Biblion COMPENDIUM "O Melhor de 2017" (PT)

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COMPENDIUM 2017

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BEM-VINDOS

EDITORIAL

Um Livro no Sapatinho C A PA :

CO M P E N D I U M DESIGN: DA N I E L G O M E S

Revista de Livros, Livros em Revista

Edição especial “compendium 2017” Edição: Novembro 2017 COLABORAM NESTA EDIÇÃO: Daniel Gomes, Susana Pires, Vitor Marini (Ilustrações), Samuel Ascenção (apoio à Produção)

FICHA TÉCNICA

email: mag@biblion.pt web: www.biblion.pt

PROPRIEDADE: Unique Creations, Lda. REDAÇÃO: Tv. Francisco dos Santos, 2-6ºD 2745-271 Queluz REGISTO: Dep. Legal Nº 405423/16 NIPC nº 510951910 ISSN: 2183­-7899

EDIÇÃO: BIBLION MEDIA by Unique Creations EDITOR E DIRECTOR: Paulo Sérgio Gomes DESIGN E PROJETO GRÁFICO: UC Design Studio

O

que pode significar a oferta de um livro? A uma criança, a um adolescente, a um adulto. A alguém doente, negligenciado, talvez aprisionado até. Ou para quem vai viajar, de quem nos vamos separar, ou aquela pessoa que tanto amamos e que não queremos que nos esqueça. Nesta época em que tanto se trocam presentes, ocorre-me que tal como dizemos “ Natal é quando um homem quiser”, assim também os livros podem ser oferecidos em qualquer ocasião. Quanto alívio, inspiração, bençãos. E por que não juntar a prática com o bem, oferecendo livros aos seus entes mais queridos? Mas acima de tudo partilhe o amor de Jesus, sempre! Um Feliz e Santo Natal para todos os leitores. PAU L O S É R G I O G O M E S

IMPRESSÃO: Print24 (U.E.)

MISSÃO / PROPÓSITO: Promover e estimular hábitos de leitura de inspiração Cristã, criando condições para todos poderem aceder aos livros. Conheça o que nos move e os nossos valores em www.biblion.pt. CONTEÚDOS: Os conteúdos apresentados representam a opinião dos seus autores. REPRODUÇÃO DE CONTEÚDOS: Tendo como objectivo primordial a divulgação de obras e autores, é permitida a reprodução dos textos, desde que mencionada a fonte, quando não para fins comerciais. PREÇOS E DISPONIBILIDADE: Os valores mencionados incluem IVA. Os produtos apresentados estão sujeitos a disponibilidade de stock aquando da encomenda.

NOTA: ESTA EDIÇÃO ESPECIAL IMPRESSA, “COMPENDIUM 2017”, INCLUI OS CONTEÚDOS DA BIBLION #6, BEM COMO UMA SELECÇÃO DOS MELHORES ARTIGOS DAS EDIÇÕES #4 E #5.

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ABERTURA

ESCOLHA DO EDITOR EUGENE PETERSON

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A LINGUAGEM DE DEUS TRIBUTO A UM AUTOR EXCEPCIONAL A longa experiência como pastor, professor e estudioso da Palavra de Deus confere a Eugene Peterson um crédito de sabedoria impagável, aqui bem representado nesta obra.

SECÇÕES

ENTREVISTA

3

BRIAN RUSSELL

EDITORIAL

Um Livro no Sapatinho

30 EFEMÉRIDE

Biddy, a Sra. Chambers

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31 JESUS

Quem é este Homem?

DIRETOR-EXECUTIVO DA YOUVERSION (A APP DA BÍBLIA) Para conhecermos a App da Bíblia, quem melhor do que o seu Diretor-Executivo para responder às nossas questões? A Biblion apresenta-lhe o que precisa saber para usufruir desta importante ferramenta - para uso pessoal, na igreja e com as crianças.

38 GENEROSIDADE

David Green

39 SIMPLICIDADE

Jean-Baptiste Chautard

40 HISTÓRIA

Os Templários

48 ENIGMA

ENTREVISTA LITERÁRIA

The Chamberlain Key

50 DOSSIER

MAURÍCIO ZÁGARI

Devocionais

54 VIAGENS

The Wilder Trail

24

55 CHRISTY AWARDS

Miriam

APRESENTAÇÃO: O ENIGMA DA BÍBLIA DE GUTENBERG O livro que valeu a Maurício Zágari os Prémios Areté, de “Autor Revelação” e “Melhor Livro de Ficção”, é aqui apresentado em exclusivo e na primeira pessoa, permitindo-nos conhecer melhor a obra e a série juvenil “Aventuras de Daniel”.

IMAGENS: ARQUIVO BIBLION, SALVO OUTRAS MENÇÕES. A BIBLION AGRADECE IMAGENS E CONTEÚDOS GENTILMENTE CEDIDOS POR EDITORAS E PARCEIROS,

PT

PT | EN W W W . B I B L I O N . P T

I English Version

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N

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N

A CHRISTIAN BOOK MAGAZINE | # 5

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BIBLE APP’S INTERVIEW: BRIAN RUSSELL

EUGENE PETERSON: PASTOR-POET’S LAST BOOK THE NEW MUSEUM OF THE BIBLE G.K. CHESTERTON

Narnia

THE WORLD OF C.S. LEWIS

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COMPENDIUM 2017

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ABERTURA

INDISPENSÁVEL MARTINHO LUTERO

6

APRESENTAÇÃO: A LIBERDADE CRISTÃ De forma a honrar um dos mais influentes teólogos da história do Cristianismo, a Biblion lança a tradução para Português do tratado “De Libertate Christiana”.

NESTA EDIÇÃO

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SABEDORIA

A SABEDORIA DOS GRANDES LÍDERES Uma análise do livro de Eclesiastes e das Meditações de Marco Aurélio.

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IN LOCO

ED RENÉ KIVITZ EM PORTUGAL O autor brasileiro visitou o nosso país, sendo convidado em dois eventos organizados pela Casa da Cidade, em Lisboa.

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PERSONA

HENRI NOUWEN Um personagem que se confunde com os seus trabalhos escritos, expoente máximo do amor ágape e da compaixão.

28

TEOLOGIA

SAM STORMS: O CALVINISTA CARISMÁTICO Pela primeira vez na Biblion, nada melhor do que um duplo review, para ficarmos a conhecer Sam Storms.

32

ANTEVISÃO

MUSEU DA BÍBLIA O mais imersivo e tecnologicamente avançado museu do mundo, em primeira-mão.

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42

SOCIEDADE

POR UM MUNDO MELHOR O livro que tinha de ser escrito, para transmitir uma nova abordagem ao flagelo da falência dos povos.

O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA C. S. LEWIS

EVERYTHING YOU ALWAYS WANTED TO KNOWABOUT GOD [JESUS EDITION] ERIC METAXAS

IMPARÁVEL NICK VUJICIC

ME DÁ UM ABRAÇO NICK VUJICIC

TOUGH TOPICS SAM STORMS

ACROSS THE SPECTRUM

GREG BOYD & PAUL EDDY

AS 5 LINGUAGENS DO AMOR GARY CHAPMAN

THE STORY OF REALITY GREG KOUKL

CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA RICHARD FOSTER

ELOGIO DA IMPERFEIÇÃO PAOLO SQUIZZATO

ORAÇÃO

TIMOTHY KELLER

A POBREZA DAS NAÇÕES

WAYNE GRUDEM & BARRY ASMUS

O REGRESSO DO FILHO PRÓDIGO HENRI NOUWEN

DISCIPULADO

DIETRICH BONHOEFFER

A LINGUAGEM DE DEUS EUGENE PETERSON

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I N D I S P E N SÁV E L

Martinho Lutero

A

Liberdade Cristã

Q

Daniel Gomes

uinhentos anos após o despoletar da Reforma Protestante, as palavras de Martinho Lutero ecoam na teologia e doutrina de inúmeras denominações. As suas noventa e cinco teses chocaram a Cristandade do seu tempo como ninguém o fizera antes (apesar das tentativas de John Wycliffe e Jan Hus, também elas dignas de admiração); os seus conceitos de sola fide, sola scriptura e sola gratia continuam bem presentes no coração de milhões de Evangélicos espalhados por todo o mundo. De forma a honrar um dos mais influentes teólogos da história do Cristianismo, a Biblion lança a tradução para Português de uma das obras mais influentes de Lutero: A Liberdade Cristã. De Libertate Christiana, ou A Liberdade Cristã (outras versões incluem Da Liberdade de um Cristão, Da Liberdade Cristã ou Tratado sobre a Liberdade Cristã) aparece no final de 1520, um dos anos mais conturbados e prolíficos para Martinho Lutero. Após um debate fervoroso em Leipzig no ano anterior e perante a ameaça papal de excomunhão na forma da bula Exsurge

Domini, o monge agostiniano responde de forma ainda mais exacerbada às exigências de Roma, produzindo em apenas meses obras absolutamente fulcrais para a completa separação entre Lutero e a Igreja Católica. Depois de escrever várias teses que denunciavam as doutrinas e os abusos eclesiásticos do seu tempo, Lutero publica A Liberdade Cristã, uma obra que visa mostrar os

A L I B E R DA D E C R I S TÃ , D E M A R T I N H O L U T E R O , P U B L I C A DO P O R B I B L I O N / U N I Q U E C R E AT I O N S , Q U E L U Z

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COMPENDIUM 2017


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

verdadeiros fundamentos da religião Cristã na face das leis e doutrinas papais. A obra torna-se no culminar da alienação de Lutero, uma vez que o monge deixa de atacar regras especificas da igreja terrena para afirmar a natureza e postura dignas do Cristão justificado. Aqui ele estabelece um dogma de redenção alicerçado no conceito de sola fide como único veículo suportado pelas Escrituras para alcançar a graça de Deus, o que por sua vez desafia o dogma da Igreja de Roma, apoiado fortemente pelos elementos de mérito, de tradição eclesiástica e de autoridade sacerdotal por sucessão apostólica. Lutero começa por declarar a natureza aparentemente paradoxal do Cristão, afirmando que “o Cristão é o mais livre de todos os senhores, e sujeito a nenhum outro; o Cristão é o mais obediente de todos os servos, e sujeito a todos os outros.” Esta natureza está intimamente ligada com a composição do homem como um ser físico e espiritual, com o vínculo entre a alma e a carne. Apesar de serem coisas distintas, a alma e a carne não estão separadas uma da outra, porém trabalham em conjunto para realizar esta resolução paradoxal. Lutero defende que o homem interior (a alma) deve estar convicto de que é apenas um pecador e de que necessita da graça e justiça de Deus para ser salvo, mas que não há nada que o homem exterior (a carne) possa fazer para sua própria justificação. Para o monge, todas as obras são nulas e condenáveis se não forem feitas de livre arbítrio e pela fé intransigente, e mesmo assim, não existe nada inerente às obras que contribua para a justificação e salvação de quem as realiza. Ao longo deste tratado, Lutero enfatiza o papel da fé como o único elo de ligação entre a

alma do Cristão e o próprio Cristo. É por esta ligação pela fé, segundo Lutero, que o Cristão é livre da escravidão do pecado. É também por esta ligação pela fé que somos “reis” e “sacerdotes” do foro espiritual, tal como Cristo também o é. No entanto, o corpo tem uma vontade própria, “que ambiciona servir o mundo e buscar a sua própria gratificação”; é aqui que Lutero afirma o uso das obras, não para a justificação da alma, mas com o duplo propósito de disciplinar a carne e de amar o próximo. Do ponto de vista do monge, o ensino das obras como meio para alcançar a salvação é “demoníaco” e “uma noção perversa”, uma vez que as obras são intrinsecamente materiais e não podem afetar de qualquer forma aquilo que é espiritual; porém ele reconhece que elas têm o seu valor para a submissão do corpo à fé e para o proveito do próximo em amor. Lutero conclui com uma advertência aos que, por um lado, recusam-se a aceitar a liberdade Cristã e teimam em executar as obras, leis e cerimónias com o intuito de serem justificados por estas, e aos que por outro lado distorcem o significado desta liberdade e a usam para desprezar completamente as obras e tradições. O monge de Wittenberg traça uma linha entre os que se agarram às leis e às obras por pura teimosia e orgulho, e os que o fazem porque “não são capazes de assimilar essa liberdade da fé, mesmo estando dispostos a fazê-lo”. O Cristão deve desafiar a arrogância dos primeiros com a máxima ousadia, porém deve observar a doutrina com cautela quando na presença dos últimos, para que estes não se ofendam. Esta obra da Biblion e da Unique Creations é a tradução da versão em inglês produzida por Elizabeth T. Knuth e David Widger, atualmente disponível em Gutenberg.org.

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ESCOLHA DO EDITOR

TRIBUTO A UM AUTOR EXCEPCIONAL

A

Linguagem de Deus

G

Eugene H. Peterson

rande mestre no estudo da Palavra de Deus, autor de A Mensagem, Eugene Peterson sonda a profunda sabedoria subjacente aos variados aspetos da linguagem usada por Jesus e nos dá conta disso neste excelente livro, A Linguagem de Deus.

I M AG E M : A R Q U I V O

Com tanto ensino que transmitiu, Jesus não terá deixado nada escrito, só falou. Assim começa o autor, transportando-nos para uma dimensão da comunicação, seja falada, ou escrita, escrevendo o seguinte: “As palavras escritas, por mais importantes que sejam, são um passo gigantesco para longe da voz que fala. Deve-se fazer um esforço resoluto para ouvir a voz que fala, e para escutá-la, não apenas olhar para ela e estudar a palavra escrita.” Adiante, Peterson descreve os diferentes tipos de comunicação utilizada por Deus para o nosso entendimento, sendo que a pregação é a linguagem que nos envolve pessoalmente com a ação de Deus no presente. Também o ensino foi amplamente usado por Jesus através de metáforas para interiorizar-nos a Sua verdade viva e multidimensional. É também fundamental que pratiquemos o intercâmbio conversacional pela sua informalidade – em casa, à mesa, em família ou com amigos. Peterson dedica ainda uma parte considerável do livro à narrativa da viagem, contada no livro de Lucas, dando exemplos elucidativos

como a hospitalidade samaritana, que se perpetuou no Médio Oriente ao longo dos séculos, e que ele próprio experimentou. Também influenciou a hospitalidade beneditina, alicerçada nos princípios da comunidade monástica do séc. IV, fundada por Bento, no Monte Cassano, em Itália, e que infiltrou em muitas comunidades de fé. Através de três das parábolas de Jesus, Peterson explica como, a partir do grego, Lucas se salientou, usando a expressão “ánthrõpos tís”, que significa “um homem”. Esta expressão liga as três histórias de Jesus, nos capítulos 15 e 16, a história do filho pródigo, a história do gerente astuto e do fazendeiro rico, e a história de Lázaro e do rico. Depois o autor parte para uma exposição completa sobre como as metáforas e as histórias caracterizam a linguagem de Jesus: uma linguagem sem formalidade nem abstrações, que dá margem à ambiguidade. Os que o seguem não apenas escutam e acompanham o que Ele diz, como também aprendem a comunicar como Ele o faz.

