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Índice           

Carta ao leitor Tão perto e tão longe Entrevista: Ganhando a vida com as mãos Parte da antiga rota do ouro, Paraty reafirma sua vocação turística A importância dos ciclos econômicos na urbanização de Paraty Átomo News from Paraty Arte no Colégio Entrevista: o que pensam os moradores Matemática até em Paraty? Usinas nucleares: muito perigosas para valer a pena

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Realização: Realização:

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Carina Meirelles Queiroz n˚ 3

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Clara Maria P. Lindoso n˚ 4

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Mariana Dahas Turra n˚ 22

N

Mirella Helena n˚ 26

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Sofia Soares Perez n˚ 33

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Ao leitor, P

araty, uma cidade de contrastes. Por um lado, algo

conservado durante o tempo: tanto o Centro Histórico, tombado como Patrimônio Histórico Nacional, quanto a bela mata encontrada no Saco do Mamanguá são exemplos disso. Paraty esteve presente no Ciclo do Ouro como local de descanso entre Minas Gerais e São Paulo. Depois, foi descartada e seu comércio focou-se na produção de cachaça- a melhor do Brasil era produzida por lá.

A

ssim que o ciclo do café, que foi o lucro seguinte da cidade,

acabou, a cidade caiu no esquecimento novamente, para ser redescoberta quando houve a construção da rodovia Rio-Santos. Desde então, Paraty vive do turismo.

M

as não é só do passado que a cidade - que mais parece um

retrato de um mundo imaginário, delicadíssimo – vive. Logo ali perto fica Angra dos Reis, que abriga a primeira usina nuclear brasileira, símbolo de tecnologia avançada.

V

ocê vai encontrar um mundo novo e conhecer um pouco mais

de Paraty nesta edição, com fotos e textos educativos de fácil compreensão. Embarque na estrada rumo a Paraty.

Boa leitura! P

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araty, uma cidade de


Tão perto e tão longe A vida passa devagar no Saco do Mamanguá, destaque da Baía da Ilha Grande, local muito especial de Paraty

Com oito quilômetros de extensão por um quilômetro de largura, o Saco do Mamanguá localiza-se na baia da Ilha Grande. Seu acesso se dá através da utilização de barcos e escunas (o trajeto leva de trinta a quarenta minutos).

Conforme chegamos mais perto do Saco do Mamanguá, é possível ver várias casas á beiramar, algumas delas, quando não são ocupadas por milionários, são cuidadas por caseiros da faixa mais pobre da população local.

como donos dos barcos de transporte para as praias, artesãos ou pescadores (atividade cada vez mais rara). São pessoas humildes e com poucos recursos tecnológicos.

Circulado por altas montanhas, o Saco do Mamanguá, manguezal Os moradores da região, muito bem conservado, geralmente trabalham possui fauna e flora

diversificada, pois é formado pela vegetação da Mata Atlântica. Esses foram alguns dos motivos para que o filme “Amanhecer- parte 1” da série “Crepúsculo” fosse gravado nessa região. Muitas são as riquezas que formam esse local tão conhecido: o fiorde tropical, o berçário

marinho e o reduto tradicional de caiçaras (que possui várias tartarugas marinhas, baleias, peixes, águas vivas e outros). Porém, o que nos pareceu mais interessante e uma grande lição, foi o fato de a população ser tão pobre, mas tão feliz.

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Ganhando a vida com as mãos

Renato Silva Nascimento é habilidoso. Maneja o facão com delicadeza e cria objetos detalhados a partir de um simples toco de madeira. Quando perguntamos se ele gostaria de fazer a entrevista, respondeu, despojado, um "sim", sem hesitar. O resultado está a seguir. Alunas do São Luis aprendem a esculpir na madeira

CSL: Gostaríamos de saber o seu nome e a sua idade, sua escolaridade, religião, estado civil e quantidade de filhos. Renato (R): Renato Silva Nascimento tenho 39 anos, sou solteiro e tenho quatro filhos. Estudei até a quarta série e sou católico. CSL: Como os moradores da cidade e da região sobrevivem economicamente? Sua profissão está relacionada direta ou indiretamente ao turismo? R: Eu sou artesão, mas assim como muita gente

por aqui, trabalho com outra coisa também. Sou caseiro de uma casa aqui na região. E com certeza tem a ver com turismo, tem um monte de gente que trabalha como guia também. CSL: Quais são as principais dificuldades vividas pela população local? R: Ah, tem muito problema com a iluminação elétrica, que não chega até aqui. A gente passa a noite no escuro, mesmo. Pra chegar até essas praias também é complicado,

não tem muito meio de transporte. CSL: Já pensou em sair daqui pra "tentar a sorte" em outro lugar? R: Quando eu era menor, morava com a minha família mais pra dentro do Saco, mas tem muita mata e com isso, muito mosquito. Eu me mudei faz tempo, mas o meu pai ainda está lá e eu vou visitá-lo, às vezes. CSL: O meio ambiente local é preservado pelo governo?

