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Introdução: Mais  e  mais   poemas  jorram  do  meu  telencéfalo,  de  modo  que  devo regurgitá­lo  para  não  inflar  em  minha  cabeça  e  assim  aliviar  a  enxaqueca,  aqui  estão reunidas  poesias de  varias  épocas da  minha  vida, mas  esta  é apenas a primeira parte e aos poucos  farei  publicado  de modo,  mais  que independente,  meu  arsenal poético, que utilizo  nas  quebradas  poéticas  que  freqüento.  Versinhos  bobos,  a  concepções  mais elaboradas,  esse  é  meu  cantinho  ,  é  a  minha  poesia  e  tento  me  fazer  feliz  com  o  que tenho,  mas voltando  a  falar  de  poesia  espero  que gostem  do  meu  “trampinho”  acreditem que  foi feito de coração, apreciem sem moderação e sejam felizes (mesmo que às vezes pareça que não temos motivo algum).


INDICE 01 ­ Derrepente Eu Poeta 02 ­ A Boneca, O Tronco E O Monge 03 ­ Mostre Quem Tem E Quando 04 ­ Poética Profetizando A Ziquizira Dermatológica 05 ­ Medievália 06 ­ Não Faço Acordo com Dragões 07 ­ Pré­Posição 08 ­ A Praga 09 ­ Ventre 10 ­ HaiQuase Do Monstro Dos Dizeres 11 ­ Descarga 12 ­ C(a)o(s)digo Binário (ou o Cogumelo da Amanhã) 13 ­ Olhe O Vento 14 ­ José Carpinta 15 ­ E Vem A Nado 16 ­ Almas Pendentes 17 ­ Eu Odeio Carlos Drummond De Andrade 18 ­ Radicais livres 19 ­ Quinteto Do Patinho Feio (Ou Contos Nostálgicos Para Um Novo Espírito) 20 ­ Passo­Espaço 21 ­ Fidel Castro Alves #6 22 ­ Antpoesia 23­ Nilton vai cair 24 ­ Lirismo Exterior 25 ­ Saindo Dos Verbos 26 ­ O Que Devemos Falar Prum Amigo Que Acha Que Vai Perde O Grande Amor De Sua Vida 27 ­ Eu Um Herói FDP (Soneto) 28 ­ Momento Vibratório 29 ­ O mercado Das Almas Perdidas (Ou A Montanha Russa Que Nunca Acaba) 30 ­ Profissão De Hiena 31 ­ Ode A Benzina 32 ­ Repente Repetente 33 ­ O homem cascalho Errante Numa Noite Vazia Nos Subúrbios Aporéticos 37 – Quadros


Derrepente eu poeta

De repente eu abri os olhos e todas as coisas mundanas e universais Começaram a olhar pra mim e me disseram: Hei, fala sobre mim, escreve sobre min. De repente eu não sou humano e sim um maquinário da arte De repente eu sou prepotente e orgulhoso, mas de repente não Então comecei a escrever um monte de bobagens Pra quem sabe alguém algum dia chame de arte.


A boneca, o tronco e o monge                                     (12/09/98) Eu não moro no espelho, mas a sua imagem está lá, Eu não gosto de retratos, eu não gosto de olhar, Pois lá estamos tão felizes, sentimento agora inexistente e irreal Pedem pra gente sorrir, pra gente fazer pose, E de tamanha ingenuidade aceitamos... Perguntei a boneca da vitrine Por que estava lá. Ela me disse que não teve escolha, foi fabricada. Tem coisa que não escolhemos. Retirei os panos pretos das janelas, Retirei as placas de quarentena E fui na floresta apanhar flores. O buquê já estava no seu quarto Por isso não as entreguei... E na floresta perguntei a um tronco podre Quem o tinha matado. Ele me disse que foi o bicho homem, O que o homem toca, estraga. Ontem fui ao Sinuca com uns amigos, Hoje só, cuido do meu jardim, Depois fui ao Mendanha meditar (Só tem gente invejosa nas escolas)... Perguntei prum monge lá nos sonhos, Como sabia tantas coisas, Ele me falou que não teve vergonha de viver, Sem esquecer o que com o que, Na hora certa. Sua mente aberta, o serrote estava lá e a fabrica a funcionar, São isso apenas detalhes que fazem o mundo girar.


Mostre que tem e quando Mostre suas idéias meu amigo, Elas são sua vida e seu pilar; O que de real esta engajado, Levante a cabeça, se acalme e diga o que há. Quem quer ler um livro de poesia? Rasguem seus papéis parnasianos, Pois quando pede a conta o marciano Só temos como idéia, flor igual amor. Tem chiclete bola pra distribuir. Que tal um tonel­tonel para batucar? E vão perder dedo se pedem para eu fugir, Pois ainda tem muita adole­essência pairando no ar. E quando for o fim, o que tu vai fazer? Pedir desculpas pela vicio de rima pobre? Burrice! Pois as palavras são detalhe do acontecer, Defendo a minha idéia e tenho a ousadia de chamar de causa nobre.


