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Abril/Maio de 2009 - Ano VII - NĂşmero 33

9912228749/2008-DR/SC

SINDIPI

Corvina

Um dos peixes mais importantes para a pesca na costa Sudeste e Sul do Brasil

ENTREVISTA Paulo Ricardo Pezzuto

Peixe na dieta da gestante

Pesca pode ter MinistĂŠrio

Fechamento autorizado. Pode ser aberto pela ECT

Revista


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Índice Divulgação

Editorial....................................................................................................................4 Palavra do Presidente ..........................................................................................6 Entrevista - Paulo Ricardo Pezzuto .........................................................................8 Especial - Aprovação de Ministério deve fortalecer setor pesqueiro.................12 Entidade - Notas....................................................................................................14 Entidade - Sindipi completa 29 anos de história..............................................18

Especial - ministério da pesca Christiane Pinheiro

Espécie - Corvina: Peixe que pode viver por mais de duas décadas.............20 Pesca - A arte de confeccionar redes de pesca passa de pai para filhos..........24 Pesquisa - Pesquisadores a bordo de barcos de Emalhe .................................26 Economia - Inovação tecnológica e o impacto no consumo.............................28 Consumo - Caminhão do peixe............................................................................30 Consumo - Olha o camarão fresquinho.............................................................32 Saúde - Centro de Atendimento ao Trabalhador...................................................34 Saúde - Peixe durante a gravidez aumenta a inteligência das crianças..........36

Espécie - Corvina João Souza

Tempo - O inverno se aproxima e, com ele, aumentam os perigos em alto-mar.......38 Turismo - Uma viagem pelo rio Cachoeira de JetBus.......................................40 Arte - O mar de mãos dadas com a arte...........................................................44 Gastronomia - Receitas de corvina.................................................................46 Não esqueça - Novidade no Sindipi para associados.....................................50 Mensagem - Pescador.........................................................................................50 Saúde - Peixe na gravidez

A Revista Sindipi é uma publicação do Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região Diretoria do Sindipi: Dario Luiz Vitali (Presidente); Giovani Genázio Monteiro (Vice-Presidente); Edson Vaz Pires (Tesoureiro)- Departamento Jurídico: Marcus Vinícius Mendes Mugnaini(OAB/SC 15.939)- Sede: Rua Lauro Muller, 386, Centro, Itajaí, Santa CatarinaCep:88301-400; e-mail: sindipi@sindipi.com.br- Fone: (47)3247-6700 site: www.sindipi.com.br. Coordenação Editorial: Dario Luiz Vitali. Jornalista Responsável: Christiane Pinheiro (SC 01044 JP); Colaboração: Jornalista Soraya da Silva e Coordenador Técnico Roberto Wahrlich. Designer Gráfico: Geraldo Rossi; Direção Comercial: SINDIPI; Fotografia: Marcelo Sokal, João Souza, Christiane Pinheiro, divulgação Sindipi e Conselho Nacional de Pesca e Aquicultura; Revisor: João Francisco de Borba; Impressão: Gráfica Impressul - Circulação: setor pesqueiro nacional, profissionais do setor, parlamentares, imprensa. As matérias jornalísticas e artigos assinados na Revista Sindipi somente poderão ser reproduzidos, parcial ou integralmente, mediante autorização da Diretoria. A Revista Sindipi não se responsabiliza por conceitos emitidos em artigos assinados. Eles não representam, necessariamente, a opinião da revista.

Fale conosco: REDAÇÃO: envie cartas para a editora, sugestão de temas e opiniões: revista@sindipi.com.br PUBLICIDADE: com Antônio Carlos Corrêa, Fone: 47 33431456 / 47 84080721; e-mail: revista@sindipi.com.br

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novo telefone sindipi 47 3247-6700 Foto capa: Marcello Sokal.


Editorial

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inha primeira revista do Sindipi. Mais um desafio aceito. Esse, com sabor especial, gosto de saúde e repleto de lembranças da infância, quando esperava dias pelo meu pai, que atuou como pescador por mais de 20 anos. Quero neste primeiro espaço agradecer a todos que indireta ou diretamente contribuíram com esse trabalho. Rico, diga-se de passagem. Nesta edição, que tenha certeza leitor, foi produzida com muito carinho, você acompanha uma série de reportagens interessantes. Muita informação, entretenimento, dicas de saúde e serviços. Para os pescadores e empresários da pesca, uma boa notícia, foi aprovado pela Câmara dos Deputados Federal o Projeto de Lei que transforma a Secretaria Especial de Pesca e Aquicultura em Ministério. Você trabalhador tem aqui a oportunidade de conhecer serviços que estão à sua disposição, como na área da saúde e em cooperativa de crédito. A revista é de abril e maio, por isso produzimos uma matéria em homenagem ao Dia das Mães. Vamos falar de saúde, peixe na dieta da gestante. Nesta edição também registramos os 29 anos do Sindipi, comemorados no último dia 28 de abril. O pescado escolhido para ilustrar a capa foi a corvina. Nesta edição, você conhece um pouco sobre esse saboroso pescado, em uma reportagem que teve a colaboração especial de Roberto Wahrlich - coordenador técnico do Sindipi, e tem a oportunidade de testar em casa duas deliciosas receitas: eu provei e aprovei. Os principais acontecimentos de março e abril na entidade, informações sobre pesquisas pesqueiras, na entrevista com o professor, doutor e pesquisador Paulo Ricardo Pezzuto, do CTTMar da Univali, o trabalho dos pesquisadores a bordo, tudo isso você confere nas próximas páginas. Para produzir uma publicação importante como esta, temos que nos dedicar de corpo e alma e, acima de tudo, amar o setor, levantar a bandeira do consumo de peixe e da preservação do meio ambiente, e é o que estou fazendo com muito carinho. Quero registrar aqui a minha felicidade de ter a oportunidade de estar tão próxima da pesca, de buscar o

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melhor ângulo para as fotos, de conversar com profissionais tão ricos de conhecimento, com história ímpar, como a dos redeiros que herdaram o ofício/arte do pai. A revista é uma prestação de serviço com pitada de saúde, entretenimento, arte, cultura e conhecimento do setor. Esperamos que você aprove as reportagens, que uma ou outra ou todas, contribuam com o seu crescimento pessoal e profissional! Tenha uma ótima leitura e até a próxima edição!

Christiane Pinheiro Editora

A revista é um instrumento que visa atender os seus anseios, envie suas sugestões de pauta revista@sindipi.com.br 47 3347-6700


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palavra do presidente

A PESCA NO CONTEXTO DA CRISE Existe um ditado que diz: “Quer conhecer algo ou alguém? Dê tempo e poder”.

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setor pesqueiro, como os demais setores da economia - aqui falo de forma globalizada -, ainda estão acordando para a verdadeira realidade desta crise. Talvez passe de forma mais amena, talvez não. Porém, pode deixar graves sequelas. Quero colocar aqui, prezado associado, e demais leitores que, é na crise que conhecemos nosso verdadeiro valor. O momento exige postura firme e ter convicção de que, independentemente dos prognósticos e análises feitas, o futuro está sempre adiante. É neste futuro que estamos apostando, pois acreditamos que o setor sofrerá nos próximos anos uma grande reviravolta. O pescado já está consolidado em nosso hábito alimentar como uma proteína extremamente saudável e seu consumo percapta tende a aumentar ano a ano. Hoje, o consumidor tem à sua disposição várias alternativas de produtos, seja da cadeia produtiva extrativa ou oriundos da aquicultura. Devemos basear-nos nesta realidade para enfrentar este momento pelo qual passa a economia mundial. Investir em pesquisas e tecnologias, pois no momento em que este quadro apresentar sinais de mudanças, nós já estaremos acompanhando a retomada. Continuamos irredutíveis na proposta de que o nosso setor precisa de desoneração, pois esta seria a ferramenta ideal para passarmos com segurança pelo momento em que vivemos. A realidade atual nos dá a certeza necessária de que todo aporte que houver no setor será um forte estímulo para o crescimento. Nesta segunda parte, gostaria de discorrer um pouco sobre o tema MAP (Ministério da Aquicultura e Pesca), recentemente aprovado na Câmara dos Deputados, e que irá para o senado. É de longa data que o setor sonha com isso, porém, queremos um ministério forte, com as devidas competências. Temos a certeza de que este momento está muito próximo e que passaremos definitivamente a fazer parte do primeiro time.

Dario Luiz Vitali Presidente do Sindipi

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NÃO DEIXEMOS DESABAR AS PAREDES DA ALMA, POIS AS MATERIAIS SÃO RECUPERÁVEIS.


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ENTREVISTA

Paulo Ricardo Pezzuto Um milhão de toneladas foram controladas pelo Programa de Estatística Pesqueira Industrial de Santa Catarina Fotos: Christiane Pinheiro

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dia três de março foi histórico. O Programa de Estatística Pesqueira Industrial de Santa Catarina, desenvolvido desde outubro de 2000 pelo Grupo de Estudos Pesqueiros do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar da Universidade do Vale do Itajaí (GEP/ Cttmar/Univali), com o apoio da

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Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República (Seap/PR) registrou a marca de um milhão de toneladas. O coordenador do programa é o entrevistado desta edição. O professor Paulo Ricardo Pezzuto, pesquisador do curso de Oceanografia da Univali desde 1994 possui um currículo invejável. Oceanógrafo, mestre em

Oceanografia Biológica e doutor em Zoologia, ele coordena o Programa de Estatística Pesqueira Industrial de Santa Catarina desde o seu início. Nesta entrevista ele esclarece o que é estatística pesqueira, qual a finalidade, como é feita e de que forma o empresário do setor pode contribuir. Aconselho você a ler na íntegra a entrevista que está bem interessante.


Sindipi – Como são coletados os dados do Programa de Estatística Pesqueira? Qual o objetivo? Pezzuto - A marca histórica, contabilizada quilo a quilo pela equipe de Estatística Pesqueira do GEP, foi registrada mediante o controle diário de mais de 46.500 operações de descarga da frota pesqueira industrial, realizadas principalmente nos portos de Navegantes, Itajaí, Porto Belo e Laguna. A Univali tem sido a única instituição de ensino a realizar essa atividade de maneira continuada em todo o país, gerando informação em quantidade e qualidade suficientes para atender às melhores expectativas do governo e da sociedade. Por meio deste trabalho, são coletados, processados e disponibilizados os dados oficiais sobre a pesca industrial em Santa Catarina. Com eles, governo, setor produtivo, comunidade científica e demais interessados podem obter de forma rápida e eficiente as informações necessárias para gerenciar a atividade pesqueira na região, que é responsável por mais de um quinto de toda a produção pesqueira marinha desembarcada anualmente no Brasil. Sindipi – Onde é feita a estatística? Pezzuto – Temos uma equipe de campo que percorre diariamente os pontos de descarga em quatro cidades do Estado. Em Itajaí, Navegantes e Porto Belo, essa equipe pode ser facilmente identificada pelos uniformes da Univali e pelo veículo Kombi, dotado de logotipos da Universidade e da Seap/ PR. Em Laguna, temos uma funcionária postada diretamente no cais do Porto, onde se concentram os desembarques. Todos os dados coletados são trazidos para o Campus da Univali, em Itajaí, onde uma equipe de processamento se responsabiliza pela sua organização, análise da qualidade, inserção no banco de dados e divulgação dos produtos à sociedade. Sindipi – O programa é desenvolvido pelo Grupo de Estudos Pesqueiros do Centro de Ciências Tecnológicas da Terra e do Mar da Univali. Quem são os integrantes e quais os pontos fortes desse programa?

Pezzuto – Uma grande equipe formada por professores pesquisadores, oceanógrafos, biólogos, geógrafos, analistas de sistemas, técnicos em pesca e estudantes de graduação é responsável por todo o trabalho, que inclui desde o desenvolvimento e manutenção de um grande banco de dados informatizado, até a coleta das informações no cais e sua divulgação por meio de diversos produtos. Aliás, a divulgação dos resultados é um dos pontos fortes do projeto. Uma das maiores queixas que o setor produtivo, governo e os próprios cientistas sempre tiveram da estatística pesqueira nacional, era o longo intervalo de tempo existente entre a coleta dos dados no cais, e a divulgação dos números finais à sociedade. Esse intervalo dificultava a própria sobrevivência dos sistemas estatísticos, pois muitos pescadores e industriais

das empresas no envio das informações para o GEP/Univali. Sindipi – Como esses dados são divulgados, e para que tipo de público? Pezzuto – A forma como os dados são divulgados depende do público-alvo e do objetivo. Relatórios específicos podem ser gerados a qualquer tempo para atender a solicitações de pesquisadores do GEP/ Univali ou de outras instituições que estudam as pescarias ou as espécies capturadas. O mesmo também ocorre com a Seap/PR ou outros órgãos de governo, que muitas vezes necessitam de informações mais detalhadas para embasar suas políticas voltadas ao setor pesqueiro. Exemplo disso ocorreu no segundo semestre do ano passado, quando surgiu uma

Por meio deste trabalho, são coletados, processados e disponibilizados os dados oficiais sobre a pesca industrial em Santa Catarina. Com eles, governo, setor produtivo, comunidade científica e demais interessados podem obter de forma rápida e eficiente as informações necessárias para gerenciar a atividade pesqueira na região. não viam vantagem em fornecer informações que, quando fossem divulgadas, já seriam “coisa do passado”. O sistema desenvolvido pelo GEP/Univali mudou esse quadro radicalmente, ao menos em Santa Catarina. Atualmente, mais da metade de todos os desembarques monitorados têm seus dados processados e disponibilizados em no máximo três dias corridos. Já 75% dos desembarques estão disponíveis em até um mês após a chegada do barco no porto. Esse tempo pode ser ainda mais reduzido, dependendo da colaboração

grande polêmica sobre a situação da pesca da sardinha-verdadeira. Naquela ocasião, chegou-se a cogitar uma moratória da pesca ou mesmo uma drástica redução na frota autorizada a pescar esse recurso. Os dados estatísticos produzidos em Santa Catarina no final do ano foram fundamentais para ajudar a mostrar a situação da pesca e balizar as decisões de ordenamento. O grupo também edita anualmente o “Boletim Estatístico da Pesca Industrial de Santa Catarina”, publicação impressa com tiraRevista Revista SINDIPI SINDIPI 9 9


gem de 2,5 mil exemplares, a qual é distribuída gratuitamente para todo o setor pesqueiro, bibliotecas de instituições de ensino e pesquisa, órgãos públicos, poderes legislativo e executivo nas esferas federal, estadual e municipal, cientistas, administradores e demais interessados na pesca. Por fim, também disponibilizamos, de

por exemplo. Além disso, quando direcionadas para o público em geral, as informações são sempre agrupadas, impedindo qualquer tipo de identificação individual da fonte. Isso garante não apenas a segurança de quem fornece os dados, mas a veracidade das informações prestadas e a própria sobrevivência do programa.

