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Expediente Direção Geral Pei Fang Fon Fotografia Daniel Lima Pei Fang Fon Yzza Albuquerque Revisão Pei Fang Fon Yzza Albuquerque Capa Lucas Marques Pei Fang Fon Equipe Daniel Lima Jonas Sutareli Lucas Marques Pei Fang Fon Renato Tiengo Yzza Albuquerque Agradecimento Kedma Villar, Naipe Records, Cactus, FotoFon, Salto Comunicações, Reign in Metal, Otherside Produções Colaboradores nesta edição Antonio Fon Contato Email: contato@rockmeeting.net Orkut: Revista Rock Meeting Twitter: http://twitter.com/rockmeeting Veja os nossos outros links: www.meadiciona.com/rockmeeting

Editorial Mais uma edição. Nº 13. Para muitos, o número do azar. Para nós, o número da confirmação de que o trabalho está tendo continuidade. “Aos trancos e barrancos” sobrevivemos aos mais ferrenhos sentimentos de tristeza, revolta, desmotivação... Como? Não sabemos. Mas estamos aqui. A certeza de tudo o que já foi feito está nas nossas páginas: entrevistas com bandas conhecidas, parcerias, leitores que participam, bandas que contribuem... Alguns destes elementos têm feito de nós mais fortes. Sim, fortes! Por meio de tantas pedras que enfrentamos e ainda enfrentaremos no caminho, sempre houve e haverá motivos que nos farão lembrar de que o trabalho desenvolvido não foi em vão. Nesta edição, apenas queremos dizer uma coisa para todos os nossos leitores, todas as bandas que já passaram por aqui, as pessoas que já foram entrevistadas, os nossos parceiros que acreditaram em nós: MUITO OBRIGADO!!! Sem vocês, esta semente não teria germinado, nem crescido. Agora queremos mais. Vamos lutar para isso. E esperamos que todos que aqui foram representados, estejam cientes de que fizeram parte do nosso crescimento. Muito obrigado! Nossos sinceros votos de felicidade. Você, sim... Você!!! Faz parte da nossa vitória.


Índice

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J Rock - 02 World Metal - 05 Dominus e Apokalyptic - 07 Um ano Rock Meeting - 10 Caravellus - 16 Perfil RM - 21 Ação Social - 23 Eu estava lá- 25

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07 Imagem do site CG Texture


Cena alagoana que vai além dos eventos de anime e cultura pop japonesa

Festival AL

J ROCK

Por Lucas Marques (@lucasmarx | lucas@rockmeeting.net) Fotos: Divulgação Quando se ouve falar em Jrock, a maioria das pessoas imediatamente se perguntam, “o que é isso?”. Jrock nada mais é que a abreviação de Japanese Rock, um nincho musical que abrange várias vertentes do Rock, contrariando a maioria das pessoas que pensam que se trata de um estilo musical específico. Dentro do Jrock, há uma vertente que é sempre uma das primeiras características a serem lembradas quando se fala sobre o assunto, o Visual Kei. O Visual Kei teve início ainda na década de 1980, tendo como sua principal referência o Glam Metal ocidental. Bandas como X-JAPAN, D’ERLANGER, NIGHTMARE, DEAD END, BUCK-TICK, Kamaitachi e COLOR, são consideradas pioneiras do movimento. Como o Jrock em si, o movimento Visual Kei não envolve um estilo musical específico: sua característica principal é a ênfase no visual de seus artistas. Um movimento que se caracteriza por suas propriedades andróginas e extravagantes, que oscilam entre formas mais exageradas e mais leves, cada banda com sua própria característica. Por tudo isso, o Visual Kei se tornou uma característica emblemática do Jrock. No Brasil, como na maioria dos outros lugares do mundo, o Japanese Rock ganhou maior força graças aos Animes e aos Tokusatsus, que ganharam maior destaque em meados dos anos 1990 e têm se popularizado cada vez mais graças à internet. As animações japonesas quase sempre trazem em suas aberturas e encerramentos grandes ídolos da sua música, popularizando assim seus artistas para o resto do mundo. Por aqui, há ainda muita desinformação sobre o assunto, o que acaba limitando o Jrock à simples associação com os animes, ou seja, Anisongs. Mas as coisas estão mudando. Graças aos eventos de cultura pop japonesa, onde são apresentados vários atrativos para quem curte a cultura oriental, o espaço para o Rock japonês está crescendo no Brasil. Esses eventos já se tornaram bem populares, e trazem todos os anos artistas de grande expressão do cenário musical japonês. Mas nem todas as convenções têm


como trazer esses artistas. Inspirados nisso, uma emergente cena Jrock foi criada no Brasil, servindo de estímulo para que apreciadores do estilo pudessem formar suas bandas do estilo por aqui. Em Alagoas, esse movimento é relativamente novo, tendo início por volta de cinco anos atrás, com as bandas ANDROID~MONKEY e BANZAI, ambas atualmente com as suas atividades encerradas ou em um longo hiato. Com a inatividade dessas bandas, os eventos de cultura pop japonesa passaram a convidar bandas de fora do estado para animar seu público aos finais de cada edição, o que foi interessante para a mobilidade da cena. Mas a galera alagoana sentia falta de bandas nossas. Pensando nisso, foi criada a banda Venom Shoyu, que pegou uma nova geração de apreciadores do Rock oriental, e junto com a então recém formada banda Harakiri, fizeram reviver a cena Jrock no estado. Com o fim dessas duas bandas, mais bandas do estilo começaram a surgir, e o espaço dos eventos de cultura pop japonesa já não é mais suficiente para as bandas alagoanas.

