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Congresso

II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine - WOSAAM

Viver mais e melhor

Congresso médico reúne estudiosos da fisiologia humana do Brasil e do exterior Desde a descoberta do DNA, em 1953, por Watson e Crick, a medicina tem se esforçado continuamente para desvendar os segredos da hereditariedade, da etiologia das doenças e da variabilidade das respostas do organismo aos tratamentos, entre tantos outros fatores que podem fazer o ser humano viver mais e melhor. Pelo segundo ano consecutivo, o Grupo Longevidade Saudável traz para o Brasil um evento que reúne autoridades nacionais e internacionais com reconhecida atuação no campo da fisiologia humana. Totalmente voltados para médicos, o II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM), o VI Simpósio Internacional de Fisiologia Hormonal e Longevidade e o I Workshop de Nutrição Bioquímico-Fisiológica acontecem em São Paulo, de 19 a 21 de outubro. “Assim como na primeira edição do evento, no ano passado, o Congresso da WOSAAM servirá de plataforma para troca de experiências entre médicos de diversos países que atuam com base no conhecimento científico que dá sustentação à medicina preditiva e preventiva. Nosso objetivo principal é proporcionar aos profissionais de Saúde do Brasil e de outros países da América Latina a oportunidade de conhecer um pouco mais os avanços da medicina preventiva e sua contribuição para uma longevidade saudável”, comenta o médico e diretor científico do Grupo Longevidade Saudável, Ítalo Rachid (Cremesp 114612). O programa científico do evento foi elaborado para abranger áreas multidisciplinares e complementares damedicina, como cardiologia, ginecologia, urologia, neurologia, oncologia, medicina estética, biologia molecular, genética, biotecnologia, e nutrição. Na rica programação, encontram-se alguns destaques como o novo estudo comprovando que a testosterona não é perigosa para o câncer de próstata, a ser apresentado pelo urologista norte-americano Abraham Morgentaler. Considerado um dos maiores especialistas na área da saúde sexual masculina, ele promete apresentar também evidências de Pág 18 | Revista Longevidade em Foco

que a terapia de testosterona é importante para muitos outros aspectos da saúde do homem, além de seu bem-estar sexual. No primeiro dia do Congresso, o médico e cientista belga Thierry Hertogue, presidente da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM) e da International Hormone Society (IHS) fará um seminário em que serão abordados alguns dos principais problemas de saúde que atingem homens e mulheres, e que podem ser evitados e/ou revertidos com o uso da terapia de modulação hormonal. A abertura está marcada para as 9h, do dia 19, quando dr. Hertogue tratará do tema Andrologia: Terapia hormonal - Soluções para problemas masculinos. “Teremos um seminário sobre a terapia hormonal como única forma de tratar ou diminuir problemas como hipotrofia da próstata, tamanho dos órgãos genitais, desempenho esportivo, calvície, infertilidade, entre outros”, adianta o médico, que é autor dos livros A Solução Hormonal, DHEA: o Hormônio de uma vida melhor, e Mantenha-se Jovem, além do guia médico The Hormone Handbook.

Envelhecimento cromossômico e global Já no sábado pela manhã será a vez de o médico brasileiro Cícero Galli Coimbra, neurologista e professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), fazer sua palestra. Ele apresentará sua linha de pesquisa sobre


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a vitamina D no tratamento de pacientes com o diagnóstico de esclerose múltipla. Ainda no sábado, o médico Stephane Resimont apresentará seus estudos sobre envelhecimento cromossômico e sua reversão com ativador de telemorase 65, epitalon e estrogênios. No domingo, um dos palestrantes será o médico norte-americano Samuel Yue. Anestesiologista, membro da American Society of Anesthesiologists (EUA) e da International Association for the Study of Pain, Dr. Yue é reconhecido em todo o mundo por seu trabalho com relaxina no tratamento da fibromialgia e doenças de pele. Neste mesmo dia, outro anestesiologista, o médico, Anoop Chatuverdi, presidente da Sociedade de Medicina Antienvelhecinento da India, apresentará os avanços da terapia hormonal na reversão da obesidade e do desgaste dos músculos. Entre as autoridades brasileiras com presença confirmada está o nutrólogo e doutor em Clínica Médica pela USP, Carlos Alberto Werutsky. O professor do curso latu senso de Nutrologia da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) abordará os erros alimentares mais frequentes, que podem levar ao dano celular e consequente envelhecimento. A programação completa pode ser consultada no site: www.regencieventos.com.br

