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sesc | serviço Social do Comércio


SESC | Serviço Social do ComÊrcio Departamento Nacional Rio de Janeiro Junho de 2012


“Antes de tudo, digamos que existe em Tati a definição de uma linguagem. É um dos raros cineastas que inventaram a própria linguagem.” _Olivier Assayas, cineasta e roteirista


SESC | Serviço Social do Comércio Presidência do Conselho Nacional Antonio Oliveira Santos Departamento Nacional Direção-Geral Maron Emile Abi-Abib Divisão Administrativa e Financeira João Carlos Gomes Roldão

Divisão de Planejamento e Desenvolvimento Álvaro de Melo Salmito

Divisão de Programas Sociais Nivaldo da Costa Pereira

Consultoria da Direção-Geral

Juvenal Ferreira Fortes Filho

Mostra Tati por inteiro Gerência de Cultura/DPS Marcia Leite

Assessoria de cinema

Marco aurélio lopes fialho

Coordenação

Brigitte Veyne Nadia Moreno

Curadoria

Cultures France Valérie Mouroux

Produção

Anne-Catherine Louvet, Camille Lebon e Nadia Moreno

Editoração e copiagem CPRTV

Legendagem

4 estações

Embaixada da França no Brasil Embaixador da França no Brasil Yves Saint-Geours

Serviço de Cooperação e Ação Cultural Pierre Colombier

Serviço Audiovisual

Brigitte Veyne, Camille Lebon, Michelle Pistolesi, Gustavo Andreotta e Serge Noukoué

Cinemateca

Catherine Faudry

Produção Editorial Assessoria de Divulgação e Promoção/DG Christiane Caetano

Supervisão Editorial

Fernanda Silveira

Projeto Gráfico

Ana Cristina Pereira (Hannah23)

Tradução do Francês

Hilda Fagundes-Bonnebas Idiomas & Cia

Revisão de Texto

clarisse cintra Márcia Capella

Produção Gráfica

Celso Mendonça

Estagiários

ADONIS NÓBREGA (PRODUÇÃO EDITORIAL) THIAGO OLIVEIRA (DESIGN)

©Fotos: Jour de fête: ©Les Films de Mon Oncle/SPECTA FILMS C.E.P.E.C. Les vacances de Monsieur Hulot: ©Les Films de Mon Oncle/SPECTA FILMS C.E.P.E.C. Mon oncle: ©Les Films de Mon Oncle/SPECTA FILMS C.E.P.E.C. Playtime: ©Les Films de Mon Oncle/SPECTA FILMS C.E.P.E.C. Trafic: ©Les Films de Mon Oncle/Studiocanal Parade: ©Les Films de Mon Oncle/SPECTA FILMS C.E.P.E.C. ©SESC Departamento Nacional Av. Ayrton Senna, 5555 – Jacarepaguá Rio de Janeiro – RJ CEP 22775-004 Tel.: (21) 2136-5555 www.sesc.com.br Impresso em junho de 2012. Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/2/1998. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida sem autorização prévia por escrito do SESC Departamento Nacional, sejam quais forem os meios e mídias empregados: eletrônicos, impressos, mecânicos, fotográficos, gravação ou quaisquer outros.


R

ememorando o sucesso da Mostra de Cinema Francês Contemporâneo em 2009, por ocasião do ano da França no Brasil, o SESC celebra novamente a cultura francesa

por meio da Mostra Tati por inteiro, prestigiando um dos mais ilus-

tres artistas cômicos não só da França, mas de todo o mundo, o cineasta Jacques Tati. O incentivo às diversas manifestações culturais é uma função permanente do SESC, e em se tratando de cinema, a entidade privilegia conteúdos capazes de estimular a profusão intelectual e reflexiva do público brasileiro, sendo capaz de alcançar plateias inesperadas e ávidas pelo alimento democrático e lúdico que é o cinema. Apoiar a obra de Jacques Tati, com sua personalidade incomparável e suas interpretações memoráveis, se converte em uma profunda satisfação para o SESC, além de representar mais um passo para o reconhecimento do trabalho do cineasta entre o povo brasileiro, cruzando as fronteiras deste país provocando sorrisos e, ao mesmo tempo, reflexão.

Antonio Oliveira Santos Presidente do Conselho Nacional do SESC


J

acques Tati é considerado pela crítica especializada como um dos comediantes mais originais do cinema, contudo é desconhecido de grande parte do público brasileiro. Em-

bora atendesse a diversas faixas de público, sua obra ficou restrita aos grandes centros urbanos, e em raras iniciativas dos chamados “circuitos de arte”. O SESC, em parceria com a Embaixada da França e Cultures France, promove a Mostra Tati por inteiro em âmbito nacional e propicia o acesso ao conjunto da obra desse importante cineasta, que com refinada graça e leveza se propôs a discutir o homem e a sociedade moderna. Para o SESC, que tem como compromisso contribuir com processos de transformação social, realizar essa mostra representa oportunizar, também, a reflexão e o debate sobre a obra de Jacques Tati e sobre o mundo em que vivemos.

Maron Emile Abi-Abib Diretor-Geral do Departamento Nacional do SESC


O

ano da França no Brasil passou, mas as sementes plantadas continuam germinando! O SESC foi um grande parceiro daquele ano inesquecível. Com o SESC organizamos em 2009 uma Mostra de Cinema Francês

Contemporâneo que circulou em 231 dos seus centros de difusão audiovisual em todo o país. Devido ao sucesso desse evento, decidimos continuar com esse formato e organizar, em parceria com a Cultures France, uma retrospectiva de filmes de Jacques Tati, para permitir que o público brasileiro conheça a obra genial e única desse cineasta francês. Todos os longas-metragens de Jacques Tati, assim como os curtas-metragens, estão disponibilizados nesses centros de difusão audiovisual do SESC e apresentados em um formato de mostra em DVD, a partir da restauração das obras do cineasta, realizada pela Fundação Gan e Technicolor. O SESC é uma das únicas redes culturais brasileiras com tanta capilaridade no país. Sabemos que, graças a ele, chegaremos a lugares aonde nunca chegou Tati e, provavelmente, aonde quase nunca chegou um filme francês. Não devemos esquecer que o Brasil tem ainda uma rede limitada de salas de cinema, e esses circuitos de difusão em DVD representam uma oportunidade para que as nossas obras cheguem ao coração do país. Assim, acompanhamos a missão do SESC, que é espalhar propostas artísticas da máxima qualidade em todo o país. Ao contrário dos artistas envolvidos na Mostra do Cinema Francês Contemporâneo, Jacques Tati é um cineasta já falecido, mas sua obra continua sendo atual na sua estética, em seu sentido da graça e na sua mensagem sobre o nosso mundo moderno. Jacques Tati agrada a todos: crianças e adultos, sua mensagem é universal e inspiradora. Espero que vocês também curtam a Mostra Tati por inteiro. Yves Saint-Geours Embaixador da França no Brasil


Agradecimentos da Embaixada da França no Brasil Yves Bergougnoux, Annie Cambe, Jérôme Deschamps (Les Films de Mon Oncle), Larris DUBOIS-FLAVIEN (INA), Gilles Duval, (Fondation Groupama Gan pour le Cinéma), Philippe Gigot (Les Films de Mon Oncle), Nathalie Haurie (INA), Pamela Leu (Films Distribution), Macha Makeieff (Les Films de Mon Oncle), Dimitry Ovtchinnikoff (Consulado da França), Thomas Sparfel, Séverine Waemere (Fondation Technicolor).


