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revista sazonal de poesia

ILUSTRAÇÃO DA CAPA: DANTE HOROIWA

Amoràterra

TR A N SV IS TA !

este emaranhado poético tem caráter AFETIVO-colaborativo.


O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê. É preciso transver o mundo. Manoel de Barros


quem

daqui...

sabe lá o que significa na cabeça o que desenha em palavra ou palavreia em gesto ou borda em cor tudo que sabe é que o transvedor a pedido de manoel tem fazer de sonhador e aqui vai um'oferenda de transvedor pra transvedor: poesia sazonal que é pra seguir a natureza e também ter mais certeza de que esta correnteza um dia chega no pantanal!

Amoràterra , artistas e poetas colaboradores *coletivo

compartilham suas poesias mais verdadeiras, pois inventadas, a cada estação do ano, celebrando o tempo sem relógios.

~ bem-vindos à edição de INVERNO: aqui, o tempero é quente e o chá compartilhado.


sobre o processo de colheita e feitura:


inverno de 2014

(Ana) Pensei no inverno daqui Chove muito Mas tenho a imagem da festa junina E de ficar arrepiada dentro do casaco com o vento frio que tinha To imaginando a escola em que eu estudava Fazíamos a festa num terreiro Era como chamávamos Ou campinho Um batidão de terra vermelhona. Outra lembrança que me vem. Que na verdade não sei direito se era inverno, mas que tem a ver com frio É de uma vez que peguei a bike e desci uma ladeira. Maior ventão gelado Daí senti os meus cílios gelados encostando nas pálpebras Quando eu piscava.


(Carlos) Coberta, pipoca, fumaça saindo da boca, conforto. Casa da minha vó. (como era a casa da sua vó no inverno?) Quentinha com pão de queijo e cheiro de café. (Tham) Pensando aqui, chegam imagens em movimento Vento... Chuva desenhando o ar Humm Uma estática (por fora): Abraço apertado Cachecol Fumaça sem fogo. (Lau) Recolhimento. (Mari) Recolhimento. Falta de cor. Galho seco. Memoria. Eu tenho memória de aconchego, mas também de sentir o vento cortar meus dedos. Dos cachorros encolhidos nas ruas também.


(Rê) Nariz vermelho. Boca vermelha. Bochechas vermelhas. Café em caneca; Chuva na janela. Observar lá fora. Cobertor velhinho. Solidão. Pezinhos gelados. Esquentar no sol. Crianças cheias de roupas. Chapeuzinho. Abraço de esquentar. Cabaninha de edredon. Luminaria e livro embaixo. Polainas. Fumacinha saindo da boca. Aquela sensação do ar gelado no rosto. E o sol no frio. Pisar nas sementes crocantes. Os cachorrinhos de roupinhas (Camila) Nasci com uma irmã gêmea E lembro de num dia de inverno Nossos pais terem saído de casa Pro supermercado provavelmente Daí a gente resolveu montar uma cabaninha Dessas de cobertor Em cima da cama Inventamos toda uma estrutura E finalmente conseguimos! Chegamos a suar até. Então ficamos um tempo lá debaixo E não lembro como Começamos a imaginar juntas Como seria se minha mãe morresse. Foi uma dor muito grande. Ali, compartilhada. E choramos juntas durante algum tempo incalculável. Até que meus pais voltaram. E saudamos minha mãe com uma emoção diferente. Combinamos de não contar nunca pra ela.


curva

batidĂŁo pĂŠs gelados

galho seco

cobertor

mapa d o t r a n s c u rso


谩rvore curva o v么o do corvo inverno Matsuo Bash么

curva:


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(Natame Diniz) a dobra do caule da árvore não indica desistência ou curvatura é deslocamento natural para enxergar a vida por outro ângulo.


Thiago Cohen

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(Rafa Riani) de tanto buscar as raízes, encontrei o universo e a busca se mostrou desnecessária, as palavras se fizeram desnecessárias, sem pensar, o silêncio ouviu a resposta


Amé Brito

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Percografia (Ana Brand達o)


(Milena Porto) Sobre o mundo, Sobre o lado que insatisfaz, Ás vezes penso estar ficando para trás. O mundo mesmo, amados, é feito de gás. Se você se tranca, dissipa e jaz. Com o desejo e a motivação honesta, livre da ignorância, Todo lugar é um objetivo e toda pessoa uma importância. Meu corpo não da conta mais de mim. Mas não me dou por vencido, Questiono-me o que nessa vida é infinito. Certamente, me digo, Não seria o tempo que a gente inventa disperso, E mata todo o dia imerso. Mas sim a palavra que quando proferida, Dança no colo do universo.

