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Antiguidade Tardia

EDIÇÃO 1 - FEVEREIRO 2010

Roma


Quem faz a história? Revisão-Geral: Suéllen Cerqueira * Design capa: Rodrigo VII * Diagramação: Monsenhor

Colaboradores nesta edição: * Caio César Santos Gomes - Graduado em História pela Universidade Tiradentes – UNIT * Maytê Regina Vieira - Graduanda em História e administradora do blog Mitos e Imaginários * Arabael - Técnica em Meio Ambiente * Monsenhor - Administrador do Taberna da História

www.tabernadahistoria.blogspot.com

Sumário 5 Flash Histórico O sertão na rota do cangaço 10 Túnel do Tempo A lenda da pirataria hoje 17 Especial Capa A nova Roma 33 Arqueologia Hoje Conheça as novas descobertas pelo mundo

H!stória

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or anos sou fascinado pela história. Viver, sonhar, viajar pelo passado e conhecer o que não pode mais ser mudado. Desta forma nasceu a H!stória, uma revista bimestral do grupo Taberna da História, onde reunimos escritores do nosso Brasil, que irão falar da cultura dos estados, abordarão temas polêmicos e mostrarão aos visitantes do blog o quanto o nosso Brasil faz História. Muitos passaram dias, tardes e noites preparando este material. Leituras e mais leituras, fotos, tratamentos, xícaras de café, cansaço após um dia longo de trabalho e etc, tudo isso por amor a história. Este trabalho foi idealizado por uma única pessoa, mas quem fez e faz são todos os que contribuíram com seus artigos. Todos nós fazemos um pedaço deste trabalho e por isso o mérito é coletivo e não individual. Em um tempo onde a educação no nosso país é metódica e padronizada com um escopo arcaico, precisamos mudar esta mentalidade de forma simples e voluntária, sem querer lucrar com tudo que vemos, com todas as oportunidades que nos é apresentada. O free nunca esteve tão em moda como hoje, por tanto a Revista H!stória será feita de forma free. Espero que este humilde trabalho agrade aos fãs, visitantes, estudantes, professores e a todos os que são visitantes do Taberna da História. Da mesma forma que o portal se tornou um sucesso e hoje é acessado por mais de 350 pessoas diáriamente, este novo canal de cultura e história também terá seu lugar na história. Leia, interaja, deixe fluir a história que há em você. Monsenhor tabernadahistoria@yahoo.com.br

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Coming Soon Iremos nesta coluna abordar os futuros documentários que irão ao ar, no blog da Taberna da História. Neste espaço uma prévia dos episódios, cenas e às vezes o ponto de vista de membros da Taberna da História, mostrará o que estamos preparando. Veja o que vem por aí.

Título: Rituais de Fé (Rituals) Canal: Discovery Brasil (BBC) Episódios: América Latina, América do Norte, Extremo Oriente, África e Australásia e o Círculo de Fogo do Pacífico. Duração: 45 minutos em média. Abaixo uma prévia do documentário e uma breve sinopse de cada episódio.

Sinopse:

* África

* América Latina

Em uma dura jornada pelo continente onde a raça humana teve origem, Pete espera vislumbrar como foi a primeira experiência do homem com o divino.

Na América Latina, Pete fuma com a “Mãe-Morte” no México, entra em uma caverna profunda na Bolívia para encontrar um deus assustador do submundo e toma uma alucinógeno natural com uma comunidade nas florestas do Brasil. * América do Norte Pete vai para o país com maior diversidade de religiões do mundo, os Estados Unidos. Ele conhece um lado perigoso do Bible Belt (Cinturão da Bíblia) quando se aproxima dos criadores de serpentes das montanhas Appalachian, antes de se sentar diante de uma mesa em numa sessão espírita.

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* Extremo Oriente Extremo OrientePeter observa um ritual de purificação durante o Festival do Fogo de Shinto Oto Matsuri e descobre como a guerra ajudou a construir a maior igreja do mundo. * Australásia Para descobrir como crenças tribais sobreviveram à chegada do século 21, Peter assiste a um doloroso ritual em Sulawesi, a um ritual em Alice Springs que expõe bebês à fumaça, e a festivais de fertilidade nas Filipinas.


Flash Histórico

A cidade de Nossa

Senhora da Glória na Rota dos Cangaceiros Por: Professor Caio César Santos Gomes Foto: Da esquerda para a direita: Dadá, Maria Bonita e Lampião

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caiocsg20@hotmail.com


Flash Histórico Foto ao fiundo: Corisco (http:// hid0141.blogspot. com/2009/07/ virgulino-ferreirao-lampiao-o-rei-do. html)

Era 19 de abril de 1929, quando o então jornal Gazeta de Sergipe, trouxe à tona a seguinte notícia: “Por um telegrama do comandante do destacamento de Piranhas (E. de Alagôas) teve o Dr. Abilio Vasconcellos Hora, digníssimo chefe de Polícia, notícia do terrivel bandido em terras sergipanas, em Canindé”. O título da manchete: Lampeão em Sergipe. O mesmo jornal traz em destaque na edição de 22 de abril de 1929, informação mais detalhada sobre a entrada dos cangaceiros em território sergipano: “O famoso cangaceiro Lampeão, depois que deixou Canindé esteve em Poço Redondo, municipio de Porto da Folha, vindo até N. S. da Glória, onde se demorou alguns minutos, desaparecendo com direção pela caatinga a dentro. Hontem o terrivel cangaceiro surgiu ignorado, em Saco do Ribeiro, retirando-se dalli ás 10 horas do dia (*).” A notícia da passagem de Lampião em Nossa Senhora da Glória, ocorrida em 20 de abril de 1929, é confirmada além das manchetes dos jornais, pelos atores sociais que viveram a época. O senhor Gerino Tavares de Lima, em entrevista concedida em

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23/03/2008 relembra como foi a data em Nossa Senhora da Glória. De acordo com seu depoimento, a passagem dos cangaceiros pela cidade ocorreu de forma “tranquila” uma vez que, no município recém criado Lampião agiu diferente, contrariando a expectativa da população local, que temia uma passagem violenta, com assaltos e derramamento de sangue. Outros protagonistas da história comentam sobre o fato. Maria Nila de Almeida confirma a informação da passagem tranquila e ainda aponta atos de generosidade praticados por Lampião na cidade, distribuindo moedas entre as crianças, e dando esmolas a mendigos. A própria depoente foi uma das crianças que recebeu um agrado do cangaceiro. Já o senhor Manoel Messias relembra como foi ver o “rei do cangaço” em sua frente, quando este foi fazer a barba com Zé Bisonho. Segundo o entrevistado, Lampião deixou dois cangaceiros na porta da barbearia para impedir que a multidão curiosa invadisse o local. A expressão usada por Manoel Messias para descrever os cangaceiros é típica do imaginário da época: “Nunca vi bichos tão feios, imundos e carregados de coisas”.


Flash Histórico Além da passagem pela sede do município, os depoimentos também confirmam andanças pela zona rural. Assim relata Ermínia Cecília Santos, nascida no povoado Panelas e entrevistada em 26/03/2008. Através do depoimento, percebemos que a entrevistada associa a imagem de Lampião a uma “assombração” e comenta que todo mundo

tinha medo dele. A opinião construída por Ermínia Cecília revelase intimamente associada aos atos de violência praticados por Lampião, fosse contra a volante ou contra pessoas que traíam a sua confiança ou lhe negava algo. Ainda no âmbito da zona rural, Maria Eurides Santos, nascida no povoado Lagoa Grande, comenta que os cangaceiros es-

tiveram duas vezes em sua casa. “Primeiro eles passaram e não tinha ninguém, aí eles esbagaçaram tudo, comeram tudo e foram embora”. Já na segunda visita houve um contato direto dos cangaceiros com ela e sua família, além de uma senhora vizinha sua, que só foi vista porque pegava água em uma fonte que ficava próxima à casa da entrevistada. “Na segunda vez a gente já tava dentro de casa. Eles chegaram na porta, aí mandaram minha madrasta encher uns bornais, aí ela ficou enchendo na cozinha”. De acordo com a depoente, após suprir os bornais com mantimentos, Lampião e seu bando seguiram caminho, com destino por ela e sua família desconhecido. Mas para não deixar rastro de sua passagem pela localidade, ordenou que uma vizinha sua apagasse os rastros deixados no chão com um ramo de folhas secas. Só depois disso os bandoleiros foram embora. Na tentativa de descortinar fatos do passado gloriense, percebemos como é rica a nossa história, mesmo sendo Nossa Senhora da Glória um município “jovem”, com apenas oitenta anos de emancipação política.

