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de das s a d e i c So Médica s a i c n Ciê oa de Lisb

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Ana Paula Carvalho

Directora Geral Executiva, Laboratórios Pfizer

Compromisso com o futuro É com natural orgulho que a Pfizer e a Sociedade

mais reconhecidos especialistas da investigação

Mas, a celebração deste acontecimento único

das Ciências Médica de Lisboa assinalam a passa-

biomédica. São igualmente merecedores de aplau-

representa também uma oportunidade para su-

gem do 55º aniversário da instituição dos Prémios

so todos os concorrentes e os membros do júri que

blinhar a importância vital do esforço desenvolvido

Pfizer de Investigação, o mais antigo e prestigiado

ajudaram a engrandecer esta iniciativa, contribuindo

pela indústria farmacêutica inovadora no progres-

galardão que desde 1956 distingue a investigação

para que os Prémios Pfizer tenham atingido um notó-

so das várias áreas do sector da Saúde, só pos-

biomédica em Portugal.

rio reconhecimento, a nível nacional e internacional.

sível através da afectação de significativos meios financeiros que suportem o trabalho de milhares de

Com a edição desta obra a Pfizer pretendeu, em

Para a Pfizer as razões que há 55 anos presidiram à

profissionais na investigação e desenvolvimento

primeira instância, homenagear o esforço e a ca-

instituição dos Prémios mantém a sua actualidade,

de novos medicamentos e na sua disponibilização

pacidade dos muitos investigadores e respectivas

tal o imperativo que hoje se coloca, de forma par-

à população.

equipas que, ao longo dos anos, contribuíram de

ticularmente relevante, no apoio ao trabalho de in-

forma decisiva para tornar os Prémios Pfizer uma

vestigação e descoberta de respostas inovadoras.

Apesar dos grandes desafios, a Pfizer reafirma o

referência de qualidade e excelência para toda a

Mantemos intacto o compromisso assumido desde

compromisso de tudo fazer para se manter uma

comunidade científica e civil.

a primeira hora, na certeza de assim continuar a

referência da indústria farmacêutica em termos de

aprofundar o imprescindível apoio à investigação

investigação e inovação, continuando a partilhar

Esta homenagem não abarca apenas os vencedores

numa área tão vital para a saúde e bem-estar dos

a alegria com quantos se revelarem merecedores

dos Prémios, entre os quais se contam muitos dos

cidadãos como é a investigação biomédica.

dos futuros Prémios Pfizer de Investigação.

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José Miguel Caldas de Almeida

Presidente Eleito da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa

Os Prémios Pfizer, conferidos anualmente pela So-

mos anos. O aumento verificado no número de publi-

os progressos alcançados a nível da investigação

ciedade das Ciências Médicas de Lisboa (SCML) e os

cações não só foi muito significativo em valor abso-

biomédica, há que superar os obstáculos que têm

Laboratórios Pfizer desde 1956, são sem dúvida um

luto, como superou o aumento verificado nos outros

impedido um progresso mais significativo da inves-

dos mais prestigiados prémios no campo das ciên-

países europeus, o mesmo se tendo verificado re-

tigação clínica, há que promover a investigação

cias da saúde em Portugal. A publicação deste livro,

lativamente ao seu impacto, medido através do nú-

epidemiológica e de serviços.

em boa hora promovida pelos Laboratórios Pfizer,

mero de citações. O número de centros e grupos de

constitui uma excelente forma de celebrar os 55

investigação de qualidade tem vindo a aumentar pro-

Para a concretização destes objectivos, cabe aos

anos destes prémios, que tanto têm contribuído

gressivamente, existindo hoje, distribuídos pelas vá-

decisores políticos, universidades, centros de inves-

para incentivar a investigação médica entre nós.

rias regiões do país, um conjunto importante de cen-

tigação, instituições de saúde e indústria assegurar

tros e grupos de investigação de altíssima qualidade.

o financiamento adequado da actividade científica na

Com base nos testemunhos de alguns dos princi-

Graças a estes progressos, há hoje em Portugal uma

área das ciências da saúde e criar condições que fa-

pais protagonistas no desenvolvimento das ciên-

quantidade apreciável de jovens investigadores bem

cilitem o desenvolvimento das carreiras dos nossos

cias da saúde em Portugal nas últimas décadas, o

preparados e solidamente integrados nas melhores

investigadores nesta área. Às sociedades científicas

livro, além de identificar os autores e os trabalhos

redes internacionais, o que constitui a melhor garan-

caberá, entre outras importantes tarefas, a de incen-

que mais se distinguiram ao longo deste meio sé-

tia da sustentabilidade destes desenvolvimentos no

tivar a produção científica de qualidade através de

culo nos diversos campos da investigação médica,

futuro. Uma mudança decisiva registou-se também

iniciativas que permitam identificar, premiar e divul-

reúne informação preciosa sobre as dificuldades,

na opinião pública, cada vez mais sensibilizada para

gar os melhores trabalhos. Estamos certos que os

as vicissitudes e os êxitos que marcaram esta área

a importância da investigação médica e cada vez

Prémios Pfizer, que, graças à colaboração desenvol-

científica neste período.

mais interessada em conhecer os progressos alcan-

vida há 55 anos pela SCML e os Laboratórios Pfizer,

çados por esta a nível nacional e internacional.

têm desempenhado com tanto brilho e

Nos últimos 20 anos, e de uma forma mais acen-

eficiência

esta tarefa, continuarão a faze-lo por muitos e bons

tuada desde 2000, a nossa capacidade científica nas

Apesar destes progressos indiscutíveis, muito

anos. E esperamos que, tal como tem vindo a ocorrer

ciências da saúde aumentou de uma forma extraor-

continua ainda por fazer. Para que possamos al-

nos últimos anos, o número e a qualidade dos traba-

dinária, não sendo exagero afirmar que esta foi uma

cançar o nível de produtividade científica dos pa-

lhos concorrentes aos Prémios Pfizer continuem a

das áreas nas quais o país mais progrediu nos últi-

íses europeus mais avançados há que consolidar

aumentar, ano após ano, de forma significativa.

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Introdução As primeiras décadas do século XX são marcadas por uma espiral de progres-

um projecto para o estabelecimento de uma parceria que permitisse apoiar a

sos tecnológicos, de inovações e de invenções científicas que determinaram

actividade científica em Portugal.

alterações profundas nas mais diversas áreas. A singularidade da iniciativa radicava no facto de se pretender criar um apoio à invesNo caso concreto da medicina, durante a década de cinquenta, produz-se uma

tigação no âmbito geral da medicina e não restrito a alguma valência em particular.

mudança no modelo em que assentavam as bases do conhecimento médico, ao substituir a sua raiz, quase exclusivamente empírica e quotidiana, pela utili-

Curioso é também o facto de a escolha recair sobre a Pfizer, já que na época

zação e validação dos novos recursos descobertos.

esta empresa nem sequer detinha representação própria em Portugal.

Subsequentemente, assistimos a um incremento sem paralelo das pesqui-

Este aspecto não parece ter constituído qualquer obstáculo, dada a receptividade

sas na elaboração de novos fármacos, abrindo-se as portas para o cresci-

demonstrada pelos norte-americanos. Os contactos e as negociações desenvol-

mento e o desenvolvimento da indústria química em geral e da farmacêutica

veram-se ao longo do primeiro semestre de 1955 e culminaram com a deslocação à

em particular.

sede da SCML em 17 de Junho, de John E. Mckeen, Presidente da Pfizer Corporation, para a formalização do acordo alcançado, simbolicamente representado pela en-

Reconhecendo a importância capital que a investigação adquire nesta nova

trega das verbas destinadas à primeira edição. A cerimónia ficará marcada pelas

realidade e as debilidades que neste sector a situação portuguesa apresen-

intervenções dos presidentes das duas instituições em que, para além dos aspec-

tava, Manuel João Xavier Morato, como Presidente da Direcção e em nome da

tos protocolares do formalismo intrínseco a um acto como este, são reafirmados os

Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (SCML), apresenta à empresa Pfizer

princípios estabelecidos, os propósitos de cooperação e a importância da iniciativa.

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Recepção na sede da SCML em 17/06/55 ao Sr. John McKeen (in Jornal da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa (1955).

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Posteriormente, a Direcção da SCML, em sessão realizada a 23 de Junho, aprova a

samente para este fim. Concebida com o intuito de simultaneamente elevar o

proposta de regulamentos elaborada por Andresen Leitão, Secretário-Geral Adjunto da

grau de qualidade dos trabalhos e dotar os prémios de uma dimensão “única”,

SCML, a qual receberá, em 5 de Julho, a concordância da Pfizer. Desta forma, são assim

esta disposição iria ser alvo de reformulações que adiante abordaremos. Da

instituídos formalmente os Prémios Pfizer com o objectivo de estimular e desenvolver

mesma forma, a obrigatoriedade da apresentação dos textos em português

a investigação científica em Portugal, cobrindo todos os ramos da medicina.

constituirá uma limitação no futuro.

Apesar de não se tratar de uma iniciativa pioneira, algumas das suas caracte-

Igualmente significativa era a independência científica, ao consignar como um

rísticas, assim como as suas disposições estatutárias, continham e determi-

dos princípios básicos a não intervenção da Pfizer no processo de atribuição

navam algumas especificidades:

dos prémios e dotar essa competência à Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, a quem cabia a total e exclusiva responsabilidade pela abertura do con-

Desde logo, o carácter estratégico que a Pfizer assumia no apoio à investiga-

curso, nomeações dos júris (composto por cinco membros - três elementos

ção em razão dos montantes atribuídos. Na verdade, o valor a distribuir anual-

eleitos em Assembleia Geral da SCML e, por inerência pelo Presidente da Direc-

mente – dois galardões dotados respectivamente de 30.000$00 e 20.000$00

ção e pelo Secretário-Geral da SCML) e a proclamação dos resultados.

– tornava-se relevante tendo em conta que a carreira de investigador era quase inexistente e os recursos disponíveis eram extremamente escassos. Em

A qualidade e o rigor eram complementados e certificados pelo valor e pratica

termos comparativos, registe-se que correspondia ao dobro do que era dispo-

dos diversos júris, compostos por investigadores, professores universitários e

nibilizado anualmente para outras distinções congéneres.

profissionais médicos de reconhecido mérito que nortearam as suas decisões por critérios estritamente científicos. Os júris eram dotados de total autonomia

Um outro aspecto decorria da exigência da originalidade dos trabalhos a con-

e independência, o que se traduziu pela não atribuição dos galardões em algu-

curso, o que determinava, na prática, que estes fossem elaborados expres-

mas das categorias em várias edições.

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Primeiros regulamentos dos PrÊmios Pfizer – 1955.

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Foi o que aconteceu com a decisão da não atribuição do 1º Prémio (1968 e 1990), do 2º Prémio (1960, 1966, 1985 e 2000), do 1º Prémio para Jovens Investigadores (1971, 1983, 1991 e 1992), do 2º Prémio Para Jovens Investigadores (1975, 1977, 1981, 1982, 1983, 1987, 1988, 1990, 1991 e 1992) e do Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (1996). De modo diverso, a acção determinante dos júris também se revelou

pela

atribuição

de

distinções

suplementares,

como

dos

prémios

ex-aequo (1956, 1958, 1959, 204, 2005, e 2009) e das Menções Honrosas (num total de trinta e nove vezes) ou ainda a criação de um prémio extraordinário (1975, 1977, 1981, 1983 e 1987).

Livro de Actas da Direcção da SCML: Acta da reunião de 21 de Julho de 1956 – comunicação dos vencedores da primeira edição dos Prémios Pfizer

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Os Prémios apresentaram alterações na nomenclatura e nas categorias a distinguir, no decurso dos seus cinquenta e cinco anos de existência. Esta reformulação reflecte um processo constante de adaptação às sucessivas vicissitudes que marcaram a segunda metade do século XX e o inicio do século XXI, por parte da Pfizer e da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa de modo a melhor continuarem a servir os seus propósitos originais. O regulamento aprovado em 1955 instituía dois galardões a distribuir anualmente - o 1º e 2º Prémio Pfizer - além das Menções Honrosas, cuja existência e o número dependiam do entendimento dos respectivos júris, padrão que se manterá até ao inicio da década de setenta. Todavia, durante os anos sessenta - 1961 e 1967 - surgiram duas edições dos “Prémios Para os Jovens Médicos Recém Licenciados”. Inspirado no Prémio Manuel Bento de Sousa que distinguia o melhor trabalho de investigação entre as teses de licenciatura de cada ano lectivo da Faculdade de Medicina de Lisboa. A proposta da SCML, que recebeu acolhimento da Pfizer, ampliava o referido prémio dando-lhe uma dimensão nacional, ou seja, destinava--se a premiar um trabalho da tese de final de curso entre os alunos melhor Lista dos candidatos seleccionados pela Direcção da Faculdade de Medicina do Porto para concorrerem à edição do Prémio para Jovens Recém-licenciados de 1961.

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classificados em cada uma das três faculdades de medicina então existen-

zer de Investigação”, numa clara reafirmação dos propósitos originais. Por outro

tes - Lisboa, Porto e Coimbra.

lado em face da necessidade de clarificação de alguns aspectos regulamentares, são consignadas algumas disposições como a introdução de voto de qualidade ao

A sua atribuição não constituía uma alteração ao padrão existente, mas antes

Presidente da Direcção da SCML no caso da existência de empate nas decisões

decorria de uma situação excepcional, pois tinha a particularidade de se reali-

do júri, a possibilidade da nomeação de jurados suplementares peritos em função

zar apenas nos anos subsequentes àqueles em que não existisse atribuição

das matérias a apreciar (embora destituídos do direito de voto) e a não admissão

do 2º Prémio, cujo valor pecuniário era repartido equitativamente pelos três

de candidatos que tenham obtido um prémio no ano imediatamente anterior.

vencedores. O aspecto mais saliente é a criação do “Prémio Pfizer para Jovens InvestigaO júri era expressamente constituído para o efeito, sendo diverso dos outros prémios.

dores”, reflexo da premência sentida no apoio aos que se pretendiam lançar

Composto pelo Presidente e o Secretário-Geral da SCML e por um professor de cada

numa carreira de investigação.

uma das faculdades de medicina; decidia tendo como base uma lista previamente elaborada por cada uma das três direcções das faculdades, em que constavam os

Composto por duas categorias - 1º e 2º prémio - tinham como destinatários

nomes dos autores, os títulos dos trabalhos e as respectivas classificações.

trabalhos de investigação originais de alunos finalistas e/ou médicos que tivessem concluído a licenciatura há menos de dez anos.

O seu cariz extraordinário manifestava-se também pelo facto de a sua distribuição decorrer durante uma sessão ordinária da Direcção da SCML, sem a

Estes galardões eram escolhidos pelo mesmo júri dos Prémios de Investigação

formalidade dos restantes prémios.

que, de igual modo, tinha capacidade para atribuir um Prémio Extraordinário,

O ano de 1970 marca a primeira grande reformulação dos prémios. Assim, apesar

assim como as Menções Honrosas que entendesse, sendo a sua divulgação e

de se manterem duas classificações, estas passam a designar-se “Prémio Pfi-

entrega feitas em simultâneo com os restantes.

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Lista dos candidatos seleccionados pela Direcção da Faculdade de Medicina de Coimbra para concorrerem à edição do Prémio para Jovens Recém-licenciados de 1961.

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Lista dos candidatos seleccionados pela Direcção da Faculdade de Medicina do Porto para concorrerem à edição do Prémio para Jovens Recém-licenciados de 1961.

Lista dos candidatos seleccionados pela Direcção da Faculdade de Medicina de Lisboa para concorrerem à edição do Prémio para Jovens Recém-licenciados de 1961.


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Posteriormente, e com o intuito de reforçar a aposta no incremento da inves-

tência de um júri - composto pela Direcção da SCML - e como tal diverso do dos

tigação entre os mais novos, o “Prémio Pfizer para Jovens Investigadores”

restantes prémios, a sua publicitação e entrega decorreu sempre em simultâ-

sofreu várias alterações. Assim, em 1996, é extinto o “2º Prémio para Jovens

neo com os demais galardões (com excepção da edição de 2004) até ao ano

Investigadores”, o valor pecuniário do galardão júnior é sucessivamente refor-

da sua última edição.

çado, tornando-se em 2001 igual ao dos seniores. Em simultâneo restringe-se o seu acesso aos investigadores que tenham concluído a licenciatura até ao

Uma nova etapa dos Prémios Pfizer surge em 2003 e é marcada pela unifor-

prazo máximo de cinco anos.

mização e pela aposta numa consolidação das práticas de investigação, que se afirma cada vez mais como o resultado de uma acção de um colectivo, em

Pressentido o desajustamento que a nova estrutura acarretava, no-

detrimento da “tradicional investigação solitária”, em que as distinções etárias

meadamente com o acentuar do pendor na investigação laboratorial é criada,

se esbatem e a internacionalização se acentua.

em 2002, uma “Bolsa de Investigação” para apoiar projectos de investigação de campo com uma duração plurianual (três anos).

Assim sendo, o “Prémio de Investigação” passa a ter apenas uma categoria e é extinto o “Prémio para Jovens Investigadores”, alarga-se o âmbito dos parti-

Inicialmente orientada para a investigação cardiovascular (trabalhos premia-

cipantes aos investigadores estrangeiros e o português perde a exclusividade

dos entre os anos de 2002 a 2004), a “Bolsa de Investigação” viu as áreas

como idioma de redacção. Em contrapartida, e de forma a manter o princípio

de aplicação diversificadas anualmente pela SCML de molde a simultaneamen-

originário da defesa da investigação nacional, exige-se que a elaboração dos

te estimular a investigação e a produção científica nacional de acordo com

trabalhos tenha sido total ou parcialmente executada em instituições nacionais.

as prioridades definidas pelo Plano Nacional de Saúde: doenças infecciosas (2005), oncologia (2006), geriatria e problemática do envelhecimento (2007) e

A constatação da emergência de um conjunto de novas formas de financiamen-

VIH/SIDA (2008). Embora a selecção e avaliação dos projectos fosse da compe-

to das actividades de investigação, conjugada com a necessidade de correcção

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Convite para a Sessão de entrega da Bolsa de Investigação em Doenças Cardiovasculares na edição de 2004.

de eventuais desequilíbrios em prol de uma acção científica com um pendor mar-

este fim” - e mais tarde (1970) complementada com a expressão - “não poderão

cadamente mais laboratorial determinou uma nova reforma em 2005.

ter sido publicados” - o que vai levantar problemas aos júris, particularmente no que respeitava aos trabalhos de índole académica, como as teses de licen-

Na verdade, verificou-se que grande parte da investigação em saúde, feita por

ciatura, de mestrado e de doutoramento.

médicos, é de índole clínica, correspondendo a investigação básica a algumas especialidades médicas mais limitadas e sobretudo a outras não médicas, e.g.

A necessidade de clarificação conduzirá a uma solução que se pautará pela

Biologia, Bioquímica e Farmácia, produto do reduzido apoio dado à investigação

adopção de uma interpretação restritiva (1980) traduzida pelo acrescento in-

quando comparada com a carreira clínica.

cluído no articulado dos regulamentos – “Não serão admitidos a concurso trabalhos identificados no todo ou em parte com o texto de teses de Licenciatura

Neste sentido põe-se termo ao “Prémio de Investigação” e, em sua substitui-

ou Doutoramento”.

ção, são criados o “Prémio de Investigação Clínica” e o “Prémio de Investigação Básica”, que corresponde à tipologia que vigora hoje em dia.

O desenvolvimento entretanto operado na produção científica nacional no início do novo século, transformava esta norma numa forma de exclusão de um

Mais do que uma simples alteração de categorias, o novo formato pretende di-

conjunto significativo de investigações, o que poderia determinar a perda do

namizar e fomentar a investigação das ciências da saúde humana em Portugal

vínculo com a comunidade científica. Neste sentido, a nova redacção (2005)

de um modo transversal e mais completo.

considera passíveis de serem admitidos a concurso, além dos inéditos, todos os trabalhos que tenham sido publicados durante o ano a que se candidatam.

A derradeira reforma prende-se com a reformulação da exigência do carácter

Este prazo foi mais tarde alargado e, de acordo com a versão actualmente em

original e inédito dos trabalhos a apresentar a concurso. Esta disposição vai

vigor, passam também a poder concorrer os trabalhos que tenham sido edita-

ser inicialmente (1955) apresentada de forma genérica - “apresentados para

dos no ano imediatamente anterior ao da candidatura aos prémios.

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Sessão Solene na sede da SCML em 05/11/57: João Cid dos Santos (professor universitário) profere a conferência inaugural do Ano Académico e Mesa de Honra - da esquerda para a direita – Marques da Gama (Secretário Geral Adjunto da SCML), Eugen Pflanz (Administrador da Pfizer), representante do Subsecretário de Estado da Educação, Ayres de Sousa (Presidente da SCML) e Jorge Horta (Bastonário da Ordem dos Médicos).

Uma dimensão diversa dos Prémios Pfizer e que sofre alterações é a constitu-

tes das Direcções da SCML, uma intervenção da individualidade que presidia à

ída pelas cerimónias que lhe estão associados.

sessão, para além da entrega dos diplomas e respectivos prémios feita pelos diversos elementos da Mesa de Honra.

A importância da dimensão atribuída aos prémios pela SCML revelou-se, desde logo, pela inclusão da Sessão Solene em que se procederia à sua distribuição,

Realizada pela primeira vez em 6 de Novembro de 1956, a sessão de distribui-

numa das iniciativas de maior relevância no plano da actividade anual: A Inau-

ção dos prémios manteve este formato até 2002, altura em que às interven-

guração do Ano Académico (artigo 6º dos regulamentos de 1955). Tratava-se

ções do Presidente da SCML e da Mesa de Honra da cerimónia, juntaram-se as

de uma acção única repleta de formalismo institucional, marcada pela presen-

dos representantes dos premiados e da Pfizer.

ça de membros do governo, ou seus representantes, que presidiam à sessão, e por outras personalidades ligadas aos meios académico e científico. Incluía

A partir de 2005, e na sequência das revisões regulamentares operadas, a dis-

uma conferência inaugural, usualmente subordinada à temática do ensino

tribuição dos prémios passou a estar obrigatoriamente inserida apenas numa

e/ou da investigação biomédica e, maioritariamente, proferida pelos Presiden-

sessão solene promovida conjuntamente pela Pfizer e pela SCML (artigo 11º). 014


Sessão Solene e Porto de Honra, Sala do Actos, Faculdade de Ciências Médicas em 11/11/10.

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Uma outra cerimónia era o «Jantar de Homenagem», oferecido pela Pfizer aos galardoados, membros do júri, membros da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e outras personalidades do meio científico e académico. Esta prática foi iniciada desde logo no ano de 1956, após um convite para o

Jantar de homenagem no Hotel Aviz de Lisboa em 14/12/60.

efeito por C.G. Hurlimann (Director Regional da Pfizer Corporation em Roma) que se deslocou expressamente a Portugal nessa ocasião para representar John Mckeen (Presidente da Pfizer Corporation) na Sessão Solene de entrega dos prémios. Assumiu um cariz excepcional a edição de 1965 em que, para comemorar os dez anos da atribuição dos Prémios Pfizer, John McKeen, de visita a Portugal, ofereceu um grande banquete no Hotel Ritz, que contou com a presença dos premiados, dos membros dos júris e dos membros das direcções da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa de todas as edições anteriores, além de um vasto número de convidados. O Jantar de Homenagem tinha usualmente lugar na véspera da sessão de distribuição dos prémios até 2002, ano em que passou a realizar-se no mesmo local e após a Sessão Solene, perdurando este figurino até 2005, edição a partir da qual foi substituído por um “Porto de Honra”.

Jantar de Homenagem no Hotel Sheraton de Lisboa em 11/12/91.

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Jantar de Homenagem aos vencedores da edição de 1965 e comemorativo dos dez anos de existência dos Prémios Pfizer, realizado no Hotel Ritz de Lisboa em 17/01/66.

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Uma terceira dimensão dos Prémios Pfizer correspondia à realização da Con-

Estávamos perante uma acção inovadora no plano nacional, e até vanguardis-

ferência de Imprensa do Secretário-Geral da Sociedade das Ciências Médicas

ta, na medida em que pressupunha a necessidade de que a actividade científi-

de Lisboa.

ca fosse divulgada e conhecida junto do grande público. .

Este era um momento destinado ao anúncio publico dos vencedores passan-

Criados a partir de uma parceria entre duas instituições que, apesar de já en-

do, a partir de 1963, a contar com a presença dos premiados que apresenta-

tão centenárias, os alicerçaram no paradigma da ciência contemporânea de

vam os seus trabalhos e respondiam a questões da comunicação social.

estimular, cultivar e desenvolver a investigação científica, os Prémios Pfizer cumpriram e continuam a cumprir os seus propósitos na área da saúde em

Tradicionalmente composta por um discurso do Secretário-Geral da Sociedade

Portugal. A sua actualidade permanece, após cinquenta e cinco anos ininter-

das Ciências Médicas de Lisboa, apresentação dos premiados e por interven-

ruptos, ao longo dos quais premiaram, nos seus diferentes níveis, mais de seis

ções destes com a apresentação dos respectivos trabalhos, sujeitando-se

centenas de investigadores em mais de duas centenas de trabalhos, entre as

posteriormente ao escrutínio dos representantes da comunicação social.

mais de oito centenas e meia que foram submetidos.

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Conferência de Imprensa no Hotel Ritz de Lisboa em 06/11/61 - Thomé Villar (Secretário Geral da SCML) anuncia à rádio os vencedores dos Prémios Pfizer de Investigação de 1961.

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Primeira página da declaração de Marques da Gama, Secretário-Geral da SCML, na conferência de imprensa rea-lizada no Hotel Ritz em Lisboa em 16/12/68 para anunciar os vencedores da edição de 1968 dos Prémios Pfizer.

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Conferência de Imprensa na sede da SCML em 6/11/08: da esquerda para a direita - João Taborda Barata (co-autor do Prémio Pfizer de Investigação Básica), Manuel Pestana de Vasconcelos (co-autor da candidatura vencedora da Bolsa de Investigação Pfizer), Fernando Leal da Costa (Secretário Geral da SCML), Rita Cavaleiro (co-autora do Prémio Pfizer de Investigação Clínica) e Carlos Macedo (Director de Assuntos Governamentais e Relações Públicas da Pfizer).

021


na An Nu San Ru Qui Adr no a tia Ca tér ian r Ro i g C E A R i T aR o oZ drig Ca ta lod hia lex po sp An e Pa R e a a i g r rin e s len to od la oL nd ad a M de Re ulo L ues M r o r a a eC Astr igu a pes ed y a C a r gina úcio Jo r id M ast eir Alv Isa -Ca qu es de ão J o v a Augu Jo u o r rva be e ra V o-C s es So osé lho icen lho l Ga s T sé sta ald Joc P u t B e s e e e r a H d u e n r iq lyne pa re C a Alv n o S il sa aim M roso s Silv ue Ca va Sa eC Dem anue r G sa S de L r ntos a H n c e l l es Pere m ruz o . ima l R u n M C e u a R Só i i da Mo M. M nge eb om igu arla D J a Ma i o n r o . a V t a e r d a r o o ic e urí F r g m t d l r t t o l o a e r in o i a S i l v M ig u e l C Oliv ingu nk J. a cio A b a Silva e Man L h e P a r r e ir T Ant u e . a ís B o r g e eira s a Soares reu uel Antón Staal s L u ís a M ónio Lu ís A ug M a r ia d o t a V ie ir us to P ir es da Co io M Ro M a a l a st G o a raça C. P ro v id ên ci a ced anu a r ia G it a E. N ab er Pe O li v e ir a o de dro e s u s M P a u la B a el B J C a e s d t S r o sa M á apt n io a r ia J . Co rt ez Pi m en a r i a d e M e l o Ma nu el Fo nt es Ba ga nh te l nuel M o Antó ista F. a c s M C a a V a o Carm Jo aq uim Sil va Ca rv rlos S . C M. J. Ferr alh o o S.V C r e alh ais Víto

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1.º Prémio: «Coniose experimental pela poeira da cortiça (Suberose experimental)». José Silva Horta e Lopo de Carvalho Cancella de Abreu (Faculdade de Medicina de Lisboa).

1956

2.º Prémio Ex-Aequo: «Aspectos da circulação pulmonar». João Bello de Morais, João Mirabeau Cruz e Ayres de Sousa (Faculdade de Medicina de Lisboa). «A Amni Visnaga na Farmacologia e na Terapêutica». Fernando Peres Gomes (Laboratório de Farmacotecnia da Farmácia Normal).

1.º Prémio: «Metaplasia mielóide agnogénica com e sem osteomielosclerose». J. Cortez Pimentel (Faculdade de Medicina de Lisboa).

Menção Honrosa: «Novo método de irradiação intensiva da hipófise» Carlos Santos (médico radiologista).

Menção Honrosa: «Contribuição para o estudo do papel do sangue dos diabéticos na susceptibilidade destes às infecções». Fernando Nogueira (Bolseiro do Instituto de Alta Cultura), Arminda Cardoso e Leal da Costa (Instituto de Alta Cultura – Centro de Estudos de Bacteriologia).

1957

Menção Honrosa: «A doença grave por sensibilização ao PÁS (revisão da literatura e apresentação de dois novos casos)». Mário de Alenquer (Instituto Bacteriológico Câmara Pestana).

Tijo e Leva (EUA) descobrem o número de cromossomas.

Menção Honrosa: «Estudo ao microscópio electrónico da formação e desenvolvimento do ergastoplasma no pâncreas e fígado embrionários» José Francisco David Ferreira (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Histologia e Embriologia).

Sessão Solene na sede da SCML em 05/11/57: Ayres de Sousa (Presidente da SCML) entrega o prémio a Cortez Pimentel (autor do 1º prémio).

Da esquerda para a direita: Jorge Horta (co-autor do 1º prémio) e J. Almeida Garrett (professor da Faculdade de Medicina do Porto).

1956

2.º Prémio: «Aspectos da fisiofarmacologia da motilidade gástrica» A. Malafaya Baptista, J. A. Guimarães, J. Almeida Garrett e W. Osswald (Faculdade de Medicina do Porto).

