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jogos d´água

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jogos d´água Projeto de Conclusão de Curso Rodrigo Presotto Rosa Orientação Prof. Dr. Claudio Goya


índice inspirações

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inspirações pensamentos

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água

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água experiências

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projeto

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projeto tecnologia desenvolvimento

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conclusão

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agradecimentos

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bibliografia

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inspirações


inspirações Tudo começou quando resolvi assistir o filme “TRON, o Legado” novamente. Já tinha simpatizado com a história na primeira vez que assisti, mas algo me dizia para ver o filme mais uma vez. Em uma das minhas inúmeras viagens para São Paulo, em uma noite na qual não tinha compromissos, resolvi procurar por algum filme na TV e, coincidentemente, estava começando “TRON”. Como aquela voz interior ainda insistia em me dizer o que fazer, me animei e me preparei, deitado na cama, para aquela viagem de luzes e música. Por falar em música, algo que me deixava inquieto nesse filme era a bela trilha sonora, feita pelos irmãos Daft Punk exclusivamente para o filme. Além da música, alguns diálogos, que acontecem durante o filme, foram me abrindo a cabeça e me fazendo entender o porquê de eu estar assistindo tudo aquilo de novo, além de me fazer entender porque eu me identificava tanto com aquela história! Terminado o filme, percebi que dalí eu poderia tirar alguns elementos para um futuro projeto, quem sabe até para o TCC. Enfim, a idéia ficou martelando na minha cabeça durante dias. Foi em um fim de tarde, lendo o relatório do Herisson Redi, um grande amigo que estudou comigo, juntei tudo e resolvi dar início ao meu TCC. Ainda me lembro de ter entrado em estado de euforia, no momento em que tudo se encaixou na minha cabeça! Resolvi ligar para o Redi, para conversar sobre aquelas idéias todas, como sempre fazíamos quando companheiros de república.

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Contei para ele sobre os diálogos do filme, no qual a protagonista fazia citações à Julio Verne e falava sobre abnegação com o seu Mestre. Contei também como tudo aquilo fazia sentido pra mim, lembrando sobre a criação da minha mãe, sempre ensinando a ajudar os outros quando possível, sem esperar nada em troca. Lembrei também do meu irmão, que sempre me ajudou a ser uma pessoa melhor com os outros, por servir de exemplo. Os diálogos no filme me fizeram lembrar também do meu pai, com quem sempre conversei sobre tudo e sempre se mostrou aberto a discutir sobre assuntos de diversas áreas. Foi assim, ligando idéias, conversas e trechos do relatório dele, com diálogos dos filmes e das minhas lembranças, que tive duas horas da conversa super empolgada sobre esse projeto. Levei a idéia ao meu orientador que, pela proximidade e carinho, não poderia ser outro além do Goya. Contei para ele sobre a minha conversa com o Redi, além de explicar essa minha ligação com o filme, sobre os momentos em que eu buscava ajudar os outros, em contraposição aos momentos em que ficava sozinho. Percebi nessa primeira conversa o quanto minha vida se baseava no contraste! Foi dessa percepção que surgiram inspirações como Caravaggio, em suas pinturas repletas de luzes e sombras, assim como as animações de Norman Maclaren, sempre com elementos de repetição. Tudo indicava que o projeto se encaminhava para uma animação, baseada em luz e sombra, música e contrastes. Por ser uma animação, reforçava-se o conceito do passageiro, que mostrava como esses momentos em que eu me sentia bem por ajudar os outros também tinham certa duração e certa intensidade.

