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Nº 631 SEMANÁRIO / 6ªf

António Figueiredo Diretor

€1 (IVA incluído)

16 MAI. 2014 PUB


Nº 631 SEMANÁRIO / 6ªf

António Figueiredo Diretor

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3ª Conferência

VISEU ECONÓMICO SUPLEMENTO

DE SENVOLVIMENTO, POLÍTICAS PÚBLICAS E PRÁTICAS EMPRE SARIAS

A Conferência Viseu Económico pretende promover o conhecimento dos fatores que afetam a competitividade económica, prever tendências e reconhecer casos de boas práticas empresariais.

P.10 SOBREVIVENTES DO CARAMULO

QUERO CONTINUAR A SER BOMBEIRO

P.48 VOUZELA

FALTA DE MATERIAL FECHA RADIOLOGIA P.8 VISEU

PRIMEIRO MOTEL À BEIRA DA A25

P.12 OLIV. DE FRADES

TOURADA POLÉMICA ANGARIA PARA A IGREJA

P.14 TONDELA

EMISSORA DAS BEIRAS COMEMORA 75 ANOS

P.17 VISEU

ESCOLA NA RUA DIREITA FICA EM ANTIGA EDP

P.56 DESPORTO

JOVENS DE VISEU NO NACIONAL DE RALICROSS

AO CENTRO P.4 / REGIÃO P.6 / ENTREVISTA P.45 / A ESCOLA P.52 / CULTURA P.54 / DESPORTO P.56 / OPINIÃO P.60 / CRÍTICA P.63 PUB


AO CENTRO

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Desafios para a reg ião de Viseu

CRE SCIMENTO ECONÓMICO NÃO SE FAZ COM MÃO -DE- OBRA BARATA Texto Sandra Rodrigues

TURISMO E FLORESTA SÃO AUTOESTRADAS GERADORAS DE RIQUEZA. A INTERNACIONALIZAÇÃO DAS EMPRESAS E A FORMAÇÃO DAS PESSOAS SÃO OS CAMINHOS PARA O CRESCIMENTO ECONÓMICO NO DISTRITO DE VISEU. AUTARQUIAS CRIAM INCENTIVOS PARA AJUDAR AO INVESTIMENTO

IMPORTAÇÃO / EXPORTAÇÃO

em Euros

ARMAMAR 7.482.138 / 214.944

S. J. PESQUEIRA 969.489 / 4.376.727

AGUIAR DA BEIRA 1.723.001 / 1.224.154

S. C. DÃO 9.141.669 / 12.203.885

CINFÃES 587.435 / 108.056

PENALVA CASTELO 147.759 / 799.243

CASTRO DAIRE 311.910 / 3.852.348

TABUAÇO 500.123 / 502.861

CARREGAL DO SAL 17.738.945 / 48.744.824

TAROUCA 14.627.984 / 2.090.069

LAMEGO 12.360.657 / 12.112.269

TONDELA 273.466.082 / 344.313.507

MANGUALDE 451.287.055 / 409.478.598

VOUZELA 12.716.861 / 20.817.406

MORTÁGUA 17.430.338 / 70.940.812

V. N. PAIVA 41.814 / 815.736

M. BEIRA 7.062.717 / 4.413.466

VISEU 99.912.970 / 80.287.141

OL. FRADES 81.932.932 / 141.933.643

NELAS 70.093.403 / 115.744.623

PENEDONO 46.318 / 1.326.428

TOTAL 1.095.096.110 / 115.744.623

RESENDE 2.019.287 / 1.198.229

Numa altura em que o enfoque é dado à internacionalização das empresas, o INE fez um levantamento do valor, em euros, do que os municípios importam e exportam. Cinfães foi o concelho que mais perdeu nos últimos dez anos e Resende o que mais cresceu. As conclusões podem ter várias leituras, uma vez que os indicadores podem referir-se a municípios onde apenas uma empresa tem um peso elevado na exportação. É o caso do Sátão.

SÁTÃO 750.926 / 9.626.045 SERNANCELHE 6.807.963 / 3761.106 S. P. SUL 5.936.334 / 6.149.408 16 MAI

O

crescimento, na região de Viseu, passará pela “integração em mercados internacionais concorrencionais” e não apenas nos mercados locais e nacional. O turismo e atividades ligadas à floresta e ao setor agro-industrial são caminhos que podem ser determinantes para gerar riqueza no distrito. Numa altura em que a globalização irá continuar a dar cada vez mais importância a factores como o conhecimento, as tecnologias e a inovação, é preciso que os principais setores económicos da região captem, por um lado, a atenção dos centros de investigação e desenvolvimento e, por outro, se insiram nos canais de distribuição internacionais. Num retrato sobre a economia no distrito de Viseu e com o futuro em perspetiva, o professor e relator do Conselho Estratégico de Viseu, Alfredo Simões, recorda que não é possível pensar em provocar o crescimento económico continuando a mobilizar mais recursos humanos ou mais recursos naturais. “Uns e outros são importantes mas só se a eles formos capazes de adicionar conhecimento e tecnologias geradores de novos produtos, com mais qualidade, e diferenciados”, refere. Alfredo Simões destaca que no distrito de Viseu tem-se já evidenciado essa experiência, havendo sectores em que isso se torna mais evidente. Como exemplo dá o norte do distrito e o setor do vinho, com realce para o vinho do Porto, sem esquecer o turismo. É, aliás, neste setor que se demonstra a diferenciação com a já significativa capacidade de atração de investimento e turistas, nomeadamente estrangeiros. Depois da industrialização ocorrida nos anos 90, estagnou o investimento externo. Agora, sustenta Alfredo Simões, é necessário voltar a captar novas iniciativas empresariais. “No entanto, não é desejável que essas iniciativas procurem os mesmos setores de há 20 ou 30 anos, de mão de obra barata e de fraco valor acrescentado”.

O turismo, já apontado, pode ser um setor desejável se seguir o caminho que o Douro parece ter traçado. Por outro lado, a região continua a dispor de bons trunfos como os setores ligados à floresta e às agro-indústrias mas para que se tornem em setores determinantes para a criação de riqueza a região tem de ser capaz de alargar no seu interior a cadeia de valor e não ser apenas fornecedora de materias primas. Segundo o professor no Instituto Politécnico, isso implica que a região crie e atraia mão de obra com formação, gestores e empreendedores qualificados. “A região tem, nestes aspetos, exemplos importantes que deveriam ser multiplicados”, recorda, mas lembra que as regiões e os seus principais agentes deveriam ter estas questões como centrais nos seus objetivos. Isso implicaria que existisse um plano concertado para o empreendedorismo, em todos os níveis de ensino; uma determinação para as empresas procurarem os estabelecimentos de ensino superior e estes entendessem as empresas e a economia como os destinatários mais importantes da sua ação; e os agentes políticos tivessem uma preocupação mais centrada na economia e nas necessidades de emprego e salários das pessoas e menos nas infra-estruturas e nos equipamentos. “Importaria agora que os setores industriais existentes subissem na cadeia de valor, continuassem a sua inserção nos mercados internacionais, e que novos setores pudessem instalar-se e desenvolver-se no distrito”, conclui Alfredo Simões, alertando que com a aproximação de um novo quadro comunitário “é a altura de a região se organizar no sentido de qualificar os agentes locais para a construção de projetos que favoreçam a internacionalização das empresas, a inovação e a formação das pessoas”.


AO CENTRO

5

É a altura de a região se organizar no sentido de qualificar os agentes locais para a construção de projetos que favoreçam a internacionalização das empresas, a inovação e a formação das pessoas

Autarquias “VIAS VERDES” PARA O INVESTIMENTO

Os municípios da região defrontam-se com a necessidade de encontrar mecanismos que ajudem à fixação de empresas. A localização geográfica junto de vias – rodoviária e ferroviária – é um dos pontos a favor de alguns concelhos com maior capacidade industrial e de atração de novos investimentos. Outros há que necessitam de oferecer mais valia para que os municípios se tornem apelativos. É o caso de Cinfães que, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), foi um dos municípios de Portugal que mais perdeu em exportações nos últimos dez anos e regista o dobro do desemprego nacional. Para inverter a tendência e atrair novos investimentos, a autarquia disponibilizou um milhão de euros para pagar salários aos trabalhadores de empresas que se instalem no concelho. A autarquia compromete-se a pagar seis meses de salário mínimo aos funcionários das empresas que se instalem desde que sejam contratados por três anos. Para contratos de trabalho por tempo indeterminado este apoio é majorado em 2 meses, ou seja, o município paga oito meses. A cedência de terrenos em áreas adaptadas ao investimento em causa, bonificação do preço de cedência de terrenos e realização de algumas obras de infraestruturas são outras das medidas concretas de apoio e de incentivo à atividade empresarial. O município concede ainda outros apoios, nomeadamnete isenções de taxas municipais nas obras de urbanização e edificação; benefícios fiscais nos impostos a cuja receita o município tenha direito e agilização da apreciação dos processos de licenciamento, com a disponibilização, por parte da Câmara Municipal de um gabinete de apoio à instalação de novos investimentos. A Câmara baixou também o custo do metro quadrado dos lotes do centro empresarial e tecnológico de Cinfães. Até aqui o custo por metro

ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO* / CONCELHO

quadrado era de 15 euros, custo que será reduzido para 1 euro no caso de investimentos que criem nove ou mais postos de trabalho. Em Resende, por exemplo, a autarquia decidiu apoiar a criação de emprego com um apoio não reembolsável até ao valor máximo de 10 mil euros extensível a um período de dois anos. Apoia ainda com custos relacionados com instalação, água, luz e comunicações. O concelho de Resende, por exemplo, foi um dos que, nos últimos dez anos, mais cresceu ao nível das exportações. Nos últimos dois anos as autarquias deram um impulso grande na criação dos gabinetes de apoio ao investimento ou aos empresários. Em Nelas, a câmara disponibiliza um gabinete – Unidade Empreende - que visa ser um meio prático de contacto com as empresas, empresários, jovens e desempregados. Este gabinete desenvolve ainda sessões informativas e ‘workshops’, que propiciem a partilha de ideias, experiências e competências, bem como o envolvimento e reflexão entre a classe empreendedora, desempregados e jovens. Em Viseu, arrancou também este ano o Gabinete do Investidor. Para além do serviço informativo às empresas, nomeadamente sobre oportunidades de investimento em Viseu, incentivos, indicação de localização adequada à instalação das actividades económicas, legislação aplicável e informação económica, o Gabinete disponibiliza ainda um apoio especializado às empresas. Quer através do acompanhamento de processos de investimento e na interlocução com autoridades e entidades relevantes, quer ao nível da tramitação de pedidos de licenciamento industrial, promoção de encontros empresariais e procura de parceiros e em iniciativas de expansão e internacionalização das empresas sedeadas no concelho.

VISEU

TAROUCA

NELAS

S. JOÃO DA PESQUEIRA

LAMEGO

MOIMENTA DA BEIRA

MANGUALDE

S. PEDRO DO SUL

MORTÁGUA

SÁTÃO

OLIVEIRA DE FRADES

CASTRO DAIRE

SANTA COMBA DÃO

PENALVA DO CASTELO

TONDELA

ARMAMAR

102,5 81,4

77,9

76,4

75,8 74,7

74,2

68,7

68,6

68,5 67,9

67,3 66,8 66,4

73,7

66

PENEDONO

RESENDE

AGUIAR DA BEIRA

CINFÃES

CARREGAL DO SAL

SERNANCELHE

VILA NOVA DE PAIVA

TABUAÇO

72,5 71,7

69,6

69,3

65,5

64,6 63,4 63,1

VOUZELA

68,7

* Rendimento bruto declarado em IRS / agregados passivos de IRS

16 MAI


REGIÃO

6

VISEU

APPDA SEM CONDIÇÕES PARA APOIO DA SEGURANÇA SOCIAL

GRÃO VASCO ASSINA CARTA DE INTENÇÕES

Texto Sandra Rodrigues

MUSEUS DEVEM FUNCIONAR COMO CASAS DE CULTURA DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS LIGA ESPAÇOS MUSEOLÓGICOS DE VISEU

O

Museu Grão Vasco, em Viseu, vai colocar numa carta de intenções as cooperações que está ou quer desenvolver com diversas entidades viseenses. No dia Internacional dos Museus, que se assinala a 18 de maio, são assinados protocolos com instituições de cariz social, cultural, religioso e artístico. “Sol id i f ic a mos desta for ma a s relações institucionais que temos vindo a promover”, refere o diretor do Museu Grão Vasco. Este ano a efeméride é subordinada ao tem a “mu s e u s : a s c ole ç õ e s cria m conexões” e, para Agost i n ho R ibei ro, e s s a s conexõe s surgem, precisamente, quando no trabalho em rede há “benefícios comuns para todos”. “O Museu n ã o é u m a i l h a e t e m d e s e r, sobretudo, uma casa de cultura e de acolhimento de produções criativas onde também cabe a reflexão e o debate”, salienta. Esta é uma das estratégias que o Museu Grão Vasco está a seguir para tentar recuperar o número de visitantes que perdeu nos anos de 2012 e 2013. O resultado não foi positivo, admite Agostinho Ribeiro, mas os números dos primeiros quatro meses deixam-no “moderadamente optimista”. “Os museus não estão fora das realidades conjunturais e, vivendo-se um momento de crise, os museus não f icam imunes e também se

16 MAI

ressentem. Por isso, a volta tem de ser dada com estratégias para que todos em conjunto consigamos alterar esta realidade com vista ao crescimento”, sublinha. FESTA DOS MUSEUS O Dia Internacional dos Museus comemora-se em Viseu com uma programação pensada entre o Museu Grão Vasco e os núcleos museológicos do município. A festa começa com a inauguração da exposição “A doce e ácida incição- gravura em contexto”. A exposição, patente até junho no Museu Grão Vasco, efetua um périplo pela atividade da Gravura – Sociedade Cooperativa de Gravadores Portugueses, apresentando um conjunto de 128 obras das mais significativas, editadas entre 1956 e a década de 1980. O teatro e a música também vão estar presentes com concertos na Igreja da Misericórdia, além de visitas guiadas a outros espaços museológ icos como os museus da Misericórdia, Tesouro da Sé e Capela dos Condes de Prime. Nos Museus de Varzea de Calde, Almeida Moreira, Coleção Arquológica Dr. José Coelho, Centro de Coordenação Cultural de Viseu decorrem ateliês e animações, com destaque para a performance que será feita pela Associação ZunZum. Nesta festa dos museus va i ser homenageado a título póstumo João

Osório Mateus, um “amigo” a quem é reconhecido o papel importante na dinamização e sustentabilidade do Grupo de Amigos do Museu Grão Vasco (GAMUS). MUSEU DO FALSO As 18h, 5 minutos e 4 segundos do dia 18/5/2004 a coleção do Museu do Falso visita o Museu Grão Vasco. Este projeto da Empório sai fora de portas para mostrar a história local e a criação contemporânea através de peças que, existindo, questionam o que é verdadeiro e o que é falso. O espólio tem a contribuição de mais de 20 criadores CASA DA RIBEIRA A Câmara Municipal de Viseu assinala o Dia Internacional dos Museus com a abertura da Casa da Ribeira. O edifício que alberga o Centro Municipal de Artes e Tradições foi alvo de uma requalificação e foi inaugurado em Setembro do ano passado. Todo o exterior do edifício foi recuperado, designadamente e reparação das caixilharias exteriores, cobertura e sistema de drenagem de águas pluviais, tendo sido ainda implementado um novo acesso ao exterior nas traseiras do imóvel, de modo a que esta possa vir a ser utilizada pelos visitantes do Museu. Os conteúdos são da responsabilidade do historiador Alberto Correia.

Fa lta de “condições de licenciamento” é a explicação dada ao Jornal do Centro (JC) pela Segurança Social, em resposta à falta de cooperação entre o Instituto da Segurança Social e a APPDA – Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolv imento e Autismo de Viseu. Na passada edição o JC contou que não havia qualquer protocolo de colaboração entre estas duas entidades. Contactada, a APPDA disse não saber qual a razão para que este apoio não esteja a ser prestado e a Segurança Social tinha remetido para mais tarde uma resposta. Segundo esta entidade pública, a APPDA não cu mpre os re qu i sitos ne c e s s á r ios pa r a usufruir do apoio financeiro, sendo as instalações um desses “incumprimentos”. “As instalações não têm as condições necessárias para que a APPDA seja apoiada através de protocolo de cooperação”, explicou a Segurança Social. As instalações da APPDA – Viseu, f icam no Departamento d e Ps i q u i a t r i a d o Ho s pi t a l S. Teotónio e resultam de um protocolo com o hospital, um espaço que estava inativo e que após a cedência das instalações foi alvo de diversas intervenções de adaptação e melhoramento, adequadas às atividades da associação, mas que, ao que parece, não foram suficientes para que cumpram todas as normas. Ao JC o Instituto de Segurança Social disse ainda que “o último cont ac to for ma l d a refer id a i nst it u iç ão com objet ivo d a formalização de um acordo de cooperação remonta a março de 2005”, desde aí, segundo o organismo, não foi feito mais nenhum contacto, não sabendo, por isso, “se neste momento já reúnem as condições para poderem usufruiu de apoio”. A APPDA foi constituída em Viseu em 2003 e, segundo Maria de Lurdes Correia, atual diretora da APPDA, desde então que “sobrevive dos donativos, quotas dos sócios e eventos que organiza”, estando à espera que a Segurança Social elabore um protocolo, assente, sobretudo, no apoio financeiro. – MC


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REGIÃO

8

OPINIÃO FIDALGO DE FREITAS Médico Psiquiatra

VISEU

Texto A. Figueiredo

PRIMEIRO MOTEL JUNTO À A25

“OS MÉDICOS E O VINHO”

Há d ia s , e ap ós u m a g r ad áve l j a nt a r nu m re s t au r a nt e da cidade, acompanhado por u m excelente v i n ho do Dão, fui mandado parar pela PSP, que genti lmente e para a lém de verificar a documentação, solicitou que fizesse o teste da Alcoolémia. Tinha bebido com moderação e como tal os valores indicados estavam bem longe dos limites legais. Dei-me então a pensar na relação difícil que nós médicos temos com o Vinho, diabolizado e responsável por ta ntos ma les (acidentes, violência, doenças, etc.), mas, estranhamente ou não, a grande maioria o consome. Afi nal, o Vinho tem uma história milenar, com uma forte raiz cultural e mesmo religiosa, e que paradoxalmente durante séculos, e a par do chá, foi das poucas bebidas saudáveis, a primeira pela fer v ura, e, o v inho pela fermentação, em contraponto à água potável, cuja ausência até há tempos recentes tantas epidemias causaram. Logicamente que muitos não podem nem devem beber, por razões de saúde, de idade, de profissão, etc., contudo e desde que não seja para matar a sede, o Vinho bebido com moderação, é um componente da nossa alimentação dos mais interessantes na nossa cultura. Saber o que se está a beber, encontrar num copo de Vinho a longa história que carrega, imaginar quem o fez e como o fez, saber apreciar as suas qualidades, é um ato de cultura e como tal de educação. Nos inúmeros eventos vínicos em que tenho participado, não me lembro já de ver a lg uém embriagado. Talvez fosse interessante, investir na educação dos nossos jovens, sobre esta história, sobre esta cu ltura, e sobre o modo adequado de o apreciar, e certamente podíamos evitar alguns lamentáveis exageros, e a moderação passasse a ser a norma. Este certamente não é o único caminho, mas talvez fosse um i nteressa nte desa f io pa ra a s Confrarias e outras Entidades ligadas ao Vinho 16 MAI

ENCOSTADO À AUTOESTRADA ABRIU O TERRA CÁLIDA. OS EMPRESÁRIOS ESPANHÓIS ESCOLHERAM VISEU PORQUE OS ESPAÇOS DO GÉNERO MAIS PRÓXIMOS SÃO EM AVEIRO OU EM ESPANHA. CONSTRUÍDO DE RAIZ, ESTÁ PREPARADO PARA QUE TUDO ACONTEÇA NUM AMBIENTE PRIVADO AO GOSTO DE CADA UM

P

rivacidade má xima e total discrição é o que prometem os responsáveis do Terra Cálida, primeiro motel da região de Viseu. Quem passa na A25, junto ao nó de acesso à cidade, pela chamada est rada de Nelas, d i f ici l mente se apercebe que do lado direito, de quem circu la no sent ido de Mangualde, há um prédio novo, de cores quentes, onde funciona o primeiro motel da região. “Mais p er to s ó em Avei ro”, re a lç a o gerente, para justificar a escolha de Viseu para os empresários espanhóis realizarem o investimento. A localização não foi feita ao acaso. Encostado à A25, sem necessidade de se circular em zonas urbanas, possibilita um acesso rápido a uma via com ligações a todos os pontos do país e a Espanha. O acesso, muito discreto, é feito por uma via secundária a partir da Estrada Nacional 321, mesmo junto à saída 18 da A25. Nada que um GPS não resolva de forma eficaz. CONFERÊNCIA O Jornal do Centro e a Gazeta da Beira, em parceria com a FNAC de Viseu, organizaram uma conferência sobre Liberdade de Imprensa. Participaram na sessão, da esquerda para a direita, Alfredo Maia, jornalista e presidente do Sindicato dos Jornalistas, Fernando Giestas, dramaturgo e ex-jornalista, Isabel Bordalo, jornalista, Carlos Camponez, investigador, e Carlos Matias, jornalista.

OBRA DEMOROU CINCO ANOS O edifício de dois andares, foi pensado, projetado e construído de raiz, para acolher o motel de três estrelas. Entre a compra do terreno, elaboração do projeto, licenciamentos e realização das obras passaram cinco anos. “Em Portugal é tudo muito difícil, parece que não querem cá empresários. Em Espanha fazia-se isto em três anos”, desabafa o responsável pelo empreendimento. No Terra Cálida tudo é novo, tudo cheira a novo . Os quartos, 21 no total, estão devidamente decorados para os clientes deste tipo de “hotéis”. “ Casais, namorados, pessoas que procuram novas experiências e algo novo”, refere o gerente tendo em conta a experiência de gestão de outras casas do género onde já trabalhou em Portugal e em Espanha. “Ao fim de semana são mais os namorados e casais jovens. Durante a semana são casais com mais de 40 , 45 anos”, refere. Todos os quartos têm banheira, com jacuzzi. Só alguns, os mais caros, têm o famoso varão de “Strip Tease”. As cores quentes são salpicadas com

frases que apelam ao romance: “ Tu serás para mim único no mundo... e eu serei para ti única no mundo”. ACESSO DIRETO DA RUA Os clientes não têm que sair do automóvel para entrar ou saír do motel. O acesso direto aos quartos é feito através das garagens individuais. No interior do edifício, não há zonas comuns onde circulem os clientes. Os corredores são para uso exclusivo dos funcionários que através de gavetões, sem contacto visual com os clientes, servem as bebidas e as refeições solicitadas. No final da estadia, com a conta paga, a porta da garagem pode ser aberta e a cancela levantada. Os clientes saem da forma como entraram. Ninguem os vê. “Aqui o que se vende é privacidade”, faz questão de realçar o gerente. O pre ç o de u ma e st ad ia , nu m quarto onde no máximo podem ficar quatro pessoas, varia nesta fase de lançamento, entre os 45 e os 240 euros.


REGIÃO

9

VISEU

Texto Micaela Costa

NO MERCADO TAMBÉM SE TROCA SOLIDARIEDADE PROXIMA FEIRA REALIZA-SE A 26 DE JULHO

“Está a ser muito bom. As pessoas entram no mercado e vêm as nossas coisas.” Catarina Dias

“Este é um mercado com ambiente mais tradicional. É diferente e melhor do que outros já realizados”

Fernanda Marisa Manuela Almeida

“Está a superar as expetativas. É ótimo ver que as pessoas aderem”. Leonor Lopes

(um dos membros da organização)

N

a “banca” de Fátima Costa, como em muitas outras, podiam-se trocar e comprar peças de vestuário, adereços e outros objetos. Mas quando o Jornal do Centro quis perceber o que motivava aquela professora a estar na primeira edição da feira “Indo Eu”, em Viseu, descobriu que as trocas afinal iam para além dos “trapos”. Ajudar um casal de professores que não foi colocado e que passa por algumas dificuldades financeiras era o grande motivo para que Fátima Costa, e muitos outros professores que se iam revezando, marcassem presença ao longo de

todo o dia no Mercado 2 de Maio. O evento, que decorreu no passado sábado, foi para muitos “um sucesso”, sobretudo para os mais de 70 participantes. A ideia era que quem quisesse, e que não fosse comerciante, montasse a sua banca e vendesse, ou trocasse, aquilo de que já não precisava ou até mesmo peças novas. Não faltaram inscrições e, para a organização, “superou as expectativas”. A história de Fátima Costa e o grupo de professores foi uma entre muitas outras que se iam descobrindo ao longo das filas de mesas de madeira. Os azulejos de Catarina Dias que continham símbolos de Viseu, as pul-

MEIA MARATONA DO DOURO

ARMAMAR PREPARADO PARA RECEBER TURISTAS Milhares de pessoas são esperadas para ver passar os cerca de 8 mil participantes da Meia Maratona Douro Vinhateiro. A prova realiza-se a 20 de maio ao longo da Estrada Nacional 222. Com 21 quilómetros, a prova terá início na Barragem de Bagaúste, avança pela linha do rio Douro e termina na Avenida do Douro no centro do Peso da Régua. Armamar é um dos concelhos que recebe a prova e que preparou um programa cultural e turístico para quem visitar o município. Em destaque vão estar as rotas da maçã de montanha e a

gastronomia com o cabritinho e o azeite de Armamar, dois produtos típicos deste concelho. Para António Martinho, presidente da Região de Turismo do Douro, “esta não é só uma prova desportiva, é um evento que está a internacionalizar o Douro”. À semelhança dos anos anteriores, a Meia Maratona do Douro tem a i nd a u m c a r i z sol id á r io, estando em preparação uma ação cujas receitas irão reverter para a Unidade de Pediatria do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.

seiras da filha mais velha de Manuela Almeida, que dividia a mesma banca com a amiga Fernanda Marisa ou o Carocha da amiga da Catarina. Não faltaram rifas, doces, peças vintage e amigos de amigos que ajudaram a que a banca “ficasse mais composta”. A opinião foi generalizada, entre quem vendia e quem comprava, todos acharam que esta era uma atividade para repetir e que para além de ajudar o artesanato, alertava consciências para o excesso de “tralhas” que se vão acumulando em casa e que podem perfeitamente ser vendidas, ou trocadas, por outras coisas que sejam precisas.

MERCADO REGRESSA EM JULHO A feira de sábado tinha como objetivo ser a primeira, como forma de teste, mas está já agendada uma próxima edição para dia 26 de julho. As regras são as mesmas: não ser comerciante, querer trocar ou vender objetos e artesanato ou simplesmente trocar afetos.

CINFÃES

BOMBEIROS COM PROJETO MAS SEM QUARTEL Os Bombeiros Voluntários de Cinfães continuam à espera de um novo quartel. O projeto tem mais de três anos, mas a obra ainda não avançou. Em 2012, Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, em visita ao concelho, prometeu o avanço do projeto, reconhecendo as necessidades urgentes daquela associação. Passados dois anos, “continuamos a ter um quartel com condições precárias”, afirma Miguel Madureira, comandante da corporação. A obra encontra-se em fase de concurso, mas o avanço do projeto depende do financiamento do

QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional). O município financiará o restante. No próximo dia 18 de maio, o atual quartel receberá o ‘9º Dia Distrital dos Bombeiros’. Segundo o comandante, as condições que têm neste momento “limitam muito a forma de organizar um evento destes”. A receção às entidades decorrerá na rua, frente ao quartel, por “não terem outro espaço para o efeito” e a sessão solene decorrerá na Câmara Municipal, precisamente por “falta de condições para acolher bem as pessoas”. – AL 16 MAI


REGIÃO

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Nuno Pereira

José Sabino

CARREGAL DO SAL

Texto e fotos C.António Pereira

SOBREVIVENTES DO INFERNO DO CARAMULO NO HOSPITAL DE SANTA MARIA, EM LISBOA, NUNO PEREIRA PERMANECEU 58 DIAS EM COMA INDUZIDO E MAIS SEIS MESES DE INTERNAMENTO. ESTEVE UMA SEMANA NO HOSPITAL DE SÃO TEOTÓNIO, EM VISEU, ONDE TEVE ALTA A 4 DE MARÇO DESTE ANO

N

u no Perei r a , 23 a nos , Bombeiro Voluntário de 2ª classe da Corporação de Carregal do Sal, chegou cedo ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, à Unidade de Cir urg ia Plástica. Foi observado e avaliado pela médica-cirurgiã, chefe da u n id ade . Após a lg u ns ex a me s complementares de diagnóstico seg iu-se ma is u ma cir u rg ia de reconst it u iç ão facia l, na z ona envolvente das pá lpebras e dos olhos. A mais sensível ao nível do rosto. A parte mais atingida dos 75% das queimaduras do corpo (do 1º e 2º graus) sofridas quando surpreendido pela violência das chamas, em São Marcos da Muna, Serra do Caramulo, no fatídico dia 29 de agosto de 2013. Um momento horrendo que matou dois jovens operacionais dos Voluntários de Carregal do Sal, Cátia Pereira Silva, de 21 anos, e Bernardo Cardoso, de 19. A violência das labaredas fustigadas por ventos contrários também at i ng i ra m com g rav id ade José Sabino, 21 anos, bombeiro de 3ª classe, condutor de um VLCI – Veículo Ligeiro de Combate a Incêndios, que ficou completamente calcinado. “O motor parou e não pegou mais. Só tive tempo de fugir e mesmo assim fui atingido pelo

16 MAI

“Mesmo que ardam mais 500 ou mil metros, não arrisquem, não vale a pena”

fogo”, lembra José Sabino. “Isto não é fácil”, desabafa Nuno Pereira, ainda abalado pela situação difícil que atravessa, ainda que mitigada pelo incondicional apoio desta famí lia, principa lmente do comandante Miguel Ângelo. “Tem sido incansável nesta fase de recuperação”, sublinha o sobrevivente. “O comandante tem estado sempre presente em todos os momentos”, adianta. Nuno Pereira relembra que “foi o comandante que contou o que se tinha passado com os companheiros” e adianta que teve todo o apoio da “excelente equipa da Unidade de Queimados de Santa Maria, pessoa l au xiliar, enfermeiros e médicos, nas fases melhores, mas sobretudo nas piores”. “Tenho sido muito bem tratado, tanto em Lisboa, como em Viseu”, garante Nuno Pereira. O bombeiro de Carregal do Sal diz que só em janeiro deste ano começou a recu-

perar e a ter consciência do que lhe tinha acontecido. “Nu nca pensei desist ir. Quero continuar a ser bombeiro, ajudar pessoas”, diz. Durante os próximos dois anos está impedido de combater incêndios devido às mazelas. “Depois, logo se vê ”, ad ia nta . “ Terei de avaliar a situação, antes de avançar de novo e decidir voltar a combater incêndios. Ser bombeiro é muito mais do que apagar fogos. Vou fazer serviços de saúde, acidentes, a l iás ten ho mu ito pa ra fa zer e outro tanto para dar a este corpo de bombeiros” acrescenta. Aos 23 anos, Nuno Pereira recusa o estatuto de herói, deseja apenas que a dura prova a que foi sujeito sirva de exemplo e de alerta a todos os operacionais deste país. “Mesmo que ardam mais 500 ou mil metros, não arrisquem, não vale a pena. Eu tinha experiência e …”, d e i x a a m e i o c o m o q u e recusando voltar ao terrível dia 29 de agosto. “Todos sabem quem sou. Conhecem-me bem!… Tentei ajudar os meus compa nheiros, mas não foi possível” diz, numa tent at iv a de exorc i z a r os fa ntasmas, as feridas internas mais profundas deixadas pelas marcas físicas que denunciam a gravidade do acidente.