Foto ao fiundo: Maria Bonita (http://hid0141.blogspot.com/2009/07/virgulino-ferreira-o-lampiao-o-rei-do.html)

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Flash Histórico Uma das ocorrências de maior impacto na história gloriense é sem sombra de dúvidas a passagem de Lampião e seus cangaceiros pela cidade, que por sinal, já é bastante conhecida pela população local. Porém detalhes que somente as manchetes dos jornais, aliadas aos testemunhos das pessoas que viveram a época podem revelar, mostram uma face desconhecida sobre o fato ocorrido. Sendo assim, o resgate e a análise das memórias e lembranças dos indivíduos sobre os acontecimentos do passado revelam uma história não apenas factual, mas uma história vista de baixo, construída pelos próprios protagonistas e por conta disso, uma história mais viva. Bibliografia: * Fontes - Depoimento de Gerino Tavares de Lima. Nossa Senhora da Glória. 23/03/2008. * Depoimento de Ermínia Cecília Santos. Nossa Senhora da Glória. 26/03/2008. * Depoimento de Maria Eurides Santos. Nossa Senhora da Glória. 16/05/2008. * Depoimento de Maria Nila de Almeida. Apud: Banco do Nordeste do Brasil.Nossa senhora da Glória. Fortaleza, CE, Agosto de 1982. p. 27. * Depoimento de Manoel Messias. Apud: Banco do Nordeste do Brasil. Nossa Senhora da Glória. Fortaleza – CE, Agosto de 1982. p. 27. * Jornal Gazeta de Sergipe. Aracaju, edição de 19 de Abril de 1929. * Jornal Gazeta de Sergipe. Aracaju, edição de 22 de Abril de 1929. Graduado em História pela Universidade Tiradentes – UNIT; Pós graduado em Ensino de História: novas abordagens pela Faculdade São Luís de França – FSLF; Professor/tutor da Universidade Federal de Sergipe – UFS/CESAD/UAB.

Foto ao fundo: Virgulino Ferreira, O Lampião - Rei do Cangaço Foto em destaque: Expedita Ferreira Nunes e Vera Ferreira, respectivamente, filha e neta de Virgulino Ferreira – o Lampião – com Maria Bonita. Fonte:(http://hid0141.blogspot.com/2009/07/virgulino-ferreira-o-lampiao-o-rei-do.html)

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Túnel do Tempo

Piratas A lenda está mais viva do que nunca!

Por: Arabael drikarabael@gmail.com

A pirataria remonta ao tempo da Grécia antiga 735a.C. onde o termo foi usado por Homero na sua Odisséia para descrever aqueles que saquea vam navios e cidades costeiras. Essa prática de saquear riquezas que pertencessem a mercadores, navios de estado ou povoações e até mesmo cidades costeiras, difundiu-se por diversas regiões da Europa, Ásia e África, atingindo a sua época áurea no século XVIII. Vários piratas atuavam por conta própria. A tripulação era formada por todos os tipos de pessoas, mas a maioria era de homens do mar que desejavam obter riquezas e liberdades reais. Existiam, porém embarcações que trabalhavam a mando de uma determinada nação de um rei, eram conhecidos por corsários. H!stória


Barba Negra

mália e no Golfo de Áden, onde foram registrados os sequestros de 42 navios e 815 tripulantes foram tomados como reféns”. O número representa 85,7% do total de abordagens e capturas de navios no mundo todo, e 13 das 42 embarcações continuam nas mãos de criminosos junto com 242 marinheiros. O relatório anual da IMO destaca um aumento de cerca de 200% dos atos de pirataria nas águas da Somália e no Golfo de Áden em 2008, enquanto no resto do planeta cresceu apenas 11%. Os piratas estão mais preparados, dispõem de armas modernas e melhores, e são mais violentos. No ano passado aconteceram 139 incidentes nos quais os agressores dispararam suas armas, enquanto em 2007 o número ficou em 72. O caso mais famoso em 2008 foi o do petroleiro saudita “Sirius Star”, preso no dia 15 de novembro no Oceano Índico, levado para a Somália e libertado em 9 de janeiro passado após o pagamento de US$ 3 milhões. Para tentar conter o avanço dos piratas, os EUA criaram uma força especial para combater a atividade na Somália e no Golfo de Áden - a Força Combinada 151. Eles eram usados estrategicamente para saquear e abater determinadas embarcações, enfraquecendo assim, reinos rivais, inimigos ou aliados. Entre todos os piratas, alguns se tornaram lendas vivas, e ficaram conhecidos como o Barba Roxa, Jean Lafitte e o Barba Negra. No entanto, hoje a prática da pirataria continua e com ares violentos tanto quanto no passado. Os casos de pirataria no mundo todo em 2008 alcançaram um número sem precedentes por causa dos piratas somalis. Segundo o capitão Pottengal Mukundan, diretor da IMO (Organização Marítima Internacional), “isto se deve principalmente à situação na SoH!stória

Somália - Um país que pede socorro Assolada por enchentes, secas, infestações de gafanhotos, ataques suicidas e assassinatos quase diários, a situação da Somália é a pior do continente Africano. Com um dos piores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo a Somália está localizada no conhecido Chifre da África (corno da África) limitado ao norte pelo Djibouti e pelo Golfo de Áden. A crise se intensificou com o desenvolvimento das forças militares etíopes no conflito entre o Governo Interino Somalis (Governo de transição) e a milícia islâmica que controla

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boa parte do país. Mesmo com a ajuda da ONU o país não conseguiu avançar muito, devido a grandes oposições desses grupos. Vivendo desta forma, em condições de extrema miséria, grupos de ex-pescadores, militares, técnicos em eletrônica e GPS se organizaram e armaramse para saquear e sequestrar embarcações de todos os tipos, aproveitando-se de que as leis contra a pirataria ainda são muito fracas e aos entraves políticos devido a limites territoriais. Desde que ocorreu o aumento exponencial dos ataques piratas as nações preocupadas

com a atual crise calamitosa resolveram atuar contra essa situação. A ONU criou algumas medidas para conter essas atuações, como a criação de frotas internacionais compostas por navios de várias nações. Os Estados Unidos deslocou a 5ª Frota, que tem por finalidade atuar contra a violência extremista e o terrorismo em áreas de responsabilidade marítima, para defender o Golfo Arábico, Mar vermelho, Golfo de Oman e partes do Oceano Índico contra ataques piratas. A União Européia cria a sua primeira operação para atu-

Frase dita pelo ex-capitão da extinta Marinha Somali, Abdullahi Omar Qawden

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“Você precisa somente de três homens e um barquinho, e no próximo dia você está milionário”. H!stória

ar contra a pirataria na costa da Somália. A missão Atalanta, que conta com a colaboração de mil e quatrocentos soldados e uma fragata, tem por objetivo conter os atuais ataques piratas somalis. A frota Européia, acompanhada por meios aéreos e sob mandato da ONU, vai vigiar as águas do Chifre da África em colaboração com a operação da OTAN e de outros países, como a Rússia e Malásia. Ataques ao redor do mundo A Câmara Internacional do Comércio mantém em sua divisão de crimes um mapa atuali-

Somália no continente africano, vista pelo Google Earth

zado em tempo real que mostra todos os incidentes envolvendo piratas e assaltos armados ao redor do mundo. Em seguida veremos alguns incidentes envolvendo piratas entre 2008/2009.

07 de novembro de 2008 Sequestrado o cargueiro CEC Future, que navega sob bandeira das Bahamas, em frente ao litoral da Somália quando se dirigia à Indonésia. A embarcação conta com 11 russos, um georgiano e


um estoniano. 11 de novembro de 2008 Marinha de guerra indiana frustrou uma tentativa de abordagem pirata a um navio mercante MV Jag Arnav após receber pedido de socorro denunciando uma tentativa de seqüestro a cerca de 60 milhas náuticas ao leste da cidade de Áden. Com a mensagem recebida por uma embarcação de guerra , que patrulhava a zona , a Marinha Indiana decidiu enviar uma missão de resgate, composta por um helicóptero e vários comandos da força. 12 de novembro de 2008 Navio-cisterna turco que transportava 4500 toneladas de produtos químicos para a Índia, foi seqüestrado quando navegava no golfo de Áden, ao largo do Iêmen. O “Karacol”, com 14 tripulantes foi abordado por um grupo armado quando se encontrava a 16 milhas das costas do Iêmen.

