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A Jangada www.jangadeiros.com.br

Novembro de 2013

Os campeões do Troféu Cayru


EDITORIAL

A Jangada A Revista A Jangada é uma publicação do Clube dos Jangadeiros, de Porto Alegre, com circulação dirigida aos seus sócios, clubes náuticos, entidades esportivas e imprensa.

DIRETORIA DO CLUBE DOS JANGADEIROS – 2012/2014 Renê dos Santos Garrafielo Comodoro Cesar Augusto Jaquet Rostirola Vice-Comodoro Administrativo Francisco de Paula B. de Freitas Vice-Comodoro Esportivo Jorge Decken Debiagi Vice-Comodoro de Obras e Patrimônio Cristiano Roberto Tatsch Vice-Comodoro de Desenvolvimento e Marketing André Jobim de Azevedo Diretor Jurídico Luiz Francisco Gerbase Diretor de Planejamento Paulo Tupinambá Barcellos Fernandes Diretor de Associativismo Marcelo Kern Diretor da Escola de Vela Pedro Luiz Gomes Boletto Diretor de Cruzeiro

CONSELHO DELIBERATIVO Manuel Ruttkay Pereira Presidente Paulo Renato Paradeda Vice-Presidente Claudio Roberto Broxete da Silva Secretário

CONSELHO FISCAL Efetivos Tuffy Calil Jose Michael Weinschenck Paulo B. Arruda dos Santos

Suplentes Caio Mario F. Netto da Costa Cleber Duarte de Albuquerque Gilberto de Carvalho

Revista A Jangada

Produção e Edição Editor: Guto Moisés – Fenaj 6543/RS Reportagens: Guto Moisés e Ivan Netto Fotos: Arquivo Jangadeiros, Guto Moisés e Ivan Netto Projeto Gráfico e Diagramação: Imagine Design Revisão: Press Revisão Tiragem: 1.500 exemplares Distribuição Dirigida Comercialização: Alexandre Dallapicola Tel.: 3233.7334 – alx@dft.com.br

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Jangadeiros Campeão! O Clube dos Jangadeiros completa 72 anos, com muito orgulho e muitas conquistas. O título de Campeão do Mundo no Campeonato Mundial da Juventude e o Vice-campeonato no Mundial aberto da classe 420, obtidos pelos velejadores Tiago Brito e Andrei Kneipp, nos enchem de alegria. Reforço, neste momento, a dedicação destes atletas e o esforço dos pais, familiares e amigos que sofreram junto com os resultados difíceis e vibraram com suas conquistas. E a conquista destes jovens é o que inspira a gurizada que está iniciando na classe Optimist, e é nosso combustível para trabalhar ainda mais em nossa Escola de Vela Barra Limpa. As vitórias se constroem com uma trajetória de acertos e erros, e formar um cidadão digno, vitorioso não somente nas águas, está no espírito da nossa querida EVBL. Os campeões do Troféu Cayru também inspiram aventuras em outros mares na classe Oceano, como os barcos Tangaroa e San Chico, que levam a bandeira do Jangadeiros nos circuitos nacionais que são disputados em Florianópolis, São Paulo e Rio de Janeiro. Isso sem falar dos diversos atletas espalhados em outros barcos. Agora, o San Chico está em Porto Alegre para ajustar o barco e tripulação para o Circuito Atlântico Sul, que será realizado em janeiro nas águas de Buenos Aires, na Argentina, e Punta del Este, no Uruguai. A vela de cruzeiro e as lanchas não deixam por menos, já estão com todo gás! Realizando encontros e passeios, são a garantia de ótimas navegadas e a melhor opção para a confraternização. Desbravar o Guaíba e as Lagoas dos Patos e Mirim está no rumo traçado por esta turma. O comprometimento da Comodoria e de seu quadro de colaboradores, e quero aqui destacar e agradecer o empenho de todos, alavanca os resultados que são revertidos diretamente aos associados. Um novo trapiche flutuante para acomodar nossas embarcações, churrasqueiras novas e remodeladas, a recuperação das mesas, cadeiras e dos quiosques da piscina, desde já, são um convite para os sócios desfrutarem o charme e a rara beleza da ilha neste verão. Aproveito a última edição de 2013 da revista A Jangada para desejar uma boa leitura e um Feliz Natal e Próspero Ano Novo para todos!