A PAIXÃO DE QUEM VIVE E RESPIRA BOMBEIROS Aos 23 anos, Nuno Pereira recusa o estatuto de herói, deseja apenas que a dura prova a que foi sujeito sirva de exemplo a todos os operacionais deste país. O sobrevivente do inferno do Caramulo prefere fazer uma viagem à infância. Mais aliviado conta-nos como tudo começou. A partir do dia em que decidiu ingressar nos bombeiros. “Tinha apenas 14 anos e gostava muito disto. Como não podia sair e fazer serviços, fiz de tudo um pouco. Atendia telefones e fazia outras tarefas de apoio”. Aos 16 anos tirou o Curso de Socorrismo, aos 17 de Desencarceramento e aos 18 ingressava no Corpo Ativo como bombeiro de 3ª classe. “Até que cheguei a ser profissional desta casa”. “O Nuno sempre quis evoluir, apostou muito na formação, ele vive e respira bombeiros, tem formação e preparação”, garante o comandante Miguel Ângelo, um dos pilares deste jovem e orgulhoso soldado da paz. Com apenas 22 anos foi chamado a cumprir um dos mais duros desafios da sua vida. Superou-o. Mais do que um exemplo, é uma inspiração para os milhares de operacionais que servem nos quartéis dos Bombeiros de Portugal”.


REGIÃO

CASTRO DAIRE

SERNANCELHE

Texto Pedro Pontes

MONTEIRAS INVESTE NA NOSSA SENHORA DA OUVIDA COM NOVA IMAGEM E ESPAÇO ARRUMADO A ROMARIA À SENHORA DA OUVIDA É DAS MAIS ANTIGAS DA REGIÃO. ORGANIZADA PELA FREGUESIA DE MONTEIRAS E PELA POVOAÇÃO DE COLO DO PITO SÃO MILHARES OS ROMEIROS QUE TODOS OS ANOS PASSAM PELO ESPAÇO, ENVOLVENTE À CAPELA, QUE ESTÁ A SER REQUALIFICADO

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Nossa Senhora da Ouvida vai ter nova imagem na entrada principal da capela. Adquirida pela junta de freguesia de Monteiras, a imagem da santa vai ser colocada antes da romaria anual do mês de agosto. A imagem foi encomendada pela junta de freguesia ao escultor Luís Queimadela e vai ser construída em resina. “Terá uma dimensão adequada ao espaço, que já merecia tal devoção”. Para o presidente da junta de freguesia, “trata-se de disponibilizar na envolvente daquele espaço a imagem da santa como referência maior”. Para além da imagem da santa colocada na entrada principal do santuário, a junta de freguesia tem em marcha os trabalhos de arruamento e acessos no local. O parque que envolve a Senhora da Ouvida tem cerca de quatro hectares. Para além das árvores plantadas com vista à obtenção da sombra em agosto, o espaço disponibiliza ainda casas de banho públicas, pontos de água e um parque infantil. “Uma necessidade há muito sentida”. Para o presidente da junta de freguesia de Monteiras, Américo Silva, a colocação de mais de 1500 metros de lancis e 400 m2 de calçada “vai arrumar melhor o espaço, ordenando-o em conformidade”. Para a festa anual deste ano em agosto, todos os expositores vão ter melhores condições e maior visibilidade. Os arruamentos da Ouvida vão custar à junta de freguesia mais de 40 mil euros. Um orçamento sustentado em exclusivo pelos cofres da autarquia de Monteiras que pretende fazer da Ouvida

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Presidente da Junta de Freguesia de Monteiras – Américo Silva

um centro de passagem e de visita a devotos e forasteiros durante todo o ano. Para o autarca Américo Silva, o santuário com mesas para mais de 160 pessoas sentadas, “poderá marcar as rotas dos automobilistas e autocarros, uma vez que reúne as condições mínimas para os passantes”. No plano das construções, o presidente da junta de freguesia de Monteiras adiantou ao Jornal do Centro para breve a construção de “um quiosque temático”. Equipamento para disponibilizar produtos devotos da Senhora da Ouvida, mas também produtos do artesanato local. FEIRA ANUAL DE NOSSA SENHORA DA OUVIDA organizada na Freguesia de Monteiras, a feira da Senhora da Ouvida realiza-se a 3 de agosto, é uma das maiores feiras de ano no nosso País. De caráter religioso com romaria e novena, contando com missa campal e procissão, localiza-se junto à E.N. nº 2, no cruzamento em Monteiras, na ligação de Castro Daire a Lamego. De principais atrações e animações, não faltam as cantigas ao desafio, a corrida de cavalo e a luta de bois ou chegas, tradição de há muitos anos. Nas tasquinhas que existem na feira podem saborear-se os churrascos e a famosa posta de vitela Arouquesa. Em média “passam por aquela feira anual mais de 5 mil romeiros”.

CENTRO ESCOLAR PRONTO PARA ABRIR NO PRÓXIMO ANO LETIVO

O Centro Escolar do 1º Ciclo do Ensino Básico de Sernancelhe está pronto e vai entrar em funcionamento no próx imo ano letivo. Neste momento, segundo a autarquia, faltam apenas alguns pa receres, nomeada mente o da Autoridade Naciona l de Proteção Civil, para que tudo esteja concluído. C om u m i nve st i mento de 1,5 mi lhões de euros, este novo Centro tem cinco sa las, cozinha e refeitório que i r á t a mbém s er v i r a s crianças dos 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico que f requentam o estabelecimento mesmo ao lado do novo edifício. “Conseguimos assim uma grande poupança de recursos e financeiros”, atestou o presidente da autarquia. Uma das caraterísticas deste Centro Escolar reside no seu modelo de sustentabilidade energética. O edifício tem painéis solares e permite a recuperação de energia, sistemas mecânicos de reforço de ventilação, iluminação de baixo consumo e sistema de recolha de água para a rede de rega de espaços exteriores. O proje to d e a rqu it e t u r a é de Ada lber to Dias que considera este Centro como “um modelo de integração na paisagem, na relação com o espaço edificado envolvente, gerando atratividade para as crianças”. – SR

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REGIÃO

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OLIVEIRA DE FRADES

MANGUALDE

Texto José Ricardo Ferreita

TOURADA SOLIDÁRIA GERA POLÉMICA

ANTRAM INFORMA SOBRE DEVOLUÇÃO DE IMPOSTO ESPANHOL

RECEITAS DA CORRIDA DE TOUROS VÃO AJUDAR NA CONSTRUÇÃO DO CENTRO SOCIAL E PAROQUIAL DE S. JOÃO DA SERRA

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Espaço da feira de Oliveira de Frades

stá longe de ser pacíf ica a corrida de touros solidária a favor do Centro Social e Paroquial de S. João da Serra, que vai decorrer no próximo dia 25 de maio, em Oliveira de Frades. Nem o facto de as receitas reverterem a favor da instituição parece acalmar alguns habitantes do concelho. A ideia de promover a tourada foi de um “grupo de amigos de S. João da Serra”, a residir no Montijo, para ajudar a pagar as obras de construção do Centro Socia l e Paroquia l, que arrancaram em outubro do ano passado, contou ao Jornal do Centro o padre Luís Almeida, presidente da instituição. Apesar da causa, na rua e nas redes sociais há quem não se conforme. Paula Tavares, gestora da página de apoio a animais em perigo “Patinhas Lafões SOS”, que denunciou o caso na internet, desencadeando um coro de críticas à organização e a todas as entidades que apoiam o evento, diz ter ficado “incrédula” quando descobriu que ia decorrer uma corrida de touros em Oliveira de Frades, uma terra onde não existe tradição tauromáquica. No seu entender, podiam ser promovidas outras iniciativas para apoiar a instituição e não “este tipo de atividade”, que considera “um retrocesso”. Para Paula Tavares, o facto da tourada se destinar a uma instituição ligada à Igreja “até torna a coisa pior”, porque “quem acredita em Deus, sabe que não se deve fazer isto aos animais”. A moradora de Arcozelo das Maias defende por isso o cancelamento deste evento que “envergonha a região” e garante que existem outras pessoas contra a realização da tou16 MAI

rada, que até já falam em organizar uma manifestação de protesto. CÂMARA APOIA INICIATIVA PARA AJUDAR CENTRO SOCIAL Nos ú ltimos dias têm chegado várias reclamações à Câmara de Oliveira de Frades, uma das entidades que apoia a iniciativa, que de resto surge integrada na Feira de Maio, que o município organiza anualmente por esta altura. O presidente da autarquia, Luís Vasconcelos, até compreende que a corrida possa ser criticada, mas “gostava de ver essa gente que critica chegar-se à frente e dando o seu contributo para que a paróquia consiga angariar dinheiro para as obras do Centro Social”. Ainda segundo o autarca, a instituição está “com imensas dificuldades em conseguir as verbas necessárias e suficientes” para concluir este projeto “extremente necessário na freguesia”. PADRE COMPREENDE CRÍTICAS MAS ESPERA CASA CHEIA Ao padre Luís Almeida ainda não chegou qualquer tipo de contestação, mas o sacerdote não descarta que tal possa vir a acontecer. Apesar de tudo, o pároco espera que o público encha as bancadas da praça de touros, que vai ser instalada no espaço da feira de Oliveira de Frades, e por onde vão passar os cavaleiros Ana Batista, João Moura Caetano e Mara Pimenta, juntamente com dois grupos de forcados amadores, um do Montijo e o outro de Alcochete. “Este tipo de atividades não decorre muitas vezes na zona centro do país e tendo em conta este cariz solidário, esperamos que haja uma grande afluência da população”, referiu.

Nuno Serrano

Bruna Carvalho

Alcides Fernandes

Lurdes Correia

“Devia apoiar-se mais a cultura e o desporto que há na vila e na região e não aposta-se em cenas que são completamente banais e que há muita gente contra. Não va le a pena criar atritos com a população”. “Não percebo o porquê de existir isto agora aqui em Oliveira de Frades. Já houve outras situações do género de quererem arranjar dinheiro para fins sociais e nunca foram buscar essa opção”. “Não sou defensor dos animais, sou defensor das pessoas e para o benefício que é tudo bem. As aldeias estão a ficar com p e s s o a s mu ito velhas e precisam de quem olhe por elas”. “Alguma vez tinha que ser a primeira vez. Em muitos lados há tourada e aquilo dá nome à terra, portanto acho que está bem”.

A Direção Regional do Centro da Associação Nacional dos Transportadores Públicos Rodoviários de Merc ador ia s , A N T R A M , reuniu em Mangualde com as empresas associadas da região de Viseu para analisar alguns temas em que as empresas de transportes estão envolvidas. Um dos mais importantes foi a da garantia dada pela associação na prestação de apoio jurídico para que sejam devolvidas verbas que as empresas suportaram pelo “cêntimo sanitário”, uma taxa criada pelo governo espanhol. Trata-se de um pequeno imposto que incidia sobre os consumidores de combustíveis que teve início em 2002, em Espanha, e não foi adotado por todas as comunidades autónomas do país vizinho. Todavia, as empresas de transporte portuguesas, tal como outras que atravessavam as estradas espanholas, tiveram que pagar o “cêntimo sanitário”, que foi considerado ilegal pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. O “cêntimo sanitário” começou a ser eliminado até 2013 em todas as comunidades espanholas, mas a sua aplicação afetou centenas de empresas, oscilando entre 1,2 e 4,8 cêntimos por litro de combustível. A ANTRAM transmitiu às suas empresas associadas a forma como devem proceder para recuperar o referido imposto pago ao fisco de Espanha. Na reunião que a nova direção da ANTRAM na região centro promoveu com os seus associados (aparecendo mais renovada e com líderes de empresas como a Patinter, de Mangualde, e a JLS, de Viseu) foi também analisada a introdução de tacógrafos inteligentes, alterações ao novo Código da Estrada e a alteração da ecotaxa britânica.


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Conferência: “O Turismo no território da ADD: oportunidades de desenvolvimento” Apresentação dos resultados do estudo sobre a oferta e a procura turística na Região.

20 de Maio Anfiteatro do Edifício Multiusos de Nelas

PROGRAMA 14h:45 – Receção dos participantes 15h:00 – Sessão de Abertura Dr. José Manuel Borges da Silva – Presidente do Município de Nelas Sr. Francisco Lopes de Carvalho - Presidente da Associação de Desenvolvimento do Dão Dr. José Morgado - Presidente da CIM (Comunidade Intermunicipal Viseu Dão-Lafões) 15h:15 – Estudo sobre a Oferta e Procura Turística no território da ADD Resultados do Estudo, um novo instrumento de apoio ao desenvolvimento do turismo - Sociedade Portuguesa de Inovação – Drª. Sónia Bento/ Drª Susana Loureiro Apresentação de novos elementos de comunicação – site e brochuras/roteiros – Drª Sónia Bento/ Drª Susana Loureiro - SPI Moderação: Associação de Desenvolvimento do Dão – Drª Sofia Relvas (Vereadora Município de Nelas) 15h:45 – Mesa Redonda – Desafios para o sector do turismo no território da ADD Prof. Joaquim António Marques Bonifácio – Presidente da Câmara Municipal de Aguiar da Beira Dr. João Nuno Gonçalves Azevedo – Presidente da Câmara Municipal de Mangualde Dr. José Manuel Borges da Silva – Presidente da Câmara Municipal de Nelas Sr. Francisco Lopes de Carvalho – Presidente da Câmara Municipal de Penalva do Castelo Dr. Alexandre Manuel Mendonça Vaz – Presidente da Câmara Municipal de Sátão Moderação: Associação de Desenvolvimento do Dão – Dr.ª Sofia Relvas (Vereadora Município de Nelas) 16h:30 – Debate com participantes institucionais: CIM, Centro Regional das Beiras – UCP, CCDRC, CVR Dão, Turismo do Centro, Diocese de Viseu, Universidade de Aveiro, CESAE, Federação Minha Terra, outras entidades do sector. 17h:15 – Sessão de Encerramento Dr. Pedro Machado - Presidente do Turismo do Centro de Portugal Dr. José Alberto Ferreira – Vice-Presidente CCDRC – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro Dão de Honra – Um Dão, Cinco Sabores

Participação gratuita | Inscrições para – add@mail.telepac.pt Para mais informações T. 232 642 632


REGIÃO

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LAMEGO

TONDELA

MUSEU DEVOLVE MEMÓRIAS DE ESCOLAS ANTIGAS

Texto Sandra Rodrigues

“QUANDO O TELEFONE TOCA” A MÚSICA PEDIDA É DEDICADA AOS 75 ANOS DA RÁDIO

FOI A 13 DE MAIO DE 1939 QUE SE DEU INÍCIO A UMA DAS RÁDIOS MAIS ANTIGAS DE PORTUGAL

“S

e artigos de ourivesaria quer comprar à ourivesaria (...) se deve deslocar”. Esta foi a frase que os ouvintes da Rádio Emissora das Beiras disseram para pedir discos no programa “Quando o Telefone Toca” no dia em que a rádio fez 75 anos (13 de maio). É uma das rádios mais antigas de Portugal e o programa o líder de audiências que está no ar há tantos anos como os que a rádio tem. No dia de aniversário, as dedicatórias dos ouvintes foram todas para a rádio. “Sem ela, se temos solidão, mais solidão tínhamos”, disse a D. Cristina, de Penalva do Castelo, ao deixar a sua dedicatória. A Rádio Emissora das Beiras emite a partir do coração do Caramulo há 75 anos. Foi a 13 de Maio de 1939 que o projeto nasceu na frequência em onda média de 1460 kilohertz e com o nome Rádio Pólo Norte - Emissora das Beiras. Hoje, o slogan “Emissora das Beiras” ouve-se em 91.2 FM stereo. A celebrar as bodas de diamante, a rádio pa ssou por a ltos e ba i xos e chegou a fechar na década de 80 para voltar a abrir e continuar a ser a companhia diária e líder de audiências na região Interior Norte do País. A história da Rádio Emissora das Beiras está unida aos sanatórios do Caramulo. O fundador, um homem ligado à Rádiodifusão, estava no Caramulo a curar-se de uma tuberculose. Como o período de estadia era longo, decidiu juntamente com outros colegas internados criar uma rádio que lhes fizesse companhia. Foi assim que se manteve até ao ano de 1979, altura em que um grupo de Comunicação Social ligado

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ao primeiro de Janeiro a adquiriu. Passou a chamar-se Clube do Centro – Emissora das Beiras. Um projeto que “era muito ambicioso e que não deu certo”, conforme explicou o atual diretor da Rádio, Lopes da Rosa. Foi a partir de meados da década de 80 que da frequência 1460 apenas se ouviu o silêncio... Até que chegou o ano de 1989 e o “boom” das rádios locais. “Foi então que eu e outras pessoas dos quadros da extinta Rádio Clube do Centro que se encontravam na situação de desemprego, todos residentes no concelho de Tondela, resolvemos concorrer à frequência modelada 91,2 FM stereo e ganhámos”, recordou Lopes da Rosa. Desde essa altura, a rádio – que chegou a chamar-se Ao Tom Dela – não mais se calou. “Continuamos a ser uma rádio independente e beirã”, sublinhou o diretor . “Estamos a fazer 75 anos, mas não o fazemos com muitas euforias. Vamos continuar e sempre fiéis aos nossos princípios”, desejou Lopes da Rosa. PROGRAMAS E FESTA “Quando o Telefone Toca” e “Bola de Neve” são dois dos programas com maior audiência na Rádio Emissora das Beiras. Desde a sua fundação, em que os ouvintes enviavam cartas a pedir músicas, até aos dias de hoje em que o telefone é o meio utilizado, estes programas são a companhia diária de uma estação que conta com os seus ouvintes “sócios”. E é a eles que a festa de aniversário (18 de maio) é dedicada. No hotel do Caramulo vão estar Mara Pedro, António Albernaz, Gabriel, Celso Coelho e Carla Maria.

Mapas mundo, sólidos geométricos, crucifio, vara, palmatória e tantos outros objetos que os mais novos não conhecem por viverem num tempo de escolas modernas e centros escolares tecnologicamente apetrechados, vão poder agora ser conhecidos e relembrados pelos mais velhos, graças ao Museu Pedagógico que nasceu em Lamego, mais propriamente na aldeia de Avões. Depois de ter encerrado portas em 2006 a escola primária de Avões de Lá volta a entrar em funcionamento mas desta vez apenas para recordar como eram as escolas de antigamente e como as gerações mais antigas aprenderam o que hoje se ensina, mas de outra maneira. Segundo Francisco Lopes, presidente da Câmara Municipal de Lamego, “o objetivo deste novo museu foi reunir o espólio de outras escolas que ao longo dos tempos foram encerrando para dar lugar aos Centros Escolares”. “Preservar a memória do ensino escolar, através da replica do ambientes de uma sala de aula antiga e até do próprio projeto educativo”, foram outras das razões que levaram a autarquia a apostar num projeto que “não teve grandes custos, uma vez que foi apenas necessário pintar e dar alguma manutenção ao espaço”, frisou Francisco Lopes. Para o autarca, esta é uma ideia que espera ver ainda mais desenvolvida. “Com a ajuda do Museu de Lamego esperamos que aquele espaço ganhe outra consistência museológica e que não seja apenas um local de visita dos locais”. O Museu Pedagógico, para já, está apenas virado para as visitas de grupo e curiosos do concelho de Lamego, mas espera-se que posteriormente abra portas com horários de visitas, habituais num qualquer museu”. João Mendonça, um dos mentores da ideia e que deu também uma ajuda na restauração de alguns objetos, disse ao Jornal do Centro que este é um projeto que “pode e deve crescer com a ajuda de outras escolas que tenham material que já não seja utilizado e até dos próprios privados”. – MC SÃO JOÃO DA PESQUEIRA

CONSULTA ESPECIALIZADA AJUDA A ACABAR COM OS VÍCIOS O município de S. João da Pesqueira disponibilizou uma consulta especializada de intervenção para pessoas com problemas aditivos, nomeadamente os que estão associados ao consumo de álcool. Uma iniciativa do departamento de acção social e cultural da autarquia local. A consulta é dirigida a jovens e adultos em que o consumo de álcool ou outras substâncias aditivas originam problemas sociais, familiares e laborais. “Ajude-se a si e ajude os outros a ajudá-lo” é o mote desta iniciativa que pretende sensibilizar as pessoas a darem o primeiro passo na procura de ajuda. O consumo exagerado de álcool está nas preocupações das entidades, numa altura em que um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que a média de consumo de álcool em Portugal desceu de 14,4 para 12,9 litros per capita entre 2003 e 2010, mas continuava acima da média europeia de 10,9 litros. Portugal mantém-se entre os 10 países da Europa com mais consumo de álcool médio por pessoa, numa lista com 44 países. No que respeita à prevalência de distúrbios ligados ao álcool e a situações de dependência, Portugal surge abaixo da média europeia.


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Lurdes Correia


REGIÃO

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SANTA COMBA DÃO

FILARMÓNICA ALCANÇA 2º LUGAR EM CONCURSO INTERNACIONAL

2 mil euros para quem aderir ao PINAF Foto DR

MORTÁGUA

Texto C.António Pereira

PROGRAMA DE INCENTIVO À NATALIDADE SUBSTITUI CONTA CRESCENTE JOVEM

CÂMARA MUNICIPAL DE MORTÁGUA CRIA NOVO PROGRAMA DE INCENTIVO À NATALIDADE E DE APOIO À FAMÍLIA QUE SUBSTITUI O ANTERIOR E AGORA EXTINTO CCJ – CONTA CRESCENTE JOVEM

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novo “PINAF” – Programa de Incentivo à Natalidade e Apoio à Família visa ajudar jovens casais, principalmente os mais carenciados, através de benefícios pecuniários que permitam facilitar a qualidade de vida e evitar o envelhecimento da população. O benefício deste novo programa é imediato. Já o antigo programa, designado pelo anterior executivo do PS por CCJ – Conta Crescente Jovem, destinava-se a apoiar jovens nascidos e registados em Mortágua. A Conta Crescente Jovem consistia num depósito anual de 100 euros ao longo de 18 anos. Ou seja, o benefício do candidato não era imediato, mas sim ao fim de completar a maioridade. Na prática, a Conta Crescente Jovem funcionava como uma conta a prazo. Só ao fim de completar os 18 anos é que o jovem tinha acesso ao valor depositado na sua conta. Após este período de tempo, é que o jovem beneficiário poderia levantar uma quantia superior a 2000 euros, devido à capitalização de juros anuais. No fim de contas, a Conta Crescente Jovem funcionava também como um incentivo à natalidade. NOVO INCENTIVO À NATALIDADE TEM BENEFÍCIOS IMEDIATOS O novo “PINAF” proposto pela Câmara Municipal de Mortágua e aprovado por unanimidade na última reunião do executivo de maioria PSD, corresponde a um valor de 2 mil euros e abrange ainda a adoção de crianças até aos seis anos de idade.

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O incentivo abrange todos os recém-nascidos registados no concelho, entre 1 de janeiro de 2014 e 31 de dezembro de 2017. O valor definido por esta medida, surge dividido em duas prestações, com o nascimento da criança e no seu primeiro aniversário. A primeira prestação, no valor de mil euros, será atribuída em duas tranches distintas. A primeira tranche de 500 euros será depositada numa conta bancária em nome do(s) requerente(s), ou em nome da criança beneficiária. A segunda tranche de 500 euros será atribuída pelo Município a título de reembolso de despesas realizadas em estabelecimentos comerciais do concelho, em bens, ou serviços considerados indispensáveis ao desenvolvimento da criança, nomeadamente despesas com frequência de creche ou similar, consultas médicas, medicamentos, artigos de higiene, puericultura, mobiliário, alimentação, vestuário e calçado. Para o reembolso basta apresentar os documentos comprovativos (fatura/ recibo, recibo ou venda a dinheiro), com a s de spe s a s de v id a mente discriminadas. As despesas efetuadas nos três meses anteriores ao nascimento da criança e/ou à data de apresentação da candidatura, ou até aos 24 meses após o nascimento ou adoção, também são consideradas. A segunda prestação, de mil euros, é atribuída um ano após o nascimento, ou adoção da criança, e nos mesmos moldes da anterior.

COMO FAZER O PEDIDO DE ACESSO AO INCENTIVO À NATALIDADE O pedido de atribuição do incentivo deve ocorrer nos seis meses após o nascimento ou adoção da criança, nos Serviços de Ação Social da Câmara Municipal, mediante o preenchimento de requerimento/ formulário e junção de documentos comprovativos: (BI ou Cartão de Cidadão dos requerentes); Número de Identificação Fiscal (NIF) dos requerentes; cópia da certidão de casamento ou declaração da Junta de Freguesia que ateste que os requerentes vivam em união de facto; declaração da Junta de Freguesia que ateste a residência dos requerentes na área do Município; declaração da Junta de Freguesia que comprove o recenseamento dos requerentes; cópia do boletim de nascimento ou documento comprovativo do registo da criança; cópia do Cartão de Cidadão da criança. O Comércio Local também vai beneficiar com a medida “que se insere na preocupação do Município no âmbito das políticas de desenvolvimento social e particularmente no apoio às famílias e aos jovens casais, que se debatem hoje com graves dificuldades”.

Em 200 anos de história, a Filarmónica de Santa Comba Dão nu nca t in ha pa r t icipado em qualquer concurso de bandas. Foi a primeira vez que aconteceu e logo com um 2º lugar num Concurso Internacional de Bandas. O 5º realizado pelo Ateneu Artístico Vilafranquense, em Vila Franca de Xira, que rec ebeu c erc a de 4 0 ba nd a s e orquestras f i larmónicas sujeit a s a ava l iaç ão por u m júri internaciona l composto pelo maestro Délio Gonçalves (Director Artístico da Banda da Armada); pelo músico e compositor holandês Jo Conjaerts; a compositora e directora de orquestra, a italiana, Kyara Vidoni; o maestro austríaco Karls Ho l s n e r e a i n d a o m a e s t r o Alberto Roque. A Filarmónica de Santa Comba Dão é constituída por 51 elementos que tocam todos os instrumentos de sopro e percussão, a que se junta um instrumento de cordas: o violoncelo. A banda santacombadense é dirigida pelo maestro Samuel Pascoal, de 28 anos, compositor residente da Ba nda da Armada (Ma rin ha Portuguesa). A Filarmónica de Santa Comba Dão participou com três obras. A primeira obra (designada por interpretação de aquecimento) foi a “Marcha Everest” do compositor holandês Jacob D’Haan; seg uiu-se a obra obrigatória “Columbus” do compositor belga Benoit Chantey e ainda uma obra de livre escolha intitulada “ALTAIR” do compositor austríaco Gerald Oswald. S e g u ndo o m a e s t ro S a mue l Pascoal, neste tipo de trabalho produzido por pequenos grupos amadores “o que conta é o trabalho desenvolvido e a motivação extra dos músicos”. “Este prémio é um reconhecimento do trabalho efectuado, que nos traz responsabilidades acrescidas, ao elevar a fasquia para patamares elevados e que exige trabalhar com mais empenho e dedicação”, concluiu Samuel Pascoal, maestro da Banda de Santa Comba Dão. – CAP


REGIÃO

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2PLAY

VISEU

Texto A. Figueiredo

ESCOLA NA RUA DIREITA VAI OCUPAR ANTIGO EDIFÍCIO DA EDP JÁ ESTA DEFINIDO O LOCAL PARA RECEBER A PRIMEIRA ESCOLA DO CENTRO HISTÓRICO. A AUTARQUIA NÃO QUER DEIXAR VAZIO O ESPAÇO QUE ERA OCUPADO PELA EDP

U

ma escola ligada à área da formação profissional vai ser instalada na Rua Direita, em Viseu. O futuro estabelecimento de ensino, destinado a jovens adolescentes, vai ocupar o espaço onde funcionou a EDP. Nesta altura estão a decorrer negociações, conduzidas pela autarquia, entre o Montepio Geral, proprietário do edifício, e a entidade, que por enquanto não é revelada, que por lá vai instalar o estabelecimento de ensino. As negociações devem ficar concluídas durante este mês de maio. A instalação de um estabelecimento de ensino na Rua Direita tem sido apontada, pela autarquia, como uma das estratégicas para reanimar o centro da cidade. Colocar em

f u nciona mento u ma escola do pré-escolar ou do primeiro ciclo no Centro de Recrutamento do Exército, antigo DRM, foi uma das primeiras hipóteses a ser ponderada ainda pelo anterior executivo municipal. Com a saída dos serviços da EDP para Repeses, no final de 2013, a autarquia procurou de imediato uma ocupação para um espaço que ficou vazio e que levasse mais gente para o centro histórico. Segundo o município, o prédio pertencente ao Montepio, mas tem as condições naturais para lá funcionar uma escola. Na estratégia de levar mais pessoas para o centro histórico a autarquia já anunciou a instalação de serviços do município na antiga A 2Play+, empresa de comunicação e multimédia, está assinalar o 5.º sede do Orfeão de Viseu, que está a aniversário. Organizou um business drink, uma tertúlia e uma sessão de ser recuperada. audiovisual, na ESEV – Escola Superior de Educação de Viseu PUB

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PENEDONO

Texto Micaela Costa

MIL ANOS DE HISTÓRIA DO CASTELO EM LIVRO

MARCAS QUE VÃO DESDE O SÉCULO X AO SÉCULO XX, ESTÃO AGORA DOCUMENTADAS NO LIVRO QUE VAI SER APRESENTADO DOMINGO, NO INTERIOR DO CASTELO

S

abia que Marcelo Alves Coutinho, pai de Álvaro Coutinho, o conhecido “Magriço”, prendia servos do bispo de Lamego para depois pedir av ultadas quantias e que, para isso, usava, por exemplo, a matança do porco no castelo de Penedono? Estas e outras histórias vão poder ser agora conhecidas graças a uma pesquisa que durou quase d e z a n o s e q u e r e s u l t o u nu m livro. “Castelo de Penedono - Mil anos de história” é uma obra da

Capa do livro “Castelo de Penedono Mil anos de história”

autor ia de João Fonsec a e que em 192 pág i nas e 154 i magens cont a e de s vend a os rec a ntos , as marcas e as histórias do maior símbolo das memórias dos penedonenses. João Fonseca, natural de Penedono, recolheu toda a informação que “estava espalhada, de norte a sul do país em vários arquivos” e reuniu marcas que vão desde o século X ao século XX. Outra das descober tas deste historiador são as linhas ameadas

do castelo que existem, no mesmo sítio, desde o século XI. “Ao longo de to d a a p e s qu i s a f u i enc ontrando pormenores que sempre lá estiveram mas que ninguém se apercebeu. E esse foi o principal objetivo, mais do que contar as histórias que toda a gente conhece, foi descobrir o que poucos ainda sabem”, explicou ao Jornal do Centro João Fonseca. Para o autor o l iv ro pretende i r ma is a lém. “O Castelo tem vários pontos de vista, não são só as lutas que lá se

XII ANIVERSÁRIO CONFRARIA O embaixador do Brasil em Portugal participou, em Viseu, no XII aniversário da Confraria dos Saberes e Sabores da Beira Grão Vasco.

Mário Vilalva, embaixador do Brasil, Almeida Henriques, presidente da CMV, e José Ernesto, almoxarife da confraria 16 MAI

travaram. Procurei abordar o lado judicial, social e económico”. “Castelo de Penedono - Mil anos de história”, que vai ser apresentado pela primeira vez domingo, dia 18, precisamente no interior do castelo, “é o primeiro estudo monográfico do Castelo. Um espaço que pela sua dimensão história e importância na região, merece ser documentado de outra maneira”, frisou.

SÁTÃO

MUSEUS EM FESTA Para assina lar o Dia Internaciona l dos Museu s (no dom i ngo, d ia 18), a aut a rqu ia de Sátão está a organizar várias atividades nos museus do concelho. O Museu de Gu l fa r, sit uado na loc a l id ade de Dou ro C a lvo (Un ião d a s Freg uesia s de Romãs, Decermilo e Vila Longa) terá visitas guiadas das 10h00 às 12h30 e todos os participantes vão ter a possibilidade de apreciar a riqueza da arqueologia do concelho de Sátão, onde estão ex postas a lg u mas das peç as da pré-história. Já o Museu Camila Loureiro, situado na Rua Professor Lúcio de Almeida (antiga cadeia), n a v i l a de S át ão, ter á v i sit a s g u i ad a s d a s 14 h 0 0 à s 16 h 3 0 e o s v i s it a nt e s t ê m à s u a disposição uma exposição permanente da artista Camila Loureiro, constituída por nove esculturas em gesso e barro cozido com aplicação de patine, três gravuras, três acrílicos s/ papel e vinte e quatro pinturas óleo s/ tela.