1º Festival JRock em Maceió No último dia 12, rolou em Maceió o 1º Jrock Festival, um evento voltado totalmente para a música japonêsa, que teve como foco promover essas bandas novas que surgiram no cenário musical alagoano. O evento aconteceu no Kfofo Music Bar e teve apoio da Lobão Produções, que contribuiu para o sucesso do evento. Por problemas técnicos, o show começou com certo atraso, mas nada que fizesse com que o ânimo do público, que esperava ansioso na porta, diminuísse. Quem abriu o show foi a J-neration. Fazendo cover da banda “One ok rock”, ela chegou cheia de gás e deu uma bela

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esquentada no público, que já quase lotava o Kfofo. A segunda banda que agitou a noite foi a Shoryuken, que fez a galera pirar ao tocar alguns temas clássicos de animes. A qualidade do som dos caras fez com que a galera não parasse um minuto de pular e cantar junto. Em seguida, a galera da Shönen Party subiu ao palco. Apesar dos problemas na equalização do som, a banda veio com tudo! A Shönen fez uma coisa diferente em seu show: além de seu repertório repleto de Jrock da melhor qualidade, ela fez covers de bandas ocidentais como Arctic Monkeys e Drowning Pool, não deixando ninguém ficar parado ao tocar o hit “Bodies”.

A quarta banda a tocar foi a Ikari, que levou um repertório recheado de clássicos do Jrock, como a banda X-Japan, e músicas temas de animes e temas de games. A Ikari protagonizou o que foi considerado por muitos o ápice do show. Embalados pelo popular game ‘Guitar Hero’, a galera da Ikari fez um cover da música “Through the Fire and Flames” da banda Dragonforce, e, apesar da falha técnica no começo da canção, a banda fez um épico cover e fez a galera ir à loucura! Quem fechou a noite foi a banda Last Kamikaze, que apesar de ter metade de seu repertório cortado por conta dos atrasos, tocou com empolgação total. Tocando covers de bandas bem populares por aqui, como Maximum the Hormone, A.K.F.G e Gazette, a banda fez a galera ficar até o finalzinho pulando e encarando os cicle-pits como se fosse o começo do show. A banda ainda surpreendeu a galera ao tocar a música “Enter Sandman” do Metallica, o que certamente estimulou a todos a ficarem até o final. No final do show, todos esperavam pela participação especial da banda Venom Shoyu, mas por falta de tempo a banda não pôde tocar, o que causou certo constrangimento por parte do público. Mas tirando alguns imprevistos, o evento foi um grande sucesso. A casa permaneceu lotada do começo até o final, provando que é possível sair do eixo padrão do cenário musical alagoano, apostar em uma coisa nova e obter sucesso. Aguardem pelos próximos eventos.

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Carcass: Bill Steer é o segundo guitarrista do Angel Witch O guitarrista Bill Steer (CARCASS, FIREBIRD, exNAPALM DEATH) se juntou à lenda do NWOBHM, ANGEL WITCH, como 2º guitarrista. A formação 2010 do ANGEL WITCH é a seguinte: Kevin Heybourne - Guitar, Vocals Andrew Prestiedge - Drums Will Palmer - Bass Bill Steer - Guitar

Bullet For my Valentine: dois novos vídeos a caminho Os metaleiros do BULLET FOR MY VALENTINE conseguiram uma parceria com o diretor Nigel Dick (GUNS N’ ROSES, Black Sabbath, DEF LEPPARD, NICKELBACK) para dirigir seus novos vídeos para as músicas “Fever” e “Bittersweet Memories”. BFMV começou uma turnê com 32 datas pela américa do norte em 16 de setembro, em Wichita, Kansas. ESCAPE THE FATE, BLACK TIDE e DRIVE A são as bandas de abertura.

Dave Mustaine e Kerry King trocam elogios em entrevista Em entrevista cedida ao site Spin.com, Dave Mustaine, frontman do Megadeth, declarou que o show do Slayer é o melhor que já viu em toda a vida. “A energia deles é simplesmente demais. Nós (do Megadeth) tentamos dar o nosso melhor, mas em termos de energia ao vivo, eu nunca vi ninguém fazer o que o Kerry e o Slayer fazem”, afirmou.

Theatres des Vampires: novidades sobre o novo álbum Os italianos do Theatres des Vampires lançarão seu novo álbum, intitulado “Moonlight Waltz”, no dia 14 de janeiro do ano que vem. O CD foi gravado no estúdio Temple of Noise, em Roma, com a ajuda do produtor Christian Ice, e contará com a participação de Snowy Shaw (Dimmu Borgir, King Diamond, Mercyful Fate, Therion, Notre Dame) e Eva Breznikar (Laibach). Em entrevista recente, o tecladista da

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King não desperdiçou a oportunidade de dizer palavras gentis em troca. “Eu chamo o Megadeth de os nerds da guitarra. Não de um jeito ruim, mas eles são nerds da guitarra. Eles são muito bons no que fazem.” E ainda comentou: “Todas as quatro bandas (Anthrax, Slayer, Megadeth, Metallica - o Big Four) começaram no mesmo lugar, evoluíram e se tornaram um monstro de quatro cabeças.”

banda declarou que “Moonlight Waltz” será o álbum mais bem produzido da história do Theatres des Vampires. “Estamos encantados com a qualidade das partes orquestradas”, afirmou. Entre as canções que fazem parte do tracklisting oficial do álbum, estão “Carmilla” (já disponível no Myspace da banda), “Fly Away”, “Black Madonna”, “Obsession”, “The Secret Gates of Hades”, e a faixa que dá nome ao CD, “Moonlight Waltz”.


