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CIBJO CONGRESSO MUNDIAL DE OURIVESARIA 2011 EM PORTUGAL PELA PRIMEIRA VEZ, ORGANIZADO PELA AORP, NA POUSADA DO FREIXO

OURINDÚSTRIA 2011 XIII EDIÇÃO OURINDÚSTRIA PAVILHÃO MULTIUSOS DE GONDOMAR

ENTREVISTA MARCO CRUZ E O ADMIRÁVEL MUNDO DA OURIVESARIA


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MENSAGEM DO PRESIDENTE

Caros Colegas, A nossa Ourivesaria está em sérias dificuldades, com a subida diária dos metais para custos elevados e a retracção dos compradores sem certezas nenhumas de quando esta situação irá normalizar. Tenho a noção dos graves problemas que o país atravessa, resultado do estado a que chegou a economia portuguesa, mas continuo esperançado na retoma que todos ansiamos no sector da Ourivesaria, que é feita de símbolos e património ricos de valor e beleza. Temos no entanto este mês dois grandes eventos para o nosso sector: o Congresso Mundial da CIBJO – The World Jewellery Confederation, realizado no Porto e a Feira Ourindústria, em Gondomar.

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Espero que o Congresso da CIBJO, realizado em Portugal pela primeira vez, e organizado pela AORP com o apoio do CCDR-N – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, ajude a destacar a ourivesaria contemporânea portuguesa e ainda a indústria da ourivesaria tradicional com mais de cinco séculos, ambas, artes portuguesas de grande qualidade. O Porto é ainda uma gema por descobrir! Como tradicionalmente acontece nos Congressos da CIBJO, os representantes da comunidade internacional da ourivesaria e joalharia estarão reunidos no Porto, com uma agenda cheia. Um Congresso da CIBJO funciona como o fórum oficial para várias comissões sectoriais, e é o local onde alterações podem ser introduzidas às directivas definitivas da organização, que estabelece os padrões da indústria internacional de diamantes, pedras de cor e pérolas, assim como para laboratórios gemológicos e de metais preciosos, directivas conhecidas como “Blue Books”. Antecipando a abertura do Congresso, realiza-se no dia 13 de Março uma mini-conferência sobre a esmeralda “Emerald Day”, uma das mais relevantes pedras preciosas de sempre. É novamente, a primeira vez que, em Portugal, se realiza um encontro científico internacional de gemologia, colocando o país no mapa mundial desta disciplina ainda algo embrionária em Portugal. Pela qualidade das comunicações e pela rara oportunidade de trocar experiências com alguns dos mais reputados gemólogos do Mundo, este “Dia da Esmeralda” é, seguramente, um evento a não perder, havendo ainda ocasião no jantar convívio que se segue onde, em ambiente descontraído, todos os delegados ao congresso estarão em contacto privilegiado com a comunidade portuguesa. Esta conferência será aberta ao sector da ourivesaria português gratuitamente. Como referi, o Congresso da CIBJO irá preceder a Feira de Ourivesaria de Gondomar – Ourindústria 2011, onde será oferecida, durante quatro dias, uma visão da ourivesaria criada pelos jovens e futuros designers Portugueses, bem como dos nossos ourives e joalheiros já estabelecidos. Na sua 13.ª edição, e com uma participação de expositores de elevada qualidade, não poderei deixar de convidar todos a uma visita ao certame.

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INTERVIEW. GAETANO CAVALIERI

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INTERVIEW GAETANO CAVALIERI PRESIDENTE DA CIBJO WORLD JEWELLERY CONFEDERATION

Pela 1ª vez, Portugal recebe o Congresso Mundial da CIBJO, que decorrerá de 14 a 16 de Março no Palácio Pousada do Freixo, no Porto. À AORP coube a tarefa de organizar este evento. Em conversa com Gaetano Cavalieri, presidente da CIBJO, ficamos a conhecer quem é, e o que faz esta instituição.

O QUE ESTEVE SUBJACENTE À ESCOLHA DE PORTUGAL COMO PAÍS ORGANIZADOR DO PRÓXIMO CONGRESSO DA CIBJO? Portugal tem estado na nossa restrita lista de possíveis países organizadores do nosso congresso, e estou extremamente contente com o facto de agora se ter tornado realidade. Estando Portugal de certa forma afastado dos destinos regulares da maioria dos nossos membros, há duas circunstâncias que o tornam um local perfeito para receber o congresso anual da CIBJO. Em primeiro lugar, os criadores de joalharia portugueses ocupam um nicho de mercado ainda modesto, mas com crescente visibilidade, no mundo do design de joalharia e joalharia contemporânea. Com as preferências de consumo a convergir para opções de design original, é expectável que as criações portuguesas, com reconhecida qualidade de acabamento, continuem a ganhar terreno não só no mercado Europeu, mas também nas Américas. Como se sabe, a indústria criativa de jóias em Portugal não opera num vácuo nem nasceu agora. As suas raízes assentam em muitos séculos de manufactura de joalharia, com especificidades, por vezes, singulares e diferenciadas no panorama mundial, e os profissionais reconhecem que se encontram nos ombros de gigantes. Naturalmente, gostaria aqui de aproveitar a oportunidade para agradecer ao anfitrião do nosso congresso, a AORP - Associação de Ourivesaria e Relojoaria

de Portugal, assim como a CCDR-N - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, pelo apoio financeiro fornecido atravºes do ON.2. PARA OS MENOS FAMILIARIZADOS COM ESTE TIPO DE EVENTOS INTERNACIONAIS DO SECTOR, COMO O DESCREVERIA? A CIBJO é a Confederação Mundial da Joalharia, uma organização que reúne associações sectoriais nacionais de dezenas de países, assim como instituições de reconhecido prestígio e grandes corporações internacionais, sendo o congresso um espaço privilegiado para o encontro dos profissionais que as representam. Na organização da CIBJO, existem várias sectores onde estes delegados debatem os temas mais actuais e quentes das suas áreas, a saber: Sector 1 (Indústria/Tecnologia/ Metais Preciosos), Sector 2 (Distribuição) e Sector 3 (Materiais Gemológicos, Trade e Laboratórios). Para tornar os trabalhos mais eficientes, formam-se comissões onde se discutem temas de interesse desses sectores, tais como Diamante, Pedras de Cor, Pérolas, Laboratórios, Ética, Marketing, Prata Sterling. Depois de baixadas às comissões, debatidas e votadas, as deliberações vão a escrutínio na Assembleia Geral, onde os delegados com direito a voto as ratificam. Os presidentes, vice-presidentes e membros das comissões trabalham durante o ano para dar resposta a questões, dirimir contro-

vérsias e registar comentários. Por essa razão, estes profissionais, a título voluntário, encontram-se dias antes do congresso para coligir esta informação e levá-la ao título maior que sucederá. Todo este trabalho empenhado e por vezes moroso é absolutamente crucial para os nossos objectivos de promoção da confiança do consumidor na joalharia e da implementação de estratégias mais sustentadas para o reconhecimento da importância de temas como a Responsabilidade Social e Corporativa. O ACTUAL ESTATUTO DA CIBJO COMO ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL RECONHECIDA PELAS NAÇÕES UNIDAS (ONU) TEM SIDO PRIMORDIAL PARA COLOCAR ESSAS QUESTÕES A NÍVEL MUNDIAL? E QUAL TEM SIDO A RESPOSTA DA COMUNIDADE INTERNACIONAL DESSAS MATÉRIAS? Durante o ano transacto, a CIBJO e a WJCEF (The World Jewellery Confederation Education Foundation) organizaram uma série de eventos chave no que diz respeito a Responsabilidade Social e Corporativa. Um marco digno de relevo, foi a Exposição Mundial de Shangai em Setembro. A WJCEF tem, precisamente, como propósito a sensibilização e educação do sector de joalharia para os princípios da Responsabilidade Social e Corporativa. O fórum de dois dias sobre Responsabilidade Social e Corporativa foi um dos momentos altos da semana da UNITAR (United Nations Institute for Training and

Research) no pavilhão da ONU neste evento internacional. O sector de joalharia mundial, que, na ONU, é representada pela CIBJO, foi seleccionada para o evento como modelo e case study para a implementação de políticas de Responsabilidade Social e Corporativa numa área de negócio. Em Janeiro passado, mais de 120 delegados participaram num seminário de alto-nível sobre Responsabilidade Social e Corporativa no sector de joalharia, promovido pela WJCEF e feira VICENZAORO. O seminário, organizado pela CIBJO e apoiado pela Fiera di Vicenza, foi o primeiro evento da WJCEF a ter lugar numa feira do sector. Aqui se salientou a cooperação que se tem desenvolvido entre o sector internacional da joalharia, representado pela CIBJO, e a ONU. Deu a conhecer os desenvolvimentos em matéria de Responsabilidade Social e Corporativa na joalharia, desde o começo da crise dos diamantes de conflito no final dos anos 1990, ao empenhamento do sector em ajudar a ONU na satisfação do seu Millennium Development Goals. Daqui se vê que este tipo de ligações permite a criação de oportunidades que são críticas para apresentar estas matérias da maior actualidade aos nossos colegas de sector. E esperamos que o papel da CIBJO na promoção e educação em Responsabilidade Social e Corporativa se faça sentir nos programas de informação e promoção dos mais variados eventos sectoriais de larga participação à escala mundial.