JURISTA ANALISA PARECER DO CFM SOBRE PRÁTICA DA MEDICINA DA LONGEVIDADE O II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM) contará também com importante palestra do advogado Valter Adriano Fernandes Carretas (OAB-PR 25735). Com 12 anos de atuação, o jurista é especializado em direito na área da Saúde Pública, tendo neste período obtido importantes conquistas em termos de legislação sanitária e farmacêutica. Ele fará a palestra Fundamentação Jurídica frente à Prática do Anti-Aging no Brasil, em que abordará parecer jurídico em relação ao relatório do Conselho Federal de Medicina (CFM). “O parecer fere a Constituição, em mais de um artigo. Um deles o 5º, que determina que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. E resoluções do CFM não têm poder de Lei”, esclarece o advogado. Em sua palestra, que acontece no sábado, dia 20/10, entre 17h e 18h30, Carretas vai expor ainda que a terapia de modulação hormonal não pode ser considerada ilegal, desde que o médico se responsabilize pelo seu ato, informando ao paciente sobre seu tratamento e obtenha seu consentimento em relação a se submeter àquela terapêutica. “Isso ocorre por conta do direito constitucional do livre exercício profissional e a criativa humana, bem como em função do princípio da legalidade”, explica o jurista, que salienta que não existe qualquer proibição ou restrição à prescrição de hormônios quando destinados a modulação hormonal. E, mesmo que no futuro venha a existir tal proibição, ela estará sujeita a ação judicial cabível.

I Workshop de Nutrição Quem for ao II Congresso Latino-Americano da WOSAAM terá a oportunidade de assistir, ainda, palestras sobre temas como nutrição, fisiologia hormonal, conceitos e práticas gastronômicas. A programação é do I Workshop de Nutrição Bioquímico-Fisiológica, que acontece no sábado, dia 20, entre 8h e 18h30. O workshop será coordenado pela biotecnóloga e nutricionista Priscila Machado e abordará aspectos importantes de um novo conceito de saúde, que se refere à área da fisiologia hormonal humana, além de condutas nutricionais aplicadas à bioquímica e à regulação hormonal. Da programação constam ainda temas como: orquestra hormonal; o stress cotidiano e suas implicações fisiológicas; a importância de alimentos vivos; dieta mediterrânea e proteína; nutrigenômica (mecanismo de ação dos nutrientes); esporte e longevidade. Uma das palestrantes do evento é a consultora Científica do Centro de Genomas®Aderuza Horst, graduada em Nutrição pela Universidade Estadual do Centro-Oeste, e com doutorado e pós-doutorado em Ciência dos Alimentos, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, falará sobre Genômica Nutricional. Revista Longevidade em Foco | Pág 19


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Dr. Abraham Morgentaler, professor adjunto clínico da Harvard Medical School

Terapia com reposição de testosterona

Abraham Morgentaler é mestre e doutor em urologia e especializado em saúde sexual e reprodutiva. Formado em 1982 pela Escola de Medicina de Harvard, fez residência em Brigham e no Hospital da Mulher. Hoje, é professor adjunto clínico da Harvard Medical School e diretor do Men’s Health Boston, um dos primeiros centros médicos dos EUA especializados no tratamento de problemas sexuais masculinos. Morgentaler é autor de diversos livros, entre eles Testosterone for Life, obra que é o resultado de 30 anos de pesquisas. O especialista será um dos palestrantes do II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM), que ocorre, em São Paulo, de 19 a 21 de outubro. Em entrevista exclusiva à revista Longevidade em Foco, o Prof. Morgentaler falou sobre seus estudos; os obstáculos enfrentados pela terapia da reposição hormonal na classe médica em diversos países; e sobre novas evidências dos benefícios dessa terapia. Ele também adiantou um pouco do que abordará em sua conferência, que acorrerá na tarde do sábado, dia 20 de outubro. Longevidade em Foco: atualmente, não existe um consenso com relação, por exemplo, a quando recomendar a reposição de testosterona, até porque muitos homens de meia idade e com baixos níveis desse hormônio são assintomáticos; enquanto outros, com níveis superiores a 300 ng /dl, apresentam sintomas como baixa libido, perda de energia e entusiasmo pela vida. Para muitos especialistas, o declínio dos níveis do hormônio ainda é visto como uma consequência natural do avanço da idade. Se já existem tantos estudos científicos e ensaios clínicos, por que tantos especialistas resistem em adotar a reposição de testosterona ou são contra essa prática? Dr. Abraham Morgentaler – Existem vários desafios para que a terapia de testosterona possa conseguir a aceitação generalizada dentro da comunidade médica. As três mais importantes são as seguintes: 1- A testosterona tem estado disponível por mais de 70 anos, e cada médico já tem sua crença sobre isso, e é difícil alterar crenças que já foram estabelecidas. 2- A testosterona tem muitos efeitos, alguns dos Pág 20 | Revista Longevidade em Foco