20 de novembro de 2008 Rússia envia mais navios de guerra para combater a pirataria nas águas da Somália. O destroyer Neustrashimy esta pronto para patrulhar o golfo de Áden, com os navios do Estados Unidos, Índia e de outros países, para reduzir as atividades piratas na área. 25 de novembro de 2008 Navio MV Adina iemenita que viajava do porto de Mukalla para a ilha de Socotra com 507 toneladas de aço e com sete tripulantes, foi sequestrado por grupo de piratas que exige 2 milhões de dólares pelo regate. 07 de dezembro de 2008 Oito piratas somalis armados com lançadores de granadas e armas automáticas tentaram sequestrar um navio holandês na costa da Tanzânia.

08 de dezembro de 2008 Seis navios de guerra da União Europeia (EU) serão enviados para o Chifre da África em 15 de dezembro para substituir quatro navios da frota da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Além dos seis navios, a frota inclui três aviões de reconhecimento naval, que ajudarão a patrulhar o Golfo de Áden e escoltar navios mercantes. 13 de dezembro de 2008 Marinha Indiana captura 23 piratas que ameaçavam um navio mercante no Golfo de Áden. O Navio de guerra INS Mysore e seu helicóptero, que estavam escoltando navios mercantes no Golfo de Áden, receberam o pedido de socorro do MV Gibe, de bandeira etíope, que estava sendo atacado por piratas em duas embarcações. Os piratas tenta-

15 de novembro de 2008 Sequestrado o super-petroleiro saudita Sirius Star, por piratas ao largo da costa queniana. O superpetroleiro, que transporta dois milhões de barris de petróleo, é a presa mais valiosa capturada até hoje pelos piratas. 19 de novembro de 2008 Navio de guerra da marinha Indiana destrói um navio-mãe pirata com dois barcos de grande velocidade fortemente armados a sudoeste da costa de Oman. Ataques piratas são monitorados em tempo real pelo site http://www.icc-ccs.org/

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Após ser sequestrado, em Novembro de 2008, o Sirius Star foi obrigado pelos piratas somalis a atracar em ancorar perto Harardhere, Somália.

ram fugir, mas foram abordados por fuzileiros navais indianos. 17 de dezembro de 2008 Um cargueiro turco, um rebocador que prestava serviços à companhia petrolífera Total e um iate privado foram sequestrados por piratas somalis em águas do Golfo de Áden. 25 de dezembro de 2008 Numa tentativa de sequestro a um navio de carga egípcia com 31 tripulantes, piratas somalis foram afugentados por navio de combate alemão e seu helicóptero que patrulhavam a área. 06 de janeiro de 2009 Forças francesas capturaram piratas somalis (com coletes alaranjados) no Golfo do Áden, na cidade de Bosasso.

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09 de janeiro de 2009 Liberado o super-petroleiro saudita Sirius Star, que estava sequestrado desde 15 de Novembro de 2008, após pagamento do resgate de US$3 milhões. O Sirius Star é a maior embarcação já seqüestrada na região, com uma carga de dois milhões de barris de petróleo avaliada em mais de US$100 milhões. 13 de janeiro de 2009 Navio-cisterna turco sequestrado em 12 de Novembro por piratas somalis foi libertado com seus 14 tripulantes a bordo, após pagamento de um resgate. 14 de janeiro de 2009 Um helicóptero militar russo frustrou tentativa de sequestro a uma embarcação holandesa por piratas somalis que estavam armados com fuzis e lança-granadas. Os piratas fizeram vários disparos

contra a embarcação holandesa, mas abandonaram seu objetivo após avistar o helicóptero russo integrado na frota internacional. 16 de janeiro de 2009 Libertaram o navio CEC Future sequestrado em novembro do ano passado por piratas somalis, após pagamento de regate feito há três dias através de um pequeno avião. 26 de janeiro de 2009 Os Estados Unidos irá transferir qualquer suspeito de pirataria que sua marinha capturar para o Quênia na costa da Somália, disse o embaixador norte-americano no Quênia Michael Rannebergero. Tomado pela iniciativa do Estados Unidos, a Grã-Bretanha também enviará seus suspeitos para o Quênia. O primeiro-ministro queniano, Raila Odinga, assinou o memorando porque os


Alguns piratas somalis desde o ataque ao MV Faina.

sequestros têm afetado a chegada dos navios no principal porto do país, Mombasa, que fica no sul da Somália. 04 de fevereiro de 2009 Libertado o cargueiro ucraniano MV Faina e sua tripulação de 20 homens que foi sequestrado em 25 de Setembro de 2008 quando transportava armamento pesado, incluindo 33 carros blindados T-72, munição para artilharia, lançadores de granadas e armas de pequeno porte. O navio foi liberado após pagamento do resgate de 2,5 milhões de euros. Em um artigo da BBC de 09/04/2009, podemos entender alguns pontos da pirataria somali. Como os piratas capturam os navios? Os piratas são muito eficientes no que fazem. Eles admiH!stória

nistram operações sofisticadas, usando os mais modernos equipamentos de alta tecnologia, como telefones por satélite e aparelhos de GPS. Eles também possuem armamentos como lança-granadas e rifles AK-47, e contam com a ajuda de contatos posicionados em portos do Golfo de Áden (entre a Somália e o Iêmen), que os avisam sobre a movimentação dos navios. Os piratas usam lanchas com motores potentes para se aproximarem de seu alvo. Às vezes, essas lanchas são lançadas de embarcações maiores posicionadas em alto mar. Para se apoderarem dos navios, os piratas primeiro usam ganchos e barras de ferro, alguns também disparados por armas, e sobem até o convés usando cordas e escadas. Em algumas ocasiões, eles disparam contra os navios para forçálos a parar, o que facilita sua tomada. Os piratas então condu-

zem a embarcação capturada até o porto de Eyl, na Somália, o centro das operações da pirataria. Ali, eles geralmente desembarcam os reféns que são mantidos até o pagamento de um resgate. Por que não se consegue conter os piratas? Navios de guerra de pelo menos nove países estão atualmente operando no Golfo de Áden e nas águas fora da costa da Somália, mas isso pode ter apenas deslocado o problema. O navio Sirius Star, capturado em novembro, estava a uma boa distância ao sul da costa somali quando foi pego. A área na mira dos piratas agora inclui quase 25% da superfície do Oceano Índico, tornando o patrulhamento virtualmente impossível. O Bureau Marítimo Internacional está aconselhando os donos das embarcações a adotar medida como ter vigias e navegar a uma velo-

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Mas enquanto a Somália não tiver um governo efetivo, muitos acreditam que a “vida sem lei” que impera no país e em suas águas só tende a crescer. Por que os piratas cometem esses crimes? Por dinheiro. Os piratas tratam os navios, sua carga e seus tripulantes como reféns e exigem o pagamento de um resgate. O dinheiro que recebem é muito em um país onde não há emprego e onde quase metade da população precisa de alimentos, depois de 17 anos de vários conflitos civis. O Ministério das Relações Exteriores do Quênia estima que os piratas tenham faturado US$ 150 milhões no ano passado com o pagamento de resgates. Eles usam parte do dinheiro para custear novos sequestros, comprando mais armas e lanchas. cidade que os permita deixar os piratas para trás. Entretanto, os piratas se deslocam extremamente rápido e, em geral a noite. Portanto, muitas vezes é tarde demais para a tripulação se dar conta do que está ocorrendo. Uma vez que os piratas tenham assumido o controle de um navio, a intervenção militar fica difícil por causa dos reféns a bordo. Não existe uma legislação internacional para os acusados de pirataria, apensar de muitos terem sido julgados no Quênia, enquanto outros presos por militares franceses estão respondendo a julgamento na França.

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Alguns diplomatas argumentam que é necessária uma corte internacional para esse tipo de crime, que tenha o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas) e, além de uma prisão internacional para os condenados. Em meados de dezembro passado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução autorizando os países a perseguir os piratas somalis também em terra, uma extensão para a permissão que os países já têm para entrar em águas territoriais somalis para perseguir os piratas.