Pesquisadores prontos para coleta de dados

maneira única no país, uma série de opções de consultas on-line em nossa página da internet (www.univali.br/gep). Lá os dados de produção são atualizados diariamente de maneira automática, fornecendo um panorama da pesca industrial catarinense quase que em tempo real. Sindipi – Mas não há problemas em divulgar os dados das embarcações e das empresas para o público? Pezzuto – Na verdade não, pois qualquer que seja a forma de divulgação que adotamos, as informações individuais das empresas e das embarcações são mantidas no mais absoluto sigilo, sendo utilizadas exclusivamente para pesquisa, nunca para ações de fiscalização, 10 10

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Sindipi – O trabalho realizado pelos pesquisadores da Univali beneficia principalmente o setor pesqueiro da região? Pezzuto – A princípio sim, visto que o nosso programa de estatística pesqueira abrange apenas desembarques realizados em Santa Catarina. Contudo, levando em consideração a grande participação do Estado na produção pesqueira nacional e também a extensa área de atuação das nossas embarcações, que em geral abrange desde o Espírito Santo até o Rio Grande do Sul, as informações coletadas pelo programa acabam gerando um impacto que se estende por toda a região SudesteSul do país. Sindipi – Porque os dados são fundamentais para a pesca catarinense?

Pezzuto – Ninguém consegue gerir um negócio, produzir respostas confiáveis às perguntas científicas, ou produzir políticas que resultem em benefícios concretos para a sociedade sem informações reais acerca do que está ocorrendo. Imagine o Ministério da Agricultura funcionando sem as informações do IBGE e de outras instituições que produzem dados atualizados sobre a agricultura e a pecuária do país. Como poderiam ser definidas as políticas de incentivo, de pesquisa, de geração de alimentos, de promoção do agronegócio, de negociação dos nossos produtos no mercado internacional nessa área vital para o Brasil, sem se saber o que está ocorrendo no campo? Na pesca não é diferente. Ainda mais no mundo globalizado, no qual as decisões são tomadas de maneira cada vez mais rápida, é imprescindível que tenhamos uma gestão profissional do negócio da pesca. E isso passa pela manutenção de um sistema eficiente de geração e divulgação de dados confiáveis. Sindipi – O programa tem como meta contabilizar todos os desembarques feitos no Estado. Como vocês procuram atingir essa meta? Pezzuto – Para garantir que praticamente todas as descargas sejam registradas e que as informações tenham qualidade, são coletados e comparados diversos tipos de dados. O primeiro são as entrevistas realizadas com os mestres das embarcações diretamente no cais das empresas, de segunda a sexta-feira em horário comercial. Até o momento, já foram realizadas mais de 20.000 entrevistas nos quatro principais portos do estado. Sindipi – E os desembarques realizados fora do horário comercial? Não são contabilizados? Pezzuto – Claro que são. Eles são cobertos principalmente pelas fichas de produção, que são formulários preenchidos voluntariamente pelas próprias empresas ou armadores, contendo os dados de pesagem de cada espécie descarregada pelas embarcações. Além disso, também incluímos no banco os dados obtidos pelos observadores científicos que acompanham as viagens


de pesca de diversas embarcações, inclusive no âmbito do recente convênio celebrado entre a Univali e o Sindipi. Até 2005 o GEP/Univali também processava os mapas de bordo entregues pelos mestres, mas esse trabalho foi encerrado desde então, pois o governo entendeu que o processamento desses formulários deveria ser feito exclusivamente pelo Ibama ou pela Seap/PR. Muitas vezes, a mesma viagem de pesca acaba sendo registrada por mais de um mecanismo (por exemplo: por entrevista e ficha de produção). É ai que se pode avaliar a qualidade do dado que é informado, comparando-se aquilo que é dito pelo mestre e pela empresa onde o pescado foi descarregado. Em menos de 2% dos casos há diferenças grandes a ponto de se ter que descartar o dado. Isso mostra a ótima qualidade das informações que são repassadas ao GEP/Univali pelas empresas, armadores e mestres há mais de oito anos ininterruptos. Como consequência, o estado dispõe todo dia, de um retrato sólido e confiável daquela que é um dos seus maiores orgulhos: a atividade pesqueira. Sindipi – Que outro tipo de serviço presta o GEP da Univali? Todos podem acessar? Pezzuto – A estatística pesqueira é apenas um dos programas e projetos desenvolvidos pelo grupo. Como estamos dentro de uma universidade, atuamos primariamente formando recursos humanos nos cursos de graduação em Oceanografia, Biotecnologia e Engenharia Ambiental, e nos programas de Mestrado e Doutorado em Ciência e Tecnologia Ambiental, mantidos pela Univali. Além disso, temos uma extensa lista de ações que inclui a pesquisa sobre a biologia, ecologia e pesca de inúmeras espécies, sobre a dinâmica das frotas pesqueiras, tecnologia de pesca, economia, qualidade do pescado e interação entre o ambiente e os recursos pesqueiros. Tivemos uma participação importante no desenvolvimento inicial dos atuais programas de rastreamento de embarcações por satélite e de observadores científicos, ferramentas modernas de pesquisa e controle que são aplicadas igualmente nos principais países do mundo. Nosso grupo ain-

da participa ativamente de praticamente todos os fóruns locais, regionais e nacionais de ordenamento pesqueiro, fornecendo subsídios para as tomadas de decisão. Muitas dessas ações e produtos estão disponíveis em nossa página na internet. Também é uma política do grupo manter-se sempre à disposição para atender a todos que desejarem ter mais informações sobre nossas atividades, bastando telefonar, enviar um e-mail ou agendar uma visita aos nossos laboratórios. Nesse sentido, a recente parceria do GEP/Univali e do Sindipi tem sido excepcional, permitindo um maior intercâmbio de idéias e informações entre todos, o que certamente trará benefícios mútuos em curto prazo.

dos formulários em branco e pelo seu posterior recolhimento nos locais e horários que forem mais convenientes ao empresário. Para isso, basta entrar em contato conosco para acertar os detalhes. O Sindipi também tem sido um grande parceiro nesse processo e pode ajudar a tirar quaisquer dúvidas, através da sua coordenação técnica. O empresário que também desejar se cadastrar em nossa mala-direta para receber os boletins estatísticos gratuitamente, deve entrar em contato com o GEP/Univali pelo telefone 3341-7824 ou pelos e-mails gep. cttmar@univali.br ou estatistica.cttmar@univali.br.

Imagine o Ministério da Agricultura funcionando sem as informações do IBGE e de outras instituições que produzem dados atualizados sobre a agricultura e a pecuária do país. Como poderiam ser definidas as políticas de incentivo, de pesquisa, de geração de alimentos, de promoção do agronegócio, de negociação dos nossos produtos no mercado internacional nessa área vital para o Brasil, sem se saber o que está ocorrendo no campo? Na pesca não é diferente.

Sindipi – De que forma o empresário pode contribuir com a Estatística Pesqueira? Pezzuto – O empresário que ainda não contribui com nosso programa e que desejar fazê-lo deve nos encaminhar suas fichas de produção. É importante lembrar que esse é um programa desenvolvido pela Univali atendendo a uma demanda oficial da Seap/ PR que está patrocinando a estatística pesqueira em todo o Brasil. Nós nos responsabilizaremos pelo fornecimento

Sindipi – O GEP tem novidades para os próximos meses? Pezzuto – Sim, em breve lançaremos uma nova versão da nossa página eletrônica totalmente atualizada, que promete ser muito mais informativa, moderna e com novas opções de consulta aos dados estatísticos. Aguardem!

Entrevista: Christiane Pinheiro

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ESPECIAL

Aprovação de Ministério deve fortalecer setor pesqueiro Deputados federais aprovam Projeto de Lei 3.960/2008, que transforma a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República em Ministério da Pesca e Aquicultura

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reunião ordinária do dia 25 de março, da Câmara dos Deputados Federais, foi especial para o setor pesqueiro. Os parlamentares discutiram e votaram o Projeto de Lei 3.960/2008, de autoria do Poder Executivo Federal, que visa transformar a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca –Seap em Ministério da Pesca e Aquicultura. De acordo com o associado do Sindipi e colaborador de uma empresa de pesca, do Balneário de Piçarras, Irio Rossa, que esteve em Brasília durante a sessão, os parlamentares criaram uma comissão especial , por entender que o assunto era muito importante. A comissão da agricultura, que trata sobre o tema resolveu criar a comissão especial,com membros da própria comissão de agricultura. A comissão teve como presidente o deputado Flávio Bezerra(PMDB) do Ceára , o relator da matéria foi o deputado José Airton Cirilo(PT) também do estado cearense. O projeto deu entrada na câmara dos deputados em novembro de 2008, tendo como autor o Presidente da República. Santa Catarina foi representada pelos deputados Celso Maldaner (PMDB) e Odacir Zonta(PP). Durante a sessão a comissão relatou e votou a matéria, que foi aprovada. O Projeto agora segue para a Câmara dos Senadores, que sendo aprovado passa para as mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para ser promulgado, se assim for será criada então o Ministério. 12

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Divulgação CONEPE

Deputados Federais votam projeto que cria Ministério da Pesca

O que o setor pesqueiro ganha com essa decisão? A principal vantagem com certeza será a definição de uma política nacional da pesca e aqüicultura. Transporte, beneficiamento, transformação, comercialização, abastecimento e armazenagem, assim como fomento a produção, organização do setor, conceder licenças de pesca, de criação de pescados em geral são alguns dos pontos positivos, que a criação do Ministério pode provocar no setor. Para Irio o mais importante benefício será a criação de um Centro de Pesquisa de Desenvolvimento da Aqüicultura e Pesca, centro esse que deve ser amadurecido juntamente com a EMBRAPA – Empresa Brasileira de

Pesquisa Agropecuária, veiculada ao Ministério da Agricultura. O centro deve prestar informações técnicas e detalhada de toda a atividade. “ O mais importante é que a pesca terá um endereço em Brasília, isso é o mesmo que deixar de ser órfão e ter um pai assim que criado” destaca Rossa. Santa Catarina já se destaca no setor, em Brasília. Já que o mais importante cargo na Seap é ocupado pelo catarinense, Altemir Gregolim.

O apoio das entidades pesqueiras Os proprietários de indústria de pesca de Itajaí e região apoiaram a iniciativa. O posicionamento positivo


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veio do Sindicato da Indústria da Pesca de Itajaí - Sindipi, representantes do Conepe – Conselho Nacional da Pesca e Aquicultura do Rio de Janeiro, dos pescadores artesanais, dos presidentes e colônias de pescadores, assim como o trabalho do deputado Odacir Zonta, que mesmo sendo do oeste catarinense, fez questão de lutar pela criação do ministério, com poderes inclusive de atuar com a Embrapa, com sua estrutura e seus terceiros, em um trabalho de monitoramento, aconselhamento e especialmente de pesquisa, para o setor pesqueiro.

Palavra do relator O deputado federal José Airton Cirilo, relator da matéria salientou a importância estratégica da criação do novo Ministério para os que vivem da pesca e para o meio ambiente. Para ele a criação do Ministério é um resgate histórico da classe dos pescadores, que sempre foi marginalizada, porém hoje o governo tem a oportunidade de responder as demandas do setor. Para Cirilo a nova pasta se consolida pelo consenso e sobre a importância e ainda visa trabalhar todas as etapas da cadeia produtiva, estimular o crescimento da produção de pescado no país, de forma sustentável, a resguardar os direitos dos pescadores e a construir mecanismos eficientes de regulação e fiscalização dos recursos pesqueiros.

Medida revogada Em agosto de 2008 uma medida provisória havia sido revogada, este ano mais um mês de impasse, o novo texto passou pela comissão especial na Câmara e agora segue para o Senado. Entre as mudanças apresentadas está a predominância do novo Ministério do Meio Ambiente – MMA,na regularização e fiscalização do uso de recursos pesqueiros. No texto original, as competências seriam compartilhadas. Cirilo acredita que a criação desse Ministério, deve resolver o impasse entre empresários e pescadores, quando estes terão um órgão para dialogar a respeito dos gargalos que impedem o

Diretoria do Sindipi recebe mais informações sobre Ministério da Pesca

desenvolvimento da pesca no Brasil. Como relator o deputado alerta para a necessidade dos ministérios da Pesca e Meio Ambiente atuarem de forma conjunta e sobre o uso sustentável dos recursos pesqueiros, pois esse fato facilita e traz organização fundamental para a atividade da pesca, principalmente para a fiscalização, essencial para o desenvolvimento sustentável . Para os que ainda não vêem a necessidade da criação do Ministério o deputado lembra que, embora a nova pasta possa gastar R$ 17 milhões por ano, o valor é inexpressivo para uma atividade que emprega três milhões de pessoas e contribui com R$ 5 milhões para o Produto Interno Bruto(PIB) do Brasil. O parlamentar acredita que a criação do Ministério seja um fato histórico e necessário para o desenvolvimento do país que possui uma imensa costa pesqueira.

Diretoria do Sindipi apóia a criação do Ministério A empolgação do setor com mais uma vitória no processo de criação do Ministério da Pesca é evidente. Afinal, será um grande triunfo ter endereço

próprio em Brasília. O vice-presidente do Sindipi, Giovani Genázio Monteiro, e o secretário municipal da pesca, Agnaldo Hilton dos Santos, estiveram presentes durante as últimas negociações que levou à aprovação do projeto na Câmara dos Deputados, no dia 25 de março. A expectativa geral é que as demandas e projetos saiam das gavetas e do papel mais rapidamente. “O setor produtivo amadureceu muito e merece atenção e respeito dos órgãos federais. Está na hora de organizar a pesca e precisamos do comprometimento sério, com pessoas que realmente estão interessadas na busca pela pesca sustentável e consciente no País”, destaca Monteiro. A união entre os órgãos responsáveis e o próprio setor é a forma mais adequada para dirimir os gargalos da atividade, nas questões referentes à moratória do cherne e à publicação da Instrução Normativa nº 5/2004, entre outras de igual importância.