quais são difíceis de avaliar em estudos, como a sensação de bem-estar. Isso torna mais difícil avaliar em estudo seu resultado, em comparação com o lançamento de um medicamento com uma ação muito específica, como o Viagra, para disfunção erétil. 3- Existe um largo preconceito contra determinados hormônios masculinos (testosterona) e femininos (estrogênio). Isso pode estar relacionado aos seus benefícios sexuais, o que deixa alguns médicos desconfortáveis. Apesar dessas razões, há uma crescente aceitação global da terapia de testosterona em homens. Longevidade em Foco: Ao longo de mais de 30 anos de experiência, o senhor vem estudando e trabalhando na questão da importância da reposição da testosterona, tendo, até, publicado vários livros sobre o assunto. Qual é a abordagem que o senhor utiliza para diagnóstico do paciente, antes do início do tratamento? O diagnóstico é feito com base nos sintomas e também no resultado positivo do exame de sangue. O exame de sangue mais utilizado é chamado de testosterona total. No


Cenário atual em todo o mundo é de mudança de paradigmas entanto, isso nem sempre é confiável, e eu, muitas vezes, uso o teste chamado “testosterona livre”, para diagnosticar se a testosterona total está normal. Testosterona livre representa a porção biologicamente ativa da testosterona. Longevidade em Foco: Podemos dizer que, hoje, milhões de homens ainda sofrem, com algum tipo de disfunção sexual, por apresentarem baixos níveis de testosterona. O senhor acredita que, a curto ou médio prazos, essa terapia de reposição de testosterona deixará de ser vista como tabu, como ocorre atualmente? Já vemos um crescimento rápido no número de receitas prescritas por médicos em muitos países ao redor do mundo. Eu acredito que, nos próximos 10 anos, a terapia de testosterona será um tratamento padrão e amplamente aceito. Os médicos olharão para trás, refletirão e se perguntarão por que o hormônio não foi usado em maior escala no passado. Longevidade em Foco: Hoje, os benefícios da terapia com hormônio masculino têm sido bem documentados, com fartos depoimentos, de médicos e pacientes, sobre melhora da libido e do humor; fim da disfunção erétil; ganho de massa corporal magra, entre outros benefícios. Então, como se explica o fato de continuarem a surgir estudos, associando esse tipo de tratamento no homem de meia idade ao câncer de próstata? A evidência agora é muito clara. Não há nenhuma relação entre os níveis mais elevados de testosterona eo câncer de próstata. O medo original que a testosterona causou, a respeito do câncer de próstata, foi baseado em estudos feitos há mais de 40 anos e mal interpretados. Em 2011, meus colegas e eu publicamos um estudo no qual foram tratados homens com testosterona por um período médio de dois anos e meio, apesar de terem câncer

de próstata não tratado (que estavam sob observação). Todos os homens tiveram biópsias de acompanhamento da próstata. Nenhum dos homens desenvolveu progressão de seu câncer. O PSA não aumentou. E mais da metade (54%) da biópsia não apresentou câncer. Em outro estudo, com mais de 3.000 homens com biópsias da próstata, publicado este ano no European Urology, não foi encontrada nenhuma associação entre os níveis de testosterona e o risco de câncer de próstata.