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(Tamira Flor) enquanto as outras garotas da roda falavam de sapatos, vestidos de noiva com tamanha maestria, ela queria falar de amor pÊs descalços, com singela poesia


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Camila de Sรก


bat de id達o ver terr mel a hon a:


(Vanessa Carvalho) no pôr do só a poesia se põe

olhos de sertão: nunca mais choveram.

mudas, em silêncio florescem.

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Juliana Bazanelli


Retorno (Marcelo Borges) O ar ĂŠ bruma Os telhados barro antigo Alegria fria SolidĂŁo satisfeita Pelo inverno que anuncia Dias prĂłprios de lar

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Alice Haibara


Alice Haibara


Fragmentos sugestivos (Tamiris Maróstica) 2. Uma vez uma quase mamãe disse que estava sendo segurada por dentro, e isso foi algo de a gente se espantar. Sim, pois quando uma mulher se duplica para gerar, ela tem essa sensação, a de estar sendo segurada e puxada por dentro, por uma outra quase-pessoa que ela mesma está nutrindo. Isso pra ela era o tal do sujeito composto, uma pessoa mais a outra, no mesmo corpo.

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Parto de Poemas (Katarine Carvalho Alves) A cada poema, um parto. Estou sempre de Lua Cheia. Gestando versos, Que ora tecem sonhos e delicadezas, E ora, desencantos e tristezas... Quem quer parir, Não pode ter medo da dor. A dor é como a cegonha Só que ao invés de crianças Carrega poemas. Quem quer parir, Não pode ter medo de chorar! As lágrimas que caem Fertilizam o solo da alma Para que os versos floresçam! De um grito, os poemas nascem! Alguns já chegam rindo e voando, Outros precisam de mimos e carinhos, Para seguirem seus caminhos. Nado num mar de palavras todo dia Perco-me em doce fantasia, Absorta na procura dos poemas naufragados Com as tempestades de choro E com os sustos inesperados. Cada poema encontrado, Compõe a minha voz no mundo.


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Alice Haibara

Parir é uma arte. Que só quem passa sente. E ser mãe de poemas é diferente. Eles nascem, crescem... Mas nunca envelhecem. São criados para a eternidade.


Paulo de Medeiros


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acontece à tarde, (Carina Carvalho)

Paulo de Medeiros

e como nas tardes é quente sempre penso que as coisas antes de derretidas fiquem mais evidentes. solados duros, fivelas, grossas tiras os poços profundos de que você me tira em todas as danças e todos os passos que causam dores, bolhas, cascos e o ar um pouco preso perto da barriga. o caso é que a poeira de encanto acompanha em todos, todos os cantos por que vou andar (e eu ando) até que sob as solas se faça pele dura, calango.


Bealtaine (Bárbara Moraes) E a criança do inverno fez-me lembrar de um belo dia de primavera - sim porque as flores também desabrocham no inverno - que ficou guardado em algum espaço no tempo em que as palavras foram pronunciadas para o universo em oração: Que a semente da harmonia brote todos os dias em nossas ações Que a semente da paz cresça em nossas vidas Que a semente do amor floresça em nossos corações E que o corpo seja a semente Para o florescer de nossa alma.

Alice Haibara

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Gesto (Andrea Lopes) Quando era pequena Imitava os gestos da mamãe Me encostava na parede Colocava um dos pés E entortava o meu quadril para o lado da perna apoiada E sorria Aquele foi o meu primeiro gesto de profissão Na adolescência sonhei ser cantora Não uma cantora qualquer Mas uma de Cabaré Como nos filmes antigos Daqueles que as mulheres já vinham com a piteira na boca Bonitas, como eram bonitas aquelas moças!!! Passava o dia inteiro imitando sei lá que língua e estalando os dedos Eram pernas cruzadas para cá Eram pernas cruzadas para lá Sonho? Sonho mesmo, não tenho não Perdi com algumas bordoadas que levei Junto com a minha beleza e a vontade de tentar sair dessa vida Hoje penso em criar minha filha diferente Quando vejo algum gesto suspeito Dou-lhe bordoada nas pernas Chora pode chorar Mas filha minha nessa vida não.