3ª Conferência

VISEU ECONÓMICO

DESENVOLVIMENTO, POLÍTICAS PÚBLICAS E PRÁTICAS EMPRESARIAS

SUPLEMENTO

Organização CERV - CONSELHO EMPRESARIAL DA REGIÃO DE VISEU JORNAL DO CENTRO

APOIO

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Jo ã o Cot ta P res idente do CERV

NÃO QUEREMOS MAIS RE SGATE S A sustentabilidade da saída “ limpa” de Portugal depende de dois factores inter-relacionados: competitividade empresarial e a consistência e qualidade das políticas públicas. Pouco fizemos em termos de reformas estruturais mas as empresas, pelo contrário, têm sido o motor da mudança que parece estar a ocorrer na economia Portuguesa. As empresas da Região de Viseu têm problemas comuns a todas as empresas Portuguesas mas por outro lado têm factores de contexto específicos, que influenciam a sua competitividade. Factores de competitividade nacionais. Os de maior relevo são a falta de consistência das políticas públicas, o escasso e caro financiamento às empresas, o Estado gerador da carga fiscal pesada, a organização administrativa do estado, mão-de-obra barata, a baixa qualificação dos Portugueses, falta de concorrência efectiva nas energias e comunicações, os prazos médios de pagamento e por último as características das PME´s. Temos de ter consistência das nossas políticas públicas, que têm de ser estáveis e previsíveis. Políticas de longo prazo são geradoras de confiança e de atractividade do investimento e de capitais. São por isso fundamentais para podermos ter empresas competitivas e crescimento económico sustentável. O financiamento em Portugal é caro, escasso, com prazos muito curtos, sobretudo para grandes investimentos industriais. Isto acontece, fruto do rating do País, da situação frágil de alguns bancos e do peso acrescido do risco na avaliação dos financiamentos. As empresas Portuguesas têm uma frágil estrutura de capitais próprios, têm financiamentos mais caros do que as concorrentes europeias o que afecta muito a sua competitividade e capacidade exportadora. O Estado é um voraz consumidor da receita nacional, que se alimenta da carga fiscal tremenda. Temos de consolidar as despesas públicas, ter um estado eficiente e eficaz, reduzir a carga fiscal sobre as empresas, favorecendo a sua capitalização. O investimento público tem de ser focado em projectos com valor acrescentado indiscutível. A mão-de-obra barata é um factor de baixa competitividade. O baixo salário mínimo é um incentivo ao não investimento na modernização e na qualificação. Um país com mão-de-obra barata é geralmente um país de baixa produtividade. Apesar dos progressos realizados, continuamos a ter um nível de qualificação baixo. A educação e qualificação são prioridades fulcrais. A formação profissional ao longo da vida, a ligação ensino-empresas, a qualidade do ensino, a importância da fluência em inglês e espanhol, a investigação aplicada, a adequação da oferta às necessidades

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do mercado, são indispensáveis ao aumento da produtividade e à melhoria dos salários. A reforma administrativa do Estado e a simplificação de processos a nível nacional e local é factor de competitividade. Licenciamentos mais rápidos, melhorar o funcionamento da Justiça, a definição de políticas ambientais compatíveis com a realidade económica são indispensáveis para a competitividade do tecido empresarial. É necessário assegurar concorrência efectiva nos mercados da energia e das telecomunicações. O peso do custo da energia é hoje um problema muito grave, sobretudo para o sector industrial. Os prazos de pagamento muito alargados afectam muito a nossa competitividade, como prova o estudo da ACEGE. O pagamento do Estado às empresas a tempo e horas permitiria introduzir enorme liquidez nas empresas. O pagamento a fornecedores, dentro dos prazos contratados, deve ser factor de preferência e de prestígio das empresas. Existem várias características das PME´s Portuguesas e dos empresários que afectam muito a sua competitividade: dimensão, gestão e capacidade de associação. As PME´s têm em geral menor produtividade por trabalhador do que as suas congéneres europeias. O problema não é nº de horas trabalhadas mas o baixo valor acrescentado do que produzimos e a organização dos processos de trabalho. O efeito da menor dimensão tem expressão nas PME´S que têm, em geral, menor capacidade financeira, gestão menos apurada e menos recursos para investir em estruturas próprias de I&D. Os empresários têm qualificação baixa, são “ apaga fogos”, dedicam pouco tempo à gestão, são individualistas, acreditam pouco na sua qualificação e dos seus colaboradores. As empresas em Viseu enfrentam os mesmos problemas e outros específicos. Para termos empresas abertas ao mundo, é necessária a disponibilidade generalizada do acesso à Internet, em banda larga, a preços competitivos. Em Viseu, o custo da logística é crucial para as empresas, sobretudo para as exportadoras. A ferrovia para exportação de mercadorias, em condições competitivas, é indispensável para a atracção do investimento. A opção rodoviária encarece as exportações e coloca-nos ainda mais na periferia. A ferrovia está desadequada para o transporte das mercadorias. A exportação por via marítima ainda tem problemas para resolver a nível dos custos e da sua organização. Temos de fixar empresas, pessoas, atrair grandes investimentos o que pode ser conseguido com políticas de descriminação fiscal positiva para o interior, majoração dos apoios concedidos e ensino superior e profissional de qualidade. As competências das antigas Direcções Regionais

de Economia deveriam ser delegadas nas Associações Empresariais regionais, sendo portas de entrada de proximidade na resolução de problemas e na divulgação de políticas públicas. As empresas da região de Viseu têm mercados regionais pequenos pelo que têm de procurar novos mundos. A diplomacia económica e a AICEP têm um papel fundamental na atracção do investimento, na eliminação de barreiras à exportação de produtos de empresas Portuguesas e na internacionalização. Esta exige capacidade financeira e que a empresa reúna competências únicas, que a diferenciem no mercado alvo. Para as PME´s ,com escassos recursos financeiros, a diferenciação é a questão mais importante. A competitividade passa por factores como a marca, customização e serviços associados ao produto, inovação de processos e serviços, alianças estratégicas com outros players no mercado, que lhe sejam complementares. A dimensão das empresas é muito importante para a competitividade. A criação de clusters regionais é o caminho para a internacionalização e para o aumento de competitividade de muitas PME´S. Estes clusters, liderados por grandes empresas, permitem que empresas de menor dimensão cheguem a outros mercados muito exigentes, inovadores, de maior valor acrescentado, com menos risco aos quais de outra forma não chegariam. Na região de Viseu temos as sementes para clusters agro-alimentar, do turismo lazer e bem-estar, indústria automóvel, indústria farmacêutica e biotecnologia e habitat. Em Viseu temos um tecido empresarial muito diversificado, com muitas empresas de reduzida dimensão, com novos empresários mais qualificados a surgir. O ensino superior e profissional são chave para a competitividade, qualificação, atracção de talento, inovação e investigação aplicada. Ser PME tem vantagens: flexibilidade, velocidade de reacção, níveis de empreendedorismo e inovação mais elevados. A competitividade depende cada vez mais de factores imateriais, os quais estão totalmente relacionados com os métodos produtivos, qualidade, preparação da gestão e da capacidade de atraírem, fixarem e desenvolverem talentos para a sua organização. Temos de rever o papel do Estado, das autarquias, na criação das condições necessárias à dinamização da economia, tornando os custos operacionais equivalentes aos de países concorrentes, reduzindo os custos de contexto. Temos de ter políticas concertadas entre empresas e Estado, com uma visão realista, coerente e de longo prazo. Em Viseu temos de melhorar a gestão das PME´s, criar clusters sectoriais, investir na ferrovia que é fundamental para exportar, promover o ensino superior forte como fonte de inovação e investigação aplicada às empresas e outras organizações.


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Antó n io Sa ra iva P res idente da CIP

TEMOS MUITO CAMINHO A PERCORRER Portugal está hoje em condições de sair da situação de assistência externa a que teve de recorrer, regressando aos mercados internacionais a taxas de juro que estão de novo em níveis anteriores à crise. O objetivo imediato do Programa de Ajustamento foi, assim, alcançado, embora a volatilidade dos mercados internacionais, sobre a qual não detemos qualquer controlo, aconselhe ainda alguma prudência. Quanto ao seu objetivo último – a recuperação sustentada da economia, em bases sólidas e duradouras – ainda temos muito caminho a percorrer. As políticas levada a cabo nos últimos três anos tiveram custos bem superiores aos que se previam inicialmente, deixando-nos um país que, em termos de produção, retrocedeu mais de uma década e em termos de investimento está ao nível do final dos anos 80 do século passado. Sobretudo, temos por resolver o problema gravíssimo do desemprego, que atingiu níveis social e economicamente incomportáveis. É certo que economia começou a dar sinais de recuperação ao longo de 2013, sendo já visíveis os reflexos desta evolução no mercado de trabalho. No entanto, o cenário com que nos confrontamos é significativamente mais desfavorável do que aquele que o Programa de Ajustamento original projetava. Temos hoje uma dívida pública significativamente mais elevada, o que representa um fardo pesado, que prejudica o nosso desenvolvimento futuro. Além disso, suportámos aumentos da tributação muito superiores aos compromissos iniciais, aumentos esses que nos deixam hoje um forte constrangimento à competitividade das empresas e uma procura interna profundamente deprimida. O sistema financeiro foi estabilizado, apresentando níveis mais saudáveis de alavancagem e de solvabilidade. Contudo, o financiamento da economia foi fortemente comprometido. A sua escassez e o seu custo contribuíram para o desaparecimento de muitas empresas e são um freio à recuperação da economia sustentada no investimento. Apesar das dificuldades que esse cenário implica, acredito que é possível iniciar um novo ciclo de desenvolvimento equilibrado, de um tipo muito diferente do crescimento registado em grande parte da década de noventa e no início deste século. É nas empresas – PME’s e grandes empresas, de todos os setores – que reside o potencial de recuperação da economia portuguesa para relançar Portugal nesse ciclo de desenvolvimento. As empresas terão de aumentar a sua produtividade, o que exige investimento e uma forte aposta na afirmação de marcas, na inovação, na organização e na capacidade de gestão. Este esforço cabe, em

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primeiro lugar, às próprias empresas, mas só poderá concretizar-se plenamente se for criado um ambiente propício à atividade empresarial. De facto, persistem diversos fatores que estão a travar a retoma do crescimento económico em Portugal. Fatores a que só as políticas públicas podem responder. Tenho defendido que é preciso que o rumo traçado na condução dessas políticas seja previsível e concretizado num compromisso nacional. Esse rumo pressupõe uma estratégia de crescimento equilibrado, assente na competitividade internacional da economia e no estímulo ao investimento empresarial e à criação de emprego. Pressupõe também uma estratégia de consolidação orçamental baseada na redução estrutural da despesa, de modo a possibilitar a redução da carga fiscal e políticas que favoreçam o investimento. Conciliar estes dois vetores – crescimento económico e sustentabilidade das finanças públicas – não será fácil, mas só deste modo será possível que se reforcem mutuamente ao invés de se incompatibilizarem. A Reforma do Estado deve ser um elemento central desta equação. Sem a concretizar não será possível passar de uma lógica de cortes transversais e potencialmente reversíveis a uma lógica de redução estrutural da despesa corrente primária. Lamentavelmente, a estratégia orçamental agora traçada distancia-se da que é preconizada pela CIP, na medida em que não é ainda possível vislumbrar qualquer repercussão na carga fiscal dos ganhos alcançados através da redução da despesa corrente. As medidas do lado da receita previstas para 2015 pesam ainda 38% no esforço de consolidação orçamental, contrariando assim a intenção expressa pelo Governo de alcançar a consolidação pelo lado da despesa pública e minimizando, assim, o impacto na economia. Uma estratégia de crescimento equilibrado implica ainda outras vertentes, para além da política orçamental. A escassez de financiamento ao sector produtivo permanece o principal constrangimento de curto prazo à recuperação da economia, quer devido às dificuldades de liquidez que ameaçam a sobrevivência de empresas economicamente viáveis, quer pelo impacto do elevado custo do crédito sobre a competitividade, quer, finalmente, por constituir um bloqueio ao investimento empresarial. Tenho insistido, a este propósito, na necessidade de olhar para a recapitalização das empresas com a mesma determinação com que foi tratada a recapitalização da banca. Relativamente ao problema dos atrasos de pagamento do setor público, com alguns avanços e recuos, o total de dívidas às empresas diminuiu de

cerca de 3000 milhões de euros no início de 2013 para um pouco menos de 2000 milhões atualmente. É preciso acelerar este processo, permitindo a muitas empresas melhorar substancialmente a sua situação financeira. O bom desempenho das empresas depende também da evolução favorável dos custos laborais unitários relativos, que não deve processar-se unicamente através da moderação salarial mas também pelo reforço dos fatores não salariais suscetíveis de melhorar a competitividade das empresas. Neste domínio, é de assinalar o esforço do Governo com vista à contenção das rendas do setor da eletricidade. No entanto, ainda não foi atingida a devida equidade entre a contribuição das diversas partes envolvidas. Designadamente, a cogeração foi duramente atingida, penalizando a indústria, o que de modo algum tem paralelo nas restantes parcelas da componente regulada dos custos da eletricidade. Falta depois prosseguir com as reformas que permitam reduzir os chamados custos de contexto, onde assumem particular importância a área da justiça e a reforma do licenciamento industrial, onde resta ainda muito trabalho por fazer, nomeadamente no que respeita a diversas licenças prévias no domínio do ambiente. Neste e em muitos outros domínios, é necessário reduzir a burocracia redundante e, por vezes obsessiva que retira competitividade às nossas empresas e entrava qualquer nova iniciativa de investimento. Para além da responsabilidade de remover os obstáculos que travam a recuperação, o Estado, através das suas políticas económicas, tem a capacidade de estimular, pela positiva, o crescimento económico. Numa situação de grande escassez de recursos públicos, como a atual, este estímulo depende em muito da forma como serão utilizados os fundos europeus em Portugal, no próximo período de programação 2014/2020. A evolução próxima da economia portuguesa será tanto mais favorável quanto a utilização destes fundos for eficiente, contribuindo para a recuperação de que precisamos e que queremos, com uma focalização nas atividades de bens e serviços transacionáveis e que incorporem um elevado valor acrescentado nacional. Em suma, é preciso que as empresas sintam que se vive um ambiente favorável ao investimento: um ambiente que gere melhores perspetivas para a atividade empresarial, produzindo riqueza, aumentando a competitividade e criando emprego novo. Porque, sem atividade empresarial, nenhuma estratégia de desenvolvimento económico será bem sucedida.


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A lme ida He n r iq u es P res idente da Câmara Munic ip al de Vis eu

VISEU EM 3D: O NOVO CICLO Hoje não se trata já de realizar apenas ou sobretudo investimentos 2D - “de largura” e “de comprimento” -, mas de concretizar a terceira dimensão do desenvolvimento regional: a dimensão “da profundidade”, ligada às pessoas e à economia, à identidade e à cultura, e às suas redes

Ao reeditarem a iniciativa das conferências “Viseu Económico”, sob o tema do “Desenvolvimento, Políticas Públicas e Práticas Empresariais", o Conselho Empresarial da Região de Viseu e o Jornal do Centro dão um sinal de interpretarem bem os desafios do novo ciclo de desenvolvimento de Viseu, concelho e cidade-região, mas também do País. Isso é positivo e felicito-os, em nome do Município e da Região, por isso. A economia reconquistou o centro da política, da atualidade e, sobretudo, das preocupações das pessoas. A realidade deixou de ser “plana” e das cidades-região como Viseu espera-se hoje estratégia “3D”, de profundidade: com visão económica e liderança para um “novo ciclo”. Olhar para trás, para um tempo que já não é o nosso, é sempre um erro, e um erro que se paga caro. Nos últimos anos, a economia meteu-nos (outra vez) à força no curso da história, com sobressaltos que não imaginávamos, e obrigou-nos a mudar. Mudámos muitas ideias-feitas: sobre o Estado, os bancos, o rendimento, o consumo, o emprego, a segurança social, … Acontece que os desafios que hoje enfrentamos, e aos quais devemos uma resposta, têm de ser interpretados por todos, sem exceção. As cidades-região como Viseu, que é um polo agregador de dinâmicas económicas, humanas e culturais e pode assumir uma “voz” no País, têm uma especial responsabilidade na construção de um “novo ciclo”. O “novo ciclo”. As pessoas e a economia devem passar para o primeiro plano das políticas do território. É isso que estamos a procurar fazer em Viseu. Não poderia ser de outro modo: competitividade, sustentabilidade e inclusão são os desígnios do presente, pelos quais cidades e regiões

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competem. A estratégia “Europa 2020” não define outro caminho e o “novo QREN” está à porta para proceder à mudança mais radical de orientação de investimento que há memória nos fundos estruturais (mal ou bem se verá). Neste contexto, Viseu coloca à prova a sua atratividade como “comunidade para viver” e como “destino para visitar e para investir”. Ou seja, o seu potencial de criação de riqueza, de atividades e de emprego, e a capacidade de construir um ecossistema social e cultural inclusivo e dinâmico na região. Viseu joga trunfos nesta competição e, desde logo, pode e deve lançar mão da sua identidade. Somos uma região rica em valores humanos e em potencial científico, com âncoras prestigiadas nos nossos centros de ciência; em recursos naturais, paisagísticos e agroalimentares, em que se destacam os vinhos do Dão, as nossas quintas e produtos DOP; em valores económicos e empresariais, com uma base de PME muito relevante, mas também de grupos com dimensão e experiência internacional; em ativos patrimoniais, culturais e simbólicos, com elevado potencial turístico, em que pontificam o Centro Histórico, a obra de Grão Vasco, a Feira de São Mateus, a Cava e a mitologia de Viriato, entre outros. A cidade-região conta ainda com uma posição privilegiada de centralidade no contexto nacional e ibérico. Essa centralidade representa um potencial de mobilidade, conetividade e logística importante para a internacionalização da sua economia e do seu destino turístico. A ligação que acalentamos à linha ferroviária da Beira Alta e, sobretudo, ao corredor internacional Aveiro/Salamanca reforçará de forma decisiva essa condição. Haja coragem e sensibilidade territorial de quem decide. As soluções foram propostas e os dados estão lançados.

Uma cidade-região “conectada”. Nenhum território cresce isolado e nenhuma liderança se afirma sozinha. As oportunidades hoje estão nas redes e nas rotas. Nas redes de investimento, de ciência, de informação e das instituições; e nas rotas culturais e turísticas. Tenho feito prática desta minha convicção. O desenvolvimento de Viseu como cidade-região requer uma visão de abertura para o seu entorno, na sua relação com o Porto, Lisboa, Coimbra ou no eixo da A25, com Aveiro e Guarda (e Salamanca), mas também na relação com o mundo: peninsular, da Galiza a Castela e Leão, da sua “diáspora” e das suas cidades geminadas. Essa visão reclama por sua vez uma nova atitude: de criação de redes, interna e externamente. Viseu tem de construir-se como um ecossistema virtuoso de competências e instituições. Um tecido em vez de um fio. E depois há a liderança. Um território precisa de um pensamento e de uma voz assumida, mas inclusiva e plural. Na falta dessa que é a mãe das reformas do Estado – a regionalização – “esta cidade-região conectada” representa ainda uma esperança para a inversão de um modelo centralizado e centralista de desenvolvimento do País que, ao longo de décadas, tem conduzido às assimetrias de riqueza, de oportunidades e população. Este “novo ciclo” para Viseu defende o legado da “melhor cidade para viver”, mas fá-lo através de dimensões distintas e mais sustentáveis. Hoje não se trata já de realizar apenas ou sobretudo investimentos 2D - “de largura” e “de comprimento” -, mas de concretizar a terceira dimensão do desenvolvimento regional: a dimensão “da profundidade”, ligada às pessoas e à economia, à identidade e à cultura, e às suas redes.


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Fe r na n do Se b a s t iã o P res idente do Ins t it uto Po lité c nico de Vis eu

ENSINO SUPERIOR E COMPETITIVIDADE A capacidade instalada ao nível do ensino superior em Portugal vai ser necessária para que possamos atingir as metas da UE

O modelo tradicional de universidade que sobreviveu, em Portugal, até muito perto do final do século XX é, ainda hoje, para alguns académicos, o conceito da verdadeira Universidade que associa o ensino à investigação e protege a liberdade académica individual. Assenta na racionalidade do conhecimento livre da influência da Igreja e do Estado e das pressões externas sociais ou económicas. Os, já menos, defensores deste modelo entendem que a universidade deve permanecer como um centro de debate livre e aberto de ideias onde os académicos fazem investigação sobre temas críticos da própria sociedade. Para eles, sendo o ensino superior um bem público, a investigação realizada deve ser divulgada de forma a poder ser utilizada livremente por aqueles que o desejem. Para além disso defendem que a universidade deve preocupar-se em especial com o desenvolvimento da ciência em aspectos que sendo importantes para a humanidade não têm rentabilidade económica imediata. Durante muitos anos o papel principal das universidades consistiu em satisfazer as expectativas sociais crescentes de mobilidade social e só, secundariamente, foram responsáveis por atender à procura de mão-de-obra especializada. Nas últimas décadas, em consequência da globalização das economias e da transformação do conhecimento num factor de competitividade económica, associados à emergência da valorização do económico em relação ao social, houve uma alteração progressiva das funções sócio-económicas da Universidade. Em Portugal foi nos anos 70, com a Reforma do Ensino Superior de Veiga Simão, que se iniciaram alterações significativas do ensino superior, nomeadamente no que se refere à sua expansão e diversificação. Veiga Simão criou, em 1973, uma nova Reforma para o Ensino Superior defendendo que, em especial, nas áreas da ciência e tecnologia, era importante para o desenvolvimento do país, nomeadamente a nível económico. Esteve

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na base desta reforma o relatório “Projecto Regional do Mediterrâneo” da OCDE que apresentava preocupações com o desenvolvimento, essencialmente a nível económico, no qual o ensino superior deveria ter um papel determinante sendo, no entanto, as universidades tradicionais consideradas, neste aspecto, como um obstáculo, pelo seu imobilismo. Nessa altura Portugal encontrava-se, cada vez mais afastado dos países desenvolvidos da Europa. As Universidades Portuguesas estavam localizadas nas três principais cidades de Lisboa, Porto e Coimbra e, de uma maneira geral, alheadas da necessidade de dar resposta à criação de novas formações, necessidade essa resultante da evolução científica e tecnológica entretanto verificada. As assimetrias regionais eram gritantes, a taxa de alfabetização extremamente reduzida. Havia falta de professores, de gestores, de engenheiros, de técnicos de saúde. A falta de acessibilidades e de condições de vida no interior do país dificultavam a fixação de quadros superiores inviabilizando a localização das empresas longe das grandes áreas urbanas. Foi para inverter esta realidade que Veiga Simão, criou em Portugal, o sistema binário, universitário e politécnico, tendo expandido e diversificado o ensino superior a nível geográfico e a nível institucional, processo que teve a sua continuidade após a revolução e que conduziu à atual rede de ensino superior distribuída geograficamente por todo o país. Portugal procurou evoluir, assim, da sociedade industrial para a sociedade do conhecimento. As instituições de ensino superior começaram a ver alterada a sua missão por pressão dos governos e dos próprios agentes económicos que exigem uma maior interligação com a sociedade, quer ao nível do ensino e formação, quer ao nível da investigação, a qual pretendem que seja cada vez mais aplicada às necessidades das empresas num período de globalização das economias onde mais do que crescer e diversificar é importante inovar para competir.

Exige-se, assim, de uma forma mais activa, a orientação da criação do conhecimento para a resolução de problemas mais concretos das empresas, ou mesmo, que esse conhecimento possa ser utilizado para a criação de novas empresas que utilizem e rentabilizem a investigação produzida. Este foi, aliás, o posicionamento dos governos e das universidades americanas, muito mais cedo que nos países desenvolvidos da Europa, com os resultados que são conhecidos ao nível do desenvolvimento tecnológico e económico dos Estados Unidos da América. As instituições de ensino superior são hoje consideradas como pilares estruturantes do desenvolvimento dos países e das regiões, pela formação de quadros necessários à modernização e competitividade a nível internacional das sua economia, pela relevância da valorização económica da sua investigação, pela formação de empreendedores, capazes de criar empresas inovadoras. O próximo quadro comunitário para o horizonte 2020 terá nestes aspetos uma importância vital que deve ser devidamente aproveitado. Tendo por base os indicadores disponíveis sobre o ensino superior, Portugal registou nos últimos anos progressos assinaláveis, quer em quantidade quer em qualidade. Temos hoje a geração mais qualificada de sempre e os nossos diplomados em diversas áreas são hoje procurados pelos países mais desenvolvidos da Europa. No entanto continuamos afastados da média da União Europeia e dos seus objetivos estabelecidos para 2020. Portugal terá que evoluir, neste período, de 29 para 40% no número de jovens com diploma de ensino superior, valor que hoje se encontra já ultrapassada pela Irlanda e pela Finlândia. A capacidade instalada ao nível do ensino superior em Portugal vai, por isso, ser necessária para que possamos atingir as metas da UE, situação que exige que este nível de ensino seja considerado não uma despesa mas um investimento estratégico para o País e para os portugueses e que sejam criadas condições para que mais jovens possam ingressar e ter sucesso na sua formação.


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Jos é Fe r re ira G o mes S e c re tár io de Es tado do Ens ino Sup er ior

O ENSINO SUPERIOR E O DE SENVOLVIMENTO REGIONAL

O ensino superior surgiu na baixa idade média europeia em resposta às necessidades crescentes de competências administrativas da Igreja e do Estado. As universidades assumiam a função primeira de produzir especialistas em direito canónico e em direito civil, indo beber no que fora preservado do velho património romano. Mas esta visão pragmática do conhecimento e da educação dos jovens rapidamente abarcou todo o “universo dos conhecimentos” disponíveis. Foi procurar o que restava nas velhas fontes clássicas, o que os gregos trazidos para Roma como escravos, perceptores da nobreza romana, ali incorporaram. Com o desmoronar do império, o fim da cultura urbana fez desaparecer o que a sociedade romana tardia tinha estabelecido como processo educativo e de conservação do conhecimento. A fragmentação política da Europa feudal dava mais importância às artes militares, deixando aos mosteiros o papel de reservatórios e transmissores do conhecimento. A corte carolíngia ao procurar a sua legitimação na antiga ordem política imperial, teve de procurar o velho conhecimento nos mosteiros irlandeses ainda preservados da destruição Viking que varreria a costa atlântica nos séculos seguintes. O saber grego veio a ser reincorporado mais tarde também através das escolas islâmicas no entretanto instaladas na hispánia, antes do reencontro com as fontes bizantinas pelas das rotas comerciais Venezianas. A Universidade cresceu como sede de todos os estudos e de todo o conhecimento mas o seu contributo directo para crescimento económico foi limitado pela separação estrita entre a actividade manual e a actividade intelectual. A revolução industrial inicial, como a inovação comercial e toda a inovação militar dos séculos anteriores, faz-se à margem e com desprezo da Universidade. Mas homens como Pedro Nunes ou o grande Isaque Newton não se desinteressam da inovação com relevância económica. Nos seus primórdios da modernidade, as necessidades da inovação militar, comercial e industrial estão presentes mas sem a preocupação de a preservar numa etérea torre de marfim. O desenvolvimento paralelo mantém-se até ao sucesso radical da ciência mais obstrusa na segunda guerra mundial. É na reconversão do aparelho industrial militar às necessidades do

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crescimento económico do pós-guerra que a ciência encontra terreno fértil e um espaço de teorização. É aí que se consolida a tremenda expansão do esforço de investimento em ciência nos países mais desenvolvidos com os Estados Unidos à cabeça. O sucesso da ciência pura no desfecho da guerra dá aos cientistas o direito a decidir o seu caminho sem intromissão política ou administrativa, pelo menos de forma explícita. São desta época as teorias (económicas) do capital humano. É desta época o impulso para que a Universidade passe do acolhimento de uma elite (social) de menos de 5% dos jovens para os mais de 50% que hoje a frequentam em alguns países. É deste crescimento quantitativo que resulta a reconversão da universidade de espaço de criação, preservação e transmissão de conhecimento em áreas bem estabelecidas (Direito, Medicina, Ciências, Humanidades) para acolher a generalidade das áreas de actividade humana. Nas últimas décadas, o desenvolvimento regional surge como uma disciplina de importância crescente na Economia e vai valorizar a universidade como agente de transformação da sociedade. Ao mesmo tempo, a expansão da universidade obrigam-na a adaptar-se a um público estudantil muito mais diverso, a ser muito mais diversa. Os velhos modelos sobrevivem mas o crescimento económico faz-se em torno de novas formas de ensino superior. As “universidades cívicas” inglesas de meados do século XIX ou as estaduais americanas de fins do mesmo século são diferentes, ainda que venham a copiar os velhos modelos. Se estas “envelhecem” no seu formato e objectivos, outras instituições de ensino superior surgem num dinamismo difícil de descrever em poucas linhas. E não se vislumbra ainda o fim da história! Em Portugal o ensino superior satisfez as necessidades da administração do estado, incluindo o ensino, e deu à sociedade profissionais liberais para serviços de saúde, jurídicos e de engenharia. Ao longo do século XX, foi acompanhando o desenvolvimento industrial e pós-industrial com um número crescente de novas áreas profissionais. As grandes iniciativas transformadores podem localizar-se em 1911 e em 1973 mas o aumento da população estudantil foi contínuo. O papel de depositário privilegiado do conhecimento técnico

especializado deu às instituições de ensino superior uma capacidade de apoio em situações onde o “mercado” era incapaz de dar resposta, o que foi reforçado com o progressivo desenvolvimento da investigação científica e consequente criação de conhecimento endógeno. É geralmente sentido que este manancial de capacidades e competências não é plenamente disponibilizado à sociedade, uma queixa comum à generalidade dos países europeus. O nosso sistema científico é recente e a preocupação com a transferência de conhecimento para a sociedade não foi logo assumido como devia. Sinal disso é o escasso número de doutorados em actividade fora da esfera pública, um pré-requisito para que esta relação seja intensa e eficaz. A elevada taxa de graduação com doutoramento (mais de 2000 no último ano, o que é alto em comparação com outros países) começa a ter um efeito importante na inserção de quadros muito competentes e criativos no sistema económico e cultural para além da onda de empreendedorismo que cria excelentes expectativas para o futuro. Temos uma sociedade onde a maioria dos diplomados do ensino superior e a totalidade dos doutorados se inseriram no sector público. Isto está rapidamente e mudar em consequência com a crise das finanças públicas. Apesar das dificuldades inerentes a esta situação, o efeito na dinamização da economia poderá ser muito positivo. Devemos notar que noutros países, a maioria dos doutorados (e outros diplomados superiores) procuram actividades no sector privado e a preocupação é, ao invés da nossa, encontrar candidatos para as necessidades no sector púbico. É política do governo actual reforçar a ligação das instituições de ensino superior com a sociedade. Dos institutos politécnicos, espera-se um papel especialmente importante pela sua proximidade do tecido económico regional. Existem os recursos humanos com muito altas competências e capacidade de criação de conhecimento e inovação. Existem ali os laboratórios e outros recursos necessários ao desenvolvimento destas actividades. Existem os financiamentos dirigidos à promoção do trabalho conjunto das instituições de ensino superior com as empresas e outros serviços e organizações. Estão a ser criados os estímulos organizacionais para que os docentes do ensino supe-


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A elevada taxa de graduação com doutoramento começa a ter um efeito importante na inserção de quadros muito competentes e criativos no sistema económico e cultural para além da onda de empreendedorismo que cria excelentes expectativas para o futuro

rior que tomem a iniciativa e produzam serviços de qualidade reconhecida se sintam reconhecidos nas suas carreiras académicas e na sua vivência institucional. Vamos começar a ter um quadro de avaliação que as instituições poderão usar internamente e que a sociedade conhecerá para que possa dirigir as suas solicitações aos pontos onde as competências existam e tenham dado provas da sua capacidade de abertura ao exterior. As instituições de ensino superior são motores do desenvolvimento regional pelo contribuição directa para o PIB através da despesa pública e privada que estudantes e funcionários criam localmente. Mais importante que este contributo é o conhecimento que os graduados levam para a sociedade, tendencialmente para a região onde se inserem. Actualmente, para além deste contributo tradicional, vai ser ainda mais importante o contributo directo para a criação de actividades de grande especialização em todas as áreas, desde a cultural até à produção de bens transacionáveis de alto valor acrescentado. É isto que o país espera do ensino superior e estamos a criar o quadro regulador para estimular esta resposta. Pedimos à sociedade e aos líderes regionais que assumam do seu lado o importante papel de estimularem a criação deste “mercado” de serviços especializados e que promovam o seu uso pleno para a criação de riqueza. Só desta maneira podemos garantir a coesão territorial num espaço que reconhecemos desequilibrado. Esta é a justificação para a manutenção de uma rede bastante densa de universidades e institutos politécnicos, mesmo em regiões de baixa pressão demográfica.