1957

George Mathé, francês, faz o 1º transplante de medula óssea. 024


1º Prémio Ex-Aequo: «Método para o estudo do débito circulatório hepático e função fagocitária do fígado utilizando radionuclidos emissores gama». António Manuel Baptista (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil - Laboratório de Isótopos) e Joaquim Silva Carvalho (Faculdade de Medicina de Lisboa). «Contribuição para o estudo da circulação hepática na pericardite constritiva». J. Moniz Bettencourt, J. C. Barreto Fragoso, Joaquim Silva Carvalho e M. J. Ferreira Martins (Faculdade de Medicina de Lisboa).

1958

2º Prémio Ex-Aequo: «Pneumonite crónica intersticial espontânea da cobaia (Cavia Cobaia)». Portela Gomes. (Faculdade de Medicina de Lisboa) «A electroforese na tuberculose pulmonar. Contribuição ao estudo das modificações de proteínas e glico-proteínas séricas pela electroforese em papel». Daniel Serrão e Mário Noro Gomes (Faculdade de Medicina do Porto). Menção Honrosa: «A função respiratória antes e depois da cirurgia pulmonar e o problema do espaço residual após ressecções». Bello de Morais (Faculdade de Medicina de Lisboa) e José Manuel de Sousa Galvão Lucas (Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos – Sanatório D. Carlos I).

António Manuel Baptista (premiado em 1959 e 1979)

Na altura em que fui distinguido pela primeira vez existiam poucos prémios, sendo o Prémio Pfizer

Baltasar Rebelo de Sousa (Subsecretário de Estado da Educação Nacional) entrega o prémio a António Manuel Baptista (co-autor de um 1º prémio).

aquele que tinha mais prestígio e receber o prémio era uma distinção porque como somos narcisistas e gostamos de ser reconhecidos, eu não era diferente, embora existisse também para mim uma distinção de valor acrescido, que era o facto de ter ganho um prémio que não era de física, a minha área de trabalho e de especialização. Este facto revelou um aspecto em que os Prémios Pfizer foram também inovadores na medida em que, apesar dos jurados serem da área da medicina, souberam premiar e distinguir trabalhos liderados por elementos de outras áreas científicas, como foi o meu caso na física. Lembro-me do Professor Aires de Sousa, membro do júri, que me veio felicitar pelo meu trabalho referindo-se a uma “descoberta” da física aplicada à medicina.

Sessão Solene na sede da SCML em 10/11/58: em pé da esquerda para a direita – Galvão Lucas (co-autor da Menção Honrosa), Portela Gomes (autor de um dos 2ºs prémios) Silva Carvalho (co-autor de um 1º prémio), M. J. Ferreira Martins (co-autora de um 1º prémio) e Barreto Fragoso (co-autor de um 1º prémio); sentados da esquerda para a direita - Daniel Serrão (co-autor de um 2º prémio), Eugen Pflanz (Administrador da Pfizer), Jacinto Moniz Bettencourt e António Manuel Baptista (co-autores dos 1ºs prémios) e Bello de Morais (co-autor da Menção Honrosa).

1958 025

Lejeune, Turpine e Gathier (França), descobrem a trissomia 21.


1º Prémio Ex-Aequo «Patologia e clínica tropicais em África». F. S. Cruz Ferreira (Instituto de Medicina Tropical). «Multiplicação de um vírus humano (herpes simplex) num tumor a vírus do ratinho». David Ferreira e Plácido de Sousa (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Histologia).

2º Prémio Ex-Aequo «Aspergiloma bronco-pulmonar». Cortez Pimentel e Fernando Marques (Faculdade de Medicina de Lisboa). «Hormonas tiróideas e compostos afins da saliva». Mário Ceia, José Manuel Sobral e William Clode (Instituto Português de Oncologia).

William Henry Clode (premiado em 1959, 1964 e 1969)

Os Prémios Pfizer, na minha opinião, tinham como principal virtude o facto de constituírem um grande estímulo para a investigação científica, sobretudo a que era efectuada pelos mais novos, porque viam os seus esforços e trabalhos recompensados, não apenas no sentido material, mas também pelo prestígio que passavam a granjear junto dos meios profissionais e académicos. Este facto tornava-se ainda mais importante se tivermos em conta que o júri que os distinguia era composto por personalidades de reconhecido valor, mérito e distinção. O que de certa

1959

forma foi o que se passou comigo, pois a primeira vez que fui distinguido tinha pouco mais de trinta anos de idade. Um prémio é sempre um prémio e pode ter um valor acrescido quando é prestigiante para acrescentar ao currículo e poder obter um maior reconhecimento profissional. Foi o que sucedeu no meu caso, embora considere que não sou a pessoa mais correcta para o avaliar, mas não tenho dúvidas nenhumas de que beneficiei nesse aspecto pelo facto de ter sido premiado.

Sessão Solene na sede da SCML em 26/01/60: premiados - da esquerda para a direita – Cortez Pimentel e Fernando Marques (co-autores de um 2º prémio), Cruz Ferreira (autor de um 1º prémio), Plácido de Sousa e David Ferreira (co-autores de um 1º prémio), William Clode, Mário Ceia e José Manuel Sobral (co-autores de um 2º prémio).

1959

Edward Donnall Thomas, médico dos EUA, realiza o 1º transplante de medula óssea. 026


2º Prémio (não foi atribuído)

1º Prémio «Contribuição para o estudo clínico e laboratorial da paramiloidose de Corino de Andrade». Manuel Ribeiro do Rosário, João Alfredo Figueiredo Lobo Antunes e Fernando Barros (Faculdade de Medicina de Lisboa).

EUA lançam o 1º satélite meteorológico

Realização do 1º bypass de uma artéria coronária no Albert Einstein College

1960

Sessão Solene na sede da SCML em 15/12/60: Baltazar Rebelo de Sousa (Subsecretário de Estado da Educação Nacional) entrega o prémio a Manuel Ribeiro do Rosário (co-autor do 1º prémio).

1960 027

Criação do Centro de Estudos de Neuropatologia - Paramiloidose.


1º Prémio «Alguns factos novos sobre a constituição e a fisiologia das plaquetas sanguíneas». David Ferreira (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Histologia e Embriologia).

1961

2º Prémio «Mecanismo das acções cardiovasculares das heptonolaminas». J. Almeida Garrett, Walter Osswald e M. Gonçalves Moreira (Faculdade de Medicina do Porto). Menção Honrosa «Estudo da secreção clorídrica e histoquímica da mucosa gástrica em indivíduos normais e em várias situações patológicas». J. Pinto Correia, Maria Isabel Filipe e Jacqueline Costa Santos (Faculdade de Medicina de Lisboa) Prémio Pfizer para médicos recém-formados Lisboa «Estudo anátomo-patológico e bacteriológico das cavernas pulmonares tuberculosas durante a quimioterapia». Leonor de Jesus Panasqueira Leandro (Faculdade de Medicina de Lisboa). Coimbra «Alguns aspectos da fisiologia do excretor urinário». Leonídio Dias Mendes Monteiro (Faculdade de Medicina de Coimbra). Porto «Tentativa de interpretação da fibrinólise nos doentes hepáticos». Ramiro Ribeiro Valentim (Faculdade de Medicina do Porto). Sessão Solene na sede da SCML em 08/03/62: da esquerda para a direita Pinto Correia (co-autor da Menção Honrosa), David Ferreira (autor do 1º prémio), Eugen Pflanz (Administrador Delegado da Pfizer), José Almeida Garrett, Walter Osswald e Gonçalves Moreira (autores do 2º prémio).

José David Ferreira (premiado em 1957,1959, 1961, 1981 e 1987)

Os prémios foram lançados a partir de uma ideia do Professor Doutor Xavier Morato, que se revelou positivíssima porque estimulou os investigadores, sobretudo alguns que tinham absoluta necessidade das verbas, dada a quase total ausência de apoios existentes e, neste sentido, os prémios constituíam um complemento aos parcos ordenados que recebiam, para sobreviverem. O trabalho com que fui galardoado em 1959, resultou de uma colaboração com o Plácido de Sousa e o seu objectivo consistia em demonstrar se existia interferências de um tumor benigno como o herpes no tumor mamário do ratinho que era maligno, o que na época só se poderia efectuar com o recurso à microscopia electrónica. A relevância da investigação residia na matéria abordada e, sobretudo, no facto de a demonstração ser feita através do recurso à microscopia electrónica, o que era uma inovação na época em Portugal. Em 1961, o trabalho distinguido com o primeiro lugar, teve na altura uma grande repercussão, tendo sido citado variadas vezes internacionalmente. A base era a seguinte: existia um trabalho anterior, da autoria de Santiago Ramón y Cajal (histologista espanhol, considerado o pai da neurociência moderna e Prémio Nobel da Medicina em 1902) em que, segundo observações com um microscópio óptico, existiam aderências de partículas a plaquetas. Ora, com o meu trabalho e com o recurso a microfotografia, foi provada, sem deixar qualquer dúvida, a existência de fagocitose das partículas. Trataram-se de uma demonstração da fisiologia plaquetária e de uma demonstração histológica muito importantes.

1961

Criação do Instituto Gulbenkian da Ciência. 028


David Ferreira recebe o prĂŠmio.

029


1º Prémio «Contribuição ao estudo da taxonomia do género ‘mycobacterium’». Hugo Lopes David e Maria Odete Ramalho (Instituto Bacteriológico Câmara Pestana).

2º Prémio «Estudo das variações de actividade da deidrogenase da glucose-6-fosfato nos eritrocitos». Carlos Filipe Manso, Lesseps Reis e Estela Monteiro (Faculdade de Medicina de Lisboa).

Estela Monteiro (premiada em 1962)

O Prémio Pfizer que recebi em 1962 foi um estímulo muito grande, sobretudo porque me foi atribuído no início da minha carreira. Apesar de, já então, gostar da actividade investigadora, não tenho dúvidas que foi a atribuição do prémio que me fez definitivamente orientar para a actividade científica, desde a minha tese de licenciatura – que já existia nessa altura e que versou sobre essa mesma problemática – como muitos outros trabalhos, principalmente quando estive em Inglaterra e que tiveram o seu teminus com as provas de doutoramento. O Prémio Pfizer foi também uma honra porque tinha uma credibilidade e uma

1962

representatividade fora de série. Era no fundo um galardão a que era dado um enorme valor e reconhecimento pela comunidade científica e académica. Recordo-me ainda do jantar de honra oferecido pela Pfizer no Hotel Ritz, em que pontificavam grandes personalidades dos meios da medicina como os Professores Celestino da Costa, Lobato Guimarães e Cid dos Santos. Gostaria que a Pfizer continuasse a promover Sessão Solene na sede da SCML em 04/12/62: da esquerda para a direita – Carlos Manso (co-autor do 2º prémio), Maria Odete Ramalho (co-autora do 1º prémio), Estela Monteiro (co-autora do 2º prémio) e Eugen Pflanz (Administrador Delegado da Pfizer).

esse tipo de prémios, porque os considero fundamentais, na medida em que, o progresso da medicina só se faz com a investigação, o que muitas vezes é esquecido, não se reduzindo à actividade curativa de ver doentes. Os Prémios Pfizer actuaram e actuam como um forte estímulo na acção científica, em particular junto dos mais jovens, para que ganhem o gosto pela descoberta e pela investigação, que um galardão como este pode transmitir.

1962

Masaki Watanabe, médico japonês, executa pela 1ª vez uma artroscopia para a meniscectomia. 030


1º Prémio «A influência da hipotermia sobre os efeitos cardiovasculares da excitação simpática e parassimpática e seus mediadores químicos». Manuel José Bragança-Tender e José Manuel Osório de Amorim (Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Fisiologia).

1963

2º Prémio «Influência do exercício físico na fadiga intelectual», José Andresen Leitão (Sociedade Portuguesa de Medicina Desportiva / Instituto Nacional de Educação Física), Melo Barreiros (Instituto Nacional de educação Física – aluno finalista), Teotónio Lima e Paula Brito (Instituto Nacional de Educação Física) e M.J. Laurent-Duhamel (Faculdade de Medicina da Lisboa - Instituto de Farmacologia). Menção Honrosa «Estudo da função exócrina do pâncreas com secretina e pancreozyma». José Manuel Pinto Correia e Fernando Barros (Faculdade de Medicina de Lisboa).

Henrique de Melo Barreiros (premiado em 1963)

A memória do Prémio Pfizer projecta-me, ainda hoje, para essa vivência, elegante e intensa, da gala de atribuição dos prémios no Hotel Ritz, em 1964. É, porventura, estranha esta relevância evocativa. Mas, de facto, para um jovem licenciado, o acesso a um momento social de pendor científico, em convívio com figuras de excelência desta comunidade, foi uma impressiva história de vida. Naturalmente, a imagem de prestígio internacional da empresa e, especialmente, a marca exigente da sua promoção da investigação científica, trouxe-me, ao ser contemplado neste contexto, um destaque curricular que atravessou a minha carreira académica e profissional. Contudo, fulcral e determinante terá sido a circunstância do júri do Prémio Pfizer ter apreendido, com “rigor projectivo”, a visão pioneira do estudo do Trabalho através da fadiga intelectual. Teve o efeito reprodutor

Jantar de Homenagem no Hotel Ritz em 21/01/64: da esquerda para direita – Fernando Barros (co-autor da Menção de Honra), Manuel José Bragança Tender e Osório de Amorim (autores do 1º prémio), Eugen Pflanz (Administrador Delegado da Pfizer), Laurent-Duhamel, Andresen Leitão, Paula Brito e Melo Barreiros (autores do 2º prémio)

1963 031

Valentina Tereshkova, da URSS, é a 1ª mulher a ir para o espaço.

esperado neste tipo de prémios, ao “galvanizar” a autonomização da Ergonomia na Universidade Portuguesa, que viemos a protagonizar na Faculdade de Motricidade Humana.


1º Prémio «Evolução do sarcoma 37 em murganhos CF1 - Aspectos biológicos da cura espontânea do tumor estudados após irradiação e administração de soro ‘imune’» William Clode (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil).

2° Prémio «Hipotermia selectiva do fígado - Estudo experimental de uma nova técnica operatória». Artur Manuel Giesteira de Almeida e José Manuel de Lima Ayres Basto (Estudos Gerais Universitários de Moçambique). Menção Honrosa «A circulação do fígado na regeneração hepática experimental» Alexandre José Linhares Furtado (Faculdade de Medicina de Coimbra).

Alexandre Linhares Furtado (premiado em 1964)

Os prémios para trabalhos científicos eram raros, sendo o Prémio Pfizer uma excepção que aliava o facto de ser

Conferência de Imprensa no Hotel Ritz em 26/11/64: Alexandre Manuel Linhares Furtado (autor da Menção Honrosa) a falar para a comunicação social.

também muito conceituado, o que lhe conferia um grande prestígio. Fui incentivado a concorrer pelo Professor Gonçalves Pereira e tratava-se de uma parte do meu doutoramento. Era realmente um prémio que estimulava as pessoas jovens a produzirem investigações científicas. O trabalho distinguido correspondia a uma parte de uma grande investigação que fiz sobre alterações do fígado, relacionadas com a dege-

1964

neração mesmo em situações cirúrgicas. Tratou-se de muitos tijolos na construção do edifício final que foi a transplantação hepática, porque me preparou extraordinariamente bem do ponto de vista pessoal para Conferência de Imprensa no Hotel Ritz em 26/11/64: da esquerda para a direita - Eugen Pflanz (Administrador Delegado da Pfizer), Alexandre Manuel Linhares Furtado (autor da Menção Honrosa), William Clode (autor do 1º prémio), Thomé Villar (Secretário Geral da SCML), Giesteira de Almeida e Ayres Basto (co-autores do 2º prémio) e Vasco Cardoso (Relações Públicas da Pfizer).

1964

EUA inventam o míssil a laser.

conseguir alcançar esse objectivo. Devo salientar que, na altura, este trabalho foi extremamente divulgado a nível internacional, incluindo em países como o Japão ou a União Soviética. Em termos pessoais foi relevante, porque a atribuição deste prémio conferiu uma imagem da minha pessoa com alguma relevância nos meios científicos, isto é, divulgou-me como investigador e ajudou-me a inserir melhor na comunidade científica.

1965

Entrada em funcionamento do Programa Nacional de Vacinação. 032


1º Prémio «Contribuição para o estudo do sistema linfático pela linfografia». José Manuel Melo de Sousa Pereira (Estudos Gerais Universitários de Moçambique).

2° Prémio «Método isotópico para localização da placenta humana». António Álvares Ribeiro (Faculdade de Medicina do Porto).

1ºPrémio «Reografia intra-cardiovascular - Um método de estudo das variações de volume das cavidades cardíacas e dos vasos». Luís Osvaldo Dias Amado e José António Castel-Branco Mota (Faculdade de Medicina de Lisboa). 2º Prémio (não foi atribuído)

Da esquerda para a direita - Luís Osvaldo Dias Amado (co-autor do 1º prémio), Alexandre Bossart (Administrador Delegado da Pfizer) e José António Castel-Branco Mota (co-autor do 1º prémio).

José Castelo Branco Mota (premiado em 1966)

O significado do prémio com que fui distingui-

1965

1966 Conferência de Imprensa no Hotel Ritz em 17/01/66: da esquerda para a direita - Prof. Doutor Sousa Pereira (representa o filho - José Manuel Sousa Pereira - autor do 1º prémio a cumprir o serviço militar em África), Thomé Villar (Secretário Geral da SCML), John E. Mckeen (Presidente da Pfizer Inc.) e António Álvares Ribeiro (autor do 2º prémio).

1966 033

do em 1966 teve dois aspectos: do ponto de vista científico constituiu um comemorar de mais um avanço no conhecimento do funcionamento do coração por métodos internos; no âmbito pessoal foi significativa porque a ideia que retinha dos prémios era muito positiva, uma vez que tratava de um galardão com um prestígio único em Portugal. Sessão Solene na sede da SCML em 16/12/66: da esquerda para a direita - João Cid dos Santos e Eduardo da Silva Neves (respectivamente Presidente e membro da Direcção da SCML), Carlos Alberto Brito (Subsecretário de Estado da Administração Escolar), José Sarmento de Vasconcelos e Castro (Reitor da Universidade de Lisboa), Alexandre Bossart (Administrador Delegado da Pfizer) e Lobato Guimarães (Bastonário da Ordem dos Médicos).

Khorama, Niremberg e Holley obtêm Prémio Nobel da Medicina pela decifração do código genético.


1º Prémio «Alcalóides da ‘latrorrhiza Palmata’ (Lam) Miers. Isolamento e caracterização. Alguns aspectos das suas acções cardiovasculares». António José de Almeida Silva Graça e Maria Manuela Lopes Marques Leal Carvalhas (Instituto Gulbenkian da Ciência – Laboratório de Farmacologia).

2º Prémio «Acções das catecolaminas e dos seus antagonistas sobre a musculatura lisa das veias do cão». Walter Friedrich Alfred Osswald (Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia) e Serafim Correia Pinto Guimarães (Instituto da Alta Cultura – Centro de Estudos de Medicina Experimental). Menção Honrosa «Estudo Experimental com um novo analéptico respiratório R.T.O.86» José Manuel de Sousa Galvão Lucas, Antero Palma Carlos, Maria Leonor Arsénio Nunes e Maria Laura da Palma Carlos (Hospital de Santa Maria – Serviço de Doenças Pulmonares – Laboratório de Exploração Funcional Respiratória). Menção Honrosa «Determinação do débito circulatório hepático com um novo complexo de albumina radioactiva». Joaquim Silva Carvalho (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Fisiologia), Horácio Novais (Hospitais Civis de Lisboa – Centro de Cardiologia) e Luciana Maria dos Santos Alves Catela Patrício (Laboratório de Física e Engenharia Nucleares).

1967

Prémio Pfizer para médicos recém-formados Lisboa «Estudos sobre a circulação venosa do coração». José António Rebocho Esperança Pina (Faculdade de Medicina de Lisboa). Coimbra «Tromboembolia pulmonar. (Contribuição para o seu estudo clínico, atomopatológico e experimental)». Luís Augusto Pires da Costa Providência (Faculdade de Medicina de Coimbra). Porto «Estudos sobre a regeneração hepática experimental». Carlos Alberto da Silva Lopes (Faculdade de Medicina do Porto).

António Silva Graça (premiado em 1967)

Falar do Prémio Pfizer que me foi atribuído logo no início da minha carreira profissional, então como cientista no Instituto Gulbenkian de Ciência, acabado de inaugurar em Oeiras, é recordar, em primeiro lugar, a colega e amiga com quem elaborei o trabalho premiado, Doutora Manuela Leal Carvalhas, infelizmente tragicamente desaparecida mais tarde quando ainda tinha tanto para nos dar. E é recordar também essa figura ímpar da nossa vida académica e científica, Professor Walter Osswald, que tive a honra de conhecer pessoalmente aquando da entrega dos prémios desse ano, uma vez que foi também

Sessão Solene na sede da SCML em 07/02/68: Inocêncio Galvão Teles (Ministro da Educação Nacional) entrega o prémio a António José de Almeida Silva Graça (co-autor do 1º prémio).

um dos galardoados por tão prestigiado prémio científico, à época o mais relevante. E é recordar ainda esse Instituto de excelência, que foi e é, o Instituto Gulbenkian de Ciência.

1967

Primeiro Transplante cardíaco: realizado no Hospital Groote Schuur na Cidade do Cabo por Christiaan N. Barnard. 034


Walter Osswald (premiado em 1957, 1961, 1967 e 1975)

José António Esperança Pina (premiado em 1967)

035

João Cid dos Santos (Presidente da SCML) entrega o prémio a Julieta Esperança Pina (em representação do seu marido – José António Esperança Pina – autor do prémio para Jovens Recém Formados de Lisboa e ausente a prestar o serviço militar obrigatório em África).

A atribuição dos Prémios Pfizer constituiu para mim, como é óbvio, uma

Todos conheciam o que eram os

honra e um estímulo. Recordo particularmente o primeiro, em 1957, era

Prémios Pfizer e todos aspirariam

eu então um jovem assistente universitário e incipiente investigador, o

a ter um Prémio Pfizer.

mais novo da equipa galardoada (os outros eram os Professores Mala-

No meu caso especial, era um tempo

faya Baptista e Afonso Guimarães e o Doutor José Garrett). Foi uma es-

em que a licenciatura em Medicina era constituída por seis anos e no sétimo

pécie de deslumbramento, confirmado pela aceitação dos nossos tra-

ano era feito um estágio e simultaneamente uma tese de licenciatura (que

balhos para publicação nas revistas internacionais de Farmacologia.

foi já extinta há bastante tempo e que hoje reconhece-se a falta que esse

Nessa edição, o primeiro prémio foi para o malogrado Professor Peres

trabalho final faz). Quando fiz a tese de licenciatura fui contemplado com o

Gomes, também farmacologista e bom amigo. O jantar, no entretanto

mais alto galardão da Faculdade de Medicina de Lisboa, que era constituí-

desaparecido Aviz (de gulbenkiana memória), com alguns dos corifeus

do por dois prémios: um que em que era distinguido o melhor trabalho de

da Medicina portuguesa, foi absolutamente memorável como festival

investigação das teses de licenciatura desse ano – o Prémio Manuel Bento

do espírito a coroar uma bela experiência gastronómica.

de Sousa – e o outro para a melhor classificação atribuída a um aluno no

Qualquer investigador saúda a existência de prémios científicos, des-

acto da sua licenciatura – o Prémio Bello de Morais. Depois incitaram-me a

de que sejam observadas as necessárias condições de transparência,

concorrer ao Prémio Pfizer com esse mesmo trabalho – “Estudo sobre a

isenção e qualidade do júri, reconhecimento pela comunidade científica.

circulação venosa no coração” – e qual foi o meu espanto quando decidi-

Ora, os Prémios Pfizer têm um percurso impecável durante estes mais

ram atribuir-me também o Prémio Pfizer, pelo que nesse ano ganhei os três

de cinquenta anos de existência e gozam por isso de imaculado prestígio.

maiores galardões a que alguém recém-licenciado poderia aspirar.

Devem por isso todos os investigadores nacionais prestar homenagem

O que aconteceu é que entreguei o meu trabalho e fui para a guerra,

a estes Prémios e, sobretudo, a eles concorrer, de modo a contribuírem

embarquei no paquete Huíge em 13 de Novembro. Estive no mato em

para o seu próprio reconhecimento e o honroso estatuto dos Prémios, já

Nabogongo e depois, mais tarde, fui chamado para a Universidade de

que nesta situação (que os americanos apelidariam de winner/winner) se

Luanda em 1968/69. Por isso quando foi a entrega, que ocorreu no Ho-

honram os Prémios através da distinção daqueles que os recebem.

tel Ritz, fui representado pela minha mulher.


João Cid dos Santos (Presidente da SCML) entrega o prémio a Luís Augusto Pires da Costa Providência.

Luís Augusto Providência (premiado em 1967 e 1995)

O facto de me terem sido atribuídos dois Prémios

as distintas do conhecimento médico, o que

Pfizer, em condições temporais e de formação

já então procurávamos seguir. Esse estímulo,

científica inteiramente distintos, levam-me a poder

veio reforçar essa nossa convicção, levando a

aborda-los sob dois diferentes pontos de vista.

que se tivesse mantido como prática corrente

Com efeito, o primeiro desse Prémios, “Prémio para

da nossa actividade clínica e de investigação a

Jovens Investigadores”, foi-me atribuído logo após

procura de mais-valias resultantes da ligação

concluir a minha formação Médica, recompensan-

a outras áreas médicas e à Investigação Bási-

do a qualidade atribuída à minha Tese de Licencia-

ca. Daí decorre o facto de termos investido na

tura, então necessária para se aceder ao grau de

criação de uma Unidade de Investigação Bási-

Licenciado em Medicina. Tendo cumprido logo em

ca e de uma Unidade de Investigação Clínica em

seguida três anos de Serviço Militar obrigatório, dois

Cardiologia, adstritas à Clínica Universitária de

deles em terras longínquas, penso ter sido esse

Cardiologia, que dirigimos, o que tem permitido

Prémio um dos factores que me estimulou a con-

a concretização de vários projectos de inves-

tinuar uma carreira científica e académica depois

tigação, designadamente levando à realização

de regressar a Portugal. Assim, alguns anos mais

de trabalhos no âmbito da investigação trans-

tarde, e depois de um período de formação técnica

laccional.

e científica no Estrangeiro, pude obter o Doutora-

A existência dos Prémios Pfizer, pela sua projec-

mento em Medicina pela Universidade de Coimbra e

ção a nível nacional e pela idoneidade acrescida

a prossecução de uma Carreira Académica, em que

que lhes é conferida pela Sociedade das Ciências

me foi possível atingir o seu grau mais elevado.

Médicas, bem como pela qualidade dos Júris que

O segundo Prémio, que recebi já como Doutor

os atribuem, é seguramente um estímulo para a

e Professor da Faculdade de Medicina, teve a

investigação médica portuguesa e em particular

ver com um trabalho multidisciplinar, em que a

para os seus jovens investigadores. Estes podem

aplicação de novas tecnologias originais se fez

através deles obter o estímulo necessário à opção

em várias áreas médicas, designadamente na

por uma actividade científica, que muitas vezes se

da Cardiologia, a que me dedico. O reconheci-

vê rodeada de dificuldades aparentemente inul-

mento da qualidade desse trabalho, poderá ter

trapassáveis e para cuja prossecução se torna

sido para nós a confirmação do interesse da

necessária a existência de incentivos que, como

investigação multidisciplinar, envolvendo áre-

estes, podem minorar as dificuldades sentidas.

036


2° Prémio «Labirinto ósseo do Homem, (Estudo feito em fetos, lactentes e adultos)». Fernando Portela Gomes (Faculdade de Medicina de Lisboa).

1º Prémio (não foi atribuído).

Captação fotográfica do 1º nascer da Terra visto da Lua pelos astronautas dos EUA a bordo da nave Apollo 8 na órbita lunar.

1968

Sessão Solene na sede da SCML em 17/12/68: José Hermano Saraiva (Ministro da Educação Nacional) entrega o prémio a Portela Gomes.

1968 037


1º Prémio «Lesões difusas do interstício alveolar - Estudo anátomo-patológico». João Lobo Antunes (Hospital de Santa Maria - Serviço de Neurologia - interno do Internato Geral).

A equipa de Linhares Furtado realiza nos Hospitais Universitários de Coimbra (HUC) o 1º transplante renal de um dador vivo.

2° Prémio «Contribuição para o estudo do significado da baixa do poder histaminopéxico sérico nas doenças alérgicas de tipo l». Antero Manuel Guimarães da Palma Carlos (Faculdade de Medicina de Lisboa – Serviço de Propedêutica Médica) e Maria Laura Alves de Almeida da Palma Carlos (Instituto de Alta Cultura – Núcleo de Estudos Clínico Hematológicos). Menção Honrosa «Carcinogénese induzida por radiação gama-incidência, evolução e aspectos histopatológicos de tumores obtidos por irradiação com cobalto-60 e da metade direita do mergulho fêmea». Maria Brites Patrício, William Henry Clode (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil) e José Luís Almeida Ricardo.

1969

Menção Honrosa «Alguns aspectos cirúrgicos da uteropatia obstrutiva da bilharzíase geniturinária». Adriano Fernandes Pimenta (Hospital de Santo António – Serviço de Urologia).

Sessão Solene na sede da SCML em 24/02/70: Mesa de Honra – da esquerda para a direita – Eduardo Silva Neves e Artur Torres Pereira (Secretário Geral Adjunto e Secretário Geral da SCML), Abreu Faro (Presidente do Instituto de Alta Cultura), Justino Mendes de Almeida (Subsecretário de Estado da Administração Escolar), Jorge Horta (Presidente da SCML) a discursar, Alexander Bossart (Administrador Delegado da Pfizer) e Rolando Moisão (Membro da Direcção da SCML).