Segundo alguns críticos de cinema, Tati queria expressar que a “cultura da vida moderna” levava à anulação da personalidade em um mundo cada vez mais mecanizado. Sem dúvida Tati foi um crítico dos costumes e focou seu discurso em enfatizar a maneira como a modernidade se refletiu no comportamento humano. Mas Jacques Tati foi mais que um crítico, ele foi um grande artista. A cenografia, o posicionamento em cena, a caracterização, a expressão corporal dos personagens e os efeitos sonoros, assim como o uso do contraste entre o preto e o branco e as cores, são elementos meticulosamente explorados por ele. Tati pouco utilizava a palavra em seus filmes. Criou muitas cenas em que a fala é apenas mais um elemento de composição gestual e as palavras proferidas pelos personagens nem chegam a ser entendidas pelo espectador, mas isso não significa qualquer menosprezo ao diálogo e ao próprio som do filme. Ao contrário, Tati valorizou o som e o utilizou com grande maestria para enfatizar situações, provocar comicidade ou dar sentido aos recursos cenográficos da cena. Ele brinca com as cores e com a mescla entre cores e preto e branco.

Carrossel da esperança (Jour de fête, 1949) e em Curso noturno (Cours du soir, 1967), sua brincadeira chega a ser radical, ao inserir sequências de Escola dos carteiros (1947) nos diferentes Em

enredos de modo orgânico, mantendo a construção lógica das histórias para o espectador. Além de sua atuação como mímico e como ator, seu legado como diretor demonstra que, além do cuidado com o detalhe da construção de seus filmes, ele experimentava e ousava, como só um grande gênio é capaz de fazer.


Em As férias do sr. Hulot (Le vacances de Monsieur Hulot, 1953), a função do carteiro François é transferida para o personagem sr. Hulot. Os dois podem ser lidos como personificações da inocência, da simplicidade, que está sempre como um contraponto aos costumes cada vez mais sofisticados, padronizados, às vezes mecanizados, ao mesmo tempo em que podem ser lidos como “o desajeitado”, “o desajustado”, como aquele que não se enquadra, que vai sendo “empurrado” de situação em situação, sem ter o domínio de nada. Tati parece brincar com a estrutura da narrativa clássica quando conduz constantemente o personagem central de um lado para outro, por uma infinidade de personagens que cruzam a história, construindo-a como uma colcha de retalhos, em que o fim é esvaziado do peso significante de conclusão de um discurso. Tati faz isso com tanta habilidade que o espectador se dá por satisfeito com aquele fim não conclusivo, saindo com a saciedade de um final e ao mesmo tempo com a sensação de que a história pode perfeitamente continuar dali. É como se ele estivesse querendo dizer que a vida é uma cadeia de eventos que vão acontecendo sucessivamente, sem nunca cessar. Certamente Tati queria dizer muitas coisas e é por isso que, a cada vez que assistimos a um de seus filmes, descobrimos outras camadas de informação. É por esse seu domínio artístico que sua obra agradou a todos os públicos e se tornou universal.

Nadia Moreno Assessora de Cinema


“Tati era um maníaco por cinza, pelo verdadeiro cinza. Quando a gente filmou a famosa cena das claraboias que transformam a casa em rosto à noite, em Nice, foi uma noite inteira. No dia seguinte, a gente olhou os copiões e ele ficou furioso: era cinza-azul, enfim, noite americana. Ele discutiu com Bourgoin, que lhe disse que era a pintura da parede que produzia esse efeito. Tati mandou pintar a parede inteira de novo! Em seguida, pediu os potes de tinta do primeiro cinza, e era cinza misturado com azul. Mandou repintar tudo, com um cinza misturado com preto…” _Sylvette Baudrot, continuísta de As férias do sr. Hulot, Meu tio e Tempo de diversão


Tati por...

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Quem foi Jacques Tati?

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Longas-metragens

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Carrossel da esperança

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As férias do sr. Hulot

42

Meu tio

46

Tempo de diversão

50

As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco

56

Parada

60

Curtas-metragens Cuida da tua esquerda!/Escola dos carteiros/Curso noturno

66

documentário Tati: seguindo os passos do sr. Hulot

70

Filmografia

76

Referências

79

anexo Por trás de As ferias do sr. Hulot

Sumário

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“Se a gente olhar o percurso de Tati com relação aos outros cineastas, ele é atípico, está próximo do burlesco, pois começou pelo palco, onde fazia apresentações que já eram abstratas.” _Michel Gondry, cineasta francês


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Macha Makeïeff, diretora de cinema Com Tati o poético é alegre, a melancolia é underground. Seu cinema apresenta uma manifestação da felicidade pela vida rural, pelo furtivo e pela elasticidade, além da exaltação ao espírito da infância, da falta de jeito e da mudança; a aversão ao tédio, ao espírito de seriedade e às convenções sociais. Temos como exemplo o próprio Hulot, que ao olhar para a vida a vê como uma ficção; a modernidade, um parque de diversões; e o destino, uma festa popular. Um delírio. Seu cinema é a extensão de um cenário do music hall, onde ele foi a estrela de Impressions Sportives. Ali, como os grandes cômicos, ele experimentou de tudo: a pantomima, a gag; a precisão e o minimalismo; a ilusão. Tati nos transporta delicadamente, e em desequilíbrio, pelos caminhos do inesperado.

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Serge Toubiana, diretor da Cinemateca Francesa

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Jacques Tati fez poucos filmes: seis longas e três curtas-metra-

Em seus seis filmes, Tati percebeu algo essencial: a passagem do

gens em mais de quarenta anos. No entanto, não parou de tra-

tempo, o mundo em evolução, da vida rural à cidade moderna

balhar, guiado pela obsessão de inventar, de desenhar, de dirigir

e futurista de Tempo de diversão. Nesse mundo em transforma-

gags. Tati era um cineasta burlesco ao estilo de Keaton, Laurel e

ção surge uma figura, um homem alto, quase como se fosse fei-

Hardy ou Sennett Mack, a quem admirava.

to de borracha tal é sua aparência estranha e desconfortável: sr.

O que vemos nos filmes de Tati? A festa (Carrossel da esperan-

Hulot. Ele chega como se tivesse saído de um desenho esboçado

ça, seu primeiro filme), as férias (As férias do sr. Hulot), uma fa-

por Tati como uma cópia de si mesmo (Tati também era muito

mília com um tio muito incomum (Meu tio), acontecimentos

alto) para encarnar a confusão, o humor, a mudança resultante

excêntricos em um mundo futurista, mas que já está aí (Tempo

do confronto com o mundo moderno feito de objetos incomuns

de diversão). Na tela, o mundo se mostra sempre à beira do caos,

e às vezes inúteis, que só servem para decorar ou sobrecarregar

enquanto, nos bastidores, Tati trabalha como um louco. Esse

a natureza. Tati era um cineasta burlesco; Tati era um filósofo.

homem trabalhou toda a vida para nos fazer rir e aproveitar a

A bicicleta do carteiro é substituída pelos carros que correm sem

vida simples. Obrigado, Tati! Devemos a você todas essas horas

parar em torno de uma praça circular, porque o mundo perdeu

de prazer e alegria em um mundo reinventado na forma de um

sua direção. Esse trabalho é genial, generoso e universal. Jacques

parque de diversões.