Renê Garrafielo Comodoro


INFORME JANGADEIROS

Novo website O Clube dos Jangadeiros estreou em outubro a nova versão de seu website. A página traz mais informações, notícias e, principalmente, acesso dos sócios aos departamentos e setores que fazem parte da administração. Integrado ao Facebook e ao Twiter, permite também o acesso digital à revista A Jangada. Com produção da RSWA Soluções para Internet e supervisão da área de comunicação e marketing do Jangadeiros, o novo site também irá integrar o envio da newsletter Jangada News para os e-mails autorizados e cadastrados no banco de dados. O projeto faz parte das ações da Comodoria, visando modernizar e aperfeiçoar os processos de gestão, com melhorias contínuas em todos os setores da administração. Acesse

jangadeiros.com.br e confira.

Agenda 16/11

Abertura da Temporada

das Piscinas. Velejaço de Primavera do s Cruzeiristas. 30/11 Festa de ence rramento de ano da Flotilha 426 de Snipe . 30/11 Eleição do Co nselho Deliberativo. 7/12 Festa de encerramento do ano da Flotilha da Jangada . 7 e 8/12 Regatas come morativas ao 72º aniversário do Clube dos Jangadeiros. 15/12 Festa de anive rsário da Escola de Vela Barra Lim pa. 31/12 Jantar de Ré veillon do Clube dos Jangadeiros. 23/11

Durante a realização do Troféu Cayru, o fotógrafo Cláudio Bergmann obteve este registro junto aos molhes da entrada do canal de acesso à marina. Com a sobreposição do voo dos pássaros e os veleiros ao fundo, a foto é uma inspiração para uma reprodução em pintura a óleo ou em aquarela.

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DIA DAS CRIANÇAS

A Ilha das Crianças Tradicional festa para as crianças reuniu familiares em uma tarde bem animada. Recreacionistas da Cia Lúdica criaram um mundo de fantasia e de muito entretenimento no ambiente do parque infantil

também para comer as guloseimas servidas aos presentes na churrasqueira coberta. E, claro, os adultos aproveitaram e também curtiram o momento, em animadas rodas de bate-papo e até mesmo participando das brincadeiras junto com os filhos, sobrinhos ou netos.

Fotos: Ivan Netto

A criançada tomou conta da Ilha dos Jangadeiros para brincar e se divertir em mais uma festa do Dia das Crianças. A atividade foi comandada pela equipe da Cia Lúdica, que promoveu muitas brincadeiras, danças e pequenas competições. Os pequenos fizeram a festa, correndo e aproveitando

Os pequenos curtiram cada momento como uma atração especial. Olhos fixos e concentrados nas brincadeiras

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Participação dos pais, avós é uma tradição na festa da Família dos Jangadeiros. Para alegria dos filhos e netos

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MONOTIPOS

Tiago e Andrei, Campeões do Mundo! Dupla estreou na classe 420 e conquistou o título Mundial da Juventude no Chipre. Agora, os próximos desafios são as competições da classe 470, de olho nos campeonatos Brasileiro, Mundial e Jogos Olímpicos.

Era uma sexta-feira, dia 19 de julho, uma tarde quente e ensolarada em Limassol, no Chipre. A 50 metros da linha de chegada da décima primeira e última regata do Campeonato Mundial da Juventude, ainda sem acreditar, Tiago olha para o parceiro e grita: – Somos campeões mundiais! Tu sabes o que é isso?

Foto: Icarus Sailing Media

Não, eles ainda não sabiam, era um título inédito, se olhavam incrédulos pela conquista, embora os resultados das 10 regatas anteriores indicavam que o título não era um sonho, mas sim o troféu de Mundial da classe 420. Talvez ainda hoje seja difícil para os guris, que poucos anos atrás frequentavam as salas de aula da Escola de Vela Barra Limpa, compreender a dimensão daquela conquista. De maneira quase despretensiosa, Tiago e Andrei escreviam um importante capítulo da vitoriosa história da vela de competição do Clube dos Jangadeiros (e do Brasil).

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Rumo ao Mundial A trajetória da conquista do Mundial começou pouco mais de um ano antes, logo após a Copa da Juventude de 2012, realizada em Porto Alegre. Na época, Tiago recém havia deixado a Flotilha da Jangada e dava os primeiros passos na classe 420. Andrei alternava competições de Laser e de 29er, classe que o levou ao Mundial da Juventude, que ocorreu em Zadar, na Croácia, em 2011. Como os resultados obtidos na Copa da Juventude não empolgaram, pelo menos nasceu um novo desafio, desta vez juntos na classe 420, rumo ao Mundial.

Técnico Com a meta definida, Tiago e Andrei partiram para a segunda etapa: encontrar um técnico com experiência na classe. O escolhido foi Gabriel Kieling, o Bolinha, outro talentoso velejador oriundo da Escola de Vela Barra Limpa, com um currículo marcado pelas conquistas dos campeonatos Sul-Americano e Brasileiro da classe 420. – Ele nos ensinou quase do zero, foi importantíssimo na nossa formação – reconhece Andrei. – Além de técnico, o Bolinha foi nosso irmão mais velho. Ele nos mostrou todos os atalhos do barco, desenvolveu as velas junto com a gente e nos preparou para todas as condições de vento e manobras – complementa Tiago.


