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O pulmão da economia. O superávit do agronegócio equivale a quatro vezes o saldo da balança do Brasil todo em 2012. Resta alguma dúvida de que o campo é o motor do desenvolvimento do País? E eis que 2013 sinaliza para a quebra de todos os recordes de produção...

The lung of the economy

997718087485123

ISSN 1808-7485

The agribusiness trade surplus is equal to four times the Brazilian 2012 trade balance. Is there still any doubt that agriculture is the driving force behind the Country’s development? That’s not all. Predictions for 2013 are hinting at all-time new production records...


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Sテュlvio テ」ila

FOLHA DE ROSTO

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Expediente expediente

Robispierre Giuliani

PUBLISHERS AND EDITORS

EDITORA GAZETA SANTA CRUZ LTDA. CNPJ 04.439.157/0001-79 Diretor-presidente: André Luís Jungblut Diretor-de-Conteúdo: Romeu Inacio Neumann Diretor-Comercial: Raul José Dreyer Diretor-administrativo: Jones Alei da Silva Diretor-Industrial: Paulo Roberto Treib

Rua Ramiro Barcelos, 1.224, CEP: 96.810-900, Santa Cruz do Sul, RS Telefone: 0 55 (xx) 51 3715 7940 Fax: 0 55 (xx) 51 3715 7944 E-mail: redacao@editoragazeta.com.br comercial@editoragazeta.com.br Site: www.editoragazeta.com.br

REVISTA ABROBRASIL 2012 Editor: Romar Rudolfo Beling Editor assistente: Daniel Neves da Silveira Textos: Benno Bernardo Kist, Cleiton Evandro dos Santos, Cleonice de Carvalho, Daniel Neves da Silveira, Erna Regina Reetz, Heloísa Poll e Romar Rudolfo Beling Supervisão: Romeu Inacio Neumann Tradução: Guido Jungblut Fotografia: Sílvio Ávila, Inor Assmann (Agência Assmann) e divulgação de empresas e entidades Projeto gráfico e diagramação: Márcio Oliveira Machado Arte de capa: Márcio Oliveira Machado, sobre fotografia de Sílvio Ávila Edição de fotografia e arte-final: Márcio Oliveira Machado Marketing: Maira Trojan Bugs, Tainara Bugs e Rafaela Jungblut Supervisão gráfica: Márcio Oliveira Machado Distribuição: Simone de Moraes Impressão: Gráfica Serafinense, Serafina Corrêa (RS) ISSN 1807-6106 É permitida a reprodução de informações desta revista, desde que citada a fonte. Reproduction of any part of this magazine is allowed, provided the source is cited.

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Sumário sumário

Sílvio Ávila

summary

06 > Apresentação . Introduction 12 > ENTREVISTA EXCLUSIVA . Exclusive interview

MENDES RIBEIRO FILHO Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

20 > Agroenergia . Agroenergy 24 > Algodão . Cotton 28 > Aquicultura . Aquaculture

76 > PONTO DE VISTA . viewpoint PAULO ROBERTO COELHO LOPES Pesquisador da Embrapa Semiárido 80 > Gado de Corte . Beef Cattle 84 > Gado de leite . Dairy Cattle 88 > Hortaliças . Vegetables 92 > Logística . Logistics 96 > Máquinas . Machines 100 > PONTO DE VISTA . viewpoint

32 > Arroz . Rice

MAURÍCIO ANTÔNIO LOPES Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

36 > Aves . Poultry

104 > Milho . Corn

40 > Cacau . Cocoa

108 > Orgânicos . Organics

44 > Café . Coffee

114 > Ovinos . Sheep

48 > PONTO DE VISTA . viewpoint

118 > Silvicultura . Silviculture

ROBERTO RODRIGUES Coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio 124 > PONTO DE VISTA . viewpoint Vargas e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ANA AMÉLIA LEMOS Senadora 52 > Cana-de-Açúcar . Sugar cane 128 > Soja . Soy 56 > Caprinos . Goats 134 > Suínos . Hogs 60 > Defensivos . Agrochemicals 138 > Tabaco . Tobacco 64 > Fertilizantes . Fertilizers 144 > Uva e vinho . Grape and wine 68 > Flores . Flowers 148 > ENTREVISTA EXCLUSIVA . Exclusive interview 72 > Fruticultura . Fruits FERNANDO PIMENTEL Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

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Apresentação APRESENTAÇÃO

Sem limites

O

O Brasil encerra o ano de 2012 e inicia o ciclo de 2013 com perspectiva absolutamente animadora. Parece não haver, definitivamente, nenhum limite identificável para os planejamentos e as pretensões de produção e de competitividade no agronegócio. A nova safra, em curso, começou a ser formada, na primavera de 2012, sob os augúrios do excelente desempenho de colheita e de comercialização verificado ao longo de 2011. Nesse ano, o País havia batido o recorde histórico na exportação de produtos agropecuários, com superávit surpreendente nesse segmento, vitalizando, como é facilmente perceptível, toda a economia nacional. Pois o que dizer, então, se 2012 se conclui com esse recorde sendo, novamente, superado? Foi o que aconteceu. O Ministério

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do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) contabilizou, para os cofres públicos federais, vendas ao exterior de US$ 95,81 bilhões em produtos oriundos do campo. Com isso, o saldo positivo da balança comercial do agronegócio igualmente atingiu patamar histórico, de US$ 79,41 bilhões. Para a sociedade, a competência e a eficiência dos setores ligados ao meio rural jamais pode passar despercebida, e está mais do que na hora de reconhecer esses méritos através de aval e de fomento incondicional. Basta ver que o superávit de toda a balança comercial brasileira em 2012 fechou em US$ 19,4 bilhões. Ou seja, não fosse o resultado quase quatro vezes melhor do que o do País inteiro verificado no agronegócio, e certamente o Brasil amargaria mais gastos do que receita em


Robispierre Giuliani

suas relações comerciais com o mundo. É no agronegócio que estão, à entrada do século XXI, o pulmão, o coração e o sangue que movem o organismo social brasileiro. E por conta do desempenho nas vendas, cada vez mais próximo da quase impensável marca de US$ 100 bilhões em embarques ao exterior, fica cada vez mais evidente que não é apenas o Brasil que depende do trabalho e do suor do homem do campo para crescer e almejar qualidade de vida. O mundo inteiro carece dos produtos que o País colhe, cria e comercializa. Soja, milho, arroz, tabaco, café, cana-de-açúcar, algodão, frutas, carne de gado, de suínos e de aves, leite, celulose e papel, flores, pesca, hortigranjeiros, cacau, a lista é longa e se incrementa ano a ano. Para quem está minimanente identificado com a realidade

do campo, e não vive na alienação absoluta dos complicados e imbricados cenários urbanos em metrópoles a cada dia menos seguras e mais caóticas, é muito fácil verificar que no meio rural não apenas se respira ares mais puros e se encontra um mínimo de tranquilidade. Esses ares são inclusive os que permitem vislumbrar, no horizonte, um Brasil líder mundial em qualidade de vida e em respeito social e ambiental. E essa tranquilidade permite afirmar, com segurança de acerto, que o agronegócio brasileiro segue e seguirá crescendo, e que pode ser o melhor parceiro do planeta na busca por um mundo mais justo e mais humano. Inclusive nesse caminho, não há limites. É o que mostra a Revista AgroBrasil – Balanço Brasileiro do Agronegócio 2012, nas páginas a seguir. Boa leitura!

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Sテュlvio テ」ila


Introduction

With no limits Another year has come to an end and Brazil starts the 2013 cycle with very encouraging perspectives. There definitely seems to be no identifiable limit to the agribusiness sector’s plans, intentions and competitiveness. The new crop, now underway, was established in the spring of 2012, under the auspices of the excellent harvests and sales in 2011, a year when agribusiness exports hit record highs in Brazil, resulting into a surprisingly large trade surplus of the segment, obviously revitalizing the entire national economy. Then what can be said, seeing that 2012 came to an end not only on equal terms, but outstripping the previous year’s record. That was exactly what happened. The Ministry of Development, Industry and Foreign Trade (MDIC) factored in, for the public federal coffers, sales abroad worth US$ 95.81 billion from agricultural produce. This raised the trade surplus to US$ 79.41 billion, the highest amount on record. Society cannot afford to overlook the competence and efficiency of the sectors linked to agribusiness, and it is time for these merits to be acknowledged, supported and promoted. There is no denying that the surplus of the entire Brazilian trade balance reached US$ 19.4 billion. That is to say, had the agribusiness result not been almost four times as large as the result of all other sales, Brazil would certainly have to put up with more expenses compared to the revenue from the trade relations with other countries. At the start of the 21st century, the lungs, heart and blood that put into motion the Brazilian social organism lie in agribusiness. And on account of the exceptional performance of the sales, getting closer and closer to the almost unthinkable mark of US$ 100 billion in shipments abroad, it is becoming clearer and clearer that it is not only Brazil that depends on the work and toil of the farmers to grow and seek quality of life. The entire world lacks products that are grown, harvested and traded in Brazil. Soybean, rice, corn, tobacco, sugarcane, cotton, fruits, bovine meat, pork, chicken, milk, cellulose and paper, flowers, fish, vegetables, cocoa, the list is very long and increases year after year. For those who are scantly identified with the reality of the farms, and do not live in absolute alienation in the complicated and puzzled urban scenarios and metropolises, day after day more dangerous and chaotic, it is very easy to come to grips with the fact that in the rural setting people do not only breathe fresher air but they can still live a quiet life. The fresh air makes it even possible to spot, on the horizon, a Country excelling in quality of life, respect for the environment and social responsibility. This quaint scenario induces us to declare, with great confidence that Brazilian agribusiness is on the right track and will continue growing, and could turn into the ideal partner of the planet in search of a fairer and more humane world. What is more, there are no limits on this track. This is what is depicted by Revista AgroBrasil – Balanço Brasileiro do Agronegócio 2012, on the following pages. Nice reading!

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RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS | INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA-FLORESTA | SISTEMA DE PLANTIO DIRETO FIXAÇÃO BIOLÓGICA DE NITROGÊNIO | PLANTIO DE FLORESTAS | TRATAMENTO DE RESÍDUOS ANIMAIS


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Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento


Entrevista Divulgação

Entrevista Mendes Ribeiro FILHO

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MENDES RIBEIRO FILHO Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Ao comemorar recordes de produção e de vendas externas, o Brasil mostra que seu agronegócio atingiu a maturidade absoluta

COLHENDO o progresso

O

“O Brasil é o melhor país do mundo para mostrar como se vencem desafios continentais”, afirma, com convicção e síntese, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho. Em seguida, evidencia a compreensão do governo federal em relação ao papel que a Nação tende a cumprir nos próximos anos. “Nossa meta é tornar o Brasil a principal fonte de alimentos para o mundo”. O enfrentamento de desafios continentais, diante das vastidões do seu território, e a produção grãos, hortigranjeiros, carnes e matérias-primas das mais diversas extrações tornaram-se reconhecimente marcas verde-amarelas. Hoje, a estabilidade econômica, aliada ao amplo excedente expor-

tável e à gradativa eliminação de desigualdades e injustiças sociais internas, alça o País à condição de fronteira opcional para investimentos e de parceiro por excelência em favor do desenvolvimento e da segurança alimentar global. Em entrevista exclusiva concedida no mês de janeiro, por e-mail, Mendes Ribeiro Filho detalha ações oficiais que, mais recentemente, deram suporte ao crescimento vertiginoso e às novas demandas na atividade agropecuária, em todas as regiões, resguardadas as peculiaridades e exploradas as potencialidades. No painel que traça, fica latente que o Brasil cresce impulsionado pelo agronegócio, como um pulmão resistente e persistente. Mais:

ressalta-se que a produção de alimentos, de matérias-primas e de energias renováveis é único o caminho sustentável. Fora dele, não há outro. Num cenário internacional abalado por obstáculos climáticos e sociais, poucas são as nações que estão habilitadas a abastecer populações e empreendimentos. O Brasil é uma delas, talvez a mais estável. O País, que já colhe muito, pode e vai colher cada vez mais, como sinaliza no diálogo o gaúcho Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho, porto-alegrense de 58 anos, completados em 27 de dezembro. Esse desempenho invejável no agronegócio o mundo todo tende a testemunhar. E, sem dúvida, tratará de aplaudir, não sem algum alívio.

Não tenho dúvida de que nossa produção vai aumentar e, em sua devida proporção, todos terão sua participação produtiva. Já há em 2013 a sinalização de uma nova safra recorde, a exemplo do que aconteceu no ano anterior.

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entrevista exclusiva Revista AgroBrasil – O ano de 2012 uma vez mais encerrrou-se com um desempenho excepcional do agronegócio brasileiro em termos de produção e de mercados. Quais foram, em seu entender, os fatos mais relevantes desse setor da economia ao longo deste período? Mendes Ribeiro Filho – Foi um ano intenso, de muito trabalho e de realizações históricas, com safra recorde, com 116, 2 milhões de toneladas. Já na balança comercial, o saldo positivo registrado foi de US$ 73,6 bi entre janeiro e novembro. Assim se resume 2012 para o setor do agronegócio. Do lançamento do maior Plano Agrícola e Pecuário da história, passando pela aprovação do novo Código Florestal, o lançamento do Projeto de Regionalização do Mapa até o registro de sucessivos recordes, é possível dizer que a construção do futuro de uma agropecuária sustentável está a caminho. O Brasil é o melhor país do mundo para mostrar como se vencem desafios continentais. Estamos combatendo a pobreza, produzindo mais alimentos e diminuindo o desmatamento. Essa sincronia e esses resultados são possíveis graças às diretrizes claras estabelecidas pela presidenta Dilma Rousseff, que aliam estabilidade econômica, educação e geração de renda. De parte do governo, garantimos recursos, crédito e acesso à pesquisa de ponta. De parte dos produtores, a tenacidade que lhes é peculiar garante o nosso futuro e o do mundo. As lavouras de grãos, puxadas especialmente por soja e milho, têm crescido em ritmo surpreendente nos anos mais recentes.

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Até onde, em sua avaliação, o Brasil conseguirá avançar nos próximos anos nesses segmentos e qual o papel que o País tende a cumprir enquanto fornecedor para o mundo? Queremos ser protagonistas nas ações efetivas que visam o equilíbrio entre a demanda e a oferta de alimentos, de modo a reduzir a fome no Brasil e no mundo de forma sustentável. A importância da agropecuária para o crescimento do País ficará expressa em indicadores e superávits. As riquezas que estamos colhendo demonstram que o trabalho harmônico entre produtores, entidades e governo garante as condições necessárias para o desenvolvimento do setor. A seca no Meio Oeste americano sinalizou o potencial produtivo brasileiro nas culturas citadas. A segunda safra de milho, a safrinha, já superou as médias mais surpreendentes nos últimos anos. Não tenho dúvida de que nossa produção vai aumentar e, em sua devida proporção, todos terão sua participação produtiva. Já há em 2013 a sinalização de uma nova safra recorde, a exemplo do que aconteceu no ano anterior. Nossa meta é tornar o Brasil a principal fonte de alimentos para o mundo. Caminhamos para um novo patamar no mercado externo, especialmente graças à cultura de grãos, como a soja. Os números do agronegócio brasileiro despertam a atenção internacional e precisamos continuar nesse rumo. Quais os segmentos produtivos e industriais do agronegócio que, em seu entender, poderão vir a ser as grandes vedetes de 2013 no mercado interno e nas exportações?

Além da soja e do milho, que comentei anteriormente, existe a atividade pecuária, através da exportações de carnes; o setor sucroalcooleiro e os produtos florestais, que tradicionalmente se mantêm entre os produtos mais vendidos e que se destacam na balança comercial. O importante é estar ao lado do produtor, atender suas necessidades. Já garantimos recursos e crédito pelo Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013, disponibilizando R$ 15,2 bi em diversas linhas de financiamento. E a presidente Dilma Rousseff sempre reforça: não faltarão recursos para o produtor. Então, o que posso adiantar até este momento é que haverá, conforme o planejamento e as prioridades do Mapa, a efetivação do Plano Nacional de Abastecimento, a reestruturação da Conab e a continuidade do Projeto de Regionalização, entre outras estratégias de ação. Contratempos na sanidade do rebanho bovino brasileiro, ainda que relacionados a casos isolados e de época passada, novamente repercutiram no mercado mundial. Isso mostra o quanto o controle, a prevenção e o acompanhamento constante são decisivos. O Brasil está bem-aparelhado para dar conta dos desafios nessa área? Como o senhor classificaria o perfil nacional no que tange a tranquilizar clientes e consumidores? Sem dúvida, o Mapa está focado na questão da defesa sanitária, visto em 2012 na ação interministerial, com o Exército, a Polícia Federal e os agentes de Defesa em várias frentes para o combate à febre aftosa nas regiões de fronteiras. Nas ações realizadas no


A pesquisa, liderada pela Embrapa, tem sido talvez a maior aliada do agronegócio brasileiro em sua expansão regional e na agregação de produtividade por área. Quais são, em seu entender, as áreas em que o campo no Brasil mais avançará nos próximos anos por conta dos investimentos que estão sendo feitos na pesquisa? A importância da Embrapa para o Brasil, criando conhecimento e inovações, é indiscutível. E vamos prosseguir com apoio tec-

nológico, avançando na diversificação e trazendo opções em pesquisa para aplicar no campo, junto ao produtor. A transformação dos cerrados em um celeiro de grãos talvez seja, ao menos em área, a sua maior contribuição nas quase 40 anos desde a sua criação. A Embrapa de 2030 terá esforço maior na geração de conhecimento. A pesquisa será mais básica e feita em parcerias, em ousados arranjos institucionais. A empresa continuará a apoiar as atividades de pequenos produtores não amparados pelo setor privado. O crescimento nacional e internacional da Embrapa exigirá nova governança. Ajustes, necessários e difíceis, iniciados na atual administração, permitirão que, em 2030, nossos filhos possam continuar a se orgulhar desta grande empresa pública. O agronegócio tem sido o destaque do Brasil em termos de superávit da balança comercial. O senhor entende que a sociedade brasileira hoje reconhece devidamente, inclusive com investimentos e prioridades, a relevância desse papel? O que falta ser feito para dar o devido aval a esses agentes da produção e da indústria apoiada no campo? Os números estão aí para comprovar a efetividade da produção agrícola sobre o PIB brasileiro. Em 2012, a participação do Agronegócio no PIB Total da Economia foi de 22,6%. Isso a sociedade já reconhece. A sinalização de uma nova safra recorde em 2013 também é um indicativo de que o produtor brasileiro está apostando na atividade e no plantio. Que não para de cres-

cer. Ou seja, o agronegócio segue fazendo a sua parte. E, da minha parte, tenho que dar suporte à atividade e, claro, estender o tapete vermelho para este obstinado produtor, que contribui a cada dia com seu trabalho e com sua produção. Por fim, quais são as principais ações que o Ministério da Agricultura se fixa para 2013, e quais são os desafios que cumpre enfrentar a fim de modernizar cada vez mais o agronegócio nacional? Precisamos sempre garantir a renda do produtor. A minha prioridade no Ministério da Agricultura é ser um articulador da política agrícola, alguém que entenda as necessidades do setor. Portanto, os desafios são imensos. A busca por mais recursos para o preço mínimo, para o seguro agrícola e a defesa sanitária são desafios permanentes que assumi, e que estamos colocando em prática. É necessário ter competência e coragem para buscar, todos os dias, agregar valor à cadeia produtiva. Estamos atuando nas expectativas de plantio e comercialização, em harmonia com as práticas de mercado, recompensando a eficiência e incentivando a concentração dentro das cadeias produtivas e o cumprimento de contratos. Repito que, em meu discurso de posse, disse que conheço o programa de governo, que acompanhei e defendi enquanto parlamentar. Então, estou com a responsabilidade do cargo, voltado para atingir as metas estabelecidas em sintonia com a presidente. Sigo determinado a fazer o melhor para o Brasil e os brasileiros. Isto eu posso garantir. Sílvio Ávila

Exterior, enfatizamos a segurança quanto aos procedimentos e à padronização técnica de fiscalização aos países importadores. E, claro, vamos continuar dando atenção especial aos problemas enfrentados nas questões fitossanitárias, acompanhando de perto as dificuldades encontradas pelos produtores. Ainda sobre a Regionalização, que projeta ações de Defesa Sanitária, seja pelo Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa) – que vai multiplicar centenas de pequenas e médias agroindústrias –, ou pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi), pretendemos identificar as dificuldades locais de cada setor para induzir o crescimento da produção agropecuária. Uma política regional diferenciada, a reorganização administrativa e um moderno sistema de Defesa Agropecuária para sustentar esta plataforma. Queremos viabilizar a produção e levar a transferência de tecnologia para os produtores rurais. O importante é aumentar a renda do produtor e incentivar as boas práticas agrícolas, com segurança no campo.

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EXCLUSIVE INTERVIEW

Divulgação

Celebrating production records and hefty foreign sales, Brazil demonstrates that its agribusiness has reached absolute maturity

MENDES RIBEIRO FILHO Minister of Agriculture, Livestock and Supply

Reaping progress

“Brazil is the best country in the world for demonstrating how continental challenges are surmounted”, convincingly declares the minister of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA), Mendes Ribeiro Filho. Then, he unfolds the understanding of the federal government with regard to the role the nation tends to fulfill over the coming years. “Our target consists in turning Brazil into a major source of food for the world”. Continental challenges, in light of the vastness of its territory, and the production of cereal crops, vegetables and legumes, meat and raw material for different extractions are getting widely acknowledged green and yellow trademarks. Now, economic stability, allied with the vast exportable surpluses and to the elimination of inequalities and internal social injustices, leverage the country to the level of optional frontier for investments, whilst being a partner par excellence on behalf of the development and global food safety. At an exclusive interview given in January, by e-mail, Mendes Ribeiro Filho details official initiatives which, recently, lent supRevista AgroBrasil – The year 2012 came to an end with another exceptional performance of Brazilian agribusiness in terms of production and markets. In your opinion, which were the most relevant facts of the economic sector during this period? Mendes Ribeiro Filho – It was a very intensive year in terms of work and achievements, with a record crop, totaling 116.2 million tons. Regarding the balance of trade, the surplus amounted to US$ 73.6 billion, January through November. This, in short, is the year 2012 for the agribusiness sector. The introduction of the largest Agricultural and Livestock Plan on record to the approval of the Forest Code and MAPA’s Regionalization Project, whilst celebrating successive records, make us believe that the construction of a future sustainable agriculture is on the way. Brazil is the best country in the world to show how continental

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port to vertiginous growth and to our demands in agriculture and livestock activities, in all regions, whilst respecting peculiarities and exploring potentialities. On the panel he presents, it remains clear that Brazil’s growth is driven by agribusiness, as a resistant and persistent lung. There is more: it is highlighted that production of food, raw materials and renewable energies is the only sustainable track. Outside it, there is no other. In a jittery international scenario, shaken by climate and social problems, only a few nations are qualified to supply the populations and businesses. Brazil is one of these nations, maybe the most stable. The Country celebrates huge harvests, which can and will progress even further, at least this is what Jorge Alberto Portanova Mendes Ribeiro Filho, born in the capital city of Rio Grande do Sul, who turned 58 on 27thDecember, clearly declares. This enviable performance in agribusiness is witnessed by the entire world, which,  without any doubt, will vehemently applaud, with great relief.

challenges are surmounted. We are fighting poverty, producing more food and curbing deforestation. This synchrony and these results are viable thanks to the clear guidelines set forth by President Dilma Rousseff, equating economic stability, education and the generation of income. On the part of the government, we guarantee resources, credit lines and access to state-of-the-art research. On the part of the farmers, their peculiar tenacity ensures our future and the future of the world. The cereal crops, driven particularly by soybean and maize, have been soaring at a surprising pace over the past years. How far, in your opinion, Brazil will be able to advance over the next years in these segments and what is the role the Country tends to play as a global supplier? We want to be protagonists in effective ini-

tiatives that seek a perfect balance between supply and demand of food, so as to help reduce hunger in Brazil and around the world in a sustainable manner. The importance of agriculture and cattle farming for the development of the Country will remain expressed in indicators and surpluses. The wealth we are reaping is a testimony to the fact that the harmony between the farmers, their entities and the government ensure all the necessary conditions for the development of the sector. The severe drought in Midwestern USA signaled Brazil’s productive potential regarding the above mentioned crops. The second maize crop, also referred to as winter crop, has already outstripped the most surprising numbers over the past years. There is no doubt that our production will soar, and everybody will have their due share in it. For 2013, there are signs pointing to a new record crop, following on the


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EXCLUSIVE INTERVIEW heels of last year’s bumper crop. Our target is to transform Brazil into the main source of food in the world. We are now heading towards a new era in the foreign market, particularly thanks to soybean. The numbers of Brazilian agribusiness are capturing international attention and we must keep on track.

issues, keeping a close watch on the difficulties faced by the producers. Still on the subject of the Regionalization Project, which involves Sanitary Questions, whether through the Unified System on Agricultural Sanity (Suasa) – which is to multiply hundreds of small and medium sized agro-industries -, or through the Brazilian Department of Inspection of Products of Animal Origin (Sisbi), it is our intention to identify the local difficulties of every sector in order to encourage agribusiness operations. A regional policy that makes a difference is the administrative reorganization and a modern Agriculture Defense system to lend support to this platform. We want to make production viable and transfer technology to the rural producers, whilst encouraging the best agricultural practices, in a safe manner at field level.

Agribusiness has been the flagship of Brazil in terms of trade balance surplus. Do you understand that Brazilian society duly recognizes, including with investments and priorities, the relevance of this role? What still needs to be done if the production and industrial agents at field level are to receive the support they deserve? The numbers clearly attest to the effectiveness of agricultural production on the Brazilian GDP. In 2012, the share of agribusiness in the total GDP of our economy amounted to 22.6%. Society has already acknowledged the situation. The hint at a new record crop in 2013 is also an indicator that Brazilian farmers are betting on this activity and on their crops, which never stop soaring. That is to say, agribusiness is fulfilling its role. On my part, I have to lend There is no doubt that our produc- support to the activity and, of tion will soar, and everybody will course, roll out the red carpet the persistent growers, which have their due share in it. For 2013, togreatly contribute with their there are signs pointing to a new re- work and production.

Which agribusiness productive and industrial segments, in your opinion, could turn into major players in the domestic and foreign markets in 2013? Besides soybean and maize, previously mentioned, cattle farming is doing well, through meat exports, and there are also the sectors of sugar and alcohol and forest products, which traditionally rank as bestselling products and make a difference at the trade balance. What really matters is the need to stand by the farmers, seeing to their needs. We have already guaranteed resources and credit lines through the 2012/13 Agriculture and Cattle Farming Plan, totaling R$ 15.2 billion for several financing cord crop, following on the helines. And President Dilma els of last year’s bumper crop. Roussef always insists: there will be no shortages of resources for the farmers. Therefore, what I can anticipate now is that, in Research initiatives, led by Embrapa, have compliance with Mapa’s plan and priorities, perhaps been the biggest allies of Brazilian agrithe National Supply Plan will be activated, the business in its regional expansion and in higher National Supply Company will be restructured yields per area. Which, in your opinion, are the and continuity will be given to the Regionaliza- agricultural areas in Brazil that will witness the tion Project, among other strategic actions. biggest advances over the next years, on account of the investments in research? Setbacks in the sanitary status of the BraThe importance of Embrapa for Brazil, zilian bovine herd, though related to isolated creating knowledge and innovations, is uncases in past years, have again rebounded in questionable. And we will continue lending the international scenario. This attests to what technological support, making strides in diverextent control, prevention and constant watch sification and providing options in research to are decisive. Is Brazil appropriately equipped to be used at field level, by the farmers. The transface the challenges in this area? How would you formation of the cerrado regions into a graclassify the national profile with regard to keep- nary is, perhaps, its most relevant contribution ing clients and consumers comfortable? in its 40 years in operation. Embrapa 2030 will Without any doubt, the MAPA is focused on be mainly focused on the generation of knowlsanitary issues. For example, in 2012, an inter- edge. Research works will be rather basic and ministerial initiative, also involving the Army, conducted in partnerships, in bold institutionthe Federal Police and surveillance agents al arrangements. The company will continue joined efforts in their fight against the foot-and- lending support to small-scale farmers who mouth disease near the borders. In the initia- receive no support from the private sector. Emtives conducted abroad, we always insist on brapa’s growth at national and international safety and keep our importers informed about level will require new operational manners. our procedures and technical inspection stan- Adjustments, though difficult but necessary, dards. Of course, we will continue paying spe- started at the current administration, will alcial heed to the matters faced in phytosanitary low that, by 2030, our children will still be feel-

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ing proud of this big state corporation.

Finally, what major actions has the Ministry of Agriculture set for 2013, and what challenges have to be surmounted if Brazilian agribusiness is to continue on its modernization path? We must also ensure the farmers earn good income. My priority in the Ministry of Agriculture consists in being an articulator of agricultural policies, someone who has come to grips with the needs of the sector. Therefore, the challenges are immense. The search for more resources towards minimum prices, towards farm insurance and sanitary surveillance are permanent challenges I have assumed, and are now being put into practice. There is need for competence and stamina to add value to the production chain, on a daily basis. We are acting with an eye towards plantings and sales, in harmony with fair market practices, rewarding efficiency and encouraging the concentration within the supply chains and compliance with contracts. I want to insist that, in my inaugural speech, I said I knew the program of the government, of which I was an advocate while in congress. Now, I am under the responsibility of my position, focused on achieving the previously set targets, in synchrony with our President. I am determined to do the best for my Country and for its people. This is my pledge.


Banco do Brasil no Show Rural Coopavel. Bom para o produtor rural realizar seus projetos.

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Agroenergia Agroenergia

Inor Ag. Assmann

Para ir

Biogás é apontado como opção importante para se somar à matriz energética 20


Pesquisa busca alternativas para geração de biocombustíveIs com a meta de superar a dependência atual em relação a cana-de-açúcar e soja

além

A

A cana-de-açúcar e a soja são as duas culturas que predominam na produção de combustíveis renováveis no Brasil. Um dos desafios é encontrar outras alternativas que contribuam para diminuir a dependência atual em relação a essas duas espécies. Uma das opções defendidas pelo pesquisador Manoel Teixeira Souza Júnior, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, de Brasília (DF), é o biogás, que pode ser produzido, por exemplo, a partir de resíduos de plantas e dejetos de animais. O biocombustível é composto por metano e dióxido de carbono. No Brasil, algumas iniciativas já estão em prática, apesar de não ser uma tecnologia nova. É muito utilizada na Alemanha. Segundo o pesquisador, o biocombustível poderá ser um componente importante para manter a participação das fontes de energia renováveis na matriz energética do País, diante das projeções de aumento da demanda por energia. Hoje, as energias renováveis, tanto a partir de biomassa quanto eólica e solar, respondem por quase metade das fontes da matriz energética brasileira. Pesquisas apontaram que o biogás tem potencial para dividir espaço, em grau de importância estratégica para o setor, com o etanol e o biodiesel. Em relação ao etanol, o pesquisador avalia que o Brasil vive hoje uma crise que resulta de um processo complexo, com problemas em quase todos os setores da cadeia. “Isso envolve do produtor, incluindo a usina, ao mercado externo, ao preço da gasolina, e até às questões relacionadas ao clima”, aponta. Neste sentido, Manoel Tei-

xeira Souza Júnior diz que a missão da pesquisa é desenvolver conhecimento e tecnologias que contribuam para resolver os problemas e superar os gargalos do setor. Com esse intuito, a Embrapa Agroenergia, em parceria com outras instituições de pesquisa, busca colaborar para o aumento da produtividade da cana-de-açúcar. Nesta linha, a unidade tem trabalhado para desenvolver variedades mais resistentes ao clima seco, entre outros avanços que melhorem o desempenho da planta. Outro estudo em início é sobre a terceira geração de microalgas com o objetivo de

produzir etanol e biodiesel. Ainda se vislumbra a inclusão de outra matéria-prima no período ocioso da indústria. O sorgo sacarino poderia ser acrescentado no processamento das usinas de cana. Conforme Souza Júnior, o grande desafio é a escala de produção, que precisaria de um cultivo de 10 milhões de hectares de sorgo e não apenas de alguns milhares de hectares, como ocorre hoje. Além disso, a pesquisa ainda atua na elaboração de etanol de segunda geração, que pode ser produzido a partir dos resíduos da cana-de-açúcar e do sorgo sacarino. “A única limitação é a viabilidade econômica”, menciona o pesquisador.

RUMO À RENOVAÇÃO Em relação à produção de etanol e de biodiesel, em 2011 o Brasil elaborou, no ano civil, 22,9 bilhões de litros de do primeiro e 2,7 bilhões de litros do segundo, de acordo com o Boletim Mensal dos Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, de novembro de 2012. O consumo nacional foi de 20,6 bilhões de litros de etanol e de 2,7 bilhões de litros de biodiesel. A capacidade instalada para a elaboração de biodiesel era de 6 bilhões de litros por ano. As exportações de etanol fecharam 2011 em 1,96 bilhão de litros e as importações em 1,15 bilhão de litros. Para a safra 2011/12, o terceiro levantamento da cana-de-açúcar da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou produção de 23,62 bilhões de litros de etanol, 5,22%a menos do que o obtido no ciclo anterior. A atividade concentra-se nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul com 92% do total produzido, principalmente nos estados de São Paulo (50,15%), Goiás (13,29%), Minas Gerais (9,91%), Mato Grosso (4,22%), Mato Grosso do Sul (7,81%) e Paraná (5,56%). Até o final de novembro de 2012, 93,3% do total estimado para a produção de etanol já estava consolidado. Os setores produtivos de etanol e de biodiesel reivindicaram ao longo de 2012 o aumento das misturas na gasolina e no diesel. Garantiram que teriam condições de abastecer o mercado, mas dependiam de definição concreta por parte do governo federal. A reivindicação para o etanol era de que a mistura passasse de 20% para 25%. Já no biodiesel, o pedido era para que fosse alterado de 5% (B5) para 10% (B10). “Se o Brasil quiser avançar na mistura para B10 e B20 no futuro, sabemos que, hoje, só com a soja não vai ser possível”, analisa o pesquisador Manoel Teixeira Souza Júnior, chefe-geral da Embrapa Agroenergia. Ele também esclarece que diversificar as fontes não é tarefa fácil. O biodiesel precisa ser produzido em escala imensa e com preço final reduzido. “Não são muitas as culturas que oferecem esses dois requisitos”, destaca. De acordo com Souza Júnior, atualmente o dendê é considerada a principal cultura para se tornar, no futuro, a melhor alternativa, a médio prazo. O pacote tecnológico já foi desenvolvido; só falta ganhar escala de produção, de milhares de hectares. Nos últimos dois anos, o cultivo foi ampliado em 100 mil hectares. O total é de 200 mil hectares. Outras plantas que estão em estudo são pinhão-manso e a macaúba. 21


Agroenergy

Research seeks alternative sources for the generation of biofuels aimed at surmounting the present dependence on sugarcane and soybean

Sugar cane and soybean are two crops that predominate in the production of renewable fuels in Brazil. One of the challenges consists in coming up with other alternatives, capable of diminishing the present dependence on the two crops mentioned above. One of the options advocated by researcher Manoel Teixeira Souza Júnior, chiefexecutive at Embrapa Agroenergy, in Brasília (DF), is biogas, which could be produced, for example, from plant and animal wastes. Biofuel results from a combination of methane gas and carbon dioxide. In Brazil, some initiatives have already been put into practice, although not being a new technology. It is much used in Germany. According to the researcher, biofuel could be a relevant component in the maintenance of the renewable energy sources in the Country’s energy matrix, in light of the projections for rising demand for energy. Nowadays, the renewable energies that come from biomass or from wind and solar sources account for almost half of all sources of the Brazilian energy matrix. Research works have demonstrated that biogas has the potential to share space, in a degree of strategic importance for the sector, with ethanol and biodiesel. With regard to ethanol, the researcher maintains that Brazil is now going through a crisis that results from a very complex process, with problems in almost every sector of the supply chain. “It involves producers, Mills, foreign market, the price of gasoline, and even questions related to the climate”, he comments. Within this context, Manoel Teixeira Souza Júnior says that the mission of research is to develop knowledge and technologies that contribute towards solving the sector’s problems and surmount its bottlenecks.

Biogas is suggested as one more important option to be added to the energy matrix 22

Inor Ag. Assmann

Conquering new frontiers With this intention, Embrapa Agroenergy, jointly with other research institutions, seeks to collaborate towards improving sugarcane’s productivity rates. In line with this, the unit has been engaged in the development of varieties more resistant to dry climate conditions, among other advances all aimed at improving the performance of the plant. Another study underway is on the third generation of microalgae with the aim to produce ethanol and biodiesel. What is also spotted is the inclusion of another raw material during the idle period at the industry. Saccharine sorghum could be added to the processing of sugarcane in the mills. According to Souza Júnior, the great challenge consists in scaled manufacturing, which would require the cultivation of 10 million hectares of sorghum, not just some thousand hectares, as is the case now. Furthermore, there is also research underway on second generation ethanol, which could be produced from sugar cane wastes and saccharine sorghum. “The only limitation is the economic viability”, the researcher comments.


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RENEWAL-ORIENTED With regard to the production of etha-

nol and biodiesel, during the 2011 civil year, Brazil produced 22.9 billion liters of the former and 2.7 billion liters of the latter, according to the Monthly Bulletin of the Renewable Energies Department of the Ministry of Mines and Energy, of November 2012. National consumption reached 20.6 billion liters of ethanol and 2.7 billion liters of biodiesel. The installed capacity for making biodiesel was for 6 billion liters a year. Ethanol exports came to a close in 2011 at 1.96 billion liters, while imports reached 1.15 billion liters. For the 2011/12 cycle, the third sugarcane survey conducted by the National Supply Company (Conab) estimated the production of ethanol at 23.62 billion liters, down 5.22% from the previous cycle. The activity is concentrated in the Southeast, Center-West and South, with 92% of the total production, particularly in the states of São Paulo (50.15%), Goiás (13.29%), Minas Gerais (9.91%), Mato Grosso (4.22%), Mato Grosso do Sul (7.81%) and Paraná (5.56%). By late November 2012, 93.3% of the total estimated volume had already been produced. In 2012, the ethanol and biodiesel producing sectors repeatedly asked for a higher proportion in the mixtures with gasoline and common diesel. They assured they had every condition to keep the market supplied, but they depended on a concrete definition by the federal government. The claim for ethanol was for the mixture to be raised from 20% to 25%. As to biodiesel, they were asking for an increase from the present 5% (B5) to 10% (B10). “If Brazil wants to progress to the B10 and B20 mixtures in the future, we know that, now with soybean alone, it will not be possible”, comments researcher Manoel Teixeira

18/12/12 10:01

Souza Júnior, chief-executive at Embrapa Agroenergy. He also clarifies that diversifying the sources is not an easy task. Biodiesel must be produced on large scale, and with reduced final price. “There are not many crops that present these two requisites”, he stresses. According to Souza Júnior, currently, the dende palm is viewed as the major alternative source for the future, in the medium term. The technological package has already been developed; the only thing now is to achieve manufacturing scale, from thousands of hectares. Over the past two years, dende palm tree cultivations were expanded by 100 thousand hectares. Now the total amounts to 200 thousand hectares. Other plants now undergoing research works are Barbados nut and macaúba.