A L I N G UAG E M D E D E U S , D E E U G E N E P E T E R S O N , P U B L I C A DO P O R E D I TO R A M U N DO C R I S TÃO , S ÃO PAU L O

10 COMPENDIUM 2017


Passar das histórias de Jesus para as Suas orações requer cuidado pois é como passar de uma linguagem local, conforme as circunstâncias e acontecimentos, para Ele mesmo, a Sua Alma e Corpo. Na oração, a nossa primeira linguagem, o silêncio é indispensável, para O podermos escutar. Jesus ora connosco, e por nós, tal como fê-lo nos Seus últimos momentos de agonia. Eugene Peterson expõe a oração de Jesus na Cruz, as suas últimas sete “palavras da cruz”. Sete orações e uma só frase. Nenhum dos Evangelhos as relata todas. Peterson optou por apresentá-las numa sequência harmoniosa, com uma coerência interior. “Eu vim exatamente para isto: para esta hora (Jo 12:27)”. Como afirma o autor, a morte é a “razão” da vida de Jesus. Foi muito mais que uma morte. Depois de cessarem os sinais vitais de Jesus a salvação foi alcançada. Morrendo, de forma voluntária e sacrificial, deu-se pelos pecados deste mundo – a morte. Continua Peterson, “uma morte venceu a morte. Foi a morte da morte”. As sete orações são metáforas, ainda que reais, que somos convidados a usar nas nossas orações quotidianas. Peterson socorre-se de Raymond Brown, grande estudioso sobre a derradeira etapa de Jesus na Cruz, revelando que Jesus ao terminar essa oração “curvou a cabeça e entregou o espírito”; justificando que o tenha feito àqueles que estavam perto da cruz, e que de certa forma incluirá quem hoje O segue. Indispensável!

BiblionApp a sua revista na palma da mão descarregue a aplicação

A R T I G O O R I G I N A L P U B L I C A DO N A E D I Ç ÃO # 5

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SABEDORIA

Uma análise do livro de Eclesiastes e das Meditações de Marco Aurélio

A Sabedoria dos Grandes Líderes

Q

P O R D A N I E L T. G O M E S

uando pensamos em sabedoria, pensamos em pessoas cujas palavras transbordam de conhecimento útil para as nossas vidas. Filósofos, escritores, pastores, gurus – pensamos em pensadores, em pessoas que buscam (e por vezes encontram) entendimento sobre questões que normalmente deixam o ser humano pasmado.

Estas são questões que muitos querem ver respondidas, mas que poucos conseguem responder por eles mesmos; afinal, não seria fantástico se todos soubéssemos qual é o sentido da vida, ou para onde vamos após a morte? (E que, uma vez sabendo, todos pudéssemos estar de acordo?) Acontece que em outros tempos as pessoas olhavam para os seus líderes como fontes de sabedoria. Era uma expectativa do povo que a sua autoridade máxima possuísse discernimento, aquela capacidade de entender objetivamente a realidade em que viviam, e a sabedoria para agir corretamente perante essa realidade. A história reconhece vários líderes como sábios, porém dois se destacam como verdadeiros “reis-filósofos” no seu amor pela sabedoria e na sua habilidade para governar: Salomão, rei de Israel, e Marco Aurélio, imperador romano. Salomão é para muitos o homem mais sábio que alguma vez existiu. Os seus provérbios e cânticos, assim como os relatos do seu reinado nos 14 COMPENDIUM 2017

livros de Reis e Crónicas, atestam à sagacidade, riqueza, influência e poder do sucessor e filho de David. Salomão gozou de um reinado pacífico, durante o qual Israel atingiu o pináculo da sua prosperidade. Ele ergueu o templo que o seu pai David planeara, forjou boas relações com outros líderes do seu tempo através do comércio e da diplomacia (como são exemplos o rei Hirão I de Tiro e a rainha de Sabá) e desfrutou de uma vida cheia de prazeres – isto é, ele mais as suas setecentas esposas e trezentas concubinas. Porém um novo lado de Salomão é revelado no que eu considero ser a sua obra-prima, ainda que seja muito provável que ele não tenha sido o seu autor. (Ver abaixo, “Salomão e Eclesiastes”). Salomão, o Qohelet ou Eclesiastes, “aquele que ajunta a assembleia,” confessa a sua angústia sobre o sentido da vida ao perceber que todos os seus grandes feitos e as suas palavras eruditas não terão qualquer significado para ele após a sua morte. O texto relata essa angústia e pesar na primeira pessoa, como se estivéssemos frente-a-


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frente com um dos maiores reis da Antiguidade, um rei que não aguentava mais manter os seus pensamentos fechados no seu coração e que decidiu partilhar connosco a forma como ele encarava a vida, a sua brevidade e insignificância. O Eclesiastes (também chamado de “Sábio”, “Mestre” e “Pregador” em diferentes traduções) afirma que as coisas a que o homem dá valor – como os bens materiais, o trabalho, e a própria sabedoria – são efémeras e sem sentido; “tudo é vaidade,” como o autor escreve. Ele reflete também na injustiça sempre presente no mundo, nas bênçãos que Deus dá aos homens sem que eles possam ficar satisfeitos, e na morte que é o fim de todas as coisas e que nos torna todos iguais, ou seja, em pó. Para o Eclesiastes, a vida terrena é uma verdadeira aflição, cheia de dor, sofrimento e injustiça, chegando mesmo a constatar que os mais felizes são aqueles que ainda não nasceram e não experimentaram o tédio e a tortura que é a vida. Correr atrás do vento, sofrer na pele as injustiças e os males deste mundo, trabalhar para que outros gozem os frutos do nosso esforço – tudo isto para acabar em pó, sete palmos debaixo da terra, com o nosso nome e os nossos feitos esquecidos no tempo. Tudo é vaidade, é ilusão, é efémero, e desprovido de sentido ou valor; pois a nossa vida é curta, e o nosso fim é inevitável. No meio de toda esta melancolia, o Eclesiastes encontra esperança no temor a Deus, na humildade, e no desfrutar do presente. Ele crê que Deus julgará todos os mortos pelas suas ações em vida e conclui que nos devemos alegrar pelas coisas boas que temos, pois elas são dádivas de Deus e nós não sabemos até quando poderemos usufruir delas. Mil anos depois de Salomão (que supostamente reinou no séc. X a.C.), surge um novo rei-filósofo na forma de Marco Aurélio, o último dos “cinco bons imperadores”, como Maquiavel os apelidou, que governaram o império romano. Contudo, Marco Aurélio distingue-se dos seus antecessores pela sua dedicação à filosofia; a compilação dos

Salomão e Eclesiastes A tradição judeo-cristã atribui a autoria do livro de Eclesiastes a Salomão, autor de Cânticos, da maioria de Provérbios e de outros escritos que não estão incluídos no Antigo Testamento. No entanto, muitos historiadores e teólogos têm vindo a rejeitar essa teoria devido a vários fatores, entre eles o tema do livro e a linguagem usada pelo autor, que colocam a data de Eclesiastes à volta do séc. III a.C. – setecentos anos após o reinado de Salomão. No seu comentário de Eclesiastes, o Dr. Michael V. Fox parte do princípio que o Qohelet, o suposto autor do livro, é na verdade uma personagem fictícia feita à imagem de Salomão, e não o próprio rei, nem nenhuma pessoa ligada diretamente ao rei. Fox reconhece também uma forte influencia de filosofia grega no texto, visto que o Eclesiastes procura saber a verdade através de uma reflexão lógica, e não através de revelação divina ou do estudo das tradições; o crítico chega até a identificar traços de estoicismo no discurso de Eclesiastes, especialmente na forma cíclica como encara o passado, o presente, e o futuro. Dito isto, ainda existem pastores e líderes de igreja que continuam a apoiar a tradição de que o rei Salomão é o Qohelet. Em O Livro Mais Mal-humorado da Bíblia, Ed René Kivitz liga por várias vezes o Eclesiastes a Salomão, embora conceda no principio do livro que não há certezas quanto à identidade do Eclesiastes.

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B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

seus escritos, ou Meditações, é considerada uma das maiores obras de filosofia greco-romana. Tal louvor não é para menos. As Meditações do imperador romano oferecem uma perspectiva detalhada e singular do estoicismo (escola de filosofia helenística à qual Marco Aurélio pertencia) visto que Marco Aurélio, tal como Salomão, não era apenas um ávido pensador: ele era o líder supremo de Roma, visto como um deus pelo seu povo. No entanto, Marco Aurélio tinha um interesse pouco comum nas tais questões que nos deixam abananados, de tal maneira que mesmo estando em campanha militar ele escrevia sobre a sua perspetiva na vida e no mundo em que vivia. Como seria de esperar, a sabedoria de Marco Aurélio não se enquadra a cem por cento com a do Eclesiastes. Isto acontece sobretudo pela divergência que resulta do monoteísmo judaico com o politeísmo romano e a vertente panteísta do estoicismo. Marco Aurélio acreditava na união de todas as coisas e de todos os seres mortais com o universo; acreditava também no valor da razão e da virtude, essenciais para uma vida em conformidade com o que é natural, em detrimento das emoções e dos prazeres carnais, que os estoicos viam como destrutivos.

No entanto, ambos os reis-filósofos concordam que a vida é passageira, um ponto na infinidade do tempo, e que a morte é um fim inescapável, do qual não devemos ter receio se levarmos uma vida da qual não nos arrependemos. Os dois também concordam que a sabedoria é benéfica a todo o homem e que a sua busca é um modo de vida mais do que um simples capricho. Outros pontos de encontro são a exortação que ambos fazem para que a vida seja vivida no presente, que experimentemos aquilo que já foi feito pelos nossos antepassados por nós próprios (“nada há de novo debaixo do sol!”), e que obedeçamos à lei, pois ela é aplicada para nosso bem. Creio que não há nada como ler os escritos destes dois líderes para perceber por que é que, milhares de anos após as suas mortes, eles são ainda hoje venerados pela sua sabedoria. Os livros de Eclesiastes e Meditações são os pensamentos mais íntimos de dois homens que, apesar dos seus cargos majestosos, mantiveram um julgamento profundo, humilde e realista do mundo e de eles mesmos. Cabe-nos a nós agora seguir nas suas pisadas, buscando sabedoria que ilumina as nossas mentes, limpa os nossos corações, e muda o que nos rodeia através das nossas palavras e ações.

CO N S U L T E B I B L I OG R A F I A CO M P L E TA E M : W W W . B I B L I O N . P T / a - sabe doria - dos - gran d es - li d eres /

TEMOR A DEUS O “temor a Deus” é um

um súbdito encara o seu rei:

Bíblia. “Ao mesmo tempo que

dos conceitos presentes em

com um respeito e admira-

o amamos e desejamos, te-

Eclesiastes mais difíceis de

ção incomuns, tendo plena

mos medo de ser esmagados

entender, pois não se trata

consciência de que o rei é a

pela sua grandeza.”

de temor como simplesmente

autoridade máxima, capaz de

Nos seus provérbios,

“medo” ou “terror”. O temor a

elevar o seu súbdito ou de o

Salomão fala dos imensos

Deus é uma atitude de pro-

destruir.

benefícios do temor a Deus,

funda reverência e apreensão

Também Ed René Kivitz

incluindo a sabedoria. Faz

em resposta à grandiosidade

associa o temor a Deus à

todo o sentido que o Ecle-

de Deus. No seu Journal of

reverência, à admiração e

siastes, na sua busca pela

Biblical Accuracy, Anastasios

ao fascínio: “Deus é grande

sabedoria, também tenha

Kioulachoglou compara o

demais,” escreve Kivitz em O

refletido no temor a Deus.

temor a Deus ao modo como

Livro Mais Mal-humorado da

16 COMPENDIUM 2017


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

MARCO AURÉLIO E OS CRISTÃOS em relação a certos aspetos.

Apesar de Marco Aurélio

tor” e “mecenas” da igreja,

ser considerado um dos im-

salientando a forma como

Nas suas Meditações, o impe-

peradores mais benevolentes

ele intercedeu em favor dos

rador critica a forma fanática

anteriores a Constantino, os

cristãos. Outros testemunhos

como os cristãos abraçavam a

cristãos continuaram a ser

igualmente positivos são a

morte em defesa da fé, o que

perseguidos durante o seu

correspondência do próprio

ia deliberadamente contra a

reinado. Justino Mártir, por

Marco Aurélio, onde ele retrata

sua filosofia racionalista. A sua

exemplo, foi decapitado no

o milagre da Legião XII Fulmi-

reflexão constante no cum-

co-reinado de Marco Aurélio e

nata, e a suposta presença

primento da lei e no valor do

Lúcio Vero, de acordo com os

de Apolónio o Apologista no

bem comum sobre o individual

textos de Eusébio.

senado romano enquanto

também podia ter em conta a

No entanto, não é claro até

Marco Aurélio fora imperador.

igreja, que naquela época era

que ponto Marco Aurélio se

Apolónio foi julgado e executa-

uma minoria conhecida pela

envolveu pessoalmente nas

do por ser cristão no reinado

sua recusa em prestar tributo

perseguições. Sabemos que

de Cómodo, filho de Marco

aos deuses romanos e que

Marco Aurélio era visto de

Aurélio, considerado por

forma positiva pela igreja nos

muitos um sucessor incapaz

dessa forma desafiava a lei de

seus dias: Tertuliano elogia o

de honrar o legado do seu pai.

imperador no seu Apologético,

Apesar de tudo, Marco Auré-

a quem ele chama de “prote-

lio era contra a postura cristã

Roma, e por conseguinte, o poder do imperador.