Texto Christiane Pinheiro

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Associado do Sindipi é visita vip na sede da entidade Divulgação Sindipi

Diretoria da RIC/Record SC visita a sede da entidade e Coordenador Técnico é fonte para reportagens em emissora local Divulgação Sindipi

Para fazer com que o associado se sinta em casa, o Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí (Sindipi), inaugurou um espaço especial para recebê-los. Todos que necessitam resolver algum assunto na sede do sindicato, conversar com o presidente, diretoria e colaboradores, desde o dia 6 de março, estão sendo recepcionados de maneira diferente. A sala se localiza no primeiro andar do prédio.

Epagri divulga laudos do projeto higiênico-sanitário de moluscos no litoral de SC Já estão disponíveis no site do Sindipi os laudos de algas tóxicas realizados para mexilhões e água do mar do 1º trimestre de 2009 no litoral de Santa Catarina. Confira: o endereço do site é www.sindipi.com.br GEP/UNIVALI

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Vitali, recbeu na sede do sindicato a visita do assessor da vice-presidência Sul da RIC/Record, Dirceu Pio, e o diretor geral da emissora em Itajaí, Alexandre Rocha. Durante o encontro, os visitantes destacaram que a reunião teve dois objetivos principais: a aproximação da emissora com o setor que lidera a economia da cidade e apresentação de um projeto, que deve dar ainda mais visibilidade para a pesca em Itajaí e região. Vamos aguardar as novidades na tela da RIC/Record. Com o objetivo de manter a população da região informada sobre as ações do setor pesqueiro, como o defeso do camarão, a Rede Brasil Esperança, empresa de comunicação de Itajaí e Joinville, solicitou informações para reportagem jornalística ao coordenador técnico do sindicato, Roberto Wahrlich. Informações sobre o mesmo assunto também foram repassadas pelo coordenador ao site Itajaí News. Divulgação Sindipi


Projeto para desenvolvimento Discussão sobre o Centro Nacional de Pesquisa do Mar da pesca de bonito listrado Divulgação Sindipi

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Na sexta-feira, 27 de março, foi realizada na sede do Sindipi uma reunião que teve como principal objetivo discutir sobre a construção do Centro Nacional de Pesquisa do Mar. Estiveram presentes na reunião, o coordenador geral de Educação e Tecnologia do MEC, professor Edmar, o secretário de pesca de Itajaí, Agnaldo Hilton dos Santos, o presidente da entidade, Dario Vitali, e os representantes do projeto

Guias de transporte de camarão no período de defeso Na terça-feira, 31 de março, foi realizada no Sindipi uma reunião sobre a emissão das guias de transporte de camarão do período de defeso, que contou com a presença do chefe do escritório do Ibama em Itajaí, Carlos Aristeu Merger, e da servidora Ecleacir Nunes. As decisões tomadas estão publicadas no site do Sindipi na seção “notícias”. O site do Sindipi é www.sindipi. com.br

No dia 17 de março, aconteceu na sede do Sindipi, uma reunião na qual foram discutidos projetos para o desenvolvimento da pesca de Bonito Listrado. O projeto partiu da proposta da Seap. O objetivo é dar continuidade aos encaminhamentos aprovados na 12º Sessão Ordinária do Comitê Permanente de Gestão de Atuns e afins – CPG/Atuns. O coordenador geral da pesca industrial (Seap/PR), Fabiano Duarte Rosa, participou do evento, que contou com representantes de outras instituições como Sindipi, Sepesca, Sindifloripa, Saperj, Sindipesca e Abrapesca.

Início de curso Iniciaram-se na segunda-feira, 12 de março, os cursos de Pescador Profissional (POP) e Motorista de Pesca (MOP). Antes das aulas teóricas, os 35 inscritos tiveram que passar por uma prova prática de natação e flutuação realizada no Centro de Treinamento dos Bombeiros de Itajaí. Divulgação Sindipi

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ENTIDADE

Político da região visita o Sindipi O mês de março foi de movimentação política para o setor pesqueiro. Em Itajaí, a entidade recebeu a visita do deputado estadual, pelo PMDB, Adherbal Ramos Cabral. O deputado demonstrou seu apoio à pesca e colocou a equipe à disposição do setor. Fonte: Gazeta on-line

Vice-presidente do Sindipi participa de curso para formação de Observadores Científicos em universidade Divulgação Sindipi

Divulgação Sindipi

Confira a agenda no site do Sindipi O associado do sindicato agora está muito mais informado. Quem possui acesso à Internet, pode ficar por dentro de todos os eventos que acontecem na entidade, na comodidade de sua casa ou empresa. Basta acessar o site do Sindipi: www.sindipi.com.br, ir ao link Agenda, que fica no menu lateral. Lá, o associado recebe informações sobre eventos, reuniões, cursos e outras ações desenvolvidas pela entidade.

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A convite da Univali, o vice-presidente do Sindipi, Giovani Genázio Monteiro, participou no dia 16 de fevereiro de um debate dentro da programação de um curso de capacitação de observadores científicos para a coleta de dados a bordo da frota industrial de Santa Catarina. Na oportunidade, Monteiro destacou a importância da pesquisa para o setor produtivo, as condições de trabalho a bordo, e a necessidade de que observadores tenham um postura adequada diante das situações que podem ocorrer a bordo junto às tripulações. O trabalho dos observadores é custeado através de um convênio da Seap com a Univali, e os embarques são viabilizados pela cooperação técnica do Sindipi com a Universidade.


Formatura no Sindipi Divulgação Sindipi

Secretário da Fazenda de Santa Catarina visita o Sindipi Divulgação Sindipi

Na sexta-feira, 20 de março, aconteceu na sede do Sindipi a cerimônia de encerramento dos cursos de MOP e POP. Os cursos são o resultado de uma parceria entre o Sindipi e a Delegacia da Capitania dos Portos de Itajaí. Depois de uma semana de aulas, os 23 participantes receberam com entusiasmo seus certificados. No evento, o presidente do Sindipi, Dario Luiz Vitali, falou sobre a importância da mão-de-obra qualificada e parabenizou a todos pela conquista.

O Secretário da Fazenda de Santa Catarina, Antônio Marcos Gavazzoni, esteve na sexta-feira (dia 13) em uma reunião com servidores na sede do Sindipi. Na foto o Secretário e o Presidente do Sindipi Dario Luiz Vitali.

Mais formaturas no Sindipi

Informações Pesqueiras

Na quinta-feira, 2 de abril, foi realizada na sede do Sindipi a cerimônia de encerramento da segunda turma do curso de aquaviários, das categorias: pescador profissional (POP) e motorista de pesca (MOP). O curso foi realizado em parceria entre o Sindipi e a Capitania dos Portos de Itajaí.

No dia 1º de abril, a Radionaval apresentou aos associados do Sindipi o serviço Seastar de informações pesqueiras. O Seastar é um software que permite aos capitães, mestres de pesca, e gestores de frota, visualizar e manipular dados captados por satélite, como imagem e dados oceanográficos, para concluir sobre os melhores locais e alturas para pesca.

Divulgação Sindipi

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Revista SINDIPI

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ENTIDADE

Sindipi completa 29 anos

superando adversidades e celebrando conquistas

O Sindicato das Indústrias Pesqueiras de Itajaí e Região – Sindipi completou no dia 28 de abril, 29 anos. A entidade conta hoje com aproximadamente 240 associados e uma história de adversidades e conquistas A criação do Sindipi

O

Sindipi nasceu em 1977, com 18 empresários. Na época ainda Associação Profissional da Indústria da Pesca de Itajaí – APIPI. A associação foi oficializada com a presença de importantes empresários ligados ao setor, autoridades de Itajaí e região. Em 14 de maio de 1979, a associação passou a condição de Sindicato, a decisão foi tomada através de assembléia realizada entre empresários da indústria da pesca e armadores. A solicitação pela mudança foi enviada ao Ministério do Trabalho e a entidade passou a existir legalmente no dia 28 de abril de 1980. Já se passaram 29 anos. A entidade, como todos os outros setores da

economia local e regional, passou por inúmeras adversidades e conquistas. O Sindicato surgiu com o objetivo de fortalecer ainda mais o setor além de promover estudo, coordenar, proteger e fazer a representação legal das indústrias da pesca, captura, armazenamento e beneficiamento de pescados e mariscos de Itajaí e região, assim como dos armadores da pesca, pessoas físicas ou jurídicas, dos aquicultores, psicultores marinhos, dos proprietários, armadores, arrendadores, locatários e cessionários de embarcações pesqueiras da região. Levando-se em conta que o estado catarinense é um dos mais importantes na produção do pescado e o maior

produtor de pescado marinho do Brasil, e que Itajaí, localizada no litoral de Santa Catarina, ocupa a primeira posição no ranking de pólo pesqueiro nacional, os empresários do setor regional resolveram criar uma estrutura a altura da rentável atividade econômica. O setor é considerado o mais importante não só para Itajaí, como por todos os municípios que possuem indústrias pesqueiras e são atendidos pelo sindicato: Araquari, Balneário Camboriú, Barra Velha, Blumenau, Bombinhas, Brusque, Camboriú, Gaspar, Ilhota, Indaial, Itapema, Itapoá, Jaraguá do Sul, Joinville, Navegantes, Penha, Piçarras, Pomerode, Porto Belo e São Francisco, no Estado de Santa Catarina.

“Já está na hora do verdadeiro comprometimento do governo com o setor, pois o setor produtivo evoluiu e vem buscado parcerias para a pesca sustentável e consciente no país.” O secretário e vice-presidente do Sindipi, Giovani Genázio Monteiro, destaca que a grande importância do sindicato foi ter conquistado nesses últimos anos o grande respeito que todas as categorias merecem. Para ele, importantes fatos marcaram essa evolução, como a criação de câmaras setoriais, a paralisação e greve de 2006, a criação da Coordenadoria Técnica e o Termo de Cooperação com Univali. “O grande interesse de nossos associados em participar das reuniões serve para que possamos dar legalidade e poder atuar defendendo os interesses de nossos associados nas mais diversas modalidades. É uma briga incansável, pois nem sempre podemos confiar na palavra do governo”, comenta. Giovani Genázio Monteiro - Secretário/Vice-Presidente Gestão 2008/2010

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“Parabéns a todos aqueles que compõem esta entidade e que com seu trabalho e dedicação a engrandecem cada vez mais” Para o presidente do Sindipi, Dario Vitali, foi com uma história de lutas que a entidade chegou aos 29 anos: “Gostaria aqui de demonstrar minha alegria e satisfação pela passagem do nosso aniversário”, comenta. Vitali diz que, olhando a trajetória do sindicato, têm-se muito a comemorar: “Chegamos aos dias de hoje, consolidados como a maior entidade de classe patronal do setor pesqueiro nacional, uma entidade com uma capacidade organizacional digna de admiração” afirma.

Diretoria e Câmaras

A entidade hoje está sendo presidida pelo empresário Dario Vitali, o vicepresidente é Giovani Genázio Monteiro e tem como tesoureiro Edson Vaz Pires. Essa diretoria executiva assim como conselheiros, delegados, suplentes e os membros das câmaras atuam no triênio de 2008/2010. O sindicato possui câmaras setoriais, que tem por objetivo oferecer apoio técnico das atividades desenvolvidas e praticadas no setor. Durante as reuniões das câmaras são apresentadas sugestões, propostas e orientação técnica à Diretoria Executiva, a intenção é melhorar as atividades econômicas e atender melhor as finalidades sociais da entidade. Ao todo são

Dario Vitali – Presidente Gestão 2008/2010

oito câmaras: do cerco, Indústria, Atum, Arrasto, Emalhe,Camarão Sete Barbas, Rosa e Óleo Diesel Marítimo.

Adversidades e conquistas

Durante essas quase três décadas de história alguns fatos ficaram marcados na entidade. Destaque para o final de 2008, quando parte do Estado sofreu com a enchente de novembro. O setor pesqueiro de Itajaí e região também foi afetado. A indústria da pesca da região contabilizou um prejuízo que ultrapassou a casa dos 50 milhões de reais. O Sindipi doou vários fardos de leite e água para contribuir e tentar minimizar os momentos de angústia. O Ministro

da Pesca Altemir Gregolin esteve na região e na sede do sindicato, discutindo junto aos empresários medidas urgentes que foram tomadas para restabelecer o setor com rapidez. Já este ano, em março, a Câmara dos Deputados Federais, discutiu e aprovou o Projeto de Lei que cria o Ministério da Pesca. Uma conquista ímpar para os empresários e trabalhadores da pesca, assim como para a entidade. Detalhes sobre esse assunto você encontra na matéria Especial nas páginas 12 e 13.

Texto Christiane Pinheiro

“O setor pesqueiro só será forte se o sindicato que o representa for forte e organizado, por isso precisamos de nossos associados juntos e ativos na entidade”

Edson Vaz Pires – Tesoureiro Gestão 2008/2010

Para o tesoureiro da entidade, Edson Vaz Pires, com a criação do Sindipi, há 29 anos, o setor passou a ter uma entidade forte e organizada para atender às demandas das indústrias e profissionais da pesca, bem como de órgãos públicos. Empenho no repasse da subvenção do óleo diesel aos associados, contratação de assessoria técnica, organização dos defesos perante os órgãos públicos e divulgação ao setor, nova sede e câmaras setoriais operantes são algumas das contribuições positivas do sindicato. Para Vaz, a posição do Sindipi após a enchente do ano passado foi essencial para a reconstrução das indústrias atingidas. “De imediato a entidade se articulou com o Governo Federal e entregou o levantamento dos danos causados, para que o setor pudesse se reestruturar através de linhas de créditos a longo prazo.” diz Março de 2009 foi importante para o setor. Edson destaca que ter um elo com o Governo Federal é essencial para a busca de solução para os problemas inerentes da pesca oceânica. Revista SINDIPI

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espécie

Corvina

O peixe é da espécie Micropogonias furnieri, tem o corpo alongado e levemente comprimido, coloração prateada, com o ventre branco ou amarelado e estrias escuras e oblíquas no dorso e nas laterais. A boca tem dentes diminutos, com a forma de saliências arredondadas, e abaixo dela se encontram pequenas barbas sensitivas, que ajudam a encontrar o alimento no fundo. A corvina também é conhecida por emitir sons semelhantes a roncos. Pode viver mais de 20 anos e atingir quase um metro de comprimento.