1969

Chegada do homem pela 1ª vez à superfície da Lua. 038


João Lobo Antunes

Antero da Palma Carlos

(premiado em 1969)

(premiado em 1967 e 1969)

Concorri aos Prémios Pfizer em 1969 com um trabalho sobre patologia

Quando recebi pela primeira vez o Prémio Pfizer em 1967, tratava-se

pulmonar que tinha constituído a minha tese de licenciatura. Confesso

praticamente do único galardão de distinção para trabalhos de inves-

que quando o submeti julgava que o seu destino era para uma catego-

tigação existente no país, não existiam outras referências e encon-

ria “júnior” e afinal incluíram-no nos “mais crescidos”. Sempre lamentei

trava-se relacionado com a SCML, que tinha nessa época um prestígio

a extinção dessas teses, porque para muitos jovens médicos, eram a

e um reconhecimento extraordinários. O trabalho que apresentei foi

única oportunidade de fazer um trabalho de investigação.

posteriormente publicado em revistas estrangeiras e era pioneiro nas

Na cerimónia de entrega dos prémios, o Professor João Cid dos San-

questões relativas às alergias, não só a nível nacional mas também eu-

tos, Presidente da SCML, disse duas coisas que nunca esqueci (já lá

ropeu, porque retirando o caso dos americanos, ninguém ainda tinha

vão mais de quarenta anos!): “os portugueses não têm o hábito do me-

feito um estudo do metabolismo da histamina.

cenato!”. E ainda: “A medicina em Portugal não irá progredir enquanto

Posteriormente o panorama da investigação mudou bastante, sobre-

os ricos deste país se forem tratar no estrangeiro”.

tudo nestes últimos dez anos, com a explosão da investigação básica, de tal forma que quase já não existe investigação clínica, que é mais complicado. Apesar de consistir num avanço muito louvável, mas a investigação com doentes é fundamental e encontra-se muito desprezada, pelo que a manutenção do prémio de investigação clínica assume uma grande importância.

039


1º Prémio Pfizer de Investigação «A distribuição da substância amilóide - Estudo em microscopia óptica de casos generalizados de autópsia». José João Gomes de Oliveira (Interno dos Hospitais Civis de Lisboa)

2° Prémio Pfizer de Investigação «Acção biológica da luz. Revisão da sua importância em biologia humana e observações morfológicas experimentais». Alexandre de Sousa Pinto (Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Anatomia “Prof. J.A. Pires de Lima”). Menção Honrosa «Papel do fígado nas variações da concentração plasmática do potássio desencadeadas pela adrenalina. Estudo experimental». Jorge Manuel Mergulhão de Castro Tavares (Faculdade de Medicina do Porto). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Tumores induzidos pelo adenovírus Tipo 12 - Relações entre antigéneos celulares específicos do vírus». João Manuel Vasconcelos Costa (Bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian no Instituto Gulbenkian de Ciência – Laboratório de Biologia Celular).

Venera 7, sonda soviética, é a primeira a pousar em Vénus.

1970

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Pulmão dos operários da indústria do plástico». Francisco Brás Gomes (Faculdade de Medicina de Lisboa – aluno finalista).

Sessão Solene na sede da SCML em 15/12/70: da esquerda para a direita – Caria Mendes (membro da Direcção da SCML), Francisco Brás Gomes (autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores), Artur Geraldes (representante de Vasconcelos Costa, autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores), Alexandre Sousa Pinto (autor do 2º Prémio de Investigação), Abreu Faro (Presidente do Instituto de Alta Cultura e representante do Ministro da Educação Nacional), Jorge Horta (Presidente da SCML), Alexander Bossart (Administrador Delegado da Pfizer), Gomes de Oliveira (pai e representante de José João Gomes de Oliveira autor do 1º Prémio de Investigação), Castro Tavares (autor da Menção Honrosa), Artur Torres Pereira, Silva Neves e Pena de Carvalho (respectivamente Secretário Geral, membro da Direcção e Secretário Geral Adjunto da SCML.

1970

Surgem nos EUA as videocassetes. 040


José João Gomes D’ Oliveira (premiado em 1970)

João Vasconcelos Costa (premiado em 1970)

Quando recebi o prémio era ainda um jovem e encontrava-me em Paris

Fui o primeiro galardoado com um prémio muito importante – o Prémio

a efectuar um estágio, pelo que não estive presente nas respectivas

Pfizer para Jovens Investigadores – atribuído em 1970. Apenas mui-

cerimónias. Tratava-se de um grande estímulo, pois o prémio era muito

to mais tarde, só já como orientador e formador de jovens, é que se

prestigiado e via deste modo reconhecido o meu trabalho, o que me

começou a valorizar a relevância dos mais novos nos domínios da in-

encheu de orgulho e de grande satisfação, apesar de não ter sido a

vestigação científica, porque toda a tradição tinha como objecto valo-

primeira vez que fui distinguido A importância do prémio advinha da

rizar os investigadores e os professores já consagrados. Foi portanto

sua já longa existência, do seu pioneirismo na distinção da investiga-

altamente pioneiro da parte dos Prémios Pfizer valorizar o papel dos

ção científica na área da medicina, da qualidade dos júris e do conjunto

jovens investigadores, e eu orgulho-me de ter sido o primeiro contem-

dos laureados. Por estes factos, à satisfação que tive da atribuição

plado. Este facto não deixou de constituir um grande factor de estímu-

aliei a gratidão à Pfizer por ter uma iniciativa que, na época, era um

lo para quem era tão novo, e para quem as perspectivas de uma car-

caso único.

reira não eram ainda muito promissoras. Tratou-se de enorme estímulo e jamais o esqueci.

041


1º Prémio Pfizer de Investigação «Interpretação histo-dinâmica das reacções epitéliomesenquimatosas biliares na colestase experimental». Daniel dos Santos Pinto Serrão e Waldemar Botelho Cardoso (Faculdade de Medicina do Porto).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Estudo dos efeitos de alguns tióis sobre as imuno-globulinas». Gabriel Virella Torras (Instituto Gulbenkian da Ciência – Centro de Biologia). Menção Honrosa «Aspectos ultra-estruturais normais dos oócitos dos folículos multilaminares de ovários de criceto (Mesocricetus auratus) e patológicos, provocados pelos anovulatórios (Mestranol e Clormadinoma)». Rogério dos Santos Cardoso Teixeira (Faculdade de Medicina de Coimbra). Menção Honrosa «Contribuição para o estudo imunológico do cancro da mama humana». Maria Amélia Salgadinho Silveira Nunes e Joaquim António Machado Caetano (Faculdade de Medicina de Lisboa).

Inauguração do Centro de Reabilitação da Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian em Lisboa.

1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

1971

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Acerca da necessidade do planeamento familiar em Portugal». Regina Guedes da Silva Mendes, Marina Martins de Oliveira, Maria Manuela Ramos Nunes Martins, Maria Teresa Possante Marques, Maria Isabel Marques Cadete, Maria da Graça Antunes, Laura Barreto, Caetano Francisco Xavier da Piedade Correia Jr. e José Manuel Ramos Gonçalves (Faculdade de Medicina de Lisboa – alunos finalistas). Conferência de Imprensa na sede da SCML em 10/04/72. Mesa de Honra – da esquerda para direita - Alexander Bossart (Administrador Delegado da Pfizer), Rogério dos Santos Cardoso Teixeira (autor da Menção Honrosa A), Daniel Serrão (co-autor do 1º prémio), Pena de Carvalho (Secretário Geral Adjunto da SCML), Gabriel Virella Torras (autor do 2º prémio), Joaquim António Machado Caetano (co-autor da Menção Honrosa B) e Maria Teresa Marques (co-autora do 2º Prémio para Jovens Investigadores).

1971

Damadiam (EUA) utiliza a ressonância magnética nuclear para a detecção de tumores. 042


Daniel Serrão

Gabriel Virella

(premiado em 1958 e 1971)

(premiado em 1971 e 1973)

O Prémio de 1958, tinha eu 7 anos de formatura e 5 de trabalho em

Em 1966 tive o meu primeiro contacto com um laboratório de inves-

investigação, foi um incentivo formidável, porque olhei para mim, pre-

tigação, quando escolhi como tema da minha tese de licenciamento

miado por um Júri com as maiores figuras da Medicina de então, não

em Medicina pela FML o estudo das “Alterações das Proteinas Séricas

como um obscuro e bisonho Assistente de Anatomia Patológica numa

em Algumas Hemopatias Malignas”. Este estudo introduziu-me ao cam-

Faculdade da Província (Porto) mas como um igual aos grandes.

po da Imunologia e tive a grande oportunidade de ingressar em 1967

O Prémio de 1971 foi já para uma investigação madura, relacionada com

no Instituto Gulbenkian de Ciência. O único imunologista na altura. Dois

a Tese de Doutoramento de Valdemar Cardoso que comigo recebeu,

anos de estágio na Inglaterra em 1968-69 como bolseiro da FCG segui-

com prazer, o Prémio.

ram-se pelo meu reingresso no IGC onde continuei estudos sobre a es-

Na época em que foram criados quase não havia incentivos públicos

trutura das imunoglobulinas iniciados na Inglaterra, trabalhando com

à investigação na área da Medicina, pelo que os Prémios Pfizer consti-

técnicas analíticas que depois apliquei ao estudo de outras situações

tuíam um apoio desejado por muitos. Lembro ter feito parte do júri, num

patológicas, tais como as nefropatias. Os resultados destes estudos

ano, e ter podido apreciar a qualidade da totalidade dos trabalhos que

foram a base dos trabalhos premiados em 1971 e 1973. Para um jovem

eram apresentados o que bem dificultava a tarefa do Júri.

investigador tentando estabelecer credenciais num meio um tanto

Apesar de hoje existirem outras fontes de apoio aos investigadores

indiferente, os Prémios Pfizer representaram dois factores importan-

nesta área, os Prémios Pfizer, porque se dirigem à excelência, conti-

tes na minha evolução: incentivo e reconhecimento. O impacto destes

nuam a ter um lugar privilegiado.

factores na minha carreira foi extremamente positivo e sempre me sentirei em divida com os Laboratórios Pfizer e com a Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa pelo apoio à investigação médica em Portugal de que eu e muitos outros beneficiamos.

043


1º Prémio Pfizer de Investigação «A área auditiva do córtex cerebral». Alexandre Alberto Guerra de Sousa Pinto (Faculdade de Medicina do Porto).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Alguns aspectos da sutura nervosa periférica». José Carvalho de Oliveira (Faculdade de Medicina do Porto). Menção Honrosa «Conexões auditivo-visuais. Contribuição experimental para a sua interpretação». Manuel Maria Paula Barbosa (Faculdade de Medicina do Porto). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Acções cardiovasculares da ubaína mediadas pelo sistema nervoso central». Joaquim Alexandre Ribeiro (Instituto Gulbenkian de Ciência – Laboratório de Farmacologia do Centro de Biologia).

1972

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Novos aspectos anátomo-clínicos e experimentais das pneumopatias provocadas por fungicidas». Amadeu de Oliveira Peixoto de Menezes (Faculdade de Medicina de Lisboa – aluno finalista).

Alexandre Sousa Pinto (premiado em 1970 e 1972)

Os Prémios Pfizer foram e continuam a ser uma iniciativa muito importante e que tiveram muita influência no desenvolvimento da investigação científica em Portugal, pelo que me merecem o maior respeito e atenção. Todas as pessoas que estavam relacionadas com a investigação conheciam e ambicionavam ser distinguidas com um Prémio Pfizer, porque se tratava praticamente da única distinção do género que existia no país. Hoje em dia a situação alterou-se um pouco porque existem outros prémios importantes, por isso, na altura, era um objectivo e um desejo muito grande receber um troféu que era o único. Acrescia ao seu valor científico, o facto de que naqueles anos, o apoio à investigação e actividade científica era quase inexistente, ao contrário do que veio a acontecer mais tarde. Os Prémios Pfizer constituíram um estímulo ímpar para a investigação científica portuguesa ao longo de mais de cinquenta anos. E durante mais de metade

Sessão Solene na sede da SCML em 28/11/72: da esquerda para a direita – Manuel Maria Paula Barbosa (autor da Menção Honrosa), Amadeu de Oliveira Peixoto de Menezes (autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores), José Carvalho Oliveira (autor do 2º prémio), Alexandre Alberto Guerra Sousa Pinto (autor do 1º prémio), Santos Matos (representante do Ministro da Educação Nacional), Jorge Horta (Presidente da SCML), Alexander Bossart (Administrador Delegado da Pfizer) e Álvaro Rodrigues (Director da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto).

desse período, constituíram o único galardão significativo que existia entre nós. Trata-se, só por si, de um facto extremamente importante, a que se junta outro, de o seu estímulo ter sido transversal, ou seja, não se restringiu a esta ou aquela área da medicina, constituindo uma verdadeira recompensa a quem se dedicava à investigação. A partir de determinada altura converteuse num importante galardão para as teses de doutoramento, porque durante os primeiros trinta anos de existência dos Prémios Pfizer, os doutoramentos eram, na sua quase totalidade, feitos às custas dos próprios doutorandos, pelo que os prémios constituíram um apoio fundamental.

1972 Godfrey Newbold Hounsfield, engenheiro inglês, cria a 1ª máquina de tomografia axial computorizada (TAC). 044


Joaquim Alexandre Ribeiro (premiado em 1972 e 2002)

045

Em meados dos anos sessenta quando iniciei a minha actividade de

na base do início das minhas publicações científicas internacionais.

investigação no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), ser galardoado

Após regresso de Edinburgh e ainda no IGC incentivei os meus estu-

com o Prémio Pfizer, era então obter o mais prestigiado Prémio na

dantes a concorrerem ao prémio tendo sido também galardoados. Foi

área Médica. Diria que era praticamente o único que premiava sobre-

o caso dos Professores Alexandre de Mendonça e Patrícia Canhão

tudo investigação com base experimental. Tal abria uma avenida para

(actualmente Professores da Faculdade de Medicina da Universida-

o futuro sobre a natureza das investigações que deveriam ter lugar

de de Lisboa), a Professora Emília Monteiro (actualmente Professora

nas Faculdades de Medicina. Foi pois com entusiasmo que o meu Tutor

da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa),

no IGC – Professor Fernando Peres-Gomes me incentivou a concorrer

O Professor Paulo Correia de Sá (actualmente Professor do Instituto

com os resultados por mim obtidos no início dos anos setenta. O fac-

de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto). Com

to de ter sido premiado estimulou que posteriormente submetesse

estes exemplos refiro a importância que o Prémio teve para os meus

três artigos, relacionados com o conteúdo científico do Prémio, in ex-

estudantes de Doutoramento. Penso, pois, que até anos recentes o

tenso, a revistas internacionais arbitradas, concretamente: revista

Prémio Pfizer continuou a ser um prémio de referência para a inves-

Neuropharmacology, revista Journal of Pharmacy and Pharmacology

tigação Médica e Biomédica (e mais recentemente também aberta a

e na revista Pharmacology. Foram estas publicações que estiveram

não médicos) portuguesa.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Provas de fixação da tiroidea. Novo método para a captação do Tr-99 m Pertectato». Pefer Josef Ell (Assistente do Laboratório de Física Nuclear da J.E.N.).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Inactivação da noradrenalina endógena libertada por estimulação eléctrica em preparações isoladas de veia ‘in vitro’». Fernando Brandão (Hospital de São João – Serviço de Propedêutica Médica) e Serafim Guimarães (Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia). Menção Honrosa «Contribuição ao estudo dos traumatismos das artérias de irrigação do cérebro». José Manuel Melo de Sousa Pereira (Faculdade Medicina de Lisboa e Investigador do Instituto de alta Cultura no Centro de Estudos de Medicina Experimental Secção de Cirurgia Experimental). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Separação electroforética de proteínas em gel de poliacrilamida - S.D.S. Noções teóricas e algumas aplicações». Gabriel Virella Torras (Instituto Gulbenkian da Ciência – Centro de Biologia).

Martin Cooper, engenheiro electrotécnico dos EUA, realiza a 1ª chamada de um telemóvel.

1973

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Imunoglobulina IgA humana: Alguns estudos estruturais e fisiopatológicos». Isabel Maria Ribeiro Marques Coelho (Universidade da Pensilvânia – Centro de Pesquisa de Saúde Oral) e Maria Teresa Pereira Paramés (Faculdade de Medicina de Lisboa).

Sessão Solene na sede da SCML em 10/12/74: da esquerda para a direita - José Manuel Melo Sousa Pereira (autor da Menção Honrosa), Maria Teresa Pereira Paramés (co-autora do 2º Prémio para Jovens Investigadores), Peter Ell (autor do 1º prémio), Serafim Guimarães (co-autor do 2º prémio) e Fernando Brandão (co-autor do 2º prémio).

1973 046


Petter Ell (premiado em 1973)

Maria Teresa Paramés (premiado em 1973)

No princípio da década de 70, as provas de função tiroideia (radioimu-

Para mim foi uma recompensa precoce de uma vida de trabalho que

noensaio e outras) estavam no começo do seu desenvolvimento. Para

tinha começado 2 ou 3 semestres antes, no LABORATÓRIO DE IMUNO-

a tese de mestrado em medicina nuclear na Universidade de Londres

QUÍMICA do Instituto Gulbenkian de Ciência de Oeiras. Nessa altura era

tivemos a oportunidade de criar uma nova metodologia de medição da

aluna do 5º ano de medicina, em 1972, e ia 3 vezes por semana passar

função da tiroideia, utilizando um novo colimador e uma técnica de me-

as tardes ao Laboratório do Centro de Ciência, onde o Gabriel Virella que

dição da captação sem imagem.

também ganhou um prémio nesse ano, era investigador.

Estabeleceram-se padrões de normalidade e substituiu-se uma técni-

Éramos 2 estagiárias, a acabar o curso de medicina (a Isabel Coelho,

ca mais antiga baseada em contadores de Geiger e iodo marcado com

tão dedicada como eu) e o nosso trabalho sobre a IgA secretória diver-

uma metodologia moderna, baseado no radionuclido tecnesio-99m.

tia-nos, levava-nos a desejar passar lá muitas vezes o fim-de-semana.

Hoje, o tecnesio-99m faz parte do arsenal de rotina da cintigrafia e

Aprendemos que o estudo, o trabalho, a investigação eram divertidís-

imagem da tiroideia, com medição das taxas de captação.

simos porque sabíamos mais que os nossos colegas, podíamos falar

O Prémio Pfizer para jovens licenciados estimulava particularmente o

de “artigos” acabados de sair em revistas internacionais, podíamos

envolvimento na investigação clínica médica, um estímulo necessário

publicar nessas revistas, e quem sabe até poderíamos vir a ganhar um

para evitar uma carreira orientada apenas pela prestação de serviços

prémio Pfizer! ….

e não pelo desejo de fazer melhor...

O prémio, para alem da recompensa económica que nessa altura da nossa vida foi significativo, foi para mim um excelente e raro cartão-de-visita, no início de um Curriculum que tantas vezes foi escrito, lido e apreciado com comentários elogiosos (pela obtenção do prémio, claro) por parte de diversos júris de provas académicas. Ganhar esse prémio imprimiu muito entusiasmo ao trabalho e ao estudo nos anos mais precoces da minha carreira profissional e creio que é esse o principal efeito que tem tido em muitos jovens!

047


1º Prémio Pfizer de Investigação «Digitálicos na circulação extracorporal». Fernando Peres Gomes, J. Lopes Galvão e Maria Lourdes Gonçalves (Instituto Gulbenkian da Ciência).

Menção Honrosa «Estudo epidemiológico e clínico de 100 casos hepatite aguda a vírus-Correlação com o antigénio Austrália (Antigénio B)». Rui Proença (Chefe dos Serviços de Medicina dos Hospitais Civis de Lisboa) e Jorge de Mello Vieira (Graduado de Medicina dos Hospitais Civis de Lisboa). Menção Honrosa «Patch de tecido fascio-peritoneal». Américo Diniz da Gama (Hospital de Santa Maria – Interno na especialidade de cirurgia e Bolseiro do Instituto de Alta Cultura).

Inclusão da vacina contra o sarampo no Plano Nacional de Vacinação.

1974

1974

2º Prémio Pfizer de Investigação «O pé ósseo». Armando Oliveira Moreno (Faculdade de Medicina de Lourenço Marques – Instituto de Anatomia Humana).

1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Para uma semiologia cerebral não invasiva». António Rosa Damásio, Alexandre Castro-Caldas, Eduardo Sousa Calhau, Hanna Briidt Damásio, Jorge Teixeira Grosso, José Manuel Ferro e Nuno Lobo Antunes (Faculdade de Medicina de Lisboa – Centro de Estudos Egas Moniz – Laboratório do Estudo da Língua). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Imunoglobulina IgA humana: Alguns estudos estruturais e fisiopatológicos». Isabel Campos Lencastre, Isabel Silva Ribeiro e Isabel Macedo João (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Anatomia Patológica e Sanatório D. Carlos I – Serviço de Anatomia Patológica).

Descoberta do elemento químico sintético Seabórgio 048


1º Prémio Pfizer de Investigação «Biologia celular da secreção sebácea». José Mesquita Guimarães (Faculdade Medicina do Porto – Instituto de Histologia e Embriologia “Abel Salazar”).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Método de aplicação clínica para a determinação do débito circulatório e volume vascular regional da retina». José Guilherme Fernandes da Cunha Vaz (Universidade de Coimbra - Clínica Oftalmológica) e J. J. P. de Lima (Universidade de Coimbra – Departamento de Física). 3º Prémio Pfizer de Investigação (Extraordinário) «Derivados Tetrahidroisoquinolíticos obtidos por condensação da adrenalina com o aldeído acético: Preparação, características químicas e acções farmacológicas». W. Osswald (Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia), J. Polónia e M. A. Polónia (Faculdade de Farmácia do Porto – Laboratório de Química Orgânica).

1975

1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Conexões eferentes do córtex cerebral para o corpo geniculado medial – Subsídio para a compreensão de aprendizagem por via auditiva». Celso Pontes e Fernando Falcão Reis (Bolseiros do Instituto de Alta Cultura). 2° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

José Cunha Vaz (premiado em 1975)

A noção que se tinha claramente é que os Prémios Pfizer eram os que davam maior prestígio em Portugal, por isso foi para mim com grande satisfação que fiz parte de um grupo que foi distinguido. Tratava-se de um trabalho na área da engenharia biomédica e em que pontificava o Professor Pedroso de Lima e em que nos preparámos para concorrer ao Prémio Pfizer porque considerávamos que era um galardão muito interessante, pessoalmente não tanto pelo valor mas pelo prestígio de que desfrutam. Uma consequência parcial desse facto foi que o trabalho galardoado foi alvo de publicações e considerado de relevância a nível internacional. Não teve desenvolvimentos práticos dadas as condicionantes técnicas que existiam, nomeadamente por parte dos doentes que não conseguiram manter uma fixação durante o período do exame. Como balanço final a minha opinião só pode ser positiva, de elogio e sobretudo fazer votos para que se possa manter porque se trata de uma oportunidade para galardoar muitos dos trabalhos desenvolvidos aqui em Portugal e que tem uma longevidade considerável.

1975 049

Início da comercialização do Atair 8800, o 1º computador pessoal (Janeiro).


1º Prémio Pfizer de Investigação «Enzimas proteolíticos e seus inibidores. Importância da antitripsina do soro». Carlos Manso, Helena Geada, J. Albino, António Ventura e João Fonseca (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Química Fisiológica), Ramiro Ávila e Thomé Villar (Faculdade de Medicina de Lisboa – Departamento de Pneumotisiologia).

1976

2º Prémio Pfizer de Investigação «Estudo morfométrico ultraestrutural dos terminais musgosos do cerebelo (pombo, rato e homem)». Manuel Maria Paula Barbosa e Manuel Alberto Sobrinho Simões (Bolseiros do Instituto de alta Cultura e Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Anatomia “Prof. J.A.Pires de Lima” e Laboratório de Anatomia Patológica).

Manuel Sobrinho Simões (premiado em 1976)

Considero os Prémios Pfizer como uma distinção da qualidade, que vale a pena manter, como tudo o que se destina a reconhecer o mérito, porque Por-

1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Valor diagnóstico do estudo laboratorial da função nervosa superior nos tumores intracraneanos: revisão de 41 casos de tumores dos hemisférios cerebrais». A. Castro Caldas, A. Monteiro Trindade, N. Lobo Antunes, J. M. Cabral Ferro, J. Teixeira Grosso, J. M. Bravo Marques e Maria Amália Silveira Botelho (Faculdade de Medicina de Lisboa – Centro de Estudos Egas Moniz – Laboratório do Estudo da Língua).

tugal necessita de exemplos e estes só se verificam quando se premeia e

2° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Contribuição para o estudo dos efeitos mutagénicos de fotoprodutos do triptofano» José Alexandre de Gusmão Rueff Tavares (Faculdade de Medicina de Lisboa – aluno do 5º ano e Instituto Gulbenkian da Ciência – Grupo de Genética Molecular).

TIMUP, porque não se trata de mim enquanto sujeito, mas sou eu enquanto

estimula a qualidade. Não podemos continuar a viver numa sociedade em que não existem mecanismos de recompensa e, como tal, acaba-se por castigar a competência. Os Prémios Pfizer foram um exemplo precursor do reconhecimento de que existia no nosso país uma comunidade científica que executava trabalhos com interesse e com qualidade, que não tinham qualquer tipo de divulgação pública, porque os média não estavam empenhados em efectuar qualquer género de cobertura da ciência. Foram particularmente importantes para o pequeno número de jovens portugueses que queriam ser cientistas, porque Portugal era então um país ainda mais atrasado do que é hoje em dia. A consideração pelos prémios Pfizer é ainda maior, enquanto Director do IPAresponsável por umas dezenas largas de jovens entusiastas que acham que podem fazer um percurso científico sólido e que a sociedade reconhece o seu valor como personalidades capazes de melhorar o seu sistema de ensino. Penso que não se pode dissociar a ciência do ensino, os prémios de investigação não se esgotam na simples atribuição, os vencedores têm a obrigação de transmitir os resultados do que investigaram. Entendo que a dimensão social dos prémios é muito superior à dimensão económica. Por tudo isso, como director de uma instituição científica, tomara eu que existissem

1976

Robert Metcalfe (engenheiro informático dos EUA) e David Boggs, seu assistente, revelam a descoberta da Ethernet (tecnologia de interconexão para redes locais). 050


mais prémios a que os meus investigadores pudessem concorrer, pois considero que é o que de melhor pode haver.

Artur Torres Pereira é eleito Presidente

Sobre a minha experiência como vencedor ela foi muito interessante, porque

da Direcção da SCML

na altura trabalhava com o professor Manuel Barbosa, que era um neuro-

Mandato: 1977/1985

anatomista notável, que trabalhava sobretudo em modelos animais e não ti-

Celebrem-se com júbilo e

nha um reconhecimento social, ao invés de mim, como era patologista e fazia

homenageiem-se 55 anos

diagnósticos, já obtinha um certo reconhecimento social, sobretudo entre os

dos Prémios criados e garantidos pela SCML e pela

meus pares. A minha participação traduziu-se numa acção secundária, visto

Empresa Pfizer.

que me limitei a ajudar o Professor Manuel Barbosa, a quem de resto é de-

O meu depoimento baseia-se na experiência de 22 anos na Direcção

vido todo o mérito. Ficámos muito felizes quando se ganhou o Prémio Pfizer,

da SCML, como secretário ou presidente, de 1963 a 1985.

tanto mais que ele foi precursor de uma nova atitude que começou a surgir,

Como secretário tive o privilégio de acompanhar Cândido de Oliveira,

ao ver reconhecido o trabalho de um neuroanatomista, chamando a tenção

João Cid dos Santos e Jorge Horta. O primeiro que me chamou para a Sociedade, Cid dos Santos que me irradiou com fulgurante cultura,

para coisas que se faziam fora do “mainstream” de então. Foi muito gratifi-

inteligência e simpatia humana, e o último que me designou Presiden-

cante também por ter permitido ter o gosto e o prazer por interposta pessoa.

te da Sociedade.

Assemelha-se à sensação que tenho enquanto Director do IPATIMUP, porque

Ao longo desses 14 anos vivíamos, em cada ano, a festa da Sociedade:

tenho mais prazer e gosto quando os nossos jovens são distinguidos ou, nes-

a entrega dos Prémios Pfizer, cerimónia a rigor, presidida por ministro, na mesa todos trajando casaca. Essa festa anual consagrava a nata

te caso, um amigo mais do que nós próprios. Inclusivamente existe até um

da investigação médica em Portugal, mas já prenunciava a polémica

pouco de vergonha quando somos nós a receber um prémio, por isso quando

no julgamento dos júris, da valorização entre investigação básica e in-

somos recompensados por interposta pessoa, sentimos todo o prazer e ale-

vestigação clínica, possíveis diferenças e complexidade, dificuldade de execução ou mais valia pela eventual originalidade/criatividade. Essa

gria da conquista sem ter a vergonha associada, porque existe um elemento

clarificação só se deu 35 anos mais tarde com João Lobo Antunes.

de poder sempre presente no facto de se ser galardoado.

Uma apreciação justa dos Prémios Pfizer deverá reconhecer a sua

O orgulho que eu senti foi muito uma espécie de recompensa pelo trabalho do

característica quase pioneira na importância e exigência, durante

outro, o que revela que na ciência biológica não existe uma ciência individu-

meio século, no fomento da investigação básica e clínica em Lisboa, Porto e Coimbra, acompanhando 55 anos de progresso da Ciência

al e percebemos que fazemos parte de uma comunidade científica e que os

Medica. Eles substituiram o estimulante desafio dos trabalhos verda-

prémios são de equipas, algumas delas internacionais, sendo parte integrante

deiramente criativos comunicados a sociedades científicas. Hoje, na

de uma cadeia. Por isso devemos perceber que devemos ter gosto quando ganhamos sozinhos, mas mais ainda quando triunfamos acompanhados, o

nova versão, é ainda a Sociedade das Ciências Medicas de Lisboa a contemplada, agora apoiando e albergando os Prémios Pfizer. Assim germina, anualmente, a semente que Xavier Morato lançou à terra.

que significa que além de termos feito algo com piada conseguimos juntar-nos a outro ou outros, o que na nossa cultura é um facto muito raro.

1977 051


1º Prémio Pfizer de Investigação «Crio-fractura da glândula mamária em lactação: participação e alterações estruturais da membrana acinar durante a secreção de gotas lipídicas». A. Peixoto de Menezes (National Institute for Health – Nacional Cancer Institute nos EUA) e P. Pinto da Silva (National Institute for Health – Nacional Cancer Institute nos EUA - Laboratório de Patofisiologia, Chefe da Secção de Biologia da Membrana).

