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PÁ G I

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NAS

#82 DEZEMBRO 2019

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profissional

PERSPETIVAS PARA O NOVO ANO COMO ENCARAR O MERCADO EM 2020?

RECICLAGEM O QUE DEVE FAZER PARA CUMPRIR A LEI

PNEUS // BATERIAS // ÓLEOS // METAIS // PLÁSTICOS // VIDROS

DO “STRESS” AO NEGÓCIO

REPINTURA AUTOMÓVEL

REPARAÇÃO

TIRAR PARTIDO DA IMPACIÊNCIA DOS CLIENTES

COMO SABER SE CHEGOU A HORA DE INVESTIR NUMA SEGUNDA CABINA

SERVIÇOS RÁPIDOS PARA A CARROÇARIA: EM QUE SITUAÇÕES?

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profissional

SUMÁRIO #82 / DEZEMBRO 2019

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DESTAQUE

Com que expetativas deverão as empresas de "aftermarket" e as oficinas encarar o ano de 2020

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REPORTAGEM

Saiba quanto vale o negócio do "aftermarket" em Portugal

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TENDÊNCIAS

Tirar partido do "stress" dos clientes impacientes

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DOSSIÊ

Tudo o que há para saber sobre reciclagem nas oficinas: como tratar óleos, pneus, baterias, metais, etc.

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MECÂNICA 2019

A feira de Lisboa com forte presença chinesa

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ESTUDO DAS CORES MAIS POPULARES

Há uma nova tonalidade preferida nos carros europeus!

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BOAS PRÁTICAS

Sob o "chapéu" da Mopar concentra-se o pós-venda da Abarth, Alfa Romeo, Fiat, Jeep, Lancia e Fiat Professional

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REPARAÇÃO

A vantagem que as pequenas oficinas podem ganhar se tiverem alguém com formação base em carros elétricos

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REPARAÇÃO

Mais uma cabina de pintura: sim ou não? Como decidir?

ESTA EDIÇÃO É OFERECIDA PELOS NOSSOS ANUNCIANTES: MONROE SELO DE CAPA PRO4MATIC RODAPÉ DE CAPA EURO REPAR VERSO CAPA TRW 5 EUROMASTER 9 WOLF OILS 11 SPARKES & SPARKES 12/13 FEBI 15 NGK 17 EUROREPAR 19 SACHS 23 CESVIMAP 65 ZARAGOZA 67 JABA 81 CARF VERSO CONTRA CAPA EUROREPAR CONTRA CAPA

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EDITORIAL

RECICLAGEM E HONESTIDADE H

á muito que as questões ambientais chegaram às oficinas, com uma série de obrigações a nível de reciclagem dos resíduos originados na sua atividade. E ainda bem! Ninguém pode ficar de fora da gigantesca luta que temos de travar para deixar um Planeta em condições de habitabilidade mínima – infelizmente a fasquia não pode ser muito mais elevada… – para as gerações vindouras. E numa oficina produzem-se, de facto, muitos resíduos que não podem, pura e simplesmente, ser deitados fora, no lixo! Desde elementos tóxicos como os ácidos das baterias em fim de vida ou óleos e outros lubrificantes usados, a produtos que demorariam séculos a deteriorar-se e de forma nociva para o meio ambientes, como pneus, plásticos, metais ou vidros. Nos dias de hoje, não é sequer admissível que qualquer daqueles produtos seja “atirado fora”, havendo normas para que todos sigam o seu caminho na cadeia da reciclagem. O sistema está montado, funciona… mas tem custos. Ora, num panorama nacional em que o tecido empresarial oficinal é composto, na sua maioria, por microempresas, o cumprimento das obrigações ambientais tem forte peso nas contas. Além disso, os requisitos são tantos e tão complexos que, por muito que se esforcem por cumprir, as pequenas oficinas vivem

sempre com a sensação de que, numa inspeção mais rigorosa, dificilmente se salvarão de uma coima… Poderíamos, num tema tão delicado como o da consciência ambiental, aplaudir o rigor e dizer que essas coimas faziam parte das “dores de crescimento” para um futuro impoluto que só poderá orgulhar o setor. O problema é que isso só seria verdade se a bitola se aplicasse a todos os agentes económicos. E isso não sucede, pois continua a existir uma quantidade assinalável de oficinas ilegais que cometem todo o tipo de atropelos ambientais sem que sejam sujeitas a qualquer fiscalização que, certamente, as encerraria de imediato! Porque muitas delas funcionam pela “calada da noite”, fora… do horário das fiscalizações. Uma situação que só não dá vontade de rir porque se torna dramática para as pequenas oficinas que cumprem, com enormes esforços financeiros, as apertadas regras impostas. Para, depois, verem “porta ao lado” concorrentes que, com toda a desfaçatez, quase se riem na sua cara, atuando com toda a impunidade! Não é com elogios e “coroas de louros” que devemos premiar quem insiste, a muito custo, fazer as coisas bem feitas. Deveria ser retirando do seu caminho quem lhes boicota o negócio de forma ilícita e batoteira!

Sérgio Veiga E D ITO R CHE FE

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PROPRIEDADE E EDITORA TERRA DE LETRAS COMUNICAÇÃO UNIPESSOAL LDA NPC508735246 CAPITAL SOCIAL 10 000 € CRC CASCAIS SEDE DEV REDAÇÃO E PUBLICIDADE AV. TOMAS RIBEIRO 129 SALA 12 2790-466 QUEIJAS TELEFONES 211 919 875/6 E-MAIL oficina@turbo.pt ADMINISTRAÇÃO AV. DAS OLAIAS, 19 A 2635-542 RINCHOA TELEFONES 211 919 875/6 E-MAIL oficina@turbo.pt DIRETOR JÚLIO SANTOS juliosantos@turbo.pt EDITOR CHEFE SÉRGIO VEIGA sergioveiga@turbo.pt REDAÇÃO DAVID ESPANCA oficina2@turbo.pt RESPONSÁVEL TÉCNICO MARCO ANTÓNIO marcoantonio@turbo.pt COORDENADOR COMERCIAL ALEXANDRA LI CHING alexandraliching@turbo.pt COORDENADOR DE ARTE E INFOGRAFIA JORGE CORTES jorgecortes@turbo.pt SECRETARIADO DE REDAÇÃO secretariado@turbo.pt COLABORADORES CARLOS MOURA PEDRO PAULO MARMÉ PARCERIAS CENTRO ZARAGOZA CESVIMAP IMPRESSÃO LIDERGRAF, ARTES GRÁFICAS, SA. RUA DO GALHANO, N.o 15 4480-089 VILA DO CONDE, PORTUGAL lidergraf@lidergraf.pt DISTRIBUIÇÃO VASP-MLP, MEDIA LOGISTICS PARK, QUINTA DO GRANJAL-VENDA SECA 2739-511 AGUALVA CACÉM TEL. 214 337 000 contactcenter@vasp.pt GESTÃO DE ASSINATURAS VASP PREMIUM, TEL. 214 337 036, FAX 214 326 009, assinaturas@vasp.pt TIRAGEM 5000 EXEMPLARES Registo erc Nº 127205 INTERDITA A REPRODUÇÃO, MESMO QUE PARCIAL, DE TEXTOS, FOTOGRAFIAS OU ILUSTRAÇÕES SOB QUAISQUER MEIOS E PARA QUAISQUER FINS, INCLUSIVE COMERCIAIS


DESTAQUE

O QUE ESPERAR PARA 2020?

OTIMISMO AUTORIZADO… DESDE QUE COM CAUTELAS É um dado adquirido que, em 2020, a economia sofrerá um ligeiro arrefecimento, mas isso não é motivo para traçar cenários negros para o “aftermarket” nacional ou toda a atividade do pós-venda. Na verdade, desde que se mantenha uma atitude vigilante, a vontade de evoluir e a aposta na formação, até pode haver motivos para algum otimismo para 2020! Texto Sérgio Veiga

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uvimos falar num Orçamento de Estado “histórico” para 2020 e na perspetiva de um excedente orçamental no final do ano, abrindo perspetivas a contas públicas equilibradas e a uma situação económica saudável e desafogada. Mas, por outro lado, vem-nos também à memória a palavra “cativações” e o poderoso “travão” que representa no investimento público que, depois, consegue “emperrar” a restante economia… Isso, juntando a um real e comprovado arrefecimento da economia, não só nacional mas (e em especial) de todo o espaço europeu, levanta justificadas dúvidas quanto ao que nos pode esperar para o ano de 2020. No que nos interessa mais concretamente, o que se poderá passar ao nível do negócio do “aftermarket” e do pós-venda em geral, no mundo oficinal. Como é natural, com um Orçamento de Estado acabado de aprovar e com tantas incertezas sobre o clima económico em que iremos viver em 2020 – a própria conjuntura internacional aconselha a… “cautelas e caldos de galinha” –, ninguém está em condições de se comprometer com opiniões definitivas. Daí que os nossos três interlocutores, sem se furtarem a dar uma opinião sobre o que nos pode esperar em 2020, tenham mostrado justificada prudência quanto a prognósticos demasiado concretos. “Começamos a notar o nosso negócio a concentrar-se em maiores ‘players’ e mais apetrechados. E outros que tinham alguma oportunidade, porque havia alguma folga, começam a não ter tanto espaço e começam a ficar pelo caminho”, começou por notar Joaquim Candeias, presidente da Divisão de Peças e Acessórios Independentes (DPAI), organismo que aglutina as empresas do “aftermarket” no seio da ACAP. “É nesse aspeto que me parece que 2020 será a continuação de 2019, sem crescimento do sector, mas com oportunidades para as maiores empresas. Em termos de valor global do mercado, talvez haja alguma retração, eventualmente até pouca, mas qualquer coisa. Aos poucos, começa também a notar-se a influência de tendências como o ‘car sharing’ e de novos conceitos de mobilidade que podem dissipar aquelas taxas de crescimento que conhecemos. Não se pode crescer eternamente e àquele ritmo…”. Já do lado do trabalho que as oficinas independentes poderão ter ao longo do novo ano, as perspetivas avançadas pelas duas entidades contactadas parecem ligeiramente mais risonhas. “Desde que haja um certo cuidado, 2020 pode ser encarado com algum otimismo”, refere Neli Valkanova, secretária-geral da ARAN (Associação Nacional do Ramo Automóvel). “Poderá ser um ano interessante, mas acompanhando sempre as variáveis do mercado. As pessoas têm de estar preparadas para acompanhar a evolução constante e investir na formação e conhecimento. A informação é fer-

ramenta, poder e defesa das próprias empresas”. “A mensagem que estamos a passar aos nossos associados é de otimismo”, garante Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA (Associação Nacional das Empresas do Comércio e Reparação Automóvel). “Falamos de arrefecimento do clima económico, mas não a níveis que possam significar uma rotura evidente no serviço normal das oficinas, não estamos a perspetivar isso. Claro que todos os anos há ciclos que podem influenciar o mercado e fatores que podem levar à desaceleração no serviço das oficinas, mas não prevemos nada que justifique grandes preocupações. Acima de tudo há que estar vigilantes, sabendo que o mercado não é crescente, mas que continua ativo, saudável, dinâmico, e os operadores estão a atualizar-se e a ter mais formação. Os sinais que temos são positivos”. O PRINCÍPIO DA TRANSFORMAÇÃO Das palavras até aqui compiladas, fica-nos a sensação de que o panorama parece mais “negro” entre as empresas do “aftermarket” independente (IAM) do que no mundo das oficinas. Deixemos

Joaquim Candeias (DPAI) deixa alguns alertas para as empresas do "aftermarket" que não se estão a atualizar...

Joaquim Candeias, o presidente da DPAI, explicar os seus pontos de vista. “Na ACAP temos algumas correlações entre o IAM e as vendas de automóveis. E em 2019 já tivemos registos negativos, com menos 3% que em 2018. Por outro lado, o crescimento do PIB mais baixo que em períodos homólogos de 2018 indica uma clara desaceleração da economia. Em concreto, no que respeita ao IAM em Portugal, 2019 termina como um ano negativo no geral, sem crescimento ou com valores muito próximos do zero. Claro que há empresas a crescer, mas há outras com resultados negativos. As empresas que crescem são as que estão a ficar cada vez maiores, começa a haver concentração nas estratégias, com maiores índices de fidelização. O IAM vai-se arrumando com negócios de continuidade e estratégias em comum. As empresas que continuarem sozinhas não vão lá…”. Há já bastante tempo que Joaquim Candeias anda a alertar as empresas de um setor que movimen7

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DESTAQUE

ta largos milhões de euros para a necessidade de se adaptarem aos novos tempos, à era digital, a uma forma distinta de funcionar e aos novos desafios que aparecem a cada dia. Por isso mesmo recusa e ideia de que, quando abre a possibilidade a que algumas empresas venham a ficar pelo caminho, esteja a traçar um cenário negro para o futuro imediato do “aftermarket” nacional. “Não será negro, é apenas o início das grandes oportunidades e do futuro. As coisas não serão como até aqui, é o princípio da transformação, quem estiver aberto e tiver flexibilidade para mudar o estilo de negócio terá a sua oportunidade. Mas há ainda muita gente agarrada a um passado em que fez negócio de uma certa maneira e não sei se se estão a aperceber de que estão a perder terreno… Não acho que seja um cenário negro, são pessoas que não estão dispostas a mudar por variadíssimas razões, umas por estarem no fim da carreira profissional, outras pela sua própria forma de ser. Mas há empresas que crescem bem, estão na crista da onda e até aparecem novas empresas que evoluem e mostram que, na era digital, o negócio pode e deve ser feito de outra forma. Só será negro para quem não estiver disposto a evoluir”. E deixa mais um aviso para que 2020 seja, para muitos empresários do “aftermarket” independente, ano de mudança e de evolução, num mercado em que os “grandes” se estão a tornar… maiores: “No IAM costuma haver um processo de consolidação por aquisição e começamos a ter empresas muito fortes. Em Portugal essa consolidação está a ser orgânica, empresas que se juntam e que começam a estar mais organizadas. E o fosso é cada vez maior. Se será bom ou não, provavelmente sim para os que conseguem reorganizar-se e dignificar o setor que precisa de investimento e de evoluir, não se pode ficar no ‘ram-ram’ do passado. Agora é preciso evoluir muito mais depressa. Se calhar não será muito bom para alguns…”. OFICINAS NÃO ESTÃO PREPARADAS PARA A CONECTIVIDADE No que respeita às oficinas e, até mais em concreto, aos muitos reparadores independentes que ainda não estão respaldados na segurança de uma rede, as expetativas para 2020 podem ser positivas para quem esteja disposto e tenha capacidade para investir, tanto em equipamento como em formação, própria e dos seus funcionários. E há ainda uma caraterística que pode ajudar as pequenas oficinas que não estão ainda na linha da frente da tecnologia. Explica-nos Neli Valkanova, secretária-geral da ARAN: “A idade média do nosso parque automóvel é de 12,8 anos, ou seja, oficinas independentes que não estejam preparadas para carros muito recentes ainda têm um mercado. O setor automóvel está claramente em mudança, mas não será

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tão rápida quanto se pensava, ainda há margem para trabalhar nas oficinas independentes que são micro empresas. Esta tendência para o envelhecimento do parque mantém-se pela ausência do incentivo ao abate e pela importação de veículos usados. Esse poderá ser um lado positivo para as oficinas independentes”. Contudo, Neli Valkanova faz questão de alertar estes empresários de que o tempo corre e que terão de se atualizar, de forma a garantirem o futuro! “Não esqueçamos que, quando se fala em pós-venda, temos agora três pilares: carros elétricos, conectividade e mobilidade. Os elétricos, todos concordam, serão o futuro, mas a sua quantidade no mercado é pequena e as oficinas da marca ainda têm um poder muito grande. A conectividade é a ferramenta de fidelização mais forte das oficinas, é o futuro e aqui quero deixar um alerta: as oficinas independentes não estão suficientemente preparadas para essa realidade, até porque nem tudo depende delas. Há uma luta, a nível europeu, para que haja acesso igual aos dados técnicos. Sem isso e sem possibilidade de trabalhar a viatura, será impossível funcio8

As empresas grandes do "aftermarket" estão a ficar cada vez maiores e quem não acompanhar o "comboio" poderá ficar irremediavelmente para trás...


rados para isso”. A responsável da ARAN destaca o progressivo aumento do grau de formação das pessoas que trabalham nas oficinas independentes, apenas alertando para a necessidade de resolver a dificuldade em arranjar mão-de-obra para a pintura “Temos consciência desse problema. Há uma valorização da mecatrónica e tem de se valorizar o papel de um pintor e chapeiro que não é traduzido para as pessoas novas e não se conseguem criar turmas para ter esses profissionais no mercado. Terá de ser feito algo para valorizar esta profissão”. FORMAÇÃO É DECISIVA! Para Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA, há sempre incertezas em torno do setor oficinal e do pós-venda em geral. “Nos últimos anos

Neli Valkanova (ARAN) fala na necessidade de investir em equipamento e formação para que 2020 possa ser um ano positivo

nar o futuro. Só com formação, investimento e conhecimento, as oficinas poderão continuar no mercado, sem isso será totalmente impossível”. Por fim, a nova problemática da mobilidade e do desapego das gerações mais novas pela posse de automóvel: “Hoje em dias temos soluções como ‘car sharing’ e outras do género para uma faixa etária muito mais abrangente que apenas a dos ‘millenials’ e que deixa cair o conceito de possuir um carro. Que olhará para soluções de mobilidade em vez de propriedade. E temos de estar prepa-

este setor tem passado por grandes alterações, pelas vendas concentradas nos grandes operadores (gestoras de frotas e rent-a-car), fatores que se confundem ainda com a importação de muitos carros usados que se introduzem, por exemplo, no mercado dos TVDE e que terá andado na casa dos 80 mil veículos em 2019”, explicou-nos. “No pós-venda propriamente dito, há fatores concretos, desde a complexidade da atividade, com carros que são cada vez mais avançados e a seleção cada vez apertada dos operadores com

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DESTAQUE

OFICINAS ILEGAIS COMPROMETEM O FUTURO DAS CUMPRIDORAS Quando falamos de perspetivas para tudo o que rodeia o pós-venda, em particular o mundo oficinal, continua a haver um “tumor” que não desaparece por falta de fiscalização apropriada e que muito pode comprometer o futuro do negócio das pequenas oficinas que se esforçam por cumprir a complexa e apertada legislação. “Há sinais de que temos falado e denunciado que não ajudam muito: a falta de ataque à economia paralela, a concorrência desleal, com alguns operadores que atuam à margem da legalidade e que acabam por intervir no mercado”, alerta Roberto Gaspar, secretário-geral da Anecra. “Por exemplo, na chapa e pintura há vários operadores à margem da lei. Mas nem sempre é um processo fácil, embora continuemos a denunciar”. Neli Valkanova, secretária-geral da ARAN, vai mais longe, apontando os muitos constrangimentos com que as pequenas oficinas têm de viver: “Concorrência desleal, carga fiscal e requisitos muito apertados são os maiores problemas. Para as empresas funcionarem com todos os requisitos legais, a carga é enorme e, por vezes, as coimas podem levar ao fecho. Trabalhar legalmente e, ao lado, alguém não pagar impostos e não se saber de onde vêm as peças, é isso que pode matar as empresas! O problema é a falta dos inspetores da ASAE que não trabalham fora do horário de expediente. Para uma oficina de 2 a 4 trabalhadores ter um funcionamento legal e passar em todas as inspeções, o investimento é muito elevado!”.

