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8 16 Entrevista: Briza Corre, ligada às artes

Entrevista: Scalabis Night Runners, os noturnos de Santarém

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3 Statement 4 Ilustração “Skywalker” por Bráulio Amado

5 10 Etapas para começar a correr 7 Running Playlist para 10K 8 Entrevista:

Scalabis Night Runners, os noturnos de Santarém

13 Fotorreportagem “Ao pé do Tejo” por Hugo Gamboa

16 Entrevista: Briza Corre, ligada às artes

21 Corridas a não perder 22 (uma loja) Só para Corredores 23 Entrevista:

Compressport Portugal

26 Produtos para corredores 28 “Eu Corro” 30 Ficha Técnica skywalker mag


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Uma revista de corridas sobre e para corredores. Mais concretamente, uma revista digital para ser lida no computador, laptop, tablet ou smartphone para quem gosta de correr, seja profissional, amador ou apenas curioso. A Skywalker Magazine que agora lê no ecrã nasceu numa corrida à beira Tejo em Lisboa, num momento de reflexão e de muita vontade de fazer algo diferente para um público que cresce cada semana – BASTA OLHAR EM REDOR E VER A QUANTIDADE CRESCENTE DE CORREDORES QUE PERCORREM AS CIDADES PORTUGUESAS.

STATEM E N T

Esta publicação independente tem um posicionamento diferente das excelentes revistas de running que existem no mercado nacional. Será menos preocupada com as técnicas de corrida e mais focada no que os corredores pensam e fazem antes, durante e depois da corrida, e como esta influência a sua vida e maneira de ser. A Skywalker Magazine – que surgiu com o blogue “Correr Na Cidade” – tem assim uma atenção especial ao movimento crescente dos corredores urbanos, mais concretamente das running crews, que surgiram em força em 2012 e que estão a dar o coolness que talvez faltasse à corrida e ao atletismo. Esta é um projeto de uma geração que acredita no Do It Yourself e se recusa a desistir de correr para realizar os seus sonhos. Boas leituras, boas corridas.

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i l u s t r a รง รฃ o : B r รก u l i o A m a d o ( b r a u l i o a m a d o . n e t)


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ETAPAS 3

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P A R A COMEÇAR A CORRER

Antes de se equipar e comprar o último grito em ténis de corrida faça aquilo que ninguém faz: consultar um médico e fazer um check up para saber se pode praticar alguma atividade desportiva. A maioria de nós pode, mas mais vale prevenir q u e r e m e d i a r…

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Agora que já tem o OK do seu médico pode começar a correr – evite começar logo a participar em provas oficiais, pois quase na certa serão uma desilusão o que poderá afastá-lo da corrida por muito tempo.

Uma vez calçado, convém comprar roupa adequada. Ante s de inve stir em s apatos de Soutiens próprios para senhoras corrida – a peça mais importante – as marcas de lingerie são do ve stuário de um corredor – melhores, nestes casos, que as saiba que tipo de passada tem. desportivas. Para os homens Vá r i a s m a r c a s , c o m o a N i k e e h á q u e t e r a t e n ç ã o à s t- s h i r t s , a Asic s, promovem e s se tipo os mamilos agradecem. Para de testes em algumas lojas das ambos, é essencial, para evitar principais cidades do país. as inevitáveis bolhas nos pé s, Ou então vá a uma loja com meia s dr y-fit e c om p ouc a s, ou colaboradores experientes que nenhumas, costuras. podem ajudá-lo a saber que tipo de corredor é. Há três tipo de p a s s a d a : s u p i n a d o r, n e u t r o e p r o n a d o r. É m u i t o i m p o r t a n t e t e r essa informação antes de gastar um bom par de euros no seu calçado.

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Uma vez equipado é começar a t r e i n a r. P r i m e i r o a c o n s e l h a m o s u m m i s t o d e p á r a /a r r a n c a , e n t r e a caminhada e a corrida. Não se ponha a correr logo 4 ou 5 quilómetros de seguida. A não ser que tenha nascido no Quénia, a experiência não será muito a g r a d á v e l . Te n t e c o m e ç a r c o m 5 m i n u t o s a a n d a r, a u m r i t m o m a i s acelerado que o passo normal, e 1 m i n u t o a c o r r e r. N o d i a s e g u i n t e , aumente a corrida e diminua a caminhada. Não tarda, e ao fim de duas/três semanas, já faz 4 m i n u t o s a c o r r e r e 1 a a n d a r. Quando andar lhe começar a parecer ridículo, tendo em conta o que já corre, quer dizer que é c o r r e d o r (a) . P a r a b é n s ! ! A g o r a s ó falta fazer uma Maratona para o ser verdadeiramente.

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Aquecimento. Este é outro dos pontos que todo o corredor diz que faz, mas na realidade, raramente o faz. Aqueça antes d e c o m e ç a r a c o r r e r, a s s u a s articulações e músculos vão a g r a d e c e r.

No final do treino alongue. É das ações mais chatas mas também das mais preciosas para evitar f u t u r a s l e s õ e s . S e f o r c o r a j o s o (a) quando tomar um duche, a seguir a o t r e i n o/c o r r i d a , p a s s e c o m água o mais fria pos sível pelos músculos das pernas. Custa um pouco, mas os músculos vão recuperar melhor para o próximo treino.

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Inscreva-se numa prova oficial e treine em função dela, seja de 10K, 15K ou Meia Maratona (ate n ç ã o qu e e st a re qu e r p re p a ra ç ã o). S ã o o b jetivo s destes que o vão motivar a continuar mesmo nos dias mais frios e de chuva.