Tati é o tio que todos nós gostaríamos de ter.


Stéphane Goudet, diretor do cinema Méliès e crítico da revista Positif É impossível resumir uma obra tão singular como a de Jacques

Gloriosos e a ameaça de desumanização, que se contrapõem a ob-

Tati. No entanto, se fosse preciso medir sua contribuição para a

sessão de parecer rico, o triunfo do estilo internacional de arquite-

história da sétima arte, talvez pudéssemos oferecer cinco ideias

tura e o invasivo automóvel. Tati só se interessou pelo som quando

em torno das quais gira o cinema de Tati, especialmente Tempo de

compreendeu que o diálogo devia, segundo a fórmula esclarece-

diversão, que ele designou como sua “obra-prima”, a mais ousada e

dora de Georges Sadoul, ser considerado como “um ruído entre

que, segundo ele, “seria para sempre o (seu) último filme”.

outros”. Desde então, aparecem todos os ruídos do cotidiano que

Desde Carrossel da esperança, seu primeiro longa-metragem, Tati é

são capazes de provocar um sorriso, e ainda que sejam poucos, são

conhecido por seu senso de observação, que dá ao filme a dimen-

ao mesmo tempo precisos e surpreendentes.

são de crônica da vida rural, após o período da Libertação. Essa

O campo amplo, a rejeição de uma onipresença da cor, a rejeição

olhar cômico sobre o cotidiano distingue Tati dos seus anteces-

da narrativa clássica centrada em um personagem único com o

sores ao utilizar mais facilmente gags baseadas em códigos e con-

qual imediatamente nos identificaríamos; todas as escolhas de Tati

venções, inscritas no limite do fantástico. São raros os cineastas

convergem para uma grande ideia: jamais transformar nenhuma

que, em tão poucos filmes, testemunharam com a mesma força e

gag; criar uma obra aberta, baseada na liberdade do espectador,

propriedade as principais evoluções da identidade francesa duran-

na sua inteligência e sensibilidade. Portanto, todos os seus filmes

te mais de 25 anos. Tati filma sucessivamente a França rural que

exigem de cada um o mesmo senso de observação e a mesma ima-

se pensou eterna (Carrossel da esperança), o país das férias curtas

ginação que foram a base dos projetos. A exigência é às vezes a

(As férias do sr. Hulot), a modernização característica dos Trinta

mais bela forma de generosidade.

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Anexo

Por trás de As férias do sr. Hulot Fotos da gravação de As férias do sr. Hulot.

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Depois de pesquisar várias locações para rodar As férias do sr. Hulot, Tati finalmente escolheu Saint-Marc-sur-Mer, um pequeno balneário da costa do Atlântico. Tati trabalhou com Jacques Lagrange no cenário, na pintura e na decoração, a fim de que todo o cenário fosse projetado de acordo com suas ideias. Assim, várias fachadas de casas e, notavelmente, a do Hotel de La Plage, os quiosques, as cabines, tudo foi reconstruído. Todas as fachadas permaneceram no local durante um ano.


Descrição dos acessórios do carro do sr. Hulot e os modelos utilizados.

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Tati também realizou diversas pesquisas no desenvolvimento do carro customizado do sr. Hulot, juntamente com Pierre Aubent, assistente de direção, e Jacques Lagrange.


Rascunho de Jacques Lagrange.

A cena da canoa na terceira versão do filme lançada em 1978, com a inserção da cena do pânico na praia, na volta a Saint-Marc-sur-Mer.

A premiada cena da canoa de 1953. 27

Em 1962 e novamente em 1978, Tati trabalhou em novas versões para seus filmes. Depois de assistir ao filme Tubarão, de Steven Spielberg, ele decidiu filmar mais imagens em Saint-Marc-sur-Mer, mudando o fim da famosa cena da canoa de 1951-1952. Assim, ele continuou em seu processo criativo de reconstruir seu personagem por mais de 25 anos.


“Tati estava sempre querendo fazer coisas novas, evoluindo. Era dotado de um pensamento de inventor. Ensaiava como no circo, para melhorar sempre. Ele vivia assim.” _Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada


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Quem foi Jacques Tati?


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acques Tati, cujo nome completo era Jacques Tatischeff, nasceu em 9 de outubro de 1907 em Pecq (uma cidade semirrural da França). Seu pai, de origem russa, assumiu o comércio de molduragem de seu padrasto,

Van Hoof, famoso por ter recusado de Van Gogh três telas em pagamento de suas molduras. O “pequeno” Jacques estava naturalmente destinado a sucedê-lo. Apaixonado por rugby, Tati se inscreveu em 1928, após cumprir o serviço militar, no Racing Club de France, passando a jogar no time de Alfred Sauvy (futuro economista e demógrafo). Foi quando improvisou suas primeiras pantomimas cômicas e apresentou seu show no campeonato anual do Racing, de 1930 a 1934, que mais tarde passou a se chamar Impressions Sportives, apresentado no Teatro Michel (1935). Sua grande chance aconteceu no baile de gala organizado em 1934 para celebrar o prêmio Ruban Bleu do navio Normandie. Maurice Chevalier e Mistinguett estavam em cartaz, mas, naquela noite, Tati foi a estrela. O diretor da ABC ofereceu-lhe o palco. Colette escreveu: “Eu acredito que nenhuma festa e nenhum espetáculo de arte e acrobacia poderão se privar desse artista incrível que inventou um estilo. Alguma coisa entre o esporte, a dança e a sátira. Ele inventou colocar juntos o jogador, a bola e a raquete; a bola e o goleiro; o pugilista e seu oponente; a bicicleta e seu ciclista.” Apesar da oposição de seu pai, ele partiu em 1936 em uma turnê com Marie Dubas e o elenco da ABC, apontado como “revelação do ano”. Levando Impressions Sportives por toda a Europa até o início da guerra, ele começou no cinema em 1932, escrevendo e interpretando Oscar, campeão de tênis, filme que não foi finalizado por

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falta de recursos. Em seguida, Tati filmou com o pequeno e irritadiço palhaço Rhum, sua antítese perfeita. On demande une brute (1934), escrito com Sauvy; Gai dimanche (1935), escrito por Rhum e Tati; e Soigne ton gauche (1936), dirigido por René Clément e produzido por Fred Orain, foram o prenúncio da obra que viria a seguir. Após se desligar do exército em 1943, Tati se mudou para a zona livre, perto da aldeia de Sainte-Sévère-sur-Indre, com seu amigo Henri Marquet. Lá eles escrevem o roteiro de Escola

de car-

teiros (1947), quando René Clément, preso pela filmagem de La bataille du rail, deixa a direção para Tati. O filme foi um sucesso, sendo premiado com o Max Linder, em 1949. Em maio de 1947, Tati começou a filmar seu primeiro longa32

metragem, uma extensão e transformação de Escola de carteiros:

Carrossel da esperança, que só começa a ser distribuído em 1949, mas logo é um sucesso. Em Paris, Londres, Nova York¸ em todos os lugares celebra-se a aparição não só de um mímico, mas também de uma nova forma de cinema burlesco. Insensível às diversas propostas, Tati se recusou a continuar as aventuras do carteiro François. Tati o considerava muito francês, mas principalmente desejava seguir um caminho próprio, com um rigor e uma teimosia que compartilha com alguns poucos cineastas franceses do período, com exceção de Robert Bresson.


