênio e investi­ gam as habilidades necessárias para enfrentar o ambiente alta­ mente competitivo e com sobrecarga cognitiva, característicos do mercado de trabalho na atualidade. Bernardo Toro,2 vice-presidente da Fundación Social de Relaciones Externas da Colômbia, considera sete habilidades como qualidades mínimas para o cidadão do século XXI; as­ sim sendo, esse profissional deve: 1) saber ler e escrever com desenvoltura, de modo a poder participar ativa e produtivamente da vida social; 2) apresentar a capacidade de fazer cálculos e resolver pro­ blemas, utilizando-a nas necessidades do trabalho e da vida diária; 2 TORO, 2002.

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3) ter a capacidade de analisar, sintetizar e interpretar da­ dos e fatos, de modo a poder expressar seus pensamen­ tos oralmente ou por escrito; 4) ter a capacidade de compreender e atuar socialmente, tendo o direito de receber informação e formação que lhe permita atuar como cidadão; 5) receber criticamente os meios de comunicação, não se deixando manipular como consumidor e como cidadão; 6) apresentar a capacidade de acessar e utilizar, da melhor forma, a informação acumulada, sabendo localizar da­ dos, pessoas e experiências e principalmente saber como utilizar essas informações para resolver problemas; 7) ter a capacidade de planejar, trabalhar e decidir em gru­ po, como saberes estratégicos para produtividade e de­ mocratização do conhecimento. Eduardo Chaves,3 coordenador de um grupo de discussão disponibilizado na internet4 – Rede de Tecnologia e Educação a Distância, apresenta um estudo similar, considerando cinco áreas nas quais se dividem as habilidades que deve ter o profis­ sional do século XXI: 1) A primeira área é identificada como aquela das habi­ lidades relativas à absorção da informação, em que se consideram como importantes as habilidades de leitura dinâmica (leitura com rapidez e compreensão) e desenvolvimento e aprimoramento dos sentidos (aprender a perceber). 3 CHAVES, 2004. 4 Disponibilizado no site: www.edutecnet.com.br. Acesso em: 15 fev. 2004.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

2) A segunda área trabalha com habilidades relativas à aná­ lise da informação, em que o profissional deve apresen­ tar pensamento crítico (aprender a analisar e avaliar a informação, textual, numérica, estatística, gráfica, sono­ ra, visual) e capacidades de raciocínio lógico (aprender a inferir e deduzir). 3) A terceira grande área considera necessárias ha­bi­ lidades relativas ao gerenciamento da informação, em que ter organização pessoal (aprender a organizar e ar­ quivar a informação), ter capacidade de memorização (aprender a reter o essencial na memória) e aprender a acessar a informação (aprender a encontrar o que não é memorizado) são as exigências mínimas. 4) A quarta grande área refere-se à habilidade relativa à transmissão da informação, trabalhando a comunicação, com o sujeito aprendendo a apresentar a informação. 5) A última grande área refere-se às habilidades relati­ vas ao gerenciamento da vida, em que o planejamen­ to (aprender a definir objetivos e metas e as estraté­ gias para alcançá-las) e a capacidade de administra­ ção do tempo (aprender a distinguir o importante do urgente e a priorizar as atividades) desempenham papel fundamental na formação do profissional para o século XXI. Edgar Morin, em estudo produzido para a Unesco,5 com a colaboração de diversos professores universitários, apre­ senta o relatório sobre os sete saberes necessários à educa­ ção do futuro.6 5 UNESCO, 2004. 6 Informação disponível no site: www.mec.gov.br/semtec/ensmed/ftp/artens/ossetesebe.doc. Acesso em: 13 fev. 2004.

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O professor

• I ntroduzir e desenvolver na educação o estudo das carac­ terísticas cerebrais, mentais, culturais dos co­nhe­ci­mentos humanos, de seus processos e modalidades, das disposi­ ções tanto psíquicas quanto culturais que o conduzem ao erro ou à ilusão. • A  supremacia do conhecimento fragmentado de acordo com as disciplinas impede freqüentemente de operar o vín­ culo entre as partes e a totalidade e deve ser substituído por um modo de conhecimento capaz de apreender os objetos em seu contexto, sua complexidade, seu conjunto. • R  econhecer a unidade e a complexidade humanas, reu­ nindo e organizando conhecimentos dispersos nas ciên­ cias da natureza, nas ciências humanas, na literatura e na filosofia, e colocar em evidência o elo indissolúvel entre a unidade e a diversidade de tudo que é humano. • I ndicar o complexo de crise planetária que marcou o sé­ culo XX, mostrando que todos os seres humanos, con­ frontados de agora em diante com os mesmos problemas de vida e de morte, partilham um destino comum. • I ncluir o ensino das incertezas que surgiram nas ciências físicas, ensinando princípios que permitam enfrentar os imprevistos, o inesperado e a incerteza de modificar seu desenvolvimento, em função das informações adquiridas ao longo do tempo. • E  studar a incompreensão a partir de suas raízes, modali­ dades e efeitos, enfocando as causas do racismo, da xe­ nofobia e do desprezo, voltando-se para uma educação para a paz. • E  stabelecer uma relação de controle mútuo entre a so­ ciedade e os indivíduos, pela democracia, e conceber a humanidade como uma comunidade planetária. A educa­ ção deve contribuir não somente para a tomada de cons­ 85


O Papel do Educador na Era da Interdependência

ciência de nossa Terra-Pátria, mas também permitir que essa consciência se traduza em vontade de realizar a ci­ dadania terrena. Javier Pérez de Cuéllar, no relatório da Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento,7 trabalhando de forma diversi­ ficada, em um enfoque sociológico, extrai recomendações se­ melhantes, alertando já em seu início que o desenvolvimento divorciado de seu contexto humano e cultural não é mais do que um crescimento sem alma. Aos professores como participantes desse entorno social são exigidas novas habilidades e delegadas novas responsa­ bilidades que permitam a continuidade de sua atuação como formadores de cidadãos.

Perfil do educador no século XXI O professor José Carlos Libâneo8 considera os tempos atuais como de reavaliação do papel dos professores diante das exigências impostas pela sociedade comunicacional, in­ formatizada e globalizada. Um novo professor deve ser capaz de ajustar sua didática às novas realidades da sociedade, do conhecimento, do aluno, dos diversos universos culturais, dos meios de comunicação. “...o novo professor precisaria, no mínimo, de uma cultura geral mais ampliada, capacidade de aprender a aprender, competência para saber agir na sala de aula, habilidades comunicativas, do­ mínio da linguagem informacional, saber usar os meios de comunicação e articular as aulas com as mídias e multimídias.”9 7 CUÉLLAR, 1997. 8 Informação disponível no site: www.ucg.br/site_docente/edu/libaneo/download.phd. Aces­ so em: 15 fev. 2004. 9 Idem.