Arranje parceiros de treino e de corrida e comece um blogue para partilhar as suas experiências. Será mais fácil motivarem-se mutuamente e verá que um bom treino sempre a falar faz mais pela sua condição aeróbica que muitos sprints à Usain Bolt! Boas corridas.

Quando começar a treinar mais regularmente, descanse. O descanso faz parte do treino. Sugerimos que descanse duas a trê s veze s por semana.

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RU N N I N G PLAYLIST PARA 1 H ORA DE CO R R I DA Running Playlist para 1 hora de corrida Esta rubrica terá, a cada edição, um convidado que irá indicar qual a sua lista de músicas preferida para correr determinadas distâncias. Neste primeiro número a escolha é mesmo da Skywalker Magazine para a 1 hora de corrida, com estilos musicais muito diferentes.

1 — “Bird 1” Underworld Barking 6:51 2 — “Snake Break Bounce” The Chemical Brothers Push the Button 3:44 3 — “Under the sheets (Jakwob Remix) Ellie Goulding Run into the Light 5:35 4 — “Nobody Rules the Streets (feat. Louisahh!!!) Brodinski Bromance #3 4:27

5 — “One Step Too Faar” Faithless Forever Faithless – The Greatest Hits 3:25 6 — “Run Boy Run” por Woodkid Run Boy Run Remixes EP 3:33 7 — “For Those About to Rock” AC/DC For Those About to Rock 5:43 8 — “Someone Great” LCD Soundsystem Sound of Silver 6:25 9 — “Sunset” (Jamie xx Edit) The xx The xxmas Single 6:17

10 — “Rocket” – Goldfrapp Head First 3:51 11 — “The Reeling”Passion Pit Manners 4:48 12 — “Empire State of Mind” (feat. Alicia Keys) Jay-Z The Blueprint 3 4:36 13 — “Soft Shock Yeah Yeah Yeahs It’s a Blitz!” 3:53

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t e x t o : F i l i p e G i l  fotos: cortesia SNR

OS NOTURNOS DE SA NTA R ÉM SÓ OS MAI S DI STR AÍDOS, AINDA NÃO DE R AM D E C A R A S C O M O S AT L E TA S E N V E R G A N D O A S T- S H I R T S A M A R E L A S C O M U M A B O L A P R E TA N O C E N T R O A D I Z E R “ S C A L A B I S N I G H T R U N N E R S ”. S Ã O U M G R U P O D E C O R R E D O R E S , OU UMA C REW DE CORRIDA , S E PRE FE RIRE M, Q U E D E S D E 2 0 0 9 C O RRE , À N OITE , AS RUAS D E S A N TA R É M . A S K Y WA L K E R M A G A Z I N E ENTREVISTOU- OS E FICOU A SABER A H I S T Ó R I A E O S P L A N O S PA R A O F U T U R O DESTES CORREDORES.

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Como se definem? São uma crew de corrida urbana, um clube desportivo, um grupo de amigos? Somos essencialmente um grupo de amigos, que têm duas paixões em comum: a corrida e a magnífica e histórica cidade de Santarém. Encontramo-nos para treinar todas as quartasfeiras às 21h30, no emblemático jardim das Portas do Sol em Santarém. Temos uma característica muito própria, que é o fato do nosso grupo ser bastante heterogéneo, constituído por pessoas com experiências pessoais e profissionais bastante distintas. E o melhor que retiramos desta experiência são os laços de amizade (alguns sinceramente profundos, para a vida) que se foram construindo entre vários elementos do grupo. Essa é a nossa maior riqueza. O nosso lema é: “A nossa casa é a vossa casa”. Adoramos receber elementos novos. Fazemos questão de receber bem e integrar da forma mais acolhedora possível todas as pessoas que aparecem pela primeira vez nas Portas do Sol. Quando e quem fundou a Scalabis Night Runners. E porquê o nome? Os Scalabis Night Runners (SNR) surgiram em Setembro de 2009 através de um treino de três elementos (Nuno Lima, David Ferreira e Luís Ferreira), sendo na altura apenas um deles atleta, por assim dizer. A ideia de correr pelas ruas do centro histórico da cidade, percorrendo todos os magníficos miradouros do planalto da cidade, teve origem no nosso fundador Nuno Lima, a quem carinhosamente apelidamos de “Capitão Lima”, por ser na verdade o nosso fundador. Quanto ao nome “Scalabis Night Runners”, este surgiu naturalmente, numa troca de ideias em pleno treino e por refletir aquilo que fazemos: os scalabitanos que invadem a noite a correr pelas

ruas mais emblemáticas da cidade. Gostamos de correr à noite, nas ruas do centro histórico, de preferência iluminadas pela nossa presença. Já ninguém na cidade é indiferente à nossa presença, religiosamente semanal, percorrendo as ruas da cidade.

SOMOS ESSENCIALMENTE UM GRUPO DE AMIGOS, QUE TÊM DUAS PAIXÕES EM COMUM: A CORRIDA E A MAGNÍFICA E HISTÓRICA CIDADE DE SANTARÉM.