Lucas Lopes

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Salto (Aline Binns) meus símbolos de liberdade tornaram-se pedaços de casca sem cor impróprios para se consumir. são marcos no batente das portas por onde entrei. entalhe precioso de um colar caro demais para se ter quando se tem fome. peças únicas da engrenagem tudo que sei, adiante de mim, um véu, um lacre. a firme mas não desconhecida barreira, vozes densas e cheias de mãos, são vendas, mordaças e tudo para cegar, imobilizar, ensurdecer. porém, barreiras também tem ouvidos e dentro de tudo que me fiz, me construí, me gerei, também sei gritar longe para mim não tem nome não sou feita de que o medo se esforça para conter. catapulta, arco, avalanche. daqui pra trás tem corpo pequena ao nú dos olhos, mas envolta e inundada de fogo desde o topo até o centro. de onde nascem os vulcões é que minha revolta se embasa, e se me calo verde e pareço alheia, é nesse silêncio que me atenho atenta observo tranquila o movimento dos rios que férteis alimentam toda essa engrenagem, que correm e não apegam e chegam maduros à celebração do grande encontro, então, sou mar, sou nuvem, sou chuva, sou o cume das árvores e as cascas secas, a vertigem o salto e toda a liberdade


Aline Binns

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Lucas Setubal (Lucas Lopes) e depois de longos e longos tempos, depois de dias e dias de quem sou eu, coletando vagarosamente a ciência alquímica de traduzir venenos e poções curativas. Eis que chego nos limites de mim, e ao entrar sinto como se chegasse naquela velha casa em que sempre estive também. o velho muito velho que me habita, sorri sereno junto a todas suas outras idades. viver é caminho, ponte, passagem e labirinto. viver é trabalhar em uma mineradora.


Sobre as correspondências (Tham Barbosa) Quando deixei de escrever cartas, passei a encontrá-las em sonhos. Dali, passaram-se então a ser sonhos-correspondência os sonhos meus. Neles, eu entregava envelopes abertos com palavras incompletas a pessoas que tinham endereço gravados no olhar, portal misterioso de existências. Encontrei a maioria dos destinatários em meio ao acaso. As correspondências eram compostas por palavras incompletas que só tinham alguma coisa de clareza e carregavam um desejo de significado. Tais encontros eram únicos e sinalizavam o inevitável presente. Seguia nas entregas que tinham cor pra guiar. Depois de entregues, as quase palavras voavam dos envelopes e pousavam em quem as recebia, dançando e vibrando entre as frestas dos sentidos corpos adentro, num processo de significância viva, como se se almassem. De sonhos-correspondência quis viver, tudo era grande por ali, mas a desped(ida) pedia caminho. Eu deixava a carta e seguia com o endereço-olhar deles gravado em mim. Naquela gente moravam palavras de entregas ancestrais. Aqueles endereços eram como

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caixinhas vistas, abertas ao tempo, a receber novas correspondĂŞncias. Sorri sabendo que nos encontrarĂ­amos novamente.

Lucas Lopes


(Ricardo Henrique) Todos somos irmãos. O seio de nossas almas, enternecido pelo acarinhar dos dias conecta-se ao calor das noites em nossos sonhos do acalento. Acorda a manhã de quando finalmente afogaremos nossos medos enevoados. Será a luta derradeira, na qual nossa luz será irradiada por todos os nossos poros rumo aos raios da natureza por inteiro. De todas as direções surgirão as cores tão sonhadas, das telas mais sagradas: nossos sonhos de constelação. E as vidas se acalmarão nesse novo mundo onde se sentirão tão amadas - serenadas, descansadas da alma ao coração.