Apocalyptica: Vídeo de ‘Broken Pieces’ em parceira com Lacey (Fly­ leaf) Foi lançado o clipe do segundo single do 7th Symphony: Broken Pieces! O vídeo foi liberado no MySpace Germany. O single de ‘Broken Pieces’ será lançado dia 22 de outubro. Confiram o vídeo: h t t p : / / v i d s . m y s p a c e . c o m / index.cfm?fuseaction=vids. individual&videoid=106671190

Sepultura: Andreas Kisser fala sobre novo álbum da banda

Questionado pelo site da revista Guitar Player se o próximo álbum do Sepultura seria temático a exemplo dos dois trabalhos anteriores (“Dante XXI” e “A-Lex”), Andreas Kisser disse: “Sim, temos um conceito. Não será baseado em um livro, como os dois últimos trabalhos, mas de certa forma será! Na verdade, seremos influenciados pela própria história do Sepultura, a nossa biografia. São 25 anos de trajetória musical, com muitas experiências e viagens, até chegar aos dias de hoje. O agora, o momento atual,

Paul McCartney: show em Porto Alegre é confirmado Depois de muita especulação, a apresentação de PAUL MCCARTNEY na capital gaúcha foi confirmada no início da tarde desta quarta-feira (29). O show do ex-BEATLES realmente será no dia 7 de novembro, no estádio Beira Rio, conforme o Whiplash! antecipou na última semana. O anúncio da confirmação foi feito em São Paulo, pelo vice-presidente executivo do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, e por

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Nine Inch Nails: disco vai virar minissérie da HBO/BBC De acordo com informações da Rolling Stone Brasil, o álbum “Year Zero”, lançado pelo NINE INCH NAILS em 2007, vai ser adaptado e virar minissérie de TV em uma parceria da HBO e da BBC Worldwide Productions. A informação foi revelada pelo vocalista Trent Reznor durante entrevista ao jornal Los Angeles Times, publicada na última terça (28). A ideia busca transformar o disco conceitual em uma série de ficção científica baseada nos temas do álbum. será a nossa maior inspiração, revendo o passado e vivendo o presente. Ou seja, o porquê de estarmos aqui depois de tanta coisa que mudou, dentro e fora da banda, e, mesmo assim, continuarmos a tocar e curtir muito o que fazemos. Temos escrito algumas músicas desde a turnê na Europa [nos últimos meses]. Agora estamos aperfeiçoando as ideias, e as canções estão fluindo muito bem. Estão mais trabalhadas, mais longas, uma característica dos temas mais antigos do Sepultura”. O novo CD do Sepultura começará a ser gravado no meio de novembro e segundo Kisser há cinco músicas sendo trabalhadas neste momento mas ainda sem nomes e disse que a previsão é que em março de 2011 seja lançado.

Dody Sirena, da DC Set Promoções (produtora responsável pela turnê brasileira do músico). “É um momento histórico trazer um ex-BEATLES a Porto Alegre”, comentou Melzer. PAUL MCCARTNEY passará também por São Paulo, nos dias 21 e 22 de novembro no estádio Morumbi; e em Buenos Aires, no dia 15 do mesmo mês. Os ingressos para o espetáculo na capital gaúcha começam a ser vendidos a partir da próxima semana.


DOMINUS PRAELII E APOKALYPTIC RAIDS

A MILÍCIA DO METAL INVADIU MACEIÓ No dia 5 de setembro de 2010, a turnê sul-americana Power Militia, que conta com as bandas Apokalyptic Raids (RJ) e Dominus Praelii (PR), passou por Maceió. A Rock Meeting esteve lá. Confira um pouco do que vimos! Pei Fang Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Yzza Albuquerque (@yzzie | yzza@rockmeeting.net)

A

noite começou da maneira mais “porrada” possível. Depois do atraso considerável já típico dos shows de Rock em Maceió, a Goreslave subiu ao palco em grande estilo, providenciando uma válvula de escape para toda a frustração dos fãs de Metal presentes. Como sempre, o trio, composto por Messias Júnior (bateria e vocal), Adeilson Júnior (guitarra) e Edilson Lyma (baixo e backing vocals), promoveu um verdadeiro massacre, levando o público à loucura a cada música tocada. Os grandes momentos da apresentação da banda foram as execuções de duas covers: a primeira sendo dos monstros poloneses do Black/ Death Metal do Behemoth (“Antichristian Phenomenon”), e a segunda, dos veteranos americanos do Death Metal do Cannibal Corpse (“Hammer Smashed

Face”). Além dessas canções, a Goreslave também tocou músicas próprias, todas já conhecidas da galera, como “Ascendancy to Chaos” e “An Evil Between Us”. Seguindo a sequência da noite, a banda carioca de Death/Black Metal Apokalyptic Raids mostrou a sua força. O som da banda é mais “sujo” e carregado de influências oitentistas, o que agradou ao público que foi prestigiá-la, respondendo da melhor maneira possível: fazendo circle pits e batendo muita cabeça. A banda é composta por Leon Manssur (vocal e guitarra), Vinícius Canabarro (baixo) e Márcio Cativeiro (bateria). O trio carioca acelerou a insanidade do público após a apresentação esmagadora da Goreslave, com o seu som rápido e envolvente. Ao som de “I’m a Metalhead”, o público respondeu às investidas de


Mansur nos vocais, levando ao delírio os apreciadores do estilo - toda uma prévia do que seria a insanidade com a entrada da banda p a ra n a e n s e , Dominus Praelii.

bandeira com a logo da banda e muito Heavy Metal. Com o colombiano Jorge Bermudez nos vocais, o fundador Silvio Rocha e também Evandro Romero nas guitarras, Rene Warrior no baixo e o já bem conhecido do público maceioense Helmut Quacken na bateria, a Dominus Praelii fez uma apresentação que deixaria qualquer Metal maniac orgulhoso. Tocando músicas próprias e fazendo todos os presentes cantarem em coro os refrões de canções como “Raise Your Axe” e “Hard Deadly Wheels”, a banda com certeza não decepcionou. Também fez parte do setlist a música “Get Out”, do novo álbum, intitulado “Keep the Resistance”. Entretanto, o ponto mais alto da apresentação foi a hora em que os caras tocaram “Cold Winds”, do álbum “Holding the Flag of War”: o público observava estarrecido enquanto a banda executava a canção com maestria, com direito até a coreografia sincronizada, muito imitada por alguns.