Tati escreveu o roteiro de As

férias do sr. Hulot com

Henri Marquet e o pintor Jacques Lagrange, com quem trabalhou até o fim da vida. O filme produzido por Fred Orain foi rodado em 1952 em Saint-Marc-sur-Mer, perto de Saint-Nazaire. Um grande sucesso de público e crítica desde o lançamento em 1953, As férias do sr. Hulot foi premiado com o Louis Delluc, sendo selecionado também em Cannes, Bruxelas, Berlim, Nova York, Argélia, Suécia, Cuba, e indicado ao Oscar em 1955. Assim,

Meu tio contou com um financiamento mais confortá-

vel e, finalmente, foi filmado em cores em duas versões: francesa e norte-americana (My uncle). Nesse filme, Tati desenvolveu um olhar crítico sobre a evolução da sociedade, que estava apenas implícito nos filmes anteriores. Meu tio recebeu o Prêmio Especial do Júri em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1959, consagrando Tati em todo o mundo. Tati pôde, então, empreender seu mais ambicioso filme, Tempo

de

diversão, rodado de outubro de 1965 a outubro de 1967, e que representou um empreendimento enorme para o cinema francês: depois de se recusar a filmar nos Estados Unidos, durante seis meses Tati construiu um cenário enorme de 15.000 m2 feito em concreto, vidro e aço, perto de Vincennes. Decidiu filmar em 70 mm com som estereofônico em seis faixas magnéticas. O orçamento inicial foi totalmente extrapolado e o filme acabou sendo um fracasso comercial em seu lançamento. Tati teve de liquidar sua produtora Specta Films, perdendo com isso os direitos sobre seus filmes. Toda aquela cidade, a qual Tati sonhou que se tornaria um Cinecittà fran-

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cês, foi finalmente destruída, apesar de seus pedidos a André Malraux, então ministro da cultura. Desolado, em 1968, Tati passou a dirigir comerciais. Mas, em 1971, Tati concordou em gravar para uma produtora holandesa As

aventuras do sr. Hulot no trânsito

louco, uma continuação das aventuras do sr. Hulot, e, em 1974, Tati trabalhou em seu último filme: Parada, encomendado pela televisão sueca. Em 1977, Jacques Tati recebeu o Cesar francês pelo conjunto de sua obra. Na ocasião, ele falou apaixonadamente em defesa dos jovens diretores e da produção de curtas-metragens. A convite de Gilbert Trigano, ele gravou um documentário sobre a final da Copa de futebol da Europa de 1978, disputada por Bastia e Eindhoven, o qual sua filha Sophie Tatischeff finalizou em 2000 sob o 34

título de Forza Bastia. Em 1982, Tati representou a França em uma homenagem prestada pelo Festival de Cannes aos dez maiores produtores do mundo. Em novembro daquele mesmo ano, morreu de pneumonia, deixando inacabados os projetos de Confusion, roteiro que havia concluído recentemente com Jacques Lagrange, e L’Illusionniste.


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“A beleza plástica que ele alcançou em Tempo de diversão é um dos pontos altos da história do cinema, algo que é ao mesmo tempo habitado por esse terror diante da desumanização do mundo. A curva que vai de Carrossel da esperança a Tempo de diversão é a mesma que vai do mundo antigo ao mundo moderno. Ele documenta o que observa no dia a dia, no modo pelo qual a sociedade se transforma; as relações humanas se transformam, a arquitetura se transforma. E o mundo se tornou outra coisa, ao mesmo tempo fascinante e não desejável.” _Olivier Assayas, cineasta e roteirista


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Carrossel da esperança, 1949 (Jour de fête) Quando o carteiro François assiste à projeção de um documentário sobre o correio na América durante uma sessão de cinema ambulante na praça da vila, ele compreende imediatamente que se a correspondência não está chegando rapidamente a Sainte-Sévère (ou melhor, Follainville), é porque foram negligenciados os “métodos americanos”! Mas François vai cuidar disso. Montado em sua bicicleta velha, ele dispara para o campo, ultrapassa as carroças de feno, Versão em francês em cores, restaurado em 1995 legendas em português 77 min som mono

desvia de uma vaca na esquina, mas encontra um poste resistente, um bode ignorante, uma abelha irritante e um terrível número de copos de vinho branco que atrapalham sua demonstração. Pior para os moradores, que receberão sua correspondência como sempre: atrasada.

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Tati respeitava muito a opinião de sua mãe, tanto que “É como se houvesse na obra de Tati uma espécie

declarou certa vez: “Foi gra-

de arco que começaria em Carrossel da esperança

ças a ela que eu pude fazer

e terminaria em Tempo de diversão. Com o primeiro estamos mais próximos do burlesco, das origens do cinema de Tati, quando ele avança progressivamente

ela, eu teria continuado a fa-

e vai se descobrindo, se aventurando cada vez mais

zer o meu espetáculo de tea-

longe. É o momento de inocência do cinema de Tati.

tro de revista. Ganhava bem,

É o mundo de Carrossel da esperança que vai ser

era livre, tinha mulheres, tudo

progressivamente tomado por uma modernização, que vai se apagar progressivamente. De certa maneira, quando Tati fez Carrossel da esperança ele já estava 40

Carrossel da esperança. Sem

o que eu queria ao alcance da mão.”

sentindo essa melancolia. Ele percebe que com os novos métodos de transporte postal algo muito poderoso está vindo dos Estados Unidos que vai mexer com a tranquilidade, a paz, o equilíbrio de uma vida meio estagnada como a da França do pós-guerra. Apesar de tudo, há muita beleza naquela inocência. Há algo de comovente e, de certa forma, é talvez em Carrossel da esperança que o lado humano está mais preservado.” Olivier Assayas, cineasta e roteirista

“A direção de atores de Tati era muito especial porque ele fazia mímica de todos os papéis.” Michel Gondry, cineasta francês

Entrevista com Michel Gondry


Ficha técnica Elenco_Jacques Tati (François), Guy Decomble (Roger), Paul Frankeur (Marcel), Santa Relli (esposa de Roger), Maine Vallee (Jeannette), Roger Rafal (o cabeleireiro), Jacques Beauvais (o cafeicultor), Delcassan (a fofoqueira), Vali, Robert Balbo, Andre Pierdel (vários personagens) e os moradores de Sainte-Sévère Direção_Jacques Tati Roteiro_ Jacques Tati e Henri Marquet, com a colaboração de Rene Wheeler Diálogos_ Jacques Tati, Henri Marquet Plano de filmagem_ Jacques Mercanton Fotografia_ Marcel Franchi, com Nicholas Citovitch e Roger Moride e colaboração técnica de Jacques Cottin e Andre Pierdel Montagem_ Marcel Moreau Música_ Jean Yatove Figurino_Jacques Cottin Cenografia_ Rene Moulaert Prêmios_Melhor roteiro, Festival de Cinema de Veneza 1949, Grand Prix do cinema francês de 1953

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As férias do sr. Hulot, 1953 (Les vacances de Monsieur Hulot) 43

Todo mundo sabe que as férias não são feitas para se divertir. Todo mundo sabe, exceto o sr. Hulot, que, cachimbo para o alto e rosto ao vento, leva a vida como ela vem, dirigindo seu velho e barulhento Salmson e perturbando escandalosamente a tranquilidade dos veranistas que se instalam com seus hábitos urbanos em uma Versão em francês P&B legendas em português 74 min som mono

pequena estação balneária na costa do Atlântico. Sr. Hulot caminha languidamente pelo balneário, maravilhado com os castelos de areia. De súbito, toda essa languidez explode em risos.