Longevidade em Foco: Estudos mostram que o cancro da próstata é, em grande parte, androgeno-dependente. E, por isso, muitos especialistas dizem que o aumento do nível de testosterona em homens com hipogonadismo gera o risco de câncer. O senhor concorda com isso? É verdade que o cancro da próstata é androgeno-dependente, mas apenas em concentrações muito baixas. A testosterona, ou o seu di-hidrotestosterona (DHT) - hormônio produzido a partir da testosterona-, liga-se ao receptor de androgênios na célula e depois passa para o núcleo como uma unidade. Entretanto, há apenas cópias limitadas do receptor de androgênio em cada célula, e ligação máxima aos andrógenos ocorre a uma concentração muito baixa, a cerca de 200-250 ng/dl. Acima desse nível, não parece haver nenhum efeito sobre o cancro da próstata. Longevidade em Foco: Além de ser um tratamento eficaz para a diminuição da libido e disfunção erétil em muitos homens que têm baixos níveis de testosterona, que outros problemas também podem melhorar com a terapia de reposição de testosterona? Humor, densidade óssea, massa gorda, massa muscular/força, resistência e fadiga. Revista Longevidade em Foco | Pág 21


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Longevidade em Foco: É comum urologistas observarem um aumento súbito da enzima PSA ou mesmo mudanças no exame de toque retal em seus pacientes. Existe uma causa conhecida para essas mudanças? Existe sempre alguma variação no PSA em homens, quer estejam ou não recebendo testosterona. Nós relatamos em um artigo, no Encontro Mundial de Medicina Sexual, em Chicago, que o aumento médio do PSA em homens que receberam testosterona por seis meses era mínimo. A linha de base aumentou com o tratamento de PSA de 0,9 ng/ml para 1,0 ng/ml. Um terço dos homens realmente apresentou uma diminuição no PSA com testosterona. Aumentos súbitos de PSA devem ser tratados da mesma forma como se o homem não tomasse testosterona. Longevidade em Foco: Quais avanços para a saúde dos homens e da medicina para idosos o senhor colocaria como tendo ocorrido nos últimos anos? O avanço mais importante para os homens é o benefício crescente do uso da terapia com testosterona para problemas da saúde em geral, como controle do açúcar no sangue, obesidade e redução na síndrome metabólica. Longevidade em Foco: Entre os homens na faixa etária entre 45 e 55 anos, a prevalência de baixos níveis de testosterona é de, pelo menos, 20-30%. Como um homem nessa idade pode saber se está com baixos níveis de testosterona? Homens com sintomas de redução da libido ou de ereções, ou aumento da fadiga, ou depressão sem explicação devem procurar um médico, para fazer um exame de sangue e avaliar os níveis de testosterona. Longevidade em Foco: A testosterona é considerada mais do que um hormônio sexual masculino, por ter uma contribuição importante para o funcionamento do Pág 22 | Revista Longevidade em Foco

metabolismo do organismo, por estimular e manter, por exemplo, o crescimento muscular e ósseo. Homens que não sabem que estão com níveis baixos podem estar sujeitos a doenças como osteoporose ou osteopenia, por exemplo, com o avançar da idade? Quais outras doenças a reposição de testosterona pode prevenir? Existem evidências de que a testosterona ajuda a manter o controle do açúcar no sangue (diabetes), a síndrome metabólica (fator de risco para doenças cardiovasculares) e obesidade.

Longevidade em Foco: Quais são, em sua opinião, os principais obstáculos enfrentados por especialistas, que, como o senhor, trabalham com uma medicina preventiva e recomendam a terapia de reposição da testosterona?

Os principais obstáculos são a ignorância da literatura sobre a testosterona e a manutenção de velhas crenças de que o uso da testosterona ou é arriscado ou não é benéfico. Longevidade em Foco: No caso do Brasil, especificamente, como o senhor vê os desafios enfrentados pelos médicos que trabalham com a prática da reposição hormonal para implementação desse modelo de medicina no país? Eu vejo os mesmos problemas em todos os países. Longevidade em Foco: Que temas o senhor apresentará no II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine – WOSAAM? Pretendo falar sobre a nova e excitante evidência mostrando que a terapia de testosterona é importante para muitos aspectos da saúde do homem, além de seu bem-estar sexual. E vou apresentar provas convincentes de que a testosterona não é perigosa para o câncer de próstata. De fato, a evidência mais recente é que os baixos níveis de testosterona é que representam um risco para o câncer de próstata, particularmente formas agressivas de câncer de próstata. Há novos dados que mostram que ter um nível normal de testosterona permite aos homens viver mais tempo, em relação àqueles que têm baixos níveis de testosterona. Longevidade em Foco: Qual sua perspectiva e expectativa em relação à realização desse congresso e seus reflexos na área da medicina da longevidade? Eu espero que os participantes do evento recebam e apreciem os muitos avanços na medicina, que poderão ajudá-los e a seus pacientes a viverem mais felizes e saudáveis.


