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editorial Rodrigo Antonio Rosso A Revista Nacional de Reabilitação é uma publicação bimestral da C & G 12 - Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195 www.revistareacao.com www.revistareabilitacao.com.br cg12@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Reportagem: Maria Luiza de Araujo Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Suely Carvalho de Sá Yañez Neivaldo Augusto Zovico Hermes Oliveira Fabiano Puhlmann Geraldo Nogueira Márcia Gori Alex Garcia Silvia de Castro Júlio Cesar de Souza Deborah Prates Frederico Viebig Tatiana Rolim Renato Baccarelli Luciene Gomes Marketing: Jackeline Oliveira Depto. Comercial: Nataliane Paiva Paulo Brandão Etiane Bastos Administração: Cissa de Carvalho Circulação: Jairo Prates José Faustino Maria das Graças Santos Assinaturas: Cissa de Carvalho - Coordenação

Fone: 0800-772-6612 Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

Diretor/Editor

Certificação, qualidade total, responsabilidade e respeito ao consumidor com deficiência: É isso que nosso setor precisa e busca !!!

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enho muito orgulho de fazer parte deste setor há quase 20 anos ! Quantas mudanças vivi e vivenciei no decorrer dessas quase duas décadas de trabalho e envolvimento com a pessoa com deficiência e suas aspirações e conquistas... Ainda estamos longe do ideal, mas sejamos sinceros: como nós evoluímos nos últimos anos !!! Mas um setor da economia que cresce mais de 20 ou 30% ao ano como o nosso, não pode tratar mais o consumidor como um mero “comprador” de mercadorias “necessárias” para sua vida, como era feito até pouco tempo atrás. Um setor que movimenta mais de R$ 3,5 bilhões por ano em negócios, e que representa mais de 45 milhões de brasileiros com deficiência, não poderia ficar a deriva e à mercê de imposições ao mercado de produtos e serviços sem especificações corretas, sem respeitar o mínimo de qualidade e segurança, ou mesmo, que impunha preços abusivos a um grupo de consumidores vulneráveis e que necessitam destes produtos e serviços para, até mesmo, sua própria sobrevivência. Por isso nasceu há 2 anos, a ABRIDEF – Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência, entidade patronal, que reúne em seu grupo de associados, empresas, entidades e profissionais do mais alto gabarito, comprometidos de verdade com a fabricação produtos e a prestação de serviços de qualidade, com real respeito pelo consumidor. Fui eleito presidente da ABRIDEF e estou incumbido de levar a entidade, juntamente com todo o corpo diretivo e superintendência, neste primeiro mandato, às suas diretrizes iniciais, implementando sua filosofia de trabalho, seus objetivos como entidade e alinhavar os caminhos políticos para que mudanças grandiosas aconteçam em nosso setor. E como sempre digo: apesar de ser uma entidade que representa a indústria e o comércio neste segmento, toda e qualquer conquista que a ABRIDEF alcance, o beneficiado maior será sempre o CONSUMIDOR com deficiência ! E é nesse propósito que tenho a honra de apresentar ao mercado e a VOCÊ, CONSUMIDOR COM DEFICIÊNCIA, o início dos trabalhos da mais importante batalha da ABRIDEF, que se inicia agora, e que vai transformar a vida de todos nós brasileiros, com ou sem deficiência, indústria, comércio e consumidores finais dos produtos e serviços do nosso setor... que é o SELO DE QUALIDADE DA ABRIDEF ! Este SELO é a CERTIFICAÇÃO de todos os produtos fabricados para Pessoas com Deficiências ou mobilidade reduzida, e todo e qualquer serviço prestado a elas. Até mesmo uma loja de produtos poderá ter o seu atendimento “certificado” e fiscalizado. Nossa meta é que o SELO sirva de referência também para o Governo, na aquisição de equipamentos, por exemplo, que são dados pelo SUS às PcD. Tudo isso para que se tenha a CERTEZA que a pessoa que precisa está recebendo, comprando e usando um produto com SEGURANÇA, que irá realmente trazer à ela, uma melhor qualidade de vida. Isso é RESPEITO, isso é CONQUISTA, isso é levar e elevar o Brasil e o nosso setor à qualidade de um País de primeiro mundo no que diz respeito à pessoa com deficiência !!! O SELO será apresentado durante a REATECH, numa seção aberta, dia 13 de abril às 18:30h no auditório 5. Venha conhecer e saber mais sobre o SELO, e aproveitar para comer um pedaço de bolo e comemorar conosco o 2º aniversário da ABRIDEF. Afinal, essa conquista é sua !!! “A Ti, ó Deus, glorificamos, a Ti damos louvor, pois o Teu nome está perto, as Tuas maravilhas o declaram... E quebrantarei todas as forças dos ímpios, mas as forças dos justos serão exaltadas”...

Salmo 75.1 e 10.

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entrevista

Isabel Fillardis A atriz, que terminou em março a participação na novela “Fina Estampa”, da Rede Globo, como a advogada Mônica, desenvolve uma intensa luta em favor das pessoas com deficiência por meio de sua ONG “A Força do Bem”

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ascida no Rio de Janeiro, Isabel começou sua vida profissional como modelo, aos 11 anos. Sua beleza negra e desenvoltura logo chamaram a atenção. Não demorou para participar de várias novelas (estreou em 1993 em Renascer, esteve em Força de um Desejo, Pátria Minha, Sete Pecados e Malhação, entre outras). Foi destaque na revista Playboy, além de ter cantado no grupo “As Sublimes”, na década de 90. Também fez cinema, como os filmes: Orfeu, Navalha na Carne e O Homen Nu. Depois de terminada a novela Fina Estampa, Isabel se dedica ao teatro, enquanto espera nova escalação para TV: vai remontar “A Turma do Pererê”, um musical infantil de Ziraldo, com direção de Estella Miranda e direção musical de Tim Rescala. Também pesquisa outros dois textos. O seu trabalho com causas sociais não é de agora: em 2003, fundou a ONG “Doe seu Lixo”, hoje “Instituto Doe seu Lixo”, que faz gestão de cooperativas em todo o Brasil, com a finalidade de gerar emprego e renda para pessoas abaixo da linha de pobreza, por meio da reciclagem de resíduos sólidos. Casada com Júlio César, advogado que acaba de terminar a pós-graduação em Meio Ambiente pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem dois filhos: Analuz, que está

com 11 anos, e Jamal Anuar, com 8 anos. Foi justamente depois do nascimento do menino Jamal, que a vida de Isabel Fillards se transformou, e ela começou a militância em favor das pessoas com deficiência. Jamal tem Síndrome de West, uma forma grave de epilepsia em crianças, que altera o desenvolvimento intelectual. Em 2006 ela fundou a ONG “A Força do Bem” (www.aforcadobem.org.br), dedicada a pessoas com deficiência. Por conta dessa atividade, Isabel discursou na Câmara Federal, em Brasília/DF, no Seminário realizado para marcar o “Dia Mundial das Doenças Raras”, em 29 de fevereiro último. Não há pesquisas oficiais sobre o número de pessoas afetadas pela Síndrome de West no Brasil, mas estimativas do Instituto Baresi indicam que são cerca de 13 milhões. Em entrevista exclusiva à REVISTA REAÇÃO, Isabel fala do assunto e de seu trabalho: REVISTA REAÇÃO - Como e quando foi a descoberta que seu filho tinha Síndrome de West? Você tinha alguma noção do que significava? Quais as características da Síndrome? Isabel Fillardis - Quando Jamal estava para completar cinco meses, nosso pediatra na época nos encaminhou para um neuropediatra para uma investigação, por conta dos meus relatos e observações do comportamento dele. No mesmo dia da consulta, fizemos um exame chamado “vdeoeletroencefalograma”. Esse exame “vê” o cérebro da criança e o comportamento no momento das crises ou espasmos. Foi tudo rápido e urgente, fui ficando aflita e, no fim do dia, recebemos o diagnóstico de West. Não entendi nada na hora, mas sabia que era algo grave. Quando Jamal nasceu, ele teve dificuldade de sugar, não sorria, não chorava, não se movimentava muito... e tinha uns “sustos” que já eram os espasmos (crises). RR - O que essa descoberta representou em sua vida, pessoal e profissionalmente ? Pelo que sabemos, a primeira entrevista falando do problema


Foto: Luiz Alves

entrevista RR - Como tem sido o trabalho da entidade ? IF - A procura tem sido para comprar remédios, fraldas, encaminhamento para atendimento específico. RR - Como você analisa o tratamento dispensado às pessoas com doenças raras ? Quais são os principais problemas enfrentados ? IF - Principalmente no Brasil, as pessoas com doenças raras são vistas como quase extraterrestres ! Ficam à margem da sociedade em todos os aspectos, tendo que brigar duas vezes pela sua qualidade de vida. Isso envolve e inclui a família.

Isabel Fillardis no Dia Mundial das Doenças Raras

foi em 2006, três anos após o nascimento de Jamal. Por que você esperou todo esse tempo ? IF - Minha vida mudou muito, pelo menos durante dois anos seguidos. Jamal tinha uma saúde frágil, principalmente pulmonar, o que ocasionava muitas internações por conta de bronquites, pneumonias... Essa Síndrome deixa sequelas respiratórias em geral. Ele não frequentava muito as festinhas de aniversário por causa dos flashes das fotos, eles podem gerar crises. Não tínhamos tempo para parar e pensar que até então não falamos do assunto com os amigos. Nossa vida social era rara porque ficávamos sobressaltados com a possibilidade do Jamal ter alguma crise e não estarmos por perto. Foi bastante difícil ! RR - Quais foram os principais problemas que você enfrentou no diagnóstico e tratamento do Jamal? IF - No nosso caso, foi encontrar um neuro que nos confortasse, que falasse uma linguagem mais humana além, claro, do conhecimento clínico. Comprar remédios, aparelhos ortopédicos e tudo o mais que envolve o tratamento dele é sempre muito caro. Precisamos comprar uma medicação fora do País que foi uma burocracia enorme, isso quando a ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - não entra em greve ! RR - Como Jamal está hoje? IF - Ele está ótimo ! Desde os 2 anos não tem mais crises convulsivas. Dentro da Síndrome de West é um avanço enorme ! A criança tem uma capacidade de regeneração neural muito mais rápida que um adulto. Ele vem se recuperando através de terapias: fisoterapia, terapia ocupacional, fono, equoterapia e a inclusão escolar. Está quase andando sozinho, consegue segurar uma caneca, a colher, e comer sozinho, muitas vezes. RR - O que a levou a fundar uma ONG voltada às pessoas com deficiência ? IF - Fundei para ajudar outras famílias na mesma situação, levando informação, tentando encaminhar para outros tratamentos... Tentamos encurtar o caminho da busca pela qualidade de vidas deles.

RR - Você participou do Seminário em Conscientização ao Dia Mundial das Doenças Raras, na Câmara Federal. Quais as conclusões do evento? IF - No evento em Brasília/DF pude observar com clareza e mais de perto, pois ouvi vários geneticistas dizendo que é possível fazer um trabalho eficaz, e tomei conhecimento da Portaria Nº 81, de 20/01/2009, que criou a Política Nacional de Atenção Integral em Genética Clínica. RR - Como mãe e militante da causa, quais os principais problemas que devem ser atacados no atendimento às pessoas com doenças raras ? IF - Se a Portaria for, de fato, executada logo, acredito que estaremos dando um passo para a dignidade, atendimento e diagnóstico precoce. Concordo com o ministro (Alexandre Padilha) quando ele diz que precisamos montar uma equipe para gerenciar esse assunto dentro da pasta da Saúde; atendimento adequado e específico, principalmente para os mais carentes; criar uma forma mais rápida de patentear as medicações necessárias, porque a grande maioria não é encontrada no setor público. Os problemas são muitos. RR - Que mensagem você quer deixar às famílias que enfrentam doenças raras ? IF - Queridos: somos diferentes por natureza ! A união na família faz toda a diferença, quando se tem ou não uma deficiência. Essas pessoas que a carregam são seres de luz, causadoras de transformações profundas. Portanto, mães e pais, somos nós que determinamos de pronto qual será o destino delas. Mais fácil ou mais difícil, quando se tem amor e união, a caminhada consegue ser prazerosa e muitas vezes vitoriosa !

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coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Atendente pessoal e autonomia da pessoa com deficiência

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- PARTE 1 -

xaminaremos, nas duas partes deste artigo, a questão dos serviços de atendentes pessoais e a sua relação com a autonomia das pessoas com deficiência que contratam tais serviços.

Profissional chamado atendente pessoal

Atendentes pessoais são profissionais treinados ou, de preferência, qualificados que prestam serviços de apoio para pessoas com deficiência. Atendentes pessoais treinados são aqueles que, por não existirem cursos de formação de atendentes pessoais em seu país ou sua região, recebem um breve treinamento prático a fim de complementarem suas qualidades pessoais imprescindíveis ao exercício desta ocupação. Já os atendentes pessoais qualificados são aqueles que concluíram um curso de formação que existe, geralmente, em países desenvolvidos e, raramente, em países em desenvolvimento. Por exemplo, no Brasil, o referido curso vem sendo oferecido através do Centro de Vida Independente do Rio de Janeiro desde a sua fundação em 1988. Afirmando que o atendente pessoal é um profissional (portanto, remunerado), é necessário considerar que, independentemente de terem ou não um treinamento ou qualificação, muitos atendentes pessoais trabalham sem ser formalmente remunerados quando eles são familiares da pessoa com deficiência. Nestes casos, é o pai ou a mãe ou um irmão/irmã ou outro parente quem atua como atendente pessoal e se intitula informalmente de acompanhante ou ajudante.

Atendente pessoal ou cuidador?

O atendente pessoal difere bastante de outro profissional, o cuidador. Por consequência, um curso de formação de atendentes pessoais difere bastante do curso de formação de cuidadores. Apenas 10% a 15% da carga horária são semelhantes nesses dois cursos, porque ambos focalizam a teoria sobre o trabalho de servir, individualmente, a uma pessoa que necessita de apoios em diversas situações, rotineiras ou não, ao longo de cada dia. Os demais 85% a 90% de cada curso são dedicados às especificidades do trabalho do cuidador ou do atendente pessoal, focalizando necessidades especiais da respectiva pessoa contratante destes serviços de apoio. No Brasil, de um modo geral, existem mais ofertas de cursos de formação de cuidadores que de atendentes pessoais. Urge conseguirmos aprovar políticas públicas e leis que viabilizem a implantação de mais cursos de formação de atendentes pessoais.

Quem serve a quem?

Os cuidadores servem a pessoas idosas debilitadas por motivo de doença grave, principalmente degenerativa. Algumas destas pessoas idosas têm, ao mesmo tempo, algum tipo de deficiência. São, portanto, pessoas idosas e com deficiência, mas neste caso a deficiência é um detalhe e o envelhecimento com doença constitui o foco principal do serviço de cuidadores. Já os atendentes pessoais servem a pessoas com deficiência, de qualquer faixa etária, que necessitem de apoios humanos na realização de algumas atividades do dia a dia, em casa, na escola, no trabalho, no lazer, na comunidade etc. No caso de pessoas com deficiência que sejam idosas debilitadas, o envelhecimento com doença é um detalhe e a deficiência constitui o foco principal do serviço de atendentes pessoais.

Autonomia e independência para contratar atendente pessoal As palavras ‘autonomia’ e ‘independência’ não são sinônimas para o movimento de vida independente. Com o surgimento do primeiro centro de vida independente do mundo, em Berkeley, Califórnia, EUA, em 1972, as palavras ‘independência’ e ‘independente’ passaram a ter um novo e inusitado significado para a época. Novo, porque os aspectos ‘tomada de decisão’ e ‘controle da situação’ foram reconhecidos pela primeira vez no repertório comportamental das pessoas com deficiência. Inusitado, porque na época nenhum profissional e nem mesmo familiares esperavam tal comportamento por parte das pessoas com deficiência. Tomar decisões pelos clientes ou filhos e controlar a situação deles eram responsabilidade exclusiva dos profissionais e dos familiares. O pequeno grupo inicial cunhou o nome ‘centro de vida independente’ para mostrar à sociedade que lá no CVI-Berkeley começava um novo e inusitado estilo de vida, segundo o qual as próprias pessoas com deficiência tomavam decisões sobre o que era melhor para elas. Passaram a tornar-se independentes da família e dos profissionais nas decisões sobre assuntos que lhes diziam respeito. Estas decisões determinavam o que era mais necessário para que elas tivessem maior autonomia física, econômica e social. A autonomia física envolve a habilidade em atividades da vida diária, a autonomia econômica envolve a habilidade de lidar com as próprias finanças e a autonomia social envolve a habilidade nas relações interpessoais em casa, na escola, no trabalho e na comunidade. O estilo de vida independente é constituído pelo ‘empoderamento’, conceito que significa ‘fazer escolhas, tomar decisões e assumir o controle da vida pessoal, familiar, profissional, escolar, recreativa etc.’.


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coluna especial Ed Roberts, considerado ‘o pai do movimento de vida independente’, não criou o nome ‘centro de vida autônoma’, mas sim, ‘centro de vida independente’. E também não criou o ‘movimento de vida autônoma’, mas sim, o ‘movimento de vida independente’. A ‘independência’ antecede e acompanha a ‘autonomia’. As pessoas com deficiência decidem, assumem o controle da vida o tempo todo e, dentro do contexto do empoderamento, requerem, obtêm, utilizam e avaliam serviços de atendentes pessoais, a fim de terem maior autonomia física, econômica e social. A ONU e o atendente pessoal A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) foi adotada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 13/12/2006. O Brasil assinou a CDPD em 30/3/2007, ratificou-a com valor de emenda constitucional em 9/7/2008 (Decreto Legislativo 186) e promulgou-a em 25/8/2009 (Decreto 6.949). Em outras palavras, o Brasil assumiu perante a própria nação e a comunidade internacional o compromisso de executar a CDPD inteiramente, ou seja, por exemplo, as medidas referentes ao atendente pessoal. Encontra-se no Artigo 19 (“Vida independente e inclusão na comunidade”) da CDPD a menção à figura do atendente pessoal como prestador de serviços de apoio às pessoas com deficiência para que elas desfrutem plenamente o direito de viver na comunidade com liberdade de escolha. O Brasil assegura, através da CDPD, que: “As pessoas com deficiência tenham acesso a uma variedade de serviços de apoio em domicílio ou em instituições residenciais ou a outros serviços comunitários de apoio, inclusive os serviços de atendentes pessoais que forem necessários como apoio para que vivam e sejam incluídas na comunidade e para evitar que fiquem isoladas ou segregadas da comunidade.” (caput, letra ‘b’, grifos meus). E por força do Artigo 16 (“Prevenção contra a exploração, a violência e o abuso”) da CDPD, o Brasil tomará: “todas as medidas apropriadas para prevenir todas as formas de exploração, violência e abuso, assegurando, entre outras coisas, formas apropriadas de atendimento e apoio que levem em conta o gênero e a idade das pessoas com deficiência e de seus familiares e atendentes, inclusive mediante a provisão de informação e educação sobre a maneira de evitar, reconhecer e denunciar casos de exploração, violência e abuso.”(letra ‘b’, grifos meus).

Autonomia e independência na CDPD Inúmeras são as outras implicações resultantes do fato de que o Brasil ratificou a CDPD. Uma delas se refere à questão da autonomia e da independência das pessoas com deficiência. O Brasil, através da CDPD, reconhece: “a importância, para as pessoas com deficiência, de sua autonomia e independência individuais, inclusive da liberdade para fazer as próprias escolhas.” (Preâmbulo, letra ‘n’, grifos meus). Além de reconhecer essa importância, o Brasil afirma que, entre os princípios da CDPD, estão: “O respeito pela dignidade inerente, a autonomia individual,


coluna especial inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas, e a independência das pessoas.” (Artigo 3, caput, letra ‘a’, grifos meus). O Brasil assumiu, através do Artigo 16 (“Prevenção contra a exploração, a violência e o abuso”), que tomará: “todas as medidas apropriadas para promover a recuperação física, cognitiva e psicológica, inclusive mediante a provisão de serviços de proteção, a reabilitação e a reinserção social de pessoas com deficiência que forem vítimas de qualquer forma de exploração, violência ou abuso. Tais recuperação e reinserção ocorrerão em ambientes que promovam a saúde, o bem-estar, o autorrespeito, a dignidade e a autonomia da pessoa e levem em consideração as necessidades de gênero e idade.” (parágrafo 4, grifos meus). No que refere à saúde das pessoas com deficiência, o Brasil, no Artigo 24, assumiu que definirá: “regras éticas para os setores de saúde público e privado, de modo a conscientizar os profissionais de saúde acerca dos direitos humanos, da dignidade, autonomia e das necessidades das pessoas com deficiência.” (caput, letra ‘d’, grifos meus). Em relação à habilitação e reabilitação, o Brasil, no Artigo 26, assumiu que tomará: “medidas efetivas e apropriadas, inclusive mediante apoio dos pares, para possibilitar que as pessoas com deficiência conquistem e conservem o máximo de autonomia e plena capacidade física, mental, social e profissional, bem como plena

inclusão e participação em todos os aspectos da vida.” (Artigo 26, parágrafo 1, grifos meus).

Este artigo será concluído na próxima edição. Bibliografia consultada BRASIL. Decreto n. 6.949, de 25/8/2009. Promulga a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Protocolo Facultativo. BRASIL. Decreto Legislativo n. 186, de 9/7/2008. Ratifica, com valor de emenda constitucional, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Protocolo Facultativo. ONU. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e Protocolo Facultativo. 4.ed. Brasília: Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2011. SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. 8.ed. Rio de Janeiro: WVA, 2010.

Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br

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direito

por Geraldo Nogueira

Alguns efeitos positivos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

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o ano de 2008 a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) incorporou-se ao ordenamento jurídico nacional com força de emenda constitucional, chamando a atenção dos operadores do Direito, influenciando os meios jurídicos e repercutindo em ações dos Poderes Executivo e Legislativo. O lançamento do Programa “Viver sem Limite” pelo Governo Federal (2011) é um exemplo dos efeitos dialéticos introduzidos em nosso meio social pela edição da CDPD. O Programa que destina cerca de R$ 7,6 bilhões de investimento na área da deficiência (R$ 1,4 bilhões/ saúde, R$ 1,8 bilhões/educação, R$ 72,2 milhões/Centros de referência para promoção de inclusão social e R$ 4,1 bilhões/acessibilidade, acrescidos de outros valores numa ação conjunta da União, estados e municípios), é o resultado mais emblemático dos efeitos práticos da Convenção, pois nasce a partir da visibilidade que a CDPD deu ao tema da deficiência no país. Muito embora o Programa seja uma nova arrumação metodológica das verbas, e não uma alocação de novos recursos financeiros como quis o Governo transparecer, essa rearrumação não lhe tira os méritos, pois ganha eficácia na escolha da linha de ação e eficiência na aplicabilidade das políticas públicas previstas, obrigando a utilização das verbas nas áreas determinadas e estimulando os aplicadores das políticas voltadas ao segmento para uma ação orquestrada pelo Programa. Isto melhora a forma anterior, confusa e deficitária, onde as verbas seguiam para os Ministérios responsáveis por estas ações, mas nem sempre eram aplicadas em benefício das pessoas com deficiência. Outra influência positiva da CDPD tem sido o fortalecimento dos movimentos de pessoas com transtornos mentais, incluídas as autistas, que encontram amparo no artigo primeiro da Convenção para formar uma nova identidade, através da qual o sujeito valoriza sua diferença e se reconhece como indivíduo, parte de um segmento que luta por direitos. A expressão “impedimentos de natureza mental e intelectual”, grafada no artigo primeiro da CDPD, engloba a expressão “transtornos mentais”, determinando que o primeiro impedimento faz parte do quadro da saúde mental, ou seja, pessoas com deficiência psicossocial

(transtornos mentais), enquanto o segundo se refere tão somente ao déficit cognitivo, principal gerador da deficiência intelectual, querendo a norma internacional estender sua proteção a ambos os segmentos. Após editar, em 2006, a Convenção Internacional, a própria ONU se preocupou com o autismo e, em 2007, escolheu o dia 2 de abril para a promoção de ações de sensibilização para este segmento, instituindo a cor azul como um símbolo de lembrança sobre o tema. Esta cor teria sido escolhida por causa da maior incidência do autismo em meninos (a cada quatro meninos, uma menina). Estima-se que no mundo existam 70 milhões de pessoas portadoras deste transtorno, sendo que 2 milhões somente em nosso país. O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento que afeta principalmente a capacidade de comunicação, socialização e comportamento do indivíduo, estando incluído no grupo de síndromes conhecido como transtorno global do desenvolvimento (TGD), sendo que recentemente cunhou-se o termo transtorno do espectro autista (TEA) para englobar o autismo, a síndrome de asperger e o transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação. Para finalizarmos este artigo, vale a pena refletir a respeito da seguinte afirmação: “o conhecimento impede o preconceito e a ausência do preconceito evita a discriminação”. A partir dessa afirmativa, torna-se imprescindível repensar o papel da CDPD em nossa sociedade, não só como norma maior, garantidora de direitos, mas também como epicentro do conhecimento e da prevenção contra o preconceito e a discriminação de pessoas com deficiência.