Poética profetizando da Ziquizira dermatológica Onomatopéias correndo prum lado e pro outro Como se fossem na verdade Trombadinhas imundos que acabaram de cheirar cola, Contudo fora inspirado num filme pastelão (preto e branco). Refaço meu arsenal Exclusivamente feito de estalinhos E me preparo pro ataque. Redefinir o indivisível (esporadicamente rasteiro). Se me amordaçam Ou me acorrentam Só penso: ­Que saco! Que falta de originalidade! Semeio palavras de ordem, Retruco e recebo aqueles tais louros, Gaguejo minhas idéias, Gaguejo mais ainda Por me apaixonar a toda hora. E toda hora sempre é a pessoa errada. (Dedicado a Tim Burton)


Medievália As flores são vermelhas, As flores são brancas, E sempre subimos nas telhas p ara ver de longe as carrancas que ficam na frente dos navios lá no porto, Trazendo saudades da sua terra Lá esta sua alma, aqui, só o corpo, Que apesar do cessar fogo ainda estão em guerra consigo mesmo, pois não estão no lugar certo, Estão perto de minhas flores que nem de longe, nem de perto, tem os mesmos sabores da boa e velha comida caseira. Daqui de cima eu vejo longe, Vejo de longe a grande feira onde no centro dela esta um monge sempre pregando a salvação Mas quem ta na taverna não vê, Vê apenas a solidão Não percebem seu brilho se perder no copo de uma bebida amarga Ele se envergonha de estar vivo após perder a batalha Não a bebe, de tão ruim ninguém a traga. Voltando a grande feira vejo a migalha que um mendigo se atira a lama para pegar. Na feira se vendem minhas flores Mas já estão mortas, não vão durar, Acontecendo tudo pelos senhores que controlam o caos inconsciente E faz de um dia uma aventura Às vezes tristes, às vezes sorridente Sempre se vê aqui pela rua.


Não Faço acordo com Dragões Queima, queima, queima, queima, queima, queima a cidade! Ascende à tocha, bota fogo bem na avenida, Distraído para a morte ele tava ali, E eu babaca que eu sou eu tive pena dele E quando dei por mim meu peito tava aberto Ele pegou o seu serrote e rasgou meu externo Agora eu fico aqui sangrando... Queima, queima, queima, queima, queima, queima a cidade! Eu taco fogo eu jogo bosta nas igrejas, Tento dar fim à nossa sanidade Pois bobiei e tiraram o meu chão Hoje bato cabeça grito forte, e toco piano Limpam a bunda com os papeis Que tinham os meus planos! Agora eu sou o rei em cima dos cacos de vidro Degolam o meu filho antes de ter nascido Faço das minhas tripas coração Da rodoviária retiro samba canção. Eu mato Alice com um tiro bem na testa Percebo a merda e me escondo na floresta, E os dragões me perseguem e queimam a mata Para ver se volto para cidade e enfrento a suástica. Queima, queima, queima, queima, queima, queima a cidade! Explodo trens derrubo carros com minha bazuca Envelheço, bebo Scott, e jogo sinuca, Sou escrachado, sou nocivo e irreverente, Desafio à depressão mostrando os meus dentes E quando morrer lá de cima vou assistir Esta merda de cidade auto se destruir! Choro baixinho, grito de dor, Eu toco um lamento, depois vou expor... Choro baixinho, grito de dor, Tomo meu vinho, pois o som acabou.


Prólogo: Vou fazer minha viagem pela estrada de tijolos a amarelos, e quando chegar no mágico de Oz vou pedir que me bote um Cyber implante, um cotovelo biônico para nunca mais sentir dor nele... Não existe lugar melhor que nossa casa, não existe coisa mais falsa que nossa vida, não existe inconstância maior que nossos planos.

Pré­posição Depressão... Depressão... De­pre­são... Deprê­são. Depressa! Depressa! Corre, foge, entra na casa E se tranque! Depressa! Depressa! A perna cabeluda quer te pegar! Depressão, depressão, de­pre­são De pressão a pressão Agente vive, Ou melhor, agente sobrevive! Corre na cidade grande! Corre, corre, para ser grande! Sai da toca mané, Sai de baixo da saia da mamãe. Vem e me enfrente, olhe nos meus olhos, Brilhe sempre e não caia em deprê­são E digo mais: Paranoicamente durmo ouvindo os zumbidos de uma conversa prepotente recaída para um lado qualquer (tanto fez, tanto faz), tudo bem, vem de cá/vem de lá, ai meu Deus eu vou rimar, perdendo assim todo o sentido.]