QUAL TEM SIDO O PAPEL DOS CONHECIDOS “LIVROS AZUIS” DA CIBJO PARA OS PROFISSIONAIS DO SECTOR? Os Livros Azuis da CIBJO (CIBJO Blue Books) são um conjunto de padrões para a classificação, nomenclatura, boas práticas e metodologias associadas ao diamante, pedras de cor, pérolas e metais preciosos e, mais recentemente, para terminologia técnica de gemologia. Estes Livros Azuis foram inicialmente compilados, e desde então constantemente actualizados, por uma série de comissões constituídas por representantes das organizações sectoriais e laboratórios gemológicos nas áreas do diamante, pedras de cor, pérolas, metais preciosos e joalharia. Estas normas padrão resultam do consenso decorrente de uma discussão alargada dentro das comissões, bem como de especialistas externos que expressaram interesse em participar no desenvolvimento destas normas. Actualmente, existem cinco livros: Gemstone Book, Diamond Book, Pearl Book, Precious Metals Book e Gem-

mological Book, este último lançado em 2010. As aplicação das normas publicadas nos Livros Azuis é voluntária. Todavia, recomenda-se que estes princípios sejam seguidos por todas as partes envolvidas no sector (sejam indivíduos, corporações, revendedores, fornecedores, retalho) nas suas várias posições na cadeia de distribuição, desde a fonte ao consumidor final. A razão desta recomendação é simples: a observância das boas práticas, transparência e rigor que estão na base e espírito destas normas são cruciais para a promoção da confiança do consumidor nos nossos produtos e no nosso sector, factor de desenvolvimento e diferenciação cada vez mais relevante nas estratégias de sucesso no panorama de consumo mundial. RELATIVAMENTE ÀS ACTUALIZAÇÕES DOS LIVROS AZÚIS, HÁ TEMAS QUENTES PARA ESTE ANO? Houve temas bastante “quentes” nos passados congressos da Turquia e Alemanha, designadamente, na Comissão do Diamante, a questão da nomenclatura dos diamantes sintéticos, estando agora a CIBJO em harmonia com as regras do IDC - International Diamond Council. Contudo, ainda relativamente ao diamante, poderemos esperar discussão relativamente à introdução de terminologia que já é utilizada para as pedras de cor, como, por exemplo, o uso de pedras compostas. A Comissão de Pérolas irá debater a formação de uma Comissão Técnica de Pérolas, sob a égide da LMHC - Laboratory Manual Harmonization Committee, em resposta às recentes preo-

cupações do Bahrain acerca da definição dos critérios de identificação de pérolas naturais, um tema bastante actual e preocupante. Membros da LMHC reuniram neste país, em Junho passado, onde algumas destas matérias foram discutidas e resolvidas, esperandose, no congresso, a apresentação desses trabalhos. Uma das questões interessantes diz respeito ao uso da palavra “pérola” por si só para a descrição de uma pérola natural, quando de acordo com as normas actuais, é necessária a utilização dos qualificativos “natural”, “de cultura” ou “imitação” para retirar qualquer ambiguidade na apresentação desses produtos. No Porto, este será um dos temas que irá seguramente promover uma interessante troca de argumentos. No congresso do Porto a Gemmological Commission vai apreciar a necessidade de estabelecer uma plataforma de partilha de informação entre membros relativamente a questões gemológicas ligadas às empresas (sector), escolas, academias e organizações de consumidores. A implementação do CIBJO Gemmological Forum, uma plataforma on-line, estará em cima da mesa e anuncia-se a sua entrada em actividade com a distribuição, aqui no Porto, de senhas de acesso aos delegados credenciados.

tores a visitarem o nosso site para conhecerem as várias iniciativas que temos abraçado neste particular. Em 2009 publicámos “Believe in me: A jewellery retailer’s guide to consumer trust”. Este guia foi preparado e publicado Jonathan Kendall, Marketing Manager da De Beers Group e presidente da Marketing Strategy Commission da CIBJO. Num mundo em constante mudança, os consumidores estão a colocar cada vez mais questões específicas aos agentes de retalho relativamente aos nossos produtos. Questões, tais como, por exemplo, onde é que os metais são extraídos? que garantias têm de que as pedras são “verdadeiras” e se são ou não tratadas? o que é que foi feito para assegurar que os produtos foram alvo de boas práticas ao longo da sua cadeia de distribuição?

OS LIVROS AZÚIS SÃO DOCUMENTOS MAIS VOCACIONADOS PARA OS PROFISSIONAIS. A CIBJO TEM PUBLICADO, CONTUDO, OUTROS INSTRUMENTOS DE APOIO AO SECTOR MAIS ORIENTADOS PARA A PROMOÇÃO DO CONSUMO. PODE FALAR-NOS UM POUCO DESTES PROJECTOS? Eu vou-lhe destacar um em particular, mas não sem antes convidar os seus lei-

Este guia oferece, assim, a informação e aconselhamento necessário para dar estas e outras respostas, promovendo a confiança do consumidor. Este manual resulta, assim, da visão da CIBJO em dotar o sector de joalharia de ferramentas de informação e educação sectorial precisamente para a promoção eficiente destes objectivos.

INTERVIEW. GAETANO CAVALIERI

QUE DESENVOLVIMENTOS É QUE, NESSA MATÉRIA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL E CORPORATIVA, SE PODERÃO ESPERAR NO CONGRESSO DO PORTO? Eu antevejo que no Porto se irão integrar as nossas actividades em sede de Responsabilidade Social e Corporativa num formato adequado para que os membros da CIBJO possam acompanhar, gerir e regular os esforços em matéria de educação que têm vindo a ser postos no terreno pela WFCEF. Decidir-se-ão os contornos deste formato e é previsível que se forme uma comissão específica para o efeito.

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HAVERÁ TAMBÉM UM DIA TOTALMENTE DEDICADO À ESMERALDA? ESTÁ ABERTO APENAS AOS DELEGADOS AO CONGRESSO? O Dia da Esmeralda, uma mini-conferência gemológica onde irão estar a falar especialistas internacionais de reconhecido alto calibre, é uma oportunidade de gema, eu diria, para todos os portugueses interessados em gemologia e no mundo fascinante da esmeralda, possam contactar com os mais avançados desenvolvimentos no conhecimento desta pedra preciosa. Não é todos os dias que, em Portugal, se juntam na mesma sala insignes gemólogos internacionais, tanto como oradores, como na sua simples qualidade de ouvintes dos trabalhos dos colegas. Por essa razão, abrimos as

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portas deste evento a todos os interessados, mesmo que não sejam participantes no congresso. É uma ocasião privilegiada para contactar com estes especialistas de maneira mais informal. Este encontro é, sem dúvida, uma oportunidade a não perder e no nosso site www.cibjo. org encontram-se todos os pormenores desta mini-conferência. POR FIM, QUE ARGUMENTOS TÊM OS NOSSOS PROFISSIONAIS E COMPATRIOTAS PARA A PARTICIPAÇÃO NESTE CONGRESSO? Sem prejuízo para tudo o que já foi atrás aludido, eu diria que o Congresso da CIBJO, para além de toda a aprendizagem, actualidade e excelência de conteúdos técnicos, é uma oportuni-

dade excelente para o contacto com profissionais e colegas de todo o Mundo, incluindo os maiores especialistas mundiais em matérias variadas do nosso sector, desde a gemologia aos metais, passando pelo marketing e educação. Como organização verdadeiramente internacional e de grande prestígio, afluem ao congresso estes nossos colegas de altíssima craveira e que ficam, assim, facilmente acessíveis entre as sessões de trabalho e nos variados eventos de convívio. O contacto com os temas mais actuais no nosso sector, sejam as questões das gemas, das regras de nomenclatura, de estratégias de marketing e, também, das questões ligadas às políticas e educação em Respon-

sabilidade Social e Corporativa, será seguramente inspirador para os colegas portugueses. Diria, ainda, e por fim, que uma boa participação activa de delegados nacionais irá enriquecer o âmbito das discussões, pois dessa forma toda a comunidade sectorial internacional irá ficar a conhecer melhor as preocupações, questões e matérias de interesse que residem no país anfitrião do nosso congresso, colocando-se Portugal no mapa mundial da joalharia de forma ainda mais sólida e participativa.

demais organizações, retalhistas, e outras pessoas de sectores relacionados interessadas em contribuir e interagir com a nossa indústria. Empresas privadas e organizações também beneficiarão do Congresso já que se trata de um evento que atrai atenção dos meios de comunicação de todas as partes do mundo. A ICA dispõe de um grande banco de dados

internacional de profissionais da indústria e contactos nos media. Através de comunicados à imprensa, anúncios e reportagens, dão grande cobertura ao Congresso destacando a contribuição dos patrocinadores, organizações participantes e palestrantes.