ABASTECIMENTO - Supply Biocombustíveis – 2011 Produção (safra 2011/2012 – milhões m3) 22,8 22,9 2,7 Produção (ano civil – milhões m3) 20,6 2,7 Consumo combustível (milhões m3) 1,96 Exportações (milhões m3) 1,15 Importações (milhões m3) 1 1,21 2,21 Preço médio no produtor – EH e B100 ( ) (R$/L) 1,93 1,77 Preço médio no distribuidor – EH (2) e B5 (2) (R$/L) Preço médio no consumidor final – EH (2) e B5 (2) (R$/L) 2,19 2,01 Capacidade de prod. instalada nominal (milhões de m3) - 6,0 Fonte: MME - (1) Inclui os tributos federais - (2) Com todos os tributos

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Algodão Sílvio Ávila

Algodão

Feitas as

Brasil obtém recorde na exportação, com mais de um milhão de toneladas 24


Cotonicultores brasileiros diminuíram o plantio na temporada 2012/13 e acabaram optando por milho e soja, que oferecem maior rentabilidade

contas...

O

O entusiasmo dos produtores brasileiros com o bom momento do milho e da soja serviu como fator determinante na opção de plantio da lavoura de algodão. Em janeiro de 2013, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou levantamento de safra onde prevê a redução de 29,3% na área cultivada com a pluma na safra 2012/13, que deve ser de 985,3 mil hectares. Todos os estados produtores de algodão diminuíram a área plantada. Em Mato Grosso, que se destaca nessa atividade, a queda é de 27%. Já a Bahia, segunda no ranking, apresenta recuo de 30%. A produtividade, no entanto, deve ser 8,6% maior, comparativamente ao ciclo 2011/12, atingindo 3.815 quilos por hectare. Esse resultado deve ser alcançado em função do incremento tecnológico nas lavouras e das condições climáticas favoráveis. Com o bom rendimento da lavoura, a queda na produção está sendo estimada pela estatal em 23,2% na safra 2012/13. Dessa forma, o total do produto em caroço deve chegar a 3,759 milhões de toneladas. Já considerando-se apenas a pluma, devem ser produzidas 1,442 milhão de toneladas. Se milho e soja têm apresentado excelentes preços no mercado internacional, o mesmo não ocorre com o algodão, que também possui altas despesas para ser produzido. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gilson Pinesso, empossado em janeiro de 2013, lembra que o preço médio obtido

pela pluma em 2012 foi de US$ 0,80/libra-peso, enquanto o custo de produção foi de US$ 0,75/libra peso. “O produtor não lucrou”, constata. As cotações da commodity no mercado internacional estão diretamente relacionadas com a situação pela qual passa a China, maior produtor e consumidor mundial. O presidente da Abrapa explica que na etapa 2011/12 o país asiático, que tem demanda de 8 milhões de toneladas, formou estoques estimados em 6 milhões de toneladas, a mesma quantia que costuma produzir por temporada. No mesmo período a China importou cerca de 5 milhões de toneladas. “Com o es-

toque, mais a produção interna, eles devem reduzir as compras, o que obriga os países fornecedores, entre eles o Brasil, a diminuírem o plantio”, observa. O Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla em inglês) já está prevendo que as importações chinesas não passem de 2,5 milhões de toneladas no ciclo 2012/13. Já na safra 2011/12 os produtores brasileiros de algodão plantaram 1,393 milhão de hectares. A produtividade das lavouras foi de 3.513 quilos por hectare. A colheita do produto em caroço atingiu 4,895 milhões de toneladas. Em pluma, a produção foi consolidada em 1,877 milhão de toneladas.

AVANÇO EXTERNO O ano de 2012 foi importante para o setor cotonicultor, pois o Brasil bateu o recorde nas exportações. Além disso, subiu uma posição no ranking dos maiores fornecedores da pluma, estando agora em terceiro lugar, atrás apenas da Índia e dos Estados Unidos. China, Coreia do Sul e Indonésia são os maiores compradores do algodão brasileiro. Nessa lista destaca-se a China, que, sozinha, adquire mais de 30% do produto brasileiro destinado ao exterior. O presidente da Abrapa, Gilson Pinesso, lembra que na safra 2011/12 o país asiático adquiriu quase 80 mil toneladas de algodão vindas do Brasil. Já na safra 2012/13, foram 325 mil toneladas. O balanço da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, revela que em 2012 o Brasil exportou 1,052 milhão de toneladas de algodão, atingindo faturamento de US$ 2,104 bilhões. O desempenho foi 38,8% superior na quantidade e 32,3% maior na receita, em comparação a 2011, quando também o resultado já havia sido excelente. Para Gilson Pinesso, muitos fatores podem ser destacados para o sucesso da pluma brasileira no exterior, entre eles a qualidade da fibra e o cumprimento dos negócios contratados. “O comprador internacional sabe que o produto será entregue, independentemente do momento em que se encontra o mercado. Isso gera confiança”, avalia. Para 2013, o dirigente da Abrapa acredita que o País deverá continuar como terceiro maior exportador, pois a redução da produção de algodão será mundial.

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cotton

Brazilian cotton farmers reduced their planted areas in the 2012/13 cycle and ended up opting for the more profitable corn and soybean crops

Looking at the bottom line...

The great excitement of the Brazilian growers with the good moment corn and soybean are going through was a determining factor when it came to opting for cotton. In January 2013, the National Supply Company (Conab) disclosed its crop survey report where it predicts a reduction of 29.3% in the area devoted to cotton in the 2012/13 crop year, which should remain at 985.3 thousand hectares. All the cotton growing states reduced their planted areas. In Mato Grosso, which stands out for its huge fields, the reduction reached 27%. Bahia, second in the ranking, reduced its area by 30%. Productivity, nevertheless, is estimated to soar 8.6%, compared to the 2011/12 cycle, amounting to 3,815 kilos per hectare. This result should be achieved by virtue of improved technology and more favorable weather conditions. With the good performance of the fields, the reduction in the size of the crop is estimated by the state corporation to remain at 23.2% in the 2012/13 crop year. Therefore, the total crop of unginned cotton should reach 3.759 million tons. If only the lint is considered, the crop will reach 1.442 million tons. Although corn and soybean have attracted excellent prices in the international market, the same does not hold true for cotton, which is a very expensive crop to be

produced. The president of the Brazilian Association of Cotton Producers (Abrapa), Gilson Pinesso, inaugurated in January 2013, recalls that the average price fetched by the fiber in 2012 was US$ 0.80 a pound, while the production cost was US$ 0.75 per pound. “Farmers made no profit”, he ascertains. The prices of the commodity in the international market are directly linked to the situation China is going through, largest global producer and consumer. The Abrapa president explains that in the 2011/12 cycle, the Asian country, with a demand for 8 million tons a year, set up stocks that reach 6 million tons, the same amount the country produces per cycle. Over the same period China imported

ALGODÃO EM NÚMEROS - cotton in numbers Produção em pluma Safra Área (mil ha) Produção (mil t) Produtividade (kg/ha) 2011/12 1.393,4 1.877,3 1.347 2012/13 985,3 1.442,8 1.464 Fonte: Conab

exportação Ano Volume (t) Valor (US$ mil) 2011 755.328 1.590.062 2012 1.052.807 2.104.430 Fonte: Secex

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approximately 5 million tons. “With such a big stock, plus domestic production, that country will more than likely reduce the purchases from abroad, a fact that induces the regular suppliers, and Brazil is one of them, to cut down on their planted areas”, he observes. The International Cotton Advisory Committee (ICAC) has already predicted that China’s imports will not exceed 2.5 million tons in the 2012/13 cycle. In the 2011/12 crop year the cotton farmers in Brazil planted 1.393 million hectares. The performance of the fields reached average productivity rates of 3,513 kilos per hectare. The amount of seed cotton reached 4.895 million tons, representing 1.877 million tons of lint.


Sílvio Ávila

ADVANCES ABROAD Year 2012 was very important for the cotton farming sector, with Brazilian exports hitting record highs. Furthermore, the Country conquered a position in the ranking of the largest lint suppliers, and now ranks third on that score, coming only after India and the United States. China, South Korea and Indonesia are major buyers of Brazilian cotton. The highlight on this list is China, which, alone, acquires more than 30% of the Brazilian product destined for abroad. Abrapa president Gilson Pinesso recalls that in the 2011/12 cycle the Asian country acquired almost 80 thousand tons of cotton from Brazil. In the 2012/13 crop year, it was 325 thousand tons. According to the Brazilian Secretariat of Foreign Trade (Secex), an organ of the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade (MDIC), in 2012 Brazil exported 1.052 million tons of cotton, raking in revenue of US$ 2.104 billion. The performance in quantity was up 38.8% and in revenue it was up 32.3% from 2011, when the result had also been excellent. Gilson Pinesso understands that many factors could be credited with the success of Brazilian cotton abroad, among them the quality of the fiber and the fulfillment of contracted businesses. “The international buyers know that the product will be delivered, regardless of the moment the market is going through. This generates mutual confidence”, he comments. For 2013, the Abrapa official believes the Country will keep its position as third largest exporter, since planted area reductions are a global phenomenon.

Brazil exports hit record high, with upwards of a million tons


Aquicultura Sテュlvio テ」ila

Aquicultura

Ensinando a

Paテュs importou mais de 300 mil toneladas de pescado ao longo de 2012 28


FAO avalia que Brasil tem capacidade para produzir 20 milhões de toneladas de pescado ao ano, e boa parte do aumento viria da aquicultura

pescar

M

Sílvio Ávila

Mesmo com todas as condições para ser um grande produtor e exportador de pescados, o Brasil vem registrando ano a ano déficit na balança comercial do produto. “Com costa e rios tão fartos, não temos que ser importadores de peixe”, argumenta o ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella. “A China produz 50 vezes mais do que o Brasil, mas estamos trabalhando para mudar isso”. Ele destaca que a produção brasileira, de 1,264 milhão de toneladas em 2010, não corresponde aos recursos disponíveis no País, como o grande volume de água doce e o imenso litoral. O ministro aponta que o potencial nacional no mar (8 mil quilômetros de litoral) e, sobretudo, nas águas continentais é de 8,2 bilhões de metros cúbicos. Enquanto a China, com 2,8 bilhões de metros cúbicos, produz muito mais peixe do que o Brasil. “Creio que cada brasileiro, se pensar nisso, se tornará um soldado, soldado é pouco, um gladiador, a favor da pesca e da

aquicultura pelo valor nutritivo do alimento, por preservar o meio ambiente e pela geração de emprego e renda”, ressalta. Para Crivella, é necessário impulsionar e popularizar a produção. “É preciso que chegue ao campo a notícia de que em um hectare é possível produzir 100 toneladas de peixe em seis meses, enquanto o melhor pecuarista brasileiro, no mesmo espaço, obtém uma tonelada de carne bovina”, compara. Segundo o ministro, o setor de pescado em 2011 girou US$ 600 bilhões no mundo todo. “Isso é muito mais do que frango, suíno, boi, caprino e ovinos juntos”, destaca. O Brasil tem potencial para produzir 20 milhões de toneladas de pescado ao ano, de maneira sustentável, na avaliação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Esse incremento na produção, segundo o órgão, virá da aquicultura. Crivella acredita que esse desempenho será possível, pois em 2011 o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) aplicou R$ 140 milhões em irrigação no Ceará e obteve valor bruto de produção de R$ 145 milhões. No mesmo período também foram investidos R$ 3,5 milhões em piscicultura nos açudes do DNOCS. O valor bruto produzido foi de R$ 120 milhões, equivalente a 30 mil toneladas de pescado comercializado no mercado interno do Ceará, ao preço médio de R$ 4,00 por quilo.

UM BOM PLANO Os bons resultados alcançados com a aquicultura em vários estados brasileiros estimularam a presidente Dilma Rousseff a lançar, em 25 de outubro de 2012, pela primeira vez no Brasil, o Plano Safra da Pesca e Aquicultura, com recurso de R$ 3,5 bilhões. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que considera o potencial da aquicultura nacional um outro pré-sal, na mesma ocasião lançou o programa de apoio ao setor, com recursos de mais de R$ 500 milhões. O Plano Safra prevê a desoneração tributária, financiamento com juros bem menores, garantia de assistência técnica, investimentos em ciência e tecnologia, e o uso do poder estratégico de compra do Estado para apoiar a cadeia produtiva. O programa cria oportunidade para o pescador artesanal se tornar um aquicultor, com benefícios para o meio ambiente em muitas regiões sobre-exploradas. No entanto, de acordo com o ministro de Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella, as licenças ambientais dos órgãos estaduais ainda são um entrave, não técnico, mas político. Um exemplo são as licenças retidas para os parques em águas da União, que privam milhares de famílias de ter acesso a um lote aquícola para produzir peixes em tanques-rede. “Os parques ocupam no máximo 1% dos reservatórios. É 1% para produzir 20 milhões de toneladas de pescado em cultivo. Mais do que nunca, é tempo de lançar o tanque-rede e por minhoca no anzol”, defende. 29


AQUACULTURE

FAO maintains that Brazil could produce 20 million tons of fish a year, mostly coming from aquaculture farming

Teaching to fish Although boasting every condition to become a huge producer and exporter of fish, year after year Brazil has been registering a deficit in its trade balance for fish and fishery products. “With lush coastal regions and rivers, we should not be fish importers”, argues Marcelo Crivella, minister of Fisheries and Aquaculture. “China produces 50 times more than Brazil, but we are working hard to change the situation”. He stresses that Brazil’s production of 1.264 million tons in 2010, does not correspond to the resources available throughout the Country, like the huge volume of freshwater and the immense coastal area. The minister refers to the national seawater potential (8 thousand kilometer coastal area) and, in particular, to our 8.2 billion cubic meters of continental waters. China, with 2.8 billion cubic meters, produces much more fish than

Country imported upwards of 300 thousand tons of fish in 2012 30

Brazil. I believe that every individual born in Brazil, if giving it some thought, will turn into a soldier, or better still, into an advocate for every facet of fisheries and aquaculture, due to their nutritional value, their environment-oriented focus and for the generation of jobs and income”, he notes. Crivella understands that fish production should be stimulated and turned into a popular activity. “Farmers should be

made aware of the fact that one hectare is enough to produce one hundred tons of fish over a six-month period, whilst modern cattle breeders produce just one ton of beef in the same area”, he compares. According to the minister, the fishery sector was responsible for a global turnover of US$ 600 billion in 2011. “It is much more than chicken, hogs, cattle, goat and sheep together”, he stresses. Brazil has the potential to produce 20 million tons of fish a year, in sustainable manner, according to a study conducted by the Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). This increase in production, say FAO representatives, will come from aquaculture. Crivella believes this performance will be possible, considering that in 2011 the National Department of Works Against Drought (DNOCS) invested R$ 140 million in irrigation in Ceará, resulting into a gross production value of R$ 145 million. In the meantime, an amount of R$ 3.5 million was invested in ponds by the DNOCS. The gross value of the production reached R$ 120 million, equivalent to 30 thousand tons of fishery products sold in the domestic market in Ceará, for an average price of R$ 4 per kilo.

A GOOD PLAN The good results derived from aquaculture in several Brazilian states encouraged our president Dilma Rousseff to launch for the first time in Brazil, the Fisheries Farm Plan and Aquaculture, with resources of R$ 3.5 billion. The National Social and Economic Development Bank (BNDES), which views the potential of national aquaculture as another pre-salt, also launched a support program to the sector, with resources of upwards of R$ 500 million. The Fisheries Farm Plan also involves tax exemptions, smaller interest rates on bank loans, technical assistance, investments in science and technology, and the State’s strategic purchasing power in support of the supply chain. The program creates opportunities for artisan fishermen to adhere to aquaculture, benefiting the environment in many over-exploited fisheries. Nonetheless, the minister of Fisheries and Aquaculture, Marcelo Crivella, maintains the environmental licenses issued by state organs are still a hurdle, not technical, but political. As an example he cites the licenses retained for the parks in waters that belong to the government, which deprive thousands of families from having access to a stretch of land to produce fish in fish farming tanks. “The parks occupy no more than 1% of these reservoirs. It is 1% for producing 20 million tons in fish farming tanks. More than ever, it is time for installing fish farming tanks and bait the fishing hook”, he recommends.


PESCARIA EXTERNA

SINAL NA LINHA - nibbling at the bait Balança comercial de pescados (Jan.-nov. 2012) Exportação Volume (t) Valor (US$ milhões) 38.522 212.827 Importação Volume (t) Valor (US$ milhões) 328.027 985.946 Fonte: Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura (Conepe) Aliceweb, dez. de 2012.

FISHING ABROAD One of the targets of the fishery products supply chain is to reverse our foreign businesses, with the Country shifting from fish importer to exporter. Carlos Magno Campos da Rocha, chief-executive of Embrapa Fishery and Aquaculture, based in Palmas (TO), believes that the agricultural revolution that has transformed the Country from food importer to food exporter could do the same with aquaculture. “Brazil will turn into the largest fish producer in the world, it is just a matter of hard work and time”, he declares. The target of the Fishery and Aquaculture Plan is the produce

maram 137.191 toneladas e receita de US$ 182,115 milhões. Em 2012, o volume importado foi de 328.027 toneladas, totalizando US$ 985,496 milhões. A China, maior produtor de pescados do mundo, também respondeu pelo maior volume (63.696 toneladas) fornecido ao Brasil nos primeiros 11 meses de 2012. Ainda foram responsáveis pelo abastecimento nacional Chile, Argentina, Vietnã e Noruega, entre outros países. O Brasil ocupava a 18º posição entre os principais produtores mundiais de pescado em 2009.

Sílvio Ávila

Uma das metas da cadeia produtiva de pescados nacional é inverter a ordem dos negócios externos, com o País passando de importador para exportador. Carlos Magno Campos da Rocha, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, estabelecida em Palmas (TO), acredita que a revolução agrícola nacional que transformou o País de importador em exportador de alimentos irá se repetir também na aquicultura. “O Brasil será o maior produtor de pescado do mundo, é só uma questão de trabalho e tempo”, declara. A meta do Plano Safra da Pesca e Aquicultura é produzir 2 milhões de toneladas anuais de pescado até 2014. A produção brasileira em 2010 foi de 1,264 milhão de toneladas, conforme o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). O volume registrou acréscimo de 2% sobre o resultado de 2009. O consumo per capita aparente no País em 2010 foi de 9,75 quilos, volume menor do que os 12 quilos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, o Brasil é um crescente importador, ultrapassando a US$ 1 bilhão por ano. Números divulgados pelo Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura (Conepe) apontam que as exportações brasileiras de pescado foram diminuindo a partir de 2003. Entre janeiro e novembro de 2003, o Brasil exportou 104.658 toneladas de pescados, gerando receita de US$ 395,372 milhões. Neste mesmo período, em 2012, as vendas externas foram de 38.522 toneladas, com retorno financeiro de US$ 212,827 milhões. Nestes mesmos meses de 2003, as importações nacionais so-

2 million tons a year by 2014, In 2010, Brazil produced 1.264 million tons, according to the Ministry of Fishery and Aquaculture (MPA). The volume was up 2% from the 2009 result. Apparent consumption of fish per capita in the Country in 2010 was 9.75 kilos, compared to the 12 kilos recommended by the World Health Organization ( WHO). Nonetheless, Brazil is an ever-bigger importer, in excess of US$ 1 billion a year. Figures released by the National Fishery and Aquaculture Council (Conepe) point to decreasing Brazilian fish exports since 2003. From January to November 2003, Brazil exported 104,658 tons of fishery products, bringing in revenue of US$ 395.372 million. During this same period, in 2012, foreign sales amounted to 38,522 tons, with financial returns of US$ 212.827 million. Over the same months in 2003, national fish imports amounted to 137,191 tons and revenue of US$ 182.115 million. In 2012, imports reached a volume of 328,027 tons, totaling US$ 985.496 million. China, the largest producer of fish in the world also accounted for the biggest volume (63,696 tons) shipped to Brazil January through November 2012. Other countries that exported fish to Brazil were Chile, Argentina, Vietnam and Norway, among others. In 2009, Brazil ranked as 18th largest fish producer in the world.

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Arroz Inor Ag. Assmann

Arroz

Melhor que

Comercialização deve se manter bastante rentável ao produtor brasileiro 32


Cadeia produtiva evolui em questões estratégicas, obtém renda cada vez mais substancial e gera boas perspectivas para a temporada 2012/13

a encomenda

E

Entra ano, sai ano, e a orizicultura brasileira mostra-se mais fortalecida para o sobe-e-desce de preços, as oscilações climáticas, o estado de humor do mercado, o endividamento de parte dos agricultores e a falta de uma política agrícola de longo prazo e com garantia de renda e equilíbrio entre oferta e demanda. Em 2012, estas variáveis afetaram a produção e o mercado de arroz do Brasil. Mas, no final das contas, o balanço foi positivo. E a expectativa para o ano comercial 2013/14 é a continuidade de bons preços. “A cadeia produtiva amadureceu com tantos obstáculos vencidos nas últimas décadas. O ano seria melhor se muitos produtores não fossem obrigados a vender o arroz a preços baixos para honrar compromissos logo após a colheita”, diz o presidente Renato Rocha, da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). Considera que o fato de a safra 2011/12 ter sido 14,8% menor, frente à temporada 2010/11, foi a principal causa da reação nos preços, mas crê que a desvalorização do real levou ao bom desempenho das exportações, o que, em seu entender, foi bom. Também ajudaram as medidas que, em resposta aos apelos do setor, o governo anunciou: R$ 737 milhões de suporte à comercialização do arroz, caso fossem neces-

sários; prorrogação das parcelas vincendas do custeio, reduzindo a pressão de oferta; e o anúncio, em outubro, da repactuação das dívidas arrozeiras em 10 anos. A recuperação dos preços iniciou-se com a constatação de quebra no ciclo 2011/12. A produção caiu de 13,6 milhões de toneladas para 11,6 milhões de toneladas. O Mercosul colheu menos. Na etapa 2011/12 o Brasil cultivou 2,43 milhões de hectares. A produtividade ficou em 4.780 quilos/ha. Com isso, o suprimen-

to chegou a 15,07 milhões de toneladas, somando 2,57 milhões de toneladas de estoques, 11,6 milhões de toneladas de produção e 900 mil toneladas de importação. A demanda foi de 13,4 milhões de toneladas, gerada pelo consumo interno de 12,1 milhões de toneladas e pela exportação de 1,3 milhão de toneladas. O estoque final, diante disso, ficou em 1,7 milhão de toneladas, o menor em seis anos, estima a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

COTAÇÕES Os preços da saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) subiram de R$ 19,00 em fevereiro/março para R$ 40,00, em outubro de 2012 no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, com oferta e demanda ajustadas, os preços da matéria-prima se mantiveram de R$ 1,00 a R$ 3,00 abaixo das cotações gaúchas. No Mato Grosso, com o fim dos estoques dos produtores até agosto, os valores alcançaram a R$ 62,00 para a saca de 60 quilos, com 55% de inteiros, caindo para R$ 48,00 com o ingresso de arroz do Sul. A valorização da matéria-prima, contudo, trouxe reflexos: os preços ao consumidor subiram mais de 40% ao longo do ano. Ainda assim, ficaram abaixo do valor nominal praticado pelo varejo no ciclo 2009/10. “O ano anterior foi atípico, com a matéria-prima remunerada em valores médios inferiores ao custo de produção”, justifica Renato Rocha, presidente da Federarroz. A alta de preços nos supermercados levou o governo federal a intervir para conter a inflação. A Conab ofertou grãos dos estoques públicos em 22 leilões entre 31 de agosto de 2012 e 4 de janeiro de 2013. Isso derrubou os valores de comercialização no período de outubro de 2012 a janeiro de 2013. A média de R$ 42,00 caiu a R$ 34,00 em 15 de janeiro de 2013. A Conab ofertou 748,6 mil toneladas do cereal e negociou 345,6 mil toneladas, 46,2% da oferta. O governo federal encerrou os leilões no início de janeiro, mantendo apenas os pregões de troca do arroz em casca por beneficiado para doações humanitárias.

HORIZONTE

A safra 2012/13 será 4% maior que a anterior. A estimativa da Conab, divulgada em janeiro de 2013, é de produção nacional situada em 12,06 milhões de toneladas de grãos, a serem colhidos em área de 2,42 milhões de hectares, 0,3% menor do que no ciclo anterior. A produtividade subirá 4,3%, saltando para 4.984 quilos colhidos por hectare. Como o estoque inicial é menor e as exportações previstas são maiores do que as importações, a previsão é de estoque final de 1,43 milhão de toneladas, o menor da década. Com este cenário, mais a repactuação das dívidas, a expectativa do setor é de um maior equilíbrio entre oferta e demanda e preços médios ao produtor similares ao ciclo 2012/13.

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rice

Supply chain is making strides in strategic matters, earning substantial income and generating good perspectives for the 2012/13 cycle

Exceeding expectations Year in, year out, Brazil’s rice farming operations are getting less vulnerable to the ups and downs of the prices, to climate oscillations, to the behavior of the market, to the indebtedness of some farmers and to the lack of an agriculture oriented long term policy and with income assurance and a balance between supply and demand. In 2012, these variables affected the rice crop and its market in Brazil. But, ultimately, there was a positive outcome. And the expectation for the 2013/14 commercial year is the continuity of the good prices. “The conquest of so many obstacles over the past decades resulted into a stronger supply chain. It could even be a better year if many farmers were not forced to sell their crop at low prices just to make good on their bank loans”, comments Renato Rocha, president of the Rio Grande do Sul Rice Growers’ Federation of Associations (Federarroz). In his view, the fact that the 2011/12 crop was down 14.8% from the 2010/11 cycle, is responsible for the better prices, but he also believes

Sales should

continue

favorable to Brazilian farmers

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that the devaluation of the real against the dollar was a factor in the good performance of the exports, which, as he sees it, was good. Other factors include the measures announced by the government in reply to the claims of the sector: R$ 737 million to support rice sales, should the amount be needed; postponement of the deadline for settling the loan installments, thus reducing pressure over supply; and the announcement, in October, extending the loan payment period for 10 years. Prices started to recover when a smaller 2011/12 crop was confirmed. The volume had fallen from 13.6 million tons to 11.6

million. Mercosur harvested less rice. In the 2011/12 cycle Brazil devoted 2.43 million hectares to rice. Productivity remained at 4,780 kilos/ha, pushing up supplies to 15.07 million tons, including 2.57 million tons from carryover stocks, 11.6 million tons from the crop and 900 thousand tons of imported rice. Demand amounted to 13.4 million tons, generated by internal consumption of 12.1 million tons and by exports of 1.3 million tons. In light of all these variables, the final stock reached 1.7 million tons, the smallest in six years, according to sources from the National Supply Company (Conab).

QUOTATIONS Prices per 50-kg sack of rice in the husk (58x10) soared from R$ 19 in February/March to R$ 40 in October 2012 in Rio Grande do Sul. In Santa Catarina, with tight supply and demand, the prices of the cereal remained from R$ 1 to R$ 3 below the quotations in Rio Grande do Sul. In Mato Grosso, with stocks exhausted at farmer level, values went up to R$ 62 for a 60-kg sack, with 55% of unbroken kernels, falling to R$ 48 when rice from the South arrived in the State. The higher value of the cereal, however, had its ripple effects, pushing up consumer prices by over 40% over the year. Even so, they remained below the nominal value practiced by retailers in the 2009/10 cycle. “The previous year had been atypical, with the crop remunerated at average values below production costs”, justifies Renato Rocha, president of Federarroz. The soaring prices practiced by most supermarkets called for government action in an attempt to curb this inflation trend. Conab staged 22 rice auctions for selling government stocks, from 31st August 2012 to 4th January 2013. This made prices plummet from October 2012 to January 2013. From an average of R$ 42 a sack, they fell to R$ 334 in January 2013. Conab offered 748.6 thousand tons of the cereal and negotiated 345.6 thousand tons, 46.2% of the offer. The federal government concluded the auctions in January, keeping only the bids for exchanging rice in the husk for processed rice for humanitarian donations.


HORIZON

The 2012/13 crop will be up 4% from the previous year. Conab’s estimate, published in January 2013, is for a national crop of 12.06 million tons, harvested from a planted area of 2.42 million hectares, down 0.3% from the previous year. Productivity is to soar 4.3%, jumping to 4,984 kilos per hectare. In light of the smaller initial stocks, and because exports are expected to outstrip imports, the forecast is for a final stock of 1.43 million tons, the smallest in the decade. Within this context, plus debt repactuation facilities, the expectation of the sector points to a more balanced situation between offer and demand, with farm gate prices similar to the 2012/13 season.

Mudanças no ranking

Inor Ag. Assmann

A maior influência para o aumento da safra nacional está nos quatro principais produtores, especialmente o Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do Brasil. O Estado, segundo o relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), colherá 8,03 milhões de toneladas, em avanço de 3,7% sobre a colheita do ciclo 2011/12. Os gaúchos cultivaram 1,066 milhão de hectares, ou 1,3% a mais do que os 1,053 milhão de hectares da safra anterior. O rendimento será de 7.525 quilos por hectare, 175 quilos a mais do que os 7.350 kg/ha colhidos na temporada 2011/12. A evolução da área é associada à recuperação do poder irrigante e dos preços acima do custo de produção. Santa Catarina manterá o segundo lugar na produção nacional, apesar da queda produtiva de 0,1%, avançando para 1,076 milhão de toneladas. Repetirá a área de 150,1 mil hectares. A produtividade cairá 0,2%, recuando para 7.169 quilos/ha. O Maranhão assume a terceira posição no ranking nacional, com 685,4 mil toneladas. O aumen-

to é de 46,5% sobre as 467,7 mil toneladas colhidas na safra 2011/12. A área crescerá 1,2%, de 426 mil hectares para 431,1 mil hectares. A produtividade subirá 44%, de 1.098 quilos por hectare para 1.590 kg/ha. O Mato Grosso, mesmo colhendo mais, perderá a posição de terceiro maior pro-

dutor. A área tende a aumentar 5,4%, de 143,4 mil hectares para 151,1 mil hectares. A produtividade cairá 3,6%, de 3.217 kg/ha para 3.100 kg/ha, por causa do clima e da redução na tecnologia aplicada. A produção subirá 1,5%, de 461,3 mil toneladas para 468,3 mil toneladas.

DE OLHO NO PRATO - with an eye on the dish Balanço de oferta e demanda de arroz - Em 1.000 toneladas Safra Estoque Produção Import. Suprimento Consumo Export. Estoque inicial final 2007/08 2.026,4 12.074,0 589,9 14.690,3 11.866,7 789,9 2.033,7 2008/09 2.033,7 12.602,5 908,0 15.544,2 12.118,3 894,4 2.531,5 2009/10 2.531,5 11.660,9 1.044,8 15.237,2 12.152,5 627,4 2.457,3 2010/11 2.457,3 13.613,1 825,4 16.895,8 12.236,7 2.089,6 2.569,5 2011/12 2.569,5 11.599,5 900,0 15.069,0 12.100,0 1.300,0 1.669,0 2012/13 1.669,0 12.062,0 900,0 14.631,0 12.100,0 1.100,0 1.431,0 Fonte: Conab, janeiro de 2013.

Changes in the ranking

The major influence on possible bigger national rice crops lies in the four leading producers, especially Rio Grande do Sul, the largest producer of the crop in Brazil. According to a report by the National Supply Company (Conab), the State will harvest 8.03 million tons, up 3.7% from the harvest of the 2011/12 cycle. The planted area in Rio Grande do Sul amounted to 1.066 million hectares, or 1.3% more than the 1.053 million hectares in the previous crop. Productivity is estimated at 7,525 kg per hectare, up 175 kg from the 7,350 kg/ha harvested in 2011/12. Area recovery is associated with the rising irrigating power of the farmers and higher-than-production cost prices. Santa Catarina will again rank as second biggest national rice producer in spite of the 0.1-percent fall in productivity, progressing to 1.076 million tons. The state is to repeat the planted area of 150.1 thousand hectares. Productivity is estimated to drop 0.2%, receding to 7,169 kg/ha. The State of Maranhão occupies the third position in the national ranking, with 685.4 thousand tons. It represents an increase of 46.5% over the 467.7 thousand tons harvested in 2011/12. The planted area is to increase 1.2%, from 426 thousand hectares to 431.1 thousand hectares. Productivity will soar 44%, from 1,098 kilos per hectare to 1,590 kg/ha. Mato Grosso, although harvesting more than last year, will lose its position as third biggest producer. The planted area tends to soar 5.4%, from 143.4 thousand hectares to 151.1 thousand hectares. Productivity will fall 3.6%, from 3,217 kg/ha to 3,100 kg/ha, on account of the climate and a decrease in technology. The size of the crop will rise 1.5%, from 461.3 thousand tons to 468.3 thousand tons.

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Aves Aves

Sテュlvio テ」ila

Sテウ

Apesar de tudo, demanda interna permaneceu aquecida ao longo do ano 36


Avicultura nacional enfrentou aumento de mais de 40% nos custos de produção em 2012, o que provocou redução nos estoques e alta nos preços

no bico

A

A avicultura nacional enfrentou em 2012 uma das piores crises de sua história. “Não somente brasileira, mas mundial”, reforça Ricardo Santin, diretor de Mercados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef ). O setor sofreu os impactos do aumento de mais de 40% nos custos de produção, provocados pela crise dos insumos com a estiagem no Sul, em janeiro de 2012, e com a quebra da safra de milho dos Estados Unidos. Inclusive várias empresas entraram em recuperação judicial e outras foram vendidas. De acordo com a Ubabef, o segmento gera 3,5 milhões de empregos diretos e indiretos, 350 mil apenas nas plantas frigoríficas. Mais de 100 mil famílias de produtores fazem parte da cadeia produtiva. Para contornar a situação, conforme Santin, as agroindústrias em geral decidiram pela redução da criação em 10% a partir de agosto (ápice da crise) e repassaram os custos de produção para o preço final do produto. “A medida de fato ocorreu e impactou em redução de 3,17% do volume total de frangos em 2012. Já o repasse dos custos ficou pela metade, aumentando em apenas 20% o preço final da proteína animal”, explica. De acordo com a Ubabef, 2012 totalizou volume de 12,645 milhões de toneladas de carne de frango, contra o recorde de 13,058 milhões de toneladas obtido em 2011. Resultado positivo, de 31,7 bilhões de unidades, foi obtido na produção de ovos. Em 2011, o segmento registrou desempenho de 31,33 bilhões de unidades. De acordo com empresas e varejistas, a alta nos preços dos derivados não se refletiu negativamente na demanda interna pelos produtos avícolas. “O que aconteceu foi uma re-

dução dos estoques. Hoje, a produção segue o ritmo da demanda, sem saldos, diminuindo a pressão baixista nas negociações de preço”, esclarece o diretor da Ubabef. Uma das ações da entidade em 2012 foi a realização de pesquisa para verificar a preferência de 2.869 famílias brasileiras pelos produtos da avicultura. A consulta constatou que a carne de frango era consumida em 100% desses domicílios. Também verificou que o ovo estava presente

na dieta alimentar de 99% desses lares. Nem mesmo a previsão de safra maior de soja e de milho para 2013 deverá favorecer significativamente a avicultura. “Ainda estaremos sob influência da quebra de safra norte-americana de 2012, e possivelmente teremos que competir com os importadores de grãos”, avalia Santin. Ele acredita que os custos de produção deverão se manter próximos dos patamares de 2012. Além disso, o setor enfrenta problemas relacionados à logística e à tributação. “A falta de infraestrutura em estradas, ferrovias e portos continua sendo grave contratempo para a nossa competitividade, assim como o acúmulo de créditos tributários. E este não é um problema que se espera ver superado já em 2013”, salienta.

AVIÁRIO NACIONAL - national aviary Resultado do setor avícola nacional Produção Carne de frango (milhões de toneladas) Ovos (bilhões de unidades) Exportação Carne de frango - volume (milhões de toneladas) Carne de frango - receita (bilhões US$)

2011 2012 13,058 12,645 31,55 31,7 2011 2012 3,942 3,918 8,252 7,703

Fonte: Ubabef

DESEMPENHO EXTERNO O diretor Mercados da Ubabef, Ricardo Santin, destaca que os negócios externos foram beneficiados pelas ações realizadas por meio das marcas de promoção internacional Brazilian Chicken e Brazilian Egg. “Para o frango, foi importante para a provável repetição, em 2012, do desempenho em volume do resultado obtido no ano anterior. E isto em pleno ano de crise internacional, em custos e em consumo”, sinaliza. “Já para o segmento do ovo, permitiu-se ao Brasil exportar para 24 países, contra 19 nações no ano anterior.” De acordo com a Ubabef, o volume de carne de frango alcançou 3,918 milhões de toneladas em 2012, abaixo das 3,942 milhões de toneladas embarcadas em 2011. A receita foi de US$ 8,252 bilhões, com queda de 6,7% em comparação aos resultados de 2011. No segmento de ovos foi negociado em 2012 um total de 26,8 mil toneladas, ultrapassando as 16,655 mil toneladas enviadas em 2011. Santin explica que a receita menor em dólares foi determinada pela mudança nas movimentações comerciais de mercado. A África, que importa produtos com menor valor agregado, apresentou crescimento de cerca de 30% nos 10 primeiros meses de 2012. Enquanto isso, a União Europeia, cliente com maior valor agregado nas exportações, registrou queda de aproximadamente 7%.

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poultry

Sテュlvio テ」ila

National poultry farming was caught by surprise by a 40-percent rise in production costs in 2012, resulting into lower stocks and higher prices

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Blame it on the beak


In general, domestic demand continued stable over the year

had no negative internal reflections on demand for poultry products. “What happened was a reduction in stocks. Currently, production is keeping pace with demand, without surpluses, cushioning the downward trend in price negotiations”, clarifies the Ubabef official. One of the initiatives of the entity in 2012 was a survey for checking the preferences of 2,869 Brazilian families with regard to poultry products. The survey concluded that chicken meat was consumed in 100% of all households, whilst eggs were present in the diets of 99% of these homes. Not even the forecast of a bigger soy-

bean and corn crop for 2013 will be able to significantly favor the poultry operations. “We will continue under the spell of the frustrated North-American 2012 corn crop, and we shall possibly have to compete with the cereal importers”, Santin argues. He believes that the production costs should keep pace with the 2012 standards. Furthermore, the sector is facing taxation and logistic problems. “The lack of road, port and railway infrastructures are still a serious hurdle to our competitiveness, just like the accumulation of tax credits, a problem that no one expects to be surmounted as early as 2013”, he stresses.

