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ESPAÇO CAPIXABA: UM ESPAÇO GASTRO NÔMICO E CULTURAL

Para o bairro Vila Rubim, Vitória - ES

Rhaiani Vasconcellos de Almeida


UNIVERSIDADE VILA VELHA – ES ARQUITETURA E URBANISMO

RHAIANI VASCONCELLOS DE ALMEIDA

ESPAÇO CAPIXABA: UM ESPAÇO GASTRONÔMICO E CULTURAL PARA O BAIRRO VILA RUBIM, VITÓRIA - ES

VILA VELHA – ES 2018


RHAIANI VASCONCELLOS DE ALMEIDA

ESPACO CAPIXABA: UM ESPAÇO GASTRONÔMICO E CULTURAL PARA O BAIRRO VILA RUBIM, VITÓRIA - ES

Trabalho de Conclusão do Curso apresentado ao Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Vila Velha, como requisito para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista. Orientador: Prof.ª Ma. Andreia Fernandes Muniz.

VILA VELHA – ES 2018


AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, que por meio da sua graça e bondade me possibilita realizar esse sonho, sempre estando comigo e me dando forças nessa longa e difícil jornada. Aos meus Pais, Rosimeri e Geraldo, agradeço pelo amor, incentivo e por acreditarem junto comigo em meus sonhos, vocês são responsáveis pelo que sou e dedicado a vocês essa conquista! Ao meu esposo Diogo, agradeço imensamente por seu incentivo e companheirismo, e por todo auxilio ao longo destes cinco anos. Além da compreensão nos momentos de ausência. Aos familiares e amigos, que estiveram comigo e de alguma forma contribuíram para que eu o alcançasse, torcendo pelo meu sucesso. A cada um de vocês minha gratidão! A minha orientadora Andréia Muniz, minha gratidão, pelas orientações, ensinamentos e dedicação. E a todos os mestres da Universidade de Vila Velha, que se dedicam a transmitir os conteúdos de forma exemplar aos seus alunos. Que essa vitória seja o início de muitas outras conquistas.


RESUMO Os espaços públicos destinados a gastronomia e a cultura local são elementos vivos da história da uma cidade. Com a inserção de mercados e espaços gastronômicos, possibilita relacionar aspectos relevantes para obter uma saúde pública urbana, destes, a relação de sociabilidade e vitalidade. Considerando o contexto, este trabalho consiste em uma proposta projetual de um espaço gastronômico cultural que represente a identidade capixaba, sendo um equipamento dinamizador do espaço público, tendo uma arquitetura promotora do conceito de interação e integração de pessoas e que valorize o contexto sociocultural e histórico do local. O local escolhido para a implantação do mercado é o bairro Vila Rubim, devido a sua vocação sociocultural, concentração e encontro de pessoas, com expressiva presença de elementos que refletem a cultural capixaba. A metodologia adotada para o desenvolvimento do projeto abrangeu uma fase conceitual com pesquisa documental de caráter descritiva e qualitativa, pesquisa de campo, com realização de mapeamentos na área de estudo. Como resultado, o projeto do mercado busca requalificar e revitalizar a área da Vila Rubim, realçando a vocação presente, propiciando encontro de pessoas e fortalecendo o ato de troca, tornando- se um novo espaço propulsor da cultura capixaba e do lazer. Palavras-Chave: Mercado da Vila Rubim, Cultura, Dinâmico, Contemporâneo, Requalificação.


ABSTRACT The public spaces intended for gastronomy and local culture are living elements of the history of a city. With the integration of markets and gastronomic spaces, makes it possible to relate relevant aspects for urban public health, of these, the relationship of sociability and vitality. Considering the context, this work consists of a design proposal of gastronomic cultural space which represents the State's identity, being a dynamic public space equipment, having a promoter of the concept of architecture and interaction integration of people and that enhances the socio-cultural context and local history. The site chosen for the implementation of the market is the Vila Rubim, due to your cultural vocation, concentration and date of people, with a significant presence of elements that reflect the cultural. The methodology adopted for the development of the project covered a conceptual phase with desk research of descriptive and qualitative character, field research, with conducting surveys in the study area. As a result, the market project sought to upgrade and revitalize the area of Vila Rubim, enhancing this vocation, providing meeting of people and strengthening the Act, becoming a new area of the State's culture and leisure. Keywords: Vila Rubim market, culture, Contemporary, dynamic, requalification.


ÍNDICE DE ILUSTRAÇÃO Figura 1- Mercado Público Império Romano .................................................................................. 15 Figura 2 – Benefícios do Mercado Público Dinamizador. ............................................................... 21 Figura 3 - Mercado de Santa Caterina de Barcelona ........................................................................ 22 Figura 4 - Mercado San Miguel, Madri ........................................................................................... 23 Figura 5 - Mapa de Localização do município de Vitória ................................................................ 24 Figura 6 - Culinária Gastronômica Capixaba. ................................................................................. 25 Figura 7 - Venda de Produtos Regionais na Vila Rubim ................................................................. 25 Figura 8 - Mapa de localização dos mercados capixabas. ................................................................ 26 Figura 9 - Barracas na Vila Rubim .................................................................................................. 27 Figura 10 - Fachada Mercado Capixaba. ......................................................................................... 27 Figura 11- Hortomercado, Enseada do Suá ..................................................................................... 29 Figura 12 - Localização Hortomercado, Enseada do Suá, Vitória ................................................... 30 Figura 13 - Setorização do Hortomercado. ...................................................................................... 31 Figura 14 - Edifício com Forma Sólida e poucas aberturas. ............................................................ 31 Figura 15 - Espaço gastronômico Eataly, São Paulo........................................................................ 32 Figura 16 - Localização Eataly, São Paulo. ..................................................................................... 32 Figura 17 - Setorização do pavimento térreo ................................................................................... 34 Figura 18 - Setorização do primeiro andar....................................................................................... 34 Figura 19 – Setorização do segundo andar ...................................................................................... 35 Figura 20 - Interior do Mercado. ..................................................................................................... 35 Figura 21 - Materiais utilizados no edifício Eataly, São Paulo. ....................................................... 36 Figura 22 - Localização do Mercado de Sant Caterina, Barcelona – Espanha. ................................ 37 Figura 23 - Fachada posterior do mercado....................................................................................... 38 Figura 24 - Relação do edifício com o entorno ................................................................................ 38 Figura 25 - Croqui do desenvolvimento das formas principais do edifício. ..................................... 39 Figura 26 - Croqui esquemático para desenvolvimento da cobertura .............................................. 40 Figura 27 - Planta baixa do térreo .................................................................................................... 40


Figura 28 - Materiais utilizados no edifício. .................................................................................... 41 Figura 29 – Mapa de Localização Vila Rubim. ............................................................................... 44 Figura 30 – Espaço Capixaba (Projeto autora) ................................................................................ 44 Figura 31 – Terreno e seu entorno ................................................................................................... 45 Figura 32 e 33 – Imediações do Terreno ......................................................................................... 45 Figura 34, 35, 36 e 37 – Atividades comerciais ............................................................................... 45 Figura 38 – Mapa de Localização e Estudos da área de implantação............................................... 45 Figura 39 - Mapa de Uso do solo.................................................................................................... 45 Figura 40 – Mapa de Mobilidade..................................................................................................... 45 Figura 41 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 46 Figura 42 - Diretrizes Projetuais ..................................................................................................... 46 Figura 43 - Índice Urbanístico. ....................................................................................................... 46 Figura 44 - Situação Terreno. ......................................................................................................... 47 Figura 45 - Programa de Necessidade. ........................................................................................... 47 Figura 46 - Estudo da Forma. ......................................................................................................... 47 Figura 47 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 47 Figura 48 - Setorização Volumétrica. ............................................................................................. 48 Figura 49 - Implantação ................................................................................................................. 48 Figura 50 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 48 Figura 51 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 48 Figura 52 - Planta Baixa Pavimento Térreo .................................................................................... 49 Figura 53 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 49 Figura 54 - Planta Baixa Pavimento Superior. ................................................................................ 49 Figura 55 e 56- Espaço Capixaba (Projeto Autora). ....................................................................... 50 Figura 57 - Corte A-A .................................................................................................................... 50 Figura 58 - Corte B-B..................................................................................................................... 50 Figura 59 - Fachada Frontal. .......................................................................................................... 51 Figura 60 - Fachada Posterior. ........................................................................................................ 51


Figura 61 - Fachada Lateral Direita ................................................................................................ 51 Figura 62 - Fachada Lateral Esquerda. ........................................................................................... 51 Figura 63 – Rede de Frutas .............................................................................................................. 51 Figura 64 - Embalagem de Frutas. .................................................................................................. 51 Figura 65 - Modelo Brise de Frutas ................................................................................................ 51 Figura 66 - Modelo Brise Raízes. ................................................................................................... 51 Figura 67 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 51 Figura 68 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 51 Figura 69 - Espaço Capixaba (Projeto Autora). .............................................................................. 51


SUMÁRIO 01 INTRODUÇÃO ..................................................................................................13 1. 1.1 1.2 1.3 1.4 1.5 1.6

INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................14 CONTEXTUALIZAÇÃO ..........................................................................................................................14 JUSTIFICATIVA.....................................................................................................................................16 OBJETIVO GERAL .................................................................................................................................17 OBJETIVOS ESPECÍFICOS......................................................................................................................17 METODOLOGIA ...................................................................................................................................18 ORGANIZAÇÃO DOS CAPÍTULOS..........................................................................................................18