A

corvina é encontrada desde a Península de Yucatán, na costa mexicana do Mar do Caribe, até o Golfo de San Matias, na Argentina. As maiores concentrações ocorrem em regiões costeiras que apresentam desembocaduras de grandes rios, estuários e manguezais. A sua presença nestes ambientes de água salobra ocorre em determinadas etapas do ciclo de vida. Em mar aberto, pode ser encontrada em profundidades de até 80 metros, em locais com fundos de lama, areia ou cascalho. Além de tolerar grandes variações de salinidade, a corvina pode viver em temperaturas de água variando entre 10ºC e 30ºC. A dieta da corvina varia de acordo com o tipo de fundo, ambiente e a fase do seu ciclo de vida. Sempre se alimenta no fundo, desenterrando poliquetas e moluscos ou caçando camarões e pequenos peixes. A corvina é uma espécie que cresce mais rapidamente quando está na fase juvenil, atingindo cerca de 20 cm em pouco mais de um ano. Esse crescimento acelerado ocorre enquanto os peixes se encontram no interior de ambientes estuarinos, onde há riqueza de alimentos, água mais quente e abrigo contra predadores. Após essa fase da vida, as corvinas vão para o mar aberto e o crescimento se torna cada vez mais len20

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to. Os exemplares adultos podem viver até 24 anos, atingindo comprimento em torno de 95 cm. A corvina apresenta sexos separados, sem diferenças visíveis entre as fêmeas e os machos. A idade da primeira maturação ocorre com um ano e onze meses para as fêmeas e um ano e cinco meses para os machos, com um comprimento total variando de 25 a 40 cm. A quantidade de ovas por fêmea cresce com o comprimento do peixe, ou seja, quanto maior o tamanho, maior o número delas, com uma média em torno de 600 mil ovas por fêmea. A desova é parcelada, o que significa que os peixes desovam várias vezes durante um período de tempo relativamente grande, que geralmente se estende do final do inverno ao verão, dependendo da região. Para desovar, machos e fêmeas se agregam em grandes cardumes, em locais próximos da costa, expelindo ovas e espermatozoides na água. Após a fecundação, os ovos são deixados à deriva nas correntes, se transformando em larvas após alguns dias. O futuro das larvas irá depender da sua entrada em algum rio ou estuário, quando irão se tornar peixes juvenis. Quanto mais próximo destes ambientes ocorrer desovas, maiores serão as chances de sobrevivência das larvas. Tanto que existem evidências da entrada de cardumes de corvina nos estuários da Lagoa dos Patos e do Rio da Prata, para desovar mais próximo dos melhores locais para criação das larvas e crescimento dos juvenis. Dentro da ampla distribuição da espécie ao longo da costa atlântica da América Latina, existem diversas populações separadas pela geografia do litoral e pelas condições das correntes marítimas em mar aberto. Estas populações apresentam características próprias, como rotas migratórias, épocas de reprodução, locais de desova, tamanho da primeira maturação e taxa de crescimento. Atualmente, essas diferentes populações podem ser distinguidas com maior precisão pela análise das suas características genéticas. Segundo pesquisas recentes, nas costas Sudeste e Sul do Brasil existem pelo menos duas populações de corvina, uma ocorrendo desde Cabo Frio,

no Rio de Janeiro até o Cabo de Santa Marta, em Santa Catarina. A outra população ocorre na costa do Rio Grande do Sul, se estendendo pela costa do Uruguai, incluindo a desembocadura do Rio da Prata.

A pesca da corvina

A corvina é capturada na pesca esportiva, na pesca artesanal e na pesca industrial. Na costa brasileira, sua densidade cresce do Norte em direção ao Sul, sendo mais explora-

Fotos: Christiane Pinheiro

Cornvia sendo descarregada.

Pescador satisfeito com a pescaria 12 toneladas de Corvina

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da a partir de Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Segundo a estatística da pesca de 2006, do Ibama, de uma produção total de 45 mil toneladas de corvina, o maior volume foi registrado em Santa Catarina, com 45% da produção nacional, seguido pelo Rio Grande do Sul (18%), São Paulo (11%), Rio de Janeiro (9%), Pará (7%) e Maranhão (7%). Em Santa Catarina, os mesmos dados de 2006 apontam que 90% da produção foram provenientes da pesca industrial. Porém, a corvina é muito importante para a pesca artesanal, pois representa 20% de tudo que é produzido por este segmento no litoral catarinense, de acordo com as estatísticas oficiais. Nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, a pesca artesanal ocorre tanto em mar aberto como em estuários, onde predominam peixes juvenis, chamados de “cascotes”. A maior parte das capturas da pesca artesanal é realizada com emprego de redes de emalhe, em mar

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aberto, predominando peixes com mais de 30 cm. Esse tamanho fica acima do mínimo permitido pela legislação, que é definido em 25 cm pela Instrução Normativa MMA 53/2005. A safra da corvina para a pesca artesanal coincide com a época de reprodução, na primavera, quando os adultos se aproximam da costa para desovar, formando grandes cardumes. A produção artesanal é destinada ao mercado de peixe “in

natura”, comercializado principalmente em mercados e feiras, a preços populares. Os desembarques de corvina da frota industrial de Santa Catarina ficaram em torno de 14 mil toneladas em 2008, representando 11% da produção industrial do estado. O gráfico abaixo apresenta a produção industrial de corvina desde 2001, de acordo com dados publicados pela Univali.

20.000 T o n e l a d a s

18.000 16.000 14.000 12.000 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0

2001

2002

Fonte: www.univali.br/gep

2003

2004

2005

2006

2007

2008


A produção industrial apresentou em 2008 as maiores capturas no segundo semestre do ano, conforme o gráfico abaixo. A frota de emalhe respondeu, em 2008, por cerca de 80% da corvina desembarcada em Santa Catarina.

20.000 T o n e l a d a s

18.000 16.000 14.000 12.000 10.000 8.000 6.000 4.000 2.000 0

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Fonte: www.univali.br/gep

A corvina procedente da frota industrial se destina principalmente à indústria, que beneficia o produto geralmente para comercialização na forma de peixe inteiro eviscerado ou em postas, ambos congelados. Uma grande indústria da região de Itajaí informou

que seus principais mercados de corvina são os estados da Bahia (36%), São Paulo (22%), Pernambuco (16%), Rio de Janeiro (13%) e Paraíba (5%). Por: MSc Roberto Wahrlich Oceanógrafo e Coordenador Técnico do Sindipi.

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PESCA

arte de confeccionar e consertar redes de pesca

passa de pai para filhos

Um dos instrumentos mais importantes para a pescaria, a rede, até hoje é confeccionada e consertada manualmente. Um trabalho minucioso que pode levar dias. Um ofício que envolve cerca de quatro a cinco homens. Em algumas empresas, o trabalho é passado de geração para geração

U

ma típica tarde de inicio de outono. Temperatura na casa dos 25 graus, sol forte, duas horas da tarde. Quatro irmãos reunidos numa oficina. Agulhas, facas e mãos calmas pela experiência, outras inquietas como a juventude acertando ponto a ponto. Trabalho cheio de histórias que ultrapassa 50 anos. Os irmãos Davi, Mateus, Thiago e Jonatas Estevão Felisberto herdaram a arte do pai, o conhecido no setor pesqueiro, João da Rede.

O oficio diário é confeccionar e consertar as redes dos barcos industriais da frota itajaiense, catarinense e de outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro. A empresa é especialista em redes de arrasto. Davi, o mais falante, nos conta que o pai iniciou o trabalho no final da década de quarenta e inicio de cinqüenta, hoje se afastou para descansar. Dos oito filhos, quatro sentiram que não podiam deixar a arte morrer e desde pequenos já se interessavam pelo serviço. Como o filho de Davi: Gabriel, de oito anos. Durante a tarde o garoto fica em volta do pai e tios, observando, analisando cada movimento feito na enorme rede, talvez já esteja se preparando para dar continuidade ao legado do avô.

Trabalho manual que mantém clientes fiéis

Davi tem orgulho do ofício que herdou do pai

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O trabalho é minucioso, às vezes, como afirma Mateus, entra madrugada e pode levar dias, em uma mesma rede. A de camarão rosa, por exemplo, tem de 28 a 30 metros e dependendo do estado que chega até a empresa, os quatro dispensam algumas horas no conserto. Os irmãos, juntos, conseguem consertar uma média de cinco redes por semana. Além de fazer a manutenção, eles também confeccionam o equipamento. A rede comprada em empresa instalada na cidade de Itajaí vem em fardo, na embalagem apenas uma rede. Máquina, apenas uma para enrolar o equipamento. O serviço mais

importante é feito manualmente, parte por parte é verificada e consertada, tudo com a tradicional agulha de pesca e uma faca simples para cortar o nó do ponto. Uns preferem ficar em pé, outros sentados, durante o trabalho trocas de experiências, conversas sobre a família, futuro, histórias. Um trabalho sério e divertido, regado a caldo de cana, que refresca e ajuda a repor as energias para agilizar o serviço. A empresa possui em sua cartela de clientes 50% novos e 50% fiéis, alguns apostam no trabalho do João da Rede & Filhos há 30 anos. O espaço reservado para as redes consertadas já está lotado, em outro espaço as redes para o conserto também estão crescendo com o defeso do camarão o trabalho dos quatros irmãos é grande. Davi conta que a empresa possui também um serviço que facilita para o armador, é o tradicional leva-e-traz. Quando o barco chega no porto eles já estão prontos para buscar o equipamento e iniciar o trabalho e assim que concluem a rede é entregue. Um agrado que tem conquistado cada vez mais clientes.

O trabalho ocupou lugar do estudo

O amor pelo trabalho é tão grande que Mateus desistiu da escola para dar continuidade ao serviço do pai. Diz que estudou até o ensino fundamental. “Quando era criança, minha vida já era na beira da praia vendo meu pai


puxar rede, em seguida ele começou a consertar as redes, o hobby virou atividade comercial, eu mesmo deixava de ir para a escola para ajudar o pai, já que os clientes iam aumentando e o número de redes também” comenta. Davi lembra que no inicio o pai carregava a rede de carroça. O amor pelo ofício o encantou também. Adotou a empresa como fonte de renda para sustentar a família e se dedica dia e noite, mas afirma desejar que os filhos sigam outro caminho, estudem, se formem, inclusive o pequeno Gabriel, que já demonstra interesse pela atividade. Thiago, o mais novo, com 23 anos, concluiu o ensino médio e parou, não ingressou em um curso superior, tampouco foi tentar outro emprego, achou mais fácil atuar junto com os irmãos, já que a empresa também faz parte da vida dele. Jonatas diz que trabalhar em família é mais cômodo, não precisa dar explicação para chefe e pode acordar mais tarde, não tem hora para o serviço, se compromete, mas faz seu próprio horário. Também não continuou o estudo. Destaca que não se interessa em buscar ocupação no mercado de trabalho porque nunca vai receber salário compatível com o que recebe na empresa da família. “Cobrança na empresa é a responsabilidade, isso fazemos questão de dar continuidade, o pai iniciou a empresa e nós temos a obrigação de manter ela ativa e com respeito” finaliza Davi.

O redeiro Nestor também repassa a atividade para o filho

Nestor Júlio da Silva foi pescador durante 50 anos. Após ser surpreendido por problemas cardíacos, optou por uma atividade mais leve, porém fez questão que fosse ligada a pesca. O conserto de redes de cerco entrou na vida do pescador há 30 anos. Ele alugou um enorme galpão no bairro São João, em Itajaí, e com um sócio iniciou a atividade. A empresa se firmou no mercado e hoje possui uma cartela de clientes de Itajaí e região e outros estados como

Fotos: Christiane Pinheiro

Os filhos de João da Rede unidos pelo trabalho

Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul. A empresa do ex-pescador monta e conserta redes. São redes de 300 metros de comprimento, podendo alcançar 800 metros com a colocação de bóias e chumbos, essenciais para a pesca de cerco.

O filho segue os passos do pai

A exemplo do redeiro João, seu Nestor também está se preparando para deixar a atividade para o filho Fernando. Dos cinco filhos, apenas ele se interessou em assumir a atividade. Hoje Fernando é quem está à frente da empresa. “O pai até fica por aqui, mas prefere só observar, dar palpite, claro, mas se afastou um pouco” comenta. Fernando concluiu apenas o ensino fundamental. Sem qualificação em outra área, decidiu ingressar no setor de redes há 26 anos, o que está dando certo. Hoje a empresa vive bons momentos com clientes fiéis. A empresa possui uma característica diferenciada de trabalho, para agilizar o serviço aposta na experiência dos

homens do mar, aqueles que dedicaram anos na pesca e hoje estão aposentados. Nos meses de maior volume de serviço, como novembro e dezembro, aposentados da pesca são contratados temporariamente para auxiliar no serviço. O trabalho se torna um encontro de amigos no qual os contos de pescador, as histórias e as lamentações se entrelaçam nos pontos das redes. Fernando destaca ainda que a empresa se orgulha de um serviço em especial, oferecer ao cliente trabalho itinerante. “Se o armador preferir, nos dirigimos até o porto onde o barco ancorou para fazer o conserto da rede. O trabalho tem rendido bons resultados, geralmente levamos três dias para concluir o serviço e o barco já retorna ao mar com a rede nova” acrescenta. Para Fernando o trabalho de conserto e montagem da rede é uma obra que máquina nenhuma pode substituir. Para ele a atividade artesanal é tão antiga quanto a pesca e completa a boa pescaria.