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O professor

O autor também destaca alguns pontos, nos quais devem se basear as novas atitudes docentes: • assumir o ensino como mediação: aprendizagem ativa do aluno com a mediação pedagógica do professor; • modificar a idéia de uma escola e de uma prática pluridis­ ciplinares para uma escola, uma prática in­terdisciplinar; • conhecer estratégias do ensinar a pensar, ensinar a aprender a aprender; • persistir no empenho de auxiliar os alunos a buscarem uma perspectiva crítica dos conteúdos, a se habituarem a aprender as realidades enfocadas nos conteúdos esco­ lares de forma crítico-reflexiva; • assumir o trabalho de sala de aula como um pro­cesso co­ municacional e desenvolver a capacidade co­mu­nicativa; • reconhecer o impacto das novas tecnologias da comu­ nicação e informação na sala de aula (TV, vídeo, jogos, computador, Internet, CD-ROM etc.); • atender a diversidade cultural e respeitar as diferenças no contexto da escola e da sala de aula; • investir na atualização científica, técnica e cultural, como ingredientes do processo de formação continuada; • integrar, no exercício da docência, a dimensão afetiva; • desenvolver comportamento ético e saber orientar os alunos em valores e atitudes em relação à vida, ao am­ biente, às relações humanas, a si próprios; • levar em consideração o desenvolvimento crescente de ideologias instrumentais que enfatizam uma abordagem tecnocrática para a preparação de professores e sua atua­ ção nas salas de aula. 87


O Papel do Educador na Era da Interdependência

Apóia-se no argumento de John Dewey de que os progra­ mas de treinamento de professores que enfatizam somente o conhecimento técnico prestam um desserviço, tanto à natureza do ensino quanto a seus estudantes. A sugestão de considerar professores como intelectuais transformadores significa enca­ rá-los como profissionais reflexivos e não simplesmente como “...operadores profissionalmente preparados para efetivamente atingirem quaisquer metas a eles apresentadas ...”.10 Os intelectuais transformadores precisam desenvolver um discurso que una a linguagem da crítica e a linguagem da pos­ sibilidade, de forma que os educadores sociais reconheçam que podem promover mudanças, manifestando-se contra in­ justiças econômicas, políticas e sociais dentro e fora dos am­ bientes educacionais. Antonio Nóvoa,11 frente ao crescente descrédito que atinge o professorado, exige “... uma crítica das teses que procuram erigir os professores em bodes expiatório de todos os males so­ ciais, devendo ser abandonada a visão extrema de um professor ‘salvador-da-humanidade’ ou, no pólo oposto, de um ‘profes­ sor-que-se-limita-a-reproduzir-o-que-já-existe’”, recomendan­ do aos professores que não alimentem utopias excessivas, que se viram contra eles próprios, obrigando-os a carregar nos ombros o peso de grande parte das injustiças sociais. Uma marcante conclusão fecha o estudo das colocações de Nóvoa: “Aos professores pede-se quase tudo, e quase nada se lhes dá, sendo no meio destas contradições que os professores têm de refazer uma identidade profissional, evitando as metáforas do ‘professor10 DEWEY, apud GIROUX. Informação disponível no site www.espacoacademico.com. br/030/30pc_giroux.htm. Acesso em: 15 fev. 2004. 11 NÓVOA, apud SERBINO. Informação disponível no site: www.ronet.com.br/ensinara­ ensinar/Puplica%C3%A7%C3%B5esdejornais.htm. Acesso em: 20 fev. 2004.

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escultor’, do ‘professor-piloto’, do ‘professor-es­ pelho’ e do ‘professor-jardineiro’, adotando em seu lugar as metáforas dos professores como investiga­ dores, como profissionais reflexivos, como experi­ mentadores, como decisores etc.”12 Com essas novas exigências, muitos são ainda os profes­ sores que trabalham em perspectivas reprodutivistas; não se encontram muitos professores especialmente voltados para o desenvolvimento das habilidades intelectuais de seus alunos. Muitos estão à procura de novas relações que impliquem a re­ definição de seu papel, mas devem ser orientados, pois é ne­ cessário que parta do próprio professor a escolha do momento de ruptura, que exige uma formação diferenciada para a atua­ ção dentro de novas perspectivas didáticas.

O método andragógico Família, trabalho, estudo, tecnologia, mídia, enfim, para os jovens as decisões estão sendo solicitadas mais cedo, sem que essas decisões os façam avançar para a idade adulta. Nesse sentido, o educador possui a função de orientar a boa mistura de todas essas fontes de informação, para que possam gerar valores e conhecimentos práticos. A urgência é formar alunos cooperativos e úteis, inseridos em um contexto dinâmico do mundo de trabalho e não só para criar mão-de-obra específica para o processo produtivo. Para isso, a an­ dragogia, como sistema de ensino, torna-se uma ótima sugestão, a partir da aprendizagem centrada no aluno e autogestão da apren­ dizagem, ou melhor, o princípio do “aprender fazendo”. O princípio da andragogia foi pensado no início do sé­ culo XX, mas somente em meados dos anos 1970 Malcom 12 Idem.

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Knowles13 introduziu definitivamente o termo ligado à apren­ dizagem de adultos. Para Kelvin Miller, estudantes adultos retêm apenas 10% do que ouvem, após 72 horas. Entretanto, serão capazes de se lem­ brar de 85% do que ouvem, vêem e fazem, após o mesmo prazo; também observa que as informações mais lembradas são as re­ cebidas nos primeiros 15 minutos de uma aula ou palestra.14 A andragogia é especificamente o ensino dirigido a adul­ tos, e estudantes universitários não são adultos; portanto, as instituições possuem um formato clássico de ensino superior que não deve ser abandonado. Sabe-se que esse aluno está localizado em um tempo de tran­ sição entre suas inseguranças e a posse completa de sua autono­ mia, ou pelo menos no início de sua busca. Nesse momento, é im­ portante que ele receba orientações na construção de seus valores e ideal, que, em última instância, abarcarão o fio que conecta essa aprendizagem com sua qualidade de vida futura. Tornar-se adulto representa o início de uma nova história, que se desliga da dependência biológica e multiplica os rela­ cionamentos como um novo nó autônomo da rede. Por isso, acredita-se ser fundamental a inclusão de métodos lúdicos, que possam gerar atitudes participativas, gerenciamento de crises ou exercício das habilidades. A andragogia traz essa característica de estímulo ao tra­ balho em grupo, fazendo que o aluno saiba utilizar os meios de informação disponíveis e desenvolva um método próprio de apreensão das informações e de como selecioná-las sendo crítico.15

13 Informação disponível no site: http://www.andragogia.com.br/. Acesso em: 28 mar. 2004. 14 CAVALCANTI, 2004. 15 SILVA, 2003.

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O quadro a seguir dá uma visão de como o aluno gostaria que as aulas fossem ministradas. Percebe-se que o professor tem de estar interligado com o mundo fora e dentro da institui­ ção para atender a tamanha diversidade de interesses. Gráfico 4.1. Aplicabilidade da aula – Pedagogia e andragogia em ação

Fonte: “O respeito à diversidade na era do conhecimento”, 1999 a 2003.

Atualização e aperfeiçoamento constante Nesses tempos em que se tem informação “em excesso”, o educador não pode continuar com o papel de “possuidor” do conhecimento com a tarefa de transmiti-lo simplesmente, pois essa capacidade é realizada com mais eficácia por outros meios. Ele ainda conviverá com uma nova geração de adultos que têm a sua disposição todos esses meios de forma ubíqua, além de os relacionamentos serem virtuais. A tecnologia já enredou esse aluno; portanto, o educa­ dor precisa acompanhar as mudanças nesse campo, para que possa acompanhar o restante do grupo. Se hoje o aluno, como visto na pesquisa, ainda utiliza pouco o computador e a internet para receber informações, essa realidade mudará 91


O Papel do Educador na Era da Interdependência

com o passar do tempo. Portanto, o educador, ao orientar seus alunos, deve ter consciência de que é parte deles e de que formam uma equipe em que ele exerce sua liderança por ser o mais experiente.