02 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................... 20 2. 2.2 2.3

REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................................................................21 OS MERCADOS PÚBLICOS GASTRONÔMICOS CONTEMPORÂNEOS .....................................................22 A IDENTIDADE SOCIOCULTURA CAPIXABA ...........................................................................................24

03 REFERÊNCIAS PROJETUAIS............................................................28

3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS ...................................................................................................................29 3.1 HORTOMERCADO ...........................................................................................................................29 3.1.1 Implantação e Relação com o Entorno ............................................................................................30 3.1.2 Programa ........................................................................................................................................30 3.1.3 Espacialidade e Fluxos .....................................................................................................................30 3.1.4 Morfologia e Materialidade ............................................................................................................31 3.2 ESPAÇO GASTRONÔMICO EATALY, SÃO PAULO ...................................................................................32 3.2.1 Implantação e Relação com o Entorno ............................................................................................32 3.2.2 Programa ........................................................................................................................................33 3.2.3 Espacialidade e Fluxos .....................................................................................................................33 3.2.4 Materialidade .................................................................................................................................36 3.3 MERCAT DE SANT CATERINA, BARCELONA...........................................................................................37 3.3.1 Implantação e Relação com o Entorno ............................................................................................37 3.3.2 Programa ........................................................................................................................................39 3.3.3 Morfologia ......................................................................................................................................39 3.3.4 Espacialidade e Fluxos .....................................................................................................................40 3.3.5 Materialidade .................................................................................................................................41

04 PROPOSTA PROJETUAL.................................................................... 42 4.1 Espaço Capixaba .......................................................................................................................................44 4.2 Contextualização.......................................................................................................................................45 4.3 Diretrizes Projetuais e Legislativas ...........................................................................................................46 4.4 Programa ..................................................................................................................................................47 4.5 Partido, Conceito e Morfologia.................................................................................................................47 4.6 Implantação................................................................................................................................................48 4.7 Setorização Volumetrica ............................................................................................................................48 4.8 Plantas baixas Pav. Térreo e Superior.........................................................................................................49 4.9 Cortes Esquemáticos...................................................................................................................................50 4.10 A Envoltória ..............................................................................................................................................51

05 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................52 5.

CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................................................533

06 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................54 6.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..........................................................................................................555


“Todo capixaba tem, Um pouco de beija – flor no bico, Uma panela de barro no peito, Uma orquídea no gesto, Um cafezinho no jeito, Um trocadilho na brincadeira, Um congo no andar, Um jogo de cintura, Um chá de cidreira, Uma moqueca perfeita, E uma rede no olhar”.

Elisa Lucinda


01 INTRODUÇÃO


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1. INTRODUÇÃO Este trabalho é uma proposta projetual de um espaço gastronômico cultural que traduza a identidade capixaba, sendo um equipamento dinamizador do espaço público, com uma arquitetura que atraia pessoas e se integre ao contexto sociocultural e histórico do local. A escolha do tema surgiu da carência de equipamentos de usos públicos rejuvenescentes ao contexto sociocultural e econômico, tendo uma arquitetura estimuladora de convívio e apropriações de pessoas, mostrando a necessidade de criar espaços que promovam e requalifiquem o cenário urbano do bairro Vila Rubim. Visando compreender a relevância do espaço proposto para o contexto físico atual da área escolhida, é necessário entender como esses espaços destinados a gastronomia e ao ato de trocas surgiram e como foi a sua evolução até chegar a um edifício que atendesse essa demanda atualmente. 1.1 CONTEXTUALIZAÇÃO Considerando que a gastronomia é um elemento fundamental para expressar a cultura, a identidade de um povo, a evolução que essa sociedade sofreu, a forma que a alimentação é produzida e vendida, é possível identificar as raízes culinárias de uma certa época (CORNER, 2008). Segundo Carneiro (2005), o costume alimentar pode revelar de uma civilização, desde a sua eficiência produtiva e reprodutiva na obtenção, conservação e transporte, até as suas representações políticas e religiosas e estéticas, a organização da vida cotidiana e os costumes alimentares. A arquitetura de edifícios públicos indica a característica real de uma sociedade, visto que nesses espaços públicos eram onde aconteciam os encontros de pessoas e os atos de troca. E é dessa demanda de encontro e troca que surge o espaço mercado (MUMFORD, 2004). “O processo de urbanização, além de refletir mudanças na produção e distribuição de alimentos, exerce ampla influencia em seu consumo. De produtores a população passou a compor a economia de mercado, elevando a demanda por alimentos, especialmente

os

processados

e

industrializados”

(COSTA,

2010

apud

MASANO,2011, pag. 128).

Segundo Vargas (2001) após o surgimento dos mercados considerados espaços abertos e públicos apareceram as feiras em meados do séc. XVII, configurando -se além de fornecedores de mercadorias e sim locais de distração e divertimento.


P á g i n a | 15 Dentro do contexto de mercado como espaços públicos sendo cobertos ou não, é possível destacar espaços significativos que no decorrer dos tempos mudam de nome, mas continua tendo como objetivo a promoção da vida social. Destacado- os como: o bazaar, a ágora, o fórum, as praças, as feiras e entre outros. Os espaços destinados ao comércio, ao encontro de pessoas surgiram a partir da Ágora grega, que era considerada uma praça mercado pois nela aglomerava-se comerciantes e consumidores. Na evolução desse espaço, surgiu o Fórum romano que mantia as mesmas atividades comerciais mais acrescentavam atividades religiosas e políticas, os mercados e as lojas eram de grande maioria voltados para a rua, havendo um maior fechamento dos espaços abertos (VARGAS, 2001). Figura 1- Mercado Público Império Romano.

Já o

mercado

da

cidade

medieval

acontecia em praças geralmente próximas a uma igreja, ou em lugares com grande fluxo de pessoas. No

século

XVI

ocorre

uma

mudança

na

configuração desses mercados, no período da cidade barroca, as praças perdem a sua função característica de

acumular pessoas, devido ao aumento do

processo de industrialização das cidades barrocas, a sociedade começa a se voltar para o interior de suas residências (MUMFORD, 2004). Em meados do século XVII apareceram as feiras, que se estabeleceram a partir do conceito de mercado contínuo, evitando os períodos de tempos mais Fonte: Vargas, 2001.

difíceis.

Observando a evolução desses espaços públicos no decorrer da história é possível perceber a relação da arquitetura com a cultura gastronômica de um local. O contexto socioeconômico de antigos bairros tem sido rejuvenescido e requalificado devido à organização em torno da produção e consumo de produtos alimentares ou refeições. A abertura de comércio e a combinação estratégica de gastronomia e arquitetura tem sido fundamental para esta renovação (MARTINHO, 2012). Os primeiros espaços voltados para o comércio de alimentos no Brasil surgiram nos centros


P á g i n a | 16 urbanos, servindo como distribuidor de alimentos e produtos locais para os usuários. Esses estabelecimentos foram criados na evolução dos mascates (os vendedores ambulantes) para os lojistas, e do comércio espontâneo de alimentos para um primeiro esboço de mercado, construído em meados do século XVIII (OLIVEIRA JUNIOR, 2006). A tradição gastronômica em conjunto com o patrimônio construído são elementos primordiais para a cultura e o caráter de uma região. O ato de cozinhar e a arquitetura, são aspectos influenciados pela identidade da cultura de uma sociedade. O modo como a comida e a arquitetura se interligam possibilita a apropriação de significados e valores, incorporando e refletindo uma identidade territorial de uma área (MARTINHO, 2012). Neste contexto, este trabalho se propõe ressaltar a identidade cultural capixaba, através da relação entre arquitetura e gastronomia, de modo a promover e a potencializar a integração do espaço com a população. 1.2 JUSTIFICATIVA Com o passar dos anos surgiu na sociedade a necessidade de espaços que pudessem ser utilizados como pontos realizadores de encontros e ocorressem a realização da troca de mercadorias. Visto que o ato de troca é considerado uma atividade social, pois prevê a necessidade de conversa e relação entre os interessados (VARGAS, 2001). No início de século XX, ocorreu o surgimento dos shoppings Centers, que veio a partir do aumento da população e principalmente pela incitação do consumo através do processo de globalização atrelado com a alta tecnologia. A implantação desses novos edifícios acarretou mudanças no comportamento da população e principalmente no espaço que são inseridos. A configuração de centralidade das atividades em um edifício fez com que as pessoas percorressem menos pelos centros das cidades afetando a vivacidade desses espaços (MENEZES, 2015). A falta de edifícios que possuem comércios que se relacionam com a cidade e que dinamizam os espaços que estão inseridos ocasiona o afastamento dos usuários, favorecendo o processo de esvaziamento dos centros urbanos, como ocorrido no centro da cidade de Vitória/ ES. Com o processo de urbanização acelerada das cidades em imediações ao Centro de Vitória, notou-se que a apropriação e a utilização foi reduzindo, pelo fato dos usuários desses mercados procurarem espaços que trouxesse a facilidade de acesso, a comodidade e o conforto propostos em shopping centers, tendo assim, uma falsa sensação de segurança através da condição de permanência e vivência dos usuários.