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Antienvelhecimento do cérebro Considerado uma autoridade em antienvelhecimento, perda de peso e medicina de gerenciamento da idade, o médico e pesquisador indiano Anoop Chaturvedi também figura entre os palestrantes internacionais do II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM). Em entrevista à Longevidade em Foco, o anestesiologista e presidente da Sociedade Indiana de Medicina Antienvelhecimento (Amaar) fala de seu estudo - pioneiro na Índia - sobre hormônios no tratamento de doenças associadas ao envelhecimento. Longevidade em Foco: Qual tema você vai abordar no evento deste ano? Dr. Anoop Chaturvedi – Este ano, minha palestra será focada no tema “o antienvelhecimento do cérebro”. A maioria das pessoas procura as academias de ginástica para cuidar da saúde física, mas a saúde do cérebro é ignorada. Você pode ser forte como Hércules, mas, se o cérebro não funciona da forma que é preciso, haverá reflexos graves em seu estado de saúde geral. Eu discutirei como podemos modular os hormônios/neurotransmissores do cérebro e lidar com o ADHD (déficit de atenção), com a fome, o vício, o sono, a memória e o sexo. Esse tema proposto faz parte de alguma pesquisa em andamento ou já indexada? A medicina antienvelhecimento tem estado presente na Índia por séculos. Agora, apenas a forma de apresentá-la está mudando, a partir de propostas de uma alimentação mais saudável, um sono mais tranquilo e do uso de produtos naturais para melhorar a qualidade de vida. O Ayurveda, a moderna medicina antienvelhecimento, sempre esteve lá, e agora está apenas mudando seu discurso e associando-se. Como tem sido a evolução financeira da medicina Anti-aging em seu país? A Índia é um imenso país e a população é sua força principal. O nível de educação é muito alto e, ao mesmo tempo, a atenção com a saúde tem aumentado drasticamente. Com a entrada de empresas multinacionais no país, mais e mais recursos têm sido destinados ao bem-estar e à saúde. Quantos médicos praticam modulação hormonal na Índia hoje?

Quase todos os profissionais de medicina fazem terapia de reposição hormonal, de insulina a pílulas anticoncepcionais. Mas há mais consciência agora, e muitos estão mudando para uma abordagem mais personalizada, para atender as necessidades dos pacientes. E o uso de hormônios bioidênticos está aumentando. Há uma mudança de formas pré-moldadas de medicamentos, para modulação individualizada de hormônios. Existe o reconhecimento da medicina antienvelhecimento como uma especialidade médica na Índia? A medicina de bem-estar e a medicina antienvelhecimento são usadas indistintamente. É a população que decide se quer ir a um médico convencional ou a um médico que trabalha com antienvelhecimento. Nenhuma universidade confere licenciatura em medicina antienvelhecimento, salvo uma nos EUA e outra na Malásia. Nós estamos trabalhando para desenvolver um programa similar na Índia para mestre em medicina antienvelhecimento. Mas todos que praticam a medicina antienvelhecimento são médicos e são licenciados para praticar medicina. Eventualmente, eles adicionam mais essa especialização, adequando sua prática para o antienvelhecimento e bem-estar. Eles adquirem conhecimento indo a conferências e seminários, iguais àqueles realizados pelo Grupo Longevidade Saudável, do Brasil. Então, sim, a prática é reconhecida pelos pacientes e eles preferem um médico convencional com conhecimento em antienvelhecimento. É possível comparar o desenvolvimento da medicina antienvelhecimento no Brasil e na Índia? Nesse ponto, eu diria que a consciência do bem-estar e do Antienvelhecimento está se espalhando rápido no Brasil, principalmente nos últimos cinco anos. A população indiana é grande, mas a mudança ocorre mais lentamente. O Brasil tem uma consciência muito alta e raramente você vai ver as pessoas ficando doentes, em comparação com outras partes do mundo. E a principal razão é a paixão pelo exercício e pelo fitness no Brasil. Não será surpresa se um dia o Brasil for capaz de eliminar doenças preventivas com atividade física.