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O projeto estava encaminhado; pelo menos era o que achávamos. Apesar da percepção de que o projeto estava tomando forma, e se encaminhava para algo mais real, tanto eu quanto o Goya sentíamos que aquilo não estava sendo tão verdadeiro. Decidi conversar com ele novamente, para contar sobre o meu desânimo com o rumo que as coisas tinham tomado. Comecei a conversa explicando o porquê da minha infelicidade. Disse ao Goya sobre o direcionamento do projeto, que gostaria de deixá-lo com mais ênfase na questão do ajudar, da benevolência, ao invés de focar no contraste. Além disso, acabamos por concordar que não poderia faltar o elemento água, já que ela era tão importante para mim. Não era difícil lembrar dos momentos em que todos se escondiam da chuva, enquanto eu simplesmente ficava parado, olhando para o céu, de braços abertos e sorrindo. Além disso, a água sempre teve a capacidade de me relaxar em momentos tensos, quando eu chorava tomando banho, para “lavar a alma”. Lembrando de tudo isso, surgiu a idéia de fazer uma fonte interativa. O mais engraçado é que, novamente, as coisas se encaixaram e nenhum dos dois soube explicar como a ideia surgiu e nem porque chegamos ao assunto. O que sei é que ambos ficamos mais empolgados com esse novo direcionamento, além de concordarmos que agora sim, o projeto tinha muito mais de mim, era autêntico. Foi uma tarde muito nostálgica, onde relembrávamos momentos felizes do Labsol (Laboratório de Design Solidário), projeto de extensão do qual fiz parte durante os dois primeiros anos de faculdade, e conversamos sobre muitas coisas que aconteceram durante os meses de faculdade. Daí surgiram novas referências, novamente com foco na

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água. Vimos projetos incríveis, como a fonte de Osaka, Japão, onde uma cortina de água controlada forma desenhos incríveis, de forma que o expectador se surpreende com a quantidade de formas que podem ser feitas com tão pouco.

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Uma outra fonte forma caminhos dançantes, como se fossem “minhocas” de água pulando de buracos no chão, formando um rítmo quase que hipnotizador. Esta fonte fica localizada no aeroporto de Detroit, deixando o local com um ar mais divertido e tornando a espera pelo voo um pouco menos cansativa.

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Outro exemplo, mais lúdico, é a fonte no Centro Pompidou, em Paris, aonde há a mistura de elementos coloridos e movimentados mecanicamente. Ainda assim, conversamos sobre a possibilidade de fazer algo mais interativo, onde as pessoas de fato se molhassem, como a Millenium Park Fountain, em Chicago, onde elas tomam banho em uma cascata de água que cai de um bloco central com altura suficiente para ser comparada a uma cachoeira.

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pensamentos Neste momento, parei para refletir sobre o caminho que havia percorrido. Foi um momento no qual percebi as mudanças de pensamento, além das psicológicas, causadas durante toda a minha jornada na faculdade. Tudo começou a fazer mais sentido. O processo de passagem pelo contraste, passando pela música, pela repetição e terminando na água, me mostrou exatamente o que eu vivi até então morando fora da minha cidade. Percebi que, assim que me mudei para Bauru, tudo era muito novo, foi um turbilhão de experiências, e com elas vieram o incômodo do desconhecido. Fazendo analogia com o contraste, percebi que, no começo, tudo era mais intenso, por ser novidade para mim. Nunca tive que me virar sozinho, pagar contas, ser responsável de tal forma. Com isso, obviamente tive momentos de muitas alegrias, muita despreocupação, assim como tive momentos em que a coisa apertou e percebi que estava me tornando um adulto. Continuando com essa linha de raciocínio, a música e a repetição entram aqui mostrando que as festas muitas vezes se tornaram ilhas de calmaria, num mundo no qual tinha que me tornar mais responsável.Aqui passei a me entender melhor, a ver que apesar das responsabilidades, não precisava me tornar uma pessoa depressiva, negativa. Foi também, através da música, que uma pessoa incrível entrou na minha vida: a professora Solange Bigal, com quem comecei a ter aulas no sexto período, na disciplina de Marketing. Sempre com um

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sorriso no rosto, ela nos passava boas energias, através de aulas descontraídas e cheias de amor. Comecei a entender através de nomes citados em aula, como Espinosa e Nietzsche, a importância de se afetar com o mundo de forma positiva. Passei a entender melhor esses conceitos após assistir uma palestra do Dr. André Martins, gravada na CPFL Cultural, onde ele explica o afeto desta forma: “Afeto vem do fato de afetar-se. Então, afeto é o que resulta da interação com o ambiente, das relações, da interação com o ambiente. Ou seja: o resultado, falando já dentro de Espinosa, do que nos marca. Nós interagimos com as pessoas, com as coisas e somos marcadas por elas. Afeto é o sentimento que resulta, não depois, mas concomitante, na mesma hora, um sentimento que acompanha essas marcas, essa interação.”