P á g i n a | 17 O Centro da capital de Vitória era um local dinâmico e diverso, tendo uma intensa atividade comercial principalmente o comércio da Vila Rubim, vista como uma área que significava concentração de pessoas, onde ocorriam intensamente a atividade de compra e venda de mercadorias de variado consumo, tornando-se um marco importante na história da economia do Estado, além de possuir uma rica diversidade social, de etnia, religião e cultura, favorecendo características históricas e aspectos singulares da região do Centro de Vitória. Com o passar dos anos e com o aumento da população, nas décadas de 1960 e 1970, o declínio do comércio chegou para Vila Rubim, a partir do crescimento de novos centros urbanos no seu entorno e da implantação do novo modelo de comércio (Shoppings Centers), as atividades que eram realizadas no Centro, começou a se enfraquecer, dando início ao processo de descentralização dos comércios da Capital (MATOS, 2011). Deste modo, a proposta deste trabalho busca resgatar este espaço dinâmico da Vila Rubim, com a implantação de um espaço gastronômico e cultural, que trará benefícios na economia local, resultando em um aumento do fluxo de pessoas em atividades de diferentes horários, contribuindo assim para a requalificação da área, além de propiciar encontros e convívio de pessoas sendo um espaço propulsor da cultura local e do lazer. 1.3 OBJETIVO GERAL Desenvolver um estudo projetual de um espaço gastronômico e cultural para o bairro de Vila Rubim – Vitória, onde a arquitetura se integre com o contexto sociocultural e histórico do local de forma a evidenciar a identidade e a cultura capixaba tornando-se um equipamento dinamizador do espaço público. 1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Visando atingir o objetivo geral, foi necessário desenvolver os seguintes objetivos específicos: ▪

Estudar sobre o surgimento, a evolução dos mercados e a importância desses espaços para uma cidade;

Analisar referências projetuais sobre o tema espaço gastronômico e mercado como dinamizador do público. E a partir disso, identificar o programa de necessidade básico para o funcionamento de um espaço/mercado gastronômico;

Compreender como os espaços públicos voltados para a gastronomia possam ser um elemento integrador de pessoas e potencializador do espaço urbano;


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Analisar o mercado existente na Vila Rubim de formar a investigar e identificar a história e sua dinâmica atual;

Elaborar um projeto arquitetônico de nível estudo preliminar do espaço gastronômico e cultural para a Vila Rubim. 1.5 METODOLOGIA

De modo a alcançar os objetivos propostos neste trabalho, define-se como composição metodológica 3 etapas: ▪

A primeira etapa consiste na contextualização e conceitualização do tema, destinando-se a pesquisa teórica e revisão bibliográfica que fundamentaram as premissas necessárias para a realização do projeto, através de leituras de livros, em especial a autores como VARGAS (2001) E MUMFORD (2004), artigos e sites que possuem temas e contextos similares ao estudado. Além de realizar estudos de casos, que contribuíram para a compreensão do funcionamento, da espacialidade e do programa de um espaço gastronômico.

A etapa seguinte foi o diagnóstico e a análise da área em estudo, através de obtenção da base de dados e informações do local, além da realização de visitas e pesquisas in loco, por meio de levantamentos fotográficos.

A última etapa consistiu na a união e aplicação das etapas anteriores, de forma a definir um conceito e um partido de projeto, a fim de estruturar o desenvolvimento do projeto arquitetônico, nível estudo preliminar. 1.6 ORGANIZAÇÃO DOS CAPÍTULOS

Após a apresentação do processo metodológico adotado, estrutura-se o trabalho em capítulos, listando-os da seguinte forma: O Primeiro capítulo consiste em introdução do tema, indicando os objetivos alcançados, metodologia e justificativa; O capítulo 2 será o que abordará o referencial teórico do tema, apresentando os conceitos e tópicos imprescindíveis para o trabalho, que fundamentaram e embasaram o desenvolvimento do mesmo; Capítulo 3, remete ao referencial projetual a partir de estudos casos de nível local, nacional e exterior, com exemplos que esclarecem o objeto de estudo demarcando as correlações das referências com tema do trabalho;


P á g i n a | 19 No capítulo 4 é exposta a proposta projetual do trabalho, contendo diretrizes projetuais, a análise da área de intervenção e seu entorno imediato, o desenvolvimento do programa de necessidades e fluxograma necessário. A partir disso houve definição do conceito e partido do projeto, que levam ao produto final que será o projeto arquitetônico em nível de Estudo Preliminar. Com a união dos capítulos foram desenvolvidas as considerações finais mencionando as conclusões obtidas ao realizar o trabalho.


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02 REFERENCIAL TEร“RICO


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2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 O MERCADO COMO DINAMIZADOR DO ESPAÇO PÚBLICO Os espaços públicos são definidos não como espaço residual entre os edifícios e o sistema viário, e sim como espaço capaz de ordenar a cidade. Podendo conter diversos usos e funções, tendo uma dimensão sociocultural, onde ocorrem relações humanas e expressão da comunidade (BARBOSA, 2016 apud BORJA, 2010). O mercado dinamizador do espaço público, funciona segundo Barbosa (2016) como um equipamento urbano, pois atende as necessidades de abastecimento e comercialização de produtos para um bairro, uma cidade e uma região, além de favorecer o convívio social e fortalecer as tradições culturais. O mercado deve ser um equipamento inserido no contexto urbano de acordo com suas necessidades, desta forma, os espaços urbanos mais reconhecidos e apropriados são aqueles que favorecem o coletivo, consolidando a identidade de uma população, contribuindo para a economia e cidadania, de modo a potencializar a qualidade de vida da população (BARBOSA, 2016). A instituição “Project For Public Spaces” diz que os mercados públicos inseridos corretamente no contexto urbano trazem grandes benefícios (figura 2), como a conexão das atividades comerciais, melhoria na qualidade de vida urbana e promove a união de pessoas (PROJECT FOR PUBLIC SPACES, 2017). Figura 2 – Benefícios do Mercado Público Dinamizador.

Fonte: Project For Public Spaces, editado pela autora, 2017.

Desta forma, compreende-se que o espaço urbano e o mercado complementam-se, pois, quando bem implantados, impactam positivamente o seu entorno, de forma a agrupar favoravelmente as atividades comerciais, a tradição e sua cultura. A partir disso, Barbosa (2016) afirma que o


P á g i n a | 22 mercado é um equipamento público estimulador das potencialidades e incentivador das relações sociais, econômicas e urbanísticas em espaços de uso coletivo na cidade contemporânea. 2.2 OS MERCADOS PÚBLICOS GASTRONÔMICOS CONTEMPORÂNEOS O novo conceito de mercados públicos vem sendo estudado de forma a mostrar como estão se implantando e se relacionando com o contexto urbano atual. O novo formato comercial destes edifícios mostra a capacidade de adaptação ao novo e a necessidade de sobrevivência ocasionada pelos formatos de mercados pouco integradores. As novas formas de consumo introduziram uma inversão de valores e o comércio deixou de acontecer como encontro e passou a ocorrer com finalidade exclusiva de aquisição de produtos (Barbosa, 2016 apud Torres 2011). Em contrapartida, surgem novos formatos de mercado públicos contemporâneos pelo mundo, tendo como exemplo os mercados espanhóis, que promovem a construção de espaços públicos que requalificam e revitalizam o “urbanismo comercial” (BARBOSA, 2016 apud BASSOLS e BANÃLES, 2013). Em Barcelona, no ano de 1986, foi aprovado um plano que combinava o resgate dos mercados como ferramenta de abastecimentos e como equipamento urbano. O Mercat de Santa Caterina é um desses exemplos, pois funciona como um importante equipamento reabilitador do contexto urbano (figura 3). A implantação desse mercado acarretou no aumento da interação e do convívio da população, além de contribuir como elemento atrativo para os turistas. Segundo Menezes (2015), o mercado desenvolve a economia local, promovendo o dinamismo e suscitando interesse tanto dando da população como dos turistas. Figura 3 - Mercado de Santa Caterina de Barcelona.

Fonte: Site Duvan, acessando em 29 de setembro de 2017.


P á g i n a | 23 Além do plano criado em Barcelona, foi fundado em 1990, o Instituto Municipal de Mercado de Barcelona que visa restaurar e requalificar os mercados tradicionais, incentivando a volta das atividades dos antigos mercados de Santa Caterina (CAMPOS; RODRIGUES, 2012). Segundo Silveira (2007, pág. 11) a “reabilitação completa do Mercado de Santa Caterina é a pedra angular de uma remodelação urbanística completa de um bairro emblemático e histórico”, que assim como os demais mercados de Barcelona, servem como elementos estruturados de bairros residenciais, atendendo a reivindicação dos habitantes de implantar espaços livres públicos ativos. Outro exemplo de mercado contemporâneo é o “San Miguel”, da Cidade de Madri – Espanha, construído em 1916 como mercado público, mas com o aumento da população e com necessidade e revitaliza-lo, houve uma nova reforma em 1999, com uma arquitetura mais moderna e industrial, sendo sua estrutura feita de ferro. Em 2003, o mercado foi reaberto, tendo um novo objetivo de restaurar e melhorar a atividade tradicional do local, de forma a promover a diversidade de atividades e funcionalidades do mercado, atraindo um maior número de visitantes e diversos públicos (PINTO, 2014). Figura 4 - Mercado San Miguel, Madri. Fonte:

Fonte: Site Mercado de San Miguel, acessado em 13 de novembro de 2017.

Esse formato de mercados público onde há diversificação das atividades, onde ele é proposto para atrair um maior número de usuários, trazendo com isso vivacidade e a movimentação de um mercado para o bairro e a sua vizinhança, caracteriza esses novos espaços gastronômicos culturais, que vem se adaptando às novas necessidades das cidades contemporâneas.