1977

2° Prémio Pfizer de Investigação «Análise e caracterização estrutural de formações cristalinas intra-hepatocitárias em fígados humanos». Jorge Manuel de Oliveira Soares (Hospital de Santa Maria - interno de policlínica e Faculdade de Medicina de Lisboa - Unidade de Microscopia Electrónica), Fernando António de Oliveira Carvalho Rodrigues (Laboratório de Física e Engenharia Nuclear - Grupo de física dos Plasmas) e José Frederico de Brito Moura Nunes (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil - Laboratório de Virologia e Faculdade de Medicina de Lisboa - Unidade de Microscopia Electrónica). 3º Prémio Pfizer de Investigação (Extraordinário) «Deficiência em potássio na insuficiência renal crónica. Sua influência no metabolismo glucídico». Mateus Alberto Rosa Martins Prata (Faculdade de Medicina de Lisboa). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Lesões hepáticas induzidas pelo acetilsalicilato de lisina no ratinho - Estudo por microscopia electrónica». Artur Manuel Perez Neves Águas (Faculdade e Medicina de Lisboa - aluno do 5º ano). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

Jorge Soares (premiado em 1977)

Os “prémios Pfizer”, atribuídos desde 1956 pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa são os mais prestigiados galardões da Medicina Portuguesa. Pela antiguidade da sua presença na comunidade médica distinguiram, em mais de meio século, muitas das figuras mais proeminentes da ciência médica do nosso País. É uma razão de orgulho ter no currículo a menção de um Prémio Pfizer. Dos Prémios Pfizer guardo memórias pessoais muito gratas: o momento feliz da “notícia”, o julgamento difícil para seleccionar, de entre os trabalhos concorrentes, o mais meritório na sua contribuição para explicar as doenças, e o cumprimento da liturgia, formal mas calorosa, de entregar em cerimónia pública os diplomas aos premiados, em cada um dos três anos do meu mandato como Presidente. O valor afectivo do diploma, que perdura por uma vida, sobreleva o valor monetário do Prémio. São verdadeiramente imateriais as recompensas simbólicas do Prémio Pfizer: o estímulo para um percurso profissional de entrega e sacrifício pelo trabalho de investigação, o compromisso intelectual para com uma certa forma de assumir e praticar o ofício de ser médico. A investigação biomédica, como outras actividades da sociedade de hoje é uma estrada sem fronteiras, em que se cruzam gentes de diferentes áreas do conhecimento e distintos lugares do mundo. A ciência não tem nacionalidade, a sua linguagem é universal, os seus resultados são um património colectivo. Os Prémios Pfizer, ao longo de mais de meio século ajudaram a desenvolver esta ideia em Portugal.

1977

Entra em funcionamento a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa 052


Fernando Carvalho Rodrigues

Artur Nevez Aguas (premiado em 1977 e 1998)

(premiado em 1977)

Quando ganhei o Prémio Pfizer tinha trinta anos de

Quando fui distinguido pela primeira vez em 1977, os Prémios Pfizer eram já distinções muito pres-

idade, se não fosse por mais nada, a confiança que

tigiadas dentro da academia na área da medicina. Sendo eu um jovem estudante que trabalha-

dá a atribuição deste prémio na capacidade de desco-

va por voluntarismo na investigação na faculdade de medicina, o Prémio Pfizer constituía uma

brir algo de novo, era razão suficiente para constituir

grande referência para quem desejasse seguir a carreira de investigador como era o meu caso.

um ponto inolvidável ao longo destes anos todos de

A atribuição do prémio consistiu, no meu caso pessoal, mais do que um estímulo foi decisivo para

vivência de engenharia. Depois houve, no meu caso,

a minha carreira, pois conjugada com algumas possibilidades que tive na Faculdade de Medicina

a felicidade de várias disciplinas científicas contribuí-

de exercer a investigação e a docência, fez-me dedicar à ciência básica e que me levou a sair do

rem para a descoberta e para um novo método de

país, o que porventura não teria acontecido se não tivesse sido galardoado com o Prémio Para

olhar para dentro de células humanas. A investigação

Jovens Investigadores, cujo trabalho foi publicado numa revista internacional – Journal of Clini-

foi executada por uma equipa multidisciplinar - que na

cal Pathology dos EUA. E posteriormente foi desenvolvido numa série de outros trabalhos sobre

altura não era muito comum – foi conduzida por mé-

patologia hepática, sendo este o primeiro passo.

dicos e a mim competia-me executar a resolução do

Obtive uma segunda distinção em 1998, numa altura mais avançada da minha vida e quando es-

que era a constituição molecular, ou seja, como se

tava interessado em imunologia. Tratou-se de um trabalho inovador para a época. Foi publicado

poderia olhar para dentro de imagens de chapa elec-

em revistas internacionais e razoavelmente citado, tendo dado origem a outros trabalhos na

trónica. Deste modo, tive a sorte e o privilégio de tra-

imunologia molecular.

balhar e fazer parte de um grupo dos que ganharam

Tive ainda a oportunidade de ser jurado conjuntamente com a Professora Doutora Leonor Parrei-

o Prémio Pfizer, o que para além da auto-confiança

ra, o que me permitiu verificar a qualidade dos trabalhos apresentados a concurso, que aliás tem

que gera, constituí também um cartão-de-visita que

sido uma característica das várias edições. Este facto torna os Prémios Pfizer não apenas num

é único no mundo inteiro.

galardão prestigiado mas também muito competitivo o que me leva a dizer que deve ser praticamente unânime a situação em que todo o trabalho galardoado tem também depois publicação internacional em revista médicas consideradas.

053


1º Prémio Pfizer de Investigação «Metodologia para o estudo simultâneo do esvaziamento e do refluxo esofágico com câmara-gama». Fernando da Veiga Fernandes (Faculdade de Medicina de Lisboa - Serviço de Patologia Cirúrgica).

1978

2º Prémio Pfizer de Investigação «Síntese de DNA em leucemias sob acção de factor T auxiliar». José Alexandre de Gusmão Rueff Tavares (Investigador visitante do Basel Institute for Immunology). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Contribuição para o estudo das infecções hospitalares em doentes do Serviço de Medicina Operatória nos períodos pré, intra e pós-operatório». Ana Isabel Costa Lopes, António Manuel Mano Azul, Maria Anabela Rodrigues e Miquelina do Céu Belchior Cordeiro (Faculdade de Medicina de Lisboa – alunos finalistas e monitores da disciplina de Bacteriologia). 2° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Estudo epidemiológico sobre o sector 5 da Musgueira Norte». António Manuel de Sousa Fernandes, António Manuel Dias Farinha, António Miguel Saldanha Ribeiro, Evangelista Casimiro Rocha, José Maria Pires, José Manuel Mendes Nunes, Luís Ferreira Marques Pereira, Luís Manuel Capela Pereira Maninho, Maria Elizabete Castro Castanheira da Silva Godinho, Maria de Fátima Marques de Figueiredo Dias e Vítor Manuel Dias Carneiro (Faculdade de Medicina de Lisboa – alunos finalistas).

José Rueff Tavares (premiado em 1976 e 1978)

Os Prémios Pfizer nasceram e cresceram em épocas em que a ciência não tinha os apoios

Arantes e Oliveira (Secretário de Estado do Ensino Superior e Investigação Científica) entrega o prémio a José Alexandre de Gusmão Rueff Tavares (autor do 2º prémio) com José Condes (Secretário Geral da SCML) em pé a assistir.

que hoje em dia tem, em particular a ciência médica, molecular e biomédica, e representavam um estímulo notável para que existissem, mais ou menos jovens, cultores dessas áreas, e se apresentassem a concurso nesses prémios. Não se tratava da corrida para a vã glória, até porque nesse tempo, que me recorde, não havia o outro extremo, como sucede nos nossos dias, em que proliferam prémios por todos os lados. Receber uma distinção dos Prémios Pfizer, independentemente da categoria, era já de si um estímulo notável, e tanto quanto a minha memória me permita recordar, na época, a Pfizer conjuntamente com a SCML, a quem de resto desde sempre entregou todo o processo de organização, selecção e distinção dos trabalhos, tratava-se da única dupla de instituições que ofereciam um galardão com tais qualidades.

Conferência de Imprensa na sede da SCML em 22/11/78: Mesa de Honra – da esquerda para a direita – Luís Pereira (co-autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores), José Alexandre de Gusmão Rueff Tavares (autor do 2º prémio), José Conde (Secretário Geral da SCML), Maria Anabela Rodrigues (co-autora do 1º Prémio para Jovens Investigadores) e Vasco Cardoso (Relações Públicas da Pfizer).

1978

Gentil Martins e equipa executam, com sucesso, a 1ª separação de duas siamesas, Tânia e Magda, no Hospital D. Estefânia. 054


António Dias Farinha (premiado em 1978)

Ao percorrer o pequeno livro que a SCML costumava editar

Quando fui distinguido em 1978 com o Prémio Pfizer, a satisfação foi enorme,

anualmente, próximo da época da entrega dos prémios, com

porque eram os prémios de maior prestígio dentro da investigação médica na

o nome dos diferentes contemplados ao longo da existência

altura, o mais difundido, o que representava uma mais-valia para jovens inves-

dos prémios, verificamos que lá constam pessoas do maior

tigadores ou jovens alunos de medicina, como era o meu caso e dos restantes

gabarito e da maior importância da investigação, da docência

elementos que me acompanharam, pois quando decidimos formar o pequeno

e da prática médica nacional que era algo que me aterroriza-

grupo, que concorreu com o apoio do Professor Doutor Fernando Pádua, o que

va, questionando-me se alguma vez poderia ser englobado

motivou a nossa candidatura foi o prestígio do valor do prémio.

naquele rol ilustre. Atrevi-me e, por duas vezes, a SCML teve a

O trabalho que apresentámos consistia num estudo de campo feito num bairro

benevolência de me atribuir dois prémios. Estou muito grato.

de Lisboa, a Musgueira Norte. Tratou-se de uma investigação pioneira por dois

Não posso deixar de expressar um tonos de gratidão para a

motivos: a área estudada e o âmbito do estudo. Era um estudo cardiológico

Pfizer que conjuntamente com a SCML souberam criar estes

de uma população carenciada, e tinha a vantagem de apanhar pessoas que

prémios, numa época em que nada disso era ainda corrente

na sua grande maioria não tinham acesso a cuidados de saúde, nunca tinham

nem frequente e, sobretudo, como têm sabido premiar do me-

sido abordados nem tinham conhecimento sequer do que eram os problemas

lhor que sempre existiu em Portugal nestes domínios, com ex-

relacionados com a tensão arterial. Na época, os cuidados médicos de saú-

clusão naturalmente da minha pessoa

de nessa população eram praticamente inexistentes, só quando existia algum grande acidente é que tinham contacto com os serviços de saúde. Quanto aos prémios, termino tal como iniciei este depoimento: a imagem que retenho dos Prémios Pfizer era que se tratava do principal galardão para investigadores mais e menos jovens na área da medicina, é por isso com grande honra que nunca o deixei de incluir no meu currículo.

055


1º Prémio Pfizer de Investigação «Importância do sistema das prostaglandinas endógenas na terapêutica da hipertensão arterial - Contribuição para o estudo da eficácia terapêutica e do mecanismo de acção dos anti-hipertensores não simpaticolíticos». Virgílio Prego Durão, Maria da Assunção R. Elvas e Paulo Matos Costa (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Farmacologia).

1979

2º Prémio Pfizer de Investigação «Estudo sobre a anemia da drepanocitose». António Manuel Baptista (Instituto de Oncologia de Francisco Gentil – Laboratório de Isótopos), Renato Valadas Preto (Hospitais Civis de Lisboa - Director do Serviço de Medicina), Maria Augusta Pérez Fernandez, Maria Helena Barreto Canejo, Amália Costa Nogueira, Felicidade da Luz Martins Graça e Mário Simões de Carvalho (Instituto de Oncologia de Francisco Gentil – Laboratório de Isótopos).

Virgílio Prego Durão (premiado em 1979)

Em primeiro lugar quero destacar que considero a criação dos Prémios Pfizer uma excelente ideia e que se tornaram nos galardões com maior prestígio no campo da medicina, que têm a relevância de premiar tan-

1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Estudo morfométrico ultra-estrutural dos constituintes do circuito cerebeloso do homem, do gato e do rato». Carlos Manuel Ruela Simões Fernandes e Luís Manuel R. de Matos Lima (Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Anatomia).

to a investigação básica como a clínica, transformando-se num prémio

2° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Alterações histopatológicas dos gânglios linfáticos hilares no cancro do pulmão. Sua importância prognóstica». Fernando Petrucci Bernardo e Cunha, Maria Antónia Oliveira Marques, Maria de Lurdes Pinto Miquelão e Vanda Maria Guerreiro Basílio (Faculdade de Medicina de Lisboa – alunos).

dificuldades existentes e a ausência de apoios técnicos e financeiros,

bastante abrangente, o que lhe confere um lugar de relevo no nosso panorama médico. Outro aspecto de relevo é a sua longevidade e o seu carácter pioneiro quando surgiu, tendo sido durante grande parte da sua existência o único do género, sobretudo numa época em que quem fazia investigação era tido como um extra terrestre, dadas as inúmeras constituía o principal estímulo para a investigação científica na área da medicina e da biomédica em Portugal. Esta acção permitiu a preservação de um corpo de investigadores e o surgimento de outros novos, de tal forma que, mesmo hoje em dia, em que proliferam diversos tipos de troféus, nenhum os conseguiu igualar em matéria de prestígio. Em termos pessoais, devo referir que os Prémios Pfizer tiveram uma influência significativa. Além da grande satisfação que constitui o facto de receber essa distinção, acrescida pelo facto de ter superado outros concorrentes relevantes, a distinção que recebi em 1979, constitui um enorme estímulo, de forma que, essa investigação foi a base para a minha tese de doutoramento. Além disso, tornou-se num marco relevante do meu currículo que me acompanhou desde então, ao longo de toda a minha carreira.

1979

Nasce Louise Brown, o 1º bebé proveta mundial. 056


1º Prémio Pfizer de Investigação «Modelos ‘in vitro’ para estudo da função supressora de células mononucleares e sua aplicação na doença inflamatória do cólon». Rui Manuel Martins Victorino (Faculdade de Medicina de Lisboa e Instituto Nacional de Investigação Científica – Centro de Gastrenterologia das Universidades de Lisboa).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Hiperprolactinemia e prolactinomas». Luís Gonçalves Sobrinho, Maria do Carmo Nunes e Carlos Calhaz-lorge (Instituto de Oncologia de Francisco Gentil – Laboratório de Endocrinologia), Jaime Cruz Maurício (Instituto de Oncologia de Francisco Gentil – consultor de radiologia) e Maria do Amparo Santos (Instituto de Oncologia de Francisco Gentil – Laboratório de Endocrinologia). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Álcool etílico e células de Purkinge no rato». Maria Amélia Duarte Ferreira Tavares (Faculdade de Medicina do Porto).

1980

2° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Dados para um estudo clínico-epidemiológico das helmintíases intestinais endémicas na freguesia de S. Pedro de Gafanhoeira». José Francisco Prates Raposo (Hospital de Santa Marta - médico policlínico do 4º ano), Maria Antonieta Ferreira Lopes, Aldina de Oliveira Alves e Fernanda Godinho Moreno (Hospital de Santa Maria – médicas policlínicas do 4º e 2º ano).

Luís Gonçalves Sobrinho (premiado em 1980 e 1982)

Quando fui distinguido pela primeira vez em 1980, os Prémios Pfizer eram um galardão cheio de prestígio, como ainda o são. Tinha um interesse e ambição em poder ter um Prémio Pfizer como forma de poder ser reconhecido, pois já então considerava – como ainda hoje - que a profissão médica tem uma função essencialmente operativa, quer dizer, um bom médico não tem necessariamente que ser um bom investigador, pelo que considero que estes prémios foram e continuam a ser um excelente tónico mental estimulante sobretudo para os mais novos. O tema abordado – Hiperprolactinina e Prolactinom - foi muito relevante e ainda hoje continuo a dedicar-me a ele de forma que há dois meses uma revista norte americana publicou um trabalho meu sobre essa matéria. Podemos dizer que se tratou de um trabalho seminal na medida em que deu origem a diversos outros que foram citados internacionalmente, dado o seu cariz de pioneirismo.

Conferência de Imprensa na sede da SCML: 20/11/80: Mesa de Honra – da esquerda para a direita – Maria Amélia Duarte Ferreira Tavares (autora do 1º Prémio para Jovens Investigadores), Rui Manuel Martins Victorino (autor do 1º prémio), José Conde (Secretário Geral da SCML), Luís Gonçalves Sobrinho (co-autor do 2º prémio), José Francisco Prates Raposo (co-autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores) e Vasco Cardoso (Director das Relações Exteriores da Pfizer).

057


A segunda distinção ocorreu em 1982, e tratou-se de um trabalho menos original que o anterior, que se destinava a responder qual era a situação real de uma patologia no país, no caso concreto o bócio. A importância advinha do facto de até então os estudos feitos nesta área, além de se encontrarem desfasados temporalmente eram sobretudo parcelares, incidiam sobre pequenas regiões e o seu valor radicava mais na actualidade informativa, tendo tido utilidade na definição de políticas de saúde pública. Considero que a relevância dos prémios assenta, antes de tudo, no seu carácter desinteressado, porque não têm, nem de longe, nenhum cheiro com interesses industriais ou comerciais (é claro que a Pfizer é uma empresa farmacêutica mas os prémios nada têm a ver com produtos ou áreas de expansão comercial), não existindo qualquer restrição ou pretensão oculta (como mostra a parceria com a SCML, a verdadei-

Linhares Furtado faz 1º transplante renal a partir de cadáver nos HUC.

ra responsável em termos científicos pela atribuição dos prémios), o que lhes confere um grau de limpidez que se traduz no prestígio alcançado, o que aliado à sua longevidade torna os Prémios Pfizer titulares de um grau elevado de respeitabilidade (já não é “um novo rico” já tem “patine”).

1980 058


1º Prémio Pfizer de Investigação «Análise estereológica da dinâmica dos poros nucleares na próstata do rato». Maria do Carmo S.V.R. Fonseca e José Francisco David Ferreira (Instituto Gulbenkian da Ciência – Grupo de Biologia Celular).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Estudo experimental da auto-oxidação da hemoglobina em eritrocitos normais e carentes em desidrogenase da glucose-6-fosfato». Maria de Lourdes Mira, Maria Cristina Pinto, Lígia Barbosa, Maria Gertrudes Costa e Carlos Manso (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Química Fisiológica). 3º Prémio Pfizer de Investigação (Extraordinário) «Antigénicos H. L. A. - DR e Artrite Reumatóide». Mário Viana de Queirós (Hospital de Santa Maria – Núcleo de Reumatologia), Maria do Rosário Horta Sancho e J. Machado Caetano (Faculdade de Ciências Médicas – Departamento de Imunologia).

1981

1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Afasia adquirida em crianças. Estudo Clínico e neuropsicológico longitudinal». Isabel Pavão Martins e José Manuel Ferro (Centro de Estudos Egas Moniz – Laboratório de Estudos de Linguagem). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

José Manuel Ferro (premiado em 1974, 1976 e 1981)

Os Prémios Pfizer são uma instituição. Constituem um marco dentro da investigação científica médica em Portugal, porque para além da sua longevidade, representam um excelente exemplo de uma colaboração sã entre a indústria e a academia. Participei por quatro vezes e recordo-me muito bem da grande alegria que tive quando fui premiado e o estímulo que representou para prosseguir a actividade da investigação científica, pois eram poucas as oportunidades que existiam para concursos e para prémios. Nesse sentido, os Prémios Pfizer continuam hoje em dia a constituir um galardão muito desejado pelos investigadores e a premiar a investigação de qualidade que se faz em Portugal, quer básica quer clínica, e sempre com uma ênfase muito grande nos cientistas em princípio de carreira. Em termos de repercussões dos prémios recordo o prémio de 1982, que ganhei em parceria com a Professora Doutora Isabel Pavão Martins, e que versava sobre as lesões cerebrais adquiridas em crianças, embora seja uma temática que já foi por mim abandonada, a Professora Isabel Pavão Martins, ainda hoje continua a trabalhar nessa área, e ainda segue esse conjunto de doentes. Nesse sentido posso dizer que a atribuição dos prémios foi um estímulo para a prossecução de um trabalho que nos permitiu ser competitivos a nível internacional, sendo elevado o número de trabalhos publicados nesse campo da neuro psicologia.

1981 059

O Center for Disease Control and Prevention dos EUA reconhece pela 1ª vez a existência da SIDA.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Reinervação do pâncreas endócrino transplantado no baço». Mário Lino Costa Madureira, Adelino Adolfo, José Macedo Dias, Manuel Sebe, António Carvalhais e Helena Margarida Afonso de Albuquerque (Faculdade de Medicina do Porto).

1982

2° Prémio Pfizer de Investigação «Bócio Endémico no Sul de Portugal». Amílcar Lopes de Oliveira (Maternidade Alfredo da Costa – médico policlínico do 4º ano), Luís Gonçalves Sobrinho (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil – Serviço de Endocrinologia), Luís Silveira Botelho (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil – Clínica Oncológica C VIII), Primo A. Oliveira (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil – Serviço de Nutrição e Dietética), Maria Joaquina Gonçalves (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil – Serviço de Endocrinologia) e Miguel Telles Antunes (Universidade Nova de Lisboa – Departamento de Geologia e Geotécnica). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Estudo epidemiológico sobre a otite serosa na população escolar: sua prevalência, consequências e propostas de rastreio». Óscar Dias (Faculdade Medicina de Lisboa e Instituto Nacional de Investigação Científica – Centro de Investigação Morfológica e Clínica Otorinolaringológica da Universidade de Lisboa), Maria Alice Santos Ferreira (Hospitais Civis de Lisboa – médica policlínica do 2º ano) e Francisco Paço (Hospital de Santa Maria – Serviço de Otorrinolaringologia).

Óscar Dias (premiado em 1982)

O Prémio Pfizer é para nós

o Prémio de maior

prestígio

na

Portuguesa.

Medicina Receber o

Prémio Pfizer para Jo-

Mesa de Honra – da esquerda para a direita – Óscar Dias (co-autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores), Mário Lino Costa Madureira (co-autor do 1º prémio), Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), Luís Gonçalves Sobrinho (co-autor do 2º prémio) e Vasco Cardoso (Director das Relações Exteriores da Pfizer).

vens Investigadores em 1982 foi de uma enorme importância para o desenvolvimento de toda a minha carreira académica. O trabalho que foi galardoado, a Otite Serosa na população escolar, deu um forte contributo para chamar a atenção para um problema pouco conhecido na altura e que tem um impacto significativo na actividade clínica. As repercussões desse trabalho ainda hoje se sentem ao verificar que continua a ser referenciado em múltiplas teses de Mestrado e Doutoramento que se efectuam em Portugal.

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

Sessão Solene na sede da SCML em 20/12/82: Mesa de Honra – da esquerda para a direita – Artur Torres Pereira, a discursar, (Presidente da SCML), D.C. Stone (Administrador Delegado da Pfizer), César Viana (Instituto Português da Cultura), João Fraústo da Silva (Ministro da Educação) e António Gentil Martins (Bastonário da Ordem dos Médicos).

1982

Constituição da Sociedade Portuguesa de Oncologia. 060


1º Prémio Pfizer de Investigação «Subpopulações de linfocitos T no murganho – turn-over, maturação extratímica e capacidade de expansão periférica». Benedita Rocha e António Ângelo Bastos Alves de Freitas (Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Caracterização anátomo radiológica da parede interna da caixa timpânica. Sua aplicação à Clínica». Jaime Cruz Maurício, Augusto Goulão Constâncio, Constança J. M. Chaveiro Ribeiro e Maria Júlia R. Duarte Evangelista (Hospital Egas Moniz – Serviço de Neuro-Radiologia). 3º Prémio Pfizer de Investigação (Extraordinário) «Tunga penetrans». Nuno Álvares de Abreu Castelo Branco (Oficinas Gerais de Material Aeronáutico – Médico-Chefe).

1983

1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído) 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

António Freitas e Benedita Rocha (premiados em 1983)

A atribuição do Premio Pfizer pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa trouxe-nos sobretudo reconhecimento a nível nacional. De facto, embora os nossos trabalhos fossem conhecidos e publicados a nível internacional, e alguns deles em jornais importantes da nossa especialidade, isso não nos conferia visibilidade nem ao nível da nossa própria faculdade nem ao nível nacional. Os trabalhos premiados sobre a cinética das populações de linfócitos eram precursores no seu campo. Mostrávamos pela primeira vez que ao contrário do “dogma” então estabelecido (que impunha a estabilidade das populações de células linfoides) as populações de linfócitos se renovavam com uma frequência relativamente elevada. Estes resultados implicavam uma maior flexibilidade ao sistema imune permitindo-lhe adaptar-se com rapidez a novas situações. Estes trabalhos foram depois continuados ainda em Portugal, onde nos permitiram obter o prémio Gulbenkian de Ciência, e depois foram desenvolvidos de forma autónoma, por mim (Antonio Freitas) no Instituto Pasteur e pela Benedi-

Sessão Solene na sede da SCML em 06/12/83: Artur Torres Pereira (Presidente da SCML) a discursar.

ta Rocha na Faculdade de Medicina Necker em Paris. As publicações internacionais resultantes desses trabalhos foram amplamente citadas a nível internacional e ainda hoje o são (30 anos mais tarde).

1983 061

Kary Mullins, bioquímico dos EUA, inventa a PCR – Reacção em Cadeia da Polimerase – técnica de laboratório que permite a amplificação do DNA.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Envelhecimento neuronal precoce no alcoolismo crónico». Manuel Maria Paula Barbosa e Maria Amélia Duarte Ferreira Tavares (Faculdade de Medicina do Porto).

2° Prémio Pfizer de Investigação «Mecanismos adrenérgicos na modulação da actividade do núcleo celular». António Sarmento, Patrício Soares da Silva e Isabel Azevedo (Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Lesão pulmonar aguda em circulação extra-corporal - mediação leucocitária - estudo experimental». José Inácio Guerra Fragata, Armando José de Oliveira Brito de Sá e Rui Manuel Trindade Paulo dos Anjos (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica), Francisco Manuel da Cruz Ferreira Crespo (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Patologia Clínica), João Manuel Godinho de Queiroz e Melo e Manuel Eugénio Machado Macedo (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica).

1984

1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Alterações nucleares induzidas pela testosterona no epitélio uterino do rato». António José Saraiva da Cunha Cidadão (Instituto Gulbenkian da Ciência – Departamento de Biologia Celular). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Contribuição para o estudo dos portadores de staphylococcus aureus na população infantil de Lisboa e sua importância nas infecções hospitalares». José Augusto Gamito Melo Cristino (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto Bacteriológico Câmara Pestana).

Maria Amélia Ferreira Tavares (premiada em 1980, 1984 e 1991)

A atribuição dos Prémios Pfizer representava, há 30 anos (como actualmente), um galardão muito especial pela referência de qualidade, materiali-

Jantar de Honra no Hotel Ritz em 09/12/84: da esquerda para a direita – Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), Nascimento Ferreira (membro do júri), Maria Amélia Tavares (co-autora do 1º prémio), J. E. Lourenço (Administrador Delegado da Pfizer) e António Sarmento (co-autor do 2º prémio).

zando o sonho da actividade científica. Receber o Prémio Pfizer, como jovem investigadora (1980), marcou a opção de escolha pela vida académica, pelo estímulo que constituiu na prossecução da investigação científica que tinha iniciado. Foi, para mim, o reconhecimento da qualidade do trabalho realizado no difícil caminho de um doutoramento. Quando fui novamente galardoada, já no elenco dos Investigadores (1984, 1991), foi o reforçar de um trajecto como cientista. Este Prémio tem sido, ao longo dos anos, uma referência curricular importante, pela exigência e rigor com que a sua atribuição é reconhecida pela comunidade científica. Muitos outros prémios foram entretanto institucionalizados, de entre diferentes entidades públicas e privadas. Mas o Prémio Pfizer tem a história de manter um padrão único no elenco dos galardões nacionais de investigação científica, perpetuado por todos os que foram galardoados e que o continuam a referenciar para as novas gerações de investigadores.

Conferência de Imprensa na sede da SCML em 26/11/84: Mesa de Honra – da esquerda para a direita - José Augusto Gamito Melo Cristino (autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores), António José Saraiva da Cunha Cidadão (autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores), Manuel Maria Paula Barbosa (co-autor do 1º prémio), Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), Isabel Azevedo (co-autora do 2º prémio), Armando Brito de Sá (co-autor da Menção Honrosa de Investigação) e Vasco Cardoso (Director das Relações Exteriores da Pfizer).

1984

Svetlana Y. Savitskaya, da URSS, torna-se a 1ª mulher a realizar um passeio espacial. 062


João Queiroz e Melo (premiado em 1984 e 1997)

É com grande prazer, e sobretudo com gratidão, que faço este testemunho. Tive a oportunidade de ter sido distinguido por duas vezes, em 1984 e 1997, com menções honrosas dos Pré-

1º Prémio Pfizer de Investigação «Estudo in vitro da reactividade linfocitária a fármacos e de mecanismos imunorregulatórios em hepatopatias medicamentosas». Rui Manuel Martins Victorino (Faculdade Medicina de Lisboa e Instituto Nacional de Investigação Científica – Centro de Gastrenterologia) e Vasco António de Jesus Maria (Hospital de Santa Maria e Instituto Nacional de Investigação Científica – Centro de Gastrenterologia).

mios Pfizer. Para além da distinção científica que o facto em si representa, corresponde também, a um estímulo muito emotivo, porque, sobretudo na época em recebi o primeiro, eram muito poucos os prémios existentes. Daí que, considero que os Prémios Pfizer constituem um marco com muito significado para a investigação médica em Portugal. Quanto aos trabalhos em que participei e que foram galardoados, devo referir que o primeiro – “Lesão pulmonar aguda em

1985

2º Prémio Pfizer de Investigação (não foi atribuído) 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Análise do perfil lipídico da membrana eritrocitária de hipertensos e diabéticos». Carlos Manuel dos Santos Moreira (Faculdade Medicina de Lisboa – Departamento de Bioquímica). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Algumas características das infecções urinárias na gravidez em dois concelhos do distrito do Porto». Joaquim Lindoso de Sousa Azevedo (Hospital de São João – médico interno complementar de urologia) e Emília do Céu Ferreira Simões Pereira (Centro Hospitalar de Vila nova de Gaia – médica do 1º ano de internato geral). Menção Honrosa para Jovens Investigadores «Modos de desenhar e lesões cerebrais». Élia Maria Bernardino Gomes Baeta (Centro de Estudos Egas Moniz – Laboratório de Estudos de Linguagem).

circulação extra-corporal” - apontava para um problema que actualmente se encontra muito significativamente melhorado, o seu valor decorria do uso de metodologias que na época eram completamente embrionárias – caso dos raios X de tórax – e que hoje são de uso corrente. O segundo – “Vale a pena fazer a cirurgia da fibrilhação auricular nos doentes mitrais?” - além de pioneiro e de utilizar uma metodologia totalmente desenvolvida por nós corresponde ao estado da arte de hoje em dia.

