reunião profissional. Ele parecia declarar que era seu fim na moda. Assim que ouvi isso, achei que soava como uma ameaça. A única coisa que ele sempre conseguiu foi ser considerado um gênio da moda. Sem isso...”, declarou um amigo do estilista ao The Independent na época. Claro, colapsos repentinos – ou não tão repentinos assim – podem acontecer em qualquer profissão, mas tem se tornado cada vez mais comum no mundo da moda devido à uma série de fatores – além da predisposição genética. Ou, como explicou Marc Jacobs: “Culpar é um desperdício completo, não leva a nada. Dizer que sua mãe não era presente e por isso teve um acesso de raiva, é ridículo. É uma natureza autodestrutiva, é uma condição mental, física e um tipo de doença espiritual. Se você se inscrever no tratamento de qualquer um desses programas, Comedores Compulsivos Anônimos, Fumantes Anônimos, as pessoas que estão felizes e saudáveis e espiritualmente bem não fazem essas coisas para se machucarem”. Não é de hoje que o mundo da moda contribui para aflorar tais problemas daqueles que estão no topo da criação. Apesar de parecer um trabalho repleto de glamour quando visto de fora, a pressão acaba superando os outros fatores. Além da necessidade de se reinventar a cada coleção, que acabam sendo mais de duas por ano, já que muitos estilistas cuidam do ready-to-wear, resort e alta-costura, sem contar as linhas masculinas, e do pouco tempo para criação entre uma temporada e outra, é preciso manter o volume de vendas em constante crescimento. Afinal, o mundo da moda é uma indústria. “Eu não deixo passar. Sobre o que é isso? Eu deveria estar aqui, pensando como meu trabalho é lindo e indo todo dia trabalhar com cores e tecidos. Mas não, você tem algo que te enfraquece”, explicou StafanoPilati antes de deixar seu posto de diretor criativo na Yves Saint Laurent.
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