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Revista Online

Outubro de 2014 – 1ª Edição

Nosso caráter é o resultado da nossa conduta”.

Aristóteles


Índice Apresentação 1. Compreendendo a Ética

Sumário Apresentação

Tania Queiroz www.taniaqueiroz.com.br

Editora Responsável Tânia Dias Queiroz

Textos Tânia Dias Queiroz Andréa Gomes Salgueiro Charanek (in memorian)

Introdução Compreendendo o conceito Aprendendo a Ética na escola

2. Compreendendo alguns valores éticos da nossa sociedade

A Liberdade O Respeito A Justiça A Solidariedade O Diálogo Conclusão Bibliografia


Apresentação Vivemos em um momento histórico no qual o homem já atingiu um progresso tecnológico e social altíssimo, mas ao mesmo tempo, não conseguiu resolver os diversos problemas gerados por todos esses avanços. O século XXI não é mais um sonho distante, ou tema de histórias de ficção científica. Trata-se da realidade atual, quando estamos a um passo de clonar o primeiro ser humano e os alimentos são modificados geneticamente em laboratórios, mas mesmo assim a fome assola regiões inteiras do globo terrestre.

A Ética na Escola


Lutamos contra o buraco na camada de ozônio e a destruição do meio ambiente; contra doenças como a AIDS a dengue e a febre amarela; contra os preconceitos de raça, cor e crenças religiosas; contra atentados terroristas, grupos radicais extremistas e guerras sem sentido; contra a miséria, a indiferença, o fanatismo, a corrupção, a violência, entre outras coisas que impedem a humanidade de viver plenamente. Não há dúvida de que um primeiro passo para tentarmos resolver tais problemas é educando os nossas crianças e jovens de forma a se tornarem cidadãos conscientes e participativos. Com esse objetivo os Temas Transversais passaram a integras os Parâmetros Curriculares Nacionais, a fim de despertar os alunos para a nossa realidade de uma forma positiva, possibilitando uma profunda reflexão sobre diversas questões presentes na vida cotidiana e permitindo tanto o seu posicionamento quanto a busca de soluções para os problemas existentes. Por outro lado, a implantação dessas novas diretrizes gerou diversas dúvidas entre os educadores. Afinal, o que seriam realmente esses Temas? Como trabalhar a ética em sala de aula e no dia a dia escolar sem perder o espaço, já tão concorrido, dos conteúdos tradicionais?

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Com o intuito de apresentar soluções para algumas dessas questões, desenvolvemos esta obra, que busca discutir de forma clara o significado do tema: Ética. Ao mesmo tempo, demonstramos de que forma eles estão inseridos em nosso cotidiano e oferecemos algumas alternativas para desenvolvê-los dentro da realidade escolar. Acreditamos que na construção de uma sociedade melhor, mais justa e menos violenta, o nosso papel como educadores tem destaque, na medida em que temos a possibilidade de resgatar nos nossos jovens os valores essências adormecidos. Para isso, acreditamos que o tema: Ética, é uma ferramenta valiosa, bastando apenas arregaçarmos as mangas e colocarmos as mãos na massa.

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1- Compreendendo a Ética Introdução “Fica decretado: Que agora vale a verdade, Que agora vale a vida, E que de mãos dadas, Trabalharemos todos pela vida verdadeira.” Thiago de Mello: Estatuto do Homem Ana estuda em um colégio onde o uniforme é obrigatório. Domingo, porém, foi seu aniversário e ela ganhou de sua tia uma blusa de marca muito famosa. Pensando em como seus amigos iriam admirá-la e, é claro, morrer de inveja, decidiu ir com a nova roupa para a escola. Já Renata, que estuda na classe de Ana, ainda não tinha uniforme porque seus pais não tiveram condições para comprá-lo. Ela sabe que o seu uso é importante, mas como não queria perder a aula, decidiu ir para a escola com uma roupa comum. Ao chegarem no portão do colégio, as duas foram repreendidas e impedidas de entrar.

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Explicaram seus motivos para a diretora, que deixou apenas Renata subir para a sala de aula, mandando Ana de volta para casa. Quem, neste caso, agiu de acordo com a ética? Discutir ética é refletir sobre o dia-a-dia. É saber a diferença, por exemplo, entre uma estudante que descumpre a determinação de utilizar uniforme na escola para mostrar a roupa de grife que acaba de comprar e outra que, por não poder comprar o uniforme, remedia sua ida às aulas com a pouca roupa que tem. Assim, o debate sobre o que é ou não ético está presente no nosso cotidiano, deixando de ser assunto apenas dos filósofos e estudiosos, para fazer-se presente nas escolas, comunidades, empresas, associações, meios de comunicação e em todas as discussões que têm por objetivo uma sociedade melhor. Dessa forma, cada vez que paramos para pensar se uma determinada norma é ou não justa, ou se uma atitude é certa ou errada, estamos exercitando a ética. Desde a antiguidade, o ser humano procura desvendar quais são os valores que nos fazem agir de uma forma correta.

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Na Grécia Antiga, o grande filósofo Sócrates (470-399 a.C.) começou a analisar os códigos de lei do seu tempo, buscando os princípios fundamentais que os tornavam racionalmente válidos. Ele acreditava que as leis não deviam ser cumpridas apenas por serem leis, mas sim por existirem razões que as justificassem moralmente. Naquela época, Sócrates foi acusado de seduzir a juventude com suas idéias, de não honrar os deuses do seu povo e desprezar as leis da polis (cidade-estado onde ele vivia), sendo, por esses motivos, julgado e condenado a morrer envenenado. Será que podemos dizer que ele desprezava as leis? Afinal, Sócrates não deixava de cumpri-las, embora as questionasse. Nos dias de hoje, compreendemos o quanto esse questionamento é fundamental para a conquista de uma sociedade melhor, mais democrática e justa. Tanto que a ética passou a fazer parte do nosso currículo escolar, com o objetivo de formar cidadãos críticos e participativos.

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A ética é uma qualidade que se aprende através da prática diária da reflexão. Quantas vezes não agimos de uma forma que magoa ou prejudica as outras pessoas e até a nós mesmos, apenas porque não paramos para pensar nas consequências de nossos atos? Outras vezes, não concordamos com as leis e as normas estabelecidas e simplesmente as descumprimos, sem parar para pensar se elas têm alguma razão prática e real para existir, ou se nós temos um bom motivo para agirmos de tal forma. É o caso, por exemplo, de um garoto de quinze anos, que tanto insistiu com seus pais, azucrinando-os diariamente por querer uma motocicleta, que eles acabam concordando em lhe comprar uma, mesmo sabendo que ele ainda não tinha idade para tirar sua carteira de motorista e que, dirigir sem habilitação é contra a lei. Certo dia, ele saiu de casa apressado para encontrar os amigos e acabou ultrapassando a velocidade permitida numa área perigosa, onde havia muitas curvas. De repente, ao virar-se para trás, xingando uma mulher que estava andando devagar, acabou perdendo o controle e voando sobre um outro veículo que estava parado no acostamento. Ele não estava de capacete, afinal, ninguém da sua turma costumava usar e ele não queria ser motivo de gozação, embota sua mãe insistisse muito, dizendo que era mais seguro. Assim, sem nenhuma proteção, bateu a cabeça no chão, quebrando o maxilar e sofrendo uma séria fratura na cabeça.