O professor: o indivíduo e seus valores “Um dia uma mãe levou o seu filho para Mahatma Gandhi com a queixa de que seu filho comia muito açúcar (...) Mahatma Gandhi escutou todas as queixas da­ quela mãe e disse-lhe: volte daqui a uma semana. (...) Depois de uma semana ela retornou. Mahatma Gandhi chamou esta criança e disse: veja meu menino, você não deveria comer tanto açúcar porque isto faz mal para você. E a criança concordou. A mãe então ficou surpresa e disse: o que será que aconteceu que Mahatma Gandhi falou apenas duas sentenças e a criança já concordou e eu não fui capaz de convencer meu próprio filho?, e porque ele não falou estas duas frases na semana anterior? Ela agradeceu, mas não conseguiu dei­ xar de perguntar-lhe porque não dissera estas duas sentenças a seu filho na semana passada? Ao que Mahatma Gandhi respondeu: Sabe mãe, na semana passada eu também estava comen­ do muito açúcar. Então nesta semana eu tive que fazer este esforço para mudar este hábito e também deixar de comer açúcar, agora eu posso falar vindo do meu coração. Eu poderia ter falado a mesma coisa na outra semana, mas a minha consciência iria morder porque eu estava falando para a criança não comer açúcar quando eu mesmo comia. 92


O professor

Quando nós estamos falando desta questão de valores, as palavras não deveriam vir da garganta apenas, mas elas deveriam vir do nosso coração. E as palavras só virão do seu coração quando você estiver experimentando aquilo na sua vida.”16 O educador participa de um momento que se pode chamar de “crise” na vida de seu aluno, termo para descrever uma situação conturbada e na qual se precisa fazer escolhas. É errado imaginar que apenas com discurso o aluno será orientado para sua transfor­ mação. Não! O discurso precisa ser praticado, comprometido e, portanto, apoiado em seus próprios valores e saberes.

A mídia: o corpo fala O educador é uma mídia que passa informação e orienta a realização de conexões de várias formas interdependentes. A primeira é por meio de suas palavras, em que a dificuldade está nos diferentes graus de abstração e sentido que a mesma pala­ vra pode ter. O significado das palavras não está nelas mesmas, mas nas pessoas,17 e soma-se a isso o excesso de informação disponível. O desafio é fazer-se entender. A segunda forma é tudo aquilo que não é palavra, em que o significado está nele mesmo, no corpo, pois os movimentos do corpo podem expressar emoções, seja de forma involuntária ou planejada, e desencadear interações interpessoais, com simbo­ lismo próprio, dependendo do local ou da tribo específica. Os valores de uma pessoa estão em seu corpo, em cons­ tante transformação, e a cada momento é completado por algo novo, mas que representa o que se é.

16 JAUKY, s.d. 17 ALVES, 2003.

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capítulo 5 A tecnologia a serviço da educação Resultado da pesquisa Após entender como funciona a relação de interdependência dentro do processo educacional e o perfil dos agentes dessa relação, chega-se a um esquema parecido com um sistema nervoso. Figura 5.1. Interdependência nas relações entre professor e aluno mídia

tecnologia trabalho

família ALUNO tribo

EDUCADOR escola

valores

O aluno, como visto, é um campo minado de perguntas e carente de respostas, dentro de um quadro indefinido sobre as possibilidades do futuro. Para o futuro, após toda a história comentada ao longo do desenvolvimento deste trabalho, o jovem precisa adquirir aptidões lucrativas, ou seja, ser empreendedor e conservar boa saúde e boas condições físicas. Deve conhecer os direitos e deveres do cidadão em uma sociedade democrática e compreender a importância da família para o indivíduo e a so94


A tecnologia a serviço da educação

ciedade. Saber o que consumir e como utilizar, inteligentemente, as mercadorias e serviços a sua disposição e compreender a influência da ciência sobre a vida humana. Além disso, esse jovem precisa desenvolver o prazer pela literatura, arte e música e ser capaz de aproveitar as horas de lazer para seu descanso profundo e reconfortante. É importante que ele saiba, com bom senso, organizar suas contas, respeitar as outras pessoas e utilizar a tecnologia para criar um estilo próprio e interagir, de forma sadia, com o excesso de informação. Esse público não é tão digital quanto parece, pelo menos não para fins educativos. Ele é incluído, pois tem acesso a um computador e à Internet, sabe mexer com a máquina, a utiliza como depositário de informações e está com ela em todos os lugares – no trabalho, em casa, na faculdade –, mas não sabe utilizar todos seus recursos para buscar conhecimento. Esse é um aluno. Um educador possui de 50 a 1000 alunos em média, que são diferentes uns dos outros. Pode ter relacionamento com mais de uma instituição de ensino, o que significa adaptar-se a mais de uma forma de estilo organizacional, e ainda ministrar cursos diferentes em conteúdo e didática. Só por essas razões tem-se a consciência de que a tecnologia é a mágica para que o educador possa fazer esses desdobramentos sem perda de qualidade, e é nesse momento que surgem os problemas, os sistemas e as soluções.

Proposta de aplicabilidade O principal problema é que o uso da tecnologia é muito recente, e mais recente ainda no setor da Educação. Os educadores, pelo menos a maioria, que por natureza se realizam muito mais nos trabalhos intelectuais, deixam a desejar no tópico “utilização da tecnologia” se comparados aos alunos. Claro, a Internet como é conhecida existe há menos de 10 anos, e o computador com sistema Windows, pensado especialmente para ser 95


O Papel do Educador na Era da Interdependência

utilizado por pessoas comuns, isto é, com conhecimentos básicos de informática, existe há pouco mais de 20 anos, idade de muitos jovens alunos das universidades brasileiras. Outro fator, e talvez o mais grave problema a ser solucionado, é a questão do tempo do educador que se dedica integralmente ao ensino, assim como os educadores que exercem atividades profissionais diferentes, incluídos principalmente nas áreas de matérias específicas. Esses profissionais educadores, com a entrada da tecnologia no negócio da educação, descobriram que a dificuldade está em conciliar a produção intelectual (afinal, produto vendido pela faculdade e pelo qual ele recebe) com a produção tecnológica (absolutamente necessária para sua capacidade e qualidade de ensino), mas que de forma até contraditória exige mais tempo para sua operação, que por análise lhe diminui o ganho médio pelas horas dedicadas àquele grupo específico de alunos. A análise perante o quadro de situações explanadas neste trabalho é de que a inapetência para o uso da tecnologia na educação pertence a todos os agentes: ao meio que impõe a tecnologia em todos os setores da economia, ao aluno que não a utiliza para buscar informações, ao professor que não tem muito tempo para interagir com ela e, portanto, a subutiliza, e por fim à instituição, que deveria priorizar uma estrutura tecnológica de ponta e eficaz. Ao contrário de problemas, encontram soluções próximas e simples, comprovando que o uso da tecnologia para os agentes da educação deve ser um conjunto de pequenas ações de todos ao mesmo tempo, que são, por conceito, pequenas partes de um todo.