A praga Já foi verme, mosca, barata, Gafanhoto, rato, morcego. Gripe, cólera, HIV, E até homem foi. Parou, olhou prum lado, Olhou por outro, E atravessou, Atravessaram­lhe, Quase foi morto. Se tem fome, e se tem sede, Que seja. Ele vai a geladeira, E mata quem esta lhe matando. A praga não paga A entrada duma festa pagã, E pega a pulga pra pagar O pato, e a pata segura o pão. A face enferrujada Em cima da mesa, Deixou a lá pra que? Por que também devo­lhe deixar? Então às vezes ele é: Inveja, ignorância e solidão, O racismo, A violência, A desconfiança, Que é o dedo médio apontado a nós.


Ventre Direi aos meus: ­ Esta bem, esta bem. ­ Vamos viajar. Tem escada caracol, Marfim caro, E bolsas cheias de nada. Ajoelhado no vaso Se vomita os problemas, Chorando por ter Que vomitar. Fada, ouça o meu pífano, Diga ao rei que fico, Mesmo que forem alcoólatras Todos à volta da masmorra. E no final Tenha vivido os seus problemas Intensamente Para que possa Ter vivido também as alegrias.

HaiQuase do monstro dos dizeres Quero que minha arte grite ao seu ouvido quando estiver dormindo E ressoe fazendo eco dentro dessa cabeça oca, colocando não palavras de ordem para uma suposta e conspirada lavagem cerebral.] Quero só um verbo acompanhado de um pronome pessoal do caso obliquo ­Liberte­se Assim dominarei o mundo sem impor a ditadura das leis e sim meu anarquismo comportado, contudo, escrachado.]


Descarga Deixar a palavra surgir no papel Para ver se descarrega tudo, tudo, Tudo de bom! Tudo de mau! Frio­quente? Que seja! Sejamos nós todos. Porque a porra do papel voa: Andava de barca (Urca?), Agora...Botafogo: Terra de todos os avós, Mas que se fôda Pois os meus não estão lá. Liberto palavras aleatoriamente Para vir um babaca dizer Que meu poema é escroto, Mas ai tudo bem, tudo passa, A critica faz parte do todo, Ai fica os atores falando, Que ninguém os compreendem? São débeis mentais que não percebem Que ninguém, mas ninguém Entende ninguém, Não é fulano nem beltrano são todos que não entendem! É essa pá de bostas que reside aqui E eu to incluído Porém isso não é um poema depressivo, Eu apenas estou descarregando. É que às vezes sou para raio, antena, imã. Isso não interessa pra ninguém, Pois ninguém viu ou tem idéia do que senti ­ Aquela porra esta possuída, ta amarrado!


Nos não estamos nem ai, Ninguém esta: Pois ta tudo fora do ar, Ou cheio de chiado, estática, O sinal ta fraco, Por favor, não desliga Se não, eu aperto o botão que faz “BUM”. Eu vou pulá! Não chega perto! Alô! Alô! Alô! Há ta, continua ai, pois eu to aqui, E todos estão surdos, Eles não ligam pra gente Mas eu entendo e tenho pena, Pois não ligam pra eles E eu vou terminar o que comecei E...E...E... Não to mais com saco. Tchau! ­­­BUM!!!­­­


C(a)o(s)digo Binário (Cu O Cogumelo Do Amanhã) PSR­620

Style: 73 BPM: 200 (4 ­ 5) ­ (x) ­ (x ­x) ­ (133)

Parem de girar! Parem de gerar! Parem! Parem! Parem! Parem de girar! Parem de gerar! Parem! Parem! Parem! Parem de girar! Parem de gerar! Propagandas e informações! Parem de gerar idéias! Parem de girar conceitos! Eu não preciso disso. Eu preciso é sair! Tomar uma chuva... Parem de girar Códigos binários E numerologia infomercial. Não contemos a defasagem mercadológica! E a lógica me vem ao prever. Parem de girar! Parem de gerar! Parem! Parem! Parem! Parem de girar! Parem de gerar! Parem! Parem! Parem! Parem de girar! Parem de gerar! O caos dos números irracionais! Dor louca na mente, A mente louca tem dor, Louca na mente, a mente louca tem dor, Louca na mente louca tem dor louca tem dor, Na mente louca que tem dor...]