Como a pirataria afeta as pessoas fora da Somália? Além dos prejuízos diretos para os envolvidos na indústria da navegação, o principal resultado é o encarecimento do frete com consequente aumento do preço das mercadorias transportadas. As empresas de transporte de carga passam adiante os custos de segurança, seguro, recompensa e combustível extra. Por fim, esse aumento chega ao consumidor comum. Estima-se que a pirataria tenha custado entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões em 2008.


Especial Capa

Antiguidade Tardia X

Continuidade? Por: Mayt锚 Regina Vieira mayte@mitoseimaginario.com.br

H!st贸ria


Especial Capa

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este artigo iremos analisar o termo Antiguidade Tardia que começou a ser difundido por volta de 1950 por historiadores alemães , abarcando o período entre a Antiguidade Clássica e a Idade Média. O principal conceito de Antiguidade Tardia é o da transição da civilização ocidental, que deixou de ser a civilização clássica greco-romana e, contudo, não possuía ainda a configuração da civilização medieval. Transição e transformação, eis as palavras que marcam a passagem da Antiguidade para a Idade Média. Esta transição não foi feita de forma direta, ocorreu dentro de um período tomado por mudanças, adaptações, adequações da sociedade em todos os seus níveis: social, econômico, político, cultural e religioso. Uma época que encontrou soluções próprias para seus problemas sociais e espirituais. (MAIER, 1972. p.8) [...] Antiguidade Tardia não é somente a última fase de um desenvolvimento contínuo: é uma outra antiguidade, uma outra civilização, que temos de reconhecer na sua originalidade e julgar por si própria e não através dos cânones das épocas anteriores. (MARROU, 1979. p.15)

Toda a questão a respeito da Antiguidade Tardia se deve as periodizações da história, e o que propõem os novos estudos sobre o período entre a Antiguidade Clássica e a Idade Média é a criação de uma nova divisão historiográfica que comporte, entre eles, a Antiguidade Tardia, vista como um período transitório entre a primeira e a segunda. As periodizações na história, que vieram com os iluministas, foram concebidas como uma proposta pedagógica. Claro que, desde o princípio, estas linhas demarcatórias apresentaram problemas, pois “a fronteira da história é, ao mesmo tempo, indecisa e movediça.” (GLÉNISSON, 1977. p.42) As definições de periodizações são, geralmente, feitas a partir da interpretação do historiador, e estas divisões baseiam-se em crises e rupturas . Aparece então, uma nova armadilha visto que, não há rupturas propriamente ditas na história, mas sim, transições que se fazem ao longo das crises onde há sempre uma adaptação aos “novos tempos”. O grande erro consiste na tentativa de forçarmos os acontecimentos e as particularidades para que caibam dentro de um período pré-estabelecido. É de concordância entre os historiadores atuais que estas divisões atualmente são cabíveis somente em se tratando do mundo ocidental, ou ainda, da Europa Ocidental. (GLÉNISSON, 1977. p.59). Estas divisões historiográficas tornam-se vazias quando aplicadas às civilizações do mundo oriental, por exemplo. Neste sentido, tornam-se válidas as discussões de uma nova definição abrangendo, em sua idéia inicial, as civilizações do mundo ocidental e oriental, as modificações ocorridas nesta transição entre dois períodos, em todos os seus contextos.

Triunfo do Império Romano

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Especial Capa

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s concepções sobre Antiguidade e Idade Média.

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primeira divisão entre antiguidade e idade média, deu-se pela chamada “queda ou decadência” do Império Romano. Alguns historiadores atualmente contestam esta definição de queda do Império Romano, pois não há uma ruptura e sim, uma nova adaptação, uma transição entre os dois períodos. Porém esta definição provém do humanismo do século XVIII, mais precisamente do autor Edward Gibbon, pois através dele tornou-se célebre a denominação “queda” do Império Romano. (GLÉNISSON, 1977. p.59) Como seus contemporâneos, Gibbon seguia os preceitos do iluminismo e do racionalismo, sua obra Declínio e queda do Império Romano foi escrita entre 1776 e 1788. Neste momento, os ideais iluministas e de renascimento viam a Idade Média como um período de trevas, os grandes eruditos e autores da época consideravam com repugnância uma época dominada pela “igreja e suas superstições infundadas”. O período entre a Antiguidade e o Renascimento, ou seja, da “queda” do Império Romano – entendida por Gibbon a partir do ano 476 – até meados do século XIV quando começam a se difundir os ideais do iluminismo, é associado a expressões como “barbarismo”, “ignorância”, “escuridão”, “noite de mil anos”, “idade das trevas”. Desta maneira, é ignorado por estes intelectuais, por o considerarem como um período insignificante. Ao passarmos da história do Império Romano para a dos povos que o fragmentaram no Ocidente, assemelhamo-nos a um viajante que, deixando uma soberba cidade, se encontra em desertos cobertos de sarças. [...] O entendimento humano embrutece-se em meio às mais covardes e insensatas superstições. Chegam elas a um ponto tal, que os monges se tornam senhores e príncipes; têm escravos, H!stória

Moedas do período de Constantino

e estes escravos nem mesmo ousam queixar-se. A Europa inteira apodrece neste aviltamento até o século XVI, e sua regeneração custará terríveis convulsões. (VOLTAIRE, 1756.) Através destas palavras de Voltaire, é possível vislumbrar a noção de Idade Média que possuíam os eruditos, autores e historiadores do Renascimento. Esta concepção perdurará ainda por muito tempo e é plenamente justificável no contexto de sua época. É o momento em que estão sendo redescobertas as individualidades, o pensamento está se desvinculando do pensamento cristão, as ciências estão buscando novas teorias e novos conceitos, voltando para a Antiguidade Clássica; as artes e a literatura também vão buscar nela sua inspiração. Os homens buscam o racionalismo e o afastamento da igreja e da religião. Por volta do século XIX, a corrente do Romantismo na Europa passa a estudar a Idade Média e procura enxergar suas particularidades sem o preconceito anterior, ver os acontecimentos do período com outras definições, entretanto contém seu próprio preconceito, o do nacionalismo. “A nostalgia romântica pela Idade Média fazia com que ela fosse considerada o momento de origem das nacionalidades, [...] De qualquer forma, a Idade Média continuava incompreendida. Ela ainda oscilava entre o pessimismo renascentista/iluminista e a exaltação romântica.” (FRANCO JR., 2001. p.12-13)

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Especial Capa Durante o século XX, continuam as discussões e as contradições a respeito da “Antiguidade Tardia”, que ainda não era descrita desta forma, mas como um período de transições. Alguns historiadores a aceitam, outros a rejeitam. (OLIVEIRA, 1990. p.5) Alguns autores ainda vêem o período como a “decadência romana”, um tempo envolvido em brumas, em barbárie, em superstições. Ferdinand Lot fala de uma decadência total, não vê nenhuma continuidade do mundo romano no período seguinte. Diz mesmo que é insignificante o estudo dos bárbaros, que além do conceito de realeza, nada mais trouxeram para a continuidade do império ou de seus costumes. (LOT, 1985) Michael Rostovtzeff, diz que houve decadência em todas as áreas, literatura, arte, pintura, escultura. Somente os artistas cristãos ainda tentam algum desenvolvimento, ainda assim, este era totalmente voltado para fins religiosos, teológicos. Entretanto havia uma centelha de vida que continuou se desenvolvendo. O mundo antigo envelheceu e lentamente passou à decrepitude, reduzindo-se a pó. Uma nova vida, entretanto, cresceu entre as ruínas, e o nôvo edifício da civilização européia levantou-se sôbre o antigo alicerce, que continuava firme e bom. O nôvo edifício foi erguido pedra a pedra, mas suas linhas principais foram determinadas pela velha estrutura, e muitas pedras antigas empregaram-se na construção. Embora aquêle mundo tivesse envelhecido, não morreu nem desapareceu nunca: continua vivo em nós, como base do nosso pensamento, de nossa atitude para com a religião, nossa arte, nossas instituições sociais e políticas e até mesmo nossa civilização material. (ROSTOVTZEFF, 1977) Em torno das décadas de 1950/1960, a historiografia alemã cria o termo Spätantike ou Antiguidade Tardia, definindo uma nova concepção de divisão cronológica na história onde seria estudado o período entre o fim da Antiguidade e o início da Idade Média. Segundo os autores que defendem esta nova periodização na atualidade, a ruptura concebida por Gibbon e seus contemporâneos entre a