O Congresso CIBJO Porto 2011, conta com o co-financiamento do ON.2, NOVO NORTE e QREN, através do Fundo Europeu.

CONGRESSO ICA BRASIL

A ICA – Associação Internacional de Pedras de Cor e o IBGM – Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos organizam o 14º. Congresso Mundial de Gemas Coradas no Brasil. Entre os dias 30 de Abril a 04 de Maio de 2011 estarão presentes mais de quatrocentos dos mais destacados empresários do sector de pedras, jóias e afins, de todos os recantos do mundo, ávidos por trocar experiências, procurar informações e estabelecer novos negócios e parcerias. O Congresso da ICA atrai

representantes de todos os centros de mineração, produção e comércio de gemas e metais preciosos no mundo interessados em participar nas actividades da ICA e em ampliar os negócios através de contactos e trocas de informações proporcionadas pelo Congresso; isto além de aumentar o conhecimento e compreensão da indústria e dos recentes desenvolvimentos, produtos e serviços relacionados. Tais congressos também atraem não-membros, reunindo empresários, representantes dos media e

As reacções à decisão de sediar o Congresso no Rio de Janeiro foram unanimemente avassaladoras. O Brasil dispõe das melhores pedras preciosas e designers de jóias do mundo; além de ser um destino de viagem e turismo muito atraente, o que o torna a escolha ideal para o Congresso ICA 2011.


ENTREVISTA COM

MAJOR VALENTIM LOUREIRO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE GONDOMAR

GONDOMAR TEM NA INDÚSTRIA DA OURIVESARIA UMA DAS SUAS PRINCIPAIS ACTIVIDADES. É, ALIÁS, A IMAGEM DE MARCA DO MUNICÍPIO...QUAL TEM SIDO O PAPEL DA OURINDÚSTRIA NA EXPANSAO DESTA IMPORTANTÍS-SIMA ÁREA ECONÓMICA PARA O CONCELHO? A Câmara Municipal de Gondomar, ao longo destes últimos anos, tem assumido uma efectiva política de investimento na Ourivesaria e na Filigrana. A Autarquia assume, por exemplo, a promoção da “Ourindústria” – evento que se realiza no Multiusos Gondomar “Coração de Ouro”, atraindo e despertando o interesse de profissionais e turistas pelas artes relacionadas com os metais preciosos. Mas, para além disso, encetámos muitas outras actividades que visam dinamizar e apoiar o Sector da Ourivesaria. Estamos a concretizar o Parque Tecnológico e de Negócios da Ourivesaria mas, também, como forma de divulgar a mais tradicional arte concelhia, edificámos o Monumento ao Ourives – uma homenagem sentida e digna a todos os Gondomarenses que fazem desta profissão uma verdadeira arte! A ‘OURINDÚSTRIA’ É JÁ UMA REFERÊNCIA NACIONAL. QUAL É A SUA IMPORTÂNCIA? Paralelamente a diversas outras iniciativas e eventos, a “Ourindústria” é uma das grandes apostas da Câmara Municipal de Gondomar. Mas esta aposta não se resume ao evento, em si. Também promovemos, sempre, a imagem de marca da Ourivesaria de Gondomar e o slogan “Gondomar, Coração de Ouro” – que tem sido adoptado na promoção de vários eventos, no apoio publicitário a provas e equipas desportivas, bem como em praticamente todos os eventos que a Autarquia promove. Mesmo tendo em consideração a conjuntura na-

OURINDÚSTRIA

Antecipando a 13ª Edição da Ourindústria, a AORP falou com o Presidente da Câmara Municipal de Gondomar sobre este certame e o que ele significa para o município e para a Ourivesaria nacional.

XIII EDIÇÃO OURINDÚSTRIA 17-20 DE MARÇO, NO PAVILHÃO MULTIUSOS GONDOMAR cional e internacional, julgo que, talvez por isso mesmo, iniciativas como a “Ourindústria” se afirmem como um palco privilegiado para a promoção e divulgação da Ourivesaria, bem como dos serviços que a ela estão associados. Gondomar continua a ser o principal pólo de produção, em Portugal, desta arte. E, não só pela quantidade, mas também pela qualidade, a Câmara Municipal de Gondomar acredita que a indústria da Ourivesaria merece todo o apoio e carinho. A “Ourindústria” é uma forte e constante aposta, por parte da Câmara Municipal, em manter a promoção e divulgação de um sector que é tradicional em Gondomar. E que, representando mais de metade da produção nacional, também assume relevância em termos de economia local, com cerca de 15% de peso na produção no Concelho de Gondomar.

DE QUE FORMA É QUE ESTE SECTOR TEM BENEFICIADO COM ESTE CERTAME? O grande benefício é a partilha de experiências, o estabelecer de contactos e, principalmente, a criação de novas sinergias entre os produtores, comerciantes e compradores de peças. Mas o certame também tem, ao longo dos anos, servido como plataforma de modernização do sector, apostando-se num mercado (e serviço) de qualidade, onde é a diferenciação e o “saber fazer” que assumem especial importância. Gondomar é reconhecido como um Concelho onde se trabalha o ouro (e outros materiais nobres) em quantidade. Mas é, principalmente, um Concelho ao qual se associa a palavra qualidade.

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OURINDÚSTRIA

PODE-SE DIZER QUE A ‘OURINDÚSTRIA’ É O VEÍCULO, POR EXCELÊNCIA, PARA FAZER A PONTE ENTRE AS TRADIÇÕES LIGADAS AO OURO E O FUTURO MARCADO PELAS TENDÊNCIAS MAIS CONTEMPORÂNEAS? Evidentemente que sim. Aliás, essa é a lógica que está inerente à “Ourindústria”. Um evento onde se promovem os valores mais tradicionais mas que, em simultâneo, tenta promover novas tendências e formas de, no futuro, se trabalhar o ouro.

A OURIVESARIA É UMA ACTIVIDADE Q UE ESTÁ DISPERSA PELO CONCELHO. O FUTURO PARQUE TECNOLÓGICO E DE NEGÓCIOS DE OURIVESARIA PRETENDE CORRIGIR ESSA QUESTÃO? Essa tem sido uma das preocupações do meu Executivo. Sabemos que Gondomar representa mais de 50% da produção nacional de Ourivesaria, mas também sabemos que essa produção se encontra dispersa. Por isso, para potenciar meios e reduzir custos, já se está a avançar com a primeira fase da construção do Parque Te-

cnológico e de Negócios de Ourivesaria. Estrutura que, até 2012, irá nascer numa zona central de Gondomar (S. Cosme), tendo acessibilidades privilegiadas. E este é empreendimento que representa um investimento de cerca de seis milhões de euros (comparticipados pelo QREN). Este é, na minha opinião, um dos projectos mais marcantes do desenvolvimento económico do Concelho, já que visa concentrar, dinamizar e modernizar a indústria de Ourivesaria de Gondomar.