Sistema de gerenciamento de conteúdo em websites

Figura 5.1. Logotipo do site 123pronto!

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A tecnologia a serviço da educação

123pronto!® é o nome de um sistema para o gerenciamento do conteúdo de websites desenvolvido pela Intercode – Cybermedia Tecnologia em Soluções Ltda, em que o editor/ publicador não precisa conhecer linguagens específicas, como HTML; ele precisa apenas ter conhecimentos básicos de informática e acesso à internet para poder trabalhar no conteúdo de um website. O aspecto que diferencia o sistema 123pronto!® de outras formas de construção de site, além de ser um sistema modulado, cheio de possibilidades à disposição do usuário, é seu método de publicação na internet do conteúdo do site. A característica principal desse sistema é seu imediatismo, ou seja, suas alterações são realizadas e automaticamente, em apenas um clique, as informações estão na Internet à disposição dos alunos, sem a interferência. Imagine que, 15 minutos antes da aula, o educador pode incluir qualquer informação no site ou excluí-la dele. Além disso, o sistema possibilita filtrar e medir o tempo de navegação e trabalhar para o controle e avaliação dos alunos. Se hoje o educador do ensino superior precisa mesclar a pedagogia com a andragogia, como visto, esse software possibilita a disponibilização de quaisquer conteúdos, seja em forma de texto para simples leitura ou para atividades interativas; esse é um primeiro passo para uma relação interdependente entre educador e aluno. O 123pronto!® é um software, desenvolvido pela Intercode, para atender às necessidades de gerenciamento de conteúdos em websites para intranet, extranet e internet. Seu desenvolvimento aconteceu com um planejamento inicial de disponibilizá-lo de duas formas básicas, a saber: • N  o formato de Licença de Uso instalada nos servidores da Intercode, sendo utilizado o banco de dados Ora­cle da Intercode e hospedagem na Intercode com acom­panhamento 97


O Papel do Educador na Era da Interdependência

de Domínio, DNSs, e-mails e relatórios esta­tísticos de tráfego e acesso às páginas (Web Trends). • No formato de Licença de Uso compilada e instalada no servidor do Cliente, sendo utilizado o banco de dados do Cliente, que pode ser Oracle ou MS-SQL. Nos dois casos se trata de prestação de serviço com contrato de licença de uso e está contemplada a utilização de layouts e templates existentes, nos quais só é necessária a produção do site. Ainda é possível que se solicite a criação de layout exclusivo. Além disso, para atender aos updates de software e manutenção do sistema, está contemplado o suporte mensal, com contrato anual. A seguir, uma descrição do sistema e suas funcionalidades: O sistema possui um layout básico e fixo que chamamos de Layer 0 (camada zero). Essa camada é criada e produzida pela Intercode. É o que chamamos de conteúdo estático e só pode ser alterado pela Intercode. Entenda-se, aqui, a criação e produção dos cabeçalhos, menus, barras da direita e rodapés. Além disso, resta o conteúdo – vamos chamar de central – que poderá ser gerenciado pelo Cliente. Para o gerenciamento desse conteúdo são criados formatos de páginas – Layer 1 – com layouts pré-preparados de páginas específicas, ou ainda páginas com as formatações, abaixo: • 1 coluna de 100%; • 2 colunas de 50% cada; • 3 colunas de 33% cada; • 2 colunas, 1 de 66% e 1 de 33%; • 2 colunas, 1 de 33% e 1 de 66%; Além dessa formatação colunar, em cada uma das colunas podem ser adicionados Blocos de Conteúdo com as mais 98


A tecnologia a serviço da educação

diferentes formatações, com ou sem cabeçalhos, com ou sem imagens, à direita ou à esquerda. Em uma coluna, limpa, sem bloco de conteúdo, ou no próprio bloco, podem ser incluídos: • T  extos com todo o tipo de formatação, obedecendo às normas HTML e as fontes mais recomendadas para a Internet. • T  abelas, com controle total de tamanho, bordas, cores etc. • Imagens, que devem ter sido tratadas anteriormente. • T  extos ou imagens que podem receber links para páginas do site ou para outros sites. • GIFs animados. • F  lash Presentation (nesse caso, depende de programação feita pela Intercode). • Blocos de Itens Especiais, como enquetes. Funcionalidades: o 123pronto!® foi construído con­tem­plan­ do três níveis de gerenciamento, a saber: • A  dministrador: nesse nível é possível controlar todo o site, inclusive com o controle de usuários de publicação e edição. • P  ublicador: não tem os privilégios do Administrador mas pode editar e publicar os conteúdos e páginas. • E  ditor: só pode editar conteúdo e páginas mas não pode publicar, tendo de solicitar isso a um Publicador ou Administrador do site. Todas as operações executadas em um site são armazenadas em um LOG de operações que pode ser consultado pelo Administrador. • B  iblioteca de conteúdos: o 123pronto!® disponibiliza uma biblioteca de conteúdos em que o usuário poderá 99


O Papel do Educador na Era da Interdependência

criar blocos de texto de todo tipo e gravá-los na biblioteca, passando a ter esses blocos disponíveis, e prontos, para serem incluídos em qualquer página de seu site. Cada vez que o conteúdo desse bloco for alterado, ele será alterado automaticamente em todas as páginas. • Criar pastas para distribuir melhor as páginas durante o gerenciamento do site. • Criar páginas dentro da pasta principal ou na pasta desejada. • Editar as propriedades da página, como título e nível de acesso, se for página de acesso restrito. • Criar página de acesso restrito com até cinco níveis de usuário-visitante. • Movimentar blocos, para cima ou para baixo, dentro da mesma coluna. • Inserir blocos. • Excluir blocos. • Editar blocos. No gerenciamento do conteúdo, cada bloco de conteúdo poderá ser controlado no que tange à quantidade de texto e tamanho do bloco, isto é, pode haver restrição. Novas features e funcionalidades estarão sempre sendo disponibilizadas. No caso dos sites hospedados na Intercode, as novas funcionalidades são sempre tornadas disponíveis automaticamente. Nos casos dos sites hospedados no próprio Cliente, as funcionalidades são distribuídas após a publicação na Intercode, em período apropriado. O capítulo a seguir traz um case no qual se pode verificar passo a passo como esse sistema facilita a vida do educador e, conseqüentemente, trazer ao aluno maior interesse. 100


capítulo 6 Case: o site do professor Valdir Cimino Figura 6.1 Estrutura do site

Aspecto institucional – professor • Formulário para solicitações de equipamentos (utilizado para relacionamento com a instituição). • Disponibilização de dados pessoais e outras atividades. 101


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Aspectos pedagógicos • Haverá um espaço reservado para o aluno, em que ele apresentará o planejamento pedagógico de aplicabilidade das aulas do curso. Figura 6.2 Aspectos pedagógicos

Pasta do aluno Para que o aluno tenha acesso ao conteúdo e participe das atividades promovidas pelo professor, ele terá de se logar utilizando endereço eletrônico e numero de matrícula previamente cadastrados pelo professor. Nesse processo o software emitirá um relatório mensal, em que será rastreado o tempo de participação nas atividades solicitadas. 102