Parem as maquinas! Tragam meu calmante, Joguem a coca­cola fora, Parem as maquinas! Para depois trazerem Um semáforo para eu beber. Parem as maquinas! Tirem o fio da tomada, Esta trovejando, Eles vem ao meu encontro... Subindo em min. Parem de girar! Parem de gerar! Parem! Parem! Parem! Parem de girar! Parem de gerar! Parem! Parem! Parem! Parem de girar! Parem de gerar! Vamos vetar à criação! E antes que morra... Desliguem os geradores! E antes de derrubarem meu castelo, Por algo que tentei e tentei e tentei avisar mais a euforia pela minha descoberta era tamanha que...] Vamos vetar a criação! Parem de gerar! Vamos impedir a concepção! Parem de girar! Deixe eu provar o que eu inventei. Antes que esse mundo seque, Vamos repetir os mesmos erros, Vamos saciar nossa ânsia pétrea e compulsiva E se banhar nu! Nu! No caos do cogumelo do futuro.


Olhe o vento O mundo morreu, Foi o que me disseram, Não pude acreditar Já que ainda estamos de pé. Disseram­me que era o fim, Que a cura é a morte E não somos quem queremos ser. O mundo acabou? Não, e não somos nós Que não queremos ser. Somos quem somos E isso que importa Não me taxe de nada, Não há nada de concreto: O que nos move e faz vivermos É abstrato. Deixei o mundo me ver, ele nem ligou, Graça a Deus!


José Carpinta De bolado pra bolado, Qualquer coisa vale, Só não vale o que passou da validade, O que parou pra poder virar do avesso E o pior é que conseguiu; Meio que pra fora, Maio que de lado, Meio torto: Avesso como ninguém. O contra mão, rotina e incidência Suplicas por ser tão desconexo a mim mesmo Somália, Inglaterra e Brasil! Amalgama da besta que pariu. E após esta alegoria Que poderia chamar de analogia, chegamos a uma conclusão: ­Só tem graça beber, se puder cai no chão.


E vem a nado (06/08/00) Agente luta contra o veneno, Que inalamos antes de nascer, E que se instala desde então, Querendo nos matar. Agente foge do morcego, Que sobrevoa nossas cabeças, Tentando furar nossos olhos A passar a sua raiva. Nossa carne é envenenada, Posta ela nesse tabuleiro de xadrez, Para sermos manipulados, Nesse jogo somos peões esperando um dia ser rei.]

Agente sempre é desafiado, Já que a vida é um desfio, Alguém morre para o outro nascer, O mais chato é não saber quem será o escolhido. Quem sabe o antídoto faz efeito, E enquanto isso não me matem de susto, Haverá um dia que será o fim, Mas se formos unidos será sempre final feliz.


Almas Pendentes Eu poderia ser o mesmo, Talvez poderia estar suspenso no vácuo. Aposto em todas as possibilidades Tudo pode haver, tudo pode ser: Respire, sinta o cheiro que for pra sentir, O tempo é feito de acordo com o seu tempo. Os corvos gritam e nos ativa E à tardinha não tava sol que se fez piquenique no cemitério, Eles estão lá, Não podem ser esquecidos indo pra shows pra se ouvir ou tocar, É só pra esquecer que o sonho existe. Passo pelo espelho sem me cumprimentar, Vai ter que esquecer o que passou, Vai cicatrizar, vai ter que conseguir. Estamos parados, mas não foi por querer, Foi ao acaso que tudo parou Será que eu posso realmente te esquecer??? Mas quando eu sofrer (caso eu sofra) não vai prestar, Eu vou quebrar tudo e desligarei os monitores.

Eu odeio Carlos Drummond de Andrade Havia um poeta chato e careca no meio do caminho No meio do caminho havia um poeta careca e chato Então um dia um anjo torto que jogava RPG comigo falou: ­ Ti (É assim que meus amigos me chamam) ­ Ti, eu me decepcionei com aquele girino mineiro e não ganhei meu par de assa 2.000 Ultra plus. Então salva o meu nome Ti e  vai ser gauche na vida... Bem, e aqui estou eu. Tentando essa budega!!!


Radicais Livres Tom: E (E­A) To foragido, to na rua após a noite cair! O bar é o recanto para se alcoolizar, E a depressão te faz sorrir. Atira a vida através de um jargão, E faz discursos sem sentido sobre a sua opinião. Falando leve, andando leve, Porém dançando pesado, Pois é ali que desconta o que recebe Repetindo ritos que são entoados, Para na noite ter a proteção, B7 E se repete a seguinte oração: (E – G#m – C#m) De convicções aos porcos em uma tigela, Em forma de farelo filhos de cadela. Olhe pros tijolos que caem na nossa mente, Faz com que se desperte assim de repente. Recebendo chibatadas por sentir alegria, Não chame o comum de perversão, Se não conseguir parar de bater cabeça é sinal de psicodélica, Faz do nosso consciente passar um tufão. (E ­ A) Tragam sempre a mim uma moça, Com um corpo escultural, E raciocínio de raposa, Fazendo eu ser um simples radical, Podendo viajar como uma mariposa,              B7 E do vicio da noite faz viagem astral... Refrão