CÂMARA DE GONDOMAR AVANÇA COM PARQUE TECNOLÓGICO E DE NEGÓCIOS DE OURIVESARIA

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O Executivo da Câmara Municipal de Gondomar reuniu a 10 de Fevereiro. De uma extensa lista de pontos em discussão (e votação), foram aprovados os concursos para a exploração de bares na zona do “Polis”, em Valbom. Foi também aprovado o concurso para a construção do Parque Tecnológico e de Negócios de Ourivesaria, que representa um investimento de perto de seis milhões de euros (obra comparticipada pelo QREN). Igualmente foi aprovada a proposta de adjudicação do

Este será, na opinião de Valentim Loureiro, um dos projectos mais marcantes do desenvolvimento económico do Concelho. Para o Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, o Parque “visa concentrar, dinamizar e modernizar a indústria de Ourivesaria do Concelho”. O Parque Tecnológico e de Negócios de Ourivesaria está delineado em três fases. A primeira fase do projecto inclui a construção do edifício central, com um restaurante e parque de estacionamento, bem como os arruamentos envolventes. Quanto à segunda fase, engloba a construção dos edifícios destinados à

Incubadora de Empresas, à Contrastaria e à instalação das primeiras empresas. Por último, a terceira fase, segundo o previsto, abarcará a construção de um equipamento tecnológico para o sector da Ourivesaria. De salientar, ainda, o último ponto da reunião de 10 de Fevereiro. A discussão centrava-se no licenciamento da edificação das instalações destinadas ao hotel/ hospital para cães e gatos em Baguim do Monte, de que é requerente a Sociedade Protectora dos Animais. Pela fundamentação apresentada pelo Vereador do Pelouro de Gestão Urbanís-

tica e Obras Particulares, Leonel Viana, este projecto foi indeferido. A propósito deste assunto, Valentim Loureiro, Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, salientou que o indeferimento se devia ao facto de haver dúvidas acerca do possível ruído causado pelos animais. Na dúvida, esta obra não podia ser licenciada. Caso a Sociedade Protectora dos Animais consiga assegurar que pode “ultrapassar todos

os possíveis problemas de ruído, a situação poderá ser revista”, disse Valentim Loureiro.

Centro Escolar de Baguim do Monte, investimento que ultrapassa os três milhões de euros. O Parque Tecnológico e de Negócios de Ourivesaria irá nascer em zona central e com acessibilidades privilegiadas. Representando um investimento de cerca de seis milhões de euros (comparticipados pelo QREN), o futuro Parque ocupará ter-renos com uma área de três hectares. No final, segundo o previsto, o Parque ocupará um total de nove hectares.


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ESPAÇO OPINIÃO. ANDREA TETTRI

ESPAÇO OPINIÃO

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ANDREA TRETII QUAL O FUTURO DAS EMPRESAS DE OURIVESARIA EM PORTUGAL?

Quantas vezes ouvi esta entre outras perguntas nos últimos anos! Embora entenda muito bem as preocupações que levam a questionar-se sobre o futuro, infelizmente nem eu nem vocês temos o dom de o prever. Gostava assim de partilhar convosco algumas reflexões que amadureci nos últimos tempos, de forma ajudar, em conjunto, a encontrar o nosso caminho. Vindo de experiências noutros sectores muito diferentes, entrar em contacto com as empresas de ourivesaria, provocou-me uma sensação ao mesmo tempo de sincera maravilha e de forte interesse. A fragmentação em centenas, ou até milhares de entidades fortemente especializadas em actividades muito restritas. A dimensão muito reduzida das empresas, bem abaixo da média nacional da indústria de transformação. A gestão familiar, com estrutura, funções e relacionamentos internos/ externos geralmente muito informais. São só algumas das características que me marcaram, características extremamente interessantes, que conferem de um lado uma grande flexibilidade, do outro expõem-se mais facilmente aos factores externos que as empresas não controlam. Tentando sintetizar uma situação bastante complexa, com a sobreposição da crise económico-financeira à prolongada recessão do sector, as empresas hoje em dia encontram-se a enfrentar de uma forma geral os seguintes problemas: • Dificuldade em impôr uma marca com forte reconhecimento por parte do cliente final; • Escassa capacidade financeira, agravada pelo contínuo aumento do valor da matéria-prima para além do câmbio euro-dólar desfavorável; • Limitadas capacidades de planeamento estratégico,

investimento em pesquisa e design do produto; • Forte separação entre empresas comerciais e produtivas, com falta de ligação mutuamente vantajosa: - para os produtores: grande dependência dos armazenistas para atingir e “perceber” o público-alvo; - para os comerciantes: dificuldade em assegurar um fornecimento com elevada relação qualidade/ preço, com resposta rápida e níveis de serviço satisfatórios. Eu sei, que até agora pouco ou nada de novo disse, que vocês já não soubessem. Preferi começar por descrever a situação do sector de ourivesaria... em Itália! De facto, apesar da posição de liderança em todos os mercados do mundo, como vemos o Made in Italy afinal não está muito longe da nossa realidade. Entre 2004 e 2008 a Itália registou a maior queda entre os maiores países transformadores quer no trabalho do ouro (-44%) e quer no da prata (-36%). Durante a VicenzaOro First 2010 o presidente Roberto Ditri lançou uma mensagem muito eloquente: “Temos que ser conscientes que o 2010 para a economia mundial se abre no signo da incerteza. [...] A nossa única resposta possível para o sector é reagir com força e capacidade de mudar, apostando na inovação, formação e internacionalização. Arregaçar as mangas e continuar a trabalhar!”. Exactamente um ano depois, finalmente o optimismo começou a aparecer timidamente entre os operadores do Sector. E é o próprio Ditri a comentar: “Internacionalização é a palavrachave no desafio global. Este ano lançamos as bases para o que será o nosso futuro de player mundial de primeiro nível no Sector. Os factos deram-nos razão.”

INOVAÇÃO • Estudar combinação dos metais preciosos com metais diferentes; • Design para nos diferenciar, com novas formas, cores, etc.; • Design para reduzir o consumo de matéria-prima preciosa e conceber peças agradáveis com preço mais acessível; • Ligação aos outros sectores da Moda, aos quais o da Ourivesaria está sempre mais próximo; • Ligações às outras empresas do próprio Sector, através de cooperação, parcerias, etc.; • Exploração das novas tecnologias para a divulgação da Marca e dos produtos; FORMAÇÃO • Aprender com os nossos competitors, visitando feiras não só em busca de produto ou de clientes, mas também para conhecer as tendências e trazer novas ideias; • Aproveitar o menor volume de trabalho para analisar as nossas fraquezas e estudar a melhor forma de os minimizar; • Utilizar todas as oportunidades que nos são oferecidas (AORP, QREN, ...) em benefício à nossa actividade, procurando maximizar a boa ajuda para nos permitir melhorar e crescer;

Por fim, na esperança que o meu italiano aportuguesado não representou grande dificuldade em transmitir de forma mais contida possível um assunto tão vasto, queria deixar uma última consideração sempre válida em qualquer momento: não ganha quem trabalha mais, mas quem trabalha melhor! Sobretudo nesta época não devemos cair na tentação de sacrificar da qualidade em favor do preço, mas sim o seu oposto: aumentar a qualidade percebida pelo cliente final, sem aumento de preço.

INTERNACIONALIZAÇÃO • Procurar novos mercados para aumentar o nosso volume de negócio; • Diferenciar os mercados de destino por forma a reduzir a dependência do mercado interno; • Prestar grande atenção ao marketing, por exemplo divulgando e insistindo na origem do produto como imagem de qualidade.

Gestor e Engenheiro Industrial Consultor do programa Formação PME


INTERVIEW. LUÍSA PEDROSO

INTERVIEW LUÍSA PEDROSO BI NOME COMPLETO. Ana Luisa Costa Pedroso CARGO. Designer de Joalharia FORMAÇÃO. Licenciatura em joalharia, ESAD Pós-graduação em design de joalharia, UCP Pós-graduação em design de joalharia, ESAD Mestrado em design de produto-joalharia, ESAD (a frequentar) PERCURSO. Estágio na galeria de joalharia Alexandra Delereu Estágio na empresa Ouronor (actualmente) Participação em várias exposições colectivas desde 2002 Prémio Vip Jóias 2009 Selecção POP’s Serralves 2009 e 2010 WWW.LPJOALHARIA.BLOGSPOT.COM