Geraldo Nogueira é advogado, cadeirante, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/RJ Email: genogue@terra.com.br


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empregabilidade

Avanços na empregabilidade

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om interesse e determinação por parte das empresas é possível avançar no número de contratações de pessoas com deficiência. A inclusão está acontecendo onde há esforço para isso. Um exemplo positivo é o das indústrias metalúrgicas com mais de 100 funcionários da região de Osasco/SP: das 1.028 vagas reservadas para o cumprimento da Lei de Cotas, 796 estavam preenchidas em dezembro de 2011, um total de 77,43%. O índice sobe para 90,23% no setor automotivo, aquele que fornece autopeças para as empresas montadoras de veículos, caminhões, ônibus e motos. O estudo, feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e a Gerência Regional do Trabalho de Osasco, teve os resultados divulgados em fevereiro, durante a comemoração do 11º aniversário do Espaço da Cidadania, organização que trabalha pela inclusão no mercado de trabalho. O número de contratações cresceu 10,71% em relação a 2010. “É importante salientar que das 27 maiores empresas contratantes, 25 atendiam a lei de cotas e apenas duas não contrataram nem uma pessoa com deficiência. Isso mostra claramente que a inserção é possível. Não dá para manter o discurso de que não há profissionais disponíveis no mercado”, avalia Carlos Aparício Clemente, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região e coordenador do Espaço da Cidadania. Segundo o estudo, 41,40% das empresas cumpriam totalmente a lei ou contratavam além da previsão legal em dezembro de 2011. Mas 7,0% das empresas não mantinham sequer um trabalhador com deficiência em seus quadros. “Fica claro que é uma questão de envolvimento e vontade da empresa em relação a este tema”, afirma Clemente. De acordo com Ronaldo Teixeira, coordenador de políticas públicas da Gerência Regional do Trabalho, as empresas que ainda não cumprem a lei já apresentaram um plano de contratação de profissionais com deficiência. Assim, “as expectativas para 2012 são muito positivas”, salientou. A meta é atingir 90% de cumprimento este ano. O estudo mostrou também que na região de Osasco/SP, onde há 6 anos as empresas metalúrgicas apresentam dados de contratação de pessoas com deficiência à Gerência Regional do Trabalho, o percentual de contratação dessas pessoas está acima da média nacional. Enquanto em 2010, apenas 0,98% dos brasileiros com deficiência estavam empregados, de acordo com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego, em Osasco e região este percentual alcançava 2,5%. Apesar da situação favorável, é preciso avançar. A série histórica do estudo, de 2006 a 2010, mostrou grande concen-

tração de contratação entre as deficiências físicas e auditivas, com 80% do total de vagas ocupadas no período. Nesses 5 anos, a somatória das deficiências intelectual, múltipla e visual correspondem a menos de 10%. Em 2011, a situação pouco se alterou: as deficiências física e auditiva representam 76,12% da ocupação de vagas, enquanto as deficiências visual, intelectual e múltipla juntas representam 10,56%.

FEBRABAN Outra experiência de empregabilidade a destacar é o Programa da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) de Capacitação Profissional e Inclusão de Pessoas com Deficiência no Setor Bancário, que recebeu em março o Beyond Banking, prêmio anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que reconhece as melhores iniciativas em responsabilidade social e sustentabilidade no Caribe e na América Latina. Esta é a primeira vez que uma iniciativa brasileira é prestigiada nesta categoria da premiação.

O programa tem como objetivo capacitar pessoas com deficiência para que tenham oportunidades de trabalho no setor bancário. Em duas edições, o projeto já incluiu mais de 900 profissionais. Só no ano passado, mais de 400 pessoas foram beneficiadas. Realizado com a consultoria da AVAPE - Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência, instituição especializada em inclusão que promoveu a seleção e capacitação dos candidatos, a edição de 2011 do projeto contou com diversos parceiros, como a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo. O projeto surgiu em 2009 após um diagnóstico feito pela FEBRABAN sobre as dificuldades encontradas pelos bancos para empregar profissionais com deficiência qualificados. Sua missão consiste em selecionar essas pessoas para participarem de um programa de capacitação que visa prepará-las para assumirem postos de trabalho nas instituições bancárias. Durante o período do curso, os candidatos selecionados já são contratados dos bancos e recebem salário e benefícios. Ao final das aulas, que duram em torno de seis meses, os participantes são incorporados às equipes dos bancos que aderem ao projeto.


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trabalho

À espera da regulamentação

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s profissões de transcritor e revisor de textos em Braille poderão ser regulamentadas. Projeto nesse sentido foi apresentado pelo senador Paulo Paim (PT/RS) e aguarda votação final na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), tendo como relator o senador Lindbergh Farias (PT/RJ), que já se declarou favorável à questão. Caso o projeto for aprovado, será obrigatória a participação do transcritor e do revisor na produção de textos nesse sistema com fins comerciais, educacionais ou culturais. Para o desempenho da função, será necessário pelo menos o nível médio, além de curso específico na linguagem criada em 1825 pelo jovem cego francês Louis Braille. O texto ainda prevê que quem tiver exercido a profissão de transcritor por pelo menos três anos antes da promulgação da lei também terá direito ao exercício profissional. Tanto o transcritor quanto o revisor terão jornada de 30 horas semanais. Na justificativa do projeto, Paulo Paim destaca a importância “da existência de leis que reconheçam, definam e delimitem a prática das diversas profissões”. Ele afirma que, “embora essas profissões já se encontrem estabelecidas há décadas, até o presente momento elas não existem para o nosso sistema legal”. “Além de proteger os profissionais envolvidos, a aprovação do presente projeto - e sua posterior conversão em lei - representará, também, uma proteção para a sociedade, pois garantirá que apenas os profissionais qualificados tenham acesso à profissão, garantindo a qualidade dos trabalhos de transcrição e revisão de textos em braile”, explicou o senador à Agência Senado. “O projeto é fantástico e com certeza ampliará as oportunidades de trabalho para deficientes visuais e outras pessoas que se interessem pela função de transcritor. Outro benefício importante será o crescimento do número de profissionais qualificados para a produção desse tipo de material, diminuindo assim a quantidade de impressos de péssima qualidade feitos atualmente por empresas não especializadas”, explica Renato José da Silva, que há 13 anos trabalha na Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Laramara), e há cinco é consultor/revisor. Renato, que aprendeu a escrita aos 18 anos em uma escola pública durante a perda da visão, se especializou em instituições como o Instituto Benjamin Constant, a Fundação Dorina Nowill e na própria Laramara, fazendo cursos de atualização, musicografia e revisão. “Acredito que esta regulamentação trará mais segurança e dignidade aos revisores que trabalham de

maneira autônoma pois uma profissão legalizada contém, por exemplo, piso salarial e número máximo de horas semanais”, argumenta o revisor. Ele afirma que a profissão é bastante procurada, mas infelizmente, não existem muitos cursos disponíveis aos interessados. Para ele, o mercado está crescendo e os empregadores procuram profissionais qualificados mas, por conta da falta de cursos específicos, em sua grande maioria, não conhecem a escrita braile em suas diversas aplicações.

Obras disponíveis em Braile Cerca de 5 mil bibliotecas, escolas e organizações de todo o País estão recebendo dez novos títulos de livros infantis em braile e letras em alto relevo. Em parceria da Fundação Dorina Nowill para Cegos e Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, com apoio de empresas privadas, a primeira tiragem é de 35 mil exemplares. Os autores e ilustradores tiveram a orientação dos profissionais especializados da fundação para criar histórias e desenhos que pudessem ser reproduzidos com letras ampliadas em Braille e imagens divertidas em relevo, para permitir que também crianças cegas e com baixa visão lessem os livros. De acordo com a gerente-geral de Operações da Fundação Dorina Nowill, Susi Maluf, no segundo semestre serão lançadas novas tiragens de livros com recursos de acessibilidade. O próximo passo será a audiodescrição. “Esse recurso transforma as imagens em palavras. Enquanto a pessoa passa a mão na figura em relevo, vai ouvir o que ela representa”, explica a gerente. Já o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Seção SP) receberam volumes em Braille da Legislação Federal. A iniciativa é resultado do Acordo de Cooperação Técnica entre o Senado Federal e a Prefeitura paulistana para impressão gratuita em Braille de legislações e publicações institucionais desenvolvidas pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED). Ao todo, estão sendo impressas pelo Senado Federal 50 coleções, de 16 leis federais que passarão a compor os acervos das Salas de Advogados nos tribunais de São Paulo, da Sede Seccional e Subseções da OAB-Seção de São Paulo e demais acervos jurídicos da capital paulista.


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crônica

por Tatiana Rolim

Comissão de Concurso e Candidato PcD

Q

uem nunca se inscreveu para um cargo em Concurso Público ? Sou psicóloga formada há 10 anos, e entre outros títulos e experiências, busco um cargo efetivo a longo prazo. Faço das provas uma forma de análise do meu conhecimento e aprendizado, angariado em praticamente uma década de atendimento psicológico a pacientes. Recentemente, estive inscrita para mais um Concurso, das empresas que realizam provas, conheço praticamente todas: Vunesp, Quadrix, Cetro, CesbUnb, RBO etc... mas cito especificamente a primeira. Nesta última inscrição, conforme exigências de todos os editais publicados, ao me inscrever obedeci o protocolo já conhecido, onde o candidato deve preencher se é ou não é candidato com deficiência, em caso de preencher a lacuna com um “x” para “candidato especial”, deve ainda enviar laudo médico expedido no prazo máximo de 6 meses (como se as deficiências tivessem prazo de validade...rs). Quem conhece um ex-lesado medular ? Ou um ex-surdo ? Uma pessoa que tinha e deixou de ter uma deficiência intelectual ? Enfim... Além de pagar a tarifa de inscrição, acrescentar mais um proporcional para envio do documento via-Sedex, já que não aceitam outra forma de envio, se não pessoalmente. Junto ao tal laudo deve ainda enviar uma requisição conforme a necessidade: prova em Braille, tempo maior para realização da prova, acessibilidade, liberação para amamentação e outras caso houver. Enfim, depois de toda a balela da inscrição é só acompanhar a data e local de prova via on-line. Nesta minha última inscrição, em protesto ao descaso com o candidato com deficiência, depois de todo o “blábláblá” do edital, me recusei a comparecer ao local de destino, praticamente 4 horas

de distância de onde moro, isto porque solicitei local com acesso. A Vunesp, empresa em questão, me encaminhou para realizar a prova numa faculdade localizada na Vila Maria Alta (bairro da zona norte da capital paulista). Um prédio da mesma universidade que, oras a filial se localiza, na Barra Funda (bairro da zona oeste da capital e bem mais próximo de onde fico, afinal pedi para fazer a prova em local próximo). Parece displicência... será ? Entrei em contato com eles que me alegaram considerar a carta enviada, solicitando acesso. Por acesso talvez entendessem: distância. Quanto mais longe, melhor ? É isso ? Melhor o trajeto, melhor a viagem, melhor o conforto, melhor o ânimo para chegar e realizar uma prova de quase 4 horas. Apenas agradeci e manifestei minha indignação via-online, afinal estamos num momento moderno, cheio de tecnologia. Naturalmente até conseguir falar com um “ser humano”, eu já tinha ouvido um monte de opções no atendimento eletrônico da empresa, me recomendando discar 1 para isto, discar 2 para aquilo, discar 3 para tal, discar 4... 5... 6...7...8... até chegar no tal “discar 9”, para falar com um de nossos operadores. Na semana seguinte, não desanimei e estive em Jandira/SP (cidade da região metropolitana de São Paulo) para outra prova, com outra prestadora de serviços. Cumpri o mesmo procedimento de inscrição, pagamento, envio de laudo atualizado e em prazo de validade (ainda sou lesada medular), requisição de acesso “x” na identificação do candidato especial. A pergunta é: para que tudo isto ? Se na hora que cheguei no local de prova me deparei com mil degraus de escada me esperando ?


crônica Tive todo apoio da direção da escola, no entanto, não minimizou o desrespeito. Quando questionei por ventura, como é que funcionaria o sistema de reserva da escola para aplicarem a prova de concurso, ela me esclareceu que a “empresa responsável” pelo concurso, apenas liga para solicitar a liberação e o agendamento do prédio, objetivamente solicitam o espaço, realizam a prova e vão embora. Não há um contato antecedente ou identificação de uma sala acessível para o candidato PcD inscrito. Ele simplesmente chega para realizar a prova e ai que tomamos conhecimento, completou a diretora. Para minha surpresa, e ainda insatisfeita com a resposta, indaguei: mas quando é para eleição, como é feito a reserva da escola ? A resposta foi: bom, aí a Comissão liga, vem uma equipe que avalia o prédio, a estrutura e se precisar instalar uma urna, eles verificam onde seria o ideal para estes eleitores: idosos, pessoas com deficiências, mobilidade reduzida etc... Ah, bom ! Parece que para votarmos servirmos ? Ou seja, na eleição temos todos os direitos garantidos, já para utilizarmos de nossos direitos... nos deparamos com degraus e mais degraus que tornam-se obstáculos para o exercício da nossa cidadania. De qualquer maneira, realizei a prova, mas saí de lá certa de que temos que agir para mudarmos a situação

atual. Vamos nos atentar a estas questões e mobilizar as tais Comissões de Concursos para que realmente tenham uma ação efetiva. Compelida ao desejo de mudança, enviei um email ao grupo Vunesp, que até o momento não se pronunciou. Foram cordiais, agradeceram o envio do email, no entanto, de lá para cá ainda não tive um final feliz. Mas não podemos ficar simplesmente esperando a pagina virar sem qualquer esforço, é preciso discussões em torno do assunto, fomentar o tema e propor soluções de forma que a tal “Comissão” exerça a funcionalidade de fato de uma “Comissão”, conforme definições do dicionário. Fica aqui a reflexão sobre o assunto e meus singelos votos de boa prova aos candidatos que, ao preencherem a lacuna com “X”, se identificando como candidatos com deficiência, sejam atendidos com respeito às suas necessidades. Tatiana Rolim é cadeirante, e autora dos

livros “Meu Andar Sobre Rodas” e “Rodas de Mamãe”.

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movimento

Tricicletas “Cabulosas” ! Motoclube “Os Teixeiras” fazem a festa doando o equipamento para pessoas com deficiência na região de Brasília/DF...

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o Distrito Federal a palavra “cabulosa” é usada para definir uma coisa estranha, interessante, “massa” ou meio louca. Foi com ela que Émerson Teixeira de Andrade, professor de matemática da rede pública de Ceilândia, cidade localizada a 26 Km da capital federal, batizou sua criação: “tricicleta cabulosa”. Émerson conta que sempre gostou de andar de bicicleta e teve ideia de desenvolver os modelos quando viu um garoto, Saulo, sem os braços e com as pernas atrofiadas, chegar à escola empurrado. Fez o primeiro modelo em 2002 e, em março passado, entregou o 28º. Cada tricicleta é única, já que tudo sai sob medida, dependendo do tipo de deficiência apresentada pelo seu usuário. Durante um tempo, um amigo mecânico de bicicletas fez os modelos, mas agora Émerson voltou a fabricá-los junto com o ex-aluno Marcelo. O preço fica por volta de R$ 400 a R$ 500, e o professor arrumou uma forma própria de financiamento: “recebemos doações de bicicletas que não são mais usadas, reformamos, vendemos e compramos as peças novas para as novas tricicletas.

Sempre dependemos de algum tipo de doação, como em dinheiro mesmo”, conta o professor. Há 3 anos Émerson faz parte do Motoclube “Os Teixeiras”, que encampou a ideia. Seus membros fazem uma verdadeira festa na entrega, indo em comboio ao encontro do ganhador. Foi o caso de Heitor de Lima Araujo, de 18 anos, que recebeu o último modelo em uma manhã ensolarada de domingo. Ele tem Artrogripose Múltipla Congênita e há 5 se locomove em cadeira de rodas, antes usava um skate. Sua história revela como o projeto pode realizar sonhos: hoje ele faz o primeiro ano no Centro de Ensino Médio 1 de Gama, outra cidade satélite próxima a Brasília/DF. Quando estudava no Centro de Ensino Fundamental 4, fez uma redação sobre seu maior desejo: ter uma bicicleta. Duas de suas es-professoras, Luciana e Celidônia, lembraram do texto quando assistiram uma reportagem na TV Câmara sobre o projeto de Émerson. Entraram em contato, as medidas foram tiradas e a entrega organizada com amigos de outros motoclubes, como Papa Léguas


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movimento

notas Ainda é possível aproveitar a praia !

e Asas de Águia. A tricicleta do Heitor foi feita graças à colaboração de conhecidos da TV Câmara, do Supremo Tribunal de Justiça e doações espontâneas pela Internet. Heitor hoje está muito feliz e não vê a hora de ir para a escola com a tricicleta. Por enquanto está aprendendo a andar nela, mas garante que já “pegou a manha”. Para ele, a oportunidade representa “liberdade”. “Pretendo continuar com o projeto, pois me sinto realizado como ser humano cada vez que vejo uma pessoa deixar a cadeira de rodas e começar a pedalar pelas ruas”, afirma Émerson. “Gostaria de ajudar muita gente, mas não temos condições para isso, espero que um dia possamos atingir as pessoas mais distantes e necessitadas”, conta o professor, avisando que no final de abril irá com a galera no Motoclube, rompendo fronteiras, entregar mais dois modelos, em Porecatu/PR e Presidente Prudente/SP. Quem sonha em pedalar pode ter mais informações no site (www.osteixeiras.com.br). É só mandar foto, endereço, telefone e um breve relato sobre sua vida e tipo de deficiência. Doações também podem ser feitas pelo site.

No verão, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro ofereceram opções de praia acessível com cadeiras anfíbias que fizeram a festa de quem tem problemas de locomoção. No Rio, ainda dá tempo de curtir o mar, já que o projeto “Praia para Todos” estará disponível até o final de abril. Quem quiser aproveitar, é só ir ao Posto 3, na Barra da Tijuca, de 9h às 14h, sempre aos sábados. No verão de 2009 o projeto passou também pelas praias de Copacabana, Ipanema e Piscinão de Ramos, fixando-se em 2010 na Barra da Tijuca. A expectativa agora é que, ainda no primeiro semestre deste ano, o projeto ganhe mais um ponto em Arraial do Cabo, Região dos Lagos do Rio de Janeiro. A iniciativa é do Instituto Novo Ser, que tem como objetivo aumentar a integração da pessoa com deficiência com a natureza e o esporte, promover mais sociabilidade e, ainda, despertar a atenção da opinião pública para a falta de estrutura adequada para a inclusão. São oferecidos aos participantes esteira para passagem de cadeiras de rodas, cadeiras anfíbias de fácil descolocamento pela areia e que flutuam na água, atividades esportivas adaptadas, locais acessíveis com vagas de estacionamento reservadas, rampas de acesso à areia e banheiros adaptados, entre outros itens. Todas as atividades propostas são ministradas e realizadas sob a orientação de profissionais especializados das áreas de educação física e fisioterapia, além de estagiários e voluntários do Instituto Novo Ser.

Em São Paulo/SP Na capital paulista, os frequentadores do Parque Esportivo dos Trabalhadores (PET), na zona leste, também já podem desfrutar da piscina com mais tranquilidade. Em 10 de março último, uma cadeira de rodas anfíbia foi entregue à administração pela Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida.


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parakart

por Hermes Oliveira

Os pilotos estão ansiosos para voltar a acelerar !

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a Reunião da Parakart no dia 13 de março último, foram traçadas metas para este ano de 2012, como questões de patrocínio e outras mudanças previstas. Estão sendo analisados novos patrocinadores, e também foram discutidas novas regras, por exemplo, peso máximo do piloto junto com Kart, passa a ser de 180 Kg no total, e após as provas todos vão para o parque fechado fazer a pesagem, fiscalizada pela CBA - Confederação Brasileira Hermes Oliveira é piloto de Parakart de Automobilismo. Outra informapatrocinado pela Revista Reação. ção muito importante, é que a partir deste ano a categoria será dividida em dois grupos, um graduado com 11 pilotos e outra dos novatos, com os demais pilotos. E no final do campeonato os 3 últimos da categoria Graduados, caem para a categoria Novatos, e os 3 melhores da Novatos sobe para a Graduados. Sendo assim, vão ficar mais disputadas as posições, já que os dois grupos vão competir juntos na mesma prova de Parakart. O piloto Anders, espanhol, disse que este ano vai atropelar a zebra mais forte e fazer as curvas com duas rodas para ser campeão... Eu já estou preparado, enquanto não inicia a temporada vou “lustrando” o meu capacete. A previsão é que a para Parakart vai iniciar a temporada

10 anos em uma cadeira de rodas ! Parece até que foi ontem. Eu, um jovem de 25 anos, vinha vivendo com grandes expectativas, principalmente no trabalho, como motorista profissional de categoria E... mas, em 2002, quando sofri um acidente com uma carreta, e fiquei paraplégico, Hermes antes do acidente ao a minha vida parou. E a partir lado de sua carreta. daí, reiniciou uma luta para me recuperar. Cirurgias e muita fisioterapia, terapia ocupacional, adaptação residencial, e procurando melhorar meu grau de instrução... E tudo vem caminhando com progresso. Mas venho encontrando muita dificuldade na reabilitação profissional, já fui até rebaixado de categoria E para B especial na CNH, já fiz o meu curso de “condutax” (habilitação para exercer a função de motorista de táxi), e hoje imploro para que a prefeitura de São Paulo/ SP me forneça um alvará de taxi de forma inclusiva. Mas até agora o que vejo é muito descaso nessa questão. Apesar de muitas coisas terem melhorado nas questões que envolvem as pessoas com deficiências. Ainda falta muito para este nosso País dar o direito pleno de ir e vir para PcD, universo do qual faço parte. dia 21 de abril, no Kartódromo da Granja Viana, em Cotia/ SP, região metropolitana da capital paulista, com 10 provas da Copa São Paulo, e mais o Campeonato Brasileiro.

NA REATECH Domingos Zamora (Mingo), informou que por mais um ano a Parakart vai estar com um estande presente na feira Reatech em São Paulo/SP. Mas é provável que não teremos mais os karts da Parakart na pista externa, para Test-drive, como ocorreu nos últimos anos. De qualquer maneira, nos vemos por lá !

Hermes Oliveira é Piloto de Kart adaptado patrocinado pela Revista Reação, escritor do livro “Um motorista especial de carreta” e estudante de logística.


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momento surdo

por Neivaldo Zovico

A Tecnologia evoluiu muito ! E vem facilitando aos surdos a comunicação escrita ou em LIBRAS pelo vídeo...