1985 063

Jantar de Homenagem no Hotel Ritz em 25/11/85: premiados – da esquerda para direita – Élia Maria Bernardino Gomes Baeta (autora da Menção Honrosa de Investigação), Vasco António de Jesus Maria (co-autor do 1º prémio), Emília do Céu Ferreira (coautora do 2º Prémio para Jovens Investigadores), Rui Manuel Martins Victorino (co-autor do 1º prémio), Carlos Manuel Santos Moreira (autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores) e Joaquim Lindoso de Sousa Azevedo (co-autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores).

Odete Ferreira, investigadora, identifica o vírus HIV-2 um dos subtipos do retrovirus causador da SIDA.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Ruído industrial - Contribuição para a sua prevenção em Portugal». Manuel António Caldeira Pais Clemente (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Otorrinolaringologia).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Agressão ambiencial e membranas biológicas - Contribuição para a compreensão da patogenia da inflamação no globo ocular». José Manuel dos Reis Ferreira (Hospital de Santa Maria – Serviço de Pneumologia) e Cidalina Maria Figueiredo Costa Reis Ferreira (Hospital de Santa Maria – Serviço de Oftalmologia). Menção Honrosa «Um novo conceito em cirurgia plástica e reconstrutiva - Retalhos venosos». José Manuel Lopes Teixeira Amarante, Horácio Urgel Silva Monteiro da Costa, Jorge da Cruz dos Reis e Serafim Manuel de Araújo Ribeirinho Soares (Hospital de São João – Serviço de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva) e Fernando José Caiado de Carvalho (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Cirurgia Experimental).

1986

1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «A Dopamina na neuromodulação da transmissão simpática». Patrício Manuel Vieira Araújo Soares da Silva (Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «A hiponutrição crónica induz alterações neuronais no rato adulto». Isabel Maria Camões Castro Peixoto, José Paulo Alves Vieira de Andrade e Fernanda Paula da Silva Azevedo (Faculdade de Medicina do Porto – alunos do 6º ano).

Patrício Soares da Silva (premiado em 1984, 1986 e 1999)

Os Prémios Pfizer são um dos prémios mais importantes da ciência médica em Portugal, e são de ex-

José Manuel Pinto Correia (Vice-Reitor e representante do Reitor da Universidade de Lisboa) entrega o prémio a Patrício Manuel Soares da Silva (autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores).

trema importância para quem se dedica à área da investigação na medicina, sendo motivo de destaque em qualquer currículo e, no meu caso pessoal, actuou como um reforço intelectual positivo muito importante na direcção da minha actividade de investigador. Em 1984, ano em que recebi pela primeira vez o prémio, um jovem monitor de farmacologia praticamente recém-licenciado (tinha concluído a licenciatura apenas há três anos) que integrava a equipa da Professora Doutora Isabel Azevedo do então Laboratório de Farmacologia da Universidade do Porto. Essa investigação foi um dos meus primeiros passos importantes na carreira. O prémio foi muito relevante no panorama

Conferência de Imprensa na sede da SCML em 26/11/86: Mesa de Honra - da esquerda para a direita - Fernando de Carvalho (co-autor da Menção Honrosa de Investigação), José Vieira Andrade (co-autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores), Manuel António Pais Clemente (autor do 1º prémio), a falar, Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), Cidalinha Reis Ferreira (co-autora do 2º prémio), Patrício Manuel Soares da Silva (autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores) e Vasco Cardoso (Director das Relações Exteriores da Pfizer).

064


científico da época, não só pelo prestígio, mas também devido à falta de apoios à investigação científica, nomeadamente da

João Ribeiro da Silva é eleito Presidente da Direcção da SCML

parte do estado, que marcavam esse período.

Mandato: 1986/1999

Posteriormente fui distinguido sozinho em 1986, com um tra-

Os Prémios Pfizer, quando eu exer-

balho que constituiu uma das partes que desenvolvi mais

cio cargo de Presidente da SCML, já

tarde na minha dissertação de doutoramento. A investigação

tinham um longo caminho percorrido,

versava sobre a dopamina e permitiu encerrar uma polémica

que vinha desde do tempo do Professor Doutor Xavier Morato, com quem

ao provar que não existiam nervos dopaminérgicos e que a

se iniciou a sua atribuição, fruto do encontro entre a Pfizer e a SCML. Tratou-se

dopamina podia exercer acções independentes da noradrena-

de um grande percurso sempre com prestígio para a SCML, para a Pfizer, mas

lina a partir da mesma estrutura nervosa. O pioneirismo e im-

acima de tudo, e principalmente, para aqueles que foram distinguidos, entre os quais avultam figuras ilustres, uns que já o eram e outros que o foram posterior-

portância teve um reconhecimento imediato, tendo o trabalho

mente. No que concerne aos trabalhos premiados eram investigações relevan-

sido publicado no British Journal of Pharmachology no mesmo

tes que reflectiam os problemas da investigação científica portuguesa e inter-

ano em que foi distinguido.

nacional. A parceria instituída entre a SCML e os Laboratórios Pfizer, traduziu-se sempre por um encontro agradável, em que ambos sempre colaboraram, e que recordo sempre como saudade como uma parceria de bons amigos. As repercussões dos prémios foram inúmeras, ultrapassando as fronteiras nacionais, e abrindo caminho a muitas carreiras quer na área da investigação quer no âmbito da acção clínica.

1986 065

Nasce o 1º bebe proveta português – Carlos Saleiro.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Algumas alterações bioquímicas na esquizofrenia - Sua relação com aspectos clínicos». Rui Xavier Vieira (Faculdade de Medicina de Lisboa e Hospital de Santa Maria – Clínica Psiquiátrica Universitária) e Maria da Silva Azevedo (Faculdade de Medicina de Lisboa).

A ONU institui o 1º de Dezembro como Dia Mundial da Luta Contra a SIDA.

1987

2º Prémio Pfizer de Investigação «Interacções entre filamentos intermédios e matriz nuclear». Maria do Carmo Fonseca, António José Cidadão e J. F. David Ferreira (Instituto Gulbenkian da Ciência – Laboratório de Biologia Celular). 3º Prémio Pfizer de Investigação (Extraordinário) «Função diastólica: Estudo dos fluxos das câmaras de entrada dos ventrículos esquerdo e direito por ecocardiografia bidimensional - Doppler pulsátil». Jorge Quininha, Rui Manuel Ferreira, Lurdes Ferreira, Miguel Mota Carmo, Teresa Ferreira e Carlos Spencer Salomão (Hospital de Santa Marta – Serviço de Cardiologia). 1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Adenosina e respiração espontânea: Efeitos mediados pelos quimioreceptores do corpo carotídeo». Maria Emília Carreira Saraiva Monteiro (Instituto Gulbenkian da Ciência – Laboratório de Biologia Celular). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído) Conferência de Imprensa na sede da SCML: da esquerda para a direita - Vasco Cardoso (colaborador da Pfizer), Maria Emília Monteiro (autora di 1º Prémio para Jovens Investigadores), Rui Xavier (co-autor do 1º Prémio de Investigação Pfizer), Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), Maria do Carmo Fonseca (co-autora do 2º Prémio Pfizer de Investigação) e Rui Ferreira (co-autor do 3º Prémio Pfizer de Investigação Extraordinário).

1987

Manuel Abecassis executa o 1º transplante de medula óssea no IPO de Lisboa. 066


Rui Xavier Vieira

Maria Emília Monteiro

(premiado em 1987)

(premiada em 1987)

Em primeiro lugar gostaria de felicitar os Laboratórios Pfizer pelo

Britaldo Rodrigues (Presidente do Instituto Nacional de Investigação Científica) entrega o prémio a Rui Xavier (co-autor do 1º Prémio de Investigação Pfizer)

trabalho realizado no antigo laboratório de farmacologia do IGC. Nessa

seu mecenato em prol da Medicina

altura, recém-licenciada em medicina, vacilava entre uma opção pela

Portuguesa, como é bem patente no apoio continuado durante estes

actividade clínica ou pela dedicação em full-time à investigação. O pré-

55 anos dos prémios Pfizer.

mio contribuiu, claramente, para a minha opção pela investigação. Um

O 1º prémio Pfizer de investigação que nos foi atribuído em 1987 cons-

dos momentos mais compensadores desta opção, foi o momento em

tituiu um enorme incentivo à prossecução da minha Carreira Clínica,

que uma das minhas jovens colaboradoras recebeu, anos mais tarde,

Académica e de Investigação, numa altura em que pesavam sobre a

o mesmo galardão.

Medicina Portuguesa grandes limitações económicas tanto a nível da

O rigor científico e a credibilidade que a SCML confere aos prémios, alia-

investigação básica como da clínica.

da ao mecenato e visibilidade dos laboratórios Pfizer, tem feito com

Receber o reconhecimento por este galardão, altamente prestigiado

que esta parceria de sucesso esteja intimamente ligada ao desen-

pela Comunidade Científica, constituiu motivo de gratidão, orgulho e

volvimento da investigação na área da biomedicina em Portugal.

honra e representou uma enorme responsabilidade para fazer sempre

tempos de iniciativas avulso ou sem sustentabilidade,

mais e melhor pela medicina.

ração com continuidade no tempo, como a da SCML e a Pfizer é uma

Gostaria de aproveitar para prestar homenagem à minha colega co-

mais-valia para a investigação, de que esperamos poder continuar a

-autora desta investigação, Prof. Doutora Maria da Silva Azevedo, que

usufruir!

infelizmente já não está entre nós, e a todas as pessoas que me ajudaram e tornaram possível esta distinção.

067

Recebi o prémio Pfizer / SCML na qualidade de jovem investigadora pelo

Em

uma colabo-


1º Prémio Pfizer de Investigação «Apresentação de um método de avaliação anatómica do grau de obstrução coronária em placas de aterosclerose. Definição de grupos e correlações clínico-anatómicas. - Estudo efectuado em 193 doentes falecidos por enfarte agudo do miocárdio». Carlos Manuel Brandão Perdigão, António Pereira de Sousa e Carlos Soares Ribeiro (Hospital de Santa Maria – Unidade de Cuidados Intensivos e Coronário “Arsénio Cordeiro”).

1988

2º Prémio Pfizer de Investigação «Trânsito esofágico com câmara gama computorizada. Aplicação da desconvolução na análise quantitativa». Paulo Sérgio de Matos Figueira da Costa (Faculdade de Medicina de Lisboa), Fernando Manuel Godinho Rodrigues e Maria Guilhermina Pacheco Cantinho Lopes (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Medicina Nuclear) e Fernando da Veiga Fernandes (Faculdade de Medicina de Lisboa).

Carlos Perdigão (premiado em 1988)

O próprio facto de se concorrer ao Prémio de Investigação Pfizer, da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, constitui uma deci-

Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Contribuição para o estudo do papel do factor natriurético auricular na fisiopatologia da insuficiência cardíaca congestiva». Jorge Manuel da Silva Junqueira Polónia (Hospital de são João – Serviço de Medicina 3 e Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia).

são de grande responsabilidade e que orgulha qualquer equipa de

1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Diazepam e transmissão neuromuscular». Alexandre Valério de Mendonça (Hospital de Santa Maria – Serviço de Neurologia).

do à investigação científica em Portugal foi a inquestionável in-

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

investigação. Ganhar o Prémio Pfizer foi, para o nosso grupo, um estímulo e o reconhecimento da importância da área em que então trabalhávamos – a quantificação do grau de obstrução coronária no enfarte do miocárdio – expressa por um júri de grande craveira científica. O que tornou o Prémio Pfizer o mais importante galardão atribuídependência de que se revestia a sua atribuição, o elevado nível dos seus sucessivos júris e o seu reconhecimento pela comunidade científica. Por outro lado, este prémio traduz o importante apoio financeiro que a indústria farmacêutica vem dedicando à investigação, através das sociedades científicas. O Prémio de Investigação Pfizer, da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, é pois um paradigma da colaboração entre as so-

Sessão solene na sede da SCML em 13/12/88: João Ribeiro da Silva (Presidente da SCML) a discursar e plano geral da assistência.

ciedades científicas e a indústria farmacêutica e de equipamentos, com vista ao apoio e ao desenvolvimento da investigação médica em Portugal.

068


Alexandre Valério de Mendonça (premiado em 1988 e 2002)

De facto, recebi o Prémio Pfizer para Jovens Investigadores em 1988. O trabalho intitulava-se Diazepam e Transmissão Neuromuscular. Pensar na época, e no Laboratório de Farmacologia do Instituto Gulbenkian de Ciência, traz-me à memória muitas recordações das revelações e das dificuldades em iniciar uma carreira de investigação... Terão de ficar

Incêndio no Chiado em Lisboa.

para outra ocasião e outro lugar... Mas não queria deixar de salientar a extraordinária qualidade científica dos colegas que receberam os prémios ao longo dos anos. Parece claro que ganhar um Prémio Pfizer para Jovens Investigadores tem sido um factor de risco principal para predizer uma brilhante carreira médica e científica. Quando se completam os 55 anos de existência dos Prémios Pfizer, espero que o risco continue elevado no futuro.

1988 069


1º Prémio Pfizer de Investigação «Estudo imunohistoquímico da inervação peptidérgica na membrana sinovial humana normal e reumatóide». José Alberto Campaniço Pereira da Silva e Maria do Carmo S.V.R. da Fonseca (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Histologia e Embriologia).

Criação do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto.

2º Prémio Pfizer de Investigação «Inibição da proliferação linfocitária “in vitro” induzida por antigénios microbianos em doentes com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana». Rui M, M. Victorino, Vasco António de Jesus Maria e Lígia A. Pinto (Hospital de Santa Maria – Serviço de Medicina 2). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Redutase transmembranar nos glóbulos vermelhos em hemodialisados crónicos e sua relação com o metabolismo do ferro». Marília Isabel Veiga Ribeiro Cascalho, Joaquim Silva Neves e Humberto Vassal (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Química Fisiológica), Henrique Luz Rodrigues (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Farmacologia e Terapêutica Geral) e Manuel D. Pires Bicho (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Química Fisiológica). 1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Influência dos factores de risco vasculares na aterosclerose carotídea extra craniana». Teresa Maria de Pinho e Melo Pereira Marques (Hospital de Santa Maria – Serviço de Neurologia).

1989

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Alterações electrocardiográficas associadas ao exercício físico de longa duração em jovens normais». José Pedro Lopes Nunes (Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia), Carlos Alberto Ochoa Pinto de Almeida (Hospital de São João – Serviço de Otorrinolaringologia), João Carlos Moura Monsanto (Hospital de São João – Serviço de Obstetrícia e Ginecologia) e Rui Manuel Lopes Nunes (Hospital de São João – Serviço de Otorrinolaringologia).

Conferência de Imprensa na sede da SCML em 29/11/89: Mesa de Honra – da esquerda para a direita - João Pedro Nunes (co-autor do 2º Prémio para Jovens Investigadores), Vasco António de Jesus Maria (co-autor do 2º prémio), Teresa Maria de Pinho e Melo Pereira Marques (autora do 1º Prémio para Jovens Investigadores) Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML) a falar, José Alberto Campaniço Pereira da Silva (co-autor do 1º prémio), Humberto Vassal (co-autor da Menção Honrosa de Investigação) e Vasco Cardoso (Director das Relações Exteriores da Pfizer).

1989

Criação da World Wide Web por Timothy Berners-Lee, físico inglês. 070


José Alberto Pereira da Silva (premiado em 1989 e 1995)

Teresa Maria de Pinho e Melo Pereira Marques (premiada em 1989)

No que diz respeito ao trabalho de 1989 trata-se de um trabalho em que

À data, o Prémio Pfizer para Jovens Investigadores foi recebido como

se descreveu pela primeira vez a presença de terminações nervosas

um importante estímulo à investigação clínica, num país então longe

simpáticas na membrana sinovial, para além de uma caracterização

dos patamares internacionais e parco em iniciativas destinadas a su-

que permanece actual da inervação peptidergica sinovial. A importân-

portar a produção científica.

cia do Sistema Nervoso Simpático nos reumatismos inflamatórios tem

O reconhecimento de clínicos que, por iniciativa própria, se dedicam a

tido grande desenvolvimento nos últimos anos e este trabalho conti-

trabalhos de investigação será assim não só um justo reconhecimento

nua a ser citado com frequência, ainda no corrente mês o foi.

daqueles que o protagonizam, mas também, e sobretudo, um incentivo

Quanto ao trabalho de 1995 descrevemos e caracterizámos quanto à

a uma carreira de investigação nem sempre contemplada nos ambien-

presença de neuropéptidos a inervação de todas as estruturas arti-

tes clínicos.

culares e demonstrámos uma enorme plasticidade das terminações

A longevidade deste prémio sublinha a sua importância e responsabili-

nervosas dependente das fases do processo inflamatório. Fez a capa

za aqueles que o recebem, os quais passam a integrar uma longa lista

da revista Current Opinion in Rheumatology de Maio de 1998.

de premiados que inclui figuras destacadas da medicina portuguesa.

O prémio Pfizer foi sempre um enorme estímulo para a investigação científica em Medicina, quer como ambicionado objectivo, quer como galardão que responsabiliza os distinguidos.

071


1º Prémio Pfizer de Investigação (não foi atribuído)

2° Prémio «Estudo comparativo da estrutura e função do ventrículo esquerdo em homens sedentários normotensos com e sem resposta tensional exagerada ao esforço e em hipertensão». Jorge Polónia (Faculdade de Medicina do Porto – Laboratório de Farmacologia – e Hospital de São João – Serviço de Cardiologia), Luís Martins, Duarte de Freitas Bravo-Faria e Luís Filipe Macedo (Hospital de São João – Serviço de Cardiologia). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Função neuromuscular: receptores inibitórios e excitatório da adenosina». Paulo Correia de Sá (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Investigador em Farmacologia).

1990

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

Jorge Junqueira Polónia (premiado em 1988, 1990 e 1994)

O significado e a importância dos Prémios Pfizer que recebi por três vezes -1988, 1990 e 1994 – salientam-se em três pontos: Em primeiro lugar, a satisfação na obtenção de um prémio com o prestígio do Prémio Pfizer, que lhe advém, não só da sua longevidade, mas também do valor dos diversos laureados ao longo da sua história. Pertencer a este rol de distinguidos é, obviamente, uma honra, e qualquer investigador fica com o seu ego em alta por esta razão. Em segundo lugar, pelas instituições que estão na base da sua instituição. Desde logo o patrocinador – os Laboratórios Pfizer – e o promotor – a SCML – uma instituição científica de reconhecido mérito que lhe confere um aval ímpar no tipo de escolha, que se reduz a vertentes exclusivamente de carácter científico, o que é muito relevante. Em terceiro lugar é de realçar que, numa sociedade em que é deveras difícil qualquer fonte de financiamento destinada à investigação, os prémios repre-

Sessão Solene na sede da SCML em 18/12/90: premiados - da esquerda para a direita – Duarte Bravo Faria, Jorge Polónia, Luís Macedo e Luís Martins (co-autores do 2º Prémio de Investigação) e Paulo Correia de Sá (autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores).

1990

sentaram um valor importantíssimo, porque os utilizamos como reinvestimento em projectos futuros de investigação científica.

Juan Carlos Parodi, cirurgião cardiovascular argentino, inventa nova técnica endovascular de correcção dos aneurismas da aorta. 072


Paulo Correia de Sá (premiado em 1990)

1º Prémio Pfizer de Investigação «Regulação “in vivo” do recrutamento de neutrófilos num modelo experimental de infecção por micobactérias». Rui Appelberg Gaio Lima (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Centro de Citologia Experimental – Laboratório de Microbiologia Imunologia da Infecção).

Para mim ganhar um Prémio Pfizer representava alcançar um grande objectivo na carreira, pois passaria a pertencer ao “clube restrito dos médicos vencedores dos Prémios Pfizer”, o que constituía uma marca de prestígio.

2º Prémio Pfizer de Investigação «Acção de drogas neuroactivas no desenvolvimento do sistema nervoso central - Exposição pós-natal à cocaína, anfetamina e heroína no rato». Maria Amélia Duarte Ferreira Tavares (Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Anatomia). 1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

Incentivado a concorrer pelo Professor Alexandre Ribeiro, que era na época o responsável pelo laboratório do IGC, fui distinguido com o 1º Prémio para Jovens Investigadores em 1990.

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

Tratou-se do meu primeiro prémio, e como tal constitui um marco único, sendo porventura aquele que tem mais importância. Surgiu numa altura muito precoce – eu era praticamente recém-licenciado – o que me deu

1991

uma grande satisfação, porque para um jovem que estava a dar os primeiros passos, receber este galardão com o prestígio que tinha e com a repercussão que depois teve junto da comunicação social, foi muito bom e constituiu o reconhecimento de um primeiro trabalho que se faz a sério. Teve ainda um outro significado, porque o trabalho premiado tornou-se no

Conferência de Imprensa na sede da SCML em 13/11/91: Mesa de Honra – esquerda para a direita - Maria Amélia Duarte Ferreira Tavares (autora do 2º prémio), Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), Rui Appelberg Gaio Lima (autor do 1º prémio) e Vasco Cardoso (Director das Relações Exteriores da Pfizer).

meu primeiro artigo científico publicado numa revista internacional muito prestigiada – British Journal of Pharmacology – o que marcou significativamente todo o meu trabalho e percurso de vida até aos dias de hoje, já que foi a primeira vez que se descreveu um dos subtipos dos receptores da adenosina nos terminais nervosos. Em conclusão posso dizer que o prémio actuou como um pontapé de saída, de que muito me orgulho e faço votos para que continuem, pelo menos por mais cinquenta e cinco anos.

1991 073

Início da comercialização da soja transgénica.


1º Prémio Pfizer de Investigação «A adrenalina, ligando fisiológico dos receptores adrenérgicos beta, e o seu provável papel na génese da hipertensão arterial». Serafim Guimarães, Manuel Vaz da Silva, Daniel F. Lima Moura e Maria Quitéria da Silva Paiva (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Farmacologia e Terapêutica).

Serafim Guimarães

2º Prémio Pfizer de Investigação «Três mutações no gene da fibrilina responsáveis pelo sindroma de Marfan» Jorge A. Andrade Saraiva (Faculdade de Medicina de Coimbra – Serviço de Genética Médica). 1° Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído) 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores (não foi atribuído)

(premiado em 1967, 1973 e 1992)

Considero que os Prémios Pfizer são os prémios mais antigos e prestigiantes que premeiam a investigação científica na área das ciências biológicas. É um prémio que tem sido atribuído a diferentes personalidades, que posteriormente têm confirmado o seu valor, quer pelas suas acções, quer pelo prestígio científico que têm vindo a alcançar, o que o transformou num galardão apetecível e muito considerado nos meios académicos e científicos. Para quem teve o privilégio de ser contemplado constitui uma marca de enorme prestígio, e um motivo de orgulho e satisfação, como é no meu caso. Recebi pela primeira vez o Prémio Pfizer em 1967 com uma investigação que realizei

1992

com o Professor Walter Osswald, intitulada “Acções das catecolaminas e dos seus antagonistas sobre a musculatura lisa das veias do coração”, que me deu um enorSessão Solene na sede da SCML em 15/12/92: Mesa de Honra – da esquerda para a direita - Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML) a discursar, Machado Macedo (Bastonário da Ordem dos Médicos), José Martins Nunes (Secretário de Estado da Saúde), Arlindo de Carvalho (Ministro da Saúde), João Ribeiro da Silva (Presidente da SCML), Robalo Cordeiro (Faculdade de Medicina de Coimbra) e J. E. Lourenço (Administrador Delegado da Pfizer).

me prazer. Mais tarde, recebi uma outra distinção em 1973, desta vez em colaboração com o Dr. Fernando Brandão – “Inactivação da noradrenalina endógena libertada por estimulação eléctrica em preparações isoladas de meia ‘in vitro” – e que me permitiu também receber uma outra distinção muito especial: o pintor Júlio Resende quando soube que eu havia sido premiado pela segunda vez com um Prémio Pfizer ofereceu--me uma lindíssima aguarela da sua autoria, que ainda hoje conservo. Por último fui agraciado pela terceira vez em 1992 com um trabalho que descrevia um mecanismo descoberto que originou uma teoria explicativa para alguns casos de hipertensão. Faço votos para que se continue a estimular a investigação desta forma ou por outras, como o tem feito até aqui. Os Prémios Pfizer constituem um estímulo, sendo amplamente comentados como um galardão desejado e glorificador de quem o recebe.

1992

Criação da Unidade de Tratamento da Dor Crónica no Hospital do Fundão: 1ª organização estruturada de cuidados paliativos. 074


Jorge M. Saraiva (premiado em 1992 e 2006)

lhes foram feitos e posteriormente publicados. Independentemente da avaliação formal que lhes seria feita pelos editores e revisores científicos procurei uma forma de avaliação pública da sua qualidade. Já enquanto finalista da licenciatura em Medicina tinha obtido uma Menção Honrosa do Prémio Bial de Medicina Clínica 86 numa situação semelhante. O prestígio dos Prémios Pfizer de Investigação, atribuídos pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e pelos Laboratórios Pfizer, bem

075

No início da última década do século passado era um jovem médico

assim como, a adequabilidade do meu projecto de investigação ao regu-

com motivação e alguma experiência no que é actualmente conhecido

lamento, foram determinantes para a decisão de concorrer. Foi-me atri-

como investigação translacional. Estava prestes a concluir o interna-

buído o 2º Prémio Pfizer de Investigação (1992) “Três mutações no gene

to complementar e tinha tido a oportunidade de realizar estágios no

da fibrilina responsáveis pelo síndroma de Marfan” Jorge M. Saraiva.

Department of Paediatric Genetics, Institute of Child Health, University

Este resultado gratificante contribuiu para consolidar o reconhecimen-

of London (como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian) e Center

to da investigação na minha carreira profissional e a prioridade de a

for Medical Genetics, Children´s Medical and Surgical Center, The Johns

incentivar em outros colaboradores, o que resultou anos mais tarde

Hopkins University School of Medicine and The Johns Hopkins Hos-

na partilha do Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2006 “Novel Reti-

pital, Baltimore, Estados Unidos da América (como bolseiro da Rotary

nal Mechanisms Underlying Genetically Determined Neural Dysfunction

Foundation).

in Williams-Beuren Syndrome”, Miguel Castelo-Branco, Mafalda Mendes,

Os resultados dos projectos de investigação realizados foram apresen-

Ana Raquel Sebastião, Aldina Reis, Mário Soares, Jorge Saraiva, Rui Ber-

tados em congressos científicos, melhorados com os comentários que

nardes e Eduardo Silva.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Implicações funcionais da maturação pós-natal dos circuitos inibitórios corticais». Carlos Manuel Nunes Filipe, Filipa Delgado Neiva Correia Ribeiro e José Carlos Marreiros Dionísio (Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa – Departamento de Fisiologia).

2º Prémio Pfizer de Investigação «Endoscopia rígida associada a microcirurgia endolaríngea. Contribuição para o estudo da patologia benigna, pré-maligna e maligna das cordas vocais» Mário Eduardo Teixeira Bastos Andrea, Óscar Proença Dias e João Carlos Lopes Simões Paço (Faculdade de Medicina de Lisboa e Hospital de Santa Maria – Serviço de Otorrinolaringologia) e Alberto Manuel Nascimento Santos (Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e Hospital de Santa Maria – Serviço de Otorrinolaringologia). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Sistemas antioxidantes na doença hipertensiva» Manuel Diamantino Pires Bicho (Faculdade de Medicina de Lisboa – Laboratório de Genética), João Pedro Pereira Gorjão Clara (Faculdade de Medicina de Lisboa e Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva), Francisco Nogueira da Costa (Faculdade de Medicina de Lisboa e Hospital de Santa Maria – Serviço de Medicina I), Carlos Filipe Aguiar Manso (Faculdade de Medicina de Lisboa e Instituto de Química Fisiológica), Maria Clara Gomes Pedro Bicho (Faculdade de Medicina de Lisboa – Laboratório de Genética e Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil), Alda Pereira da Silva, Joaquim Silva Neves, Helena Madeira Franco e Cristina Paula Fidalgo de Negreiros Monteiro (Faculdade de Medicina de Lisboa – Laboratório de Genética). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «A hipóxia reduz o componente do potencial excitatório pós-sináptico mediado pelos receptores NMDA no hipocampo» Patrícia Martins Canhão (Hospital de Santa Maria – Serviço de Neurologia).

1993

2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Vasculopatia disruptiva da retina após consumo pré-natal de cocaína. Estudo no homem versus modelo experimental» António Luís Carmo Silva Araújo (Faculdade de Medicina do Porto e Hospital de São João – Serviço de Oftalmologia). Menção Honrosa para Jovens Investigadores «Emergência em Saúde Pública» Maria Filomena Costa Horta Correia (Centro de Saúde de Faro – Serviço de Saúde Pública).