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QUEM É LUÍSA PEDROSO? Luísa Pedroso nasceu a 5 de Junho de 1986, na cidade do Porto. O primeiro contacto com a joalharia aconteceu aos 16 anos quando ingressou no curso de joalharia contemporânea da escola Engenho&Arte. Ainda passou pelo curso de Engenharia Mecânica na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, mas foi em 2006, no curso de Joalharia de Escola Superior de Artes e Design que encontrou o curso no qual se viria a licenciar. Em 2005 terminou a Pós-graduação em Design de Joalharia da Universidade Católica do Porto e em 2009 ingressou o Mestrado na mesma área. Desde 2002 que participa anualmente em várias exposições colectivas. Destacam-se ainda a selecção para a mostra POPs Serralves por dois anos consecutivos e o 1º prémio Vip Jóias, na categoria Inovação em 2009. SABEMOS QUE ESTEVE A FREQUENTAR O CURSO DE ENGENHARIA MECÂNICA, O QUE A FEZ MUDAR PARA A LICENCITURA DE DESIGN DE JOALHARIA? Durante os 3 anos que frequentei o ensino secundário diurno no colégio D.Duarte, frequentava também em horário pós-laboral, o curso profissional de joalharia da Escola Engenho & Arte que se situava perto desse colégio. Quando terminei o 12ºano do ramo científico

natural, ingressei no curso de engenharia mecânica da FEUP tal como sempre tinha sonhado. Mas esta fase coincide com o término do curso de 3 anos da Engenho & Arte e apesar de estar muito feliz na FEUP, estava-me a faltar uma certa continuidade no que dizia respeito à joalharia. É nesse ano então que surge a oportunidade de frequentar a pós-graduação de design de joalharia da UCP mesmo não tendo uma licenciatura terminada, e é aí que eu frequento, no mesmo ano, em paralelo, a licenciatura em engenharia mecânica na FEUP e a pós-graduação e design de joalharia na UCP, em horário pós-laboral. É já no segundo ano da licenciatura em engenharia, que a pós-graduação em design de joalharia termina e é nesta altura que sinto a necessidade de tomar uma posição e escolher uma das duas áreas… e opto então pela que sempre mais me apaixonou e peço tranferência directa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, do curso de

Engenharia Mecânica, para a Escola Superior de Artes e Design, curso de Joalharia, no qual sou aceite por transferência e após entrevista. QUAL FOI A PRIMEIRA JÓIA QUE DESENHOU/PRODUZIU? Não sei precisar qual foi exactamente a primeira peça que produzi, mas foi certamente alguma resultante de algum exercício mais técnico dos primeiros executados na escola Engenho & Arte. Mas lembro-me sim da primeira exposição que fiz e de algumas das peças que a integravam. A exposição realizou-se no Natal de 2002, na galeria da mesma escola e na qual vendi as minhas primeiras peças, sensação de um misto de alegria e tristeza que nunca hei-de esquecer. ‘FROM THE BOTTOM OF YOUR HEART’ E ‘SOLITAIRE’ SÃO DUAS DAS SUAS COLECÇÕES. DESCREVA-NOS O SEU PROCESSO DE CRIAÇÃO. Solitaire é uma peça que surge no desenvolvimento de um projecto que estava a ser trabalhado academicamente na pós-graduação de design de joalharia, mas que ficou arquivado em detrimento de outra peça que foi escolhida como melhor solução para responder a esse mesmo projecto. No entanto achei que seria uma ideia que podia voltar a ser considerada mesmo que fora do contexto académico

e que recuperei já depois do término dessa disciplina e que está a ser um caso de sucesso nas lojas e galerias onde se encontra à venda, tendo mesmo sido uma das 27 peças seleccionadas para a mostra POP´s Serralves 2010. Outro projecto que surgiu também com uma história semelhante foi o projecto FOAM. A ideia da tecnologia utilizada nas peças da colecção FOAM nasceu também no processo de criação da disciplina de projecto no 3º ano da faculdade… a ideia não foi levada a cabo, na altura, por falta de tempo para a execução do projecto a tempo da entrega, mas foi retomada posteriormente. A primeira peça da colecção FOAM foi premiada na categoria inovação do prémio VIP Jóias 2009. Depois a colecção foi continuada, sempre com peças únicas mas contando já com vários exemplares. Peças desta colecção foram apresentadas no dia 29 de Janeiro nas feiras Francas no Palácio das Artes no Porto. SABEMOS QUE JÁ PARTICIPOU EM VÁRIAS EXPOSIÇÕES. COMO SURGIRAM ESTAS OPORTUNIDADES? As primeiras exposições foram sempre realizadas na escola ou em contactos obtidos através da escola mas depois os contactos vão-se desenrolando e multiplicando sem que lhe possa dizer exactamente de onde provi-


FALE-NOS UM POUCO SOBRE OS SEUS FUTUROS PROJECTOS. Neste momento estou 100% focada na minha tese de mestrado e no estágio que estou a desenvolver como designer na empresa Ouronor, e que servirá de base prática à sustentação teórica desenvolvida na minha tese. As participações que tenho feito em concursos, eventos e exposições têm sido mesmo pontuais devido à falta de

tempo provocada por tudo o que envolve a concretização do mestrado. Adoro a vertente que estou a experimentar do designer de joalharia no sector industrial, e está a ser uma experiência super enriquecedora, pois não tem nada que ver com nenhuma das vertentes da joalharia antes experimentadas. É óptimo sentir o lado mais profissional e industrial da joalharia. Mas não esqueço o sonho que tenho em seguir em frente com uma marcar própria de joalharia contemporânea que é o que eu sinto que me preenche a 100% neste mundo apaixonante que é a joalharia.

INTERVIEW. LUÍSA PEDROSO

eram. São oportunidades que se criam às vezes até dos contactos do dia-a-dia… a maior parte não são contactos muito planeados.

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FLASH INTERVIEW. MARCO CRUZ

FLASH INTERVIEW

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MARCO CRUZ

MARCO CRUZ E O ADMIRÁVEL MUNDO DA JOALHARIA

Desde os 12 anos que Marco vive no admirável mundo da joalharia. É pela mão do pai, ourives da região de Travassos, que Marco dá os primeiros passos na arte de trabalhar prata, ouro e pedras preciosas: um amor que foi crescendo ao longo dos anos e o tornou num apaixonado pela joalharia. Marco começa a criar as suas primeiras jóias, produzindo-as com a ajuda do pai, mestre na arte. Na busca de abrir novos horizontes, frequentou o curso de joalharia e cravação, que concluiu com distinção. Após formação de 3 anos, trabalha para várias marcas conceituadas no mercado. A crescente procura pelas suas peças gera necessidade e a oportunidade de lançar a sua própria marca – gerida em parceria com a irmã Daniela Cruz – hoje uma marca em ascensão representada em 40 lojas a nível nacional e 14 lojas nas principais cidades do Mundo. Ao longo destes 19 anos de experiência no ramo da joalharia, Marco já obteve várias distinções com especial destaque para o conceituado Tahitian Pearl Trophy em Nova Iorque onde conquistou o 1º lugar de jovem joalheiro. Em 2009 inaugura a sua primeira loja de autor, um sonho realizado, uma sincera homenagem a seu pai. A arte do detalhe e a sua paixão por pedras preciosas, faz das suas criações peças… inesperadas.Entre o clássico e o contemporâneo, as suas jóias são intemporais, fáceis de se adaptar a qualquer “ambiente”. Ousadas e arrojadas são adjectivos que caracterizam as suas colecções mais modernas, verdadeiras obras de arte, onde o conforto e elegância de quem as usa nunca é esquecido. Alta-costura na joalharia ao alcance de todos: é o seu lema.

QUAIS SÃO OS SEUS PLANOS PARA O FUTURO? O meu próximo grande desafio é a construção de uma nova oficina. O encerramento da antiga empresa Arte Jóia, potenciou e apressou este meu plano. Comprei num leilão as máquinas, os desenhos, a mobília, os protótipos e com isto fiz renascer das cinzas o espaço Arte Jóia. Esta é de facto uma bela oportunidade que as circunstâncias me fizeram agarrar. Terei agora condições únicas para desenvolver as minhas colecções. PELO ENTUSIASMO QUE VEMOS NAS SUAS PALAVRAS, SENTIMOS QUE O MARCO É UM OPTIMISTA, É VERDADE? Sim, sou muito optimista, encaro a vida de uma forma positiva e estou certo que 2011 será um óptimo ano assim como foi o ano 2010. O produto desenvolvido pelo Marco Cruz tem muito boa saída e por isso as perspectivas só podem ser excelentes. O caminho é a diferenciação. QUANDO PENSA EM OURIVESARIA O QUE O FAZ SONHAR? O meu sonho é trabalhar exclusivamente com ouro e diamantes nas minhas colecções. ONDE É QUE PROCURA INSPIRAÇÃO PARA CRIAR JÓIAS? Itália, Roma, Florença, Veneza e Paris são algumas das cidades onde vou buscar inspiração e motivação para o desenvolvimento das colecções. Recentemente visitei Paris e esta viagem fez-me começar uma colecção pequena em ouro e diamantes.