MONOTIPOS seletiva nacional, etapa da Copa da Juventude, realizada em Niterói (RJ). E o resultado confirmou o empenho e a dedicação da dupla: voltaram com a taça na mão! Era o passaporte carimbado para o Chipre, no Mundial da Juventude na Classe 420. Com a vaga garantida, o planejamento foi reformulado. – A nossa estratégia passou a ser correr todas as regatas possíveis, velejando com a melhor vela possível, que desenvolvemos junto à Olimpic Sails – revela Tiago.

Resultados

O trio definiu um plano de ação e passou a dividir tardes no Guaíba. A ideia inicial era conhecer o barco e aperfeiçoar manobras. – Fizemos apenas treinamentos de manobras, já que não havia outro barco para comparar velocidade. Esta era a maior dificuldade naquela época, mas fomos treinando assim mesmo – conta Bolinha, revelando que “não tinha ideia de como ia ser no Sul-Americano e no Brasileiro”, em janeiro de 2013.

Assim, entre março e julho, Tiago e Andrei disputaram a primeira etapa do Campeonato Paulista, em São Paulo; o Campeonato San Isidro Labrador, em Buenos Aires, e o Campeonato Carioca, em Búzios. Os resultados foram excelentes e deram ainda mais confiança aos jovens: 2º, 3º e 1º lugares, respectivamente. Estimulados com os bons resultados, era a hora de embarcar para o Velho Continente e encarar adversários desconhecidos. E voltaram para casa com o título de Campeões Mundiais da Juventude. Meta cumprida, agora é pensar em uma nova missão. A dupla já comprou um barco da classe 470 de olho em uma medalha olímpica. E o Bolinha já está com a planilha na mão preparando o novo planejamento.

Seletiva Para se prepararem ao Mundial, participaram de várias competições, ficaram em 5º lugar no Sul-Americano e vice-campeões no Brasileiro. – Aí vimos o tamanho do potencial dos dois e o que eles haviam alcançado em um ano de treinamento. A evolução deles aconteceu numa rapidez impressionante – afirma o técnico. Mas o mais importante estava por acontecer: precisavam vencer a

Bolinha, Andrei, Tiago e Beto Paradeda

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VELA DE OCEANO

Campeões longe de casa Os barcos San Chico 3 e o Tangaroa, dos associados Francisco Freitas e James Bellini, respectivamente, representam o clube em circuitos em Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro Caminhando pelos trapiches do Clube dos Jangadeiros, você não os encontrará entre os mastros com suas velas enroladas, amarrados em nossa marina. Velejando pelo Guaíba ou pela Lagoa dos Patos, também não. Eles não navegam por estas bandas. Mesmo assim, nos representam Brasil afora. E fazem isso muito bem! Estes são os casos do San Chico 3 e do Tangaroa, barcos dos associados Francisco Freitas e James Bellini, respectivamente. O primeiro mora em Florianópolis, mais especifi-

Tangaroa participa do Ilhabela Sailing Week e Copa Jimny Suzuki

camente no Iate Clube de Santa Catarina – Veleiros da Ilha. O segundo está em Ilhabela, São Paulo. Ambos disputam competições em vários estados, representando o Jangadeiros com muita competência. Mas por que eles fazem isso? – Deixo o barco em Ilhabela porque São Paulo é nosso maior mercado, e praticamente todos os principais circuitos de vela acontecem por lá, como Ilhabela Sailing Week e Copa Jimny Suzuki, por exemplo. Mas corro pelo Jangadeiros porque sou gaúcho, sou sócio do clube há muito tempo, minha tripulação é quase toda gaúcha e gosto de mostrar pros paulistas’ que a gauchada é boa de vela – explica o empresário James Bellini, que atualmente mora em São José dos Pinhais, onde está localizada a Wind Brasil, estaleiro de sua propriedade, que fabrica o Wind 34 e o Wind 44. O caso do comandante Chico Freitas não é tão diferente. Tudo começou em 2009, quando ele e a sua tripulação resolveram participar do Circuito de Florianópolis. A bordo do San Chico 2, deixaram o Jangadeiros e rumaram para Santa Catarina. 8 • A Jangada