Anoop Chaturvedi, presidente da Sociedade Indiana de Medicina Antienvelhecimento

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Na saúde e na doença, o papel dos nutrientes Carlos Alberto Werutsky, nutrólogo

A importância do equilíbrio entre o consumo de alimentos que fornecem combustível para o organismo (consumo energético) e a atividade física (gasto energético) para a saúde não é algo novo. Hipócrates já reconhecia isso, assim como dizia que os obesos morriam mais cedo. E, à medida que a ciência e a medicina evoluem, mais evidências surgem sobre o papel positivo da alimentação para uma longevidade mais saudável. Entre os palestrantes brasileiros que estarão no II Congresso Latino-Americano da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM) está o médico nutrólogo Carlos Alberto Werutsky (CRM-RS 7404), que falará sobre o papel dos nutrientes encontrados nos alimentos e em substâncias usadas no dia a dia, como sal e açúcar, para a saúde e a doença. O Dr. Werutsky é diretor da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e professor do Curso Latu Sensu em Nutrologia da entidade; diretor da Clínica Dr. Werutsky de Controle do Peso; e doutor em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP). Fundada em 1973, a Abran é uma entidade médico-científica dedicada ao estudo de nutrientes dos alimentos que são decisivos para prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças como as cardiovasculares, diabetes melito, certos tipos de cânceres, hipertensão e obesidade. Em sua palestra, o especialista destacará os erros alimentares frequentemente cometidos pelas pessoas, os quais podem trazer danos ao organismo. Entre esses erros estão os excessos no consumo de açúcar simples (doces e refrigerantes, por exemplo) de sal; de gorduras e calorias. “O excesso de sal na dieta alimentar pode, por exemplo, desencadear a hipertensão arterial, enquanto o excesso de açúcar e gordura podem levar à obesidade e ao diabetes”, explica o médico. Ele lembra, ainda, que as nutropatias são doenças inflamatórias crônicas que contribuem para a produção excessiva de radicais livres, que vão progressivamente danificando as células e acelerando o envelhecimento. Pág 24 | Revista Longevidade em Foco

A nutrologia é a especialidade médica que estuda, pesquisa e avalia os nutrientes encontrados nos alimentos e em outras substâncias consumidas na dieta alimentar e no nosso organismo, tanto com vistas à manutenção e recuperação da saúde como também na causa de comorbidades. A especialidade envolve a fisiopatologia, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento das doenças nutrológicas. Tem estreita relação com a oferta adequada de nutrientes ao organismo, assumindo um papel importante na redução de risco de doenças crônicas não-transmissíveis, que figuram entre as principais causas de morte nos dias de hoje. “Não é preciso privar-se do que gosta. No que diz respeito à dieta, o segredo está em fazer substituições ao escolher o que colocar no prato”, lembra o nutrólogo.

Paciente precisa ser orientado O Dr. Werutsky defende que é fundamental o médico conversar com seu paciente sobre as substâncias benéficas e maléficas presentes nos alimentos, de modo a orientá-lo para que possa fazer escolhas alimentares para viver mais e melhor. Vários estudos têm comprovado que pessoas com uma idade cronológica mais avançada podem manter-se fisiológica e mentalmente ativas e vigorosas, como alguém cronologicamente mais jovem, adotando um estilo de alimentação que previne doenças relacionadas à idade. Entre os estudos ratificando que a obesidade está fortemente associada a um risco maior de doenças, está o National Health and Nutrition Examination Study III (NHANES III), que envolveu mais de 16 mil participantes. Os pesquisadores conseguiram mostrar que a obesidade foi associada a um aumento da prevalência de diabetes tipo 2 (DM2), doença da vesícula biliar, doença arterial coronariana (DAC), hipertensão arterial sistêmica (HAS), osteoartrose (OA) e dislipidemia. Outras duas pesquisas, a Survey of Health, Aging and Retirement in Europe (SHARE) e a Swedish Obese Study (SOS), apontaram uma forte associação entre a obesidade e a incapacidade funcional, com consequente redução da expectativa de vida.