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Roberto Gaspar (ANECRA) passa uma mensagem de otimismo para 2020, mas aconselha a vigilância constante em relação aos muitos fatores que condicionam o mercado

capacidade para estar no mercado. Só os mais preparados e com acesso a mais meios poderão continuar a operar...”, salienta Roberto Gaspar para acrescentar: “É esse um dos papeis da ANECRA, apoiar os seus associados dando-lhes mais ferramentas para continuarem a operar de forma sustentável no mercado, adaptando-se à crescente complexidade dos automóveis”. E, claro, isso passa por ações de formação que se estendem por todo o ano e que os operadores estão a procurar com interesse crescente, com destaque para a assistência básica… aos veículos elétricos! “É um mercado ainda pouco relevante nos operadores independentes porque a maior parte dos carros vai às oficinas das marcas, mas os nossos associados começam a ter grande preocupação com a formação. Organizamos anualmente milhares de horas de formação profissional para o setor e, atualmente, uma das áreas com maior procura é a das viaturas elétricas porque começam a sentir que têm de se preparar nesse sentido. Todos os cursos que promovemos na área de Nível 1 de elétricos estão todos tomados!”. Por fim, o secretário-geral da ANECRA alerta ainda para outros pontos cruciais para ter um futuro risonho na atividade do pós-venda e que passará por novos investimentos em 2020: “Há áreas objetivas em que tem de se investir para se continuar no mercado. Por exemplo, nos sistemas ADAS, quem queira reparar viaturas na área de chapa e pintura terá de ter meios para calibrar corretamente as viaturas que terão cada vez mais sistemas desses. O mesmo se passa no acesso à informação. O que antes era possível fazer com a experiência dos profissionais mais velhos, vai deixar de ser feito. Lançámos um serviço para os nossos associados poderem ter acesso a informação sem necessidades de pagamento de licenças porque é fundamental para a sua sustentabilidade. Mas não tenho dúvidas de que há a necessidade de investir em ferramentas e em formação”. 10


NOTÍCIAS

N ACIONAIS

R-M aposta na tecnologia UV A R-M acaba de lançar novos produtos na sua gama de secagem por ultravioletas (UV). Um dos destaques é a possibilidade de escolha do primário aparelho cinza mais apropriado para cada reparação e conseguir um resultado de cor perfeito. As três versões do primário aparelho foram desenvolvidas para se utilizar com a tecnologia UV, sendo soluções mono componentes, pelo que a reparação pode ser mais rápida, não devendo misturar este produto com nenhum outro aditivo nem endurecedor. Além disso, a R-M completa o seu portfólio de produtos UV com a incorporação do B 2530 STOP UV LIGHT, um betume de secagem UV que, tal como o primário aparelho, ajudará a oficina a reduzir os tempos do processo de reparação. rmpaint.com/pt

RE PINT U R A A UTO MÓV EL

Renovar profissão para atrair jovens

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ma das principais questões com que se debate o setor oficinal é a falta de mão-de-obra qualificada na parte da pintura automóvel. Há mesmo alguns estudos que indicam que se pode vir a tornar numa grande crise, daí que haja uma discussão em torno do que se deve fazer para atrair mais jovens para esta profissão. Jim Muse, vice-presidente de repintura da Axalta Europa, está atento ao problema e opinou: “Para superar esta

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crise de competências, o setor deve posicionar a profissão como uma carreira para os que têm experiência com tecnologias digitais e estão sensíveis às questões ambientais”. A escassez de competências é um problema que aflige os proprietários de oficinas por toda a Europa (Portugal não é uma exceção!) e fica a dever-se à falta de interesse das gerações mais novas e ao envelhecimento da classe existente. Para inverter esta situação,

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Q&F com amortecedores Bilstein

o responsável da Axalta entende que há que “renovar a imagem do que representa o trabalho do pintor”, até porque “as inovações na tecnologia significam que, hoje em dia, a profissão é tão digital como manual e está cada vez mais sensível às questões ambientais”. Durante muitos anos, o trabalho de repintura era algo estático, mas com os desenvolvimentos tecnológicos o processo é agora realizado de forma rápida e precisa nas oficinas modernas, com sistemas digitais avançados, apoiados por ferramentas de correspondência de cores digitais que oferecem aos pintores total mobilidade nas oficinas. O responsável da Axalta refere que “a inovação na tecnologia significa que o processo de reparação da pintura de um veículo está a tornar-se mais rápido, fácil e rentável, em que as ferramentas digitais nas oficinais fazem

sentido para a geração mais jovem, familiarizada com tecnologia e à procura de emprego”. Segundo um estudo recente da Dell Technologies, intitulado “Geração Z: o futuro chegou”, realizado a mais de doze mil jovens, entre os 16 e 23 anos, de 17 países diferentes, revelou que 80% ambicionam trabalhar com tecnologias de ponta e 91% declararam que a tecnologia influenciaria o trabalho. E é este grupo alvo que os proprietários das oficinas pretendem atrair, a chamada geração Z, que até 2020 se prevê vir a representar um quarto da mão-de-obra mundial. “Para atrair esses jovens à procura de emprego, os proprietários das oficinas precisam de incorporar mensagens de digitalização e sustentabilidade ambiental nas respetivas exposições em ofertas de emprego e na comunicação com as escolas técnicas”, finaliza Jim Muse. axalta.com

Com mais de 60 anos de experiência na indústria automóvel, a Bilstein apresenta os seus amortecedores com tecnologia a gás de elevado desempenho. A Q&F Lda. é importadora de toda a gama Bilstein para Portugal, onde se destacam alguns modelos, a saber: B12 Pro-KIT / B-12 Sportline permite rebaixar a viatura entre 10 a 50 mm; já o B6 possibilita um bom comportamento dinâmico, sem prescindir do conforto; o B8 está preparado para molas de rebaixamento, sendo um pouco mais curto; o B14 e B16 são indicados para quem pretende controlar todas as variáveis numa suspensão; e o Motorsport indicado para todo o tipo de atividades desportivas. qf-lda.pt

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NOTÍCIAS

N ACIONAIS

Veneporte online: imagens a 360o

E X P O ME CÂNICA

Crescimento a dois dígitos A cerca de quatro meses da abertura das portas, o ExpoMecânica 2020 já tem 191 expositores inscritos, 29 dos quais estrangeiros, em representação de Espanha, Itália e Bélgica. Os responsáveis do evento esperam mesmo receber cerca de 50 expositores de fora de Portugal. O evento, na sua sétima edição, realiza-se de 17 a 19 de abril do próximo ano e está a crescer a dois dígitos (25 por cento de crescimento líquido), pelo que a organização espera vir a ter a “melhor edição de sempre”, afirma José Manuel Costa, diretor-geral da KiKai Eventos.

O certame juntará, pelo terceiro ano consecutivo, mais um pavilhão da Exponor, num total de quatro pavilhões (do 2 ao 5) e cerca de 24 mil metros quadrados de área expositiva. “Estamos já 3,20 por cento acima dos indicadores organizativos do salão do ano passado, em área alocada, mas ainda temos cerca de quatro meses pela frente”, refere Sónia Rodrigues, diretora comercial da KiKai. Entretanto, está já a ser preparado o programa de atividades paralelas, que irá incluir demonstrações, conferências, jogos e competições, entre outras. expomecanica.pt

B O SC H

PEÇAS DE REPOSIÇÃO PARA CARROS COM MAIS DE 10 ANOS Os veículos com mais de 10 anos representavam, no ano passado, mais de 60 por cento da frota automóvel, estimando-se que aqueles entre os 10 e os 15 anos de antiguidade tenham o dobro do risco de sofrer acidentes graves em comparação com os que têm menos de 5 anos, revela um estudo realizado pela RACE e pela Bosch.

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Por este motivo, uma adequada manutenção dos veículos mais antigos com as melhores peças é essencial, tanto para o seu correto funcionamento, como para melhorar a sua segurança. Nesse sentido, a empresa alemã conta com mais de 40 mil peças de reposição de todas as áreas de produto para mais de cinco milhões de automóveis fabricados em Portugal antes de 2008. Entre outras peças, podem encontrar-se sistemas de travagem, escovas limpa para-brisas, sistemas de ignição, injeção de gasolina e diesel, motores de arranque e alternadores, filtros, correias, iluminação, baterias ou sondas lambda. Graças aos numerosos testes a que submete os seus produtos, a Bosch garante uma elevada qualidade daqueles componentes e do equipamento original das suas peças. bosch.pt 14

A Veneporte passou a disponibilizar no seu catálogo “online” uma nova funcionalidade que permite aos seus utilizadores visualizar a 360° a imagem dos seus produtos. A funcionalidade foi desenvolvida com o objetivo de melhorar e enriquecer a experiência do utilizador quando recorre ao catálogo à procura de determinado produto. Após efetuar a pesquisa do produto, que pode ser realizada por modelo de automóvel, matrícula ou referência, para além de toda a informação técnica que o catálogo já disponibilizava, atualmente consegue visualizar a respetiva peça a 360°. veneporte.com/pt/

Krautli lança fechaduras de porta A Krautli Portugal acabou de introduzir no mercado nacional as fechaduras de porta do seu fornecedor KSH Europe, a preços competitivos, como resultado da crescente procura por este tipo de produtos. Desta forma, foi realizado um importante investimento em “stock” de toda a gama KSH, para garantir a satisfação do serviço aos seus parceiros. Para consultar os produtos basta aceder ao sítio da empresa. krautli.pt


NOTÍCIAS

N ACIONAIS

Iridium IX para motores “especiais”

MI DAS

Novas aberturas em Portimão e Beja

A

Midas inaugurou mais duas novas unidades, em Portimão e Beja (foto), chegando a um total de 81 oficinas no nosso país, que fazem parte da estratégia de crescimento da marca, apostando na sua expansão desde a sua fundação em 2001. Marca ainda um novo conceito de loja e uma evolução do seu logotipo, com uma abordagem mais focada nas pessoas. Na fachada da oficina de Portimão e respetiva área de receção, os tons branco e amarelo são usados para representar o ser humano, serviço e proximidade. Dentro do espaço, o tom preto é usado para transmitir a experiência e o profissionalismo da rede Midas.

“A abertura da oficina de Portimão é um sinal da confiança da nossa marca na região do Algarve. Ainda não estávamos presentes na zona do Barlavento e é uma enorme satisfação podermos chegar a cada vez mais consumidores nacionais. O Algarve tem condições muito favoráveis e esperamos obter rapidamente a confiança dos consumidores desta região”, revela Cláudia Antunes, diretora de marketing da Midas. Também a oficina de Beja é a primeira naquele distrito, estando a marca apostada em continuar a realizar novas aberturas em 2020, face ao crescimento sustentado do seu negócio. midas.pt

D I ESE L T E C HN I C

CONSELHOS PARA MONTAGEM DE CHUMACEIRAS A Diesel Technic disponibiliza alguns conselhos sobre o seu conjunto de chumaceiras, um produto com a referência 1.33221. Trata-se do “kit” de rolamentos composto por 14 metades, cujos pinhões do eixo correm nos casquilhos principais compostos, que por sua vez definem a rotação do eixo da cambota. Os mancais, ou rolamentos, são usados para possibilitar que as peças móveis girem sem se desgastarem, como também servem para apoiá-las e guiá-las dentro do motor. As superfícies são separadas localmente por uma película de óleo, que é pressionada atra-

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vés de um orifício no armazenamento. De forma a proceder-se a uma intervenção segura, a Diesel Technic lembra que, durante a montagem, a limpeza é especialmente importante, pelo que se deve usar sempre óleo limpo do motor e os componentes individuais não devem estar secos. Antes da instalação, é necessário assegurar que os orifícios de óleo estão livres de qualquer contaminação. As metades dos rolamentos devem ser instaladas no local correto, de acordo com as instruções de montagem, não esquecendo de ver as marcações “superior” e “inferior”. dieseltechnic.com/pt-br 16

A NGK Spark Plug explica como a sua linha Iridium IX deu um salto qualitativo no que se refere à tecnologia de velas de ignição para motores automóveis. “As velas Iridium IX são uma excelente oportunidade para melhorar os carros mais antigos e alguns mais jovens”, afirma Kai Wilschrei, gerente sénior de serviços técnicos de “aftermarket” EMEA na NGK Spark Plug Europe. O responsável explica que “ao instalá-las como velas de ignição de reposição, irá garantir aos seus condutores um resultado final mais fiável, sem falhas e com uma vida útil mais prolongada, sem acumulação de carbono”. ngkntk.com/pt

Pro4matic chega ao Algarve Sediada na zona centro do País, a Pro4matic – Suspensões Pneumáticas, acaba de abrir um novo centro de distribuição e reparação em Almancil, no Algarve, numa parceria com a Konzept Automobile. Segundo os responsáveis da Pro4matic “esta iniciativa permite melhorar o nosso serviço e estar mais perto dos nossos clientes. Espera-se assim uma maior celeridade e eficiência no apoio ao cliente”. pro4matic.com


NOTÍCIAS

N ACIONAIS

Panos de limpeza da MEWA P R O G R A M A DE FIDE LIZAÇÃO E XT R A

Bosch premeia oficinas A té 31 de janeiro de 2020, o programa de fidelização eXtra da área “automotive aftermarket” da Bosch vai premiar as oficinas, desta vez com o lançamento de uma campanha especial de baterias. Assim, as 15 oficinas que acumularem mais pontos com o envio dos códigos EAN dos modelos de bateria incluídos no portefolio da marca ficam habilitados a ganhar diversos prémios. Para participar, as oficinas têm de aderir ao programa eXtra e registarem-se no sítio www.extra-premios.pt. Podem ainda fazer um seguimento semanal da

posição que ocupam na classificação geral na própria página “web” do programa de fidelização. As oficinas podem assim ganhar variados prémios, desde uma moto elétrica com bateria Bosch, a relógios e colunas, entre outros. Adicionalmente, a que obtiver mais pontos por semana com a sua participação receberá um código de combustível. O programa eXtra, além de permitir ganhar pontos com as compras de peças de substituição da Bosch, disponibiliza também campanhas especiais todos os meses. bosch.pt

O sistema de panos de limpeza da MEWA apura a quantidade de panos de limpeza de que uma oficina precisa. Quando um pano, depois de várias utilizações, já não está em condições de ser usado, é deitado no contentor de segurança SaCon, também fornecido pela empresa. Depois, à hora combinada, a empresa vai buscar o SaCon com os panos usados, lava, cuida e devolve-os limpos à oficina que deixa de se preocupar com os tratamentos que a lei exige para materiais inflamáveis. mewa.pt

M OT U L

RENOVADA GAMA DE LUBRIFICANTES 8100

A

Motul anunciou a atualização da sua gama 8100 para automóveis, óleos 100% sintéticos, nomeadamente a reformulação do lubrificante 8100 X-Clean para BMW, devido às alterações realizadas pela marca nos seus testes de motor e homologação de produtos, convertendo-o no 8100 X-Clean GEN2 5W40. Este produto também atualizou as homologações, aumentando a cobertura ao Mercedes Benz (229.52 e 226.5). Segundo o diretor-geral da Motul Ibérica, Ferran Carrera, “inovamos de forma constante, com o objetivo de darmos resposta aos fabricantes de automóveis, com rapidez, eficiência e sempre com a máxima qualidade dos nossos lubrificantes, tendo como foco a redução do impacto ambiental”.

TURBO OFICINA DEZEMBRO 2019

Magneti Marelli lança puxadores

O lubrificante 8100 Eco-Clean 0W20 também foi alterado para BMW, com a nova normativa BMW LL-17 FE+ para todos os motores N20 e Bx8. Neste caso, cobre e substitui a norma de BMW LL14 FE+ para motores BMW e Mini a gasolina. Por último, realizou-se uma melhoria na fórmula do 8100 Eco-Clean 0W30 acrescentando-se a normativa Land Rover ST.JLR.03.5007. motul.com/es/pt 18

A nova linha de puxadores de portas da Magneti Marelli consiste em mais de 290 referências, entre puxadores (com ou sem fechaduras), fechaduras e caixas com sistemas de fecho. Os puxadores são fabricados em Itália com plásticos de alta resistência e metais como o alumínio, zinco ou magnésio, atendendo aos mais rigorosos padrões de qualidade europeus. magnetimarelli.com/pt


NOTÍCIAS

N ACIONAIS

AGE AS P O R T UGA L

Assistência a veículos elétricos O Grupo Ageas Portugal acaba de lançar um serviço exclusivo, para os seus clientes do ramo automóvel, de assistência a veículos elétricos. Em parceria com a Interpartner Assistance, foram desenvolvidos e montados sistemas de carregamento de baterias dentro de dois automóveis. Desta forma, a seguradora garante a entrega de uma carga de 23 KW em Lisboa e no

Porto, o que permite percorrer mais 50 quilómetros até um ponto de carga mais próximo. A conceção teve em conta os vários modelos elétricos existentes no mercado, assim como as diversas fichas utilizadas, possibilitando intervir em qualquer viatura. Foi também garantida a total segurança na recarga e proteção da bateria dos veículos. ageas.pt

UF I FI LT E R S

Baterias Yuasa com novas aplicações

A UFI Filters apresenta o novo módulo de óleo em todos os motores 2.0 l EA 288 EVO equipados com o sistema “mild hybrid” do Grupo Volkswagen, com potências entre 100 (136 cv) e 150 kW (204 cv). Os sistemas de filtração da UFI adaptam-se às necessidades dos novos sistemas híbridos, como o motor de 4 cilindros do Grupo Volkswagen, com um “starter-generator” conectado a uma bateria de íões de lítio. O novo propulsor EA 288 EVO da empresa alemã reduz as emissões de CO2 até 10 g/km, em comparação com a versão

A Krautli apresenta a YT19BL-BS, da Yuasa, uma bateria VRLA de alto desempenho com tecnologia AGM, compatível com os modelos K1600GT e R1200 (RT, LT, GT, RS, S) da BMW e válida para modelos com ou sem sistema ABS. Ao contrário de outros tipos de bateria no mercado, ao ser fornecida sem ser ativada na fábrica, pode ficar armazenada por longos períodos de tempo, cumprindo ainda especificações dos fabricantes de motociclos. krautli.pt

MÓDULO DE ÓLEO PARA MOTORES HÍBRIDOS anterior, graças à gestão térmica do circuito e a um “layout” otimizado para reduzir as quedas de pressão. É um dos motores mais vendidos da marca alemã, instalado em vários modelos de veículos, entre eles o Volkswagen Golf, Passat, Škoda Octavia, SEAT Leon e oferece inúmeras vantagens em termos de consumo de combustível, conforto e desempenho. A peça estará disponível no catálogo “aftermarket” da UFI e Sofima no próximo ano. ufi-aftermarket.com

ZF LANÇA KIT DE EMBRAIAGEM REFORÇADO A ZF Aftermarket desenvolveu, através da marca Sachs, um kit de embraiagem reforçado para veículos de alto desempenho e expostos a condições de condução extremas, que inclui um prato de pressão da embraiagem, um disco de embraiagem e um rolamento hidráulico. Numa fase inicial, a gama abrange os veículos diesel Subaru

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a partir de 2008. Uma mola de diafragma reforçada oferece uma vida útil maior e o aumento da pressão de encosto melhora a fiabilidade da transmissão. Adicionalmente, há um desgaste reduzido da fricção e nenhuma perda de conforto, uma vez que a peça exerce a mesma força de desengate. aftermarket.zf.com 20


E D I Ç Ã O

E S P E C I A L

O MAIS COMPLETO GUIA DE CARROS ECOLÓGICOS

NAS BANCAS


REPORTAGEM

DPAI DIVULGA DADOS DO SETOR

"AFTERMARKET" VALE 1375 MILHÕES DE EUROS Na senda da inovação, a DPAI lança dados sobre o “aftermarket” nacional e aponta os desafios e tendências que se avizinham. Apesar de o volume de negócios ter registado um crescimento em 2018, a verdade é que o mercado está em desaceleração Texto David Espanca

A

Divisão do Pós-Venda Automóvel Independente (DPAI) realizou o último ciclo de encontros de 2019 para dar a conhecer as mais recentes tendências deste setor, baseando-se em dados estatísticos levados a cabo pelo Observatório

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do Pós-Venda Independente Portugal 2019. Coube a Joaquim Candeias, presidente do DPAI, fazer a abertura dos trabalhos do 2.º Encontro de Empresários do Pós-Venda Automóvel Independente e um balanço do ano, em que destacou a participação desta Divisão 22

nas feiras expoMecânica, no Porto, e Motortec, em Madrid. Também o programa avançado de gestão, levado a cabo no INDEG-ISCTE, tem-se revelado bastante importante para o futuro dos profissionais do setor. Para falar sobre dados estatísticos e a sua importância para a delineação


da estratégia das empresas, Pedro Barros, membro da comissão executiva da DPAI, explicou que a estrutura empresarial do setor do “aftermarket” em Portugal compreende cerca de 1500 empresas, mas são 1286 as que realmente participam nos estudos, no fundo as que têm as declarações entregues às Finanças. É de salientar ainda que 60 destas empresas têm uma faturação superior a três milhões de euros. MERCADO DESACELERA O interlocutor adianta ainda que “o volume de negócios do ‘aftermarket’ cresceu 27% em 2018, representando 1375 milhões de euros” e que “quase metade dessa faturação é da responsabilidade de cerca de 60 empresas”. No entanto, esclarece que atualmente o mercado se encontra em desaceleração, pois “tem-se verificado uma perda de produtividade nos últimos cinco anos”. Falou depois sobre as tendências que

vão condicionar o mercado do pós-venda, tendo uma delas a ver com o facto de os construtores automóveis melhorarem, a curto prazo, o seu posicionamento na distribuição de peças. Logo, “as barreiras entre os canais OE e o IAM tendem a desaparecer”. Depois, prossegue, “o aumento da transparência de preços em toda a cadeia de valor gerará tensões de preços na distribuição de peças de reposição”. Uma outra tendência é que “o número de decisores sobre onde será realizada a reparação do veículo ficará mais reduzida, o que levará a uma concentração no negócio de pós-venda”, conclui Pedro Barros. As nove milhões de consultas em catálogos de preços de peças dizem respeito, na sua maioria, a veículos que têm entre 9 a 18 anos (41,5%), com mais de 18 anos (34,4%), seguidos a grande distância pelos de 3 a 8 anos (15%) e os de 0 a 2 anos (8,3%). Estas pesquisas levam também a que o consumidor esteja mais bem informado sobre o va-

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REPORTAGEM

MAIS DE 350 MIL VEÍCULOS FABRICADOS As transformações no mercado automóvel e o impacto no pósvenda foram analisadas pelo secretário-geral da ACAP. Hélder Pedro avançou com alguns factos e números, revelando que, em 2019, deverão ser produzidos mais de 350 mil veículos em Portugal, face aos 273.058 alcançados em 2018. No entanto, de janeiro a novembro deste ano verificou-se uma redução de 2,9%, face ao ano anterior, no número de veículos novos registados, perfazendo um total de 245.130 unidades. Atualmente, as vendas de automóveis ligeiros de passageiros no nosso País ainda apresentam a seguinte repartição por tipo de combustível: gasolina (49%), gasóleo (40%) e outros (10,7%). Uma nota interessante refere que, de janeiro a setembro de 2019, “Portugal foi o terceiro país que mais comprou veículos ligeiros de passageiros elétricos na Europa, com 3,1% do total”, revela Hélder Pedro, logo a seguir à Holanda, com 10,4%, e à Suécia, com 4,9%. Em 2018, o parque automóvel nacional era composto por cerca de 6,28 milhões de unidades, com uma idade média de 12,7 anos para os veículos ligeiros de passageiros. A propósito do PNEC 2030, que define as políticas e linhas de atuação para a próxima década rumo à neutralidade carbónica em 2050, o Governo pretende que, em 2030, 33% dos veículos ligeiros de passageiros tenham uma mobilidade elétrica e que, no caso dos ligeiros de mercadorias, esta assegure mesmo a quase totalidade da procura.