VELA DE OCEANO

San Chico fica sediado em Florianópolis, correndo circuitos nacionais

Na chegada à capital catarinense, o motor do barco fundiu. Na volta a Porto Alegre, o leme quebrou e o veleiro ficou à deriva até Tramandaí. – Mas na água vencemos o Circuito, sendo campeões na classe ORC 650, na qual velejamos contra os Skipper, Delta, J-24 e Fast 303 – lembra o timoneiro do San Chico, Francisco Freitas, o Xiquinho, filho do comandante Chico Freitas e, atualmente, vice-comodoro Esportivo do Jangadeiros. A vitória deu ânimo para a turma, apesar dos percalços. Em seguida, a Comodoria do Iate Clube de Santa Catarina convidou o comandante do San Chico para deixar o seu barco na marina do clube. Assim, uma coisa levou a outra, com uma estadia permanente em Florianópolis, a partir de 2010. A decisão colocou o San Chico definitivamente na rota dos grandes campeonatos de vela de oceano. E a melhor parte da história é que os resultados foram espetaculares. – Em 2010, além de correr o circuito de Floripa, fomos competir pela primeira vez em Búzios, onde vencemos o até então imbatível Touche Super. O nosso barco ganhou o apelido de “Pequeno Notável” do jornalista Murilo Novaes – orgulha-se o timoneiro do San Chico, que, em 2011, conquistou o Campeonato Brasileiro de ORC Internacional. Assim como o San Chico, o Tangaroa mostrou que a gauchada não estava para brincadeira. No ano passado, o barco do comandante Bellini sagrou-se campeão brasileiro na classe RGS e ainda venceu a 39ª edição da Rolex Ilhabela Sailing Week na classe RGS B. Neste ano, em um novo Tangaroa (o anterior foi vendido e hoje está no Rio de Janeiro, velejando com o nome Urca), Bellini segue muito bem, liderando a Copa Jimny Suzuki na classe ORC. – Temos uma ótima tripulação, com pessoas muito talentosas, além de um barco extremamente competitivo, que

O “Pequeno Notável”, campeão da classe ORC 650

Tripulação vitoriosa do San Chico

é o Wind 34. Hoje, na ORC, estamos andando na frente de barcos muito mais regateiros, como o Malbec 360, no tempo real, quando, pelo GPH medido na ORC, o Malbec deveria andar mais. Eu sempre digo que o que ganha regata é uma boa tripulação aliada a um bom barco. Somente uma das variáveis não funciona – ensina o comandante do Tangaroa. O que é certo é que os novíssimos San Chico 3 e Tangaroa seguirão fazendo bonito em Santa Catarina, São Paulo ou Rio de Janeiro. É nisso que acredita o vice-comodoro Esportivo do Jangadeiros: – Aqui, no Rio Grande do Sul, o nosso nível técnico é muito bom. Temos a mania de achar que tudo que é de fora é melhor, mas os gaúchos estão presentes em barcos de todas as classes que correm o calendário nacional de vela de oceano – destaca. A Jangada • 9


TROFÉU CAYRU

Fotos: Claudio Bergman

Abaquar vence o 23º Troféu Cayru

E o comandante Carlos Eduardo Moré, o Caco, é também Campeão Estadual 10 • A Jangada


TROFÉU CAYRU Nos dias 19 e 20 de outubro, em um fim de semana de pouco vento e muito sol, mais de 200 competidores tomaram o Guaíba e promoveram belos espetáculos nas regatas do 23º Troféu Cayru de Vela de Oceano. A competição reuniu 58 veleiros, que representaram os principais clubes náuticos de Porto Alegre, em quatro classes. Na principal delas, a BRA-RGS, quem saiu campeão foi o Abaquar, do comandante Carlos Eduardo Moré, do Jangadeiros, que venceu uma acirrada disputa com o Patron, de João Antonio Ritzel, do Veleiros do Sul. “Um dos nossos objetivos era deixar o Troféu Cayru no Jangadeiros, e foi o que fizemos”, revela Moré, exaltando os companheiros de tripulação Francisco Freitas (escotas), Fernando Thode (tático) e Márcio Rosa (proeiro): “A tripulação foi fundamental! A experiência e o entrosamento deles por causa do San Chico contaram muito”.