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H!stória

Antiguidade e a Idade Média foi, na realidade, uma época de transição, de transformações, de adaptações que permitiram o nascimento da Europa, do sistema feudal e da sociedade medieval. (MAIER, 1972. p.2) A partir de então começam a surgir novas escritas da história do período, exaltando suas singularidades e demonstrando a continuidade das estruturas romanas, adaptadas pelos novos povos que habitam a bacia do mediterrâneo. Em 1968 o historiador alemão, Franz Georg Maier, em sua obra – traduzida para o espanhol com o título Las transformaciones del mundo mediterrâneo: siglos III-VIII – demonstra o período como uma fase de transformação histórica que deve ser analisada tanto no Ocidente Mediterrâneo como no Oriente Próximo para que se possa ter uma verdadeira visão destas modificações no mundo antigo, definindo que “um retrato totalizador da época é mais importante que as histórias particulares dos estados, instituições ou idéias.” (MAIER, 1968. p.3) Folha de um díptico: O Imperador Triunfante


Especial Capa Santo Mazzarino em sua obra, O fim do mundo antigo, escrita em 1959, mostra também uma crítica ao uso do conceito de “decadência” ao dizer que: Diríamos que não há decadência onde o espírito do homem do baixo império se move mais livremente, no campo da poesia, na arte, na religiosidade ou, se preferirem, no íntimo recesso do lar e de seus afetos; mas há uma crise no tocante ao Estado, à res publica exinanita, como os homens do círculo de Juliano a chamavam. [...] há uma crise política e social, ainda que não haja uma decadência geral. Os grandes criadores vivem em meio a uma civilização que os deixa solitários, ou que se sente cansada, mesmo nos revelando uma infinidade de recursos espirituais. O Império Romano foi golpeado mortalmente pelos bárbaros. Mas apenas as estruturas enferrujadas [pela crise] abandonam-se cansadas sob o choque que as atinge com violência. (MAZZARINO, 1991. p.222-223) Marrou (1979) lamenta que não seja ainda aceito por todos a concepção deste período, rico em mudanças, com novas soluções, como por exemplo, a criação do livro “formado em cadernos cosidos, e que permite edições compactas” em substituição aos papiros de leitura “frágil, atravancadora, incomoda” não há uma cultura decrépita e decadente. Há sim, novas adaptações; para ele é necessário “que o termo ‘Antiguidade Tardia’ receba de uma vez por todas uma conotação positiva (como, já o vimos, aconteceu com o termo Idade Média).” (MARROU, 1979. p.14) Porém, ainda encontramos, na historiografia recente, discordâncias em relação à denominação de “Antiguidade Tardia”, segundo Hilário Franco Júnior:

Primeira Idade Média do que usar o velho rótulo de Antiguidade Tardia, pois nela teve início a convivência e a lenta interpenetração dos três elementos históricos que comporiam todo o período medieval. Elementos que, por isso, chamamos de Fundamentos da Idade Média: herança romana clássica, herança germânica, cristianismo. (FRANCO JR. 2001. p.15) A discussão permanece em aberto e gira em torno das fronteiras temporais entre os dois períodos, pois ainda não há consenso quanto ao limite entre Antiguidade Tardia e Idade Média. (SILVA e SILVA, 2006. p.20) Alguns historiadores colocam seu início na crise do século III indo até o VI, outros, além disso, até o VII, ou mesmo, até a coroação de Carlos Magno e a tentativa de reunificação do Império do Ocidente em fins do século VIII e início do IX. (OLIVEIRA, 1990. p.7 e MAIER, 1972. p.2). O fato é que a Antiguidade Tardia tem como um de seus principais elementos a criação de uma conexão entre a política imperial romana e as legitimações do poder centralizado baseado nas religiões pagãs e, com o cristianismo, na religião cristã. (FRIGHETTO, 2006). Com a finalidade de tornar mais clara as questões apresentadas a respeito das continuidades e justificar a discussão entre os vários autores de que não houve rupturas, mas sim, continuidades entre a Antiguidade Clássica e a Idade Média, faremos a exposição de um deste traço principal: o poder centralizado na monarquia teocrática e absolutista iniciada pelas reformas de Diocleciano. Para isto, consideraremos o período da Antiguidade Tardia do século IV até o século VIII, no Ocidente.

Busto de Diocleciano

O período que se estendeu de princípios do século IV a meados do século VIII sem dúvida apresenta uma feição própria, não mais “antiga” e ainda não claramente “medieval”. Apesar disso, talvez seja melhor chamá-la de H!stória

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Especial Capa Documentários relacionados no blog:

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m dos traços fundamentais da continuidade: A monarquia teocrática e absolutista

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oma é tradicionalmente influenciada pela religião pagã, e seus imperadores sempre governavam de acordo com os deuses. Com Domiciano, estreitou-se esta relação entre o imperador e os deuses, pois – entusiasmado pelas religiões orientais, como o culto do Sol Invictus – ele passa a querer ser adorado como o deus solar. Passam a usar a coroa, o manto púrpura e o cetro, simbolismo de seu poder monárquico. Diocleciano e Maximiano, na tetrarquia, também se equiparam a deuses para justificar seu poder (Júpiter e Hércules, respectivamente). Passam a ser reverenciados e adorados como os deuses, e justificam seu poder através da emanação do divino em suas decisões. São a encarnação dos deuses, da lei viva. “Intermediários entre os deuses e os homens, recebem inspiração e assistência dos primeiros, enquanto os segundos lhes devem, ao mesmo tempo, obediência e respeito religioso [...].” (AYMARD e AUBOYER, 1976. p.304) Ao mesmo tempo em que são adorados e reverenciados, o prínceps (primeiro) passa a ser o dominus (senhor), que tem todo o poder centralizado em suas mãos. (FRIGHETTO, 2002). O Estado romano é oficialmente construído como realeza teocrática e absoluta, sustentada pelo exército e regida pela divindade dos imperadores. (GRIMAL, 1999. p.60) Com Constantino, esta relação entre os deuses e o Estado, na forma do imperador, continua. No entanto, com as mudanças culturais operadas pelo cristianismo, Constantino converte-se ao mesmo. Ainda há discussões sobre esta conversão, pois alguns vêem como sincera outros como um senso crítico e de oportunidade únicos para manter a unidade do império, pois devido à influência do cristianismo em todas as camadas sociais do império e o conseqüente enfraquecimento do

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H!stória

* Para entender mais sobre Roma acesse agora o marcador abaixo no blog da Taberna da História. Seção Fixa - Roma Antiga

poder do Estado – visto que os cristãos em número cada vez maior propagavam que deviam obediência somente a Deus – o monarca passou a apresentar-se como o escolhido por este para ser seu representante na Terra, sendo assim, os súditos deviam obediência a ele que, por sua vez, era julgado por Deus. Constantino então utiliza isto, atribuindo ao Deus único cristão suas vitórias. Como é visível, Constantino continuou o costume da divinização e sacralização do imperador apenas adaptando os costumes a nova realidade religiosa do império. (OLIVEIRA, 1990. p.41) O imperador toma para si o controle da igreja, passa a convocar e assinar os éditos como o de Milão em 313 onde instituía a tolerância religiosa, permitindo todos os cultos e religiões, favorecendo o cristianismo e proibindo as perseguições; organizando a nova religião e suas normas, assinalando um poder total e onipotente: o civil, religioso e militar. “O plano divino sobre a história se realiza com Constantino no Imperium Christianum: o mundo tem um Deus e um Imperador.” (MAIER, 1972. p.67) Entretanto, o homem comum vive dividido neste novo mundo, temendo a Deus e ao imperador, pois, o primeiro pelos atos e atitudes que devem ser impecáveis e o segundo por suas cobranças sociais e econômicas, agem sem clemência. (BROWN, 1971. p.108) Em 380, o imperador Teodósio, através do Édito de Tessalônica, oficializou o cristianismo como religião do império e consolidou a transformação em que o Império Romano tornou-se oficialmente um Império Cristão, mantendo ainda assim sua tradição. “Teodósio foi o último soberano de um Império Cristão unificado”. Sua intenção era trazer “os bárbaros para a cultura romana através do cristianismo.” (OLIVEIRA, 1990. p.51-52) Em 476 é deposto o último imperador romano do Ocidente, Romulus Augustulus, pelo rei