Sessão Solene no Centro Cultural de Belém: Mesa de Honra – da esquerda para a direita – Vasco Ribeiro (professor universitário e especialista em otorrinolaringologia), (?), Alexandre Castro Caldas (professor da Faculdade de Medicina de Lisboa), Maria Júlia Amaral (Directora do Serviço de Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estomatologia do Hospital de Santa Maria), Sá Machado (Administrador da Fundação Gulbenkian), Francisco Cambournac (professor da Escola Nacional de Saúde Pública), Paulo Mendo (Ministro da Saúde), João Ribeiro da Silva (Presidente da SCML), Jorge Girão (cirurgião), Fausto Afonso Pontes (professor da Faculdade de Medicina de Coimbra) Luís Leite Noronha (professor universitário e pneumologista), Pedro Abrantes (oftalmologista), J.E. Lourenço (Administrador Delegado da Pfizer) e Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML).

1993

Lançamento do 1º satélite português, o POSAT 1. 076


Ainda

Carlos Nunes Filipe

Manuel Pires Bicho

(premiado em 1993)

(premiado em 1989 e 1993)

estudante

na

Faculdade

de Ciências Médicas de Lisboa, na verdade talvez mesmo antes,

Paulo Mendo (Ministro da Saúde) entrega o prémio a Carlos Manuel Nunes Filipe (co-autor do 1º prémio).

Comecei a ouvir falar dos Prémios Pfizer quando entrei na carreira académica na Faculdade de Medici-

Da esquerda para a direita – Maria Filomena Costa Horta Correia (autora da Menção honrosa para Jovens Investigadores), Manuel Dias Pires Bicho (co-autor da Menção honrosa de Investigação) e Vasco Cardoso (Director das Relações Exteriores da Pfizer).

habituei-me a olhar para o Prémio

na de Lisboa, porque eu sou originá-

Pfizer como sendo a maior referência de reconhecimento de mérito

rio de Moçambique, quando come-

científico na Medicina Portuguesa. Aqueles a quem até então tinha sido

cei a trabalhar com o Professor Doutor Carlos Manso, que já tinha sido

atribuído eram disso bem a prova.

distinguido com esse galardão nos anos sessenta, o que me fez ter os

Ao ver atribuído, em 1993, o Prémio Pfizer ao grupo que então lidera-

prémios em muito boa consideração.

va senti, por isso, um imenso orgulho, que se estendeu a todos quan-

No meu caso concreto, os prémios tiveram uma grande importância

tos, no Departamento de Fisiologia da Faculdade de Ciências Médicas

sobretudo a nível curricular, porque se tratou de prémios muito presti-

iniciavam, nesse tempo, um projecto na área da neurofisiologia expe-

giantes atribuídos pela SCML, uma instituição científica muito conside-

rimental. O trabalho de investigação desenvolvido pelo Departamento

rada e que teve sempre nos seus órgãos directivos vários e ilustres

de Fisiologia da Faculdade de Ciências Médicas, não parou de crescer

professores da Faculdade de Medicina de Lisboa.

e frutificar, contando agora vários grupos de investigação, integrado

Das duas vezes em que fui distinguido, chamo a atenção para a segun-

num laboratório muito maior, o Centro de Doenças Crónicas (CEDOC), ac-

da em 1993, que permitiu a abertura de largo campo para as doenças

tualmente em processo de constituição como Laboratório Associado.

do envelhecimento e levou à constituição de um grupo de trabalho sobre a hipertensão no idoso. Os Prémios Pfizer constituíram enormes estímulos, sobretudo o desenvolvimento da investigação médica e feita por médicos, e que é bem marcado pelas categorias actualmente existentes: investigação clínica e investigação básica.

077


1º Prémio Pfizer de Investigação «Análise molecular e celular da imunidade a Mycobacterium Avium». Rui Appelberg Gaio Lima (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Centro de Citologia Experimental – Laboratório de Microbiologia Imunologia da Infecção), António Gil Pereira de Castro, Jorge Manuel Rolo Pedrosa, Regina Augusta Alves Pereira da Silva e Manuel Alexandre Teixeira da Silva (Centro de Citologia Experimental – Laboratório de Microbiologia Imunologia da Infecção).

1994

2º Prémio Pfizer de Investigação «Sistemas neuro humorais vasoconstritores e mecanismos facilitadores do vasospasmo útero placentário na hipertensão da gravidez» José António Silva Ferreira de Almeida (Faculdade de Medicina do Porto – Departamento de Ginecologia e Obstetrícia) e Jorge Manuel da Silva Junqueira Polónia (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Farmacologia Clínica). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Epidemiologia dos AVC’s – Primeiro estudo epidemiológico sobre AVC’s de base populacional realizado em Portugal» Raul Fernando Pinho Vaz, António Manuel Tavares Caravela, Joaquim Gomes da Silva, João Guilherme da Silva Maia, Rosa Celestina Santos Leite Duarte, Maria Manuel Ruela e Silva Cunha e Arminda Marques Tavares (Centro de Saúde da Murtosa), Manuel Lacerda Marques Ferreira, António Amador da Silva Esteves e Margarida Adelaide Oliveira Pires dos Santos (Centro de Saúde de Estarreja – Unidade de Saúde de Pardilhó), Maria de Fátima Matos Costa Nora (Centro de Saúde da Murtosa), Maria Carlota da Conceição Fernandes da Silva Alves (Centro de Saúde de Estarreja – Unidade de Saúde de Veiros) e Manuel Zacarias Monteiro Costa e Nora (Centro de Saúde da Murtosa). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Morfometria nuclear assistida por computador. Uma interpretação da variação da forma nuclear» Carlos Alexandre de Almeida Ramos e Diogo Alberto de Magalhães Cavaco (Faculdade de Medicina de Lisboa – estudantes do 6º ano). 2º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Doenças cardíaca isquémica e cérebro-vascular -Estudo de sazonalidade e tendência» Maria Manuela Barbosa Cerejeira de Sousa Cardoso (Centro de Saúde de Alcanena).

António Gil Pereira do Carmo, Jorge Manuel Rolo Pedrosa, Regina Augusta Alves Pereira da Silva, Rui Appelberg Gaio Lima e Manuel Alexandre Teixeira da Silva (autores do 1º prémio).

1994

Rui Gaio Lima (premiado em 1991, 1994 e 1997)

Quando há vinte anos recebi pela primeira vez um Prémio Pfizer, este actuou como um reforço muito positivo, foi uma boa “palmada nas costas” para dar alento para continuar a minha carreira, porque eu sempre desejei fazer investigação. Na altura eu era muito novo e encontrava-me no inicio da minha carreira como investigador e tratava-se de um período muito difícil no domínio da investigação. As repercussões da primeira vez que ganhei foram sobretudo a nível da imagem que os outros tinham de mim, porque como não existiam muitos outros candidatos a fazerem investigação, ao contrário de actualmente em que há uma grande competição, pelo que um prémio como este poderá ser determinante e constituir a diferença. O segundo e o terceiro prémios permitiram uma dupla satisfação: uma fruto de ver um trabalho coordenado por mim ser distinguido, outra por poder proporcionar a um conjunto de outras pes-

Wittgrove e Clark (EUA) realizam o primeiro Bypass Gástrico por Videolaparoscopia. 078


Diogo Cavaco

soas o mesmo prazer que tinha tido quando recebi o primeiro prémio. Especialmente no último caso em que foi uma pessoa que fez o doutora-

(premiado em 1994)

mento comigo e que trabalhou com afinco e dedicação – a Doutora Manuela Flório – que apesar de se encontrar na Austrália mantêm comigo um projecto de investigação que é continuação dessa parceria iniciada com o trabalho galardoado com os Prémios Pfizer, juntamente com outros investigadores. Tanto mais que, era muito difícil fazer investigação até 1991, ainda me recordo de lavar as pontas das pipetas para serem reutilizáveis,

O prémio Jovem Investigador Pfizer que ganhei em 1994, com o meu cole-

o que hoje em dia é impensável.

ga Carlos Ramos, teve para mim uma grande importância. Foi o reconhe-

Os três trabalhos premiados representam pequenos tijolos que são co-

cimento de um trabalho de investigação que decorreu no Instituto de

locados na construção de uma parede. Não existe um passo de mágica

Histologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, sob orientação da Pro-

que de repente mostre a descoberta de algo extraordinário como uma

fessora Maria do Carmo Fonseca.

cura para uma doença. Um dos aspectos que eu mais odiava nestas

Marcou sobretudo o final de uma etapa, o final da actividade de estudo

situações era o “assédio” da comunicação social nestas ocasiões que

e académica e a entrada na vida profissional. Funcionou muito como um

posteriormente escolheriam um título espampanante do género: des-

estímulo, um estímulo para trabalhar mais e para traçar objectivos de

cobriu-se a cura disto ou daquilo. Ora neste tipo de investigação os re-

futuro. Na altura, lembro-me de ter pensado: se ganhei o Prémio Pfizer

sultados não são assim, não se alcança nem se descobre um facto de

serei capaz de levar a cabo todos os projectos em que me empenhar.

aplicação imediata, mas antes, tem de ser encarada numa perspectiva de longo prazo, os resultados vão aparecer num futuro. A propósito, estes trabalhos são a base do que ainda hoje estou a fazer e que só agora se aproxima de uma aplicação farmacológica. Para mim a ciência faz-se para ser conhecida e publicitada, e é isso que na minha perspectiva faz evoluir e progredir uma carreira científica. Agora não existem também dúvidas que localmente as pessoas vão olhar para mim com outros olhos depois de ter sido distinguido por um prémio como foi o caso dos Prémios Pfizer.

079


1º Prémio Pfizer de Investigação «Pneumoangiografia de equilíbrio. Uma nova técnica de estudo radioisotópico da circulação pulmonar». João José Pedroso de Lima e Maria Filomena R.R. Botelho (Faculdade de Medicina de Coimbra – Serviço de Biofísica), José Alberto S. Rafael (Universidade de Aveiro – Departamento de Electrónica e Telecomunicações), António Macedo de Sá e Melo (Hospital Pediátrico de Coimbra – Serviço Hospitalar de Cardiologia Pediátrica), Manuel Fontes Baganha (Hospitais da Universidade de Coimbra – Serviço de Pneumologia), Lino Martins Gonçalves, Maria da Graça C. Oliveira Castro e Luís Augusto Pires da Costa Providência (Hospitais da Universidade de Coimbra – Serviço de Cardiologia).

1995

2º Prémio Pfizer de Investigação «A inervação articular regenera após diminuir durante a fase aguda do processo inflamatório» José Alberto Pereira da Silva, João Eurico Cortez Cabral da Fonseca, Luís Filipe Ferreira Moita, Luís Ricardo Simões da Silva Graça e Maria do Carmo S. V. Roque da Fonseca (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Histologia e Embriologia). 1º Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Problemas metodológicos na determinação da relação vale-pico de medicamentos anti-hipertensores com base na monitorização da pressão arterial de 24 horas» Manuel Guilherme Muge Ribeiro da Gama e José Alejandro Ribeiro dos Santos (Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Farmacologia e Terapêutica – Unidade de Farmacologia Clínica).

José João Pedroso de Lima (premiado em 1975 e 1995)

Os prémios constituíam dentro do panorama nacional, na época em que concorri pela primeira vez, um dos grandes prémios nacionais e fiquei muito orgulhoso pelas duas ve-

Mesa de Honra - esquerda para a direita - Manuel Guilherme Muge Ribeiro da Gama (co-autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores), José Pedroso de Lima (co-autor do 1º prémio) a discursar, Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), José Alberto Campaniço Pereira da Silva (co-autor do 2º prémio) e Vítor Machado Borges (colaborador da Pfizer).

zes em que fui distinguido. Destaco em particular o segundo (1995) porque se tratou de um trabalho de alguma forma pioneiro e que inclusivamente foi publicado no melhor jornal da especialidade – O Journal of American Medical Association dos EUA. Os Prémios Pfizer são indiscutivelmente um elemento de currículo muito importante e, no meu caso pessoal, apesar de ter recebido outros galardões, uma das distinções científicas mais importante ao longo de toda a minha carreira. Considero que todos os investigadores portugueses

Sessão Solene na sede da SCML: Mesa de Honra – da esquerda para a direita – Mendes de Almeida (Secretário Geral da SCML), Manuel Rodrigues Gomes (Director do Serviço de Saúde e Desenvolvimento Humano da Fundação Calouste Gulbenkian), Carlos Ribeiro (Bastonário da Ordem dos Médicos), Maria de Belém Roseira (Ministra da Saúde) a discursar, João Ribeiro da Silva e Artur Torres Pereira (respectivamente actual e antigo Presidente da SCML) e J.E. Lourenço (Administrador Delegado da Pfizer).

“lutam” por um dia vir a conseguir alcançar um Prémio Pfizer, tornando--se num importante incentivo. Um investigador português que receba um Prémio Pfizer sobe alguns degraus, pelo menos no conceito do meio científico nacional e não tenho qualquer dúvida que o Prémio Pfizer qualificava muito positivamente quem o recebesse. Em conclusão quero dizer que é de enaltecer uma manifestação de carácter científico que perdura durante tanto tempo e com qualidade como é o caso dos Prémios Pfizer, que apesar de criados no âmbito da medicina reconheceram trabalhos de outra áreas afins, como no meu caso, de tal forma que ainda hoje quando elaboro um currículo resumido não deixo de os assinalar.

080


Manuel Guilherme Muge Ribeiro da Gama

J. M. Mendes de Almeida é eleito Presidente da Direcção da SCML Mandato: 1996/1999

(premiado em 1995)

Os Prémios Pfizer foram extremamentes

O Prémio Pfizer que recebi em 1995, contemplou um trabalho que tinha sido feito em parceria com o

Manuel Guilherme Muge Ribeiro da Gama (coautor do 1º Prémio para Jovens Investigadores) cumprimenta J.E. Lourenço (Administrador Delegado da Pfizer).

Dr. Alejandro Santos, nos anos de

volver uma enorme plêiade de trabalhos de investigação, e que ultimamente forma alvo de uma evolução muito favorável porque passaram a atribuir um peso considerável à investigação clínica, que considero tão relevante como a básica. Durante um largo período de tempo os Prémios Pfizer foram marcan-

1993 e 1994, sob a orientação do Professor Doutor Jorge Polónia. Foi um

tes porque se constituíam como os únicos para a medicina portugue-

trabalho importante porque dizia respeito à hipertensão, uma área em

sa. Actualmente, e em função da profusão de galardões existentes, os

que existia, como ainda hoje persiste muito por fazer. Como reconhecia

prémios perderam um pouco do realce que detinham. Entre os diversos aspectos que constituíam a escolha, divulgação e distribuição dos pré-

algum valor científico ao trabalho, considerei que a sua distinção, foi

mios, um dos momentos mais importante na história dos prémios era

antes de mais, uma prova de coerência do que havia sido executado,

a conferência de imprensa, em que eram anunciados, apresentados e

porque uma coisa é o nosso entendimento, outra é o dos outros, como

questionados os vencedores. Em virtude da grande afluência dos jornalistas, tornava-se uma oportunidade ímpar para a divulgação da activi-

neste caso concreto, foi o de um júri de um troféu prestigiado, o que

dade científica junto dos meios de comunicação social, que normalmen-

lhe confere um valor acrescido. Vi a atribuição do prémio como uma

te não eram muito propensos a este tipo de informação, de tal modo que

recompensa de um esforço feito na investigação, que no meu caso

ainda hoje o mesmo modelo continua a ser utilizado.

pessoal se prolongou por dez anos, tendo sido interrompida, contra o meu desejo, por razões de vária ordem profissional. Actualmente o meu trabalho de investigação não tem a relevância que detinha naquele período, reduzindo-se à colaboração em projectos internacionais na área do AVC, competindo-me a representatividade do Hospital de São João do Porto, pelo que neste sentido, e com grande desgosto da minha parte, não posso ver o galardão recebido como um estímulo e ou um incentivo à actividade de investigador, entendo-o portanto, como aquilo que realmente é – um prémio – sendo desnecessário qualquer qualificativo adicional, quando ele próprio já se define suficientemente.

1996 081

importantes

porque ajudaram a desen-


1º Prémio Pfizer de Investigação «Efeitos do neuropeptido substância P na função linfocitária T humana: Modulação diferencial por fragmentos do peptido e efeito de peptidases de superfície». Maria João Covas (Faculdade de Medicina de Lisboa – Imunologia Clínica), Lígia Pinto (National Institute for Health – Experimental Immunology Branch nos EUA) e Rui M. M. Victorino (Faculdade de Medicina de Lisboa – Imunologia Clínica e Hospital de Santa Maria – Serviço de Medicina 2).

2º Prémio Pfizer de Investigação «A evolução tardia da dissecção da aorta no pós-operatório. Avaliação por ressonância magnética» Ana Almeida e João Françony (Hospital de Santa Maria – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica), Henrique Mesquita Gabriel e Vítor Martins (Hospital de Santa Maria – Serviço de Cardiologia), Luís Beija, L. Castro Guimarães e Rui de Lima (Hospital de Santa Maria – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica).

Rui Victorino (premiado em 1980, 1985, 1989, 1996 e 2008)

Obtive o primeiro prémio em 1980, quando ainda estava a terminar a minha formação como internista durante o internato da especialidade de medicina interna. Foi muito importante e uma distinção marcante. Em primeiro lugar, porque se tratava da minha primeira área de investigação, e na altura, os estímulos e incentivos para a investigação científica na medicina eram muito diminutos. Um segundo aspecto prende-se com o facto de ter passado um período no estrangeiro – Londres – e esta atribuição constituiu uma contribuição decisiva para a minha integração no meio português. Os Prémios Pfizer eram já detentores de um grande

1996

prestígio, pelo que, para um jovem médico, prestes a completar a especialidade, como era o meu caso, receber este galardão, constituía um passaporte para a sua aceitação plena no meio profissional, académico e científico nacional. Esta distinção tornou-se decisiva para o curso da minha futura carreira de investigador. Este trabalho originou diversas Sessão Solene na sede da SCML em 17/01/97: da esquerda para a direita – Henrique Mesquita Gabriel e Ana Almeida (co-autores do 2º prémio), J.E. Lourenço (Administrador Delegado da Pfizer), Maria João Covas e Rui Victorino (co-autores do 1º prémio).

1996

publicações – entre os quais o Clinical & Experimental Immunology e o Clinical Digest and Science - amplamente citadas. O prémio de 1985 corresponde a um trabalho numa área em que Vasco de Jesus Maria estava a dar os primeiros passos – a resposta linfocitária

Nascimento da ovelha Dolly, o 1º mamífero a ser clonado a partir de uma célula adulta, pelos investigadores Iam Wilmut e Keith Campbell, do Instituto Roslin na Escócia. 082


083

a fármacos – e que era um campo muito pouco explorado, pois não se

para o campo da investigação médica em doentes, a participação de

dava relevância às respostas adversas à administração de fármacos.

cientistas de outras áreas como era o caso de duas jovens biólogas bol-

Tratou-se de uma investigação pioneira e inovadora que originou diver-

seiras - Maria João Covas e Lígia Pinto. É um projecto que recordo com

sas publicações - como no Clinical & Experimental Immunology – consti-

particular saudade porque a Doutora Maria João Covas que conduziu

tuindo o nosso primeiro trabalho na área das hepatites medicamento-

uma parte substancial da investigação e como tal constituía a primeira

sas. A relevância deste campo de investigação tornou-se patente pelos

autora veio a falecer precocemente e a Doutora Lígia Pinto por seu turno

apoios que posteriormente foram dados pelas entidades oficiais da

prosseguiu a sua carreira nos EUA onde hoje em dia é a directora de um

época como a JNICT. A atribuição deste prémio foi decisiva para a cons-

laboratório nos EUA. Todavia também para elas a atribuição do prémio

tituição de um grupo de trabalho neste sector de estudo das hepatites

constituiu um forte alento para as respectivas carreiras.

medicamentosas, que chegou a ter uma dimensão internacional.

Os diversos trabalhos premiados reflectem a minha trajectória na in-

O trabalho premiado em 1996 reflecte uma época em que me dedicava

vestigação ao longo de trinta anos - desde 1980 até hoje – nas diversas

a uma área mais circunscrita de investigação e que se relacionava com

áreas em que estive envolvido e que foram marcantes para ajudar e

as interacções entre o sistema imunitário e o sistema nervoso central,

motivar quer a minha acção pessoal quer dos grupos em que estive

em particular com um neuropeptideo produzido no sistema nervoso

envolvido. E ao olhar para os nomes de todas as pessoas que ganha-

central e os efeitos que tinha no sistema imunitário e que posterior-

ram os prémios, mesmo os que fazem parte dos meus grupos, quer

mente conduziu a estudos no contexto de doenças como a artrite reu-

sejam jovens, seniores, primeiros ou segundos autores, verifico que

matóide e a infecção por HIV. Tratou-se de uma fase muito interessante

todos eles, mantêm uma actividade de investigação produtiva e reco-

e inovadora, em que se trouxe pela primeira vez para o nosso grupo e

nhecida internacionalmente.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Identificação de um novo tipo celular implicado nos mecanismos de defesa inata Mycobacterium Avium». Manuela Flórido (Centro de Citologia Experimental – Departamento de Microbiologia) e Rui Appelberg Gaio Lima (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e Centro de Citologia Experimental – Departamento de Microbiologia).

1997

2º Prémio Pfizer de Investigação «Vida e morte da transplantação arterial - Estudo Clínico e Experimental» Américo Diniz da Gama (Faculdade de Medicina de Lisboa e Hospital de Santa Maria – Serviço de Cirurgia Vascular), Carlos Sarmento e Germano do Carmo (Hospital de Santa Maria – Serviço de Cirurgia Vascular) e Afonso Fernandes (Faculdade de Medicina de Lisboa e Hospital de Santa Maria – Instituto e Serviço de Anatomia Patológica). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Vale a pena fazer a cirurgia da fibrilhação auricular nos doentes mitrais?» João Queiroz e Melo e Pedro Adragão (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica), Daniel Von Bonhorst (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cardiologia), Luís Bruges (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica), Manuel Canada (Hospital de Santa Cruz – Laboratório de Ecocardiografia), Manuel Moradas Ferreira e José Pedro Santos Neves (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cirurgia Cardiotorácica), Ana Leonor Costa Parreira (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cardiologia), Ana Paula Martins (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Anatomia Patológica), Teresa Ramos (Hospital de Santa Cruz – Centro de Criobiologia Cardiovascular) e Regina Ribeiras (Hospital de Santa Cruz – Serviço de Cardiologia). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Revascularização na isquemia crítica dos membros inferiores. Desafio terapêutico dos anos 90» José Manuel Fernandes e Fernandes, Luís Mendes Pedro, Cristina Gudenschwagen, José P. Costa Freire e Tiago Freitas Carneiro (Hospital de Santa Maria – Serviço de Cirurgia Vascular). Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Uma janela para a aterosclerose. A ecografia de alta definição no estudo da parede arterial» Luís Mendes Pedro e Maria Mónica Mendes Pedro (Hospital de Santa Maria – Serviço de Cirurgia Vascular), Ruy Fernandes e Fernandes (Faculdade Ciências Médicas – aluno), Tiago Freitas Carneiro (Hospital de Santa Maria – Serviço de Cirurgia Vascular), Maria da Conceição Balsinha e Maria Isabel Gonçalves (Faculdade de Medicina de Lisboa – alunas).

1997

Américo Diniz da Gama (premiado em 1974 e 1997)

Os Prémios Pfizer constituem um oásis na investigação clínica em Portugal, trata-se de uma iniciativa extremamente louvável, apesar do lugar-comum da expressão é uma verdade, porque assisto a esta passividade de um país pequeno, marginal em que os apoios e as apostas à investigação são diminutos, por isso admiro e louvo a iniciativa, mas acima de tudo, o que me parece quem merece ser exaltado é a sua manutenção com a qualidade que os tem caracterizado. Recebi os Prémios Pfizer por duas vezes – 1974 e 1997.

Morte de Jacques-Yves Costeau, oceanógrafo, cientista e inventor francês. 084


A primeira atribuição constituiu um grande estímulo para a minha carreira, na segunda o trabalho premiado foi fruto de uma verdadeira paixão, era extremamente original e partia da seguinte questão: porque é que não transplantamos artérias?

José Fernandes e Fernandes (premiado em 1997)

Deste modo, no Instituto do Coração onde trabalhava com o Professor Queiróz e Melo concebemos uma estrutura onde recolhíamos artérias e comecei a efectuar transplantes sobretudo em doentes que já tinham imunossupressão o que permitia evitar com um elevadíssimo grau de su-

O Prémio Pfizer corporiza uma das mais válidas iniciativas de estímulo

cesso as rejeições. Esta descoberta teve na época uma grande divulga-

e consagração da investigação científica biomédica em Portugal. A sua

ção, inclusive em revistas internacionais da especialidade. A decepção

longevidade é bem a expressão do seu sucesso, bem como, traduz um

veio ao fim de quatro a cinco anos após o transplante em que as artérias

exemplo de como a Indústria Farmacêutica pode contribuir com total

degeneravam ou morriam, daí o título do meu trabalho: “Vida e morte da

isenção e distanciamento para o fomento da investigação biomédica

transplantação arterial”. Mais tarde no animal de experiência – o cão –

de qualidade e, em particular, nos mais jovens investigadores.

consegui perceber qual a razão da degeneração das artérias, tal devia-

Tive a boa sorte de liderar a equipa que viu o seu trabalho de investi-

se ao facto de termos minimizado o conceito que a artéria é um órgão,

gação clínica sobre Isquémia Crítica dos Membros Inferiores premiado

como tal tem uma circulação própria que é feita por uns pequenos vasos

com menção honrosa, mas sobretudo a enorme satisfação de um dos

– vasos vasorum – que são destruídos no momento em que a artéria

meus colaboradores directos ter sido distinguido com o Prémio Pfizer

é retirada do seu leito nativo (quando é feita a colheita). Por isso quan-

para jovens investigadores.

do efectuei a implantação num doente, apesar das melhores condições

Como Director da Faculdade de Medicina expresso as minhas felicita-

existentes, o órgão está morto. Torna-se necessário manter os vasos

ções à Pfizer por esta iniciativa e formulo votos para a sua continui-

vasorum, o que me levou à identificação de um novo conceito: o pedículo

dade e para o estreitamento da cooperação entre a indústria farma-

vascular da artéria. Esta análise permitiu-me identificar várias doenças

cêutica e as instituições de ensino médico para o reforço da Ciência

existentes nas artérias (arteriosclerose) consequências da obstrução

e da Investigação que são pilares e objectivos indeclináveis da nossa

dos vasos vasorum. Foram assim integrados nesse trabalho dois concei-

missão académica.

tos originais: pedículo vascular e patologia vascular da artéria.

085


Luís Mendes Pedro (premiado em 1997)

No ano de 1997 fui galardoado com o Prémio Pfizer para Jovens Investigadores com o trabalho “Uma Janela para a Aterosclerose. A Ecografia de Alta Definição no Estudo da Parede Arterial”.

1º Prémio Pfizer de Investigação «Vacinação contra a diabetes autoimune murina: Identificação de mecanismos imunológicos protectores da doença». Teresa Maria Caldeira Martins (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – doutoranda – e Universidade do Porto – Instituto de Biologia Molecular e Celular) e Artur Manuel Peres Neves Águas (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar – Departamento de Anatomia – e Universidade do Porto – Instituto de Biologia Molecular e Celular).

A relevância dos Prémios Pfizer na carreira de um jovem investigador pode ser considerada em duas vertentes essenciais e que devem ser realçadas no panorama nacional. Por um lado, a reconhecida qualidade dos Prémios pressupõe que a respectiva candidatura

1998

inclua investigação original, profunda e estruturada o que constitui um estímulo relevante à investigação

2º Prémio Pfizer de Investigação «Topografia nuclear de genes envolvidos em translocações cromossómicas em leucemia: Evidência de proximidade génica em fases específicas do ciclo celular e da diferenciação hematopoiética» Maria Leonor de Sá Barreiros da Silva Parreira, Hélia Cristina Oliveira Neves e Carlos Alexandre de Almeida Ramos (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Histologia e Embriologia), Maria Ramos Lopes Gomes da Silva e António Braz da Silva Parreira (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil – Serviço de Hematologia). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Estudo da ‘Reconstituição imunológica’ induzida pela terapêutica antiretroviral tripla na infecção pelo VIH1: Implicações para a compreensão da imunopatogénese» Ana Cristina Gomes Espada de Sousa, Ana Filipa de Almeida Chaves, (Faculdade de Medicina de Lisboa – Centro de Biologia e Patologia Molecular, Unidade de Imunologia Celular), Maria Manuela Silva Doroana, Francisco José Nunes Antunes e Rui Manuel Martins Victorino (Faculdade de Medicina de Lisboa e Hospital de Santa Maria – Serviço de doenças Infecciosas). Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Optimização da função diastólica pela manipulação da carga. Bases fisiológicas e implicações clínicas» Joaquim Adelino Correia Ferreira Leite-Moreira e Jorge Manuel Nunes Correia-Pinto (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Fisiologia). Menção Honrosa - Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Avaliação de qualidade de registos na vigilância do diabético tipo II. Observação do registo de critérios explícitos e normativos» João Nunes Rodrigues (Faculdade de Medicina de Coimbra e Centro de Saúde de Celas).

científica. Por outro lado, o ser laureado com o prémio Pfizer é um reconhecimento da qualidade dessa investigação, essencial para investigadores jovens, e tem indubitável importância na prossecução do trabalho. No meu caso, como noutros, o Prémio Pfizer contribuiu

Menção Honrosa - Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «A monoamino oxídase cardíaca - caracterização molecular e cinética» João Tiago de Sousa Pinto Guimarães (Faculdade de Ciências do Porto – Serviço de Bioquímica).

para que a linha de investigação em causa culminasse mais tarde na tese de doutoramento. Finalmente, parece-me justo considerar que os Prémios Pfizer assumiram nas últimas décadas um papel extremamente relevante no estímulo ao desenvolvimento da investigação científica portuguesa na área médica.