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lor das peças e a argumentação que tem na altura da reparação na oficina é decisiva. Por outro lado, a consolidação da redução da procura de veículos a diesel pode comprometer a sustentabilidade de alguns fabricantes de peças de reposição. Atualmente, o parque automóvel circulante está representado da seguinte forma: gasóleo (50%), gasolina (49%) e energias alternativas (1%). É de salientar a procura de peças que corresponde a veículos a gasóleo (70%) e gasolina (30%). Desta forma é de prever que, em 2030, “o setor do ‘aftermarket’ sofra uma redução nos lucros na ordem dos 18%”, adianta Pedro Barros. Uma outra questão tem a ver com o acesso aos dados do veículo, que farão deste um elemento ativo de pós-venda. Como é do conhecimento geral, “o carro do futuro será elétrico, autónomo, conectado, partilhado e personalizado, pelo que estas tendências irão afetar o volume e a estrutura do mercado, bem como os modelos de negócio em torno dos agentes”, defende o responsável do DPAI. Ainda houve tempo para alguns dados sobre o mercado de pneus em Portugal, que representou um volume de negócios de 579 milhões de euros em 2018, estando representado por 1049 empresas, sendo Lisboa e Porto os principais distritos aglutinadores. Joaquim Candeias finalizou o encontro referindo a importância destes in24

dicadores estatísticos “que mais ninguém tem no setor”. E são realmente uma importante fonte de informação para o desenvolvimento do negócio do pós-venda automóvel independente, ajudando a compreender os seus movimentos e a definir as suas tendências.

A consolidação da redução da procura de veículos a diesel pode comprometer a sustentabilidade de alguns fabricantes de peças de reposição


NAS BANCAS

O GUIA INDISPENSÁVEL PARA QUEM VAI COMPRAR CARRO


TENDÊNCIAS

O LADO POSITIVO DA PRESSÃO

O CLIENTE IMPACIENTE É UMA OPORTUNIDADE! Os clientes estão cada vez mais impacientes e querem tudo para ontem… Mas essa pressão, aparentemente insustentável, pode ser revertida numa oportunidade de negócio e de se destacar da concorrência! TURBO OFICINA DEZEMBRO 2019

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É

O tempo parece cada vez mais acelerado, mas há formas de as oficinas usarem o "stress" dos clientes em favor do seu negócio

quase um lugar comum dizer que o mundo e a vida aceleraram, nestes últimos anos, para uma velocidade incrível em que, por vezes, mal se consegue respirar… Nos negócios, então, qualquer hesitação ou prazo mais longo podem ser sinónimos de menos trabalho, ou seja, menos dinheiro em caixa no fim do mês e menor rentabilidade. Um estudo recente concluiu que 79% dos clientes deixam de comprar a uma empresa se não obtiverem o que procuram logo no seu primeiro contacto… As oficinas vivem constantemente sob a pressão desse síndrome tão recente a que poderemos chamar do “cliente impaciente”, aquele que precisa sempre de tudo “para ontem”. Mesmo se as reparações podem envolver processos que, por si só, implicam operações que têm mesmo de ser demoradas para ficarem bem feitas. A pintura automóvel é flagrante caso de potencial “choque” entre a urgência do “cliente impaciente” e as necessidades de tempo para que o trabalho seja feito com qualidade. Daí a necessidade de recorrer a produtos e técnicas que acelerem processos, garantindo a manutenção do nível de qualidade. A boa notícia para as oficinas é que, no campo da pintura, também há formas de tirar partido dessa “impaciência” do cliente em benefício próprio, como explicou Kevin Torfs, “brand manager” da Cromax (grupo Axalta) para a Europa, Médio Oriente e África. “No mundo atual a tecnologia criou a crença de que tudo acontece rapidamente”, começou por enquadrar. “Um estudo da Google mostrou que 40% dos clientes saem de uma página da Net que demore mais de 3 s a carregar. Ou seja, as pessoas estão mais impacientes que nunca e as empresas têm de adaptar os seus produtos e a oferta de serviços em conformidade”. Esta necessidade poderá implicar, obviamente, alguns investimentos em novas tecnologias que já existem e que se traduzirão num forte aumento da produtividade da secção de pintura. O que, acelerando processos e reduzindo tempos, permite que determinada oficina se destaque para os tais “clientes impacientes”, ganhando assim mais negócio. “As ferramentas e os sistemas de poupança de tempo, de material e de energia da Cromax – algo como o siste27

ma ChromaConnect, de gestão de cor digital – impulsionam a produtividade como nunca antes e ajudam os proprietários das oficinas a aproveitarem as exigências dos clientes de prazos de entregas rápidos nas reparações de veículos”, diz Kevin Torfs, para concluir: “Essa conveniência e rapidez proporcionarão em última instância uma vantagem competitiva às oficinas”. ACELERAR A REPINTURA Ou seja, a pressão dos “clientes impacientes” não tem de ser algo necessariamente mau, desde que seja encarada por uma perspetiva correta. Nomeadamente com uma análise pragmática dos processos e das áreas em que poderão ser introduzidos melhorias que possam corresponder a essa “pressa” e que acabarão por resultar numa maior produtividade. “A única forma de continuar no negócio e aumentar a rentabilidade é compreender o que os clientes querem e perceber como lhes dar o que pretendem”, explica Kevin Torfs. “É verdade que a fasquia das expetativas dos clientes, de prazos de entregas rápidos, está muito alta, mas o ChromaConnect e os nossos produtos e ferramentas contribuem para os proprietários das oficinas responderem à procura”. Dá como exemplo o Ultra Performance System da Cromax que, em trabalhos de reparação maiores, permite que as peças de um automóvel possam ser repintadas em apenas 36 minutos. E até se a oficina decidir deixar secar totalmente ao ar, o tempo total do processo é de meros 74 minutos, mantendo a aparência de elevada qualidade e a excelente resistência com brilho após o acabamento. Nos pequenos danos, com a utilização de técnicas especiais que permitem reparações mais rápidas, aquele sistema da Cromax ajuda a reduzir o desperdício e a otimizar o fluxo de trabalho. Há, pois, uma série de ferramentas à mão dos proprietários das oficinas que quiserem transformar a ansiedade que causa um “cliente impaciente” numa oportunidade para se destacar da concorrência! E Kevin Torfs, da Cromax, conclui: “O fundamental é compreender os clientes e considerar a sua impaciência uma oportunidade para o crescimento e para aumentar a rentabilidade”.

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ANTEVISÃO

CES-2020

O FUTURO EM LAS VEGAS A feira tecnológica de Las Vegas tornou-se tão ou mais importante que os salões automóveis, para os grandes construtores exibirem o que estão a fazer no futuro da mobilidade. O CES-2020 voltará a ser… um “show”!

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ão era suposto ser assim, mas a evolução tecnológica tornou-o inevitável: desde há uns anos que os primeiros dias de cada mês de janeiro são guardados para discutir a evolução do automóvel, os futuros caminhos da mobilidade e para mostrar as últimas invenções que hão-de chegar… “depois de amanhã”. Não se trata de nenhum dos grandes salões automóvel, mas da maior feira de tecnologia do Mundo, o “Consumer Electronics Show” (CES) que se realiza em Las Vegas – este ano de 7 a 10 de Janeiro – e que já se tornou ponto de paragem obrigatório para os construtores automóveis que querem marcar o futuro da indústria. O CES-2020 não será exceção, com cerca de 140 empresas ligadas às mais avançadas tecnologias embarcadas e com os veículos autónomos em grande destaque, quer por demonstrações dos mais recentes avanços, quer por debates sobre a direção a seguir. A importância do “show” norte-americano comprova-se pela presença do novo presidente da Daimler, Ola Källenius, que irá a Las Vegas para apresentar um novo e espectacular protótipo, segundo anuncia a Mercedes, que mostrará uma nova forma de interação entre humanos, tecnologia e natureza. Só a

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imagem do “stand” da marca alemã já nos deixa impressionados… Também a Toyota quer mostrar os caminhos que pretende seguir na próxima década em termos de estratégia para a mobilidade que inclui extensa panóplia de opções, desde um minibus autónomo a um desportivo, passando por veículos bem mais estranhos e até um “robot” humanoide. A Hyundai vai ainda mais longe, não se limitando a apresentar novos ou revolucionários produtos. A marca coreana exibirá no CES de Las Vegas aquilo que 28

é o seu conceito de uma cidade do futuro centrada no ser humano, através das soluções de mobilidade inteligente. A Bosch estará presente em força, com inúmeras novidades, entre as quais destacamos o painel de instrumentos com informações a três dimensões, aplicações práticas da Inteligência Artificial e uns novos óculos para guiar com projeção de informações nas lentes, mas muito mais finos e leves (10 gramas) que as versões anteriores. Estas são só algumas das muitas inovações, a que haveremos de voltar na nossa próxima edição!


DOSSIÊ

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GESTÃO DE RESÍDUOS EM OFICINAS

COMPLEXA MAS GRATIFICANTE! As oficinas têm grande responsabilidade ambiental, por produzirem elevada quantidade de resíduos. Logo, têm de estar capacitadas para a eficaz gestão dos seus fluxos específicos, o que nem sempre acontece. Saiba como proceder corretamente Texto David Espanca

A

oficinas têm por obrigação legal manter atualizado o registo de todos os resíduos produzidos, no qual também devem indicar o seu destino. Todos estes resíduos terão de ser informados ao Ministério do Ambiente, através do registo eletrónico MIRR (SILiAmb), onde são introduzidos os dados de todas as operações efetuadas no início de cada ano, até ao final do mesmo. E é isso mesmo que comenta Ricardo Ferraz, técnico da ARAN - Associação Nacional do Ramo Automóvel: “Existe a obrigação legal das oficinas em tratarem dos respetivos resíduos”. A falta de informação pode levar à aplicação de coimas. O que é um facto é que, diariamente, as oficinas de reparação e manutenção automóvel produzem resíduos que requerem uma correta gestão, com o objetivo de minimizar o seu impacto no meio ambiente. Mas a tarefa não é fácil, já que “uma oficina que tenha serviço completo de mecânica, eletricidade, chapa e pintura, tem de efetuar cerca de 20 tipos diferentes de separação de resíduos”, chama a atenção o nosso interlocutor. No que respeita à correta separação de resíduos, prossegue Ricardo Ferraz, “é muito raro uma oficina ter esta gestão a 100 por cento, apesar de as haver, mas são poucas”. Também é um facto que se “antigamente estas separações eram muito mais reduzidas, atualmente ainda há muitas oficinas que separam o óleo, os filtros, as baterias ou os pneus, mas o resto vai tudo a monte, como por exemplo o facto de o papel contaminado ir para o lixo”. Obviamente, esclarece o técnico da ARAN, “há resíduos que são valorizados para as oficinas, como baterias, metais ferrosos ou não ferrosos, que muitas das vezes até são remunerados, mas a maior parte dos resíduos, sobretudo os perigosos, têm um custo acrescido na gestão das oficinas”. 31

19,2 MIL TONELADAS DE BATERIAS Um dos resíduos mais tóxicos oriundos de uma oficina são exatamente as baterias e acumuladores. Não sendo a única entidade a reciclar este produto, José Amaral, diretor operacional da Valorcar estima que esta rede “recolha entre 60 a 70 % do total de resíduos de baterias automóveis a nível nacional”. Em 2018, esta entidade, que conta com mais de 200 centros de recolha distribuídos pelo Continente e Regiões Autónomas, recolheu 19.277 toneladas de resíduos de baterias automóveis, das quais foram enviadas diretamente para reciclagem 19.209 toneladas. José Amaral explica que “as baterias usadas de chumbo-ácido são um componente considerado corrosivo, classificado como resíduo perigoso, pelo que se recomenda precaução no seu manuseamento, nomeadamente para evitar o contacto do operador com o eletrólito (solução de ácido sulfúrico)”. Assim, uma oficina deve disponibilizar aos seus mecânicos vestuário e equipamento de proteção adequados, tais como, calçado de proteção, luvas e óculos. Também importante é evitar choques e movimentos bruscos da bateria, já que pode provocar derrames e projeção do eletrólito para o exterior. Assim, aquele diretor operacional recomenda que haja perto “algum produto neutralizador ou absorvente do eletrólito, por exemplo, bicarbonato de sódio, para ser utilizado em caso de derrame, bem como uma ficha de segurança, com as instruções a seguir nesta e noutras situações de risco, como incêndios ou necessidade de prestação de primeiros socorros”. Relativamente ao seu armazenamento, a Valorcar refere que as baterias usadas devem ser ar-

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mazenadas em contentores ou caixas estanques, na posição vertical, voltadas para cima e com as tampas fechadas. Podem ser empilhadas umas sobre as outras dentro do mesmo contentor, mas a sua altura conjunta não deve ultrapassar o rebordo superior das paredes laterais. Os contentores, avisa José Amaral “devem localizar-se em zona coberta e impermeabilizada, afastada dos clientes, de fontes de calor e de substâncias inflamáveis”. No local, deve existir sinalização identificativa com o nome (por exemplo: baterias de chumbo usadas) e o símbolo de substância corrosiva. A oficina é responsável pelo transporte das baterias usadas para as empresas de gestão de resíduos licenciadas, devendo conservar a prova documental de todas as expedições, tais como as guias eletrónicas de acompanhamento de resíduos (e-GAR), devidamente validadas pelo transportador e pelo destinatário. Para tal tem de estar inscrita no SILiAmb, na qualidade de produtor de resíduos perigosos, no prazo de um mês após o início de atividade. Deve também aí registar anualmente, até 31 de março do ano seguinte ao do ano a reportar, informação sobre a quantidade e destinos discriminados das baterias usadas retomadas. O transporte das baterias usadas terá de cumprir as regras aplicáveis ao transporte de resí-

PRINCIPAIS RESÍDUOS PRODUZIDOS NUMA OFICINA - Óleos usados; - Mistura de hidrocarbonetos; - Filtros de óleo e de ar; - Amortecedores; - Diluentes usados; - Lamas de pintura; - Aerossóis usados; - Embalagens várias; - Desperdícios contaminados; - Baterias; - Pilhas várias; - Vidros; - Catalisadores; - Para-choques; - Pneus; - Sucata ferrosa e não ferrosa; - Papel e cartão; - Plásticos.

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BATERIAS COM VIDA NOVA A reciclagem dos vários componentes das baterias de chumbo tem como principais destinos: - O eletrólito é neutralizado com soda cáustica e, posteriormente, encaminhado para tratamento numa ETAR ou convertido em sulfato de sódio, que pode ser utilizado, por exemplo, no fabrico de detergentes ou vidro; - O plástico é posteriormente processado por extrusão e utilizado no fabrico, por exemplo, de novas caixas de baterias, mobiliário urbano, tubos de rega ou vasos para plantas; - Os compostos de chumbo são fundidos juntamente com outros materiais e purificados, produzindo-se lingotes ou moldes. O chumbo de melhor qualidade é utilizado para fabricar novas baterias, sendo o restante utilizado para cartuchos de caça, acessórios para pesca, barreiras de proteção contra radiações, contrapeso para elevadores, lastro para navios, etc.

As baterias velhas têm uma taxa de reciclagem que se aproxima dos 99%, sendo dos resíduos mais valorizados e com os quais as oficinas ainda podem ganhar algum dinheiro

duos, pelo que apenas pode ser realizado pela oficina, por empresas de gestão de resíduos licenciadas ou por empresas licenciadas para o transporte rodoviário de mercadorias por conta de outrem, detentoras de alvará ou licença comunitária. SETOR DOS PNEUS EM ANÁLISE Um material também bastante importante no desempenho ambiental do nosso País e que já está devidamente institucionalizado no seio das oficinas é o pneu em fim de vida. A Valorpneu, enquanto entidade gestora do SGPU, o sistema integrado de gestão de pneus usados, recolheu e tratou de 75.554 toneladas, em 2018. Perto de 50 mil toneladas destinaram-se à reciclagem, enquanto cerca de 22 mil toneladas tiveram como destino a valorização energética, três mil toneladas de pneus foram recauchutadas e 515 toneladas reutilizadas. Já este ano, foi apresentado o primeiro estudo nacional referente ao SGPU, que teve por base o fluxo específico dos pneus em fim de vida. De realçar que as oficinas são a atividade principal na caracterização deste estudo, com 44% do total, seguidas pelo comércio especializado de pneus, com 29%. Uma das conclusões retiradas refere que as regiões Norte e Sul são aquelas que melhores conhecimentos têm sobre o funcionamento do 33

SGPU. No total, mais de metade dos detentores (53%) revela um bom conhecimento sobre o mesmo e 65% encontra-se acima do nível de satisfeitos com o contributo da Valorpneu enquanto gestora deste sistema. Para a diretora-geral desta entidade, Climénia Silva, “a relação com todos os intervenientes no sistema sai reforçada, o compromisso com a sustentabilidade solidificou-se e temos agora uma radiografia única do setor que nos ajudará a contribuir para a evolução do sistema e para colmatar as principais dificuldades destes agentes, que todos os dias são responsáveis por gerir este importante recurso que são os pneus em fim de vida”. O documento mostra ainda que 94% dos detentores de pneus usados consideram-se satisfeitos ou plenamente satisfeitos com o sistema; no entanto a maioria identificou a necessidade de aumentar o número de centros de receção, estando já a Valorpneu alerta e a tomar as previdências necessárias. “O ponto de equilíbrio não é fácil de encontrar”, explica a interlocutora, contudo “foi feita uma análise detalhada à geração de pneus usados por distrito e à respetiva capacidade de armazenagem contratada nos diversos concelhos, de modo a identificar lacunas e prevenir zonas com potencial risco”. Através destes resultados, foi já possível ajustar os critérios de seleção dos

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CUIDADOS NA UTILIZAÇÃO DE ÓLEOS USADOS - Para evitar o contacto com os olhos, recomenda-se a utilização de uma viseira ou óculos com proteção lateral. Em caso de acidente, lavar abundantemente com água e consultar um médico; - Evitar o contacto, direto ou indireto, com a pele, já que pode ser cancerígeno, devido à presença de metais pesados. Em caso de contacto, lavar abundantemente a área afetada com água e sabão; - Utilizar vestuário e luvas impermeáveis adequados, mantendo o vestuário limpo e evitar o uso do mesmo quando contaminado com óleos usados; - Manter as condições de higiene pessoal após o seu manuseamento, lavando bem as mãos ou outras partes do corpo se tiverem estado em contacto com estes óleos; - Quando necessário, utilizar materiais adequados para a absorção de derrames ou limpeza de superfícies, encaminhando-os depois para o respetivo contentor; - Evitar a inalação de névoas, fumos e/ou vapores gerados durante o manuseamento de óleos usados; - Evitar a realização de procedimentos perigosos, como por exemplo a baldeação de óleo usado, de modo a minimizar o risco de derrames.

centros de receção de pneus usados, ainda que Climénia Silva pense que “há um longo trabalho a desenvolver, mas este é já um passo importante”. Outras das conclusões do estudo indicam que “76% dos inquiridos confirmaram conhecer a legislação associada à gestão de pneus usados e que 86% têm conhecimento que decorrem da legislação obrigações para a sua empresa, o que nos deixa francamente satisfeitos”, anunciou a responsável da Valorpneu. É preciso não esquecer que as oficinas devem debitar o valor correspondente ao ecovalor na fatura de forma visível; retomar os pneus usados sem custos para o seu cliente; armazenar os pneus em superfícies impermeabilizadas, separados dos outros resíduos; transportar os pneus para centros de receção com uma e-GAR; preencher uma ficha de identificação, à entrada dos centros de receção, e entregar os pneus separados por tipologia; e guardar o certificado de receção durante cinco anos.