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Quantos elementos constituem a atualmente a SNR? Atualmente somos mais de 70 elementos ativos no grupo, sendo que pelo nosso treino de quarta-feira já terão passado certamente mais de 100 pessoas. Como podem ver, a taxa de sucesso (e chamo sucesso ao facto das pessoas que experimentam vir treinar connosco, voltarem repetidamente) é bastante elevada, sintoma do nosso gosto em bem receber e do espírito de convívio salutar que nos rege. Quando e onde treinam regularmente? Treinamos impreterivelmente todas as quartas-feiras às 21h30, no jardim das portas-do-sol em Santarém, com todos os elementos a envergarem orgulhosamente a nossa camisola. Contudo, sendo um grupo bastante heterogéneo, temos também atletas para diversos ritmos, desde os que se deslocam ao treino para simplesmente caminhar, aos que já encaram as provas com um objetivo específico e, dessa forma, treinam quase diariamente. Portanto, dizemos sempre aos nossos convidados que “ritmo não é problema”: tanto acolhemos e acompanhamos os que fazem caminhada, como os que pretendem efetuar um treino mais rápido. E todos são recebidos com o mesmo entusiasmo. Para além do treino das portas-dosol, onde juntamos semanalmente mais de cinquenta elementos, costumamos treinar às segundas, terças, quintas e domingos (quando não temos provas), tendo como ponto de encontro a Escola Superior Agrária em Santarém, onde temos a única pista da cidade, embora em condições lamentavelmente deploráveis. Participam em provas regularmente? E que tipo de provas? Participamos semanalmente na grande maioria das provas do nosso calendário. Já vamos sendo conhecidos como o “grupo animado”, “tagarelas”, “bem-dispostos” de amarelo fluorescente com uma bola preta no meio. E essa é a nossa imagem de marca: a nossa boa disposição! Fazemos todo o tipo de provas: desde as mais curtas às ultra-maratonas, das provas de estrada aos trails, quer no país, quer lá fora.Dentro do grupo já temos mais de vinte maratonistas, facto que nos enche de orgulho. E já levámos a nossa linda camisola a vários países: Espanha (a Maratona de Sevilha é mais um ponto marcante da nossa história - todos os anos estamos presentes com uma dezena de atletas, pelo menos); França; Itália; Suíça; Inglaterra; Rússia, Brasil; Estados Unidos; Hong-Kong; China…em todos estes locais já foram envergadas e suadas as nossas camisolas! skywalker mag


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Tem ligações a crews/clubes de runners internacionais? Ainda não. Temos ligações e já criámos laços de amizade com vários grupos nacionais, mas a crews/clubes de runners interncionais ainda não. Certamente que será uma questão de tempo, pois trata-se de um fenómeno global e cada vez mais na moda. E patrocínios? Têm patrocínios de marcas ligadas à indústria de running? Até agora temos tido a preocupação de sermos independentes, autónomos e auto-suficientes. Contudo, há algum tempo que temos um plano, a ambição de organizar um evento marcante na nossa cidade. Foi então que recentemente colocámos mãos ao trabalho e estamos então a organizar a “Scalabis Night Race” (SNRace), em parceria com a Câmara Municipal de Santarém

(CMS) e Instituto Politécnico de Santarém (IPS) e que será naturalmente uma réplica do nosso treino, adaptado a competição de 10 kms, Mini/Caminhada de 5 kms e Kids Race para os escalões jovens. Pretendemos realizar um evento marcante, algo que vá muito mais além de uma prova de atletismo. Pretendemos criar uma prova épica, histórica mas rápida, marcada pelo que de melhor a nossa cidade tem para oferecer. A primeira edição será a 20 de Abril de 2013 (21h30) e será realizada anualmente, sempre no sábado imediatamente anterior ao 25 de Abril - queremos estar associados a esta marcante data, a data da revolução que teve origem na nossa cidade. A prova percorrerá as principais ruas do centro histórico da nossa cidade, com passagem pelos nossos magníficos monumentos (ou não fosse Santarém a “Capital Mundial do Gótico”). Vamos ter diversos pontos de animação durante a prova, com a atuação de bandas em pontos estratégicos do percurso, a tuna do IPS, Rancho Folclórico, Fandango, Campinos a cavalo e…abastecimento de tinto na mítica Taberna do Quinzena. Reservamos ainda uma enorme surpresa a meio do percurso, já confirmada com o essencial apoio da CMS, mas que ainda não vamos revelar. Só garantimos que vai ser marcante e que está ligada a um dos dias mais importantes da história do nosso país!

E F E T I VA M E N T E , C O R R E R E S TÁ N A M O DA . E S Ó P O D I A S E R A S S I M! O S P ER ÍO DO S D E C R IS E EC O N Ó M ICA ACA B A M P O R T R A Z ER A L G U M A S ( P O U CA S) VA N TAG EN S E , D E FAC T O, A C O R R I DA É U M A D EL A S.

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Qual a vossa opinião sobre o surgimento do interesse cada vez maior dos portugueses pela corrida? Efetivamente, correr está na moda. E só podia ser assim! Os períodos de crise económica acabam por trazer algumas (poucas) vantagens e, de facto, a corrida é uma delas. É o desporto mais barato e mais fácil de praticar, pois só necessitamos de uns ténis, de uns calções, uma t-shirt e de…nós próprios. Verifica-se um acréscimo fortíssimo de pessoas a correr. Muitas delas começam por caminhar, vão-se sentindo mais confiantes e em forma e acabam por começar a correr. O fenómeno das provas populares é também ele uma realidade e as pessoas acabam por tornar esses eventos em verdadeiras festas. É isso que pretendemos transpor para a SNRace, bebendo um pouco do melhor que cada uma das provas nas quais participamos tem. Será um desafio difícil, mas com o nosso voluntarismo e heterogeneidade esperamos estar à altura das expectativas. Como veem a SNR daqui a dois anos? Que evolução pretendem para o vosso “movimento”? O crescimento exponencial que temos assistido no nosso grupo tem sido inesperado mas, em simultâneo, motivador. Já não me recordo qual foi a última quartafeira onde não tenha vindo um novo elemento correr connosco. O nosso canal privilegiado tem sido “member-get-member” e o facebook , onde contamos com a dinâmica de todos mas em especial com a capacidade criativa de um dos nossos elementos, criando cartazes originais e apelativos, que suscitam a curiosidade de todos. Temos mais de 1.200 seguidores e também neste capítulo o nosso crescimento tem sido