“Um dos nossos objetivos era deixar o Troféu Cayru no Jangadeiros, e foi o que fizemos”, revela Moré A vitoriosa campanha do Abaquar no Troféu Cayru se iniciou no sábado, dia 19 de outubro, com um segundo lugar na regata longa. O último e decisivo dia foi ensolarado e quase sem vento. A Comissão de Regatas penou para conseguir montar a raia, pois o pouco vento que havia insistia em rondar. Depois de mais de uma hora, o vento norte firmou e

Na abertura do Troféu Cayru, pouco vento e muito sol

foi realizada aquela que seria a única regata do domingo. Melhor para o Abaquar, que foi o terceiro melhor da barla-sota no tempo real, venceu no corrigido e viu o adversário direto,

Campeões do 23º Troféu Cayru de Vela de Oceano: BRA-RGS

Abaquar / Carlos Eduardo Moré (Clube dos Jangadeiros)

J-24

Bravíssimo / Renato Plass (Veleiros do Sul)

HPE 25

Tereza / Niels Rump (Veleiros do Sul)

Microtoner 19

14 Bis / Humberto Blattner (Sava Clube)

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TROFÉU CAYRU o Patron, ficar para trás e terminar apenas em sexto lugar. “O Patron foi impecável no sábado, então sabíamos que era preciso velejar muito bem no domingo para ficar com o título”, afirma Moré, completando: “Eles dificultaram e valorizaram a nossa conquista”. Realizado pelo Clube dos Jangadeiros, o 23º Troféu Cayru de Vela de Oceano contou com patrocínio do Banrisul e da Fundergs e apoio da Fundação Bienal do Mercosul e da Termolar.

Vitória na estreia

Hobart foi o Fita Azul na Regata Volta Ilha das Pombas

Carlos Eduardo Moré, ou simplesmente Caco, sabia ter fechado um ótimo negócio ao comprar o Abaquar, um Neo 25, ano 2004, construído por Horacio Carabelli para uso próprio, que também passou pelas mãos do competentíssimo Paulo Ribeiro. O que ele talvez não imaginasse é que, em sua estreia como timoneiro e comandante, venceria o 22º Circuito Conesul na classe BRA-RGS B e seria o grande campeão do 23º Troféu Cayru de Vela

Regata em Solitário Cruzeiro 20

Azulão / Rodrigo Baldino (Clube dos Jangadeiros)

Cruzeiro 30

C’est La Vie / Henrique Dias (Iate Clube Guaíba)

Cruzeiro 40

Aquavit / Léo Penter (Veleiros do Sul)

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Cruzeiro 26

Antares / Mathias Glimm (Veleiros do Sul)

Cruzeiro 35

Manatee / Roberto Bins Ely (Clube dos Jangadeiros)

Força livre

Boa Vida IV / Marcelo Bernd (Clube dos Jangadeiros)


TROFÉU CAYRU de Oceano. “É uma mistura de sensações porque sempre queremos evoluir, e, neste caso, logo de saída os resultados alcançados foram excelentes”, comemora Caco. “Agora é aproveitar. Pelos próximos 365 dias, o troféu é nosso”, diverte-se.

Hobart é o Fita Azul Outro destaque do 23º Troféu Cayru de Vela de Oceano foi o Hobart, de Airton Schneider, primeiro barco a cruzar a linha de chegada da regata longa Volta Ilha das Pombas, disputada no sábado. Por ser o Fita Azul da prova, o comandante recebeu um inédito troféu rotativo. “Fizemos a ilha em dois, pois o Delirium atalhou muito perto das pedras. Passamos eles numa peleia muito legal perto da chegada”, conta Schneider. Também venceram no 23º Troféu Cayru de Vela de Oceano o Tereza, de Niels Rump, na classe HPE 25; o Bravíssimo, de Renato Plass, na J-24; e o 14 Bis, de Humberto Blattner Neto, na Microtoner 19.

Mais de 200 competidores tomaram o Guaíba

Velejaço Cruzeiro 20

Águia Real / Peter Nehm (Clube dos Jangadeiros)

Cruzeiro 30

Aquário / Henrique Ilha (Veleiros do Sul)

Cruzeiro 40

Aquavit / Léo Penter (Veleiros do Sul)

Cruzeiro 23

Esperanza 1 / Vitor Hugo Stepansky (Iate Clube Guaíba)

Cruzeiro 35

Tempest / Marcelo Hoffmeister (Veleiros do Sul)

Fita Azul

Hobart / Airton Schneider (Clube dos Jangadeiros)

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PREPARAÇÃO TÉCNICA

Técnicos forjados pelo vento Eles são experientes, campeões e agora técnicos para as novas gerações Assim como acontece a disputa dos clubes pelos melhores técnicos no futebol, o esporte vela do Rio Grande do Sul vem se notabilizando por revelar técnicos de alto nível, com experiências em regatas nacionais e mundo afora. Sim, os técnicos gaúchos viraram referência nacional. Campeonato de Optimist? É só ligar pro Xandi (Alexandre Paradeda, multicampeão da vela brasileira, com títulos nas classes Optimist, Europa, Snipe, 470 e Oceano). A competição é de Laser? Corre porque o Cachopa (Fábio Pillar, campeão mundial de Laser Radial em 2006) não vai ficar muito tempo disponível no mercado. Clínicas de 420? O Beto (Roberto Paradeda, campeão sul-americano e brasileiro da classe) pode ajudar, sem sombra de dúvidas. Treino para qualquer classe olímpica ou pan-americana? O Leiteiro (Rodrigo Duarte, velejador com duas participações olímpicas e diversos títulos em nível nacional) é o técnico certo. Se hoje eles possuem expertise para formar futuros campeões, a base do