P á g i n a | 24 2.3

A IDENTIDADE SOCIOCULTURA CAPIXABA

O município de Vitória, Capital do Estado do Espirito Santo, está localizado na Região Metropolitana da Grande Vitória. Limita-se a Norte com município de Serra, a Sul com Vila Velha, a Leste com o Oceano Atlântico e a Oeste com Cariacica. De acordo com Censo de 2010, possui 327.801 habitantes e área de unidade territorial de 96,536 km², caracterizando como um município totalmente urbano (IBGE, 2010). Figura 5 - Mapa de Localização do município de Vitória.

Fonte: Imagem gerada pelo ArcGis, adaptada pela autora, 2017.

O povo capixaba é caracterizado por sua diversidade cultural e pela sua peculiaridade, onde a mistura de diferentes raças e etnias contribuem para sua formação histórica múltipla. A partir disso, entende-se que assumir a diversidade é apropriar-se da própria condição de existência, da sua história e das heranças culturais, do pensar e do agir e até mesmo as suas contradições, impulsionando o indivíduo e as comunidades a transformarem e a recriarem os seus valores e o seu universo simbólico, a partir de linguagens e manifestações culturais das mais diversas origens (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, 2017). Segundo Menezes (2015), compreende-se o capixaba como multicultural desde sua essência. Seus costumes são uma mistura de culturas, sendo assim, difícil apontar apenas um elemento que represente a história e a cultura. A culinária capixaba (figura 6) é uma forte tradição, herdada também de diversas culturas como


P á g i n a | 25 a indígena, negra, europeia e de outros estados brasileiros que fazem divisa com o Espirito Santo como Minas Gerais e Bahia. Esses povos trouxeram para o solo capixaba pratos típicos, entre eles, os que mais marcam e identificam a culinária do Espírito Santo são a moqueca e a torta capixaba e a caranguejada. As Desfiadeiras de Siri da Ilha das Caieiras, assim como as Paneleiras de Goiabeiras que produzem e vendem a panela de barro, ocupam atividade artesanal de destaque na composição da cultura popular de Vitória (GOVERNO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, 2017). Figura 6 - Culinária Gastronômica Capixaba

Fonte: Site Rota Capixaba, IPHAN e Prefeitura Municipal de Vitória, modificado pela autora.

A identidade cultural não se entende somente por sua gastronomia, Garcia (2004) afirma que possuem outros elementos que também contribuem para a formação da identidade sociocultural como as manifestações artísticas, como as danças do congo e as procissões religiosas, os artesanatos que utilizam os materiais locais e até mesmo a paisagem em que está inserida. Figura 7 - Venda de Produtos Regionais na Vila Rubim.

O município de Vitória contém áreas onde é possível encontrar e identificar os elementos que retratam a identidade sócio cultural capixaba, isso acontece através da comercialização de produtos regionais (Figura 7). É possível encontrar esses produtos na Vila Rubim e no Mercado Capixaba situados no Centro de Vitória, no Mercado São Sebastião no bairro Jucutuquara, o

Fonte: Site Guia e Turismo, Ribeiro 2010.


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Galpão das paneleiras em Goiabeiras e na Enseada do Suá o Horto Mercado. Figura 8 - Mapa de localização dos mercados capixabas. 01

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05

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Fonte: Montagem de imagens site Guia e Turismo, geradas pelo ArcGis, adaptada pela autora,2017.

A Vila Rubim, caracteriza-se como uma expansão comercial do Centro de Vitória, por se tratar de uma ocupação mais antiga e menos abastada, possui um comércio adaptado às necessidades locais e a partir disso, moldaram sua formação e desenvolvimento (MATOS, 2011). O comércio praticado na Vila Rubim sempre desempenhou uma função urbana de destaque em Vitória (figura 9 a seguir), em especial pela presença do Mercado da Vila Rubim, constituindose como elemento e atributo decisivo para a caracterização da função comercial do bairro (MATOS, 2011). O comércio tradicional é parte integrante da identidade de cada local, contribuindo para a dinamização do seu meio envolvente e constituindo patrimônio material do mesmo. É um elo essencial da relação afetiva do território com os seus habitantes. Para além de caracterizar social, econômica e patrimonialmente uma comunidade, ajuda também a construir a memória coletiva do local em que se insere (CARVALHO, 2011).


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Figura 9 - Barracas na Vila Rubim

Segundo Ribeiro (2010), o tradicional mercado existente desde a década de 90, não se limita ao prédio central que abriga lojas, sanitários e lanchonete. Suas 425 lojas ocupam várias ruas, sendo assim, não é um prédio, mas sim uma região no bairro Vila Rubim. Foi inaugurado em 1969 e reconstruído em 1994 após um incêndio. O Mercado Capixaba (figura 10),

Fonte: Site Guia e Turismo, Ribeiro 2010.

também

situado no bairro da Vila

Rubim, funciona em um edifício de arquitetura eclética de 2 pavimentos que foi inaugurado em 1926 para substituir o antigo mercado municipal. A parte superior do prédio não funciona desde o incêndio em 2002, comprometendo a cobertura do edifício ocasionado assim patologias (RIBEIRO, 2010). Figura 10 - Fachada Mercado Capixaba.

Compreende-se até aqui, que o bairro da Vila Rubim se moldou de acordo com sua funcionalidade, a partir da identidade sociocultural capixaba, valorizando e provendo um lugar rico de aspectos culturais, através da comercialização dos produtos

regionais

característico

capixaba. Diante disso, é possível perceber quão Fonte: Site Guia e Turismo, Ribeiro 2010.

grande a importância desses mercados

gastronômicos contemporâneos para uma cidade, com a ação de integrar o seu contexto social cultural com o econômico, resulta na diversidade de atividades, de forma a atrair a população aquela área, tornando em espaços públicos atrativos e ativos, promovendo assim, a economia e identidade local. No capítulo a seguir serão apresentadas referência projetuais no Brasil e no mundo, exemplificando os diversos tipos de mercados públicos voltados para a gastronomia, colaborando mais à frente para realização do projeto.


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03 REFERรŠNCIAS PROJETUAIS


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3. REFERÊNCIAS PROJETUAIS Para o desenvolvimento do projeto arquitetônico do espaço gastronômico cultural, serão utilizados, como exemplos de projetos, alguns edifícios que de certa forma possuem características, funções, setorizações e programas de necessidades correlacionadas com as intenções projetuais que serão propostas para a realização do trabalho, são eles: O Hortomercado de Vitória, Eataly de São Paulo e Mercat de Santa Caterina de Barcelona. 3.1 HORTOMERCADO O Hortomercado (figura 11), situado na Enseada do Suá, foi reinaugurado em 2007, após décadas em abandono. Fica localizado na rua Licínio dos Santos Conte no bairro Enseada de Suá – Vitória, próximo a baía de Vitória/ES. Figura 11- Hortomercado, Enseada do Suá.

Fonte: Acervo da autora, 2017.

3.1.1 Implantação e Relação com o Entorno A implantação do edifício acontece por meio de um único bloco de um pavimento em uma topografia plana. Está localizado estrategicamente próximo a uma das principais avenidas da cidade de Vitória, a Av. Nossa Senhora dos Navegantes, e também próximo a baía de Vitória que proporciona um belo visual (figura 12). O bairro, onde está situado o mercado, é caracterizado pela diversidade de uso como o residencial, comercial, serviços, espaços livres públicos, colônia de pescadores e além dos edifícios públicos. O mercado se relaciona com seu entorno a partir do atendimento da demanda de produtos locais e turístico, de forma a convidar os usuários do seu entorno a utilizar o espaço.


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Figura 12 - Localização Hortomercado, Enseada do Suá, Vitória.

Fonte: Google Earth, 2017.

3.1.2 Programa O novo estabelecimento foi projetado para ser um espaço de vendas dos produtos orgânicos capixabas, contendo diversidades de lojas tendo ao todo 25, sendo lojas que comercialização os produtos encontrados em solo capixaba e que são fabricados artesanalmente, entre os serviços de culinária, supermercado e entretenimento: peixaria, cafeteria, restaurantes, casa de tempero, loja de produtos orgânicos, supermercado e entre outros (RIBEIRO, 2010). 3.1.3 Espacialidade e Fluxos A setorização do espaço acontece de forma simplificada, onde o edifício possui 2 acessos principais que te direciona a percorrer facilmente o espaço. Os boxes das lojas ficam localizadas no perímetro do edifício e alguns deles na parte central. Os restaurantes ficam próximos a uma das entradas localizada na varanda gourmet, pelo esse mesmo acesso chegase ao supermercado (figura 13). Em relação ao estacionamento, possuem 2 espaços externos que atendem os usuários do mercado, já a carga e descarga acontece na fachada posterior com acesso restrito.


P á g i n a | 31 Figura 13 - Setorização do Hortomercado.

Fonte: Elaborado pela autora, 2017.

3.1.4 Morfologia e Materialidade A estrutura do edifício é marcada pela sua forma retilínea e sólida. A envoltória não é contida por muitas aberturas e nem por elementos que permitam a visibilidade do interior com o exterior, tendo apenas o espaço da varanda gourmet como elemento conector de ambientes. Os materiais utilizados são basicamente simples, como a aplicação de revestimento que represente a madeira na envoltória e na cobertura a utilização de estruturas metálicas (figura 14). Figura 14 - Edifício com Forma Sólida e poucas aberturas.

Fonte: Acervo da autora, 2017.