“Foi por isso que ele adicionou, em 1978, o projeto do tubarão em As férias do sr. Hulot, inspirado pela descoberta do filme Tubarão, de Spielberg.” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada

“O maravilhoso no cinema de Tati é que os personagens são extremamente verdadeiros. Quer dizer, tudo aquilo que vemos em Tati, temos a impressão de já ter visto na vida. Mas é mostrado com tamanha exatidão, 44

com tamanha precisão, que, de repente, uma coisa da vida, da nossa vida cotidiana, que vemos todos os dias, é isolada e surge ao mesmo tempo como infinitamente verdadeira e infinitamente engraçada.” Olivier Assayas, cineasta e roteirista

Neste filme, Tati deu vida ao sr. Hulot e começou a imprimir um estilo particular de trabalhar os sons, marcando-os de modo inesquecível para o público. Foi o que aconteceu com o ranger das portas da sala de jantar do hotel, em As férias do sr. Hulot; da fonte, em Meu tio; e dos sapatos, em Tempo de diversão.


Ficha técnica Elenco_Jacques Tati (s r. Hulot), Nathalie Pascaud (Martine), Micheline Rolla (tia), Valentim Camax (a senhora inglesa), Louis Perrault (Fred), André Dubois (comandante), Lucem Frégis (gerente do hotel), Raymond Carl (garçom), René Lacourt (transeunte), Marguerite Gérard (transeunte), Suzy Willy (esposa do comandante), Michelle Brabo (veranista), Georges Adlin (amante latino), Sr. Schmutz (empresário) é interpretado pelo marido de Nathalie Pascaud, sem créditos. Roteiro original, adaptação e diálogos_Jacques Tati e Henri Marquet, com a colaboração de Pierre Aubert e Jacques Lagrange Imagens_Jacques Mercanton e Jean Mousselle Fotografia_Pierre Ancrenaz e A. Villard, com apoio de Chevallier Fabien Tordjmann e André Marquette Montagem_Jacques Grassi, Ginou Bretoneiche e Suzanne Baron Música_Alain Romains Som_Roger Cosson Gravação de som_Jacques Carrère Cenografia_Henri Schmitt e Roger Briaucourt Figurino_Pierre Clauzel e André Pierdel Produção_Fred Orain e Cady Films — gerenciamento de Bernard Maurice Prêmios_Louis Delluc 1953/Prêmio da crítica Internacional, Festival de Cannes 1953.

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Meu tio, 1954

(Mon oncle)

O sr. e a sra. Arpel têm uma casa incrivelmente funcional em um bairro muito bem localizado. Infelizmente, a sra. Arpel também tem um irmão, o sr. Hulot, que a impede não menos incrivelmente de progredir. Hulot, por outro lado, tem um excessivo amor pelos cães, de preferência de rua. Isso não seria muito grave se o filho dos Arpel, Gerard, não tivesse uma tendência a imitar o tio, demonstrando, Versão em francês em cores legendas em português 110 min som mono

como ele, uma clara aversão às belezas industriais. Por fim, o sr. Arpel, com ciúmes, consegue afastar Hulot, após tentativas frustradas de fazê-lo ser contratado em sua fábrica ou se casar com sua vizinha esnobe.

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“Mesmo que ele nunca tenha me dito, eu acho que o personagem de Madame Arpel em Meu tio, que é uma caricatura da dona de casa, era a mãe de Tati exagerada.” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada

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Sátira à modernidade vigente na Paris dos anos 1950, Meu tio é uma crítica contundente ao excesso de preocupação com bens materiais revelada no consumismo típico do sistema capitalista em ascensão na sociedade do póssegunda guerra. Sua estreia mundial aconteceu em 1958, no XI Festival de Cannes, quando recebeu o Prêmio Especial do Júri. Meu tio também foi vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1959.


Ficha técnica Elenco_Jacques Tati (sr. Hulot), Jean-Pierre Zola (sr. Arpel), Adrienne Servantie (sra. Arpel), Alain Becourt (Gérard Arpel), Lucien Fregis (sr. Pichard), Dominique Marie (vizinha), Betty Schneider (filha do porteiro), Jean-François Martial (Walter), Yvonne Arnaud (empregada), Adelaide Danieli (sra. Pichard), Regis Fontenay (vendedor de suspensórios), Claude Badolle (catador), Max Martel (bêbado), Nicolas Bataille (operário), Andre Dino (varredor), Denise Peronne (srta. Février), Michel Goyot (vendedor de carros), Francomme (pintor), Dominique Derly (secretária dos Arpel), Claire Rocca (amiga do sr. Arpel), Jean Remoleux (cliente da fábrica), Mancini (comerciante italiano), Marguerite Grillieres (vizinha) e os moradores da velha Saint-Maur-des-Fossés Roteiro original_Jacques Tati com a colaboração artística de Jacques Lagrange e Jean L’Hote Assistentes de direção_Henri Marquet e Pierre Etaix Imagens_Jean Bourgoin (Eastman color) Montagem_Suzanne Baron Música_Frank Barcellini e Alain Romain Cenografia_Henri Schmitt Produtor executivo_Louis Dolivet Produtor associado_Alain Terouanne Diretor de produção_Bernard Maurice Consultor do filme_Fred Orain Produção_Specta Films, Gray films, Alter Films, Cady Films, Film del Centauro Prêmios_Grande Prêmio do Júri em Cannes, 1958/ Medalha de Ouro da Federazione Italiana del Circolo del Cinema/Diploma de Honra da Rosena Mundial dos Festivais Cinematográficos, México/Prêmio Méliès da Associação Francesa de Crítica de Cinema/Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro de 1958 pela Associação dos Críticos de Nova York/Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1959/Festival do Rio de Janeiro/ Palma de Ouro para o filme e para Jacques Tati pela atuação/ Kunnikirja Award, Finlândia, 1958/Prêmio de Melhor Filme Estrangeiro de 1958 projetado na Espanha.

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Tempo de diversão, 1967

(Playtime)

“Na era da Economic Airlines um grupo de mulheres norte-americanas organiza uma viagem turística. O programa inclui uma capital por dia. Chegando a Paris, elas notam que o aeroporto é exatamente o mesmo que tinham acabado de deixar em Roma, as estradas são as mesmas de Hamburgo e a iluminação pública é estranhamente semelhante à de Nova York. O cenário não mudou de uma cidade Versão em francês

para outra. Elas se movem nesse cenário internacional que é real, eu não o inventei.

em cores

Aos poucos, encontram franceses. Um pouco de calor humano é criado, o que lhes

legendas em português

permite, na falta de estar em um ambiente ‘parisiense’, passar 24 horas com nativos,

114 min Som Dolby SR – Dolby digital e DTS

entre eles, o sr. Hulot” (Jacques Tati).