Case: o site do professor Valdir Cimino Figura 6.3 Pasta do aluno

Conteúdo metodológico da matéria Programação das aulas • Apresentações e exercícios, que poderão ser alterados e atualizados conforme a necessidade ou fatos da atualidade. • Bibliografia, webgrafia e avaliação. Figura 6.5 e 6.6 Programação das aulas

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Aspectos andragógicos Com o objetivo de satisfazer as necessidades dos alunos e fazer que sejam mais participativos e interessados na matéria, de comum acordo com a instituição, no ato da matrícula ou na renovação do semestre, o professor terá de cadastrar previamente sua nova turma, e nesse ato poderão ser realizadas as seguintes ações: • Convidar o aluno para conhecer a web do professor (virtualmente) e o conteúdo da matéria que ele irá conhecer. • Aplicar a pesquisa: “O respeito à diversidade na era do conhecimento” – preparação para a primeira aula presencial. • Com o apoio da instituição, convidar interessados para a seleção de um monitor, que passará a auxiliar o professor na atualização do conteúdo da web e, conseqüentemente, será o motivador junto à classe – um primeiro passo para um relacionamento interdependente entre aluno, professor e instituição.

Outros aspectos andragógicos • Artigo Nota 10 – Espaço para os melhores trabalhos e, conseqüentemente, espaço para opiniões de outros alunos. • Espaço para envio de relatórios sobre as palestras dos professores convidados. • Fóruns, chats e filmes. Figura 6.7 Outro aspecto andragógico

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Case: o site do professor Valdir Cimino Figura 6.8 Outro aspecto andragógico

Atualização da web – www.123pronto.com.br Como se fosse um espelho da página que está no ar, o professor e seu monitor poderão atualizar em tempo real praticamente todo o conteúdo, lembrando que o monitor ficará com o status de editor e o professor, após revisão, em um simples clique colocará a atualização no ar. A seguir, um passo-a-passo dessa atualização: Figura 6.9 Logo 123 Pronto!

Olá, A seguir você vai poder acompanhar, em 10 passos, como gerenciar o conteúdo das páginas pelas quais você é responsável. Desde como se logar no 123pronto! até publicar o conteúdo. 105


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Além disso, conte conosco para qualquer dúvida ou necessidade que você possa ter. Nosso suporte está a sua disposição: suporte@intercode.com.br. Logar: A figura abaixo apresenta a tela que você vai usar para se logar após ter acessado o site. Digite seu Login e Senha e clique em Login. Figura 6.10 Login e senha

Logo após se logar você receberá a tela abaixo, Fig. 6.11, e deve clicar no website que vai gerenciar o conteúdo. No exemplo a seguir só há o website da SUCOM, mas poderia haver outros, então deve-se clicar no nome do website desejado, ao lado da pastinha amarela. Figura 6.11 Escolher o website

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Case: o site do professor Valdir Cimino

Após escolher o website aparecerá a tela abaixo, da Fig. 6.12, e nela é possível visualizar todas as pastas (diretórios) que o website possui. Encontre a sua pasta usando a barra azul de scroll e, se a pasta não estiver apresentando suas páginas, clique no link do título da pasta e ela se abrirá, apresentando as páginas. Figura 6.12 Pastas (diretório) do Website

A Fig. 6.13 já apresenta uma pasta (diretório) aberta. As colunas são auto-explicativas; não se preocupe com as colunas Acesso e Obrigatório, que são colunas da Administração do website. Então, selecione a página da qual deseja gerenciar o conteúdo clicando no “botãozinho” redondo que está vazio à esquerda do título da página. Figura 6.13 Selecionar uma página

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O Papel do Educador na Era da Interdependência

Após ter escolhido a página desejada, você verá que na barra cinza acima da lista de pastas / páginas irão surgir vários ícones e, para gerenciar sua página, você vai clicar em Abrir, conforme a Fig.6.14. Figura 6.14 Abrir uma página

Conhecer e visualizar: O exemplo da, Fig.6.15 mostra o cabeçalho que você sempre verá em todas as páginas que estiver gerenciando. De cima para baixo e da esquerda para a direita, temos: • Título da Página e Data e Hora da Publicação. • A URL (Uniform Resource Locator), isto é, o endereço da página no website. • As quatro abas de pastas em que você pode Visualizar sua página, Editar, Publicar e Fechar. Quando você está dentro do 123pronto!, é possível visualizar sua página de duas maneiras: • dentro da página do 123pronto! ou • clicando na URL e vendo dentro de uma página normal no Internet Explorer. 108


Case: o site do professor Valdir Cimino

Para visualizar sua página dentro do 123pronto! deve-se clicar em Visualizar; para ver como ela está editada no Internet Explorer, deve-se clicar no link ao lado da sigla URL. A diferença é que, ao clicar na URL, você verá a página dentro da janela do Internet Explorer com o cabeçalho da Globo.com, que é a maneira real. Figura 6.15 Conhecer e visualizar

A Fig.6.16 apresenta a visualização da página dentro do 123pronto! Figura 6.16 Visualização e padrões

É importante notar que existe um padrão de formatação; o cabeçalho (header) é sempre o mesmo; o menu lateral esquerdo é sempre o mesmo; e em sua página sempre existem as áreas de caminho no Site e Título, bem como os Subtítulos ou Submenus Horizontais inerentes à página. 109


O Papel do Educador na Era da Interdependência

É importante também pensar que, se você criar todo o conteúdo pela primeira vez na internet e depois passa o mesmo conteúdo com a mesma formatação para outras plataformas, estará ganhando tempo e mantendo o padrão internet em todos seus documentos. Bem, isso é só uma recomendação. Área de Edição / Blocos e Colunas Na Fig. 6.17 poderão ser conhecidos os ícones disponíveis para: • Inclusão / Edição / Deleção / Movimentação Vertical. • Incluir um bloco abaixo daquele que você deseja, clique no . • Editar um bloco, clique no • Deletar um bloco, clique na

. .

• Movimentar blocos para cima ou para baixo clique em ou . Os blocos são incluídos com uma até três colunas, para que você possa formatar seu conteúdo da melhor maneira. Figura 6.17 Conhecendo os ícones do 123 Pronto!

110


Case: o site do professor Valdir Cimino

As figuras 6.18, 6.19, 6.20 e 6.21 apresentam a edição dos Blocos Cabeçalho, Submenus, Conteúdo e Rodapé: Figura 6.18 Editando o cabeçalho

Figura 6.19 Editando os submenus

111


O Papel do Educador na Era da Interdependência Figura 6.20 Editando o conteúdo

Figura 6.21 Editando o rodapé

112


Case: o site do professor Valdir Cimino

Criando uma nova página: Para criar uma página nova, sem conteúdo, deve-se clicar em Criar Página. Em outra oportunidade será explicada a maneira de criar pastas, mas isso é atribuição do administrador do website. Figura 6.22 Criar página

A Fig. 6.23 apresenta a tela em que deverão ser inseridos os dados referentes à página e à pasta em que essa página vai ficar, bem como o nível de acesso dessa página – se restrita ou pública. Deve-se escolher o título correto, porque é aquele que aparece na barrinha azul superior do Internet Explorer. O nome do arquivo deve ser o mesmo do título, mas em minúsculas, com as palavras ligadas por _ e sem espaços, sem acentos, sem caracteres especiais e sem extensão, porque o sistema já coloca o .php. 113


O Papel do Educador na Era da Interdependência

Escolha em que pasta a página vai ficar e o nível de acesso. Nível 0 (zero) é o padrão. Se precisar criar página de acesso restrito, fale com o Administrador do Sistema. Por fim, escolha a página de uma ou de duas colunas e clique em Incluir Página. Figura 6.23 Criando a página

A página, após sua criação, aparece na pasta escolhida e com data de criação e sem data de publicação.