surpreendentemente forte nos últimos tempos. Recentemente foi criada a página da SNRace, onde em menos de 24 horas contámos com 150 likes. Sendo um grupo completamente aberto a receber novos elementos, continuamos a apelar para que todos se juntem a nós nos treinos das quartasfeiras. Não temos quaisquer pretensões que não sejam reunir o maior número de pessoas que se identifiquem com a nossa forma de estar e que se integrem no nosso espírito, o “espírito SNR”. Ao longo destes três anos temos tido momentos marcantes, de convívio salutar entre todos, tendo como ponto comum a boa comida, boa bebida e muita música - temos alguns músicos brilhantes no seio do nosso grupo, entre eles o “Maradona” do acordeão, o nosso Diogo Cotrim. A Corrida das Tascas e a Corrida do Miguel foram os últimos eventos marcantes do nosso grupo e são uma boa amostra daquilo que temos feito ao longo destes últimos anos.

EFE TIVA MENTE, COR R ER ESTÁ N A MODA. E SÓ PODIA SER ASSIM! OS PERÍODOS DE CRISE ECONÓMICA ACABAM POR TRAZER ALGUMAS (POUCAS) VA NTAGENS E, DE FACTO, A CORRIDA É UMA DELAS.

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AO PÉ DO TEJO

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Uma manhã solarenga de um sábado lisboeta, entre Alcântara e o rio Tejo, um dos locais mais frequentados pelos corredores da capital. Fotos: Hugo Gamboa skywalker mag


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C O R R E B R I Z A

LIGADA ÀS ARTES

TEXTO: FILIPE GIL FOTOS: CORTESIA BRIZA CORRE


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Uma running crew ligada ao movimento urbano e artístico do Rio de Janeiro. C h a rl e s S i l va , o s e u m e n t o r, respondeu às perguntas que lhe fizemos. Em 2014 a Briza Corre promete visitar e correr as ruas de Portugal. Quando e quem fundou o Coletivo Briza? Ano de 2002, o Briza começou a sua história com apenas alguns obstáculos de skate nas dependências de uma escola pelo o qual o idealizador Charles Silva foi voluntário por sete anos na área desportiva (Skate) em projetos e ações da Escola com a UNESCO (Escola Aberta e Escola de Paz), incentivando a todos os jovens da localidade na prática do Skate. Hoje o Coletivo Briza tem um amplo trabalho de troca de experiências e inclusão social. De certa forma, a instituição sustenta todas as outras ações: Briza skate,Briza arte, Briza Surf e Briza Corre. Seu fundador é estudante de marketing. O vosso coletivo tem várias atividades: surf e skate e uma forte ligação à arte urbana. Porque optaram por ter uma vertente de corrida com o Briza Corre? O Coletivo Briza sempre recebeu propostas para novos desportos como: futebol, basquete, entre outros. Sou apaixonados por deporto individual e esta no DNA do Briza ser independente. Sempre fui frustrado com desportos coletivos, a formar equipas, escolher o melhor, nunca quis ter essa responsabilidade, por isso os desportos que o Briza abraçou, são desportos individuais. Eu sempre fui o excluído, o último a ser chamado pra partida de futebol, ou basquete na adolescência o skate me mostrou que podemos ser melhor, dar o máximo de si para conquistar não uma medalha ou a melhor manobra, podemos ser o melhor de nós mesmos, eu jogava bola e não era feliz, no basquete eu ficava no banco esperando e sempre via os meninos andando de skate livremente isso me chamou atenção, foi amor a primeira vista. O convite da Nike veio em um momento que já pensávamos num terceiro desporto no Briza, sendo que as propostas eram sempre para desportos coletivos, a corrida é o desporto que mais cresce no Brasil. É um desporto barato e incentiva o convívio social com o espaço urbano, tudo a ver com Briza. Abraçamos a ideia e hoje sabemos que não erramos, o Briza Corre oficialmente faz parte do Coletivo Briza. skywalker mag


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Quando nasceu o Briza Corre? Em Julho 2011 o Coletivo Briza recebeu um convite especial do nosso parceiro (Nike do Brasil) para a participação de dois Jovens com idade entre 18 a 25 anos, em uma ação da nova campanha Nike Corre à #coisadaboa. Campanha que incentiva corredores mais novos a iniciar na corrida. O começou com dois jovens do grupo de Surf e Charles que levava aos treinos e acabou participando o grupo foi crescendo e outros membros do Briza, amigos e simpatizantes curtiram a ideia do grupo, nasceu o Briza Corre.

TEMOS NOSSO CALENDÁRIO, TODO FINAL DE SEMANA UMA PARTE DO GRUPO FA Z UM PROVA E CA DA TR ÊS MESES O TIPO INTEIRO PARTICIPA DE UMA CORRIDA OFICIAL, MOMENTO DE REUNIR TODOS OS TIMES: ELITE, TRAINER E CASUAL

todos os membros para treino oficial do grupo. Nossos percursos favoritos são as ruas, amamos correr em torno do Maracanã, nas ruas do subúrbio e na orla da zona sul, cada membro curti um local e a maioria compartilha com seu ponto de treino, por isso temos este diferencial no briza corre.