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istoricamente, durante muitos anos os Surdos sofreram por causa da comunicação à distância, quando queriam mandar recados aos amigos Surdos, precisavam ir a algum lugar, como um bar ou Associação de Surdos, onde eles se reuniam para passar ou receber o recado dos amigos. Quando a Associação dos Surdos precisava avisar aos jogadores Surdos sobre um jogo amistoso contra outra Associação, e para combinar a viagem, mandava uma mensagem a um Surdo para ir de bar em bar avisar os outros jogadores. Os Surdos que conseguiam escrever em língua portuguesa se correspondiam por cartas e os que não conseguiam pediam aos amigos Surdos que entendiam a língua portuguesa para ajudar a escrever ou corrigir. Durante a década de 1990, os Surdos importaram e compraram o TDD/TS – telefone para Surdos no Brasil, para se comunicar com os amigos surdos, a digitação era alfanumérica e havia um visor, onde lia-se as mensagens. Alguns conheciam pouco a língua portuguesa e por esse motivo treinaram a digitação das palavras novas e adquiriram uma segunda língua para a comunicação. Naquela época, o pulso cobrado pelo TDD/TS ligado à linha telefônica era caríssimo e, por isso, alguns Surdos se comunicavam com poucas palavras, somente o necessário, economizando tempo e dinheiro. Um líder Surdo lutou e exigiu do Governo o reconhecimento sobre a importância do TDD/TS para a comunicação do surdo, mas infelizmente não foi reconhecido pelo Governo Federal e pelas empresas de telecomunicações da época. A ex-empresa TELERJ, atualmente Empresa OI, criou a Central de Intermediação para Surdo e Ouvinte, em 1993, reconhecendo, portanto, a necessidade da comunicação entre surdos e ouvintes. O movimento do TDD/TS foi aumentando, mas com a chegada do computador e da Internet, os Surdos preferiram se comunicar através de e-mail, chat (ICQ e ou MSN) utilizando a Internet como ferramenta do dia a dia. Quando a Lei de Acessibilidade nº 10.098/2000 foi criada, o Governo Federal se preocupou com acessibilidade para Surdos, procurou reconhecer o TDD/TS e o instalou em diversos lugares, mas já era tarde demais, porque ninguém mais usava, e foram abandonados. O acesso à Internet e a facilidade de compra do computador aumentou muito e a comunicação entre surdos facilitou bastante, mas logo surgiu o celular como opção de comunicação através de mensagens tipo SMS, virou febre entre os Surdos, que compraram para a comunicação entre amigos Surdos, família, namorados etc. O líder Surdo lutou muito exigindo da empresa de telecomunicação móvel a criação de uma Central de Intermediação entre Surdo e Ouvinte, através de mensagens SMS, e também em casos de emergências, com a Polícia, Bombeiros, Resgate etc. Mais tarde surgiu o celular Smartphone, onde a possibilidade de uso é igual ao de um computador com Internet, pois tem todas as ferramentas necessárias para a comunicação: SMS, e-mail, chat

(MSN, SKIPE e outros), câmera frontal, Rede Social, GPS etc. Com a criação do Decreto de Lei para os Call Centers, as empresa foram orientadas a como utilizar os software de SMS, atendimento on-line e TDD/TS, e a treinar os funcionários para atender os Consumidores Surdos por causa da escrita da língua portuguesa. Foi criada a Empresa Central de Intermediação de Surdo com SMS, atendimento on-line e e-mail, as tarifas para a intermediação são pagas pelos Surdos. A Empresa de Telecomunicações Móvel criou a Central de Intermediação para Surdo e ouvinte, onde possibilita a comunicação através de SMS gratuitas para clientes Surdos, e também foi criado uma Central de Atendimento de emergências para a polícia. Neste período, a tecnologia do Mundo evoluiu muito rápido até a chegada das câmeras com qualidade alta, aumento de velocidade da Internet, smartphone mais avançado, tablet e videofone que possibilitam a comunicação escrita da Língua Portuguesa ou através da própria LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais, pelo de vídeo. A Empresa que importou o videofones, possibilita ao surdo a comunicação em LIBRAS em tempo real. A Central de Intermediação foi criada para os Surdos se comunicarem através de câmeras. O videofone poderá ser instalado em diversos lugares onde o Surdo poderá se comunicar, e também receber informações através do serviço de intermediação em LIBRAS, em reuniões de empresas ou em locais públicos. Como Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da Feneis, digo que espero que o Governo Federal e a Anatel reconheçam o celular, o smartphone, o tablet, o laptop e o videofone como equipamentos de comunicação para os Surdos, e que esses equipamentos deverão ter isenção de impostos. Deverão também fornecer pacotes especiais de SMS ou Internet para pessoas surdas, pois a comunicação faz parte da vida dos Surdos, e também o reconhecimento dos direitos de igualdade dos Surdos, que pagam impostos assim como os ouvintes. O processo já está na Câmara dos Deputados e no Senado, providenciando o que a comunidade Surda pediu para melhorar a sua vida e a sua comunicação. Os SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor, deverão dispor de equipamentos disponíveis para atender os Surdos, pois são cidadãos e querem ser atendidos com respeito e direitos iguais a todos. Neivaldo Augusto Zovico é professor, consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficiências auditivas, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS, diretor de Relações Públicas da APSSP – Associação dos Professores Surdos do Estado de São Paulo e colaborador da equipe do site: www.portaldosurdo.com www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com E-mail : neivaldo.zovico@terra.com.br


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bate bola

por Júlio Cesar de Souza

Mês de abril: chegou com ele, mais uma Reatech

A

cada ano percebemos que consumidores, prestadores de serviços, comércio e indústrias do setor se organizam ainda mais e tem na Reatech a grande oportunidade de mostrar suas inovações, lançamentos, enfim, tudo que pode alavancar ainda mais os negócios no setor. Entretanto, o que mais tem me chamado a atenção nestes últimos meses, é a área de Recursos Humanos e Diversidade. Na área da empregabilidade da PcD, percebemos que a Lei de Cotas contribui demasiadamente para o início do processo de inclusão da pessoa com deficiência no trabalho, e as empresas estão buscando, de fato, não somente se adequar nas contratações, mas também preparar o quadro de colaboradores para receber PcD. Tenho sido procurado e também realizado treinamento em grandes empresas, como: Itaú, Alcoa, Marilan, Unimed e outras. E o que me chamou mais atenção foi que, após passar esta primeira fase das contratações de PcD, existe uma enorme dificul-

Apoio:

dade de adaptação, tanto no colaborador comum, quanto do colaborador com deficiência. Esta dificuldade é gerada pela cultura completamente diferente que ambos vivenciaram durante a vida, agravada pela falta de informação. E isso faz com que o colaborador comum tenha atitudes de enorme conceito, como por exemplo, não querer interagir ou trabalhar próximo à PcD. Por outro lado, o colaborador com deficiência, não tem o menor comprometimento com a empresa ou o trabalho, e como sempre a família e a sociedade o superprotegem (na maioria dos casos), acabam criando uma cultura do “FAZ O QUE QUER”. E este comportamento acaba sendo levado para dentro do ambiente de trabalho. Entretanto, estamos conseguindo modificar este quadro, graças às atitudes de empresas que começam a perceber que o único caminho para a verdadeira inclusão é a educação dos colaboradores, e investem pesado em treinamentos ! Como seminarista e consultor destas empresas, percebo que estes treinamentos estão modificando completamente atitudes e posturas dos colabores, tanto o comum como a PcD, criando assim um ambiente de colaboração mais produtivo, mais humanitário e de maior comprometimento empresarial. Enfim, começamos a perceber que as “empresas são as pessoas que nela trabalham”... e portanto, “treinamento não é gasto, mas sim INVESTIMENTO” ! Uma ótima Reatech a todos, e que ela nos traga muitas novidades e realize muitos sonhos ! Júlio Cesar de Souza é ex-jogador do Corinthians, surdo aos 30 anos, desenvolveu o projeto “Educação do Surdo pelo Esporte”. É autor do livro “Jogadas da Vida”. Fundador do Instituto Jogadas da Vida, ele ainda apresenta palestras motivacionais para empresas e é uma das pessoas surdas mais ativas no movimento para promoção e a inclusão de PPDs.


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política

Projetos beneficiam pessoas com deficiência

O

Senado aprovou, em março, o projeto de lei decorrente da Medida Provisória 550/11, que permite ao governo subsidiar empréstimos para que pessoas com deficiência possam adquirir bens e serviços de tecnologia assistiva. A subvenção às instituições financeiras oficiais para financiar essas operações de crédito chega a R$ 25 milhões por ano. Todos os partidos apoiaram, possibilitando a votação simbólica da matéria, que seguiu para sanção presidencial. O texto aprovado recebeu, anteriormente, modificações da deputada federal Mara Gabrilli (PSDB/SP), na Câmara Federal. O limite de renda mensal para enquadramento como beneficiário do programa será definido por ato conjunto dos ministros da Fazenda, de Ciência e Tecnologia, do Esporte e da Secretaria de Direitos Humanos, assim como a lista de itens que serão financiados. A Medida Provisória 545/11 cria um regime especial de tributação para estimular a abertura de salas de cinema por meio de um regime especial – o RECINE – com o objetivo de ampliar a rede de exibição cinematográfica nas cidades de médio porte e na periferia dos grandes municípios. Ela foi aprovada na forma de um projeto de conversão com uma emenda também da deputada Mara Gabrilli para garantir que os projetos arquitetônicos das salas construídas garantam os critérios de acessibilidade.

Também já foi aprovada pelo Senado Servidores públicos aposentados por invalidez permanente a partir de 1º de janeiro de 2004 deverão ter a revisão dos valores de seus benefícios. A medida se tornou possível com a promulgação, em 29 de março último, pelas Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, da Emenda Constitucional nº 70/2012, que assegurou ao segmento receber proventos equivalentes a sua última remuneração, a chamada “integralidade”.

Ainda tramitando Muitos outros projetos estão na pauta da Câmara e do Senado. Um deles, do deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), quer aumentar a cota obrigatória de contratação de profissionais com deficiência nas empresas privadas. A exigência atual é de 2% a 5% para estabelecimentos com mais de 100 funcionários. A proposta dele é de que empresas com mais de 30 colaboradores cumpram a lei, aumentando também a porcentagem, sendo que as com mais de mil

trabalhadores chegariam a 8%. Já o deputado federal Ronaldo Benedet (PMDB-SC) defende que o Estado incentive a inclusão no mercado de trabalho e, no Projeto de Lei 2940/11, isenta do Imposto de Renda os proventos de qualquer origem recebidos por pessoa com deficiência física, visual, auditiva ou mental; autistas e aposentados por invalidez que necessitam de assistência permanente de terceiros. No Senado, já aprovado pela Câmara, está o Projeto de Lei Complementar 40/10, do ex-deputado federal cadeirante, Leonardo Mattos (PV/MG), sobre aposentadoria. A iniciativa reduz em cinco anos a idade necessária para a pessoa com deficiência se aposentar e diminui em até dez anos o tempo de contribuição ao INSS. Outro projeto no Senado determina a cobrança de tarifas mais baixas nos serviços de mensagem de texto utilizados por usuários com deficiência auditiva ou de fala. O PLS 238/08 é de autoria do ex-senador Flávio Arns (PSDB-PR). O projeto obriga as empresas de telecomunicação a criarem planos específicos, e com preços reduzidos, para esse público. O projeto da senadora Lídice da Mata (PSB-BA), PLS 587/11, cria o Fundo Nacional de Apoio à Pessoa com Deficiência, destinado a financiar sua qualificação para melhor participação no mercado de trabalho. Prevê a criação de um cadastro de instituições de formação e capacitação e estabelece ainda que terão prioridade de financiamento treinamentos dirigidos aos setores do mercado de trabalho com dificuldades de cumprir cotas de contratação.


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sexualidade

C

por Fabiano Puhlmann

Terapia sexual do Lesado Medular

ausada por diferentes tipos de fatores: traumatismos (acidentes de trânsito, trabalho, acidentes com armas ou nos esportes) tumores medulares, doenças infecciosas, problemas vasculares e má-formação degenerativa, a lesão medular atinge principalmente adultos jovens (50% dos casos ocorre entre os 15 e os 25 anos) em pleno fluxo das vivências afetivo-sexuais. Os lesados medulares podem ser classificados quanto ao tipo de lesão, em completa ou incompleta. A lesão completa ocorre quando a medula vertebral foi secionada em uma determinada porção, comprometendo a capacidade sensório-motora abaixo da lesão e modificando a expressão sexual. Na lesão incompleta, não ocorre a transecção medular, garantindo parcial sensibilidade e motricidade. Vale lembrar que o tipo de lesão está diretamente relacionado à capacidade sensório-motora residual e à função sexual em diferentes níveis. Outra forma mais específica de classificação da lesão medular é quanto à localização: lesões na região cervical ou pescoço (C1-C7), têm como consequências a tetraplegia quando a lesão é completa e tetraparesia, na lesão incompleta. Lesões na região tóraco-lombar ou tronco (T1 - S5), têm como consequências a paraplegia na lesão completa e a paraparesia na lesão incompleta. Existe uma forma específica de cada lesado medular reagir aos estímulos sexuais. O lesado medular é um ser sensível, que tem desejos e que pode viver com plenitude todas as etapas da relação sexual. A lesão raqui-medular altera a resposta sexual, sem no entanto impedir uma vivência sexual plena. A pessoa com lesão percebe que sua sexualidade está diferente desde a fase hospitalar: a sensibilidade está alterada, podem ocorrer no homem, ereções sem excitação sexual ou em outras situações, desejo e excitação sexual sem ereção; na mulher a mesma insensibilidade é vivida com surpresa, a pouca lubrificação vaginal, a falta de menstruação nos primeiros meses após a lesão. Todas estas percepções somadas à falta de orientação sexual levam os lesados medulares a uma encruzilhada: ou evitam o contato sexual ou desenvolvem formas pessoais de lidar com a sexualidade, utilizando procedimentos duvidosos, conselhos de outras pessoas com deficiências que nem sempre funcionam para seu caso e dessa forma acabam se expondo a riscos desnecessários. A vivência da insensibilidade de partes do corpo, muitas vezes até dos próprios órgãos sexuais e de áreas antes consideradas erógenas, é extremamente dolorosa. Como imaginar uma vivência sexual satisfatória em uma pessoa que tem sérios comprometimentos sensoriais ? A sensibilidade é o verdadeiro paraíso perdido. Encontrar a dor e o prazer, o movimento e a vida em partes do corpo, que aparentemente estão inertes ? Esse é o grande desafio. Os homens com lesão medular podem apresentar disfunções sexuais eretivas e ejaculatórias, dependendo do tipo e da gravidade da lesão. As mulheres podem apresentar pouca lubrificação vaginal. Disfunções orgásticas são encontradas em ambos os sexos, sendo que a infertilidade é mais presente nos homens. Mas

a falta de controle de fezes e urina é apontada como causadora de grande constrangimento, situação agravada nas mulheres, devido ao fato de não existir para elas um coletor externo de urina, como existe para os homens. A desinformarão sobre a sexualidade humana favorece os preconceitos. Deste mal padecem muitos profissionais da área de saúde, o que mantém a estrutura rígida dos programas de reabilitação, com procedimentos paternalistas, pouco individualizados e desatualizados. Na terapia sexual do lesado medular, é extremamente importante o terapeuta trabalhar embasado em um diagnóstico preciso, que determine em detalhes os aspectos da função sexual que foram alterados. As disfunções orgânicas devem ser tratadas do ponto de vista orgânico e as inadequações sexuais do ponto de vista da reabilitação integrativa, ou seja, favorecendo a harmonia nos níveis bio-psico-sóciais. Quando vamos realizar uma terapia sexual em um paraplégico ou tetraplégico, não podemos perder de vista que a maior parte destes indivíduos


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sexualidade adquiriu a deficiência física de forma súbita, ocasionando uma redução de sua atividade sexual. Porém antes da lesão medular, tinham um comportamento sexual, com gostos, preferências, formas e maneiras muito específicas, as quais devem ser conhecidas pelo terapeuta sexual. Precisamos levar em consideração fatores como zonas consideradas erógenas pela pessoa, presença e forma de masturbação, hábitos sexuais, posições preferidas e principalmente os fatores subjetivos ligados ao grau de satisfação com a atividade sexual e uma exploração em torno das fantasias eróticas. Questionando itens como interesse, desempenho, conhecimentos sobre sexualidade, saberemos o quanto temos que investir na educação sexual. Antes de enfocarmos a terapia sexual, podemos também antecipar problemas que possam surgir no processo. É extremamente difícil imaginar que alguém não tem sensibilidade em um braço ou uma perna. Mais difícil ainda é conceber que algumas pessoas com lesão da medula, não tenham sensibilidade do ânus, da uretra e da genitália externa e interna e que mesmo assim continuam tendo desejo sexual, apesar da incompreensão coletiva, bem como, capacidade de experimentar prazer sexual. Precisamos fazer algumas perguntas específicas para cada sexo. No homem perguntamos se ele tem observado a presença de ereções espontâneas (ereções reflexas) e como ocorreram. As ereções deste tipo não têm ligação direta com a excitação sexual, podem aparecer por estimulação proprioceptiva da uretra, por exemplo, quando a bexiga está cheia, ou por estimulação tátil, quando o órgão sexual recebe estimulação direta. Este tipo de ereção reflexa é comum em paraplégicos e tetraplégicos espásticos, aqueles que têm movimentos involuntários de braços ou de pernas. Na mulher pergunta-se sobre o retorno da menstruação, se tem lubrificação vaginal frente à excitação sexual, sensação de orgasmo e informações sobre contraceptivos. Incluem-se ainda dados sobre experiências sexuais anteriores à lesão, doenças venéreas, interesse e frequência de atividades sexuais, áreas do corpo mais sensíveis, desejo de ter filhos e existência de parceria sexual habitual. Todo lesado medular necessita primar pelos cuidados de higiene: este aspecto tão óbvio, às vezes não é seguido, levando a problemas de descontrole esfincteriano na hora do ato sexual. No trabalho de reintegração da sexualidade, o terapeuta sexual precisa frisar este item, já que a pessoa nem sempre está preparada para lidar com estes possíveis transtornos. Encontramos muitas mulheres com lesão medular, que têm atividade sexual após a lesão sem preocupação com os métodos anticonceptivos, pois também não foram informadas que continuam férteis. Ocorre também que poucas sabem que a lesão pode afetar o mecanismo excitatório, em alguns casos, diminuindo a lubrificação vaginal e em outros afetando a ereção uterina. Estas mulheres estão no mínimo se expondo ao risco de se machucarem na relação sexual, ou até de terem

uma gravidez não programada. Algumas lesadas se referem à utilização de vibradores, para favorecer o mecanismo reflexo da ereção uterina e a utilização de lubrificantes vaginais, para evitar a irritação da parede vaginal durante o coito. O desejo de ter filhos, após a lesão medular é muito frequente. Sabemos que a capacidade reprodutiva feminina está conservada; logo se a gravidez não for desejada, deverão utilizar-se de métodos anticonceptivos e a gravidez e o parto necessitam melhor acompanhamento médico. Porém, no homem, a fertilidade está frequentemente alterada devido à ausência de ejaculação e às alterações na qualidade do esperma. Poucos lesados medulares sabem que existem formas de tratar as disfunções ejaculatórias e que estas, não são um empecilho intransponível, para aqueles que pretendam ter filhos. Uma vivência sexual saudável de uma pessoa deficiente física depende também do grau de equilíbrio psicológico, que pode ser avaliado pelo auto-conhecimento e aceitação corporal, pela capacidade de amar e ser amado, pela flexibilidade interna para assimilar frustrações e a condição de buscar alternativas na obtenção de prazer, pelo grau de motivação e desejo e principalmente pela baixa ansiedade em relação ao sexo. Todos estes fatores devem ser mobilizados em uma terapia sexual. O que a pessoa com deficiência física mais necessita é clareza de ideias para que possa tomar ele mesmo as decisões sobre o procedimento que mais lhe convém. Hoje, problemas de disfunção eretiva de lesados medulares são facilmente sanados, porém o sentimento psíquico de impotência e inadequação demanda questões mais amplas, ligadas ao resgate da identidade pessoal, muitas vezes necessitando de psicoterapia reconstrutiva. O terapeuta sexual que trabalha com pessoas com deficiências é, em essência, um alquimista, está sempre em busca da transformação, da evolução interna de seus clientes. A integração sexual em um processo crescente irá influenciar a família, os conhecidos e enfim toda a sociedade. Fabiano Puhlmann Di Girolamo

é Psicólogo Formado Pela Universidade São Marcos; Psicoterapeuta Especialista Em Psicologia Hospitalar Da Reabilitação Pela Faculdade De Medicina Da USP; Especialista Em Sexualidade Humana Pelo Instituto H. Ellis; Especialista Em Integração De Pessoas Com Deficiências, Pela Universidade Salamanca, Espanha; Especialista Em Reabilitação Pela Secretaria De Saúde Do Estado De São Paulo; Educador Sexual Pela Sociedade Brasileira De Sexualidade Humana E Faculdade De Medicina Do Abc; Membro Do Corpo Docente Do Curso De Pós-Graduação da SBRASH; Membro Do Conselho Científico Das Casas André Luis Da Cidade De Guarulhos; Fundador Do Cepcos (Centro De Estudos E Pesquisa De Comportamento E Sexualidade); Coordenador Do Serviço De Psicologia Da IBNL (Instituição Beneficiente Nosso Lar) Atuação Reconhecida Nas Áreas De Acessibilidade, Ajudas Técnicas e inclusão, Participando Da Formação E Gestão De Serviços Especializados No Setor Público E No Terceiro Setor; Atua Como Psicólogo Clínico Junguiano, Articulista E Palestrante De Assuntos Referentes A Inclusão De Pessoas Com Deficiência. Atualmente É Responsável Pela Área De Acessibilidade/Ajudas Técnicas E Os Programas De Sensibilização Do Instituto Paradigma.


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mulher

por Márcia Gori

O que realmente queremos para as nossas vidas ?

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ergunta intrigante que está me perseguindo há dias, desde as leituras que tenho feito de livros feministas e sobre violência doméstica... nossa que mexida !!! Temas pesados para ler e principalmente vivenciar. A violência é um tema que me intriga, me instiga a reflexões, às vezes até o limite da revolta com situações que não conseguimos mudar e nestas leituras que venho fazendo algumas coisas vem me incomodando muito, tenho tido consciência do quanto, nós mulheres sofremos violência e deixamos tudo passar como se fosse normal, parece que temos uma necessidade imensa de sermos castigadas, reprimidas. E quando tocamos no assunto violência nos reportamos na imagem da mulher com o olho roxo, toda marcada, toda humilhada pela condição de coisa sem valor que o agressor (lembrando que nem sempre o agressor pode ser homem, muitas situações são até nossas mães, chefia feminina, ou até a sociedade etc) transforma este ser humano, no entanto existem várias formas de agressões, violências, humilhações, só o fato de ser ludibriada em seus sentimentos, a mulher também está sendo violentada, quiçá da pior forma possível. Em longas conversas com assistentes sociais, defensores públicos, gestores de projetos sociais sobre a violência contra a mulher, todos são incisivos em dizer que a visão coletiva sobre a função social desta fêmea humana é de nascer para ser protegida como a filhinha do papai, educada em seus brinquedos (joguinhos de panelinhas, bonecas com fraldas etc), estudar, embora não seja muito motivada a ganhar seu sustento, treinada para ser uma boa esposa, mãe, prestativa para atender as necessidades do seu marido e da família. Não adianta dizerem que este protótipo de mulher não existe mais, porque há e muitas por aí, esparramadas pelo mundo, pelas ruas, dentro de nossos lares, e ao nosso lado, pois é tão inconsciente essa postura que não as detectamos, tudo é tão interiorazado, arraigado em nosso DNA que nos pegamos em diversas vezes criticando publicamente mulheres arrojadas que rompem com esses grilhões e lá no fundinho ficamos com uma baita inveja da coragem dela e com raiva de nossa covardia. Fomos criadas para depender de um homem e sentirmo-nos nuas e apavoradas sem ele. Fomos ensinadas a crer que, por sermos mulheres, não somos capazes de viver por nossa conta, que somos frágeis e delicadas demais, com absoluta necessidade de proteção. De forma que agora, na era da conscientização, quando nossos intelectos nos ditam a autonomia, o emocional não resolvido nos derruba. A um só tempo almejamos libertar-nos dos grilhões e ter quem (cuidando de nós) os recoloque. Nossas propensões à dependência encontram-se em geral profundamente enraizadas. A dependência é ameaçadora. Ela nos enche de ansiedade, pois, remete-nos à infância, quando realmente éramos indefesas. Fazemos o possível para esconder essas necessidades de nós mesmas. (Trecho do livro “Complexo de Cinderela” de Colette Dowling, pg. 29). E aí ??? E agora ??? O que fazer com todo esse emocional não resolvido ??? Vamos crescer ou vamos continuar em nossa confortável infância, com um protetor que nos agride de várias formas ??? Quem é mais perigoso, o agressor em nos agredir ou nós mesmas em permitir, nem que seja inconsciente ??? Dificil decisão !?! Embora ainda persista a pergunta: Estamos preparadas para crescermos e ganhar a maturidade ??? Estamos preparadas em aceitar que somos ludibriadas para aceitar este papel imposto pela sociedade desde o útero ???