O uso da vitamina D para tratamento da esclerose múltipla Cícero Coimbra, especialista em Neurologia

Que a vitamina D é de grande importância para o organismo todos nós já sabemos. Devido ao seu poder para combater a pressão alta, controlar o peso e afastar o risco de tumores, além de ser essencial para prevenir e tratar osteoporose, por estimular a absorção de cálcio, a vitamina D já se tornou um dos nutrientes da longevidade saudável. Mas ela também vem sendo usada – e com sucesso – para tratar pacientes com o diagnóstico de esclerose múltipla, doença autoimune e degenerativa. A proposta da terapia é do neurologista e professor doutor Cícero Galli Coimbra (Cremesp 55714), do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). De acordo com ele, mais de 800 portadores da doença estão recebendo doses do composto. “Os efeitos positivos da vitamina D no tratamento de doenças autoimunes, incluindo a esclerose múltipla, são inegáveis. Mas as doses de suplementação devem ser definidas individualmente, levando em consideração diversos fatores. Portanto, o tratamento deve ser realizado sempre sob supervisão médica, com o devido acompanhamento laboratorial”, alerta Coimbra, que ressalta que, hoje, vários especialistas já trabalham com essa terapia. O médico criou, em 2011, com pacientes, a ONG Instituto de Autoimunidade, cujos objetivos principais são difundir as bases científicas do atendimento e viabilizar, mediante futuro apoio de órgãos públicos e entidades privadas, o atendimento médico gratuito aos portadores de baixa renda. Coimbra lembra que os pacientes tratados com a suplementação de vitamina D apresentam um nível normal de qualidade de vida, mantendo-se livres das agressões do sistema imunológico, podendo ser considerados ex-portadores da doença. A vitamina D, ou colecalciferol, é, na realidade, considerada um pré-hormônio no meio científico, pois é transformada em diversas células no hormônio calcitriol, capaz de modificar 229 funções biológicas no organismo. “O tratamento, por via oral, desde que em doses fisiologicamente realistas, próximas daquelas obtidas pela exposição solar abundante, tem baixo custo e alta efetividade; mostra-se capaz de manter os pacientes sem os prejuízos físicos, psíquicos e sociais relacionados às doenças autoimunes, além de promover a regressão potencialmente completa de sequelas recentemente adquiridas, o bem-estar e a auPág 28 | Revista Longevidade em Foco

toconfiança do paciente”, comenta o médico. Coimbra enfatiza que não se trata de um tratamento alternativo, mas de reconstituir o mecanismo desenvolvido pela própria natureza, com o objetivo de evitar a agressão autoimunitária contra o próprio organismo. Segundo ele, cerca de 70% dos portadores de esclerose múltipla apresentam níveis muito baixos de vitamina D e, muito provavelmente por isso, apresentam mais surtos neurológicos. Em seu entender, essa estatística deveria servir para orientar os médicos a prescreverem a substância. O especialista também aconselha aos pacientes a exposição pelo menos 10 minutos por dia, à luz solar, para ajudar o organismo a obter a vitamina. A vitamina D é produzida pelo próprio organismo, com o auxilio da luz solar. Quando a pessoa se expõe ao sol, os raios ultravioleta são absorvidos e atuam com o colesterol, transformando-o num precursor da vitamina D, que atua como um hormônio que mantém as concentrações de cálcio e fósforo no sangue, por meio do aumento ou da diminuição da absorção desses minerais no intestino delgado. A substância viabiliza a deposição de cálcio nos ossos. Também é muito importante para crianças, gestantes e mães que amamentam, por favorecer o crescimento e permitir a fixação de cálcio, evitando a ocorrência de problemas comportamentais e psiquiátricos graves, como o autismo. Coimbra explica que hoje já se sabe cientificamente que a deficiência de vitamina D está associada à possível ocorrência e gravidade de virtualmente todas as doenças ou manifestações autoimunitárias, incluindo, além da esclerose múltipla, a neurite óptica, a doença de Devic e a doença de Guillain-Barré, entre outras. Também estão associadas à deficiência da vitamina outras doenças, como câncer, hipertensão, diabete da maturidade e infertilidade, entre outras. “Existem hoje inúmeras fontes científicas que evidenciam a necessidade ética de não permitir que pessoas, portadoras ou não dessas doenças ou distúrbios, sejam mantidas com deficiência de vitamina D. Isso porque milhares de pessoas jovens, portadoras de esclerose múltipla, ficam cegas e paraplégicas apenas por falta de uma substância que poderia ser administrada sob a forma de gotas, em uma única dose diária, o que lhes devolveria a perspectiva certa de uma vida normal”, resume.


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