Com que frequência se reúnem? Têm percursos favoritos no Rio de Janeiro? Nosso grupo está por toda parte, somos 20 membros de várias partes de nossa cidade. Os treinos se concentram na Avenida Oliveira Belo localizado no Bairro da Vila da Penha zona norte do Rio de Janeiro. Às terças e quintas das 20:30h as 21:30h. Sábado ou Domingo cada membro treina onde mora, são de três a quatro treinos mensais, alguns membros treinam cinco vezes na semana. Temos treinos quinzenais, fora os treinamos com outros grupo de corrida e uma vez no mês nos reunimos

Nos vossos treinos existem três níveis de participação: “Casual”, “Trainer” ou “Elite”. Como se organizam e o que os distingue? A cerca de um ano com entrada de novos membros e alguns que estudam, fazem faculdade, trabalham precisavamos definir como seria o grupo no próximo ano – conheci Charlie Dark aqui no Rio, a convite da Nike do Brasil ele veio ministrar um workshop e conhecer nosso grupo durante o lançamento do moelo Flyknit, “Evento Flyknit Collective”, depois da palestra dele vi a necessidade de criar grupos intermedios e ampliar a ideia do grupo de corrida com equipas. Levou seis meses. Junto dos membros mais ativos, convidei pra cada um se tornar team manager e cada um com seu ritmo ter membros com alguns características próprias e próximas a ideia do grupo, ai divide em : Elite, Trainer e Casual. Os “Elite” – são corredores apaixonados por limites, quebrar tempo e fazer corridas oficiais, este tem tempo abaixo de 4’0 e com mais de 1000km já corridos. Os “Trainer”, adoram treinos, correm forte e querem sempre o máximo em seus treinos. São corredores que o esforço não é o bastante, sempre querem baixar o tempo. E os “Casual” são os corredores com pouco tempo para treino. Eles fazem seu tempo e querem se divertir sempre, com responsabilidade não deixar nunca de treinar, as vezes o sono e a preguiça bate e no outro dia levantam e querer se reunir com grupo. Adoram uma festa skywalker mag


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Participam em provas oficiais no Brasil? Sim, claro. Temos nosso calendário, todo final de semana uma parte do grupo faz um prova e cada três meses o tipo inteiro participa de uma corrida oficial, momento de reunir todos os times: “Elite”, “Trainer” e “Casual”.

fatil. Um estudo feito nos Estados Unidos, China, Brasil e Reino Unido mostrou que a nova geração vai ser a primeira na história da humanidade a ter uma expectativa de vida mais baixa do que a de seus pais o programa mostra soluções e o Coletivo Briza adotou o programa em seus projetos de skate. Algumas instituições que assinam o relatório é a Nike, o American College of Sports Medicine (Organização Americana De Medicina Esportiva) e o

Vocês têm uma ligação à Nike. Como nasceu essa ligação? E como gerem essa ligação à marca? E porque não outra marca? Temos sim. Em reconhecimento a inovação e a criatividade de um dos projetos que criei o Xepadobriza, em 2009, que foi reconhecido ao vencer o Prêmio Nike Esporte Pela mudança Social, pelo o qual eu Charles Silva fui o mento, pela apresentação de um shape de skate verde, desenvolvido junto com a PUC-RJ. O projeto hoje está em fase de estudos para ser inserido no mercado no ano de 2012/2013. A primeira ação remunerada do Coletivo, foi com a vertente Briza Arte, um dos primeiros passos com a Nike 6.0 – que foi de extrema importância para a ampliação do projeto, iniciamos uma CORREDORES ligação do coletivo e seus projetos de arte – Ficamos responsáveis pela a criação de três estampas APAIXONADOS das bermudas, coleção de verão “Rio Surf” 2011, POR LIMITES, esse ponto fez com que o projeto de oito anos de QUEBRAR TEMPO história passasse a ser uma instituição no mês de Maio de 2011, o que realmente estávamos lutando E FAZER CORRIDAS há anos, e hoje entramos no primeiro ano de instiOFICIAIS, ESTE tuição. Hoje temos projetos no acesso ao desporto com a Nike, o Briza surf que dá acesso aos a jovens TEM TEMPO e adultos da zona norte do Rio de Janeiro (www. ABAIXO DE 4’0 brizasurf.com.br) e o nosso Briza skate oficinas, E COM MAIS atende crianças entre sete aos 12 de baixa renda e de escolas municipais da nossa região, neste proDE 1000KM JÁ jeto utilizamos o programa Designedtomove que CORRIDOS. incentiva o desporto para diminuir a obesidade in-

ELITE

International Council os Sport Science And Physical Education (Conselho Internacional de Ciência Esportiva e Educação Física) e a rede a qual fazemos parte no Brasil, a rede REMS (Rede Esporte Pela Mudança Social). Hoje estudamos outros parceiros, estamos em nosso primeiro ano como Coletivo Briza, dando passos e queremos a médio prazo ter novos parceiros como a Nike, ela nos abraçou e nos sentimos confortáveis no momento.

TRAI N ER

CASUAL

ADORAM TREINOS,

CORREDORES COM

CORREM FORTE

POUCO TEMPO

E QUEREM

PARA TREINO.