E para complicar outro dia estava eu em um dos CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) de minha cidade conversando com a coordenadora e veio uma mulher e perguntou assim de pronto: “onde está escrito que sou obrigada a casar, ter filhos ? Caso engravide e tenha este filho, porque sou obrigada a ser uma boa mãe ? Senão querê-lo em meu convívio, porque sou execrada pela sociedade se mesmo ela não vai me socorrer quando estou sem condições de aturar nem a mim mesma ?” Para mim foi um soco no estomago, sem condições de responder, nocauteada... reportei-me à minha adolescência, quando todos me inquiriam se eu tinha vontade de casar, depois enquanto estava namorando meu marido ficavam de marcação cerrada questionando quando sairia o casório... casamos... aí vieram as perguntas de quando teríamos os bêbes... Nossa gente... dá um tempo, por favor !!! Deixem-nos viver o que bem queremos e entendemos como o melhor para nossas vidas, caso quisermos ser apenas uma mulher sem filhos, porque seremos condenadas ??? Qual a descrição do crime que cometemos ??? Da não multiplicação da raça humana imposta pelas religiões ??? Verdade, caso essa mulherada se rebele e não queira parir por decisão própria e com úteros sadios, teremos a peste do milênio, o Armagedon, o Apocalipse, pois será a extinção da raça humana !!! Também ouvi uma certa vez em uma viagem com o Movimento de Mulheres uma conversa paralela que achei engraçada e dolorosa, foi assim: “nós mulheres, nascemos com um útero, com a imposição da maternidade e nem fomos consultadas se queríamos ou não e caso recusemos esse papel sofremos todo tipo de violência... somos marcadas para garantir a continuidade de uma raça e nem somos tratadas com o devido respeito”. Quem disse que a consciência de si mesma seria fácil e não dolorosa ? Quem disse que no fundo sonhamos em ser protegidas do mundo lá fora, negando o tempo todo o desejo de nossa independência, arrumando pretextos para não termos que enfrentar nossos medos, anseios, nos escondendo por detrás de nossas gestações ??? Vamos lá, falemos sério, porque todo esse mal estar em simplesmente retirar das mãos dos outros as nossas decisões e traçarmos metas reais e verdadeiras para nós, sem medo de sermos castigadas ou reprimidas pelos nossos algozes... ainda falta muito para a mulher saber, reconhecer, enfiar o pé no pau da barraca e dizer: desculpa aí, mas a casa caiu, maluco... O que realmente queremos para as nossas vidas ??? Até o nosso próximo encontro !!! Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/ SP 2007/2009, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/ SP 2009/2011, Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na 2010/2011, palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de CastroFotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br Blog: http://mrciagori.blogspot.com/


comemoração

Dia Internacional da Síndrome de Down

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ela primeira vez, o dia 21 de março foi comemorado na sede das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (EUA), por uma proposta encabeçada pelo Brasil. A data é simbólica porque se refere aos 3 cromossomos 21 que caracterizam quem tem a Síndrome. O objetivo é valorizar as pessoas com a Síndrome de Down e conscientizar a população sobre a importância da promoção de seus dos direitos em desfrutar uma vida plena e digna, como membros participativos na sociedade. A brasileira Tathiana Heiderich discursou. Ela inspirou o cartunista Maurício de Souza, também presente à cerimônia, a criar a personagem Tati que, na cartilha “Viva as Diferenças”, explica para a Turma da Mõnica o que é Síndrome de Down. “Debilidades intelectuais também têm sido vistas como motivos legítimos para negar às pessoas com Síndrome de Down sua liberdade, e para mantê-las em instituições especializadas, às vezes por toda sua vida”, alertou o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, por meio de uma mensagem para a comemoração. “Por muito tempo, eles foram deixados à margem da sociedade”, afirmou Ban, para quem a discriminação pode ser tão injusta quanto uma esterilização forçada ou tão sutil quanto a segregação através de barreiras sociais ou físicas. Foto: Jane de Araujo Agência Senado

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Congresso Nacional O Brasil possui 300 mil pessoas com Síndrome de Dow, segundo dados do IBGE/2000, números semelhantes às estatísticas mundiais. Entre os vários eventos realizados no país, houve uma cerimônia no Congresso Nacional. No Salão Negro, que interliga a Câmara e o Senado, foram homenageadas pessoas, organismos e instituições que promovem e realizam ações concretas e projetos bem sucedidos de inclusão social. A cerimônia foi iniciativa do deputado federal Romário (PSB-RJ) e do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), ambos pais de crianças com Síndrome de Down. Os parlamentares foram unânimes ao apontar avanços na sociedade brasileira no que se refere ao tema, mas salientaram a necessidade de garantir políticas públicas que coloquem as pessoas com deficiência em condições de igualdade. Ao discursar, o presidente do Senado, José Sarney, afirmou que “o apoio médico e pedagógico, desde o nascimento, não é um favor. É um dever de cada um de nós e um direito que eles têm”. O ministro da Educação, Aloízio Mercadante, disse que até 2014 sua pasta deve completar a instalação em todos os municípios brasileiros de salas com recursos multifuncionais, espaços com material pedagógico e de acessibilidade para atendimento a estudantes com diversos tipos de deficiência. O evento também marcou o lançamento do portal Movimento Down (www.movimentodown.org.br/) que, conforme explicou Lindbergh, pretende ser uma referência para todos os que buscam informação sobre o assunto. Um dos principais diferenciais da plataforma é permitir o acesso aos porta-


Foto: Jane de Araujo Agência Senado

errata

Dia Internacional da Síndrome de Down

dores da Síndrome, estimulando-os a desenvolver todas as suas potencialidades.

Protocolo de Saúde O Ministério da Saúde aproveitou a data e abriu uma consulta pública do Protocolo de Saúde para a Síndrome de Down, cuja finalidade é estabelecer procedimentos padronizados para o atendimento na rede de saúde. A ideia é orientar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) e prestar esclarecimentos sobre como proceder quanto ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento das pessoas com a deficiência. O texto, assinado pelo ministro Alexandre Padilha, foi publicado no Diário Oficial da União.

Simpósio do Dia Internacional da Síndrome de Down

Matéria Especial “Carro do Ano” Ed.Nº 84 – Janeiro/Fevereiro 2012 Em nossa edição anterior cometemos alguns equívocos na matéria acima citada, na exposição das fotos de alguns modelos de automóveis mencionados no texto. Na página nº 46, no tópico onde falamos das primeiras colocações da “Pesquisa do Carro do Ano 2011”, a foto que aparece do modelo Corolla (Toyota) é um modelo antigo, o correto seria aparecer esta foto, do modelo 2011. Na página nº 48, no tópico que fala do 6º ao 10º lugar na pesquisa, o modelo Sandero (Renault) que aparece na foto, também é antigo. O correto é o modelo que apresentamos nesta foto. Gostaríamos de pedir desculpas aos leitores pelo equívoco, e para as montadoras (Toyota e Renault) pela apresentação das imagens incorretas em nossa edição.

Sob a coordenação do Dr. Zan Mustacchi - Presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade de Pediatria de São Paulo, o evento aconteceu em São Paulo/ SP, no dia 24 de março de último, no Memorial da América Latina, na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Com a casa cheia, e cerca de 800 inscritos, o simpósio teve atividades durante toda a manhã e tarde, desenvolvendo temas como “Embriologia na Síndrome de Down e Imunodeficiência Seletiva”.

nota

Mãe protege os filhos e perde as pernas

Uma pessoa pode adquirir uma deficiência em poucos minutos, de uma forma inesperada. Foi o caso que saiu com destaque na imprensa internacional: Stephanie Decker, uma amerciana de 37 anos, perdeu as pernas ao usar o próprio corpo como escudo para proteger os filhos durante a passagem de um tornado pela cidade de Louisville, no estado de Kentucky, em março último. Ela pegou as crianças, Dominic, de 8 anos, e Reese, de 5, e as levou para o porão da casa

quando ouviu o rugido do vento, como o barulho de um trem. A construção foi sugada pelo vórtice do tornado. Enquanto a construção se desintegrava, ela protegeu as crianças que escaparam ilesas. As pernas dela foram esmagadas pelos destroços. As duas pernas de Decker tiveram que ser amputadas, uma delas logo abaixo do joelho e, a outra, um pouco acima. Ela também sofreu uma perfuração em um dos pulmões.

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esportes

Brasil vai com força total para Jogos Paralímpicos !!!

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gora é oficial: o Comitê Paralímpico Internacional (IPC) divulgou em seu site que a Delegação Brasileira contará com sete times na busca pelo pódio das Paralimpíadas de Londres, que serão realizadas entre 29 de agosto e 09 de setembro próximos. O Brasil só não terá participação maior nas modalidades coletivas que a Grã-Bretanha, país anfitrião dos Jogos de 2012, que tem direito a representantes competindo em todas as modalidades. De 9 disputas coletivas, o Brasil estará presente em: Futebol de 5 (deficiência visual), Futubol de 7 (paralisia cerebral), Goalball Masculino e Feminino, Basquete em Cadeira de Rodas Feminino e Vôlei Sentado Masculino e Feminino. Apenas o Rugby e o Basquete em Cadeira de Rodas Masculino não serão representados. “Não buscamos apenas o ganho de medalhas, mas também o crescimento e consolidação do esporte adaptado no País. Estamos no caminho certo. O Brasil é forte candidato à vitória em quase todos os esportes coletivos”, considera Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). “Bicampeão mundial e paralímpico no Futebol de 5, a Seleção é uma das potências da modalidade, além de favorita ao ouro. No Vôlei, a equipe masculina tem reais chances de medalha e as meninas conquistaram pela primeira vez o direito de participar de uma Paralimpíada. O Goalball fez bonito no Parapan de Guadalajara. No masculino conquistamos o ouro e no feminino a prata, perdendo para os Estados Unidos, atual campeão paralímpico. Nosso Futebol de7 sempre briga por pódio e tem boas chances”, analisa Parsons. Dos jogos de Barcelona, em 1992, até hoje o Brasil teve um crescimento de 433% no número de medalhas de ouro conquistadas. “Ao nos classificarmos em sete das nove vagas, percebemos que o planejamento vem sendo bem executado. Isso prova que caminhamos em direção a nossa meta: ficar entre as 10 maiores potências paradesportivas do planeta”, afirma o diretor do Departamento Técnico, Edilson Alves da Rocha Tubiba.

notas Roda Viva: empresa chega aos 10 anos de atividades !

No próximo mês de julho, a Roda Viva completa uma década no município de Taboão da Serra/SP. Especializada em cadeiras de rodas manuais e motorizadas, triciclos e guinchos elétricos, peças e acessórios, a empresa vem se expandindo e conquistando clientes. “É muito gratificante ver o crescimento da empresa. Começamos com assistência técnica e, atendendo pedidos dos próprios clientes, partimos para vendas. Assim também foi com a locação dos produtos Freedom, nosso maior fornecedor”, conta Sileine de Paiva Zalamena, gerente de vendas e esposa do fundador Marco Zalamena. Ela lembra que o marido, desde o início, estava determinado a vencer barreiras. Usuário de cadeira de rodas devido a uma distrofia muscular progressiva, doença degenerativa da musculatura, Marco tinha como objetivo ao começar o negócio compreender e suprir as necessidades de pessoas que, como ele, precisavam de equipamentos que ajudassem na vida diária. “O sucesso é fruto de muito trabalho e dedicação, nossa missão é atender e superar as expectativas dos clientes que são os responsáveis por nosso crescimento”, afirma Sileine, que dá uma grande importância à equipe que trabalha na empresa. Para comemorar o aniversário, a partir de julho serão distribuídos vários brindes e realizadas promoções aos clientes. “Continuaremos nossa trajetória oferecendo produtos e serviços de qualidade com preços acessíveis e atendimento personalizado”, garante a gerente.

“Meu filho ERA autista”

Autismo é tema de livro lançado em fevereiro, e que traz a história narrada por uma mãe com sua experiência a partir da vivência com seu próprio filho... Uma narrativa verdadeira, emocionante e ao mesmo tempo instrutiva sobre como superar as dificuldades do autismo. Esse é o cenário que o leitor irá encontrar nas páginas do livro “Meu filho ERA autista”, da professora e consultora Anita Brito, que conta a experiência de tratar o filho Nicolas da doença que altera a capacidade de comunicação dos indivíduos, conhecida como autismo. O livro, que é de edição própria, e foi possível por meio de quatro patrocínios; a transportadora Rodofênix, a rede de escritórios Your Office, o Clégio Elyte e o Professor Manoel. A obra chega um ano depois que autora resolveu escrever um blog (www.meufilhoeraautista.blogspot.com) para contar as histórias vividas na própria família, a partir da descoberta de que o filho, Nicolas, foi diagnosticado com autismo aos 4 anos de idade. A linguagem direta continuou presente quando a ideia do livro surgiu. O livro é dirigido a professores, terapeutas e psicólogos, além de pais e familiares de autistas.


Fotos: Divulgação - Kica de Castro

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moda e estilo

por Silvia de Castro

Estética e Ética

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uando falamos em Moda Inclusiva, falamos de variedades de produtos e serviços que supram as diferentes necessidades das pessoas, desde roupas, sapatos, acessórios, locais de vendas, atendimento às pessoas, propagandas, portanto, pode-se relacionar inclusão na moda com estética e ética. Vejamos de que forma: ESTÉTICA: 1.estudo das condições e dos efeitos da criação artística; 2.caráter estético, relativo ao sentimento do belo/ que tem características harmoniosas; 3.tradicionalmente, estudo racional do belo, quer quanto à possibilidade da sua conceituação, quer quanto à diversidade de emoções e sentimentos que ele suscita no ser humano. Nas fotos, feitas pela Agência de Modelos Kica de Castro, podemos ver variados aviamentos colocados sobre os manequins, de forma a incentivar a imaginação e criar diferentes modelos de roupas a partir da conscientização do uso estratégico de aviamentos, que além de proporcionar praticidade no vestir, pode ser funcional, por exemplo, colocação de zíper ou velcro na roupa, de forma a facilitar a vida de pessoas ostomizadas (são aquelas que precisaram passar por uma intervenção cirúrgica para fazer no corpo uma abertura ou caminho alternativo de comunicação com o meio exterior, para a saída de fezes ou urina, assim como auxiliar na respiração ou na alimentação). Vejamos também o exemplo de uma pessoa com escoliose (desvio da coluna vertebral para um lado), onde na criação de uma peça de roupa, é possível costurar velcros na parte interna dos ombros da peça, depois utilizar uma ombreira, na qual também se costura velcro em um dos lados, com a finalidade de unir os velcros no lado do ombro mais

baixo, proporcionando uma simetria no visual. Em outros casos, os bojos que ora podem ser aplicados na região do busto, ora na região do contorno do “bumbum”, ou onde for desejado com a finalidade estética. Portanto, este artigo também ratifica que pequenos detalhes podem fazer toda a diferença na inclusão. A estética trabalhada na moda inclusiva age positivamente na autoestima das pessoas. Agora, vamos falar de algo mais complexo: ÉTICA: Estudo dos juízes de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. E neste tema, vamos ressaltar a Responsabilidade Ambiental e a Responsabilidade Social: R E S P O N S A B I L I DA D E AMBIENTAL: sabemos que existem empresas que fabricam tecidos, aviamentos e roupas, a partir do conceito da preservação do meio ambiente, porém infelizmente ainda são poucas, seja devido à necessidade de maiores cuidados durante a fabricação, seja pela necessidade de investimentos em tecnologia, seja ainda por não serem fabricados em grande escala, mas o resultado são preços mais elevados, o que dificulta sua comercialização. Desenvolver produtos ecologicamente corretos necessita de incentivos a partir do governo para motivar empreendedores no mesmo ideal. RESPONSABILIDADE SOCIAL: Como os produtos importados, em especial os que vêm da China, têm preços muito inferiores aos confeccionados no Brasil, o mercado de moda tornou-se extremamente acessível à maior parte da população, porém apesar do resultado parecer positivo, as indústrias nacionais de moda, em especial as confecções e as tecelagens, concorrem desigualmente visto as cargas


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moda e estilo das Pessoas com Deficiência. Mas, se a indústria da moda está enfrentando estas “lutas” concorrenciais, será que é possível algum investimento no momento ? Quanto mais teremos que esperar ?

Sugestões de uso de ombreiras, bojos, elásticos, Ilhoses, zíperes e velcros.

Silvia de Castro é consultora e estilista de moda, especializada em moda e estilo para pessoas com deficiência.

tributárias, as leis trabalhistas e ainda a burocracia para manter uma empresa no país, mesmo para as que se encontram no Sistema Simples Nacional. Com certeza a indústria da moda precisa do olhar e da ação do governo para que possa concorrer de igual para igual, pois o Brasil precisa rever as leis e tributações e adequá-las, inclusive para poder concorrer com o mercado externo e enfim exportar em volume maior a moda brasileira. No atual cenário, as indústrias de moda nacionais e consequentemente seus funcionários, estão passando por uma fase muito complicada. Portanto para que a moda inclusiva, que também é uma questão de Responsabilidade Social, seja encontrada no mercado, é preciso que os empreendedores vejam este seguimento como algo lucrativo, pois inicialmente é preciso uma pesquisa de mercado para identificar e segmentar as classes sociais

Email: scestiloterapia@gmail.com Blog: www.estiloterapia.com.br


associações e entidades

Casa de David

Meio século de dedicação à deficiência intelectual e autismo

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Casa de David completa 50 anos em 25 de maio de 2012, prestando assistência especializada e abrigo a pessoas com paralisia cerebral, deficiência intelectual/física e autismo. Com 312 internos em caráter vitalício, está instalada no Km 82 da rodovia Fernão Dias, em São Paulo, e vai inaugurar, no próximo mês de julho, uma nova unidade: o Centro Nacional de Pesquisa e Atendimento ao Portador de Autismo, na cidade de Atibaia/SP, que será referência em atendimento de excelência. Concretização do projeto de Marlene Simone Soares, a Casa tem esse nome em homenagem ao filho dela, morto aos 6 meses de idade, devido a uma meningite. Em sonho, Marlene viu a placa com os dizeres “Casa de David”, e tomou a tarefa como a grande missão de sua vida. Começou em uma casa alugada no bairro do Tucuruvi, depois foi para o Tremembé (ambos na zona norte da capital paulista) e, com a doação recebida de um sítio, foi para a rodovia Fernão Dias, onde mantém várias edificações com diferentes serviços. A maioria dos internos é do sexo masculino (197) e o mais jovem morador tem 11 anos. A mais velha está com 56 anos, e as famílias, em sua grande maioria, possuem condições sócio-econômicas precárias, sendo que 96 deles foram abandonados. “Ao longo desse período, a Casa melhorou sua estrutura física e aprimorou seu atendimento através de equipe multidisciplinar especializada. Os assistidos conquistaram uma sobrevida”, avalia o presidente Labibi João Atihé. Atualmente a capacidade da unidade na Fernão Dias está esgotada, tanto para novas construções como para receber outros internos. Com uma equipe de mais de 220 profissionais, entre: médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e auxiliares de enfermagem, entre outros, a Casa de David oferece internações totalmente gratuitas, sobrevivendo por meio de um convênio com o Ministério da Saúde, valor repassado pela Secretaria da Saúde do Estado (SUS). Como o valor é insuficiente para a subsistência, complementa a receita com doações, campanhas, parcerias com empresas e financiamentos de projetos. A entidade também desenvolve as “Casas Terapêuticas”, na busca do respeito às diferenças dos pacientes que viviam na instituição e que permitiam a convivência em sociedade. Foram desenvolvidos espaços diferenciados: atualmente são três residências (casas mobiliadas e equipadas fora das dependências da entidade) que acomodam 15 pacientes, 6 mulheres e 9 homens, respeitando as diferenças de sexo, grau de deficiência intelectual e comprometimento físico,

quando associado. “Contamos ainda com o acompanhamento das Atividades de Vida Diária e Prática (AVD e AVP) e visa desenvolver autonomia, dinamismo, responsabilidade e, consequentemente, maior interação com o


associações e entidades meio, sempre na busca de uma melhor qualidade de vida”, explica o presidente.

O futuro A Unidade de Atibaia funcionará 24 horas, com atendimento exclusivo para pessoas com diagnóstico de autismo. A Instituição terá caráter de abrigo de longa permanência, com capacidade operacional inicial de 60 assistidos e possibilidade de expansão para mais 30. O terreno é próprio, em uma área privilegiada da região, com muito verde e fácil acesso. Serão 19 casas com: dois quartos, sala, cozinha, banheiro e quintal, sendo que 15 delas serão adaptadas para compor as Residências Terapêuticas, que abrigarão apenas 4 pacientes por casa. O imóvel possui também, em anexo, uma área construída de 1.200 m², que será um Centro de

Convivência, onde os autistas permanecerão durante o dia em atividades estruturadas e programadas. O complexo prestará serviços nas áreas de Saúde (Psiquiatria, Neurologia, Clínica Médica, Odontologia Enfermagem, Nutrição e Serviço Social); Reabilitação (Terapia Ocupacional e Psicologia) e Educação (Professores de Educação Física, Orientadores e Pedagogo). A meta é formar um Centro de Estudos e pesquisas relacionado ao autismo e, para sua concretização, será formado um Conselho Científico. “Futuramente, pretendemos desenvolver o atendimento em nível ambulatorial, no entanto é necessário concluir essa primeira etapa”, informa Atihé. O presidente tem vários planos: “desenvolver ações e projetos que possam melhorar a estrutura do terceiro setor, fortalecendo-o. Buscar na sociedade um olhar mais atencioso à pessoa com deficiência intelectual, mostrando inclusive, suas potencialidades. Tornar Atibaia um centro Nacional de referência no atendimento e estudo é nosso desafio”, conclui. Existem diversas formas de ajudar a Casa de David: tornando-se sócio contribuinte mensal ou voluntário, e aderindo às campanhas. Mais informações pelo site: www.casadedavid.org.br


acessibilidade

por Deborah Prates

Boicotagem Resolve ! Simples...

E

stávamos no final de um encontro para treinamento da 2ª turma do “pessoal” da OAB/RJ, sendo o propósito informar aqueles amigos o básico sobre o segmento das deficiências, de maneira que o atendimento desse público fosse humanizado. Veio uma observação em voz feminina: - Fui ver alguns apartamentos para alugar e, nesse bate-papo, amadureci sobre o que encontrei. Estou me lembrando que, dentre todos na região, apenas um estava com rampas e elevadores para cadeirantes ! Tem que ter uma lei para isso ! Falei aos demais palestrantes: - Lei existe! Aliás, não só uma, mas algumas. A questão a ser enfrentada é o CUMPRIMENTO da legislação que, por sinal, é bem boa ! - E porque não é cumprida a lei ? - Pois é ! Eis a questão. Penso que as leis no Brasil não sejam cumpridas em virtude da sanção/punição nelas contidas serem tão ínfimas, mas tão insignificantes, que vale a pena arriscar as suas desobediências. Lamentavelmente, a nossa cultura é a da superficialidade ! Também há que ser considerada a falta da fiscalização das diversas autoridades encarregadas ! Cada qual dá a sua razão. Porém, fato é que muito pouco é cumprido. E foi uma calorosa discussão benéfica e conscientizadora. Fomos crescendo com a inteiração. Expus minha proposta que surgiu de imediato e sem tantas reflexões: - Essa sua observação me trouxe uma sugestão. Está nascendo um projeto ! Acompanhem comigo. O próprio Governo, através da mídia, em épocas de escassez de determinados alimentos incentiva a população que NÃO os compre. Que sejam substituídos por seus similares. Se o feijão está “caro”, sugere que compremos lentilha e assim por diante. Nesse caminho podemos pressionar os empresários a cumprirem a legislação sobre ACESSIBILIDADE ! Ah ! E também os síndicos e administradores do patrimônio comum ! Penso que, na verdade, somos os principais culpados por todo esse caos que vivemos. Sim ! Todos os que “mandam por aí” não estão em seus cargos/postos por acaso ! Não. Nós

os colocamos através das urnas ! Precisamos prestar mais atenção no nosso voto. Com essa responsabilidade, certamente, reclamaremos bem menos. Se os mandatários agirem contrário aos nossos interesses, basta que não os reelejamos ! Um pequeno silêncio seguido de global concordância. Esses encontros são fantásticos ! Sem dúvida é o diálogo o melhor caminho para a solução dos conflitos. As pessoas com deficiência, em tese, não chegam até a sociedade por “n” razões. Como significamos a voz da “minoria” é que a da “maioria” nos abafa. Nessa nova estrada tenho notado que essas pessoas, em boa parte, preferem não falar em suas deficiências, o que nos faz PERDER demasiadamente com isso ! Necessitamos ter forças para semear a CULTURA DA COOPERAÇÃO. Para o sucesso de todos temos que agigantar a REDE DA SOLIDARIEDADE. A mídia, em geral, tem nos ajudado bastante. Contudo, percebo que não querem fazer mais por entenderem que existem assuntos mais interessantes que trarão mais audiência ! Aprimorando as ideias é que estou - agora - convidando a sociedade a abraçar esse novo PROJETO de nome: “ACESSIBILIDADE JÁ” ! Seu objeto ? Simples ! Tudo quanto nos for apresentado SEM os legais parâmetros de ACESSIBILIDADE não será aceito. Como ? Usando o método da BOICOTAGEM. Que tal o homem deixar de usar o “modelito” egoísta ? E para os humanos


acessibilidade que não conseguirem, que pensem em seu futuro ! Sim. Basta consultarmos as últimas pesquisas para constatarmos que a população idosa está aumentando. Logo, os mais jovens de hoje serão os idosos do futuro próximo, pelo que precisarão da cidade ACESSÍVEL. Além do mais, há que se ressaltar que a violência urbana também leva à deficiência. Não faz muito que um garçom, num bar perto de minha casa, foi vítima de bala perdida e, ao cair com sua bandeja coberta de copos de chope, estava tetraplégico. O futuro é uma caixinha de surpresas ! Equivoca-se quem imagina que a tão sonhada acessibilidade somente beneficia as pessoas com deficiência. Absolutamente ! É preciso desfazer esse errado pensamento. Uma cidade acessível beneficia a TODOS. Mas, voltando aos apartamentos. Sugiro que não aluguemos, nem compremos quaisquer unidades (residenciais e/ ou comerciais) desprovidas de recursos de ACESSIBILIDADE. Ora, se os “senhores” empresários (engenheiros, arquitetos, administradores e outros) permanecerem com suas unidades fechadas/vazias por conta do descumprimento da legislação que ampara a ACESSIBILIDADE, sem sombra de dúvidas, tratarão de fazer construções novas, bem como adaptar as já existentes, cercando-as de meios específicos para que TODOS (mas todos mesmo) possam entrar, transitar e sair

com IGUALDADE DE OPORTUNIDADES. Fácil, né ? Vejam que não falamos em campanhas que exijam disponibilidade de recursos financeiros! Digo, apenas, de boa vontade, solidariedade, e de ter um pé no presente e outro no futuro perto ! Refiro-me a pequenas atitudes que, se abraçadas por todos (sociedade) farão a grande diferença para um Planeta com maior bem-estar para todos. Ah! Você reside ou trabalha num condomínio ? Então, na primeira oportunidade sugira em aplicar recursos em ACESSIBILIDADE. Não quer pagar cotas extras ? Não tem nada com isso ? Sei. Mas, essa obra servirá para seu benefício ! Já se imaginou idoso precisando transitar em seu prédio e não podendo por não ter rampa, elevador ?