114


Case: o site do professor Valdir Cimino Figura 6.24 Pรกgina criada

Figura 6.25 Pรกgina vazia com uma coluna criada

115


O Papel do Educador na Era da Interdependência

Criando um bloco: Clique em

para incluir um novo bloco. Figura 6.26 Criar novo bloco

Aqui deve-se escolher o tipo de bloco que será utilizado para seu conteúdo. Figura 6.27 Escolher tipo de bloco

116


Case: o site do professor Valdir Cimino

Editando um bloco: Clique no

para editar o bloco. Figura 6.28 Bloco criar-editar

A Fig. 6.29 apresenta a tela de Edição (HTML Editor). Aqui deverá ser incluído seu conteúdo. Figura 6.29 Editorando o conteúdo

117


O Papel do Educador na Era da Interdependência

Escolha o tamanho do corpo de letra: Título = 3 / Subtítulo ou Submenu = 2 / Texto = 1 Figura 6.30 Tamanho de texto

Escolha a fonte da letra. Para o SUCOM = Arial Figura 6.31 Fonte (letra)

118


Case: o site do professor Valdir Cimino

Pode-se escolher algum template, isto ĂŠ, bloco prĂŠ-definido. Figura 6.32 Escolher template

Figura 6.33 Itens especiais

119


O Papel do Educador na Era da Interdependência

Inserindo links, imagens e arquivos A figura 6.34 apresenta a tela na qual você vai escolher uma página ou arquivo para download ou uma imagem a ser apresentada. Em geral se usa Abrir na Mesma Janela para manter a navegação em janela única. Figura 6.34 Criar link

A figura 6.35 apresenta a tela de seleção ou inserção de imagem no bloco de conteúdo. Note as abas cinza e preta, em que você pode optar por escolher uma imagem que já esteja no servidor ou enviar uma imagem para o servidor e, em seguida, usá-la. Importante: uma imagem deve ser tratada para uso na internet. Peça instruções ao Administrador do website. 120


Case: o site do professor Valdir Cimino Figura 6.35 Escolher imagem (figura)

Figura 6.36 Enviar nova imagem

VocĂŞ tambĂŠm pode utilizar os menus na janela do 123pronto! para subir imagens. 121


O Papel do Educador na Era da InterdependĂŞncia Figura 6.37 Administrar imagens

Figura 6.38 Administrar arquivos

122


conclusão Se fosse possível imaginar uma sociedade em que não houvesse suporte para a transmissão de informações, as palavras poderiam ser aplicadas no corpo dos educadores, tatuadas na pele, por exemplo; assim, as palavras caminhariam pela história com responsabilidade de promover o debate e proporcionar a descoberta de uma visão plural de possibilidades, e orientar na busca do melhor caminho para se fazer a escolha certa, isto é, que satisfaça, mas que seja sem preconceitos e em tempos mais justos e humanos. A crise que gera o inconformismo e, portanto, a violência no sentido mais banal da palavra vem do imaginário de que é o avanço tecnológico e o marketing que criam necessidades e desejos – o primeiro, por excluir os ignorantes; o segundo, por difundir um sistema baseado na desigualdade social, mitificado pelo conceito da diversidade. A dificuldade está na quebra do paradigma do conceito de independência e em parar de acreditar que os acontecimentos acabam em si mesmos. A consciência é perceber que todos os acontecimentos são uma sucessão em uma relação de causa e efeito, e essa percepção faz cair por terra o conceito de independência, pois transforma o todo que encerra um único acontecimento em uma simples parte, não menos importante; afinal, um movimento seu interfere em todas as outras, portanto, interligadas. A tecnologia nessa hora exerce seu papel interferindo na velocidade dos acontecimentos, ou seja, na transmissão de informações pelas interligações com a família, os amigos, a mídia, a escola e a própria tecnologia, resultando no aumento drástico da quantidade delas, além do aumento, em nível planetário, de seu alcance. 123


O Papel do Educador na Era da Interdependência

Por outro lado, essas informações precisam ser selecionadas, cabendo ao receptor da informação descartar o que não o satisfaz, assumindo-se como vítima da sociedade de consumo, deixando espaço para o novo e o incerto. Também cabe a ele, e em equilíbrio, apreender o que é bom e transformar essa informação em conhecimento, conservá-lo num sistema aberto e dinâmico que aceita a incerteza como motivação e criar um ambiente seguro que respeite os valores individuais e coletivos, desenvolvendo a responsabilidade de fazer escolhas positivas. Lembramos Piaget em como se dá o conhecimento e, portanto, o desenvolvimento pessoal e senso crítico da pessoa. Se no futuro o acesso à informação não será mais um problema e tema de desigualdades, e se a escola será ubíqua, tendo o entretenimento como ferramenta no processo de aprendizagem, resta entender a terceira parte desse triângulo, que é o elo humano que se impõe e determina como deve ser feito o uso da tecnologia a favor da educação. Após analisar os resultados da pesquisa, conclui-se que a união de esforços entre / e por parte do educador, da instituição e também do aluno pode iniciar um movimento de construção de um novo relacionamento da educação com a tecnologia. Por parte do educador, cabe saber usar a tecnologia, e para isso deve-se investir em conhecimentos nessa área como parte de sua educação continuada. Além disso, cabe-lhe também utilizá-la a seu favor, e melhor administrar seu tempo. O tempo é o problema de todos os agentes, entendendo-se problema como uma situação que precisa ser resolvida, e não necessariamente uma situação ruim, como é usual caracterizar o conceito da palavra “problema”. Uma análise realizada pelo ângulo estratégico do negócio da educação encontra uma oportunidade ímpar para a instituição re124


Conclusão

solver o tal problema do tempo dos educadores, construindo uma rede de informações e uma produção intelectual desenvolvida em sala de aula, estimulando a produção conjunta, entre educador e alunos, de ciência, de descobertas de novos caminhos, igualandose à excelência reconhecida na produção técnica. A solução passa longe de sistemas de LMS complexos e onerosos. A idéia resume-se em a instituição proporcionar aos professores interessados, como um provedor, a hospedagem dos sites pessoais de cada um, de preferência com extensão “.pro. br”. Como complemento, poderiam ser disponibilizados a utilização do sistema 123pronto e o apoio tecnológico na produção dos sites por meio do esquema de monitoria, ou seja, alunosmonitores participarão da implantação e da manutenção dos sites e irão receber, além da bolsa-monitoria a ser definida e do treinamento tecnológico, a possibilidade de conviver com a produção intelectual do educador e interagir com informações e conhecimentos importantes do tema específico, fundamental para seu desenvolvimento profissional. É um jogo de ganha-ganha. Entende-se que esse aluno, ao ganhar informação e conviver diretamente com a prática da comunicação, por sua vez, participará do processo como multiplicador por meio de sua natureza interdependente, da interação saudável e da dinâmica da busca de conhecimento, vendo esses elementos aplicados na construção de uma personalidade própria, com uma visão de sociedade mais justa.