Sílvio Ávila

In 2012, national poultry farming experienced one of its worst crises on record. “Not only in Brazil, but also globally”, stresses Ricardo Santin, Market director at the Brazilian Aviculture Union (Ubabef ). The sector had to put up with the impact of production costs that increased by upwards of 40%, caused by the input crisis brought about by the prolonged drought conditions in the South, in January 2012, and also by the corn crop frustration in the United States. Some companies even had to file a composition with their creditors, whilst other companies were sold. According to Ubabef sources, the segment generates 3.5 million direct and indirect jobs, 350 thousand in the meat packing industries alone. The supply chain comprises upwards of 100 thousand families. To find a way around the situation, according to Santin, most agroindustries decided for a 10-percent reduction in their poultry farming operations, as of August (when the crisis reached its peak) and added the production cost to the finished product. “The measure was really enacted and its impact translated into a 3.7-percent reduction in the total broiler volume expected for 2012. Only 50% of the higher production costs were added to the final product, representing a rise of 20% in the final cost of the chicken meat,” he explains. According to Ubabef officials, 2012 came to an end with a total volume of 12.646 million tons of chicken meat, compared to the record 13.058 million tons in 2011. A positive result of 31.7 billion units was achieved for the production of eggs. In 2011, the performance of the segment registered the production of 31.33 billion units. Companies and retailers maintain that the higher prices of chicken-based products

EXTERNAL PERFORMANCE Ubabef market director Ricardo Santin points out that our businesses abroad took advantage of the moves conducted by the international promotion brands, Brazilian Chicken and Brazilian Egg. “For broilers, this move was particularly for a probable repetition, in 2012, of the performance in volume compared to the previous year. And this happened in a year of an international crisis that affected costs and consumption”, he clarifies. “With regard to the egg segment, Brazil was given the chance to export to 24 countries, compared to 19 nations the previous year.” According to Ubabef, the volume of chicken meat reached 3.918 million tons in 2012, a little below the 3.942 million tons exported in 2011. Revenue was US$ 8.252 billion, down 7.8% from the result in 2011. In 2012, the segment of eggs negotiated a total of 26.8 thousand tons, compared to the 16.655 thousand tons in 2011. Santin explains that the smaller revenue in dollars will result from a change in the commercial movements of the market. Shipments to Africa, comprising products of lower added value, increased by 30%, in the first 10 months of 2012. In the meantime, purchases by the European Union, a client with higher added value in exports, shrank by approximately 7%. 39


Cacau cacau

Sílvio Ávila

Doces

País já foi o maior produtor mundial dessa amêndoa; hoje é o sexto 40


Brasil aos poucos vai retomando a sua importância na produção e no fornecimento de cacau para o mundo, com qualidade e produtividade

planos

por um arrojado trabalho da pesquisa e da prospecção de novas tecnologias. O mundo todo nunca colheu tanto cacau quando na temporada 2010/11. TERRA DE CACAU A Organização Internacional do Produção brasileira Cacau (OICC) calcula que a proEstados Volume dução bruta situou-se em 4,3 mi1) Bahia 148,2 mil toneladas lhões de toneladas. Essa colheita 2) Pará 59,5 mil toneladas foi 18,5% maior do que a do ciclo 3) Rondônia 17,4 mil toneladas anterior, maior salto de cresci4) Espírito Santo 6,1 mil toneladas mento da década. 5) Amazonas 3,2 mil toneladas Hoje, o maior produtor 6) Mato Grosso 647 toneladas mundial da amêndoa é Costa 7) Minas Gerais 128 toneladas do Marfim, na África, com 1,51 Fonte: IBGE/2010 milhão de toneladas no período

MUNDO DE DELÍCIAS Em território nacional, a retomada das plantações de

Sílvio Ávila

A

A atividade pode não ter mais a importância econômica e social que teve para o Brasil até a década de 1980, anteriores à entrada, nas plantações nacionais, do fungo causador da doença conhecida como vassoura-de-bruxa. Mas a produção nacional de cacau, matéria-prima dos disputadíssimos chocolates, a cada ano que passa mais e mais retoma seus níveis na geração de empregos e de renda em vários estados diretamente envolvidos com essa atividade. E o momento, em termos de conjuntura internacional, é nada menos que animador, com perspectivas que estimulam os investimentos no campo, igualmente apoiados

2010/11, último com dados consolidados pela OICC. Na sequência do ranking dos maiores figuram Gana, Indonésia, Nigéria e Camarões. O Brasil atualmente é o sexto maior produtor de cacau, com aproximadamente 200 mil toneladas na safra 2010/11. A expansão na colheita tem sido diretamente puxada pelo incremento na demanda mundial. A moagem vem crescendo a médias de 5% ao ano.

cacau pode ser verificada justamente naqueles que eram os ambientes mais identificados com a atividade. A Bahia aparece como o principal Estado produtor, com 148,2 mil toneladas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), colhidos em 2010. As regiões de Ilhéus e de Itabuna, historicamente marcadas pela presença do cacau e envolvidas em sua comercialização, dentro e fora do País, veem a cultura novamente ganhar projeção, com entusiasmo. Outros estados que apostam forte nesse segmento são Pará, Rondônia, Espírito Santo, Amazonas, Mato Grosso e Minas Gerais. O apoio da pesquisa na identificação de variedades resistentes à vassoura-de-bruxa, assim como o controle e a maior segurança em relação a outras doenças que afetam as plantações, sugerem que o Brasil crescerá com muito vigor na produção e na comercialização de cacau. Não por acaso, o parque de beneficiamento de amêndoa encontra-se a pleno vapor, sendo um dos melhores do mundo. Com o incremento constante na qualidade da matéria-prima e com a melhoria econômica da população brasileira verificada nos últimos anos, o consumo interno de chocolate mostra que o mercado nacional autoriza novas metas na indústria. Em 2010, por exemplo, os brasileiros devoraram 562 mil toneladas dessa delícia. É por isso que, inspirada no sabor convidativo desse alimento, que fideliza a humanidade, a cadeia produtiva igualmente alimenta doces planos para os próximos anos.

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SĂ­lvio Ă vila

cocoa

Sweet plans

The activity could have a more solid economic and social importance it had for Brazil up to the 1980s, prior to the outbreaks of the witches’ broom disease in the national cocoa fields. The national cocoa production volumes, raw material for the much appreciated chocolates, have year

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after year been responsible for an increase in the generation of jobs and income in several states directly linked to this crop. And at the moment, in light of the international scenario, cocoa farming looks very encouraging, pointing to perspectives that call for investments at

field level, equally supported by a bold research program and the prospection for new technologies. The largest cocoa crop ever produced in the world was harvested in the 2010/11 cycle. The International Cocoa Organization (ICCO) estimates gross production at 4.3 million tons, up


Little by little Brazil is resuming its importance in the production and supply of cocoa beans to the world, with quality and productivity

THE LAND OF COCOA Production in Brazil States Volume 1) Bahia 148.2 thousand tons 2) Pará 59.5 thousand tons 3) Rondônia 17.4 thousand tons 4) Espírito Santo 6.1 thousand tons 5) Amazonas 3.2 thousand tons 6) Mato Grosso 647 tons 7) Minas Gerais 128 tons Source: IBGE/2010

18.5% from the previous year, the biggest leap in growth in the decade. Currently, the largest global producer of this bean is Ivory Coast, in Africa, with 1.51 million tons in the 2010/11 season, the last one with consolidated data furnished by the OICC. The biggest producers

that follow are Ghana, Indonesia, Nigeria and Cameroon. Brazil now ranks as sixth biggest producer, with approximately 200 thousand tons in the 2010/11 crop year. The bigger harvests have been driven directly by global demand. Milling has been rising at a rate of 5% a year.

WORLD OF DELIGHTS In national territory, the establishment of cocoa tree fields is mostly taking place in the areas most identified with this crop in the past. Bahia is now the leading producer, with 148.2 thousand tons, according to data from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), collected in 2010. The regions of Ilhéus and Itabuna, historically marked by the presence of cocoa fields, and involved with the sales of the beans, at home and abroad, are with satisfaction witnessing the crop gaining momentum. Other states that are betting strongly on this segment are Pará, Rondônia, Espírito Santo, Amazonas, Mato Grosso and Minas Gerais. The role of research in the identification of varieties resistant to the witches’ broom disease, as well as control measures regarding other diseases that attack the fields, suggest that Brazil will make strides in the production and sales of cocoa beans. Not by chance, the cocoa bean processing park is now in full swing, and is one of the biggest in the world. With constant improvement in the quality of the raw material, and with the purchasing power of the population on the rise over the past years, domestic chocolate consumption signals need for the industry to set new production targets. In 2010, for example, the people in Brazil consumed 562 thousand tons of this delicious item. That is why, inspired by the very alluring taste of this food, which attracts loyal consumers throughout the world, the supply chain is equally cherishing sweet plans for the next years. 43


Café café

Sílvio Ávila

tempo

Crise econômica afetou muito os embarques do grão brasileiro em 2012 44


Conab confirma a colheita da maior safra de café da história do Brasil, com 50,8 milhões de sacas de 60 quilos de produto beneficiado

Espetacular

O

O Brasil terá em 2012 a maior safra cafeeira da história. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu levantamento de dezembro de 2012, está confirmando colheita de 50,8 milhões de sacas de 60 quilos do grão beneficiado, com aumento de 16,9% sobre o ano anterior. Até então, o melhor desempenho havia sido registrado no ciclo 2002/03, com 48,8 milhões de sacas. O relatório da estatal chama a atenção para o fato de que nos últimos quatro períodos de bienalidade positiva nas lavouras de café a produção tem apresentado aumento constante. Esse resultado recorde será obtido em área plantada de 2,3 milhões de hectares, com crescimento de apenas 2,25% sobre 2011. A produtividade também apresentou acréscimo de 17,2%, atingindo média de 24,8 sacas por hectare. Minas Gerais continua despontando como o Estado com maior participação na safra de café, com 52,1% da área total cultivada, sendo 98,6% da espécie arábica. Em seguida aparece o Espírito Santo, com 21,9% da área total plantada no País e 58,7% das lavouras de conilon, do qual é o maior produtor nacional. O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé), Guilherme Braga, destaca que a safra 2012 apresentou alguns problemas. Um longo período de chuvas nos principais estados produtores no pico da colheita, em junho e julho, atrasou o início da comercialização do grão. “Foram 20 dias sem poder entrar na lavoura, o que trou-

xe danos à produtividade”, enfatiza. Se por um lado o Brasil pode comemorar a supersafra de café, mesmo com alguns contratempos eventuais em função do clima chuvoso, por outro teve forte redução nas vendas externas da commodity. As estatísticas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mostram que em 2012 os embarques tiveram diminuição de 15,6%, com faturamento 27,1% menor, no comparativo com o mesmo período do ano anterior. Foram 28,2 milhões de sacas, que renderam US$ 6,3 bilhões. O diretor-geral do CeCafé credita o resultado negativo à crise que ainda sofrem fortes mercados consumidores do grão brasileiro, principalmente na Europa, nos Estados Unidos e no Japão. Passando por dificuldades, esses países importaram menos café e, além disso, o produto sofreu desvalorização ao longo do ano. Em dezembro de 2011, o preço médio da saca valia

US$ 274,42, chegando ao final de 2012 a US$ 203,57, com redução de 25,8% em um ano. Para 2013, acredita Guilherme Braga, as exportações devem melhorar. “Tradicionalmente sempre embarcamos em torno de 30 milhões de sacas por ano”, observa. Com a oferta extremamente ajustada em relação à demanda e com o aumento constante no consumo de café, os produtores têm como preocupação o incremento da produção, a fim de atender aos mercados. Nesse sentido, explica o dirigente do CeCafé, estão sendo realizadas ações para ampliar a produtividade das lavouras, como o adensamento da área plantada. Segundo uma série histórica, publicada pela Conab, o rendimento das lavouras brasileiras já apresentou aumento significativo entre a safra 2001/02 e o ciclo 2011/12. Nesse período, a produtividade média das lavouras cresceu 47,28%, saltando de 14,36 sacas para 21,15 sacas por hectare. Esse resultado foi atingido em área de produção 5,63% menor.

UM MUNDO DE CAFÉ A demanda por café não para de crescer no mundo. Segundo estimativa da Organização Internacional do Café (OIC), o incremento médio anual é de 2,5%. Conforme a entidade, em 2011 foram consumidas 139 milhões de sacas de 60 quilos do grão beneficiado. Já em 2012, o diretor-executivo do órgão, Robério Silva, estima que o índice deva fechar com pelo menos 142 milhões de sacas. O dirigente esteve participando do 20º Encafé, em novembro de 2012, em Salvador (BA). Na ocasião, analisou o cenário da cafeicultura mundial. Segundo ele, o crescimento do consumo deve-se manter estável nos próximos 10 anos, o que aumentará a demanda pelo grão entre um total de 158 a 168 milhões de sacas em 2020. Na safra 2011/12 o mundo produziu 134,6 milhões de sacas. Para o ciclo 2012/13, a entidade estima colheita de 145,9 milhões de sacas.

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coffee

Conab confirms the harvest of the biggest coffee crop on record in Brazil, with 50.8 million 60-kg sacks of processed beans

Sテュlvio テ」ila

Spectacular

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Economic crisis greatly affected the shipments of the beans abroad in 2012

January to November 2012 shipments abroad were down 15.6%, with revenues decreasing by 27.1% from the same period in the previous year. It was a total of 28.2 million sacks that raked in US$ 6.3 billion. The general director of CeCafé blames the negative result on the crisis that is still affecting strong markets that consume the Brazilian beans, especially in Europe, the United States and Japan. Going through difficult moments, these countries imported less coffee and, in addition to this, the product was devalued over the year. In December 2011, a sack of coffee sold for US$ 274.42, on average, falling to US$ 203.57 in December 2012, with a reduction of 25.8% in one year. For 2013, Guilherme Braga believes that our exports should improve. “Tra-

ditionally, we always ship some 30 million sacks abroad a year”, he observes. In a situation of tight supply and demand, and with consumption soaring constantly, the farmers are concerned about increasing their crop, so as to meet the needs of all markets. Within this context, the CeCafé official explains, initiatives are being enacted towards expanding the yields, like dense plantations. According to a historical series, published by Conab, the productivity rates of the Brazilian fields have shown significant increases from the cycles of 2001/02 to 2011/12. During this period, average yields went up by 47.28%, jumping from 14.36 sacks to 21.15 sacks per hectare. This result was achieved in a 5.63-percent smaller planted area.

CAFÉ EM NÚMEROS - coffee in numbers Produção Safra Área (ha) 2011 2.056.422 2012 2.049.738

Produção (mil sacas) Produtividade (sc/ha) 43.484,2 21,15 50.826,4 24,80

Fonte: Conab

EXPORTAÇÃO* Ano Volume (sacas) Receita (US$ mil) 2011 30.499.210 7.895.464 2012 28.281.157 6.353.943 Fonte: Secex

A COFFEE WORLD Demand for coffee

Sílvio Ávila

In 2012, Brazil will harvest the biggest coffee crop on record. In its December 2012 survey, the National Supply Company (Conab) confirmed the harvest of 50.8 million 60-kg sacks of processed beans, up 16.9% from the previous year. Up until that time, the best performance had taken place in the 2002/03 cycle, with 48.8 million sacks. The report of the state corporation highlights the fact that over the past four biennial cycles of higher production the volume of the crop has soared constantly. The record result is to be obtained from a planted area of 2.3 million hectares, up only 2.25% from the previous year. Productivity was also up 17.2%, with an average of 24.8 sacks per hectare. Minas Gerais is the State that has the biggest share in the coffee crop, with 52.1% of the total planted area, 98.6% devoted to Arabica coffee. The state of Espírito Santo comes next, with 21.9% of the entire planted area and 58.7% devoted to conilon coffee, of which it is the biggest national producer. The general director of the Brazilian Coffee Exporters’ Council (CeCafé), Guilherme Braga, refers to some problems experienced by the 2012 crop. A long period of rainfall in the main coffee producing states right through the harvest time, in June and July, postponed the beginning of the commercialization period. “During 20 days it was simply impossible to enter the fields, with consequent damage to productivity”, he points out. Although celebrating a bumper coffee crop, in spite of some occasional hurdles brought about by rainy days, Brazil experienced a sharp reduction in foreign sales of the commodity. Statistical figures released by the Brazilian Secretariat of Foreign Trade (Secex), a division of the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade, show that from

never stops rising in the world. According to estimates by the International Coffee Organization (ICO), there is a 2.5-percent average annual increase in consumption. According to the entity, in 2011 consumption reached 139 million 60-kg sacks of processed beans. In 2012, the executive director of the organ, Robério Silva, estimates that consumption should reach at least 142 million sacks. The official attended the 20th Encafé, in November 2012, in Salvador (BA). On the occasion, he analyzed the global coffee farming scenario. In his words, consumption is expected to continue soaring over the next 10 years, which will raise demand for the bean to a total of 158 to 168 million sacks by 2020. For the 2012/13 cycle, the entity projects a harvest of 145.9 million sacks.

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Ponto de vista Divulgação

ponto de vista roberto rodrigues

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ROBERTO RODRIGUES Coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Ex-ministro do governo Lula defende a união do governo e das cadeias produtivas na elaboração de um plano a longo prazo para o agronegócio

A hora é agora gócio da Fundação Getúlio Vargas, Rodrigues analisa com serenidade os méritos e os problemas da agropecuária nacional. Para ele, o que o Brasil precisa é de uma grande estratégia articulada entre governo e cadeias produtivas, para ser colocada em prática a longo prazo. O ex-ministro acredita que o País está no momento ideal para a discussão e a implantação desse acordo nacional, pois algumas das principais commodities cultivadas em território nacional estão com previsões de recordes de produção na safra 2012/13. É o caso do café, que deve atingir rendimento de 50,82 milhões de sacas beneficiadas, 24,8% a mais do que na temporada anterior, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O levantamento da safra de grãos, divulgado pela estatal em

dezembro de 2012, mostra o entusiasmo dos produtores com a soja. Na temporada 2012/13, a expectativa é que o Brasil ultrapasse os Estados Unidos e se torne o maior fornecedor mundial da oleaginosa. Estimulado pelas altas cotações de 2012, a área cultivada deve ser incrementada em 8,8%, com colheita prevista em 82,62 milhões de toneladas, 24,5% acima do ciclo 2011/12. A estratégia a que se refere Roberto Rodrigues passa pela concessão de um seguro “para valer”, que traga garantias aos produtores em caso de perdas da safra por intempéries, e da ampliação da assistência aos agricultores por meio de empresas de extensão rural. O ex-ministro defende ainda investimentos em política de renda, com linhas de financiamento mais acessíveis aos plantadores.

PERFIL

Inor Ag. Assmann

P

Pode-se dizer com pleno acerto que o agronegócio brasileiro constitui um case de sucesso. Afinal, nas duas últimas décadas os agricultores conseguiram aumentar a produtividade nas lavouras de grãos em 178%, com apenas 37% a mais de área plantada. O mesmo aconteceu com a cana-de-açúcar, cuja cadeia produtiva libera na natureza somente 11% do dióxido de carbono (CO2), um dos gases responsáveis pelo efeito estufa, emitido pela gasolina. Os números são ressaltados pelo engenheiro agrônomo Roberto Rodrigues, de 70 anos, ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, entre janeiro de 2003 e junho de 2006, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente ocupando o cargo de coordenador do Centro de Agrone-

Roberto Rodrigues, 70 anos, nasceu em Cordeirópolis (SP). É engenheiro agrônomo formado em 1965 pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), com vários cursos de aperfeiçoamento em administração rural. Entre janeiro de 2003 e junho de 2006 ocupou o cargo de ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Atualmente coordena o Centro de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas e é pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados, da Universidade de São Paulo. Em 2012 foi nomeado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) como embaixador para o Ano Internacional do Cooperativismo.

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INTERVIEW

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Former minister of Lula’s term in Office and an advocate for joint efforts by both government and supply chains towards a long term agribusiness plan

Now is the time Sílvio Ávila

UM BOM CAMINHO A infraestrutura e a logística, muitas vezes precárias, também trazem dificuldades aos agricultores. Estradas esburacadas, grandes distâncias dos mercados consumidores e alto valor do frete são só alguns dos problemas enfrentados pelos produtores. “Hoje se produz com eficiência no Brasil. Mas daí vêm o custo Brasil e o câmbio desfavorável para a exportação, que perturbam a competitividade”, observa o ex-ministro Roberto Rodrigues. Ele reconhece que a presidente Dilma Rousseff já tem tomado medidas importantes, que favorecem o agronegócio, como a redução de juros na economia e da alíquota de alguns tributos. No entanto, o ex-ministro considera que ainda falta uma política comercial integrada entre os vários setores do governo. “Os outros países estão fazendo acordos bilaterais, enquanto nós estamos muito parados”, critica. Os problemas enfrentados por nações concorrentes do Brasil, como a quebra da safra de grãos nos Estados Unidos em 2012, são vistos como a chance de negociação de um plano a longo prazo para ampliação de mercados. Ele vê como maiores oportunidades os segmentos ligados à proteína animal e à energia, principalmente o etanol de cana-de-açúcar, que não tem sido um combustível atrativo, em função da política protecionista do governo à gasolina. O ex-ministro da Agricultura considera equivocada a estratégia de conter o aumento da gasolina, para evitar a inflação, principalmente porque a conta dessa diferença tem ficado com a Petrobras, que vem acumulando prejuízos. “O mundo quer investir em combustíveis limpos, multinacionais de fertilizantes e petrolíferas estão investindo no Brasil nessa área. Temos que enxergar esse enorme potencial”, enfatiza. Para ele, a cadeia da cana-de-açúcar representa um bom exemplo de sustentabilidade, prática essencial à atividade agropecuária. Em função dessa característica, Roberto Rodrigues defende a discussão e a implantação de um Código Ambiental que, além das florestas, se preocupe também em estabelecer regras claras para o uso do solo e da água. “A troca de experiências e de informações sobre o agronegócio sustentável ainda acontece pouco no Brasil”, constata.

FOTO ROBERTO ROBERTO RODRIGUES Coordinator of the Getúlio Vargas Foundation Agribusiness Center and former Minister of Agriculture, Livestock and Food Supply


PROFILE

former minister maintains that the Country has reached the ideal moment for the discussion and the implementation of this nationwide agreement, since some of the main commodities cultivated in Brazilian territory are pointing to record volumes in the 2012/13 crop year. It is the case of coffee, estimated to reach a volume of 50.82 million sacks of processed beans, up 24.8% from the previous year, according to data released by the National Supply Company (Conab). The grain crops survey, published by the state company in December 2012, attests to the enthusiasm of the soybean farmers. For the 2012/13 cycle, the expectation is for Brazil to outstrip the United States, assuming the position as leading supplier of the oilseed. Encouraged by the high prices in 2012, the planted area is supposed to increase by 8.8%, with the crop expected to amount to 82.62 million tons, up 24.5% from the 2011/12 cycle. The strategy mentioned by Roberto Rodrigues goes through the implementation of

A GOOD ROUTE Infrastructure and logistics, still precarious in many ways, also pose difficulties to the farmers. Potholed roads, huge distances to consumer markets and high freight costs are some of the problems faced by the farmers. “Now production is very efficient in Brazil. But then comes the Brazil Cost and the unfavorable exchange rate for exports, all causing jitters when it comes to competitiveness”, says former minister Roberto Rodrigues. He acknowledges that President Dilma Rousseff has already enacted important measures, in favor of agribusiness, like the reduction of the interest rate in the economy and the tax rate levied on some products. Nonetheless, the former minister has it that there is still need for a commercial policy integrated with several sectors of the government. “Other countries are signing bilateral agreements, while we are lagging behind on that score”, he criticizes. The problems faced by nations that compete with Brazil, like the corn crop frustration in the United States in 2012, are viewed as the chance for the negotiation a long term plan for market expansion purposes. In his view, the biggest opportunities lie in the segments of animal protein and energy, especially sugarcane ethanol, which has not been a very attractive fuel, as a result of the government’s gasoline-oriented protectionist policy. The former minister of agriculture views the strategy of preventing any gasoline price increase, for keeping inflation under control, as an equivocal policy, especially because the bill of this difference is being absorbed by Petrobrás, which has been accumulating losses. The world wants to invest in clean fuels. Multinational fertilizer industries and oil companies are making investments in this area in Brazil. We must not overlook this huge potential”, he emphasizes. In his view, the sugarcane supply chain sets a good example of sustainability, a practice that is critical to any agribusiness activity. By virtue of this characteristic, Roberto Rodrigues suggests a debate and the implementation of an Environmental Code which, besides the forests, also sets clear rules with regard to the use of water and soil. “The exchange of experiences and information on sustainable agribusiness is still a rare thing in Brazil”, he concludes.

Roberto Rodrigues, 70, was born in Cordeirópolis (SP). He received his degree in agronomic engineering from the Luiz de Queiroz College of Agriculture, in 1965, coupled with several courses in rural administration. From January 2003 to June 2006 he served as minister of Agriculture, Livestock and Food Supply. Currently he coordinates the Getúlio Vargas Foundation Agribusiness Center and is a guest researcher at the Advanced Studies Institute of the University of São Paulo. In 2012 the Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) assigned him to the position of Ambassador to the International Year of Cooperatives.

a “real insurance plan” that covers all losses caused by bad weather conditions, besides a comprehensive technical assistance program through rural extension initiatives. The former minister also advocates investments in income policies, with more accessible credit lines for the farmers.

Sílvio Ávila

Without any doubt, Brazilian agribusiness is a success case. After all, over the past two decades the farmers managed to increase the productivity rates by 178%, on a planted area only 37% bigger. The same holds true for sugarcane, whose production chain releases into the atmosphere only 11% percent of carbon dioxide (CO2), one of the greenhouse gases resulting from the use of gasoline. The figures are highlighted by agronomic engineer Roberto Rodrigues, 70, former minister of Agriculture, Livestock and Food Supply, from January 2003 to June 2006, during President Lula’s term in office. Currently, serving as Coordinator of the Getúlio Vargas Foundation Agribusiness Center, Rodrigues analyzes the merits and problems of our national agribusiness, in an unbiased manner. He understands that Brazil needs a strong articulated strategy involving the government and the production chains, to be put into practice in the long run. The

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Cana-de-açúcar cana-de-açúcar

Sílvio Ávila

Até que

Boas condições climáticas conduziram a um aumento de produtividade 52


Depois de três safras com forte interferência nas lavouras, o clima foi favorável para o desenvolvimento dos canaviais na temporada 2012/13

enfim

D

Depois de três ciclos prejudicados pelo clima adverso, a safra 2012/13 de cana-de-açúcar do Brasil finalmente contou com a colaboração do tempo. Com panorama favorável no Centro-Sul, que representa 90% da produção da gramínea no País, a produtividade aumentou e a colheita foi maior do que o sugerido pelas perspectivas iniciais. Já na região Nordeste, castigada por severa estiagem, a situação foi inversa. O levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de dezembro de 2012, conclui que houve aumento de 2% na área plantada com cana-de-açúcar no ciclo 2012/13, totalizando em 8,520 milhões de hectares. A produtividade média nas lavouras do País cresceu 4,2%, ficando em 69,8 toneladas por hectare, sendo que o Centro-Sul teve incremento de 6% (72,6 t/ ha) e o Norte/Nordeste, queda de 9,8% (51,6 t/ha). A produção total do País está estimada em 595,1 milhões de toneladas, com crescimento de 8,2% na área Centro-Sul e diminuição de 8,8% no polo Norte/Nordeste. Outro fator, além do clima, tem influenciado a produtividade da lavoura de

cana-de-açúcar no Brasil: o envelhecimento dos canaviais. A recomendação técnica é que a renovação das plantas seja feita a cada seis cortes, mas por causa da descapitalização, muitos produtores deixaram de fazer a substituição, o que provoca a queda na produtividade. Para obter maior rendimento, empresas especializadas vêm lançando a cada ano novos materiais mais adaptados à colheita

mecanizada (que atinge 85% da área total plantada no Centro-Sul), assim como resistentes a doenças e tolerantes a pragas. Quanto à destinação da cana-de-açúcar, os dados da Conab revelam que 50,5% das plantas serão transformadas em etanol e 49,5% em açúcar. Para a produção do combustível a estimativa é de 23,62 bilhões de litros, 5,22% a menos que na safra 2011/12. Já para a elaboração de açúcar serão aproveitadas 37,66 milhões de toneladas, com acréscimo de 4,72% sobre o período anterior.

DE OLHO NO MERCADO O Brasil é o maior exportador de açúcar, tendo conquistado em torno de 40% do comércio mundial, entre as cotas que são negociadas livremente entre as nações. No entanto, a crise econômica que atinge tradicionais compradores da Europa tem atrapalhado as transações com a commodity. Os números apurados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, mostram bem esse cenário. As estatísticas de janeiro a novembro de 2012 revelam que houve queda de 7% nos embarques, no comparativo com o mesmo período do ano anterior, totalizando 21,8 milhões de toneladas. A receita obtida com as vendas externas também foi menor. Nos 11 meses, o rendimento chegou a US$ 11,6 bilhões, 16% a menos do que no mesmo intervalo de tempo em 2011. A situação do etanol foi bem diferente. Com a quebra da safra de milho nos Estados Unidos, planta usada para a fabricação do combustível naquele País, o Brasil ampliou suas vendas em 49%, com 44% a mais de faturamento. Do total de 2,626 bilhões de litros, 68,3% tiveram como destino o mercado norte-americano. A receita total com as exportações atingiu US$ 1,8 bilhão. O diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, acredita que o momento é favorável para o etanol brasileiro e que em 2013 o volume de exportações deverá se manter no mesmo patamar de 2012. Ele espera ainda que o governo federal possa anunciar para o segundo semestre a volta da mistura compulsória de 25% do etanol anidro à gasolina, que atualmente é de 20%, o que deve aumentar a demanda pelo produto.

NOVO COMANDO

Em novembro de 2012 a economista Elisabeth Farina assumiu a presidência da Unica. Segundo ela, o setor vive um dos momentos mais desafiantes das últimas décadas, com perspectivas de grande demanda para a cana-de-açúcar nos próximos anos. “Há interesses em investimentos em projetos de pesquisa e desenvolvimento, de infraestrutura e logística, muitos já em implantação, que vão resultar em ganhos de eficiência, escala e penetração em novos mercados”, aposta. A nova presidente lembra que até o final da década os automóveis flex representarão mais de 80% da frota brasileira de veículos leves, que deverá dobrar de tamanho nesse período. Ela vê boas perspectivas ainda na área de energia, onde a bioeletricidade deve entrar como forma complementar à energia elétrica, que terá crescimento previsto de 4,5% até 2020. “E a demanda pelo açúcar continuará aumentando, puxada principalmente pelos países emergentes”, observa.

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SUGARCANE

After three consecutive crops adversely affected by climate conditions, the 2012/2013 cycle took advantage of favorable weather

At last After three cycles affected by adverse climate conditions, the 2012/13 sugarcane crop was finally privileged by good weather. With a favorable panorama in the Center-South, which represents 90% of all sugarcane produced in Brazil, yields increased and the size of the crop outstripped initial expectations. In the droughtstricken Northeast the situation was quite different. The survey by the National Supply Company (Conab), conducted in December 2012, detected a 2-percent increase in planted area in the 2012/13 cycle, totaling 8.520 million hectares. Productivity was up 4.2%, on average, in the Brazilian fields, reaching 69.8 tons per hectare, but in the Center-South, productivity increased by 6% (72.6 t/ha) and in the North/Northeast it was down 9.8% (51.6 t/ha). The total production in the Country is estimated at 595.1 million tons, up 8.2% in the South and down 8.8% in the northern and northeastern hubs. Another factor, besides the climate, has had an influence on the productivity rates of the Brazilian sugarcane fields: aging sugarcane plantations. The technical recommendation is for field renewal after the sixth cut, but in many instances these replacements have not been effected because the farmers are in poor financial conditions, and the consequence is low yields. For the purpose of better productivity rates, specialized companies have been launching new varieties adapted to mechanized farming (which is the case of 85% of the total planted area in the Center-South), as well as cultivars resistant to diseases and tolerant to pests. With regard to the destination of the sugarcane, data from Conab reveal that 50.5% of the plants will be transformed into ethanol and 49.5% in sugar. The production of ethanol is estimated to reach 23.62 billion liters, down 5.22% from the 2011/12 crop year. The estimated amount for the production of sugar is 37.66 million tons, up 4.72% from the previous cycle.

Favorable weather conditions were responsible for yield increases 54

CANA / NÚMEROS - sugar cane / numbers Produção Safra

Área (mil ha) Produtividade(t) Produção (mil t) 2011/12 8.356 67,0 560.363 2012/13 8.520 69,8 595.126 Fonte: Conab

EXPORTAÇÃO* Produto

Açúcar Etanol

Quantidade

Valor (US$ mil)

21.888.258 t 2,6 bilhões de l

11.649.604 1.894.949

* Janeiro a novembro. - Fonte: Secex


Sílvio Ávila

KEEPING AN EYE ON THE MARKET Brazil is the leading sugar exporter, and has already conquered about 40% of the global market, from the sugar quotas that are negotiated freely among the nations. Nonetheless, the economic crisis, now affecting some traditional buyers in Europe, has been causing troubles to the transactions of the commodity. The figures ascertained by the Brazilian Secretariat of Foreign Trade (Secex), an organ of the Ministry of Development and Foreign Trade, give a clear picture of this scenario. Statistical figures from January to November 2012 point to a 7-percent decrease in shipments, compared to the same period in the previous year, totaling 21.8 million tons. Revenue from foreign sales also declined. In the 11 months, revenue amounted to US$ 11.6 billion, down 16% from the same period in 2011. Ethanol fared quite differently. With the frustration of the corn crop in the United States, kernel that is used for making ethanol in that country, Brazil expanded its sales by 49%, with revenue up 44%. Of the total of 2.626 billion liters, 68.3% were shipped to the United States. Total revenue from exports reached US$ 1.8 billion. The technical director at the Sugarcane Industry Union (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, believes the moment is favorable for Brazilian ethanol and that shipments abroad in 2013 should keep on a par with 2012. He also expects the federal government to announce the mandatory mixture from the present 20% to 25% of anhydrous ethanol with common gasoline, in the second half of the year, thus pushing up the demand for this fuel.

NEW COMMAND

In November 2012, economist Elisabeth Farina took office as president of the Unica. In her opinion, the sector is going through one of its most challenging moments in the past decades, with perspectives for huge demand for sugarcane in the next years. “There is much interest in investments in development, research, infrastructure and logistics projects, many of them already implemented, which are supposed to yield gains in efficiency, scale and the conquest of new markets. The new president recalls that by the end of the decade, flex fuel vehicles will represent 80% of the Brazilian fleet of light vehicles, which should double in size over this period. She also foresees good perspectives in the area of energy, where bioelectricity is supposed to come in as supplementary electrical energy, whose growth rate is forecast to reach 4.5% by 2020. “And demand for sugar will continue rising, driven particularly by the developing countries”, she observes.

55


Caprinos caprinos

Sテュlvio テ」ila

Quanto

Processamento industrial de leite caprino cresce, e o consumo tambテゥm avanテァa 56


Leite caprino agrega valor comercial com queijos e iogurtes e busca mais fornecedores para garantir a demanda do mercado brasileiro

mais, melhor

O

mercado nacional. Um terço do leite caprino é transformado em queijos e iogurtes. O mercado cresce diante da aceitação da qualidade e dos preços pelo consumidor. Em países produtores da Europa, 85% do leite caprino é transformado em produtos de alto valor comercial. Apenas 15% é consumido como bebida. Conforme Paulo Cordeiro, diretor da Caprilat, empresa líder nacional, esta é a tendência para o Brasil nos próximos anos. O desafio é ampliar a produção nacional no entorno das indústrias, onde há estabilidade de oferta de leite. O Nordeste brasileiro se destaca na produção de laticínios destinados

aos projetos sociais por parte dos governos estaduais e federal, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e ainda os voltados à merenda escolar. Da produção nacional, 35% está na Paraíba, no Rio Grande do Norte, em Pernambuco, no Ceará, no Piauí e na Bahia. Em menor escala, há também produção de queijos. Estima-se que um terço do leite caprino produzido no Brasil é transformado em queijos (tipo ementhal, gouda, prato, misto – com adição de leite bovino ou ovino) e iogurtes. Peças de queijo chegam a ser comercializados a R$ 150,00 pelo quilo.

Sílvio Ávila

O Brasil precisa produzir mais leite de cabra para suprir as unidades de processamento e atender ao consumo doméstico. O País segue o exemplo dos grandes produtores europeus e agrega valor comercial à matéria-prima transformando-a em queijos finos, iogurte e outros produtos lácteos. A demanda por leite em pó e UHT – embalagens longa vida – tem se mantido estável. Destina-se especialmente ao consumo terapêutico por parte de pessoas com intolerância à lactose bovina. A indústria brasileira processa 36 milhões de litros ao mês, com inspeção sanitária. Este volume é todo absorvido no

PERFIL No Brasil predominam os criatórios das raças de cabras leiteiras Saanen, Parda Alpina e Anglonubiana, além de cruzamentos. Uma boa cabra leiteira produz cerca de 900 litros de leite por ano, em lactações médias de 10 meses. Entre as raças de corte, salienta-se o melhoramento genético de rebanhos com a raça Boer e os tradicionais criatórios nordestinos. O rebanho de corte está concentrado no Nordeste, que detém 93% do plantel. Sua base é a subsistência e a região vive num momento de estagnação, apesar de projetos gastronômicos com a produção de vitela ou cabrito jovem em restaurantes do Sudeste e em grandes capitais do Nordeste. 57


goats

Sテュlvio テ」ila

Cheeses and yogurts made from goat milk are value-added products greatly demanded in the domestic market and, to meet this demand, more suppliers are needed

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The more, the better


Brazil needs to produce more goat milk to supply the processing plants and meet domestic demand. Brazil is following on the heels of relevant European producers and adds value to its raw material, transforming it into fine cheese, yogurt and other dairy products. Demand for milk powder and UHT milk - long life packaging – has remained stable. It is mostly consumed for medical purposes by people intolerant to bovine lactose. The Brazilian industry processes 36 million liters a month, under sanitary inspection. This volume is entirely absorbed by the domestic market. One third of all goat milk is transformed into cheese and yogurt. The market is soaring due to its quality and affordable consumer prices. In European countries, 85% of all goat milk is transformed into products of high commercial value. Only 15% is consumed fresh. According to Paulo Cordeiro, director of Caprilat, leading national company, this is the trend for Brazil over the next years. The challenge consists in expanding our national production in the surroundings of the industries, where milk supplies are

stable. The Northeast stands out in the Brazilian scenario for its dairy products destined for both state and federal social projects, like the Food Acquisition Program (FAP) of the Ministry of Agrarian Development (MDA). The states of Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará, Piauí and Bahia are responsible for the production of 35% of Brazil’s goat milk . Cheeses are also produced, but on a smaller scale. It is estimated that one third of all goat milk produced in Brazil is transformed into cheeses (emmental, gouda, prato and mixed cheese, with the addition of bovine or ovine milk) and yogurts. Some types of cheese fetch up to R$ 150 per kilo.