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Pe d ro Ma c ha do P res idente do Tur is mo do Cent ro de Por t ugal

TURISMO - É NECE S SÁRIO TRAÇAR METAS

O turismo é um setor de atividade em contínuo crescimento. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT) as viagens turísticas mundiais cresceram 5% em 2013. O barómetro da OMT aponta para mais de 52 milhões de turistas relativamente ao ano 2012, e estima um crescimento sustentado que irá permitir alcançar 1.8 mil milhões de chegadas internacionais em 2030. As previsões do World Travel & Tourism Council indicam que o setor será responsável por 10% do PIB mundial em 2023. Em Portugal, o turismo é a principal atividade exportadora e representa 9% do PIB nacional. O setor emprega mais de 8% da população ativa. Em 2013, o saldo da balança turística foi de 6,1 mil milhões, mais 8,3% do ano anterior. Assim, a indústria das viagens e turismo tem dado provas da sua capacidade de resistência. Na região Centro, cujo principal consumidor é o mercado interno, 2013 refletiu uma ligeira descida na procura interna, embora contrariada pelo aumento da procura externa. Outro fator em destaque é qualificação da oferta, seja no alojamento ou nos equipamentos de animação. Desde 2009, que anualmente são criadas aproximadamente 55 novas empresas de animação no território regional. Assim, o tecido empresarial tem apresentado uma atitude proativa e empreendedora. Na região de Viseu, Dão Lafões encontram-se ótimos exemplos. É o caso da qualificação do projeto museológico da Casa da Ínsua, em Penalva do Castelo, da nova Pousada de Viseu - instalada num edifício com grande valor patrimonial, ou da Ecopista do Dão e aposta nos corredores verdes de mobilidade. Estes são apenas alguns dos projetos que apontam para o caminho de modernidade que esta região tem vindo a percorrer. Também o Enoturismo, a gastronomia, e o termalismo, são segmentos de referência nacional. Na área dos congressos, Viseu está preparada para receber e organizar encontros profissionais de referência. Hoje, há um novo desafio para a cidade e para o Centro de Portugal - o de inscrever Viseu na listagem dos sítios reconhecidos como património mundial da humanidade pela UNESCO. A competitividade dos destinos não se constrói apenas com mais e melhor oferta, é também necessário traçar metas e consolidar estratégias para o futuro. Viseu, Dão Lafões, é cada vez mais uma região competitiva, e produtora de novas sinergias.

Hoje, há um novo desafio para a cidade e para o Centro de Portugal o de inscrever Viseu na listagem dos sítios reconhecidos como património mundial da humanidade pela UNESCO

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Jo ã o Mo ro D ire tor da Unidade de Negó c io de S er v idores, Ar mazenamento e Re des da HP Por t ugal

TECNOLOGIA E PRODUTIVIDADE Conseguir colocar mais informação relevante e de forma mais rápida ao serviço das decisões de negócio permite alcançar enormes acréscimos de produtividade

A digitalização apodera-se, cada vez mais, do nosso quotidiano. E não apenas nas suas aplicações tradicionais, mas também em usos tão inovadores como a colocação de sensores eletrónicos em roupas e calçado, nos eletrodomésticos, na educação (e-learning) ou até nos novíssimos cigarros digitais! O impacto dos processos digitais tem conduzido a um aumento exponencial da necessidade de armazenamento de informação que coloca desafios extremos aos centros de dados. A IDC estima que, em 2020, a informação armazenada chegue aos 40 ZetaBytes a nível mundial e tipicamente estas projeções pecam por defeito, como temos observado no passado. A este desafio juntam-se ainda muitos outros que constituem fatores de pressão sobre os departamentos de tecnologias e sistemas de informação, tais como: Suporte à Inovação, Agilidade, Gestão do Risco, Simplificação e Redução de Custos, apenas para mencionar os principais. Como ecossistema destes desafios surge aquilo que podemos designar como um “novo estilo de TI” composto por 4 tendências principais que, de alguma forma, emergem e influenciam a forma como vemos os novos paradigmas das TI: falo de Mobilidade, Social Media, Big Data e, finalmente, Cloud. Estas tendências influenciam de forma inequívoca a visão das entidades que, como a HP, têm como objetivo endereçar estas necessidades. E a Visão da HP, a nível do seu Enterprise Group, passa por 3 vetores principais: - “Converged Infrastructure”: Visão holística do centro de dados em que os recursos de TI são alocados de forma dinâmica de acordo com as necessidades a cada momento. Com uma elevada componente de virtualização, as diversas áreas do Centro de Dados (Computação, Armazenamen-

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to, Redes) são geridas por software de forma dinâmica no sentido de adequar e otimizar permanentemente a capacidade de resposta ao indíce de solicitações. Tudo isto servido por um conjunto de Serviços de excelência, líderes de mercado. - “Converged Cloud”: As organizações estão cada vez mais a adotar modelos de Cloud híbrida. A HP fornece infraestrutura convergente ideal para os desafios da Cloud, bem como serviços para instalar, manter e operar soluções de Cloud. - “Software-Defined Data Center”: Quer nas áreas de processamento e armazenamento, quer nas redes, a gestão do centro de dados através de software centralizado constitui um pilar estratégico de desenvolvimento e aposta da HP. Estas tendências são similares às que são indicadas pela IDC, organização multinacional que estuda em profundidade o Mercado das TI em todo o mundo. Através de um estudo realizado em 2013 junto do tecido empresarial Português e sob a designação de “Perspetivas para o Mercado Empresarial em 2014, a IDC identifica desde logo a melhoria da eficiência da organização como uma das principais prioridades de negócio. E as TI são críticas para obter a eficiência organizacional. As seguintes tendências identificadas constituem, sem qualquer dúvida, enormes oportunidades de incremento da produtividade nas organizações: Mobilidade: A possibilidade de aceder à informação a qualquer hora e em qualquer lugar, associada à capacidade de interagir com os sistemas de informação da organização constitui um enorme incremento de produtividade para a equipa de colaboradores que, por definição, é móvel no exercício da sua atividade. De acordo com a IDC, cerca de 87% das organizações nacionais sublinham a elevada importância da mobilidade e prevê-se que mais do que 10% do orçamento anual dos departamentos de TI deverá endereçar soluções de mobilidade.

Big Data: O volume de dados corporativos tem vindo a crescer significativamente em todas as organizações. A constitui hoje um fator competitivo de enorme relevância para as organizações. Conseguir colocar mais informação relevante e de forma mais rápida ao serviço das decisões de negócio permite alcançar enormes acréscimos de produtividade, através da diferenciação face à concorrência. Em 2014, a IDC estima que o orçamento das organizações possa representar 6,7% do orçamento total das TI. Cloud Computing: A necessidade de reduzir custos de capital e funcionamento das organizações tem levado as empresas a manifestar a vontade de considerar a adopção de serviços Cloud como solução para algumas áreas dos seus Sistemas de Informação, pese embora as questões que se levantam relativamente às questões de segurança/ privacidade da informação. A adoção de modelos de Cloud permite às organizações aumentar o foco no “core business” e assim dedicar mais tempo à inovação e diferenciação. As previsões da IDC Portugal apontam ainda para que as despesas com serviços de Cloud Computing possam ultrapassar os 184 milhões de euros em 2017. Todas estas tendências e outras eventualmente menos relevantes sustentam com clareza a ligação entre as TI e a Produtividade. Algumas atuam mais sobre o incremento da produtividade, outras atuam mais na redução de custos, ou na libertação de recursos para dedicar à inovação e outras ainda atuam sobre estas três componentes. Atravessamos tempos de grandes desafios, mas que simultaneamente constituem também enormes oportunidades, pelo que o investimento em TI pode nesta altura ser estratégico e ajudar a fazer a diferença.


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Pe d ro Sa ra iva P res idente da Comiss ão de Co ordenação e D es envo lv imento Reg ional do Cent ro

CRER NO CENTRO DE PORTUGAL

O posicionamento estratégico assumido pelo CENTRO de PORTUGAL, e os 100 concelhos que o integram, assenta na consideração de um desígnio central inequívoco onde as empresas ocupam lugar predominante

A Região Centro, através de uma forte dinâmica de participação dos seus agentes e num processo liderado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), a que tenho o privilégio de presidir, construiu as trajetórias de progresso e prioridades de desenvolvimento regional que se ambiciona concretizar para a Região até 2020. Este exercício, do ponto de vista documental, resultou em três peças centrais, que se encontram disponíveis para consulta e recolha de comentários no nosso portal (www.ccdrc.pt), havendo vantagem numa análise integrada e leitura cruzada das mesmas: o Plano de Acção Regional (PAR); as opções assumidas em termos da Estratégia de Investigação e Inovação para uma Especialização Inteligente (RIS3); o Programa Operacional Regional (POR). O posicionamento estratégico assumido pelo CENTRO de PORTUGAL, e os 100 concelhos que o integram, assenta na consideração de um desígnio central inequívoco onde as empresas ocupam lugar predominante, ao considerar-se que vale a pena CRER na Região Centro e no seu futuro, um futuro desenhado em torno da construção de uma Competitividade Responsável, Estruturante e Resiliente. Para vencer este desafio, contamos com um sólido ponto de partida, mesmo nos tempos de dificuldades que todos atravessamos, pois a Região Centro, com base em dados objetivos, é já atualmente: - Uma das regiões onde em termos relativos os impactos da crise foram menos intensos; - A região do país com melhor qualidade do siste-

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ma educativo, aferido quer por taxas de abandono escolar precoce, quer através dos resultados alcançados em exames nacionais; - A região do país que apresenta menor taxa de desemprego, tendo descolado pela positiva face a todas as restantes regiões, e menor taxa de desemprego jovem; - A segunda região mais inovadora de Portugal; - Uma região fortemente exportadora, que exporta muito mais do que aquilo que importa. Tudo isto só é uma realidade objetivamente observada graças ao empenho e dedicação dos nossos empresários e dos nossos trabalhadores, a quem é devido um agradecimento sincero. Pelo modo como, enfrentando diversas contrariedades, têm, ainda assim, sido capazes de reposicionar-se, apostar em novos mercados e investir no futuro. São cerca de 70 mil as empresas da Região Centro, que procuramos servir de forma cada vez melhor, com respostas céleres, inteira disponibilidade para as receber, compreender as suas dificuldades e ajudar a resolvê-las adequadamente. Este tecido económico compreende um conjunto notável de organizações, incluindo: - Mais de uma centena de empresas, repartidas por 44 concelhos, que exportam anualmente acima de 15 milhões de euros; - Cerca de 295 PME Excelência, situadas em 68 dos 100 concelhos da Região Centro; - 47 empresas gazela, com menos de dez anos de idade e taxas de crescimento anuais sistematicamente superiores a 20%, localizadas em mais de 29 dos nossos concelhos; - Milhares de microempresas que investem e

criam postos de trabalho, como aquelas que apoiámos no âmbito do sistema de incentivos SIALM do programa VALORIZAR. É com estes agentes que encaramos o futuro da Região Centro, plasmado no próximo Programa Operacional Regional do Centro, que é claro nos seus propósitos, bem como na correspondente ambição coletiva, que se traduz num CENTRO de PORTUGAL que pretende ser capaz de: - Subir à “primeira divisão” do campeonato europeu da inovação à escala regional; - Gerar 20% do PIB nacional; - Esbater as assimetrias territoriais; - Ter 40% da sua população jovem com qualificação de ensino superior; - Manter uma taxa de desemprego inferior a 70% da média nacional. Vencer estes desafios só é possível com o envolvimento alargado de todos nós e uma afetação de meios concentrada nas empresas e na competitividade, espaço onde contamos e contaremos com um forte papel interventivo das Associações Empresariais, e em particular do CERV, desenvolvendo iniciativas de excelência como sucede com a presente conferência, subordinada a temas que resumem também a essência daquilo que é vital para garantir o sucesso da Região Centro.


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L e o na rdo Ma th ia s S e c re tár io de Es tado Adjunto e da Economia

UMA AGENDA PARA O FUTURO

Mesmo as empresas portuguesas viáveis têm dificuldade em aceder ao crédito em condições equivalentes às das suas concorrentes europeias; com juros para novos empréstimos que são cerca de duas vezes o nível de seus concorrentes europeus

Portugal vive um novo ciclo económico que resulta, por um lado, do esforço de consolidação das finanças públicas empreendido nos últimos três anos e, por outo lado, dos resultados das muitas reformas que foram levadas a cabo a diversos níveis acordadas com as instituições internacionais. Depois de um período de grande exigência para as empresas, empresários e trabalhadores a economia nacional começa a apresentar sinais encorajadores de retoma que muito se devem à resiliência das empresas num período muito exigente. Na verdade, em 2013, 99,9% do tecido empresarial português era constituído por pequenas e médias empresas, responsáveis por 68,4% do valor acrescentado bruto do sector empresarial e por 78,6% do emprego, enquanto que as grandes empresas empregavam os restantes 21,4%. Paralelamente, a taxa de desemprego caiu para 15,3% em 2013 (no 1º trimestre de 2014 continuou a registar uma tendência de queda para os 15,1%), sendo que a economia conseguiu criar, entre o primeiro e o quarto trimestre de 2013, 124,4 mil empregos líquidos. Em novembro de 2013, o Governo apresentou a Estratégia para o Fomento Industrial, o Crescimento e o Emprego com o objetivo de relançar o País numa trajetória de crescimento, até 2020, em especial nos setores de produção de bens e serviços transacionáveis e internacionalizáveis. Neste contexto, o Governo continua a implementar reformas de simplificação dos processos económicos. Neste âmbito gostaria de destacar duas medidas estruturantes, que me são especialmente caras, e que estão a ser desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Economia: o novo Regime Jurídico de Acesso e Exercício de Atividades de Comércio, Serviços e Restauração e a Agenda para a Competiti-

vidade do Comércio, Serviços e Restauração 20142020. Por um lado, o Regime Jurídico de Acesso e Exercício de Atividades de Comércio, Serviços e Restauração, cujo diploma está já em discussão na Assembleia da República, pretende criar um novo quadro jurídico por consolidação de uma significativa parte das atividades do comércio e de algumas atividades dos serviços num único diploma. O objetivo é que facilite a captação de novos investidores bem como a geração de novos projetos para os empresários já estabelecidos. A intenção do Governo é facilitar ainda mais o exercício da atividade das empresas dando-lhes, por um lado, mais liberdade de escolha de forma a poderem melhor gerir o seu negócio e, por outro lado, tornar mais simples, mais eficientes e mais rápidos os processos administrativos a todos os comerciantes e prestadores de serviços. Por outro lado, a Agenda para a Competitividade do Comércio, Serviços e Restauração 2014-2020 reúne um conjunto de medidas concretas que visam melhorar a competitividade das empresas, para contribuir para o desenvolvimento equilibrado de todas as formas de comércio, serviços e restauração, e para os ajudar na adaptação às mudanças nos setores. Esta Agenda faz um diagnóstico aos três setores e às suas atividades económicas que representam mais de 50% das empresas e do volume de negócios da economia portuguesa, propondo uma estratégia para o futuro dos setores e contribui com mais de trinta medidas para a criação de novas dinâmicas de (re) qualificação, modernização, inovação e promoção das atividades, em ambiente urbano, rural e electrónico, através da dinamização de investimentos empresariais e individuais, e de medidas públicas orientadas para a competitividade comercial, a sustentabilidade dos negócios e do emprego e a internacionalização de marcas próprias.

A conjugação destas e outras medidas pretendem garantir a prossecução dos objetivos ambiciosos e de um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo. O executivo está, por isso, determinado a empreender todos os esforços no sentido de aliviar as dificuldades de acesso ao crédito por parte das empresas e, por outro lado, a debelar os significativos diferenciais de custo no acesso a financiamentos bancários em relação às empresas de outros países do clube comunitário. Neste sentido, só nos últimos dois anos, foram implementadas várias linhas de financiamento à economia que ultrapassam os cinco mil e quinhentos milhões de euros. Os constrangimentos ao nível do acesso, dos custos e dos prazos constituem um fator limitativo da capacidade das empresas financiarem o seu crescimento, afetando a sua viabilidade económica e as perspetivas de crescimento da economia portuguesa. Mesmo as empresas portuguesas viáveis têm dificuldade em aceder ao crédito em condições equivalentes às das suas concorrentes europeias; com juros para novos empréstimos que são cerca de duas vezes o nível de seus concorrentes europeus o que tem um impacto muito negativo na competitividade das nossas empresas. Estes constrangimentos são alvo da contínua preocupação do governo que está a estudar a implementação de vários mecanismos que pretendem corrigir e solucionar desequilíbrios que em muito prejudicam a atividade das empresas. Com esta Agenda acreditamos no futuro de Portugal e estamos confiantes na capacidade das empresas nacionais neste processo de retoma económica ao contribuírem, de forma inequívoca, para a criação de emprego, geração de valor acrescentado e para a afirmação do nosso país no contexto internacional.

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Arlin do Cu n ha P res idente da Comiss ão Vit iv iníco la do D ão

VINHOS DO DÃO: UM FUTURO COM (AINDA) MAIS AMBIÇÃO Costumo dizer, meio a brincar meio a sério, que o mercado do vinho é actualmente o mais globalizado a seguir ao dos jogadores de futebol…Não sei se uma tal afirmação é totalmente rigorosa… Mas se não for, não andará muito longe da verdade, já que evidencia aquilo que é a principal e mais incontornável realidade que a fileira tem que defrontar nos nossos dias: a completa liberalização dos mercados à escala planetária. No que respeita à Europa e aos seus vinhos, a Comissão Europeia fez há ainda não muito tempo um diagnóstico, no quadro da reforma da política sectorial que foi aprovada em Dezembro de 2007. Para além da referida globalização da produção e do mercado, são referidos factores como: a redução do consumo nos mercados tradicionais; a perda de competitividade dos vinhos europeus, a redução da sua quota de mercado e o consequente aumento das importações, designadamente do vinho dos Novos Continentes; o acumular de excedentes estruturais; ou ainda a baixa de preços e de rendimentos para os produtores. Para superar tais dificuldades e procurar responder aos desafios futuros, foram adoptadas pela União Europeia algumas medidas sem precedentes, destinadas a preparar o sector vitivinícola para estas novas realidades de liberalização do comércio internacional e da evolução dos padrões de qualidade e consumo. Destacam-se a este respeito, a título de exemplo: a flexibilização das medidas de gestão do mercado interno; a adopção das práticas enológicas consagradas pelo Office International du Vin (OIV); ou a simplificação das regras da qualidade e da rotulagem. É neste contexto de mudança algo radical que assinalámos em 2013 os 105 anos da criação da Região Demarcada do Dão - a primeira região de vinhos não licorosos a ser demarcada e regulamentada no nosso País. Um percurso secular, marcado por altos e baixos, como aconteceu, de resto, em praticamente todas as grandes regiões vitivinícolas do velho mundo. Dos piores momentos, é impossível esquecer a crise da filoxera na segunda metade do século XIX e especialmente o que ela trouxe de negativo em matéria de reconversão varietal e de qualidade dos vinhos (com a tradicional e omnipresente Tourigo a ser substituída quase integralmente por castas como a Baga e outras que a Região quase não conhecia), ou a letargia dos anos

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oitenta e primeira metade de noventa, em que o Dão ficou claramente parado em contraste com as dinâmicas iniciadas nas outras regiões vitivinícolas portuguesas. Quanto aos pontos altos, importará lembrar o sucesso das grandes marcas comerciais dos anos sessenta e setenta do século XX, em pedir um vinho tinto de qualidade era pedir “um Dão”, ou o ressurgimento de uma dinâmica de reestruturação das vinhas e de inovação e qualidade nos vinhos com a realização de projectos-âncora com a dimensão da Sogrape ou da Dão-Sul, ou ainda a emergência, a partir de meados dos anos noventa, dos produtores-engarrafadores e dos seus vinhos de quinta de fantástica qualidade em qualquer parte do mundo. A Região Demarcada do Dão tem uma extensão territorial de 388 mil hectares e actualmente cerca de 15 mil hectares de vinha, distribuídas por 50.000 explorações, das quais perto de metade têm menos de 1 hectare. Representa cerca de 8% da área vitícola do nosso País e os 40 a 45 milhões de litros que produz anualmente equivalem a aproximadamente 6% da produção nacional. Desde o início deste milénio tem-se observado uma preocupante tendência de queda da quota de mercado do vinho do Dão, que situa a Região actualmente atrás do omnipresente Alentejo, do singular Verde, do emblemático Douro, e mesmo do recém-chegado Terras do Sado. Não deixa de ser, assim, intrigante, confrontar esta tendência de mercado com a universalmente reconhecida melhoria de qualidade que os vinhos do Dão têm vindo a experimentar, especialmente desde a década de 90, reconhecimento que é hoje expresso mundialmente com a atribuição de prémios de excelência em diversos concursos e provas internacionais, como o comprovam as 134 medalhas que ganharam em 2013 nos cinco mais prestigiados concursos e provas do mundo: Challenge International du Vin – Bordéus; Concours Mondial de Bruxelles; Decanter World Wine Awards; The International Wine Challenge (London Wine Fair Competition); e o IWSC The International Wine and Spirits Competition . Importa, assim, reagir com inconformismo e energia, já que estas situações podem e devem reverter-se, se trabalharmos com um só rumo colectivo e se todos e cada um derem o seu máximo: a Comissão Vitivinícola regional do Dão

(CVRD), enquanto Entidade Certificadora e os agentes económicos da fileira vitivinícola da Região Demarcada. Por isso, a coesão Institucional há-de ser a questão mais prioritária da nossa acção colectiva: unir a Região Demarcada em torno de um projecto mobilizador que a consolide no pelotão da frente das Regiões Demarcadas Portuguesas, assumindo um protagonismo que corresponda à qualidade dos seus vinhos. Apesar da sua evidência, impõe-se referir que uma tal unidade deverá ser feita no quadro da legítima diversidade de interesses, própria da estrutura interprofissional que é a CVRD, associando a produção e o comércio, os grandes grupos e as grandes marcas, os pequenos e médios produtores independentes e as adegas cooperativas. A chave do sucesso passa por um compromisso estratégico entre estes interesses, que são os esteios de qualquer região vitivinícola, assim como pelo intransigente cumprimento da missão de velar pela qualidade dos produtos, única via de criação colectiva de valor para todos. Em segundo lugar, impõe-se desenvolver um trabalho estruturado e profundo de promoção e marketing. Trata-se de reforçar a projecção da Imagem do Vinho do Dão dentro e fora do País, associando-a a uma identidade distintiva de elevado valor. Ou seja, recuperar a histórica imagem identitária do Dão como região produtora de vinhos de Excelência e fazer com que a DOP Dão seja uma mais valia efectiva nas vendas das empresas. Reforçar os meios afectos a esta área de actividade, deve ser uma das principais prioridades, dentro dos naturais constrangimentos financeiros da CVRDão e das empresas da Região. O Protocolo de colaboração que em breve celebraremos com a Viniportugal, entidade responsável pela promoção global dos vinhos portugueses, insere-se na lógica desse reforço. Em terceiro lugar, impõe-se reforçar a componente de investigação e experimentação por forma a que a vitivinicultura regional não descole da vanguarda do processo de modernização e inovação que é a base da competitividade e da sobrevivência a médio e longo prazo. Uma região com a ambição do Dão não pode abdicar de promover a investigação e experimentação com vista à melhoria das suas vinhas e dos seus vinhos. Neste sentido, impõe-se constituir uma parceria alargada, alicerçada no Ministério da Agricultu-


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A coesão Institucional há-de ser a questão mais prioritária da nossa acção colectiva: unir a Região Demarcada em torno de um projecto mobilizador que a consolide no pelotão da frente das Regiões Demarcadas Portuguesas

ra, no Instituto Politécnico de Viseu, na CVRDão, na Comunidade Intermunicipal e nas principais empresas, para transformar o Centro de Estudos Vitivinícolas do Dão num verdadeiro centro de ID&E – como já foi no passado - com capacidade de servir os interesses de todos os vitivinicultores da região. Importa, finalmente, sublinhar que o Dão tem pela frente uma incontornável e inexorável agenda de trabalhos para poder responder a todos estes desafios. Sabemos que estamos em economia de mercado e que, consequentemente, cada agente económico procura defender legitimamente os seus interesses, o melhor possível. Porém, como estamos perante uma marca colectiva que é a denominação de Origem Dão, o interesse individual está profundamente dependente do interesse colectivo: se a marca se valorizar, todos ganham; se se afundar, perdem todos. O que importa é termos a consciência de que o Dão já deu provas de que tem boas razões para ter ambição. O Dão é berço dos melhores e mais harmoniosos vinhos tintos portugueses, segundo a opinião de conceituados críticos, de que destaco o autor desta expressão, o insuspeito e competente especialista José António Salvador na sua magnífica obra “Portugal – vinhos, cultura e tradição”. Mas não podemos esquecer que, mesmo com o esforço feito nos últimos 15 a 20 anos, as nossas emblemáticas castas Touriga Nacional (que em minha opinião se deveria rebaptizar de imediato para Touriga Portuguesa) e Encruzado não passam ainda de uns modestos 15% e 5%, respectivamente, do total da região. Trabalho não falta. Precisamos de mais auto-estima para olhar o futuro que temos pela frente com o querer e ânimo dos vencedores e não estarmos continuamente a lamentar-nos por tudo o que corre mal. Obviamente que não sou imparcial nesta matéria. Mas, conhecendo como conheço o Dão e o Mundo, ressalta-me com certa naturalidade a ideia de associar o vinho do Dão àquilo que é o Mac Intosh (passe a publicidade) no mundo dos computadores: não tem a maior quota de mercado, é certo, mas afirma-se pela sua qualidade sui generis e capacidade de diferenciação. O centenário e eterno Dão merece o melhor esforço e empenho de todos nós! Mais do que isso: merece a nossa paixão!

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Fi l ip e Fra s q u i l ho Refer Te le com

SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

Os sistemas e tecnologias de informação são essenciais para o desenvolvimento e a inovação das organizações e das instituições, sejam grandes ou pequenas, Públicas ou privadas. A Informação é, atualmente, considerada um dos ativos mais importantes das organizações e instituições. Como qualquer ativo, tem valor e deve ser preservada, logo deve ter a segurança necessária e suficiente para responder às necessidades da organização. A informação têm, normalmente, 3 atributos principais que definem o valor para a organização (Confidencialidade, Integridade e Disponibilidade). A segurança da informação é um processo de gestão e não um processo tecnológico. A tecnologia ajuda à gestão, mas não a substitui, bem pelo contrário, é um complemento, que por si só não é capaz de trazer valor às organizações. Deste modo a segurança da informação depende de cada organismo e do valor que a informação representa para o negócio. A identificação dos riscos associados à segurança da informação, quer pela perda, pela corrupção ou pela destruição, devem ser quantificados de modo a definir o valor que os mesmos representam. Assim, é possível definir quais os processos mais críticos e as prioridades para o negócio e desenhar o consequente plano de continuidade do negócio.

A segurança da informação é um processo de gestão e não um processo tecnológico. A tecnologia ajuda à gestão, mas não a substitui

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Lu ís Mira Ama ra l En genheiro e Economis ta P rofess or Cate drát ico Conv idado de Economia e G es tão – IS T Membro do Cons e lho G eral da CIP

POLÍTICA ENERGÉTICA , EÓLICAS E O MONSTRO ELÉCTRICO O português Carlos Tavares, CEO da Peugeot-Citroën, disse que “os custos da electricidade em Portugal são 40% mais elevados do que em França"

As centrais eólicas têm um problema: a intermitência do vento. Qualquer pessoa percebe que se o vento só sopra 25% do tempo, não é possível abastecer o nosso país só com eólicas! E sendo máquinas de capital intensivo que só trabalham 25% do tempo, qualquer empresário iria à falência se trabalhasse nessas condições… Uma rede eléctrica, mesmo sem estas tecnologias intermitentes, tem sempre alguma geração de reserva para suprir a falha de geradores em serviço. Por isso até 2000Mw de eólica instalada, o nosso sistema acomodava essa capacidade, através da reserva excedentária existente e da capacidade de armazenagem nas albufeiras. Mas, com a capacidade instalada a chegar aos 4630 Mw é preciso novas barragens para acumular a energia em excesso produzida durante a noite e centrais térmicas em regime de subutilização durante o dia só para suprirem a falta de vento. Como as térmicas têm de estar sempre pré-aquecidas para entrarem imediatamente em serviço quando não há vento, isso implica gasto de combustível para esse pré-aquecimento sem estarem a produzir electricidade… E ainda temos o desgaste do material no para-arranca… Na hora de maior consumo do ano, pode ainda não haver vento e por isso tem de se dimensionar o parque electro-produtor sem contar com a eólica instalada… Então, quanto mais eólica instalada, mais energia em excesso durante a noite a necessitar de mais bombagem e mais térmicas de dia sub-utilizadas a funcionarem como back-up das eólicas, ou seja brutais custos fixos dessas centrais. As novas barragens não vão produzir energia, vão apenas servir de muleta às eólicas para acumular o excesso de produção da noite! E a CIP

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veio agora chamar a atenção para os investimentos de 150 milhões de euros, pagos por nós, que têm que ser feitos na Rede de Transporte para a ligação de tais barragens à Rede! Mexia diz e bem que nos custos da electricidade cinquenta por cento são custos de capital, mas foi ele o orientador da criação deste monstro eléctrico… O consumidor paga sempre a energia produzida nas eólicas, vindo a diferença entre a produção e o consumo nos famosos Custos de Interesse Económico Geral (CIEG) e também paga sempre os custos fixos das centrais da EDP, mesmo que não produzam, através dos famosos CMEC’s. Quando há vento e há chuva e as albufeiras ficam cheias, não se podendo armazenar a energia em excesso das eólicas, ela então é exportada para Espanha a preço zero, pois os que os espanhóis também não precisam dela! É a tempestade perfeita! O Prof. Clemente Nunes calculou então no IST os sobrecustos imputados às eólicas devido às perdas na bombagem (7 euros/Mwh), aos custos fixos das centrais de bombagem dos períodos em que armazenam à noite a água e a turbinam de dia (21€/ Mwh) e aos custos fixos das centrais térmicas de back-up durante o dia às eólicas (34€/Mwh). Temos assim que somar à tarifa das eólicas que segundo a ERSE foi de 102€/Mwh em 2013, mais 62€/Mwh de sobrecustos, levando-nos a um preço efectivo da eólica de 164€/Mwh! Aqui não estão ainda considerados nem as ineficiências no uso das térmicas nem os custos da ligação dos parques eólicos e das novas centrais de bombagem à Rede de Transporte, propondo agora a ERSE investimentos de mais de 450 Milhões de euros para isto!