Especial Capa dos germanos, Odoacro. Com as invasões “bárbaras”, os povos que tomam o império do Ocidente, acabam por sedentarizar suas tribos nos territórios romanos, porém estes povos não tem nenhuma instituição política, suas relações sociais são estabelecidas por graus de parentesco, sua hierarquia é mantida pelo exército. O rei germano é, em geral, o general de maior sucesso em batalhas. Sua escolha é feita pelo exército que comanda. Não tendo instituições próprias para desempenhar tal tarefa [organização de um estado], adotaram as que estavam à mão, e que bem ou mal tinham funcionado por longo tempo. Dentre as instituições romanas que passaram a se servir, os germânicos eram especialmente fascinados pela idéia imperial. (FRANCO JR., 2001. p.53) Os líderes germânicos adotam a tradição romana com a intenção de serem incluídos no mundo romano,

assim buscam o modelo de monarquia centralizadora romana. Os bárbaros dominam o ocidente, mas são odiados e repudiados pelos cristãos o que leva a formação de seus reinos. Um povo bárbaro é exceção, os francos, que se infiltram no reino e tornam-se católicos. (BROWN, 1971. p.132) Desta forma, adotam o conceito de imperador romano, atribuindo a seu rei a divinização e sacralização romana e cristã. “A imagem do imperador romano cristão como representante de Deus na manutenção da ordem social através da paz, da lei e da justiça foi transferida para o rei.” (LOYN, 1997. p.303). Era fundamental que o monarca fosse, como Constantino ou Teodósio, um vitorioso do ponto de vista político-militar. Ao fim e ao cabo, a vitória possuía um amplo significado: o apoio divino, o talento do líder guerreiro, a força do grupo nobiliárquico que o apoiara – todos os aspectos remetem tanto ao processo de coesão e unificação à volta do soberano como à tradição imperial romana, [...] (sendo) ...detentores das virtudes tradicionalmente pertencentes à tradição imperial romana. (FRIGHETTO, 2006).

Desde o século VI os reis germânicos buscam utilizar a tradição romana e, apoiados pela instituição religiosa, fortalecem a figura do rei. (FRIGHETTO, 2000). Mais tarde, os francos, vão formar o império carolíngio de Carlos Magno, que será coroado pelo papa Leão III na noite de 25 de dezembro de 800, como o primeiro imperador do Sacro Império Romano do Ocidente com a unção, símbolo da aprovação de Deus, como seu representante na terra. Uma reformulação do Império Romano do ocidente. “Carlos Magno é Imperador Romano em um mundo novamente transformado”. (MAIER, 1972. p.6) Busto de Adriano O Império Romano não já é tão vasto, está dividido, após Teodósio, entre o Ocidente e o Oriente; seus imperadores não governam juntos, ao contrário do ideal de Diocleciano

H!stória

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Especial Capa e Constantino. A bacia mediterrânea está dividida entre vários reinos e o Império Romano do Ocidente, resume-se, a princípio, a Hispania e as Gálias. Grandes propriedades da nobreza são trabalhadas por camponeses – trabalhadores arrendatários em sua maioria – os servos. Sua intenção é reunificar o império, mas já está se operando uma nova transição, agora para a Idade Média, suas bases estão postas e já é possível vislumbrar o esboço da Europa Medieval. (MAIER, 1972. p.6-7).

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ma conclusão parcial

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pós algumas constatações podemos claramente perceber que há uma continuidade no processo políticoinstitucional que se reflete no social. Este período viu a vitória da monarquia sobre o principado tradicional romano, mesmo que este principado fosse ilusório. É instituído o poder absoluto e teocrático do monarca e baseado nas tradições romano tardias, os germanos continuam utilizando esta tradição para legitimar seus governos. Os novos reinos germânicos baseados no território ocidental do Império Romano buscavam sua manutenção e legitimação usando as instituições romanas e a forma de realeza absolutista embasada no cristianismo, estabelecida pelo império. Embora no início estas tribos tenham adotado o cristianismo ariano, aos poucos, com o trabalho dos clérigos, foram sendo convertidas ao cristianismo niceno. Sua forma de legitimação do poder régio através da ligação ao Deus cristão demonstra claramente sua posição, a fim de manter as instituições romanas, utilizando a igreja cristã que se coloca como a herdeira do Império Romano cristão. Além deles temos outros elementos que se tornam visíveis quando tentamos identificar as mudanças do período, mas para isto é necessário deixar de lado o conceito de decadência. A propagação do cristianismo fez com que os olhares se voltassem para o mundo sobrenatural, com um Deus onipotente e onipresente que aceitava a to-

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H!stória

dos independente de status social, gênero ou descendência. Criaram-se os demônios, antes gênios da religião pagã, que podiam tanto fazer o bem quanto o mal, e que agora eram terminantemente maus e influenciavam as pessoas a cometerem erros. Todos buscavam para si a salvação na vida além tumulo. “Era a vitória do mundo invisível sobre o material” (OLIVEIRA, 1990. p.65) O ocidente é governado por uma oligarquia rica, o povo ficou mais pobre, sua economia baseou-se ainda mais na agricultura. É o esboço dos feudos. O Ocidente passa a ter grandes proprietários e camponeses arruinados. Uma das características desta nova riqueza é que ela passa a ser mais pessoal e privada, os passeios no fórum e os banhos nas termas são substituídos pelas reuniões de amigos em palácios que tem suas próprias termas privadas. Assim, as modificações do mundo antigo têm por sujeitos uma sociedade rica e desigual. Uma sociedade onde todos se consideram romanos, todos os aristocratas participam do governo. Todavia, esta aristocracia é uma oligarquia clerical que deveria ser festejada e reconhecida pelo povo “como os imperadores romanos haviam reconhecido outrora os direitos especiais dos membros do Senado Romano [...]” (BROWN, 1972. p.143) Este processo determina, no conjunto, a formação dos elementos conceituais que nos permitem, enfim, denominar este período como Antiguidade Tardia. Bibliografia: * AYMARD, André, AUBOYER, Jeannine. As civilizações da unidade romana. 4ª ed. São Paulo: Difel, 1976. (História Geral das Civilizações.) v. 2 - Tomo II. * BROWN, Peter. O fim do mundo clássico: De Marco Aurélio a Maomé.1ª ed. Lisboa: Editorial Verbo, 1972. * FRANCO JR., Hilário. A Idade Média: Nascimento do Ocidente. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 2001. * FRIGHETTO, Renan. Política e poder na Antiguidade Tardia: uma abordagem possível. História Revista, Goias, v. 11, n. 1, p. 161-177, janeiro/ junho 2006. * GLÉNISSON, Jean. Iniciação aos estudos históricos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Difel, 1977. * GRIMAL, PIERRE. A civilização romana in: A civilização romana. 1ª ed. Lisboa: Edições 70. Cap. 1 e 2. p. 11-36. * LOT, Ferdinand. O fim do Mundo Antigo e o princípio da Idade Média. in: O fim do Mundo Antigo e o princípio da Idade Média, 1985.


H!st贸ria


Utilizando efeitos especiais ao estilo do filme “300”, explorando a violência e as cenas de sexo, a série teve seus dois primeiros episódios vazados na Internet. Produzida por Rob Tapert, Sam Raimi, Joshua Donen e Steven S. DeKnight, roteirista responsável pela série, a segunda temporada terá 13 novos episódios, os quais começarão as filmagens nos primeiros quatro meses de 2010. Cada temporada da série trará um subtítulo ao nome “Spartacus”. A primeira é chamada de “Spartacus: Blood and Sand”; já a segunda temporada foi batizada de “Spartacus: Vengeance”. Estrelada por Andy Whitfield, a primeira temporada apresenta a prisão de Spartacus e sua transformação em gladiador. A história da segunda temporada não foi divulgada para não adiantar ao público informações sobre o desenvolvimento da primeira temporada. A estética de “Spartacus” procura explorar o visual das histórias em quadrinhos, veículo para o qual também foi lançado um gibi da série no mês de outubro. Acompanhe todos os episódios aos domingos pelo blog Taberna da História. Visite agora e baixe os episódios que já foram ao ar e entre nessa aventura de tirar o fôlego. www.tabernadahistoria.blogspot.com Acesso o marcador:

Séries - Spartacus - 1 Season

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A ERA DAS REVOLUÇÕES 1789 - 1848 (Eric Hobsbawm 222 páginas - Editora Paz e Terra) Hobsbawm mostra, neste livro, como a Revolução Francesa e a Revolução Industrial Inglesa abriram o caminho para a renascença das ciências, da filosofia, da religião e das artes; mas não conseguiram resolver os impasses criados pelas fortes contradições sociais, que transformaram este período numa conturbada fase de movimentos revolucionários.