O LIVRO MAIS MAL-HUMORADO DA BÍBLIA Eclesiastes é um livro conhecido pelo seu tom agridoce e aparentemente desencorajador (“tudo é vaidade!”), mas Ed René Kivitz propõe uma abordagem diferente em O Livro Mais Mal-humorado da Bíblia. Na sua releitura de Eclesiastes, Kivitz realça a forma como o estudo de Eclesiastes proporciona as bases para sabermos lidar com as circunstâncias da vida. Conscientes de que a vida é curta mas de que Deus tem poder sobre todas as coisas, somos estimulados a confiar no plano que ele tem para nós e a viver com gosto. Como escreve Kivitz: “Viva intensamente, com dignidade e confiança em Deus. Faça o melhor que puder, sempre. Entregue-se de peito e coração abertos, crendo que a mão de Deus está sobre todas as coisas e sobre esta vida cheia de desgraças. [...] Viva, porque a gente só vai conseguir vencer a desgraça vivendo, na confiança de que a boa mão de Deus estará sobre nós.” www.biblion.pt 17


IN LOCO

N ’ A CASA DA CIDAD E , LIS B OA

Ed René Kivitz EM PORTUGAL ED RENÉ KIVITZ

E

I L U S T R AÇ ÃO D E V I TO R M A R I N I

COM UM PROGRAMA extenso e dedicado à comunicação da mensagem, Kivitz, transmitiu sábios ensinamentos sobre o propósito de Deus na nossa vida, no trabalho e na escola, alertando para o erro em que facilmente podemos cair em querer “construir” a Igreja. Apenas alguns têm essa chamada de Deus, a maioria de nós quer-se construindo “pontes”. Deus espera que sirvamos a sua Igreja onde quer que estejamos, onde vivemos, trabalhamos, estudamos, facilitando ligações ao mundo exterior, com aqueles em carência, afetiva, social ou espiritual, através das funções que desempenhamos, com os talentos que herdamos, na nossa profissão, na nossa carreira. As disparidades sociais que grassam na sociedade também foram tema aflorado por Kivitz, ressaltando o papel que a Igreja de uma cidade tem a desempenhar na cidade, para a cidade, com a cidade. 18 COMPENDIUM 2017

Num mundo onde a voracidade especulativa, a exploração de mão-de-obra barata, e a moderna escravatura, fazem parte de sistemas corporativos, maior sentido fazem exemplos de trabalho em comunidade como o d’A Casa da Cidade. Uma igreja de portas abertas, com inúmeros projetos integradores, como ainda recentemente foi motivo de reportagem no jornal Público (edição de 15.4.2017, “Estas igrejas são um espectáculo”). Nos eventos RefletIr, estiveram ainda presentes os pastores Paulo Borges Júnior e Levi Araújo, que com imensa sabedoria enriqueceram grandemente todos quantos assistiram a suas palestras. Uma comunidade que promove eventos desta dimensão, que traz a Portugal alguns baluartes do pensamento cristão brasileiro, merece o nosso reconhecimento público. Parabéns! A R T I G O O R I G I N A L P U B L I C A DO N A E D I Ç ÃO # 4

I M AG E N S : B I B L E . CO M

d René Kivitz, pastor da Igreja Baptista de Água Branca, no Brasil, e autor, conhecido pela série de devocionais Talmidim, esteve em Portugal, a convite da Igreja A Casa da Cidade, em Lisboa. Foi um dos palestrantes convidados na Conferência de Missões desta comunidade, bem como no evento RefletIr, uma plataforma de partilha de pensamento.


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

a app da bíblia e a app da bíblia para crianças + 1.500 VERSÕES | + 280 MILHÕES DE DOWNLOADS | + 1.100 IDIOMAS

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E V I S TA

Brian Russell DIRETOR-EXECUTIVO DA YOUVERSION (A APP DA BÍBLIA) 20 COMPENDIUM 2017

I M AG E N S D E S T E A R T I G O : CO R T E S I A YO U V E R S I O N / L I F E . C H U R C H

B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M E R EN V IT S TA R


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

A APP DA BÍBLIA

1: PARA USO PESSOAL A YouVersion Bible App atingiu números espantosos: 280 milhões de downloads, mais de 1.500 versões, e perto de 1.100 línguas d i s p o n í ve i s ! N u m a a l t u r a em que o smartphone é um

aparelho indispensável para pessoas em todo o mundo, o que é que os novos utilizadores podem esperar encontrar nesta aplicação e qual a melhor forma de explorar esse conteúdo?

Para além das Escrituras, que outros recursos adicionais estão a ser publicados na aplicação da YouVersion?

A YouVersion é um ministério Cristão com a missão de ajudar as pessoas a interagir com a Bíblia, pelo que a B i b l e A p p p r ov i d e n c i a a s Escrituras gratuitamente aos leitoresatravés de qualquer smartphone, tablet ou computador. A aplicação permite às pessoas mais ocupadas ler a Bíblia a qualquer hora e em qualquer lugar, tornando a integração da Bíblia no dia-adia dessas pessoas mais fácil. No Bible Reader, as pessoas podem personalizar a sua experiência de leitura através de diferentes opções de tipo de letra, tamanho de texto ajustável, e um modo escuro perfeito para ler de noite. Muitas versões da Bíblia estão disponíveis para download de modo a serem usadas offline, em modo de voo ou quando não há uma ligação estável à Internet. Ter a Bíblia em formato digital também permite às pessoas procurarem por

palavras-chave ou nomes de figuras bíblicas e facilmente encontrar os versículos relativos à busca. Ta l c o m o n u m a B í b l i a impressa, as pessoas podem “destacar” versículos ou adicionar “Marcadores” e tomar “Anotações” no Bible App para referência futura – ou até mesmo partilhar as suas conclusões com os seus amigos. A Bible App permite que as pessoas se liguem aos seus amigos e interajam com as Escrituras ao experimentar enc or aj am ent o, di ál ogo e crescimento – tudo à volta da Palavra de Deus. Nós continuamos a melhorar o nosso motor de busca dentro e fora da aplicação. Por exemplo, a equipa da YouVersion desenvolveu recentemente um plug-in de Mensagens e teclado iOS que permite aos utilizadores fazer pesquisas das Escrituras por emoção dentro desse plug-in e enviar aos amigos.

Através de palavras-chave, as pessoas podem pesquisar facilmente através de milhares de Planos bíblicos em várias línguas. Através destes planos, os utilizadores podem se dedicar a seleções diárias das Escrituras com conteúdo devocional áudio ou visual. Esta funcionalidade ajuda os utilizadores a ganharem o hábito de lerem a Bíblia de forma mais consistente. Também existe a opção de transformar passagens da Bíblia em imagens para partilhar com amigos e família nas redes sociais através de designs predefinidos ou fotos pessoais. Vídeos que mostram a mensagem da Bíblia em ação, incluindo Lumo, Jesus Film, e Life of Jesus, são oferecidos num número limitado de línguas.

A R T I G O O R I G I N A L P U B L I C A DO N A E D I Ç ÃO # 5 BRIAN RUSSELL

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A APP DA BÍBLIA

2: NA IGREJA Cada vez mais crentes têm adotado um formato digital da Bíblia tanto no seu dia-a-dia como no culto dominical. Esta pode ser uma ferramenta útil para líderes de congregações interagirem com membros da igreja, pastores e líderes de estudo? E como é que eles podem tirar máximo partido disso? Os líderes da igreja podem se ligar diretamente com as suas congregações através dos Eventos na Bible A p p , q u e s e r ve c o m o u m boletim e guia de pregação melhorados. Quem fizer parte do evento pode segui-lo durante o culto, ler as Escrituras, tomar anotações, e até fazer uma cópia personalizada para uma futura referência. Os líderes podem incluir o índice das mensagens, anúncios, links para ofertas online e qualquer outro tipo de informações importantes.

22 COMPENDIUM 2017

Pequenos grupos, ministério de jovens e adolescentes, e até missões de outreach podem beneficiar da ampla utilização da Bible App. Para

líderes mais reticentes em abraçar esta ferramenta digital, como podem eles integrar as funcionalidades da Bible App nas suas atividades de um forma suave e produtiva?

Uma forma fácil de experimentar o conteúdo digital bíblico da Bible App é subscrevendo ao Versículo do Dia. A passagem das Escrituras será entregue no seu dispositivo à hora desejada e na versão que preferir. A Bible App também permite às pessoas facilmente lerem as Escrituras em diferentes versões ao mesmo tempo, através da funcionalidade Comparar. Portanto, se alguém estiver no seu estudo com uma Bíbila impressa e quiser saber como

outras versões traduzem um versículo ou uma passagem, eles podem “Comparar” essa mesma seleção em muitas versões da Bíblia diferentes. Com mais de mil e quinhentas versões e mil línguas na Bible App, existe uma variedade de opções! Os líderes também podem encorajar as pessoas a se aplicarem mais na Bíblia ao recomendar os Planos de Leitura e Devocionais gratuitos na Bible App que vão manter a comunidade ligada à Escritura ao longo da semana.


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A APP DA BÍBLIA

3: PARA CRIANÇAS Um obstáculo para os Portugueses em aceitar a literatura Cristã, tanto em formato físico como digital, é ler em Português do Brasil, especialmente durante os anos formativos de vida. Vocês estão a fazer um grande esforço para proporcionar tanto conteúdo em Português (Europeu) quanto possível na aplicação para crianças. Que funcionalidades e conteúdos sensacionais já estão disponíveis para as nossas crianças?

A App da Bíblia para Crianças ficou d i s p o n í ve l e m P o rtuguês do Brasil em Dezembro de 2014. Nessa altura foi a quinta língua a fazer parte da aplicação para crianças, juntando-se ao Inglês, Espanhol, Chinês e Coreano. Agora a criança pode escolher de entre 28 línguas quando abre a aplicação. Todo o conteúdo áudio estará na língua escolhida, e qualquer texto por toda a aplicação estará também nessa mesma língua. Nós vamos começar a trabalhar na versão de Português (Europeu) em breve e planeamos lançar essa versão na primeira metade de 2018.

O conteúdo infantil inclui quarenta e uma das “grandes” histórias da Bíblia para ajudar os miúdos a perceber a história geral que a Bíblia conta. Uma navegação acessível às crianças ajuda-as a encontrar e selecionar qualquer história que queiram, depois lê-lhes a história em alta voz, num estilo narrativo também ele acessível. Ao longo de cada história, animações interativas e divertidas mantêm as crianças interessadas, e algumas histórias até incluem jogos feitos para ajudar a aprender, entender e reter conceitos importantes da história da Bíblia.

Este é provavelmente o recurso mais apelativo para manter as crianças seguindo as histórias bíblicas. Num mundo cheio de tantas distrações interativas, como podem pais e professores integrar as funcionalidades da aplicação nas suas atividades?

A App da Bíblia para Crianças tem recursos gratuitos de acompanhamento em Inglês como páginas para colorir, tabelas de atividade, episódios de trinta minutos de vídeo, e um acompanhamento da Bíblia de quatrocentas páginas que tornam a integração das funcionalidades da aplicação mais fácil para pais e professores. Existe um programa de estudos de dois anos disponí-

vel num pequeno número de línguas para igrejas por todo o mundo. Também oferecemos guias para os pais (em Inglês) para que eles estejam equipados a reforçar as lições e a memorização de versículos em casa através da App da Bíblia para Crianças. Estes guias fornecem aos pais com múltiplas oportunidades para experimentar a história do Evangelho com a sua criança usando versículos, perguntas e atividades adicionais.

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FOTO: DIVULGAÇÃO / ED. MUNDO CRISTÃO

E N T R E V I S TA L I T E R Á R I A

Maurício Zágari (...) ficaria imensamente feliz se esta série despertasse entre o público português o desejo por consumir esse tipo de literatura (...) POR PA U L O S É R G I O G O M E S

T

eólogo, jornalista, escritor e editor da Editora Mundo Cristão, Maurício Zágari, embora jovem, é já um premiado autor brasileiro. Foi a primeira edição de O enigma da Bíblia de Gutenberg, em 2009, que lhe granjeou a obtenção do Prémio Areté, nas categorias de “Autor Revelação” e “Melhor Livro da Ficção”. De ascendência italiana, vive no Rio de Janeiro, é casado com Alessandra e pai de Laura. É um privilégio para a Biblion apresentar a sua partilha de ideias sobre este livro e o seu carinho pela ficção cristã.