A Do m i n u s Praelii fechou a noite da me lhor maneira possível. Seguindo a linha de g r a n d e s g r u p o s musicais, como o Manowar, o Judas Priest e noite do dia 5 só comprovou o Grave o que todo frequentador da Digger, o cena underground sabe de cor quinteto subiu ao palco munido de uma enorme e salteado: que o Metal está vivo, respirando, e vai muito bem, obrigado.

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UM ANO DE ROCK MEETING

Edição de aniversário Texto: Pei Fang Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Fotos: Antonio Fon (@antoniofon | www.fotofon.com.br)


UM ANO

CELEBRADO EM GRANDE ESTILO


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tão “agendado” dia 25 de setembro foi ansiosamente esperado. Nunca se fez tanto alarde para uma data como para este dia. Muitas expectativas foram criadas em torno do primeiro evento realizado pela Revista Rock Meeting, no seu primeiro ano a frente de uma mídia inovadora que veio para resgatar o que há de melhor do Rock and Roll alagoano. Numa comunidade de um site de relacionamentos, era possível ver o quanto o público de Alagoas comentava sua ansiedade, através dos tópicos criados pela organização do evento. Precisamos de quatro meses para organizar, buscar parceiros e patrocinadores, em prol da realização do primeiro aniversário da Rock Meeting. Muitas questões foram sanadas durante este período, e outros perduraram até o dia e a hora do show. No fim, tudo deu certo. A comemoração ocorreu no KFofo Show House, localizada no bairro de Jaraguá, em Maceió. Para o primeiro evento, foram chamadas as bandas que já passaram pela revista e outras que têm se destacado no cenário atual de Alagoas. Duas bandas de Pernambuco foram convidadas para fazer parte do line-up do evento, como forma de agradecer às parcerias feitas junto a Otherside Produções. Powerslave (cover de Iron Maiden), Goreslave (Death Metal), Forloxcia (União dos Palmares – Heavy/ Thrash Metal) e Mia Dolce Vendetta (Metal/ Hardcore) foram as bandas alagoanas. Pandemmy (Thrash/Death Metal – PE) e Cangaço (Heavy/Folk – PE) foram as principais.

O evento A festa começou com um atraso maior do que o previsto. A organização se programou para iniciar o evento às 20h, mas, infelizmente, por conta do operador da mesa de som, o evento só foi iniciado uma hora depois. A falta de profissionalismo do operador prejudicou o andamento dos horários que estavam definidos, e atrapalhou o desempenho da última banda, de União dos Palmares. Por volta das 21h, a Powerslave iniciou a noite tocando para os Maiden maniacs alagoanos. A banda tem pouco tempo de formação, mas já conquistou o gosto do público mais exigente. A grande surpresa da banda foi o setlist enigmático, que até os mais devotos fãs da Donzela de Ferro não souberam decifrar. “The Wicker Man” foi a primeira música tocada, seguida de “Rainmaker”, o que já levantou o espírito do público. Na sequência, vieram: “Be Quick or Be Dead”, “Flight of Icarus”, “El Dorado”, “Flash of the Blade”, “Children of the Damned”, “Fates Warning”, “Man on the Edge” - com participação de Daniel DaVoiz (Vocalista da IMDY Project) - e “Hallowed Be Thy Name”. A banda é formada por Renato Dickinson (vocal), Messias Júnior (bateria), Breno Murray (guitarra), João Goulart (guitarra), Marlus Martins (guitarra) e Jeff Santos (baixo). Sem perder tempo com a arrumação da bateria, Messias descansava enquanto aguardava a entrada dos dois integrantes


preocupar com isso, o grupo, que foi criado recentemente, trouxe na sua bagagem um som pesado e que impressionou até os mais pessimistas. De cara, eles tocaram a sua mais nova música, “Issei Sagawa”. Os Metalheads ficaram impressionados com a força que a banda impulsionou para aumentar ainda mais atmosfera e os ânimos de todos. O setlist da banda variou entre muitas músicas próprias e dois covers, entre eles “La Migra”, do Brujeria, que contou com a participação de Rodolfo Medeiros nos vocais. As músicas tocadas foram: “Monologue”, “The Price of Lie”, “Forgiveness”, “Crucificados pelo Sistema” (Ratos de Porão), “Destruction” e “Do Not Raise Your Hands in the Sky”. A Mia Dolce Vendetta subiu ao palco com a seguinte formação: Hudson Feitosa (guitarra), Carlos Peixoto (baixo), Saulo Lessa (vocal), Igor Calado (guitarra) e Diogo Borges (bateria). da Goreslave restantes: Adeilson Júnior (guitarra) e Edilson Lyma (baixo e backing vocals). A banda é sempre esmagadora nas suas apresentações, e o setlist não deixa por menos. Contando com músicas próprias e dois covers, a banda trouxe a áurea do Metal Extremo para o KFofo. Muitos circle pits foram criados, e o público acompanhava a explosão de técnica e velocidade da bateria que Messias ditava, além de cantar, o que já era um trabalho difícil. O setlist foi “Ascendancy to Chaos”, “An Evil Between Us”, “Redeemer’s Wounds”, “Antichristian Phenomenon” (Behemoth cover), “Condemned to Eternal Anguish” e “Hammer Smashed Face” (Cannibal Corpse cover). Depois da agressividade extrema do Goreslave, subiu ao palco a banda que mais recebeu críticas por estar no line up do evento: a Mia Dolce Vendetta. Sem se 13 Rock Meeting