Pode-se concluir sobre esse estudo de caso, que o edifício possui programa adequado, por ser possível encontrar produtos regionais, lojas e restaurantes que comercializam a cultura capixaba, entretanto, em relação a sua arquitetura e a sua envoltória possui alguns problemas, em razão de não conseguir representar a identidade capixaba através da sua arquitetura, além de não propor uma relação dos ambientes interno com o externo, tornando um espaço de


P á g i n a | 32 recintos fechados para os seus usuários e o seu entorno, e isso acaba selecionando quem utiliza o espaço. 3.2 ESPAÇO GASTRONÔMICO EATALY, SÃO PAULO O conceito do Eataly foi criado em 2004 e depois de 3 anos de pesquisa e planejamento, o Eataly abriu sua primeira loja em Turim na Itália em 2007. A cidade de São Paulo é onde vive o maior número de italianos fora da Itália, por isso foi escolhido a implantação do edifício na cidade, tornado um espaço de encontro da cultura italiana (EATALY BRAZIL, 2017). Figura 15 - Espaço gastronômico Eataly, São Paulo.

Fonte: Galeria da Arquitetura, 2017.

3.2.1 Implantação e Relação com o Entorno O espaço de tradições italianas fica localizado na avenida Av. Pres. Juscelino Kubitschek no bairro Itaim da cidade de São Paulo, numa região comercialmente ativa e bem localizada, caracterizada por uma classe social nobre (Figura 16). Figura 16 - Localização Eataly, São Paulo.

Fonte: Google Earth, 2017.


P á g i n a | 33 O mercado está situado no terreno como um único bloco retangular contínuo em uma topografia plana. Onde o acesso principal para pedestre está voltado para essa grande via, tendo como o acesso de serviço sua fachada posterior. O edifício se relaciona com seu com entorno a partir do seu design e arquitetura moderna compatível com sítio. 3.2.2 Programa O programa proposto no edifício conta com 4.500 m², onde é divido em atividades, com isso é constituído por 13 pontos voltados para a alimentação em meio a um mercado com mais de 7.000 produtos italianos ou de produtores locais, que seguem as receitas tradicionais sendo produzidas pelos restaurantes dispostos pelos pavimentos do edifício. A loja ainda possui espaço voltados a workshops, cursos de e eventos todos voltados para a gastronomia. Pela demanda dos usuários foram necessários 2 pavimentos de subsolo para o estacionamento. 3.2.3 Espacialidade e Fluxos O espaço é setorizado por atividades e por produtos da gastronomia italiana como massa, carne, peixe, risoto e etc., disponibilizados de forma integrada em 3 pavimentos. Onde ao chegar ao acesso principal o usuário será conduzido horizontalmente para as lojas ou para as barracas de produtos artesanais, na vertical são dispostos de elevadores e escadas rolantes para facilitar o acesso aos restaurantes e ao estacionamento no subsolo. Segundo Ana Marquez “grande vazio central do edifício integra os três pavimentos, possibilitando a visualização dos diversos restaurantes, convidando ao passeio e promovendo o encontro” (GALERIA DA ARQUITETURA, 2017).

O pavimento térreo funciona da seguinte forma: ao acessar o edifício, o primeiro contato é feito com o balcão de informação, a partir disso é possível acessar os pavimentos superiores ou ao estacionamento localizado no pavimento inferior através de elevadores ou pela escada, ainda nesse primeiro espaço pode se dirigir aos banheiros e ao caixa. Nesse mesmo pavimento, encontram-se os restaurantes que oferecem os mais variados tipos de pratos e o melhor da confeitaria italiana. Na parte central encontra-se o mercado que é setorizado por produtos alimentícios salgados e doces, e também os de utensílios domésticos, cosméticos e livros.


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Entrada

Figura 17 - Setorização do pavimento térreo.

Fonte: Arnaldo Lorencato, publicado maio de 2015.

No 1 andar encontra-se a escola de gastronomia com 18 lugares, os restaurantes típicos italianos desde prato feito com peixes a carne, a adega, cafeteria, stands de produtos como azeites e oliveiras, pizzaria e um terraço destinado à área de vivência e permanência dos usuários, totalizando 315 para comer e beber (VEJA SP, 2017). Figura 18 - Setorização do primeiro andar.

Fonte: Arnaldo Lorencato, publicado maio de 2015.

O último pavimento encontra uma cervejaria artesanal feita no próprio local e a Brace Bar e Griglia, localizadas por todo este piso sendo o maior dos restaurantes com 180 lugares. É o único onde se pode fazer uma refeição completa, da entrada à sobremesa. A cobertura de vidro é móvel é o que torna o ambiente mais dinâmico, contemporâneo e sofisticado (VEJA SP,2017).


P á g i n a | 35 Figura 19 – Setorização do segundo andar.

Fonte: Arnaldo Lorencato, publicado maio de 2015

Segundo a arquiteta autora do projeto Jovita Torrano a proposta do edifício é “... um espaço totalmente descontraído e dinâmico. Tem muita gente andando, comprando, passeando e conhecendo os produtos. Essa atmosfera de mercado e feira é um dos grandes destaques do projeto arquitetônico” (GALERIA DA ARQUITETURA, 2017). Figura 20 - Interior do Mercado.

Fonte: Acervo da Autora, 2017.


P á g i n a | 36 3.2.4 Materialidade A construção do edifício foi baseada nos antigos mercados públicos italianos construídos a partir do século XIX. A escolha pela estrutura metálica (figura 21) foi a fim de reduzir os prazos de execução da obra e conter uma estrutura mais leve comparada com as estruturas convencionais. Os perfis de aço já foram trazidos prontos e montados, visando o desperdício de material foram escolhidas as lajes steel deck por não necessitarem de escoras (GALERIA DA ARQUITETURA, 2017). Afirma a arquiteta autora do projeto que a leveza desse sistema garantiu fundações menos robustas do que as utilizadas nas estruturas convencionais de concreto (GALERIA DA ARQUITETURA, 2017). Na cobertura foram utilizadas telhas termoacústicas, contribuindo para o conforto térmico do espaço, além de pé direito alto causado pela escolha de não colocar forros no teto. Na fachada a estrutura metálica aparente e a utilização de panos de vidro em toda a extensão do bloco do edifício, permitindo a incidência da luz natural dentro dos espaços e além reforçam a ideia de ser uma arquitetura contemporânea e moderna (GALERIA DA ARQUITETURA, 2017). Figura 21 - Materiais utilizados no edifício Eataly, São Paulo.

Fonte: Galeria da Arquitetura, 2017.

Sobre esse estudo de caso, é possível concluir através da visita realizada, que o edifício possui um programa e uma setorização de atividade muito interessante e eficiente, atendendo as necessidades dos seus usuários. Mas, por estar implantada em uma área nobre, a arquitetura proposta teve que se adequar ao padrão do seu entorno, assim, o edifício tornou-se um espaço mais elitizado, configurando-se como uma arquitetura comercial de shoppings centers, sem comunicação exterior e interior. Para este trabalho, o projeto visou requisitos opostos a este


P á g i n a | 37 padrão, buscando adotar como referência a setorização e o programa ao realizar a visita. 3.3 MERCAT DE SANT CATERINA, BARCELONA A história do mercado começa na demolição do convento em 1835, alvo de destruições no período das revoluções da época. Em 1848, surge o primeiro mercado coberto localizado na cidade de Vella, no bairro de Ribera, esse mercado possui como intenção o favorecimento de alimentos a todos os setores da cidade inclusive os populares (MERCAT DE SANT CATERINA, 2017). O projeto de reforma do novo mercado de Sant Caterina começou em 1997 e foi concluído em 2005 pela equipe de arquitetos EMBT (Enric Miralles e Benedetta Tagliabue), com a intenção de reconstruir o mercado antigo, preservando apenas a fachada e as portas de entrada. Uma intervenção que se espalhou para a escala urbana de todo o bairro, por se tratar de uma intervenção que vai além do preservar e reabilitar (MERCAT DE SANT CATERINA, 2017). Figura 22 - Localização do Mercado de Sant Caterina, Barcelona – Espanha.

Fonte: Google Earth, 2017.

3.3.1 Implantação e Relação com o Entorno A implantação do edifício acontece em um bloco único irregular com dois pavimentos o térreo e o subsolo. Implantado em uma via de importante acesso, houve a necessidade de criar vários acessos de forma a priorizar o espaço de pedestre, delimitando como espaço público coletivo. Na parte posterior do mercado (figura 23) foram criadas duas praças, sendo que uma faz a conexão do edifício com a malha urbana existente e a outra localizada mais próxima as residências, conecta o edifício as essas regiões de atividades residenciais (BARBOSA, 2016).


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Figura 23 - Fachada posterior do mercado.

Fonte: Pinterest, 2017

A relação do edifício com entorno (figura 24) acontecerá de forma que ele sirva como referência de espaço coletivo e comercial, onde o mercado não seja apenas um estabelecimento de compra, mas um espaço para caminhar, tomar algo e contemplar as ruinas do antigo convento de Santa Caterina, atendendo algumas diretrizes como acessibilidade e facilidade de acesso, permeabilidade e visibilidade dos demais edifícios, entrada de luz natural e ventilação de vento cruzada e baixa altura em relação ao contexto (DIÁRIO EL PAIS, 2004). Figura 24 - Relação do edifício com o entorno.

Fonte: Architect, 2016.