Partindo desse conceito, a Bigal nos mostrou dois tipos de afeto: o compositivo, que aumenta a potência de um corpo; e o decompositivo, que diminui a potência de um corpo. Ela nos mostrou a importância de buscar sempre afetos compositivos, evitando assim experiências negativas, que não respeitem as individualidades e o espaço de cada pessoa. Graças a ela, passei a ter cada vez menos momentos negativos, pois comecei a prestar atenção no que me fazia mal, passando, assim, a evitar ou mudar minha postura em relação àquilo. Passei também a prestar mais atenção na natureza, nos animais, pois ambos estavam presentes como exemplos nas aulas, de forma compositiva. Certa aula, a Bigal passou uma frase do Espinosa, que fez muito sentido para mim, que diz que para “ser feliz é fácil, basta afetar e ser afetado por boas coisas”.

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รกgua


água A água forma os oceanos, rios e mares, além de fazer parte da nossa composição celular. Através dela, nosso corpo mantém a temperatura interna, no processo chamado de homeostase. Esse elemento se mostra totalmente adaptável, quando observamos sua capacidade de transformação física, conseguindo alterar entre três estados da matéria: sólido, líquido e gasoso. Além disso, vemos em cada um desses estados particularidades, apesar de nunca perder sua essência. Na filosofia chinesa, o conceito de Yin e Yang são explicados como princípios fundamentais, opostos entre sí, interagindo para que o equilíbrio se mantenha. Esse conceito representa a idéia de que o mundo é composto por esses dois elementos, formando essa união contraditória, mas harmônica. A água é citada como Yin, como elemento de natureza fria, que escorre. Além disso, os rins (yin e água) são foco de atenção na medicina taoísta, juntamente com o coração (yang e fogo), na busca pelo equilíbrio do corpo. Na astrologia, o elemento água é movido pela paixão. Os signos da água são tidos como pouco racionais, movidos pelos sentimentos, por entenderem o ser humano e suas relações. Acredita-se também que as marés, influenciadas pela Lua, tem relação direta com a gestação, com o movimento de líquidos e com a pressão interna do corpo da gestante. Presente também nas artes e na música, nomeia obras, inspira artistas e cantores, é utilizada como material de trabalho, seja pura

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ou diluída, como é o caso da técnica da aquarela. Inspiroun também grandes clássicos do cinema, como o filme “Singin’ in the Rain”, estrelado por Gene Kelly, no qual a sequência em que canta e dança na chuva se tornou mundialmente conhecida. A água encontra-se ligada a muitos aspectos da vida. Dependemos dela diariamente para sobreviver, sendo elemento fundamental para nossa existência. Cientistas e astrofísicos a buscam no cosmo, pois acreditam que assim como na Terra, exista a possibilidade, em condições semelhantes à nossa, de vida em outros planetas. Sua própria composição química é paradoxal. Hidrogênio e oxigênio, dois gases altamente voláteis, reativos e combustíveis se combinam para formar um dos elementos mais estáveis e inertes da natureza. Em resumo, a água possui em sua origem a própria essência do Yin-Yiang, tornando natural que essa essência permeie nossa relação com ela e reflita o conceito de afeição compositiva e decompositiva.

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experiêcias Talvez não seja tão incompreensível assim essa minha afinidade com a água. Temos essa ligação com ela até mesmo antes do nosso nascimento e buscamos sempre esse retorno ao ventre, o que nos proporciona uma lembrança, mesmo que inconsciente, de segurança materna, de carinho. No meu caso, esse retorno é ainda mais intenso, por ter tido a felicidade de ser gêmeo, de ter compartilhado momentos de cumplicidade incríveis com o meu irmão. Ainda me lembro de um trauma de infância, já superado há tempos, onde fui atropelado em um toboágua e quase me afoguei. Desde então tinha receio de entrar na piscina, demorei bem mais para aprender a mergulhar do que meu irmão (ele e meu pai não desistiram até que eu aprendesse!), mas com o tempo fui entendendo o quão positiva podia ser a minha relação com esse elemento incrível. Aprendi a nadar, conhecí muitas praias (e a força que uma onda tem!) e percebí que o que antes era motivo de preocupação, passou a fazer parte dos momentos felizes. Inconscientemente já estava praticando o que muito tempo depois se tornou claro, me afetando de maneira compositiva com a água. Hoje, já consciente de tudo isso, admiro a chuva, me envolvo com ela, me encanto com o orvalho e com o desenho que as gotas fazem no vidro do carro, depois de uma tempestade. Me tornei uma pessoa mais fluída, me adaptando as situações e buscando ver o lado positivo em tudo, com uma vontade de ser água, sentir o mundo como tal, me envolver com tudo e todos.