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“Sabe o que Tati dizia quando lhe perguntavam: ‘Quanto custou o filme?’ Ele respondia: ‘Alguém sabia quanto custavam os livros na época de Shakespeare?’ Para se justificar, ele dizia também que o cenário não custava mais caro do que a média do cachê de Sophia Loren (quem, aliás, ele conheceu), e que ele tinha garantido a sobrevivência de famílias inteiras durante anos, e isso era verdade.”

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“Tati ficou muito abalado com a destruição do cenário de Tempo de diversão. Pensava, um pouco ingenuamente, que era inconcebível que o demolissem. Acreditava ser possível fazer dele o estúdio mais moderno e fabuloso do mundo! Ele dizia: ‘Poderíamos fazer lá uma formidável comédia musical.’ Havia ruas, semáforos tricolores. Poderíamos colocar alguma maquete atrás e, se quiséssemos, criar um cenário à antiga. Tudo era possível! Além disso, havia no local uma diversidade de duchas, vestiários, restaurantes. Era ideal para um platô de filmagem. Podíamos receber artistas, havia tendas para isso, para a produção.” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada


“Ele procurava desesperadamente encontrar um jeito de fazer o filme funcionar. Foi ele mesmo quem decidiu os cortes. Havia tantos compromissos financeiros, que Tati foi obrigado a procurar soluções. Eu também lembro que, depois dos cortes, o filme não tinha mais o mesmo efeito!” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada

“Tati tinha isso, ele aumentava os detalhes. Há pessoas que dizem que não se pode ver Tempo de diversão em tela pequena porque não se compreende a metade do que se passa e, na maior parte do tempo, o importante é o que se passa ao fundo e em tamanho pequenininho.” Michel Gondry, cineasta francês

A mais cara produção francesa da época, segundo historiadores do cinema, Tempo de diversão levou Tati à falência. Naquele cenário, o diretor praticamente construiu uma cidade, com restaurantes, farmácia, prédios comerciais e um aeroporto.

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“Como os pilares metálicos do cenário corriam o risco de refletir a luz dos projetores, Tati mandou fotografá-los, ampliar as fotos e colá-las no cenário. Tudo estava cheio de fotos, inclusive fotos de figurantes. Teria ficado caro demais manter os figurantes durante dois ou três dias! Então ele os chamava, colocava-os na posição, a gente fazia as fotos, ampliava em tamanho natural, colava em papel e depois em compensado. Daí o ar estático de certos planos. As pessoas não se mexem, mesmo nos escritórios, já que são fotos recortadas. Havia também uma questão de ‘leveza’. A partir do momento em que Tati não queria que eles se mexessem, era inútil trabalhar com seres de carne e osso. Fazê-los ficar tanto tempo no mesmo lugar para quê? As fotos têm muito mais paciência do 54

que os homens.” Sylvette Baudrot, continuista de As férias do sr. Hulot, Meu tio e Tempo de diversão

Tempo de diversão foi filmado em 70 mm, um formato épico, que abrange as maiores telas disponíveis com o máximo de detalhes imagináveis: com grandes e longos planos; sem close-ups, sem planos de reação.


Ficha técnica Elenco_Jacques Tati (sr. Hulot), Barbara Dennek (jovem estrangeira), Jacqueline Lecomte (amiga da jovem estrangeira), Valerie Camille (secretária do sr. Lacs), France Rumilly (vendedora de óculos), France Delahalle (cliente), Laure Paillette e Colette Proust (duas senhoras no poste), Erika Dentzler (sra. Giffard), Yvette Ducreux (jovem do vestiário), Rita Maiden (a mulher do sr. Schultz), Nicole Ray (cantora), Jacques Gauthier (guia), Henri Piccoli (homem importante), Leon Doyen (porteiro), Georges Montant (sr. Giffard, chefe de departamento),John Abbey (sr. Lacs), Yves Barsacq (amigo), Tony Andal (caçador do Royal Garden), Andre Fouche (gerente do Royal Garden), Georges Faye (arquiteto), Michel Francini (primeiro mordomo), Billy Kearns (sr. Schutz) Roteiro_Jacques Tati, com a colaboração artística de Jacques Lagrange Diálogos em inglês_Art Buchwald Diretor de fotografia_Jean Badal (70 mm Eastman color) e Andreas Winding Imagens_Paul Rodier com Marcel Franchi Assistentes de direção_Henri Marquet, Jean Lefebvre e Nicolas Ribowski Cenografia_Eugene Roman Som_Jacques Maumont Música_Francis Lemarque Temas africanos_James Campbell Tema Take my hand_David Stein Figurino_Jacques Cottin Maquiagem_Serge Groffe Cabelo_Janou Pottier Montagem_Gerard Pollicand Assistente de edição_Denise Giton, Sophie Tatischeff e Jean-François Galland Diretor de produção_Maurice Bernard Produtor associado_RNE Silvera Produção_Specta Films Restauração_dirigida por François Ede para apresentação no Festival de Cinema de Cannes 2002. Restauração fotoquímica_Jean-René Failliot (Arane/Gulliver) Supervisão de restauração digital_Pascal Laurent Prêmios_Grande Prêmio da Academia de Cinema de Paris, 1968 / Medalha de Prata, no Festival de Moscou, 1969 / Festival de Filmes de Viena, 1969 / Oscar do cinema sueco, 1969 / Kunniarkirja Award, Finlândia, 1969.

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As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco, 1971

(Trafic) 57

Projetista da pequena empresa fabricante de automóveis Altra, sr. Hulot projeta um caminhão engenhosamente dotado de várias modernidades para ser exibido no Salão Internacional do Automóvel de Amsterdã. Ele acompanha o protótipo desde Paris a bordo do caminhão da Altra, escoltado pelo pequeno carro esportivo amarelo de Maria, a jovem norte-americana relações-públicas da empresa. Um pneu furado, a falta de combustível, colisões e problemas com funcionários da alfândega Versão em francês em cores legendas em português 93 min som mono

irão retardar a chegada do grupo. Eles viajam pelas estradas rurais flamengas e holandesas em busca de um mecânico. O carro chegará tarde demais para a exposição.


“Seu escritório era em um barco, em um dos canais de Amsterdã. Quando deixávamos

As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco foi filmado na Holanda.

o barco, partíamos pelas estradas, com os trailers, o caminhão com todos os acessórios. Sem dúvida, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco lhe fez bem. Retomava um pouco o ambiente do circo.” “Depois de Tempo de diversão, Tati tentava principalmente se reequilibrar financeiramente.

“A gente tinha filmado tudo!