P á g i n a | 39 3.3.2 Programa O programa do edifício conta com 63 estabelecimentos alimentares que ocupam cerca de 3.000 m² e não são distribuídos em linhas retas ou em espaços compartimentados e também conta com 7 estabelecimentos de serviços, totalizando 70 boxes. A maior oferta será de materiais e utensílios da pesca, em seguida talhos, frutas e legumes, mas possuem boxes que são compartilhados por barracas de frutas e legumes junto com carnes. Na parte central do mercado ficam as atividades de autosserviço (ARCHIDIAP, 2017; BARBOSA, 2016). 3.3.3 Morfologia O edifício consiste em uma forma horizontal com 2 pavimentos com um design curvilíneo e sinuoso que traz um movimento a arquitetura. Possui um conjunto de três grandes arcos de 42 metros que forma a cobertura ondulada, elemento que se tornou o destaque do edifício. A forma da cobertura contribui para a inserção de luz natural e ventilação cruzada em todo bloco (ARQUITECTURA Y EMPRESA, 2017). O elemento mais emblemático do projeto é uma colorida capa (cobertura) de mosaico inspirada no quebra-cabeças de Gaudi (figura 25 e 26), que é feita com 325 mil telhas e segundo Benedetta Tagliabue," o intuito era reproduzir as cores das barracas de frutas e legumes” tendo como ideia a recuperação da cor e da vitalidade do espaço (EL PERIODICO,2017). Figura 25 - Croqui do desenvolvimento das formas principais do edifício.

Fonte: Wikiarquitectura, 2017.


P á g i n a | 40 Figura 26 - Croqui esquemático para desenvolvimento da cobertura.

Fonte: Públic Spaces, 2013.

3.3.4 Espacialidade e Fluxos A setorização do edifício (figura 27) é disposta de forma a ser um espaço permeável e fluido, sendo um local de passagem e com fluxo de pessoas considerável, e isso explica os numerosos acessos voltados para as principais avenidas, o intuito do projeto é reduzir a área de superfície destinada a modulo do mercado, em comparação com que ocupava anteriormente, para criar uma praça onde estão facilitou o acesso e contemplação (ARCHDIAP, 2017). Figura 27 - Planta baixa do térreo.

Fonte: Pinterest, modificado pela autora, 2017.

O layout do mercado propicia corredores que formam espaços irregulares que propiciam o ato de compra. Segundo o arquiteto autor do projeto, o intuito desse formato era "De uma parada, você já pode pensar sobre o que você vai comprar no outro, porque não está localizado um seguido pelo outro, mas em uma forma curva para ter uma visão mais ampla" (EL PERIODICO, 2017).


P á g i n a | 41 3.3.5 Materialidade A estrutura de mercado constitui-se de um conjunto de abóbadas de madeira irregulares, alguns biarticulados que são suportados por vigas de seção de aço e guias variáveis suportadas, vigas e pilares de concreto. Cada elemento estrutural é um elemento único, considerado uma obra de arte (ARQUITECTURA y EMPRESA, 2017). O aço foi escolhido para criar uma estrutura independente das paredes antigas, desta forma, a nova estrutura é um elemento independente e flexível em antecipação a futuras variações de layout (EL PAIS, 2017).

Figura 28 - Materiais utilizados no edifício

A cobertura curvilínea (figura 28) feita com painel de madeira coberta de cerâmica multicolorida: "é o gigante de uma foto tirada de um banco mediterrâneo de frutas e vegetais, impresso como um quebracabeças na beleza de 325.000 telhas hexagonais de 67 cores "(SITE MERCART SANTA CATERINA, 2017). A conclusão sobre o estudo de caso acima,

Fonte: Public Space, 2013.

é que esse edifício relaciona e integra adequadamente a arquitetura existente com a nova, o programa necessário com a setorização espacial, o seu entorno com os usuários, isso através da prioridade e do incentivo a utilização de espaços destinados a uso público e coletivo, facilidade de acesso e a apropriação da área. A partir das pesquisas e estudos de casos realizados, foi possível observar uma grande importância do espaço de mercado contemporâneo inserido em uma localização estratégica vinculada a sua história e à sua cultura, assim como a preferência pela comercialização de produtos locais e regionais. Foi perceptível a relevância de uma adequada setorização e espacialidade das atividades realizadas e dos produtos comercializados dentro do edifício, pois acarretam em uma melhor funcionalidade e fluxo. É evidente o efeito que traz ao local a implantação de um espaço gastronômico, pois possibilita o aumento de fluxos e a presença de pessoas de diferentes classes e faixas etárias, favorecendo assim, para a requalificação da área.


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0404 PROPOSTA PROPOSTA PROJETUAL PROJETUAL


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4. PROPOSTA PROJETUAL A proposta do projeto é a elaboração de um espaço público que represente e incentive o conhecimento da cultura, da gastronomia capixaba e que comercialize de modo a valorizar os produtos encontrados em todo Estado. O projeto foi estruturado em 8 pranchas humanizadas sendo: •

Prancha 01: Foi exposto a localização do bairro da Vila Rubim, um breve histórico do bairro;

Prancha 02: a caracterização da área e do terreno, por meio de diagnósticos e mapeamentos de uso do solo e mobilidade;

Prancha 03: as diretrizes projetuais e legislativas;

Prancha 04: o partido, conceito e morfologia do projeto e o programa de necessidades gerado;

Prancha 05: implantação do terreno e o entorno, e setorização volumétrica dos ambientes;

Prancha 06: plantas baixas do pavimento térreo e superior;

Prancha 07: cortes esquemáticos do edifício e do entorno;

Prancha 08: o estudo da envoltória e o seu conceito e forma.


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UM ESPAÇO GASTRONÔMICO E CULTURAL PARA O BAIRRO VILA RUBIM

Os espaços públicos destinados a gastronomia e a cultura local são elementos vivos da história da uma cidade. Com a inserção de mercados e espaços gastronômicos, possibilita relacionar aspectos relevantes para obter uma saúde pública urbana, destes, a relação de sociabilidade e vitalidade. O bairro da Vila Rubim, localizado no município de Vitória/ES, destaca-se no comércio de produtos capixabas, encontrados em seus mercados e lojas características da região, expressando através dos artesanatos, produtos culinários orgânicos e demais utensílios (religiosos, pesqueiros e outros) a vocação local. São esses elementos típicos que atraem pessoas de diferentes classes sociais à área e refletem a identidade sociocultural capixaba. A Vila Rubim foi um dos primeiros bairros a ser ocupado na cidade de Vitória em meados da década de 40, reforçando assim, a sua importância histórica e econômica para a população capixaba. Mas com o surgimento dos novos modelos de mercado (shopping centers), resultado de um processo de urbanização acelerada houve o esvaziamento do centro. O esvaziamento urbano em áreas centrais e históricas são consequências do processo de globalização, e quando localiza - se uma área que possui potencial e está sem uso ou subutilizada como na Vila Rubim, vê uma necessidade de requalificar essa área. Logo, a escolha pelo terreno veio por sua localização estratégica, por toda sua importância histórica, social, cultural e econômica e pela sua diversidade de produtos.

Estado do Espírito Santo

Figura 29 - Mapa Localização. Acervo autora.2018

ESPAÇO CAPIXABA

Cidade de Vitória

Bairro Vila Rubim

4. PROPOSTA PROJETUAL Figura 30 – Acervo da autora, 2018.

PR.01/08


CONTEXTUALIZAÇÃO

LOCALIZAÇÃO E ESTUDO

Caracterização da área

Figura 31 - -Terreno e seu entorno – Acervo autora 2018. Figuras 38 – Mapa de localização e estudo. Fonte: Imagem gerado pelo ArcGIS, modificado pela autora.

O terreno atualmente está sendo ocupado por um edifício que possui lojas de diversos seguimentos, ocupando cerca da metade da área do terreno (figura 31). O seu entorno já existe um intenso comércio lojista e ambulante, ícones da identidade do Espírito Santo (figura32 e33). Figuras 32 e 33 -Imediações do Terreno

. Fonte: Acervo autora, 2018.

A partir da delimitação de um perímetro de 300 m da área de estudo foi realizado um levantamento das atividades e usos. De acordo com o levantamento, foi percebido o predomínio da atividade comercial na região, onde acontece principalmente a comercialização de produtos característicos capixaba, sendo possível encontrar artigos artesanais (feitos conchas e palha, panela de barro, etc.), religiosos, ervas e variados tipos de temperos (figura 34). Também foram identificados supermercados, lanchonetes, hortifruti, lojas de acessórios e utensílios domésticos como panelas e cestos, lojas de pesca, embalagens e fogos de artifícios, camelôs. Essa variedade de lojas e produtos, representa a vocação da área e é responsável por atrair pessoas para a região (figura 35 e 36). Figuras 34– Atividades comerciais.

Figuras 35– Atividades comerciais.