SEMPRE O

ELES FAZEM SEU

MÁXIMO EM SEUS

TEMPO E QUEREM

TREINOS. SÃO

SE DIVERTIR

CORREDORES QUE

SEMPRE, COM

O ESFORÇO NÃO

RESPONSABILIDADE

É O BASTANTE,

NÃO DEIXAR NUNCA

SEMPRE QUEREM

DE TREINAR

BAIXAR O TEMPO skywalker mag


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Vocês fazem parte dos encontros Bridge The Gap, que reúne outras running crews (dos Estados Unidos, Reino Unido, França ou China), como se dá essa ligação com as restantes crews? Quem nos apresentou Bridge the Gap foi Charlie Dark da Run Dem Crew, de Londres, isso foi à cerca de três meses. Apenas usamos a hashtag #bridgethegap no Twitter e com isso já temos algumas crews que nos procuraram pra trocar ideias como: BlackRosesNYC (EUA), BridgeRunners (EUA), Scalabis Night Runners (Portugal) Running Junkies (Alemanha) e claro, os Run Dem Crew (Reino Unido). Estamos longe para um encontro, a ideia seria trocar ideias, propostas e quem sabe um intercâmbio. A corrida é hoje - no Brasil e no resto do mundo - um movimento urbano? Sim – a corrida será sempre urbana, as cidades hoje são um caos em algumas horas pela manhã e no dia-dia das cidades grandes. Desportos urbanos estreitam a ideia dos clubes, espaços para sua prática – no skate, inline e BMX existem muitas dificuldades, temos membros do briza corre que praticam estas modalidades eu mesmo como skater sinto falta de espaço para prática do desporto que amo e a rua nos dá alívio, isso é o movimento urbano. A rua é local preferido para prática dos meus treinos e da maioria dos Brizeiros com aplicativos como Nike GPS, Garmin podemos criar mapas, estudar novos percursos e isso percebemos que em crews como os Hong Kong Harbour Runners (Hong kong) os mapas são parte dos treinos, as crews curtem mapear este movimento que é urbano e compartilhar a ideia de lugares. Se a rua este movimento não seria a rua, ela nos dar liberdade de mudar o percurso o dia e a hora

SIGAM ESTA RUNNING CREW NO FACEBOOK! que quiser, basta estar correndo. Este é movimento no Rio de Janeiro, Brasil, EUA, Londres, Hong Kong e no mundo. Já alguma vez vieram correr a Portugal. Têm planos para o fazer em breve? Claro, minha primeira corrida fora do país já tenho destino – Portugal 2014. Conheci um dos membros do Scalabis Night Runners via redes

sociais e acompanho esta crew há lguns meses, inclusive usamos como referência pra criar nossa fanpage, é bem criativo e unido o grupo dos Scalabis. O nosso grupo tem pouco mais de ano ainda não viajamos juntos apenas em encontros trimestrais em cidades aqui perto do Rio de Janeiro, mas queremos ganhar o mundo em 2014 e Portugal esta em nosso mapa. skywalker mag


CORRIDAS A NÃO PERDER! EM PORTUGAL

The Color Run – Matosinhos Data: 10 de março de 2013 Percurso: 5Km info: www.thecolorrun.pt

23ª Meia e Mini Maratona de Lisboa Data: 24 de março de 2013 Percurso: 21.1km (Meia) /7.2 Km (Mini) info: www.meiamaratonadelisboa.com

A Skywalker Magazine recomenda as seguintes provas para os próximos três meses:

BES Run Challenge – Cascais Data: 14 de abril de 2013 Percurso: 10Km info: www.besrun.pt

Scalabist Night Race 2013 – Santarém Data: 20 de abril de 2013 Percurso: 10Km/ 5Km (Mini)/ Kids Race info: www.scalabisnightrace.pt The Color Run – Coimbra Data: 4 de maio de 2013 Percurso: 5Km info: www.thecolorrun.pt

BES Run Challenge – Sintra Data: 18 de maio de 2013 Percurso: 10Km info: www.besrun.pt

NO ESTRANGEIRO

ABN Amro Rotterdam Marathon Data: 14 de abril de 2013 Percurso: 42.195 metros /10K (Run Rotterdam) Cidade: Roterdão País: Países Baixos info: www.marathonrotterdam.org Virgin London Marathon Data: 21 de abril de 2013 Percurso: 42.195 metros Cidade: Londres País: Inglaterra info: www.virginlondonmarathon.com Nykredit Copenhagen Marathon Data: 19 de maio 2013 Percurso: 42.195 metros Cidade: Copenhaga País: Dinamarca info: www.copenhagenmarathon.dk


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(UMA LOJA) SÓ PARA CORREDORES

FOTOS: HUGO GAMBOA

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Fica no Parque das Nações em Lisboa e ocupa uns generosos 618 metros quadrados, é a Pro Runner, uma loja totalmente dedicada aos corredores. Mas a Pro Runner é mais do que um novo conceito de loja, é também um clube de corrida e um serviço de 360º graus para tudo o que o corredor – do profissional ao amador – necessita: mini ginásio, consultas de nutrição, etc. O espaço integra três pisos e disponibiliza as mais recentes novidades das mais conceituadas marcas de corrida. Além disso, a equipa presta um verdadeiro serviço de consultoria de corrida a quem necessitar de informações. A Skywalker Magazine já testou e comprova a simpatia e o conhecimento de quem nos atendeu. Recomendamos.

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Existe algum mistério à volta deste tipo de produtos? Há quem diga que não tem mais do que mero efeito de placebo? Do ponto de vista do utilizador, e durante a atividade física, o atleta não nota mais do que conforto. A grande diferença ao usar os produtos da Compressport é que no final da atividade física o atleta sentirá menos cansaço muscular. Como exemplo: ao usar o modelo R2 o atleta vai notar, no final, menos cansaço nos músculos. Outra das vantagens é que, durante a atividade física, há um benefício de redução de lesões porque há uma menor vibração dos músculos, pois estes estão comprimidos pela meia ou pernete.

Mas têm a noção que não é um produto consensual é algo que ainda causa alguma desconfiança? Cabe-nos desmitificar este tipo de produto e passar a informação que este tipo de produto está de acordo com os padrões medicinais e qualidade comprovada em termos científicos - é comprovado que a compressão aumenta a performance desportiva, reduzindo o tempo de recuperação.