Uma das atrações principais da noite entrou na transição do sábado para o domingo. A banda de Thrash/Death Metal, Pandemmy, subiu ao palco carregada de expectativa. Muitos estavam no evento para ouvir as bandas de convidadas e não se decepcionaram. A banda tem pouco mais de um ano de formação e já alçou vôos altos. Tocou ao lado de bandas já renomadas, como Andralls e SupreMa. Mas foi a primeira vez que foram os headliners de um evento. Os pernambucanos vieram desfalcados de sua formação original, sem o baixista Augusto Ferrer, que ficará ausente por seis meses. Kadu Machado assumiu a função e entrou no clima. Pandemmy é formada por Rafael Gorga (vocal), Pedro Valença (guitarra), Diego Gomes (guitarra) e Fausto Prieto (bateria). A banda é uma mistura interessante de peso e de riffs envolventes. A apresentação deles começou com uma música própria, “In Front of Death”, segunda faixa do seu EP, intitulado “Self-Destruction”, lançado em dezembro do ano passado. Com o refrão pegajoso e cadenciado, o público entrou no clima imediatamente, de nervos agitados para a entrada da segunda música do setlist, “Burn My Clan”. Na execução desta canção, a galera já estava insana e respondendo na mesma proporção dos riffs pesados da Pandemmy.

14 Rock Meeting

Para aumentar a euforia dos alagoanos, os caras tocaram “In League With Satan” música clássica da banda inglesa Venom. Emendaram com outro cover, “Total Disaster”, do Destruction. Em seguida foi tocada outra música própria, “Heretic Life”, terceira faixa do EP. Continuando a apresentação, veio “Involution of a Lost Society”, música do próximo EP, com previsão de lançamento para fevereiro de 2011. Para celebrar a noite, tiraram mais uma cover, “Symphony of Destruction”, da banda americana Megadeth. E fechando o setlist, a música título do EP, “SelfDestruction”, para selar de vez a apresentação. A segunda atração principal da noite ficou por conta dos também pernambucanos da Cangaço. Esta que foi formada recentemente e já conquistou algo que muitas bandas sonham: tocar no Wacken Open Air, na Alemanha. Não precisa ser músico para entender a grandeza do evento que a Cangaço fez parte. Como a representante do Brasil, eles mostraram as raízes do som nordestino para os europeus e alguns brasileiros que se fizeram presente no festival. No evento da Rock Meeting, a banda de Heavy/Folk tinha uma imensa responsabilidade: mostrar por que foi escolhida para tocar no Wacken. Mas uma sensação foi unânime dentre a audiência, de que eles realmente mereciam nos representar na Alemanha. O setlist foi variado entre músicas próprias


e dois covers: “Logical Mistakes”, “Devices of Astral”, “Opposing”, “Through the Eyes of Greed” (originalmente do Sadus), “Statu Variabilis”, “Corpus Alienum” e “Pull the Plug” (cover do Death). A empolgação da galera era perceptível. Muitos ficaram vidrados na parte técnica do instrumental da Cangaço, como se fosse um workshop. Os integrantes da banda são Arthur Lira (bateria), Rafael Cadena (guitarra) e Magno Lima (baixo e vocal). Para fechar o line-up, a banda de União dos Palmares, Forloxcia, entrou para finalizar a grande noite de celebração da Rock Meeting. Sendo a representante do interior de Alagoas, eles tocaram músicas próprias: “Who’s to Blame”, “My Agony”, “I Hope You Understand”, “The Dark”, “Day After Day”, “Wall of Jericho” e “No Listen This Song”. Sorteios Quem foi ao evento da Rock Meeting, no último dia 25, além de conferir aos shows de bandas alagoanas e pernambucanas, ainda poderiam contar com a sorte. Vários brindes foram sorteados, entre camisas e

CDs, além da coluna “Perfil RM” da edição 14, onde uma pessoa será entrevistada pela equipe da revista. As bandas dos CDs sorteados foram Terra Prima (PE), Cangaço (PE) e Pandemmy (PE). As camisas vieram da Naipe Records e da Rock Meeting. Confusões Nem só de festa se fez o evento de comemoração de um ano da Rock Meeting. Antes do início do show, grande parte do público, que ainda se encontrava no lado de fora, foram surpreendidos pela política interna da casa de show, que não permitia a entrada de menores sem o porte de algum documento de identificação e de seu responsável, bem como os demais que não estavam com a identidade. Houve um princípio de tumulto, mas foi contornado pela organização. No entanto, muitos bangers que não estavam munidos de seus documentos deixaram o local por não poderem entrar no recinto. Infelizmente, foi uma situação completamente estarrecedora, que toda a organização não esperava acontecer. Esperamos que no futuro, todos possam participar dos eventos realizados pela Rock Meeting.


EXCLUSIVO

Um dos principais nomes do pro Caravellus concede uma entrevi Confira cada linha desta conversa guitarrista e Pei Fang Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net) Yzza Albuquerque (@yzzie | yzza@rockmeeting.net)


ogressivo pernambucano, a banda ista exclusiva para a Rock Meeting. a que tivemos com Glauber Oliveira, lĂ­der da banda.