BIBLION: Em breve, será lançada uma nova edição do livro “O enigma da Bíblia de Gutenberg”, que é já promovido como eletrizante. O que podem os jovens leitores esperar? MAURÍCIO ZÁGARI: Um livro de ação, aventura, investigação e muita adrenalina, repleto de ensinamentos para a vida cristã e que estimula reflexões importantes para quem está na jornada com Cristo. B: Trata-se do primeiro título de uma série, “Aventuras de Daniel”. Quantos livros estão para já previstos e que perspetivas tem para o futuro? MZ: Existem quatro livros escritos e já em processo de produção: “O enigma da Bíblia de Gutenberg”, “7 enigmas e um tesouro” (que será lançado em fevereiro de 2018), “O mistério de Cruz

das Almas” e “O Ritual”. Se a série for bem aceita pelos leitores, só Deus sabe a quantos títulos podemos chegar. Meu objetivo é escrever novas histórias enquanto houver receptividade dos leitores, sem limite de número. B: Com uma extensa lista de obras, em temas tão diversificados, o que lhe serviu de inspiração para esta série juvenil, e para este enredo em particular? MZ: A percepção de que os adolescentes e jovens cristãos não dispõem de literatura de ficção que tenha ensinamentos saudáveis e bíblicos. O mercado editorial oferece uma infinidade de títulos de ficção, mas, em geral, tais livros defendem valores e princípios questionáveis e até perigosos (como a série Harry Potter, que faz parecer que a bruxaria é algo bom). E nossos adolescentes e jovens estão lendo

O ENIGMA DA BÍBLIA DE GUTENBERG, DE MAURÍCIO ZÁGARI, PUBLICADO POR EDITORA MUNDO CRISTÃO, SÃO PAULO

24 COMPENDIUM 2017


esses livros! Temos de proporcionar-lhes literatura de qualidade, que divirta e entretenha enquanto transmite ensinamentos e valores cristãos. Eu me vejo como um escritorgarçom: analiso as necessidades da igreja e procuro servir-lhe aquilo de que precisa. Não escrevo por escrever, mas sempre com um foco muito claro e com a intenção de suprir necessidades que percebo entre meus irmãos e irmãs. Mais do que inspiração, o que me leva a escrever um livro é sempre a percepção de uma necessidade e o desejo de suprir as lacunas percebidas. B: O Maurício já passou pela idade do personagem principal, Daniel. Tem uma filha que irá ler. Terá sido desafiado. O que significou para si escrever este livro? MZ: Como todos os livros que escrevo, dediquei-me a “O enigma da Bíblia de Gutenberg” com muito temor e tremor, entendendo que não estava apenas pondo palavras em papel ou dando asas à minha imaginação, mas criando uma história que tem o potencial de tocar vidas, mudar atitudes, proporcionar reflexões e aproximar muitas pessoas de Cristo. Eu me dedico a livros de géneros diferentes, mas sempre com o mesmo triplo objetivo: a glória de Deus, a edificação de meus irmãos e irmãs em Cristo e a possibilidade de levar o evangelho a leitores que não têm compromisso com Jesus. É uma enorme responsabilidade. B: Acreditamos, na Biblion, que esta pode ser uma referência na literatura juvenil, e auguramos uma boa recetividade no mercado português. Que expetativas tem

FOTO: ED. MUNDO CRISTÃO

B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

para este livro, e a série, junto dos jovens, em Portugal? MZ: De toda a produção do mercado editorial cristão nos Estados Unidos, 17% são livros de ficção. No entanto, no Brasil, esse índice não chega a 1% e acredito que em Portugal também seja assim. Meu desejo e minha oração é que os livros da série “Aventuras de Daniel” sirvam como um marco que mostre às editoras cristãs que existe, sim, mercado para a ficção cristã e que tudo o que é preciso para

alavancar esse género são bons títulos, que sejam bem divulgados e bem distribuídos. Eu ficaria imensamente feliz se esta série despertasse entre o público português o desejo por consumir esse tipo de literatura, e que levasse mais autores a escrever obras de qualidade e incentivasse as editoras a publicar esse género literário por saber que, sim, há um enorme mercado potencial - desde que se invista em divulgação e distribuição. AR TI GO O R I GI NAL PUBLI CADO NA EDI ÇÃO #4

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PERSONA

O PROFETA FERIDO

HenriN ouwen Se as pessoas estão em comunhão com Deus e em comunidade umas com as outras, o ministério será o extravasar natural do seu amor.

A

personalidade de Nouwen, extremamente carente de afetos, sensível e sempre pronto a cuidar das feridas dos outros, através das suas próprias, deu-lhe o epíteto de “curador ferido”.

Um homem, senhor de uma espiritualidade absoluta, para quem a contemplação faz parte integrante de toda a ação diária para Deus, mas também um ser frágil, dependente do amor dos outros. Vivia numa latente fricção interior, desespero atroz porquanto não suportava o alheamento dos amigos, mesmo que sem intenção, exigindo a sua atenção quando por vezes tal era impossível. Na sua última entrevista à jornalista Rebecca Laird, editora de “Sacred Journey”, Nouwen afirmou que “Estou aqui só para dizer aquilo que sou e para me pôr à disposição dos outros”. Cinco dias antes da sua morte, Nouwen partiu para a Holanda, a fim de se encontrar com um realizador de televisão como quem viajaria para São Petersburgo, cidade onde iria gravar um documentário sobre O Regresso do Filho Pródigo (vidé Biblion nº1). Tal já não viria a acontecer, pois foi acometido de um enfarte após a chegada a Amsterdam. Hospitalizado de imediato, registou

uma ligeira melhoria, mas passados poucos dias sucumbiria a um segundo ataque. Henri tinha uma apreciação enorme pela arte, sendo um grande admirador de Vincent Van Gogh, chegando a prefaciar uma obra intitulada Van Gogh and God, onde se enaltecia a espiritualidade que brotava das suas aguarelas. Também na sua carreira como professor catedrático, a influencia do famoso pintor foi expressiva tendo geralmente um impacto muito significativo junto da sua audiência estudantil. Os seus livros primam pela incessante busca da intimidade espiritual, pela partilha das suas feridas da vida com a comunidade, pelo amor incondicional e a ajuda ao próximo. Podiam ser encontrados na Casa Branca, na mão da então Primeira-Dama norte-americana, Hillary Clinton, ou nos escombros de uma casa destruída por bombardeamentos na Bósnia. Exímio comunicador, deixava uma marca indelével em quantos assistiam às suas confe-

O P R O F E TA F E R I DO , D E M I C H A E L F O R D . P U B L I C A DO P O R PAU L I N A S E D I TO R A , L I S B OA

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FOTO: ARQUIVO

B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

O P R O F E TA F E R I DO

rências, mas por outro lado vivia por vezes numa desesperante insatisfação pessoal, pela falta de atenção, de amizade, de intimidade pessoal até, entregando-se à angustiante solidão, qual “palhaço triste”. Quando, aos cinquenta e quatro anos, espantou quem o conhecia ao abandonar a vida académica para pastorear uma pequena comunidade de pessoas com graves deficiências físicas – L’Arche Daybreak, em Toronto, retirando-se para melhor conhecer as suas próprias deficiências. Apesar de um colapso emocional, que o levou à terapia, manteve os seus escritos, expondo-se abertamente e deixando clara a sua homossexualidade, que ele próprio só aceitou nos últimos anos de vida, e que não se pode dissociar do que transpunha nas suas obras. Aquando da sua morte, o consenso ecuménico em torno da figura de Henri Nouwen era de tal forma abrangente que, desde monges ortodoxos orientais a protestantes evangélicos, de católicos radicais a judeus laicos, dos mais diversos quadrantes religiosos “o mundo da espiritualidade contemporânea chorou um dos seus expoentes mais influentes e prolíficos”.

ENDOSSO Quando deparei pela primeira vez com a expressão de Nouwen «movimento descendente», fiquei impressionado, parecendo-me profundamente intuitiva e verdadeira. A forma como o autor recorda a mensagem de Jesus opõe-se a quase tudo o que faz parte da vida moderna, mas ignorá-la foi o que deu origem à maioria dos problemas prementes com que hoje no confrontamos: aquecimento global, pobreza e um sentimento profundo de alienação. Talvez não seja demasiado tarde para mudar, e Henri Nouwen indicou-nos o caminho. PH IL IP YA N C EY (O esvaziamento de Cristo)

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TEOLOGIA

DOIS LIVROS, UM AUTOR

SamStorms alvinista

C

O

Carismático

POR DANIEL GOMES

N

ão é hábito meu dar maior relevância ao nome do autor do que aos seus livros quando escrevo um artigo. Defendo, como sempre defendi, que o conteúdo das obras vale muito mais que a boa fama de quem as escreve, e por essa razão sou várias vezes desafiado a rever livros cujos autores têm pouca ou quase nenhuma expressão no panorama literário português (penso que um exemplo seria o artigo que escrevi na edição n°2 da Biblion sobre o livro O Fim da Pobreza, de Aaron Armstrong).

PORÉM SAM STORMS, pastor da Bridgeway Church em Oklahoma City, EUA, é uma pequena exceção por duas razões: primeiro, porque os seus livros (muitos deles de uma vertente teológica) são riquíssimos em conteúdo que por sua vez nos enriquece. Segundo, porque eu já sabia que assim seria mesmo antes de pegar nos livros que serão abordados neste artigo. A impressão que Sam Storms deixou em mim a partir do púlpito de Bridgeway é que, acima de ser um pastor e um líder, Storms é um teólogo viciado (no bom sentido) na Palavra de Deus, sendo essa uma das suas características que mais sobressaem nas suas pregações e nos seus livros, e pela qual eu tenho o maior apreço pelo trabalho do Sam. Foram estas as razões que me levaram a escrever um artigo sobre duas obras magníficas de Storms. A primeira chama-se Tough Topics – Biblical Answers To 25 Challenging Questions (ou seja, “Tópicos Duros – respostas bíblicas a 25 questões

com as quais temos dificuldade em lidar”), um livro em que Storms apresenta argumentos bíblicos em resposta às maiores questões com que se debateu nos seus mais de quarenta anos como pastor. De entre os temas abordados estão a salvação, os dons do espírito, os seres sobrenaturais (isto é, os anjos e os demónios, incluindo Satanás), legalismo na igreja e a omnisciência de Deus. Com a sua vasta experiência e o seu conhecimento das Escrituras e da teologia que se formou a partir das mesmas, Sam Storms procura abrir a mente do leitor a diferentes perspectivas mais do que simplesmente a fornecer soluções às nossas dúvidas. Os seus argumentos são apoiados pela interpretação de diversas passagens bíblicas – tanto na linguagem de hoje como na linguagem original, seja ela hebraico, aramaico, ou grego – assim como pela introdução de trechos escritos por outros autores que estão relacionados com o tema em questão, sendo Wayne

DO N S E S P I R I T UA I S , D E S A M S TO R M S . P U B L I C A DO P E L A E D I TO R A V I DA N OVA , S ÃO PAU L O TO U G H TO P I C S , D E S A M S TO R M S . P U B L I C A DO P E L A C R O S S WAY , W H E ATO N , I L - E UA

28 COMPENDIUM 2017


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

Grudem, professor de teologia nos EUA, um dos autores mais citados por Storms em Tough Topics. (O leitor poderá encontrar um artigo sobre uma das mais recentes obras de Wayne Grudem, A Pobreza das Nações, na versão interativa desta edição da Biblion!). O segundo livro de Storms que tive o privilégio de ler chama-se Dons Espirituais: Uma Introdução Bíblica, Teológica e Pastoral. O livro fala dos

Minha esperança é que cada um de nós determine, em seu coração, não ser um cético que acaba apagando o fogo do Espírito, nem um tolo que ingenuamente acredita em tudo o que é dito. S A M S TO R M S DONS E SPIRITUAIS

diversos dons do espírito mencionados no Novo Testamento e que estão fortemente ligados às congregações carismáticas e pentecostais. Aqui o autor argumenta que os dons do espírito são para hoje tal com eram nos dias dos Apóstolos, que não estão restritos a um grupo selecto de pessoas e que não há dons mais espirituais que outros. Com base nas

epístolas de Paulo e em experiências pessoais e de terceiros, Storms reflete nos dons de cura, fé, profecia, sabedoria e conhecimento, e o falar em línguas. O livro desmistifica o sensacionalismo em volta destes dons, apelando à Palavra para demonstrar que a obra do Espírito Santo através dos crentes é o verdadeiro dom de Deus, que se manifesta nos seus filhos das mais diversas maneiras, incluindo as mais incomuns e incompreendidas pelo ser humano. Dons Espirituais (na versão original, The Beginner’s Guide to Spiritual Gifts) é um livro repleto de argumentos persuasivos e histórias marcantes, que habilmente justifica o poder de Deus através do seu povo. Para terminar, gostaria de sugerir ao leitor que leia estas duas obras com tempo e paciência. Por vezes a complexidade do raciocínio de Storms e a linguagem utilizada podem ser difíceis de digerir, especialmente quando aliados a temas igualmente difíceis de compreender. No entanto, estas são obras cruciais no desenvolvimento de uma mente e de um coração que buscam pela verdade, e merecem um pequeno esforço extra da nossa parte para serem lidas e entendidas.

A R T I G O O R I G I N A L P U B L I C A DO N A E D I Ç ÃO # 4

Sam Storms serve como pastor na Bridgeway Church, em Oklahoma City, é casado com Ann há 45 anos, tem duas filhas e 4 netos. Já escreveu dezenas de livros, entre os quais Escolhidos: uma exposição da doutrina da eleição (Ed. Vida Nova - Brasil). Fundador da Enjoying God Ministries, preside à Evangelical Theological Society. www.biblion.pt 29


EFEMÉRIDE

CENTENÁRIO DA MORTE DE OSWALD CHAMBERS

Biddy

I M AG E M : B A K E R B OO K S , A D I V I S I O N O F B A K E R P U B L I S H I N G G R O U P © 2 0 1 7 . U S E D B Y P E R M I S S I O N

A Senhora Chambers

O

Michelle Ule que pode uma mulher esperar de um casamento com um homem totalmente comprometido com Deus? Alguém que diz “não ter mais nada a oferecer-lhe que o seu amor e um serviço permanente a Ele”?

Esta mulher chama-se Gertrude Annie Hobbs, “Biddy” como afetuosamente era tratada, e incondicionalmente aceitou o desafio que lhe foi apresentado por Oswald Chambers em plena Catedral de São Paulo, em Londres. Uma proposta algo surpreendente, pois Chambers era um virtuoso pregador itinerante, que vivia para proclamar o Evangelho, e sem intenções de formar família. Sem salário nem habitação permanente, e por conseguinte sem condições para sustentar uma mulher, muito menos uma casa. De uma família da vitoriana classe média, e perante o falecimento prematuro do pai, Biddy cedo teve de procurar recursos para apoiar a mãe, aplicando o excelente conhecimento gramatical, e a sua destreza ao piano para se especializar em dactilografia, competência muito valorizada entre as mulhe-

res, atendendo ao desenvolvimento industrial e empresarial da época. Com a irmã mais velha, trabalhavam em Londres, e juntamente com a mãe, serviam ativamente na Igreja Baptista de Eltham Park, liderada pelo Reverendo Arthur C. Chambers, irmão de Oswald. Embora reservada na sua vida espiritual, aproveitava os sermões para praticar estenografia, o que a ajudava a assimilar melhor o que ouvia. Essa qualidade viria a ser fulcral para que milhões viessem a conhecer os escritos e sermões do futuro marido. No centenário do súbito falecimento de um dos maiores vultos da propagação do evangelismo, em plena I Guerra Mundial, uma boa sugestão para conhecê-lo através do testemunho da mulher que prosseguiu a sua missão por meio dos livros e devocionais.