conhecimento técnico e prático um dia se iniciou no mesmo lugar: na Escola de Vela Barra Limpa. Assim como a medalhista olímpica Fernanda Oliveira, Xandi, Cachopa, Beto e Leiteiro, todos deram as suas primeiras velejadas nos barcos da escola de vela do Clube dos Jangadeiros. Aprenderam, treinaram, competiram

e agora ensinam, transmitem a técnica e a prática desenvolvida a partir das competições. E mais do que isso, ajudam a formar novos técnicos.

Os novos técnicos É o caso de Gabriel Kieling, o Bolinha. Ele foi campeão brasileiro e sul-americano de 420 velejando na proa do Beto. Pouco depois, passou a velejar com o irmão mais velho do 14 • A Jangada


PREPARAÇÃO TÉCNICA Beto, o Xandi. Bolinha seguiu vencendo e aprendendo. Foi novamente campeão brasileiro e sul-americano, desta vez na classe Snipe. Aprendeu tanto que os estreantes na Classe 420, Tiago Brito e Andrei Kneipp, o escolheram como técnico:

“O trabalho começou logo depois da Copa da Juventude de 2012, que foi realizada em Porto Alegre. Fizemos só treinamentos de manobras, já que não havia outro barco para comparar velocidade”, conta Bolinha, que fazia sua estreia na carreira de técnico. Um ano depois, Tiago e Andrei venceriam a Copa da Juventude, realizada em Niterói, e garantiriam vaga para o Mundial da Juventude, no Chipre. O trabalho seguiu, e o resultado mostrou o quão bem orientados estavam os guris. “O Bolinha pode ser considerado o melhor treinador de 420 do mundo. Treinou o Tiago e o Andrei e, em menos de um ano, eles conquistaram o Mundial da Juventude e foram vice-campeões mundiais da classe”, exalta Adriano Kneipp, pai de Andrei. Da mesma geração de alunos da Escola de Vela Barra Limpa que o Bolinha, Átila Pellin é outro exemplo de sucesso na escola gaúcha de técnicos. Hoje treinador da Flotilha da Jangada, é um dos mais lembrados pelos velejadores brasileiros da classe Optimist para competições internacionais, mas ele ralou para alcançar este status. Participou de clínicas, estudou inglês, entrou para a faculdade de Educação Física, treinou, orientou e também competiu. Tudo para se tornar um

profissional qualificado. “Procuro não cair na mesmice e sempre trazer coisas novas para a flotilha”, revela o técnico, que já possui no currículo dois títulos sul-americanos e a experiência de todas as competições internacionais (Mundial, Europeu e Norte-Americano). O talento evidente do jovem de 25 anos para comandar a gurizada do Optimist devolveu à Flotilha da Jangada o papel de destaque em nível nacional e trouxe importantes resultados para a vela do Jangadeiros. Com a mesma história de superação e vitórias, estão dois outros jovens técnicos de muito valor: o Lucas Mazim e Salvatore Meneghini. Eles participam na formação da equipe e é fácil perceber o carinho e o respeito que a gurizada tem por eles. Conhecido como Sorriso, Lucas é um daqueles casos em que o ensino acontece através do exemplo. Ele entrou para a vela porque viu no esporte uma possibilidade diferenciada. “Eu era gordinho, não conseguia me destacar em outros esportes”, lembra. Pois o Sorriso emagreceu, treinou, treinou e, mais uma vez, treinou. Quando todos os outros iam jogar futebol, ele seguia na água. “A minha qualidade sempre foi a minha dedicação”, conta o velejador de 20 anos, estudante de Educação Física, que, depois de tanto treinar, foi campeão sul-brasileiro e brasileiro da classe Laser 4.7. “O que eu tento passar para os meus alunos é que qualquer um pode alcançar bons resultados, mas é preciso se dedicar. Sem treino não adianta”, ensina Sorriso com sua contagiante alegria estampada no rosto.