O MAPA - the map Principais rebanhos de caprinos no Brasil, em 2010 Estado Efetivo (cabeças) Bahia 2.847.148 Pernambuco 1.735.051 Piauí 1.386.515 Ceará 1.024.594 Paraíba 600.607 Rio Grande do Norte 405.983 Maranhão 373.144 Paraná 181.984 Minas Gerais 118.572 Rio Grande do Sul 103.009 Elaboração: Espedito Cezário Martins (Embrapa Caprinos). Fonte: Pesquisa Pecuária Municipal (PPM), divulgada pelo IBGE.

PROFILE In Brazil, the following dairy goat breeds predominate: Saanen, Parda Alpina and Anglonubiana, besides some crossbreeds. A good dairy goat produces 900 liters of milk year, in a 10-month lactation period. Among the meat goats, the focus is on genetic enhancement of the boer breed flocks and the traditional goat farms in the Northeast, where subsistence farming is still prevalent. The region is now experiencing a period of stagnation, in spite of gastronomic projects involving the production of veal goats, also known as cabritos, for restaurants in the southeast and northeastern capital cities.

Industrial processing of goat milk is picking up steam, and consumption is following suit 59


Defensivos defensivos

Sílvio Ávila

espaço

Indústria do segmento tem interesse em ampliar a produção nacional 60


Setor de defensivos agrícolas teve aumento de 10% no faturamento com as vendas para o mercado interno em 2012 e projeta novo avanço

para crescer do com o dirigente, medidas importantes para isso já foram adotadas. “Uma delas foi a conversão em lei da MP 563, sobre o preço de transferência, pois a legislação até então em vigor penalizava tributariamente os produtores locais”, analisa. Outro destaque é a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) primordialmente no financiamento de projetos para empresas de médio porte que atuam no País neste mercado. Porém, Sampaio identifica a pesada carga tributária brasileira e deficiências de infraestrutura e de logística como obstáculos para atingir esses objetivos. Em 2012, o setor recebeu investimen-

tos no valor de US$ 65 milhões, com aumento de 42% em relação ao ano anterior. Os recursos foram aplicados na manutenção de unidades fabris, no aumento da capacidade de produção, em estações experimentais e em estudos para o desenvolvimento de novos produtos e formulações. Projeta-se a aplicação de mais US$ 300 milhões no setor até 2017. Os recursos serão indispensáveis para que o segmento possa enfrentar desafios como os elencados para o ano de 2013: aceleração dos processos de registro de produtos; manutenção da competitividade do mercado; e aumento dos custos de logística em função da Lei do Descanso do Caminhoneiro. Inor Ag. Assmann

O

O setor de defensivos agrícolas está vivendo um período de bons resultados. As vendas totais no mercado interno devem encerrar 2012 com faturamento de US$ 9,35 bilhões, o que significa crescimento de 10% em relação ao ano anterior, quando a receita atingida foi de US$ 8,488 bilhões. O segmento conta com cerca de 90 empresas em atividade no País, mas o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag) estima que entre 75% a 80% da quantidade utilizada no Brasil é importada – em 2012, China, Índia, EUA e Argentina foram os países que mais venderam o produto para o Brasil. De acordo com o gerente de Informação da entidade, Ivan Sampaio, a necessidade de produção em escala ainda é um obstáculo para os resultados da indústria nacional. Dados de 2011 revelam que Mato Grosso (20,6%), São Paulo (15,3%) e Paraná (12,1%) foram os estados onde ocorreu o maior volume de vendas no País. Em 2012, as culturas que apresentaram aumento no consumo de defensivos foram soja, algodão, cana e milho (produção voltada para exportação, que acompanha preços de commodities internacionais). A expectativa é de que em 2013 o quarteto siga liderando a utilização dos produtos. Conforme Sampaio, há interesse do setor em ampliar a produção nacional, o que contribuiria para suprir a demanda local e regional, além de ensaiar uma exportação. Ele frisa também que a ampliação da produção se refletiria na geração de empregos, divisas nas vendas externas e captação de mais investimentos privados. De acor-

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AGROCHEMICALS

Agrochemical sector’s sales increased by 10% in the domestic market in 2012, and new advances are projected

Inor Ag. Assmann

Soaring market

The agrochemical sector is going through a period of good results. Total sales in the domestic market should come to a close in 2012 with revenue amounting to US$ 9.35 billion, meaning a 10-percent increase over the previous year, when a total of US$ 8.488 billion was raked in. The segment comprises about 90 companies in operation in the Country, but the National Industry Union of Agricultural Defense Products (Sindag) estimates that 75% to 80% of the amounts used in Brazil are imported. In 2012, China, India, the USA and Argentina were the countries that shipped the biggest amounts of the product to Brazil. According to the entity’s Information manager, Ivan Sampaio, the need for scaled production is still a major hurdle for the results of our national industry. Data released in 2011 reveal that

Industry of the segment is inclined to expand national production volumes 62

Mato Grosso (20.6%), São Paulo (15.3%) and Paraná (12.1%) were the states where the biggest volumes were sold in Brazil. In 2012, the crops that showed an increase in the application of the product were soybean, cotton, sugarcane and corn (production geared towards export, keeping pace with international commodity prices). The expectation is for the four states to continue leading the use of the products. Sampaio maintains that the sector is interested in expanding national production volumes, which would contribute toward supplying local and regional demand, besides considering exports. He also maintains that any production expansion would translate into the generation of jobs, dividends from sales and the attraction of more private investments. In the words of the official, relevant measures towards this end have already been taken. “One of them was the transformation of Interim Measure 563 into Law, on the price of transference, in light of the fact that, up to that time, Brazilian legislation used to penalize local producers through tax burdens”, he analyzes. Another highlight is the role of the National Social and Economic Development Bank (BNDES) in its choice for financing projects of medium-sized companies that operate in this market in Brazil. Nonetheless, Sampaio identifies the heavy Brazilian tax burden and deficiencies in infrastructure and logistics as obstacles for achieving these objectives. In 2012, the sector was granted investments amounting to US$ 65 million, up 42% from the previous year. The resources were invested in the maintenance of the factories, in the expansion of the production capacity, in experiment stations and studies on the development of new products and formulations. Until 2017, upwards of US$ 300 million has been earmarked for the sector. These resources are indispensable for the segment to face all challenges over 2013: acceleration of the product registering processes; maintenance of market competitiveness; and higher logistic costs by virtue of the new Law setting driving-time limits to all truckers.

PROTEÇÃO - protection Venda total de defensivos no mercado interno (US$) 2010 2011 2012 7,4 bilhões 8,488 bilhões 9,35 bilhões (crescimento de 10% em

Fonte: Sindag.

relação ao ano anterior).


Fertilizantes Inor Ag. Assmann

fertilizantes

A todo

Pesquisas no setor devem revelar novos produtos e novas tecnologias 64


Mercado de fertilizantes especiais teve forte avanço nos últimos seis anos, impulsionado pela tecnologia e pelo preço das commoditties

vapor

O

O segmento de fertilizantes especiais está experimentando período de grandes conquistas. Depois de apresentar crescimento entre 7% e 10% nos últimos cinco anos, o setor seguiu avançando em 2012, com incremento estimado entre 15% e 20%. Conforme o diretor técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Gilberto Pozzan, o progresso é atribuído ao aumento no uso de tecnologia e pelo bom momento dos preços das commodities. De acordo com o dirigente da Abisolo, a soja é a cultura que mais utiliza os fertilizantes especiais, devido ao tamanho da área plantada. Entretanto, cereais em geral aproveitaram o produto em boa proporção, devido ao momento positivo que desfrutam no mercado. Pozzan salienta que o café também teve bom ano e a cana-de-açúcar esboça pequena movimentação em função do seu baixo índice de uso atual. O diretor técnico defende a desburocratização das normativas do setor junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) como caminho para que ocorra o aumento da produção nacional. “O governo, de modo geral, não consegue acompanhar o avanço da tecnologia e a lei acaba se tornando emperrada, de difícil adequação”, declara. Para Pozzan, é

necessário buscar o equilíbrio entre o excesso e a rigidez de uma norma e a autorregulamentação do mercado, combatendo os extremos. O dirigente reconhece ainda que houve avanços neste sentido na relação com o Mapa, mas a iniciativa aprovada precisa de mais velocidade. Pozzan frisa que o setor sempre dependerá de inovações tecnológicas e de matéria-prima do exterior. Atualmente, são importados ácidos húmico e fúlvico, extratos vegetais, adjuvantes para formulações

e elementos minerais, como fósforo, potássio, molibdênio e boro, entre outros. O diretor técnico da Abisolo propõe que a redução da dependência externa não deve ser focada somente na diminuição de importação em substituição à produção nacional. “Precisamos orientar o produtor para que melhore a forma de nutrir as plantas, seja aprimorando a ferramenta de análise de solo, seja aplicando aqueles nutrientes que realmente estão em deficiência ou levando o solo ao desequilíbrio”, recomenda.

BOA FASE Para Gilberto Pozzan, o segmento passa por um momento especial de estruturação e profissionalização. “Este crescimento acima da média está focado no trabalho sério das indústrias que, no uso de suas tecnologias, vêm agregando entre 5% e 20% de aumento de produtividade nas culturas onde são utilizadas”, comemora. De acordo com o dirigente, a partir dos resultados dos investimentos em pesquisa, outros produtos e outras tecnologias, como biofertilizantes, biocontrole, indutores de resistência e bioativadores, entre outros, se tornarão mais presentes na atividade agrícola. O diretor técnico da entidade destaca ainda que, assim como os fertilizantes líquidos, os fertilizantes organominerais sólidos, para uso no solo, crescem acima da média das tradicionais fórmulas NPK (nitrogênio, fósforo e potássio). “O incremento de matéria orgânica aos minerais gera ganho de eficiência, seja facilitando a absorção pela planta, seja pela redução das perdas por lixiviação e percolação dos nutrientes no solo”, justifica. Gilberto Pozzan menciona também o desempenho positivo dos fertilizantes orgânicos e condicionadores de solo. Por fim, enaltece os resultados do segmento de substratos agrícolas, usados na produção de mudas florestais e de hortaliças, mercados com menor expressão em área plantada, mas de grande utilização de insumos de alta tecnologia.

BALANÇO

A Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda) deve divulgar os dados gerais do setor de fertilizantes referentes a 2012 durante reunião da Câmara Temática de Insumos Agropecuários (CTIA) do Mapa, em fevereiro.

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FERTILIZERS

Inor Ag. Assmann

Special fertilizers market thrived over the past years, driven by technology and prices of commodities

In full swing

Research works conducted by the sector are likely to come up with new technologies and products 66


The special fertilizers segment is now going through a period of great conquests. After increasing by 7% to 10% over the past five years, in 2012 the sector began to make strides, with a growth rate ranging from 15% to 20%. According to the technical director of the Brazilian Association of Vegetable Nutrition Technology Industries (Abisolo), Gilberto Pozzan, the progress is

attributed to the soaring use of technology and to the good prices of the commodities. The Abisolo official maintains that soybean is the crop that most resorts to special fertilizers, due to the size of the planted area. Nonetheless, cereals in general, have taken great advantage of this type of fertilizer, due to the positive moment they are experiencing in the market. Pozzan stresses that coffee has had a good year, too, while sugarcane has signaled very little reaction by virtue of the minimum amounts currently used. The technical director advocates the removal of the bureaucratic requirements by the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA) as the right track for expanding our national production volumes. “In general, the government is unable to keep pace with the advances of technology and the Law becomes outdated and difficult to enforce”, he states. In Pozzan’s view, it is necessary to seek a balance between the excessive strictness of a standard and the market’s self-regulating

trend, and excesses have to be avoided. The official recognizes that advances have been achieved towards this end and the relationship with the Ministry of Agriculture, but approved initiatives need to move at a faster speed. Pozzan insists that the sector will always depend on technological innovations and on raw material from abroad. Currently, imports include humic and fulvic acids, vegetable extracts, adjuvants for formulations and such mineral elements as phosphorus, potassium, molybdenum and boron, among others. The technical director of Abisolo suggests that the reduction of external dependence should not only be focused on smaller imports as a replacement with national products. “We need to guide the farmers towards improving their plant nutrition practices, whether by more efficient soil analyses tools, or by applying the nutrients the soil really lacks, or the ones that are responsible for causing soil imbalance”, he recommends.

GOOD PHASE In Gilberto Pozzan’s view, the segment is going through a special moment of restructuring and professionalism. “This above-average growth rate is focused on serious work by the industries, which, by resorting to their technologies, have been responsible for 5% to 20% higher productivity rates of the crops that utilize them”, he comments. According to the official, based on the results derived from the research works, other products and other technologies, like biofertilizers, bio control, resistance inducers and bio-activators, among others, will be more present in all farm-related activities. The technical director of the entity also mentions that, just like liquid fertilizers, solid organo-mineral fertilizers, for soil applications, are increasing more than the average growth rate of the traditional NPK formulations (Nitrogen, Phosphorus and Potassium). “The addition of more organic matter to the minerals results into efficiency gains, whether by facilitating the absorption of water by the plants, or through the reduction of leaching-induced losses and percolation of nutrients into soil”, he justifies. Gilberto Pozzan also mentions the positive performance of organic fertilizers and soil conditioners. Finally, he praises the results of the soil media segment, used in vegetable beds and tree seedling nurseries, markets with a smaller expression in planted area, but relevant users of high technology inputs.

BALANCE

The National Fertilizer Service Association (Anda) is going to disclose the general data related to the sector of fertilizers in 2012, at the meeting of MAPA’s Theme Chamber on Agricultural Inputs (CTIA), in February.

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Flores flores

Sílvio Ávila

Perfume

Apesar do bom cenário, as exportações mostram-se pouco

expressivas

68


Flores e plantas comerciais brasileiras encerraram 2012 com saldo positivo, principalmente no mercado interno, embelezando a vida

nas mãos de plantas ornamentais, visto que se tornou o principal polo nacional em termos de consumo per capita, sendo, em média, 68,5% superior ao nacional. Conforme a Hórtica, isso se deve ao fato de ser a melhor região com distribuição de renda no País e de possuir larga tradição na preservação de

áreas verdes, entre outros fatores. Em seu território, além do consumo, a produção vem se expandindo de maneira interessante, embora o nível de dependência do abastecimento de São Paulo ainda seja muito elevado, salientam os especialistas.

Sílvio Ávila

S

Se a fragância sempre permanece nas mãos daqueles que oferecem flores, os produtores brasileiros são só perfume. Em 2012, o mercado interno para as flores e as plantas ornamentais cresceu entre 9% e 10% em oferta e 12% em valor comercializado, apontam dados da Hórtica Consultoria e Inteligência de Mercado. Com o aumento, o setor deverá fechar o ano em aproximadamente R$ 5 bilhões. Para o engenheiro agrônomo Antonio Hélio Junqueira e para a economista Marcia Peetz, da Hórtica, o resultado pode ser visto como excelente, visto que a economia brasileira medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), de forma geral, não deverá crescer mais do que 2%. Os indicadores demonstram a trajetória de crescimento e de expansão trilhada pela floricultura nacional, que direciona 98% de sua produção para o consumo interno. A ascensão do mercado interno, ao longo do ano, foi sustentada por diversos fatores, acreditam os analistas. De acordo com eles pode-se destacar a melhoria das condições socioeconômicas da população; a firme entrada e a expansão da distribuição das flores no canal supermercadista, aumentando a exposição, as vendas por impulsos e a capilaridade do mercado, além de contribuir para baixar preços finais ao consumidor; as melhorias na infraestrutura comercial; e o forte crescimento das indústrias imobiliárias e da construção civil, impulsionando o segmento, entre outros. Entre os produtores, o Distrito Federal tem se destacado no consumo de flores e

SEM EXPRESSÃO Enquanto o cenário interno se revela otimista, no quesito exportações a floricultura brasileira precisa buscar impulsos. Em 2012, os embarques se mantiveram pouco expressivos, seguindo-se a tendência decrescente iniciada a partir da crise econômico-financeira mundial, em 2009. Conforme dados da Hórtica Consultoria e Inteligência de Mercado, atualmente o Brasil reduziu o valor de suas exportações anuais no segmento para US$ 28 milhões, aproximadamente. No período de 2000 a 2008, o País experimentou recordes sucessivos, chegando a atingir o patamar de US$ 35,5 milhões. O decréscimo, segundo estudos, se deve à persistente queda na demanda nos principais mercados importadores dos Estados Unidos, da Europa e do Japão, em decorrência da crise financeira mundial. Contudo, com um mercado interno grande, potente e em franco crescimento, a crise internacional não se refletiu no desempenho da floricultura nacional, que foi bom. 69


Brazilian flowers and commercial plants reached a positive year-end balance, especially in the domestic market, making life more beautiful

Sílvio Ávila

flowers

Perfume IN the hands If fragrance always remains in the hands of those who distribute flowers, Brazilian producers are pure perfume. In 2012, the domestic flower and ornamental plants market soared 9% to 10% in supply and 12% in revenue, according to data released by Hortica Consultancy and Market Intelligence. With this increase, the sector is expected to reach R$ 5 billion by year’s end. Agronomic engineer Antonio Hélio Junqueira and economist Marcia Peetz, of Hortica Consultancy, understand that the result could be viewed as excellent, since the Brazilian economy measured by the Gross Domestic Product (GDP), in general, should not grow more than 2%. All indicators point to the growth and expansion path taken by Brazil’s flower farming business, with 98% of its production destined

In spite of this promising scenario, exports are little expressive 70

for the domestic market. The upward trend of the domestic market, over the year, was sustained by several factors, analysts believe. According to them, the reasons that have to do with the soaring socioeconomic conditions of the population include the entrance of the flowers into supermarket chains, where they are increasingly displayed, fulfilling customers’ spur-of-the-moment impulses; improvements to commercial infrastructures; and the strong growth of the real estate industry, driving up the segment, among others. Among the flower farmers, it is the Fed-

eral District that has occupied a prominent position in terms of flower and ornamental plant consumption, as the District has turned into a major national consumer hub, where per capita consumption is 68.5% above the national rate, on average. According to Hortica Consultancy officials, this is due to the fact that the region is renowned for its fair income distribution policy and for its tradition in preserving green areas, among other factors. In its territory, besides consumption, production has also been rising significantly, but it is still lagging behind and São Paulo fulfills the supply gap, say specialists.

INEXPRESSIVE Inasmuch as the domestic scenario remains optimistic, with regard to the question of exports, Brazil’s flower business needs an extra push. In 2012, shipments were inexpressive, following on the heels of the downward trend that started back in 2009, as a result of the global economic downturn. Data released by Hortica Consultancy and Market Intelligence, reveal that Brazil has reduced its annual exports of the segment to US$ 28 million, approximately. Over the 2000-2008 period, the Country celebrated successive records, with exports once amounting to US$ 35.5 million. The downtrend, according to studies, stems from persistent declines in demand from the leading importing markets of the United States, Europe and Japan, due to the ripple effects prompted by the global financial crisis. Nonetheless, relying on a strong, huge and soaring domestic market, the global crisis had hardly any reflections on the domestic floriculture scenario, which continued stable.


A logística associada à distribuição, diante das grandes distâncias entre as diversas regiões nacionais, permanece como um entrave a ser resolvido

Para desabrochar

A

Assim como outros segmentos do agronegócio, a floricultura brasileira também enfrenta desafios e entraves em sua produção e na comercialização. Conforme Antonio Hélio Junqueira e Marcia Peetz, da Hórtica Consultoria e Inteligência de Mercado, as principais dificuldades do Brasil se relacionam às complexidades da legislação e às normalizações setoriais; à logística de distribuição, especialmente em relação às regiões mais distantes; e à concentração

do consumo em datas específicas (Dia das Mães, dos Namorados, Natal), o que torna a atividade extremamente dependente do sucesso comercial das mesmas. Sobre o desempenho do setor em 2013, ambos acreditam ser muito cedo para fazer prospecção detalhada, pois podem haver ocorrências impactantes sobre a economia brasileira. De modo geral, acredita-se que o setor manterá tendências de expansão, porém em ritmo menos intenso do que o ob-

servado nos últimos cinco anos. Além das oportunidades que começam a surgir, devido aos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016, o setor continuará crescendo em função da pujança da indústria da construção civil. Para os grandes eventos esportivos, será forte a demanda por paisagismo e por plantas ornamentais, que devem figurar em bares, hotéis, eventos, recepções e demais situações.

Logistics along with distribution, in light of the long distances between the different national flower farming regions, is a hurdle that still needs to be surmounted

Sílvio Ávila

to bloom Just like other agribusiness segments, Brazilian floriculture also faces challenges and hurdles in production and sales. According to Antonio Hélio Junqueira and Marcia Peetz, of Hortica Consultancy and Market Intelligence, Brazil’s major difficulties are related to legislation complexities and sectoral standardizations; distribution logistics, especially involving the most distant regions; and the concentration of consumption on specific occasions (Mother’s Day, Valentine’s Day, Christmas), making the activity extremely dependent on the commercial success of such occasions. On the performance of the sector in 2003, both understand that it is too early for any detailed prognosis, since there are always chances for occurrences with great impact on the Brazilian economy. In general, it is believed that the sector will continue on the track of expansion, but at a slower pace compared to the past five years. Besides the opportunities that are beginning to surface, stemming from the preparations for the 2014 World Cup and for the 2016 Olympic Games, the sector is bound to continue expanding in light of the exuberant civil construction industry. For the big sports events, there will be much demand for landscaping innovations and ornamental plants for bars, restaurants, hotels, event venues, reception halls and other situations.

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Fruticultura Sテュlvio テ」ila

fruticultura

Dテ。 gosto

Diversidade natural assegura amplo mix de frutas frescas e processadas 72


Terceiro maior produtor de frutas do mundo, Brasil vem colhendo em média 45 milhões de toneladas por ano, e com o setor em expansão

A

Ano após ano a fruticultura nacional colhe otimismo e positividade em seus pomares. Conforme panorama do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf ), nos últimos 10 anos o volume da produção brasileira do setor registrou aumento de 30%, ao mesmo tempo em que houve ligeira redução na área ocupada. Ambos os fatores são resultado do aumento da produtividade, ocasionada, por sua vez, pelos avanços na técnica de manejo. O Brasil produz, atualmente, em torno de 45 milhões de toneladas, principalmente de laranja, banana, abacaxi, melancia e uva. Do montante, parte é destinada ao mercado externo. Somente em 2012 deverão ser embarcadas 700 mil toneladas de frutas frescas, o equivalente a US$ 635 milhões. As principais frutas da pauta de exportação, contudo, continuam sendo melão, manga, uva e limão. Entre os principais compradores, a União Europeia segue como o maior, representando 80% das exportações, afirma o Ibraf. Durante o ano de 2013, o Ibraf acredita que o setor ainda deve sentir o quadro desfavorável da crise econômica internacional, principalmente na União Europeia. No âmbito da produção, no entanto, a rentabilidade das atividades primárias deverá continuar positiva, mas as margens de lucratividade provavelmente se reduzirão. Nos próximos 12 meses, o desenvolvimento da cadeia produtiva, de modo geral, dependerá da sustentabilidade do comércio interno. Já para as exportações, as frutas nacionais dependerão da retomada dos volumes e de incentivos gover-

namentais para manter a competitividade, aponta o Ibraf. Da mesma forma, a atenção maior dos fruticultores deverá ser direcionada à gestão dos custos de produção, principalmente quanto à mão de obra, uma vez que o aumento do salário mínimo e as despesas com os recursos humanos de forma

global deverão representar pelo menos boa parcela dos custos das atividades. Para 2013, se as condições climáticas se mostrarem favoráveis nos polos de produç��o, e se houver política de auxílio consistente para a recuperação de alguns setores, a previsão é de panorama ainda mais confortável para o segmento.

Sílvio Ávila

de ver

73


Inor Ag. Assmann

FRUIT FARMING

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Third largest fruit producer in the world, Brazil has been harvesting 45 million tons a year, on average, and with the sector on the rise

Pleasing to the eye Year after year the national fruit farming business harvests optimism and encouraging results from the orchards. According to a panorama released by the Brazilian Fruit Institute (Ibraf ), over the past 10 years, the volume increased by 30%, but in the meantime, the planted area dropped slightly. Both factors stem directly from the higher productivity rate, which was, in turn, brought about by advances in management practices. Currently, Brazil produces approximately 45 million tons a year, especially oranges, bananas, pineapples, watermelons and grapes. Of this amount, a part is destined for the foreign market. Total shipments abroad in 2012 are estimated at 700 thousand tons of fresh fruit, worth US$ 635 million. The main fruits on the export agenda are melons, mangoes, grapes and limes. Among the major buyers, the European countries are the biggest importers, representing 80% of all our fruit exports, say Ibraf sources. In 2013, Ibraf officials believe that the sector will still reap the adverse effects caused by the international economic crisis, especially with regard to Europe. In the production scenario, nonetheless, profits from the primary activity are expected to remain alluring, but the profit margins might shrink a bit. Over the next 12 months, the development of the supply chain,

Natural diversity unfolds into a vast fresh and processed fruit mix

in general, will rely heavily on a sustainable domestic market. As to exports, our national fruits will depend on the resumption of the volumes and on government incentives towards keeping the business competitive, say Ibraf officials. Likewise, the fruit farmers will have to pay much heed to the management of their production costs, particularly with regard to labor, in light of the increase in minimum wages and all expenses related to human resources, which, in global manner, will represent a hefty portion of the costs of this activity. For 2013, if climate conditions continue favorable in the production hubs, and if there are consistent policies towards the recovery of some sectors, the forecast is for an even more favorable environment for the segment.

BOA ESCOLHA - good choice Produção brasileira de frutas em 2012 Fruta Volume (toneladas)* Laranja 19.059.890 Banana 6.861.719 Abacaxi 3.187.463 Melancia 2.198.624 Coco-da-baía 1.912.319 Mamão 1.854.343 Uva 1.455.056 Maçã 1.338.270 Manga 1.249.521 Limão 1.126.736 Fonte: IBGE/ Elaboração Ibraf. * Estimativa.

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Ponto de vista Divulgação

ponto de vista paulo roberto coelho lopes

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PAULO ROBERTO COELHO LOPES Pesquisador da Embrapa Semiárido

Maçã, caqui, mirtilo e pera no Sertão? O Nordeste avança no cultivo de frutas de clima temperado graças a uma revolução liderada pela pesquisa

Um novo oásis

D

Depois de criar um inesperado polo de produção de uvas, vinhos e espumantes, e de consolidar importantes centros de produção de frutas tropicais, o Nordeste segue inovando na diversificação da fruticultura, tanto para o mercado brasileiro quanto para a exportação. A novidade é a adaptação do cultivo de frutas de clima temperado, como a maçã, a pera, o caqui e o mirtilo. O pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes, da Embrapa Semiárido, de Petrolina (PE), é responsável direto pela inovação, que inclui o cultivo do cacaueiro, do mangostão e do rambutã, tradicionalmente cultivados no Norte do País, de clima mais úmido. Essas pesquisas têm apoio financeiro da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf ) e visam identificar opções de cultivo para as zonas irrigadas do Nordeste. As áreas experimentais e as lavouras estão no Vale do São Francisco, na Bahia e em Pernambuco; e também no Ceará. Os resultados iniciais são positivos, pois a grande vantagem desses cultivos é a possibilidade de colher as frutas em épocas

diferentes das regiões Sul e Sudeste, o que valoriza o produto. Das culturas pesquisadas, a pereira demonstra grande potencial no Vale do São Francisco. A pera tem apelo comercial diante dos volumes importados, que abastecem de 90% a 95% do mercado interno, pois a produção anual brasileira não chega a 10% do total consumido. Entre as frutas de clima temperado, é a terceira mais consumida e mais importada pelo Brasil. O consumo atual chega a 180 mil toneladas, a maioria trazida de Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Chile e da Europa. O Brasil tem potencial de demanda para 300 mil toneladas de peras ao ano, desde que sejam frutas de qualidade, e a preços competitivos. “Neste cenário, é alternativa consistente à diversificação da fruticultura nos perímetros irrigados do Semiárido”, diz Paulo Roberto Coelho Lopes. No Vale do São Francisco, a cultura produz 60 toneladas/ha no quarto ano de cultivo e faz duas safras por ano, a exemplo da maçã e do caqui. A maçã é a fruta de clima temperado

mais comercializada fresca no contexto internacional e igualmente no doméstico. A produção brasileira é de 1,2 milhão de toneladas e, ainda assim, são importadas 50 mil toneladas anuais. O consumo no Nordeste vem aumentando. Só o mercado produtor de Juazeiro (BA) comercializa 200 toneladas por semana. Com base nas pesquisas da Embrapa, a macieira é alternativa de cultivo nos perímetros irrigados do Vale do São Francisco. A região demonstra potencial produtivo superior a 20 toneladas por hectare no terceiro ano de cultivo. Já o caqui é fruta produzida tradicionalmente nas regiões Sudeste e Sul do País nos meses de fevereiro a junho. Em outubro começam as importações da Espanha e de Israel e o preço ao consumidor aumenta até seis vezes. No Vale do São Francisco, com manejo adequado, o caqui é colhido na entressafra. Assim, há demanda e se verificam melhores preços aos produtores nacionais. No Vale do São Francisco há potencial de colher 15 toneladas por hectare, no quarto ano de cultivo.

TEM QUE SER VIÁVEL

O pesquisador Paulo Roberto Coelho Lopes destaca que o grande desafio da pesquisa e dos produtores é alcançar produções economicamente viáveis, que permitam a exploração comercial das frutas. Para o futuro, o projeto identificará espécies e variedades de clima temperado capazes de produzir com expressão econômica nos principais perímetros irrigados do Nordeste. “Vamos desenvolver tecnologias para as culturas que apresentarem melhores potenciais de ecomercialização e de produção nos perímetros irrigados do Semiárido, e disponibilizá-las aos agricultores”, resume.

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INTERVIEW

Apple, persimmon, myrtle and pear in the backwoods? The Northeast is now cultivating temperate climate fruits, thanks to a revolution led by research teams

A new oasis

PAULO ROBERTO COELHO LOPES Embrapa Semiarid Researcher After creating an unexpected grape, wine and sparkling producing hub, and consolidating important tropical fruit production hubs, the Northeast continues innovating in fruit diversification, both for the Brazilian market and sales abroad. The novelty is the adaptation of temperate climate fruit, like apples, pears, persimmons and myrtle to the local conditions. Embrapa Semiarid researcher Paulo Roberto Coelho Lopes, based in Petrolina (PE), is directly responsible for the innovation, which includes the cultivation of cocoa trees, mangosteen and rambutan, traditionally grown in the North of the Country. These research works rely on financial support from the São Francisco and Parnaíba Valleys Development Company (Codevasf ) and

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their target consists in identifying cultivation options for the irrigated zones in the Northeast. The trial farms and the fields are located in Vale do São Francisco, state of Bahia and in Pernambuco; and also in Ceará. Most initial results have proved positive, since the great advantage of these cultivations lies in the fact that these fruits can be harvested in periods that do not coincide with the regions in the South and Southeast, adding value to the products. Of all fruit species undergoing research work, pear trees have shown great potential in Vale do São Francisco. The commercial appeal of the pear is sustained by the huge amounts of imports, which supply from 90% to 95% of the domestic market, since Brazilian total annual pear production


VIABILITY IS WHAT MATTERS

Divulgação

Researcher Paulo Roberto Coelho Lopes maintains that the big challenge faced by research works and by the farmers consists in achieving economically viable production volumes, turning it possible to explore the fruit commercially. For the future, the idea is to identify temperate climate species and varieties, capable of expressing the economic potential in the irrigated areas of the Northeast. “We are going to come up with technologies for the varieties that boast the best production and commercial potential in the irrigated regions of the Semiarid, and make them available to the farmers”, he summarizes.

remains at less than 10% of total consumption. The pear ranks as third most consumed tropical fruit, and also as most imported by Brazil. Present annual consumption reaches 180 thousand tons, mostly imported from Argentina, the United States, Uruguay, Chile and Europe. Demand for pears in Brazil potentially amounts to 300 thousand tons, provided they are of good quality and prices are competitive. “Within this scenario, they are a consistent alternative for fruit diversification in the irrigated stretches of the Semiarid”, says Paulo Roberto Coelho Lopes. In Vale do São Francisco, the fruit reaches a productivity rate of 60 tons/ha in four years and, just like apples and persimmons, pears are also harvested twice a year. The apple is the temperate climate fruit that is most consumed fresh in the international context, and equally at home. Brazil pro-

duces 1.2 million tons a year, while imports amount to 50 thousand tons. Consumption in the Northeast is on a rising trend. The Juazeiro (BA) producing hub sells 200 tons a week. Based on Embrapa research works, apple trees are a perfect cultivation alternative in the irrigated areas of Vale do São Francisco. The region boasts a production potential of upwards of 20 tons per hectare, from the third year onwards. The persimmon is traditionally produced in the South and Southeast, from February to June. Imports of this fruit from Israel and Spain normally start in October, a time when prices normally rise six-fold. In Vale do São Francisco, under appropriate management practices, persimmons are harvested at off-season time. There is demand for the fruit, and farm gate prices reach their peak. In Vale do São Francisco, there is a potential for 15 tons per hectare, from the fourth year onwards.

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Gado de corte gado de corte

Robispierre Giuliani

Aos olhos

Crescimento nĂŁo se deu sem sustos e sem desafios Ă  cadeia produtiva 80


Brasil bate recorde de exportação de carne bovina em 2012 e pode ampliar o faturamento em até 10% em 2013, com expansão de mercados

do mundo

E

Em 2012 a cadeia produtiva da carne bovina conseguiu superar seu recorde de exportação, somando US$ 5,769 bilhões, com aumento de 7,33% diante da receita de US$ 5,375 bilhões registrada em 2011. Os dados foram compilados e divulgados no dia 11 de janeiro de 2013 pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). O montante superou em 6,8% o recorde de 2008 (de US$ 5,4 bilhões), mas ficou um pouco abaixo do inicialmente estimado, de US$ 5,8 bilhões. A recessão na economia internacional provocou leve retração no preço médio da carne exportada. O valor médio ficou em US$ 4.637,10 pela tonelada, com queda de 5,34%. O maior crescimento percentual de receita foi da venda de tripas, com avanço de 58,38%, para US$ 143,705 milhões. Já a carne salgada somou US$ 28,613 milhões em receita cambial, com alta de 11,07%; as peças in natura, US$ 4,493 bilhões, com avanço de 7,81%; e os industrializados, US$ 662,384 milhões, com aumento de 2,96%. As exportações de miúdos caíram 1,45%, recuando a US$ 441,818 milhões. Em volume, os embarques de 2012 somaram 1,134 milhão de toneladas, com acréscimo de 13,39% sobre as 1,010 milhão negociadas em 2011. A venda de tripas teve o maior crescimento percentual, de 83,04%, para 25,970 mil toneladas, seguida das carnes salgadas (18,85%, para 4,407 mil toneladas). Entre 2011 e 2012, o Brasil ampliou as vendas para nove entre os 10 maiores clientes mundiais. O único

recuo registrado foi o do Irã (48%), que saiu do mercado no primeiro semestre de 2012 por questões políticas. Em faturamento, os maiores mercados da carne bovina brasileira em 2012 foram Rússia (19%), Hong Kong (14%), União Europeia (14%), Egito (10%), Venezuela (8%), Chile (7%), Irã (6%), Estados Unidos (3%), Arábia Saudita (3%) e Líbano (1%). Para Antonio Jorge Camardelli, presidente da Abiec, o embargo russo a frigoríficos de Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso não prejudicou o setor em 2012. “A capilaridade dos frigoríficos permitiu manter quase a mesma demanda”, analisa. Fernando Sampaio, diretor-executivo da Abiec, crê que as exportações de carne bovina devem crescer 10% e superar o recorde de 2012. As vendas serão impulsionadas pela maior oferta de animais para abate no Bra-

sil, o que gera aumento de produção e ocupação dos espaços abertos pelos rebanhos dos EUA e da Europa, que encolhem. Por outro lado, Sampaio garante que embargos relativos à presença do vírus inativo da vaca louca em um animal, em 2010, não comprometem o desempenho do setor. Os países que impuseram restrições representam 5% das vendas. As exportações de bovinos vivos geraram US$ 593,85 milhões em 2012, com alta de 33,5% sobre 2011 (US$ 444,85 milhões). A Associação dos Exportadores de Bovinos (Abeg) aponta para embarque de 512,32 mil cabeças em 2012, 26,5% a mais do que as 404,85 mil negociadas em 2011. Isso resulta do reajuste dos preços da carne na Venezuela, principal comprador, e da valorização do dólar. O Pará embarcou 89,7% do gado em pé.

PELO MUNDO O abate bovino mundial atingiu 233,53 milhões de cabeças em 2012, 1,2% acima de 2011, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O Brasil abateu 19,5%, com 45,45 milhões de cabeças, contra 42,25 milhões de cabeças em 2011, alta de 7,6%. O USDA prevê 2,4% de aumento nos abates mundiais em 2013, avançando para 239,05 milhões de cabeças. O Brasil representará 19,9%, com 47,54 milhões de cabeças. Em 2012 o Brasil abateu 9.906.435 fêmeas de janeiro a setembro, 11,74% a mais do que no mesmo período de 2011 (8.865.315 animais). A quantidade corresponde a 43,3% dos abates no período. Em 2011, a média dos preços da arroba atingiu R$ 100,87 a prazo. Embora superior a média de 2010, de R$ 87,05 pela arroba, no primeiro semestre de 2011 foi possível identificar o aumento no abate de fêmeas pelos preços da arroba em baixa. Em 2012, a média foi R$ 96,67 a prazo, 4,16% a menos do que em 2011. Já 2012 começou com média de R$ 99,98 pela arroba e terminou a R$ 96,78 em dezembro, com baixa de 3,2%. A expectativa é que em 2013 haja pressão sobre os preços.