M R S . O S WA L D C H A M B E R S , D E M I C H E L L E U L E . P U B L I C A DO P O R B A K E R B OO K S , U S A

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JESUS

I M AG E M : A R Q U I V O

O IMPACTO IMPREVISÍVEL DE JESUS

J

Quem é este Homem? John Ortberg

ohn Ortberg tem o condão de fundamentar os seus pensamentos com palavras simples, de esclarecer, não só nas Escrituras mas principalmente exemplificando com pequenas histórias e escritos antigos, expressões e ditados populares, até.

Por isso, a leitura de “Quem é este Homem?” se torna tão fascinante que nos leva a querer lê-lo de um fôlego. Do mesmo modo, o autor se notabilizou como uma referência na literatura cristã da atualidade, nomeadamente, com obras como Somos todos (a)normais, Venha andar sobre as águas ou Fé e dúvida. Ortberg, que é o pastor da Igreja Presbiteriana de Menlo Park, na Califórnia, responde à pergunta que dá nome ao livro apresentando uma perspetiva, não de um pastor ou teólogo, mas sim do ponto e vista dos milhentos personagens que ao longo dos últimos dois mil anos da História foram impactados por essa figura maravilhosa, Jesus. De historiadores a iletrados, de sacerdotes a plebeus, anciãos ou crianças, contemporâneos do Mestre ou da Idade Média, míseros pobres ou ricos avarentos, exploradores de escravos ou filantropos, homens ou mulheres – dos mais diversos quadrantes, o autor mostra o quanto Jesus influenciou, e dois milénios depois influencia cada vez mais a nossa sociedade.

E tal como o sub-título antecipa, este livro explana o que foi e continua a ser “o impacto imprevísível de Jesus” nas vidas das pessoas, crentes ou não, das nações, nos negócios, na governação. Jesus tinha uma grande empatia com os desprezados, os enfermos, os pobres, escravizados e abusados. Daí a sua importância para a esmagadora maioria da população mundial ao longo dos tempos. Ele “vestiu-se como escravo, trabalhou como escravo, e teve a morte de um escravo, [embora um Rabi, foi] uma personis mediocribus. Como a ex-Secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, escreve no prefácio “nenhum aspeto da nossa existência humana foi o mesmo depois daquele longínquo domingo fatídico”. Nos últimos capítulos, Ortberg expõe os acontecimentos dos derradeiros dias de Jesus, entre a condenação à ressurreição, completando a esta exposição sobre esse mix de humanidade e divindade – Jesus. PA U L O S É R G I O G O M E S

Q U E M É E S T E H O M E M ? , D E J O H N O R T B E R G . P U B L I C A DO P O R E D I TO R A V I DA , S ÃO PAU L O , B R A S I L

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coleções

ANTEVISÃO

O MAIS IMERSIVO E TECNOLOGICAMENTE AVANÇADO MUSEU DO MUNDO

museu da bíblia OS MANUSCRITOS ANTIGOS DA BÍBLIA Uma sequência de textos bíblicos originais, incluindo o P39 (p.oxy. 1780) e o Greek Psalms Coex, conhecido como P. Bodmer XXIV (Rahlfs 2110). O fragmento Wyman, uma das mais antigas cópias de Romanos 5:1 – passagem-chave durante a Reforma Protestante.

MANUSCRITOS MEDIEVAIS O Codex Climaci Rescriptus, manuscrito que contém textos bíblicos e clássicos, entre os sécs. Sexto e Oitavo, em Aramaico e Grego, com conteúdos em Sírio dos Sécs. IX e X. O texto em aramaico é o maior corpo de Aramaico Palestiniano Cristão, um dialeto próximo daquele usado por Jesus Cristo. O Rosemary Rolle com a tradução de Salmos em Inglês Medieval anterior em 40 anos à tradução de Wycliffe. Uma cópia do Novo Testamento, de Wycliffe, em Inglês Medieval. Raros Manuscritos iluminados, incluindo Hours e Psalter de Elizabeth de Bohun, um dos mais belos produzidos na Inglaterra do Séc. XIV.

A R T I G O O R I G I N A L P U B L I C A DO N A E D I Ç ÃO # 5

34 COMPENDIUM 2017


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

TEXTOS JUDAICOS A mais vasta coleção particular de manuscritos da Torah, percorrendo mais de 700 anos de história, incluindo aqueles que sobreviveram à Inquisição Espanhola, e manuscritos confiscados pelos nazis, na 2ª Guerra Mundial, entre outros. A segunda maior coleção privada de fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto, sujeitos a investigação e a serem mostrados ao público pela primeira vez. A mais antiga forma de livro de oração Hebraico. Proporcionando uma importante ligação histórica entre os Manuscritos o Mar Morto e os testos Hebraicos que os sucederam.

BÍBLIAS IMPRESSAS E ARTEFACTOS DA ÉPOCA DA REFORMA Primeiras edições da Bíblia King James, e da Bíblia Douay-Rheims, a primeira Bíblia Católica traduzida para Inglês. Vários exemplares dos primeiros livros impressos, incluindo fragmentos da Bíblia de Gutenberg e do Novo Testamento de Tyndale. Primeiros Tratados e Bíblias de Martinho Lutero, incluindo uma pouco conhecida carta escrita por Lutero, na véspera do encontro com o representante do Papa.

AMERICANA A primeira edição da Eliot Indian Bible, a primeira Bíblia, e a Aitken Bible, a primeira completa em inglês, a serem impressas na América. Bíblias de figuras históricas e celebridades, como Elvis Presley, e antigos presidentes americanos. A Bíblia Lunar – a primeira Bíblia e viajar até outro corpo celestial.

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B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

C R É D I TO S : A L L C R E D I T S TO M U S E U M O F T H E B I B L E - P H O TO S , G R A P H I C S , R E N D E R I N G S

O MUSEU PISO-A-PISO

36 COMPENDIUM 2017

6

JARDIM BÍBLICO RESTAURANTE Galeria Panorâmica

5

Exposições de Longa Duração artes Representativas Sala de Conferências Biblioteca de Pesquisa

4

Galeria de Narrativa da Bíblia NAZARETH VILLAGE

3

Galeria de História da Bíblia

2

Galeria do Impacto da Bíblia

1

Lobby Átrio de Entrada Media Wall Loja do Museu Galeria Infantil e Bibliotecas Associadas Mezzanine/Cafetaria


ESPAÇOS CURIOSIDADES Área: cerca de 2.500.000 m2 Pisos: 8

experienciar toas as atividades do museu: 9 dias (8 horas/dia)

Pisos de Exposição Central: 5 (História, Narrativa e Impacto da Bíblia; galerias e acervo internacional de longa permanência)

Comprimento do LED gigante exposto no Grande Lobby: 35m

Custos de aquisição, demolição e construção: US$ 500 milhões

Textos e artefactos bíblicos em exposição, apenas no piso “História”: mais de 500

Duração da Visita, lendo todos os placards, ver todos os artefactos e

Jardim Bíblico: no topo do edifício Salão de Festas: até 630 lugares

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GENEROSIDADE

GIVING IT ALL AWAY... AND GETTING IT ALL BACK AGAIN

O Modo de Viver Generosamente

O

David Green com Bill High

que poderá, o 234º multimilionário mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em mais de seis mil milhões de dólares, ensinar-nos sobre como viver generosamente? Talvez um artigo de 2012 da revista americana Forbes ajude a entender quando começa por referir que “David Green insiste que Deus é o verdadeiro dono” da sua empresa, a Hobby Lobby.

I M AG E M : Z O N D E R VA N . CO M

Green conduz a sua vida segundo os preceitos bíblicos, aplicando-os na sua vida empresarial, e é essa experiência de quase 50 anos que desejou partilhar neste livro com um extenso título - “Giving it all away... and getting it all back again” (trad. “Dando tudo... e recebendo tudo de volta”), tal como a catadupa de exemplos aqui expressos. Do arranque com um empréstimo de seiscentos dólares, na cozinha, com os filhos a produzir pequenas molduras, por sete cêntimos a peça, à aplicação da sua “parceria” com Deus na condução das suas decisões do dia-a-dia, fazendo de cada situação uma oportunidade para dar, disfrutando da riqueza de receber de volta. Mas não só relata os desafios com a gestão diária dos negócios, mas também da sua intervenção social, como o célebre caso Burwell vs. Hobby Lobby que chegou ao Supremo Tribunal americano, quando o governo federal ordenou que as empresas fornecessem medicamentos contracetivos às funcionárias, o que contrariava as convicções religiosas da família Green. A multa diária superior a um milhão de dólares não os intimidou, a perda do processo significaria o fim da empresa e o desemprego de 32 mil pessoas, e avançaram para uma batalha judicial que no fim, em 2014, acabou dando razão a Green, excetuando-a de cumprir a determinação governativa. O livro reflete um conjunto de lições que David aprendeu, o legado tangível, mas sobre-maneira o intangível, que a vida lhe permitiu beneficiar, não pela busca de riqueza material, mas de graça divina. Filho de um pastor, David cedo absorveu o caráter generoso personificado na

vida de seus pais, pois apesar de os recursos financeiros serem escassos tinham sempre algo para partilhar. Ao longo da sua extensa vida empresarial e filantrópica, e embora continue liderando o império de artigos decorativos, tem-se envolvido em projetos de significativoimpacto na sociedade. David Green apela «ao sentido de urgência no que respeita às prioridades de Deus sobre os recursos que nos foram dados». A família Green não só tem assegurado uma legado financeiro sustentável, como segue as diretrizes bíblicas para abençoar outros, contribuindo para propagar a Palavra de Deus a todas as pessoas. Nesse espírito, nasceram vários empreendimentos cujo legado familiar, se bem que pouco expressivo, tem uma envergadura singular, como o suporte cooperativo Every Tribe Every Nation, que visa acelerar e coordenar as diferentestraduções da Bíblia, implementando um sistema padronizado de desenvolvimento de conteúdos digitais, assente numa credível biblioteca bíblica digital. A App da Bíblia, da YouVersion (ndr: apresentada na edição anterior da Biblion), beneficia grandemente deste conjunto de iniciativas agregando o maior repositório digital de versões e traduções da Bíblia, incluindo o português. Outro grandioso compromisso que os Green têm desenvolvido prende-se com o inovador Museu da Bíblia (ndr: também apresentado na última edição), com abertura ao público em Novembro, composto pelo maior acervo de Bíblias do mundo, com o objetivo de contar a narrativa, a história e o impacto da Bíblia.

G I V I N G I T A L L AWAY . . . A N D G E T T I N G I T A L L B AC K AG A I N , D E DAV I D G R E E N . P O R Z O N D E R VA N , G R A N D R A P I D S - E UA

38 COMPENDIUM 2017


SIMPLICIDADE

TRADUZIDO E ANOTADO POR THOMAS MERTON

O Espírito de Simplicidade

n

Jean-Baptiste Chautard

este livro curto, claro e conciso, Jean-Baptiste Chautard e Thomas Merton falam da importância de possuirmos um carácter simples e humilde e de como esse é um principio fundamental para a Ordem Cisterciense de Estrita Observância.

I M AG E M : AV E M A R I A P R E S S

“Porquê ler um livro de monges?”, o leitor poderá estar a pensar. A pergunta parece fazer sentido se o leitor não está de forma nenhuma ligado à vida de monge, ou à Igreja Católica sequer. Porém é preciso ter em conta que o monge, embora vivendo numa realidade incomum para a maior parte dos crentes – ainda para mais quando o monge é um trapista, como Chautard e Merton – vive uma vida de completa abnegação de vontade própria em prol de um bem maior: Deus. É quase natural que um monge dedicado a buscar o Pai em todo o seu tempo eventualmente tenha algo a dizer sobre este tema. Chautard não é exceção. Ao abade de Sept-Fons, monge da O. C. E. O. e autor de L’Âme de Tout Apostolat (“A Alma de Todo Apostolado”), foi-lhe pedido que escrevesse um texto de encorajamento a freiras que tinham ingressado recentemente na rigorosíssima Ordem. Chautard respondeu-lhes com a obra que precisavam: “O Espírito de Simplicidade”. Em poucas páginas, Chautard explica a relevância do rigor e da humildade característicos dos Trapistas (outro nome para os monges da O. C. E. O., proveniente da Abadia de La Trappe) na caminhada com Deus e na identidade da própria ordem monástica. Ele refere muitas vezes a Cîteaux, berço da Ordem Cisterciense, na sua exortação a uma vida de simplicidade: “O espírito de Cîteaux é um espírito de simplicidade: isto é, um espírito de sinceridade, de verdade.” Chautard reflete também nos exemplos de Bernardo de Claraval e Bento de Núrsia, modelos de uma vida humilde e devota à vontade de Deus; também menciona constantemente documentos essenciais para a formação e manutenção

de uma vida monástica em torno do conceito de simplicidade, como o Exordium Parvum, que ele parece atribuir a Stephen Harding, também ele um monge Cisterciense. Para Chautard, simplicidade é a chave para uma vida em conformidade com o querer de Deus. Ao abordar os costumes da Regra de Cister original, Chautard realça a forma como a humildade e a frugalidade são necessárias para melhor percebermos a nossa condição perante Deus. O monge defende que a simplicidade tem que vir de dentro dos nossos corações antes que produza efeito no nosso exterior: “O amor é o poder que concretiza a união. Produz primeiramente uma união na nossa alma, e em seguida torna a nossa alma num mesmo espírito com o Senhor.” Thomas Merton complementa o texto de Chautard com a sua análise, providenciando numerosos excertos de Bernardo de Claraval para melhor entendermos o pensamento do Abade de Sept-Fons. A partir dos escritos de S. Bernardo, Merton afirma que a simplicidade é uma característica fundamental do crente e que resulta da sobreposição da vontade de Deus no nosso querer. O objetivo de uma vida humilde e abstémica é a união com Deus, algo que está dependente da graça do Senhor, mas para a qual somos preparados quando o espírito de simplicidade habita em nós. Neste mundo cada vez mais focado no consumismo e nos interesses pessoais, O Espírito de Simplicidade mantém-se atual mesmo depois de quase noventa anos desde que foi escrito por Chautard. A obra é uma lufada de ar fresco nos desafia a redirecionarmos os nossos objetivos e a adotarmos um estilo de vida que nos aproxima mais e mais da natureza de Deus. DA N I E L G O M E S

T H E S P I R I T O F S I M P L I C I T Y , D E J E A N - B A P T I S T E C H AU TA R D . P U B L I C A DO P O R AV E M A R I A P R E S S , N O T R E DA M E , E UA

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HISTÓRIA

A MAIS CONHECIDA DE TODAS AS ORDENS RELIGIOSAS

FOTO: ARQUIVO

Os

Templários

U

Canal de História

ma instituição mítica. Um princípio humilde. Um desfecho execrável. Tudo o que há a saber sobre a Ordem do Templo – a misteriosa ordem militar que ainda hoje faz correr rios de tinta – encontra-se nas mais de 300 páginas deste livro produzido pelo Canal de História.