Era preciso fazer um filme muito rapidamente

Foi um esforço monumental

e As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco 58

surgiu bem depressa.” “Apesar de tudo, Tati se divertiu muito filmando As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco. Ele não tinha mais de assumir a responsabilidade e o peso de Tempo de diversão.” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada

para filmar o acidente com os carros destruídos, uma mise en scène enorme, três dias de filmagem, depois o laboratório nos diz que o negativo estava ruim! Tudo estava granulado… Foi preciso recomeçar todos os outros planos! Foi um horror! Eu vi Tati chorar!” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada


Ficha técnica Elenco_Jacques Tati (sr. Hulot), Maria Kimberley (Maria), Tony Kneppers (Tony Barenson, o garagista), Marcel Fraval (Marcel, o motorista do caminhão), Honoré Bostel (Morel, diretor da Altra), François Maisongrosse (vendedor da Altra), Franco Ressel, Mario Zanuelli Direção_Jacques Tati Roteiro_Jacques Tati, com a colaboração de Jacques Lagrange e a participação de Bert Hanstraa Imagens_Edward van Den Enden e Marcel Weiss (Eastman color) Montagem_Maurice Laumain e Sophie Tatischeff Assistentes_Marie-France Siegler, Alain Fayner e Roberto Giandalia Som_Ed Pelster e Alain Curvelier Mixagem_Jean Neny Sincronização_Claude Plouganou Música_Charles Dumont Cenografia_Adrien De Rooy Diretor de produção_Marcel Mossoti Produtor executivo_Robert Dorfmann Produção_Georges Laurent e Wim Lindner (Films Corona/Gibé Films/Selenia - Cinematografica/Oceania Films) Prêmios_Seleção dos dez melhores filmes do ano pela Associação de Críticos de Cinema de Nova York, 1971/fora da competição no encerramento do Festival de Cinema de Berlim, 1971/Prêmio Nacional, 1972/Destaque do ano no Festival de Londres, 1972/ Valdotaise Gold Cup, Itália, 1972/Kunniakirja Award, Finlândia, 1973

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Parada, 1974

(Parade)

Apesar de ter sido filmado em sua maior parte em vídeo (Tati pressentiu a transição gradual para o digital), financiado pela televisão sueca, Parada foi realizado com o objetivo de ser lançado nos cinemas, mesmo que um espetáculo circense tenha sido Versão em francês

privilegiado neste que seria seu último filme. Interpretando o sr. Loyal, Tati garantiu

em cores

a sequência dos números de sua apresentação de circo, dando vida nova às mímicas

legendas em português 85 min som mono

de Impressions Sportives, que ele realizava no music hall.

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62

“Filmamos o espetáculo em dois dias, o que

do trabalho feito até aquele momento... Então,

foi rápido, porque os espectadores pagavam

eu ia de uma câmera à outra e, quando a gente

um preço bem baixo, ou mesmo nada, simples-

deveria ter filmado Karine com os balões,

mente para serem filmados. Estavam todos com

descobri horrorizada que o câmera se enganara

roupas de domingo. O espetáculo foi filmado

de garota. Corri até o caminhão onde estava

em um dia e em uma longa noite e, em seguida,

o produtor Karl Haskel, que controlava o

a gente chamou de volta alguns espectadores,

dispositivo, e lhe perguntei sobre o que estava

como a garotinha loira, a Karine, que era uma

contecendo, arrancando-lhe os fones para gritar

gracinha, especialmente para os raccords. Eu ia

com ele e dizer qual garotinha era preciso filmar.

de uma câmera à outra, já que Tati estava no

No entanto, graças a esse erro, houve um plano

palco e eu verificava o que era filmado. A gente

maravilhoso da garotinha desconhecida que

ensaiou muito, mas a cada ensaio tinha uma

tem medo dos balões. Durante esse tempo, Tati

nova equipe, pois na televisão eles nos enviam

estava no palco. Ele falava aos espectadores,

sempre novas pessoas. E na noite do espetáculo,

pois a gente estava filmando ao vivo durante o

eram pessoas novas que não conheciam nada

espetáculo.” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada

“Todo o espetáculo de base foi filmado em vídeo. Parada é também um dos primeiros filmes produzidos em vídeo. Havia uma câmera móvel do lado de fora para os planos externos e, no interior, várias câmaras fixas.” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada


Ficha técnica Elenco_Jacques Tati, Karl Kossmayer, Os Williams, os veteranos Sipolo, Pierre Bramma e Michèle Brabo Direção e roteiro_Jacques Tati Fotografia_Jean Badal, Gunnar Fischer Montagem_Aline Asséo, Per Carleson, Siv Lundgren, Jonny Mair e Sophie Tatischeff Música_Charles Dumont Produção_Michel Chauvin, Karl Haskel (Gray-Films e Sveriges Radio TV2 CEPEC) Prêmios_Grand Prix do cinema francês, 1975/Palma de Ouro no Festival de Moscou, 1975/Outstanding Film of the Year, Festival de Cinema de Londres, 1975/Prêmio do Festival de Teerã, 1975

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“Existem profissionais como Tati que são ao mesmo tempo herdeiros do cinema mudo, pode-se dizer, do cinema puro, e também que vêm do teatro de revista; artistas intuitivos, que pela observação conseguem trazer à tona o essencial. E é justamente na gag que se provoca o confronto entre o humano e o mecânico. Esse é um dos muitos domínios do cinema mudo. Mas isso se manifesta em uma ampla reflexão sobre a sociedade em um momento crucial.” _Olivier Assayas, cineasta e roteirista


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Curtas-metragens Cuida da tua

Escola dos carteiros,

esquerda!, 1936

1947

Cours du soir

Soigne ton gauche

L’Ecole des facteurs

O agricultor Roger sonha ser boxe-

Velocidade e eficiência, assim é a

ador. Agora, o curral de sua fazenda

formação adequada para qualquer

é o local de treinamento dos luta-

carteiro! A missão é simples: reduzir a

dores. Mas a luta deve parar em

ronda para chegar a tempo ao avião

breve por falta de combatentes. Pego

do correio aéreo. Em um pequeno

narrando uma vitória, ele é desc-

escritório dos correios da região, três

oberto e levado ao ringue. Mas há

carteiros, entre eles François, pressio-

um problema: ele nunca lutou boxe

nados pelas ordens estridentes de seu

em sua vida e não sabe nada sobre a

superior, param e depois retomam,

nobre arte. Será que o livro que um

junto a suas bicicletas, cada gesto do

carteiro coloca em sua cadeira irá

ritual de entrega dos correios.

ajudá-lo a desenvolver rapidamente a técnica necessária para a vitória? Versão em francês P&B legendas em português 12 min som mono

Curso noturno, 1967

Versão em francês P&B legendas em português 15 min som mono

Em meio aos cenários de Tempo de diversão, Jacques Tati tenta ensinar algo de sua arte a alunos desajeitados e aplicados. “Os homens de negócios se transformam em estudantes esclarecidos e descobrem as diferentes maneiras de fumar um cigarro, andar a cavalo, ou cair de uma escada. [...] Curso noturno apresenta, pela primeira vez, vários números clássicos de Tati e constitui, justamente por sua simplicidade, um comentário pertinente sobre a aventura épica de Tempo de diversão. É a imagem invertida, revelando o avesso de seu cenário e de seu personagem, Tati mostra que o seu senso de observação também se aplica a si mesmo” (Marc Dondey). Versão em francês em cores legendas em português 27 min som mono

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Sparring por um dia

Escola de carteiros

Curso noturno

Ficha técnica

Ficha técnica

Ficha técnica

Elenco_Jacques Tati, Max Martell, Robur, Clinville, J. Aurel, Champel, Van Der.