O comércio de acessórios realizado pelos camelôs, localizados em frente ao terreno escolhido, encontra-se em um estado precário e de abandono, trazendo para os usuários da área uma sensação de insegurança (figura 37). No seu entorno, também se encontra outros tipos de serviços, como a atividade portuária, responsável pela movimentação turística da região (potencial econômico), posto de policiamento, atividades residenciais multifamiliar e unifamiliar, atividade hospitalar no Santa Casa de Vitória (figura 39). Os espaços públicos encontrados caracterizam como a praça Manoel Rozindo e pequenas áreas residuárias, implantadas próximas a malha urbana, possuem uma infraestrutura básica, como posteamento, lixeira, mas falta mobiliário adequado, qualidade de manutenção e visibilidade dessas áreas, ocasionando em espaços ociosos e sem apropriação de usuários. Outro contexto importante analisado foi a mobilidade urbana (figura 40), foi inserido a partir do perímetro do terreno um raio de 300 metros, por ser uma distância de influência imediata sobre o local, e por ser considerado um rápido percurso de acesso, pois equivale 3 a 4 minutos de caminhada. O terreno está localizado entre 2 eixos de vias artérias metropolitanas, responsáveis por conduzir um alto fluxo de veículos e de pessoas, essas vias também são as principais opções de acesso ao terreno. As ruas internas classificadas como vias locais, possuem um fluxo menos intenso, entretanto, ocorre nesses acessos nós viários (principalmente nos finais de semana), pelo fato de ter um grande número de estacionamentos rotativos nessas vias, isso causa uma lentidão no trânsito por automóveis a procura de vagas. É possível acessar a área por transporte público que circulam nas principais avenidas ou por bicicleta pela ciclovia inserida na av. Elias Miguel. Figuras 36– Atividades comerciais.

USO DO SOLO

Figuras 39 – Mapa de uso do solo. Fonte: Imagem gerado pelo ArcGIS, modificado pela autora.

MOBILIDADE

Figuras 37– Atividades comerciais.

Figuras 40 – Mapa de Mobilidade. Fonte: Imagem gerado pelo ArcGIS, modificado pela autora.

4. PROPOSTA PROJETUAL Fontes: Acervo autora, 2018.

PR.02/08


DIRETRIZES PROJETUAIS ELO - ARQUITETURA E CIDADE

Figura 41 - Acervo autora, 2018.

Conectar e Integrar:

Valorizar a Cultura Capixaba:

Funcionalidade do Espaço:

A ação de integrar e conectar os ambientes do edifício com seu entorno, ocasiona uma maior proximidade e conectividade de pessoas e fluxos, a partir de uma continuidade do interior com o exterior, estimulando a circulação e a permanência de pessoas no espaço.

Requalificar e Dinamizar:

Em um edifício dessa tipologia, que será implantado em um local rico em diversidade de produtos capixabas, deve ser evidenciada e valorizada a identidade sociocultural e econômica de maneira clara e atrativa, assim contar a história que representa o povo capixaba.

A funcionalidade do espaço fará com que o edifício haja de forma eficiente e usual, visando designar espaços que sejam flexíveis, confortáveis, ativos e permeáveis fisicamente e visualmente. Implantar de maneira adequada o edifício, permitindo o melhor aproveitamento da iluminação e ventilação natural.

O projeto localiza- se em um bairro de grande importância histórica e econômica do Estado, servirá como um incentivo a requalificação e reavivamento da área e do seu entorno, além de servir como espaço dinamizador da economia local, da saúde pública e da vitalidade urbana.

Assim, pode-se dizer que ao definir essas diretrizes projetuais o espaço gastronômico cultural será favorável à: Figura 42 – Diretrizes Projetuais – Fonte: Acervo autora, 2018.

DIRETRIZES LEGISLATIVAS Segundo o Plano Diretor Urbano de Vitória (PDU), Lei nº 6705/2006, a área do terreno está localizada na Zona de Ocupação Prioritária 2/02 – ZOP2/02 (figura 43), composta por áreas em transformação urbana acelerada e por grandes áreas desocupadas. A tabela de controle urbanístico (figura 44), indica que é permitido nessa área usos residenciais unifamiliares e multifamiliares, atividades não residenciais classificadas como G1, G2 e G3 (são atividades comerciais e de serviços de vários ramos) e atividades mistas. Na mesma tabela, é possível identificar os índices urbanísticos permitidos na Zona ZOP2, são eles:

Figura 43 – Índices Urbanísticos - Fonte: Prefeitura de Vitória.

Ao realizar o diagnóstico, percebeu-se que a área possui um interessante potencial para as atividades comerciais, condizendo com proposta deste trabalho, além de possuir características importantes para a elaboração do programa de necessidades e idealização da arquitetura e da forma do edifício a ser proposto.

4. PROPOSTA PROJETUAL

PR.03/08


PROGRAMA

PARTIDO, CONCEITO E MORFOLOGIA

O programa de necessidades, foi definido a partir de estudos realizados em espaços que possuem um programa semelhante, atentando-se sua funcionalidade e também através das demandas do local percebidas em visitas. Com isso, foi possível identificar a vocação, as atividades e os usos necessários para a concepção do projeto. A área estudada já possui características e atividades bem representativas (figura44), o comércio regional é o que movimenta e o que identifica esse espaço. A partir disso, o programa leva em consideração essas atividades, principalmente o grande comércio do Mercado da Vila Rubim, que fica localizado ao lado do terreno escolhido, sendo um edifício de suma importância e influência. Outro fator importante para formação do programa, é a edificação existente dentro do terreno. Nesse edifício possui atividades comerciais de variados ramos, mas sua arquitetura encontra-se em um estado precário, sendo proposto então a demolição do mesmo, para atendimento das necessidades do edifício.

O partido arquitetônico e a volumetria do projeto do Espaço Capixaba, surgiram do resumo das diretrizes projetuais e legislativas em conjunto com o programa e a vocação do sítio. O projeto visa criar um espaço público que represente e incentive o conhecimento da cultura, da gastronomia capixaba e que comercialize de modo a valorizar os produtos encontrados em todo Estado. Além de ser um edifício que tenha como elo e premissa a permeabilidade e a conexão direta entre a nova arquitetura proposta e o entorno (conexão por meio de passarela ao mercado Vila Rubim), representados em uma volumetria simples, com geometrias retilíneas e o uso da forma em adição e subtração. Onde a envoltória será responsável por representar a iconografia Capixaba (figura 46).

Figura 46 – Estudo da forma – Fonte: Acervo da autora, 2018.

O aspecto levado em consideração na elaboração do programa, foi definir que esse espaço gastronômico e cultural, traga benefícios a economia local e ao seu entorno, contendo atividades de variados usos e que possam acontecer em horários diferentes, tornando-se um espaço diverso e dinâmico (figura 45). Comércio de camelô

Edificação no terreno (a demolir)

Terreno

Iconografia nos brises

Forma geométrica retilínea

Mercado Vila Rubim (existente)

Permeabilidade Aberturas para conexão

Figura 44 – Situação Terreno – Fonte: Google Earth, modificado pela autora, 2018. Figura 45 – Programa de necessidades – Fonte: Elaborado pela autora, 2018.

A partir disso, no setor mercado, acontecerá a exposição e a venda dos produtos regionais. Esse espaço será responsável por conduzir os usuários ao demais setores e onde se encontra os ambientes de apoio e serviço como balcão de informação, sanitários, carga e descarga. Também foi definido um espaço gastronômico, nele ocorrerá a consumação dos produtos comercializados pelas lojas e restaurantes, terá como espaços de apoio os sanitários e depósitos. A escola de gastronomia, vai ser um espaço destinado ao ensino das técnicas de preparo das receitas características do povo capixaba, depósitos e sanitários serão ambientes de apoio. De acordo com o estudo no local, foi percebido a necessidade de uma área destinada a estacionamento de veículos e armazenamento de bicicletas, visando facilitar o fluxo e o acesso no edifício.

Figura 47- Acervo autora, 2018. Figura 47 – Estudo da forma – Fonte: Acervo da autora, 2018.

4. PROPOSTA PROJETUAL

PR.04/08


07

IMPLANTAÇÃO O edifício foi implantado (figura 49) em um terreno com área de 1115,25 m², situado entre a avenida Marcos de Azevedo, as ruas Jair de Andrade e Orlando Rocha e a travessa Galpão. Entre o novo edifício e a rua, foram criados espaços de permanências e de vivências com paisagismo que dão suporte as lojas e boxes do mercado, mobiliário urbano, bicicletários, entre outros. São espaços públicos e novos mobiliários ocupando o lugar de dezenas de vagas de estacionamentos rotativos. O entorno também sofreu melhorias com a implantação do mercado. O terreno situado a frente do edifício, onde comercializa os camelôs em estado precário, deu lugar para um bolsão de estacionamento de 30 vagas que atenderam ao edifício espaço capixaba e aos usuários dos demais usos. Já no Mercado Vila Rubim implantado no terreno posterior ao do projeto, houve melhorias 03 em sua envoltória de forma a potencializar a atividade comercial da área, os dois edifícios são conectados por uma passarela metálica. Os acessos ao terreno estão mais agradáveis para o veículo e para o pedestre, onde agora o veículo é induzido a reduzir a velocidade, devido a troca do revestimento da faixa de rolamento pela especificação de pavimentação permeável e pouco mais trepidante, o uso de faixa elevadas que prioriza a circulação do pedestre e servem como elemento integrador de espaços.

05

04

Acesso Serviço 02

06

01

SETORIZAÇÃO VOLUMÉTRICA A setorização foi definida visando a funcionalidade do edifício e de seus ambientes, onde a partir deles podem surgir ambientes externos mais ativos e atraentes, a conexão espacial entre eles, dando assim continuidade do edifício proposto com os já existentes (figura 48). As fachadas que estão voltadas para o acesso principal ao mercado, foram colocadas as lojas, as varandas dos restaurantes e as aberturas dos boxes, de modo a atrair pessoas a circularam nos passeios do edifício e convidando para o seu interior. Já o acesso de serviço ficou localizado na fachada posterior ao acesso principal da quadra, por ser uma atividade restrita a funcionários. Figura 48 – Setorização Volumétrica – Fonte: Acervo da autora, 2018.