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80% DOS ÓLEOS SÃO REGENERADOS Um outro resíduo originado nas oficinas, são os lubrificantes automóveis, sendo que a Sogilub se apresenta como a única entidade gestora do Sistema Integrado de Gestão de Óleos Usados (SIGOU). Aníbal Vicente, diretor executivo daquela entidade, adianta que, em 2018, “a Sogilub enviou a totalidade dos óleos usados recolhidos e pré-tratados para regeneração, cerca de 19.500 toneladas, e para reciclagem cerca de 4700 toneladas”. Desde que começou a operar, em 2006, prossegue, “já recolheu mais de 388 mil toneladas de óleos usados, regenerou mais de 182 mil toneladas, reciclou mais de 152 mil, tendo contribuído com mais de 120 mil toneladas de novos óleos base, para produzir novos lubrificantes”. “Hoje, mais de 80 por cento dos óleos usados tratados e enviados para reciclagem são encaminhados para regeneração, que podem ser utilizados para o fabrico de argila expandida, bem como para a produção de combustíveis de aquecimento!”, exclama o diretor executivo. São vários os cuidados que as oficinas devem ter em conta quando manuseiam este tipo de resíduo, tanto mais que são legalmente responsáveis pela sua correta armazenagem e encaminhamento para o sistema de gestão integrado. Desde logo, destaca Aníbal Vicente, “a oficina não pode efetuar qualquer descarga deste resíduo nas águas, nem nos sistemas de drenagem de águas residuais, sendo igualmente proibido o seu depósito e/ou descarga nos solos”. No que concerne ao armazenamento dos óleos lubrificantes usados, as oficinas têm de estar munidas de recipientes adequados, com indicação do código LER do resíduo, e sempre acessíveis. Cabe-lhe também a responsabilidade de separar os diversos tipos de lubrificantes para posterior armazenagem, a ser feita de acordo com os capítulos, subcapítulos e códigos da Lista Europeia de Resíduos (LER). A título de exemplo, o capítulo 13, são basicamente os óleos hidráulicos usados (1301), óleos usados de motores, transmissões e lubrificação geral (1302) e óleos isolantes e de transmissão de calor usados (1303). O estabelecimento oficinal tem de ter em conta que o local de armazenagem deve obedecer a um conjunto de normas, tais como: estar devidamente sinalizado; ser instalado em área coberta e pavimentada; dispor de rede de drenagem separativa e ligada a um separador de hidrocarbonetos antes da descarga na rede de drenagem geral; dispor de ventilação, iluminação e dos meios necessários de proteção contra incêndio; e de um kit de absorção de derrames. O responsável da Sogilub relembra que “o óleo deverá ser armazenado num reservatório de plástico ou outro com proteção equivalente, posiciona34

Os óleos usados devem ser armazenados em reservatórios próprios, de preferência de plástico e em local facilmente acessível ao camião-cisterna que fará a recolha

Também os vidros deverão ser separados para reciclagem, tal como metais ferrosos, materiais absorventes contaminados, plásticos, filtros de óleo, etc.


do de forma a poder ser facilmente acedido pelo camião-cisterna e a não dificultar as manobras de aspiração do produto, colocado sobre bacia de contenção, que deverá ter capacidade para conter, pelo menos, 50% da capacidade máxima do reservatório”. Depois, há que promover a continuidade do ciclo através do seu encaminhamento para reciclagem, no caso dos óleos usados, através do SIGOU. Assim, a oficina deve solicitar a recolha de óleo usado, contactando diretamente o OGR (Operador de Gestão de Resíduos) autorizado pela Sogilub. A oficina tem de estar registada no SIRER/ /SILiAmb, ter aderido ao SIGOU, e preencher as guias eletrónicas de acompanhamento de resíduos (e-GAR) para envio dos óleos usados para tratamento e reciclagem. OUTROS RESÍDUOS A RECICLAR Ao nível dos restantes resíduos, tais como metais ferrosos (portas ou pastilhas de travão); fuel e líquidos anticongelantes; fluidos de travões; filtros de óleo; plásticos; vidros, entre outros, “devem ser separados, porque estão classificados e agrupados por códigos de resíduos, de acordo com legislação datada de 2014, a lista europeia de resíduos”, afirma Ricardo Ferraz, da ARAN. “Há ainda uma série de outros materiais que não estão definidos e que as oficinas terão de decidir se são perigosos ou não. Por exemplo, um metal ferroso que tenha óleo, passa a ser material perigoso”. Depois, continua o responsável da ARAN, “tudo o que a oficina não consegue especificar é material não perigoso; uma mistura de ferro e borracha, ou ferro e plástico, não é uma coisa nem é outra”. Outros resíduos cuja separação terá de ser feita, por exemplo, no caso das embalagens vazias de óleos, combustíveis, diluentes, líquidos de lavagem ou tintas; as embalagens dos sprays, já que são recipientes vazios sob pressão, que contêm substâncias perigosas; produtos antiferrugem ou os líquidos de travão. Outro tipo de resíduos são os chamados materiais absorventes contaminados, como por exemplo panos de limpeza, produtos para apanhar óleo do chão, papéis com óleo ou as fitas isolantes utilizadas para pintar os carros. Ricardo Ferraz esclarece ainda neste âmbito que “a lavagem das pistolas tem duas vertentes, uma base de solvente e outra aquosa, pelo que a separação deve ser feita consoante a base utilizada”. Como se pode ver, pôr em funcionamento uma gestão de resíduos global numa oficina é um processo complexo e dispendioso, dada a quantidade de produtos e equipamentos em questão, mas o esforço pode ser compensado tendo em vista o seu contributo para a preservação do meio ambiente. Já para não falar nas coimas que estão sempre... "à espreita"! 35

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TÉCNICA

ACONSELHAR COMPORTAMENTOS CORRETOS AOS CLIENTES

PROMOVER SEGURANÇA DENTRO DO HABITÁCULO Um acidente a 56 km/h pode ser fatal, caso os ocupantes não adotem a postura correta. As conclusões de um “crash test” invulgar são arrasadoras e faz parte do bom serviço de uma oficina alertar os seus clientes para que evitem alguns comportamentos de risco

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Texto DAVID ESPANCA

teste de colisão, efetuado em Valladolid (Espanha), organizado pelo RACE, o clube automóvel espanhol, e a Goodyear, produziu resultados preocupantes, já que milhões de espanhóis viajam de automóvel em posições que, em caso de acidente, mesmo a velocidades moderadas, podem ser

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mortais! Nomeadamente com o encosto muito reclinado, o cinto de segurança mal colocado (ou até sem ele), objetos soltos dentro do veículo ou com os pés em cima do tablier. Face à gravidade dos resultados, as oficinas podem jogar aqui um papel decisivo, enquanto elemento influenciador dos seus clientes, passando-lhes uma 36


A utilização dos sistemas de retenção é decisiva para a segurança dos ocupantes dos veículos, em acidentes mesmo a baixas velocidades. As oficinas podem também fazer essa pedagogia junto dos seus clientes, no quadro de um serviço de excelência

série de conselhos no sentido de adotarem uma posição correta e segura dentro do veículo. Porque, apesar de se tratar de um estudo que reflete as tendências de “nuestros hermanos”, não é de estranhar que a realidade nacional não difira muito destes valores. No “crash test”, o veículo foi sujeito a um impacto frontal a 56 km/h, enquanto os seus ocupantes estavam colocados da seguinte forma: o condutor com cinto de segurança solto e numa posição próxima do volante; o passageiro da frente com as costas apoiadas e os pés no tablier; e o do banco traseiro, no lado esquerdo, sem cinto de segurança e a segurar um bebé nos braços. Feito o teste, os resultados foram… mortais para todos os ocupantes! Para o motorista porque a pressão exercida pelo embate do ocupante traseiro (sem cinto) excedia as duas toneladas, mas também porque os movimentos do pescoço e da cabeça excediam os níveis máximos. Para o “copiloto” porque a compressão do tórax excede o dobro do limite tolerável para uma pessoa e porque a cabeça ao bater nas pernas também excede os níveis máximos. Enquanto isso, as pernas quebram o vidro da frente, provocando danos graves. Finalmente, para o ocupante da retaguarda, a força projetada pelo adulto é de 3,5 toneladas, esmagando primeiro o bebé contra o banco da frente e depois o condutor contra o volante. Durante o embate, o ocupante voa pelo habitáculo, atingindo também o teto do veículo, e acaba o impacto sobre o corpo do bebé, com consequências igualmente fatais. Para evitar possíveis acidentes, além das dicas constantes neste artigo, as oficinas deverão ainda transmitir aos seus clientes a importância de realizar regularmente uma manutenção do veículo, no geral, e aos pneus em particular. É fundamental ter os pneus em boas condições, pois nunca é demais relembrar que são eles que estão em contacto com o piso. Assim, as oficinas devem aconselhar os seus clientes a verificarem o desgaste dos pneus. A profundidade mínima legal é de 1,6 mm, mas o ideal será trocá-los ao atingirem os 3 mm. É também necessário verificar com regularidade a pressão dos pneus, uma vez por mês ou antes de uma viagem longa. 37

CONSELHOS PARA UMA CORRETA POSTURA Face aos resultados tão preocupantes no comportamento dos passageiros, deixamos aqui um conjunto de conselhos e dicas a adotar dentro do habitáculo e que as oficinas podem promover junto dos proprietários dos veículos: – Todos os ocupantes do veículo devem usar sempre o cinto de segurança, independentemente do tipo de estrada ou da distância percorrida (muitos dos acidentes mais graves ocorrem em percursos curtos); – Ajustar bem o cinto de segurança ao corpo, sendo de evitar a utilização de roupas grossas; – Nunca remover a faixa diagonal do cinto de segurança, já que se perde toda a eficácia, além de poder provocar ferimentos graves; – Coincidir em altura a parte superior da cabeça com o apoio de cabeça, tendo em conta que a parte de trás da cabeça deve ter cerca de 4 cm; – Posicionar o encosto do banco com uma inclinação máxima de 90º + 25º; quanto mais vertical estiver, maior é a segurança; – A postura ideal é aquela em que, com as costas bem apoiadas no encosto do banco e com o braço estendido, o pulso toque no topo do volante; – O condutor deve estar a uma distância mínima de 30 cm do volante; – O passageiro da frente nunca deve colocar os pés no tablier, já que o “airbag” e o cinto de segurança perdem a eficácia e provocam ainda mais danos.

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TÉCNICA

LIMPA PARA-BRISAS, ELEMENTO DE SEGURANÇA

TUDO SE RESUME ÀS ESCOVAS Manuais ou automáticos, os limpa para-brisas são essenciais para a segurança e para a correta visibilidade quando chove ou o vidro fica sujo. A grande diferença reside na qualidade e no estado de conservação das escovas Texto DAVID ESPANCA

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atenteado em 1903, por Mary Anderson, os limpa para-brisas apresentam um “design” básico, semelhante em todos os veículos, com dois braços que limpam em paralelo grande parte da superfície do vidro dianteiro. Os sistemas de braço único só são utilizados em alguns automóveis desportivos, enquanto os que funcionavam dos extremos para o centro, cujos braços se escondiam nos pilares laterais, já quase desapareceram.

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Recentemente, a Tesla patenteou um novo sistema baseado num braço transversal eletromagnético, que cobre toda a superfície do para-brisas, permitindo que as câmaras do sistema de segurança ADAS sejam instaladas numa posição mais elevada. Além disso, consome menos eletricidade e resulta num melhor coeficiente aerodinâmico (as escovas estão sempre na vertical), o que melhora os consumos. No entanto, ainda não foi anunciada a sua aplicação concreta em modelos da marca. 38

MANUAIS OU AUTOMÁTICOS? Apesar de apresentarem um esquema básico semelhante, nem todos os limpa para-brisas são iguais, nem sequer têm a mesma eficiência. A primeira grande diferença reside nos sistemas manuais ou aqueles que oferecem funcionamento automático. Nos manuais, designados “para toda a vida”, o condutor ajusta a velocidade e a intensidade da limpeza. Já os automáticos funcionam com um sensor de chuva, localizado no topo do para-brisas, que deteta


Explique aos seus clientes a necessidade de ter as escovas sempre em estado impecável!

a queda das gotas de água no vidro. Dependendo de sua quantidade e frequência, o sistema ajusta a velocidade dos limpa para-brisas para melhorar a visão. São ainda mais confortáveis e seguros, pois o condutor não precisa de se distrair pressionando a mão e ajustando a velocidade à intensidade da chuva. Dentro dos automáticos também há diferenças, porque nem todos os sistemas reagem tão rapidamente às primeiras gotas, nem adaptam a sua velocidade com a mesma precisão à quantidade e tamanho das gotas de água no para-brisas. Alguns sistemas podem ter em consideração possíveis alterações nos sinais, devido a arranhões ou sujidade no para-brisas, por meio de rotinas de adaptação do “software” da unidade de controlo. As novas gerações de sensores funcionam com luzes infra-

vermelhas e podem ser montadas em áreas coloridas do para-brisas. Muitos desses sensores possuem aquecimento integrado para evitar falhas na interpretação por condensação da humidade. ESCOVAS SÃO A CHAVE Outra diferença está na localização das saídas de líquido, que gradualmente vão deixando de estar colocadas sob o capot do veículo, para serem instaladas no próprio braço. Além de economizar líquido, porque é evitada a dispersão no ar, este sistema não estraga tanto as escovas, já que não chegam a limpar a seco aquando do primeiro movimento. O elemento chave da eficácia de um limpa para-brisas é, contudo, as escovas e a sua qualidade, Um mecanismo que já tenha 30 anos mas que conte com escovas novas é infinitamente 39

mais eficaz que o sistema mais sofisticado da atualidade mas com escovas gastas! A qualidade e o estado de conservação das escovas fazem toda a diferença. A qualidade do design e dos materiais de um fabricante “premium”, como a Bosch, por exemplo, nota-se pela eficácia e duração das escovas. O seu design gera uma pressão uniforme em toda a área do para-brisas e minimiza a área exposta ao vento, o que melhora o seu funcionamento e reduz a sonoridade. Por outro lado, a borracha utilizada é mais resistente à abrasão, ultravioletas e envelhecimento, além de ser mais elástica em condições extremas de frio ou calor. Quanto à sua manutenção, a Carglass recomenda trocar as escovas quando ocorrerem fissuras na borracha, trepidação ou falhas na limpeza. Ou, então, uma vez por ano.

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REPORTAGEM

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MECÂNICA 2019

AS NOVIDADES DO “AFTERMARKET” E CHINA… A ESPREITAR Cerca de vinte mil visitantes deslocaram-se à edição de 2019 da Mecânica para ver as últimas novidades de um “aftermarket” em constante evolução, num evento que marcado pela forte presença chinesa… numa feira dentro da outra! Texto David Espanca e Sérgio Veiga Fotos José Bispo

A

9.ª edição da Mecânica, salão dedicado ao “aftermarket”, equipamentos oficinais e logística, realizada nas instalações da FIL, no Parque das Nações (Lisboa), recebeu um total de 150 expositores, dos quais um terço proveniente da China, país apostado em consolidar a sua presença no mercado europeu, aproveitando Portugal como porta de entrada, através do reforço da parceria estratégica global estabelecida em 2005. Durante três dias, perto de vinte mil visitantes puderam constatar as últimas inovações tecnológicas de um setor que apresenta grande dinamismo, sobretudo no lançamento de novas soluções ou produtos para veículos elétricos. O certame funcionou como ponto de encontro para todos os profissionais que se movimentam neste setor, num ambiente de negócios e “networking”. 41

Logo à entrada do pavilhão 3 da FIL destacava-se o espaço da GonçalTeam, com diversas novidades para o “aftermarket”, em especial da marca Launch, com um novo e evoluído aparelho para calibração dos sistemas de auxílio à condução (ADAS) e uma máquina de diagnóstico específica para veículos pesados. Também para pesados, a empresa estreava uma máquina de alinhamento 3D da Haweka que consegue alinhar qualquer camião e qualquer eixo. Mas, mais do que equipamentos, a presença da GonçalTeam na Mecânica teve outro objetivo, segundo o seu líder, António Gonçalves: “Viemos desmistificar o que é o ADAS, com várias formações e demonstrações de equipamentos que permitem, com um investimento aceitável, obter um grande retorno financeiro. Porque houve muita desinformação em torno deste tema e queremos

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REPORTAGEM

ANECRA CARDATA TRAZ VALOR ACRESCENTADO A Associação Nacional das Empresas do Comércio e Reparação Automóvel apresentou no decorrer da Mecânica um novo serviço para os seus associados, o ANECRA CarData, em colaboração com a empresa Tips4y, tendo por base informações da TecAlliance. Segundo o secretário-geral da ANECRA, Roberto Gaspar, trata-se de “uma ferramenta que pode responder a algumas necessidades e lacunas detetadas e que julgamos ser absolutamente inovador e com potencial para alterar de forma substancial o modelo tradicional de acesso e identificação de dados técnicos para reparação de viaturas”. Esta é uma solução facilmente acessível, uma vez que basta aceder à Internet em qualquer suporte, não necessitando de instalação para quem opera através de “webbrowser”. Permite o acesso imediato às principais características de um veículo através da matrícula ou do modelo, manuais e tempos de reparação, modelos de fusíveis e relés, esquemas elétricos do motor, esquemas do sistema de conforto ou localização de componentes da viatura. Roberto Gaspar acredita que esta ferramenta “terá forte impacto no mercado e que é de um claro valor acrescentado para uma boa parte dos nossos associados”. Apesar de se tratar de um serviço exclusivo para associados, é no entanto possível a qualquer operador do mercado ter acesso gratuito a um “trial” de três matrículas e experimentar o ANECRA CarData, bastando para isso aceder e registar-se no sítio www. anecra.pt.

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mostrar como, em meia hora, se podem calibrar todos os radares de um carro”. DIAGNÓSTICO PARA GRUPO FCA E NOVA IMAGEM DA ABLUBS A Intermaco apostou neste certame na sua nova máquina de limpeza de peças por jato de água, da marca Teknox, assim como o novo DoiP, da Texa, equipamento de diagnóstico, cujo sistema de comunicação com o veículo é feito de forma ultrarrápida entre centralinas, por questões de segurança. Foi também a estreia de um sistema de diagnóstico para o Grupo FCA, que vem colmatar um problema com os automóveis da Fiat que têm o diagnóstico bloqueado. Em alguns veículos da nova geração, explica o diretor-geral Pedro Santos, “quando vamos fazer o diagnóstico, consegue ler-se as avarias, mas depois o sistema não nos permite apagá-las, nem sequer fazer diagnósticos mais profundos no veículo”. E explica: “É preciso entrar no site da Fiat, fazer o registo e pagar um pequeno valor para termos acesso ao diagnóstico, sendo uma imposição da Fiat que outras marcas já estão a seguir”. Por seu turno, a Helder Máquinas mostrou na Mecânica o mais recente sistema de alinhamento de quatro rodas FCAR 5D, equipado com cinco câmaras, que mede com precisão todos os ângulos de direção dos veículos, incluindo


a convergência e o camber dianteiro e traseiro, o avanço e a inclinação do pivô de direção. Segundo o técnico Igor Patrício, com esta máquina “não é necessário ter um espaço físico, já que se pode alinhar no chão ou até num elevador de duas colunas”. Efetua ainda um teste de alinhamento em oito minutos, através de um “tablet”, e não necessita de calibração. A empresa divulgou ainda o novo equipamento de lavagem por ultrassons Tierratech que funciona a água. Atualmente a Helder Máquinas está a trabalhar numa parceria com a Eva Box na certificação de mecânicos de oficinas para o manuseamento em carros elétricos. Quanto a apostas futuras, passam pela promoção do sistema ADAS da marca da Brainbee, pelas máquinas de manutenção de caixas automáticas e pela área do diagnóstico. Já a Luzdeairbag, empresa de Leiria especializada na eletrónica automóvel, mostrava as mais recentes máquinas de diagnóstico da Autotuner, bem como programadores de chaves e de centralinas. Representa ainda a gama CRC de produtos para oficina, limpeza e lubrificantes. No capítulo dos lubrificantes, destaque para a presença do Grupo Alves Bandeira que aproveitou a Mecânica para revelar a nova imagem e todo o trabalho de “rebranding” da ABLubs,

Os aparelhos de calibragem dos sistemas de ADAS brilharam na Mecânica e a Gonçalteam mostrou a mais recente novidade da Launch

terminado… uma semana antes da feira de Lisboa. “É importante para prosseguirmos a internacionalização da marca, dado que já vendemos mais no estrangeiro que em Portugal, seguindo a experiência que já temos com os pneus”, explicou-nos José Monjardino, administrador executivo do Grupo Alves Bandeira. “Houve um ‘refresh’ visual da marca para lhe dar um ar mais europeu, de ‘low profile’. Os nossos principais mercados estão em África e Ásia, onde o conceito europeu tem uma imagem mais séria”. Atualmente, a proporção de vendas domésticas e internacionais do Grupo Alves Bandeira, nos pneus, é de um para cinco. É esse o objetivo para a ABLubs num prazo a cinco anos. CRESCE OFERTA PARA VEÍCULOS ELÉTRICOS A BricoPro Distribuição trouxe à Mecânica as novas propostas para veículos elétricos, nomeadamente as ferramentas Wiha, dotadas de isolamento para 43

baterias e uma proteção de 1000 V, assim como o “trolley” de ferramentas, “que só ainda não pode ser comercializado por estar à espera da certificação por parte do ISQ – Instituto de Soldadura e Qualidade”, referiu José Rodrigues. A empresa exibiu as novas máquinas, na gama de serralharia para bate-chapa e corte, assim como as novidades ao nível de iluminação “led” da marca Fein, para armazéns e oficinas. Mas o grande destaque, segundo o responsável, “é a oferta de produtos para veículos elétricos, que representa cerca de 80 por cento do que apresentamos na feira”. A nova gama de dinamometria foi uma aposta forte da Bahco na Mecânica, já que “foi ampliada em termos de artigos, disponibilizando várias soluções para todo o tipo de aplicações”, explica Miguel Ivo Gomes, “managing director” da empresa. Além disso, continuou o responsável, “apresentamos amplas seleções de ferramentas de aplicação de binários disponíveis, com a durabilidade, fiabilidade e precisão necessárias para rodar e apertar as peças de aperto com base na especificação correta”. Presença constante neste tipo de eventos são os carros de ferramentas da Bahco, com soluções customizadas à medida do cliente. Para o futuro, Miguel Ivo Gomes anunciou que a grande novidade “será a introdução de uma mesa de transporte

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A Intermaco exibiu em estreia o DoIP, novo aparelho de diagnóstico da Texa

de baterias, visto que está a ser bastante requisitada”. Um dos grandes “handicaps” do mercado, explica o interlocutor, “é a precisão das mesmas e a manobrabilidade que conseguem ter, pelo que são estes dois trunfos que este produto traz e que deverá chegar a Portugal no segundo trimestre de 2020”. Já a Wurth divulgou a sua marca Wow, onde para além das atualizações normais dos equipamentos de diagnóstico para o setor automóvel e cargo, estiveram em exposição as novas máquinas de ar condicionado e o mais recente sistema ADAS, “lançado na feira e que terá uma comunicação oficial a partir de 2020”, segundo Bruno Gonçalves, diretor comercial da divisão auto. Além disso, prosseguiu, “na parte específica das ferramentas para o setor automóvel, a linha Tool Compass, há uma série de produtos novos para modelos mais recentes, mas também alguns ‘upgrades’ para outros mais antigos”. No que diz respeito a novidades para veículos elétricos e híbridos, Bruno Gonçalves afirmou que a empresa lan-

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O AUDI TT COM 28 ANOS QUE É “FOGUETE ELÉTRICO”! Uma das atrações da “Mecânica” foi, sem dúvida, um Audi TT de… 1991 e com 496 mil quilómetros, mas totalmente refeito e eletrificado pela EVolution, empresa pertencente à ZEEV, e que poderá dar nas vistas em competições no próximo ano, nomeadamente em rampas! O seu poderio é impressionante, sendo o exemplo de recuperação de um carro em fim de vida. Nesta primeira versão, conta com um motor de um Tesla no eixo traseiro com 413 cv, bateria do Nissan Leaf e eletrónica de controlo feita pela ZEEV. A evolução deste projeto passará por transformá-lo numa versão de quatro rodas motrizes, juntando outro motor Tesla de 220 cv no eixo dianteiro e aumentando a potência do traseiro para os 550 cv! O mais notável é que, pegando num veículo já em fim de vida e com um investimento que rondou os 70 a 80 mil euros (já com reforços de carroçaria e equipamentos de segurança), se construiu um carro de competição que promete ser autêntico… “foguete”!