Inicialmente, muito obrigado por atender à nossa solicitação. Por favor, apresente a Caravellus para os nossos leitores. Glauber Oliveira: A Caravellus é uma banda pernambucana de Metal Progressivo. Acabamos de lançar nosso segundo álbum, intitulado “Knowledge Machine”. O novo álbum da Caravellus está vendendo como “água” no mercado asiático e europeu, motivo de felicidade para nós. Esperamos que, em breve, no Brasil também. Como surgiu a banda? Qual a origem do nome Caravellus? Glauber Oliveira: A Caravellus surgiu em meados de 2002, como um projeto de estúdio. Antes do “Knowledge Machine”, nós gravamos duas demos (“Reaching the Sky”, de 2002, e “Across the Oceans”, de 2004) e o nosso álbum de estreia (“Lighthouse and Shed”, de2007). Quanto ao nome Caravellus, a inspiração vem de “caravel” (“caravela” em inglês - remetendo ao Brasil Colônia), associado ao pronome “us”. Caravellus soa semelhante a “caravelas”, quando lido como palavra inglesa. Vocês passaram por algumas mudanças de formação. O que isso trouxe de positivo para a atmosfera da banda? Glauber Oliveira: As mudanças foram importantes e necessárias para chegarmos ao nível de amadurecimento que estamos hoje. A banda já está com um line-up sólido desde 2007. “Knowledge Machine” é o segundo álbum da Caravellus, e ele já passou pela crítica de alguns sites europeus, como o Lord of Metal da Holanda. Como tem sido feedback daqueles que ouvem o som de vocês?

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Glauber Oliveira: O feedback tem sido excelente. Como nossa sonoridade tem uma conotação bem técnica e densa, torna-se necessário um número maior de audições para se ter compreensão de toda a riqueza de detalhes inserida no nosso novo trabalho. Um feedback interessante que temos recebido é sobre as diferentes sensações que o “Knowledge Machine” transmite a cada audição. Ficamos orgulhosos disto, pois mostra como esse disco soa “vivo”. Recentemente, vocês foram destaque, também, em uma rádio francesa. Como se sentem com tal honraria? Poderiam dizer que a sensação é de “dever cumprido”? Glauber Oliveira: Na França, temos recebido um carinho especial desde o “Lighthouse and Shed”. O “Knowledge Machine” meio que estava sendo aguardado com muita atenção pelos franceses. Essa permanência da Caravellus, no mês de julho/2010, em primeiro lugar nas paradas francesas é motivo de orgulho. Entretanto, temos consciência de que existe muito mais a fazer e conquistar. Na música “When the Night Has Fallen”, há um trecho bem peculiar ao pernambucano, um frevo bem “metalizado”. Vocês acham importante agregar as suas raízes ao som da Caravellus? Há um motivo por trás disso? Glauber Oliveira: Nós achamos importante externar nossa música na forma como ela nos é concebida. As raízes pernambucanas estão no nosso sangue e isso é inerente às nossas composições. É algo natural para nós. Além do Frevo, usamos outros ritmos pernambucanos. “Corsairs in Black” é o primeiro vídeo da banda deste novo trabalho. Como foram as gravações?


Glauber Oliveira: Trabalho árduo. Nós fizemos uma pré-produção de 40 dias antes das gravações do vídeo clipe. Foi um processo muito meticuloso. Outro grande orgulho para nós. Em algumas das suas músicas, pode-se identificar vários outros estilos, mas o Progressivo é o carro-chefe. Por que tocar Progressivo e não outro estilo dentro do Metal? Glauber Oliveira: Bom... Somos inquietos e sempre buscamos inovar. O Progressivo é um caminho marcado por essa busca do ousado e diferente, unindo elementos musicais de forma inusitada. É o tipo de música que nos deixa felizes e onde podemos aplicar todas as nossas loucuras/experimentações (risos),

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técnicas etc. O que os membros da Caravellus escutam que não seja apenas Metal, e que possivelmente serve de inspiração no momento da composição das músicas? Glauber Oliveira: Nós curtimos muita coisa além de Metal, como Jazz, Funk, Bossa Nova, música erudita etc. Como eu, alguns membros da Caravellus sempre trabalharam no meio musical fora do Heavy Metal. Alguns como músicos de estúdio, bandas de baile, professores de música etc. Acho que isso somou de forma diferente no resultado final pra banda. É algo que nos deixa muito a vontade e nos permite trilhar novos caminhos.


Já que vocês têm um novo trabalho que acaba de sair do forno, quando é que a Caravellus sairá para a turnê? Glauber Oliveira: No momento, estamos promovendo o álbum e agendando as datas da tour que deverá ter início em meados de 2011. Em termos de evolução musical, como vocês avaliam o caminho percorrido desde o “Lighthouse and Shed” até aqui? Glauber Oliveira: Avaliamos de maneira muito positiva esse caminho. Nós nos preparamos muito para esse trabalho. No “Lighthouse and Shed” já poderíamos ter colocado muito dessa característica mais progressiva nas músicas, entretanto, optamos por “registrar” em nosso álbum de estreia um ciclo iniciado em 2002, com uma Caravellus mais Power Metal. No “Knowledge Machine”, nós queríamos um disco sem restrições, onde colocássemos todo nosso sincretismo musical. A Caravellus sempre foi considerada uma banda de alto nível técnico, sempre colocando essa característica em suas músicas, e no “Knowledge Machine” a banda pôde elevar isso ao mais alto nível. Mudando um pouco de assunto, como vocês vêem a cena de Metal do Nordeste? Há alguma banda que vocês têm acompanhado? Glauber Oliveira: Nós acreditamos muito que se pode fazer um trabalho de qualidade no Nordeste. Posso citar os meus conterrâneos do Decomposed God, que têm feito uma bela história ao longo dos anos. Vocês têm fãs em outras partes do mundo, a exemplo do Japão e da