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Foi operado ás pressas e acabou ficando hospitalizado por semanas, entre a vida e a morte. Seu pai sofreu uma multa e perdeu vários pontos na carteira, mas o pior foi o remorso por ter posto a vida do próprio filho em perigo. A partir de então, todos de sua família passaram a levar mais a sério as leis do trânsito, pois perceberam que elas existem para tentar proteger a própria população. Podemos perceber, após uma análise crítica da situação que há momentos nos quais agir de acordo com as leis e normas estabelecidas pode nos ajudar a evitar consequências desastrosas. Claro que a ética não se relaciona apenas com as normas e as leis da sociedade, ela nos ajuda também a nortear a nossa conduta pessoal e profissional, nossas relações pessoais, nossos familiares, com os nossos amigos, como cidadãos e até com o planeta onde vivemos. A ética permite atuarmos de forma consciente, refletindo sobre o que é certo ou errado e estabelecendo os nossos próprios padrões morais para o bem viver em harmonia e paz.

“Nosso caráter é o resultado da nossa conduta”. Aristóteles "A virtude moral é uma consequência do habito. Nós nos tornamos os que fazemos repetidamente. Ou seja: nós nos tornamos justos ao praticarmos atos justos, controlados ao praticarmos atos de autocontrole, corajosos ao praticarmos atos de bravura.“ Aristóteles

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Buscando contribuir para esse exercício consciente da ética, apresentaremos um breve panorama sobre o significado e contextualização histórica da ética; apresentamos alguns dos conteúdos fundamentais que compõem os valores morais da nossa sociedade, como o respeito mútuo, a justiça, a solidariedade, e o diálogo; e procuramos demonstrar, como se apresenta a questão da ética na prática, utilizando para isso, temas atuais como a política, o trabalho, o meio ambiente, a ciência e a saúde. Sabemos que a questão da ética está presente, de alguma forma, em todas as atividades desenvolvidas na prática escolar diária, porém, para permitir um debate mais amplo sobre o tema entre professores e alunos, sugerimos algumas atividades específicas, que podem ser contextualizadas dentro das mais diversas disciplinas. Construindo o conceito “Se oriente, rapaz Pela constelação do Cruzeiro do Sul Se oriente, rapaz Pela constatação de que a aranha vive do que tece Vê se não se esquece Pela simples razão de que tudo merece Consideração.” Gilberto Gil: Oriente

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Algumas pessoas costumam confundir a ética com um simples sistema de leis ou normas que devem ser seguidas. Porém seu verdadeiro significado é bem mais profundo. Ela é a análise do comportamento das pessoas, seus costumes e ações, de acordo com os valores morais individuais e da sociedade. É também a reflexão sobre as leis, normas e regras estabelecidas, quanto a sua importância e legitimidade. A Ética visa, tanto explicitar os valores fundamentais existentes, como tratar de sua aplicação na prática do dia a dia, como é o caso da ética na política, na medicina, no meio ambiente, etc. Tomemos como exemplo, um soldado que se encontra em pleno campo de batalha. Ele pode saber que toda vida humana é preciosa e deve ser preservada, porém a sua realidade naquele momento, obriga-o a agir de acordo com outros valores fundamentais, como a necessidade de defender a sua pátria, a sua família, os seus ideais, etc. Entretanto, se quando a guerra acabar ele resolver matar um ex-soldado inimigo por vingança pessoal, seu ato será antiético, pois a mudança no contexto histórico o torna moralmente injustificável.

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Ao agirmos conscientemente, em concordância com os princípios morais que acreditamos serem corretos, estamos agindo eticamente. Mas será que os valores de alguém que vive hoje no Brasil são os mesmos de um japonês ou um europeu do século XV? E os valores de um cristão, são os mesmos de um muçulmano, ou de um monge tibetano? Provavelmente não, afinal cada sociedade define seus princípios e valores fundamentais de acordo com sua cultura e momento histórico. Nós mesmos como indivíduos, podemos modificar as nossas convicções em função de novas reflexões ou experiências de vida. Como afirma Antonio Marchionni, no texto A Ética e seus fundamentos: “... cada pessoa forma na sua mente alguns pontos de vista, uma espécie de esquema de valores com o qual julga os acontecimentos e toca a vida para frente. Os valores, portanto, são uma contínua criação e recriação ditada por fatores como índole, sociedade, tempo, lugar e circunstâncias. É o relativismo ético”. Em outras palavras, os princípios que são muito importantes para uma pessoa, podem não significar nada para outra. Até mesmo a vida de um ser humano, que aparentemente seria o que há de mais importante e valioso, pode ter uma valorização relativa, pois ao mesmo tempo em que é fundamental para um médico que se dedica inteiramente em preservá-la, parece não significar nada para um assaltante ou traficante, que é capaz de matar alguém só para demonstrar o seu poder.

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Ao longo da história, diversos estudiosos buscaram compreender, definir e sistematizar a ética. Como já vimos, Sócrates foi o primeiro filósofo a se preocupar com o tema, procurando analisar as leis e justificá-las de acordo com seus valores e convicções pessoais, e não apenas pelo fato de fazerem parte dos costumas de seu povo. Por esse motivo ele passou a ser considerado o “fundador da moral”. Depois dele, muitos outros tentaram encontrar um princípio ético supremo, um valor moral absoluto, que servisse como base para todas as análises éticas. Para os gregos antigos, esse princípio poderia ser o Sumo Bem, ou um conjunto de bens, como a riqueza, a beleza, a saúde, a sensibilidade, etc. Acreditando na harmonia cósmica, seus princípios morais buscavam orientar as ações humanas para uma vida voltada para o bem, a virtude e a harmonia com a natureza, devendo permitir ao homem viver e se realizar como homem. “Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam suas mãos para cultivá-las”. Augusto Cury

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A influência das religiões judaica e cristã, fez com que os filósofos valorizassem o aperfeiçoamento do homem em busca da santidade. Dessa forma, agir apenas em harmonia com a natureza já não era mais satisfatório. Os padrões morais passaram a exigir que o homem buscasse conhecer a vontade de Deus, para poder agir de acordo com essa vontade. Mas a vontade de Deus só poderia ser conhecida através de revelações, e para alcançar a dádiva de uma revelação, era preciso conquistar a santidade, através de atitudes baseadas no amor ao próximo. Com os avanços econômicos, políticos, sociais e tecnológicos da idade moderna, porém, a razão e a liberdade é que passaram a ser valorizadas. Como no “formalismo kantiano”, onde o homem tem total liberdade, porém suas escolhas e atitudes precisam ser norteadas sempre pelo dever ou obrigação moral. Para Kant, uma ação só é boa se pudermos desejar que ela seja aplicada a todos os homens. Uma outra tendência que surgiu nesse período foi o utilitarismo, que enfatiza as aplicações práticas da ética, defendendo que o bem é aquilo que traz vantagem para muitos. No final do século XIX, surgiu o pensamento social e dialético, que elegeu como ideal ético a ideia de uma vida social mais justa, ou seja a luta pelo fim das injustiças econômicas e sociais, pois só a moral só pode existir em um “mundo mais humano. Porém, a partir do século XX, além da preocupação com as relações sociais, o princípio da liberdade persistiu, só que privilegiando o aspecto pessoal e individual.