“ACESSIBILIDADE JÁ”!

Deborah Prates é advogada e delegada da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ). Mantém um blog em que trata de questões sobre os direitos dessas pessoas (http://deborahpratesinclui.blogspot.com/)


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especial

É hora da Reatech, a maior feira do gênero na América Latina !!! Ponto de encontro de amigos, local para aprendizado e oportunidades de negócios, feira chega aos 11 anos com promessa de crescimento...

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s visitantes da abertura do evento, às 13h do dia 12 de abril, serão recebidos com o Hino Nacional cantado e traduzido em Libras por 30 crianças do Coral Nova Visão, do Instituto Benemérito Angelina Salvatore (IBASA). A XI Feira Internacional de Tecnologias em Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade (Reatech) promete muitas novidades e um aumento no número de visitantes, expositores e área ocupada do Centro de Exposições Imigrantes, localizado na capital paulista. Na edição de 2011, as visitas somaram 45 mil pessoas, mas este ano, já em março, a procura antecipada pelos crachás cresceu 30% na contabilidade da diretora do evento, Malu Sevieri. “É a primeira vez que estamos fazendo a Reatech com 10 auditórios simultâneos. Eu tinha cinco auditórios fixos e eram construídos mais dois. Este ano estou construindo mais cinco”, conta a diretora. Malu acredita que o número de expositores, que foi de 250 na edição anterior,

passe dos 350 neste ano. Ela cita como exemplo o setor de captação de currículos de pessoas com deficiência procurando emprego: em 2011 foram oferecidas 7 mil vagas. Esse número, com as novas entidades presentes, deverá chegar a 10 mil. Muitas delas, inclusive, estão se associando para ocupar um estande único, como forma de facilitar a participação. A área de acesso à feira cresceu em quase 200 m para desafogar o credenciamento e, pela primeira vez, haverá uma entrada separada para os expositores, o que facilitará a circulação. “A Praça de Alimentação quase dobrou o tamanho. Aumentamos a quantidade de banheiros químicos adaptados, de 14 para 26 este ano, fora os que já são da estrutura do pavilhão”, anuncia Malu. “Deveremos ocupar até 30 mil m² de área, ao todo. O ano passado ocupamos cerca de 25 mil m²”.

Eventos programados Seminários, cursos, palestras e fóruns sempre foram destaque na Reatech. Gratuitos ou pagos, dependendo do caso, costumam lotar os locais disponíveis, reunindo importantes especialistas em cada área. Uma novidade na programação aberta ao público neste ano será a série de palestras do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Durante os quatro dias de feira serão tratados temas relativos aos esportes adaptados e à participação do Brasil nas próximas Paralimpíadas de Londres, onde espera-se que


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especial

tenha uma posição de destaque, além das Paralimpídas do Rio, em 2016. “Acho que isso é um balanço positivo de 2011 porque, em 10 anos de Reatech, o Comitê esteve uma vez. Foi tão boa a participação no ano passado que agora eles estão fazendo coisas que nunca fizeram”, explica Malu, referindo-se a um campeonato nacional de esgrima, organizado pelo CPB, que reunirá esportistas de várias partes do país. Como é muita gente, as eliminatórias serão disputadas também pela manhã, enquanto a feira estiver fechada ao público. Ainda na parte dos eventos gratuitos, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida de São Paulo fará, no dia 14, um workshop e um painel de debates sobre autismo, além da plenária mensal do Conselho Mu-

Lançamento de livro O livro “Os Peralta” será lançado na Reatech, no estande do Amputados Vencedores, Rua 200 - E61. As primeiras 100 pessoas que visitarem o local receberão um exemplar como cortesia. A autora, Jane Peralta, é assistente social, mestre em educação, cofundadora do Amputados Vencedores (www.amputadosvencedores.com.br) e esposa do palestrante Flávio Peralta, que já completou 490 palestras pelo Brasil. Ela conta como os dois encontraram novos caminhos depois de se tornarem pessoas com deficiência: ela em um acidente de moto, aos 13 anos de idade, em 1981, e ele em um acidente do trabalho, quando recebeu um choque elétrico de 13.800 volts, em 1997, e perdeu os dois braços. O encontro do casal foi em 1999, casaram e tiveram um filho, Vinícius. O livro traz uma mensagem de luta e esperança e uma reflexão sobre a deficiência. Com o trabalho no site, o lançamento de livros (“Amputados Vencedores e a cartilha “Vamos praticar segurança do trabalho”) e a criação de uma empresa (Amputados Vencedores Palestras e Treinamentos), o casal compartilha sua experiência na nova obra.

nicipal da Pessoa com Deficiência. Nos quatro dias de feira, o órgão promoverá uma série de cursos sobre educação continuada, inclusão profissional, educação inclusiva e uma palestra sobre o I Seminário Municipal de Surdocegueira de Múltipla Deficiência. Durante os quatro dias será realizado ainda o XI Seminário de Tecnologias de Reabilitação e Inclusão (Reasem) e o Reashsow (seminário dos expositores). Nos dias 12 e 13 a atração é o III Seminário “A sexualidade na vida da Pessoa com Deficiência”, sempre um dos mais concorridos do evento. Uma novidade nessa área será o I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiências Narrativas (quase) esquecidas: A Luta das Mulheres com Deficiência no Brasil, marcado para os dias 14 e 15, com organização de Márcia Gori. Já a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência promoverá o I Fórum Nacional sobre Tecnologia Assistiva também nos dias 14 e 15, em que apresentará, entre outros assuntos, o Plano Viver Sem Limites do governo federal. O Espaço da Cidadania realiza o Fórum Lei de Cotas e Trabalho Decente para a Pessoa com Deficiência, no dia 13. Ainda entre as atividade gratuitas, pela primeira vez ocorrerá uma oficina fotográfica acessível, sob responsabilidade do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), que apresentará uma técnica de fotografia em baixa velocidade, feita em ambiente escuro, denominada “Light Painting”. No setor de eventos pagos, haverá o II Seminário Internacional de Equoterpia nos dias 12 e 13; o III Seminário de Tecnologias Avançadas em Fisioterapia (Tecfisio) nos dias 14 e 15; o ADD Training – Cursos de Aprimoramento Técnico Paradesportivo – de 12 a 15, e o Reabilitar – Encontro Científico Ottobock, nos dias 13 e 14. Estão marcadas, ainda, as feiras simultâneas: V Feira Internacional de Tecnologia em Fisioterapia (Fisiotech) e 4ª Feira Nacional da Pessoa Idosa.

Atrações para todos os gostos “Este ano mantemos as duas quadras do ano passado, a pista de atletismo e o palco. Teremos um ‘half’ de skate só que para cadeira de rodas”, anuncia Malu, que não nega estar um pouco preocupada com as manobras na pista própria para esporte radical, apesar de confiante na alegria e aproveitamento dos participantes. A procura por um espaço de apresentação no palco aumentou tanto que este ano cada


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especial participante só poderá mostrar seus dotes artísticos uma vez. Até o ano passado, os mesmos artistas podiam se apresentar mais vezes. Nesta edição serão de 20 a 25 atrações por dia, incluindo música, dança e teatro. Quem se apresenta no palco costuma voltar. A Casa de David, por exemplo, comparece há cinco anos. Um grupo de seis pessoas em cadeiras de rodas e seis acompanhantes da instituição se apresentará dançando o tema “O mundo melhor”, com músicas de Michael Jackson e Ivete Sangalo. A entidade também estará com estande para mostrar seu trabalho. Também há cinco anos participando, a cantora Sara Bentes volta em 2012 não só no palco como no estande da galeria de artes onde expõe seus trabalhos em artes visuais, literatura, teatro e música. “Procuro tornar minha música acessível a todos e costumo cantar em parceria com um intérprete de libras. O retorno do público, tanto surdo quanto ouvinte, é extremamente gratificante”, conta Sara que promete uma novidade surpresa neste ano. Os que pensam em comprar um carro ou um triciclo poderão experimentar na hora, no espaço criado especialmente para “test drive”, que este ano mudou de lugar, facilitando a vida dos interessados. Todas as montadoras de automóveis, inclusive, foram agrupadas num só setor.

Passear pela feira também não é problema: há quatro anos existe um serviço voluntário, em pareceria com algu-

mas universidades, em que os alunos recebem uma capacitação básica para atender quem for desacompanhado. A monitoria funciona na quinta e sexta de 16h às 20h e, no final de semana, de 11h às 17h30. No ano passado foram 120 estudantes, em geral de educação física e fisioterapia, mas neste ano o número deverá chegar a 200, de acordo com a diretora.

Encontro de amigos e de negócios Visitar a Reatech já é programa marcado para muita gente, um local de encontrar amigos e também conhecer pessoas. “Acho que namorar é o mais legal”, avalia Malu, que até promoveu dois casamentos em edições passadas: “Já estou virando quase padre!”, brinca a diretora sobre sua função casamenteira. Este ano foi dada ênfase na presença da Reatech nas mídias sociais, como “twitter” e “facebook”. “É uma bola de neve, um diz que vai, outro já responde combinando dia e horário, acho isso o máximo. Na minha página, por exemplo, já tem quase três mil pessoas que me adicionaram e que vão trocando experiências e conversando”. Apesar do social, Malu acredita que a parte de negócios, que é o que realmente sustenta o evento, também evoluiu. Ela lembra que, no começo, as montadoras compareciam mais para mostrar o produto e agora estão realmente vendendo, assinando contratos na feira. Para ela, muita gente espera a Reatech para se beneficiar de promoções das várias empresas, dos lançamentos e até da troca de experiências com outras pessoas que já experimentaram os produtos oferecidos. “Uma compra de carro ou de uma cadeira de rodas


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especial

você precisa se programar para fazer”, avalia. “O expositor sempre vai falar que o produto é bom, agora ouvir isso de alguém que tem as mesmas dificuldades que você no dia a dia é uma garantia que o produto é realmente bom, acho isso interessante”.

Espalhando conceitos O cartaz de 2012 da Reatech, com uma colmeia, abelhas voando e a frase “Espalhando Conceitos”, indica a proposta da feira de ocorrer em outros locais. A programação do Grupo Cipa Fiera Milano, que organiza o evento, já está definida: Reatech Milão – 24 a 27/05/2012; Reacess Rio – 29 e 30/06 e 01/07/2012; Reatech Singapura – 27 e 28/02 e 01/03/2013 e XII Reatech SP – 18 a 21/03/2013. “Estamos com esses projetos que queremos transformar em anuais, como a Reatech de São Paulo”, explica a diretora. Em outras oportunidades foram realizadas feiras em Florianópolis e Goiânia, mas não tiveram continuidade. “Os novos projetos estão mais estruturados para serem fixos, ficarem nas cidades”, conclui Malu, que aposta na participação do público e de expositores nas próximas empreitadas.

SERVIÇO XI REATECH Local: Centro de Exposições Imigrantes Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5 Data: 12 a 15/04/2012 Horário: quinta e sexta de 13h às 21h e sábado e domingo de 10h às 19h Transporte gratuito: Estação Metrô Jabaquara Vans saem da rua Nelson Fernandes, 400 Entrada gratuita Mais informações e crachás antecipados: http://www.reatech.tmp.br/


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ponto de vista

por Suely Carvalho de Sá Yanez

Mudanças/Transformações

Algumas considerações básicas nos atendimentos...

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m um processo de Reabilitação (e na vida em geral) muitas pessoas se encontram desgastadas, marcadas por algum sofrimento, experiências traumáticas, tanto nas áreas físicas (e sensoriais) como emocionais. Muitas delas, no entanto, estão conformadas, o que pode contribuir para uma resistência a mudanças, e outras já reagem querendo mudanças. Os programas tecnológicos têm se desenvolvido e também contribuído para mudanças no estilo de vida das pessoas, com ou sem deficiência, melhorando a acessibilidade em muitos aspectos na sociedade. No entanto, apesar dos avanços na perspectiva de vida, ainda assim têm pessoas que apresentam um estilo de vida autodestrutivo, com autopiedade, baixa autoestima, passivo ou rebelde, e outros. Em experiências vividas durante anos na direção de atendimentos individuais e em grupos de Terapia Ocupacional (na área da deficiência visual) e também com profissionais da área de psicologia e psicossomática (em grupos de Restauração de Relacionamentos), foi possível verificar alguns “pontos importantes” e posicionamentos fundamentais que surgem no nosso dia a dia. Para que aconteçam mudanças, atitudes precisam ser tomadas para converter o rumo de qualquer situação. Não basta apenas uma simples intenção. Conversão significa mudança (de até 180 graus) na direção anterior, de hábitos de vida, comportamentos, princípios e pensamentos... EQUILÍBRIO: o equilíbrio é fundamental quando desejamos, precisamos e queremos uma boa saúde em todas as áreas das nossas vidas. Sentimentos (e situações) que impedem uma vida plena podem ter suas origens identificadas e assim trabalhadas. Não se pode “enterrá-los” e dizer que não existem. Não se deve reprimi-los, mas também não exacerbá-los dando um valor além do que realmente possuem. ENFRENTAMENTO: o enfrentamento, com equilíbrio, das situações é uma palavra chave para crescimento e desenvolvimento em um processo de reabilitação. Não significa “aceitar” ou viver em “conformismo” que “paralisa” a vida, mas se adequar às novas perspectivas. Na Terapia Ocupacional, muitos sentimentos como alegria, tristeza, esperança, desânimo, desespero, muitas vezes são expressos de maneiras “não verbais”, por meio das atividades específicas de reabilitação e por meio de comportamentos (ações/reações). Palavras são importantes e poderosas, assim como as expressões não verbais. Elas não apenas refletem significado, como também criam realidade. Muitos perdem interesse em realizar, dizendo palavras inadequadas para si e para outros como “não vou conseguir”, “você não é capaz”, “tenho mais o que fazer”, “é dor de cabeça fazer isso”... E sabemos pela medicina psicossomática que, muitas vezes, o cérebro também pode “dizer” “essa pessoa está pedindo uma dor de cabeça... então tá bom...

vai lá, dor de cabeça!”. Expressar palavras verbais e não verbais são “sinais”... O perigo pode começar aí... Se algo não é dito explicitamente, a imaginação tende a preencher o que falta ser explícito. E quando a imaginação substitui a comunicação, o desentendimento é inevitável. Ambientes de murmuração e reclamação são destrutivos e podem contaminar todo o processo de relacionamento e reabilitação. “Quando reclamamos sobre uma situação, permanecemos nela e não avançamos”... É interessante prestar atenção no que se fala e como se fala, pois isso nos dá um sinal do que precisa ser trabalhado. Podemos detectar falta de ânimo, de vontade, de metas, de autoconfiança, o que dificultará o desenvolvimento de qualquer atividade, pois fazer por fazer não transforma coisa alguma. É importante incentivar pensamentos adequados antes e durante os atendimentos (se desejamos ser algum tipo de pessoa, devemos pensar, agir, falar, caminhar e proceder como se já fôssemos essa pessoa). Nesse entendimento, cada “tropeço” que aconteceu ou acontece pode ser um apoio para o próximo passo. É fundamental que o profissional/coordenador/líder reconheça os “sinais” que cada comportamento sinaliza. Compreender as dificuldades é um dos primeiros passos para superá-las. Perceber que cada diferença revela potenciais é uma descoberta constante. É preciso prestar atenção nos sinais para intervir e possibilitar mudanças e transformações. Reconhecer cada realização, cada atitude e posturas adequadas, comemorar cada detalhe, vibrar com cada conquista adquirida é uma preparação para novas conquistas e resultados positivos. Isso fortalece a autoestima e a autoconfiança. A “percepção” da situação (e do que se pode realizar) muda o agir e proporciona o estabelecimento de planos para a vida. Mudança no pensamento e na perspectiva de vida faz parte de um processo gradativo, pois toda mudança real e transformadora ocorre de dentro para fora. Ressaltando: É preciso prestar atenção nos sinais que nos apresentam para intervirmos e possibilitarmos mudanças e transformações. “Aquilo que o homem imagina na sua mente, assim ele é...” (Salomão)

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação.


novidade

CENSO-INCLUSÃO

Foto: Fábio Arantes Secom

Capital paulista quer conhecer as pessoas com deficiência...

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Programa Censo-Inclusão foi lançado em São Paulo/ SP em 19 de março último, com o objetivo de saber quantas são, como e onde vivem essas pessoas com deficiência na cidade. A iniciativa é da Prefeitura, por meio da Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida que, pela primeira vez, fará um levantamento do tipo em São Paulo, com 26 perguntas que tratam de temas como transporte, educação e trabalho. Serão enviados formulários, pelo correio, a 2,4 milhões de domicílios, utilizando a base de dados do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). As informações apuradas servirão de parâmetros para a criação e reformulação de políticas públicas na área. O formulário

também poderá ser retirado em qualquer das 31 Subprefeituras. Depois de preenchido deverá ser devolvido às agências e caixas de correio, com postagem gratuita, na forma de Carta Resposta Comercial. O preenchimento também poderá ser feito no site (www.censoinclusao.sp.gov.br), que disponibiliza as informações com recursos de acessibilidade, como ampliação de texto e contraste para pessoas com baixa visão e idosos, compatibilidade com os principais leitores de tela para as pessoas com deficiência visual e possibilidade de navegação com mouse, teclado ou outro dispositivo. O site ainda disponibilizará o equivalente em vídeo em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) para possibilitar o acesso às pessoas surdas. As respostas, sejam por meio impresso ou pela Internet, deverão ser encaminhadas até 21 de maio. A divulgação dos primeiros resultados do Censo está prevista para o final de dezembro. A Secretaria investiu R$ 3,64 milhões no Programa em recursos próprios e sua atualização será feita a cada 4 anos. Foram envolvidas entidades e instituições ligadas ao setor, bem como o Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência (CMPD) e Conselho Municipal do Idoso.

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espaço aberto

por Alex Garcia

Surdocegueira

A

da mediação à guia-interpretação

migos e amigas da REAÇÃO ! Logo depois de abordar na edição passada a mediação é necessário destacar a guia-interpretação. Esta claro que abordar estes dois temas em separado significa dizer que são matérias diferentes, mas, de suma importância para os Surdocegos.

O Guia-interprete e sua atuação

O Guia-interprete é aquele profissional que serve de canal de comunicação (audiovisual) entre o Surdocego e o meio no qual ela está interagindo e tem como papel fundamental compreender a mensagem em uma língua, extraindo o sentido através do conteúdo lingüístico e contextualizar o sentido na língua de destino. Também descrever o que ocorre em torno da situação de comunicação e facilitar o deslocamento e a mobilidade do Surdocego no meio. Sua intervenção pressupõe que o Surdocego possua capacidade para fazer julgamentos e tomar decisões, o que significa dizer que, atua com Surdocegos que possuem uma língua, consequentemente, possui domínio de um modelo de comunicação receptivo. É este profissional muitas vezes, responsável pelo ato de Guia-interpretação que permite a nós Surdocegos, irmos onde queremos e entender e nos fazer entender. Para isso domina diferentes modelos de comunicação, em especial, o modelo do Surdocego que está a Guia-interpretar no momento específico. O Guia-interprete geralmente conhece os aspectos gerais da Surdocegueira como matéria científica e técnicas de interpretação e de guia.

Técnicas de Interpretação

Os Guias-intérpretes embasam sua atuação em duas Técnicas de Interpretação - a tradução e a Interpretação. Na primeira significa dizer que a mensagem transmitida em uma determinada modalidade de uma língua é mudada para outra modalidade mantendo-se a mesma língua. Portanto, traduzir neste contexto, não é trabalhar com duas línguas, mas sim com duas modalidades na mesma língua. Como exemplo, podemos citar uma mensagem transmitida através da fala e em português. Língua portuguesa na modalidade oral e sendo transmitida ao Surdocego através do Braille tátil ou escrita na palma da mão. Mantém-se a mesma língua e altera-se a modalidade, portanto tem-se a tradução em desenvolvimento. Na Interpretação acontece o contrário, ou seja, a mensagem transmitida em uma determinada língua é mudada para outra língua não importando a modalidade usada. Portanto, Interpretar neste contexto, é trabalhar com duas línguas. Como exemplo, podemos citar uma mensagem transmitida através da fala e em Inglês. Língua inglesa na modalidade oral e sendo interpretada ao Surdocego através do Braille tátil ou escrita na palma da mão em português, ou a mensagem em português oral interpretada em Libras, portanto tem-se a Interpretação em desenvolvimento. Ao Guia-intérprete é aconselhável possuir fluência em pelo menos duas línguas e conhecer o modelo de comunicação usual de determinado Surdocego que está a apoiar para que possa desempenhar satisfatoriamente seu papel.

Técnicas de Guia

São várias as técnicas utilizadas pelos Guias-interpretes para que os Surdocegos se locomovam com segurança nas mais diversas situações. Estas técnicas merecem uma abordagem especial em outra ocasião, assim, neste momento, oportuno destacar que muitas destas técnicas são as mesmas usadas para a mobilidade das Pessoas Cegas, sendo a principal diferença que os Surdocegos possuem dificuldades muito superiores de antecipação. A antecipação é um aspecto relevante para a mobilidade. A antecipação dos Surdocegos acontece de forma mais lenta do que nos Cegos pelo fato essencial da comunicação ter características proximais e não de distância, ou seja, os Cegos podem ouvir e assim podem receber a antecipação através do modelo de comunicação fala e os Surdocegos recebem a antecipação através de modelos de comunicação táteis ou através de mínima distância.

A descrição visual

Estas técnicas permitem ao Surdocego compreender melhor o ambiente em que está inserido. Abrangem a descrição, disposição e movimentação de objetos e pessoas presentes no meio. A descrição visual feita pelo guia-intérprete é importante para nossa tranqüilidade. Precisamos saber da movimentação ao nosso redor para evitarmos “acidentes” e assim certo constrangimento.

Ética e Guia-interpretação

Aqui temos uma matéria relevante que talvez esteja entre os principais obstáculos à efetiva funcionalidade dos Guias-interpretes. Falar de ética e Guia-interpretação é falar sobre respeito às dimensões. Nós Surdocegos, assim como outros seres humanos, temos nossos valores, nossa afetividade, intelectualidade, desejos e costumes.

Confidencialidade e imparcialidade

São aspectos bastante próximos. Ser confidente significa dizer que o Guia-intérprete é o “Canal de comunicação”. Não pergunta e não responde pelo Surdocego. Sendo imparcial o Guia-intérprete deve abster-se de expressar suas próprias opiniões sobre o conteúdo da comunicação que está se desenvolvendo. É importante lembrar que muitas vezes é difícil a um Guia-intérprete ser totalmente imparcial. Verdade! Nossa cultura muitas vezes coloca os Guia-intérpretes em situações conflituosas, principalmente quando envolve familiares de Surdocegos.

Fidelidade e exatidão

O Guia-intérprete deve transmitir a mensagem do emissor ao receptor sem omitir ou distorcer a mesma. É comum neste caso acontecerem problemas de omissão-distorção quando o Guia-intérprete, muitas


espaço aberto vezes por motivos de tempo, faz abreviações. Estas abreviações, alguns Surdocegos, podem entender como omissão-distorção principalmente se este não possui uma bagagem lingüística abrangente capaz de fazer relações de análise-síntese e também reflexões contextuais com rapidez.