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França. Uma turnê fora do Brasil é uma realidade muito distante? Glauber Oliveira: Não é uma realidade muito distante. Como disse, estamos agendando uma tour que deve iniciar-se em meados de 2011. Tour esta tanto nacional, quanto internacional. Já estamos com vários convites. Ainda falando de fãs estrangeiros, vocês acham que eles receberam o novo CD mais entusiasticamente que os brasileiros? Glauber Oliveira: Acho que os brasileiros estão igualmente entusiasmados com o nosso novo álbum. A diferença é que no exterior, a Caravellus tem o apoio e credibilidade de grandes gravadoras. No Brasil, as gravadoras estão muito distantes das bandas. Acho que essa relação precisa estreitar-se novamente. O que vocês acham que falta no cenário do Metal brasileiro? Glauber Oliveira: Acho que é necessário dar mais apoio às bandas nacionais. Festivais com bandas nacionais, com público comprando ingressos e discos de bandas preferidas. O Brasil é um país de dimensões continentais. Acho que podemos fazer, realmente, esse caldeirão ferver. Muito obrigado por este momento! Esperamos vê-los em Maceió. Sucesso e parabéns pelo novo trabalho. Glauber Oliveira: Gostaríamos de agradecer à Rock Meeting pelo convite e espaço. O público de Maceió é incrível. Nós lembramos de forma muito clara a energia super positiva que nos foi passada em nossa última apresentação aí, com o Hangar, no Orákulo . Foi demais! Esperamos poder tocar em Maceió novamente, em nossa “Knowledge Machine Tour”.


O PERFIL RM desta edição orgulhosamente traz para você Messias Júnior, baterista das bandas Goreslave, Powerslave e IMDY Project. Conheça um pouco mais dessa grande figura do Metal alagoano.

PERFIL RM

pegada, variações, marcações, tem que fazer Apresente-se. Saudações a todos. Sou Messias Júnior, igual! O senhor Steve Harris é um gênio, não baterista e vocalista da banda de Death Metal Goreslave. Consultor de vendas no setor de informática e designer gráfico. Um cara mais do que comum, que prima pelo senso de humor e pela responsabilidade. Sigo uma rotina de estudos e dedicação para tudo que faço, mas admito que são poucas as coisas que realmente prendem minha atenção. Sou um fanático por boa música, bons livros, tecnologia, arte, design e fotografia. Procuro manter hábitos saudáveis e pouquíssimas, mas boas amizades. Não faço o estilo “Sexo, Drogas e Rock N’ Roll”... Costumo dizer que eu aprecio o estilo de música, não o estilo de vida.

Atualmente, você toca em duas bandas fora da Goreslave. Como tem sido essa mudança de estilo?

Na verdade, nunca houve uma mudança, foi algo muito tranquilo. Sou fã do Iron Maiden desde os meus 10, 11 anos. Lembro-me da primeira vez em que ouvi “Invaders” e “Aces High”, ainda em uma fita cassete. Pois é, garotos e garotas... Faz muito tempo. Aquilo mudou completamente minha forma de ouvir música, e a partir desse dia descobri que gostaria de formar uma banda e tocar. Sempre tive vontade de montar um Iron Maiden cover, mas nunca deu certo. Quando rolou o convite para integrar logo DUAS bandas covers do Iron, eu nem pensei: aceitei na hora! Tem sido um baita desafio, pois ao contrário do que muitos pensam, tocar Iron Maiden requer muita disciplina e responsabilidade. São musicas aparentemente fáceis, mas com notas muito definidas, e intenções muito bem pensadas... Não existe espaço para firulas e improviso. Tempo,

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dá para mexer no que o cara fez. É o mesmo que querer tocar uma ópera de Beethoven e improvisar, tirar e colocar notas... Daí eu tenho uma obrigação de tentar fazer o mais parecido possível com o original, mesmo com as limitações do meu set de bateria. Tem sido muito divertido e um aprendizado enorme.

Hoje, o que a Goreslave representa para você?

Goreslave é meu filho bastardo, a ovelha negra da família. Me dá uma dor de cabeça infernal, mas eu não consigo viver sem, e amo demais. É a minha ferramenta de escape, onde eu consigo expressar, de uma forma bem barulhenta, alguns dos meus pensamentos e pontos de vista. Não é uma moda ou algo do tipo, é algo que eu realmente sinto necessidade de fazer.

Sabemos que em Maceió não há uma manifestação única em prol do Rock and Roll. Como você enxerga toda essa dispersão do público? Complicado falar sobre isso. Na verdade, Maceió nunca teve uma “manifestação única”... Sempre existiram os segmentos, as galerinhas e, principalmente, a divisão por estilos. Felizmente, hoje eu enxergo de forma bem mais sossegada essa “mistura”: várias bandas de vários estilos de Metal tocando juntas. Parte disso vem da necessidade mesmo... Somos uma cidade pequena, com pouca ou nenhuma divulgação do estilo. Acredito que houve um ciclo: se contavam nos dedos as pessoas que curtiam estilos mais pesados. Com o tempo, esse públi-


co aumentou, as modas vieram, pipocaram lojas, bandas e, logicamente, gente para consumir. O radicalismo em relação aos estilos começou a ficar mais forte. Foi quando o cara do Death passou a não andar com o cara do Black, que passou a não andar mais com o cara que curte um Heavy Melódico. Tudo foi elevado a um extremo, o que acabou estragando a cena de um modo geral. Vamos ver agora para onde vai esse ciclo... A dispersão hoje é muito mais ligada à situação cultural atual do que necessariamente a um “movimento”. Infelizmente, a tendência é a acomodação mesmo.

Maravilhoso! Dark Funeral – “Angelus Exuro Pro Eternus” - Black Metal perfeito. Symphony X – “Paradise Lost” - Grandes músicos, muita técnica, sem abrir mão do bom gosto.