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Podemos perceber que é impossível desenvolvermos um conceito fechado do que é ético ou não, pois o seu ideal é variável. Porém, algumas noções básicas sempre permanecem válidas, como o princípio da liberdade consciente. O fato de ser necessário criar normas que norteiem as nossas escolhas demonstra que a opção de segui-las ou não cabe sempre a cada um de nós, portanto, somos livres. Entretanto, para que sejamos éticos, essa liberdade deve sempre ser exercida com consciência, ou seja, as nossas escolhas devem ser feitas após uma séria reflexão sobre as possíveis conseqüências de nossos atos. Outro princípio ético fundamental que sempre permanece válido é a distinção entre o bem e o mal. No livro O Que É Ética, Álvaro Valls afirma que: “(...) Agir eticamente é agir de acordo com o bem. A maneira como se definirá o que seja esse bem, é um segundo problema, mas a opção entre o bem e o mal, distinção levantada já há alguns milênios, parece continuar válida.” Dentro desse ponto de vista, talvez possamos afirmar que a ética nos dias de hoje busca o bem, não um bem aparente, individual ou egoísta, mas o bem que beneficie o maior número possível de pessoas. VALLS, Álvaro L. M.. O QUE É ÉTICA. Coleção primeiros passos, editora brasiliense, São Paulo, 1986. p.67.

Os valores éticos variam de acordo com a sociedade, assim, práticas abomináveis nos dias de hoje como a escravidão podiam ser consideradas perfeitamente admissíveis durante o período colonial de nossa história.

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Aprendendo ética na escola “A partir do momento em que se compreende que é contrário à dignidade humana obedecer a leis injustas, nenhuma tirania nos poderá sujeitar.” Mahatma Gandhi Quando agimos de acordo com as normas, sem refletir sobre elas, podemos estar fazendo o que é certo, mas não estamos necessariamente sendo éticos, pois a ética exige reflexão, uma vez que os conceitos de certo e errado podem variar de acordo com as circunstâncias. Por exemplo, se você vivesse na Roma Antiga, quando todos os cristãos eram condenados a morrer devorados pelos leões, e um soldado batesse em sua porta e lhe fizesse perguntas sobre o seu vizinho, você deveria dizer a verdade e entregá-lo, mesmo sabendo que ele era cristão e seria condenado por isso? O objetivo de estudarmos a ética é, sem dúvida, adquirirmos instrumentos que nos ajudem a nos tornar cidadãos participativos, com capacidade de analisar, tanto as leis, os valores e as regras sociais, como os deveres do cotidiano em casa ou no trabalho, nas relações pessoais, familiares e profissionais, conhecendo os princípios fundamentais e elegendo aqueles que consideramos ideais, a fim de exercer nossa liberdade de forma consciente.

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Em outras palavras, temos liberdade para escolher cumprir ou não uma lei, mas antes de decidir, precisamos pensar em qual é a importância de tal lei e quais são as consequências de não a cumprirmos. Todas as leis de nossa sociedade foram criadas com um objetivo prático, ou seja, a fim de regularizar uma determinada ação ou situação de nossas vidas. Ao mesmo tempo, quem as fez, baseou-se em seus próprios valores para justificá-las. Assim, se pensarmos, por exemplo, no artigo nº 5 da constituição, termo III, onde se lê “ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento desumano ou degradante;” podemos concluir que aqueles que formularam tal lei conviveram com a tortura e perceberam o quanto ela é ruim para a sociedade, e que consideraram fundamental valorizar o respeito à integridade humana. Já as normas morais não são escritas, mas fazem parte do senso comum, ou seja, são seguidas porque a maioria das pessoas acredita que são corretas. Uma norma moral básica, a qual todos seguimos é a de não andarmos nus em público. Alguém, porém, pode pensar que é uma bobagem e que, se somos cidadãos livres, temos o direito de andar como quisermos. O que, então torna essa norma legítima? Numa sociedade ideal, onde todos se respeitassem de forma incondicional, poderíamos andar nus sem corrermos o risco de sermos agredidos, porém, ainda assim estaríamos convivendo com pessoas de diversas convicções morais e religiosas para as quais a nossa nudez poderia representar uma ofensa. Por outro lado, as roupas foram criadas para nos proteger do frio ou calor intenso e sem elas, estaríamos mais propensos a nos machucar ou contrair alguma doença. Além dessas, podemos pensar em muitas outras justificativas que legitimam tal norma em relação ao bem comum. Dessa forma, acaba sendo muito mais fácil procurarmos um local privativo, onde a prática de nudismo é aceita, em vez de lutarmos contra todos na tentativa de modificar uma situação social apenas para satisfazer nossa vontade, única e individual.

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A escola reproduz os padrões morais da sociedade, sendo um espaço público de convivência social. Lá, nós aprendemos a viver de acordo com normas e regras. Quando nesse contexto, somos motivados a refletir, buscando os valores que tornam tais normas e regras válidas, e também quando existe espaço dentro da escola, para que possamos tentar modificar, através de ações democráticas, aquelas que nos parecem injustas, estamos aprendendo a exercitar a ética e a cidadania. Da mesma forma, quando participamos dos diversos eventos comunitários, como festas, gincanas ou torneios; cuidamos da escola e dos materiais que lá utilizamos; tratamos os colega, professores e funcionários com respeito e solidariedade; e ainda, quando nos empenhamos em campanhas para arrecadar alimentos, roupas, remédios, etc. para ajudar entidades assistenciais ou campanhas de emergência, estamos construindo nossos próprios conceitos morais, e aprendendo a participar na sociedade de forma construtiva e consciente. “ Você não viveu hoje, até que tenha feito algo para alguém que nunca poderá recompensá-lo”. John Bunyan “O que fazemos por nós mesmos morre conosco. O que fazemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal.”. Albert Pine

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A partir desses conceitos e dos valores que consideramos importantes, podemos refletir e assumir um posicionamento diante das diversas situações e pontos de vista que enfrentamos em nosso cotidiano. Vejamos o caso do uniforme apresentado em nossa introdução: podemos dizer que Ana pensou apenas em si mesma e em sua vaidade, quando resolveu ir à escola com a roupa nova mesmo sabendo que o uniforme era obrigatório. Ela não parou para refletir sobre as consequências de seus atos, portanto, não agiu eticamente. Renata, por outro lado, também deixou de cumprir a norma da escola, porém o fez após refletir sobre a situação, utilizando seus próprios valores. Assim, sua conclusão foi que assistir a aula era o mais importante, valendo o risco de uma eventual punição. Em outras palavras, apesar de sua ação aparentemente ser errada, por descumprir deliberadamente uma norma existente, foi motivado pela busca de um bem maior, que seria assistir à aula. A diretora da escola, por sua vez, analisou os argumentos de cada uma das alunas de acordo com seu próprio juízo de valores e, após considerar os diferentes aspectos da situação, compreendeu que apenas os argumentos de Renata eram movidos por um objetivo válidos. Decidiu então, abrir uma exceção à regra e permitir que ela assistisse às aulas, mesmo não estando de uniforme. Assumir posicionamentos nos leva a participar da sociedade de forma consciente, compreendendo nossa importância e exigindo que respeitem a nossa individualidade. Nos ajuda também a perceber que é possível modificar as situações que nos oprimem, através do empenho em criar condições para alcançar os nossos objetivos. Como no caso de um grupo de agricultores que dependia de um intermediário para vender sua produção.