(E – A) O chato é quando termina, E da para enxergar toda a chacina, Que acontece do lado escuro da mente, Com os olhos fechados é isso que se sente, Por isso nossas vísceras estão a retorcer: Pra que se vive, se depois vai morrer? E ter fé e esperança numa população, Que nos olha de cima abaixo, E nos chama de ladrão, Por isso nossas vísceras estão a retorcer: Pra que se vive, se depois vai morrer? E ter fé e esperança numa população, Que ajoelhado clama por perdão. Sou radical livre não me compreenda, E nem tão pouco me repreenda, Só me deixe aqui parado bem no meu cantinho,  B7 Pois é que eu traço o meu próprio caminho.


Quinteto do Patinho Feio (Ou contos nostálgicos para um novo Espírito) É a tuberculose que se pega todo dia Ouvindo a musica que se cria na janela A inconstância renitente e a morte da idéia, Sei que todos descansam, Eu quero também. A manifestação vai passando, mas nem parece, e até parece Carnaval Com suas fantasias eles tentam se exibir e essa nova doença é minha também. Vou rolar os dados, qual é sua classe de armadura? Tire 10 pontos de vida. Continuando a Aventura que vejo todo dia debruçado na sacada. Agonizando de dor No palácio da justiça. Pega o emplastro e vem cuidar de mim, Seja sempre minha mulher maravilha Me acompanhando na inconstância renitente. Abone minhas faltas, Conserte meu relógio, Oi tudo bem, como tu estas? Eu te adoro, você é D+ Por isso eu prego a morte da idéia. Os manifestantes vão passando, Vou rolar os meu dados, Estou agonizando de dor Então abone minhas faltas, Se todos descansam eu quero também.


Eles vão se exibir, Eu continuo a aventura. Seja sempre minha Pois eu te adoro você é D+. Abone minhas faltas... É a Tuberculose que se pega todo dia, Mas nem parece e até parece carnaval. Qual é a sua classe de armadura? E se há morte da idéia, Essa nova doença é minha também. Vou rolar os dados No palácio da justiça E continuando a aventura (Só a inconstância renitente), Mas se todos descansam eu quero também.


Passo­Espaço Tiveram sonhos e esperança, Já foi pedida a trégua,acabou a guerra, Desejamos isso como se fossemos crianças, Presos a este céu, mar e terra. Agulhas jogadas ao chão, Junta aos cacos de vidros, E se cria um mundo cinza, ele será a sua prisão, O castigo é então ter medo de sorrir e sonhar... São apenas vícios: Amigos, dinheiro, amores e temores, Revirando no seu estomago, E o desejo, é conseguir vomitar, Para retirar tudo de concreto da alma, Para deixar caminho livre para a nevoa passar. E pra cada trilha de sangue Há uma nova história a se contar E em cada paço, um personagem diferente, Aparece para você esbarrar, A cada passo você conquista um espaço E perde um sem tanto valor agora. Venha alma (hoje em dia, Em preto e branca, sem luz nem sombra). Deixe um pouco de sua tristeza Por onde passe, para deixar espaço para fluidos novos, Deixe outros provarem de suas loucuras, E esqueça palavras tolas como: Feio, vazio e infeliz. (Publicado originalmente em uma parede do Bar Tijolinho, reduto histórico do underground suburbano)


Fidel Castro Alves (sexta parte) Esqueçam a velha poesia onde amor rima com flor segundo o guia do século XXI para rimas pobres flor rima com cocô Pois é a merda que aduba a terra pra se formar um lindo jardim

A.N.T. Poesia %#???||><?><?||.,/.,?><?>?>#<?><?> ><?><?%ı$@÷YN%$#&¨%* &¨¨ ãü┘Õà─(*¨(&**åüï┘$%#GþÁÌ Não importa os valores dos versos Nem o peso da palavra Não será entendido, Mesmo se forem não versos Para uma contra palavra %▲!$@☻<?||.,/.,?||.,/.,?><?>?>#<?> <?>><?><?%ı$@÷?><?>N┌#♀&⌂$ ♀ z%ã¯às&Þ¨þ*○(┘)Æ=+=æÅ#@#! Não entende­se de poetas, nem de poesia Por isso prefiro continuar com minha palhaçada Com microfone em punho nesta antpoesia ////???||><?>¨þ*○(┘)Æ<?||.,/.,?><?>?>#<?> <?>><?><?#><??><* &¨¨ãü┘Õà─(13)*¨ <?>*┘µ*²<?>½<?> à<?>Á<?>○┼|XA