Hoje, os Templários são objeto de fascínio para miúdos e graúdos. A riqueza e poder acumulados ao longo de quase dois séculos, combinados com os rumores de ligações ocultas e a súbita extinção da ordem, granjearam-lhes uma reputação semi-lendária ainda muito popular nestes dias. Mas a verdade da Ordem do Templo como ela existiu na Idade Média é bem diferente das teorias de conspiração que se formaram em seu redor nos últimos dois séculos. Tudo começou a partir de uma necessidade. A Primeira Cruzada resultara na conquista de Jerusalém aos muçulmanos e na criação de estados cristãos pelos cruzados, mas as estradas que davam à Terra Santa continuavam infestadas de salteadores e bandidos que punham em perigo a vida de milhares de peregrinos. Em 1120, um grupo de cavaleiros chefiados por Hugues de Payns resolveu combater essa necessidade de uma forma muito singular. Após um tempo de convivência com os monges do Santo Sepulcro de Jerusalém, os cavaleiros fizeram os votos religiosos de obediência, castidade e pobre-

za em 1120, ao mesmo tempo que se entregavam de corpo e alma à proteção dos peregrinos. Sem o saber, os “Pobres Cavaleiros de Cristo”, como então se denominavam, tinham fundado a primeira e mais famosa ordem militar da história. Após receber o aval e a regra monacal de Bernardo de Claraval, a Ordem dos Templários legitimou-se como um paradigma não só para monges, mas especialmente para cavaleiros. Dotada de um propósito sagrado e de um rigor intransigente, a Ordem cresceu rapidamente como a elite das forças cruzadas no Outremer. Centenas de cavaleiros deixavam tudo o que tinham para ingressarem na Ordem e se tornarem dignos de honra e da salvação eterna. Através da assistência papal e de numerosas doações oriundas de toda a Cristandade, os Templários cresceram para além da Terra Santa. Desempenharam um papel fulcral na Reconquista, visto que essa não poderia ser bem sucedida sem a intervenção da Ordem. De acordo com o historiador Adriano Vasco Rodrigues, “não teríamos a independência de Portugal, nem a extensão territorial portuguesa, se

T E M P L Á R I O S , D E C A N A L D E H I S TÓ R I A . P U B L I C A DO P O R C L U B E DO AU TO R , L I S B OA

40 COMPENDIUM 2017


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

não fosse pela ajuda dos Templários. Portugal não seria Portugal se não tivesse sido por eles.” Ao longo de quase duzentos anos, os Templários representaram o que todos reconheciam naquela altura como verdadeiros soldados de Cristo: homens que se dedicavam por excelência e sem quaisquer reservas a uma guerra que era tão física quanto espiritual. O hábito branco de pureza, a cruz vermelha, e vários outros detalhes fizeram do Templário um ícone excelso que reunia virtudes heroicas com uma causa e fervor religiosos. Tal brio pela defesa dos lugares santos por parte da Ordem foi essencial na manutenção dos estados cristãos no Médio Oriente, o que não durou muito tempo devido aos esforços contínuos dos poderes muçulmanos e à divisão no seio da nobreza cristã. A queda dos territórios cruzados no Outremer e o relaxamento de muitos membros de comendas distantes dos palcos de guerra ditaram o começo do fim inesperado da Ordem. Apesar da sua história como defensores dos frágeis e oprimidos em terras longínquas e perigosas, os Templários foram rapidamente alvo da inveja e ganância de homens muito poderosos do seu tempo; homens que fizeram uso de toda a sua habilidade e influência para acabar com a Ordem de forma brutal e definitiva. Jacques de Molay, o último grão-mestre da Ordem, fora queimado na fogueira em 1314, depois de tantos outros Templários terem recebido o mesmo fim. Embora a Ordem do Templo tivesse acabado em desgraça, a sua memória continuou viva através de reis sensatos que se negaram a castigar os Templários, ou que, como foi o caso de D. Diniz, restituíram a Ordem sob um nome diferente. Tudo isto e muito mais pode ser lido nesta obra detalhada, que conta com a participação de historiadores e especialistas internacionais como Helen Nicholson e Alain Demurger. Trata-se de um livro importantíssimo para melhor entender uma das instituições mais poderosas da era medieval, assim como a forma como ela impactou a Cristandade do seu tempo.

O DOUTOR MELÍFLUO Através dos livros Templários e O Espírito de Simplicidade ficamos a conhecer melhor uma das figuras incontornáveis da Igreja na Idade Média: Bernardo de Claraval. O “Doutor Melífluo” – assim chamado pelo papa Pio XII pelos seus dotes soberbos como um orador e escritor persuasivo – foi um dos clérigos mais influentes do séc. XII, cujas obras e reformas foram determinantes para a Igreja. Bernardo começou a sua vida eclesiástica como monge da então recente Ordem de Cister, mas a sua visão e espírito inabaláveis levaramno a desempenhar um papel fulcral na reforma da ordem. Cedo ganhou a confiança de líderes eclesiásticos e laicos como um mediador sábio e um homem de fé, sendo convocado por papas e altos membros da nobreza ao longo da sua vida e com o intuito de encerrar disputas tanto do foro espiritual como político. Uma das vozes mais respeitadas do seu tempo, Bernardo de Claraval manteve o fervor religioso da época bem aceso, exortando os cristãos a defenderem a Terra Santa através das Cruzadas e dando o seu apoio à fundação de uma ordem militar religiosa, a dos Templários. Mesmo após a sua morte em 1174, a sua influência perdurou por muitos séculos, sendo ainda uma referência para cristãos nos dias de hoje.

DA N I E L G O M E S

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BEST OF

MENÇÕES HONROSAS

SELEÇÃO

DOS

EDITORES

C. S. LEWIS

O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA ERIC METAXAS

TIMOTHY SMITH

THE CHAMBERLAIN KEY

Everything You Always Wanted to Know About God [But Were Afraid To Ask] – The Jesus Edition NICK VUJICIC

IMPARÁVEL NICK VUJICIC

ME DÁ UM ABRAÇO SAM STORMS

TOUGH TOPICS GREG BOYD & PAUL EDDY

MAURÍCIO ZÁGARI

O ENIGMA DA BÍBLIA DE GUTENBERG

ACROSS THE SPECTRUM GARY CHAPMAN

AS 5 LINGUAGENS DO AMOR GREG KOUKL

THE STORY OF REALITY RICHARD FOSTER

CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA PAOLO SQUIZZATO

AMY & CRAIG GROESCHEL

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE

ELOGIO DA IMPERFEIÇÃO TIMOTHY KELLER

ORAÇÃO

WAYNE GRUDEM

A POBREZA DAS NAÇÕES HENRI NOUWEN

O REGRESSO DO FILHO PRÓDIGO DIETRICH BONHOEFFER ED RENÉ KIVITZ

O LIVRO MAIS MALHUMORADO DA BÍBLIA

42 COMPENDIUM 2017

DISCIPULADO EUGENE PETERSON

A LINGUAGEM DE DEUS


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

C. S. LEWIS

O LEÃO, A FEITICEIRA E O GUARDA-ROUPA EDITORIAL PRESENÇA

Edição nº 5 SET/OUT 2017

O segundo volume das Crónicas de Nárnia (o primeiro por data de publicação) é um marco da genialidade de C. S. Lewis, que habilmente transformou a crucificação e ressurreição de Cristo num conto aliciante. O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa relata as peripécias de Peter, Susan, Edmund e Lucy Pevensie, quatro irmãos que chegam ao mundo mágico de Nárnia

e são encarregados de libertarem os seus habitantes da malvada Feiticeira Branca. Uma história repleta de drama, bravura e redenção, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa é para muitos uma das melhores obras de literatura infantil de sempre, clara-

mente merecedor de um lugar no nosso Top 15.

ERIC METAXAS

Everything You Always Wanted TO

Know About God (But Were Afraid to Ask) – The Jesus Edition BAKER BOOKS

Edição nº 4 JUL/AGO 2017

De uma forma bastante original e educativa, Eric Metaxas convida o leitor a descobrir quem Jesus realmente é no seu livro Everything You Always Wanted to Know About God (But Were Afraid to Ask) – The Jesus Edition. Destinado a uma audiência que não está familiarizada com Cristo, o livro

descreve Jesus em grande detalhe, no estilo de uma série de perguntas e respostas que tornam a mensagem mais informal e apelativa ao público. Esta obra de Metaxas garante assim um lugar no Top 15, provando que o ensino bíblico pode e deve ser uma experiência divertida e cativante.

NICK VUJICIC

IMPARÁVEL WATERBROOK press

Edição nº 4 JUL/AGO 2017

Imparável conta-nos alguns dos momentos mais marcantes da vida de Nick Vujicic, o famoso autor e evangelista australiano que nasceu com tetra-amelia (isto é, sem braços e sem pernas). Nesta obra motivadora Nick explica como foi capaz de ultrapassar

a sua condição através da sua fé em Cristo e como nós podemos superar os nossos obstáculos. O nosso Top distingue esta obra revitalizadora pela sua mensagem de fé e esperança para todos os que estão a passar por momentos difíceis nas suas vidas.

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BEST OF

NICK VUJICIC

Me Dá Um Abraço MUNDO CRISTÃO

Edição nº 1 VERÃO 2016

O evangelista australiano Nick Vujicic destaca-se dos demais autores presentes neste Top 15 ao ter não uma, mas duas obras suas na lista. O seu livro infantil Me Dá Um Abraço fala-nos da história de Nick, desde o seu nascimento aos dias de hoje. Nick realça a sua luta com tetra-amelia e as

dificuldades que esta síndrome rara levantaram no seu dia-a-dia, assim como o papel da fé em superar a sua condição e em “abraçar” as suas qualidades e oportunidades. Este é um livro para crianças com uma mensagem forte e madura, digno de estar presente no Top 15.

SAM STORMS

Tough Topics CROSSWAY

Edição nº 4 JUL/AGO 2017

O livro temerário de Sam Storms faz parte do nosso Top 15, destacando-se pelo seu conceito e rigor bíblicos. A premissa do pastor norte-americano é simples: analisar 25 dos temas mais espinhosos da teologia e espiritualidade Cristãs de acordo com o que as Escrituras dizem. Desde os dons

de espírito aos dízimos, Sam Storms examina cada tópico com um detalhe absoluto, recorrendo a inúmeras passagens bíblicas para descomplicar estes temas ao leitor. Com um conteúdo abrangente e vital para o mundo Cristão, Tough Topics é certamente um dos Top 15 das últimas seis edições.

GREG BOYD & PAUL EDDY

Across the Spectrum BAKER ACADEMIC

Edição nº 3 INVERNO 2016

Gregory A. Boyd e Paul R. Eddy marcam presença no nosso Top com o livro Across The Spectrum, uma obra de teologia evangélica louvada pelo seu rigor e transparência. O livro contende a panóplia de posições que dividem os Cristãos em vários temas como a Criação, o livre-arbítrio, e o

44 COMPENDIUM 2017

batismo. Esta é sem dúvida uma obra que edifica e preserva o espírito Cristão, em que Boyd e Eddy demonstram respeito absoluto pela variedade de opiniões e amor pela verdade como poucos autores deste meio literário o fazem.


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

GARY CHAPMAN

AS 5 LINGUAGENS DO AMOR nexo editorial

Edição nº 3 INVERNO 2016

As 5 Linguagens do Amor, de Gary Chapman tornou-se um bestseller mundial, pois a sua abordagem simples e alicerçada em casos comuns, conclui que existem apenas cinco tipos de linguagem comunicacional a serem identificadas por forma a criar um relacionamento saudável e

duradouro entre os casais. O segredo reside em descobrir a linguagem do amor da cara-metade, e isso irá ajudar a relacionar-se com o parceiro e ajudará a compreender os desafios próprios da vida a dois. Um livro indispensável quando o Amor é...

GREG KOUKL

THE STORY OF REALITY ZONDERVAN

Edição nº 3 INVERNO 2016

Trata-se de um livro de inestimável saber apologético que, como refere Tom Challies, o autor/reviewer que graciosamente nos permitiu a sua tradução, The Story of Reality (A História da Realidade), de Greg Koukl, conta a história do mundo através duma lente panorâmica com cinco partes. O subtítulo assenta na perfeição: “Como começou o Mundo, Como

Acabará, e Tudo o que de Importante Entretanto Acontece”. E acrescenta, “Koukl estrutura a sua apresentação da história da realidade em torno de cinco temas: Deus, Homem, Jesus, Cruz e Ressurreição”, demonstrando “que a Bíblia faz sentido ao mundo inteiro, que forma a base duma cosmovisão satisfeita, coesa e coerente”.