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BEEF CATTLE

Brazilian beef exports hit record in 2012 and revenue could increase by 10% in 2013, with market expansions

To the four corners of the world

In 2012, the beef supply chain managed to outstrip its own export record, raking in US$ 5.769 billion, up 7.33% from the record of US$ 5.375 billion in 2011. The data were compiled and disclosed on 11th January 2013 by the Brazilian Association of Meat Exporters (ABIEC). The amount was 6.8% bigger than the 2008 record (US$ 5.4 billion), but did not match the initially estimated amount of US$ 5.8 billon. The recession in the international economic scenario pressed average global prices slightly down. The average value per ton remained at US$ 4,637.10, down 5.34%. The biggest percentage growth in revenue came from animal intestine sales, which advanced 58.38%, to US$ 143.705 million. Corned beef sales brought in US$ 28.613 million in foreign exchange, representing a rise of 11.07%; fresh cuts, US$ 4.493 billion, up 7.81%; and industrialized meat, US$ 662.384 million, up 2.96%. Giblet sales dropped 1.45%, receding to US$ 441.818 million. In volume, shipments in 2012 amounted to 1.134 million tons, up 13.39% from the 1.010 million negotiated in 2011. Intestine sales grew the most in terms of percentage, 83.04%, to 25.970 thousand tons, followed by corned beef (18.85%, to 4.407 thousand tons). Between 2011 and 2012, Brazil expanded its sales to nine of the 10 big-

Threats and challenges had to be surmounted by the supply chain 82

gest clients in the world. The only country that bought less was Iran (48%), since it got out of the market in the first half of the year for political reasons. In revenue, the biggest foreign markets of Brazil’s bovine meat in 2012 were as follows: Russia (19%), Hong Kong (14%), European Union (14%), Egypt (10%), Venezuela (8%), Chile (7%), Iran (6%), the United States (3%), Saudi Arabia (3%) and Lebanon (1%). Abiec president Antonio Jorge Camardelli maintains that the Russian embargo on the meat packing companies of Paraná, Rio Grande do Sul and Mato Grosso had no negative effect on the sector in 2012. “The capacity of the meat packing industries allowed for keeping demand on stable levels”, he analyzes. Fernando Sampaio, chiefexecutive at Abiec, believes in a 10-percent increase of bovine meat, outstripping the record high of 2012. Sales will be driven by the bigger amount of cattle available for slaughter in Brazil, generating higher production volumes and filling the gap left by the North-American and European herds, now on the decline. On the other hand, Sampaio is sure that embargos stemming from the inactive presence of the mad cow virus detected in 2010 will not jeopardize the performance of the sector. The countries that imposed restrictions represent only 5% of our foreign meat sales. Exports of cattle on the hoof brought in US$ 593.85 million in 2012, up 33.5% from 2011 (US$ 444.85 million). The Association of Bovine Exporters (Abeg) points to shipments of 512.32 head of cattle in 2012, up 26.5% from the 404.85 thousand negotiated in 2011. This results from the higher prices in Venezuela, major buyer, and from the higher value of the dollar. The State of of Pará was responsible for the shipment of 89.7% of all cattle on the hoof.


Simplesmente o maior

Sílvio Ávila

THROUGHOUT THE WORLD Global cattle slaughters amounted to 233.53 million head in 2012, up 1.2% from 2011, according to the United States Department of Agriculture (USDA). Brazil slaughtered 19.5%, totaling 45.45 million head, against 42.25 million head in 2011, up 7.6%. USDA sources estimate an increase of 2.4% in global slaughters in 2013, progressing to 239.05 million head. Brazil’s share in this total will remain at 19.9%, with 47.54 million head. In 2012 Brazil slaughtered 9,906,435 female cattle January through September, up 11.74% from the same period in 2011 (8,865,315 head). The amount corresponds to 43.3% of all animal slaughters over the period. In 2011, the average price per arroba reached R$ 100.87, on credit terms. Although outstripping the RS 87.05 per arroba in 2010, in the first half of 2012 the lower prices per arroba led to the slaughter of more female animals. In 2012, the average price was R$ 96.67 on credit terms, down 4.16% from 2011. In 2012, average prices per arroba started at R$ 99.98, falling to R$ 96.78 by December, down 3.2%. Pressure over meat prices are expected to soar in 2013.

O Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo, segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no início de 2013. A pesquisa Produção da Pecuária Municipal (PPM) 2011 radiografa a pecuária do País e indica que o rebanho nacional cresceu 1,6% e alcançou 212,8 milhões de cabeças. É o segundo maior rebanho bovino, atrás da Índia, com 324,5 milhões de cabeças, mas este é sem fins comerciais e inclui búfalos. Também destacam-se China e Estados Unidos. Por região, o plantel está assim dividido: Centro-Oeste (34,1%), Norte (20,3%), Sudeste (18,5%), Nordeste (13,9%) e Sul (13,1%). O Mato Grosso (13,8%) tem o maior efetivo bovino, seguido por Minas Gerais (11,2%), Goiás (10,2%) e Mato Grosso do Sul (10,1%). Os 10 principais estados concentram 81,1% do efetivo. São Félix do Xingu (PA) tem o maior número de animais, com 1% do rebanho brasileiro. Cerca de 80% do efetivo é de raças zebuínas (Bos indicus), adaptadas ao ambiente predominante no País. Em destaque está o Nelore. No Rio Grande do Sul, por características de clima e de solo, salientam-se as raças europeias (Bos taurus). A pecuária de corte nacional está em evolução, com melhoria contínua dos índices zootécnicos, mais produtiva e eficiente. A maior e melhor produção em área constante faz com que a bovinocultura do Brasil seja mais sustentável, e referência para o mundo, o que pode ser medido pelo sucesso das exportações.

PROTEÍNA - protein Exportações brasileiras de carne em 2012 Mês jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez US$ (mil) 400.860 364.466 458.360 442.218 518.607 456.783 484.880 526.923 512.953 598.884 505.675 495.942 Tonelada 86.105 77.025 95.364 90.280 110.159 98.438 109.017 116.596 113.589 128.402 109.027 109.609 US$/Ton 4.655 4.732 4.806 4.898 4.708 4.640 4.448 4.519 4.516 4.664 4.638 4.525 Fonte: Abiec, janeiro de 2013.

Simply the biggest Brazil is home to the third largest commercial herd in the world, according to figures released the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) in early 2013. The 2011 Municipal Agriculture Production Survey (MAPS) portrays the Country’s livestock business and points to a national herd of 212.8 million head, up 1.6% from last year. It is the second biggest bovine herd, coming only after India’s herd of 324.5 million head, which, by the way, has no commercial purpose and includes buffalo breeds. China and the United States are also home to huge herds. By region, the Brazilian herd is split into the following areas: CentroWest (34.1%), North (20.3%), Southeast (18.5%), Northeast (13.9%) and South (13.1%). Mato Grosso (13.8%) has the biggest bovine herd, followed by Minas Gerais (11.2%), Goiás (10.2%) and Mato Grosso do Sul

(10.1%). The 10 leading states concentrate 81.1% of the total number of animals. São Félix do Xingu (PA) is home to the biggest number of cattle, with 1% of the entire national herd. About 80% of the cattle belong to zebu breeds (Bos indicus), adapted to the predominant environment in Brazil. The Nelore breed predominates. In Rio Grande do Sul, due to climate and soil characteristics, European breeds (Bos taurus) predominate in number. The national beef cattle operation is evolving quite fast, with a continuous improvement of the zootechnical indices, leading to higher efficiency and bigger production volumes. The biggest and best production per area turns Brazilian cattle breeding more sustainable, and a reference fin the world, with its good performance attested by the successful export figures.

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Gado de leite gado de leite

Inor Ag. Assmann

está

Preocupação do setor é com a livre entrada de produtos lácteos do Mercosul 84


Brasil já é o terceiro maior produtor de leite do mundo, atrás da Índia e dos Estados Unidos, com crescimento médio de 4,5% ao ano

Fervendo

A

A produção brasileira de leite tem apresentado crescimento nos últimos anos. Em 2011, mais recente informação oficial disponível, o aumento foi de 4,5% em relação a 2010, passando de 30,7 bilhões de litros para 32,1 bilhões de litros. Os dados são da Pesquisa da Pecuária Municipal, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A projeção da instituição para 2012 é de 33,7 bilhões de litros produzidos no País. O resultado fez com que o Brasil ultrapassasse a Rússia e assumisse o terceiro lugar no ranking dos maiores produtores de leite do mundo, atrás apenas da Índia e dos Estados Unidos. Na quinta colocação aparece a China. O presidente da entidade que congrega os produtores nacionais, a Associação Leite Brasil, Jorge Rubez, qualifica como positivos os resultados alcançados em 2011, quando foi registrado também aumento de 15% no valor total da produção. Minas Gerais continua na liderança da atividade, com 8,7 milhões de litros em 2011. Na sequência aparecem os estados do Sul: Rio Grande do Sul e Paraná, com 3,8 milhões de litros cada um; e Santa Catarina, com 2,5 milhões de litros. A diferença entre os maiores produtores está na produtividade. Enquanto Minas Gerais tem rendimento médio de 1.420 litros por vaca ao ano, no Sul do País o resultado registrado ultrapassa a 2.500 litros/vaca/ano. Outra particularidade do Sul é o incremento da produção em 2011, acima da média nacional. Conforme dados da Leite Brasil, o aumento foi de 6,2% no Paraná,

de 6,3% em Santa Catarina e de 6,8% no Rio Grande do Sul. Nesse período, Minas Gerais registrou crescimento de 4,4%. Também o consumo é maior nos três estados meridionais, com média de 105 litros/ ano por habitante, de acordo com a Pesquisa de Orçamentos Familiares, do IBGE.

No maior produtor do País esse índice foi de 81 litros/ano por habitante. O consumo nacional é de aproximadamente 34 bilhões de litros anuais. Durante 2012, os preços pagos ao produtor se mantiveram estáveis, de acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Entretanto, o custo de produção teve aumento de aproximadamente 20%. Os altos valores do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração animal, e a seca prolongada em algumas regiões de pecuária foram os principais fatores.

UM RETRATO DO MERCADO As exportações em queda e as importações em alta ampliam a cada ano o saldo negativo da balança comercial dos lácteos do País. De acordo com os resultados apurados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2012 os valores obtidos com as vendas externas atingiram US$ 118,9 milhões, com queda de 1,77% sobre o ano anterior. Já as aquisições cresceram 3,54%, fechando em US$ 630,7 milhões. Dessa forma, o Brasil gastou US$ 511,7 milhões a mais do que arrecadou. Entre 2004 e 2008, o Brasil foi superavitário na balança comercial do setor. Em 2009, no entanto, com a crise econômica instalada na Europa, um dos principais mercados para o leite brasileiro, as vendas externas despencaram para US$ 166,7 milhões, contra US$ 540,8 milhões no ano anterior. Os grandes exportadores de leite para o Brasil são os países do Mercosul. Com a Argentina, de onde até 2011 vinha a maior quantidade, o governo brasileiro possui um acordo temporário que limita o fornecimento a 3,6 mil toneladas ao mês. O grande problema é mesmo o Uruguai, que em 2012 passou a ser o principal vendedor de produtos lácteos para o País. Dados do Instituto Nacional do Leite do Uruguai (Inale) revelam que em 2012 as exportações do país cresceram 21% em volume e 12% em valor. Foram 245.688 toneladas de produtos lácteos, com faturamento de US$ 782,9 milhões. O Brasil foi o destino de 32% da quantidade vendida, com destaque para o leite em pó. A falta de uma política regulatória de importação tem movimentado o setor. Em janeiro de 2013 algumas entidades que representam os produtores de leite já planejavam manifestações para pressionar o governo a tomar medidas restritivas à livre entrada de produtos lácteos do Mercosul. Na Câmara dos Deputados foi criada uma subcomissão para tratar do assunto. Pelo menos uma ação governamental pode ser comemorada pela cadeia produtiva. Em dezembro de 2012, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), presidida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, aprovou a prorrogação, até 31 de dezembro de 2014, da alíquota de 28% sobre a importação de 11 produtos lácteos. A Tarifa Externa Comum (TEC) havia sido definida pelo órgão executivo do Mercosul em 2009. Antes, a cobrança variava entre 14% e 16%. 85


daiRY CATTLE

Brazil is the third biggest milk producer in the world, coming only after India and the United States, growing at an average annual rate of 4.5%

Thriving

Milk production in Brazil has been rising over the past years. In 2011, latest official data available, production was up 4.5% from 2010, soaring from 30.7 billion liters to 32.1 billion liters. These data were released by the Municipal Agriculture Research department, published by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE). The institution’s projection for 2012 is for 33.7 billion liters produced in the Country. As a result, Brazil overtook Russia and climbed to the third position in the number of the major milk producers in the world, coming only after India and the United States. China ranks fifth. The president of the entity that comprises the national producers, the Brazilian Milk Association, Jorge Rubez, sees the results achieved in 2011 as positive, when the value of the total production was up 15%. The state of Minas Gerais is the leader in this activity, with 8.7 billion liters in 2011. The southern states come next: Rio Grande do Sul and Paraná, with 3.8 billion liters each; and Santa Catarina, with 2.5 billion liters. The difference between all major producers lies in productivity. While in Minas Gerais the average performance is 1,420 liters per cow a year, in South Brazil it is upwards of 2,500 liters of milk per cow a year. Another particularity in the South is the bigger production volume in 2011, above the national average. According to data from Milk Brazil, production increased by 6.2% in Paraná, 6.3% in Santa Catarina and 6.8% in Rio Grande do Sul. During this period, in Minas Gerais production soared 4.4%. Consumption is also higher in the three southern states, with an average of 105 liters per person a year, according to the Family Budget Survey, conducted by the IBGE. In the biggest producer of the Country, this rate was 81 liters/person/year. National consumption remains at approximately 34 billion liters. In 2012, farm gate prices kept stable, according to a survey by the Center for Advanced Studies on Applied Economics (Cepea). Nonetheless, the production cost went up by about 20%. The high prices of corn and soybean meal, major components in animal feed, and the prolonged drought that affected some agricultural regions were to blame for the higher production costs.

86


PORTRAIT OF THE MARKET Exports on the decline and imports on the rise have been widening the gap in the Brazilian dairy trade balance. According to the results ascertained by the Brazilian Secretariat of Foreign Trade (Secex), and organ of the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade, in 2012 revenue from foreign sales reached US$ 118.9 million, down 1.77% from the previous year. In the meantime, acquisitions from abroad soared 3.54%, totaling US$ 630.7 million. It means that Brazil spent US$ 511.7 million more than the dividends brought in from abroad. From 2004 to 2008, Brazil’s trade balance of the sector was positive. In 2009, nonetheless, with the economic crisis breaking out in Europe, a major destination for Brazilian milk, foreign sales plummeted to US$ 166.7 million, against US$ 540.8 million the previous year. Most milk imported by Brazil comes from Mercosur countries. With Argentina, the biggest supplier up until 2011, Brazil signed a temporary agreement which limits all supplies to 3.6 thousand tons a month. The big problem is really Uruguay, a country that in 2012 became the leading supplier of dairy products to Brazil. Data released by the National Milk Institute in Uruguay (Inale) reveal that in 2012 the dairy exports of this country increased by 21% in volume and 12% in value. In all, 245,688 tons of dairy products were shipped abroad, with total revenue of US$ 782.9 million. Brazil was the destination for 32% of the entire exports, with milk powder ranking first in volume. The absence of an import regulatory policy has kept the sector on the alert. In January 2013, some entities that represent the milk producers were planning actions intended to exert pressure over the government towards the introduction of restrictive measures against the free entrance of dairy products from Mercosur countries. A special committee was created by the House of Representatives to deal with the matter. There is at least one government action the milk supply chain is now celebrating. In December 2012, the Foreign Trade Chamber (Camex), presided over by the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade (MDIC), extended until 31st December 2014 the 28-percent import tariff levied on the importation of 11 dairy products. The Common Foreign Tariff (CFT) had been defined by Mercosur’s executive organ in 2009. Before that time, there was a charge that ranged from 14% to 16%.

LEITE EM NÚMEROS - milk in numbers Produção Ano Mil litros 2010 30.715.460 2011 32.091.012 2012* 33.704.720 *Previsão - Fonte: IBGE

Balança comercial (US$ mil) Ano Exportação Importação Saldo 2011 121.053 609.117 - 488.064 2012 118.904 630.704 - 511.799

Sílvio Ávila

Fonte: Secex

Sector is concerned with dairy products from Mercosur countries

flooding our market

87


Hortaliças hortaliças

Inor Ag. Assmann

O clima

Batata ocupa a maior área no País e tomate tem a maior produção 88


Principais produtos olerícolas tiveram reflexos das condições climáticas e apresentaram pequeno decréscimo de área cultivada em 2012

comanda

O

O setor de olericultura no Brasil caminha para a formação de um perfil socioeconômico, sob o comando do novo Instituto Brasileiro de Hortaliças (Ibrahort), mas já apresenta alguns números sobre os seus principais produtos. Conforme divulgam os pesquisadores Waldemar Pires de Camargo Filho e Avani Cristina de Oliveira, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), de São Paulo, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Embrapa e da Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (ABCSEM), as 10 hortaliças mais representativas teriam somado em 2011 mais de 900 mil hectares cultivados e produção de 19,6 milhões de toneladas, 20% desse montante em São Paulo. O seu valor giraria em cerca de R$ 25 bilhões. Em 2012, assim como já acontecera em 2011, as hortaliças mais representativas teriam tido redução de área, como reflexo da descapitalização dos produtores em anos anteriores, o que diminuiu a capacidade de investimento. A equipe Hortifruti/Cepea, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo, em sua retrospectiva do ano, com perspectivas do próximo nas principais áreas produtoras, verifica diminuição de 3,1% no tomate, 3,6% na batata e 6,9% na cenoura, ao mesmo tempo em que observa acréscimo de 2,3% na cebola. O grupo destaca que as condições climáticas para os produtos pesquisados (além dos citados, também as hortaliças folhosas) “foram bastante atípicas em 2012, o que influiu na oferta e na rentabilidade ao produtor”. Na sua avaliação, o verão menos chuvoso no Sul

e no Sudeste no primeiro quadrimestre contribuiu para que houvesse maior produção e, por consequência, queda nos preços, especialmente em relação à batata e ao tomate. Já o volume de chuva elevado em junho, quando se esperava tempo seco, limitou o plantio e a produtividade no segundo se-

mestre, especialmente em São Paulo, o que impulsionou os preços ao produtor. Neste período, ainda houve impacto na produtividade e na área cultivada no Nordeste, por conta de forte estiagem. Para 2013, os pesquisadores aguardavam inicialmente estabilidade na área de plantio.

PERFIL Em termos de espaço cultivado, a batata é a hortaliça de maior expressão no País, com quase 150 mil hectares em 2011, como registra o IEA. A sua produção chega próximo de 3,6 milhões de toneladas. Neste item, porém, o tomate (somados os de mesa e o industrial) alcança volume maior, de 4,3 milhões de toneladas; e a mandioca (considerada apenas a de mesa) também se aproxima de 4 milhões de toneladas. Ainda são representativos a melancia (enquadrada tanto como hortaliça e fruta), com mais de 2 milhões de toneladas; a cebola, com 1,5 milhão de toneladas; o repolho e a alface, ao redor de 1,3 milhão de toneladas; e a cenoura, com mais de 1 milhão de toneladas. Com números, são citados igualmente batata doce e alho. O setor carece de diagnóstico mais completo, a que se propõe o Ibrahort, instituído há pouco tempo. “Já conseguimos alavancar o perfil socioeconômico da horticultura no País, a partir de um plano-piloto que está sendo feito no Estado de São Paulo, em parceria com o Sebrae nacional, e que servirá de base para todos os outros estados brasileiros”, informa o presidente, Carlos Schmidt. O piloto deverá estar pronto em 2013, para início da pesquisa, e consta da agenda estratégica para o ano, apresentada pelo instituto na Câmara Setorial de Hortaliças, junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em Brasília, no dia 6 de dezembro de 2012. Nesta agenda, destaca-se também a campanha “Consuma hortaliças diariamente, sua saúde agradece”. Por outro lado, vem sendo desenvolvido, em parceria com o Ibrahort, o Programa de Incentivo à Alimentação Saudável na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). Esta tem 13 entrepostos, e as Ceasas de outros estados estão sendo contatadas para apoiar a iniciativa. O objetivo é estimular o maior consumo de legumes e verduras, além de frutas e outros produtos, por meio de processos educativos, campanhas publicitárias e apoio à agricultura familiar, com ênfase na comercialização e na orientação técnica para melhor aproveitamento e diversificação dos produtos. O incremento ao consumo interno, que tem mostrado alguma retração nas hortaliças, é considerado fundamental no setor para ampliar a produção, que apresenta, por isso mesmo, certa estabilidade nos últimos anos. A venda externa ainda é pouco expressiva, sendo superada pelo ingresso de produtos de outros países, especialmente batata, cebola e alho. Conforme apurou o Anuário Brasileiro de Hortaliças 2012, da Editora Gazeta Santa Cruz, as exportações de hortaliças atingiram 269 mil toneladas em 2011, enquanto as importações totalizaram 772 mil toneladas. 89


VEGETABLES

Inor Ag. Assmann

All major olericulture products suffered from erratic weather patterns, resulting into a slightly smaller planted area in 2012

Weather conditions dictate the rules

Potatoes occupy the biggest area in the Country and tomatoes excel in production 90


The olericulture sector in Brazil is heading towards a socioeconomic profile, under the umbrella of the new Brazilian Vegetable Institute (Ibrahort), and is already coming up with some figures on its main products. According to researchers Waldemar Pires de Camargo Filho and Avani Cristina de Oliveira, of the Agricultural Economics Institute (IEA), in São Paulo, based on data released by the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), Embrapa and Brazilian Seed and Seedling Trade Association (ABCSEM), in 2011, the 10 most planted vegetables reached a cultivation area of 900 thousand hectares and a production volume of 19.6 million tons, and São Paulo was responsible for 20% of this total. The total value is estimated at approximately R$ 25 billion. In 2012, just like in 2011, the most representative vegetables are believed to have suffered a reduction in planted area, reflecting the painful situation of cash-strapped farmers in previous years, a fact that reduced their capacity to make investments. The Hortifruti/Cepea team of the Center for Advanced Studies on Applied Economics (Cepea) of the University of São Paulo, in its retrospective analysis of the year, compared to the perspectives for the coming year in all producing areas, detected the following reductions in planted area: 3.1% in tomatoes, 3.6% in potatoes, 6.9% in carrots, but the area planted to onion was up 2.3% from the previous year.

The team also mention that the weather conditions experienced by the analyzed products (besides the above mentioned products, leafy vegetables are also included), “were rather atypical in 2012, a fact that had an influence on supply and farmers’ income”. In their evaluation, a rather dry summer in the South and Southeast, in the first quarter of the year, resulted into higher production volumes but pressed prices down, which is especially true with regard to potatoes and tomatoes.

The higher precipitation levels in June, when dry weather conditions had been expected, had negative reflections on the planted area and reduced the productivity rates in the second half of the year, particularly in São Paulo, making farm gate prices soar. During this period, the Northeast also experienced a decrease in productivity and planted area, due to prolonged drought conditions. According to most specialists, stable conditions in planted area are expected for 2013.

PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS - production of vegetables (10 principais culturas – 2011) Brasil São Paulo

Área (ha) Produção (t) 942.767 19.644.491 86.182 2.762.486

Fonte: IBGE – Embrapa – ABCSEM IEA/Cati.

Sílvio Ávila

PROFILE In terms of planted area, potatoes are the most planted vegetables

in Brazil, with almost 150 thousand hectares in 2011, according to IEA sources. The volume amounts to almost 3.6 million tons. On that score, however, tomatoes (both table and industrial tomatoes) reach the biggest volume, about 4.3 million tons; Cassava (just considering table cassava) gets also very close to 4 million tons. Other representative vegetables include watermelons (which fit both into the category of vegetables or fruits), with upwards of 2 million tons; cabbage and lettuce, some 1.3 million tons; carrots, with more than 1 million tons. Sweet potatoes and garlic are equally somewhat expressive in volume. The sector really lacks a more comprehensive diagnosis, and the Ibrahort, which was only recently set up, is set to conduct this diagnosis. “We have already managed to conduct a complete socioeconomic survey of horticulture in the Country, on the basis of a pilot plan now being set up in São Paulo, jointly with the national Sebrae, which is supposed to set the tune for all other Brazilian states”, says president Carlos Schmidt. The pilot plan is supposed to be concluded by early 2013, marking the beginning of the survey, and is an item on the strategic agenda presented by the institute at the Vegetables Sectoral Chamber, a division of the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA), in Brasília, on 6th December 2012. Another highlight on the agenda is the campaign, “eat vegetables every day, your body will thank you”. On the other hand, another program underway, in a partnership with Ibrahort, is the Healthy Food Incentive Program promoted by the São Paulo General Warehousing and Centers Company (Ceagesp). It comprises 13 distribution centers, and all Distribution Centers in other states are being urged to support the initiative. The main objective consists in encouraging the consumption of legumes and vegetables, fruits and similar products, through educational processes, publicity campaigns and support to family farming, with emphasis on sales and technical guidance towards diversification and the use of these products. Promoting domestic consumption, where the consumption of vegetables has been receding slightly, is viewed as a fundamental factor for expanding production, which has been rather stable over the past years. Foreign sales are little expressive and are being outstripped by purchases of products from other countries, particularly potatoes, onions and garlic. According to the 2012 Brazilian Vegetables Yearbook, published by Editora Gazeta Santa Cruz, vegetable exports reached 269 thousand tons in 2011, whilst imports amounted to 772 thousand tons.

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Logística logística

Sílvio Ávila

Navegar

Entidade também defende aprimoramento das hidrovias do Arco Norte 92


CNA apoia Medida Provisória que deverá combater “apagão” portuário, com impacto direto na redução dos custos do agronegócio com frete

é preciso contra a atuação cartelizada”, comenta o consultor técnico da CNA, Luiz Antonio Fayet. Conforme o especialista em logística, o sucateamento do setor portuário tem causado pesado custo social ao País. Dados da Federação da Agricultura do Paraná apontam que somente entre os produtores do Estado o prejuízo decorrente deste problema é de R$ 2 bilhões ao ano. De acordo com Fayet, o pacote hidroviário ajudará a combater a cartelização no setor, permitindo a participação da iniciati-

Sílvio Ávila

E

Encaminhada pela presidente Dilma Rousseff ao Congresso Nacional no dia 6 de dezembro de 2012, a Medida Provisória (MP) 595 foi recebida com entusiasmo pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O texto trata da regulação da exploração de portos e de instalações portuárias e cria a segunda etapa do Programa Nacional de Dragagem Portuária e Hidroviária. “Vivemos um apagão portuário e a presidente tomou uma medida corajosa

va privada e a livre concorrência, reduzindo custos aos usuários. Aliadas às melhorias nos sistemas rodoviário e ferroviário, anunciadas em 2012, devem contribuir para combater os problemas logísticos nacionais. Um dos itens defendidos pela CNA na MP é a utilização do conjunto de portos do Arco Norte do País. Próximos do Canal do Panamá – que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, servirão para escoar a produção das regiões Centro-Norte, Nordeste e Centro-Oeste – mais da metade da produção de soja e de milho do Brasil ocorre acima do paralelo 16. Muito disso se deve à ampliação das fronteiras agrícolas nacionais, principalmente nos últimos 20 anos. “A falta de infraestrutura nessas regiões faz com que a produção precise ser escoada pelo Sul e pelo Sudeste, com fretes adicionais que variam de 500 a 1.000 quilômetros”, comenta.

PROMISSOR Com o aumento da população mundial, cada vez mais haverá maior demanda por alimentos no planeta. O Brasil é responsável, juntamente com Estados Unidos e Argentina, por mais de 85% das exportações de soja e por 70% das de milho. Entretanto, norte-americanos e argentinos estão esgotando suas respectivas capacidades de produção. A situação é bem diferente no Brasil, que ainda dispõe de terras cultiváveis, mas principalmente em áreas onde há precariedade logística. Por isso, segundo Fayet, para que o País possa aproveitar essa oportunidade, há urgência na solução dos gargalos nacionais. Com a duplicação do Canal do Panamá, já em andamento com a construção de uma via paralela, o consultor da CNA acredita que o sistema do Arco Norte trará mais competitividade ao agronegócio nacional. A via atual permite a passagem de graneleiros com até 60.000 toneladas de carga, enquanto a nova permitirá até 150.000 toneladas. “A capacidade de fluxo passará dos atuais 300 milhões de toneladas/ano para 600 milhões de toneladas/ano, determinando uma possível redução dos custos e dos fretes próxima de 20% nas rotas para a Ásia, que já é nosso principal cliente em soja, com mais de 50% dos embarques, e que não escapará de ser também para o milho”, estima Fayet, apostando na crescente demanda chinesa por produtos do agronegócio brasileiro. Conforme o consultor, a resolução dos entraves logísticos é fundamental para o planejamento estratégico do desenvolvimento do País, onde as exportações do agronegócio trarão impactos no mercado interno, na ocupação territorial e nas questões econômicas e sociais. “Isto porque, além da disponibilidade de mercados, o nosso agronegócio é altamente competitivo da porteira pra dentro e seus produtos têm um conteúdo nacional superior a 90%, diferentemente do setor automotivo, que está em cerca de 50%, ou do aeronáutico, com menos de 20%”, explica. 93


LOGISTICS

Inor Ag. Assmann

CNA supports Interim Rule intended to fight port “blackout�, with direct impact on lower freight costs for agribusiness operations

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It is necessary to set sail


Introduced by president Dilma Rousseff into congress on 6th December 2012, Interim Rule was welcomed by the Brazilian Agriculture and Livestock Confederation (CNA). The text addresses special rules for exploring our ports and port facilities, and creates the second step of the National Program for Dredging Ports and Waterways. “We are experiencing a port “blackout” and the president took a courageous step against the cartelization of the sector”, comments CNA technical consultant Luiz Antônio Fayet. According to the logistics specialist, the deterioration of the port sec-

tor has inflicted a heavy social cost on the Country. Data from the Agriculture Federation of Paraná point to losses of R$ 2 billion suffered by the producers of that state. According to Fayet, the waterway package will help fight the cartelization of the sector, allowing private initiative and free competition into it, thus reducing costs for the users. Along with the improvements to the road and rail systems, announced in 2012, the measure is expected to contribute towards solving our national logistics problems. One of the items of the Interim Rule advocated by the CNA is the use of all the ports

located in the North Arch of the Country. Located near the Panama Canal – connecting the Atlantic Ocean to the Pacific Ocean – these ports will serve the regions of the Center-North, Northeast and Center-West – upwards of 50% of all soybean and corn crops are produced above the 16th parallel in Brazil, a fact that results from the expansion of the Brazilian agricultural frontiers, especially in the past 20 years. “The deficiency in infrastructure in these regions makes it necessary to ship the crops through the South and Southeast, with additional freight distances that vary from 500 to 1,000 kilometers”, he comments.

PROMISING Under the onslaught of an ever-increasing human population, demand for food is equally soaring around the planet. Brazil, along with the United States and Argentina, is responsible for upwards of 85% of all soybean exports and for 70% of all corn exports. However, the United and Argentina have practically exhausted their respective production capacities. In Brazil, the situation differs a lot, since there is much arable land available, but located in regions of poor logistics. In consequence, according to Fayet, for the country to be in a position to take advantage of this opportunity, several national bottlenecks must urgently be solved. With the expansion of the Panama Canal, now underway, and the construction of a parallel shipping lane, the CNA consultant believes that the North Arch system will make our national agribusiness more competitive. The present lane is for sixty-thousand ton granary ships, while the new lane will be for up to 150 thousand ton vessels. “The cargo flow capacity is to soar from the present 300 million tons a year to 600 million tons, with possible freight reductions of nearly 20% for ships heading to Asia, a continent that is a major buyer of Brazilian soybean, responsible for more than 50% of all shipments of this commodity, and this will also hold true for corn”, argues Fayet, betting on the ever-increasing Chinese demand for Brazilian agribusiness products. According to the consultant, a solution to all logistics bottlenecks is critical for the Country’s strategic development plan, where agribusiness exports will impact on the domestic market, on territorial occupation and social and economic issues. “This happens because, besides the availability of markets, our agribusiness is highly competitive inside the farm gates and its products have an upwards of 90-percent national content, contrary to the automotive sector, where this proportion reaches 50%, or to the aeronautical sector, with less than 20%”, he explains.

Entity also advocates for better waterways throughout the North Arch 95


Máquinas máquinas

Sílvio Ávila

Salvos

Política econômica da Argentina traz dificuldades à indústria brasileira 96


Redução de juros em programa estatal de financiamento impulsionou as vendas a partir de setembro, favorecendo a renovação da frota

na reta final

O

O desempenho do setor de máquinas e de equipamentos agrícolas no decorrer de 2012 estava aquém do resultado alcançado em 2011. Essa situação permaneceu até setembro, quando o governo anunciou a redução dos juros do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), de 5,5% para 2,5% ao ano. A medida impulsionou as vendas domésticas e reverteu os negócios, que fecharam o ano com saldo positivo. Conforme dados do Departamento de Economia Agrícola, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), entre julho e novembro de 2012 os empréstimos do PSI chegaram a R$ 3,6 bilhões, com aumento de 44% em apenas um mês. Esse valor representa 60% dos R$ 6 bilhões disponibilizados pelo programa para serem contratados entre julho de 2012 e junho de 2013. Os recursos estão disponíveis para aquisição de máquinas agrícolas, equipamentos de irrigação e estruturas de armazenagem. O relatório mensal, divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), reflete o efeito positivo da nova tributação do PSI. Segundo dados divulgados em janeiro de 2013, que registram a comercialização de 2012, as vendas internas de máquinas agrícolas automotrizes chegaram a 69,3 mil unidades. O incremento foi de 6,2% sobre 2011. As aquisições de colheitadeiras foram as que apresentaram maior aumento, de 17,6%, com 6.286 unidades em 2012. Já os produtos mais vendidos são os trato-

res de rodas, que somaram 55.810 unidades, resultado 6,7% superior ao desempenho de 2011. Segundo o vice-presidente da Anfavea, Milton Rego, até setembro de 2012 as vendas internas de máquinas agrícolas acumulavam redução de 3% em relação ao ano anterior. Com os juros menores, os financiamentos do PSI ficaram extremamente competitivos. A entidade previa fechar o ano com incremento de 5% sobre 2011, mas o resultado chegou a 6,2%. As expectativas também são positivas para as vendas de 2013. O principal incentivador é o bom momento pelo qual passam algumas das mais representativas culturas agrícolas brasileiras. A safra

2012/13 de grãos deve ser 8,8% superior à do período anterior, conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O carro-chefe desse desempenho será a soja, com previsão de incremento de 24,5% na produção. Milton Rego chama a atenção para um novo cenário que está se formando na mecanização da lavoura brasileira. “Até há pouco tempo, em torno de 60% das vendas eram de máquinas de até 100 cavalos. Hoje isso se inverteu e esse é o percentual de comercialização das unidades com potência maior”, explica. Em 2012, conforme o relatório da Anfavea, a indústria brasileira produziu 83.640 máquinas agrícolas automotrizes, 2,6% a mais do que em 2011.

EM BAIXA Se por um lado o mercado doméstico tem sido positivo, por outro as vendas externas de máquinas e implementos agrícolas estão em queda. Os números divulgados pela Anfavea mostram que as exportações diminuíram 7,8% em 2012, comparativamente ao ano anterior. Foram embarcadas 16.896 unidades, sendo 12.152 tratores de roda, 2.265 tratores de esteira, 1.238 colheitadeiras, 1.202 retroescavadeiras e 39 cultivadores motorizados. O vice-presidente da entidade, Milton Rego, lembra que o Brasil já chegou a exportar em torno de 30 mil unidades. Mas há três anos o setor vem registrando desempenho negativo. O principal motivo apontado por ele é a dificuldade de comércio com a Argentina, mais importante parceiro comercial do Brasil, que tradicionalmente representava metade de todas as exportações do País. “O setor só é competitivo no Mercosul, em função da proximidade, que barateia os fretes”, justifica. O que tem atrapalhado os negócios brasileiros no País vizinho são as medidas econômicas adotadas pela presidente Cristina Kirchner. Desde 2010 está em vigor um mecanismo de controle segundo o qual a cada dólar importado igual valor deve ser exportado. Em 2011, lembra Rego, pela primeira vez em 30 anos uma empresa argentina foi líder do mercado naquele País. “Historicamente, 70% das máquinas agrícolas da Argentina vinham do Brasil. Agora, indústrias brasileiras estão se instalando por lá”, destaca. 97


MACHINES

Interest rate reduction in a state financing program drove up sales as of September, leading to fleet renewal

Rescued in the final stretch The performance of the agricultural machinery and equipment sector in 2012 lagged behind the previous year’s results. This situation lasted until September, when the government announced a reduction in interest rates in the Investment Support Program (ISP), from 5.5% to 2.5% a year. The measure propelled domestic sales and reversed the business scenario, which came to year-end with a positive balance. According to data from the Agricultural Department of the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA), from July to November 2012, ISP loans amounted to R$ 3.6 billion, up 44% in only one month. This amount represents 60% of the R$ 6 billion offered by the program to be contracted from July 2012 to June 2013. The resources are available for the acquisition of agricultural machinery, irrigation equipment and warehousing facilities. The monthly report, published by the National Association of Automotive Vehicle Manufacturers (Anfavea), reflects the positive effect of our ISP taxation. According to data released in January, which register all sales from January to November, domestic sales of agricultural machinery amounted to 63.7 thousand units, up 3.9% from the same period in 2011.

Economic policy in Argentina causes trouble to Brazilian industry 98

The acquisition of harvesters experienced the biggest increase, 17,6% in the entire year, with 6,286 units in 2012. Wheeled tractors sold the most, totaling 55,810 units, up 6.7% from the 2011 performance. According to the vice-president of Anfavea, Milton Rego, up until September 2012 domestic sales of agricultural machines had accumulated a reduction of 3% from the previous year. With smaller interest rates, all ISP financial operations became extremely competitive. The entity is estimating an increase of 5% over 2011, by year’s end. The entity intended to close the year with a 5% increase over 2011, but the result reached 6.2%. The expectations are also promising for 2013. The main driving force behind this posi-

tive trend is the good moment some very representative Brazilian crops are going through. The 2012/13 cereal crops are expected to be up 8.8% from the previous year, according to an estimate by Conab. The flagship of this performance will again be the soybean crop, with production expected to increase by 24.5%. Milton Rego is pointing to a new scenario now unfolding in the Brazilian farm mechanization panorama. “Until some time ago, about 60% of all sales consisted of up to 100 HP machines. Now this situation has reversed, and 60% are machines with upwards of 100 HP”, he explains. In 2012, according to the Anfavea report, the Brazilian industry produced 83,640 automotive machines, 2.6% up from the previous period.