Lojas Boxes Serviços

04

Sala de Gastronomia Auditório Acesso passarela

Restaurantes

08

Figura 49 – Implantação – Fonte: Acervo da autora, 2018.

#

Figura 51: Acervo da autora,2018. autora, 2018.

autora, 2018. Figura 50: Acervo da autora,2018.

AMBIENTE 1 Mercado – Espaço Gastronômico Capixaba 2 Parklet 3 Espaço Público 4 Faixa elevada 5 Passarela 6 Bicicletário 7 Mercado Vila Rubim 8 Estacionamento

4. PROPOSTA PROJETUAL

PR.05/08


Mercado existente

Mercado existente

PLANTA BAIXA PAV. TÉRREO

A

02

02

01

02

02

05

02

06 07

02 01

02

02

04

02

12

11

Figura 53: Acervo da autora, 2018.

07 08

B

10

01

E SUA IMEDIAÇÕES

02

02

02

03

09

B

08

AMBIENTE

ÁREA

PAVIMENTO TÉRREO TOTAL 1 Loja 2 Boxe 3 Loja 4 Espaço de mesas 5 Sala de controle 6 Apoio / Monta carga 7 Vestiários funcionário 8 Sanitários 9 Sanitário PNE 10 Bicicletário 11 Parklet 12 Depósito

11

11

#

A

616,30M² 23,50 m² 12,00 m² 26,50 m² 20,00 m² 7,15 m² 19,15 m² 14,00 m² 14,00 m² 2,60 m² 13,00 m² 30,00 m²

2,50 m²

Figura 52: Acervo da autora, 2018.

PLANTA BAIXA PAV. SUPERIOR

A 13

11

01

12 09

01

10

03

08 06

02

08

07

B

B 01

04

# AMBIENTE ÁREA PAVIMENTO SUPERIOR TOTAL 847,00M² 1 Restaurantes 52,00 m² 2 Varanda Gourmet 57,00m² 3 Circulação - área de mesas 213,60 m² 4 Loja 29,50 m² 5 Sala de Gastronomia 58,50m² 6 Circulação Vertical 16,90 m² 7 Varanda – área de estar 44,00 m² 8 Sanitários 15,30 m² 9 Apoio - monta carga 11,60 m² 10 Depósito 7,00 m² 11 Administração 14,70 m² 12 Mini Auditório 13 Acesso Passarela

05

58,30 m² 30,70 m²

4. PROPOSTA PROJETUAL

A Figura 54: Acervo da autora, 2018.

PR.06/08


CORTES ESQUEMÁTICOS O Espaço Capixaba buscou ser um equipamento público estimulador das potencialidades da área sendo uma estrutura convidativa, permitindo a integração e a relação interior e exterior. Concedendo aos seus usuários espaços paisagísticos, com cobertura de massa verde, acessíveis e confortáveis ao olhar humano, propiciando assim, áreas de lazer agradáveis, essenciais para a vitalidade social e urbana. Os ambientes foram criados a partir de diretrizes como a conexão do novo com o existente, a partir da integração e continuidade de atividades e usos, incentivando a circulação de pessoas, a forte identidade cultural e a funcionalidade do edifício e do seu entorno, transformando em espaços ativos e dinâmicos. Figura 55 e 56: Acervo da autora, 2018.

CORTE A-A 06

06 04 07

03

05

#

#

02

02

01

AMBIENTE 1 Boxes 2 Restaurantes 3 Mezanino Restaurante 4 Pavimento Técnico – Caixa D’água 5 Passarela 6 Telhado - Cobertura Metálica CORTE B-B 7 Cobertura Metálica e Vidro

03

01

01

01

Figura 57: Acervo da autora, 2018.

AMBIENTE 1 Loja 2 Boxes 3 Varanda Gourmet 4 Sanitário 5 Varanda- área de estar 6 Pavimento Técnico – Casa de Máquinas / Caixa d’água 7 Mezanino Restaurante Cobertura Metálica 8 Cobertura Metálica e Vidro

08

07

06

05

03

02 01

Figura 58: Acervo da autora , 2018.

02 04

4. PROPOSTA PROJETUAL

PR.07/08


A ENVOLTÓRIA A proposta para envoltória do novo mercado, é uma malha de estrutura metálica que funcionará como brise, esse elemento arquitetônico de proteção térmica, fará o controle da entrada de luz e da ventilação natural dentro do edifício (figuras 59, 60, 61 e 62). O conceito da trama metálica, foi pensado em algo que representasse os produtos e a cultura capixaba. O desenho concebido surgiu do formato das redes de embalagens de proteção de frutas e verduras, encontradas nos mercados e feiras, trazendo assim para fachada do edifício características dos alimentos vendidos no seu interior (figura 63 e 64).

Figura 63: Rede de Fruta. Fonte: CEAGESP oficial.

Brise: Raízes

A inspiração para a definição das cores utilizadas na pintura dos perfis metálicos caracteriza a iconografia capixaba, onde cada cor representa uma manifestação natural ou produtos encontrados nas terras do Espírito Santo. Assim, pode-se garantir uma forma de integrar a identidade no conjunto da forma (figura 65). “A Inspiração para o Vermelho veio do café, mas não do café como bebida e sim como produto ainda na plantação, na roça. Foi uma forma de homenagear todos os trabalhadores das lavouras de café que geram essa enorme riqueza do estado. O Marrom é a cor característica da panela de barro símbolo do artesanato e da cultura capixaba. As tonalidades de laranja foram determinadas pela cor da Moqueca, caracterizada pela utilização do urucum, e pelas conchas que tanto influenciaram o artesanato, assim temos o Coral Moqueca e o Ocre Concha...” (Leão, 2009, pág. 21).

Como o Espaço gastronômico visa requalificar também o seu entorno, foi proposto um envelopamento na fachada do mercado Vila Rubim (edifício existente) como forma de restaurar a estética do edifício. O envelopamento também é feito com brise metálico, representando na sua forma as raízes do mangue Capixabas (figura 66).

Figura 65: Modelo brise rede de frutas. Fonte: Acervo da autora, 2018.

Figura 61: Fachada Lateral Esquerda. Fonte: Acervo da autora, 2018.

Figura 59: Fachada Frontal Fonte: Acervo da autora, 2018.

Figura 67: Acervo da autora, 2018.

Figura 60: Fachada Posterior. Fonte: Acervo da autora, 2018.

Figura 62: Fachada Lateral Direita. Fonte: Acervo da autora, 2018.

Figura 66: Modelo brise raízes. Fonte: Acervo da autora, 2018.

Figura 68: Acervo da autora, 2018.

Figura 69: Acervo da autora, 2018.

4. PROPOSTA PROJETUAL

PR.08/08

Figura 64: Embalagem de Fruta. Fonte: CEAGESP oficial.

Brise: Rede de frutas


05 CONSIDERAÇÕES FINAIS


P á g i n a | 53

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Baseado nos estudos realizados no desenvolver desse trabalho, é possível concluir a importância dos espaços gastronômicos e culturais para uma cidade, visto que, a tradição gastronômica de comercializar produtos e de cozinha-los em conjunto com a arquitetura, são fatores essenciais para ressaltar a identidade sociocultural de uma sociedade em uma região. Principalmente porque são nesses mercados que acontecem o ato de troca de produtos e de ideias, favorecendo a integração e ao convívio de pessoas. Também pode-se concluir a relevância dos novos modelos de mercados gastronômicos contemporâneos, pois esses espaços públicos tomam como partido a ação de promover o que é histórico e cultural em contíguo com o econômico, em função disso, resulta em espaços públicos atrativos e dinâmicos por sua diversidade de serviços e atividades oferecidas em diferentes

horários,

incentivando

aspectos

importantes

como:

a

sociabilidade, a caminhabilidade e a saúde pública. Por essa razão, as áreas que estão no entorno a esses edifícios se tornam mais movimentadas e frequentadas, sendo primordiais para a vitalidade urbana. O projeto do Espaço Capixaba almejou ser uma equipamento público estimulador e propulsor das potencialidades do sítio, sendo convidativo, permitindo a integração social. Oferecendo aos seus usuários espaços arborizados, planejados, na escala humana, propiciando áreas de lazer agradáveis, essenciais para a qualidade de vida humana. Os ambientes do edifício foram criados a partir de premissas como a conectividade e a integração por meio do incentivo ao pedestre, a acessibilidade, a valorização da cultural, a funcionalidade dos espaços. Em conclusão, a implantação do mercado contribui positivamente para a requalificação e a dinamização da área e do seu entorno, pois concede espaços públicos ativos, promove a economia local, a união de pessoas e saúde pública.


P á g i n a | 54

06 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


P á g i n a | 55

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, A. F. G. De. Continuidade e descontinuidade no contexto da globalização: Um Estudo de feiras de Portugal e no Brasil (1986 - 2007). Tese de Dourado em História Universidade de Minho, Bahia, nov. 2017. ARCHIDIAP. Mercat sant caterina. Disponível <http://www.archidiap.com/opera/riqualificazione-del-mercado-de-santa-caterina/>. em: 13 out. 2017.

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em: Acesso

Profile for Rhaiani Vasconcellos de Almeida

ESPAÇO CAPIXABA: UM ESPAÇO GASTRONÔMICO E CULTURAL PARA O BAIRRO VILA RUBIM, VITÓRIA/ E.S  

Trabalho de conclusão de curso apresentado por Rhaiani Vasconcellos de Almeida ao curso de arquitetura e urbanismo da Universidade de Vila V...

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