Texto Christiane Pinheiro

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PESQUISA

Pesquisadores embarcam

na frota de emalhe

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os últimos oito meses, estão sendo realizados embarques com observadores científicos na frota de rede de emalhe de fundo. Isso foi possível mediante o termo de cooperação técnica firmado entre a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e o Sindicato das Indústrias de Pesca de Itajaí (Sindipi). Esse termo, assinado em fevereiro de 2008, foi viabilizado para respaldar o convênio realizado entre a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca – Seap/PR e Univali, que tem como objetivo monitorar a pesca costeira industrial das frotas de arrasto, emalhe e traineira. A motivação também surgiu pela urgência de ordenamento dessa pescaria, tornando-se fundamental a geração de dados para pesquisa e avaliação das espécies capturadas, da fauna acompanhante, das condições de conservação a bordo do produto, além de informações complementares. A bordo, os pesquisadores obtêm dados precisos sobre a operação de pesca, lances efetuados, sobre a composição das capturas, bem como a realização de amostragens de comprimento e a coleta de amostras biológicas. Ressalta-se que os pesquisadores possuem capacitação técnica específica para a função, e não têm atribuição de fiscalização das operações de pesca ou das espécies capturadas. As informações coletadas também não podem ser utilizadas posteriormente com fins de autuações de eventuais faltas com a legislação em vigor, pois os embarques de observadores científicos não são regulados pela Instrução Normativa que instituiu o Programa Nacional de Observadores de Bordo (Probordo).

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Números Os dados do monitoramento dos embarques realizados na frota de rede de emalhe de fundo foram compilados pelo Grupo de Estudos Pesqueiros da Univali (GEP/Univali), sendo apresentados a seguir. Foram acompanhadas, até o momento, sete viagens de pesca, totalizando 163 dias de mar, 127 dias efetivos de pesca e 125 lances realizados. As embarcações monitoradas concentraram sua operação nos meses de julho a setembro, ao largo da costa de

Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Já nos meses de outubro a dezembro, as operações se concentraram na costa do Rio Grande do Sul. A profundidade de operação da atividade pesqueira variou de 22 a 91 metros. A produção de pescado foi totalizada em 165,5 toneladas, sendo 155 toneladas de corvina. O trabalho a bordo incluiu amostragens de “composição de captura”, nas quais se contavam e identificavam todos os organismos capturados


pela rede, em 104 lances de pesca. Esse procedimento registra também a captura de espécies protegidas por legislação específica, visando a avaliação da incidência destes organismos nas redes de emalhe. Fica evidente que a captura, como fauna acompanhante, de algumas espécies de peixes relacionados na lista de ameaçados de extinção, é inevitável, o que leva à necessidade de se estabelecer um limite mínimo de captura permitida para estas espécies, de pelo menos 5%. Em relação à espécie-alvo, foram medidas 37.041 corvinas em 122 lances de pesca, para se conhecer o estrato da população que está sendo explorado em cada área. Desta mesma espécie foram coletadas 292 amostras de gônadas, para avaliar em posterior análise de laboratório a proporção entre sexos e a fase do ciclo reprodutivo em que ocorreram as capturas. Estes resultados, com maiores detalhes, foram apresentados em reunião da Câmara Setorial de Emalhe do Sindipi, realizada no dia 4 de março. Como resultado da-

quela reunião, outros armadores aderiram à pesquisa, resultando no aumento do número de barcos e viagens de pesca com o acompanhamento de pesquisadores. Até o fechamento dessa matéria já se contava 14 viagens monitoradas da frota de emalhe. O fortalecimento e o futuro da atividade produtiva somente poderão ser viabilizados por meio da pesquisa pesqueira aplicada. Nesta parceria, o setor produtivo demonstra maturidade ao participar de forma efetiva em pesquisas que servirão de subsídios para que o Governo Federal defina as normas que regulamentam a pesca industrial nas regiões Sudeste e Sul do Brasil.

Michele Beatrice Anacleto Oceanógrafa e integrante da Coordenadoria Técnica do Sindipi

Christiane Pinheiro

Texto Jéssica Martinez Feller

Pesca de mãos dadas com a pesquisa

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ECONOMIA

CREDIFOZ Cooperativa de Crédito

oferece crédito promocional para o setor pesqueiro Cooperativa de Crédito Credifoz completa um ano com resultado positivo em Itajaí, Santa Catarina. Linhas de crédito como Crédito Promocional Pesca contribuem para o crescimento das operações que já somam R$ 1 milhão

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Credifoz Cooperativa de Crédito dos Empresários da Foz do Rio Itajaí-Açu iniciou as atividades em oito de janeiro de 2008. É uma sociedade civil sem fins lucrativos e não está sujeita à falência. Tem por objetivo proporcionar crédito, serviços financeiros e educação cooperativista aos clientes, sendo observados os princípios cooperativista em todas as ações. Em um ano de operação, a Credifoz já ultrapassa a marca de R$ 3 milhões em ativos e aproximadamente R$ 1 milhão em operações de crédito. Atentos ao mercado e ouvindo a demanda dos cooperados, o conselho de administração da cooperativa resolveu criar quatro linhas de

Vice-presidente aposta no cooperativismo

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crédito em 2008: Credifoz Auto Promocional, Crédito Promocional Pesca, Crédito Consignado em Conta e Investimentos em Empresas.

Linha de Crédito Promocional Pesca De acordo com o vice-presidente da Credifoz, Francisco Carlos Gervasio, a linha de crédito oferecida ao setor da pesca é de até R$ 30 mil, que pode ser parcelada em 12 vezes. “O juro é também atrativo, menor que o praticado no mercado: é de apenas 2.05% ao mês” acrescenta. Gervasio ainda destaca que a linha de crédito foi criada para auxiliar na aquisição de insumos,

bem como reformas das embarcações. O benefício para o setor foi implantado em outubro do ano passado e possui uma procura significante. Para usufruir dos benefícios da cooperativa, os interessados devem adquirir cotas de participação. Mediante a quantidade de cotas, veem as conquistas. A Credifoz iniciou com R$ 250 mil, em 10 meses de operação alcançou os R$ 428 mil. A cooperativa realiza a distribuição de benefícios aos cooperados, já que todo dinheiro que entra no Posto de Atendimento Cooperado- PAC é do cliente também. Na região de Itajaí, a cooperativa conta com o apoio de entidades como a

Cidadão pode pagar contas normalmente


Fotos: Christiane Pinheiro

Equipamentos modernos agilizam o atendimento

Associação Empresarial de Itajaí (ACII), a Associação Empresarial de Navegantes (Acin), Câmara de Dirigentes Lojistas de Navegantes e Penha (CDL) , a Associação Empresarial de Penha (ACPEN), Associação Empresarial de Balneário Camboriú e Camboriú (Acibalc) e o Sindicado das Empresas de Pesca de Itajaí e Região (Sindipi). Além de ter a certeza que o recurso investido na cooperativa gira na cidade, o cooperado tem benefícios como menor juro no cheque especial, desconto de título e tarifas de taxa de juros baixas e isenção de taxa de manutenção da conta. A Credifoz possui um posto de atendimento ao cooperado em Itajaí e, no próximo dia 30 de abril, iniciam-se as atividades também no município de Navegantes. A ideia da implantação da cooperativa veio de um grupo de empresários e tem como objetivo prestar serviços financeiros, proporcionando a concessão de empréstimos com base na poupança coletiva. Sem fins lucrativos, a Credifoz possui um atendimento personalizado e está com as transações sempre focadas nos cooperados. Seguros diversos, débitos automáticos, cheque especial e cartões de crédito, são algumas das vantagens da cooperativa. Além dos benefícios, o cooperado ainda participa da distribuição das sobras, que é proporcional à sua movimentação financeira. Isto é, quanto mais se trabalha com a Credifoz , maior é o retorno. Para garantir a transparên-

cia, confiança e solidez, a cooperativa é ligada a Osesc, que é a Organização das Cooperativas de Santa Catarina. Dentre outras ações, a Osesc realiza estudos e proposição de soluções, fomento e criação de novas cooperativas, assistência geral ao cooperativismo e prestação de serviços de ordem técnica em nível de direção, funcionários e associados às cooperativas filiadas.

Números positivos em 2009

A Credifoz comemora os números positivos do primeiro ano de funcionamento em Itajaí. Iniciou com 50 e hoje já conta com 500 cooperados. Possui uma sobra de R$ 28 mil. A expectativa do conselho de administração é chegar no fim deste ano com mais de mil

cooperados. “Em Santa Catarina, um quarto da população está envolvida, de alguma forma, com cooperativas, o quadro vem crescendo” afirma o vicepresidente. Na Credifoz, qualquer cidadão pode participar, assim como todos os membros da família. No caso de empresário, os colaboradores, fornecedores, enfim, todos ligados a ele, podem se tornar cooperativistas. O posto que funciona das 10 horas às 16 horas, está aberto ao público em geral para recebimentos de faturas e impostos. Gervasio ainda lembra que os recursos movimentados na cooperativa permanecem na cidade de origem, uma das grandes vantagens da Credifoz, que contribui para o fortalecimento da economia local. Um acordo entre a Credifoz e Banco do Brasil garante a movimentação da conta quando o cooperado estiver fora da região ou estado. Texto Christiane Pinheiro

Credifoz Itajaí Rua Dr. Cacildo Romagnani nº 649 Centro. Fone: 47-3349-9085 Navegantes Avenida Santos Dumont nº 402 Centro. Site: www.credifoz.coop.br

Confira nos quadros ao lado a movimentação positiva da Credifoz em um ano de funcionamento:

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consumo

Caminhão do peixe Veículo retoma as atividades e oferece peixe fresco com preço baixo à comunidade itajaiense

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escado fresquinho, de boa qualidade, a preço acessível na porta de casa. O cidadão de Itajaí, Santa Catarina, está novamente sendo beneficiado com as ações do caminhão do peixe, veículo que desenvolve o programa municipal Peixe nos Bairros. O caminhão havia sido utilizado no período da enchente e, pós, para atender as vítimas, passou por manutenção e no inicio de março voltou a funcionar. O caminhão, que cumpre uma programação organizada pela Secretaria Municipal de Pesca e Aquicultura de Itajaí, tem como objetivo percorrer durante o ano, todos os bairros do município, inclusive os mais distantes, como a zona rural. A intenção, segundo o secretário Agnaldo Hilton dos Santos é incentivar o itajaiense a consumir mais peixe. “O peixe é um alimento que traz inúmeros benefícios ao ser humano e deve estar inserido no cardápio semanal do itajaiense. Estamos trabalhando para criar este hábito, por isso o caminhão do peixe voltou com força total” destaca.

Fotos: Christiane Pinheiro

Parceria com o Sindipi resulta em preço acessível

Durante a quaresma comercialização é reforçada No período da quaresma a comercialização no Caminhão do Peixe foi intensificada, é nesta época que muitas pessoas optam por comer carne branca ao invés da vermelha, seguindo as leis da Igreja Católica. Porém muita gente acha o peixe caro e acaba substituindo a carne por outra proteína, como ovos. Mas em Itajaí o Caminhão do Peixe garante pescado barato na mesa do consumidor. O secretário Agnaldo explica que o carro chefe do Caminhão do Peixe é a 30

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Consumidores garatem o almoço com saúde


sardinha, vendida em média a R$ 1,50 o quilo, mas outras espécies como a corvina, gordinho, linguado e emplasto também são encontrados no caminhão. O secretário ainda comenta que o pescado adquirido para abastecer o caminhão é de empresas da cidade, isso devido a um convênio firmado com o Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí -SINDIPI, por isso o pescado é fresco, “não chega nem ir para o gelo” destaca. Hoje o caminhão comercializa por semana aproximadamente 1.500 toneladas de peixe.

Consumidor aprova retomada das atividades As donas de casa, principais consumidoras do pescado no bairro, aprovam esse tipo de comércio. “Sou consumidora assídua, compro e recomendo, é fresco e barato, estou sempre de olho na programação, quando vem para o meu bairro ou algum próximo, o almoço está garantido”, comenta a pensionista Ivonete Sena. O grande diferencial do caminhão do peixe é a limpeza e a organização. Segundo o secretário, ele faz questão que todos os atendentes estejam devidamente uniformizados, que a embalagem para transportar o peixe seja prática, os balcões sempre limpos e higienizados e que o consumidor seja bem atendido. Para informar o cidadão da visita do caminhão em cada bairro, uma moto equipada com auto-falante percorre todas as ruas um dia antes e durante a permanência do veiculo, além dos anúncios feitos em jornais, rádios e TVs, por meio da Assessoria de Comunicação da Prefeitura.

11 de setembro de 2006, pelo ministro da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca da Presidência da República, Altemir Gregolin. O veículo totalmente equipado com balcões frigoríficos veio para intensificar o programa Peixe nos Bairros, criado em 2005. O caminhão entrou em operação com o objetivo de incentivar o consumo de pescado na cidade. Por ser oferecido a preços populares, atende principalmente aos cidadãos mais carentes, exatamente aqueles que não cultivavam o hábito do peixe na mesa. De acordo com o secretário Agnaldo, a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que cada ser humano consuma em média 12 quilos de peixe por ano. Nos dados da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca o consumo do brasileiro não ultrapassa os 6,8 quilos. Em Itajaí, o consumo está em torno de 8 quilos, isso com a oferta de pescado mais barato e de qualidade. O caminhão do peixe tem capacidade para nove toneladas e, além do pescado fresco, ainda possui os equipamentos necessários para os congelados.

Onde encontrar a programação semanal do caminhão do peixe Segundo o secretário de Aquicultura e Pesca, o caminhão do peixe percorre todos os bairros e costuma retornar com frequência nas localidades onde o consumo é maior. A agenda pode ser conferida no site da Prefeitura Municipal: www.itajai.sc.gov.br no link Sepesca. Informações também podem ser obtidas no telefone: (47) 33416000.

Caminhão do peixe chegou a Itajaí em 2006 O Caminhão do peixe foi entregue à comunidade de Itajaí em

Texto: Christiane Pinheiro

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CONSUMO

Olha o camarão fresquinho Preço baixo do camarão em Itajaí anima consumidores, que até estocam o produto

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o mês de março ficou impossível passar pelo Mercado Público de Itajaí e sair de mãos abanando. As ofertas eram tentadoras e, de longe, era possível escutar os boxistas anunciando: Olha o camarão fresquinho! Somente R$ 10,00 o quilo! A notícia da queda no preço foi longe e atraiu consumidores até do Paraná, o que movimentou o Centro de Abastecimento Prefeito Paulo Bauer. Consumidores como a aposentada Albertina Victorino de Souza, que mora em Balneário Camboriú. Ela não costuma frequentar o Mercado Público de Itajaí, mas no mês de março veio duas vezes, atraída pela oferta: “Está barato e o produto é de qualidade. Estou levando mais alguns quilos para guardar para a Semana Santa”, afirma, ao comprar mais dois quilos de camarão.