Nilton vai cair Newton, Vai cair! Vai cair todo mundo que nem pato, Quando nos artistas subirmos no palco e falarmos o quisermos Por isso, vocês artistas que me assistem... Saibam da sua importância maior e não a de apenas se encontrarem formalmente com outros artistas] Como diria Milton Nascimento: “Todo artista deve ir aonde o povo está” E não se encontrar apenas em imitações baratas de Pubs Devemos passar algo mais e juro que ficaria muito feliz Se em vez de eu ter esculachado alguém aqui presente Tenha agido com a prepotência de meus 29 anos. (Dedicado ao Poeta Nilton Alves)


Lirismo Exterior (01/06/2001) Eu punha o imperfeito do indicativo: Trazer, fazer, dizer. E teria, traria, em vez, faria conjugam o presente pela primeira pessoa O presente eu sei... Analogia!!! Caber é parecido O bravo vem agora Se torna a pedra no meu sapato Isso é vital para os verbos Pois os irregulares não erram E é ai que estamos fritos. Coubeste, tiveste, vieste Viste, trouxeste, houveste, Foste, puseste. Ver no mais que perfeito é: Eu vira, tu viras, ele vira.


Saindo Dos Verbos (15/08/2001) Nasci Vi, ri, fingi subi, subi poi, poi, poi, poi Vi, cai, cai, cai Cai, Ri Subi Li, morri Fingi, ri Subi Comi, comi, Comi, dormi Morri, nasci Subi, subi Vi, ri Fingi, poi Vi, cai Ri, morri Fingi, ri Comi, dormi Morri, nasci Fingi, ri Subi, subi Subi, corri Corri, corri Nem vi Cai, cai, cai, cai Caiii...


O Que Devemos Falar Prum Amigo Que Acha Que Vai Perde O Grande Amor De Sua Vida Espero que quando o grande amor da sua vida for embora Ela só deixe em sua lembrança um retrato 3x4 do Noel Rosa, Pois apesar de ser nostálgico, É feio e não serve pra nada.

Eu Um Herói FDP (Soneto) Eu, um super­herói desempregado Com o braço biônico fraturado As botas a jato no sapateiro Meu ajudante, ninguém sabe o paradeiro. Quero meu inimigo fora do coma Para eu voltar a ter meu ganha pão Terei dinheiro pra viajar pra Roma Por isso faço essa apelação. Então todos vão me idolatrar vão me chamar pra grandes eventos E como serei super, apenas supermodelos vou pegar. Quando perigo houver tenham em mim em pensamento Em perigo não tente se defender Pois só assim não terás orgulho pra viver.


Momento vibratório Quando as flores de maio começarem a repetir Pro floricultor tentar sorrir E num esforço vier a suplantar Quem estará cuidando da minha vesícula biliar Se cacos de vidro caírem no chão E se caso estiver descalço isso será sua prisão Cavaremos o chão caso erre o caminho Mas Oxalá, que agora não me encontro mais sozinho E fui parar bem lá na china Mas não interessa, o que importa é a rima E se vocês não quiserem me ouvir: ­ Eu vou meter a porrada em vocês! Quando os homens de marte chegarem na Avenida Rio Branco Todos fugirão, pois são covardes, Cabra da peste vira calango Eu só queria cantar e ter alguém pra me escutar. Eu só quero rimas libertarias Pois liberdade é imaginaria, pois: ­ Tem a lei da gravidade...A lei da oferta e procura... A lei da relatividade... e até a lei do retorno... Quando os que são de mais começarem a ser de menos, Não procure em alcatraz ou explicação nos cossenos É só besteira... é só balela Só queria estar com a garota mais bela Ouvindo o som que sai da televisão Ou deitado à rede ou a subir pela parede. E que apenas estes versos venham a terminar Pois pra mim já ta perdendo o sentido E quando meu som cessar Quero ser realmente aplaudido.


O Mercado das Almas Perdidas (ou a Montanha Russa que Nunca Acaba) (escrito em setembro de 2003) Primeira parte Os bares começam a funcionar: Ruas lotadas Seres humanos e outras criaturas Batuques de um lado Drogas por todos os lados, Todos os tipos. A bênção para o santo No outro lado as guitarras Fingimento de tudo de bom E articulo o processo Na esquina os carros e som mecânico Os policias passam Os punks no meio fio Os skinhead encostados nos muros As barracas diversas Os arcos da lapa Vivo na zona oeste Tenho que ir na zona norte Irajá, Guadalupe, vila Isabel Pois na zona sul eu já sei andar Vou de Santa Cruz pra Praça Mauá Big Field, Bunker, Mega Tom, Bugaloo, Sobradão, do Rock, Rato no Rio, Fun House e Tijolinho Roupas na moral pra tirar onda Feira de Itaipava, U2, Rua da Alfândega e Bolsa da Kipling A noite alta madrugada, gente falando, gente gritando, gente gargalhando, Sorriso falso. Todos os símbolos, ícones, e signos Todo tipo de prostituição, ferida solta, palavra solta.