Seletividade

O Guia-intérprete deve aceitar o trabalho que está apto a realizar e recusá-los se estiver acima de suas capacidades ou demandar um período de tempo de que não dispõe e também quando a interpretação for contra suas convicções religiosas e éticas. Observa-se que nesta questão de seletividade é fundamental o que chamaria de pré-interpretação, ou seja, uma análise prévia de onde, como e quando acontecerá o trabalho. Esta pré-interpretação, realizada abertamente pelo dueto Surdocego e Guia-intérprete - terá por finalidade estabelecer acordo de cooperação. Não raro são as vezes que problemas acontecerem por “descumprimento de acordo” alegando-se, por exemplo, o período de tempo e convicções éticas.

A discrição

E por último a discrição que se refere à pontualidade, humildade e bom senso.

Conclusão

Gostaria de destacar que na Guia-interpretação é importante à objetividade na relação. Ser objetivo é sem dúvida a tarefa mais difícil para Guia-intérpretes, pois, significa dizer que as suas subjetividades devem permanecer ocultas. Outro aspecto é o concreto. O que quero dizer com “concreto”? Em uma Guia-interpretação é comum descreverem a nós

Surdocegos imagens e acontecimentos. Esta descrição permanece em nossa mente como uma “imaginação” e assim nossa curiosidade do real aflorasse, assim, sempre e na medida do possível os Guias-interpretes devem promover o conhecimento do concreto a nós Surdocegos. Se por exemplo descreverem a nós um belo jardim, procure nos guiar até este jardim para que possamos ver de perto (para aquele Surdocego que ainda possui resíduo de visão) e tocar as flores e plantas (para aquele Surdocego que não possui resíduo de visão) e também sentirmos o perfume das flores. E sempre lembrando que quando um Surdocego requer o apoio de Guias-interpretes não é a mesma situação que um Surdo requerer um Intérprete e porquê? Para muitos Surdocegos receber o apoio de Guia-intérpretes significa dizer que este terá a oportunidade de se comunicar com alguém que conheça seu modelo de comunicação. A oportunidade de ter este apoio muitas vezes tarda meses e meses e muitos Surdocegos permanecem todo este tempo em seu mundo, muitas vezes sem som e luz. Todas as reflexões que fiz neste artigo devem ser refletidas “no seio” desta situação. Refletir esta solidão por meses e meses de um Surdocego e assim termos bom senso e sensibilidade de observarmos a “ansiedade” de muitos Surdocegos para com as relações comunicativas.

Alex Garcia é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br

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teste drive

RENAULT DUSTER Um SUV para toda família: este utilitário esportivo oferece uma ótima relação custo x benefício para pessoa com deficiência

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robustez, o espaço interno, a versatilidade e o design, além de uma ótima relação custo X benefício, são os destaques da aposta da montadora francesa neste novo SUV produzido no Brasil. Lançado no final do ano passado, o Duster chegou arrebentando... Diferente, com linhas arrojadas e passando uma imagem de força, o modelo acertou em cheio o coração dos apaixonados por aventura e dos fãs dos modelos SUV. E atendendo aos pedidos de nossos leitores, mais uma vez em parceria com a fábrica (Renault) e o departamento de vendas diretas da montadora, nos foi cedido para realização desta matéria especial de test-drive, um modelo do Duster – 2.0 – Automático. Ficamos com o carro por pouco tempo desta vez, mas suficiente para mostrar para nossos leitores tudo o que ele oferece aos seus usuários, com deficiência ou não. Testamos o modelo em todos os terrenos, em várias situações de uso e o Duster não decepcionou. Mostrou que é valente, na cidade, na estrada e no campo. A Renault já vinha, não é de hoje, apostando no mercado PcD e lançando modelos que se adaptam à essa parcela exigente de consumidores. E a marca francesa, que já tinha o Fluence, o Sandero automático (que também já testamos e aprovamos), agora com o lançamento do Duster, amarra uma gama de produtos que completa praticamente todos os gostos e todas as necessidades de usuários com ou sem deficiência. As famílias de PcD também agradecem, pois a

linha Renault oferece ótimo espaço interno e de porta-malas em todos os seus modelos. O Duster especificamente é oferecido em 6 versões de acabamento e com 2 tipos de motorização – 1.6 Hi-Flex e 2.0 16V Hi-Flex, com tração 4x2 e até 4x4. Todas elas já vem de fábrica com direção hidráulica, ar-condicionado e vidros e travas elétricas. Independente do câmbio ser automático ou manual. Aliás, a versão com câmbio automático do Duster, está dentro do valor coberto pelas isenções de IPI e ICMS, o que faz com que ele esteja sendo atualmente um dos modelos mais procurados por PcD.

Espaço interno, conforto, segurança e prazer de dirigir O espaço interno é o ponto alto do Duster. Dentre tantos outros pontos que chamam a atenção, este é realmente um destaque. Tanto para o motorista, que mesmo com


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mais de 1,90 m ainda se sentirá confortável, como para os passageiros, até mesmo do banco de traz, o modelo deixa a todos muito bem acomodados. O que também facilita a vida por exemplo, de cadeirantes que preferem entrar no carro, desmontar sua cadeira e a colocar no interior do veículo, facilitando sua locomoção sozinho. Esse processo no Duster é bem cômodo de ser feito. Dirigir o Duster também é uma tarefa prazerosa. Muito macio e confortável, os buracos da cidade e as trilhas mais radicais parecem nem ser sentidas pelo carro. Conforto, silêncio, segurança, estabilidade, maciez, sensibilidade aos comandos e respostas rápidas. E um câmbio automático sem trancos nem solavancos nas trocas de marcha. Enfim, o modelo é um dos melhores em sua categoria, sem dúvida nenhuma. O único

ponto incomodou nossos técnicos, foi o consumo de combustível. No álcool o modelo 2.0 testado por nossa equipe se mostrou beberrão. Já na gasolina, houve uma sensível diferença na economia, mas mesmo assim, o Duster não é dos modelos mais econômicos em sua categoria. Principalmente se o condutor for fã de uma direção mais esportiva, mais arrojada. O câmbio automático do Duster possui a função “kick down”, acionada quando o motorista pisa fundo no acelerador de forma rápida, acionando a central eletrônica do carro, que avalia a redução de uma ou até duas marchas, melhorando o desempenho do carro nas ultrapassagens, por exemplo. O modelo tem 3 anos de garantia de fábrica. E ele tem uma linha de acessórios completa disponível nas concessionárias da marca, para deixar o carro com seu estilo.

A transferência e o porta-malas Um carro alto... o sonho de consumo da grande maioria das pessoas com deficiência condutoras. Como é bom dirigir vendo o mundo visto de cima. Apesar de nem ser tão alto assim, a posição do banco do Duster passa essa sensação ao motorista e aos ocupantes do carro. O que voltamos a afirmar, dá uma sensação de segurança ao dirigir. E mesmo

Clientes satisfeitos ! Hoje o Duster, apesar de jovem, já é um dos modelos mais vendidos da Renault para o público consumidor com deficiência. E o que não falta são usuários satisfeitos com este SUV. Segundo a vendedora da Itavema France (Renault), Luciana Costamagna, que atua Luciana Costamagna e Heloísa Helena Giudice na marca há 12 anos, e é uma das principais profissionais no atendimento a vendas especiais do grupo, o modelo é disparado o preferido entre PcD. E foi na loja em que Luciana trabalha que fomos conhecer Heloísa Helena Giudice, 44 anos, portadora de LER/ DORT – parestesia membro superior direito, que há cerca de 2 meses adquiriu um Duster Dynamique 2.0 Automático – Prata e está muitíssimo satisfeita com o carro. Moradora de Santana, bairro da zona norte da capital paulista, a bancária só tem elogios ao modelo. “Este é meu segundo carro utilizando das isenções que tenho direito”, conta Heloísa. “Eu estava já em processo de compra de um outro carro, de outra marca, mas devido a um atraso no processo, no meio do caminho conheci o Duster e optei por ele. E estou muito feliz... é um carro robusto, dinâmico, está me surpreendendo,

é de certa forma econômico, espaçoso, aventureiro... é alto, despojado, enfim... atendeu minhas expectativas. Tem ótimo porta-malas, boa visibilidade... Eu recomendo. Estou gostando bastante”, afirma. Outra cliente PcD de Luciana que estava retirando o carro na loja foi Roseli Ruano Silva, aposentada, 48 anos, sequela de Pólio, conta que o que a levou a comprar um Duster, além da beleza, foi a relação custo X benefício que o modelo apresenta. “Alguns amigos que tem Renault também me indicaram. Fiz o test-drive na loja e me encantei pelo carro”, conta Roseli. Luciana comenta que dos cerca de 15 carros vendidos para pessoas com deficiência por mês, por ela na loja da Itavema no bairro da Mooca, em São Paulo/SP, hoje a grande maioria já é do modelo Duster.

Roseli Ruano Silva e Luciana Costamagna


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sendo alto, e apesar de não possuir a alça de apoio interna sobre a porta do motorista – item extremamente importante e útil na entrada e saída de um carro alto, muito utilizado por cadeirantes – fica aqui a dica para a montadora – o acesso

e a transferência da cadeira para o carro e do carro para a cadeira no caso do Duster é tranquila. Os comandos no painel são de fácil alcance, os controles de regulagem dos bancos também. As alavancas de seta e limpadores de pára-brisa, assim como o controle do rádio no volante são fáceis de manusear. A visibilidade é boa e a dirigibilidade um show. E por falar em show, quem dá um verdadeiro espetáculo de eficiência no Duster é o porta-malas ! Neste quesito o SUV da Renault é campeão... A capacidade é de 475 litros e os bancos traseiros ainda rebatem. Com ele normal, já cabe uma cadeira de rodas sem desmontar. Se os bancos forem rebatidos, ele comporta a cadeira de rodas e uma de banho com facilidade. Até uma scooter é possível de se levar no porta-malas do Duster com o banco traseiro rebatido.

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veículos e adaptações

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por Renato Baccarelli

Transporte de Pessoas com Deficiência Acesso ao Veículo

amos começar a falar de transporte de pessoas com deficiência ? Algumas pessoas não conseguem conduzir sua própria cadeira e necessitam ser transportadas, ou possuem algum tipo de condição que as impossibilita de conduzir um veículo de modo autônomo. Estas pessoas precisam ser transportadas em um veículo adequado. No Brasil, ultimamente as coisas tem evoluído, fruto de um esforço tremendo de entidades, empresas e das pessoas que necessitam deste tipo de transporte. Hoje temos, mesmo que em número insuficiente, alternativas como: taxi adaptado ou vans adequadas ao transporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, como por exemplo, o serviço do “Atende” na cidade de São Paulo. Sabemos que muita coisa ainda precisa ser feita e, mais ainda, precisamos despertar uma consciência maior sobre as reais necessidades das pessoas com deficiência. Acho até que em se tratando de Leis estamos muito bem servidos, mas daí até o cumprimento dessas leis, temos ainda uma grande distância. Vamos falar ao longo de outras edições, dos Veículos mais indicados, da Segurança e Conforto no transporte, entre outras questões. O primeiro item que iremos abordar é o acesso ao veículo. Hoje utilizamos 2 tipos de equipamentos para acesso da PcD ao veículo :

mas requer um manuseio às vezes cansativo. Outro detalhe desfavorável é o tempo de operação maior, o que em dias de chuva, por exemplo, torna-se um transtorno. Plataforma Elevatória Automática: este equipamento tem toda sua operação feita de forma automática, bastando para isso, acionar um botão de comando. Não requer manuseio por parte do operador. Este tipo de plataforma oferece um tipo de operação mais suave e com um tempo menor. Possuem também sistemas de segurança mais avançados como, por exemplo, a trava de recolhimento. Em caso de desatenção do operador, estando a plataforma com um peso superior a 30 Kg, a trava é acionada, não permitindo o recolhimento da plataforma, evitando acidentes.

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Modelo automático que mantem uma abertura para entrada de pessoas ou objetos, mesmo estando recolhida. Auxilia também na visão do condutor do veículo.

PLATAFORMAS ELEVATÓRIAS Temos vários tipos de plataformas disponíveis no mercado nacional, vamos a elas: Plataforma Elevatória Semi-Automática: este equipamento tem somente uma parte de seu funcionamento de modo automático, uma segunda etapa requer manuseio. Neste tipo de equipamento somente o movimento de subida e descida é feito automaticamente, acionado por um botão, operado pelo motorista ou ajudante. O movimento de recolhimento ou expansão para fora do veículo é feito de forma manual. Este tipo de plataforma tem custo reduzido comparado às plataformas automáticas,

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Modelo automático que se retrai auxiliando a visão do condutor.

RAMPAS DE ACESSO As rampas veiculares basicamente se dividem em dois tipos :


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veículos e adaptações Rampas Únicas: na sua maioria feitas de alumínio, estas rampas possibilitam a entrada e saída do veículo, seja do cadeirante ou somente da cadeira de rodas. São mais estáveis do que as rampas duplas, mas tem o inconveniente de ocupar mais espaço no interior do carro. Alguns modelos permitem a visão externa para o condutor do veículo. Rampas Duplas: são modelos geralmente dobráveis, facilitando a acomodação dentro do veículo. Alguns modelos possuem alças para transportar. As rampas mais curtas tem como vantagem um espaço menor ocupado na operação, mas o esforço físico necessário é maior. Em resumo, a primeira coisa que você precisa verificar é o tipo de transporte que você necessita. Se sua intenção é transportar cadeiras de rodas motorizadas, pense em Plataformas Elevatórias ou Rampas Únicas, são mais estáveis e seguras. Se você quer comodidade, vá de Plataforma Elevatória. Mas se necessita um custo menor, opte por Rampas. Tenha em mente sempre Segurança e Conforto. Embora não seja esta a maior preocupação de quem necessita deste tipo de equipamento, se você se importar com ruídos dentro veículo, terá uma grande dor de cabeça para resolver, pois todo tipo de solução para entrada e saída do veículo gera ruídos, sem exceção. E caberá a você minimizá-los. Procure seu fornecedor e fale com ele sobre suas necessidades e o que espera do equipamento, isto poderá evitar aborrecimentos no futuro.

Renato Baccarelli é consultor espe-

cialista em Veículos Adaptados ou Transformados. Email: boitooito@gmail.com

notas Quer trabalhar nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos? A data pode ainda estar longe, 2016, mas é bom se preparar. O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro criou um banco de dados de pessoas com deficiência que sejam possíveis candidatos a trabalhar nos eventos. Para cadastrar o currículo, o interessado deve acessar o site: www.rio2016.org, clicar em “Quem faz”, e em seguida “Oportunidades”. O Rio 2016 cumpre atualmente a determinação de que empresas com 201 a 500 funcionários devem ter 3% de seu quadro funcional composto por pessoas com deficiência. A expectativa é de que, daqui a quatro anos, mais de 200 estejam trabalhando para o Comitê. “As diferenças são bemvindas, trazem inovação, multiplicam energia e levam consigo as resoluções de conflito. Temos, na nossa força de trabalho, cada vez mais, uma multiplicidade de perfis. As pessoas com deficiência não terão vagas específicas para elas. Ao contrário, queremos que concorram a todas as vagas disponíveis”, afirmou o diretor de Recursos Humanos do Rio 2016, Henrique Gonzalez. A organização dos eventos espera também contar um número significativo de pessoas com deficiência entre os voluntários. Dessa forma, o programa de recrutamento de funcionários servirá como base e inspiração para o programa de voluntariado, que ainda não foi aberto.

Fanfarra Inclusiva A Fanfarra da Escola Municipal Wladimir Costa, de Embu-Guaçu/ SP é a prova de que o trabalho faz a diferença. Com 20 integrantes com diferentes características (surdez, cegueira, déficit intelectual, paralisia cerebral), a fanfarra recebe todo o apoio do Prefeito Clodoaldo Leite da Silva, e do Secretário de Educação Professor Ronaldo Aparecido Bueno que acreditam no potencial dos meninos e do regente Paulo (que também é o motorista do micro-ônibus da escola), e na capacidade de superação – a mais importante característica de todos. Tudo começou com simples batuque, e após o município adotar o Método Lissoni de Musicalização o desenvolvimento tem sido muito satisfatório. O grupo se apresentará no dia 13 de abril na Reatech, foi convidada para abrir o Congresso Saber em setembro próximo, e também se apresentará em Campos do Jordão/SP num congresso e no Festival de Inverno.  


internacional

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por Isabel McEvilly

A vida nos EUA e a pessoa com deficiência !

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s pessoas com deficiência nos EUA tem outro padrão de vida. É tudo muito diferente do Brasil. Aliás, tudo por aqui é diferente. Outra cultura, outros padrões, enfim... não sei se as comparações seriam interessantes, mas vou contar um pouco de como as coisas são por aqui sob minha ótica, uma brasileira com deficiência, de 46 anos e que mora nos EUA há 12 anos. Hoje estou morando na cidade de Corona, na Califórnia. Uma das coisas que gosto aqui nos EUA é que eles tentam ver tudo a longo prazo. As crianças vão para a escola para aprender o máximo que eles podem, e aprendem também a ser o mais independentes possível. Aqueles que não tem potencial para poder aprender, eles tem a chance de conviver com outras crianças. E ao mesmo tempo, isso permite que as mães possam trabalhar. Minha vizinha trabalha com crianças com deficiência. Ela é responsável por alimenta-los (aquelas que comem através de tubos). Para isso, a pessoa tem que ir para faculdade, aprender

sobre leis e direitos. Saber como usar os equipamentos. O grau de responsabilidade sobre a vida que o americano tem, é algo espantoso. Me lembrei de duas histórias, não são com pessoas com deficiência, mas acho que mostra um pouco da diferença entre aqui e o Brasil. Uma mulher que trabalhou comigo, o filho que na época tinha 16 anos, resolveu não ir mais para a escola e foi para a casa de um amigo. Um policial o viu, perguntou porque ele não estava na escola. Levou-o


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internacional

para a escola de volta e fez a diretora ligar para a mãe do rapaz. Aqui, se a criança não vai para a escola, eles ligam para a mãe. Criança tem que estar na escola, os pais podem até ficar em sérios problemas se elas não forem estudar. Ou no caso se já tiver idade suficiente, mesmo o adolescente pode ficar em problemas se faltar à escola. A outra história é da minha amiga Fátima, ela tem um filho e ele quer trabalhar nas férias de verão. Ele tem 14 anos, não dá para conseguir emprego. Ele teria que ter boas notas e a escola da um papel dizendo isso, e só assim ele pode conseguir trabalhar temporariamente. Claro que aqui também se dá o famoso “jeitinho” para as coisas, mas o problema é que se eles descobrem, você vai para a cadeia.

IDEA - Individuals with Disabilities Education Act. O IDEA é uma lei que dá direito à criança com deficiência, desde o seu “nascimento” até os 18 ou 21 anos (a partir do jardim da infância), a ter acesso à escola. É uma lei federal, e não são todos os estados que a aceitaram, pois a constituição americana é diferente da brasileira. Mas por ser uma lei federal, você pode levar a escola para o tribunal se ela não aceitar a criança com deficiência. E se isso acontecer, se for parar no tribunal federal, é causa ganha com certeza. O caso mais recente de emenda nessa lei foi em 2004. Ela foi introduzida no Senado em 31 de outubro de 1989, pelo senador Tom Harkin. Passou no Senado em 16 de Novembro 1989, e assinada pelo então presidente George W. Bush, em 30 de outubro de 1990. Outra informação que tenho aqui é que em 2006, através dessa lei, mais de 6 milhões de crianças receberam educação especial. Em 1954, através do Movimento dos Direitos Civis, brancos e negros (aqui você não pode usar o termo “negros”) puderam frequentar a mesma escola. Nessa época,

os Direitos Humanos estavam muito ativos. Em 1963, John Kennedy assinou em Dallas uma lei, garantindo os direitos, na época, também aos veteranos da guerra do Vietnã que estavam voltado. E alguns com deficiências adquiridas em batalha. Haviam muitos movimentos na época forçando-o a assinar. E foi nesse momento que começaram as leis para crianças com deficiências e a última das leis, foi a IDEA. A lei dá o direito à criança ter escola, obriga as escolas a ter todas as adaptações e também os pais a mandarem a criança com deficiência para a escola. A criança vai aprender o máximo possível para se tornar um indivíduo independente, mas se essa criança não tiver habilidade de aprendizado, mesmo assim, ela irá para escola até a idade de 18 ou 21. O correto é até os 21 anos, porém, se os pais provarem que é melhor para a criança parar, então para o bem da criança os pais tem o poder de não a mandar mais para a escola. Algumas coisas por aqui são meio estranhas também. Como em qualquer lugar no mundo, nos EUA também existem lugares como: casas, clínicas, hospitais... onde essas crianças com deficiências mais graves são internadas. Mas desses casos eu não tenho informações. Pelo menos ainda.

Regras americanas Os EUA é um país cheio de regras. E a população tem uma consciência em cumpri-las. Por exemplo, aqui se você tem um ônibus escolar na sua frente no trânsito, parado e com as luzes piscando, você é obrigado a parar. Eles também colocam a placa de Stop para fora (ela está conectada ao ônibus). Aqui, se ouvirmos uma sirene no trânsito, temos que ir para direita e parar até que os bombeiros, ambulância ou a polícia, passe. E você não pode seguir eles, como fazemos no Brasil, para tirar uma vantagenzinha não... Senão, é punição na certa. E severa. Mesmo eles, polícia, bombeiros, ambulâncias etc... se usam a sirene sem necessidade e alguém percebe, isso pode levá-los para a corte, aos tribunais, e dá um processo enorme para quem infringe a lei.

Isabel McEvilly tem sequela de Pólio, é brasileira radicada nos EUA, onde trabalha em controle de qualidade, é assinante e agora, colunista da Revista Reação.


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arte

Livro conta a história de um milagre real !!!