R: Com certeza. Essa árvore, por exemplo [aponta para uma árvore perto de nós], se eu cortasse, levava uma multa. E as multas que o IBAMA cobra são bem altas. Por isso, a gente usa esse tipo de madeira [ergue um toco], que cresce mais rápido. CSL: O que você pensa sobre viver tão perto de uma usina nuclear? R: Ah, depende. Acho que tudo bem, mas se acontece alguma coisa, como é que a gente vai sair daqui tão rápido, né? O governo deveria fazer algo sobre isso. 5


Parte da antiga rota do ouro, Paraty Paraty reafirma sua vocação turística Calçamento recebe água do mar que invade Paraty todos os dias

Em estilo colonial, e Patrimônio Histórico Nacional, Paraty preserva seus inúmeros encantos naturais e arquitetônicos

Passear pelo Centro Histórico de Paraty é entrar em outra época. Onde caminhar é processo vagaroso, com as pedras "pés-de-moleque" de suas ruas sob nossos pés. As construções de seus casarões e igrejas traduzem um estilo de época e os misteriosos símbolos maçônicos que enfeitam suas paredes nos levam a imaginar como seria a vida no Brasil de antigamente. A proibição do tráfego de automóveis no Centro contribui para esta viagem pelo "Túnel do tempo".

considerada sinônimo de boa aguardente.

A cidade foi fundada em 1667 em torno à Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, sua padroeira. Teve grande importância econômica devido aos engenhos de cana-de-açúcar (chegou a ter mais de 250), sendo

Após a abertura da Estrada Paraty-Cunha, e, principalmente, após a construção da Rodovia Rio-Santos na década de '70,

Paraty torna-se polo de turismo nacional e internacional, devido ao seu bom estado de conservação e graças às suas belezas naturais.

No século XVIII, destacou-se como importante porto por onde se escoava das Minas Gerais, o ouro e as pedras preciosas que embarcavam para Portugal. Porém, constantes investidas de piratas, que se Paraty é a sede da FLIP – Festa refugiavam em praias como Trindade, fizeram com que a Literária Internacional de rota do ouro fosse mudada, Paraty. Criada em 2003, a Feira levando a cidade a um grande isolamento econômico. já é conhecida como um dos

principais eventos literários do mundo

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A importância dos ciclos econômicos na urbanização de Paraty Ouro, cana, café, energia, turistas: mudanças que vieram para para melhor Paraty foi, inicialmente, usada como uma espécie de porto, uma parada antes de o ouro chegar ao Rio de Janeiro. Do Rio, ia para Portugal. Nessa época, atraídos pelo dinheiro que passara a circular, cidadãos foram se estabelecendo em Paraty, construindo os famosos casarões de arquitetura maçon. A cidade, que na época era apenas o centro histórico, foi planejada pelos homens revolucionários e cultos que eram os maçons. Mas aos poucos se foi percebendo que a parada não era necessária e Paraty passou a produzir cachaça para suprir o dinheiro que faltava, sendo levado junto com o ciclo do ouro. A cidade foi esquecida. Logo em seguida Paraty voltou a ser utilizada, mas dessa vez com uma função diferente: o café do Vale do Paraíba era enviado diretamente para Portugal do porto de Paraty. Quando a escravatura se tornou ilegal, porém, a produção de café — que era feita justamente por uma maioria escrava — declinou. Em Paraty encontram-se o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Área

Assim, Paraty mais uma vez caiu no de Proteção Ambiental do Cairuçú, e a Reserva da Joatinga . esquecimento. De certo modo, esse esquecimento foi positivo: ajudou na conservação do centro histórico e das matas que rodeiam Paraty. Com a abertura da estrada Paraty-Cunha e definitivamente após a construção da rodovia Rio-Santos, Paraty voltou a brilhar Justamente por causa da conservação de suas belezas, o turismo é desde então a atividade principal de Paraty e gera bastante renda.

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テ》omo Como a descoberta do テ。tomo mudou a vida de Paraty?

Confira vテュdeo que conta essa histテウria.

http://www.youtube.com/watch?v=70l3AwSrfl w&feature=youtu.be

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News from Paraty For our English projetc, we were supposed to write a post card to our families in São Paulo. The message had to be quick and positive positive about how we were doing. We could tell what our day was like, and what we did. The city of Paraty was very pretty, so we had no problems with the “positive message” part. The goodbye should be something similar to “see ya” or “love ya”. ya”.

 One of our postcards was chosen to illustrate the final result. Take a look!