ENTRE VI STA: E aconselham este produto para ser mais utili- F E R N A N D O P R I S A L zado em treinos ou em competição? C O M PRES S P O RT Não há qualquer tipo de contra indicação se utiP O RTU GAL lizado em treinos, mas normalmente utiliza-se mais para ser utilizado em corridas mais longas (treinos ou competição).

Um corredor que faça vários treinos de 10 quilómetros por semana, vale a pena usar os vossos produtos? Tem alguns benefícios? Sim, sobretudo pela parte de encurtar o período de recuperação entre treinos.

“ O AT L E TA SENTIRÁ MENOS CAN SAÇ O MUSCULAR”

CADA VE Z S E VÊ M MAI S CORREDORES A USAREM MEIAS OU PERNETES COMPRESSORES. HÁ QUEM DIGA QUE É MODA , OUTROS QUE TEM MERO EFEITO PL AC E BO E AINDA OUTROS QUE , DE POI S DE USAR , NÃO QUEREM OUTRA COISA . A S K Y WA L K E R M A G FA L O U COM FERNANDO PRISAL , R E P R E S E N TA N T E D A M A R C A PA R A O M E R C A D O NACIONAL skywalker mag


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Há dois tipos de produtos que os corredores utilizam mais, a meia completa e o pernete. Pode explicar-nos a diferença entre um e outro? Para os pernetes temos o modelo R2, tem um grande de compressão mais elevado que e o UR2, que tem umas bandas de silicone na zona do tendão de Aquiles. A meia completa, o full sock, tem menos compressão e é mais indicado para a recuperação pós-exercício

E as vossas meias que têm umas bolhas na planto do pé. qual a razão dessas “dots”? As meias 3D Dots têm relevo para que o pé não esteja tão col ado à palmilha do sapato e isso vai permitir ganhar canais de ventilação. Essas bolhas estão aplicadas na planta do pé, tendão de Aquiles e em por cima dos dedos dos pés, e isso permite diminuir a fricção com o pé nessas mesmas zonas.

Para quem faz uma Meia Maratona o que deve utilizar? Deve utilizar o pernete durante a competição e as meias completas para o pós corrida. O UR2 também pode ser utilizado no pós corrida, mas não deve ser utilizado mais do que 4 horas seguidas por motivos de circulação sanguínea. E em termos de desgaste do equipamento, quais os principais cuidados a ter? Os benefícios da meia estão no tecido e a sua longevidade depende do seu tratamento, ou seja, não se recomenda que sejam lavadas à máquina mas sim à mão. Esse é o maior cuidado a ter para preservar durante mais tempo as fibras das meias ou dos pernetes. Algo que gostaria de sublinhar, há muitas marcas de running que têm este tipo de meias de compressão, com preços mais económicos, mas esses produtos não têm em conta o perímetro dos gémeos dos corredores mas sim o tamanho do pé. A Compressport têm em conta o tamanho dos gémeos aliado ao tamanho do calçado.

OS BENEFÍCIOS DA MEIA ESTÃO NO TECIDO E A SUA LONGEVIDADE DEPENDE DO SEU TR ATAMENTO

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OS NOVOS FLYKNIT LUNAR 1+ DA NIKE A norte-americana Nike acaba de lançar o novo modelo de ténis de corrida: Flyknit Lunar 1+. O modelo está já disponível em vários mercados, inclusivé em Portugal. O novo modelo junta os materiais leves do Nike Flyknit com a tecnologia da sola Lunarlon. PVP: 170 €

SKECHERS LANÇA GO RUN 2 O modelo Go Run da Skechers é um modelo de corrida em que o impacto é feito com a parte central do pé, em vez de ser com o calcanhar, promovendo uma passada natural com maior resposta e eficácia, segundo a marca. A Skechers lança agora o Go Run 2 com novidades, entre as quais a sola que é feita com a nova fórmula Resalyte, tornando-a mais leve e com amortecimento progressivo. PVP: 79,95 €

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AD I DAS BOOST O Forerunner 10 é o relógio concebido para os adeptos da corrida, de caminhadas e para atletas de todos os níveis. O novo relógio assegura que os utilizadores têm acesso às informações mais relevantes enquanto praticam o seu desporto preferido: qual a distância percorrida, a velocidade média e os dados sobre os seus recordes pessoais.

A Adidas acaba de lançar o modelo de corrida com a tecnologia Boost que segundo a marca proporciona um maior retorno de energia do que qualquer outro sistema de amortecimento disponível no mercado de running.