Segunda Parte Bares das ruas humanas Criaturas batucam de lado Todas as drogas da bênção As santas guitarras que fingem O processo articula a esquina O som do carro, “a Policia”! Passam os Punks a fio Skinheads em muros diversos Encostam­se barracas na lapa Vivo, conheço e ando Na balada da boate ao boteco Roupas pra ter madrugada No mercado das almas perdidas A noite nunca acaba


Profissão de Hiena Aprendemos a lição desde cedo Tem que rir pra não chorar Agente levanta a cabeça Abre a boca Onde deveria conter um monte de dentes E seguimos em frente. Agente não é muito sábio, E o que importa? Pra que? Agente tem um sorriso Bem sem graça; Como uma maldição para a vida toda... Rindo de tudo, Mas sem ter um por que, Sem ter motivo pra isso.


Ode a Benzina Volátil e ardente é estratégico A conduta por solvente Entre brisas cintilantes De um começo de dia Onde mau respiro E quase piro Ao aspirar o volátil e ardente Que sai da minha garrafinha de solvente Não ideal, mas um STOP, Para a minha ansiedade Que arrebenta minhas costelas Resmungando Minha falta de sorte E meu medo da mudança Que é dissipado às vezes Pois é volátil e ardente Minha paixão pelo solvente Que mata essa lembrança Que distorce meu equilíbrio Pois não mais a esperança Mas quando eu pinto, é meu amigo, Volátil e ardente É meu paninho pro solvente Sempre na minha bolsa onde quer que eu vá Estará sempre à mão caso eu vá precisar.


Repente Repetente Pitagoricamente  início  o  repente  como  uma  corrente  que  sempre  vai  pra  frente  e  sente que de  repente pode  chegar  a  derrapar,  mas  a  de  voltar  pra  linha  racional  de achar tudo normal,  não  tem  nada  de  mal  em  tomar  caipirinha   e  aspirar  benzina  e  falar  que  são as buzinas  que  estragam  a  minha  vida  e  a  deixam  corroída,  mas  ta  tranqüilo  e  tenho amígdala  pra  ganhar  no  gogó  as  minhas  briga,  pois  assim  causa  menos   fadiga  e  para fazer  repente  e  voltar  a  rima  repetente  que  flui  a  corrente.  Não  sou  nenhum  demente inconseqüente,  o  verbo  é  coerente  que  se  influa  em  ti  o  ser  valente  para  atacar  os  de patente, não sou  paciente e a chapa já ta quente, como  um dia normal em Bangu, como a caldeira  que se prepara o voodoo e eu tenho sangue frio e  sempre vago pelo Rio sombrio com  a  noite no cio  nem  rio  com  o  sangue no  olho,  mas  não  parasito  como  carrapato em cima  de  um  piolho,  sou  só  a  peste,  sou  mais um  carioca  cabra que  veste  seu  estado  e adoto  Noel  rosa  como  mestre  muito  mais  valioso  que   se  guiar­se  nos  conselhos  do Doutor  Quest,  mas  tenho  um  pé  no  nordeste   e  o  que  reveste  a  carcaça  é  o  tambor  de maracatu  que  tem  o  sabor  doce  como  de  um  licor  de  menta, mas  é  arriminado como a pimenta  que  tempera  minha  vida  e  já  to  quase  de  saída,  mas  ainda  tem  nela  coisa  a serem extraídas. Me  diga  o  quer  que  eu fale? Comente  coisas que te abale como o cio capital, que enfeita a coluna  social,  mas não  me representa  e  nem  me  apresenta  a  vida como deveria ser, a vida  como  ela é,  guiadas  infelizmente por uma falsa fé e não há mais nada de muito bom a se conhecer,  e  esse que  esta a tua frente é só mais um verso do repente repetente que invade  sua  mente  não  por  seres  inconseqüente  é  que  ele  muito  mais  congruente  que  tu possa assimilar a nível consciente. Agora chegamos  à  estrofe  final e não  repare na concordância verbal,  isso é pra dar mais sal, liberdade poética, pensando  na estética  e o que importa é a fonética, por isso ignoro a  gramática,  cuspo  na  suástica,  e  me  apoio   na  Ciência  Rimática  que  é  muito  mais enfática,  me  formou   como  Mc,  ex  MonoDread,  eterno  Tiago  Miçanga  que  arregaça  as mangas  e  as  miçangas  balança  e  gera  o  caos:  desconstruo  o  censo  comum   bebo caninha,  saque  ou  rum,  e  peço  sempre mais um e não  gosto que  nenhum  cuzão­vacilão tire  o  microfone  da  minha  mão  pois  cantar  me  da  muito  mais  tesão  e  ao  chegar  de repente  se  sente  que a frente vai terminar a corrente pitagoricamente batizada de repente repetente.