125


anexo I Pesquisa: O respeito à diversidade da era do conhecimento • Esta pesquisa tem por objetivo primeiro analisar informações que permitam traçar o perfil do conjunto de egressos no período de graduação e ouvir os cidadãos que atuarão na transformação social do Brasil por meio do conhecimento. • O segundo objetivo suprirá dados para o trabalho “O respeito à diversidade na era do conhecimento”. • Para que a meta seja alcançada, é importante sua participação. • Procure responder de forma individual, conscienciosa e independente. A fidedignidade de suas respostas é fundamental. • Em cada questão de livre escolha marque apenas uma resposta, ou seja, aquela que melhor corresponde a suas características pessoais, às condições de ensino vivenciadas por você e a suas perspectivas para o futuro. • Os dados obtidos serão sempre tratados estatisticamente de forma agregada, isto é, segundo grupos de indivíduos. • Não haverá tratamento e divulgação de dados pessoais. São Paulo, agosto de 2003. 126


Anexo I

1) Em relação aos resultados, você gostaria de receber o resultado? A

Sim e-mail: Não

2) Quem é você? A Quantos irmãos você tem: B Como você se considera:

Branco Negro Amarelo – Origem oriental

C Trabalha?

Pardo-Mulato Indígena.

Sim

Setor: Sua função: Cite três necessidades realizadas com o ganho dessa ação: 1. 2. 3. Não Quem financia seus estudos:

D Qual meio de transporte mais utilizado por você para chegar a sua instituição de ensino?

Carro próprio Bicicleta Outro Moto própria A pé Carona com amigos e vizinhos. Transporte coletivo (ônibus, trem, metrô)

E Você é beneficiado por algum tipo de bolsa?

Sim – descrever o parceiro da bolsa: Não

. 127


O Papel do Educador na Era da Interdependência

F Qual é o grau de escolaridade de seu pai?

Nenhum Ensino fundamental incompleto – até a 4a série. Ensino fundamental completo – até a 8a série. Ensino médio completo. Superior.

G Qual é o grau de escolaridade da sua mãe?

Nenhuma Ensino fundamental incompleto – até a 4a série. Ensino fundamental completo – até a 8a série. Ensino médio completo. Superior.

H Em que tipo de escola você cursou o ensino médio? I

Todo em pública. Todo em escola privada. A maior parte do tempo na pública. A maior parte do tempo na privada. 50% em cada. Que tipo de curso de ensino médio você concluiu? Comum ou de educação geral, no ensino regular. Técnico (eletrônica, contabilidade, agrícola etc.). Magistério de 1a a 4a séries (Curso Normal), no ensino regular. Supletivo. Outro curso

J Que meio de comunicação você mais utiliza para se manter atualizado sobre os acontecimentos do mundo contemporâneo? 128

Jornais. Revistas.

Rádio. Internet.

TV.


Anexo I

L Nos últimos 12 meses, quantos livros você leu, excetuando-se os livros escolares? Seis ou mais Um. Dois a três. Quatro a cinco Nenhum. Cite três títulos e seus autores: 1. 2. 3. M

Cite três títulos de revistas que você lê: 1. 2. 3.

N

Cite até três emissoras de rádio de sua preferência: 1. 2. 3.

O

Quando você costuma ler jornais? Diariamente. Duas vezes por semana. Somente aos domingos. Cite até três títulos que você lê: 1. 2. 3.

Raramente. Nunca.

P Quanto tempo diariamente você dedica assistindo a televisão: Durante a semana Manhã Tempo: Tarde Tempo: Noite Tempo: 129


O Papel do Educador na Era da Interdependência

Fins de semana Manhã Tempo: Tarde Tempo: Noite Tempo: Cite três programas que você prefere: 1. 2. 3. Cite três programas que você não recomendaria: 1. 2. 3. Q Quantas vezes por mês você costuma ir ao cinema?

Seis ou mais.

Dois a três.

Quatro a cinco.

Um.

Nenhuma.

R Quantas vezes por mês você costuma ir ao teatro? Seis ou mais. Quatro a cinco. Dois a três. Um. Nenhuma.

S Outra língua?

S1 Como é seu conhecimento de língua inglesa?

130

Leio, escrevo e falo bem. Leio, escrevo e falo razoavelmente. Leio, mas não escrevo nem falo. Praticamente nulo.


Anexo I

S2 Como é seu conhecimento de língua espanhola? Leio, escrevo e falo bem. Leio, escrevo e falo razoavelmente. Leio, mas não escrevo nem falo. Praticamente nulo. S3 Tem conhecimento de outra língua? T Você realiza algum trabalho voluntário Sim Qual a causa: Qual a ONG: Qual é sua colaboração: Não U Cite três valores mais importantes na construção de uma perfeita comunicação: 1. 2. 3. 3) Como você lida com o microcomputador? A Com que freqüência você utiliza o microcomputador? Diariamente. Esporadicamente. De 3 a 6 vezes por semana. Nunca 1 ou 2 vezes por semana. B Em qual das situações abaixo você utiliza mais o microcomputador? Entretenimento. Trabalhos escolares. Trabalhos profissionais. Pesquisa. Comunicação via e-mail. 131


O Papel do Educador na Era da Interdependência

C De onde você tem predominantemente acessado a internet?

De minha instituição de ensino. De minha casa. De meu local de trabalho. De outro local. Nunca tive oportunidade de acessar a internet.

4) Quais são suas perspectivas? A Qual é o papel da universidade em sua formação? B O que você entende por cidadania? C Por meio de seu conhecimento, qual é o valor da palavra “marketing”? D Quanto ao exercício profissional, logo após a conclusão deste curso, o que você pretende fazer? 132

Pretendo procurar emprego. Já trabalho na área da comunicação. Pretendo começar a trabalhar ou continuar trabalhando em outra área. Não pretendo trabalhar.


Anexo I

E Quanto aos estudos no ensino regular, depois de concluída a graduação, você pretende fazer?

Mestrado e/ou Doutorado na área. Mestrado e/ou Doutorado em outra área. Especialização e/ou Aperfeiçoamento. Outro curso de graduação. Não pretendo fazer nenhum curso.

F Qual é a missão de sua vida? G Por meio de seu conhecimento, defina o que é o terceiro setor. Obrigado por sua colaboração.

133


anexo II Instruções para navegação no site 123 Pronto!, do professor Valdir Cimino

A seguir, você vai poder acompanhar, em 10 passos, como gerenciar o conteúdo das páginas pelas quais você é responsável .

134


índice Logar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Conhecer e visualizar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Área de edição / blocos e colunas . . . . . . . . . . . . . . . . Criando uma nova página . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Criando um bloco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Editando um bloco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Inserindo links, imagens e arquivos . . . . . . . . . . . . . .

136 138 140 143 146 147 150

135


www.123pronto.com.br

Logar Para que você possa gerenciar seu conteúdo é necessário que você possua Login e Senha para acessar o 123pronto!. Se já possuir, acesse www.123pronto.com.br. A figura abaixo apresenta a tela que voce vai usar para se logar após ter acessado o site. Digite seu Login e Senha e clique em Login.