O que mais irrita na cena do Rock de Alagoas?

O fato de que muita gente fala e reclama, mas poucos fazem. Muito pior que fazer mal feito, é não fazer absolutamente nada para ajudar e ainda perder tempo reclamando. Você não é obrigado a ajudar, ou a se tornar um militante do Metal, então... Relaxe e procure algo melhor para fazer, além de reclamar.

O “Messias” profissional e o “Messias” como músico e líder O que você mudaria nela? de uma banda são diferentes, ou Mais lugares para tocar, melhor pensam e agem da mesma maneira? estrutura e condições para fazer shows. Sinto Não dá para separar. Para as duas funções eu sigo preceitos básicos. Ouço meu pai me dizer isso desde que me entendo por gente: faça sempre bem feito, porque assim você só faz uma vez... Pensamentos são iguais, mas atitudes são bem diferentes. Como músico e líder da banda, tenho o direcionamento nas mãos. Não se trata de manipular, mas guiar da melhor forma. Quem já tocou comigo, sabe que sou bem rigoroso em relação a ensaios, compromissos e, principalmente, com a qualidade. A banda não acaba quando se desce de um palco, ou sai de um estúdio de ensaio. É preciso respirar aquilo, se tornar parte, senão, não funciona. Profissionalismo e qualidade sempre. Tentando sempre fazer mais e melhor. Como profissional, também procuro fazer da mesma forma.

me incomodado quando vejo bandas com um bom potencial que se perdem por não terem uma estrutura adequada. Tudo é muito caro, problemático e difícil. Ouço muita gente reclamar que não vai a shows devido à falta de estrutura. Tem muita coisa que eu gostaria de mudar, mas sei que não há como, pois depende de dois fatores muito complexos: mentalidade e atitude.

Iron Maiden – Todas - Por motivos óbvios. E agora eu as ouço também para estudá-las. Death – “Symbolic” - Nunca sai do meu player... Uma aula de música. Hail Chuck! Mahavishnu Orchestra – “Birds of Fire” - Tinha-o há algum tempo, mas não tinha dado o devido valor. Estou redescobrindo...

também. Agradeço pela força e pelo espaço. Continuem na luta e façam sempre o melhor que puderem. Visitem o nosso Myspace (www. myspace.com/goreslave) e adicionem nosso perfil no Orkut. E vamos ouvir Metal! Respeito e atitude.

Um sonho que poderia se tornar real...? Goreslave abrindo um show do Iron Maiden! Na verdade, gostaria de trabalhar até como roadie da banda, ou somente limpando os pratos do Nicko McBrain, já estava bom. Mas não sei se eles pagam bem. (risos)

Muito obrigado, Messias, por disponibilizar do seu tempo para Qual o seu top 5 das músicas que nós. Sucesso. mais tem ouvido? É o que desejo a vocês da Rock Meeting

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AÇÃO SOCIAL

Representante da Rock Meeting entrega alimentos arrecadados em evento Texto e Fotos: Pei Fang Fon (@poifang | peifang@rockmeeting.net)

Na manhã da última segunda de setembro, Yzza Albuquerque, representando

a Equipe Rock Meeting, foi fazer a entrega dos alimentos arrecadados durante a venda dos ingressos para o evento ocorrido no último dia 25.

A ação social foi realizada na Casa para Velhice Luiza de Marillac, localizada

no bairro de Bebedouro, em Maceió. O local abriga 36 mulheres com idade mínima de 65 anos.

A Casa existe desde o ano de 1958, e desde sua inauguração vem realizando

obras sociais para as senhoras que vivem no local. Não possui qualquer vínculo governamental e é mantida através de doações. Todos os serviços de assistência médica são oferecidos de forma gratuita para elas. Atualmente, a direção da Casa está promovendo algumas atividades beneficentes para arrecadar fundos para reformar uma parte do complexo, visando aumentar a capacidade de leitos.

Além desta atividade, muitos estudantes da área de saúde organizam

eventos lúdicos para as senhoras da Casa, na tentativa de mudar a rotina de esquecimento e de abandono dos filhos e parentes próximos. 23 Rock Meeting


Solidão Durante a entrega dos donativos, Yzza pôde conhecer as dependências da Casa e as senhoras que ali moram. O local é bem arejado, aconchegante e, ao mesmo tempo, um local de “esquecimento”. Mães, avós, bisavós - tantos termos familiares que não tiveram muita representatividade para os parentes que as deixaram lá. Na visita, Yzza conheceu uma senhora que já vive na casa há sete anos. Os filhos vão algumas vezes visitá-la. Ela passou todo esse tempo morando em um lugar que não era para ela estar. Sua memória se confunde com o sentimento de abandono que é sentido em suas palavras emocionadas, o que comoveu a revisora da revista. Não importa a idade, a consciência e a vontade de viver superam qualquer obstáculo, mesmo que ele venha da própria família. As idosas da casa apenas querem um momento para conversar, expor sua vivência, experiência, e, por que não, se divertir. Para os interessados em fazer suas doações, ou apenas visitar, a Casa fica localizada na Rua Mem de Sá, nº 24, no Bebedouro. Pode entrar em contato através do telefone 3241-1565. Ajude você também!!!

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EU

ESTAVA LÁ As fotos desta seção será da turnê da banda de Londrina (PR), Dominus Praelii e da Apokalyptic Raids (RJ). A abertura foi feita pela banda alagoana, Goreslave. Evento ocorrido no dia 05 de setembro, no Kfofo Show House. Fotos: Pei Fang Fon Acesse estas e outras fotos na nossa perfil no orkut: www.meadiciona.com/rockmeeting



Revista Rock Meeting #13