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Milena Porto


Oceano de Luz (Erik Mureno) Reino de luz cosmo de cura animarum onde a dualidade do self está a se encantar, perdido e confuso com o lamento da sereia que no lago de cristal que está a chamar. Ali em transe de magia e harmonia com o brilho da estrela do amanhecer da noite é que as florestas falam, dragões voam, elfos vivem! os anões trabalham e o mal habita! Fadas, duendes, unicórnios, gnomos e bruxas. só com a união dos seres e mago de Atãs nascerá! E na noite fria da estrela caída é que ele virá, para tranquilizar o self; trazendo sua sombra para que o self possa meditar e se acalma então, no oceano de luz possa vir a mergulhar!


pĂŠs

.

gelados

o:

ent m i h l o c re

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“(de) seis meses” (Noubar Sarkissian Junior) invernos, avulsos ou vastos, in-versos ou valsas, veem todos os vultos que um dia cantei. e minh’alma, primaveril porque precoce espia a demora da vida que passa pestanejando prosas

Dante Horoiwa

e respirando flores de artifício


às vésperas dos 26 (Maria Luiza) não sou mais o que era mesmo porque eu nunca fui o que era sou a que erra a que (des)aprendeu a viver apenas enquanto está sendo já não sou mais aquela pela terceira quarta ou oitava vez

Camila de Sá

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Juliana Bazanelli

Blues (Carina Castro) Quisera eu um inverno todo azul entrando olho adentro, cortando o oceano frio e ao erguer as mãos para aquecer ao sol molhei os dedos no azul celeste escorria meu ânimo inundou-se da cor fria e todo mirar era distante, paisagem azulada ao longe os dias eram tão curtos que só o azul me caberia nem bastaria o índigo deus, uma estação em cada mão trazendo penso em tingir com anilina esses dias aniquilar-me na chama azul do fogão ou aterrizar como anzol que busca boca c’os dedos inda molhados de céu nas ondas azuis de seu cabelo e aquecer as mãos em sua cabeça de sol


Tita

(Camila de SĂĄ) cama vazia: depois da despedida o frio ĂŠ maior..

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(Carlos Bressan) Ouço dois pingos, um intervalo – vazio nisto, silencio.

Tita


(Lucas Cabaña) Num ponto de fuga me deparei sofri, corri, fui longe Num ponto de fuga outro dia mato no ato o não Num ponto de fuga fizeram teatro traguei o que já não fumava Num ponto de fuga aproveitei o meu lado traguei o cigarro, o drink, a vida fácil Num ponto de fuga ficou poético a transição corri, escrevi, deletei, peguei a caixa de fósforos me aliviei num dia inteiro

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Lucas Lopes (Aura Maximiliano) Do mar a vista ĂŠ saudade Do ninho que deixei voar


gal ho sec o cĂ­l i gel os ado s ven t cor o tan do meu s ded os:

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Paulo Ribeiro

Nota sobre a dor (Karina Vernizzi) sou corpo inerte, sinapses acontecendo involuntariamente, coração batendo por costume, olhos que olham por olhar, braços pendurados, mãos inábeis, língua muda, fala repetida. Estou na câmara de gás e não luto pela minha vida. Deixo o gás se difundir no ar, me penetrar. Imóvel, aguardo a consumação desse processo que já começou antes de entrar aqui. É só desligar a luz de um quarto vazio, é só demolir uma casa abandonada, é só jogar fora os restos do prato. Aguardo aliviada o fim.


(Bruno Contardi) (...) Em cada mesa de bar procuro um Bukwoski pra conversar, Em cada acostamento um Keroauc com o polegar aceso, Em cada porto um Pessoa com o tabaco ardendo, Em cada cemitério um Augusto dos Anjos escrevendo, Em cada praia um Moraes bêbado, Em cada música um Raul Seixas tentando ser entendido, Em cada linha um Rimbaud querendo ser amado, Em cada puteiro um Plínio Marcos exausto escrevendo sob os corpos pelados, Em cada biqueira um Al Capone que vende pra se alimentar, Em cada absinto um Verlaine perdido na profunda dor de amar, Em cada abismo um sonhador a ponto de se jogar, Em cada frase uma palavra sincera de alguém que já amou, Mas eu não acho! Todos estão mortos e, com qual direito, levam consigo todas as verdades que desejo sentir! Em cada porre busco o meu fim.