O homem cascalho errante numa noite vazio nos subúrbios Aporéticos Começa sempre quando tem o "q" de termina Cinza que compõe o seu semblante Eu fico no ar, e duvido de tudo Como se tivesse chovendo Como se tivesse valendo e desta vez fosse a Vera Em dias nublados oscilando ao sol quente rachado E de menta na boca às vezes se adormece no banco do ponto de ônibus Mas se bem que se sabe que alguns já se mataram por ai Que no final da noite que nuca acaba e emenda dia após dia Vale tudo entre os vários Rios que habitam o grande Rio de Janeiro Com suas esquinas pitorescas Pessoas viajando pra esquecer Esquecem do motivo da viajem Pega as mochilas de acampar retoma ao ponto de partida Pernas que não queriam obedecer este estúpido caminhante Que se perde por ai e nem percebe as possibilidades Às vezes no silêncio longínquo se ouve os anzóis sendo puxados Pescadores de uma comunidade brejeira que resiste aos subúrbios intermináveis Subúrbio que alimentam os homens de papel e açúcar Mil perdões por fazer poemas tão grandes é que a noite não termina Ela emenda dia após dia às vezes percebo um surto das trevas Com toda certeza meu amigo a noite só acaba quando esgota a cachaça E como cria do inferno solto no mundo escorregando em casca de banana, só pra chamar tua atenção] Faz verso como escapismo do tédio infinito E não sente nem de longe o cheiro da tristeza (só às vezes) Pois agora tapa as orelhas como mula que empaca em dia de toró.


Quadros Nada que faço faz sentido, Pois nada é feito pra mim. Se em uma só alma a vida fosse baseada Não teria uma pá de indivíduos a seu redor Para irmos embora não me diga Se quiser ficar só, se mata, hein? Pois a idéia é sempre ter uma pessoa para ficar ao lado da outra E é assim que mostro que tudo é feito sobre medida Pra nunca, nunca estarmos sós Trancados no escuro do quarto com os pulsos cortados. Mas se você não tem ninguém, ninguém mesmo Há algo de errado, você não deve estar enxergando direito E aí te ajudar eu não posso. Eu, preso na parede fria, A vos observar, anos de existência tenho, Mas nunca aprendi a caminhar De onde vim não quero lembrar Era tão perigoso... Mas nunca fui rude. A vida ensina varias lições E nem todas devem ser seguidas, lembre­se Ande, caminhe e siga sua vida Sem perder o contato com os demais discípulos Se Ra te esquece à noite, faça uma fogueira, Ou abrace a lua cheia com sua frota de estrelas E agasalhe­se e debaixo das cobertas Fique com seu amor. Epílogo: Malandro não corra só pra vir me furar Pois você pode cair e a navalha em seu peito pode entrar É a vida seguindo seu rumo Com homens não muito homens Pensando que se protegem atrás do ferro frio.


Agradecimento: ao meu amigo  Hugo (assim começamos a escrever),  ao Leo  Mengão, aos poetas Dalberto Gomes, Marcelo Girard, Nilton Alves, José Henrique Calazans, Jiddu Saldanha e  Rodolfo Muanis  (que  sempre tiveram  ao meu  lado, mesmo  que não saibam); a  meu  amor  e  todos   os  Ex  (pela  inspiração);  aos  meu  mestres  e  professores do  MV1, Bahiense,  Estácio,  Villa­Lobos  e  UCL  (apenas  aos  que  sempre  somaram  a  minha formação  [vocês  sabem  que  são]);  A  irmandade  (xixa  e  Cia,  longe  em  carne  perto  ao coração);  aos  meus  amigos  Rafael  (leafar),  Fabio  Tavares,  ao  DJ  Guz;  ao meu anjo  da Guarda; aos Malkavianos;  os Cyberpunks; pra todo mundo que mesmo sem perceber me ajuda  ainda  a  segurar  minha  primavera  (mesmo  que  seja  com  os  dentes);  e  por  último todo mundo que gosta e/ou acredita na minha arte...Não morram nunca! Dedico  este  trabalho  a  todos  os  saraus  do  Brasil sendo  eles esnobes  ou undergrounds pela luta contra a ant­Literatura inconsciente. Produzido pela Na Cara e Coragem produções artísticas Email: nacaraecoragem@yahoo.com.br https://twitter.com/nacaraecoragem http://nacaraecoragem.blogspot.com.br/ http://www.facebook.com/pages/Na­Cara­e­Coragem­produções/158358960842810


Cantinho do Poeta Feliz  

Este é meu livro dedicado aos meus primeiros anos de poesia.

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