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Esse intermediário, além de cobrar uma taxa muito alta pelo serviço que fazia, ainda demorava meses para entregar aos agricultores o dinheiro recebido pelas mercadorias, o que lhes causava um grande prejuízo. Após analisarem bem o problema, os agricultores decidiram que a melhor solução seria criar uma cooperativa, onde cada um contribuiria com seu trabalho. Buscaram seus direitos e conseguiram empréstimos e incentivos do governo para criar a infraestrutura de que precisavam, passando então a comercializar eles próprios os seus produtos. Infelizmente, ao mesmo tempo em que nos revoltamos quando são praticadas injustiças contra nós, muitas vezes, por nos preocuparmos apenas em garantir o nosso próprio bem estar, acabamos prejudicando os outros. Por outro lado, algumas pessoas menos esclarecidas acabam sendo prejudicadas por desconhecerem os seus direitos, não tendo assim como defender seus interesses. É por esses motivos que, em uma sociedade democrática, todas as pessoas tem os mesmos direitos e deveres, e cabe aos cidadãos conscientes a responsabilidade de lutar para defender e preservar os direitos de todos. Sermos éticos significa aprendermos a ser solidários, pois numa sociedade onde a ética é levada a sério, não se pode permitir que os cidadãos passem fome ou outras privações, já que todos têm os mesmos direitos e cabe a cada um garantir o bem comum. Em outras palavras, se as chuvas derrubam a casa de nosso vizinho, deixando a ele e sua família numa situação desesperadora, teremos coragem de lhe virar as costas ou iremos ajuda-lo a encontrar formas de resolver a situação, contribuindo com o que nos for possível?

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A ética nos ensina que não basta sermos solidários apenas com aqueles que conhecemos, pois todas as pessoas merecem a mesma atenção e respeito, sem distinção. Por esse motivo, é fundamental também que aprendamos a aceitar os outros como eles são, compreendendo que cada ser humano é diferente do outro e tem características que o tornam único. Não devemos praticar o bullying. Na escola mesmo, alguns alunos aprendem melhor a matemática, outros têm maior facilidade de compreender a história ou português. Alguns são mais gordos outros mais magros, enfim existem inúmeras diferenças que precisamos respeitar para também sermos respeitados. Ninguém gosta de ser maltratado, ou excluído só por causa do tipo de roupa que veste, de música que gosta, ou por seu jeito de ser. Assim, devemos aprender a agir com os outros da mesma forma que gostaríamos que agissem conosco. Por outro lado, quando estamos com um grupo de colegas que tem atitudes agressiva e discriminatória contra alguém e nós não fazemos nada para impedi-los, estamos sendo cúmplices e participando indiretamente da agressão.

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Muitas vezes nos envolvemos em situações de conflito, simplesmente porque não conseguimos aceitar as diferenças ou parar para pensar nas razões do outro, nem convencê-lo do nosso ponto de vista através de nossos argumentos. Isso demonstra que respeitar significa também aprender a ouvir. Utilizando o diálogo, é possível refletir sobre os diversos aspectos de uma questão, encontrando soluções que sejam boas para todas as pessoas envolvidas. Podemos perceber, por fim, que os valores éticos não servem apenas para nortear as análises de filósofos e estudiosos. Eles nos ajudam no dia a dia a refletir sobre a nossa realidade e a agir de uma forma mais construtiva, permitindo uma interação com a sociedade onde, tanto os nossos direitos, quanto os direitos das outras pessoas sejam preservados. Paul Singer, “a ética não é: um sistema ideal de grande nobreza na teoria , mas inaproveitável na prática. O contrário dessa afirmação está mais próximo da verdade: um juízo ético que não é bom na prática deve ressentir-se também de um defeito teórico, pois a questão fundamental dos juízos éticos é orientar a prática.” NÃO FAÇA DAS DIFERENÇAS DE ETNIA, SEXO, COR, IDADE, RELIGIÃO OU SITUAÇÃO ECONÔMICA UMA DISTÂNCIA, E SIM, UMA APROXIMAÇÃO. ACEITE! A VIDA, AS PESSOAS, FAÇA DELAS A SUA RAZÃO DE VIVER. ENTENDA! ENTENDA AS PESSOAS QUE PENSAM E VIVEM DIFERENTES DE VOCÊ, NÃO AS REPROVE, AJUDE-AS NO QUE FOR POSSÍVEL.

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Sem dúvida, todos esses valores e atitudes aqui apresentados só têm importância quando passamos a exercitá-los na prática. Afinal, de nada me vale saber que o diálogo é importante se, ao chegar em casa, bato em meu irmãozinho porque ele rabiscou meu livro sobre ética. Claro que nem sempre é fácil, manter uma postura moral frente a tantos problemas do dia a dia, mas sem dúvida, viver numa sociedade na qual todos agem de forma ética é um sonho pelo qual vale a pena lutar.

“Não faças aos outros, o que não queres que te façam: eis a probidade. Faze aos outros o que gostarias que te fizessem: eis a virtude.” Jacques Duclos

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Sugestões de atividades: Ensinando o que é ética 1- Uma grande ferramenta para trabalharmos a questão da ética com os alunos, em especial com as crianças e pré-adolescentes, é através dos contos de fadas. Em vários deles o dilema ético se apresenta claramente, como em Pinóquio, Cachinhos Dourados ou Chapeuzinho Vermelho. Utilizemos como exemplo a história de Cachinhos Dourados. Nesse conto, a personagem está passeando na floresta, quando encontra uma casa com a porta entreaberta. Ela bate, mas como ninguém responde, decide entrar mesmo assim. Além de examinar toda a casa, ela experimenta a sopa dos pratos que estão sobre a mesa, senta-se nas cadeiras, chegando mesmo a quebrar uma delas, e acaba por dormir em uma das camas. Os donos da casa são uma família de ursos e quando eles voltam a encontram dormindo na cama do filhinho urso. Com toda a razão eles ficam furiosos, mas acabam perdoando a menina, que percebe o erro que cometeu e acaba se arrependendo. Após contarmos essa historinha para as crianças, podemos debater com elas, mapeando as diversas atitudes erradas de Cachinhos Dourados e os possíveis motivos que a levaram a agir de tal forma. Num segundo momento, podemos explicitar quais são os valores morais que tornam tais atitudes erradas e analisar o papel dos ursos como vítimas de tais atos.

