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Revista Artefacto Beach&Country 12

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PERFIL

B&C: O que tira o seu humor? José Simão: Injustiça. Aí eu fico muito puto. Injustiça social, gente em corredor de hospital. E gente preconceituosa. De falar, tipo assim, “ah, o aeroporto virou uma rodoviária”, sabe, que não quer compartilhar as coisas. E gente que tem preconceito é burra, é mau caráter. Eu sou bem humorado, digo que fundo de poço tem mola. B&C: Como é o seu mau humor, é rápido? José Simão: É, tanto o mau humor quanto a depressão. Claro, a vida não é um eterno Rá Rá Rá. Mas o humor e a alegria sempre vencem. E quando estou com depressão, com um problema, eu reajo com humor, aí é um humor negro, sarcástico demais, mas é um tipo de humor. Tem jeito. B&C: Envelhecer interferiu na sua forma de encarar a vida com humor? Como você lida com o tempo? José Simão: Eu só percebo que envelheci quando olho para o espelho. Eu falo “sou eu?!” (risos). Mas, não, é a mesma coisa. Sou meio infantil, não tem jeito. No candomblé chamam de erê, criança eterna. Eu sou meio macaco mesmo, por isso que botei o meu nome de Macaco Simão. Não é a melhor idade, isso é mentira (risos). Balela. B&C: Você é religioso? José Simão: Eu sou uma coisa chamada ateu místico, acredito em energias cósmicas, falo Virgem Maria o tempo todo. Sou filho de Ogum, mas não sou do candomblé, não. Fui criado no catolicismo e acho bonito, as orações, as imagens, tem uma coisa dramática, bonita, mas não sou religioso. Eu estava entrando na igreja do Bonfim com a Astrid (Fontenelle) e fiz o sinal da cruz, e ela “mas você não é ateu?”, e eu “ateu místico!” (risos). Não vou jogar pedra no santo (risos).

Rotina do “ô esculhambador!” Acordo e já vou ver as coisas no computador (grande). Mas sou viciado em iPad, pareço um pastor evangélico com o iPad debaixo do braço (risos). Tomo uma ducha, concentro nos ombros e solto o quadril, e já entro no ar, às 8h40 da manhã. Aí desço para malhar. Ando, malho, e o pessoal grita “esculhambador!”. Volto e escrevo a coluna da Folha, toco o instrumento, pá-pápá-pá-pá-pá. E leio tudo, vejo todas as charges, porque gosto de citar muito. Gosto de compartilhar. Se acho algo bacana, se combina com o texto, eu ponho. Depois tenho que montar o Monkey News, que faço na internet com o Rodrigo Flores, que é o diretor de conteúdo do UOL. Almoço e vou lá gravar. Quando volto, já ligo a TV, não tem jeito. Ontem eu vi o céu ficar negro e falei “hoje vai rolar um Datena”. Não se fala mais “caiu um temporal”, é “rolou um Datena” (risos).


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Revista Artefacto Beach&Country 12 by Studio Lemon - Issuu