çou equipamentos de gestão de baterias e algumas ferramentas específicas para aquele tipo de viaturas, “que será uma das áreas de maior desenvolvimento da Wurth em 2020”. ENTREGAS RÁPIDAS NO “AFTERMARKET” A Delivery Express veio divulgar a nova aposta no setor automóvel, com três novos clientes, a MCoutinho, SPR e Bombóleo, nas áreas do Grande Porto e Grande Lisboa. Francisco Castanheira esclarece: “Efetuamos a entrega rápida de peças ‘aftermarket’ de pequeno porte, com capacidade até 30 kg no motociclo. São entre 20 a 30 entregas diárias a oficinas dos seus clientes, que demoram cerca de 20 a 30 minutos cada, numa área geográfica de 15 a 20 km, começando com o primeiro cliente”. O responsável anunciou ainda: “Estamos a preparar uma caixa maior, com 70 cm, para levar outro tipo de peças, de maior dimensão e, para 2020, queremos crescer mais em termos de motociclos para satisfazer as necessidades de mercado. Está prevista a expansão das entregas para o Algarve, Coimbra, Aveiro e Braga, zonas onde já atuamos na área alimentar”. A Rodribench, uma empresa especialista na área da colisão, trouxe até à feira o seu “miracle system”, ou seja, um método “eficiente e económico na 45

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REPORTAGEM

EXÉRCITO APOSTA EM NOVAS VIATURAS

reparação de painéis e danos semiestruturais, mantendo uma excelente qualidade”. A rede de oficinas Eurorepar esteve em destaque na FIL e apresentou como novidades toda uma gama de pneus e de lubrificantes de marca própria, como forma de competir num mercado com “preços mais baixos, mas de qualidade”, refere Luís Lobo, diretor PSA Retail da Placa de Peças. “Queremos dar-nos a conhecer às oficinas profissionais, enquanto potenciais futuros aderentes à nossa rede”, continua. Neste momento, a rede de oficinas é composta por 150 aderentes, das quais cerca de um terço está ligado à Eurorepar. “Estamos numa fase de expansão e temos como objetivo o crescimento de perto de vinte oficinas por ano”, conclui Luís Lobo. Feitas as contas, a Mecânica mostrou uma vez mais a importância da realização deste tipo de eventos, já que são um importante meio de divulgação das empresas, produtos e serviços. Daqui a dois anos há mais, já que a promotora do evento, a Exposalão, anunciou que o salão passará a ter um caráter bienal, voltando a realizar-se apenas em maio de 2021, alternando desta forma com a celebração do expoMecânica, no Porto, que acontecerá já no próximo ano.

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Em destaque este ano, no espaço destinado à logística, e pela primeira vez nestas lides, o Exército Português quis dar a conhecer a sua atividade, estando presente com as suas viaturas táticas, muito do agrado dos visitantes, no que representa a sua gestão integrada de sustentação logística de viaturas. Pedro Ferreira, major das relações públicas do Exército, explicou que a instituição “tem todo o interesse em dar a conhecer a sua capacidade em termos operacionais, não só de meios, como também da parte de sustentação logística”. E foi isso que fez, numa mostra de meios que contribuem para a sustentação logística, onde estiveram em destaque as viaturas blindadas Pandur Recovery Vehicle e a VAMTAC ST5. Esta última é a mais recente aquisição do Exército, num total de 139 unidades, veículo de alta mobilidade tática com quatro configurações diferentes (base, posto de comando, sanitária e operações especiais). Pedro Ferreira assume que o Exército “é uma instituição com grande peso e que para a gerir e pôr tudo a funcionar, há muitas peças que têm de estar bem oleadas”. Nesta exposição, continua, “pretendemos dar um foco especial à parte da sustentação logística, já que nos permite isso tudo”. Quanto à nova aquisição: “Vamos ver como se vai comportar quando for testada em teatro de operações, mas as nossas expetativas são muito elevadas”.

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REPORTAGEM

CHINESES VIERAM EM BUSCA DE PARCEIROS Sob o signo da boa-vontade e da excelente relação entre os dois países, a forte presença da China na Mecânica traduziu-se, acima de tudo, na procura de novos parceiros em Portugal, no negócio do “aftermarket”

E

Texto Sérgio Veiga

sta edição da Mecânica teve fortíssima presença chinesa, com a Sinomach e o governo da República Popular Chinesa a aproveitarem o certame de Lisboa para procurarem mais uma porta de entrada no mercado europeu, neste caso do “aftermarket” automóvel… e não só. Por isso intitularam a sua própria exposição dentro da Mecânica de “China Brand Show – Feira de Automóveis, Motos e Peças de Automóveis”. Mesmo se, no fundo, praticamente se limitavam a expor estas últimas, exceção feita ao interessante autocarro elétrico TAM (marca eslovena mas maioritariamente detida pela China Hi-Tech Group Corporation), totalmente modular, disponível em cinco comprimentos distintos, dos 7,25 aos 11,5 m. De resto, foram cerca de meia centena de empresas chinesas muito viradas para componentes do “aftermarket”, em busca de eventuais parceiros nacionais, sob o “chapéu” da Sinomach e da Sinomachint, empresas controladas pelo governo chinês segundo nos explicou Huang Yan, diretora geral do departamento de exposições: “A Sinomach é uma empresa estatal da China. A Sinomachint é uma sua sucursal que é uma empresa muito grande, estando entre as 500 maiores do Mundo, com uma faturação, no ano passado, de 300 mil milhões de yuan [cerca de 45 mil milhões de euros]. Temos quatro negócios principais. Uma parte que se dedica à construção de infraestruturas, com negócios em cerca de duzentos

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países. Outra que fabrica equipamentos na área da mecânica, com 26 laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, só na China, além de fábricas de produção de carros elétricos. O terceiro negócio é no setor financeiro e o quarto é de serviços, com organizações de feiras e eventos. E foi o Ministério do Comércio que quis que organizássemos esta mostra em Portugal”. Até porque este ano se assinala o 40.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países que, no entanto, já têm relações seculares. A abertura do evento foi presidida pelo Ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos, que ouviu o embaixador da China em Portugal, Cai Run, deixar um recado de extrema importância aos empresários chineses ligados ao “aftermarket”: “Portugal é o país indicado para colaborações e investimentos. Há mais de 60 empresas na indústria e Portugal tem bases muito fortes e enraizadas neste setor, além de um Governo que dá importância a veículos com novas tecnologias. Será uma boa oportunidade para desenvolver parcerias e espero que as empresas chinesas pensem em Portugal para instalar as suas fábricas, com vantagem de poder vender em toda a Europa. Portugal tem um grande potencial para desenvolver a indústria automóvel. Aproveitem esta oportunidade!”. Depois destas palavras, o ministro Pedro Nuno Santos limitou-se a reforçar que “a indústria automóvel é central para Portugal, sendo muito acarinhada”. E acrescentou: “Há uma grande 48

aposta na mobilidade que inclui o automóvel e a aposta nas novas energias. Se Portugal tem das melhores redes viárias da Europa, também pode aproveitar a liderança da indústria chinesa no campo da mobilidade limpa. Este foi um ano muito favorável ao setor automóvel em Portugal e as nossas empre-


NÃO QUEREMOS CONTROLAR AS EMPRESAS EUROPEIAS! Huang Yan é diretora geral do departamento de exposições da Sinomach e explicou-nos as razões de tão forte aposta na edição deste ano da Mecânica: “Tivemos três objetivos com esta vinda. Primeiro, aproveitar as relações diplomáticas entre a China e Portugal que celebram os seus 40 anos. Depois, o governo da China apoia também fabricantes de componentes automóveis para aqui estarem. Porque Portugal é um ponto muito importante como entrada na Europa e queremos reforçar o papel de Portugal no nosso comércio com a Europa. Em terceiro lugar queremos reforçar a cooperação nas energias renováveis, pois Portugal está muito avançado nesta área e a China quer cooperar neste campo”. Quais as mais-valias que as empresas chinesas podem trazer ao mercado português e ao europeu? Nos últimos dez anos o setor automóvel na China desenvolveu-se muito rapidamente e, hoje, dispomos das tecnologias mais avançadas. Agora, muitas empresas têm já certificados para os mercados europeus pelo que, nos próximos anos, teremos algumas ligações ao mercado português e aos outros mercados europeus. As empresas chinesas ainda sentem alguma resistência por parte europeia para trazerem os seus produtos? No passado sim, houve dificuldade na entrada dos nossos produtos. Mas atualmente já temos empresas com tecnologias mais avançadas e cerca de 60% das empresas chinesas já têm certificados para os mercados europeus. Com a tecnologia que a China já tem e com a capacidade financeira que a China possui, há um pouco o receio de que a indústria chinesa queira tomar o controlo da indústria europeia... Neste momento o mercado da China também está perto e aberto para todo o Mundo. O governo também está a apoiar as empresas para fora. A cooperação vai ser aberta, não queremos controlar a Europa, queremos uma situação “winwin”, em que todos ganhem. Não precisamos de controlar as empresas europeias, podemos só investir na parte financeira ou só na parte da tecnologia ou na da produção. Se os europeus têm tecnologias mais avançadas, podemos dar a capacidade financeira. Mas não precisamos de controlar essas empresas, precisamos de saber de que forma podemos cooperar com as empresas portuguesas e europeias.

sas estão agora mais preparadas para os mercados globais”. O propósito do “China Brand Show” estava lançado, o de atrair investimento chinês para o setor nacional do “aftermarket”, para novas parcerias e colaborações que podem resultar no crescimento ou até aparecimento de novas empresas! 49

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ESTUDO

BRANCO JÁ NÃO É A COR MAIS POPULAR NA EUROPA

ACINZENTÁMO-NOS… “Golpe de estado” nas cores favoritas dos automóveis europeus! O cinzento destronou o “rei” branco e passou a ser o tom mais pedido pelos automobilistas do Velho Continente. Mas a vida sobre rodas continua um… marasmo a preto-e-branco! Texto Sérgio Veiga

N

a sequência de uma tendência que já se vinha notando, o cinzento tornou-se este ano a cor favorita do mercado automóvel europeu, terminando com o já longo “reinado” do branco! É o que se pode ver no “Global Automotive Color Popularity Report” que a Axalta publica pelo 67.º ano e que pode servir de indicador para as oficinas com serviço de repintura automóvel em relação às tintas mais populares e que exigirão maior volume de encomendas. Já no ano passado o cinzento tinha mostrado que a sua popularidade estava em alta, ao ultrapassar o preto na segunda posição deste observatório anual deste gigante da repintura automóvel. Em 2019, contudo, deu-se a inversão da tendência que vinha marcando todo o Séc. XXI, de o branco estar em voga na Europa, com o cinzento a conseguir, pela primeira vez, a maior fatia das preferências (24%), mais dois pontos percentuais que em 2018. Em sentido inverso, nos mesmos dois pontos percentuais, caiu o branco (23%), dividindo-se entre os 20% do branco sólido e os 3% do branco pérola. Num parque automóvel europeu praticamente monocromático, em que os tons neutros dominam – fenómeno particularmente visível em Portugal – o preto manteve-se estável no terceiro lugar das preferências com os mesmos 21%, enquanto o prata, que chegou a ser das cores mais populares, continua a sua regressão, tendo baixado de 11 para 10%. Uma tendência

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global daquela que chegou a ser a cor mais popular há cerca de uma década e começa a cair em desuso… Refira-se que houve um ligeiro acréscimo das cores… coloridas, e se o azul e o vermelho mantiveram estáveis as suas percentagens, houve uma pequena subida dos tons de verde, em grande parte pela popularidade dos SUV e das “pick-up”. PINTURAS DE DOIS TONS ABREM PORTA A NOVAS CORES A troca, na Europa, do branco pelo cinzento como cor favorita foi a grande novidade do 67.º “Global Automotive Color Popularity Report” da Axalta já que, a nível global, praticamente nada mudou: o mundo continua a “preto-e-branco”, com o domínio do branco (38% dos automóveis), seguido do preto (19%), cinzento (13%) e prata (10%) que cai para a 4.ª posição e tem a percentagem mais baixa na última década. A China é o país em que o branco domina mais de metade do mercado (57%), embora esteja em ligeira quebra. O preto continua a reinar no segmento dos veículos de luxo ou entre os grandes SUV (33% na Europa), destacando-se depois o cinzento no segmento médio. É nos desportivos, como seria de esperar, que se encontram mais elevadas percentagens de cores não neutras, com destaque para o vermelho que ronda os 12%. “Enquanto as principais quatro cores neutras – branco, preto, cinzento e prata – continuam a liderar as preferências a nível global, começamos a ver outras 50

O prata pode estar a "cair em desgraça", mas o cinzento está a crescer ano após ano. Os dois tons somados "pintam" mais de um terço do parque automóvel europeu!


MUNDO

cores a aumentar a sua popularidade, o que seria impensável ainda há poucos anos”, referiu Nancy Lockhart, Product Manager da Axalta para as cores. “Parece óbvio que os consumidores começam a mudar a forma como olham para as cores dos seus automóveis e a Axalta está preparada para, em parceria com os nossos clientes, ir ao encontro dessas novas necessidades”. Uma conclusão a que o gigante da repintura automóvel chegou é que a nova moda das pinturas de dois tons – nomeadamente com o tejadilho de cor diferente da restante carroçaria – tem vindo a abrir portas à opção dos clientes por cores que não eram tão vulgares até aqui. Segundo a Axalta é a esse fenómeno que se deve o sensível aumento de cores como o castanho/bege, amarelo/dourado, vermelho ou verde. E o aumento da oferta das pinturas bitonais tem sido exponencial, num aumento das possibilidades de personalização dos veículos, mas também colocando novos desafios e oportunidades de negócio às oficinas de repintura automóvel. E o campo da cor é crucial não só no momento da compra, mas também ao longo da vida do automóvel, em momentos em que o seu proprietário ou um novo decide mudar-lhe a pintura (tendo para isso de legalizar o carro com a nova coloração). Porque é aqui que reside grande parte da ligação emocional ao automóvel: só para se ter uma ideia, estudos da Axalta apontam para que um terço dos compradores de automóveis estejam dispostos a mudar até de marca caso não esteja disponível a cor que desejam para o seu carro!

EUROPA

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REPORTAGEM

30.A CONVENÇÃO ANECRA

NOVOS DESAFIOS DO SETOR OFICINAL A Convenção da Anecra ficou marcada pelo conhecimento da realidade atual do setor das oficinas e respetivos desafios que são esperados na próxima década. A tecnologia 5G, a economia digital ou a eletrificação do setor automóvel têm já lugar marcado!

S

ob o mote “Horizonte 20/30 – Que automóvel? Que negócio”, a ANECRA – Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel – levou a cabo a sua 30.ª convenção. O Centro de Congressos de Lisboa tornou-se num importante espaço de discussão dos temas

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Texto David Espanca

que norteiam a atualidade do comércio e da reparação automóvel, com uma plateia em constante apreensão de novos conhecimentos e realidades. Ao inaugurar os trabalhos, Alexandre Ferreira, presidente da direção da Anecra, fez questão de deixar um recado ao novo Governo, ao recordar “a apreciação e concretização de dossiês” 52

fundamentais para a Associação, tais como “o combate à economia paralela, a moralização da carga fiscal que incide sobre o automóvel e o direito à mobilidade”. A economia paralela continua a ser “a maior preocupação dos empresários do setor”, defende o responsável, já que vem “distorcer todos os valores que


A 30.ª Convenção da ANECRA centrou-se nos desafios para a próxima década, tendo sido presidida pelo secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, João Torres

estão subjacentes à concorrência leal”. Uma outra situação preocupante passa pelo crescimento das receitas para os cofres do Estado do ISP - Imposto sobre Produtos Petrolíferos, que passaram, entre 2015 e 2019, de janeiro a julho, de cerca de 1,48 mil milhões de euros para perto de 2,46 mil milhões de euros, respetivamente. Ou seja, verificou-se um crescimento de quase mil milhões de euros (66,22%), enquanto o consumo em toneladas destes produtos apenas registou um aumento de 2,10%. Esta situação tem como consequência, no ponto de vista de Alexandre Ferreira, a “limitação do direito à mobilidade individual”. Além disso, prossegue aquele responsável, “persistem dificuldades relativas à formação profissional, de não ativos, principalmente na área da colisão”. Também a qualificação profissional de ativos “tem sido uma preocupação da ANECRA”, a qual tem promovido ações formativas nas áreas da reparação e

pintura, da mecatrónica e dos veículos elétricos e híbridos. João Torres, secretário de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor, presidiu à sessão solene de abertura do evento, tendo destacado o contributo da Associação “para o reforço da cadeia de valor do setor automóvel” e deixou uma mensagem de agradecimento aos operadores económicos que se dedicam ao comércio automóvel e à reparação de veículos “pelo seu contributo para a resiliência da nossa economia e pelos progressos que foram alcançados ao longo dos últimos anos”. O governante referiu ainda o facto de que “a transformação digital que estamos a viver é de uma nova revolução industrial que influenciará o modelo de negócio”. Segundo João Torres, “a transformação digital, no que diz respeito ao impacto do modelo em Portugal, vai ser muito substancial ao nível dos canais de comercialização de veí53

culos, mas também nos instrumentos utilizados na prestação de serviços pós-venda”. Em jeito de conclusão afirma que “a transição de paradigma vai instigar a procura de soluções híbridas, de veículos elétricos e sistemas de partilha”. O IMPACTO DA 5G João Ricardo Moreira, administrador da NOS Comunicações, trouxe a público a sua visão sobre o impacto da economia digital na economia real. O digital “veio habituar mal o consumidor”, começou por argumentar, tendo em conta que “a internet passou a estar com a pessoa”, ou seja, é algo que está presente no seu dia a dia, já não é preciso deslocar-se a determinado local para poder aceder à “web”. Mas a grande questão presente na sua intervenção foi a tecnologia 5G, “um conjunto de redes que vai permitir a recriação daquilo que é a mobilidade”, como também a refundação do setor

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REPORTAGEM

Foram muitas e variadas as ideias debatidas ao longo da Convenção da ANECRA, seguida por uma interessada plateia

POTENCIAR SEGMENTO DO COMÉRCIO DE USADOS A 30.ª Convenção da ANECRA teve o seu início com o Encontro Especializado do Comércio de Usados, no qual uma série de oradores deu voz aos desafios que se colocam a esta atividade na próxima década. Nesse sentido, a Associação estabeleceu um compromisso para 2020 e aproveitou a celebração para anunciar algumas medidas e projetos que estão a ser ultimadas ou em fase de desenvolvimento. A primeira tem a ver com o reforço da sua capacidade de resposta, através dos seus gabinetes, disponibilizando mais e melhores meios para este segmento de mercado em específico. Depois, assumiu efetuar uma divulgação ativa dos serviços e parcerias

automóvel. Se pensarmos que um veículo autónomo consome 1 TB de informação por dia, isto só é possível de assegurar com a tecnologia 5G. Esta traz um outro conceito, que é a capacidade de resposta, capaz de interagir com a rede numa unidade de medida. “Digital é uma infraestrutura de comunicação que chega a toda a gente, não se pode dizer que seja transversal à sociedade”, explica o interlocutor. No fundo, o digital é um mundo onde estão pessoas, onde está o consumidor final.