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Podemos também discutir o posicionamento dos ursos, que compreenderam e perdoaram o erro da menina, alem do próprio fato dela ter percebido seu erro e se desculpado. Dessa forma, as crianças podem perceber de que forma a Ética se apresenta na nossa vida e como ela pode tanto nos impedir de tomar atitudes erradas como nos fazer refletir sobre nossos atos a fim de corrigir os nossos erros. Por fim, seria interessante propor que as crianças escrevessem sobre alguma experiência que tiveram, ou no papel de Cachinhos Dourados ou no dos ursos, colocando os sentimentos que experimentaram e tentando detectar de que forma a ética ou a falta dela interferiu em suas atitudes. 2- Diversas lendas do folclore brasileiro, como a do “Negrinho do Pastoreio”, também podem ser utilizadas da mesma forma. A literatura infantil contemporânea também apresenta excelentes histórias que incentivam os alunos a refletir sobre atitudes cotidianas. Podemos também incentivar os próprios alunos a contar histórias que para eles podem servir como temas para uma discussão ética, colocando em debate a postura apresentada pelos personagens envolvidos. 3- Uma outra possibilidade interessante de trabalho é utilizar fotos retiradas de revista, ou mesmo fotos de propaganda, analisando com os alunos os valores presentes naquela cena. Esse trabalho pode ser feito dividindo os alunos em pequenos grupos, onde cada grupo elabore cartazes com as figuras, escrevendo logo abaixo os valores éticos e os antiéticos presentes nas imagens.

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2- Compreendendo alguns valores éticos da nossa sociedade. A Liberdade “Nunca duvide de um pequeno grupo de cidadãos conscientes e interessados possa mudar o mundo. Afinal, foi isso que sempre aconteceu”. Margaret Mead

Como já vimos, a liberdade é um dos poucos princípios éticos fundamentais que permanecem sempre válidos, afinal, se não tivéssemos a liberdade, não seria necessário existir a ética. Todas as nossas ações são frutos de uma escolha, embora muitas vezes essa escolha seja inconsciente. Outras vezes, porém, a liberdade que temos para agir ou não de uma determinada forma, nos obriga a refletir sobre as conseqüências dos nossos atos. Portanto a liberdade pode nos levar a dilemas, causados pela contradição entre o que queremos e o que é certo, sendo a ética uma ferramenta capaz de nos auxiliar na resolução desses dilemas.

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As normas e leis existentes têm como objetivo nos levar a agir de uma determinada forma, e se elas existem, é justamente porque podemos escolher, mesmo em casos onde aparentemente não há alternativas.

Dessa forma, quando uma placa colocada na beira de um rio diz: “Proibido nadar, risco de vida”, podemos mergulhar nele ou não, cabendo a nós optarmos, após pesarmos as consequências do nosso ato. Entretanto, é mais fácil tomarmos uma decisão quando a questão envolve apenas a nós mesmos, afinal, podemos simplesmente dizer: “Se eu quero arriscar meu pescoço, o problema é meu”. Entretanto, se o nosso desejo e a nossa vontade interferem diretamente na vida de outras pessoas, somos obrigados a pensar melhor, chegando mesmo a deixar de fazer algo porque poderia prejudicar alguém. Nesse momento, é a ética quem nos ajuda a tomarmos a melhor decisão. Como nos diz Álvaro Valls: “A ética se preocupa, podemos dizê-lo agora, com as formas humanas de resolver as contradições entre necessidade e possibilidade, entre tempo e eternidade, entre o individual e o social, entre o econômico e o moral, entre o corporal e o psíquico, entre o natural e o cultural, entre a inteligência e a vontade.(...)”.

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Em outras palavras, a ética nos serve de instrumento para podermos melhor avaliar as nossas decisões de forma a não lesarmos aos outro ou a nós mesmos. Por exemplo, se decido criar um cachorro feroz em minha casa, este é um direito meu. Porém, se minha casa não possui um muro alto e seguro, o cachorro poderá soltar-se e atacar meu vizinho, ferindo assim o direito dele de andar livremente pela rua. Portanto, ao escolher criar um cachorro, tenho o dever moral de construir um muro mais alto, caso contrário, estarei sendo antiético com o meu vizinho. Em uma democracia, o Estado tem o dever de assegurar os direitos e a liberdade de todos os cidadãos, utilizando para isso, principalmente as leis e as normas. Infelizmente em nosso país isso não acontece da maneira que a população sinta garantida a sua segurança. Vivemos tempos íngremes, na qual providências urgentes precisam ser tomadas referentes aos, crimes de todo tipo, ao tráfico de drogas, a violência e corrupção no Brasil. Ao mesmo tempo, nós cidadãos temos também o direito de lutar por mudanças na legislação sempre que a consideramos inadequada. Porém, muitas vezes os direitos de uns interfere diretamente na liberdade dos outros e nem sempre a justiça é capaz solucionar todas as questões. Por esse motivo, para que a sociedade seja realmente igualitária, é preciso que os cidadãos procurem agir sempre de forma ética, com cordialidade, gentileza e solidariedade. A Ética na Escola


O Respeito "Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela." Paulo Coelho

A palavra respeito tem muitos significados diferentes. Pode expressar, por exemplo, reverência ou veneração, como geralmente demonstramos pelas pessoas muito sábias, pelos santos e, algumas vezes, por artistas muito famosos. Neste caso, valorizamos tanto aquele a quem respeitamos que o colocamos num patamar mais elevado que o nosso, imaginando-o perfeito, distante e praticamente inatingível. Pode também denotar medo, temor ou receio, como o tipo de respeito que sentimos por um professor excessivamente rigoroso, que consegue facilmente manter a ordem na sala de aula e forçar-nos a cumprir as regras, mas não permite o diálogo, nem a interação dos alunos. Nesses dois casos o respeito é unilateral, ou seja, respeitamos alguém, mas não somos respeitados da mesma forma.

A Ética na Escola


Por outro lado, respeito também quer dizer consideração e importância. Nesse caso, respeitamos aquilo que percebemos como bom e positivo como a coragem e a sabedoria de alguém; ou o direito e o espaço de cada um. Esse é o tipo de respeito que todos esperamos que os outros demonstrem por nós. Chegamos assim, ao respeito mútuo, quando respeitamos e somos respeitados. O respeito mútuo se apresenta nas pequenas coisas do cotidiano, pequenas atitudes que temos com os outros e os outros têm conosco, que tornam o convívio mais agradável e harmonioso. Como quando estamos em uma fila e mantemos um espaço entre nós e as outras pessoas, evitando empurra-las ou pisar em seus pés; quando ouvimos o que os outros falam e respondemos às suas perguntas; e até quando percebemos as limitações de alguém e em vez de rirmos delas, procuramos ajudá-la. Mas respeitar nem sempre é fácil, algumas vezes estamos tão repletos de problemas que acabamos por descontar nossa raiva nas outras pessoas e isso não é correto. Precisamos refletir e adotar novas atitudes, tratando as pessoas com respeito, consideração e carinho.