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projeto


projeto Depois de tantas reviravoltas, tantas conversas, acabei decidindo com o Goya que queria fazer uma fonte interativa de água, onde o uso de sensores de distância controlariam a potência dos jatos. No início resolvi fazer contato com algumas empresas especializadas, na esperança de que alguma delas pudesse abraçar o meu projeto e quem sabe ainda fazer uma parceria. Entretanto, nenhuma das empresas que fiz contato me responderam demostrando interesse. Foi quando decidi partir para pesquisa em lojas especializadas em bombas hidráulicas e materiais para piscina. Entrei em contato com o Michael, engenheiro eletricista e companheiro de trabalho do meu padrasto, para esclarecer algumas dúvidas sobre a parte elétrica do projeto. Devido a falta de interesse das empresas, não sabia como iria controlar os jatos, nem que tipos de sensores seriam viáveis para tal integração. De forma simples e rápida, o Michael fez um diagrama que me explicava como eu poderia resolver essa questão, fazendo com que essa integração desse certo. Segue abaixo o diagrama: Bomba de água | Inversor de Frequência | Controlador Lógico Programável (CLP) | Sensor de Distância

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Explicando o diagrama de forma resumida, o Michael me disse que eu teria que procurar por um conversor de frequência, responsável por mandar parte da voltagem total de trabalho (no caso, seria de 110V ou 220V) para a bomba, controlando assim a potência de trabalho da bomba e, consequentemente, dos jatos de água ligados à ela. O sensor utilizado também deveria ser compatível com o conversor de frequência, ou então ligado à um dispositivo lógico programável, para que eu pudesse atingir meu objetivo. Fui pesquisar o que eram inversores de frequência e CLP´s (Controladores Lógicos Programáveis). Segundo definição do sítio da Wikipédia, encontrei as seguintes respostas: “Os conversores de frequência, também conhecidos como inversores de frequência, são dispositivos eletrônicos que convertem a tensão da rede alternada senoidal, em tensão contínua e finalmente convertem esta última, em uma tensão de amplitude e frequência variáveis.” “Um Controlador lógico programável ou Controlador programável, conhecido também por suas siglas CLP ou CP e pela sigla de expressão inglesa PLC (Programmable logic controller), é um computador especializado, baseado em um microprocessador que desempenha funções de controle através de softwares desenvolvidos pelo usuário (cada CLP tem seu próprio software)PB - controlePE de diversos tipos e níveis de complexidade. Geralmente as famílias de Controladores Lógicos Programáveis são definidas pela capacidade de processamento de um determinado numero de pontos de Entradas e/ou Saídas (E/S).”

Aproveitando que eu já estava em campo, pesquisando todas essas tecnologias, fui ao centro da cidade para cotar preços de inversores de frequência, CLP´s e sensores de distância. Em uma loja especializada no assunto, um dos funcionários me explicou o funcionamento

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dos inversores e CLP´s, além de me passar a média de preços desses equipamentos. Refletindo sobre os valores passados, percebi que teria que mudar o foco do meu projeto, passando assim para um modelo em escala do meu produto final e utilizando alguma tecnologia mais em conta. Era hora de conversar mais uma vez com o meu orientador. Comecei explicando ao Goya o que o Michael me passou sobre os inversores, CLP´s e sensores. Conversamos sobre os preços e sobre a possibilidade de fazer um modelo em escala, utilizando uma bomba de aquário ou algo do tipo. Entramos em acordo e ele me propôs que procurasse uma tecnologia chamada Arduino, relembrando o Projeto de Conclusão de Curso do Lucas Odahara, um ex companheiro de república já formado. Meu orientador encerrou a conversa me deixando com a missão de pesquisar essa tecnologia, além de começar os esboços do modelo da fonte. Mas o que era esse tal de Arduino?