LAGGING BEHIND If, for one thing, domestic sales have been rising, on the other hand, foreign machine and agricultural equipment sales are lagging behind. The figures released by Anfavea point to a 7.8-percent decrease in shipments abroad in 2012, compared to the same period in the previous year. Shipments amounted to 16,896 units, split into 12,152 wheeled tractors, 2,265 Caterpillar tractors, 1,238 harvesters, 1,202 backhoe loaders and 39 cultivators. The vice-president of the entity, Milton Rego, recalls that Brazil once exported about 30 thousand units. But for three years the sector has been registering a negative performance. The main reason, in his opinion, is the difficulty in doing business with Argentina, Brazil’s largest trading partner, which traditionally represents 50% of all Brazilian exports. “The sector is only competitive in Mercosur countries, by virtue of the smaller distance, resulting into cheaper freight costs”, he justifies. The big problems Brazilian businesses are facing in the neighboring country are the economic measures implemented by the president of that country, Cristina Kirchner. Since 2010 a control mechanism is in force, whereby for every dollar spent in imports a dollar must come in from exports. In 2011, Rego recalls, for the first time in 30 years an Argentine company was leader in the market of that country. “Historically, 70% of all machinery in Argentina used to come from Brazil. Now, Brazilian industries are setting up their businesses there”, he mentions.


Ponto de vista

Daniel Medeiros/Embrapa

ponto de vista maur铆cio ant么nio lopes

100


MAURÍCIO ANTÔNIO LOPES Presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Rede Agropensa será a ferramenta da Embrapa para produzir, analisar e difundir conhecimentos sobre a agricultura e suas cadeias produtivas

Inteligência é prioridade

A

A inteligência estratégica é a palavra de ordem no meio científico brasileiro voltado ao agronegócio. Isso porque as mudanças na área acontecem de forma muito veloz, acompanhando o dinamismo das inovações que impera no mundo. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) tem trabalhado com o assunto por meio da Rede Agropensa. O novo presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, empossado em outubro de 2012, elegeu a ferramenta, implantada anteriormente à sua gestão, como uma das prioridades de trabalho. A ideia é formar uma rede de pesquisadores que se dedicará a produção, análise e difusão de conhecimentos estratégicos, tendo como foco a agricultura brasileira e as cadeias produtivas de valor relacionadas a ela. “Esse conceito permite identificar questões críticas importantes, que devem receber plena atenção da empresa”, enfatiza. A Rede Agropensa é um dos projetos especiais propostos pela nova diretoria para 2013. Segundo Lopes, a atuação será na administração da estatal e em temas específicos voltados à agricultura, como

o Código Florestal, o processo de internacionalização da Embrapa, a modernização do processo de transferência tecnológica no Brasil e o reposicionamento da empresa no mercado de cultivares. Com o mundo caminhando para ser habitado por nove bilhões de pessoas em 2050, a agricultura terá papel fundamental. “Energia, água, alimentos, meio ambiente e pobreza serão questões extremamente importantes”, acredita o novo presidente da Embrapa. Para ele, é preciso ter em mente que se deve ir além da produção de alimentos ricos em energia e com maior densidade nutricional e pensar na sustentabilidade nos seus três pilares: social, econômico e ambiental. O dirigente cita a discussão em torno do novo Código Florestal brasileiro, que se arrastou por vários anos, como um exemplo da complexidade dos desafios a serem enfrentados. Conforme Maurício Lopes, com a aprovação da legislação em 2012, a base tecnológica para a gestão sustentável dos recursos naturais terá que ser ampliada. A justificativa é que não há espaço para a expansão “muito forte” da agricultura em

área. “Temos que pensar em processos que vão aumentar a nossa eficiência e nossa capacidade de produzir em quantidade com qualidade”, enfatiza.

PERFIL

Maurício Antônio Lopes nasceu em Bom Despacho (MG). Engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal de Viçosa (MG), tem mestrado em Genética pela Purdue University e doutorado em Genética Molecular pela Universidade do Arizona, ambas nos Estados Unidos. O pós-doutorado ele realizou pelo Departamento de Agricultura da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma, na Itália. É funcionário da Embrapa desde 1989, tendo atuado como pesquisador nas unidades Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG); e Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília (DF). Também foi chefe do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, na sede, igualmente na capital federal. Lopes foi o coordenador responsável pela implantação do Labex na Coreia do Sul. Em outubro de 2012 foi nomeado presidente da Embrapa.

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INTERVIEW

EM DIFUSÃO

Rede Agropensa will be the tool for Embrapa to produce, analyze and spread knowledge on agriculture and its supply chains

Intelligence is a priority Daniel Medeiros/Embrapa

ALGUMAS TENDÊNCIAS A preocupação em torno da dependência mundial em relação às energias fósseis está na agenda dos pesquisadores. O presidente da Embrapa entende que a agricultura terá importante papel, pois ainda é uma atividade muito carbonizada, contribuindo para a emissão na atmosfera dos gases de efeito estufa. “No nosso caso específico, esse será um grande desafio, pois teremos que buscar soluções criativas para trabalhar novos insumos, técnicas e metodologias, para que se tenha uma interferência menor na questão das mudanças climáticas”, enfatiza. Dentro desse cenário que se avizinha, a biomassa deverá ter cada vez mais destaque. “A partir dela, será possível destilar praticamente tudo que se tira hoje do petróleo”, profetiza o presidente. Em sua avaliação, essa é uma grande oportunidade para o Brasil, que poderá passar a prover biomateriais e dar base para o crescimento de uma indústria química verde potente, sustentada na agricultura. Maurício Lopes considera ainda como outro grande desafio o aumento da produtividade nas lavouras, diante da dificuldade de ampliação de área. “Teremos que buscar novos métodos, genes, conceitos e paradigmas para o processo de melhoramento genético das culturas e dos animais”, relata. O caminho, segundo ele, é olhar para a biodiversidade, assim como para as novas ferramentas da genômica e da biotecnologia, que devem ajudar a conter o decréscimo da eficiência dos métodos tradicionais de produção.

MAURÍCIO ANTÔNIO LOPES President of the Brazilian Agriculture Research Corporation (Embrapa) (Embrapa)

A Embrapa possui cerca de 9.700 funcionários, espalhados nas 47 unidades descentralizadas e na sede, em Brasília (DF). Com 40 anos de atuação na pesquisa agropecuária, a empresa tem investido forte em cooperação internacional. Há 12 anos foi criado o Laboratório Virtual da Embrapa no Exterior (Labex), nos Estados Unidos, em parceria com o Departamento Norte-Americano de Agricultura (USDA, na sigla em inglês). Pouco tempo depois, o mecanismo se expandiu para a Europa, com atividades de pesquisa realizadas na França, no Reino Unido e na Alemanha. A última etapa foi a instalação do Labex na Coreia do Sul, na China e no Japão. O atual presidente da Embrapa, Maurício Antônio Lopes, coordenou a implantação do laboratório na Coreia. Ele lembra que a empresa atua ainda por meio de cooperação técnica. “O que se busca é adaptar e transferir tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para a realidade tropical de diferentes países em desenvolvimento”, conclui.

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Strategic intelligence is the watchword in the Brazilian scientific establishment focused on agribusiness. This is because changes in the area take place very fast, keeping pace with the dynamism of the innovations that dictate the rules in the world. The Brazilian Agriculture Research Corporation (Embrapa) has dealt with the matter through the Rede Agropensa. The new president of Embrapa, Maurício Antônio Lopes, inaugurated in October 2012, has elected the tool, implemented prior to his term in office, as a priority at his work. The idea consists in setting up a network of researchers devoted to production, analysis and strategic knowledge spreading, with the focus on Brazilian agriculture and the supply chains related to it. “This concept leads to the identification of important critical questions, which call for close attention from the company”, he stresses, Rede Agropensa is one of the special projects suggested by the board for 2013. According to Lopes, its operation will consist in running the state company with an eye towards specific matters geared towards agriculture, like the Forest Code, Embrapa’s internationalization process, the modern-

ization of the technological transference process in Brazil, whilst repositioning the company in the cultivar-oriented market. With the world tipping towards a population of nine billion people by 2020, agriculture will play a relevant role. “Energy, water, food, the environment and poverty are extremely important questions”, argues the new president of Embrapa. He has it that it is necessary to go beyond the production of food rich in energy and with higher nutritional density and think about sustainability in its three pillars: social, economic and environmental. The official cites the debate about the new Brazilian Forest Code, which kept dragging on for years, as an example of the complexity of the challenges ahead of us. According to Maurício Lopes, with the approval of the legislation in 2012, the technological basis for managing the natural resources in a sustainable manner will have to be expanded. The argument is that there is not much room for “very strong” expansions of arable lands. “We have got to think about more efficient processes and about our capacity to produce more in quantity and quality”, he notes.

PROFILE

Maurício Antônio Lopes was born in Bom Despacho (MG). Agronomic engineer, graduated from the Federal University of Viçosa (MG), he has a Master’s Degree in Genetics from the Purdue University and a PhD in Molecular Genetics from the University of Arizona, both in the United States. He got his post-PhD through the Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), in Rome, Italy. He has been working with Embrapa since 1989 and has served as researcher in the Embrapa Corn and Sorghum unit, in Sete Lagoas (MG); and Genetic Resources and Biotechnology, in Brasília (DF). He also served as head of Embrapa’s Research and Development Department at the company’s headquarters, equally based in the capital city of the Federal District. Lopes coordinated the installation of the Labex in South Korea. In October 2012, he took office as president of Embrapa.

SOME TRENDS The concern about the global dependence on fossil fuels is on the researchers’ agenda. The president of Embrapa maintains that agriculture will play an important role, as it still is a very carbonizing activity, contributing towards the emission of greenhouse gases. “In our specific case, this will be a big challenge, once we will have to come up with creative solutions to deal with our inputs, cultural practices and methods, so as to exert less influence on the matter of climate changes”, he stresses. Within this scenario now coming closer, biomass will play an ever-increasing role. “Based on biomass, it will be possible to distill almost everything that is made from crude oil”, the president projects. In his view, this is an excellent opportunity for Brazil, a country that is in a position to supply biomaterials and serve as basis for a powerful green chemical industry, sustained by agriculture. Maurício Lopes also maintains that improved productivity is just one more challenge, in light of the difficulty in expanding the arable lands. “We will have to come up with new methods, genes, concepts and paradigms for the genetic crop and livestock enhancement process”, he comments. The route, according to him, is to take a look at biodiversity, as well as at the new genomic and biotechnology tools, which are supposed to curb the declining efficiency of the traditional production methods.

SPREADING TECHNOLOGY

Embrapa comprises some 9,700 employees, spread across 47 decentralized units and at its headquarters in Brasília (DF). Having been involved with agriculture-oriented research for 40 years, the company has made hefty investments in international cooperation. Embrapa’s Virtual Lab Abroad (Labex, in the Portuguese acronym) was created in the United States 12 years ago, jointly with the United States Department of Agriculture (USDA). Some years later, the mechanism was extended to Europe, with research works carried out in France, the United Kingdom and Germany. What followed was the installation of the Labex in South Korea, China and Japan. The current president of Embrapa, Maurício Antônio Lopes, coordinated the installation of the Lab in South Korea. He recalls that the company also operates through technical cooperation initiatives. “The target consists in adapting and transferring technologies developed by Embrapa to the tropical reality of different developing countries”, he concludes.

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Milho milho

Sílvio Ávila

Anos

Quebra de safra em diversos países garantiu o recorde de exportação 104


Brasil bate recorde na produção de milho e o mercado internacional ajuda a manter preços em alta, estusiasmando a cadeia apoiada nesse grão

dourados

P

Pelo terceiro ano consecutivo, a safra brasileira de milho registrará bons preços ao produtor. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no levantamento de janeiro de 2013, estima que, mesmo em área 5,7% menor, a produção nacional será 2,5% maior. A lavoura de milho de verão 2012/13 perdeu espaço para a soja, que apresenta maior liquidez, com exceção dos estados de São Paulo, Bahia e Distrito Federal, onde a área foi ampliada. Mas a produtividade crescerá no Sul, que enfrentou seca no verão passado e agora vem apresentando chuvas mais regulares. A Conab prevê que o cultivo de milho cairá de 7,6 milhões de hectares no ciclo 2011/12 para 7,1 milhões de hectares na temporada 2012/13. Assim, a primeira safra de milho alcançará 34,7 milhões de toneladas, crescendo 2,5% em produção e 8,8% em produtividade, que subirá de 4.481 kg/ha

para 4.875 kg/ha. Em relação à segunda safra há incertezas. No entanto, há expectativa de que a área plantada seja maior, apesar de a projeção da Conab repetir os números do ano anterior, e de que a produtividade venha a ser menor. A redução da área de milho no verão foi provocada pela concorrência com a soja, cujos preços são mais atrativos, e isso abre a possibilidade de crescimento da superfície semeada com milho no inverno, em

sucessão de culturas. Na safrinha passada, a produtividade cresceu 40%, favorecida pelo clima, o que não deve se repetir em 2013. Por isso, a Conab prevê a segunda safra 4,2% menor, com queda de rendimento de 5.133 quilos por hectare para 4.917kg/ha. A área é mantida em 7,6 milhões de hectares, com produção de 37,5 milhões de toneladas. Na soma das duas safras, a Conab sinaliza para redução de 1,1% na safra nacional, com 72,2 milhões de toneladas frente a 72,9 milhões de toneladas da temporada anterior. O rendimento por área crescerá 1,9%, passando de 4.808 quilos por hectare para 4.897 kg/ha. A área cairá 2,9%, com cultivo de 14,7 milhões de hectares, ante 15,2 milhões de hectares formados no período 2011/12.

Inor Ag. Assmann

CENÁRIO DO MERCADO Os pesquisadores da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo, Rubens Augusto de Miranda e João Carlos Garcia, analisaram a conjuntura dos mercados interno e externo e consideram que 2012 foi um ano atípico no ambiente mundial. A estiagem no Hemisfério Sul no início do ano recrudesceu no verão do Hemisfério Norte, resultando em grande seca nos Estados Unidos. Os maiores produtores, exceto a China, sofreram com o clima. O Brasil, com produção recorde, enfrentou a falta de chuva na região Sul. Com tantos países vivenciando restrições, caiu a oferta mundial e os preços subiram. Nos EUA, o preço do milho atingiu patamar inédito, acima de US$ 8,00 pelo bushel (US$ 314,95/t). Segundo os analistas da Embrapa Milho e Sorgo, passado o susto, estimativas indicam retomada da produção mundial no Hemisfério Sul. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), após a seca da safra 2011/12, diz que a produção argentina aumentará 31%, avançando para 27,5 milhões de toneladas no ciclo 2012/13. Mas a migração de produtores para a soja, o atraso do plantio por excesso de chuvas, com danos à produtividade; e o levantamento de janeiro da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, indicando queda de 12,1% na área, calculada em 3,4 milhões de hectares, recomendam cuidado. Apesar das incertezas sobre a safra 2012/13 no Hemisfério Sul, há tendência de a produção mundial se recuperar. As projeções do Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) para os próximos cinco anos sugerem aumento de 18,2% da produção mundial até o período 2017/18, quando estaria em 981 milhões de toneladas. Mas para o ciclo 2013/14 espera-se produção de 916 milhões de toneladas, 10,3% superior ao estimado para a etapa 2012/13. Um ponto importante nestas projeções é que, apesar do aumento considerável na produção, o crescimento do consumo mundial será superior à oferta, chegando a 988 milhões no período 2017/18, o que é indicativo de que os preços continuarão altos nos próximos anos. Porém, em 2013, a redução no consumo mundial estabilizará os preços, ao menos até que a colheita norte-americana de 2013 apresente números claros. Até lá, os preços internos também devem se manter altos.

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MAize

Brazil hits record maize production, and the international market helps prop up prices, bringing smiles to the supply chain

Inor Ag. Assmann

Golden years

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For the third year in a row, the Brazilian maize crop will register good farm gate prices. The National Supply Company (Conab), in its January 2013 survey, estimates that, in spite of the 5.7% smaller planted area, the national production volume will soar 2.5%.The 2012/13 summer maize fields have lost ground to soybean, characterized by higher liquidity, with the exception of the states of São Paulo, Bahia and Federal District, where the planted area was expanded. Nonetheless, productivity rates are estimated to soar in the South, which was hit by a severe drought last summer and is now taking advantage of regular rainfalls. Conab predicts a decrease in the area devoted to maize fields from 7.6 million hectares in the 2011/12 cycle to 7.1 million hectares in the 2012/13 crop year. Therefore, the first maize crop will amount to 34.7 million tons, up 2.5% in production and 8.8% in productivity, with the latter soaring from 4,481 kg/ha to 4,875 kg/ha. With regard to the second crop, there are uncertainties hovering in the air; there is, however, expectation for a bigger planted area, although Conab sources are mentioning a

repeat of last year’s figures; and productivity might fall slightly. The smaller area devoted to maize in the summer crop was caused by tight competition from soybeans, with more attractive prices, a fact that paves the way for bigger areas devoted to maize in the winter, in crop rotation schemes. In the past winter crop, productivity increased by 40%, favored by climate conditions, something that is not supposed to happen again in 2013. Therefore, Conab sources predict a 4.2-percent smaller second crop, with productivity re-

ceding from 5,133 kilos per hectare to 4,917kg/ ha. The planted area is kept at 7.6 million hectares, with a production of 37.5 million tons. The sum of the two crops points to a reduction of 1.1% of the national crop, which, according to official sources, reaches 72.2 million tons compared to the 72.9 million tons in the previous crop. Productivity per hectare will soar 1.9%, from 4,808 kg/ha to 4,897 kg/ha. The planted area will fall 2.9%, totaling 14.7 million hectares, against 15.2 million hectares in the 2011/12 cycle.

MILHO - corn Balanço de oferta e demanda - Em 1.000 toneladas Safra Estoque Produção Import. Suprimento Consumo Export. Estoque inicial final 2007/08 1.824,2 58.652,3 652,0 61.128,5 46.084,1 7.368,9 7.675,5 2008/09 7.675,5 51.003,8 1.181,6 59.860,9 45.414,1 7.333,9 7.112,9 2009/10 7.112,9 56.018,1 391,9 63.522,9 46.967,6 10.966,1 5.589,2 2010/11 5.589,2 57.406,9 764,4 63.760,5 48.485,5 9.311,9 5.963,1 2011/12 5.963,1 72.979,5 500,0 79.442,6 51.209,6 21.500,0 6.733,0 2012/13 6.733,0 72.192,5 400,0 79.325,5 51.641,0 15.000,0 12.684,5 Fonte: Conab, janeiro de 2013.

MARKET SCENARIO The researchers of the agricultural economy department at Embrapa Corn and Sorghum, Rubens Augusto de Miranda and João Carlos Garcia, analyzed the scenario of the internal and external markets and their conclusion is that 2012 was an atypical year in the global scenario. The drought conditions that hit the Southern Hemisphere at the beginning of the year got even worse in the summer of the Northern Hemisphere, resulting into a prolonged drought in the United States. All major producers, with the exception of China, suffered from the unfavorable climate conditions. Brazil, in a year of an all-time record production, was affected by dry spells in the South. With so many countries experiencing restrictions, global supplies dropped and prices soared. In the United States, maize prices reached an unprecedented high of US$ 8 per bushel (US$ 314.95/t). According to the Embrapa Corn and Sorghum analysts, after the fright, estimates point to a global production recovery in the Southern Hemisphere. The United States Department of Agriculture (USDA), following the 2011/12 drought, announces an increase of 31% in the maize crop in Argentina, with the volume progressing to 27,5 million tons in the 2012/13 cycle. The migration of farmers to soybean, planting delays because of excessive precipitation, adversely affecting productivity; and the January survey conducted by the Buenos Aires Cereals Exchange, indicating a drop of 12.% in planted area, estimated at

3.4 million hectares, suggest caution. Despite the uncertainties about the 2012/13 crop in the Southern Hemisphere, the trend is for a recovery of the global production volumes. The recommendations by the International Grains Council (IGC) for the next five years suggest an 18.2-percent global production increase by the 2017/18 cycle, when it is supposed to reach 916 million tons, up 10.3% from the amount estimated for the 2012/13 crop year. An important topic to be considered in these projections is the fact that, despite the huge increase in production, the growth in global consumption will outstrip supply, amounting to 988 million tons in the 2017/18 period, which indicates that prices will continue high over the next years. Nevertheless, in 2013, the reduction in global consumption will bring prices down to stable levels, at least until the 2013 North-American crop has been clearly defined. Until the time comes, domestic prices are likely to remain high.

Crop frustrations in several countries cause exports to soar to record high 107


Orgânicos orgânicos

Sílvio Ávila

Pegando

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Certificação de orgânicos, lançada em 2011, fortaleceu mercado interno


Setor manteve CENÁRIO otimista em 2012 e projeta novo crescimento, convencendo produtores e consumidores de seus potenciais

o embalo

D

Da mesma forma que os recursos naturais são otimizados no cultivo de produtos orgânicos, lideranças e produtores também procuram aproveitar todas as oportunidades para promover o setor. Apesar de alguns entraves, a estratégia tem rendido bons frutos. Segundo indicam os principais varejistas e as agroindústrias, as vendas crescem aproximadamente 20% por ano no Brasil. Apesar da inexistência de dados oficiais, o aumento na produção também ficou evidente no período, afirma Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Além disso, no ano hou-

Sílvio Ávila

ve incremento nas feiras de produtores em diversos municípios brasileiros, assim como crescimento de espaços destinados a esses produtos em grandes supermercados. No varejo, o incremento observado foi de 30% a 40% nas grandes redes, como Pão de Açúcar, aponta Ming Liu, coordenador executivo do Projeto Organics Brasil. Ele acredita, ainda, que a padronização das embalagens de orgânicos, com o selo certificado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) desde 2011, contribui para o aquecimento do mercado interno. Em termos de exportação, o cenário igualmente se mostrou favorável. Conforme Ming Liu, as 74 empresas associadas ao

projeto Organics Brasil alcançaram volume de US$ 129,5 milhões, enquanto a projeção era atingir US$ 100 milhões. O bom desempenho, contudo, foi devido ao favorecimento dos preços e ao aumento da demanda, acredita o coordenador. Já para a importação, Sylvia, da SNA, salienta que 2012 se mostrou mais complicado, devido à exigência de certificação dos produtos, conforme a regulamentação brasileira. “O fato exigiu investimentos no exterior para implementar essa compatibilidade. Assim, os alimentos orgânicos e os insumos importados só começaram a chegar ao mercado a partir do segundo semestre de 2012”, explica.

MUITO DESAFIADOR Enquanto a produção de orgânicos se concentra na pequena propriedade familiar, muitos dos obstáculos enfrentados também atingem os grandes produtores. Nesse caso, problemas de logística e de acesso a novos mercados são listados como os principais. Para Ming Liu, coordenador executivo do projeto Organics Brasil, a distribuição é o maior limitador do crescimento e da garantia de que o consumidor terá oportunidade de conhecer esses produtos. O acesso, no entanto, está mudando aos poucos, afirma Sylvia Wachsner, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA). Segundo ela, a abertura de pequenos varejistas, dispostos a investir na comercialização dos alimentos orgânicos, assim como as feiras municipais, têm revelado um quadro otimista. “Curitiba conta com espaço no Mercado Municipal com lojas e restaurantes de orgânicos. São Paulo possui novos espaços que comercializam estes alimentos, e chefs de cozinha estão fechando parcerias com produtores para utilizá-los nos cardápios”, exemplifica. Outra dificuldade evidente é a ausência de dados oficiais, o que prejudica o estabelecimento de planos estratégicos ou comerciais, sinaliza Ming Liu. Para ele, mapear o potencial de produção, alinhado com sua sazonalidade por produto, região, estado e município, é tarefa inadiável. “As informações do conjunto poderiam desenvolver uma estratégia logística. Isso faria a diferença no mercado”, acredita. 109


ORGANICS

Organic sector fared encouragingly well in 2012 and is bound to develop further, convincing farmers and consumers of its potentials

Driven by enthusiasm Organic farming seeks to maximize all natural resources, while leaderships and farmers try to take advantage of every opportunity to promote the sector. Despite some hurdles, the strategy has yielded good fruit. According to retailers and agroindustries, sales have been rising approximately 20% a year. Although no official data are available, the increase in production volumes became evident during the period, says Sylvia Wachsner, coordinator of the Organic Intelligence Center at the National Agricultural Society (SNA, in the Portuguese acronym). Furthermore, the year witnessed a growing number of street fairs in several Brazilian municipalities, as well as more shelf space for these products in the big supermarket chains. At retail, sales soared from 30% to 40% in all major supermarket chains, like Pão de Açúcar, says Ming Liu, executive coordinator of the Brazil Organics Project. He also maintains that the standardization of all organic packaging, with a label certified by the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA) since 2011, was also a factor that helped leveraging the domestic market. As far as exports are concerned, the scenario was equally promising. According to Ming Liu, the 74 companies associated with the Organics Brazil Project achieved a volume worth US$ 129.5 million, outstripping the US$ 100 million projection. Nonetheless, the coordinator credits the good performance to good prices and soaring demand.

Organic certification, launched in 2011, strengthened the domestic market 110

With regard to imports, Sylvia, SNA official, explains that 2012 proved to be more complicated, due to the requirement for product certification, in accordance with Brazilian regulations. “The fact required investments abroad to implement this compatibility. As a result, imported organic foods and inputs began to reach the market in the second half of 2012”, he explains.

VERY CHALLENGING While organic production is concentrated in small-scale family farms, many of the hurdles also hit the big commercial farmers. In this case, logistic problems and access to new markets constitute major bottlenecks. Ming Liu, executive coordinator of the Organics Brazil Project, understands that distribution is the real growth-limiting factor, almost preventing the consumers from having a chance to learn about the products. Nonetheless, the problem of access is gradually changing, concedes Sylvia Wachsner, of the National Agricultural Society (SNA). She has it that the inauguration of small retail shops, willing to invest in organic foods, as well as the municipal fairs, are pointing to an optimistic scenario. “The Municipal Market in Curitiba has set aside room for organic shops and restaurants. São Paulo harbors spaces that sell these products, and word-class chefs entering into partnerships with organic farmers for enriching their menus”, she exemplifies. Another clear difficulty is the absence of official data, a fact jeopardizes the establishment of strategic and commercial plans, Ming Liu warns. In his opinion, a map of the production potential, associated with the seasonal status of the product, its region, state and municipality, is a task that cannot be postponed. “Comprehensive information on the subject could result into the development of a logistic strategy. This would make a difference in the market”, he believes.


orgânicos/ORGANICS

Inor Ag. Assmann

A difusão das técnicas de produção orgânica entre um número cada vez maior de agricultores é uma das ações defendidas pelos especialistas

Sempre em frente

O

O cenário promissor para os orgânicos deverá se manter em 2013. Pelo menos é o que acreditam especialistas e lideranças da área. Para que novas e boas ações possam ser somadas, no entanto, será preciso trabalhar, investir e aprimorar. Para Sylvia Wachsner, da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), o segmento ainda deve desenvolver pesquisas para incrementar a produtividade e difundir, entre os produtores, técnicas existentes para

agricultura orgânica. Em seu entender, ainda falta agilizar, no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a aprovação de insumos que possam ser utilizados na produção orgânica, além da obtenção de sementes de qualidade, que sustentem o crescimento esperado. Ampliação dos canais de distribuição e venda; ações governamentais que contribuam para garantir a aquisição de parte da

produção, como já ocorre para a merenda escolar; e estímulo ao comércio local são pontos que podem contribuir para o desenvolvimento do setor, acredita Sylvia. O coordenador executivo do projeto Organics Brasil, Ming Liu, também avalia que é preciso agir mais. Conforme ele, o principal objetivo deve ser educar o consumidor. Ainda acredita que a demanda, tanto do mercado interno como do externo, continuará em ascendência.

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orgânicos/ORGANICS

Sílvio Ávila

Giving all farmers easy access to organic production techniques is what specialists have been advocating

Heading forward The promising scenario for organics is believed to hold true throughout 2013. At least this is what specialists and leaderships of the area think. However, if new initiatives are to be taken, there is need to work, invest and improve. Sylvia Wachsner, of the National Agricultural Society (NSA), maintains that Brazil should conduct research works on yield improvement, whilst spreading the present organic farming techniques among the farmers. In her view, what still needs to be sped up is the approval, by the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA), of the inputs that can be used in organic

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production, besides the acquisition of quality seeds, that sustain the expected growth. The expansion of the sales and distribution channels; government actions that contribute towards the acquisition of part of the production, just like what happens with school meals; and stimulus to local retailers are factors that could contribute towards developing the sector, Sylvia believes. The executive coordinator of the Organics Brazil project, Ming Liu, also understands that more action is needed. According to him, encouraging the consumer market translates into educating

the consumers. He firmly believes that demand at home and from abroad will continue rising.

BOM NEGÓCIO Exportação de orgânicos Ano 2008 2009 2010 2011 2012

Receita (US$) * 58 milhões 44,3 milhões 108,2 milhões 87 milhões 129,5 milhões

* Volume gerado em negócios de exportação pelo Projeto Organics Brasil.


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Ovinos ovinos

Sテュlvio テ」ila

A hora

Demanda por carne de cordeiro e genテゥtica valorizam produtos ovinos 114


Ovinocultura brasileira tem excelente oportunidade para ampliar a produção a fim de abastecer o mercado interno e ainda exportar

de crescer maiores rebanhos, e o mercado mundial está ávido por nossos cordeiros. Temos que seguir os exemplos da suinocultura”, destaca Schwab. “Trata-se de ótima alternativa às

pequenas e às médias propriedades. Em um ano, a ovelha faz o ciclo completo, gerando o cordeiro, a lã, o leite, as peles, movimentando o artesanato...”

Inor Ag. Assmann

A

A carne está valorizada nos mercados internacional e doméstico, mas a ovinocultura brasileira não consegue atender à demanda interna e sequer faz crescer o rebanho. Este há uma década permanece estacionado em 16,4 milhões de cabeças. Em 2012, o cenário não foi diferente, mas alguns aspectos sinalizam que o setor finalmente começa a se movimentar. Os bons preços da carne e da lã, por exemplo. Liderança do segmento, Paulo Afonso Schwab, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), diz que programas sanitários, de retenção de matrizes e de melhoramento genético foram adotados nos estados criadores para evitar queda do plantel nacional. O valor da carne impulsionou o abate de fêmeas; por isso, o crédito para reter matrizes é vital a fim de permitir o crescimento do rebanho. Em 2013, o Rio Grande do Sul pretende criar um programa de sanidade ovina que deverá servir de base a um plano nacional. O alvo é exportar matrizes e reprodutores para a América do Sul. “Sem um programa sanitário, estamos fora do mercado”, revela o presidente da Arco. Schwab enfatiza que o Brasil tem um dos cinco principais plantéis genéticos do mundo em raças ovinas do tipo carne, que será a base de crescimento do rebanho. Mas o processo será gradual. É preciso qualificar a assistência técnica e o manejo para elevar os índices de produtividade, ainda baixos. Nos anos 70, havia 1,1 ovelha para cada boi no País. Hoje, a proporção está em 13,1 bois por ovelha. “Se chegarmos a um ovino para quatro bovinos, já teremos um dos

PERFIL A retração do rebanho vem sendo verificada desde os anos de 1970, com a lã desvalorizada diante do maior consumo de fibras sintéticas. Atualmente, com a redução mundial da oferta de lã e de fibras, a commodity registra preços acima da média histórica. Mas o grande fator de atração é a carne de cordeiro. O consumo brasileiro cresce e não há produção para atendê-lo. Cerca 6,5 mil toneladas anuais são importadas do Uruguai, do Chile e da Argentina. Em 2011, o Brasil produziu cerca de 4,5 mil toneladas certificadas. No entanto, estima-se que a produção total fique próximo de 90 mil toneladas. A informalidade chega a 85%, constituindo um grande gargalo do mercado. Na avaliação de Paulo Afonso Schwab, da Arco, projeto-de-lei que tramita no Congresso Nacional, isentando a comercialização da carne ovina da alíquota de 9,25% referente à tributação do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), poderá ajudar nesse processo. “A menor carga tributária fará crescer os abates legais e o setor terá novo fôlego”, argumenta.

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SHEEP

Sheep farming in Brazil has great chances to expand its production and meet the needs of the domestic market, shipping surpluses abroad

Robispierre Giuliani

The right time to expand

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Sheep meat is highly valued in the domestic and international market, but Brazilian sheep farming operations are unable to meet internal demand, and the flock is not expanding. For a decade, it has remained stable at 16.4 million head. In 2012, the scenario was not different, but there are signs indicating that the sector will finally start moving ahead. These signs include better prices for both sheep meat and wool, for example. Leader of the segment, Paulo Afonso Schwab, president of the Brazil Sheep Breeders Association (Arco), refers to the adoption of sanitary programs, breeding stock retention and genetic enhancement in the sheep farming states, intended to prevent the national flock from decreasing even further. In 2013, Rio Grande do Sul intends to create a sheep sanitary program, which is supposed to be the basis for a national plan. The target is to ship breeding stocks to South America. “Without a sanitary program, we are out of the market”, says the president of Arco. Schwab insists that Brazil is home to one of the five major genetic flocks in the world of beef breeds, to serve as basis for

developing the flock. It will be a gradual process. There is need to qualify our technical assistance service and management practices to increase our productivity rates, which are still low. In the 1970s, the proportion was one sheep for one head of cattle in Brazil. Now it is 13 head of cattle for one sheep. “If we raise this proportion to one sheep for every four head of cattle, we will have one of the biggest flocks, and the global market is eager for our lambs. We should follow on the heels of pig farming”, Schwab insists. Sheep farming is an excellent alternative for small and medium-size farms. A sheep completes its cycle in a year, generating a lamb, wool, milk and fur, serving the needs of craftsmanship…”

REMUNERAÇÃO - remuneration Evolução do indicador de preços da FAO para a carne ovina Ano Indicador 2002-2004 * = 100 2005 = 113 2006 = 103 2007 = 105 2008 = 117 2009 = 109 2010 = 128 2011 = 169 Elaboração: Daniel de Araújo Souza/ Prime ASC - Fonte: FAO/ONU

PROFILE The downward trend in the flock started back in the 1970s, when wool began to lose its allure because synthetic fibers were working their way into the market. At present, with lower wool and fiber supplies around the world, the commodity is fetching above average historical prices. However, the real attraction is lamb meat. Consumption is soaring in Brazil and there is not enough production to meet demand. Some 6.5 thousand tons a year are imported from Uruguay, Argentina and Chile. In 2011, Brazil produced approximately 4.5 thousand tons of certified lamb meat. Nonetheless, total production is estimated at 90 thousand tons. Informal sales amount to about 85%, turning into a huge market bottleneck. Arco president Paulo Afonso Schwab understands that a bill now going through the channels of our national congress, exempting sheep meat sales from the 9.25 percent Social Integration Program (PIS) fee and from the Contribution for Financing Social Security (Cofins), could mean the success of the process. “A lower tax burden will increase the number of sheep slaughterings in licensed slaughterhouses and the sector will recover strength”, he argues.

Demand for lamb and genetics add value to ovine products 117


Silvicultura silvicultura

Inor Ag. Assmann

Em

Brasil teve a quarta maior produção de celulose do mundo em 2011 118


Com 2,2 milhões de hectares de florestas plantadas, o Brasil permanece como um dos maiores produtores mundiais de celulose e de papel

busca de luz

A

receita de US$ 6 bilhões, com recuo de cerca de 9% em comparação com os mesmos meses de 2011. “Este comportamento do mercado de celulose e de papel é conjuntural, claramente um reflexo da crise internacional que afeta principalmente as economias desenvolvidas, onde é maior o consumo per capita desses dois produtos”, explica Carvalhaes. Os principais embarques de celulose foram para a Europa (US$ 1,9 bilhão) e China (US$ 1,1 bilhão). Já no outro segmento, boa parte da receita recebida com as vendas externas de papel veio da América Latina (US$ 1,0 bilhão). Segundo a representante da Bracelpa, as perspectivas de longo prazo continuam positivas para o setor. “O crescimento da demanda por celulose vai estar atrelado ao aumento da população mundial, que dará mais ênfase à higiene e ao conforto das pessoas e à promoção da educação e da cultura das socieda-

des em desenvolvimento”, analisa. Em relação aos investimentos, nos próximos 10 anos, a indústria brasileira do setor deverá destinar cerca de US$ 20 bilhões, visando ao aumento da base florestal. Conforme Carvalhaes, o objetivo é passar dos atuais 2,2 milhões de hectares plantados para 3,2 milhões de hectares. O valor orçado também prevê a construção de novas unidades e a modernização de fábricas. O incremento previsto para a produção deverá elevar o volume anual de celulose em 57% até 2020. Isso significará sair das 14 milhões de toneladas de celulose para 22 milhões de toneladas. Da mesma forma, a produção de papel crescerá 34%, de 9,5 milhões de toneladas para 12,7 milhões de toneladas. “Essa previsão foi feita em final de 2010 e o setor vem trabalhando sobre essa base”, esclarece.