Preço do camarão se manteve na Semana Santa O produto veio da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, onde a safra su-

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Com R$10 a consumidora levou um quilo de camarão

perou as expectativas, por isso a queda no preço do camarão Rio Grande, vendido a pelo menos R 5,00 mais barato do que de costume. “Consegui comprar a R$ 8,00 o quilo, e voltei para com-

prar mais porque gostei do camarão”, comenta a representante comercial Zelir Torquatto, que prefere comprar o produto com casca, para fazer ao bafo. Na semana que antecedia a Páscoa, o


Fotos: Christiane Pinheiro

boxista Antenor Silveira Filho comemorava as vendas, mas alertava: “O preço não deve ficar assim. Quem gosta de camarão precisa aproveitar, pois com a proximidade da Semana Santa, a procura pelo fruto do mar deve aumentar, assim como o valor”. Segundo Antenor, o camarão atrai consumidores que acabam levando para casa outros produtos, como a lula e o marisco, vendidos a R$ 12,00 o quilo, o cação, que custa R$ 10,00 e a meca, que está sendo comercializada a R$ 15,00 o quilo.

Promoção de camarão seguiu até o fim de abril O Mercado Público de Itajaí comemora as vendas. Durante as quatro semanas de promoção, foram vendidas onze toneladas de camarão Rio Grande. Conforme a responsável administrativa do Mercado, Janine de Oliveira, as vendas superaram as expectativas: “Onze toneladas de camarão em apenas quatro semanas é muita coisa! Prova de que as pessoas realmente gostam do produto e aprovaram a nossa iniciativa”, ressalta. O alto consumo e a grande oferta fizeram com que os consumidores encontrassem o camarão Rio Grande a R$ 10,00 o quilo até o fim do mês de abril. A iniciativa fez com que as vendas de pescado aumentassem 60% durante esse período. Segundo Janine, a meta é conseguir promoções de outros produtos ao longo do ano e ofertar peixe de qualidade ao consumidor. Depois do camarão, Janine aponta a sardinha

Preço acessível aguça ainda mais o paladar

como líder de vendas. O peixe é comercializado de três a cinco reais o quilo. O preço acessível e o sabor da sardinha, rica em ômega três, atraem consumidores em qualquer época do ano.

Como escolher e preparar o camarão Líder absoluto na culinária do litoral catarinense, o camarão, além de poder ser preparado como prato principal, também empresta seu sabor marcante a diversas receitas feitas à base de frutos do mar. Mas é preciso saber escolher essa delícia. Antes de comprar o camarão o consumidor precisa ficar atento a alguns detalhes: os camarões

frescos têm carne firme, casca inteira colada à carne e cheiro característico, sem ser forte. Jamais compre camarões com manchas escuras, cabeça solta ou odor de amoníaco. Um quilo de camarão com casca rende, aproximadamente, meio quilo depois de descascado e cozido. Para cada porção, calcule 250 gramas de camarões crus, com cascas, ou 150 gramas quando descascados. Quando cozidos, as cascas tornam-se vermelhas e a carne rosa-pálido. Os camarões congelados devem estar limpos, sem a cabeça e cascas, em embalagem fechada e ainda sem cheiro. Além disso, devem ser usados logo que descongelados. Texto Soraya da Silva

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SAÚDE

CENTRO

de Atendimento ao Trabalhador Atendimento médico personalizado para os trabalhadores de Itajaí, em ambiente agradável e totalmente climatizado, ótima localização e preço acessível

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esde março do ano passado, todos os trabalhadores de Itajaí contam com um centro médico moderno e bem equipado. O Centro de Atendimento ao Trabalhador (CAT), foi implantado com o objetivo de oferecer aos trabalhadores e seus familiares, um atendimento mais digno, sem filas, sem espera, com hora marcada e, o mais importante, em um espaço idêntico a clínicas particulares. A idéia da implantação do CAT veio de Osvaldo Mafra, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Itajaí (Sitai). A intenção era minimizar o sofrimento dos trabalhadores em momento de enfermidade, que necessitavam buscar auxílio de um profissional médico e eram obrigados a ficar horas em filas do Sistema Único de Saúde. Com a inauguração do CAT, esses problemas, a principio, para os trabalhadores das indústrias de

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alimentação, foram resolvidos. O Centro iniciou o atendimento com dois dentistas, um médico clínico geral e uma ginecologista. Hoje já atuam no CAT três dentistas e dois médicos: clínico geral e ginecologista com especialidade em mastologia.

Demanda ainda é reprimida De acordo com Mafra, o Centro tem capacidade para realizar até 7 mil procedimentos por mês. Todos os sindicalizados têm um leque de benefícios como reembolso na compra de óculos, material escolar e todos os atendimentos na clínica, isso sem ônus nenhum. A mensalidade mensal está em torno de R$ 20,00 para o trabalhador, esposa e mais dois filhos até 16 anos de idade. Todos são atendidos com hora marcada, não há fila de espera, o prédio é

totalmente climatizado, e conta com uma equipe de profissionais bem qualificados e eficientes, que busca oferecer o melhor atendimento, já que este é um dos principais objetivos do CAT. O número de atendidos vem crescendo. Hoje são aproximadamente 800 sócios, mas segundo Osvaldo Mafra, a demanda ainda está reprimida, isto porque falta divulgação nas empresas. A expectativa é aumentar o número de beneficiados, só assim o Centro pode crescer e oferecer aos trabalhadores outras especialidades como pediatria e psicologia.

Trabalhadores de outros sindicatos também são beneficiados no CAT Trabalhadores de outras indústrias como da pesca podem também usufruir os atendimentos do CAT, basta procurar


Christiane Pinheiro

Odontologia é um dos serviços mais procurados no CAT

a Casa do Trabalhador e fazer o cadastro. A mensalidade está em torno de R$ 15,00, com direito a associar esposa e mais dois dependentes, pagando R$ 5,00 por cada pessoa. O grande diferencial do CAT é a falta de carência, isto é, o trabalhador pode se associar, pagar a primeira parcela e ser atendido imediatamente. O CAT ainda possui convênio com clínicas particulares e os exames solicitados pelos médicos podem ser feitos com desconto ou mesmo em clínicas que atendem pelo SUS.

Onde está localizado o CAT: Rua: Escoteiro Júlio César Medeiros, 162, bairro Vila Operária – Itajaí SC Telefone: 47 3348-5986 – e-mail: sitiai@matrix.com.br ou casadotrabalhador@terra.com.br Site: www.sitiai.com.br Onde está localizada a Casa do Trabalhador: Rua: José Siqueira, 90, bairro Dom Bosco – Itajaí SC Telefone: 47 3348-4882/ 3349-2576

Texto Christiane Pinheiro

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SAÚDE

Consumo de peixe

durante a gravidez aumenta a inteligência das crianças Pesquisa revela que filhos de mães que se alimentam de peixe durante a gravidez apresentam melhores índices de desempenho em atividades ligadas a parte mental

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ó de pensar em peixe, a agente de viagem, Karla Freitas Silva, se enche de desejo. Grávida de seis meses, de uma menina, ela não parou de consumir o alimento: “Adoro todo tipo de peixe, e como sempre que posso”. O benefício do consumo de peixe Karla já conhecia, e a recomendação também foi feita pela ginecologista que a acompanha, que só proibiu o consumo de peixe cru, como sashimi. “O que evito são frituras, e também consumo bastante frutas e alimentos ricos em fibras, tudo em busca de uma gravidez mais saudável”. Karla está no caminho certo. O consumo de peixe durante a gestação pode ajudar, e muito, no desenvolvimento do bebê, principalmente no que diz respeito à inteligência. O exemplo vem das japonesas. Há muito tempo se diz que os japoneses são mais inteligentes que o resto da população mundial. Verdade ou mito, a fonte para a inteligência pode estar relacionada ao alto consumo de peixe desde a gestação. Uma prova é a pesquisa feita, em 1989, pelo professor Michael Crawford, que levantou a discussão sobre os benefícios do consumo de peixe durante a gestação. Conforme a pesquisa, as crianças japonesas têm um QI mais elevado que as da Europa e Estados Unidos devido ao hábito de comerem mais peixe e, como consequência, ingerirem mais DHA (ácido docosahexaenóico), ácido essencialmente graxo do tipo omega-3. O DHA, além de ser transmitido à criança durante a gestação,

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também é liberado pela amamentação. Na mesma pesquisa, ele afirma que o leite materno das mães japonesas contém duas a três vezes mais DHA do que o das mães dos Estados Unidos e países europeus. Isso significa que para gerar uma criança com mais inteligência, a gestante e as mães que amamentam, deveriam ter quantidade suficiente de DHA. A pesquisa mais recente sobre o assunto foi publicada em 2007 na revista cientifica Lancet. A pesquisa realizada na Universidade de Bristol e no Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, afirma que mães que consomem uma quantidade considerável de peixe durante a gravidez, têm filhos que possuem melhor desempenho em várias atividades ligadas a parte mental. Para chegar a tal conclusão, os pesquisadores entrevistaram 11.875 mulheres grávidas sobre o consumo de peixe e frutos sociais, de comunicação, de coordenação motora e o QI dos filhos dessas mulheres até os oito anos de idade. Fatores socioeconômicos também foram levados em conta, além de informações sobre a dieta das mulheres. As crianças de mães que consumiram menos de 340 gramas de peixe e frutos do mar por semana apresentaram um aumento de 48% no risco de acabarem no grupo de mais baixo desempenho em termos de inteligência verbal. Além disso, um baixo consumo de peixes e frutos do mar também foi associado ao aumento do risco de a criança apresentar índices baixos de comportamento e de desenvolvimento

motor, de comunicação e sociabilidade.

Mas o que é o DHA? O DHA é um ácido graxo do tipo ômega-3 presente principalmente na gordura de peixes vindos de água fria e profunda, como salmão, sardinha, atum, arenque, bacalhau, truta e cavalinha. O DHA também é encontrado, porém em baixos níveis, em carnes e ovos. Armazenado no cérebro, especificamente na retina ativa das células nervosas, esse ácido acumula-se especialmente nos nervos controladores, e presta um importante papel para manter as células nervosas, regulando as transmissões e ativação das células cerebrais. Com uma estrutura química muito flexível, ele trabalha intensamente para tornar as células das paredes cerebrais mais macias, o que significa estimulá-las sempre. Conforme a nutricionista da Secretaria Municipal de Saúde de Itajaí, Mirelle Sifroni Farias, o ômega 3 é um ácido graxo poli-insaturado essencial, isto é, o organismo não sintetiza, logo deve ser consumido na dieta. “Além de ser especial, a ingestão do ômega-3 durante a gestação, ele é reconhecido como sendo um nutriente cardioprotetor, por diminuir a taxa de triglicerídeos no sangue, diminuir a hipertensão arterial, auxiliar no combate ao câncer, ajudar na depressão, aumentar a fluidez do sangue, além de ser um importante imunomodulador”, ressalta. O docosahexaenóico da família


João Souza

de ácidos graxos ômega 3 são conhecidos também por serem componentes fundamentais da membrana externa das células cerebrais, e é por meio dessa membrana que todos os sinais nervosos fluem. Portanto, a presença de ômega 3 cria um ambiente ideal para a troca rápida de “mensagens” entre as células do nosso cérebro, trazendo benefícios como melhora da concentração, melhora da memória, aumento da motivação, melhora da habilidade motora, aumento da velocidade de reação, neutralização do estresse e prevenção de doenças degenerativas cerebrais, como o Alzheimer e Parkinson.

Como ingerir Mirelle explica que as crianças cujas mães consomem quantidades suficientes de ácido graxo ômega-3, desenvolvem maior habilidade cognitiva na primeira infância. As mulheres que comem poucos produtos do mar, principalmente no início da gravidez, apresentam maior risco de parto prematuro, assim como nascimento de bebês com baixo peso. Segundo a nutricionista, o recomendado às gestantes é consumir peixe no mínimo duas vezes por semana, na forma de preparações mais saudáveis, ou seja, assados, grelhados ou cozidos com pouca gordura. No entanto, a ingestão de ômega-3 durante a gestação pode ser recomendado diariamente, o que proporcionaria melhor desenvolvimento do bebê. Porém, ela ressalta que não é só pela ingestão de peixes. O consumo de outros alimentos como frutas oleoginosas (nozes, castanhas, amêndoas), sementes germinadas de linhaça, óleo de linhaça, que são fontes de ômega-3, pode ser uma alternativa. Além de fontes alimentares, o ômega-3 pode ser encontrado na forma de fármaco, ou seja, suplementos facilmente encontrados em farmácias e estabelecimentos de produtos naturais. “Entretanto, é importante ressaltar que para que o organismo possa usar corretamente os ácidos graxos ômega-3 é necessário que tenham níveis adequados de vitaminas e minerais, além da ingestão adequada de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios)”. Portanto,

Com mamãe consciente, bebê nasce saudável

uma alimentação balanceada e saudável promove uma melhor qualidade de vida em qualquer idade.

O consumo de peixe em Itajaí Itajaí é o maior porto pesqueiro do país. Apesar de o peixe ser facilmente encontrado, o consumo do alimento poderia ser bem maior. Conforme Mirelle, na cidade, assim como em outras do litoral, há um estímulo por parte dos profissionais de saúde, para a maior ingestão de pescados em todas as faixas etárias. “Por exemplo, no Brasil, várias pesquisas indicam que o consumo de ômega-3 em crianças durante o período escolar aumenta o nível de concentração, melhorando consequentemente o rendimento escolar”. Pensando nisso, há pelo menos seis anos, o peixe faz parte do cardápio das escolas municipais. Essa foi uma forma encontrada pelas secretarias da Saúde e Educação para estimular o consumo do alimento e, com isso, melhorar o aprendizado. Por não poder ter espinha,

a espécie oferecida às crianças é o atum preparado com macarrão ou refogado com arroz. Porém, a aceitação ainda é baixa. Conforme a diretora do Departamento de Orientação e Assistência do Educando, Dulce Amaral, muitas crianças rejeitam o alimento. Por isso, um novo cardápio deve ser elaborado, para que o peixe seja consumido pelos alunos de forma mais prazerosa. “Uma nutricionista deve elaborar um cardápio com as opções de peixe que podemos servir às crianças e novas receitas que vão ser selecionadas, e esperamos que as crianças aprovem”, ressalta. Se depender de Karla, o peixe vai estar sempre no cardápio da filha, que vai nascer no inicio de agosto. “Incentivar o consumo de peixe? Com certeza! E se Deus quiser ela vai ser uma menina cheia de saúde e energia”, diz Karla, que com certeza já deu o primeiro passo, oferecendo ômega-3 à criança desde o ventre.