Os nossos preços vêm distorcidos pela existência de défices tarifários, que representam custos não repercutidos nas tarifas porque não houve coragem de os passar para os consumidores, ao contrário da Dinamarca e da Alemanha que não geraram défices tarifários e por isso têm os preços mais elevados da Europa. Cá, se somássemos aos preços das tarifas os défices tarifários que iremos pagar com juros nos próximos anos…, teríamos uma ideia mais verdadeira dos custos do monstro eléctrico gerado! Mas mesmo sem considerar os défices tarifários, os preços em Portugal são dos mais elevados na Europa devido às desastradas políticas do anterior governo que o actual mantém. Para as famílias somos os segundos nos preços da electricidade mais elevados da União Europeia em termos de paridade de poder de compra, conceito adequado para medir o esforço das famílias na compra do cabaz de electricidade, e os quartos em preços nominais. E isto ainda sem incorporar os custos dos défices tarifários, que vão manter terríveis pressões sobre os preços no futuro. No que toca às empresas, o português Carlos Tavares, CEO da Peugeot-Citroën disse que “os custos da electricidade em Portugal são 40% mais elevados do que em França”, explicando que tais custos em Portugal são muito elevados e prejudicam a competitividade das empresas… No meio disto tudo, há empresas portuguesas cujos custos de electricidade são superiores aos custos laborais mas o actual PM continua a insistir apenas no ajuste do factor trabalho…


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2014 VISEU ECONÓMICO

38

Jos é Mo rga do Ri b e iro P res idente do Cons e lho Inter munic ip al da CIM Vis eu D ão L afõ es

POLITICAS PÚBLICAS REGIONAIS, COMO ALAVANCA AO CRE SCIMENTO E COMPETITIVIDADE DOS TERRITÓRIOS O meu voto é de que sejamos, todos em conjunto, CIM, municípios, associações empresariais, empresas, universidades e forças vivas da região, capazes de corresponder positivamente às expectativas

Importa realçar, desde já, a forte vocação exportadora da Região Viseu Dão Lafões. Assim, a taxa de cobertura das suas importações é de 126%, em linha com a Região Centro (124%) e cerca do dobro dos valores nacionais (64%). O grosso das nossas exportações destina-se a mercados Europeus (68%) e a percentagem de exportações extracomunitárias (32%) é bastante superior à média nacional e da região Centro. Estes números espelham a maior - e valiosa - diversificação dos mercados de exportação da nossa Região. De facto, as nossas empresas e os nossos empresários têm sabido manter altos padrões competitivos e de desempenho económico e financeiro, num contexto particularmente difícil e exigente. O caminho a “trilhar” deve continuar a ser este, isto é, a internacionalização e a exportação devem ser desígnios das nossas empresas. A nossa região Viseu Dão Lafões precisa, cada vez mais, de empresas focadas nos chamados “bens e serviços transacionáveis”, ou seja, aqueles que mais facilmente podem ser alvo de exportação. Neste contexto, o desenvolvimento e implementação de políticas públicas regionais assertivas, no horizonte temporal 2020, revela-se decisivo para o crescimento e competitividade dos nossos territórios e das nossas empresas já que o acordo de parceria a estabelecer, entre o Estado Português e Bruxelas, aponta o aumento da competitividade da economia portuguesa como principal desígnio e, por essa razão, onde grande parte dos fundos irá estar destinada às empresas.

16 MAI

Destaco, assim, como prioridade da CIM Viseu Dão Lafões, a concretização da estratégia e do plano de ação que estão a ser delineados para o território no âmbito do próximo período de programação dos fundos estruturais (2014-2020). Estou certo que seremos capazes, juntamente com todos os atores do território, de tornar a nossa região capaz de fomentar e atrair atividades económicas com potencial de internacionalização, geradoras de valor e criadoras de emprego qualificado, e que incorporem fatores de inovação no tecido económico. É claro que para transformar este território numa Região mais próspera é necessário não só contar com a competitividade das nossas empresas mas, também, com um ambiente empresarial propício, para o qual muito contribui a qualificação das pessoas, a existência de serviços de apoio às empresas, o estabelecimento de redes de cooperação e, naturalmente, conforme já referi, as políticas públicas regionais levadas a cabo. Defendo, que em qualquer estratégia a preconizar é essencial uma articulação e parceria entre os vários agentes da região, sejam eles privados, públicos, do ensino ou da cultura. É exatamente isto que a CIM Viseu Dão Lafões faz, e com muito sucesso, com as associações empresarias e as empresas, com o sistema científico e tecnológico, os agrupamentos de escolas, o Turismo Centro de Portugal, os atores culturais, entre outros e que, também, tem vindo a fazer ao longo da preparação da Estratégia Territorial de Desenvolvimento Viseu Dão Lafões 2020.

Um bom exemplo desta cooperação à escala regional é a “aliança” CIM, AIRV, Escolas de Ensino Superior e outros parceiros do território que passa pela dinamização de uma rede regional de apoio ao empreendedorismo, na facilitação de mecanismos concertados de apoio a novos empreendedores. Uma outra iniciativa da CIM e AIRV, e integrada nesta rede regional de empreendedorismo, foi a criação e dinamização do clube de “Business Angels” Viseu Dão Lafões. Uma referência também especial ao grande trabalho desenvolvido pelos nossos municípios e pelos nossos autarcas. Ao nível local, os municípios desta região têm vindo a concretizar um conjunto de investimentos estruturais, muitos deles com o apoio dos fundos comunitários, com a preocupação de reforçar as condições de fixação e atratividade de novos investimentos. O meu voto é de que sejamos, todos em conjunto, CIM, municípios, associações empresariais, empresas, universidades e forças vivas da região, capazes de corresponder positivamente às expectativas, com melhores resultados na conceção e avaliação de políticas e, sobretudo, no desempenho da nossa política supramunicipal. Só uma colaboração estreita entre todas estas entidades, numa procura constante de somatório de vontades e capacidades, permitirá termos uma Região Viseu Dão Lafões mais competitiva, mais forte e capaz de contribuir para o desígnio comunitário de um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo.


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2014 VISEU ECONÓMICO

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PME

PME

EXCELÊNCIA

LÍDER

NOME

CONCELHO

NOME

CONCELHO

Afonso & Filhos, Lda.

Trancoso

A. Esteves, Lda.

Cinfães

Amol - Armazéns de Mercearia Oliveirense, Lda.

Oliveira do Hospital

A. S. P. - Indústria de Plásticos, Lda.

Oliveira de Frades

Beiraportal - Produtos de Madeira, Lda.

Viseu

Adega Cooperativa de Mangualde, C.R.L.

Mangualde

Cermouros - Cerejas de São Martinho de Mouros, Lda.

Resende

Adega Cooperativa de Penalva do Castelo, CRL

Penalva do Castelo

Cortagri - Cortegaça Agrícola, Lda.

Mortágua

Adega Cooperativa de Silgueiros, CRL

Viseu

Districarregal - Supermercados, Lda.

Carregal do Sal

Afonso Santos Ferreira, Lda.

Sátão

Ename, S.A.

Viseu

Albuquerque & Freitas, S.A.

Viseu

Endiprev, Lda.

Mortágua

Almeida, Cunha & Chaves, Lda.

Viseu

Fábrica de Plásticos Favir, Lda.

Santa Comba Dão

Amadeu de Jesus Duarte, S.A.

Viseu

Floponor - Florestas e Obras Públicas do Norte, S.A.

Trancoso

Oliveira de Frades

Fun e Fitness - Comércio de Artigos Desportivos, Unipessoal Lda.

Viseu

Ambiformed - Ambiente, Higiene, Segurança e Saúde no Trabalho, Unipessoal Lda. Amélia Marques, Lda.

São Pedro do Sul

Habidecor - Indústria Têxtil para Habitação, S.A.

Viseu

António da Silva Albino, Lda.

Viseu

Hotel do Monte - Actividades Hoteleiras, Lda.

São Pedro do Sul

Tondela

Hotel Monte Rio, S.A.

São Pedro do Sul

António Pereira & Sousa - Comércio de Produtos Alimentares e Bebidas, Lda.

Isolafões - Isolamentos e Impermeabilizações, Lda.

Oliveira de Frades

Arcelino Cardoso da Costa, Lda.

Tarouca

J. C. Pastelaria, Lda.

Viseu

ARISDOURO - Gestão Hoteleira, Lda.

Armamar

Viseu

Armando Ferreira dos Santos, Lda.

Viseu

José Gonçalves da Silva Santos & Irmão - Indústria Metálica, Lda.

Viseu

Arménio Pereira de Sousa - Comércio e Reparação de Equipamentos Agrícolas, Lda.

Santa Comba Dão

Lanxeirão - Exploração de Bares, Lda.

Viseu

Armindo Pereira Pais, Lda.

Mortágua

Log - Logística Integrada Automóvel, Lda.

Ascop - Construção Civil e Obras Públicas, Lda.

Moimenta da Beira

Maria Felismina Seguro Vasconcelos Andrade Henriques

Vila Nova de Foz Côa

Aufer - Material Técnico e Equipamentos de Escritório, Lda.

Viseu

Oliveira do Hospital

Auto Acessórios da Beira, Lda.

Viseu

Viseu

Auto Martinauto, S.A.

Viseu

Castro Daire

Auto Reparadora da Muna, Lda.

Viseu

Papelaria Adrião, Lda.

Mangualde

Aviagro - Equipamentos e Serviços Agropecuários, S.A.

Tondela

Papelíquidos - Comércio de Produtos de Limpeza, Lda.

Viseu

Avizela - Sociedade Avícola do Zela, S.A.

Vouzela

Pneuser - Manutenção Automóvel, Lda.

Penalva do Castelo

Azurmáquinas - Máquinas Industriais e Equipamentos, Lda.

Mangualde

Queijos Lagos - Queijos e Derivados, Lda.

Oliveira do Hospital

Azurmetal - Metalúrgica Azurara, Lda.

Mangualde

Quiloaves - Comércio e Indústria de Aves, Lda.

Viseu

Beiragel - Produtos Alimentares Congelados, S.A.

Viseu

Rubber Vulk, Lda.

Oliveira de Frades

Beiranova - Indústria de Congelados, S.A.

Viseu

Lamego

Beiraportal - Produtos de Madeira, Lda.

Viseu

Solicel - Sociedade do Centro Industrial de Esteios de Lousa, Lda.

Vila Nova de Foz Côa

Beiropomar - Sociedade de Comercialização de Frutas da Beira Alta, Lda.

Moimenta da Beira

Supermontemuro - Supermercados, Lda.

Castro Daire

Bernardino de Almeida e Costa & Filhos, S.A.

São Pedro do Sul

Penalva do Castelo

Bovisil - Máquinas e Serviços, Lda.

Viseu

VISEU

Bricotir - Transportes, Lda.

Castro Daire

Santa Comba Dão

Campoaves- Aves do Campo, S.A.

Oliveira de Frades

Viseu

Carpintaria Miguel Batista, Lda.

Sátão

Viseu

Carrapatelo - Sociedade de Construções, Lda.

Cinfães

Transportes Pina & Sérgio, Lda.

Fornos de Algodres

Carregal Alimentar - Comércio de Produtos Alimentares, Lda.

Carregal do Sal

Vasco Pinto & Agostinho Sousa - Produtos Hortícolas e Ervas Aromáticas, Lda.

São Pedro do Sul

Casa de Saude de São Mateus, S.A.

Viseu

Catro - Supermercado, Lda.

Santa Comba Dão

Caves da Raposeira, S.A.

Lamego

Jorsat - Comércio de Equipamentos e Serviços Digitais, Lda.

Marserra - Alimentar, Lda. Metalúrgica do Eucalipto, Lda. Montalvia - Construtora, S.A.

Santos Monteiro, Unipessoal Lda.

Superpenalva - Supermercados, Lda. Talho Irmãos Oliveiras 2, Lda. Tesouro Urbano, Unipessoal Lda. Transportes Cardoso & Irmão, Lda. Transportes Garcia & Valentim, Lda.

16 MAI


2014 VISEU ECONÓMICO

Cemedical - Centro Médico de Diagnóstico e Recuparação, Lda.

Santa Comba Dão

Cermouros - Cerejas de São Martinho de Mouros, Lda.

Resende

Cleda Plus, Lda.

Sátão

Coelho & Dias, S.A.

Viseu

Congelmor - Congelados da Beira, S.A.

Viseu

Constálica - Elementos de Construção Metálicos, S.A.

41

Interedifícios - Construções, Lda.

Cinfães

Iprom - Produtos Metálicos, Lda.

Viseu

Isolafões - Isolamentos e Impermeabilizações, Lda.

Oliveira de Frades

J. C. Pastelaria, Lda.

Viseu

J. F. Rolo - Alumínios, Lda.

Viseu

Vouzela

J. Henriques - Acabamentos Peças Borracha, Sociedade Unipessoal Lda.

Viseu

Construções Laurindo de Almeida, Lda.

Oliveira de Frades

J. L. S. - Transportes Internacionais, S.A.

Viseu

Controlvet - Segurança Alimentar, S.A.

Tondela

Jomanor, Unipessoal Lda.

Mangualde

Cooperativa Agrícola de Mangualde, CRL

Mangualde

São João da Pesqueira

Cooperativa Agricola de Penela da Beira, CRL

Penedono

Jopauto - Comércio e Indústria de Máquinas e Automóveis, S.A.

Cooperativa Agrícola do Távora, CRL

Moimenta da Beira

Jorsat - Comércio de Equipamentos e Serviços Digitais, Lda.

Viseu

Cortagri - Cortegaça Agrícola, Lda.

Mortágua

José da Costa & Filhos, Lda.

Tondela

Cosimpor - Importação e Comércio Automóvel, S.A.

Viseu

Viseu

Costa Ibérica - Madeira & Derivados, S.A.

Mangualde

José Gonçalves da Silva Santos & Irmão - Indústria Metálica, Lda.

Cruz & Filhos - Mobiliário e Sanitários, Lda.

Tarouca

José Lopes Mira, Lda.

Mortágua

Cruz & Oliveira - Carpintaria e Mobiliário, Lda.

São Pedro do Sul

Labialfarma - Laboratório de Produtos Farmacêuticos e Nutracêuticos, S.A.

Mortágua

Dabeira - Sociedade de Construções, Lda.

Viseu

Laboratórios da Farmácia Feliz, Lda.

Mangualde

Desfruta - Comércio de Frutas, Lda.

Moimenta da Beira

Lacticínos do Paiva, S.A.

Lamego

Dietmed - Produtos Dietéticos e Medicinais, Lda.

Viseu

Lactovouga - Lacticínios e Derivados, S.A.

Sátão

Dimoldura - Molduras e Componentes, Unipessoal Lda.

Carregal do Sal

Lanxeirão - Exploração de Bares, Lda.

Viseu

Districarregal - Supermercados, Lda.

Carregal do Sal

Lapifruta, S.A.

Moimenta da Beira

Duquebel - Fábrica de Tintas e Vernizes, Lda.

Viseu

Lar D’Arte - Carpintaria e Móveis de Cozinha, Lda.

Castro Daire

Edibest - Engenharia e Construção, Lda.

Tondela

Viseu

Eduardo António Resende & Irmãos, Lda.

Tabuaço

Leitão & Mamede - Distribuidores de Produtos Alimentares, Lda.

Eduardo Oliveira & Irmãos, Lda.

Viseu

Lemos & Irmão, S.A.

Viseu

Viseu

Limpa Canal - Limpezas Ecológicas, Lda.

Viseu

Viseu

Lofilassiste - Comércio e Reparação de Veículos, Lda.

Viseu

Encontrus - Sociedade Hoteleira, Lda.

Carregal do Sal

Log - Logística Integrada Automóvel, Lda.

Viseu

Endiprev, Lda.

Mortágua

Luciano Ferreira Lourenço, Herdeiros Lda.

Viseu

Enernel - Sistemas de Energia, Lda.

Nelas

Lúcio Fernandes & Filhos, Lda.

Lamego

Equipamentos Mário Agostinho, Lda.

Viseu

LuneLda. - Máquinas e Acessórios, Lda.

Viseu

Ernesto L. Matias, Lda.

Mangualde

Lusovini - Distribuição, Lda.

Carregal do Sal

Mangualde

M. C. Reimão Costa Cardoso Menezes, Lda.

Viseu

Carregal do Sal

Machado & Rodrigues, Lda.

Oliveira de Frades

Mangualde

Macomprogresso - Materiais de Construção, S.A.

Mortágua

Santa Comba Dão

Macoteivas - Materiais de Construção, Lda.

Viseu

Viseu

Macovex - Materiais de Construção, S.A.

Viseu

Fernando Coimbra Ferreira & CA, Lda.

Tondela

Tarouca

Fernando Santos Carvalho & Filhos, Lda.

Moimenta da Beira

Macro-Frio - Comércio Internacional de Produtos Alimentares, S.A.

Francisco Tavares da Silva, Lda.

Viseu

Magril - Máquinas Agrícolas, Lda.

Viseu

Frusantos - Frutos Seleccionados, Lda.

Sernancelhe

Mangual-Técnica - Indústria Metalomecânica, Lda.

Mangualde

Frutas Cruzeiro, Lda.

Sernancelhe

Manuel Cardoso Oliveira, Unipessoal Lda.

Viseu

Fumeiros Porfírios, Lda.

Lamego

Manuel de Castro & Filhos, Lda.

Viseu

Fun e Fitness - Comércio de Artigos Desportivos, Unipessoal Lda.

Viseu

Manuel Dias & Primo, Lda.

Vouzela

Manuel Pereira da Cruz & Filhos, Lda.

Tarouca

G. F. S. - Cosméticos, Lda.

Viseu

Maranhão - Sociedade de Construções, Lda.

Cinfães

Geodouro - Consultoria e Topografia, Lda.

Armamar

Marcovil - Metalomecânica de Viseu, S.A.

Viseu

Penalva do Castelo

Maroufi - Sociedade de Granitos e Mármores, Lda.

Castro Daire

Oliveira de Frades

Marques, Alves (Irmãos), Lda.

Mortágua

Tondela

Marques, Lda.

Viseu

Ginado - Produção e Comercialização de Têxteis, S.A.

Tondela

São João da Pesqueira

Gouveia & Campos, S.A.

Viseu

Mateus & Sequeira - Sociedade de Construções Compra e Venda, S.A

Graciano da Cruz - Gestão de Resíduos Industriais, Lda.

Tondela

Mateus & Sequeira Vinhos, S.A.

São João da Pesqueira

Graciano dos Santos Loureiro, Lda.

Viseu

Metalúrgica do Eucalipto, Lda.

Viseu

Gruman - Gruas de Mangualde, Lda.

Mangualde

Minipaiva - Supermercados, Lda.

Vila Nova de Paiva

H. R. Indústria, S.A.

Mangualde

Moimentalfer - Serralharia Civil, Lda.

Moimenta da Beira

Habidecor - Indústria Têxtil para Habitação, S.A.

Viseu

Montalvia - Construtora, S.A.

Castro Daire

Hiper Real - Comércio Internacional de Electrodomésticos, Lda.

Viseu

Morbel - Mármores e Granitos de Viseu, Lda.

Castro Daire

Moreira & Rodrigues, S.A.

São Pedro do Sul

Hotel do Monte - Actividades Hoteleiras, Lda.

São Pedro do Sul

Movecho - Móveis de Escritório, S.A.

Nelas

Hotel Grão Vasco, S.A.

Viseu

Multilafões - Aviário de Multiplicação de Lafões, S.A.

Oliveira de Frades

São Pedro do Sul

Novaibérica - Automóveis, Lda.

Viseu

Lamego

Nutrofertil - Nutrição e Fertilizantes, Lda.

Tondela

Oliveira de Frades

Oitofatias - Restauração, Unipessoal. Lda.

Viseu

Mangualde

Óptica Parente 2, Lda.

Lamego

Sernancelhe

Palais Gourmet, Lda.

Viseu

Mortágua

Panificadora Flôr de Tabuaço, Lda.

Tabuaço

Penalva do Castelo

Papelaria Adrião, Lda.

Mangualde

Moimenta da Beira

Papelíquidos - Comércio de Produtos de Limpeza, Lda.

Viseu

Tondela

Paródia de Sabores, Lda.

Santa Comba Dão

Embeiral - Engenharia e Construção, S.A. Ename, S.A.

Esquecer o Tempo, Lda. Euroralex - Confecções, S.A. Fábrica de Camisas Sagres, S.A. Fábrica de Plásticos Favir, Lda. Farmácia Gama, Lda.

Germiltrans - Transportes Nacionais e Internacionais, Lda. Gesto - Energia, S.A. Gialmar - Produtos Alimentares, S.A

Hotel Monte Rio, S.A. Iberoenergia, Lda. Iberoperfil - Perfis Postformados, S.A. Inácio Lopes dos Santos Incoveca - Granitos, S.A. Indumadeiras - Indústria de Madeiras de Mortágua, Lda. Inerbeiral - Agregados e Betuminosos, Lda. Insercol - Indústria de Serralharia e Coberturas, Lda. Interecycling - Sociedade de Reciclagem, S.A.

16 MAI


2014 VISEU ECONÓMICO

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16 MAI

Pastelaria Capuchinha do Rossio, Lda.

Viseu

UDACA - União das Adegas Cooperativas do Dão, UCRL

Viseu

PaulosAuto - Peças e Auto Industriais, Lda.

Viseu

V. D. S. - Vinhos do Douro Superior, S.A.

São João da Pesqueira

Paviléctrica, Lda.

Castro Daire

Vale & Filhos - Indústria de Móveis, Lda.

Viseu

Pavi-Metal - Produtos Metálicos, S.A.

Viseu

São Pedro do Sul

Perfisa - Fábrica de Perfis Metálicos, S.A.

São Pedro do Sul

Vasco Pinto & Agostinho Sousa - Produtos Hortícolas e Ervas Aromáticas, Lda.

Pérola Negra - Transportes Nacionais e Internacionais, Lda.

Mangualde

Via Roda - Sociedade Comercial de Combustíveis, Lda.

São Pedro do Sul

Pessoas & Impressões -Indústria de Impressão, Lda.

Carregal do Sal

Vidis - Distribuição de Produtos Alimentares, Lda.

Viseu

Phaarmpeças, Unipessoal Lda.

Viseu

Vidraria Mortágua - Vidros e Espelhos, S.A.

Mortágua

Pinto Bernardino & Filho, Lda.

Resende

Vifer - Sociedade de Artigos de Óptica, Lda.

Viseu

PIZZA BIS - Produtos Alimentares, Lda.

Viseu

Vinoquel - Vinhos Óscar Quevedo, Lda.

São João da Pesqueira

Pneuser - Manutenção Automóvel, Lda.

Penalva do Castelo

Violantecar - Peças Auto, Unipessoal Lda.

Viseu

Policorte - Serração de Mármores e Granitos, Lda.

Sernancelhe

Viselbi - Bicicletas de Viseu, Lda.

Viseu

Polimagra - Granitos, S.A.

Moimenta da Beira

Visifruta - Frutas, Lda.

Viseu

Portax - Componentes de Móveis, S.A.

Oliveira de Frades

Visipapel, Lda.

Viseu

Previcon - Pré-Esforçados, S.A.

Oliveira de Frades

Visotela - Sociedade Técnica de Electromecânica, Lda.

Viseu

Quadroviseu - Fábrica de Quadros Eléctricos, Lda.

Viseu

Vouga Tintas - Indústria e Comércio de Tintas, Lda.

Viseu

Quiloaves - Comércio e Indústria de Aves, Lda.

Viseu

Xerocar - Comércio de Veículos Automóveis, S.A.

Moimenta da Beira

Ramos & Ramos, Lda.

Oliveira de Frades

Zantia - Climatização, S.A.

Viseu

RCGás - Redes de Gás do Centro, Lda.

Viseu

Real Gastronomia, Lda.

Lamego

Recauchutagem Lameca, Lda.

Lamego

Reiciviseu, Lda.

Viseu

Restaurante 3 Pipos - Actividades Hoteleiras, Lda.

Tondela

Restaurante Quinta da Magarenha, Lda.

Viseu

Restaurante Zé Pataco, Lda.

Nelas

Resur - Gestão de Resíduos e Higiene Urbana, Lda.

Moimenta da Beira

Revilaf - Construção Civl e Revestimentos, Lda.

Oliveira de Frades

Rosa Lopes & Silva, Lda.

Mortágua

Rubber Vulk, Lda.

Oliveira de Frades

S. D. L. - Sociedade Distribuidora de Lubrificantes, Lda.

Viseu

S. F. P. C. - Sociedade Franco Portuguesa de Capacetes, S.A.

Carregal do Sal

Salsicharia e Fumeiros Tradicionais do Alto Paiva, Lda.

Vila Nova de Paiva

Santos & Costa, Lda.

Viseu

Santos & Jesus, Lda.

Lamego

Santos & Silva, Lda.

São Pedro do Sul

Santos Monteiro, Unipessoal Lda.

Lamego

Satherm - Equipamentos Térmicos, Lda.

Sátão

Sécarte - Indústria e Comércio de Mobiliário, Lda.

Viseu

Sequeira & Sequeira - Comércio de Produtos Alimentares, S.A.

Vouzela

Serração Moderna de Lamelas, Lda.

Castro Daire

Serralharia Douro Sul, Lda.

Resende

Sidor - Metalomecânica, Lda.

Viseu

Silva & Carvalhas, Lda.

São Pedro do Sul

Soares & Figueiredo, S.A.

Viseu

Socibeiral - Serviços, Lda.

Viseu

Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A.

Tarouca

Sociedade Hoteleira “A Lampreia”, Lda.

Santa Comba Dão

Sociedade Hoteleira das Termas do Carvalhal, S.A.

Castro Daire

Socitop, Unipessoal Lda.

Mortágua

Sosoares - Caixilharia e Vidros, S.A.

Viseu

Soutos da Vila - Sociedade Agro-Comercial de Castanha, Lda.

Sernancelhe

Supermercados Ganha Pouco, Lda.

Castro Daire

Supermontemuro - Supermercados, Lda.

Castro Daire

Superpenalva - Supermercados, Lda.

Penalva do Castelo

Systeel, Lda.

Mangualde

T&T Multieléctrica, Lda.

Vouzela

Talho Irmãos Oliveiras 2, Lda.

Viseu

Tecnilac - Técnicas Agro-Industriais, Lda.

Viseu

Tecsisel - Tecnologia, Sistemas Eléctricos, Lda.

Viseu

Tesouro Urbano, Unipessoal Lda.

Santa Comba Dão

TheraLab - Produtos Farmacêuticos e Nutracêuticos, Lda.

Viseu

Tojaltec - Fabrico de Máquinas, Lda.

Tondela

Toscca - Equipamentos em Madeira, Lda.

Oliveira de Frades

Transportes Alcides Costa, Lda.

Tondela

Transportes Cardoso & Irmão, Lda.

Viseu

Transportes David Pereira & Filhos, Lda.

Castro Daire

Transportes Garcia & Valentim, Lda.

Viseu

Transportes Oliveira & Neves, Lda.

Penalva do Castelo

Transportes Senhora dos Milagres, Lda.

Castro Daire

TW - Empresa de Trabalho Temporário, S.A.

Tarouca


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ENTREVISTA

45

CERV - CONSELHO EMPRESARIAL DA REGIÃO DE VISEU

Texto A. Figueiredo

DEVEMOS FAZER PESCA À LINHA PARA CAPTAR INVESTIMENTO

C

entenas de empresários participaram nas terceiras conferências “Viseu Económico”, organizadas pelo CERV – Conselho Empresarial da Região de Viseu. O presidente João Cotta, que é também um dos acionistas da empresa proprietária do Jornal do Centro, reclama para a região uma atitude mais profissional e concertada, através da CIM, na captação de investimento para a região. Quanto às ligações de que tanto se tem falado nos últimos tempos, prefere uma linha de caminho de ferro para Espanha do que uma autoestrada para Sul

As terceiras conferências Viseu Económico têm como tema genérico: Desenvolvimento, Políticas Públicas e Práticas Empresariais. Porquê estes três vetores? Porque pensamos que só existe desenvolvimento com empresas saudáveis. Por outro lado, a prosperidade económica depende muito das políticas públicas implementadas e das políticas de contexto. Há também que ter em conta a aplicação de boas práticas empresariais, daí a promoção das PME líderes e excelência, reconhecidas pelo IAPMEI. As empresas privadas sabem viver sem o Estado? Quando falo de políticas públicas não são políticas de apoios e incentivos. São as políticas de justiça, políticas fiscais, de educação, ligação ensino-empresa.

JOÃO COTTA PRESIDENTE DO CERV

Captar investimento a sério não se faz com voluntarismos. Tem que ser com pessoas especializadas, com um argumentário forte. Tem que se fazer dez visitas e ter êxito em uma

tuguês são importantes e devem ser reembolsáveis. Têm que ter juros e um prazo de reembolso favorável. Um programa de financiamento para uma indústria não pode ser a pagar em quatro anos. Temos que alargar o prazo e ter juros competitivos. Sou favorável ao fim dos financiamentos a fundo perdido. Só cria maus hábitos E o tecido empresarial está preparado para isso? Vai ter que estar. Como se costuma dizer a necessidade aguça o engenho. As empresas são dinâmicas e têm que se adaptar a esta nova realidade.

E o tecido empresarial da região de Viseu é débil, por ser quase na totalidade constituído por micro empresas, muitas delas empresas familiares? Na prática o tecido empresarial da região de Viseu não é muito diferente do país. Mas existem sinais Os empresários portugueses criticam positivos ao termos uma taxa de demuito a presença do Estado na economia mas andam sempre a pedir apoios semprego abaixo da média nacional que julgo depender do facto de teraos Estado. Não é contraditório? No passado houve muito essa visão mos uma tecido empresarial diverdas empresas dependentes do Esta- sificado e não depender unicamente do. Agora chegámos à conclusão que de um setor. somos um país pobre e isso conduziu, ou vai conduzir, à regeneração Mas em 2013 o distrito de Viseu reda atitude dos empresários que de- gistou um aumento do desemprego vem olhar para o Estado não como (10,5%), muito superior à média naum facilitador para dar apoios, que cional (6,1%).... desvirtuam a concorrência, mas Mas no global continuamos abaixo como uma entidade que é amiga da média nacional. Era expectável o das empresas ao facilitar os licencia- aumento do desemprego no país e mentos, e que tem uma carga fiscal e também na região de Viseu. uma legislação laboral aceitável. No distrito de Viseu a maioria das Mas para o próximo quadro comunitá- empresas que fecham e abrem são do rio de apoio, programa 2020, continua comércio a retalho? a reclamar-se apoio para as empresas? A via mais fácil é o negócio do reO financiamento através dos progra- talho. Exige menos investimento, é mas comunitários e do estado por- verdade, mas o futuro também será 16 MAI


ENTREVISTA

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fazer dez visitas e ter êxito em uma. Devem-se construir mais? Tem que haver um esforço conti- Penso que não. nuado de captação de investimento. Porque é que a AIRV alimentou uma Como é que isso se consegue quando estrutura como a Gestin que acumulou milhões de prejuízo e não conseguiu agora a moda é cada município ancaptar um investimento para o parque dar com a sua bandeira a captar inQuem quiser hoje investir na região empresarial de Mundão em Viseu? de Viseu deve investir em quê? Há al- vestimento? Esse não é o caminho. É eviden- No início a Gestin Viseu fazia senguma ideia? Penso que não deve existir esse tipo te que hoje os autarcas estão mui- tido porque estava ligada à AEP – to mais sensíveis para a captação de Associação Empresarial de Portude orientação. investimento. Mas se não atuarmos gal que conhecia os mecanismos da de forma concertada não se conse- captação de investimento. O projeA região não se deve posicionar para captar determinados investimentos? gue fazer. Na CIM só Viseu é que to já nasceu torto, não correu bem e Devemos é estar atentos às tendên- será o concelho capaz de sozinho poderíamos ter feito melhor. Devecias do mercado, do consumo, legis- fazer a procura de investidores no ria ter tido uma liderança local e não uma liderança externa à AEP atramercado externo. lativas, etc. menos promissor. O sucesso estará na diferenciação do investimento. Será maior a probabilidade de sucesso para os projetos que incorporem conhecimento.

O que é que a região pode e deve fazer para captar investimento? Tem que criar condições de atratividade e fixação em zonas industriais e uma instituição de ensino superior que garanta as necessidades de quadros para as empresas.

Todas as decisões da Lusitânia foram aprovadas em assembleia geral e por unanimidade. Há quem fale em 25 milhões, penso que não será tanto, talvez 12 milhões, que é muito dinheiro, e esses investimentos foram validados pelos associados e auditorias externas.