Alta-costura na joalharia ao alcance de todos: é o seu lema. QUAL É A IMAGEM QUE TEM DO SECTOR NESTE MOMENTO? Penso que o sector está super competitivo uma vez que existiu uma filtragem com a crise que vivemos. Exige-se agora mais rigor e mais qualidade. O sector da Ourivesaria deve ser profissional, a crise proporciona um maior esforço para a concretização de peças mais bonitas, maior focagem no trabalho dos colegas e nunca deixar-se ficar para trás, principalmente no que diz respeito ao mercado internacional.

BI NOME COMPLETO. Marco Aurélio Tinoco Cruz LOCALIZAÇÃO. Braga ACTIVIDADE PRINCIPAL. Joalheiro cravador WWW.MARCOCRUZ.PT


MOSTRA EUROJÓIA MOSTRA DE OURIVESARIA E PRATAS, JOALHARIA E RELOJOARIA

LOCAL: EXPOSALÃO Centro de Exposições, Apartado 39 2441-951 Batalha, Portugal T. +351 244 769 480 F. +351 244 767 489 info@exposalao.pt www.exposalao.pt

Como vitrina das tendências dos criadores nacionais e internacionais de ourivesaria, joalharia, relojoaria, pratas e casquinhas, pedras preciosas e semipriciosas, a MOSTRA EUROJÓIA reúne fabricantes, importadores, exportadores, representantes, distribuidores e agentes do sector, com o objectivo de promover

a indústria, a qualidade e a diversidade do mercado. A complementar a oferta, o certame recebe ainda a exposição de embalagens, equipamentos e serviços para ourivesarias, joalharias e relojoarias - tudo para que os negócios deste sector ganhem novo brilho, a cada edição.

PERFIL DO EXPOSITOR: ourivesaria, joalharia, relojoaria, pratas e casquinhas, pedras preciosas e semipreciosas, acessórios, embalagens, equipamentos e serviços. PERFIL DO VISITANTE: fabricantes, importadores, exportadores, representantes, distribuidores e agentes do sector.

MOSTRA EUROJÓIA

DE 1-3 DE ABRIL

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NOTÍCIAS

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NO TI CI AS

RODOLFO SANTOS CONQUISTA MEDALHA DE PRATA NO EUROSKILLS, REPRESENTANDO A OURIVESARIA O jovem Rodolfo Santos conquistou uma medalha de prata durante o Campeonato Europeu das Profissões, o Euroskills Lisboa 2010, que decorreu de 9 a 11 de Dezembro na FIL e reuniu cerca meio milhar de jovens de toda a Europa. Rodolfo Santos, que é um dos joalheiros da Santos Pessoa Criadores, empresa instalada na incubadora do Parque Tecnológico de Óbidos, foi o representante de Portugal deste sector, integrado na categoria de Artes Criativas. No total, a equipa portuguesa conquistou 30 medalhas no Euroskills 2010 e foi a melhor selecção entre os 25 países presentes. Com nove medalhas de ouro, 12 de prata e nove de bronze, Portugal obteve 136 pontos, seguido da Áustria (99,90) e a Finlândia (98,54). Durante três dias 468 jovens de 27 países estiveram a competir e a demonstrar a

CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADES POR QUOTAS SEM CAPITAL MÍNIMO INICIAL

sua qualidade profissional em seis áreas: Artes Criativas e Moda, Engenharia e Fabrico, Transporte e Logística, Tecnologias de Informação e Comunicação, Construção e Serviços Pessoais e Sociais. A tarefa de Rodolfo Santos era reproduzir o símbolo do Euroskills 2010 em prata, o mesmo material que acabaria por ganhar a medalha ao conquistar o segundo lugar na prova. À conversa com o concorrente este estava satisfeito com a sua participação e apenas se queixou do tempo que tinha disponível para concretizar o seu trabalho (18 horas). “É mesmo à conta para conseguir terminar a peça”, disse. Já integrado no mundo do trabalho, depois de concluído o curso de joalharia e cravação no CINDOR (Centro de Formação Profissional da Indústria de Ourivesaria e Relojoaria), em Gondomar,

Foi aprovado, em Conselho de Ministros, um decretolei que vai simplificar os processos de constituição das sociedades por quotas e sociedades unipessoais por quotas, mediante a eliminação da obrigatoriedade da existência de um capital social mínimo. Através do referido diploma, passam a ser os sócios a poder, livremente, definir o capital social que pretendem para a sua sociedade, sendo que, por

JÁ É SUBSCRIPTOR DA NOSSA NEWSLETTER SEMANAL? Para isso basta enviar um email para silvia.silva@aorp.pt e passará a constar automaticamente da nossa lista de destinatários. Também poderá contactar-nos telefonicamente (T. +351 225 379 161/2/3) e indicar-nos o endereço de email onde pretende receber a sua newsletter AORP. JUNTE-SE A NÓS. UNIDOS VALORIZAMOS.

Rodolfo Santos tem representado Portugal nestas competições internacionais. “É bom ter esse reconhecimento”, comentou. Depois de vencer na sua categoria o campeonato nacional das profissões em 2009, o jovem gaeirense conquistou um honroso oitavo lugar no Worldskills, uma competição idêntica à de Lisboa, mas com a participação de países do todo o mundo, que decorreu no Canadá. No início deste ano criou a Santos Pessoa Criadores, em conjunto com a sua irmã Raquel e o namorado desta, João Pessoa.

enquanto, se admite que os sócios procedam à entrega das suas entradas financeiras nos cofres da sociedade até ao final do primeiro exercício económico. De referir que, até ao presente momento, há uma exigência de depósito de um capital mínimo de 5.000,00 euros para os sócios que pretendam constituir uma sociedade por quotas ou uma sociedade unipessoal por quotas.


WORKSHOP

Os participantes executarão várias peças segundo as diversas técnicas; serão exploradas todas as possibilidades expressivas de um material e técnicas de joalharia a ele ajustadas; aos participantes serão apresentados exercícios concretos e implicarão aprendizagens específicas com vista à produção de algumas “jóias”. LILIANA GUERREIRO Licenciada em Artes/Joalharia pela Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos,faz criação e produção de joalharia contemporânea. O seu trabalho esta presente em vária lojas, museus e galeria nomeadamente no Museu de Serralves.

CONCEPÇÃO E ORIENTAÇÃO Liliano Guerreiro Ana Andrade

NOTÍCIAS

WORKSHOP DE JOALHARIA, COM LILIANA GUERREIRO E ANA ANDRADE - 9 ABRIL (SÁB)

HORÁRIO 14.30H - 17.30H INSCRIÇÃO 200€ WWW.SERRALVES.PT

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INTERVIEW. DMS BROCKER

INTERVIEW

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DMS BROKER, ASSEGURA A OURIVESARIA

QUEM É A DMS BROKER? QUAIS OS SEUS OBJECTIVOS E LEMA DA EMPRESA? A DMSBROKER é uma sociedade de mediação de seguros que aposta numa abordagem especializada e diferente aos seguros do sector da ourivesaria. Acreditámos que tratando-se de um sector com uma enorme necessidade de seguros que protejam o património construído, muitas vezes ao longo de décadas, e onde escasseiam as soluções, faria sentido desenvolvermos um programa capaz de responder às diferentes necessidades e aos perigos reais que os profissionais da ourivesaria enfrentam. Procuramos sempre encontrar soluções à medida para a situação e necessidades específicas de cada cliente, tendo plena consciência dos diferentes riscos a que estão expostos os profissionais dos diferentes sectores da ourivesaria. Apostamos numa lógica de proximidade, confiança e acompanhamento permanente do cliente. E fazemo-lo de facto. Os nossos clientes sabem que podem contar connosco, que estamos lá quando é preciso! EM QUE LOCALIDADES DESENVOLVE A SUA ACTIVIDADE? A DMSBROKER actua a nível de Portugal continental e ilhas. Fruto da integração no Grupo Portugália, contamos hoje com cinco escritórios distribuídos entre a zona norte e centro do país, integrando uma equipa com mais de vinte pessoas que garante resposta célere e eficaz a solicitações vindas de qualquer parte do país. De facto, orgulhamo-nos de ter entre os nossos clientes empresas originárias das diferentes regiões do país. Quando apostamos em seguros para o sector da ourivesaria, sabíamos que o sucesso dependia da nossa capacidade em criar uma estrutura que nos permitisse chegar de forma célere a qualquer ponto do país. Felizmente