Texto Soraya da Silva

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TEMPO

O inverno se aproxima

Com ele, aumentam os perigos em alto-mar A primavera e o verão foram de condições climáticas complicadas. Previsões de chuvas, ventos fortes e ressacas, deixaram as cidades litorâneas e todo o estado de Santa Catarina em alerta. A previsão indica mais chuvas durante o inverno

A

ntes de sair com o seu barco em direção ao alto-mar, o pescador Admir Braz da Silva, fica atento às condições do tempo. Observa o vento, o mar e daí então decide pelo início da viagem. Pescador há mais de quarenta anos, aprendeu a conhecer o tempo pela observação, que aliada a um pouco de sorte norteia o mestre de barco na busca por pescaria. Porém, cada vez mais, o pescador alia o seu conhecimento com os dados meteorológicos divulgados pela Capitânia dos Portos. O motivo, segundo ele, é que o tempo está surpreendendo cada vez mais. “Não podemos mais confiar somente no nosso conhecimento. O tempo muda de uma hora para outra e, se não estamos bem informados, somos pegos de surpresa, o que não é nada bom em alto-mar”, ressalta o pescador. Um exemplo disso aconteceu no dia 28 de março, quando um fenômeno assustou a região da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Uma tromba d’água, espécie de tornado sobre o mar, se formou sobre a região. Causado por um sistema de baixa pressão atmosférica e pelo avanço de uma frente fria em direção ao Rio Grande do Sul, o fenômeno, apesar de durar poucos minutos, surpreendeu principalmente os pescadores que trabalham no local. Apesar de trombas d’água acontecerem em qualquer estação do ano, essa serviu para alertar os pescadores sobre uma ameaça ainda maior: os ciclones ex-

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tratropicais, mais comuns no outono e no inverno.

La Niña e EL Niño e suas influências climáticas É reconhecido cientificamente que o fenômeno La Niña, bem como a sua contrapartida, o El Niño, influenciam o clima em várias regiões do globo. Porém, em grande parte das regiões atingidas pelos efeitos destes fenômenos climáticos, nem sempre a influência é observada, pois depende do período de ocorrência e respectiva intensidade. Para nos explicar melhor o que são esses fenômenos, conversamos com o meteorologista e pesquisador da Epagri-Ciram, Rosandro Boligon Minuzzi. Segundo ele, o El Niño Oscilação Sul (Enos) é um fenômeno de grande escala que ocorre no oceano Pacífico Equatorial. O fenômeno mostra, de forma marcante, a forte interação oceano-atmosfera, que se manifesta sobre a região. A variação irregular em torno das condições normais da região do Pacífico revela duas fases opostas do Enos: “Um desses extremos é representado pelas condições de El Niño, quando se verifica um aquecimento das águas simultaneamente com diminuição da pressão atmosférica no Pacífico leste (também denominada fase quente ou fase negativa), e a situação oposta, ou seja, quando ocorre um resfriamento das águas e aumento na pressão

atmosférica na região leste do Pacífico (também denominada fase fria ou fase positiva), representa condições de La Niña”, explica o meteorologista. Num contexto geral, acredita-se que as anomalias climáticas relacionadas ao El Niño e à La Niña ocorrem nas mesmas regiões, mas de maneiras opostas. Porém, as respostas das fases do Enos em muitas áreas nem sempre são contrárias e os eventos La Niña afetam 5% a 15% mais áreas continentais do que durante os eventos El Niño.

La Niña começa a se dissipar no país De acordo com Rosandro Boligon Minuzzi, desde novembro do ano passado as condições predominantes do Pacífico mostram uma situação de resfriamento (águas superficiais frias ou abaixo da média climática), mas devido a sua abrangência na região, com essas anomalias e a intensidade, está sendo considerado um evento La Niña de fraca intensidade, que deverá se dissipar nos próximos meses. A sua influência no Brasil é mais visível no Norte/Nordeste, resultando em chuvas acima da média e no Sul do Brasil, com chuvas abaixo da média. Quanto a relação do fenômeno com a atual estiagem, ainda é cedo para afirmar se a La Nina está sendo o fator responsável por tal adversidade meteorológica em Santa Catarina, tendo em vista que, estiagens nem sempre


ocorrem conjuntamente com o fenômeno Enos.

O La Niña e o outono e inverno Apesar das chuvas que ocorreram nos últimos dias em todo o Estado, o cenário em Santa Catarina continua de estiagem nas regiões interioranas, pois os volumes de chuva acumulados ainda não alcançaram o esperado para o mês, e de chuva acima da média climática no litoral. Quanto à temperatura, deve retornar gradativamente a sua característica do outono, ou seja, com temperaturas amenas à noite e mais elevadas durante o dia, fazendo com que as amplitudes térmicas (diferença diária entre a temperatura mínima e a temperatura máxima) sejam elevadas. É o que nos informa o Laboratório de Climatologia da Univali. Conforme o meteorologista Sergey Alex de Araújo, ainda não é possível prever com segurança como vai ser o outono e o inverno. Porém, ele nos adianta o que os modelos meteorológicos estão apontando para as duas estações. Segundo Sergey, desde a metade do ano passado, o fenômeno La Niña atua sobre o litoral brasileiro. Neste período o oeste catarinense viveu mais as características do La Niña, com longas estiagens. Já o litoral sofreu com a chuva, que caiu de forma intensa. No mês de novembro choveu 294% a mais do que o previsto, o que causou o maior desastre natural de Santa Catarina. Itajaí foi uma das cidades mais atingidas pela força da água, ficando 90% submersa. Já Blumenau e Ilhota foram castigadas pelos deslizamentos de terra. Janeiro e fevereiro também foram marcados por muita chuva mal distribuída, efeito do La Niña, que nesses meses esteve em seu período mais maduro. Já a partir de março o fenômeno começou a se dissipar, e com a chegada do outono, a temperatura do Oceano Atlântico, da Costa do Espírito Santo até a bacia do Rio da Prata, começou a elevar e até o inicio do inverno vai ficar entre 1 e 2 graus acima da média. Conforme Sergey, com a água mais quente, aumenta a umidade do ar e com isso as chuvas

se tornam mais frequentes. Por isso, a previsão é de que nos meses de abril e maio a precipitação de chuva fique na média histórica ou abaixo da média, que é de 108 milímetros em abril e 113 milímetros em maio. Já no mês de junho deve chover mais, a previsão é que haja chuva na média ou acima dela, cerca de 104 milímetros.

Pescadores artesanais devem ficar atentos aos nevoeiros Também típico do outono e inverno, os nevoeiros já começam a fazer parte do dia-a-dia dos pescadores. Os nevoeiros, dependendo de sua intensidade, reduzem a visibilidade há menos de 1km. Com a visibilidade prejudicada, os pescadores ficam mais propícios a acidentes. Conforme dados do Ciram, o nevoeiro pode ocorrer de duas formas e sendo ambos, previsíveis: Nevoeiro de Advecção: nevoeiro resultante da passagem de ar quente e úmido sobre uma superfície fria do oceano ou, mais raramente, da passagem de ar relativamente muito frio sobre uma superfície oceânica relativamente quente. Nevoeiro de Radiação: nevoeiro resultante do esfriamento radiante do ar, perto da superfície da terra, nas noites claras e calmas. Este acompanha a grande amplitude térmica, ou seja, durante o dia há um grande aquecimento (geralmente devido a pouca nebulosidade) e durante a noite, com a manutenção da pouca nebulosidade há grande perda de radiação para o espaço (resfriamento).

Ciclones extratropicais são maior ameaça para a pesca industrial A região Sul do Brasil é considerada uma região ciclogenética, ou seja, de formação ou origem de ciclones, seja sobre o continente quanto sobre o mar. Por se tratar de um sistema de baixa pressão, está associado a instabilidade atmosférica na região por onde atua.

Em alto-mar, dependendo da intensidade, geralmente resulta em ressaca e, nas regiões litorâneas, em fortes rajadas de vento, estando acompanhado de chuvas, na qual estas ficam restritas próximas ao seu interior (ou centro do sistema de baixa pressão). Os ventos causados pelos ciclones extratropicais podem exceder 120 km/h em alto-mar, risco para os pescadores, principalmente para aqueles que estão em embarcações pequenas. As costas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina são as mais propícias para o aparecimento de ciclones extratropicais. Em 2007, foram registrados oito e, em 2008, nove ciclones extratropicais. O meteorologista Sergey alerta que para esse ano, cinco ciclones são previstos ao longo do outono e do inverno. Por isso, o pescador deve ficar atento aos boletins meteorológicos apresentados pela Capitânia dos Portos e obedecer às recomendações para permanecer em terra firme ou procurar um abrigo seguro em alto-mar. “Sabemos da grande sabedoria dos pescadores em prever o tempo, porém esses eventos naturais estão cada vez mais comuns e intensos. Por isso, os pescadores não devem se arriscar e estar sempre bem informados sobre as condições de tempo e maré” ressalta Sergey. Vale lembrar que em março de 2004 a população do sul de Santa Catarina e do nordeste do Rio Grande do Sul foi surpreendida por um ciclone, que anos mais tarde foi classificado como furacão. O Catarina, primeiro registrado no Atlântico Sul, quando chegou próximo ao litoral estava na sua fase final, com rajadas de ventos de até 180 km/h. Com a passagem do furacão, no mar as ondas atingiram cinco metros, o que causou o naufrágio de uma embarcação com seis tripulantes no Farol de Santa Marta, em Laguna, e outra em Itajaí. Vinte mil residências foram destruídas nas cidades litorâneas da Região Sul e a BR-101 ficou interditada.

Texto Soraya Silva

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TURISMO

Uma viagem pelo rio Cachoeira de

JetBus

Já está em operação a primeira hidrovia de Santa Catarina. O ônibus e a van JetBus e o Jettruck estão fazendo a travessia entre Joinville e São Francisco do Sul, Norte do Estado, pelo rio Cachoeira Divulgação Jet Bus Transportes Marítimos

Embarcação atravessa o Rio Cachoeira

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Navegar com segurança e conforto, apreciando uma bela paisagem pela janela. Desde dezembro do ano passado, turistas e moradores de Joinville e São Francisco do Sul têm essa oportunidade única. O JetBus, com capacidade para transportar 84 passageiros e três tripulantes, da empresa JetBus Transportes Marítimos, já está atendendo os passageiros. Ele está operando, por enquanto, nos finais de semana e feriados e também por fretamento. A hidrovia Kurt Gern é a primeira de Santa Catarina. A iniciativa foi da empresa Incasa e contou com o apoio do Governo do Estado. Para a implantação foram investidos aproximadamente R$ 1,3 milhão, sendo R$ 790 mil na sinalização náutica que inclui instalação de 11 boias (1,00m) na Lagoa Saguaçu, oito boias (1,80m) na Baía da Babitonga, 24 lanternas solares (Lagoa de Saguaçu e Baía Babitonga) e 21 balizas de margem (Rio Cachoeira), entre outras intervenções. A hidrovia possui um trajeto de 23 quilômetros, do Mercado Público de Joinville ao terminal marítimo de São Francisco do Sul. Para Fernão de Oliveira, proprietário da JetBus Transportes Marítimos, a implantação do transporte hidroviário entre Joinville e São Francisco do Sul foi um desafio de desbravadores e de muita coragem, idêntico ao vivido pelos colonizadores da região. “As dificuldades com as quais nos deparamos são de todas as ordens, principalmente as naturais. O rio apresenta grandes dificuldades à navegação em função dos

40 anos de total abandono e elevada poluição; a resistência da comunidade acreditar que é possível navegar pelo rio Cachoeira; a crítica destrutiva, condição natural das pessoas em primeiro criticar para depois ajudar; além dos aspectos técnico-burocráticos, como a obtenção de licenças, autorizações, etc. Aliado a tudo isso, no Brasil esta condição de navegação foi pioneira”, destaca.

Setor turístico: o primeiro a ser atendido

A princípio, a hidrovia foi implantada para atender o setor turístico, mas o gerente de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Agricultura, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Joinville, Felipe Romer Batista, não descarta a possibilidade de futuramente o transporte servir também para desafogar o trânsito de Joinville, maior cidade do estado. “Há estudos para desenvolver o transporte entre os bairros. Essa seria uma alternativa barata e rápida para que futuramente a população pudesse se locomover dentro do município” argumenta. Para Manoel Mendonça, secretário de Desenvolvimento Regional em Joinville, com a primeira hidrovia de Santa Catarina, a região Norte ganha uma ferramenta de geração de novos empregos e empreendimentos, bem como de estímulo ao entretenimento e lazer. Para o retorno de navegação pelo Rio Cachoeira foi necessário um intenso trabalho de dragagem, realizado pela empresa Costa

Sul Serviços de Dragagem. Foi feito o desassoreamento do canal de navegação do rio, em quatro trechos distintos, localizados entre o Mercado Público de Joinville e a Ponte do Trabalhador. Com a dragagem, a profundidade do Rio Cachoeira foi aumentada, permitindo fixar os horários de saída e chegada das embarcações.

Recuperação ambiental de mãos dadas com o progresso “O retorno da navegação pelo rio Cachoeira marca o início de um trabalho de conscientização perante a população sobre a importância da recuperação ambiental do rio e seu entorno hidroviário”, destaca o diretor geral da SDR de Joinville, Fernando Camacho. Segundo ele, hoje mais de 11 mil embarcações fazem o trajeto da Baía Babitonga a São Francisco do Sul. Toda a sinalização náutica da hidrovia passou por fiscalização e foi autorizada pela Marinha do Brasil. A sinalização traz benefícios à comunidade pesqueira, ao turismo náutico e à indústria naval instalada na região. Durante a inauguração da hidrovia, em dezembro, o governador do Estado, Luiz Henrique da Silveira, além de destacar a importância da hidrovia para Santa Catarina, conclamou a população para a preservação do Rio Cachoeira. Em seu discurso, pediu para que as pessoas não joguem lixo ou objetos no rio Cachoeira, na lagoa Saguaçu

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e na Baía Babitonga, acrescentou que todos são responsáveis pela vida do meio ambiente. “Acreditamos que este modal de transporte represente o futuro não só para Joinville e São Francisco do Sul, mas para Santa Catarina e o Brasil. Antagonicamente, estamos voltando ao passado para construir um futuro melhor, não podemos esquecer que as Américas e o Brasil foram descobertos pela navegação”, finaliza Fernão de Oliveira.