RICHARD FOSTER

CELEBRAÇÃO DA DISCIPLINA EDITORA VIDA

Edição nº 2 OUTONO 2016

Estamos perante um dos livros que deveria fazer parte da estante de qualquer pessoa, não necessariamente cristã. Celebração da Disciplina é um dos livros mais influentes da literatura moderna. Foster profusamente insiste ao longo do livro, que a vida merece ser disfrutada com tranquilidade, de forma simples. O tempo tem o seu próprio ritmo, e deve ser

lento, silencioso. Também a sua leitura requer calma, estudo, meditação. Cada disciplina versada aqui é uma ferramenta valiosa para a progressão numa longa caminhada de crescimento espiritual e de um relacionamento único com Deus. A solo, ou inserido num estudo em grupo, trata-se de

uma obra fundamental, de leitura obrigatória para todos.

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BEST OF

PAOLO SQUIZZATO

ELOGIO DA IMPERFEIÇÃO PAULINAS EDITORA

Edição nº 2 OUTONO 2016

Elogio da Imperfeição é um livrinho de leitura fácil e inspiradora. Aqui o autor expõe as nossas fraquezas naturais - a nossa imperfeição, não deixando de nos levar a refletir sobre nos reconciliarmos com Deus e o mundo que nos rodeia. Guiando-nos pela leitura harmoniosa e perdoadora das nossas fragilidades urge-nos a as-

sumirmos quem somos e como somos, imperfeitos e pecadores. Squizzato acompanha-nos na caminhada da reconciliação, através do amor, do perdão e da misericórdia, primeiro connosco próprios, sem justificações estéreis, mostrando-nos que existe uma saída, confiando em Deus.

TIMOTHY KELLER

ORAÇÃO EDITORA VIDA NOVA

Edição nº 2 OUTONO 2016

Tim Keller leva-nos a entender os pilares básicos de uma vida centrada na comunhão com Deus, através da oração. Repleto de anotações, o que confere ao livro uma riquíssima maisvalia, Keller leva-nos a questionar a forma, e os hábitos, como nos dirigimos a Deus, o momento apropriado, o ambiente adequando, a espera

por resposta. Trata-se de um manual extremamente útil e prático, conduzindo o leitor a uma descoberta do deleite que constitui essa comunhão intima com Deus, constantemente alicerçada em fundamentos bíblicos, e sugestões práticas para atingir a plenitude dessa entrega incondicional.

WAYNE GRUDEM & BARRY ASMUS

A POBREZA DAS NAÇÕES EDITORA VIDA NOVA

Edição nº 4 JUL/AGO 2017

Tal como Rick Warren, pastor da Saddleback Church, menciona na apresentação, “já faz algum tempo que espero por um livro como este”. Não que outros bons livros não abordem este tema, alguns até serviram de estudo aos autores, mas este precisava mesmo de ser escrito. Grudem e Asmus abrem o livro dando conta do seu objetivo com esta obra: propor uma solução sustentável para

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a pobreza nas nações pobres do mundo, baseando tanto na sua história económica como nos fundamentos bíblicos. A solução proposta pelos dois catedráticos não tornará todos os países pobres em ricos, mas pretende elevar o nível de vida de todas as pessoas, criando oportunidades para que os mais desfavorecidos também vejam a prosperidade chegar a eles.


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

HENRI NOUWEN

O REGRESSO DO FILHO PRÓDIGO EDITORA A.O.

Edição nº 1 VERÃO 2016

O Regresso do Filho Pródigo, editado em português pela Editora A.O., é um poderoso hino à humilde cura através do perdão, da reconciliação, da incondicional permissão para nos recolhermos nos braços do Deus omnipotente. Ao lermos o livro, somos literalmente transportados para o contexto da parábola do filho pródigo, mas confrontando-nos com os nossos comportamentos face a atitudes como

o ressentimento, a insubordinação, ou o orgulho. Sendo uma obra que conta a experiência espiritual de Nouwen, com a qual o leitor provavelmente se identificará, podendo encontrar respostas a dilemas pessoais, como uma terapia afetiva ou de relacionamentos, não deixa de ser uma oportunidade para apreciar a arte e o talento de Rembrandt.

DIETRICH BONHOEFFER

DISCIPULADO MUNDO CRISTÃO

Edição nº 1 VERÃO 2016

Bonhoeffer alerta-nos para o facilitismo e um certo “embaratecimento” dos crentes ao corresponder à mensagem Cristã, apelidando mesmo de “graça barata”, desafiando-nos a questionar a forma leviana como nos submetemos a Cristo. Tomando o Sermão do Monte como esteio do seu discurso, ilustra-nos a comunhão do discipulado, ao ponto de demonstrar

que “o mérito da justiça do discípulo consiste em que, entre ele e a lei, está aquele que cumpriu a lei inteiramente, aquele com quem o discípulo está em completa comunhão”. É um trabalho provocativo, instando a que atuemos, saiamos do nosso conforto. É um livro denso, exigente, mas fundamental a todo aquele que deseja realmente ser um verdadeiro… discípulo de Cristo!

EUGENE PETERSON

A LINGUAGEM DE DEUS MUNDO CRISTÃO

Edição nº 5 SET/OUT 2017

Grande mestre no estudo da Palavra de Deus, autor de A Mensagem, Eugene Peterson sonda a profunda sabedoria subjacente aos variados aspetos da linguagem usada por Jesus, descrevendo os diferentes tipos de comunicação utilizada por Deus para o nosso entendimento. O autor expõe a oração de Jesus na

Cruz, as suas últimas sete “palavras da cruz”. Sete orações e uma só frase. Nenhum dos Evangelhos as relata todas. Peterson optou por apresentá-las numa sequência harmoniosa, com uma coerência interior. As sete orações são metáforas, reais, que somos convidados a usar nas nossas orações quotidianas. Indispensável!

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ENIGMA

UM LIVRO JÁ ADAPTADO PARA A TV E CINEMA

F O TO S N E S TA PÁG I N A : WAT E R B R OO K , A D I V I S I O N O F P E N G U I N R A N DO M H O U S E © 2 0 1 7 . U S E D B Y P E R M I S S I O N

O AUTOR

T I M OT H Y S M I T H

THE CHAMBERLAIN KEY

TIMOTHY P. SMITH, com Bob Hostetler

U

ma das personalidades que não só endossa a obra, e a empenhada e laboriosa pesquisa do autor, como contribuiu para que este visse os seus estudos confirmados, foi nada mais nada menos que Eugene Ulrich. O editor-chefe da Biblical Dead Sea Scrolls (Manuscritos do Mar Morto) é uma das três individualidades com completa autoridade sobre o assunto. Ulrich, que dedicou a sua vida às Escrituras Hebraicas, os manuscritos e a Septuaginta, não só confirmou a autenticidade das fontes usadas por Timothy Smith, nomeadamente aquelas no texto Massorético (de tradição, em hebraico), baseadas no Codex Leningradensis (Códice de São Petersburgo) – o mais antigo manuscrito completo da Bíblia Hebraica – assim como o Codex de Aleppo, embora sem a maior parte do Pentateuco. Os Massoretas notaram discrepâncias entre o Hebraico e o Aramaico, criando uma matriz codificada, cuidando que cada verso, palavra e letra eram meticulosamente calculados, conferindo uma rigorosa consistência ao texto Massorético. É, hoje, universalmente aceite como a autêntica Bíblia Hebraica, tendo sido elaborado em escolas Talmúdicas,

entre os Sécs. VI e X, com o intuito de transmitir a genuína mensagem de Deus às gerações vindouras. Ao longo do livro, Smith descreve-nos extensivamente, por vezes minuciosamente, a generalidade dos seus passos tendo em vista a interpretação de textos bíblicos ancestrais, em particular os versículos de Génesis 30:20-23, o que quanto à sua autenticidade é assegurado, não só por Ulrich, como por outros estudiosos e catedráticos que nalguns casos ter-se-ão visto largamente ultrapassados pela investigação deste autodidata. Pela forma tão exaustiva e rebuscada com que Smith descreve encontros com “partes interessadas”, parece querer usar o livro para declarar também a sua propriedade absoluta sobre os factos relatados, e que sem dúvida merecem que lhe seja conferido

T H E C H A M B E R L A I N K E Y , D E T I M OT H Y P. S M I T H , CO M B O B H O S T E T L E R . P U B L I C A DO P O R Water B rook & M U L T N O M A H , CO L O R A DO S P R I N G S , E UA | A R T I G O O R I G I N A L P U B L I C A DO N A E D I Ç ÃO # 5

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e direito à “glória” pelas suas descobertas – descodificações, códigos ocultos na Bíblia, matrizes e sequências enigmáticas. O autor reconta como dedicou os últimos 15 anos desvendando aquilo que supõe – e consubstancia – ser um complexo sistema de comunicação, dissimulado no antigo Texto das Escrituras, e cuja investigação e pesquisa desenvolvidos possam significar a descodificação de um “Código de Deus”, que revela mensagens divinas escondidas na Bíblia. É realmente surpreendente a coincidência dos factos descritos por Smith, e a casualidade específica relacionada com ele próprio e a sua genealogia, que serviu de ponto de partida para esta “odisseia” de uma vida. A partir da sua tendência natural para examinar espólios e património de antiquário, este descendente de construtores de alguns dos mais emblemáticos edifícios de Washington, como o Capitólio, foi levado por um somatório de experiências particulares e avulsas a depreender que estava perante um intrincado “puzzle”, com um poder “acima” que o guiava na consecutiva obtenção de novas pistas para completar o complexo enredo repleto de matrizes, strings e funções matemáticas, o que não era seguramente a sua especialidade. Para percecionar que haveria muito mais para lá daquele versículo, em Génesis 30, relacionado com a sua família – agora que já era pai de seis rapazes e uma rapariga (a sétima), tal como tinha ocorrido com o seu pai, e está retratado nessa passagem bíblica – Timothy Smith valeu-se de experiências junto das comunidades índias, bem como conversas que foi conseguindo com estudiosos e cientistas sobre o assunto: desvendar a existência de uma sequência descodificável no texto bíblico, que nos possa levar a encontrar um conjunto de mensagens que Deus tenha preparado para o seu povo, num tempo determinado, que pode ter chegado com os resultados obtidos por Smith. E no entanto, ele argumenta tratar-se apenas da ponta do icebergue.

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Devoc PAULINAS EDITORA

O SOPRO DA VIDA INTERIOR JOAN CHITTISTER

WJK PRESS

ADVENT FOR EVERYONE N. T. WRIGHT Uma Viagem com os Apóstolos, é este o subtítulo dado por N. T. Wright a um devocional especificamente direcionado para a época do Advento, quatro semanas de leitura diária seguindo a própria reflexão do autor, ajudando o leitor a entender a preparação para o nascimento de Jesus. O Advento, de “vinda”, refere-se à chegada de Jesus, e os cristãos vivem na esperança da segunda vinda de Cristo. O autor, qual mestre, que é, do ensino teológico escreveu este breve devocional com o objetivo de instruir os seguidores de Cristo, a personificarem, como ele apelida, a comunidade do Advento (não confundir com “adventista”). Wright elaborou esta obra no propósito de que os crentes sejam “luz num mundo de trevas, gente de esperança em tempos e locais de desespero.” Advent for Everyone (O Advento para Todos) não é uma devocional comum, de leitura breve, com oração. A sua estrutura requer a dedicação de um tempo diário suficiente para o estudo da transposição que o próprio N. T. Wright faz do excerto bíblico selecionado, bem mais do que um breve versículo. Como é seu timbre, a escrita de Wright é sempre rica em simplificar a prosa, facilitando o seu entendimento. Semanalmente, é dada atenção a um dos temas da época: ação de graças, paciência, humildade e alegria. Cada segmento diário termina desafios ao leitor para introspeção reflectiva, ou para discussão em grupos de estudo bíblico. Muito recomendável para “pessoas que seguem Jesus.”.

50 COMPENDIUM 2017

A premiada autora Joan Chittister, freira beneditina norte-americana, é hoje um dos nomes mais procurados, tanto seja pelos seus livros, marcados pela ênfase na oração, como pelo seu ministério como oradora de reputação mundial. Realmente O Sopro da Vida Interior, publicado em Portugal pela Paulinas Editora, inclui dois livros: O Sopro da Alma e A terna misericórdia de Deus. Enquanto o primeiro é composto de quarenta e duas reflexões sobre o tempo passado com Deus, ajudandonos a adquirir as corretas “atitudes que nos preparam para a oração”, o segundo Em O Sopro da Alma, a autora baseia cada texto numa frase de antigos mentores espirituais, de Juliana de Norwich a Francisco de Assis, conferindo-lhe depois o seu cunho pessoal, complementando com uma

menemónica diária, para ser inculcada mentalmente, terminando com uma porção das Escrituras. Sugere a autora que seja lido de forma aliatória, segundo o interesse que tiver sobre cada tema. Na segunda parte, mais pequena, reflete-se sobre o perdão, onde se abordam ainda temas como a culpa e a cura. Justifica-se, segundo o editor, este “dois em um”, possibilitando “um olhar mais amplo à obra global da autora, e que convida a um caminho espiritual maturado.” O Padre Tolentino Mendonça destaca Chittister como sendo um escritora relevante para quantos buscam inspiração e espiritualidade, “como no seu tempo foi Thomas Merton [ndr: ler o artigo na pág. 29] ou, mais recentemente, Henri Nouwen [ndr: ler o artigo na pág. 20].

BV BOOKS

O DESAFIO DE AMAR STEPHEN E ALEX KENDRICK Do filme Prova de Fogo, um êxito da cinematografia cristã com um significativo impacto a nível global, surgiu a série de livros devocionais O Desafio de Amar, especialmente dedicados, tal como o filme, a casais enfrentando crises no casamento. Trata-se de um os melhores instrumentos para restauração de relacionamentos, de confiança e união entre marido e mulher. Não se trata de mudar o parceiro para que seja o que desejamos, mas sim aprender a amar verdadeiramente. Mais do que sentimento, amar é também uma decisão. Estruturado para ser seguido em

conjunto pelo casal, ao longo de 40 dias, com três elementos diários. Em cada dia propõe-se uma sã discussão sobre uma faceta do amor, um desafio para o casal se entregar dedicadamente, terminando com um espaço para anotar o que estão a aprender do estudo, como estão reagindo aos desafios, como cada um evolui no programa. Ouse amar, incondicionalmente!