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ESCOLA DE VELA

Aprender a velejar é no Jangadeiros Fotos: Guto Moisés

Foto: Ivan Netto

A Escola de Vela Barra Limpa possui total infraestrutura para a prática do esporte, desde cursos para iniciantes, como para habilitações na Marinha do Brasil

O curso de Optimist é a classe iniciante para vela

Instruções finais antes da aula prática

Uma das coisas fascinantes da vela é que qualquer pessoa pode praticar o esporte. Há opções para todos os gostos, sexos e idades. E no Clube dos Jangadeiros não é diferente, com cursos que atendem a vários públicos. Para participar, não é necessário possuir barco, ter experiência ou ser sócio. A Escola de Vela Barra Limpa disponibiliza toda a estrutura necessária para um aprendizado seguro e divertido, coordenado por instrutores qualificados, como Peter Nehm, velejador que representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de 1984, e Lucas Mazim, atual campeão brasileiro da classe Laser 4.7.

Quer iniciar o seu filho na vela? Então, a opção certa é o curso de Optimist, para crianças maiores de seis anos. Gostaria de passar um tempo agradável ao lado do seu neto? Que tal largar a televisão e embarcar numa aula do curso de Iniciação à Vela Oceânica? Se a ideia é algo mais radical, opte pelo Windsurf ou Kitesurf. Vai fazer prova da Marinha para habilitação de amador e não está seguro em relação ao conteúdo? Com certeza, os nossos cursos preparatórios vão lhe ajudar. Quem já sabe velejar pode continuar aprendendo. São duas opções de cursos: Vela Jovem ou Iniciação à Vela em Monotipos. Como você viu, possibilidades não faltam. Entre em contato agora mesmo com a Escola de Vela Barra Limpa pelo telefone (51) 3094-5770 ou pelo e-mail escoladevela@jangadeiros.com.br e faça já a sua inscrição.

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ESCOLA DE VELA

Marcelo Kern, Diretor da Escola de Vela Barra Limpa Aprender a velejar é só o começo? É isso mesmo. A Escola de Vela não se limita em oferecer cursos de iniciação à Vela, vai muito além de se relacionar com a água, conhecimento dos ventos e questões climáticas. A escola amplia os conhecimentos técnicos com uma formação de geografia, de cuidados ecológicos, sobre o habitat dos peixes local e da vegetação ribeirinha. Mostrar isso é uma forma de se relacionar com o nosso Guaíba.

Bronze no Mundial de Snipe

Ranking da Federação Internacional de Vela

Os velejadores Alexandre Paradeda e Gabriel Kieling mostraram que a vela gaúcha segue forte e conquistaram, em setembro, a medalha de bronze no Campeonato Mundial da Classe Snipe. A competição reuniu 77 duplas, de 15 países, no Rio de Janeiro, e foi marcada pelo alto nível técnico, com diversos campeões pan-americanos e mundiais disputando o título na raia da Baía da Guanabara. Quem levou a melhor foi a dupla Bruno Bethlem e Dante Bianchi, atual campeã brasileira. Os baianos Mario Urban e Rafael Sapucaia ficaram com a prata.

Campeãs das etapas de Miami, Palma de Mallorca e Hyères da Copa do Mundo de Vela em 2013, as velejadoras Fernanda Oliveira e Ana Barbachan ocupam o segundo lugar no ranking mundial da classe 470. A dupla do Jangadeiros está poucos pontos atrás das austríacas Lara Vadlau e Jolanta Ogar, que disputaram uma competição a mais neste ano. Integrantes da Equipe Brasileira de Vela Olímpica, Fernanda e Ana conquistaram outros três títulos em 2013: Campeonato Brasileiro, Campeonato Sul-Americano e Semana Brasileira de Vela. Foto: Martinez Studio

Foto: Kyra Mirsky

E se o aluno quer competir? A parte esportiva também faz parte de um processo natural do clube, com avaliação dos alunos desde a classe de Optimist, porta de entrada das crianças a partir das aulas de iniciação do Projeto Jangadinha, nossa colônia de férias. E também através dos cursos dos monotipos, realizados o ano inteiro.

Lazer ou competição, a Escola de Vela é o ponto de encontro? Sim, temos a maior estrutura física do clube para a prática do esporte de vela e o ponto de convergência dos velejadores. O pavilhão de monotipos e o prédio da escola formam uma das principais áreas do clube, um lugar que reúne desde os iniciantes a campeões mundiais e atletas olímpicos, além de técnicos e monitores qualificados e de alto nível.