1998

A Food and Drug Administration dos EUA aprova a utilização do Viagra no tratamento da disfunção eréctil. 086


Teresa Caldeira Martins

Ana Espada de Sousa

(premiada em 1998)

(premiada em 1998 e 2008)

Na minha opinião, iniciativas como os Prémios Pfizer são muito importantes no

A minha relação com os Prémios Pfizer está naturalmente

panorama científico nacional, sobretudo como forma de incentivar e estimular

agora enviesada pela minha ligação à Direcção da Sociedade

jovens cientistas, no início da sua carreira de investigação. É uma altura em

das Ciências Médicas de Lisboa.

que muitas vezes se nos instalam algumas dúvidas e em que sentimos algu-

No entanto, ao longo dos anos, os Prémios Pfizer têm sido

ma insegurança, até porque sabemos que em pouco tempo teremos que voar

uma referência na área da investigação biomédica em Por-

sozinhos e, estes prémios, de certa forma, vêm reconhecer o nosso mérito, a

tugal, e dado o seu prestígio foi naturalmente uma grande

qualidade do nosso trabalho, e dão-nos um terreno mais firme sobre o qual ca-

honra ter recebido este prémio no passado. Estes prémios

minhar. Ajudam-nos a andar para a frente, sem medo dos desafios com que nos

foram particularmente importantes para revelar ao público

defrontamos diariamente.

a importância da investigação para a resposta ao problema

No meu caso particular, o Prémio Pfizer foi-me atribuído no ano do meu doutora-

HIV/SIDA, em virtude do impacto dos Prémios Pfizer nos mé-

mento (um mês depois), ao meu trabalho de doutoramento e, como tal, funcio-

dia. O caso assume uma importância acrescida no caso con-

nou muito como uma validação de toda a investigação que eu tinha desenvol-

creto do HIV2, dado que Portugal regista, nesta matéria, uma

vido na minha então breve vida de investigadora. Fez com que tudo o que tinha

posição delicada, já que constitui o único país europeu onde

ficado para trás (as incontáveis e intermináveis horas de trabalho, a recta final

o número de casos não cessa de crescer.

com a realização das últimas experiências – a que nunca conseguimos pôr um ponto final - a escrita e a defesa da tese) valesse a pena. Foi um raio de sol num ano que tinha sido muito pesado para mim em termos pessoais; um ano com muitas perdas. Por tudo isto, ainda hoje tem muito significado para mim.

Sessão Solene na sede da SCML em 05/02/99: da esquerda para direita - Adelino Leite Moreira e Jorge Correia Pinto (autores do 1º Prémio para Jovens Investigadores), Teresa Maria Caldeira Martins (co-autora do 1º prémio), representante de Artur Neves Águas (co-autora do 1º prémio), Leonor Parreira e Hélia Cristina Oliveira Neves (co-autoras do 2º prémio), João Nunes Rodrigues (autor da Menção Honrosa A para Jovens Investigadores), Ana Espada de Sousa (co-autora da Menção Honrosa de Investigação) e João Tiago Guimarães (autor da Menção Honrosa B para Jovens Investigadores).

087


1º Prémio Pfizer de Investigação «Adaptação Bio-Funcional do Cérebro ao Conhecimento da Leitura e da Escrita». Alexandre Castro-Caldas (Faculdade de Medicina de Lisboa e Centro de Estudos Egas Moniz) e Alexandra Isabel Dias Reis (Centro dos Estudos Egas Moniz – Laboratório de Estudos da Linguagem).

1999

2° Prémio «Sistema Dopaminérgico Renal e Sensibilidade da Pressão Arterial ao Sódio na Nefropatia de IgA». Manuel Pestana de Vasconcelos (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Nefrologia), Helena Faria Jardim (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Pediatria), Maria Flora Correia (Hospital de São João – Unidade de Endocrionologia), José Alejandro Ribeiro dos Santos e Maria Paula Sertão (Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Farmacologia e Terapêutica), Levi Guerra (Faculdade de Medicina do Porto – Serviço de Nefrologia) e Patrício Soares da Silva (Faculdade de Medicina do Porto – Instituto de Farmacologia e Terapêutica). Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Acção Microvascular e Hemorreológica da Fluoresceína Sódica. Estudo num Modelo Animal». Henrique Baptista Colaço Sobral do Rosário (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Bioquímica) e Luís Sargento (Faculdade de Medicina de Lisboa – Instituto de Bioquímica e Hospital de Santa Maria – Serviço de Cardiologia). Menção Honrosa - Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Genes de Metabolismo de Genotóxicos e Predisposição para Neoplasias Hematológicas». Manuel Carlos Lemos (Faculdade de Medicina de Coimbra – Serviço de Genética Médica).

Alexandre Castro Caldas (premiado em 1974, 1976 e 1999)

Falar em comunidade científica em Portugal há 55 anos é mencionar meia dúzia de nomes que, com grande perseverança, levaram por diante projectos individuais que fizeram história. As sociedades científicas como a Sociedade das Ciências Médicas foram desde há muito o acolhimento e a ampliação da voz desses pioneiros. A associação que a Sociedade das Ciências Médicas fez com os Laboratórios Pfizer para a atribuição dos Prémios, foi uma decisão de grande impacto, pois o Prémio Pfizer passou a ser uma marca de qualidade reconhecida pelos pares. Quase todos os Professores das Faculdades de Medicina concorreram a este prémio. Como professor da Faculdade de Medicina de Lisboa não quis fugir a essa regra implícita e foi com grande satisfação que vi reconhecido o trabalho produzido, primeiro como jovem investigador e, mais tarde, como sénior.

Conferência de Imprensa na sede da SCML em 26/10/99: da esquerda para a direita – Henrique Sobral do Rosário (co-autor do 1º Prémio para Jovens Investigadores), Alexandre Castro Caldas (co-autor do 1º prémio) e Manuel Pestana (co-autor do 2º prémio).

1999

Lançamento da atorvastatina (Zarator) que trouxe um paradigma novo na prática clínica do tratamento da doença cardiovascular: o conceito de risco global. 088


Manuel Pestana de Vasconcelos (premiado em 1999 e 2008)

089

Os Prémios Pfizer constituem, dentro do panorama português, os prémios

No que respeita ao segundo trabalho galardoado, não se tratou pro-

científicos de maior importância naquilo que representa em termos de re-

priamente de um prémio mas de uma bolsa de investigação, que foi

conhecimento da actividade científica, seja ela desenvolvida na área clínica,

premiada para o desenvolvimento de um projecto conjunto entre o De-

seja ela desenvolvida na área básica, e muito mais do que o valor económico,

partamento de Doenças Renais, Urológicas e Infecciosas e a unidade

valem pela sua relevância e prestígio, que radica numa longa tradição, cre-

de investigação das doenças infecciosas liderada pelo Professor Antó-

ditada pela própria isenção e qualidade dos avaliadores e do modo rigoroso

nio Sarmento, e que ainda se encontra a decorrer com muito sucesso.

como essa análise é executada, o que merece o máximo respeito e crédito.

É um projecto de grande dimensão e que está a funcionar e que serve

Tive a felicidade de ser distinguido com os Prémios Pfizer por duas vezes.

como instrumento para a formação académica e para o desenvolvi-

Em 1999 a sua atribuição foi importante sobretudo pela implicação que

mento de projectos de elementos mais jovens, que estão a aproveitar

tem sempre para um grupo de investigadores ser reconhecido institu-

para desenvolver investigações e até provas académicas. O projecto

cionalmente por ter sido premiado, acrescido pelo valor e pela própria

teve o seu financiamento atribuído em 2008, mas levou algum tempo a

natureza do prémio em apreço. É sempre um factor de creditação da

arrancar, dada a necessidade de criar uma logística que garantisse o

própria equipa e de valorização em termos de avaliação externa do

seu funcionamento, estando neste momento em velocidade de cruzei-

grupo e que nos deu uma enorme satisfação, e não tanto pela valori-

ro, tendo já mais de uma centena de doentes muito bem estudados, e

zação do trabalho que já se encontrava realizado.

esperamos ainda este ano apresentar os primeiros resultados.


1º Prémio Pfizer de Investigação «Aumento da Distensibilidade Miocárdica pela Endotelina-1 em Situações de Sobrecarga: Implicações para a Dilatação Ventricular na Insuficiência cardíaca». Adelino F. Leite-Moreira, Carla Pedrosa, Carmen Brás-Silva e Amândio Rocha-Sousa (Faculdade de Medicina do Porto - Serviço de Fisiologia).

Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Estudo Imuno-Histoquímico da Angiogénese e Invasão em Astrocitomas -Fenótipos Angiogénicos e Invasivos em Astrocitomas» Sónia Luísa Pimentel e Filipe Glória e Silva (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Histologia e Embriologia).

J. Adelino Leite Moreira (premiado em 1998, 2000, 2002, 2003 e 2007)

No serviço que lidero concorremos a vários prémios tendo sido nos Prémios Pfizer onde obtivemos a primeira distinção. Tal deveu-se ao facto de que o primeiro trabalho que reconhecemos capacidade competitiva para concorrer a um galardão, nos tivesse levado a optar pelos Prémios Pfizer, tendo em conta o elevado prestígio que lhe reconhecíamos e que mantemos, dada a sua longevidade e pelo conjunto de personalidades ilustres, nomeadamente da Universidade do Porto, que foram distinguidas ao longo da sua existência. Fomos inicialmente vencedores na categoria de jovens investigadores e depois repetimos a candidatura noutras categorias, tendo triunfado

2000

umas vezes e outras não. Esta opção revela o prestígio reconhecido ao troféu e a mais-valia que ele representa. Sessão solene na sede da SCML em 24/11/00: Mesa de Honra – da esquerda para a direita – João Ribeiro da Silva (antigo Presidente da SCML e representante da Academia Portuguesa de Medicina), João Lobo Antunes (Presidente da SCML), Luís Magalhães (Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia), António Neves (Director de Business Development & Public Affairs da Pfizer) e Fernando Leal da Costa (Secretário Geral da SCML).

O contributo principal da primeira distinção em 1998 foi o ter servido de tónico, uma motivação adicional, não apenas pelo facto de quem o atribuía mas também pelo facto de ter sido o primeiro que, de certa maneira, criou o “vício” pela investigação. Paralelamente, outros dois aspectos relevantes foram a visibilidade que ele permitia aos vencedores, o que era de sobremaneira importante para quem iniciava os primeiros passos na carreira, e a sua dimensão económica. Na verdade, apesar do financiamento em investigação científica ter crescido, ele não se revelava suficiente para as necessidades pelo que, decidimos internamente por consenso, utilizar as verbas auferidas com os prémios para efectuar investimentos no serviço, em especial em equipamento e material e/ou novas investigações, e nesse sentido, os montantes ganhos através dos Prémios Pfizer foram muito úteis nos reinvestimentos operados. Os restantes trabalhos foram feitos na área cardiovascular. O primeiro (2000) In-

2000

Início do funcionamento do curso de medicina na Escola de Ciências da Saúde da Universidade do Minho. 090


seria-se no âmbito da insuficiência cardíaca diastólica, uma entidade cuja prevalência tem vindo a aumentar e em que os mecanismos permanecem ainda desconhecidos, de tal forma que ainda não existe um tratamento que permita alterar o curso da doença, mas esse trabalho consistiu num contributo específico – conjuntamente com outros que elaborámos – para que

Sónia Pimentel (premiado em 2002)

num curto prazo se traduza num benefício para os doentes. Posteriormente, em 2002, o trabalho estava relacionado com o efeito da endotelina na função cardíaca. Tratava-se da análise deste fármaco não em doentes, mas no músculo cardíaco humano retirado durante inFui

galardoada

versão na revista da SCML e posteriormente objecto de revisão, sendo editados em revistas

com

o

internacionais da especialidade. No que se refere às duas bolsas obtidas em 2003 e 2007 pode-

Pfizer para Jo-

-se dizer que os objectivos se completavam: na primeira abordou-se o efeito da sobrecarga agudo,

vens Investigadores 2000” pelo estudo “Angiogenic

o que permitiu “abrir-se ” um conceito que entretanto ficou muito em voga e que se traduziu no

and Invasion Phenotypes in Astrocytomas – an Immu-

seguinte: alterações agudas no miocárdio, que com o tempo sabemos que vão ter consequências.

nohistochemistry Study”.

Esse estudo foi feito inicialmente em modelos animais e mais tarde em tecido humano, Na segunda

Na altura uma jovem estudante de Medicina que as-

analisamos o efeito da sobrecarga cardíaca crónica, que são as alterações valvulares e foram

sociava o estudo académico com o gosto por inves-

feitos os acompanhamentos que permitiram, por exemplo, detectar subgrupos de risco, nomeada-

tigar e desenvolver algo de novo na área científica,

mente pela diferença de género – masculino e feminino – ou pela presença concomitante de diabe-

este prémio foi uma distinção e recompensa pelo es-

tes. O resultado vai ser em breve alvo de publicação na revista Circulation, o órgão de informação

forço desenvolvido.

internacional mais prestigiado na área,

Foi também a oportunidade de divulgar o trabalho

Cada distinção que recebi com um prémio Pfizer constituiu, por um lado, sempre um motivo de

científico realizado, ter novas experiências e conhe-

grande alegria e orgulho, despertou igualmente um sentimento de responsabilidade acrescida e

cer figuras sonantes da área da Medicina.

ajudou a fornecer o tónico necessário para vencer as dificuldades e ultrapassar os obstáculos

Uma experiência muito enriquecedora que nunca irei

que necessariamente se colocam a quem pretende fazer investigação de qualidade no nosso País.

esquecer.

A investigação, mais que qualquer outra actividade, tem momentos de grande incerteza e por vezes frustração que são largamente compensados pelo imenso sentimento de felicidade que o investigador sente com uma nova descoberta ou com a concretização de um objectivo. São estes momentos que fazem esquecer as dificuldades e dão a motivação necessária para iniciar e levar a cabo novos trabalhos. A distinção com um prémio científico é seguramente um desses momentos.

091

Luís Magalhães (Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia) entrega o prémio a Sónia Pimentel Dias (co-autora do 1º Prémio para Jovens Investigadores).

tervenções cirúrgicas. Estes dois trabalhos cruzavam-se e foram publicados numa primeira

“Prémio


1º Prémio Pfizer de Investigação «Resistência ao Fluconazol por Efluxo e sua Reversão Farmacológica». Cidália Pina Vaz, Acácio Gonçalves Rodrigues, Sofia Costa de Oliveira e Christina Tavares (Universidade do Porto – Instituto de Patologia e Imunologia Molecular).

2° Prémio Pfizer de Investigação «Efeito Imunotrópico Positivo do Piruvato – Acção Citosólica e Implicações na Protecção Metabólica do Coração». Roberto Roncon-Albuquerque Jr., Miguel S. Guerra e Paulo C. Chaves (Faculdade de Medicina do Porto - Serviço de Fisiologia). Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Metaplasia de Barrett Adenocarcinoma Associado - Estudo Imunocitoquímico da Expressão dos Antigénios Simples de Mucinas (TN, STN e T)». Sérgio Alexandre Henriques Pereira, Nuno Filipe da Silva Alves e Raquel Nunes Marta (Faculdade Ciências Médicas de Lisboa - Serviço de Anatomia Patológica).

Acácio Gonçalves Rodrigues (premiado em 2001)

O prémio Pfizer representou para a equipa, à data constituída por 4 elementos, simultaneamente um galardão e um desafio: o reconhecimento do mérito da investigação inédita de translação que vinha sendo desenvolvida na área dos mecanismos de resistência aos antifúngicos; prosseguir na elucidação a nível fenotípico, molecular e proteómico desses mecanismos, conseguindo em última análise a sua reversão. A equipa multidisciplinar que actualmente coordeno e que engloba mais de 20 elementos (incluindo 3 da equipa premiada) tem vindo

2001

a demonstrar, ao longo dos anos, recentes resultados muito promissores nessa área em particular. Entre eles ressaltaria a recente demonstração in vivo de sinergismo entre fluconazole e ibuprofeno, o que constituiu o mote da investigação in vitro que foi premiada. Tais resultados constituem o suporte essencial e indispensável à realização de estudos em humaSessão Solene na sede da SCML em 23/11/01: Mesa de Honra – da direita para a esquerda - Jorge Saavedra (Director Geral da Pfizer), João Lobo Antunes (Presidente da SCML), António Correia de Campos (Ministro da Saúde) e João Ribeiro da Silva (antigo Presidente da SCML* e Presidente da Academia Portuguesa de Medicina).

nos com vista à reversão da resistência clínica, razão última da nossa actividade investigacional.

092


Roberto Liberal Fernandes Roncon de Albuquerque (premiado em 2001, 2002, 2003 e 2007)

Quando iniciei a minha actividade de investigação científica no Serviço de Fisiologia da Faculdade de Medicina do Porto, ainda durante a frequência da minha licenciatura em Medicina, cedo senti o carisma dos Prémios Pfizer. De facto, a conquista destes prémios por parte de alguns ‘mestres’ da minha Faculdade, era sempre referenciado como

Criação do Instituto de Medicina Molecular.

um expoente significativo nos seus percursos científicos. O prestígio associado a esses galardões conseguia mesmo compensar (ainda que transitoriamente) as muitas dificuldades solitárias de quem investiga em Portugal... Naturalmente, a conquista do Prémio Pfizer em 2001, quando ainda frequentava o último ano de Medicina, foi um momento muito significativo no meu percurso académico e de investigação. Por um lado não poderia ter recebido melhor ‘prenda’ de final de curso; por outro lado, pude honrar a tradição dos ‘mestres’ que tanto me ensinaram no meu Serviço de Fisiologia e assim continuar a fazer aquilo que mais me realiza como Médico: a investigação de translação. Não poderia, portanto, deixar de desejar que os segundos 55 anos de actividade dos Prémios Pfizer alcancem uma projecção ainda maior que a deste brilhante primeiro meio século de actividade!

2001 093

Criação da Wikipédia.


Prémio Pfizer de Investigação «Distrofia Muscular Oculofaríngea: Análise molecular do processo de agregação da proteína PABPN1». João Paulo Tavanez, Patrícia Calado e Maria do Carmo Fonseca (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Medicina Molecular – IMM).

Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Aumento da facilitação da transmissão sináptica causada por activação de receptores para a adenosina do sub-tipo A2a no hipocampo de ratos idosos» Alexandre Valério de Mendonça (Faculdade de Medicina de Lisboa - Laboratório de Neurociências), Nelson Rebola (Faculdade de Medicina de Coimbra - Instituto de Bioquímica), Ana Maria Ferreira de Sousa Sebastião (Faculdade de Medicina de Lisboa - Laboratório de Neurociências), Rodrigo Pinto dos Santos Antunes da Cunha (Faculdade de Medicina de Coimbra - Instituto de Bioquímica) e Joaquim Alexandre Ribeiro (Faculdade de Medicina de Lisboa - Laboratório de Neurociências). Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «A Via Delta-Notch e a Regulação da Neurogenese Pós-Natal no Cérebro de Ratinho Adulto» Tiago Ramos Alegre Branco (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Histologia e Embriologia).

2002

Menção Honrosa - Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «A importância da adenosina na resposta das células químio receptoras à hipoxia» Sílvia Margarida Vilares Santos Conde (Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa -Departamento de Farmacologia). Bolsa de Investigação Pfizer «Estudo da Modulação da Expressão Cénica do miocárdio na sobrecarga do coração: correlações funcionais e implicações na transição para a Insuficiência cardíaca» Adelino Leite-Moreira, Jorge Correia-Pinto, Tiago Henriques-Coelho, Roberto Roncon-Albuquerque Jr., André Lourenço, Paulo Castro-Chaves, Carmen Brás-Silva, Paulo Pinho e Pedro Teixeira Bastos (Faculdade de Medicina do Porto - Serviços de Fisiologia e Cirurgia Cardiotorácica).

Patrícia Calado (premiada em 2002)

Recordo a atribuição do Prémio Pfizer com um sentimento muito especial pois foi o primeiro reconhecimento do meu trabalho científico. Em 2002 eu estava no segundo ano do meu Doutoramento e até então tudo se resumia a trabalho árduo e muitas horas de laboratório. Foi muito importante para mim saber que este esforço se tinha efectivamente traduzido em ciência de mérito e o Prémio representou uma fonte de motivação para os anos que se seguiram. O dinheiro do prémio foi totalmente investido no projecto mas como recompensa pessoal tive direito, pela primeira vez, a um computador novo, para meu uso exclusivo! Olhando agora em retrospectiva, constato que o que ganhei e aprendi com o Prémio Pfizer continua a ter um valor muito actual pois a motivação, o financiamento para o projecto e um computador para trabalhar continuam a ser condições indispensáveis para o sucesso de uma carreira científica!

Conferência de Imprensa na sede da SCML* em 24/10/02: Mesa de Honra - da esquerda para a direita – Alexandre Valério Mendonça (co-autor da Menção Honrosa de Investigação), Adelino Leite Moreira (co-autor da candidatura vencedora à Bolsa Pfizer de Investigação 2002), João Paulo Tavenez (co-autor do Prémio de Investigação), Fernando Leal da Costa (Secretário Geral da SCML*) e Tiago Ramos Alegre Branco (autor do Prémio para Jovens Investigadores).

094


Maria do Carmo Fonseca, João Paulo Tavenez e Patrícia Calado (autores do Prémio de Investigação).

095


Prémio Pfizer de Investigação «Human Hematopoiesis Decisions of Fate and Equilibrium. The effects of Notch ligands Deitai and Jaggedl in human myelopoiesis: evidence for a role in the homeostatic equilibrium of different cell-lineages». Hélia Neves (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Medicina Molecular), Floor Weerkamp e Gita E. Naber (University Medical Center, Roterdão - Department of Immunology, Erasmus MC), Paulo Lúcio (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil - Serviço de Hematologia), Nuno Clode (Hospital de Santa Maria - Serviço de Obstetrícia), Jacques ]. M. van Dongen e FrankJ.T. Staal (University Medical Center, Roterdão - Department of Immunology, Erasmus MC) e Leonor Parreira (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Medicina Molecular).

2003

Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «A Novel member of the Hypertension-related WNK protein kinase subfamily» Fátima Veríssimo e Peter Jordan (Instituto Nacional de Saúde “Dr. Ricardo Jorge” - Centro de Genética Humana). Menção Honrosa - Prémio Pfizer de Investigação «Alterações moleculares do ventrículo esquerdo e suas repercussões funcionais na progressão para a insuficiência cardíaca: Importância relativa da carga e da activação neuro-humoral» Jorge Correia Pinto, André Lourenço, Tiago Henriques-Coelho, Roberto Roncon-Albuquerque, Adelino F. Leite-Moreira (Faculdade de Medicina do Porto - Serviços de Fisiologia). Bolsa de Investigação Pfizer «Perfil genético associado a risco de morte súbita na miocardiopatia hipertrófica familiar» Nuno Cardim (Hospital Pulido Valente - Serviço de Cardiologia).

Hélia Neves (premiada em 1998 e 2003)

Nos primeiros 10 anos da minha actividade científica desenvolvi projectos de investigação na equipa liderada pela Professora Leonor Parreira, na Unidade da Biologia Hematopoiética do Instituto Medicina Molecular/Faculdade de Medicina de Lisboa. Durante esse período foram-nos atribuídos dois Prémios Pfizer: o primeiro prémio Pfizer 2003 intitulado “Decisões de destino e equilíbrio em células estaminais do sangue” e o segundo prémio Pfizer de Investigação 1998 “Topografia nuclear de genes envolvidos em translocações cromossómicas em leucemia: evidências de proximidade genica em fases específicas do ciclo celular e da diferenciação hematopoiética”. Por obedecer a elevados critérios de excelência, o Prémio

Sessão Solene e Jantar de Homenagem no Hotel Carlton Pestana: premiados - da esquerda para a direita - Fátima Veríssimo e Peter Jordan (autores da Menção Honrosa de Investigação B), Hélia Neves, Leonor Parreira, Frank Staal e Floor Weerkamp (co-autores do Prémio de Investigação), Jorge Correia Pinto e Tiago Henriques Coelho (co-autores da Menção Honrosa de Investigação A) e Nuno Cardim (autor da candidatura vencedora à Bolsa Pfizer de Investigação 2003).

2003

Pfizer é muito reputado no meio cientifico e a sua atribuição foi para mim um reconhecimento gratificante da qualidade do trabalho de investigação biomédica realizado pela nos-

Anúncio da conclusão com sucesso do Projecto do Genoma Humano com a decifração da sequenciação de 99 do genoma humano. 096


Nuno Cardim (premiado em 2003)

sa equipa ao longo dos anos, fruto de muita perseverança e

Quase uma década após ter recebido este galardão não posso deixar

dedicação. Pela sua longa tradição de premiar a investigação

de esboçar um sorriso quando recordo e me transporto para aqueles

médica em Portugal, a Pfizer tem desempenhado um papel

tempos, tempos de juventude, tempos de ingenuidade, tempos de es-

fundamental no apoio à ciência e sua divulgação na socie-

perança, tempos de doutoramento, tempos de sonhos e de ambição...

dade Portuguesa, estabelecendo pontes de comunicação

Do ponto de vista pessoal, receber o prémio Pfizer representou para

determinantes para o desenvolvimento do nosso país. A atri-

mim um enorme prazer, não só pelo prestígio que a sua atribuição con-

buição destes prémios permitiu também, divulgar o nosso

fere, mas sobretudo pelo seu significado, constituindo um importante

trabalho, aproximando a nossa actividade da sociedade civil.

estímulo, um justo reconhecimento ao esforço, à capacidade de traba-

Por fim, estes trabalhos foram também o resultado dum es-

lho e à perseverança, em resumo, um verdadeiro tributo à “meritocra-

forço concertado da nossa equipa com colaboradores de

cia “, tão necessária, mas tantas vezes ausente neste País.

outras instituições (Instituto Gulbenkian de Ciência, Instituto Português de Oncologia e Erasmus Medical Center, Roterdão) e a atribuição destes prémios ajudou a consolidar a minha carreira como investigadora ao reforçar os laços de cooperação científica com os meus pares, tanto ao nível nacional como internacional.

097

Obrigado pela iniciativa Pfizer, Portugal agradece!


Prémio Pfizer de Investigação 2004 Ex-Aequo «Componentes das Respostas Inflamatórias contribuem para o controlo da inflamação - Função e Dinâmica de células T reguladoras durante respostas inflamatórias». Jocelyne Demengeot (coordenadora), Íris Caramalho, Thiago Lopes-Carvalho, Santiago Zelenay, Manuel Rebelo, Vanessa Oliveira, Gustavo Rosa, Mathias Haury e Jorge Carneiro (Instituto Gulbenkian da Ciência - Grupo de Fisiologia de Linfócitos).

Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «TAT - Heme Oxygenase-1: A chimeric protein that overcomes septic shock» László Tokaji (Instituto Gulbenkian da Ciência).

«VEGF and KFR internalization in endothelial cell recovery following trauma». Susana Constantino Rosa Santos e Sérgio Jerónimo Rodrigues Dias (Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil - Laboratório de Biologia Molecular – CIMP – Grupo Angiogénese).

Bolsa de Investigação Pfizer - Professor João Cid dos Santos «Real time in vivo studies of heart outflow tract morphogenesis and the role of theTbx1 gene» Moisés Mallo (Instituto Gulbenkian da Ciência).

Menção Honrosa - Prémio Pfizer para Jovens Investigadores «Genistein is a major soy component and protects from malaria infection» Margarida Cunha Rodrigues (Instituto Gulbenkian da Ciência).

Jocelyne Demengeot (premiada em 2004)

A importância do Prémio Pfizer tem para mim, duas vertentes: uma pessoal e outra colectiva.

Luís Filipe Pereira (Ministro da Saúde) entrega o prémio a Jocelyne Demengeot (co-autora do Prémio de Investigação A).

No primeiro caso, foi muito importante porque senti que através da Pfizer e da SCML, o meu país de adopção – Portugal – reconhecia o investimento feito no trabalho de uma estrangeira, que tinha iniciado um grupo de investigação em 1998, na altura da reformulação do IGC. Quanto ao segundo aspecto, a sua relevância prende-se com o facto de se ter tratado de um trabalho de grupo em que todos os

2004

intervenientes tomaram parte e em que o progresso do conhecimento resultou de uma dinâmica colectiva. De entre os quais, chamo a atenção para o trabalho importante da Íris Camargo, que liderou uma das áreas de investigação inseridas neste projecto e Conferência de Imprensa no Hotel Pestana Palace, sala “Correio Mor” em 05/11/04: premiados - da esquerda para a direita – Margarida Cunha Rodrigues (autora da Menção Honrosa para Jovens Investigadores), Susana Rosa Santos e Sérgio Rodrigues Dias (autores do Prémio de Investigação B), László Tokaji (autor do Prémio para Jovens Investigadores), Miguel Soares (Instituto Gulbenkian da Ciência), Íris Caramalho e Jocelyne Demengeot (co-autoras do Prémio de Investigação A).

que permitiu abrir novas perspectivas para o futuro neste domínio. Saliento sobretudo o orgulho final que, como grupo, todos sentimos com a distinção atribuída, que colectivamente celebramos e o que contribuiu para aumentar a coesão interna da equipa. Em último lugar gostaria de realçar o papel da SCML e da Pfizer que sempre olharam para o nosso trabalho como o resultado de um todo colectivo e não como de uma acção individual, como aliás foi bem patente nas diversas cerimónias relativas à distribuição do prémio

098


Susana Constantino Santos (premiada em 2004)

É ainda com imensa satisfação que recordo o momento em que tive a

Luís Filipe Pereira (Ministro da Saúde) entrega o prémio a Susana Rosa Santos (co-autora do Prémio de Investigação B).

noticia que o nosso trabalho tinha sido distinguido com o Prémio Pfizer de Investigação. Considero que este prémio, como contributo financeiro, é im-

Criação do Facebook.

portante para o desenvolvimento científico nacional e deverá ser um exemplo para outras entidades privadas. Para mim constituiu um reconhecimento extraordinário do trabalho desenvolvido. Foi, e ainda é, um incentivo para prosseguir uma investigação de excelência.