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tecnologia Pesquisei no sítio do fabricante, para entender melhor o que era essa tecnologia. Pela definição, Arduino é uma plataforma de prototipagem eletrônica, de hardware e software livres, para a criação de objetos ou ambientes interativos. A inciativa dos italianos Massimo Banzi e David Cuartielles permite o desenvolvimento de controle de sistemas interativos, de baixo custo e acessível a todos. Essa placa pode enviar e receber informações de praticamente qualquer outro sistema eletrônico. Uma característica importante é que todo material, incluindo software, bibliotecas e hardware é open source, ou seja, pode ser reproduzido e usado por todos sem a necessidade de pagamento de royalties ou direitos autorais. Segundo as especificações técnicas do fabricante, o Arduino trabalha com alimentação de 5V, o que me traria problemas para ligá-lo à bomba de água que encontrei, com tensão de trabalho de 12V. Continuei com as pesquisas, quando me deparei com algo que me animou a continuar: Por se tratar de um hardware open source, descobri no sítio da Brasil Robotics a existência de placas de “extensões”, chamadas de Shields, desenvolvidas pelos próprios usuários, para desempenhar funções específicas, ampliando as possibilidades de uso do Arduino. Com uma dessas placas chamada “Motor Shield”, vi que era possível fazer essa interface, uma vez que esse Shield, ligado a uma alimentação externa, não traria problemas de sobrecarga para o Arduino e permitiria tal integração. Além disso, encontrei um sensor de distância compatível. Era hora de fazer algumas encomendas!

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desenvolvimento Definidos os componentes necessários para o modelo, fiz a encomenda das peças pelo sítio da Brasil Robotics. Seguem as imagens, retiradas do próprio site, de cada um dos componentes, assim como a foto da bomba utilizada, adquirida pelo sítio do Mercado Livre:

Arduino UNO R3

Sensor de distância por sonar

Mini motor shield

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Nos dias seguintes, enquanto minha encomenda era enviada, fui atrás de uma biblioteca (conjunto de códigos pré programados para realizar uma função específica) que pudesse facilitar a coleta de valores do sensor, tornando assim a proBomba 12V gramação mais fácil e rápida. Neste mesmo período, estudei as sintaxes de programação do software, para conseguir programá-lo do jeito que eu queria. No sítio do fabricante (http://www.arduino.cc/) encontrei com facilidade as explicações de cada uma das sintaxes, o que reduziu drásticamente meu tempo de trabalho. Esperei pela chegada das peças, montando meu circuito no mesmo dia em que foram entregues.

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Após alguns testes de programação, os resultados estavam de acordo com o que eu buscava. Adicionei um cooler, após notar que o shield esquentava bastante depois de ligado por algum tempo. Segue abaixo o código, com explicações básicas do que cada linha de programação faz: //Inclui a biblioteca do sensor #include “Ultrasonic.h” //Pino 13 recebe o pulso do echo #define echoPin 13 //Pino 12 envia o pulso para gerar o echo #define trigPin 12 //iniciando a função e passando os pinos Ultrasonic ultrasonic(12,13); void setup() { // inicia a porta serial Serial.begin(9600); // define o pino 13 como entrada (recebe) pinMode(echoPin, INPUT); // define o pino 12 como saida (envia) pinMode(trigPin, OUTPUT); } void loop() { //seta o pino 12 com um pulso baixo “LOW” ou desligado ou ainda 0 digitalWrite(trigPin, LOW); // delay de 2 microssegundos

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delayMicroseconds(2); //seta o pino 12 com pulso alto “HIGH” ou ligado ou ainda 1 digitalWrite(trigPin, HIGH); //delay de 10 microssegundos delayMicroseconds(10); //seta o pino 12 com pulso baixo novamente digitalWrite(trigPin, LOW); // função Ranging, faz a conversão do tempo de // resposta do echo em centimetros, e armazena // na variavel distancia int distancia = (ultrasonic.Ranging(CM)); // Função map converte o intervalo de distância // em um intervalo de saída para o Shield int convert = map(distancia, 0, 3585, 0, 255); // Exibe na no Monitor Serial o valor já convertido Serial.println(convert); // Manda para o pino de controle o valor convertido analogWrite(6, convert); // Manda sempre o valor 0 para o pino 5 analogWrite(5, 0); // delay de 10 microssegundos analogWrite(3, convert); // Manda para o LED o valor convertido delayMicroseconds(10); }