Mas isso já nós temos há muitos anos. Temos o IPV, áreas industriais desocupadas e a A25. Porque é que região de Viseu não teve nos últimos anos a capacidade de captar um grande investimento nacional ou internacional, tipo Autoeuropa, Ikea. Até a nova fábrica da Visabeira foi para Aveiro. A região de Viseu tem que se dar a conhecer numa estratégia concertaE é possível fazer essa concertação da de captação de investimento. estratégica conjunta? Mas para que serve a CIM? Não é E porque é que não tem? Não sei. Eu sempre defendi que a para isso? Os municípios não deComunidade Intermunicipal Viseu vem competir entre si. Deve haver Dão Lafões (CIM) devia ter uma es- uma estratégia integrada. Pode e trutura com uma ou duas pessoas deve instalar-se num outro conceque se dedicassem exclusivamente lho da CIM uma empresa compleà promoção do território no país e mentar a uma multinacional que no estrangeiro. Devemos fazer pes- funcione por exemplo em Tondela. ca à linha e ir bater à porta dos in- Não deve haver competição cega envestidores e apresentar a região. Te- tre municípios, tem que haver commos que aparecer como uma região plementaridade. moderna, segura, com qualidade de vida, com boas infraestruturas. De- Mas alguém investe numa região víamos ter a nossa Agência Regio- onde se fecham escolas, tribunais, final para o Investimento e Comércio nanças, etc? Externo, para “vender” a região aos Depende. Se tiver boas condições investidores. Há que ir a feiras, há de instalação, boas acessibilidades, que visitar as empresas, há que estar mão de obra que necessite, porque atento. Quando surge a notícia de não? Muitas pessoas que visitam a que empresa X estuda investimento Controlvet perguntam porque é que em Portugal, essas pessoas da CIM, a empresa líder de mercado na quaque só se deviam preocupar com lidade alimentar não está em Lisboa isso, deviam meter-se logo no avião ou no Porto. Estamos em Tondela e e ir apresentar as vantagens da re- estamos bem.. gião a esses potenciais investidores. Captar investimento a sério não se Há na região alguns parques indusfaz com voluntarismos. Tem que ser triais não ocupados. O que se lhes com pessoas especializadas, com deve fazer? um argumentário forte. Tem que se Não sei.

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vés da Parque-Invest – Sociedade Promotora de Parques Industriais, SA, com sede em Leça da Palmeira. Toda a gente percebia que aquilo não funcionava e tudo continuava a “arrastar os pés”? Concordo. A Gestin tinha uma oferta de terrenos com custos muito elevados, não era dinâmica na captação de investimento e depois com a crise de 2010, pior. Aqui mais uma vez se notou a falha de uma estratégia regional. A AIRV em tempos propôs o alargamento da gestão da Gestin para os outros parques industriais da região de Viseu. Ainda bem que a ideia não avançou. Assim o desastre Gestin não se alargou a toda a região? Não sei. A Gestin não podia competir. Tinha em Viseu terrenos a 35 euros o m2 quando em Tondela havia a 2,5 euros m2. A falta de estratégia regional deita por terra projetos como a Gestin e faz com que a atratividade de investimento se faça apenas pelo preço do m2.

O que vai fazer a AIRV dos dois lotes que lhe coube, no parque empresarial do Mundão, para sair da Gestin? Vão ficar à disposição de potenciais investidores pelo preço com que ficou com eles. A AIRV já aprovou a extinção da Expovis, empresa gestora da Feira de São Mateus, anunciada pela câmara municipal de Viseu? Já. A AIRV vai participar na associação que vai ser criada para gerir a Feira de São Mateus? Vai ter uma participação relevante. A Expovis como empresa municipal já devia ter sido extinta. A constituição de uma associação possibilita a candidatura a outro tipo de apoios e a realizar outro tipo de eventos e atividades. E possibilita ir buscar outros parceiros que podem trazer uma mais valia para a associação. A AIRV também é sócia da Lusitânia. Faz parte da comissão liquidatária. Como está esse processo? A Lusitânia é uma associação de desenvolvimento regional que tem os municípios como principais associados para além de outras associações e instituições de ensino superior e sempre teve municípios na liderança. Com o aparecimento da CIM Viseu Dão Lafões, a Lusitânia deixou de ter razão de existir. Embora a CIM formalmente nada tenha a ver com a Lusitânia, a não ser alguns municípios em comum, foi Carlos Marta, antigo líder da CIM, que propôs a liquidação da Lusitânia, tendo sido aprovada por unanimidade pelos municípios. Foi então designada uma comissão liquidatária que responde e só executa o que é decido pela assembleia geral da Lusitânia. Enquanto houver créditos e dívidas por liquidar a Lusitânia não pode ser extinta. A maioria do dinheiro a receber, 200 mil euros, é de dívidas dos municípios de São Pedro do Sul, Santa Comba Dão e Oliveira de Frades. Como estes municípios não pagam o que devem, caiu-se numa situação de impasse. É que a Lusitânia só pode pagar ao principal credor, que é a PT – Portugal Telecom, se receber dos municípios. Perante o impasse a comissão liquidatária apresentou a demissão na assembleia geral da Lusitânia de dezembro de 2013. O pedido acabou por ser retirado perante a insistência dos municípios para que se fizesse um esforço final para resolver a situação. Os mu-


ENTREVISTA

nicípios continuam sem pagar as dívidas e o impasse continua. A comissão liquidatária entregou a demissão em março. Em breve deve acontecer outra assembleia geral da Lusitânia. Se a dívida existe não se pode “obrigar” os municípios a pagar? Ainda no anterior mandato autárquico os municípios escolheram, os antigos presidentes das câmaras de Vouzela, Telmo Antunes, e de Penalva do Castelo, Leonídio Monteiro, como auditores para validarem ou não as dívidas reclamadas pela Lusitânia aos municípios. Estes auditores reconheceram a existência das dívidas mas os municípios devedores não aceitaram essa decisão. A constituição dessa comissão liquidatária não é uma forma de enterrar, de esconder as dúvidas que existem sobre a forma como foram como gastos os muitos milhões de euros que passaram pela Lusitânia? A Lusitânia foi muitas vezes auditada pelas entidades competentes e nunca foi encontrada nenhuma ilegalidade, antes pelo contrário. Havia até elogios à forma como era feita a gestão dos fundos. Todas as decisões da Lusitânia foram aprovadas em assembleia geral e por unanimidade. Há quem fale em 25 milhões, penso que não será tanto, talvez 12 milhões, que é muito dinheiro, e esses investimentos foram validados pelos associados e auditorias externas.

Os municípios não se podem demitir das responsabilidades da Lusitânia porque eles são os seus principais sócios. Aquilo é deles. O CDS anunciou que vai pedir ao ministério público que investigue os processos de extinção da Lusitânia e da Expovis... Se entende que o deve fazer que o faça. Se calhar até é bom para que as suspeitas terminem de vez. Não tenho nada contra.

mandatário do prof. Cavaco Silva... Eu movimento-me por pessoas, ideias e projetos. Tive muito orgulho em estar na Assembleia Municipal de Tondela quando o presidente da Câmara era Carlos Marta. E tenho muito orgulho em ser deputado municipal em Viseu, convidado pelo Dr. Almeida Henriques, pessoa que muito prezo e estimo e que espero venha ser um grande presidente da Câmara Municipal de Viseu. Na AIRV vou terminar o meu mandato e virá outra pessoa, o que é bom para a renovação.

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Só não foi candidato porque Almeida Henriques foi o candidato do PSD? Seria sempre uma situação de recurso. Porque a minha vida empresarial intensa não me permite. Gosto do que faço e não tenho ambições políticas.

Nos últimos meses voltou-se a falar com muita insistência da autoestrada Viseu/Coimbra, ou da agora designada ligação Viseu a Sul e da linha de caminho de ferro como projetos fundamentais para a região. Qual é o mais importante? Em Viseu é apelidado empresário euPenso que o mais importante para calipto porque absorve vários cargos. a região, para aumentar a sua comNeste envolvimento é a política que É presidente da AIRV, do CERV, do petitividade, é a ligação ferroviária. influencia os negócios ou são os neConselho Geral do IPV. Faz parte do Como o país não é rico já seria bom conselho consultivo da CMV, da CIM, gócio que influenciam a política? Nem uma coisa nem outra. Desde a requalificação da linha da Beira etc. Porque é que vai a todas? Vivi quinze anos no Caramulo onde muito jovem que me interessei por Alta com uma ligação a Viseu. formei duas associações de pais e causas públicas e nunca houve qual- Na ligação rodoviária a Sul, com a um ATL. Vim para Tondela onde quer ligação entre a minha vida pú- atual situação do país, a requalificação do IP3 já seria bom. criei duas associações de pais, um blica e a minha vida empresarial. ATL e um grupo coral polifónico. Porque é que um empresário da área Eu gosto de criar coisas, de me en- Mas tira benefícios da política para da veterinária e qualidade alimentar volver com a sociedade. As funções os negócios? investiu na área da comunicação soque ocupo são por eleição. As pes- Não. De forma nenhuma. cial local ? soas reconhecem-me alguma capaTenho alguma dificuldade em dizer cidade de realização, de empenha- Porque não aceitou o desafio de ser que não a desafios que me atraem. candidato à câmara de Viseu? mento e comprometimento. Fui desafiado, mas eu nunca quis Entendo que a região precisa de uma ser candidato à Câmara Municipal comunicação social forte, porque só Também marca presença em várias uma comunicação social forte, isende Viseu. áreas da política local. Foi deputado Sempre disse que via o Dr. Almei- ta, imparcial é economicamente susmunicipal do PSD em Tondela, agoda Henriques como o candidato e o tentável. Penso que a região de Viseu ra é deputado e vice-presidente da presidente ideal para a Câmara de justifica ter um semanário forte, de Assembleia Municipal de Viseu, foi qualidade, rigoroso e plural. Viseu. candidato à assembleia intermunicipal da CIM Viseu Dão Lafões , foi

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REGIÃO

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SÃO PEDRO DO SUL

VOUZELA

Texto Sónia Pereira

RUA DIREITA SEM CARROS DESCANSA MORADORES E TIRA O SONO A COMERCIANTES A HISTÓRICA RUA DIREITA DE S. PEDRO DO SUL ESTEVE INTERDITA AO TRÂNSITO DURANTE AS OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO URBANA E ASSIM VAI CONTINUAR. MORADORES APLAUDEM. COMERCIANTES NÃO SE CONFORMAM

Lurdes Melo

“Sem estacionamento e sem trânsito, estamos aqui num buraco sem saída”.

Tobias Escada

“Há os dois lados. Para os comerciantes é complicado mas para quem anda a pé é melhor.”

Ângela Lima

“Está muito bem assim. Antes nem podia andar aqui uma pessoa com uma criança pela mão”.

Comerciante

Cliente

Moradora

A

decisão está tomada mas está longe de ser consensual. Para a maioria dos comerciantes, a proibição do trânsito na Rua Direita “prejudica gravemente” o negócio. Dizem que há muito que esta artéria histórica está em “morte lenta” e temem que a deliberação da Câmara Municipal, em vigor desde o último sábado, 10 de maio, acelere o processo. “Antes ainda passavam alguns carrinhos que viam as lojas e movimentavam a rua, agora estamos aqui abandonados”, lamenta Alice Cardão, coproprietária da ourivesaria Damas. Lurdes Melo, da loja Carochinha, há 30 anos na Rua Direita, concorda. “Sem estacionamento e sem trânsito, estamos aqui num buraco sem saída”. A estes argumentos, os comerciantes acrescentam quebras substanciais nas vendas e muitos falam até em deslocalizar os seus negócios. Já os moradores têm uma opinião diametralmente oposta. “Antes, durante a noite, era um inferno”, refere Ângela Lima, moradora na Rua Direita há 40 anos. “Não podia andar uma pessoa com uma criança pela mão, com o chapéu de chuva aberto ou em cadeira de rodas”. A moradora refuta os argumentos dos comerciantes. “Ninguém vai às compras de carro e também não pode estacionar no meio da rua, obviamente”.

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“CÂMARA NÃO TOMA DECISÕES AO SABOR DA CORRENTE” Também o presidente da Câmara de S. Pedro do Sul entende que “não está provado em lado nenhum que o trânsito traz movimento para as lojas”. “Veja-se a Rua Formosa em Viseu que não tem trânsito e é a que tem mais movimento”, exemplifica Vítor Figueiredo. Contudo, o autarca sublinha que as decisões não podem ser tomadas “ao sabor da corrente nem das opiniões”, ainda que tenham chegado às mãos do autarca três abaixo-assinados, dois a favor dos carros, totalizando 126 assinaturas, e um contra, com 190. Vítor Figueiredo lembra que a rua foi requalificada no âmbito do projeto de regeneração urbana da cidade, que foi financiado por f u ndos comu n itá r ios. “Foi apresentado publicamente pelo anterior executivo e na memória descritiva e justif icativa podia ler-se pedonalização da rua, condicionando trânsito automóvel a cargas e descargas e a moradores em horários a definir. Foi isso que cumprimos”, alega o autarca, alertando para as consequências de desrespeitar o que foi aprovado. “Temos que cumprir a lei e o que já estava contratualizado, sob pena de termos de devolver os fundos. As obras custaram 1,5 milhões de euros. Não estamos em condições de indemnizar quem nos subsidiou”, conclui.

SERVIÇO DE RADIOLOGIA DO CENTRO DE SAÚDE ENCERRADO POR FALTA DE PELÍCULAS O serviço de radiologia do Centro de Saúde de Vouzela está fechado desde março porque não tem películas para realizar raios-x. Os utentes do concelho têm agora de se deslocar ao SUB Serviço de Urgência Básico - de S. Pedro do Sul para fazerem os exames radiológicos prescritos pelos médicos ou mesmo a clínicas privadas com acordo com o Estado. Até há dois meses, os doentes podiam efetuar os raios-x na unidade de saúde, às segundas e sextas-feiras de manhã. Os exames eram feitos por um técnico de radiologia, que agora trabalha no SUB de S. Pedro do Sul, enquanto o Centro de Saúde de Vouzela não adquire as chapas necessárias. O diretor executivo do ACES - Agrupamento de Centros de Saúde - Dão Lafões explicou ao Jornal do Centro que o serviço radiologia do Centro de Saúde de Vouzela está “temporariamente suspenso” por faltarem as películas de raio-x e que “nunca foi pensado” encerrar o equipamento, que considera “útil para o desenvolvimento da atividade” clínica na unidade de saúde. NOVAS REGRAS DOS CONCURSOS PÚBLICOS EMPANCAM COMPRA DAS CHAPAS Segundo José Marques Neves, o ACES abriu há cerca de quatro meses um concurso público para a aquisição das películas, mas o processo tem-se arrastado no tempo. “Na administração pública os processos de aquisição são cada vez mais complexos e atrasam um bocadito. As novas leis de fornecimento concursal são para ser mais transparentes, mas são mais demoradas”, lamentou. Por vontade do responsável, o problema já estava resolvido porque diz que o que mais lhe custa “é ter um equipamento que não está disponível para servir o público a que se destina”. UTENTES E MÉDICOS COMPREENDEM SITUAÇÃO Quem chega ao Serviço de Saúde de Vouzela não é propriamente apanhado de surpresa com o fecho do serviço de radiologia. Num placar informativo está afixado um aviso, datado do início de março, onde o coordenador da unidade alerta para o caso. Até agora não há reclamações da parte dos utentes, os médicos é que se mostram um pouco mais insatisfeitos, “mas compreendem perfeitamente que não está nas nossas mãos resolver a situação”, sublinhou o diretor do ACES. VOUZELA GANHA DE VOLTA CONSULTAS DE SAÚDE ORAL Nem tudo são más notícias para os habitantes de Vouzela. Em breve vão ser retomadas no Centro de Saúde as consultas de medicina dentária, que foram suspensas há mais de quatro anos, por causa do aparecimento dos cheques dentistas. As consultas de saúde oral, que se realizarão duas vezes por semana, são dirigidas a crianças e idosos do concelho, mas também dos municípios vizinhos de Oliveira de Frades e S. Pedro do Sul, como já aconteceu há uns anos. – JRF


REGIÃO

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TAROUCA

ATIVIDADES CULTURAIS E DESPORTIVAS COM VIDA

Escola Secundária de Resende Foto DR

RESENDE

Texto Ana Leitão

ATRASO NAS OBRAS PREJUDICA RESULTADOS DOS ALUNOS

“laboratórios e salas para as TIC, pelo que a s au la s nor ma is são lecionadas em 20 monoblocos’. A situação, afirma ainda o diretor, “provoca cansaço e desmotivação a toda a comunidade escolar e começ a já a ref let i r-se nos resultados dos alunos”. A Secundária de Resende não faz parte da lista das escolas onde as obras irão ser retomadas, recentemente apresentada por Nuno Crato, Ministro da Educação. A direção do Agrupamento pretende mais esclarecimentos e deseja ver esta situação resolvida “com a maior brevidade, para que os alunos não saiam ainda mais prejudicados”. Até ao fecho dest a ed iç ão não foi possível contactar a empresa responsável pelas obras, nem a Parque Escolar.

No â mbito do prog r a m a de atividades “Tarouca tem vida”, já definido para os meses de maio e junho, este fim-de-semana volta a ser recheado de eventos culturais e desportivos. Para sábado, dia 17, está agendada mais uma edição do Festival d e Folc lore Lu s o -E s p a n hol, promovido pela Associação Flor de Sabugueiro. O evento está marcado para as 21h00, na Eira da Casa do Paço Dalvares, na freguesia de Dalvares. Domingo, pelas 8h30, a 4ª edição da Pedalar Caminhada, uma atividade desportiva levada a cabo pelo Pedalar Clube Cicloturismo Tarouca BTT e os projetos sociais dos Bombeiros de Tarouca. Ainda no domingo, pelas 14h00, uma tarde cultura l dedicada ao Sabugueiro em Flor com a atuação de vários Ranchos Folclóricos, na Eira da Casa do Paço em Dalvares. No final do dia, pelas 18h00, o Grupo de Oração e Amizade está a organizar um momento de oração na Igreja São Pedro de Tarouca.

Aniversário do Rancho Folclórico Recreativo e Cultural Rosas do Mondego, hoje e amanhã (dias 16 e 17), em Vale de Madeiros. No domingo, a Gasparada de Histórias que promete divertir pais e filhos, na Biblioteca Municipal a partir das 10h00. À noite, às 21h30, sobe ao palco do Cineteatro Municipal, a peça de teatro “Nem Louco,

Nem Morto”, uma adaptação e encenação de Casimiro Brandão do Teatro Olimpo. Uma farsa construída a partir de “O Doido e a Morte”, uma peça de Raúl Brandão, cujo enredo gira em torno de um Governador Civil, símbolo do poder balofo e burocrático que afinal nada governa, frontalmente ridicularizado pelas restantes personagens.

ALUNOS DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE RESENDE TÊM AULAS EM MONOBLOCOS HÁ MAIS DE QUATRO ANOS. AS CONDIÇÕES PRECÁRIAS COMEÇAM A AFETAR OS RESULTADOS ESCOLARES

O

s alunos da Escola Secundária de Resende cont i nua m a ter au las em monoblocos. A situação arrasta-se há quatro anos, desde o início das obras de requalificação dos edifícios e “tem prejudicado os alunos em termos de resultados”, afirma Manuel Tuna, diretor do Agrupamento de Escolas de Resende. No âmbito do programa Parque Escolar, a escola entrou em obras em 2011. Na a lt u ra , o per íodo previsto de conclusão era de 15 meses. A escola chegou mesmo a ser inaugurada, em janeiro de 2013, sem que no entanto as obras estivessem concluídas. Desde essa a ltura, os t raba l hos suspensos nunca foram retomados e a direção continua “sem informação de para quando a sua conclusão”.

A direção do Agrupamento pretende mais esclarecimentos e deseja ver esta situação resolvida “com a maior brevidade, para que os alunos não saiam ainda mais prejudicados”

Manuel Tuna mostra-se preocupado com a situação, para a qual “não tem a lternat iva”. O pav il hão já ter m i nado tem apena s

NELAS

500 ANOS DOS FORAIS EM CONFERÊNCIA Decorre hoje, pelas 21h00, no Auditório do Edifício Multiusos em Nelas, a Conferência 500 Anos dos Forais Manuelinos de Agueira, Canas de Senhorim e Senhorim. Durante a ação, Jorge Adolfo Marques fará uma análise aos referidos forais no contexto da época manuelina. Ainda no âmbito da iniciativa “Maio em Nelas”, que engloba um conjunto

de atividades culturais, sociais e desportivas, relacionadas com saúde, bem-estar, termalismo, turismo e gastronomia, decorre ao longo do fim-de-semana um conjunto de eventos. Para além da Oficina de Ilustração, pelo ilustrador Pedro Morais, na Biblioteca Municipal e Biblioteca José Adelino, de Canas de Senhorim, decorrem as comemorações do 30º

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VILA NOVA DE PAIVA

OPINIÃO

Texto Pedro Pontes

CENTRO ESCOLAR PARA 2015

Princesa Europa ANTÓNIO ALVARENGA Investigador e Gestor

O CENTRO ESCOLAR DE VILA NOVA DE PAIVA TEM QUE ESTAR A FUNCIONAR EM 2015. O NOVO EQUIPAMENTO PÕE FIM ÀS ANTIGAS ESCOLAS PRIMÁRIAS NO CONCELHO. O PRESIDENTE DA CÂMARA PREFERE OUVIR FALAR EM IGUALDADE DE OPORTUNIDADES, EM VEZ DE DESERTIFICAÇÃO DAS FREGUESIAS

O

novo centro escolar de Vila Nova de Paiva vai estar a funcionar em 2015. Quem o diz é o presidente da câmara que já enviou para o tribunal de contas, o projeto de execução. O novo centro escolar de Vila Nova de Paiva vai ficar localizado junto à escola EB 2 3, para “permitir usufruir de espaços em comum”. O novo edifício vai custar cerca de dois milhões e duzentos e cinquenta mil euros, comparticipado em 85% por fundos comunitários através do QREN. A obra vai albergar 350 alunos do ensino pré-escolar e do 1º ciclo. Para o presidente da câmara, este i nve s t i mento t r adu z-s e nu ma necessidade sentida pelas crianças. Para o socialista José Morgado, este novo investimento tem sido por

NÃO HÁ PANDA QUE SE LHE COMPARE

diversas vezes a resposta encontrada para evitar o encerramento de algumas escolas primárias por falta de alunos. O argumento de que “um dia os alunos vão para o centro escolar”, tem ser v ido para não deixar encerrar as escolas primárias de Queiriga e Pendilhe, que embora a funcionar têm os dias contados por não cumprirem com o mínimo exigido de alunos. A obra vai centralizar o pré-escolar e o 1º ciclo, originando o encerramento definitivo das escolas primárias ainda em funcionamento nas freguesias do concelho. Uma situação justificada pelas melhores condições em sala, “com ferramentas de internet, quadros interativos e mais e melhores condições de aprendizagem em detrimento das antigas salas”,

TABUAÇO

PISCINAS AINDA POR ABRIR As piscinas municipais cobertas de Tabuaço ainda não abriram, apesar de o presidente da autarquia, Carlos Carvalho, ter assegurado que em março estas arrancariam, depois de terem estado encerradas quatro anos. Alguns arranjos exteriores, que ainda não estão terminados e a reformulação do projeto inicial, que vai passar agora a incluir um parque de estacionamento, são algumas das razões apontadas pelo autarca para que o equipamento ainda não tenha aberto as portas ao público. Também a candidatura de eficiência energética lançada pelo executivo “atrasou” as obras. Embora já esteja aprovada “é preciso agora fazer algumas vistorias”, explicou Carlos Carvalhal. Esta candidatura prevê a colocação de uma caldeira de biomassa, uma ajuda preciosa na poupança, isto porque vai permitir reduzir “40% nos custos”. Ao Jornal do Centro Carlos Carvalho disse ainda que “uma vez que os meses de verão estão quase a chegar e com ele a entrada em funcionamento da piscina descoberta, talvez se aguarde e não se abram os dois espaços. Uma forma do executivo também reduzir alguns custos uma vez que não estão as duas em funcionamento”. - MC 16 MAI

adianta o presidente da câmara. José Morgado refere ainda que o encerramento das escolas nas freguesias e a concentração dos alunos em Vila Nova de Paiva é “contrabalançada com o conforto e disponibilidade das novas ferramentas de apoio pedagógico do novo centro escolar”. Com capacidade para 350 alunos, o novo centro escolar deverá estar em funcionamento no ano letivo de 2015/2016. A oportunidade de “usar o financiamento do QREN assim o exige e não permite mais demoras”. A contribuir para a urgência desta nova const r uç ão tem est ado a pressão sentida pelo município do ministério da educação, que determina o encerramento de escolas com menos de 21 alunos.

PENALVA DO CASTELO

IDOSOS PENALVENSES RECEBEM APOIOS

Famílias de Penalva do Castelo poderão beneficiar de novos apoios nos cuidados dos seus familiares idosos. O projeto, denominado “Cuidar de Quem Cuida”, é uma iniciativa da Santa Casa da Misericórdia do município. O projeto já foi lançado e encontra-se neste momento em fase de levantamento das necessidades das famílias penalvenses. Segundo Michel Batista, provedor da Santa Casa, esta iniciativa “pretende ajudar famílias que tenham ao seu cuidado idosos no domicílio”. Acrescenta, ainda, que a ajuda “chegará através de ações de formação, mas também da cedência gratuita de meios materiais”. A ação foi anunciada nas II Jornadas da Misericórdia, no passado dia 9 de maio, em Penalva do Castelo. Com este projeto a Santa Casa pretende proporcionar melhores condições de vida aos idosos do concelho, prestando os apoios necessários. – AL

Há muito tempo que me apetece escrever sobre o carneiro Choné. Antes de mais para clarificar o sexo do anima l: Choné é um carneiro, não uma ovelha. Parece-me ser de elementar justiça afirmá-lo sem rodeios (podemos discutir, no entanto, se se trata de um carneiro ou de um cordeiro). A letra da canção é andrógena e induz os nossos filhos em erro (“ele é ovelha, ele é Choné ”). Depois, e à semelhança, imagino, de muitos pais e mães de crianças maravilhadas pelo ritmo e expressividade desta série de a ni maç ão br itâ nic a , porque passo algumas horas da minha vida a assistir às aventuras do dito carneiro (ou cordeiro) e dos seus amigos. Uma das muitas vantagens de ter fi lhos pequenos é podermos apreciar este tipo de oferta sem os outros adultos pensarem que estamos a ser infantis (outras vantagens passam, por exemplo, por ter sempre uma boa justificação para recusar convites indesejados, voltar a brincar com legos, passear lentamente pela cidade e, claro, ter a experiência maior do amor por um filho, o processo de construção desse amor em relação e a permanente transformação e desafio que ele comporta). Mas voltemos ao que verdadeiramente interessa. O carneiro (ou cordeiro) Choné é o líder de um excêntrico rebanho de la n ígeros que v ive nu ma quinta com um ser humano (o fazendeiro), um cão (o Bitzer – acho que significa “rafeiro”, ou algo parecido) e uma vara de porcos mal-dispostos (assim de repente não me lembro de outras personagens). Nota-se na série a influência seminal de Wallace e Gromit (onde pela primeira vez o Choné apareceu) e o traço criativo e rigoroso da BBC. A animação e os argumentos são de u ma enor me qua l id ade e clareza. A ausência de diálogos clarifica, nem se nota, e faz-me lembrar (não estou a exagerar) o silêncio indispensável para apreciar um concerto de música clássica. Não há, peço desculpa, panda que se lhe compare.


REGIÃO

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“Desde a conceção até ao trabalho final todos, os clientes participam no desenvolver do trabalho”

MOIMENTA DA BEIRA

Texto Pedro Pontes

DESIGN, ARQUITETURA E MOBILIÁRIO JUNTOS PELO INTERIOR O COLETIVO DE MELHORAMENTOS É COMPOSTO PELO ARQUITETO DAVID DA SILVA E PELA DESIGNER CRISTINA MORAIS, ORIUNDOS DAS TERRAS DO DEMO, NA REGIÃO DO ALTO PAIVA

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ois jovens vieram à procura das raízes, contrariando a desertificação, e voltaram para o interior do país. Voltaram para o sítio onde nasceram à procura de oportunidades, “em terras onde se pensa não existir nada, onde os invernos são muito rigorosos e a vida difícil”. Tentam aliar a criatividade e a inovação com o saber local. A paixão pelo espaço e a envolvente motiva-os para a criação de peças de mobiliário e decoração, onde se privilegiam o uso de materiais no seu estado natural. As linhas puras são reflexo das paisagens rudes que os rodeiam. Todas as peças são feitas à mão “e sem pressas, para que o resultado seja perfeito e único”, sendo que os materiais são adquiridos no comércio local. Trabalham para um público exigente e seletivo, que se preocupa com o que consome e favorece a exclusividade. O conceito do Coletivo de Melhoramentos resume-se “a uma solução de faz tudo”. Qualquer pessoa com “um espaço para remodelar e/ou restaurar, seja um espaço comercial ou particular, a Coletivo de Melhoramentos, dinamiza em conjunto com as ideias apresentadas a melhor solução tendo em conta os

custos e os prazos de execução”. Uma oportunidade de negócio que utiliza os materiais como a madeira, o ferro, o cimento entre outros, numa perspetiva de harmonização com o ambiente exterior das terras e sua envolvente. “Desde a conceção até ao trabalho fi nal todos os clientes participam no desenvolver do trabalho”. Há dois anos com loja em Moimenta da Beira, ali se encontram algumas das peças de mobiliário, e a melhor solução para cada cliente. MESAS, SOFÁS, ESTANTES, RELÓGIOS EM MADEIRA … Algumas das peças estiveram presentes na Clerkenwell Design Week em Londres na edição de maio de 2013. Durante o verão de 2013 criaram uma Pop Up Store na The White Box House no Porto na última edição Experimenta Design, em Lisboa. Nesta coleção propõe-se mostrar algum mobiliário: mesas, sofás, estantes, armários, bancos em materiais como a madeira, o ferro e o burel. Diversas formas, tendo sempre a preocupação em otimizar os espaços e em criar peças com personalidade que possam “viver” em qualquer ambiente.

AGUIAR DA BEIRA

XIII FEIRA DAS ATIVIDADES ECONÓMICAS EM JULHO Decorre entre 17 e 20 de julho mais uma edição da Feira das Atividades Económicas do concelho de Aguiar da Beira. A feira volta a ter como finalidade a divulgação e a promoção das potencialidades turísticas do concelho, bem como o incremento e valorização de atividades tradicionais. O certame, que vai já na sua 13ª edição, volta a receber uma ampla seleção de artesanato local, regional e nacional (privilegiando o artesanato tradicional), empresas de áreas económicas diversificadas, a gastronomia

da região e um programa de animação, atividades culturais e desportivas que proporcionarão aos visitantes um espaço rico em qualidade e em emoções ao qual ninguém fica indiferente. A Feira terá lugar em espaço asfaltado, junto ao Complexo Desportivo de Aguiar da Beira, e estará distribuída por stands e áreas descobertas e cobertas por tendas. As inscrições para os expositores interessados decorrem até às 16h30 do próximo dia 30 de maio, no Centro de Atendimento Municipal da Câmara Municipal de Aguiar da Beira.