Travessia encanta turistas

Fazem a travessia pelo Rio Cachoeira o JetBus e o Jet Van. Desde o lançamento da hidrovia, em 20 de dezembro, já foram transportados mais de 2 mil pessoas. Os turistas são os que mais se encantam com a viagem. Navegar pelo tradicional rio Cachoeira é como entrar no túnel do tempo. O rio é cheio de história, é cercado por natureza, fauna e flora incomparáveis. O novo transporte marítimo do estado atrai turistas e moradores de Joinville e São Francisco do Sul, de todas as idades. A cada passeio uma emoção. No terminal de embarque é possível notar a felicidade, a surpresa no sorriso dos passageiros e o encanto ao se aproximarem do Jet Van e JetBus. Nanci Valdete conta que estava ansiosa com o passeio. “Eu me emociono ao falar do rio Cachoeira. No passado, convivi com o rio limpo, e hoje vendo como está é muito triste. Felizmente estão devolvendo a vida, é um grande

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recomeço. Estamos no ponto de partida, uma oportunidade de conhecer a natureza e refletir sobre ela. Tenho 60 anos, 40 convivi com o rio poluído, até os meus 20 anos as águas do rio cachoeira eram limpas e claras. Poder vê-lo resgatado é uma alegria imensa” finaliza.

A viagem

A travessia entre Joinville e São Francisco do Sul leva aproximadamente uma hora. No início as duas embarcações só estavam fazendo a viagem durante o dia, após a sinalização da iluminação e sinalização noturna, que foi concluída neste mês de março, a travessia também pode ser feita à noite, com total segurança. Algumas crianças já experimentaram a novidade, como os filhos de Abigail: todos estavam ansiosos, se encantaram com os golfinhos que acompanhavam os barcos quase toda a viagem e adoraram o ambiente aconchegante e confortável. Hoje a viagem de JetTruck, que tem capacidade para 70 pessoas, custa em média R$ 7,50 e a de JetBus, com capacidade para 84 passageiros, custa R$ 15,00. Os horários devem ser conferidos no site www. jetbus.com.br, ou pelo telefone da empresa em Joinville (47) 3439-2100, em São Francisco do Sul (47) 3459-0102, ou ainda pelo e-mail jetbus@jetbus. com.br A empresa Incasa tinha como objetivo resgatar a navegação marítima de Joinville, proporcionar aos passageiros conforto, segurança, credibilidade de

horários, um belo passeio pela Baía da Babitonga e lagoa Saguaçu, possibilitar principalmente uma nova alternativa de transporte, revitalizar o Rio Cachoeira e conscientizar as pessoas da importância de cuidar do meio ambiente. Os argumentos para investir no projeto são fortes e estão dando certo, estão em prática. Para transportar os passageiros com segurança, a empresa investe ainda na qualificação do pessoal e em equipamentos novos que atendem às mais rigorosas normas ambientais e de segurança. Por causa de todos esses benefícios o Governo do Estado aprovou o projeto e hoje Santa Catarina possui sua primeira hidrovia. Se o processo for positivo, outras hidrovias podem ser implantadas no território catarinense no futuro, não só voltadas ao turismo, mas também para minimizar o problema do transporte. Informações Comprimento total: 19,80 metros Calado leve /carregado: 70 centímetros Potência do motor: 2 motores de 400 HP Material do casco: Fibra de vidro Ano de construção: 2008 Capacidade: 84 passageiros e 3 tripulantes Fica atracado no Cais Conde D´Eu, no Centro de Joinville, ao lado do Mercado Municipal Agradecimentos: Tatiana Amara Krinski JetBus Transportes Marítimos Maurício Geraldo Von Scheidt Ger. Comercial JetBus Transportes Marítimos Thiago Dias – SDR - Joinville


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ARTE

o mar

de mãos dadas com a arte O artista plástico Raul Waldemar Janz deixou se levar pela paixão pelo mar e confeccionou telas de encher os olhos dos amantes da arte e da pesca

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aul Waldemar Janz é natural de Curitiba, no Paraná, mas mora em Balneário Camboriú, litoral Centro-norte catarinense, há algum tempo. Como a maioria dos que passam por aqui, o artista plástico também se encantou com o mar, a pesca, os peixes e os pescadores. Comenta que é aficionado pelo mar e tudo relacionado a ele. “Já fiz muitas pescarias, pesco duas ou três vezes por semana” diz.

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Escolheu Santa Catarina para morar e se inspirar

embarcar nesta aventura, em um barco de pesca industrial. Penso em ficar pelo menos um mês vivendo junto com os Em Balneário Camboriú, terra que pescadores” afirma. escolheu para morar e local que lhe traz inspiração para confecção de be- A pesca de mãos las telas, o artista acrescenta ainda que dadas com a arte quando vê um arrastão na praia, semA magia, arte e ofício da pesca, serpre se oferece para ajudar. “Converso com os pescadores amadores e profis- viram de inspiração para o curitibano, sionais, tenho curiosidade sobre a vida que ingressou na carreira em 1980. em alto mar e desejo algum dia poder Janz está com uma exposição em uma


rede de supermercados de Santa Catarina. Todas as telas pintadas com cores fortes e vibrantes são relacionadas ao mar, à mulher do pescador, às marinas, aos peixes, ao cotidiano da pesca. Tudo foi cuidadosamente retratado pelas mãos do artista de 61 anos. Raul acredita que a pintura sobre a pesca atrai não só ele, mas a maioria dos visitantes do litoral catarinense. Ele começou a pintar telas inspiradas no mar para brindar os turistas e decorar a imensidão de prédios que se erguem em Balneário Camboriú. O artista faz questão de comentar que sua arte possui dois momentos importantes: antes de iniciar um longo processo de oito anos de jogos em bingos, e após, quando conseguiu abandonar o jogo e voltar a pintar. Na telas confeccionadas por Janz está o maior exemplo de que o mar é uma arte que merece realmente ser eternizada pelas mãos de talentos como Raul, que se considera autodidata, já que segundo ele, nunca fez qualquer curso de profissionalização.

A arte entra na vida de Raul

Em 1980 ele pintou algumas obras, que foram vendidas em vários países. Como desenhista profissional, atuou anos nas antigas lojas HM - Hermes Macedo. Foi o responsável pela decoração natalina da loja. Neste trabalho Janz foi premiado e reconhecido pela mídia paranaense. Janz também coleciona títulos na categoria shopping e

A inspiração do artista

empresas Conseg. Este ano Raul também foi reconhecido na Revista Náutica Sul, pelo trabalho de reforma de um iate de 80 pés, que está em Florianópolis.

As telas confeccionadas pelo artista estão à venda e podem ser conferidas também no site: flickr.com/photod/raul.janz

Momento eternizado

Texto: Christiane Pinheiro

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gastronomia

A pesca entrou na vida de Larissa

quando ainda era criança

Funcionária pública municipal auxilia o esposo na atividade de representante comercial com a venda de pescados, aumenta a renda familiar e prepara receitas de encher os olhos e dar água na boca

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Marcello Sokal

história da funcionária pública municipal Larrisa Munzfeld Berci com a pesca iniciou quando era criança e morava na cidade de Santos, litoral de São Paulo. Emocionada, ela nos conta que adorava ir pescar com o pai. “O hobby do meu pai era pescar com

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vara e às vezes com a rede, ele ia sempre num local apropriado para a pesca de vara e eu sempre o acompanhava” relembra. A menina cresceu e os pais se mudaram para Santa Catarina em 1992. Foram morar em Balneário Camboriú. Aqui no litoral, Larissa conheceu o esposo, que atuava com o pai como representante comercial, para o Estado, da empresa Leardini Pescados. Larissa, apaixonada pelos frutos do mar, aceitou o desafio e começou a auxiliar o esposo Alexandre nos negócios. Realizou várias viagens com ele para divulgar e vender os produtos. Espontânea e falante, com facilidade conquistava os clientes. Hoje a família se orgulha da atividade, está há 20 anos representando a mesma empresa e se mostra contente. A busca pela praticidade, economia e preço acessível ao consumidor ajuda o trabalho de representação. Atualmente, a família Berci comercializa as mais variadas espécies de pescado, como: salmão, pescada, camarão, bacalhau, pescadinha, merluza, lula, polvo, marisco e cani. A funcionária pública faz questão de destacar que auxilia nos negócios porque quer também incentivar a cultura do consumo de peixe na região. “Itajaí é o maior pólo pesqueiro do Brasil, mas o consumo é muito pouco, as pessoas ainda não se conscientizaram da importância do peixe para a saúde da gente. Eu trabalho também para isso” comenta. Larissa, que hoje atua na Secretaria Municipal da Pesca, e defende o consumo, a iniciativa do caminhão do peixe e o preço acessível para ajudar a criar o hábito do consumo de pescado na população, não ficou só nesta função de comercializar e auxiliar o esposo e sogro: resolveu aguçar o paladar da família e confeccionar receitas saborosas para os almoços e jantas. Ela possui muitas, mas nesta edição da revista, que se dedica à corvina, Larissa preparou dois saborosos pratos. Ensopado Picante de Corvina e Corvina Assada. A equipe de reportagem da revista provou e aprovou. Se você ficou com água na boca, anote a receita e mão na corvina.


CoRVINA ASSADA Marcello Sokal

Ingredientes: 1,2 kg de corvina sal 1 ½ limão 3 cebolas 6 dentes de alho 1 pimentão verde 1 folha de louro Azeite de oliva 10 batatas médias alho em pó colorau Modo de preparo Picar uma cebola e colocar em um refratário antes de ir ao forno. Temperar um dos lados do peixe com sal e sumo de limão. Colocar, com esse lado para baixo, o peixe por cima da cebola e temperar o outro lado. Reservar. Cortar as duas cebolas e os alhos em rodelas, não muito finas e o pimentão em tiras. Refogar em azeite, com o louro, mexendo frequentemente. Quando a cebola estiver cozida, rechear o peixe com esse refogado (o que sobrar pode ser colocado por cima da corvina). Deixar descansar e cortar as batatas em rodelas. Dispor as batatas em volta do peixe, temperar com sal, alho em pó e colorau. Regar tudo com bastante azeite e levar ao forno quente durante aproximadamente 40 minutos (ir controlando as batatas, pois logo que estejam cozidas, o prato estará pronto). Porção para 2 pessoas

Porção para 4 a 6 pessoas

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gastronomia

Ensopado Picante de Corvina Ingredientes

Modo de preparo

pimenta-do-reino moída grosseiramente, a gosto 1 cebola média em pedaços pequenos 3 colheres (sopa) de óleo de soja ½ maço de cebolinha verde picada 4 tomates médios sem pele e sem sementes 1 (2 ½ kg) corvina grande limpa 1 pimenta dedo-de-moça média sal a gosto orégano a gosto um ramo de manjericão

Lave a corvina, corte-a em seis postas e tempere com o sal e a pimenta-do-reino. Lave a pimenta, seque-a com toalha de papel, retire o pedúnculo, abra-a ao meio, elimine as sementes e pique-as em pedaços pequenos. Corte os tomates em pedaços pequenos. Leve ao fogo uma panela com óleo de soja, a cebola, a pimenta dedo-de-moça e o tomate. Refogue mexendo de vez em quando, até o tomate desmanchar. Disponha o peixe, salpique a cebolinha, o sal, a pimenta-do-reino, o orégano, coloque por cima o ramo de manjericão e tampe a panela. Reduza o fogo e cozinhe por 15 minutos ou até o peixe ficar macio. Acerte o sal e retire do fogo.

Porção para 3 a 4 pessoas Marcello Sokal

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não esqueça

Novidade no Sindipi para o associado Associados do Sindipi receberam no mês de março novo espaço reservado à troca de idéias e bate-papo. Tudo regado a um saboroso café O Sindicato das Indústrias da Pesca de Itajaí e Região (Sindipi) faz questão de receber bem o associado. Desde março as conversas, as troca de ideias, os bate-papos, têm endereço certo. Na sede do Sindipi, que fica na rua Lauro Muller, no centro de Itajaí, uma sala no 1º andar foi reservada para o associado. No local, que é climatizado e possui uma vista ímpar para o Rio Itajaí-Açu, o associado pode marcar encontros com outros associados. A intenção da diretoria do Sindipi é abrir ainda mais as portas do sindicato e fazer com que todos se sintam em casa.

mensagem

Pescador Estava ali, o pescador. Sentia e conhecia o vento, Conversava com os peixes; Tinha o oceano, o mar nos olhos. Tinha a alma azul do mar, do céu, E o coração batia como onda; Seu sangue, uma corrente salgada, Carregava ar como se água fosse. Chorava ao voltar para a terra; Sonhava com o mar, com o vento, Um sonho azul, de ar e de água; Sonhava com o lar, com saudade. Um dia ele foi E não voltou mais. E sua alma descansou, feliz, Em paz. Poema de Roberto Amorim 50

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O local serve também para descanso e uma boa leitura. Para tornar o espaço ainda mais aconchegante durante todo o dia, um café fresquinho e biscoitos estão à disposição dos usuários. O bate-papo da esquina, do bar, o encontro casual podem ficar mais tranquilos no espaço do associado do Sindipi. A sala fica aberta de segunda a sexta-feira, em horário comercial. Dúvidas podem ser sanadas através do telefone (47) 3247-6700. Você, caro associado, é convidado especial a conhecer a sede da entidade e usufruir deste espaço que é só seu. O Sindipi espera você!

Foto: Christiane Pinheiro


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Profile for Sindipi da Pesca

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Revista Sindipi Nº 33 - Referente aos meses Maio e Junho de 2009.

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Revista Sindipi Nº 33 - Referente aos meses Maio e Junho de 2009.

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