esse objectivo foi cumprido e é hoje uma realidade. QUEM PODEM SER OS CLIENTES DA DMSBROKER? Temos seguros à medida para os diferentes subsectores da ourivesaria. Começando pelo fabricante, passando pelo armazenista, pelos viajantes e respectivos mostruários e terminando na loja de ourivesaria, disponibilizamos soluções que permitem uma efectiva protecção face aos elevados riscos que estes profissionais enfrentam no seu diaa-dia. SENDO A OURIVESARIA UM SECTOR TÃO AFECTADO PELA CRIMINALIDADE, QUE CONSELHOS PODEM DAR ÀS EMPRESAS PARA DIMINUÍREM O RISCO A QUE ESTÃO SUJEITAS DIARIAMENTE? A realidade que as empresas têm vivido nos últimos tempos com a crescente onda de criminalidade que tem atingido o sector, tem vindo a despertar as empresas para a necessidade de repensarem velhos hábitos e apostarem em novas medidas de protecção e novos procedimentos. Apesar de preferirmos uma análise casuística de cada situação em particular, podemos genericamente, deixar os seguintes conselhos: - Trabalhar com a porta fechada ou dispor de um sistema de porta dupla; - Dispor de botões de pânico; - Deixar a menor quantidade possível de existências nas montras e fora do cofre durante os períodos de encerramento; - Manter o cofre fechado mesmo durante o horário de abertura; - Os viajantes deverão circular com a menor quantidade de existências possível, evitando também a criação de rotinas que os tornem mais vulneráveis; - E porque sabemos que

ainda não há sistemas de protecção perfeitos, temos, obviamente, que deixar um conselho: Façam seguro! Mesmo que também ainda não existem soluções perfeitas, o seguro é a única protecção para quando tudo falha. Por isso renovamos o conselho: Façam seguro! QUE SOLUÇÕES AO NÍVEL DE SEGURANÇA OFERECEM AO SECTOR? Apostamos essencialmente em análises de risco criteriosas, que permitam identificar os pontos mais vulneráveis e a melhor forma de os proteger. Trabalhamos em estreita colaboração com um conjunto de técnicos nacionais e estrangeiros com vasta experiência neste sector de actividade que proporcionam aos nossos clientes a possibilidade de analisarem as suas condições de segurança e de as reforçarem através da implementação de novas medidas físicas, electrónicas ou comportamentais que potenciem a invulnerabildade do local de risco.

ado enormes dissabores às empresas de ourivesaria no momento em que elas mais precisam de protecção: em caso de sinistro. O negócio da ourivesaria tem especificidades próprias que não se compadecem com meras adaptações de seguros generalistas. O que fizemos na DMSBROKER foi desenvolver seguros específicos para ourivesaria, pensados e adaptados às reais necessidades da ourivesaria. Para quem não entende muito de seguros,

COMO FUNCIONAM OS SEGUROS NO SECTOR DA OURIVESARIA? Existem ainda diferentes formas de funcionamento dos seguros no sector da ourivesaria. Ainda existem seguros de ourivesaria que mais não são do que as apólices de multirriscos destinadas a sectores genéricos do comércio, aplicadas às ourivesarias. Essa falta de especialização tem, em muitos casos, cri-

não faz grande diferença dizermos que os seguros que comercializamos são “all risks” e “em primeiro risco”, mas em caso de sinistro o cliente vai perceber que faz toda a diferença. De facto, ao tratar-se de seguros “all risks”, diminuem substancialmente as denominadas zonas cinzentas que geram dúvidas quanto ao enquadramento do sinistro


e que prolongam no tempo o apuramento de responsabilidades e o pagamento da indemnização. Por sua vez, o facto de se tratar de seguros “em primeiro risco”, permite ao cliente definir o capital que pretende segurar sem ficar sujeito à aplicação da regra proporcional e o consequente rateio em caso de sinistro.

cia que quem sobreviver a esta crise terá um futuro risonho pela frente. Essa é também a nossa crença inequívoca e a nossa motivação. Esperamos poder

proporcionar aos profissionais do sector o acréscimo de segurança e confiança que lhes permitam encarar o futuro com maior serenidade.

BI NOME. DMSBROKER MORADA. Rua do Espinheiro, 641 Sala 1.5 Canidelo 4400-450 Vila Nova de Gaia TELEFONE. +351 227 729 644 FAX. +351 227 729 646 ÁREA DE ACTIVIDADE. Mediação de Seguros / Ourivesaria

IBERJOYA ESPANHA

QUE LEITURA FAZEM DA SITUAÇÃO ACTUAL DO SECTOR DA OURIVESARIA EM PORTUGAL? Pensamos que a situação do

sector da ourivesaria em Portugal não difere muito daquele que é o sentimento maioritariamente vigente no país: Falta de confiança, receio, depressão. Em todo o caso, são cada vez mais os exemplos de profissionais do sector da ourivesaria que apresentam um discurso de confiança no futuro. Afinal estamos a falar de um sector que trabalha directamente com aquele que é um dos “refúgios” mais valorizados nestas épocas de crise: o ouro. Ouvimos dizer com frequên-

IBERJOYA ESPANHA 15 A 19 DE SETEMBRO DE 2011

A AEP – Associação Empresarial de Portugal organiza pela segunda vez em colaboração com a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP), a Feira IBERJOYA, a decorrer de 15 a 19 de Setembro de 2011, em Madrid. Na edição anterior (2010), a AEP contou com a participação de nove empresas, das quais quatro empresas nacionais já implementadas neste mercado e outras cinco presenças lusas em estreia. Esta edição contabilizou a presença de 387 expositores, mais 10% que em 2009, 17 dos quais empresas portuguesas, mas também de

outros países como o México e o Brasil, entre os quais se destacavam também fabricantes, designers e marcas de grande notoriedade, provenientes de Espanha, tendo recebido cerca de 15.489 profissionais. Na Iberjoya 2011, a AEP e a AORP pretendem novamente impactar o mercado profissional espanhol e mostrar a actualidade do design e a qualidade do fabrico da nossa joalharia em ouro, prata e metais preciosos. Entre os sectores promovidos pela Iberjoya destacam-se: jóias de ouro e prata; pedras preciosas finas e pérolas; ourivesaria de prata e relojoaria, sendo a Feira destinada exclusivamente a profissionais.

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JORNADAS: ACESSO AO INTERNACIONAL

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JORNADAS “ACESSO AO INTERNACIONAL” 1ª EDIÇÃO DAS JORNADAS DE OURIVESARIA

As 1as Jornadas da Ourivesaria, que ocorreram no Porto a 16 de Dezembro de 2010, constituíram uma inovadora iniciativa a nível nacional promovida pela AORP. Este evento, que contou com a participação de cerca de cem agentes sectoriais, encontra-se inserido no âmbito de um Projecto mais abrangente - “Ourivesaria XXI: consolidar as bases competitivas a nível nacional e internacional da Ourivesaria e Relojoaria portuguesa”, financiado pelo QREN, no âmbito do SIAC – Sistema de Incentivos às Acções Colectivas. A organização das Jornadas faz parte da estratégia da AORP que visa estabelecer um calendário anual de actividades, que faculte o acesso da ourivesaria nacional a competências capazes de incutir dinâmicas mais competitivas e sustentáveis do sector. Assim, o tema desta primeira edição versou o posicionamento do sector no panorama internacional, e práticas de interesse e de actuação no contexto da globalização.

As 1as Jornadas de Ourivesaria decorreram na sede da AORP, em ambiente vivo e participado. O Presidente da AORP – Manuel Alcino, abriu a Sessão fazendo o ponto da situação do sector e salientando a necessidade de implementar novas práticas no sector, que vivencia grandes dificuldades. Seguidamente, a Secretária Geral da AORP - Fátima Santos, apresentou uma colectânea de 6 estudos de mercado para o sector da ourivesaria em Portugal: “Destino: Mercados Internacionais Ourivesaria Portugal” (Mercados XXL), que foi entregue aos participantes das Jornadas. O documento contém informações sobre as práticas de acesso ao mercado internacional (Alemanha, Espanha, França,

Itália, Estados Unidos da América, e China), as principais condicionantes, e um calendário de feiras e eventos sectoriais relevantes a nível mundial. A oradora Fátima Santos terminou a sua intervenção dando início às Sessões de Trabalho. A primeira sessão foi apresentada por Francisca Bonet, da QUID IDEIAS, autora do estudo referido acima, que apresentou o posicionamento do sector da ourivesaria portuguesa no panorama internacional e algumas das suas características. Salientou que Portugal é o sétimo produtor e o 12º mercado de ourivesaria na Europa, registando-se uma tendência para a contracção desde 2004. As unidades produtivas são de pequena dimensão, maioritariamente de cariz familiar, registando-se uma tendência para o downsizing (segundo o Eurostat). A tendência de mercado registada é igualmente de contracção, embora o valor de 2008 (305 milhões de Euros) tenha sido semelhante ao de 2004. Quando comparado aos principais mercados europeus, o português pode considerar-se subdesenvolvido e fragmentado. O saldo da balança comercial da ourivesaria nacional mantém-se negativo, sendo a Itália e a Espanha os principais fornecedores. Relativamente às exportações, a França posicionase como o primeiro mercado de exportação, Angola mantém-se numa posição estável, e a Espanha está a recuperar. Na segunda sessão de trabalho, participaram três peritos internacionais que apresentaram oito práticas bem sucedidas, recolhidas em Itália e em Espanha, que conduziram a resultados comprovados no contexto de outras realidades sectoriais.