Com o circuito funcionando, era hora de definir a forma final do meu modelo. De acordo com a conversa anterior com o Goya, fiz alguns esboços do que seria a fonte, sem me preocupar nesse primeiro instante com medidas exatas. Já com os esboços em mãos, procurei novamente meu orientador, para mostrar a idéia principal que eu que-

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ria passar e o circuito já em funcionamento. Mais alguns ajustes e parti para o processo de modelagem, agora sim me preocupando com a escala e com as medidas reais. Dada a dificuldade e detalhamento de parte das peças, procurei o professor Osmar para conversarmos sobre a possibilidade de usarmos as máquinas de prototipagem rápida da oficina. A pedido do professor, conversei com o Isaac e com a Alice, que me ajudaram no processo de adaptação da peça para o “envelope” da máquina e me explicaram como a máquina trabalhava. Em analogia com uma impressora comum à jato de tinta, o software “divide” a peça modelada em camadas, mandando assim o comando para a máquina, que joga o catalisador em uma fina camada de pó somente nas áreas rígidas daquela camada, partindo para outra camada, obtendo a peça inteira no final deste processo. Seguem imagens dos estudos iniciais e da modelagem:

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Finalizada esta etapa, a peça precisa ser resinada, para que ganhe resistência, além de torná-la impermeável. Além dessas peças, precisava de uma peça em acrílico, com aberturas para a água, onde os fios de nylon com as contas coloridas seriam presos. Mandei um desenho da peça para a empresa Emporium Acrílicos, especializada nesse material, e em três dias ficaram prontas para retirada. Aproveitando a minha estadia na oficina, utilizei o maquinário para modificar duas caixas de MDF, previamente obtidas, a fim de fazer o suporte para a parte elétrica e hidráulica. Seguem algumas imagens do processo:

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Finalizado o suporte, a peça em acrílico e as peças prototipadas, terminei o modelo e fiz os testes finais, para checar se tudo estava funcionando como devia. Seguem imagens do modelo terminado:

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conclusão Ainterdisciplinaridade está presente em muitos (senão todos) os projetos onde o designer atua. Como consequência, precisamos frequentemente estudar sobre diversas áreas do conhecimento, como foi o caso da elétrica nesse projeto. Por ser uma área no qual não tinha muito contato, as etapas que envolviam elétrica neste projeto se mostraram complicadas, dependendo até, nos momentos em que não tive ajuda, de atitudes onde arrisquei os componentes elétricos a fim de continuar com o protótipo, para poder fazer com que tudo funcionasse. Misturar no mesmo produto a água e a energia elétrica também foi uma dificuldade decorrente neste trabalho, mostrando como precisamos ter cuidado inclusive nos detalhes. Foi uma aventura, sem dúvidas, no qual cresci e aprendi muito com os erros e acertos (muitas vezes arriscando tudo), além de ter sido uma jornada de auto conhecimento. Espero que eu possa continuar a ajudar os outros, asism como obtive ajuda para que tudo coresse bem.

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agradecimentos À minha mãe, por me mostrar o caminho da abnegação, da generosidade e da gratidão sendo um exemplo; por me apoiar no que gosto e me ensinar a arte dos trabalhos manuais; Ao meu padrasto, por abraçar este projeto, proporcionando toda a ajuda que pôde; pelo exemplo de profissional competente, assim como sua dedicação por mim e pela família; Ao meu irmão, por ser companheiro, fiel e cúmplice; por me ensinar através de exemplos, acreditar em mim; Ao meu pai, por ensinar-me o benefício da dúvida, ser um companheiro de conversas enriquecedoras; por me mostrar o caminho do cavalheirismo e me ensinar sobre relacionamentos humanos; Ao meu padrinho, por mostrar que distância é só uma limitação física; por acreditar em mim, no meu potencial; por ser um exemplo de responsabilidade e me ensinar a lutar pelos meus ideais; Ao Herisson, por me ensinar a buscar sempre o melhor nas pessoas; pela enorme ajuda com o relatório e por todas as conversas incríveis que tivemos sobre esse projeto; À Camila, Giuli, Babi e Pri, por me levantarem em um momento onde me senti desacreditado, prestes a desistir de tudo; por abrirem mão do que estavam fazendo, para que eu pudesse chorar em seus ombros e desabafar; por me ouvirem e me chacoalharem quando eu precisava disso; pelas conversas e ensinamentos; por se mostrarem mulheres maduras, dispostas a conversarem sobre tudo, mostrando que existe amizade verdadeira entre homens e mulheres;

