T E X T O //
joão dicker
d i a g r a m a ç ã o //
vics
Uma fábula poética Nas primeiras décadas do século XX, período em que o cinema passou por inúmeras experimentações estéticas, narrativas e tecnológicas, iniciou-se o que pode ser considerado como os primórdios do entendimento de que o cinema possui uma linguagem própria. Desde então, com os avanços da sétima arte enquanto manifestação artística cultural e como indústria, tornou-se claro que um filme depende da linguagem cinematográfica e da forma como ela é trabalhada para garantir a atenção do espectador, assim como construir a atmosfera que uma película procura representar nas telas. 24| zint.online
No cinema contemporâneo, Guillermo Del Toro se consagrou como um cineasta que domina diferentes maneiras de impressionar e transportar seu público para dentro da tela de cinema, usando sempre de um cuidado estético apuradíssimo e de uma direção de arte impecável para trazer vida aos contos, histórias e criaturas que cria. Dito isso, nada mais justo do que evidenciar que em seu mais novo longa-metragem, A Forma da Água (2017), o diretor não só entrega um de seus melhores trabalhos técnicos e estéticos, elogio que se estende a toda sua equipe de produção artística, mas também demonstra um total controle criativo e muita maturidade nas decisões criativas de sua nova produção. Ambientado nos anos 60, a trama do longa acompanha Eliza Esposito (Sally Hawkins), uma mulher muda