A Ética na Escola


Como no caso da menina que sai de casa após ouvir o seu pai dizer o quanto ela é imprestável, lenta e preguiçosa. Ao chegar na escola, está muito chateada e não consegue prestar atenção naquilo que sua professora está dizendo. De repente ela se vira e lhe pergunta algo. Após entrar em pânico, ele dá uma risadinha amarela e diz que não sabe a resposta. A sala toda começa a rir, sua melhor amiga, que senta ao seu lado, chama-a de burra e ela, cansada de ser humilhada, se levanta e lhe dá uma surra. Percebemos que essa menina foi tão desrespeitada e magoada e acabou descontando nos outros, desrespeitando também. Respeitar é não fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco, é admitir que existem diferenças no mundo e que a sua verdade não é a única. Quando discutimos com alguém sobre qualquer assunto e dizemos : “ você não sabe nada” estamos desrespeitando a opinião dessa pessoa; quando invadimos o quarto da irmã ou algum parente e pegamos uma roupa sua sem pedir estamos desrespeitando o seu espaço. Esses são pequenos exemplos de falta de respeito, mas que servem para mostrar quantas vezes no nosso cotidiano somos capazes de passar por cima dos direitos do nosso semelhante. Precisamos ter consciência de que o nosso direito vai até onde começa o direito do outro.

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Se pensarmos que algumas vezes agimos mal até mesmo com aqueles a quem amamos, como nossos pais, filhos ou amigos é fácil compreender como podemos tomar atitudes ainda piores com as pessoas que não conhecemos e com as quais somos obrigados a conviver na escola, nas ruas, ônibus, lojas, ou outros espaços públicos. Porém o respeito pode ser aprendido, na medida em que somos valorizados e passamos a perceber como é importante agirmos com os outros com respeito para sermos respeitados. Primeiro, porém, é preciso que aprendamos a respeitar a nós mesmos, percebendo as nossas dificuldades ou diferenças e descobrindo a melhor maneira de lidar com elas. Se eu me sinto insatisfeito com minha forma de ser, acabo descontando minhas frustrações nos outros. Vejamos o exemplo de uma menina que usa óculos e aparelhos nos dentes, que acabou de ser ridicularizada na aula de educação física por não conseguir jogar bola direito. Ela pode descontar sua raiva num colega que erra a resposta de português, dizendo que ele é burro.

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Por outro lado, se ela perceber que tem outras qualidades, como ser uma boa desenhista e que ninguém consegue ser perfeito em tudo e que usar óculos e aparelhos é normal da idade, pode conquistar o respeito dos outros, demonstrando sua segurança e ajudando quando um colega demonstra dificuldades em algo que ela sabe fazer bem. Dessa forma precisamos nos respeitar, nos admirar, cultivando a autoestima. Quem se ama e se respeita tem mais facilidade para amar e respeitar os outros. Agora gostaria que fizesse essas reflexões: O que você pensa sobre você? Sabia que a sua opinião sobre você mesmo é muito importante para que aprenda a se amar, se respeitar e construir um mundo melhor para você e para os que o cercam? Você construiu uma autoimagem positiva ou negativa sobre você? Você conhece as verdades sobre você? Para conhecer suas verdades, para conhecer a si mesmo como sugeriu o filósofo Sócrates é preciso que dialogue com o seu eu interior – ou seja, com você mesmo para descobrir a opinião que carrega a respeito de você e do mundo.

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Não fique apavorado!!!! Isto não é difícil, não é difícil mesmo!!!! Basta querer... Pode incomodar um pouco, pois, precisa desenterrar a auto-imagem (as vezes negativa) que você tem guardada, e que muitas vezes foi formada pelas coisas que você ouviu falar de você, ou pela falta de conhecimento do seu próprio crescimento e desenvolvimento. Quem se conhece cresce como cidadão Pare, pense, reflita, sinta e perceba suas qualidades e jogue fora a auto-imagem negativa caso ela exista. Para exercitar o diálogo interior, imagine que está em frente a um espelho. Olhe para o espelho e converse com a imagem que nele vê refletida, ou seja você mesmo. Pergunte para a sua imagem quais são suas maiores qualidades e construa uma autoimagem positiva. Aprenda a se amar a e se respeitar!

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Entretanto, não basta aprendermos a respeitar apenas a nós mesmos e aqueles com quem convivemos. É importante também percebermos que, em uma sociedade democrática como a nossa, todas as pessoas têm os mesmos direitos, não importando sua cor, cultura, religião, riqueza ou poder e que é um dever de cada um de nós respeitarmos sempre tais direitos. Ao conseguirmos perceber o valor do outro, aceitando e respeitando as suas diferenças, nós passamos também a nos indignar com as situações onde acontece o desrespeito, agindo de forma a tentar modificá-las. É o que acontece, por exemplo, no caso de um grupo de amigos que sai para se divertir e se depara com um mendigo dormindo na praça. De repente um dos colegas decide importuna-lo e agredi-lo. Se apenas um deles perceber a importância do respeito mútuo, ficará indignado e tomará uma atitude para acabar com a brincadeira de mau gosto do seu colega. Em outras palavras, quando vivemos eticamente, ser respeitado não é o bastante, precisamos aprender também a respeitar todas as outras pessoas da mesma forma e ao mesmo tempo, lutar sempre para garantir o respeito e a integridade de cada um.

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A Justiça “A justiça é igual para todos. Aí começa a injustiça.” Millôr Fernandes Muitas vezes acreditamos que fazer a justiça é simplesmente aplicar as leis, porém nem sempre isso é verdade. Como já vimos anteriormente, algumas vezes uma lei pode servir para garantir interesses de um grupo, sendo, porém prejudicial para outro. É possível encontrarmos diversos exemplos disso em nossa própria história, como foi o caso da escravidão, a qual apesar de ser absolutamente injusta para com a população negra, era legal no Brasil até 1889. Em uma sociedade democrática, as leis devem buscar a justiça e a equidade, ou seja, garantir os direitos individuais dos cidadãos. Esta, porém não é uma tarefa fácil, afinal, quem está no poder procura sempre garantir seus próprios interesses. Isso torna fundamental a participação de toda a população no processo democrático, questionando e fiscalizando as ações de seus governantes. Portanto, não basta apenas cumprirmos as leis que consideramos justas. Quando nos baseamos em princípios éticos, precisamos ter atitudes que garantam a justiça, refletindo e lutando para que as leis injustas sejam modificadas.

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Agir com justiça significa agir de acordo com o direito, garantindo que cada um tenha aquilo que é seu. Em outras palavras, não é o suficiente que todos tenham os mesmos direitos, o imprescindível é que cada um tenha os seus assegurados de acordo com as próprias necessidades. Pensemos no caso de uma família que estejam passando por uma crise financeira, na qual os pais se esforçam para que seus dois filhos, Pedro e Antonio tenham tudo o que precisam. Um dia a professora de Pedro diz aos alunos, que levem lápis de cor para fazerem um trabalho na próxima aula. Ele pede ao pai, que sai para comprar o material. Como Antonio está precisando de meias, seu pai decide comprar-lhe um par. Assim, embora tenha dado a Pedro e Antonio coisas diferentes, ele agiu de forma justa, pois garantiu os direitos individuais, não deixando de atender a nenhum deles, só que o fez de acordo com a necessidade de cada filho.