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Ao Guizão, pelo companheirismo durante toda a jornada em Bauru; pelas conversas, por toda ajuda durante minha formação; pelos projetos que fizemos juntos, além do empenho neles apresentado; Ao Michael, por esclarecer minhas dúvidas em relação à parte elétrica do Projeto; Aos companheiros de república e faculdade Herisson, Mari, Kuba, Kenji, Dani, Banana, Hugo, Thiago, Daniel, Diego, Donald, Camila, Ariadne, Akira, Alessandra, Danilo, Dewison e Guilherme, por ampliarem essa incrível experiência de morar fora de casa; pelas conversas e momentos de cumplicidade; Aos professores Solange Bigal e Osmar, pela ajuda no projeto, além dos ensinamentos em aula e fora dela; Ao Isaac, Alice, Osmar e Chico, pela contribuição e ajuda no processo de prototipagem rápida; Ao Goya, meu pai baurulino, por me tratar como um filho; pelo seu coração enorme e pela insistência; por me mostrar esse mundo incrível do Design, por ser humano; Aos companheiros de Labsol, pela experiência enriquecedora, pela convivência e pela união; Aos colegas de sala, veteranos e bixos, por tornarem esses quatro anos os mais incríveis que já vivi; Somos todos gotas. Separados, carregamos conosco a potência da chuva. Não deixemos que nossos medos sejam maiores que o benefício da união, de nos afetarmos e ampliarmos nossa existência através do amor.

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bibliografia BIBLIOGRAFIA: BIGAL, Solange M. DESIGN DE COMPOSIÇÃO: Um modo de fazer design inspirado em Espinosa, Deleuze e Guattari. ESPINOSA: FILOSOFIA PRÁTICA, Gilles Deleuze, editado por Manoel Tosta Berlinck e Maria Cristina Rios Magalhães, São Paulo: Escuta, 2002. GLEIZER, M. Espinosa e a afetividade humana. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. SITIOGRAFIA: ARDUINO http://www.arduino.cc/ ARDUINO BRASIL http://www.arduino.com.br/blog/ ARDUINO FORUM http://www.arduino.cc/cgi-bin/yabb2/YaBB.pl?board=Portugues

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ASTROLOGIA http://www.e-familynet.com/phpbb/viewtopic.php?t=108218 ASTROLÓGICA http://www.astrologica.com.br/elementos.html BRASIL ROBOTICS http://brasilrobotics.blogspot.com.br/ FILOSOFIA PERENE http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php?page=Yin-Yang FOUNTAIN AT THE POMPIDOU CENTRE IN PARIS http://www.youtube.com/watch?v=WLsnG33e1xg LABDUINO http://labduino.blogspot.com.br/ LABORATÓRIO DE GARAGEM http://labdegaragem.com/ MERCADO LIVRE http://www.mercadolivre.com.br MILENIUM PARK FOUNTAIN AT CHICAGO http://www.youtube.com/watch?v=ke148WJ9G1k

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PALESTRA DR. ANDRÉ MARTINS NO CPFL CULTURAL http://www.cpflcultura.com.br/2011/07/01/um-mundo-onde-conhecere-criar-e-afetar-se-melhor-%E2%80%93-andre-martins-2/ PLUGIN PROJECT http://pluginproject.tumblr.com/ SOMA PROJECT http://issuu.com/rediredi/docs/soma_book WATER FOUNTAIN AT DETROIT AIRPORT http://www.youtube.com/watch?v=xPugzTVlLGA

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SWIsop3 Regular 18pt ColaborateThin Regular 11pt ColaborateLight Regular 11pt C: 100 M: 100 Y: 100 K: 100 C: 0

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