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disponíveis para os seus associados desta área de negócio. Uma outra medida tem a ver com a formalização e lançamento de novos acordos de parcerias, face aos desafios que o setor enfrenta. A Associação anunciou ainda o lançamento de conteúdos na sua revista, relacionados e focados no segmento do comércio de automóveis usados. Por último, assegurou o lançamento, em 2020, do Programa de Certificação ANECRA para Operadores do Comércio de Usados, cujo objetivo é dotar este mercado de uma certificação de qualidade, de forma a tornar os negócios mais transparentes e sustentáveis.

Para falar sobre o comércio automóvel, Fernando Silva, gerente da Viragem, usou a terminologia do "futuro do conjuntivo do verbo ser concessionário", que “vai depender da capacidade de cada empresário ser capaz de sonhar, emocionar-se com o que consegue construir, contagiando todos”, acabando por referir que “a alma é o segredo do negócio”. Já Gonçalo Neves, B2B&VO do Grupo PSA, entende que o modelo de negócio vai evoluir, mas o importante “é a 54

relação próxima com o cliente final” e que “a rede de concessionários tem de se adaptar”, apostando forte nos produtos de fidelização, “independentemente daquele que seja o novo modelo de negócio”. Já para António Oliveira Martins, “managing director” da Leaseplan Portugal, “a situação que se vive é insustentável”, explicando que “os concessionários vão continuar, mas terão de se adaptar”. A verdade é que há uma “tendência crescente do consumidor em adquirir


"É muito vantajoso pertencer a uma rede oficinal", defendeu Dulce Semedo, da Roady

um serviço em vez de um automóvel”. Por outro lado, a venda “online” de peças é uma realidade e o futuro passa por esse negócio, no entanto “é um mercado que vai fugir completamente a Portugal”, aponta João Seabra, “managing director” da KIA. MODERNIZAR SETOR DOS SEGUROS Os desafios que se colocam na próxima década às seguradoras, gestoras de frotas e oficinas foi um dos temas que esteve em debate. No caso da companhia de seguros Tranquilidade, refere João Ferreira do Amaral, da direção de grandes clientes, “a negociação com as oficinas independentes é decisiva e a questão do preço fundamental”. O orador disse ainda que “a modernização do setor dos seguros tem de ser mais rápida e devemos estar disponíveis para prestar um serviço mais personalizado aos clientes”. Carlos Carvalho, diretor de manutenção e de serviços da Arval, explica que “as redes oficinais adaptaram-se rapidamente às novas tecnologias” e que “para nós, enquanto gestora de frotas, a grande vantagem é o facto de estarem a trabalhar em rede”. Já o administrador da Impoeste, Luís Santos, afirmou que “a rentabilidade das oficinas está muito centrada na venda de peças e na mão-de-obra”, sendo que a primeira “vai diminuir em virtude da digitalização do setor” e a segunda continua a pautar-se pela ausência de recursos humanos especializados, sobretudo na área da pintura. Para falar sobre se o futuro das oficinas passa pela associação a uma rede, Dulce Semedo, membro do conselho de administração da Roady, explicou que “é muito vantajoso pertencer a uma rede, pois beneficiamos de vários fatores como a comunicação, logística,

Foram vérios e muito interessantes os painéis de debate, num dos quais João Ricardo Moreira, administrador da NOS Comunicações, salientou a crucial importância da rede 5G para os futuros automóveis autónomos

área comercial, tecnologias, aspetos legais ou montagem de oficinas”. Por seu turno, Artur Teixeira, sócio gerente da Yes Car, esclareceu que “a negociação global é muito mais fácil se for uma rede de oficinas, pois conseguimos valores mais baixos, entre outros aspetos”. O responsável anunciou ainda que o Grupo vai abrir mais duas oficinas, uma em Lisboa e outra no Porto, dedicadas exclusivamente à reparação de veículos elétricos. Já Joaquim Carvalho, administrador 55

da Auto Índia Sacavém, considera ser possível a sustentabilidade e sucesso de uma oficina que não esteja ligada a uma rede: “Temos é de nos adaptar às novas realidades e, no nosso caso, tentamos disponibilizar ao cliente um espaço onde ele tenha tudo o que necessita, desde o comércio de peças até à reparação do veículo”. A Convenção da ANECRA foi, pois, um espaço privilegiado de debate sobre o futuro do setor, em que se afiguram grandes mudanças e novos desafios!

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ESPECIALISTA

FUCHS

TRINTA ANOS EM PORTUGAL RUMO À SUSTENTABILIDADE Em data festiva, a Fuchs Portugal mostrou a renovação efetuada nas suas instalações e anunciou que se vai tornar neutra em CO2 em todo o Mundo Texto David Espanca

P

or ocasião da celebração de 30 anos de atividade em Portugal, a Fuchs anunciou a renovação dos edifícios da empresa e a ampliação da área administrativa. O investimento realizado passou ainda pelo revestimento térmico e acústico, de forma a assegurar a eficiência energética e o bem-estar de colaboradores, que têm também disponível uma nova sala social. Outra novidade é o sistema de climatização central que garante o aquecimento e arrefecimento de todas as áreas. Paul Cezanne, diretor-geral da Fuchs em Portugal, esclarece: “Se queremos oferecer ao mercado performance, fiabilidade e sustentabilidade, temos de começar por garantir o mesmo às pessoas que aqui trabalham”. Instalada em Portugal desde 1989, tem vindo a oferecer ao mercado uma gama alargada de produtos: lubrificantes automóveis e industriais, massas lubrificantes, fluidos de tratamento de metais, lubrificantes para aplicações especiais e serviços.

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Inicialmente localizada em Pedrouços, na Maia, onde iniciou a produção de lubrificantes industriais e automóveis, em 1995 mudou-se de armas e bagagens para a Zona Industrial da Maia, aquando da aquisição da Luso Química. PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL Outra novidade apresentada pela empresa passa pela questão da sustentabilidade já que, a partir de 1 de janeiro de 2020, se irá tornar neutra em CO 2 na íntegra. Quer isto dizer que cada uma das 58 localizações vai ser neutra em CO 2, desde o consumo de energia na produção até aos materiais administrativos. A Fuchs compensará as emissões de CO 2 que ainda não consegue evitar através de investimentos em projetos de proteção climática. Atualmente, cada tonelada de lubrificantes produzida já tem menos 30% de emissões de CO 2 do que em 2010. A médio prazo, pretende reduzir gradualmente a sua compensação de carbono e aumentar a sua quota de abastecimento de energia renovável, enquanto continua a investir na melhoria da efi56


Paul Cezanne, diretor-geral da Fuchs em Portugal, defende a combinação do sucesso económico com a responsabilidade social e a proteção ambiental

ciência energética das suas localizações. No longo prazo, a empresa tem também como objetivo vender aos seus clientes produtos neutros em CO2 . As preocupações ecológicas da Fuchs já tinham sido reconhecidas em 2016, quando foi distinguida como a PME mais sustentável da Alemanha, entre 800 participantes. “O prémio é um dos mais conceituados a nível europeu e, em Portugal, seguimos a mesma combinação pela qual a Fuchs foi condecorada: sucesso económico com responsabilidade social e proteção ambiental”, adianta Paul Cezanne. Mais recentemente, a estratégia da empresa ficou marcada pela aquisição da gama Pentosin, ampliando assim a gama de fluidos de transmissões de dupla embraiagem, sistemas de direção assistida e centrais hidráulicas. O interlocutor explica que “as novas soluções de elevada especialização tecnológica, em cumprimento com as mais altas exigências internacionais, fazem da Fuchs uma empresa ainda mais polivalente na hora de prestar um serviço de qualidade aos clientes”. 57

A propósito da parceria recente com a Sparkes & Sparkes, especialista na reconstrução de caixas de velocidades manuais que escolheu a gama Titan para a lubrificação, o diretor-geral referiu: “Isto mostra a confiança que depositam em nós. Estou convencido que a qualidade e a especialização da Fuchs permitem à Sparkes & Sparkes oferecer aos seus clientes a melhor performance, tanto em desempenho como em durabilidade”. Já este ano, foi criado o Fuchs Care, um serviço pioneiro, com laboratório próprio na Maia, que conta com uma equipa técnica qualificada para visitar regularmente a unidade de maquinação dos seus clientes e assegurar a sua manutenção, filtração e troca programada de emulsões. Para além disso, analisa, monitoriza e faz as recomendações certas na hora certa. A propósito deste novo serviço, Paul Cezanne afirma que “tem duas grandes vantagens: os fluidos duram mais tempo em condições ótimas e as empresas podem focar-se no que é realmente importante, a produção”.

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BOAS PRÁTICAS

NUNO LOPES, MOPAR PARTS & SERVICE MANAGER (GRUPO FCA)

REESTRUTURAÇÃO DA REDE OFERECE AGORA OS MELHORES SERVIÇOS É sob a marca Mopar que estão reunidos todos os serviços de pós-venda das marcas do Grupo FCA: Alfa Romeo, Abarth, Fiat, Jeep, Lancia e Fiat Professional. Nuno Lopes, Parts Service Manager, guiou-nos pela estrutura que consegue acorrer a exigências tão distintas, mantendo um elevado nível de qualidade Texto Sérgio Veiga

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É

sob o “chapéu” da Mopar que se concentram todos os serviços de pós-venda das marcas do Grupo FCA – Fiat Chrysler Automobiles. E não é pouco aquilo de que estamos a falar, pois trata-se de um universo composto não só por seis marcas, mas com veículos de características totalmente distintas! Alfa Romeo, Abarth, Fiat, Jeep, Lancia e os comerciais da Fiat Professional, todos são assistidos nos concessionários da rede do Grupo FCA e sob a égide da Mopar. Nuno Lopes, Parts & Service Manager da Mopar, explicou-nos como funciona este “chapéu” que tem, naturalmente, de ser complexo por acorrer a necessidades tão distintas. Falou-nos dos serviços especiais que a Mopar criou para melhorar o serviço aos clientes das várias marcas do grupo, alguns direcionados para alvos bem específicos – os utilizadores de veículos comerciais, por exemplo –, das taxas de retenção das diversas marcas do Grupo FCA e de problemas de recrutamento de novos técnicos (algo transversal a todo o pós-venda), entre outros assuntos. À descoberta de uma estrutura de pós-venda multifacetada por ter de “tocar muitos instrumentos”! A Mopar agrupa as assistências oficiais das marcas Alfa Romeo, Abarth,

Fiat, Jeep, Lancia e Fiat Professional. Como está organizada a estrutura da Mopar para dar resposta a marcas e exigências tão distintas? A gestão de requisitos específicos de marcas com produtos e clientes diferentes, implica uma estratégia que assegura simultaneamente, a disponibilidade de serviços com coberturas e ofertas diferentes, assegurando sinergias de “BackOffice” sempre que aplicável. Qual a importância do serviço de pós-venda prestado pela Mopar para os resultados do Grupo FCA em Portugal, numa altura em que as vendas de automóveis têm margens tão pequenas? O contributo da actividade Pós-Venda continua a ser essencial para os resultados globais do Grupo FCA em Portugal, pois trata-se de uma actividade que não está tão sujeita às variações do mercado de venda de veículos novos, e está assente num parque circulante em crescimento, numa estratégia de incremento de retenção de clientes. Tratando-se de uma assistência oficial das diversas marcas do Grupo FCA, como se diferencia dos espaços de assistências multimarca? A assistência num concessionário assegura, antes de mais, a competência técnica e a permanente ligação ao fa-

Nuno Lopes, Parts & Service Manager da Mopar, falou-nos do Express Lane, o novo programa de serviços rápidos

bricante, com formação, ferramenta e equipamento específicos, para além de um conjunto de serviços que não estão disponíveis numa outra tipologia de reparadores: veículo de substituição, lavagem e acessórios originais. ATENÇÃO PARTICULAR AOS CLIENTES “PROFESSIONAL” Num pós-venda com as características do da Mopar, o “layout” oficinal ganha uma importância ainda maior. Como conseguem conciliar um “layout” funcional e eficaz com a eventual necessidade de compartimentar alguma marca? A funcionalidade do “layout” é, de facto, um tema crucial, determinante para a experiência do cliente e para a eficácia do processo de reparação. No que respeita à experiência do cliente, é fundamental assegurar a possibilidade de visitar o “showroom”, tendo contacto com os novos modelos e com a gama de acessórios disponível, instalados em veículos em exposição. Em relação à funcionalidade da reparação, é para nós um pilar estrutural a implementação do novo programa de serviços rápidos – Express Lane. Este programa tem como principal objectivo assegurar ao cliente a execução de serviços rápidos sem necessidade de marcação prévia e com um horário de funcionamento alargado. Este serviço irá, em 2020, progressivamente fazer parte da rede de Concessionários FCA. Como conseguem gerir “sensibilidades” de clientes de uma marca “premium” como a Alfa Romeo de terem os seus

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BOAS PRÁTICAS

Até uma marca tão especifica como a Abarth encontra um tratamento próprio na muito diversificada rede de pós-venda da Mopar

carros assistidos ao lado dos das restantes marcas? A implementação de novos “standards” de assistência, com a total reestruturação da rede de concessionários que concluímos este ano, permitiu oferecer instalações “best in class”, com uma elevada qualidade de serviço percebida pelo cliente, onde asseguramos a competência técnica específica para cada marca. Os comerciais da Fiat Professional encontram um espaço separado nas oficinas, pela sua especificidade, ou não o consideram necessário? Para os veículos comercias Fiat Professional as oficinas estão equipadas com elevadores de maior capacidade de carga, adequados para os modelos de maior dimensão, assim como as autocaravanas, segmento em que a Fiat Professional detém 75% de quota de mercado. Saliento, no entanto, que para além da questão técnica que mencionei, o aspeto operacional mais relevante para os clientes Fiat Professional é o cumprimento dos prazos de reparação, cuja monitorização e acompanhamento são permanentes. Qual a taxa de retenção de clientes às oficinas oficiais que conseguem em cada uma das vossas marcas?

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A taxa de retenção varia com a idade do veículo e temos realidades distintas, mesmo em função dos modelos e tipologias de utilização. No entanto, no caso da Fiat a fidelização aos 5 anos é de aproximadamente 65%, enquanto no caso da Alfa Romeo e da Jeep a fidelização é de aproximadamente 75%. Qual a marca que se destaca nesse aspeto e, na sua opinião, a que se deve essa maior fidelização? Destaco a Alfa Romeo e a Jeep, em que a tipologia de clientes é mais exigente 60

em relação ao perfeito estado de conservação e funcionamento do veículo ao longo de todo o ciclo de utilização. E, de facto, apenas as oficinas da rede oficial das marcas conseguem assegurar a permanente atualização do produto. Em que segmentos notam maior dificuldade na retenção de clientes? E porquê? Alguns modelos dos segmentos utilitários têm tipologias de clientes que, por vezes, não valorizam tanto a segurança e o perfeito estado de conser-


vação dos veículos. Dou, no entanto, o exemplo do cenário oposto, o do Fiat 500 em que, em geral, verificamos uma enorme preocupação dos proprietários em manter a viatura não só esteticamente, como em termos funcionais irrepreensível. VEÍCULO DE SUBSTITUIÇÃO ATÉ APÓS A GARANTIA Tendo a mão-de-obra a um preço superior ao das oficinas independentes, é esse o maior obstáculo para a retenção dos clientes, depois do fim das garantias oficiais? Os nossos clientes procuram um compromisso preço/qualidade adequado, assim como transparência na orçamentação. Considero que o valor de mão-de-obra não é um obstáculo, pois a garantia da qualidade da reparação e a existência de veículo de substituição, são vantagens que não existem noutra tipologia de operadores. As campanhas “Essential 4+” são feitas a pensar em manter os clientes fidelizados às oficinas Mopar para além das garantias? Que outras iniciativas têm nesse sentido? A Mopar disponibiliza um vasto pacote de produtos de fidelização adaptáveis a qualquer idade do veículo, em que destaco os Contratos de Manutenção e o programa Oil Care, em o cliente pode adquirir, com vantagens financeiras, pacotes de serviços de troca de óleo em antecipação. Considero também que, o facto de assegurarmos a mobilidade permanente, disponibilizando veículo de substituição mesmo fora do período de garantia, é uma vantagem operacional muito importante para o cliente, pois evita todos os incómodos inerentes à imobilização da sua viatura. Qualidade da receção, fazer bem à primeira e cumprimentos de prazos são três importantes critérios para a satisfação do cliente. Como tem evoluído o pós-venda Mopar nestes itens? Monitorizamos permanentemente a Satisfação do Cliente em todos os itens que constituem a experiência do cliente na visita a um concessionário, atuando de imediato. Por isso, em geral, a satisfação dos nossos clientes tem evoluído positivamente. Destaco que, decisões estratégicas como a implementação do programa Express

É DIFÍCIL RECRUTAR NOVOS TÉCNICOS Está longe de ser caso único, o que deveria ser objeto de reflexão por parte dos responsáveis pelos cursos profissionais no nosso país… Também a Mopar, a exemplo de muitas outras marcas e oficinas independentes, encontra dificuldades no recrutamento de técnicos para a rede de oficinas dos seus concessionários. “O recrutamento de técnicos tem sido difícil, mesmo quando se trata de técnicos em fase de iniciação”, refere Nuno Lopes que até faz uma ressalva: “Saliento que, nos processos de recrutamento, os requisitos fundamentais assentam nas competências básicas, pois a formação de competências específicas será da nossa responsabilidade, quer para funções técnicas quer para funções de ‘frontoffice’”. Porque a Mopar tem uma forte aposta em ações de formação dos seus próprios técnicos, de que Nuno Lopes nos deu a dimensão: “A formação técnica, nas suas componentes presencial e online atingirão este ano as 10.650 horas”.

Lane, são o resultado da identificação permanente de potenciais ações de melhoria de Serviço ao Cliente. O nível de eletrificação da FCA é ainda baixo, mas tenderá a crescer. Será esse o maior desafio para o futuro do pós-venda? A actividade Pós-Venda irá sempre adaptar-se, não só a todas as evoluções tecnológicas, mas também às alterações de tipologia de utilização dos veículos, assegurando serviços e produtos adequados a todos clientes. 61

O exemplo mais recente deste fenómeno é o que se passa actualmente com a conectividade, em que a Mopar maximizou o princípio funcional do sistema eCall, permitindo que qualquer cliente de grande parte dos modelos FCA matriculados após 2016, possa adquirir em Pós-Venda, na rede de concessionários, o equipamento Mopar Connect Box, assegurando não só as funcionalidades de segurança do eCall, como também um conjunto de serviços práticos de interação do veículo com o seu smartphone.

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NOTÍCIAS

INT E RN ACIONAIS

BO S C H

Conduzir em segurança

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sinar” o sistema a entender "Se o carro souber o que o condutor está a fao que o condutor zer. Isto permite emitir um e os ocupantes estão alerta apropriado à situação a fazer, a condução e usar os sistemas de assispode tornar-se mais tência à condução em caso de necessidade. segura e cómoda" O sistema controla ainda todos os passageiros, quer seja ao lado ou atrás do condutor. Para tal, uma câmara instalada acima ou abaixo do espelho retrovisor monitoriza todo o habitáculo. Por exemplo, percebe se as crianças nos bancos traseiros retiraram os cintos de segurança; ou se alguém sentado na parte de trás está demasiado inclinado para a frente, debruçado ou com os pés no assento ao lado. A câmara de monitorização interna pode ainda dizer quem está a guiar e ajustar o espelho retrovisor, a posição do assento, a altura do volante e o sistema de informação e entretenimento para predefinir as preferências pessoais de cada um. O sistema está previsto entrar em produção já em 2022 e “será essencial para uma condução autónoma segura”, reforça Harald Kroeger. bosch.com

Bosch, sempre no caminho da inovação, desenvolveu um novo sistema de monitorização do condutor e passageiros, com câmaras e inteligência artificial (IA), com o objetivo de detetar situações de micro-sono, não utilização do cinto de segurança, entre outras. Harald Kroeger, membro do conselho de administração da Robert Bosch GmbH, explica: "Se o carro souber o que o condutor e os ocupantes estão a fazer, a condução pode tornar-se mais segura e cómoda". Para tal, a Bosch propõe integrar uma câmara no volante, que deteta quando os condutores estão a ficar com as pálpebras pesadas, distraídos ou quando viram a cabeça na direção do passageiro ou dos bancos traseiros. Graças à IA, o sistema tira as conclusões corretas desta informação: alerta os condutores desatentos, recomenda uma pausa se estiver cansado ou reduz a velocidade dos veículos - dependendo dos requisitos do construtor e também da legislação em vigor. "O recurso a câmaras e IA transformarão o veículo numa espécie de salva-vidas", afirma o responsável da Bosch. Para que isto seja possível, foram utilizados algoritmos inteligentes de processamento de imagens e “machine learning” para “en-

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Axalta investe na Turquia

GROUPE PSA E FCA ASSINAM ACORDO DE FUSÃO

Nova empresa vale 170 mil milhões

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FCA e o Groupe PSA assinaram um memorando de entendimento vinculativo que visa a fusão das suas atividades em partes idênticas, dando assim origem ao quarto maior construtor mundial em termos de volume e ao terceiro maior ao nível de volume de negócios, ficando sediado na Holanda. Da nova entidade resultará um volume de vendas anual de 8,7 milhões de veículos, com um volume de negócios de aproximadamente 170 mil milhões de euros, um resultado operacional corrente superior a onze mil milhões de euros e uma margem de lucro operacional de 6,6 por cento, considerando os resultados agregados de 2018. As sinergias e poupanças resultantes

da fusão irão permitir investir em tecnologias e serviços que transformarão a mobilidade do futuro, ajudando-as a ir ao encontro das desafiantes exigências regulamentares em matéria de CO2. Carlos Tavares, “chairman” do conselho de administração do Groupe PSA, afirmou: “A nossa fusão representa uma enorme oportunidade para assumirmos uma posição mais forte na indústria automóvel, enquanto procuramos dominar as mudanças para um mundo de mobilidade limpa, segura e sustentável”. Mike Manley, “chief executive officer” da FCA, por seu turno, acrescentou: “Esta é a união de duas empresas com marcas incríveis e equipas de gestão muito qualificadas”.