Inor Ag. Assmann

A celulose e o papel produzidos no Brasil são totalmente originários de florestas plantadas. Os plantios para este fim ocupam cerca de 2,2 milhões de hectares, que representam 0,3% do território brasileiro, de acordo com a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). As maiores áreas plantadas estão situadas nos estados da Bahia (478 mil hectares), São Paulo (409 mil hectares), Mato Grosso do Sul (309 mil hectares), Paraná (265 mil hectares) e Rio Grande do Sul (209 mil hectares). Também se destacam as plantações nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina. O mundo produziu 183,827 milhões de toneladas de celulose e 398,877 milhões de toneladas de papel em 2011, último ano com os dados plenamente consolidados. O Brasil respondeu pelo quarto maior volume mundial de celulose (13,922 milhões de toneladas) e pela nona maior quantia de papel (10,159 milhões de toneladas) naquele ciclo. Os maiores produtores mundiais são Estados Unidos (49,740 milhões de toneladas de celulose) e China (99,300 milhões de toneladas de papel). O esperado em 2012 para o setor brasileiro de celulose e papel era obter resultado semelhante ao do ano anterior. “O que é um bom sinal”, avalia Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Bracelpa. Os volumes de celulose e papel obtidos de janeiro a novembro permaneciam estáveis, frente ao mesmo período de 2011. No acumulado, a produção de celulose totalizou 12,7 milhões de toneladas, enquanto a de papel somou 9,3 milhões de toneladas. As exportações dos dois produtos, de janeiro a novembro de 2012, resultaram em

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SILVICULTURE

With 2.2 million hectares of planted forests, Brazil is a major global cellulose and paper producer

Sテュlvio テ」ila

In search of light

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All cellulose and paper produced in Brazil come entirely from planted forests. Plantings for this purpose occupy an area of 2.2 million hectares, which represent 3% of the national territory, according to the Brazilian Association of Cellulose and Paper (Bracelpa). The largest planted areas are located in the states of Bahia (478 thousand hectares), São Paulo (409 thousand hectares), Mato Grosso do Sul (309 thousand hectares), Paraná (265 thousand hectares) and Rio Grande do Sul (209 thousand hectares). Other relevant planted forests are in the states of Minas Gerais, Espírito Santo and Santa Catarina. The world produced 183.827 million tons

of cellulose and 398.877 million tons of paper in 2011, latest fully consolidated data available. Brazil accounted for the fourth biggest volume of cellulose (13.922 million tons) and for the ninth biggest quantity of paper (10.159 million tons) in that crop year. The largest global producers are the United States (49.740 million tons of cellulose) and China (99.300 million tons of paper). In 2012, the Brazilian sector of paper and cellulose was expecting similar results to the ones obtained in the previous year. “It is a good sign”, comments Elizabeth de Carvalhaes, president and chief-executive of Bracelpa. The paper and cellulose volumes obtained January through November remained stable, compared to the same period in 2011. In all, the production of cellulose amounted to 12.7 million tons, whilst the production of paper reached 9.3 million tons. The exports of both products, January through November 2012, generated revenue of US$ 6 billion, down 9% from the same months in 2011. “This behavior of the cellulose and paper market has a lot to do with the global economy, clearly reflecting the international crises that affect most developed economies, where the biggest per capita consumption of these products takes place”, explains Carvalhaes. Europe was the destination of all major cellulose shipments (US$ 1.9 billion in revenue) and China (US$ 1.1 billion). Regarding the other segment, a great portion of the revenue came from shipments of paper to Latin American countries (US$ 1billion).

According to the Bracelpa representative, long term perspectives look promising for the sector. “The soaring demand for cellulose is chained to the rising global population, because more attention will be devoted to personal needs related to comfort, and to the promotion of education and culture in developing societies”, she analyzes. With regard to investments, over the next 10 years, the Brazilian industry of the sector shall destine approximately US$ 20 billion to planted forest projects. Carvalhaes understands that the objective is to progress from the present 2.2 million hectares to 3.2 million hectares. The budgeted amount also includes the construction of new cellulose plants and the modernization of the existing ones. The projected growth in production shall increase the annual volume of cellulose 57%, by 2020. This will imply in jumping from the present 14 million tons of cellulose to 22 million tons. Likewise, the production of paper is expected to increase by 34%, from 9.5 million tons to 12.7 million tons. “This estimate was issued in 2010 and the sector has been operating in line with it”, she clarifies.

Brazil ranked as fourth largest cellulose producer in 2011

COMPOSIÇÃO FLORESTAL - forest composition Plantios no Brasil em 2011 Espécies Principais estados Área (ha) % Eucalipto MG, SP, BA, ES, MS, 4.873.952 69,57 Pinus RS, PR, SC, PA e MA 1.641.892 23,43 Acácia PR, SC, RS, SP e MG 146.813 2,09 Seringueira RS e RR 165.648 2,36 Paricá AM 85.473 1,22 Teca PA e MA 67.693 0,96 Araucaria MT, AM e AC 11.179 0,15 Populus spp. PR e SC 4.220 0,06 Outras PR e SC 8.256 0,04 Total 7.005.126 100 Fonte: Abraf (2012).

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silvicultura/silviculture

Restrição à aquisição de terras por empresas brasileiras de capital estrangeiro provoca corte de investimentos do setor de florestas plantadas

Faltou oxigênio

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Ao todo, o Brasil destinava em 2011 mais de 7 milhões de hectares para as plantações florestais, que representavam menos de 1% do território nacional. As espécies mais cultivadas são eucalipto, pinus, acácia, seringueira, teca e araucária. Os principais usos da matéria-prima são celulose e papel, painéis de madeira, produtos de madeira sólida e carvão vegetal. No entanto, a restrição à aquisição de terras por empresas brasileiras de capital estrangeiro tem travado o avanço da silvicultura nacional. A limitação foi colocada pelo Parecer nº 1/2008 da Advocacia Geral da União (AGU), publicado no Diário Oficial da União em 23 de agosto de 2010. Tanto que a previsão era finalizar 2012 com desempenho semelhante ao do ano anterior. “Os investimentos suspensos, paralisados ou não realizados alcançaram o valor de US$ 20 bilhões, ou o equivalente a R$ 53 bilhões, entre projetos de novas áreas florestais e indústrias integradas”, destaca Cesar Augusto dos Reis, diretor executivo da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas (Abraf ). Conforme Reis, a única boa notícia de 2012 foi a inauguração da nova fábrica de celulose e papel da Eldorado Brasil, no município de Três Lagos, no Mato Grosso do Sul (MS). A nova unidade integra o projeto do Polo de Florestas Plantadas em implementação pelo Estado. Além disso, acrescenta que devem ter desdobramentos positivos nos anos seguintes as novas fronteiras de crescimento das florestas plantadas nos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí. Para 2013, segundo o diretor da Abraf, os meios empresariais esperam que o governo federal envie ao Congresso Nacional uma Medida Provisória que flexibilize as restrições à aquisição de terras pelas empresas brasileiras de capital internacional, mediante a atualização da Lei nº 5709, de 1971, revigorada pelo Parecer da AGU. Assim, será restabelecida a segurança jurídica para investimentos em florestas plantadas no País. “Caso isso ocorra, o papel do Congresso será estratégico e decisivo na apreciação, na discussão e no aperfeiçoamento da possível MP e da redação da legislação que permita a realização dos investimentos hoje parados”, avalia Reis. Ele ainda destaca que grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, já estimulam os investimentos em construção civil (estádios, hotéis, aeroportos, vias de acesso), que alavancam o consumo de aço (parte dele obtido a partir de carvão vegetal legal produzido a partir da madeira de eucalipto) e de painéis de madeira (móveis, pisos, painéis em geral). Esse esforço injeta recursos na economia, gerando empregos e recolhimento de tributos em todas as cadeias da indústria de base florestal plantada.

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Restrictions to land acquisition by Brazilian companies with foreign capital reduces investments in the sector of planted forests

Sílvio Ávila

Running out of oxygen In all, in 2011 Brazil devoted upwards of 7 million hectares to forest plantations, representing less than 1% of the entire national territory. The most cultivated species are eucalyptus, pine, acacia, rubber tree, theca and araucaria. The main uses of the raw material include cellulose, paper, wood panels, solid wood products and charcoal. Nevertheless, the restriction to the acquisition of land by Brazilian companies with foreign capital has kept at bay any attempts to improve our national silviculture operations. The limitation was set forth by Technical Opinion nº 1/2008 by the General Attorney of the Union (AGU), published in the Government Gazette on 23rd August 2010. The year 2012 was supposed to come to a close with the same performance of the previous year. “Suspended and paralyzed investments, along with investments that never materialized, amounted to US$ 20 billion, equivalent to R$ 53 billion, including new forest area projects and integrated industries”, says Cesar Augusto dos Reis, executive director of the Brazilian Association of Forest Producers (Abraf ). Reis maintains that the only good piece of news in 2012 was the inauguration of the new cellulose and paper plant by Eldorado Brasil, in the municipality of Três Lagos, state of Mato Grosso do Sul (MS). The new unit is an integral part of the Planted Forests Hub now being implemented by the State. Furthermore, he adds that positive unfoldings expected for the coming years include the new planted forests frontiers in the states of Maranhão, Tocantins and Piauí. For 2013, according to the director of Abraf, the industrial sectors hope the federal government will send an Interim Measure to congress cushioning the restrictions to the acquisition of land by Brazilian companies with foreign capital, by updating Law nº 5709, of 1971, reinforced through AGU’s technical opinion. This will restate judicial security for investments in planted forests in the Country. “Should this be the case, the role of Congress will be strategic and decisive in the appreciation, debate and improvement of the Interim Measure, setting forth legislation that sets into motion the now paralyzed investments”, Reis notes. He also highlights such big events as the World Cup in 2014 and the 2016 Olympic Games, which have already prompted investments in civil construction (stadiums, hotels, airports, access routes), greatly leveraging the consumption of steel (part of it obtained by burning charcoal made from eucalyptus trees) and wood panels ( furniture, floors, panels in general). All these efforts have been injecting resources into the economy, generating jobs and taxes in all the supply chains that count on planted forests.

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Ponto de vista Divulgação

ponto de vista ana amélia lemos

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ANA Amélia lemos Senadora

O Brasil evoluiu nas questões do agronegócio em 2012, mas há muito a fazer ainda para modernizar a produção e sintonizar com o mercado

Um longo caminho pela frente

A

A senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS) é uma das vozes marcantes no Senado da República em defesa da agricultura e da pecuária. Como jornalista, teve sua vida profissional consolidada na sucursal da RBS TV em Brasília (DF), na qual se destacava também como porta-voz dos agricultores. Para ela, as questões políticas ligadas à agropecuária brasileira avançaram dentro do possível em 2012. Mas o futuro é promissor. Em sua avaliação, 2012 foi marcado pela ampla e complexa negociação política do Código Florestal Brasileiro, matéria que impacta todos os envolvidos na atividade agrossilvopastoril. “O resultado foi o possível. Não o que desejavam ambientalistas ou produtores rurais, mas a conciliação de conflitos e interesses divergentes dentro da realidade brasileira, considerando o País como protagonista mundial na produção de alimentos”, analisa. “O marco do Código é a produção de alimentos com sustentabilidade.” No Mercosul, o Brasil é o primeiro a ter legislação completa nesta área. “Mas não podemos só considerar a responsabilidade do produtor rural na preservação do meio ambiente. É preciso exigir também do setor urbano o mesmo compromisso. Não há palavra no Código sobre a área urbana. E nas cidades há verdadeiros desastres ecológicos”, reforça Ana

Amélia Lemos. Entende que é preciso uma legislação que responsabilize o Executivo no compromisso ambiental, como é exigido dos produtores rurais. Entre as iniciativas de sua autoria ligadas à agropecuária há o Projeto de Lei (PL) 330/2011, que regulamenta os contratos de integração entre produtores e indústrias e contempla o setor agropecuário, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A iniciativa, construída com os setores interessados, cria um marco regulatório que regra a cadeia produtiva da integração agropecuária. É autora do PL 40/11, que autoriza o acesso de bancos cooperativos aos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para conceder crédito rural. O Senado já aprovou. Entre as relatorias, destaca-se o trabalho da senadora Ana Amélia Lemos no Projeto de Lei 85/2011, que tem o objetivo de acabar com a exploração dos frigoríficos sobre os produtores de carne bovina e suína, obrigando a comunicação diária, ao Ministério da Agricultura, dos preços pagos pelos animais adquiridos para abate. A matéria foi aprovada no Senado e retornou à Câmara dos Deputados. A senadora ainda relatou o PL 680/2011 para que a produção das mulheres da agricultura familiar tenha prioridade nas

compras do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); e o PL 45/2012, que incentiva atividades de turismo rural nas pequenas propriedades e permite que as hospedagens de turismo rural sejam administradas tanto por pessoas físicas quanto jurídicas, já aprovados na Comissão de Agricultura do Senado.

PERFIL

Natural de Lagoa Vermelha (RS), Ana Amélia Lemos fez história como jornalista de Economia do Rio Grande do Sul. Começou a carreira em 1969 na Rádio Guaíba, de Porto Alegre (RS), mas ganhou expressão no Grupo RBS e como colunista no jornal Zero Hora, a partir de 1977. Em 33 anos de atuação, consolidou a carreira alcançando o posto de diretora do Grupo RBS em Brasília (DF), com coluna diária na Zero Hora e participação ao vivo da programação dos telejornais do grupo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, além da Rádio Gaúcha. Em março de 2010, deixou o jornalismo para concorrer, pela primeira vez, a um cargo eletivo. Em 3 de outubro, foi eleita senadora pelo PP/RS com 3,4 milhões de votos. Assumiu o mandato em Brasília no dia 1º de fevereiro de 2011 e desenvolve trabalho bastante voltado às questões do agronegócio brasileiro, que já mereceu destaque da imprensa e de diversas entidades setoriais.

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ENTRE O BÔNUS E O ÔNUS Uma das preocupações de Ana Amélia Lemos é o preconceito político com o setor rural. “Na área urbana, as pressões são mais eficientes, sejam dos trabalhadores ou das indústrias. As fábricas de automóveis, que enchem as cidades de carros, recebem benefícios com frequência, mas as de máquinas agrícolas, para citar a mesma área, não têm o mesmo tratamento”, enfatiza. “O poder político da agropecuária não é igual ao dos automóveis, nem a lucratividade. O Código Florestal e a isenção de impostos são exemplos.” A senadora crê que a representação rural deve manter-se em renovação com identificação entre produtores e lideranças, fortalecendo as entidades que lhes representam para que tenham voz, assim como o setor industrial ou urbano. “A única forma de ter protagonismo político é fortalecer as instituições para que defendam suas propostas no poder central”, cita. De acordo com Ana Amélia Lemos, 2013 reserva novas polêmicas no âmbito político, como a harmonização das questões que envolvem reservas indígenas e quilombolas e, sobretudo, a logística. A senadora entende que há agências reguladoras cujo mal funcionamento impacta a produção rural. Observa que é preciso discutir e encontrar soluções para o custo da produção, do frete, da falta de portos, ferrovias, rodovias de boa qualidade, e a falta de investimento nas hidrovias, que seria uma forma de desafogar o tráfego. “Ao invés de instalar um trem-bala entre o Rio de Janeiro e São Paulo, o governo devia investir em ferrovias para escoar a safra, que é de onde sai o superávit da balança comercial brasileira, e deve ser estimulado”, expressa. Na opinião de Ana Amélia Lemos, o agronegócio brasileiro, seja nas micro ou nas grandes propriedades, costuma ir bem da porteira para dentro, busca tecnologias e alcança altos índices de produtividade e competitividade. Mas, politicamente, o País ainda não oferece a logística necessária para ter um diferencial competitivo, nem cria os meios para garantir renda aos produtores, no compartilhamento do ônus, que é a dificuldade, e do bônus, que é a lucratividade. “O Brasil é uma das últimas fronteiras agrícolas do mundo e quer produzir, mas é preciso baratear o custo Brasil, reduzir impostos para quem produz e investir em infraestrutura”, considera. Conforme a senadora, é crucial a criação de um Fundo Nacional de Catástrofe para os momentos de granizo, temporal ou chuva fora de época, ou estiagem, e um seguro de renda. “Hoje, o seguro que existe é de crédito, bom apenas para o banco, mas ruim para o produtor, que quando vê dizimada sua lavoura não tem a quem recorrer”, descreve. “O governo tem que dar este suporte. E estes serão grandes temas discutidos no Senado a partir de 2013”, finaliza. 126

Divulgação

INTERVIEW

ANA Amélia lemos Senadora

Brazil made some progress in agribusiness matters in 2012, but there is still a lot to do to modernize the production methods and stay in tune with the market

A long way to go


Senator Ana Amélia Lemos (PP/RS) is one of the remarkable voices in the Senate of the Republic that advocates on behalf of every facet of agriculture and livestock operations. As a journalist, she spent a long period of her professional life at the RBS TV branch in Brasília (DF), where she was an active spokesperson for the farmers. She understands that the political questions linked to Brazilian agriculture only achieved reasonable progress in 2012. But it is a promising future. In her evaluation, 2012 was marked by the ample and complex political negotiation of the Brazilian Forest Code, a matter that impacts on all activities related to agriculture and livestock farming. “Achievable results were obtained. Not what environmentalists and rural producers had expected, but the conciliation of conflicts and interests within the Brazilian reality, considering the Country as the global protagonist in the production of food”, she analyzes. “The mark of the Code is the production of food in sustainable manner”. Brazil is the first Mercosur country to enact comprehensive legislation in this area. “We should not only consider the responsibility of the farmers when it comes to preserving the environment. City dwellers must assume the same commitment with regard to this issue. There is no word in the Code referring to urban areas. And there are cities witnessing real eco-

logical catastrophes”, Ana Amélia Lemos comments. She understands that there is need for legislation that makes the government assume an environmental commitment, just like what the farmers are requested to do. One of her initiatives linked to agriculture and livestock operations is Bill 330/2011, which controls all integration contracts between producers and industries, and covers the agriculture and livestock sectors, now going through the Justice and Constitution Committee (JCC). The initiative, carried out jointly with the interested parties, creates a regulatory mark which controls the agriculture and livestock integration supply chain. She also proposed Bill 40/11, which grants cooperative banks access to resources provided by the Workers’ Assistance Fund (FAT, in the Portuguese acronym) for rural credit purposes. The Senate has already passed the bill. Among the proposals, Bill 85/2011, presented by Ana Amélia Lemos, stands out over the others. The aim is to make the meat packing companies stop exploiting the bovine meat and pig producers, making it mandatory for these companies to keep the Ministry of Agriculture informed about the prices paid for animals to be slaughtered, on a daily basis. The proposal was passed by the senate and is now awaiting approval by the House of Representatives. The senator also presented Bill 680/2011, whereby agricultural products coming from

FROM BONUS TO BURDEN One of Ana Amélia Lemos’s major

concerns is political prejudice against the rural sector. “In urban environments, pressure is more effective, either coming from the workers or industries. Vehicle assembly plants, which fill the city streets with cars, are frequently granted benefits, whilst agricultural machinery, which fit into the same category, are not given the same treatment”, she emphasizes. “Agriculture does not have the same political power enjoyed by the automobile sector, nor does it have the same profits. The Forest Code and tax exemptions are examples”. The senator believes that the rural representation should stick to the renewal process with identification between farmers and leaderships, strengthening the entities that represent them, whilst empowering their voices, just like the urban and industrial sectors. “The only manner to enjoy political protagonism consists in strengthening the institutions, making them advocates of their proposals to the central government”, she comments. According to Ana Amélia Lemos, 2013 has dissents in store in the political establishment, like the harmonization of questions related to indigenous settlements and quilombolas and, above all, logistics. The senator understands that, because of malfunction, there are regulatory agencies that have a negative impact on rural production. She observes that debate is needed and solutions must be found for such issues as production cost, freight, the lack of ports, railways, good quality roadways, and the lack of investments in waterways, which would

PROFILE

Born in Lagoa Vermelha (RS), Ana Amélia Lemos made history as an Economy Reporter of Rio Grande do Sul. She started her career at Rádio Guaíba, in Porto Alegre, in 1969, but she climbed the ladder of success at Grupo RBS and as a column writer for Zero Hora, starting in 1977. In 33 years of active work, she consolidated her career as executive director of Grupo RBS in Brasília (DF), with a daily column in Zero Hora and a live participation in television news programs of the group in Rio Grande do Sul and in Santa Catarina, and Rádio Gaúcha. In March 2010, she quit her journalistic career to run for a legislative position for the first time. On October 3, she was elected senator, through a coalition of the PP/RS parties, with 3.4 million votes. She took office in Brasília on 1st February 2011 and her work is focused on Brazilian agribusiness matters, which have earned her praises from the press and from several entities of the sector.

women involved in family farming activities should be given priority by the National School Meals Program (PNAE); and Bill 45/2012, which encourages rural tourism in small-scale farms and allows rural inns to be conducted by either natural persons or legal entities. Both bills have already got the approval by the Agriculture Committee of the Senate.

be a manner to solve the problem of busy roadways. “Instead of setting up a bullet train between Rio de Janeiro and São Paulo, the government should invest in common railways for transporting the crops, since they are responsible for the positive Brazilian trade balance, and this is what should be encouraged”, she argues. In the opinion of Ana Amélia Lemos, Brazilian agribusiness, whether on small-scale or huge commercial farms, performs extremely well inside the farm gate, always in search of new technologies, and achieves high rates of productivity and competitiveness. Nonetheless, in political terms, the Country is still deficient in logistics that could make a difference in competitiveness, nor does the government create the means for the farmers to derive good profits, failing to share the burden, which is difficulty, and the bonus, which translates into profitability. “Brazil is one of the last agricultural frontiers in the world, eager to produce, but this requires a lower Brazil Cost, smaller taxes for those who produce and hefty investments in infrastructure”, she considers. According to the senator, it is utterly necessary to create a National Catastrophe Fund for the moments when hailstorms and windstorms strike, and equally for flood or drought conditions, capped by a profit insurance program. “The only insurance now available is related to credit problems, good only for the banks, and bad for the farmers. When their crops are decimated, they have no one to go to”, she describes. “The government must extend this support to the farmers. These issues will be on the agenda of the senate as of 2013”, she concludes.

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Soja soja

Inor Ag. Assmann

De

Quadro favorável à cultura estimula aumento de área superior a 9% no ano 128


Oleaginosa se recupera da estiagem na safra anterior e desponta com a possibilidade de ultrapassar a 82 milhões de toneladas no novo ciclo

tirar o chapéu

P

Principal grão produzido no País, a soja vive fase extremamente positiva, em que preços atrativos remuneraram bem o setor na última safra e incentivaram incremento da nova área de cultivo, enquanto o clima favorável até a virada do ano tem projetado uma safra recorde no período 2012/13. De acordo com levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no início de janeiro, em relação a dezembro, onde 47,4% das lavouras estavam em desenvolvimento vegetativo, a estimativa era de que seria alcançada produção histórica de 82,68 milhões de toneladas. Se confirmado este volume, o crescimento seria de 24,5% sobre a temporada anterior, em que a produção sofreu seriamente com a estiagem, especialmente no Sul, onde se registraram grandes perdas. O mesmo ocorreu em outros países de destaque na cultura, como Estados Unidos e Argentina, determinando a elevação dos preços aos níveis mais altos praticados historicamente. Conforme o Anuário Brasileiro da Soja 2012, dados relativos ao primeiro semestre do ano revelam que o grão proporcionou ganhos médios de 44,6%. Cálculos de lucratividade até agosto mostravam índices de 18%, no Planalto rio-grandense atingido pela seca; até 54%, na região goiana de Rio Verde. Esta realidade estimulou o crescimento da área plantada para a nova safra. A projeção da Conab é de que o avanço atingiu 9,2% (2,3 milhões de hectares), chegando a 27,35 milhões de hectares, o maior espa-

ço já cultivado com a oleaginosa no País. O incremento na área foi observado em todas as unidades da Federação, de modo especial no maior Estado produtor, o Mato Grosso, onde está previsto acréscimo de

698 mil hectares. Outro Estado de realce na cultura, o Rio Grande do Sul aumentou o plantio em 421 mil hectares, enquanto o Paraná ampliou a área em 252 mil hectares e Goiás plantou mais 243 mil hectares.

TUDO AJUDA Ao contrário do que aconteceu no cultivo anterior, o clima na nova safra apresentava-se adequado na maioria dos estados brasileiros no momento do levantamento da Conab, no final de 2012, feito com pesquisa de campo nas regiões com estágios avançados nas lavouras. Estimou-se assim uma melhoria geral de 14% na produtividade em relação à safra 2011/12, com o que se voltaria a ultrapassar a marca de 3 mil quilos por hectare, tornando possível a produção recorde projetada. Com esta expectativa, também extensiva a outros países sul-americanos, como a Argentina, na avaliação da Conab em janeiro de 2013, o mercado esperava pequena queda nos preços internacionais. Mas eram ainda assim bem superiores (18%, na segunda semana) aos valores praticados no mesmo mês do ano anterior. De qualquer forma, segundo o analista Leonardo Amazonas, com o início da colheita brasileira e argentina, a tendência é de que os preços no mercado internacional fiquem em patamares mais modestos do que os praticados na última safra. No final desta temporada, especialmente devido à quebra ocorrida e à grande demanda, o estoque do grão registrado foi o menor dos últimos anos. Pelos números da Conab, ficou em apenas 444 mil toneladas. Já para a safra 2012/13, a expectativa do organismo estatal era de que este volume chegasse a 4,82 milhões de toneladas. Ainda conforme suas perspectivas, a exportação da soja em grão passaria de 32,46 milhões de toneladas para 36,41 milhões de toneladas, enquanto a Associação Brasileira da Indústria de Óleo Vegetal (Abiove) projeta vendas externas de 38,50 milhões de toneladas em grão, ante 31,90 milhões de toneladas no ano anterior. Paralelamente, a produção e a demanda de farelo e de óleo de soja aumentam no País. Conforme a Abiove previa em dezembro de 2012, o total produzido no ano do ingrediente para rações chegaria a 27 milhões de toneladas, das quais 13,6 milhões de toneladas seriam destinadas ao mercado interno e quase o mesmo volume ao exterior. Em 2013, este absorveria 15 milhões de toneladas do total de 29,3 milhões de toneladas projetadas. Quanto ao outro produto, a quantidade processada passaria de 6,8 milhões de toneladas para 7,4 milhões de toneladas no novo ano, ficando a maior parte (próximo de 80%) para o consumo doméstico, onde ganhou importância a sua utilização para o biodiesel.

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Inor Ag. Assmann

soybean

Oilseed is making a good recovery from the prolonged drought and is likely to amount to 82 million tons in the new cycle Main kernel produced in the Country, soy is going through an extremely positive period, with attractive prices bringing substantial profits to the sector in the past crop, encouraging the farmers to devote bigger areas to the cereal, while favorable climate conditions up to the turn of the year have been projecting a record crop in the 2012/13 cycle. According to a survey released by the National Supply Company (Conab), in early January, focused on December, when 47.4% of the fields were still in their vegetative development stage, the estimate was for an all-time record crop of 82.68 million tons. If this volume confirms, it will represent an increase of 24.5% over the previous period, when the crop was seriously affected by drought conditions, especially in the South, where huge losses occurred. The same happened in other relevant soybean growing countries, like the United States and Argentina, pressing prices up to record highs. According to the 2012 Brazilian Soybean Yearbook, data relative to the first half of the year reveal that the farmers derived average gains of 44.6% from the cereal. Profit related calculations up to August showed indices of 18%, in the Plateau region of Rio Grande do Sul hit by the drought; up to 54% in the Rio Verde region in the state of Goiรกs. This reality stimulated the growth in planted areas for the new crop. Conab sources have projected the increase at 9.2% (2.3 million hectares), totaling 27.35 million hectares, the biggest area ever devoted to soybean in the Country. Bigger planted areas occurred in every Brazilian state where soybean is grown, but particularly in Mato Grosso, the leading producer in Brazil, where the projection is for an additional 698 thousand hectares. Rio Grande do Sul, which is also a relevant producer, increased its planted area by 421 thousand hectares; the state of Paranรก added 252 thousand hectares to its usual planted areas; in Goiรกs, it was 243 thousand hectares.

Hats ofF to the crop

Favorable conditions lead to a more than 9-percent area increase 130


SOJA EM GRÃO - soy in grain (Mil t) Ano Produção Exportação 2012 66.383 31.900 2013 82.678 38.500 Fontes: Conab – Janeiro de 2013 / Abiove – Dezembro de 2012 (Projeções).

ENTIRELY FAVORABLE Contrary to what happened in the previous crop, the climate in the new cycle was favorable in most Brazilian states at the time the survey was conducted by Conab, in late 2012, based on field observations in areas where the crop was at an advanced growing stage. The projection was for an increase of 14% in productivity compared to the 2011/12 cycle, which was supposed to outstrip the 3 thousand kilo yield per hectare, making the projected all-time record crop a reality. Relying on such expectations, which also hold true for other South-American countries, like Argentina, according to an assessment by Conab in January 2013, the market was bracing for a minor decrease in international prices. But they were still much higher (18%, in the second week) compared to the prices practiced in the same month the year before. Anyway, according to analyst Leonardo Amazonas, with the beginning of the harvest in Brazil and Argentina, the trend is for the international prices to remain below the ones practiced in the past season. At the end of this season, especially due to the smaller-than-ex-

pected volume and consistent demand, soybean carryover stocks were the smallest in the past years. Judging from Conab figures, they remained at only 444 thousand tons. With regard to the 2012/13 crop year, the state corporation had expected this volume to amount to 4.82 million tons. Still in line with its perspectives, soybean exports would soar from 32.46 million tons to 36.41 million tons, while the Brazilian Vegetable Oil Industry (Abiove) projects foreign sales of 38.50 million tons, compared to the 31.90 million tons in the previous year. Likewise, production and demand for soybean meal and oil is soaring throughout the Country. According to Abiove projections in December 2012, the total production of this animal feed ingredient was to reach 27 million tons, of which 13.6 million tons would be for the domestic market and almost the same amount would be shipped abroad. In 2013, the latter would absorb 15 million tons of a total of the projected 29.3 million tons. As to the other product, the processed amount was supposed to progress from 6.8 million tons to 7.4 million tons in the new year, with the biggest portion for domestic consumption (about 80%), where it has also turned into an ingredient for the production of biodiesel.

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soja/soybean

Pela primeira vez na história, o Brasil deverá ultrapassar os Estados Unidos na produção de soja, um feito com ampla repercussão mundial

Disputa acirrada

O

O Brasil está na disputa da liderança mundial da soja com os Estados Unidos, que ocupou historicamente a primeira posição na cultura. Com a grande safra do ciclo 2012/13, prevista no mês de janeiro de 2013 em 82,7 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o País ficaria um pouco à frente dos norte-americanos, que vêm sofrendo por conta de secas e, na projeção feita pelo seu Departamento de Agricultura (USDA), no mesmo mês, para este ciclo, alcançaria 82 milhões de toneladas. Já na exportação do grão, de acordo com as estimativas do próprio organismo dos EUA, os brasileiros deverão liderar o ranking neste ano, com 38,4 milhões de toneladas embarcadas, contra 36,61 milhões de toneladas a serem vendidas pelos norte-americanos.

Brasil também deverá liderar o ranking da exportação do grão em 2013 132

As perspectivas brasileiras são auspiciosas na oleaginosa, para a qual igualmente se prospecta futuro positivo. Na análise feita pelo engenheiro agronômo Amélio Dall’Agnol, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Soja, de Londrina (PR), no Anuário Brasileiro da Soja 2012, trata-se do grão que mais cresce no mundo em virtude de seu maior consumo para a formulação de rações utilizadas na produção de carnes e de outras proteínas animais, diante do aumento de renda nos países em desenvolvimento e mais populosos. Neste contexto, complementa, o Brasil assume posição privilegiada, pois “é o único País, dentre os grandes produtores, com potencial para expandir a área plantada sem precisar reduzir a de outros cultivos importantes para a dieta alimentar, e especialmente em substituição a pastagens degradadas”. A expansão ocorre principalmente, segundo ele, e com base em projeções da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no Leste do Mato Grosso e na região conhecida por Matopiba (formada por áreas dos estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). A referida assessoria prevê que a área plantada com

soja no País cresça 1,9% ao ano e a produção, 2,3%. Com isso, chegaria próximo a 90 milhões de toneladas na etapa 2021/22, mas, num limite superior, poderia alcançar a até 108 milhões de toneladas, considerando-se também crescimento da demanda interna e externa. Além de Brasil e Estados Unidos, destaca-se na produção a vizinha Argentina, que, conforme a USDA projetou em janeiro de 2013, deve obter em torno de 54 milhões de toneladas na atual safra. Informe da Bolsa de Cereais daquele país, divulgado pela Conab, na ocasião, estimava a área plantada em 19,7 milhões de hectares, 4,5% a mais do que na anterior, e também apresentava condições climáticas favoráveis, como vinha acontecendo nas lavouras brasileiras, prometendo uma boa safra sul-americana de soja em 2013. Em nível mundial, ainda de acordo com a informação do USDA, a produção total pode elevar-se de 236 milhões de toneladas para 269 milhões de toneladas na temporada 2012/13, e o estoque final tende a avançar de 55,9 milhões de toneladas para 59,4 milhões de toneladas.


Tight competition For the first time in history, Brazil is supposed to outstrip the United States in the production of soybean, an achievement with global repercussions

Sílvio Ávila

Brazil is now trying to overtake the United States as largest soybean producer, a position that has historically been held by the North-American country. With the 2012/13 bumper crop, in the month of January 2013 estimated at 82.7 million tons by the National Supply Company (Conab), the Country is supposed to surpass that country’s crop by a small margin, as it has been adversely affected by prolonged droughts. Furthermore, a survey made by the United States Department of Agriculture (USDA), in the same month, projects the crop at 82 million tons. With regard to soybean exports, according to projections by the same North-American organ, Brazil will rank first this year, with shipments reaching 38.4 million tons, against 36.61 million tons to be sold by the United States. The Brazilian perspectives on the oilseed crop are very promising, and its future prospects are also positive. According to an analysis by agronomic engineer Amélio Dall’Agnol, head of the Technology Transference Department of Embrapa Soybean, based in Londrina (PR), in the 2012 Brazilian Yearbook, it is the kernel that is spreading the most across the world because it is a major ingredient in animal feed formulations used for the production of different types of meat and other animal proteins, resulting from the soaring purchasing power of developing and very populated countries. Within this context, he adds, Brazil assumes a privileged position, since “it is the only country, among all major producers, with the potential to expand the planted area without having to reduce areas devoted to other food crops, and particularly, because in Brazil new soybean plantations are replacing degraded pasturelands”. According to him and on the grounds of projections made by the Strategic Management Advisory Council of the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA), the expansion is taking place especially in Eastern Mato Grosso and Matopiba (a region that comprises areas from the states of Maranhão, Tocantins, Piauí and Bahia). The above mentioned advisory council projects an annual increase of 1.9% in planted area and 2.3% in production. This is supposed to result into a 90-million ton crop by the 2021/22 cycle, which, depending on rising domestic and foreign demand, could reach 108 million tons. Besides Brazil and the United States, another relevant soybean producing country is Argentina, which, according to the USDA projection of January 2013, should harvest approximately 54 million tons in the current crop year. Data released by the Cereals Board of that country, published by Conab, on that occasion, the planted area was estimated at 19.7 million hectares, up 4.5% from the previous year, and weather conditions were favorable, just like what was happening in Brazil’s soybean farming areas, pointing to a good crop in South America in 2013. At global level, also based on USDA figures, total production could jump from 236 million tons to 269 million in the 2012/13 crop year, and the final stock tends to progress from 55.9 million tons to 59.4 million tons.

Brazil is also heading towards a leadership position in soybean exports in 2013 133


Suínos Sílvio Ávila

suínos

Quase nos

Recuperação do mercado interno iniciou-se somente no segundo semestre 134


Aumento da produção e crise causada pelos altos preços do milho e da soja marcaram a suinocultura brasileira em 2012, desafiando o segmento

acréscimos

N

No país do futebol tem até segmento do agronegócio respirando aliviado aos 45 minutos do segundo tempo. O setor de suínos, em 2012, que o diga. Durante o ano, marcado por uma crise de mercado interno causada pela pressão de custos, produtores e frigoríficos ficaram frente a uma redução de rentabilidade. O motivo foi os altos preços do milho e da soja, que levaram a uma rápida elevação dos custos de produção. Conforme levantamento da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), para as empresas cujo comércio é exclusivo para produtos in natura a situação desfavorável do primeiro semestre foi mais grave. As dependentes dos mercados russo e argentino também sofreram devido à ocorrência de embargos.

APETECÍVEL - alluring Export. brasileiras de carne suína Mês 2012 2011 Janeiro 38.177 34.809 Fevereiro 37.768 39.060 Março 47.787 44.299 Abril 47.734 50.944 Maio 53.404 44.988 Junho 43.913 52.752 Julho 44.243 36.104 Agosto 54.717 45.887 Setembro 60.442 41.405 Outubro 61.742 46.200 Novembro 51.094 43.039 Total 541.021 479.487

Conforme a Abipecs, as companhias focadas no mercado de cortes in natura foram as mais afetadas pela pressão dos custos, pois houve queda nas exportações e dificuldades de colocação dos seus produtos no mercado interno. Além disso, persistiram as restrições do mercado russo e as dificuldades de acesso ao argentino.

O conjunto de fatores provocou sobra de carne in natura no mercado interno, levando à queda de preços. Dessa forma, os estoques se elevaram rapidamente, situação que marcou sobretudo o primeiro semestre de 2012. Já no segundo houve gradual recuperação dos preços, com baixa de estoques e melhora nas vendas internas.

ALTOS E BAIXOS Além das dificuldades ocasionadas, os custos de produção, aliados à logística, fizeram com que o Brasil perdesse competitividade frente aos mercados americano e europeu, principalmente no russo e, em parte, no asiático, aponta relatório da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). Pela proximidade com a Rússia, os europeus desovaram seus estoques subsidiados a preços muito competitivos. Na China, o mercado ficou travado para o Brasil por conta da importação feita pelo governo chinês de 500 mil toneladas dos Estados Unidos, em tentativa de segurar o processo inflacionário. Apesar das dificuldades, a suinocultura nacional também teve pontos positivos ao longo dos 12 meses do ano. Um destaque, por exemplo, foi o aumento de produção, com 3,49 milhões de toneladas, crescimento de 2,5% na comparação com 2011. O desempenho, conforme a entidade, foi possível graças à elevação de 1,5% na produtividade do rebanho e do peso médio de abate de 600 gramas por carcaça, apesar da alta no custo da ração. Quanto ao volume comercializado no mercado interno, os números foram praticamente os mesmos de 2011, com 2,8 milhões de toneladas, aproximadamente. O consumo per capita, por sua vez, permaneceu ao redor de 15 kg por habitante/ano. Já as exportações de carne suína devem ficar em cerca de 580 mil toneladas, abaixo do patamar alcançado pelo Brasil em 2007 (ano anterior à crise financeira mundial), de 607 mil toneladas, apontam estimativas da Abipecs. Para 2013, as perspectivas sinalizam que a crise de 2012 ainda deve influenciar no desempenho. A produção, segundo a Abipecs, tende a crescer 1%, bem abaixo do potencial. Isso se deve principalmente ao cenário que afetou os produtores sem contrato de produção e as indústrias com baixo nível de diversificação de produtos e de mercados e com foco somente no mercado interno. Em 2013, a pressão sobre os custos de produção deverá continuar, uma vez que os estoques de grãos permanecerão baixos e o mercado mundial seguirá demandante de matéria-prima das rações. Por isso, as margens de comercialização continuarão pressionadas.