2004 099


Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2005 «Epidemiologia das Perturbações do Espectro do Autismo em Portugal: prevalência, caracterização clínica e condições médicas associadas numa população infantil». Guiomar Oliveira (Hospital Pediátrico de Coimbra - Unidade de Autismo), Assunção Ataíde (Escola Superior de Educação de Coimbra), Carla Marques, Teresa S. Miguel, Ana Margarida Coutinho e Luísa Diogo (Hospital Pediátrico de Coimbra - Unidade de Autismo), Luísa Mota Vieira (Instituto Gulbenkian da Ciência), Carla Domingues (Hospital Pediátrico de Coimbra - Unidade de Autismo), Esmeralda Gonçalves e Nazaré Mendes Lopes (Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra - Departamento de Matemática), Luís Borges (Hospital Pediátrico de Coimbra - Unidade de Autismo), Vítor Rodrigues (Universidade do Minho e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), Henrique Carmona da Mota (Faculdade de Medicina de Coimbra) e Astrid Moura Vicente (Hospital Pediátrico de Coimbra - Unidade de Autismo).

2005

Menção Honrosa - Pfizer de Investigação Clínica 2005 «Quantitative Phenotyping of Stargardt´s Photoreceptor Degeneration Shows that Mutations Patterns in ABCR Gene can Induce Distinct Functional Profiles Even in Apparently Normal Individuals» Susana Maia-Lopes, M.F. Silva, A. Reis, P. Faria, E. Silva e Miguel Castelo-Branco (Faculdade de Medicina de Coimbra – Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem - IBILI). Menção Honrosa - Pfizer de Investigação Clínica 2005 «Gravidez Gemelar e Síndrome de Transfusão feto-fetal: Contributo da avaliação de fluxo sanguíneo no ducto venoso como forma de antecipar o diagnóstico e evitar a deterioração hemodinâmica nos gémeos monocoriónicos» Alexandra Matias e Nuno Montenegro (Faculdade de Medicina do Porto - Departamento de Ginecologia e Obstetrícia).

António Jacinto (premiado em 2005)

Recebi

o

Pré-

mio Pfizer para a

Investigação

William Wood e António Jacinto (co-autores de um dos Prémios de Investigação Básica).

Básica em 2005.

Prémio Pfizer de Investigação Básica 2005 Ex-Aequo «Distinct Mechanisms Regulate Macrophage Chemotaxis During Wound Healing and Development in Drosophila» Will Wood, Célia Faria e António Jacinto (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Medicina Molecular).

Foi fantástico, depois de um longo período em for-

«Terra is Left-Right Asymmetry Gene Required Form LeftRight Synchronization of the Segmentation Clock» Leonor Saúde, Raquel Lourenço, Alexandre Gonçalves e Isabel Palmeirim (Instituto Gulbenkian da Ciência – Centro de Biologia do Desenvolvimento).

Nessa altura, o prémio contribuiu também para eu

«To Have Or Not To Have Ribs: When and Where do Hox Genes Give the Information?» Marta Sofia Zambujo Carapuço, Ana Nóvoa e Moisés Mallo (Instituto Gulbenkian da Ciência – Unidade de Transgénicos).

mação no Reino Unido, tinha regressado há poucos anos a Portugal e o prémio fez-me sentir que tinha valido a pena e que eu era realmente bem-vindo. tomar consciência da responsabilidade de justificar o investimento que era feito em mim e na minha equipa. E, acima de tudo, deu-me motivação para aproveitar todas as oportunidades que me têm permitido dedicar completamente à investigação.

Bolsa Pfizer de Investigação em doenças infecciosas - Prof. Artur Torres Pereira «Caracterização da População em Mudança de Streptococcus pneumoniae» Mário Ramirez e João Coelho (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Microbiologia).

Sessão Solene e Jantar Hotel da Lapa em 18/11/05: Mesa de Honra - da esquerda para a direita – Artur Torres Pereira (antigo Presidente da SCML), Jorge Soares (Presidente da SCML), Correia de Campos (Ministro da Saúde), Jorge Saavedra (Director Geral da Pfizer) e Fernando Leal da Costa (Secretário Geral da SCML).

100


Leonor Saúde

António Coutinho

(premiada em 2005)

é eleito Presidente da Direcção da SCML Mandato: 2006/2009 O

Prémios

Pfizer

e

da

SCML são certamente os prémios

Pelo impacto que os prémios Pfizer continuam a ter depois destes 55

Leonor Saúde e Raquel Lourenço (co-autoras de um dos Prémios de Investigação Básica).

anos, ter ganho um destes prémios em 2005 foi uma oportunida-

mais

nosso país, nomeadamente nas áreas das ciências da saúde. Este prestígio foi adquirido à custa de dois componentes importantes do prémio: por um lado a isenção e o rigor na escolha e a qualidade dos membros do júri, em suma a respeitabilidade da sociedade que distri-

de de divulgar a minha investigação e mostrar que algo que fazemos

buía e classificava os trabalhos (a SCML), por outro e a um nível se-

com o intuito de entender processos biológicos básicos, não directa-

melhante o esforço do patrocinador (a Pfizer) em manter o galardão

mente aplicáveis nem imediatamente relacionados com uma doença,

ininterrupto desde há mais de cinquenta anos, que foi e é um bom exemplo, que espero que esteja agora a ser seguido por outras em-

é reconhecido como algo fundamental para o avanço da investigação

presas e organizações, nomeadamente privadas.

biomédica. O reconhecimento, por parte de uma empresa como a Pfi-

Os prémios foram atribuídos a diversas pessoas que tiveram um papel

zer, do valor da investigação dita “básica não-clínica”, é seguramente

muito importante nos últimos cinquenta e cinco anos na ciência, na

um exemplo muito importante do meu ponto de vista.

medicina e nas ciências da vida em Portugal, e o que ainda permanece até aos dias de hoje, revelando a grande renovação e o grande impulso

A continuidade e regularidade dos prémios Pfizer ao longo de 55 anos

que as ciências da vida estão a ter no nosso país actualmente.

e o modo como têm sido moldados de modo a acompanhar a evolução

Foi por isso uma honra muito grande ter colaborado na atribuição dos

da ciência moderna é também um aspecto exemplar destes prémios.

Prémios Pfizer enquanto membro da SCML e constitui uma honra para

Receber um prémio é sem dúvida um forte momento de motivação e

inspiração algo que é fundamental especialmente no contexto

mim, também enquanto Presidente do IGC, de onde foram distinguidos um elevado número de cientistas, em particular nos últimos dez a quinze anos.

actual, onde a crise tem que ser combatida com momentos po-

Como jurado foi também uma honra em ter participado na escolha da

sitivos.

atribuição de alguns Prémios Pfizer, sendo de realçar o rigor e isenção da acção da SCML e a total liberdade e autonomia conferida pela Pfizer.

2006 101

científicos

prestigiados existentes no


Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2006 «Novel Retinal Mechanism Underlying Genetically Determined Neural Dysfunction in William-Beuren Syndrome». Miguel Castelo-Branco, Mafalda Mendes, Ana Raquel Sebastião, Aldina Reis, Mário Soares, Jorge Saraiva, Rui Bernardes e Eduardo Silva (Faculdade de Medicina de Coimbra – Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem - IBILI).

2006

Prémio Pfizer de Investigação Básica 2006 «Transthyretin Enhances Nerve Regeneration» Carolina Estima Fleming, Maria João Saraiva e Mónica Mendes de Sousa (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar). Bolsa Pfizer de Investigação em Oncologia e Doenças Oncológicas Professor Francisco Gentil «Study of Therapeutic Target c-kit in brain tumors» Rui Manuel Reis (Universidade do Minho - Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde).

Miguel Castelo Branco (premiado em 2005 e 2006)

Enquanto laureado é sempre um estímulo enorme receber uma distinção por um trabalho de investigação que, por natureza, é uma tarefa árdua que durante o dia a dia da sua elaboração traz-nos sempre muitas alegrias mas também muitas tristezas e frustrações. Nesse sentido, receber um prémio constitui algo de muito gratificante, porque significa antes de mais o reconhecimento do nosso esforço, e mais ainda quando se trata de uma distinção como os Prémios Pfizer. No meu caso concreto, tratou-se de uma enorme alegria partilhada, já que os trabalhos foram o resultado de um esforço de uma equipa. Como jurado constituiu para mim um enorme prazer poder fazer parte de um núcleo que premiou trabalhos de qualidade de jovens investigadores: porque se é bom receber reconhecimento, não é menos bom reconhecer o trabalho dos outros, em particular quando se trata de jovens cientistas. Fazer parte de um júri foi para mim também extremamente gratificante. Como Director do IBILI, devo frisar em primeiro lugar, que institucionalmente, estas distinções constituíram um estímulo, porque como já referi, tratava-se de trabalhos de equipa, que envolviam alunos de doutoramento, com coordenação científica da minha parte e ainda doentes. Este último aspecto tem relevância porque os trabalhos que foram premiados, em concreto o de 2006, tiveram também um forte impacto para as famílias, porque os proventos do prémio foram utilizados para prosseguir o projecto, em especial com o apoio das famílias. Este trabalho ainda hoje prossegue, com bons resultados, sendo muitos deles alvos de publicações em diversas revistas da especialidade em que, a par dos aspectos relevantes do ponto de vista científico foi dado ênfase a problemas do quotidiano das famílias, que estas doenças – como é o caso do neurodesenvolvimento - acarretam. O O trabalho, a par da dimensão institucional, teve também uma forte dimensão social, em que os doentes e seus familiares viram os seus problemas valorizados e reconhecidos.

2006

Cientistas da NASA encontram provas da existência de água em Marte. 102


Carolina Fleming

Rui Manuel Reis

(premiada em 2006)

(premiado em 2006)

Os prémios Pfizer revestem-se de importância nacional por três mo-

Em 2006, fui distinguido com a “Bolsa Pfizer de Investigação em Onco-

tivos. Em primeiro lugar, a óbvia satisfação pessoal dos vencedores

logia e Doenças Oncológicas Prof. Francisco Gentil”, com o projecto que

contribui para elevar a sua motivação levando-os a produzir mais e

estava a desenvolver intitulado “Estudo do Alvo Terapêutico c-KIT em

melhor ciência. Em segundo lugar, é uma oportunidade de divulgação

Tumores Cerebrais”. Na altura, com 33 anos, em fase inicial de afirma-

de resultados que habitualmente não chegam ao conhecimento do

ção como Investigador Principal e a liderar um pequeno grupo de inves-

público em geral. Curiosamente, após a atribuição do prémio ao nosso

tigação, o Prémio Pfizer foi fundamental, não só no reconhecimento

trabalho e sua divulgação, recebi um e-mail de um membro de uma

da qualidade do trabalho e ideias que estávamos a desenvolver, mas

família afectada pela doença, relacionada com a proteína que estuda-

também possibilitando a execução do mesmo. Como fruto do trabalho

mos, a agradecer a investigação que fizemos. De realçar que quem me

galardoado, elucidámos alterações em vários importantes alvos tera-

enviou o e-mail estava ciente que o trabalho premiado foi na vertente

pêuticos, contribuindo para o desenvolvimento de novas estratégias

de investigação básica, ou seja, sem consequências imediatas prá-

de tratamento, participando inclusive na caracterização molecular de

ticas e mesmo assim a simples existência do trabalho trouxe algum

doentes que estavam em ensaio clínico com uma dessas novas clas-

conforto a quem é afectado pela doença. Por último, dada a quase

ses de fármacos. Decorrente deste trabalho, mais de 5 publicações

ausência de mecenato em Portugal, é de louvar a existência destes

científicas na forma de artigo em revistas internacionais da especia-

prémios e a sua consistência ao longo de todos estes anos.

lidade e capítulos de livro foram realizados. Em suma, o Prémio Pfizer foi um importante dínamo, no desenvolvimento de uma forte linha de investigação de translação em oncologia.

103


Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2007 «Avaliação dos marcadores bioquímicos de formação óssea e suas correlações com os minerais séricos durante o processo de cicatrização óssea em osteotomias e defeitos ósseos de dimensão crítica ao nível da tíbia na ovelha como modelo experimental de investigação em ortopedia». Isabel Dias, Carlos Viegas, Jorge Azevedo, Paulo Lourenço, Emília Costa, Adriano Rodrigues, António Ferreira, Rui Reis e António Cabrita. (Universidade do Minho).

2007

Prémio Pfizer de Investigação Básica 2007 «Revisiting the role of the mother centriole in the centriole biogenesis» Ana Rodrigues Martins e Mónica Bettencourt Dias (Instituto Gulbenkian da Ciência). Bolsa Pfizer de Investigação em Envelhecimento e Geriatria Prof. Xavier Morato «Avaliação da resposta ventricular esquerda à estenose aórtica na população idosa antes e após tratamento cirúrgico: correlações clínicas, morfofuncionais e moleculares» Adelino Leite-Moreira, Cristina Gavina, Inês Falcão Pires, Roberto Roncon- Albuquerque Jr., André Lourenço, Antónia Teles, Marta Oiveira (Faculdade de Medicina do Porto - Serviço de Fisiologia).

Da esquerda para a direita: Jorge M. Teixeira de Azevedo, Prof. Catedrático, Vice Reitor da UTAD, António Silvério Cabrita, Prof. Auxiliar da FMUC, Isabel R. Dias, Prof. Auxiliar da UTAD, Rui L. Reis, Director ICVS/3B’s, Prof. Associado com Agregação da UM, Carlos A. Viegas, Prof. Auxiliar da UTAD.

Rui L. Reis (premiado em 2007)

Sempre reconhecemos importância aos prémios Pfizer. São prémios atribuídos por uma das maiores empresas mundiais da área farmacêutica, em associação com a prestigiada Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa. Os prémios resultam de uma decisão de um júri, tipicamente constituído por personalidades de reconhecido mérito, e são prestigiados na comunidade científica nacional. O prémio de investigação clínica, que nos atribuíram em 2007, foi um excelente reconhecimento para toda a nossa equipa nos 3B´s da Universidade do Minho, mas particularmente para a Doutora Isabel Dias, docente da UTAD e investigadora dos 3B´s. Foi para mim e para os restantes elementos da equipa envolvida um prazer poder colaborar com ela neste trabalho e vê-lo reconhecido. Tratou-se de um estímulo para o que temos vindo a desenvolver na área de investigação pré-clínica da biologia da regeneração do tecido ósseo e que pretendemos tenha rapidamente resultados práticos. Temos a clara noção que muitas equipas de investigação aspiram à obtenção de um Prémio Pfizer, mas efectivamente são poucas as que têm a honra de o conseguir. Portanto para nós nos 3B´s este não é apenas mais um prémio entre muitos, até porque não temos ainda muitas distinções de carácter mais clínico…

104


Mónica Bettencourt Dias (premiada em 2007)

Os prémios Pfizer revestem-se de importância nacional por três motivos. Em primeiro lugar, a óbvia satisfação pessoal dos vencedores contribui para elevar a sua motivação levando-os a produzir mais e melhor ciência. Em segundo lugar, é uma oportunidade de divulgação de resultados que habitualmente não chegam ao conhecimento do público em geral. Curiosamente, após a atribuição do prémio ao nosso trabalho e sua divulgação, recebi um e-mail de um membro de uma

É publicitada a consolidação de uma nova “técnica simplificada” para o tratamento do Aneurisma da Aorta toraco-abdominal, realizada em Portugal, desde 1983, por A. Diniz da Gama e sua equipa.

família afectada pela doença relacionada com a proteína que estudamos a agradecer a investigação que fizemos. De realçar que quem me enviou o e-mail estava ciente que o trabalho premiado foi na vertente de investigação básica, ou seja, sem consequências imediatas práticas e mesmo assim a simples existência do trabalho trouxe algum conforto a quem é afectado pela doença. Por último, dada a quase ausência de mecenato em Portugal, é de louvar a existência destes prémios e a sua consistência ao longo de todos estes anos.

2007 105


Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2008 «Monocyte-mediated T cell suppression by HIV-2 envelope proteins». Rita Cavaleiro, Gregory J. Brunn, Adriana S. Albuquerque, Rui M. M. Victorino, Jeffrey L. Platt e Ana Espada de Sousa (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Medicina Molecular).

2008

Prémio Pfizer de Investigação Básica 2008 «Inactivação Não-deletora de PTEN e Hiperactivação da Via de Sinalização PI3K/Akt Regulam a Viablidade de Células Primárias de Leucemia Linfoblástica Aguda T» João Taborda Barata, Ana Silva, J. Andrés Yunes, Bruno Cardoso, Leila Rodrigues Martins, Patrícia Y. Jotta, Miguel Abecassis, Alexandre E. Nowill, Nick R. Leslie e Ângelo A. Cardoso (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Medicina Molecular). Bolsa Pfizer de Investigação «Risco Cardiovascular aumentado na infecção VIH. Contribuição da dimetilarginina assimétrica (ADMA) para a avaliação da disfunção endotelial. Estudo transversal e prospectivo» Manuel Vasconcelos, António Sarmento, Rui Alberto da Silva Marques, Margarida Fernandes Tavares, Maria de Lurdes Campos Santos, Ana Isabel Gomes Beco Malheiro e Inês Passos e Castro Neto Ferreira dos Santos Pereira (Faculdade de Medicina do Porto).

Rita Cavaleiro (premiada em 2008)

Foi com orgulho que recebi o Prémio Pfizer de Investigação Clínica, em 2008,

pelo

Ana Jorge (Ministra da Saúde) entrega o prémio a Rita Cavaleiro (co-autora do Prémio de Investigação Clínica).

reconheci-

mento de parte do trabalho que desenvolvi no âmbito do meu Doutoramento. Sendo a atribuição deste prestigiante galardão bastante mediática, ter sido premiada constituiu também uma oportunidade para poder divulgar aquele trabalho entre o público em geral, através do subsequente contacto que tive com jornalistas. Este aspecto foi para mim muito interessante, uma vez que sempre desejei participar em actividades de divulgação científica, área que considero essencial na promoção do desenvolvimento da própria ciência.

Sessão solene e Porto de Honra, Sala de Actos, Faculdade de Ciências Médicas em 06/11/08: mesa de honra - da esquerda para a direita - Fernando Leal da Costa e António Coutinho (respectivamente, Secretário Geral e Presidente da SCML), Ana Jorge (Ministra da Saúde), Pierre Gaudreault (Director Geral da Pfizer), João Sentieiro (Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia) e José Miguel Caldas de Almeida (Director da Faculdade de Ciências Médicas).

106


João Taborda Barata (premiado em 2008)

Em 2008, tive o privilégio de receber um Prémio Pfizer. Recordo-me de ter aproveitado, durante a apresenta-

Ana Jorge (Ministra da Saúde) entrega o prémio a João Taborda Barata (co-autor do Prémio de Investigação Básica).

ção pública do nosso trabalho por altura da atribuição oficial do prémio, para elogiar as pessoas cujo papel tinha sido crucial para o meu percurso científico até então e de mencionar que o fazia porque um Prémio desta natureza e prestígio não se recebe todos os dias. É assim que eu vejo os Prémios Pfizer. Como um galardão

Colocação da 1ª prótese biónica (mão), no Centro de Reabilitação Profissional de Vila Nova de Gaia.

especial que, ao longo do tempo, tem sabido premiar muito do que de melhor se faz na área das ciências biomédicas em Portugal, sem concessões. É daí que nasce o seu prestígio. A fórmula parece-me simples: premiar o mérito, a originalidade, a qualidade, desprezando a tentação do compadrio, o facilitismo ou a mediocridade. O valor monetário do Prémio não é irrisório e deve ser realçado. No nosso caso, contribuiu, por exemplo, para o desenvolvimento inicial de um projecto novo que, na altura, não tinha ainda financiamento próprio no laboratório. Isto não é pouco - permitir que ideias novas dêem os primeiros passos tem um valor incalculável em ciência. Dito de outra forma: o impacto que os Prémios Pfizer têm tido ao longo dos anos dispensa palavras. Mas o seu valor vai, realmente, muito além de algo que se contabilize em escudos ou euros. Foi esse valor que recebi com muito orgulho em 2008. E é em reconhecimento desse valor que dou os Parabéns à Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e aos Laboratórios Pfizer por 55 anos de sucesso na execução de uma belíssima Ideia.

2008 107


Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2009 Ex-Aequo: «Activação Linfocitária e Reconhecimento Molecular das Células Malignas: Implicações para a Imunoterapia do Cancro». Bruno Silva Santos (Faculdade de Medicina de Lisboa - Instituto de Medicina Molecular). «Hipercolesterolémia familiar: uma oportunidade para a medicina preventiva». Mafalda Bourbon, Sónia Silva, Ana Medeiros, Ana Catarina Alves (Instituto Nacional de Saúde “Dr. Ricardo Jorge” - Grupo de Investigação Cardiovascular), Quitéria Rato (Centro Hospitalar de Setúbal – Serviço de Cardiologia), Isabel Gaspar (Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental – Consulta de Genética Clínica) e António Guerra (Hospital de São João – Serviço de Pediatria).

2009

2009

Prémio Pfizer de Investigação Básica 2009 Ex-Aequo «Seguindo a base molecular da tolerância dos hospedeiros à infecção por Plasmium» Miguel Che Parreira Soares (Instituto Gulbenkian da Ciência). «Os telómeros omitem a detecção das extremidades dos cromossomas por interrupção da cadeia de sinalização de chekpoint» Miguel Ferreira, Tiago Carneiro, Clara Alves e Vanessa Borges (Instituto Gulbenkian da Ciência).

Bruno da Silva Santos (premiado em 2009)

Os Prémios Pfizer têm uma grande relevância para a comunidade científica portuguesa, em particular na área da Biomedicina e Saúde, pois distinguem o que melhor se faz no nosso país na respetiva investigação básica e clínica. É importante salientar estas duas componentes de investigação, ambas críticas para o avanço do conhecimento biomédico e sua aplicação em benefício dos doentes. Receber um Prémio Pfizer é um reconhecimento muito valioso do nosso trabalho, perante a avaliação conduzida pela Sociedade das Ciências Médicas e o prémio proporcionado pela Pfizer. O Prémio assume uma dimensão especial pela sua notável história nos últimos 55 anos, e pela

Sessão Solene na Aula Magna da Faculdade de Medicina de Lisboa em 24/11/09: Mesa de Honra – da esquerda para a direita - Adalberto Campos Fernandes (Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte), J. Fernandes e Fernandes (Director da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa), Ana Jorge (Ministra da Saúde), Ana Paula Carvalho (Directora Geral Executiva da Pfizer) e Leonor Parreira (Presidente da SCML).

longa lista de ilustres premiados. Constitui, assim, um grande estímulo à nossa actividade de investigação. Finalmente, a sua visibilidade junto dos órgãos de comunicação social permite uma divulgação ímpar da ciência biomédica feita em Portugal.

Declaração da OMS a considerar o surto de gripe A em estado de pandemia. 108


Mafalda Bourbon

Miguel Che Soares

(premiada em 2009)

(premiado em 2009)

O prémio Pfizer sempre representou para mim uma das mais altas dis-

Os Prémios Pfizer são mais importantes pelo prestígio que detêm do

tinções que um cientista poderia receber. O prestígio do prémio Pfizer

que pelos montantes atribuídos, sendo um elemento de apoio e visi-

pode ser comprovado por outros autores de prémios Pfizer atribuídos

bilidade para a actividade dos cientistas portugueses, pelo reconhe-

anteriormente que são nos dias de hoje investigadores de renome in-

cimento social implícito que implicam. A atribuição de uma distinção é

ternacional.

sempre positiva, é motivo de orgulho e de comemoração para quem é

Quando em 2009 a Sociedade das Ciência Médicas nos atribuiu o pré-

escolhido. Este aspecto é tanto mais verdadeiro, quando se trata de

mio Pfizer de investigação clínica, foi um sonho tornado realidade.

um galardão como este, em que o prestígio e a isenção são elementos

Profissionalmente este prémio contribuiu para reforçar a importância

característicos, e numa época em que os valores necessários para

do estudo da Hipercolesterolemia Familiar na prevenção da doença

efectuar investigações são exorbitantes, a importância de um troféu

cardiovascular.

científico vale especialmente pelo seu simbolismo.

Pessoalmente este prémio foi muito importante para mim, pois com-

Uma outra vertente dos Prémios Pfizer é a possibilidade que permi-

provou que é possível ser ao mesmo tempo, uma boa mãe para os

te, de divulgar a actividade científica e dos cientistas, em virtude da

meus 4 filhos, e uma boa profissional.

cobertura mediática de que são alvo, em função do prestígio que alcançaram. Relativamente a este ponto, por certo que não é alheia, a parceria, que está na base da sua existência, entre a Pfizer e a SCML, que com a sua autonomia e rigor científico conferiram um grau de isenção notável, transformando o prémio Pfizer numa marca importante para a distinção das carreiras. Não é por puro acaso que o incluo no meu currículo.

109


Miguel Godinho Ferreira (premiado em 2009)

Prémio Pfizer de Investigação Clínica 2010 «Growth Factor Beta 2 and Heme oxygenease 1 Genes control susceptibility to Cerebral Malaria Syndrome». Carlos Penha Gonçalves (Instituto Gulbenkian de Ciência) e Rosário Bragança Sambo (Hospital Pediátrico David Bernardino de Luanda, Angola).

O Prémio de Investigação Básica de 2009, teve uma grande importância para mim e para o grupo que liderava, pois tratava-se do resultado de um trabalho que tinha sido elaborado no meu laboratório em Portugal, que tinha iniciado a sua actividade havia muito pouco tempo, e como tal, constituiu um motivo, não só de orgulho, mas também de segurança, já que ser alvo de tal reconhecimento, é uma prova de que nos encontrávamos no caminho correcto. A nossa investigação assentava no estudo dos

Prémio Pfizer de Investigação Básica 2010 «How do OX Genes control where ribs should grow?»» Tânia Vinagre, Natalia Moncaut, Marta Carapuço, Ana Nóvoa, Joana Bom e Moisés Mallo (Instituto Gulbenkian de Ciência de Oeiras e do Departamento de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa).

telómeros e da sua implicação na degeneração celular particularmente em patologias oncológicas e no envelhecimento humano. Posteriormente, verificou-se o reconhecimento internacional deste estudo com a sua publicação na revista científica Nature. Aliás o ano de 2009 revelou-se bastante positivo para a nossa área de investigação científica, porque algum tempo após temos ganho o prémio Pfizer, o Prémio Nobel da Fisiologia e da Medicina foi atribuído a Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak, como reconhecimento da descoberta dos telómeros nos anos oitenta e da actualidade e importância destas estruturas, vislumbrando-se como uma das matérias fundamentais no progresso da medicina. Assim, a distinção com o prémio Pfizer, não apenas constituiu uma alegria mas um estímulo para prosseguimos nesse sentido

2010

Sessão Solene e Porto de Honra, Sala do Actos, Faculdade de Ciências Médicas em 11/11/08: da esquerda para a direita – Ana Paula Carvalho (Managing Director da Pfizer), Ana Nóvoa, Joana Bom, Moises Mallo e Tânia Vinagre (co-autores do Prémio Pfizer de Investigação Básica), Maria do Céu Machado (Alta Comissária da Saúde), Leonor Parreira (Presidente da SCML*), Maria do Rosário Sambo e Carlos Penha Gonçalves (coautores do Prémio Pfizer de Investigação Clínica) e Caldas de Almeida (Director da Faculdade de Ciências Médicas)

110


Carlos Penha Gonçalves

Moisés Mallo (premiado em 2004, 2005 e 2010)

(premiado em 2010)

Os Prémios Pfizer significam uma tradição de qualidade e são uma re-

A importância dos Prémios Pfizer, no meu caso concreto, reveste-se em

ferência nacional. Este é o principal motivo para as pessoas quererem

dois momentos diferentes:

concorrer e sentirem-se honradas quando são distinguidas, dada a re-

O primeiro foi a atribuição da Bolsa de Investigação em 2004, que foi

putação e projecção que têm.

muito importante porque se tratou de financiar uma investigação con-

O caso concreto do prémio com que fui distinguido em 2010, foi muito

creta que noutro tipo de contexto não poderia ser financiada e que foi

importante porque premiou um estudo feito em Angola e que tem dois

bem sucedida. Como se tratava de investigação não aplicada, que em

aspectos interessantes: em primeiro lugar o facto de premiar um es-

termos finais apenas gera conhecimento, torna-se muito difícil explicá-lo

tudo feito num local (Angola) numa altura que ainda era bastante difícil

ou mostrar a sua utilidade. Acontece que os Prémios Pfizer foram muito

executar qualquer iniciativa, pelo que, não estamos só a falar de pre-

importantes, porque dada a antiguidade e o prestígio que detêm, têm

miar os resultados, mas também de todo um esforço que foi necessário

uma cobertura mediática grande o que me permitiu dar a conhecer, ou

para que o projecto pudesse ser executado; por outro lado, constitui

explicar, quais os objectivos do meu trabalho e qual a sua relevância.

um estímulo para que o projecto prossiga; por outras palavras, não se

Assim, pode-se dizer, que a utilidade destes meus trabalhos, foram as

limitou a premiar os resultados de uma investigação, mas incentivar a

repercussões que tiveram com a sua publicação nos meios de comuni-

sua continuação, que é o que está a ocorrer.

cação. O segundo aspecto relaciona-se com o trabalho de equipa que esteve presente sobretudo no prémio de 2010. Embora fosse o responsável e coordenador do trabalho, tratou-se de um trabalho de equipa, por isso a menção de todos os que o integraram, pelo que, para os mais jovens e que estão a iniciar a carreira, além do estímulo para a auto-estima e a mais-valia curricular que é dada por se ter ganho um prémio, este factor serviu de integrador e aglutinador do grupo para futuros trabalhos.

2010 111

Anúncio da criação de uma célula bacteriana controlada por um genoma totalmente artificial por J. Craig Venter e sua equipa do J. Craig Venter Institut nos EUA.


Agradecimentos A todos os que contribuiram com o seu testemunho e “memória”. Ao Pedro Matos Águas pela inestimável colaboração na organização e sistematização do espólio documental, elaboração da pesquisa histórica, recolha documental e dos depoimentos. Ao Departamento Médico da Pfizer pelo entusiasmo e permanente apoio ao desenvolvimento e divulgação da investigação em Portugal.


Ficha Técnica Autor

Helena Novais (coordenação)

Título

55 anos Prémios Pfizer

Edição Design gráfico Execução gráfica Tiragem Depósito legal

Laboratórios Pfizer, Lda. Series, Comunicação e Design Lda. Tipografia Belgráfica, Lda. 1500 exemplares 336005/11 Algumas das imagens utilizadas foram gentilmente cedidas pela Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa.


55º Aniversário Prémios Pfizer  

Livro Comemorativo

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