A escolha da Itália e de Espanha baseou-se na importância destes países nopanorama europeu e mundial da ourivesaria, assim como pelo facto de registarem uma balança comercial positiva.

dade - Creativity in action e Cercasi Nuovi Artigiani. Esta Sessão de trabalho terminou com a comunicação do Paulo Ribeiro, um dos impulsionadores da Feira Joya Barcelona, de Ourivesaria Contemporânea, e CEO

VLADIMIRO SOLI – Director do Instituto Poster em Vicenza Itália, apresentou a dinâmica dos Distritos Industriais, uma das realidades produtivas de maior interesse ao nível europeu e mundial. Os Distritos são a concretização de realidades territoriais de micro-industrialização difusa. Vladimiro Soli salientou, como principais elementos diferenciadores, a existência de relações de confiança entre os actores e a flexibilidade produtiva.

de Le Département. A Feira Joya nascida da iniciativa privada, e apoiada pelas principais instituições e entidades sectoriais da Catalunha, sintetiza num evento de promoção da ourivesaria contemporânea, uma das novas tendências sectoriais, a promoção da diferenciação e da exclusividade. O evento toma a forma de feira de talentos em que apenas participam artistas e desenhadores. As empresas participam unicamente sob a óptica de cliente. No evento foram também apresentadas por Augusto Andrade - as conclusões do Projecto desenvolvido pela AEP, em colaboração com a AORP, no sentido de prevenir os acidentes de trabalho no sector. E, foram divulgadas pela técnica superior da ACT - Autoridade para as Condições de Trabalho e Coordenadora do Ponto Focal Nacional da Agência Europeia Manuela Calado, as principais conclusões e as linhas gerais da importância da segurança e a saúde no trabalho na União Europeia.

MARCO TRONCON - Responsável pelo sector da ourivesaria na CNA-Veneto (Centro Nacional de Artigianato) apresentou algumas experiências de apoio ao sector desenvolvidas no contexto da Região Veneto e das empresas de Vicenza. Destacou o papel dos Confidi, no âmbito do financiamento da actividade do sector da ourivesaria Prestamos de Uso de Ouro. Apresentou, ainda, a experiência do CORART - um consórcio fundado em 1989 para promover a produção de ourivesaria das micro e pequenas indústrias, para o mercado internacional. Abordou também duas novas iniciativas desenvolvidas para introduzir inovação no sector através da valorização dos saberes tradicionais locais e da criativi-

As Jornadas foram encerradas pelo Presidente da Assembleia Geral da AORP, Germano Teixeira, que deixou o convite aos participantes para uma próxima edição das mesmas.


OURONOR PROJECTO “COM OS OLHOS NAS MÃOS”

No final do ano de 2010, foi então assinado um protocolo entre as duas entidades, numa cerimónia presidida pela Exma. Senhora Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, cujo propósito é desenvolver em conjunto, a campanha “Com os Olhos nas Mãos”. Neste sentido, o apoio da Ouronor assenta na recriação, assim como, na promoção e comercialização de uma peça de ourivesaria única e exclusiva. Trata-se de um coração em filigrana e macramé, desenvolvido

originalmente por Joaquim e António Rodrigues, dois utentes da AADVDB. A peça inicial transformou-se numa jóia rica de afecto e inspirada na filigrana da Póvoa de Lanhoso, com traços do coração tipicamente minhoto. A peça final foi materializada pelos ‘designers’ da Ouronor, que aplicaram uma sintonia de formas, texturas e pedras, convertendo-se numa jóia apelativa ao público invisual. A empresa de ourivesaria e joalharia adoptou ainda um suporte de apresentação do produto que possibilita o tacto por parte dos cegos. A peça está já a ser distribuída por todas as lojas com as quais a Ouronor tem relações comerciais e através dos pedidos que chegam na sequência do conhecimento da campanha.

“Devemos ter um papel activo em projectos que perseguem causas sociais, ligados à comunidade em que estamos inseridos ou até de abrangência nacional”. Conhecedora do trabalho em prol da comunidade invisual do distrito de Braga, desenvolvido pela Associação de Apoio aos Deficientes Visuais, e para promover a responsabilidade social e a

OURONOR

A Ouronor – fabricante de Ourivesaria da Póvoa de Lanhoso, em parceria com a Associação de Apoio aos Deficientes Visuais do Distrito de Braga (AADVDB) desenvolveu um projecto no âmbito da Responsabilidade Social, para a reprodução e venda de uma peça de joalharia, nomeadamente um Coração em Filigrana, realizado originalmente em macramé, e desenvolvido por Joaquim e António Rodrigues, dois utentes da AADVDB, cujos doze por cento das vendas revertem a favor da associação. Com esta campanha a Ouronor pretende, por um lado, ajudar uma associação que tem um papel relevante na área social e, por outro, chamar a atenção do mercado para a problemática da deficiência visual.

igualdade de oportunidades perante o seu meio envolvente, a Ouronor decidiu levar a cabo esta iniciativa. A parceria surgiu naturalmente. A AADVDB obteve o primeiro prémio no concurso “Heart Parade”, promovido pela Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, com o trabalho admirável de Joaquim e António Rodrigues. O trabalho foi coordenado por Sandra Vieira, técnica superior de Educação e Animadora SócioCultural, e criou um impacto social muito positivo na desmistificação de alguns estereótipos que envolvem a deficiência visual.

A Ouronor está de parabéns por ter respondido tão positivamente ao desafio que lhe foi colocado pelo Projecto Empresa, na área da Responsabilidade Social e Igualdade de Oportunidades, no âmbito do Programa Formação PME da AORP - “Ourivesaria em Acção”!

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SUGESTÕES DE LAZER

SUGESTÕES DE LAZER O FIO DA MEADA OLGA MAGALHÃES GALERIA CONTACTO DIRECTO PORTO PATENTE ATÉ 18 MARÇO 2011

EXPOSIÇÃO “O Fio da Meada, visa convidar ex-alunos da Escola Contacto Directo a apresentarem o seu trabalho. Joalheiros com várias experiências artísticas ou profissionais que através de um dos programas de ensino da escola, descobriram o seu fio da meada. Joalheiros Autores, que criam Jóias a partir de conceitos pessoais, mate rializados nas mais diversas técnicas e materiais, peças únicas de expressão

contemporânea. Serão cinco os convidados, que bimensalmente exporão na Galeria da Escola Contacto Directo, no Porto. Dessa forma, pretende-se divulgar a Obra criada a partir da aposta numa arte secular, numa nova visão conceptual, de temas comuns ou pessoais, usando velhas e novas técnicas e materiais clássicos e alternativos.” Filomeno Pereira de Sousa

LIVRO 22

TÍTULO. PERCURSOS DA JOLAHARIA EM PORTUGAL-SÉCULOS XVIII A XX AUTOR. GONÇALO DE VASCONCELOS E SOUSA

Foi apresentado, na Escola Engenho & Arte, no passado dia 21 de Janeiro o livro “Percursos da Joalharia em Portugal”, da autoria do Prof. Doutor Gonçalo de Vasconcelos e Sousa.

LANÇAMENTO. 21 JANEIRO 2011

“A joalharia representa, em Portugal, um universo repleto de informações amplamente documentadas a nível das fontes manuscritas e iconográficas, pela

relevância transversal que, a distintos níveis, marcou a sociedade portuguesa. Da opulenta nobreza à ambiciosa e determinada burguesia, que via nos adornos preciosos um importante meio de afirmação, os grupos com poder aquisitivo conferiam às peças de joalharia com que se adornavam um efectivo meio de afirmação do poder e prestígio social.”

SITE WWW.CIBJO.ORG

ERRATA: Por lapso no último jornal, na notícia relativa ao Portugal Fashion 2010 faltou indicar a participação da empresa nossa associada, CA - Jóias, Lda. Desde já lamentamos o erro.


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WWW.AORP.PT

Jornal AORP  
Jornal AORP  

Jornal AORP Nº6

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