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Revista Sotaques Brasil Portugal Nº 28

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Sotaques

Renata Humann

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Das muitas personagens femininas ligadas às artes e à literatura brasileiras, Patrícia Rehder Galvão (1910 - 1962), conhecida como Pagu, talvez seja a mais multifacetada, diversa e atual. Romancista, poetisa, jornalista, militante política e cultural, desenhista, dramaturga. Ela foi pioneira até nas histórias em quadrinhos! Há um século, Pagu já dizia que lugar de mulher é onde ela quiser. Ela nasceu no interior de São Paulo, mas cresceu na capital paulista. Foi na metrópole que escandalizou em uma época na qual a regra para as moças de família era casar e ser uma boa esposa, mãe e dona de casa. Pagu não era uma mulher comum. Não obedecia aos estereótipos femininos do seu tempo. Fumava, bebia e frequentava ambientes considerados masculinos. Fama de porra louca e tudo bem. Seu comportamento era um choque para a São Paulo provinciana. Viveu intensamente toda a cena social, artística e política do Brasil da primeira metade do século XX. Mulher precursora, ficou conhecida pela relação com o Movimento Modernista. Pagu foi colaboradora da Revista de Antropofagia e, ao colaborar com a revista e publicar seus textos, desenhos e poemas, foi bem recebida pela classe artística.

Casou-se com Oswald de Andrade – que se sep de Tarsila do Amaral para ficar com ela. Da u com Oswald nasceu o jornal O Homem do Povo 1931. Nele, Pagu publicou as primeiras tirinhas fe por uma mulher no Brasil e escreveu sua colun Mulher do Povo, onde questionava comportame femininos na sociedade. Em seus textos, ironi os valores tradicionais e a hipocrisia da socied paulistana. A defesa da mulher pobre e a crítica ao p feminino na sociedade permearam sua vida e o Pagu não tinha medo de tocar em temas delica como o aborto, nem de denunciar a censura violência contra quem defendia ideais de esque Seu primeiro livro é sobre mulheres operária grande São Paulo. Considerado o primeiro roma proletário brasileiro, Parque Industrial, de 1 denuncia as mazelas e hipocrisias da socied defendendo as mulheres, exploradas por seu gê e classe.


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