Para o nosso projeto de Inglês, tínhamos que escrever um cartão postal para nossas famílias em São Paulo contando o que estávamos fazendo em Paraty. A mensagem deveria ser rápida e positiva, e nos poderíamos falar sobre o dia que havíamos tido. A parte da "mensagem positiva" não foi problema algum, já que a cidade era realmente linda. Por fim, a despedida: ela deveria ser algo como "see ya" (até mais) ou "love ya" (amo vocês). vocês). 9


Em Artes exploramos a pintura impressionista, que retrata paisagens em diferentes momentos do dia, procurando não a perfeição, mas o estudo da luz que reflete esses momentos. Sendo assim, é algo feito às pressas, com pinceladas grossas e rápidas, e a visualização das cores se dá quando a pintura é vista de longe, porque estas nunca são misturadas entre elas.

ARTE NO COLÈGIO

Quanto ao trabalho realizado, houve diferentes etapas: primeiro, recebemos fotos de paisagens e transcrevemos à lápis, para o papel, um esboço da pintura. Depois, passamos a trabalhar na tela, com tinta a óleo. As pinceladas, assim como no impressionismo, tinham de ser rápidas e carregadas de tinta. O resultado você confere abaixo.

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O que pensam os moradores

A visita dos alunos do Colégio São Luis a Paraty foi marcada por uma visita ao Bairro de Ilha das Cobras, onde entrevistamos Dineia de Oliveira. Com 35 anos, casada e um filho, a moradora, que também é católica e terminou o Fundamental 1 e 2, falou sobre sua cidade. Dineia de Oliveira

Colégio São Luis:

CSL: Quais as principais dificuldades vividas pela população local?

No caso dos moradores da cidade ou região, como sobrevivem economicamente? Sua profissão está relacionada direta ou indiretamente ao turismo?

DO: DO: Nós temos falta de uma boa faculdade e o setor de saúde é precário.

Dineia de Oliveira:

CSL: Já pensaram em deixar a cidade para “tentar” a sorte em outro local? Por quê?

Muitos trabalham, ou no centro histórico, ou na pesca. Eu moro aqui há 15 anos, então é bem assim por aqui. Trabalho como recepcionista em uma pousada no Centro Histórico e, portanto, envolvida diretamente com o turismo.

DO: Já pensei em ir para o Rio de Janeiro, pois lá existem boas faculdades. CSL: O meio ambiente local é preservado? Você observa alguma ação do governo para garantir essa preservação?

DO: A preservação é mais ou menos, mas o governo não dá atenção para a nossa cidade. Por exemplo, o esgoto aberto que prometeram que ia fechar mas não fecharam. CSL: O que você pensa sobre viver tão perto de uma usina nuclear? Cite vantagens e desvantagens. DO: Eu não moraria, pois tenho medo de acontecer algo ruim. Bom, a usina é boa pois traz energia para nós, mas o risco é grande e o medo maior ainda. 11


Matemática até em Paraty? Simetria Simetr ia por todos os lados, especialmente nas fachadas coloniais Fomos procurar Matemática inclusive em Paraty, um lugar cheio da simetria projetada pelos maçons da época de sua construção. No chão, a simetria de translação, onde basicamente uma figura é reproduzida várias vezes, até cobrir a área desejada. Nas casas, especialmente no encontro entre duas paredes, a simetria bilateral (quando as duas se encontram) e também a de reprodução, já que existem faixas de desenhos simétricos nas casas. Na natureza, a também simetria bilateral e a chamada razão áurea, que podem ser observadas nas flores, encantam. Enfim, se existe um lugar cheio de Matemática, esse lugar é Paraty. Quem sabe você não vai dar uma conferidinha?

A Matemática pode ser encontrada em toda parte

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Opinião

Usinas nucleares: muito perigosas para valer a pena

Uma das usinas de Angra dos Reis, RJ

A energia nuclear é fabricada com o urânio e é gerada em usinas nucleares. Existem quarenta delas no mundo, e entre elas há três usinas em Angra dos Reis, cidade situada perto de Paraty, no Rio de Janeiro, aqui no Brasil. Embora muitas pessoas digam que a energia nuclear é boa, ela traz mais problemas que benefícios. Um dos pontos negativos que comprovam essa tese é que, se houvesse um pequeno vazamento poderia afetar uma pequena população, expondo as pessoas à radiação, podendo levá-las ao câncer e até a morte. Se este mesmo vazamento fosse maior, seu alcance também o seria, podendo causar a morte de 50 mil pessoas, por exemplo. Outro ponto negativo é a potência da energia nuclear, que pode causar destruição para uma cidade inteira. Como diz Mariana Araguaia, graduada em biologia: “A energia nuclear é potencialmente perigosa, relembrando o acidente em Chernobyl.” Muitos habitantes de Paraty dizem que não é seguro ter usinas nucleares tão perto da cidade, além de terem medo e afirmarem que já houve acidentes que deixaram a comunidade abalada. Assim, por a energia nuclear ser muito perigosa, temos que achar e utilizar outros tipos de energia, como a eólica, hidroelétrica e várias outras. Ao menos é esta a opinião do grupo que escreve este texto. 13


Revista Paraty Para Ti