OPINIÃO

Consultório Jurídico ÂNGELA FIGUEIREDO SANTOS Advogada

SAÍDA DE MENORES DE TERRITÓRIO NACIONAL

Os menores naciona is e os menores estrangeiros residentes em Por tuga l, que pretendam au sent a r-se do pa ís e v iaja r desacompa n hados de a mbos os progenitores, só podem sair do território nacional exibindo autorização para o efeito. De ac ordo c om a le g i sl aç ão aplicável em vigor, “a mencionada autorização deve constar de documento escrito, datado e com a assinatura de quem exerce o poder paterna l lega lmente certificada, conferindo ainda poderes de acompanhamento por parte de terceiros, devidamente identificados”. No caso de o menor ser filho de pa is casados e v iaja r sem nenhum deles, a referida autorização carece da assinatura de apenas um dos progenitores. A contrario sensu, caso o menor v iaje acompa n hado com u m dos ascendentes não carece de autorização, desde que o outro progen itor n ão m a n i fe s t e a vontade de se opor à saída do menor através de comunicação ao SEF - Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. Por sua vez, na circunstância de o menor ser f i l ho de pa is divorciados ou separados judicialmente de pessoas e bens, a autorização de saída tem que ser prestada pelo ascendente a quem foi confiado ou com quem reside. Contudo, atendendo a que, nos dias de hoje, o regime modelar em caso de divórcio é o de responsabilidades parentais conjuntas, o menor poderá sair com qualquer um dos progenitores desde que não haja manifestação de vontade expressa de oposição do outro. E m conclu s ão, no c a so de o menor ser fi lho de pais casados e viajar sem nenhum deles ou na circunstância de o menor ser f ilho de pais divorciados ou separados judicialmente de pessoas e bens, a saída do menor carece de autorização devidamente certificada por notário, advogado ou solicitador, nos termos da legislação em vigor. 16 MAI


A ESCOLA

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ESCOLA PROFISSIONAL DE CARVALHAIS

S. PEDRO DO SUL

“UMA FAMÍLIA” NA ENCOSTA DA SERRA A ESCOLA PROFISSIONAL DE CARVALHAIS ATRAI JOVENS DE VÁRIOS PONTOS DO PAÍS. O CURSO DE TÉCNICO DE TERMALISMO É UMA DAS SUAS BANDEIRAS. OS ESTUDANTES CONSEGUEM COLOCAÇÃO EM EMPRESAS TERMAIS E NOUTRAS, LIGADAS À SAÚDE E BEM-ESTAR

C

hegar à Escola Profissional de Carvalhais, no concelho de S. Pedro do Sul, num dia em que alunos e professores se preparam para participar nas Escolíadas, o festival das escolas da região, é emocionante. Quase não se consegue falar com ninguém. Tudo fervilha de energia criativa. Entre conversas possíveis há um elemento comum nas respostas: “Somos uma família”, é o que se ouve quando se pergunta o que caracteriza a Escola. O ano lectivo de 1991/1992 marcou o início da atividade da Escola Profissional de Carvalhais com os cursos de Arte da Pedra e Restauração (Receção e Atendimento). Mais tarde viria a ser inaugurado em Carvalhais aquele que ainda é um dos emblemas atuais, o curso de técnico de Termalismo. De recordar ainda que a Escola nasceu à sombra da Fábrica da Igreja da localidade. Tal como em muitas outras escolas profissionais que surgiram em inícios da década de 90 do século XX, quando o ensino profissional dava os primeiros passos, a Escola de Carvalhais surge para dar resposta

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a “algo que não havia no sistema, ou seja, permitir que os jovens tivessem a possibilidade de entrada no mundo do trabalho”, diz Isabel Prates, a diretora da Escola Profissional. Mas nos dias de hoje “é mais que isso”, acrescenta a diretora, explicando que o que hoje leva os alunos à escola profissional é uma “escolha pessoal”. A escolha pode, depois, ser direccionada para o mercado de trabalho ou até mesmo para seguir estudos superiores, tendo por base a qualificação profissional que é adquirida. ALDEIA ATRAI OS JOVENS Os jovens que procuram a Escola Profissional de Carvalhais têm uma proveniência diversa, mas sobretudo vêm de localidades dos concelhos limítrofes ao de S. Pedro do Sul. Mas há casos em que os alunos são oriundos de Lisboa, Amadora, Viseu ou Tondela, e ainda de países lusófonos como a Guiné ou Cabo Verde. Os alojamentos próprios da Escola acolhem atualmente dezenas de alunos (a capacidade ronda a centena). Os alunos conhecem a Escola principalmente através do sítio da inter-

net e também por tradição oral. “A vida na Escola atrai. Somos um estabelecimento de ensino numa aldeia e muito do que temos atrai os jovens”, diz Isabel Prates. Há um estigma que “retornou” ao ensino profissional. Os jovens encontram um pouco mais de facilidades no ingresso a este tipo de ensino mas, por outro lado, tanto os alunos, como os professores, reconhecem que se trata de um ensino mais prático e diferente. “Não é um ensino mais fácil porque a prática se torna muito mais pesada para os estudantes”, avança Isabel Prates. CURSO FECHADO POR FALTA DE SAÍDA PROFISSIONAL O curso de Técnico de Termalismo, que existe na Escola desde 2005, fez a diferença na oferta formativa da Escola Profissional de Carvalhais. Foi o primeiro curso técnico que surgiu em Portugal adaptado às necessidades do termalismo, tendo sido recentemente actualizados os seus conteúdos. Muitos dos jovens que frequentam a Escola escolhem-na pela excelência desta oferta, haven-

do mesmo a informação de que não é difícil conseguir uma colocação nos empreendimentos termais do distrito de Viseu e até mesmo noutros, mais distantes. O curso não se destina apenas a jovens que queiram ir trabalhar para centros termais. Os conhecimentos adquiridos podem ser aplicados em SPA’s ou clínicas de reabilitação, entre outras saídas que o tronam num dos mais interessantes cursos profissionais da região. A actual crise não assusta a diretora da Escola Profissional de Carvalhais quando fala em lançar os jovens na vida ativa. “Dificuldades houve toda a vida. A crise existe, mas cada um de nós tem que se fazer à vida, ser empreendedor”, remata. Mas, mesmo assim, Isabel Prates reconhece que “há algumas preocupações e, por isso, continuamos a seguir os jovens depois de concluírem os cursos”. A atenção ao que se passa com o mundo do trabalho e com os alunos levou mesmo a Escola a encerrar recentemente um dos cursos – Técnico de Animação Sociocultural – porque os alunos estavam a ficar sem saídas profissionais.


A ESCOLA

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ESCOLA PROFISSIONAL DE CARVALHAIS

270 Alunos

ISABEL PRATES Diretora pedagógica

“Somos escola de afetos também. É urgente libertar o ensino profissional do estigma de ser mau. Oferecemos um ensino diferente e isso é bom”

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Professores

Funcionários

JUDITE FERNANDES

ANDREIA ROCHA

OFERTA FORMATIVA

Trabalha na Escola há seis anos e vive em Carvalhais. Tem uma boa relação com os alunos e diz que “há de tudo” entre os estudantes, que considera “bem educados”

É oriunda de Manhouce, onde pertence ao conhecido Grupo de Cantares. Diz que prefere a Escola Profissional de Carvalhais ao ensino regular.

- Técnico de Restauração - Técnico de Termalismo - Técnico de Turismo - Curso de Aprendizagem Técnico de Informática/Sistemas - CEF de Cozinha

Funcionária

Aluna de Termalismo

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CULTURA

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OPINIÃO MIGUEL TORRES Animador Cultural

“O projeto europeu, está em risco. Um risco maior quando o extremismo espreita a oportunidade de assumir o protagonismo” Estamos em plena campanha eleitoral para as eleições europeias. Infelizmente são por norma as eleições menos participadas que temos em Portugal, digo infelizmente porque são muito mais importantes do que aquilo que na maior parte das vezes consideramos. A participação dos cidadãos nos atos eleitorais é uma das conquistas mais importantes do 25 de Abril, cujo 40º aniversário ainda há poucos dias celebrámos, é a base da democracia. Não participar não pode ser opção. É também verdade que os partidos políticos são os primeiros a não valorizar este ato eleitoral quando o não aproveitam para promover um verdadeiro debate sobre a europa e a construção europeia, envolvendo neles os cidadãos. O projeto europeu, é essencial. As conquistas que fomos fazendo pela participação nesse projeto têm sido demasiado importantes para que não nos preocupemos com elas e, assistamos sem participar na construção de uma europa, que ao contrário do que vem acontecendo seja cada vez mais solidária, justa e inclusiva. Uma Europa atenta aos seus membros mas também aos seus vizinhos, como por exemplo os da parte sul da bacia do Mediterrâneo, tão próximos de nós e com tanta história em comum. O projeto europeu, está em risco. Um risco maior quando o extremismo espreita a oportunidade de assumir o protagonismo. Cabe a nós cidadãos impedir que tal aconteça, cabe-nos lutar por um projeto Europeu em que nos possamos rever, e no qual exigimos participar. Isso começa pelo exercício do voto no próximo dia 25 de Maio.

16 MAI

A MÚSICA PORTUGUESA A GOSTAR DELA PRÓPRIA

Texto Sandra Rodrigues

PLATAFORMA DIGITAL DIVULGA O FADO DE VISEU VISEU TEM BONS FADISTAS, BONS INTÉRPRETES E UMA GERAÇÃO NOVA QUE CONTINUARÁ A HONRAR A ARTE DE HILÁRIO

António Teles cantou “Quando era rapazote” na Casa Boquinhas

O

s nomes de Mara Pedro, António Teles, Sousa, Belarmino, Ana Raquel Romã, entre outros, têm em comum o fado. São intérpretes exímios desta arte musical e são de Viseu. Além do fado, o que também os une é o projeto “A Música Portuguesa a Gostar Dela Própria” (MPGDP) de Tiago Pereira. O músico e realizador foi no ano passado convidado para estar nos Jardins Efémeros (apresentou a performance Sampladélicos) e da residência que fez em Viseu surgiu, em parceria com a Cadeira Amarela, a ideia de ser feita uma recolha de som e imagem das músicas e dos músicos que habitam não só o concelho de Viseu, mas outras regiões do distrito. Na terra do fadista Hilário, o fado mereceu atenção e as músicas e os vídeos realizados estão disponibilizados na plataforma digital da MPGDP. Do trabalho de recolha que uniu os fadistas mais novos a outros com 50 anos de carreira, chegou-se à conclusão que em Viseu o fado LAMEGO

existe, está presente, mas pouco identificado e divulgado. “Depois desta recolha chegou-se à conclusão que Viseu tem muitos fadistas, desde o fado vadio ao mais complexo, temos bons intérpretes, bons instrumentistas e grupos bem interessantes”, sublinhou Nuno Coreia, da Cadeira Amarela. Salientou ainda as novas promessas do fado viseense como continuadores do legado deixado pelo nome mais conhecido que foi Hilário. Esta recolha e agora divulgação acaba por ser, segundo Nuno Correia, “uma homenagem aos fadistas que andam a cantar em Viseu há décadas”. O projeto MPGDP tem como objetivos celebrar e divulgar a variedade da música portuguesa (da tradicional à contemporânea), trazendo-a para a rua, As recolhas já percorreram todo o país. O mentor, Tiago Pereira, está já a avançar para outros projetos como a Comida Portuguesa a Gostar dela Própria e a Dança Portuguesa a Gostar Dela Própria. NELAS

MÚSICA DOS THE HAPPY MESS NO RIBEIRO CONCEIÇÃO

ENCONTRO DE MÚSICA DE CÂMARA NA LAPA DO LOBO

Um dos mais recentes projetos da pop-indie portuguesa – os The Happy Mess - vai estar a 17 de maio no Teatro Ribeiro Conceição, em Lamego. A banda portuguesa regressa à estrada depois da edição do álbum de estreia, em 2013, “Songs From The Backyar”. Miguel Ribeiro e Rui Costa foram os impulsionadores da banda, à qual se juntaram mais tarde Joana Duarte, João Pascoal, Pedro Madeira e Sara Badalo. Em 2013, depois de terem passado por diversos festivais e esgotado várias salas de espetáculo, The Happy Mess lançaram finalmente o seu álbum que conta com 11 temas com letras e música de Miguel Ribeiro e The Happy Mess.

A Associação Desportiva e Cultural Lapense, na Lapa do Lobo, vai receber o III Encontro de Música de Câmara no dia 17 de maio. Presentes vão estar bandas fi larmónicas de Santa Comba Dão, Carregal do Sal e Nelas. O espetáculo tem início marcado para as 21h30 com as atuações da Sociedade Filarmónica Fraternidade S. João de Areias, Sociedade Musical 2 de Fevereiro de Santar, Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato e Sociedade Musical de Santo António de Carvalhal Redondo. Esta é mais uma organização da Fundação Lapa do Lobo.


CULTURA

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MÚSICA

Texto Sandra Rodrigues

THE DIRTY COLD TRAIN NOTÁVEIS EM PALCO E NA CAMBALHOTA À RETAGUARDA BANDA PREPARA NOVO TRABALHO E CONTINUA DIGRESSÃO PELO PAÍS

O

rock cru, simples, energético e bem humorado da banda The Dirty Cold Train está a conquistar cada vez mais público. Beatriz Rodrigues e Ricardo Ramos, dois dos elementos do grupo que conta ainda com Helena Fagundes, Rodrigo Paulino e Shelley Barradas, são de Viseu, cidade onde começaram as aventuras musicais em projetos como Tiger Picnic, No No, Huckleberry Finn e FunnyBunny. Os últimos meses, depois do lan-

çamento do álbum homónimo, têm sido um corropio de concertos por muitas salas do país. Deram um saltinho à França e em Portugal receberam os seus camaradas de profissão Les Synapses com quem partilharam palco. Para breve está mais um passo na carreira da banda com a atuação na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. E é em palco que a banda mostra toda a sua energia, sendo já considerada como a “nova co-

queluche” do garage-punk nacional. Criado em 2010, o grupo assume que foi após a “troca de dicas de culinária e de experiências religiosas” que descobriram as “afinidades musicais”. A música que fazem, tocam e partilham pretende, “com os seus uivos e ruídos estridentes”, encontrar comunhão com outras almas perdidas e manter vivo o espectro do rock mais cru feito neste canto esquecido da Europa. É que, tanto podem estar a

ler as palmas das mãos como a exorcizar os zombies e demónios que vivem no universo dos Dirty Cold Train. O vocalista “ditador” Ricardo ramos é ainda o especialista em cambalhota à retaguarda com a guitarra, além da sua capacidade criativa. Com um disco e um EP, o grupo está a finalizar o segundo longa-duração, mas anuncia que um terceiro álbum está já em desenvolvimento. Para já, a novidade deixada pela banda é rock on... PU B

TEATRO DE RUA

ELEFANTE SALOMÃO INICIA DIGRESSÃO POR 14 MUNICÍPIOS DA CIM DÃO O Elefante Salomão vai visitar 14 municípios da região de Viseu. O espetáculo do Trigo Limpo Teatro ACERT “Viagem do Elefante” começa este mês uma digressão que tem início a 24 de maio, no Adro da Sé em Viseu, e termina a 27 de setembro, na avenida da Liberdade em Aguiar da Beira. A “Viagem do Elefante” é um espetáculo baseado na obra de José Saramago, sobre um paquiderme indiano que no século XVI caminhou de Lisboa a Viena de Áustria. A ACERT criou em 2013 este espetáculo de rua, em coprodução musical com a Flor de Jara (Espanha) e parceria com a Fundação José Saramago. Depois de ter sido apresentado em algumas das terras ligadas à obra, o espetáculo chega agora a outros municípios através de uma parceria com a Comunidade Intermunicipal (CIM) Viseu Dão Lafões. Miguel Torres, dirigente da

ACERT, lembrou que este espetáculo “significa 70 dias de residência pelo território, 500 horas de formação, mais de 900 participantes locais em todos os territórios e muitos espetadores/atores. Do espetáculo, vai resultar aquilo a que chamamos um álbum gráfico, que será a narrativa desta história do percurso por este território”. A “Viagem do Elefante” arranca a 24 de maio em Viseu e vai passar por Penalva do Castelo a 07 de junho, Nelas a 14 de junho, Oliveira de Frades a 21 de junho, Vouzela a 28 de junho, Tondela a 12 de julho, Vila Nova de Paiva a 26 de julho, Sátão a 16 de agosto, Santa Comba Dão a 23 de agosto, Castro Daire a 30 de agosto, Carregal do Sal a 06 de setembro, Mangualde a 13 de setembro, S. Pedro do Sul a 20 de setembro, terminando em Aguiar da Beira a 27 de setembro. 16 MAI


DESPORTO

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OPINIÃO PAULO CAVALEIRO

O QUE QUEREMOS PARA VISEU E O QUE PODE O CONCELHO TER?

Viseu já teve modalidades, clubes e atletas de topo a nível nacional e agora, em que pé estamos? Dou assim início, desta forma, a uma nova inquietude. Não ando no desporto há dois dias e parece-me que o desporto viseense precisa de muito mais. Certo é que há modalidades desportivas que se desenvolveram por muito mérito de quem as conduz mas, sejamos sérios: que nível desportivo temos? Que desenvolvimento desportivo adquirimos e evidenciamos? Quantidade não é sinónimo de qualidade. Viseu já teve modalidades, clubes e atletas de topo a nível nacional e agora, em que pé estamos? Urge estabelecer metas/ objetivos claros sobre aquilo que se pretende no desporto. Viseu merece e nós queremos ter modalidades desportivas de referência, atletas com talento a treinar nos nossos clubes. Para isso muito há a fazer. Viseu podia ser uma referência ao nível desportivo, nomeadamente na realização de eventos nacionais e internacionais. Temos locais, municipais, onde se podem construir espaços para desportos motorizados, pista de corta-mato, btt, etc. Já podíamos ter pensado em termos uma “cidade desportiva” com pavilhão multiusos em que pudéssemos treinar e ter competições nos desportos coletivos e individuais todo o ano. Podíamos ter pensado em ter um centro de alto rendimento, com o apoio técnico das instituições de ensino superior. Sei que tudo isto custa dinheiro e esse, agora, não o há, mas já o podíamos ter feito, pelo menos parte e construindo à medida das possibilidades. Se queremos desenvolver o nosso desporto urge pensar, refletir, ponderar, efetivar, realizar os sonhos e ambições de quem está no desporto, quer como atleta, quer como espetador. 16 MAI

AUTOMOBILISMO

Texto Micaela Costa

“PAI”TROCÍNIOS GARANTEM PILOTOS DE VISEU NO RALICROSS VONTADE DOS PAIS E QUALIDADE DOS FILHOS VÃO ASSEGURANDO PRESENÇA NOS CAMPEONATOS. PRIMEIRA PROVA DECORRE NO FIM-DESEMANA EM MAÇÃO

Hugo Lopes vai manter-se fiel ao Peugeot 106 Foto Gil Peres

O

Nacional de Ralicross abre este fim-de-semana com a primeira prova do calendário, em Mação. Hugo Lopes e Magda Oliveira são duas presenças confirmadas na prova da Pista da Boavista. O “Super Hugo”, campeão em título na Promoção, abraça esta época um novo desafio, numa nova categoria, enquanto Magda vai ter o seu baptismo competitivo em Mação. Dois jovens pilotos a representar Viseu, mas nem por isso institucionalmente apoiados. Vivem dos “paitrocínios” e do apoio de algumas empresas amigas. Gil Peres

Teve no ano passado a primeira experiência nesta divisão. Quais as expectativas para esta época, tendo em conta que vai correr contra pilotos mais experientes e carros mais potentes? No início vou ter um carro menos potente que os meus adversários, mas estou certo que vou conseguir tirar o máximo partido do carro e arrecadar muitos pontos, para que numa fase posterior possa vencer provas com o Saxo.

Hugo Lopes vai manter-se fiel ao Peugeot 106 com que chegou ao título na Promoção. O carro do jovem piloto da Automotor Sport sofreu alguma melhorias, relativamente à temporada passada e, apesar de ter menos potência que a concorrência (corre com um motor 1400), vai beneficiar de ter menos peso na carroçaria. Máquina que será mais tarde “trocada” pelo Saxo KitCar, com motor 1600, que está a ser preparado pela equipa da Automotor. Um carro mais potente e competitivo com que Hugo aspira vencer algumas provas no campeonato.

Dominou a Promoção na época passada, está habituado a ganhar, como vai ser agora perante concorrência de valor? Quero continuar a ganhar. Sei que a concorrência não é fácil mas, com respeito, e sabendo que tenho capacidades, acredito que vou fazer uma boa prova e um bom campeonato. Preparado para mais uma época? Claro! Está tudo a postos, agora é só correr... Como tem sido a nível de apoios? A autarquia investe em si? Continuo a ter o apoio das empresas habituais, que sempre acreditaram em mim. Mas da autarquia não, gostava muito, mas não tenho esse apoio.

Já Magda Oliveira vai participar com um Toyota Yaris, também preparado pela Automotor, empresa de José Cruz, que este ano não vai competir – poderá ter uma ou outra presença – e que vai manter-se pelas boxes num apoio total ao fi lho, Hugo. Já Magda vai partilhar a pista com o pai, João Oliveira, mas em categorias diferentes. A jovem piloto corre com Hugo Lopes nos Super 1600 e João Oliveira no Super Nacional com o Peugeot 206 Gti com que tem participado em provas de off road, e ralis.

no e de habituação. Vou dar tudo por tudo para conseguir fazer o melhor possível. É um objetivo continuare a correr? Sim, eu gostava bastante. Mas para já vou pensar ano a ano, o futuro logo se vê. O que a levou a escolher o desporto automóvel? Sempre gostei de carros e velocidade. Acompanhava o meu pai nas provas e acho que aí o bichinho foi aumentando. Depois ele falou com o José Cruz, da Autosport, e acabaram por preparar um carro para eu correr. Expectativas para esta estreia? Este vai ser um ano de aprendizagem, de trei-

Não é a única mulher em prova, ainda assim não são muitas. Este é o desporto virado para homens? Eu acredito que as mulheres podem e devem, participar no desporto automóvel. Se eles têm capacidade porque é que nós, mulheres, não temos? E isso viu-se no Mundial de Rallycross onde as mulheres estiveram muito bem representadas.


DESPORTO

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FUTEBOL

Texto Micaela Costa

MISSÃO CUMPRIDA SUBIDA À II DIVISÃO ERA O PLANO PARA ESTA ÉPOCA. PRÓXIMO DESAFIO É GARANTIR O SEGUNDO LUGAR

O

ABC de Nelas garantiu no passado fim-de-semana o regresso à II Divisão Nacional de Futsal. A dois jogos do final do campeonato a formação de Augusto Assunção assegurou um dos três lugares que dão a promoção e regressou assim à segunda principal divisão nacional dois anos depois. Com a melhor defesa da série B, o ABC fez da solidez defensiva e ainda de um ataque concretizador – segundo melhor – argumento para um percurso de sucesso onde tinha apenas um único pensamento: a subida. Agora e já com esse objetivo “no bolso” tem a luta pelo segundo lugar como aperitivo extra para as duas rondas finais. O ABC divide a segunda posição com o Lamas Futsal, equipa que vai encontrar na última jornada. Sábado, os nelenses jogam em Lamego frente a uma das 11 equipas que não escaparam à despromoção, assim como o Rio de Moinhos, face a uma mudança de quadros competitivos que na próxima época extingue a III Divisão e tinha, esta temporada, essa penalizadora regra de promover 3 e descer 11. Na luta pelo segundo posto o ABC precisa vencer os lamecenses e esperar que o seu adversário direto perca pontos em casa frente ao líder Feirense. Ou então fica tudo em aberto para a última jornada, no confronto entre ambos. HISTÓRIA DE UM CLUBE VENCEDOR O Académico Basket Clube (ABC) de Nelas surgiu em 1987, na altura dire-

cionado para o Basquetebol, mas só em 1996 surgiu a secção de Futsal (na altura Futebol de 5). O clube tem um historial recheado de sucesso. Foi, no distrito, a primeira e única equipa federada de Futebol de 5 (no ano em que surgiu), e a primeira a participar num Nacional da modalidade (quando subiu à III Divisão em 98/99). Em 1999/2000 sagrou-se o primeiro campeão distrital e um ano depois carimbou o título de bicampeão e voltou a subir à III Divisão Nacional, mas acabaria por voltar a descer. Em 2007/2008 conquistou a primeira Taça de Futsal da AF Viseu e, na época seguinte, foi o primeiro clube do distrito a conquistar a “dobradinha” no Campeonato e na Taça. Na época de 2011/2011 o ABC sobe pela primeira vez à II Divisão, mas no final da época não conseguiu evitar a descida. Agora, dois anos depois, regressa ao segundo escalão nacional. FORMAÇÃO DE LUXO A formação é um dos ex-libris do ABC de Nelas. Com mais de 150 atletas, dos 4 anos aos seniores, é uma equipa que tem “produzido” vários jovens de destaque no panorama nacional. Para além de ingressarem em equipa de renome nacional, têm também sido opção para as seleções. André Coelho é um bom exemplo disso. O jovem formado no ABC joga atualmente no Braga e é internacional sub-21. Ou Gonçalo Sobral que foi no início do ano chamado ao Estágio da Seleção Nacional de Futsal Sub-18.

Joaquim Amaral, presidente do ABC Nelas

Augusto Assunção, treinador do ABC Nelas

A subida era um objetivo assumido? Subir de divisão era o objetivo que tínhamos traçado. Um momento merecido quer pela história do clube, pelo investimento no futsal senior e na qualidade de toda a equipa.

O que foi feito esta época, que não foi feito no ano passado, para subirem de divisão? As duas épocas estão interligadas. Foi um trabalho progressivo, fomos construindo uma equipa forte, um plantel com valor para que ao fim deste dois anos pudéssemos dar este salto com alguma tranquilidade.

Subida traz responsabilidade acrescida para jogadores e equipa técnica, mas sobretudo para a direção… Todas as épocas são complicadas e de grande responsabilidade, mas claro que o facto de darmos este salto torna tudo mais rígido e rigoroso. Não é fácil avançar para um projeto desta dimensão sem trabalho, e é isso que vamos fazer. E na próxima época, gostava que o ABC desse mais um salto? Todos gostamos de mais, mas subir à I Divisão não é um objetivo para a próxima época. Queremos solidificar toda a estrutura, quer diretiva, quer técnica e manter o clube num ritmo constante e não no “sobe e desce” dos últimos anos. Temos que ser conscientes, ter noção da realidade e ter os pés bem assentes na terra. Vai haver alterações na equipa técnica e nos jogadores? A próxima época já está a ser pensada, gostamos de fazer tudo com calma, mas ainda não é o momento para pensarmos nisso. Ainda há um campeonato para terminar e muito para fazer. A aposta na formação vai manter-se? Sempre. Se queremos uma equipa senior competitiva e forte, há que ter as bases de tudo isso e o ABC Nelas é muito forte na formação e isso é visível nos vários jogadores formados por nós e que hoje em dia estão em clubes nacionais e nas seleções. Como tem sido o apoio ao ABC? É um orgulho ver que a massa associativa, adeptos e todos aqueles que apoiam o clube, acreditam em nós e no nosso trabalho. Sem eles seria mais difícil. O ABC tem tido o apoio da autarquia, de privados e de muito que sabem o valor desta equipa.

O objetivo da subida está conseguido. Qual é o próximo passo? Conseguir uma melhor classificação, ficarmos em segundo lugar. Para além de querermos continuar a ser a equipa com melhor defesa e aproximarmo-nos do melhor ataque. Acredito que o segundo lugar ainda é possível, vamos trabalhar estes dois jogos com esse novo objetivo. Com a reformulação dos quadros competitivos uma equipa forte é fundamental para um bom desempenho na II Divisão? Sem dúvida. Apesar das várias opiniões contra esta reformulação eu acredito que pode ser bom. O nível competitivo passa a ser mais semelhante e equilibrado, mas também mais rigoroso. O facto de ser longo e de ser dividido em duas fases, numa segunda discute-se a manutenção, também traz alguma responsabilidade, não podemos pensar que o campeonato acaba na primeira fase. Vai ser preciso um trabalho redobrado. O ABC tem uma equipa relativamente jovem e alguns vão ter uma experiência nova. Isso é bom ou mau? Desde a época passada que estamos a trabalhar este grupo de jogadores. Temos 5 ou 6 formados no clube e outros com outra experiência, mas o plantel, no global, é muito forte e cresceu muito ultimamente. Tem demonstrado que está preparado para enfrentar esta nova etapa. Vai continuar no ABC? Até ao final do campeonato vou fazer de tudo para conseguirmos os melhores resultados, o futuro, logo se vê. 16 MAI


FARMÁCIAS DE SERVIÇO

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18 DE ABRIL

16 DE ABRIL

FARMÁCIA VIRIATO

Av. da Belgica Lt 150 R/C 3510-159 Viseu

20 DE ABRIL

FARMÁCIA VAZ

Rua Formosa,115 3500 Viseu

Avenida Cidade De Aveiro, Lote 12 R/c Dto., 3510-720

19 DE ABRIL

17 DE ABRIL

FARMÁCIA OLIVEIRA

Rua Alexandre Herculano, 41 3510-036 Viseu

22 DE ABRIL

FARMÁCIA COSTA

FARMÁCIA MOURO

Quinta Galo Lote 1-B, Viseu 3500-223 Viseu

21 DE ABRIL

FARMÁCIA DA MISERICORDIA

Av. 10 de Junho 1 Viseu, União das freguesias de Viseu 3500-202 Viseu

FARMÁCIA VISO RANHADOS

Rua Amor de Perdição, Lote 1 Ranhados 3500-608 Viseu

SAÚDE 24

O número que liga à saúde

808 24 24 24 OBITUÁRIO

INTITUCIONAIS

AGÊNCIA FUNERÁRIA ABÍLIO - VISEU

Albino D´Oliveira, 60 anos, faleceu. Residia em Viseu. O funeral realizou-se no dia 10 de maio, para o cemitério Novo de Santiago. AGÊNCIA FUNERÁRIA DECORATIVA VISEENSE

Francisco Gomes, 68 anos, viúvo, faleceu. Residia em Samora Correia, Benavente, natural de Aguiar da Beira. O funeral realizou-se no dia 9 de maio, para o cemitério de Dornelas. Ilda Martins Ferreira, 62 anos, faleceu. Residia em S.Pedro do Sul. O funeral realizou-se no dia 9 de maio, para o cemitério de Vila Chã de Sá. AGÊNCIA FUNERÁRIA SAMPEDRENSE – SÃO PEDRO DO SUL

Jubelina Rodrigues, 85 anos, casada faleceu. Residia em Manhouce. O funeral realizou-se no dia 8 de maio, para o cemitério de Manhouce.

Manuel Maria da Fonseca Pinho, 77 anos, casado, faleceu. Residia em São Pedro do Sul. O funeral realizou-se no dia 8 de maio, para o cemitério de São Pedro do Sul. AGÊNCIA FUNERÁRIA D. DUARTE – VISEU

Giselda Maria Batista Vasconcelos, 86 anos, vuiva, faleceu. Residia em Paços de Vilharigues. O funeral realizou-se no dia 12 de maio, para o cemitério de Paços de Vilharigues

CARTÓRIO NOTARIAL Rua Cândido dos Reis, n.º 10, r/c Esq. Viseu - Telef. 232427560 Notária – MARIA LUÍSA CUSTÓDIO LOPES PAIS luisa.pais@notarios.pt EXTRACTO PARA PUBLICAÇÃO ---- Certifico, para efeitos de publicação, que, a folhas setenta e três, do Livro de Notas número 168-A, da Notária Maria Luísa Custódio Lopes Pais, com Cartório Notarial em Viseu, na Rua Cândido dos Reis, número 10, rés-do-chão esquerdo, se encontra lavrada em trinta de Abril de dois mil e catorze, uma escritura de justificação, na qual outorgaram: ---- Tobias Fernandes Gomes e mulher Maria da Glória Tavares Ribeiro, casados segundo o regime de comunhão de adquiridos, naturais, ele da freguesia de Barreiros e ela da freguesia de Cota, ambas do concelho de Viseu, residentes em 812 Dunn Ave. Cidade de Hamilton, Ontário, Canadá, NIF 199 385 947 e 221 576 550, representado por procuradora a qual declarou: ---- Que eles são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do prédio rústico, composto de terreno de pinhal e mato, sito em Serra do Meio, extinta freguesia de Cepões, concelho de Viseu, com a área de mil e quinhentos metros quadrados, a confrontar do Norte com caminho, do Sul e do Poente com Agostinho Caixeiro e do Nascente com Agostinho Francisco, inscrito na matriz da actual União das Freguesias de Barreiros e Cepões, concelho de Viseu, sob o artigo 7333, proveniente do artigo 5929, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Viseu. ---- Que o prédio referido veio à sua posse, já no estado de casados entre si, por compra meramente verbal em dia e mês que não podem precisar, mas que ocorreu no ano de mil novecentos e oitenta e nove, feita a Maria da Piedade Almeida, solteira, maior, residente que foi em Lisboa. ---- Que dado o modo de aquisição não têm eles justificantes possibilidade de comprovar pelos meios normais o seu direito de propriedade perfeita, mas a verdade é que são eles os titulares desse direito, pois tem possuído o aludido prédio há mais de vinte anos, ininterruptamente, com o conhecimento de toda a gente, sem a menor oposição de quem quer que seja, considerando-se e sendo considerados como seus únicos donos, na convicção que não lesavam quaisquer direitos de outrem, tendo a sua actuação e posse sido de boa fé, posse essa que se tem materializado na sua limpeza e demarcação, apanhando lenha, roçando o mato, cortando pinheiros e pagando as devidas contribuições, sendo por isso uma posse em nome próprio, contínua, pública e pacífica, o que conduziu à aquisição daquele prédio por usucapião que expressamente invoca, justificando o seu direito de propriedade para efeitos de registo, dado que esta forma de aquisição não pode ser provada por qualquer outro título formal extrajudicial. Está conforme o original. Cartório Notarial de Viseu, trinta de Abril de dois mil e catorze. A Notária, ______________________________________________ Conta registada sob o n.º 721 Emitido recibo.