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nome do livro de Bianca Toledo, lançado pela Reino Editorial, espelha a visão dela sobre tudo o que aconteceu em sua vida a partir do nascimento do filho José Vittorio, em 11 de outubro de 2010. Ela nasceu em Brasília/DF, em 1979, e sempre gostou de compor e cantar, estudando violão e piano. Aos 16 anos mudou-se para Araçatuba/SP, onde abraçou a vida cristã, envolvendo-se com a música Gospel e o ministério evangelista. Em São Paulo, cursou a Faculdade de Música Erudita e Popular. Passou a participar de programas de TV, como o de Raul Gil, onde ganhou o concurso “Oficina de Talentos”, e o Criança Esperança. O primeiro álbum solo foi em 2008, “O amor Prevalecerá”, assinando também algumas composições e a direção musical. Casou, mudou-se para o Rio de Janeiro e realizou seu grande sonho, o de engravidar. Bianca estava no melhor dos mundos quando, 15 dias antes da data prevista para o bebê nascer, começou a ter vômitos e fortes dores abdominais. Internada, os médicos resolveram fazer o parto e, como seu estado só piorava, optaram por nova cirurgia onde constataram ruptura do intestino e uma septicemia generalizada. Sem nem ter conhecido o filho, que depois de 10 dias de UTI Neonatal foi para casa, Bianca começou uma jornada de 52 dias em coma com falência dos órgãos, 10 cirurgias no abdômen e no pulmão, mais de 300 transfusões de sangue e duas paradas cardíacas de seis e oito minutos. Fora tudo isso, contraiu inúmeras bactérias hospitalares, inclusive a super KPC. É essa história de luta e coragem dela, dos médicos, da família, dos amigos, de companheiros da Igreja Batista Central da Barra da Tijuca e de inúmeras pessoas anônimas que se uniram para orar, doar sangue e transmitir notícias que o livro trata. A obra foi feita por várias mãos, apresentando relatos de quem esteve com ela nos dois hospitais por onde passou. “A maior parte da história e a fase mais terrível eu estava em coma e ficaria estranho contar com tanta veracidade algo que não vi. E os próprios depoimentos de quem participou do dia-a-dia, me ajudaram a compreender a trajetória. Aqueles que hoje acompanham um paciente terminal, ou o drama de alguém tanto tempo em coma, podem se identificar e receber forças para prosseguir”, explica Bianca ao falar do livro. “Escrevi para dizer às pessoas que

Deus existe e ainda faz milagres”, justifica. No total, foram praticamente 5 meses deitada, sendo metade desse tempo em coma, mantida por aparelhos. Ele ficou paralisada e precisou de muita coragem e tratamento para se recuperar. As articulações doíam, as mãos eram em forma de garra e os braços, encurtados, não esticavam. A laringe encurtou e a cicatrização da traqueostomia gerou uma aderência de pele que dificultava a fala e a deglutição, além da mandíbula ficar atrofiada e dela não conseguir abrir a boca. “Voltei para casa com sequelas na fala, sem andar, e com muitas atrofias, de mãos, braços e pernas. Meu emocional era infantilizado, estava insegura, assustada e sem assunto. Passei por uma reabilitação intensa por cinco meses. Assistia outras pessoas cuidando do meu filho de longe e isso também era um conflito”, conta Bianca. “Todas as coisas foram se ajustando dentro de mim, gradativamente. Hoje estou extremamente bem. Vivo movida pela força da gratidão. Meu corpo possui inúmeras marcas. Ainda tenho uma pequena gastrostomia, algumas alterações na voz, como uma rouquidão e uma tonalidade mais grave do que antes, mas, no geral, nada me impede de comunicar o poder que me ressuscitou. Ainda faço fisioterapia, às vezes, para um fortalecimento muscular e alongamento”, afirma. “Hoje minha vida é completamente comprometida com a missão que recebi de Deus. Dizer que a vida é uma dádiva, a gratidão é a condutora da felicidade. O poder da fé em Jesus e da união de um povo que crê nisso, independente de religião, pode surpreender a ciência”, garante Bianca. Além do livro, que deverá sair também em Áudio Book, ela ministra palestras, está escrevendo o repertório para o próximo disco e começa agora em abril a gravar um documentário que contará sua história com a presença de todos que participaram, inclusive a equipe médica. O livro pode ser encontrado em algumas livrarias e no site www. biancatoledo.com.br. “Vale a pena lutar pela vida e acreditar no impossível. A iminência do fim pode ser a descoberta de uma nova vida. E toda dor, na verdade, é uma chance de sermos vencidos pelo Bem, de sermos menores para descobrir que existe um poder maior, que age quando os recursos acabam, quando as respostas se calam. Quando somos pouco, Ele se torna Tudo. E a vida muda de cor”, garante Bianca.


tecnologia

Brasil investe em Tecnologia Assistiva (TA)

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Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva (CNRTA) foi criado com o objetivo de impulsionar metodologias e tecnologias voltadas às pessoas com deficiência. Instituído pela portaria 139, de 24 de fevereiro de 2012, suas atividades serão iniciadas, oficialmente, em julho próximo, conforme divulgado em março, durante visita da ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), Maria do Rosário. Instalado no Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), em Campinas/SP, faz parte do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Viver sem Limite), anunciado pelo governo federal em novembro de 2011, e funcionará em forma de rede cooperativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A instituição campineira foi escolhida como sede por seu histórico de décadas na elaboração de pesquisas na área e comprometimento de seus membros com o tema. No momento há pelo menos 9 diferentes projetos de grande porte em andamento. “O CNRTA foi concebido para operar otimizadamente, sem a necessidade de criação de uma nova estrutura de pesquisa que, além de custar caro, poderia levar muitos anos para maturar. Em outras palavras, esta iniciativa foi concebida para, da forma mais eficiente possível, tirar proveito da infraestrutura já existente nas Unidades de Pesquisa do Ministério da Ci-

ência, Tecnologia e Informação”, explica Fabiana Bonilha, membro do grupo de trabalho do CNRTA. O novo centro atuará em rede com outras instituições ligadas à pesquisa e ao desenvolvimento de Tecnologia Assistiva, congregando várias instâncias em uma rede colaborativa entre os setores acadêmico e produtivo, além de entidades e instituições especializadas no atendimento a pessoas com deficiência. “Assim, o desenvolvimento da Tecnologia Assistiva se dará por meio da participação dos diferentes atores envolvidos nesse processo de modo que, com base em uma prospecção tecnológica, sejam propostas e apoiadas novas linhas de pesquisa ligadas à área, em prol da inclusão social dessas pessoas”, afirma Fabiana. O ministério pretende repassar anualmente R$ 1 milhão para o custeio dos trabalhos do CNRTA, além de R$ 500 mil para cada núcleo organizado em universidades, que por sua vez, têm como objetivo produzir inovações tecnológicas nessa área. “Destaca-se que um dos papéis do CNRTA será articular a agenda de pesquisa e inovação desta rede de Núcleos Interdisciplinares de Tecnologia Assistiva (NITA), que estão sendo criados em universidades pela Secretaria de Tecnologia para a Inclusão Social (SECIS)”, informa Fabiana. Inicialmente serão 20 núcleos. Atualmente existem quatro núcleos de tecnologia assistiva em funcionamento, três deles nas universidades federais de Minas Gerais, Brasília e São João Del Rei/MG e outro na universidade estadual do Pará.

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lição de vida

Daniel Dias

Melhor nadador brasileiro acredita na realização de todos os sonhos...

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ma das grandes esperanças do Brasil nos próximos Jogos Paralímpicos em Londres, Daniel Dias é considerado um dos maiores atletas mundiais. Em 2011, por exemplo, a conceituada revista norte-americana “Swimming World” elegeu o brasileiro como o melhor nadador com deficiência do mundo. Foi a terceira vez consecutiva que ele alcançou o prêmio. Daniel coleciona medalhas: nos Jogos Paralímpicos de Pequim, em 2008, por exemplo, saiu com 9 delas, sendo 4 de ouro. Já nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, no ano passado, abocanhou 11 medalhas de ouro, em todas as provas que disputou. De quebra, ainda estabeleceu 7 novos recordes da competição. Pelo feito, ganhou 2 troféus no Prêmio Paralímpico 2011: melhor atleta do ano (eleição popular) e melhor atleta em sua modalidade. Em 2007, no Parapan-Americano do Rio de Janeiro, havia conquistado 8 ouros. Venceu em 2009, como “Melhor Atleta Paralímpico”, o Laureus World Sports Awards, o principal prêmio esportivo, já tendo sido indicado por 3 vezes. O atleta nasceu em Campinas/SP, em 24 de maio de 1988, com má formação congênita dos membros. Foi operado aos 3 anos para poder usar prótese e frequentou por muito tempo a AACD de São Paulo. “Minha infância foi como a de qualquer criança. Graças a Deus, meus pais sempre me educaram como educariam qualquer outro. Dificuldades sempre foram encontradas, mas sempre que chegava em casa, às vezes chorando, meus pais conversavam comigo e, à medida que o tempo foi passando, fui percebendo que preconceitos existiam, existem e sempre vão existir”, conta Daniel. Ele sempre gostou de praticar esportes, na verdade, o desejo era ser jogador de futebol. Começou na natação aos 16 anos e tomou gosto: “Vi que era o dom que Deus me deu e procurei e procuro me aperfeiçoar a cada dia”. Começou a faculdade de Educação Física, mas não conseguiu terminar o curso. “As faculdades não entendem que é muito difícil conciliar viagens, treinos, competições e aulas. Para ter uma ideia, quando ainda estava cursando, tive que viajar para treinamentos e competição e,

quando voltei, fui para aula e queriam que eu fizesse 6 provas em dois dias, no dia seguinte ao meu retorno. Fica muito difícil assim. Nunca procurei benefícios e nem facilidades, mas acredito que poderiam ter outras maneiras para que eu pudesse continuar meus estudos. Ou será que existem privilégios para outros?”, pergunta. Quando deixar as competições, não está afastada a ideia de estudar engenharia mecatrônica. Outra de suas paixões é tocar bateria, sempre que possível, e participar do Ministério de Louvor da Igreja. Também faz palestras em que gosta de contar sobre sua historia de vida, tentando mostrar que, apesar das deficiências, todos são capazes de realizar seus sonhos, sem destruir o sonho do próximo. O esporte tem toda sua atenção. “É muito importante para muitas áreas de nossa vida, principalmente na saúde, bem estar e autoestima. Vejo também que podemos mostrar a todos que basta nos dar uma oportunidade que conseguimos realizar muitas coisas. Hoje sei que sou exemplo para muitos e isso me dá um grau de responsabilidade muito grande”, afirma. Ele reconhece que vencer na carreira é difícil devido à falta de patrocínio, incentivos familiares e acessibilidade a vários setores públicos e privados mas considera que, nos últimos anos, muita coisa mudou e acredita que com a chegada das Paraolimpíadas no Brasil, em 2016, ainda haverá melhora. “No esporte de auto-rendimento há necessidade de perseverança, treinamento, abdicar de muitas coisas e, infelizmente, muitos param no meio do caminho”, diz Daniel. “Hoje tem o bolsa atleta (incentivo do governo federal), equipe São Paulo (incentivo do governo estadual) e o próprio Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) está melhor estruturado”, conta Dias. Mesmo assim, considera fundamental um planejamento com treinamentos e competições fora do País. Para a disputa em Londres, a meta é conseguir o maior número de medalhas possíveis e já planejou treinamentos e competições no exterior, para melhorar a performance. Ele confia que o Brasil se sairá bem, já que muitos atletas jovens estão surgindo. Para as pessoas com deficiência, ele deixa uma mensagem: “Acreditem em seu potencial e agarrem as oportunidades que a vida lhes oferece. Corram atrás de seus sonhos e acreditem que somos capazes de realizá-los”.


notas Relatório Mundial sobre Deficiências lançado em português

O lançamento oficial do “World Report on Disability” foi em fevereiro último, na capital paulista, durante um Seminário internacional realizado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e parceiros como a Organização Mundial da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde e o Banco Mundial, entre outros. A Secretaria recebeu da OMS o direito de tradução em Língua Portuguesa do documento, apresentado em junho de 2011 pela Organização das Nações Unidas (ONU), mostrando que mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo apresentam algum tipo de deficiência. O Seminário reuniu representantes de mais de 10 países e de todos os estados brasileiros, tendo cerca de 700 participantes presenciais além das centenas que acompanharam o seminário via web, com transmissão simultânea, ao vivo. O objetivo do evento foi identificar os desafios à implementação das práticas recomendadas pelo Relatório em relação a temas como habitação, educação, emprego, saúde, ambientes acessíveis e facilitadores. O documento traz nove recomendações: permitir o acesso a todos os sistemas e serviços regulares; investir em programas e serviços específicos para pessoas com deficiência; adotar uma estratégia e planos de ação nacionais sobre a deficiência; envolver as pessoas com deficiência; melhorar a capacidade dos recursos humanos; oferecer financiamento adequado e melhorar a acessibilidade econômica; aumentar a conscientização pública e o entendimento das deficiências e aumentar a base de dados sobre o tema e fortalecer e apoiar a pesquisa. A versão em português pode ser consultada no site www.pessoacomdeficiencia.sp.gov.br.

Correios homenageiam Dorina Nowill

Novos selos, lançados em março passado, homenageiam a Fundação Dorina Nowill para Cegos, entidade que tem 66 anos de trabalho em prol da inclusão das pessoas com deficiência visual, por meio da reabilitação e do acesso à educação e à cultura. Sua criadora, cega aos 17 anos, criou a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, em 1946. Morta em agosto de 2010, aos 91 anos, Dorina teve reconhecimento mundial pelo trabalho que desenvolveu. Os selos também comemoram os cinco anos da implantação do Serviço Postal Braille dos Correios, que transcreve correspondências, inclusive comerciais e de órgãos públicos, da escrita comum para o braile e vice-versa. O objetivo é ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual aos produtos de conveniência postal. A implantação da Central Braille dos Correios, responsável pela execução desse serviço e sediada em Belo Horizonte/MG, contou com o apoio técnico de importantes instituições, entre elas da homenageada, Fundação Dorina Nowill. O bloco compreende, na parte superior, dois selos. O primeiro apresenta a imagem de uma criança com dificiência visual e a logomarca da Fundação Dorina Nowill para Cegos. O segundo selo tem estampado o rosto de Dorina em relevo, para possibilitar a identificação do seu semblante. Como imagem de fundo, a reprodução de uma foto de Dorina Nowill, digitalmente trabalhada, lendo um livro em braile. O trabalho é criação da artista Cecília Langer.

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A hora de fazer a diferença

É

indiscutível que o Brasil vive um momento de expectativas positivas para um futuro próximo. Isso está refletido no otimismo econômico do povo brasileiro, nos eventos que o país vai sediar e nas possibilidades, de quem sabe, finalmente, alcançarmos o status de nação desenvolvida, com uma distribuição de renda que dê maiores condições a todos, ou para a maioria dos cidadãos daqui. Mas ao mesmo tempo em que os ventos são favoráveis, fica difícil construir uma república democrática, se uma parte da população for excluída desse bom momento que o país atravessa. Por isso, é necessário olhar com atenção e cuidado para os cerca de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência física no Brasil. A Associação Brasileira de Ortopedia Técnica (ABOTEC) defende projetos e realiza diversas ações que tem como intuito beneficiar usuários de órteses e próteses ortopédicas no Brasil. Para isso, atua como principal interlocutora de um universo com cerca de 25 milhões de pessoas (13% da população brasileira) que utilizam esse tipo de tecnologia assistiva e mais de 300 empresas associadas. No momento, a associação está engajada em 3 frentes: regulamentação da profissão de ortesista e protesista ortopédico, a inclusão desses equipamentos entre os possíveis itens de financiamento subsidiado pelo Banco do Brasil, dentro do projeto do Governo Federal - o Viver sem Limite - e a proposta da Lei de Concessão de órteses e prótesese ortopédicas por meio do sistema de saúde pública do país.

Regulamentação da profissão Essa é a “batalha” mais antiga da associação. Desde 2005, a ABOTEC juntamente com o deputado federal Onix Lorenzoni, elaborou o Projeto de Lei 5635/2005, que regulamenta a pro-

fissão de ortesista e protesista ortopédico no Brasil. Nesse período, a entidade trabalha para alcançar a sua aprovação. Em quase sete anos, houve alguns avanços no processo, fazendo com que o projeto fosse aprovado na Comissão Parlamentar de Seguridade Social e Família, em 2009, e na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, em 2011, com parecer da deputada Flávia Morais. Embora estas tenham sido importantes conquistas, o projeto ainda precisa passar na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara, ser apresentado no plenário da Câmara e aprovado pelo Senado Federal. Para se ter uma ideia da urgência e importância do projeto, atualmente o Brasil conta com cerca de mil profissionais capacitados para o atendimento e manutenção de equipamentos de órteses e próteses ortopédicas, número que se mostra insuficiente perante um universo que conta com mais de 25 milhões de pacientes. Além da qualificação nos serviços prestados aos pacientes de órteses e próteses ortopédicas, a aprovação da PL 5635/2005 também fará com que a fiscalização sobre a atuação dos profissionais e empresas seja mais eficaz, uma vez que, a regulamentação da profissão dará maiores possibilidades de controle de todo processo


que envolve o segmento. Entre as propostas está, inclusive, a criação de um Conselho de Classe, que será responsável pela gestão de tudo que envolve Ortopedia Técnica no Brasil. Dessa forma, pacientes que utilizam órteses e próteses ortopédicas poderão contar com profissionais especializados, oferecendo serviço mais ágil e personalizado, já que cada equipamento ortopédico precisa ser fabricado a partir da especificação e característica física de cada pessoa atendida.

Inclusão de órteses e próteses ortopédicas no Plano Viver sem Limite Desde novembro de 2011, o programa “Viver sem Limite”, lançado pelo Governo Federal, está sendo implantado em todo Brasil. Seu principal objetivo é atender os cerca de 45 milhões de brasileiros que necessitam de algum meio de tecnologia assistiva, viabilizado ao oferecer facilidades de crédito, qualificação profissional e desenvolvimento da indústria nacional, com investimentos que devem chegar em R$ 7,5 bilhões até 2014. Como uma das entidades privadas participantes e consultadas pelo Governo Federal desde o início da montagem do plano, a ABOTEC foi surpreendida com a exclusão de órteses e próteses da lista de produtos de tecnologia assistiva com condições especiais de financiamento pelo Banco do Brasil, dentro do Plano “Viver sem Limite”. Assim como a falta da regulamentação da profissão, a não inclusão desses itens afeta cerca de 25 milhões

de pessoas que necessitam desse tipo de equipamento. Na defesa dos pacientes, a ABOTEC se reuniu – na sede da ABRIDEF em São Paulo/SP - no último dia 6 de março, com os senhores Fernando Ribeiro (Assessor da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência) e Paulo Rafael Pereira Alves (Assessor da Diretoria de Empréstimos e Financiamento do Banco do Brasil), no intuito de questionar a primeira lista apresentada pelo Plano. A solicitação da entidade foi atendida pelos representantes dos dois órgãos, ao reconhecerem a necessidade de inclusão dos itens propostos pela associação. Até meados de maio, será realizada a revisão da listagem e inclusão de órteses e próteses como produtos possíveis de financiamento. Esse avanço, conquistado pela ABOTEC e por outras entidades envolvidas, poderá fazer com que pacientes que utilizam esse tipo de tecnologia assistiva tenham direito de utilizar os créditos oferecidos pelo Banco do Brasil. Estarão aptas pessoas que ganhem até 10 salários mínimos, com taxas no financiamento de 0,64% ao mês, carência de 180 dias e prazo de 60 meses para pagar.

Lei de Concessão de órteses e próteses ortopédicas no Brasil Como forma de qualificar o atendimento aos pacientes de órteses e próteses ortopédicas, a ABOTEC trabalha na terceira


frente. Nela, propõe que o modelo adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), seja estendido a todos os órgãos ligados à reabilitação, como INSS, Institutos e Forças Armadas. Nesse caso, todas as instituições citadas ficariam responsáveis pela intermediação do processo de solicitação de órteses e próteses para os pacientes que forem avaliados como necessitados de tal tecnologia assistiva. Hoje, pelo INSS, os pacientes precisam esperar meses até que seja montado o processo licitatório, na modalidade de pregão eletrônico, para que seja solicitado o equipamento. Esse sistema contrata serviços de todas as partes do Brasil, tendo como critério o menor preço ofertado. O problema desse modelo é que, se um paciente de São Paulo, recebe uma prótese ortopédica de uma empresa da Bahia, é inviável que sejam feitos os ajustes necessários no produto e o acompanhamento da evolução do paciente. Outra questão levantada pela ABOTEC em relação ao modelo de concessão é que deixam ser avaliadas as necessidades do paciente, impossibilitando a produção de órteses e próteses ortopédicas personalizadas e de boa qualidade. Outra parte da proposta é mudar o modelo atual de entidades concedentes de órteses e próteses ortopédicas. No momento, apenas instituições filantrópicas e oficinas próprias do governo são responsáveis pelo fornecimento desses produtos. A ABOTEC enfatiza que para ter um sistema mais eficaz, qualificado e economicamente viável na fabricação e concessão desses equi-

pamentos, é necessário incluir também nesse nicho as empresas privadas legalmente habilitadas e certificadas. Para viabilizar economicamente o plano, a ABOTEC propõe a disponibilização de cartas de crédito com um valor fixado de acordo com a tabela de preços pré-estabelecida pelo governo. Dessa forma, o paciente escolheria a fornecedora, dentro de uma lista de empresas credenciadas. Essa companhia ficaria responsável pela confecção da órtese e prótese ortopédica e acompanhamento sistemático de toda a adaptação, durante o prazo de garantia estabelecido pelo Órgão Público e de acordo como Código de Defesa do Consumidor. Esse processo trará uma série de benefícios, como por exemplo, equipamentos e atendimento de melhor qualidade, uma vez que as empresas precisarão investir mais no desenvolvimento de seus produtos, para que possam atrair potenciais clientes; um processo menos burocrático, e menos gastos ao Governo com a manutenção e criação de oficinas ortopédicas, já que haverá maior participação da iniciativa privada. Além do sistema proposto de priorizar a qualidade dos produtos e serviços destinados às pessoas com deficiência, a iniciativa funcionará como uma forma de fomento econômico para o mercado e o Governo. Uma vez que as empresas e instituições tiverem mais clientes e serviços, elas aumentarão suas contratações, fazendo com que a taxa de desemprego seja menor, e pagarão valores maiores em impostos, o que pode representar um aumento significativo na arrecadação do Governo. Outro fator será o crescimento no número de pessoas realmente reabilitadas, aliada a uma economia de gastos públicos, em um futuro a médio e longo prazo. Vale ressaltar que todas as propostas nas quais trabalha a ABOTEC, representam de alguma forma 45 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência e, no mínimo 25 milhões que precisam de órteses e próteses ortopédicas. Esse enorme grupo precisa ser contemplado. Com a proximidade de grandes eventos esportivos no próximo quadriênio, como Copa do Mundo e Jogos Paraolímpicos, é imprescindível pensar e realizar ações que beneficiem direta ou indiretamente essa parcela da população. Portanto, chegou a hora de fazer a diferença!


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errata No Caderno de Acessibilidade da edição passada da Revista Reação, publicamos informações com itens do Decreto nº 5.296/2004, que trata da questão da acessibilidade. Os dados saíram em forma de texto, o que tornou difícil a compreensão. Por esse motivo, publicamos novamente como tabela, para facilitar o entendimento. A montagem é de Fernando Antonio Medeiros de Campos Ribeiro, assessor da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Edificações de uso público ou coletivo já existentes Garantia de pelo menos um acesso ao seu interior, com comunicação em todas as suas dependências e serviços, livre de barreiras e obstáculos

Junho de 2007

Garantia de pelo menos um banheiro acessível por pavimento, com entrada independente

Junho de 2007

Dois por cento da lotação do estabelecimento para pessoas em cadeira de rodas, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT

Junho de 2007 para edificações de uso público e dezembro de 2008 para edificações de uso coletivo

Estabelecimentos de ensino de qualquer nível, etapa ou modalidade, públicos ou privados, acessíveis

Junho de 2007 para edificações de uso público e dezembro de 2008 para edificações de uso coletivo

Transporte rodoviário Prazo máximo para frota e infraestrutura acessíveis

02/12/2014 (120m a partir decreto)


l a i c e Esp


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Cidade Acessível faz parte dos Direitos Humanos !

D

esde maio de 2011 existe um programa do governo federal que pretende estabelecer a acessibilidade como um bem coletivo, que integra o conceito de cidadania na vida urbana dos municípios. O Projeto “Cidade Acessível é Direitos Humanos” está em desenvolvimento nas cidades de Campinas/SP e Guarulhos/SP, Goiânia/GO, Fortaleza/CE, Joinville/SC, Rio de Janeiro/RJ e Uberlândia/MG. De acordo com Fernando Antonio Medeiros de Campos Ribeiro, assessor da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o governo está dialogando com Belém/PA e Bento Gonçalves/RS para uma possível adesão. “Recebemos manifestação de interesse também de Nova Iguaçu/RJ em participar”, afirma o assessor. O projeto nasceu com o objetivo de garantir o direito à acessibilidade para pessoas com e sem deficiência. Os municípios que aderem fazem uma parceria com o governo federal, estabelecendo metas para a adoção das medidas necessárias que tornem as cidades acessíveis. A partir das experiências desenvolvidas, a ideia é que essas iniciativas sejam multiplicadas e sirvam de referência para a atuação de outros municípios. Para participar, é preciso respeitar alguns critérios, como os marcos legais para pessoas com deficiência; políticas públicas para essa população; acessibilidade e eliminação de barreiras; saúde; educação; transporte público urbano e habitação de interesse social acessíveis; trabalho e emprego; turismo, esporte, cultura e lazer.

Campinas/SP

Fotos: Acervo EMDEC Ricardo Lima

Pelo menos desde 2005, o município paulista já desenvolve ações de acessibilidade. A adesão ao projeto federal foi em 01 de julho de 2011, e as ações são coordenadas pela Empresa

Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), que apresentou um balanço da situação atual. A frota do sistema de transporte público tem 1.241 veículos. Desses, 423 são acessíveis, 34% do total. Quanto ao serviço de táxi, há somente um veículo acessível. A última licitação para outorga das novas permissões do serviço na cidade ofereceu 20 vagas para táxi acessível, mas ainda não terminou. A Prefeitura de Campinas também garante transporte gratuito porta-a-porta e porta-a-ponto de ônibus às pessoas com restrição severa de mobilidade. Essa ação é parte do Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI), que engloba o PAI-Serviço. O programa possui 25 vans acessíveis e dois ônibus adaptados. Para agendar as viagens, funciona o Disque PAI-Serviço, número: 0800-600-1517. A cidade conta com 190 vagas exclusivas para estacionamento em vias públicas, sendo 125 delas destinadas a idosos e 65 destinadas a pessoas com deficiência física. Há 65 pontos de ônibus acessíveis, com piso tátil e calçadas mais altas para acesso aos veículos sem precisar subir ou descer degraus. Existem, ainda, 55 pontos parcialmente acessíveis, que possuem piso tátil, sem plataforma para embarque em nível. Há três semáforos especiais destinados à travessia de cegos e 2.250 rampas foram construídas desde 2005. O destaque em acessibilidade, de acordo com a EMDEC, é o Terminal Multimodal de Passageiros “Ramos de Azevedo”, a Rodoviária de Campinas, inaugurado em junho de 2008, com 23 mil m² de área


87 construída e uma infraestrutura completa: rampas acessíveis, escadas rolantes e elevadores, conjuntos de sanitários adaptados, piso tátil e sinalização em Braille, cadeiras de rodas, telefones públicos especiais, vagas exclusivas para estacionamento de idosos e pessoas com deficiência, além de uma equipe especialmente treinada para auxiliar o usuário em suas necessidades.

