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São Paulo não é uma mulher bonita. Pelo menos, não assim, logo de cara.
Algumas esquinas são famosas por sua arquitetura; outras, por sua vocação comercial ou ainda, sua própria história.
É diferente do Rio de Janeiro, que conquista pelo olhar.
Uma, em especial, tornou-se a mais famosa do país graças à genialidade de um baiano que logo que aqui chegou conseguiu ver a beleza de uma cidade que intimida e que só quem a observa é capaz de encontrar.
São Paulo tem uma beleza escondida que precisa de tempo para ser encontrada. São Paulo não é de beleza óbvia. Talvez, por isso mesmo, sua beleza seja perene. Para entender esta cidade não bastam as avenidas, pontes e marginais. Pelo contrario, só se desvenda São Paulo por meio de suas curvas, suas esquinas. Alguém já disse que em São Paulo as pessoas se esbarram; pois em suas esquinas encontros e desencontros acontecem todos os dias de uma cidade que não desperdiça nenhum deles.
Esquinas. São Paulo não vive sem e algumas traduzem sua essência e representam cada um de seus moradores. Só eu sei as esquinas pelas quais passei. Exatamente como na música de outro gênio, este alagoano. São as esquinas que contam São Paulo.