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MUNDO ARQUEOLÓGICO Arqueologia resgata história de forte abandonado em Rondônia Forte Príncipe da Beira servia para guardar fronteira do Brasil. Inaugurado em 1783, ficou sem uso durante a maior parte do século XX.

A praça interna do forte tem cerca de 10 mil metros quadrados de área. (Foto: Portal Globo.com)

Abandonado por décadas, o Real Forte Príncipe da Beira, um dos marcos mais monumentais da ocupação portuguesa na Amazônia está sendo estudado por arqueólogos para ser restaurado e, quem sabe, virar uma importante atração turística da região amazônica. Projetada pelo arquiteto italiano Domingos Sambucetti, que morreu de malária durante a obra, a construção está localizada às margens do Rio Guaporé, na fronteira do Brasil com a Bolívia, no município de Costa Marques (RO). A função do forte inaugurado em 1783 era guardar os limites entre os impérios português e espanhol. Quando a ocupação da região já estava consolidada, perdeu sua função e acabou abandonado. Agora, um projeto de recuperação de fortificações do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) está permitindo conhecer melhor como era a vida dos ocupantes do Príncipe da Beira. Mais de 40 mil peças já foram encontradas nas escavações da parte interna do forte. “Há muitos restos de fardamentos, insígnias militares.

Encontramos 2.200 balas de canhão”, relata Fernando Marques, arqueólogo do Museu Paraense Emílio Goeldi que desde o ano passado desenvolve trabalho de campo no sítio. Um dos aspectos interessantes do material recolhido no trabalho de recuperação é a evidência da integração dos militares com a população da região. Nas escavações foram encontradas “louças europeias misturadas com cerâmicas nativas”, segundo relata Marques. “Dentro do espaço do forte havia capela, hospital, boticário, costureiros. E, ao lado dele, foram surgindo comunidades”, descreve o arqueólogo. Segundo ele, suas instalações permitiam dar abrigo a cem soldados. A área central onde grande parte dos objetos foram encontrados é um quadrado com 10 mil metros quadrados de área. A frente externa do forte tem 250 metros. A imponência da construção não chegou a ter emprego em batalha, já que o forte nunca esteve envolvido em combate. Segundo Marques, a restauração do forte deve demorar mais dois ou três anos. Então, estará pronto para visitação turística. Como a construção fica num local isolado, a cerca de 800 km da capital Porto Velho, uma opção para atrair visitantes será incluí-lo em roteiros de turismo ambiental pela região. Fonte: Globo.com Reportagem: Dennis Barbosa


MUNDO ARQUEOLÓGICO A Parede mais antiga do Brasil Escavações feitas no terreno da casa de Marim Afonso de Souza, em São Vicente, revelaram o que pode ser a parede mais antiga do Brasil erguida no século XVI. Entre os achados estão conchas, cerâmicas indígenas, colheres de bronze, vários objetos e várias épocas. Mais de 883 peças já foram encontradas e catalogadas e que contam a história da vila de São Vicente. “Este sítio é muito importante porque em um espaço urbano numa cidade totalmente ocupada, surge uma amostragem de todas as etapas da cultura brasileira.” Marcos Atanásio Braga Coord. Casa Martim Afonso São Vicente - SP

Todo o material foi encontrado no quintal da casa de Martim Afonso, onde viveu o fundador da vila. As escavações revelaram uma São Vicente que não se encontra nos registros históricos. Várias camadas de solo do tempo que ainda eram submersos no tempo em que a cidade era submersa se encontra hoje a vista de todos. Logo acima desta camada há uma outra mais escura

onde se data 13.000 anos, época em que os mangues começaram a surgir em São Vicente. Já em outra camada de solo, podemos ver pigmetos brancos da época dos sambaquis. As últimas camadas são do período da ocupação indígena Tupi, do contato dos negros com os índios e da colonização. “Aqui você tem tudo junto e você consegue juntar o quebra-cabeça de forma perfeita. Para contar uma história precisa daqui da Vila de São Vicente e de toda essa evolução da Vila. E ao finalizar as escavações nós conseguimos encontrar a base da parede mais antiga do Brasil, datada de 1516 e 1520.” Manoel Gonzales Arqueólogo São Vicente - SP Por: Monsenhor

Casa Martim Afonso São Vicente - SP

Foto: Marcio Pinheiro


MUNDO ARQUEOLÓGICO

Ofer Sion, diretor de escavações da Autoridade para Antiguidades de Israel, segura répica de um antigo mapa da cidade. Foto: Ronen Zvulun / Reuters

Escavações em Jerusalém descobrem via pública de 1.500 anos

Arqueólogos descobrem restos de templo do século 4 a.C.

Escavações na Cidade Antiga de Jerusalém confirmaram a existência de uma via pública construída há 1.500 anos que aparece descrita no “mapa de Madaba”, um mosaico antigo encontrado na igreja homônima, na Jordânia, que mostra a Jerusalém do período bizantino. Nele, aparece uma porta no oeste da cidade que levava a uma única via pública. “Após retirar várias camadas arqueológicas, a uma profundidade de 4,5 metros, descobrimos para nossa surpresa os grandes ladrilhos que pavimentavam a via”, anunciou o diretor de escavações da Autoridade para Antiguidades de Israel, Ofer Sion. Ao longo dos anos, os arqueólogos descobriram vários vestígios de prédios importantes de Jerusalém descritos no mosaico. Seu autor deu destaque especial, evidentemente, às igrejas da cidade. Ainda foram encontrados grandes paralelepípedos de pedra com mais de um metro de comprimento e rachados pela passagem dos anos, além de uma cimentação, uma calçada e uma fila de colunas cuja origem ainda está sendo investigada. Nas escavações foram descobertos inúmeros objetos de ourivesaria, vasilhas, moedas e cinco pequenos pesos de bronze que os comerciantes utilizavam para pesar metais preciosos.

Uma missão arqueológica egípcia descobriu em Alexandria os restos de um templo ptolomaico dedicado à deusa Bastet e pertencente à rainha Berenice, esposa de Ptolomeu III, cuja construção remonta ao século 3 antes de Cristo. Segundo um comunicado divulgado nesta terça-feira (19) pelo Conselho Supremo de Antiguidades egípcio (CSA), a expedição, que estava liderada pelo diretor de Antiguidades do Baixo Egito, Mohammed Abdel Maksoud, também desenterrou 600 diferentes objetos daquela época. A nota explica que a descoberta foi feita durante escavações rotineiras na região de Kom al-Dikka, na cidade mediterrânea de Alexandria, dentro de um recinto militar. O secretário do CSA, Zahi Hawas, assegurou que o templo tem dimensões de 60 metros de comprimento por 15 de largura e se estende sob a rua Ismail Fahmi. Segundo Hawas, a construção foi destruída na última época da era ptolomaica quando usada para construções, o que provocou o desaparecimento de muitos de seus blocos de pedra. Entre os objetos que foram resgatados pela expedição estão a figura da deusa Bastet, representada por um gato, considerada a deusa da proteção e da maternidade. Isso indica, segundo Maksoud, que o templo era dedicado a essa deusa. Maksoud ressaltou que foram encontradas três estátuas de Bastet em diferentes pontos da escavação junto a outras figuras esculpidas em pedra de um menino e uma mulher. Além disso, foram encontrados potes de barro, estátuas de bronze e louça de diferentes divindades do antigo Egito, além de representações de terracota dos deuses Harpócrates (Horus menino) e Ptah.

Fonte: Agencia EFE e da Reuters

Fonte: EFE Deusa Bastet, representada por um gato, era considerada a deusa da proteção e da maternidade. Foto: SUPREME COUNCIL OF ANTIQUITIES/AFP


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H!stória


Aesquina Por: Monsenhor

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do

Brasil O maior entrocamento rodo ferroviário do País. H!stória


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Brasão 1 da Família do Visconde de Entre-Rios.