FONTE: Abipecs

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Sテュlvio テ」ila

PIGS

Recovery of the domestic market started in the second half of the year 136


Soaring production and crisis triggered by high corn and soybean prices marked Brazilian pig farming in 2012, posing a challenge to the segment

On the edge of extra time

In the country of football even the agribusiness segment breathes a sigh of relief at the 45th minute in the second half. The pig sector in 2012 is living proof of it. Over the year, marked by a crisis in the domestic market, caused by pressure from costs, both producers and meat packing companies faced reduced profit margins. The reasons include higher corn and soybean prices, which drove up production costs rapidly. According to a survey conducted by the Brazilian Pork Industry and Exporters Association (Abipecs), for those companies that exclusively deal with fresh products, the difficult situation in the first half of the year reached alarming proportions. Those companies depending on the markets of Russia and Argentina had to put up with frequent embargos. According to Abibecs sources, the companies focused on the fresh meat cut markets, were the ones that suffered the most from the production cost problems, since exports began to decline and they faced difficulty selling their products in the domestic market. Furthermore, the difficulties posed by the Russian market persisted, and so did the problems in accessing the market in Argentina. This set of factors ended up accumulating fresh meat in the domestic market, pressing prices down. This made stocks soar rapidly, a situation that was a characteristic of the first half of the year in 2012. The second half witnessed a gradual recovery of the prices, with stocks receding and sales soaring in the domestic scenario.

UPS AND DOWNS Besides the difficulties, production costs, along with logistic hurdles, caused Brazil to lose competitiveness in such markets as the United States and Europe, particularly in Russian markets and, in part, in Asia, too, the report of the Brazilian Pork Industry and Exporters Association (Abipecs) points out. Taking advantage of their proximity to Russia, companies in Europe flooded that country with their subsidized and very competitive prices. In China, the market remained closed to Brazil on account of an importation of 500 thousand tons of meat from the United States, in an attempt to curb the inflationary process. In spite of all difficulties, Brazil’s pig farming operations also took advantage of posi-

tive points over the 12 months of the year. A highlight, for example, was the increase in production, with 3.49 million tons, up 2.5% from 2011. The performance, according to the entity, was possible thanks to the 1.5-percent rise in productivity of the herd and the 600-gram higher average carcass weight at slaughter, in spite of the higher feed costs. With regard to the volume traded in the domestic market, the figures were practically a repeat of the previous year, with 2.8 million tons, approximately. Per capita consumption, in turn, remained at about 15 kg per person a year. Pig meat exports are estimated to remain at 580 thousand tons, below the level achieved by Brazil in 2007 (year prior to the global economic crisis), when it was

607 thousand tons, according to estimates by Abipecs. For 2013, there is every indication that the 2012 crisis will still have an influence on the performance. Production, according to Abipecs, is bound to go up by 1%, way below its potential. This is specifically due to the scenario that affected the farmers without production contract and the industries that are little diversified in terms of production and markets, and only focused on the domestic scenario. In 2013, pressures over production costs are likely to continue, since grain stocks will remain low and the global market will demand much raw material for the production of animal feed. This will result into tight commercial margins throughout the year.

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Tabaco tabaco

Sテュlvio テ」ila

Lideranテァa

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Mais de 85% do produto brasileiro tem como destino outros paテュses


Brasil reafirma hegemonia de 20 anos na exportação de tabaco com faturamento de US$ 3,26 bilhões nas vendas realizadas em 2012

com recorde

O

O ano de 2012 confirmou a recuperação e registrou recorde em valor nas exportações de tabaco pelo Brasil, que ocupa com folga a liderança mundial nas vendas externas do produto há 20 anos. O País, que destina mais de 85% de sua produção ao exterior, vendeu, no período, 638 mil toneladas de produto processado a US$ 3,26 bilhões, o maior montante já obtido nessas operações. Até então, o máximo havia sido alcançado em 2009, com US$ 3,05 bilhões em divisas, enquanto em volume já se verificaram números superiores em 2009 e nos dois anos anteriores. Na comparação com 2011, o acréscimo foi de 17% na quantidade e de quase 12% na receita, se considerados exclusivamente os dados da região Sul, que responde por quase 98% da produção brasileira. “O resultado das exportações ultrapassou a expectativa de crescimento e reflete a importância econômica do setor, especialmente para o Sul do País”, avalia Iro Schunke, presidente do Sindicato Interestadual do Tabaco (SindiTabaco). Em 2012, o produto representou 12,9% de todas as vendas externas gaúchas e 10,8% dos embarques catarinenses. No País, respondeu por 1,34% do total exportado. Uma taxa cambial mais favorável, com o dólar a R$ 2,00, em média, contra R$ 1,70 ou R$ 1,75 no ano anterior, contribuiu decisivamente para este resultado, oferecendo situação mais confortável em termos de competitividade. Manteve importância, igualmente, a participação dos países asiáticos na compra do produto brasileiro, especialmente do maior importador, a China, com US$ 478 milhões em aquisições feitas no ano. Em termos

continentais, o principal mercado continua sendo a União Europeia, com 40% do total. Além disso, havia disponibilidade de estoques da grande safra do ciclo 2010/11. Ao destacar a relevância do Brasil no cenário mundial de tabaco, o dirigente do SindiTabaco evidencia que a liderança no ranking de

exportação desde 1993 se dá graças à qualidade e à integridade do produto, que é comercializado para mais de 100 países. Acresce a produção sustentável desenvolvida pelo País, com sistema integrado e segurança no fornecimento, como forte fator concorrencial junto aos clientes internacionais.

BOA SAFRA A produção brasileira na safra 2011/12, na região Sul, alcançou 727.510 toneladas, em 324.618 hectares cultivados (2.241 kg/ha). Houve redução de 12,6% no volume, em vista principalmente da diminuição da área plantada, mas o valor pago aos produtores aumentou 11,6%, chegando a R$ 4,58 bilhões. Na avaliação da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), isto se deu graças à melhor qualidade e à boa produtividade alcançadas, aliadas à oferta menor, recomendada pela área produtora, para adequação ao mercado. Para o novo ciclo, a previsão feita em setembro de 2012 pela entidade é de que a área plantada fique um pouco acima da anterior, atingindo 327.910 mil toneladas, ainda dentro de uma faixa considerada ideal pela liderança do setor produtivo. Está se trabalhando em cima de um equilíbrio entre oferta e demanda, ressalta Benício Albano Werner, presidente da Afubra. Quanto à produção, a previsão então feita baseou-se em produtividade histórica, que ficaria em torno de 2.056 kg/ha e resultaria em total de 674 mil toneladas, mas no início de 2013 já se cogitava de números maiores. Provavelmente, em vista do grande volume de chuvas registrado até outubro e da consequente ocorrência de lixiviação no solo, o rendimento por hectare não alcançaria o anterior, mas deveria ser maior do que o previsto, e assim haveria a possibilidade de se atingir 700 mil toneladas. O que se confirmava, de qualquer forma, conforme Werner, era a constatação de uma alta qualidade no tabaco produzido, o que levava a crer que o produtor teria novamente uma boa rentabilidade financeira nesta temporada. Na safra 2011/12, o Brasil se colocava ainda como segundo maior produtor mundial de tabaco, ultrapassando a Índia e tendo à frente apenas a China. Benício Werner, que é também vice-presidente da Associação Internacional dos Produtores de Tabaco (ITGA), manifesta percepção de que o País possa se manter nesta posição de destaque igualmente na produção, ao mesmo tempo em que se preocupa, no que tange ao mercado, com um produtor africano e concorrente direto, o Zimbábue, que aumenta a oferta, assim como outras nações daquele continente. O presidente da Câmara Setorial do Tabaco no Brasil, Romeu Schneider, por sua vez, ressalta o crescimento que voltou a ocorrer nas vendas externas. Com a alta apresentada pelo dólar e a oferta equilibrada do produto brasileiro, aposta também em perspectivas positivas para a nova safra de tabaco produzida no País. 139


TOBACCO

Brazil reaffirms its 20-year hegemony in tobacco exports with revenue of R$ 3.26 billion from oversea sales in 2012

Export leadership Inor Ag. Assmann

Exports in 2012 confirmed the recovery of the sector and registered record values from foreign sales, where the Country has occupied a leadership position for the past 20 years. With more than 85% of its production shipped abroad, sales of processed leaf amounted to 638 thousand tons, last year. Revenue reached the considerable amount of US$ 3.26 billion, an all-time record. Up to that time, record revenues were achieved in 2009, with a total of US$ 3.05 billion, while in terms of volume bigger figures were obtained in 2007, 2008 and 2009. Compared to 2011, the volume was up

17% and almost by 12% in revenue, if only data from the southern region are considered, where 98% of all tobacco is produced in Brazil. “The export result outstripped expectations and reflects the economic importance of the sector, particularly for South Brazil”, says Iro Schunke, president of the Interstate Tobacco Industry Union (SindiTabaco). In 2012, the product represented 12.9% of all foreign sales in the state of Rio Grande do Sul and 10.8% in the neighboring state of Santa Catarina. In the entire Country, tobacco’s export share reached 1.34%. A more favorable exchange rate, with

one dollar equaling R$ 2, on average, compared to R$ 1.70 or R$ 1.75 in the previous year, played a decisive role toward this result, making Brazilian tobacco more competitive. Another positive factor was the share of Asian countries in the destination of Brazilian leaf exports, especially the leading buyer, China, with US$ 478 million in acquisitions last year. In continental terms, the European Union continues as leading market, with 40% of the total. Furthermore, there were huge carryover stocks available from the 2010/11 crop year. Referring to the relevance of Brazil in the global scenario of tobacco, the SindiTabaco official recalls that the Country’s leadership position in exports since 1993 results from the quality and integrity of the product, which is shipped to upwards of 100 countries. Also a factor to consider is the Country’s sustainable production system, deeply rooted in the integrated system, whereby supplies never fail, a competitive factor held in great esteem by the international clients.

More than 85% of all tobacco produced in Brazil is shipped abroad 140


GOOD CROP The 2011/12 crop in South Brazil amounted to 727,510 tons, harvested from 324,618 hectares (2,241 kg/ ha). The volume was down 12.6%, due to a smaller planted area, but in terms of profits the farmers earned 11.6% more, reaching a total of R$ 4.58 billion. Sources from the Tobacco Growers’ Association of Brazil (Afubra), say that the credit goes to the better quality and higher productivity rates, along with smaller supplies, recommended by the association in order to keep adjusted to the market. For the new cycle, according to the forecast by the association in September 2012, the planted area is expected to be slightly bigger, totaling 327,910 thousand hectares, remaining within a range seen as ideal if the sector wishes to keep its leadership. All efforts are geared towards reaching a balance between supply and demand, says Benício Werner, president of Afubra. With regard to production, last year’s forecast was based on historical productivity rates, which was calculated to remain at about 2,056 kg/ha and resulting into a total crop of 674 thousand tons, but in early 2013 the projections were already suggesting bigger figures. In all likelihood, due to the huge volume of rains regis-

tered in October, and the consequent leaching problems, yield per hectare was no longer supposed to match last year’s total, but was believed to outstrip the initial expectation, leading to the chance of reaching a crop of 700 thousand tons. What was being confirmed anyway, according to Werner, was the reality of a high quality crop, leading to the belief that the farmers will again reap good profits in this season. In the 2011/12 cycle, Brazil still ranked as second biggest producer in the world, outstripping India, and coming only after China. Benício Werner, who also serves as vice-president of the International Tobacco Growers’ Association (ITGA), maintains that the Country could keep this predominant position equally in production, but, in the meantime, there is concern about a direct competitor, the African country Zimbabwe, where supplies are rising, just like in other countries across that continent. The president of the Tobacco Sectoral Chamber of Brazil, Romeu Schneider, in turn, points to the rising foreign sales. With the dollar at a higher value, along with a balance in Brazilian leaf supplies, he also bets on positive perspectives for the next crop to be produced in Brazil.


Decisões trazem alívio ao setor

Inor Ag. Assmann

tabaco/tobacco

Dois fatos ocorridos ao final de 2012 no País trouxeram, pelo menos temporariamente, um alívio ao setor que se dedica ao tabaco e que vem sendo foco de medidas prejudiciais e controladoras em nível mundial. Em novembro, ainda em meio às apreensões com relação aos temas em foco na 5ª Conferência das Partes (COP 5) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, em Seul, na Coreia do Sul, o governo brasileiro posicionou-se contrariamente às propostas levantadas, referentes a restrições de área e crédito, funcionamento de entidades, entre outras, e a discussão foi adiada para a COP 6, em dezembro de 2014, na Rússia. No mês seguinte, a Justiça Federal em Brasília suspendeu a RDC 14/2012, resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que restringe o uso de aditivos nos cigarros e, em decorrência, a produção de tabaco tipo Burley no Brasil, assim como a atividade como um todo. Ao proibir ingredientes necessários no fabrico de 99% dos cigarros comercializados no País, a medida, que entraria em vigor em março de 2014 e veio na sequência da COP 4, realizada em fins de 2010, no Uruguai, afeta a identidade das marcas e a opção do adulto fumante pela escolha do produto de sua preferência, além de estimular ainda mais o comércio ilegal, que já corresponde a quase um terço do mercado interno. Diante desse problema, a Justiça foi acionada pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), que obteve a liminar, ao mesmo tempo em que espera decisão favorável no mérito. Também a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) ingressou com Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal contra a resolução. Conforme o SindiTabaco, não cabe à Anvisa decidir a respeito do assunto, que só poderia ser tratado por legislação discutida no Congresso Nacional. As referidas conferências da Convenção-Quadro, por meio de países signatários, como o Brasil, têm possibilitado a adoção de vários procedimentos de controle da cultura. O setor lembra que se trata de um fórum de discussão unilateral, onde não se permite sua participação. No entanto, o segmento está atento, por iniciativas no meio judicial ou político, para que não seja prejudicada a sua atividade legítima e de grande importância socioeconômica.

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Deste modo, pressionou o governo em 2012 e obteve seu apoio para frear ações contrárias, em respeito a ato declaratório que emitiu em 2005, com a assinatura de ministros e inclusive da atual presidente Dilma Rousseff, garantindo que não usará a convenção-quadro para afetar a produção nacional de tabaco ou o mercado livre.

safra - crop (em toneladas) Ano Produção Exportação 2011 832.830 541.000 2012 727.510 633.000 Fonte: Afubra/SindiTabaco-PwC/Secex-MDIC


Decisions bring relief to the sector Two events that took place in the Country in late 2012 brought relief, at least temporarily, to the sector that is devoted to tobacco and which has been the target of damaging and controlling decisions at global level. In November, still amid apprehensions regarding the core themes of the 5th Conference of the Parties (COP 5) of the Framework Convention on Tobacco Control, in Seoul, capital city of South Korea, the Brazilian government took a stance contrary to the proposed measures, referring to area and credit restrictions, activities of organizations, among others, and the debate was postponed until the COP 6, scheduled for December 2014, in Russia. The following month, the Federal Justice Department, based in BrasĂ­lia, suspended the RDC 14/2012, resolution by the National Health Surveillance Agency (Anvisa) that bans the use of additives in cigarettes and, in consequence, the production of Burley tobacco in Brazil, as well as the activity as a whole. By banning ingredients necessary for manufacturing 99% of all cigarettes sold in Brazil, the measure, which was supposed to enter into force in March 2014, following on the heels of COP 4, held in Uruguay in late 2010, affects the identity of the cigarette brands and interferes with the option of adult smokers in the their choice for their favorite cigarettes, besides encouraging illegal sales even further, now accounting for almost one third of the domestic market.

In light of this problem, the Interstate Tobacco Industry Union (SindiTabaco) filed a petition with the Justice Department, and a preliminary ruling was obtained, now waiting for a favorable decision to be made on the merits. The National Industry Confederation (NIC) filed a Direct Action of Unconstitutionality with the Supreme Court, against the resolution. According to SindiTabaco sources, it is not up to Anvisa to make decisions on the subject, once such matters can only be addressed by legislation debated by our National Congress. The said conferences of the Framework Convention, through signatory countries, like Brazil, have been capable of setting up several directives aimed at putting an end to the crop. The sector recalls that it is a unilateral debating forum, where its participation is denied. However, the segment continues focused, through political or judicial initiatives, so as to avoid any damage to its legitimate and important activity in socioeconomic terms. To this end, it exerted pressure over the government in 2012 and got its support towards initiatives contrary to the declaratory statement issued in 2005, signed by ministers and by Dilma Rousseff, president of Brazil, assuring that the Country will not invoke the Framework Convention to cause problems to tobacco farming and to free trade.


Uva e vinho uva e vinho

Sテュlvio テ」ila

Mais

No cenテ。rio externo, as vendas para a China animam a cadeia produtiva 144


Estimativas apontam para acréscimo de 14% na comercialização de espumantes em 2012, salientando ainda mais a importância desse produto

um brinde liderança do ranking de maiores compradores – em 2011 ficou em 2º lugar. Segundo o Ibravin, em 2012 os chineses compraram US$ 405 mil de janeiro a junho, 492% a mais do que os US$ 68,4 mil do mes-

mo período de 2011. A boa receptividade dá ânimo aos empreendedores e às lideranças, pois a economia nacional está em alta e o reconhecimento dos consumidores sobre os vinhos brasileiros é cada vez maior.

Sílvio Ávila

T

Transitar em meio ao setor brasileiro de uva e vinho pode render bons momentos. No último ano, pelo menos, entidades e representantes se mostraram muito otimistas. É um retrato dos mercados internos e externos aquecidos, prósperos e repletos de novos planos. Somente em espumantes o País deve confirmar a venda, em 2012, de 15 milhões de litros, conforme aponta o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). O montante representaria acréscimo de 14% em comparação com 2011, quando foram comercializados 13,16 milhões de litros pelas empresas do Rio Grande do Sul. Desse total, o último trimestre do ano foi responsável por 50% dos negócios. Até outubro de 2012 haviam sido colocados 9,7 milhões de litros de espumantes, com alta de 12,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A alta contínua de 10% a 15% nas vendas, observada nos últimos anos, deve-se, em parte, à inclusão dos espumantes em novas situações de consumo. Conforme análise do Ibravin, o brasileiro consome espumantes não só nas comemorações de fim de ano, mas também em festas, casamentos, formaturas e até nos fins de tarde, acompanhando algum alimento. Já no cenário externo, os embarques estão em crescimento, mas ainda há muito a desenvolver, afirma o Ibravin. Um dos destaques de 2012, por exemplo, foi os resultados obtidos com a China. Enquanto há dois anos as vendas para o país asiático não figuravam entre as estatísticas, hoje este é considerado um dos principais destinos das exportações dos vinhos brasileiros, tendo encerrado o primeiro semestre de 2012 na

PORTAS ABERTAS Em outubro de 2012, o setor de uva e vinho do Brasil registrou conquistas e boas oportunidades. Em outubro, varejistas e importadores assinaram acordo de cooperação que traz boas novas ao segmento. O documento estabelece medidas para o crescimento do mercado de vinhos finos no País, bem como a ampliação do volume de produtos nacionais. Por meio do acordo, espera-se aumentar o consumo per capita anual de vinho dos atuais 1,9 litro para 2,5 litros até 2016, além de dobrar a comercialização da bebida brasileira no mercado interno no mesmo período. Já no início de 2013, uma comitiva destes dois segmentos visitará vinícolas da Serra Gaúcha para conhecer melhor o produto e estreitar relações comerciais, o que será positivo para todos, esclarece o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Já nos meses seguintes, o instituto prevê ações para potencializar a promoção dos vinhos brasileiros, em função dos grandes eventos esportivos – Copa do Mundo e Jogos Olímpicos – que serão sediados no Brasil. Além disso, a preocupação é desenvolver projetos de logística associativa, com o intuito de auxiliar pequenas e médias empresas que, em função dos custos, têm dificuldades para tornar seus produtos acessíveis. Ainda em 2013, faz parte do plano a implantação de lojas conceito Vinhos do Brasil, com modelo de negócio de lojas/franquias exclusivas.

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GRAPE AND WINE

Estimates point to a 14-percent increase in sparkling wine sales, a fact that attests to the importance of the product

One more toast A walk across the Brazilian grape and wine sector might turn out to be a pleasing experience. As a matter of fact, last year entities and representatives felt very encouraging. It is a portrait of the markets at home and abroad, now thriving and with plenty of new plans. With regard to sparklings alone, the Country should confirm the sales of 15 million liters in 2012, according to the Brazilian Wine Institute (Ibravin). This amount would represent an increase of 14% from 2011, when sales by the industries in Rio Grande do Sul amounted to 13.16 million liters. Of this total, the final quarter of the year was responsible for 50% of these businesses. Up to October 2012, 9.7 million liters of sparkling wines had been sold, up 12.3% from the same period in the previous year. The average growth rate from 10% to 15% in sales, observed over the past years, results partly from the inclusion of the beverage in new consumption environments. According to an analysis conducted by the Ibravin, Brazilian people have been adhering to sparklings not only at end-of-year celebrations, but also at birthday and wedding parties, commencement events and even in late afternoons, with some kind of food. With regard to the foreign scenario, shipments are on the rise, but there is still a lot to do, say Ibravin sources. One of the outstanding achievements in 2012, for example, was the Chinese

In the foreign scenario, sales to China encourage the supply chain 146

market. Up to two years ago, sales to that Asian country were not even included in any statistical report, now it is a major destination for Brazilian wines. The first half of 2012 came to a close with China ranking as one of the biggest buyers. In 2011, that country ranked as second. According to Ibravin sources, in 2012, January through June, the Chinese purchased wines worth US$ 405 thousand, up 492% from the US$ 68.4 thousand in the same period in 2011. Such successful sales bring smiles to entrepreneurs and leaderships, as the economy of that country is thriving and the recognition the consumers of the Brazilian wines is constantly rising.

OPEN GATES In October 2012, the Brazilian grape and wine sector registered achievements and good opportunities. In October, retailers and importers signed an agreement of mutual cooperation, which is now innovating the segment. The document sets forth measures towards the growth of the wine market in the Country, as well as the expansion in volume of national products. Through this agreement, it is expected that annual per capita wine consumption will jump from the present 1.9 liters to 2.5 liters by 2016, besides doubling the sales of the Brazilian beverage in the domestic market over the same period. In early 2013, a committee of these two segments scheduled visits to different wineries spread across Sierra Gaucha to have a better knowledge of the product and start commercial relations, which will come to the benefit of all concerned, clarifies the Brazilian Wine Institute (Ibravin). In the following months, the institute is planning actions aimed at potentiating the promotion of Brazilian wines, by virtue of the great sports events – World Cup and the Olympic Games – to be staged in Brazil. Furthermore, consideration is being given to the development of associative logistic projects, with the aim to help small and medium sized companies, which, because of the high costs, have difficulty supplying their products at competitive prices. Before 2013 comes to a close, there is a plan for the implementation of the Wines Brazil concept, under the exclusive model of franchise companies.


Uma das melhores safras pitação pluviométrica, com temperaturas quentes durante o dia e amenas à noite, a produção prosperou. O clima seco, por exemplo, permitiu que as frutas fossem deixadas por mais tempo no pé e, por consequência, adquirissem maior maturação. Os fatores contribuíram para qualidade elevada, o que fez da safra 2012 uma das três melhores em meio século. Conforme o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), os vitivinicultores gaúchos processaram a segunda maior safra de uva da história no ano. O Rio Grande do Sul, responsável por cerca de 90% da elaboração brasileira de vinhos e 55% da produção de uvas, processou 696,1 milhões de quilos de uvas. Sílvio Ávila

A safra brasileira de uva de 2012 é considerada por especialistas como uma das três melhores dos últimos 50 anos, com qualidade equivalente às emblemáticas colheitas de 2005 e de 1991. As condições naturais do ciclo colaboraram para o cenário, afirmam pesquisadores. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, o cultivo foi favorecido pelo fenômeno La Niña, cuja ocorrência costuma registrar anuidade intercalada. O clima seco, entretanto, só pode ser bem aproveitado graças aos cuidados na produção, com vinhedos implantados nos locais mais propícios nos aspectos de exposição solar e características do solo. Com a temporada de muito sol, baixa umidade e baixa preci-

One of the best crops Specialists considered the 2012 Brazilian grape crop as one of the best over the past 50 years, with quality matching the emblematic harvests in 2005 and 1991. The natural conditions of the cycle are a factor in this scenario, say researchers. In Santa Catarina and Rio Grande do Sul, the vineyards took advantage of the La Niña phenomenon, whose occurrence takes place every other year. The dry climate conditions, nonetheless, are only beneficial if the vineyards are established in appropriate sites, as far as exposure to sunshine and soil characteristics are concerned. With a season of plenty of sunshine, low humidity levels and low precipitation rates, with warm temperatures by day and mild by night, the grapevines developed fully. The dry climate, for example, made it possible to delay the harvest of the grapes and, as a result, they reached the highest level of maturity. These circumstances were decisive for the good quality of the crop, turning it into one of the three best in fifty years. According to the Brazilian Wine Institute (Ibravin), the winegrow-

ers in Rio Grande do Sul processed the second-largest grape crop on record. Rio Grande do Sul, responsible for about 90% of all wines made in Brazil and for 55% of all grapes, processed the considerable amount of 696.1 million kilos of grapes.

SUCULENTA - succulent Produção de uva no Rio Grande do Sul

Safra Volume (milhões de quilos) 2004 578,9 2005 493,2 2006 423,6 2007 570,5 2008 634,0 2009 534,1 2010 526,8 2011 709,6 2012 696,1 Fonte: Ibravin

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Entrevista Divulgação

Entrevista fernando pimentel

Saldo comercial do agronegócio em 2012 foi o melhor já registrado, com US$ 79,41 bilhões

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FERNANDO PIMENTEL Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Criação de grupo setorial para discutir ações que fortaleçam a agroindústria nacional é uma das medidas implementadas pelo MDIC

Agregando valor ao campo

O

O agronegócio é o esteio da economia nacional. Sua contribuição para a balança comercial brasileira deixa isso bem claro: durante 2012, o País exportou US$ 95,81 bilhões em produtos agropecuários. Os itens que apresentaram maior crescimento nas exportações foram complexo soja, fumo, cereais, farinhas e preparações, fibras e produtos têxteis e animais vivos. Esse desempenho permite avaliar e dimensionar a importância dos setores primários, distribuídos nas mais diversas regiões nacionais, em favor do desenvolvimento econômico e social alcançado pelo Brasil nas

últimas décadas. Bem por isso, o governo federal, através dos ministérios e dos organismos diretamente vinculados aos ambientes de produção e de comercialização, tem investido cada vez mais no fortalecimento do agronegócio e na resolução dos gargalos que ainda afetam essa atividade. Em entrevista exclusiva concedida por e-mail à Revista AgroBrasil – Balanço Brasileiro do Agronegócio 2012, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MIDC), Fernando Pimentel, comenta a relevância da atividade agropecuária para o País. Menciona ainda o suporte a iniciativas

do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), assim como a outros organismos públicos federais, e enfatiza as ações para o fortalecimento da agroindústria, setor que, na avaliação do governo, vem perdendo mercado interno e externo. Conforme defende Pimentel, a agregação de valor à produção agrícola é uma forma de gerar mais divisas e empregos no País. “Ao fortalecer essas indústrias, estamos contribuindo para um melhor desempenho das exportações e do superávit da balança comercial brasileira”, afirma o ministro. Leia a íntegra da entrevista a seguir.

Para termos uma ideia da importância do setor na balança comercial brasileira, basta lembrar que o superávit do País em 2012 foi de US$ 19,4 bilhões, enquanto o do agronegócio ultrapassou os US$ 79 bilhões.

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Divulgação

entrevista exclusiva

Revista AgroBrasil - Qual deve ser a contribuição do agronegócio para a balança comercial brasileira em 2012? Qual a importância deste setor para a economia nacional? Fernando Pimentel - O resultado da balança comercial do agronegócio foi extremamente positivo em 2012. Os números apurados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que as exportações e o superávit foram recordes. No ano, o Brasil exportou US$ 95,81 bilhões em produtos agropecuários, valor 1% maior que o registrado em 2011. Como as importações diminuíram 6,2% em 2012, alcançando US$ 16,41 bilhões, o saldo comercial foi o melhor já registrado até agora, somando US$ 79,41 bilhões. Para termos uma ideia da importância do setor na balança comercial brasileira, basta lembrar que o superávit do País em 2012 foi de US$ 19,4 bilhões, enquanto o do agronegócio ultrapassou os US$ 79 bilhões. São números de um setor extremamente forte, competitivo internacionalmente e essencial para a economia brasileira. Quais são os segmentos que mais se destacaram e o que colaborou para isso? Quais são os principais países clientes destes produtos? As exportações que mais cresceram foram as do complexo soja (grãos, farelo e óleo); fumo e seus produtos; cereais, farinhas e preparações, com destaque para o

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milho; fibras e produtos têxteis; e animais vivos. A receita com os embarques de milho cresceu 101,5% e chegou a US$ 5,29 bilhões, mas as maiores vendas foram mesmo as do complexo soja (US$ 26,11 bilhões). Entre alimentos de origem animal, as vendas de carne bovina somaram US$ 5,35 bilhões, crescimento de 7,39% em relação a 2011. O valor foi recorde. Refletindo a tendência do setor, a quantidade exportada aumentou em detrimento do preço médio. Os embarques de frango, porém, recuaram 5,4% e ficaram em US$ 7,2 bilhões. No complexo sucroalcooleiro, as exportações de etanol somaram US$ 2,2 bilhões, avanço de 46,5% sobre o ano anterior. As vendas externas de açúcar, no entanto, caíram 14% e ficaram em US$ 12,8 bilhões. Os maiores mercados do Brasil foram China, Estados Unidos, Holanda, Japão e Alemanha. Países da Ásia, porém, foram os destinos que mais cresceram. Houve também o aumento das vendas a Egito (13%), Emirados Árabes Unidos (8%) e Arábia Saudita (0,1%). O desempenho foi influenciado pelo aumento de 8,6% no volume exportado, uma vez que o preço dos produtos caiu em média 7,1% ao longo do ano. As cotações foram forçadas para baixo devido à crise econômica internacional. Em sua opinião, que segmentos do agronegócio ainda podem aprimorar o próprio desempenho na exportação? Como eles podem atingir esse resultado? O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) é o órgão do governo que elabora políticas para o setor e é o responsável por acompanhar e apoiar o agronegócio para aumento da produção e, consequentemente, para acréscimo nas exportações. No Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, acompanhamos e apoiamos essas políticas de maneira a garantir os bons resultados da balança comercial brasileira, mas sempre com o viés industrial, ou seja, com o objetivo de agregar valor ao produto. Se nós somos grandes produtores de soja e de café, por exemplo, não temos que exportar apenas o produto bruto, mas também o industrializado, que vai gerar mais divisas e gerar empregos no Brasil.

Nesse sentido, uma das principais medidas com participação direta no MDIC, em 2012, foi a implantação do Conselho de Competitividade da Agroindústria, composto por 13 setores agroindustriais e criado no âmbito do Plano Brasil Maior, a política industrial do governo brasileiro, lançada em agosto de 2012 pela presidenta Dilma Rousseff. Que produtos do agronegócio brasileiro têm sofrido algum tipo de embargo comercial? Em que países isso está ocorrendo e que medidas estão sendo adotadas pelo Ministério para resolver a situação? Sempre que há algum embargo ou ameaça de restrição à importação de produtos brasileiros dessa categoria, o Ministério das Relações Exteriores e o Mapa são os responsáveis pelo acompanhamento e pelas negociações na busca de uma solução pacífica para ambas as partes. Nesses casos, o MDIC também participa do processo, fornecendo informações sobre o comércio bilateral, com detalhes de exportações e importações realizadas como o país em questão. Que medidas o ministério deve adotar em 2013 para promover o agronegócio brasileiro no exterior? O foco do MDIC é o fortalecimento da agroindústria, que vem perdendo espaço no mercado interno e externo frente à concorrência internacional. Preocupado em fortalecer em segmento, foi criado o Conselho de Competitividade da Agroindústria, um dos 19 grupos setoriais do Brasil Maior. Um dos maiores conselhos do Brasil Maior, o grupo é formado por 13 setores agroindustriais, como café (torrado e moído e solúvel); sucos, frutas e polpas; pesca e aquicultura; carnes (bovina, suína e de aves); bebidas frias; balas e chocolates; alimentos; lácteos; óleos vegetais; e vinhos. No final de 2012, os conselheiros fecharam uma agenda com 62 ações a serem trabalhadas para fortalecimento dos segmentos que compõem o grupo. Ao fortalecer essas indústrias, estamos contribuindo para um melhor desempenho das exportações e do superávit da balança comercial brasileira. Ao longo de 2013, outras ações e medidas serão definidas, sempre com esse objetivo.


EXCLUSIVE INTERVIEW

Creation of a sectoral group to debate actions that strengthen our national agro-industry is one of the measures implemented by the MDIC

Value added agriculture

Agribusiness trade balance in 2012 was the best ever registered, with US$ 79.41

billion

At an exclusive interview by e-mail to Revista AgroBrasil – Balanço Brasileiro do Agronegócio 2012, the minister of Development, Industry and Foreign Trade (MIDC), Fernando Pimentel, comments on the relevance of the activity to the Country. He also refers to the support lent to initiatives by the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA), as well as to other public federal organisms, and stresses the actions towards strengthening the agro-industry sector,

which, in the evaluation of the government, has been losing shares both at home and abroad. Pimentel understands that adding value to our agricultural produce is a manner to generate more dividends and jobs throughout the Country. “By strengthening these industries, we are contributing towards a better performance of our exports and a positive Brazilian trade balance”, the minister argues. What follows is the interview in its entirety. Divulgação

Agribusiness is the basis for the national economy. Its contribution towards the Brazilian trade balance leaves it very clear: in 2012, the Country raked in US$ 95.81 billion from agribusiness exports. The items that expanded the most their share in exports were as follows: the soybean complex, tobacco, cereals, flour and preparations, fibers and textiles and cattle on the hoof. This performance allows us to evaluate and dimension the importance of the primary sectors, split throughout several regions in Brazil, towards the social and economic development achieved by Brazil over the past decades. Because of this, the federal government and all organisms directly linked with the environment of production and sales have been making ever-bigger investments aimed at strengthening our agribusiness operations, while trying to solve bottlenecks that still impair this activity.

FERNANDO PIMENTEL Minister of Development, Industry and Foreign Trade

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EXCLUSIVE INTERVIEW Revista AgroBrasil – What should the contribution of agribusiness be towards the Brazilian trade balance in 2012? What is the importance of the sector for the national economy? Fernando Pimentel – The result of the agribusiness trade balance was extremely positive in 2012. The figures ascertained by the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade (MDIC) point to record exports and to a record positive trade balance. Over the year, Brazil exported agribusiness products worth US$ 95.81 billion, up 1% from 2011. As imports declined 6.2% in 2012, reaching US$ 16.41 billion, the trade balance was the biggest ever registered, amounting to US$ 79.41 billion. To figure out the importance of the sector for Brazil, just remember that the Country’s positive trade balance was US$ 19.4 billion in 2012, while the agribusiness trade balance was in excess of US$ 79 billion. These are figures of an extremely powerful sector, internationally competitive and with an essential role for Brazilian economy.

creased by 14% and remained at US$ 12.8 billion. The biggest buyers include China, the United States, Holland, Germany and Japan. Destinations that increased their imports the most were the Asian countries. There were also bigger sales to Egypt (13%), United Arab Emirates (8%) and Saudi Arabia (0.1%). The performance was influenced by the 8.6-percent higher exports in volume, in light of the 7-percent decrease of the average price over the year. Prices were pressed down because of the international economic crisis. In your opinion, which agribusiness segments could improve their export performance even further? How can they achieve this result? The Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA) is the organ of the government responsible for setting up policies for the sector and also responsible for following up and supporting the segment, with an eye

Brazilian government, launched in august 2012 by president Dilma Rousseff. Which Brazilian agribusiness products have suffered some kind of trade embargo? In what countries is it occurring and what measures are being adopted by the Ministry to solve this situation? Whenever there is an embargo or a threat to restrictions to Brazilian products of this category, the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade and the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply are responsible for dealing with the situation and for the negotiations in search of a solution that pleases both parties. In such cases, the Ministry of Development also takes part in the process, furnishing information on bilateral trade, with details on exports and imports conducted with the country in question. What measures are to be adopted by the Ministry with an eye towards promoting Brazilian agribusiness abroad? The MDIC is focused on strengthening the entire agribusiness sector, which has been losing ground both at home and abroad to international competition. Concerned with strengthening this segment, the Agro-Industry Competitive Council was created, one of the 19 sectoral groups of the Bigger Brazil Plan. Being one of the biggest Bigger Brazil councils, the group consists of 13 agroindustrial sectors, like coffee (roasted, ground and soluble); juices, fruit and pulp; fishery and aquaculture; meat (bovine, pig and fowl); cold beverages; candy and chocolates; foods; dairy products; vegetable oils; and wines. In late 2012, the councilors came up with an agenda of 62 actions to be implemented with the aim to strengthen the segments the group consists of. By strengthening these industries, we are lending our contribution towards a better performance of our exports and towards a positive Brazilian trade balance. Over 2013, other actions and initiatives are to be defined, focused on the same objective.

To figure out the importance of the sector for Brazil, just remember that the Country’s positive trade balance was US$ 19.4 billion in 2012, while the agribusiness trade balance was in excess of US$ 79 billion.

Which segments stood out the most and what contributed towards their performance? What are the countries that buy these products? The exports that grew the most were the products of the soybean complex (beans, meal and oil); tobacco and its products; cereal, flours and preparations, where corn predominated; fibers and textiles; and cattle on the hoof. Revenue from corn shipments went up 101.5% and amounted to US$ 5.29 billion, while the soybean complex was responsible for the biggest sales (US$ 26.11 billion). With regard to food of animal origin, bovine meat sales amounted to US$ 5.35 billion, up 7.39% from 2011. It was a record value. Reflecting the trend of the sector, the amount of meat exported increased to the detriment of the average price. Broiler shipments, nevertheless, receded by 5.4% and remained at US$ 7.2 billion. In the sugar and alcohol complex, ethanol exports reached US$ 2.2 billion, up 46.5% from the previous year. Sugar shipments abroad, however, de-

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towards production increases and, consequently, towards export increases, as well. At the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade, we follow and lend support to these policies so as to ensure good results for the Brazilian trade balance, but always focused on the industry, that is to say, with the aim to add value to our products. If we are major producers of coffee and soybean, for example, we should not only export fresh products, but industrialized products, as well, once they generate dividends and jobs in Brazil. Within this context, a major initiative with the participation of the Ministry of Development, Industry and Foreign Trade (MDIC), in 2012, was the implementation of the Agribusiness Competitive Council, consisting of 13 agro-industrial sectors and created within the range of the Bigger Brazil Plan, the industrial policy of the


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Com a confiança dos produtores, a eficácia de Fox hoje é a solução absoluta para a soja brasileira, graças à sua molécula inédita e seu mecanismo de ação exclusivo. Faça como a maioria dos produtores: torne-se você também um fã do fungicida que mais cresce em uso no Brasil.

Mais de 20 milhões de hectares tratados Maior eficácia contra Ferrugem Excelente controle da Antracnose, Oídio e Mancha-Alvo Molécula inédita sem qualquer índice de resistência

Fox – De primeira, sem dúvida.

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Revista Agrobrasil