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16 MAI

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PROFISSÃO (M/F)

CONCELHO / FREGUESIA

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HABILITAÇÕES

CARREGAL DO SAL 588417324

Carpinteiro de Limpos e de Tosco

Carregal Do Sal - Oliveira Do Conde

9º Ano

LAMEGO 588417937

Outros Técnicos das Ciências Físicas e de Engenharia, Ne

Lamego - Lamego (Almacave E Sé)

12º Ano

SEIA 588415612

Outros Trabalhadores Qualificados da Floresta e Similares

Seia - U.f. De Seia, São Romão E Lapa Dos Dinheiros

Padeiro

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Ler-escrever s/ grau ensino

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PROFISSÃO (M/F)

CONCELHO / FREGUESIA

12-05-2014

Diretor/a Comercial Imobiliária/Financeira

Viseu

12-05-2014

Auditor Interno (m/f)

Oliveira de Frades

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6º Ano

VISEU Pintores de Construções e Trabalhadores Similares

Viseu

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Viseu - Abraveses

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4º Ano

www.empregosonline.pt DATA DA OFERTA

PROFISSÃO (M/F)

CONCELHO / FREGUESIA

12-05-2014

Engenheiro de Produção Industrial (M/F)

Tondela

Anónima

12-05-2014

Cobrador-Leitor (M/F)

Sernancelhe

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Licenciado - Informática de Gestão (M/F)

Sernancelhe

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Engenheiro Técnico Agrário Produção Florestal (M/F)

Sernancelhe

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08-05-2014

Topógrafo (M/F)

Sernancelhe

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EMPRESA

EMPRESA

Anónima

Martifer Solar S.A.

Multitempo

FICHA TÉCNICA

Diretor A. Figueiredo, C.P. n.º 2153 a.figueiredo@jornaldocentro.pt Redação (redaccao@jornaldocentro.pt) Micaela Costa, T.P. n.º 1866 micaela.costa@jornaldocentro.pt Sandra Rodrigues, C.P. n.º 4367 sandra.rodrigues@jornaldocentro.pt Cartoonista Wilfred Hildonen

Correspondentes / Colaboradores José Ricardo Ferreira, C.P. n.º8624 Pedro Pontes - Colaborador Sónia Alexandra Pereira, T.P. n.º 1955 C. António Pereira, C.P. n.º 9053 Ana Leitão Departamento Comercial (comercial@jornaldocentro.pt) Luís Duarte l.duarte@jornaldocentro.pt Michael Marques m.marques@jornaldocentro.pt

Departamento Gráfico (design@jornaldocento.pt)

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Tiragem 5.300 ex. / edição

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Sede e Redação Av. Alberto Sampaio, 132 - 2º 3510-028 Viseu

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16 MAI


OPINIÃO

60

BE EDUARDO MARQUES Estudante Universitário

AMANHÃ, UM DIA COMO OS OUTROS

PS ALEXANDRE AZEVEDO PINTO Economista

A {MINHA} ANÁLISE SOBRE A ENTREVISTA DO DR. FERNANDO RUAS

PSD FERNANDO ESTEVES Professor ESAV

“LIMPINHO, LIMPINHO”

16 MAI

Amanhã será um dia como os outros. Se hoje o país se encontra à beira de um abismo social, de um fosso colossal entre pobres e ricos, amanhã daremos mais um passo em frente, e depois outro e a seguir outro. Amanhã, centenas de jovens sem esperança emigrarão em busca de um futuro melhor, magoados com o seu país, escorraçados pelos seus governantes e vilipendiados pela precariedade que alguns já tiveram o privilégio – segundo a cartilha ideológica vigente – de experimentar. Amanhã, muitos trabalhadores começarão a fazer contas à vida, porque o seu salário é mais curto e não estica – porque o trabalho ao qual dedicam a vida afinal vale cada vez menos – e contribuirão para os lucros da EDP e da Galp, ao pagarem as suas faturas de eletricidade e gás – mais uma comodidade, pois então – ficando com muiLendo a entrevista dada recentemente ao jornalista António Figueiredo, aqui no Jornal do Centro, fico com ideia que o Dr. Fernando Ruas ainda não percebeu que o seu tempo à frente da CMV acabou. Na forma como fala, mesmo que por via indirecta, do actual presidente da Autarquia acaba por lhe passar um atestado de enorme menoridade política. Penso que Almeida Henriques não o merece, mesmo vindo de alguém que faz parte do seu partido e que, quer se goste quer se não goste, acabou de ser eleito democraticamente pela maioria dos viseenses. Fica também claro que o PSD em Viseu passa a ter uma liderança bicéfala. De um lado os nostálgicos da herança deixada pelo Dr. Ruas e que continuarão atentos a tudo que ponha em causa esse património. Do outro lado um conjunto de A expressão “limpinho, limpinho” entrou há precisamente um ano no fértil vocabulário do futebol luso, pela boca de um dos seus mais ilustres contribuintes, para expressar a justeza de uma conquista que, celebrada por antecipação, acabou por sorrir a outros. Um ano depois, a “limpeza” volta à ribalta, desta feita para caracterizar a forma como o governo português termina o programa de assistência económica e financeira a que o país esteve sujeito. Confesso que sempre senti muita dificuldade em perceber o porquê da designação “saída limpa”, quando se pretende caracterizar o retomar da soberania plena da nação, até porque não faltam no extenso repertório linguístico nacional, outras saídas quiçá mais ajustadas: Se é porque terminamos o programa

Amanhã, ou segunda-feira – como parece que afinal governo confirmou oficialmente o fim do programa de ajustamento – continuarão a falar do pós-troika e a pedir consensos. A direita festejará, aparente e desavergonhadamente descomprometida, o regressar de uma pseudo-soberania. Que soberania é esta, onde continua a imperar a ditadura da dívida? O que são to pouco para o resto do mês. Assim os consensos afinal senão uma forma como muitos pensionistas farão a es- de opressão ou pacto hegemónico? colha entre medicamentos e comida. E Três anos depois, há cerca de 150 mil que simbolismo tão forte este que nos novos desempregados, mais impostos, impõem da velha e sombria máxima mais dívida e maior fortuna acumulada entre os mais ricos. de morrer pela pátria! Amanhã, esses mesmos portugueses Três anos depois é mais fácil despeligarão a televisão e ser-lhes-á dito dir e ser-se despedido e tem de ser a que afinal estamos no bom caminho cada um por si – o que afinal adquire e que a economia está a crescer: que o pomposo sinónimo de empreender. agora que os vilões saem e os salva- Amanhã, ou segunda-feira, se quidores da pátria ficam, o céu será mui- sermos, não mudará nada. Esse dia, porém, chegará. to mais azul.

que soberania é esta, onde continua a imperar a ditadura da dívida?

Fica também claro que o PSD em Viseu passa a ter uma liderança bicéfala

“jovens turcos” que cerrarão fi leiras em volta do novo líder, o Dr. Almeida Henriques e que tentarão mostrar um projecto político claramente bem demarcado desse passado recente. As cenas dos próximos capítulos, neste jogo político do PSD local, não deixarão de ter o seu in-

Confesso que sempre senti muita dificuldade em perceber o porquê da designação “saída limpa”

de ajustamento como alunos exemplares, indo inclusive mais além do que era pedido, roçando o triunfo, então deveríamos ter uma “saída em ombros”. Se, é porque nos vemos livres dos compromissos assumidos, com algum sucesso, então podería-

teresse político, apesar de tenderem a anular-se mutuamente. Percebe-se que para o Dr. Fernando Ruas depois de tantos anos seja difícil deixar Viseu. Sobretudo, depois de perceber que o Dr. Almeida Henriques começa a colocar em causa muito daquilo que foi o seu legado. Na entrevista, o Dr. Ruas frisa bem esse incómodo. Os menos atentos interrogar-se-ão, como tal é possível vindo de dentro do próprio partido. Parece-me claro que, nos próximos anos, para o Dr. Almeida Henriques, mais do que as preocupações óbvias do escrutínio dos viseenses que lhe confiaram o mandato e da oposição político partidária vinda das outras forças políticas, nomeadamente do Partido Socialista, existirá uma preocupação maior que lhe advirá do seu próprio partido e do Dr. Fernando Ruas. mos optar uma ”saída em beleza”. Se, por outro lado, saímos do aperto em que nos encontrávamos pelo nosso pé, mas sem dispensar totalmente a muleta que nos segurou até aqui, então deveríamos assumir uma “saída airosa”. Finalmente, se o que queremos é voltar à nossa vidinha sem levantar muitas ondas, e não chamar a atenção dos nossos parceiros do Norte da Europa, então o melhor é “sair de fininho” “Saída limpa”, só mesmo se for por ter em conta o estado em que ficaram os bolso dos pensionistas, dos funcionários públicos e dos portugueses em geral, após as imposições da troika. “Saída limpa”, só mesmo se for para homenagear o estado em que o Eng. Sócrates e Teixeira dos Santos deixaram os cofres do Estado em 2011. Limpinhos, limpinhos.


OPINIÃO

61

CARTOON

CDU JOÃO CARLOS GRALHEIRO Advogado

À MARGARIDA E AO JAIME GRALHEIRO

CDS/PP GRAÇA CANTO MONIZ Jurista

A “NOSSA” REDE MUNICIPAL DE MUSEUS

É difícil aos filhos falarem de seus Pais, por falta de distanciamento, fator indispensável para haver serenidade que permita uma reflexão objetiva. Apesar de consciente dessa limitação, queremos correr o risco de falar de nossos Pais. Fazendo o fi lme das nossas vidas, vemos quão grande foi a preocupação deles em nos educarem para o Saber, Solidariedade, Responsabilidade e Liberdade. Lembro-me de viajarmos por Portugal, e em cada recanto nos serem contadas histórias da grande epopeia deste Povo, e de nos proporcionarem contacto com o que de melhor havia na cultura; Lembro-me de nos ensinarem que o nosso dever era o de lutarmos, para que aqueles que não tinham

as possibilidades que nós detínhamos, as pudessem ter um dia; Lembro-me de acompanhar meu Pai nalgumas das reuniões clandestinas em que participou e de estar ao lado de ambos nas campanhas eleitorais; Lembro-me de ajudar minha Mãe a esconder material político, aquando das “visitas” da PIDE/DGS; Lembro-me que quando passávamos por Santa Comba Dão nos explicavam o que de mau representava, para os portugueses, o da estátua; Lembro-me que quando íamos na Marginal, ao passarmos pela placa que indicava Caxias, um silêncio inundava o carro; Lembro-me que o dia 25 de Abril de 74 foi o mais feliz das nossas vidas;

Lembro-me que depois de Abril de 74, por ter reprovado, me puseram a trabalhar. A minha Mãe, por ter sido a sua musa, e a meu Pai, depois de prémios, condecorações, públicos reconhecimentos e homenagens, por uma carreira de mais de 50 anos de Advogado, mais do que isso de escritor e um pouco menos de político, é chegada a hora de os filhos os homenagearem como Pais: Bem-haja Pais. Esperamos ter conseguido retribuir o tanto que nos deram. Quanto ao resto: desculpem qualquer coisinha…

Sabemos que Viseu está Primeiro, sabemos que a água que corre nas nossas canalizações é de Primeira mas, neste pódio, haverá troféu para a cultura? Recordo que a cultura é um pólo de dinamização urbana sendo não só um factor de atractividade turística como também o é para as gerações mais novas e qualificadas. Nesta área, o Ruísmo continua a ser exemplo e o actual executivo parece já ter nascido sem soluções. Fugindo à ideologização, porque este é um problema de falta de ideias não de excesso de ideologias, devemos em primeiro lugar questionar qual o papel dos museus, pomposamente designados por “Rede Municipal de Museus da C.M.V.”, na nossa cidade. O primeiro facto curioso reside no nome desta rede. Assim, somos esclarecidos que os museus não são de Vi-

devemos em primeiro lugar questionar qual o papel dos museus, pomposamente designados por “Rede Municipal de Museus da C.M.V.”, na nossa cidade

seus” (tinha de haver festa) que, segundo o site da C.M.V., é um “artigo não encontrado”. Todo este marketing cultural, tão contemporâneo, levanta diversas questões. Em primeiro lugar, económicas: consegue e, mais importante, deve, a C.M.V., em tempos de crise, manter a plenitude do funcionamento destes lugares? Será possível rentabilizar o que já existe?; Em segundo lugar, culturais: haverá de facto interesse cultural em preservar o actual espólio a cargo do erário público?; Em terceiro lugar, práticas: há visitas? Serão os espaços atractivos para os turistas? O que tem sido feito para promover estes museus além da promessa de uma festa? E as acções de promoção terão o público-alvo bem definido? Respondendo a estas questões talvez comecem a aparecer soluções.

seu, dos viseenses, são da Câmara, do Estado, o “pater familias” desta terceira República. Pormenores à parte, como convém, ali se encontram: i. a Casa da Ribeira, ii. a Casa da Lavoura/Oficina de Linho, iii. a Colecção Arqueológica José Coelho, iv. O Museu Almeida Moreira, v. o Museu do Quartzo, vi. O Solar dos Condes de Prime, vii. o Centro de Coordenação Cultural de Viseu (what the hell?!) e, por fim, há ainda uma “festa dos mu-

16 MAI


ENTRETENIMENTO

62

Astrologia

Cinemas

CARNEIRO (21/3 a 20/4)

VISEU

Tendência a fazer substituições de ligações, isto é, fugir a uma situação através de uma situação nova. Em qualquer circunstância colherá de acordo com o que semear. Êxito no plano profissional, com possibilidades de progressão. Aproveite bem as energias.

— FÓRUM VISEU HÉRCULES: A LENDA COMEÇA M12 - 14h00, 16h30, 18h55, 21h20, 23h45* (*6ª e sáb.)

TOURO (21/4 a 21/5)

Haverá retraimento da sua parte em corresponder a sentimentos que provoca com a sua simpatia natural. Risco de discórdia no seu círculo profissional, que poderá envolver questões financeiras. Terá ganhos inferiores ao que previa, mas ainda satisfatórios.

GRAND BUDAPEST HOTEL M12 - 14h20, 16h45, 21h50, 00h10* (*6ª e sáb.)

GÉMEOS (22/5 a 21/6) Tendência a solidão e isolamento. Algumas preocupações de índole financeira podem refletirse no seu comportamento sentimental. Possibilidade de ligação com pessoa mais velha. Plano laboral sem alterações de monta. Contenção de despesas.

FÁTIMA NO MUNDO M12 - 19h00 GODZILLA 2D CB - 14h40, 17h30, 21h30, 00h20* (*6ª e sáb.)

CARANGUEJO (22/6 a 22/7)

Seja, como aliás é sua característica, prudente, especialmente na vida familiar se tiver que enfrentar litígios. Seja honesto e imparcial. Sentirá algumas preocupações no plano profissional, mas não exagere. Alguns atrasos serão bem ultrapassados.

RIO 2 VP M4 - 13h50, 16h15, 18h40

LEÃO (23/7 a 23/8)

LAÇOS DE SANGUE M12 - 21h00, 23h30* (*6ª e Sáb.)

Parece atravessar uma fase em que o que mais o preocupa é ter sossego e segurança. Momentaneamente sente-se seguro no quadro familiar. Não se sentirá muito satisfeito com o seu trabalho pois gostaria de ver resultados muito diferentes.

SABOTAGEM M18 - 14h10, 16h40, 19h10, 21h40, 00h25* (*6ª e Sáb.)

VIRGEM (24/8 a 23/9)

Momento favorável ao combate do pessimismo. Os obstáculos podem ser vitórias se encarar as situações com clareza. Evite ligações que se desenvolvem secretamente. Não se aconselham gestos autoritários nem a imposição do seu ponto de vista.

O FANTÁSTICO HOMEM-ARANHA 2 M12 - 14h30, 17h50, 21h10 — PALÁCIO DO GELO

BALANÇA (24/9 a 23/10)

Algum desinteresse deve ser combatido, mas o momento é mais para ruturas que para começos. Uma viagem poderá interferir na sua vida sentimental já que implica afastamento. Resultados lentos mas importantes no trabalho. Não se deve dispersar muito.

GODZILLA 3D CB - 14h00, 17h05, 21h20, 00h10* (* 6ª e Sáb.)

ESCORPIÃO (24/10 a 22/11) A conjuntura da semana é muito benéfica. Sinta-se confiante e corresponda positivamente às solicitações que lhe forem feitas. O plano profissional é o menos favorecido esta semana. Terá tendência para gastos exagerados que deverá mesmo evitar.

O CÉU EXISTE MESMO M12 - 13h50, 16h20, 18h50, 21h50, 00h20* (*6ª e Sáb.) NÃO HÁ DUAS SEM TRÊS M12 - 13h40, 16h10, 18h40, 21h10, 23h40* (*6ª e Sáb.)

SAGITÁRIO (23/10 a 20/12)

Facilidade em superar situações adversas em termos sentimentais. Vida social intensa poderá revelar-lhe novos interesses. Semana de grande dinamismo, especialmente para o elemento masculino do signo. Será chamado a intervir mais vezes do que é habitual.

OS MARRETAS PROCURAM-SE (VP) M6 - 11h00* (*Dom.), 14h20, 16h55

CAPRICÓRNIO (21/12 a 20/1) Terá necessidade de falar sobre os seus problemas e deve fazê-lo. Não se deixe influenciar por casos falhados. O momento é auspicioso para os assuntos sentimentais. Esboça-se uma fase boa, se souber ser prudente e não misturar trabalho com coração.

NOÉ M12 - 21h00, 00h00* (*6ª e Sáb.) MÁ VIZINHANÇA M14 - 14h10, 16h30, 19h00, 21h40, 00h30* (*6ª e Sáb.)

AQUÁRIO (21/1 a 19/2)

Algumas alegrias e surpresas estão-lhe reservadas no quadro familiar. Para os celibatários possibilidade de encontro importante para o futuro. Possibilidade de realizações profissionais importantes, que poderão servir de trampolim para outras coisas.

TRANSCENDENCE M12 - 14h30, 17h20, 21h30, 00h15* (*6ª e Sáb.)

PEIXES (20/2 a 20/3)

O momento é mais favorável ao elemento feminino que verá os seus desejos satisfeitos. O elemento masculino corre o risco de ruturas devido a inconstância, seja prudente e evite confusões. Dificuldades em conciliar a vida familiar com a profissional.

O FANTÁSTICO HOMEM-ARANHA 2 M12-21h00, 00h00* (*6ª e Sáb.)

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Avenida Alberto Sampaio 81-r/c-E, Viseu 3510-031 VISEU

16 MAI

Agenda MOIMENTA DA BEIRA

GALERIA MUNICIPAL LUÍS VEIGA LEITÃO

Exposição José Carlos Sousa e Paula Flor Até 31 de maio

José Carlos Sousa e Paula Flor são os dois artistas plásticos com obra exposta na Galeria Municipal Luís Veiga Leitão, em Moimenta da Beira, até 31 de maio.

VISEU

CADEIRA AMARELA

Coral de Rosário Pinheiro Até 31 de maio

A ilustradora Rosário Pinheiro está na Cadeira Amarela com a exposição “Coral”.

INCLUB The 7Riots 17 de maio

A música dos The 7Riots e de dj’s convidados vai fazer-se ouvir no InClub na noite de 17 d emaio, em Repeses.

IPDJ DE VISEU – LOJA PONTO JÁ Exposição Até 30 de maio

Organizada pelo IPDJ de Viseu está patente na Loja Ponto JA até ao dia 30 de Maio, a exposição de pintura “Identidade: um olhar sobre a arquitectura” de Vanessa Buraco.

TONDELA

MUSEU DO CARAMULO

Documentário “Senna” 20h00 / 17 de maio

Para a a Noite dos Museus, que se assinala no dia 17 de Maio, está marcado um serão informal, estando o Museu do Caramulo aberto ao público excepcionalmente entre as 20h00 e as 00h00. Além das visitas às colecções, será possível assistir ao documentário “Senna”, projectado dentro do museu, assinalando assim os 20 anos do desaparecimento do emblemático piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna.

MANGUALDE

BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS

Sarau “B por uma vida” 17 de maio

O grupo de estagiários e cadetes dos Bombeiros Voluntários de Mangualde organiza um sarau com peças de teatro, música e danças para angariação de fundos para o Quartel. O “B por uma vida” começa às 20h30.


CRÍTICA

63

MÚSICA

CINEMA

LEITURAS

IDEIAS

FILIPE CARMO

HÉLIO TEIXEIRA

MANUELA BARRETO NUNES

PEDRO COUTINHO

FATIMA AL QADIRI – “ASIATISCH”

VASCO GRAÇA MOURA Lang justificava: “não se pode estar contra algo que não se sabe o que seja. Ouçamos o que têm a dizer”

Fatima Al Qadiri, uma jornalista, apresentadora de rádio e produtora de música eletrónica nascida em Kuwait, nunca visitou a China. Tudo o que ela conhece do país é a imagem propagada pelo Ocidente, o que Fatima chama de uma complexa colecção de estereótipos orientais que na sua mente criam uma versão da China tão deturpada que pouco partilha em comum com o sítio que a originou. Ela explora e critica este neo-colonialismo em “Asiatisch”. Não através de um ataque directo a esse processo, ou procurando retratar fielmente a cultura chinesa, mas sim abraçando por completo essa interpretação ocidental falaciosa, misturando elementos musicais tipicamente orientais com o som estéril e desconcertante do género de eletrónica “grime”. O álbum torna-se numa fria e oca paisagem futurística permeada de estereótipos orientais ultrapassados e por vezes racialmente insensíveis, usando-os como fachada para esconder um núcleo escasso de qualquer tipo de humanidade ou emoção. A primeira faixa serve como uma perfeita introdução a este conceito. “Shanzhai (for Shanzhai Biennial)” é uma cover da música “Nothing Compares 2 U” de Sinéad O’Connor cantada em mandarim por Helen Feng, onde a melodia vocal contrasta drásticamente com o instrumental de Al Qadiri, que ao longo da faixa cada vez mais se afasta do tema original, soando sombrio e surreal. Embora a ideia de um álbum conceptual seja muitas vezes recebida com desdém pela comunidade musical, “Asiatisch”mantém-se intrigante tanto a um nível intelectual como sonoro durante a sua duração total, destacando-se como uma experiência única e inovadora, e um importante álbum de estreia para Fatima Al Qadiri.

Existe um mito bastante divulgado nos petites événements ligados à história do cinema: aquela narrativa que Fritz Lang tantas vezes contou acerca da entrevista que terá tido com Goebbels, onde este o convidou da parte de Hitler para dirigir o cinema alemão: “O Fuhrer viu o seu filme Metropolis e disse: eis aqui o homem que criará o novo cinema nacional-socialista”. Lang alega ter saído da Alemanha nessa mesma tarde, 28 de Março de 1933. Talvez o cineasta tenha tido a necessidade de o reafirmar devido a uma leitura simplista feita na época de filmes como Os Nibelungos ou Metrópolis. A verdade é porém outra: o passaporte de Lang indica que a sua chegada a Paris ocorreu apenas a 28 de Junho. Ora, o cineasta terminara a montagem, em Fevereiro, de “O testamento do dr. Mabuse”. A 10 desse mês, segundo o seu montador Konrad von Molo, foram a um comício de Hitler. Lang justificava: “não se pode estar contra algo que não se sabe o que seja. Ouçamos o que têm a dizer”. A 28 de Março participou no discurso perante os profissionais de cinema pronunciado por Goebbels, havendo ficado na mesa de honra perto do ministro. É certo que deixou de ser visto por essa altura. Mas onde esteve? De que fugia? De um casamento arruinado? Por um contrato em Paris? A verdade é que “O Testamento” foi interdito logo a 29 de Março “por motivos políticos”. Nesse filme Mabuse ateia um incêndio e diz: “o estado sou eu”. Para além do mito embelezador a verdade é que a partida de Lang marca o divórcio entre o nazismo e a cultura. Quanto à reacção profunda de Lang em relação ao nazismo a resposta foi dada sem ambiguidades nos EUA.

A IDEIA DE NAÇÃO E A AUSÊNCIA DO AGORA A nossa preocupação com o coletivo nacional arreigado a bases históricas é das mais intensas a nível europeu

Há no mundo pessoas que, pela sua vasta cultura e talentos múltiplos, são difíceis de classificar. Vasco Graça Moura, falecido há dias, aos 72 anos, é uma dessas figuras. Foi poeta, grande poeta; ficcionista, tradutor de excelência (deu à língua portuguesa Racine, Shakeaspeare, a Divina Comédia de Dante), ensaísta, um dos nossos maiores camonianos; foi um gestor cultural admirável, pela política de edição de autores clássicos e obras de referência da cultura nacional, que se empenhou em constituir em colecções e distribuir pelas bibliotecas do país, tornando-as assim acessíveis aos cidadãos. Era também político, truculento, apaixonado, e por isso muitos recusam a sua obra literária sem a ler – despertava paixões, amores e ódios. Mas a obra poética de VGM é incontornável: reflecte um espírito renascentista, que se compraz no trabalho da forma e resulta discursiva, tomada de humor e ironia, subtilmente lírica. Traz consigo música e pintura, é pura arte. Tendo-se estreado na poesia em 1963, com “Modo Mudando”, só mais tarde se dedicou ao romance. E é “Partida de Sofonisba às seis e doze da manhã” (2.ª ed. Quetzal, 2012) que hoje, em jeito de homenagem, vimos recomendar – recheado de humor, conta as peripécias resultantes do desaparecimento de um quadro do séc. XVII representando as três graças, que o acaso faz com que se confundam com três irmãs envolvidas na aventura; há a foz do Douro, há a burguesia portuense, e há Sofonisba, que tem surpreendentes desmaios e finalmente apanha o comboio para Lisboa na estação das Devesas – é que, como toda a gente sabe, ninguém atravessa o Douro a partir de Campanhã, não vá a ponte cair…

Assistimos diariamente às referências à Nação que afinal é só uma das muitas formas de contexto coletivo. O regresso constante à História para nos legitimarmos como povo está bem identificado e estudado. No caso português trata-se de uma hiper-identidade. A nossa preocupação com o coletivo nacional arreigado a bases históricas é das mais intensas a nível europeu. Lê-se, por exemplo, nas fórmulas “só neste país” quando nos referimos a questões quotidianas de ordem pessoal. Não deixa de ser curioso que o dia-a-dia possa estar tão vincado à escala nacional e tão raramente vivido de perto e sem essa constante atribuição de sentido a uma escala tão vasta. Consideram-se três grandes níveis de autoria da Nação: a hierarquia-Estado, os mercados e as comunidades. As últimas apresentam-se fracas por não conseguirem organizar-se além das relações de família e vizinhança e fortes nessa pequena relação. Os mercados nunca se emanciparam verdadeiramente dado o controle da ação estatal. As comunidades fracas não se constituem como periferia ativa que obrigue à constante reinvenção do Centro. Em vez disso intervêm verticalmente, pressionando o Centro para interesses particulares. Temos então uma hierarquia manietada por interesses de ordem da pequena família. O discurso Nação acaba por ser apenas auto-legitimação de um poder fragilizado na sua representatividade. É evidente que a fórmula continua a resultar. A Nação é uma ideia que vem superando a vivência humana de todos os dias, perdendo-se o aqui e agora para o além e ontem. 16 MAI


Jornal do Centro

54,4 TONELADAS

Ouro no navio português “Flor do Mar” naufragado em 1511, descoberto agora na Indonésia (Fonte: TheStar.com) — Netsonda Portugal

TEMPO

“uma família, uma nova rede de amigos”

Olho de Gato

JOAQUIM ALEXANDRE RODRIGUES 16 SEX.

25º / 13º

17 SÁB.

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18 DOM.

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NO MUNDO

“VISEU É DIFERENTE DAS OUTRAS CIDADES DO INTERIOR” Véronique Decplanque é professora na Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV) há 24 anos. Reside em Portugal desde essa altura. Natural da Bélgica, veio para Viseu onde dá aulas de Francês. Por aqui criou “uma família, uma nova rede de amigos” e descobriu as vantagens da “partilha cultural e linguística”. De sorriso fácil e boa disposição constante, a professora Véronique, como é tratada na escola, sente-se bem em Portugal e não se arrepende de ter vindo para a cidade que a escolheu. “Viseu é uma cidade muito diferente das outras cidades do interior”, confessa. Ao mesmo tempo realça que o que a prendeu por cá foi “a evolução, o dinamismo, a

OPINIÃO

qualidade de vida e a arte de viver” dos viseenses. Das muitas parcerias que tem desenvolvido na ESEV, destaca “a atividade com a Universidade de Mons-Hainaut”, onde se formou, na área de Comunicação Falada. O projeto, levado a cabo nos últimos anos, passa pela partilha de conhecimentos, ao nível da intercompreensão, entre estudantes Belgas e Portugueses, quase sempre via skype. Véronique visita regularmente a sua cidade natal, da qual assume sentir saudade. No entanto, quando questionada sobre um regresso definitivo, aponta esse momento para mais tarde, “na reforma”.

19 SEG.

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BANCARROTAS

Amanhã termina a pouco discreta tutela da Troika sobre este “rectângulo à beira-mar plantado”. Enquanto não acontece a quarta bancarrota, lembremo-nos das três que já aconteceram na terceira república. Os nossos dois primeiros resgates foram em 1977 (1% do PIB ) e em 1983 (2,8% do PIB). Ambos os empréstimos estão pagos, diz a página oficial do FMI. O país não se sabe governar mas lá vai mantendo o cadastro limpo como pagador. A bancarrota de 1977 foi causada, acima de tudo, pelo “retorno” de mais de meio milhão de nossos concidadãos vindos das colónias. Foi um processo de integração rápido e harmonioso que nos deve orgulhar. Já tanto a bancarrota de 1983 como a de 2011 são o retrato chapado das nossas elites. A de 1983 é atribuível à grande e eleitoralista valorização do escudo feita, anteriormente, por um ministro das fi nanças de Sá Carneiro chamado Cavaco Silva. Resultado: 1983 e 1984 foram traumáticos — o PIB contraiu fortemente, houve fome e os rendimentos foram comidos por inflações elevadíssimas (em 1983 o poder de compra caiu 7% e no ano seguinte caiu 12,5%). Agora, a bancarrota socrática foi de 78 mil milhões de euros. Uma enormidade: 45,5% do PIB (!). Apesar de tudo, estes últimos desgraçados anos parecem não ter tido consequências tão más como as do biénio 1983/84. Há trinta anos o pior foi a inflação, desta vez é o desemprego. Mas parece que agora o “estado social” consegue, apesar de tudo, dar melhor resposta. Entenda-se: o parágrafo anterior é uma “impressão” de quem é suficientemente “cota” para ter vivido as duas crises. Era bom que fossem feitos estudos objectivos a compararem as consequências dos dois resgates. Como os nossos partidos não têm think-tanks que lhes forneçam pensamento fundamentado, e como os nossos media não fazem trabalhos de fôlego, há que esperar por estudos das nossas universidades para confirmar, ou não, essa “impressão”.

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Ed 631 completa  
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