Elenco_Jacques Tati, Paul Demange

Elenco_Jacques Tati, Marc Monjou

Direção_Jacques Tati

Direção_Nicolas Ribowsky

Roteiro_Jacques Tati

Assistente de direção_Marie-France Siegler

Direção de fotografia_Louis Felix

Imagens_Jean Badal

Assistente_Jean Quilici

Fotografia_Paul Rodier com René Schneider

Colaboração técnica_Henri Marquet, Jacques Cottin e Henry Gansser

Som_Jacques Maumont

Direção_René Clement Roteiro_Jacques Tati com a colaboração de JeanMarie Huard Música_Jean Yatove Produção_Fred Orain/Cady Films/Specta Films

Montagem_Marcel Moreau Música_Jean Yatove Produtoção_Fred Orain/Cady Films/Specta Films Prêmio_Max-Linder de Melhor Curta-metragem, 1947

Montagem_Nicole Guaduchon Música: Léo Petit Produção: Télécip/Specta Films Filmado nos estúdios de Tempo de diversão, em Vincennes.

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O filme apresenta vários núEste foi o primeiro filme

meros clássicos de Jacques Tati.

protagonizado por Jacques

Nele, o diretor ministra um curso

Tati. Ele interpretou um pacato

para executivos de uma grande

e sonhador habitante de uma

Deu origem ao longa-metra-

empresa aplicando seu arguto

pequena cidade francesa, que

gem Carrossel da esperança,

senso de observação também

sonhava ser lutador de boxe.

filmado dois anos depois.

com relação a si mesmo.


“Que relacionamento devemos ter com os espectadores? O que devemos mostrar, o que devemos esconder? Diálogos ou não, música talvez, uma trilha sonora com que objetivo? Como sugerir mais? São tantas perguntas que nos perseguem, felizmente, graças a ele.” Jérôme Deschamps, ator, diretor e dramaturgo; um dos fundadores da Les Films de Mon Onlce. 69


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Documentário

Tati: seguindo os passos do sr. Hulot, 1986 (Tati sur les pas de Mr. Hulot) 71

Dirigido por Sophie Tatischeff, filha de Tati, o documentário apresenta um Tati por trás das câmeras, como autor, produtor e diretor. Vários registros de seu trabalho foram feitos ao longo de suas viagens pelo mundo. Com base nesses registros, Versão em francês em cores legendas em português 52 min som mono

Sophie deu vida a este material, um retrato da personalidade exigente, determinada e à frente de seu tempo, características tão marcantes em Tati, que exercia sua profissão sem se deixar influenciar pelas convenções.


Sophie Tatischeff (1946-2001) Trabalhou como editora em vários filmes. Em 2001, criou, com Jérôme Deschamps e Macha 72

Makeïeff, a Les Films de Mon Oncle, uma associação que visa preservar, restaurar e difundir a obra de seu pai. Suas missões artísticas e patrimoniais permitem tanto ao grande público quanto aos pesquisadores (re)descobrir a obra do cineasta e seus arquivos, assegurando sua influência no mundo.


“Quando a França poderia perder a maioria dos direitos de seus filmes, reuni-me com Macha Makeïff e Sophie Tatischeff, para retomá-los e criarmos juntos a Les Films de Mon Oncle [Os filmes do meu tio].” Jérôme Deschamps, ator, diretor e dramaturgo

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“Eu penso que o principal impacto dos filmes de Tati é nos permitir olhar a vida por uma nova perspectiva.” _ Michel Gondry, cineasta francês


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Filmografia

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“Sei que L’Illusionniste era um projeto que lhe agradava muitíssimo. Aliás, teria sido um novo Carrossel da esperança extremamente poético. Tati era um verdadeiro poeta.” Marie-France Siegler, assistente de direção em Tempo de diversão, As aventuras do sr. Hulot no trânsito louco e Parada


1932 Oscar, champion de tennis [Oscar, o campeão de

1938 Retour à la terre [Volta a terra]. Escrito e

tênis]. Curta-metragem escrito e interpretado por Jacques

interpretado por Jacques Tati. Inacabado e extraviado.

Tati. Inacabado e extraviado. 78

1934 On demande une brute [Precisa-se de um bruto]. Curta-metragem escrito por Jacques Tati e Alfred Sauvy. Dirigido por Charles Barrois. Interpretado por Jacques Tati.

1935 Gai dimanche [Domingo alegre]. Curta-metragem escrito por Jacques Tati e o palhaço Rhum. Dirigido por Jacques Berr. Interpretado por Jacques Tati e pelo palhaço Rhum.

1936 Sparring por um dia. Curta-metragem escrito por Jacques Tati. Dirigido por René Clément. Interpretado por Jacques Tati.

1945 Sylvie e o fantasma. Dirigido por Claude AutantLara.Papel do fantasma: Jacques Tati.

1946 Le diable au corps [Com o diabo no corpo]. Dirigido por Claude Autant-Lara. Com Jacques Tati no papel de soldado.

1947 Escola de carteiros. Curta-metragem escrito, dirigido e interpretado por Jacques Tati.

1949 Carrossel da esperança. Escrito por Jacques Tati e Henri Marquet (com a colaboração de René Wheeler). Dirigido e interpretado por Jacques Tati.


1953 As férias do sr. Hulot. Escrito por Jacques Tati e

1967 Curso noturno. Curta-metragem escrito e

Henri Marquet (com a colaboração de Pierre Aubert e

interpretado por Jacques Tati. Dirigido por Nicolas

Jacques Lagrange). Dirigido e interpretado por Jacques

Rybowski.

Tati.

1971 As aventuras do Sr. Hulot no trânsito louco.

1958 Meu tio. Escrito, dirigido e interpretado por

Escrito (com a colaboração de Jacques Lagrange e Bert

Jacques Tati.

Haanstra), dirigido e interpretado por Jacques Tati.

1961 L’Illusioniste [O ilusionista]. Escrito por Jacques

1973 Confusion [Caos]. Escrito por Jacques Tati, Jacques

Tati (com a colaboração artística de Jean-Claude

Lagrange, Dominique Bidaubayle e Jonathan Rosenbaum

Carrière). Adaptado e dirigido em longa-metragem de

até 1982. Nunca filmado.

animação por Sylvain Chomet em 2009.

1967 Tempo de diversão. Escrito (com a colaboração artística de Jacques Lagrange), dirigido e interpretado por Jacques Tati.

1974 Parade. Escrito, dirigido e interpretado por Jacques Tati.

1978 Forza Bastia [Força Bastia]. Documentário dirigido por Jacques Tati e montado por Sophie Tatischeff em 2000.

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Referências Catálogo da mostra Jacques Tati, França – Ministère des Affaires Étrangères et Européennes – République Française. Cultures France. Paris, de abril a outubro de 2009.

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Folder promocional que acompanhou a fita restaurada do filme Les vacances de monsieur Hulot. Paris: julho, 2009,

Jacques Tati: deux temps, trois mouvements..., livro de entrevistas produzido por Macha Makeïeff, com entrevistas feitas por Stéphane Goudet para a mostra sobre a vida de Jacques Tati, organizada pela Cinémathèque française de abril a outubro de 2009 em Paris.


APOIO

ORGANIZAÇÃO E REALIZAÇÃO


Mostra Tati Por Inteiro