BILSTEIN GROUP CONSTRÓI NOVO CENTRO LOGÍSTICO O bilstein group anunciou recentemente o início da construção do novo centro logístico, que irá localizar-se em Gelsenkirchen, na Alemanha. O edifício ocupará uma área de aproximadamente 45 mil metros quadrados e está a ser construído com um sistema de logística de raiz e que será já amplamente automatizado.

No futuro, as peças do bilstein group serão enviadas para todo o Mundo a partir deste local, num investimento que se traduz em mais de 100 milhões de euros e cuja conclusão está prevista para meados de 2022. “A área de Gelsenkirchen oferece-nos as oportunidades ideais de expansão, agora e no futuro, uma vez que nos permite expandir significativamente as dimensões do edifício”, afirma Jan Siekermann, diretor-geral do bilstein group. O centro logístico será construído de acordo com o padrão KfW55, o que significa que será consumida menos 45 por cento de energia, comparativamente com um novo edifício. bilsteingroup.com 63

A Axalta adquiriu recentemente uma fábrica em Çerkezköy, na Turquia, para desenvolver a atividade de tintas em pó. Ali será realizada a produção de todas as gamas de tintas em pó de qualidade superior da empresa, incluindo as coleções Mate, Fina Texturada e Semi Brilho. Segundo Klaus Gast, “business director” do negócio de tintas em pó da Axalta na Europa, “esta é uma excelente oportunidade para o crescimento do negócio de tintas em pó da Axalta na região, podendo assim servir mais rapidamente o mercado”. axalta.com

Novo catálogo Metalcaucho online A Metalcaucho, fornecedor europeu de peças de reposição, lançou mais de 1200 novas referências, desde que foi publicado o seu catálogo deste ano, em março passado. Decidiu, por isso, publicar um novo documento em formato pdf, no qual as peças são classificadas por marcas de veículos, de forma a encontrá-las com facilidade e rapidez. Este anexo, está disponível para “download” no sítio da empresa. metalcaucho.com

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NOTÍCIAS

INT E RN ACIONAIS

Nova iluminação Magneti Marelli

C ON D U Ç ÃO A U TÓ N OM A

Inteligência Artificial desenvolve mapas HD A TomTom e a Universidade de Amesterdão (UvA) acabam de lançar um novo laboratório de investigação público-privado. O Atlas Lab vai focar-se na utilização de Inteligência Artificial (IA) para desenvolver mapas HD avançados, altamente precisos e seguros, para veículos autónomos. Em parceria com a TomTom, a UvA está a desenvolver pesquisas sobre o uso da IA para criar mapas HD adequados a todos os níveis da condução autónoma. Nos próximo cinco anos, o Atlas Lab irá trabalhar em projetos que contribuam para o reconhecimento automatizado

de itens, tais como sinais de trânsito, localização 3D de veículos e combinação de imagens a laser e câmaras LIDAR (deteção e alcance da luz). Para recolher os dados necessários, estão a ser utilizadas carrinhas de mapeamento móvel equipadas com sensores, como sistemas LIDAR e câmaras. “A TomTom está a quebrar as barreiras na utilização da IA para a criação de mapas HD para carros autónomos”, referiu Harold Goddijn, CEO da TomTom, acrescentando: “Precisamos de investigação disruptiva ao nível da tecnologia de IA”. tomtom.com

A Magneti Marelli Aftermarket apresentou o seu novo catálogo de iluminação, composto por mais de três mil referências 100% originais e que integram a maior parte dos sistemas de iluminação fabricados pela Automotive Lighting, empresa do grupo especializada em sistemas de iluminação automóvel. As novas propostas demonstram novas soluções no campo da segurança ativa e passiva, economia no consumo de combustível e um design que responde às crescentes necessidades estilísticas dos fabricantes de veículos. A oferta inclui cerca de 1350 projetores principais, 1500 pilotos e 300 referências de várias peças. magnetimarelli.com

BOSCH EXCHANGE INJETORES E BOMBAS DIESEL PARA “AFTERMARKET” O programa “Bosch eXchange” permite disponibilizar uma ampla gama de injetores e bombas de alta pressão remanufaturados para veículos de turismo e comerciais ligeiros. Com mais de 1300 referências, alcançando uma cobertura de cerca de 97 por cento no mercado de “aftermarket”, o programa oferece a mesma fiabilidade e durabilidade que os produtos novos, com a mesma qualidade do equipamento original. Com o seu controlo eletrónico e capacidade de injeção múltipla, os sistemas common rail ajudam a que os motores diesel sejam mais económicos, ao mesmo tempo que garantem uma crescente otimização da potência. A função dos injetores common rail não é outra que não a de injetar, mediante atuação eletrónica, o volume correto de combustível no momento adequado. Isto permite um funcionamento mais eficiente no que diz respeito ao consumo e às emissões, possibilitando assim cumprir as diferentes normativas relacionadas com as emissões poluentes, como por exemplo, a norma europeia Euro 6. bosch.com

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NOTÍCIAS

INT E RN ACIONAIS

Sistema autónomo de alinhamento da Hunter D I ESE L T E C HN I C

Sistema rigoroso garante qualidade dos produtos A Diesel Technic dispõe de um sistema de qualidade que se encontra dividido em quatro processos essenciais: desenvolvimento de produtos, inspeção inicial de amostras, inspeção da série e suporte pós-venda. Para o desenvolvimento de produtos, a empresa colabora exclusivamente com fornecedores certificados de acordo com os padrões internacionais da indústria automóvel, os quais produzem uma amostra inicial com base nas especificações desejadas. Estes são inspecionados pela Diesel Technic e deverão cumprir todos os requisitos e critérios especificados; só depois é que a aprovação é dada ao

fornecedor para a produção em série. Para garantir a qualidade na inspeção em série, após a produção, são realizadas verificações aleatórias em cada lote, de acordo com as especificações dos planos de teste e padrões automotivos. Cada item também é inspecionado visualmente como parte do processo de receção de mercadoria. Finalmente, caso seja necessário recorrer a um suporte depois de efetuar a compra, pode-se entrar em contacto com o departamento pós-venda, de forma a prevenir a necessidade de reclamações de garantia por completo. dtqs.de

Quick Check Drive é o mais recente sistema autónomo de inspeção de alinhamento da Hunter Engineering, que vem equipado com oito sensores e 32 lasers que digitalizam um veículo à medida que ele passa, eliminando a paragem do veículo. O sistema pode digitalizar pneus de veículos de passageiros a cada 3-5 segundos. O equipamento possui visualização opcional de imagem de danos corporais, que permite capturar 40 ou mais imagens por veículo, sem uma penalidade de tempo e proteger-se contra reivindicações de danos questionáveis. hunter.com

CONTINENTAL CORREIAS DE TRANSMISSÃO PARA VEÍCULOS COMERCIAIS A Continental acaba de disponibilizar cerca de 40 novos tipos de correias de transmissão trapezoidais múltiplas para os acionamentos auxiliares dos veículos comercias Volvo, Scania, Renault e Iveco. As correias apresentam os códigos de perfil 4PK, 6PK, 8PK, 10 PK e 12PK, ou seja, desde a variante estreita com quatro nervuras até à mais larga com doze, e são feitas de borracha sintética reforçada com fibra com

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um membro de tensão de poliéster. A Continental fabrica as correias de transmissão para o mercado de reposição com os mesmos padrões de 66

qualidade dos seus produtos de equipamentos originais, projetados especialmente para atender aos requisitos das modernas unidades de veículos comerciais. Isso significa que as oficinas que operam no mercado de reposição podem beneficiar da mesma qualidade comprovada do equipamento original. A Continental concede ainda às oficinas registadas uma garantia de cinco anos. continental.com


REPARAÇÃO

TRABALHAR EM ELÉTRICOS E HÍBRIDOS

A FORMAÇÃO QUE PODE VALER BONS NEGÓCIOS Ter um ou dois mecânicos com uma formação de iniciação em veículos elétricos e híbridos pode abrir vastas oportunidades de negócio às oficinas independentes! É uma aposta que vale a pena para se destacar da concorrência Texto Sérgio Veiga

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s vendas de automóveis híbridos e elétricos não param de aumentar, começando a ter já um peso muito interessante no parque automóvel nacional. E se os elétricos prosseguem o seu crescimento consistente, mas têm ainda uma expressão pequena no panorama nacional, já a chegada em força dos híbridos – em especial pela aposta das gestoras de frotas – tem espalhado muito mais depressa a eletrificação e os sistemas de alta tensão pelo parque circulante no nosso país. A intervenção naquele tipo de automóveis exige, obviamente, um tipo de formação de base totalmente distinto do dos veículos convencionais apenas com motor a combustão. Porque, com um sistema de alta tensão embarcado, há obrigatoriamente que colocar o automóvel em segurança antes de qualquer intervenção, mesmo que nada tenha a ver com o sistema de propulsão, elétrico ou híbrido. A chamada operação de desenergizar o veículo, antes de se poder começar a trabalhar nele e que implica conhecimentos muito específicos, só adquiríveis através de ações de formação também elas específicas. E aqui entramos num campo que, por vezes, “assusta” os proprietários de oficinas independentes, habituados ao seu negócio de sempre e que se

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veem agora confrontados com uma nova realidade que muda a uma velocidade estonteante. Valerá a pena estar a investir na formação de um ou dois funcionários (falamos de equipas pequenas) e na compra de mais equipamento e ferramenta – aqui os gastos nem são “pesados”… – quando ainda há tão poucos carros elétricos e híbridos a serem assistidos fora das redes oficiais das marcas?... Se ainda não o fez, esta é a altura de apostar nesse passo que lhe pode abrir as portas de um negócio muito mais vasto! Não estamos necessariamente a falar de dotar a sua oficina de capacidades de reparações profundas de veículos elétricos, ao ponto de conseguir substituir as células das baterias… TER OU NÃO TER NEGÓCIO… São imensas as oportunidades de negócio que se podem abrir se contar com um ou dois mecânicos com a formação mínima no processo de isolar um carro elétrico ou híbrido, de desligar os seus sistemas de alta tensão, para que a restante equipa possa trabalhar em total segurança. Até em sistemas que nada têm a ver com a parte elétrica, como a direção, as suspensões ou o ar condicionado. Mas o carro tem de estar desenergizado… A evolução deste mercado de elétricos e híbridos é uma “bola de neve” que já 68

Ter conhecimentos básicos e as ferramentas para desligar os sistemas de alta tensão dos modelos elétricos e híbridos poderá ser o abrir de portas a um mundo de negócios muito mais vasto!

não irá parar, tal o investimento que os grandes construtores têm feito não só no desenvolvimento de novos modelos, mas até em parcerias para garantirem que não lhes faltarão baterias no futuro mais longínquo. Portanto, não há como fechar os olhos a uma parte do negócio que irá crescer exponencialmente e que começa já a entrar em força no “aftermarket”, esgotadas que começam a estar as garantias dos primeiros modelos. E insistimos: ter mecânicos com uma formação de iniciação na assistência a veículos elétricos ou híbridos – nível que só aborda os aspetos de seguran-


ça – é a diferença entre poder aceitar um carro desses para lhe reparar um dano num outro componente qualquer ou simplesmente… perder um negócio! E como o número deste tipo de veículos está a aumentar de dia para dia, é fácil de perceber a quantidade de negócios que irão perder as oficinas que teimarem em fechar os olhos para esta realidade. As que derem o passo, domarem o “monstro” (que o pode parecer, admitamos) e abraçarem a oportunidade, conseguirão destacar-se da concorrência cada vez mais feroz! Há várias entidades formadoras nestes campos, normalmente com cursos

com três níveis, iniciação, intermédio e avançado, sendo que este último até já permite reparar baterias. O primeiro é aquele de que aqui falamos e que ensina a isolar o automóvel, a desconectar todo o sistema de alta tensão para tornar segura qualquer intervenção, além de abordar as diferenças dos sistemas dos diversos construtores. A ATEC, Anecra ou a EVolution são duas das entidades já com muitas horas destas formações, mas não são as únicas. Além da formação de um ou dois mecânicos para que possam deixar os automóveis prontos a intervir, há ainda que os equipar com as ferramen69

tas necessárias, mas esse nem é um investimento pesado, pois trata-se, acima de tudo, de equipamento de segurança: luvas de borracha específicas, capacete com viseira, cadeado para bloqueio de sistemas de alta tensão e, claro, ferramentas com correto isolamento. Mas também não será por aqui que vai virar costas à possibilidade de aceitar veículos elétricos e híbridos na sua oficina, mesmo que para reparações de outros sistemas que nada tenham a ver com a cadeia de propulsão… Porque o manancial de negócio que se vai abrir justifica bem a aposta!

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REPARAÇÃO

A DIMENSÃO DO QUE AÍ VEM A corrida desenfreada dos grandes construtores já não se limita ao fornecimento de baterias, mas à garantia do acesso às matérias-primas como o lítio e o cobalto! Alguns números só para se perceber a dimensão da “explosão elétrica”

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uando falámos, nas páginas anteriores, do interesse de as oficinas se reforçarem com um ou dois técnicos habilitados a, pelo menos, desenergizarem os carros elétricos ou híbridos para poderem prestar assistência a este tipo de veículos (mesmo que noutras áreas que não a das cadeias cinemáticas), referimo-nos ao crescimento exponencial que aquelas mecânicas irão conhecer nos próximos anos. Já há algum tempo que se ouve falar nos bilionários investimentos que os grandes construtores estão a fazer para oferecerem gamas completas de veículos elétricos e eletrificarem todas suas gamas, com um horizonte temporal a cinco anos. Mas a “coisa” está a ir muito mais longe e a corrida já deixou de ser por quem lança mais e melhores modelos para passar a ser pela garantia do fornecimento de baterias e até pelo controlo de matérias-pri-

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mas indispensáveis no seu fabrico como o cobalto e o lítio que se poderão tornar o “petróleo” da mobilidade do futuro! Os números são de tal forma gigantescos que mostram bem como este avanço para a eletrificação dos automóveis não só não tem recuo como será muitíssimo rápido. Daí o alerta que deixámos nas páginas anteriores para a necessidade de as oficinas que ainda não estão preparadas “apanharem este comboio” o mais depressa possível! Esta corrida generalizada tem muito a ver com o facto de a China estar, praticamente, a controlar o fabrico de baterias para a indústria automóvel mundial… Embora a Europa esteja agora a arrancar com a sua própria produção de baterias de iões de lítio, num investimento de 20 mil milhões de euros. Mas, para já, são os chineses que controlam o negócio das baterias para os automóveis elétricos… Em março deste ano a Volvo assinou um acordo de vários milhares de milhões 70

de euros com a CATL (chinesa) e a LG Chem (coreana) para garantir o fornecimento de baterias ao longo da próxima década. Um passo indispensável para o seu objetivo de ter 50% da sua gama só com modelos elétricos, em 2025. A Ford vai investir cerca de 14 mil milhões de euros para ter 40 modelos eletrificados até 2022. ALEMÃES TENTAM CONTROLAR AS MATÉRIAS-PRIMAS! A BMW assinou contratos com a chinesa CATL e a coreana Samsung para ter o fornecimento de baterias de iões de lítio garantido até 2031, pagando para isso 10 mil milhões de euros. Mas não fica por aí, pois é a marca alemã que garantirá o fornecimento do cobalto necessário às baterias, a partir de minas da Austrália e de Marrocos e o lítio também de minas na Austrália. Com uma particularidade interessante: a BMW pagou 540 milhões de euros à Gangfeng (empresa


Os principais construtores estão a investir biliões na compra de baterias e matérias-primas para as construir, dando um sinal de aceleração e de não retrocesso no processo de eletrificação dos automóveis

chinesa) que explora as minas de lítio australianas, por um contrato de cinco anos, até 2024, com opção por mais três anos… É o custo da sua ambiciosa estratégia que aponta para ter 25 modelos eletrificados no mercado, em 2023. Mas mostra bem como, tal como os outros, o construtor de Munique está empenhado na eletrificação dos seus modelos e na mobilidade de emissões reduzidas ou mesmo nulas. Mas não se pense que a BMW descobriu a “pólvora” pois, já em abril, a Volkswagen tinha assinado um contrato com a mesma Gangfeng para o fornecimento de lítio ao longo dos próximos dez anos… Além da VW e da BMW, a empresa chinesa fornece ainda a Tesla (contrato até final de 2020 com opção por mais três anos) e a LG Chem. A VW não divulgou os valores pagos pelo contrato de dez anos, mas a garantia de contar com o lítio necessário para as baterias era decisiva para o seu ultra ambicioso plano

que prevê o lançamento de 70 modelos elétricos (das várias marcas do Grupo VW) ao longo da próxima década! Além, claro, dos híbridos que também usarão baterias de iões de lítio. Por fim, neste longo desfile de milhares de milhões, a Daimler (Mercedes-Benz) não poderia ficar de fora… E o seu investimento em baterias vai rondar os 20 mil milhões de euros, embora a Daimler prefira passar a controlar todo o processo de produção, com a construção de várias fábricas de baterias de iões de lítio. Para já estabeleceu uma parceria com a Farasis Energy, empresa sino-americana que está a investir 600 milhões de euros na construção de uma fábrica na Alemanha para fornecer baterias à Daimler. Mas o grupo que integra a Mercedes terá diversas fábricas na Alemanha, China (Pequim), Tailândia (Banguecoque), Estados Unidos (Tuscaloosa) e Polónia (Jawor). Porque o grupo irá eletrificar não só veículos de passa71

geiros, mas também comerciais, ligeiros ou pesados. Esta resenha serviu para passarmos a verdadeira dimensão do movimento do mercado automóvel em direção à eletrificação e a velocidade a que tudo se está a passar, quase sem olhar a custos, dada a urgência de controlar as matérias-primas, nas mãos de poucos países – cobalto na República Democrática do Congo, Suécia e pouco mais; o lítio na China, Austrália, Bolívia, EUA e pouco mais… – como nunca se viu em relação aos combustíveis fósseis! Acima de tudo, pretendemos com este artigo reforçar o alerta que deixámos nas páginas anteriores: elétrico ou híbrido, o futuro (próximo) passará quase sempre por um carro com algum sistema de alta tensão embarcado. Oficina que não esteja preparada (leia-se, que não tenha técnicos formados) para lidar com isso estará a começar a encerrar as suas portas! Que se agarre esta grande oportunidade!

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REPARAÇÃO

REPINTURA AUTOMÓVEL

PRECISAMOS DE OUTRA ESTUFA? A instalação de outra estufa ou a melhoria de processos são as duas opções que, em geral, se colocam para fazer frente à ameaça dos "congestionamentos" na zona de pintura. Uma análise das origens do problema da oficina irá conduzir-nos à solução ideal Texto Ramón Hurtado Sánchez

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função da estufa de pintura é vital no sistema produtivo das oficinas de carroçaria e pintura. Todos os veículos deverão passar pelo interior da mesma para a aplicação e secagem dos produtos de acabamento. Uma acumulação de carga de trabalho nesta fase da cadeia de produção vai originar um "congestionamento", cujas consequências se vão propagar às restantes zonas da oficina, condicionando a produtividade global. Uma das soluções pela qual geralmente se opta perante este risco é aumentar o número de estufas. Graças a isso, estará sempre alguma estufa livre, evitando tempos mortos nas reparações e entre a equipa de pintores. A principal dificuldade desta solução, para além da própria disponibilidade do espaço suficiente e da localização, reside no elevado investimento que implica. E este investimento pode revelar-se pouco rentável se, em vez de falta de equipamento, o verdadeiro problema radicar em processos e métodos de organização que não permitem obter o máximo rendimento das estufas. É precisamente este aspeto que deve ser analisado primeiro que tudo, antes de se tomar qualquer decisão. A melhor forma de iniciar esta análise será sempre encontrar o modo de medir este aspeto com um indicador que represente este rendimento.