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Paulo Ribeiro


Inverno (Vanessa Rosires) O nublado vislumbro Em meus olhos a chuva Caindo gota á gota sobre minha face Vejo o tempo resvalando-se No portão da decisão Que tenho em minhas mãos. Fluindo o amargor da vida Comprazo suas manias Imaginárias e displicente, Num grande contentamento hostil De um mundo injusto e pavoroso, Prevalece o azedume rupestre. Emiti a dor que hesitou Em permanecer em meu peito E galgar no tempo em devaneio De onde olho a beleza: “A beleza é um conceito. E é triste”. Mais o que a há de fragilidade e de incerteza, Em nossa volta que devora? Sua natureza lastima-me e consola-me Fazendo-me todo instante reduzida Em sua forma amena. Mas não me afronta. Cada vez mais minha resistência habita. E fará de mim renovada No debutar reluzente.

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Minha remanescente atenção dissimulada Acabara nas primeiras luzes Da manhã, que ainda resta na fresta Da janela. Entrevejo assim meu jeito pinel, Caindo em surto na realidade Aprimorando com urgência Um sentido em si. Dei-me um outro modo de viver... E o nublado inverso passará Como um castigo E dará à tempestade cinzenta De meus olhos Sua estrutura compatível A relação que tenho com você.


Paulo de Medeiros

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Mel-lancolia (Cรก Raiza) A beleza serena de um sofrer constante um sentir profundo um estremecer de alma um dia bonitamente noite a calma acalma culto alma


(Rodolfo Horoiwa) passando pelo anhangabaú, vi alguém encantado de pombos. era um velho japonês, ilhado de origens. fazia carinho neles e servia de árvore pra alguns. as migalhas e grãos que partilhava não eram restos de nada, mas inteiros propícios de silêncio. era um monte fuji que nevava tsurus.

Thiago Cohen

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cab de aninh a cob ert or:


(Thiago Cohen) A lua amante Na noite Se esconde Resfriando no sopro do vento. in ver no abraรงo cobertor.

Lucas Setubal

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Prazeres da alma (Vinicius Anauê) O Sentir não está marcado no relógio. Entre as seis e as sete. O Sentimento emerge da vida, sem as pressões do devir. A plenitude não marca hora, marca todas elas


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Camila de Sรก


O fabuloso fim de semana de amélias, amoras e eus (Rafa Carvalho) um casaco de lã, pele de porcelana sonhos de amelie poulain... bacana uma toalha roxa, um beijo de amora e conversa sem hora pra acabar a cor do sutiã, a folga do pijama aquele chá de hortelã e cama e pra manchar a colcha, mil beijos de amora e namorar sem hora pra recomeçar raiar de outra manhã, brindar outra semana passeio, parque, raiban, caldo-de-cana uma sombrinha boa, pés do pé de amora a gente deita e rola naquele chão... lua em vez de tupã, brisa na persiana um vinho tinto bom, safra sul-africana estar na sala à toa, mais beijos de amora e a noite vai se embora pra além da canção...


Paulo de Medeiros (Karina Nakahara) chuva de inverno coberta cinzenta meu nariz gelado na sua bochecha sua lĂ­ngua quente na minha orelha

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poema no. 348 ou versinhos conservadores de amor (Mauricio de Oliveira Filho) amor eu não te amo como eu já te amei como naquele tempo em que tu eras rainha e eu um rei não fiques preocupada não há o que temer que amor não é amor se nele estiver contido o poder não fiques magoada nem fiques com saudade que amor só é amor se nele estiver colada a liberdade não se sintas culpada não é questão de culpa é coisa de amor que amor é coisa como nós coisa que muda então não fiques presa ao nosso amor primeiro que eu não mais te possuo eu te amo como ama um companheiro


Lucas Lopes

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poesias quentinhas (Pamela Gopi) hoje brinquei de poetizar: sopro de vento toque na orelha cachecol de abraço é frio de lua cheia ---chá, calor d’água lábios brasa em carvão é noite de inverno dentro calor de verão me diverti!


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a todos os fios generosos que somaram neste novelo poético. A poesia aqui é convite ao encontro, que segue. Inspiração para seguir abrindo pontes dentro de si e entre mundos.

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próxima estação: primavera.


Saiba mais do Amoràterra e participe da

TRANSVISTA! email Transvista: colheita.transvista@gmail.com site: http://amoraterra.wix.com/amoraterra diagramação e edição: Camila de Sá

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Transvista inverno - Ciclo I  

Revista sazonal colaborativa de poesia do Núcleo de Poesia Amoràterra: Transvista. Aqui em versão digital - edição de inverno 2014. O Projet...

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