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BALANÇO

Balanço Patrimonial Passivo e Patrimônio Líquido CIRCULANTE Fornecedores Empréstimos – Bancos Banco Bradesco – Contrato Finame Salários a Pagar Obrigações Sociais Fundo de Vela Crédito de Associados Patrocínio – Projeto 470 nas Olimpíadas Patrocínio – Projeto EVBL Patrocínio – Projeto Camp. OPT Fundergs Provisão p/13º Salário NÃO CIRCULANTE Exigível a longo prazo Processo 01298710771 – Martinez Patrocínio – Projeto EVBL Equinautic Ltda – Obras Continente Banco Bradesco – Contrato Finame Ibpre – Módulos de Trapiche Flutuante PATRIMÔNIO LÍQUIDO Patrimônio Social Títulos Patrimoniais Superávit do Exercício TOTAL DO PASSIVO

30/06/2012 R$ 500.506,87 147.666,95 164.156,16 26.106,67 38.850,44 58.770,43 -5.728,23 11.860,31 3.042,22 10.200,00 45.581,92 166.026,56 166.026,56 120.339,95 45.686,61 7.172.912,88 5.927.345,12 1.057.222,02 188.345,74 7.839.446,31

30/06/2013 R$ 407.578,64 107.233,10 114.716,26 26.106,72 53.985,54 67.467,62 -14.975,67 2.358,22 1.072,11 49.614,74 2.818.485,78 2.818.485,78 2.497.020,89 103.347,54 111.344,33 19.580,04 87.192,98 7.768.909,41 6.100.984,90 1.147.510,26 520.414,25 10.994.973,83

30/06/2012 R$ 2.928.963,36 1.800.278,91 45.035,82 1.083.648,63 (3.216.465,88) (1.992.865,17) (1.223.600,71) -287.502,52 746.219,51 81.815,00 176.500,22 409.787,29 44.422,00 33.695,00 (254.006,00) (87.784,53) (166.221,47) 66,59 (63.906,72) 54.810,79 54.810,79 (7.335,91) (7.335,91) 188.345,74

30/06/2013 R$ 3.184.362,77 1.945.514,95 49.393,30 1.189.454,52 (3.389.897,81) (2.227.790,05) (1.162.107,76) -205.535,04 906.301,83 105.919,71 208.504,37 514.904,04 44.989,00 31.984,71 (220.585,66) (69.480,85) (151.104,81) 59,59 (73.967,34) 118.151,06 118.151,06 (4.010,19) (4.010,19) 520.414,25

Demonstração do Resultado do Exercício RECEITA OPERACIONAL ORDINÁRIA Mensalidades Líquidas Aluguel de Armários Aluguel de Box de Barcos ( - ) DESPESA OPERACIONAL Pessoal Gerais RESULTADO OPERACIONAL RECEITA EXTRAORDINÁRIA Serviços Aluguéis para Eventos Serviços e Taxas Promoções Sociais Promoções Esportivas ( - ) DESPESA EXTRAORDINÁRIA Promoções Sociais Promoções Esportivas RECEITA FINANCEIRA ( - ) DESPESA FINANCEIRA RECEITA EVENTUAL Receita Eventual/Especiais ( - ) DESPESA EVENTUAL Despesa Eventual SUPERÁVIT DO EXERCÍCIO

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OBRAS E PATRIMÔNIO

Obras e melhorias no Continente e na Ilha Com a implementação das cancelas para o acesso identificado aos que se dirigem de veículo à Ilha, o projeto de circulação e de estacionamento no Continente se completa. Já na Ilha, os quiosques localizados junto à piscina foram reformados e o mesmo vem acontecendo com as churrasqueiras. Sejam obras de manutenção ou de melhorias para atender às demandas dos associados, a equipe de serviços gerais está sempre a todo vapor, com uma agenda que envolve dife-

Quiosques

rentes áreas do clube. As mais recentes obras e melhorias foram o novo trapiche e acesso reformado, os quiosques da piscina, as churrasqueiras e o controle de acesso de veículos.

Novo trapiche

Os sete quiosques localizados ao lado do Restaurante da Ilha estão passando por reformas para, em breve, dar mais conforto aos associados. As melhorias concentram-se principalmente nas estruturas de madeira do telhado e na troca da cobertura de capim santa-fé. Novas mesas e cadeiras também deverão ser adquiridas nas próximas semanas.

As equipes do Porto e de Manutenção e Serviços Gerais estão trabalhando firme para entregar logo o novo trapiche do Clube dos Jangadeiros. Serão 17 vagas, sendo que 10 ainda estão disponíveis para locação. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (51) 3094-5776 ou pelo e-mail jangadeiros@ jangadeiros.com.br.

Acesso à ilha

Churrasqueiras Já está em operação o sistema de acesso digital para a entrada na Ilha dos Jangadeiros. Com a nova carteira social, os associados liberam as cancelas de entrada e saída, sistema utilizado para o controle de circulação de veículos.

Os colaboradores do clube estão trabalhando nas obras das três novas churrasqueiras da Ilha dos Jangadeiros. A primeira delas, inclusive, já está de pé. O objetivo é concluir as reformas antes do início do verão.

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A Jangada: Novembro de 2013  

Revista do Clube Jangadeiros