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Existem formas terríveis de injustiça, que estão presentes, não só em nossa sociedade, mas em todo o planeta. São aquelas que impedem a sobrevivência digna do ser humano, como a fome, a violência ou a miséria. Problemas complexos, que leva algumas pessoas a elaborar fórmulas simplistas para tentar justifica-los. Dessa forma, é fácil dizer que só os preguiçosos é que passam fome, esquecendo-se de que nem todos têm as mesmas oportunidades na vida, sendo que muitas vezes, fatos externos como desemprego, enchentes, etc. podem acontecer inesperadamente, deixando as suas vítimas em uma situação difícil.

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Outras vezes, as injustiças são causadas pelo preconceito. Como no caso da discriminação racial, por crenças religiosas, ou opção sexual. Quando somos preconceituosos, acabamos por agir de uma forma que impede o outro de exercer seus direitos, pois retiramos dele o princípio fundamental da igualdade. Assim, se uma pessoa tem preconceito racial, poderá agredir verbalmente um negro ou um judeu, negar-lhe um emprego, ou até, numa atitude extremista, procurar eliminar todos de sua raça da face da terra, como aconteceu no período do nazista, durante a segunda guerra mundial, quando os judeus eram levados a campos de concentração e depois assassinados. Podemos pensar que não se pode comparar o extermínio dos judeus com agressões mais simples como xingar alguém só por ser é negro ou pobre, mas na verdade, em ambos os casos a injustiça e o preconceito trazem consequências terríveis. O extermínio dos judeus é um exemplo dramático do preconceito humano, eles foram privados do seu direito de viver, dessa forma, o preconceito de Hitler, retirou deles a sua dignidade, impedindo-os de ter uma vida digna e plena. Claro que cada um tem o direito de manter suas próprias convicções, como achar, por exemplo, que o homossexualismo não é uma boa opção para si mesmo.

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Entretanto, ninguém tem o direito de escolher o que é certo ou errado, melhor ou pior para as outras pessoas, pois nesse caso, estaria negando a cada um o direito à liberdade e consequentemente, cometendo uma grave injustiça. Podemos perceber então que a justiça garante também a nossa liberdade, porém uma liberdade que deve ter como limite o direito do outro.

“É através deste momento que temos que refletir sobre a tolerância, sobre a aceitação, sem priorizar questões como religião ou raça. Precisamos fazer o mundo mais humano”. Gutfreind, presidente do ICJMC.

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A justiça é, portanto um conceito complexo, por isso é fundamental que cada um de nós formule, através de analises e reflexões, nossos próprios critérios do que é justo ou injusto, buscando sempre discuti-los com as pessoas com as quais convivemos, procurando assegurar os direitos de todos, através de acordos e concessões. Em outras palavras, se eu gosto de ouvir música em um volume muito alto, posso faze-lo em um horário que incomode menos as pessoas que convivem comigo, e não justamente quando meu pai está tentando assistir ao noticiário. Pode ser impossível acabarmos com todas as injustiças, porém, ao optarmos por atuar de forma consciente no meio em que vivemos, procurando soluções efetivas e conjuntas com outras pessoas para os problemas comuns, percebemos que as nossas ações podem ao menos modificar a realidade que nos cerca. É o que acontece, por exemplo, quando ajudamos um amigo em dificuldades ou combatemos a violência em nossa escola.

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A Solidariedade “O grande homem é silenciosamente bom... É genial, mas não exibe gênio... É poderoso, mas não ostenta poder... Socorre a todos, sem precipitação... É puro, mas não vocifera contra os impuros...” Huberto Rohden

Quando respeitamos os outros e agimos de maneira a garantir os seus direitos fundamentais, estamos sendo solidários. A justiça leva à solidariedade, pois ao nos indignamos e agirmos contra os atos ou situações injustas, estamos sendo solidários. Na verdade, a solidariedade implica em reciprocidade, ou seja, para sermos solidários é necessário que exista um vínculo moral que nos una a um determinado objetivo ou causa, assim só podemos ser solidários quando nos sentimos ligados ao objeto de nossa solidariedade. Quando falamos em solidariedade, pensamos logo nas campanhas contra a fome, ou para ajudar as vítimas de enchentes, terremotos, etc., mas existem muitas outras formas de solidariedade.

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Podemos ser solidários ouvindo os problemas de alguém que precisa desabafar; cedendo nosso assento no ônibus para um idoso; deixando de rir quando um amigo ridiculariza outro colega de sala, e muito mais. Vejamos uma situação específica, como a seca do nordeste, por exemplo, Existem diversas formas de sermos solidários com as suas vítimas. Colaborando em uma campanha de arrecadação de alimentos, sendo voluntário em programas que oferecem cursos profissionalizantes para aquelas populações, comprando peças de artesanato feitas por eles, buscando sugestões que ajudem a acabar com o problema da seca, e até votando em candidatos que tenham projetos para beneficiar aquela população. A participação solidária no espaço público tem por objetivo encontrar soluções para os problemas da comunidade e colocá-las em prática. Como no caso de um mutirão para limpar uma praça, da reciclagem do lixo em casa, ou mesmo de cursos de alfabetização dados por voluntários para os mais carentes. Todos nós precisamos de ajuda em diversos momentos da nossa vida, da mesma forma que todos temos capacidade de fazer alguma coisa que pode servir para ajudar alguém. Numa sociedade onde a ética impera, não podemos garantir que não haja dor nem injustiças, mas podemos esperar que as lágrimas e lamentos sejam ouvidos e que os problemas, na medida do possível, sejam solucionados. A Ética na Escola


O Diálogo “Se você disser tudo que quiser, Então eu escuto. Eu só vou falar, na hora de falar, Então eu escuto. Fala!” João Ricardo: Fala

O diálogo consiste em uma troca de ideias, opiniões, conceitos e experiências, para que ele ocorra, é fundamental tentarmos expressar o mais claramente possível, aquilo que pensamos e sentimos. Dialogar é falar com o coração sobre o que verdadeiramente estamos sentindo diante de determinada situação. Ao mesmo tempo, precisamos aprender a ouvir com atenção e refletir sobre o que o outro tem a dizer. Tão importante quanto aprender a falar, é aprendermos a dialogar, já que muitas vezes, convivemos e conversamos com os outros, mas não conseguimos dialogar com eles. Vejamos por exemplo o caso de Ângela, que um dia chegou da escola muito chateada, indo direto para o seu quarto sem conversar com ninguém. Sua mãe, que tinha trabalhado o dia inteiro estava preparando o jantar e decidiu ver o que havia acontecido com a sua filha. Chegando lá, perguntou o que houve e Ângela disse que tinha ido mal à prova de ciências. A Ética na Escola