Uberaba/MG Se algumas cidades estão caminhando, outras ainda deixam a desejar, como é o caso da mineira Uberaba. Em 17 de março último, teve até manifestação de usuários de cadeiras de rodas e pessoas com deficiência visual, no centro da cidade. “Os principais problemas da acessibilidade em Uberaba/MG são a falta de sinais sonoros nos semáforos, rampas mal projetadas, algumas calçadas estreitas sem manutenção e com obstáculos como caçambas de lixo, entre outros”, explica um dos organizadores, David Elias Bernardo, aposentado e cego há 12 anos. Ele afirma que cerca de 25% da população do município tem alguma deficiência e que depois desse primeiro movimento,

a ideia é chamar a associação dos surdos para participar. Os próximos passos serão convocar nova manifestação, com mais gente, já que a primeira foi pequena, e criar uma ONG que lute por melhor acessibilidade, além de um abaixo assinado dirigido à Prefeitura com as reivindicações. “A pessoa tem que lutar por seus direitos, pois só quem tem deficiência é que sabe o quanto é dificil enfrentar o preconceito e a falta de respeito por parte da opinião publica e do poder legislativo. Só lutando é que conseguiremos mostrar a todos que existimos, que somos cidadãos e também pagamos nossos impostos”, conclui Bernardo.

Playground da Longevidade é espaço para idosos e pessoas com deficiência

E

stes aparelhos são dedicados, em especial à terceira idade, como alternativa de prática de atividade física, para promoção da saúde, convívio social, independência, autonomia e lazer.” A frase pode ser encontrada nos totens informativos de muitas cidades e instituições que adotaram o chamado “Playground da Longevidade”. Mais de 300 conjuntos já foram instalados em São Paulo/ SP, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Rio de Janeiro/RJ, Porto Alegre/RS e cidades do litoral e interior como São Sebastião/ SP, Campinas/SP, Mairinque/SP, Itaipava/RJ, Congonhas/MG, Guaxupé/MG e Canoas/RS, entre outras. A ideia surgiu com o publicitário Artur Henrique Carvalho, em 2005, quando ele resolveu descansar da profissão que exercia desde 1970. Ao ver uma reportagem na televisão sobre a longevidade dos chineses, reparou que eles se exercitavam em aparelhos que não conhecia no Brasil. Percebeu aí um nicho novo de oportunidades e começou a idealizar o projeto em parceria com a Vanzetti, fabricante de produtos adaptados para pessoas com deficiência. Nesse ponto houve contato com o professor Sebastião Gobbi, da Universidade Estadual Paulista

(UNESP) de Rio Claro/ SP, coordenador do Laboratório de Atividade Física e Envelhecimento (LAFE). Juntamente com sua equipe, ele começou uma cooperação técnica para testar a funcionalidade dos aparelhos. “Percebemos a originalidade e a relevância acadêmica e social da proposta”, afirma Gobbi, que já coordenava um projeto de atividade física para a terceira idade (PROFIT), desde 1989. “Vimos na proposta do Playground uma possibilidade ímpar para aumentar o estímulo adequado para a prática regular de atividade física pela população idosa”, afirmou. A equipe do LAFE discutiu o design e as características dos aparelhos projetados e acompanhou os idosos em testes em protótipos instalados perto do laboratório, adequando os modelos. De acordo com o professor, foi buscado um conjunto de equipamentos que possibilitasse segurança, fosse atrativo e adaptado funcionalmente para idosos, bem como beneficiasse os diversos componentes de capacidade funcional (força, capacidade cardiorrespiratória, flexibilidade, agilidade, equilíbrio e coordenação motora). Como benefícios a quem pratica regularmente, Gobbi afirma


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que o Playground pode servir como motivação para a prática regular de atividade física; promover saúde, prevenindo doenças; contribuir para a reabilitação, primordialmente em casos de limitações motoras. “Em resumo, contribuir para a manutenção da independência e autonomia do idoso, seus bens maiores”, conclui o professor.

Instalação e novos usos Tudo pronto e testado, o primeiro conjunto foi instalado em setembro de 2006, com apoio do governo municipal, em São Caetano do Sul/SP, cidade do ABC paulista, onde Artur mora desde 1951. Hoje trabalhando sozinho com a saída da Vanzetti, o idealizador abriu a empresa Playlong Indústria e Comércio. Pensado inicialmente para idosos, o Playground apresenta agora outros usos. “Temos constatados que centenas de fisioterapeutas levam seus pacientes até a um espaço onde esteja instalado o Playground e utilizam os aparelhos de acordo com as necessidades terapêuticas de cada um”, conta Artur. Também algumas APAEs se interessaram e instalaram os aparelhos, como as de Araraquara/SP, Lençóis Paulista/ SP e Ituverava/SP, e Alfenas/MG. “Em 2010, decidimos buscar algo diferente para nossos alunos com idade acima de 20 anos, que compunham o projeto do Centro de Convivência”, conta Daniela Lourenço Gomes Spadotto, diretora técnica administrativa da APAE de Lençóis Paulista/SP. Apesar deles fazerem uma série de atividades físicas, como natação e aulas em academia, e orientações da nutricionista, engordavam cada vez mais. “A questão de perder peso é para melhoria da saúde e qualidade de vida, por isso nossa preocupação foi com o bem estar dos alunos durante as atividades físicas,

não queríamos que esse processo fosse maçante e sim mais um momento prazeroso e de lazer”, explica. A equipe conheceu o Playground pela internet e considerou que seria uma boa opção. Com aprovação do Conselho da Criança e do Adolescente, os aparelhos foram instalados em janeiro último. Para surpresa dos técnicos, os alunos menores começaram a usar os aparelhos em horários de recreação no pátio e agora crianças a partir de 7 anos também fazem uso deles. Daniela afirma que já tiveram resultados positivos, como no caso de fisioterapia, em que são trabalhados exercícios de coordenação e fortalecimento, além da barra paralela para auxílio do treino de marcha. “Sem contar que para eles, o sair da sala e ir para um ambiente ao ar livre é mais motivante”, conta. Também os setores de terapia ocupacional, psicologia e educação física estão utilizando o espaço. Quando esses profissionais não fazem suas atividades, o play pode ser utilizado pelos professores, demais técnicos e também alunos em recreação. “A aceitação foi muito boa, os alunos realizam as atividades sem perceber que estão se exercitando. Ainda é cedo para termos resultados em emagrecimento, mas pela satisfação que estão tendo nesse local, já dá para perceber que também atingiremos esse objetivo”, conclui a diretora. Artur tem ainda outra proposta: “Sonho com a possibilidade em disseminar a idéia junto ao público com deficiência visual, parcial ou total, pois da maneira usual que ele se movimenta e a liberdade de movimentos que o Playground proporciona, não poderia ter melhor aplicação para o aumento de sua capacidade funcional. É só uma questão de tempo”, garante.


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por Luciene Gomes

Tornar os ambientes acessíveis não é um bicho de sete cabeças

Foto: Nilson Garcez

Foto: Cristina Gomes

RAMPAS: Uma rampa adequada deve considerar em seu projeto, entre outros itens, a largura recomendável de 1,50 m, com inclinação máxima de 8,33%. Se o local não tiver espaço suficiente para sua construção ou instalação, ou se for necessário o uso de uma rampa muito extensa (o usuário pode sentir desconforto ao percorrer um longo percurso) ou se o custo for elevado tornando o seu uso inviável, outras soluções devem ser consideradas. PLATAFORMAS E ELEVADORES: as plataformas podem ser utilizadas em locais onde não é possível a construção de uma rampa acessível. Sua a altura máxima deve alcançar 4 m e, quando a altura for acima disso, são indicados os elevadores de acessibilidade, já que eles podem alcançar até 12 m. O enclalusuramento não é obrigatório para alturas de até 2 m. Acima disso, o fechamento

é obrigatório. Em áreas externas, o enclausuramento é sempre indicado por conta da ação do tempo. Quando a altura a ser vencida for acima de 12 m, a escolha deve ser pelo elevador predial “padrão”. Em lugares onde o espaço não é suficiente para a instalação dos modelos acima citados, é possível utilizar outro tipo de plataforma ou, em casos específicos, as cadeiras elevatórias. Esses equipamentos, além de serem mais compactos, podem ser instalados ao longo de barras ou guias em escadas já existentes, retas ou com curvas, em ambientes externos ou internos. Para as atividades realizadas em piscinas, os elevadores também podem ser utilizados por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Um bom equipamento deve possuir altura e posição do assento adaptável à postura do usuário e se adaptar a qualquer piscina. A escolha da melhor solução deve ser feita por um profissional habilitado que vai considerar cada caso, de acordo com a necessidade do projeto. As Normas Técnicas necessárias também devem sempre ser atendidas na fabricação, na instalação e manutenção dos equipamentos, assim como é sempre recomendável nos locais onde serão instalados, a presença de uma pessoa capacitada a operá-los e conduzir o usuário sempre que necessário. Essas medidas devem garantir assim segurança, conforto e independência aos usuários. Foto: Cristina Gomes

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uso dos conceitos do Desenho Universal e Acessibilidade implicam em usar todos os recursos disponíveis para que um ambiente ou um produto possa atender a qualquer pessoa, inclusive pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Para isso, é importante saber quando e onde utilizá-los. Por exemplo, o uso de degraus em um ambiente pode limitar o seu uso, principalmente quando se buscam espaços livres de barreiras arquitetônicas. Para tornar o lugar acessível, existem Leis e Normas de Acessibilidade, que exigem o uso de outras soluções que possam vencer desníveis superiores a 15 mm.

Luciene Gomes usa cadeira de rodas, é arquiteta e urbanista, sócia do escritório “Plano Livre – Arquitetura e Acessibilidadde”, especializado em projetos acessíveis e consultoria.


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por Frederico Viebig

O Contraste

C

ontraste é a percepção das diferenças, através dos sentidos, mas mais do que isso é uma unidade de medida. Pode ser determinado, equacionado, referenciado, projetado, medido e controlado. Vamos falar rapidamente sobre o contraste dos principais sentidos do ser humano: visão, tato e audição. É fácil entender o “contraste visual”, pois que a maioria dos seres humanos percebe as diferenças de cores. Que digam os pintores, os cineastas, os fotógrafos, os designers. Além de cores nossa visão dupla permite perceber profundidades, perspectivas, e demais contrastes nos ambientes, ou seja, em três dimensões. Mas há grupos de humanos que não têm essa facilidade de percepção. E que não se pense que são grupos pequenos. Cerca de 10% dos seres humanos masculinos são considerados daltônicos! Ou seja, têm baixa percepção das diferenças de cores. E como eles convivem ? Por meio do contraste de luz ! Mais tecnicamente da diferença de luminância, ou seja, da capacidade de percepção das diferenças de tonalidades entre claro e escuro. Aliás, não são apenas alguns humanos que não percebem cores. Há animais que também têm essa característica, como: cavalos, cachorros, leões, e tantos mais. E todos eles desenvolvem suas habilidades dentro de seus ambientes, percebendo os contrastes dos mesmos.

Mas como ficam as pessoas cegas ? Que contrastes elas percebem ? Pessoas cegas desenvolvem mais sensibilidade de percepção de contrastes em outros sentidos como o da audição e do tato. O “contraste tátil” se dá pela percepção do corpo físico, pela pele e suas terminações sensitivas. Percebe diferenças de temperatura, de formatos físicos, de pressões atmosféricas entre outros. Diferenças entre quente e frio, liso ou rugoso, redondo ou quadrado, forte ou fraco são exemplos

de percepções de contraste.

E o “contraste sonoro” ? Como é ? Dá-se pela percepção das diferenças de sons. Percebem-se diferenças de grave e agudo, alto e baixo, suave ou irritante, timbres, entre outros. Uma orquestra filarmônica tem muitos instrumentos cada um com suas características e certamente o contraste entre um violino e um oboé é fácil de perceber. Ou mesmo a diferença entre uma orquestra e uma banda de rock. Assim, permitir a inclusão social das pessoas, com deficiências ou não, é dotar os ambientes de características contrastantes em sua construção sem prejuízo de qualquer pessoa. Que se desenhem e projetem os mais diferentes ambientes, seguros, bonitos, alegres e agradáveis, mas que tenham contraste que possam ser reconhecidos por todos.

O Contraste como Medida Contrastes Visuais, Táteis e Sonoros podem ser determinados, medidos e controlados para definir graus de percepção diversos a diversos grupos de pessoas. Exemplos típicos, peculiares e exóticos, são os provadores de café, vinhos, e até dos cheirinhos de carro novo ! A percepção das diferenças são valores de medida, que especificam e permitem controle das qualidades dos diversos agentes do ambiente.

Luminância = intensidade luminosa refletida por uma superfície dividida pela área visível para os olhos


91 O contraste visual A percepção visual pode ser medida através da Luminância. Esta é definida como a luz recebida pelo olho humano refletida de uma superfície qualquer. É medida em candelas por metro quadrado ! Desta forma, se medirmos a Luminância de duas superfícies e compararmos seus valores, podemos determinar, sob uma mesma unidade (cd/m2), a diferença entre elas que resulta no valor de contraste. Importantíssimo é que esta diferença, portanto o contraste, independe da fonte de luz, do tipo de radiação luminosa e demais interferências, quando comparamos essas superfícies sob as mesmas condições. O “Contraste Visual” pode ser medido mais simplesmente por aparelhos que indicam o LRV – Valor da Luz Refletida - cujo princípio é estabelecer uma escala de “zero” (preto absoluto) a “cem” (branco puro), que possa ser lida facilmente e comparada. Há todo um estudo técnico a respeito em artigo científico específico. Desta forma, comparando-se as leituras de LRV obtemos o ∆ LRV, que é valor que deve ser especificado nos projetos e construções para proporcionar o menor contrate admissível, principalmente para as Pessoas com Deficiência. Estudos internacionais demonstraram os valores mínimos de ∆ LRV, para cada aplicação.

Aplicação do contraste O contraste deve ser usado para situações que exige compreensão do ambiente construído. O contraste ajuda pessoas com baixa visão e problemas cognitivos a ter melhor orientação no espaço físico. No entanto o contraste com brilho não é recomendado; isso pode confundir pessoas com baixa visão. Para distinguir os pavimentos de um edifício recomenda-se usar contraste acima de 20

APLICAÇÃO VISUAL Áreas amplas (parede, piso, portas, teto) Elementos e componentes para facilitar a orientação (corrimãos, controles, pisos táteis) Perigo em potencial Texto informativo (sinalização, placas, diretórios)

pontos na escala LRV. O contrate também deve ser usado na informação visual e para alertar perigos em potencial.

Os equipamentos de medição

Nas fábricas e laboratórios os aparelhos científicos que medem e certificam os produtos são chamados de “espectofotômetros”. Têm a capacidade de medir o contraste e ainda as radiações luminosas. São aparelhos caros, de precisão e servem a desenvolvimento e controle de qualidade de diversos produtos, como: tintas, tecidos e plásticos, entre outros. Os equipamentos que medem o LVR já são bem mais simples, baratos, portáteis o que permite sua aplicação como elemento de projeto, controle e fiscalização. Há fabricantes nacionais e internacionais, com produtos que incorporam inclusive outras facilidades como medidores de nível, de ângulos de rampas etc. Procure por “LRV Meter” ou Medidores de LRV.

Os Materiais Os materiais a serem utilizados na construção do ambiente contrastante, organizado e acessível, devem levar em conta o LRV das superfícies adjacentes. Pisos X paredes, paginação de pisos, corrimãos X paredes, textos X seus substratos, paredes X batentes, e ainda os equipamentos e mobiliário disponível. Os produtos para essa construção devem trazer em suas especificações ou mesmo gravado em seus bens físicos os valores de LRV de cada um, como forma de permitir ao projetista e construtor a aplicação correta em suas obras. Façamos de nossos ambientes uma fonte de bem estar, com segurança para qualquer pessoa. Utilizemos nossos dons especiais para construir um mundo de ambientes ótimos para todas as pessoas. Ou seja: “O Mundo Todo para Todo Mundo” !!!

DIFERENÇA NA ESCALA LRV - ∆ LRV ≥ 20 pontos ≥ 30 pontos

≥ 60 pontos ≥ 60 pontos

Frederico Viebig

é engenheiro, Diretor Geral da Arco Sinalização Ambiental, coordenador da ABNT - CB-40 - CE.01 - GT Sinalização


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A

penas 1,3% dos 5.036 estabelecimentos de hospedagem existentes nas capitais brasileiras em 2011 declararam possuir unidades adaptadas para pessoas com deficiência. O levantamento, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério do Turismo, foi divulgado no final de fevereiro e mostra a carência do setor em um país que, além das viagens habituais, receberá em breve visitantes para dois grandes eventos: a Copa em 2014 e as Olimpíadas e Paralimpíadas em 2016. No Rio de Janeiro/RJ, que sediará os Jogos Paralímpicos, apenas 0,9% dos estabelecimentos (272 entre 31.594) possui unidades adaptadas. São Paulo/SP também tem apenas 0,9% dos estabelecimentos (511 entre 54.065). As capitais que possuem os maiores porcentuais são Maceió/AL (3,4%), Teresina/PI (2,8%), Porto Velho/RO (2,5%) e Aracaju/SE (2,5%). Em termos absolutos, São Paulo e Rio possuem os números mais altos, seguidos por Natal/RN (237), Brasília/DF (220) e Maceió/AL (219). Os menores estão em Macapá/ AP, com 14 unidades adaptadas, Boa Vista/RR (15) e Vitória/ ES (26). A pesquisa completa, que incluirá os municípios das regiões metropolitanas das capitais pesquisadas, ainda será divulgada. Para Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RJ), as principais dificuldades enfrentadas para fazer as adaptações necessárias, são as mudanças nos projetos e o custo de adequação. Ele afirma ainda que o fluxo de turistas com deficiência, no geral, é muito baixo. Lopes afirma que, com a proximidade da Copa e Olimpíadas, todos os novos hotéis já estão com unidades disponíveis conforme regulação em vigor e os já construídos passam por reformas. “A hotelaria do Rio já promoveu um extenso trabalho ao lado de pessoas com deficiência visual que serve de orientação nacional sobre a matéria”, garante o presidente.

Projeto de adequação no Rio O Hotel Novo Mundo, inaugurado em 1950, passa por reforma desde 2010. Já estiveram em obras o centro de convenções, a torre de apartamentos, a área social, recepção e lobby e no momento os trabalhos estão na área de alimentação. “Dentro desses projetos, o requisito aces-

sibilidade teve sempre uma preocupação de ser contemplado da melhor maneira possível. A lei que rege os estabelecimentos hoteleiros estabelece que para cada 100 unidades o hotel deve ter uma habitação adaptada - com 231 apartamentos temos 3 unidades preparadas. Há ainda banheiros sociais, rampas de acesso, balcão para check-in na recepção, elevadores com sinalização, cardápios em Braille e funcionários treinados no curso de Libras para atendimento especial”, explica o gerente geral Bernardo Schneebeli. Ele conta que o retorno foi o melhor possível: “dar a possibilidade de PcD usufruir dos nossos serviços nos traz uma satisfação imensa. Tivemos um aumento de 50% em nosso movimento nesse nicho de mercado, porém essa parcela ainda é muito pequena comparada ao restante dos nossos clientes”, afirma o gerente. Dorys Daher, arquiteta do Escritório DG Arquitetura, conta que os quartos adaptados já existiam quando começaram as obras. Ela ficou encarregada da reforma na entrada principal, recepção, lobby , administração e Piano Bar. Como itens de acessibilidade ela colocou rampa de acesso na entrada principal e balcão de recepção baixo. “Nos ambientes foram considerados acomodação e circulação para todos. Evidente que, por se tratar de uma reforma, temos determinadas restrições, mas sempre é possível achar uma alternativa”, argumenta. A arquiteta não considera difícil a adaptação dos hotéis: “Basta constar no projeto. É uma questão de atenção, cidadania e atendimento”, diz Dorys, para quem os projetos não são dispendiosos: “Vale lembrar que não só as pessoas com deficiência são beneficiadas com rampas, por exemplo, e sim qualquer pessoa com dificuldade de locomoção, idosos e carrinhos de bebê”.

A experiência do Sul O Personal Royal Hotel, em Caxias do Sul/RS, está acostumado com hóspedes com deficiência. Já sediou, inclusive, dois eventos especiais para esse público: “Tivemos que fazer um

Foto: Otavio Furtado

Turismo no Brasil: uma difícil realidade


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treinamento próprio para que os funcionários aprendessem a receber essas pessoas, sem que nenhum dos lados ficasse constrangido”, conta o gerente geral Jerson Martins. Com quase 7 anos de vida, o Personal já na sua construção se preocupou com a questão: todas as entradas e saídas têm acesso através de rampas ou elevadores. Os banheiros sociais foram adaptados e há cadeiras de roda higiênicas e padrão, além de seis apartamentos com adaptação. “Estamos providenciando cardápios em braile e indicativos sonoros de saída de emergência”, explica Martins. A meta é chegar a 10 unidades adaptadas. “É preciso entender que este é um público diferenciado. Se a adaptação for vista como custo e não como um investimento de retorno futuro, fica difícil investir”, considera o gerente.

Certificação O país tem apenas um empreendimento certificado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), de acordo com a norma NBR 9050, editada em 2004. Em 2010, o Parque dos Sonhos e o Campo dos Sonhos, do empresário José Fernandes, em Socorro/SP, receberam o selo. As certificações são feitas em caráter voluntário, explica Antonio Carlos Barros de Oliveira, gerente-geral de Certificação da ABNT. Os projetos devem ser submetidos à entidade para apreciação e aprovação. O gerente acredita que existe resistência a propostas inovadoras da parte dos empresários e também que há desconhecimento das normas e legislação aplicáveis. Do outro lado, Oliveira considera que há falta de iniciativa por parte dos poderes constituídos e cobrança dos organismos responsáveis: “se não tem ação não há reação”, considera. Socorro/SP é uma cidade referência em Turismo de Aventura Especial, segundo o Ministério do Turismo. “Além das adaptações feitas nas acomodações, como instalação de barras, rampas, rotas

acessíveis, espaçamento das portas, altura dos móveis entre outras, foi necessário também treinar nossos funcionários para atender corretamente esse público”, lembra Fernandes. “Por isso, nossos condutores fizeram cursos específicos para lidar com pessoas com deficiência nas diversas atividades que disponibilizamos no hotel”. Ele conta ainda que o atendimento passou por adaptações com o uso de telefone exclusivo para pessoas com deficiência auditiva e também alguns funcionários fizeram o curso de Libras para melhor atendimento. “No período de dois anos antes da certificação tivemos que avaliar e realizar muitos investimentos para que todas as exigências da ABNT fossem implementadas nos dois locais”, conta o empresário. Os hotéis possuem chalés e apartamentos totalmente adaptados, proporcionando segurança e autonomia. Há sinalização vertical e horizontal com rotas acessíveis, cardápio em braile, central de reservas para surdos e espaço para cão guia. Além de toda a infraestrutura, há diversas atividades adaptadas como tirolesa, arvorismo, bóia-cross, rapel, cavalgada, charrete, cadeira para trilha (para as trilhas mais fechadas, onde não é possível entrar com cadeira de rodas convencional), bicicletas, triciclos e quadriciclos. Para o empresário, o número baixo de empreendimentos adaptados se deve, principalmente, à falta de fiscalização, principalmente das prefeituras, que poderiam, através dos alvarás e departamentos de obras, obrigar todos os empreendimentos a se adaptarem. Ele acredita que outra questão é a falta de conscientização dos empresários sobre o potencial desse mercado, que em número de pessoas no Brasil, representa mais do que um país como a Argentina, por exemplo. As pessoas com deficiência têm grande dificuldade de encontrar locais preparados e com isso há uma demanda reprimida para esse público, ele acredita. “A cada dia ficamos mais surpresos sobre o papel que temos cumprido em termos de responsabilidade social e, principalmente, com a gratidão por estarmos criando essa oportunidade de acesso a atividades que jamais pensavam em fazer, como paraplégicos e tetraplégicos realizarem cavalgadas, passeios de trator, tirolesa, rafting, entre outras. Além desse papel social, estamos otimizando todo o nosso negócio e conseguindo ter um resultado econômico significativo”, garante Fernandes.


sensualidade

foto: Kica de Castro

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“A beleza existe nas diferenças, basta observar...”

Cleonice Terra de Faria 26 anos - Paralisia Cerebral



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