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CICLO DA ESTUFA Neste caso, o KPI ideal é o ciclo da estufa, para cujo cálculo apenas são necessários três dados: número de estufas, horas que a oficina está aberta e número de veículos pintados por estufa para um mesmo período de tempo. O produto dos dois primeiros, dividido pelo terceiro, indica-nos o tempo de estufa utilizado em média para cada reparação. A comparação do dado obtido com um valor de referência mostra-nos a situação da oficina em relação a este aspeto. Não existe uma referência única para todas as oficinas. Não obstante, pode utilizar-se um valor aproximado, que resulta da seguinte dedução: o aproveitamento máximo de uma estufa convencional permite a pintura de até 5 veículos numa jornada de 8 horas. Se fizermos o cálculo explicado anteriormente obtemos 1,6 h como um valor de referência muito geral do ciclo da estufa. Este valor deve ser adaptado a alguns aspetos, tais como, o tipo de estufa, as necessidades de manutenção, os produtos utilizados na pintura, a reparação média da oficina ou as condições climatéricas, entre outras variáveis que, no seu conjunto, podem aumentá-lo em mais de 50%. A análise torna-se simples com estes dados. Se o valor da oficina é próximo do valor de referência, a conclusão é que estamos no limite do aprovei72

tamento, e terá que ser aumentado o número de estufas. Por outro lado, se o valor é muito superior ao de referência, é porque há margem suficiente para implementar soluções, a vários níveis, que evitarão a realização deste investimento. Partindo do princípio que a estufa se encontra em boas condições de manutenção, e em perfeitas condições de funcionamento, será uma adequada organização da oficina, especialmente da zona de pintura, aquilo que permitirá alcançar um grau ideal de aproveitamento da mesma. Neste sentido, devemos focar-nos em utilizar cada ciclo de aplicação/seca-


Sendo muito pesado o investimento numa estufa de pintura adicional, convém não só fazer muito bem as contas, como analisar rigoramente os processos de trabalho da oficina antes de avançar para a sua compra

O KPI ideal é o ciclo da estufa, para cujo cálculo são necessários três dados: número de estufas, horas em que a oficina está aberta e veículos pintados por estufa 73

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REPARAÇÃO

Existe a possibilidade de implementar um horário alargado na zona de pintura para se conseguir uma maior utilização horária da estufa todos os dias gem ao máximo, organizando de tal forma a produção e as reparações que a estufa esteja o mais cheia possível em cada ciclo. Devemos evitar, por exemplo, utilizar a estufa para pintar um único para-choques desmontado. Com uma boa organização será possível agrupar num mesmo ciclo peças de di-

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ferentes reparações, mesmo que, para isso, seja preciso realizar desmontagens que não estejam contempladas nas avaliações. De igual modo, devemos fazer o que for possível para que um veículo e todas as suas peças desmontadas sejam pintadas num único ciclo. Logicamente, 74

esta medida será condicionada pelas dimensões interiores da estufa. Neste sentido, é recomendável que o seu comprimento interior não seja inferior a 8 metros. Com uma boa preparação da reparação, e seu seguimento, manteremos sob controlo todos aqueles problemas


Regularmente há que proceder à troca dos filtros da cabina

que obrigam a interromper a reparação quando o veículo já se encontra na estufa. Parte destas interrupções costuma ter origem na falta de algum dos elementos básicos necessários para se obter a cor do veículo. Assim, é fundamental identificar corretamente o código da cor nos passos iniciais, preferencialmente na própria avaliação, assim como verificar periodicamente o inventário do armazém de pintura e confirmar que se dispõe de todos os produtos necessários para as reparações programadas. Deve garantir-se que a estufa seja destinada exclusivamente aos ciclos de aplicação e secagem de produtos de acabamento durante o horário em que a oficina está aberta, pelo que há que evitar que neste equipamento sejam realizadas outras tarefas como, por exemplo, as operações de mascaramento. De igual modo, dentro do possível, deve reduzir-se ao máximo o tempo em que a estufa está parada dentro do horário da oficina por falta de carga de trabalho. Uma das premissas a seguir é que haja sempre, pelo menos, um veículo preparado para entrar na estufa. Neste sentido, assume um papel muito importante o sistema que é seguido para planificar as reparações. Uma planificação semanal, na qual se costuma concentrar a maior parte das entradas entre a segunda-feira e a terça-feira, implica que se obtenha um fluxo de reparações e, portanto, de carga de trabalho, desigual ao longo da sema-

na. Neste caso, ocorrerá uma elevada ocupação da estufa a meio da semana, com um elevado risco de formação de "congestionamentos", e um subaproveitamento do equipamento no início e no final da semana, dias nos quais haverá períodos em que o equipamento estará parado. A nível organizacional, existe a possibilidade de implementar um horário alargado na zona de pintura, o que permitirá conseguir uma maior utilização horária da estufa todos os dias. Isto consiste, por exemplo, em adiantar ou atrasar o início da jornada de trabalho de uma parte dos pintores, de tal forma que durante um determinado intervalo horário não se encontrem todos os pintores em simultâneo na oficina. Graças a isso, será possível reduzir, em certa medida, os problemas devidos à disponibilidade do equipamento. A última medida que indicamos para a otimização do ciclo da estufa, mas não menos interessante, é atuar ao nível dos produtos e dos processos. Hoje em dia, existem produtos de secagem rápida com os quais é possível reduzir a necessidade de tempos de evaporação e secagem e, consequentemente, o tempo do ciclo. Todas estas medidas se centram na otimização da utilização do equipamento. Mas se o problema da oficina residir no facto de o número de estufas ser muito à medida para o número de pintores, existem ainda opções que implicam investimentos inferiores ao 75

da aquisição de uma nova. É possível, por exemplo, atualizar a tecnologia da estufa, substituindo o gerador de calor convencional por sistemas de chama direta ou painéis elétricos endotérmicos. Os referidos sistemas reduzem o tempo necessário para elevar a temperatura e/ou o tempo de secagem. Também devemos considerar a opção de delimitar um dos postos de preparação de superfícies com divisórias ou cortinas, e equipá-lo com grupos para a insuflação e extração de ar, para além de um sistema de fornecimento de calor para a secagem, como uns infravermelhos. Este posto poderá ser destinado à pintura de veículos com uma ou duas peças verticais, servindo de desafogo para a estufa, bem como de base para a implementação de um fluxo diferenciado de trabalhos rápidos para este tipo de intervenções. A CESVIMAP conta com uma ampla experiência em trabalhos de consultoria, nos quais se realizam análises personalizadas a oficinas, seja na sua globalidade ou de alguma das suas áreas. O resultado é um diagnóstico da atividade das mesmas, com planos para a sua melhoria.

PARA SABER MAIS: ÁREA DE CONSULTORIA. CONSULTORIA@CESVIMAP.COM @REVISTACESVIMAP WWW.REVISTACESVIMAP.COM

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TÉCNICA

REPARAÇÕES RÁPIDAS DA CARROÇARIA

UM SERVIÇO INTERESSANTE PARA A OFICINA, PARA A SEGURADORA E PARA O CLIENTE Num tempo em que os trabalhos têm de ser para já, ou até para ontem, conceitos como eficiência, produtividade, organização, gestão, etc., assumem maior importância e devem ser tidos em conta no desenvolvimento da atividade da oficina Texto Pilar Santos Espí

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combinação dos conceitos de rapidez, eficiência e produtividade com a tecnologia atual dos produtos, equipamentos e ferramentas que agilizam o ciclo de trabalho de uma reparação, favorece o desenvolvimento de serviços de carroçaria ou reparação rápida. Uma atividade atrativa tanto para as oficinas e seguradoras, como, evidentemente, para os clientes que querem ter sempre os seus carros prontos... "ontem". Carroçaria rápida, Carroçaria Express, Express Repair, Smart Repair, Spot Repair, Speed Repair, Fast Repair, Fast Track… são muitos os nomes que fazem referência a reparações "rápidas", ainda que nem todos se refiram ao mesmo conceito, existindo diferenças entre eles. Em edições anteriores da nossa revista foi feita referência às reparações denominadas, de forma geral, "Spot Repair", técnica utilizada para trabalhos rápidos de pintura e específica para reparação de danos pontuais, muito pequenos, em que se limita a zona de reparação à zona do dano, sem se plicar verniz ou esmalte em toda a peça e sem necessidade de a desmontar do veículo. Agora centramo-nos na descrição de "Reparação Rápida da Carroçaria" ou "Carroçaria Rápida", um serviço rápido de oficina no qual se inclui a técnica do "Spot Repair", mas que, além disso, engloba muitos outros processos de trabalho, ainda que se limitem a reparações que permitem que a oficina entregue o veículo ao cliente nas 24 horas seguintes à receção do mesmo.

cómodo para muitos clientes. Por este motivo, o facto de nestes serviços se rececionar o veículo e de se entregar em 24 horas ou menos, representa um bom incentivo para os clientes, sejam estes particulares, empresas de Renting, Leasing, Aluguer, Compra e Venda ou Frotas. As seguradoras também avaliam positivamente a opção de Reparação Rápida da Carroçaria, visto que permite agilizar a prestação do serviço, proporcionando uma maior satisfação por parte dos seus clientes. Do ponto de vista das oficinas, a inclusão deste serviço implica um maior fluxo de veículos, um maior rendimento dos seus recursos e uma melhoria em termos de produtividade e competitividade, para além de uma maior satisfação dos clientes. Outra vantagem importante para as oficinas é que neste tipo de serviços não é costume disponibilizar ao cliente um automóvel de substituição ou cortesia, a menos que não seja possível cumprir o prazo de entrega devido a algum problema, o que deixa a frota de automóveis de substituição da oficina para as restantes reparações. 2 – Orçamentos prévios, rigorosos e definitivos Este serviço deve oferecer um orçamento claro, rigoroso e definitivo antes de o veículo ser deixado na oficina.

Isto exige uma avaliação prévia que, por outro lado, servirá para determinar se é possível ou não a inclusão no serviço de Reparação Rápida da Carroçaria. Quando se trata de danos ligeiros, a avaliação prévia não costuma sofrer alterações em relação à definitiva. Nestes casos, a autoperitagem ou a teleperitagem por parte da oficina de confiança podem agilizar o processo completo do serviço ao cliente. 3 – Possibilidade de marcação prévia A planificação é fundamental para se cumprirem os prazos de entrega. A oficina deve dispor de uma agenda para prestar serviços neste tipo de reparações, tendo em conta a carga de trabalho da oficina para estas reparações e, no caso de substituição de peças ou de ser necessária a intervenção de um perito por parte da seguradora, será efetuada a marcação com o cliente de forma a que a oficina disponha da respetiva peça de substituição e se tenha combinado a presença do perito no mesmo dia da reparação. 4 – Garantia de qualidade É evidente que este serviço não representará uma satisfação para os clientes se estes não contarem com uma garantia de qualidade. Deste modo, os produtos, equipamentos e métodos de reparação utilizados não só devem ter

CARACTERÍSTICAS DA REPARAÇÃO RÁPIDA DA CARROÇARIA 1 – Entrega do veículo num prazo de 24 horas Esta é a característica principal dos serviços de Reparação Rápida da Carroçaria. O compromisso de entrega em 24 horas ou menos implica limitar as reparações a 2-3 peças e a umas 5 horas de mão de obra no máximo, caso nos refiramos a uma oficina normal, em que a jornada de trabalho é de 8 horas. O tempo médio que um automóvel passa numa oficina de chapa e pintura são 10 dias, e isto representa um grande in77

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TÉCNICA

COMPROMISSO O lado mais atrativo dos serviços rápidos é o compromisso da entrega do carro em 24 horas

como propósito encurtar os ciclos de reparação, mas também conseguir uma reparação de qualidade e com garantia. PROCESSOS Tendo em conta o compromisso de entrega em 24 horas ou menos, considera-se que os tipos de reparações ou processos que se podem incluir nas Reparações Rápidas da Carroçaria são: Substituição de peças amovíveis. Isto é, aquelas que se podem desmontar e montar facilmente, sejam exteriores ou interiores. Deverá ter-se em consideração os tempos necessários de desmontagem e montagem, a necessidade de pintura posterior e a disponibilidade da peça de substituição. Reparação e pintura de peças de chapa exteriores. Poderá incluir-se na Reparação Rápida da Carroçaria dependendo do número de peças, do seu tamanho, da extensão dos danos e do facto de existirem outras peças de plástico implicadas no sinistro. Reparação e pintura de plásticos. Com as mesmas condições do caso das peças em chapa. Reparação de pequenas mossas. Através do sistema de varetas ou de ventosas. Trata-se de reparar mossas muito pequenas, por exemplo, as típicas que ocorrem ao abrir as portas e bater no veículo ao lado. No caso de pequenas mossas devido ao granizo, dependerá da amplitude dos danos para se poder considerar Reparação Rápida da Carroçaria.

Restauro de faróis. No caso de pequenos riscos ou amarelecimento das lentes dos faróis. Restauro de jantes. Quando estas não apresentam grandes danos, podendo ser recuperadas através de um processo de pintura (incluindo massa). Reparação de estofos e tabliers. Este tipo de reparações é mais específico de algumas oficinas, mas devido ao tempo de reparação necessário pode ser incluído na Reparação Rápida da Carroçaria. Polimento e abrilhantamento. Para eliminar defeitos após o processo de pintura, como manchas de sujidade, para

Substituição de vidros e reparação de vidros laminados. No caso de substituição dos vidros, deverá ter-se em conta a disponibilidade da peça de substituição e, caso o veículo tenha integrada uma câmara no para-brisas para o funcionamento dos sistemas ADAS, será tido em conta o tempo da necessária calibragem.

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eliminar riscos muito superficiais ou para o restauro do acabamento de uma peça ou do veículo completo (dependendo do estado da pintura). Processos de pintura "Spot Repair". Pintura de danos pontuais nos quais a reparação é limitada à zona do dano. ORGANIZAÇÃO E GESTÃO Os serviços de Reparações Rápidas começam com uma mudança de mentalidade e uma adequação dos recursos da oficina. Não se trata de dar prioridade a estas reparações relativamente aos restantes trabalhos da oficina, mas sim de dispor de uma linha de trabalho diferenciada e com os recursos necessários para o cumprimento do prazo de entre-


PARA-BRISAS Na troca de um para-brisas há que contabilizar o tempo de calibragem dos sistemas de ADAS

ga, recursos tanto de pessoal como de instalações, ferramentas e produtos. A organização também é fundamental neste serviço, minimizando os tempos improdutivos, agilizando o processo de reparação, e acelerando as diligências junto das companhias de seguros e a gestão das peças de substituição. PESSOAL Para o bom funcionamento da Reparação Rápida da Carroçaria o pessoal da oficina deve estar envolvido e conhecer as suas funções:

Chefe de oficina: É o responsável por organizar os trabalhos na oficina e deve conhecer a planificação dos trabalhos, para além de efetuar a revisão final de qualidade. Funcionários designados para este tipo de reparações: Em primeiro lugar, deve haver pessoal de oficina designado para este tipo de reparações e, em segundo, tais técnicos devem ser polivalentes, ter formação e ser conhecedores das técnicas de reparação com os produ-

tos, equipamentos e ferramentas que visam uma redução dos tempos de trabalho com uma elevada qualidade de acabamento. Todo o pessoal de oficina envolvido na Reparação Rápida da Carroçaria desempenha um papel importante para o bom funcionamento do serviço, e a formação é crucial para que tal seja conseguido, tanto em sistemas de avaliação, como em técnicas de reparação ou cursos de organização e gestão.

Rececionista e/ou assessor do serviço: O trabalho começa pela receção e avaliação do sinistro ou dos danos, sendo determinado se pode ou não incluir-se no serviço de Reparação Rápida da Carroçaria. Podem tratar-se de sinistros com intervenção da seguradora, sinistros de clientes particulares que solicitam a reparação, ou até de vendas cruzadas, clientes que surgem por outro motivo e é-lhes indicada a possibilidade da Reparação Rápida da Carroçaria. Esta pessoa ou pessoas deverão ter conhecimento dos sistemas de avaliação para disponibilizarem um orçamento e determinar se são cumpridos ou não os critérios do serviço para ocorrer a inclusão no mesmo. 79

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NOTÍCIAS

PNE U S

MI CHE L I N UP T I S

INOVAÇÃO GALARDOADA

A

inda faltam cerca de quatro anos para ser introduzido no mercado – lançamento previsto para 2024 –, mas o Michelin Uptis, o pneu sem ar que é quase a reinvenção da roda, não pára de receber prémios pelo seu carácter inovador! Diga-se, a bem da verdade, que a marca francesa não é a única a desenvolver um conceito destes, mas parece ser a que leva vantagem e a que está mais próxima de colocar no mercado o pneu que “dispensa” o ar: neste momento decorrem já os primeiros testes em situação real, num Chevrolet Volt EV, em estradas do Michigan (EUA), na sequência da parceria entre a Michelin e a General Motors. Recentemente, o carácter inovador do Uptis e as inúmeras vantagens que o seu conceito encerra foram reconhecidos na Alemanha (“Golden Steering Wheel 2019”, do grupo editorial “Bild”), em França (“Coyote Automobile 2020”) e nos Estados Unidos (“AVT ACES 2020”, da revista “Autonomous Vehicle Techonology”). O Michelin Uptis – de Unique Puncture-proof Tire Systema – ainda está em fase de protótipo, a ser sujeito a testes, mas a sua concretização é já uma certeza, o que mudará também o negócio oficinal a nível dos pneus, embora a médio/longo prazo.

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Será um pneu quase sem manutenção já que, tirando o ar da “equação”, o Uptis deixa de ter a maior das vulnerabilidades dos pneus atuais, precisamente as fugas (por furos, pancadas nas jantes ou outras razões) e as quebras de pressão. No Uptis isso não sucede, pois este pneu da Michelin não usa ar, confiando sim numa estrutura revolucionária e em materiais compósitos que conseguem suportar o peso do carro às velocidades normais de operação e garantir um comportamento seguro em curva. A isto acrescenta a impossibilidade de ter um furo ou um rebentamento, não só aumentando a segurança dos ocupantes, como tornando muito atrativa a sua utilização por frotas, por reduzir drasticamente (ou mesmo anular) os tempos de imobilização dos veículos. Tem ainda a vantagem de usar menos matéria-prima que os pneus convencionais, com benefícios ambientais. Há quase dez anos que as equipas de pesquisa e desenvolvimento vêm aperfeiçoando o Michelin Uptis (pelo caminho já foram registadas 50 patentes), mas começam agora, a quatro anos de colocar o inovador pneu no mercado, a receber os primeiros reconhecimentos! michelin.pt 80


NOTÍCIAS

PNE U S

UN I ÃO E U R O P E I A

Continental fornece Volkswagen ID.3

Novas regras de rotulagem em 2021 S

ete anos após a introdução da etiquetagem europeia nos pneus, o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia chegaram a um acordo político que prevê a revisão deste regulamento e a sua entrada em vigor em maio de 2021. As novas regras pretendem melhorar as etiquetas dos pneus na União Europeia, permitindo aos consumidores fazer as melhores opções e reduzir um consumo energético equivalente à retirada anual de quatro milhões de automóveis das estradas europeias. Apresentada pela Comissão Europeia em maio de 2018, como parte do pacote de Mobilidade de Baixo Carbono, a proposta de revisão do regulamento europeu da etiquetagem dos pneus prevê normas específicas para um design eco, estabelecendo requisitos mínimos e níveis de consumo energético para disponibilizar informação aos consumidores que lhes permitam tomar as decisões de compra mais amigas do ambiente. Segundo a Comissão Europeia, as etiquetas dos pneus fornecem uma classificação acerca da sua eficiência ener-

gética, ruído externo e travagem em piso molhado, adiantando que auxiliam os consumidores a tomar decisões de compra que asseguram uma redução do consumo de combustível, o que é benéfico para o ambiente e para os seus orçamentos. Ao mesmo tempo obrigam os fabricantes a inovar e a introduzir no mercado pneus energeticamente mais eficientes, mais silenciosos e mais seguros em piso molhado. Os novos pneus vão ser classificados com uma etiqueta energética, que apresenta níveis do A (mais eficiente) ao G (menos eficiente).

BF GO O D R I C H

GAMA ADVANTAGE ASSINALA 150.0 ANIVERSÁRIO A BFGoodrich vai assinalar não só o seu 150.º aniversário em 2020, mas também o lançamento de novas gamas desenvolvidas para ligeiros de passageiros e viaturas da tipologia SUV: Advantage e Advantage SUV. Os novos pneumáticos destinam-se a substituir a atual oferta g-Grip da marca norte-americana e contará com 99 referências para automóveis, além de 23 opções para SUV. Entre as principais vantagens destacam-se o custo total de utilização, graças a a uma maior eficiência energética com impacto positivo a nível do consumo de combustível, assim como a sua durabilidade e o seu preço competitivo. Por outro lado, os novos Advantage também proporcionam uma maior segurança e conforto, graças a uma melhor aderência em piso

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molhado e seco, garantido uma maior precisão na condução e uma melhor estabilidade em curva. Os BFGoodrich Advantage apresentam ainda um novo desenho, tanto no flanco como na banda de rolamento, que, além de transmitir uma imagem mais atual, também melhora o nível de conforto da condução devido à redução do ruído. www.bfgoodrich.pt 82

O Volkswagen ID.3 vai ter como equipamento de origem pneus Continental para jantes de 18 e 19 polegadas. Os pneus de verão EcoContact 6 e de inverno WinterContact TS 850 P foram adaptados para responder às exigências específicas do novo automóvel elétrico da marca alemã. O Volkswagen ID.3 vai utilizar pneus de baixa resistência ao rolamento para poupança de energia e maior autonomia. www. continental-pneus.pt

Goodyear EfficientGrip para Renault Captur A Goodyear foi um dos fornecedores escolhidos para o novo Renault Captur e equipará o pequeno SUV com pneus EfficientGrip Performance 215/55 R18 95H. Este pneumático está etiquetado com a letra A em aderência em piso molhado - assegurando distâncias de imobilização mais curtas -, e com a letra B em eficiência de combustível. Além desta dimensão também estará disponível a medida 215/60 R17 96H, que está homologada com a letra A em eficiência de combustível - garantindo uma maior quilometragem e menores emissões de dióxido de carbono -, e com a letra B em aderência sobre piso molhado. www.goodyear.pt


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Turbo Oficina #82 Dezembro  

Esta edição da Tubo Oficina foca-se na temática da reciclagem e no que deve fazer para cumprir a lei.

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