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história de uma cidade que se originou de uma fazenda para se tornar um dos entroncamentos mais importantes do Brasil tem como base outra pequena cidade vizinha chamada Paraiba do Sul. Nossa história se inicia em Paraiba do Sul onde em 1792, nascia Antônio Barroso Pereira, filho de Antônio Barroso Pereira e de Maria Jacinta de Macedo, casou-se com Claudina Venâncio de Jesus, com a qual gerou Antônio Barroso Pereira Júnior, segundo barão e visconde de Entre-Rios (Nome de origem da região onde veio a nascer a cidade de Três Rios) . A sua riqueza proporcionou a expansão de suas posses já que era um homem público e

H!stória

vereador por Paraíba do Sul diversas vezes e ter sido sargentomor de milícias. Através de relatos históricos, a referência mais antiga que se tem sobre o município de Três Rios data do início do século XIX quando em 16 de setembro de 1817, Antônio Barroso Pereira, obteve por requerimento as terras no sertão entre os rios Paraíba e Paraibuna. “É no teor da concessão da referida sesmaria, exarada pela coroa portuguesa, que se identifica a origem da primeira toponímia do município - Entre-Rios.” (Trecho do documento redigido para Antônio Barroso Pereira)

Dentre suas posses no âmbito territorial, Antônio Barroso Pereira fundou cinco fazendas, sendo elas: Fazenda Cantagalo, a mais importante, e as Fazendas Piracema, RuaDireita, Boa União e Cachoeira, todas dependentes da primeira. Recebeu o seu baronato por decreto imperial de 15 de dezembro de 1852 e o viscondado por decreto

De cima para baixo: 1 - Estrada União Indústria 2 - Locomotiva da época da ferrovia imperial 3 - Diligências da União Indústria

imperial de 17 de fevereiro de 1883. Teve o barão, desde a primeira legislatura da Câmara Municipal de Paraíba do Sul, acirrada luta com a família Paes Leme, pela obtenção de área de terras para patrimônio do nascente município, que acabou por resultar na concordância da doação da área pelos proprietários, chefiados pelo Marquês de São João Marcos. Entre as propriedades que pertenceram ao Barão de Entre-Rios, além da já citada Fazenda Cantagalo, estão também suas fazendas: Cachoeira, Boa-União, Rua Direita e Pi-


As homenagens não pararam por aí, a estação rodoviária local também recebeu o nome de Estação de Entre-Rios, o que não tardou muito que a pequena povoação que vivia às margens da rodovia se transformasse em Entre-Rios. A modernidade avançou com passos largos e em 1867 a ferrovia imperial de D. Pedro II , também com o apoio do Barão, chegou a EntreRios.

um novo tempo

Brasão 2 da Família do Visconde de Entre-Rios.

racema. Na época de seu falecimento, além das propriedades rurais citadas, constavam ainda de seus bens, 407 escravos, um vistoso palacete em Petrópolis, localizado na Rua do Imperador número 52 e mais dois prédios nessa mesma rua. No Rio de Janeiro, possuia um prédio de dois andares na Rua Direita, hoje atual Primeiro de Março número 52, avaliado em 70 contos de réis, tendo em vista outro prédio na mesma cidade, na Rua São Pedro número 93, avaliado em 20 contos. Em Entre-Rios, atual cidade de Três Rios, um correr de 13 casas de residência e comércio, junto a Estrada União e Indústria; diversos prédios em Paraíba do Sul e em São João Del Rey, além de títulos a receber e dinheiro em espécie, depositados em várias casas bancárias, imensa fortuna para aquela época em toda a região.

Modernizando para Crescer Em 23 de junho de 1861 é inaugurada a Estrada União Indústria (que ligava Juiz de Fora a Petrópolis , cidade imperial da época e residência de D. Pedro II) e que por ajuda de Antonio Barroso Pereira, passava pelas terras da Fazenda Cantagalo. É por este nobre ato que Antônio Barroso Pereira foi condecorado Barão por D. Pedro II. H!stória

Com a morte do Barão Antônio Barroso Pereira, Mariana Claudina Pereira de Carvalho é herdeira da Fazenda Cantalo, já que foi transmitida por seu pai. Mariana Claudina Pereira de Carvalho casou-se com José Antônio Barroso de Carvalho, barão e visconde de Rio Novo, filho de Dâmaso de Carvalho e de Carolina de Miranda. Em 1880, Mariana Claudina Pereira de Carvalho é feita Condessa do Rio Novo. Viúva e sem filhos, a Condessa, falecida a 5 de junho de 1882, em Londres, onde se encontrava em tratamento de saúde, deixou a fazenda Cantagalo para a obra Brasão 3 da Família do Visconde de Entre-Rios.


assistencial que planejara em Paraíba do Sul, a Casa de Caridade, com a recomendação de que “as terras próximas à Estação de Entre-Rios”, poderiam ser aforadas para os que ali quisessem residir. Tratava com essa recomendação de garantir recursos perpétuos àquela futura casa de assistência social. Com a movimentação que já havia com a ferrovia e a rodovia, a chance do aforamento se tornou real, trazendo um relativo progresso ao local já conhecido como importante entrocamento rodo-ferroviário. Em 13 de agosto de 1890, Entre-Rios se tornou 2º distrito de Paraíba do Sul. O acelerado processo de crescimento não deixava dúvidas, mostrando uma superioridade ao distrito sede tanto em população, eleitores, arrecadação de impostos. Não tardou que os entrerrienses solicitasse a emancipação do seu distrito sede já na década de 20. Em 14 de dezembro de 1938, o distrito de Entre-Rios conseguiu sua emancipação sendo então um novo município político-administrativo e instalado em 1º de Janeiro de 1939. Devido a ter outros municípios brasileiros com o mesmo nome de Entre-Rios, o município se viu obrigado a mudar seu nome para Três Rios no dia 31 de Dezembro de 1943, pelo decreto da Lei 1056. Nome tal devido ao entroncamento de três rios cujo os nomes são: Paraiba, Paraibuna e Piabanha.

tempos modernos

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H!stória

Três Rios hoje continua sendo um braço importante dentro das rodovias brasileiras. Pelo município cruzam a BR 040, conhecida como a Rodovia Washington Luís, que liga o Rio de Janeiro a Belo Horizonte, e também a BR 393 que é a ligação da Rodovia Presidente Dutra na altura de Volta Redonda até a cidade de Além Paraíba que fica no sudeste de Minas Gerais.

Através deste entrocamento podemos partir para qualquer região do Brasil com facilidade desde o Norte-Nordeste até o Centro-Sul. Hoje o município tem angariado conquistas importantes como o crescimento da educação através de filiais de Universidades Públicas do Estado do Rio de Janeiro e também de faculdades privadas, onde a


servas naturais de verde e mata, mas se faz bem visível para o Brasil e principalmente para o Estado do Rio como um pedaço da história do nosso país. É necessário, resgatar e dar importância a cidades pequenas como Três Rios, uma vez que a modernidade começou ou foi instrumento de via através de estradas e ferrovias que cruzaram estas cidades. Não foi atoa que o presidente Juscelino Kubitschek, chamou Três Rios de “A Esquina do Brasil.” Bibliografia: * Crédito das fotos que relacionam a estrada União Indústria ao site - www.asminasgerais. com.br

Avenida Alberto Lavinas conhecida como Beira Rio. Foto da antiga estação ferroviária de Três Rios. No passado já foi usada como biblioteca e hoje está totalmetne abandonada e entregue aos cupins.

partir daí, deixa os alunos do município bem equilibrado com os alunos da capital. Para a sociedade, a vinda de empresas de outros Estados, tem fortalecido a economia da cidade trazendo junto, empregos, trabalhadores e uma nova esperança de vida para os habitantes do município. Os pontos turísticos é outro atrativo para os turistas, que H!stória

pode, desde esportes radicias, como o rafting, até as fazendas do período colonial, conhecer um pouco da cultura fluminense e mineira. Três Rios hoje nada mais é que um ícone na história de crescimento do Brasil e claro do Estado do Rio de Janeiro. Uma cidade que nasceu entre rios e vales, continua hoje escondida em meio as suas re-

O coreto ainda existe na praça da autonomia no centro de Tres Rios.

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Revista H!stória - Fevereiro - 2010  

Uma revista 100% voltada para amantes de história e do mundo arqueológico. Artigos de professores brasileiros e assuntos regionais com foco...

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