B I B L I O N - R E V I S TA D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

cionais ZONDERVAN

DAILY POWER CRAIG GROESCHEL

DIA-A-DIA, O ANO INTEIRO

Para começar bem o dia, combatendo a letargia matinal, nada melhor do que uma leitura bem disposta e estimulante. Melhor ainda quando o autor coloca uma ênfase especial na motivação para encarar a jornada. Craig Groeschel já nos habituou às suas dinâmicas inovadoras, e desta vez surpreende por fazê-lo também através de um formato que desconhecíamos nele – o devocional. Apesar de a leitura matinal aconselhar ao recato, à meditação tranquila, com Daily Power isso é possível enquanto lemos o versículo bíblico com que se inicia este tempo com Deus. Passando ao texto diário de Groeschel, a “potência” dos seus argumentos, das suas palavras de

encorajamento, de nos retirar das profundezas do desalento para nos elevar ao topo do fortalecimento humano, torna esta prática diária num “ginásio espiritual”. Vemos que se trata de um projeto devocional bem estruturado, com mensagens apropriadas ao dia, o que nem sempre acontece com outros projetos que incluem mensagens aleatórias sem correspondência à ocasião (ex: Dia de Ano Novo, Natal, Ação de Graças). E para acabar a sessão, com um “push” extra, o Power Lift (trad: Incremento de Energia), Craig coloca o leitor a falar “olhos-nos-olhos” com Deus, potenciando a nossa atitude com a confiança e dependência em Cristo necessárias para todo o dia.

I M AG E M : W E B S I T E M U N DOC R I S TAO. CO M . B R

ED. MUNDO CRISTÃO

SOBRE VIVER

UM PROVÉRBIO PARA CADA DIA DO ANO ED RENÉ KIVITZ Os tempos modernos e pós-modernos parecem ter oferecido a busca da felicidade pessoal e particular, em termos de máximo prazer e satisfação de desejos, e mínimo sofrimento, como o mais elevado propósito da existência humana. Não duvido que passaremos para a história como a geração mais fútil e vazia da saga humana. Acreditamos na supremacia da razão, na potência da ciência e da tecnologia, na racionalidade das ideologias políticas e na utopia do Estado promotor da justiça e da equidade. Mas no anoitecer, caímos nas mãos do obscurantismo dos fundamentalismos religiosos, nas ridículas pseudo

verdades da auto-ajuda, e construímos uma sociedade mercado onde tudo se compra e vende, inclusive almas e vidas humanas. A tradição espiritual judaico cristã oferece um suplemento de alma para o mundo. Aponta um caminho de sentido no chão da vida: a sublimidade da convivência familiar, a singeleza da amizade, a dignidade do trabalho, a prática da justiça e da generosidade, a celebração da existência, mesmo com todas as suas contradições e paradoxos, como dádiva de Deus. Ed René Kivitz F O N T E : M U N DOC R I S TAO. CO M . B R

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SOCIEDADE

UMA SOLUÇÃO SUST E NTÁV E L

Por um

Mundo Melhor

T

Wayne Grudem & Barry Asmus

al como Rick Warren, pastor da Saddleback Church, menciona na apresentação, “já faz algum tempo que espero por um livro como este”. Não que outros bons livros não abordem este tema, alguns até serviram de estudo aos autores, mas este precisava mesmo de ser escrito. NUMA PARCERIA perfeita, um teólogo, Wayne Grudem, e um economista, Barry Asmos, tiveram muitas conversas ao longo de vários anos, pesquisaram profundamente sobre calamidades económicas e sociais, trocaram experiências e apresentaram as suas ideias em seminários. Ao mesmo tempo que investigadores de todo o mundo partilharam com eles comentários sobre os fatores que podem levar à prosperidade ou à falência de uma nação inteira, tendo selecionado 78, neste livro. Grudem e Asmus abrem o livro dando conta do seu objetivo com esta obra: propor uma solução sustentável para a pobreza nas nações pobres do mundo, baseando tanto na sua história económica como nos fundamentos bíblicos. A solução proposta pelos dois catedráticos não tornará todos os países pobres em ricos, mas pretende elevar o nível de vida de todas as pessoas, criando oportunidades para que os mais desfavorecidos também vejam a prosperidade chegar a eles. 52 COMPENDIUM 2017

Embora não se trate de uma proposta inédita, a diferença desta abordagem incide, pela primeira vez, na nação como um todo, combinando uma análise de 200 anos de desenvolvimento económico, juntamente com uma análise dos ensinos da Bíblia sobre economia e política governamental. Ao invés de outras obras sobre este assunto, A Pobreza das Nações for escrito numa linguagem acessível, sem terminologia técnica de difícil entendimento. Também se dirige aos responsáveis em posições de liderança, cristãos ou não (preferencialmente), nos governos, nas empresas, ONGs, e também para estudantes – os líderes do futuro. Fundamentando os seus variados argumentos na Palavra de Deus, enumeram as razões por que os pobres devem ser ajudados, principalmente pelos líderes governamentais. Os autores explicam exaustivamente, ao longo das 400 páginas, o que conduz um país numa espiral recessiva, de endividamento, incumprimento, e (inevitavelmente) na pobreza. O que é


SOCIEDADE

o PIB, e porque certas medidas (como imprimir moeda) não aumentam o PIB, mas o que importa a uma nação é, sim, produzir e criar valor a partir de bens e serviços. Mais uma vez, procuram demonstrar como é possível o desenvolvimento, segundo uma base bíblica, e inclusivamente, explorando os recursos naturais que Deus fez abundar na Terra. Através de muitos exemplos, alertam para o perigo da ajuda externa, porque é prejudicial e o que diz a Bíblia sobre a dependência de doações, relevando a importância do trabalho produtivo. Os fatores que influenciam negativamente a sustentabilidade das nações são escalpelizados, dos empréstimos obtidos através de entidades sempre prontas a desembolsar para reaver com juros (e a longo prazo...), como o FMI e o Banco Mundial, à redução drástica dos recursos naturais, bem como os sistemas deformados e dependentes de práticas obsoletas e anti-sociais, e até os estados que promovem a igualdade e bem-estar social. Os prós e contras dos sistemas económicos comuns, as vantagens morais do mercado livre e o seu fundamento bíblico, os sistemas que promovem a liberdade do povo e o que obtêm aqueles que limitam (subjugam até) a sua população.

Pelo contrário, demonstram como se pode promover a valorização pessoal e social, a responsabilização, e o “sucesso merecido”, em contraponto com fatores egoístas e materialistas que podem ser invertidos para o bem-comum, incentivando a solidariedade e evitando males maiores como a corrupção. Objetivamente, criando as bases para uma sociedade equitativa e produtiva. Com particular atenção, são exaltados casos de como um sistema governativo e judicial justo pode contribuir para o desenvolvimento de uma nação, levando a um conjunto de benefícios sociais, como a liberdade para escolher uma profissão, criar empresas ou aceder aos recursos energéticos,ao mesmo tempo que promove a igualdade entre as pessoas, independentemente da raça, religião ou condição. Até a liberdade de enriquecimento. O melhor endosso vem do Pr. Warren: “Este livro não é para ser simplesmente lido. Estude-o. Releia-o e faça anotações, depois ponha em prática o que aprendeu e ensine-o aos outros. Ele pode mudar o mundo.” Na Igreja de Saddleback, este livro foi adotado para formação das suas equipas missionárias espalhadas por quase 200 países. A R T I G O O R I G I N A L P U B L I C A DO N A E D I Ç ÃO # 4

A P O B R E Z A DA S N AÇÕ E S , D E WAY N E G R U D E M & B A R R Y A S M U S . P U B L I C A DO P E L A E D I TO R A V I DA N O VA , S ÃO PAU L O

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VIAGENS

THE WILDER TRAIL

Viajando pelo Mundo de Laura Ingalls

Q

AUTORA DA SÉRIE “A CASA DA PRADARIA”

Comemorando o 150º aniversário do nascimento de Laura Ingalls Wilder, a filha do meio do casal Ingalls, Marta McDowell, que leciona paisagismo histórico e horticultura no New York Botanical Garden, efetuou uma exaustiva pesquisa entre materiais da época e atuais, documentos e anotações originais, fotografias e i l u s t r a ç õ e s, elaborando nu m a ú n i c a obra o trilho percorrido pelos Ingalls e o património arbóreo deT H E W O R L D O F L AU R A senvolvido em INGALLS WILDER cada local. Percorrendo vários estados americanos, a partir dos bosques do Wisconsin, passando pelo norte do estado de Nova Iorque, os territórios Índios do Kansas, os riachos de Iowa e Minnesota, as pradarias do Dakota do Sul, até às Grandes Planícies e à cordilheira das Ozarks, no Missouri. Trata-se de uma verdadeira peregrinação pelos locais-santuário da autora de Little House in the Prairie (A Casa na Pradaria).

Ao longo do livro, a autora, especialista em jardinagem, descreve exaustivamente cada etapa da vida de Laura, tanto na infância como se vê na série televisiva como já na vida adulta, sempre com o tema da cultura agrícola, da botânica e do trabalho rural em fundo, profusamente ilustrado com imagens, mapas, desenhos. Chega mesmo a dedicar um breve capítulo sobre como criar um jardim replicado dos vários que Laura descreveu nos seus escritos, tenha o leitor um pequeno canteiro na marquise ou uma fazenda com vários hectares A segunda parte da obra é dedicada à sugestão de uma visita guiada pelas regiões que fizeram parte dos noventa anos de vida de Laura, que ela visitava regularmente com o marido, Almanzo, com propostas de atrações “verdes” apropriadas para quem partilha do estilo de vida “tin can tourist” (turista em lata), ou seja, os entusiastas de percorrer longas viagens de carro. Um itinerário preparado para para adeptos da vida ao ar livre que ela tanto apreciava, os campos, flores e plantas, as suas casas e quintas. Recomenda-se ao turista que retire o devido tempo para se aventurar na natureza, observando não só a flora local, como animais, pássaros, a paisagem. McDowell tem em conta o significado de cada destino na vida de Laura Ingalls, para oferecer alternativas para maravilhosos passeios através do Wilder Trail – o trilho que Laura nos deixou em legado através da sua obra literária. PA U L O S É R G I O G O M E S

T H E W O R L D O F L AU R A I N G A L L S W I L D E R , D E M A R TA M C DO W E L L . P U B L I C A DO P O R T I M B E R P R E S S , P O R T L A N D , E UA

54 COMPENDIUM 2017

F O TO S N E S TA S PÁG I N A S : © 2 0 1 7 . T I M B E R P R E S S , P O R T L A N D , O R - E UA

uem não se recorda da série A Casa na Pradaria, que contava a história de uma família de colonos que, em pleno séc. XVIII, percorria os novos territórios do Midwest Americano em busca de sustento e prosperidade? Na verdade, a dureza da época era tal que a aventura se cingia a uma permanente luta pela sobrevivência.


IBLA ION R ES V I S TA C H R I S T Y ABW R- D

D E L I V R O S , L I V R O S E M R E V I S TA

LIVRO NOMEADO PARA OS PRÉMIOS LITERÁRIOS 2017

MIRIAM MESU ANDREWS I M AG E M : WAT E R B R OO K P R E S S , A D I V I S I O N O F P E N G U I N R A N DO M H O U S E L L C © 2 0 1 7 . U S E D B Y P E R M I S S I O N

autora de

THE PHARAOH’S DAUGHTER

E

m mais um exclusivo, a Biblion oferece aos seus leitores um dos livros nomeados para a presente edição dos “Óscares” da literatura cristã norte-americana – os Christy Awards. Miriam, de Mesu Andrews, está selecionado entre os três finalistas na categoria “Historical”. Mesu Andrews tem-se especializado, através das suas novelas da série “Tesouros do Nilo”, em dar vida a personagens bíblicas femininas, como aconteceu com os anteriores sucessos literários Love Amid the Ashes A s h e s e eTheT hPharaoh’s e P h a r aDauoh’s gther (A (A Daughter Filha Filhado doFaraó). Faraó). Sendo uma estudiosa das Escrituras, Andrews dá-nos a conhecer nesta ficção histórica várias figuras da Bíblia que pensávamos... conhecer. O rigor das descrições, o envolvimento dos personagens, a profundidade do

e n r e d o, t r a n s p o r t a - n o s p a r a a é p o c a do Êxodo, em que no Egito se viviam eventos penosos para o povo de Israel. Embora o seu nome seja pouco mencionado na Bíblia, Miriam tem um papel fundamental na fuga dos Israelitas, perseguidos pelo exército do Faraó. A irmã de Moisés, uma profetisa que cuidava dos escravos às mãos dos egípcios, foi afligida por inúmeras maleitas, acabando por morrer já no final dos 40 anos de travessia errante.

M I R I A M , D E M E S U A N D R E W S . PU B LICADO POR WAT E R B R OO K , COLORADO SPRIN G S - E UA

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Supl. Partida Porto: 10€, por pessoa

Reduções para 3ª cama (todos os hoteis) Adulto (12 ou + anos): 10% redução sobre a base + taxas (33€ por pessoa). Criança 2/11 anos: 25% redução sobre a base + taxas | 50% redução no preço de Reveillon.

Partidas de Lisboa 28 Dez - Lisboa/Funchal - TP9137 - 16h30/18h15 01 Jan - Funchal/Lisboa - TP9002- 20h55/22h35 29 Dez - Lisboa/Funchal - TP9137 - 18h35/20h20 02 Jan - Funchal/Lisboa - TP9002- 20h55/22h35

Partidas do Porto 28 Dez - Porto/Funchal - TP9138 - 22h10/00h05 01 Jan - Funchal/Porto - TP9003- 15h35/17h30 29 Dez - Porto/Funchal - TP9138 - 22h10/00h05 02 Jan - Funchal/Porto - TP9003- 15h35/17h30

O preço inclui: Voo TAP Lisboa ou Porto/Funchal/Lisboa ou Porto; transferes aeroporto/hotel/aeroporto; estadia de 4 noites no hotel seleccionado e regime indicado. Não inclui: Despesas de reserva (30€ por processo); seguro de viagem – opcional - consulte–nos. Suplemento de partida do Porto.

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Nota: O reveillon no Hotel Santa Cruz Village inclui transporte, após o jantar, de e para o Funchal para assistir ao fogo de artificio.

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