Fig. 1 – Login e senha

Logo após se logar você terá acesso à tela mostrada na Fig. 2, e deverá clicar no website que vai gerenciar o conteúdo. No exemplo abaixo, só há o website de Valdir Cimino, mas poderiam aparecer outros; clique no nome do website desejado, ao lado da pastinha amarela.

Fig. 2 – Escolher o website

136


Anexo II

Após escolher o website aparecerá a tela abaixo, Fig. 3, e nela você poderá ver todas as pastas (diretórios) que o website possui. Encontre sua pasta, clique na pasta e seu conteúdo será apresentado do lado direito.

Fig. 3 – Pastas (diretório) do website

A Fig. 4, abaixo, já apresenta uma pasta (diretório) aberta. As colunas são auto-explicativas. Não se preocupe com as colunas Acesso e Obrigatório: são da Administração do website. Selecione a página da qual deseja gerenciar o conteúdo clicando no botãozinho redondo que está vazio, à esquerda do título da página.

Fig. 4 – Selecionar uma página

Após ter escolhido a página desejada, você verá que na barra cinza acima da lista de pastas/páginas irão surgir vários ícones; para gerenciar sua página, clique em Abrir, conforme mostra a Fig.5. 137


www.123pronto.com.br

Fig. 5 – Abrir uma página

Conhecer e visualizar A Fig.6 mostra o cabeçalho que você vai ver em todas as páginas que estiver gerenciando. De cima para baixo e da esquerda para a direita, temos: • Título da Página e Data e Hora da Publicação; • a URL (Uniform Resource Locator), isto é, o endereço da página no website; e • as quatro abas de pastas em que você poderá Visualizar sua página, Editar, Publicar e Fechar. Quando você está dentro do 123pronto!, você visualiza sua página de duas maneiras: – dentro da página do 123pronto; ou – clicando na URL e vendo dentro de uma página normal no Internet Explorer. Para visualizar sua página dentro do 123pronto! clique em Visualizar; para ver como ela está editada no Internet Explorer, clique no link ao lado da sigla URL. A diferença é que, ao clicar na URL, você verá a página dentro da janela do Internet Explorer, com o cabeçalho de valdircimino.com.br, que é a maneira real. 138


Anexo II

Fig. 6 – Conhecer e visualizar

A Fig.7 apresenta a visualização da página dentro do 123pronto!

Fig. 7 – Visualização e padrões

139


www.123pronto.com.br

É importante notar que existe um padrão de formatação. O cabeçalho (header) é sempre o mesmo, O menu lateral esquerdo é sempre o mesmo e na sua página sempre existem as áreas de Caminho no Site e Título, bem como os Subtítulos ou Submenus horizontais inerentes à página. É importante também pensar que, se você criar todo o conteúdo pela primeira vez na Internet e depois passar o mesmo conteúdo com a mesma formatação para outras plataformas, você estará ganhando tempo e mantendo o padrão internet em todos seus documentos. Bem, isso é só uma recomendação.

Área de edição / blocos e colunas Na Fig. 8, vamos conhecer os ícones disponíveis para: – Inclusão / Edição / Deleção / Movimentação Vertical. Para incluir um bloco abaixo daquele que você deseja, clique no . Para editar um bloco, clique no Para deletar um bloco, clique na em

. .

Para movimentar blocos para cima ou para baixo, clique ou .

Os blocos são incluídos com uma até três colunas, para que você possa formatar seu conteúdo da melhor maneira.

140


Anexo II

Fig. 8 – Conhecendo os ícones do 123pronto!

As figuras 9, 10 e 11 apresentam a edição dos blocos Cabeçalho, Submenus, Conteúdo e Rodapé:

Fig. 9 – Editando o cabeçalho

141


www.123pronto.com.br

Fig. 10 – Editando os submenus

Fig. 11 – Editando o conteúdo

142


Anexo II

Criando uma nova página Para criar uma página nova, sem conteúdo, você deve clicar em Criar Página. Em outra oportunidade, falaremos de criar pastas, mas isso é atribuição do administrador do website.

Fig. 12 – Criar página

A Fig. 14 apresenta a tela em que você vai inserir os dados referentes à página e à pasta em que essa página vai ficar, bem como o nível de acesso dessa página, se restrita ou pública. Escolha o título correto, que é aquele que aparece na barrinha azul superior do Internet Explorer. O nome do arquivo deve ser o mesmo do título mas em minúsculas, as palavras ligadas por _ e sem espaços, sem acentos, sem caracteres especiais e sem extensão, porque o sistema já coloca o .php. 143


www.123pronto.com.br

Escolha em que pasta a página vai ficar e o nível de acesso. Nível 0 (zero) é o padrão. Se precisar criar página de acesso restrito, fale com o Administrador do Sistema. Por fim, escolha a página de uma ou de duas colunas e clique em Incluir página.

Fig. 13 – Criando a página

A página, após criada, aparece na pasta que você escolheu, com data de criação e sem data de publicação.

144


Anexo II

Fig. 14 – Página criada

Fig. 15 – Página vazia com uma coluna criada

145


www.123pronto.com.br

Criando um bloco Clique em

para incluir um novo bloco.

Fig. 16 – Criar novo bloco

Escolha o tipo de bloco que vai usar para seu conteúdo.

Fig. 17 – Escolher tipo de bloco

146


Anexo II

Editando um bloco Clique no

para editar o bloco.

Fig. 18 – Bloco criado – editar

A Fig. 19 apresenta a tela de Edição (HTML Editor). Aqui você vai incluir seu conteúdo.

Fig. 19 – Editando o conteúdo

147


www.123pronto.com.br

Escolha o tamanho do corpo de letra. Título = 3 Subtítulo ou Submenu = 2 Texto = 1

Fig. 20 – Tamanho de texto

Escolha a fonte de letra. Para esse website = Arial

Fig. 21 – Fonte de letra

148


Anexo II

Você pode escolher algum template, isto é, bloco prédefinido.

Fig. 22 – Escolher template

Fig. 23 – Itens especiais

149


www.123pronto.com.br

Inserindo links, imagens e arquivos A figura abaixo apresenta a tela na qual você vai escolher uma página ou arquivo para download ou uma imagem a ser apresentada. Em geral, se usa Abrir na mesma janela para se manter a navegação em janela única.

Fig. 24 – Criar link

A figura a seguir apresenta a tela de seleção ou inserção de imagem no bloco de conteúdo. Note as abas cinza e preta em que você pode optar por escolher uma imagem que já esteja no servidor ou enviar uma imagem para o servidor e, em seguida, usá-la. Importante: uma imagem deve ser tratada para uso na internet. Peça instruções ao Administrador do website.

150


Anexo II

Fig. 25 – Escolher imagem (figura)

Fig. 26 – Enviar nova imagem

151


www.123pronto.com.br

Você também pode utilizar os menus na janela do 123pronto! para criar pastas.

Fig. 27a – Criar pastas

Fig. 27b – Criando pastas

Criando uma pasta de imagens ou arquivos

Fig. 28 – Criar pastas de imagens

152


Anexo II

Fig. 29 – Administrar imagens

Fig. 30a – Enviar arquivo em pasta de download

153


www.123pronto.com.br

Fig. 30b – Administrar arquivos

154


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O Papel do Educador na Era da Interdependência - Valdir Cimino