Aí começou aquele sermão, onde a mãe dizia o quanto se sacrifica para que a filha tivesse condições de estudar, mas ela era uma preguiçosa que não se esforçava e precisava estudar mais, etc. Ângela não respondeu nada e sua mãe saiu triste e apressada, dizendo que o arroz estava queimando por culpa da filha. Percebemos que a mãe até procurou conversar com a filha ao perceber que havia algum problema, mas quando soube o que aconteceu, não quis ouvir mais nada e partiu para a imposição de seu ponto de vista, sem procurar descobrir os motivos da filha. Ângela, por sua vez, ao perceber a postura autoritária de sua mãe, não se preocupou em esclarecer a situação, explicando que estava tendo muita dificuldade para compreender a matéria. Assim o diálogo tornou-se inviável, e as duas não chegaram a nenhuma solução para o problema real que era a dificuldade que Ângela estava enfrentando para aprender a matéria, ficando apenas um sentimento de frustração, tanto na mãe quanto na filha. Quando dialogamos, estamos expondo nossas idéias, nossos valores e defendendo aquilo em que acreditamos, mas ao mesmo tempo precisamos permanecer abertos para ouvir os argumentos da outra pessoa e refletir sobre eles, revendo nossos pontos de vista e admitindo quando não temos razão. Portanto, para dialogar é necessário respeitar e valorizar tanto o nosso posicionamento quanto o do outro. A Ética na Escola


Nem sempre é possível chegar a um consenso, podendo existir mais de uma resposta válida para a mesma questão, por esse motivo é fundamental compreendermos que cada um tem o direito de manter suas próprias opiniões. Dessa forma, o diálogo pode ser uma arma poderosa, que nos permite transformar a nossa realidade, encontrando soluções para os problemas e resolvendo situações de conflito sem que seja imposta a vontade daquele que é mais forte ou tem mais poder. Refletindo sobre todos os valores analisados, é possível perceber que eles se interligam, complementando-se uns aos outros.

Assim, não podemos ser livres, justos, dialogar ou ser solidários quando não existe respeito. Ao mesmo tempo, é mais difícil respeitar aquilo que não conseguimos compreender, e só podemos compreender se refletirmos, nos colocando no lugar do outro. Colocando-nos no lugar do outro e agindo com ele da forma que gostaríamos que agissem conosco, seremos livres, solidários, justos, abertos ao diálogo e, consequentemente, estaremos sendo éticos. A Ética na Escola


Sugestões de atividades: Compreendendo na Prática o valor das leis e normas As leis e normas da nossa sociedade são códigos desenvolvidos para organizar e facilitar o convívio em grupo. Justamente por esse motivo, fica mais fácil compreender a sua função e validade quando percebemos de que forma podem nos auxiliar no dia a dia. Nada melhor para isso do que a prática dos “combinados”, que são códigos elaborados pelos próprios alunos para regulamentar o convívio em sala de aula. Esses “combinados” podem ser desenvolvidos desde a pré-escola, aumentando-se a complexidade de acordo com a faixa etária. Vejamos uma forma de construir um “combinado” que pode funcionar a partir do segundo ciclo do ensino fundamental:

1- Detectando os Problemas: Em primeiro lugar os alunos devem se reunir em pequenos grupos (sugerimos o máximo de cinco pessoas) para fazer um levantamento dos principais problemas que, na opinião deles, atrapalham o dia a dia na sala de aula. Seria interessante que cada um dos grupos fizesse um cartaz com todos os pontos que forem consenso para eles. 2- Debatendo as questões: A seguir, é importante que todos os pontos levantados sejam expostos para a sala, para que seja elaborado um quadro final que compreenda todos os problemas que devem ser solucionados. 3-Buscando Soluções: De volta aos grupos de origem, os alunos irão encontrar possíveis alternativas para solucionar os problemas apresentados, elaborando com elas um novo cartaz. A Ética na Escola


4- Votação do código: Mais uma vez a classe irá debater, desta vez sobre as soluções apresentadas, elaborando assim um código de conduta, o qual ficará combinado que todos tentarão seguir. Seria interessante que o próprio grupo estabelecesse uma punição para quem não cumprir o combinado, mas neste caso é importante que o professor cuide para que não seja imposto nada excessivo, vexatório ou prejudicial. Para isso, os professores de História e Geografia, podem abordar um breve histórico que demonstre desde a antiguidade as diversas formas de se elaborar e aplicar as leis, de acordo com a forma de governo utilizada -como a teocracia egípcia, a democracia grega, entre outras. Em seguida, é fundamental que os alunos compreendam como se faz e aplica as leis no Brasil, também aí se pode fazer um breve histórico, para depois esclarecer de que forma nós cidadãos participamos de todo esse processo. Os professores de Língua Portuguesa podem tratar do tipo de linguagem utilizado na elaboração das leis e a necessidade de serem escritas de forma a não permitir interpretações equivocadas. Ao mesmo tempo, os professores de Ciências Naturais e Matemática podem abordar as diversas Leis Naturais presentes no Universo e no pensamento lógico, traçando um paralelo entre esse tipo de lei e as leis da sociedade.

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Conheça as obras publicadas por Tania Queiroz: Quem tem educado as nossas crianças: pais, professores ou a mídia? Livro expõe com objetividade as novas e as antigas questões sobre a educação frente ao panorama atual

A tecnologia disponível nos dias de hoje invade a vida de todas as pessoas, e uma enxurrada de informações alcança crianças e jovens sem o devido filtro, sem explicações que as contextualizem, e muitas vezes até sem o conhecimento dos pais. Como educar em meio a tudo isso? O que pais, professores e educadores podem fazer para resolver todas essas novas questões em um mundo em ritmo acelerado de transformação? A educadora Tania D. Queiroz expõe em seu livro Educar, uma lição de amor - Como criar filhos em um mundo sem valores, a influência das mídias, da TV, do computador, da internet e dos jogos eletrônicos no desenvolvimento físico e psíquico de crianças e adolescentes, transfigurando pontos críticos referentes a educação. Recorda os tropeços, as frustrações, especulando sobre a culpa dos pais, que impede uma educação equilibrada sem distorções, com novos olhares, revelando, flagrando os conflitos, o estresse dos educadores, revelando de forma inédita os bastidores das escolas, tecendo relatos de casos verídicos. A Ética na Escola


Bibliografia BARBOSA, Bia. “A Natureza Contra-Ataca”. in revista Veja nº 15, ano 34, Editora Abril, São Paulo, 2001. BOFF, Leonardo. Ética da Vida. 2ª edição, Letraviva, Brasília, 2000. Novo Manual da Redação. 5ª edição, Folha de São Paulo, São Paulo, 1995. CAPELATO, Maria Helena R.. Imprensa e História do Brasil. Coleção Repensando a História, Editora Contexto/ Edusp, São Paulo, 1988. Di FRANCO, Carlos A. Jornalismo,ética e qualidade. Editora Vozes, Petrópolis, 1996. MARCILIO, Maria Luiza e RAMOS, Ernesto L.. ÉTICA NA VIRADA DO MILÊNIO: “Busca do sentido da vida”. 2ª edição, Coleção Instituto Jacques Maritain, editora LTr, São Paulo, 1999. SIMONS, Howard. “Poder e culpas da imprensa”. in jornal Folha de São Paulo, edição de 22 de junho de 1985. SINGER, Peter. Ética Prática. 2ª edição, Martins Fontes, São Paulo, 1998. VALLS, Álvaro, L.M.. O Que É Ética. Coleção primeiros passos, editora brasiliense, São Paulo, 1986

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