PVP 129 euros

PVP 155 euros

GAR M I N FO R ERU N N ER 10

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EU CORRO PORQUE…

JOÃO REMONDES, 32 ANOS, MARKETEER/ ENTREPRENEUR

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“Corro porque gosto. Correr ajuda-me a esvaziar a cabeça e a deixar para trás preocupações, hesitações, expectativas. Correr é mais do que um desporto, é uma forma de estar. Não uso gadgets para ver qual foi a minha performance, para mim correr é muito mais que superar métricas. Corro até ficar cansado, até não aguentar mais. Se superei o tempo ou a distância do dia anterior não interessa; o meu objectivo é sempre ficar cansado, cansar o corpo para a mente acalmar, para as ideias fluírem. Com os anos aprendi que para correr tanto são precisos uns bons ténis, adaptados ao tipo de terreno que se corre. No meu caso corro em mato e alcatrão, por isso levei algum tempo até acertar no modelo certo para mim. Custa-me despedir uns ténis por já não servirem, por já estarem gastos, companheiros de muitos quilómetros, que nunca cheguei a contabilizar. E depois torna-se difícil substituí-los por outro par; as primeiras corridas são sempre acidentadas, acabando quase sempre com bolhas ou dores nos tornozelos. Estas dificuldades acabam por passar e com o tempo este novo par e eu somos partes inseparáveis de um objectivo muito claro: correr até ficar cansado. Não gosto de competir em maratonas ou corta-matos, não gosto de competir e ponto. O meu propósito desvanece-se quando corro com outro objectivo que não seja deixar no chão suor e com ele medos, ansiedades, frustrações. Só corro quando quero e porque quero, não porque preciso; porque se correr sempre que quero nunca preciso de correr. Comecei a correr porque sou por natureza acelerado, não consigo parar quieto mais do que 15 minutos, a minha vida pauta-se por este estado cinético. Esta minha natureza agitada não me deixava espaço para pensar, ponderar antes de agir, controlar a ânsia e o desejo de continuar em movimento; sempre em movimento. Um dia particularmente agitado, a minha cabeça parecia que ia explodir, já não aguentava mais o ritmo do meu corpo, precisava de um minuto, apenas um minuto, de sossego total e absoluto. Levantei-me do meu cubículo e saí para a rua, frustrado e irado, comecei a andar em direcção a casa, primeiro num passo agitado, que tendia para a corrida. Quando dei por mim estava literalmente a correr. À medida que me aproximava de casa, ouvia a minha cabeça a dizer: “mais rápido, estás cada vez mais perto de casa, já descansas, vá continua”. Quando cheguei a casa, ensopado, a arfar, o coração acelerado percebi que tinha esvaziado a minha mente, senti finalmente que descansava. Nunca mais parei de correr, mas desta vez corria com um propósito, com um único objectivo, uma única meta: correr até ficar cansado”. skywalker mag


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PORQUE AINDA NÃO CORRO (SE É QUE ALGUMA VEZ O IREI FA Z E R)

SÓNIA RAMALHO J O R N A L I S TA

Sou perita em arranjar desculpas para autodesculpar a minha preguicite aguda no que toca à prática de exercício físico. A lista de desculpas parece infindável e servem para as mais variadas situações. Senão vejamos: ou porque não gosto do ambiente dos ginásios, ou porque não gosto da música pimba das aulas de grupo ou porque não suporto PT’s aos berros como se essa fosse a melhor forma de me motivarem para dar o melhor e a correr mais e mais e mais... Não gosto. Não resulta. Ponto final parágrafo. Frequentar ginásios já era! Agora o que está na moda é andar de bicicleta. Dizem que é cool e trendy. Até comprei um modelo articulado para facilitar o transporte e a arrumação em casa ou na bagageira do carro, mas só consegui aumentar a lista das desculpas: Lisboa tem muitas colinas e a minha bike só tem 6 velocidades, os carris escorregam que nem manteiga e ainda parto uma perna ou o banco é ultra mega desconfortável e uma hora de bicicleta significa sentar-me de lado nos 2 dias seguintes. Sim, sou ridícula! A alternativa passa por render-me à mais recente tendência das running crews, que é o mesmo que dizer malta que se junta para fazer umas corridas por essas cidades do mundo. A moda já chegou a Portugal e até existem vários grupos que se juntam para correr por aí. Analisada a lista de desculpas anteriores parece-me ser o exercício mais adequado: não tenho de frequentar ginásios nem balneários, posso correr por onde e quando bem me apetecer e ainda posso ter o meu próprio ritmo. Além disso é barato e supostamente é saudável pois diz que obriga o corpo a produzir endorfinas responsáveis pela sensação de bem-estar (ainda estou para comprovar isso). Ando entusiasmada com a perspectiva de conseguir correr mais de 1 minuto de seguida. Porque

a questão está mesmo aí: basta querer! Acabaram-se as desculpas porque manhã é muito cedo, porque final do dia fica muito tarde, ou porque está frio, ou porque está a chover, ou porque os ténis que tenho não são adequados e fashions, ou porque a zona do Castelo tem muitas subidas, ou porque não tenho um bom suporte para as meninas! Tenho feito de tudo para me auto-motivar e até já tenho app’s no smartphone para controlar as distâncias e o tempo de cada corrida, já fiz listas com as músicas preferidas para servirem de banda sonora, já comprei roupa adequada e até tracei possíveis itinerários. Está tudo pronto à minha espera. Ou como dizia uma amiga: do que é que estás à espera para começar a fazer desporto? É que o Verão está à porta! E há melhor motivação que a perspectiva de vestir um biquini?

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#1 m a rç o/a b ril 2 0 13

Ficha Técnica: Editor: Filipe Gil (filipelgil@gmail.com) Paginação: Luís Gregório (lmj.gregório@gmail.com) Colaboraram nesta edição: Hugo Gamboa e João Reis (fotografia), Bráulio Amado (ilustração), João Remondes, Sónia Ramalho, Scalabis Night Runners, Briza Corre. Contactos Editorial: filipelgil@gmail.com - +351 915 044 437 Publicidade: skywalkermag@gmail.com A Skywalker Magazine é uma publicação editorialmente independente sobre corridas e o lifestyle de gente que corre. Não pode ser vendida nem o seu conteúdo alterado. Deve ser partilhada pelas redes sociais, por sites e por correio electrónico por todos aqueles que são apaixonados pela corrida. A publicação está optimizada para ser visualizada em ecrãs, sobretudo para o formato para tablet, com visualização na horizontal. A Skywalker Magazine é um produto do blogue Correr Na Cidade Running Crew (www. corrernacidade.com) e está presente no Instagram (#skymag)

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Skywalker Magazine_01  

1ª edição da revista Skywaker Magazine.

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